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Hoje Macau 11 SET 2015 #3413

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Director carlos morais josé

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por antónio conceição júnior

h um livro erótico? | ensaio do impossível

hojemacau Shee vá gastroenterologista

Detalhes da vida de um médico Da medicina à literatura, Shee Vá procura estabelecer pontes para um relacionamento mais profícuo e saudável, seja entre médicos e pacientes ou entre a lusofonia e a cultura chinesa. entrevista páginas 2-3


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entrevista

hoje macau sexta-feira 11.9.2015

Shee Vá médico gastroenterologista

O médico gastroenterologista Shee Vá considera que o diálogo entre médico e paciente é a solução para uma melhoria dos cuidados de saúde e diz que, muitas vezes, os problemas na área chegam por causa de desinformações. O médico alerta ainda para o facto de a Ásia estar a ver crescer os números de doentes de Crohn Apresentou esta semana o livro “Uma Ponte para a China”. É a sua primeira obra? Este é o primeiro livro. Comecei a escrevê-lo quando ainda estava em Portugal e fala sobre a cultura chinesa, principalmente porque comecei a aprender Mandarim. Trata-te de uma homenagem às minhas origens e aos meus professores. Que conclusões tirou depois do curso de Mandarim? Que a língua é muito difícil, principalmente porque – e esta é uma visão médica – a sua estrutura é diferente da portuguesa. Tendo isso em conta, é complicado para uma mente ocidental integrar-se no pensamento oriental. Como tenho genética chinesa, pode ter-me sido mais fácil e dediquei-me um bocado mais ao estudo, mas acredito que é preciso muita persistência para se

Comecemos pela performance do Hospital S. Januário. A reputação desta instituição hospitalar tem vindo a ser afectada por uma série de casos de alegado erro de diagnóstico, entre outros. Qual é a sua opinião sobre isto? Em termos de erro de diagnóstico, as coisas devem ser vistas de uma perspectiva de inserção social. Com isto quero dizer que a informação que o público tem e a informação médico-científica, às vezes, não é a mesma. Comparativamente com Portugal, onde trabalhei durante mais tempo, o que vejo é que em Macau existe muita desinformação. Nem a população tem educação suficiente para compreender o que se passa, nem os médicos por vezes têm tempo para informar os doentes. E estes vêm, muitas vezes, com determinadas exigências.

hoje macau

“Desinformação gera muitos dos

Como é que isso se pode resolver? Acho que é preciso encontrar o equilíbrio entre as duas coisas: entre a exigência que os doentes têm relativamente ao hospital e os serviços que o hospital tem para lhes oferecer. Precisamente por causa disso é que há exames de diagnóstico que são feitos e são completamente desnecessários. Em Medicina, podem fazer-se exa-

literatura pontes e homenagens às raízes

A primeira obra de ficção aprender. Quis escrever o livro para demonstrar o quão difícil é aprender a língua e as formas de ultrapassar isso mesmo. Que língua se falava quando era pequeno? Os meus pais falavam Cantonês, mas toda a minha educação e mentalidade foi inteiramente ocidental. O que eles me ensinaram, ficou memorizado, mas era um analfabeto em Chinês porque não sabia ler nem escrever. O conhecimento ajudou-me, mas não foi determinante. Comecei a escrever o livro então nestes termos e a explicar como é que os ensinamentos dos meus professores me fizeram a tal ponte para a China, dos países lusófonos.

Como é que o resto do livro se processa? Depois da aprendizagem da língua, contei histórias de personagens que criei para estabelecer a tal ponte para Macau, que achei importante, e depois de Macau para a China. Para essa passagem, arranjei um casal em que ele é chinês e ela portuguesa. Em seguida, com provérbios e histórias chinesas, abri um bocado a janela para a China. Em termos de origem... As suas raízes estão na China ou em Macau especificamente? Os meus pais são da região de Cantão, fui lá visitar a minha família. A minha mulher é aqui de Macau e por isso

posso dizer que me sinto um bocadinho chinês, mais do que era há 40 ou 50 anos. A sua ligação a Macau começou com a Medicina? Sim. Vim para Macau a primeira vez nos anos 80, através de um colega natural daqui. Na altura, quando se proporcionou, viemos trabalhar depois de acabarmos o curso de Medicina. Foi aqui que conheci a minha mulher e nasceu o meu primeiro filho, portanto logo aí fui criando raízes. No entanto, sinto que há uma enorme diferença entre a Macau dos anos 80 e de hoje em dia. Que principais diferenças aponta? São enormes, nomeadamente em termos sociológicos.

Apesar de Macau ser um território pequeno, onde várias comunidades parecem conviver, cheguei à conclusão de que isso não acontece realmente. A imagem que tenho de Macau e das comunidades é que todas são rodas dentadas de uma máquina a funcionar. Como tal, funcionam porque ambas vão girando, quase que em paralelo, mas sem intersecções. Contudo, há intersecções, sim, que são os macaenses. Há outras diferenças, mas a que mais sinto é, sem dúvida, nas comunidades. Hoje em dia, com os casinos, há necessidade de mais recursos humanos e vêem-se nacionalidades que quase não existiam cá, como da Indonésia ou Filipinas. Chamaria à comunidade uma mistura, mas é mais uma variedade. Como é que o bichinho da escrita cresceu? Talvez por influência dos

mestres. No livro não fiz quase referência à minha profissão de médico, até porque não tem nada que ver com Medicina. Existe a ideia – e foi-me transmitida pelos meus professores – de que, e cito o médico Abel Salazar, “O médico que só sabe Medicina, nem Medicina sabe”. Isto quer dizer que, como homens da Ciência, também devíamos enveredar por outros caminhos. Talvez tenha sido isso, até porque o professor Mário Quina, que foi um dos meus mestres, foi campeão olímpico de Vela além de exercer Medicina. Posso dizer que sou de uma geração adulta envelhecida que se habituou a olhar para os doentes e inspeccionar e descrever do doente e da doença sofrida. Este armamento descritivo perdeu-se com a introdução das novas tecnologias, onde há análises para tudo. Os médicos escritores são tradição em


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problemas na saúde” “Em Macau existe muita desinformação. Nem a população tem educação suficiente para compreender o que se passa, nem os médicos por vezes têm tempo para informar os doentes mes complementares, mas estes, normalmente, não indicam aquilo que os doentes têm, clinicamente falando. Pode é descobrir-se outras coisas, mas que não são relevantes o suficiente em relação à razão pela qual o doente foi ao hospital. Conclusão: vamos ter um segundo diagnóstico que não seria o inicial, o que pode ser entendido como erro de diagnóstico. A segunda situação que se põe é perceber se o hospital tem capacidade para lidar com todos estes doentes. Na minha opinião, acho que com diálogo, tudo se consegue. Se nós, como profissionais de saúde, e a população conseguirmos chegar ao diálogo, ficamos no mesmo diapasão, mas isso não acontece. Isto porque a desinformação gera muitos dos problemas relativos à saúde, que pode acontecer aqui no hospital e noutras instituições de saúde.

Portugal, como temos Miguel Torga, Lobo Antunes, Fernando Namora... Vêm todos desta escola. Provavelmente absorvi algo desta academia e quando surgiu a oportunidade de divulgar a cultura chinesa para o mundo lusófono – acho que a China entrou agora para o mundo –, aceitei a ideia. Quis enveredar por este campo para que as pessoas percebam os vários aspectos do que é ser chinês. E vêm mais livros a seguir? Sim, já tenho algumas coisas escritas. Provavelmente, serão também para publicar, só ainda não sei quando. É ainda preciso fazer a revisão, mas estão várias coisas escritas.

Serão em que âmbito? A maioria baseada na cultura chinesa e de ficção. O próximo penso que será mesmo um romance e a seguir tenho já muita coisa escrita sobre Ópera, outra das minhas grandes paixões. Resolvi escrever um livro sobre as óperas que Macau já vi durante todos estes anos do Festival Internacional de Música, desde 87 até agora. A ideia é divulgar a Ópera enquanto género musical, dar os enredos e aquilo a que as pessoas devem ouvir e dar atenção. Mas como não podia deixar de ser, fiz um guia de Ópera aliado a um romance, onde um personagem vai relatar a sua experiência em relação às óperas. L.S.M.

O S. Januário regista várias centenas de pacientes por dia em termos gerais, mas muitos residentes dizem continuar a preferir a Medicina Chinesa à Ocidental. Acha que ainda há uma certa confusão na forma como as duas são percepcionadas? Confusão não acho que haja. A ideia geral é que todos os doentes procuram a Medicina Oriental primeiro e só depois a Ocidental. Quase todos mesmo. Para todo o tipo de doenças? Para uma gripe tratam-se com os chás, mas também para doenças mais graves. Tem que se perceber – e isto faz parte da cultura chinesa – que os pacientes se sentem doentes pelos sintomas. Isto é, quando não têm sintomas, não sentem que estão doentes e recorrem à Medicina Chinesa para tratar de sintomas e não de doenças. A Medicina Oriental é orientada para uma medicina de sintomatologia e

tratamentos deste tipo, que é onde pode haver falhas no estabelecimento da ponte entre a Oriental e a Ocidental, na qual interessa mais tratar a doença e não o sintoma. Tudo isto pode gerar conflitos na relação entre médico e paciente, pelo que estas coisas têm que ser entendidas como diferentes funções do médico, que tem que ter um horizonte aberto para poder compreender este tipo de coisas. É realmente possível juntar as duas medicinas? Sim, tem havido avanços nesse sentido, até porque já os Serviços de Saúde têm médicos de Medicina Oriental em funções, nomeadamente sessões de Acupunctura a funcionar nos centros de saúde. Mesmo na área de Oncologia, usa-se muito a Medicina Tradicional, porque algumas pessoas confiam mais neste tipo de tratamentos, por não terem tantos efeitos colaterais. Até em Portugal estamos mais abertos a esta situação. É médico especialista da área da Gastroenterologia e é também auxiliar activo, enquanto profissional de saúde, da Associação

“Na minha opinião, acho que com diálogo, tudo se consegue. Se nós, como profissionais de saúde, e a população conseguirmos chegar ao diálogo, ficamos no mesmo diapasão, mas isso não acontece”

Mútua dos Pacientes de Crohn e Colite Ulcerosa. Qual é o objectivo desta associação? Esta é uma associação criada de doentes para doentes e que tem por fim o apoio mútuo entre os pacientes de Doenças Inflamatórias do Intestino. É uma doença relativamente nova em Macau e em todo o Pacífico. Há 30 anos, praticamente não existia doença inflamatória do intestino nesta zona do globo e começaram a aparecer um ou outro caso apenas. A incidência e prevalência desta doença na Ásia-Pacífico eram muito reduzidas e, desde há 20 anos, cresceram em flecha. Posso dizer que não existem estatísticas relativas a Macau, mas em Hong Kong triplicaram os casos. Os últimos números apontam para a existência de mais de 2300 doentes, que é muito. Qual é o perigo deste aumento? O seu surgimento na Ásia incide sobre pessoas mais novas do que no Ocidente. Em Portugal, costuma acontecer na faixa dos 20 aos 30 anos e aqui estamos a ter cada vez mais casos em adolescentes e em situações mais complicadas. Que tipo de complicações mais graves podem surgir nestes pacientes? Os abcessos e as fístulas no sistema digestivo, que são de muito difícil tratamento. O que acontece nos adolescentes é que muitas vezes não se têm em conta as doenças abdominais, por exemplo, esse tipo de patologia. Isto faz com que o período de diagnóstico seja mais demorado, consequentemente piorando o estado do doente. A referida Associação serve então para facilitar a passagem de informação entre os doentes adolescentes, procurar resolver e integrar estes jovens, que muitas vezes têm que faltar ao trabalho ou às aulas, o que afecta muito o seu dia-a-dia. Uma vez que são adolescentes, os pais também têm um papel importante de responsabilização, que também é discutido na Associação. Tem conhecimento de estudos e investigações que estejam a ser feitos em Macau sobre estas doenças? Que eu tenha conhecimento, não. E os serviços de saúde locais, como o S. Januário, têm capacidade para acolher e tratar estes doentes? Pelo menos da doença inflamatória do intestino, sim. Precisamente porque houve este aparecimento em flecha e se tem chamado muito a atenção para esta zona do globo. Os médicos estão cientes desta patologia e, estando cientes, o diagnóstico é feito de forma mais eficaz, tal como o tratamento. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo


Política

O Governo poderá mesmo avançar com um novo tipo de habitação para quem não tem rendimentos e não consegue, da mesma forma, ser candidato a uma fracção pública. O estudo sobre este assunto poderá chegar no final do ano

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Habitação Pública Relatório sobre nova tipologia até Dezembro

Uma casa para todos tiago alcântara

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Em estudo profundo

“Já em Julho deste ano, o IH autorizou uma instituição académica a realizar um estudo especializado sobre a nova tipologia de habitação pública. A elaboração de todas as políticas públicas pode ser considerada tendo em conta diversos factores, sobretudo o de adicionar uma nova tipologia ao actual sistema da habitação pública. Portanto, é necessário levar a cabo um estudo profundo” explicou na resposta. O documento, que está a ser feito por uma instituição académica que não se sabe ainda qual é, poderá facilitar a análise do organismo, diz ainda o responsável, na medida em que vai permitir perceber se esta ideia de ter uma casa para este tipo de residentes é a ideal. Ieong Kam Wa acrescentou que os estudos do relatório incluem investigação, comparação de documentos, a forma como foi executada a política ao longo deste tempo e as instalações complementares às fracções. Si Ka Lon queria ainda saber o calendário para o fim do estudo e o IH prevê que este possa ser entregue no final do ano.

O

Instituto de Habitação (IH) afirmou que o relatório de estudo sobre a nova tipologia de habitação pública pode ficar concluído no final deste ano. O organismo explica que poderá mesmo vir a ser implementada uma novo tipologia de fracções. Depois do deputado Si Ka Lon ter entregue ao Governo uma interpelação escrita em Junho, questionando se foi feita alguma avaliação da procura e das necessidades de apartamentos, bem como a viabilidade da utilização de fracções antes de serem apresentadas novas medidas para a habitação pública. O deputado não é o único preocupado com isto, já que muitos membros do hemiciclo pedem o mesmo: que o Governo não tome medidas sem saber as necessidades reais do problema.

Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

Erro Médico Director dos SS crê que lei vai trazer “protecção mais justa”

Pelos pacientes e pelos profissionais L e i Chin Ion acredita que a protecção dos direitos dos cidadãos e profissionais de saúde poderá ser ainda melhor com a nova Lei do Erro Médico. Isso mesmo expressou o director dos Serviços de Saúde (SS) numa resposta a uma interpelação escrita da deputada Wong Kit Cheng. A Lei do Erro Médico tem sido amplamente contrariada pelos médicos e profissionais da área da Saúde, que dizem que esta é uma lei desnecessária, sendo que já houve diversas declarações públicas sobre o assunto. Contudo, o Governo não quer recuar na legislação, até porque esta já foi aprovada na generalidade. Mas os deputados continuam a questionar o Executivo, que assegura no documento agora publicado que esta lei vem trazer melhorias ao sistema de Macau. “Actualmente, estamos a elaborar o Regime Jurídico de Tratamento de Litígios Decorrentes do Erro Médico, cuja proposta de lei propõe o aperfeiçoamento do sistema de avaliação do erro

Agora, na resposta dada recentemente pelo director do IH, Ieong Kam Wa, o responsável afirma que, após uma avaliação preliminar, faz sentido que os destinatários da nova tipologia de habitação pública sejam os residentes que não tenham capacidades para adquirir uma habitação privada e estejam ainda fora do âmbito de acesso a uma habitação social.

médico e a aplicação da medida de conciliação em primeiro lugar e, a seguir, a arbitragem, o que pode diminuir os litígios decorrentes do erro médico de modo mais equitativo, justo e eficaz”, começa por indicar Lei Chin Ion. O director relembra ainda que o Governo está ainda a criar o Regime Legal da Qualificação

e Inscrição para o Exercício de Actividade dos Profissionais de Saúde, que diz que vai regulamentar “ainda mais” o Código Deontológico e o regime disciplinar dos profissionais da área. Os dois diplomas, diz o director dos SS, são uma aposta necessária.

Mais protecção

“Os regimes mencionados destinam-se a uma boa preparação para tratar de eventuais situações resultantes da prática de actividades médicas. Na sequência da aprovação e implementação dos respectivos diplomas acreditamos que se pode proteger ainda mais os direitos e interesses justos dos cidadãos, profissionais de saúde e instituições médicas”, termina o responsável. ALei do Erro Médico foi aprovada em 2013 na generalidade, tendo estado em discussão na especialidade - pela 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa - até Julho, altura em que foi entregue ao Governo para ser corrigida. Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

Lei Trabalho Pedida recompensa da sobreposição de feriados

A Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) espera que a revisão da Lei das Relações Laborais resolva o problema da falta de recompensa na sobreposição de feriados obrigatórios e dias de descanso, por considerar que só a negociação entre trabalhadores e empregadores não atinge os resultados. Segundo o Jornal Ou Mun, foi realizada na quarta-feira passada uma reunião onde foram recolhidas opiniões sobre a revisão desta lei por duas associações subordinadas da FAOM. O director da Associação de Empregados das Empresas de Jogo Macau, Choi Kam Fu, apontou que existem funcionários que esperam que a lei revista consiga exigir que os patrões paguem aos empregados os dias de descanso quando houver sobreposição dos feriados obrigatórios e dias de descanso. “O Governo sugeriu que os empregadores negoceiem com os trabalhadores, mas actualmente existem mais de 80 mil trabalhadores de Jogo e, face às operadoras, eles são vulneráveis e é difícil atingir resultados na negociação”, frisou.


política 5

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F

oi criada em Portugal a PGHM –Associação deAmizade Portugal, Guangdong, Hong Kong e Macau e já há planos para encontros no futuro. A notícia foi avançada esta semana pelo jornal Ponto Final, que citava o

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Nova associação quer unir Portugal à China

Amigos do peito

comendadora, confirmou que o objectivo principal do grupo é “o estreitamento de laços de amizade, culturais e sócio-económicos entre as comunidades de Portugal, da província de Cantão e das regiões administrativas especiais de Macau e Hong Kong”.

tiago alcântara

Uma associação criada para unir Portugal a Macau, Guangdong e Hong Kong, terá, garante Rita Santos, encontros no futuro. Foi em Lisboa que nasceu e são muitos os membros fundadores, mas Vitório Cardoso, garante a comendadora, não faz parte da associação

Da fundação

jornal Diário de Todos, que indicava ainda José Pereira Coutinho, Rita Santos, Vasco Rocha Vieira e Vitório Rosário Cardoso como criadores da Associação em causa. Rita Santos desmente e diz que Cardoso ajudou apenas na burocracia.

A Associação, citava o jornal, pretende aprofundar laços de amizade e conseguir que mais pessoas invistam em Portugal para que o mesmo se torne mais próspero. Questionada pelo HM sobre a criação da Associação, Rita Santos,

Já relativamente à composição, Rita Santos explica que o membros foram indigitados recentemente na festa de apresentação que aconteceu em Lisboa – durante o jantar de confraternização entre os amigos de Macau residentes em Portugal, a 28 de Agosto – em que, diz, a própria foi convidada para ser membro fundadora e futura presidente da Assembleia Geral. Ao seu lado está o deputado e comendador José Pereira Coutinho, o general e antigo governador de Macau Vasco Rocha Vieira, Choi Mam Hin e Lam Peng San - ambos do grupo Estoril-Sol. Todos eles, explica a comendadora, membros fundadores.

“É muito importante fortalecermos as redes de contacto e promover o aprofundamento do conhecimento mútuo entre as nossas sociedades” Rita Santos Membro fundadora da associação

Rita Santos desmente, contudo, o que o jornal Ponto Final indicava: Vitório Rosário Cardoso não faz parte do grupo. “Neste processo Vitório Cardoso só ajudou no processo burocrático da constituição da Associação. Não está previsto qualquer cargo no futuro para o mesmo”, indicou ao HM. Para já estão previstas algumas iniciativas – diz, sem avançar quais – para reunir as comunidades em cada um dos locais. “É muito importante fortalecermos as redes de contacto e promover o aprofundamento do conhecimento mútuo entre as nossas sociedades”, termina. Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo


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Anúncio ﹝56/2015﹞

ANÚNCIO N.º 59 /2015

1.

Entidade adjudicante: Secretário para os Transportes e Obras Públicas.

2.

Entidade que põe a obra a concurso: Instituto de Habitação (IH).

3.

Modalidade do concurso: Concurso público.

Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar os representantes dos agregados familiares do concurso de habitação económica abaixo indicados, no uso da competência delegada pela alínea 20) do n.º 3 do Despacho n.º 06/IH/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM, n.º 7, II Série, de 18 de Fevereiro de 2015 e nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro:

4. Designação do concurso: Prestação de serviços de administração do Edifício Cheng I do Bairro da Ilha Verde.

Nome

N.º do Boletim de Candidatura

5. Objectivo: Concurso para a prestação de serviços de administração do Edifício Cheng I do Bairro da Ilha Verde, nomeadamente serviços de limpeza, guarda, reparação e conservação das partes comuns e dos equipamentos colectivos, por um período de 24 meses (prevendo-se a partir de 1 de Janeiro de 2016 a 31 de Dezembro de 2017, a data definitiva de entrada em vigor do contrato de administração do edifício será informada, por escrito, pelo IH, com a antecedência de 30 dias).

LEI SONG MUI

81201303471

TIO SEI HOI

81201312500

6. Requisitos gerais dos concorrentes: Podem concorrer ao presente concurso as empresas que se encontrem registadas na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis, que no âmbito das suas actividades prestem serviços de administração de propriedades, total ou parcialmente, e que não sejam titulares da licença de segurança nem exerçam a actividade de segurança privada, nos termos da lei. 7. Preço limite: O preço limite do concurso das partes habitacionais e não habitacionais deve ser calculado de acordo com a área de construção. O valor médio por pé quadrado da despesa de condomínio mensal da parte habitacional não pode ser superior a $0,55 (cinquenta e cinco avos), e o valor médio por pé quadrado da despesa de condomínio mensal da parte não habitacional não pode ser superior a $0,47 (quarenta e sete avos).

Por causa dos representantes dos agregados familiares acima mencionados não apresentarem os documentos necessários dentro do prazo fixado, nos termos da alínea 2) do n.o 1 do artigo 28.º da Lei n.º 10/2011 (Lei da habitação económica), alterada pela Lei n.º 11/2015, os adquirentes seleccionados serão excluídos do concurso. Tendo este Instituto publicado um anúncio na imprensa de língua chinesa e língua portuguesa, no dia 5 de Junho de 2015, a solicitar aos interessados acima mencionados para apresentarem por escrito as suas contestações pelos factos acima referidos no prazo de 10 (dez) dias a contar da data de publicação do referido anúncio, mas não fizeram a entrega das suas contestações dentro do prazo indicado. De acordo com as decisões dos despachos do signatário, exarados nas Propostas n.os 0387/ DHP/DHEA/2015 e 0388/DHP/DHEA/2015, os adquirentes seleccionados foram excluídos do concurso. E nos termos do n.º 24 do Despacho n.º 06/IH/2015 e no artigo 155.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, cabem recurso hierárquico necessário das respectivas decisões administrativas, ao Presidente deste Instituto, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data de publicação do presente anúncio, o recurso hierárquico tem efeito suspensivo. O Chefe do Departamento de Habitação Pública, Substo.

8. Obtenção do processo do concurso: Podem consultar e obter o respectivo processo do concurso, na recepção do IH, sito na Travessa Norte do Patane, n.° 102, Ilha Verde, Macau, nas horas de expediente. A obtenção da fotocópia dos documentos acima referidos, é mediante o pagamento da importância de $200,00 (duzentas patacas), em numerário, para os custos das fotocópias ou podem proceder ao download gratuito na página electrónica do IH (http://www. ihm.gov.mo). 9.

Chan Kuan Kit 9 de Setembro de 2015

Visita ao local e esclarecimento por escrito: A visita ao local será feita no dia 16 de Setembro de 2015, às 10H30. Os interessados devem chegar ao IH, sito na Travessa Norte do Patane, n.° 102, Ilha Verde, Macau, à data e hora acima mencionadas e serão guiados pelos trabalhadores do IH. Durante a visita ao local não serão prestados esclarecimentos. Caso os interessados tenham dúvidas sobre o conteúdo do presente concurso, devem apresentá-las, por escrito, à entidade que põe a obra a concurso, antes do dia 21 de Setembro de 2015. Os interessados devem dirigirse à recepção do IH ou através do telefone n.º 2850 0370, nas horas de expediente, antes do dia 14 de Setembro de 2015, para proceder à marcação prévia da visita ao local.

10. Caução provisória: O valor da caução provisória é de $345 120,00 (trezentas e quarenta e cinco mil, cento e vinte patacas). A caução provisória pode ser prestada por garantia bancária legal ou por depósito em numerário através da conta em nome do IH, na sucursal do Banco da China em Macau. 11. Local, data e hora para entrega das propostas: As propostas devem ser entregues a partir da data da publicação do presente anúncio até às 17H00 do dia 19 de Outubro de 2015, no IH, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, nas horas de expediente. 12. Local, data e hora do acto público do concurso: IH, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, às 10H00 do dia 20 de Outubro de 2015. 13. Critérios de adjudicação: ─ Preço: 60% ─ Experiência (incluindo experiência da gestão global, do funcionamento dos equipamentos instalados, de manutenção dos sistemas dos edifícios, dos trabalhos necessários para a execução deste objectivo, da oferta e de serviços, bem como experiência de prestação dos serviços do concurso): 15% ─ Projecto dos serviços de administração (incluindo o controlo de entrada e saída do edifício, a fiscalização e segurança, a limpeza, a manutenção dos sistemas, bem como recursos humanos, equipamentos e materiais para a prestação de serviços): 25% 14. Outros assuntos: Os pormenores e quaisquer assuntos a observar sobre o concurso encontram-se disponíveis no processo do concurso. As informações posteriores sobre o presente concurso serão publicadas na página electrónica do IH (http://www.ihm.gov.mo). O Presidente, Ieong Kam Wa 28 de Agosto de 2015

ANÚNCIO N.º 61/2015 Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar o representante do agregado familiar do concurso de habitação económica abaixo indicado, no uso da competência delegada pela alínea 20) do n.º 3 do Despacho n.º 06/IH/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM, n.º 7, II Série, de 18 de Fevereiro de 2015 e nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.o 57/99/M, de 11 de Outubro:

Nome SAM CHI KEONG MATEUS

N.º do Boletim de candidatura 81201314848

Por causa do rendimento mensal do agregado familiar acima mencionado ser inferior ao limite mínimo do rendimento mensal do agregado familiar de 2 pessoas, constante na tabela I do n.o 1 do Despacho do Chefe do Excecutivo n.º 43/2013, não pode candidatar-se à compra da fracção, nos termos do n.o 3 do artigo 14.o da Lei n.o 10/2011 (Lei da habitação económica), alterada pela Lei n.o 11/2015. Tendo este Instituto publicado um anúncio na imprensa de língua chinesa e língua portuguesa, no dia 5 de Junho de 2015, a solicitar ao interessado acima mencionado para apresentar por escrito a sua contestação pelos factos acima referidos no prazo de 10 (dez) dias a contar da data de recepção do referido ofício, entretanto não o fez dentro do prazo indicado. Nos termos da alínea 1) do n.o 1 do artigo 28.º da Lei n.o 10/2011 (Lei da habitação económica), alterada pela Lei n.o 11/2015, e a decisão do despacho do signatário, exarado na Proposta n.o 0392/DHP/DHEA/2015, o adquirente seleccionado foi excluído do concurso. E nos termos do n.º 24 do Despacho n.º 06/IH/2015 e no artigo 155.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.o 57/99/M, de 11 de Outubro, cabe recurso hierárquico necessário das respectivas decisões administrativas, ao Presidente deste Instituto, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data de publicação do presente anúncio, o recurso hierárquico tem efeito suspensivo. O Chefe do Departamento de Habitação Pública, Substo. Chan Kuan Kit 9 de Setembro de 2015


sociedade

hoje macau sexta-feira 11.9.2015

“O número de visitantes irá [voltar a subir] com a realização de vários eventos de grande envergadura durante o segundo semestre. Estou confiante que o número irá manter o nível alcançado no ano passado” Alexis Tam Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura

No mesmo documento é explicado que o objectivo, traçado nas Linhas de Acção Governativa (LAG), de tornar Macau num Centro Mundial de Turismo e Lazer continua a ser a linha guia do Executivo. O Governo irá, pode ler-se no documento, promover o desenvolvimento estável e sustentável do sector do turismo, “não havendo intenções de procurar aumentar a quantidade, mas sim melhorar o modelo de turismo, por forma a elevar a qualidade e aumentar os mercados de origem”.

Alexis tranquilo

Sobre a queda do número de visitantes, num comunicado à imprensa, Alexis Tam, Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, não se mostrou preocupado. Antes pelo contrário, assumiu a sua confiança perante o futuro. “Mesmo com uma queda de 3,5% dos visitantes, durante os primeiros sete meses deste ano, comparado com o ano passado, o número de visitantes irá

Turismo Apesar de queda, Governo acredita manter números

Há espaço para mais

Apesar do número de visitantes de Macau ter caído, a permanência aumentou. Em reacção, o Governo garante que continuará a apostar no modelo de turismo, não para aumentar, mas sim para melhorar, sempre, diz, atendendo à capacidade da terra no acolhimento de turistas [voltar a subir] com a realização de vários eventos de grande envergadura durante o segundo semestre. Estou confiante que o número irá manter o nível alcançado no ano passado”, afirmou. O Secretário explica ainda que o Governo sempre se pautou pela definição das políticas e disposições para promover o desenvolvimento “saudável e sustentável do turismo local”, dando, por isso, também atenção à capacidade de acolhimento dos visitantes, principalmente nas épocas festivas, como por exemplo no Concurso Internacional de Fogo-de-artíficio, Festival Internacional de Música, Festival de Gastronomia de Macau, Grande Prémio, Maratona Internacional de Macau e Parada “Macau, Cidade Latina”, entre outros. Alexis Tam indicou ainda que já recebeu apoio da Administração Nacional do Turismo e do Ministério de Segurança Pública “quanto à viabilidade de um controlo adequado no número de visitantes do continente”, sobretudo, nestas épocas festivas.

Lá de longe

O objectivo de atrair turistas internacionais continua a marcar presença no topo da lista dos afazeres do Governo. No comunicado,

o Executivo garante que irá continuar a esforçar-se para cooperar com o sector do turismo, para que sejam criados pacotes promocionais, conforme o momento festivo, “aumentando assim o leque de mercados de origem de turistas”. O Secretário caracterizou as acções da Direcção dos Serviços de Turismo (DST) de “muito positivas”, atingindo bons resultados, principalmente, indica, na Coreia do Sul e Indonésia. No futuro, diz, irá “reforçar a promoção junto dos mercados da Europa, Estados Unidos e Canadá”.

gonçalo lobo pinheiro

O

s números já não são novos: o bolo total de visitantes de Macau diminuiu 3,5% este ano, ao contrário da média do tempo de permanência dos turistas, que registou uma subida nos primeiros sete meses do ano, fixando-se nos 2,2 dias, ultrapassando pela primeira vez os dois dias. Face à ligeira queda, em comunicado à imprensa, o Governo explica que “tomou a iniciativa de proceder a um ajustamento das actividades turísticas, esperando que através das diferentes actividades se possa melhorar e optimizar as promoções para a diversificação dos mercados de origem e atrair turismo de qualidade e, assim, se conseguir o prolongamento de tempo de permanência no território”. O Executivo explica que continuará a avaliar a capacidade de acolhimento de turistas por parte do território e a perceber o ambiente turístico e as infra-estruturas, a fim de elevar a qualidade dos serviços prestados.

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Sentir cada vez menos

Quando questionado, pelo canal chinês da Rádio Macau, sobre o resultado pouco eficaz do programa de roteiros turísticos “Sentir Macau passo a passo”, Alexis Tam admitiu a falta de promoção, garantindo que já conversou com a DST apelando à melhoria do programa. Wu Wai Fong, presidente da Associação de Guias Turísticos de Macau, afirmou, ao mesmo meio de comunicação, que até ao momento o número de excursões do interior da China diminuiu 10 a 20%, comparado com o período homólogo. Considera que o Governo deve mudar o modelo de visita de turistas no

território, implementando políticas mais diversificadas. Como exemplo, Wu Wai Fong indicou a cooperação com companhias aéreas para criar planos de “uma viagem, vários destinos” para explorar clientes de diversas regiões. Para Loi Hoi Ngan, professor do Centro de Estudos Políticos, Económicos e Sociais, a explicação da disposição estratégica do desenvolvimento do turismo pelo Governo poderá aumentar a confiança do sector turístico. Filipa Araújo (com Flora Fong) filipa.araujo@hojemacau.com.mo

Novo hospital pode ter calendário em Outubro

Alexis Tam, Secretário para os Transportes e Obras Públicas, disse ontem que o colega das Obras Públicas e Transportes, Raimundo do Rosário, poderá indicar no próximo mês a data e os custos do novo hospital público. O responsável da Saúde falou na TDM, dizendo que “a parte do projecto de engenharia e do orçamento é da responsabilidade do Secretário para os Transportes e Obras Públicas, temos estado a trabalhar em conjunto e acredito que no futuro, talvez já no próximo mês, os departamentos relevantes e o próprio Secretário venham falar em pessoa sobre o orçamento e o calendário”.

Mosaico do Hotel Estoril reservado para outro local

O Secretário para Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, afirmou que o mosaico da fachada do antigo Hotel Estoril poderá ser colocado num outro local. Ao canal chinês da Rádio Macau, Alexis Tam disse que, depois de consultar todos os dirigentes das escolas e institutos, visto o futuro do Hotel ser um centro de actividades de jovens, foi concluído que manter o painel naquele sentido não faria sentido. Por isso, o Secretário considera que este poderá ser aproveitado para ser colocado num outro sítio ainda a definir.

Rotunda do Istmo Passagem superior entra em funcionamento • A passagem superior pedonal na Rotunda do Istmo, na Taipa, entra em funcionamento amanhã. As passadeiras actualmente existentes na periferia da rotunda serão eliminadas passo a passo após a entrada em funcionamento da passagem de forma a que os residentes se possam habituar ao novo espaço. A passagem foi dividida em cincos acessos, tendo escadas, escadas rolantes e elevador.


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NOTIFICAÇÃO EDITAL (Reparação coerciva)

N.º50/2015

Ng Wai Han, Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho

Substituta, manda que se proceda, nos termos do n.º 3 do artigo 9.º e do artigo 11.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008, de 18 de Dezembro – Normas de funcionamento das acções inspectivas do trabalho, conjugados com os artigos 58.º, n.º 2 do artigo 72.º e n.º 2 do artigo 136.º, do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, à notificação do transgressor do auto de notícia n.º 116/0708/2015, de 6 de Agosto de 2015, o empregador LIN JIBIAO, portador de “JIN XI CLUB”, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do 1.º dia útil seguinte à da publicação do presente édito, proceder ao pagamento da multa aplicada no aludido auto, no valor de Mop$145.000,00 (cento e quarenta e cinco mil patacas), por prática da transgressão laboral prevista no n.º 3 do artigo 62.º, n.º 2 do artigo 43.º e n.º 2 do artigo 45.º e artigo 77.º, todos da Lei n.º 7/2008 – Lei das relações de trabalho, de 18 de Agosto, e punida nos termos da alínea 6) do n.º 1 e alíneas 2 e 5) do n.º 3, todos

NOTIFICAÇÃO EDITAL N.º48/2015 (Solicitação de Comparência dos Trabalhadores)

Nos termos das alíneas b) e c) do n.º 1 do artigo 6.º do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugada com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se os senhores FU, WANBIN e CHEN, ZHOUPING, ex-trabalhadores não-residentes do “Estabelecimento de Comidas Tong Pak Kao Chi Vong”, para no prazo de 10 (dez) dias, a contar do primeiro dia útil seguinte à da publicação dos presentes éditos, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, a fim de prestar declarações no processo n.º 1267/2015, relativas à comunicação de Corpo de Polícia de Segurança Pública. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 4 de Setembro de 2015.

A Chefe do Departamento,

Lurdes Maria Sales

do artigo 85.º da Lei n.º 7/2008. Sendo de acordo com o artigo 87.º da Lei n.º 7/2008, a pena de multa prevista na alínea 6) do n.º 1, do artigo 85.º é convertível em prisão nos termos do Código Penal. Por outro lado, o notificado deve, no mesmo prazo, proceder ao pagamento da quantia em dívida e compensação aos trabalhadores Chim In Kun, Leong Kin Wa, Tou Ka Chon, Lei Chi Keong e Lei Lap Wun, no valor de Mop$482.095,20 (quatrocentas e oitenta duas mil, noventa e cinco patacas e vinte avos), devendo ainda, nos 5 (Cinco) dias subsequentes ao do termo do atrás citado prazo, fazer prova do pagamento efectuado.

A cópia do auto, a notificação, o mapa de apuramento da quantia

em dívida aos referidos trabalhadores e as guias de depósitos deverão ser levantados, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, sendo facultada a consulta dos processos n.ºs 10399/2014, 1046/2015 e 2649/2015.

Decorridos os prazos, sem que tenha sido dado cumprimento à

presente notificação, seguir-se-á a tramitação judicial, com a remessa do auto ao Juízo.

Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento

de Inspecção do Trabalho, aos 31 de Agosto de 2015. A Chefe do Departamento, Lurdes Maria Sales

NOTIFICAÇÃO EDITAL N.º49/2015 (Solicitação de Comparência do Trabalhador)

Nos termos das alíneas b) e c) do n.º 1 do artigo 6.º do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugadas com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se o Sr. LEONG, KIN KEI, ex-trabalhador da sociedade “GRUPO DE RESTAURAÇÃO GOLDEN COURT (INTERNACIONAL) LIMITADA”, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do dia seguinte ao da publicação do presente edital, comparecer no Departamento da Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado n.ºs 221 a 279, Edifício Advance Plaza, 1.º andar, Macau, a fim de prestar declarações no processo n.º 2205/2015, proveniente da queixa apresentada nestes Serviços em 2/3/2015 e relativamente à matéria de resolução do contrato. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento da Inspecção do Trabalho, aos 31 de Agosto de 2015.

A Chefe do Departamento

Lurdes Maria Sales


sociedade 9

hoje macau sexta-feira 11.9.2015

O

Nova Era Pneu solta-se na via A Polícia de Segurança Pública (PSP) afirmou ao canal chinês da Rádio Macau que, na noite de quarta-feira por volta de 22h00, o pneu de um autocarro da Nova Era soltou-se na via e passou para outra faixa de rodagem, quando o autocarro mudou de direcção na Rua do Almirante Sérgio, para a Avenida de Almeida Ribeiro. O incidente não causou feridos mas precisou de uma intervenção imediata e de pessoal para parar o trânsito. Este é o terceiro incidente da Nova Era esta semana, depois de no mesmo dia um homem de 77 anos ter visto as suas pernas amputadas depois do autocarro lhe passar por cima. O idoso foi transportado para o hospital ainda consciente. Noutro caso, no início da semana, uma mulher foi atropelada também, tendo sido transportada para o hospital com ferimentos ligeiros.

Português IPOR quer afirmar Macau como centro de promoção

Mais do que um instituto gonçalo lobo pinheiro

Instituto Português do Oriente (IPOR) quer contribuir para a afirmação de Macau como centro de promoção do Português na Ásia, voltando a assumir um papel na coordenação de projectos de promoção da língua na região. Em declarações aos jornalistas, João Neves, director do IPOR, salientou o posicionamento estratégico da Macau na região Ásia-Pacífico para a consolidação do ensino da Língua Portuguesa e, por outro, como centro de desenvolvimento de conhecimento e de materiais de apoio, áreas nas quais o Instituto está igualmente empenhado. O director do IPOR falava à margem do Encontro de Pontos de Rede de Ensino de Português Língua Estrangeira na Ásia, que ontem teve início nas instalações do Consulado Geral de Portugal em Macau com a participação de docentes radicados em Goa, Pequim, Seul, Banguecoque, Hanói, Xangai e Jacarta. “Queremos contar com estes leitores, e, por via deles, estreitar, no futuro, também as ligações às universidades de onde provêm e a outros agentes de promoção do Português nesses países”, explicou. Para João Neves é fundamental “convocar estes saberes que estão disseminados por estes países na região (...) para projectos em conjunto que cumpram objectivos comuns, por exemplo, de elaboração de materiais para as novas plataformas tecnológicas ou para

“pouco trabalhadores” e com “receio de enfrentarem dificuldades”. Em Jacarta, a João Soares faltam professores já que, sendo o único, tem entre cem a 150 alunos por semestre, mas vinca que “há um grande potencial de crescimento” num país onde a grande dificuldade é colocar em prática o que se aprende na aula. Por outro lado, acrescentou, a estratégia de divulgação “teria a ganhar” se, pelo menos no nível de iniciação, os manuais estivessem em Inglês, a primeira língua de contacto entre professor e aluno.

Para João Neves é fundamental “convocar estes saberes que estão disseminados por estes países na região (...) para projectos em conjunto que cumpram objectivos comuns”

os fins específicos que estão na base da procura do Português na região”. A estes oito leitores, que integram a rede do Camões I.P., João Neves acrescentou os 11 docentes do IPOR (e a colaboração de professores de escolas oficiais de Macau e de universidades locais), referindo tratar-se de um núcleo de

enorme qualidade, “cujas experiências queremos pôr em partilha e potenciar”.

Difícil e em Inglês

Ensinar Português na Ásia nem sempre é tarefa fácil como salientou Pedro Sebastião, destacado na Universidade de Hanói, onde a licenciatura de Português “é re-

cente e tem a nota mais baixa para entrada na universidade”. Apesar dos 200 alunos, Pedro Sebastião, que é acompanhado por seis professores vietnamitas, reconhece um interesse económico no Português já que o Brasil, Angola ou Moçambique possuem embaixadas no Vietname e pretende encontrar estratégias que motivem alunos

Autocarros Novos contratos são todos diferentes

Um para cada um O esclarecimento surge do Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, quando questionado pela imprensa: as duas operadoras que ainda estão sem novo contrato de concessão pública, a Transmac e a TCM - Sociedade de Transportes Colectivos de Macau, vão ter contratos diferentes. A razão é simples, explicou o Secretário à margem da reunião plenária do Conselho de Ciência e Tecnologia: os novos contratos têm como base os contratos antigos e não o concurso que foi feito.

“Há uns anos houve um concurso com cada [operadora] na base da aquisição de um serviço e as condições para adquirir esse serviço não eram as mesmas para todas as companhias. Portanto, a negociação com cada companhia para passar para concessão pública não parte do zero, mas sim da condição concreta do contrato que está em vigor”, explicou Raimundo do Rosário. Assim, os novos contratos não podem ser iguais para todos, diz. Isto porque, o Governo está a “negociar, não com base num

concurso que foi feito, mas com base num contrato que já existe”. Actualmente a Transmac e a TCM ainda funcionam em regime de prestação de serviços, estando os seus contratos ilegais. A TCM irá assinar um novo ainda este ano depois de ter entrado em acordo com o Governo, e aponta-se o próximo ano para que o mesmo aconteça com a Transmac, sendo que Raimundo do Rosário admite não saber qual a data para isso acontecer. F.A.

Com maior implantação, o ensino do Português em Goa continua em desenvolvimento e tem anualmente cerca de 1500 alunos a aprender, dos quais 200 na universidade e 700 nas escolas secundárias. Apesar do número de professores ser superior a 25, Delfim Correia da Silva salienta que encontros como o de Macau e a partilha de experiências entre os docentes de vários países “são fundamentais para o desenvolvimento da língua” e para que os professores trabalhem de frente e não de costas voltadas. LUSA/HM

Macao Water lança aplicação para smartphones

A Macau Water lança este mês a aplicação móvel (app) “administrador de uso de água”, destinada a facilitar os utentes dos serviços da empresa. A app vai permitir consultar ou pagar facturas, pedir avisos por mensagem, ler as últimas notícias e ter acesso a informações relativas a análises laboratoriais da qualidade da água e de aviso de obras. Os cidadãos podem ainda notificar a Macao Water de casos de ruptura de canos, fugas e utilizações irregulares. O download desta app pode ser feito gratuitamente em sistemas IOS e Android.


china

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“Transformação da economia repleta de incertezas”

Um caminho sinuoso

NOTIFICAÇÃO EDITAL N.º47/2015 (Pagamento da multa aplicada e da quantia em dívida ao trabalhador não residente) Lurdes Maria Sales, Chefe do Departamento de Inspecção do

Trabalho, manda que se proceda, nos termos dos artigos 14.º e 15.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008, de 18 de Dezembro, - Normas de funcionamento das acções inspectivas do trabalho, conjugados com os artigos 58.º, n.º 2 do artigo 72.º e n.º 2 do artigo 136.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, à notificação do transgressor da Notificação n.º 99/R/2015, o senhor Choi Ieok Chon, titular do Estabelecimento de Comidas Hong Fok, sito na Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, Edifício Jardim Nova Cidade, Bloco 18, r/c, loja AT, em Macau, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do 1.º dia útil seguinte ao da publicação dos presentes éditos, proceder ao pagamento da multa da aludida notificação, no valor de Mop$10.000,00 (dez mil patacas), por prática da infracção administrativa prevista o artigo 26.º da Lei n.º 21/2009 – Lei da contratação de trabalhadores não residentes, e punida no n.º 3 do artigo 32.º da mesma Lei, bem como, no mesmo prazo, proceder ao pagamento da quantia em dívida aos trabalhadores não residente LUO JIANCAN e HUANG YIQING, no valor de MOP$4.500,00 (quatro mil e quinhentas patacas), devendo ainda, nos 5 (cinco) dias subsequentes ao do termo do atrás citado prazo, fazer prova do pagamento efectuado.

As cópias da informação e do despacho, a notificação, o mapa

de apuramento da quantia em dívida aos referidos trabalhadores não residente e as guias de depósito deverão ser levantados, dentro das horas

O

primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, disse ontem que a transformação da segunda maior economia do mundo está repleta de dificuldades e incertezas, mas assegurou que o país não é uma fonte de incerteza na economia mundial. “Vai ser uma transição dolorosa e um processo sinuoso”, afirmou Li Keqiang, perante uma audiência internacional, no segundo dia do Fórum Económico Mundial ‘Summer Davos’, em Dalian, importante cidade portuária no nordeste da China. A liderança chinesa está a encetar uma transição no modelo de crescimento do

país, visando maior ênfase no consumo doméstico, em detrimento das exportações e investimento, que asseguraram três décadas de trepidante, mas “insustentável”, crescimento económico. Neste contexto, “altos e baixos na performance da economia são difíceis de evitar”, disse Li, designando o actual momento como “natural”, perante as mudanças em curso. Nas últimas semanas, os mercados financeiros internacionais caíram abruptamente, após dados negativos sobre o comércio externo chinês e o persistente abrandamento na segunda maior economia do mundo.

“A China não é uma fonte de risco para a economia mundial, mas uma fonte de crescimento”, considerou Li Keqiang, lembrando que o país contribuiu com 30% do total da expansão económica global na primeira metade do ano. No primeiro semestre de 2015, o Produto Interno Bruto chinês subiu 7%, face a 2014 - o valor mais baixo desde 2009 -, exactamente dentro da meta fixada pelo Governo. Esta semana, um relatório da câmara do comércio da delegação da União Europeia em Pequim refere que “as adversidades da economia chinesa só poderão ser superadas se as autoridades corrigirem os seus velhos métodos”. “O Governo chinês deve evitar as suas tendências proteccionistas, que continuam a restringir o acesso legítimo ao mercado”, lê-se no relatório a que a Agência Lusa teve acesso. Dois anos após a liderança chinesa ter reconhecido o “papel decisivo do mercado” na vida económica do país, o documento refere que existem “avanços, mas também recuos”, e aponta a ausência do primado da Lei e a excessiva intervenção governamental como os principais obstáculos à reforma económica no país.

normais de expediente, no Departamento de Inspecção doTrabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, sendo facultada a consultas do

Pequim investiga alegado sequestro de cidadão pelo EI

processo n.º 7441/2014, instruído por estes Serviços.

Decorridos os prazos, sem que tenha sido dado cumprimento

à presente notificação, é lavrada a respectiva certidão e remetida à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças para efeitos de cobrança coerciva nos termos legais. Quanto à dívida dos trabalhadores não residente vai ser remetida ao Ministério Público para procedimento.

Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento

de Inspecção do Trabalho, aos 4 de Setembro de 2015.

A Chefe de Departamento, Lurdes Maria Sales

O

Governo chinês disse ontem que está a investigar o alegado sequestro de um cidadão pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), anunciado ontem na revista ‘jihadista’

Dabiq, distribuída na rede social Twitter. Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros afirmou em conferência de imprensa que as autoridades chinesas estão a investigar o caso, sem confirmar a veracidade do mesmo. Na imagem publicada pelo Dabiq, surgem dois homens, um cidadão norueguês de 48 anos, identificado como Ola Johan Grimsgaard-Ofstaf, e um chinês, Fan Jinghui, identificado como sendo natural de Pequim. Na fotografia, os homens vestem um traje amarelo e envergam um cartaz com a inscrição “à venda”.

A China vincula grupos como o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental, que opera na região autónoma chinesa de Xinjiang, habitada pela minoria étnica muçulmana Uighur, com organizações extremistas como o EI. Em Março, as autoridades chinesas anunciaram a detenção de vários grupos de alegados terroristas que lutaram com o EI e regressaram depois à China, sem avançar quantos. A China não faz parte da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, e que integra mais de 60 países, entre árabes e ocidentais, contra as posições ocupadas pelo EI no Iraque e na Síria.


INTEIREZA antónio conceição júnior

António Conceição Júnior

Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive. Odes de Ricardo Reis Faz o teu melhor, mesmo em coisas triviais. A partir daí, podes alcançar a sinceridade. Esta sinceridade torna-se aparente. Sendo aparente, torna-se brilhante. Sendo brilhante, afecta os outros. Afectando os outros, muda-os. Mudando as pessoas, ela transforma tudo. É somente aqueles portadores da maior sinceridade que podem transformar tudo. Se fizeres o teu melhor, um a um, o mundo mudará. O Homem Superior, Confúcio


D

i n t e i r e z a

izer-se que uma cidade é de cultura constitui um pleonasmo, mais concretamente, um sinal de desconhecimento do que são cidade e cultura. Enquanto legados multisseculares, quando não milenares, as cidades são expressões inerentemente culturais, sucessivamente transmitidas de geração em geração. Assumir esta evidência é assumir a inteireza da consciência de um dos mais fortes valores colectivos supra-ideológicos, incontornavelmente universal: a cidadania! No século XXI, os valores que devem presidir à globalidade das culturas urbanas devem ser universais. À boa gestão da urbe, ao respeito pela sua história, cultura, qualidade de vida, é imperativo construções que respeitem a sua história, a implementação de parâmetros regulamentados de urbanismo de qualidade, a educação cívica, transportes públicos, saneamento, e todo um amplo conjunto de tarefas e objectivos que se devem centrar no cidadão Ter dinheiro não significa ter riqueza. A riqueza não é um bem material, não se compra com dinheiro, assim como o verdadeiro prestígio. Esta a ilação retirada de mais uma visita ao país que, nas faldas da grande China, ajudou a fecundar uma pequena península, tornando-a única na singularidade da sua mestiçagem, inteira enquanto verdadeira. A inteireza é um modo de integridade, uma decisão a favor da verdade que a si mesma se sustenta. As cidades harmónicas são inteirezas sem exclusões. São os legados que chegam até nós, circunstâncias fugazes em relação à perenidade da pedra. A grandeza de uma cidade não se pauta pela sua dimensão, mas pela verdade que ela transporta, em alternativa à decadência, a inverdades enxertadas e embutidas em camadas de tempo, e de verdades erradicadas, pulverizadas, trocadas por brilhos de mau-gosto, que acarreta a inacessibilidade cultural e gritantes incompreensões. A capacidade de regeneração das cidades depende, por isso, em muito, das vontades que a elas presidem. No caso da cidade do Porto, esse mando está disseminado em termos de gosto, de regra e de regulamentos, nessa inteireza de que nos fala Ricardo Reis. Se a Pessoa lhe cabem bem os heterónimos, às cidades são-lhe reservadas acumulações de tempos e expressões, merecedoras que são da autenticidade que lhes devemos. Esse é o caso da revitalização da Rua das Flores na cidade do Porto. Uma recuperação que constitui o resgate de abandonos ou ruínas, pela reposição contemporânea da tradição arquitectónica, retomando a continuidade do discurso do granito, do azulejo ou da parede (bem) pintada. Essa continuidade constitui, não um pastiche que é uma inverdade de mau gosto e kitsch, pele que se coloca sem se ter conhecido ou vivenciado a origem, mas antes a expressão de

fotos antónio conceição júnior

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Hostel soberbamente reaproveitado

Músicos de rua que a animam

Portas velhas revisitadas pela cor

A imponente Misericórdia

um ADN em diferentes momentos no tempo. Tudo o que se me patenteou aos olhos na Rua das Flores foi uma contemporaneidade respeitosa das origens, uma contiguidade do ontem no agora, esteticamente bela em termos formais. O Porto, enquanto cidade, está mais bonito do que há um ano, e a Rua das Flores floriu. Músicos de rua que a animam, portas velhas revisitadas pela cor, casas antigas inteira e impecavelmente recuperadas, a rematar o imperativo da ideia. É o hostel soberbamente reaproveitado, é o hotel de luxo anunciado para breve, é a ourivesaria sucinta e bela na sua limpidez, são as esplanadas pejadas de cidadãos e de turistas, a imponente Misericórdia, e o brasão esperançado na recuperação breve, para um outro fim. Por aqui passeia-se história a desaguar no presente. Por aqui, a herança cultural insemina, como seria de esperar, o gosto bom. As Cardosas oferecem-se ao olhar em planos diversos, num pátio triangular para onde se debruçam fachadas recuperadas, em exercícios de cor e de planos, num convívio discreto e civilizado. De tudo isto sobressai a qualidade da mão de obra, daquela que sabe verdadeiramente lacar ou pintar, exteriores e interiores impecáveis nos acabamentos, onde se sente o prazer de fazer bem até ao mais pequeno detalhe - põe quanto és no mínimo que fazes. Pergunto-me quando é que na minha cidade natal se perdeu esta tradição. Pergunto-me quem terá construído o Teatro D. Pedro V, o estuque original do medalhão da fachada de S. Domingos, o Clube Militar? Quem construiu a bela biblioteca do velho Leal Senado? Os móveis de pau-rosa, de pau-preto ou de huang hua li, em estilo chinês ou ocidental, já não se fabricam em Macau. Também as gerações de mestres, outrora formados nas escolas salesianas, foram substituídos por curiosos sem preparação, seguindo os ditames corrompidos dos sifu. Tudo se vai tornando descartável. A cidade pede qualidade e tranquilidade, mas é-lhe exigida rapidez desvairada, e oferecido ruído, poluição e confusão, também esteticamente. Porém, a cidade somos todos nós, a cidade é, como já foi dito, um legado. Cabe a governantes e governados, cidadãos em geral, proceder ao resgate desta urbe antiga. Os finais do anos 1960 deram início à sua descaracterização. Perdidas algumas raízes, há que firmar o terreno desta cidadezinha, cuja mais-valia é a sua singularidade e a hibridez que ainda se respira, para que não se desmorone e não empenhe o seu futuro. As fotografias da Rua das Flores, que aqui ficam, são testemunhos de vontades do que foi aflorado e que urge implementar em força, contra ventos e lobbies, aqui nesta cidade que se deseja venha a ser Centro Mundial de Turismo e Lazer.


hoje macau sexta-feira 11.9.2015

Uma voz entre mundos

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As

redes sociais ajudam a estabelecer contactos com maior facilidade. Inadvertidamente, fui observando Joanne Kuai primeiro na TDM e depois nas redes sociais. Estabelecemos breve contacto. Quis saber se ela aceitaria uma breve entrevista, pois a sua ligação à comunidade portuguesa é grande e isso despertou em mim curiosidade. Mal sabia eu que Joanne nasceu no deserto do Gobi, na Região Autónoma de Ninxia Hui. Aos seis anos foi morar com a avó em Kunming, Yunnan e fez o ensino primário lá. Depois foi para Shenzhen até que foi para Beijing onde se formou em jornalismo de radiodifusão e documentários na Universidade de Comunicações da China. Durante o último ano da Universidade, ao abrigo de um programa de estágio de seis meses, resultante de uma parceria entre a sua Universidade e a TDM, veio para a TDM, no segundo semestre de 2010. Antes de regressar, a estação de Macau ofereceu-lhe emprego. Aceitou e regressou a Macau onde foi “âncora”durante três anos. Depois quis mudar de ares e ei-la como editora e jornalista do Macau Business Daily. Verdadeiramente, uma voz entre mundos.

António Conceição Júnior Joanne, visitou recentemente Portugal. Foi a primeira vez? Que sentimentos teve sobre as diferentes cidades (quais) em que esteve? E as pessoas? Foi a minha primeira visita a Portugal. Sou da China continental e tenho vindo a trabalhar em Macau há quase quatro anos. Antes disso, tinha uma ideia muito vaga sobre Portugal - a sua localização e alguma breve história aprendida na escola. Mas desde que eu trabalho em Macau e fiz um monte de amigos portugueses, eles têm-me dito constantemente o quão grande é o país apesar da crise econômica que trouxe alguns deles aqui. Falaram-me do clima agradável, do céu azul, dos dias de sol, praias, edifícios históricos, incríveis paisagens, óptima comida e pessoas amigáveis e acolhedoras. Comecei a ficar curiosa e impressionada com o quão orgulhosos os portugueses são do seu país e como pessoas de diferentes cidades contam histórias diferentes. Depois da minha viagem a Portugal, está tudo confirmado, já que este pequeno país - em termos de tamanho em comparação com a China - tem maravilhas intermináveis que ​​ me mantiveram sempre surpreendida. Cada cidade tem o seu charme único. A paisagem pode variar muito em pequena escala. Trinta minutos de carro de um lugar para outro pode levar a um mundo totalmente diferente. Em relação às pessoas, confirmei a cultura descontraída dos jortugueses que já experienciara com os meus amigos portugueses em Macau. Além disso, sinto que as pessoas tendem a saber como aproveitar a vida melhor, pelo menos melhor do que os chineses em geral. Existem muitos cafés, pastelarias, para as pessoas tomarem um café e comerem à tarde, reunindo-se com os amigos ou simplesmente sentarem-se e relaxarem. O hábito de beber cerveja a partir da tarde é generalizado em todo o país. Também no tempo de verão, o sol só se põe apenas pelas de 21:00 horas. Isso finalmente clarificou o quebra-cabeças que eu tinha há anos por os meus amigos portugueses jantarem sempre tão tarde. Então, a vida noturna continua com muita diversão e gargalhadas. Também tive a honra de ser convidada para casa de amigos portugueses, onde fui recebida com todo o coração, certificando-se que eu tinha gostado do meu tempo lá. Quais as coisas que mais a tocaram? É realmente difícil escolher o momento

«mais», porque realmente gostei de toda a minha estadia em Portugal. Eu diria que a experiência de pára-quedas no Algarve foi definitivamente um ponto alto, e quando voando no céu olhando por cima da costa Algarvia, foi um momento para além das palavras. Há um outro momento mágico que eu gostaria de compartilhar: cheguei ao Porto de comboio vinda de Coimbra, no período da tarde. No momento em que pisei o chão fora do combóio, vi essa luz amarela poética que brilha através das grandes janelas da Estação de São Bento, o nome da cidade “Porto” inscrito sob o relógio, alguns passos à frente passando um portão de tecto alto, e vi-me cercada por azulejos nas paredes, onde senti como se pudesse quase respirar o ar da história antiga. Saindo da estação, senti a fria, mas refrescante brisa, pássaros brancos que voam sobre o céu azul, edifícios históricos na minha frente, típicas ruas de paralelepípedos que me fizeran lembrar Macau - é claro que eu sei que Portugal é o original, mas a familiaridade deu-me uma sensação de calor - e ouvi música jazz ao vivo tocada ao virar da esquina. O momento era simplesmente mágico e eu até disse para mim mesma, não é nada difícil apaixonar-me pela cidade, o Porto. Como vê a arquitectura tradicional de Macau como o Largo do Senado ou o Bairro de S. Lázaro? Acho que o mais maravilhoso sobre os locais históricos de Macau é a sua singularidade, uma combinação orgânica, integrada e harmoniosa entre o Oriente e o Ocidente - que pode soar como um clichê, mas ao caminhar por uma igreja depara-se-nos, alguns passos à frente, um templo chinês. Não é uma cena que se possa encontrar pelo mundo. As arquitecturas em áreas bem preservadas são encantadoras. Ao contrário das que vi em Portugal, onde as artes de rua estão muito bem combinadas com locais históricos. A arquitectura histórica de Macau é ainda mais tradicional e preservada da maneira que é. Uma coisa que eu aprecio é que visitar esses locais em Macau é gratuito, enquanto que em Portugal existem locais históricos que cobram aos turistas dinheiro para visitar. Sente-se que os locais históricos de Macau como que fazem parte da vida dos seus

moradores, pois estão muito ligados à cidade, como no próprio centro da cidade, ao contrário dos da China onde se tem de viajar horas para visitar um local histórico. Os vários eventos que acontecem nesses locais históricos são muito interessantes e atraentes e trazem vida a esses lugares, como os concertos na Fortaleza do Monte, Festas em São Lázaro e até mesmo as projecções em 3D nas ruínas de S.Paulo. Na sua perspectiva, o que faz a diferença em Macau, por comparação com a grande China? Como uma chinesa do continente, Macau, como Região Administrativa Especial, não tem uma posição especial para mim, psicologicamente. Cresci ouvindo uma canção dedicada à transmissão de soberania. Tem uma bela melodia, mas a letra diz que “Macau não é meu nome verdadeiro, por favor chame-me Ao Men”. Depois da minha primeira visita aqui como turista em 2005, Macau para mim foi uma cidade com uma história colonial que resulta num estilo de arquitectura diferente da maior parte da China Continental, uma estranha praia com areia que é realmente preta, e comida portuguesa e pastéis de nata. Engraçado o suficiente, eu fui ao Dumbo, assumindo que era um restaurante Português muito bom, que mais tarde, desde os dias que tenho vindo a trabalhar aqui, nunca mais fui nem nunca ouvi que qualquer dos meus amigos portugueses o tenham frequentado. Além disso, apesar de serem ambas Regiões Administrativas Especiais, percebi o quão diferente Macau é de Hong Kong. Quando regressei em 2010, o gigantesco Grand Lisboa de forma estranha, já estava erguido no centro da cidade. O desenvolvimento do Cotai é definitivamente algo bastante singular como Macau é o único lugar na China onde o jogo é legal e o Cotai é basicamente dedicado a isso. Enquanto a cidade deveria ser muito avançada, como o turismo está crescendo e há muitos hotéis sofisticados, carros de luxo super e coisas assim, a vida quotidiana das pessoas está ainda bastante ligada aos velhos tempos. Para citar um exemplo, em 2010, não havia cinema UA no Galaxy, apesar do teatro da Torre de Macau. A pricontinua na página seguinte


U m av o z e n t r e m u n d o s

-meira vez que fui ao Cineteatro Macau, onde se tem de comprar com antecedência o bilhete, a partir das 14:00 horas, quando se quer assistir ao filme, o número do assento é realmente escrito pelo funcionário, não há nenhum sistema de reservas on-line, os bilhetes impressos não existem. Isso apanhou-me de surpresa. Sem mencionar o Cinema Alegria, onde a equipa da bilheteira até nos orientá para comprar comida da rua em redor para se levar para o cinema, e de vez em quando há ópera cantonense, mas o projetor e sistema de som era surpreendentemente bom. Algumas partes da cidade dão-me a sensação de que estão congeladas no tempo. Desde que comecei a trabalhar aqui e a passar os meus dias de folga vagueando pela cidade, mais “estranhos encontros” aconteceram e comecei a misturar-me melhor também. Gostaria apenas de me deixar perder nesta cidade e encontrar ao virar da esquina, uma tenda de comida interessante, ou uma loja de antiguidades, uma alfaiataria, o cheiro de medicina chinesa, ou frutos do mar secos, um café moderno, ou um bar escondido. O chamado caldeirão de cultura é atractivo. Vemos igrejas, templos, mesquitas para outras comunidades. Aqui, eu faço amigos vindos de toda a parte do mundo, as pessoas com culturas e religiões diferente vivem num ambiente harmonioso. Além disso, eu posso conversar com o casal de idosos que, em baixo de minha casa vende sumos e quando eu me esqueço de trazer dinheiro eles simplesmente me oferecem o sumo. Há momentos eu sinto o ‘Ren Qing Mei “ - solidariedade, toque humano - que as pessoas de Macau falam e de que tanto se orgulham, mas às vezes lamentam o seu desaparecimento. Também me espantei com tantas ofertas diferentes numa escala tão pequena: encontramos os óbvias extravagâncias dos casinos; as ruas estreitas de paralelepípedos da cidade estão povoadas por muitas lojas e lugares; o interior dos edifícios industriais estão cheios de surpresas de todos os tipos de atividades, como ginásios, casas de música ao vivo, galerias, padarias, etc; locais também históricos, incluindo o meu favorito Farol da Guia e a Penha; e um pouco para o sul, há a natureza, montanha, praia e mar, uma completa mudança de cenário. A cidade começa a crescer em mim. Às vezes sinto como se fosse a cidade no filme de animação de Hayao Miyazaki Entrega de Kiki. Tendo dito isto, e apesar do ambiente descontraído e relativamente livre que temos aqui, a falta de eficiência da administração e aborrecimentos diários, tais como a poluição do ar e do insuportável trânsito, onde você sente como numa cidade tão pequena há tantas coisas que o governo poderia fazer, mas não faz, e isso perturba-me. Além disso, como trabalhadora não-residente aqui, especialmente sendo proveniente da China Continental, francamente, às vezes não posso deixar de me sentir excluída. Em primeiro lugar, não nos garante a residência. Não importa quanto tempo trabalhe aqui, não irei ser automaticamente admitida pelas autoridades e tenho de lidar com a burocracia do pedido do cartão azul, prolongamento período de autorização de trabalho, etc. Ouvimos constantemente os legisladores que defendem o limite de importação de

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antónio conceição júnior

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Joanne Kuai na Lello Porto

trabalho, e eu pergunto-me como pode uma cidade posicionar-se como internacional fazer isto, sobretudo tendo tantos projectos em desenvolvimento. Não estou a falar sobre o direito ao voto, ou a distribuição de rebuçados pelo governo. O pior caso acontece quando seus direitos básicos não são devidamente

salvaguardados. Uma vez que a pessoa perde o seu emprego, tem de saír da cidade num período muito curto de tempo. Você pode ter o seu namorado ou namorada, casa recém-alugada, mas não tem a legalidade para ficar na cidade. Nem a liberdade de mudar de emprego pois o seu empregador pode simplesmente recusar

e você terá que esperar pelo menos seis meses fora devido à política do governo. Como existem tantos riscos que impedem de me sentir à vontade ou sentir-me em casa, às vezes inclino-me a dizer a mim mesma para não me afeiçoar demais. Assim, há sempre este sentimento de ser uma estranha.


eventos

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Museu de Arte de Macau (MAM) recebe até dia 15 de Novembro a exposição “A Tensão do Talento – Caligrafia, Pintura e Selos por Wu Rangzhi e Zhao Zhiqian”. A mostra tem inauguração marcada para hoje, às 16h00, e apresenta obras de caligrafia, pintura e peças chinesas. Organizada em conjunto com o Museu Provincial de Zhejiang, a Associação de Entalhadores de Sinetes de Xiling, a Academia de Artes de Juntao, entre outras, a exposição reúne obras de dois mestres de finais da dinastia Qing.

FRC Maestro e pianista em concerto hoje e sábado

MAM Obras chinesas, seminários e intercâmbios

O saber da cultura “Esta grande exposição irá mostrar mais de 200 obras, incluindo trabalhos representativos de caligrafia, pintura e sinetes de Wu Rangzhi e Zhao Zhiqian, além de obras-primas de seus amigos, professores, mentores e seguidores”, começa por dizer a organização em comunicado. “Wu e Zhao foram dois mestres gravadores de finais da dinastia Qing, que também eram exímios calígrafos e pintores e cuja produção artística foi muito influente, sobretudo na gravação de sinetes no período moderno.”

Figa para a vida

Wu Rangzhi, quis em 1853 escapar à Rebelião Taiping e refugiou-se em Taizhou, onde residiu até à morte, vivendo de trabalhos artísticos. Durante a sua vida produziu milhares de sinetes, na sua maior parte sem inscrições laterais. Da sua bibliografia destaca-se Autocrítica e Impressões e Sinetes de Wu Rangzhi. Já Zhao Zhiqian desde cedo se apaixonou pela caligrafia, sendo capaz de memorizar e recitar peças após uma única

Pousada de Coloane Comida e música ao pôr-do-sol

A Pousada de Coloane recebe, este sábado, a festa Sunset Sessions de Macau, que junta comida e música ao pôr-do-sol. Organizada pela Sideshow Kuts e pela revista Macau Closer, a Sunset Sessions começa às 18h00 e termina à uma da manhã. Dos estilos latinos ao Chill Out e Funky, a música vai ficar a cargo dos Djs Rocklee (de Macau), Kangol (de Portugal), Soulboy Beatz e Kensho (ambos do Reino Unido). Há ainda espaço para um “convidado especial”, como indica a organização, directamente de Hong Kong - Kerri Monk. E como não só de música se faz uma festa, há ainda direito a um barbecue e bebidas, com preços que vão das 50 patacas às 200. A festa acontece na zona exterior da Pousada de Coloane, com vista para a praia de Cheock Van, sendo que o espaço dá ainda acesso a piscina e Wi Fi. O preço de entrada é de 150 patacas com direito a duas bebidas.

olhada e chegando a chefe de redacção dos Anais de Jiangxi. Era particularmente apto na pintura de flores, retratos e paisagens, tendo inspirado e influenciado artistas como Ren Yi e Wu Changshuo, sendo por isso considerado o grande inovador da Escola de Pintura de Xangai (Haipai). Este evento assinala a 12ª edição da série especial de Exposições de Caligrafia e Pintura das Dinastias Ming e Qing, que o MAM iniciou em 2004, e constitui igualmente uma das exposições a merecerem especial destaque na programação de 2015 no MAM. Por isso mesmo, não vão ainda faltar um simpósio e um Programa de Intercâmbio de Pintura e Caligrafia Chinesa para Escolas 2015, destinado a peritos e estudiosos, sendo todas estas actividades abertas ao público. Estas acontecem a 27 e 29 de Outubro. A exposição está aberta das 10h00 às 19h00, tendo entrada livre todos os dias, excepto aos domingos e feriados, dias em que se paga cinco patacas. J.F.

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mAM

O MAM recebe, até dia 15 de Novembro, a mostra “A Tensão do Talento”, que reúne caligrafia, pintura e selos de dois mestres chineses. A exposição inaugura hoje

Casa Garden Exposição de arte africana

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naugura hoje uma exposição inteiramente dedicada à arte africana na Casa Garden, da Fundação Oriente, iniciativa da Global Meios,

À venda na Livraria Portuguesa O Novo Vegetariano • Yotam Ottolenghi

pelas 18h30. Entre esculturas, quadros, pinturas e tapeçarias, são mais de 60 as peças de autores africanos. “As peças não são oriundas de todo o continente africano”, explica Maria Fernanda, responsável pela organização, ao HM. África do Sul, Costa do Marfim, Nigéria e Moçambique são alguns dos países representados na mostra que terá duração até 1 de Outubro. As peças, conta, são assinadas por “jovens artistas” e outros que começaram há poucos anos o seu percurso artístico. “Algumas das peças são trabalhos da própria tribo que

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representam”, explica ainda a responsável. Na exposição poderá ver-se ainda tapeçarias Kuba, da República do Congo, trabalhadas a partir da folha de ráfia, da árvore da palmeira, esculturas em pau preto, máscaras, crucifixos e ainda obras dos pintores Hannes Harrs e Valentim da África do Sul e dos artistas moçambicanos Malé, Chiúre, Samuel e Cf Guambe, artista que se iniciou na pintura com grandes nomes como Malangatana e Valente Mahumana. É ainda possível comprar as peças expostas, conforme informa a organização. A entrada é livre. F.A.

oje e amanhã, a Fundação Rui Cunha (FRC) recebe o maestro e pianista Lio KuokMan, para um concerto em conjunto com músicos da Orquestra Filarmónica de Hong Kong e com um violoncelista de Macau. Distinguido pela crítica e pelo público, Lio KuokMan foi laureado no 3° Concurso Svetlanov de Regência Internacional e França com o Prémio do Público e Prémio Orquestra, sendo actualmente maestro assistente da Orquestra de Filadélfia e o primeiro maestro chinês nesta posição na história do colectivo. No concerto de amanhã, Lio convida músicos “excepcionais” de Macau e de Hong Kong para se juntarem a ele de forma a compartilhar música com o público. “Estes músicos notáveis incluem Jing Wang – ‘Concertmaster’ da Orquestra Filarmónica de Hong Kong, Andrew Ling - Viola Principal da Orquestra Filarmónica de Hong Kong, Ng U Tong - membro do grupo conjunto local de Macau Virtuosi e Daniel Leong - violoncelista de Macau que recebeu o primeiro prémio de “Melhor Talento” na competição para os Jovens Músicos de Macau. Juntos vão executar música de câmara de Cesar Franck, Antonin Dvorak e Astor Piazzolla. Os concertos acontecem hoje, pelas 20h00, e sábado às 15h00 na galeria da Fundação Rui Cunha. Ambos os concertos são de entrada gratuita. J.F.

Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

Com os seus restaurantes de grande sucesso e livros de receitas bestsellers, Yotam Ottolenghi tornou-se um dos novos talentos mais promissores do mundo da culinária e da escrita de livros gastronómicos. O livro inclui 120 receitas exclusivas e originais, muitas das quais desenvolvidas inicialmente para a coluna “New Vegetarian” da revista Guardian Weekend. A inspiração de Ottolenghi vem das suas raízes mediterrânicas e do seu amor incondicional pelos ingredientes. Não sendo ele próprio um vegetariano, a sua forma de cozinhar com legumes é totalmente original e inovadora, baseada em sabores intensos e combinações surpreendentes e ousadas. Com secções dedicadas aos legumes verdes, às beringelas, às brássicas, ao arroz e aos cereais, à massa, aos tubérculos, à cebola, à fruta, aos cogumelos e aos tomates, há uma extraordinária variedade de cores, sabores e texturas. Com fotografias extraordinárias de Jonathan Lovekin e receitas inspiradoras, O Novo Vegetariano é um livro a não perder tanto para apreciadores de carne como para vegetarianos.

Cozinha Chinesa • Li Ching

Li Ching, o autor deste livro, era conhecido entre os seus amigos pela alcunha de «restaurante ambulante». Natural de Hai Nan, viajou pelo mundo ensinando a sua arte. Neste livro revela-nos muitos segredos da milenária cozinha chinesa. As sopas, os mariscos e peixes, as aves, o porco, as outras carnes e o arroz são tratados em capítulos separados, sendo também dados muitos conselhos práticos que facilitam a confecção das receitas. As fotografias a cores permitem avaliar o aspecto final de alguns pratos, realçando o seu lado estético, que é um dos «ingredientes» fundamentais da cozinha chinesa.


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肉蒲团 ROU PU TUAN, um livro erótico?

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ou Pu Tuan é o título em mandarim de um dos grandes clássicos da literatura erótica chinesa, livro que Li Yü terminou de escrever em 1657, já governava a dinastia Qing e após publicado foi proibido, salvando-se algumas cópias. No Japão, em 1705 fez-se a sua edição a partir de um manuscrito, sendo esta a versão difundida até 1943, quando na China apareceu editado o livro, sem nomes e local de impressão. Incógnito, este conhecedor de literaturas, ofereceu-nos um excelente texto em chinês, que denota estar apoiado em obra impressa, com diferenças da versão japonesa, o que permitiu refazer o texto proveniente de segundas vias, que circularam durante os últimos séculos. Já os desenhos em xilogravura, que animavam o primeira edição do livro, foram encontrados em 1894 e aí está outra diferença, pois só a versão chinesa aparece ilustrada, sendo enriquecida com onze retratos das principais personagens e numerosas ilustrações alusivas aos diferentes capítulos. O autor do livro, o mestre que transforma a escuridão dos mistérios eróticos fazendo-os tão claros como o luar e tão brilhantes como o Sol, assinava a sua obra com o nome de Li Yü (李渔). Chamava-se Xianlü (1611-1680) e nascera em Rugao na província de Jiangsu. Falhara em Hangzhou no Exame Provincial e regressou em 1642 à aldeia, passando a dedicar-se exclusivamente à literatura e aos problemas que surgiam na sua terra. Mas por volta de 1650 resolveu mudar-se para Hangzhou, onde encontrou florescente o mundo das artes e terreno propício para vingar com os seus escritos. As histórias por si escritas tinham tal aceitação que eram copiadas e enviadas para Nanjing e isso, levou-o a viver entre as duas cidades, num período entre 1651 a 1668, pois tinha a sua esposa em Hangzhou. Xianlü estava já instalado em Nanjing quando em 1657 terminou o livro Rou Pu Tao (肉蒲团). Segundo o que aí escreve o próprio: “O autor esforçou-se por seguir o exemplo clássico de Mencius e fazer com que a inocente flor de lótus brotasse do pântano. Possa o meu estimado leitor entender a obra sob este aspecto; que seja capaz de a apreciar, não do ponto de vista do pântano, isto é, como um quadro triste e realista, mas sim do ponto de vista da pura flor de lótus, isto é, que seja capaz

de apreciar os seus sábios e benéficos ensinamentos, os seus sinceros apelos ao arrependimento e à reflexão. Se, por vezes, o autor faz descrições grosseiras de certas cenas de alcova e por outras, temos de admitir, caso chegue a ser pornográfico, devemos ter em conta que o seu intento ao servir-se desses floreados foi captar a atenção do leitor até ao cair do pano. Só desta forma conseguiria que os leitores tomassem a sério a ideia do castigo a que alude claramente no fim do livro, e reflectissem um pouco. Sem os ditos floreados, o livro deixaria na boca do leitor o sabor acre e desagradável da azeitona. Através da descrição dos mais íntimos pormenores da técnica de alcova, o autor quis misturar ao sabor acre da azeitona a polpa açucarada da tâmara, evitando assim que esta narrativa sofresse críticas desfavoráveis e fosse posta de parte como <enfadonha e impertinente>”, citado da versão portuguesa do livro erótico chinês Jou Pu Tuan, escrito por Li Yü (1611-1680) e traduzido por Maria Isabel Braga, que saiu em 2002 na Editora Livros do Brasil Lisboa.

Literatura picante Com o título Rou Pu Tuan, em tradução livre significa Alcova de Carne, ou requintadamente traduzido, Macio Tapete de Carne, pois Rou (肉) significa carne e Pu tuan (蒲团) almofada onde os monges se sentam em meditação. O livro tem dois subtítulos, Huiquanbao (Ciclo Kármico) e Juehouchan (Acordado Zen) e está dividido em quatro volumes (Primavera, Verão, Outono e Inverno), cada um com cinco capítulos. Conta-nos a história de um jovem estudante, extremamente belo e inteligente, que, por onde passava os olhos logo arrebatava o coração das mulheres e decide ir à procura da mais bonita e com ela casar. Alcançado esse objectivo, continuou a sua senda pelo mundo dos desejos e embrenhando-se nas teias de amantes casadas, vai tendo outras perspectivas do amor. Assim se desenrola a narrativa, com análises de psicologia, tanto masculina como feminina, e os diferentes comportamentos eróticos que chegam a atingir momentos pornográficos. E é usando as palavras de Li Yü, do final do livro, onde descreve a intenção e o porquê de ter


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José Simões Morais

contado esta história tão apimentada por descrições sexuais, que lhe damos o texto: “Se o autor pretendia moralizar, porque não escreveu antes um tratado acerca do assunto? Porque nos ofereceu uma novela ‘picante’, recheada de passagens ‘frescas’, nas quais relata com tanta minúcia toda a casta de desvios dos bons costumes? Eu explico, meus caros amigos: hoje em dia o público tem um tremendo horror pelas obras educativas e morais, escritas no estilo seco e presunçoso dos velhos clássicos e dos historiadores. Gosta de histórias violentas, da descrição autêntica dos casos comezinhos que brotam como ervas nos meandros da história da humanidade, a qual, no dizer dos nossos académicos, é a única importante e que merece ser ensinada; até mesmo num desses livros de histórias violentas, os leitores rejeitam qualquer preceito declaradamente moral como aqueles que prega Mestre Confúcio; está farto de sermões. O que aprecia, pelo contrário, é uma narrativa pormenorizada do procedimento erótico, desde que este se afaste - quanto mais melhor - das normas estabelecidas. Não será exagero afirmar que alguns sectores da nossa sociedade atingiram já o auge da amoralidade, para não dizer do relaxamento e da pouca-vergonha. Quem pretender reformar a nossa época, terá de fazer uso dos métodos seguidos pelo Grande Yü (2205-2197 a.C.), em relação à <grande cheia> que ameaçou o país nos tempos de Yao (2357-2255 a.C.). Como se desembaraçou ele de tão difícil tarefa? <...As vagas pareciam crescer até ao céu. Cobriam as colinas e lambiam os picos das altas montanhas. Yü mandou construir uma porção de barcas com as quais conseguiu alcançar as montanhas. Atravessou florestas e bosques até chegar aos cumes, e pôs-se a olhar para a paisagem, a fim de descobrir em que direcção poderia conduzir aquela massa de água para o oceano...> É assim que rezam as velhas crónicas. Aproveitando a corrente, conseguiu, por meio de canais, levar toda a água até ao mar e assim secar o país. Quem quiser reformar a nossa época, terá que se adaptar, tal como o Grande Y, às correntes actuais, só assim as suas palavras poderão ser ouvidas. Se, hoje em dia, um reformador apresentar um tratado edificante a escorrer moralidade e quiser com ele melhorar o mundo, o seu empreendimento está antecipadamente votado ao fracasso. Quem iria gastar dinheiro com semelhante literatura? Mas ainda que imitasse o processo piedoso dos tem-

pântanos lamacentos> - é muito recomendável, e não apenas aos autores de <histórias violentas> ou novelas; até mesmo os grandes sábios da Antiguidade a ele recorreram sempre que pretendiam levar a cabo certas reformas necessárias.” Jou Pu Tuan, traduzido por Maria Isabel Braga.

Reflexão do livro na vida do autor

plos, enviando às pessoas, gratuitamente, panfletos educativos acompanhados de um cartão-de-visita, de que serviria isso? Quem os recebe, ou os deita sem os ler para o cesto dos papéis, ou os rasga, aproveitando os bocados para acender o cachimbo. Só há uma coisa que ninguém pensará em fazer, que é lançar para eles os olhos e lê-los.

Não, o processo directo não resulta Teremos que ultrapassar as dificuldades e ir até junto do público, utilizando os desvios. O que interessa, primeiro, é captar a atenção do leitor com uma narrativa atraente e agradável de algumas aventuras eróticas, colocando-o assim num estado de agradável expectativa. Uma vez despertada a atenção do leitor, desde que ele agarre no livro e não o possa mais largar, talvez, ao ler certas passagens particularmente apimentadas com as quais propositadamente recheámos o livro, ele solte um suspiro de sincera admiração e diga de si para si: <Ah, as mulheres, as mulheres! O sexo! É de facto uma coisa muito importante! Isto sim, é que se chama gozar a vida, aproveitar todas as ocasiões, mesmo fora de casa. Porque não serei eu também um demónio da luxúria, porque não hei-de sorver todo o mel que brota do cálice das mais belas peónias? Assim vale a pena viver! Para que há-de uma pessoa estafar-se em busca da fama e das vãs honrarias?> Não importa. Deixemo-lo deleitar-se com tais pensamentos. Mais adiante, à medida que prosseguir avidamente na leitura, sentir-se-á subitamente picado pelas finas agulhas da dolorosa mas salutar acupunctura; de repente desper-

tará aterrado, para exclamar: <Santo Deus! Mas então como é? O homem lascivo terá de pagar sempre tão caras as suas aventuras com as damas? Se a expiação é esta, mais vale ter juízo. Tais proezas só servem para atirar dinheiro pela janela fora e acumular dívidas. Nada, assim não vale a pena. É preferível um homem contentar-se com a sua mulher e com as esposas colaterais que tiver em casa!> É isto que ele dirá quando chegar ao fim do livro. Olhando para dentro de si, há-de concordar que seguia por caminho errado. Arrepender-se-á, por certo, e voltara a proceder correctamente, assim conquistará o amor da sua mulher legítima e das suas esposas colaterais, e, tanto na sua casa como na sua alma, reinará mais uma vez a paz e a harmonia.

Através da descrição dos mais íntimos pormenores da técnica de alcova, o autor quis misturar ao sabor acre da azeitona a polpa açucarada da tâmara, evitando assim que esta narrativa sofresse críticas desfavoráveis Chama-se a isto combater o fogo com o próprio fogo, ensinar os homens por processos humanos. Tal processo podemos compará-los a um truque de magia que poderíamos chamar <fazer surgir uma inocente flor de lótus dos

Li Yü(李渔) foi um grande escritor dramaturgo, romancista, ensaísta de muito sucesso, que se dedicou, para além dos romances, a escrever peças para teatro, depois representadas na Companhia de Ópera formada por volta de 1669 com as suas duas jovens estudantes. A Xianlü (1611-1680), casado desde os dezanove anos até aos cinquenta, não lhe nasceu nenhum filho, sendo o primeiro de uma amante em 1660. Tinha escrito o Rou Pu Tuan em 1657 e com cinquenta e seis anos, numa das suas inúmeras viagens de 1667, foi-lhe oferecida uma miúda de treze anos e na seguinte viagem, confiada uma outra jovem da mesma idade, ambas para suas estudantes. Nos seis anos que com elas viveu, de 1667 a 1672, a sua convivência evoluiu de professor para uma amizade mais íntima, tanto profissional como emocional, deixando-se então envolver numa relação amorosa. Mergulhava assim o próprio autor, na história picante das relações com amantes, como a provar a vida, esquecido da moral descrita no seu livro Rou Pu Tuan. Mas a morte por doença das jovens, ambas aos dezanove anos, deixou Xianlü arrasado e passados poucos anos, fugindo das memórias daqueles tempos de Nanjing, voltou no Verão de 1677 para Hangzhou, pela finalidade de ir ajudar os seus filhos legítimos a entrar nos exames imperiais. Recebia assim Xianlü, após apreciar a popa açucarada de tâmara, o sabor acre da azeitona, não do ponto de vista do pântano, mas sim da pura flor de lótus, pelos sábios e benéficos ensinamentos, que dera no Rou Pu Tuan. De regresso a Hangzhou, com os seus sinceros apelos ao arrependimento e à reflexão, encontrámos Xianlü no final da vida, que ocorreu em 1680, tinha sessenta e nove anos, sete filhos da esposa e amantes. Terá provado o sabor das palavras do seu romance Jou Pu Tuan, que abre com uma nota introdutória, seguindo a narrativa no capítulo 1, com o título: “No intuito de atrair o discípulo, o velho eremita pendura do lado de fora da sua cabana um saco de couro vazio. O jovem aluno rejeita a dura esteira de sisal e prefere um macio tapete de carne.”


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Ensaio do impossível poder. De magoar. Nas palavras de Herberto Helder: “A flecha ama a onça”, e é só o que lhe dá o direito de ferir, matar. Também o domínio dos valores éticos, da suavidade gentil, do lirismo e da generosidade. Mas às vezes é o reverso da medalha. “Deixa o carácter ser formado pela poesia, fixado pelas leis do bom comportamento e aperfeiçoado pela música.” Apetece substituir nas palavras de Confúcio, carácter por amor. Suponho que para amar é necessária uma determinada opacidade. Um certo grau de polimento da superfície que a impermeabiliza ligeiramente, mas não o suficiente para se tornar uma superfície espelhada, lugar para todos os reflexos, para todos os mimetismos. O excesso que cega, e que dissolve todos os critérios todos os valores. Tudo passa a ter o mesmo valor reflectido na superfície de um espelho. Um olhar inesgotável sobre o universo, que em nada o retém em cada oscilação substituindo um plano por qualquer outro. Assumindo todos os nomes sem nenhum lhe ficar tatuado na pele. O espelho reflecte a luz também directamente na fonte, ao ponto de, reflectindo-a, incendiar. Não há limites para um espelho. “Plus un objete est poli ou luisant, moins on voit la couleur proper: en effet, il deviant un mirroir qui réfléchit les couleurs environnantes”: Eugéne Delacroix. Acontece com as pessoas. Demasiado reflectoras do outro, perdem-se de si. Outro é o mistério dos espelhos negros. Polidos na vulcânica obsidiana. Vindo envoltos em fantasia desde a proto-história, encontrados na Anatólia, e usados para invocar a alma dos mortos. Ou, povos do vale do México que na antiguidade também os fabricavam, instrumentos de magia só permitidos a feiticeiros. A obsidiana era associada aos sacrifícios por ser cortante, afiada em gumes de faca. Quem a observasse viajaria para outros tempos e lugares (um mundo de deuses e antepassados). Um espelho negro dava a ver as diferentes manifestações da natureza humana. O lado obscuro e o lado luminoso. E nele reflecte-se ao mesmo tempo observador e observado. Mais o primeiro, pela ambiguidade do reflexo. E por isso tão querido nos rituais ocultistas. Ou de desocultação da sabedoria primordial, que é ela própria como um espelho que reflecte todas as coisas e revela a sua verdadeira natureza. As aparências surgem como os reflexos num espelho - aparentes, porém ilusórias. A natureza pura e adamantina da mente, a essência da realidade. Mais tarde pintores românticos amadores do pitoresco, utilizavam-nos para idealizar a paisagem reflectida. Transformar o pastoril em sublime. Este gosto estético pela obscuridade. O infinito, o perigo, a morte. O lado obscuro e turvo do reflexo. Que dá lugar à imaginação. Uma margem de subjectividade maior. Há no amor alguma experiência do ser auto-reconhecido. Ou da distorção espelhada no olhar do outro. E a tentação da Mimesis. Imitar o outro ou ainda moldar-se à imagem reflectida pelo olhar deste. Vestir

a pele que o outro sente. Ou imitar o seu próprio reflexo. Ou odiar o reflexo. Imitar o outro naquilo que se lhe inveja e que queremos de nós. Sim a auto-imagem é um espectro que se insinua entre amantes. Se são duas sombras exteriores é uma multidão em competição errática pelo desempenho numa peça para dois personagens. Há uma luta vã. São Titãs que por vezes morrem de preferência a dar o seu lugar. Diz o antigo provérbio chinês: “Se te moves, sê como a água. Se paras, sê como um espelho. Responde como um eco”. Fluir, ver os outros com clareza e devolver-lhes a imagem, responder em consonância. Reflectir o mundo e agir a partir dele, é como gosto de interpretar. Não como imagem de anulação. Eu peso quarenta e sete quilos variáveis. Dos dias em que me desprendem do chão, aos dias em que me arrasto sucumbindo debaixo deles. Dos dias em que me pesam e afundam de dois em dois passos, àqueles em que não há dor que me chegue, ou aos que fazem doer anabela canas

P

orque gostamos de falar sobre o amor, explicá-lo, vê-lo explicado. Entender ou ensaiar o impossível. Como eternos adolescentes. Não poderia ensaiar sobre o amor, como não se o pode ensaiar para a grande exibição. Nada sei. Que sirva a alguém. Pouco ou nada encontro que me faça jeito, que vista com o conforto de roupas minhas. Mas não lhe vejo os contornos da solidão, as cores do hábito da dependência ou do vício, a inevitabilidade na ausência de outros caminhos a percorrer. Seria apequenar o que nasce para ser grande e livre como os elementos. Porque, disse-o Han Yu: “Quem se senta no fundo do poço para contemplar o céu, há de achá-lo pequeno.” Mesmo se fundamente incrustado na terra. Ou exterior. A erosão das margens, a destruição de falésias minadas por forças ritmadas, as lavas derramadas sem piedade, os solos fendidos de secura extrema, as cheias. O calor que queima e a luz que encandeia. Tudo poderia ser forma de o descrever. Antes dizer sobre o amar, que isso eu sei de memória. Mas nem talvez ensaiar sobre o amar porque cada momento é em queda livre e mal preparado. Tudo esquecido na aproximação da estreia. Ou como se, falhando a actriz principal avançasse o ponto, que sabe as deixas mas não ensaiou as emoções. Assistiu a elas noite após noite. Talvez não as reconheça por muito que tenha estado sempre ali à distância de dois passos. Mas com o fosso da orquestra pelo meio. Do abismo talvez. Tantas coisas ditas sobre aquilo que para muitos é a pedra de fecho de um arco ou abóbada existencial, que até pode ter muitos arcobotantes e contrafortes, mas ainda assim desmorona se esta falha. Um precioso exercício de engenharia que implica rigor na forma, na colocação. Uma ordem que não poderia ser outra. Um peso absurdo que se descarrega ao logo de séculos num ponto final lá bem no topo da mais alta ogiva. Tanto escrito, descrito e cantado. A arte do amor e a da guerra. O erotismo e a sedução. O eterno binómio arte e técnica. Mas era um outro ângulo que tentava vislumbrar. Ou iluminar com figuras, grinaldas de folhas e flores. Porque a arte erótica é afinal uma outra coisa que pouco ou nada tem em comum com o amor. Amar. Talvez uma parte de desejo, o território comum, afinal. A distância abismal entre o ser e a arte que lhe revela a natureza o pensamento ou o sentir. Uma linguagem que envolve jogos de poder, uma técnica que se apura desvenda e desenvolve em todas as subtilezas. O perfeccionismo e o requinte do prazer estético. Sensual. E do amor nada trata. Separáveis e inconfundíveis. Do amor diria só: a capacidade de oferecer irremediavelmente poder. Absoluto. Ao outro. Morrer, matar, aprisionar. Talvez. A mais abismal das vertigens e por isso tão apavorante, que por vezes, inacessível. É uma questão de poder. Ter a capacidade de transferir


artes, letras e ideias 19

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de tudo e de nada

cada movimento como se nele arrastasse o tempo que vivi, todo feito presente, dor e cicatrizes. O meu sentir enferma da mesma imponderabilidade. Muda em forma, peso, distância, volume e massa. E persistência. Ao longo dos dias. Mas mantém a residência e a identidade de um nome. De sentimento. Às vezes de pessoa. Também. Porque sou rio e estou na margem. E, disse Leonardo: “Olha a luz e admira a sua beleza. Fecha os olhos e observa; aquilo que tu viste já não é; e aquilo que verás de seguida, ainda não é.” Tatuaria um nome que, mesmo quando tudo se diluísse no mar profundo, seria simplesmente uma cicatriz mais visível do que outras. Ou um simples tu. Mentiroso, gravado no braço daquele lado onde a pele é mais fina, e que seria sempre verdade mesmo que eu soubesse que nesse tu, alguém não foi sempre, e nele se soubesse que eu fui outro tempo. E mesmo quando não houvesse mais ninguém nunca. A mesma cicatriz mais explícita que outras e menos dolorosa que outras ainda. Talvez um dia.

Mas desconfio das pessoas que se definem como amantes como desconfiaria se se definissem como poetas, trovadores, princesas ou arrumadores. O onanismo é respeitável mas um prazer que se quer solitário. E de novo Confúcio: “Não fales bem de ti aos outros, pois não os convencerás. Não fales mal, pois te julgarão pior do que és.”. Desconfio dos muito afirmativos como desconfio dos muito felizes, dos muito fortes e mais ainda dos muito fracos. Como desconfio dos que na sua cegueira elaboram na incoerência de um raciocínio, paradoxos insolúveis. Gosto daquela imagem bela do antigo provérbio chinês de Yuxim (540 d.c.), do recolhimento. Intencional e discreto: “Tigre sentado; dragão oculto”. Ou talvez “Tímido tigre, Dragão Oculto. A pedra sombria abriga um Tímido Tigre. As raízes de uma árvore gigante, podem abrigar um Dragão Oculto. Que sem se moverem, passam despercebidos. O gosto é o que dá sentido à vida e sabor, no âmago do resíduo de sentimentos difíceis, entranhado profundamente na carne que nos transporta, a sensualidade reduz o olhar sobre aquilo que foi eleito, ao prazer que desperta. Ao seu lado melhor, à sua dimensão vivenciável, ao seu reflexo privilegiado, à sua condição de experienciado. Experienciável. A linguagem, no erotismo, no amor como na arte pode ser uma construção de muito saber. Mas habilidade no viver não é sinónima de capacidade do sentir. Pode ser a natureza pura e simples do humano no que tem de mais essencialmente transmissível. Pode ser lugar exterior ou lugar interior. Pessoa, ente ou reflexo. A diferença entre ser e não ser é da ordem da intensidade, da veracidade da ficção. A alma está ou não está ali inscrita a quente. O intelecto a gerir emoções a recriar e reinventar com base no saber, intuitivo, dedutivo, sensível. De fazer coincidir com verosimilhança realidade e representação, se faz a linguagem. Sempre uma segunda instância segundo Platão. Amar, é gostar de amar. Não gostar. Nem admirar, nem pensar o mesmo mundo. Querer o outro, nos seus detalhes. Mesmo sem gostar. Querer mais do que o desejo. Não perdoar, nem relevar, nem esquecer. Querer ainda assim. No limite pode ser assim. Também. Emoção estranha essa. Ser habitado. Emoção arrepiante se pensar nas implicações extremas que assim se lhe podem inventar. E, tal como a arte não é da ordem do divino, do mediúnico. Quanto muito, mágico. É da ordem do sensível, tocado do intuitivo ou do racional em proporções alquimicamente variáveis. Ou alquimia pura do acaso. Não uma construção, mas reflexo intransmissível e mutável da natureza de cada um. Uma espécie de dor. Com luz própria. Hipertensão. Hipoglicémia. Afrontamento. Taquicardia. Um sintoma. De um desarranjo no cérebro por existência de alguém. Sem teoria. Indizível mesmo. Quase.

Anabela Canas

Talvez depois. O tempo com a sua garra analítica a formular uma tese. Em perspectiva e com os requisitos da geometria. E por isso do amar não se fale no tempo passado. Por ser tempo de luto para alguém. E nunca modelo. Como não se pode mergulhar duas vezes na água do mesmo rio. Sempre outro em momentos diferentes, embora não como ideia de rio. E num único momento, se fosse possível diferenciá-lo e autonomiza-lo do decurso do tempo, o rio seria sempre feroz na sua fuga. Porque as águas, essas não param para reconhecer a presença do objecto mergulhado, quanto muito deixam-se imbuir por solução ou dissolução de partículas deste. É da sua natureza molecular de líquido. Mas é importante a constância da ideia de rio - o nome - sem a qual a possibilidade de nele mergulhar seria a tentativa de agarrar nas mãos sinais luminosos de uma intermitência imprevisível. E não se pode ser rio e pessoa-objecto em simultâneo. Aquilo que envolve é uma entidade diversa daquele que se deixa envolver. E diferente de contemplar o rio da margem, é nele mergulhar. Não simplesmente ouvir-lhe o ruído das águas, mas senti-lo. Disse Confúcio: “Conta-me e eu esqueço. Mostra-me e eu apenas me lembro. Envolve-me e eu compreendo”. Sinto. E se nada no meu interior fôr rígido, as coisas exteriores revelam-se. Senti-lo é simples. Vivê-lo, muito menos. Quanto mais acredito na raridade mais acredito na possibilidade. É uma fé que mantenho intacta. Sim, navegar à vista e pelas estrelas. Voltar às sensações e às imagens belas. Ou voltar lá atrás onde dizia não o dizer. E evocar aqui um grande silêncio a ser habitado simplesmente de gestos. O que está bem. Gosto da ideia de que Camões no seu episódio da Ilha dos Amores - expressão que não é a dele, tão discutida como sítio real, geograficamente situável, ou ilha do imaginário, ou mais do que isso lugar iniciático da sabedoria sobre a essência da natureza humana ou da vida – deixa em aberto a hipótese de todo o seu poema ser a essa ideia dedicado, a ela como a ilha do amor ou do puro amor. E que assim, simplesmente encontrou inúmeras formas de o descrever como lugar. O amor como lugar mítico. Onírico. Com uma geografia pejada de abordagens simbólicas e arquetípicas do imaginário humano no que diz respeito à bem-aventurança, e que ocupa muito do poema épico com as suas descrições amplamente sensitivas, os odores, o colorido. Tanto de simbólico perpassa pelo filtro das sensações. Tanto do conhecimento se explica por elas. Também. Ah, Luís Vaz, que mundo cristalino, a prata e estanho reflectido, se opõe o teu às tentações românticas e ocultistas de amantes do espelho negro. Deixa-me citar-te que não teria nunca nada de igual, meu. Porque, sentir o “Que todo se desfaz em puro amor (…) Melhor é experimentá-lo que julgá-lo, Mas julgue-o, quem não pode experimentá-lo.”


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Cineteatro

O que fazer esta semana

yuan

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Cinema

Maze Runner Sala 1

Hoje

Maze Runner: The scorch Trials [c]

ALL you need is love [b]

Filme de: Wes Ball Com: Dylan O’Brien, Ki Hong Lee, Kaya Scodelario 14.30, 16.30, 19.35, 21.30

Falado em cantonês com legenda em chinês e inglês Filme de: Richie Ren Com: Richie Ren, Shu Qi, Ti Lung 14.15, 21.30

Sala 2

Love Detective [c]

no escape [c]

Filme de: John Erick Dowdle Com: Owen Wilson, Pierce Brosnan, Lake Bell 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Concerto com Maestro Liu KuokMan Fundação Rui Cunha, 20h00 Entrada livre

Sala 3

Falado em cantonês legendado em chinês e inglês Filme de: Wong Pak-Kei Com: Ivana Wong, Pakho Chau, Ram Chiang 16.30, 19.30

Exposição de Arte Africana Casa Garden, 18h30 Entrada livre Exposição “Tensão de Talento” Museu de Arte de Macau, 16h00 Entrada livre

Amanhã

Concerto com Maestro Liu KuokMan Fundação Rui Cunha, 15h00 Entrada livre Workshop de dança com Nina Dipla Fundação Rui Cunha, 19h00 Entrada livre Festa Sunset Sessions Pousada de Coloane, 18h00 Entrada a 150 patacas, com direito a duas bebidas

Sábado

Seminário “A controvérsia sobre o massacre de Nanqin” Auditório do Museu de Macau, 16h00 Entrada livre

Aconteceu Hoje 11 de SETEMBRO Salvador Allende é deposto

Espectáculo de fogo-de-artifício Torre de Macau, 21h00 Entrada livre

Diariamente

Exposição “Macau 5.0” de Gonçalo Lobo Pinheiro (até 10/10) Consulado Geral de Portugal Entrada livre Exposição “Discovering Manuel Vicente” (até 10/10) Macau Design Centre Entrada livre Exposição de pintura “Blademark” de Fortes Pakeong (até 12/09) Albergue SCM Entrada livre Exposição “Saudade” (até 30/9) MGM Macau Entrada livre

h o j e h á f i l m e “O impossível” (J.A. Bayona, 2012) Maria e Henry e os seus três filhos estavam de férias na Tailândia, relaxando na piscina de um hotel, quando um tsunami atingiu a costa e destruiu tudo, tendo separado a família. Depois da água baixar, os ferimentos eram visíveis por todo o lado, incluindo na perna de Maria e nas costas de um dos filhos. Henry e dois filhos conseguiram subir a uma árvore sem saber como estavam a mulher e o outro filho. Será que toda a família conseguiu sobreviver? O filme é baseado na experiência da médica espanhola María Belón e da sua família que enfrentaram o sismo no Índico em 2004. Flora Fong

• A 11 de Setembro de 1973 Salvador Allende, presidente do Chile, é deposto por um golpe militar e Augusto Pinochet, chefe das Forças Armadas, assume o poder. Allende foi um médico e político marxista chileno. Fundador do Partido Socialista, governou o país de 1970 a 1973. Foi o primeiro presidente da república e o primeiro chefe de estado socialista marxista eleito democraticamente na América. Os seus pilares ideológicos foram o socialismo, o marxismo e a maçonaria, sendo que Allende foi um revolucionário atípico: acreditava na via eleitoral da democracia representativa e considerava ser possível instaurar o socialismo dentro do sistema político então vigente no seu país. Com Pinochet a ditadura estende-se por duas décadas e conduz à morte de dezenas de milhar de pessoas. Allende morre no mesmo dia em que é deposto, ainda que não se saiba exactamente se foi assassinado ou se se suicidou. Neste dia, em 1985, dá-se o maior acidente ferroviário de que há memória em Portugal. Em 1991, morre o cineasta e poeta português António Reis, de 64 anos, realizador de “Jaime”, “Ana” e “Rosa de Areia”. Em 2001, dá-se o ataque terrorista às torres gémeas do World Trade Center em Nova Iorque. Anos antes, em 1891, dá-se o suicídio do poeta Antero de Quental.

fonte da inveja

Não manhã (ou madrugada) à aurora. Ela ficaria ofendida.

João Corvo


opinião

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Isabel Castro

contramão

ITV Studios, The Royle Family

isabelcorreiadecastro@gmail.com

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O outro país

N

os anos que antecederam a batida no fundo, ia a Portugal com muita regularidade. Houve uma altura em que a cada três meses apanhava um avião e Portugal deixava de ser, então, o país que lia nas notícias e ouvia ao telefone. Na comparação com aquilo que era no início do milénio, algum Portugal tornou-se esteticamente mais agradável, tecnologicamente mais evoluído, mais dinâmico na forma de estar. Algum Portugal parecia também mais feliz, apesar de já então se falar em crise. Mas depois veio a batida no fundo, com aquele som oco da chegada ao fim do poço que secou. Por coincidência, as viagens a Portugal diminuíram e voltaram ao ritmo quase anual – mas a crise a sério chegou até aqui com as vidas de quem emigrou por não ter outra solução. E com as notícias e com as vozes do outro lado do telefone. Nestes últimos anos, algum Portugal continuou esteticamente evoluído, mas mais triste e muito mais inseguro. O meu Portugal, aquele que mais me diz, esse ficou mais deserto, mais pobre de gente, com os velhos a desapareceram e os jovens também. É um Portugal em que a emigração se faz às dezenas de cada vez, um Portugal onde, quando chega a geada do Inverno, não se vê vivalma na rua. E os cemitérios se tornaram pequenos. Algum Portugal, antes da batida no fundo, sofreu uma modificação difícil de explicar, que se sente ao nível da epiderme, e houve alturas em que achei que poderia estar no bom caminho, não seria a única a

pensar assim, o país parecia-se mais com aquela Europa que prometeram aos da minha geração. Mas Portugal não se educou. Importaram-se Bolonhas e fizeram-se mestres à força, putos com 22 anos que que coleccionam diplomas de gente grande e vivida, há mais miúdos com mais estudos e isso é um conveniente argumento político, mas Portugal não se educou. Apesar de esteticamente mais agradável e tecnologicamente mais evoluído, o país não se valorizou no que é importante. As crises favorecem sempre o umbiguismo e ajudam a enredos de novela. Portugal é um país em novelas constantes: as ficcionadas, as que dão de comer a argumentistas e a actores, e as reais, aquelas que não deviam ser novelas, que deviam ser apenas factos para digerir. Como Portugal não se educou e a estética de pouco vale se não houver dois dedos de testa, o país vive sofregamente da novela do momento. São assim as televisões com maiores audiências, são assim os jornais mais vendidos, feitos para as pessoas que gostam de novelas por pessoas que também

A novela televisiva dos refugiados começou por ser uma coisa que se passava lá na outra ponta da Europa para passar rapidamente a ser um drama nacional. Mas pelo meio houve Sócrates

gostam de novelas – ou, pelo menos, se sujeitam aos secundários papéis que lhes são entregues. Estive agora em Portugal e apanhei a novela dos refugiados, que veio interromper a saga das análises quase ininterruptas aos reforços dos plantéis para a nova temporada do campeonato de futebol. A novela televisiva dos refugiados começou por ser uma coisa que se passava lá na outra ponta da Europa para passar rapidamente a ser um drama nacional. Mas pelo meio houve Sócrates. Sócrates saiu da cela que ocupou estes últimos meses – qualquer jornalista português que se preze sabe o número exacto de dias, eu não – e foi viver para casa da ex-mulher, detido mas em casa, com direito a mais do que um quadrado com grades. O momento foi vivido com muito entusiasmo, uma novela local tem sempre muito mais interesse do que aquelas que vêm de fora, mesmo que essas se apresentem com crianças mortas em praias. Sócrates saiu e numa rua sem qualquer interesse plantaram-se jornalistas como quem planta árvores, gente sem nada para dizer que não se coibiu da triste figura da entrevista ao rapaz da pizza que, afinal, nada tinha de tonto e não foi ao número 33 entregar uma extra-queijo. Mas, e ao contrário do que é hábito num país que vive de novelas, o drama dos refugiados não caiu no esquecimento do povo, apesar de momentaneamente atenuado com o regresso do antigo primeiro-ministro a Lisboa. Por curiosidade sociológica, não consigo deixar de ler, já aqui em Macau, os comentários que se multiplicam nas redes sociais sobre o que são ou deixam de ser os migrantes que fogem da Síria, sobre o que se deve fazer ou deixar de fazer a pais

com filhos ao colo, terroristas em potência para muitos daqueles que, apesar de terem uma escolaridade bonita e politicamente convincente, sofrem de uma profunda falta de educação. São todos especialistas em geopolítica. Quem vive no mundo das novelas não se consegue preocupar com mais do que o episódio que acabou de ver, nutrindo natural curiosidade pelo que vai para o ar no dia seguinte. A condição de espectador é cómoda e comodista, não obriga a reflexão porque não se tem um papel no argumento, não se consegue mudar o rumo da história. O desfecho já foi pensado por outros que não aqueles que vivem no mundo das novelas. É assim na política e é assim na vida, nas coisas que aparecem à frente dos olhos de quem não quer perceber o que está a ver. A Europa vive hoje uma crise difícil, depois de outra crise difícil de que ainda não se livrou. Importa reflectir como começou esta nova crise, quem tem um papel directo nela, como pode ser resolvida. O acolhimento de quem foge da morte não é fácil, a integração muito menos. Não é assunto para ser desvalorizado nem para ser tratado como ficção. Aos portugueses em pânico por causa de potenciais terroristas com filhos ao colo resta desligarem a televisão, esquecerem a novela e lerem duas ou três coisas sobre os outros, os outros que vivem no mundo que não acaba na fronteira que já não existe com Espanha. A ignorância é atrevida e é dela que nascem os maiores medos. Depois há também os outros, os que contribuem para o que é esteticamente agradável e tem contornos de evolução. Mas nada tem real interesse – afinal, as eleições estão aí e há uma nova novela a começar.


22 opinião

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paul chan wai chi*

um grito no deserto

asas do desejo Wim Wendersf

De Berlim a olhar o mundo

E

ste Verão, durante as férias, viajei até à Europa de Leste. Num período de oito dias passei por seis países pelo que só fiquei a conhecer um pouco mais de cada um deles. Na Europa em Agosto fazia tanto calor como em Macau, mas a humidade era inferior. Nas diversas cidades o ar era mais refrescante devido, não só, a uma traça urbana mais espaçosa, como também a factores naturais e emissões mais baixas dos sistemas de ar condicionado. A Europa de Leste esteve durante anos oculta por detrás da Cortina de Ferro. Mas após a queda do Muro de Berlim e, da integração progressiva de muitos dos seus países

Não temos que esperar que o Muro de Berlim caia para perceber o horror da tirania e não podemos aguardar as desgraças alheias crendo que virá alguém para os salvar. Porque não darmos o nosso melhor enquanto ainda temos possibilidade, oportunidade e capacidade? na União Europeia, o sistema social criado pelo comunismo tem vindo a diluir-se. Por outro lado que o sistema capitalista ainda não se instalou definitivamente. Estes países ainda conservam algo de genuíno. A economia não é tão florescente como a de Macau, mas a qualidade de vida não é inferior à nossa. O dinheiro nem sempre traz felicidade.

O objectivo da minha viagem era descontrair, afastar-me das exigências da vida urbana e encontrar respostas a algumas das questões que me têm vindo a preocupar. Curiosamente, uma das pessoas que integrava o meu grupo de viagem era Gary Fan, membro da Assembleia Legislativa de Hong Kong e dos Pró-Democratas. Não pudemos

deixar de falar sobre o desenvolvimento democrático de Hong Kong e de Macau, já que as nossas vidas são indissociáveis da democracia e da política. Por outro lado aproveitei a minha visita a Budapeste, na Hungria, para reflectir sobre a minha vida como católico já que o padre que me formou era húngaro. Combateu na Primeira Guerra Mundial, onde foi ferido, recebeu uma medalha de guerra e juntou-se à Sociedade Salesiana após a desmobilização. Ensinou-me a ser persistente e a ter Fé. Esta viagem, repleta de imaginário e de inspiração terminou com uma visita ao Muro de Berlim. Durante este período, soube pelos noticiários televisivos das explosões de produtos químicos em Tianjin e dos rebentamentos das bombas em Banguecoque. Embora estes dois acontecimentos não estivessem aparentemente relacionados, foram ambos causados por acções humanas. A Nova Zona Urbana Binhai, em Tianjin é um dos grandes projectos económicos da China. Estas tremendas explosões revelaram falhas de supervisão adequada, ao nível do governo local, bem como um abuso de poder da parte de quem pretende obter ganhos pessoais. Tiveram como resultado um grande sofrimento para as pessoas atingidas. Quanto aos rebentamentos das bombas em Erawan Shrine, Banguecoque, fica demonstrado que os ataques terroristas podem acontecer em qualquer parte. O que realmente interessa saber é se existe determinação para queimar os solos férteis que originam o terrorismo. Alguns incidentes, que nunca imaginaríamos possíveis de repente acontecem porque as questões que lhes estavam subjacentes foram durante muito tempo negligenciadas ou mesmo omitidas. A queda do Muro de Berlim é disto um exemplo. - No Muro de Berlim a olhar o Mundo. A súbita desvalorização do renmimbi na China. A taxa do governo de Macau sobre o Jogo que tem vindo a cair durante 15 meses consecutivos. Não me venham dizer que já não havia sinais da eminência destes acontecimentos! Não temos que esperar que o Muro de Berlim caia para perceber o horror da tirania e não podemos aguardar as desgraças alheias crendo que virá alguém para os salvar. Porque não darmos o nosso melhor enquanto ainda temos possibilidade, oportunidade e capacidade? Macau, Hong Kong e Taiwan têm diversos problemas para enfrentar e resolver. Agora que estou em Macau, e já não na Europa, tenho de participar no dia a dia e lutar pela Justiça sempre que possível. *Ex-deputado e membro da Associação Novo Macau Democrático

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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Gemmany Cheong, artesã

Uma vida dedicada aos animais U

ma pessoa pode ter vários papéis. Quando não se conhece e se olha para Gemmany pela primeira vez, podemos achar que esta jovem é apenas uma secretária normal de uma empresa normal, que entra e sai de trabalho à mesma hora normal de todos os dias. Que gosta de maquilhagem e de pintar as unhas. Mas esta jovem de 26 anos faz coisas que a maioria de nós não faz. “De dois em dois dias, vou alimentar os cães abandonados em vários sítios de Macau com comida cozinhada pela minha mãe, nas noites depois do trabalho.” Já há algum tempo que a mãe da jovem faz arroz com frango todas as semanas, pondo a comida em caixas para que Gemmany se dirija aos locais onde se passeiam animais vadios e possa alimentá-los. Sempre que alimenta um animal, ela passar a conhecer bem os sítios onde vivem os cães abandonados em Macau - normalmente vai às zonas da Areia Preta, das Portas do Cerco e aos lotes de construção desocupados. É possível que este interesse da jovem tenha surgido por causa da mãe, que adora cães, e passa este gosto aos familiares. “Agora temos oito cães e um gato em nossa casa. A minha mãe começou por adoptar primeiro o cão de uma vizinha

quando eu andava na escola primária. No início, o meu pai não gostava de ter tantos cães mas, passo a passo, a mãe convenceu-o e ele aceitou. Desde então, adoptámos cada vez mais animais nos locais de construção e noutros sítios”, conta Gemmany ao HM. Um dos oito cães foi também encontrado mais recentemente pela sua mãe na rua. Ambas tentaram durante muito tempo procurar um novo dono, mas não conseguiram, pelo que resolveram levá-lo para casa, sendo este agora mais um membro da família. Se a despesa com os animais é grande? Gemmany não acha. “É apena comida e champôs para tomar banho. O dinheiro gasto é limitado, não é muito.”

Trabalhos diversos

Há vários anos, a jovem começou por dar atenção a cães abandonados quando trabalhava como uma espécie de cabeleireira numa loja de animais. Gemmany não percebia como é que alguns donos podiam ser tão cruéis para com os seus bichos e surgiu, então, a ideia de os ajudar, através da criação de uma página no Facebook denominada “I See You”. E foi também aqui que a jovem encontrou a sua nova vocação. “Como sempre gostei de fazer arte, comecei a fazer peças de artesanato. Depois

de vendidas, o lucro que faço pode ajudar a comprar comida para os cães abandonados” explicou. As peças de artesanato são normalmente instrumentos para gatos e cães, gravatas, molduras, roupas e objectos de decoração, que são colocados à venda num canto especificamente feito para “I See You”, na loja de animais onde trabalhava. Mas como este não é o seu trabalho a tempo inteiro, o lucro não é estável. Felizmente, Gemmany consegue todos os meses doações em dinheiro e comida para os cães. “Normalmente são os clientes da loja que me conhecem e têm sempre vontade de doar comida à ‘I See You’”, conta.

Amor em tempos de abandono

Nos tempos livres, Gemmany frequenta cursos de formação de software de design, mas a vida desta jovem não podia ser contada sem se falar dos animais. Gemmany gasta todos os fins-de-semana a dar banhos aosn cães. Olhando para o futuro, não tem planos para suspender a alimentação dos cães abandonados, a criação de artesanato ou, obviamente, deixar de ter os oito cães e o gato que pertencem à sua família. A criação de artesanato começou em Outubro do ano passado, ainda que, como lamenta, o tempo seja escasso para a cria-

ção, já que o seu trabalho de secretária não lhe permite total dedicação. Mas a jovem nunca parou ou parará de ajudar os animais. A página da rede social que criou ajuda também os donos a procurar os animais perdidos nas ruas, partilhar ofertas e pedidos de comida para cães abandonados de forma a alertar a consciência dos outros e tenta também ajudar a procurar donos para os animais, cooperando com a Associação de Protecção de Animais Abandonados (AAPAM) e o Canil de Macau. Algo que pode não ser fácil. “Uma vez, uma cadela teve seis bebés num local de construção. Tentei com muito esforço e havia muitas pessoas a mostrar vontade de adoptar pelo facto de eles serem de graça. Mas, depois, começam a pensar e muitos contactaram-me a dizer que já não conseguiam adoptar por diversas razões. Este problema é comum e frustrante.” Através do Facebook, a jovem quer ainda promover o conceito da substituição de compra de animais por adopção. Na opinião da Gemmany, a alimentação dos cães abandonados é um trabalho significativo e a vida de Gemmany é, por isso, gratificante. “Eles agradecem-me por encontrá-los e lhes dar amor e comida. Acredito.” Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo


hoje macau sexta-feira 11.9.2015

cartoon por Stephff

Mudanças na gestão do Fundo das Ciências e Tecnologia

O Governo admitiu que irá ter mais cuidado na gestão do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia. Depois da reunião do Conselho de Ciência e Tecnologia, Frederico Ma, presidente do Conselho Administrativo, assegurou que é sempre levada a cabo uma “fiscalização rigorosa” dos apoios recebidos, algo que, garante, irá manter. O responsável afirmou ainda que o desenvolvimento da Ciência e Tecnologia é benéfico para o desenvolvimento do próprio território. “Se conseguir iremos maximizar os nosso recursos”, garantiu. Nas mesmas declarações, Frederico Ma indicou que até ao momento, devido à queda das receitas do Jogo, foram transferidos 18 trabalhadores que ocupavam cargos no secretariado do Conselho da Ciência e Tecnologia, órgão que também foi abolido.

Japão Mais de 100 mil fogem de inundações

DSAL Mais de 60 queixas por encerramento de salas VIP

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O director dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), Wong Chi Hong, afirmou que até ao início da semana recebeu 61 queixas e consultas de trabalhadores envolvidos no encerramento de salas VIP. Segundo o Jornal Ou Mun, Wong Chi Hong não revelou quantos funcionários foram despedidos, mas afirmou que a DSAL já abriu 61 processos devido a indemnização por despedimento e excesso de trabalho. Entre os casos, 17 pediram ajuda na procura de trabalho, enquanto 13 conseguiram já obter um novo trabalho. O director afirmou que a DSAL contacta de forma periódica as pessoas despedidas para oferecer apoio e assegura que vai fazer com que os trabalhadores locais que sejam despedidos sem justa causa possam receber a sua compensação. Sobre se existe tendência para o aumento do número de casos, Wong acha “difícil dizer”.

Dilúvio no sol nascente M ais de 100.000 pessoas receberam ordem para deixarem as suas casas e a centenas de milhares foi recomendado que partissem, devido às inundações e deslizamentos de terra no Nordeste do Japão, na sequência de chuvas torrenciais associadas à passagem da tempestade tropical Etau. A agência nacional de meteorologia difundiu “alertas especiais” de “chuvas com probabilidade acontecerem apenas uma vez em cada 50 anos” para as regiões de Tochigi e Ibaraki, a Norte e Leste de Tóquio, onde vivem cerca de cinco milhões de pessoas.

Helicópteros salvaram pessoas encurraladas nos telhados das suas casas, enquanto águas lamacentas arrastavam tudo o que estava à sua frente. Há pelo menos duas pessoas desaparecidas e 17 feridas, segundo a Reuters. Em algumas áreas, caiu o dobro da chuva que normalmente cai durante todo o mês de Setembro em apenas duas horas quando a tempestade tropical Etau passou pela principal ilha do arquipélago japonês. Em Tochigi, 90.000 pessoas receberam ordem para partir e a outras 80.000 foi recomendado que

deixassem as suas casas, noticiou a televisão pública NHK. De Ibaraki foram mandadas sair 20 mil. Centenas de milhares de pessoas de outras regiões, incluindo de zonas próximas de Tóquio, receberam desde quarta-feira recomendações para partirem, quando as chuvas se intensificaram, após a passagem da Etau.

A outra dimensão

“Estas intempéries são de uma dimensão que nunca vimos e representam um perigo imediato”, alertou um responsável da agência meteorológica japonesa, Takuya Deshimaru. Joso, a Norte de Tóquio, foi invadida pelas águas de um rio, que destruíram casas e carros à sua passagem, enquanto os habitantes pediam desesperadamente ajuda, segundo transmitidas pela televisão NHK. A estação pública mostrou o rio Kinugawa a galgar uma das suas margens de Joso e uma gigantesca vaga a irromper por uma parte da cidade de 65 mil habitantes.

Dois mortos em tiroteio entre uigures e polícia em Henan

D

uas pessoas morreram durante um tiroteio entre membros da minoria uiguir e a polícia da província chinesa de Henan, e dois dos atacantes puseram-se em fuga, escreve ontem o jornal South China Morning Post (SCMP). O tiroteio aconteceu num mercado da cidade de Zhengzhou, na noite de segunda-feira, apesar de o incidente só ter sido ontem noticiado. Não se sabe qual o motivo do confronto, em que um polícia e um uigur perderam a vida, depois de se terem produzido mais de dez disparos, diz o SCMP. Dois uigures presentes no tiroteio fugiram em veículos. Um funcionário de um hotel nas proximidades do incidente assegurou ter recebido ordens para não aceitar clientes da região de Xinjiang, de minoria uigur e religião muçulmana. Os confrontos entre a comunidade uigur e a polícia chinesa acontecem com frequência, não apenas em Xinjiang mas também noutras zonas do país. Pequim acusou um grupo de uigures ligado a grupos terroristas separatistas de ter levado a cabo um ataque com facas na estação de comboios de Kunming, em 2014, em que morreram 29 pessoas e mais de 140 ficaram feridas. As autoridades chinesas consideram que membros desta minoria pertencem a organizações terroristas vinculadas com ‘jihadistas’ como o estado islâmico. Por seu lado, os uigures em exílio desmentem que assim seja e dizem que a violência se deve à repressão que esta minoria sofre por parte do regime comunista.


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Hoje Macau 11 SET 2015 #3413 by Jornal Hoje Macau - Issuu