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Hoje Macau 11 JUN 2019 # 4306

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FRANCIS POULENC MICHEL REIS

O QUE A TRISTEZA INVENTA PAULO JOSÉ MIRANDA

RÓMULO SANTOS

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MOP$10

TERÇA-FEIRA 11 DE JUNHO DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4306

hojemacau

PROTECÇÃO CIVIL

LEI APROVADA SOFIA MARGARIDA MOTA

PÁGINA 5

HO IAT SENG

HONRAR A TRADIÇÃO ESPECIAL 10 DE JUNHO

Agarra o desafio

Paulo Cunha Alves celebrou pela primeira vez o dia de Portugal na RAEM. Num discurso em que sublinhou o seu fascínio pelo território, o cônsul-geral apelou às várias comunidades portuguesas para participarem activamente no desafio da Grande Baía e deixou a promessa de trabalhar para melhorar os serviços consulares, apesar da escassez de meios. ESPECIAL 10 DE JUNHO

MACAU / MUNDIAL 2022

TRISTE DESFECHO PÁGINA 11

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SOFIA MARGARIDA MOTA

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ


2 especial 10 de junho

11.6.2019 terça-feira

IDE E MULTIPLICAINa primeira intervenção numa recepção oficial do 10 de Junho, Paulo Cunha Alves admitiu estar fascinado com Macau e apelou à comunidade que participe na Grande Baía. Alertou também para as limitações do consulado a nível dos recursos humanos, mas prometeu trabalhar para melhorar os serviços consulares

N

O primeiro discurso de celebração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o cônsul-geral, Paulo Cunha Alves, revelou estar fascinado com a RAEM. Ao mesmo tempo, o cônsul apelou às “múltiplas comunidades” portuguesas para que aproveitem os desafios da Grande Baía e ajudem a desenvolver a China. Logo no início da intervenção, Paulo Cunha Alves admitiu que ainda está a

descobrir Macau e apontou que uma das principais revelações é o facto de haver várias comunidades portuguesas: “Oito meses após a nossa chegada, o ambiente ainda é de descoberta e admiração perante o fascínio que envolve a cidade de Macau e as suas gentes”, começou por apontar. “Desde logo, começámos a ter contacto com a complexa e diversificada realidade local, onde a Comunidade é afinal composta por múltiplas comunidades”, indicou.

À semelhança do ano passado, a Sociedade de Jogos de Macau (SJM) aliou-se à celebração do 10 de Junho com o casino Grande Lisboa a iluminar-se com as cores da bandeira portuguesa. No final, Ambrose So, vice-presidente da SJM e cônsul-honorário de Portugal em Hong Kong, considerou que a prática da operadora é uma tradição. “Já se tornou uma tradição iluminar o Casino Grande Lisboa com as cores de Portugal durante este dia. A comunidade portuguesa gosta muito da iniciativa, por isso estamos muito felizes por também contribuir para esta celebração”, afirmou, ao HM.

Paulo Cunha Alves, cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong “Teremos todos de saber estar à altura para poder dar o nosso contributo para o desenvolvimento desta grande nação [China].”

O cônsul elogiou depois o contributo dos portugueses para a RAEM: “Cedo nos apercebemos, nos contactos com as autoridades locais, que o contributo da Comunidade para o desenvolvimento da RAEM tem sido significativo e determinante, empenhado e constante”, apontou. “[a Comunidade]

Tem vindo a contribuir para a preservação do património cultural e arquitectónico da cidade, da gastronomia, do sistema jurídico de matriz portuguesa, e da língua de Camões, cuja memória e obra hoje celebramos” frisou. O cônsul português elogiou também o papel de

várias instituições, entre as quais o Instituto Português do Oriente, Escola Portuguesa de Macau e a Santa Casa da Misericórdia de Macau. Em relação à Escola Portuguesa sublinhou a importância do novo pólo de ensino: “Será uma importante questão a acompanhar de perto, cuja concretização

trará benefícios claros para a nossa comunidade e para todos quantos recorrem àquela escola para a educação dos seus filhos”, justificou. Sobre a Grande Baía, Paulo Cunha Alves entende ter potencial para ser um centro para o ensino da Língua Portuguesa e

SOFIA MARGARIDA MOTA

SJM Operadora juntou-se a celebrações com iluminação no Grande Lisboa

SOFIA MARGARIDA MOTA

DIA DE PORTUGAL CÔNSUL REVELA FASCÍNIO PELO TERRITÓRIO E APELA À PARTICIPAÇÃO PORTUGUESA NA GRANDE BAÍA


especial 10 de junho 3

-VOS

UMA QUESTÃO DE SONS

O

s discursos ontem proferidos pelo cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Paulo Cunha Alves, e pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On, foram marcados pelo ruído que se fazia à volta. A situação levou a sugestões de melhorarias para os próximos anos, uma delas passará por melhorias no sistema de som. “Temos de melhorar o sistema de som porque aqui ao fundo as pessoas tinham dificuldade em ouvir os discursos”, apontou o diplomata. No encontro que reuniu diplomatas, membros do Governo e a comunidade portuguesa terão participado entre 500 e 600 pessoas. Entre elas estiveram os embaixadores em Hong Kong de países como os Estados Unidos, Egipto, Qatar, Hungria e Austrália, onde Cunha Alves foi embaixador antes de ser colocado em Macau.

Chui Sain On, Chefe do Executivo “Macau é uma sociedade multicultural, na qual as comunidades portuguesa e macaense têm participado e contribuído para o seu desenvolvimento harmonioso.”

apelou à comunidade para que continue a desenvolver as relações entre os dois países. “Teremos todos de saber estar à altura para poder dar o nosso contributo para o desenvolvimento desta grande nação. A amizade entre o povo português e chinês é uma realidade que

devemos todos preservar e aprofundar, no respeito das diferenças que afinal nos complementam e fortalecem”, afirmou.

RECURSOS LIMITADOS

Também os serviços consulares mereceram a menção do cônsul, que admitiu as limitações de recursos

Em contacto e de portas abertas para todos Os convites para as comemorações do Dia de Portugal vão-se manter, assim como a aposta na proximidade com a comunidade. A ideia foi deixada ontem pelo Cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Paulo Cunha Alves. “Aquilo que tentámos fazer com a introdução do convite electrónico é chegar mais perto da comunidade”, apontou o diplomata à margem do evento. “Vamos tentar que as pessoas colaborem com o consulado para que nós estejamos

humanos. “Pelo lado do Consulado Geral, continuaremos aqui para vos servir num esforço de melhoria constantes dos serviços consulares, embora conscientes das limitações impostas pela escassez de recursos humanos”, sublinhou. Por sua vez, o Chefe do Executivo, Chui Sai On,

mais perto da comunidade. O consulado não pode chegar a mais pessoas se não tiver os contactos”, acrescentou. O convite nunca foi uma forma de limitar a entrada nas comemorações do 10 de Junho. Ontem a porta esteve aberta a todos, a quem não tinha convite foi pedido o contacto para situações futuras. Por outro lado, “estamos no século XXI e são raras as excepções de pessoas sem e-mail”, disse Paulo Cunha Alves.

voltou também a frisar o contributo da comunidade portuguesa, como fez nos últimos anos. O facto de ser a última vez que esteve na celebração como líder do Governo de Macau não mereceu nenhuma menção. “Macau é uma sociedade multicultural, na qual as comunidades portuguesa e macaense têm participado e contribuído para o seu desenvolvimento harmonioso”, apontou. Chui Sai On destacou ainda o papel do Executivo nas políticas de incentivo a portugueses e macaenses: “Nos últimos 20 anos desde o estabelecimento da RAEM, o Governo tem dado uma grande importância ao papel social desempenhado pela comunidade portuguesa e macaense, respeitando a sua língua, a sua cultura, a sua religião e os seus costumes. Nesse sentido, o Governo da RAEM tem estimulado e apoiado a participação da comunidade portuguesa e macaense na construção da RAEM”, defendeu. O Chefe do Governo destacou também as visitas recentes dos chefes de Estado de Portugal e da China e a forma como Macau têm cumprido os princípios “Um País, Dois Sistemas” e “Macau governado pelas suas gentes” com alto grau de autonomia. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

HOJE MACAU

terça-feira 11.6.2019

Pela língua de Camões

Comunidade quer preservar cultura portuguesa

A

cerimónia do hastear da bandeira portuguesa e a romaria à Gruta de Camões são actos públicos que todos os anos marcam o início das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Este 10 de Junho não foi diferente e a comunidade voltou a reunir-se para o tradicional evento protocolar. As diversas escolas de ensino português e luso-chinês trouxeram os alunos ao Jardim Camões, para declamarem versos do grande poeta da literatura lusófona, antes de subirem à gruta para depositarem ramos de flores aos pés da estátua. O ritual, tantas vezes repetido por muitas das personalidades presentes, sobretudo as que cresceram e estudaram em Macau, continua a ter importância e significado especial para a comunidade macaense e portuguesa local. “Vim quando era miúda, os meus pais gostavam de aqui vir e traziam-me com eles, depois com os meus filhos e hoje venho com os meus netos. Há sempre um sentimento de continuidade e de transmissão de valores que me são caros. Acho que isto é fundamental”, declarou a antiga presidente da Assembleia Legislativa, Anabela Ritchie, que foi professora do ensino secundário em língua portuguesa no território por mais de uma década. Depois de assistir a tantas cerimónias do Dia de Portugal em Macau, não considera ter havido grandes alterações no formato ou no sentimento dos

participantes. “Acho que não mudou muito. Quando termina, levamos para casa um sentimento que é agradável” e que se resume na convicção de que “podem mudar os sistemas políticos, podem mudar alguns valores, mas há algo que continuará sempre dentro de nós e que transmitiremos aos nossos”, que é a identidade cultural.

IDENTIDADE E TRADIÇÃO

Romeira desde os tempos de criança é também Rita Santos, hoje presidente do Conselho Regional das Comunidades Portuguesas da Ásia e Oceânia, para quem “todos os dias deviam ser 10 de Junho”, por ser uma data para lembrar ao “Governo de Macau que dê mais atenção à nossa língua portuguesa. E para que a nossa cultura se possa manter sempre. Esperamos que a especificidade de Macau não termine daqui a 30 anos, segundo as garantias da Lei Básica. O meu grande desejo é o meu neto poder vir aqui participar na romaria à Gruta de Camões por muitos anos, e também ele poder fazer o mesmo com os seus filhos”. A tradição não se perde e Rita Santos vem desde os anos 60. Estudou sempre no ensino português, apesar de não ser a língua de casa, e hoje gosta de ver o ciclo ser repetido pelas novas gerações. “Vejo a participação activa da Escola Portuguesa e do Jardim de infância, que são o futuro. A nossa língua está nas mãos destas crianças”, comenta. Raquel Moz

raquelmoz.hojemacau@gmail.com


4 especial 10 de junho

11.6.2019 terça-feira

Um sabor especial

DIA DE PORTUGAL HO IAT SENG DEIXA AL PARA PARTICIPAR NAS COMEMORAÇÕES DA BELA VISTA

Prelúdio diplomático

Personalidades comentam primeiro 10 de Junho do novo cônsul

A sessão plenária da Assembleia Legislativa não impediu o presidente do hemiciclo e candidato a Chefe do Executivo de estar presente nas comemorações do 10 de Junho na residência consular. Assinalar o Dia de Portugal é uma tradição que Ho Iat Seng pretende manter

TRADIÇÃO A MANTER

Para Ho, o “Dia de Portugal é um dia muito tradicional em Macau” que acompanha desde pequeno. “Quando eu era miúdo, quando estudava em Macau, era feriado. Desde pequeno que me lembro de ser feriado neste dia”, recordou. Mas a efeméride não ficou limitada ao dia sem aulas na infância. Fez parte da sua vida e irá continuar a fazer. “Nunca interrompi, sempre participei nas cerimónias de

comemoração. Não há razão para não participar”, referiu acrescentando que seja qual for o cargo que ocupar marcará presença nas comemorações da Bela Vista, tal como fazia “antes, quando não tinha qualquer cargo político de destaque”. Ho Iat Seng sublinhou ainda o facto de ser “amigo por natureza de Portugal” pelo que vai estar presente nas comemorações futuras.

SOFIA MARGARIDA MOTA

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presidente da Assembleia Legislativa e forte candidato a Chefe do Executivo de Macau, Ho Iat Seng, deixou ontem a sessão plenária do hemiciclo mais cedo para poder estar presente na residência consular na Bela Vista e participar nas comemorações do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. “Mesmo estando até há pouco a presidir à reunião plenária, mesmo assim pedi ao senhor Vice-Presidente para me substituir, para poder vir cá. Havia ainda dois pontos na ordem do dia que não tinham terminado, mas mesmo assim fiz questão de vir até esta cerimónia”, disse ao HM. Para Ho Iat Seng, a opção tem que ver com a importância que dá a esta data deixando antever a sua presença futura na celebração do dia de Portugal. “Dou grande importância a este dia e a esta comemoração. Espero que venha a ser sempre celebrado no futuro”, referiu Ho.

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“Dou grande importância a este dia e a esta comemoração. Espero que venha a ser sempre celebrado no futuro” HO IAT SENG PRESIDENTE DA AL

Questionado acerca da possibilidade do 10 de Junho voltar a ser feriado em Macau, Ho considera que será uma iniciativa “difícil por causa da transferência de soberania”. O futuro candidato a Chefe do Executivo disse ainda que “é bom haver mais dois candidatos”, na corrida para mais alto cargo do Governo, referindo-se às recentes intenções de candidatura de Leung Kuok Chao e de Hoi Weng Chong. Sofia Margarida Mota (com R.M.) Sofia.mota@hojemacau.com.mo

José Tavares, presidente do Instituto para os Assuntos Municipais, garantiu o graffiti no busto de Camões é uma situação para averiguar. Ontem, após a romaria à Gruta, alguns internautas queixaram-se da não remoção de graffitis. “Vou pedir ao IAM para verificar a situação. Há uns anos atrás foi feito um encaminhamento da situação para ver quem é que ia resolvê-la. Mas se o que resta do graffiti está mesmo na estátua, então a preservação é com o Instituto Cultural”, afirmou

“E

ste 10 de Junho, (...) pode significar o recomeço desta longa relação entre dois povos e o início do pré-mandato do novo Chefe do Executivo, que já está por aí”, apontou o advogado Frederico Rato referindo-se à presença de Ho Iat Seng no encontro na residência consular no final da tarde de ontem. À margem do evento, o advogado apontou que a participação de Ho, nesta altura,

José Tavares. “Vou tentar resolver esse impasse dentro de dias para saber quem vai resolver o problema”, acrescentou. Sobre o português que fez um graffiti nas paredes do edifício do IAM, José Tavares assumiu a responsabilidade da queixa-crime apresentada: “Disse para participarem à PSP porque não podemos deixar que as coisas passem despercebidas. Quando não se tomam atitudes as coisas repetem-se”, explicou. O IAM deverá abrir um concurso público para pintar o edifício.

pode ser interpretada como “prelúdio” para as relações entre o futuro Chefe do Executivo e a comunidade portuguesa. Reflexo disso é o facto do presidente da Assembleia Legislativa ter interrompido a sessão plenária “para se juntar com a comunidade portuguesa”. “Penso que é um simpático pré-início de funções”, rematou referindo-se a Ho já como futuro Chefe do Executivo de Macau.

DE SAÍDA

HOJE MACAU

Património IAM vai rever graffiti no busto de Camões

UM DIA COM BONS INDICADORES

S celebrações de ontem do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas ficaram marcadas não só por serem as últimas de Chui Sai On como Chefe do Executivo como as primeiras de Paulo Cunha Alves como cônsul de Macau e Hong Kong. Para Amélia António, presidente da Casa de Portugal em Macau, o mais importante é o cumprimentos das funções, independentemente da personalidade de cada um. “No essencial os nossos diplomatas estão muito bem preparados para o desempenho das suas funções. É evidente que cada um tem a sua personalidade e, portanto, cada um exerce o seu mister de acordo com isso. Não devemos passar a vida a fazer comparações e este é o quinto cônsul que eu conheço na RAEM. Todos foram diferentes, com todos foi possível manter uma relação de colaboração muito boa”, disse ao HM. Amélia António não deixou de apontar o facto de o consulado “não ter uma grande equipa” e necessitar, por isso, de uma estreita colaboração com as associações de matriz portuguesa. “As coisas só se fazem com grandes equipas, o nosso consulado não tem uma grande equipa e somos nós as associações que temos a responsabilidade e a obrigação de estar ao lado e ser, de certa maneira, um fio condutor como temos sido em termos de problemas e preocupações”, acrescentou. Também o advogado Frederico Rato defendeu que “os governantes e os diplomatas mudam, mas os laços de afinidade, amizade e harmonia continuam sempre, titulados ou encabeçados por pessoas diferentes, embora o espírito seja o mesmo”. Sobre o facto de este ter sido o último 10 de Junho de Chui Sai On como Chefe do Executivo, Amélia António recordou o facto de este nunca ter esquecido os portugueses, apesar de ser obrigado a cumprir um rígido protocolo. “Enquanto secretário (para os Assuntos Sociais e Cultura) ele tinha uma posição muito mais aberta e dialogante. Falava-se dos problemas com relativa facilidade. Depois de passar para o actual cargo ficou rodeado de um protocolo muito apertado e perdeu imenso do à vontade e do contacto que estabelecia com as associações e pessoas. Isso não quer dizer que ele não tenha, em todos os momentos públicos, sido afável e reconhecido o papel da comunidade portuguesa em Macau.” A.S.S./S.M.M.


política 5

terça-feira 11.6.2019

PLENÁRIO PROPOSTA DE COUTINHO SOBRE DIREITOS HUMANOS CHUMBADA

AL APROVADA LEI QUE PREVÊ PRISÃO PARA “NOTÍCIAS TENDENCIOSAS”

Primeiro assalto

A Assembleia Legislativa aprovou ontem, na generalidade, a proposta de lei de bases da protecção civil que prevê criminalizar a difusão de “notícias falsas, infundadas e tendenciosas” com penas que chegam aos três anos de prisão

A

A

proposta de lei, que mereceu críticas das associações de advogados e jornalistas, foi marcada pelos reparos relativamente ao artigo 25.º, em especial por parte dos deputados pró-democracia. Tanto Sulu Sou como José Pereira Coutinho e Au Kam San manifestaram apreensão perante

a redação do artigo, que consideraram subjectiva. “O que significa este termo, notícias tendenciosas?”, como é que a população pode “evitar cair na ‘armadilha’ e não ir parar dois anos à prisão?”, perguntou Pereira Coutinho, ao secretário para a Segurança, Wong Sio Chak. Já Sulu Sou aconselhou “prudência” ao Governo que, defen-

RÓMULO SANTOS

Assembleia Legislativa (AL) ‘chumbou’ ontem um projecto de lei de Pereira Coutinho para promover, sensibilizar e divulgar convenções e tratados ligados aos direitos humanos junto da população do território. Esta foi a quinta vez que o deputado apresentou a proposta no plenário, mas para além de uma intervenção de apoio de Sulu Sou e de repúdio de Ma Chi Seng, o projecto de lei não suscitou sequer qualquer debate entre os deputados. Pereira Coutinho lembrou que a Região Administrativa de Macau (RAEM) está prestes a assinalar o seu 20.º aniversário e que entidades como a ONU e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) têm apresentado relatórios sobre direitos humanos, sendo que apesar das recomendações formuladas “os resultados não demonstram melhorias significativas em alguns aspectos relacionados com as práticas na área laboral”. Pereira Coutinho defendeu que estes organismos “prestam cada vez mais atenção à RAEM nestas questões e são cada vez mais duras na apreciação que fazem, sendo que têm existido situações de muito clara actuação contra os referidos tratados internacionais e da OIT”. O projecto de lei acabou por ser rejeitado pela esmagadora maioria dos deputados.

SOL AO QUADRADOS

Trabalho Patrões opõem-se ao aumento da licença de maternidade

Durante o programa de televisão “Macau Fórum” Lei Kuok Fai, vicepresidente da Associação Comercial Federal Geral das Pequenas e Médias Empresas de Macau, disse que não houve muita oposição das PMEs de Macau ao aumento da licença de paternidade para cinco dias. Porém, o mesmo não aconteceu quanto ao aumento da licença de maternidade de 56 para 70 dias, com o dirigente a entender que as trabalhadoras com necessidade podem discutir com os empregadores para prolongar o tempo. “Os recursos humanos de Macau não são suficientes e é difícil aumentar a licença de maternidade para as PMEs” disse o vice-presidente. Lei Kuok Fai considera que “mesmo que tenham o subsídio do Governo, ainda não se consegue “preencher” a vaga”.

deu, deve assumir uma atitude de abertura” na finalização deste processo, que ainda vai ser discutido na especialidade na AL. “O Governo vai restringir a liberdade da população”, sustentou por sua vez Au Kam San. Em resposta, o secretário para a Segurança garantiu que “não está em causa a liberdade de expressão”, mas sim a necessidade de

assegurar “a segurança pública”. Por outro lado, frisou, “o impacto de rumores, com a evolução das redes sociais (..), é hoje mais grave” para justificar o esforço de “manter a fluidez das mensagens nos canais, das notícias”, com o qual se procura responsabilizar as pessoas em casos nos quais se determine que existiu dolo. Em causa está o artigo 25.º intitulado de “crime contra a segurança, ordem e paz públicas em incidentes súbitos de natureza pública”. No texto, prevê-se uma pena de prisão até dois anos ou multa até 240 dias a “quem, após a declaração do estado de prevenção imediata ou superior (…) e enquanto o mesmo se mantiver, em benefício próprio ou de terceiro, ou por quaisquer outros motivos que possam perturbar a cessação ou o alívio do estado declarado ou a tranquilidade pública, elaborar, difundir ou transmitir notícias falsas, infundadas ou tendenciosas relativas a riscos, ameaças e vulnerabilidades, perante incidentes súbitos de natureza pública, bem como relativas às operações de resposta”.

Au Kam San, deputado “O Governo vai restringir a liberdade da população.”

A pena de prisão pode chegar aos três anos “se causar efectivamente pânico social ou inquietação pública, ou ser susceptível de causar grave pânico social ou inquietação pública”, se “causar efetivo constrangimento, obstrução ou restrição na acção das autoridades da administração pública, de particulares ou terceiros”. A mesma moldura penal verifica-se caso seja “susceptível de criar a convicção errada de que tais informações têm origem nos serviços públicos ou entidades da estrutura de protecção civil” ou do “autor das informações ser elemento integrante das operações de protecção civil”. A 20 de maio, a Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM) manifestou “perplexidade e grande preocupação” pela “natureza vaga e subjectiva de expressões e conceitos utilizados”, como “notícias falsas, infundadas e tendenciosas”. A AIPIM alertou que a redação do artigo representa “um risco ao nível da liberdade de imprensa, independência editorial dos órgãos de comunicação social e jornalistas e do direito dos cidadãos à informação, podendo criar de um clima de inibição do papel dos jornalistas após declaração do estado de prevenção imediata”. Na proposta de lei ontem votada na generalidade, o crime de “falso alarme social”, proposto inicialmente, passou a designar-se de “crime contra a segurança, ordem e paz públicas”.


6 política

11.6.2019 terça-feira

Habitação Leong Sun Iok pede agilidade na transferência de lojas Leong Sun Iok expressou em interpelação escrita preocupação de que o acto público de licitação verbal para arrendamento de 13 espaços comerciais, recentemente anunciados, origine inflação de preços com os custos a serem transferidos para o consumidor. O deputado considera que este método não traz grandes benefícios sociais. Aliás, dá o exemplo de situações vividas por comerciantes que arrendaram espaços públicos em Seac Pai Van e que reclamaram várias vezes que o planeamento da

zona não estava bem organizado e não era agradável. Além disso, o deputado revela que os comerciantes se queixam de rigidez do sistema de gestão e do preço caro do arrendamento que fez com que muitas lojas acabassem por fechar. Leong Sun Iok pediu ao Governo que considere outro método de licitação destes espaços de comércio para habitação pública, optimizando a gestão de lojas, para que o arrendamento possa ser mais flexível, estabelecendo uma forma de cálculo de aluguer mais razoável.

Trabalho Song Pek Kei quer formação para empregadas domésticas Song Pek Kei sugere ao Governo que promova a formação especial de empregadas domésticas não residentes em matérias de leis. A deputada defende que a formação deve ser prestada antes do início de funções. Uma das preocupações descritas em interpelação escrita é relativa a falsos contratos de trabalho de TNRs, nomeadamente com a falsificação de documentos e a venda de cotas de emprego. A deputada alerta para a possibilidade destas pessoas se envolverem em

actividades ilegais como prostituição e tráfego de drogas. Neste aspecto, Song Pek Kei entende que as penalizações não são leves, mas que mesmo assim as pessoas arriscam uma vez que as infracções não acarretam responsabilidade criminal. Além disso, a deputada mostra-se insatisfeita com a supervisão das autoridades e pergunta ao Governo se tem intenção de intensificar a inspecção deste sector do mercado de trabalho.

EXMOO

é conhecido pelos vários protestos na Avenida da Praia Grande ou Avenida Almeida Ribeiro. Nestas acções, costuma envergar chapéu de papel e roupas amarelas ou vermelhas. Ontem, fez questão de dizer que é um patriota e uma pessoa que ama Macau. Além do “manifestante de amarelo”, Ho Iat Seng, presidente da Assembleia Legislativa, e o empresário Leung Kuok Chao também demonstraram vontade de participar na eleição. Enquanto Ho não deverá ter problemas em alcançar os apoios no colégio eleitoral, uma vez que é visto como o candidato do Governo Central, o mesmo não acontece em relação aos outros candidatos.

MAIS APOIOS SOCIAIS

Hoi Vong Chong sublinhou a necessidade de melhorar a eficácia dos mecanismos anticorrupção e de torná-los mais acessíveis na recepção das queixas dos cidadãos

CHEFE DO EXECUTIVO “MANIFESTANTE DE AMARELO” ENTRA NA CORRIDA AO CARGO

Um candidato colorido

Hoi Vong Chong é o mais recente candidato à posição de Chefe do Executivo e diz ter como prioridades o bem-estar da população e a luta contra a corrupção. Junta-se assim à corrida um dos manifestantes mais conhecidos de Macau

H

OI Vong Chong, homem que habitualmente se manifesta vestido de amarelo minudo de um altifalante, anunciou ontem a intenção de se candidatar ao cargo do Chefe do Executivo. A revelação foi deita depois de Hoi ter entregue uma carta no Edifício na Administração Pública e defendido que está na

altura de colocar os cidadãos de Macau como prioridade. Segundo o portal Exmoo, depois da entrega da missiva, Hoi Vong Chong justificou a candidatura com o facto de se ter manifestado durante muitos anos, o que fez lhe conferiu maior conhecimento acerca dos problemas da população. Por este motivo, o “manifestante de amarelo” considera que faz falta

a Macau um candidato com um programa político que coloque a população no topo das prioridades, assegurando igualmente o cumprimento das leis locais. No discurso de ontem, Hoi Vong Chong sublinhou ainda a necessidade de melhorar a eficácia dos mecanismos anticorrupção e de torná-los mais acessíveis na recepção das queixas dos cidadãos.

Se por um lado, o “manifestante de amarelo” declarou a intenção de participar na corrida ao cargo de Chefe do Executivo, por outro admitiu que ainda não tem apoios no colégio eleitoral. Hoi precisa do voto de pelo menos 66 membros do colégio eleitoral, cuja constituição só fica a ser plenamente conhecida este domingo. Hoi Vong Chong é um ex-trabalhador de uma seguradora e

À margem das candidaturas para o cargo de Chefe do Executivo, alguns candidatos ao colégio eleitoral pelo subsector dos serviços sociais realizaram uma acção de campanha no domingo. No âmbito desta acção participaram 43 membros e nove aproveitaram para discursar. Entre os que falaram estiveram Fátima Ferreira, presidente da Associação de Autismo de Macau, Ho Kuok Meng, secretário-geral da Associação de Apoio aos Deficientes de Macau, Jennifer Chau, directora executiva da Associação de Reabilitação Fu Hong de Macau, e Chio Ngan Ieng, vice-directora da Associação Geral das Mulheres de Macau. Além de maiores apoios financeiros, as pessoas ouvidas defenderam o aumento do investimento em serviços e empresas sociais, a revisão regulamentar do sistema de financiamento das pessoas dos serviços públicos, assim como o aumento da renumeração. Foi igualmente defendido melhorias do planeamento de carreira e protecção dos trabalhadores sociais após a aposentação e ainda soluções para atrair mais pessoas para o sector, de forma a combater a falta de recursos humanos. Todos os 50 candidatos ao subsector dos serviços sociais têm garantida a eleição, uma vez que o número de interessados é igual às vagas, que são 50. João Santos Filipe com Juana Ng Cen info@hojemacau.com.mo


sociedade 7

terça-feira 11.6.2019

Para o ecologista, seria necessário ter como exemplo as medidas que se praticam na Europa para promover uma maior consciência ambiental na população o que “está muito longe” de ser atingida. Camacho admite que Macau está a dar “os primeiros passos” nesta matéria, mas “tem que haver mais educação ambiental, através da televisão, nas ruas e mesmo nas escolas”. Aliás, “começa a ser impossível viver no território”. A poluição do ar e a produção de resíduos sólidos são as razões mais preocupantes e para as quais não antevê soluções. “A poluição em Macau é cada vez maior e não são só os gases. Temos também muitos resíduos sólidos que não são reciclados”, acrescenta, tendo em conta o relatório ambiental divulgado na semana passada e que denunciava o aumento em 2017 das emissões de gases com efeitos de estufa em 11,4 por cento, quando comparadas com as do ano anterior. Este aumento está em grande parte relacionado com a produção de electricidade, que sofreu um aumento na ordem dos 60 por cento. Já os resíduos sólidos aumentaram no ano passado dois por cento com cada pessoa a produzir cerca de 2,27 kg de lixo por dia, valor acima de cidades como Pequim, Xangai ou Hong Kong.

AMBIENTE MACAU PROMOVE ‘‘UMA HORA SEM’’ LUZ EM NOME DA POUPANÇA ENERGÉTICA

Festival de contradições

Realizou-se ontem, entre as 20h30 e as 21h30, a “hora sem luz”. A iniciativa pretende sensibilizar para a necessidade de poupança energética. No entanto, activistas ambientais alertam que a realização de um Festival da Luz no território entra em contradição com este tipo de acções

O

NTEM desligaram-se as luzes decorativas de Macau durante uma hora, das 20h30 às 21h30. A iniciativa inseriu-se na “Semana da Conservação Energética de Macau 2019” e pretende “sensibilizar os cidadãos para pouparem energia através da acção”, segundo uma nota do Gabinete para o Desenvolvimento do Sector Energético. Apesar de ser uma “boa medida”, não deixa de ser contraditória, tendo em conta que Macau acolhe anualmente um Festival de Luz. A ideia deixada pela activista ambiental, Annie Lao, de promover um festival de alto gasto de electricidade é “incompreensível” quando se pretende reduzir o consumo de energia, apontou ao HM. “Trata-se de uma iniciativa que consome muita energia e temos que pensar se é necessário consumir tanta electricidade num curto período de tempo”, acrescentou.

Em causa está ainda o aumento crescente da poluição luminosa no território em que “há muitos projectos de construção em andamento que precisam de iluminação, e Macau enquanto cidade de turismo gasta muita energia para atrair visitantes”. No caso do Festival de Luz, os problemas não se limitam ao gasto de electricidade. “Depois do festival, para onde segue todo o material usado?” questiona a activista que duvida que os materiais utilizados sejam alvo de reciclagem contri-

buindo ainda para mais produção de lixo. Ainda assim, e mesmo que todos, “Governo e privados”, adiram à hora sem luz “demonstrando que já existe alguma consciência”, é preciso mais, “é necessário que o Governo assuma uma maior responsabilidade em liderar a promoção de uma cidade mais sustentável”.

MELHOR QUE NADA

A opinião é partilhada por Gilberto Camacho que apesar de considerar

INICIATIVA COLECTIVA

a iniciativa de uma hora sem luz “melhor que nada”, aponta que Macau ainda tem um longo caminho a percorrer no que respeita à promoção ambiental. Ao HM, o membro do grupo Macau ECOnscious, que organiza actividades para limpeza das praias locais, denuncia a falta de coragem do Governo para a ausência de mais iniciativas ecológicas. “Macau tem medo de agir e só com a pressão pública é que o Governo age, porque não fazendo nada não corre riscos e o Governo não quer correr riscos”, apontou.

Este ano, a iniciativa que promove uma hora sem luz solicitou aos serviços públicos, às seis operadoras de jogo, a vários hotéis, aos bancos e estabelecimentos comerciais e a alguns locais turísticos que desligassem as luzes desnecessárias entre as 20h30 e as 21h30. A iniciativa estende-se às pontes que ligam Macau e a Taipa. As luzes decorativas vão também ser desligadas mais cedo, às 23:00 horas, durante o período em que decorre a “Semana da Conservação Energética”, de 9 a 15 de Junho. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

Barcos-Dragão Fim-de-semana com mais de 868 mil entradas Dados do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) relativos ao último fimde-semana, quando se celebraram as festividades dos barcos-dragão, mostram que entraram no território mais de 868 mil pessoas. No que diz respeito ao número de

turistas, entraram mais de 397 mil em três dias, o que representa um aumento de 58,5 por cento em relação aos mesmos dias de 2018. O passado sábado, dia 8, foi quando se registou a maior entrada de visitantes, num total de 307 mil pessoas.


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11.6.2019 terça-feira

“HADESTOWN” GRANDE VENCEDOR DOS PRÉMIOS TONY

O

musical “Hadestown”, uma adaptação do mito grego de Orfeu e Eurídice, que começou em pequenos teatros até chegar à Brodway, foi o grande vencedor dos Prémios Tony, entregues este domingo em Nova Iorque. “Hadestown” conquistou oito dos 14 galardões para os quais estava nomeado, na 73.ª edição dos prémios Tony, que decorreu na noite de domingo. Criado pela cantora e compositora Anaïs Mitchell, que não tinha qualquer ligação com a Broadway, o musical cativou Nova Iorque com uma mistura de mitologia, histórias de amor e desafios actuais como as alterações climáticas. Além de melhor musical, “Hadestown” venceu, entre outros, os prémios de melhor música original, melhor actor secundário e melhor encenação. Rachel Chavkin, a única mulher a dirigir um novo musical da Broadway esta temporada, aproveitou a ocasião para denunciar a falta de diversidade nos prémios. “Há tantas mulheres preparadas, tantos artistas de cor preparados. Temos de ver essa diversidade racial e de género reflectida também pelos nossos críticos”, afirmou a encenadora de “Hadestown”. Entre os artistas, Santino Fontana (“Tootsie”) foi o melhor actor num musical e Stephanie J. Block a melhor actriz na mesma categoria com “The Cher Show”. A maior ovação do público foi, no entanto, para Ali Stroker (“Oklahoma!”), que fez história ao tornar-se a primeira actriz em cadeira de rodas ao vencer um Tony. A melhor peça de teatro da temporada foi “The Ferryman”, enquanto o melhor actor foi Bryan Cranston (“Network”) e a melhor actriz Elaine May (“The Waverly Gallery”). Cranston dedicou o prémio aos jornalistas que estão na linha de fogo. “Os media não são inimigos do povo, mas sim a demagogia”, disse.

O filme português “Past Perfect”, de Jorge Jácome, que aborda o sentimento da melancolia, venceu o Grande Prémio do Festival de Curtas Metragens de Hamburgo, na Alemanha. Foi o segundo ano consecutivo que o cineasta ligado a Macau conquistou este galardão

A

estreia mundial da película aconteceu em Fevereiro no Festival de Berlim, na competição Berlinale Shorts, vencendo agora o prémio principal do Festival de Curtas Metragens de Hamburgo, que decorre na Alemanha até domingo, repetindo a conquista na edição do ano passado, com “Flores”.

“Este prémio assume ainda mais importância no ano em que a nova directora do festival, Maike Mia Hoehne, que dirigia anteriormente a competição de curtas metragens do Festival de Berlim, trouxe uma nova visão ao festival”, segundo um comunicado da Portugal Film. O júri desta 35.ª edição do festival foi composto por Pela

Present CINEMA JORGE JÁCOME, VENCE GRANDE PRÉMIO DO FESTIVAL DE

del Álamo, realizador e director do festival Curtocircuito, Peter Van Hoof, programador do festival de Roterdão,Ana David, programadora do festival IndieLisboa, Jennifer Reeder, realizadora, e Pawel Wieszczecinski, distribuidor da Kinoscope. A curta-metragem de 29 minutos do realizador português Jorge Jácome é representada pela Portugal Film - Agência Internacional de Cinema Português.

“Past Perfect” deriva da peça de teatro “Antes”, de Pedro Penim, na qual Jorge Jácome tinha trabalhado a componente visual. O realizador reescreveu o texto original, adaptando-o às suas interrogações pessoais e ao contexto cinematográfico.

FAZER UM REALIZADOR

Apesar de ter realizado vários trabalhos durante o tempo em que estudou na Escola Superior

de Teatro e Cinema, Jorge Jácome considera-se realizador a partir de «Plutão», curta-metragem de 2013. Depois dessa fez as curtas «A guest + a host = a Ghost” (2015), “Fieste Forever” (2017) e “Flores” (2017).

“Este prémio assume directora do festival, M a competição de curta nova visão ao festival.


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terça-feira 11.6.2019

FIC INAUGURADA GALERIA SOBRE MACAU EM ZHONGSHAN

O

Fundo das Indústrias Culturais (FIC) deu apoio à inauguração da “Galeria Experimental de Vida Cultural e Criativa de Macau”, na cidade de Zhongshan, China. De acordo com um comunicado, a iniciativa está inserida no âmbito do “Projecto IP em Cadeia de Motivação das Indústrias Culturais e Criativas Grande Baía Guangdong/Hong Kong/ Macau”. A referida galeria exibe vestuário e produtos de design fabricados em Macau, “demonstrando às pessoas da Grande Baía a imagem da cultura criativa e diversificada de Macau”. Além da instalação da “Galeria Experimental de Vida Cultural e Criativa de Macau” em Zhongshan, o projecto em causa inclui também a “Loja Moderna MCI by Macau”, em Sanxiang, que será aberta em breve. Está também incluído o projecto inti-

tulado “Criatividade de Macau – Plano Glória de Sichuan: Episódio Shaocheng”, tendo Chengdu como o local de promoção. Nesse sentido, já foram desenvolvidas “diversas actividades com a participação de mais de dez marcas de Macau”. Todas estas iniciativas decorrem graças ao financiamento do “Programa Específico de Apoio Financeiro para a Promoção de Marcas”, que está a aceitar candidaturas até ao dia 27 de Agosto. O objectivo é “estimular as micro, pequenas e médias empresas culturais a participar e executar a cooperação transsectorial, procurando maiores espaços no mercado, mediantes os métodos de participação em feiras/roadshow/instalação de lojas”. O FIC dará até cinco milhões de patacas para um projecto que deve ser executado no prazo de 24 meses.

MAM RELÍQUIAS DA DINASTIA XIA A PARTIR DE SEXTA-FEIRA

É

te perfeito HAMBURGO

Jorge Jácome apresenta, então, “Past Perfect” como “um balanço e um ponto de situação” sobre o que faz e para onde quer seguir no cinema, tendo como base essa percepção da origem da melancolia,

disse em entrevista recente à agência Lusa. “A melancolia, para mim, é uma coisa muito mais individual e pessoal, por isso é tão difícil de explicar. E este ‘Past Perpect’ está constantemente a dizer que é

ainda mais importância no ano em que a nova Maike Mia Hoehne, que dirigia anteriormente as metragens do Festival de Berlim, trouxe uma .” comunicado da Portugal Film

difícil de explicar, de traduzir, de passar para imagens e para texto o que é este sentimento”, contou. Nascido em Viana do Castelo em 1988, cresceu em Macau, até à transferência administrativa do território para a China em 1999. De regresso a Portugal, estudou na Escola Superior de Teatro e Cinema, sem ter ideias certas de que queria seguir cinema. “O que foi entu-

siasmante foi que na escola aprendi pela primeira vez a ver cinema e a ver filmes aos quais não tinha acesso. Aprendi mesmo tudo do zero. Não era cinéfilo antes de entrar para a escola”, recordou, em declarações em Fevereiro à Lusa. Depois rumou a França, para uma pós-graduação na Le Fesnoy, na qual aprendeu a desconstruir os ensinamentos anteriores.

inaugurada esta sexta-feira uma nova exposição no Museu de Arte de Macau (MAM) com o título “Reminiscências da Rota da Seda - Exposição de Relíquias Culturais da Dinastia Xia do Oeste”. A mostra, que resulta de uma parceria com o Museu da Região Autónoma da Etnia Hui de Ningxia, vai estar patente ao público até ao dia 6 de Outubro. O Instituto Cultural (IC) explica que a exposição “apresenta achados arqueológicos da Dinastia Xia do Oeste, permitindo aos cidadãos uma interpretação da história e cultura desta dinastia”, num total de 148 peças (conjuntos), que incluem “alguns dos objectos raros exibidos pela primeira vez fora da Região Autónoma da Etnia Hui de Ningxia”. A dinastia Xia do Oeste, na Rota da Seda, foi fundada em 1038, localizando-se a leste do Corredor Hexi. No seu apogeu, o território incluía o que é hoje a Região Autónoma da Etnia Hui de Ningxia, a Província de Gansu, a Província de Qinghai, a Região Autónoma

da Mongólia Interior e a Província de Shaanxi. O Regime do Território de Xia do Oeste afirma que “se estendia a leste até ao Rio Amarelo, a oeste até à Passagem da Porta de Jade, com fronteira a sul com a Passagem Xiao e a norte domina o deserto de Gobi”. Na sua fase anterior, existia uma coligação tripartida com Song do Norte e Liao. Num período posterior, competia com Song do Sul e Jin. Durante 190 anos, Xia do Oeste foi dominado por dez imperadores. A cultura de Xia do Oeste, que estava em pleno florescimento, acabou por se desvanecer na história. No século XX, com o aparecimento de relíquias e documentos, os tesouros de sabedoria do povo Xia do Oeste reapareceram aos olhos do mundo.


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11.6.2019 terça-feira

O Economia Superavit comercial aumenta

O superavit da balança comercial da China aumentou, em Maio, em termos homólogos, com a queda das importações e o aumento das exportações, numa altura de disputas comerciais entre Pequim e Washington. Segundo dados ontem revelados pelas alfândegas chinesas, o superavit comercial subiu 78 por cento, para 41,7 mil milhões de dólares. As importações caíram 8,5 por cento para 172,2 mil milhões de dólares, enquanto

as exportações subiram 1,1 por cento, para 213,8 mil milhões de dólares. “Enquanto as exportações subiram, em Maio, a fraca procura global e o agravamento da guerra comercial sugerem que começarão novamente a cair em breve”, refere numa análise a consultora Capital Economics. A Citi Research, uma divisão do Citigroup Global Markets considerou também que o crescimento das exportações é transitório.

Governo deHong Kong anunciou ontem que vai manter a proposta de lei que permite extradições para a China, na sequência do protesto maciço no domingo. “Trata-se de uma lei muito importante que vai garantir que a justiça prevaleça e Hong Kong cumpra as suas obrigações internacionais em matéria de criminalidade transfronteiriça e transnacional”, disse a chefe do Executivo, Carrie Lam, em declarações aos jornalistas. Os organizadores da manifestação de domingo afirmaram que mais de um milhão de pessoas desfilaram pelas ruas da cidade, enquanto a polícia da antiga colónia britânica indicou que o protesto juntou 240 mil participantes. A marcha de protesto decorreu sem grandes incidentes durante quase dez horas, mas cerca da meia-noite manifestantes invadiram uma zona barricada e a polícia respondeu com gás pimenta, de acordo com o jornal de Hong Kong, South China Morning Post.

EXTRADIÇÃO HONG KONG MANTÉM PROPOSTA DE LEI

Sem volta a dar

Apesar do protesto que, segundo a organização, levou às ruas da antiga colónia britânica mais de um milhão de pessoas, Carrie Lam garante que a proposta de lei vai mesmo avançar

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AVISO ﹝N.º 32/2019﹞ Avisam-se os arrendatários e seus herdeiros abaixo mencionados que os objectos existentes nas fracções ou loja abaixo mencionadas foram, temporáriamente, guardados pelo Instituto de Habitação: THUNG FON YIN - Avenida de Lok Koi, Habitação Social de Seac Pai Van Edifício Lok Kuan, Bloco 4, 9.º andar W, Coloane; TOU CONG MENG - Rua Um de Ip Heng, Edifício Ip Heng, Bloco VIII, 1.º andar A1(Loja), Coloane; CHEONG NAI MENG - Rua do General Ivens Ferraz, Habitação Social de Fai Chi Kei - Edifício Fai Tat, Bloco II, 25.º andar U, Macau; CHAN NGAO CHAI - Rua Marginal do Canal das Hortas, Edifício Hou Kong Garden, Bloco 4, 17.º andar F, Macau; KONG KAM CHEONG - Rua de Nam Keng, Edifício Vai Choi Garden, 3.º andar U, Taipa; AO IEONG LAI - Avenida de Venceslau de Morais, Habitação Social de Mong Ha, Edifício Mong Sin “I”, 7.º andar A, Macau. Caso queiram reclamar os referidos objectos, deverão dirigir-se à Divisão de Fiscalização de Habitação Pública do IH, sita na Estrada do Canal dos Patos, n.º 220, Edifício Cheng Chong, R/C L, Macau, no prazo de 30 dias, a contar da publicação do presente aviso. Se não reclamarem os objectos acima mencionados dentro do prazo estabelecido, o IH tratará, como melhor entender, os mesmos. Instituto de Habitação, aos 5 de Junho de 2019 CSI/csi

O Presidente, Arnaldo Santos

As alterações à lei da extradição já tinham motivado, em Abril, a maior manifestação em Hong Kong desde o “Movimento dos Guarda-chuvas”, em 2014, num protesto que reuniu meio milhão de pessoas. A proposta de lei apresentada pelo Governo de Hong Kong ao Conselho Legislativo (LegCo, parlamento local) autoriza a extradição de condenados em fuga para vários países com os quais o território não tem actualmente acordos de extradição, incluindo a China continental.

PRÓS E CONTRAS

Nas últimas semanas, várias petições circularam contra a proposta de lei, milhares de advogados organizaram uma marcha silenciosa e várias câmaras de comércio manifestaram preocupação.

A CULPA É DOS ESTRANGEIROS A imprensa chinesa culpou ontem a “interferência estrangeira” pelos protestos deste fim de semana, em Hong Kong, contra a proposta de lei que permite extradições para a China, acusando os organizadores de “conluio com o Ocidente”. Em editorial, o jornal oficial Global Times minimizou, o protesto de domingo, um dos maiores da região semiautónoma, desde o retorno à China, em 1997. “Deve-se ter em atenção que algumas forças internacionais fortaleceram significativamente as suas relações com a oposição

O Governo considerou esta proposta um instrumento vital para combater o crime transnacional e manter o Estado de direito, enquanto os críticos afirmaram temer que

de Hong Kong recentemente”, afirmou o jornal, acusando os opositores de “conluio com o Ocidente”. O jornal refere reuniões entre membros da oposição de Hong Kong com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, e com a presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi. O jornal chinês China Daily afirma ainda que 700 mil pessoas assinaram uma petição online em apoio à proposta de lei, e que acredita que muitos manifestantes “foram enga-nados pela oposição e os seus aliados estrangeiros”.

a população fique à mercê de um sistema judicial chinês opaco e politizado. Acontroversa proposta vai começar a ser debatida esta quarta-feira no hemiciclo.


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terça-feira 11.6.2019

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Atentado ao futebol Macau falha jogo com o Sri Lanka e AFC confirma inquérito

AFC

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PESAR de ter revelado a decisão no sábado à noite, apenas ontem a Associação de Futebol de Macau (AFM) confirmou à Confederação Asiática de Futebol (AFC, em inglês) a falta de comparência no encontro de hoje diante do Sri Lanka. A comunicação oficial terá sido feita de manhã, mas só à tarde a AFC confirmou a recepção ao HM. Como o jogo fazia parte da primeira fase de apuramento para o Mundial de 2022 e da Taça Asiática de 2023, o caso vai agora ter de ser encaminhado para a FIFA e para os comissões disciplinares da AFC, que vão instaurar um processo. “A Confederação Asiática de Futebol foi informada hoje [ontem] pela Associação de Futebol de Macau que a sua selecção não vai viajar para o Sri Lanka com o fim de participar na ronda conjunta de apuramento para o Mundial FIFA do Qatar de 2022/Taça Asiática AFC na China, em 2023. O encontro preliminar de apuramento estava agen-

dado para amanhã, em Colombo”, respondeu a AFC, quando questionada sobre o assunto. “A AFC vai agora referenciar o caso à FIFA e às comissões apropriadas da AFC”, foi acrescentado. Com esta decisão, além de ficar imediatamente eliminada do Mundial de 2022, no Qatar, a selecção de Macau fica de fora da Taça

Asiática de 2023, organizada pela China. Além disso, a AFM fica sujeita a uma multa monetária que pode chegar aos 40 mil francos ( 325 mil patacas), e a ser proibida de participar nas competições FIFA e AFC durante algum tempo. No entanto, segundo o HM apurou, numa reunião que ocorreu ontem por vol-

ta das 15h30, a AFM disse aos jogadores que estava a fazer tudo para “negociar” o castigo, de forma a não “prejudicar” os clubes e o futuro da selecção. Contudo, como recompensa, a AFM deixa assim de ter de se preocupar com a organização de 14 jogos internacionais nos próximos três anos, como aconteceria

caso conseguisse o apuramento.

SRI LANKA ÀS ESCURAS

No que diz respeito à comunicação oficial entre a federação do Sri Lanka e Macau, os dirigentes da equipa da casa só foram informados durante a tarde. De manhã ainda deram uma conferência de imprensa e disseram estar prontos para ir o jogo e que continuavam a aguardar pelos jogadores da selecção. Mais tarde a Federação de Futebol do Sri Lanka anunciou oficialmente o cancelamento do jogo, mas recusou as desculpas da AFM: “As autoridades de Futebol do Sri Lanka mantêm convictamente a posição de que o Sri Lanka é um lugar seguro e que tudo voltou à normalidade. Também tinha sido adoptadas medidas de segurança especiais para o encontro”, foi escrito num comunicado. “A Federação de Futebol do Sri Lanka queria utilizar esta oportunidade para mostrar ao mundo que o Sri Lanka está pronto para receber qualquer evento internacional e que

ID DEU VOTO DE CONFIANÇA

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un Weng Kun, presidente do Instituto do Desporto, comentou ontem toda a situação e deu um voto de confiança à associação. Por um lado, frisou que o ID não interfere nas decisões da AFM, por outro, disse que respeita a tomada de posição, a avaliação sobre as condições de segurança e que tem confiança na AFM. Anteviu também que os jogadores podem abdicar do boicote à selecção no futuro.

todas as comunidades estão unidas como uma à volta do desporto”, foi acrescentado. Após ter sido comunicada a decisão, os jogadores voltaram a lamentar o desfecho: “O meu coração está despedaçado. Peço desculpa a todos os fãs de futebol”, escreveu o capitão Nicholas Torrão, na rede social facebook. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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11.6.2019 terça-feira

Há um amargo de boca na minha alma

Compositores e Intérpretes através dos Tempos Michel Reis

Francis Poulenc (1803-1869)

Poulenc: meio monge, meio mau rapaz Gloria, FP 177

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compositor Francis Jean Marcel Poulenc foi membro de um grupo notório de jovens compositores franceses que ficaram conhecidos como “Les Six”, formado por Georges Auric, Louis Durey, Arthur Honegger, Darius Milhaud, e Germaine Tailleferre, que visava romper com as influências do formalismo germânico e do impressionismo francês, e empregar um estilo directo e simples na sua própria música. De longe o mais bem sucedido dos seis, Poulenc é autor de obras que abarcam a maior parte dos géneros musicais, incluindo canção, música de câmara, oratório, ópera, música de bailado e música orquestral. Poulenc aprendeu piano com a sua mãe e começou a compor aos 7 anos de idade. Aos 15 anos começou a estudar com o pianista espanhol Ricardo Viñes, que encorajou a sua ambição de compositor e o apresentou a Erik Satie, Alfredo Casella, Georges Auric, entre outros. Em 1917, aos 18 anos de idade, a

sua Rapsodie Nègre deu-lhe uma proeminência notável em Paris, como um dos compositores encorajados por Erik Satie e Jean Cocteau, que os designava como “Les Nouveaux Jeunes” (Os novos jovens). Apesar dos estudos com Ricardo Viñes, os seus conhecimentos técnicos eram escassos. Poulenc nunca frequentou o Conservatório, pelo que em 1920 decide estudar harmonia com Charles Koechlin, mas nunca estudou contraponto nem orquestração. Os seus conhecimentos de forma eram intuitivos. A vida de Poulenc foi de constante luta interna. Tendo nascido e sido educado na religião católica, o compositor debatia-se com a conciliação dos seus desejos sexuais pouco ortodoxos à luz

das suas convicções religiosas. Alguns autores consideram mesmo que Poulenc foi o primeiro compositor abertamente gay, embora Poulenc tenha mantido relações sentimentais e físicas com mulheres e tenha sido pai de uma filha, Marie-Ange. A sua primeira relação afectiva importante foi com o pintor Richard Chanlaire e, em 1926, Poulenc conhece o barítono Pierre Bernac, com o qual estabelece uma forte relação afectiva, e para quem compõe um grande número de melodias. Alguns autores indicam que esta relação tinha carácter sexual, embora a correspondência entre os dois, já publicada, sugira fortemente que não. A partir de 1935 e até à sua morte, em 1963, acompanha Bernac ao piano em

O sentido de humor de Poulenc e o amor pela vida brilham através de toda a música da obra, independentemente de quão solene o texto possa ser. O estilo muito distintivo de Poulenc assenta principalmente em fortes contrastes musicais

recitais de música francesa por todo o mundo. Pierre Bernac é considerado “a musa” de Poulenc. A música de Poulenc, eclética e ao mesmo tempo pessoal, é essencialmente diatónica e melodiosa, embelezada com dissonâncias do século XX. Tem talento, elegância, profundidade de sentimento e um doce-amargo que são derivados da sua personalidade alegre e simultaneamente melancólica. Embora Poulenc se considerasse principalmente um compositor de música religiosa, de facto, o seu primeiro trabalho sacro só surgiria em 1936, após a sua reaproximação ao catolicismo, na sequência da morte acidental do seu grande amigo Pierre-Octave Ferroud, conjugada com uma peregrinação ao famoso Santuário de Rocamadour, em 1935. O seu primeiro trabalho coral de grande escala, o Stabat Mater, surgiu apenas em 1950 e o Gloria, uma das suas obras mais célebres, em 1959, apenas quatro anos antes da sua morte. Ambos empregam as mesmas forças - coro, soprano solo e grande orquestra - e ambos desfrutaram de aclamação imediata e mantiveram-se, desde então, favoritos firmes junto dos artistas e do público. O Gloria, FP 177 foi composto entre Maio e Dezembro de 1959, para soprano solista, grande orquestra e coro, por encomenda da Koussevitzky Music Foundation em honra dos seus recentemente falecidos fundadores, o maestro e contrabaixista Serge Koussevitzky, director musical da Orquestra Sinfónica de Boston entre 1924 e 1949, e a sua esposa Natalie. A obra foi estreada no dia 21 de Janeiro de 1961 em Boston, pela Orquestra Sinfónica de Boston dirigida por Charles Munch, sendo solista a soprano Adele Addison. A primeira gravação, para a EMI, foi também efectuada em 1961, dirigida por Georges Prêtre, sob a supervisão do compositor, com Rosana Carteri como solista. O sentido de humor de Poulenc e o amor pela vida brilham através de toda a música da obra, independentemente de quão solene o texto possa ser. O estilo muito distintivo de Poulenc assenta principalmente em fortes contrastes musicais. A harmonia move-se entre a dissonância Stravinskiana e luxuriantes e sensuais progressões de acordes; um vigoroso contraponto em frases bem articuladas e angulares alterna com uma escrita melódica lírica; a dinâmica passa frequentemente de um silencioso piano a um enfático forte, no espaço de um ou dois compassos. Poulenc usa habilmente esta palete musical colorida para expressar uma vasta gama de emoções, de serenidade lírica a um regozijo descarado.

SUGESTÃO DE AUDIÇÃO DA OBRA: •Francis Poulenc: Gloria, FP 177 Susan Gritton, soprano, The Choir of Trinity College Cambridge, Britten Sinfonia, Stephen Layton – Hyperion, 2008


ARTES, LETRAS E IDEIAS 13

terça-feira 11.6.2019

Contos para normais Paulo José Miranda

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AFA tinha pouco mais de vinte anos e destacava-se na Rua Augusta, em São Paulo, pelo modo requintado e antigo como se vestia. Não parecia ser deste tempo. Conhecia-a no BH “padaria que fica na esquina das ruas Augusta e Luiz Coelho“, no momento em que interrompeu a leitura do seu livro para pedir mais uma cerveja ao empregado e, a mim, que estava na mesa ao lado, fogo. Passei-lhe o isqueiro e, ao dizer “nada”, depois do seu agradecimento, denunciei a minha portugalidade e despertei-lhe de imediato a curiosidade. Falou do pai, que era um português da Madeira, que veio para cá no início dos anos 70 por causa da guerra do ultramar. E perguntou muitas outras coisas, que têm a ver com a ideia que os brasileiros fazem de Portugal. O que mais temos, todos nós, são ideias sobre o que não sabemos, e Rafa apesar de antiga não era diferente. Perguntei-lhe o que estava a ler. “Um livro de poemas de Paulo Leminsky. Você conhece?” Tinha conhecido recentemente. Falou-me do poeta e de Curitiba, cidade que eu nessa altura ainda não conhecia. Rafa queria ir à capital do Paraná, pois tinha a convicção de que aquela terra tinha de ter algo estranho, como se houvesse uma relação de causa e efeito entre a cidade e Leminsky, entre o que ele fora e o que escrevera. “Sei que a cidade não faz isso a todos, mas acredito que há alguma coisa naquela cidade que toca o íntimo do tornar-se Leminsky. E recitou o final do poema “Buscando o sentido”: “(...) Só buscar o sentido faz, realmente, sentido. / Tirando isso, não tem sentido.” Não demorou muito mais nessa noite, mas disse-me que gostaria de voltar a falar comigo, que vinha ao BH todas as noites. Raramente dormia, tinha insónias terríveis. Por isso, passava muitas horas naquela padaria, que estava aberta toda a noite e onde podia estar sossegada ou falar com pessoas. “Em casa a insónia é uma insónia, aqui parece outra coisa. Já não é não conseguir dormir é estar a fazer o que não devia. E isso tem muito mais piada.” E saiu com um sorriso. Dois ou três dias depois voltámos a encontrar-nos. Ao fim de algumas cervejas e conversas várias, perguntou-me se queria ir com ela uma semana para Curitiba, à descoberta do que naquela cidade tinha sido responsável por Leminsky ter sido Leminsky. Sorri-lhe, pensei um pouco e citei o poema “Não discuto”: não discuto com destino o que pintar eu assino

O que a tristeza inventa Ela sorriu também e pedimos mais uminha, a que se seguiu outrinha e outrinha até seguirmos para o seu apartamento. No dia seguinte, partiríamos. Acabei por adormecer sem que Rafa sentisse sono. Quando acordei, já depois do meio-dia, Rafa estava na sala, vestida no seu modo usual. Sorriu, disse bom djia e perguntou se eu queria tomar o café da manhã. “Só café, por favor.” Esquentou-o, perguntou se punha açúcar, e serviu-me uma xícara. Ficámos um pouco em silêncio, que aproveitou para pôr música num aparelho qualquer. Um velho samba de Adoniran Barbosa, “Saudosa Maloca”, de que tínhamos falado na noite passada, entre tantos sambas e músicas de jazz. Depois dos primeiros versos, escuta-se, naquele modo único de Adoniran usar a língua portuguesa: “(...) Mas um dia, nem quero me lembrá / Veio os homis c’as ferramentas / O dono mandô derrubá / Peguemos tudo as nossas coisas / E fumos pro meio da rua / Apreciar a demolição / Que tristeza que eu sentia / Cada táuba que caía Doía no coração (...)” Gosto muito deste samba, acabei por dizer. Quando viu que tinha terminado de beber perguntou-me: “vamos para Curitiba?” Respondi-lhe que

Nunca mais a vi. Hoje, sempre que penso nela, e se tudo aquilo foi mesmo real, vejo-me muitas vezes a pensar que a minha tristeza deve ter que ver com o lugar de onde vim e não de mim não podia, que pensei que fosse uma brincadeira, que a noite tinha sido luminosa, mas não podia viajar. Sorriu e disse: “Fica tranquilo! Eu sabia que você não iria a Curitiba.” Antes de sair, disse-me que gostava muito de mim e que sentia muita dor pela minha tristeza. Fiquei um pouco atónito. E Rafa, qual sibila, remata: “A expressão maior da tristeza não é a vida não ser como queríamos, mas nós não sermos como gostaríamos de ser, ainda que não se saiba o que seria ser o que gostaríamos e pensemos que seja seme-

lhante a estar com fome e não ter o que comer ou estar derramado numa cama de hospital com uma doença terminal e querer viver. Talvez tenha de viajar até sua terra para compreender essa tristeza.” Nunca mais a vi. Hoje, sempre que penso nela, e se tudo aquilo foi mesmo real, vejo-me muitas vezes a pensar que a minha tristeza deve ter que ver com o lugar de onde vim e não de mim. Rafa lembra-me isso e um poema do Leminsky, “Incenso fosse música”: isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além O que nos leva além, caro poeta, é a tristeza. E não é preciso pensarmos em algo tão filosófico como um desconhecido “eu”, ou na estafada metáfora de Nietzsche do ir além de nós mesmos. Pensemos em algo muito mais concreto: o que foi que fez os portugueses inventarem o Brasil? E o que foi que trouxe os imigrantes da Europa longínqua, da Polónia e da Itália, para povoarem este país? A alegria é que não foi, de certeza.


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9 3 5 8 1 7 4 0 6 2

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 16

0 6 7 5 4 2 1 3 8 9

4 1

69 .01 3 2 8 7 8 9 7 1

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Executivo canadiano inspirou-se no modelo da União Europeia, que já aprovou formalmente a proibição até 2021 de determinados produtos de plástico de utilização única, como palhinhas e cotonetes.

2 9 3 1 8 0 5 7 4 6

1 4 9 3 7 8 0 6 2 5

9 3 5 0 4 1 8 2 UM FILME HOJE 4 2 1 7 6 0 5 3 6 8 3 1 2 9 7 6 1 4 3 9 2 0

5 0 7 8 4 6 9 1

8 7 0 6 9 5 2 4 3 1 6 8 4 2 9 1 0 7 3 5

6 5 2 4 3 1 8 9 7 0 7 9 0 1 3 5 8 2 6 4

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6 89 2 57 48 7 6 0 1 75 30 3 5 04

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PROBLEMA 17

23 3 6 0 5 4 8 9 7 1 2

8 1 7 6 5 2 0 9 4 3

4 63 8 0 2 9 6 1 17 5 2 4 9 0 6 5 8 3 7 1

56 19 92 3 1 5 7 74 8 4 0 3 9 7 3 4 1 6 5 2 8 0

97 45 34 6 8 0 1 3 6 9 2 2 1 1 2 8 3 0 7 6 4 9 5

0 57 5 9 4 3 2 6 1 7 8 5 9 2 7 3 1 4 6 0 8

2 8 1 6 6 2 5 4 9 5 7 0 3 7 4 8 1 9 2 0 3 5 6 7

1 2 4 0 9 2 7 0 8 3 5 8 6 1 9 0 3 6 8 7 9 2 1 5 4

11.6.2019 terça-feira

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8 1 7 9 4 6 0 2 6 3 4 5 7 3 4 2 5 7 6 B A H T 0 . 2 5 Y U A N 1 . 1 64 4 7 1 6 5 2 3 0 1 8 7 VIDA DE CÃO 0 6 9 0 4 5 9 4 1 7 2 3 8 SEM NOÇÃO7 2

7 6 64 1 5 3 7 3 8 9 2 3 2 9 9 0 8 8 2 5 0 4 6 0 2 9 0 2 8 5 3 4 6 1 7 0 7 6 1 8 7 89 56 70 6 5 1 4 3 2 0 7 9 5 7 6 3 1 7 4 2 8 8 0 6 5 6 9 20 82 05 3 1 3 1 3 4 0 9 7 6 5 8 7 4 4 19 76 0 7 9 2 8 5 9 2 0 3 8 1 8 5 7 08 4 9 6 0 9 5 1 8 7 5 2 3 2 1 3 4 1 5 1 3 28 0 2 4 9 1 4 7 0 5 6 3 5 46 3 7 8 1 2 6 0 7 2 3 8 9 2 4 O Canadá prepara-se para anunciar a proibição dos plásticos de uso único já a partir de 2021, disse um 2 sob2a condição 35 0de anonimato. 8 3 o 6 funcionário 0 9 do4Governo que falou 1 4 Segundo 6 1 8o mesmo 7 responsável, 9 alto

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Um detective acaba de 7 5começa 9 8a traba3 4 chegar lhar num caso de estra8 0 6 4 5 2 nhos assassinatos ao lado 0 6 colega 9 3 de2 um7 veterano que está prestes a refor5 9 7 2 1 6 mar-se. Juntos percebem 1 as4mortes 8 3macabras 0 5 que estão relacionadas 0 1 4 5 8com7 os sete pecados mortais 3 6 2 9 7 tal8 descritos na Bíblia, como a gula, a preguiça ou a luxúria. Tal leva-os numa busca incessante pela compreensão da mente e do modo de actuar do assassino, num filme que prende a atenção do telespectador até ao final. Andreia Sofia Silva

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S U D O K U

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Esta semana começou com o surreal episódio da recusa da Associação de 16 Futebol de Macau (AFM) em participar jogo 3 num 5 2de 7 qualificação 1 8 69 30 72para 01 o4 Mundial de Futebol 2022, que se realiza 01 Muito 72 3para5além 4 da6decisão 94 27 no Qatar. absurda 46de91abdicar 8 7de um 0 momento 1 39 50 que poderia ser histórico para a mo0 0ausência 5 a6total 18 95de8interesse 23 3 dalidade, do poder 2 político 1 5 também 31 64 é4bastante 7 9 reveladora de algo que é transversal 9 4 7 27 12 0 8 6 ao poder público da região. Total des6 23 9 do 84sector 51 3público, 10 0 responsabilização completo desinteresse no trabalho 6 14 82 08 4 9 7 5 6que deveriam desempenhar. Aliás, têm de 30 59para 1 fazer 0 8algo,2 para 42se73 ser alertados pronunciarem 4 7 37 e6tomarem 3 42 2uma 9 9posição. 6 55 8 Isto só é possível porque quem está no topo do Instituto do Desporto, e mesmo da18 AFM, sabe que dificilmente lhes será pedida responsabilidades. Entretanto, 9 53 9 6e centenas 04 41 de7 atletas 1 36 a modalidade amadores, sacrifício 4 8 1que 2com96muito 50 6 4 0 se dedicam ao desporto, arriscam-se a 4 7 das 81competições 6 3 27interna9 5 ficar afastados cionais35 por0 quatro anos. Um lapso 78 13 84 56 6tem-42 poral que pode significar a sentença de 20 3 44 5 9 01 8 79 morte para o futebol de Macau, sem que nenhuma 17 autoridade 6 06 2se preocupe 7 94 3com81 isso. Isto é o que acontece quando não 79 2 12 31 66 43 5 90 existe competição política, quando no 9 de 4 ideias 53 8 0 19 2 se6 “mercado de governação” instala um monopólio, quando 7 2 0 0 8 9 48 17 3o poder se autofiscaliza e vai a jogo sozinho. Os 5 3a camisola 77 28da8selecção 0 15 3 6que 6 suam atletas merecem melhores dirigentes. João Luz

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SEVEN | DAVID FINCHER (1995)

X-MEN: DARK PHOENIX SALA 1

X-MEN: DARK PHOENIX [B] Um filme de: Simon Kinberg Com: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

SALA 3

ALADDIN [A] FALADO EM INGLÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Guy Ritchie Com: Will Smith, Mena Massoud, Naomi Cott, Marwan Kenzari 14.30, 16.45, 19.15

SALA 2

GODZILLA II: KING OF MONSTERS [B] A DOG’S JOURNEY [A] Um filme de: Michael Dougherty Com: Vera Farmiga, Ken Watanabe, Sally Hawkins, Kyle Chandler 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

Um filme de: Gail Mancuso Com: Dennis Quaid, Kathryn Prescott, Marg Helgenberger, Henry LAu 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gisela Casimiro; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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opinião 15

terça-feira 11.6.2019

macau visto de hong kong

DAVID CHAN

N

Publicidade enganosa

O dia 2 deste mês o jornal de Hong Kong Sing Tao Daily publicou uma notícia sobre a jovem Miss Wong, proveniente de Hong Kong e estudante no Reino Unido. Miss Wong levantou um processo num tribunal londrino contra a Universidade Angelia Ruskin. O artigo não adiantava os motivos de forma muita clara, limitando-se a mencionar “publicidade falsa aos serviços”. Miss Wong inscreveu-se nesta Universidade em 2011, para fazer uma pós-graduação em administração internacional, um curso com duração de dois anos. A jovem escolheu a Angelia Ruskin devido ao planfleto promocional que garantia “Formação de Alta Qualidade” e “Boas Perspectivas de Emprego”. Estas indicações impressionaram favoravelmente Miss Wong. Mas depois do início do ano lectivo ficou decepcionada. As aulas começavam com atraso e terminavam antes da hora. Os estudantes eram incentivados ao “auto-didactismo”. Por tudo isto, a

queixosa acusou a Universidade de fraude, na medida em que estava longe de garantir a “Formação de Alta Qualidade” anunciada no prospecto. Mesmo assim, terminou a formação em 2013 certa de que tinha assegurado o início de uma sólida carreira profissional. Mas sempre que se candidatava a um emprego era rejeitada. O diploma não era reconhecido no mundo do trabalho. Portanto, para Miss Wong, o curso não assegurava formação de qualidade nem garantia perspectivas de emprego e, como tal,

Embora a situação em Macau seja significativamente diferente da do Reino Unido, o prospecto é considerado um documento oficial na admissão à Universidade. Se existirem diferenças consideráveis entre o programa apresentado e a experiência que os estudantes vivem posteriormente, existirão naturalmente motivos de descontentamento

considerou que o prospecto publicitário era enganador. Após negociação entre as partes, a Universidade indeminizou a queixosa com o montante de 61.000 libras. Deste valor, 46.000 libras eram destinadas a custas processuais. O sistema legal britânico é diferente do de Macau. A parte que perde o processo arca com as custas da outra parte. A principal despesa deste bolo são os honorários do advogado, que neste caso foram pagos pela parte acusada. Em entrevista ao jornal Sunday Telegraph, Miss Wong afirmou sentir-se satisfeita com o resultado do julgamento. Disse ainda estar convencida que de futuro a Universidade iria ter mais cuidado com o que escrevia nos prospectos promocionais. Promessas irrealizáveis não devem estar impressas em panfletos informativos. Embora este caso não envolva uma notícia de monta, para nós, não deixa de ser motivo de reflexão. Como sabemos, actualmente existem nove Universidades em Macau. Devido à implementação da Lei do Ensino Superior, estamos a entrar numa nova era da educação. Quase todas as Universidades têm de estar certificadas. A certificação atesta o grau de qualidade de cada uma delas. Desta forma, as Universidades devem poder garantir até certo ponto o seu nível de ensino. No entanto, Miss Wong processou a Universidade

por incumprimento das promessas feitas aos estudantes no programa promocional. Segundo a notícia, a queixosa baseou o seu processo na falsidade do prospecto. Se tinha ou não tinha razão, é uma questão que fica em aberto. Mas uma coisa é certa, segundo a lei do Reino Unido, a partir do momento em que os estudantes pagam as propinas e ingressam na Universidade, estes prospectos fazem parte do contrato entre as partes. A Universidade é responsável por honrar os termos do contrato. Se não o fizer, entra em incumprimento e os estudantes podem processá-la. Embora a situação em Macau seja significativamente diferente da do Reino Unido, o prospecto é considerado um documento oficial na admissão à Universidade. Se existirem diferenças consideráveis entre o programa apresentado e a experiência que os estudantes vivem posteriormente, existirão naturalmente motivos de descontentamento. Consequentemente, as Universidades terão de ter muito cuidado com a forma com que redigem estes panfletos. Se as promessas se cumprirem todos ficam satisfeitos, mas se não se cumprirem os problemas hão-de surgir. Este caso acaba por ser um alerta para todas as Universidades, lembrando que devem ser cuidadosas na forma de divulgar os seus programas e responsáveis pelas expectativas que criam aos estudantes.

Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


Continuam a viver em nós todos aqueles que se foram embora. Luigi Pirandello

PALAVRA DO DIA

e desvantagens do seu sistema em relação ao Android. O sistema operativo desenvolvido pela norte-americana Google é actualmente usado nos dispositivos da Huawei, mas a decisão do Governo norte-americano de cortar o fornecimento levou a empresa a anunciar o seu próprio sistema. O fim das transações comerciais entre a Alphabet (empresa-mãe da Google) e outras empresas norte-americanas com a Huawei deve ter um grande impacto no mercado europeu, incluindo em Portugal, onde a companhia chinesa é líder no mercado dos ‘smartphones’.

OBRAS CONSULTA PÚBLICA DO TÚNEL MACAUTAIPA ARRANCOU

A

primeira fase da consulta pública relativa à avaliação do impacto ambiental da construção da quinta ligação entre a península de Macau e a ilha da Taipa – um túnel subaquático – começou ontem e prolonga-se até 21 de Junho. Durante este período, a população será chamada a pronunciar-se junto da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) ou à entidade responsável pela avaliação do impacto ambiental, através de carta, telefone, fax e correio electrónico. O túnel ficará localizado ao lado da Ponte Governador Nobre de Carvalho, onde apenas circulam transportes públicos. Segundo as autoridades de Macau, o projecto terá um comprimento de aproximadamente 2.400 metros, seis faixas de rodagem de duplo sentido, e velocidade máxima permitida de 60 quilómetros horários. O túnel vai ligar as zonas B e D dos Novos Aterros Urbanos de Macau, terá início na intersecção entre a Avenida Dr. Sun Yat-Sen e a Avenida 24 de Junho da Zona B, e terminará numa nova via situada na Zona D, no sentido Leste-Oeste, pode ler-se num comunicado da DSSOPT. Para além da construção das vias e do túnel, os trabalhos incluem ainda a instalação do sistema de iluminação, dos espaços de administração e de manutenção, bem como das estações elevatórias.

Mali Pelo menos 95 mortos após ataque a aldeia

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Pelo menos 95 pessoas da aldeia de Sobane-Kou, no Mali, foram mortas entre a noite de domingo e ontem por homens armados, disseram à agência de notícias AFP uma fonte das forças de segurança e um representante político. "Temos 95 civis mortos. Os corpos estão calcinados e continuamos à procura de mais corpos", afirmou um representante político do município de Koundou, onde fica localizada a aldeia de 300 habitantes, no centro do Mali. "Foi uma aldeia (da etnia) dogon que foi quase destruída", disse uma fonte de segurança maliana que se encontrava no local, confirmando um balanço provisório de 95 mortos. A agência de notícias espanhola EFE referiu que há mais 30 pessoas desaparecidas.

terça-feira 11.6.2019

PRESSÃO AMERICANA

Mexidas tecnológicas Novo sistema operativo para telemóveis da Huawei deve chegar ainda neste Verão

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Huawei vai lançar um novo sistema operativo para os seus telemóveis, no terceiro trimestre deste ano, avançou ontem a imprensa chinesa, depois de Washington ter proibido empresas norte-americanas de transacionarem com a gigante chinesa das telecomunicações. O sistema pode estar pronto já em

Agosto ou Setembro, segundo o jornal chinês Global Times, que cita fontes da empresa. Richard Yu, chefe executivo da divisão de consumo da Huawei,

tem reiterado que é “muito provável” que a empresa avance com o seu próprio sistema operativo. A empresa não comentou, no entanto, quais serão as vantagens

Richard Yu, chefe executivo da divisão de consumo da Huawei, tem reiterado que é “muito provável” que a empresa avance com o seu próprio sistema operativo

Seis fabricantes de componentes electrónicos americanos anunciaram já que romperam as suas relações comerciais com a Huawei. As fabricantes norte-americanas de processadores Intel, Qualcomm, Xilinx e Broadcom, a alemã Infineon Technologies e as fabricantes de chips de memória Micron Technology e Western Digital deixarão de fornecer à Huawei, por exigência do Governo norte-americano. O Governo dos EUA decretou que a Huawei tem três meses para se adaptar até ficar impedida de utilizar tecnologia norte-americana, depois de ter sido colocada numa lista negra de empresas suspeitas de paticarem espionagem para o Governo chinês. Washington acusa a empresa de utilizar os seus equipamentos, em particular de tecnologia de comunicações quinta geração (5G), para aceder a informação confidencial de outros países, em colabora com os serviços de inteligência chineses.

ÍNDIA SEIS CONDENADOS POR VIOLAÇÃO E MORTE DE UMA MENINA DE 8 ANOS

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M tribunal da Índia condenou ontem seis pessoas pelo homicídio de uma menina de 8 anos, após repetidas violações durante vários dias, no Estado de Jammu e Caxemira, um caso que chocou o país. O principal arguido, um funcionário local agora reformado, e dois membros das forças de segurança acusados de destruir provas e aceitar subornos para encobrir os responsáveis encontram-se entre os seis condenados, disse o advogado da acusação, Mubeen Farooqui, aos jornalistas, à saída do tribunal. Havia um sétimo acusado, mas que foi considerado inocente, adiantou o advogado. A menor, pertencente a uma comunidade nómada muçulmana, foi sequestrada em Ja-

neiro de 2018 na cidade de Kathua, uma área de maioria hindu de Jammu e Caxemira. A menina foi sedada e violada em grupo durante dias antes de ser assassinada e abandonada numa floresta, de acordo com a investigação policial, que concluiu também que era intenção dos autores enviar uma mensagem a essa comunidade para que não voltasse àquela zona. O caso provocou uma onda de indignação na Índia, com manifestações a pedir a condenação à morte dos culpados. Mas a violação e o assassinato também causaram tensão na região, a ponto de as autoridades terem que aumentar a segurança dos parentes da vítima e dos seus advogados, e

transferir o julgamento para o Estado vizinho devido ao clima de insegurança. Todos os arguidos professavam a religião hindu e o crime ocorreu num templo da pequena cidade, o que levou alguns vizinhos e políticos locais a exigir a libertação imediata dos acusados. Um grupo de advogados tentou inclusivamente impedir que a polícia registasse acusações em Kathua em Abril de 2018. A Índia endureceu as leis contra as agressões sexuais, depois do caso de uma jovem universitária que morreu após ser violada em grupo num autocarro, em 2012, em Nova Deli, um acontecimento que chocou o país e passou além fronteiras.


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Hoje Macau 11 JUN 2019 # 4306 by Jornal Hoje Macau - Issuu