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Hoje Macau 11 JUN 2018 #4069

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

SEGUNDA-FEIRA 11 DE JUNHO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4069

MOP$10

HOJE MACAU

hojemacau Impunidade retirada para desobediência qualificada. Mais nada.

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Sulu Sou alega nulidade

PÁGINA 6

CASO COSTA NUNES

SOFIA MARGARIDA MOTA

PÁGINA 8

10 DE JUNHO

Não devemos aceitar a injustiça

h

ENTREVISTA

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

“

ANTÓNIO-PEDRO VASCONCELOS

PUB

PARTIDA DE VÍTOR SERENO MARCA COMEMORAÇÕES

O bem amado Vítor Sereno vai partir e deixa saudades. É raro ver tamanha unanimidade em torno de um cônsul. PÁGINAS 4-5

Valério Romão Bourdain matou-se. Faz sentido?

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DSEJ só divulga parte do relatório. Por motivos.


2 ENTREVISTA

ANTÓNIO-PEDRO VASCONCELOS

“Um bom filme é uma espécie de Juízo Final”

Com mais de 50 anos de carreira, António-Pedro Vasconcelos lamenta a falta de público para o cinema que se faz em Portugal e a forma como são dados os financiamentos à sétima arte. O cineasta está em Macau para apresentar “Jaime”, “Os imortais” e “Os gatos também têm vertigens” no âmbito das comemorações do 10 de Junho É filho e neto de juízes e começou por estudar Direito. Como é que aparece o cinema? Estudei Direito porque a família achava que devia dar continuidade à tradição, mas isso não aconteceu. Primeiro através da banda desenhada e depois através de histórias e de romances, o meu universo sempre foi o da ficção. Sempre me interessaram as histórias. Mais tarde descobri o cinema. Acabei por sentir que tinha de passar para o lado de lá. Tinha de deixar de ser um leitor e um espectador para passar para o outro lado, para transmitir os sentimentos que a realidade me inspiravam, acerca dos meus próprios problemas e daqueles que via à minha volta. O cinema dava-me isso e foi o que me fascinou: o poder ser capaz de transmitir aos outros aquilo que sentia. O que é para si o cinema? O cinema foi a grande arte do séc. XX. Sempre achei que sem ficção a vida tornava-se insuportável. A ficção dá-nos a ilusão de um mundo perfeito, mesmo nas tristezas. Costumo dizer que um bom filme é uma espécie de juízo final em que decidimos quem mandamos para o inferno, para o céu e para o purgatório - agora já não há purgatório, mas era um conceito que dava jeito. O cinema tem uma coisa que lhe é particular, aliás o realizador que me marcou toda a vida, François Truffaut, numa entrevista que lhe fiz disse-me isso mesmo: no cine-

ma, e ao contrário da literatura e de outras artes ficcionais, nós não podemos deixar que o público saia da sala com o sentimento de que a vida não vale a pena e de que é injusta. De facto, podemos escrever um mundo de injustiça, de desigualdades, de violência, de guerra até, mas o sentimento que temos de dar às pessoas é de que o facto de transmitirmos o que é mau já significa que temos uma ideia do que é justo. Apesar de ser muito céptico em muitas coisas, de ter a noção de que a natureza humana está longe de ser perfeita, que os homens não são particularmente bons, que são bons e maus, conforme as circunstâncias e conforme tudo aquilo que o Shakespeare disse, acho que cada um de nós tem de ter uma visão crítica e positiva. Não devemos aceitar a injustiça, mesmo que se saiba que nunca haverá um mundo justo, que nunca haverá um mundo solidário e totalmente livre. Temos de nos debater constantemente para corrigir as injustiças quer ao nível daqueles que nos estão perto quer ao nível da sociedade. Quer dizer: deixar algum tipo de mensagem de esperança? Não é bem de esperança. Acho que a esperança, como a fé, são coisas em que delegamos a responsabilidade porque não dependem de nós. Aliás, São Paulo dizia que das três virtudes – fé, esperança e amor - o amor era o mais im-

portante. O amor no sentido da fraternidade, da solidariedade, a dádiva desinteressada e da compaixão, isso já depende de nós. Posso ter esperança que a vida me corra bem, posso ter fé que me vai acontecer alguma coisa, mas o que é importante é aquilo que depende de nós. Nós temos de ser melhores, mesmo quando não esperamos retorno. O amor tem de ser incondicional. Estou-me a

“O paradoxo é que hoje só se fala de cinema de autor e desapareceram os autores na Europa.” referir ao sentido lato do termo e não no sentido romântico. O romantismo teve uma coisa terrível que foi confundir na expressão amor. Teve um efeito bastante perverso e negativo. Se há algum tema quase recorrente nos meus filmes, é de facto uma reflexão sobre esta ideia de que o romantismo meteu na palavra amor uma série de coisas que não são necessariamente compatíveis, ou que não coincidem com o amor. O sexo, o desejo, a paixão a conjugal idade são coisas diferentes e que às vezes até entram em conflito. A paixão, por exemplo, é uma coisa turbulenta e que, muitas vezes,

conduz a qualquer coisa que pode ser o oposto do amor. Conduz ao ciúme ou ao crime. Traz a Macau três filmes: “Jaime”, “Os imortais” e “Os gatos também têm vertigens”. Como é que fez esta selecção? Talvez porque são três filmes que ilustram bem a minha preocupação, sobretudo na segunda fase da minha obra. Os meus três primeiros filmes eram muito confidenciais em que o personagem principal era um pouco o meu alter-ego e reflectia muito as minhas preocupações pessoais em matéria de amor e não só. Nos outros filmes olho mais para fora de mim. São três filmes em que cada um, à sua maneira, fala de três realidades que me preocupam e que traduzem, em três épocas diferentes, as realidades do meu país. A exploração do trabalho infantil que aparece em “Jaime” é um assunto que me choca muito. “Os imortais”, porque fala de uma realidade que o cinema português fala muito pouco. Não é propriamente da guerra mas da ressaca da guerra colonial. “Os gatos também têm vertigens” foi escolhido porque tentou traduzir um sentimento que prevaleceu durante o período da chamada austeridade e da intervenção da Troika. Foi o período talvez mais negro da história da democracia portuguesa em que os portugueses foram castigados, sobretudo a classe média e os jovens. O filme não fala propriamente disso, mas dessa crise através de dois personagens que pertencem a duas gerações extremas, os idosos e os mais jovens, sobretudo aqueles que são marginalizados e que correm o risco de ficar fora da sociedade e enveredar pelo crime. Escolhi estes três filmes porque acho que traduzem bem aquilo que o meu cinema tenta ser: falar das coisas à minha volta. Estamos no Oriente. Qual é a sua opinião do cinema que se faz aqui? O cinema japonês foi talvez o cinema mais rico aqui no Oriente, durante muitos anos. Depois houve aqueles filmes do Bruce Lee, mas antes disso houve um grande cinema japonês que descobri nos anos 60 através de três grandes realizadores: Akira Kurosawa, Yasujiro Ozu e Kenji Mizoguchi. Há também uns filmes do Wong Kar-wai que gostei muito, mas não é uma cinematografia que conheça muito bem. Não chega a Portugal e o Wong Kar Wai foi talvez o realizador que mais me impressionou. Tem sido muito crítico no que respeita ao financiamento do cinema e da ditadura do gosto.

SOFIA MARGARIDA MOTA

REALIZADOR

Todo o cinema europeu, a partir dos anos 80, entrou em declínio. Sempre me preocupei em tentar perceber porque é que isso aconteceu e o que se podia fazer para travar este declínio. Em quase todos os países da Europa chegou-se à conclusão de que o Estado tinha de intervir, regulando o mercado, criando incentivos e inclusivamente financiando uma parte da produção. Em Portugal, em 1971, ainda em pleno regime marcelista foi criado um sistema que perdura até hoje no seu paradigma que é de que o Estado deve impor taxas - na altura às salas de cinema que eram quem lucrava com os filmes, mas hoje em dia a toda uma cadeia


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do cinema europeu nomeadamente a escola neo-realista. O meu autor preferido sempre foi o Rossellini. Em França, o Jean Renoir e mais tarde os autores da Nouvelle Vague. Os primeiros anos do Godard e do Truffaut. Alguns filmes do Polansky, por exemplo. O paradoxo é que hoje só se fala de cinema de autor e desapareceram os autores na Europa. O único que talvez sobrevive é talvez o Nanny Moretti. O próprio Almodovar deixou de ter interesse. Ele fez um retrato de uma época em que a Espanha mudou muito e ficou desfocado da realidade. Mas não vejo grandes autores na Europa, às vezes vejo bons filmes. A partir do momento em que os autores começaram a desprezar o público, deixaram espaço para muitos filmes que não têm alma, deixaram de dar oportunidade ao público para ver bons filmes. Ao contrario de muitos realizadores, há décadas para cá que os realizadores se sentem felizes por não ter público porque acham que a grande arte não é compreendida. Para mim isto é um contra-senso.

encarregue da comercialização dos filmes. A ideia que o Marcelo Caetano impôs com esta lei foi a de que as salas de cinema tinham de pagar uma percentagem dos seus negócios para financiar o cinema português, mas como era um regime de ditadura impôs-se que em vez de se criar um regime de obrigações como acontece noutros países, esses 15 por cento sobre os bilhetes fossem para um organismo criado pelo Estado onde um grupo de quatro ou cinco pessoas ía ler os argumentos e decidir que filmes é que eram autorizados. Este paradigma, paradoxalmente, manteve-se em democracia, ou seja, hoje em dia o Estado criou uma série de taxas e

de obrigações, mas, na maioria dos casos, o grande suporte financeiro obtido por essas taxas vai para o Instituto de Cinema, que por sua vez escolhe cinco indivíduos que decidem o que é que dez milhões de

“Não devemos aceitar a injustiça, mesmo que se saiba que nunca haverá um mundo justo, que nunca haverá um mundo solidário e totalmente livre.”

portugueses devem ver. Isto é uma coisa com que não me conformo há 44 anos porque este instituto depende do Ministério da Cultura que arroga-se o direito de, com o dinheiro dos outros, escolher que filmes é que se devem fazer. Não imagino o Ministério da Cultura a decidir, cada ano, se deve escrever a Lídia Jorge ou o Lobo Antunes, ou quem deve compor música, se é o Jorge Palma ou o Sérgio Godinho. Somos o único país da Europa em que o Estado não investe directamente no cinema. Isto é tudo um completo absurdo que tem favorecido um cinema muito mais autista que o público não reconhece e que não vai ver.

Está a falar do cinema de autor? É o que eles chamam de cinema de autor. Mas o cinema de autor não é isso. Hoje em dia criou-se esta ideia em Portugal: o cinema de autor é o cinema que não tem público e o que não tem público é o cinema comercial com os preconceitos que lhe estão inerentes. O cinema deve deixar um testemunho através do reconhecimento público, não há que ter medo do público. Quais são os filmes da sua vida? Isso é uma longa lista. Alguns grandes autores americanos: John Ford, Capra, Samuel Fuller foram realizadores que me marcaram para a vida. Depois há toda uma escola

Que filmes lhe falta fazer? Falta-me fazer muitos filmes, sobretudo aqueles que não fiz, mas quanto a isso já não há nada a fazer. Também não vou ter muito mais tempo para os fazer. Vou fazer mais dois ou três. Tenho 79 anos e apesar de me sentir em forma não posso fazer grandes planos para o futuro. Quero fazer um filme que se passa num lar de idosos, outro sobre os filhos de pais separados. Interessa-me a sensação de insegurança em que o mundo vive. Tenho alguns projectos e espero que os tais júris pensem que os meus filmes merecem ser feitos. Preocupa-me sobretudo as novas gerações e gostava que mudassem esta visão do cinema e a intervenção do Estado. Gostava que aparecesse uma geração que tem muitas coisas para dizer e que tenha um olhar diferente do meu. O meu é um olhar, apesar de tudo, marcado pela idade com tudo o que isso tem de bom mas também já moldado. É preciso ouvir as novas gerações que obviamente têm uma visão diferente do mundo. Está há uns dias em Macau. O que tem a dizer? É uma cidade estranha. É uma cidade onde floresceram os casinos. Tem um lado de Las Vegas, exuberante e muito artificial e há também marcas da presença portuguesa. É uma cidade de contrastes. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


4 dez de junho

“A

OS meus caros compatriotas, deixo votos de grande sucesso profissional e de felicidades pessoais, estando certo que prosseguireis um caminho de dignidade e de respeito pela Lei e por este Povo, o que vos prestigia a vós e nos orgulha a nós, portugueses, no nosso país.” Foram estes os votos para comunidade deixados por Vítor Sereno, ontem, no seu último Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. como Cônsul-Geral em Macau. Na cerimónia de recepção à comunidade, na residência oficial, o ambiente foi de despedida e Vítor Sereno abordou o orgulho que sentiu por desempenhar as suas funções. “Pelo meu lado, levarei e guardarei comigo este prazer e este orgulho em ser vosso Cônsul-Geral, que espera que possa ser recíproco – sinal que é, de facto, na proximidade que se faz boa diplomacia e amigos”, confessou. Em relação ao seu discurso, Vítor Sereno elogiou o papel da comunidade, a importância das relações entre Portugal e a RAEM, e anteviu uma visita de Xi Jinping a Portugal como “momento alto” das relações entre as duas nações. A visita deverá acontecer em 2019. “Estamos em condições para fazer da próxima visita de Estado do Presidente Xi Jinping um momento alto das relações entre Portugal e a República Popular da China. Completaremos simbolicamente 40 anos de relações diplomáticas

DIA DE PORTUGAL

Na hora da despedida

LUSA

O último Dia de Portugal de Vítor Sereno enquanto Cônsul Geral de Portugal em Macau e Hong Kong marcou as celebrações oficiais. No seu discurso, o diplomata prometeu um Portugal empenhado em fazer da próxima visita de Xi Jinping o “momento alto” das relações entre os dois países

11.6.2018 segunda-feira

SAÍDA DE VÍTOR SERENO MARCA DISCURSOS OFICIAIS


dez de junho 5

“Pelo meu lado, levarei e guardarei comigo este prazer e este orgulho em ser vosso Cônsul-Geral, que espera que possa ser recíproco – sinal que é, de facto, na proximidade que se faz boa diplomacia e amigos.”

LUSA

segunda-feira 11.6.2018

VÍTOR SERENO CÔNSUL-GERAL DE PORTUGAL EM MACAU

e 20 anos do estabelecimento desta Região Administrativa Especial”, apontou.

AMIZADE A DOBRAR

O futuro próximo de Vítor Sereno também não foi esquecido por António Mendonça Mendes, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do Governo Português. “Permitam-me que aproveite esta oportunidade para, em nome do Governo português, dirigir ao senhor Cônsul-Geral em Macau, que termina a sua comissão dentro de pouco tempo, uma mensagem para enaltecer e reconhecer o trabalho muito relevante que aqui desempenhou ao serviços de Portugal e dos portugueses, ao longo de quase seis anos”, disse António Mendonça Mendes. “Permitam-me que em nome da comunidade possa agradecer ao Vítor [Sereno] pela amizade e dizer que a amizade é retribuída em dobro e que terá sempre a nossa amizade”, acrescentou.

ALEXIS TAM MANUAL DE HISTÓRIA NÃO É VERSÃO FINAL

Sobre Macau, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais afirmou ser uma terra que sempre ligará Portugal à República Popular da China. “Macau uniu, une e sempre unirá Portugal e a República Popular da China”, sublinhou. Também o Chefe do Executivo, Chui Sai On, recordou a futura saída de Vítor Sereno. “Gostaria de aproveitar esta oportunidade para dedicar uma palavra especial ao Dr. Vítor Sereno, Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong. Ao longo de mais de cinco anos de exercício do cargo, o Sr. Cônsul-Geral, com dinamismo, pragmatismo, eficiência e boa vontade, tem desenvolvido uma série de iniciativas e projectos com vista à intensificação das relações de amizade entre Portugal e a Região Administrativa Especial de Macau”, observou Chui Sai On. “Em nome do Governo da RAEM, apresento ao Sr. Cônsul-Geral, Dr. Vítor Sereno, elevada estima e consideração e sinceros agradecimentos”, completou. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Educação e Juventude para perceber como é. Penso que agora está na fase de consulta, não é aquela uma versão final. Não se preocupem, não é uma versão final”, afirmou Alexis Tam, aos jornalistas, à margem da comemoração do Dia de Portugal. “ Ta m b é m e st ou preocupado com o assunto porque porque

GRAND LISBOA VESTIU CORES PORTUGUESAS O

LUSA

PALAVRA ESPECIAL DE CHUI SAI ON

nistração portuguesa serem retratados de forma “negativa”. Ontem, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultural comentou o caso e explicou que não se trata de uma versão final: “Ainda não tive a oportunidade de consultar o texto electrónico. Mas já falei com o director da Direcção de Serviços de

CHUI SAI ON COM CAMISOLA DE PORTUGAL

E

m ano de mundial, Chui Sai On recebeu de Vítor Sereno uma camisola do equipamento alternativo de Portugal, com o nome Fernando e o número 7. Durante a entrega, o Cônsul-Geral recordou que pela mesma ocasião, em 2016, tinha oferecido uma camisola ao Chefe do Executivo, mas com o número 8. A oferta deu sorte e Portugal sagrou-se Campeão Europeu. Após a entrega, Vítor Sereno deixou o desejo que desta vez Portugal se possa sagrar Campeão Mundial.

casino Grand Lisboa associou-se às comemorações do Dia de Portugal e ontem à noite “vestiu-se” com o vermelho e o verde. O espaço é propriedade da Sociedade de Jogos de Macau, detida pela família de Stanley Ho, tendo como director-executivo Ambrose So, Cônsul-Honorário de Portugal em Macau e Hong Kong. Perante os presentes, Vítor Sereno explicou que a ideia de vestir o Grand Lisboa com as cores de Portugal tinha partido de Ambrose So e agradeceu o gesto.

acho que a empresa de editorial responsável pelo livro tem que ver e estudar a história, ouvir as opiniões locais. Ainda está na fase de consulta, mas penso que não é a versão final. Já falei com a DSEJ para ouvir as opiniões de historiadores portugueses. Penso que esta não vai ser a versão final”, frisou. HOJE MACAU

N

OS últimos tempos houve vozes que questionaram o manual escolar do 10.º ano de História elaborado pela Direcção de Serviços de Educação e Juventude em parceria com uma editora estatal chinesa. Em causa está o facto de alguns opiniões considerarem que alguns episódios que envolvem portugueses e a Admi-

Alexis Tam Fez um grande trabalho

“O Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Vítor Sereno, fez um grande trabalho para a comunidade, não só para a comunidade portuguesa mas também para a chinesa. Foi um trabalho excelente”, afirmou Alexis Tam, secretário para os Assuntos Sociais e Cultural. “Fez um grande trabalho de promoção de Portugal em Macau, não apenas no sector económico e comercial, mas também nas áreas da cultura, turismo, desporto e indústrias criativas”, acrescentou.


6 política

11.6.2018 segunda-feira

O crime que ela disse A juíza Cheong Weng Tong condenou deputado por um crime que não constava na acusação do Ministério Público. A defesa de Sulu Sou considera que suspensão de imunidade não é um “cheque em branco” e que a AL tinha de ser informada para votar uma nova suspensão. Contudo, Neto Valente considera que os tribunais agiram dentro da legalidade

O

deputado Sulu Sou considera que não podia ter sido condenado pela prática de um crime de manifestação ilegal, uma vez que a Assembleia Legislativa apenas suspendeu a sua imunidade para ser julgado pela prática de um crime de desobediência qualificada. Ao HM, Sulu Sou diz que ainda não tomou a decisão sobre se vai recorrer da condenação mas, com base na opinião do seu advogado, considerou a sentença da juíza Cheong Weng Tong ilegal e sem efeito. “Fui suspenso pela Assembleia Legislativa para que a minha imunidade enquanto deputado fosse levantada, de forma a ser autorizado a ser julgado pela alegada prática de um crime desobediência qualificada perante uma ordem da polícia”, começa por explicar Sulu Sou, em comunicado. “No entanto, não fui considerado culpado nem julgado por este alegado crime.

[...] Sabemos que o tribunal julgou-me e condenou-me por um crime diferente: organização de manifestação ilegal. Os deputados estão protegidos por imunidade e não podem ser julgados sem uma deliberação da AL”, sustenta.

O PODER DA AL

Para o deputado, o levantamento da imunidade não é um cheque em branco para que os tribunais possam condenar um membro da AL por qualquer crime. Sulu Sou defende mesmo que se o crime apresentado aos deputados na altura de suspensão fosse diferente, que a discussão seria diferente e haveria outros factores a considerar. “A deliberação [de suspensão do Plenário AL] é limitada à acusação [de desobediência qualificada] e ao conteúdo da carta do tribunal. Se o tribunal queria mudar o tipo de crime, deveria ter informado a AL e esperar que

COUTINHO TRIBUNAL DEVIA TER OUVIDO DEPUTADOS

P

ara José Pereira Coutinho, o tribunal devia ter perguntado à AL se os deputados levantavam a imunidade para o crime de manifestação ilegal. Ao HM, o deputado sublinha que é fundamental garantir a “independência” dos legisladores da RAEM. “O tribunal substituiu-se à AL em violação princípio sagrado de que os deputados só podem ser julgados relativamente a crimes em que os outros deputados os deixam ser julgados. Isto é para proteger a independência dos deputados”, frisou. “ [Os deputados] suspenderam-nos para ser julgado por desobediência: já foi e não foi condenado por este crime, mas por outro sobre o qual a AL não se pronunciou”, apontou

a minha imunidade fosse levantada face a esse crime. O levantamento da imunidade não é um ‘cheque em branco’”, defende Sulu Sou. “Os legisladores têm poder discricionário sobre a suspensão ou não de um colega. E eles votam à luz do crime que é mencionado, como ficou demonstrado no debate [sobre a suspensão na AL]. Diferentes crimes expressam condutas censuráveis diferentes”, sustenta. Sulu Sou considera que o julgamento devia ser anulado: “Não houve uma deliberação da Assembleia Legislativa a levantar a minha imunidade para ser julgado pelo crime de organização de manifestação ilegal. Neste contexto, o meu advogado informou-me que o julgamento violou a lei, sendo por isso nulo e sem efeito, porque eu estava protegido pela imunidade contra todos os crimes, à excepção do crime sobre o qual os outros deputados tinham votado”, é sublinhado.

HOJE MACAU

CASO SULU SOU DEPUTADO CONSIDERA JULGAMENTO NULO E ILEGAL

NETO VALENTE DISCORDA

Por sua vez, o presidente da Associação dos Advogados de Macau afirmou ao HM que discorda da leitura da defesa de Sulu Sou. Segundo Neto Valente, os juízes têm uma liberdade “muito grande” para alterarem o crime pelos quais os arguidos são acusados. “Não. A AL não tem nada de se pronunciar. Não interessa saber se o crime é A, B ou C. O que interessa é a pena aplicável. Portanto com base nisso a deliberação está tomada e não é preciso alterar nada”, disse Jorge Neto Valente, ao HM. “Por esse prisma, não vão [defesa] a lado nenhum”, frisou. “Os juízes têm uma liberdade muito grande na alteração da qualificação. Em matéria de Direito, o tribunal é que sabe. Se ficam provados factos que não são exactamente os que estavam na acusação, ou se têm outro contorno, o tribunal tem a faculdade de alterar a qualificação. Isto não tem problema nenhum”, acrescentou.

O presidente da AAM admitiu também estar à vontade com o cenário de, no plano teórico, poder haver uma acusação por um crime mais grave a um deputado, que depois resulta na condenação por um crime mais leve. “No caso de um deputado ser acusado por homicídio e depois ser condenado por ofensas à integridade física? Tudo bem, o tribunal pode fazer isso. Não pode é de surpresa agravar...não pode agravar factos que são objecto de determinada acusação”, considerou.

“É um assunto que não é jurídico, não vale a pena estarmos a pensar nisto. É um processo com contornos claramente políticos, e a AL não tem de se mexer e o tribunal não tem nada a ver com a

Ao HM, Ho Iat Seng não quis fazer qualquer comentário sobre o caso, enquanto o processo nos tribunais

AL. AAL depois tirará as suas conclusões”, justificou.

ESTATUTO DO DEPUTADO EM RISCO

Contudo, a opinião de alguns especialistas em Direito ouvidos pelo HM, que preferiram não ser identificados, difere da de Neto Valente e o facto da juíza ter alterado o crime levanta dúvidas legais. Em causa está o facto dos deputados, na altura de tomarem uma decisão, só estarem informados sobre a possível prática de um crime de desobediência qualificada. Em teoria, se a acusação


política 7

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HO IAT SENG SEM COMENTÁRIOS

Este é igualmente um dos argumentos de Sulu Sou no comunicado partilhado durante o dia de ontem: “Antes de haver uma alteração do tipo de crime, segundo a lei, a defesa tem de ser informada, assim como a AL. Ao não ter sido feito, não só os meus direitos como arguido, mas também a autonomia e autoridade da AL foram desrespeitadas, uma vez que o poder para haver julgamento de um deputado sobre determinada ofensa está na Assembleia Legislativa e não nos tribunais”, sublinhou o deputado suspenso. O HM entrou em contacto com o presidente da Assembleia Legislativa, mas Ho Iat Seng não quis fazer qualquer comentário sobre o caso, enquanto o processo nos tribunais. O HM tentou igualmente ouvir as opiniões do presidente e secretário da Comissão de Regimento e Mandatos da Assembleia Legislativa, Kou Hoi In e Vong Hin Fai, mas sem sucesso. Os dois são responsáveis pela comissão que propôs a votação da suspensão de Sulu Sou. Apesar de estar acusado pelo crime de desobediência qualificada, Sulu Sou foi condenado a 120 dias de multa pelo crime de manifestação ilegal, em co-autoria com Scott Chiang. Ainda decorre o prazo para a apresentação do recurso, que se prolonga até 18 de Junho. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

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ABITUADOS à “realidade” de turnos de 12 horas, os taxistas estão contra o limite máximo de nove horas diárias de trabalho imposto na proposta de lei que regula o sector. Esta foi pelo menos uma das opiniões transmitidas durante a consulta pública promovida pela 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), que analisa o diploma em sede de especialidade. “Os taxistas estão preocupados que venha a afectar a sua sobrevivência e o seu rendimento”, afirmou o presidente da 3.ª Comissão Permanente da AL, Vong Hin Fai, após a reunião de sexta-feira de balanço das opiniões recebidas durante a auscultação que decorreu entre 28 de Abril a 28 de Maio. Segundo Vong Hin Fai, os taxistas também questionam por que razão outros condutores profissionais, com os de autocarros públicos, não estão sujeitos à mesma imposição. “Segundo o sector, cada turno é de 12 horas. Neste momento, é a realidade”, indicou Vong Hin Fai, para quem o limite de nove horas diárias de trabalho – que não existe actualmente – decorre da “preocupação” do proponente relativamente à “segurança pública” derivada do “cansaço do condutor”. Vong Hin Fai não clarificou, porém, se a opinião manifestada pelos taxistas se coaduna com a lei laboral, que determina que o período normal de trabalho não pode exceder oito horas por dia e 48 por semana. “Se há violação da lei laboral há, de certo, pessoas que vão denunciar”, afirmou. Independentemente de serem taxistas por conta própria ou de trabalharem por conta de outrem todos ficam sujeitos ao limite, sublinhou o presidente da 3.ª Comissão Permanente da AL. “Esta é uma questão a que comissão também tem dado atenção. Como disse senhor secretário, Raimundo do Rosário, no futuro todos vão trabalhar por conta de outrem”, enfatizou. Ora, o facto de a proposta de lei ditar que apenas empresas podem concorrer a uma licença de táxi é outro foco de desassossego. “Há uma preocupação por parte dos taxistas que questionam se essa forma de atribuição

Táxis Agarrados ao ganho Sector contra limite máximo de nove horas diárias

HOJE MACAU

tivesse sido de manifestação ilegal, a decisão do Plenário poderia ter sido outra. “É preciso muito cuidado com este caso para proteger o estatuto de independência dos deputados. Se a situação não for bem analisada, no futuro e em tese, nada impede um deputado de ser acusado pelo crime A, que é altamente detestável e garante o voto de suspensão dos outros legisladores. Contudo depois esse deputado é condenado pelo crime B, que é menos repugnável”, explicou uma das fontes ouvidas pelo HM. “A diferença é que se fosse acusado desde o início pelo crime B, os outros colegas não o suspendiam. Esta situação poderá ser uma mancha no Estatuto dos deputados”, considerou.

[das licenças] consegue acautelar os interesses daqueles que se dedicam por conta própria à actividade”, referiu Vong Hin Fai, indicando não dispor, no entanto, de dados sobre o número de taxistas que integram esse universo.

ANTECEDENTES CRIMINAIS

Outro ponto que merece atenção dos taxistas prende-se com o facto de o diploma vedar o acesso à profissão de pessoas que foram condenadas por determinados tipos de crimes, impossibilitando a sua reinserção na sociedade. “Esperam que o Governo possa reconsiderar porque estão muito preocupados com essa regulamentação”, afirmou o presidente da 3.ª Comissão Permanente da AL.

Os taxistas estão preocupados que o limite de nove horas diárias venha a afectar a sua sobrevivência Os taxistas pronunciaram-se ainda sobre as infracções, havendo vozes a considerar “demasiado frouxa” a norma que dita que quatro infracções graves num período de cinco anos determinam a perda do cartão de identificação do condutor, defendendo

que tal suceda ao fim de três. Por outro lado, indicou Vong Hin Fai, o sector “não percebe” por que razão “não há distinção” entre a prática da primeira infracção e PUB

reincidência na hora da aplicação das multas. Outro ponto elencado pelos taxistas prende-se com a prestação de serviço durante dias de mau tempo, com o

sector a entender que devem receber um extra. “Também sugeriram que o serviço prestado à noite nos dias de tempestade inclua [uma] taxa adicional”, indicou Vong Hin Fai, dando conta de que não foram, no entanto, propostos valores concretos para essas circunstâncias. Entre outros, os taxistas sugeriram também “a intervenção de uma entidade terceira para resolver casos de litígio, através de mediação ou arbitragem, e nos recursos”, indicou o presidente da 3.ª Comissão Permanente daAL. No total, chegaram ao hemiciclo dez opiniões, das quais quatro a título individual, cinco provenientes de associações de taxistas e uma apresentada por um grupo de taxistas após um encontro com os deputados Au Kam San e Ng Kuok Cheong. A3.ª Comissão Permanente daALquer agora reunir com o Governo para ouvir o que tem a dizer relativamente às opiniões do sector para depois formar opinião e manifestar a sua posição, indicou Vong Hin Fai. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo


8 sociedade

11.6.2018 segunda-feira

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COSTA NUNES APENAS PARTE DO RELATÓRIO VAI SER DIVULGADA

O todo sem partes Apenas parte do relatório sobre o caso de alegados abusos sexuais no Jardim de Infância D. José da Costa Nunes vai ser tornada pública RÓMULO SANTOS

relatório da DSEJ sobre o caso de alegados abusos sexuais no Jardim de Infância D. José da Costa Nunes não vai ser tornado público na íntegra, clarificou ao HM fonte da DSEJ. O esclarecimento surge depois de Pereira Coutinho, na qualidade de conselheiro das comunidades portuguesas, ter indicado na sexta-feira, na sequência de um encontro com o director da DSEJ, que Lou Pak Sang “prometeu divulgar publicamente o que aconteceu na escola”. “De acordo com o Código de Procedimento Administrativo, o relatório não vai ser divulgado na íntegra. No entanto, de modo a haver um equilíbrio entre a privacidade das partes interessadas e o direito do público a ser informado, os resultados [da investigação] serão divulgados de forma adequada”, indicou fonte da DSEJ a este jornal.

O conselheiro das comunidades portuguesas invocou um prazo de “45 dias” para o termo da investigação. Contudo, à luz do Código de Procedimento Administrativo, o prazo para a conclusão é de 90 dias, passível de ser prorrogado por outros tantos, pelo que pode atingir um máximo de 180 dias, ou seja, meio ano, nomeadamente devido à complexidade ou à necessidade de fazer intervir outras entidades. O caso do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes veio a público no início de Maio. Até ao momento, foram apresentadas sete queixas junto da Polícia Judiciária. O Ministério Público está a investigar o caso, cujo suspeito se encontra obrigado a apresentar-se periodicamente às autoridades. No encontro com o director da DSEJ, Pereira Coutinho comunicou ainda as “preocupações” dos conselheiros das comunidades portuguesas relativamente ao número de inspectores escolares. “Diz o senhor director que é de aproximadamente dez, o que é manifestamente insuficiente para cobrir a rede escolar no sentido de [se] ter o pulso da situação da gestão interna em termos de segurança e em termos de protecção dos menores nas escolas”. “Isto para nós é muito importante e ele admitiu que, de facto, o número de inspectores não é suficiente, mas [indicou] que tem pedido a colaboração de outros funcionários da DSEJ para fazer esse trabalho”, afirmou Pereira Coutinho, apontando que, “à partida, já não é mau”, mas insistindo ser “preciso melhorar mais esse aspecto”.

O caso do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes foi um dos “principais objectivos” da reunião dos conselheiros das comunidades portuguesas com o director da DSEJ. “Foi uma questão que me preocupou desde o início. As pessoas que têm filhos na escola estão muito preocupadas”, afirmou Pereira Coutinho, dando conta de que lhe foi transmitido que a inves-

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OS PRAZOS

MAIS INSPECTORES ESCOLARES

“De modo a haver um equilíbrio entre a privacidade das partes interessadas e o direito do público a ser informado, os resultados [da investigação] serão divulgados de forma adequada.” DSEJ

S conselheiros das comunidades portuguesas do círculo China, Macau, Hong Kong transmitiram na sexta-feira ao director dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), Lou Pak Sang, “preocupações” com a qualidade do ensino em Macau. Contudo, esqueceram-se de falar dos polémicos manuais de História que, além de uma visão parcial, alegadamente descrevem os portugueses de forma negativa. “Ao longo dos anos, temos tido a percepção de que, de facto, em termos de preparação para os futuros desafios dos jovens em diversos sectores da comunidade em Macau, eles têm algum défice de conhecimentos”, afirmou Pereira Coutinho, aos jornalistas,

tigação a cargo da DSEJ “ainda não está completa”.

Diana do Mar Vítor Ng

info@hojemacau.com.mo

Demasiado queijo

Conselheiros das Comunidades Portuguesas esqueceram-se da polémica com livro de História

após o encontro. Essas falhas verificam-se nomeadamente ao nível da “história de Macau”, da “situação social” ou da “estrutura política”, bem como no “domínio das línguas”, que “é extremamente importante”, observou o também deputado. “O director da DSEJ está ciente e concorda com as nossas posições”, acrescentou.

MANUAIS ENVIESADOS

De fora ficou, porém, a polémica em torno dos manuais de História, elaborados pela DSEJ em cola-

boração com a editora People’s Education Press, que funciona sob a tutela directa do Ministério da Educação da China. “Por acaso, não foi [abordada], porque não nos lembrámos de perguntar”, afirmou Pereira Coutinho, observando que tal será feito, até porque o actual director da DSEJ não só é acessível como tem “grande abertura”. “É preciso ver esclarecida essa questão – não há dúvidas”, insistiu. A produção de manuais de História com conteúdos uniformizados com os da China foi

anunciada, em Novembro de 2016, pelo Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On. Os livros, que vão integrar os currículos do ensino secundário, têm gerado críticas por omitir acontecimentos importantes da História da China como Tiananmen e, no caso da de Macau, por dar uma visão parcial e tendenciosa, incluindo alusões negativas aos portugueses. Segundo o Jornal Tribuna de Macau, que cita dados facultados pela DSEJ, pelo menos 50% das escolas secundárias vão adoptar os manuais que podem começar a ser utilizados já a partir do próximo ano lectivo, ou seja, um ano antes do que tinha indicado Fernando Chui Sai On. D.M.

SCM Mais de 160 alunos terminaram a creche

Um total de 166 crianças finalistas de sete turmas da creche da Santa Casa da Misericórdia terminaram o ano lectivo com uma festa que teve como tema o circo. De acordo com um comunicado, estes alunos “integram várias nacionalidades e partem agora para a etapa seguinte de aprendizagem noutros jardins-escola, levando na bagagem as armas que as educadoras se esforçaram por lhes transmitir, sobretudo noções de autonomia, de convivência e solidariedade”.


sociedade 9

segunda-feira 11.6.2018

ESTACIONAMENTO DSAT ANUNCIA 4500 NOVOS LUGARES ATÉ AO FIM DO ANO

Abaixo a reacção Antes que a reacção popular se extreme, a DSAT revelou que até ao final do ano vêm aí mais 4.500 lugares de estacionamento públicos em seis novos parques

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número de lugares de estacionamento vai aumentar até ao final do ano. A garantia foi dada na sexta-feira pelo director da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), Lam Hin San, numa conferência de imprensa destinada a acalmar os ânimos relativamente à revisão da Lei do Trânsito Rodoviário, cuja consulta pública arranca no próximo dia 28. Num comunicado, com informações complementares, divulgado posteriormente, a DSAT especifica que seis novos parques vão proporcionar um total de 4539 lugares: 2183 para automóveis ligeiros e 2356 para motociclos. Actualmente, segundo estatísticas oficiais, os 45

auto-silos oferecem 15143 lugares para automóveis ligeiros e 11776 para ciclomotores e motociclos. Já nos edifícios privados existem mais de 120 mil lugares de estacionamento, de acordo com a DSAT que adiantou ainda estar a estudar “a construção de auto-silos automáticos em locais adequados”, mas sem facultar detalhes. Os dados surgem na sequência de uma conferência de imprensa relativa à consulta pública sobre a alteração à Lei do Trânsito Rodoviário convocada pela DSAT com sensivelmente uma hora e meia de antecedência. O objectivo? Esclarecer que está tudo em aberto relativamente às

principais alterações à Lei do Trânsito Rodoviário que vão ser colocadas sob consulta pública, tal como anunciado três dias antes.

A MOROSIDADE DO COSTUME

“Vimos a reacção” da população, pelo que “queremos esclarecer a nossa intenção”, afirmou Lam Hin San, falando em eventuais mal-entendidos. “O que pretendemos é ouvir as opiniões”, sustentou, indicando que o documento

“O que pretendemos é ouvir as opiniões.” DIRECTOR DA DSAT

é “apenas uma referência”, estando em cima da mesa somente propostas. Em paralelo, Lam Hin San recordou que o processo é “moroso”, dando o exemplo do novo regime dos táxis, que chegou recentemente à Assembleia Legislativa, ou seja, quatro anos depois da consulta pública. “Tenho que reiterar que o que pretendemos [com a revisão] é assegurar a ordem e segurança rodoviárias”, insistiu o director da DSAT. A revisão da Lei do Trânsito Rodoviário cobre sete vertentes, prevendo, entre outros, a criação de um sistema de cartas de condução por pontos à luz do qual os condutores podem perder

a licença para conduzir caso cometam uma série de infracções, bem como um agravamento das multas nomeadamente no caso de estacionamento ilegal. Neste âmbito, o director da DSAT puxou dos números para traçar o panorama actual. Entre Janeiro e Maio, foram removidos cerca de 700 motociclos deixados ao abandono na via pública, ou seja, mais 30 por cento

em termos anuais homólogos, indicou Lam Hin San, apontando que só não foram retirados mais “devido à escassez de recursos humanos”. A PSP reforçou a ideia, dando conta de que, em 2017, foram cobradas mais de 800 mil multas por infracções por estacionamento ilegal, das quais 500 mil na via pública. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

PEREIRA COUTINHO ESPERA 10 MIL EM PROTESTO

“A

cabem com as multas exageradas” é o slogan da manifestação convocada pelo deputado Pereira Coutinho em reacção à proposta de alteração à Lei do Trânsito Rodoviário, que vai ser submetida a consulta pública no próximo dia 28. “Queremos 10 mil”, afirmou o deputado ao HM, quando questionado sobre as expectativas em relação à adesão do protesto. “Não é pela via de aplicação de multas exageradas que se consegue resolver o problema do estacionamento e do tráfego. As pessoas muitas vezes estacionam [ilegalmente] porque não há alternativa. Agora, o Governo devia dar o exemplo, porque as [suas] viaturas estão a ocupar espaços públicos, quer nos silos, quer na via pública”, argumentou o deputado. O protesto tem concentração marcada para as 14h do próximo Sábado no Jardim Vasco da Gama.

CANÍDROMO IACM ANALISA NOVO PLANO

LAI CHI VUN ALEXIS PROMETE OUVIR OPINIÕES

Canidromo submeteu na sexta-feira um novo plano sobre o destino a dar aos galgos após o encerramento da pista de corridas dentro de pouco mais de um mês.Ainformação foi confirmada ao HM pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) que indicou estar “a analisar” o novo plano entregue pela Companhia de Corridas de Galgos (“Yat Yuen”), após ter chumbado o primeiro, submetido na semana anterior. Isto porque a empresa, que integra o universo da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), pedia uma extensão do prazo de funcionamento do espaço por mais um ano. De acordo com o Jornal do Cidadão, Angela Leong, directora-executiva da

Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau anunciou que vai continuar a ouvir opiniões sobre a conservação dos estaleiros navais de Lai Chi Vun, depois de o Conselho de Património Cultural se ter manifestado contra. De acordo com um comunicado, Alexis Tam disse que "vai continuar a ouvir opiniões de mais peritos" e que o "relatório final da consulta pública será conhecido na próxima semana". O anúncio surge dois dias depois do conselho do Património Cultural de Macau manifestar-se publicamente

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empresa, admitiu que o novo plano não difere muito daquele que já foi rejeitado, mas que propõe mais um ano de prazo para que os donos dos galgos se possam preparar. “Se os galgos puderem ser adoptados dentro de um mês poderemos sair no prazo de um mês”, disse a também deputada. A empresária referiu que há vários espaços que poderão servir de casa aos galgos, mas considerou que o mais importante é que haja pessoas para os adoptar. Stanley Lei, também director-executivo do Canidromo, referiu que o novo plano estará disponível para consulta do público mal haja uma resposta da parte do Governo, prevendo que tal possa acontecer no início da próxima semana. D.M. / V.N.

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contra a classificação dos estaleiros navais de Lai Chi Vun. A posição foi dada a conhecer na quarta-feira pela presidente do Instituto Cultural (IC), Mok Ian Ian. O secretário referiu que os "residentes desconhecem a diferença entre a classificação e o aproveitamento dos estaleiros navais, pelo que vai convidar especialistas e académicos a pronunciarem-se sobre o tema". As opiniões recolhidas pelo IC durante a consulta pública indicam que 80% mostrou-se a favor da classificação do local

e 90% a favor da revitalização, segundo o mesmo responsável. "A classificação dos estaleiros navais implicará a conservação da aparência original dos mesmos, o que poderia impedir outras formas de revitalização", concluiu. Restam actualmente apenas 12 estaleiros em Lai Chi Vun – de onde o último barco saiu há mais de uma década –, depois de dois terem sido demolidos, em Março do ano passado, por “razões de segurança”, e de um outro ter sido arrasado, em agosto, pela passagem do tufão Hato, o mais forte em mais de meio século.


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Pequim Cidade Proibida abriu estúdios de restauro

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Cidade Proibida de Pequim abriu ao público o “hospital de conservação”, onde trabalham 24 restauradores para conservar e reparar a colecção do museu, composta por pinturas, caligrafias, relógios e imagens em bronze, entre outras relíquias. Segundo a agência oficial Xinhua, este “hospital”, que começou a funcionar em 2016, localiza-se na ala oeste da Cidade Proibida e recebeu no sábado os seus primeiros 40 visitantes. “Esperamos que mais pessoas possam aprender a importância da conservação cultural com a abertura deste hospital ao público”, afirmou Shan Jixiang, comissário do antigo palácio imperial chinês. Os estúdios de restauro ocupam 13.000 metros quadrados e são considerados os mais avançados do país. “Abrir os estúdios de conservação ao público é uma boa forma de aumentar a consciência das pessoas para a protecção do património cultural”, referiu um turista de Xangai, Li Husheng, que visitou as instalações no sábado, em declarações recolhidas pela agência Xinhua e citadas pela Efe. Um outro visitante no espaço, de Pequim, disse ter aprendido que o “restauro é uma ciência” A Cidade Proibida, uma das principais atracções turísticas da China, está localizada a norte da praça de Tiananmen. Recebe mais de 14 milhões de visitantes por ano. Para manter o recinto histórico em boas condições, as autoridades decidiram o ano passado limitar em 80 mil o número diário de visitantes.

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ESPRETENSIOSO, um conversador nato, um amante de boa e variada comida mas, sobretudo, de conversas sobre a cultura e os hábitos das pessoas. Assim era Anthony Bourdain, chef de cozinha, e escritor e apresentador de programas de gastronomia. O apresentador da CNN cometeu suicídio esta sexta-feira em França depois de ter atravessado um longo período de depressão e consumo de drogas duras. Em 2011 Bourdain esteve em Macau a gravar um dos episódios do programa da CNN intitulado “Sem Reservas”, que contou com a presença de vários membros da comunidade macaense, tal como Cecília Jorge, que preparou um minchi na sua casa. Anthony Bourdain encontrou-se ainda com o falecido padre Lancelote Rodrigues no Clube Militar, que posteriormente o levou a almoçar na cantina da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC). Francisco Manhão, presidente da APOMAC, recordou ao HM o momento em que o apresentador experimentou o prato macaense caril de quiabos com camarão, por sugestão do padre Lancelote Rodrigues, que adorava essa comida. “Sei que adorou a nossa comida e falamos um bocado sobre a comida macaense e portuguesa também, sobre o que costumamos preparar na cantina da APOMAC”, contou Manhão, que ficou “surpreendido” com a visita de uma personalidade mundial. “Tanto Cecília Jorge como o padre Lancelote Rodrigues acharam que era um bom lugar para ele ficar a conhecer a gastronomia macaense.” O presidente da APOMAC recorda “uma pessoa alegre e divertida”. Também Jorge Fão, outro dirigente da APOMAC, se lembra dessa visita inesperada, apesar de não ter estado presente nesse almoço.

“Não era uma vedeta” ANTHONY BOURDAIN HÁ SEIS ANOS, O CHEF AMERICANO PROVOU MINCHI

Foi com o programa “Sem reservas”, da CNN, que o chef, escritor e apresentador de televisão norte-americano Anthony Bourdain esteve em Macau, em 2011. Comeu caril de quiabos com camarão na cantina da APOMAC e jantou minchi na casa de Cecília Jorge, além de ter experimentado as iguarias chinesas em tascas de rua no Patane. Bourdain cometeu suicídio aos 61 anos em França esta sexta-feira

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA A SOMBRA DO VENTO • Carlos Ruiz Zafón

A Sombra do Vento” é um mistério literário passado na Barcelona da primeira metade do século XX, desde os últimos esplendores do Modernismo até às trevas do pósguerra. Um inesquecível relato sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros, num crescendo de suspense que se mantém até à última página. Numa manhã de 1945, um rapaz é conduzido pelo pai a um lugar misterioso, oculto no coração da cidade velha: O Cemitério dos Livros Esquecidos. Aí, Daniel Sempere encontra um livro maldito que muda o rumo da sua vida e o arrasta para um labirinto de intrigas e segredos enterrados na alma obscura de Barcelona. Juntando as técnicas do relato de intriga e suspense, o romance histórico e a comédia de costumes, “A Sombra do Vento” é sobretudo uma trágica história de amor cujo eco se projecta através do tempo.

“Tudo aconteceu no dia de aniversário de um colega meu. Quando ele estava a almoçar apareceu o Anthony Bourdain acompanhado pelo padre Lancelote Rodrigues. Foi o padre que o levou à APOMAC.” Apesar do privilégio de contar com a presença do apresentador, os dirigentes da APOMAC nunca quiseram usar isso para promoverem o espaço de refeições, que, apesar de receber gente de fora, tem como principal objectivo servir almoços aos associados já idosos. “A APOMAC nunca quis fazer publicidade, não gostamos muito de nos aproveitar

disso. A APOMAC é sempre uma cantina que serve os idosos e os associados, é essa a nossa intenção original. Mas não podemos objectar a entrada de pessoas muito célebres. Isto é bom para a comida macaense, porque acontece a publicidade através de pessoas célebres, porque está em causa o nosso património.”

“ERA FRONTAL, INTELIGENTE”

Cecília Jorge, macaense e autora de inúmeros livros sobre

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

A SALVAÇÃO DE WANG FÔ E OUTROS CONTOS ORIENTAIS • Marguerite Yourcenar

Invulgares, oníricos, com elementos que vão do sobrenatural ao mito e à lenda, estes contos vão beber a inspiração ao Oriente para daí abrirem as suas asas e conseguirem o que apenas a grande literatura consegue: abarcar o mundo, tocar a universalidade. Um pintor assombrado pelas imagens que cria, um herói traído, uma mãe que cuida do filho recém-nascido após a sua própria morte, uma deusa infeliz…Com uma linguagem sublime capaz de desvelar os mais secretos significados, Yourcenar aponta directamente ao âmago da natureza humana e a noções tão fundamentais como a vida e a morte.


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segunda-feira 11.6.2018

é tipicamente chinesa e não dava para fazer muita coisa, é pequena.” A verdade é que Cecília Jorge acabou por confeccionar uma das centenas de opções que existem do minchi. E destaca as diversas dificuldades que a equipa de filmagens teve de enfrentar para conseguir fazer o programa em Macau. “Eles insistiram comigo porque tinham tudo programado e a dada altura as pessoas começaram a desistir. Ele [o editor da CNN em Hong Kong] pediu-me então para lhe ir safando o programa, para não ser um flop. Acabamos por ajudar a fazer um programa que foi sendo adaptado constantemente. Só quem sabe a falta de condições daquela equipa para filmar... julgo que passaram dias sem conseguir comer sequer. E penso que mesmo assim fizeram um programa interessante.” A autora do livro “Os Sabores das Nossas Memórias - A Comida e a Etnicidade Macaense”, entre outros, assume ter aceite o desafio apenas porque gostou do formato do programa de Bourdain, que era conhecido por

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a gastronomia já distinguida pela UNESCO, lembra que o seu encontro com o famoso apresentador foi fruto de um acaso, pois Bourdain nunca foi muito conhecido nesta zona do mundo. “Foi uma situação um bocado maluca. Eu e o meu filho João trabalhávamos no jornal Macau Daily Times, e nós não tínhamos quase tempo livre para acompanhar pessoas. Não sabíamos quem ele era, porque em Macau não

tínhamos acesso ao programa. O que aconteceu é que o editor da CNN em Hong Kong me pediu ajuda para ser consultora no programa, para que desse esse contexto sobre a gastronomia macaense.” Cecília Jorge e o filho, João Jorge Magalhães, artista e designer, acabaram por ser guias gastronómicos de Bourdain, mostrando-lhe o que de melhor tem a comida macaense e chinesa. Além da cantina da APOMAC, o

Morreu a primeira Bond Girl

A atriz britânica ficou mais conhecida por ter interpretado o papel de Sylvia Trench nos filmes "007-Dr-No", em 1962, e "007 - From Russia with love", no ano seguinte. Michael G Wilson e Barbara Broccoli, produtores da série Bond, confessaram estar "particularmente tristes por saber que Eunice Gayson, a primeira "Bond Girl", que representou Sylvia Trench no 'Dr No' e '007- From Russia with Love', morreu". Gayson nasceu em Surrey, no sudeste de Inglaterra,em 1928. Além dos filmes de Bond, a atriz participou em filmes de terror, da produtora Hammer, e em séries de televisão como "O Santo". Eunice Gayson retira-se do cinema em 1972, com 44 anos.

apresentador passou pelo restaurante Fernando, em Coloane, e por várias tascas de rua na zona da Ribeira do Patane. “O João, como conhece esse sítios todos acabou por ir. No fim insistiram numa coisa que eu tinha dito desde o inicio que não participava, que cozinhasse na minha casa e servir uma refeição. Eu tinha dito desde o inicio que a minha cozinha era uma vergonha porque em Macau

“A abordagem que ele fez da comida foi interessante. Foram-se conseguindo mais pessoas [para o programa] para dar o cunho local sobre a maneira de se viver em Macau. Tive dois a três dias com ele e era uma pessoa extremamente interessante como ser humano.” CECÍLIA JORGE

experimentar todo o tipo de comida, desde a mais gourmet aos pratos de rua, servidos em tascas. “O formato do programa agradou-me desde o inicio e percebi que seria uma boa maneira de abordar a gastronomia macaense e Macau, no fundo. Aceitei por causa disso,

sem saber quem ele era e qual seria a dimensão e o impacto.” Além disso, Bourdain “era frontal, inteligente, culto, vivido. Não era vedeta”, acrescenta a autora. “A abordagem que ele fez da comida foi interessante. Foram-se conseguindo mais pessoas para dar o cunho local sobre a maneira de se viver em Macau. Tive dois a três dias com ele e era uma pessoa extremamente interessante como ser humano.” Mesmo quando almoçou na APOMAC, o apresentador da CNN destacou-se pela conversa e pela abertura em conhecer um novo tipo de gastronomia. “Ele não experimentou muita coisa. Ele gostava de conhecer pessoas e a cultura, através da gastronomia ele queria saber como é que os povos vivem. Serviu mais em termos de conversa sobre questões culturais ligadas à comida do que propriamente para provar este ou aquele prato.” Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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ANÚNCIO [N.º 88/2018]

NOTIFICAÇÃO EDITAL

N.º do Boletim de candidatura 82201322959 82201338908 82201311475 82201342422 82201336873 82201307698

Nome

Considerando que se revela ser impossível notificar, nos termos do n.º 1 do artigo 72.º do Código de Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, os indivíduos abaixo mencionados, por ofício, telefone, pessoalmente ou outra forma , Lai Kin Lon, Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho (DIT), manda que se proceda, nos termos do n.º 2 do artigo 11.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M – “Regime geral das infracções administrativas e respectivo procedimento”, conjugado com o n.º 1 do artigo 93.º do CPA, à notificação dos mesmos, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do dia seguinte ao da publicação da presente notificação edital, entregar nestes Serviços a defesa e as alegações escritas em relação às eventuais infracções:

82201342989

LAO KA MENG

1. Processo n.º 2033/2017: CHEN WEIHAO (titular de Título de Identificação de Trabalhador Não Residente), é suspeito do exercício pessoal e directo de actividade em proveito próprio, sem autorização administrativa para esse efeito, cometendo eventualmente infracção à alínea 4) do artigo 2.º, conjugada com o n.º 1 do artigo 3.º do Regulamento Administrativo n.º 17/2004 – “Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal”. Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º do mesmo Regulamento, o eventual infractor pode ser punido com multa de $20 000,00 (vinte mil patacas) a $50 000,00 (cinquenta mil patacas). Ao mesmo tempo, nos termos do artigo 10.º do mesmo Regulamento, o eventual infractor também pode estar sujeito à sanção acessória de impedimento de exercício de qualquer actividade laboral na RAEM por um período de dois anos.

82201323487 82201312515

CHAN KA LEONG 82201300590 CHANG HOU MAN 82201334697

82201321122

NG TEK LON

82201303419

82201338659 82201303551 82201327287 82201311376 82201300846 82201308663

AO IEONG WAI I LOK KIN HOU CHAU SIN HENG CHIO KUONG FOK XU WENFENG NG TENG FONG HUANG XIAOLONG

82201310449 82201316010 82201317851 82201311365 82201333319 82201309036

Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar os candidatos de habitação económica abaixo indicados, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro: Nome PAU WAI LON WONG SAO MAN LAO IO MAN CHAN SOK IN LEI KAM IAN DAY PHONE SEIN SAMSON BRADY MARK CHAN CHI FONG TANG KUONG SAM CHI KEONG MATEUS LEONG SEK PAN UN KUOK MAN SOU KUN KUN PANG KAI LEONG LEONG I MAN LO CHAO PENG LEUNG PENG SAN

No: 25/2018

(nota de acusação)

82201328338

N.º do Boletim de candidatura WONG SI WAI 82201320516 LIN DONGLIANG 82201341142 LAI HO PAN 82201305110 AO IEONG LAI WA 82201319431 LOI WAI TENG 82201330478 WONG TAN NA 82201301809 82201312972

82201325528

Dado que os candidatos acima indicados foram seleccionados na lista com a ordenação, nos termos do artigo 26.º da Lei n.º 10/2011 (Lei da habitação económica), alterada pela Lei n.º 11/2015, é necessário realizarse a apreciação substancial, pelo que este Instituto informou os candidatos acima indicados, através de ofícios, para se dirigirem pessoalmente ao Instituto de Habitação (IH) às horas fixadas nos respectivos ofícios, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura, porém, os ofícios não foram recebidos e foram devolvidos. Assim, os candidatos acima indicados devem dirigir-se pessoalmente ao IH Rua do Laboratório nº. 39, Edifício Cheng Chong, D R/C, Macau, antes do dia 3 de Julho de 2018, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura. Nos termos da alínea 2) do n.º 1 do artigo 28.º da lei acima indicada, caso verifique que os candidatos não apresentem os documentos indicados, dentro do prazo fixado, os adquirentes seleccionados serão excluídos do concurso. Para mais informações poderão dirigir-se pessoalmente ao IH, nas horas de expediente ou consultar através do telefone n.o 2859 4875. Instituto de Habitação, aos 31 de Maio de 2018 O Presidente, Arnaldo Santos

2. Processo n.º 2778/2017: SHUM PAK HO (titular de Bilhete de Identidade de Residente de Hong Kong), é suspeito do exercício pessoal e directo de actividade em proveito próprio, sem autorização administrativa para esse efeito, cometendo eventualmente infracção à alínea 4) do artigo 2.º, conjugada com o n.º 1 do artigo 3.º do Regulamento Administrativo n.º 17/2004 – “Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal”. Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º do mesmo Regulamento, o eventual infractor pode ser punido com multa de $20 000,00 (vinte mil patacas) a $50 000,00 (cinquenta mil patacas). Ao mesmo tempo, nos termos do artigo 10.º do mesmo Regulamento, o eventual infractor também pode estar sujeito à sanção acessória de impedimento de exercício de qualquer actividade laboral na RAEM por um período de dois anos. 3. Processo n.º 2057/2017: XIE RUGUANG (titular de Título de Identificação de Trabalhador Não Residente), tendo autorização para permanecer na RAEM na qualidade de trabalhador, é suspeito de ter prestado actividade a empregador diferente daquele para o qual foi autorizado a trabalhar. Nos termos da alínea 2) do n.º 5 do artigo 32.º da Lei n.º 21/2009 – “Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes”, o eventual infractor pode ser punido com multa de $5 000,00 (cinco mil patacas) a $10 000,00 (dez mil patacas). 4. Processo n.º 554/2018: Sociedade de Obras de Decoração SAI TAT (Nº. DE REGISTO: SO 55523), é suspeita de ter autorizado a colocação de um trabalhador não residentes ao serviço de outra não autorizada para o efeito, cometendo eventualmente infracção ao n.º 2 do artigo 9.º do Regulamento Administrativo n.º 17/2004 – “Regulamento sobre a Proibição do Trabalho Ilegal”. Nos termos da alínea 2) do n.º 1 do artigo 9.º do mesmo Regulamento, a eventual infractora pode ser punido com multa de $10 000,00 (dez mil patacas) a $40 000,00 (quarenta mil patacas). 5. Processo n.º 2056/2017: HUANG ZHAOHUA (titular de Título de Identificação de Trabalhador Não Residente), tendo autorização para permanecer na RAEM na qualidade de trabalhador, é suspeito de ter prestado actividade a empregador diferente daquele para o qual foi autorizado a trabalhar. Nos termos da alínea 2) do n.º 5 do artigo 32.º da Lei n.º 21/2009 – “Lei da Contratação de Trabalhadores Não Residentes”, o eventual infractor pode ser punido com multa de $5 000,00 (cinco mil patacas) a $10 000,00 (dez mil patacas). Os eventuais infractores acima mencionados poderão, dentro das horas de expediente, levantar a respectiva nota de acusação no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado n.ºs 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1º andar, Macau, sendo-lhes também facultada a consulta dos respectivos processos, mediante requerimento escrito. Findo o prazo acima referido, a falta de apresentação da defesa escrita é considerada como tendo sido efectuada, de facto, a audiência do eventual infractor. Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 04 de Junho de 2018. O Chefe do D.I.T., Substituto, Lai Kin Lai


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segunda-feira 11.6.2018

EUA/COREIA DO NORTE CHINA “APOIA” CIMEIRA MAS COM “RESERVAS”

Esperança e cepticismo

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professor chinês de Relações Internacionais Wang Li afirma que, “no geral”, a China apoia a cimeira entre Coreia do Norte e Estados Unidos, admitindo existirem algumas “reservas” face à aproximação de Pyongyang a Washington. “Apesar de existirem diferentes visões sobre o envolvimento da China na península coreana (…) o papel da China na desnuclearização e estabilidade da região é tido como incontornável”, disse à agência Lusa, dias antes da cimeira, Wang, formado em Ciência Política pela universidade inglesa de Aberdeen, e professor na Universidade de Jilin, província chinesa situada junto à fronteira com a Coreia do Norte. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o seu homólogo da Coreia do Norte, Kim Jong-un, reúnem-se na terça-feira, em Singapura, num encontro histórico que ocorre depois de, em 2017, as tensões terem atingido níveis inéditos desde o fim da Guerra da Coreia (1950-53), face aos sucessivos testes nucleares de Pyongyang e à retórica beligerante de Washington. Wang sustenta que, apesar de “alguns cépticos” temerem que

a cimeira enfraqueça o papel da China e que uma possível reunificação da península coreana venha a constituir uma ameaça para o país a longo prazo, Pyongyang vai continuar a depender de Pequim. “A RPDC [República Popular Democrática da Coreia, nome oficial da Coreia do Norte] pre-

De braços bem abertos Xi saúda alargamento de fórum regional à Índia e Paquistão

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Presidente chinês, Xi Jinping, saudou a entrada da Índia e do Paquistão na Organização de Cooperação de Xangai, cuja reunião decorreu em contraste com a cimeira do G7. Xi deu as boas-vindas ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e ao Presidente do Paquistão, Mamnoon Hussain, afirmando que a presença destes é de “um grande significado histórico”. O líder chinês falava durante a abertura da cimeira da OCX, na cidade portuária de Qingdao, norte da China. Os dois países aderiram àquele bloco como membros permanentes no ano passado. “Mais estados-membros significa mais força para a organização, assim como mais atenção e expectativas dos povos dos países da região e da comunidade internacional”, disse Xi, acrescentando que o país partilha, “também, grandes responsabilidades na manutenção da segurança e estabilidade regionais e na promoção do desenvolvimento e prosperidade”.

O bloco liderado por Pequim é visto como uma tentativa de desafiar a ordem global assegurada pelo ocidente. O grupo é dominado pela China e Rússia e inclui ainda o Cazaquistão, Uzbequistão, Quirguistão e Tajiquistão. Fundado em 2001, foi inicialmente concebido como um mecanismo de resolução de disputas fronteiriças, de luta antiterrorismo e, de forma mais implícita, para contrariar a influência norte-americana na Ásia Central, após a invasão do Afeganistão. Nos últimos anos, o fórum ganhou uma componente mais económica, impulsionado pela iniciativa chinesa “Nova Rota da Seda”, um gigante projeto de infraestruturas que visa reativar as antigas vias comerciais entre a China e a Europa através da Ásia Central. O projecto não é bem recebido por todos os membros do bloco, particularmente a Índia, que recusou apoiá-lo. Também a Rússia está cautelosa face à crescente in-

cisa da China como tremenda retaguarda estratégica, que funciona desde aliado ideológico, parceiro político, fornecedor de apoio económico e tecnologia, modelo institucional até janela para o mundo exterior”, defende. O académico recorda ainda que Kim Jong-un precisa de uma

fluência da China, pelo que, apesar de ter apoiado a iniciativa, está também a tentar expandir a sua preponderância política e económica na região, através de uma união aduaneira designada União Económica da Eurásia. A China desvalorizou preocupações de que a organização visa projectar a influência de Pequim no exterior. O Global Times, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, afirmou em editorial que, ao contrário das organizações ocidentais como a NATO e o G7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo), que procuram “consolidar a ordem económica global favorável ao ocidente”, a Organização de Cooperação de Xangai é inclusiva. “Não se trata de um instrumento para jogos de geopolítica, de procura de hegemonia ou de engrenagem em confrontação internacional”, lê-se. Mas à medida que as disputas comerciais com Washington se agravam, Pequim têm-se aproximado mais de Moscovo e Nova Deli. Na sexta-feira, Xi ofereceu ao presidente russo, Vladimir Putin, a primeira Medalha de Amizade da China, numa cerimónia em

retaguarda forte na aproximação a Donald Trump, por “motivos simbólicos e reais”. Pequim e Pyongyang combateram lado a lado contra os EUA na Guerra da Coreia e a relação entre os dois países costumava ser descrita como sendo “unha com carne”. Nos mapas chineses impressos até há cerca de 20 anos, a península coreana correspondia a apenas um país, a RPDC, com a capital em Pyongyang. Seul tinha então o estatuto de cidade de província. No entanto, a insistência do regime norte-coreano em desenvolver um controverso programa nuclear levou Pequim a afastar-se do país, consciente que este representava um embaraço para a sua diplomacia e uma fonte de instabilidade regional. No entanto, os dois lados reaproximaram-se, à medida que Kim embarca numa ofensiva diplomática e põe a hipótese da desnuclearização, em troca de garantias de segurança. Em Março passado, Kim Jong-un visitou Pequim e encontrou-se com o Presidente chinês, Xi Jinping, na sua primeira visita ao

estrangeiro desde que assumiu a liderança da Coreia do Norte, há mais de seis anos. Menos de dois meses depois, Kim voltou a reunir-se com Xi, na cidade chinesa portuária de Dalian, no nordeste do país, numa cimeira surpresa. Wang explica que a China “precisa de estabilidade e paz nas suas fronteiras”. Caso a península seja pacificada, Pequim “pode então concentrar as suas energias” no Mar do Sul da China, que reclama quase na totalidade - apesar dos protestos dos países vizinhos -, e em Taiwan, cujos laços com o continente se deterioraram desde a eleição da Presidente Tsai Ing-wen, pró-independência, afirma Wang. Outra vantagem no regresso ao diálogo na península é “a promoção da imagem da China como mediadora da paz e grande potência responsável”, diz o académico, numa altura em que Pequim abdica do tradicional perfil discreto na cena internacional e reclama a liderança na governação de questões globais. “A China é o principal país a defender o diálogo a seis na península”, que envolve ainda Rússia, EUA, Japão, Coreia do Sul e Coreia do Norte, “se essa proposta avançar, será verdadeiramente um grande sucesso para a imagem internacional da China”, conclui Wang.

CRÉDITO DE 30 MIL MILHÕES PARA REFORÇAR COESÃO

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Presidente chinês, Xi Jinping, anunciou ontem empréstimos no valor de 30.000 milhões de yuan para reforçar a coesão económica com a Rússia, países da Ásia Central, Índia e Paquistão. As linhas de crédito serão estabelecidas através de um consórcio interbancário e ajudarão a “construir um potente motor para alcançar o desenvolvimento e a prosperidade comuns, melhorando a complementaridade das nossas estratégias de desenvolvimento”, detalhou Xi, durante a abertura da cimeira da Organização

de Cooperação de Xangai, grupo de cooperação nas áreas económicas e de segurança. O líder chinês apelou ainda ao reforço da cooperação regional em matéria de segurança, com um plano de luta contra o terrorismo, separatismo e extremismo, que inclui a realização de manobras militares conjuntas. Xi afirmou que a China vai treinar 2.000 efectivos das forças de segurança dos países vizinhos, durante os próximos três anos, e mais 3.000 pessoas nas áreas da cultura, educação, ciência e tecnologia ou

Pequim. No sábado, Xi reuniu com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, pela segunda vez em dois meses, tendo assinado acordos comerciais e de partilha de informação sobre as águas do rio Brahmaputra, que corre entre os dois países.

turismo. O Presidente chinês destacou que desde a formação do grupo, há 17 anos, “alcançou-se uma forte associação que não se dirige contra terceiros”. O “espírito de Xangai”, que deu mote à criação da organização “superou mentalidades antigas, como da luta de civilizações e a guerra fria”, advogando por um mundo “mais democrático nas relações internacionais”. Xi apelou aos países membros e países observadores que se “oponham à busca da segurança para si em prejuízo dos outros”.

A aparição altamente coreografada de Xi Jinping na abertura do fórum, marcou um contraste claro com a cimeira do G7, que terminou no sábado no Canadá, tendo ficado marcada pelas crescentes fricções entre os Estados Unidos e os seus aliados em torno do comércio.


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11.6.2018 segunda-feira

E por vezes as noites duram meses. E por vezes os meses oceanos Paulo Maia e Carmo texto e ilustração

Da ética do pintor J

EAN-FRANÇOIS Millet (1814-1875) nasceu numa família de lavradores empenhados na religião católica e o modo como pintou a dignidade da dureza do trabalho no campo resultaria dessa sua relação próxima com a terra e os seus trabalhadores. Haveria uma afinidade com o seu percurso biográfico que se traduzia na sensação de sinceridade sem sentimentalismo que se desprende do seu trabalho. Nele convive a descrição da dureza desse trabalho com a suavidade das linhas arredondas das suas personagens. Uma aparente ambiguidade que espelha a sua experiencia vital: «Os aspectos alegres da vida nunca me aconteceram, não sei o que são. As coisas mais felizes que conheço são a calma e o silêncio.» Em duas das suas pinturas «As respigadoras» e «O descanso dos ceifeiros» que também é designado como «Rute e Booz» há uma chave de interpretação da sua concepção dessa harmonia silenciosa que não era só do homem com a natureza. Na história bíblica de Rute, a moabita, está presente a minuciosa ética do povo judeu relativa ao trabalho do campo. O proprietário da terra, após feita a colheita, deveria deixar que os frutos, as uvas ou as azeitonas deixadas ou esquecidas na terra, fossem recolhidas e destinadas aos órfãos, às viúvas e aos estrangeiros. Era o direito do pobre, prescrito pelo próprio Deus (Lv 19, 9-10 e Dt 24,19). No percurso de Rute, a estrangeira, existe a rejeição e o acolhimento o que pode ser visto como uma analogia da compreensão com que Millet pintou o trabalho duro no campo com as suas linhas curvas e suaves. A busca de uma adequação entre a ética e a estética nem sempre aparece clara na história da pintura mas podemos encontrá-la, por exemplo, na China do século catorze. Como muitos outros que se negaram a aceitar a chegada de um novo poder, Yang Weizhen (1296-1370) funcionário imperial, pediu a demissão após a queda da dinastia Yuan (1279-1368), saiu de Hangzhou onde servia o estado e retirou-se para as montanhas Fuchun, e como outros intelectuais defendeu o valor da integridade do pintor: «as qualidades e os defeitos da pintura dependem da elevação ou da mediocridade moral do homem», escreveu. Na verdade, a virtude moral ultrapassa o virtuosismo do trabalho do pintor. No Livro dos Ritos, a que a literatura sobre a pintura sempre se refere, está escrito: «O que se consegue pela virtude é superior; o que se consegue por ofício é inferior.» Para Millet, quando pintava os trabalhadores do campo, como para certos pintores da tradição chinesa, a arte era inseparável da experiencia de uma provação que desperta a aguda consciência das dificuldades do Outro, e no seu trabalho transparece esse respeito pela qualidade moral do homem, a sua bondade.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

segunda-feira 11.6.2018

Ofício dos ossos Valério Romão

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ESTA vez foi o Bourdain. Sem que nada o previsse, decidiu fazer check out. Para nós, que assistimos à morte alheia do conforto do sofá, é incompreensível. Quase todos trocaríamos os nossos empregos das nove às seis para fazer o que ele fazia: viajar pelo mundo, conhecer pessoas e comidas diferentes e falar sobre essas experiências. Aparentemente, ele tinha concretizado – pelo menos profissionalmente – o sonho que move a maior parte de nós e ao qual muito raramente logramos chegar. Não sei da história clínica do Bourdain. Não interessa. Um tipo para pôr fim à vida não precisa de história clínica. Esta só serve para prover uma explicação mais convincente – havendo antecedentes – para algo que em si já comporta a sua própria explicação: não dá mais. A morte voluntária é a derradeira das saídas. O caminho que se toma quando nenhum outro parece fazer sentido. E quanto a isto, o mundo divide-se em dois. Há aqueles que percebem ou tentam perceber este acto tão radical e esses, de algum modo, já sentiram o peso dessa sombra, mesmo que de muito longe. E há os outros, que munidos de uma camada extra de resistência ou de certa forma imunes ao canto desta sereia, não encontram justificação para a escolha de Bourdain. A diferença entre uns e outros é que os primeiros não podem regressar ao estado de perplexidade dos segundos, enquanto que estes, a qualquer momento, podem vir a compreender os primeiros. A nossa peculiar constituição assenta num pilar inequívoco: desde que nos conhecemos que estamos destinados a tomar conta de nós. Como se cada um se levasse a si próprio ao colo em direcção ao futuro. Este tomar conta de si próprio não implica que se façam sempre as melhores escolhas, implica apenas que a vida tem uma estrutura temporal e que o sujeito navega dentro dessa estrutura por via das decisões que toma. Das mais simples – como refugiar-se do sol em

Não dá mais dias de calor – até às mais sofisticadas – escolher uma profissão e traçar planos para que essa escolha se cumpra. A desistência é, ela própria, uma escolha. Por muitas escolhas que façamos e por muito acertadas que estas pareçam ser, podemos ficar sempre aquém do sentido mínimo exigível para continuarmos por cá. Por muito que façamos e por muito escudados que nos encontremos pelos nossos sucessos e pelas nossas conquistas, podemos encontrar-nos expostos a uma dor de tal magnitude que nenhuma carapaça lhe é impermeável. Essa dor, tenhamo-la perfilhado ou descoberto, faz ninho no coração e fala-nos ao ouvido. Exige de nós uma atenção que não estamos em condições de lhe recusar. Como o cavalheiro de que Eça fala algures, interpela-nos travando-nos pelo braço. É essa dor que podemos carregar vida fora como um segredo ou como uma medalha. Podemos fazer tudo para minorar os seus efeitos ou podemos entregar-nos a ela. Ou, como humanos que somos, uns dias uma coisa, uns dias

Para os que ficam, para os que nos amam e não compreendem esta decisão, percebam que mais não era possível, que fizemos o que estava ao nosso alcance, que a nossa maior tristeza é abandonar a festa muito mais cedo do que gostaríamos. Mas não dava mais

outra. Mas um dia, depois de muito lutar, depois de muito fingir que nada se passa, encontramo-nos frente a frente com ela e, nesse dia, decidimos que não lhe daremos um segundo mais de vitória. Levamo-la pela mão, sorrimos o sorriso dos resolutos e atiramo-nos ri-

banceira abaixo. Para os que ficam, para os que nos amam e não compreendem esta decisão, percebam que mais não era possível, que fizemos o que estava ao nosso alcance, que a nossa maior tristeza é abandonar a festa muito mais cedo do que gostaríamos. Mas não dava mais.

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ANÚNCIO [N.º 89/2018] Para os devidos efeitos, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, é por este meio notificado o candidato a habitação económica abaixo indicado: Nome

N.º do boletim de candidatura

FUNG CHEUNG LEE

81201313092

Dado que o candidatos acima indicado foi seleccionado da lista de ordenação, nos termos do artigo 26.º da Lei n.º 10/2011 (Lei da habitação económica), alterada pela Lei n.º 11/2015, é necessário realizar-se a apreciação substancial, pelo que este Instituto informou o referido candidato, através de ofício, para se dirigir pessoalmente ao Instituto de Habitação (IH) à hora fixada nos mesmos, para apresentar os originais dos documentos comprovativos, no sentido de se efectuar a verificação das informações declaradas no boletim de candidatura; porém, o ofício não foi recebido, tendo sido devolvido. Assim, o candidatos acima indicado deve dirigir-se pessoalmente ao IH Rua do Laboratório nº. 39, Edifício Cheng Chong, D R/C, Macau, antes do dia 19 de Junho de 2018, para apresentar os originais dos documentos comprovativos, no sentido de se efectuar a verificação das informações declaradas no boletim de candidatura, sendo, em caso contrário, suspenso o procedimento de selecção durante 3 meses após a data acima mencionada; caso apresente os documentos comprovativos necessários durante o período de suspensão, o respectivo procedimento será reiniciado por este Instituto; caso não os apresente durante este prazo, o adquirente seleccionado será excluído do concurso por este Instituto. Nos termos da alínea 2) do n.º 1 do artigo 28.º da lei acima indicada, caso o candidato não apresente os documentos indicados, dentro do prazo fixado, o adquirente seleccionado será excluído do concurso. Para mais informações poderá dirigir-se pessoalmente ao IH, nas horas de expediente ou contactar através do telefone n.º 2859 4875. Instituto de Habitação, aos 31 de Maio de 2018.

O Presidente, Arnaldo Santos


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11.6.2018 segunda-feira

Anúncio 【73/2018】 Nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notificam-se, por este meio, do seguinte, os candidatos a habitação económica constantes da tabela anexa: O não preenchimento dos requisitos de acesso à compra das fracções após apreciação, ou a falta de apresentação dos documentos exigidos para a apreciação substancial no prazo fixado, determina, nos termos das alíneas 1) e 2) do n.º 1 do artigo 28.º da Lei n.º 10/2011 (Lei da habitação económica)*, alterada pela Lei n.º 11/2015, a exclusão do concurso dos adquirentes seleccionados. Os referidos candidatos a habitação económica podem apresentar justificação escrita e todas as provas testemunhais, materiais, documentais ou demais provas que sejam favoráveis ao seu contraditório, no prazo de 10 dias, a contar da data de publicação do presente anúncio. Caso não seja apresentada justificação escrita no prazo fixado, ou a mesma não seja aceite por este Instituto, nos termos das alíneas 1) e 2) do n.º 1 do artigo 28.º da referida Lei, os adquirentes seleccionados são excluídos do concurso. Em caso de dúvidas, poderá dirigir-se ao Instituto de Habitação, sito na Estrada do Canal dos Patos, n.º 220, Edifício Cheng Chong,L,R/C, Macau, durante as horas de expediente, ou contactar a Sr.a Lei, através do telefone n.º 2859 4875 (Ext. 744), para consulta do processo. Instituto de Habitação, aos 5 de Junho de 2018.

Nome do requerente

CHEOK PENG IN*

Número do boletim de candidatura

81201300576

LAM CHUN KIT*

81201311871

CHEONG TAK CHENG CHIO LAI CHAN UN WAI KAI LIO TAI MUI CHAN KIN IONG LEONG IO MAN LEONG KA CHON LAM WENG I NG MAN TOU LEI CHENG LOU CHI KUAN LAM IOK SO FAI YUEN WONG SAO KAM CHAN KAM MAN CHAN HOI CHEONG CHE WUN WAN CHAN MIO NGAN CHONG LAI WUN TSANG CHON MAN IEONG CHI SAN CHEONG CHI IP MOK CHIO KUAN LEONG KIM PENG ZHU YONGCHENG LEONG NGOK MENG FONG KUOK PENG WONG ON NA IONG SIO PENG LEONG PUI TOU LEONG HONG WAI

82201328258 82201340768 82201341264 82201304395 82201322026 82201310097 82201307998 82201329667 82201308629 82201305271 82201323053 82201334446 81201308386 81201305520 81201301645 81201305689 82201320949 82201312861 82201335568 82201323863 82201335612 82201311370 82201338641 82201305522 82201303719 82201337785 82201307306 82201316326 82201304139 82201314869 82201318605

O Chefe da Divisão de Assuntos Jurídicos, Nip Wa Ieng Anexo Número do processo

Fundamento de facto

O total do rendimento mensal do agregado familiar é inferior ao montante constante da tabela I do Despacho do 416/EAS/2018 Chefe do Executivo n.º43/2013 - o limite mínimo do rendimento mensal para ag regados familiares de 1 elemento é de 7 820 patacas

Fundamento de direito

*De acordo com o n.º 2 do artigo 14.º, n.º 1 do artigo 16.º e alínea 1) do artigo 28.º da Lei n.º 10/2011(Lei da habitação económica) (Aplicável no momento da candidatura)

* De acordo com a Não foram alínea 8) do n.º 1 do apresentados, dentro artigo 20.º e alínea 2) do prazo fixado, do artigo 28.º da Lei 134/EAS/2018 os documentos n.º 10/2011 (Lei da necessários para a habitação económica) candidatura (Aplicável no momento da candidatura) 352/EAS/2016 333/EAS/2017 458/EAS/2017 573/EAS/2017 580/EAS/2017 581/EAS/2017 677/EAS/2017 797/EAS/2017 819/EAS/2017 820/EAS/2017 846/EAS/2017 07/EAS/2018 De acordo com o n.º 3 33/EAS/2018 Não foram 36/EAS/2018 apresentados, dentro do artigo 26.º e alínea 2) do n.º 1 do artigo 28.º da 37/EAS/2018 do prazo fixado, 43/EAS/2018 os documentos Lei n.º 10/2011 (Lei da 46/EAS/2018 necessários para habitação económica), 60/EAS/2018 a apreciação alterada pela Lei n.º 77/EAS/2018 substancial 11/2015 98/EAS/2018 174/EAS/2018 186/EAS/2018 242/EAS/2018 404/EAS/2018 409/EAS/2018 464/EAS/2018 471/EAS/2018 476/EAS/2018 519/EAS/2018 555/EAS/2018 911/EAS/2018

ANÚNCIO [N.º 87/2018] Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar os candidatos de habitação económica abaixo indicados, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro: Nome

N.º do Boletim Nome de candidatura

N.º do Boletim de candidatura

WONG CHIO SENG

81201304354

CHAN KA LEI

81201300688 CHU WENG SI

82201330383

IEONG KA WENG

81201302275 LEI CHO CHENG

82201301223

FONG CHI HOU

81201311356 LEONG SI MAN

82201332995

KOU KIT PENG

81201306300 CHAN LAI WENG

82201310966

CHAN SIN TENG

81201306511 HOI KUAI IENG

82201309973

CHAN KIM FONG

81201302899 MA KAI WAI

82201325937

U TAK KEI

81201309381 KOK MENG CHI

82201320945

HO KUOK FAI

81201309335 LEI MAN TONG

82201302304

LEUNG WAI IP

82201325345 FU KIN WA

82201323970

SIU KIT YING

82201322586 LEONG KA LON

82201334201

CHEANG CHOI MENG

82201338789

BALAGOT RODRIGO 82201301200 SALVA

MAK KIN WAI

82201301272

CASTANHEIRA DO VALE SILVA RITA

LONG SENG MAN

82201337179 CHIO KAM CHAO

82201319822

LO HEI MAN

82201314013 LEONG FONG LIN

82201321498

IP WENG KEI

82201316205 KUOK IN HONG

82201309243

WONG KAM SENG

82201303285

CHEONG WENG MOU

82201309343

LEUNG CHI WAI TONY

82201310639

82201333184

Dado que os candidatos acima indicados foram seleccionados na lista com a ordenação, nos termos do artigo 26.º da Lei n.º 10/2011 (Lei da habitação económica), alterada pela Lei n.º 11/2015, é necessário realizarse a apreciação substancial, pelo que este Instituto informou os candidatos acima indicados, através de ofícios, para se dirigirem pessoalmente ao Instituto de Habitação (IH) às horas fixadas nos respectivos ofícios, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura, porém, os ofícios não foram recebidos e foram devolvidos. Assim, os candidatos acima indicados devem dirigir-se pessoalmente ao IH Rua do Laboratório nº. 39, Edifício Cheng Chong, D R/C, Macau, antes do dia 3 de Julho de 2018, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura. Nos termos da alínea 2) do n.º 1 do artigo 28.º da lei acima indicada, caso verifique que os candidatos não apresentem os documentos indicados, dentro do prazo fixado, os adquirentes seleccionados serão excluídos do concurso. Para mais informações poderão dirigir-se pessoalmente ao IH, nas horas de expediente ou consultar através do telefone n.o 2859 4875. Instituto de Habitação, aos 31 de Maio de 2018 O Presidente, Arnaldo Santos


desporto 17

KARTING JOÃO AFONSO FOI QUINTO NO ASIÁTICO

J

OÃO Afonso alcançou o quinto lugar no Campeonato Asiático de Karting, na prova realizada ontem no kartódromo de Coloane. Apesar de ter como objectivo chegar ao top três, o karting não permitiu ao piloto macaense ir mais longe. “Antes do Asiático encomendei um carro para este campeonato, mas não chegou a tempo. Por isso tive de utilizar o karting com que corro há dois anos, que está desactualizado face à concorrência. Realmente não houve mesmo ritmo para me chegar mais à frente”, disse João Afonso, piloto ao HM.Apróxima ronda do Asiático está agendada para o próximo mês nas Filipinas e o piloto já deverá ter o carro novo.

No que diz respeito ao Campeonato da China de Karting, o piloto conseguiu o segundo lugar, na corrida final. Contudo, a prova ficou marcada por um acidente do piloto, na segunda corrida de qualificação. “Na primeira corrida de qualificação fiquei em primeiro. Na segunda tive um acidente, quando estava a passar de sétimo para sexto e tive de recuperar tudo de novo. Ainda consegui chegar ao 11.º lugar”, explicou João Afonso. “Como a qualificação é o somatório das duas mangas, ainda arranquei de terceiro e consegui estar na frente durante 15 voltas. Contudo o segundo classificado ultrapassou-me e eu não consegui voltar a ultrapassá-lo”, contou.

Shenzhen venceu torneio da Academia do Sporting

A formação da Escola Primária Meiyuan de Shenzhen conquistou o torneio de sub-13, organizado pela Academia do Sporting de Macau no Campo D. Bosco, no Sábado. No segundo lugar ficou a equipa AET ARKsports de Hong Kong, seguida pela Academia do Sporting de Macau, Escola Portuguesa de Macau, FYFC de Zhuhai e, no último lugar, a equipa titulada pelo Instituto do Desporto, Futebol de Macau. “Foi um dia em grande para o futebol de Macau, com equipas bem organizadas, com um bom nível, a proporcionarem bons jogos”, considerou Nuno Capela, técnicos dos leões.

Taça da China Vítor Pereira perde a abrir ‘quartos’

O Shangai SIPG, orientado pelo português Vítor Pereira, perdeu ontem por 2-1 no terreno do Beijing Guoan, em jogo da primeira mão dos quartos de final da Taça de futebol da China. O espanhol Jonathan Vieira colocou a equipa da casa em vantagem, aos 14 minutos, mas ainda antes do intervalo, aos 34, o brasileiro e ex-portista Hulk repôs a igualdade. O golo que garantiu o triunfo do Beijing Guoan foi apontado pelo avançado espanhol Soriano, aos 63 minutos, na conversão de uma grande penalidade. O encontro da segunda mão está agendado para 25 de Julho, em Xangai.

TATIANA LAGES

segunda-feira 11.6.2018

LIGA DE ELITE BENFICA ESTÁ A UMA VITÓRIA DE ASSEGURAR O PENTA

Glória mais perto

As águias poderiam ter chegado ao título já este fim-de-semana, mas a vitória do Chao Pak Kei diante do Monte Carlo, por 5-0, adia a questão para Domingo. Mesmo assim, nesta jornada, os encarnados cumpriram a sua função e venceram os Serviços de Alfândega por 5-0

O

Benfica derrotou na sexta-feira os Serviços de Alfândega por 5-0 e está a uma vitória do pentacampeonato. A vitória na Liga de Elite poderia mesmo ter ficado selada no Sábado, caso o Chao Pak Kei tivesse cedido pontos diante do Monte Carlo, mas a equipa que ocupa o segundo lugar venceu os Canarinhos por 5-0 e adiou a decisão para a próxima jornada. No Estádio de Macau, as águias não facilitaram e colocaram-se na frente do marcador, logo aos dois minutos de jogo. Iuri Capelo foi servido na direita do ataque das águias, arrancou para o interior da área adversária e tirou um cruzamento rasteiro. Nesse momento surgiu o goleador da equipa Carlos Leonel a emendar para o 1-0. Mais nove minutos de jogo e os encarnados marcaram o

2-0. Um golo que mostra a razão da Alfândega ocupar o último lugar da Liga de Elite. Após um cruzamento na direito do ataque do Benfica, a bola sobra para Nikki Torrão. O internacional por Macau consegue ganhar espaço, de costas para a baliza, e tirar mais um cruzamento, desta vez na esquerda. O guardião Ieong ainda tentou sair à bola, mas falha o soco e serve Carlos Leonel. Com muita calma o avançado das águias dominou a bola, tirou Ieong da jogada e rematou para o 2-0. Finalmente aos 22 minutos, o encontro ficou sentenciado

com o terceiro golo do encontro, que acabou com as esperanças de uma recuperação dos Serviços de Alfândega. Mais uma vez a defesa dos serviços ficou a dormir, permitiu um primeiro remate de Lei Chin Kin, que Ieong afastou com todo o mérito, mas a bola sobrou novamente para Carlos Leonel. À frente da baliza o encarnado limitou-se a fazer o que sabe melhor, marcar, e apontou o 3-0. Na segunda parte o sentido único do jogo não se alterou. Nikki Torrão aos 47 minutos, após um cruzamento para a área de Lei Chin Kin, apontou o 4-0.

Antes do final do jogo houve ainda tempo para confusão dentro de campo. Lam Man Keong desarmou em falta Titto, e o jogador do Benfica perdeu o controlo

O mesmo jogador voltou a bisar já em cima do minuto 90.

CONFUSÃO ENTRE JOGADORES

Antes do final do jogo houve ainda tempo para confusão dentro de campo. Lam Man Keong desarmou em falta Titto, e o jogador do Benfica perdeu o controlo, saindo disparado atrás do atleta da Alfândega. Valeu a calma de alguns jogadores, que evitaram que os empurrões e insultos escalassem para algo mais. Como consequência, Lam, que assumiu uma postura mais passiva no caso, viu o segundo amarelo e foi expulso. Titto viu o vermelho directo. No outro jogo que interessava para as contas do título, o C.P.K. goleou o Monte Carlo, também por 5-0, com golos de Alexandre Matos, Lam Ka Seng, Diego Patriota, Danilo e César Felipe. Num altura em que estão nove pontos em disputa, o Benfica de Macau tem sete de vantagem para o Ka I. Por isso, em caso de uma vitória nos três jogos que falta disputar, as águias asseguram matematicamente o título. O próximo encontro dos encarnados está agendado para o próximo Domingo, às 20h30, no Estádio de Macau, diante do Monte Carlo. Por sua vez, o C.P.K. joga no mesmo dia, com a Polícia, às 18h30. Um deslize do Chao Pak Kei também pode assegurar o título das águias. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


18 (f)utilidades POUCO

?

NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Quarta-feira

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HUM

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EXPOSIÇÃO | INAUGURAÇÃO DE “VERTICAL RECLAMATION OF INDIVIDUAL SPACES”, DE ANA ARAGÃO Casa Garden | 18h30

Sexta-feira

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CINEMA | “GOD’S CHILDREN ARE IN LOVE”, DE FRANCIS LEE Cinemateca Paixão | 21h30 CONCERTO | A NIGHT OF JAZZ BLUES POP ROCK Live Music Association | A partir das 22h00

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Um filme de: J.A. Bayona Com: Chris Pratt, Bryee Dallas Howard, BD Wong, Jeff Goldblum 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 2

Um filme de: Doug Liman Com: Aaron Taylor-Johnson, John Cena 17.00, 21.45

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Takashi Yamazaki

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5 6 4 7 8 9 2 3 1

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31 Sábado CINEMA | CURTA-METRAGEM “PROJECTO MIÚDOS” 6 3 Paixão 7 |514h001 9 2 4 8 Cinemateca 8 2 | VINTAGE 4 7MUSIC6NIGHT3- SKA9ROCKABILLY 1 5PUNK CONCERTO Live Music Association | A partir das 21h00 9 1 5 2 8 4 7 3 6 WORKSHOP 2 4 | RHYS 8 LAI6- WORKSHOP 5 1 FOR3 7 9 PARENTS AND CHILDREN Fundação Cunha3 | Das2 15h008às 16h30 7 6Rui 9 1 5 4 1 5 3 9 4 7 8 6 2 Domingo CINEMA | CURTA-METRAGEM “PROJECTO MIÚDOS” 5 7 Paixão 2 |114h009 6 4 8 3 Cinemateca 3 8 6 4 7 2 5 9 1 4 9 1 8 3 5 6 2 7 Cineteatro C I N E M A 9 8 1 2 4 3 7 6 5

4 2 7 6 9 PARK: FALLEN KINGDOM 5JURASSIC 6 3 4 1 3 9 5 2 8 6 CODE 8 GEASS 1 LELOUCH 3 OF5THE REBELLION II - TRANSGRESSION [C] 9 1 6 7 4 7 4 9 8 2 1 7 8 5 6 CHUNIBYO 8 LOVE 5 OTHER 2 DEKUSIONS 1 3[B] AND 2 3 4 9 7 Com: Masato Sakai,Mitsuki Takahata 19.15 SALA 3

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Goro Taniguehi Com: Jun Fukuyama, Takahiro Saurai, Yukana, Ami Koshimizu 14.30, 17.00, 21.30

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Tatsuya Ishihara 19.30

EURO

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BAHT

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1.26

A FOME DOS OPORTUNISTAS

CINEMA | “WHAT TIME IS THERE?”, DE TSAI MING-LIANG Cinemateca Paixão | 19h30

CONCERTO | UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 20h00

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VIDA DE CÃO

CINEMA | “CHILDHOOD MEMORIES”, DE HOU HSIAO Cinemateca Paixão | 19h30

Quinta-feira

75-90%

O CARTOON STEPH 32 DE

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 32

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36 7 6 2 1 5 3 8 6 4 9 1 8 2 5 3 9 1 4 6 7 9 8 7 4 6 2 4 5 8 1 5 3 3hojemacau. 7www. 9 2 com.mo

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PROBLEMA 33

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32últimos dias subiram de tom os Nos ataques à Polytex por causa do Pearl Horizon. Empresários, deputados e ex-deputados, que têm em comum o facto de serem os grandes beneficiados pelo orçamento da RAEM e de alguns terem votado a favor da Lei de Terras, mostram um nível de indignação pouco visto. Para o observador comum, restam poucas dúvidas de que se trata de uma acção concertada com a Administração. Objectivos? A nível geral ilibar o Governo das suas responsabilidades e, na vertente particular, conseguir um grande contrato público, uma licença de jogo ou pagar um favor. A promiscuidade do costume. Não colocando em causa as responsabilidades da empresa, não podemos ignorar o papel vergonho do Governo. Durante 25 anos, apesar dos atrasos nas obras, tudo foi permitido às promotoras e construtoras. A própria 34 Administração sabe da sua responsabilidade. E a maior confissão foi feita pela DSSOPT, quando chantageou a Polytex, exigindo à empresa que abdicasse do seu direito de recorrer aos tribunais, a troco da licença de obras. Esta exigência não só é um abuso do poder público, como mostra o medo no Governo de Chui Sai On. Que um deputado com as responsabilidades de Kou Hoi In, presidente da Associação Comercial de Macau, se preste a defender abusos públicos face a empresas privadas, mostra bem a subserviência que existe entre as elites. Mas também depois do triste papel que assumiu na aparente tentativa de condicionamento dos tribunais no caso Sulu Sou, a conduta não é propriamente uma surpresa. João Santos Filipe

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4 9 8 5 3 2 7 9 1 4 5 3 2 6 7 8 1 7 4 6 3 2 5 9 8 6 5 3 2 1 Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia 7Propriedade 8 Mota; 1Fábrica 3deNgNotícias, 9 Lda Director Margarida Vitor Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio 9José 4 Valério 6 Romão 7 Colunistas 2 António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia Fonseca; dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária 1de redacção 6 4e Publicidade 8 5Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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segunda-feira 11.6.2018

opinião 19

MIGUEL ESTEVES CARDOSO

FRANCISCO LOUÇÃ

In Público

In esquerda.net

T

“

INHA os olhos tristes”, dizia alguém. Mas toda a gente que se suicida fica com os olhos tristes. “Estava doente, se calhar” diz outra pessoa. A primeira coisa a fazer é respeitar o suicídio de Anthony Bourdain. Ele era uma pessoa honesta. Podíamos confiar nele. O suicídio é um acto de honestidade. Diz-nos que ele preferiu morrer a continuar vivo. O suicídio também é uma acção egoísta e violenta, muitas vezes zangada. Não é uma acção passiva. Devemos a Anthony Bourdain esta clareza. Ele já nos mostrou como se sente. Sentiu-se com vontade de morrer. E matou-se. Ficámos surpreendidíssimos – e é essa surpresa que nos choca e entristece. Mas não podemos confundir esse choque com luto. Luto é o sofrimento causado às pessoas que o conheciam e amavam. Bourdain escolheu deixá-las. A decisão foi dele. Aquilo que o levou a tomar essa decisão não nos é devido. Embora seja humano especular, diminui a decisão do suicídio. Se estava muito doente, pensamos, então está tudo explicado, está tudo bem, o mundo continua a girar sobre o eixo, passemos à tragédia seguinte. Nós não temos direito a essa explicação, a essa reposição da tranquilidade. Suponhamos que a decisão do suicídio tenha sido tomada quando ele estava bêbado. Vem dar ao mesmo: é uma das muitas más decisões que tomou quando estava bêbado. Bourdain não se arrependia. Não pedia desculpa. Não prometia transformar-se nem redimir-se. Ele era assim. E era assim que nós gostávamos dele. Anthony Bourdain foi um inovador. No livro Kitchen Confidential deu com a língua nos dentes. Disse a verdade. Mostrou como se fazia teatro na restauração falando dos actores e da vida dos actores. Não foi só uma questão de revelar os podres da profissão: também devolveu a humanidade à profissão. Na obra televisiva que prolongou a atitude do livro ousou falar ao público como se falasse a um bom amigo. Não cultivou ambiguidades nem compadrios:

MILLER MOBLEY

Paz à alma grande de Anthony Bourdain

A lição de Saramago sobre a eutanásia

J

a falta de pretensões tem uma longa história culinária. A honestidade não. Anthony Bourdain foi um inovador. A inovação dele foi a honestidade e a independência. Foi pena haver tão poucas pessoas que seguiram o exemplo dele. O mundo da comida,

Devemos respeitar a morte de Anthony Bourdain: é o mínimo que podemos fazer por ele. Ele nunca se armou em herói ou estrela do rock n’roll. Ou só se armou um bocadinho que até tem graça. Foi uma pessoa honesta que disse a verdade e que soube partilhar o que descobriu

da cozinha e da restauração está cada vez mais aldrabão, mais promíscuo e mais hipócrita. É por isso que Bourdain vai fazer falta. Porque ainda há pouca gente como ele, em que se possa confiar que não está a mentir e que não está a dizer uma coisa porque está a fazer um favor ou recebeu dinheiro para dizê-la. Bourdain tinha um espírito genuinamente aberto, disposto a aprender mas também disposto a não aprender, a ficar confuso, a ficar na dúvida, a ficar na mesma. As viagens dele são notáveis porque nunca sabemos como ele vai reagir. Às vezes corriam mal – e ele mostrava-nos como e quanto. A tragédia dessa espantosa honestidade foi não ter feito escola. As pessoas que se encontravam com Bourdain tentavam influenciá-lo mas ele nunca se deixava enganar. Foi obstinadamente fiel à verdade dele, à inteligência dele e ao gosto ecléctico que explorava tão bem.

OSÉ Saramago, entrevistado em televisão por Ana Sousa Dias como só ela sabia fazer, contava a história de um velho camponês que, à beira da morte, pediu aos familiares que o ajudassem a antecipar o fim porque não suportava mais o sofrimento irremediável. Ele sabia o que queria e eles, os familiares, ajudaram-no por amizade, explicava Saramago, porque respeitaram a sua decisão, mesmo se a choravam. Acrescenta Saramago: é isso que explica a escolha de Ramon Sampedro, o marinheiro tetraplégico que, em Espanha, lutou pelo direito a terminar a sua vida. As suas “Cartas do Inferno” mostravam como, não se podendo mover, achava que estava condenado a uma sobrevivência degradante e por isso pedia ajuda para morrer. Mais Saramago: “Ninguém tem o direito de dizer a uma pessoa, você vai ficar aí, ligado a esses tubos e, por isso, devemos aceitar-lhe a morte se é isso que a pessoa quer”. “Não matamos”, continua, mas respeitamos quem nos diz “por favor ajudem-me”. Saramago fala de bondade e de um direito que entende irrecusável. Percebo que a sua visão não seja aceite pelo Cardeal, por Cavaco Silva, por Assunção Cristas, por Jerónimo de Sousa, uns porque acreditam que a vida é um dom divino e outro porque pensa que a medicina vai a caminho de garantir a perpetuidade. São consciências e portanto respeitáveis. Ninguém deve questionar os seus motivos. Mas é bastante esta razão íntima que os leva a recusarem o pedido de alguém que não quer prolongar uma vida condenada e em sofrimento? Não deveria ela valer para si mesmos e não ser imposta a outros? Saramago respondia que cada pessoa sabe de si e esse é o princípio único da liberdade. A lição de Saramago é esta: respeita a liberdade das outras pessoas.

A lição de Saramago é esta: respeita a liberdade das outras pessoas Tudo o resto, o ajuste de contas dentro do PSD contra Rui Rio e Balsemão, as homilias inflamadas em igrejas, as manifestações do PNR, a política que promete a vida eterna, isso não vale nada. Nada disso vale hoje, não existirá amanhã. Mas a lição de Saramago ficará sempre.


É a vitimização que corrói o mundo e a preguiça que lhe ateia fogo. Gustavo Santos

METRO LIGEIRO GIT DIZ QUE FORAM DEFINIDAS SANÇÕES PARA EMPRESA

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O Cheong Kei, coordenador do Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes (GIT) respondeu a uma interpelação da deputada Song Pek Kei garantindo que já estão definidas sanções a aplicar à concessionária pública que vai operacionalizar o metro ligeiro. “Foram definidos, no contrato de prestação de serviços celebrado com a MTR (Macau), os critérios de avaliação do seu desempenho e as cláusulas sancionatórias a implementar nas situações em que não estejam em conformidade com as exigências de trabalho. O Governo e a futura Companhia de Operação do Metro Ligeiro irão proceder, periodicamente, à avaliação dos trabalhos efectuados pela MTR (Macau), para que fiscalize, de forma rigorosa, a referida empresa”, pode ler-se. Além disso, o GIT garante que será o Executivo a definir os valores dos bilhetes, sendo que ainda não há uma decisão final quanto ao valor. “O Governo irá estabelecer o regime tarifário do metro ligeiro. Posteriormente, com a coordenação da operadora, e tendo em conta variados factores em análise, serão definidos os preços finais dos bilhetes.” No que diz respeito ao recrutamento de recursos humanos, o GIT garante que não haverá dificuldades a este nível. “A operadora do metro ligeiro também elaborará planos específicos de recrutamento e formação de pessoal, entre os quais irá garantir a participação do pessoal local, melhorar o seu domínio técnico e preparar o caminho para o desenvolvimento gradual do metro ligeiro.” O Governo deposita também esperança na entrada em vigor do novo regime do ensino superior, em Agosto deste ano, para que se possam suprimir eventuais dificuldades a este nível. “A nova lei do ensino superior irá entrar em vigor em Agosto de 2018, o que irá criar condições para permitir às instituições do ensino superior estabelecer, de forma mais flexível, cursos de diferentes tipos, acreditando-se que isto as ajudará a se articular com os trabalhos de formação de pessoal da operadora do metro ligeiro conforme as necessidades.” A.S.S.

PALAVRA DO DIA

Noves fora nada Lesados do Pearl Horizon rejeitam propostas da Polytex

O

Governo propôs, os deputados apoiaram e a Polytex agiu. De acordo com o jornal All About Macau, já foram apresentadas duas propostas aos lesados sobre a devolução dos montantes que já foram pagos para a aquisição das fracções que nunca serão construídas. Uma das propostas tem como objectivo devolver em forma faseada aos compradores o montante no prazo de três anos que ficou decidido no contrato de compra e venda da fracção, sendo que, por ano, a empresa se compromete a devolver dez por cento do montante pago pelas famílias ou investidores. Só depois desses três anos é que os lesados poderão receber os restantes 70 por cento do valor, além de que a Polytex promete pagar 15 por cento aos lesados como compensação adicional. A segunda proposta prendem-se com a devolução do montante no prazo de dois anos, sendo que a empresa compromete-se a pagar aos lesados 20 por cento do valor por cada ano, estando previsto o pagamento de 60 por cento do restante montante depois desses dois anos, na última prestação. Os responsáveis da Polytex afirmaram no comunicado que, caso obtenham a compensação de 60 mil milhões de patacas junto do Governo, poderão utilizar esse fundo para pagar aos lesados que optem pela primeira opção. A empresa acrescentou ainda que a relação jurídica de compra e venda estabelecida aquando da assinatura dos contratos terminará quando os lesados escolherem a segunda opção e quando o dinheiro for totalmente devolvido.

PUTIN DISPONÍVEL PARA TRUMP

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Quem aceitar uma das propostas apresentadas pela Polytex terá que mostrar essa intenção junto da União Geral dos Proprietários do Pearl Horizon, através do preenchimento de um documento.

PORTA-VOZ NEGA PROPOSTAS

Em declarações ao jornal Ou Mun, Kou Meng Pok, presidente da União Geral dos Proprietários do Pearl Horizon, admitiu que nenhuma proposta apresentada pela empresa lhe enche as medidas e já disse que não vai aceitar o que foi sugerido, pois não são sinceras nem protegem os direitos e interesses de quem adquiriu as casas aos lesados em pleno período de construção do edifício. Kou Meng Pok defendeu ainda o pagamento de indemnizações por parte da Polytex e reitera que gostaria de ter acesso às fracções construídas. Em declarações ao HM, Kou Meng Pok adiantou que os lesados vão reunir com os accionistas da empresa de Hong Kong, sendo que há alguns proprietários que preferem ter o dinheiro devolvido na totalidade.

Nas redes sociais, um lesado queixou-se que foi impedido pela associação de pedir a devolução do montante, mas Kou Meng Pok rejeitou que tenha existido proibição. “Ainda não está clara a forma como vai ser devolvido o dinheiro e não temos coragem para deixar as pessoas aceitarem os procedimentos”, explicou. A publicação Macau Concelears noticiou também que a administração do jornal Ou Mun rejeitou publicar um anúncio assinado pelos lesados do Pearl Horizon, o que os levou a optar pelo Jornal do Cidadão. Kou Meng Pok negou estar envolvido nesse assunto mas disse compreender que tenha existido uma nega por parte do jornal Ou Mun. Ontem Sulu Sou, deputado suspenso e membro da Associação Novo Macau, emitiu um comunicado onde pede que a Polytex devolva os pagamentos no termo da lei e que emita uma indemnização aos lesados. Além disso, é exigida a responsabilidade do Governo neste caso. A.S.S./V.N.

Ténis Nadal não acha mal que mulheres ganhem menos do que os homens O tenista espanhol Rafael Nadal disse numa entrevista que considera justo que os tenistas do sexo masculino ganhem mais dinheiro do que as do sexo feminino. “É justo que no ténis as mulheres ganhem tanto quanto os homens?”, questionou a jornalista Antonella Baccaro. Nadal respondeu que “é

uma comparação que nem sequer devia ser feita”, alegando que “as modelos ganham mais que os colegas [do sexo masculino] mas ninguém diz nada”. Tudo “porque elas têm mais seguidores”. “No ténis acontece o mesmo, ganha mais quem mobiliza mais público”, referiu na entrevista.

segunda-feira 11.6.2018

Presidente russo, Vladimir Putin, disse ontem estar pronto para se encontrar com o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, assim que os Estados Unidos “estiverem prontos”. “Assim que o lado do norte-americano estiver pronto, esse encontro acontecerá, mediante a minha agenda”, declarou Vladimir Putin, que falava aos jornalistas à margem da Organização de Cooperação de Xangai, na cidade portuária de Qingdao, norte da China. O governante russo salientou que “o próprio Presidente norte-americano disse e reiterou que essa é uma reunião útil”. “Posso confirmar que isso é verdade”, acrescentou. Questionado sobre uma possível localização do encontro, Vladimir Putin indicou que isso ainda não tinha sido discutido, mas que “muitos” países estavam prontos a acolher a cimeira entre os dois países, incluindo a Áustria. “É apenas uma questão técnica”, considerou. Ainda assim, notou que, “é importante que quando existem reuniões desse tipo, quando ocorram, haja um assunto concreto”. Donald Trump tem vindo constantemente a dizer que pretende melhorar as relações entre Washington e Moscovo. Já na semana passada, de acordo com a publicação norte-americana Wall Street Journal, o Presidente russo pediu ao chanceler austríaco, Sebastian Kurz, durante uma visita a Viena, que o ajudasse a organizar o encontro. Apesar das sanções europeias contra a Rússia, a Áustria continuou próxima de Moscovo e, ao contrário de outros países europeus, não expulsou o embaixador russo no país. Entretanto, e também falando aos jornalistas à margem da Organização de Cooperação de Xangai, Vladimir Putin ressalvou que não foi decisão da Rússia deixar o grupo de nações industrializadas (G8), que deu agora origem ao G7. Apesar disso, disse que os países que compõem aquela estrutura são “bem-vindos” à Rússia. A Rússia foi expulsa em 2014 após ter anexado a Crimeia e ter manifestado apoio aos separatistas pró Rússia na Ucrânia. Porém, na sexta-feira, Donald Trump defendeu o regresso da Rússia ao encontro anual, que reúne as sete economias mais industrializadas do mundo, introduzindo mais um factor de tensão às reuniões.


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Hoje Macau 11 JUN 2018 #4069 by Jornal Hoje Macau - Issuu