MOP$10
TERÇA-FEIRA 11 DE JULHO DE 2017 • ANO XVI • Nº 3851
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
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Rédea nos contratos
No mínimo, três anos de contrato. E um coeficiente, a definir pelo Governo, que controlará os aumentos. A ideia é, juram a pés juntos, defender os inquilinos.
Governo consulta CA PÁGINA 5
GCS
LEI DAS RENDAS AVANÇA
LEI DO ORÇAMENTO
JOGO
Uma história de concessões PÁGINA 4
LIU XIAOBO
Ng pede a liberdade PÁGINA 6
PÁGINA 7
Pessanha sempre! EX-DEPUTADOS LEMBRAM O PASSADO E COMENTAM O PRESENTE
Conta-me como foi GRANDE PLANO
PÁGINAS 18 - 19
PORTUGAL-CHINA
Visita de peso PÁGINA 12
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Quase tudo mudou desde que a Assembleia Legislativa da era RAEM começou a operar. Antigos deputados como Jorge Fão e João Manuel Baptista Leão falam das práticas populistas levadas a cabo por alguns tribunos, por culpa de Hong Kong. Iong Weng Ian defende a substituição dos velhos pelos mais novos MAIS JURISTAS E TRADUTORES PRECISAM-SE
S
e no tempo de Jorge Fão a AL tinha falta de tradutores e de juristas, hoje esse problema é ainda mais visível. “Todos os deputados têm estado muito atarefados, porque as propostas de lei do Governo são mais. Acho que o número de juristas que trabalham na AL é pouco, e deveriam pensar em recrutar mais pessoal de apoio, com experiência e que perceba a legislação local. Quanto aos intérpretes-tradutores, o grupo também deve estar desfalcado, pois já no meu tempo sentia a falta de tradutores. Estou a ver que continua a existir essa situação”, frisou.
AL ANTIGOS ROSTOS PEDEM RENOVAÇÃO E DIZEM QUE HÁ MAIS POPULISMO
PROFISSAO: EX ˜
F
O I há tanto tempo que João Manuel Baptista Leão foi deputado que a memória falha. É hoje mais difícil recordar os momentos de quando esteve na Assembleia Legislativa (AL), a partir da legislatura de 1999/2000. Esta foi uma das antigas vozes do hemiciclo que aceitou recordar o passado e falar do trabalho desempenhado pela AL nos dias de hoje. João Manuel Baptista Leão é membro da comissão que elege o Chefe do Executivo, além de ser dirigente de uma associação que organiza cursos de formação contínua para adultos, em parceria com a Universidade Cidade de Macau. A AL que deixou já não é a mesma mas, na sua visão, isso não é necessariamente mau. “Tudo mudou. Antes da transferência de soberania, a AL podia, por própria iniciativa, produzir uma lei. Depois deixou de ter este direito e cabe ao Chefe do Executivo autorizar previamente.” Este é o primeiro exemplo de mudança apontado pelo antigo deputado, mas João Manuel Baptista Leão fala ainda da maior representatividade social que hoje existe, pelo facto de o hemiciclo ter 33 deputados. Há, contudo, falhas a apontar. “A AL deveria analisar melhor as leis, ter mais tempo para os seus trabalhos. Os deputados deveriam trabalhar a tempo inteiro e não a tempo parcial, porque precisam de mais tempo para analisar as leis”, disse ao HM. Ao olhar de fora para a casa política que já foi sua, João Manuel Baptista Leão considera que é altura de os jovens assumirem a dianteira do poder legislativo. “Já é altura de dar oportunidade aos jovens para se candidatarem. Há pessoas que estão na AL há muitos anos e é altura de alterar o elenco. Os mais velhos têm de entregar os seus lugares.” Jorge Fão, que foi deputado há 12 anos, diz que nunca foi homem de querer ficar na AL por muito tempo. “Há quem goste de ficar ali eternamente, não foi o meu caso, porque fiquei ali uns anos, conheci os cantos à casa e não me encostei.”
Hoje é dirigente da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau, sem nunca ter deixado de ser uma voz activa nesta área. Estabelecendo uma comparação com o seu tempo, Jorge Fão, que foi número dois de David Chow, acredita que hoje o hemiciclo é mais populista, muito por culpa de actos de alguns deputados, como a apresentação de cartazes nos debates. “No meu tempo havia debates mais sérios, com menos fogos-de-artifício, por assim dizer”, apontou. “Hoje em dia está na moda o populismo, que se verifica em toda a parte, como em Hong Kong. Em Taiwan este populismo existiu uns tempos, mas verificam-se hoje menos debates desse género. De Hong Kong alastrou para Macau.” Jorge Fão recorda que alguns deputados “começaram a levar cartazes para os debates, a levar bonecos para cima da mesa”. “Nunca vi uma coisa semelhante nos parlamentos em Portugal ou no Reino Unido. Isto está aliado a uma certa imaturidade política e ao facto de as pessoas quererem fazer um pouco de show-off. Algumas declarações não têm fundamento e não passam de um embuste eleitoral para enganar os eleitores menos informados ou atentos.”
HOJE MACAU
GRANDE PLANO
MENOS DEBATES, MAIS LEIS
Jorge Fão e David Chow chegaram a ser autores de um projecto de lei sindical que, à semelhança de todos os outros que se seguiram, não foi aprovado. Para Fão, antes a AL tinha mais iniciativa legislativa, algo que faz falta nos dias de hoje. “A AL tem realizado um trabalho inquestionável, mas não vejo muito trabalho legislativo a partir da própria Assembleia. A entidade que legisla praticamente não tem apresentado qualquer projecto digno de registo. A esmagadora maioria dos articulados são propostos pela própria Administração”, diz, falando “num certo desequilíbrio.” “No meu tempo conseguimos apresentar os nossos projectos, e não foram poucos. Nem todos foram aprovados, como é natural, mas muitos foram apresentados, e subscritos por vários deputados”, recorda. Hoje há mais pedidos de debates apresentados pelos deputados
“Quero que a AL trabalhe mais na área dos assuntos familiares, que legisle sobre as garantias dos idosos e dos inválidos, e que aborde a questão da habitação.” IONG WENG IAN EX-DEPUTADA mas, para Jorge Fão, isso não é um sinal de amadurecimento político do hemiciclo. “Verificam-se mais debates, há uma maior participação por parte dos deputados, nomeadamente no ano em que estão marcadas eleições. Isto é uma questão de
visibilidade e tem a intenção de caçar votos. Todo este tipo de show-off não passa de populismo. Não tem qualquer interesse para a comunidade ou sociedade”, acusa. Tal como João Manuel Baptista Leão, também Jorge Fão considera importante chamar mais jovens
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HOJE MACAU
SOFIA MARGARIDA MOTA
-DEPUTADO
“Verificam-se mais debates, há uma maior participação por parte dos deputados, nomeadamente no ano em que estão marcadas eleições. Isto é uma questão de visibilidade.”
“A AL deveria analisar melhor as leis, ter mais tempo para os seus trabalhos. Os deputados deveriam trabalhar a tempo inteiro e não a tempo parcial.”
JORGE FÃO EX-DEPUTADO
JOÃO MANUEL BAPTISTA LEÃO EX-DEPUTADO
para a política, algo que se verifica nas próximas eleições legislativas, agendadas para 17 de Setembro. “Vão participar pessoas mais jovens, que querem lançar-se na vida política. Isto é muito saudável, até porque temos de rejuvenescer. Vai haver caras novas e faço votos para
que se possam inteirar das questões de Macau e encontrar as melhores soluções para a sociedade.”
DA AL PARA A APN
Iong Weng Ian foi deputada com ligações à Associação Geral das Mulheres de Macau (AGMM).
Actualmente é mandatária da lista de Wong Kit Cheng para as eleições deste ano e desempenha o cargo de deputada por Macau à Assembleia Popular Nacional onde, junto de Pequim, apresenta algumas ideias em prol do desenvolvimento do território.
Além disso, a ex-deputada fala de um intenso trabalho desenvolvido junto das comunidades que mais precisam. “Quando tomei a decisão de sair da AL já tinha o objectivo de deixar o lugar aos mais jovens. Continuei a participar nos serviços sociais,
SISTEMA DE CONTAGEM DE VOTOS PARA CONTINUAR
N
um ano em que vários grupos optaram por apresentar listas separadas, na expectativa de conseguirem melhores resultados eleitorais, os antigos deputados consideram que não é necessário alterar o actual sistema de conversão de votos em mandatos. “Neste momento, há várias opiniões sobre este assunto, mas podemos continuar com este sistema. Tentamos lutar pelos votos dos eleitores com base neste método”, referiu Iong Weng Ian. Para Jorge Fão, não é aconselhável alterar o sistema nesta fase. “Este é um método de Hondt adulterado, mas traz vantagens, porque o território é pequeno e não temos partidos políticos. Como tal, este tipo de método serve para aqueles que querem participar na vida pública. Os grupos mais pequenos têm hipótese de ser eleitos. Não é oportuno mudar o sistema”, defendeu o antigo deputado.
sobretudo nos assuntos ligados às mulheres.” Hoje olha para a AL como um local onde “há vários aspectos por desenvolver”. “Os diferentes grupos têm diferentes tópicos a que dão destaque mas, como membro da AGMM, quero que a AL trabalhe mais na área dos assuntos familiares, que legisle sobre as garantias dos idosos e dos inválidos, e que aborde a questão da habitação”, aponta. Convidada a fazer um comentário sobre as eleições deste ano, Iong Weng Ian lembra que, este ano, a concorrência é muito grande na eleição pelo sufrágio directo, pelo facto de existirem 25 listas. “Não será fácil a reeleição, mas queremos dar o nosso melhor e os esforços nas eleições.” “Macau é uma sociedade democrática, quantas mais comissões de candidatura houver melhor, e todos contribuem para o desenvolvimento de Macau com os seus conhecimentos e experiências. É bom haver muitas comissões de candidatura. Espero que as eleições deste ano decorram de forma justa e limpa”, declarou a antiga deputada. Iong Weng Ian faz ainda algumas críticas ao trabalho do Executivo. “Acho que a sociedade se desenvolveu nos últimos anos, tal como o Governo. Mas o Governo pode fazer melhor em relação às políticas de apoio à família, tendo em conta o desenvolvimento dos jovens e dos idosos.” Andreia Sofia Silva e Vítor Ng info@hojemacau.com.mo
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O secretário para a Economia e Finanças admite a possibilidade de rever a legislação que regula os concursos públicos de concessão de jogo. Fica em aberto se a figura das subconcessionárias será para manter, assim como o número de concessionárias
Jogo LIONEL LEONG PONDERA REVISÃO À LEI DE CONCURSO DE CONCESSÃO
2020 ao virar da esquina GCS
POLÍTICA
“E
STAMOS a ponderar vários aspectos quanto ao concurso público mas queremos, primeiro, ouvir as opiniões da sociedade”, explicou Lionel Leong. O secretário para a Economia e Finanças debruçou-se ontem sobre o fim dos contratos de concessão do jogo, que terminam em 2020 e 2022. As declarações foram feitas à margem de uma reunião da 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa. Para já, o secretário explicou que ainda não existem decisões, mas que o importante será o “desenvolvimento do sector do jogo da forma mais saudável possível” e que, para tal, é essencial auscultar e analisar opiniões de vários quadrantes da sociedade. Um dos aspectos de maior relevância é se as concessões vão manter a mesma configuração, com três concessões e três subconcessionárias. Nesse aspecto, Lionel Leong explicou que tudo está em aberto. “Na altura da liberalização do jogo, o concurso público foi feito com uma conjuntura económica completamente
LEGISLATIVAS AJUDA MÚTUA GRASSROOTS MARCA PRESENÇA
Lionel Leong: “Na altura da liberalização do jogo, o concurso público foi feito com uma conjuntura económica completamente diferente da que temos hoje em dia.”
diferente da que temos hoje em dia”, recorda. O secretário explica que actualmente há mais concorrência e um panorama económico diferente que deverá ser tido em conta na altura do concurso. A indefinição parece ser o ponto de partida. “O Governo tem de responder e pensar em novas formas de desenvolvimento em termos de concurso público, não eliminamos qualquer possibilidade”, perspectiva Lionel Leong.
MADURO JUNHO
Caso se altere o número de operadoras de jogo em Macau, um dos aspectos que terá de ser adequado
É sem um objectivo em mente que a Ajuda Mútua Grassroots participa nas eleições legislativas de Setembro próximo. Ontem, a equipa liderada por Wong Wai Man, constituída por cinco candidatos, apresentou a documentação exigida junto da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa. O programa político da lista dá ênfase a questões como a habitação, os direitos e interesses dos trabalhadores, os serviços de saúde e a educação. Wong Wai Man reconhece que, este ano, a concorrência é muita, pelo que não definiu qualquer meta para a sua candidatura. Destaca, porém, que mesmo que não consiga um assento na Assembleia Legislativa, “o mais importante é aproveitar o processo de candidatura e a atmosfera das eleições”.
para prever este novo paradigma é uma mudança ao regime legal. Mais especificamente, no concurso público “se as propostas não corresponderem à legislação em vigor, será necessário revê-la”, revelou Lionel Leong. Para já, o governante adianta que o Executivo está a analisar várias possibilidades, na antecipação de 2020. O número de licenças, assim como os respectivos requisitos de concurso terão de se adequar ao desenvolvimento do mercado dos casinos, assim como às “várias expectativas que a sociedade tem”. De modo a aferir se haverá necessidade de alterar os moldes do
concurso, o Governo está a realizar “um estudo pormenorizado”. Lionel Leong não escapou à evidência de que “o jogo é o pilar da economia de Macau, portanto, é necessário que tenha um desenvolvimento saudável”. O secretário para a Economia e Finanças ainda mencionou os lucros do sector em Junho. No mês passado, os casinos do território obtiveram receitas de quase 20 mil milhões de patacas, o que representou um aumento de 25,9 por cento em relação ao período homólogo do ano passado. Os dados oficiais, porém, são um pouco enganadores. Lionel Leong explicou que, devido aos péssimos
resultados de Junho de 2016, o crescimento dos lucros desta ordem “não é um aumento real”, sendo necessário ter em atenção “os dados estatísticos dos próximos meses”. Noutro aspecto, Lionel Leong ainda destacou o bom comportamento das pequenas e médias empresas do território. “Os serviços terciários tiveram um aumento de 20,9 por cento”, explica. Esta vitalidade económica que, apesar de estar fora do sector do jogo é intimamente conexa com o mesmo, é encarada pelo secretário como um bom indicador da economia de Macau. João Luz
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ELEIÇÕES ACTIVISMO PARA A DEMOCRACIA SUBMETE DOCUMENTOS
S
ÃO os cavalos-de-batalha do costume aqueles que ontem foram apresentados pela Associação Activismo para a Democracia, que participa em Setembro nas eleições legislativas. A equipa encabeçada por Lee Kin Yun esteve ontem na Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legis-
lativa (CAEAL) para entregar a lista de candidatos e o programa político. Ao todo, são cinco os aspirantes a deputados à Assembleia Legislativa: além de Lee Kin Yun, do grupo fazem parte Ng Sio Hong, Tam Kai Chong, Leong Seac e Chu Kai Chon. O programa político
tem como grande objectivo fomentar o processo democrático em Macau, lutando pelo sufrágio universal nas eleições para a Assembleia Legislativa e para o Chefe do Executivo. Lee Kin Yun destaca ainda outras prioridades, como a implementação do sistema de responsabilização
dos funcionários públicos, a protecção da liberdade de imprensa, a definição da lei sindical, a diversificação adequada da economia e a ascensão profissional dos jovens. À margem da entrega da documentação à CAEAL, o activista contou que uma fotografia sua foi
usada indevidamente na criação de uma conta de uma rede social, que serviu para “atacar um candidato de apelido Kou”. O líder da Activismo para a Democracia assegura que não tem qualquer responsabilidade no ocorrido, pelo que vai apresentar queixa à Polícia Judiciária. V.N./ I.C.
5 hoje macau terça-feira 11.7.2017
POLÍTICA
Lei do Orçamento GOVERNO AUSCULTA COMISSARIADO DA AUDITORIA
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A beira do ser e do parecer CIDADES SÃO MIGUEL QUER REFORÇAR COOPERAÇÃO COM MACAU
NOVA IDEAIS DE MACAU CARL CHING QUER SUFRÁGIO UNIVERSAL
A comissão de candidatura Nova Ideais de Macau, encabeçada por Carl Ching, apresentou ontem o programa político e a lista de candidatura. O líder da equipa candidata-se ao lado de Hong Hok Sam, José Pedro Sales, Lam Mok Lei e Ip Seng Hong. Do programa político, destaque para a luta pela implementação do sufrágio universal nas eleições para os deputados à Assembleia Legislativa e para o Chefe do Executivo. A criação de cursos de formação ligados à cultura e à protecção ambiental, bem como a fiscalização das despesas públicas pela Assembleia Legislativa também constam do programa. Carl Ching espera que em Setembro possam ser eleitos mais deputados defensores do sufrágio universal.
FÓRUM DE MACAU VICENTE MANUEL DEIXA SECRETARIADO
Vicente Manuel deixou ontem de exercer as funções de secretáriogeral adjunto do secretariado permanente do Fórum de Macau. Em nota oficial, recordase apenas que Vicente Manuel é natural de Moçambique. Começou a desempenhar o cargo do secretário-geral adjunto, indicado pelos países de língua portuguesa, em Julho de 2014.
GCS
O presidente do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), José Tavares, recebeu ontem o presidente da Câmara Municipal de São Miguel, Cabo Verde. Herménio Fernandes deslocou-se a Macau após uma visita à cidade de Fuzhou, na província de Fujian. Durante o encontro, foram trocadas impressões sobre o funcionamento das duas cidades e instituições municipais, bem como os desafios e factores de desenvolvimento de ambas as partes. O presidente da Câmara Municipal de São Miguel mostrou vontade em reforçar as relações de cooperação com a RAEM, dada a ligação histórica que une Macau e Cabo Verde.
A lei do enquadramento orçamental está na recta final do processo legislativo. O Governo vai pedir um parecer ao Comissariado da Auditoria quanto a termos técnicos, enquanto a Assembleia Legislativa se prepara para elaborar o parecer antes de a lei voltar ao plenário
U
LT I M A M - S E os derradeiros detalhes para a aprovação da lei de enquadramento orçamental. Para já, o processo encontra-se numa fase de aperfeiçoamento terminológico, de forma a não causar problemas de natureza legal. “Em matéria de responsabilização, temos de ver a melhor forma para elaborar esse artigo, tendo em atenção os vários aspectos técnicos e jurídicos em análise”, explicou Lionel Leong, à saída da reunião da 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL). O secretário para a Economia e Finanças referia-se à parte da legislação referente à responsabilidade de pessoal administrativo na devolução de fundos resultantes da quebra de regras de execução orçamental. Como existem outras leis que regem esta matéria, o Governo quer evitar sobreposições normativas. Assim sendo, Lionel Leong refere que é necessário “ouvir juristas” de modo a limar os detalhes técnicos e jurídicos da proposta.
terminológicas e legais, o processo legislativo aproximar-se-á do fim.
ORÇAMENTO MAIS CEDO
Definidos estes detalhes de terminologia, Chan Chak Mo revela que vai “pedir à assessoria para começar a escrever o parecer”. O presidente da comissão explica que “o novo texto de trabalho é mais rigoroso e aproxima-se mais da Lei Básica, nomeadamente nas regras sobre aprovação, elaboração e apreciação do Orçamento”. O deputado congratula-se com o facto de as regras serem mais detalhadas e o conteúdo enriquecido. A data limite para o orçamento ser apresentado também foi outro assunto na ordem do dia, sendo que os deputados pediram ao Executivo para que proceda à apresentação até 15 de Novembro. Nesse capítulo, a resposta do Governo foi no sentido de que o Orçamento será apresentado em articulação com a ida do Chefe do Executivo à AL para a divulgação das Linhas de Acção Governativa. Esta solução visa dar ao Executivo flexibilidade para
“O novo texto de trabalho é mais rigoroso e aproxima-se mais da Lei Básica, nomeadamente nas regras sobre aprovação, elaboração e apreciação do Orçamento.” CHAN CHAK MO DEPUTADO Outro dos detalhes que necessitam de melhoria é o artigo que trata as definições legais sobre o regime contabilístico. Nesse sentido, Chan Chak Mo, presidente da 2.ª Comissão Permanente da AL, afirma que o “Governo vai perguntar ao Comissariado da Auditoria se esta redacção da lei está correcta, ou não”. Quando as imperfeições linguísticas forem eliminadas dos artigos, para evitar confusões
a redacção da proposta orçamental. No que diz respeito à responsabilização, Chan Chak Mo interrogou o Executivo sobre os tipos de infracções que seriam tipificados como ilícitos em casos de má execução orçamental. “Estes casos podem abranger o abuso de confiança, o furto e o desvio de montantes”, vincou o deputado. João Luz
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6 POLÍTICA
O
deputado Ng Kuok Cheong enviou ontem um comunicado em que apela à libertação de Liu Xiaobo. O Nobel da Paz encontra-se em estado crítico, devido a um cancro no fígado. O pró-democrata de Macau entende que chegou a hora de deixar o dissidente chinês sair em liberdade, para que possa ser tratado no local que desejar. Na carta enviada às redacções, Ng Kuok Cheong escreve que Liu Xiaobo tem insistido, ao longo dos anos, que a luta que levou a cabo pela democracia não tinha como alvo as pessoas que fazem parte do regime, mas sim o próprio regime. “Apesar de ter sido detido várias vezes, rejeitou ser invadido pelo ódio, o que o levou a merecer o Nobel da Paz em 2010”, prossegue o deputado à Assembleia Legislativa. Ng recorda depois o percurso do dissidente chinês, condenado a PUB
hoje macau terça-feira 11.7.2017
Na hora da última luta Ng Kuok Cheong pede libertação de Liu Xiaobo
CAEAL PRAZO CHEGA AO FIM COM 31 CANDIDATURAS
A Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) recebeu 25 candidaturas e programas políticos às eleições por sufrágio directo e seis para o sufrágio indirecto. Ontem foi o último dia para as comissões de candidatura com reconhecimento de existência legal apresentarem estes documentos. Segundo a cronologia das operações eleitorais, nos dois dias subsequentes ao termo do prazo para apresentação de candidaturas, é afixada pela CAEAL a relação das candidaturas com a identificação completa dos candidatos e dos mandatários. Depois, nos dois dias imediatos ao da afixação da relação, os mandatários podem impugnar a regularidade do processo ou a elegibilidade de qualquer candidato.
APN LIONEL LEONG NÃO SE RECANDIDATA
uma pena de 11 anos de prisão em 2009. No mês passado, foi tornado público que lhe tinha sido diagnosticado um cancro de fígado em estado terminal. Além da libertação sem limitações de Liu Xiaobo, que foi transferido da prisão para um hospital, o pró-democrata de Macau pede que seja dada autorização
a Liu Xia, mulher do dissidente, para que possa acompanhar o marido no tratamento. O deputado defende ainda que se investiguem as circunstâncias em que esteve detido o Nobel da Paz, para se averiguar se teve acesso a tratamento de forma atempada. O hospital onde Liu Xiaobo se encontra internado afirmou ontem
que o dissidente se encontra em “estado crítico”. “A equipa nacional de especialistas pensa que o paciente está num estado crítico”, indicou num comunicado o hospital de Shenyang, no nordeste da China, declarando-se pronto a transferir o defensor dos direitos humanos para os cuidados intensivos caso seja necessário.
Condenado por subversão, Liu Xiaobo, de 61 anos, foi colocado em liberdade condicional após lhe ter sido diagnosticada a doença. O activista, intelectual e dissidente foi detido por ter participado na redacção de um manifesto conhecido por “Carta 08”, em que se exigiam reformas fundamentais no regime de Pequim. HM
Lionel Leong não é candidato às eleições locais para a Assembleia Popular Nacional. O secretário já representava Macau no órgão nacional quando passou a integrar a equipa de Chui Sai On. Agora, e de acordo com o canal chinês da Rádio Macau, não tenta a reeleição precisamente por ter funções diferentes daquelas que tinha aquando do último acto eleitoral. O responsável pela Economia e Finanças explica que quer concentrar-se nas tarefas que tem mãos como secretário. Entre os trabalhos a executar, exemplificou, estão as missões dadas pelo Governo Central, como a diversificação adequada da economia, e a participação da RAEM na política “Uma Faixa, Uma Rota” e na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Questionado sobre a possibilidade de estar interessado num cargo político com maior poder do que o actual – ou seja, ser Chefe do Executivo –, Lionel Leong disse apenas estar concentrado no trabalho como secretário para a Economia e Finanças.
7 hoje macau terça-feira 11.7.2017
Lei das Rendas CONTRATOS VÃO PASSAR A TER O MÍNIMO DE TRÊS ANOS
“Uma arma” para o Governo Os deputados chegaram a acordo sobre a lei das rendas, que será votada ainda nesta legislatura. Os contratos de arrendamento terão o mínimo de três anos e será o Chefe do Executivo a decidir quando e qual será o limite máximo a cobrar por uma renda. Esse mecanismo será sempre “provisório”
J
rendas será uma medida excepcional e transitória, e só pode ser usado em determinados contratos”, adiantou o deputado. Isto significa que a definição de um tecto máximo para os aumentos das rendas terá a duração que o Chefe do Executivo entender, dependendo da situação do mercado imobiliário.
margem da reunião de ontem, a deputada Song Pek Kei, uma das signatárias do projecto de lei, garantiu aos jornalistas que não se está a intervir no mercado. “Pensamos que seria necessário ajustar o mercado privado de arrendamento com vista a um desenvolvimento mais saudável. O projecto de lei está mais detalhado e tem um elevado grau de operacionalidade, que corresponde à nossa intenção inicial de avançar com esta política”, frisou.
A definição deste coeficiente terá em conta os índices económicos como o Índice de Preços do Consumidor, a taxa de inflação ou a média salarial. “Não é que não se possam aumentar as rendas.As rendas podem ser aumentadas, desde que não se vá além deste coeficiente máximo definido pelo Governo. Quando o HOJE MACAU
SONG PEK KEI “NÃO ESTAMOS A INTERFERIR NO MERCADO”
À
permitir, na visão dos nove proponentes, a redução dos casos de pensões ilegais, pois “muitos dos documentos apresentados aquando das assinaturas dos contratos são ilegais”.
UM “CONSENSO GERAL”
Cheang Chi Keong falou ainda das razões para a demora na análise deste diploma na especialidade. Nestes meses, a comissão apreciou as opiniões apresentadas pelo sector imobiliário e associações, no âmbito de uma consulta pública. A versão final do diploma reúne, hoje, um “consenso geral”. “Poderemos assinar o parecer em breve e, de acordo com os trabalhos, é totalmente possível finalizar o trabalho até ao final do mês”, disse o deputado, que acredita que, com este diploma, o mercado imobiliário ficará numa situação mais estável. TIAGO ALCÂNTARA
Á há luz verde sobre o projecto de lei apresentado por nove deputados da Assembleia Legislativa (AL) em 2015, intitulado “alteração do regime jurídico de arrendamento previsto no Código Civil”. Segundo explicações do presidente da 3.ª Comissão Permanente da AL, Cheang Chi Keong, os contratos de arrendamento, quer sejam de habitação ou para fins comerciais, terão um mínimo de três anos de duração, mais um do que está previsto na legislação em vigor. “Decidimos passar os contratos de arrendamento para habitação também para três anos, para sermos justos. Nesses três anos o senhorio não pode mexer no contrato e, segundo o Código Civil, o inquilino pode mexer. Isto serve para proteger os inquilinos, em especial os que vêm temporariamente para Macau”, explicou Cheang Chi Keong. O diploma vem, sobretudo, introduzir o mecanismo de definição do coeficiente máximo da renda a cobrar ao inquilino. Este será implementado por despacho do Chefe do Executivo, que passa a decidir quando é que os aumentos das rendas devem ter um travão, e por quanto tempo. O Chefe do Executivo também vai determinar quais os tipos de contrato onde se aplica este controlo. “O mecanismo de coeficiente de actualização das
POLÍTICA
Governo quiser implementar este mecanismo tem de ter em conta os vários índices existentes. O Governo passa a ter uma arma para controlar os aumentos”, acrescentou Cheang Chi Keong. Segundo o deputado, nunca houve a ideia de criar um mecanismo permanente de controlo dos aumentos das rendas. “O Chefe do Executivo é que vai decidir quando implementa e quando cancela essa medida. É uma medida, digamos, picante, e será boa porque o Chefe do Executivo pode intervir a qualquer momento”, frisou.
MAIS UM CENTRO DE ARBITRAGEM
O projecto de lei prevê ainda que o Governo venha a criar
um centro de arbitragem para a resolução dos conflitos de arrendamento, ainda que existam actualmente quatro centros a operar. Cheang Chi Keong recorda que os casos poderão ser reencaminhados para os centros de arbitragem que já funcionam junto da Associação dos Advogados de Macau e do World Trade Center. “Podemos utilizar os actuais mecanismos, mas o Governo pode, segundo o projecto de lei, criar um centro de arbitragem. Cabe ao Governo decidir”, apontou o presidente da 3.ª Comissão Permanente. Outra das regras instituídas será a do reconhecimento das assinaturas dos contratos através das assinaturas feitas noutros documentos. Tal vai
“No futuro, o Governo poderá manter os valores do mercado mais estáveis, uma vez que as rendas ainda são elevadas. Até agora, o Governo não podia mexer nas rendas.” CHEANG CHI KEONG DEPUTADO “No futuro, o Governo poderá manter os valores do mercado mais estáveis, uma vez que as rendas ainda são elevadas. Até agora o Governo não podia mexer nas rendas, porque não tinha armas para isso”, concluiu Cheang Chi Keong. Andreia Sofia Silva (com V.N.)
andreia.silva@hojemacau.com.mo
8 SOCIEDADE A habitação é um problema cada vez mais difícil de resolver em Macau, depreendem os autores do índice de confiança do consumidor feito pela Universidade de Ciência e Tecnologia. Em termos globais, o optimismo está em queda
O
Índice de Confiança do Consumidor de Macau (ICCM) desceu no segundo trimestre deste ano. A diminuição de 1,21 por cento, em comparação com os primeiros três meses deste ano, é causada sobretudo pelo desânimo que existe em torno da habitação. Feitas as contas, o ICMM fixou-se em 85.30, numa escala de zero a 200, revelando assim que existe uma generalizada falta de confiança junto dos inquiridos.
hoje macau terça-feira 11.7.2017
Consumidores CONFIANÇA DESCEU NO SEGUNDO TRIMESTRE
Sem a chave de casa
Isabel Castro
isabelcorreiadecastro@gmail.com
Cinco dos seis campos analisados desceram. Salva-se apenas a “economia local”, que tem vindo a aumentar
O estudo compreende seis campos de análise, a saber: economia local, emprego, preços junto do consumidor, padrões de vida, aquisição de habitação e investimento em bolsa. O mais recente relatório da Universidade de Ciência
e Tecnologia de Macau (UCTM), divulgado ontem, resulta de inquéritos feitos a 1015 residentes com mais de 18 anos, entre os dias 13 e 19 do passado mês de Junho. Numa análise global, os autores destacam que cinco dos seis subíndices desce-
ram no período em análise. Salva-se apenas a “economia local”, que tem vindo a aumentar e fica acima da marca dos 100 pontos, com 102.28. Aeste propósito, a UCTM recorda que as estatísticas oficiais indicam que houve um crescimento de 10,3 por
INDÚSTRIA EXPO TURISMO EM CRESCIMENTO
N
população activa, apenas 2,6 por cento se encontravam sem trabalho. Ainda assim, a percepção dos participantes no inquérito faz com que o valor se situe abaixe dos 100 pontos, com 97.45. Também no subíndice “preços junto do consumidor” se registou uma ligeira queda, estando agora em 74.22. Para este resultado contribuiu a taxa de inflação, que tem estado a aumentar nos últimos meses. É na aquisição de habitação que se verifica um maior pessimismo. O valor registado neste campo voltou a descer, estando fixado em 51.16. “Sugere que está a aprofundar-se a sensação negativa entre os potenciais compradores de casas”, indicam os especialistas da UCTM. Em relação ao primeiro trimestre do ano, este subíndice do ICCM desceu 4,15 por cento. Os autores do estudo recordam que desde o fenómeno não é novo: desde 2012 que se tem verificado uma quebra de confiança a este nível.
O final da 5.ª edição da Expo Internacional de Turismo de Macau, o balanço da Direcção dos Serviços de Turismo (DST) foi francamente positivo. O evento contou com a presença de 36 mil visitantes, o que representou um aumento de 12,5 por cento em relação ao ano passado. Foram assinados 31 acordos de cooperação. De acordo com a DST, esta foi a maior exposição entre as cinco edições, contando com uma maior área de exposição e um maior número de expositores oriundos de mais países e regiões.
O certame teve uma área total da exposição de dez quilómetros quadrados, por onde se espalharam 473 expositores de um total de 303 empresas e entidades de turismo. As companhias do sector vieram dos cinco continentes, totalizando 45 países, sendo que 19 dos quais estão abrangidos pela iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, e 20 eram autoridades do turismo de províncias e cidades do Interior da China. As áreas mais relevantes do sector foram exploradas na exposição, nomeadamente a alimentação, alojamento, transporte, entretenimento,
viagens e compras. As empresas que se fizeram representar foram, sobretudo, agências de viagens, hotéis, pontos turísticos, transportes, entre outros serviços conexos com a actividade. Nas áreas de exposição, destaque para o Seminário e Bolsa de Contactos de Turismo China – Portugal. A 6.ª edição da Expo Internacional de Turismo de Macau tem data prevista de realização em Abril do próximo ano, de forma a facilitar às entidades expositoras a promoção dos seus produtos turísticos atempadamente antes da época alta das férias de Verão.
cento do Produto Interno Bruto entre Janeiro e Março, bastante mais do que os sete por cento verificados nos últimos três meses de 2016. A contribuir também para este aumento da confiança na economia do território estão os resultados obtidos no sector do jogo, a principal indústria da RAEM. Desde 2009, é a primeira vez que este campo de análise ultrapassa a linha dos 100 pontos.
EMPREGO SEM GARANTIAS
Já o optimismo em relação ao emprego diminuiu ligeiramente, sendo que continua a ser o mais alto entre todos os campos analisados. As contas da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos indicavam uma taxa de desemprego para o período entre Março e Maio deste ano. Entre os residentes que integram a
O QUE PODE MELHORAR
S
ão conselhos que já foram dados noutras ocasiões, mas que são agora reiterados pela equipa da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, de modo a que seja possível melhorar o nível de confiança dos consumidores. A começar, entendem os autores do estudo que é preciso aumentar a cooperação regional com a China Continental e com Hong Kong. Depois, há que promover a diversificação económica, reduzir o efeito de “certos factores externos” na economia local, consolidar os resultados obtidos na inflação, e melhorar a relação entre a oferta e a procura no sector da habitação. Convém também encorajar o empreendedorismo entre os residentes, bem como a educação, que tem reflexos directos no nível de confiança.
9 hoje macau terça-feira 11.7.2017
Ensino GAES ORGANIZA VISITA DE ESTUDANTES A PORTUGAL
Em bom português
O Gabinete de Apoio ao Ensino Superior vai organizar a visita de 80 estudantes de Macau a Lisboa e ao Porto durante quatro semanas. Esta viagem acontece depois de docentes e investigadores locais se terem descolado à Universidade de Coimbra para participarem no curso de formação de Verão
A
viagem destina-se a alunos de Macau que estudem no território, no Interior da China, em Hong Kong, em Taiwan, no Reino Unido e noutros países. Os felizes 80 estudantes contemplados pela iniciativa do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) serão divididos em grupos. A viagem, com duração de quatro semanas, tem como objectivo a aprendizagem da
língua portuguesa. Esta actividade será realizada em duas fases. A primeira refere-se ao Curso Básico de Língua Portuguesa ou o exame de conhecimentos de língua portuguesa. A segunda fase é o Curso de Verão em Portugal. Do universo de alunos concorrentes, o GAES seleccionou 277 pupilos para participarem na primeira fase do curso, entre 463 interessados. Apenas os 80 me-
lhores alunos que se distinguiram participaram na segunda fase. Os planos de estudo prevêem a organização de duas turmas do Curso de Verão em Portugal, uma este mês e outra em Agosto. No início de Julho partiram 36 estudantes, que frequentam um curso intensivo de Português, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. O segundo grupo irá frequentar o curso na Universidade do Porto.
Além da visita a Portugal, o GAES vai organizar viagens à Austrália e ao Interior da China para que os estudantes do ensino superior de Macau desenvolvam competências ao nível do inglês e mandarim.
PROFESSORES ALUNOS
Também uma comitiva de 20 docentes e investigadores de instituições do ensino superior de Macau estiveram em Portugal para participar no curso de formação de Verão na Universidade de Coimbra. Os professores são oriundos da Universidade de Macau, do Instituto Politécnico de Macau, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, da Universidade da Cidade de Macau e da Universidade de São José. O GAES realizou uma videoconferência, conduzida por um representante da histórica instituição de ensino português, para dar a conhecer aos formandos algumas informações sobre Portugal. O curso intensivo, com duração de dez dias, abordou temas como
SOCIEDADE
Além da visita a Portugal, o GAES vai organizar viagens à Austrália e ao Interior da China para que os estudantes do ensino superior de Macau desenvolvam competências ao nível do inglês e mandarim a “Língua e Cultura”, “Direito e Administração Pública”, análises comparativas dos ordenamentos penais e civis de Macau e Portugal, leis europeias, entre outros aspectos históricos e culturais. Este programa do GAES é organizado desde 2015 e pretende apoiar a formação contínua dos docentes das instituições de ensino superior de Macau.
SEGURANÇA SOCIAL NOTIFICAÇÃO CONDICIONADA PARA RECEBER VERBAS
Este ano apenas serão notificados os beneficiários que não estiverem incluídos na lista pela primeira vez, assim como quem tenha completado 65 anos e não esteja na lista. Como tal, o Fundo de Segurança Social (FSS) alerta para a necessidade de os cidadãos consultarem a lista de atribuição de verbas da conta individual de previdência com a maior brevidade possível. Os serviços adiantam que a celeridade pode também aproveitar àqueles que ficaram excluídos e que podem, assim, apresentar reclamação atempadamente. As listas podem ser consultadas através do site do FSS, da linha aberta 24 horas, dos quiosques automáticos ou no posto de atendimento. Em comunicado, os serviços de segurança social adiantam que até ao final do mês passado constavam da lista 362.192 beneficiários, tendo ficado de fora 136.111 pessoas. As reclamações ascenderam a mais de três mil.
MISSA DE 7º DIA MR. BARRY BLAND A Associação Geral de Automóvel de Macau – China (AAMC), informa que Barry Bland, o responsável pelas inscrições dos pilotos da F3 no Grande de Prémio de Macau durante mais de 30 anos, faleceu no passado dia 5 de Julho na sua residência no Reino Unido, aos 71 anos de idade, estando acompanhado da sua mulher Irmgard e dos seus filhos Chris, Alex e Ben, pelo que será celebrada a missa de 7o dia, na Quarta-feira, dia 12 de Julho às 18 horas na Igreja da Sé. Antecipadamente se agradece a todos quandos se queiram associar a este acto.
10
ISABEL VALADÃO
EVENTOS
“As palavras são o que restará de nós” ESCRITORA
Viveu aqui na década de 1980, uma passagem de três anos que a marcou. África tinha ficado para trás, Lisboa foi o destino que se seguiu à vida no Oriente. Mais de três décadas depois, Isabel Valadão regressa a Macau através da literatura. “O Rio das Pérolas”, romance recentemente lançado pela Bertrand, conta a história de Mei Lin, uma mulher que existiu e que agora ganha uma nova vida Viveu em Macau durante algum tempo, tendo deixado o território em 1986. Como é que surge este regresso, através da escrita, 30 anos depois? Macau não foi mais uma passagem por um lugar que desconhecemos e que nos desperta curiosidade. Claro que também foi isso. Mas
É
foi, sobretudo, uma etapa importante da minha vida. Angola tinha ficado para trás mas estava sempre presente nos meus pensamentos. Portugal, Lisboa, Cascais tinham apenas sido locais de passagem, apeadeiros impostos pelas circunstâncias. O regresso a Macau por este livro – uma forma
inaugurada esta semana, no Museu de Arte de Macau, a exposição “Ballada – Animamix Arte Contemporânea”. De acordo com o Instituto Cultural (IC), a mostra é composta por 46 peças, incluindo animações, vídeos, instalações, esculturas, pinturas a óleo e pinturas ao vivo de grande dimensão. São trabalhos de artistas da China Continental, Coreia do Sul, Japão e Macau. A iniciativa é, assegura a organização, uma representação do “campo emergente da arte contemporânea que se desenvolve no sentido da diversidade cultural, visualização de textos, virtualização surrealista e regionalização transnacional”. A “Bienal de Animamix” teve início em 2007, pretendendo dar a conhecer, através da cooperação e de projectos de intercâmbio, as características estéticas e culturais únicas da arte contemporânea que
de regressar que talhamos à medida dos nossos desejos e não pelos caprichos do tempo – talvez tenha a ver com a saudade mas está, muito certamente, relacionado com a minha formação em História e com o hábito de investigar o que o tempo guardou dos locais, das terras e das gentes por onde passo. Tem obra como romancista sobretudo em torno de África, onde viveu, continente que em muito a marcou. “O Rio das Pérolas” obrigou a uma mudança na geografia. Foi fácil esta transição? Não foi, exactamente, o Continente que me marcou, mas Angola – embora exista uma relação de afecto entre mim e toda a África. “O Rio das Pérolas” é uma memória
Em “O Rio das Pérolas”, há uma mulher no centro da narrativa. Convida os leitores para uma viagem
“Não existe nada de mais belo e de mais inspirador para um escritor do que as pessoas que se cruzam connosco num determinado momento ou numa esquina por onde o tempo já passou.” entre os anos 1940 e 1960. De onde partiu esta história? Quem é a Mei Lin? Mei Lin existiu na história de Macau. É um personagem
que resgatei da vida real e coloquei no meu livro porque é um dos símbolos da mulher chinesa daquele tempo. Provavelmente, dei-lhe o brilho romanceado de uma história de encantar, emprestei-lhe uma personalidade que talvez nunca tenha tido, envolvi-a em mistérios orientais eternamente indecifráveis e ofereci-lhe um coração que ela talvez nunca tenha tido a oportunidade de conhecer. O resto da história é um romance sobre um lugar e as suas gentes… Uma espécie de fresco. Estamos perante uma obra de ficção, mas com uma componente histórica. É licenciada em História de Arte. Sente que a sua obra ganha significado por partir de factos reais? Como é fazer
Quando a BD sai do papel Museu de Arte de Macau apresenta “Ballada –Animamix Arte Contemporânea”
se desenvolveu sob a influência da animação e da banda desenhada. O MAM participou no evento de arte asiática em 2014, com um projecto subordinado ao tema “Expressão Macau”. “Uma das características de Animamix é um texto narrativo repleto de assombro e mudanças, permitindo que as imagens se tornem numa linguagem visual expressiva”, sublinha o IC.
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como são de memórias todos os livros que escrevi – frequentemente romanceadas. Se um dia deste nosso futuro tão incerto me for oferecida a oportunidade de passar por qualquer outro ponto do mundo e por lá me detiver por algum tempo voltarei a sentir-me emocionalmente compelida a investigar e a escrever sobre esse lugar e as suas gentes. A geografia é importante para o contexto. Mas o que é realmente importante são as pessoas, mesmo que algumas delas tenham de regressar da eternidade para as páginas dos romances que vou escrevendo.
“Ernestina” é mais do que um romance autobiográfico ou um volume de memórias de famílias ficcionadas. É um fresco de Trás-os-Montes, dos anos 1930 aos anos 1950, um romance que transcende o relato regionalista e que transpôs fronteiras, transformando-se num fenómeno editorial na Holanda.
Este ano, a participação do MAM na “Bienal Animamix 2017-2018”, que tem como tema “Ballada”, faz-se ao lado de instituições como a Power Station of Art de Xangai, o Museu de Arte MoA da Coreia e o Centro de Artes Visuais de Hong Kong. Doze artistas e grupos artísticos da China foram convidados para participar na exposição. Quanto aos participantes locais, são eles Lei Ieng
Wai, Leong Man Teng e Sanchia Lau. As obras são diversificadas. Quem passar pelo MAM poderá ver “animação de marionetes, imagens aéreas imersivas, animação fosforescente e cenas bizarras criadas com instalações de som mecânicas e itens pré-fabricados”. Diz o IC que “as obras reflectem o pensamento e a representação dos artistas sobre a narração espaço-tempo ou a visão
mundial numa perspectiva contemporânea”. Os trabalhos de grande dimensão, em formatos inovadores, serão exibidos no rés-do-chão, primeiro e segundo pisos do MAM, perfazendo uma área total de mais de 1100 metros quadrados. A inauguração está agendada para quinta-feira, sendo que a exposição pdoerá ser vista até 15 de Outubro.
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EXTREMAMENTE ALTO E INCRIVELMENTE PERTO • Jonathan Safran Foer
Oskar Schell tem nove anos e é inventor, francófilo, tocador de tamborim, ator shakesperiano, joalheiro, pacifista. Além disso, está a empreender uma busca urgente e secreta através das cinco zonas de Nova Iorque a fim de encontrar a fechadura onde entra uma chave misteriosa que pertencera ao pai, morto no atentado contra o World Trade Center. Oskar, uma inspirada criação do autor, é encantador, exasperante e inesquecível.
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“A geografia é importante para o contexto. Mas o que é realmente importante são as pessoas.”
este exercício de encaixe da história e da ficção? Não existe nada na ficção que não seja, tenha sido ou venha a ser um dia uma realidade. Antes de ser historiadora sou, sobretudo, escritora e romancista. Mas é na História que me inspiro. E nela, das gentes desse mundo fora. Não existe nada de mais belo e de mais inspirador para um escritor do que as pessoas que se cruzam connosco num determinado momento ou numa esquina por onde o tempo já passou. Cada um de nós é um templo, tantas vezes misterioso na singularidade das nossas vidas, livros abertos que ninguém lê, exemplos de coragem, de altruísmo, de genialidade que o anonimato esconde na morte e enterra na campa mais profunda. Eu gosto muito de descobrir os heróis do passado e emprestar-lhes por um instante a homenagem que a vida lhes negou.
distintas. Como é que surge a escrita, no meio de todas estas vivências diferentes? A escrita chega quando tudo o mais se aproxima do fim. Chega-me numa idade mais madura, depois de todas as experiências que a vida me proporcionou. Chega-me também da necessidade de me ocupar e de me manter viva. De me manter, sobretudo, alerta. E da necessidade imperiosa de não esquecer! É a última casa de quem sobe na direcção da saída grande. Tenho 72.
Viveu em vários continentes e teve actividades profissionais completamente
Faz investigação na área da defesa e conservação do património. Escrever
sobre o passado de locais onde viveu é também, de certo modo, uma forma de preservar outro tipo de património? Sim. O património imaterial que todos nós somos. As nossas palavras são tudo o que restará de nós para as gerações futuras. Sei que tem planos para voltar a Macau nas suas obras. Podemos esperar para breve um novo livro? Provavelmente voltarei a Macau – um dia. Mas o meu próximo romance terá o antigo Reino do Congo como chão. Uma princesa-escrava. Heróis avulsos. Guerreiros, estrategas e generais. Mártires e defuntos. Despojos. Escravatura. Epopeias, algumas que a História esqueceu. E uma história de amor, como não poderia deixar de ser. Isabel Castro
isabelcorreiadecastro@gmail.com
EVENTOS
ORQUESTRA DE MACAU MÚSICA QUE SE JUNTA À CIÊNCIA
A Orquestra de Macau tem dois concertos marcados para o próximo sábado, no Centro de Ciência de Macau. As actuações “Festival de Ciência e Música” estão marcadas para as 15h e as 16h30, e destinam-se sobretudo a crianças. De acordo com o Instituto Cultural, organizador da iniciativa, “os concertos serão visual e acusticamente apelativos, combinando informações científicas interessantes e música clássica, proporcionando às crianças um espectáculo sensacional”. Com vista a tornar as sessões mais divertidas, os músicos vão interagir com os membros do público. Os concertos acontecem no Centro de Exposições do Centro de Ciência. A entrada é livre, feita mediante a apresentação de bilhete de entrada do centro do mesmo dia.
12 CHINA
hoje macau terça-feira 11.7.2017
Xi Jinping pede reforma judicial Sem a reforma judicial é complicado avançar noutras áreas
O
Portugal PRESIDENTE DO PARLAMENTO CHINÊS EM VISITA DE TRÊS DIAS
Directas é outra coisa Fazer uma viagem directa Pequim-Lisboa está quase a acontecer. O presidente da Assembleia Popular Nacional está em Lisboa para comemorar. E outras coisas.
O
presidente do parlamento chinês iniciou ontem uma visita de três dias a Portugal, onde vai participar na inauguração do voo directo Lisboa-Pequim, sendo recebido pelo Presidente da República, presidente da Assembleia da República e primeiro-ministro. Da agenda da visita oficial do presidente do comité permanente da Assembleia Popular Nacional
da República Popular da China, Zhang Dejiang, divulgada pelo parlamento português, constam ainda a assinatura de um memorando de entendimento para reforçar a cooperação entre os parlamentos português e chinês, a inauguração de uma exposição de fotografia sobre a cooperação entre a empresa chinesa China Three Gorges e a EDP e visitas culturais, além de contactos com a comunidade chinesa residente no país. O presidente da Assembleia chinesa chegou ao aeroporto de Figo Maduro, ao início da tarde de ontem, ocupando o resto do dia com visitas ao Mosteiro dos Jerónimos e ao Museu Nacional dos Coches. Na terça-feira, o programa da primeira visita oficial de Zhang Dejiang a Portugal começa com um encontro com António Costa, na residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento. Segue-se, num hotel em Lisboa, a cerimónia de inauguração dos voos directos Lisboa-Pequim, com a presença
do primeiro-ministro português. Os voos serão operados a partir do próximo dia 26 pela Beijing Capital Airlines, uma subsidiária do Grupo HNA, em ‘code-share’ com a TAP, três vezes por semana (quarta-feira, sexta-feira e domingo), em aviões Airbus 330-200, com capacidade para 475 passageiros. Pelas 11:00, Zhang Dejiang desloca-se para o parlamento, onde será recebido em cerimónia de boas-vindas, seguindo-se um encontro privado com o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, e depois uma reunião alargada às respetivas comitivas. Ferro Rodrigues e Zhang Dejiang assinarão um memorando de entendimento sobre cooperação entre os parlamentos de Lisboa e Pequim, “visando o reforço contínuo das relações de amizade e de cooperação entre as duas instituições, nomeadamente pela promoção de contactos regulares entre comissões, grupos de amizade e serviços, e
pelo intercâmbio e troca de experiências no que refere às relações bilaterais, à governação e ao desenvolvimento da democracia e do Estado de Direito”. À tarde, o presidente do parlamento chinês inaugura, no Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia (MAAT), uma exposição de fotografias sobre a cooperação entre a China Three Gorges e a EDP, de que a empresa estatal chinesa de energia é a maior accionista. Na quarta-feira de manhã, o responsável político chinês será recebido, em audiência, pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém. No programa da visita estão ainda previstos contactos com a comunidade chinesa residente em Portugal. O presidente da Assembleia Popular Nacional da China parte de Lisboa, também do aeroporto de Figo Maduro, ao início da tarde de quarta-feira.
presidente chinês, Xi Jinping, pediu “esforços para avançar inabalavelmente a reforma do sistema judicial do país e seguir o caminho do Estado de direito socialista com características chinesas”, noticiou a Xinhua. Xi fez as declarações numa instrução escrita enviada a uma conferência nacional sobre a reforma do sistema judicial, que foi realizada na segunda-feira na cidade de Guiyang, da província de Guizhou, no sudoeste da China. O presidente sublinhou que “a reforma do sistema judicial é importante para a causa do aprofundamento abrangente da reforma, a implementação eficaz do Estado de direito e o sistema de
governança do país”. Xi pediu às autoridades judiciais que sigam os requisitos do Comité Central do PCC na promoção da reforma. No documento, Xi elogiou ainda o esforço das autoridades na abordagem de assuntos difíceis e nos avanços na reforma, dizendo-se convencido de que “os progressos promoveram a confiança pública no judiciário e garantiu a imparcialidade e a justiça sociais” e também enfatizou que as regras no sector judicial devem ser respeitadas e a tecnologia moderna introduzida na reforma judicial. Os participantes concordaram em aproveitar as tecnologias de “big data” e inteligência artificial (IA) para promover as reformas.
PEQUIM FÓRUM DE PORTUGUÊS LEVA ESPECIALISTAS DE MACAU
P
EQUIM recebeu neste fim de semana o IV Fórum Internacional do Ensino de Língua Portuguesa na China, organizado em parceria pela Universidade de Comunicação da China e pelo Instituto Politécnico de Macau. A quarta edição do Fórum, sob o tema “Da Ásia para o Mundo: Ensinar Português em Tempo de Globalização”, contou com a presença de mais de 70 professores e acadêmicos provenientes da China, Brasil e Portugal. O reitor da Universidade de Comunicação da China, Hu Zhengrong, que proferiu um discurso de abertura, disse esperar que o fórum possa estabelecer uma plataforma de intercâmbios e compartilhamento de resultados acadêmicos entre professores e acadêmicos.Assim, será possível oferecer um espaço aberto e de discussão para chineses e estrangeiros que participam e apoiam o desenvolvimento do ensino de português na China. O reitor destacou que, no contexto da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota, uma das metas da universidade consiste em formar talentos que dominem e apliquem línguas como o português. Dessa forma, a instituição pretende
oferecer aos estudantes uma estrutura de conhecimento complexa com ampla visão internacional, tornando-os capazes de participar de um mercado competitivo e das cooperações globais. Ao longo da última década, com a estrita cooperação entre a China e os países de língua portuguesa nos sectores político, económico e cultural, vem crescendo a demanda por talentos que dominam a língua portuguesa. Em consequência disso, o ensino de português na China entrou em um período de desenvolvimento acelerado. A realização periódica de conferencias sobre o ensino de português contribui para promover a cooperação e intercâmbios no sector pedagógico e melhorar a qualidade da formação de talentos. Os três primeiros fóruns foram realizados respectivamente na Universidade de Línguas Estrangeiras de Beijing, no Instituto Politécnico de Macau e na Universidade de Estudos Internacionais de Shanghai.
13 CHINA
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G20 ARGENTINA QUER SEDIAR CIMEIRA, PEQUIM APOIA
GRUPO WANDA VENDE ACTIVOS IMOBILIÁRIOS POR 70 MIL MILHÕES
O conglomerado chinês Wanda Group vai vender a sua carteira de activos imobiliários, que inclui 76 hotéis, vários terrenos e participações em projectos turísticos. O comprador é a Sunac China Holdings, que pagará 63,2 mil milhões de yuan, o equivalente a 8,1 mil milhões de euros. Fundado por Wang Jianlin, um dos homens mais ricos da China, o Wanda Group foi recentemente colocado no radar das autoridades chinesas, juntamente com os grupos Fosun e HNA, para uma análise aprofundada dos empréstimos contraídos no sistema financeiro chinês visando a realização de investimentos internacionais. O Wanda Group foi criado em 1988, tendo hoje ativos imobiliários de 32,2 milhões de metros quadrados. Além do negócio imobiliário, tem também interesses na área tecnológica e na indústria do entretenimento, controlando a cadeia norte-americana de cinemas AMC. A AMC avançou no final do ano passado com a compra ao fundo Terra Firma da rede Odeon & UCI, que explora na Europa mais de 2200 salas de cinema, em países como Inglaterra, Itália, Espanha, Áustria, Portugal e Alemanha. Em Portugal a UCI Cinemas está nos centros comerciais El Corte Inglés, Dolce Vita Tejo e Arrábida 20.
O
ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, expressou na sexta-feira o apoio de Pequim à Argentina para sediar a cimeira do G20 no próximo ano. Wang fez as declarações numa reunião com o seu homólogo argentino, Jorge Faurie, à margem da cimeira do G20 deste ano na cidade de Hamburgo, na Alemanha. Notando que a China valoriza muito os laços com o país sul-americano, Wang disse que a China trabalhará com a Argentina para reforçar os contactos a todos os níveis e promover a
cooperação em várias áreas como comércio, agricultura, intercâmbio pessoal e tecnologia e ciência. Wang indicou que a China está pronta para ajudar a Argentina a realizar com êxito os grandes projectos de
ESTUDANTES SIMULAM VIDA NA LUA
A experiência de simulação da vida na Lua começou num laboratório especial em Pequim. Quatro estudantes voluntários passarão 200 dias completamente isolados do mundo no âmbito dos preparativos da China para a realização de seu programa lunar, informou na segunda-feira o canal CGTN. “Se não colonizar a Lua e Marte, a humanidade pode ser extinta”, diz Stephen Hawking. O laboratório Yuegong-1 (Palácio da Lua), situado na Universidade de Beihang, é um espaço
cooperação em energia e infra-estrutura, avançar na construção do Uma Faixa, Uma Rota e impulsionar os laços bilaterais e as relações entre a China e a América Latina. O MNE chinês pediu que os dois lados mantenham uma coordenação
PARABÉNS AO IRAQUE PELA LIBERTAÇÃO DE MOSUL
estreita na implementação dos consensos alcançados nas últimas cimeiras do G20 para promover a abertura da economia mundial e melhorar a governança económica global. Faurie, por sua parte, disse que o lado argentino se baseará na experiência chinesa ao sediar a cimeira de Hangzhou em 2016 e garantirá o sucesso da cimeira do G20 no próximo ano. Chamando a China de um parceiro importante da Argentina, Faurie afirmou que a China desempenha um papel significante nas questões globais.
isolado de 160 metros quadrados, sendo o primeiro laboratório deste tipo criado na China e o terceiro sistema de suporte de vida biogenerativo no mundo. A Universidade de Beihang está a realizar o projecto, que simula as condições de vida na Lua e dura 365 dias. Um grupo de quatro voluntários já terminou a primeira etapa de 60 dias, em seguida, depois de acabar a etapa de 200 dias, começará a seguinte, de 105 dias, de acordo com o canal. O Palácio da Lua compreende um
A China congratulou nesta segunda-feira o Iraque pela libertação de Mosul, afirmando que foi uma vitória significativa na guerra do país contra o terrorismo. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, fez as declarações numa conferência de imprensa. Segundo um comunicado do gabinete do primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi chegou a Mosul no domingo e congratulou as forças armadas pela sua vitória e libertação de Mosul. “A China apoiará como sempre o governo iraquiano na protecção da estabilidade nacional e na promoção da reconstrução económica”, disse Geng.
espaço de 42 metros quadrados onde os voluntários vivem e de dois módulos para cultivar plantas. O módulo residencial é constituído por quatro cabines de dormir separadas, uma sala comum, um banheiro, um espaço para animais e um para reciclagem de resíduos. Segundo os pesquisadores, tais experiências ajudam os cientistas da China a avançar nos estudos sobre as condições necessárias para realização de missões de longo prazo na Lua.
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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 417/AI/2017
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 418/AI/2017
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora GAO YANG, portadora do Passaporte da RPC n.° G56555xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 87/DI-AI/2015 levantado pela DST a 23.07.2015, e por despacho da signatária de 29.06.2017, exarado no Relatório n.° 415/DI/2017, de 05.06.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Lagos n.os 75-81, Hoi Yee Fa Yuen, Bloco 1, 4.° andar A, Taipa onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.--------------------------------------------------------------
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor ZHOU SHIZHU, portador do Passaporte da RPC n.° E14343xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 87/DI-AI/2015 levantado pela DST a 23.07.2015, e por despacho da signatária de 29.06.2017, exarado no Relatório n.° 416/DI/2017, de 05.06.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Lagos n.os 75-81, Hoi Yee Fa Yuen, Bloco 1, 4.° andar A, Taipa onde se prestava alojamento ilegal.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.----------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.---------------------------------------------------------------
-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 29 de Junho de 2017.
-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 29 de Junho de 2017. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 419/AI/2017
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 444/AI/2017
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor CHEUNG MING BIN BILLY, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da Hong Kong n.° H1047xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 87/ DI-AI/2015 levantado pela DST a 23.07.2015, e por despacho da signatária de 29.06.2017, exarado no Relatório n.° 417/DI/2017, de 05.06.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Lagos n.os 75-81, Hoi Yee Fa Yuen, Bloco 1, 4.° andar A, Taipa onde se prestava alojamento ilegal.------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.--------------------------------------------------------------
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor CHEN CHENGHUA, portador do Passaporte da RPC n.° E28842xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 77/DI-AI/2015 levantado pela DST a 13.07.2015, e por despacho da signatária de 29.06.2017, exarado no Relatório n.° 434/DI/2017, de 09.06.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Nossa Senhora do Amparo n.° 1, Edf. Tin Iok, 2.° andar A onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.---------------------------------------------------------------
-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 29 de Junho de 2017.
-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 29 de Junho de 2017. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
14 ARTES, LETRAS E IDEIAS
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15 hoje macau terça-feira 11.7.2017
máquina lírica
Paulo José Miranda
(SEGUNDA PARTE)
Ricardo Ben-Oliel (Conquista que vive há quarenta anos em Israel) e o seu livro O Quarto Trancado Onde Nem a Morte Entrava
P
ORQUE narrar não é apenas uma necessidade; narrar é fazer viver o vivido, fazer-nos viver de novo. Quem não narra não ressuscita. E quanto da narração não passa de vida parada! Mas não há só relato, sedução neste conto, como já víramos antes, há também a vida vivida dos outros: “Entretanto, já se fora o casal de jovens que se sentara à nossa frente. Ela saracoteando-se e a sacudir contra o azul do céu a bela cabeleira dourada; ele a perscrutar insistentemente algo no aparelhozito com que guardara uns tantos retalhos do universo. // Pouco após, veio sentar-se próximo uma senhora idosa e anafada, que passeava uma criança de berço, bem resmungona. Uma oportuna chucha enfiada a tempo restabeleceu a serenidade ameaçada.” A narrativa e mais uma interrupção por novos companheiros de mesa, até que, já levantados, já afastados do Cristo-Rei, no final do conto, Leo conta porque se riu, no início. De um simples riso à sua explicação, percorremos algumas décadas, dois continentes e alguns modos do humano se comportar uns com os outros nos dias de hoje, porque o outro – e já o escritor Mário de Carvalho nos tinha alertado na apresentação do primeiro livro de Ricardo Ben-Oliol, para essa dimensão humana, a compreensão do outro, que no seu entender domina todo o primeiro livro, em diversas tonalidades – é uma cidade onde se vive. “Entretanto, veio sentar-se na esplanada, perto de nós, um casal de velhotes, a acompanhar dois caniches, mimados e ruidosos. A imporem a sua presença. A fazerem-nos ver que havia quem mais tivesse direito a fruir um belo poente de Agosto.” Em “Pe-ter, Pe-ter, On-de Es-tás-as” inicia-se, e até ao fim do livro, os contos vindos desse pais singular: Israel. Os contos de Israel fazem-nos cair num ambiente que nos é estranho. Os campos de concentração estão presentes ao dia a dia das pessoas. São os sobreviventes ou familiares deles que referem as suas experiências, do mesmo modo que nos nossos cafés escutamos as aventuras amorosas passadas, de alguém idoso, ou uma ou outra arruaça mais atrevida. Percebe-se, pelo livro, que o sofrimento é uma crosta que cobre o país. Assim como a constante preocupação, apesar da habituação, essa característica qua-
se essencial do humano, como o autor escreve, referindo-se a Shlomi, à pagina 68: “cidade sempre em perigo e que se habituara a viver como tal”. Por outro lado, há em Israel mais uma guerra que nos escapa a nós, portugueses de quase mil anos em todo o território, a diferença entre as cidades históricas, como Jerusalém e as cidades novas, como Telavive. Leia-se: “Telavive é a cidade dos escritórios, das grandes companhias. É a cidade do futuro, ao menos é quanto parece. Tem o mar, as praias, o Bauhaus. Até aí, tudo certo. Mas falta-lhe... – Falta-lhe o quê, quererás dizer-me? – Espaço e história!” Mas, e ainda neste mesmo conto, ficamos frente a uma dos mais estranhos e misteriosos sentimentos humanos: a guerra particular. Mais do que a guerra, é a quebra da amizade, de uma amizade que até aí parecia tão sólida quanto a Tora e de repente se rasga como papel higiénico, porque é mesmo uma marca de papel higiénico que conduz a isso. Neste conto magistral, Alan e Noa, Hana e Luna – A história De Uma Morada, em que um jovem casal que se muda para uma cidade do deserto testemunha a transformação da amizade de duas mulheres, vizinhas no mesmo prédio, em uma guerra sem piedade. E porquê? Por um rolo de papel higiénico. Pela compra de uma marca em detrimento de outra por parte de Luna sem partilhar essa informação com Hana. Informações que até aí, onde comprar mais barato e quais os produtos mais baratos, eram sempre partilhados entre elas, até ao trágico dia em que Hana se dá conta de que Luna passara a comprar Xelax ao invés de Alex, como sempre ambas fizeram, sentido nisso uma violenta traição, uma invasão da terra prometida. Leia-se à página 95: “Mal abro a porta, dou com o Alex e o Xelax, os dois estendidos pela casa fora. Dobrados e redobrados. O Xelax ganhava, era francamente maior. E as duas de joelhos, a apalparem-nos, demoradamente, a ver qual dos dois o mais macio. E o Xelax, uma vez mais, a atestar a vantagem sobre o rival. Hana, assanhada, nunca a tinha visto assim. A insistir, sempre: «E não me dizias nada, Luna! Lô, lô, Luna, lô, lô, Luna! // Noa a reviver, a recriar, zombeteira, o dizer ressabiado de Hana: «Eu, que nunca deixei de te avisar onde comprar o tomate mais barato, Luna! E a alface, e a farinha, e o mel! Quantas vezes te disse que não fosses à makolet do Arik, que vende tudo mais caro do que
o Dov. Queres um canalizador, uma sanita nova, aconselho-te a que chames o Shimon, e não o Shmulik. Precisas de consertar o boiler, que procures o Kobi. Tens um estore empanado, diz ao Fadi, que é árabe e não é careiro. O tal que me pintou a casa, e até ficou bem. Mesmo quando tiveste problemas de gengivas, Luna, lá foi a pobre da Hana buscar-te à farmácia o melhor gel, e o mais em conta. E tu descobres uma coisa destas, e fechas-te em copas! Não fora eu ir lá dentro, e ficaria, sem saber que, afinal, estava a esbanjar, sem necessidade alguma. Só me faltava esta de andar a desbaratar dinheiro em papel higiénico!»” Este início de guerra entre duas amigas, que diariamente se entre ajudavam, neste preciso contexto de uma pequena cidade de Israel, não pode deixar de nos fazer pensar de como não existir o conflito entre os irmãos judeus e muçulmanos. Irmãos, sim, pois, e como é vivido e sabido em Israel, há muito mais similaridades entre o judaísmo e o islamismo do que entre qualquer uma destas religiões e o cristianismo, em qualquer das suas variantes. E, como o próprio narrador escreve páginas adiante: “Afinal, que frágil que é a teia de amizade a unir as pessoas. Às tantas, uma palavra, a mais ou a menos, um gesto mal esboçado, um qualquer esquecimento, quem sabe se propositado, ou apenas negligente, é quanto basta para tudo quebrar. Mas terá de ser assim? Não deverão a memória, o sentimento, e neste caso, até o apoio, a assistência, prevalecer sobre qualquer um desses incidentes? Às vezes, até dá a ideia de que há quem esteja à coca de uma razão, para logo desencadear a guerra.” Se é verdade que este conto e a fragilidade das amizades nos conduzem, por forças da origem da narrativa, a pensar no conflito do Médio Oriente em particular e nos conflitos ao redor do planeta em geral, não é menos verdade que neste caso também nos faz pensar em nós portugueses, e na aparente facilidade com que cortamos relações uns com os outros, levando-nos a pensar que talvez haja um modo de ser mediterrânico ao qual todos nós pertencemos. Da guerra do papel higiénico à impossibilidade da paz em Israel vai um conto. E, nesse conto seguinte, é um ex-aluno do narrador, e também ex-militar e ex-assaltante, que nos diz isto: “Todavia, se para uns a morte é um rito, uma memória, um símbolo, para nós, incapazes ou impossibilitados de construir a paz, a morte tornou-se uma vivência, uma vivência diária, uma vivência
arrastada a toda a hora. E o que é pior? Fala-lhe um ex-soldado, que em circunstâncias duras se viu forçado a abater outros, deixando-lhes os corpos torcidos, os crânios esfacelados. Caídos ao mero pressionar de uma falangeta. Será esse o caminho para se alcançar a tão propagada concórdia, esse repisado shalom, dito e redito a cada instante? Mas se essa não é a via, professor, então também lhe digo que outra não haverá. A tão ansiada paz é inatingível. Nenhuma das partes no conflito se revela pronta a contemporizar, a correr os riscos necessários para a celebrar. Nenhuma delas está apta a prescindir de exigências, de condições, que desde logo inviabilizam qualquer solução. Assim sendo, só nos resta a alternativa de continuarmos a nossa existência a braços com a morte.” No último conto do livro, Balada Para Yair, o menor dos contos do livro, somos atingidos violentamente pela redemoinho da primeira frase: “Sabia que vinhas hoje, pai.” E o tempo todo de uma criança sem o pai cai-nos em cima neste começo de conto: Sabia que vinha hoje, pai. Neste último conto a morte de uma criança, Yair, filho do narrador, irmã da menina que nos atira à cara a frase com que começa o conto, é ligada a todas as atrocidades humanas, a Auschwitz Birkenau, o maior terror da história humana, onde se chegou a exterminar – infelizmente é este o termo – dez mil judeus por dia, no auge da barbárie. Porque para um judeu, matar um homem é destruir o mundo. E veja-se como o autor liga estes acontecimentos aparentemente desconexos: “Uma mina, e o jipe que saltou. E com ele Yair, pai. Como é possível, ainda há dias, e na semana passada, e no último Verão, e quando há uns anos fomos os três a Varsóvia, a Auschwitz, depois a marcha a Birkenau...” Esta tristeza partilhada pelo pai e pela filha, acentua-se para nós com esta frase, em interrogação retórica, que surge como um muro entre os humanos: “Porque será que as pessoas tão bem se entendem, quando nada dizem?” E para terminar, deixo-vos com mais uma passagem do último conto do livro: “Que final de tarde, que pesadelo, eu a ouvir as sirenes e a saber-vos, os dois, sós. – Julgo que foi das poucas vezes em que vi Yair chorar. Mas sem tirar a máscara [de gás do rosto], para que eu não visse. Quando a guerra terminou, Yair e eu, de novo, a sentirmos a tua falta. Voltavas para casa sempre tão tarde! Faz hoje um ano mais, pai.”
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hoje macau terça-feira 11.7.2017
Amélia Vieira
Como água que corre JOHN WILLIAM WATERHOUSE ECO E NARCISO 1903
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M longo manto de Estio se precipita e não somos contemplados com as noites macias da Estação. Há na atmosfera muita fuligem que nos toma e dissecamos os instantes, não em beijos mas em torrentes de azáfamas que estão mais quentes que os combustos incêndios. Não nos permitimos correr como os rios e os tempos não são a foz das águas com caudais transparentes: por todo o lado soam avisos e para os mitigar prosseguimos como se os eles fossem os ecos de eflúvios sem sentido, nós que suados transitamos de queda em queda com formatos de guindastes e erguidos só nas intenções que gostaríamos de ver realizadas. Nenhum poeta, nenhum artista, detém sozinho o seu completo significado e tudo o que herda é de árduo labor. Porém, se aciona o fluxo das formas onde deslizam as suas fontes e enigmas mais profundos, há sim uma água que corre numa imensa dádiva tangente à dança. São orquestrações que nem de falta de som padecem. Há sempre melodia entre os sinais e sinalizar as coisas é comprometê-las com os seus pares que se transformam em outro corpo de ser, uma unidade para o efeito comum que não dispensa a parte de cada um numa manobra de simpatias que provoca a completude. Saber ir para
a região que está jorrando, e nas quedas de água nos banharmos, é mais natural que estar atento a esta dimensão tão redutora de muitos sem uma voz comum de entendimento, este lastro de músculo tolhido pela formatura das pragas do entendimento estreito que lhes parece global numa máquina louca de produzir efeitos. Depois de destilados os líquidos e alguns nobres metais eles são imiscíveis mesmo tentando tocar-se, podem sim, estar lado a lado com um muro de separação qual fio de prumo que os ajuda a identificar, e lá se vai a doce visão da amálgama que tentamos saciar pelos outros, em outrem, para nos diluirmos, mas, sabemos que a partir de certas compo-
O mundo não é, ao contrário deste coro em rede, uma acção forçosamente política. Aliás, é matéria que interessa muito a inertes, demagogos, ociosos e populações a retalho nas suas pequenas hierarquias de grupo
sições também nós nos separamos para sempre. Esse intransponível condão é tão extensível que vivemos dele e mesmo que queiramos interromper o fluxo da sua inexorável lei, não há forma de a contornar. O equilíbrio de forças contrastantes gera não raro um estado de beleza mas toda e qualquer permanência torna-se inadequada , se a natureza não suporta o vazio muito menos suporta a desarmonia de um estar continuado. Não endereçamos a vida a ninguém, não há nenhum receptor à nossa espera, nós somos os emissores constantes desse emissário do Deus desconhecido que se vai recriando em cada um de acordo com a sua consciência, por vezes, escutamos a sua voz, noutras, ela se silencia e cala, apenas a sua lembrança gera o movimento de prosseguir ditando alguns sinceros sinais de uma ininterrupta interrogação e vontade de fazer. Se não obscurecermos nas actividades da vida, talvez haja no fim a revelação procurada mas não discutida como finalidade, e de todas as buscas, se nos ficar só uma surpreendente verdade, todo o esforço parece então ter sido ganho. O mundo não é, ao contrário deste coro em rede, uma acção forçosamente política. Aliás, é matéria que interessa muito a inertes, demagogos, ociosos e
populações a retalho nas suas pequenas hierarquias de grupo. O mundo, não é isso, este barulho, estas realidades, estas preocupações generalistas dos hiperinformados que em manobras diletantes são aspirados também eles pela malha esganada dos sugadores do fluxo. O mundo não é isso, nem matéria jurídica embrulhada em gordura legislativa para em esteiras de má conduta todos andarem ditando setenças. Há comportamentos dados pela civilidade que não necessitam do crivo legalista, eles são da ordem natural dos civilizados, e ao fazer-se um pequeno país de juristas, quer ele dizer, o pequeno Estado, que a sobredosagem nestas coisas é agora o que sobrara da opinativa forma do denunciador, regedor e delator das cidades. Perderam-se sem dúvida muitas funções que fazem das sociedades unidades harmónicas, o dom das coisas eternas deixou de funcionar e o efémero é tudo - até cada um de nós - não nos foi dado desenvolver recursos que são dádivas na formação do pensamento e um mundo desorientado e sôfrego se encaminha já cego para um estertor que ele próprio não conseguiu prever. Onde deixaram os sonhos, onde lhes faltou adquirir a dobra que faz a curva mais suave antes dos estrondos e das formas de ruína? É uma jangada à deriva, mais triste que a da orfandade daqueles que passam os mares, mas se lhes dissermos de coisas outras eles não querem, eles são quem tem as soluções, eles sabem tudo daquilo que agora já não interessa. São gentes de Estação. Finda a época eles passam como espectros sem que tenhamos deles mais lembranças, mas ainda, e sempre melhor, sem que tenhamos tido remorsos por sordidamente lhes termos infligindo algum dano. Eles desconfiam de tudo, desconfiam uns dos outros, são predadores à solta e não têm nada agora que lhes saiba verdadeiramente ao sabor sadio de uma bela e sacrificial presa. As presas prendem-nos, ficam na jaula de uma condição tão desgraçada que de os ver, a vida se encaminha quase em surdina para outros locais. Das gerações precedentes não há que tomar legado, quem se abstiver de tais fidelidades cercar-se-á de outro tónus e marchará na impertinência do tempo com toda a sua novidade que será sempre melhor que qualquer repetição. Heraclito diria isto na sua frase de sábio que é a riqueza que fica.
17 hoje macau terça-feira 11.7.2017
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O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje
CINEMA | “CIDADE DE JADE” 2º FESTIVAL INTERNACIONAL DE DOCUMENTÁRIO DE MACAU 21h30
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70-95%
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EXPOSIÇÃO | INAUGURAÇÃO: “PARA BAIXO E PARA CIMA”, DE DENIS MURRELL Fundação Rui Cunha | 18h30 CINEMA | IV CICLO DE CINEMA CRED-DM – SISTEMA PRISIONAL: “CARANDIRÚ” Casa Garden | 19h30
O CARTOON STEPH
Sexta-feira
CINEMA | “RIO CORGO”, 2º FESTIVAL INTERNACIONAL DE DOCUMENTÁRIO DE MACAU Cinemateca Paixão | 19h30 CINEMA | “OS AMANTES E OS DÉSPOTAS”, 2º FESTIVAL INTERNACIONAL DE DOCUMENTÁRIO DE MACAU Cinemateca Paixão | 21h30
Sábado
MÚSICA | TURTLE GIANT LIVE Rua De Nossa Senhora, Beer Temple | 20h30 às 22h00
Diariamente
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 75
EXPOSIÇÃO “NEW ART PEOPLE PROJECT 2017: BOUNDLESS 4” Armazém do Boi | Até 13/8
UM LIVRO HOJE
EXPOSIÇÃO “CONTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10 EXPOSIÇÃO “O MAR” DE ANA MARIA PESSANHA Casa Garden | Até 31/08 EXPOSIÇÃO “A ARTE DE ZHANG DAQIAN” Museu de Arte de Macau | Até 5/8 EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS” DE VHILS Oficinas Navais, nº. 1 | Até 31/11 EXPOSIÇÃO “AS MUDANÇAS DE HENGQIN” Armazém do Boi | Até 16/07
Cineteatro
C I N E M A
SALA 1
SPIDER MAN: HOMECOMING [2D][B]
Com: Tome Cruise, Sofia Boutella, Annabelle Wallis, Jake Johnson 21.45
Fime de: Jon Watts Com: Tom Holland, Robert Downey Jr., Michael Keaton 14.15, 21.30
TRANSFORMERS: THE LAST NIGHT [2D][B]
DISPICABLE ME 3 [2D][A]
Fime de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Laura Haddock Anhtony Hopkings 14.00
Falado em cantonês Fime de: Pierre Coffin, Kyle Balda, Eric Guillon 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
SPIDER MAN: HOMECOMING [2D][B]
SALA 2
SALA 3
THE MUMMY [2D][C] Fime de: Alex Kurtzman
Fime de: Jon Watts Com: Tom Holland, Robert Downey Jr., Michael Keaton 16.45, 19.15
PROBLEMA 76
SUDOKU
DE
MÚSICA | TURISMO E CIDADES NA ÓPERA: REIMS Fundação Rui Cunha | 18h30
EXPOSIÇÃO “COLOUR/SHAPE/LOVE”, DE JOAQUIM FRANCO Macau Art Garden | Até 16/7
YUAN
1.18
MADRUGADA ADENTRO
SEMINÁRIO “ARQUITECTURA PARA TRANSFORMAR A CHINA” Albergue SCM | 19h00
Quinta-feira
0.23
PÊLO DO CÃO
Amanhã
EXPOSIÇÃO | EXPOSIÇÃO DE OBRAS ARTÍSTICAS DOS AGENTES DA PSP Albergue SCM | 16h00
(F)UTILIDADES
O que congrega estas pessoas em torno de mesas de bacará às seis da manhã? Olhos vazios de expressão e carregados de sangue, despidos de vida, presos à aleatoriedade, fixos na dança de mãos do croupier. Lá fora um sol indiferente a tudo isto desponta preguiçoso, enquanto no casulo quente do jogo se consomem cigarros e vidas da mesma forma desprendida. Agiotas vigiam a acção, marcam as presas, perscrutam o destino como abutres que esperam a carcaça tombada por terra. Prostitutas oferecem consolo ou celebração carnal, enquanto se passeiam vagarosamente alastrando o aroma etílico do perfume que queima os olhos frágeis da madrugada. O perfume mistura-se com o cheiro da alcatifa pisada e da depressão de dias de difícil digestão. Este é o grande sonho chinês, a ideia de glória e fortuna conquistada em meia-hora de alinhamento de factores mágicos, supra-humanos. O golpe de sorte que relativiza uma vida de trabalho, que faz mover a existência para outro patamar social através do lúdico acaso. Casino é uma palavra que provem da expressão “casa”, da ideia de lar, um desalinho de significados que cria uma nova vaga de desalojados. Esta gente que se arrasta de mesa em mesa, farejando onde a sorte habita, perpetuando gestos que atraiam a fortuna, que tragam o riqueza, para quem o tecto e a cama são a sorte e o azar. João Luz
“DIÁRIO A RUM” | HUNTER S. THOMPSON
“Diário a Rum” é um dos primeiros livros escritos pelo escritor e jornalista norte-americano que só foi publicado em 1998, depois de o actor Johnny Deep ter encontrado o manuscrito na casa de Thompson. O livro viria a dar origem a um filme pouco inspirado. “Diário a Rum” é um exercício de escrita onde um jovem Thompson, com apenas 22 anos, ainda procurava a sua voz literária. A narrativa centra-se na vida de um jornalista desterrado em Porto Rico, à semelhança da vida real do autor, que vive constantemente à beira de vários abismos. A vertigem viria a ser um dos temas de eleição de Hunter S. Thompson, assim como uma fixação quase doentia com Richard Nixon. João Luz
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18 OPINIÃO ALBERTO OSÓRIO DE CASTRO
O dom magnífico de Camilo Pessanha
S
IMPLESMENTE par droit d´aînesse entre os amigos e admiradores de Camilo de Almeida Pessanha, quis o grande amigo do Poeta, o brilhante jornalista Dr. Carlos Amaro, que algumas palavras minhas acompanhassem estas fotografias da arte chinesa que a Ilustração publica, e representam a magnífica colecção de cem peças características da arte milenária do Celeste Império oferecidas por Camilo ao Museu das Janelas Verdes. Como essas fotografias avivam em mim a esta hora de Inverno português, entristecida de lufadas e névoa, a relembrança dos resplandecentes dias abafados de espera de tufão, vividos em companhia de Camilo, em Agosto de 1911, na linda e melancólica, risonha e estranha terra de Macau, à maravilha católica e china, china sobre tudo, já agora, cheia de repiques finos à missa, de discretos biocos de confessadas, de silenciosos deslizes de milhares de Celestes, atravancando as ruas cada dia mais, invadindo as praças e rossios, coalhando as airosas lorchas do porto, gente atarefada e calada, reservada e de nós distante, aparentemente impassível, mas em cuja massa se sente a força profunda da maré que avança, e vai avassalar o velho empório europeu de veniaga nas Costas da China. Pobre e linda Macau dos séculos xvi e xvii, como és ainda curiosamente portuguesa à moda desses séculos, sob a taciturna invasão china que te envolve e todavia te dá ainda um aspecto de vida! E contudo, ó arcaica Macau, desde que Fernão Mendes Pinto andou de aventura no Império do Meio, assistindo aos primeiros avanços da potência tártara, que de memoráveis coisas se não deram nessa China imensa que só na aparência é milenariamente imóvel: abalada para o sul dos exércitos tártaros da Manchúria, queda da dinastia chinesa dos Ming, sangrento, como nenhum outro, triunfo da dinastia Manchu dos Ta-Tsing, dois séculos de terrível agitação das associações secretas chinesas contra o vencedor tártaro, indo, poucos meses após a minha passagem em Macau, até à abdicação do último imperador Ta-Tsing e à proclamação duma república à europeia ou americana, como compasso de espera da passagem da sombra de um novo Dragão imperial.... Tanta coisa a dizer sobre a China e a sua arte! Mas o espaço é limitado nesta revista, naturalmente. O que é e o que vale a colecção que Camilo Pessanha acaba de oferecer a Portugal, e está representada nestas três fotografias da Ilustração do Século, mandadas ao Dr. Carlos Amaro pelo bravo oficial da Armada, [ Sr.] José Carlos da Maia, hoje o governador de Macau? Críticos de arte competentes o dirão ao público. Assinalo apenas na formosíssima colecção que vai entrar no Museu das Janelas Verdes, as pinturas de Sou-Loc-Pang, o Ho-Ku-Sai chinês, que um poderoso mandarim artista disputaria a punhados de prata de lei; reconheço esbeltíssimos vasos de obra de cloisonné, de champ-
Arte chinesa
-levé e de nielagem; preciosas cerâmicas dos Ming; craquelés da vetusta dinastia dos Song, que teve no seu império tão grandes artistas; estatuetas de porcelana, e bronzes litúrgicos duma patina acentuada pelos séculos; charões e madeiras marcheta-
das; esculturas de marfim, unicórnio, âmbar e pau de águila; pedras duras e cristal de rocha talhados com a lenta paciência do sonho, ao molde de todas as formas quiméricas, das frutas e das corolas mais raras dos vergéis de Aladim. É todo o prestígio e a fantasmagoria da cisma forte do ópio no cérebro dum Quincey, de Gautier, e do pobre Gérard de Nerval. Camilo acaba de dar à política terra portuguesa, que quase não cura já senão de politicar, o mais elevado exemplo de grande poeta e de grande patriota. Em plena Lisboa politicante, Camilo Pessanha vai-nos pôr, em um museu público, de novo em contacto, pela magia da arte (quand nous parlons aujourd’hui de la «Magie de L’art», nous ne savons pas combien nous avons raison, diz Salomão Reinach), com as velhas civilizações requintadamente artísticas da China e do Japão, que um momento nos deslumbraram no século xvi, nesse século em que a nossa Pátria era ainda uma coisa viva e orgânica, vivendo por todas as suas células e os seus tecidos mais delicados. Da maravilhosa colecção de Camilo, feita com tanto amor, e à custa talvez do melhor dos seus momentos de funcionário e de lucidíssimo advogado, cem dos mais característicos exemplares são por ele oferecidos ao Museu das Janelas Verdes. Que ao menos os artistas de Portugal, pintores, arquitectos, escultores, músicos e poetas, artífices dos metais preciosos e das finas pedrarias, das palavras e dos ritmos da Língua, actores, bordadores, lavrantes, e decoradores, criadores geniais ou simples diletantes, todos os que põem na arte a mais pura nobreza da sua inteligência e do seu sangue, os que só pela virtude mágica misteriosamente evocadora da arte esperam ainda manter viva e sensível a velha encantadora alma de Portugal, que ao menos esses, entre a turba agitada, recebam com discreto e comovido louvor o sortilégio que nos chega do Sol levante doirado, o dom magnífico do Poeta, o dom feito em vida, porque postumamente Camilo se fará relembrado pela adaptação ou adopção mais bela que possa imaginar do florido lirismo da China. Dia a dia Camilo decifra e traslada do Chinês tudo o que, de mais singular, afinado e humano criou para enlevo de milhões de almas tão diversas das nossas o génio poético da imensa China matizada de jamais vistas peónias. A China através da alma estranhamente sensitiva de Camilo! Canta docemente uma das suas líricas de «Poeta Maldito» cismando na esteira fina da fumaria: O meu coração desce, Um balão apagado... Melhor fora que ardesse Nas trevas incendiado. Há-de arder, estou certo, há-de arder o seu pobre coração de grande poeta para todo sempre exilado, e no mais belo, imaginoso, florido e espiritual incêndio de poesia sensitiva que Portugal jamais viu: num pomar de cerejeiras em flor a arder, ferido pelo fogo de todas as centelhas, da tempestade que nos arrebata, da noite trovejante que sobre nós se cerra…
19 hoje macau terça-feira 11.7.2017
CARLOS MORAIS JOSÉ
Camilo Pessanha e a Luz (Apresentação do livro de Maria Antónia Jardim, “CamiloPessanha um Educador Épico-Ético”) Minhas senhoras e meus senhores, Cabe-me a grata e honrosa tarefa de apresentar este livro de Maria Antónia Jardim sobre o poeta Camilo Pessanha. Faça-o com redobrado prazer pelo momento histórico em que nos encontramos – seis meses depois da transferência de soberania de Macau para a Républica Popular da China – pois o seu lançamento e a nossa própria presença constitui uma prova da permanência de valores portugueses nesta terra, realçados e magnificamente sublinhados pelo facto de nos reunirmos à volta da obra de um poeta. Mais do que vocação, mais do que horizonte e distância, a poesia apresenta-se ao exilado, afinal, como destino. Muito se falou em Macau de Camilo Pessanha, mas pouco se fez pela memória do homem e da obra. Basta pensar que a sua estátua foi erigida, à pressa e quase envergonhadamente, somente em 1999. Que não foi criado um pequeno instituto de estudos camilianos, talvez ladeado de um pequeno museu. E tudo isto faria sentido porque Camilo Pessanha é, sem dúvida, consideremos o português ou outra língua qualquer, o mais importante poeta que alguma vez viveu em Macau, sendo um magnífico símbolo desta cidade. É também por tudo isto que saudamos o aparecimento desta obra, cujo alcance – para além do seu mérito próprio – reside igualmente no facto de demonstrar que muito há ainda a fazer e a pensar sobre o poeta da Clepsidra e a sua obra. Distante em vida e em morte dos círculos literários da metrópole, Camilo Pessanha não teve a atenção de um Fernando Pessoa ou Mário de Sá-Carneiro, embora estes o tenham considerado seu Mestre. Em 1914, Sá-Carneiro respondia à seguinte questão do jornal Républica Qual a melhor obra de arte dos últimos trinta anos? que, e passo a citar: “À minha vibração emocional, a melhor obra de Arte escrita nos últimos trinta nos é um livro que não está publicado – seria com efeito aquele, imperial, que reunisse os poemas inéditos de Camilo Pessanha, o grande ritmista. Ouvindo pela primeira vez os seus versos, fustigou-me sem dúvida uma das impressões maiores, mais intensas a Ouro e gloriosas de Alma da minha Ânsia de Artista. Rodopiantes de Novo, astrais de Subtileza, os seus poemas engastam mágicas pedrarias que transmudam cores e músicas, leoninas de miragem, oscilantes de vago, incertas de Íris. Pompa heráldica, sombra de cristal zebradamente roçando setim”. Esta extraordinária admiração que a poesia de Pessanha desperta nos expoentes literários da sua própria época é bem garante do interesse e alcance, quer formal quer temático, da sua produção poética e,
portanto, acolhemos com alegria a presença deste novo estudo de Maria Antónia Jardim, escrito sob o signo da luz, essa mesma que Sócrates acreditava na possibilidade de entrever na demanda de si-próprio e cujo “Conhece-te a ti mesmo” não está por acaso na epígrafe deste livro. Escreveu o próprio Camilo Pessanha que a poesia é, antes de mais, étnica, no sentido em que – e cito – “a inspiração poética é emotividade, educada, desde a infância e com profundas raízes no húmus do solo natal. É por isso que os grandes poetas são em todos os países os supremos intérpretes do sentimento étnico”. Camilo refere, portanto, que a poesia encontra a sua seiva, a sua força de poesis (em grego, criação), nesse solo original, solo que deve ser entendido como cultura. Ora é precisamente o solo cultural, simbólico e também de ideais políticos, em que assenta a poesia de Camilo Pessanha que este livro procura lavrar, na busca de elementos arcaicos, fundamentais – se quiserem, arquetipais – cuja lenta maturação através da História encontram ressonâncias na obra do poeta. Maria Antónia Jardim leva-nos numa viagem intemporal ao encontro de Platão, um dos fundadores da gnose Ocidental, ele próprio tão influenciado por um certo Oriente; mas também de Confúcio e do budismo cuja influência em Pessanha é igualmente detectada. Chegamos pois ao ponto em que poderemos esboçar as teses centrais deste livro, a saber: a influência de Platão em Pessanha; a intensificação, ou, se quisermos, o potencionamento do germe platónico pelo saber oriental; e como estas raízes gregas do solo Pessanha o aproximam do confucionismo e do conceito de “Li”. Como é óbvio não é aqui o espaço de desenvolvimento destas ideias, nem de descrição total das teses da autora, até porque se o fizesse estragaria o efeito de
surpresa que este livro provoca, para além do prazer estético que a leitura das suas páginas proporciona. Ao levar-nos num trajecto em que o tempo, tal como em qualquer viagem, se suspende, Maria Antónia Jardim descreve uma constelação de labirintos do pensamento, cujo fio de Ariadne é o próprio Camilo Pessanha. É à luz da sua obra, como a candeia do filósofo, que a autora percorre os meandros da filosofia ocidental, sem perder de vista esse saber do Oriente cujo conhecimento nos aproxima de uma perspectiva global da Sabedoria humana, na medida em que são mais os nódulos, os encontros, com o Ocidente, do que o caminhar em vias paralelas. É por isso que vale a pena, definitivamente, ler este livro, mesmo que nalguns pontos se possa discordar do que nele se encontra expresso. É que a profundidade da abordagem remete cada um dos leitores para um exercício de pensamento também ele inevitavelmente profundo, constituindo um bálsamo para quem no mundo de hoje quase inevitavelmente respira um ar demasiado poluído de banalidades. Esta obra enriquece o universo camiliano, também na medida em que se afasta da análise literária pura, das escolas e dos ismos, para entrar no campo mais claro dos conceitos. Camilo Pessanha foi, como se sabe, um poeta exilado, um desses que “vagueiam e se definham por longínquas regiões” , regiões estas que, da geografia ou do espírito, são o palco onde é traçada, a letras de ouro e sangue, a memória mais duradoura e profunda – para alguns, divina – do povo a que pertencem. Muitos de nós percorrem o mesmo território de exílio, espaço excelente de saudade e contemplação do lugar de origem mas, sobretudo, de lenta metamorfose cujo devir se profetiza, ainda hoje, envolto nesse mesmo luminoso manto de neblina.
OPINIÃO
“
Caso Galp JORGE COSTA OLIVEIRA CONSTITUÍDO ARGUIDO
TRUMP FILHO ADMITE CONVERSA COM ADVOGADA RUSSA
O fantasma da intervenção russa na eleição presidencial americana de 2016 volta a assombrar Donald Trump, do jornal The New York Times revelar que o filho mais velho do presidente norteamericano conversou com uma advogada ligada ao Kremlin em plena campanha. Citando pessoas que estiveram na reunião, o New York Times (NYT) informou que Donald Trump Jr. participou no encontro com a promessa de obter “informação prejudicial” sobre a então candidata presidencial democrata, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton. Também teriam participado o genro e hoje assessor directo de Trump na Casa Branca, Jared Kushner, e o então director de campanha do candidato republicano, Paul Manafort. De acordo com o jornal, esse encontro aconteceu em Junho de 2016, em Nova York. Numa nota enviada ao NYT, Trump Jr. reconheceu ter conversado com a advogada Natalia Veselnitskaya. Segundo ele, Natalia “afirmou ter informações sobre pessoas conectadas com a Rússia, que financiavam o Comité Nacional Democrata e apoiavam Hillary”. “Logo ficou evidente que não tinha informação significativa”, tentou esclarecer, acrescentando que, na sequência, a advogada falou sobre um programa de adopção de crianças russas, por parte de casais americanos, que havia sido suspenso pelo presidente Vladimir Putin.
COREIAS CHINA APLAUDE INICIATIVA DE PAZ DO SUL
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A China aplaudiu a iniciativa de paz apresentada pelo presidente sul-coreano Moon Jae-in, disse na segunda-feira um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês. Moon apresentou a “Iniciativa de Paz da Península Coreana” na última quinta-feira na Alemanha, e explicou o desejo do seu governo de estabelecer a paz permanente na península, indicando que pretende tornar a península livre de ameaças de armas nucleares e da guerra através de reconhecimento e respeito. A China apoia consistentemente o diálogo entre a República Popular Democrática da Coreia (RPDC) e a Coreia do Sul, disse o porta-voz Geng Shuang. “Também esperamos que a comunidade internacional entenda e apoie os esforços construtivos feitos pela Coreia do Sul”, disse o porta-voz.
O jogo maldito
O
Ministério Público determinou a constituição de arguidos dos secretários de Estado da Internacionalização, dos Assuntos Fiscais e da Indústria no inquérito relativo às viagens para assistir a jogos do Euro2016. “O Ministério Público determinou a constituição como arguidos de três secretários de Estado agora exonerados (Internacionalização, Assuntos Fiscais e Indústria), estando em curso diligências para a concretização desse despacho”, lê-se numa nota ontem divulgada da Procuradoria-Geral da República. A nota adianta que estão em investigação “factos susceptíveis de integrarem a prática de crimes de recebimento indevido de vantagem, previstos na Lei dos Crimes de Responsabilidade de Titulares de Cargos Políticos”. O secretário de Estado Jorge Costa Oliveira (Internacionalização), Fernando RochaAndrade (Assuntos Fiscais) e João Vasconcelos (Indústria) vão juntar-se a um chefe de gabinete, um ex-chefe de gabinete e um assessor governamental já arguidos no processo que investiga “o pagamento pela Galp Energia S.A. de viagens, refeições e bilhetes
para diversos jogos da selecção nacional no Campeonato Europeu de Futebol de 2016”. Antes de 1999, Jorge Costa Oliveira dirigiu em Macau vários departamentos jurídicos da administração portuguesa. Após a transferência de soberania, foi o principal mentor das leis que enquadraram o fim do monopólio do Jogo na RAEM e a divisão do sector por seis operadores. Os três secretários de Estado anunciaram no domingo que pediram a sua exoneração de funções ao primeiro-ministro, que aceitou, e solicitaram ao Ministério Público a sua constituição como arguidos no inquérito relativo às viagens para assistir a jogos do Euro2016, justificando
a sua decisão com a intenção de não prejudicar o Governo. O primeiro-ministro, António Costa, disse que “não podia negar” o “direito” aos três secretários de Estado de pedirem a exoneração dos seus cargos, numa declaração ao jornal Público. “Na semana passada, foram constituídos arguidos dois chefes de gabinete, os secretários de Estado acharam que deviam, eles próprios, tomar a iniciativa de requererem a sua constituição como arguidos e poderem exercer o seu direito de defesa”, explicou o primeiro-ministro. A investigação às viagens pagas pela Galp está a cargo do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa.
II GUERRA FILME DOCUMENTA ESCRAVAS SEXUAIS COREANAS
I
terça-feira 11.7.2017
O meu coração desce,/ Um balão apagado.../ — Melhor fora que ardesse,/ Nas trevas, incendiado./ Na bruma fastidienta./ Como um caixão à cova.../— Porque antes não rebenta/ De dor violenta e nova?! Camilo Pessanha
NVESTIGADORES sul-coreanos descobriram imagens de várias mulheres que se pensa terem sido exploradas sexualmente pelo exército japonês durante a II Guerra Mundial, naquele que poderá ser o primeiro filme a documentar a existência das “escravas sexuais”. O filme, sem som, a preto e branco e de apenas 18 segundos, mostra sete mulheres de etnia coreana em frente a vários soldados norte-americanos e chineses que lutavam contra a ocupação japonesa. Uma das mulheres fala com um soldado chinês, enquanto as restantes olham para a câmara ou para o chão com um ar assustado. Pensa-se que as imagens tenham sido captadas em Setembro de 1944 junto a uma “estação de conforto”
(eufemismo para denominar os prostíbulos usados pelas tropas imperiais japonesas) na localidade de Sonshan, na província chinesa de Yunnan. A gravação foi localizada por investigadores do Centro de Direitos Humanos da Universidade Nacional de Seul nos Arquivos Nacionais dos Estados Unidos. Pensa-se que o filme tenha sido rodado pelo sargento norte-americano Edwards C. Fay, autor de fotografias de escravas sexuais divulgadas em 2000 e que parecem coincidir com as imagens agora conhecidas. Os investigadores acreditam que os nomes das mulheres que aparecem no filme estarão nas listas oficiais de mulheres que o Exército japonês obrigou a prostituir-se. Estima-se que cerca de 200.000 mulheres, principalmente na China e na península da Coreia, tenham sido forçadas a prestar serviços sexuais a soldados japoneses a partir dos anos trinta do século passado e especialmente na última fase da II Guerra Mundial, que acabou em 1945. Actualmente, apenas 38 das mulheres citadas na lista oficial detida pelo governo sul-coreano estão vivas.
TURQUIA PRESOS 42 FUNCIONÁRIOS UNIVERSITÁRIOS
A polícia turca prendeu nesta segunda-feira 42 funcionários universitários como parte da investigação sobre a tentativa de golpe de Julho de 2016, informou a imprensa estatal. Os detidos fazem parte de uma lista de 72 funcionários universitários contra os quais mandados de prisão foram emitidos por supostas ligações ao pregador Fethullah Gülen, acusado por Ancara de planear a tentativa de golpe, de acordo com a agência de notícias prógoverno Anadolu. Sessenta e quatro funcionários da universidade de Medeniyet, incluindo 19 professores da Faculdade de Medicina, e oito da universidade de Bogazici, são os alvos dos mandados de prisão, segundo a agência Dogan. São suspeitos de utilizar a aplicação de mensagens encriptadas ByLock, que era, de acordo com as autoridades turcas, a ferramenta de comunicação dos alegados golpistas, explica a Anadolu.
JAVI GARCÍA: “NUNCA JOGARIA NO SPORTING OU NO FC PORTO” Javi García colocou ponto final nos rumores que davam conta de uma possível mudança para o Sporting, onde reencontraria Jorge Jesus, com quem trabalho no Benfica. O médio espanhol mostrou que continua atento aos ‘encarnados’ e admitiu que não faria o mesmo que Fábio Coentrão e Maxi Pereira. “Cada um tem os seus motivos e a verdade é que não posso opinar muito sobre isso. A única coisa que sei é que nunca o faria, nunca representaria Sporting e FC Porto. O Maxi Pereira, o Fábio Coentrão e o Jorge Jesus são três grandes amigos que fiz no futebol e desejo-lhes o melhor do mundo, mas quero que o Benfica seja campeão. Sempre!”, começou por dizer o médio espanhol. “Sempre tive o sonho de jogar em Inglaterra e, naquela altura, foi uma grande oportunidade para a minha carreira (...) Mas o Benfica é o meu clube, é a única equipa que sigo em Portugal. As pessoas, a cidade, o Benfica, tudo me marcou, ficou cá dentro guardado e claro que gostaria de voltar um dia”, salientou. “Já passaram cinco anos desde que deixei o Benfica, mas a verdade é que continuo a ser muito acarinhado por eles. (...) Se voltar ao clube algum dia será porque eles realmente quiseram que eu voltasse. Sempre joguei para os adeptos e para ter o carinho deles”, rematou.