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Hoje Macau 11 AGO 2014 #3150

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S E G U N DA - F E I R A 1 1 D E A G O S T O D E 2 0 1 4 • A N O X I I I • N º 3 1 5 0

hojemacau

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

Susana Chou Deputados devem deixar empresas POLÍTICA PÁGINA

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TÁXIS

Governo promete travões aos abusos Por enquanto discute-se os fiscais à paisana, o facto de serem passivos e a nova lei que permitirá à PSP intervir quando os taxistas pretendem enganar os clientes.

POLÍTICA PÁGINA

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ECONOMIA

Europa louca com o yuan CASIMIRO PINTO, MEMBRO DA COMISSÃO ELEITORAL

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Política de habitação não serve a classe média Mais de cinco anos depois de ter sido candidato a deputado e de muitos o terem visto como um dos futuros líderes da comunidade macaense, Casimiro Pinto explica quais as suas posições sobre os assuntos que hoje afectam a RAEM. E, finalmente, justifica o desaparecimento da sua Voz Plural.

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

ENTREVISTA P. 2-3

CHINA PÁGINA

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MÁRIO SAA

O POETA ESQUECIDO

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ENTREVISTA

hoje macau segunda-feira 11.8.2014

CASIMIRO PINTO, MEMBRO DA COMISSÃO ELEITORAL

Defende o sufrágio universal mas pede primeiro uma educação cívica dos eleitores. Casimiro Pinto, membro da Comissão Eleitoral e candidato derrotado às eleições de 2009, lamenta que não tenham surgido outros candidatos contra Chui Sai On e admite que Florinda Chan e Francis Tam deveriam sair do cargo. Para a Função Pública pede um regime de responsabilização acompanhado de melhores salários

ANDREIA SOFIA SILVA

“As pessoas falam da saída de Florinda Chan e de Francis Tam. Acho muito bem. Já estão no lugar há 15 anos”

Fala-se na saída de alguns Secretários e muitos defendem a criação de mais uma secretaria, ou da transferência de áreas entre secretarias. O que deveria ser feito? A pasta da Administração e Justiça é muito pesada. Seria ideal criar mais um cargo de Secretário para

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Chui Sai On é candidato a Chefe do Executivo. Como olha para esta candidatura a um segundo mandato? É sempre bom que um Chefe do Executivo (CE) tenha uma continuidade, mas isso tem a ver com as políticas e com o que tem vindo a ser implementado. Tenho lamentado que não haja mais candidatos. É um pouco triste porque parece que não há pessoas preparadas para isso. Sendo membro [da Comissão Eleitoral] estou numa posição em que parece que não há outra opção, apesar de considerar que Chui Sai On é a pessoa ideal para continuar. Houve mais candidatos que não chegaram a reunir as assinaturas necessárias. Chegou a ser contactado por eles? Nunca fui contactado. Mas, com toda a franqueza, não vejo nenhuma potencialidade nestes candidatos. É uma questão de falta de credibilidade? Sim e pelo facto de desconhecermos essas pessoas. Se as pessoas quisessem entrar nesta corrida teriam de fazer alguma coisa antes e não apenas vir pedir as assinaturas, nesta fase. Já se falou de alguns nomes para o lugar de CE, como é o de Ho Chio Meng ou Leong Vai Tac. Seriam boas opções? Existem muitas pessoas qualificadas, principalmente se estão ligadas à Função Pública há muitos anos. Mas é preciso saber se essas pessoas estão, de facto, aptas a assumir o lugar. Diz-se que Leong Vai Tac [actual membro do Conselho Executivo] é a pessoa ideal para assumir um dos cargos de Secretário e muitos dizem que vai ser indicado para a pasta da Economia e Finanças. Ho Chio Meng [procurador do Ministério Público] já tem o seu estatuto. Será que está apto para assumir este tipo de cargo? Duvido. E, de facto, verificamos que, nas últimas eleições, havia boatos de que iria participar e não participou. Desta vez também não.

ANTÓNIO FALCÃO

“Comunidade macaense não conseguiu


entrevista 3

hoje macau segunda-feira 11.8.2014

preparar nova geração política”

Quando diz que a qualidade dos eleitores é baixa, isso deve-se a questões históricas, uma vez que no tempo da Administração portuguesa o Governador era nomeado? Exactamente. A RAEM só tem 14 anos de idade e, para qualquer Governo, 14 anos é muito pouco. Mas não quer dizer que as pessoas de Macau não fizeram um esforço.

lidar com uma [destas] pastas: uma da Administração, outra da Justiça. Em relação à questão de integrar serviços nas tutelas, não é o mais importante, mas sim a vontade política: o que é que o novo Governo pretende fazer? Desde o primeiro mandato da RAEM que há questões que começámos a discutir e ainda não há soluções e esses problemas até se agravaram. Há que escolher as pessoas certas para assumirem os cargos. O mais importante no quarto mandato é resolver os problemas mais pertinentes: a habitação, saúde, o trânsito, a acção social. Mas em relação à saída de Secretários, quem deve sair? As pessoas falam da saída de Florinda Chan e de Francis Tam. Acho muito bem. Não é no sentido de dizer que essas pessoas não fizeram nada ou não se esforçaram durante o seu mandato. Mas é preciso pensar na questão da continuidade. Já estão no lugar há 15 anos. Chui Sai On apresenta o seu programa político no próximo dia 16. O que podemos esperar? Espero que haja mais políticas concretas e que não haja apenas slogans. O que é que Chui Sai On quer? Quais os objectivos?

“Os dirigentes podem ter um melhor salário, mas também é preciso que assumam as suas responsabilidades e, se não funcionar, saem do lugar. Isso é que é essencial” Uma das novidades é a zona A dos novos aterros, que vai ter habitação pública. Concorda com o que foi apresentado e discutido até aqui, ou acha que há falta de clareza nesse projecto? Estamos a resolver a questão da habitação social, mas eu pergunto: e a classe média? Há políticas? Sabemos que o preço da habitação é inaceitável e insuportável para qualquer pessoa. Nunca ouvimos qualquer política de habitação virada para esta classe, que merece uma certa atenção, porque tem poder de compra e desenvolve o território. Ninguém vê saídas e parece que

grupos. Isso significa que o Governo tem de encarar essa realidade. A manifestação contra o Regime de Garantias teve muitos jovens que estão fora. O Governo tem de ver que a realidade é completamente diferente de há 15 anos e tem de assumir uma nova postura e dialogar.

estamos a pôr pessoas ricas do continente a comprar casas, [enquanto] as pessoas de Macau vão viver para Zhuhai... o que já está a acontecer. O FMI falou do risco de bolha imobiliária. O Governo garantiu que a situação estava controlada, mas depois Lau Si Io veio dizer que há esse risco. Chui Sai On disse que o mercado privado vai estabilizar. Há uma falta de estratégia? Se formos perguntar às pessoas percebemos que não está controlado, porque todos os anos as rendas estão a subir de forma descontrolada. É uma questão difícil, porque há que ter em conta o equilíbrio das políticas e do mercado livre, mas há que resolver a questão, porque as pessoas não conseguem adquirir uma casa. Há uma vontade por parte do Governo em ajudar o povo? Não tem havido? As políticas que Lau Si Io tem implementado não funcionaram. Não quer dizer que não houve vontade, mas não sentimos eficácia. A Saúde é outra das áreas que mais críticas tem gerado. Que razões encontra para o atraso do novo hospital? Não deve haver razões para esse atraso, porque estamos a ver outras construções que se fazem de um dia para o outro, tudo ligado ao jogo. É uma vontade. Se se quiser, faz-se já. Sabemos que há falta de médicos especialistas, falamos disso há dez anos, e continuamos na mesma. Se há problemas no mecanismo que não permite recrutamento ao exterior, então que pensem em outras medidas. E não podemos esperar: tem de ser já. Chui Sai On falou também de uma reforma administrativa. O que é que precisa de ser alterado?

“Seria muito bom ter o sufrágio universal em Macau, mas também pergunto: que qualidade de eleitores temos?” O regime de responsabilização deve ser feito e é preciso rever as carreiras dos dirigentes. Um chefe de divisão está a ganhar uma coisa que não se justifica. Os dirigentes podem ter um melhor salário, mas também é preciso que assumam as suas responsabilidades e, se não funcionar, saem do lugar. Isso é que é essencial. Um director ganha cerca de 70 mil patacas, mas com os descontos fica com cerca de 60 mil. E nem falo de chefes de departamentos ou divisões. Para haver pessoas qualificadas que queiram aceitar esses cargos, tem de haver melhor condições e regalias. O Governo seguiu o modelo de Singapura, mas seguiu tudo sem isso, porque em Singapura os dirigentes são muito bem pagos, mas há um regime de responsabilização. É falado que os funcionários públicos estão desmotivados. A semana passada ficou marcada por várias manifestações de trabalhadores do jogo. Podemos então concluir que ao fim de cinco anos de mandato de Chui Sai On as pessoas não estão satisfeitas? Isso tem a ver com a inflação, com o imobiliário. O aumento dos salários dos funcionários públicos é uma questão que muitas pessoas atacam, porque acham que é o único grupo que está a acompanhar o mais possível a inflação. Mas servem sempre de referência para as outras profissões. Se, ganhando mais,

ainda acham que não é suficiente, então os trabalhadores do sector privado acham que também têm de ganhar mais. Acho normal que os trabalhadores do jogo peçam mais. Como olha para a realização do referendo civil a favor do sufrágio universal? Todos nós, incluindo eu, concordamos que o sufrágio universal é um símbolo da democracia. Seria muito bom ter o sufrágio universal em Macau, mas também pergunto: que qualidade de eleitores temos? É uma qualidade baixa? É baixa. Temos já pessoas preparadas para encarar uma eleição dessas em Macau? É um objectivo a alcançar, mas as coisas têm de ser feitas passo a passo. É preciso haver uma educação cívica, uma maior participação da população sobre as questões de Macau. Nota-se a falta de interesse pela elevada abstenção nas legislativas. Sim. Também não há preparação das novas gerações e as associações com matriz política têm de ter esta vontade. Os jovens começaram a preocupar-se sobre o seu futuro, todos eles estão sem esperança de ter uma casa. Há uma mudança da estrutura social de Macau: antigamente os problemas eram resolvidos através das associações e era fácil chegar a consenso. Hoje em dia surgem outros

“Acho lamentável que a comunidade macaense não tenha conseguido preparar uma nova geração política”

Falando do projecto que levou às eleições de 2009, a Voz Plural, optou por não o levar na corrida eleitoral do ano passado. É um projecto que ainda está de pé? AVoz Plural não conseguiu manter a sua vivacidade e agora cada um faz a sua intervenção cívica e política de forma diferente. Não conseguimos dar continuidade ao projecto, [o que] lamento. Não se aproveitou logo depois das eleições, deixámos passar uns anos e agora será mais difícil dar continuidade. Temos reunido de vez em quando e pedimos aos nossos amigos que façam a sua participação. Acho lamentável que a comunidade macaense não tenha conseguido preparar uma nova geração política. Não houve e é difícil de haver. Isso quer dizer que a Voz Plural não vai candidatar-se novamente às eleições? Vai ser muito difícil. Só há uma hipótese: se alguém jovem dissesse que queria agarrar na Voz Plural, aí eu estava apto para dar apoio. Mas não estou a ver isso, nunca fui contactado. Portanto, não vejo a Voz Plural ter saída para uma intervenção política. Em 2013 houve uma lista encabeçada por Luiz Pedruco, mas as coisas não correram bem. Foi pena, é sempre bom, porque representa sempre alguma coisa em Macau. Quando vimos nas notícias que parece ter existido falta de consenso entre os membros... lamento isso. Espero que alguém venha a participar nas eleições daqui a quatro anos. Leonel Alves e Pereira Coutinho vão continuar no hemiciclo? Penso que sim. Leonel Alves é uma pessoa com muita experiência e que conhece bem a realidade de Macau. O [José Pereira] Coutinho, com o trabalho que tem vindo a fazer ao longo dos anos, demonstra que já conquistou vários apoios dos eleitores. E esse apoio vai continuar. Mas se vai continuar com dois, ou se volta só a um, isso é que vai ser duvidoso.


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POLÍTICA

NOVA LEI PROPÕE QUE A PSP TENHA PODER PARA MULTAR TAXISTAS

ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Táxis, polícias e vídeo

O

Governo promete até ao final do ano ter pronta a nova lei que irá regular o sector dos táxis, por ser um trabalho com “carácter prioritário”. Desde o passado sábado e até ao próximo dia 23 de Setembro, a população poderá opinar sobre as medidas a implementar, sendo que uma das propostas do Governo para a revisão do Regime Jurídico do Transporte de Passageiros em Automóveis Ligeiros de Aluguer (Táxis) é a aplicação de multas por parte dos agentes de trânsito da PSP. “Queremos introduzir esta competência legal para a polícia poder autuar os taxistas e temos todo o apoio da polícia para trabalhar com os nossos fiscais. A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) vai ter a responsabilidade sobre as questões logísticas”, garantiu Wong Wan, director do organismo, em conferência de imprensa. Actualmente, recorde-se, a polícia não tem competências para punir os taxistas. André Cheong, director dos Serviços para os Assuntos de Justiça (DSAJ) explicou ainda que a DSAT já tem trabalhadores que aplicam a lei juntamente com agentes policiais. “O que acontece é que os agentes da PSP, da área do trânsito, passam a ter maiores poderes para aplicar a lei. Os agentes de trânsito são mais do que os fiscais da DSAT, por isso achamos que o efeito pode ser melhor. O número de fiscais é muito limitado para o trabalho que tem de ser feito”.

hoje macau segunda-feira 11.8.2014

A população poderá apresentar opiniões sobre a nova lei que vai regular os táxis até ao dia 23 de Setembro. O documento de consulta pública prevê que serão agentes da PSP a aplicar a lei e a autuar taxistas, a inclusão de agentes à paisana e de sistemas electrónicos e deputados do hemiciclo, serão introduzidos agentes à paisana para fiscalizar o sector. Contudo, estes só podem actuar de forma passiva. “Temos de ter uma lei que permita ao agente aplicar a lei de forma passiva. O que a lei proíbe é a provocação ou a indução da pessoa à prática do crime”, frisou André Cheong. O texto de consulta fala disso mesmo, esclarecendo que “as provas recolhidas

pelos agentes da autoridade em caso de incitamento dos condutores de táxis à prática de infracções serão consideradas nulas”. No entanto, “persistem dúvidas quanto à legalidade, imparcialidade e eficácia desse meio de investigação e de obtenção de provas”. Actualmente, só são utilizados agentes à paisana em “crimes graves

relativos à criminalidade organizada ou a crimes de droga”, conforme explicita o documento, que revela ainda que em 2013 foram efectuadas 235 operações pela DSAT e PSP, sendo que foram detectadas 279 infracções. Só este ano já foram registadas 291 infracções, sendo que 218

casos dizem respeito a cobrança abusiva de tarifas.

GRAVAÇÕES PARA RECORDAR

A DSAT assegura que o objectivo da lei é proteger os interesses dos clientes,

mas também dos taxistas que possam ser alvo de queixas injustas. A implementação de gravações áudio ou vídeo e ainda o cancelamento das licenças são outras medidas que podem vir a ser implementadas. Uma das medidas propostas, por exemplo, é a emissão de um cartão electrónico para os condutores de táxis, que é activado por um sistema inteligente que vai permitir a identificação do condutor, o registo da hora certa dos trajectos e a gravação áudio do que se passa no interior do carro. Os ficheiros áudio podem ser consultados em caso de infracção ou queixa. O Governo ainda não sabe quantas infracções é que serão necessárias para que o taxista fique sem a sua licença de condução.

291

PAISANAS PASSIVOS

Tal como já tinha sido transmitido depois de um encontro entre o Governo

218 casos dizem

infracções foram

respeito a cobrança

registadas este ano

abusiva de tarifas

PROPOSTAS DO GOVERNO

Executivo propõe aumento das tarifas de táxis aos feriados

• Introdução de agentes à paisana

N

• Introdução de gravações áudio ou vídeo • Introdução de registos de trajectos • Cancelamento de licenças • Dar poder à PSP para multar • Aumentar tarifas em datas especiais

A apresentação da revisão do Regime Jurídico do Transporte de Passageiros em Automóveis Ligeiros de Aluguer (Táxis) outra das propostas do Executivo prende-se com a aplicação de tarifas mais altas em determinados dias. É o caso dos feriados. André Cheong, director dos Serviços para os Assuntos de Justiça, relembra que esta é uma das propostas que vai a consulta pública, mas ressalva que outras profissões tam-

bém praticam aumentos dos preços em datas especiais. André Cheong deu como exemplos a cobrança de taxas nos restaurantes no período do Ano Novo Chinês, ou os pagamentos extra feitos aos trabalhadores. “O transporte de táxis é diferente do transporte colectivo de passageiros e as suas receitas dependem das tarifas. Devíamos fixar uma tarifa justa, adequada e transparente, se não, as pessoas não querem ser taxistas. Queremos regulamentar

e sistematizar as tarifas de táxi”, admitiu o director da DSAJ. A actualização das tarifas de táxi não é feita de forma automática e o Governo prevê que a criação de um regime sistemático de actualização de tarifas pode ter efeitos positivos. “Tem que haver uma actualização periódica. Em Hong Kong existe esse regime, mas em Macau ainda não há”, frisou Wong Wan, director dos Serviços para os Assuntos de Táxi.


política 5

hoje macau segunda-feira 11.8.2014

SUSANA CHOU DIZ QUE DEPUTADOS DEVERIAM DEIXAR DE SER EMPRESÁRIOS QUANDO ASSUMEM FUNÇÕES

A dignidade é mais importante que a lei

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

A

ex-presidente da Assembleia Legislativa (AL) Susana Chou considera que quem é deputado deve dedicar-se inteiramente a esta função. Na última entrada no seu blog, Susana Chou dá como exemplo a sua situação e diz que, se há coisas que impedem um deputado de fazer bem o seu trabalho, então é melhor deixá-las.

Susana Chou admite que não é fácil tomar a decisão de sair de uma empresa, mas diz que é importante para manter a dignidade e a reputação pessoal

“Quando foi eleita presidente da AL, terminei imediatamente o meu trabalho de gestora na minha empresa. Durante dez anos na AL, apesar de regressar à empresa para fazer mudanças ao nível da morada, não entrei mais na companhia, nem perguntei sobre assuntos relacionados com a empresa”, assegura Chou. De acordo com a lei, só os altos cargos do Governo é que têm de deixar os seus cargos enquanto gestores ou administradores de empresas quando assumem funções, sendo que os deputados não têm de respeitar qualquer regime de

SUSANA CHOU REJEITOU EMPRESA DE RÁDIO-TÁXIS Susana Chou revela ainda que, durante a administração portuguesa, foi contactada para a possibilidade de criar um serviço de rádio-táxis, algo que a ex-presidente da AL não aceitou. “O Governo [da altura] tinha confiança na minha competência e capacidade, por isso sugeriu-me que passasse esta ideia para a prática. De facto, naquela época, estava administrar uma empresa, cujo negócio não estava a correr bem. Se aceitasse este convite, o negócio da minha companhia iria correr melhor”, explica, dizendo, contudo, que não aceitou esta ideia do Governo por

não ter experiência e por não querer atrair críticas. “O serviço de táxis é um serviço público. Eu não tinha nenhum conhecimento profissional e sou uma figura pública, numa sociedade tão pequena como Macau, iria receber muita atenção. Se gerisse esta empresa, qualquer decisão comercial iria ser alvo de críticas do público. Se este serviço público para toda a sociedade de Macau fosse criticado, a minha reputação iria ser destruída e o negócio também não iria ter sucesso. Por isso, desisti de uma oportunidade óptima para o meu negócio.”

CÔNSUL DE MOÇAMBIQUE EM MACAU EXPULSO DE PORTUGAL EM 1989

Não mexer em “coisas do passado” O diplomata escolhido por Moçambique para abrir um Consulado-Geral em Macau este ano foi expulso de Portugal em 1989 por presumível ligação ao caso do assassinato do ex-secretário-geral da Renamo. Episódio que Rafael Custódio Marques diz “pertencer ao passado”. “Escuso-me a comentar. Isso foi uma coisa do passado. Estou aqui no contexto das relações entre Moçambique e China”, afirmou em declarações à Lusa. O anúncio de que Rafael Custódio Marques vai ser cônsul-geral de Moçambique em Macau foi feito na segunda-feira pelo próprio à agência Lusa, tendo o diplomata explicado que o objectivo é “estrei-

tar relações de cooperação e empresariais”. Para Rafael Custódio Marques, a abertura do Consulado na RAEM reflecte “o crescimento das relações” entre Moçambique e a China, e “a importância” que o país africano dá a Macau. Em 1989, Rafael Custódio Marques era terceiro secretário na embaixada de Moçambique em Lisboa, tendo sido acusado pelas autoridades portuguesas de envolvimento no assassinato do secretário-geral da Renamo Evo Fernandes. O caso deu-se quando o autor confesso da morte, Xavier Chagas, garantiu que tinha recebido instruções do Serviço Nacional da Segurança Popular de Moçambique (SNASP), o

que levou a Polícia Judiciária a pedir ao Governo moçambicano o levantamento da imunidade diplomática do funcionário do SNASP que trabalhava na embaixada de Moçambique em Lisboa: Rafael Custódio Marques. O governo de Moçambique negou, no entanto, o pedido, aumentando as suspeitas das autoridades policiais sobre o envolvimento no assassinato de Evo Fernandes. Por causa da recusa moçambicana, Rafael Custódio Marques foi declarado “persona non grata” pelo ministério dos Negócios Estrangeiros a 17 de Março desse ano, como noticiou então a Lusa, sendo expulso do país. Um episódio que Rafael Custódio Marques prefere não

recordar, sublinhando antes as boas relações entre Portugal e Moçambique. “Não comento sobre isso, as relações entre Portugal e Moçambique são excelentes, o volume de cooperação vai crescendo de dia para dia e temos muitos portugueses a irem a Moçambique abrir empresas”, disse. O diplomata escusou-se a explicar as relações que mantém actualmente com Portugal, mas assegurou que já esteve “várias vezes em Portugal em funções de Estado”, a última das quais terá sido “há dois anos”. A Lusa contactou o ministério dos Negócios Estrangeiros português e a Polícia Judiciária, mas as duas entidades preferiram não adiantar pormenores sobre o caso. - Lusa

“Considero a AL não apenas um órgão com competência legislativa, também uma instituição importante de supervisão à administração do Governo. Embora a lei não regule que um presidente do hemiciclo [ou deputado] não possa participar em actividades comerciais, de facto, é impossível que [as pessoas] não tenham dúvidas se estamos a aproveitar os cargos para ter benefícios nas nossas próprias empresas.” Chou admite que não é fácil tomar a decisão de sair de uma empresa, mas diz que é importante para manter a dignidade e a reputação pessoal. “Durante dez anos, nunca me encontrei com nenhum dirigente do Governo por causa de assuntos pessoais”, escreve no seu blogue.

HOJE MACAU

CECÍLIA LIN

incompatibilidade. Algo que, para Susana Chou, deveria acontecer tendo em conta a relação entre os deputados, as leis e o Governo.

ANTÓNIO MIL-HOMENS

Susana Chou diz ser impossível as pessoas não terem dúvidas sobre se a existência de benefícios entre deputados e Governo, pelo que sugere que os membros do hemiciclo deixem de lado as empresas que gerem quando assumem funções

Wong Kit Cheng quer mais áreas desportivas nas escolas

A deputada Wong Kit Cheng apontou numa interpelação escrita que o novo Quadro da Organização Curricular das escolas obriga a que os alunos tenham mais 15 minutos diários de exercícios físicos, mas Macau não tem campos de desporto suficientes, critica a deputada. Wong Kit Cheng relembra que já viu escolas a reservar campos para realizar encontros desportivos com a antecedência de um ano que, mesmo assim, não conseguiram obter autorização por estes estarem saturados. A deputada quer saber se o Governo vai coordenar políticas com o Instituto do Desporto para que este liberte mais infraestruturas desportivas para a utilização das escolas e questiona ainda se a futura “vila de escolas” na zona A dos novos terrenos terá reservados lugares para construir campos para desporto. - F.F.


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SOCIEDADE

hoje macau segunda-feira 11.8.2014

SIN FONG RECONSTRUÇÃO NÃO AVANÇA POR FALTA DE CONCORDÂNCIA ENTRE PROPRIETÁRIOS

“A questão ainda não foi resolvida” isso”, começa por dizer ao HM. “E o Governo também nos abandonou. Disse, há cerca de um mês, que os proprietários de [fracções do] edifício que tenham outras propriedades não poderão pedir uma casa social, para alojamento temporário durante a reconstrução. No meu caso, como tenho outra casa além da do Sin Fong, poderei perder a oportunidade de morar numa casa social, quando, na realidade, aquela casa é para a minha mãe, porque não consigo ter mais gente no apartamento além da minha família [esposa e filhos]”, disse ao HM.

“SEM AJUDA”

Enquanto as regras não mudarem, vai ser impossível começar a reconstrução do Sin Fong Garden. Isso mesmo disse um proprietário ao HM, avançando ainda que estão a ser pedidas compensações pelos donos da loja do edifício e que o Governo não deverá permitir a todos o acesso a uma casa social temporária se a reconstrução do edifício finalmente acontecer CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

Q

UATRO meses depois de ter sido tomada uma decisão no caso do edifício Sin Fong Garden, não há ainda qualquer avanço na resolução do problema. Isso mesmo confirmou um proprietário de um apartamento no edifício, que optou por se manter no anonimato devido a receio de repercussões. O prédio – que foi evacuado em 2012 – continua vazio e selado,

sendo que o mesmo se passa com a loja no rés-do-chão. Agora, há três problemas que estão a preocupar os moradores: os proprietários da loja querem uma compensação que os moradores dizem não ter dinheiro para pagar, os proprietários assumem que não vão ter direito a habitação pública durante o tempo que o prédio estiver a ser reconstruído e essa reconstrução pode não vir a acontecer tão cedo, devido a discordâncias entre proprietários. O proprietário que falou ao HM pede uma alteração nos regimes vigentes, uma vez que, para

a reconstrução de um prédio, é preciso “reunir o consenso de todos os proprietários do edifício”, algo que ainda não aconteceu. “Só mudando a lei é que se pode resolver o problema, porque neste momento é impossível ter este consenso por inteiro”, frisa ao HM. “Na reunião com os proprietários do Sin Fong, em Maio, a maioria dos proprietários disse que queria fazer a reconstrução. Um proprietário de uma fração não manifestou a sua posição, nem os três proprietários da loja no rés-do-chão. Não mostrara apoio, mas também não disseram ser contra a reconstrução”, defende. Para alguns dos proprietários de apartamento, os donos da loja do rés-do-chão não quiseram assinar pela reconstrução porque “pediram compensação a mais pela sua renda mensal”. Algo que já está, segundo o morador e proprietário contactado pelo HM, a ser feito. Os moradores acusam ainda o Governo de ter deixado de assumir responsabilidades. “Os proprietários [da loja] pediram 300 mil patacas mensalmente em compensação da renda que não estão a receber, mas os pequenos proprietários não têm capacidade de pagar

“A sociedade considera que a questão do Sin Fong já foi resolvida, mas de facto não. O Governo, no início, disse-nos que o subsídio ia chegar até regressarmos a casa. Mas agora voltou a dizer que, como há vozes contra o abuso de dinheiros públicos, não nos pode ajudar [continuamente] sem data definida” PROPRIETÁRIO E MORADOR DO SIN FONG GARDEN

O proprietário e morador assegura que há mais proprietários nesta situação e acusa o Executivo de querer descartar-se da responsabilidade de alojamento. “Disseram-nos na reunião com os pequenos proprietários do Sin Fong, há cerca de um mês, que houve vozes na sociedade que se mostraram contra o Governo estar a ‘abusar do dinheiro público’. Portanto, disseram-nos que, por isso, vai ser retirado o direito de qualificação de alguns proprietários [a uma habitação social] no futuro. Ainda não nos foi retirado, mas vai ser.” Em Abril, o caso Sin Fong Garden viu um grande avanço, quando a Associação de Conterrâneos de Jiangmen e a Associação de Beneficência Tung Sin Tong anunciaram que iam financiar a reconstrução do prédio. Contudo, o edifício mantém-se vazio e os moradores não podem regressar a casa, sendo que não há sequer calendário para se avançar com a reconstrução do edifício. “A sociedade considera que a questão do Sin Fong já foi resolvida, mas de facto não. O Governo, no início, disse-nos que não precisávamos de estar preocupados, que o subsídio ia chegar até regressarmos a casa. Mas agora voltou a dizer que, como há vozes contra o abuso de dinheiros públicos, não nos pode ajudar [continuamente] sem data definida. Avisou-nos que vai parar alguma ajuda, qual só saberemos depois com mais detalhes”, contou ao HM. “Sofremos em silêncio.” Desde Outubro de 2012 que o problema se tem arrastado, depois de um relatório do Governo mostrar que o betão do edifício tinha má qualidade. Nunca se soube quem eram os responsáveis do problema, que levou o prédio a ser declarado como estando em risco de ruína. Desde que o caso começou, já morreram seis proprietários idosos.


sociedade 7

hoje macau segunda-feira 11.8.2014

FALTA DE MÃO-DE-OBRA NA ÁREA DA LIMPEZA FAZ PEDIR MAIS TNR

Os dez mil que faltam A política de não importação de TNR está a deixar o sector das limpezas preocupado. Segundo asseguram, a coisa está mesmo grave... FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com.mo

O

presidente da Associação Geral das Indústrias dos Serviços de Limpeza de Macau apontou que falta mão-de-obra para o sector da limpeza e apelou mesmo a que fossem contratados mais trabalhadores não-residentes (TNR) para esta área. Numa cerimónia da associação,

Chan Kin Ieng assegurou que há pelo menos 10 mil pessoas em falta no sector, pelo que “espera” mais TNR para colmatar essas falhas. Chan prevê que o sector tenha falta de 10 mil trabalhadores. O presidente referiu a falta de recursos humanos na área da limpeza já chegou a um estado “grave” e que as pequenas e médias empresas de Macau precisam de mais mão-de-obra, já que estão a ser afectadas nos negócios.

“Actualmente há milhares de trabalhadores [nesta] indústria, mas como os trabalhos são cansativos e não muito apreciados, os trabalhadores actuais precisam de prolongar o horário do trabalho até às 12 horas por dia”, aponta ao jornal Va Kio. “E o salário também não é alto, portanto o número de novos trabalhadores no sector é quase zero”, apontou o presidente da associação. O responsável diz ainda concordar com a Lei do Salário Mínimo para proteger os trabalhadores, recentemente apresentada, porém diz esperar que o Governo implemente outras políticas, mais relacionadas com a mão-de-obra, para que as PME das indústrias deste possam conseguir quotas suficientes de TNR, a par de medidas para encorajar os jovens a trabalhar no sector.

“Como os trabalhos são cansativos e não muito apreciados, precisam de prolongar o horário do trabalho até às 12 horas por dia” A falta de mão-de-obra local é um problema conhecido, mas são muitos os deputados que pedem ao Governo que aperte o cerco à importação de TNR, que acusam de roubar o lugar aos trabalhadores locais. Actualmente, as PME que pretendam contratar TNR têm um determinado número de vagas disponíveis, que só podem ser preenchidas se houver um determinado número de trabalhadores locais em funções na empresa. Isto tem levado a que muitas PME se queixem de não conseguir contratar mão-de-obra local e, consequentemente, TNR.

JOGO SANDS ACUSADA DE TENTAR IMPEDIR AS MANIFESTAÇÕES DE TRABALHADORES

Areias movediças O presidente da Forefront of the Macau Gambing (FMG), Ieong Man Teng, acredita que a operadora Sands China impediu funcionários de participar na manifestação de quinta-feira através de medidas administrativas internas, como por exemplo, condicionando locais e atribuindo tarefas à maioria dos funcionários nas horas da manifestação. Ieong acredita ainda que os responsáveis da empresa podem ter ameaçado os funcionários, assumindo que foi dito que “se estes participassem nas manifestações, teriam de assumir o resultado”. “A nossa associação começou a enviar cartas para a empresa mas nunca cosneguimos respostas concretas. Tentei também usar o meu próprio telemóvel para ligar para o departamento de recursos humanos, mas raramente consegui respostas. Quando outros números ligaram para o departamento, atenderam, mas disseram que [o assunto] era da responsabilidade dos directores”, explica Ieong, apontando criticas ao grupo por, segundo o próprio, “usar medidas frias e duras para tratar os funcionários”. Naquela que foi a segunda manifestação contra a Sands, os funcionários reivindicaram aumentos nos salários e melhores condições a nível de horários. Participaram cerca de 700 funcionários, número considerado

insuficiente para o presidente da FMG, que decidiu adiar uma greve agendada para sexta-feira para o próximo dia 28 de Agosto. Ieong esperava que a adesão atingisse os dois milhares de participantes. Apesar da ficar desapontado, o presidente acredita que, depois de algum debate com os funcionários, existirão novas actividades de protesto.

Ieong assegura ainda que já foram recebidos pedidos para novas manifestações contra outras operadoras Ieong assegura ainda que já foram recebidos pedidos para novas manifestações contra outras operadoras. A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, a par das operadoras como a Sands e a Galaxy, já asseguraram que vão ouvir as opiniões dos funcionários, mas Ieong diz que o organismo do Governo “é fraco” e só ouve as empresas de jogo. A acções dos casinos de Macau estiveram em queda na Bolsa de Valores de Hong Kong. - F.F.


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hoje macau segunda-feira 11.8.2014

Estádio da UM pode abrir ao público

O Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U, admitiu ontem que o Governo está a estudar se é adequado transformar o estádio da Universidade de Macau (UM) numa instalação desportiva aberta ao público, a fim de aliviar a pressão da falta de espaços desportivos em Macau. “Isso é uma das opções para o uso de estádio. Podemos construir mais estacionamento para o público. Mas tudo isso não tem ainda uma conclusão final”, disse à rádio chinesa. Entretanto, Cheong U voltou a afirmar que antigo campus da UM não vai ser utilizado para fins comerciais, sendo que vai ser utilizado para a área da educação, estudo e cultura. Segundo a rádio chinesa, Cheong U não respondeu directamente se o uso do antigo campus da UM vai ser alvo de consulta pública.

Detidos suspeitos de fuga aos impostos

As autoridades de Zhuhai detiveram três homens da China por fuga aos impostos no valor de 1,2 milhões de patacas. Os suspeitos compraram produtos alimentares em lojas de recordações de Macau, transportando-as para Zhuhai através das Portas do Cerco, onde montaram um negócio online que valia 16 milhões de yuan.

Seguros Macau acolhe congresso mundial

Macau foi a região escolhida para acolher, em 2016, a 11ª edição do Congresso Mundial de Profissionais Chineses de Seguros de Vida e a Conferência Anual do Prémio Dragão Internacional. A edição anterior do evento teve lugar entre quinta-feira passada e ontem, na cidade chinesa de Xiamen. As actividades integradas no congresso e na conferência são certificadas pela Associação Internacional de Congressos e Convenções e prevê-se que estejam presentes mais de cinco mil pessoas do sector. É a segunda vez que a realização dos eventos está pensada para acontecer no território, tendo a estreia sido em 2001, quando contou com mais de mil pessoas.

Educação Associação Sin Meng abre mais uma creche

A

Associação de Beneficência Sin Meng vai abrir mais uma creche em Outubro, no edifício Riviera, na Barra. A presidente da associação, Melinda Chan, disse, na passada sexta-feira que a quota total da creche é de 300 vagas, mas neste momento apenas recrutam 160 alunos. A também deputada disse ainda que 20% das vagas estão reservadas para famílias vulneráveis, ou seja, famílias monoparentais e com crianças portadoras de deficiência. “Penso que há mais do que cinco mil crianças à

procura de uma creche”, disse Melinda Chan, depois de afirmar que recebeu 1070 pedidos para as vagas que a nova creche disponibiliza. “A renda é tão alta em Macau. O que o Governo pode fazer é, se houver mais habitação pública, disponibilizar espaços para as associações que querem abrir creches, ou para alguém que queria abrir a própria creche”, explicou a deputada, ao referir que o Executivo deveria ter um papel activo no aumento do número de creches em Macau. - F.F.

Economia Mais cartões de crédito

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número de cartões de crédito emitidos pelas entidades financeiras de Macau aumentou 14,9% para 796.855 unidades no segundo trimestre do ano, face ao mesmo período de 2013. De acordo com dados disponibilizados pela Autoridade Monetária de Macau, no final de Junho estavam em vigor 566.883 cartões de crédito em patacas, 81.173 em dólares de Hong Kong e 148.799 com pagamentos em yuan, números que, respectivamente, traduzem

aumentos de 13,8%, 9,5% e 22,7%. O limite dos cartões de crédito emitidos por instituições de Macau subiu 27,8% em termos anuais no segundo trimestre para 15.696 milhões de patacas. Já o crédito utilizado no período em análise foi de 3,9 milhões de patacas ou mais 18,8% do que no trimestre homólogo de 2013. No final do primeiro trimestre deste ano - o último dado oficial estatístico da população - residiam em Macau 614.500 pessoas.

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INSCRIÇÕES PARA AS PROVAS DO 61.º GRANDE PRÉMIO DE MACAU Início das inscrições: 11 de Agosto de 2014 Fim das inscrições: 12 de Setembro de 2014

Edifício do Grande Prémio

Em relação aos Regulamentos Desportivos das corridas, favor de redigir à Página Electrónica do Grande Prémio de Macau: www.macau.grandprix.gov.mo

Horário de funcionamento: De Segunda-feira a Sexta-feira, das 09:30h às 13:00h, 14:30h às 18:30h. (excepto aos Sábados, Domingos e feriados Públicos)

Local das inscrições: Associação Geral de Automóvel de Macau - China Avenida da Amizade, n.° 207,

Para informações poderá ligar para o seguinte número de telefone: (853) 28726578

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hoje macau segunda-feira 11.8.2014

A

grande maioria das pessoas que procuraram emprego no primeiro semestre de 2014 tinha mais de 45 anos. De entre os mais de três mil desempregados registados em Macau, apenas 15% completou o ensino superior. A profissão que mais concorrentes junta é a de empregado administrativo. Estes são dados anunciados pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), registados durante os primeiros seis meses deste ano. A DSAL recebeu 3002 pedidos de emprego e 48% das pessoas à procura de trabalho tinham entre 45 e 59 anos, sendo que apenas 15% eram licenciados ou tinham o grau de bacharelato. De acordo com dados do serviço, em Junho, quase duas mil pessoas continuavam desempregadas, sendo que 1224 arranjaram trabalho durante os primeiros cinco meses de 2014. Empregados administrativo, de casino e de limpeza encontram-se entre as profissões mais requeridas,

TRABALHO MAIORIA DOS DESEMPREGADOS SEM CURSO SUPERIOR E COM MAIS DE 45 ANOS

Quando a idade marca a hora

juntamente com a de vendedor, segurança e porteiro. Os ordenados mensais mais requisitados situam-se entre as 7419 e as 14513 patacas. Foram, contudo, as profissões de empregado de mesa e de limpeza, assentador de tijolos, vendedor e electricista que mais pessoas empregaram, com ordenados entre as 6062 e as 12482 patacas por mês. Os mesmos dados revelam ainda que mais de metade dos requerentes possuíam ensino secundário (54%), seguindo-se aqueles com ensino primário ou inferior e os cidadãos com mestrado, que contavam apenas 1% dos desempregados que efectuaram pedidos à DSAL até Junho passado. De entre os mais de três mil requerentes, 32% tinha entre 25 e 44 anos, enquanto 10% tinha mais de 60 e menos de 25 anos. - L.S.M.

Ébola Controlo abrange cidadãos oriundos da Nigéria

“A

TENDENDO à gravidade da epidemia do vírus de ébola” o controlo sanitário do vírus ébola foi estendido a passageiros portadores de passaportes da Nigéria, segundo afirmam

os Serviços de Saúde em comunicado. Depois de confirmados casos de pessoas infectadas, o país junta-se agora à Guiné Conacri, Libéria e Serra Leoa, países já con-

templados pelo controlo sanitário. Assim sendo, os visitantes que queiram entrar em Macau serão alvo de uma consulta e avaliação do estado de saúde. Segundo dados apresentados pelos SS, entre sexta e sábado entraram em Macau quatro indivíduos provenientes da Guiné, da Libéria, de Serra Leoa e da Nigéria, mas nenhum deles apresentava sinais do vírus. A Organização Mundial de Saúde declarou na semana passada emergência internacional por surto do ébola.

Aleitamento materno com aumento de mais de 30%

A

taxa de aleitamento materno aumentou mais de 30% nos últimos dez anos, segundo confirmam os Serviços de Saúde (SS). Um plano de reforço na promoção do aleitamento materno tem sido levado a cabo pelos SS desde 2004, conforme indica a entidade em comunicado. Dez anos passados e os resultados são agora divulgados. A taxa de

aleitamento materno, registado nos centros de saúde, aumentou de 55%, em 2003, para 86,7% em 2013, um aumento de mais de 30%, resultado “satisfatório” para os SS. Várias medidas de promoção têm sido levadas a cabo pelos SS, para tentar que as mães de Macau decidam amamentar os filhos, algo que não é comum no território.

GOTAS PARA OS OLHOS CONTAMINADAS • As gotas “Spersallerg Eye Drops”, produzidas pela Novartis, podem estar sob o risco de contaminação cruzada por matérias-primas. Por esta razão, o fabricante, decidiu recolher voluntariamente o referido medicamento, sendo que os Serviços de Saúde de Macau apelam a que o produto não seja utilizado, tendo já ordenado a recolha do mercado.

Gabinete de Ligação na internet

O

Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM anunciou a semana passada a criação de um portal na internet. O novo site tem por objectivo “divulgar amplamente as orientações de ‘Um país, dois sistemas’, aprofundar as ligações com a sociedade de Macau, promover os intercâmbios e cooperações entre Macau e o interior da China, servindo melhor a população”, segundo um comunicado distribuído por aquele órgão. A morada é www.zlb.mo ou www.zlb.gov.cn.


EVENTOS

hoje macau segund

TRAVIS PASTRANA, CRIADOR DO NITRO CIRCUS

E é muito fixe para mim, porque a minha esposa – que há pouco tempo partiu um braço – também essa paixão e vamos juntos [em tour]. Não podia esperar por nada melhor do que criar a minha filha neste ambiente.

Travis Pastrana tem tantas medalhas de ouro em desportos radicais, como fracturas. O responsável pelo Nitro Circus Live, um dos maiores espectáculo de ‘stunts’ e ‘freestyle’, esteve em Macau e contou-nos um pouco do que o fez dedicar-se a esta vida

Então não é complicado partir em tournés. Não, é a melhor parte.

“Vivo sempre com paixão” Quando é que começou, sozinho, a fazer estes ‘stunts’? Comecei a conduzir motas quando tinha quatro anos... Durante toda a vida me dediquei a correr e a desafiar os limites. Mas, eu sempre fui aquele que tentava os maiores saltos. Sempre gostei de me mostrar (risos). Gosto de estar no ar e quando o ‘freestyle’ apareceu, esse foi o meu desporto de eleição. Tinha muito mais sucesso nessa área.

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

Como é que surgiu o Nitro Circus? O Nitro Circus surgiu, na verdade, no meu quintal. (risos) Foi uma espécie de brincadeira, uma ideia em juntar amigos que se desafiam. Até agora, nada realmente mudou, excepto os locais onde apresentamos o espectáculo, que ficaram maiores, os truques, que ficaram maiores, as rampas, que ficaram maiores... A mentalidade, essa, continua a mesma. Alguma vez pensou que essa brincadeira se transformasse num espectáculo deste género e que fizessem tours à volta do mundo?

Sempre sonhamos que seríamos capazes de viajar pelo mundo fora, a fazer o que amamos. Mas, nunca pensamos que iria realmente acontecer.

Rally, Nascar, motocross, bicicletas... Fez de tudo um pouco. Qual destes é o seu favorito? Eu adoro o desafio. Adoro. E sempre que há um grande desafio para mim, é o que gosto de fazer. Adoro acordar de manhã com essa paixão.

Qual o segredo para atrair tanta gente a espectáculos como este, do Nitro Circus? Quanto mais interactivos somos no espectáculo, mais energia transmitimos ao público. E a parte melhor disso é que a audiência faça cada vez mais barulho. Nos nossos espectáculos temos uma primeira metade que vai construindo curiosidade – todos os ‘freestylers’ fazem algo que nunca fizeram antes. O público vem aos espectáculos porque não sabe o que vai acontecer... vamos tentar? Vamos conseguir aterrar? Não se sabe. Mas sabem que vão ver muitos tombos e coisas que nunca viram antes. Qual é o seu lema de vida? Diria que é, se quer fazer algo, faça-o. Viva sempre com paixão. Nunca conseguiria ter um trabalho pelo qual não fosse apaixonado e, felizmente, tenho essa sorte.

GRAVURAS DE ANITA FUNG, WU LICHANG, WU YONGXIN E LIN WANMEI NA FUNDAÇÃO RUI CUNHA

Aprendizagem, transmissão e outros temas A ção de muitos estudantes de arte em gravuras. Esta exposição traz ao público as diferentes formas e conteúdos escolhidos pelos alunos de Anita na utilização das técnicas aprendidas, com a finalidade de sublinhar o elo entre “aprendizagem” e “transmissão”. A exibição inclui gravuras de encavo, xilogravuras e litogravuras. As mais recentes obras de Anita Fung, em conjunto com trabalhos antigos, podem ser vistas como metáfora e abordagem filosófica

da existência humana. Os trabalhos da artista recorrem à utilização de imagens de flores e insectos, e formas surrealistas, para retratar os enigmas e a vaidade do Homem. O entrelaçamento de pontos e linhas é o ponto fulcral nas obras de Wu Lichang e reflecte os diferentes estados emocionais do dia-a-dia, constituindo um registo das emoções pessoais da artista. Já na série de xilogravuras intitulada “Memória”, a

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O CRIADO SECRETO • Daniel Silva Gabriel Allon é chamado para mais uma missão: ir a Amesterdão estudar os arquivos de um analista de terrorismo que acabou de ser assassinado. Chegado à cidade, Gabriel descobre contudo uma conspiração de terror no submundo islâmico e que tem Londres como alvo. A filha do embaixador americano é raptada e corre perigo de vida. Ao tentar salvá-la, Gabriel torna-se também um alvo dos terroristas.Ainesperada aliança que forma com um homem que perdeu tudo devido à sua devoção ao Islão leva Gabriel a questionar a moralidade das tácticas que usa e a arriscar a própria vida.

artista Wu Yongxin recupera de forma intensa algumas memórias da infância, junta vários fragmentos de recordações e exterioriza emoFRC

Galeria da Fundação Rui Cunha inaugura no dia 13 de Agosto, pelas 18:30, a exibição “Legado – Gravuras de Anita Fung, Wu Lichang, Wu Yongxin e Lin Wanmei”, organizada pelo Centro de Investigação de Arte das Gravuras Internacional de Macau. Anita Fung ocupa os cargos de professora associada/ coordenadora da Escola Superior de Artes do Instituto Politécnico de Macau há 17 anos. Durante este período foi responsável pela forma-

NITRO CIRCUS VO VENETIAN

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ções genuínas de um modo abstracto. O trabalho de Lin Wanmei, “Parasitismo”, foi inspirado pelos ecossistemas

e serve de tributo a todos os seres vivos únicos do universo. Segundo a organização, estes quatro artistas “dotados de qualidades técnicas de gravura avançadas” partilham um sonho comum, que se traduz no entusiasmo e forma inovadora como abordam o desenvolvimento da arte das gravuras em Macau. Através dos seus trabalhos. pretendem incentivar à discussão sobre o equilíbrio entre a impressão e a imagem, numa incessante procura por novos conceitos para as suas expressões artísticas. O evento tem entrada livre e está aberto diariamente, excepto aos domingos, até ao dia 30 de Agosto.

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

MAQUIAVEL & HERDEIROS • Diogo Pires Aurélio O nome de Maquiavel anda intimamente associado, na linguagem comum e em boa parte da bibliografia especializada, ao início da modernidade, essa nova faceta em que o realismo e a «razão de Estado», pela primeira vez, teriam irrompido na história. A perspectiva a partir da qual o presente volume sugere a persistência de uma herança de Maquiavel, perpetuada até aos nossos dias, pouco ou nada tem a ver com essa tradição. […] Maquiavel não é Bodin, nem Hobbes. Se, por conseguinte, de herdeiros de Maquiavel se pode falar com alguma pertinência, não é porque ele haja antecipado as teorias do Estado, muito menos as do Estado-nação […]; é, sim, porque a fractura por ele produzida na história do pensamento político é, de algum modo, insanável e se faz irremediavelmente sentir, mesmo em formulações da política as mais avessas ao maquiavelismo.


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OLTA AO VENETIAN • Nitro Circus veio pela segunda vez ao território para mostrar o que de mais louco se consegue fazer em cima de uma mota ou bicicleta. Com estrelas como Aaron Fotheringham – único no mundo a fazer saltos de cadeira de rodas – e Adam Jones, considerado o “melhor do planeta” em cima de uma motocross, o espectáculo trouxe surpresas ao público de Macau: saltos mortais com duas pessoas numa bicicleta, saltos mortais com quatro pessoas em motas e saltos em trontinetes, carrinhos da barbie e até uma banheira. Veja as entrevistas ao vivo no Facebook do HM.

YUNDI LI ACTUA NO VENETIAN NO DIA 15

O “Chopin da China” N

O dia 15 de Agosto, o Venetian recebe um concerto de Yundi Li, que faz parte da “Emperor Fantasy China Tour” do artista. Segundo a organização, Yundi lança em Macau a sua tournée pela China, após ter completado a digressão europeia, que incluiu 21 espectáculos em 16 países diferentes nos últimos dois meses. Esta tournée vem em seguimento da “China Piano Dream” de 2013, sendo que o artista espera interagir com o público e promover a música clássica em novas fronteiras, de maneira a introduzi-la a uma audiência cada vez maior. Yundi Li é conhecido como o “Príncipe do Piano” e usa a sua música para exprimir temas como a introspecção, a inovação artística e os sucessos da vida. No ano 2000 ganhou a “Competição Internacional de Piano de Chopin”, vindo posteriormente a ser conhecido como a encarnação de Chopin no universo da música clássica chinesa. Contudo, o artista também toca temas de muitos outros compositores, como Schumann, Liszt, Beethoven, Ravel e Prokofiev. “Toda a gente está muito impressionada com as minhas rendições de Chopin e apesar dele ter uma

música muito inclusive, com abertura e muita força, quero salientar que também tenho estado a estudar muitos outros compositores de modo a desafiar os meus próprios limites”, frisa Yundi Li. Os bilhetes custam entre 280 e 1280 patacas cada e o espectáculo começa às 20h00.


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N

CHINA

O minúsculo Luxemburgo, antigos castelos e igrejas coabitam com edifícios com fachadas de vidro reluzentes, as modernas catedrais de um sector financeiro que vem beneficiando da proximidade do grão-ducado com algumas das maiores economias da Europa. Hoje a pequena nação de meio milhão de habitantes tenta posicionar-se no centro de uma nova tendência nas finanças globais: o uso crescente do yuan, a moeda chinesa, fora do seu mercado doméstico. No primeiro trimestre, por volta de 18% das operações do comércio exterior chinês, de US$ 4 mil milhões anuais, foram feitos em yuan, segundo o HSBC Holdings PLC, que calcula que essa percentagem subirá para cerca de 33% no próximo ano. A possibilidade de ganhar biliões de euros em taxas por transacções e serviços financeiros disparou uma verdadeira corrida para ver qual país se tornará o principal centro mundial de negócios com yuan fora da China. “Ainternacionalização do yuan é um dos grandes eventos, se não o maior evento, desde a criação do euro, em termos monetários. É potencialmente algo enorme e por isso queremos estar posicionados para esse mercado”, disse o ministro da Fazenda de Luxemburgo, Pierre Gramegna, numa entrevista ao The Wall Street Journal. Como os seus concor-

hoje macau segunda-feira 11.8.2014

NA UNIÃO EUROPEIA, PAÍSES DISPUTAM MOEDA CHINESA

Yuan, meu amor

Dizem que é o maior acontecimento monetário desde o aparecimento do Euro. A emergência do yuan, como moeda internacional, está a deixar loucos os mercados europeus rentes de Londres, Paris, Frankfurt e outros centros financeiros, gestores de fundos, autoridades reguladoras e políticos do Luxemburgo têm liderado grandes iniciativas para atrair o poder financeiro da China para o país. Até o príncipe Guillaume, de 32 anos, herdeiro do grão-ducado, participou desse esforço, acompanhando uma delegação à China em Dezembro.

“A China é cada vez mais importante, a sua moeda é cada vez mais importante, e Londres precisa fazer parte disso” MARK BOLEAT Presidente executivo do City of London Corp

Funcionários da Bolsa de Luxemburgo têm alfinetes de lapela com as duas bandeiras, a de Luxemburgo e a da China, para usar em eventos comemorativos das emissões de títulos de dívida em yuans, que atingiram 30,6 mil milhões de yuans em volume quando o Banco da China Ltd. captou 1,5 mil milhões de yuans, em Maio. Na Associação da Indústria de Fundos de Luxemburgo, cartazes e folhetos informativos foram traduzidos para mandarim. Firmas locais de advocacia e contabilidade e até mesmo o órgão regulador financeiro, o CSSF, estão à procura de profissionais que falem chinês. Os esforços já começam a dar frutos. Numa missão comercial neste mês, a China assinou vários acordos que devem levar à fundação, no Luxemburgo, de um banco de compensação em yuans e trazer mais fundos, títulos e acções vinculados à China para o país.

Em paralelo, três dos seis maiores bancos chineses, incluindo o China Construction Bank Corp. , abriram escritórios na área que os habitantes do Luxemburgo chamam de “mini Wall Street”, e outros dois anunciaram planos semelhantes nas últimas semanas. “Começamos com aquilo que conhecemos bem, bancos para empresas, e depois, gradualmente, vamos expandir para diferentes áreas, como bancos privados, gestão de activos e outras áreas bancárias”, diz Suosheng Li, director das operações europeias do CCB. O Luxemburgo terá que competir com centros financeiros muito maiores para explorar o potencial da moeda chinesa. Em Junho, o MNE do Reino Unido, George Osborne, sediou o primeiro fórum financeiro Reino Unido-China, em Londres, conseguindo fechar acordos com o primieor-ministro chinês Li

Keqiang para iniciar a negociação directa entre a moeda britânica e a chinesa, além de licenças para gestores de fundos britânicos investirem directamente nos mercados da China. A chanceler alemã Angela Merkel, numa visita à China este mês, ganhou uma quota para os investidores alemães entrarem nos mercados chineses de acções e títulos, além de acordos comerciais de bens industriais. Paris também obteve um banco de compensação em yuans, além das quotas para investidores já existentes, e a Suíça assinou uma linha de swap com o banco central chinês este mês, como um primeiro passo para conectar os sectores financeiros dos dois países.

18%

das operações do comércio externo chinês foram feitas em yuans

“A China é cada vez mais importante, a sua moeda é cada vez mais importante, e Londres precisa fazer parte disso”, diz Mark Boleat, presidente executivo do City of London Corp., órgão que lidera as iniciativas do Reino Unido e dá assessoria ao Tesouro. Ele acrescenta que os bancos chineses provavelmente também vão expandir-se no Reino Unido,

mesmo se o país não for a sua sede oficial na Europa. A iniciativa do Luxemburgo promete oferecer um mínimo de burocracia e um governo favorável aos negócios, num país onde a indústria de serviços financeiros é a maior contribuinte para o PIB, com 25% no ano passado. Os executivos do CCB dizem que mais investimentos chineses serão realizados no pequeno grão-ducado. A economia de Luxemburgo é relativamente pequena se comparada com as vizinhas França e Alemanha, mas não deixa a desejar quando se trata de serviços financeiros. Estruturas fiscais eficientes e um grande número de profissionais de finanças já atraíram 2,82 biliões de euros em activos de fundos de todo o mundo desde que o sector decolou no país nos anos 80 — o nível mais alto fora dos Estados Unidos, segundo Mark Saluzzi, presidente da Associação da Indústria de Fundos de Luxemburgo. Agora que a China dá passos para internacionalizar totalmente sua moeda, Luxemburgo quer se tornar um centro para depósitos e investimentos chineses no exterior. “Sabemos que ainda vamos ter que viajar muitas vezes mais para a China para mostrar-lhes o que podemos oferecer”, diz Saluzzi. “Mas vamos conseguir fincar o pé no mercado chinês.” - The Wall Street Journal


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hoje macau segunda-feira 11.8.2014

GOVERNO CONSTRÓI FARÓIS EM ILHAS DISPUTADAS COM VIETNAME

Segundas intenções? A China confirmou planos para construir cinco faróis nas ilhas Paracel, arquipélago disputado com o Vietname, apesar de protestos dos Estados Unidos e outros países vizinhos, informou na sexta-feira o diário de Hong Kong South China Morning Post. O Centro de Navegação do Mar do Sul da China, onde se situam as ilhas, anunciou

que após vários meses de investigação decidiu começar a construção de quatro das cinco estruturas, apesar dos protestos do ministério dos Negócios Estrangeiros vietnamita, que reivindica a soberania “indisputável” do Vietname sobre as ilhas Paracel. A instalação de uma plataforma petrolífera chinesa em águas próximas das ilhas, em Maio, desencadeou várias tentativas de navios vietnami-

tas de impedir a construção, sendo mais tarde repelidos por embarcações chinesas. Este conflito foi acompanhado por várias manifestações anti-China em diversas cidades vietnamitas, onde foram atacadas empresas chinesas e morreram pelo menos quatro pessoas. Analistas citados pelo South China Morning Post interpretam a decisão de Pequim como mais uma demonstração

ESTADOS UNIDOS QUEREM DIMINUIR TENSÕES NO MAR DO SUL DA CHINA O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, pediu à China e aos seus vizinhos para tomarem medidas para aliviar as tensões relacionadas com disputas em águas asiáticas. Actividades recentes de diversos países - principalmente da China em áreas disputadas elevaram os receios de um possível confronto, de uma destabilização na Ásia e no Pacífico e de interferências com o comércio marítimo internacional. “Temos que trabalhar juntos para gerir as tensões no Mar do Sul da China de forma pacífica e com base na lei internacional”, disse Kerry, durante uma reunião de ministros asiáticos em Myanmar, que incluía representantes do Brunei, Malásia, Filipinas e Vietname. Kerry adiantou ainda que “os Estados Unidos e os membros da ASEAN têm uma responsabilidade

conjunta de assegurar a segurança de vias marítimas e de portos com importância global”. Neste sábado, as Filipinas, aliadas dos EUA, apresentam uma iniciativa para acabar com as actividades que estejam a contribuir para as tensões. “As tensões no Mar do Sul da China pioraram nos últimos meses e continuam a deteriorar-se”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros filipino, Albert del Rosario. “Todos estamos a ver um padrão de comportamento agressivo e acções provocativas no mar, ameaçando a paz, a segurança, a prosperidade e a estabilidade na região.” O plano filipino pede ainda uma rápida conclusão para o adiado código de conduta dos países, adiantando que as disputadas devem ser resolvidas de acordo com a Lei Marítima das Nações Unidas.

de força chinesa nas ilhas Paracel, que estão sob domínio da China desde uma vitória da marinha chinesa sobre o Vietname do Sul em 1974. Vários governos, como os Estados Unidos e as Filipinas, que mantêm disputas territoriais com a China sobre o arquipélago das Spratly, também no Mar do Sul da China, pediram a Pequim uma paragem temporária dos projectos de construção nas ilhas de modo a dar tempo para negociações. Segundo o governo chinês, o único objectivo do projecto é melhorar a navegação civil na área, devido à escassez de mapas detalhados da zona em disputa.

GLAXOSMITHKLINE BRITÂNICO CONDENADO A PRISÃO POR CORRUPÇÃO

Informações demasiado privadas A China condenou a dois anos e meio de prisão por espionagem um investigador britânico anteriormente ligado à companhia farmacêutica britânica GlaxoSmithKline (GSK), informa a Agência France Press. Peter Humphrey e sua esposa, a americana Yu Yingzeng, foram contratados para investigar a origem de um vídeo sexual envolvendo o principal dirigente da GSK na China, pouco antes de a firma ser acusada de pagar subornos. A GSK, acusada de ter subornado funcionários, firmas do sector farmacêutico, directores de hospitais e médicos para estimular a venda dos seus produtos no país, admitiu em 2013 que alguns de seus dirigentes violaram a lei chinesa e prometeu acabar com essas práticas. Peter Humphrey foi condenado por “obter ilegalmente informação privada”. O tribunal de Xangai condenou o consultor de riscos britânico a pena de prisão, mas o casal também foi condenado a pagar 150 mil yuan. Os dois têm cinco dias para apelar da sentença, depois do julgamento que foi realizado durante cerca de 15 horas. O processo estará vinculado ao escândalo por suposta corrupção da britânica GSK, acusada no ano passado, junto a

outras multinacionais farmacêuticas. A empresa de consultoria de Humphrey, ChinaWhys, foi contratada pela GSK para investigar o funcionário que filtrou os e-mails que originaram o escândalo. As autoridades chinesas acusam o britânico e a esposa, detidos desde 11 de Julho de 2013 e com acusações desde Agosto desse ano, de obter ilegalmente 256 documentos que incluem desde números de telefone a cartões de identidade ou documentos de viagem. Humphrey assegurou que tanto ele, como a sua mulher só cumpriram as suas funções dentro da empresa que são, disse, “investigar desmoralizações internas, fraudes e ajudar a cultivar um bom ambiente de trabalho”. Três ex-executivos da GSK, entre eles o britânico Mark Reilly, que pediu à companhia de Humphrey que iniciasse a investigação, foram acusados de corrupção em Maio. O escândalo da GSK é o maior de corrupção no qual se vê envolvida uma companhia estrangeira na China, desde as investigações contra a gigante mineira Rio Tinto em 2009, que terminaram com penas de prisão de entre 7 e 14 anos para quatro executivos.

Tibete Acidente de autocarro causa 44 mortos e 11 feridos

Um autocarro caiu, no sábado, num vale, no Tibete, depois de ter embatido em dois veículos, provocando pelo menos 44 mortos e 11 feridos, anunciou a agência de imprensa oficial Nova China. “O autocarro de 55 lugares que transportava 50 pessoas caiu de uma altura superior a 10 metros depois de embater num veículo de material desportivo e numa carrinha de caixa aberta”, noticiou a agência, citando o governo regional. Outras cinco pessoas seguiam nos outros veículos envolvidos no acidente, que ocorreu pelas 16:25 locais, no condado de Nyemo, a oeste da capital, Lhasa, na Região Autónoma do Tibete, governada pela China. Os passageiros do autocarro eram sobretudo turistas do leste da China. Os feridos foram transportados para os hospitais de Lhasa e não correm perigo de vida, indicou a Nova China. Fotografias colocadas na página da Internet da agência mostram equipas de socorro no autocarro, que capotou e ficou de rodas para o ar. Os acidentes de viação fatais são um problema grave no continente, particularmente envolvendo os muitas vezes sobrelotados autocarros de longo curso do país. Em Agosto de 2012, pelo menos 36 pessoas morreram quando um autocarro de dois andares embateu na traseira de um camião-cisterna carregado com metanol, explodindo em chamas no norte da China.

Economia Inflação subiu para 2,3% em Julho

O Índice de Preços no Consumidor (IPC) da China, um dos principais indicadores da inflação, subiu para 2,3% em Julho, mantendo-se estável em relação ao mês anterior, anunciou no sábado o Gabinete Nacional de Estatísticas da China. O IPC cresceu igualmente 2,3% nos primeiros sete meses do ano, em comparação com igual período de 2013, informa um comunicado oficial. O valor está abaixo dos “cerca de 3,5%” preconizado pelo Governo Central para o conjunto do ano. Os preços dos alimentos, que respondem por cerca de um terço da ponderação no cálculo do IPC, cresceram 3,6% em termos anuais, em Julho, e 3,7% em relação a Junho. No mês passado, a inflação cresceu 2,4% nas áreas urbanas, acima dos 2,1% registados nas áreas rurais, segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas da China.

Ébola China concede ajuda

O Governo Central anunciou na sexta-feira o envio de 30 milhões de yuan para a Serra Leoa, Libéria e Guiné Conacri, os três países mais afectados pelo vírus Ébola, revelou a agência Xinhua. A ajuda consiste principalmente em equipamento de protecção para pessoal médico, medicamentos e aparelhos de monitorização de pacientes, explica uma nota do Ministério do Comércio, mas o continente também enviou especialistas para os três países, onde vão dar formação. O anúncio de sextafeira integra o segundo pacote de ajuda da China para a região da África Ocidental depois de, em Maio, Pequim ter enviado ajuda de 1 milhão de yuan. Cerca de 20 mil cidadãos chineses vivem na Libéria, Serra Leoa e Guiné Conacri, referem dados do Ministério do Comércio da China. O surto de Ébola na África Ocidental já infectou 1711 pessoas, das quais 932 morreram, de acordo com o mais recente balanço divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A febre hemorrágica provocada por este vírus é uma doença infecciosa grave identificada pela primeira vez em 1976, na República Democrática do Congo (antigo Zaire) perto do rio Ébola. A doença transmite-se por contacto directo com o sangue, secreções de órgãos ou fluidos corporais de pessoas infectadas. A incubação da doença pode levar até 21 dias e a mortalidade varia entre 25% e 90%, dependendo da estirpe.


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Ramiro Teixeira

MÁRIO SAA

BREVE EVOCAÇÃO SOBRE UM POETA ESQUECIDO

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E seu nome completo, Mário Pais da Cunha e Sá, fez estudos superiores em Lisboa e Coimbra, sem, todavia, concluir qualquer curso, apesar de na condição de estudante se manter até perto dos 34 anos. Nasceu nas Caldas da Rainha a 18/6/1893 e faleceu em Ervedal, Avis, em 23/1/1971. Muito dado a fantasias especulativas, deu-nos a conhecer “A Invasão dos Judeus” (1925) e “As Memórias Astrológicas de Camões” (1940), com as quais colheu mais celebridade pelas polémicas que desencadeou do que por direito lhe caberia através de outros textos, principalmente poéticos e reflexivos, de que recordo, nesta última vertente, o “Evangelho de S. Vito” (1917) e “A Explicação do Homem” (1928), de nítidas influências nietzchianas, etc. No caso primeiro, distinguiu-se Mário Saa por uma espécie de racismo biológico, enquanto adversário das conversões forçadas perpetradas em Portugal a partir do reinado de D. Manuel I, as quais, em seu entender, haviam misturado o que era naturalmente diverso. A partir deste pensamento, digamos que se entreteve a localizar e a vislumbrar judeus por todo o lado no aparelho de Estado, bem como entre as personalidades mais proeminentes do país, desde os políticos aos escritores, passando pelos empresários, banqueiros e por toda a sorte de intervenientes com destaque no que quer que fosse! Uma verdadeira e disparatada fobia, só comparável com a de Hitler, que considerava todos os dirigentes bolchevistas judeus! Produto de uma época farta em assomos de ser e de protagonismos, ainda que nem sempre consistentes e identificados com um propósito renovador, publicitário e modernista, teve assento nas mais importantes publicações do nosso modernismo, nomeadamente em “Athena”, “Contemporânea”, “Revista”, de que foi um dos principais financiadores, e “Presença”, onde deixou vasta colaboração e onde deu a conhecer uma “tábua bibliográfica” sobre a sua pessoa, (n.º 19, Fevereiro/Março, 1929) entre outras publicações, celebrando amizades com Pessoa, Almada, Botto, Raul Leal, Augusto Ferreira Gomes, Régio, etc. De Régio, justamente, assinala-se no número da “Presença” acima indicado, uma

longa recensão a propósito de “A Explicação do Homem”, na qual este profere: “Mário Saa enche o seu livro de alucinantes intuições, de aforismos cintilantes, de observações e reflexões tão inesperadas quão profundas ou de hipóteses meramente engenhosas, ou de cadeias de razões que se desenvolvem em círculos viciosos e em angustiosos (e sempre reveladores) jogos de palavras... Sobre os esforços e as lutas do pensador, o artista derrama velhos bálsamos renovados. É preciso ir ao fundo desses saborosos jogos vocabulares: Ao fundo, a eterna ferida sangra; e como sempre, de seu próprio sangue se deleita. Alguns desses parágrafos que Mário Saa chama tábuas filorsóficas – são poemas de alta beleza trágica...

AMIÚDE ENTRETEVE-SE TANTO EM INVESTIGAÇÕES BASEADAS EM CIÊNCIAS OCULTAS E ASTROLÓGICAS, QUANTO EM ESPECULAÇÕES DE GRANDE EFEITO PUBLICITÁRIO, COMO FOI O CASO DA DENÚNCIA PERPETRADA SOBRE A EXISTÊNCIA MASSIVA DE JUDEUS NA ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA E ECONÓMICA DO PAÍS Com tanto de erudição quanto de audácia e de aventureirismo, Mário Saa, a meu ver, foi discípulo de Almada Negreiros na irreverência das atitudes e dos propósitos. Ao fim e ao cabo um produto do meio. Aliás, diga-se de passagem que fizeram juntos estudos secundários no Colégio de Campolide dos Jesuítas. Amiúde entreteve-se tanto em investigações baseadas em ciências ocultas e astrológicas, quanto em especulações de grande efeito publicitário, como foi o caso da denúncia perpetrada sobre a existência massiva de judeus na organização administrativa e económica do país, em justaposição ao descrédito

lançado por Almada em relação a Júlio Dantas e à literatura de então. A sua preocupação em se afirmar diferente, com tanto de narcisismo quanto de espectacularidade, levou-o a acrescentar mais um “a” ao seu antropónimo, afim de adquirir mais ressonância, mais eco... Apesar de tudo nunca lhe faltou a consideração e o companheirismo das grandes personagens da época, até ao ponto de ter sido o autor do texto de meditação estética com que o “Catálogo do I Salão dos Independentes” (1930) foi apresentado! De forma que, para o bem e para o mal, Mário Saa foi uma personalidade que cabe por inteiro na sua época, mas que vá lá saber-se por que motivo, sobrevive como poeta esquecido, sem grandes referências, até porque, pasme-se!, nunca publicou em vida um livro de poemas! Sirva isto de intróito à apresentação de “Poesia e alguma prosa” (Lisboa, Biblioteca de Autores Portugueses. Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 2006), com organização, introdução e notas de João Rui de Sousa, que nos dá a recordar a existência de um poeta de grande merecimento e originalidade, mercê duma minudente e meritória investigação ao logo de anos, mas que, quero crer, não será ainda definitiva sobre tão bizarra personalidade. Entre as inúmeras e oportunas considerações tecidas por João Rui de Sousa, retiro esta que me parece clarividente: “Poeta a meio caminho entre o orfismo e o presencismo, chegou demasiado tarde para apanhar, em 1915, o comboio do Orpheu” (...) pelo que, na Presença, se pode considerar, ainda que com alguma dificuldade e risco, um denominador estético comum”, ao que logo acrescenta: “Mário Saa é com efeito uma personalidade poética de não fácil catalogação...” (p.32). De facto assim é, situando-se entre o arcaísmo e o modernismo da primeira e segunda gerações, conquanto o que mais o distingue em relação aos seus pares de diversas épocas e correntes seja a regularidade estrófica da rima e, consequentemente, a musicalidade das suas composições. Ao que teremos de adicionar, finalmente, a sua peculiar ambiguidade, num claro propósito não sei se de baralhar os cânones se de clarificá-los através duma nova visão poética. Veja-se este fragmento:

Que eu não sei se eu era ele, que eu não sei se ele era eu, mas a verdade é que o meu não era meu, era dele, não era dele, era meu. Agora, repare-se; acaso estes versos fossem subscritos por Mário Sá-Carneiro, alguém poria em dúvida, pela temática senão pela forma tal autoria? Quer o leitor mais parecença? Veja este outro; Da entrevista em carne e osso Alguma dor sempre fica; Mas se a fantasia é rica Não são carne nem caroço

PRODUTO DE UMA ÉPOCA FARTA EM ASSOMOS DE SER E DE PROTAGONISMOS, AINDA QUE NEM SEMPRE CONSISTENTES E IDENTIFICADOS COM UM PROPÓSITO RENOVADOR, PUBLICITÁRIO E MODERNISTA, TEVE ASSENTO NAS MAIS IMPORTANTES PUBLICAÇÕES DO NOSSO MODERNISMO Nem atilhos na barriga Nem coleiras ao pescoço Que prendam mais do que eu diga Que possam mais do que eu posso Neste amigo e nesta amiga... O princípio do século XX, no que teve de modernidade é assim; anda tudo mais ou menos ligado. Motivo pelo qual, Fernando Pessoa venha a inserir no n.º 3 da “Athena” (1924) dois poemas de Mário Saa: “Xácara do Infinito” e “Oh, Caprice!” Eis o segundo: Oh, caprice de ter mulher bordada a (pont-à-jour), pequenina, a tratar do comer e da cama,


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e eu cheinho de tonturas d’elegância, outras vezes velhacas às cabriolas na cama! Vê-la coberta de branco nupcial, mulher talhada em felicidade e pomba, mulher-ménage à moi-solitaire! Estátua ardente embrulhada em flanela, dá-me o teu fato e o teu sapato; e eu te darei meu coração de pólvora, e a cabeça de pólvora, meus beijos e meus dentes, em pequenas porções, tudo miúdo!... Figurinha velutínea, cara judaica a cheirar a febre, a febre fénica num caixão de veludo; cara judaica escondida no fundo da copa dum chapéu de veludo! Dá-me o calor da tua mão, o busto e a fronte; e eu te darei o meu coração de pólvora, e a cabeça de pólvora meus beijos e meus dentes, em pequenas porções, tudo miúdo! ............................................................ Nossas mãos encontravam-se ali todas cheias de mãos e d’ansiedade; encontravam-se ali no mesmo rito, menina, que tem 13 anos d’idade! Tudo miúdo!... A par de Caprichos, caprice e demais ousadias e fantasias à parte, há em Mário Saa, para além de tudo quanto se disse, a apologia da confusão em permanente confrontação com a lógica. Tudo nele, afinal, é de predisposição iconoclasta. Unguentei-me de todo em flor de nardo! E com tinta vermelha à luz do poente Escrevi este soneto em papel pardo Na palidez do meu calor doente. Nestes e noutros exemplos se pode apreciar a aventura poética do autor, no mais e no menos que a caracteriza, dispersa e esquecida, mas que agora renasce pela mão de João Rui de Sousa, a par de um substancial estudo que vai até páginas 62, e que depois se prolonga em “Notas Sobre os Textos” e na “Tábua Cronológica” que lhe dedica, concluindo-se o volume com as bibliografias activa e passiva, sem esquecer que, de permeio, se inclui ainda um capítulo dedicado a “Alguma Prosa. Textos de expressão aforística, de reflexão estética e de ficção”, dos quais recomendo a leitura da trilogia de “Mário” (O Inculto; O Breve; e O Laico), a par de “O José Rotativo”.

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próximo oriente

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Hugo Pinto

RIDÍCULO, A SÉRIO

“F

AKE news”. Notícias falsas. É isso que Andy Borowitz cria há cerca de 14 anos, primeiro numa página electrónica e desde 2012 na revista The New Yorker. O humorista norte-americano segue uma tradição antiga no seu país – a sátira das notícias. Nos Estados Unidos, desde Mark Twain que não se resiste a aproveitar a capa de seriedade do jornalismo para fins cómicos. Muito à custa disso, hoje, em todo o mundo, o dia 1 de Abril, por exemplo, é oficialmente reservado ao exercício. Em 2013, as “fake news” de Borowitz tiveram um ano de graça (“pun intended”, perdoai-me). Uma série de histórias publicadas no The Borowitz Report, cujo autor julgava

serem “obviamente falsas”, saltaram para os escaparates de grandes meios de comunicação social, que as destacaram nas suas parangonas como “notícias”. “Por alguma razão” que o humorista diz desconhecer, isso aconteceu sobretudo na China e na agência de notícias oficial do país, a Xinhua, linha avançada da maior máquina de propaganda dos tempos modernos, mas que, apesar de ubíqua, não será a mais eficaz ou poderosa. Em Abril do ano passado, no meio de mais uma escalada de violência verbal intercontinental, quando, num recorrente acesso de retórica furiosa, o aprendiz de ditador norte-coreano Kim Jong-un ameaçava pela centésima sexagésima oitava vez explodir os Estados Unidos, a Xinhua publicou

na sua página electrónica uma notícia com o seguinte título: “Teste de lançamento de um míssil norte-coreano atrasado devido ao Windows 8”. No corpo da notícia explicava-se que, até recentemente, o programa de lançamento de mísseis de Pyongyang funcionava com o Windows 95 e que, devido aos problemas com os programas informáticos, Kim Jong-un ponderava declarar guerra à Microsoft. Noutra história “picada” do Borowitz Report, a sempre pronta Xinhua informou a sua fiel audiência que o dono da Amazon, Jeff Bezos, confessara ter comprado o jornal Washington Post “sem querer” devido a ter “clicado” com o “rato” do computador no jornal “por engano”. Em supostas “declarações aos jorna-

listas”, Bezos explicava que o negócio aconteceu enquanto o empresário “navegava” distraído pelo sítio do Washington Post e que, “de nenhuma forma tinha intenção de comprar alguma coisa”. Acrescentava o Borowitz Report, e a Xinhua, que Bezos só se apercebeu da compra quando detectou uma “cobrança invulgar” de 250 milhões de dólares no extracto do cartão de crédito. E invulgar foi também o momento em que, ainda em 2012, o Diário do Povo, o jornal do Comité Central do Partido Comunista Chinês, foi a uma das páginas electrónicas mais famosas de humor, The Onion, buscar a “notícia” de que Kim Jong-un fora considerado o “homem mais sexy”. Ou quando, também no ano passado, a estatal iraniana Agência de Notícias Fars foi também beber ao The Onion a informação de que uma sondagem chegara à conclusão de que “os brancos das zonas rurais preferem Ahmadinejad a Obama”. Aparentemente, os regimes autoritários dão-se mal com a sátira. Não há aqui surpresa alguma e é fácil perceber por que motivo confundem a fantasia com a verdade. Em todos os centros de poder despótico não há limite para os recursos empenhados no controlo, censura e vigilância, na comunicação social e na Internet, mas também nas indústrias culturais e nas expressões artísticas. A dimensão e o grau a que se obrigam só podem resultar de uma paranóia, e das graves, condição que o dicionário descreve como uma “perturbação” associada “a desconfianças patológicas e erros de interpretação da realidade”. Ou , de forma mais prosaica, como uma “falta de juízo”. Uma “maluquice”. Mais do que um golpe no orgulho de supostas “organizações de comunicação social”, que são atingidas no que deveria ser o âmago da sua actividade – a credibilidade –, os exemplos das “brincadeiras” tratadas como notícias são, na verdade, uma estocada nos regimes que tentam sustentar e branquear, revelados assim vulneráveis ao que mais temem – a subversão. É esse poder revolucionário, agitador e insurrecto que só o humor tem. E quanto maior a força que lhe resiste, maior é o impacto. Seriamente ridículo.


DESPORTO

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Natação IPC Nelson Lopes conquista bronze nos Europeus

O português Nelson Lopes conquistou ontem a medalha de bronze na prova de 50 metros costas S4 dos Europeus de Natação do Comité Paralímpico Internacional, na cidade holandesa de Eindhoven. O nadador luso concluiu a prova em 53,34 segundos, gastando mais 4,69 do que o checo Arnost Petracek, que se sagrou campeão da Europa. O russo Aleksei Lyzhikhin ficou na segunda posição, a 1,68 segundos do vencedor. Também ontem, Gino Caetano, apesar de ter batido o recorde nacional nos 100 metros Livres S10, com o tempo de 58,10 segundos, e Ruben Linhares, em 50 metros costas S4, falharam o acesso directo às finais. Na terça-feira, David Grachat tinha conquistado a medalha de bronze nos 400 metros livres S9.

Crisitano Ronaldo será titular na Supertaça Europeia

O goleador português Cristiano Ronaldo concluiu com sucesso o processo de recuperação e o treinador do Real Madrid, Carlo Ancelotti, irá apostar nele titular frente ao Sevilha, para a Supertaça Europeia. De acordo com o as, os problemas físicos que afectaram Ronaldo no final da época passada e no Mundial estão completamente superados e o extremo português estará em boas condições para defrontar o Sevilha.

Marítimo sofre pesada derrota em Las Palmas

O Marítimo perdeu hoje nas Canárias por 4-0 frente ao Las Palmas, equipa da II Liga espanhola de futebol, no último jogo de preparação da equipa madeirense antes do arranque do campeonato. Esta foi a última partida antes do confronto frente ao FC Porto, da jornada inaugural da I Liga, agendado para a próxima sexta-feira, no Porto. O conjunto orientado por Leonel Pontes regressa no domingo à Madeira, a fim de iniciar a preparação para o jogo no Estádio do Dragão.

CANOAGEM PORTUGAL VICE-CAMPEÃO DO MUNDO EM K4 1.000 METROS

Espanhóis impediram ouro luso A tripulação hermana perdeu o controlo da canoa e embateu nos portugueses. O que tornou difícil o primeiro lugar

O

quarteto composto por Fernando Pimenta, Emanuel Silva, João Ribeiro e David Fernandes conquistou ontem a medalha de prata em K4 1.000 metros dos Mundiais de canoagem, em Moscovo. A tripulação lusa gastou 2.46,939 minutos, apenas mais 0,214 segundos do que os checos Daniel Havel, Josef Dostal, Lukas Trefil e Jan Sterba, que juntaram o título mundial ao europeu, conquistado em julho, na Alemanha. A Hungria, vice-campeã olímpica em Londres2012, terminou no último lugar do pódio. A medalha de prata em K4 1.000 metros nos Mundiais de Moscovo tornou-se na primeira do historial luso, em distâncias olímpicas em Mundiais, depois de já ter sido campeão da Europa em 2012, vice-campeão em 2013 e terceiro em 2014.

A seleção portuguesa vai ainda disputar as regatas decisivas de C1 200 por Hélder Silva (8:43 de Lisboa) e K1 200 por Teresa Portela (8:48), que foi quinta classificada na final de K1 500. Até ao momento, Portugal tinha conquistado quatro medalhas em Mundiais de canoagem de velocidade, mas sempre em distâncias não olímpicas.

“UM BOCADO DE AZAR”

Emanuel Silva, Fernando Pimenta, João Ribeiro e David Fernandes lembram que sem o abalroamento da embarcação espanhola poderiam ter chegado ao ouro. A primeira medalha conquistada por Portugal em distâncias olímpicas deixou os canoístas “muito satisfeitos”, apesar de cientes de que podiam ter chegado ao título mundial, em Moscovo. “Já tínhamos feito história ao

passar à final, agora reafirmou-se que esta tripulação só precisa de estar em dia sim, num bom dia. Se estivermos unidos, todos com a mesma garra para levar o barco para a frente, os resultados aparecem. Por um bocado de azar não ganhámos a prova, mas ficámos na mesma satisfeitos”, resumiu Emanuel Silva, lamentando o “abalroamento” da embarcação espanhola, que poderá ter custado a medalha de ouro. Emanuel Silva foi o porta-voz da tripulação composta ainda por Fernando Pimenta, João Ribeiro e David Fernandes, que concluiu a prova em 2.36,939 minutos, a 0,215 segundos da medalha de ouro, conquistada pelos checos Daniel Havel, Josef Dostal, Lukas Trefil e Jan Sterba, que juntaram o título mundial ao europeu. “O que se passou foi que os espanhóis, nos últimos 250 metros, tiveram um problema no

leme que desviou a trajectória do barco. Este invadiu a nossa pista embatendo no nosso K4, no lugar do João [Ribeiro] e isso fez com que o nosso ritmo de pagaiada e velocidade quebrasse. Não deixámos que isso nos afectasse, porque estávamos bem colocados. Continuámos a acreditar que era possível, independentemente do episódio mais triste. Conseguimos a medalha de prata e por muito pouco não conseguimos a de ouro”, contou Emanuel Silva. O “porta-voz da embarcação” disse que o segredo do sucesso deste K4, que já tinha vencido o ouro Europeu em 2012, a prata em 2013 e o bronze este ano, é a “muita vontade de quatro atletas empenhados, que não fogem à disciplina, às regras e que nunca estão satisfeitos com os resultados, sempre em busca de mais e melhor”.


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( F ) UTILIDADES

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TEMPO AGUACEIROS OCASIONAIS MIN 26 MAX 31 HUM 75-95% • EURO 10.7 BAHT 0.2 YUAN 1.3

Cineteatro

LÍNGUA DE gATO

CINEMA

LUCY SALA 1

LUCY [C]

Um filme de: Luc Besson Com: Scarlett Johansson, Morgan Freeman 14.15, 16.00, 17.45, 21.45

CAFE • WAITING • LOVE [B]

Pu Yi

Um filme de: Chiang Chin Lin Com: Vivian Chow, Megan Lai, Pauline Lan, Lee Luo 19.30

Viagem a casa A semana passada abriu uma panificadora que pretende trazer - ou fazer lembrar – os sabores de Portugal. Nas tertúlias a que assisto dos grupos de amigos portugueses, há um pequeno momento para relembrar a comidinha lusa. “Ah que saudades de um bom cozinho à portuguesa”, “E um leitão à Bairrada?”, “Eih que maravilha...o bacalhau à Zé do Pipo também não pode faltar”, dizem. Pão, queijo e vinho é o que mais é gabado. Eu como gato de Macau sempre tive muita curiosidade em conhecer Portugal e os seus sabores. Às vezes encho esta barriguinha quando os meus amigos portugueses voltam das suas férias. É de lamber os bigodes! Ontem ouvia no café aqui da rua um português dizer: já temos vinho, azeite e agora o pão”. Referia-se à nova panificadora. Ontem não resisti. Batiam as nove badaladas e lá estava eu, acompanhado por um amigo, para comprar um bom exemplar de pão e broa “tuga”. Eu gostei, não sou esquisito, estava quente e a manteiga derretia. Comi, aprovei e lambi as patinhas no fim. O meu amigo – que é português – deu a primeira trinca e algo aconteceu. A sua expressão mudou, o olhar entristeceu mas um sorriso surgiu. Percebi que aquilo era mais que um pão. Aquela trinca representava um regresso às origens, um relembrar a família e os amigos. Os cheiros da vila e o barulho da cidade. Aquilo não era apenas mais um pão, naquele momento ele viajou até Portugal, até aos seus, e voltou assim que engoliu o primeiro pedaço.

SALA 2

DORAEMON THE MOVIE: NOBITA IN THE NEWHAUNTS OF EVIL-PEKO AND THE FIVE EXPLORERS [A] FALADO EM CANTONÊS E LEGENDADO EM CHINÊS

Um filme de: Yakuwa Shinnosuke 14.30, 16.30, 19.30

BREAK UP 100 [B]

Um filme de: Lawrence Cheng Com: Ekin Cheng, Chrissie Chau 21.30 SALA 3

THE FAULT IN OUR STARS [B]

Um filme de: Josh Boone Com: Shailene Woodley, Ansel Elgort 14.30, 19.15, 21.30

BREAK UP 100 [B]

Um filme de: Lawrence Cheng Com: Ekin Cheng, Chrissie Chau 16.45

ACONTECEU HOJE

11 DE AGOSTO

Morreu Pedro Nunes

U M D I S C O H O J E THE BOATMAN’S CALL (NICK CAVE, 1997) Nick Cave tem brindado os seus seguidores com grandes ‘hits’ de verdadeira música e o álbum “The boatman’s call” é um desses exemplos. Um arranjo perfeito de acordes faz com que Nick Cave seja um marco na história da música mundial e o single ‘Into my arms’, de 1997, marca presença nessa lista de músicas para sempre. Uma carta aberta ao amor, um desabafo que se tornou imortal. “And I don’t believe in the existence of angels/But looking at you I wonder if that’s true”. Loop on. - Hoje Macau

fonte da inveja

• Em 1579, morre o matemático Pedro Nunes, nome do Humanismo português e da investigação europeia, autor do “Tratado das Esferas” e do sistema de medição das frações angulares, na origem do sextante. Dos nascidos nesta data destacam-se a astrónoma Maria Mitchell (1818), o escritor inglês Angus Wilson (1913), o maestro Raymond Leppard (1927), o dramaturgo Fernando Arrabal (1932), o músico Joe Jackson (1954). Em 1675, era inaugurado o Observatório Astronómico de Greenwich, no Reino Unido. Em 1786, Penang era cedida ao Reino Unido pelo Rajá de Kedah, da Malásia. Em 1829, o compositor polaco Frederic Chopin dava o primeiro concerto em Viena, na Áustria. Em 1863, o Camboja era declarado protetorado francês. Em 1897, nascia a escritora britânica Enid Blyton, criadora das aventuras dos Cinco e dos Sete, da série Mistério e de outras obras que vieram definir um modelo de literatura infanto-juvenil. Em 1906, o francês Eugene Augustin Lauste registava a patente do processo de sonorização de filmes. Em 1912, Marrocos tornava-se protetorado francês. Em 1921, os EUA convidavam as potências mundiais, no quadro dos vencedores da Grande Guerra, para a realização de uma conferência sobre o Extremo Oriente e a limitação de armamentos. No mesmo dia nasciam o escritor norte-americano Alex Haley, autor de “Raízes”, e Tom Kilburn, criador do primeiro programa de computador (Mark I). Em 1938, partidários nazis destruíam a mesquita de Nuremberga, na Alemanha. Em 1961, na Guerra Colonial, em Angola, era efetuada a primeira operação militar portuguesa com lançamento de paraquedistas, na região de Quipedro. Em 2001, o português Carlos Calado conquistava a medalha de bronze no salto em comprimento dos Mundiais de Atletismo. Em 2004, era encontrado o ensaio inédito da escritora britânica Virginia Woolf, “Retratos de Uma Londrina”, nos arquivos da Universidade de Sussex. Em 2009, a líder da oposição birmanesa, Aung San Suu Kyi, era condenada em Rangum a uma pena de 18 meses de prisão domiciliária. O escritor António Pocinho, de 52 anos, morria em Tomar.

João Corvo

Sentir intensamente garante-me que estou vivo e... existo.


OPINIÃO

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DAVID CHAN* legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog

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macau visto de hong kong

E

M 19 de Maio de 2014, publicamos um artigo intitulado “Casamento Moderno”, em que discutimos quatro casos insólitos. Aí foi abordado o caso do senhor Lin, com 40 anos de idade, que usou um busto e cuecas de mulher para pedir em casamento à sua namorada, numa via pública. Noutro caso, uma mulher não identificada reclamou na internet que o seu namorado não havia preparado a sua cerimónia de casamento adequadamente. Segundo a mesma, o seu namorado havia apenas reunido 120 mil dólares de Hong Kong, enquanto que um casamento em Hong Kong custa, em média, 302.590 dólares de Hong Kong, por isso não seria possível proceder com o matrimónio. No mesmo artigo abordamos também o caso do senhor Chow, que apesar de ter 89 anos, casou-se com a senhora Im, de 66 anos, em Chongqing, na China. Por fim, menciona-mos o caso da senhora Chan, com 39 anos de idade, residente em Yau Ma Taei, Hong Kong. Depois de coabitar com o seu namorado por dois anos, a mulher tentou quebrar a relação, o que levou o homem a esfaqueá-la.

JOHNNY WEISMULLER EM “TARZAN’S NEW YORK ADVENTURE”

Casamento Moderno II

* Hoje tenho mais um caso interessante para partilhar com os meus leitores. No dia 16 de Julho, o website “news.cts.com.tw” publicou uma história sobre um casamento que teve lugar na África do Sul em que o noivo, Sanele Masilela, tinha apenas 9 anos de idade. Conseguem adivinhar a idade da noiva, Helen Shabangu? Pois a mulher em questão tinha 62 anos. Através de um simples cálculo aritmético, descobrimos que a diferença entre ambos é de 53 anos. Talvez possamos descrever este tipo de união como um casamento entre “uma avó e o seu neto”. Como é que tal veio a acontecer? A resposta é bastante inacreditável. Sanele mencionou aos seus pais que andava a sonhar com o seu avô, Busy Masilela, há mais de um ano. Nesses sonhos, o seu avô disse-lhe que apesar de já ter tido filhos e netos, nunca haveria realizado uma cerimónia de casamento formal. Por isso pediu que o seu neto se casasse no seu lugar. No princípio, os pais de Sanele, especialmente a sua mãe, Patience Masilela, pensaram que estava doido. Mas depois da criança ter explicado as razões, mudaram de ideias e concordaram com o casamento. Com isto, o noivo estava pronto para consumar o matrimónio. Mas e a noiva, estava esta pronta para avançar com a união?

Nós sabemos que este tipo de aliança é dificilmente aceite nas nossas sociedades, mas se todos os intervenientes neste caso estavam de acordo, e se nenhum mal foi feito à sociedade, porque razão nos custa tanto aceitar este facto? Depois de uma série de discussões, a mulher acabou por consentir. A primeira cerimónia teve lugar no Dia de São Valentim de 2013. Aqui, Sanele pagou a Helen 7 mil lobobo (a moeda da África do Sul) como uma prenda pelo casamento. Helen usou um vestido de noiva branco e beijou o seu noivo antes destes trocarem anéis e juramentos. Depois da cerimónia, ambos voltaram à sua vida normal, tendo Sanele regressado à escola e Helen voltado para a sua casa.

Desde aí, nunca mais se voltaram a encontrar, até que no dia 15 de Julho de 2014 celebraram a sua segunda cerimónia de casamento. Por que razão é que os noivos tiveram duas cerimónias? Faz isto parte das tradições locais? A resposta é não. A razão é que os familiares de Helen não puderam comparecer à primeira cerimónia, visto estarem a residir em Bushbuckridge, Mpumalanga, por isso os noivos decidiram realizá-la uma segunda vez.

Durante o segundo casamento, Helen voltou a exibir um vestido de noiva branco, e Os seus familiares foram apresentados ao seu noivo. De acordo com o acordo realizado entre as duas famílias, os noivos tinham de usar roupas tradicionais durante a cerimónia e voltar a trocar anéis e juramentos. Para este efeito, a nova cerimónia teve lugar numa tenda com três plataformas. Abel, o homem que preparou as instalações e forneceu o bolo de casamento, disse “eu estou aqui para apoiar a minha mulher. Os meus filhos também desejam o melhor para o casal, apesar de não poderem estar presentes”. Durante o evento, Patience, a mãe de Selene, referiu que “esta união não é um obstáculo para um futuro casamento pela parte do meu filho. Isto foi só para o avô dele, quando o meu filho crescer, pode casar com quem entender”. As afirmações da mão são válidas, pois a lei define os requerimentos para que um casamento seja considerado legal. Primeiro, só é permitido que uma mulher se case com um homem. Segundo, ambas as partes têm que ter idade legal para contrair matrimónio. Em terceiro lugar, o casamento tem de ser registado com as autoridades governamentais. No caso de Selene, nenhum deste parâmetros foi preenchido. Helen já estava casada, o noivo tinha apenas nove anos e a união não foi registada junto do Governo. Ainda mais importante, nenhuma das partes pretendia ter uma relação propriamente dita ou viver como um casal. Os participantes queriam apenas satisfazer os desejos do avô do noivo. Assim, este casamento era destinado a ser apenas uma cerimónia, não tendo sido propriamente registado. Se tal tivesse sido feito, o casal seria acusado de poligamia. Neste caso, torna-se claro que o casamento entre Sanele e Helen não tem nenhum fundamento legal, podendo por isso ser considerado nulo. Assim, os noivos nunca se tornaram legalmente num casal, o que permite que Sanele se possa casar com outra mulher no futuro. As nossas leis podem estipular provisões para reger os parâmetros legais de um casamento, mas não podem regular os comportamentos do noivo ou noiva, assim como as suas famílias. Sem a aprovação das devidas famílias, esta união nunca teria ocorrido. Nós sabemos que este tipo de aliança é dificilmente aceite nas nossas sociedades, mas se todos os intervenientes neste caso estavam de acordo, e se nenhum mal foi feito à sociedade, porque razão nos custa tanto aceitar este facto? *Professor Associado do Instituto Politécnico de Macau

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado; Ricardo Borges (estagiário) Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau segunda-feira 11.8.2014

Ucrânia Rússia nega qualquer acção

Europa Manifs contra massacre em Gaza

A Rússia desmentiu hoje que as suas tropas tenham tentado entrar em solo ucraniano, como acusa Kiev, e garantiu que não está a considerar qualquer acção unilateral no país vizinho, mesmo com fins humanitários. “Não percebemos a que se refere a Ucrânia. Não houve qualquer tentativa das forças russas no sentido de penetrarem” em território ucraniano, declarou às agências noticiosas russas o portavoz do Kremlin Dmitri Pieskov. Na sexta-feira a presidência ucraniana tinha afirmado que impediu, por meios diplomáticos, uma tentativa russa de fazer entrar no seu território uma coluna de ajuda humanitária.

Dezenas de milhares de manifestantes desfilaram ontem em Londres contra o massacre em Gaza e o fornecimento de armas a Israel, segundo as associações que organizaram o protesto. Esta foi a terceira manifestação de grande dimensão em quatro semanas na capital britânica e os organizadores esperavam uma participação recorde. As duas primeiras manifestações tiveram lugar a 19 e a 26 de julho e reuniram “mais de 50 mil manifestantes”, de acordo com a Stop The War, uma das associações organizadoras. A polícia apontou outros números: entre 10 mil e 15 mil manifestantes. Em Paris, milhares de pessoas também se manifestaram pacificamente para denunciar a “agressão israelita” em Gaza e reclamar o “levantamento do bloqueio” ao enclave palestiniano.

cartoon por Stephff Irão Queda de avião mata mais de 40

Mais de 40 pessoas morreram ontem na sequência da queda de um avião comercial perto do aeroporto de Mehrabad, no sul de Teerão, informou a televisão estatal iraniana. O avião, da companhia aérea Taban Airlines, despenhouse pouco tempo depois de descolar do aeroporto de Mehrabad, quando efectuava uma ligação entre Teerão e a cidade de Tabass, no leste do Irão. O avião despenhou-se às 09:18 (05:48 em Lisboa) numa zona não habitada a cerca de cinco quilómetros a norte do aeroporto de Mehrabad, destinado a voos domésticos, e perto do estádio Azadi.

Fotos de jovens da alta sociedade nuas circulam na Net

Estão a circular na Internet fotos e vídeos de três jovens pertencentes a «famílias da alta sociedade» portuguesa nuas ou em topless, noticiou o Correio da Manhã. Segundo o jornal, as três amigas, de 19 anos, criaram um grupo fechado no Facebook onde colocaram as imagens íntimas. Mas o grupo não era, de facto, de acesso restrito e alguém copiou as fotos e vídeos e agora estes conteúdos circulam na Web. O Correio da Manhã adianta que, inclusive, o pai de uma das jovens recebeu uma mensagem acompanhada de uma foto da sua filha nua. O jornal refere que as fotos começaram a circular na Internet em Fevereiro e tornaramse virais. Tudo terá começado com uma brincadeira das jovens durante as férias, mas acabou com as fotos, supostamente para serem vistas apenas por algumas amigas, a circularem por toda a Web.

ISIS CONTROLA BARRAGEM

HK MUDANÇAS NAS LEIS REACENDEM DEBATE SOBRE CONTINENTAIS

Eles chamam-lhes “gafanhotos” A protecção aos oriundos da China contra discriminação racial foi o centro das atenções num debate sobre a igualdade de oportunidades

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S tensões entre os residentes de Hong Kong e os turistas do continente voltaram a ser expostas no sábado, durante um debate sobre mudanças propostas às leis contra-discriminação. Durante o evento, foi perguntado a um dos responsáveis do Governo se usar o termo “gafanhoto” (‘locust’ no original) como referência a uma pessoa oriunda do continente seria um crime. Este é o nome que os residentes de Hong Kong chamam aos continentais, numa metáfora que assemelha os turistas a uma praga. Possíveis leis para proteger indivíduos provenientes da China continental, assim como outros trabalhadores não-residentes, foram o centro das atenções no debate, que marcou o início da consulta pública sobre o assun-

to por parte da Comissão de Igualdade de Oportunidades de Hong Kong. Apesar de a consulta cobrir vários temas – deficiências, desigualdade no pagamento de homens e mulheres, benefícios para casais não-casados – a maior preocupação para os mais de cem participantes que compareceram no sábado na Biblioteca de Central foram temas relacionados com o tratamento de indivíduos provenientes da China. De acordo com as leis em vigor, os indivíduos do continente não são protegidos contra discriminação racial, mas a Comissão propôs alargar a definição de modo a incluí-los. Esta sugestão levantou especulação sobre o uso de termos insultuosos como “gafanhoto”, tendo sido questionado se utilizar esta expressão pudesse vir a tornar-se um crime punível pela lei.

“Se um residente local chamar ‘gafanhoto’ a um indivíduo do continente que satisfaz as suas necessidades fisiológicas na rua, seria este castigado pela lei?”, perguntou um representante da Local Press, um website de notícias, adiantando ainda que “é moralmente correcto criticar alguém que faz algo errado”. O presidente da Comissão, York Chow Yat-ngok, afirmou ter recebido mais de mil comentários relativos a este assunto, salientando ainda ser ilegal urinar em público. O responsável diz, contudo, que “o que deve ser criticado é o comportamento, não a pessoa”. O conselheiro legal da Comissão, Herman Poon Lik-hang, esclareceu a situação, adiantando que achava improvável que ofender verbalmente alguém na rua viesse a ser considerado como um apelo ao ódio entre diferentes raças.

Japão Tufão mata 4

Pelo menos quatro pessoas morreram no sábado e cerca de 600 voos foram cancelados devido à passagem do tufão «Halong» no Japão, que causou ventos e chuvas fortes, informou a agência meteorológica nipónica. Os cancelamentos dos voos afectaram mais de 20.000 passageiros, numa altura em que aumentam as deslocações internas no Japão por ocasião das celebrações do festival tradicional «O-bon», que honra os mortos. Inundações e deslizamentos de terra causados pelo tufão provocaram pelo menos quatro mortos, incluindo um homem de 78 anos na região de Iwate, no noroeste, depois de ser arrastado pela água que transbordou de um canal de irrigação.

Britânica tem 100 orgasmos por dia

Kim Ramsey, de 44 anos, vive em contínua agonia devido a uma rara perturbação sexual que lhe provoca cem orgasmos por dia. A britânica garante que a sua condição não lhe dá prazer nenhum e que se sente dorida. Os médicos diagnosticaram a Kim um transtorno de excitação genital permanente (TEGP). Kim conta que não consegue ter uma vida normal porque qualquer movimento pélvico lhe provoca um orgasmo, seja a conduzir, no trabalho ou a limpar a casa. Os médicos acreditam que esta condição, que é incurável, foi originada por um acidente em 2001, quando caiu por umas escadas. «Muitas mulheres perguntam-se como podem ter orgasmos, eu pergunto-me como posso pará-los», disse Kim ao Daily Mail. «Já experimentei de tudo para parar os orgasmos, inclusive sentarme em ervilhas congeladas...sinto que não tenho controlo sobre o meu corpo. Imaginem que se sentem excitados por uma coisa tão simples como levantar-se da cama», referiu.


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