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Hoje Macau 11 MAR 2019 #4244

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

HONG KONG

FERVOR ELECTRO ANTÓNIO FALCÃO

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Novos episódios JOAN CORNELLÀ

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OPINIÃO

Infantilidade JOÃO LUZ NAM VAN

PAULO MAIA E CARMO

UMA EXCLAMAÇÃO RITA TABORDA DUARTE

No teu poema

Sob o signo da poesia. O festival literário Rota das Letras arranca esta semana e a poesia é o mote para os eventos que irão animar a cidade entre a próxima quinta-feira e 24 de

Março. Miguel Sousa Tavares e José Luís Peixoto são cabeças de cartaz de uma programação que celebra Sophia de Mello Breyner, Adé dos Santos Ferreira e Jorge de Sena, entre outros.

EVENTOS

ANTÓNIO FALCÃO

COLÉGIO ELEITORAL

FAÇAM O FAVOR DE LIGAR PÁGINA 5

BEBIBAS ALCOÓLICAS

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JOSÉ SIMÕES MORAIS

hojemacau

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A idade maior

NÜZHEN E QING

SOFIA MARGARIDA MOTA

Batalha lusitana

ZHENG BANQIAO

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CASO JOHN MO

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MOP$10

SEGUNDA-FEIRA 11 DE MARÇO DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4246

PROTESTO | PETIÇÃO À CHUVA GRANDE PLANO


2 grande plano

11.3.2019 segunda-feira

FOTOS SOFIA MARGARIDA MOTA

PROTESTO

SENTIDO UNICO CENTENAS NA RUA CONTRA O RECONHECIMENTO MÚTUO DE CARTAS DE CONDUÇÃO

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O estabelecimento de uma quota para o reconhecimento de cartas de condução da China continental e a formação de motoristas são alguns dos pedidos dos manifestantes que se juntaram em protesto no sábado no Jardim Vasco da Gama. Os organizadores, Sulu Sou e Ng Kuok Cheong, vão mais longe e defendem que o reconhecimento de cartas de condução deve ser unilateral, habilitando apenas os residentes de Macau a conduzir na China

A

chuva não demoveu algumas centenas de manifestantes que se juntaram no passado sábado, no Jardim Vasco da Gama, para rumarem à sede do Governo em protesto contra o reconhecimento mútuo de cartas de condução com o Interior da China. A manifestação reuniu, de acordo com os organizadores Au Kam San e Ng Kuok Cheong – com a Iniciativa para o Desenvolvimento Comunitário - e Sulu Sou – com

“Os hábitos de condução são completamente diferentes, eles conduzem pela direita, nós conduzimos pela esquerda e é necessário tempo para a adaptação.” YU MANIFESTANTE

a Associação Novo Macau - entre 500 a 600 pessoas. Já segundo as estimativas do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) o total de participantes terá atingido os 440, divididos entre 260 e 180 pelas duas associações promotoras do protesto. Foram ainda destacados 80 agentes para acompanhar a manifestação que terminou, debaixo de chuva, com a entrega de petições na sede do Governo A segurança esteve na base dos motivos que levaram os manifestantes à rua. “Em primeiro lugar penso que esta política de reconhecimento mútuo das cartas de condução pode acarretar perigos e complicações de circulação para os residentes locais”, aponta Ip, actor na casa dos quarenta anos que marcou presença no Jardim Vasco da Gama, às 15h, de guarda-chuva na mão e autocolante com palavras de ordem colado na manga do casaco. Segundo Ip, Macau é um território pequeno que sofre com o excesso de pessoas e carros, situação que só


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segunda-feira 11.3.2019

NÚMEROS • Entre 500 a 600 pessoas, segundo a organização • 440, divididos entre 260 e 180 pelas duas associações promotoras, segundo a Polícia

tende a agravar com o acréscimo de veículos, criando “mais incómodos”, como atenta à “segurança na circulação rodoviária”. O receio do aumento da sinistralidade rodoviária relaciona-se com a ideia de que os condutores chineses não estão “familiarizados com as regras de trânsito de cá”, acrescenta. Ip não é contra a circulação de veículos do continente em Macau por completo, mas sublinha a necessidade de uma medida que imponha restrições ao número de condutores, ao invés de “permitir livremente o reconhecimento das cartas de condução”. “Penso que precisamos de algumas restrições. Este reconhecimento não deveria ser dado livremente e sem critérios. Tanto para os condutores chineses como para os de Macau”, refere. Para Ip “o reconhecimento de cartas deveria ser facultado aos condutores mediante regras”, nomeadamente porque as normas de trânsito variam entre os dois lados da fronteira. Tendo em conta este aspecto, o actor entende que se deveria dar a conhecer o código da estrada de Macau, com acções de promoção e formação, assim como realizar exames de condução.

PROPORÇÕES DISTINTAS

A formação dos condutores é também uma das preocupações que levou Yu, de 44 anos, a juntar-se ao protesto de sábado. “Os hábitos de condução são completamente diferentes, eles conduzem pela direita, nós conduzimos pela esquerda e é necessário tempo para a adaptação”, disse. Uma possível solução passaria pela implementação de duas medidas: “assegurar que os condutores tenham uma pequena formação e fazer alguns testes de modo a aprenderem as regras locais e a adaptarem-se à forma como se conduz em Macau”. Outra das soluções sugeridas por Yu passa por “impor restrições ao

número de condutores que pode obter reconhecimento”. Aliás, o estabelecimento de um limite ao número de motoristas do continente que queiram circular em Macau deveria ser “o primeiro passo a dar pelo Governo dentro desta nova política”, considera. “Seria uma forma de testar a me-

“O Governo não está a pensar nos residentes de Macau, mas sim em ficar bem visto junto do Governo Central.” CHAN MANIFESTANTE

dida, porque se a ideia avançar, se calhar, daqui a um ano vamos perceber o quão terrível foi e, se calhar, será já demasiado tarde por ter causado muitos estragos incluindo acidentes e transtornos à circulação local”, justifica. Para Yu, a pequena dimensão de Macau é um factor a ter em conta,

principalmente se comparada com a área da China. “De acordo com as notícias, existem cerca de 20 000 residentes de Macau que precisam de conduzir no continente, o que para a China é um número muito reduzido, mas ao contrário, ter mais Continua na página seguinte


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20 mil condutores a conduzirem em Macau já significa muito. Somos muito pequenos”, aponta.

RISCO SOBRE RODAS

O perigo para os residentes é também sublinhado por Chan. “Receio pela minha própria vida” aponta o jovem de 30 anos. Para Chan, “o Governo não está a pensar nos residentes de Macau, mas sim em ficar bem visto junto do Governo Central”. Já Alex, de 23 anos, recorda o recente acidente que levou à morte de uma estudante para reforçar as preocupações que tem relativamente à segurança dos automobilistas e residentes caso o reconhecimento mútuo de cartas de condução avance “sem critérios”. “Os condutores do continente trazem muitos perigos aos residentes locais”, afirma peremptoriamente. ParaAlex, a existência do controlo de condutores chineses através de formação e realização de exames de condução seria uma medida a considerar. “Alguns condutores sabem como conduzir em Macau, mas nem todos. Por isso, antes que possam usar a sua carta para circular no território, deveriam passar por algum tipo de exame ou formação de modo a mostrar que são seguros”, diz.

“Precisamos de algumas restrições. Este reconhecimento não deveria ser dado livremente e sem critérios. Tanto para os condutores chineses como para os de Macau.” IP MANIFESTANTE

Ainda assim, e dado o “excesso de tráfego em Macau”, Alex partilha a opinião de outros manifestantes que defendem que “a formação deve ser acompanhada com limites à quantidade de condutores do continente”. O jovem sugere a criação de uma quota, com validade anual, que estabeleça um número máximo de reconhecimentos. “Podem vir depois de passar um exame, mas precisam de ter um limite, talvez dado por ano . Deve ser estabelecida uma quota”, sublinha.

ORGANIZADORES MAIS RADICAIS

A formação para condutores de Macau e da China Interior é uma medida que deve ser tida em conta considerando o projecto de integração regional da Grande Baía, de acordo com o deputado Sulu Sou representante da Associação Novo Macau, uma das entidades organizadoras do protesto. “Os condutores devem ter aulas e testes de condução se quiserem circular na Grande Baía”, disse.

No entanto, para Sou as negociações entre o Governo de Macau e o Governo Central acerca do reconhecimento mútuo sem critérios devem terminar já e deve ser feita uma consulta pública. “Os residentes estão contra e devem ser considerados nesta política”, afirma ao HM. “Muitos residentes estão preocupados com a cultura de condução que é muito diferente na China”, acrescenta Sulu Sou. Recorde-se que na semana passada, Lam Hin San, director dos Serviços para osAssuntos de Tráfego

(DSAT) rejeitou o pedido de consulta pública para a polémica medida. Por outro lado, o deputado pró-democrata defende que o reconhecimento de cartas de condução, a ser instituído, deverá ser unidireccional, ou seja, deve apenas contemplar os condutores de Macau que queiram circular no continente. A ideia é “razoável” e não será nova no panorama local, existindo já uma medida idêntica prevista para a circulação de carros de Macau na Ilha da Montanha. “Em 2016, as autoridades abriram a circulação na

Ilha da Montanha a veículos de Macau portadores apenas de matrícula local, e os condutores de Hengqin não podem fazer o mesmo em Macau se apenas tiverem a matrícula chinesa”, diz Sulu Sou que arrisca vaticinar que “não será uma hipótese a ser rejeitada” por Pequim. O reconhecimento apenas para os condutores de Macau é também apontado pelo representante da Iniciativa para o Desenvolvimento Comunitário, o deputado Ng Kuok Cheong, para quem os condutores chineses se devem limitar ao uso

dos transportes públicos locais de forma a “manter a segurança nas estradas”, até porque “Macau é uma cidade muito pequena”. Já os deputados Ella Lei, Lam Lon Wai, Lei Chan U e Leong Sun Iok, que no final da semana passada demostraram apoio ao protesto de sábado, não marcaram presença na manifestação. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


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segunda-feira 11.3.2019

SAÚDE SULU SOU PEDE A DIVULGAÇÃO DE LISTA DE DOENÇAS RARAS

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deputado Sulu Sou quer que os Serviços de Saúde (SS) tornem pública a lista de doenças consideradas raras pelo organismo, bem como a sua taxa de incidência na população. Para o deputado, publicar esta informação é uma forma de alertar a comunidade para diagnósticos de doenças raras que, sendo conhecidos, “podem salvar vidas”, aponta em interpelação escrita. Sulu Sou quer ainda saber de que meios dispõem os SS para formação de diagnósticos pré-natais, uma vez que muitas das doenças consideradas raras pela Organização Mundial de Saúde têm origem em mutações genéticas precoces. O pedido de esclarecimento, diz Sou, é moti-

vado pelas preocupações do deputado acerca da precariedade de especialistas na área genética em Macau, o que pode colidir com um diagnóstico feito em tempo útil acerca de doenças raras que necessitem de tratamentos específicos, também estes, muitas vezes não disponíveis no território. Por esta razão, o deputado questiona: “Diante das limitações quanto a especialistas em genética clínica em Macau e das muitas doenças raras associadas a mutações genéticas, que estratégias têm as autoridades para lidar com esses desafios?” Entretanto, o deputado aponta o dedo aos SS que continuam com uma base de dados especializada nesta matéria “aparentemente vazia”. S.M.M.

UL ALEXIS TAM RECEBE HONORIS CAUSA

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secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, é distinguido hoje com o doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Lisboa, reconhecendo o seu “empenho” no desenvolvimento do ensino e da língua portuguesa em Macau. “É uma escolha que se deve à excepcionalidade do seu percurso e forte perfil cívico e político na área da educação”, disse à Lusa o director do Instituto da Educação da Universidade de Lisboa, Luís Miguel Carvalho, a propósito da atribuição desta distinção. A proposta de atribuição das insígnias Honoris Causa partiu do Instituto de Educação, da Faculdade de Letras e do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, unidades orgânicas da Universidade de Lisboa. António Sampaio da Nóvoa, embaixador de Portugal na UNESCO e antigo reitor da Universidade de Lisboa, será o padrinho. Luís Miguel Carvalho sublinhou que Alexis Tam “tem sido

uma pessoa particularmente empenhada no desenvolvimento do ensino e da aprendizagem da língua portuguesa em Macau” e destacou o seu envolvimento na causa da educação, em especial na reforma das políticas educativas, com incidência no ensino superior em Macau. Entre as contribuições que considerou mais “relevantes”, apontou a criação de um curso de licenciatura em Português no Instituto Politécnico de Macau, onde se faz formação de professores de português a nativos da língua chinesa, acções de apoio à criação e desenvolvimento de cursos de graduação e pós-graduação que envolvem a Universidade de Lisboa e instituições de ensino superior de Macau e da China e um laboratório de tradução automática chinês-português.

CHEFE DO EXECUTIVO CANDIDATOS COM ACESSO A CONTACTOS DO COLÉGIO ELEITORAL

À distância de um telefonema O objectivo da Comissão dos Assuntos Eleitorais do Chefe do Executivo (CAECE) passa por garantir que candidatos tenham acesso aos 400 membros do Colégio Eleitoral para pedir os 60 apoios necessários à candidatura

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Comissão dos Assuntos Eleitorais do Chefe do Executivo (CAECE) decidiu que todos os 400 membros do Colégio Eleitoral, que vão eleger o futuro líder do Governo, têm de disponibilizar os dados de contacto aos candidatos. A decisão é inédita e foi tomada na sexta-feira, após uma reunião da entidade. “Vamos encorajar e pedir aos membros da Comissão Eleitoral que forneçam os dados de contacto, através de um formulário escrito à CAECE para que os candidatos os possam contactar”, começou por anunciar a presidente da comissão Song

Man Lei. “O objectivo passa por todos os candidatos poderem ter um meio de contacto dos membros do Colégio Eleitoral e pedirem os apoios para a candidatura”, acrescentou.

“[Orçamento?] Eu não quero dizer um número hoje e depois ter de alterá-lo. Quero evitar esse tipo de situações.” SONG MAN LEI PRESIDENTE DA CAECE

De acordo com a lei, é exigido aos eventuais candidatos que reúnam o apoio de 60 dos 400 membros do Colégio Eleitoral. Cada membro do colégio só pode comprometer-se com um único candidato. O assunto levantava dúvidas devido à protecção de dados pessoais dos membros do colégio, uma questão que já tinha sido abordada com a Gabinete de Protecção dos Dados Pessoais (GPDP), numa reunião anterior. Ontem foi tomada uma decisão: “A questão da protecção dos dados pessoais é muito importante para a comissão. Por isso, tentámos encontrar um equilíbrio entre o fornecimento dos dados e a entrega dos mesmos”, justi-

ficou a juíza do Tribunal de Última Instância.

CONTAGEM ELECTRÓNICA

Além da protecção dos dados pessoais, a CAECE debateu os boletins de voto para a eleição da Comissão Eleitoral, que está marcada para 16 de Junho, de acordo com a imprensa oficial. Neste assunto, o essencial para a CAECE é que tudo corra dentro da normalidade e que o novo design do boletim de voto, em relação ao utilizado em 2014, permita a contagem electrónica dos votos. “O nosso objectivo no design é que seja bem-sucedido para que tudo decorra dentro da normalidade. Também esperamos que o design se possa articular com a nossa decisão anterior, que passa pela contagem electrónica dos votos”, contou a presidente da CAECE. Finalmente, foi também discutida a forma como será promovida a eleição do Chefe do Executivo. As actividades de promoção da corrida deverão arrancar nos finais de Maio e, neste momento, ainda não é conhecida a quantia orçamentada. “O orçamento também foi discutido, mas não queremos avançar com um valor, porque ainda vamos ter de fazer as adjudicações. Eu não quero dizer um número hoje e depois ter de alterá-lo. Quero evitar esse tipo de situações”, justificou Song Man Lei. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE FINANÇAS EDITAL Contribuição Predial Urbana RECLAMAÇÕES Faz-se saber, face ao disposto no artigo 71.º do Regulamento da Contribuição Predial Urbana, aprovado pela Lei n.º 19/78/M, de 12 de Agosto, com nova redacção dada pelo Decreto-Lei n.º 19/87/M, de 13 de Abril, que, durante o período de 1 a 31 de Março do corrente ano, as matrizes prediais vão ser postas a reclamação dos contribuintes, podendo estes reclamar contra o rendimento colectável fixado para o exercício de 2018. O respectivo impresso é fornecido por estes Serviços, no Edifício “Finanças”, no Centro de Serviços da RAEM e no Centro de Atendimento Taipa, ou ser descarregado através do endereço electrónico www.dsf.gov.mo, podendo, ainda, o pedido de reclamação acima referido ser apresentado através do endereço electrónico desta Direcção dos Serviços. Aos, 8 de Fevereiro de 2019. A Directora dos Serviços, Substituta Chong Seng Sam

AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1.

2. 3.

Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 <<Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Estrada de D. Maria II, n.ºs 18, 20, 24 e 26, em Macau; - Estrada D. Maria II, n.º 22 e Rua dos Pescadores, n.º 515, em Macau, (Edifício Ocean Garden); - Rua dos Pescadores, n.ºs 443 a 515, em Macau, (Edifício Hoi Van). Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situado no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para os efeitos do respectivo pagamento. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 15 de Fevereiro de 2019.

O Director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong


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segunda-feira 11.3.2019

ÁLCOOL GOVERNO PROPÕE IDADE MÍNIMA PARA COMPRAR DE 18 ANOS

Só para maiores

O Executivo vai fazer uma consulta pública relativa à idade mínima, 18 anos, para se poder comprar bebidas com álcool Sanções para consumidores não estão em cima da mesa, mas os impostos das bebidas alcoólicas podem sofrer um aumento, como aconteceu com os produtos do tabaco

O

Governo vai lançar uma consulta pública em que propõe que a idade mínima para a compra de bebidas alcoólicas seja de 18 anos. O objectivo da proposta é controlar o consumo de álcool entre os menores e responder a um apelo da “comunidade”, segundo Lam Chong, Chefe do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças dos Serviços de Saúde. A consulta pública só deverá começar na segunda metade do ano corrente. “A comunidade de wMacau apelou a uma regulamentação para limitar o consumo de álcool por menores. Macau tem regulamentos rígidos sobre condução de veículos em estado de embriaguez, mas ainda não existem disposições legais para a prevenção e controlo do consumo nocivo de álcool”, começou por explicar Lam. Sobre o critério dos 18 anos de idade, Lam justificou que foi tida como referência a legislação de vários países vizinhos e também europeus. No entanto, admite que poderá haver alterações à idade mínima: “Vai haver uma consulta pública e não há uma decisão final. Queremos ouvir as opiniões da população antes de tomarmos uma decisão”, explicou. O consumo de álcool por parte de menores foi apontado como um problema em Macau por um estudo

que contou com cerca de 7.000 inquéritos a alunos do secundário. A investigação académica revelou que 80 por cento dos alunos experimentaram bebidas alcoólicas antes dos 13 anos. “É um número um bocado alto se compararmos com as regiões vizinhas, como Hong Kong ou o Interior da China, e outros países, em que as percentagens variam entre os 50 e 70 por cento”, defendeu Chefe do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças Serviços de Saúde. Por outro lado, o membro do Governo apontou que existe uma correlação forte “entre o consumo de álcool na juventude e o uso nocivo na idade adulta” e que o consumo de álcool potencializa outras doenças. Mesmo assim, o estudo de referência dos Serviços

O consumo de álcool por parte de menores foi apontado como um problema em Macau por um estudo que revelou que 80 por cento dos alunos experimentaram bebidas alcoólicas antes dos 13 anos

de Saúde apontou que 8 por cento dos estudantes beberam em excesso e 1,6 por cento ficou em estado de embriaguez.

USO SEM PENALIZAÇÃO

Além da idade de venda, o diploma vai abranger outros aspectos como a publicidade de bebidas alcoólicas, assim como os incentivos na sociedade para o consumo deste tipo de produtos. Neste momento, está afastada a possibilidade de punir os menores que consumam álcool: “Aplicar sanções a menores não é viável. Se podemos aplicar aos pais por negligência, é um assunto que vamos discutir. Mas em termos dos menores não é viável, nem são situações fáceis de detectar. Vamos antes apostar na educação e em campanhas de prevenção”, opinou Lam. O que não está afasto é um aumento dos impostos sobre as bebidas alcoólicas. Neste aspecto, foi revelado que a actual legislação de controlo do tabaco vai ser tida como referência. Outro capítulo em que o mesmo diploma também vai ser utilizado como modelo é nas sanções para os infractores da venda de bebidas, em que os valores das multas poderão variar entre as 20 mil e 200 mil patacas. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

SARAMPO TERCEIRO CASO IMPORTADO

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S Serviços de Saúde confirmaram na sexta-feira um caso de sarampo importado, elevando para três o número de ocorrências do tipo desde o início do ano. O paciente é um residente, de 38 anos, actualmente hospitalizado na enfermaria de isolamento do Hospital Kiang Wu devido ao facto de ainda ter febre. O homem apresentou os primeiros sintomas a 1 de Março, altura em que recorreu à clínica da empresa onde trabalhava. Dois dias depois, face ao surgimento de erupção cutânea na face e no pescoço dirigiu-se ao Serviço de Urgência do Centro Hospitalar Conde de S. Januário. A 6 de Março, os sintomas

agravaram-se, com a erupção cutânea a espalhar-se para o tronco e membros, levando-o a dirigir-se ao Serviço de Urgência do Hospital Kiang Wu. O diagnóstico foi confirmado na sexta-feira, dia 8, com o residente a testar positivo sarampo. O paciente nasceu na China e, segundo os Serviços de Saúde, não estava vacinado contra o sarampo. De acordo com os Serviços de Saúde, o paciente deslocou-se duas vezes em Zhongshan, onde permaneceu uma noite, durante o período de incubação. O historial de viagem e o tempo de início dos sintomas levou os Serviços de Saúde a concluir tratar-se de um caso importado.

SJM Filha de Stanley Ho está grávida e quer casar em Portugal

A filha mais velha da relação de Stanley Ho com a deputada Angela Leong está grávida e quer casar em Portugal, onde pretende arrendar um castelo para o efeito. A notícia foi avançada, na sexta-feira, pelo jornal Apple Daily. Sabrina Ho, que nos últimos tempos se tem dedicado ao negócio dos leilões de arte, está noiva do namorado Thomas Xin desde Setembro e grávida de três meses. O casamento deverá acontecer já em 2020, não sendo ainda certo que o pai, Stanley, actualmente com 97 anos, possa viajar devido aos problemas de saúde que tem enfrentado. Quando o bebé nascer, Angela Leong, que tem quatro filhos de Stanley Ho, vai tornar-se avó pela primeira vez.


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11.3.2019 segunda-feira

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Tribunal de Segunda Instância (TSI) indeferiu um pedido de suspensão de eficácia interposto pela Casa de Portugal (CPM) para interromper a execução do procedimento de um dos concursos públicos para a exploração de espaços no Anim’Arte Nam Van, da qual foi excluída logo na fase inicial. Perdida a primeira batalha, a CPM aguarda agora por uma decisão sobre o conteúdo da acção principal. A informação foi revelada pela presidente da Casa de Portugal,

NAM VAN CASA DE PORTUGAL RECORRE DE EXCLUSÃO DE CONCURSO PÚBLICO

Carimbos da discórdia Formação Turística para a exploração de espaços para restauração junto ao Lago Nam Van. A Casa de Portugal concorreu apenas a um dos espaços colocados a concurso, com a intenção de transferir o “Lusitanus”, actualmente “mal instalado” na sede para o novo espaço. Contudo, a Casa de Portugal foi eliminada logo na abertura do concurso público por falhar em cumprir um requisito formal: carimbos em todos os documentos que constituíam a proposta. “Exigiam que o concorrente tivesse todas as folhas carimbadas. Tínhamos carimbos onde se assinava, onde se terminava a apresentação e carimbámos para evitar chatices”, relatou Amélia António, criticando a falta de senso, até porque “os carimbos em Macau não têm qualquer valor”. “Na lei o que tem valor é a assinatura – é o que representa a entidade ou o próprio. Os carimbos não valem nada”, realçou a também advogada.

ANTÓNIO FALCÃO

A Casa de Portugal pretendia transferir o restaurante “Lusitanus”, mas foi excluída do concurso público para a exploração de espaço em Nam Van por falta de carimbos. Inconformada, recorreu para o Tribunal de Segunda Instância e perdeu a primeira batalha na quinta-feira, ao ver indeferido o pedido de suspensão do concurso público

OUTRAS LACUNAS Amélia António “Havia coisas que exigiam uma certa responsabilidade que podiam ser supridas, mas a falta de um carimbo em cada folha não podia.”

Maria Amélia António, ao HM, dado que, no portal dos tribunais, encontra-se apenas disponível o resultado do pedido de suspensão de eficácia do acto administrativo do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam. Um resultado que, na verdade, “já não

tem efeito prático”, atendendo a que o concurso público prosseguiu. “Fizemos o pedido por descargo de consciência. Sabíamos que a suspensão não ia ser aceite porque o recorrido não tem que justificar. Basta dizer que existe interesse público em que o concurso pros-

siga”, pelo que “já sabíamos qual era a decisão”, explicou Amélia António, enfatizando que falta julgar ainda “a questão de fundo”. O recurso interposto para o TSI tem como objecto um dos mais recentes concursos públicos a serem lançados pelo Instituto de

PROTECÇÃO CIVIL SIMULACRO DE GRANDE ESCALA NO PRÓXIMO MÊS secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, revelou ontem estar programado, para o final do próximo mês, um simulacro integrado de protecção civil de grande escala. Um exercício para o qual os residentes interessados podem inscrever-se, a título individual, para participarem e onde as funções da plataforma de comando de emergência proposta pela Universidade Tsinghua serão também testadas. O objectivo passa por elevar a eficácia dos trabalhos de comando da estrutura de protecção civil, indicou o secretário para a Segurança, à margem da cerimónia

de inauguração do Dia de Convívio entre a Polícia e o Cidadão. Questionado sobre os planos de criação de GCS

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uma estação de rádio no âmbito da protecção civil, o secretário explicou que, em breve, vai ser iniciada a segunda fase das obras

de remodelação do Centro de Operações de Protecção Civil, prevendo-se a sua conclusão em Setembro, estando já reservado es-

paço para a sua instalação. Não obstante, como reconheceu, a emissora não deve entrar em funcionamento antes da época de tufões – com início normalmente em Maio – até porque envolve recursos humanos, equipamentos, bem como a definição de mecanismos e de modelos de funcionamento, carecendo de uma “ponderação minuciosa”. Em paralelo, os Serviços de Polícia Unitários (SPU) estão ainda a finalizar o estudo a respeito, que se espera concluído este ano, o qual irá preceder um plano preliminar, indicou Wong Sio Chak.

Acresce, porém, que a falta de carimbos em todas as folhas, mesmo que assumida, era uma razão que “não podia ser ultrapassada”, indicou a presidente da Casa de Portugal, dando conta de lacunas mais relevantes que, por contraste, podiam ser suprimidas: “Coisas importantes, como a proposta de rendas e os compromissos que tinham de ser com assinatura reconhecida [por um notário], tinham 24 horas para suprir a deficiência. Havia coisas que exigiam uma certa responsabilidade que podiam ser supridas, mas a falta de um carimbo em cada folha não podia...”, pelo que resultou na “exclusão imediata” da proposta. Esta não foi a primeira vez que a Casa de Portugal foi previamente excluída de concursos públicos, mas no passado tal ficou a dever-se ao facto de não serem uma empresa, como exigido. “Nos primeiros concursos em que participamos não tínhamos a noção de que a Casa de Portugal por si não podia concorrer porque não é uma empresa, mas depois aprendemos a lição e constituímos uma sociedade unipessoal que tem como único sócio a Casa de Portugal”, indicou Amélia António, referindo-se então à CPM Artes e Ofícios. Diana do Mar e João Santos Filipe info@hojemacau.com.mo


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Habitação Índice de preços cai 1,3% entre Novembro e Janeiro

HOJE MACAU

segunda-feira 11.3.2019

Entre Novembro de 2018 e Janeiro de 2019 o índice global de preços da habitação diminuiu 1,3 por cento, em comparação com o período entre Outubro a Dezembro de 2018. De acordo com um comunicado emitido pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, o índice de preços de habitações construídas baixou 1,0 por cento, em relação ao período anterior, destacando-se que na Península de Macau desceram 1,1 por cento e na Taipa e Coloane 0,9 por cento. Em comparação com o período de Novembro de 2017 a Janeiro de 2018, o índice global de preços da habitação e o índice de preços de habitações construídas subiram 3,2 por cento e 6,0 por cento, respectivamente, enquanto o índice de preços de habitações em construção desceu 3,1 por cento.

Crime Detidas 562 pessoas por troca ilegal de moeda

No passado mês de Fevereiro foram detidas 562 pessoas por troca ilegal de moeda no território. As detenções foram o resultado de 208 operações levadas a cabo pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), revela um comunicado emitido pelas autoridades que adianta que todos os detidos foram expatriados, sendo que 407 foram sujeitos à medida de proibição de reentrada em Macau. Já no mês de Janeiro foram efectuadas 246 acções policiais de fiscalização, tendo sido interceptados 545 indivíduos envolvidos em “burlas de troca de dinheiro”, tendo os mesmos sido repatriados. Destes, 411 foram sujeitos à medida de proibição de reentrada. As autoridades recordam ainda que durante o ano 2018, foram repatriados 3050 indivíduos, dos quais 2269 ficaram impedidos de voltar a entrar em Macau. As autoridades recordam ainda que vão continuar a investir no combate a este crime de modo a “reduzir os riscos de segurança para a sociedade, procurando assegurar um bom ambiente para Macau”.

TRIBUNAIS MP RECORREU DE SENTENÇA QUE ABSOLVEU JOHN MO

Próximo capítulo

O Tribunal de Segunda Instância vai ter de decidir sobre a inocência do ex-director da Faculdade de Direito da Universidade de Macau, após o MP ter interposto recurso sobre a decisão que ilibou o académico da acusação de violação

O

Ministério Público recorreu da decisão do Tribunal Judicial de Base (TJB) que absolveu John Mo, ex-director da Faculdade de Direito da Universidade de Macau, da prática de um crime de violação. A informação foi revelada pelo MP, ao HM, na sexta-feira, ou seja no dia seguinte à data limite para a contestação. “Vimos por este meio informar que o Ministério Público interpôs recurso da sentença do processo que envolve John Mo”, informou a instituição liderada por Ip Son Sang. O caso aconteceu a 23 de Junho do ano passado e envolveu John Mo e uma estudante do ensino superior, casada, de outra instituição

de ensino local, que não a Universidade de Macau. Foi por volta das 23h00 e as primeiras horas do dia seguinte, num bar de karaoke, que o académico terá beijado, abraçado e inserido um dedo na vagina da queixosa. Mais tarde a mulher,

“Vimos por este meio informar que o Ministério Público interpôs recurso da sentença do processo que envolve John Mo.” MINISTÉRIO PÚBLICO

do Interior da China, que já tinha terminado os estudos e ia regressar, nos dias seguintes, ao local de origem acabou por apresentar queixa por violação. No entanto, o colectivo de juízes do TJB, liderado por Lou Ieng Ha, considerou que não havia provas para considerar John Mo culpado. A situação ficou toda registada em vídeo, que foi o principal meio de prova do julgamento.

CONSCIENTE OU INCONSCIENTE?

Uma das grandes questões que esteve em causa na primeira instância foi decidir se a alegada vítima estava em condições de tomar decisões ou se o álcool ingerido fazia com que tivesse perdido o discernimento. O tribunal acabou

por considerar que a ofendida estava na posse de capacidades suficientes para ter consciência do que estava a fazer. Além disso, para o tribunal, não houve qualquer acto de resistência ao avanços do académico: “Não há dúvidas que o arguido introduziu o dedo na vagina [da ofendida] e, por momentos, fez um movimento de vai e vem”, foi uma das frases da sentença proferida pela juíza Lou Ieng Ha. “[Ela] Ficou deitada [na sala de karaoke], mas o indivíduo não a prendeu [quando avançou]. A ofendida podia movimentar os braços. E ela mexeu-se, aparentemente para facilitar a introdução [do dedo]. Tinha as mãos livres, mas não bateu no arguido. Bastava que tivesse feito qualquer gesto de oposição como, por exemplo, puxar os cabelos do arguido, para mostrar que recusava. Não o fez”, foi sustentado, na altura. Além do académico, o caso envolve também Lei Iok Pui e Yang Manman, que enfrentavam acusações da prática do crime de violação e omissão de auxílio. Ambos foram absolvidos. A decisão segue agora para o Tribunal de Segunda Instância, que vai ter de se pronunciar sobre o caso. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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segunda-feira 11.3.2019

A oitava edição do festival literário, Rota das Letras, está à porta com datas marcadas entre 14 e 24 de Março. Este ano a programação será compactada em menos dias e pela primeira vez terá um tema: a poesia. Miguel Sousa Tavares e José Luís Peixoto são dois dos principais convidados portugueses, num ano em que se celebram Sophia de Mello Breyner, Adé dos Santos Ferreira, Herman Melville, Walt Whitman e Jorge de Sena

“A

poesia é o início de tudo, a primeira interpretação do mundo.” Foi assim que Carlos Morais José, director de programação do festival literário Rota das Letras apresentou a oitava edição subordinada ao tema da poesia. É para mostrar a universalidade desta arte que o Rota das Letras de 2019 propõe uma programação que trespassa o género literário na multiplicidade de formas que pode apresentar. “Queremos mostrar às pessoas que há muitas formas diferentes de apresentar poesia, podemos fazê-lo simplesmente através do recitar, podemos fazer através do teatro, do cinema ou através da pintura”, acrescenta o director de programação. Um dos destaques do cartaz deste ano vai para a celebração do 100º aniversário de Sophia de Mello Breyner. A efeméride vai ser assinalada com

A palavra universal LITERATURA ROTA DAS LETRAS ARRANCA QUINTA-FEIRA COM A POESIA COMO TEMA

a presença do jornalista e escritor Miguel de Sousa Tavares, filho da poetisa, no dia 15 pelas 19h, nas Oficinas Navais. Durante a palestra, intitulada “O percurso literário de Sophia”, o filho da poetisa irá recitar alguns poemas da mãe.

A Associação Cultural D´as Entranhas também vai assinalar o aniversário da autora portuguesa com a performance “Sophia”, no mesmo dia e local, às 21h. O grupo vai partir da poesia de Sophia de Mello Breyner, e reinterpreta-la, num formato que em nada se assemelha a um recital. “Pegar nos monstros é sempre complicado, ainda por cima tratando-se da Sophia”, revelou Vera Paz, responsável pela associação. Também Jorge de Sena terá destaque nesta 8ª edição do festival literário. “Vamos apresentar um documentário sobre o Jorge de Sena realizado por um professor de uma universidade e South Lake City, nos Estados Unidos”, desvenda Ricardo Pinto. O director do festival explica que o académico, além de ter trabalhado com o poeta, fez

também várias antologias poéticas de Angola e de Moçambique, destacando-se como um grande promotor da poesia em português.

POEMAS DE CÁ

Adé Ferreira dos Santos será outro dos destaques da edição deste ano do Rota das Letras. O poeta macaense vai ser recordado com um recital inteiramente feito em patuá. Será um raro momento de leitura de poesia, apontou ontem Carlos Morais José. Durante o evento será ainda publicado um dicionário de Crioulo de Macau. Também Camilo Pessanha vai ser recordado na 8.ª edição do festival literário de Macau, desta feita com a apresentação do filme “Pe San Ié” de Rosa Coutinho Cabral que tem Carlos Morais José como protagonista.

CLÁSSICOS DE SEMPRE

Os 200º aniversários de Herman Melville, autor de “Moby Dick” e de Walt Whitman vão ser assinalados na edição

“Entendemos que duas semanas era muito tempo. Dez dias é uma coisa mais concentrada e permite uma acção mais eficaz.” CARLOS MORAIS JOSÉ DIRECTOR DE PROGRAMAÇÃO DO ROTA DAS LETRAS

deste ano do Rota das Letras com a apresentação de dois documentários sobre a vida dos incontornáveis escritores norte-americanos. Outra das datas assinaladas pelo Rota das Letras é o centenário do movimento do 4 de Maio, que marca a Nova Literatura na China. O festival vai trazer alguns dos escritos de autores que marcaram esta altura, entre eles, Lu Xun, Hu Shi e Zhu Ziqing. O grupo de teatro de Macau Rolling Puppets vai levar à cena, a peça de teatro de marionetas “Droga”, uma adaptação do romance homónimo de Lu Xun publicado em 1919. A peça será representada durante os últimos três dias do festival, nas antigas Oficinas Navais.

ODE NUNCA VISTA

O Rota das Letras apresentará ainda o espectáculo de Pedro Lamares “Ode Marítima”, baseado no poema de Álvaro de Campos, um dos heterónimos de Fernando Pessoa. Vai ser a primeira vez que a “Ode Marítima” é declamada integralmente num palco de Macau. “A forma dos sentimentos – quando a poesia inspira a arte” é o nome da exposição que vai estar patente nas Oficinas Navais, a partir de dia 23, e que reúne trabalhos de artistas locais baseados em excertos de poemas dos autores celebrados na edição 2019 do Rota das Letras. Rui Rasquinho, Carlos Marreiros,

Fortes Pakeong Sequeira, Joaquim Franco, Konstantin Bessmertny, Cherry Tsang são alguns dos autores que aceitaram o desafio.

SONS DA FESTA

Na música o destaque vai para o cantor português Salvador Sobral, vencedor do Festival Eurovisão da Canção em 2017, que fará a sua primeira visita a Macau para um concerto marcado para o dia 17 de Março no Teatro Broadway. Afesta de encerramento do festival vai estar a cargo da banda de Taiwan Wednesday & Bad to the Bone. O concerto está marcado para as 22h30, do dia 24 de Março, no LMA. Depois da performance da banda de Taiwan, a noite prossegue em festa. Apesar de mais curta, a edição deste ano é mais condensada, apontou Carlos Morais José. “Esta edição encurtou-se mas concentrou-se no tempo que existe, em termos de quantidade é a mesma coisa. O tempo é que é mais curto, porque entendemos que duas semanas era muito tempo. Dez dias é uma coisa mais concentrada e permite uma acção mais eficaz”, disse. O director do festival, Ricardo Pinto, salienta neste aspecto o “período de transição” que o Rota das Letras atravessa, mas confessou estar “muito feliz” com a programação final. João Luz (com Sofia Margarida Mota) info@hojemacau.com.mo


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O Presidente brasileiro, que tem agendadas a curto-prazo visitas aos Estados Unidos, Chile e Israel, anunciou agora uma deslocação à China, na segunda metade do ano

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Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, anunciou sexta-feira que vai visitar a China, maior parceira comercial do país, durante o segundo semestre deste ano. Bolsonaro referiu-se à realização dessa viagem durante uma cerimónia em que recebeu as credenciais do novo embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, e reiterou que a intenção do seu Governo, em termos de política externa, é ampliar as relações comerciais com "todo" o mundo. "Vamos melhorar a relação. Queremos aproximar-nos (...) expandir os nossos negócios, abrir novas fronteiras", declarou o chefe de Estado, acrescentando que essa é a "directriz" que passou a todos os seus ministros. Embora não tenha indicado quando realizará essa visita, o Presidente disse aos jornalistas que a viagem à China será "durante o segundo semestre", já que a sua agenda externa estará "muito carregada" nos próximos meses.

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VISITA BOLSONARO NA CHINA NO SEGUNDO SEMESTRE DESTE ANO

O negócio comanda a vida A China tem sido o principal parceiro comercial do Brasil no mundo nos últimos cinco anos e o destino da maioria das exportações brasileiras de matérias-primas, além de manter investimentos substanciais no país sul-americano, especialmente em matéria de energia. Após vencer as eleições, o chefe de Estado brasileiro mostrou-se comprometido em manter os laços com a China, independentemente das diferenças ideológicas, declarações que agradaram ao Presidente chinês, Xi Jinping. No entanto, durante a campanha eleitoral, Jair Bolsonaro lançou ataques ao investimento chinês: "A China não está a comprar no Brasil, ela está a comprar o Brasil", afirmou. Bolsonaro acusou o país asiático de ter uma atitude

ENCONTRO DE IRMÃOS

predatória nos investimentos realizados no Brasil e tornou-se, em Fevereiro do ano passado, o primeiro candidato presidencial brasileiro a visitar Taiwan, desde que o Brasil reconheceu Pequim como o único Governo chinês, em 1979. Em Novembro de 2018, logo

“Vamos melhorar a relação. Queremos aproximar-nos (...) expandir os nossos negócios, abrir novas fronteiras.” JAIR BOLSONARO PRESIDENTE DO BRASIL PUB

MONTEPIO GERAL DE MACAU ASSEMBLEIA GERAL CONVOCATÓRIA Nos termos do Artº 34º, nº 1, al. a) dos Estatutos em vigor, convoco a Assembleia Geral Ordinária para reunir na sua sede, sita na Avenida Doutor Mário Soares, nº 25, 3º andar (4º piso) do Edifício “Montepio”, no próximo dia 27 de Março de 2019, pelas 17H15, com a seguinte ordem de trabalhos:

1ª – Discussão e votação do relatório e Conta de Gerência do ano de 2018 e do parecer do Conselho Fiscal; e

2ª Outros assuntos de interesse da Associação.

No caso de não comparecer nesse dia e hora indicados, o número de associados mencionado no nº 1 do Artº 36º, considera-se desde já convocada nova reunião, que se realizará no mesmo local decorrida uma hora, com qualquer número de associados.

após a vitória de Bolsonaro nas presidenciais, o jornal China Daily lembrou, no seu editorial, Jair Bolsonaro "não tem motivos" para perturbar as relações com a China, lembrando o peso do país asiático para a economia brasileira. O jornal oficial em língua inglesa China Daily afirmou que "virar as costas à China talvez sirva algum propósito político", mas que os "custos para a economia brasileira podem ser duríssimos". "Temos a sincera esperança de que, após assumir a liderança da oitava maior economia do mundo, Bolsonaro vai olhar de forma objectiva e racional para o estado das relações China-Brasil", escreveu o jornal, referindo-se a Bolsonaro como o "Trump Tropical".

Montepio Geral de Macau, aos 6 de Março de 2019. A Presidente da Assembleia Geral, Rita Botelho dos Santos

Bolsonaro assumiu que, no comércio exterior, investirá esforços numa relação com os Estados Unidos, país que visitará no final da próxima semana, naquele que será o seu primeiro encontro com o Presidente norte-americano, Donald Trump, de quem Bolsonaro é um confesso admirador. Este mês, o chefe de Estado brasileiro também pretende fazer uma visita oficial ao Chile, no âmbito da sua participação numa cimeira convocada pelo Presidente chileno, Sebastián Piñera, para discutir a constituição do Prosul, um novo mecanismo de integração que poderá substituir a União de Nações da América do Sul (Unasul). Além disso, Bolsonaro anunciou uma visita a Israel até ao final de Março, um país que também está entre as prioridades da sua política externa. Embora ainda não tenha confirmado oficialmente desde que tomou posse, no dia 1 de Janeiro, Bolsonaro expressou, durante a campanha para as eleições de 2018, a sua intenção de mudar a embaixada brasileira em Israel, transferindo-a da sua actual sede em Telavive para Jerusalém. Esta possível mudança gerou mal-estar em muitos países árabes, que estão entre os principais importadores de frango do Brasil, um dos maiores produtores de aves do mundo.

MOEDA ACORDO PARA NÃO USAR DEPRECIAÇÃO COM OBJECTIVOS CONCORRENCIAIS

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governador do Banco Popular da China, Yi Gang, assegurou ontem que Pequim e Washington comprometeram-se a não utilizar a depreciação da moeda com objectivos concorrenciais, deixando que seja o mercado a determinar as taxas de juro. Numa conferência de imprensa realizada em Pequim durante a Assembleia Popular Nacional (APN), Yi Gang explicou que, na última ronda de negociações comerciais, as duas partes abordaram o tema das taxas de juro, a autonomia das autoridades monetárias e a necessidade de manter uma comunicação estreita sobre o mercado de divisas. A este respeito, adiantou que ambas as partes conseguiram acordos sobre “muitas questões-chaves importantes”, mas escusou-se a divulgar mais detalhes, noticia a agência Efe. Também mostrou o compromisso da China de não utilizar o câmbio monetário como ferramenta para aumentar a produção ou resolver questões co-

merciais, depois do Presidente dos EUA, Donald Trump, ter acusado no ano passado Pequim e Moscovo de jogar “o jogo da depreciação monetária”. Sobre as negociações para encontrar una saída para a guerra comercial, o vice-ministro do comércio chinês, Wang Shouwen, também assegurou no sábado que as negociações estão a decorrer e mostrou-se "optimista" perante um possível pacto para pôr fim à imposição mútua de tarifas. Perante os riscos e desafios actuais que enfrenta o gigante asiático, o Banco Popular da China também assegurou que manterá uma política "prudente" para guiar o crescimento razoável de crédito e financiamento em 2019, que incluirá um maior apoio para as pequenas empresas e para as privadas. A política monetária da China, desenhada principalmente para adaptar-se à situação económica interna, também irá considerar os factores globais e os sectores orientados para a exportação, acrescentou.

Comércio Trump diz que não assinará acordo sem um "bom negócio"

O Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou sexta-feira não assinar qualquer acordo comercial com a China, se os dois países não se entenderem à volta de uma boa solução. “Estou confiante, mas (…) se não conseguirmos um bom negócio, não assinarei um acordo”, afirmou sexta-feira o Presidente dos EUA, antes de partir para o Estado do Alabama, onde vai visitar vítimas de tornados. Nas últimas semanas, Donald Trump tinha dito que as negociações com a China decorriam “em muito bom clima” e que a guerra comercial entre os dois países deveria ficar resolvida “em breve”. Em Fevereiro, o Presidente norte-americano adiou mesmo o ‘deadline’ de 2 de Março, a partir da qual os EUA aumentariam a taxa de importação de 10% para 25% em cerca de 200 mil milhões de produtos oriundos da China, como sinal de boa fé nas negociações.


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HONG KONG FILIPINA DESPEDIDA POR TER CANCRO CONTESTA DECISÃO JUNTO DO GOVERNO

Uma luta, duas frentes

Despedida após lhe ter sido diagnosticado um cancro no colo do útero, Baby Jane Allas, perdeu o acesso ao sistema de saúde e recebeu a indicação de que tinha duas semanas para deixar a RAEK AFP

empregada doméstica filipina, despedida por ter cancro e privada de acesso ao sistema de saúde de Hong Kong, recorreu ao Departamento de Trabalho do Governo local para contestar o despedimento. De acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP), além de perder o acesso ao sistema de saúde, o despedimento de Baby Jane Allas implica a saída, no prazo de 15 dias, da antiga colónia britânica. O departamento de Trabalho indicou que ia prestar "uma ajuda apropriada" a Baby Jane Allas, que em Janeiro passado foi diagnosticada com cancro no colo de útero, estádio III. Na sequência deste diagnóstico, a empregada doméstica foi despedida pouco tempo depois pela família de origem paquistanesa que a empregava. "Razões para o despedimento (se existirem): diagnóstico de cancro do colo do útero", de acordo com a carta recebida, a que a AFP teve acesso, sem ter conseguido entrar em contacto com a família empregadora. Allas recorreu também à Comissão para Igualdade de Oportunidades. Este organismo governamental escusou-se a comentar o caso, mas sublinhou ser ilegal despedir um funcionário devido a uma situação considerada de desvantagem, seja ela qual for. Acomissão reconheceu ainda que este tipo de "discriminação continua a existir" na antiga colónia britânica, cuja transferência de soberania para a China ocorreu em 1997. A filipina afirmou que pretende terminar o contrato. "Tenho cinco filhos e só eu os sustento, sou mãe solteira", contou Allas, que foi acolhida pela família norte-americana para a qual trabalha a irmã. Esta família está a ajudar a Allas a contestar o despedimento, tendo organizado uma campanha de recolha de fundos 'online' para

“Tenho cinco filhos e só eu os sustento, sou mãe solteira”, contou Allas

pagar as despesas médicas. Até agora, juntaram o equivalente a 30 mil euros.

BASE DO SISTEMA

As empregadas domésticas são consideradas um pilar da economia deste centro financeiro mundial, por permitirem aos pais trabalharem enquanto elas se ocupam das crianças e da casa.

Mais de 340 mil empregadas domésticas, denominadas publicamente como "helpers" ou assistentes, na maioria indonésias e filipinas imigrantes, trabalham em Hong Kong. A maior parte recebe uma pequena remuneração pela realização de algumas tarefas classificadas como ingratas e em condições difíceis. As autoridades de Hong Kong afirmam que o sistema é justo e os

abusos raros. Para defensores dos direitos humanos locais, uma em cada seis empregadas domésticas é frequentemente vítima de exploração e a lei oferece uma protecção sumária. No ano passado, o departamento de Estado norte-americano colocou Hong Kong ao mesmo nível da Tailândia e do Afeganistão em relação ao tráfico de seres humanos, em parte

ECONOMIA PROMETIDAS MEDIDAS PARA MELHORAR COMPETITIVIDADE

PREÇOS INFLAÇÃO DESACELERA PELO 4º MÊS CONSECUTIVO

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ministro do Comércio da China, Zhong Shan, prometeu sábado implementar políticas para manter estável o crescimento do comércio e melhorar a competitividade, numa altura de fricções com os Estados Unidos. Em declarações à imprensa, à margem da sessão anual do legislativo chinês, Zhong disse que o Governo vai facilitar o comércio através de seguros de crédito à exportação,

financiamento, entre outras acções, para reduzir encargos e melhorar a eficiência empresarial. "Em geral, o comércio da China é enorme em escala, mas não suficientemente competitivo", disse, citado pela agência de notícias estatal Xinhua. Para melhorar a competitividade do comércio externo, o gigante asiático vai incentivar as exportações de produtos de alta tecnologia, alta qualidade e

alto valor agregado. Questionado sobre o impacto, nos próximos meses, da guerra comercial com os Estados Unidos, o ministro disse apenas esperar manter um "crescimento estável" do comércio externo em 2019. Além disso, Pequim planeia aumentar as importações, explorar os mercados emergentes e continuar a promover a cooperação internacional através da Nova Rota da Seda.

inflação na China desacelerou pelo quarto mês consecutivo em Fevereiro ao subir 1,5 por cento em termos homólogos, face aos 1,7 por cento registados em Janeiro, de acordo com os dados oficiais divulgados sábado. De acordo com o instituto nacional de estatística chinês, o índice de preços no consumidor (IPC) registou o seu ponto mais baixo desde Janeiro de 2018, embora esteja ainda longe de uma possível deflação.

devido à protecção insuficiente para as empregadas domésticas. Os elevados custos cobrados por agências de recrutamento, a obrigação de viver na casa do empregador, um salário mínimo de 4.520 dólares de Hong Kong e a saída, em poucos dias, do território caso percam o emprego, explicam porque dificilmente se conseguem defender de patrões pouco honestos ou agressores.

Em Fevereiro, os preços dos alimentos subiram 0,7 por cento em termos homólogos, o que representa uma descida de 1,2 pontos percentuais face a Janeiro e que esteve ligada à queda de 4,8 por cento da carne de porco, que em Janeiro já tinha sofrido uma descida de 3,2 por cento. Em relação aos produtos não alimentares, os preços cresceram 1,7 por cento em Fevereiro, o mesmo aumento do que o

registado no mês anterior. O aumento dos preços no sector da saúde, educação, entretenimento e arrendamento habitacional também contribuiu em 1,34 pontos percentuais para a taxa de inflação geral. O índice de preços na produção, por sua vez, subiu 0,1 por cento em termos homólogos no mesmo mês, mantendo-se inalterado face a Janeiro, depois de ter desacelerado sete meses consecutivos.


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Tenho a boca seca,abstracta Paulo Maia e Carmo texto e ilustração

ZHENG BANQIAO DAOQING 10. Ao tanger da pipa1 Sem pausas, rimicamente, Gritando ao vulgo e aos ignorantes, Como um aviso aos pusilânimes e aos obstinados. Quatro cordas de seda carregam tantos murmúrios e aflições. Nem na areia amarela nem na relva branca se avistam traços humanos, Ao longo da fronteira antiga, entre nuvens geladas, apenas os pássaros a caminho de casa, Como Yu Luo gostava de alvejar os solitários cisnes selvagens2! Mas nós preferimos continuar com as nossas actividades habituais, como a pesca e o corte de madeiras, Até que os flocos de neve se amontoem no alto da montanha por onde chegará o Inverno.

1- Instrumento musical com quatro cordas referido pelo menos desde a dinastia Han, foi na cosmopolita Changan, a capital da dinastia Tang, que alcançou maior popularidade. Os poetas a ele se referem de forma memorável como Yuan Zhen (779-831) com a «Canção da pipa» ou Bai Juyi (772-846) na «Canção da tocadora de pipa», onde no início do poema alguns versos referem o caracter maravilhoso do som da pipa, quando num porto ao despedir-se de um amigo escutam uma música sobre o rio: «Esqueci-me de voltar para casa, meu amigo como que enfeitiçado;/ Seguimos até à fonte de onde emanava a música para descobrir quem tocava,/ Mas a pipa parou e o ar encheu-se de nada./ Empurrámos o barco até ao da tocadora para convidá-la/ Para vir festejar connosco à luz da lamparina.» Como transmissora de emoções também podia servir para denunciar injustiças, como parece preferir Zheng Banqiao. Durante a dinastia Song floresceram os versos na forma literária de ci, que tinham por função

ser cantados e acompanhados por instrumentos musicais como a pipa. 2- Os cisnes selvagens, (anser cygnoides), conhecidos também como «gansos chineses», aqui referidos pelo caracter «yan» mas que também podem ser referidos pelo caracter «hong», são outra referência marcante na poesia, constando já no Shijing, o Livro das Odes (Séc. VI a. C.). Como pássaros migrantes anunciam a mudança das estações: quando começa a chegar o frio no Outono vão para o Sul evitando o escuro, o yin. Na Primavera, fazendo o percurso contrário, são um exemplo da manifestação do equilíbrio cósmico do yin/yang. Voam habitualmente em bandos que formam no espaço a forma de um «v», que visto ao contrário se assemelha ao caracter «ren», o humano, pelo que lhes são atribuídas características deste. Quando sozinho é imagem da tristeza, da perda ou da busca da companheira. Yu Luo era um lendário guardião das montanhas, dos rios, das florestas e da caça.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 17

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Meu tão certo secretário Rita Taborda Duarte

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INDE cá, meu tão certo secretário. Podemos tratar-nos por tu? Não? Compreendo...Perdoai, então. E perdoai por tudo: pela insolência e atrevimento, claro, mas também pelo logro. Prometi pedradas em livros de versos, a ver a mossa que lhes faria, calhando em acertar-lhes, mas aponto já para outros alvos, pousando o olho lírico noutras gaiolas, outras janelas. «Um Bailarino na Batalha», de Hélia Correia, não parece um poema, mas é-o, em certa medida. Percorro definições de poesia que o atestem, que isto da teoria literária pouco diferente será da água benta, cada qual toma de quanta quer e como lhe convém. Benzo-me, com uns salpicos abençoados por Valèry, para dizer ao que venho. Se bem não faz, também não prejudica: «A poesia é o desenvolvimento de uma exclamação». E por aqui se comprova o lirismo de Hélia Correia, ainda que numa novela que não descuida todas as categorias da narrativa: os vários tempos e ritmos a atravessar a temporalidade ficcional que manipula, por sua vez, os cordéis da acção, as personagens, o espaço e o narrador a um canto, afadigado, gerindo pontos de vista. Tudo isto ao serviço de uma inquietação aguda, de uma exclamação crescente: espécie de ponto luminoso que se acende, brilha até à sua intensidade máxima, quase cegando, e que depois se apaga. A luz fere, desaparece, fugaz, mas o golpe de luz permitiu ver, mesmo por breves instantes, uma imagem que persiste como emoção exclamativa, um brado que se ouve, apesar de embutido na garganta. Meu tão certo secretário, já que cá viestes, dando-vos a esta maçada, permiti-me continuar, que as metáforas são como as cerejas… Assim se pode distribuir a literatura: De um lado, temos as narrativas, espécie de ampla paisagem por onde se caminha; o leitor pára, cuida de pormenores, e ora os olhos se alongam lá para dos horizontes, ora se demoram na minúcia de um formigueiro, mesmo ali, ao cair do pé. O leitor deixa-se ficar no cenário da ficção, vê o nascer do sol, vislumbra o ocaso ao fundo; depois anoitece, e tudo se queda de seguida num repouso sossegado. Por outro lado, há também a poesia, que se mede por diferentes bitolas: aí, o leitor permanece como numa noite de tempestade: fica à janela, só olhando, que o tempo não convida a caminhadas. Tudo escuro, lá fora. Mas, de repente, cai um relâmpago. E então, num eis, toda a floresta se acha iluminada: bela e tenebrosa, como nunca se vira. O leitor já nem consegue mais dormir e, no dia seguinte, de manhã, olhando pela mesma janela, sabe que a floresta do dia anterior, vista à luz breve do relâmpago, sequer se aproxima daquelas árvores desfiladas, que sempre avistara no conforto da vida: assim é um poema. Depois, para lá da poesia e da prosa, ou enlaçando-as, até, há os livros de Hélia Correia: um constante caminhar na tempestade. O leitor anda à chuva, molha-se, por evidência, e a cada momento um relâmpago lhe mostra outra paisagem na paisagem, muito

O desenvolvimento de uma exclamação que ilumina o mundo, o nosso mundo, na novela: [...] Oh, os cavalos do Mediterrâneo, leves como vapor, filhos das águas dourados como o mar quando entardece. Inalcançáveis criaturas mesmo quando delas fazem montadas, mesmo quando as conduzem para a linha do abate [...]

mais dura, exclamação breve, vislumbre assombroso à luz do relâmpago. «Bailarino na Batalha» é a graciosidade de um esgar, de um movimento que se liberta (o movimento do cavalo na batalha, não do combatente), terrível, mas belo, um movimento não previsível que se levanta em dolorosa elegância, na improbabilidade dos escombros. Este simbólico cavalo (literal e metafórico) não aparece na novela, só no poema final, belíssimo, que lhe serve de epílogo (sim, há um poema, neste texto, mas nem só por isso o podemos considerar, no seu todo, um poema também). Só um poema poderia resumir, como conclusão, o relâmpago de perplexidade e espanto,

«Bailarino na Batalha» é a graciosidade de um esgar, de um movimento que se liberta (o movimento do cavalo na batalha, não do combatente), terrível, mas belo, um movimento não previsível que se levanta em dolorosa elegância, na improbabilidade dos escombros

Da guerra, só acedemos aos estilhaços, somente ao eco daquilo que foi, aos resíduos, às sobras do que para trás se abandonou; uma memória física que se carrega aos ombros, na dura travessia deste deserto, também simultaneamente metafórica e literal, encetada por uma mole desgarrada de migrantes. Toda a novela, em capítulos curtos, alguns curtíssimos, como breves poemas em prosa, se socorre de um tom alegórico para expor uma reflexão profunda sobre o mito da terra prometida: essa Europa-miragem, que com uma mão acena, pungente, e com outra repele, altiva. Assim começa o livro, uma página em branco, só com um parágrafo, talvez um poema: Aquilo que voa nem espessura tem para projectar sombra. Passa e apenas entristece um pouco a já cinzenta areia. É a memória. A lívida memória, descolada dos cérebros, tão fina, tão doente, que não pode tocar-se, que, ao mínimo contacto, cairá, desfeita em pó. E o seu nome mudará para esquecimento. E o esquecimento tudo esquecerá. Um bando de migrantes juntos, mas desgarrados e sem pertença, foge da guerra rumo ao mar. Pretendem chegar à Europa. Estão famintos, desolados, mantendo só os mínimos resquícios de humanidade e traços vagos, soltos da sua civilização não nomeada, mas reconhecível, pelos modos de trajar, códigos de honra, uma clivagem entre os homens e as mulheres, de cara tapada pelos farrapos sobrantes, revelando um estatuto de submissão e inferioridade que se vai refigurando ao longo do livro. Não se trata de sobreviventes, são antes morrentes. A palavra não existe, mas ajustar-se-ia bem ao tom de todo o texto, que mostra o que as palavras não saberiam dizer. Um velho cego, um homem sem braço, desprezado do grupo, por traidor, uma criança visionária, uma mulher-fera, uma velha e mortos, muitos mortos, que vão largando o corpo pelos caminhos, são algumas personagens-símbolo deste povo cercado, sitiado, a reinventar-se nos escombros. Mais do que uma reflexão, «Um Bailarino na Batalha» é um livro que faz sentir a feridas profundas do confronto mundo ocidental/médio oriente. A urgência reflexiva, terrível, da novela funda-se, afinal, na força da linguagem, das imagens, que

se vão sobrepondo com um vigor doloroso: desde a travessia do deserto, à transformação do rio em lodo quase inerte, ao conforto de um bosque, com frutos e animais, que logo se esgotam, até se alcançar o fim da jornada, quando ainda a meio do percurso se estava: o limite é, afinal, a cidade em nove círculos que lhes veda a progressão adiante, até ao mar, porque -adverte-se--a Europa não os quer: «Porque é que te pões tu à nossa frente? Tem dono este caminho?» «Ora, os caminhos têm sempre dono», disse o homem. «Tudo tem dono. Tu também tens homem. O teu homem? Escondeu-se atrás de ti?» Estendeu a mão para a agarrar e ela furtou-se. O homem desistiu. Aquele não era o jogo que ele jogava. «Existem nove círculos na cidade», repetiu ele. «O de fora pertence aos miseráveis, o do centro aos magníficos. Pode apenas passar-se de um círculo para o círculo imediato para fazer as limpezas e a comida. Ninguém sobe das caves e dos túneis, ninguém vê algo que não deva ver. Da cidade não se entra, não se sai. Ela é perfeita. Levou séculos a afinar. Imaginaram que seriam recebidos?» «Nós não queremos a tua cidade», disse Awa. «Queremos a Europa. Queremos chegar ao mar, pegar num barco e partir para a Europa.» O homem riu: «A Europa não vos quer. Sabes que mais? Nós somos a Europa. Nós somos a primeira instância da Europa. Estamos aqui para impedirmos o avanço.» Uma novela belíssima, que não só termina num poema, como é um poema: o tal relâmpago que mostra o mundo em torno e mostra-no-lo como não o conhecíamos ainda.

Hélia Correia, Um Bailarino na Batalha, Lisboa, Relógio d’Água, 2018


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José Simões Morais

Os nüzhen e o início dos Qing

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S manchus, nome que só apareceu em 1635, eram até então conhecidos por nüzhen e já tinham governado na China como Dinastia Jin (11151234). Os seus antepassados, provenientes das Montanhas do Altai, foram a tribo sushen que durante a Dinastia Zhou se encontrava a Norte das Montanhas Changbai. Dela se originaram as tribos tunguzes (yilou, huji, mohe e nüzhen) a viver há muitos séculos no Nordeste da China como criadores de cavalos e caçadores nas florestas siberianas do vale de Amur. Nessa zona, hoje a província de Heilongjiang, a 23 de Janeiro de 1115 foi criada pela família Wanyan dos nüzhen a Dinastia Jin, com a capital em Harbin. A dourada dinastia, pois Jin significa ouro, daí iniciou ataques contra os seus vizinhos khitan (mongóis descendentes dos xianbei), na época a reinar uma vasta área pelo Norte da China como Dinastia Liao (916-1125) e em 938 tinham capturado aos Song a cidade de Youzhou (Beijing), fazendo aí a sua segunda capital com o nome de Nanjing (Capital do Sul). Os Jin aliando-se com a Dinastia Song (960-1127) conseguiram em 1125 pôr fim a esse império, transferido para o Oeste, no actual Xinjiang, onde em conjunto com os uigures fundaram o Reino Liao Ocidental, que terminará em 1227 às mãos de Gengis Khan. Vencidos os mongóis khitan, os Jin voltaram-se contra a Dinastia Song e conquistaram-lhe em 1126 a capital Bianjing (Kaifeng). Daí levaram presas quase três mil pessoas da corte Song para a sua capital Harbin e as restantes retiraram-se para Sul, fugindo das contínuas investidas dos nüzhen (conhecidos no ocidente por jürchen, ou tungusic). Em 1153 a Dinastia Jin fez a sua nova capital em Beijing, mudando-lhe o nome para Zhongdu (Capital Central), mas em 1214 transferiram-na para Kaifeng, devido à invasão pelo Norte dos mongóis chefiados por Gengis Khan (1162-1227, Gengiscão, o unificador das tribos mongóis), que no ano seguinte conquistou Beijing. Acossado tanto pela Dinastia Song do Sul, como pelos mongóis (estes, descendentes dos xiong-nu), e já sem ter para onde fugir, o imperador suicidou-se em 1234, terminando assim a Dinastia Jin. Com uma língua própria ligada à mongol, tinham interagido com a população han na sua governação e decalcado muita da organização chinesa, encontrando-se já sinizados. A chegada ao trono da China da dinastia mongol Yuan (1271-1368) levou esses nüzhen de volta ao Nordeste onde, em conjunto com as restantes tribos que aí tinham permanecido, se dedicaram ao comércio. Se nesse território de

Palácio Imperial em Shengjing (Mukden)

estepes os khitan tinham instalado prefeituras à maneira chinesa, com a chegada da Dinastia Ming foram aí colocadas guarnições militares. Encontravam-se os nüchen, onde hoje são as províncias de Jilin e Liaoning, divididos em três grupos: jianzhou, haixi e donghai. Os ming chamaram-lhes dongyi (estrangeiros do Leste) e sendo bons guerreiros e cavaleiros, colocaram-nos a proteger as suas fronteiras do Nordeste, contra possíveis incursões mongóis. Devido aos jianzhou comercializarem a Norte com os mongóis, a Leste com os coreanos e a Sul com chineses han, trocando cavalos, gado, peles, pérolas e ginseng, por ferramentas de ferro e outros bens de necessidade diária, desenvolveram a sua tecnologia e economia, tornando-se dentro dos nüzhen os mais evoluídos.

DINASTIA JIN TARDIA

Em 1583, os Jianzhou elegeram como chefe Nurhachi (1559-1626), do clã Aisin Gioro. Nascido em Hetuala (赫图阿拉, lugar hoje adstrito a Yongling, na região au-

tónoma manchu de Xinbin, província de Liaoning), era o filho mais velho de Taksi, o qual tinha morrido no ano anterior em circunstâncias com diferentes versões na História. Para uns, fora morto por engano pelos ming, mas outras fontes referem, às mãos de uma facção nüzhen rival. Em 1588 casou-se com a filha de um príncipe nüzhen da família Nala. Fazendo a sua base de operações em Hetuala, Nurhachi foi anexando ao longo de dez anos as tribos vizinhas, mas em 1593 seria atacado por uma aliança de outras tribos tunguzes e mongóis. Vitorioso, Nurhachi tornou-se ainda mais poderoso e nos vinte anos seguintes passou a controlar praticamente todo o território do Nordeste. Em 1616 completou a organização das tribos nüzhen e com elas unificadas estabeleceu a Dinastia Dajin (1616-1636, Grande Jin, que ficou na História com o nome de Hou Jin, Jin Tardio), com capital em Hetuala, cujo nome passou a ser Xingjing. O Khan Nurhachi (1616-1626) foi o seu primeiro soberano, com o título de

Quando o Palácio Imperial em Shengjing (Mukden) ficou completo em 1636, Huang Taiji mudou o nome da dinastia para Qing (puro), preparando um corpo militar forte para invadir a China

reinado Tianming e nome-templo Taizu. Trazia um sistema político, económico e militar completamente independente da Dinastia Ming, com quem por vezes os nüzhen tinham colaborado no passado. Formou então o sistema das oito bandeiras (baqi), uma organização multifuncional, tanto administrativa, como militar e de produção, em que cada bandeira consistia em várias unidades básicas, chamadas niulu, de 300 pessoas que funcionavam em conjunto. Estruturada para em tempo de paz trabalharem na agricultura e na caça e em guerra constituírem-se em milícias. Cinco niulu continham 1500 pessoas e formavam uma jiala e cinco jiala, com 7500 pessoas, formavam uma bandeira, sendo cada uma das oito bandeiras identificadas por uma cor, ficando à frente de cada os filhos e sobrinhos de Nurhachi. Com a população civil registada e organizada, o povo nüzhen ganhou uma forte unidade e eficiência, desenvolvendo-se tanto económica como socialmente, tornando-se mais estreitas as relações entre os membros, o que favoreceu a liderança de Nurhachi. Este ordenou também a criação da língua man, escrita baseada nas palavras mongóis e pronúncia nüzhen. Em 1618 começou a atacar os territórios do Norte da Dinastia Ming, derrotando-a em várias batalhas. O mesmo ocorreu no ano seguinte, quando o Imperador Chongzhen enviou para cima de cem mil homens, morrendo mais de metade desse exército ming. Conquistou em 1621 Shenyang e Liaoyang, onde fez a capital e em 1625 foi esta mudada para Shengjing (Shenyang), mandando ainda nesse ano erguer aí o Palácio Imperial; uma réplica mais pequena da Cidade Proibida de Beijing. Em 1626, à frente de um enorme exército marchou para Sul atacando o exército ming, comandado pelo General Yuan Chonghuan. Mas saiu derrotado, tendo Nurhachi morrido, segundo parece, não na batalha, mas oito meses depois. Tal derrota deveu-se ao canhão enviado de Macau, que o Imperador ming Tianqi (1620-27) pedira aos portugueses para conter o avanço do exército nüzhen. Os tiros do canhão provocaram tantas baixas, que levou o invasor a ser mais cauteloso nos ataques. Sucedeu como segundo khan da Dinastia Da Jin o oitavo filho de Nurhachi, Huang Taiji (1592-1643), que governou como Tiancong de 1627 a 1636, sendo na língua local conhecido por Abahai. Quando o Palácio Imperial em Shengjing (Mukden) ficou completo em 1636, Huang Taiji mudou o nome da dinastia para Qing (puro), preparando um corpo militar forte para invadir a China.


desporto 19

segunda-feira 11.3.2019

H

FÓRMULA E SAM BIRD VENCE NA PISTA, MORTARA NA SECRETARIA

Final electrizante

O piloto inglês da Virgin, Sam Bird, foi penalizado em cinco segundos depois de ter dado um toque em Andre Lotterer, que comandou grande parte da corrida de Hong Kong, deixando-o fora de prova com um furo no seu Teecheetah. António Félix da Costa não foi além do 10.º lugar Mas um acidente envolvendo os dois pilotos da Mahindra, Jerome d’Ambrosio e Pascal Wehrlein, a equipa com melhor performance até aqui, e Filipe Nasr, interrompeu a corrida durante 15 minutos. No reinício, Bird ultrapassa Rowland, que cai para décimo, e Lotterer

não perde tempo e repete a operação, ocupando o topo da classificação. Num circuito exíguo, construído no porto marítimo junto ao centro financeiro da RAEHK, não há lugar para erros, e Sebastien Buemi, o outro piloto Nissan e eterno candidato ao título, conseguiu percebê-lo a meio da

prova quando destruiu uma roda numa das chicanes, trazendo o safety car de volta para a pista. Vandoorne também parava, continuando a sua série de maus resultados.

ATÉ AO FIM

Com 11 minutos de prova por cumprir, a luta continuou nas garras de Bird e

do alemão da Teecheetah, que comandava pela primeira vez na sua carreira uma corrida de Fórmula E. Mas nunca se desiste e cada milímetro da pista conta. Forçando a ultrapassagem, o piloto inglês recupera a primeira posição, deixando um rasto de fumo no carro de Lotterer, que não conseguiu

chegar até ao fim. A manobra seria penalizada pelos comissários de pista, elevando Eduardo Mortara (Venturi), o segundo a passar a linha de meta, ao topo do pódio, seguido de Di Grassi (Audi) e Frinjs (Virgin). Bird foi relegado para o sexto posto. Quanto a António Félix da Costa, piloto português vencedor do GP de Macau, pela primeira vez não deu nas vistas esta época. Partindo de 20.º lugar, cedo se queixou de falta de velocidade do seu BMW, conseguindo no entanto recuperar até à décima posição ocupando agora o quinto lugar no campeonato, com 47 pontos. A competição é comandada por Sam Bird (54), seguido por d’Ambrosio (53) e Di Grassi e Mortara (ambos com 52), o que deixa tudo em aberto. Antønio Falcão

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ANTÓNIO FALCÃO

ONG Kong recebeu pela terceira vez o campeonato de automobilismo do futuro, com monolugares totalmente eléctricos, organizando a quinta prova da época 2018/2019. Dada a estratégia envolvida, há quem diga que a Fórmula E está mais próxima de uma consola de jogos do que de uma corrida de automóveis tradicional. Mas nesta época, em que foram introduzidos os carros da segunda geração, mais rápidos e com maior autonomia, a emoção e a imprevisibilidade têm durado até à última curva. Foi o que aconteceu este ano no território vizinho. Stoffel Vandoorne (ex-piloto McLaren F1) saiu da pole mas foi surpreendido pelos seus adversários, com Oliver Rowland (Nissan) a assumir o comando, seguido de Bird.

O

Conselho Mundial da Federação Internacional do Automóvel (FIA), que teve lugar na pretérita semana em Genebra, confirmou que o 66º Grande Prémio de Macau, a realizar de 14 a 17 de Novembro, vai ser novamente o palco da Taça do Mundo FIA de Fórmula 3. A comunicação da FIA foi curta e não detalhou em que moldes será disputada este ano a prova que habitualmente encerra o programa de corridas do evento automobilístico da RAEM. Contudo, visto que a FIA só autoriza o uso da designação “Fórmula 3” a campeonatos que cumpram com a última regulamentação do órgão máximo que rege o automobilismo mundial, é expec-

Com aval de Genebra Taça do Mundo de Fórmula 3 continua em Macau

tável que sejam os mais recentes monolugares da disciplina, apenas usados no novo Campeonato FIA de Fórmula 3, a darem corpo à grelha de partida da corrida. A utilização dos novos monolugares de Fórmula 3, construídos pela Dallara e com um motor único fornecido pela Mecachrome, poderá requerer alterações ao Circuito da Guia, principalmente a nível de segurança, alterações essas que poderão ter sido já discutidas superficialmente com a Comissão do Grande Prémio e

com a Associação Geral Automóvel Macau-China. Nenhuma das duas entidades ainda se pronunciou oficialmente sobre o assunto. Com uma potência de 380 cv, os novos carros da Fórmula 3 fizeram o primeiro “shakedown” no dia 1 de Março no circuito de Magny-Cours, em França, e segundo apurou o HM, rodaram com o peso mínimo de 692 kg. Para atender aos requisitos actuais do Circuito da Guia (FIA Grau 3), estes monolugares, com a actual potência, teriam que correr com

760 kg, algo que poderá não ser viável, sendo que a subida do Grau do circuito a solução provável para ultrapassar este obstáculo. Com a confirmação da continuidade da Taça do Mundo de Fórmula 3 em Macau, a 66ª edição do Grande Prémio vai voltar a contar com três Taças do Mundo da FIA, pois tanto a Taça do Mundo de GT e uma das provas da Taça do Mundo de Carros de Turismo (WTCR) já tinham sido anteriormente confirmadas.

SOPHIA EM ANÁLISE

A FIA também aproveitou também o primeiro Conselho Mundial da 2019 para dar conta dos últimos desenvolvimentos do impressio-

nante acidente de Sophia Floersch no Circuito da Guia. É possível ler no comunicado de imprensa enviado na passada quinta-feira que: “Um relatório na investigação sobre o acidente durante a Taça do Mundo FIA de F3 em Macau, a 18 de Novembro, foi apresentado ao Conselho. As Comissões relevantes vão agora avaliar as conclusões do relatório.” Entretanto, na passada semana, Sophia Floersch voltou ao volante de um Fórmula 3 igual ao que tripulou em Macau num teste particular. Sem sequelas do acidente, a jovem de 18 anos cumpriu mais de 200 voltas ao circuito italiano de Monza e foi a mais rápida em pista. Sérgio Fonseca

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AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente 13 | OBRAS PRIMAS DE ARTE RUSSA EXPOSIÇÃO MAM | Até 22/04

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6 4 9 2 5 0 1 8 7 3 EXPOSIÇÃO 0 7 | 3ª1TRIENAL 9 DE4GRAVURA 3 8DE MACAU 2 5 6 Centro de Arte Contemporânea, Galeria Tap Seac, Galeria de 8 Exposições 2 3Temporárias 0 6 do7IAM, 5Galeria9 de 4Exposições 1 e Casa Nostalgia das Casas da Taipa | Até 17 de Março 5 6 2 4 8 9 7 1 3 0 EXPOSIÇÃO 4 5 | JU0MING6 2 1 3 7 8 9 MGM Cotai | Até 07/04 1 9 7 3 0 8 4 5 6 2 CONCERTO | AZZOLINI E LU JIA 2 de3S. Domingos 8 5 | 15/03 1 6 9 4 0 7 Igreja 3 8 6 7 9 4 2 0 1 5 CONCERTO | GALA DA CÂMARA 7 Dom 1 Pedro 5 V8| 30/03 3 2 0 6 9 4 Teatro 9 0 4 1 7 5 6 3 2 8

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CAPTAIN MARVEL SALA 1

CAPTAIN MARVEL [B] Um filme de: Anna Boden, Ryan Fleck Com: Brie Larson, Samuel L. Jackson 14.30, 16.45,19.15, 21.30

Man-Tat Ng, Jin Mai Jaho 19.15

THE WANDERING EARTH [B]

DRAGON BALL SUPER BROLY [B]

FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Frant Gwo Com: Jing Wu, Chuxiao Qu, Guangjie Li,

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4 5 8 1 3 8 6 7 0 3 7 5 8 4 1 9 B A H T 0 . 2 5 Y U A N 1 . 2 9 8 2 5 1 03 2 3 9 4 5 8 4 1 0 3 5 6 VIDA DE CÃO 6 2 9 3 2 1 8 NÃO ESQUECEMOS 8 2 6 7 3

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acidente com o avião Boeing 737-8 MAX – que realizava um voo regular entre Adis Abeba e Nairobi (Quénia) – terá ocorrido às 08:44 (horas locais) no domingo, cerca de seis minutos após a descolagem na capital da Etiópia. Nenhuma das 157 pessoas a bordo do avião terá sobrevivido.

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 16

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5 0 3SÉRIE 2 6 1HOJE 4 8 9 UMA 1 6 9 3 8 7 5 2 4 4 7 2 1 0 9 8 0 6 9 3 7 2 1

Rami Malek é um nome consagrado 8 9 4nos 5dias 7que 2 correm, depois de ter vencido 0 o5óscar 8 de9melhor 4 3 actor pela interpretação 1 7Mercury, 8 2no 6 de3Freddie filme Bohemian Rhapsody. 7 2 já em 6 2010 0 o actor 1 5 Contudo, se destacava, mesmo não 2 uma 8 das 5 personagens 4 9 0 sendo principais, ao participar em 9 3 1 6 5 4 The Pacific, uma série que acompanha 6 4 0a campanha 7 3 8 de três “marines” norte-americanos no Pacífico, durante a II Guerra Mundial. Esta é mais um série sobre o conflito que mudou o mundo produzida por Steven Spielberg e Tom Hanks. João Santos Filipe

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PROBLEMA 17

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A violência doméstica é uma tragédia e a maior parte das pessoas não precisou de muitos 16 anos para perceber a dimensão do fenómeno. O bom-senso chega. Hoje em dia,5uma5 oponha 7pessoa 0 que 4 9 à criminali2 2 8 1 0 se 7 3 9 4 zação ou a uma solução para o problema é 6 vista 9 alguém 1 9 2 como 8 4 1 que6vive0da idade 5 quase medieval. Mas, no ano de 2013, as trevas 3 assim 7 6 3 9tão longe 0 8da Assembleia 2 7 5 não1estavam Legislativa. Nesse ano, houve dois projectos 9 8 1 1 0 3 5 2 4 7 9 6 para criminalizar a violência doméstica e foram chumbados. Os diplomas até 9 8 7 3 4 9 4 5 3 pode6 1 riam ser maus, mas nada impedia que as 7 4 fossem 2 0alteradas 0 5 3 2 6 1 8 propostas profundamente na especialidade, como vemos acontecer com 8Fong4 3Chi7 5Keong 1 seja 0 Talvez 2 1 8 9 a3 frequência. personalização do mal neste debate, mas há 3 3 1 4pelo7tempo 5 que9se demorou 1 0 a6 mais culpados lidar da actual 0com1fenómeno. 7 2Só 6 5 0 Legislatura 4 8 7 houve 14 deputados que votaram contra ou se abstiveram, 2 9 8 na6última 4 8 votação, 27 51inclusive 7 a3de- 0 putada Wong Kit Cheng, daAssociação Geral das Mulheres, que agora defende que a lei não está a ser bem executada. Os nomes a reter 18votaram contra são: Chui Sai Cheong, que Kou Hoi In, Chan Chak Mo, Vong Hin Fai, 6Lap,3 1Zheng 0Chan 5 Iek1 2 Anting 7 4 Chui Sai9Peng, e Ma Chi Seng. Por todos os envolvidos 6 2 9 6 3 4 9 5 0 2e o 3 4 8 número de deputados nomeados pelo Chefe do Executivo, não é difícil prever como Chui 1 9 0 6 9 8 1 0 5 7 3 4 Sai On votaria se estivesse naAL. No lado das abstenções Soi Kun 9 temos 4 Mak 3 1 7 2 3 5 –4vencedor 6 8 das últimas eleições, Ho Ion Sang, Chan 0 e Song 8 0 Si6Ka 1 8 7 5 Hong, Lon, 9 Wong7Kit2 Cheng Pek Kei. Já Angela Leong e Vítor Cheung, 0 4 Por1motivos 9 3 5 8 7 3não votaram. 4 6 convenientemente, que a ciência 2 explica, 4 6 7e crianças 3 59são 18 6 0 mulheres as vítimas mais comuns e este é um problema muito ligado isso, 7 4 6 direitos 1 0 9 8 aos 4 8 9da Mulher. 7Por 2 6 quando no dia de celebração do papel das 5 2 1na sociedade 72 30 97 3do género 1 8 6feminino pessoas0 lemos os discursos das “deputadas e grande 3 é 9bom7não 53esquecer 8 6 4 2 lutadoras” a história recente. João Santos Filipe

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THE WANDERING EARTH [B]

Um filme de: Christopher Landon Com: Jessica Rothe 14.30, 16.30, 21.30

HAPPY DEATH DAY 2 U [C]

MAX

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SALA 3

FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Frant Gwo Com: Jing Wu, Chuxiao Qu, Guangjie Li, Man-Tat Ng, Jin Mai Jaho 14.30

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S U D O K U

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FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Tatsuya Nagamine 16.45, 19.30, 21.30

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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opinião 21

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reencarnações

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Infantilidade

ACAU tem todas as idades. É velha, cheia de fantasmas, com um passado sofrido. Debaixo das suas ruas acumulam-se séculos em camadas geológicas de vidas perdidas e pirataria. É maior e vacinada, aglomera todos os vícios oferecidos pelo mafarrico e vende todos os pecados capitais que o capital consegue comprar. É uma cidade calejada pela violência, palco de sucessivas gerações de piratas, ladrões, corruptos e poetas, porto de abrigo para desesperados, berço confortável de tríades várias, local onde a lei é apenas um slogan que vende uma realidade pintada a rosa por cima de um mar de cinzas. Ao mesmo tempo, Macau é uma criança renovada a cada passo, em crescimento disforme e com dentes de leite a despontar de uma velha e seca gengiva. É uma cidade que vive em perpétua idade da inocência. A primeira manifestação de infantilidade que salta à vista para quem acaba de cá chegar é a publicidade institucional. O poder fala com o povo como a Ana Malhoa se dirigia ao público do Buéréré, com um aberto e sorridente “olá, amiguinhos”. Seja qual for o departamento do Governo, usa-se um tom adequado para comunicar com uma criança de seis anos, sempre com cores vivas, desenhos animados, banda sonora a evocar memórias de Teletubbies e um sentimento grotesco de Terra do Nunca com um design que, ironicamente, faz lembrar os sanguinários “cartoons” de Joan Cornellà. Em Macau, o complexo de Peter Pan é uma política basilar. Por exemplo, se a mensagem for a divulgação de uma linha telefónica para receber informações sobre a perigosidade de um destino de férias, as imagens são um desenho animado, como é óbvio. A publicidade institucional que tenho em mente retrata aquilo que só pode ser interpretado como um menino a fazer turismo, de máquina fotográfica em riste, num cenário de guerra ao estilo da Síria. Entre duas fotos, aparece um tanque de guerra que dispara contra o menino. O resultado não é morte, vísceras de fora e o horror consequência da guerra, algo que também seria completamente despropo-

JOAN CORNELLÀ

JOÃO LUZ

sitado mostrar num anúncio de alerta. Em vez disso, o incauto turista fica com a cara tisnada de fuligem, cabelo de pé a fumegar e um ar confuso de quem esperava morrer depois de levar com munição de tanque. As forças de segurança ganham o óscar para melhor filme de animação, com vários exemplos de assuntos sérios e aterradores retratados como um episódio da Rua Sésamo. Do pequeno furto de carteiristas em autocarros até à ameaça de terrorismo, os prevaricadores têm sempre o aspecto de um Playmobil sorridente. Apetece pegar no Playmobil que se assemelha ao Bin Laden e pô-lo a jogar à bola com o Rato Mickey, ou numa festa de chá com a Barbie. Será

“Abstenho-me de elencar mais exemplos de como o poder fala com os residentes com cutchicutchis e apertões nas bochechas. Quem é o residente mais lindo, em conformidade com a harmoniazinha fofa do papá?! Quem é, quem é? É tu!

que ainda assim, o terrorista animado iria detonar os palitos de dinamite atados a laço com um relógio em cima? Por um imperativo de falta de pachorra e espaço de página abstenho-me de elencar mais exemplos de como o poder fala com os residentes com cutchicutchis e apertões nas bochechas. Quem é o residente mais lindo, em conformidade com a harmoniazinha fofa do papá?! Quem é, quem é? É tu! Uma fórmula semelhante é usada na ligação entre Governo e comunicação social. Nos discursos oficiais, somos sempre representados como os melhores amigos, camaradas do peito que andaram na escola e que já choraram no ombro um do outro. Depois, no quotidiano, quando buscamos informação que descodifiquem a realidade, somos empatados ou, simplesmente, atiram-nos com uma resposta que pouca relação tem com a pergunta. Mas o pior mesmo é repetirem, até à náusea, que a função do jornalismo é transmitir as mensagens do Governo, ser o seu megafone, com a missão lateral de fazer sugestões de governação. É possível que o livro oficial do Executivo e a sua filosofia central seja “O Segredo”. Parece que ao poder basta pensamento positivo e desejar muito que a realidade se adeque aos seus desígnios em vez do contrário.


22 opinião

11.3.2019 segunda-feira

“The soundscape focuses on perception and involves human and social sciences (e.g., psychology, sociology, architecture, anthropology, and medicine) to account for the diversity of soundscapes across countries and cultures. Moreover, it considers environmental noise a resource rather than a waste”. Soundscape and the Built Environment Jian Kang and Brigitte Schulte-Fortkamp

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E fechar os olhos por um momento e escutar o espaço que me rodeia dou conta que da minha cadeira, ouço a agitação rítmica do ciclo de centrifugação da máquina de lavar, abafada apenas levemente por uma porta fechada. Na sala ao lado, ouço uma melodia cadenciada de bandolim. Ainda mais longe, a sugestão de um zumbido baixo, como o de um raro jacto cruzando o céu, que me faz lembrar a presença do frigorífico no espaço contíguo à cozinha. Se eu me concentrar mais, posso ouvir o gemido distante de sopradores de folhas na rua, embora o que poderiam estar a soprar no meio do inverno esteja além de mim. E ao lado do “click clack” da minha digitação, ao enviar estas palavras à página, está o ronronar de um disco rígido externo, um som reconfortante da era digital. Estes são os sons da minha e da nossa vida diária. Os sons possuem muitas universalizações compartilhadas pelos povos do mundo como lembretes sonoros de electricidade, canalização interna e motor de combustão. No entanto, são simultaneamente e totalmente exclusivos do local onde ocorrem e podem incluir o clamor longínquo de um raro galo ou um chamado árabe à oração. Ao ler a passagem acima, provavelmente ouviu os sons descritos na sua mente, em um processo chamado de audição. Ainda que a minha audição possa ser diferente de outra pessoa, a imagem sonora mental vívida ilustra o poder do som como meio de comunicação. Pode transmitir significado, emoção, memória e factos por meio de linguagem, música e gravações. O som, quando entendido como um ambiente, é uma paisagem sonora; uma ferramenta poderosa que ajuda os seres humanos a se relacionarem com o ambiente. Os sons podem ser conscientemente projectados por um indivíduo ou grupo de indivíduos, ou o subproduto de circunstâncias históricas, políticas e culturais. Podem ser composições musicais, gravações de campo antropológicas etnográficas ou de uma floresta tropical tomadas por um ecologista, ou ainda imaginações de um projectista de som/historiador ruminando os sons do passado. As paisagens sonoras definem comunidades e os seus limites, actores, complexidades

geográficas e indústrias. Os sons surgem através das interacções entre forças externas e internas dentro de uma comunidade. O que torna a paisagem sonora de um lugar diferente de qualquer outro local no mundo são as marcas sonoras. A marca sonora da nossa casa pode ser uma pequena fonte borbulhando no canto da sala de estar, ou o tilintar de um carrilhão de vento no seu quintal, se o urbanismo tresloucado ainda o permitir. Por certo gosta desses sons porque o fazem sentir-se de alguma forma feliz, e coloram a impressão de todos os outros sobre o ambiente sonoro do seu espaço pessoal. A marca sonora do local onde mora pode ser a piscina local, quiçá metida no meio dos arranha-céus dos prédios que constituem as edificações da utilização de um lote urbano, pensado para engaiolar gente que não merece ter o mínimo de qualidade de vida, com o som de salpicos e gente rindo dominando a paisagem sonora, sempre que a temperatura sobe acima dos vinte e cinco graus centígrados. Mas durante os Outonos e Invernos que se misturaram selvaticamente com as outras estações, por força das alterações climáticas que os seres humanos irresponsavelmente tiveram a ousadia de atiçar, talvez a paisagem sonora da sua cidade seja dominada pela marca sonora do fole diário dos apitos e ronronar de motores de carros e motociclos, altamente causadores das maiores poluições atmosféricas e sonoras que o mundo conhece e que a boas e más governanças nacionais não querem ou não podem resolver. Talvez tenha adicionado a fonte e o som do vento na sua casa se não viver enjaulado para combater a estética desagradável desses sons, pois criamos a nossa paisagem sonora em diálogo com a comunidade e como sua reacção. Tais escolhas iluminam aspectos da nossa sensibilidade estética e formação pessoal e cultural. A resposta do vizinho ao som que medido virou ruído, pode ser cultivar um jardim atraente para os pássaros na marquise improvisada da minúscula varanda, de modo que a nossa paisagem sonora pessoal fosse constantemente preenchida com o canto dos pássaros. Todos os membros da comunidade podem ter reacções individuais à paisagem sonora, e o contraste entre a paisagem sonora aos níveis micro e macro, ajuda a pintar uma imagem da composição diversificada de uma comunidade. Este é o poder da paisagem sonora. Se fecharmos os olhos novamente, podemos imaginar um espaço que não seja diferente do descrito e o ronronar baixo do frigorífico lentamente desaparece e o gemido distante do soprador de folhas foi substituído pelos cascos rítmicos dos cavalos. O ciclo de centrifugação da máquina de lavar roupa foi substituído por roupas batendo em um estendal no quintal. Escutamos passos barulhentos e o rangido de um cesto de vime pressionado contra um corpo. É mais fácil ouvir o seu batimento cardíaco, respiração, suspiros ecoando e o vento assobiando pelas rachaduras na janela. É uma

JOHN FREDERICK KENSET, TWILIGHT ON THE SOUND

A olvidada

paisagem sonora de um tempo passado. Esta poderia ser a paisagem sonora de uma casa do século XIX, até mesmo de uma casa singular do século XX. Em um contexto ambiental, a paisagem sonora ajuda-nos a entender a ecologia acústica de um lugar. A floresta repleta de muitos tipos de pássaros e outras actividades animais indicaria um ecossistema saudável, diversificado e resiliente. Por outro lado, um ecossistema dominado por uma única fonte sonora, como o canto da cigarra, ilustra uma possível falta de diversidade e resiliência. Quanto mais resiliente for um ambiente, maior será a sua capacidade de resistir a um distúrbio significativo sem danos e mudanças irreparáveis. Também são importantes as maneiras pelas quais os sons interagem entre si. A hipótese do “nicho acústico” desenvolvido por Bernard Krause, músico americano e ecologista de paisagem sonora, que afirma que todos os organismos ocupam uma faixa de frequência funcionalmente específica dentro de um ecossistema. Por exemplo, se em um pasto houver grilos e pássaros, a chamada de críquete estará em uma faixa de frequência diferente ou ocorrerá em um horário distinto do canto dos pássaros, de modo que cada grupo de comunicação dos organismos sobreviva, tais como chamadas de emparelhamento, podem ser mais facilmente ouvidas. Os ruídos conflituantes decorrentes da actividade humana forçam os organismos a alterar o seu comportamento para se adaptarem a novas frequências, como o tráfego automóvel e os nichos acústicos nítidos tornam-se confusos, à medida que os modos

naturais de comunicação dos organismos se tornam ineficazes face às mudanças, comprometendo a aptidão e a sobrevivência das espécies. As comunidades humanas não são diferentes. A distinção entre as facetas sónicas das comunidades é cada vez mais difícil de discernir no nível superficial. Muito parecido com uma nota à cigarra, é o clamor da música pop ocidental em restaurantes e táxis que dominam as paisagens sonoras de todo o mundo. É de considerar que milhares de quilómetros quadrados da floresta tropical brasileira deram lugar a herdades de gado e pastagens, trazendo consigo paisagens e marcas sonoras completamente novas. No entanto, mesmo entre essa mudança, é importante lembrar que, sob a superfície aparentemente homogénea, ainda existem ricos recantos culturais na forma de música de fundo, narrativa e industrial. Tudo isso requer uma pequena amplificação para ser ouvida. A experiência humana é altamente sonora e como uma das propriedades centrais do som é sua efemeridade, não perdura muito além da sua produção, e até mesmo uma gravação é apenas uma representação subjectiva da realidade, fácil de esquecer, embora seja um dos nossos principais sentidos. É fundamental que não nos esqueçamos do som, por causa do seu papel decididamente cultural dentro da nossa ecologia acústica. Lembrar os sons do passado pode-nos fornecer indícios da evolução de uma comunidade, proporcionando às pessoas as ferramentas para olhar o futuro. Uma comunidade costeira pode mobilizar as memórias dos sons do martelo em madeira


opinião 23

segunda-feira 11.3.2019

perspectivas

JORGE RODRIGUES SIMÃO

paisagem sonora

de um estaleiro, como uma força motriz para revitalizar uma indústria. A promoção da diversidade cultural global ajuda a incutir nas pessoas um senso de lugar e pertença. Os sons dão-nos uma representação do mundo ao nosso redor tão vívido e evocativo das paisagens visuais que competem pela nossa atenção. A geografia preocupou-se sempre e principalmente com a compreensão do mundo através de termos inerentemente visuais. As obsessões geográficas com mapas e cartografia, actividade que tem sido intrinsecamente ligada à conquista e construção de impérios, dependiam muito do olhar visual para quantificar, entender e, finalmente, ordenar o mundo. O mundo foi estruturado a partir de uma perspectiva ocidental e foi o resultado pretendido e não uma consequência imprevista. As estreitas ligações que a geografia compartilha com os militares continuam na actualidade, e quem viu a magistral peça de teatro “Translations” do dramaturgo irlandês Brian Friel, escrita em 1980, tem a noção de que é uma peça apenas sobre linguagem, mas lida com uma ampla gama de conteúdos, que se estende da linguagem e comunicação à história irlandesa e ao imperialismo cultural. As relações uniram-se durante o período em que a peça é adaptada, e foi a primeira pesquisa completa em qualquer país do mundo. O mapeamento, limites e o controlo definem essa actividade, e o visual foi usado para o codificar e validar. O papel desempenhado pelos sons na paisagem, pelo contrário, só recentemente começou a receber a atenção que merece. Assim como as pistas visuais, os sons combinam-se para formar sistemas de

significado que podem servir para transmitir, reificar, desafiar ou reinventar simultaneamente normas e valores socioculturais. O termo paisagem sonora está a começar a desafiar o domínio da paisagem na escrita geográfica e no pensamento. As paisagens sonoras são o som entendido como um ambiente. Se alguém fechar os olhos, se estiver de pé na beira de uma rua movimentada ou sentado em uma mesa de um escritório, o fluxo de barulhos concorrentes orienta o ouvinte ao seu ambiente imediato da mesma forma que as dicas visuais o fazem. Se o fizer por tempo suficiente, os sons começarão a assumir ressonâncias espaciais maiores à medida que o ouvinte distingue as distâncias dos ruídos individuais, o nível de ameaça que o objecto que os produz, ou os tipos de respostas emocionais que provocam e tudo se combina, para nos dar uma representação do mundo ao nosso redor, tão

É fundamental que não nos esqueçamos do som, por causa do seu papel decididamente cultural dentro da nossa ecologia acústica. Lembrar os sons do passado pode-nos fornecer indícios da evolução de uma comunidade, proporcionando às pessoas as ferramentas para olhar o futuro

vívida e evocativa das paisagens visuais que competem pela nossa atenção. O poder dos sons afecta-nos de várias maneiras. Só se tem que assistir a uma cena de um filme de terror, com o volume baixo para se aperceber de uma diferença na nossa percepção do que pode ser uma ameaça. Uma figura sombria que se aproxima da tela, geralmente, não parece tão ameaçadora sem as pistas de áudio que sinalizam o perigo. As paisagens sonoras e as marcas sonoras que os compõem contribuem e informam os conhecimentos que experimentamos ao longo da vida. Por exemplo, os povos aborígenes australianos usavam mapas mentais audiovisuais, esboçados em sons através de canções que ajudavam os iniciados a navegar pelo vasto continente australiano. Cantando versos na sequência correcta, foram capazes de usar marcadores visuais identificáveis ​​na paisagem, como rios ou cordilheiras, para observar quais as áreas seguras para viajar. Ainda que sejam mais frequentemente ignorados até desaparecerem, as marcas de som em uma paisagem sonora são tão importantes quantos os pontos de referência visuais para identificar ou lembrar um lugar. Os cantos icónicos das cigarras evocam imagens de um verão japonês para os ouvintes que lá passaram. O cinema japonês abunda com esses cantos, especialmente quando retrata uma cena de verão. O codornizão, na Irlanda, foi a omnipresente ave campestre de verão que se encontrava em todo o país. O seu canto, agora ausente e em perigo de extinção na Irlanda, excepto em algumas concavidades

vulneráveis ​​ao longo dos rios, costumava ocupar um espaço semelhante no folclore irlandês como a cigarra no Japão. As ligações muito próximas que os sons têm em contextos específicos de tempo e lugar, tornaram-se um crescente campo de interesse em todas as disciplinas desde a década de 1940. Os estudiosos de música, antropologia, cinema e ecologia reconheceram a importância cultural e ecológica do som em ambientes humanos e naturais. É de recordar que Bernard Krause tem vindo a coleccionar gravações do mundo natural desde 1968. Nesse período, demonstrou como os ambientes naturais são profundamente afectados pelos seres humanos, mesmo quando realizam actividades relativamente ecológicas em uma determinada área, e no seu livro “Great Animal Orchestra”, descreve algumas das paisagens sonoras bioacústicas mais atraentes do planeta, e como podem ter ajudado a contribuir para o desenvolvimento da música e da fala humana. O músico e ecologista americano divide os sons em três categorias, que são a biofania (sons feitos por animais e plantas); geofania (sons naturais como os produzidos pelo vento e chuva) e antropania (ruídos induzidos pelo homem que impactam desproporcionalmente os ecossistemas que os sofrem) e formula a hipótese de que, quanto mais saudável e estável for o habitat, maior a complexidade e o alcance da musicalidade expressa pelas criaturas que o ocupam. Essencialmente, reduções na biodiversidade levam à desertificação do sinal de acústica de um habitat. O livro de Bernard Krause fornece um exemplo de uma floresta antiga no oeste dos Estados Unidos, onde registou a biofania da área antes e depois da extracção selectiva de madeira. O entendimento convencional, sugeriu que as práticas de exploração selectiva teriam um impacto mínimo sobre a biodiversidade da floresta, especialmente quando comparadas ao desmatamento que geralmente ocorre. Quanto mais saudável e estável for o habitat, maior será a complexidade e variedade de musicalidade expressas pelas criaturas que o ocupam. Mas através das suas gravações, Bernard Krause foi capaz de demonstrar que a paisagem sonora bioacústica tinha mudado dramaticamente, embora a floresta parecesse ser intocada em termos visuais. O impacto real da exploração madeireira, mesmo práticas ambientalmente sensíveis, como neste caso, só pode realmente ser entendido medindo-se a paisagem sonora. Com efeito, a sinalética bioacústica foi devastada após a extracção tendo sido registada a ausência da maioria das espécies de pássaros e insectos capturados durante a primeira gravação. É de considerar que vivemos uma era de extinção em massa de espécies animais e compreender a importância da paisagem sonora de um habitat como um indicador de um bioma saudável é profundamente importante, especialmente se fizermos uma tentativa realista de verificar o colapso da biodiversidade.


Uma boa gargalhada é o melhor pesticida que existe. Vladimir Nabokov

PALAVRA DO DIA

segunda-feira 11.3.2019

RELIGIÃO SENHOR DOS PASSOS JUNTOU CENTENAS EM MACAU

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Cinco das seis operadoras de jogo “manifestaram interesse” em garantir uma licença no Japão, depois de o parlamento nipónico ter aprovado a abertura de três casinos a partir de meados de 2020

Ameaças exteriores JOGO ESPECIALISTA POUCO OPTIMISTA QUANTO AO DESEMPENHO DOS CASINOS EM 2019

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AVID Green, fundador da Newpage Consulting, consultora especializada em regulação de jogos, mostrou-se pouco optimista em relação aos resultados dos casinos em 2019, devido à entrada do Japão nas apostas, do crescimento do Camboja e da guerra comercial EUA/China. Os casinos de Macau fecharam 2018 com receitas 303 mil milhões de patacas, traduzindo um aumento de 14 por cento face a 2017. Contudo, na

opinião de David Green, face a vários factores externos a Macau, a tendência de crescimento que se tem verificado nos últimos anos pode ter chegado ao fim. “O Japão será uma grande distracção para os grupos interessados em ganhar uma concessão de jogo”, afirmou, em declarações à Lusa. Cinco das seis operadoras de jogo (MGM, Sands, Wynn, Melco e Galaxy) “manifestaram publicamente interesse” em garantir uma licença no Japão, depois de o

parlamento nipónico ter aprovado a abertura de três casinos a partir de meados de 2020. Na opinião do fundador da Newpage Consulting, a entrada em força de outros países asiáticos no jogo, como o Camboja e o Vietname, pode levar os turistas chineses que visitam Macau (25 milhões dos 35,8 milhões de turistas em 2018) para essas paragens. “O Camboja tem potencial para conseguir alguns dos jogos de massa e VIP de Macau, tanto em Naga, como no aglomerado de casinos

em Sihanoukville”, já o “desenvolvimento de Hoi An, no Vietname” poderá “afastar os jogadores” VIP de Macau, considerou.

GUERRA COMERCIAL

Já sobre a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, apesar de estimar que “será resolvida”, David Green entende que Pequim “terá de fazer concessões que preferiria não fazer (…) e vai perder a face”. “Isso poderá prejudicar os operadores norte-americanos (MGM, Sands e

Wynn) que estarão mais vulneráveis a qualquer acto de retaliação”. “A retaliação provavelmente será subtil, mas significativa”, frisou. O ‘fraco optimismo’ de David Green é também suportado pelas estimativas do Fundo Monetário Internacional que estima que a economia de Macau cresça 5,3 por cento em 2019. No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 4,7 por cento, em termos reais, reflectindo um forte abrandamento de cinco pontos percentuais face a 2017.

LITERATURA JOSÉ LUÍS PEIXOTO ENTRE HOJE E QUINTA-FEIRA NA UM

O

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escritor português José Luís Peixoto vai estar entre hoje e quinta-feira na Universidade de Macau para conduzir um oficina de escrita no Centro Bilingue Chinês-Português daquela instituição. A iniciativa é dirigida à promoção da escrita de ficção literária e está estruturada em quatro sessões a decorrer das 15h às 17h30. O objectivo é “divulgar a língua e cultura portuguesa” e “fazer com que cada um dos participantes produza um texto literário, percebendo a estrutura, criatividade e métodos envolvidos no processo de criação”, aponta a orga-

nização em comunicado. José Luís Peixoto, recebeu em 1997, aos 23 anos, o Prémio Jovens Criadores atribuído pelo Instituto Português da Juventude, com a obra de ficção “Morreste-me”, dedicada ao pai. Em 2001, o autor começa a destacar-se no panorama da literatura portuguesa ao receber o Prémio Literário José Saramago, da Fundação Círculo de Leitores com o romance “Nenhum Olhar”. Da sua obra, que se encontra traduzida em mais de 25 línguas, fazem parte seis romances, seis livros de ficção, três séries de poesia e dois livros infantis. S.M.M.

ARGAS centenas de pessoas integraram ontem a procissão do Senhor Bom Jesus dos Passos em Macau, entre a Sé catedral e a igreja de Santo Agostinho, numa das mais importantes tradições católicas da cidade. Ontem à tarde, a procissão, que contou com a participação do bispo de Macau, Stephen Lee, percorreu algumas das ruas mais movimentadas do centro da cidade, para cumprir sete estações da via-sacra, representativas do percurso feito por Jesus Cristo até ser crucificado no monte Calvário, em Jerusalém. Em cada estação, algumas dezenas de pessoas esperavam a imagem. Cânticos e orações foram entoados em português, chinês e latim, tal como nas cerimónias que antecederam e concluíram a procissão, acompanhada pela banda de música das Forças de Segurança. Esta tradição religiosa está repartida por dois dias. No dia anterior, ao final da tarde de sábado, decorreu a procissão da Cruz, que juntou igualmente algumas centenas de fiéis. A imagem do Senhor dos Passos saiu da igreja de Santo Agostinho com destino à Sé, onde ficou durante a noite. Esta cerimónia assinala também o primeiro domingo de Quaresma, período de oração, penintência, jejum e abstinência para os católicos. Com uma longa história, que remonta a 1708, a procissão do Senhor Bom Jesus dos Passos realiza-se todos os anos em Macau, no primeiro sábado e domingo de Quaresma. Em Setembro de 2017, esta procissão e a de Nossa Senhora de Fátima entraram para a lista de património intangível de Macau, publicada pelo Instituto Cultural de Macau.

Fiji Terramoto de magnitude 6,2 sacode região

Um terramoto de magnitude 6,2 sacudiu ontem a região Este das ilhas Fiji, no Pacífico sul, informou o Instituto Geológico dos Estados Unidos, sem que tenha sido activado o alerta de tsunami. O tremor registou-se às 08:12 TMG, a 567 quilómetros de profundidade e a 191 quilómetros a Este de Suva, a capital do país, de acordo com o serviço geológico norte-americano, que regista a actividade sísmica em todo o mundo. Esta região sofre habitualmente terramotos de magnitude superior a 5. Conhecida como Cuenca Norte de Lau, situada entre as Fiji, Samoa e Tonga, no Pacífico sul, conta com dezenas de vulcões submarinos activos, que se encontram a 1.000 e 1.500 metros de profundidade.


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Hoje Macau 11 MAR 2019 #4244 by Jornal Hoje Macau - Issuu