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Hoje Macau 11 JUL 2014 #3129

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

Poluição sonora MULTAS PESADAS

MUNDIAL

AS COIMAS passam de 600 para 1000 a 2000 patacas para as infracções ao “ruído quotidiano”. Sobre o horário das obras ainda não há consenso entre os deputados e cabe agora ao Governo decidir.

POLÍTICA PÁGINA 5

TIAGO ALCÂNTARA

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MOP$10

WWW.HOJEMACAU.COM.MO

ÚLTIMA BATALHA PELO TRONO CENTRAIS

S E X TA - F E I R A 1 1 D E J U L H O D E 2 0 1 4 • A N O X I I I • N º 3 1 2 9

Novo Macau Chan Wai Chi comenta as eleições OPINIÃO PÁG. 21

hojemacau ENSINO

POR CÁ TODOS BEM Apesar das várias oportunidades que as universidades locais oferecem para os jovens poderem continuar os estudos além fronteiras, poucos são os que ousam sair de Macau.

REFERENDO AS VOZES DO CONTRA

CONTRALTO ´ DRAMATICO O referendo das três associações locais continua a suscitar as mais variadas reacções. Depois do Governo e de Pequim condenarem a iniciativa, outras vozes se indignam. Violação da Lei Básica, influência na economia ou instabilidade na harmonia são algumas das declarações emitidas por várias personalidades de peso.

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REPORTAGEM

PÁGINAS 2 E 3

PÁGINA 6


REPORTAGEM

hoje macau sexta-feira 11.7.2014

TIAGO ALCÂNTARA

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ENSINO SÓ 2 A 3% DOS ALUNOS LOCAIS FAZEM PROGRAMAS DE INTERCÂMBIO

Na casa mãe é que se está bem Macau é muitas vezes o local escolhido por alunos de fora para fazerem os seus cursos superiores, mas até que ponto os jovens locais optam por estudar lá fora? Dados das cinco principais universidades revelam que poucos ousam ir além fronteiras ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

N

EIL Wong não esquece o ano em que viveu e estudou na cidade das bicicletas. Em Amesterdão, na Holanda, encontrou uma cidade “mais confortável para viver do que em Macau”. Alice, que fez a licenciatura de comércio internacional, estudou durante um ano na Califórnia, nos

Estados Unidos, em 2010, e recorda uma cidade “muito bonita, com uma quantidade incrível de chineses a viver”. Neil e Alice foram estudantes da Universidade de Macau (UM) e dos poucos estudantes locais que quiseram vivenciar um período de estudos no estrangeiro, aproveitando os programas de intercâmbio de que dispõe a universidade. O HM contactou as cinco principais universidades do

território – três públicas e duas privadas – para saber até que ponto os estudantes de licenciatura optam por deixar a RAEM e fazer um semestre ou um ano numa outra universidade. São poucos

aqueles que o fazem - cerca de 2% a 3% de entre o total de estudantes de licenciatura. No caso da UM, que possui actualmente cerca de sete mil alunos, apenas 160 estudaram em países como

“A situação em Macau faz com que os alunos consigam facilmente arranjar emprego” RUI MARTINS Vice-reitor da UM

a Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia ou França, de um total de 144 programas de cooperação. Já o Instituto Politécnico de Macau (IPM) teve 80 dos seus alunos a estudar no estrangeiro, sendo que, segundo o seu relatório anual, referente ao ano lectivo de 2012/2103, possui apenas 2516 estudantes locais. O Instituto de Formação Turística (IFT) levou para fora apenas 30 dos seus

alunos, sendo que tem actualmente 1594 estudantes. No caso da Universidade de Ciências e Tecnologia (MUST) os números descem um pouco mais, já que, dos 8763 alunos de licenciatura, apenas 61 estudaram lá fora. Na Universidade de São José (USJ), a percentagem também é baixa, a rondar os 4%.

A CULPA É DA ECONOMIA

Num território onde não faltam bolsas de intercâmbio e os apoios financeiros, o desenvolvimento económico acaba por ser o grande entrave a uma maior adesão aos programas de intercâmbio. “Esses 160 alunos é um número que tem vindo a crescer, porque antes era muito menor. Mas ainda assim não é significativo”, defende Rui Martins, vice-reitor da UM, ao HM. “A situação em Macau faz com que os alunos consigam facilmente arranjar emprego.


reportagem 3

hoje macau sexta-feira 11.7.2014

Os alunos tentam acabar o curso o mais depressa possível e [os programas de intercâmbio] não são muito atractivos para eles, apesar de todos os apoios. Há sempre algum atraso na obtenção das equivalências e estudar em locais onde a economia está em crise pode não ter importância para ocidentais, mas para a realidade de Macau tem”, disse ainda o vice-reitor. Paula Mota, responsável pelo Departamento de Relações Internacionais da USJ, fala de números “bastante pequenos”, ainda que a universidade “não tenha muitos alunos”. “Há uma tendência de aumento e alguns alunos têm uma preferência específica por universidades em Taiwan ou na Coreia, por exemplo. Mas normalmente os alunos têm imensas questões e a primeira reacção é quererem muito [ir para fora], mas depois também

“Talvez as universidades possam providenciar mais soluções, porque estudar no estrangeiro é uma coisa muito boa e importante para os jovens” ALVIS LO Presidente da Associação Nova Juventude Chinesa de Macau

pensam muito”, disse a responsável ao HM. “Muitos alunos têm um emprego em part-time e pensam sempre nisso. Há sempre esse receio [em sair e demorar mais a terminar o curso], porque em Macau

o mercado de trabalho é bastante bom. Há casos de alunos que optam por acabar o trabalho em part-time e preferem adiar o programa de intercâmbio”, disse ainda. Alvis Lo, presidente da Associação Nova Juventude Chinesa de Macau (ANJCM), refere conhecer melhor a situação na China, onde muitos estudantes do ensino superior vão para o estrangeiro para terem a experiência de estudar num ambiente diferente. “Quem estude, por exemplo, na área da Economia e Finanças pensa que, se acabar o curso rapidamente e encontrar logo emprego, isso poderá ajudar numa evolução mais rápida da sua carreira. Depois, já com emprego e dinheiro, podem viajar. Mas penso que estudar no estrangeiro é melhor do que fazer essas viagens, são coisas completamente diferentes”, garantiu ao HM. “Talvez as universidades possam providenciar mais soluções, porque estudar no estrangeiro é uma coisa muito boa e importante para os jovens. É bom para o seu desenvolvimento social. Talvez alguns alunos não tenham oportunidade de ir para fora, mas penso que actualmente é possível criar-se mais contactos, até junto de associações”, disse ainda. A ANJCM providencia alguma informação sobre o assunto, mas Alvis Lo garante não ter nenhum contacto com entidades fora do continente. “A associação tem um programa de curto prazo para estudantes, na China, num projecto de desenvolvimento social, mas não temos mais recursos nem ligações com o estrangeiro.” Tanto o IPM, como o IFT garantem notar um aumento dos alunos à procura de uma experiência internacional, quando comparado com anos anteriores. Mas a MUST reconhece que “o número de locais [a estudar lá fora] tem vindo a crescer de forma positiva este ano”, mas assegura que ainda há “muito trabalho a fazer para incentivar os estudantes que possam beneficiar desta experiência internacional”.

“UMA ESPÉCIE DE PRIVILÉGIO”

Neil Wong, de 22 anos, terminou a licenciatura em Ciências da Computação e está a pensar fazer um mestrado. Na UM, chegou a liderar uma associação estudantil. Ao HM, diz não

“Quem estuda só aqui tem muitas vezes uma falta de noção do mundo e assim que soube que havia uma oportunidade de estudar no estrangeiro sem pagar propinas, pensei que seria uma excelente oportunidade para vivenciar esse mundo...” NEIL WONG Estudante, de 22 anos, com licenciatura em Ciências da Computação

entender porque é que mais alunos não saem de Macau para estudar. “Estudar no estrangeiro é uma espécie de privilégio que os estudantes da UM têm, uma vez que há imensos programas. É fácil ter essa oportunidade, que nos vai dar mais do podemos imaginar. Penso que todos os estudantes se podiam candidatar, porque não? Quem estuda só aqui tem muitas vezes uma falta de noção do mundo e assim que soube que havia uma oportunidade de estudar no estrangeiro sem pagar propinas, pensei que seria uma excelente oportunidade para vivenciar esse mundo desconhecido, então entreguei a minha candidatura sem pensar muito no assunto.” Alice refere não saber porque é que os jovens não

vão estudar mais vezes para fora, porque, diz, “é muito bom” ter esta experiência. “Talvez a percentagem dos alunos que vão estudar para fora dependa da estrutura do curso e das vagas, porque nem todos podem ser seleccionados. Só temos de pagar as propinas do nosso curso e claro que é muito mais barato do que pagar as propinas de um curso nos Estados Unidos. Penso que as universidades podiam providenciar mais informação”, defendeu ao HM. No caso de Neil Wong, a experiência correu tão bem que até recebeu propostas. “Gostei muito de estudar em Amesterdão e recebi mesmo uma carta de recomendação do meu professor, o que me ajudou a receber ofertas do Reino Unido para os meus estudos de pós-graduação.

Amesterdão tem infra-estruturas bem desenvolvidas, um bom sistema de ensino e um bom panorama cultural. Todas estas experiências reforçaram as minhas capacidades de comunicação e deram-me a possibilidade de estudar em vários ambientes e culturas”, recordou. Todas as universidades contactadas pelo HM prometem não ficar por aqui no que diz respeito ao aumento do leque de ofertas em termos de programas de intercâmbio, com vista a proporcionar um ambiente internacional aos seus alunos. Já a UM estabeleceu, o ano passado, 25 novos programas de cooperação, sendo que este ano já foram criados mais 12. Tanto Neil Wong, como Alice frisam que a UM lhes deu todo o apoio em termos de bolsas de estudo e resolução de burocracias, frisando que o valor da bolsa é suficiente para cobrir todas as despesas. Para atrair mais alunos para a experiência estrangeira, só mesmo através de uma associação, como defendeu o aluno de Ciências da Computação. “A UM pode fazer mais para mostrar as experiências de quem já estudou fora. Poderia até ser criada de uma associação que poderia servir para esse objectivo.”


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POLÍTICA

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DEPUTADOS QUEREM SALÁRIO MÍNIMO UNIVERSAL

Desigualdades em questão A proposta de Lei do Salário Mínimo para os Trabalhadores da Limpeza e Segurança começou ontem a ser analisada no hemiciclo, tendo os deputados referido a hipótese de “transformar esta lei numa lei geral”, uma vez que existem “desigualdades”. Dúvidas e mais dúvidas enchem a AL aos trabalhadores. Definindo-se 30 patacas por hora, por exemplo, se o cidadão não auferir este montante pode pedir apoio ao Governo. Mas será que esta situação é adequada a Macau? Está em causa a utilização do erário público”, explicou Cheang Chi Keong.

ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

O

alerta chegou dos assessores jurídicos da Assembleia Legislativa (AL): a proposta de Lei do Salário Mínimo para Trabalhadores da Limpeza e da Segurança de Edifícios poderá trazer desigualdades no mercado de trabalho e mesmo à luz da lei. “Se utilizamos uma lei para garantir o salário mínimo a duas profissões, será que isto vai causar problemas a outros sectores? Provavelmente existem trabalhadores noutros sectores que também auferem baixos rendimentos. Claro que não vamos questionar o Governo no sentido desta proposta de lei violar a Lei Básica, mas de facto existe este

“Se utilizamos uma lei para garantir o salário mínimo a duas profissões, será que isto vai causar problemas a outros sectores?” “Em Singapura, por exemplo, não se fixa o salário mínimo mas dá-se uma garantia aos trabalhadores.” CHEANG CHI KEONG Deputado

QUEM ACTUALIZA O SALÁRIO MÍNIMO?

problema”, disse Cheang Chi Keong, deputado que preside à 3.ª Comissão Permanente da AL, encarregue da análise do diploma na especialidade. Desta forma, os deputados colocaram a possibilidade de se alargar o salário mínimo a todo o mercado laboral, mas a decisão cabe agora ao Executivo, que deverá ir à AL esta quinta-feira fornecer mais explicações. “Primeiro há que saber se existe a possibilidade de transformar esta proposta de lei numa lei geral. Pode ser uma solução”, garantiu Cheang Chi Keong. “A revisão desta futura lei é competência do Governo.

Tudo depende de qual será a solução mais benéfica para aqueles que auferem baixos rendimentos”, acrescentou o deputado. Apesar dos deputados terem levantado a questão do salário mínimo universal, também foi debatida a possibilidade dos subsídios de baixos rendimentos, medida criada em 2008, servirem de substituição ao salário mínimo. “Será que é possível utilizar esta medida em substituição da fixação do salário mínimo? Outros países adoptam esta medida. Em Singapura, por exemplo, não se fixa o salário mínimo mas dá-se uma garantia

Regime de Previdência Central Ella Lei questiona eficácia

A deputada Ella Lei questiona na sua mais recente interpelação escrita a eficácia do Regime de Previdência Central, uma vez que as contribuições não são obrigatórias e não se sabe como incentivar os patrões a participar. A deputada que representa a Federação das Associações de Operários de Macau (FAOM) defende que, maioria das situações, os empregados não conseguem o pagamento das contribuições por parte dos patrões, pois existe a ideia de que esses montantes reduzem a possibilidade de poupar na velhice. Ella Lei pede, portanto, ao Governo para fornecer mais explicações sobre a matéria.

A reunião entre deputados e assessoria jurídica, que decorreu ontem durante a manhã, serviu ainda para a análise de mais “alertas”. Um deles prende-se com a necessidade de uniformizar conceitos com a actual Lei das Relações do Trabalho. “Esta proposta de lei faz referência ao salário como sendo de 30 patacas por hora, o que dá 7200 patacas por mês. Mas na lei só se prevê um valor que não deve ser inferior a 6240 patacas e a contagem desse salário é feita com base em 26 dias e não 30 dias. Provavelmente o Governo tem vindo a adoptar uma outra fórmula para o cálculo desse salário mínimo, que não é a fórmula de oito horas a multiplicar por 30 dias. É uma questão muito importante e temos de pedir mais esclarecimentos”, explicou o deputado. A proposta de lei que está a ser analisada diz ainda que o salário mínimo será alvo de uma actualização anual, algo que também gerou dúvidas. “A assessoria entende que este mecanismo não está claramente definido. Não se sabe se é um mecanismo de consulta pública ou quem vai fazer essa actualização. Será que vai implicar um aumento anual?”, questionou Cheang Chi Keong.

LEI PUBLICITÁRIA COUTINHO PELA REVISÃO DE DIPLOMA

Publicidade agressiva O

deputado e presidente da Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) quer saber se o Governo pensa rever a Lei de Actividade Publicitária, em vigor desde 1989, quando Carlos Melancia ocupava lugar no antigo Palácio do Governador. A justificação dada por Pereira Coutinho para a necessidade de reformulação do referido diploma é o facto deste se encontrar obsoleto e não se coadunar com a realidade de Macau actual. “A legislação reguladora da actividade publicitária remonta aos finais dos anos 80, para além de se encontrar desfasada da realidade, é lacunosa, imperfeita e desactualizada. (...) necessita de ser urgentemente revista para defesa não só dos interesses gerais dos consumidores, como também das agências de publicidade”, explica. O deputado afirma que têm sido recebidas várias queixas por parte dos residentes no que toca à forma “agressiva” como as concessionárias publicitam o jogo e atraem os turistas para os casinos, com especial ênfase em zonas de entradas e saída do território, como nas Portas do Cerco, por exemplo. Em interpelação escrita, Pereira Coutinho questionou o Executivo sobre se está pensada uma modernização do diploma, uma vez que, na opinião do deputado, o regulamento actual não vai ao encontro da realidade vigente. No documento, Pereira Coutinho quer ainda saber se a aplicação da lei passará para as mãos de uma única entidade, ao invés de estar sob alçada de quatro serviços públicos, como acontece hoje em dia. Pereira Coutinho não é o único a pedir esta revisão, sendo que são muitos os deputados que já questionaram o Executivo sobre o mesmo assunto. – L.S.M.

Rede móvel 4G Chan Meng Kam lança critica aos atrasos

O deputado Chan Meng Kam entregou uma interpelação escrita ao Governo onde fala do atraso da implementação da rede móvel 4G em Macau. Segundo o deputado, o Executivo disse que iria apresentar a proposta de emissão de licença no primeiro semestre deste ano, mas recentemente a Direcção dos Serviços para a Regulação de Telecomunicações (DSRT) afirmou que seria melhor lançar a rede experimental no próximo ano. Contudo, a nova operadora, a MTEL, vai começar a operar e Chan Meng Kam pede ao Governo que haja medidas por forma a promover o desenvolvimento do serviço de telecomunicações. O deputado pede ainda ao Executivo para apresentar um calendário para a emissão da licença da rede móvel, exigindo ainda uma responsabilização dos detentores dos altos cargos sobre este atraso.


política 5

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A discussão entre os deputados sobre a poluição sonora provocada pelas obras continua, sem que se chegue a um consenso. Assim sendo, a bola passa para as mãos do governo

LEI DO RUÍDO DISCÓRDIA SOBRE HORÁRIO DE OBRAS PERSISTE

Muito barulho para nada

LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

C

ONTINUA sem haver consenso no seio da 1ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), no que toca ao horário de duração das obras de construção, questão que é discutida no âmbito da proposta de Lei de Prevenção e Controlo do Ruído Ambiental. O diploma, que tem vindo a ser discutido na especialidade, foi pensado para regulamentar o nível de poluição sonora de obras de construção e da vida quotidiana. De acordo com Kwan Tsui Hang, presidente da comissão, os deputados continuam a discordar em alguns pontos, principalmente no que diz respeito ao horário legal permitido para o início e final de obras de construção civil. Ficou, no entanto, definido que os trabalhadores iniciariam as obras às 9 horas da

manhã, ainda que não se saiba para já a hora de saída: alguns preferem manter as 20 horas como hora de saída, outros afirmam que deveria

1000 a 2000

patacas por cada infracção ao “ruído quotidiano”

POLUIÇÃO DEPUTADOS PEDEM MEDIDAS

ser mais cedo, “pelo menos às 19 horas”. O parecer final da comissão – entregue ao Governo - aponta para um horário das 9 às 18 horas. A discórdia no seio dos deputados da comissão fez com que a decisão do horário de saída ficasse a cargo do Governo, que deverá optar por manter as 20 horas actuais ou diminuir o tempo de trabalho.

MULTAS MAIS PESADAS

Outra das questões tem a ver com as multas a aplicar aos infractores

da lei, no que toca ao “ruído quotidiano”. O pagamento passará de 600 para 1000 a 2000 patacas por cada infracção. A multa será definida por um júri e dependerá do tipo de violação cometida, estando já pensados casos de reincidência. Os crimes de desobediência foram igualmente discutidos e também já têm lugar no diploma. “No caso de um crime de desobediência, o infractor não paga só multa, é mais do que isso. A polícia

pode instaurar um processo contra o infractor”, explicou a presidente da 1ª Comissão da AL.

OBRAS URGENTES

Outro dos assuntos em cima da mesa é a questão das obras urgentes. É que, de acordo com o diploma actualmente em vigor, é proibida a execução de toda e qualquer obra aos feriados e a comissão afirma que há casos “urgentes” que podem precisar de reparação imediata, podendo a mesma calhar a um feriado. “Numa situação muito especial, a pessoa [trabalhador] pode pedir licença ao Governo e à Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental para realizar obras ao feriado”, explicou a presidente da comissão. No entanto, esta alínea apenas diz respeito a obras fora de habitações, tendo Kwan questionado como se deve proceder no caso de haver um problema com os esgotos em casa de alguém. “Não existe nenhum mecanismo de pedido de obras urgentes ao Governo e à DSPA, no caso das habitações”, alegou Kwan, que considera que o diploma deveria incluir este tipo de excepção. “Pedimos ao Governo para ponderar a situação da criação de um meio pelo qual as pessoas possam pedir autorização” para reparações urgentes em casa, por exemplo. Para já, Kwan assegurou que a versão actual da proposta de lei foi já entregue ao Governo, estando a comissão apenas a aguardar a versão final por parte do Executivo. “Vamos tentar concluir ainda nesta sessão legislativa”, informou a presidente.

LIBERDADE ACADÉMICA MACAU CONSCIÊNCIA PEDE INVESTIGAÇÃO

Deixem-nos respirar Em perseguição de direitos fundamentais dos cidadãos O deputado Leong Veng Chai quer saber se o Governo vai tomar posições referentes à reciclagem de resíduos em Macau depois de, segundo o relatório de trabalho sobre o Planeamento da Protecção Ambiental, a taxa de reciclagem de resíduos não ter atingido os valores definidos. Numa interpelação escrita entregue no final do mês passado, o deputado pergunta ao Executivo se estão previstas medidas, tendo como exemplo países de sucesso, que permitam a “promoção da política de desenvolvimento sustentável”, incentivando assim a população à prática da reciclagem de resíduos. Na mesma interpelação, o deputado dedica-se ao caso dos motoristas que transportam os resíduos urbanos e que reclamam que não lhes é facultada a informação do peso da carga pelos responsáveis das zonas de aterro, pelo que são

obrigados a pagar multas quando se verifica a existência de excesso de peso. Leong Veng Chai interpela o Governo sobre se este tomará medidas correctas para alterar o cenário a “fim de não prejudicar o direito à informação” por parte dos motoristas. Também Ho Ion Sang questionou ontem o Governo sobre a emissão de gás poluentes dos veículos, dos serviços de reparação e limpeza de automóveis e dos estabelecimentos de comida. O deputado aponta que o aumento de veículos motorizados, os exaustores dos estabelecimentos de comida e os pulverizadores das lojas de reparação e limpeza de automóveis não causam apenas grande poluição no ar, mas também ameaçam a saúde da população. Ho questiona quando é que será concluída a legislação de controlo da população causada por estas vias. - F.A. com F.F.

O

grupo Macau Consciência entregou uma petição ao Chefe do Executivo pedindo que “as violações às liberdade académicas, de imprensa e de expressão” sejam alvo de investigação. Numa carta dirigida ao Chefe do Executivo e entregue ontem por Jason Chao, presidente da Macau Consciência, o grupo propõe a criação de uma comissão

independente que tenha competências para investigar os casos de violação de liberdades tornadas públicas nas últimas semanas. Na mesma linha de pensamento, é também pedido que as autoridades judiciais investiguem possíveis casos de infracção da Lei Laboral relativamente ao casos dos professores das universidades que não conseguiram renovar seus contratos de trabalho depois de, alegadamente, incentivarem os alunos a ter uma posição política e social activa. A Macau Consciência coloca ainda sobre a mesa a possibilidade da interposição de uma acção no Comissariado Contra a Corrupção (CCAC), que permita perceber se as universidades agiram em conformidade com a lei. O grupo defende que as en-

tidades de educação devem ter uma postura de encorajamento à liberdade e, por isso, defende a criação de sindicatos que permitam proteger alunos e professores das possíveis perseguições das universidades. Para além do caso de Eric Sautedé – despedido da Universidade de São José devido aos comentários políticos – e de Bill Chou – suspenso da Universidade de Macau sem razões conhecidas -, a carta tem como base o incidente com uma aluna e um ‘jornalista’ da Macau Concelears – publicação da Associação Novo Macau - que foram forçados a abandonar a Cerimónia de Graduação da UM, depois da aluna finalista ter exibido um cartaz apelando a que se parasse de perseguir académicos. - F.A.


6 política

hoje macau sexta-feira 11.7.2014

REFERENDO REPRESENTANTES DE DIVERSOS SECTORES DECLARAM-SE CONTRA

Quem está contra o referendo assegura que este viola a Lei Básica, que é um desafio à autoridade do Governo Central e vai causar instabilidade na harmonia social de Macau. Mas há quem diga que a reacção do Governo está a ser demasiado exagerada flora.fong@hojemacau.com.mo

R

EPRESENTANTES da Assembleia Popular Nacional, delegados de Macau no Comité Nacional da Conferência Política do Povo Chinês e directores de várias associações declaram-se contra a realização do referendo não-oficial sobre o sufrágio universal para as eleições do Chefe do Executivo em 2019 e acreditam que viola a Lei Básica, além de – como já disse o próprio Governo e o Gabinete de Ligação da RPC em Macau – “não ter fundamento legal”. Para Lao Ngai Leong e Lionel Leong, representantes de Macau à Assembleia Popular Nacional, não há dúvidas: ambos se mostram “absolutamente” contra o referendo planeado pela Associação Juventude Dinâmica de Macau, Macau Consciência e Sociedade Aberta de Macau.

Lei sobre corrupção no comércio externo sem consulta pública

A proposta de lei do Regime de Prevenção e Repressão da Corrupção no Comércio Externo não vai passar por consulta pública, ainda que os deputados estejam disponíveis para receber “opiniões dos empresários ou partes interessadas por carta ou encontro agendado”. Isso mesmo explicou ontem Chan Chak Mo, presidente da 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), que analisa a proposta na especialidade. “É importante para nós perceber a opinião antes de finalizar o parecer”, explicou. O Regime de Prevenção e Repressão da Corrupção no Comércio Externo aplica-se a funcionários públicos de fora de Macau e tem de estar concluído até ao final do ano, de forma a fazer cumprir a convenção internacional assinada por Macau nesta área. Para Chan Chak Mo, a actual proposta vem tapar um vazio legal no Código Penal. - F.A.

Lao defende que o sufrágio universal é contrário ao valor “nuclear” da lei que Macau tem de cumprir. Lionel Leong considera mesmo que a realização do referendo não-oficial é um “desafio directo à autoridade do Governo Central”. Leong diz que a existência de um sufrágio universal é uma coisa muito séria e que só a lei ou um “órgão supremo” que pode decidir. “Ninguém de Macau tem qualificação para criar um referendo. Acredito que a maioria da população se opõe a qualquer actividade que viole as disposições da Lei Básica e desafie

do Governo – propositadamente para “agitar a ordem de Macau”. Também Si Ka Lon, deputado, não concorda com o referendo. “As associações criam [a ideia] de um sufrágio [universal] para a eleição do Chefe do Executivo como se fosse uma brincadeira de criança. Concordo que o Governo tenha dito que é ilegal. Um sufrágio universal deve ganhar primeiramente consenso da sociedade e devemos caminhar nessa direcção gradualmente.”

MEDOS EXAGERADOS?

CONSULTA E FÓR UM PÚBLICOS PARA REFERENDO A Comissão organizadora do referendo relativo ao sufrágio universal para as eleições do Chefe do Executivo lançou ontem uma consulta pública que deverá durar até 19 de Julho. Além da consulta pública, a comissão vai ainda acolher, às 15 horas de domingo, um fórum aberto ao público para debate sobre a auscultação e o referendo. O fórum vai realizar-se no Centro Pastoral Diocesano da Juventude.

GONÇALO LOBO PINHEIRO

FLORA FONG

directamente a autoridade do Governo Central”, referiu. Também o presidente do Instituto Politécnico de Macau, Lei Heong Iok, diz que a população “deve apreciar os esforços da RAEM e do apoio do Governo Central no desenvolvimento próspero da economia” e defende que a realização do referendo “causa confusão à sociedade e influencia a economia”. Ng Siu Lai, membro do Conselho Consultivo Político do Povo Chinês e presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau, defende, lado a lado com Kou Hoi In, deputado e director da Associação Comercial de Macau, que a intenção das associações não é mais do que perturbar a harmonia. O primeiro diz que as pessoas vão pensar que este referendo tem como objectivo apoiar os poderes de Hong Kong – onde foi levado a cabo um referendo semelhante – para “tentar derrubar o sistema político existente”. O segundo assegura que as associações só propuseram agora o referendo – na altura da eleição para o líder

HOJE MACAU

“Um desafio directo” ao poder de Pequim

Recorde-se que o Governo considerou o referendo como um desafio e foi imediatamente apoiado pelo Gabinete de Ligação. Contudo, diversos juristas já disseram que não há qualquer violação à lei com a realização do referendo, uma vez que este não passa, no fundo, de uma sondagem não-oficial.

[O referendo] “causa confusão à sociedade e influencia a economia” LEI HEONG IOK Presidente do Instituto Politécnico de Macau

As associações organizadoras garantem que não vão desistir e José Pereira Coutinho, deputado, também já veio a público manifestar a sua opinião: a reacção do Governo é exagerada e o referendo não deixa de ser uma boa oportunidade de educação civil, “ajudando a população a pensar e a dar atenção a assuntos sociais”. O deputado diz mesmo que o Governo “não tem de ficar assustado”, até porque não há nada ilegal a acontecer.

COIMBRA ERIC SAUTEDÉ DEBATE AUSÊNCIA DE PARTIDOS EM MACAU

Da RAEM para Portugal O docente de Ciência Política Eric Sautedé, envolvido num processo de despedimento na Universidade de São José (USJ), vai dar uma palestra na Universidade de Coimbra (UC), em Portugal, no próximo dia 25, intitulada “A ligação que falta: a ausência de partidos políticos em Macau e as suas consequências”. Sautedé irá falar na mesa redonda “Estudos de Macau” ao lado de outros académicos locais. Jorge Godinho, docente da Universidade

de Macau (UM), vai falar sobre a evolução e regulação do sector do jogo, enquanto que Eilo Yu, professor de Ciência Política também da mesma instituição, irá debater o tema “Mobilização social na RAEM: das acções laborais colectivas ao movimento de preservação do património”. Alex Choi, também da UM, falará sobre o trabalho nos casinos, enquanto que Penny Yim, da mesma universidade, abordará a “Transformação da indústria de turismo de Macau e o crescimento

do capitalismo dos casinos”. No dia 26, Jorge Godinho vai ainda moderar o debate, também na UC, focado no tema “Macau no contexto regional”, que irá contar com a presença de Bill Chou, docente da UM – actualmente suspenso -, que irá debater as políticas da China para Macau, ao lado de académicos do continente. A língua cantonense será também debatida na mesa redonda “Macau e a sua conexão com a região - o passado e o presente”, onde estarão presentes Eilo Yu e Lou

Shenghua, docente do Instituto Politécnico de Macau (IPM), entre outros. Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau (IIM) é outro dos convidados e vai participar num debate virado para a cultura. Os painéis de discussão sobre Macau surgem no âmbito da XX conferência da Associação Europeia de Estudos Chineses, tendo também lugar também na cidade de Braga. Carmen Amado Mendes e Sun Lam são os académicos organizadores do evento. - A.S.S.


SOCIEDADE

hoje macau sexta-feira 11.7.2014

HABITAÇÃO NOVOS ATERROS RECEBEM 32 MIL FRACÇÕES

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

O

Governo decidiu ajustar o planeamento antigo para a zona A dos novos aterros, junto à Areia Preta, e vai permitir a construção de mais 14 mil fracções do que as inicialmente planeadas. O anúncio foi feito ontem pelo Conselho Executivo em conferência de imprensa e surge depois das últimas duas fases de consulta pública sobre os novos aterros. O novo projecto passa, assim, a permitir a construção de 32 mil fracções habitacionais, quando antes o Governo planeava que fossem construídas apenas 18 mil. Entre estas fracções, 28 mil vão ser apartamentos de habitação pública – 87,5% - e só quatro mil vão ser dedicadas a imobiliário privado. O projecto vai estar em consulta pública entre hoje e 9 de Agosto e, no fim do ano, o Governo vai realizar a terceira fase de consulta do projecto geral dos novos aterros. O Executivo explicou que, segundo os resultados dos últimos Censos, a população de Macau já chegou às 614 mil pessoas, número previsto apenas para 2016. O crescimento da população foi uma das causas para as alterações ao plano. “Como este número che-

Mais do que o prometido “Como este número chegou mais cedo que o esperado, temos de ajustar o nosso plano e decidimos construir mais casas nos novos aterros da Zona A” EDDIE WONG Membro do Conselho Executivo, sobre o crescimento da população

gou mais cedo que o esperado, temos de ajustar o nosso plano e decidimos construir mais casas nos novos aterros da Zona A”, explicou Eddie Wong, membro do Conselho Executivo e arquitecto.

MENOS COMÉRCIO, MELHORES CONDIÇÕES

A alteração ao projecto implica, contudo, a redu-

ção do espaço inicialmente destinado a comércio. Mas o Executivo garante que haverá lugar a lojas nos pódios dos prédios habitacionais e espaços comerciais a rendas acessíveis, destinados a ajudar as pequenas e médias empresas. O Governo espera que o aterro esteja pronto em 2016 e acredita que, em finais de

TRABALHO AUMENTAM ACIDENTES E MORTES

Perigos laborais O

S acidentes de trabalho em Macau aumentaram 9% relativamente a 2012. A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) registou um total de 7228 acidentes de trabalho, 19 deles resultando em morte e 33 em incapacidade permanente de voltar a trabalhar. A grande maioria dos acidentes registou apenas danos leves, incapacitando as vítimas apenas de forma temporária. Os dados ontem lançados pela DSAL, contudo, apontam para um aumento progressivo do número de pessoas incapacitadas de trabalhar a título permanente.

No que diz respeito às causas dos acidentes laborais, 21,4% deram-se quando os trabalhadores ficaram presos em máquinas, seguindo-se o choque com objectos (20,8%) e esforço excessivo, que afectou 19,4% dos lesados. As mãos, pés e tronco foram as zonas do corpo mais afectadas. O número de acidentes laborais teve ligeiras oscilações, quando comparando os dados da DSAL de

7228

acidentes de trabalho em 2013

anos anteriores. Em 2009, foram 37 as vítimas que ficaram permanentemente incapacitadas de trabalhar, mas o número diminuiu em 2010 para voltar a aumentar para 58, em 2011. O primeiro relatório da DSAL deste ano aponta para 1619 acidentes de trabalho só durante os primeiros três meses de 2014, dos quais resultaram 1468 pessoas temporariamente incapacitadas e cinco mortes, os restantes casos continuando ainda em investigação. A grande maioria dos acidentes foi causada pela queda de andares altos, perfazendo 352 feridos. - L.S.M.

87,5% das fracções são públicas

2019, os residentes possam participar no concurso para o primeiro lote de habitações públicas. Cerca de três anos depois, deverá arrancar uma segunda fase.

Prometido também ficou uma melhoria na qualidade das casas. A qualidade das habitações públicas tem merecido críticas por parte da população e, por isso, o Governo garante a introdução de melhorias, não só nas condições das casas, mas na tipologia dos apartamentos. O Chefe do Gabinete do Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Wong Chan Tong, explicou que a

7

área dos novos aterros da Zona A tem 138 hectares, sendo que serão principalmente T2 que serão construídos. Se cada fracção tiver três pessoas, cerca de 70 mil residentes podem ser beneficiados por este planeamento.

MAIS TERRAS DE ESPERANÇA

Além dos novos aterros, já foi anunciada a caducidade da concessão de mais de 20 terrenos que, após a sua recuperação, verão alteradas a sua finalidade inicial, passando a ser terrenos de reserva para a construção de habitação pública. Contudo, o Conselho Executivo explica que, como os terrenos estão em tribunal, é ainda difícil criar um projecto imediato para construir casas públicas. Além disso, Leong Heng Teng, porta-voz do Conselho Executivo, revelou que, ao mesmo tempo, o Governo da RAEM procurará envidar esforços para promover a reorganização dos bairros antigos, de forma a aumentar a oferta de habitações. Por outro lado, há ainda a possibilidade de serem cedidos por arrendamento mais terrenos da Ilha de Montanha, aumentando assim as possibilidade da RAEM de poder contar com mais terrenos para desenvolvimento.

Panda Relatório à morte de Sam Sam no final do mês

O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) anunciou na quarta-feira à noite que o relatório final da morte do panda fêmea Sam Sam precisa de mais tempo para ser feito. Inicialmente apontado para duas a três semanas, o instituto diz agora que os trabalhos de exame no laboratório se atrasaram pelo que o resultado final só deverá sair no final de Julho. Leong Kun Fong, o membro do Conselho de Administração do IACM, explicou que como Sam Sam era um animal sob protecção nacional, vai também ser preservado, pelo que precisa de um tratamento mais rigoroso para ser embalsamado, algo que é um procedimento mais complicado. Sam Sam, recorde-se, foi oferecido a Macau pela China. O panda morreu com cinco anos devido ao que terá sido uma falha renal.

Creches 600 vagas para mais de 1300 crianças

Cinco creches da Associação de Beneficência Tong Sin Tong uniram-se para realizar um sorteio de vagas para creches já no próximo ano lectivo. Ao todo, 1355 crianças competem para 652 vagas das cincos creches da associação. A responsável da associação, Fok Lai Si, referiu que, no ano passado, foram acrescentadas mais 200 vagas na quinta creche da associação, mas a inscrição deste ano foi muito superior.


8 sociedade

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CEM TERRENO NA AREIA PRETA VAI PARA HABITAÇÃO PÚBLICA

A CEM já quis devolver o terreno que tem na Rua dos Pescadores no ano passado, mas o Governo diz que o local ainda não pode ser aproveitado para já. Quando puder, vai dar origem a cerca de mil fracções de habitação pública JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

O

terreno onde está actualmente a Central Termoeléctrica de Macau – pertencente à Companhia de Electricidade de Macau (CEM) – vai ser utilizado para habitação pública. Isso mesmo garantiu Jaime Carion, director das Obras Públicas e Transportes, ao deputado Au Kam San. Numa resposta a uma interpelação escrita, datada do início de Junho mas só agora disponível em português, Carion explica que vai ser mantida apenas a Central

O

Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) está a investigar a concessão de um terreno a uma empresa subsidiária da Wynn Resorts, junto ao Macau Dome. “Começámos a analisar alguns elementos e já estamos a dar todo o acompanhamento. Só posso dizer isso, até aqui, sobre esse caso porque não convém entrar na fase de investigação. O CCAC está, portanto, impedido de revelar mais informações”, disse o comissário Vasco Fong, citado pela Rádio Macau, à margem de um encontro com a 2ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa. Ainda na quarta-feira, uma resposta do Governo ao HM garantia que a concessão do terreno no Cotai

de Ká Hó “como única instalação termoeléctrica em termos de produção de electricidade”. “Segundo as condições urbanísticas inicialmente definidas, o terreno situado na Rua dos Pescadores, onde actualmente se encontra construída a Central, será reservado para a construção de habitação pública”, pode ler-se na resposta do responsável das Obras Públicas a que o HM teve acesso. Não há, contudo, calendário para tal, até porque é preciso fazer alguns trabalhos antes. “O terreno não poderá ser aproveitado em curto espaço de tempo, devido a certos factores, mas independentemente

TIAGO ALCÂNTARA

À espera de reunir condições

disso, a Administração irá procurar agilizar com a maior brevidade possível estes procedimentos e dar início à elaboração do projecto de concepção das infra-estruturas.” A demolição do edifício da CEM – que já vinha a ser falada há algum tempo – ainda está a ser planeada pelo Governo, a par da desocupação do terreno. A CEM já apresentou uma proposta para

a devolução do terreno no ano passado, mas até agora, aponta Au Kam San, nada foi feita pelo Governo, ainda que este continue “a chorar por terrenos para habitação pública”.

CENTRAL COMO RESERVA

Au Kam San aponta que a central está desactualizada e que “nem sequer tem a missão de produzir

WYNN CCAC INVESTIGA CONCESSÃO DE TERRENO

Afinal em que ficamos? onde vai ser construído o novo resort da Wynn foi feita de forma legal, sendo que a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes garantia que nem sequer ouviu falar do assunto. “No processo de concessão de terreno da DSSOPT não constam as informações relativas à Companhia de Diversões e Investimento Tien Chiao”, dizia a resposta ao HM. “As informações relativas ao prazo de concessão do terreno e demais cláusulas fixadas no contrato de concessão de terreno celebrado com a Wynn Resort (Macau) S.A foram tituladas

[por despacho] de 2012”, refere ainda. O despacho mostra que a Wynn recebeu o terreno através de duas outras sociedades – a Cotai Desenvolvimento Imobiliário, S.A. e a Palo Real Desenvolvimento Imobiliário, S.A. -, pelo facto de a segunda “possuir maior legitimidade para solicitar a concessão do terreno com dispensa de concurso público em virtude de ser subsidiária da sociedade Wynn Resorts”. Esta semana, a União Internacional de Engenheiros Operacionais do Nevada (IUOE, na sigla inglesa) pediu ao Governo que en-

tregue documentos “públicos” sobre transacções da Wynn com a Tien Chiao Entertainment. O pedido chegou depois da suspeita de que a operadora de jogo

electricidade” devido ao estado das máquinas – com 40 anos – e que o Governo poderia aproveitar o terreno “de imediato”. Contudo, Jaime Carion assegura que, antes de se desactivar completamente a central da Areia Preta, há mais coisas a fazer. “Será primeiramente necessário proceder à melhoria e estabilização da rede e das infra-estruturas de distribuição de electricidade, no sentido de aumentar a distribuição da energia eléctrica. Actualmente, estão em curso as obras de reformulação estrutural da rede de distribuição de electricidade local e, antes da sua conclusão, a Central vai ser a um gerador de reserva em caso de emergência, no sentido de garantir um fornecimento seguro e estável de electricidade”, pode ler-se na resposta ao deputado. Para já, uma coisa é certa: o terreno vai ser revertido à RAEM, ainda que depois do corte de uma parcela, onde fica, actualmente, o edifício do jornal Ou Mun. Não vão ser construídas mais centrais termoeléctricas em Macau, ficando apenas a de Ká Hó em funcionamento. O Executivo assume que “só quando estiverem reunidas as condições” é que o terreno da Rua dos Pescadores será aproveitado. O local poderá dar origem à construção de cerca de mil apartamentos de habitação pública.

tenha de ter pago ao grupo de Pequim para poder ficar com o terreno no Cotai. No entanto, a IUOE cita notícias que dão conta que não se foi “capaz de localizar registos que indiquem que a terra foi alguma vez propriedade” da empresa. De acordo com notícia publicada em 2012 pelo Jornal Tribuna de Macau, Steve

Wynn admitiu o pagamento à Tien Chiao, a quem estava “prometido” um terreno para a construção de uma “Taiwan House”, mas nega a relação da empresa a membros do Governo. O HM quis saber se o Executivo recebeu os pedidos da IUOE e se as alegações eram verdadeiras, mas a única resposta que obteve foi que tudo foi feito dentro da lei e que não constam informações do grupo de Pequim. Da mesma ideia não parece partilhar o CCAC, que investiga, então, o caso. Ainda de acordo com a Rádio Macau, o comissário Vasco Fong assegura que tem em mãos vários processos, mas que o CCAC só não emitiu novos relatórios nos últimos meses porque estão a ser ouvidos especialistas de diversas áreas. - J.F.


CHINA

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Maioria das províncias retiram política de filho único

No total, 29 das 31 regiões provinciais na parte continental chinesa retiraram a política de filho único que entrou em vigor há décadas, permitindo que os casais tenham uma segunda criança se um dos pais for filho único, disse na quinta-feira um alto funcionário de planeamento familiar, informa a rádio China. A Província de Zhejiang, leste da China, foi uma das primeiras a dar o sinal verde, abrandando a política em 17 de Janeiro, enquanto Xinjiang e o Tibete ainda não adoptaram a medida, disse Yang Wenzhuang, funcionário da Comissão Nacional de Saúde e Planejamento Familiar, em conferência de imprensa. No final de Maio deste ano, cerca de 271.600 casais solicitaram poder ter mais que uma criança, com 241.300 dos pedidos aprovados, segundo Yang. Em Dezembro do ano passado, o Comité Permanente da Assembleia Popular, o mais alto órgão legislativo da China, adoptou a política e confiou às assembleias provinciais e aos seus comités permanentes para que façam os seus próprios planos de implementação.

Excedente comercial sobe 16,4% em Junho

O excedente comercial da China aumentou 16,4% em Junho para 31,6 mil milhões de dólares, indicam dados oficiais ontem divulgados. As exportações da segunda maior economia mundial cresceram 7,2% para 186,8 mil milhões de dólares, enquanto as importações aumentaram 5,5%, também em termos anuais, para 155,2 mil milhões de dólares, de acordo com dados da AdministraçãoGeral das Alfândegas da China. No cômputo dos primeiros seis meses, as exportações da China subiram 0,9%, ao passo que as importações aumentaram 1,5%, com o excedente comercial da China a cair 4.4% para 102,8 mil milhões de dólares. A China tornou-se a maior potência comercial do mundo em 2013, ultrapassando os Estados Unidos, com um volume de exportações de 2,21 biliões de dólares, mais 259,76 mil milhões de dólares do que as importações. Em 2013, a China registou um excedente comercial de 259,75 mil milhões de dólares e o seu Produto Interno Bruto (PIB) um crescimento de 7,7%.

REINO UNIDO EMBAIXADOR CHINÊS ALERTA PARA CAOS

Achas para a fogueira O

embaixador chinês na Grã-Bretanha advertiu na quarta-feira para o cenário de “caos” em Hong Kong se os pró-democratas mantiverem o plano de ocupar o centro da cidade, rejeitando os apelos para uma nomeação pública dos candidatos a Chefe do Executivo. O descontentamento em Hong Kong atingiu este ano o seu nível mais elevado quanto à alegada interferência por parte da China nos assuntos do território e a insistência de Pequim em validar os candidatos antes da próxima eleição para o chefe do Executivo em 2017. O movimento pró-democracia “Occupy Central” prometeu ocupar o distrito financeiro da antiga colónia britânica se o Governo não permitir a reforma eleitoral. “Se não ficarem satisfeitos, eles ameaçam ‘Ocupar Central’ e arrastar a economia de Hong Kong para

o caos”, escreveu Liu Xiaoming num artigo publicado quarta-feira no Financial Times. “Qualquer tentativa para destabilizar Hong Kong através da política de rua não vai certamente ganhar os corações e mentes das pessoas da cidade. Recentes desenvolvimentos em alguns países demonstram uma verdade simples: a política de rua não traz democracia mas incorre no tumulto e caos”, acrescentou. A imprensa oficial chinesa considerou o movimento “Occupy Central” ilegal e disse que a iniciativa poderia prejudicar a economia da cidade.

“PROVOCAÇÕES”

Um referendo informal realizado em Junho em Hong Kong, que atraiu a participação de quase 800.000 pessoas, também irritou Pequim. O referendo foi seguido da tradicional marcha de 1 de Julho (aniversário da transição de Hong Kong para

a China), que colocou a tónica no sufrágio universal e na condenação da alegada interferência de Pequim na governação da cidade. Pequim prometeu deixar os residentes de Hong Kong escolherem o seu próximo líder em 2017 por voto directo - metodologia que colocaria fim ao sistema actual de eleição do chefe do Executivo assente num comité eleitoral de 1.200 pessoas - mas com a condição de que os candidatos sejam aprovados por um comité de nomeação, algo

“Se não ficarem satisfeitos, eles ameaçam ‘Ocupar Central’ e arrastar a economia de Hong Kong para o caos” LIU XIAOMING

que os pró-democratas contestam, alegando que assim só os candidatos pró-Pequim terão luz verde. Os activistas também pedem que a votação siga os padrões internacionais, mas Liu contra-atacou: “Os sistemas eleitorais variam, não há um padrão internacional’”, escreveu. O embaixador chinês relacionou o patriotismo que Pequim considera ser um requisito necessário para qualquer chefe do Executivo com o juramento feito na tomada de posse pelos presidentes dos Estados Unidos. Receios com a influência de Pequim aumentaram em Junho quando o Governo central publicou um controverso “Livro Branco” sobre o futuro de Hong Kong, que é visto por uma larga franja da população como um aviso à cidade para não exceder limites. O Livro Branco também refere que o amor à China constitui um “requisito político básico” para qualquer futuro líder. Hong Kong beneficia de liberdades não garantidas no interior da China, incluindo liberdade de expressão e o direito ao protesto, mas o medo de que estas liberdades estejam a ser postas em causa tem vindo a aumentar.


10 china

Petróleo Pequim e Washington assinam acordo

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Administração Estatal de Energia da China anunciou ontem que o órgão e o Departamento de Energia dos EUA assinaram um documento intitulado Memória de Entendimento sobre Cooperações de Reservas Estratégicas de Petróleo. O documento foi assinado pelo vice-director da Comissão Estatal de Desenvolvimento e Reforma e director da Administração Estatal de Energia da China, Wu Xinxiong, e o secretário de Energia norte-americano, Ernest Moniz. Os dois representantes encontraram-se em Pequim e trocaram opiniões sobre cooperações no sector de energia. Wu sublinhou que a China e os EUA têm muitas oportunidades de cooperações estratégicas na área da energia e que os dois lados devem acelerar e ampliar as cooperações. Moniz ressalvou que os dois países devem reforçar cooperações e procurar resoluções para as questões revelantes, durante Diálogo Estratégico e Econômico. PUB

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PIRATAS INFORMÁTICOS ATACAM DADOS DOS EUA

Guerra dos mundos U M grupo de piratas informáticos chineses acedeu a informações de funcionários do Governo dos Estados Unidos, em Março deste ano, revelou ontem a edição digital do New York Times. Os piratas informáticos pretendiam aceder a ficheiros referentes a dezenas de

milhares de empregados que solicitaram autorizações de segurança secretas, segundo fontes oficiais não identificadas pelo jornal. Os piratas acederam às bases de dados do Departamento de Gestão de Pessoal antes de as autoridades dos EUA detectarem a ameaça e bloquearem o acesso à rede informática, adianta-

ram as fontes. Os EUAacusaram recentemente cinco militares chineses de acesso indevido a informação de algumas companhias norte-americanas com o fim de roubarem segredos empresariais. O presidente dos EUA, Barack Obama, expressou quarta-feira o seu interesse num “novo modelo” de

relações com a China, alicerçado numa cooperação cada vez mais pragmática e na “gestão construtiva” das diferenças. Esta informação é conhecida ao mesmo tempo que se realiza a sexta ronda do Diálogo Económico Estratégico bilateral entre os EUA e a China, em Pequim.

Cem mil milhões de patacas em ajuda internacional

A China anunciou ontem ter distribuído 89,3 mil milhões de yuan em ajuda internacional entre 2010 e 2012. A assistência – prestada nomeadamente sob a forma de subvenções ou empréstimos sem juros – foi canalizada para 121 países, incluindo 12 europeus, refere um relatório do Conselho de Estado chinês. Não foram, porém, especificados os países europeus que receberam ajuda de Pequim. Do universo de nações contempladas, 51 ficam em África, 30 na Ásia, 19 na América Latina e nove na Oceânia, segundo o documento ontem divulgado, em que se indica que organizações internacionais, incluindo a União Africana, também beneficiaram da ajuda. O relatório destaca que a ajuda externa por parte da China tem vindo a crescer nos últimos anos, mas não são facultados dados comparativos directos.


REGIÃO

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Programa da ONU para o Desenvolvimento vai apoiar pela primeira vez uma zona económica exclusiva, a criar em Timor-Leste, através de uma parceria que prevê a capacitação institucional nas áreas de planeamento, implementação e monitorização. A parceria foi ontem apresentada em Díli, numa cerimónia que contou com a participação do antigo primeiro-ministro timorense Mari Alkatiri, que lidera o projecto da Zona Especial de Economia Social de Mercado (ZEESM), a ser implementado no enclave de Oecussi e em Ataúro, e do director regional para a Ásia e Pacífico do Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD), Haoliang Xu. “Esta é a primeira vez que um escritório do PNUD faz uma parceria com um governo sobre uma iniciativa de zona económica exclusiva e estamos satisfeitos por termos sido convidados pela liderança do país

ONU PRIMEIRA ZONA ECONÓMICA EXCLUSIVA EM TIMOR-LESTE

Estímulo inédito para apoiar este esforço multidimensional”, afirmou o responsável. Segundo o PNUD, o apoio visa reforçar a capacidade institucional do gabinete da Zona Especial de Economia Social de Mercado para “lançar as bases para uma administração regional eficiente, eficaz e ágil”. “Enquanto zonas económicas especiais são utilizadas por países de todo o Mundo para estimular o crescimento, criação de emprego e de investimento, o ZEESM representa um afastamento dos modelos habituais ao propor uma abordagem integrada para o desenvolvimento sustentável, social e económico”, referiu Haoliang Xu.

Este projecto da ZEESM está orçado em 9,5 milhões de dólares, sendo que 9,2 milhões são da responsabilidade do governo timorense e 275 mil do CNUD. O apoio do CNUD durará até 2017. “A ZEESM visa transformar as vidas das pessoas com uma abordagem integrada. Vamos fazer isso, investir na formação, educação e saúde do povo de Oe-

“Esta é a primeira vez que um escritório do PNUD faz uma parceria com um governo sobre uma iniciativa de zona económica exclusiva...” MARI ALKATIRI

ÍNDIA JOVEM DE 14 ANOS VIOLADA POR ORDEM DE CONSELHO LOCAL

E não se pode exterminá-los? U MA jovem de 14 anos foi violada na Índia por ordem de um conselho local porque o seu irmão tinha abusado de outra mulher no Estado de Jharkhand, no leste do país, informou uma fonte policial na quarta-feira. Os factos ocorreram no passado domingo quando um homem violou uma mulher na localidade de Gulgulia Dhoram, algo que foi denunciado ao conselho local pela família da vítima, disse o comissário Virender Kumar. O conselho - denominado “panchayat”, um sistema de justiça

paralela - decidiu que a irmã do agressor fosse violada pelo marido da mulher agredida, de acordo com a fonte citada pela agência espanhola Efe. A polícia deteve o irmão da jovem violada, o marido da mulher agredida e o dirigente do conselho local. Muitas localidades da Índia mantêm um sistema de conselhos rurais que fazem justiça nas costas da polícia e dos tribunais, e que reivindicam legitimidade paralela. As suas decisões baseiam-se em tradições que são incompatíveis com a justiça indiana, como os “crimes de

cussi, e ao mesmo tempo investir em infra-estruturas vitais, como estradas, pontes, escolas e muito mais para ajudar a construir uma economia regional dinâmica”, afirmou Alkatiri. A parceria foi estabelecida no âmbito da visita ao país do director regional para a Ásia e Pacífico do PNUD, que chegou na terça-feira a Díli para encontros

honra”, a proibição de matrimónios entre pessoas da mesma localidade ou sentenças de exílio. As denúncias por violação na Índia aumentaram 35 por cento em 2013 relativamente ao ano anterior, um incremento desencadeado pela violação e assassínio de uma estudante de 23 anos em Nova Deli, em Dezembro de 2012. Essa agressão provocou protestos e um debate sem precedentes pela situação da mulher e desde então a imprensa indiana informa continuamente acerca de delitos sexuais contra as mulheres.

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com as autoridades timorenses e discutir o programa da agência da ONU para o período entre 2015-2019. Em Abril, o governo de Timor-Leste aprovou a proposta de lei para a criação da Região Administrativa Especial de Oecussi, que está a ser liderado pelo antigo primeiro-ministro timorense e secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), Mari Alkatiri. A Zona Especial de Economia Social de Mercado pretende incentivar o desenvolvimento regional integrado através da criação de zonas estratégicas nacionais atractivas para investidores nacionais e estrangeiros. O objectivo é retirar a Oecussi o estatuto de enclave e conferir-lhe o estatuto de pólo de desenvolvimento nacional, sub-regional e regional, ficando Ataúro, no âmbito deste pólo, direccionado para o turismo integrado.

Tufão Neoguri obriga à retirada de 30 mil pessoas

O tufão Neoguri, que se converteu em tempestade tropical, fez pelo menos três mortos e 45 feridos no Japão, obrigando ontem à retirada de cerca de 30 mil pessoas na ilha de Kyushu (sudoeste), onde, ontem de madrugada, tocou terra. Neoguri, o oitavo tufão da temporada no Pacífico, tocou terra perto da localidade de Akune, na prefeitura de Kagoshima, cerca das 07:00 locais, informou a Agência Meteorológica do Japão. As fortes chuvas causaram repetidos ‘apagões’, com a cadeia televisiva pública NHK a indicar que pelo menos 8.000 casas permanecem sem electricidade nas ilhas de Kyushu e Okinawa. Segundo os dados mais recentes, em Kagoshima foram retiradas 28.500 por causa das fortes chuvas, mantendo-se a recomendação para os residentes procurarem refúgio em instalações municipais para outras 945.000 perante o risco de inundações e deslizamentos de terras, um fenómeno frequente na região.


MUNDIAL

hoje macau sexta

LUSA

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Enzo Peréz Agradecimento a Portugal

O médio do Benfica agradeceu ao clube e ao futebol português por lhe ter proporcionado a presença numa final do Campeonato do Mundo. «Se hoje estou aqui é porque o futebol português me deu essa possibilidade, no clube onde eu estou, o Benfica. Agradeço a todos os dirigentes, ao corpo técnico, aos companheiros. Estou orgulhoso», disse no final do jogo com a Holanda, no qual se estreou a titular como substituto do lesionado Di María. «Era preciso ter responsabilidade. A confiança que me deram os meus companheiros e a equipa técnica foi fundamental. Não estava nervoso mas sim ansioso. Queria desfrutar porque o mais difícil já tinha passado no jogo anterior e sabia que um Mundial não se joga todos os dias.»

Ronaldo Brasil tem obrigação ficar em 3.º

Ronaldo, máximo responsável pelo último título do Brasil (2002), defende que a selecção canarinha tem a obrigação de garantir o 3.º lugar do Mundial 2014. O ex-futebolista brasileiro Ronaldo lamentou o sofrimento dos seus compatriotas perante a goleada sofrida frente à Alemanha, nas meias-finais do Mundial 2014, e afirmou que o Brasil tem a obrigação de conquistar o terceiro lugar, no sábado. “A selecção pagou um preço muito caro pelos seus erros e agora tem a obrigação conquistar o terceiro lugar”, disse o segundo melhor marcador em fases finais de Mundiais, a seguir ao alemão Miroslav Klose, que bateu o recorde do brasileiro, ao marcar o seu 16.º golo, mais um do que Ronaldo. Ronaldo lamentou, ainda, o sofrimento dos adeptos, que são “quem mais sofre com as frustrações que as derrotas criam”, e reiterou a “obrigação dos jogadores” brasileiros venceram o jogo que falta e conquistarem o terceiro lugar.

Van Gaal «Fui eu que ensinei Romero a defender penalties…»

Van Gaal, desta vez, não foi feliz na resolução por penalties. Após a derrota com a Argentina no desempate por grandes penalidades, o seleccionador holandês lamentou: «Fui eu que ensinei o Romero a defender penalties... Trouxe-o Romero para a Europa quando estava no AZ, era um grande talento». De facto, o actual seleccionador holandês, e futuro treinador do Manchester, dirigiu o guarda-redes argentino quando ambas passaram pelo Alkmaar, clube holandês. Sobre o facto de não ter posto, desta vez, Tim Krul para a decisão por penalties, Van Gaal lembrou: «Não tive essa opção, já tinha feito as três substituições.» E quanto às críticas feitas à exibição da Holanda, foi curto e grosso: «Não me importo com o que dizem e escrevem sobre mim e a minha equipa»

DADOS DO JOGO

MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

A

LEMANHA e Argentina decidem ao início da madrugada de segunda-feira o nome do sucessor da Espanha na lista das selecções campeãs mundiais de futebol. Agendado para as 16 horas locais, 4 da manhã de Macau, o desafio pauta o reencontro de ambas as formações no encontro decisivo da mais cobiçada das competições futebolísticas do planeta. O duelo tornar-se-à, de resto, o mais repetido na história das decisões do Campeonato do Mundo:Alemanha eArgentina já se encontraram por duas vezes no mais apetecido dos encontros da prova, com uma vitória a sorrir à Mannschaft e outra ao onze alvi-celeste. Até agora o Alemanha-Argentina dividia honras com o Brasil-Itália, que serviu também para decidir por duas ocasiões o nome do campeão mundial: Em fases finais do Campeonato do Mundo, Alemanha e Argentina já se encontraram

ALEMANHA E ARGENTINA DECIDEM NOME DO CAMPEÃO DO MU

Guerra dos Tronos, por seis ocasiões. Mais rigorosos e menos fantasistas, o onze germânico levou a melhor sobre o adversário sul-americano por três ocasiões, tendo empatado dois jogos e concedido um triunfo à formação argentina. A Alemanha levou a melhor sobre o adversário há quatro anos, na África do Sul, impedindo que Lionel Messi e companhia atingissem as meias-finais da prova. Antes, em 1990, já tinham garantido um dos mais saborosos triunfos da sua história, ao garantirem a conquista do seu terceiro campeonato do mundo de futebol às custas da Argentina do mago Diego Armando Maradona. O primeiro triunfo germânico ocorreu em 1958, num desafio a contar para a fase de

grupos da prova e foi necessário esperar quase três décadas para que a Argentina saldasse a derrota. O único triunfo da selecção alvi-celeste sobre a Mannschaft foi porventura o mais importante da história do futebol argentino. A 29 de Junho de 1986, no Estádio Azteca, uma Argentina perfumada levou a melhor sobre a racional Alemanha de Rudi Voller e companhia, numa das mais emocionantes finais de

JOGO ALEMANHA – ARGENTINA Estádio Maracanã, 03:00 • HISTORIAL J V E D GM GS 20 6 5 9 28 28

todos os tempos. Disputada, a partida terminou com o triunfo da selecção sul-americana por três bolas a duas. Para a Argentina marcaram José Luis Brown, Jorge Valdano e Jorge Burruchaga. A Alemanha ainda conseguiu esgrimir uma reacção à maior eficácia argentina, mas os tentos apontados por Karl-Heinz Rummenigge e por Voller não se afiguraram suficientes para impedir o triunfo dos argentinos.

PERCURSOS PARALELOS

A história dos frente-a-frente entre as selecções da Argentina e da Alemanha também se faz de dois empates (em 1966 e em 2006, em partida a contar para os quartos-de-final do Mundial) e por percursos estranhamente paralelos. Depois de terem triunfado


mundial 13

a-feira 11.7.2014

COREIA DO SUL SELECCIONADOR HONG MYUNG-BO DEMITE-SE

Mea culpa O seleccionador da Coreia do Sul, Hong Myung-bo, anunciou ontem a sua demissão apenas uma semana depois de a Federação de Futebol sul-coreana ter recusado o pedido, motivado por críticas à rápida eliminação da equipa no Mundial de futebol. Hong Myung-bo assumiu ontem, durante uma conferência de imprensa em Seul, a responsabilidade pela decepcionante prestação da equipa no Mundial do Brasil e confirmou que não se irá manter aos comandos da selecção. O anúncio surge apenas sete dias depois de a Federação Sul-coreana de Futebol (KFA, na sigla em inglês) ter manifestado o seu apoio a voto Hong Myung-bo, revelando que o técnico manter-se-ia no cargo de seleccionador pelo menos até Janeiro de 2015. A Coreia do Sul terminou no último lugar do Grupo H da primeira fase, atrás de Bélgica, Argélia e

s, parte três no frente-a-frente que lhes garantiu a conquista do último título mundial, as duas formações votaram-se a uma quase travessia do deserto no que diz respeito à conquista de grandes competições internacionais. A Alemanha não vence a maior prova mundial de futebol desde 1990 (uma grande penalidade cobrada por Andreas Brehme a cinco minutos dos noventa dilacerou as esperanças dos adeptos argentinos) e desde 1996 que não levanta o troféu referente ao Campeonato da Europa de Futebol. No caso da Argentina, o extenso período de jejum tem contornos ainda mais latos. Os argentinos conquistaram pela última vez o Campeonato do Mundo de Futebol em 1986 e a Taça América sete anos depois.

A travessia do deserto pelo qual enveredaram ambas as formações deverá favorecer o espectáculo: com ganas de regressar ao Olimpo do futebol mundial nenhuma das formações deverá vender barata a derrota, ainda que a Alemanha parta para o mais cobiçado dos desafios da vigésima edição do Campeonato do Mundo como inequivocamente favorita. Um favoritismo que não se deve apenas à escandalosa vitória alcançada sobre o Brasil, mas também às referências com que chega ao Maracanã. O último desafio disputado entre alemães e argentinos, nunca é demais referir, acabou em goleada. Há quatro anos, na África do Sul, a Alemanha atropelou sem apelo nem agravo a selecção sul-americana, vencendo

OS NÚMEROS

LUSA

UNDO

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número de golos apontados por Miroslav Klose com a camisola da selecção alemã. Dezasseis dos tentos apontados pelo dianteiro da Lazio com a camisola da Mannschaft tiveram como palco fases finais do campeonato do mundo de futebol. O avançado vestiu até agora a camisola da selecção alemã por 136 ocasiões.

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número de golos apontados por Diego Armando Maradona nas noventa e uma partidas que disputou com a camisola alviceleste da Argentina. Em comparação, Lionel Messi já marcou por 42 vezes ao serviço da selecção. No fim-de-semana, Messi deve vestir pela nonagésima terceira vez a camisola da formação sul-americana.

por quatro bolas a zero com golos de Miroslav Klose (2), de Thomas Muller e de Arne Friedrich. Dos onze jogadores alemães que entraram em campo a 3 de Julho de 2010, apenas o defesa Friedrich não integra os seleccionados de Joachim Low. Na Argentina, os defesas Otamendi, Burdisso e Heinze e o avançado Carlos Tevez não foram con-

vocados para o Mundial do Brasil e no banco, a selecção argentina conta agora com Alejandro Sabella no lugar do meterórico Diego Armando Maradona. Há quatro anos, a Alemanha dominou por completo a partida, teve mais posse de bola, rematou mais e, mais do que tudo, anulou por completo Lionel Messi. No Rio de Janeiro como será?

Rússia, conseguindo apenas um ponto, graças ao empate 1-1 com a Rússia, logo na jornada inaugural. Hong Myung-bo apresentou a sua demissão pela primeira vez após a derrota frente à Bélgica, mas a KFA recusou aceitar o pedido, tendo o presidente do organismo, Chung Mong-gyu, convencido o treinador a ficar. Desde que assumiu os comandos da selecção da Coreia do Sul, em Junho do ano passado, Hong Myung-bo dirigiu 19 jogos, os quais se saldaram em cinco vitórias, quatro empates e dez derrotas. Já no seu percurso como futebolista, foi um dos jogadores mais emblemáticos da selecção sul-coreana. É o recordista de internacionalizações (135) e foi o capitão da seleção que chegou às meias-finais do Mundial de 2002, sendo um dos jogadores que contribuiu para a eliminação prematura de Portugal, logo na primeira fase.


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DESPORTO

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Benfica Victor Andrade em Lisboa

O avançado de 18 anos aterrou ontem de manhã em Lisboa, vindo de São Paulo, depois de se ter desvinculado do Santos. «Estou muito feliz», disse o jogador, citado pelo Record. Victor Andrade já passou pelo Benfica em 2007, clube ao qual agora regressa. Nascido a 30 de Setembro de 1995, Victor Andrade foi internacional por todas as camadas jovens das selecções brasileiras e torna-se no quarto reforço dos encarnados a transferirse do futebol brasileiro para a Luz nesta época: César, Luís Felipe e Talisca são os outros. SÉRGIO FONSECA CHEUNG CHI WAI info@hojemacau.com.mo

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segunda e decisiva jornada dupla de apuramento dos pilotos de carros de turismo locais para a 61ª edição do Grande Prémio de Macau tem lugar este fim-de-semana no Circuito Internacional de Guangdong (GIC, na sigla inglesa). Neste

APURAMENTO PARA O GP DE MACAU TERMINA ESTE FIM-DE-SEMANA

Última chamada segundo e último evento do Campeonato de Macau de Carros de Turismo (MTCS, na sigla inglesa) vão definir-se as entradas directas dos pilotos do território nas

corridas “Taça de Carros de Turismo de Macau” e “Macau Road Sport Challenge”. Para muitos, este será o último fôlego e hipótese rumo à grande corrida. PUB

Wong Wan Long, Leong Ian e um polémico regulamento Veng e Cheong Chi On, por técnico novo, a indefinição esta ordem, dominaram os é maior. Um terceiro e um acontecimentos nas duas pri- segundo lugar na ronda meiras corridas da categoria inaugural permitem a Álvaro “Macau Roadsport Challen- Mourato qualificar-se para ge” em Junho, naquela que a grande prova de Novemnão foi uma jornada de boa bro. Contudo, o piloto do memória para os pilotos de Peugeot RCZ ainda pode matriz portuguesa na catego- vencer a competição liderada ria. Hélder Assunção ocupa o por Lui Man Kit, que soma sétimo lugar no campeonato dois triunfos. Graças a dois e é o melhor posicionado quintos lugares, Luciano Lados lusófonos. meiras também O mês passado, tem o apura“Para muitos, mento selado. Jerónimo Badaraco fez um Dos 29 concoreste será o 10º lugar na prirentes, quinze meira corrida e regressarão à último fôlego Sérgio Lacerda RAEM com e hipótese foi 11º classifio visto para o cado na segunGrande Prémio rumo à da, mas ambos no bolso. Hélgrande precisam de der Rosa e Rui um resultado Valente, décicorrida.” no “Top-10” mo segundo e para asseguradécimo terceirem a entrada no Grande ro actualmente na tabela de Prémio por esta porta. Em pontos, jogarão uma cartada pior lençóis estão o vetera- em importante. Esta jornada no Belmiro Aguiar e Filipe dupla será decisiva para Souza. Este último teve Chou Keng Kuan, multiimensos problemas no Suba- -vencedor do saudoso Troféu ru alugado em Hong Kong, Hotel Fortuna e dominador mas o macaense não deverá da extinta categoria N2000 preocupar-se muito com o nos últimos anos, que teve resultado do fim-de-semana, uma passagem para esquecer pois o seu objectivo para o pelo GIC em Junho, e Henry Grande Prémio de Macau é Ho, que foi desclassificado novamente a Corrida Guia. na jornada inaugural. As Entre os aflitos também primeiras corridas das duas se encontram Un Wai Kai, categorias decorrem na tarcampeão da categoria em de de Sábado, a partir das 2012, e os dois ex-pilotos 16h10, enquanto as segundas de F3, Michael Ho e Lei Kit mangas estão agendadas Meng. Na categoria “AAMC para domingo após as 12h30. Challenge”, que este ano se Todas as quatro corridas são apresentou com cara lavada compostas por 15 voltas.

Jardim pode tirar Hulk a Villas Boas

Leonardo Jardim apontou Hulk como o alvo a atacar pelo Mónaco se James Rodríguez deixar o clube gaulês neste mercado de transferências. Escreve o Le 10 Sport que o avançado brasileiro, pupilo de André Villas Boas no Zenit, é o alvo prioritário do treinador português para colmatar a eventual saída do internacional colombiano para o Real Madrid. Adianta a mesma fonte que o Mónaco só admite negociar James Rodríguez com os merengues por valores na ordem dos 85 milhões de euros, verba que seria canalizada para a contratação do Incrível.

EUA Jogador acusado de matar árbitro

Um jogador amador nos Estados Unidos, Baseel Abdul-Amir Saad, foi formalmente acusado de homicídio em segundo grau, por causar a morte do árbitro John Bieniewicz. Bieniewicz, de 44 anos, faleceu oito dias depois de ter sido agredido por Baseel Abdul-Amir Saad em pleno jogo, depois de ter visto um cartão vermelho. «Foi especialmente trágico porque ocorre quando o Mundial de futebol domina as nossas televisões. O presumível acto não pode ser tolerado e a nossa legislatura deve assegurar que haja penas severas quando isto acontece em desportos organizados», afirmou o procurador Kym Worthy. O jogador, de 36 anos, está actualmente em liberdade condicional, mas deverá comparecer em tribunal esta quinta-feira para responder perante a acusação.


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Thomas Lim*

OS SEGREDOS DE UM ACTOR Capítulo IV – Escolas de formação de actores e técnicas de representação

“As instituições de ensino são excelentes para estabelecer contactos, pois as relações aí criadas com directores e realizadores podem acompanhá-lo para toda a vida”

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S escolas de formação de actores são locais ideais para aprender as técnicas necessárias para quem quer ter uma carreira de actor, ainda que a verdadeira formação seja obtida com a prática real. No entanto, as instituições de ensino são excelentes para estabelecer contactos, pois as relações aí criadas com directores e realizadores podem acompanhá-lo para toda a vida. Estudei representação na Rose Bruford College de Londres, que é considerada como uma das cinco melhores universidades de Inglaterra na área. Antes disso, já tinha trabalhado dois anos como actor profissional em Singapura, mas foi em Londres que me apercebi das diferenças e das questões a considerar antes de escolher uma escola. A primeira coisa a ter em linha de conta é se é melhor estudar no seu país de residência ou no estrangeiro. Como

já referi, uma das principais vantagens de frequentar um estabelecimento de ensino é a rede de contactos que pode daí advir. Assim, pode ser mais vantajoso estudar no local onde pretender vir a trabalhar. Uma boa escola de cinema ou de teatro está normalmente ligada à indústria local e convida profissionais do ramo para leccionar os seus cursos, proporcionando aos alunos contactos para uma futura carreira profissional. No entanto, ao mesmo tempo, as técnicas aí ensinadas são aplicáveis ao país ou continente a que pertencem. No meu caso, aprendi em Londres muitas técnicas de representação europeias que, infelizmente, não eram apreciadas ou utilizadas por realizadores asiáticos. Ainda assim, estudar num continente diferente ajudou-me a identificar o meu lugar no circuito global e a desenvolver as técnicas necessárias para ter sucesso nos palcos internacionais. Frequentar uma boa escola na Europa ou nos Estados Unidos aumenta as hipóteses de obter audições na Ásia, sem as quais um actor não tem sequer oportunidade de mostrar o seu talento.

“O MELHOR SÍTIO PARA SE FORMAR COMO ACTOR É NO ‘SET’ DE UM FILME, FAZENDO PARTE DE UMA PRODUÇÃO REAL.” Para actores que pretendam trabalhar no seu país de origem, pode ser melhor opção frequentar uma escola local, visto os professores poderem ajudá-lo a estabelecer contactos na indústria local. Aí também será mais fácil encontrar papéis apropriados à sua etnia, linguagem e competência profissional, pois, de um modo geral, as personagens de um filme são baseadas em residentes locais. Se estiver a estudar no estrangeiro e aparecer uma vaga para um actor estrangeiro, aí terá obviamente menos competição da parte dos actores locais. Mas essas situações não ocorrem com frequência e dizem

respeito, normalmente, a papéis secundários. Um outro problema a considerar é o custo dos cursos. Na minha opinião, as melhores escolas de cinema do mundo são a NYU Tisch School of the Arts, em Nova Iorque, e a USC University of Southern Califórnia, em Los Angeles. Infelizmente são ambas muito caras e a maioria das pessoas não tem oportunidade de as poder frequentar. Seja como for, o melhor sítio para se formar como actor é no ‘set’ de um filme, fazendo parte de uma produção real. Numa escola é tudo pré-planeado, não havendo possibilidade de lidar com os imprevistos e as pressões do mundo real. Há, por isso, muitos actores que obtêm grande sucesso nas escolas, mas depois não conseguem adaptar-se ao mercado de trabalho. É por isso que considero essencial um actor saber preparar-se bem para as audições e saber promover-se. Tópicos que continuaremos a explorar nos capítulos seguintes. *actor e realizador


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José Simões Morais

UMA EMBAIXADA DO JAPÃO À EUROPA

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primeiro japonês a visitar a Europa foi provavelmente Bernardo, natural de Satsuma, mas para a História ficaram os jovens nobres japoneses que integraram a primeira embaixada do Japão a Roma, organizada pelos dáimios (senhores feudais) cristãos sob proposta de Alexandre Valignano, S.J.. S. Francisco Xavier tinha aportado no dia 15 de Agosto de 1549 em Kagoshima, Satsuma, no Japão. Quando deixou o Japão em 20 de Novembro de 1551 levou dois dos seus criados japoneses, que tinha convertido ao catolicismo. Um deles morreu em Goa e o outro, cujo nome de baptismo era Bernardo, natural de Satsuma, morreu em Coimbra. Os comerciantes portugueses andavam no Japão desde 1543 e a eles se juntaram desde 1549 os missionários jesuítas, quando S. Francisco Xavier aí chegou. Depois, ano após ano,

o número de padres da Companhia de Jesus rapidamente aumentou e por isso, as suas actividades passaram a ser acompanhadas por um Visitador da Ordem, que periodicamente inspeccionava as missões e redigia as cartas com as informações por ele recolhidas directamente. Assim temos como Visitador das Missões do Oriente entre 1573 a 1606, Alexandre Valignano, S.J. que, durante a sua primeira estadia no Japão, fundou três seminários para a formação de um clero nativo: um em Arima, outro em Quioto e um

terceiro no Bungo onde, para além do colégio em Funai, deixou um noviciado em Usuki. Amigo dos missionários jesuítas, Oda Nobunaga (1534-1582) procurava unificar o Japão, que estava dividido em 67 feudos e tinha como temíveis adversários os bonzos budistas, com os seus grupos armados e mosteiros bem fortificados. Talvez por isso, os missionários jesuítas contaram para os defender com Oda Nobunaga, que tinha começado por ser um dáimio e em 1573, como general e já fazendo uso

“AMIGO DOS MISSIONÁRIOS JESUÍTAS, ODA NOBUNAGA (1534-1582) PROCURAVA UNIFICAR O JAPÃO, QUE ESTAVA DIVIDIDO EM 67 FEUDOS E TINHA COMO TEMÍVEIS ADVERSÁRIOS OS BONZOS BUDISTAS”

das espingardas introduzidas no Japão trinta anos antes pelos portugueses, marchou em direcção a Quioto para derrotar Ashikaga Yoshiaki (15371597). Este era o décimo quinto e último shogun do shogunato Ashikaga, que governou o Japão entre 1568 e 1573. Como o shogun Yoshiaki, em Quioto, não tinha nenhum poder, disperso pelos dáimios (senhores feudais), concedeu a Oda Nobunaga o título de Udaijin (grande ministro de Estado) e este tomou nas suas mãos os destinos do Japão. O Shogun Yoshiaki ficou como governante fantoche do shogunato, dando início ao período Azuchi-Momoyama. Assim, Oda Nobunaga, na tarefa de unificar o país, expulsou Yoshiaki para fora de Quioto, mas manteve-o na posição nominal até 1588, apesar do shogunato Ashikaga ter sido abolido. Wenceslau de Moraes no livro “Relance da História do Japão” fala-nos desse período escrevendo: “O que o


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Japão reclamava, havia longos anos, como condição indispensável para a sua existência, era que um braço de ferro se erguesse, esmagando, embora à custa de muito sangue, todas as pequeninas intrigas, todas as mínimas ambições, reintegrando as forças da pátria. E foi o que se fez, embora lentamente; e foram três os braços de ferro que se ergueram, em vez de um; o que não era demais, tendo em vista a gravidade da tarefa. Nobunaga aparece em cena em primeiro lugar, auxiliado subsequentemente por Hideyoshi e Iyeyasu, como seus generais. Órfão de pai aos quinze anos, inicia então a sua carreira, começando por alargar os escassos domínios que lhe couberam por herança. A ideia predominante, entre os vários dáimio poderosos, consistia então principalmente em aproximarem-se de Kiôto, a capital, intimidarem com a sua presença o xôgun Ashikaga Yoshiteru, adquirirem influência junto dele e conseguirem que este legalizasse com o seu consentimento os actos de espoliação, feitos e por fazer, em próprio benefício, nos feudos de outros daimio. Nobunaga cuida de frustrar os intuitos daqueles daimio ambiciosos; indo, mais ambicioso do que eles, ao seu encontro, agredindo-os, derrotando-os, apossando-se dos bens. E vai-o conseguindo, em sucessivas batalhas, brilhantemente ganhas; bastando dizer-se que, no fim da sua curta existência de quarenta e oito anos, das trinta e oito províncias em que então se dividia o império, trinta e duas haviam caído em seu poder.” Oda Nobunaga era temido por todos os senhores feudais. “No entanto, em Kiôto, o xôgun Yoshiteru é atacado, na sua residência, por forças em revolta; suicida-se, na impossibilidade de salvar-se. Nomeou-se uma criança de três anos para substituí-lo no poder; mas a sanção imperial foi recusada. Yoshiaki, irmão de Yoshiteru, pretende o lugar. Para o efeito, solicita a protecção de vários senhores feudais, que lha recusam; por último dirige-se a Nobunaga, que lha dá. Nobunaga entra em Kiôto com o seu protegido, que consegue elevar ao cargo de xôgun, reservando para si o cargo de vice-xôgun. Este Yoshiaki mostra-se dentro em pouco como um homem dissoluto, de maus propósitos; e, quando Nobunaga lhe reprova o procedimento, cuida então de obter de alguns dáimio poderosos que lhe dêem cabo do incómodo protector. Nobunaga, informado do plano, depõe o xôgun do seu cargo e desterra-o.”

A ESCOLHA DOS EMBAIXADORES JAPONESES O padre Valignano/Valegnani em 1581 foi recebido em Quioto por Oda

Oda Nobunaga

Nobunaga, que ficou muito impressionado tanto com a estatura do padre (mais de seis pés de altura) como com o seu escravo negro, que lhe fora dado. Sobre este escravo trazido do Cabo da Boa Esperança, Wenceslau de Moraes escreveu uma nota interessante: “... os padres tinham consigo um pretinho, que causou grande espanto aos japoneses, por nunca terem visto um homem assim. O próprio Nobunaga quis vê-lo; duvidando de que fosse natural aquela cor, mas sim efeito de pintura, enquanto não se convenceu da verdade, mandando-o despir e raspando com as suas próprias unhas a pele do moço. Os padres fizeram-lhe presente do pretinho. Quando Nobunaga morreu e o seu corpo foi consumido no incêndio, com toda a gente que o acompanhava, só o pretinho encontrou artes de fugir,

correndo a refugiar-se em casa dos padres, que era cerca.” Nos finais de 1581, Valignano em Nagasáqui fazia o balanço com todos os missionários dos três anos (15791582) da sua primeira estadia no Japão como Visitador. Trocou por um novo o catecismo feito no Japão por S. Francisco Xavier, que fora traduzido para japonês por Jandiro, este mais adequado à realidade social japonesa. Os jesuítas encontravam boas condições para prosseguir com a evangelização dos japoneses, contando com vários dáimio baptizados e outros como amigos, como era o caso de Oda Nobunaga. O Visitador Alexandre Valignano S.J., já no final da primeira estadia no Japão, ainda pôs em acção um plano para os japoneses enviarem uma embaixada à Europa, a fim de visitar o Papa e dar aos jovens nobres japoneses de Kyushu uma visão da vivência ocidental. Pretendia com isso, revelar na Europa os êxitos na conversão e conseguir apoios mais fortes dos católicos para a Missão do Japão e através dos relatos dos embaixadores japoneses no seu país, dar a conhecer o deslumbrante luxo cultural da vida do Ocidente e o seu poder civilizacional. Os senhores feudais, dáimio de Bungo, Otomo Yoshishige (1550-1562), o dáimio de Arima, D. Protásio Harunobu e o de Omura, D. Bartolomeu Sumitada, convertidos todos ao catolicismo, escutaram com grande receptividade a proposta do jesuíta Valignano do envio à Europa de uma embaixada japonesa. Assim, em nome destes dáimio se prepararam os emissários escolhidos dentro das suas casas reais. Tinham que ser jovens, com idades

“...OS PADRES TINHAM CONSIGO UM PRETINHO, QUE CAUSOU GRANDE ESPANTO AOS JAPONESES, POR NUNCA TEREM VISTO UM HOMEM ASSIM” WENCESLAU DE MORAES, EM “RELANCE DA HISTÓRIA DO JAPÃO”

compreendidas entre os 15 e 16 anos, pois eram estes quem melhor aguentavam as longas viagens por mar e a mudança de climas, assim como, vivendo largos anos perpetuariam por muito e longo tempo os seus testemunhos. Para essa embaixada japonesa, rapidamente organizada, fora escolhido como representante do Bungo, Jerónimo Ito, um dos sobrinhos do seu grande e idoso amigo Sorin, chamado Yoshishige quando foi Otomo de Bungo, que tinha ensinado a Valignano muito sobre a vida e a maneira de pensar japonesa. Como Jerónimo se encontrava no Seminário de Azuchi e não houve tempo de esperar por ele, foi assim substituído pelo seu primo, Mancio Itó Sukematsu, filho de Itó Shurinosuke, do dáimio de Fiunga e neto via materno do grande Otomo Yoshishige, (que fora amigo também do P. Francisco Xavier), dáimio de Bungo. Outro dos jovens escolhidos para embaixador foi Miguel Chijiwa Seizayemon, filho de D. João Chijiwa Naokazu (governador de Takaku), um irmão de D. Bartolomeu (Senhor de Omura) e sendo Miguel também neto de Arima Haruzumi, era por isso representante dos dáimio de Arima (Protásio Harunobu) e de Omura (D. Bartolomeu Sumitada). Para acompanhar os dois embaixadores outros dois jovens da aristocracia japonesa (filhos de vassalos de Omura, dois barões do Reino de Fizen), que iam como adidos: Julião Nakaura, filho de um nobre senhor do castelo de Nakaura na península de Nishi-Sonogi e Martinho Hara Maruchino (ou Nacazucara), filho do senhor duma fortaleza nos confins de Hirada e Omura, um dos principais vassalos de Omura. Como assistentes, seguiam os japoneses Constantino Dourado e o irmão Jorge Loyola, S.J., assim como os padres Diogo Mesquita e Valignano.


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EVENTOS

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EXPOSIÇÃO RETRATOS DE CRYSTAL CHAN NA LIVRARIA PORTUGUESA A jovem artista de Macau mostra a partir de hoje os seus trabalhos na Livraria Portuguesa. adiantou. Mas foi durante esta viagem que descobriu o trabalho São cerca de 30 do artista austríaco Egon Schiele, obras, esboços, por quem “se apaixonou imediatamente” e que veio a revelar-se aguarelas e pinturas, como a sua maior inspiração. que a própria define REGRESSO À TERRA De volta a Macau inscreveu-se como “memórias num curso de Gestão Hoteleira no e expressões de Instituto de Formação Turística. Enquanto estudava, surgiu a oporsentimentos” tunidade de fazer um intercâmbio

Entre o passado e o futuro

RICARDO BORGES info@hojemacau.com.mo

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mostra de Crystal Chan, ‘Living in the Memories of the Future Self’ (Vivendo nas Memórias do Meu Eu Futuro), inaugura hoje, pelas 18:00 horas, na Galeria da Livraria Portuguesa. Em conversa com o Hoje Macau, a artista local confessou que é uma pessoa que “sente constantemente necessidade de mudança” e que “adora viajar”. Isto leva-a a conhecer muita gente e a ter de dizer muitos adeus, o que gera um misto de sentimentos, entre a felicidade e a tristeza. E daí nasce o nome da mostra, a sua primeira a título individual. Os cerca de 30 trabalhos que vai apresentar incluem esboços, aguarelas e pinturas - compostos na maior parte por retratos que são “memórias e expressões de sentimentos”. Crystal define o seu próprio estilo como “cru e muito impulsivo”, até “um pouco escuro”, que reflecte a imperfeição da natureza humana. Apesar de ter sempre sentido uma fascínio pelas artes, foi sempre contrariada, “nunca fui encorajada a seguir a minha paixão”, sendo em vez disso pressionada pela família para “seguir uma carreira mais lucrativa”. Isto levou-a a ir estudar design de interiores para Taiwan aos 18 anos, o que veio a revelar-se um fracasso. Ao tentar “conciliar a sua paixão pelas artes com a necessi-

dade de encontrar uma carreira que a família aceitasse” acabou por escolher o curso errado, o que a levou a desistir dos estudos e das artes em geral. “Na altura prometi a mim mesmo nunca mais voltar a perder tempo com lides artísticas”,

na Grécia, onde passou seis meses, sempre “alimentando a sua enorme curiosidade”. Fruto das suas viagens pela Europa, acabou por editar um livro de fotografia ‘Something About’ - em parceria com Wong Kei Cheong. Uma vez acabado o curso acabou por ir trabalhar num casino local, mas “não se sentia realizada”. Nos últimos quatro anos “tem sido encorajada pelos amigos”, e voltou a investir na sua grande paixão pelo desenho. Participou em exposições colectivas organizadas pelo Festival Rota das Letras e pela AFA (Art for All Society). Foi com esta associação que realizou uma viagem a Nova Iorque no ano passado para participar na ‘Affordable Arts Fair’. Aí consegui vender um trabalho a um desconhecido completo, o que “achou maravilhoso” e a fez “acreditar no seu próprio talento”. Decide então apostar a sério nas artes, o que a levou a inscrever-se na School of Visual Arts de Nova Iorque, onde pretende estudar belas-artes “para aprender as bases”, visto ser na verdade uma auto-didacta. Se conseguir recolher os fundos necessários tenciona partir para os Estados Unidos já em Setembro. Candidatou-se a uma bolsa do

Instituto Cultural, mas mesmo que a obtenha isso “cobrirá apenas um quinto das despesas”. Seja como for, Crystal não tenciona voltar a desistir dos seus sonhos, e acha que Nova Iorque será o local ideal para o fazer, visto ser uma cidade que “aprecia a criatividade e oferece liberdade para ser ela própria”. A exposição está aberta diariamente entre as 11:00 e as 19:00 horas até ao dia 31 de Julho, tendo entrada livre.

“Nunca fui encorajada a seguir a minha paixão”

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA OS SOBREVIVENTES (DE SÉRGIO GODINHO) • B Fachada (Minta/João Correia)

Bernardo Fachada e Sérgio Godinho conheceram-se pela melhor das razões: por uma canção. Sem grande parcimónia e ainda menos cerimónia, o primeiro tinha em meados de 2010 composto ‘Os Discos do Sérgio Godinho’, uma irónica e divertida vinheta que se referia metaforicamente à centralíssima importância do segundo na crónica moderna da música nacional. Sérgio Godinho reagiu ao mimo da

Apreciação vocal sem barreiras

Tendo como objectivo a promoção da arte vocal, a Associação Vocal de Macau apresenta o concerto “Bel Canto” na galeria da Fundação Rui Cunha, pelas 17:00 horas deste sábado. O concerto contará com a presença do barítono Lau Zi Wai e a soprano Lei Ji Lei, ambos formados pela Escola de Música do Conservatório de Macau. Vão ser interpretadas músicas como “Non t’accostarall’urna” de F. Schubert, “Torna, vezzosa Fillide” de V. Bellini, assim como Non t’amo più” e “In van preghi” de F. P. Tosti. De maneira a dar a conhecer ao público a história por detrás destas composições, a organização vai facilitar detalhes sobre as mesmas em chinês e em inglês. O evento está aberto ao público, tendo entrada livre.

Fogo de artifício Lusos dão cor ao céu de Macau

Os portugueses Pyrofel são uma das dez equipas que este ano vão colorir o céu de Macau com espectáculos pirotécnicos no 26.º Concurso Internacional de fogo de artifício, entre 8 de Setembro e 1 de Outubro, foi ontem anunciado. Esta será a terceira vez que os Pyrofel Pirotecnia, Lda participam no concurso, tendo vencido uma das edições. Além de Portugal, marcam presença no concurso equipas de Taiwan, China, Croácia, França, República da Coreia, Polónia, Austrália, Itália e Espanha. O concurso pirotécnico, que é promovido como um dos pontos altos do cartaz turístico de Macau nomeadamente em feiras de turismo e exposições na região e internacionais, vai decorrer nos dias 8, 13, 20 e 27 de Setembro, e 1 de Outubro, na zona ribeirinha em frente à Torre de Macau. “Ao longo das 25 edições passadas o evento tem logrado o apoio de companhias de fogo-de-artifício de renome, provenientes de várias partes do mundo, transformando o concurso num dos nossos principais eventos anuais, que todos os anos atrai milhares de visitantes e residentes,” disse a directora dos Serviços de Turismo, Helena de Senna Fernandes.

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melhor e mais bem-humorada forma possível: não só fez chegar os parabéns a Fachada pela canção como se disponibilizou para, caso se propiciasse a ocasião, interpretá-la num dueto. Foi o que acabou por acontecer, primeiro a 26 de Maio de 2010, num “encontro improvável” patrocinado pela Nokia, filmado e transmitido em streaming no site da marca e posteriormente disponibilizado em plataformas gratuitas como o YouTube, e, depois, a 3 de Dezembro do mesmo ano, quando Fachada convidou

Godinho para uma actuação conjunta no cinema São Jorge, no âmbito do festival Super Bock em Stock. Meses depois, a preparar o lançamento de “Mútuo Consentimento”, o disco de originais que celebrava igualmente os seus 40 anos de carreira, Godinho lembrou-se de que seria interessante desafiar músicos de outra (mais nova) geração a pegar nas canções do seu primeiro álbum e averiguar da sua eventual validade estética. Com a memória da recente colaboração com Bernardo e Francisca ainda

fresca, mencionou-lhes a ideia, colocando-os à vontade para sugerirem em que contexto tal se daria – num single para as rádios, numa aparição em concerto, numa versão num próximo disco de Fachada ou Minta, etc. Claro que não se fez a coisa por menos, e, convocando João Correia (fundador dos Julie & The Carjackers e baterista com experiência em variadas e excelentes bandas, da de Nancy Vieira à de Manuel Paulo), produziu-se uma versão integral do pioneiro LP.


( F ) UTILIDADES

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TEMPO AGUACEIROS OCASIONAIS MIN 27 MAX 33 HUM 70-95% • EURO 10.8 BAHT 0.2 YUAN 1.2

Cineteatro

CINEMA

LÍNGUA DE gATO

TRANSFORMERS: AGE OF EXTINCTION SALA 1

HUNGRY GHOST RITUAL [C] Um filme de: Nick Cheung Com: Nick Cheung, Annie Liu, Carrie Ng 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

TRANSFORMERS: AGE OF EXTINCTION [3D] [B] Um filme de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Nicola Peltz, Jack Reynor, Li Bingbing 14.30, 21.00

Pu Yi

SALA 3

HOW TO TRAIN YOUR DRAGON [A] (falado em cantonês) Um filme de: Dean DeBlois 14.15, 16.00, 19.30

Banco, para que te quero?

HOW TO TRAIN YOUR DRAGON [3D] [A] (falado em cantonês) Um filme de: Dean DeBlois 17.45

SALA 2

TRANSFORMERS: AGE OF EXTINCTION [3D] [B] Um filme de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Nicola Peltz, Jack Reynor, Li Bingbing 18.00

ACONTECEU HOJE

TRANSFORMERS: AGE OF EXTINCTION [3D] [B] Um filme de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Nicola Peltz, Jack Reynor, Li Bingbing 21.15

11 DE JULHO

Margaret Thatcher toma posse como primeira-ministra de Inglaterra • Um dos grandes símbolos da emancipação política das mulheres, Margaret Thatcher tomou posse como primeira-ministra a 11 de Julho de 1979. A ‘Dama de Ferro’, crítica do projecto da União Europeia, foi eleita por três vezes para a chefia do governo britânico. Hoje, assinala-se também o Dia Mundial da População. Hoje é dia de recordar Margaret Hilda Thatcher, que nasceu em Lincolnshire, a 13 de Outubro de 1925. Estudou ciências químicas na Universidade de Oxford, mas destacou-se graças a uma carreira política invejável. E esse percurso iniciou-se bem cedo, nas eleições gerais de 1959 no Reino Unido, em que Thatcher foi eleita representante parlamentar pela região de Finchley. Viria a ser nomeada secretária do Departamento de Educação e Habilidades no executivo de Edward Heath, em 1970. Cinco anos mais tarde, é eleita líder do Partido Conservador, tornando-se na primeira mulher a liderar um dos principais partidos do Reino Unido. Em 1979, é eleita chefe do governo, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo. Nunca uma mulher fora chamada para ocupar o cargo, em toda a Europa. Margaret Thatcher morou no n.º 10 de Downing Street entre 1979 e 1990. Durante os seus mandatos, estava determinada em inverter o que considerava ser o declínio nacional de Inglaterra. Centrou a sua acção na desregulamentação do sector financeiro, flexibilizando o mercado de trabalho e privatizando as empresas estatais. Perdeu popularidade durante a recessão provocada pela crise do petróleo de 1979, mas a vitória britânica na Guerra das Malvinas e a recuperação económica ajudaram à sua reeleição, em 1983. Sobreviveu a uma tentativa de homicídio em 1984 e ganhou a alcunha de ‘Dama de Ferro’. Viria a ser reeleita para um terceiro mandato em 1987, mas sua visão crítica sobre a criação da União Europeia levou-a a perder o apoio do partido. Margaret Thatcher renuncia aos cargos de primeira-ministra e líder do partido em 1990.

U M D I S C O H O J E OLIVIA ONG (OLIVIA, 2010) Vem de Singapura e canta muito em língua inglesa, mas ficou mais conhecida com o seu primeiro disco “A Girl Meets Bossanova”, estreado em 2005 e que a fez saltar para a fama no Japão. Foi quando participou no concurso de canto de Taiwan ‘One Million Star’ que Olivia Ong foi muito elogiada e saltou para a ribalta, tornando-se cantora profissional em Taiwan até agora. O disco com o mesmo nome - “Olivia” - traz músicas originais criadas pela cantora, como “You and me” e “ Bittersweet” e traz uma nova e mais fresca interpretação de canções populares dos anos 70 e 80, como “ I feel the earth move” e “ Luka”. - Flora Fong

João Corvo

A sombra da tua alma caminha ao lado da minha.

fonte da inveja

Nestes últimos dias, tenho-me questionado bastante sobre a questão do furto de dados em multibancos. Não é que duas das pessoas que conheço receberam uma mensagem a dizer que tinham utilizado os cartões de débito em máquinas ATM com vírus? Sim, os criminosos – que nem eram de Macau nem nada – instalaram vírus para “adoentar” as máquinas multibanco e mais tarde conseguir levantar dinheiro que não é deles. Isto pôs-me a pensar: será então seguro deixar o dinheiro no banco, essa tão grande e poderosa instituição que (aparentemente) garante os ordenados, poupanças e depósitos? As pessoas andam aqui descansadas, a trabalhar e a dormir, pensando sempre que têm as suas pequenas fortunas amealhadas... Mas afinal não. Nem sempre e, pelos vistos, todo o cuidado é pouco. Voltaram os estilos de lifestyle ‘vintage’, ‘hipster’ e ‘pin-up’ e, pelo andar da coisa, voltaram também os tempos de se porem as poupanças debaixo do colchão. Vejamos pelo lado positivo: ficam todos com uma caminha mais confortável, mais alta e mais fofinha. A verdade é que todos têm medos e os piores são aqueles que não se conseguem controlar. Como o caso de um banco perder todo o nosso dinheiro, por exemplo. Nesse caso, treme-se por dentro, receando poder perder a casa por não conseguir pagar a renda, não conseguir comer... Numa última instância, é sempre o medo de morrer que guia os nossos receios – ouvi em qualquer lado, não me perguntem onde. Bem, embora um dos bancos afectados já tenha vindo confirmar que os problemas foram todos resolvidos e não há perigo de “contágio”, eu cá prefiro acho melhor que poupem pelo seguro e guardem tudo debaixo da mesa de cabeceira e do colchão... É que estas ATM constipadas dão cabo de nós.


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OPINIÃO

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JORGE RODRIGUES SIMÃO

perspectivas

O fantasma de nova crise global (Parte II) “The economic and financial instability that has rocked Europe and North America since 2008 has been a disaster for millions of people who have lost jobs, homes, and savings. Clearly in retrospect, governments were mistaken in this. Failures to regulate effectively

O

The Consequences of the Global Financial Crisis: The Rhetoric of Reform and Regulation Wyn Grant and Graham K. Wilson

custo do capital aumentou com efeito, o qual arrefecerá o investimento e permanecerá o esforço ao crescimento. Prevê-se, face ao futuro, que o crescimento mundial aumentará de 3 por cento em 2013 para 3,6 por cento em 2014 e 3,9 por cento em 2015, o que não representa grandes alterações no referente às previsões de Outubro de 2013. O crescimento aumentaria a aproximadamente 2,25 por cento no biénio 2014 – 2015

DEL LORD, THREE PESTS IN A MESS

allowed financial institutions to build houses of cards that would soon collapse. Governments tolerated the creation of a bubble in the housing market sustained by vast amounts of easy credit, perhaps linked to global financial imbalances.”

nas economias avançadas, ou seja, melhora cerca de 1 por cento em comparação com 2013. Os principais factores dessa mudança são a aplicação de políticas fiscais menos restritivas, com excepção do Japão, e a decisão de manter condições monetárias extremamente acomodatícias. O crescimento mais forte registar-se-á nos Estados Unidos e será de cerca de 2,75 por cento. Prevê-se um crescimento positivo mas variável na zona euro; mais forte no seu núcleo e mais débil nos países com elevado nível de dívida (tanto pública como privada) e fragmentação financeira,

factores que actuarão como fundamento para a procura interna. Quanto às economias dos mercados emergentes e em desenvolvimento, prevê-se que o crescimento crescerá lentamente de 4,7 por cento em 2013 para aproximadamente 5 por cento em 2014 e 5,25 por cento em 2015. O crescimento será suportado pelo fortalecimento da procura externa das economias avançadas, ainda que a degradação das condições financeiras abrandará o aumento da procura interna. A China, espera que o

“A recuperação mundial ainda é frágil, apesar da melhoria das perspectivas, mas continuam a existir antigos e novos riscos”

crescimento se mantenha em cerca de 7,5 por cento em 2014, dado que o governa tenta arrefecer o crédito e promover reformas, assegurando ao mesmo tempo uma transição pausada para uma trajectória de crescimento mais equilibrada e sustentável. Arecuperação mundial ainda é frágil, apesar da melhoria das perspectivas, mas continuam a existir antigos e novos riscos quanto a uma possível queda, sendo de considerar os novos riscos geopolíticos surgidos. Quanto aos antigos riscos, os relacionados com as economias de mercados emergentes agravaram-se com a evolução das condições externas. A normalização inesperadamente rápida da política monetária americana ou novas crepitações de forte aversão ao risco por parte dos investidores poderiam agravar a turbulência financeira. Isso poderia traduzir-se em difíceis ajustes em algumas economias de mercados emergentes, com um risco de contágio e tensão financeira generalizada, e portanto de contracção do crescimento. Nas economias avançadas, os riscos para a actividade relacionados com um nível de inflação muito baixo passaram a primeiro plano, especialmente na zona euro, onde as grandes quebras do PIB contribuíram para o baixo nível de inflação O FMI previne sobre uma nova crise global, pois a desproporção que se observa em muitos países entre o salário médio e preço da habitação indica que o mundo parece estar próximo de outra crise imobiliária, com as consequências vividas da crise financeira internacional. O FMI acendeu uma luz amarela e publicou a 11 de Junho de 2014 um relatório cujos indicadores mostram uma aceleração nos preços globais da habitação, cujos altos níveis ameaçam a estabilidade económica do mundo. O mais interessante é o relatório afirmar que embora os instrumentos para conter os preços das habitações não estejam completamente desenvolvidos, isso não deveria ser usado como desculpa para a inacção. Os preços das habitações mantêm-se muito acima das médias históricas numa grande maioria de países em relação aos rendimentos e rendas. O novo índice de preços imobiliários globais do FMI mostra uma nova aceleração, com preços até 3,1 por cento no referente a 2013. Os preços das habitações estão a subir de forma mais rápida nos mercados emergentes, com uma subida até 10 por cento no respeitante a 2013 nas Filipinas, 9 por cento na China e 7 por cento no Brasil. Com a recessão global, os bancos centrais reduziram as taxas de juros a mínimos históricos, o que elevou os preços das habitações a níveis que representam um risco significativo para economias tão diversas como as de Hong Kong e Israel. Mas a habitação também está acima da sua média histórica em países como a Austrália, Bélgica, Canadá, Reino Unido, Noruega e Suécia. Os governos devem tomar medidas imediatas para combater o perigo de criação de outra borbulha, ao qual nenhum país se encontra isento.


opinião 21

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PAUL CHAN WAI CHI*

um grito no deserto

Filosofias antiquadas na Novo Macau

A

Associação Novo Macau mudou de direcção no dia 6 de Julho, e como um dos seus membros participei activamente na eleição dos novos corpos dirigentes, na esperança de poder ajudar na formação dos seus novos membros. No passado presidi a esta associação e fui mesmo eleito à Assembleia Legislativa através dela, situação que não consegui repetir neste ano. Para os leitores que acompanharam este processo através do Facebook, certamente notaram que esta eleição foi marcada por uma luta renhida e por discursos empolgados, havendo mais pessoas a concorrer para os cargos. No passado não se realizavam ataques pessoais para angariar votos, e os membros que não compareciam em pessoa não tinham por hábito autorizar outros a votar por si. Porque motivo estão estas tácticas a ser agora utilizadas e quais são os problemas que a associação tem de enfrentar? Eu próprio não me candidatei a nenhum lugar na nova direcção e decidi participar apenas para garantir que a associação continuaria a ser liderada eficazmente. Em 2010, a

associação decidiu passar a liderança para os seus membros mais novos. Quando fui presidente da direcção em 2007, já havia alertado para o facto de os corpos dirigentes já serem todos de idade avançada, especialmente os sócios fundadores, e que era necessário introduzir sangue novo na liderança. Na altura mencionei que se não fossem feitas alterações nos próximos 10 anos, corríamos o risco de não ter pessoal para continuar o projecto. Dizem que Roma não foi feita num dia, e da mesma maneira é preciso

ticipassem no processo. Quando se mudou a direcção em 2010, eu decidi abandonar o cargo de presidente para ceder o lugar a Jason Chao, conforme planeado. Nos últimos quatro anos, Jason trabalhou incessantemente nos projectos da associação e introduziu novas filosofias, tendo-se verificado grandes progressos. Apesar de não concordar sempre com a maneira como Jason lida com alguns assuntos, reconheço que conseguiu introduzir novos membros na associação e até um dinamismo novo na sociedade de Macau.

“Todos nós temos de enfrentar filosofias antiquadas durante o nosso desenvolvimento pessoal. Mais cedo ou mais tarde esta maneira de pensar tem que ser abandonada...” tempo para preparar os membros mais novos para assumir a liderança de associação de uma maneira competente. Cabe assim aos membros mais velhos a responsabilidade de os apoiar e encorajar, sendo necessário ser tolerante para com estes. Na eleição da terceira legislatura da Assembleia Legislativa em 2009, a associação tentou garantir que os novos membros par-

Estes membros mais jovens usaram ideias inovadoras para envolver a comunidade em movimentos sociais e para renovar a associação. Apesar disso, alguns membros da associação mostram-se relutantes em aceitar estas mudanças, preferindo reger-se por filosofias antiquadas e pela influência dos deputados da associação à Assembleia Legislativa. Estes membros ainda acham

que o desenvolvimento da associação devia seguir o modelo de ‘Democracy Salon’. Na realidade, esta diferença de teorias podia ser resolvida através de uma troca de ideias, mas é difícil convencer aqueles que estão habituados a estar nos corredores do poder a abandonar as suas convicções. Uma falta de comunicação e de tolerância acabou por gerar uma série de conflitos, rejeições e exclusões. A eleição para a nova direcção teve lugar numa maré de disputas. A geração mais nova continua a liderar a associação e a desenvolver novas estratégias apesar de várias tentativas para os impedir. Continuarei a apoiá-los como membro da associação, contribuindo assim para a democracia e a construção de um novo Macau. Todos nós temos de enfrentar filosofias antiquadas durante o nosso desenvolvimento pessoal. Mais cedo ou mais tarde esta maneira de pensar tem que ser abandonada, de modo a ser mais pragmático e ultrapassar convicções irrealistas. É preciso abordar novas maneiras de fazer as coisas para ser capaz de construir um novo Macau. *Ex-deputado e membro da Associação Novo Macau Democrático


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ISABEL CASTRO

isabelcorreiadecastro@gmail.com

boleia de Hong Kong e com um timing interessante, três movimentos pró-democracia anunciaram que vão fazer um referendo informal sobre o sistema político de Macau, a propósito das eleições para o Chefe do Executivo. A notícia chega num momento de invulgar formigueiro na vida política de Macau – a gente sabe que andam por aí movimentações, num lado e no outro, há um burburinho estranho no silêncio da cidade. Ele foi a manifestação de 25 de Maio, ele é a perseguição a académicos com pensamento político, ele é a ideia – nem sempre palpável – de que isto está a mudar e de o que vem a seguir poderá não ser melhor. Os movimentos pró-democracia anunciam um referendo informal e cai o Carmo e a Trindade. O Governo pronuncia-se sobre o assunto. O Gabinete de Ligação também. Um e outro condenam a iniciativa, ouvem-se e lêem-se argumentos difíceis de compreender: o acto é ilegal, põe em causa o Estado de direito, a lei eleitoral, a Lei Básica e as disposições divinas. É em momentos como este que me apetece pensar que houve um mal-entendido qualquer, um problema de tradução. Mas não houve. O que me leva a pensar naquilo que não quero.

Não referendarás LAUREL AND HARDY

À

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Não vou entrar em considerações jurídicas sobre o referendo – já foram feitas por quem entende muito mais da matéria do que eu. A legalidade de um referendo informal – uma expressão que até há bem pouco tempo não

contramão

daqui e do Governo Central, que gostava de conseguir compreendê-los. A secretária para a Administração e Justiça diz que quem sabe do assunto vai explicar por que não se pode utilizar o termo “referendo”. Fico pacientemente à espera das fundamentações de tal proibição de ordem lexical.

O Governo de Macau age quando o melhor seria ficar à espera e fica à espera quando devia agir. Bem sei que existe a teoria do medo. Se a tese corresponder à verdade, então o caso é mais grave

fazia parte do nosso léxico, mas que mais não é do que uma sondagem feita em moldes pouco comuns – não pode ser colocada em causa. Venha daí o jurista que me explique o contrário, que me explique os argumentos do Governo

cartoon por Stephff

O que me surpreende em tudo isto, mais uma vez – e viva o facto de ainda conseguir ser surpreendida – é o barulho todo que se cria, desnecessariamente, em torno de algo que poderia ser apenas aquilo que é, mas que ganhou desde já uma nova dimensão política. Ao tomar uma posição oficial sobre este referendo informal, este referendo não oficial, este referendo de faz-de-conta, o Governo fez um favor aos movimentos que o promovem: a iniciativa ganhou espaço na imprensa, nos telejornais, na rádio. Um assunto que podia ter morrido logo ali, para ser ressuscitado apenas no final do próximo mês, passou a ser um tema bastante mais interessante. O Governo de Macau age quando o melhor seria ficar à espera e fica à espera quando devia agir. Bem sei que existe a teoria do medo: a organização do referendo informal entende que, com esta tomada de posição, o Executivo pretende assustar eventuais participantes na votação marcada para Agosto, mesmo ali nas vésperas da real reeleição de Chui Sai On. Se a tese corresponder à verdade, então o caso é mais grave. É certo que esta iniciativa dos pró-democratas é, desde já, um incómodo para quem governa Macau. A notícia multiplicou-se e o assunto ganhou espaço na imprensa internacional. Depois de Maio, é difícil fazer previsões sobre a adesão da população a este género de iniciativas, é difícil perceber até que ponto as pessoas estão dispostas a manifestar o que lhes vai na alma. É difícil dizer se este referendo informal vai ou não ser um problema acrescido para o Governo de Macau, para o segundo mandato de Chui Sai On. Mas o que o Governo de Macau não pode – ou não deve – é fazer as interpretações que lhe apetece, utilizar as palavras para tentar dar a volta ao texto, induzir em erro quem ainda o ouve. É de liberdade que se fala. É a liberdade que está em causa. E a Lei Básica, by the way. Há alturas em que é mesmo melhor ficar à espera. Apesar do formigueiro que se sente e desse burburinho estranho.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Filipa Araújo; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado; Ricardo Borges (estagiário) Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


PERFIL

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RITA LEITÃO, DESIGNER

“O BRILHO DOS CASINOS FASCINA-ME” Rita Leitão é designer e saltou de Lisboa para Milão. Veio para Macau há um ano em regime de estágio para um ateliê de arquitectos e gostou do que viu. Confessa que a cidade pode ser um pouco sufocante mas isso é deixado para trás quando, à noite, as luzes se acendem LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

R

ITA trabalha, hoje, num dos maiores projectos de construção do território, o casino e hotel Parisian, estando também envolvida na decoração do St. Regis, igualmente em construção. Antes do grande projecto no qual trabalha presentemente, a jovem portuguesa esteve, durante quase um

ano, a colaborar num ateliê de arquitectura de um profissional português. De certa forma - e embora tenha gostado bastante de participar nos vários projectos da empresa lusa -, admite que sente ter passado “da piscina dos pequeninos para a dos grandes”, quando olha para a grandiosidade dos projectos em que actualmente trabalha. Sempre quis seguir Design de Interiores, mas foi só depois de acabar o secundário no Colégio Alemão, em Lisboa, que decidiu ir para fora. O bichinho do estrangeiro deu-lhe a volta e acabou por se inscrever num concurso artístico. Os concorrentes dos três primeiros lugares teriam direito a uma bolsa de estudo no Instituto Europeo di Design, na cidade italiana de Milão. “Na altura, pensei em ir para Londres e até me inscrevi em algumas faculdades, mas depois falaram-me de uma faculdade óptima em Milão. Fui lá passar um fim de semana para ver como era o ambiente e as instalações... E adorei”, explicou Rita ao HM. Fez os três anos de licenciatura em Itália, onde depois ficou a estagiar num ateliê de design durante quatro meses.Afluência na língua de Miguel Ângelo ficou pelo caminho, mas Rita não esquece nada assim tão facilmente. Lembra-se de grande parte do vocabulário e, se puxarem por ela, talvez consiga manter uma conversa sem trocar para inglês ou português. Neste momento, está feliz com o que faz, mas admite que gostaria de continuar

os estudos em breve. “Fazer um mestrado em Gestão de Design, por exemplo”. Depois disso, nem a jovem designer sabe. Rita diz-nos apenas que gostaria de continuar a viver fora de Portugal por mais uns tempos, desta vez optando por ficar pela Europa, para estar mais perto da família. “Macau é muito longe”. Ao HM, Rita diz que, no ateliê onde trabalhava, sentia que podia soltar mais o seu “lado artístico”, mas nem por isso as suas tarefas actuais deixam de lhe ser aprazíveis. “Ao trabalhar no Parisian, apercebi-me que a parte de gestão é também bastante engraçada, não fazia ideia de que este gosto existia. Gosto muito e por isso é que julgo que vou optar por fazer o mestrado na área de ‘Business’, uma vez que já sou licenciada em Design de Interiores”. É que na verdade, o que Rita quer é poder ter “um leque muito maior de escolhas” no que diz respeito às actividades que pode desenvolver e tarefas que consegue cumprir. Um dos sonhos seria abrir, eventualmente, o seu próprio ateliê de design em Portugal. “Não sei se é isso que vai acontecer. Por outro lado - e agora que trabalho no Parisian -, também me vejo a colaborar no estrangeiro com uma multinacional, na equipa de design de interiores”, confessa ao HM. Mas, Rita tem outro projecto, ainda que este seja mais pessoal. “Gostava de criar uma colecção de garrafas de [Absolut]

vodka porque acho que é uma garrafa gira e que toda a gente adora. Sempre que sai uma nova, há sempre alguém que compra, por mais cara que a garrafa às vezes seja. Confesso que eu própria já fiz isso.” Na Ásia pela primeira vez, a jovem tem também o sonho de desenhar máquinas de café da marca Nespresso. “Para além de fazerem dos melhores cafés de sempre, já não são aqueles trambolhos de antigamente. Hoje em dia, consegue-se ter uma máquina na sala ou onde se quiser, precisamente por ser uma peça elegante”, diz. Uma coisa é certa: tal como a grande maioria dos jovens, também Rita tem um futuro risonho à frente e depois de experienciar o modo de viver de Macau, confessa-se preparada para viver em qualquer lado. Gosta muito de Macau mas, ao contrário de muitos outros portugueses, o que mais a impressiona e fascina é “o brilho dos casinos”, nunca descurando o facto do território ter também zonas antigas bonitas. Na sua opinião, “estas casas em formato de gaiolas autênticas” deviam ser restauradas para dar, diz, outro aspecto à cidade. Ao HM, não deixou de frisar a atenção que todos os dias a prende à zona do Cotai, onde trabalha, ajudando na edificação daquele que será, muito provavelmente, uma das construções mais emblemáticas e marcantes do território. Quem diria que Macau teria uma Torre Eiffel?


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JOVENS VÃO DE BICICLETA DE MACAU ATÉ HONG KONG

“Vai ser uma aventura” L OURENÇO Aroso e Frederico Morgado vão iniciar hoje, ao final da tarde, a aventura de fazer a travessia entre Macau e Hong Kong de bicicleta. A parcial falta de acessos para viaturas é um dos principais obstáculos, mas Lourenço assume que “calor, chuva e a barreira linguística” também são factores que podem dificultar a viagem. “Desde que vim para Macau [há cerca de dois anos] que queria fazer uma viagem do género, mas inicialmente tinha pensado em ir até Guangzhou”, contou Lourenço ao HM. Os dois amigos da cidade do Porto tinham já feito várias viagens do género, PUB

Frederico (à direita) e Lourenço (segundo da esquerda) são os dois aventureiros

incluindo travessias entre a cidade nortenha e Santiago de Compostela ou Fátima. A ideia de ir até Hong Kong foi

primeiramente considerada uma “loucura”, mas depois de alguma ponderação e planeamento, Lourenço e Frederico

consideraram-na exequível. Embora não levem qualquer equipa de apoio logístico ou médico, sabem que têm gente em Macau com quem podem contar, nomeadamente colegas chineses do hotel onde Frederico trabalha. “Já temos os contactos deles, se precisarmos de comunicar com algum local a meio do caminho”, explicou o aventureiro. Os dois tencionam percorrer os 250 quilómetros que separam as ilhas de Macau e Central em dois dias e meio, partindo do território ao final do dia de hoje e voltando no domingo, de ferry. O planeamento da viagem foi essencialmente feito via Google Maps e a travessia será feita com “muitas garrafas de água, duas mudas de roupa, telemóveis e localizadores de GPS”, esclareceu um dos dois viajantes. - L.S.M.

Ryuichi Sakamoto Compositor japonês diagnosticado com cancro

O conhecido compositor japonês Ryuichi Sakamoto padece de cancro na garganta, informou ontem a sua gravadora. Ryuichi Sakamoto, de 62 anos, é um dos mais respeitados pianistas e compositores do Japão, com um passado na música electrónica, em particular no projecto vanguardista do final da década de 1970 Yellow Magic Orchestra, que o catapultou para a fama. Em comunicado, citado pela agência AFP, o pianista pediu desculpa aos fãs por ter que fazer uma pausa, mas prometeu vencer a doença. “Fui diagnosticado com cancro na garganta em Junho e vou submeter-me de imediato a tratamento”, disse Sakamoto. “Peço profundas desculpas aos meus fãs e a todos os envolvidos nos meus projectos actuais por ter de tomar esta inevitável decisão”, declarou. “Tenho a certeza de que vou recuperar totalmente e depois regressar”, acrescentou o músico, que compõe com regularidade para cinema, mas é quase sempre referido pelo sucesso da banda sonora para “Merry Christmas, Mr. Lawrence” (1983), de Nagisa Oshima, que protagonizou ao lado de David Bowie. Sakamoto vai submeter-se a tratamento nos Estados Unidos, segundo indicou a sua filha Miu na sua página no Facebook.


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Hoje Macau 11 JUL 2014 #3129 by Jornal Hoje Macau - Issuu