DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
h
CIMEIRA
ABRE-TE CHINA
MOP$10
QUINTA-FEIRA 11 DE ABRIL DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4268
MARÉ ANSIOSA LUÍS CARMELO
DA TRISTEZA ANTÓNIO CABRITA
hojemacau
GRANDE PLANO
Os eleitos da AL PÁGINA 4
DSSOPT
POSTA EM CAUSA PÁGINA 6
Depois do sarampo, a rubéola. Dos 15 casos registados este ano, 14 surgiram desde o início do mês. Sete dos infectados
trabalham em unidades hoteleiras. Os Serviços de Saúde admitem a possibilidade de estarmos perante um surto da doença.
HABITAÇÃO ECONÓMICA
Concurso dividido
HOJE MACAU
PÁGINA 7
PÁGINA 5
JOGO
AMEAÇA DE LUXO PÁGINA 13
PLANEAMENTO
Luta contra as cheias ÚLTIMA
CHAN MENG KAM | O PODER DO CONHECIMENTO PÁGINAS 8-9
www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau
Novas erupções
COMISSÃO ELEITORAL
2 grande plano
11.4.2019 quinta-feira
CIMEIRA UE | CHINA
MUITA PARRA, O Governo chinês garantiu, em Bruxelas, que vai continuar a promover a “abertura” do país ao capital estrangeiro, nomeadamente vindo da União Europeia, facilitando o acesso em vários sectores e ouvindo reclamações das empresas sobre estas dificuldades
“A
China vai continuar a abrir-se mais [ao exterior]. A abertura trouxe grandes progressos à China e vai agora auxiliar a reforma do país, eventualmente levando a uma prosperidade que servirá de boas-vindas às empresas, nomeadamente as europeias”, vincou o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, falando aos jornalistas
após a cimeira bilateral entre aquele país e a União Europeia (UE). As declarações foram feitas após a cimeira bilateral entre a UE e a China realizada na terça-feira em Bruxelas. Na cimeira participaram os presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, Jean-Claude Juncker e Donald Tusk, respectivamente, assim como primeiro-ministro chinês, Li Keqiang. Marcaram ainda presença a Alta Representante da UE para a Política Externa, Federica Mogherini, e o vice-presidente da Comissão Europeia para o Emprego, Crescimento, Investimento e Competitividade, Jyrki Katainen. Insistindo que “a abertura é uma característica deste Governo e é algo que vai continuar”, Li Keqiang apontou que, em Junho, será divulgada “uma nova lista negativa”, estabelecendo os sectores aos quais os investidores estrangeiros não podem ter livre acesso, que “será muito mais curta”. “Isto vai permitir que as empresas, não só as europeias, como de outras partes do mundo, beneficiem de igual tratamento no acesso ao mercado”, à semelhança das companhias nacionais, observou. Também visando “melhorar o ambiente de negócios” na China, Li Keqiang comprometeu-se a criar um “mecanismo legal de reclamações para que, num determinado espaço, as empresas indiquem as dificuldades com que estão a lidar [no acesso ao mercado], de forma a criar um panorama mais justo”. Isto porque, “durante a cimeira, falava com os presidentes [da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e do Conselho Europeu, Donald Tusk] e disseram-se que alguns investidores se queixam de que, para aceder ao mercado chinês, têm de ultrapassar uma série de obstáculos e de dificuldades”, justificou o governante. Também falando na conferência de imprensa, Jean-Claude Juncker notou que “é necessário encontrar um maior equilíbrio e nível de reciprocidade” entre o mercado europeu e chinês. “A Europa quer negociar mais e investir mais na China, mas precisamos de
EMPRESAS EUROPEIAS QUEREM “RESULTADOS CONCRETOS”
regras que nos permitam fazê-lo”, salientou, pedindo a remoção de barreiras. Numa declaração conjunta divulgada após a ocasião, foram assumidos compromissos como a mobilização de esforços para a reforma da Organização Mundial de Comércio (OMC) e a intensificação de conversações bilaterais sobre subsídios industriais e sobre condições de igualdade nos acessos
aos mercados. Porém, não é dito como isso será feito, pelo que, para traçar a cooperação nesta área do comércio, a China e a UE vão “reunir-se assim que possível”, de acordo com o documento. Falando sobre a questão dos subsídios, Li Keqiang disse aos jornalistas estar disponível a “discuti-los com a UE”. Numa cimeira que os analistas já esperavam ter poucos resultados,
foram ainda reafirmados compromissos na área da cibersegurança, do combate às alterações climáticas e da defesa.
TECNOLOGIA DE PONTA
O primeiro-ministro chinês sublinhou que as companhias chinesas “não podem ser discriminadas” nos mercados europeus, nomeadamente nas infra-estruturas de quinta geração móvel (5G). “Acho que é
grande plano 3
quinta-feira 11.4.2019
POUCA UVA importante tratar as empresas tecnológicas de forma equitativa […]. As empresas chinesas não podem ser discriminadas na sua actividade na UE, devem beneficiar de presunção de inocência”, sublinhou o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, falando em conferência de imprensa após a cimeira, que decorreu em Bruxelas. Aludindo à polémica relacionada com a fabricante chinesa
Huawei, que é acusada de espionagem industrial nos dispositivos 5G, Li Keqiang sublinhou que “não houve, até agora, nenhuma queixa formal”. “Acreditamos, por isso, que as empresas devem ser tratadas de forma igual”, reforçou. Reagindo às declarações do governante chinês, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, notou que a polémica relacionada com a Huawei não foi abordada “especificamente” na cimeira, e vincou que “a UE não está a apontar o dedo a empresas específicas ou a determinados países” na questão do 5G. “Somos um mercado aberto e todos podem operar, desde que respeitem as regras”, referiu, assinalando a necessidade de combinar “segurança e inovação, duas áreas que estão interligadas”. Já recordando as recomendações sobre as redes 5G feitas, no final de Março, por Bruxelas aos Estados-membros, pedindo uma avaliação dos riscos cibernéticos e permitindo-lhes excluir dos seus mercados empresas “por razões de segurança nacional”, Jean-Claude Juncker insistiu que as medidas em causa “não são contra a China”. “Já tornámos isso claro”, adiantou. Numa declaração conjunta, a UE e a China apontam, também, que “o direito internacional e, em particular a Carta das Nações Unidas, é aplicável e é essencial para a manutenção paz e estabilidade no ciberespaço”. Assente ficou o compromisso de haver um “comportamento estatal responsável no ciberespaço”, assim como um reforço contra “actividades maliciosas no ciberespaço, inclusive no que toca à protecção da propriedade intelectual”. “As redes 5G serão a espinha dorsal de futuros desenvolvimentos económicos e sociais”, pelo que “a UE e a China se congratulam com os progressos e os novos acordos”, adiantam na declaração conjunta. Também intervindo na conferência de imprensa, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, observou que as negocia-
“A abertura trouxe grandes progressos à China e vai agora auxiliar a reforma do país, eventualmente levando a uma prosperidade que servirá de boas-vindas às empresas, nomeadamente as europeias.”
LI KEQIANG PRIMEIRO-MINISTRO CHINÊS
ções com a China “foram difíceis, mas profícuas” e apontou que “a direcção para esta parceria é baseada em esforços e no sucesso mútuo”. Ainda assim, Donald Tusk assinalou que a UE “não esquece a questão dos direitos humanos, que é tão importante como os interesses económicos”, pelo que a União voltou a mostrar-se “seriamente preocupada” com esta questão na China.
DE OLHO NO BREXIT
A China e os Estados Unidos seriam os países que mais beneficiariam de um ‘Brexit’ sem acordo, enquanto a União Europeia e a Turquia poderiam ser os mais prejudicados, segundo um estudo divulgado ontem pela ONU. A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) publicou um estudo sobre as consequências para a economia internacional com a saída do Reino Unido da União Europeia (UE).
“A Europa quer negociar mais e investir mais na China, mas precisamos de regras que nos permitam fazê-lo.” JEAN-CLAUDE JUNCKER PRESIDENTE DA COMISSÃO EUROPEIA
A China, o maior exportador mundial, poderia ganhar 10,2 mil milhões de dólares com vendas adicionais ao Reino Unido, seguindo-se os Estados Unidos, com um crescimento das suas exportações de 5,3 mil milhões de dólares, de acordo com os dados do relatório. No estudo refere-se que a aprovação de um ‘Brexit’ sem acordo poderia beneficiar também o Japão, Tailândia, África do Sul, Índia, Brasil, Rússia, Vietname, Argentina e Nova Zelândia. Por outro lado, prevê-se no estudo que a União Europeia perderia 34,5 mil milhões de dólares em exportações para o Reino Unido, enquanto a Turquia poderia sofrer uma redução de vendas de 2,4 mil milhões de dólares. A Coreia do Sul, Paquistão, Noruega, Islândia, Suíça e Camboja também poderiam ver a sua economia prejudicada. “O plano britânico de reduzir as taxas à sua lista de 'nações mais favorecidas' incrementaria a competitividade de países eminentemente exportadores, como os Estados Unidos e a China”, afirmou a directora de comércio internacional e matérias-primas da UNCTAD, Pamela Coke-Hamilton.
PRATOS DA BALANÇA
Outro dos participantes da cimeira foi a Associação Europeia das Câmaras de Comércio e Indústria (Eurochambers), que pediu “resultados concretos” da China, nomeadamente na eliminação de barreiras no acesso ao mercado chinês, após uma cimeira bilateral com mais intenções do que resultados. “As empresas europeias querem ver resultados concretos e emergentes para operadores económicos da União Europeia [UE] após a cimeira de hoje, em questões como uma maior abertura do mercado, a protecção das indicações geográficas e ainda a criação de condições mais equitativas para as empresas da UE na China”, salienta a Eurochambers num comunicado enviado à agência Lusa. De acordo com aquela entidade, “estes são elementos cruciais para as empresas continuarem a construir uma parceria tão valiosa
NÚMEROS DO COMÉRCIO • A China é dos maiores parceiros económicos da União Europeia (EU), juntamente com os Estados Unidos, tendo sido, no ano passado, o principal mercado de importação para os países da União, num total de 394 mil milhões de euros. No que toca às exportações da UE, foi o segundo país destinatário, num total de 210 mil milhões de euros, segundo dados do gabinete de estatísticas da UE, o Eurostat, referentes a 2018.
e tão estratégica como a que existe entre a UE e a China”. Citado pela nota, o presidente da Eurochambers, Christoph Leitl, insiste que “as palavras não bastam, são necessárias acções concretas, num prazo razoável, para benefício do sistema [comercial] multilateral, mas também do próprio relacionamento bilateral”. Segundo este responsável, a “Europa não consegue encetar sozinha” uma reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC), pelo que a China “deve actuar rapidamente para rever e mitigar alguns dos problemas do seu modelo económico” no comércio externo.
Donald Tusk assinalou que a UE “não esquece a questão dos direitos humanos, que é tão importante como os interesses económicos”, pelo que a União voltou a mostrar-se “seriamente preocupada” com esta questão na China “Acho que alguns dos nossos parceiros estão a agir mal ao subestimar a importância e a urgência de preservar a OMC”, vinca Christoph Leitl. O responsável afirma ainda ser “decepcionante” que, após cinco anos de negociações entre a UE e a China, ainda não tenha sido possível “compatibilizar as ambições [económicas] das duas partes e não exista uma meta realista para que isso aconteça”. Criada em 1958, a Eurochambers representa mais de 20 milhões de negócios em toda a Europa, a quase totalidade de pequenas e médias empresas (PME), sendo composta por 46 câmaras de comércio e de indústria, incluindo a portuguesa.
4 política
11.4.2019 quinta-feira
O
S nomes dos 22 deputados que vão ocupar os lugares destinados aos legisladores na Comissão Eleitoral para a eleição do Chefe do Executivo já estão decididos. Segundo a lista a que o HM teve acesso, e que também foi divulgada pelo deputado Sulu Sou, os legisladores eleitos pela via directa estão em maioria com dez membros: Song Pek Kei, Mak Soi Kun, Ella Lei, Angela Leong, Ho Ion Sang, José Pereira Coutinho, Zheng Anting, Wong Kit Cheng, Leong Sun Iok e Agnes Lam. No que diz respeito aos deputados eleitos pela via indirecta, foram escolhidos Chan Iek Lap, Chan Hong, Vong Hin Fai, Vítor Cheung, Ip Sio Kai, Lei Chan U e Lam Lon Wai. Já os nomeados pelo Chefe do Executivo vão ser
COMISSÃO ELEITORAL REVELADOS DEPUTADOS QUE VÃO REPRESENTAR AL
Os 22 escolhidos GCS
Os critérios da selecção não ficaram claros para todos os deputados e, ao contrário de 2014, não houve eleições. Os pró-democratas ficaram de fora. Ho Iat Seng e Chui Sai Cheong também não foram escolhidos, mas devem estar presentes na comissão como representantes dos sectores ou como deputados da APN
“Eu não sei quais foram os critérios da escolha dos deputados. O documento fala em eleição, mas eu não votei em ninguém nem sei quem votou em mim. Como se pode falar em eleição se não houve votação?”, questionou José Pereira Coutinho, em declarações ao HM. “Em 2014, quando foi para impedirem que o meu colega Leong Veng Chai participasse na comissão marcaram um plenário e fizeram uma votação. Arranjaram uma maneira de deixar um deputado eleito de forma directa de fora. Foi um escândalo”, recordou. O HM tentou confirmar os critérios da escolha dos deputados junto da AL, mas até ao fecho da edição não recebeu uma resposta.
POSIÇÃO POLÍTICA
representados por Chan Wa Keng, Ma Chi Seng, Iau Teng Pio, Lao Chi Ngai e Pang Chuan. De fora ficaram os três deputados pró-democracia Sulu Sou, Ng Kuok Cheong, Au Kam San, que não mostraram interesse em fazer parte da comissão eleitoral. Ficaram igualmente de fora da
lista o presidente e o vice-presidente da AL, Ho Iat Seng e Chui Sai Cheong, assim como outros seis deputados que deverão estar representados entre o grupo dos 400 votantes através das vagas para os deputados de Macau à Assembleia Popular Nacional e pelos diferentes sectores.
“Eu não sei quais foram os critérios da escolha dos deputados. O documento fala em eleição, mas eu não votei em ninguém nem sei quem votou em mim.” JOSÉ PEREIRA COUTINHO DEPUTADO
No entanto, a escolha dos 22 deputados que vão representar a AL na Comissão Eleitoral foi ontem criticada por José Pereira Coutinho e Sulu Sou. Em causa está o facto de os legisladores não terem sido informados sobre como e quando se ia proceder a escolha. Também segundo estes deputados apesar da folha falar em “deputados eleitos”, não terá existido qualquer eleição. Na origem desta decisão poderá ter estado o facto de ter havido apenas 22 interessados para 22 lugares, o que dispensou o acto eleitoral, ao contrário do que aconteceu em 2014.
Uma versão semelhante foi relatada por Sulu Sou. “Que eu saiba, não houve qualquer eleição, assumo que tenha sido devido ao facto do número de candidatos ser igual ao número de vagas. Mas não me foi explicado”, avançou como hipótese. Ao mesmo tempo, Sulu Sou admitiu que os pró-democratas não declararam interesse em fazer parte do grupo de 22 e justificou a decisão com duas razões. A principal passa pelo facto de serem a favor do sufrágio universal. A não participação na eleição do Chefe do Executivo é assim uma posição política. Por outro, o membro da AL explicou que no seu caso, mesmo que mostrasse interesse, os restantes deputados da AL se iriam alinhar para fazer com ele ficasse de fora. A data da eleição do Chefe do Executivo ainda não é conhecida mas tem de ocorrer entre a segunda quinzena de Agosto e os inícios de Outubro. Já as eleições para eleger os restantes membros da comissão eleitoral estão agendadas para 16 de Junho. João Santos Filipe (com S.M.M.) joaof@hojemacau.com.mo
GRANDE BAÍA LIONEL LEONG EM PEQUIM PARA “TROCAR IDEIAS” SOBRE PROJECTO REGIONAL secretário para a Economia e Finanças adiantou, na passada terça-feira, ao Director do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, Zhang Xiaoming, que Macau está empenhado em “promover a participação de toda a população na construção da Grande Baía”, aponta um comunicado. Respondendo às preocupações do dirigente chinês sobre a necessidade de diversificação da economia local, Lionel Leong destacou
“os sucessos preliminares alcançados com os esforços despendidos ao longo dos últimos tempos”. O secretário aproveitou a ocasião para informar o andamento dos trabalhos, “designadamente sobre a promoção do sector financeiro com características próprias, a construção da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, o desenvolvimento de talentos, a concretização dos projectos no Parque Industrial de
Cooperação Guangdong-Macau em Hengqin, e a Cimeira sobre a construção da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa de Macau, apoiada pelas Empresas Estatais Chinesas”, aponta a mesma fonte. Leong encontra-se em Pequim para uma série de visitas oficiais, estando agendados encontros com vários ministérios e comissões relevantes do Estado. O objectivo é “trocar, de forma mais aprofundada,
ideias quanto aos trabalhos a desenvolver, na sequência do lançamento das Linhas Gerais da Grande Baía, nomeadamente no que respeita ao reforço da cooperação, à promoção do sector financeiro com características próprias de Macau, à construção da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa”. S.M.M.
GCS
O
política 5
HOJE MACAU
quinta-feira 11.4.2019
Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas “O Governo não tira lucro nenhum, mas também não fica com prejuízo. Portanto o que for despendido para fazer estas casas é aquilo que as pessoas vão pagar.”
O Executivo está a equacionar criar um concurso para fracções T1 e um outro para atribuir os outros tipos de fracções. O objectivo passa por evitar que agregados familiares alargados vivam numa casa com um único quarto
A
HABITAÇÃO ECONÓMICA GOVERNO PONDERA CRIAR DOIS CONCURSOS DIFERENTES
Separar as águas
A
hipótese de dividir os concursos para as habitações económicas, criando um para as fracções T1 e um outro em que são atribuídas fracções T2 e T3, está em cima da mesa. A revelação foi feita ontem, pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário. “Temos a intenção de em vez de fazer um concurso geral para a atribuição de fracções económicas ter dois. Um concurso para atribuir T1 para solteiros, casados sem filhos ou casados com
proposta de lei que vai regular as agências de viagem e a profissão de guia turístico está prestes a chegar ao Conselho Executivo. A novidade foi dada por Si Ka Lon, que preside à Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública que fiscaliza guias turísticos ilegais no posto fronteiriço de Macau da Ponte HKZM. Porém, o feedback do Governo não coloca em questão a utilidade da comissão parlamentar. “Hoje tivemos a resposta da Direcção dos Serviços de Turismo. Em relação à ponte HKZM, de facto, não se registou nenhum guia ilegal, a maioria deles verificou-se nas Portas do Cerco”, confessou Si Ka Lon, o
um filho, depois, no outro concurso vamos ter os agregados com um número relativamente grande”, disse Raimundo do Rosário. “Nada disto está decidido, são pensamentos e opiniões. Também foi discutida a possibilidade de limitar o número de pessoas de um agregado que pode concorrer a fracções T1”, acrescentou. Também ontem foi revelada a proporção da tipologia de fracções que vão ser atribuídas no próximo concurso, que terá 4.000 fracções para venda. Assim, 25 por cento serão T1, 33 por cento T2 e
42 por cento T3. A proporção tinha sido alvo de críticas por parte dos deputados: “As percentagens foram definidas com base numa avaliação do Instituto de Habitação que teve em conta os dados dos concursos passados”, explicou. Sobre o fim das obras das 4.000 fracções, Rosário admitiu que ainda vai levar alguns anos, mas que deverá ficar tudo pronto antes do fim do mandato do próximo Chefe do Executivo. Por outro lado, o secretário explicou ainda que o preço de vendas vai ser “significa-
Caça ao gambuzino Deputados fiscalizam guias turísticos ilegais na Ponte HKZM sem existirem queixas
deputado que preside à comissão de acompanhamento. As queixas existentes relativas a guias ilegais, desde o dia 24 de Outubro do ano passado a 31 de Março de 2019, um total de sete, são todas referentes a pessoas que deram entrada em Macau através do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco. No mesmo período, o Governo efectuou 164 inspeções em que 12 foram acções conjuntas com a Polícia de Segurança Pública (PSP). “Também houve 89 acções de Inspecção nas Ruínas de
São Paulo mas não se sancionou ninguém nem se levantaram processos”, por falta de provas.
GUIAS CAMUFLADOS
A dificuldade está em provar que as pessoas que muitas vezes acompanham os excursionistas são guias ilegais. “A DST justificou a dificuldade em distinguir guias ilegais, até porque a maioria deles quando chega às Portas do Cerco afirma que vem numa excursão livre e que o seu programa em Macau é um passeio”, disse Si Ka Lon.
tivamente mais barato” do que é praticado no mercado, sem adiantar, no entanto, uma proporção, mas ressalvando que o preço não vai permitir ao Executivo obter lucro, mas também não vai conduzir a prejuízos “O Governo não tira lucro nenhum, mas também não fica com prejuízo. Portanto o que for despendido para fazer estas casas é aquilo que as pessoas vão pagar por elas”, indicou.
FIM DA PROPRIEDADE PRIVADA
Raimundo do Rosário esteve ontem reunido com a 1.ª
Para combater esta dificuldade os deputados da comissão sugerem à DST que, em casos de suspeita, aplique a sanção prevista para os tranferencistas ilegais – as pessoas que se dedicam a levar os turistas sem terem a função de guia. “A DST vai analisar o caso dos transferencistas que podem ser sancionados com multas entre as 20 e as 30 mil patacas”. Se os infractores não foram residentes, podem ainda ficar impedidos de voltar a entrar no território. Actualmente existem cerca de 3000 guias licenciados em Macau, sendo que “alguns são patrões e outros não exercem funções”. A DST prevê que existam apenas 1000 a exercer esta profissão. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
Comissão Permanente da Assembleia Legislativa para debater as alterações à lei da habitação económica. No final, o presidente da comissão, Ho Ion Sang, destacou o facto de após a atribuição das casas, os particulares só poderem vendê-las ao Instituto de Habitação, quando passarem 16 anos. “A habitação económica deixa de ter natureza privada. É uma grande alteração e a maioria dos deputados e pessoas ouvidas na consulta pública concorda com esta alteração”, aponto Ho. “O objectivo é acabar com a especulação das habitações económicas. Assim estas vão ser revendidas às pessoas que estavam na lista de espera para comprarem uma habitação deste género”, frisou. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
BO Renovadas nomeações de comissão de apreciação de pedidos do privado
O Chefe do Executivo, Chui Sai On renovou a nomeação dos membros da Comissão de apreciação de pedidos relativos ao exercício de actividade privada por parte dos ex-titulares do cargo de Chefe do Executivo e dos principais cargos, de acordo com o despacho publicado ontem em Boletim Oficial. A nomeação tem a validade de dois anos e é aplicada a Lau Cheok Va, Paula Hsião Yun Ling e Kou Peng Kuan.
6 sociedade
11.4.2019 quinta-feira
Batalhas na Praia Grande
U
M acórdão do Tribunal de Última Instância (TUI) aponta o dedo à Direcção de Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) no que diz respeito aos procedimentos levados a cabo sobre dois terrenos situados na zona do Fecho da Baía da Praia Grande, que reverteram para o Governo findo o prazo de 25 anos de concessão. Os juízes, apesar de não reconhecerem o direito das concessionárias à renovação da concessão dos terrenos, defendem que a postura que a DSSOPT teve e o diálogo que manteve com as duas empresas “não representa a RAEM”. “As comunicações de serviço interno da DSSOPT, bem como a atitude da DSSOPT revelada nos ofícios, com os quais as recorrentes foram notificadas de que os projectos apresentados eram PUB
RÓMULO SANTOS
Tribunal de Última Instância diz que comunicações da DSSOPT não representam a RAEM
Investimento Imobiliário Man Keng Van SA, ambas pertencentes ao universo da Sociedade de Investimento Imobiliário Nam Van, que o ano passado perdeu o direito de concessão de 16 terrenos situados na zona da Praia Grande.
SEM VIOLAÇÕES
passíveis de aprovação, mas que o procedimento administrativo ficava suspenso provisoriamente, até que fosse aprovado o novo plano de intervenção urbanística, nunca poderia constituir reconhecimento de nenhum direito das recorrentes por parte da RAEM.” Além disso, “as informações ou opiniões nela contidas não representam nem obrigam a
RAEM, muito menos depois do termo do prazo de arrendamento dos terrenos”, lê-se no acórdão. Além disso, os juízes do TUI também consideram que a questão da culpa pelo não aproveitamento dos terrenos não é fundamental para este caso. “Não é essencial a questão da culpa no não aproveitamento dos terrenos no prazo fixado para o efeito,
já que, com o decurso do prazo máximo da concessão provisória sem a conclusão do aproveitamento do terreno, a concessão não pode ser renovada, desde que não se verifique a excepção, e deve ser declarada a sua caducidade”, lê-se. As empresas em causa são a Sociedade de Investimento Imobiliário Fu Keng Van SA e a Sociedade de
Os procedimentos referidos neste acórdão do TUI dizem respeito às licenças de obra de tapume, ensaio de estacas e alteração da rede de drenagem, pedidos que foram feitos entre 2006 e 2007. A DSSOPT nunca chegou a aprovar os processos com o argumento de que estaria a ser feito o projecto urbanístico do “Centro Histórico de Macau”, e que este levaria, mais tarde, à suspensão de todos os projectos das zonas C e D da Baía da Praia Grande. As duas empresas recorreram para o TUI da decisão do Tribunal de Segunda Instância (TSI) proferida em 2018, que comprovou a retirada dos terrenos. Estas alegaram agora junto do TUI que o Executivo violou questões como o princípio da boa-fé ou da igualdade
“[A atitude da DSSOPT revelada nos ofícios e as suas comunicações internas] … não representam nem obrigam a RAEM, muito menos depois do termo do prazo de arrendamento dos terrenos.” ACÓRDÃO DO TUI
entre partes, mas os juízes não tiveram o mesmo entendimento. “Não se vê como foi violado o princípio da igualdade das partes, nem as recorrentes chegaram a explicitar concretamente tal violação. Dizem ainda as recorrentes que o tribunal recorrido considera provados factos controvertidos, sem que, no entanto, tenha indicado quais são. Na realidade, não se vislumbra, a nosso ver, nenhuma controvérsia entre os factos provados.” A.S.S.
sociedade 7
quinta-feira 11.4.2019
GIF JOGO LIDERA EM TRANSAÇÕES SUSPEITAS NO PRIMEIRO TRIMESTRE
A
S transações suspeitas de branqueamento de capitais e/ou de financiamento do terrorismo (STRs na sigla em inglês) relacionadas com o sector do jogo somaram 72,5 por cento do total das participações durante o primeiro trimestre de 2019, de acordo com o Gabinete de Informação Financeira (GIF). “O número total de STRs recebidos pelo GIF durante o primeiro trimestre de 2019 foi de 699, o que significa uma diminuição de 23,1 por cento em relação ao mesmo período de 2018”, quando se registaram 909 participações. “A mudança deveu-se principalmente à diminuição significativa do número de STRs
reportados pelo sector financeiro e por outras instituições”, pode ler-se na nota do organismo público. Os sectores financeiro e do jogo acumularam a larga maioria das participações de transações suspeitas, com 24,2 por cento e 72,5 por cento, respectivamente. As participações quanto à actividade de outro tipo de instituições ficaram-se pelos 3,3 por cento. Durante o primeiro trimestre de 2019, o GIF recebeu 507 participações relativas à indústria do jogo, o que representou uma ligeira descida de quase 6,3 por cento. Contextualizando, no ano passado o GIF recebeu 3.716 participações de transações suspeitas de branqueamento de capitais e/ou de financiamento do terrorismo, mais 20,45 por cento do que em relação a 2017.
Casinos Wynn rompe negociações para comprar a australiana Crown A Wynn Resorts pôs fim às negociações para comprar a maior operadora de casinos da Austrália, a Crown Resorts, divulgadas na terça-feira. Num breve comunicado, a Wynn anunciou ter colocado um ponto final em “todas as discussões” com a empresa australiana, que opera casinos em Melbourne, Perth, Londres e, em breve, Sydney (Austrália). “Na sequência da divulgação prematura de discussões preliminares, a Wynn encerrou todas as discussões com a Crowns Resorts Limited relativamente a qualquer transação”, de
acordo com a nota, na íntegra, do grupo com sede em Las Vegas, nos Estados Unidos. Na terça-feira, a Crown avançou estar em discussões confidenciais sobre uma oferta da Wynn, embora tenha sublinhado que a proposta estava sujeita a condições: “Não há certeza de que estas discussões resultem numa transação”, apontou. As notícias da possível compra da Crown pela Wynn levaram de imediato a um aumento de 20,5 por cento no preço das acções na bolsa de valores de Sydney para 10,07 dólares australianos.
Dos 15 casos diagnosticados este ano, 10 atingiram sujeitos do sexo masculino e cinco do sexo feminino. Entre estes, apenas três casos foram registados em cidadãos não residentes OS SS estão a acompanhar actualmente uma mulher grávida, que apesar de não estar diagnosticada com rubéola, se encontra em observação por ter estado em contacto com um dos infectados, apontou Lam Chong.
DOENÇA DE HOTEL
SAÚDE REGISTADOS 14 CASOS DE RUBÉOLA DESDE 1 DE ABRIL
Um novo surto
Desde o início de 2019 registaram-se 15 casos de rubéola no território, 14 dos quais surgiram desde 1 de Abril. Sete destes casos afectaram empregados de hotéis. Os Serviços de Saúde admitem a possibilidade de um surto da doença
O
S Serviços de Saúde (SS) receberam 14 casos de doentes infectados com rubéola desde o dia 1 de Abril, foi anunciado ontem em conferência de imprensa. “Nos anos anteriores não foram registados casos destes. De Janeiro até final do mês de Março foi registado um caso e a partir de Abril os casos aumentaram”, revelou o chefe do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças – Serviços de Saúde, Lam Chong. Os números indicam que possa acontecer um “surto pequeno em Macau”. “Prevê-se que nos
próximos dias aconteçam mais casos. A rubéola não é de fácil transmissão para outras pessoas. Não podemos prever os casos no futuro”, acrescentou. Dos 15 casos diagnosticados este ano, 10 atingiram sujeitos do sexo masculino e cinco do sexo feminino. Entre estes, apenas três casos foram registados em cidadãos não residentes: um filipino, um vietnamita e um chinês. Todos os doentes deram entrada no Hospital Kiang Wu, sendo posteriormente encaminhados para o Centro Hospitalar Conde de São Januário.
Apesar de Lam Chong ter garantido que 70 por cento dos residentes estão imunes à doença, apelou à vacinação e que, “ao mínimo sintoma se dirijam às instituições de saúde”. “Os sintomas são idênticos aos do sarampo e incluem febre, erupção cutânea e inflamação dos gânglios linfáticos”, advertiu. O responsável alertou ainda para o risco acrescido da contração da doença por mulheres grávidas e apelou a quem tenha a intenção de engravidar medidas de prevenção como “evitar lugares com muita gente”.
Segundo os SS, sete dos casos de rubéola identificados este mês, ou seja, metade, referem-se a pessoas que trabalham em unidades hoteleiras, mais especificamente quatro trabalhadores do Starworld Hotel e três do City of Dreams. No que respeita a medidas de prevenção, Lam Chong revelou que os restantes trabalhadores foram alertados para acções preventivas, nomeadamente o uso de máscara, uma vez que a propagação do vírus é feita por contacto, advertiu. No entanto, para o responsável a contração de rubéola não é “muito grave”. “Queremos sublinhar que esta é uma doença com sintomas mais ligeiros”, e a sua cura requer “apenas por algum descanso”, acrescentou. O responsável apontou ainda que recentemente o Japão atravessa um surto da doença e o mesmo tem acontecido na China. No entanto, ainda não há detalhes sobre a proveniência do surto em Macau, “não se sabe se é um vírus importado ou não”, rematou Lam Chong. Em Outubro do ano passado, Macau foi declarado um território livre de rubéola. Os SS vão agora reportar os casos à Organização Mundial de Saúde. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
8 sociedade
Um fujianense na planície ENSINO CHAN MENG KAM QUER ABRIR CURSOS DE PORTUGUÊS EM HENGQIN
Chan Meng Kam recebeu esta terça-feira o grau de doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Évora. Sou Chio Fai, que lidera a Direcção dos Serviços do Ensino Superior, foi o patrono e recordou a vida dura do ex-deputado e empresário. Este adiantou que a licenciatura em português da Universidade Cidade de Macau deverá abrir no próximo ano lectivo e que existem planos para abrir uma escola de graduação em Hengqin
H
“
ALLELUJAH”, música de Leonardo Cohen cantada por um irrepreensível coro, foi a banda sonora para a cerimónia de atribuição de doutoramento Honoris Causa atribuído, esta terça-feira, a Chan Meng Kam pela Universidade de Évora (UE). O ex-deputado e empresário fundador do grupo
Golden Dragon, nunca frequentou uma universidade, muito menos publicou livros ou fez investigação científica. Ainda assim, foi distinguido pelos contributos na área social e no desenvolvimento do ensino em Macau, através da Universidade Cidade de Macau (UCM). Ditam as regras que um doutor Honoris Causa tenha um patrono e Chan Meng Kam contou com
CHEFE DO EXECUTIVO? “NUNCA PENSEI NISSO”
C
han Meng Kam foi parco em palavras no que diz respeito a dois episódios importantes da actualidade em Macau, tal como as eleições para o cargo de Chefe do Executivo e os concursos para a atribuição de novas licenças de jogo. No que diz respeito às eleições, o homem que foi várias vezes apontado como candidato disse que esse assunto nunca lhe passou pela cabeça. “Todo o processo deve ser feito de acordo com a Lei Básica, é a única coisa para a qual devemos prestar atenção. Nunca pensei ser candidato”, frisou, à margem da cerimónia. Em relação às licenças de jogo, Chan Meng Kam não quis adiantar se pretende concorrer sozinho, em nome da Golden Dragon, ou em parceria. “Nesta fase, o Governo de Macau ainda não anunciou nenhumas políticas a este nível, ainda não temos quaisquer planos nesse sentido.” O ex-deputado e empresário escusou-se a comentar se vai ou não fazer investimentos em Portugal em nome da Golden Dragon.
o alto patrocínio do Governo de Macau. Sou Chio Fai, que dirige a Direcção dos Serviços do Ensino Superior (DSES), recordou o percurso de um homem que, ainda adolescente, saiu da pobre Fujian para tentar a sua sorte em Macau, no início da década de 80. “Nessa época, teve diferentes empregos e chegou a dormir apenas duas horas por noite. Viu depois a oportunidade no pequeno comércio, quando as necessidades das populações eram grandes. Comprava vestuário e vendia do outro lado da fronteira”, disse Sou Chio Fai num discurso proferido em português. O director do DSES recordou também o deputado (Chan Meng Kam esteve naAssembleia Legislativa entre 2005 e 2017), que teve “uma notável contribuição legislativa”, o filantropo, que “desde 1993 contribuiu para mais de 200 instituições sociais em Macau” e o empresário, dado o seu papel na promoção das relações entre Macau, China e os países de língua portuguesa. O discurso de Chan Meng Kam, que teve tradução para inglês, recordou também o percurso de vida cheio de obstáculos do homem que já recebeu a mais alta distinção do Governo da RAEM, uma medalha atribuída pelo Chefe do Executivo. Além disso, defendeu que o “conhecimento é poder” e que “a educação é muito importante para o sucesso”. No final, agradeceu à plateia que o ouviu em português. A cerimónia contou com a presença de algumas personalidades ligadas a Macau, tal como Carlos Monjardino, presidente da Funda-
ção Oriente, ou Rui Lourido, presidente do Observatório da China.
TECNOLOGIA E PATRIMÓNIO
A comitiva de Chan Meng Kam, da qual fazia parte Sou Chio Fai e o reitor da UCM, Shu Guang Zhang, chegou uma hora mais cedo para assinar dois protocolos, relacionados com o ensino do português e património. “Assinámos dois acordos com a UE esta tarde focados em duas áreas. Um deles é na área da saúde e dos cuidados médicos e o outro é ao nível do equipamento de tradução automática português-chinês, com vista a promover a cooperação a longo prazo. A UCM é uma plataforma para atrair pessoas e talentos”, disse Chan Meng Kam, à margem da cerimónia. A comitiva fez também uma visita ao Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia da UE e ficou fascinada com o que viu. “Vimos que há muito potencial neste parque e também visitámos o laboratório na área do património da UE. Podemos ver que tem centenas de investigadores e talvez possamos fazer mais e desempenhar um papel no desenvolvimento desta área.” Citada pela agência Lusa, a reitora da UE, Ana Costa Freitas, adiantou mais detalhes sobre estas iniciativas. Um dos memorandos de entendimento foi assinado “na área do património cultural” e que implica a criação de uma cátedra na universidade alentejana, no valor de “cerca de 50 mil euros”. Esta cátedra permitirá “financiar estudos sobre a herança cultural” comum entre Macau e Portugal,
HOJE MACAU
11.4.2019 quinta-feira
quinta-feira 11.4.2019
sociedade 9
com o envolvimento do Laboratório HERCULES da UE, indicou. “Vamos receber cá pessoas para fazerem estágios e vamos mandar para lá pessoas para fazerem também estágios e iremos formar alguém que fique à frente do laboratório lá [em Macau]”, explicou. Segundo Ana Costa Freitas, já foi efectuado o inventário dos equipamentos que a UCM terá de comprar “para ter um laboratório minimamente apetrechado e, depois”, começa-se “logo a trabalhar”. Na área da informática, explicou a reitora, a colaboração prevê a criação de laboratórios conjuntos entre as duas universidades assentes num sistema “de tradução por computador” de chinês-português e vice-versa. “Já estamos a começar, por exemplo, na parte do ‘machine learning’ [a máquina automática de tradução] já temos o laboratório”, frisou Ana Costa Freitas.
“Uma vez que vamos criar a escola de graduação chinês-português em Hengqin, precisamos de talentos nesta área para desenvolver a investigação e projectos inovadores.” CHAN MENG KAM EMPRESÁRIO
No protocolo relativo à área da informática, consultado pela agência Lusa, pode-se ler que a parceria abrange também um laboratório colaborativo neste âmbito centrado na saúde. A realização de cursos de Verão, de turismo ou de arquitectura paisagista, na academia alentejana, recebendo alunos de Macau, será outro dos “frutos” da colaboração com a universidade privada macaense, segundo a reitora.
PORTUGUÊS EM HENGQIN
Chan Meng Kam pretende também desenvolver ainda mais o ensino do português na sua universidade, tendo adiantado que deseja alargar essa oferta formativa até à ilha de Hengqin. “Uma vez que vamos criar a escola de graduação chinês-português em Hengqin, precisamos de talentos nesta área para desenvolver a investigação e projectos inovadores.” No próximo ano lectivo, a UCM vai abrir a nova licenciatura em estudos portugueses, garantiu Chan Meng Kam, sendo esta uma vontade há muito expressa pelos dirigentes desta universidade. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
10 china
11.4.2019 quinta-feira
HONG KONG LÍDERES DO MOVIMENTO DOS GUARDA-CHUVAS AGUARDAM SENTENÇA EM LIBERDADE
N AUTOMÓVEIS VENDAS RECUARAM EM MARÇO PELO 10.º MÊS CONSECUTIVO
Com o pé no travão
Apesar da resistência da economia chinesa às adversidades provocadas pela guerra comercial com os Estados Unidos, as vendas de veículos mantêm a tendência de queda. Por outro lado, as transações de carros eléctricos dispararam, com as vendas a registarem um aumento de 100,9 por cento, face a igual período do ano passado
A
S vendas de automóveis na China caíram em Março, pelo décimo mês consecutivo, em termos homólogos, informou ontem a imprensa oficial, reflectindo o abrandamento na economia chinesa, numa altura de fricções comerciais com Washington. Segundo o jornal oficial em língua inglesa China Daily, venderam-se, no total, 1,78 milhões de veículos utilitários desportivos, 'minivans' e 'sedans', uma queda de 12 por cento, face a Março de 2018. Apenas os carros eléctricos registaram um aumento
das vendas, na sequência da atribuição de subsídios pelo Governo, com 111 mil unidades vendidas, em Março, mais 100,9 por cento do que no mesmo mês do ano anterior. Em 2018 a venda de automóveis na China caiu 5,8 por cento, para 22,35 milhões de veículos, no primeiro declínio anual desde 1990, coincidindo com outros indicadores negativos da economia chinesa. Trata-se de um retrocesso para as principais construtoras do sector, que anunciaram planos de milhares de milhões de euros, visando cumprir as metas do Governo
chinês para o desenvolvimento de veículos eléctricos. A segunda maior economia do mundo cresceu 6,6 por cento, no ano passado, o ritmo mais lento em quase três décadas. A actividade económica permaneceu robusta durante
1,78 milhões é o número de veículos utilitários desportivos, ‘minivans’ e ‘sedans’ vendidos em Março
Agradecimento AGOSTINHO GUILHERME FERNANDES (NICO FERNANDES)
A família de AGOSTINHO GUILHERME FERNANDES (NICO FERNANDES) , na impossibilidade de o fazer pessoalmente, vem, por este meio, agradecer reconhecidamente a todas as pessoas que se dignaram tomar parte nas cerimónias fúnebres, ou que, de outra forma, se lhe associaram na dor, no funeral realizado no passado dia 9 de Abril de 2019, pelas 11h00.
a maior parte do ano, apesar da guerra comercial que espoletou, no Verão passado, com Washington, suscitada pelas ambições chinesas para o sector tecnológico. No entanto, as exportações caíram em Dezembro, reflectindo os efeitos da entrada em vigor de uma segunda ronda de taxas alfandegárias nos Estados Unidos, sobre cerca de 200.000 milhões de dólares de bens oriundos da China. A queda nas vendas faz prever que Pequim deverá reduzir os impostos ou oferecer outros incentivos à compra de automóveis.
OVE líderes do maior movimento de desobediência civil de Hong Kong, condenados na terça-feira por perturbarem a ordem pública durante os protestos de 2014, vão conhecer a sentença em 24 de abril, anunciou ontem o tribunal. Os condenados vão esperar a leitura da sentença em liberdade, sob fiança, indicou. Os nove, que enfrentam penas de até sete anos de prisão por cada acusação, são os últimos ativistas condenados pelos protestos, que se prolongaram por 79 dias em 2014, em Hong Kong. Entre os condenados, estão os também fundadores do movimento "Occupy Central", em 2013: Chan Kin-man, de 59 anos, professor de sociologia, Benny Tai, de 54, professor de direito, e Chu Yiu-ming, de 74 anos, ministro da Igreja Batista de Chai
Wan em Hong Kong. Os três foram considerados culpados de conspiração para perturbar a ordem pública, de incitarem ao motim através da obstrução ilegal de lugares públicos, bem como de incitar e mobilizar manifestantes "para alterar a ordem pública”. De acordo com o tribunal, o objectivo dos activistas era "forçar as autoridades a responder às suas reclamações políticas". Os deputados Tanya Chan e Shiu Ka-chun, os ex-líderes estudantis Tommy Cheung Sau-yin e Eason Chung Yiu-wa e o vice-presidente da Liga dos Sociais-Democratas, Raphael Wong Ho-ming, foram considerados culpados de incitação para cometer distúrbios públicos. Também o ex-deputado democrata Lee Wing-tat, de 63 anos, foi considerado culpado de uma acusação de incitamento.
ALIMENTAÇÃO COMIDA AO DOMICÍLIO CRESCE 112%
O
S serviços de entrega de comida ao domicílio na China facturaram 441,5 mil milhões de yuan em 2018, uma subida homóloga de 112,5 por cento, foi ontem noticiado. De acordo com a agência de notícias chinesa Xinhua, o número de pedidos de refeições, petiscos, legumes ou frutas, através de plataformas de comércio eletrónico, fixou-se em 10.960 milhões, no ano passado, quase o dobro do que em 2017. O documento, publicado pela empresa de análise
de dados Analysys, estimou que o mercado vai continuar a crescer, nos próximos três anos, para alcançar 934 mil milhões de yuan, em 2021. Em Dezembro passado, o número de utilizadores de aplicações de entregas ao domicílio atingiu os 102,8 milhões. O relatório colocou o Ele. me, adquirido pelo gigante de comércio electrónicoAlibaba,
e o Meituan, como as duas maiores empresas no mercado, e destacou o avanço recente do serviço de transportes privado Didi. Ao todo, no final de 2018, o número de utilizadores de comércio electrónico na China atingiu os 610 milhões, um crescimento de 14,4 por cento, segundo o Centro de Informação de Rede da China. Com cerca de 1.400 milhões de habitantes, o país mais populoso do mundo representa quase metade do comércio electrónico mundial.
região 11
quinta-feira 11.4.2019
TIMOR-LESTE COOPERAÇÃO COM PORTUGAL NA ÁREA DA SEGURANÇA SOCIAL
Em terreno solidário
A secretária de Estado da Segurança Social portuguesa, Cláudia Joaquim está em Dili para uma visita de uma semana durante a qual deverão ser assinados vários acordos de cooperação com incidência em áreas como a erradicação da pobreza ou o Estado de direito e direitos humanos, entre outros
O DILI SURTO DE DENGUE JÁ FEZ CINCO MORTES
P
ELO menos cinco pessoas morreram devido a um surto de dengue nos primeiros meses do ano em Timor-Leste, com mais de 500 casos registados só no hospital nacional de Díli, segundo a imprensa timorense. Citando dados do Hospital Nacional Guido Valadares, o jornal Independente refere que foram registados 532 casos desde o início do ano, um valor três vezes maior do que os que se registavam no mesmo período em anos anteriores. O jornal refere que o maior número de casos ocorre no município de Díli, ainda que haja muitos casos referenciados nas
zonas de Liquiçá, a oeste da capital, e no enclave de Oecusse-Ambeno. Uma época da chuva mais prolongada que o normal é tido como um dos motivos para o surto da doença viral que é transmitida pela picadela de mosquitos. Especialistas timorenses referem que o número total de casos com dengue é muito maior, com muitas das vítimas a não recorrerem a hospitais ou centros de saúde. Esta semana o assunto foi levantado com preocupação por deputados do Parlamento Nacional.
Governo timorense aprovou ontem o programa de cooperação entre o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social português e o Ministério da Solidariedade Social e Inclusão de Timor-Leste de 2019 a 2022. O documento vai ser assinado no próximo dia 16, em Díli, pela ministra da Solidariedade Social e Inclusão timorense, Armanda Berta dos Santos, e pela secretária de Estado da Segurança Social portuguesa, Cláudia Joaquim, disse fonte do Ministério timorense à Lusa. Democracia, Estado de direito e direitos humanos, desenvolvimento humano e erradicação da pobreza, direitos da criança e igualdade de género são os três eixos principais do programa sectorial de apoio de Portugal, com acções na área social e na capacitação institucional, de acordo com o Governo timorense. Estes três eixos foram definidos com base nos "objectivos e prioridades acordados pelos Governos dos dois países", indicou. A secretária de Estado portuguesa chegou ontem a
Na quinta-feira, a delegação da secretária de Estado desloca-se a Manatuto e a Baucau, a leste de Díli, para visitar centros de ação social. No dia seguinte, estará de novo na capital para conhecer, entre outros espaços, o Centro Nacional de Reabilitação e o Centro Juvenil Padre António Vieira. Na próxima segunda-feira, a responsável portuguesa deverá visitar centros sociais no enclave de Oecusse-Ambeno. Díli para uma visita de cerca de uma semana ao país, em representação do ministro José António Vieira da Silva e a convite de Armanda Berta dos Santos, com o objectivo de fortalecer as relações bilaterais na área da Segurança Social.
Cláudia Joaquim tem previsto visitar centros de acção social em vários pontos do país e inaugurar, no sábado, o primeiro Bloco do Centro Comunitário de Same, a sul de Díli, financiado com apoio português.
Democracia, Estado de direito e direitos humanos, desenvolvimento humano e erradicação da pobreza, direitos da criança e igualdade de género são os três eixos principais do programa sectorial de apoio de Portugal, com acções na área social e na capacitação institucional, de acordo com o Governo timorense
MOMENTO CHAVE
Um dos pontos altos da visita ocorre a 16 de Abril quando se realiza uma Conferência Sobre Segurança Social, promovida pelo Ministério da Solidariedade Social e Inclusão e pelo Instituto Nacional de Segurança Social timorenses. A conferência analisará aspectos como a cooperação bilateral nesta matéria e o sistema de segurança social timorense. O acordo de cooperação entre os dois países deverá ser assinado nesse momento.
PYONGYANG PARTIDO DOS TRABALHADORES DEBATE "ACTUAIS TENSÕES" EM REUNIÃO PLENÁRIA
O
dirigente da Coreia do Norte, Kim Jong-un, convocou ontem uma reunião plenária do comité central do Partido dos Trabalhadores, no poder, para debater as "actuais tensões", noticiou a imprensa oficial norte-coreana. Este encontro do comité central vai decorrer depois do fracasso da segunda cimeira, no final de Fevereiro passado, em Hanoi, entre Kim e o Presidente dos Estados Unidos. A agência de notícias oficial norte-coreana KCNA deixou entender que a reunião se ia focar no desenvolvimento económico.
O objectivo da reunião plenária vai ser "discutir e decidir a nova orientação e os modos de luta de acordo com as necessidades permanentes da realidade revolucionária", indicou. "O líder supremo sublinhou a necessidade de altos funcionários mostrarem um alto sentido de responsabilidade e criatividade, bem como espírito revolucionário de auto-suficiência e força", acrescentou, numa referência a um encontro de Kim com quadros do regime, na terça-feira. A "nova linha estratégica" foi definida, há
cerca de um ano, por Kim como "a construção económica socialista", acrescentando que o desenvolvimento dos programas nucleares do país estava concluído.
O parlamento norte-coreano deverá reunir-se esta quinta-feira. Trump e Kim reuniram-se pela primeira vez em Junho de 2018, em Singapura, onde assinaram uma
declaração vaga sobre a "desnuclearização da península coreana". Em Hanoi, Kim Jong-un reclamou o fim das sanções económicas aplicadas a Pyongyang pela ONU, na sequência de vários testes nucleares e de mísseis. O encontro terminou sem um acordo sobre a desnuclearização, necessária para diminuir as sanções contra o regime. Apesar do fracasso, os dois lados manifestaram vontade em continuar as negociações e Trump destacou repetidamente as boas relações com o líder norte-coreano.
12 publicidade
11.4.2019 quinta-feira
região 13
quinta-feira 11.4.2019
Japão Caça da Força Aérea cai no oceano Pacífico Um caça F-35 da Força Aérea japonesa despenhou-se, na terça-feira, no oceano Pacífico, quando sobrevoava a costa leste de Aomori, e o piloto desapareceu, anunciou ontem o Ministério da Defesa do Japão. Meia hora depois de descolar, o caça desapareceu do radar da Força Aérea, que está já a
investigar as causas do acidente. O ministro da Defesa japonês, Takeshi Iwaya, disse que no mesmo dia outros três caças F-35 encontravam-se em exercícios, acrescentando que estes aparelhos já regressaram à base. Na terça-feira foram encontrados destroços do avião no Oceano Pacífico, disse.
CAMBOJA COMPLEXO HABITACIONAL ICÓNICO DÁ LUGAR A CASINO DE LUXO
Vai uma aposta?
O terceiro investimento do bilionário malaio Chen Lip Keong em Phnom Penh vai ocupar um espaço que era ocupado por cerca de 500 famílias. Está avaliado em cerca de quatro mil milhões de dólares
U
M conhecido complexo habitacional em Phnom Penh vai ser transformado num casino de luxo, à medida que o Camboja atrai cada vez mais turistas e apostadores chineses, foi ontem noticiado. Aempresa NagaCorp, controlada pelo bilionário malaio Chen Lip Keong e cotada na bolsa de Hong Kong, é a única operadora com licença exclusiva para explorar casinos até 2035 na capital cambojana, onde tem já os complexos Naga1 e Naga2. O terceiro casino da operadora em Phnom Penh, o Naga3, avaliado em cerca de quatro mil milhões de dólares, vai ocupar o conhecido ‘White Building’, onde residiam centenas de famílias, de acordo com o jornal South China Morning Post (SCMP). Em declarações à imprensa, na terça-feira, o vice-presidente da NagaCorp, Philip Lee, salientou que o Naga3 é, até agora, “o maior investimento do sector privado no país” e vai ocupar mais de 16 mil metros quadrados, incluindo o ‘White Building’. “Tem aproximadamente o mesmo tamanho que o Marina Bay Sands, em Singapura, que é o complexo de entretenimento mais caro do mundo”, afirmou.
INQUILINOS REVOLTADOS
Estas notícias causaram indignação em antigos residentes do ‘White Building’, aos quais tinha sido prometido, pelas autoridades, novos alojamentos no edifício depois de uma remodelação. “[O Governo] contou-nos uma mentira tão grande. É um sítio muito central, o Governo devia renová-lo e permitir que continuássemos a viver aqui (…), mas eles só pensam em lucro”, lamentou Nhek Chantha, citada pelo diário de Hong Kong.
A cambojana, de 67 anos, e os dois filhos foram expulsos em 2017, a par das restantes 497 famílias, depois de as autoridades municipais terem começado a emitir, dois anos antes, ordens de despejo, alegando que a estrutura não era segura. Uma empresa japonesa, a Arakawa, foi então incumbida pelo Governo de transformar o local num condomínio residencial, com pelo menos cinco andares de apartamentos sociais para antigos moradores. Em 2016, o ministro do Ordenamento Territorial, Planeamento Urbano e Construção cambojano, Chea Sophara, pediu paciência aos cambojanos e afirmou que o novo complexo devia ficar concluído até 2020. Esta segunda-feira, a empresa nipónica escusou-se a comentar a situação e o porta-voz daquele ministério cambojano, Seng Lot, disse não saber como ou por que razão o terreno havia sido transferido para a NagaCorp. Construído em 1963 como parte de um complexo cultural em frente ao rio Bassac, o ‘White Building’ foi, tal como resto da cidade, ocupado pelo regime dos Khmeres Vermelhos, em 1975. Depois da queda do regime, em 1979, uma multidão variada, incluindo artistas e músicos,
O terceiro casino da operadora em Phnom Penh, o Naga3, avaliado em cerca de quatro mil milhões de dólares, vai ocupar o conhecido ‘White Building’, onde residiam centenas de famílias
mudou-se para o edifício, transformando-o numa “unida e colorida” comunidade, descreveu o SCMP. Aos moradores foi oferecida uma compensação de 1.400 dólares por metro quadrado, com muitos a protestar que era insuficiente para encontrarem novos alojamentos na cidade.
CONCORRÊNCIA ASIÁTICA
O Camboja é, como o Vietname, o Japão e a Coreia do Sul, uma das principais ameaças ao monopólio do jogo em Macau, considerou o analista de jogo Grant Govertsen, em entrevista à agência Lusa, em Novembro. Uma opinião corroborada pelo fundador da Newpage Consulting, consultora especializada em regulação de jogos em Macau, em declarações à Lusa há um mês. Para David Green, a entrada em força de outros países asiáticos no jogo, como o Camboja e o Vietname, pode levar os turistas chineses que visitam Macau para essas paragens. Em 2018, Macau recebeu 35,8 milhões de turistas, dos quais 25 milhões são oriundos da China. No mesmo ano, o número de turistas chineses no Camboja cresceu cerca de dois terços, para mais de dois milhões. O investimento chinês redefiniu a costa do Camboja, dando lugar a grandes projetos turísticos, campos de golfe, aeroportos e parques temáticos. No final do ano passado, o Camboja tinha 150 casinos licenciados, vocacionados sobretudo para os apostadores chineses, uma vez que o jogo é proibido para a população local. Com um lucro de 390 milhões de dólares em 2018, a NagaCorp pagou 8,8 milhões de dólares em impostos.
Índia Dalai Lama foi internado mas o seu estado é estável O líder espiritual tibetano Dalai Lama foi internado na terça-feira num hospital de Nova Deli, devido a uma dor no peito, mas o seu estado de saúde é considerado estável. O monge budista, de 83 anos, deslocou-se ao Hospital de Nova Deli para fazer um exame geral, após ter sentido uma “ligeira tosse e dores no peito”, noticia a agência
France-Presse. “O médico disse que não há qualquer razão para alarme e que não é grave”, revelou Ngodup Tsering, representante do monge nos Estados Unidos da América, adiantando que Dalai Lama precisa “apenas de fazer o tratamento e de uns dias de repouso”, permanecendo no hospital Max.
14 eventos
Dá-lhe gás
AMBIENT LIGHT
11.4.2019 quinta-feira
Primeira mostra a solo de Diogo Machado inaugura amanhã em na capital francesa
O
artista português Diogo Machado (Add Fuel), cujo trabalho se caracteriza pela reinvenção do azulejo tradicional português, inaugura amanhã, em Paris, “Deuxième Désintégration”, a sua primeira exposição individual na capital francesa, onde irá deixar também dois murais. Na sua estreia a solo em Paris, Diogo Machado considerou que “seria interessante dar continuidade ao primeiro projecto” que desenvolveu com a Galerie Itinerrance (onde estará patente a mostra), “Tour13”, em 2013, contou o próprio em declarações à Lusa. “Na altura, trabalhei a questão do repensar e retrabalhar do azulejo, e por estar a ser feito em Paris, numa torre que iria ser desintegrada, destruída, o nome dessa peça acabou por ficar ‘désintégration’”, recordou sobre a sua contribuição para o “Tour13”, projeto da Itinerrance no qual participaram mais de cem artistas urbanos, entre os quais onze portugueses, que ‘ocuparam’ um prédio de dez andares, entretanto demolido. “Deuxième Désintégration” (segunda desintegração, em português) acaba assim “por ser uma continuidade do trabalho desenvolvido nesse primeiro projecto”, com o tema a ir “muito ao encontro” do trabalho que Diogo Machado tem trabalhado ao longo dos últimos anos: “esta questão do azulejo, de desconstruir o azulejo, de pensá-lo e voltar a destruí-lo outra vez, trazê-lo para os tempos modernos, trabalhar um azulejo mais contemporâneo, trabalhá-lo com o meu próprio universo, de desenho e visual”.
NOVOS AZULEJOS
A mostra foi dividida em três zonas. Na primeira estão os trabalhos que quem visitar a exposição “está mais à espera de ver”, ou seja, os painéis em azulejos que ao longe parecem tradicionais painéis de azulejos, em tons de azul, com motivos usados em séculos passados, mas ao perto, distinguem-se, por exemplo, desenhos de caveiras. Na segunda zona, o artista optou por “trazer a rua para dentro da galeria e trazer do passado o projeto ‘Tour13’”.
Aí será possível ver-se “os trabalhos com spray pintados em stencil, há alguns elementos de rua e há também uma viagem no tempo para a ‘Tour13’, com uma construção destruída de parte da torre dentro da exposição”. Na terceira zona da exposição “entra o mais inesperado, a parte da tridimensionalidade e da escultura”. “O que fiz foi, pela primeira vez, expor algumas coisas que tinha em gaveta, coisas mais tridimensionais, puxar as minhas personagens para a tridimensionalidade”, descreveu. Com esta nova técnica, explicou, “os elementos todos que existem dentro dos azulejos acabam por ganhar vida e por ficar reais, em cerâmica”. Nas peças desta última zona está o “azulejo desconstruído em si, não só visualmente, mas também desconstruído ele próprio, ou seja, partido”. Além disso, Diogo Machado trabalhou “também ao nível da tridimensionalidade no próprio painel, ou seja, com várias camadas físicas e visuais, toda esta questão de existirem vários padrões dentro do mesmo painel - não existem apenas num plano, existem em planos tridimensionais”. Além das cerca de 65 peças, “todas novas”, que estarão expostas na galeria Itinerrance, Diogo Machado criou dois murais na cidade. O primeiro já pode ser visto “num prédio com sete andares, com cerca de 22 metros de altura”, na Boulevard Vincent Auriol, no 13.º bairro. O segundo começou a ser pintado ontem. Ilustrador ‘freelancer’, Diogo Machado (Add Fuel) começou a reinterpretar azulejos tradicionais, com recurso a ‘stencil’ (pintura com moldes), quando, em 2008, foi convidado a participar numa exposição em Cascais, que consistia em revestir edifícios com telas com ilustrações. Fora das galerias, é possível ver-se trabalhos seus nas ruas, como o painel de azulejos numa das escadarias da avenida Infante Santo, em Lisboa, ou murais, com recurso a ‘stencil’, em cidades como Ovar, Beja, Viseu Lisboa, Madrid, Montreal, Hong Kong e Paris.
A
DEPTOS de post-punk, noise e shoegaze regozijem! The Jesus and Mary Chain têm concerto marcado em Hong Kong, no próximo dia 28 de Maio, no espaço KITEC Music Zone em Kowloon Bay. A banda de culto escocesa regressa à região vizinha depois da actuação ao vivo em Maio de 2012. À altura, Jim Reid, vocalista da banda confessou que olhava a hipótese de tocar na China como uma “oportunidade para uma nova experiência”. Em declarações à Agência France-Presse, o homem que canta “Just Like Honey” declarou que “hoje em dia a banda teria muito mais sucesso”, comparando com o início dos anos 80, quando se formaram. A Internet foi a razão apontada por Jim Reid, uma vez que
Como m HONG KONG THE JESUS AND MARY CHAIN A 28 DE MAIO
Demasiado grandes para categorizações The Jesus and Mary Chain regressam a para um concerto que promete rebentar c mais frágeis. Fãs dos irmãos Reid: anotem Maio nas agendas. O local de peregrinaç paço KITEC Music Zone em Kowloon B
eventos 15
quinta-feira 11.4.2019
mel
de estilo, os a Hong Kong com tímpanos m o dia 28 de ção será o esBay
Música Centro Científico e Cultural de Macau promove curso em Lisboa
Arranca no próximo dia 27 de Abril um curso livre de música promovido pelo Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, e que será dado pelo músico e compositor Cheong Li. O curso está dividido em duas fases e termina a 29 de Junho. Cheong Li é natural de Macau e vive actualmente na cidade de Almada. Licenciou-se na Universidade Chinesa de Hong Kong (2002) e aprofundou os seus estudos em Composição na Universidade de York, onde se doutorou (2014). As suas composições apresentam recorrentemente elementos de improvisação. O Impromptu II (2011), peça para flauta alto, foi apresentada no Festival Soundscape (2012), Maccagno, Itália e no ISCM World Music Days (2013), em Viena. Como intérprete de erhu interessa-se pelo cruzamento de culturas, em particular pela música do Indostão e da Turquia.
Jazz Gonçalo Prazeres em concerto para crianças na Creative Minds
“apesar das rádios poderem estar mais viradas para a pop, e ainda preferirem passar Lady Gaga, graças à Internet, bandas com guitarras têm um sítio para ser ouvidas”. Inspirados pela revolução cultural trazida pelo punk dos The Sex Pistols, e por bandas como The Velvet Underground, The Stooges e The Shangri-Las, os irmãos Jim e William Reid decidiram aventurar-se numa carreira musical cheia de altos e baixos. Desde cedo, as simples melodias pop dos The Jesus and Mary Chain viveram marcadas pela desafinação dos instrumentos, o noise e feedback das guitarras e pela voz tranquila de Jim Reid.
OS INÍCIOS E OS FINS
Formados em East Kilbride, na Escócia, em 1983, os ir-
mãos Reid decidiram que para a banda chegar a algum lado teriam de se mudar para Londres, não sem antes Bobbie Gillespie ter sido recrutado para a bateria. Gillespie, em contas de outro rosário rock, viria mais tarde a ser a fundar os Primal Scream. Em pouco tempo, os The Jesus and Mary Chain ganharam a reputação de arruaceiros de palco, com os concertos a degenerarem, com alguma frequência, em sessões de pugilato embriagado e datas canceladas devido ao receio de motins. A violência parecia vinda de um sítio angustiante, com a banda a debitar acordes distorcidos do seu primeiro disco, o histórico “Psychocandy”, repleto de barulho mas onde se escondiam belas melodias servidas com letras obscuras.
Com um arrebatador disco de estreia na bagagem, a banda escocesa lançou em 1987 “Darklands”, um registo que aperfeiçoaria o som que os notabilizou desde o início numa direcção mais madura. “Happy When it Rains” e “April Skies” tornaram-se e autênticos hinos de rock alternativo. Com cinco registos na discografia, onde se inclui “Honey’s Dead”, a banda seguiu por uma sucessiva vaga fins e reinícios. Em 2017, regressaram aos discos com “Damage and Joy”, quase 20 anos depois do álbum antecessor. A influência dos The Jesus and Mary Chain no panorama musical é incalculável, mas a sua personalidade sonora pode-se ouvir em bandas tão importantes como My Bloody Valentine, Dinosaur
Jr., Spiritualized, The Horrors e todas as bandas indie que aliam o barulho estridente do feedback a melodias de pop melancólico. Quem estiver interessado em assistir ao concerto, deve apressar-se a comprar bilhete, que custa 540 dólares de Hong Kong, uma vez que a lotação do KITEC Music zone promete esgotar. Mas há que ter uma coisa em atenção: não esperem muita simpatia de Jim Reid e companheiros, nem esfuziantes mensagens de carinho, porque a postura em palco da banda não é das mais calorosas. A ver vamos se Jim Reid canta mais de metade do alinhamento virado para o público. João Luz
info@hojemacau.com.mo
O músico de jazz Gonçalo Prazeres será o protagonista de uma sessão musical dedicada aos mais pequenos, promovida pelo centro infantil Creative Minds no próximo domingo, 14 de Abril, entre as 10h e 11h, no espaço Aerial Arts Macau. O objectivo da sessão é promover o crescimento saudável dos bebés com três anos de idade através da música, de forma a potenciar um melhor desenvolvimento ao nível cognitivo e sensorial. As confirmações de presença devem ser feitas através do email creativeminds.macau8@gmail.com
16 publicidade
11.4.2019 quinta-feira
quinta-feira 11.4.2019
publicidade 17
18 publicidade
11.4.2019 quinta-feira
quinta-feira 11.4.2019
publicidade 19
20 publicidade
11.4.2019 quinta-feira
quinta-feira 11.4.2019
publicidade 21
22 publicidade
11.4.2019 quinta-feira
desporto 23
quinta-feira 11.4.2019
PUB
Auf wiedersehen Dirk Nowitzki anuncia fim da carreira na liga americana
O
alemão Dirk Nowitzki anunciou na terça-feira o fim da carreira na Liga Norte-americana de Basquetebol (NBA), aos 40 anos, após 21 temporadas consecutivas ao serviço dos Dallas Mavericks, que triunfaram na recepção aos Phoenix Suns, por 120-109. “Como esperavam, este é o meu último jogo em casa. Para mim é claro que foi uma grande noite. Mais uma vez estive na companhia de adeptos incríveis, que me apoiaram ao longo de mais de duas décadas. Vou tentar jogar um pouco amanhã [ontem, na visita aos San Antonio Spurs] e aproveitar para fazer algumas boas jogadas”, referiu, em lágrimas, o extremo, no final de uma partida em que apontou 30 pontos, em 33 minutos. Nowitzki impulsionou o 33.º triunfo dos Mavericks, que consolidaram o 12.º lugar da
Conferência Oeste e voltaram a ter em plano de evidência o base esloveno Luka Doncic, autor de um triplo-duplo, com 21 pontos, 16 ressaltos e 11 assistências. O extremo alemão, que actua desde 1998 pelos Mavericks, retira-se da NBA com o estatuto de sexto melhor marcador de sempre, com 31.540 pontos, superado apenas pelos lendários Kareem Abdul-Jabbar, Karl Malone, Kobe Bryant, LeBron James e Michael Jordan. Nowitzki tornou-se ainda o primeiro e único europeu a arrecadar a distinção de ‘Most Valuable Player’ (MVP) da prova, na temporada 2006/07, tendo ajudado a conquistar, em 2011, o único título da equipa sediada em Dallas. No estado da Flórida também houve noite de despedida, mas para Dwayne Wade, que marcou 30 pontos no triunfo caseiro dos Miami Heat sobre os Philadelphia 76’ers, por 122-99.
Eintracht Frankfurt Quatro regressos na visita ao Estádio da Luz O treinador do Eintracht Frankfurt, Adi Hutter, promoveu ontem quatro regressos aos convocados para a visita ao Benfica, esta quinta-feira, para os quartos de final da Liga Europa, numa lista que inclui o futebolista português Gonçalo Paciência. O defesa Chandler, os médios Gacinovic e Rode e o avançado Sébastien Haller, que ficaram de fora da
vitória no terreno do Schalke 04 (2-1), no passado sábado, estão entre os 21 jogadores chamados para o encontro no recinto ‘encarnado’, da primeira mão dos quartos de final da prova. O avançado sérvio Luka Jovic, segundo melhor marcador do campeonato alemão, com 17 golos, e que alinha no clube por empréstimo do Benfica,
está entre os ‘eleitos’, assim como os restantes utilizados no último jogo. Benfica e Eintracht Frankfurt defrontam-se hoje, a partir das 20:00 (hora de Lisboa), no Estádio da Luz, em jogo da primeira mão dos ‘quartos’ da segunda competição europeia de clubes.O segundo encontro, em solo alemão, está marcado para 18 de Abril, à mesma hora.
24
h
retrovisor Luís Carmelo
E
11.4.2019 quinta-feira
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade
Os bugs da maré ansiosa
M meados dos anos sessenta do século XX, uma menina de mini-saia contida e de cabelos em ninho de cegonha anunciava, no branco e preto da TV, enceradoras, frigoríficos de cromado brilhante e móveis de mogno capazes de albergar uma telefonia e um gira-discos. Tudo isto atrás da montra que reflectia as muitas cores dos reclames luminosos que infelizmente desapareceram das nossas cidades em nome das higienes e das composturas contemporâneas (lembro-me de anúncios famosos que se moviam ao jeito de pirilampos gigantes: o Brandy Constantino, a Oliva, o Fósforo Ferrero, o Ovomaltine, o Ómega e sobretudo a capa e espada do bravo Porto Sandeman). Essa menina congeminava desejos reprimidos e projectava uma espécie de direito natural à preguiça insossa e insonsa (e o que irradiasse do sexo não passava de nenúfares e de trinados da eurovisão). Todos esses electrodomésticos de luxo se cruzaram, ao longo de décadas, com revoluções de brado e com outras (paradoxalmente) pacíficas. O tempo passou e alguns desses electrodomésticos desapareceram ou abandonaram o epíteto do luxo e massificaram-se. Hoje em dia, já pouca gente sabe o que é uma telefonia, um transistor, uma enceraroda, a cabeça de um gira-discos, a fita acastanhada do gravador e muito menos quem foi o homem de capa e espada do Porto Sandeman (que se erguia das majestosas armações de metal que, de noite, sobre os telhados das cidades, contavam histórias de luz ao desalento sigiloso de que Ruy Belo tão bem deu conta nos seus poemas).
A democratização dos utilitários tecnológicos com funcionalidades e formatos novos (todo o caudal digital de aparelhamentos do dia-a-dia) tornou-se no dado mais óbvio da nossa vida. A menina de mini-saia contida e com cabelos em ninho de cegonha dos sixties respira hoje dentro de nós, como se a instantaneidade da tecnologia se confundisse, cada vez mais, com um pasmo liofilizado feito da magia ‘on’-‘off’. Os antigos reclames luminosos caíram para dentro do espectáculo individual dos telemóveis e o desalento foi rebaptizado a pensar em novas patologias de tipo compulsivo. Comparar épocas tão distintas - e afinal separadas por apenas meio século - é um ofício parecido com o do carpinteiro José a tentar explicar aos vizinhos por que razão não era o pai de Jesus. Seja como for, a actual revolução tecnológica também teve já os seus lances proféticos falhados (ou, se se preferir, os seus telhados esvaziados de ilusões luminosas). Há duas décadas, na passagem do ano de 1999 para o ano 2000, todas as vozes autorizadas garantiam que a simples mudança de dígito iria gerar um crash global. Uma espécie de 09/11 informático antes de tempo. Esse
Millenium Bug chegou a ser tratado, numa das Newsweek do fim de 1999*, através da expressão “banho de sangue”. As estimativas retiradas dessa mesma publicação eram e são, no mínimo, curiosas e, claro, tremendistas: 1º - Segunda Grande Guerra Mundial II – 4,200 biliões de dólares. 2º - Reconversão informática mundial do ano 2000 – 600 biliões de dólares. 3º - Guerra do Vietname – 500 biliões de dólares. 4º - Terramoto de Kobe – 100 biliões de dólares. 5º - Terramoto de Los Angeles – 60 biliões de dólares. Às vertigens das viragens tecnológicas corresponderá o sorriso congelado da nossa menina de cabelos em ninho de cegonha (que cantarolaria as ventanias de Eduardo Nascimento). A memória avança na nossa direcção com o objectivo de devorar, é certo. E fá-lo para que se perceba - e para que se volte sempre a perceber - a impossibilidade de se ser e de se estar em tempos diferentes. Presos ao futuro (e ao
Presos ao futuro (e ao encanto dos seus pequenos projectos), os humanos viajam num ‘agora’ em movimento, mas um ‘agora’ que nunca se converte num outro ‘agora’ de modo nenhum. Uma tragédia em si mesma, dir-se-á
encanto dos seus pequenos projectos), os humanos viajam num ‘agora’ em movimento, mas um ‘agora’ que nunca se converte num outro ‘agora’ de modo nenhum. Uma tragédia em si mesma, dir-se-á. Se Ruy Belo falava das tragédias de uma determinada época (Morte ao Meio dia, por exemplo, é um poema revelador dos sixties portugueses -“No meu país não acontece nada/ à terra vai-se pela estrada em frente/ Novembro é quanta cor o céu consente/ às casas com que o frio abre a praça”*), outros poetas houve que expressaram tão bem esta tragédia de fundo que consiste, ao fim e ao cabo, em não se ser de tempo nenhum. Razão por que se fala sempre do “meu tempo”, essa ilha isolada do existir a que nunca se regressa e para que nunca mais se caminha. No Fausto, Pessoa repisava o tema: “Tudo que vemos é outra coisa./ A maré vasta, a maré ansiosa,/ É o eco de outra maré que está/ Onde é real o mundo que há”*. Fiquemos, pois, com o eco, esse espanto inexplicável que é olhar para a fotografia do Rossio da Lisboa dos anos sessenta e crer que ele nunca terá realmente existido. Esse, sim, é o verdadeiro bug. E ali ao pé do café Gelo, com o Diário Popular debaixo do braço, lá vou eu, mão na mão, aconchegadinho, com a menina de cabelos em ninho de cegonha a saborear-lhe o rouge. E o vento mudou e ela não voltou. *Beyond 2000 em Newsweek, NY, November 8,| Vol. 154 No. 19, 1999. *Belo, Ruy; Home de Palavra(s), Assírio e Alvim, (1970) 2016. *Pessoa, Fernando; Fausto, Tinta da China, Lisboa (1907-1933) 2018.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 25
quinta-feira 11.4.2019
diário de Próspero
António Cabrita
Da tristeza
08/04/2018
Tinha passado a tarde com o poeta Luís Carlos Patraquim e pelas dezoito ele sugeriu, Vamos visitar o Craveirinha, que está de passagem por Lisboa. Apanhámos um táxi e quinze minutos depois uma figura plúmbea abriu a porta. En-trámos numa casa soturna, velada por pesados reposteiros e por cores escuras nos mó-veis, maciços, e nos sofás. E lá estava o poeta, com o semblante mais infeliz que me lembro de ter visto na vida. O Patraca apresentou-nos mas, face ao viático da tristeza, como reagir? O Patrarca tentou uma e outra vez levar o vate a sorrir, mas, atrás do olhar enfermiço, via-se: nevava. Saí dessa casa com a impressão de ter visitado um castelo desmoronado; alguém que sobrevivera a uma infâmia para agora, a custo, mungir a dor de viver. Não me admirou que pouco tempo depois morresse; aquela presença tersa, fragilizada, subtraída à ilusão de qualquer palavra esfarelava-se à nossa frente. Recebera o Prémio Camões há pouco tempo mas pelos vistos fora tarde. Creio que o José Craveirinho nunca se livrou do sentimento que o levara a escrever As Saborosas Tangerinas de Inhambane, um poema de revolta e de profunda decepção face ao rumo do país. Leio agora que cerca de um milhão de crianças moçambicanas estão envolvidas nas piores formas de trabalho infantil, de acordo com os resultados do estudo realizado pelo Ministério do Trabalho, Emprego e Segurança Social (MITESS), em parceria com a Universidade Eduardo Mondlane-UEM. Um milhão. E essa pesquisa fornece indicações específicas sobre as piores formas desse trabalho infantil: a mineração do tipo garimpo, a prostituição, o tráfico de drogas e o transporte de carga pesada. Lembro-me de numa visita ao Gabinete Contra a Violência Doméstica, na Beira, ter ficado assarapantado porque até 10 de Março de 2010 – ano em que fiz a investigação -, haviam sido registadas na polícia, só nesses dois meses e meio, 110 crianças abandonadas. E do meu horror ao ter multiplicado isso pelo número das cidades existentes em Moçambique. Passo a página e leio que Moçambique perdeu, nos últimos 15 anos, cerca de quatro milhões de hectares de floresta, devido à exploração desordenada e outras acções humanas. As províncias de Nampula, Manica e Sofala são as regiões do país que apresentam o maior desmatamento. Este cenário, dizem os especialistas, ganha contornos preocupantes, agravados pela fraca reposição destes recursos; revela o especialista Credêncio Mahunze: "A província de Nampula, nos últimos 15
anos, perdeu mais de metade da sua área florestal, e se o ritmo continuar, nos próximos 10 anos, podemos não ter florestas nos próximos dez anos", diz. O que terá efeitos no desencadeamento de um processo de desertificação e, evidentemente, numa alteração do clima local. Moçambique, leio, perde igualmente elevadas somas com a exploração ilegal da madeira, cujo mercado principal é a China: pelo menos 540 milhões de dólares da venda de madeira não foram para os cofres do estado, entre 2003 e 2013. Bom, Celso Correia, ministro da Terra e Ambiente, diz que o governo aposta na reforma do sector de florestas e em novos modelos de fiscalização; o mesmo governo que tem fechado os olhos ao saque. Não creio que estas medidas venham a tempo de abafar as lágrimas não derramadas pela sombra do poeta, irmãs da tristeza que sentia.
agricultura foi desmantelada - num país de terras férteis e bastante irrigado, nem um tomate agora se produz. As poucas fábricas de têxteis foram cilindradas pelas “calamidades” – o negócio que resgata a misericórdia dos países ricos, colocando nas ruas fardos de roupa a preços da chuva. As praias foram vendidas aos lodges estrangeiros. Os elefantes e rinocerontes contam-se agora pelos dedos, pois todos ganharam com a caça clandestina. A riqueza piscícola encontra-se depauperada, depois de décadas de varredura dos leitos do mar por frotas soviéticas e depois chinesas, que nada respeitavam nem tinham defeso. A corrupção alargou-se aos níveis mais capilares. Matusalém está deprimido: para que raio estar no poder se daí já não vêm
09/04/2018
impressão de ter visitado
Tive um sonho, uma variação de Fausto; desta vez passa-se em África. Matusalém – assim alcunhado por ser eterno, mais o seu partido, na chefia do governo – está deprimido: não vê mais nada a que deitar-se a mão. As riquezas florestais foram delapidadas, vendida a madeira ao desbarato, o que degenerou numa desertificação crescente. Grande parte da mineração continua sem controle, explorada por “camaradas” que desviam para contas no estrangeiros os lucros em vez de os aplicarem na construção de infra-estruturas. Também a
Saí dessa casa com a um castelo desmoronado; alguém que sobrevivera a uma infâmia para agora, a custo, mungir a dor de viver. Não me admirou que pouco tempo depois morresse
vantagens? Só abafar os escândalos, não lhe parece motivador. Resolve endividar o país, nas costas de um parlamento que nunca respeitou. Em biliões. E então aconteceu algo inesperado. Um ciclone de inolvidáveis proporções arrasa a segunda maior cidade do país e alaga um território imenso, provocando uma tragédia nunca vista. Matusalém fica desesperado. Como mostrar uma competência técnica nunca antes exibida para levantar o país da calamidade, sem vislumbre de algo que tenha sobrado e que possa ser depredado? E então, num rasgo, sugere-lhe o primeiro-ministro. O Presidente convoque o Diabo, ele atenderá. Podemos vender a sua alma para salvar o país. Parece um mau negócio mas é o melhor. Seremos perdoados, tudo será esquecido, e morreremos ricos e benfazejos. E o Presidente será recordado como o grande salvador. Melhor plano não havia. Recrutaram-se os melhores espíritas do país e, sob tremendos rituais, convocou-se a Besta. Uma, duas, três vezes, mas o Diabo não reagia. Convocou-se o diabo uma quarta vez, com sacrifício do último rinoceronte, duas girafas e três pacaças. E aparece um furibundo Balzebu no seu lugar, que atira, dirigindo-se a Matusalém: «Não sei para quê este disparate de te convocares a ti próprio, mas estás a pôr alguns vulcões submarinos furiosos! Cuidado com o que vem aí!”. Foi aí que se soube que o Diabo sofria de Alzheimer.
26 (f)utilidades
?
AGUACEIROS
O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje
MIN
24
MAX
28
C I N E M A
39 6 8 7 5 3 9 0 2 1 4
0 2 9 1 4 7 5 6 8 3
41
3 4 1 0 8 6 2 7 5 9
4 6 3 8 2 5 7 9 0 1
5 0 8 7 1 3 6 4 9 2
0 5 7 4 8 4 3 9 0 6 2 6 8 1 5 SHAZAM! [B] 1 de: David 7 F.Sandberg 3 9 2 Um filme Com: Zachary Levi, Asher Angel, 9 Mark Strong 4 1 7 3 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 5 0 6 2 4 THE UPSIDE [B] 6 de: Neil8Burger2 5 9 Um filme Com: Kevin Hart, Bryan Cranston, Nicole Kidman 14.30, 816.45, 21.30 1 0 3 7 US 7 [C] 9 4 6 1 Um filme de: Jordan Peele Com: Lupita Nyong’o, 8 0 3 Winston 2 Duke, 5 SALA 1
SALA 2
Elisabeth Moss 19.15
7 3 2 9 0 1 4 5 6 8
9 1 5 4 6 2 8 0 3 7
1 9 6 2 5 4 3 8 7 0
2 7 0 6 9 8 1 3 4 5
8 5 4 3 7 0 9 1 2 6
9 1 3 2 6 7 2 5 1 8 THE UPSIDE 3 4 0 7 9 8BREAKTHROUGH 0 6 [A]5 4 Um filme de: Roxann Dawson Chrissy Metz, 6Com: 5 Ruiz,2 8 0 Marcel Josh Lucas, Grace 1 14.30,Topher 8 9 3 7 16.45, 19.15 0P STORM 7 [C]1 4 3 FALADO EM CANTONENSE 5LEGENDADO 6 EM4 CHINÊS E9 INGLÊS 2 Um filme de: David Lam Com: Louis Koo, 2 Kevin 3 Cheng,8 0 5 Raymond Lam, 4 Lam9Ka Tung,7 6 1 SALA 3
Chrissie Chau 21.30
BAHT
3 8 2 4 1 6 5 9 8 7 8 1 4 3 5 4 2 7 5 1 6 9 0 8 3 1 5 0 2 7 8 9 0 2 3 1 4 6Seis casais 8 foram publicaUma mulher é vergastada em público2 em Banda 7 Acheh, Indonésia.
CONCERTO | "HUSH!! CONCERTO NA PRAIA” Praia de Hac Sá
2 0 3 4 1 6 5 7 9 8 6 9 7 8 2 0 1 4 3 5 EXPOSIÇÃO | "DESENHOS DA RENASCENÇA ITALIANA DO 8 6 2 0 3 5 4 9 7 1 BRITISH MUSEUM" Museu 0 de4Arte8de Macau 2 6| Até 930 de7Junho1 5 3 3 1 5 6 7 4 9 8 0 2 5 7 9 1 8 3 2 6 4 0 9 3 1 5 4 8 0 2 6 7 Cineteatro 7 8 6 9 0 2 3 5 1 4 4 2 0 7 5 1 6 3 8 9
9.07
5 2 0
Entre 28 de Abril e 1 de Maio
37
EURO
37
CONCERTO | MOCKING BULLET + ELI+ LAVY LMA | 21h30
EXPOSIÇÃO | “PHOTO-METRAGENS – FOTOGRAFIA DE JOÃO MIGUEL 1 BARROS” 5 4 3 9 7 8 0 2 6 Oficinas Navais N.º 1 | a partir de amanhã até 2 de Junho
•
0.25
YUAN
1.20
ALL-IN
13 de Abril
EXPOSIÇÃO | OBRAS PRIMAS DE ARTE RUSSA MAM | Até 22/04
75-95%
VIDA DE CÃO
CONCERTO | NEUROOTS + SIDE BURNS + SINO HEARTS LMA | 21h30
Diariamente
HUM
NEGROS HÁBITOS 38 5 4 7 3 0 1 6 8 9 2
9 1 8 5 3 6 2 7 0 4
2 6 0 9 4 7 8 1 3 5
1 5 3 4 8 0 7 6 2 9
7 9 4 0 2 8 3 5 1 6
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 38
mente castigados na mesma província, a 4 de Março, por adultério. Depois da grotesca pena, duas mulheres ficaram incapacitadas de andar.
8 2 6 7 9 5 1 0 4 3
0 3 1 6 5 2 9 4 7 8
4 0 2 8 1 9 5 3 6 7
40
1 2 FILME 7 0 4 HOJE 9 3 6 UM 4 0 5 1 2 6 8 7 6 8 3 2 7 5 9 0 5 1 6 2 7 4
O actor Hugh Jackman 9 4como 8 protagonista 7 1 3 figura do filme “The 7 1 2 6 Greatest 8 4 Showman”, um musical 5 9 na 6 história 3 0verídi7 inspirado ca2do 3 lendário 0 9empresário 5 8 P.T. Barnum (1819-1891), 8 visionário 5 1 4que6nasceu 0 um do nada, mas que alimenta3 6 4 8 9 2 do pelos seus sonhos e uma 0 imaginação 7 9 5 criou 3 um 1 fértil espectáculo, que era mais um circo de excêntricos. Barnum 42 acabaria por se tornar num sucesso à escala 2 3 Embora 4 5 na 7 vida 6 mundial. tenha sido definido como 1 9 6 3 0 8 um charlatão, aparece 5 0 8como 4 um1 herói 2 sobretudo no 7filme 1 que 5 retrata 6 o3nasci0 mento do mundo do “show 3 7 0 Hoje 9 Macau 5 1 business”.
4 6 0 9 8
6 2 8 8 9 7 5 1 2 4 3 1 2www. 7 0
hojemacau. com.mo
4 5 3 2 1 9 0 8
3 7 5 2 6 4 0 9 8 1 8 9 1 6 0 4 7 3 5 2
6 8 9 1 7 3 4 2 5 0 5 3 0 2 9 8 4 7 1 6
39
43
6 23 7 2 10 41 74 58 2 7 89 5
37 4 15 9 80 68 6 73 1 92
PROBLEMA 39
41
45
0 6 39 61 1 70 45 03 8 4 92 3 7
2 3 88 6 14 69 7 01 40 5
47
1 68 9 2 23 55 7 6 04 0 4 5 7 91 8 2 50 6 69 83
0 06 81 78 7 9 65 42 93 4 7 66 50 5 9 4 3 78 11 2
8 31 24 96 2 3 40 55 67 9 1 74 32 7 6 0 5 53 28 9
5 12 3 4 69 27 1 0 36 8
13 28 9 04 2 7 71 5 6 0
19 7 60 3 55 46 4 88 2 01 5 50 03 8 21 96 2 49 7 4
2 70 7 65 94 81 13 9 48 6 0 17 4 9 83 31 46 92 05 8
4 5 46 7 8 2 9 11 0 3
69 1 5 2 0 8 34 7 3 16
S U D O K U
TEMPO
11.4.2019 quinta-feira
3 9 8 1 6 0 2 4 5 7
Por vezes, as probabilidades sorriem-nos e cheios de fé apostamos todas as fichas 38 resultado imprevisível. Ficamos num nas mãos cruéis da sorte, incapazes de 2 1 7 8 0 4 voltar atrás na decisão que deitou tudo a perder, ou explodimos 9 em 2 felicidade com o golpe de génio que nos trouxe 0 funciona 4 tanto 6 no jogo 2 a fortuna. Isto como em vários aspectos da vida. Ainda 3 4 0 7 6 assim, também na justiça, por vezes, há 0 insista a ir8até ao fim, até5à última quem ficha. 1 Assim de repente, 0 os casos2de Scott Chiang e Fong Soi Kun surgem-me ao 6 9porque pensamento. Em7 primeiro lugar, apresentam 7 algumas semelhanças. Não 9 na natureza do processo, mas ao nível 3 pelo 2 princípio7do con6 do9desrespeito traditório. Em ambos os casos, apesar 4 5 7 1 de um ter natureza penal e o outro administrativa, tanto Chiang como Fong foram surpreendidos por uma mudança 40 de intenções por parte do Governo. Num caso deu-se 8 2 7 2 0uma6 0alteração 9do 4crime3 6de 5 que o arguido era acusado, enquanto o 9 3 de2 0 1 5 4 0 alvo 1uma6 2sanção 9 outro foi diferente da6inicial. Em ambos os casos, apesar 1 5 7 2 0 9 8 9 4 6 de decisões judiciais contrárias ao Exe2 9 com 8 8 5foi1um 3 5 o7 6 cutivo,4 a resposta All-In, Governo 7 esfera 2 5jurisdi6 8 7 3 a ir1até0 6à última 0 cional à procura da sua sorte. Voltando 7 8 jogador, 4 1 6 9 2 9 do 3 3 o poder 1político à analogia parece 6 4 0 par7 2 5 3impassível 0 9 depois 5 8de um 1de 1 más mãos e continua a dobrar apostas 3 5 4de azar. 7 4 maré 2 2Não 0 mesmo6face9a uma sei3se é2 1 de8aconselhamento 6 6uma4questão 2 37 0 95 jurídico, de salvar face ou pura fé de que 7 8 a9 1 32 9 mas 3 5são24jogadas a sorte0 mude, fichas até à última. João Luz
44
42
46
8THE GREATEST 3SHOWMAN 5 6 | MICHAEL 2 1 0 7 8 6 4GRACEY 2 9 1 7 3 3 0 0 8 5 4 6 8 2 6 4 0 2 8 4 1 7 2 9 7 0 3 6 3 0 3 5 9 7 5 6 2 9 4 7 3 2 7 0 1 9 4 9 3 8 8 5 4 5 4 8 6 7 5 8 0 6 2 0 4 1 5 9 7 6 4 9 3 1 5 2 9 0 0 6 5 4 2 8 1 9 0 6 7 97 4 5 4 9 0 1 6 2 4 7 85 3 70 1 1 8 3 5 6 2 4 7 9 6
48
9 8 1 0 7 3 5 8 2 0 4 6 1 9 2 8 0 9 5 1 6 3 4 7 2 5 2 9 6 5 3 1 7 0 8 4 3 9 6 0 7 4 2 8 7 3 6 9 1 0 4 2 9 6 8 3 7 5 7 4 1 5 3 8 9 0 2 9 8 4 8 6 3 7 1 9 5 4 0 2 5 2 7 4 0 6 3 1 8 2 4 6 5 8 9 3 6 4 0 7 2 1 4 0 5 2 1 7 8 9 9 3 0 1 5 7 0 4 7 1 5 3 2 9 6 8 1 3 9 6 8 5 7 4 4 5 1 0 3 2 9 2 1 4 8 7 6 5 3 0 0 6 8 3 9 2 4 7 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota 8 Colaboradores 9 6 4Amélia7Vieira; 3 António Cabrita; António 3 Castro 1 Caeiro; 8 0António7Falcão; 5 Gonçalo 9 Lobo 2 Pinheiro; 4 6João Paulo Cotrim; José8Drummond; 5 2José Navarro 1 4de Andrade; 3 0José 6 Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; 2 Valério 7 Romão 5 6Colunistas 0 António 8 Conceição Júnior;6David7Chan;0João9Romão; 4 Jorge2Morbey; 1 Jorge 8 Rodrigues 5 3Simão; Olavo Rasquinho; 6 Paul 7 Chan 3 Wai8Chi; Paula 2 Bicho; 9 1 5 Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária 6 4 3 5 9 1 4 5 2 6 0 8 3 1 9 7 9 1 4 7 6 0 5 2 de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
1 7 3 4 5
1 7 3 2 6 2 9 0 8 3 87 5 4
9 8 3 0 4 5 2 1 7 6
7 2 5 8 6 9 7 0 3 1 4
9 4 6 1 7 3 8 5 2 0
7 1 2 8 6 0 5 9 4 3
4 5 6 9 3 2 1 7 0 8
opinião 27
quinta-feira 11.4.2019
de vez em quando
JORGE MORBEY
Da identidade dos Macaenses e de outros portugueses do Oriente
(Continuação) 2. A IDENTIDADE COLECTIVA DAS CRISTANDADES CRIOULAS LUSÓFONAS DO ORIENTE A hibridação cultural dos portugueses euro-asiáticos do Oriente foi reforçada pela cristianização dos povos com os quais os portugueses estabeleceram relações duradouras, nas regiões litorais do Indico e do Pacífico. Mesmo hoje em dia, os termos “cristão” e “português” são sinónimos, em certas partes do Oriente. E entre os povos orientais, o estereótipo do português não corresponde ao tipo somático do português originário da Península Ibérica, mas ao dos euro-asiáticos descendentes dos portugueses que vivem em comunidades que habitam as regiões litorais do Índico e do Pacífico. Por alguns séculos, estas comunidades que eu designo por Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente, foram a única referência de Portugal e dos portugueses, entre os povos vizinhos delas. Tenho verificado a sinonímia entre “cristão” e “português” e a substituição do estereótipo ibérico do português pelo estereótipo do português euro-asiático: Em 1965, na minha primeira visita a Macau, ao hospedar-me num hotel em Hong Kong, o recepcionista, chinês local, perguntou qual era a minha nacionalidade. Respondi-lhe que era português e ele, imediatamente, declarou: - eu também sou cristão. Em 1985, num hotel em Malaca, em conversa com uma jovem malasiana, ao ouvir a mesma resposta, ela exclamou: - Você está a brincar! Você é alto e tem cabelos, pele e olhos claros. Os portugueses são mais baixos e muito mais escuros. É claro que ela estava a referir-se aos portugueses de Malaca. Em geral, identidade significa mesmice, uniformidade, semelhança. Do ponto de vista social, ”identidade” é o carácter colectivo que resulta das características comuns dos membros de um grupo. Designa-se “identidade colectiva” e tem uma personalidade básica subjacente. A transferência de domínios coloniais entre países europeus – de Portugal católico para a Holanda protestante, principalmente - constituiu o pano de fundo em que emergiram as Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente. Com a substituição da dominação portuguesa pela holandesa, permanecendo nas terras que as viram nascer, deportadas para outras paragens, ou forçadas à emigração, essas comunidades mestiças talharam a sua identidade colectiva que perdurou até aos nossos dias, assente em três pilares principais: a religião católica, a língua crioula e a gastronomia portuguesa, recriada localmente. A religião católica fora trazida para o Oriente, pelos portugueses, directamente de Portugal ou através de Goa – a Roma do Oriente. Convertidos ou nascidos nela, com ela haveriam de morrer, geração após geração. A sua língua – o crioulo - era a língua portuguesa na formulação que lhe conferira o estatuto de língua franca nos litorais da Ásia e da Ocea-
nia, desde o Século XVI, até à sua substituição pelo inglês, no Século XIX. Após um século em que os portugueses eram o único povo europeu conhecido no Oriente, holandeses, ingleses e dinamarqueses não podiam prescindir de um “língoa” ou “jurubaça” [intérprete], a bordo dos seus navios, para poderem comerciar nos portos do Oriente, na língua que era - nada mais, nada menos – aquela que as Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente falavam e, muitas delas, ainda falam. Tratados, entre esses países europeus e alguns poderes locais, foram firmados em português, por ser a única língua a que os europeus podiam recorrer para comunicar no Oriente, ainda que contra os interesses dos portugueses. A forte identidade das Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente cimentou-se em grande parte na adversidade. O conflito religioso nascido na Europa, entre católicos e protestantes, ramificou-se por todas as paragens do Oriente onde o poderio holandês derrubou o de Portugal e se firmou. A profanação e a destruição de igrejas e mosteiros, a expulsão dos padres, a proibição de qualquer acto de culto católico, as deportações maciças, a redução de muitos à condição de escravos, compeliram os membros dessas cristandades à clandestinidade, à resistência e à emigração: Macau, Índia, Insulíndia, Sião e Indochina foram os seus destinos principais. Os que teimavam em ficar, escondidos em suas casas ou refugiados nas florestas, celebravam como podiam os actos de culto da religião católica. Sem padres e sem igrejas, organizaram-se em irmandades clandestinas que, ao fim de décadas, produziram fenómenos de cristalização cultural, de natureza religiosa e linguística que impediriam, por séculos, a sua plena integração nas paróquias criadas posteriormente. Tais irmandades permaneceram até aos nossos dias e conservam determinadas prerrogativas que limitam a autoridade dos párocos, o que é visível em algumas celebrações onde os sacerdotes se limitam à Eucaristia e à Confissão dos fiéis porque, em tudo o mais, quem manda é a Irmandade. Quando a dominação holandesa foi substituída pela inglesa, as Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente foram ficando menos oprimidas e, em alguns casos, foram as próprias autoridades coloniais britânicas a tomar a iniciativa de lhes facultar padres portugueses, novamente. Perdida a confiança que a Santa Sé depositara desde o Século XV em Sua Magestade Fidelíssima o Rei de Portugal, na se-
quência do corte de relações diplomáticas, por iniciativa do Governo liberal, em 1833, e a extinção das ordens religiosas, por decreto de 31 de Maio de 1834, o Padroado Português do Oriente sofreu um golpe mortal, na Índia, no Ceilão, hoje Sri-Lanka, no Sudeste Asiático, na China e na Oceania. Permanecendo, os que podiam, nas suas missões, os missionários do Padroado não seriam substituídos pelos seus confrades. O clero secular de Goa, numeroso e bem preparado, acorria em socorro das Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente que iam ficando sem religiosos. Quase sempre em vão. Os missionários da Propaganda Fidae e das Missions Étrangères de Paris já as ocupavam e os respectivos vigários apostólicos impediam-lhes o exercício do seu múnus. A expansão missionária francesa no Oriente começara ainda no século XVII. As Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente, gente simples e temente a Deus, mantidas na ignorância dos conflitos entre Portugal e a Santa Sé, lutaram anos sem fim contra as novas autoridades eclesiásticas com quem conflituavam abertamente e às quais consideravam estrangeiras. Durante décadas pagaram o elevado preço de lhes serem recusados os sacramentos a que só esporadicamente tinham acesso quando aportava um navio com um sacerdote, ainda que espanhol. Clamaram sempre pelo envio de clero. De Portugal, de Goa ou de Macau. Em vão. A firme identidade das Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente, ainda hoje, evita o casamento dos seus membros com indivíduos exteriores a elas e prefere que os futuros cônjuges provenham do seu seio ou de outras cristandades, ainda que distantes. Quando assim não acontece e o casamento une um membro da Comunidade a alguém que a ela não pertence, a regra é a conversão deste à religião católica e a aprendizagem da língua crioula. Algumas dessas comunidades fruem um status social digno nos países onde vivem. Outras, porém, são socialmente desqualificadas e os seus membros são depreciativamente designados por “negros”, apesar da sua côr mais clara, da pele, do cabelo e dos olhos, relativamente aos naturais com outras origens étnicas. É o que acontece na Birmânia/Myanmar. A nível individual, nos países onde vivem, podem encontrar-se indivíduos originários destas comunidades nos mais elevados
estratos da sociedade: do mundo da política à actividade empresarial, nas mais elevadas funções da hierarquia eclesiástica ou como simples párocos de aldeia. Onde se verifique a existência de uma significativa percentagem de membros destas comunidades no clero católico, isso parece resultar da intensa discriminação de que são objecto no acesso ao ensino público e ao mercado de trabalho, público e privado. Em geral, dedicam-se a actividades modestas. São pequenos proprietários, simples trabalhadores agrícolas ou pescadores. A língua crioula falou-se também nas Cristandades Crioulas Lusófonas da Tailândia – Ayutia e, posteriormente, Bangkok - até aos anos 50 do Século XX, onde permanecem vocábulos de uso corrente no relacionamento familiar e nas práticas da religião católica. Na Indonésia, além de Java, na ilha das Flores (Larantuka e Sikka), nas ilhas de Ternate e Tidore e em Bali. Em Timor (Lifau e Bidau). No Bangladesh (Chittagong e Dhaka), até aos anos 20 do século XX, era muito viva a presença da língua crioula nas Cristandades locais. Na segunda metade da década de noventa, numa breve passagem de poucas horas em Dacca, pude certificar-me da existência de léxico crioulo entre os católicos de Dhaka. A pequena Cristandade Crioula Lusófona de Korlai (junto a Chaúl), na Índia, somente em 1982 seria revelada ao Mundo por Laurentiu Theban. O seu crioulo é designado por Kristi. A Cristandade Crioula Lusófona da Birmânia – Myanmar actualmente – já não usa a língua crioula e, ao contrário das demais, perdeu com o tempo os próprios nomes e apelidos cristãos/ portugueses, apesar de permanecer fiel à religião católica. Com a descolonização das antigas colónias portuguesas de África foi restituído aos seus povos o direito de decidirem sobre as suas línguas nacionais. Em todas elas o português foi adoptado como língua oficial, ao mesmo tempo que se reconheceu expontânea dignidade às línguas maternas dos seus povos. As Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente, substituído o domínio português, permaneceram sob domínio colonial europeu que as hostilizava ou, pelo menos, não dignificava. Assim permaneceram até à independência dos países em que se encontram, onde constituem minorias com reputação variável em cada um deles. Por naturais razões de unidade do Estado, esses países mantiveram como língua oficial o inglês, a língua do último colonizador, e privilegiam uma ou mais das suas línguas maternas como língua nacional. O poder colonial inglês não descolonizou as Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente, no sentido de restituir dignidade à sua identidade colectiva, de que a língua crioula faz parte integrante, o que, aliás, não era de esperar. Nem é de esperar que os poderes pós-coloniais de motu proprio venham a dedicar-lhes a atenção a que têm direito. A incapacidade de Portugal nesta matéria tem sido uma evidência secular, filha da ignorância e do preconceito. (Continua)
A melancolia é a tristeza da carne.
ONU CERCA DE 800 MILHÕES DE MULHERES CASARAM AINDA MENINAS
IPIM MA CHI NGAI E DOMINIC SIO EM TÓQUIO
M
C
PUB
ERCA de 800 milhões de mulheres foram casadas quando eram meninas e 300 milhões não têm acesso a métodos e serviços contraceptivos, informa o relatório anual do Fundo da População das Nações Unidas, ontem publicado. O relatório, com o qual o organismo assinala os seus 50 anos de existência, adianta que, em países onde existem emergências humanitárias, 500 mulheres e meninas morrem a cada dia devido a problemas ligados à gravidez ou ao parto, sublinhando a necessidade de conseguir que todas tenham plenos direitos sobre a sua reprodução. Sobre o matrimónio infantil, o documento destaca que em países como o Bangladesh, o Chade, a Etiópia ou a Guiné, 60 por cento das mulheres casam-se antes dos 18 anos, enquanto a percentagem dos homens a quem acontece o mesmo é de 20 por cento. Em média, uma em cada cinco mulheres no mundo casaram antes dos 18 anos, sendo que o número duplica nos países menos desenvolvidos. “Apesar do aumento do acesso a contraceptivos, milhões de mulheres continuam a não os poder usar, nem desfrutar dos direitos reprodutivos que eles permitem”, destaca a diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), Natália Kanem, num comunicado a propósito da publicação do documento deste ano. “Esta carência, que influencia diversas facetas da vida, desde a educação à segurança, impede que as mulheres possam escolher o seu próprio futuro”, afirmou. O documento mede, pela primeira vez, a possibilidade de as mulheres terem escolha sobre três variáveis da sua vida reprodutiva: decidir sobre a relação sexual com o seu parceiro, usar contraceptivos e ter acesso a serviços de saúde ligados a esta questão. Nos 51 países de onde a FNUAP recebeu dados completos, foi possível detectar que 43% das mulheres não têm a possibilidade de decidir o que querem relativamente a nenhuma destas variáveis.
quinta-feira 11.4.2019
PALAVRA DO DIA
SOFIA MARGARIDA MOTA
Etienne Rey
Questões existenciais Governo apresentou dois projectos para proteger Lai Chi Vun e Coloane
P
ROTEGER Lai Chi Vun e Coloane com um dique ou com dois lagos? É esta a resposta que o Governo procura para prevenir as inundações em Lai Chi Vun e na Avenida 5 de Outubro, em Coloane. As duas propostas foram apresentadas ontem ao Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU), com a opção dos lagos a ser apoiada quase unanimemente pelos membros que exprimiram os seus pontos de vista. A maior parte argumentou que a construção de um dique entre os estaleiros navais e a ponte-cais de Coloane teria um impacto visual demasiado forte para aquela que é uma zona protegida. Em relação a este aspecto, Lam Iek Chit, membro do conselho, disse considerar ridícula a opção de cortar a ligação dos estaleiros ao mar. “Estamos a falar de uma fábrica de barcos que tem de ter contacto com a água. É por esta envolvente que foi considerada uma área protegida pelo Governo. Mesmo a vida da população de Lai Chi Vun está numa colina, por isso as inundações não afectam muito a população”, justificou. “A proposta de cortar
a ligação entre Lai Chi Vun e o mar é ridícula”, apontou. Caso seja construído o dique a altura será de 4,5 metros e no topo poderiam ser colocados espaços verdes e parques. Por outro lado, a situação dos lagos tende a imitar as opções de Sai Van e Nam Van. Também o arquitecto Rui Leão se mostrou a favor dos lagos, mas alertou que é preciso garantir que existe uma forma de escoar a água destes espaços, em caso de chuvas. “Se houver um dique junto à margem actual, esta vai ficar emparedada com uma parede muito alta de betão à frente da margem. É um efeito visual extremamente negativo”, afirmou Rui Leão. “Se estamos a falar de uma altura de 4 a 4,5 metros é bastante inviável. Vai dar cabo da paisagem da zona”, acrescentou. A opção dos lagos foi assim mais elogiada: “Apresenta-se como uma solução muito mais viável para resolver as questões do impacto visual e urbanístico”, frisou.
MAK, O RESIDENTE
Também Mak Soi Kun, deputado e construtor civil que vive em Coloane, diz que prefere os lagos. “Na perspectiva de cidadão, acho
que tem de ser a opção segura e que protege vida dos cidadãos, porque eu moro em Coloane”, afirmou Mak. “Mas gosto mais da opção dos dois lagos”, opinou. No final da reunião, Li Canfeng, director das Direcção de Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), explicou que as duas propostas ainda estão em fase de estudo e que não há um calendário para os trabalhos nem orçamento. “Ainda não temos um calendário para tomar uma decisão. Estamos numa fase de debate. Hoje [ontem] apresentámos aos membros do CPU as alternativas e eles apresentaram as suas opiniões. Também queremos ouvir os residentes e fazer vários estudos”, disse Li Canfeng. Durante a reunião debate-se ainda a possibilidade de mudar a ponte-cais de Coloane de sítio. Porém, Li mostrou-se contra este cenário. Depois de estar escolhida uma alternativa, o Governo tem de pedir autorização a Pequim para avançar com as obras, uma vez que os trabalhos afectam a área marítima. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
A Chi Ngai e o ex-deputado Dominic Sio estiveram presentes numa iniciativa do Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau (IPIM) em Tóquio, no âmbito de uma viagem oficial realizada pela RAEM ao Japão. Irene Lau, presidente substituta do IPIM, chefiou a delegação empresarial, composta por 20 pessoas, que participou, até ontem, na “Sessão de Promoção da Grande Baía Guangdong-Macau-Hong Kong”. Ma Chi Ngai participou na qualidade de presidente do Conselho de Administração do Fundo para Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia da RAEM, enquanto Dominic Sio esteve envolvido no evento na qualidade de presidente da Câmara de Comércio Macau – Japão. Este “referiu que a sessão de promoção permitiu a oportunidade de encontrar empresas japonesas de grande escala, acreditando que a região da Grande Baía irá captar a atenção de empresas japonesas.” Na visão do ex-deputado, esta política “não deve ser apenas promovida a nível do Governo, sugerindo a necessidade de as empresas participarem activamente nesta iniciativa, de modo a alcançar resultados multiplicados”.
Santa Rosa de Lima Planta do Colégio aprovada
A planta de condições urbanísticas (PCU) para o Colégio de Santa Rosa de Lima foi aprovada ontem no Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU), apesar de algumas críticas do arquitecto Rui Leão. “O edifício onde funciona a escola e onde estão as residências das freiras não está considerado [para ser mantido]. Mas acho que se for demolido o conjunto vai ficar muito empobrecido e bastante desqualificado. Espero que o Instituto Cultural tenha este reparo em atenção”, afirmou.