DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
MOP$10
QUARTA-FEIRA 11 DE SETEMBRO DE 2019 • ANO XIX • Nº 4371
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Primeiros sintomas O futuro Chefe do Executivo partiu ontem para Pequim, onde vai receber o diploma de indigitação. Em declarações à imprensa, Ho Iat Seng disse não ter ainda feito qualquer escolha sobre o futuro Governo, mas deixou algumas
LISBOA
TESOUROS DA ÁSIA
indicações. É preciso reforçar os poderes dos secretários para que possam liderar eficazmente os directores de serviço. Integridade, profissionalismo e amor à pátria são também vectores da governação de Ho Iat Seng.
EVENTOS
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BREXIT
BALBÚRDIA NO PARLAMENTO GRANDE PLANO
h
MIF | TIBETE
INTERNET
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LIBERDADE DE CIRCULAÇÃO
ENTRE AS FLORES LI HE
WIFI STOP
EXPLORADOR CANSADO JOÃO PAULO COTRIM
CHINA
MALDITOS ENCONTROS PÁGINA 13
MODO DE USAR NUNO MIGUEL GUEDES
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CAOS EM WESTMINSTER O REINO UNIDO CERIMÓNIA NO PARLAMENTO PERTURBADA POR PROTESTOS DE DEPUTADOS DA OPOSIÇÃO
Os rituais seculares de suspensão do parlamento britânico foram, na noite de segunda-feira, perturbados pelos protestos de deputados da oposição e pelo desagrado manifesto do presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow. Além do caos de procedimentos em Westminster, Boris Johnson viu-lhe serem negadas novas eleições e ser aprovada uma lei que pede mais um adiamento do Brexit
S primeiros tempos de Boris Johnson enquanto inquilino do nº 10 da Downing Street, a residência do primeiro-ministro britânico, não estão a ser fáceis, muito menos quando se desloca ao Palácio de Westminster, onde se reúne o parlamento britânico. Entre sexta-feira e o início desta semana, o recém-empossado primeiro-ministro recebeu dois duros golpes nas suas intenções políticas. Não só o parlamento lhe negou a hipótese de marcar novas eleições, como aprovou um projecto-lei que abre a porta a um adiamento de três meses para o Brexit. Uma solução que carece da unanimidade dos Estados-membro da União Europeia para prosseguir, algo impensável neste momento. Porém, a sessão de suspensão do parlamento (a mais extensa dos últimos 40 anos) foi marcada por uma enorme confusão. Vários deputados responderam "Não" e um pequeno grupo empunhou folhas de papel onde se lia "silenciado" quando Sarah Clarke, funcionária e representante da rainha Isabel II que tem as funções de 'Black Rod', anunciou a convocatória aos deputados para se dirigirem à Câmara dos Lordes pouco depois da 1h da manhã de segunda-feira. De acordo com o protocolo para a suspensão do parlamento, na ausência da monarca, é formada uma comissão de lordes para ler uma declaração sobre as leis e principais momentos da sessão legislativa que se encerra. Os deputados da câmara baixa são chamados a deslocarem-se à câmara alta, mas o presidente da
HORA DA DESPEDIDA
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presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow, anunciou que não vai recandidatar-se a deputado e que pretende demitir-se a 31 de Outubro. “Nas eleições de 2017, prometi à minha mulher e filhos que seria o meu último mandato. Esta é uma promessa que pretendo manter. Se a Câmara votar hoje [segunda-feira] à noite para eleições legislativas antecipadas, o meu mandato como presidente e deputado terminará quando este Parlamento terminar”, começou por dizer. Acrescentou ainda que, se a assembleia não votar nesse sentido, entende que “o menos perturbador e mais democrático” será cessar funções no encerramento da sessão 31 de Outubro, data prevista para a saída do Reino Unido da União Europeia. Bercow, um conservador, foi escolhido pelos pares para a posição em 2009, tornando-se no mais jovem detentor do título. “Durante o meu tempo ‘speaker’, tentei aumentar a autoridade desta legislatura, pela qual não pedirei absolutamente desculpa a ninguém”, afirmou.
Câmara dos Comuns manifestou-se descontente com o processo, e disse querer "deixar claro que esta não é uma suspensão normal". "É uma das mais longas [suspensões] em décadas e representa, não só na opinião de muitos colegas, mas de inúmeras pessoas lá fora, um acto arbitrário de poder", vincou Bercow, aplaudido pela oposição. "Eu entendo perfeitamente porque grande número de deputados estão muito mais confortáveis permanecendo onde estão", acrescentou. Muitos deputados da oposição gritaram "vergonha, vergonha" durante a saída dos membros do Governo e dos deputados do partido Conservador, os quais não regressaram no final da cerimónia à Câmara dos Comuns, como é habitual.
SUSPENDER EM GRANDE
O parlamento vai ficar suspenso durante cinco semanas, até 14 de Outubro, retomando os trabalhos apenas duas semanas antes da data prevista para o 'Brexit', a 31 de Outubro. De acordo com os registos históricos, esta é a mais longa suspensão em mais de 40 anos do parlamento que, na maioria dos casos, dura no máximo uma semana. Este período de suspensão abrange a interrupção de três semanas normalmente feita para os principais partidos políticos realizarem os seus congressos, e que estava prevista para ter lugar entre meados de Setembro e início de Outubro. Porém, a oposição considerou que a suspensão do parlamento foi usada pelo Governo para limitar o tempo de debate sobre a iminente saída do Reino Unido da União Eu-
ropeia, a qual o Governo pretende concluir a 31 de outubro, com ou sem acordo de saída. Os momentos de confusão na Câmara dos Comuns culminaram um dia em que John Bercow anunciou que pretende renunciar a 31 de Outubro, após uma década em funções. (ver caixa) Já depois da meia-noite de segunda-feira, uma segunda proposta do Governo para serem realizadas eleições legislativas antecipadas a 15 de Outubro foi inviabilizada por falta de apoio da oposição.
TEMPO QUE FOGE
Durante a tarde de segunda-feira foi promulgada uma lei por iniciativa da oposição e de um grupo de deputados conservadores que determina que o Governo tem de pedir um adiamento da saída da UE se até 19 de Outubro não conseguir aprovar um acordo nem tiver autorização do parlamento para um 'Brexit' sem acordo. Apesar de ser algo que Boris Johnson quer evitar ao máximo, pode mesmo vir a ter de pedir a Bruxelas mais tempo para negociação a saída do Reino Unido da União
“É uma das mais longas [suspensões] em décadas e representa, não só na opinião de muitos colegas, mas de inúmeras pessoas lá fora, um acto arbitrário de poder.” JOHN BERCOW PRESIDENTE DA CÂMARA DOS COMUNS
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Europeia. Ainda assim, mesmo com a aprovação de uma lei que o pode obrigar a voltar à mesa de negociações, Johnson manteve-se irredutível. "Eu não vou pedir outro adiamento", declarou ao Parlamento, acrescentando que se os deputados se opuserem a aprovar eleições gerais antecipadas vai preparar o Reino Unido para deixar a União Europeia (UE) "de preferência com um acordo, mas sem [acordo] se isso for necessário". Boris Johnson repetiu várias vezes que considera este novo adiamento "inútil" e que não pretende pedir uma nova extensão para o processo do 'Brexit', apesar de estar obrigado por lei, alimentando a especulação de que o Governo poderá encontrar formas de evitar cumprir a lei. Num encontro na segunda-feira, em Dublin, com o seu homólogo irlandês, Leo Varadkar, Johnson mostrou-se confiante de que é possível concluir um acordo para o ‘Brexit'. "Os governos passaram três anos a mastigar este problema. Penso que está na hora de honrar
Deputados da oposição gritaram “vergonha, vergonha” durante a saída dos membros do Governo e dos deputados do partido Conservador, os quais não regressaram no final da cerimónia à Câmara dos Comuns, como é habitual as conquistas dos nossos antecessores, que solucionaram problemas muito piores, resolvendo este problema nós próprios. Não diria que podemos fazer tudo hoje. Mas acredito que um acordo pode ser feito até 18 de Outubro", afirmou. O sucessor de Theresa May tem referido a convicção de que será capaz de chegar a um entendimento com os restantes 27 Estados membros durante o Conselho Europeu de 17 e 18 de Outubro em Bru-
xelas. Johnson defendeu que, se "for removida a política, no centro de cada problema encontram-se problemas práticos que podem ser resolvidos com energia suficiente e um espírito de compromisso".
A QUESTÃO IRLANDESA
O chefe do Governo britânico sugeriu soluções para facilitar a circulação de bens na fronteira terrestre entre a província britânica da Irlanda do Norte e a vizinha República da Irlanda, que continua a fazer parte da União Europeia (UE) e do mercado único europeu. Entre as suas propostas estão programas "trusted trader" – listas de empresas com autorização prévia - ou controlos aduaneiros electrónicos realizados antes da passagem na fronteira. Outra ideia, adiantou, é a da criação de uma "unidade na ilha da Irlanda" para fins sanitários e fitossanitários, ou seja, para [produtos] agroalimentares. "Não subestimo as dificuldades que enfrentamos, os problemas técnicos e as sensibilidades políticas",
“Os governos passaram três anos a mastigar este problema. Penso que está na hora de honrar as conquistas dos nossos antecessores, que solucionaram problemas muito piores, resolvendo este problema nós próprios.” BORIS JOHNSON PRIMEIRO-MINISTRO
vincou, aludindo ao desejo de ver substituída a "solução de último recurso", designada por ‘backstop', para evitar uma fronteira física na Irlanda do Norte. Já Leo Varadkar insistiu que o mecanismo de salvaguarda é essencial para um acordo de saída do Reino Unido da UE e que "remover o ‘backstop' resulta num ‘Brexit’ sem acordo".
O primeiro-ministro irlandês avisou ainda que a questão do ‘Brexit’ "não vai acabar" se o Reino Unido sair da União Europeia em 31 de Outubro ou a 31 de Janeiro, acrescentando: "Não existe uma saída limpa. Em vez disso, passaremos para uma nova fase". Varadkar garantiu que, mesmo após um ‘Brexit’ sem acordo, a UE estaria interessada em "voltar rapidamente à mesa de negociações", mas que os primeiros pontos da agenda serão os direitos dos cidadãos, a compensação financeira e a fronteira irlandesa. "Mas se houver um acordo, e eu acho que é possível, entrar em negociações sobre futuros acordos de relacionamento entre a UE e o Reino Unido será muito difícil. Teremos de lidar com questões como tarifas, direitos de pesca, normas de produtos, apoios governamentais e, depois, ele terá de ser ratificado por 31 parlamentos", vincou.
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GOVERNO HO IAT SENG PARTIU PARA PEQUIM PARA RECEBER DIPLOMA DE INDIGITAÇÃO
liderar os directores dos serviços [...] Actualmente os directores de serviços têm muita responsabilidade. [...] As dificuldades não são uma questão das pessoas que ocupam os cargos, mas do sistema”, sustentou.
O futuro Chefe do Executivo garantiu ainda não ter feito nenhuma escolha sobre os secretários, mas defende que precisam de ter mais poderes para poderem exigir responsabilidades aos directores dos diferentes serviços
SEM ANSIEDADE
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Quem quer ser secretário?
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EM qualquer escolha feita em relação aos secretários do seu futuro Governo, Ho Iat Seng partiu ontem de manhã para Pequim, onde vai encontrar-se com os responsáveis do Governo Central e receber o Decreto de Indigitação do Conselho de Estado. À partida garantiu que ainda não fez nenhuma escolha em relação aos nomes dos futuros secretários,
mas defendeu que é preciso clarificar bem as competências de cada um e dar-lhes mais poderes. “Ainda estou numa fase em que estou a ouvir opiniões [sobre a formação do Governo]. Não tomei nenhuma decisão concreta. [...] Primeiro vão ser escolhidos os secretários e depois de estarem definidos vai pensar-se nos directores dos serviços. É a ordem natural dos trabalhos”, afirmou Ho
Iat Seng, que apontou a segunda quinzena de Outubro como data provável para a decisão. O próximo líder do Governo explicou também alguns dos critérios que vão ser utilizados na escolha, não só dos secretários, mas também dos directores dos serviços: “Primeiro, é preciso integridade e capacidade de executar o trabalho. É igualmente um requisito mínimo saber liderar os direc-
LEI BÁSICA ESTÁ A SER BEM CONCRETIZADA
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futuro Chefe do Executivo foi questionado sobre o caso dos dois alunos do Instituto de Formação Turística que estão a ser investigados, após terem exibido cartazes pró-manifestantes de Hong Kong, e considerou que existe liberdade de expressão na RAEM. “A Lei Básica de Macau está bem concretizada, aplicada e os direitos dos residentes são protegidos de acordo com a Lei Básica. Não acho que haja um conflito em relação a esse caso. Todas as pessoas têm a oportunidade e liberdade de manifestarem a sua opinião”, afirmou. Ho Iat Seng negou ainda que
haja restrição ao Direito de Manifestação, depois do Corpo de Polícia de Segurança Pública ter considerada ilegal uma manifestação que visava condenar as acções das autoridades de Hong Kong. Ho justificou que as pessoas podem sempre recorrer aos tribunais, caso sintam que os seus direitos estão a ser prejudicados: “A polícia teve uma decisão com base na segurança e ordem pública. Em Macau os cidadãos podem ponderar as decisões e se sentirem que os seus direitos foram violados podem recorrer aos tribunais. Acreditamos na Justiça dos tribunais”, vincou.
tores dos serviços. Também é importante que seja uma pessoa com as portas abertas e que saiba ouvir a população”, revelou. “E claro que o Amor à Pátria e a Macau é um critério óbvio, por isso nem preciso de referi-lo. É natural que não peça a uma pessoa que não ame a Pátria nem Macau que seja secretário”, acrescentou. Ho recusou igualmente fazer alterações nas pastas governativas só pela vontade de mudar: “Vou fazer uma análise de cada situação concreta e depois os devidos ajustamentos. Mas não vamos usar a palavra reforma”, indicou. Foi quando comentava as queixas dos secretários sobre as dificuldades de “fazer melhor” que o futuro líder do Governo mencionou a necessidade de definir melhor as competências destes titulares. “Todos os secretários foram pessoas empenhadas. [...] Acho que
os problemas que enfrentam estão relacionadas com o sistema que foi introduzido há 30 anos pela Administração Portuguesa”, vincou. “Os secretários não têm competências muito bem definidas, precisam de uma lei clara. Só assim é que vão conseguir
“Quando o Presidente mencionou Macau, aquilo foi uma parte do discurso. Não foi o conteúdo principal. Se tiver a oportunidade de falar sobre isso [...] vou falar dos factos que podem ser constatados.” HO IAT SENG
Ho Iat Seng partiu para Pequim, onde deverá ter encontros com o Presidente Xi Jinping e o primeiro-Ministro Li Keqiang. Ontem, o futuro Chefe do Executivo admitiu que ainda não sabia bem os pormenores do encontro: “O costume é sermos apenas informados quando chegamos a Pequim”, reconheceu. Ho recusou sentir-se ansioso: “Sinto-me normal, não posso dizer que esteja ansioso”, respondeu, depois de ser sido questionado sobre o seu estado de espírito. Ho vai ter a oportunidade estar com o Presidente Xi, que na semana passada fez um discurso em que mencionou Macau como um desafio, ao nível de Hong Kong e Taiwan. Em relação a este assunto, o futuro Chefe do Executivo desvalorizou a menção a Macau, mas disse que se for questionado pelo Governo Central vai falar de factos: “Quando o Presidente mencionou Macau, aquilo foi uma parte do discurso. Não foi o conteúdo principal. Se tiver a oportunidade de falar sobre isso e se me perguntarem qual é a situação de Macau vou falar dos factos que podem ser constatados [...] Mas os dirigentes do Interior da China estão muito bem informados sobre o que se passa em Macau e não precisam que seja eu a fazer o relatório da situação”, disse. Porém, o futuro líder do Executivo espera que os encontros foquem as suas prioridades para a RAEM: “Acho que os dirigentes não querem falar do que foi feito. Preferem saber as minhas prioridades, entre as quais vou mencionar a habitação e os transportes”, confessou. Já sobre o processo de deixar de ter o seu nome nas diferentes empresas a que está ligado, Ho afirmou estar a tratar do problema de forma “gradual”, mas que é um processo “complexo” e “demorado”. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
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APN DELEGADOS DE MACAU QUEREM MENOS BUROCRACIA PARA EMPRESAS DO TIBETE
Directamente dos Himalaias Um total de 20 empresas do Tibete são esperadas na próxima edição da Feira Internacional de Macau, em Outubro. Alguns delegados de Macau à Assembleia Popular Nacional esperam que se facilitem os procedimentos de entrada e saída do território e que haja mais ligações empresariais entre a RAEM e o Tibete
O
jornal Ou Mun noticiou ontem que alguns delegados de Macau à Assembleia Popular Nacional (APN) reuniram com membros do comité permanente da APN da região autónoma do Tibete. Si Ka Lon, não só delegado de Macau à APN, mas também deputado à Assembleia Legislativa (AL), disse que cerca de 20 empresas do Tibete são esperadas na próxima edição da Feira Internacional de Macau (MIF, na sigla inglesa). Neste contexto, o deputado alertou para o facto de persistir muita burocracia no que diz respeito aos trâmites de entrada e saída de Macau para pessoas oriundas do Tibete, esperando uma maior facilidade a este nível.
Si Ka Lon alertou para o facto de persistir muita burocracia no que diz respeito aos trâmites de entrada e saída de Macau para pessoas oriundas do Tibete, esperando uma maior facilidade a este nível
Representantes de empresas referiram que os procedimentos para requerer a entrada e saída de Macau são complicados, uma vez que apenas 30 por cento dos documentos apresentados levaram mais de 20 dias a ser aprovados pelas autoridades. Portanto, Si Ka Lon deseja uma menor burocracia e uma maior facilidade na entrada de empresas, noticiou o Ou Mun. Além disso, Si Ka Lon espera que Tibete e Macau possam aprofundar a cooperação a nível económico através de mais convites a empresas
tibetanas para que participem em exposições no território. O responsável defende também que as autoridades do Tibete possam considerar a possibilidade de realizar mais actividades de promoção de turismo, cultura e investimento na zona da Grande Baía. Lok Po, delegado de Macau à APN e director do jornal Ou Mun, disse esperar que o Governo do Tibete possa facilitar as condições de acesso das empresas tibetanas ao mercado de Macau, uma vez que isso pode levar a um reforço de ligações entre os dois territórios e a uma maior
promoção do Tibete como destino. Além disso, Lok Po acredita tratar-se de um método correcto para mostrar o apoio ao princípio “Um País, Dois Sistemas”.
KOU HOI IN QUER MAIS TURISMO
O delegado à APN e presidente da AL, Kou Hoi In, lembrou no encontro que lugares do Tibete como a capital, Lhasa, e Linzhi têm poucos visitantes, tendo sugerido a realização de um planeamento geral para evitar a destruição do ambiente ecológico do Tibete.
Já a advogada Paula Ling, lembrou a dificuldade dos estrangeiros na obtenção de um visto de entrada no Tibete. “Como o Governo tibetano enfatiza a estabilidade social, espero que concedam mais facilidades para que os estrangeiros viajem para o local”, frisou. Chui Sai Peng, deputado à AL, sugeriu que as autoridades do Tibete deveriam controlar o planeamento de resorts turísticos de grande escala, para não ultrapassar a capacidade de acolhimento da região e para que não haja efeitos negativos a nível ambiental. Chui Sai Peng deseja ainda que as empresas de Macau e do Tibete na área das indústrias criativas aumentem a sua comunicação. Lai Sai Kei, director da escola Keang Peng, disse estar preocupado com a questão da educação tibetana, uma vez que, na sua óptica, o desenvolvimento de um território está intimamente relacionado com a educação. Lai Sai Kei citou dados estatísticos deste ano que mostram uma taxa de matrícula nas universidades do Tibete de 39 por cento, mais baixa face ao resto do país. Nesse sentido, o responsável defende que a curto prazo devem ser incentivados mais estudantes tibetanos a frequentar os seus estudos em cidades do Interior da China ou até mesmo em Macau. Andreia Sofia Silva e Juana Ng Cen info@hojemacau.com.mo
PROFESSORES SULU SOU QUER SUSPENDER “NOTIFICAÇÃO DE CONTINUIDADE”
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deputado Sulu Sou interpelou o Governo sobre a possibilidade da suspensão da prática de “notificação de continuidade” feita ao pessoal docente do sector privado pelas escolas, a fim de salvaguardar os direitos e interesses dos professores.
A lei em vigor, o Quadro geral do pessoal docente das escolas particulares do ensino não superior, determina que esta prática visa assegurar um maior acesso à carreira profissional por parte dos professores. No entanto, o deputado do campo pró-democrata defende que a
“notificação de continuidade” constitui “uma ameaça profissional de longo prazo para os docentes do sector privado”. Aquando da discussão do diploma na Assembleia Legislativa, a comissão de deputados disse que o Governo estava consciente da
existência desta notificação, e que a sua prática não estava em conformidade com as disposições da Lei das Relações de Trabalho, lembrou o deputado na sua interpelação. Sulu Sou deseja que as escolas façam as devidas inspecções e assegurem o cumprimento da lei, exigindo o
fim do envio de uma carta de intenção por parte das escolas. O deputado deseja ainda saber quais são os resultados específicos obtidos na comunicação com este modelo de notificação, questionando a possibilidade de haver outra maneira mais adequada para o substituir.
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Óbito Trabalhador morre no Posto Fronteiriço Qingmao
Um trabalhador faleceu ontem numa obra do “Empreendimento do Novo Acesso Fronteiriço Guangdong-Macau – Edifício do Posto Fronteiriço Qingmao, Acesso da Ligação e Reordenamento do Canal dos Patos”, de acordo com uma nota publicada no portal do Gabinete para ao Desenvolvimento de Infra-estrututras (GIT). O trabalhador não residente sentiu uma indisposição física e desfaleceu “enquanto executava trabalhos no pavimento do edifício. Após os primeiros socorros no local da obra, foi transferido para o hospital, onde acabou por falecer por volta da 1h da madrugada” de ontem. Na sequência do óbito, o GIT exigiu que o empreiteiro ajude a família do trabalhador nos trâmites necessários e apresente um relatório do acidente.
JUSTIÇA CARTEIRISTA COM PENA AGRAVADA INTERNET WIFI GO IMPEDE ACESSO À VERSÃO CHINESA DO JORNAL EPOCH TIMES
A grande muralha digital Fundado por membros da Falun Gong e com uma linha editorial fortemente pró-Trump, o portal em língua chinesa do Epoch Times está bloqueado pelo serviço WiFi Go. Porém, a versão em inglês do portal está disponível
O
S residentes e visitantes de Macau que estejam ligados à internet pelo serviço WiFi Go estão impedido de aceder à versão em chinês do jornal Epoch Times. A informação foi primeiro colocada a circular na rede social Facebook e confirmada ontem pelo HM, que tentou aceder ao portal em chinês por volta das 15h00, na Zona de Lazer da Praça Jorge Álvares.Quando uma pessoa tenta aceder directamente ao portal surge um aviso a dizer que o “acesso foi negado” devido a “conteúdo impróprio”.Após este aviso é explicado que o acesso é proibido porque o portal está classificado “Contra-acção e outras ilegalidades”. Contudo, o mesmo não acontece quando uma pessoa tenta aceder à versão em inglês do jornal, que se encontra disponível. Porém, se uma pessoa tentar utilizar a versão em inglês para aceder ao conteúdo em chinês é igualmente barrada.
O jornal Epoch Times foi fundado em 2000 nos Estados Unidos, por membros da comunidade chinesa, e tem fortes ligações ao movimento Falun Gong. Este é um movimento de meditação e de prática de exercício físico proibido no Interior da China desde 1999. Foi com o objectivo de levar ao mundo o que os membros consideram ser uma perseguição política por parte do Governo Central que o Epoch Times terá sido fundado. Contudo, nos últimos anos, este jornal afirmou-se também pela linha editorial de grande apoio ao Presidente Donald Trump e até por alguns artigos anti-vacinação.
Ontem, o HM contactou a Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT) que é responsável pelo serviço WiFi Go e questionou se havia uma motivação política para a decisão de proibir o acesso ao portal. Contudo, até à hora de fecho, não recebeu uma resposta. O portal online do WiFi Go assegura que há filtração dos sites a que os cidadãos podem aceder através da rede, mas que o bloqueio é feito apenas em “páginas electrónicas com conteúdos pornográficos, indecentes ou relativos aos jogos”.
CONTRATOS DE 19 MILHÕES
O serviço WiFi Go é responsabilidade dos CTT, mas está
Foi com o objectivo de levar ao mundo o que os membros consideram uma perseguição política por parte do Governo Central que o Epoch Times terá sido fundado
concessionado à Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM). Segundo os últimos contratos assinado entre as duas partes, em 2017, a CTM receberia até ao final deste ano aproximadamente 19 milhões de patacas. Ainda em relação ao WiFi Go, o Governo lançou no mês passado o concurso público para a “operação e manutenção” do sistema entre 2020 e 2021. A data limite para a entrega de propostas foi o último dia do mês passado. O serviço WiFi Go foi alvo de fortes críticas em 2017 por parte do Comissariado de Auditoria devido às dificuldades de acesso e também por ter havido serviços que chegaram a ser pagos, mas que nunca foram disponibilizados ao Governo. Na altura os CTT admitiram a hipótese de exigir uma compensação à CTM, mas depois defenderam que a mesma não deveria ser financeira. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
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M indivíduo, residente do Interior da China, foi condenado a 3 anos e 9 meses de prisão pelo Tribunal de Segunda Instância, segundo um comunicado do Gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância emitido ontem. Entre Abril e Maio de 2018, o arguido, em parceria com outro suspeito, entrou várias vezes em Macau e “subtraiu e apropriou-se, sozinho ou em cooperação de bens dos passageiros de autocarro”. Esta actividade levou à acusação de oito crimes de furto qualificado. Porém, o Tribunal Judicial de Base absolveu o arguido dos três crimes e condenou-o por outros cinco crimes de furto qualificado. Foi condenado a pena de 9 meses de prisão por cada crime, e, em cúmulo jurídico, condenado na pena de 2 anos e 9 meses de prisão efectiva e ao pagamento do valor global 13.450 patacas e RMB250,00 a três ofendidos. O Ministério Público recorreu e considerou que para satisfazer a circunstância agravante “modo de vida”, não se afigura necessária a existência da “habitualidade” e, muito menos, da “profissionalização” na conduta do arguido. O Tribunal de Segunda Instância concedeu provimento ao recurso interposto pelo MP, e condenou o arguido a 3 anos e 9 meses de prisão efectiva. J.L.
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Na próxima noite de sexta-feira, o céu de Macau vai explodir de cor com as participações das equipas de Portugal e da Coreia do Sul no Concurso Internacional de Fogo-deArtifício de Macau. A equipa portuguesa traz a paixão lusa para o seu espectáculo, enquanto a equipa coreana aposta no K-Pop como banda sonora
FOGO-DE-ARTIFÍCIO PORTUGAL E COREIA DO SUL PINTAM O CÉU NA SEXTA-FEIRA
Explosões artificiais a empresa que representa Macau na próxima sexta-feira, pelas 21h, no Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício de Macau. O espectáculo que a equipa portuguesa vai apresentar, intitulado “Fascínio numa noite de paixão”, procura traduzir em explosões de cor a forma apaixonada de se viver em português, representando a estética de “um povo de paixões” na 30ª edição do evento.
Um dos pontos de destaque do espectáculo da Pirotecnia Minhota é a conjugação de cores, verdes e vermelhas, para representar as bandeiras de Portugal e Macau.Aaposta nesta conjugação de cores será acompanhada por duas músicas, uma delas de autoria de Pedro Abrunhosa, “Toma conta de mim”, “cuja a letra aborda um pouco da capacidade portuguesa de ultrapassar obstáculos e de chegar longe, como nós chegámos aqui a
Macau”, conta o consultor pirotécnico. Apesar de Macau ter uma forte cultura e tradição pirotécnica, a equipa portuguesa, que faz espectáculos um pouco por todo o mundo, não viu necessidade de adaptar a sua apresentação para o público local. “Temos a nossa forma de trabalhar, o nosso tipo de espectáculo acaba por ser igual em todo o mundo. Podemos adaptar, mais ou menos, ao público que temos. Aqui em
Macau não o fazemos porque Macau tem uma ligação muito grande a Portugal. Inclusivamente, pretendemos trazer ainda mais o que é Portugal e o que lá fazemos”, revela Nuno Freitas.
MÚSICA E FOGO
Um dos objectivos da equipa portuguesa é fazer vibrar o público, levar as pessoas a participarem, em vez de adoptarem uma postura passiva. “Trazemos aqui uma série de
“A
Depois da equipa portuguesa, segue-se a coreana com um espectáculo musicado com os ritmos fortes do K-Pop. João Luz
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ENSINO SUPERIOR CANDIDATURAS DE ALUNOS DE MACAU EM QUEDA ADOS da Direcção dos Serviços do Ensino Superior (DSES), citados pelo Macau Daily Times, mostram que o número de alunos de Macau admitidos nas universidades do territórios baixou 6,8 por cento face ao ano lectivo anterior. Ao jornal de língua inglesa, a DSES referiu que “nos últimos três anos as estatísticas têm vindo a mostrar um decréscimo no
“Trazemos aqui uma série de músicas conhecidas com o objectivo de que as pessoas cantem e dancem. Ao sentir essas músicas vão também perceber melhor a sincronia, vão viver esse fogo e sentir a paixão que queremos transmitir.” NUNO FREITAS PIROTECNIA MINHOTA
S pessoas vão viver este fogo e sentir a paixão que queremos transmitir”. Foi a promessa deixada ontem por Nuno Freitas consultor técnico da Pirotecnia Minhota,
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músicas conhecidas com o objectivo que as pessoas cantem e dancem. Ao sentir essas músicas vão também perceber melhor a sincronia, vão viver esse fogo e sentir a paixão que queremos transmitir”, conta Nuno Freitas. Em termos de logística, apesar das aparentes dificuldades em transportar quilos de explosivos, o consultar pirotécnico português felicitou a organização do evento pelo profissionalismo. “Quando cá chegámos já tínhamos o material. Agora só temos de montar, trabalhar, e fazer o nosso melhor.”
número de alunos locais que se candidataram nas instituições do ensino superior de Macau”. De um total de 4,626 alunos matriculados no ano lectivo de 2016/2017, houve um decréscimo para 4,312 no ano lectivo de 2018/2019. Em 2012/2013, houve candidaturas de 6,145 alunos de Macau, o que revela que, em seis anos, registou-se uma quebra de 30 por cento
no número de candidaturas de locais. A DSES confirmou ainda que metade dos estudantes que estão matriculados em Macau são provenientes da China. A Universidade de São José (USJ) continua à espera de obter aprovação para receber alunos da China, disse o seu reitor, Peter Stilwell, ao Macau Daily Times. Enquanto isso, o Instituto Politécnico de Macau recebeu mil
alunos este ano, sendo que 85 por cento deles são de Macau. Ao jornal, foi dito por esta instituição de ensino que “o número de alunos locais tem estado estável no IPM”. Já a Universidade de Macau (UM) recebeu um número recorde de candidaturas para programas de licenciatura, um total de 13,000, mais 30 por cento face ao ano lectivo anterior, escreveu o jornal.
Hong Kong Gabinete de Gestão de Crises nega ter feito alerta
O Gabinete de Gestão de Crises do Turismo (GGCT) emitiu ontem um comunicado onde nega rumores de que teria emitido um alerta sobre viagens para Hong Kong, rumores esses que terão surgido nas redes sociais. “O GGCT declara que não emitiu qualquer apelo desta natureza e está a acompanhar a recente situação da RAEHK”. O GGCT “relembra os residentes de Macau a planearem cuidadosamente os seus itinerários e a prestarem atenção ao desenvolvimento da situação no local, notícias e informações locais e evitarem locais de manifestação ou conflito”.
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Casa da Ásia SCML NOVO MUSEU COM PEÇAS DOADAS POR FRANCISCO CAPELO EM 2020
Prato Ko-kutani, Porcelana com esmaltes policromos, cerâmica Hizen, Estilo Ko Kutani, Período Edo, c. 1660’s Japão
Francisco Capelo, coleccionador particular, decidiu doar uma importante colecção de peças à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que espelha a vivência em vários países asiáticos antes da chegada dos portugueses e europeus. Margarida Montenegro, directora de cultura da instituição, confessou que o objectivo é inaugurar o novo museu no próximo ano
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Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) pretende abrir no próximo ano um novo museu que vai dar a conhecer a história de vários países asiáticos antes da chegada dos portugueses. Trata-se da Casa Ásia – Colecção Francisco Capelo, um coleccionador que decidiu doar à SCML 1200 peças que foi adquirindo ao longo dos tempos. Ao HM, Margarida Montenegro, directora de cultura da SCML, contou que este projecto começou com um telefonema do antigo provedor da instituição de cariz social, Pedro Santana Lopes. “(Francisco Capelo) contactou-o para ver se estaríamos interessados em fazer um museu para esta colecção. Fui a casa do coleccionador e vi que se tratavam de obras existentes antes da chegada dos portugueses à Ásia. São peças interessantíssimas”, frisou. O museu ficará albergado num edifício que já está a ser alvo de requalificações, situado em frente à SCML, na zona da Baixa-Chiado. As 1200 peças pertencem a um período temporal que vai desde o século IV a.c. até ao início do século XX, e conta a história de lugares como a China, os países que compõem a região dos Himalaias, Sri Lanka, Coreia, Japão e Vietname, entre outros. No museu poderão ser vistas peças tão diversas como têxteis, “escultura com variadíssimos materiais, pintura, muita cerâmica, uma colecção fantástica de armários da Tailândia, joalharia”. “Esta colecção dá-nos toda uma nova perspectiva sobre o que eram os artefactos da Ásia antes da chegada dos europeus. Mas com isto não lhe estou a dizer que não há peças que estejam nesta colecção e que estejam em museus europeus, que as há, muitas”, explicou Margarida Montenegro. Francisco Capelo é um homem viajado e preocupou-se em adquirir as peças em bom estado de conservação. “Ele adquiriu as peças de diversas formas, em leiloes ou nos próprios locais. Devo dizer que ele passa cerca de duas temporadas por ano fora, e se passar três meses em Portugal é muito. Ele gosta muito do Oriente. Não faz uma viagem, mas vive nesses locais. A partir dos seus interesses e da vivência nesses lugares durante anos seguidos decide as peças a adquirir”, adiantou Margarida Montenegro. Sem um orçamento concreto, uma vez que as obras de requalificação do edifício ainda decorrem, o museu deverá abrir
Torso feminino, Camboja Khmer, P Baphuon, séc. XI em Pedra
Kampuh Songket ou Saput Songk
portas no ano que vem, a tempo de mais um aniversário da SCML.
ESPECIALISTAS CONVIDADOS
Margarida Montenegro destaca o facto de Francisco Capelo não comprar peças de arte sem um objectivo concreto. “É uma pessoa especial, estudiosa, no sentido em que não compra
eventos 11
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dos europeus. Pode haver algo no Museu do Oriente. A SCML, ao tomar esta responsabilidade, tinha de arranjar pessoas especializadas nesta área que trabalhassem no museu.” Nesse sentido, foi contactada uma docente da Universidade Nova de Lisboa e Maria Antónia Pinto de Matos, directora do Museu do Azulejo e com obra publicada na área da porcelana chinesa. Para Margarida Montenegro, está em causa um projecto que responde à missão inicial da SCML de servir os outros. “A SCML foi fundada há 521 anos com a missão de auxiliar os mais desprotegidos, tanto ontem, como hoje. As formas desse auxílio modificam-se, mas o objectivo mantém-se. Nessa perspectiva vejo a abertura do novo museu como um contributo da SCML para ajudar à elevação cultural do Homem, pois a missão da cultura da Misericórdia é fazer uma programação cultural para o público em geral, mas também para os mais desprotegidos.”
“Esta colecção dá-nos toda uma nova perspectiva sobre o que eram os artefactos da Ásia antes da chegada dos europeus”
Periodo Angkor,
MARGARIDA MONTENEGRO DIRECTORA DE CULTURA DA SCML Camelo e mercador, terracota pintada, Dinastia Tang (início), séc. VII, China
ket, Seda, fios de ouro e prata, Bali, séc. XX (inicio), Indonésia (detalhe)
coisas assim, só porque vê. Ele estuda primeiro e depois compra. Foi um homem ligado aos mercados financeiros. Já é benemérito de outros museus, como o MUDE (Museu do Design e da Moda) ou do Museu de Etnologia e do Museu da Marioneta.” O coleccionador “interessa-se por arte desde sempre, é uma pessoa que está em
permanente visita a museus. É benemérito também de museus internacionais e está muito atento ao mercado da arte”, acrescentou a responsável. Antes de ceder a sua colecção à SCML, Francisco Capelo contactou uma equipa de especialistas internacionais para avaliarem o valor histórico das peças que foi adquirindo ao longo dos anos.
Além disso, a própria SCML fez esse trabalho de avaliação. “Em Portugal, a área dos estudos asiáticos é muito recente, porque a formação que era dada nas universidades era mais ligada às peças de arte oriental que resultaram dos contactos entre portugueses e asiáticos e europeus e asiáticos. Não há, em Portugal, muitas peças anteriores à presença
Margarida Montenegro destaca ainda o facto da Casa Ásia – Colecção Francisco Capelo poder vir a constituir uma ponte com a Igreja e Museu de São Roque, situados no mesmo local. “Este museu pode trazer o estabelecimento de leituras cruzadas ou a ponte entre parte do espólio do Museu e da Igreja de São Roque e o novo museu Casa Ásia. Pode trazer dinâmicas novas que nos façam atrair novos públicos.” Isto porque a própria Igreja de São Roque é de fundação jesuíta, uma das principais ordens religiosas que promoveram a evangelização a Oriente. “Há uma grande ligação de São Roque ao Oriente através dos jesuítas. Se visitar o museu e a igreja encontra um enorme património ligado ao Oriente”, rematou a directora de cultura da SCML. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
FIMM Passatempo com prémios de luxo O Festival Internacional de Música de Macau (FIMM), organizado pelo Instituto Cultural (IC), está a promover o passatempo intitulado “O esplendor dos instrumentos musicais”, a fim de “permitir que os residentes sintam a atmosfera do festival”. A data limite de participação é 30 de Outubro e acontece no website do FIMM. De acordo com um comunicado, “os participantes devem visitar a página oficial do FIMM, combinar os instrumentos musicais com o programa correcto desta edição do festival, preencher
as suas informações pessoais e participar no sorteio”. Os prémios são bilhetes da Air Macau de ida e volta em classe económica, pacotes de estadia luxo no Hotel The Parisian Macau, crédito para despesas com cartão de crédito do Banco da China e conjuntos de lembranças do XXXIII FIMM, entre outros.
Fotografia “A China Bonita” em Lisboa Inaugura-se esta quinta-feira, dia 12, em Lisboa, a exposição “A China Bonita”, composta por 70 fotografias alusivas à Revolução Chinesa, e que está patente na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, zona de Telheiras, até ao próximo dia 19, quinta-feira. As fotografias são disponibilizadas pela China News Agency, considerada a mais importante agência de fotografias chinesa. Com entrada gratuita, a exposição é organizada pelo Jornal Puxin, publicado pela comu-
nidade chinesa em Portugal, e pelo website informativo Ni Hao Portugal, que se dedica a mostrar mais sobre a comunidade chinesa aos portugueses.
PRÉMIO BOOKER 2018 “MILKMAN” CHEGA A PORTUGAL NO DIA 19
“O
RIGINAL, desafiante, mordaz. Os elogios a ‘Milkman’ atravessaram o mundo desde que ganhou o prestigiado Booker Prize 2018, consolidando-se depois ao vencer também os prémios National Book Critics Circle e Orwell para ficção política”, descreve a Porto Editora, responsável por trazer este romance à edição portuguesa. Tendo como cenário o auge dos conflitos entre as duas irlandas nos finais dos anos 1970, a narrativa de “Milkman” é desenvolvida numa cidade sem nome, protagonizada por uma jovem de 19 anos, que é referida pela autora apenas como “a irmã do meio” que, todavia, guarda um segredo “talvez do seu namorado”. Esta é a história dos encontros entre a adolescente e um homem casado que tem a reputação de seduzir jovens, e que é membro de uma organização paramilitar. A jovem, anónima e igual a tantas outras, vê-se de repente envolvida num boato sem fundamento e é arrastada para um quotidiano pautado por uma violência que não sendo física
é igualmente destruidora. Uma “história de brutalidade, intromissão sexual e de resistência, tecida com um humor mordaz. […] Nenhum de nós leu algo assim antes”, descreveu o júri do Prémio Booker, na altura da sua atribuição. Segundo a editora, trata-se de um romance marcado por um “original misto de inocência e perspicácia, com um estilo único, torrencial e anónimo muito próprio da oralidade”, em que “a narradora partilha com o leitor a sua vida, profundamente marcada pela violência física e psicológica”. “Uma comovente história feita de rumores e falatório, de aceitação e resistência, de silêncio e surdez intencional, que decorre no auge dos conflitos entre as duas irlandas e que espelha o que de pior há no ser humano”, acrescenta a editora. Este é o terceiro romance da autora britânica, nascida há 55 anos em Belfast, na Irlanda do Norte, e que recebeu críticas entusiásticas por parte da maioria das publicações literárias no Reino Unido.
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11.9.2019 quarta-feira
Anúncio ﹝58/2019﹞
Aviso
1. Entidade que realiza o concurso: Instituto de Habitação (IH). 2. Modalidade do concurso: Concurso público.
Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 2 de Setembro de 2019, se acha aberto o concurso de avaliação de competências profissionais ou funcionais, externo, do regime de gestão uniformizada, para preenchimento dos seguintes lugares do quadro do pessoal do Fundo de Segurança Social: - 3 lugares de técnico superior de 2.a classe, 1.º escalão, da carreira de técnico superior, área de economia e finanças, - 1 lugar de técnico superior de 2.a classe, 1.º escalão, da carreira de técnico superior, área de comunicação escrita em língua chinesa. As informações mais detalhadas podem ser consultadas no Boletim Oficial da RAEM, n.° 37, II Série, de 11 de Setembro de 2019 e estão disponíveis nas páginas electrónicas do FSS http://www.fss.gov.mo/ e do SAFP http://www.safp.gov.mo/. Fundo de Segurança Social, aos 4 de Setembro de 2019. O Presidente do Conselho de Administração, Iong Kong Io
3. Designação do concurso: Prestação de serviços de limpeza do Instituto de Habitação. 4. Objecto: Prestação de serviços de limpeza das delegações do IH, incluindo a Delegação de Cheng Chong, a Delegação das Ilhas, a Delegação de Seac Pai Van, as Delegações do Bairro da Ilha Verde e ainda 4 armazéns para depósito de documentação e outros objectos; o período de prestação de serviços é de três anos, entre 1 de Abril de 2020 e 31 de Março de 2023. 5. Preço base: Não há. 6. Prazo de validade das propostas: O prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar da data do acto público do concurso, sendo prorrogável nos termos previstos no Programa de Concurso. 7. Condições do concurso para a prestação de serviços de limpeza (apenas se podem candidatar ao presente concurso, os concorrentes que reúnam simultaneamente as seguintes condições): 7.1 Sociedades comerciais que se encontrem registadas na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis, cujo âmbito de actividade, total ou parcial, inclua os serviços de limpeza; ou os empresários comerciais, pessoa singular, cujo âmbito de actividade, total ou parcial, inclua os serviços de limpeza. 7.2 Os concorrentes devem ter experiência de prestação de serviços de limpeza em delegações de serviços públicos, por um período total não inferior a 1 ano, sendo que o prazo mínimo de cada prestação de serviço não deve ser inferior a 6 meses (o objecto deve ser delegações de serviços públicos / edifícios de escritórios, não sendo incluídas as instalações subordinadas à administração dos serviços públicos, tais como auto-silos, estádios, etc.) 7.3 Caso nas duas ou mais propostas apresentadas conste o mesmo sócio ou administrador, as respectivas propostas não são admitidas. 8. Obtenção do processo do concurso: Os concorrentes podem consultar e obter o respectivo processo de concurso na recepção do IH, sita na Estrada do Canal dos Patos, n.º 220, Edf. Cheng Chong, r/c L, Macau, durante as horas de expediente. Caso pretendam obter fotocópias do documento acima referido, devem pagar a importância de MOP1 000,00 (mil patacas), em numerário, relativa ao custo das fotocópias, ou podem proceder ao download gratuito na página electrónica do IH (http://www.ihm.gov.mo).
NOTIFICAÇÃO EDITAL
(Solicitação de Comparência do Empregador)
N.° 54 /2019
Nos termos do artigo 6.º, n.º 1, alíneas b) e c) do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugado com o artigo 58.° e do artigo 72.°, n.º 2 do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, notifica-se o empregador Veng Fai Obras Electricas Limitada, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do dia seguinte ao da publicação do presente edital, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221-279, Edifício "Advance Plaza", 1.° andar, Macau, a fim de prestar declarações nos processos n.°s 1546/2019 e 1550/2019, proveniente da queixa apresentada nestes Serviços, pelas trabalhadores Lei Ip Fai, Leong Wai Hong e
9. Visita aos locais: Os concorrentes interessados devem dirigir-se pessoalmente à recepção do IH, sita na Estrada do Canal dos Patos, n.º 220, Edf. Cheng Chong, r/c L, Macau, ou contactar este Instituto, até ao dia 17 de Setembro de 2019, através do telefone n.º 2859 4875, durante as horas de expediente, para procederem à marcação prévia da visita aos locais, (o número de participantes de cada sociedade comercial não pode ser superior a 2 pessoas e o transporte para ida e volta, aos locais da visita é disponibilizada pelo próprio), devendo os concorrentes interessados, que tenham procedido à respectiva marcação, chegar à Delegação de Cheng Chong, no dia 18 de Setembro de 2019, pelas 09h30. 10. Caução provisória: O montante da caução provisória é de MOP132 840,00 (cento e trinta e duas mil e oitocentas e quarenta patacas). A caução provisória pode ser prestada por garantia bancária legal ou por depósito em numerário na conta, em nome do IH, na sucursal do Banco da China, em Macau. 11. Local, dia e hora para entrega das propostas: As propostas devem ser entregues, a partir da data da publicação do presente anúncio até às 17h45 do dia 3 de Outubro de 2019, durante as horas de expediente, na recepção do IH, na Estrada do Canal dos Patos, n.º 220, Edf. Cheng Chong, r/c L, Macau. 12. Dia, hora e local do acto público do concurso: Será realizado na sala de reuniões do IH, sita na Estrada do Canal dos Patos, n.º 158, Edf. Cheng Chong, r/c H, Macau, no dia 4 de Outubro de 2019, pelas 10h00. 13. Critério de adjudicação: O critério de adjudicação do presente concurso público é o do preço mais baixo proposto.
Chan Kan, em 2019, relativamente à matéria de salário. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais — Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 4 de Setembro de 2019. A Chefe do Departamento Substª, Lam Sau Heong
14. Outros assuntos: Os pormenores e observações ao presente concurso encontram-se disponíveis no respectivo processo de concurso. As informações adicionais sobre o presente concurso, caso existam, serão publicadas na página electrónica do IH (http://www.ihm.gov.mo). Instituto de Habitação, aos 6 de Setembro de 2019. O Presidente, Arnaldo Santos
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quarta-feira 11.9.2019
O
activista de Hong Kong Joshua Wong reuniu-se na segunda-feira em Berlim com o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão para pedir apoio ao movimento pró-democracia, uma reunião criticada ontem por Pequim que denunciou "desrespeito" à sua soberania. “Falei com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Heiko Maas, sobre a situação dos protestos, a nossa causa de eleições livres e democracia em Hong Kong”, escreveu Joshua Wong na sua conta da rede social Twitter. O proeminente activista anunciou ainda que nos próximos dias terá “novas discussões com membros do Bundestag (Parlamento) alemão”. Em relação ao encontro que teve na segunda-feira com Joshua Wong, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão apontou, também no Twitter, que “o direito à liberdade de expressão é um princípio fundamental”. “Não pode estar sujeito a nenhuma restrição”, acrescentou. A China criticou o
BERLIM PEQUIM CRITICA REUNIÃO ENTRE JOSHUA WONG E MNE ALEMÃO
O direito do mais fraco à liberdade encontro denunciando "desrespeito" à sua soberania. "Alguns meios de comunicação e políticos alemães estão a tentar ser mais atractivos e a chamar a atenção para si mesmos, usando separatistas anti-China. (…) Fazer espectáculo político é (um método) extremamente errado", respondeu uma das porta-vozes do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Pequim, Hua Chunying. Quanto à acusação aos meios de comunicação, Hua Chunying estará a referir-se a uma entrevista que Joshua Wong deu ao jornal alemão Bild, na qual comparou Hong Kong com “Berlim Oriental durante a Guerra
Fria" e apelou aos “alemães que lutaram pela liberdade”, nessa época.
CARTA A MERKEL
Já na semana passada, numa carta aberta publicada também no diário alemão Bild, vários líderes do movimento pró-democracia de Hong Kong, entre eles Joshua Wong, pediram à chanceler alemã, Angela Merkel, que recorde “os terrores” do regime comunista da Alemanha Oriental. “Você viveu em primeira mão os terrores de um governo ditatorial”, escreveu Wong, citado pela imprensa local. A carta tinha como objectivo que Merkel apoiasse o
movimento pró-democracia do território durante a sua deslocação a Pequim, que aconteceu na semana passada. "Eu referi, durante o diálogo, que os direitos e liberdades acordados na Lei Básica [miniconstituição] de Hong Kong devem ser salvaguardados", afirmou Merkel, durante uma conferência de imprensa com o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang. Nos últimos dias os manifestantes que lutam por eleições livres em Hong Kong têm apelado à comunidade internacional que apoie a luta pró-democracia no território. No domingo, centenas de milhares de manifestantes
pró-democracia instalaram-se em frente do consulado norte-americano em Hong Kong para apelarem ao congresso dos Estados Unidos a aprovação de uma lei que exige
“O direito à liberdade de expressão é um princípio fundamental. Não pode estar sujeito a nenhuma restrição.”
que Washington certifique anualmente que a cidade asiática permanece com um alto grau de autonomia em relação à China continental. Se Washington concluir que o grau de autonomia está ameaçado, a cidade pode perder alguns privilégios comerciais com os Estados Unidos. Outros dos aspectos da proposta de lei é a possibilidade de congelar activos nos EUA e a proibição de entrar no país aos titulares de cargos governativos de Hong Kong que reprimam a democracia, os direitos humanos ou as liberdades dos cidadãos.
HEIKO MAAS MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS ALEMÃO
BLOOMBERG
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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 41/P/19
COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS Aviso
ECONOMIA PESTE SUÍNA ACELERA INFLAÇÃO
A
inflação na China cresceu em Agosto ao ritmo mais rápido dos últimos 18 meses, impulsionada pela carne de porco, devido à peste suína que deverá ter efeitos inflacionários a nível mundial, incluindo em Portugal. O índice de preços ao consumidor (IPC) da China, o principal indicador da inflação, registou um crescimento homólogo de 2,8 por cento, no mês passado, revelou ontem o Gabinete Nacional de Estatísticas chinês. Este aumento deveu-se sobretudo ao preço da carne suína que subiu 46,7 por cento, face ao mesmo mês do ano anterior. Mais de um milhão de suínos foram abatidos no país, desde que o primeiro caso de peste foi registado há um ano, segundo o ministério chinês da Agricultura. Para compensar o deficit na produção doméstica, estimado em 10 milhões de toneladas, a China tem aumentado as importações do Brasil e da Europa.
Segundo dados publicados esta semana pela imprensa estatal chinesa, o valor das importações de carne de porco registou uma subida homóloga de 66 por cento, entre Janeiro e Agosto. Pequim impôs taxas alfandegárias de 72 por cento sobre carne de porco oriunda dos Estados Unidos, parte da guerra comercial que trava com Washington, pelo que tem recorrido sobretudo a matadouros brasileiros e europeus. Especialistas preveem que a China importará mais de dois milhões de toneladas de carne este ano. As autoridades chinesas autorizaram, desde o final do ano passado, os matadouros portugueses Maporal, ICM Pork e Montalva a exportar para o país. As estimativas iniciais apontavam que as exportações portuguesas para China se fixassem em 15.000 porcos por semana, movimentando, no total, 100 milhões de euros.
Torna-se público, de acordo com o n.º 4 do ponto 5.º dos Regulamentos para a prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, elaborados nos termos do artigo 18.º do Estatuto dos Auditores de Contas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 71/99/M, de 1 de Novembro, do artigo 13.º do Estatuto dos Contabilistas, aprovado pelo DecretoLei n.º 72/99/M, de 1 de Novembro, e da alínea 3) do artigo 1.º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 2/2005, de 17 de Janeiro, que se encontra afixada, na sobreloja da Direcção dos Serviços de Finanças, sito na Avenida da Praia Grande nºs 575, 579 e 585, e colocado no respectivo “Web-site”, no local relativo à CRAC e para efeitos de consulta, a lista provisória dos candidatos à prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como Auditor de Contas, Contabilista Registado e Técnicos de Contas no ano de 2019, elaborada e homologada por deliberação do Júri designado para o efeito. Em caso de dúvidas, agradecemos o contacto com a CRAC, durante as horas de expediente, através do telefone número 85995344 ou 85995342. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 29 de Agosto de 2019 O Presidente do Júri, Iong Kong Leong
Faz-se público que, por despacho de Sua Excelência, o Chefe do Executivo, de 24 de Junho de 2019, se encontra aberto o Concurso Público para o « Fornecimento de Vacinas aos Serviços de Saúde », cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 11 de Setembro de 2019, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP76,00 (setenta e seis patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 11 de Outubro de 2019. O acto público deste concurso terá lugar no dia 14 de Outubro de 2019, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP 100.000,00 (cem mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 5 de Setembro de 2019 O Director dos Serviços, Substituto Cheang Seng Ip
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O actor actifica-se
A Poesia Completa de Li He
花 游 曲 並 序 春柳南陌態,冷花寒露姿。 今朝醉城外,拂鏡濃掃眉。 煙濕愁車重,紅油覆畫衣。 舞裙香不暖,酒色上來遲。
Canção: Um Passeio Entre As Flores Salgueiros primaveris na vereda sul, 1 Flores frias regadas de orvalho gélido. Esta manhã, bêbados fora de portas, Esfregando os nossos espelhos, escovamos as sobrancelhas. Sob salpicos de névoa, agitados em toscas carruagens, Oleados vermelhos cobrem as nossas roupas pintadas. Estas vestes de dança, por perfumadas não são quentes, Os nossos rostos ruborizam com o vinho, mas devagar.
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Os salgueiros estão tradicionalmente associados ao Festival Qingming, celebrado no final do segundo mês lunar, ou início do terceiro. O poema, tal como Li He explica na respectiva introdução (cf. Frodsham, 1983, p.121), refere-se ao Dia da Comida Fria, celebrado na véspera do festival, quando não se consumia comida quente nem se acendiam fogos.
Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.
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diário de um editor João Paulo Cotrim
CISTERNA, LISBOA, 20 AGOSTO Organizado como poucos, a dois dias da inauguração, o António [Gonçalves] faz visita guiada à sua «Carnis Color», privilégio dos que se insinuam entre nos interstícios do afecto e da função: ele explicava as suas razões, eu tratava de beber os detalhes de quem pensa e executa, processos que se misturam um no outro de forma tão íntima que nem carne e pele. Irrompe logo aqui exemplo óbvio: nada sofre de acaso nesta pintura e óbvio se torna que esta carne tem por esqueleto a moldura. Não se trata de mero enquadramento, um modo de dizer fragmento, pedaço, fecho do olhar em limite imposto. A escolha da madeira, tomado o perfume, o peso e o corte, biselado, de esguelha, encastrado, em redondo, a oferecer a leveza do papel, obedece a escolhas com vista à revelação do mistério que cada corpo contém. E toda a massa corporal sem estrutura se faz amorfa. Daí propor como ilustração (algures na página) reverso de moldura, crispada de detalhes, sombra do rosto brilhante e ardente. Aliás, também a montagem se entrega em grande inteligência, propondo subtil retrospectiva, aconchegando-se ao espaço em caminho de espanto e surpresa que desemboca no grand finale de catedral, passe a rima. Perturba muito este caminho através do sujo e perecível, sangue e tecido, uma investigação de autópsia, que se faz de forma pensada, quase toda mental frieza, limpa de impurezas e impulsos, tratada com luvas e bisturi. Para nos devolver a cada momento o pulsar sagrado, do âmbito do religioso, que toca os mecanismos do mundo, que parece dizer como somos por dentro, subtil festival de cores, alimentado pelo gás do pequeno nada de vida que nos faz seres, que dá corpo ao ser. O António mostra que sob as nossas carnes lavra um fogo, ou até que as nossas carnes, se vivas, ardem em contínuo. Mesmo para além do encontro com as correspondências no mapa do desejo. Talvez sejam partes, o que vemos em combustão, mas não deixamos de sentir a soma ardente. Nada é sem corpo, se até a sombra os duplica. Tiro-te o chapéu, António. CONVENTO DO ESPÍRITO SANTO, LOULÉ, 22 AGOSTO Por coincidência, a caminho de uns dias de sono e leitura, paro para acompanhar a apresentação do volumoso volume «O homem que só quer ser Tóssan», caixa com três volumes, dois para versão escrita e outro, bem maior para a parte desenhada da obra, qualquer que fosse o instrumento. Tropeço sempre na palavra delícia a propósito de figuras deste jaez e mal conhecidas, mas, contas feitas, tão capazes de compor vida assente no bem-fazer, no bem dispor. O testemunho emocionado de Vitor Aleixo,
Um explorador cansado rio – uma névoa? – longe da alegria que experimentei. Que outra possível autora terei capaz de se apresentar de nudez e fulgor? Vou aprendendo que este caminho se faz de bastos falhanços e neles tenho que incluir o não ter editado Fernanda Young, por exemplo, de «As Pessoas dos Livros». Ela era mais, muito de carne e osso. E sopro. O seu último post, na véspera da morte, nosso lugar-comum, falava dessa incombustível ânsia: «Onde queres descanso, sou desejo.» JARDINS PALÁCIO DE CRISTAL, PORTO, 5 SETEMBRO Subo ao Porto para a montagem do pavilhão que partilhamos com a Ler Devagar. Estamos no lugar 62, em ponta extrema onde ninguém irá, nem para dar de comer aos patos do lago, esses bem-dispostos, obrigado. Agrava-se tudo com as obras da semi-esfera, que soltam ruído em contínuo e nuvens de pó a cada dez minutos. Se pensarmos que o interessante neste modelo a Norte ia sendo a programação, e que esta nos ignora, ou quase, o resultado acaba sendo bastante simples: que raio andamos nós a fazer em Feiras onde pouco mais se quer saber além de preços (baixos, baixinhos, baixíssimos, anões)?
Presidente da Câmara de Loulé, mentor maior deste projecto, que inclui ainda a mais compreensiva exposição (entretanto prolongada), sublinha isso mesmo, a boa disposição como modo de se relacionar com os outros, o desenho a criar mundos, o riso a interpretar o real. O Jorge [Silva] foi reunindo com devida paciência o essencial dos argumentos para dizer da qualidade de outro artista esquecido, e não apenas das artes gráficas. Tóssan acabou sendo performer, dá agora para perceber, capaz de encenação e texto para ser dito, de cenário e presença, devedor do teatro e da composição no branco, fosse a página um dia. Li um texto mais melancólico, a querer afirmar que o humor nos abre que nem bisturi, que nos sabe interpretar, e que por vezes contém uma melancolia pungente. Agora que escrevo, surgiu-me outro verso côncavo ou talvez converso, dos que mergulham no caleidoscópio da palavra, uma só, e que diz tanto de hoje, assumamos nós o papel que nos convenha, de espectador ou arrumadeira. «Um espectador/ com o foco na cara,/ outros com cara/ e sem focos/ ainda outros/ com as mãos nas caras/ e a arrumadeira/ de foco
na mão/ ou com a mão no foco./ Um outro à procura do foco,/ outros sem o foco à procura./ A arrumadeira apaga/ o foco/ e o foco sem saber/ o que procura às escuras.» PRAIA VERDE, CASTRO MARIM, 25 AGOSTO Estava tentando, por todos os meios, afastar-me do mundo, mas, estúpido, pego no smartphone e logo irrompe a notícia. Fernanda Young (1970-2019) morre de falta de ar, de um falhanço da ferramenta que nos permite comunicar com o fôlego do mundo. Estava condenada à rapidez, a mesma dos diálogos da série «Os Normais», a mesma vertigem da sua prosa, a mesma ânsia criativa do verso e de tudo o resto. Conheci a Fernanda, mas não cheguei a conhecer a Fernanda. Almocei com ela uma única vez, pro intermédio de irmã querida, e fiquei fascinado. Era um vulcão de intensidade e potência criativa. Encheu-me de romances, novelas e o mais, ideias até. Além da Playboy onde se mostrou inteira, a fenda sentada sobre volumes de Bukowski ou Araki, mas o rosto sempre em sábia mistura de melancolia e misté-
JARDINS DO PALÁCIO PIMENTA, LISBOA, 8 SETEMBRO No âmbito do festival que tenta prolongar o Verão, «Lisboa na Rua», o mano Nuno [Miguel Guedes] concebeu um ciclo de leituras conversadas tendo por bússola as comemorações da circum-navegação de Fernão Magalhães: «Viagem em Busca do Espanto», assim o feliz título. Estava escalado para o Oriente, mas um homónimo baldou-se e comecei pela «Partida», isto é, pela mítica Ibéria, tendo por companheiros a Paula [Cortes], o [José] Anjos e o Tiago Inuit na irrequieta e eléctrica guitarra. Agradabilíssimo, este fim de tarde, para o qual convoquei Lorca e Luis García Montero, Al Mutamid, Al-Thurthusi e Felipe Benitez Reyes, além de Bernardo Atxga, de quem traduzi esta canção dedicada a «um explorador cansado». «Que outra coisa podia ver um explorador cansado/ Dentro dos limites de um metro quadrado de tristeza,/ A não ser Caminhos que os limoeiros acompanham, a não ser/ Colinas/ e ondulados Campos nos quais o vinho se pressente já;// Que poderia ver a não ser Ilhas de Cristal, Cidades/ Prateadas, áureas, Amanheceres, Barcos Ruivos/ que tripulações enlouquecidas levam sem rumo;// Serpentes gigantes, tigres, poderia ver também/ Baleias brancas submergindo em oceano cálido;/ Poderia ver duas mulheres de vestidos alaranjados/ Sentadas junto a uma parede incendiada pelo sol;// Poderia ver todos aqueles dias irrecuperáveis/ Pousando como um bando de pássaros imaginários.»
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11.9.2019 quarta-feira
Anúncio Concurso Público N.º 26/ID/2019 « Angariação de patrocínio das bebidas oficiais para as Edições 66.ª e 67.ª do Grande Prémio de Macau » Nos termos previstos nos artigos 165.º, n.º 2, 170.º, n.º 1 e 176.º do Código do Procedimento Administrativo, no 13.º do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho, e em conformidade com o despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 2 de Setembro de 2019, o Instituto do Desporto vem proceder, em representação do adjudicante, à abertura do concurso público de Angariação de patrocínio das bebidas oficiais para as Edições 66.ª e 67.ª do Grande Prémio de Macau. A partir da data da publicação do presente anúncio, os concorrentes podem dirigir-se ao balcão de atendimento da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 818, em Macau, no horário de expediente, das 9,00 às 13,00 e das 14,30 às 17,30 horas, para consulta do processo de concurso ou para obtenção da cópia do processo. Podem ainda ser feita a transferência gratuita de ficheiros pela internet na área de «Informação relativa à aquisição» da página electrónica do Instituto do Desporto: www.sport.gov.mo. Os concorrentes devem comparecer na sede do Instituto do Desporto até à data limite para a apresentação das propostas para tomarem conhecimento sobre eventuais esclarecimentos adicionais. A sessão de esclarecimento terá lugar no dia 17 de Setembro de 2019, terça-feira, pelas 10,00 horas, na sala de reuniões do Edifício do Grande Prémio, sito na Avenida da Amizade n.º 207, em Macau. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora da sessão de esclarecimento acima mencionada, por motivos de tufão ou de força maior, a data e hora estabelecidas para a sessão de esclarecimento serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. O prazo para a apresentação das propostas termina às 12,00 horas do dia 4 de Outubro de 2019, sexta-feira, não sendo admitidas propostas fora do prazo. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora limites para a apresentação das propostas acima mencionadas, por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a apresentação das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte.Os concorrentes devem apresentar a sua proposta dentro do prazo estabelecido, na sede do Instituto do Desporto, no endereço acima referido. O acto público do concurso terá lugar no dia 9 de Outubro de 2019, quarta-feira, pelas 9,30 horas, no auditório da sede do Instituto do Desporto, sito na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.o 818, em Macau. Em caso de encerramento do Instituto do Desporto na data e hora para o acto público do concurso, por motivos de tufão ou de força maior, ou em caso de adiamento na data e hora limites para a apresentação das propostas, por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público do concurso serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. As propostas são válidas durante 90 dias a contar da data da sua abertura. Instituto do Desporto, 11 de Setembro de 2019. A Presidente, Substituta Lam Lin Kio.
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quarta-feira 11.9.2019
Divina Comédia Nuno Miguel Guedes
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O cronista: modo de usar
ASSEIO-ME por casa, sem destino. Aproxima-se o final da tarde e eu sei bem o que isso quer dizer. Então olho para as estantes onde estão os meus cúmplices em forma de livro. Escolho um, nem sequer um de que gosto particularmente. Escolho-o apenas porque está ali e eu preciso dele. Os olhos varrem as letras, nada fica das páginas que leio porque a cabeça está noutro lugar. Estou a adiar a hora da escrita, com um desespero mais ou menos controlado. A perspectiva é sempre um pouco assustadora, esta possibilidade do falhanço em conseguir dizer o que quero e poder ser ouvido. O facto de ser um caçador do acidental e das pequenas coisas não facilita. Nem sequer é a famigerada angústia da página em branco. Afinal, é só uma página em branco. Não, amigos: é aquela famosa frase que ressoa na minha cabeça como uma sentença: «Detesto escrever, adoro ter escrito», disse a Dorothy Parker. Diagnóstico certeiro da minha condição. Refugio-me nos rituais pré-escrita: um gin tónico ou um copo de vinho ao lado do computador. Sei que não irão oferecer-me milagres mas ajudam a ca-
beça a voar com um sorriso. E voa. Voa, amigos. De repente, e sem saber como nem porquê vêm-me à memória outros rituais, mais antigos, da minha infância. Vejo-me com o meu Pai, com nove ou dez anos. É um sábado de manhã soalheiro e subimos devagar a Pedro Álvares Cabral. Entramos num alfaiate, onde o meu Pai fazia os fatos. Seguem-se provas sem fim, medições que o eu-criança não compreendia e com que se entediava. Uma hora depois, terminava. O alfaiate – o senhor Faria – despede-se de mim e eu tento retribuir com o sor-
riso possível. Depois voltamos a descer a rua e entramos noutra loja de roupa, desta vez infantil: o Brummel (nome que mais tarde iria significar muito para mim). Mais provas e provações, desta vez comigo como protagonista. O meu Pai acompanha docemente este exercício, com paciência, e compreendendo a minha vontade de que tudo acabasse depressa. Subitamente, termina. Mas para mim começa: como recompensa, iria passar uma hora no Jardim Cinema, histórica sala de jogos lisboeta com mesas de ping-pong e uns matraquilhos de hó-
Como recompensa, iria passar uma hora no Jardim Cinema, histórica sala de jogos lisboeta com mesas de ping-pong e uns matraquilhos de hóquei em patins, que eu adorava. Para trás ficavam as contrariedades e só passavam a existir aqueles instantes mágicos, em que o meu Pai me desafiava nos vários jogos. Voltava para casa sempre cansado mas sempre a sorrir
quei em patins, que eu adorava. Para trás ficavam as contrariedades e só passavam a existir aqueles instantes mágicos, em que o meu Pai me desafiava nos vários jogos. Voltava para casa sempre cansado mas sempre a sorrir. Continua a voar, a cabeça. E junta, de forma caótica, memórias e observações que não consigo transpor para o papel, arranjar-lhes uma lógica qualquer: um encontro fortuito em Paris em 2009, uma crónica do Fernando Sabino, uma conversa apaixonada e nocturna sobre o estado da música, o cabelo imaculadamente branco de uma senhora que veio perguntar quais os poemas que tinham sido lidos numa sessão de leituras em que participei. A vida está cheia destes pedaços às vezes dissonantes que não cabem na ordem artificial das palavras, quanto mais num texto. Mas por fim, descubro que hoje é isso mesmo que tenho para dar, esta Babel de memórias e emoções. Sempre achei importante conhecer as nossas limitações e hoje esta é a minha. E olhem, amigos: termino esta crónica com os olhos a brilhar, como se estivesse a jogar matraquilhos de hóquei em patins.
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AGUACEIROS
O QUE FAZER ESTA SEMANA
MIN
Diariamente 14 EXPOSIÇÃO | ”CORES DA ÁSIA” | CASAS DA TAIPA Galeria 2 | 4Até 22/09 0
6 8 9 1 5 3 7 5 8 | “O7VAGABUNDO” 4 6 1 3 9 0 2 EXPOSIÇÃO Casas da Taipa – Exterior 9 3 6 1 2| Até56/107 0 8 4 EXPOSIÇÃO 1 0 | “JARDIM 2 7DAS3DELÍCIAS 4 TERRENAS” 5 8 9 6 Wynn Macau | Até 6/10 8 9 3 5 0 7 4 2 6 1 EXPOSIÇÃO DA BONDADETERNA” 7 5 | “CONTEMPLAÇÃO 9 8 4 2 6 3 1 0 Museu de Arte de Macau | Até 6/10 0 6 4 3 1 8 2 7 5 9 EXPOSIÇÃO | “QUIETUDE E CLARIDADE: OBRAS 0 5 DO 6 MUSEU 9 DE 4 NANJING” 7 8 DE 3 CHEN2 ZHIFO1DA COLECÇÃO MAM 6| Até717 /11 5 2 9 0 8 1 4 3 4 1 | “HOT 8 FLOWS 9 7– PEARL 3 RIVER 0 6 2 5 EXPOSIÇÃO
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Cineteatro 18 5 0 7 3 4 2 9 1 8 6
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C I N E M A
4 8 0 1 2 5 6 3 9 7
3 4 2 0 7 1 8 9 6 5
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ANNA [C] Um filme de: Luc Besson Com: Sasha Luss, Luke Evans, Cillian Murphy, Helen Mirren 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2
CRAWL [C] Um filme de: Alexandre Aja Com: Kaya Scodelario, Barry Pepper 14.30, 19.30
ANGEL HAS FALLEN [C] Um filme de: Ric Rowan Waugh Com: Gerard Butler, Bugran Freeman 16.30, 21.30
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HUM
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materiais, o que as autoridades do estado de Queensland descreveram como “um milagre”. Neste estado australiano, um dos mais afectados pela seca intensa e prolongada no país, cerca de mil bombeiros combatem mais de 80 incêndios
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 21
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A RESPOSTA QUE FALTAVA
46 4 5 17 91 9 0 38 3 2 5 6 89 28 42 4 7 10 1 3 2 1 4 0 57 35 3 6 9 8 0 1 8 54 25 2 3 9 7 6 93 9 0 8 6 4 7 52 5 1 3 20 72 7 68 6 19 1 5 4 97 9 43 4 10 51 85 8 26 2 32 63 6 71 07 0 58 95 9 4 56 85 18 1 3 9 4 2 07 0 7 7 95 29 2 8 13 61 6 04 0 8 8 7 62 6 4 91 9 3 50 5 8 7 1 3 6 02 50 45 94 9 9 04 60 56 5 27 2 83 8 1 5 40 4 3 2 7 16 1 8 9 84 18 91 9 0 25 72 67 6 3 0 52 5 49 4 18 71 7 3 6 53 retiradas 95 89 das 48suas4habitações 20 2 na7Aus1 8 27 92 9 3 6 4 50 5 Pelo menos 4006pessoas 1 6 foram CHAMAS FORA DE ÉPOCA combatidos 34 3 6 15 01 80 8 9 2 7 trália devido9 aos29múltiplos 81 8por 2 incêndios 7 0 que 3 estão 6 a5ser14 milhares de operacionais no leste do país, informaram as autoridades locais. Até ao momento, só foram registados danos
5 43 4 08 10 1 96 9 2 6 12 1 4 9 3 07 0 8 9 9 0 8 7 6 4 5 2 31 97 9 0 82 58 5 3 61 6 1 51 5 63 76 27 92 9 04 80 2 2 64 6 9 3 0 58 5 17 83 58 5 10 71 7 64 96 9 0 6 17 51 85 28 2 3 4 18 21 2 43 94 9 70 57 5 74 7 9 5 2 6 1 38 3
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ANNA SALA 1
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MAX
VIDA DE CÃO
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DELTA ARTS RETROSPECTIVE” Armazém do Boi | Até 13 de Outubro
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1 8 2LIVRO 5 2 6 4HOJE 9 4 7 03 UM 6 7 9 1 4 3 0 8 2
9 8 5 0 34 73 57 85 98 29 2 6 Confesso, com um amargo de boca, que quando 3 45li pela 4 2primeira 0 12 vez1 Pynchon, 67 6 “O8 Leilão do Lote 49”, fiquei mais intrigado 2 rendido. 9 6Li08 0 7 1factor3que 45 que em7português, deve ter pesado devido à tragédia que é 8 3 61 96 09 50 5 4 a7 tradução. A partir daí li sempre em inglês um3dos 0 57 5 2mais 3 6importantes 2 6 91 es-9 0e 4descobri critores em actividade. “Vineland” é um 7 2que 1 arrebata 2 9logo8ao início. 5 03Premissas 0 64 livro loucas, servidas pela mais brilhante mestria 9 02 0 4 7 6 58 5 31 no domínio da linguagem, encadeadas em 5 6 sem 8 3fim 1 4 “Vineland” 2 9 70 narrativas à vista. começa com dois personagens cativantes. Zoid: um ex-hippie que vive de esquemas de seguros na era de Reagan e do tormento da imagem da ex-mulher. Hector: ex-DEA foragido de uma clínica de reabilitação para viciados em televisão. Sinceramente, não sei porque carga de água andei a ler outras coisas quando ainda tenho livros do Pynchon para ler. João Luz
7 5 3 4 8 1 2 9 6 0 0 5 1 9 4 2 8 6 3 7
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42 9 6 0 5 61 34 8 7 3
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TEMPO
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PROBLEMA 22
8 8 50 1 1 7 7 24 9 79 5 5 2 06 3 3
8 4 1 3 6 9 7 0 5 2
Assistimos esta segunda-feira a uma reacção rara por parte do Comissariado de Auditoria (CA) após a publicação de um relatório, no sentido em que voltou a responder a fracas justificações dadas pelos membros do Governo. A situação foi tão caricata que os Serviços de Administração e Função Pública tiveram a ousadia de dizer que sim, que concordavam com o relatório, para depois vir publicamente negar as suas conclusões. Ho Veng On, comissário da Auditoria, demonstrou profissionalismo e transparência ao responder a Kou Peng Kuan, que mais não fez do que dar respostas vagas e pouco compreensíveis aos media. Não se compreende, à luz das conclusões do relatório do Comissariado, que se tenham feito tantas revisões legislativas para ficar tudo na mesma. Não se compreende como é que há pouco mais de uma dezena de trabalhadores nos SAFP para coordenar o processo de recrutamento centralizado. Não se percebe porque é que Kou Peng Kuan nega evidências que foram confirmadas pelos próprios serviços públicos. Fazem falta mais respostas por parte não apenas do CA, mas também do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), para existir um debate de ideias sobre aquilo que é publicado. Quantas vezes ficamos com a sensação de que sai um relatório e nada acontece, aceitando-se este tipo de reacções vagas por parte dos visados nos documentos? Veremos o que verdadeiramente muda nos SAFP, que já em 2018 tinha sido visado num outro relatório do CA relativamente à implementação do Governo Electrónico. O que mudou, nesta área, desde então? Andreia Sofia Silva
VINELAND | THOMAS PYNCHON
SALA 3
EXIT [B] FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Lee Sang-geun Com: Cho Jung-Seok, Lim Yoona, Goh Doo-Shim, Park In-Hwan 14.30, 16.30, 21.30
ONE PIECE STAMPEDE [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Takashi Otsuka 19.30
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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Juana Ng Cen; Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gisela Casimiro; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
opinião 19
quarta-feira 11.9.2019
sexanálise
TÂNIA DOS SANTOS
BENJAMIN WEST, LUPID AND PSYCHE
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IVEMOS em tempos que privilegiam a vontade individual. Certamente já se confrontaram com o individualismo que co-existe com a tentativa de vivermos em paz e harmonia social. Somos egoístas, competitivos, invejosos (talvez porque nos é exigido) e ainda é suposto sabermos relacionarmo-nos com o(s) outro(s). Este individualismo exacerbado que coloca a meritocracia num pedestal (todos são capazes de tudo) peca em dar conta das fragilidades individuais e de como precisamos dos outros para ultrapassá-las. O grande segredo para a felicidade são os outros - e a partilha e conforto que nos possibilitamos nessas relações. Nas relações amorosas em particular, que pressupõe uma partilha de fragilidades, um sobrepor de existências, de alegrias e de medos, vemos a fórmula 1+1=3 para dar conta da complexidade de uma relação íntima. O sucesso de uma relação depende de uma combinação entre eu, tu e nós como entidades que existem e co-existem, com limites às vezes mais claros, outras vezes menos. A complicação desta fórmula assenta precisamente na tensão entre ser individual e colectivo e de perceber que limites precisamos de estabelecer. Ninguém ainda definiu um equilíbrio saudável entre o que é a gestão emocional individual e dar conta das dificuldades em conjunto. Ao que damos prioridade? A nós próprios ou ao outro? O amor como literatura bem que enfatiza a entrega completa. A entrega que nos faz dissolver com o outro e onde os limites do que nós somos e por onde vamos ficam completamente confusos. Ficamos à mercê das nossas emoções e dos nossos apetites, esquecemo-nos de nos individualizarmos e isso não precisa de ser mau. Mas não fica para sempre assim. Isso seria consumirmo-nos e deixarmos de existir por completo. A possibilidade de individualizarmo-nos nem aparece na literatura porque talvez não seja romântico. A gestão emocional que pressupõe continuar a ser quem somos, não totalmente como éramos, mas uma nova versão de nós próprios, é o grande segredo do amor. Um segredo que não é desvendado com uma solução perfeita. É daqueles segredos que é explorado por tentativa e erro, em todas as relações que temos, e com todas as partilhas que deixamos que aconteçam. Talvez os mais românticos sejam os que se atiram de cabeça sem olhar para os seus umbigos, talvez os mais práticos sejam mais exigentes com os seus limites. Há muitas formas de amar. Só que a coisa relacional funciona se o amor
Modern love
próprio e o amor pelo outro constituírem sistemas de alimentação interligados, mas não dependentes um do outro. Onde o cuidado é co-partilhado e co-responsabilizado e não é de exclusiva responsabilidade de qualquer das partes.
As sociedades ditas individualistas e colectivistas provavelmente apresentam expectativas muito distintas de amor romântico e do significado de ‘nós’. Como um jogo de necessidades, sociedades que pressupõem ligações mais próximas ou distantes devem
Em tempos de exaltação do auto-cuidado, do mindfulness e da gestão individual das nossas emoções e dificuldades num ocidente neoliberal, corremos o risco de não ver para além de nós próprios. Podemos até chegar a extremos onde o outro deixa de existir por completo
alterar as expectativas do amor romântico também. Não saberemos bem como, porque a natureza do amor romântico continua a ser um segredo, um mistério que por mais reflexão literária e investigação científica continua a ser absurdamente incompreendido. Em tempos de exaltação do auto-cuidado, do mindfulness e da gestão individual das nossas emoções e dificuldades num ocidente neoliberal, corremos o risco de não ver para além de nós próprios. Podemos até chegar a extremos onde o outro deixa de existir por completo. Só que o amor não é uma seta de cupido num vácuo social. O amor fazemo-lo sempre acompanhados.
Amanhã não seremos o que fomos nem o que somos. Ovídio
PALAVRA DO DIA
Comboio descendente
quarta-feira 11.9.2019
FITCH GUERRA COMERCIAL E ‘BREXIT’ FAZEM RECUAR CRESCIMENTO MUNDIAL
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Fitch acredita que o impacto da guerra comercial entre a China e os EUA e os riscos de um ‘brexit’ sem acordo levarão a uma revisão em baixa do crescimento a nível mundial, incluindo na zona euro. Em comunicado, a agência de ‘rating’ referiu que “levou a cabo revisões em baixa significativas ao crescimento do PIB [Produto Interno Bruto] da China e da zona euro para os próximos 18 meses”. Assim, a organização prevê que a economia chinesa cresça 6,1 por cento este ano e 5,7 por cento em 2020, face às previsões da agência em Junho, que apontavam para 6,2 por cento e 6 por cento respectivamente. Na mesma nota, a Fitch revela que, no caso da zona euro, a estimativas são agora de um aumento de 1,1 por cento em 2019 e 2020, mas em Junho a Fitch apontava para 1,2 por cento este ano e 1,3 por cento em 2020. Os Estados Unidos não escapam a este cenário de desaceleração, com as previsões a apontarem para uma evolução do PIB de 2,3 por cento este ano e 1,7 por cento em 2020, em comparação com a estimativa anterior, de 2,4 por cento e 1,8 por cento respectivamente. A Fitch avisa ainda que a zona euro pode ainda crescer menos no caso de um ‘brexit’ sem acordo, “um risco que cresceu ainda mais
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director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau, Fu Ziying, afirmou que os professores devem ajudar os alunos a seguir os valores correctos. A ideia foi expressa, numa palestra na segunda-feira, relatada pelo jornal Ou Mun. O discurso de Fu Ziying assentou em quatros pontos de vista: primeiro sublinhou que após o regresso de Macau à Pátria o desenvolvimento económico e social alcançou conquistas universalmente reconhecidas, principalmente no sector da
no Verão”, segundo o comunicado. “Enquanto que a desaceleração mundial dos últimos 12 meses se deveu a várias causas – incluindo condições de crédito na China, o aperto na liquidez global do dólar em 2018 e mudanças significativas em alguns grandes mercados emergentes – a principal causa para
a deterioração das perspetivas nos próximos 12 a 18 meses é a política comercial”, lê-se na nota da Fitch.
TAXAS DE CHOQUE
A agência recordou que os EUA intensificaram as tarifas sobre as exportações chinesas durante o Verão, de 25 por cento para 30 por
cento em bens avaliados em 250 mil milhões de dólares e criaram uma nova taxa de 15 por cento nos restantes 300 mil milhões de dólares, sendo que estas mudanças entrarão em vigor entre Outubro e o final do ano. A Fitch acredita que o “choque” destas medidas irá reduzir o crescimento chinês em 2020 em 0,3 pontos percentuais, face ao estimado em Junho. O arrefecimento da economia chinesa, de acordo com a agência de ‘rating’ tem sido “um factor importante” no crescimento “desapontante” da zona euro. “A evolução da zona euro foi mais fraca do que o esperado no segundo trimestre de 2019 e dados mais recentes continuam a surpreender pela negativa, particularmente na Alemanha, onde a economia se contraiu” no mesmo período, segundo a Fitch. Um ‘Brexit’ sem acordo pode conduzir a uma “recessão significativa no Reino Unido” em 2020, sendo que um dos cenários aponta que, se o PIB britânico cair 1,4 por cento, a zona euro pode recuar 0,4 pontos percentuais”, destacou a Fitch. A agência salientou que ao EUA têm-se mostrado mais resistentes a estes problemas, mas o sector industrial arrefeceu “significativamente” e as empresas estão mais cautelosas nos investimentos, face às incertezas das políticas comerciais.
Amar pelos dois
Fu quer professores a cultivar valores da Pátria
educação. Fu frisou mesmo que este sector se tornou um exemplo do princípio “Um País, Dois Sistemas” e que tal só foi possível com o esforço e dedicação de todos os professores. No segundo ponto, o dirigente declarou que a profissão de professor é “gloriosa” e vai ser fundamental para uma diversificação da economia de Macau, uma vez que só a
educação de alta qualidade e a formação de quadros qualificados vai permitir criar talentos locais. Assim, Fu defendeu que o futuro de Macau e da população está intimamente ligado ao desempenho dos professores. No terceiro ponto foi referido que os professores devem tornar-se um modelo para transmitir a tradição de “amar a Pátria e amar Macau”, e que a harmonia e to-
lerância social do território vêm desta tradição básica. Segundo Fu, os professores são a chave fundamental para que a sociedade herde estes valores. O responsável do Gabinete de Ligação disse ainda que apesar de os professores virem de escolas de diferentes origens, os valores são comuns, esperando que estes docentes possam oferecer aos alunos uma história abrangente e
precisa do país e da nação, promovendo a cultura chinesa e construindo amor patriótico nos jovens. Por último, revelou que os professores devem ser fontes de amor e que muitos alunos obtêm informação através da rede escolar, portanto, revelou esperar que os docentes sejam bondosos e assumam a responsabilidade pela educação, ajudando os alunos a aprender o sentido de amor e a crescer com felicidade. J.S.F.
EPM Corridas de carros-modelo a energia solar
Mais de 600 alunos vão participar no domingo na 7.ª edição das “Corridas de Carros-Modelo a Energia Solar e com Condensador” na Escola Portuguesa de Macau, anunciou ontem a Companhia de Eletricidade de Macau (CEM), organizadora do evento. “Com esta iniciativa pretende-se promover o uso de energias renováveis junto dos estudantes locais, permitindo-lhes adquirir conhecimentos e reconhecer a importância da energia verde para um ambiente sustentável”, apontou a CEM em comunicado. Segundo a mesma nota, este ano o número de inscritos “atingiu um novo recorde com mais de 600 alunos provenientes de 27 escolas a formarem 123 equipas”. As actividades destinam-se aos alunos do 7.º ao 12.º ano. Os alunos foram “desafiados a construírem os seus próprios carros e a competirem entre si”, referiu a CEM.
Óbito Morreu Robert Frank, ícone da fotografia do século XX
O fotógrafo norte-americano Robert Frank, ícone da fotografia do século XX, morreu na segunda-feira, aos 94 anos, no Canadá, anunciou ontem o galerista Peter MacGill. A notícia foi dada pelo jornal The New York Times, citando o responsável pela Pace-MacGill Gallery, de Manhattan, que representava o artista de origem suíça que residia há décadas no Inverness, Nova Escócia, Canadá. Robert Frank celebrizou-se através do seu livro “Os Americanos” (1958), com imagens a preto e branco captadas em viagens que realizou pelos Estados Unidos, e que se tornou num manifesto contra a tradição, com um grande impacto nas gerações que se seguiram.