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Hoje Macau 11 NOV 2013 #2971

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GONÇALO LOBO PINHEIRO

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

hojemacau

MOP$10

S E G U N DA - F E I R A 1 1 D E N O V E M B R O D E 2 0 1 3 • A N O X I I I • N º 2 9 7 1

100 ANOS DE ALBERT CAMUS PÁGINAS 15 A 17

• SUSANA CHOU

Croupier para sempre? Não, obrigada PÁGINA 5

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

Ambiente é um direito fundamental Eva Jiang é especialista em Direito Ambiental. Para ela, a Lei Básica é, sobre o assunto, “vaga e imatura”. Se a RAEM que ser um centro internacional de turismo, urge modernizar a legislação. PÁGINAS 2 E 3

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• VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

CHUI CONVIDADO A OUVIR VÍTIMAS. OLHOS NOS OLHOS PÁGINA 4


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ENTREVISTA

hoje macau segunda-feira 11.11.2013

LEI BÁSICA REFERE A PROTECÇÃO DO AMBIENTE DE FORMA “VAGA E IMATURA”, ENTENDE EVA JIANG

Eva Jiang, académica da Universidade de Macau, especializada em Direito Ambiental, acredita que a Lei Básica não expressa claramente o direito ao ambiente, até para que seja possível para o cidadão da RAEM interpor um processo em tribunal antes de danos causados por quaisquer actividades poluentes. Ao nível da revisão da Lei de Bases do Ambiente, lembra, deve-se incluir “a avaliação de impacto ambiental” como algo obrigatório para qualquer projecto de construção RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

Os relatórios de ambiente têm vindo a demonstrar um cenário cada vez menos animador: fraca qualidade do ar, águas costeiras poluídas e mais barulho. Em que é que o Governo se devia empenhar mais para melhorar a qualidade de vida da população? Temos uma Lei Básica para regular esta matéria só que apenas no capítulo V “Economia” se fala do ambiente num artigo muito simples (119º) a dizer apenas que o “Governo da RAEM protege o ambiente nos termos da lei”. Isto não é um direito fundamental. É muito vago e imaturo. Portanto, quando vamos avaliar se o Governo está a fazer um bom trabalho, ou não, temos de ver com base em quê. Num Estado de Direito, em primeiro lugar, é preciso ver se há um sistema jurídico ambiental para isso. Mas há também uma Lei de Bases do Ambiente, datada de 1991. O Governo pensa inclusivamente revê-la, no quadro do planeamento ambiental

2010-2020. O que seria necessário alterar? Está muito desactualizada. Na altura era quase uma cópia da Lei de Bases do Ambiente de Portugal, portanto ainda se fala em princípios muito básicos. Há uns mais actualizados hoje. As orientações estão muito desadequadas, por isso é muito difícil executar o que lá está para fazer um Regulamento Administrativo. E a própria estrutura também não está feita da melhor maneira. Seria necessário, por exemplo, aplicar medidas ambientais na área da construção? Sempre defendo que temos de ter uma lei fundamental a dizer que todos os cidadãos têm direito a um ambiente sadio, ecologicamente equilibrado ou livre de contaminação. E temos de procurar uma maneira de garantir que o direito ao ambiente seja um direito fundamental. Mas isso não está já consagrado como um direito na Declaração Universal dos Direitos Humanos e em tratados da ONU já ratificados?

GONÇALO LOBO PINHEIRO

“Temos de garantir que o direito ao ambiente seja um direito fundamental”

Isto é uma maneira possível de defender [o direito ao ambiente] porque mesmo no artigo 40º da Lei Básica tem essa referência que seguimos as disposições escondidas nas convenções internacionais. Há quem diga que com este artigo já o direito ao ambiente sadio e ecologicamente equilibrado de todos os residentes de Macau está garantido. Mas acho que é uma interpretação tácita. É preciso ter uma atitude mais óbvia e positiva. A esse respeito, poderá hoje uma pessoa de Macau interpor um recurso em tribunal alegando restrições ao direito ambiental? Lembro-me, por exemplo, do caso da central de incineração em Ká-Hó e dos problemas de saúde reivindicados pelos moradores… Se fosse um direito constitucionalmente garantido e fundamental de cada residente, então mesmo com base no interesse público

qualquer pessoa pode recorrer ao tribunal para pedir proibição de algum tipo de actividade poluente e em nome do interesse público da população em Macau. Mas, sem esta garantia do direito fundamental, como é que uma pessoa consegue fazer isto? Se sou moradora em Ká-Hó e sofro de algum problema mas não tenho um relatório médico não conseguiria interpor um processo no tribunal. E não consigo exercer um direito subjectivo que tenho. Por exemplo, na Constituição Portuguesa é claro que “todos têm um direito e uma vida humana

sadia e ecologicamente equilibrada” e um cidadão pode interpor uma proibição a uma actividade poluidora, sem necessidade de provar que já sofreu algum dano. Voltando à revisão da Lei de Bases do Ambiente. Existe necessidade de criar novos mecanismos para evitar estas situações? A avaliação de impacto ambiental seria algo muito importante para evitar os problemas ambientais. Por exemplo, antes de um projecto de construção fazer uma avaliação para saber se irá causar danos ambientais às pessoas.

Há quem diga que com este artigo já o direito ao ambiente sadio e ecologicamente equilibrado de todos os residentes de Macau está garantido. Mas acho que é uma interpretação tácita. É preciso ter uma atitude mais óbvia e positiva

Porque actualmente só é aplicado às obras públicas? É que não temos uma lei de avaliação de impacto ambiental, ou seja, não é obrigatório, é aconselhável. Mas se não se fizer, tudo bem. A DSPA tem vindo a falar sobre esta possibilidade e trata-se de prevenir o mal. É o princípio de precaução e de prevenção, que devemos pôr na Lei de Bases do Ambiente. Os actualmente consagrados são os de prevenção, participação, equilíbrio, responsabilização, etc. Contudo, deve-se falar em precaução porque tem mais a ver com risco porque consegue prevenir os danos ambientais de melhor forma que a “prevenção”. E dá mais protecção ao ambiente. A ideia é que mesmo com um risco mínimo não se avança com o projecto, ou seja, mesmo sem certeza científica de danos ambientais. Na prevenção, ao contrário, já há alguma certeza que vai causar poluição. E depois também não se fala nesta lei de um desenvolvimento sustentável numa economia tão boa, que se quer contínua. Mas se o desenvolvimento estiver só de um lado não vai longe… Mas pode-se falar em desenvolvimento sustentável quando a economia não é diversificada porque se baseia numa única indústria? Não acredito que isso impeça o desenvolvimento sustentável. Mas como é que podemos manter uma economia tão próspera de uma forma sustentável? Porque sem um ambiente bom e sadio, esta economia tão boa, seja de que forma for, não tem futuro. E como se poderia alterar este rumo? Se queremos fazer de Macau, tal como diz o Governo, um centro internacional de turismo e lazer é preciso atrair os turistas não só pelas atracções luxuosas dos hotéis e serviços mas as pessoas têm que sentir-se bem aqui.


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hoje macau segunda-feira 11.11.2013

dicos nesta área e, por isso, há esta deficiência. E, lá está, a própria educação de direito do ambiente não está muito bem feita. O que é? Quais os princípios básicos? Qual a tendência internacional? Ninguém fala disso (com excepção do último Congresso Internacional de Advogados, onde fui oradora, que foi uma iniciativa louvável). Porque toda a gente fala na protecção do ambiente mas cada um com a sua interpretação. Mas estamos a falar de uma ciência jurídica. O Direito Ambiental tem as suas próprias lógicas. E aí está uma das razões da deficiência neste trabalho.

As pessoas têm de conseguir respirar normalmente, não ter problemas de trânsito, de poluição do ar e ver o céu azul. Isto é algo muito primário que precisa de ser feito. Este é um sofrimento imediato que a economia vai ter com a poluição ambiental. A sensibilidade que a Administração tem com este tema não é suficientemente forte, embora vejamos mais actividades educativas de consciência ambiental. Mas para ajudar as pessoas a criarem hábitos pró-ambiente é preciso mesmo ter a intervenção das leis. No capítulo da sensibilização tem sido feito mais mas não é suficiente? Não é suficientemente eficaz. Tem havido cada vez mais actividades para promover esta sensibilidade em geral e é sempre um passo. Mas por mais que se faça é sempre com o efeito educativo mas, quer dizer, estamos sujeitos ao bom senso de cada um. Para regular efectivamente os comportamentos acho que tem de intervir um regime jurídico e é preciso fazer funcionar a lei. Neste campo da educação e apoio, como vê a criação do Fundo para a Protecção Ambiental e de Conservação Energética? É um dinheiro público bem gasto? Acho que sim. Trata-se de uma medida muito pioneira e mostra que não temos sempre coisas más. Mostra que o Governo tem esta preocupação e quer fazer alguma coisa. Vale a pena continuar. Mas há um pequeno defeito: a falta de promoção. Nem toda a gente sabe. Só os mais atentos sabem. Não há um conhecimento generalizado. Mas haverá, na sua opinião, alguma controvérsia pelo facto de ser dado dinheiro a hotéis-casinos que já por si têm muito capital disponível para investir na poupança energética do próprio hotel? É o Governo que disponibiliza portanto a partir daí qualquer entidade particular ou colectiva pode candidatar-se, independentemente desta entidade ou particular ter muito dinheiro. Na minha opinião, terá de haver aqui um princípio de igualdade. Todos têm o direito e o dever de proteger o ambiente aproveitando este apoio financeiro. Como avalia o papel desempenhado pela DSPA desde que foi criada, em 2009?

PERFIL Nasceu na província de Hunan e foi estudar Direito na Universidade de Coimbra, em Portugal, com 21 anos. Fez depois um mestrado em Direito Administrativo (com tese feita sobre direito do ambiente). Depois de exercer advocacia em Portugal, no Porto e em Lisboa, durante dois anos, acabou por aproveitar a “oportunidade” de se envolver no ramo de docência na Universidade de Macau, leccionando na licenciatura de Direito em Chinês e no Mestrado de Direito em Português. Encontra-se a fazer um doutoramento em Direito Público, com nova tese virada para o ambiente.

Tem vindo a fazer os seus trabalhos porque se virmos na sua página na Internet há conteúdo. Não é um instrumento com coisas vagas. Aliás, conseguimos perceber bem que têm criado muitas actividades e sentimos que eles estão preocupados.

Agora se estas preocupações estão a conseguir responder às necessidades reais ou não, isso já é outra coisa. Estão a fazer um bom trabalho em termos educativos mas em termos jurídicos podiam ter mais iniciativas. Mas talvez faltem conhecimentos jurí-

Pensa-se agora em incluir os vidros nos produtos a reciclar e quer-se apostar na reciclagem de água. Mas teria Macau oportunidade de apostar mais na área das energias renováveis? Tendo em conta que Macau é uma cidade de turismo e os gastos nesta área são enormes então é sempre bom apostar nesta área de energias renováveis. Mas, em termos práticos, isto envolve uma cooperação inter-regional. Macau pode aproveitar as experiências vizinhas ou fazer por si um sistema de energia renovável? São duas hipóteses. Em que áreas podia apostar mais? Acho que agora vamos ver como será posto em prática o sistema de água reciclada porque acho que na prática podem surgir dificuldades

As pessoas têm de conseguir respirar normalmente, não ter problemas de trânsito, de poluição do ar e ver o céu azul. Isto é algo muito primário que precisa de ser feito. Este é um sofrimento imediato que a economia vai ter com a poluição ambiental porque a contagem (gastos), de separação das águas normais das recicladas, não é simples. E parece que pode haver complicações. Em termos de funcionamento entre as empresas, como será feita a contagem? Talvez não seja uma complicação tremenda, teremos de ver. E em Macau, como avalia o sistema de reciclagem? Confesso que não conheço bem. Sei é que em Hong Kong, nesta matéria, será feita uma consulta pública no próximo ano em que se põe a possibilidade de as pessoas pagarem o lixo que consomem. Tem de haver uma taxa mensal a pagar pelo lixo, seja orgânico ou não. Isto mostra que o Governo de Hong Kong quer mesmo ter medidas fortes para a protecção do ambiente. E isto poderia ter aplicação em Macau? Porque os aterros começam a chegar ao seu limite... Alongo-prazo vai ser um problema grave porque a realidade é que não temos terrenos. E cada dia produz-se tanto lixo e é preciso estar-se alerta. Esta-

mos a proteger o ambiente de uma forma muito passiva. Só lançamos as medidas depois dos problemas. Quando o mal está feito, faz-se alguma coisa para remediar. Mas não chega. É preciso evitar fazer sempre um trabalho de reparação. A lógica não está a ser correcta. Estamos a deixar a solução dos problemas para mais tarde e não é justo para as próximas gerações. Temos de falar de responsabilidade inter-geracional. Sobre as políticas do Governo Central, no último plano quinquenal e no âmbito da nova liderança acha que estão a ser dados passos claros na implementação de um desenvolvimento sustentável? A China está no bom caminho embora a realidade ambiental seja muito grave. Sabemos que o problema ambiental é histórico porque estamos a pagar pelo que os nossos pais e avós fizeram. Tenho esperança que as coisas vão melhorar, porque agora fala-se sobre a reforma da Lei de Protecção do Ambiente. Já houve algumas reformas sobre direito penal, nomeadamente, as medidas aplicadas às poluições ambientais. Acho que o Governo tem esta urgência e esta necessidade para mostrar que estão a fazer um bom trabalho. Por outro lado, este Governo traz uma imagem renovadora que cria optimismo nesta área. Em termos centrais e regionais já houve muitas medidas novas para proteger o ambiente. Aliás, a China até começou a falar de um modelo verde também para se reintegrar na sociedade internacional, para poder apagar os efeitos negativos da Revolução Cultural, por isso, a começaram cedo a fazer leis e regulamentos administrativos. A nível político, trata-se de uma boa imagem. Acho que não se limitam à imagem mas a deixar um trabalho bem feito. E se na China é assim, Macau também terá de agir de acordo.


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POLÍTICA

hoje macau segunda-feira 11.11.2013

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA JULIANA DEVOY CRITICA ACTUAÇÃO DE PEREIRA COUTINHO

“A estratégia não foi sensata” Coutinho não foi prudente. Na opinião de Juliana Devoy, o deputado devia ter acautelado que os seus colegas votariam a favor do projecto-lei, que determina a violência doméstica enquanto crime público, antes de o apresentar novamente. A irmã pensa que a proposta do Governo “não fará grande diferença” RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

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MBORA não tenha apreciado as disposições do projecto-lei contra a violência doméstica, apresentado por Pereira Coutinho e Leong Veng Chai, a directora do Centro Bom Pastor acredita que a intenção foi boa mas precisava de ter sido mais bem acautelada. Juliana Devoy entende que, primeiro, Coutinho – que viu chumbado na Assembleia Legislativa (AL), na passada semana, o segundo diploma apresentado por si sobre criminalização pública da violência doméstica – deveria ter reunido uma boa base de apoio entre os colegas deputados. “Talvez tenha pensado que conseguiria atingir o objectivo de assegurar que a violência doméstica viria a ser crime público ao antecipar o seu projecto à proposta de lei do Governo. O seu motivo pode ter sido bom mas a estratégia não foi sensata. Não acho que deveria ter apresentado o projecto-lei sem ter a certeza de que teria o apoio necessário dos outros deputados para que fosse aprovada”, defende a irmã, em declarações ao HM.

RELATÓRIO DA CONSULTA É “CONFUSO E NÃO CONVENCE”

Juliana Devoy: Coutinho apressado

Sobre as várias razões apresentadas pelos deputados - aguardar pela proposta já finalizada pelo Governo, incongruências com a Lei Básica, entre outras - Devoy apenas consegue escolher uma como determinante: “Não sei quão preparados estavam para votar na lei do deputado Coutinho.” A missão não foi bem conseguida e a pior consequência, entende, é a de que “muitas pessoas que

gimento da AL – e, por essa razão, sem uma leitura face à possibilidade de o Governo não poder apresentar a proposta de lei sobre a mesma matéria durante esta sessão legislativa, questão levantada por Pereira Coutinho em plenário -, Juliana Devoy apenas comenta que será “bom que o Governo não consiga apresentá-la” até porque “não fará grande diferença [face à situação vivida actualmente]”.

viram os títulos dos jornais vão ter a impressão (ou reforçá-la) de que muitos membros da AL estão contra o facto de a violência doméstica vir a ser considerada crime público”. E, de facto, os principais vencidos são aqueles que pugnam por esta “causa”. “Isto não nos ajuda – àqueles que fazem parte do ‘lobby’ para que a violência doméstica seja crime público”, confessa. Sem conhecimento sobre o re-

DEVOY E HO VÃO ENVIAR RELATÓRIO SOBRE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA À ONU

Chui Sai On “convidado” N

A reunião de sexta-feira da Associação Novo Macau (ANM) com o Chefe do Executivo, Sulu Sou, o número dois da lista de Au Kam San e membro do Grupo de Cidadãos pela Violência Doméstica como Crime Público, entregou um “convite” ao Chefe do Executivo para que conheça relatos na primeira pessoa de vítimas de violência doméstica. “Estamos agora a planear a nossa próxima acção: primeiro, acompanhar as sobreviventes de violência doméstica para conhecer Chui Sai On em privado e esperar que tanto o Chefe do Executivo como os dirigentes oiçam os seus testemunhos, além de pontos de vista sobre a violência doméstica enquanto crime público”, explica Cecília Ho, responsável do Grupo

Ainda assim, refere, o timing escolhido – coincidindo com a proposta entregue por Pereira Coutinho – não merece suspeitas já que “embora insistam constantemente que a matéria criminosa ficará como está, têm tentado refazer alguns artigos para apaziguar aqueles de nós que queremos que seja um crime público”. “Por exemplo, há algum tempo ouvi sobre a possibilidade de ser inserido o aconselhamento obrigatório e, mais recentemente, sobre algumas alterações no Código Penal para incluir reincidência”, frisa. A Administração fez saber ao Comité de Direitos Humanos das Nações Unidas, em 2010, a necessidade de tornar em Macau este acto como crime público. O facto de a proposta do Governo ter sofrido uma reviravolta – passando de crime público para semi-público - mostra-se “injustificável”.

ao HM. “Os deputados serão o nosso alvo seguinte, especialmente, aqueles que se abstiveram de votar neste projecto-lei de Pereira Coutinho. As assinaturas [da petição] também serão submetidas a cada um dos deputados, juntamente com os nossos pontos de vista, estatísticas e documentos relacionados que podem fornecer mais argumentos científicos para convence-los a mudar de ideias”, salienta. Em Outubro do próximo ano, haverá um comité preparatório antes da Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Descriminação contra as Mulheres (CEDAW, na sigla inglesa), das Nações Unidas, e o Grupo bem como o Centro Bom Pastor vão entregar um relatório com

preocupações de várias organizações não-governamentais em Macau relativamente ao flagelo da violência doméstica no território. “Soube que o relatório de Macau será entregue em Outubro de 2014. Mas antes disso haverá um comité preparatório e nessa altura enviaremos as nossas preocupações”, explica Juliana Devoy. Cecília Ho, por sua vez, diz ter elaborado ideias no passado mês junto com um grupo de mulheres de Hong Kong e, por isso, planeia agora “enviar um relatório específico em Março de 2014 sobre o processo legislativo da Violência Doméstica e de como a acção governamental é realmente uma violação da CEDAW”. “Se tivermos financiamento ou doações suficientes, iremos fazer uma

“A razão oficial foi e continuará a ser baseada no facto de que muitos se opuseram a isso na consulta pública. Contudo esse argumento é extremamente fraco. O que pode ser encontrado no relatório da consulta, que ainda se mantém disponível na página online do IAS, é confuso e não convence”, sustenta a religiosa. “Apenas diz o número de respostas dadas, não dá os dados sobre quantos foram a favor e contra, bem como as organizações que representavam. Por isso, a informação e o processo de recolha está longe de ter sido transparente.” Além disso, a consulta pública é posta em causa quando há hoje mais de 5000 signatários da petição pública, apresentada pelo Grupo de Cidadãos de Apoio à Violência Doméstica como Crime Público. Por outro lado, entende, durante a consulta pública não houve qualquer tentativa de “educar os residentes para toda a questão da violência doméstica” e “qual o propósito de torná-la então como crime público” o que resultou em “medos irracionais”.

CRIANÇAS SÃO “VÍTIMAS NEGLIGENCIADAS” tournée para apresentar o nosso relatório aos membros do CEDAW, em Outubro, cara à cara”, avança. A directora do Bom Pastor explicou que já este ano houve uma reunião do Comité dos Direitos Humanos da ONU, à qual Macau enviou um relatório. Antes ainda, Devoy recebeu uma cópia e escreveu uma carta à Administração. “Na minha carta fiz menção de que a proposta de lei contra a violência doméstica não respondia ao critério da CEDAW. Disse algo também relacionado com os direitos das crianças. Se alguma coisa do que escrevi integrou o relatório do Governo, não tenho ideia.” - R.M.R.

Juliana Devoy volta a relembrar que o facto de não haver uma lei que determine a violência doméstica enquanto crime público leva a que haja um público-alvo a sofrer mais ou tanto como as mulheres. “Nesta discussão sobre a violência doméstica são sempre negligenciadas as consequências nas crianças. Elas são sempre vítimas mas quem fala em seu nome?”, pergunta. “É fútil falar sobre a harmonia familiar e em manter a família unida quando em muitos dos casos, isso significa que as crianças continuam a ser sujeitas ao trauma de testemunharem a violência nas suas casas, resultando em cicatrizes emocionais para toda a vida.”


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hoje macau segunda-feira 11.11.2013

SUSANA CHOU DEFENDE IMPORTAÇÃO DE TRABALHADORES PARA DIVERSIFICAÇÃO ECONÓMICA

“Ninguém se adapta à vida de croupier para sempre” CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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USANA Chou escreve uma nova entrada no seu blogue. “É urgente tornar a política de importação dos agentes profissionais numa realidade”, diz, explicando como se pode fazer face à reestruturação dos sectores, uma vez que Macau já não vive mais da indústria fabril e não deverá apenas viver da indústria do jogo. A ex-presidente da Assembleia Legislativa (AL) criticou a política destinada à empregabilidade de croupiers porque este trabalho não é uma oportunidade de emprego viável a longo-prazo. “Nunca antes tinha feito saber as minhas preocupações face a esta matéria

embora falasse com amigos. Ser croupier implica trabalhar sempre num lugar sem sol, onde há falta de percepção temporal, sob um ambiente ruidoso. E o pior é que os clientes gastam o dinheiro sem

despreocupação, naquilo que é um pensamento incorrecto de valores que resulta em deixar os croupiers com falta de entusiasmo na sua vida e, muitos, enfrentam mesmo uma situação de depressão.”

Susana Chou não se pronunciou face às manifestações recentes contra a importação de croupiers não-residentes mas as declarações agora trazidas a público mostram uma posição favorável relativamente a esta política. “O mercado de emprego em Macau é estreito. Além da função pública, apenas os croupiers conseguem almejar um salário mais elevado. Se este cargo for ocupado pelos não-residentes então os locais têm ainda menos escolhas de emprego. Contudo, se o Governo deixar esta política arrastar-se por um longo período de tempo é negativo para o desenvolvimento de Macau. Ninguém se adapta à vida de croupier para sempre”, frisa. Embora o Governo já tenha alterado a lei de “Condicionamento

CASO PORTAS PS FALA EM EMBARAÇOS NA POLÍTICA EXTERNA DE PORTUGAL

Machete defende antecessor O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, considerou na sexta-feira que houve “uma representação dos interesses nacionais perfeitamente digna” na visita da delegação portuguesa a Macau chefiada pelo vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, criticado por atrasos. O governante falava no parlamento durante uma audição conjunta das comissões de Orçamento e Finanças, de Negócios Estrangeiros e de Assuntos Europeus, a propósito do Orçamento do Estado para 2014. Durante a visita a Macau, “houve uma representação dos interesses nacionais perfeitamente digna”, disse o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, que respondia ao socialista Paulo Pisco. O deputado condenou o que disse ser “embaraços” recentes na política externa de Portugal, nomeadamente na relação com Angola e “mais recentemente, com a visita a Macau”. “O senhor vice-primeiro-ministro e o secretário de Estado dos

Negócios Estrangeiros e Cooperação [Luís Campos Ferreira] causaram embaraços muito grandes para a nossa imagem externa, o que é inaceitável”, afirmou Paulo Pisco. Paulo Portas foi alvo de críticas devido a um atraso na chegada a uma recepção com a comunidade portuguesa no consulado-geral de Portugal em Macau durante o Fórum Macau, que repudiou, afirmando estar a ser alvo de “maledicência” e de ser alheio às causas do atraso.

O secretário de Estado referiu-se à República Popular da China, numa conferência de imprensa, como “República da China”, forma como Taiwan, território considerado rebelde, se auto-intitula, segundo noticiou o jornal Hoje Macau. O deputado do PS criticou depois o facto de a tutela da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) ser partilhada entre o ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), o vice-primeiro-ministro e o ministério da Economia. “É do maior egoísmo que o vice-primeiro tenha levado consigo um dos principais instrumentos da nossa afirmação na diplomacia económica, e deixou o senhor ministro de mãos a abanar num domínio que é tão importante”, afirmou Paulo Pisco. Rui Machete considerou que as críticas dirigidas a Paulo Portas são “sem razão”. “O Governo é uma unidade, não é uma confederação de ministérios e menos ainda um conjunto de pessoas que se digladiam para ter

este ou aquele protagonismo. Isso não tem sido verdade e não será, neste Governo”, afirmou o ministro. O governante destacou que a articulação entre o MNE e a AICEP tem sido “verdadeiramente um êxito” para a diplomacia económica. “Lembro-me de um tempo passado em que havia uma separação claríssima entre a diplomacia e os interesses económicos das empresas. Isso hoje não existe, graças à circunstância de haver uma unidade funcional entre o MNE e a AICEP”, sublinhou, acrescentando que isso se traduz na “forma como as exportações têm vindo a crescer”. Machete anunciou que “só para a semana será publicado o despacho de subdelegação de competências”, mas os ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Economia e o vice-primeiro-ministro estão a trabalhar “conjunta e harmoniosamente”. “Não existe menor eficácia da actuação do ministério dos Negócios Estrangeiros por essa circunstância”, assegurou. - Lusa

da Entrada, do Trabalho e do Jogo nos Casinos”, afecta a menores de 21 anos, que deixaram de poder trabalhar nos casinos, ainda assim, os jovens que acabam a faculdade podem escolher ser croupier quando não há outro emprego com tão boas condições de subsistência. “Na minha opinião, se quiserem que os residentes tenham mais oportunidades de emprego e uma vida com qualidade, o Governo deve promover e implementar a diversificação industrial na RAEM. Infelizmente, agora a maioria dos turistas são do continente e a razão principal para visitar a Macau é jogar nos casinos. Muitos deles não sabem Macau tem uma cidade histórica nem a existia de património cultural. Nesta situação, ‘Macau ser centro mundial de turismo e lazer’ é uma frase vazia”, avaliou. Susana Chou rotulou de “xenófoba” e “conservadora” a sociedade de Macau, algo de que também foi vítima quando chegou ao território em 1968, entendendo que é necessária “abertura”. Em prol do desenvolvimento da sociedade é necessária uma grande quantidade de agentes profissionais. Se Macau continuar ser “fechada”, o futuro “não é optimista”, salientou.

UMAC Governo encomenda estudo sobre serviços televisivos

O

Governo encomendou um estudo sobre o futuro dos serviços de televisão à Universidade de Macau (UMAC). O anúncio foi feito pela Direcção dos Serviços de Regulação de Telecomunicações (DSRT) através de um comunicado na semana passada. A DSRT convidou o subdirector da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UMAC, Tam Kam Weng, a organizar uma equipa “académica interdisciplinar com vista a estudar, a partir dos vários aspectos, o modelo dos futuros serviços de televisão de Macau e apresentar as respectivas propostas”. O objectivo do estudo é ajudar o Governo a definir um modelo de serviços de televisão “correspondente à realidade de Macau”, uma vez que o contrato com a

TV Cabo expira emAbril do próximo ano. “Os projectos de estudo visam, de acordo com a realidade de Macau e a estrutura e gestão dos futuros serviços de televisão e do mercado, proceder a uma investigação científica, através de análise do projecto técnico, supervisão do governo, normas legais e regimes do mercado de televisão, assim como a síntese e organização das opiniões dos cidadãos.” O estudo está dividido em duas fases, sendo que, até Janeiro, deve ser apresentado um relatório intercalar em que se explanam projectos viáveis para a transformação dos serviços de televisão, nomeadamente novos modelos viáveis de prestação dos canais básicos televisivos a implementar em Abril do próximo ano. Até Setembro de 2014, deve apresentar-se “uma proposta para o desenvolvimento a longo prazo dos serviços de televisão, por forma a prestar ao Governo informações que lhe sirvam de referência para a elaboração das estratégias do desenvolvimento futuro da televisão de Macau”.


6 política

hoje macau segunda-feira 11.11.2013

LAG 2014 STANLEY AO REUNIU COM CHEFE DO EXECUTIVO

Governo promete mudar leis sobre PME Chui Sai On ouviu as sugestões da Associação das Pequenas e Médias Empresas de Macau para as próximas LAG, sem esquecer a Associação Geral das Mulheres de Macau

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ONTINUA a caminhada para a preparação das próximas Linhas de Acção Governativa. Segundo um comunicado oficial, o Chefe do Executivo, Chui Sai On, teve um encontro com representantes da Associação de Pequenas e Médias Empresas de Macau (APMEM), onde se inclui o empresário Stanley Ao, ligado ao Banco Delta Ásia. As sugestões apresentadas serviram para o Executivo afirmar, para já, que

as leis que servem de base ao funcionamento das PME podem vir a mudar. “O Chefe do Executivo indicou que, com os diferentes dados, o Governo entende a situação de exploração de negócios das PME e os novos desafios e oportunidades que enfrentam com o desenvolvimento económico do território. O Governo tenciona reforçar, de acordo com a realidade, os apoios às PME, ao nível das estratégias, recursos e aperfeiçoamento de di-

plomas e legislação”, pode ler-se no comunicado. Do lado da associação foram apontados “obstáculos” semelhantes aos que já foram anunciados pelos 30 representantes de PME que pertencem à associação do empresário David Chow: falta de mão-de-obra e rendas elevadas. “A associação apontou certos obstáculos como o aumento do custo de operações e algumas dificuldades de financiamento,

recursos humanos e expansão do mercado para as PME tradicionais, devido ao alargamento acentuado do mercado com a liberalização do jogo e o desenvolvimento acelerado da economia”, disse Stanley Ao. O empresário lembrou que “mais apoios do Governo seriam bem-vindos”.

MULHERES PEDEM LEI CONTRA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

No mesmo dia Chui Sai On reuniu com a Associa-

NG KUOK CHEONG PEDE SAÍDA DA FLORINDA CHAN E LAU SI IO

ção Geral das Mulheres de Macau (AGMM), que apesar de terem focado as suas sugestões na área social, não deixaram de pedir a “revitalização do ambiente do comércio” e o apoio às PME, segundo outro comunicado. Contudo, a associação tocou num dos pontos que mais polémica tem gerado na agenda política e social, nomeadamente a lei de violência doméstica. Isto porque

“Chefe do Executivo deve ser reeleito” CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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A sexta-feira passada, a Associação Novo Macau (ANM) teve um encontro com o Chefe do Executivo, Chui Sai On e o administrador da associação, e também deputado, Ng Kuok Cheong manifestou que o líder do Executivo deve ser reeleito. As justificações do deputado para o pedido passam pelo facto de Macau ter um bom ambiente económico, mas há uma condição: Ng Kuok Cheong pede a saída da secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan, e do secretário para os Transportes e Obras Públicas, Lau Si Io. “No mandato de Chui Sai On, Macau tornou-se a cidade mais rica da Ásia e, se o Chefe do Executivo, não for reeleito, é algo irracional.”

Face aos pedidos de Ng Kuok Cheong sobre os secretários, Chui Sai On passou a pergunta aos próprios: Lau Si Io não respondeu directamente, mas “passou a falar sobre políticas de habitação pública”, diz o deputado. Já Florinda Chan reiterou prestou juramento e que, por isso, vai ficar no cargo a cumprir o seu dever. No encontro, Ng Kuok Cheong deixou no ar a esperança de que fosse continuada a promoção a reforma política nas Linhas de Acção Governativa. “A reforma política não deve terminar. A minha opinião é de que haja um sufrágio do Chefe do Executivo.” A ANM também questionou o Chefe do Executivo sobre a habitação pública e Ng Kuok Cheong perguntou mesmo a Chui Sai On se já concedeu os aterros

a AGMM sugeriu “aplicar, o mais rápido possível, a lei de combate ao crime de violência doméstica”. O projecto de lei da autoria de Coutinho, e entretanto chumbado pela segunda vez pelos deputados, atrasou ainda mais a proposta apresentada pelo Governo. Segundo o regimento da Assembleia Legislativa, só numa próxima legislatura poderá ser apresentado um projecto semelhante. A associação das mulheres exige ainda que se avance com a “importação de trabalhadores domésticos da China Interior” e que se melhore “o diploma regulador do trabalho doméstico”. Mais apoios para idosos e camadas mais desfavorecidas, sem esquecer a melhoria da habitação económica, foram outras das propostas. - A.S.S.

a empresários privados. O Chefe do Executivo respondeu que não concedeu nenhuma terra dos aterros e que se vai concentrar a construir casas públicas no local.

HOMOSSEXUALIDADE DISCUTIDA

Também Jason Chao, presidente da ANM, esteve presente no encontro, onde entregou um convite para a reunião da associação dos homossexuais. O Chefe do afirmou ter tido vários contactos com pessoas homossexuais e assegura que respeita as escolhas de cada um. Também Florinda Chan disse aceitar a homossexualidade, ainda que, por crença religiosa, não a aceite. Um dos membros da associação, Sou Ka Ho, entregou cartas do grupo que apoia o crime público para a violência doméstica e do grupo que defende a criminalização do abuso a animais. Florinda Chan disse que ela e os seus familiares também “criam animais em casa”, mas que a sociedade ainda não tem um consenso social para o abuso animal ser um crime.


SOCIEDADE

hoje macau segunda-feira 11.11.2013

ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA FECHA PORTAS AO RESTAURANTE PORTO DE MACAU

Apesar de tudo... dever cumprido Depois de conquistada a clientela, o restaurante português Porto de Macau fechou as portas. As rendas altas são o motivo da decisão do Chef Gil Raposo, que agora vai voltar a trabalhar por conta de outrem e esperar por “garantias de futuro” GONÇALO LOBO PINHEIRO glp@hojemacau.com.mo

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“Porto de Macau” fechou portas. Ontem, ao jantar, serviram-se as últimas refeições no restaurante português que se

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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UM email enviado ao HM, a Grey2K USA – organização norte-americana que luta, desde 2001, pela extinção das corridas de galgos – pede ajuda para encontrar Brooklyn, o galgo cara da campanha para ajudar os animais do Canídromo. Em Maio de 2012, conforme noticiado pelo HM, o Brooklyn correu pela última vez na pista da Yat Yuen. O animal ficou gravemente ferido numa perna e teve outros ferimentos, seis meses depois de a Grey2k USA ter pedido a sua libertação. Na altura, Albano Martins, presidente da ANIMA – Sociedade de Protecção dos Animais, comentou inclusive ao HM que se o rosto da campanha que visa proteger os cães galgo fosse abatido, a opinião pública iria cair em cima do Governo da RAEM.

situava na Taipa. A especulação imobiliária fez mais um vítima numa altura em que o negócio do restaurante estava a correr “bastante bem”. “Um contrato de 200 e tal mil patacas por mês é de loucos”, referiu ao HM o Chef Gil Raposo que aponta o dedo às agências

imobiliárias. “Estamos nas mãos dos senhorios e das agências imobiliárias. Aliás, estas ainda são mais culpadas pela realidade que se vive. É fazer dinheiro e mais nada. Muitas vezes os senhorios nem são ditos nem achados nos aumentos no final dos contratos.”

O português, que geria o restaurante com a sua mulher Mariana Fernandes, revelou que pagava cerca de 50 mil patacas e que até estava disposto a sofrer um aumento na renda da loja. Só nunca pensou que esse aumento fosse tão elevado. “Concordo que a renda pudesse

ser actualizada. Aliás, estávamos preparados para um ajuste mas nunca acima dos 50%”, explicou. “Isto está a acontecer um pouco por todo o lado, no comércio e na habitação. Não há lei que nos defenda e quem nos arrenda uma loja ou um imóvel aumenta a renda como lhe apetece, 100, 200 ou 500%. Assim, o comércio tradicional e as lojas mais pequenas não vão aguentar. Porque, na verdade, nós, os mais pequenos, não conseguimos bater de igual para igual com os casinos e os hotéis.” Depois de no primeiro ano as coisas terem sido complicadas, agora o negócio estava a correr bem, com “bom feedback dos clientes”. E isso, deixa Gil Raposo ainda mais apreensivo. “Fecho as portas do restaurante com a sensação de dever cumprido mas a especulação imobiliária não me deixou continuar a trazer a gastronomia portuguesa aos meus clientes.”

WYNN, A PRÓXIMA PARAGEM

O futuro passa agora pela cozinha do “Café Esplanada” do Wynn. Gil Raposo vai voltar a trabalhar por conta de outrem mas “vai andar atento” ao que possa surgir. “Numa óptica de médio/longo prazo penso voltar a ter um negócio próprio, mas agora vou seguir a vida por outro lado. Enquanto não vir que existem condições favoráveis não posso arriscar. Preciso de garantias de futuro.” O restaurante também deixa desempregados nove trabalhadores. Se no caso dos locais a vida se torna mais fácil, para quem tem “blue card” avizinham-se dificuldades. “Na medida do possível vou ajudar a arranjar trabalho para todos eles.”

CARA DA CAMPANHA PARA AJUDAR GALGOS DO CANÍDROMO DESAPARECEU SEM DEIXAR RASTO

Onde está o Brooklyn? O abate de um cão nas condições do Brooklyn não é algo raro, quando, em Macau, há centenas de galgos a morrer devido a ferimentos e lesões ou simplesmente por não conseguirem atingir os lugares cimeiros nas corridas. Mas, em Janeiro deste ano, o Governo garantiu que o Brooklyn está vivo. Sete meses depois de ter sido dito que o galgo tinha sido curado de todos os seus ferimentos, não foi visto mais na pista do Canídromo. O Executivo assegurava que o cão estaria apenas de baixa. “O Brooklyn está agora a cargo da Companhia do Canídromo Yat Yuen e continua de baixa, depois de o seu ferimento estar curado”, podia ler-se num e-mail enviado pela Direcção de

Coordenação e Inspecção de Jogos (DCIJ) à Grey2k USA. Agora, no entanto, ninguém sabe onde anda realmente o Brooklyn. Já anteriormente, se tinha referido que, caso o cão estivesse realmente vivo, o Governo poderia prová-lo. Na semana passada, foi a vez da Grey2K pedir informações, num email que vinha endereçado a todos os residentes de Macau. “Precisamos de ajuda para encontrar o Brooklyn e para fechar este lugar cruel de uma vez por todas.”

A FALTA DE UM PROGAMA

O email enviado ao HM vem ainda acompanhado de uma carta que foi dirigida a Chui Sai On no final de Outubro. O documento – em nome de representantes da Grey2K, da

Animals Ásia e da Animals Austrália, de onde vêm os galgos para Macau – mencionava que diversos pedidos de várias associações em redor do mundo foram ignorados. Pedidos que passam pelo encerramento do canídromo ou, pelo menos, para a criação de um programa de adopção. “Apesar dos pedidos respeitosos do director da ANIMA e em completa desconsideração dos pedidos internacionais para que se mude algo, os donos da pista recusaram até as mais básicas melhorias no tratamento dos cães. Na verdade, uma visita aos canis de um representante da RSPCA pedida para que pudessem ser mostradas técnicas mais humanas [no tratamento dos animais] foi recusada.”

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EVASÃO FISCAL RESIDENTE POR INVESTIMENTO PERDE DIREITO A FICAR EM MACAU

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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M homem que conseguiu a residência em Macau através do programa de investimento que permitia acesso ao Bilhete de Identidade da RAEM foi condenado por evasão fiscal. Segundo um acórdão do Tribunal de Última Instância (TUI), tornado público na sexta-feira e analisado pelo HM, o residente tentou ainda pedir recurso da decisão pela segunda vez, mas foi-lhe recusado. Foi em 2012 que Francis Tam, secretário para a Economia e Finanças, declarou a caducidade das autorizações de residência, não só para o investidor, como para os seus familiares. Este ano, o homem pediu recurso da decisão de Tam

ao Tribunal de Segunda Instância, que negou e o levou a tentar um recurso para o TUI. Em 2003, o indivíduo adquiriu um imóvel por um milhão e meio de patacas na Taipa, investimento que lhe deu permissão de residência até 2014. Contudo, o Comissariado contra a Corrupção (CCAC) descobriu, no ano passado, que o montante de compra do apartamento não foi declarado totalmente. “O recorrente declarou que o preço do imóvel era de um milhão e 9400 patacas, a fim de pagar menos imposto”, pode ler-se no acórdão. O CCAC denominou o caso como algo susceptível de simulação para conseguir autorização de residência em Macau. O homem vive no território com a esposa, três filhas, de um, quatro e 11 anos e com os pais.

Em sua defesa, o homem tentou mostrar que havia erros na forma como o Governo avaliou a situação. Nos recursos, dizia-se que “[o secretário] tomou uma decisão que lesava mais [o homem], violando o

ENSINO ESPECIAL EPM COM MAIS UM DOCENTE

TIAGO ALCÂNTARA

“Número é suficiente”

ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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Escola Portuguesa de Macau (EPM) conta desde Setembro com mais um docente virado para os alunos que necessitam de maior apoio na aprendizagem. A garantia foi dada ao HM por Manuel Machado, presidente da direcção da escola. “Veio um professor do 1.º ciclo do ensino básico que também é professor do ensino especial, e já está a acompanhar diferentes crianças.” Para já, a EPM garante ter resposta para essa área educativa. “Depende sempre do número de crianças

que necessitam de apoio. Para além do docente temos, há muitos anos, uma psicóloga. Temos essa felicidade de ter (os dois profissionais) que trabalhando em conjunto vão contornando cada vez melhor as dificuldades que vão surgindo. Dizer se há necessidade de mais (professores), depende sempre do número de crianças que depende deste apoio. Neste momento está a ser suficiente.”

“HÁ MARGEM PARA MELHORIA”

Sem querer adiantar grandes novidades sobre aquilo que poderá vir a mudar na EPM, o novo presidente

da direcção admite que a escola pode sempre ir mais além. “Estamos neste momento a dar continuidade a algo que foi apontado nos últimos anos. Mas independentemente da continuidade há sempre coisas novas para fazer e há sempre aspectos que podemos melhorar no dia-a-dia, aos quais estamos atentos. Têm a ver com a dinâmica da própria escola, com determinadas práticas dentro da própria escola, que são sempre passíveis de ser melhorados, com abertura e diálogo dentro da própria escola”, disse ao HM. Quanto ao ensino do mandarim, Manuel Machado diz que o número de alunos é este ano semelhante ao de 2011/2012 e que, para já, não se pode falar de uma maior necessidade de docentes para a disciplina. “O número de alunos que vão frequentar o mandarim depende sempre das suas opções quando se matriculam. Ao longo dos anos no ensino básico tem vindo a aumentar essa escolha, temos vindo a ter cada vez um maior número de alunos na via A, que faculta o ensino do mandarim.”

princípio da adequação e proporcionalidade” e ainda que “a decisão tomada iria afectar seriamente a vida normal do recorrente, dos seus pais, da sua esposa e das suas três filhas, sendo que a esposa iria

MACAU VAI TER MAIS APARTAMENTOS E QUARTOS DE HOTEL

Casas e quartos à escolha M

ACAU vai ter mais oito mil apartamentos e mais de 24 mil novos quartos de hotel. Os dados foram avançados pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) através de comunicados. Durante o 3º trimestre do ano, estavam em construção cerca de 74 empreendimentos de habitação privados, sendo que a maioria situa-se na península de Macau. Os cerca de 8830 novos apartamentos estão divididos em diferentes tipologias: serão construídas mais de seis mil fracções habitacionais de T2 e mais de dois mil T3 ou superior. Apenas 889 fracções habitacionais têm uma área

bruta superior a 150 metros quadrados. Além dos 57 prédios construídos em Macau – sendo que 53 estão distribuídos nos bairros antigos -, há ainda 12 prédios em Coloane e cinco na ilha da Taipa. Mas, não são apenas os empreendimentos habitacionais privados que vão crescer. Na área de hotelaria, estão na calha mais de 20 mil novos quartos. Segundo as estatísticas mais recentes da DSSOPT, nos últimos três meses do ano encontravam-se em construção 13 empreendimentos hoteleiros e em apreciação 27 projectos de hotéis. No total, Macau vai poder contar com cerca 24 mil quartos e, aproximadamente, 18 mil

Dez portugueses com residência recusada este ano

Entre Janeiro e Setembro deste ano, dez cidadãos portugueses viram recusado o pedido de fixação de residência em Macau – mais nove do que no ano passado, quando apenas um português se viu impossibilitado de passar a viver no território. Segundo números obtidos pela Rádio Macau junto dos Serviços de Migração – referentes a pedidos de BIR pela primeira vez –, a descer esteve o número de autorizações concedidas: no ano passado foram 237; este ano, até ao final de Setembro, apenas 97 tinham obtido luz verde. Só este ano, há, no mínimo, 156 casos pendentes.

TIAGO ALCÂNTARA

JOANA FREITAS

TIAGO ALCÂNTARA

Um punhado de patacas

perder o seu emprego e as filhas não conseguem continuar os estudos em Macau”. O homem diz ainda que, se houve essa evasão fiscal, o Governo deveria exigir-lhe o pagamento do imposto em dívida. O tribunal, no entanto, tem outro entendimento. “O recorrente não disputa que violou a lei, mas entende que a sua conduta não tem gravidade suficiente para justificar o fim da sua residência em Macau”, começa por analisar o TUI. “Não está em causa a capacidade económica do recorrente. É que se a tem, como alega, parece que tal circunstância até agrava a conduta do recorrente em fugir ao pagamento do imposto devido. A fuga ao pagamento do imposto devido pela aquisição de imóvel, que era pressuposto da autorização para o recorrente residir em Macau, não abona muito em favor do carácter do recorrente e da sua disposição para cumprimento das leis de um território onde se pretende estabelecer permanentemente.” O TUI diz não ter havido qualquer erro no julgamento e assegura que nada há mais a fazer: o direito à residência foi perdido.

lugares de estacionamento. Apenas um hotel está a ser construído na Taipa e quatro na zona do Cotai, sendo que os restantes vão espalhar-se pela península de Macau. “Estes 13 empreendimentos hoteleiros perfazem uma área bruta de construção global de cerca de 730 mil metros quadrados”, pode ler-se no comunicado. A DSSOPT avança ainda que ainda tem para apreciação num total de 27 projectos de hotéis, que futuramente proporcionarão cerca de 15.400 quartos. No que diz respeito ao andamento de apreciação de projectos de construção de empreendimentos habitacionais, foram submetidos mais cinco projectos deste género. - J.F.


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EMPREITEIRO DO SIN FONG GARDEN NEGOU QUE O EDIFÍCIO SEJA DE MÁ QUALIDADE

Dezanove anos sem qualquer acidente CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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O Weng Cheong, responsável da Companhia de Engenharia e Construção Weng Fok Limitada, que construiu o edifício Sin Fong Garden, disse no sábado que a esta obra foi concluída há 19 anos e, se tivesse algum problema, teriam de ter surgido mais cedo. Cheong chegou mesmo a negar a má qualidade do edifício. Contudo, segundo o primeiro relatório do Governo, lançado em Abril, diz que betão do edifício era de fraca qualidade e foi mal misturado. O empreiteiro disse que quando ocorreu o caso de Sin Fong Gar-

PROPOSTA DE RECONSTR UÇÃO DO SIN FONG ESTÁ JÁ A SER DISCUTIDA O Grupo de Trabalho Interdepartamental para Acompanhamento da Questão do Edifício Sin Fong Garden começou ontem a discutir a versão preliminar do projecto de reconstrução com os pequenos proprietários, por forma a auxiliar os condóminos a chegarem com a maior brevidade possível a um consenso. O grupo de trabalho contratou ainda uma PUB

equipa de especialistas de uma instituição académica para realizar a investigação complementar do Edifício Sin Fong Garden. Os representantes dos condóminos manifestaram o “apoio dinâmico” para quando os especialistas entrarem no edifício para fiscalização das respectivas inpecções, diz um comunicado assinado ontem pelo Governo.

den, contactou por livre iniciativa os pequenos proprietários, para que se procedesse à avaliação do estado do edifício. No entanto, os proprietários ainda não conseguiram chegar a um consenso e não querem deixar o empreiteiro fazer qualquer examinação. Quando foi questionado se a companhia iria participar na reconstrução do edifício, Cheong disse que está aberto a qualquer conversa de negócio. “Se a qualidade tivesse problemas, na altura em que foi construído já deveria ter apresentado falhas. Em Hong Kong, o período de garantia é um ano, em Macau este período é de cinco anos. A nossa situação já é melhor neste aspecto”, analisa o empreiteiro. Segundo Cheong, os proprietários também entendem a posição da companhia, mas até agora não contactaram mais com o empreiteiro. Ho Weng Cheong também não sabe os detalhes sobre o relatório de acompanhamento da instituição académica, contratada pelo Governo, para fazer uma investigação sobre a qualidade do edifício.

Delta Assinados acordos na prevenção de doenças

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ACAU, Guangdong e Hong Kong assinaram cinco acordos na área da prevenção de doenças transmissíveis. Naquela que foi a 13.ª Reunião Tripartida entre Guangdong, Hong Kong e Macau sobre a prevenção de doenças transmissíveis, realizada em Hong Kong na semana passada, os representantes dos três territórios conseguiram chegar a cinco consensos. Estes passam pela continuação de intercâmbios e colaboração na área de prevenção e resposta à infecção humana pela gripe das aves, pela colaboração em estudos relativos às doenças transmissíveis, incluindo a propagação das doenças pelos mosquitos, ao aperfeiçoamento do funcionamento do mecanismo de notificação para a prevenção das doenças transmissíveis entre as três regiões, pela continuação da aplicação do “Protocolo de Colaboração entre Guangdong, Hong Kong e Macau referente às Medidas de Contingência de Saúde Pública” e ainda pela continuação de intercâmbios do pessoal profissional na prevenção de doenças transmissíveis. Protocolos de formação de pessoal na área da formação na vigilância das doenças, investigação do surto de epidemia, epidemiologia, gestão em resposta à emergência, análise laboratorial, controlo das doenças transmissíveis e tratamento médico foram também discutidos. A próxima reunião será realizada em Macau.


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CHINA

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PARTIDÁRIOS DE BO XILAI CRIAM NOVO PARTIDO NA CHINA

Onde é que eu já vi isto? Em Portugal, na Câmara de Oeiras. Tal como os partidários de Isaltino Morais, também na China foi criado um partido que abertamente defende a liderança de Bo Xilai, condenado por corrupção

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ARTIDÁRIOS do ex-ministro chinês do Comércio Bo Xilai, condenado a prisão perpétua por corrupção, criaram um novo partido político na China que nomeia presidente vitalício o antigo político. O novo partido é também um claro desafio à autoridade do Partido Comunista que proíbe, “de facto”, a criação de grupos políticos contrários à sua gestão. De acordo com a edição de ontem do diário South China Morning Post, de língua inglesa que se publica em Hong Kong, o Partido “Zhi Xian”, que significa que a “Constituição é a autoridade suprema”, foi formado quarta-feira, três dias antes do início da reunião política mais importante do ano que irá definir as próximas reformas económicas e sociais no país.

Explosões Detido criminoso comum

A polícia chinesa deteve sexta-feira o ex-condenado Feng Zhijun, de 41 anos, pelas explosões que causaram um morto e oito feridos na sede provincial do Partido Comunista chinês na cidade de Taiyuan, informou a agência oficial Xinhua. Feng, que cumpriu nove anos na prisão por roubo, foi detido cerca das 2:00 e reconheceu ter colocado os explosivos caseiros, informou o Departamento de Segurança Pública de Shanxi, província chinesa da qual Taiyuan é capital. A polícia encontrou explosivos na casa do detido e revistaram o seu veículo, que alegadamente foi utilizado para transportar as bombas. As explosões tiveram lugar na quarta-feira em frente à sede provincial do Partido Comunista Chinês, num momento sensível para a formação política, uma vez que, no sábado, teve início um plenário no qual é esperado o anúncio de grandes reformas económicas.

A nova formação nomeia “presidente vitalício” Bo Xilai, que foi um dos políticos com maior projecção na China e representante da corrente ‘neo-maoísta’ do Partido, explicou ao diário uma das fundadoras, Wang Zheng. Professora de comércio internacional no Instituto de Economia e Gestão de Pequim, Wang Zheng defendeu que a criação do “não é ilegal sob a lei chinesa”. “É legal e razoável”, disse. Numa carta aberta publicada na Internet um dia depois da formação do novo partido, Wang Zheng explicava que é uma professora comum, que nunca conheceu pessoalmente Bo Xilai, mas que a sua figura a inspirou, tal como ficou impressionada com a sua atitude combativa em tribunal. Wang Zheng disse também que não teve qualquer problema com as autoridades e que a criação

do novo partido, permitido por lei, mas impedido na prática pela política do Partido Comunista, não foi pensada para qualquer data coincidente com a reunião que decorre em Pequim. Os responsáveis do novo partido garantem ainda terem informado as autoridades chinesas da criação do “Zhi Xian”, bem como dizem que o director da prisão onde está detido Bo Xilai lhe disse que este tinha sido nomeado presidente vitalício, mas desconhecem qual a resposta do antigo dirigente. Bo Xilai, que defendeu e implementou na cidade de Chongqing, centro do país, práticas populistas da era maoísta era um dos líderes de maior projecção no país antes de ser envolvido num escândalo de corrupção que levou à cadeia também a sua mulher e vários homens da sua confiança.

COMITÉ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA REUNIDO EM PEQUIM

Reformas para que vos quero O plenário do Partido Comunista chinês começou sábado em Pequim onde se espera que ao longo dos quatro dias da reunião sejam anunciadas profundas reformas, nomeadamente no sector da economia. De acordo com um despacho da agência oficial chinesa, a Xinhua, a reunião anual está centrada na análise profunda de temas em torno das reformas necessárias à China. Durante os quatro dias de trabalhos, os 370 membros do Comité Central, entre efectivos e suplentes, estão reunidos sob a presidência do secretário-geral de Presidente Xi Jinping num debate da reforma do sistema que segundo a imprensa oficial irá terminar com “mudanças sem precedentes” e “surpresas”. Dentro e fora do plenário existe a consciência da necessidade de reformas

no regime num contexto de crescente “abismo” entre os altos e baixos vencimentos, enormes problemas ambientais e vários casos de corrupção. O recente ataque na praça de Tiananmen, em Pequim,

e numa sede provincial do partido, revelam algum mal-estar social. A reunião decorre á porta fechada e as autoridades chinesas não permitiram qualquer acreditação para a imprensa estrangeira no país.

Uma proposta apresentada pelo Conselho de Estado e que circulou nos últimos dias prevê a introdução de medidas como a internacionalização do yuan wem dez anos ou a liberalização da taxa de juro em três anos.


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vice-presidente brasileiro, Michel Temer, afirmou sexta-feira, na abertura de uma reunião de empresários do Brasil e da China, em Pequim, que os dois países estão num “momento único” para promover as relações comerciais, já significativas. No seu discurso perante os participantes do Conselho Empresarial Brasil-China, Temer disse, segundo a agência Efe, que o comércio entre os dois países superou no ano passado cerca de 560 mil milhões de patacas, esperando-se que as trocas comerciais “cresçam exponencialmente”. A China é, desde 2009, o principal parceiro comercial do Brasil e uma das principais fontes de investimento directo estrangeiro no país sul-americano, que é também o principal parceiro comercial de Pequim na América Latina. O vice-presidente brasileiro salientou que, durante esta sua deslocação à China, constatou

VICE-PRESIDENTE DO BRASIL DEFENDE REFORÇO DAS RELAÇÕES COMERCIAIS

Cresçam, cresçam... e apareçam

INFLAÇÃO NA CHINA BATE RECORDES

O insustentável arroz A inflação anual da China atingiu o recorde de 3,2% em oito meses em Outubro, com os preços dos alimentos a dispararem, espalhando temores em relação à política de restrição de crédito, enquanto a produção industrial e os dados de investimentos deram sinais de estabilização. A inflação, que aumentou ligeiramente de 3,1% em Setembro, ainda estava abaixo da previsão de 3,3% numa pesquisa da Reuters e ficou abaixo da meta oficial de 3,5% para 2013. “Embora a inflação do índice de preços ao consumidor tenha sido influenciada pela procura sazonal de alimentos, pode alimentar a preocupação do mercado de que o banco central poderá aumentar as restrições da política monetária, disse Li Huiyong, um economista da Shenyin & Wanguo Securities. O Banco Popular da China recusou-se a injectar liquidez nos mercados monetários durante as operações normais do mercado aberto na quinta-feira, gerando preocupações de que poderá começar um novo ciclo de restrição nos próximos meses, disseram os operadores.

no Brasil, salientando a área das infra-estruturas, em que, observou, a China tem uma experiência considerável que poderá ser útil, já que o seu país planeia aumentar o número de aeroportos e melhorar as ligações por estrada e comboio. O vice-presidente brasileiro terminou sexta-feira uma visita de cinco dias à China para promover o reforço dos laços entre os dois países, tendo prevista uma reunião com empresários brasileiros e chineses do sector agro-pecuário, promovida pela Confederação de Agricultura do Brasil. Na quinta-feira, Temer reuniu-se com o homólogo chinês, Li Yuanchao, e com o Presidente chinês, Xi Jinping.

que existe uma “disposição muito grande” das autoridades chinesas para aumentar os investimentos no Brasil e as importações de produtos brasileiros. Até agora, referiu, as exportações brasileiras para a segunda economia mundial, que alcançaram, no ano passado cerca de 310 mil milhões de patacas, concentraram-se num pequeno grupo de matérias-primas como a soja, mas o Brasil pretende diversificar estas vendas e enviar para a China produtos de maior valor acrescentado. Michel Temer alertou os empresários chineses para o facto de “existirem várias janelas de oportunidades” para fazerem negócios

Os dados divulgados na sexta-feira mostram que as exportações recuperaram mais do que o esperado em Outubro. Mas poucos analistas acreditam que o banco central se apresse em apertar a política face às incertezas globais persistentes. O Banco Popular da China disse que vai manter a política prudente com ajustes finos, para manter a economia em equilíbrio, enquanto afasta riscos inflacionários. O Escritório Nacional de Estatística disse que os preços dos alimentos subiram 6,5% em Outubro, em comparação ao ano anterior, acelerando de 6,1% em Setembro. Os preços do produtor da China tiveram

uma queda de 1,5% em relação a Outubro de 2012, o 20º mês seguido de baixa, face à queda de 1,3% no mês anterior. Economistas consultados pela Reuters esperavam uma inflação ao consumidor de 3,3%, e uma queda de 1,4% nos preços de fábrica. Mês a mês, os preços ao consumidor subiram 0,1% em comparação com a subida de 0,2% prevista pelos economistas. Os dados também indicam que a produção industrial da China cresceu 10,3% em Outubro em relação ao ano anterior, superando as expectativas do mercado de um aumento de 10%. Os investimentos em activos fixos cresceram 20,1% nos primeiros 10 meses, em linha com as previsões. As vendas de retalho subiram 13,3% em Outubro, face à previsão de 13,4%. No geral, os dados mostram que a economia está a estabilizar, mas ainda há muitas incertezas externas. Uma investigação da Reuters mostrou que o crescimento anual pode desacelerar para 7,5% no quarto trimestre, depois de 7,8% no terceiro. O crescimento anual poderá ser de 7,6%, o mais fraco em 14 anos mas ainda assim, à frente da meta do governo de 7,5%.

VINHOS ALENTEJANOS IMPORTAÇÕES SUBIRAM 170%

Depressa, depressinha A

China já representa o 4.º mercado externo para os vinhos do Alentejo, fora da União Europeia, com as exportações a aumentarem 170% nos últimos cinco anos, segundo dados da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA). “O mercado chinês tem tido um crescimento constante para os vinhos do Alentejo, embora ainda se trate de uma base pequena de exportação”, realçou ontem à agência Lusa Dora Simões, presidente da CVRA. Aludindo a dados estatísticos dos últimos cinco anos, entre 2007 e 2012, Dora Simões explicou que as exportações para a China “representaram 170% de crescimento”, o que demonstra o potencial deste mercado e a aposta por parte das empresas vitivinícolas. “As vendas de vinhos do Alentejo têm estado sempre a crescer e a China deixou de ser o 6.º para passar a ser o 4.º maior mercado de exportação, no ‘ranking’ de países terceiros (fora da União Europeia)”, disse. No ano passado, de acordo com a CVRA, as exportações para o mercado chinês representaram 7,05% do total das vendas de vinhos do Alentejo (DOC Alentejo e Vinho Regional Alentejano) para fora da União Europeia. Em volume, o Alentejo exportava para a China perto

de 208 mil litros de vinho, em 2007, mas, cinco anos depois, “o mercado chinês já representa mais de meio milhão de litros”. “Em termos absolutos, não é ainda um dos maiores mercados, mas as vendas têm aumentado e isso deve ser tido em conta”, frisou Dora Simões. A presidente da CVRA disse acreditar que a China, tal como outros países asiáticos, vai continuar a ser, nos próximos anos, um mercado apetecível para os produtores vitivinícolas da região, que não se assustam com mercados longínquos. “A maior parte dos mercados e aqueles para os quais o Alentejo mais exporta são mercados bastante distantes, como Angola, Brasil, Estados Unidos e China”, lembrou. Mas, neste tipo de mercados, continuou, “é preciso tempo para conhecer bem a realidade e para desenvolver

o negócio”, até porque a China “é um país caro para actuar”. “Há que compreender e perceber bem o que é que aquele mercado quer e é necessário ultrapassar questões aduaneiras mais complexas. Ainda estamos num processo de aprendizagem em relação à exportação para a China, mas esse é um trabalho que os produtores têm feito, com êxito, e há cada vez mais interessados”, afiançou. Com a Europa numa fase de “grande retracção do consumo”, a presidente da CVRA considerou normal que os produtores “apontem” mais longe e tentem exportar para países asiáticos, indicando que a China tem “um grande potencial de crescimento”. “A China é um grande mercado, a sua população está a tomar mais contacto com o vinho e o poder de compra, sobretudo nos meios urbanos, é elevado. Por isso, é um país interessante e um mercado onde é fácil crescer”, disse. E, para concretizar essa aposta, os produtores nem sequer estão já dependentes de Macau como “porta de entrada”. “Inicialmente, foi Macau a ‘porta de entrada’ para várias empresas, mas, pelo que vejo hoje, o vinho alentejano já se vende na China sem passar por aí, já se foram estabelecendo relações comerciais”, salientou.


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CATÁSTROFE

A violência dos tufões nas Filipinas continua e Haiyan, o mais recente a atacar o país, pode ter deixado já mais de dez mil mortos

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S especialistas chamam-lhe super tufão Haiyan, porque foi um dos tufões a chegar a terra com mais intensidade desde que há registos. Mas, à passagem nas Filipinas, apesar de ser visível o rasto de destruição, ainda é difícil avaliar que estragos deixou. A tempestade registou ventos médios de 235 quilómetros por hora e rajadas a subirem até aos 315 quilómetros. O número de vítimas - ainda provisório - já contabiliza mais de dez mil mortos e isto apenas na ilha de Leyte, de acordo com a polícia regional, citada pela agência Lusa. “Tivemos uma reunião ontem à noite com o governador e com base nas estimativas do Governo, para já, existem cerca de dez mil vítimas (mortos)”, disse Elmer Soria, chefe da polícia regional aos jornalistas presentes em Tacloban, a capital devastada da província de Leyte, no centro das Filipinas. As equipas de socorro estão agora mais concentradas nesta província, que foi a mais atingida pelo tufão, e ainda não há dados “fiáveis” de outras zonas. O Haiyan – ou Yolanda no arquipélago - atingiu as Filipinas na sexta-feira e, segundo as agências de notícias, um dia depois era visível mais de uma centena de corpos espalhados nas ruas e mais de uma centena de feridos. Partes da cidade de Tacloban, com uma população de dois milhões de habitantes, “estão em ruínas” depois da tempestade ter assolado a região destruindo todos os meios de comunicação com a cidade. As dificuldades de comunicação e o isolamento de centenas de ilhas do arquipélago das Filipinas poderão ainda fazer aumentar o número de vítimas da tempestade que apenas será definitivo ao longo dos pró-

hoje macau segund

HAIYAN TUFÃO MAIS PODEROSO A ATINGIR A TERRA ESTE ANO DEIXOU RASTO DE DESTRUIÇÃO E F

“O espírito dos filipinos é à


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da-feira 11.11.2013

FEZ MAIS DE DEZ MIL MORTOS NAS FILIPINAS

à prova de água” ximos dias quando as equipas de socorro conseguirem atingir a maior parte do país. Na última informação oficial, o Conselho Nacional de gestão e redução de Desastres tinha indicado a morte de cinco pessoas no centro do arquipélago após a passagem da tempestade que terá afectado cerca de 700 mil pessoas. Recentemente devastado por um forte sismo e agora atingido pelo Haiyan, o desastre nas Filipinas dá azo a relatos impressionantes de jornalistas no terreno. No site oficial da CNN, por exemplo, um repórter conta que um habitante, Marvin Isanan, viu três das suas filhas – com oito, 13 e 15 anos – serem arrastadas dos seus braços pela tempestade. Ele e a sua esposa encontraram os corpos das duas crianças mais novas, mas a mais velha continua desaparecida. Mas, se o drama é real, há quem espalhe esperança e seja motivo para fazer sorrir. É o caso de um utilizador anónimo – apenas classificado como Dudesko01 – que, num comentário a um artigo da CNN, escreve que “é tempo de conhecer o destemido povo filipino… inacreditavelmente resistente, sofredor de longa data, de boa índole, amigável, leal, engenhoso e sobrevivente”. E continua. “No final do dia, os filipinos vão sacudir o pó das suas roupas e continuar com as suas vidas... e sorrir. Não se queixam muito, aguentam todo o tempo que conseguirem. Talvez por isso, lhes tenha sido dado o ‘privilégio’ de carregarem com o fardo do tufão mais forte alguma vez registado. O espírito humano indomável no seu melhor.” Uma mensagem de esperança, que foi já repetida milhares de vezes nas redes sociais. Também a representante das Filipinas no concurso Miss Universo, que decorreu na Rússia, enviou uma mensagem de apoio onde diz que o “espírito dos filipinos é à prova de água”. O Haiyan, ou Yolanda, foi a maior forte tempestade do ano em todo o planeta. Após a sua passagem nas Filipinas, o tufão voltou a entrar no oceano deslocando-se, agora, ao Mar do Sul da China em direcção ao Vietname. - J.F. com agências

À PROCURA DE... Se procura alguém desaparecido nas Filipinas, ou se tem informação sobre alguém, poderá contactar o site Google.org, que lançou a aplicação “Typhoon Yolanda Person Finder”.

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EVENTOS

hoje macau segunda-feira 11.11.2013

“QUINHENTOS POEMAS CHINESES” EM PORTUGUÊS LANÇADOS EM MACAU

A poesia une os povos F presença foi muito mais de convívio e comunicação”, disse a presidente da Casa de Portugal em Macau, Amélia António. Ao salientar que a relação Portugal-China “teve altos e baixos, como todos os casamentos”, Amélia António constata que o “certo é que, ao fim de 500 anos, estar em Macau como nós estamos, a cultura portuguesa estar em Macau como está, a língua portuguesa estar ganhando terreno como está, só nos dá motivos para nos orgulharmos e celebrarmos”. Para a presidente da Casa de Portugal em Macau, esta antologia de poemas chineses na língua de Camões serve como marco dos 500 anos de amizade entre Portugal e a China e “não é só para os portugueses nem só para Macau, mas pode chegar a todas as comunidades de Língua Portuguesa”.

FÓRUM PODERÁ AJUDAR A DIVULGAR A OBRA

A Casa de Portugal pretende conseguir a colaboração do Fórum Macau para fazer chegar a obra “às universidades,

centros e bibliotecas de todos os países de língua portuguesa”. Para já, os “Quinhentos Poemas Chineses” em português estão apenas à venda em Macau, mas o objectivo é também distribuí-los em Portugal e noutros locais, acrescentou Amélia António. Após a publicação desta obra, “falta uma coisa”, na óptica da presidente da Casa de Portugal em Macau: “O reverso deste livro, que é a tradução para chinês de 500 poemas portugueses”. Este projecto, disse, “é uma ambição muito grande, um sonho enorme” que poderá nascer dentro de um ano. Carlos Morais José, da editora Livros do Meio, revelou que o projecto está já em andamento, com o apoio da Casa de Portugal e com a sua coordenação, juntamente com o poeta chinês Yao Feng, pseudónimo literário de Yao Jingming. Na cerimónia estiveram ainda vários representantes do Gabinete de Ligação da República Popular da China e do Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.- HM/Lusa

JORNAL TRIBUNA DE MACAU

OI uma cerimónia inesperadamente emocionante, em que dois povos, duas civilizações se sentiram unidas através da poesia. Uma obra com 500 poemas chineses em Língua Portuguesa foi lançada na quinta-feira, no Auditório do Consulado de Portugal em Macau, para assinalar os quinhentos anos de amizade Portugal-China, havendo agora o projecto de tradução de outros tantos poemas portugueses para a língua chinesa. “Quinhentos poemas chineses”, que conta também com ilustrações da autoria do português Rui Rasquinho inspiradas na pintura tradicional chinesa, foi lançada pela editora Livros do Meio, de Carlos Morais José, em parceria com a Casa de Portugal em Macau. A coordenação da obra é assinada pelo editor por António Graça de Abreu, a quem foi também prestada homenagem pelo seu já longo trabalho de tradução de poesia chinesa para português. O editor proferiu algumas palavras (ver texto nesta página), a que seguiu uma intervenção emocionada e emocionante de Yao Jimgming, vice-presidente do Instituto Cultural da RAEM. “Trata-se de uma prenda muito bonita que é aqui dada à China”, referiu. Também Ung Vai Meng, presidente do IC, se mostrou muito emocionado com o livro, tendo a cerimónia terminada com uma série de abraços e cumprimentos entre os presentes, portugueses e chineses.

A MELHOR MANEIRA DE ASSINALAR UMA DATA

“Dado que não houve outro tipo de comemorações, nós entendemos que era uma data que devia ser assinalada e que a melhor maneira de a assinalar era com a poesia, exactamente porque a nossa

ESTILISTA APRESENTOU COLECÇÃO INSPIRADA NO NORTE DE PORTUGAL

Contra a desertificação do interior A

estilista portuguesa Helena Cardoso apresentou sexta-feira, em Macau, uma colecção de 30 peças produzidas por artesãs de serras do norte de Portugal, que mantêm vivas tradições para combater a desertificação do interior do país. “As pessoas podem pensar que venho aqui mostrar um desfile com uns fatinhos, mas isto tudo tem uma história muito mais complexa por trás, por isso projectei antes o documentário ‘Reflexão’, sobre estes 30 anos de trabalho, as aldeias e as mulheres com quem trabalho”, disse à agência Lusa, à margem da apresentação, que decorreu na residência consular. Helena Cardoso, de 73 anos, nasceu e vive no Porto, começou por

trabalhar como estilista em fábricas e foi convidada há cerca de 30 anos, por uma organização sueca, para participar num projecto na serra de Montemuro, na altura “uma das zonas mais carenciadas e pobres da Europa”, destinado a apoiar a mulher rural, e que marcou a sua vida. “O meu trabalho é um levantamento têxtil do norte do país. Vou mesmo às aldeias fazer isso e é com os saberes dessas aldeias que faço as colecções, apresento um vestuário contemporâneo para a mulher de hoje vestir, a partir da nossa tradição da tecelagem”, explicou. No desfile em Macau, Helena Cardoso apresentou “30 fatos, desde o casaco de fazenda à camisola de lã, sendo que

todas as peças são intemporais e únicas, feitas em lã, linho e seda natural, nas aldeias e à mão”. “Todo este vestuário tem uma história por trás, está ligado à natureza, há tecelagens que parecem granito, umas que parecem flores e outras que parecem os campos”, descreveu a estilista ao sublinhar que o trabalho com as artesãs pretendeu que elas “percebessem que tinham uma arma na mão”. Helena Cardoso, que já foi distinguida pela UNESCO, a organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, apresentou o seu trabalho em Macau, a convite da Casa de Portugal, constituindo esta a primeira apresentação fora da Europa, das suas colecções.

No lançamento do livro “Quinhentos Poemas Chineses” CARLOS MORAIS JOSÉ

Passaram este ano 500 anos desde que, pela primeira vez, Portugal e a China se conheceram. E muito temos para celebrar. Raramente, talvez unicamente, dois povos conseguiram conviver em lugares tão distantes deste planeta com tão poucos atritos, com tão poucos conflitos e, sobretudo, com tantas cumplicidades como aquelas que portugueses e chineses conseguiram estabelecer ao longo do tempo e cujo resultado é este Macau onde ainda hoje convivemos para celebrar uma humanidade a haver: uma humanidade que partilha o mundo porque ela é, sobretudo, humana, antes de ser política, económica, financeira ou comercial. Hoje, aqui em Macau, celebramos o que de mais alto a humanidade construiu, o que mais eterno nos habita como seres humanos: a poesia. A poesia é a celebração mais excelsa da vida, o seu expoente máximo e é por isso que, tanto portugueses como chineses, respeitam e amam os seus poetas, independentemente da época em que viveram, como expressão máxima das nossas duas culturas e civilizações. E é também por isso que fazemos questão de celebrar deste modo, através da poesia, o encontro de 500 anos entre os nossos países: porque, independentemente da distância, geográfica e civilizacional, linguística e cultural, nos encontramos ambos nesse amor ao Verbo, nessa admiração pelos nossos maiores, que são os poetas. Na poesia partilhamos a admiração pela beleza, pela Natureza, interior ou exterior a nós, a reflexão pelo temor à morte, a constatação da nossa efemeridade, da nossa fragilidade, da singularidade de cada indivíduo e, portanto, da sua radical liberdade. E também, é claro, a celebração do amor, esse sentimento que nos permite a sensação de unidade e plenitude num universo cruel. Mas, aqui entre nós, neste momento em que convocamos os mais altos do que fomos (os poetas), é sobretudo a existência de Macau que temos também de celebrar, pois foi essa estranha ocorrência, única na História da humanidade, que hoje nos é possibilitado de forma tão bela a celebração do nosso encontro. E, felizmente, a presença portuguesa em terras da China justifica-se também pela poesia, porque no tempo primevo da nossa chegada aqui estanciou, real ou metaforicamente, o mais importante dos nossos poetas, Luís Vaz de Camões, cuja Gruta justifica simbolicamente o modo como nos incarnamos nesta terra: não através da guerra ou do comércio mas, sobretudo, através da poesia e do amor. É pois com muito orgulho, por estar neste momento a percorrer as pisadas dos meus mais nobres antepassados, que vos apresento este livro, “Quinhentos Poemas Chineses”, uma obra que pretendemos constituinte de uma homenagem portuguesa à cultura da China. Dizia Agostinho da Silva, em palavras transmitidas por Luís Sá Cunha, que chegou agora o tempo de levar o Oriente para o Ocidente, num movimento inverso ao que os portugueses fizeram no passado. A China tem muito para nos ensinar e cabe também aos portugueses, sobretudo aos que habitam em Macau, fazer parte deste processo de transmissão cultural, cujo sentido será a união fraterna dos povos naquilo que têm de melhor. E haverá algo de mais excelso, superior à poesia? Acreditamos que não. A poesia é a expressão máxima da alma e da vida dos povos e ao publicar este volume esperamos proporcionar aos leitores de Língua Portuguesa o melhor da alma e da vida chinesa e ao mesmo tempo lançar um desafio: conhecerem melhor a China, não apenas do ponto de vista económico, gastronómico ou comercial, mas naquilo em que tão grande e antiga civilização melhor exprime a sua essência. Passados 500 anos de encontros este é o nosso contributo. A nossa aposta e desafio. Mais uma vez, um ponto de partida. Com certeza outros virão e farão com certeza melhor. A cultura chinesa é um enorme continente onde nós ousámos desembarcar e do qual, 500 anos depois, ainda pouco conhecemos. Muito, mesmo muito, está ainda por descobrir. A esses novos Descobrimentos, a essa aventura queria agora brindar com todos os presentes. E celebrar o futuro brilhante que a todos nos espera.


O HOMEM IMPOSSÍVEL 100 anos de Albert Camus

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ASCIDO NOS bairros operários de Argel, Argélia, a 7 de Novembro de 1913, Albert Camus foi galardoado ainda novo com o Nobel da Literatura. Tinha apenas 44 anos quando foi distinguido. Com o futuro pela frente, menos de dois anos volvidos, a 4 de Janeiro de 1960, o escritor morreu num acidente de viação, em França. Apesar de desaparecido precocemente, é hoje um dos maiores nomes da literatura francesa e mundial, pelo seu pensamento visionário e um caminho excepcional. Eis citações de Albert Camus, seleccionadas por Maria Luísa Malato, professora da Faculdade de Letras do Porto, e Eduardo Graça, Presidente da Cooperativa António Sérgio para a Economia Social. ABSURDO/ ANTI-ABSURDO: “E assim nos tornamos profetas do absurdo! [...] De que me servia depois afirmar que, na experiência que me interessava e sobre a qual aconteceu escrever, o absurdo não era senão um ponto de partida, ainda que a sua lembrança e emoção acompanhem os caminhos seguintes?” (“O Verão”) ARTE/ FILOSOFIA: “Porque sou eu um artista e não um filósofo? É porque penso segundo as palavras e não segundo as ideias.” (“Cadernos”)

GLOBALIZAÇÃO: “Sabemos hoje que não há ilhas, e que são vãs as fronteiras. Sabemos que, num mundo em constante aceleração, quando o Atlântico se atravessa em menos de um dia ou Moscovo contacta com Washington em poucas horas, estamos obrigados à solidariedade ou à cumplicidade, segundo os casos. O pão fabricado na Europa vende-se em Buenos Aires, e as máquinas que trabalham na Sibéria foram fabricadas em Detroit. Hoje, a tragédia é coletiva. Sabemos pois todos, sem sombra de dúvida, que a nova ordem que buscamos não pode ser somente nacional, ou sequer continental, e muito menos ocidental ou oriental. Ela só pode ser universal.” (“Actuais”) HISTÓRIA/ POLÍTICA: “É por demais evidente que o pensamento político se encontra cada vez mais ultrapassado pelos acontecimentos. [...] Bem entendido, o espírito segue arrastado pelo mundo. A História corre, enquanto o espírito medita. Mas esse atraso inevitável aumenta hoje na proporção da aceleração histórica. O mundo mudou mais nos últimos cinquenta anos do que tinha mudado nos duzentos anteriores. E vemos hoje o mundo empenhado em regulamentar problemas de fronteiras, quando todos sabemos que as fronteiras são hoje abstratas.” (“Actuais”)

ARTE/ FINALIDADE: “A finalidade da arte não é de legislar ou reinar, mas em primeiro lugar, a de compreender. [...] Por isso o artista, ao chegar ao fim do caminho, absolve em vez de condenar. Não é juiz, mas defensor. É o advogado perpétuo da criatura viva. Porque está viva. Exorta verdadeiramente ao amor ao próximo, que não é esse amor longínquo que degrada o humanismo contemporâneo do catecismo de tribunal.” (“Discursos da Suécia”)

DESESPERO: “A primeira coisa é não desesperar. Não prestemos ouvidos demasiadamente àqueles que gritam, anunciando o fim do mundo. As civilizações não morrem assim tão facilmente; e mesmo que o mundo estivesse a ponto de vir abaixo, isso só ocorreria depois de ruírem outros. É bem verdade que vivemos numa época trágica. Contudo, muita gente, confunde o trágico com o desespero. ‘O trágico’, dizia Lawrence, ‘deveria ser uma espécie de grande pontapé dado na infelicidade’. Eis um pensamento saudável e de aplicação imediata. Hoje em dia, há muitas coisas que merecem esse pontapé.” (“Núpcias”) DEUS: “O segredo do meu universo: imaginar Deus sem a imortalidade humana.” (“Cadernos”) EXISTENCIALISMO/ EXISTÊNCIA: “Onde descobrir a essência senão ao nível da existência? Mas nós não podemos dizer que o ser não é senão existência. [...] O ser não pode manifestar-se senão no devir, o devir nada é sem o ser.” (“O Homem Revoltado”) FORÇA: “Aprendemos à nossa custa que, contrariamente ao que por vezes pensamos, o espírito nada pode contra a espada, mas também que o espírito unido à espada sempre vence a espada que se ergue em prol de si mesma.” (“Carta a um Amigo Alemão, I”)

LIBERDADE: “Esquecei os vossos mestres, aqueles que tanto vos mentiram, disso tendes vós a certeza agora, e também os outros, pois não souberam persuadir-vos. Esquecei todos os mestres, esquecei todas as ideologias moribundas, os conceitos gastos, os slogans vetustos de que vos querem ainda alimentar. Não vos deixeis intimidar por nenhuma chantagem, de direita ou de esquerda. E finalmente não aceitai lições senão daqueles jovens combatentes de Budapeste dispostos a morrer pela liberdade. Esses de certeza vos não mentiram ao gritar que o espírito livre e o trabalho livre, numa nação livre, no seio de uma Europa livre, são os únicos bens deste mundo por que vale a pena lutar e morrer.” (“Actuais”) MAL: “Estancamos diante do mal. E para mim é bem verdade que me sinto um pouco como esse Santo Agostinho que, antes da sua conversão ao Cristianismo, dizia: ‘Procurava donde vinha o mal e não saía nunca dele’. Mas é também verdade que eu sei, como outros, o que é preciso fazer, se não para diminuir o mal, pelo menos a forma de o não aumentar.” (“Actuais”) MARXISMO: “Contar-se-iam pelos dedos das mãos os comunistas que chegaram à revolução pelo estudo do marxismo. Convertem-se primeiro e só depois lêem as Escrituras.” (“O Homem Revoltado”) MEDO E POLÍTICA: “O século XVII foi o século das Matemáticas, o XVIII das Ciências Físicas, o XIX da Biologia. O nosso século XX é o século do Medo. Dir-me-ão que o medo não é uma ciência. Mas também a Ciência aqui se encontra implicada, já que os últimos progressos teóricos a levaram a negar-se a si própria, e os avanços práticos hoje ameaçam destruir toda a terra. Além do mais, se o medo não pode considerar-se em si uma ciência, não há dúvida que ele é, apesar de tudo, uma técnica. O que mais nos impressiona hoje, com efeito, é que no mundo actual, em geral (e à excepção dos crentes de todas as espécies), a maior parte dos homens se encontra privada da noção de futuro. Ora não há vida vivida sem projecção no tempo, sem esperança de amadurecimento e progresso.” (“Actuais”)

BOMBA ATÓMICA: “O mundo é o que é, isto é, pouca coisa é. Eis o que cada um pode concluir depois de ontem, depois de ouvir o formidável concerto que a rádio, os jornais e as agências de informação harmoniosamente acabam de difundir sobre a bomba atómica. Podemos concluir com efeito, entre os numerosos comentários entusiastas, que qualquer cidade de importância mediana pode ser totalmente destruída por uma bomba com o tamanho de uma bola de futebol. Vai ser preciso escolher, num futuro mais ou menos próximo, entre o suicídio colectivo e a utilização inteligente das conquistas científicas.” (“Actuais”) CONHECIMENTO: “Não creio suficientemente na razão para subscrever o progresso. Nem em nenhuma filosofia da História. Creio, porém, que os homens não deixaram de aumentar a consciência que tinham do seu destino. Não ultrapassámos a nossa condição, e, no entanto, conhecemo-la melhor.” (“O Verão”)

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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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MEIOS/ FINS: “Quando um trabalhador, em qualquer ponto do mundo, ergue os seus punhos nus diante de um tanque e grita que não é um escravo, que somos nós se a isso ficarmos indiferentes?” (“Actuais”)

HONRA: “De resto, como fazer compreender que uma criança pobre pode por vezes ter vergonha sem nunca invejar coisa alguma?” (“O Primeiro Homem”) LIBERALISMO/MARXISMO: “Estas ideologias, nascidas há um século, no tempo da máquina a vapor e do ingénuo optimismo científico, são hoje caducas, e incapazes, nas suas formas actuais, de resolver os problemas que se põem ao século do átomo e da relatividade.” (“Actuais”) LIBERDADE E JUSTIÇA: “Não o devemos ignorar: é difícil conciliá-las. A crer na História, pelo menos, nunca foi possível. Como se houvesse nestes dois princípios uma intrínseca incompatibilidade. Como poderiam não a ter? A liberdade para cada um é também a liberdade do banqueiro, ou do ambicioso: depressa a injustiça se instala. A justiça para todos é a submissão da personalidade ao bem colectivo: como falar então de liberdade absoluta? [...] Devemos pois renunciar a esse esforço inútil? Não, não devemos renunciar. É preciso simplesmente tomarmos consciência dessa imensa dificuldade em as conciliar e tornar essa dificuldade evidente para aqueles que, ainda que animados de boa-fé, tudo querem simplificar. Para o demais, saibamos somente que é esse o único esforço pelo qual, nos dias de hoje, vale a pena viver e lutar.” (“Atuais”)

MUNDO: “Todas as gerações, sem dúvida, se julgam fadadas para refazer o mundo. A minha sabe, no entanto, que não poderá refazê-lo. A sua tarefa é talvez maior. Consiste em impedir que se desfaça, partindo unicamente das suas negações.” (“Discursos da Suécia”) POBREZA: “A miséria impediu-me de acreditar que tudo está bem sob a luz do sol da História; o sol ensinou-me que a História não é tudo.” (“O Avesso e o Direito”) POLÍTICA: “Não sou feito para a política pois sou incapaz de querer ou de aceitar a morte do adversário.” (“Cadernos”) TERRORISMO: “Se um terrorista lança uma granada no mercado de Belcourt frequentado pela minha mãe e ele a mata, serei responsável se, para defender a justiça, eu tiver igualmente de defender o terrorismo. Amo a justiça, mas amo também a minha mãe.” (Camus a Roblés, testemunho) UTOPIA: “O mundo deve hoje escolher entre o pensamento político anacrónico e o pensamento utópico. O pensamento anacrónico está em vias de nos matar. Por mais desconfiados que sejamos (e que eu seja), o espírito da realidade logo nos reconduz a esta utopia relativa. Quando essa utopia entrar na História, como sucedeu com muitas outras utopias do mesmo género, os homens lhe chamarão realidade. É assim que a História não é senão o esforço desesperado dos homens para dar forma aos seus sonhos mais clarividentes.”


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100 anos de Albert Camus

Pedro Baptista

SARTRE OU CAMUS?

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Á ALGUNS nos tínhamos ofuscado, crestado e atemorizado com o sol impiedoso de O Estrangeiro em torno do assassinato involuntário demasiado provável, como nos tínhamos enjoado, excitado e inebriado com as deambulações de A. Roquentin no sonho, no pó e no nada de A Náusea. Dois ou três tínhamos lido A Peste, tal como A Queda do autor argelino, As Moscas, tal como Os Sequestrados de Altona do parisiense. Eu conhecia O Mito de Sísifo, parece que já Os Cadernos e tinha lido umas páginas do l’ Homme revolté que me passou pelas mãos furtivamente, assim como, com minúcia, a edição brasileira de Reflexões sobre a questão judaica vinda da Biblioteca Municipal de Matosinhos, folheado com alguma atenção O Imaginário com a mesma proveniência e lido e relido As Palavras, publicadas em Portugal há muito pouco tempo, envoltas no sainete arrasador, da recusa do Nobel de 1964, bem exibido no marketing da cinta de papel! O tipo que recusou o Nobel! “Um escritor não se deve deixar transformar numa instituição”. Que frase! Primeira página, altibaixo do Letras e artes, que a censura não se atreveu a cortar e teve de engolir... Sartre acima de todos, acolitado por Camus que eu sentia não ser bem simétrico e pelo Vergílio Ferreira de quem tinha adorado a Manhã Submersa, aceitava como bispo existencialista, mas que percebia ser outra coisa no plano filosófico e político ou, mais propriamente, não ser. A par, na mitologia literária da adolescência a findar, pontificava Hemingway, o Adeus às armas, O Velho e mar, o Paris é um festa, o seu cheiro a mar e a combate, a clareza da sua luz e da sua prosa, o sabor a marisco (não posso dizer a ostras porque, com grande desgosto, nunca consegui gostar delas) e a cristalino e fresco vinho branco... As Palavras, muito mais me aproximaram de Sartre, na problemática da complexa relação com a mãe e na coincidência do mesmo livro de cabeceira da adolescência – o Robinson Crusoe de Deföe – que um crítico já considerou, com bonomia, sinal onírico do candidato a ditador, como eu próprio poderia ficcionar na asserção do crítico, com a mesma generosidade, o sinal do desejo esconso de se alcandorar a caracol... um e outro satisfeitos reciprocamente por ambos, afinal, nos considerarmos, o que não é assim tão pouco... Os textos da Polémica Sartre-Camus, em compilação, chegaram-nos às mãos apenas nos inícios de 1967, numa segunda edição, não datada, da revista El Escarabajo de Ojo, de Buenos Aires, dirigida por Abelardo Castilho, cuja primeira edição surgiu na Argentina em 1964. Embora nos tenham chegado apenas quinze anos depois de terem sido publicados em França, tiveram um grande impacto entre os admiradores dos dois escritores e, principalmente, entre os que tinham, em relação a ambos, uma posição de proximidade semelhante, equidistância que se tornou, a partir daí, impossível. Os textos haviam sido publicados na re-

vista Les Temps modernes, no alvor da década de 50, proibida de entrar no país, só estando acessível no Porto, pelo menos na década de 60, para os frequentadores da sala de leitura do Instituto francês, o que não era o nosso caso. Em meia-dúzia de pinceladas, a polémica foi desencadeada em torno da obra L’ Homme revolté de Camus que havia sido publicada em 1951 e que, durante anos, só circulou em Portugal, por baixo da mesa e encapado, na edição francesa, a partir de um artigo crítico do Francis Jeanson, em maio de 1952, intitulado Albert Camus ou l’ âme revolté, na Les Temps modernes, dirigida por Sartre, a que se haveria de seguir, no número de agosto seguinte, uma carta-resposta de Camus mas dirigindo-se ao “senhor diretor”, a que este responde com uma outra dirigida ao “querido amigo Camus” publicada no mesmo número, a que se seguirá ainda mais um curto artigo de Jeanson e um outro de Jean-Paul Sartre, de pouco mais de uma página, intitulado Albert Camus, que é , na verdade, um requiem após o seu falecimento precoce. A questão tornou-se, entre nós, pedra de toque para muitas opções, ora tomando o partido menor das pessoas dos amigos que se zangaram pela profundidade das divergências, ora o partido maior das ideias e das causas pelas quais lutar ou não lutar ou, talvez mais comummente, pela mescla de ambas as vias na ambivalência emocional e racional... Com o prestígio imenso do marxismo na França do pós-guerra, o vetor que mais atenções mobilizou, nesta obra de 1951, foi a crítica camusiana ao comunismo soviético, onde Estaline ainda pontificava, antes de fenecer dois anos depois. Mas a crítica do escritor argelino incidia com igual virulência no marxismo em geral, sendo o estalinismo considerado como o seu corolário necessário e lógico, recolhendo apoios e encómios, num vastíssimo conglomerado de liberais a conservadores, da extrema-direita à esquerda anti-estalinista. Para Jeanson, um homem de Sartre, senão o mais fiel de todos os homens de Sartre, que já conhecíamos desde 1965 quando obtivemos e devorámos o seu Sartre por ele-próprio, a alma mediterrânica de Camus, tal como a desnuda em O Homem Revoltado, mostra-se incapaz de compreender as contradições em que o homem vive, o sofrimento do mundo real. Na linha de O Mito de Sísifo, onde era preciso “sustentar o desafio maravilhoso do absurdo” e onde “a única dignidade do homem” era “ a rebelião tenaz contra a sua condição, a perseverança num esforço considerado estéril”, também já em A Peste, como mais agora, com O Homem revoltado, a vida humana é vista pelo escritor argelino a partir das alturas, numa narração transcendental “fora de situação” do homem concreto, tomando uma posição meramente moralista que o leva a desprezar as circunstâncias tanto da história como da economia onde as revoluções surgem, a caminho outrossim de uma propalada rebelião metafísica que se viria a transformar em autêntica rebelião histórica.

Para Jeanson, no conceito de revolução, Camus não consegue discernir mais do que a divinização do homem, tal como no programa do marxismo nada mais vislumbra para lá da ereção, por trás da morte de Deus, de “uma cidade para o homem, finalmente divinizado”. Se na ótica de Francis Jeanson, para Camus, Marx é sempre o culpado de tudo, também O Homem revoltado, para eliminar toda e qualquer situação concreta e assegurar a pureza de um imaculado debate de ideias, não faz mais do que caricaturar tanto Hegel como Marx, apodando aquele de niilista no seu esforço “para destruir cada vez mais a transcendência” exaltando “a repugnante aristocracia

crítica, sempre denominando Jeanson como “o seu colaborador”, declara esperar vir a receber o apoio de Sartre e invectiva o autor do artigo, por “prática da omissão”, porque “tergiversa a tese do livro” e porque “fabrica uma biografia imaginária do autor” do livro criticado. Quanto à acusação do livro ter sido recebido com alegria esfusiante pela direita, o autor de O Estrangeiro, depois de mostrar que muitos autores do Les Temps modernes receberam tratamento semelhante e de referir vários autores de direita como tendo atacado o livro, afirma que “não se decide a verdade de um pensamento por ele estar à direita ou à esquerda e muito menos consoante a direita

do êxito” e este de um determinismo histórico prenunciador de Estaline, nada entendendo do “movimento real do pensamento” na obra de Marx. Para Camus, na visão de Jeanson, se a culpa de tudo é de Marx, ainda o é mais de Hegel, o verdadeiro culpado de Estaline. Por este caminho, assegura Jeanson, Camus ainda vai encontrar o verdadeiro culpado! Em lugar de situar o estalinismo na dialética da história, Camus preferiria apresentá-lo como um espantalho para melhor fazer notar a superioridade do capitalismo e afirmar dogmaticamente o falhanço inevitável de todos os projetos revolucionários, em favor de uma ética da revolta desprovida de qualquer eficácia social ou política. Camus, por sua vez, na sua resposta dirigida, todavia, ao diretor, e não ao autor da

e a esquerda decidem dele fazer”, reiterando ainda que, em qualquer caso, se a verdade lhe parecer à direita é lá que estará... Em contrapartida, o escritor argelino, acusando Jeanson de insinuar que qualquer crítica do marxismo é, ipso facto, reacionária, rejeita as acusações de moralismo e afirma que todo o movimento de ideias que o conduz das primícias a A Peste não é no sentido da alienação, mas “no sentido da solidariedade e da participação”. Para mais, acusa Jeanson de fugir ao que mais interessa, “à definição de um limite que o próprio movimento rebelde fez surgir, à crítica do niilismo pós-hegeliano e da profecia marxista, à análise das contradições dialéticas face à noção de fim da história, à crítica da noção de culpa objetiva” e, principalmente, tudo fazendo para não entender que, ao con-


artes, letras e ideias 17

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trário do que afirma, com O Homem revoltado empreendeu “um estudo do aspeto ideológico das revoluções”. Tal como o acusa de lhe colar a tese de que todo o mal vem da história e todo o bem de fora dela, que não perfilha, apenas procura demonstrar que o puro anti-historicismo é tão perigoso como o puro historicismo, pois tanto no caso de colocar os valores sob a história como no de caso de os identificar com ela, chega-se ao niilismo. Camus parece particularmente irritado por Jeanson explicar as suas lacunas em relação à história com o dado biográfico (que Camus considera fictício) de a ter descoberto apenas quando largou o seu idílio argelino para enfileirar na Resistência, onde se desiludiu depois de efabular esperanças que se frustraram. Camus nega que o seu livro negue a história pois tal seria desprovido de sentido, afirmando que “só critica a atitude que tem como finalidade converter a história em um absoluto”; “não é portanto a história que se rejeita mas apenas um ponto de vista, um modo de encarar o espírito frente à história”. E continua contra-atacando, dizendo que do artigo de Jeanson se tira que toda a crítica ao marxismo é de direita e que o idealismo

Como já apontamos, Sartre, a quem Camus aponta ao contestar o texto de Jeanson, responde no mesmo número, começando por declarar, ao constatar o rompimento da amizade entre os dois, que poucas coisas os separavam, mas que essas poucas, pelos vistos, eram demais. Depois de vituperar Camus por não se ter dirigido a Jeanson, tratando-o como uma “não-entidade”, cai-lhe em cima assumindo que é a hora de lhe dizer as coisas, que infelizmente vão divertir os inimigos comuns, mas que não lhe deixou alternativa ao questioná-lo diretamente. Camus escreveu que o seu colaborador “quisera que nos revoltássemos contra tudo menos contra partido e o estado comunista” mas ele via-o a ser mais capaz de se rebelar contra o estado comunista do que contra ele próprio. Era de resto bem visível, e até explícito, que Camus nunca pretendeu debater nada, apenas sair o mais depressa possível do debate para fazer o que pretendia: ensinar, dar lições de patologia social aos leitores do Les Temps modernes. Como no quadro de Rembrandt, Camus é o médico, Jeanson o morto. “Com o dedo aponta as chagas ao público assombrado”! Entrou na revista instalado num pedestal portátil!

(onde o insere)surge como uma filosofia reacionária; mais, acusa Jeanson de silenciar toda a tradição revolucionária não marxista como a I Internacional e o movimento bakuninista, os revolucionário de 1905 que considera estarem no centro do seu livro, e o sindicalismo revolucionário escrevendo como se ignorasse que não é o marxismo a iniciar a tradição revolucionária, assim como também não é a ideologia alemã a iniciar a filosofia. Finalmente Camus aponta à crítica de Jeanson a conceção do marxismo como um dogma e, consequentemente, após elencar de novo as contradições que julga presentes, sentencia pela incapacidade para a análise crítica do marxismo ou da história por parte do “colaborador” de Sartre ou de qualquer outro que nunca tenha colocado o seu próprio sofá no sentido da história.

“Mediante que milagre as objeções que lhe são feitas se transformam de imediato em sacrilégio?”, questiona o autor do La Nausée, do Le Mur e do L’Être et le néant? E compara-o a Mauriac, a bramar no Figaro que a crítica à Passage du Malin tinha posto em risco a fé católica! Por outro lado, Sartre, penetrante mas implacável, denuncia, entre muitas outras caraterísticas, a autossuficiência com que Camus se arroga no direito de falar em nome da miséria. É que a miséria não lhe encomendou nada! Se fala dela é como os outros, por sua conta e risco, “aceitando antecipadamente a possibilidade de ser desmentido”, não tem estatuto especial nem está fora do mundo. E questiona os termos em que deverá caraterizar o seu procedimento, se como intimidação ou como chantagem... Porém, a diatri-

be de Camus faz-lhe lembrar o Tribunal de Justiça... Será que Camus se assume como o grande acusador público da República das Almas Nobres? E quem seria Camus para criticar Jeanson? Camus podia criticar a crítica, atacar todos os redatores da revista e chamar tonto ao diretor, mas quando escreve que o “seu colaborador queria que nos rebelássemos contra tudo, exceto contra o Partido e o Estado comunistas”, aí Sartre confessa que não se sente cómodo... O filósofo pensava estar perante um literato e encontra-se, afinal, perante um juiz que instrui mediante informações policiais tendenciosas... Só lendo e vale a pena ler ou reler pois suponho os textos ínsitos na série Situações há muito publicada entre nós pela Europa-América, muitos exemplares dos quais terão escapado ao Index, outros foram reeditados... Mas como nos apaixonava esta retórica argumentativa... Com mais sumo, mas nem sempre com tanto molho, os argumentos filosóficos propriamente ditos, em torno das ideias, que Sartre encontrou no texto de Camus quando já ia dar por terminada a resposta: é errada a ideia de que os existencialistas pregam sem qualquer reserva a liberdade absoluta; a liberdade não é uma força, não pode ser travada, define-se por si própria e se Camus se dedicasse alguns minutos a refletir sobre o pensamento de alguém que não fosse ele, percebê-lo-ia; mas detesta as dificuldades do pensamento, prefere concluir que não há nada a entender antes que lhe digam que não entendeu nada; por isso Sartre não se atreve a aconselhá-lo a ler o L’ Être et le néant; a liberdade não precisa de ser travada, não tem rodas, nem patas, nem mandíbulas onde se possam acoplar freios; a liberdade encontra os seus limites nela própria, no seu caráter positivo mas também finito; é o projeto que tomamos como nosso que nos ilumina e dá sentido à situação, mas reciprocamente só há uma forma de a ultrapassar, ou seja, de a compreender; é que o projeto somos nós próprios, é sob a sua luz que a nossa relação com o mundo se determina; as finalidades e os meios parecem refletir simultaneamente a nossos olhos a hostilidade das coisas e o nosso próprio fim; como se pode então considerar “sem freio” esta liberdade que só se pode fundamentar nos seus próprios pensamentos? Para Sartre, Camus, que rejeita que o homem possa “exigir” um sentido, uma vez que não é livre, confunde, como tantos outros, o filosófico com o político, nem sequer entendendo o pensamento de 1789, muito mais preciso do que o seu, de que o limite dum direito (ou seja de uma liberdade) é um outro direito (ou seja ainda uma liberdade) e não uma qualquer “natureza humana”. Até porque a “natureza” pode reduzir o homem ao estado de objeto para outro homem, precisamente porque é livre, o homem é o ser pelo qual o homem se pode converter em objeto, o que permite compreender a opressão. Senão para quê uma liberdade paradisíaca que logo se transformaria em grilhetas? A nossa liberdade de hoje só tem sentido como livre escolha para nos tornarmos livres mais adiante e se isto parece uma paródia é porque esta é a paródia da condição humana. Não se trata de enjaular os contemporâneos, porque eles já estão na jaula, trata-se de nos unirmos para rebentar com as grades. Se Camus quiser de verdade impedir que um movimento popular degenere em tirania, não pode começar por condená-lo sem fundamentos e por ameaçar com o seu retiro para o deserto, tanto mais que os seus desertos não são também mais do que partes menos frequentadas das nossas jaulas.

Pelo contrário, para obter o direito de influir nos homens que lutam, antes de tudo há que participar nos seus combates e aceitar muitas coisas, caso se pretenda mudar algumas. Há mais em torno da relação do pensamento de cada um com a história, mas os dados estavam mais do que lançados, para todos nós, as cartas estavam na mesa. A partir daqui o significado das obras e dos atos de Camus ou de Sartre, ganhavam para nós, ou melhor para cada um de nós, outro significado. Percebia-se porque o Furação sobre Cuba que por ali circulara há uns anos era do Sartre e não do Camus. Peças como As Mãos sujas colocavam problemáticas que tinham agora um significado muito mais concreto. O mesmo se diria, em outro sentido, da solidão de Meursault em O Estrangeiro, da glosa permanente sobre o absurdo, da felicidade de Sísifo... Embora se intuísse a necessidade da tensão entre os pontos de vista dos dois pensadores, percebia-se a que levaria cada um deles. Se o homem, por via da luta de classes, avança na revolução para o derrube da sociedade capitalista e para a criação de outro tipo de sociedade (seja isso o que for) ou se, pelo contrário, o homem terá como dever a busca da sua própria felicidade que obterá através da revolta permanente contra a sua condição humana, agindo ou não agindo em conformidade (seja lá isso também o que for). Mas depois desta equação, pelo menos à partida, já nem foi possível aceitar fáceis sentidos da vida imaginando a nova sociedade sem a intuição de novas exigências, nem foi possível imaginar a felicidade do homem absurdo escondido da história em qualquer deserto... Tanto mais que no Sartre que nos surge ao rondar de 66 e 67, o início dos anos 50 em que se desenrolou o debate chega apenas num eco distantíssimo e os anos que se podem considerar, embora com pouco rigor e muito exagero, como de Sartre enquanto compagnon de route do PCF, tinham terminado há muito, não só por causa do apoio total do filósofo à luta de libertação nacional argelina contra “o colonialismo anacrónico” e da defesa sartriana de uma política exterior de neutralidade em relação aos dois blocos, como sobretudo, já há bastantes anos, por causa dos acontecimentos brutais da Hungria, no Outono de 1956, três anos após a morte de Estaline, com os tanques soviéticos a esmagarem a insurreição húngara e, concomitantemente, o mito da identidade do partido comunista e do proletariado. É este Sartre muito longínquo do da guerra da Coreia e do que declarava não querer fazer coro com a burguesia de 1950, agora já claramente anti-soviético (passe a expressão, uma vez que a URSS de soviética tinha muito pouco, antes pelo contrário) desde a Hungria de 1956, mas pró-cubano desde a viagem à ilha de 1960, expressão política de um diálogo cada vez mais osmótico com um marxismo originário sempre revificado pelo voluntarismo da liberdade sartriana em busca de um mundo a transformar, confiante no rumo da história feita pelo proletariado e pelos povos, que nos chega àquela tertúlia que se juntava junto à praia, nesta fase avançada da década de 60... com a guerra da Argélia ecoando de um fundo distante... In Memórias (em preparação)

De acordo com a vontade do autor este texto respeita o Acordo Ortográfico.


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Michel Reis

DIPLOMACIA CULTURAL É UMA QUESTÃO DE EMPENHO “VÉNUS” DE BOTTICELLI EM HONG KONG

U

M DOS tesouros nacionais de Itália – a obra “Vénus” do mestre renascentista florentino Sandro Botticelli – está em exibição no Museu e Galeria de Arte da Universidade de Hong Kong (UMAG) desde o dia 18 de Outubro até ao dia 15 de Dezembro, das 9:30 às 18 horas, de Segunda a Sábado e das 13:00 às 18:00 ao Domingo (90 Bonham Road, Pokfulam, Hong Kong). Esta mostra, integrada nas comemorações do 60º aniversário do Museu e Galeria, resulta de uma colaboração entre o Consulado Geral de Itália em Hong Kong e Macau, o Instituto Cultural Italiano e a UMAG. A exposição conta ainda com o generoso apoio da Sra Pansy Ho. A entrada é livre. Contando-se entre as obras-primas de Botticelli (1445-1510), “Vénus” (c. 1482), uma pintura em têmpera cuidadosamente executada sobre madeira (177cm x 71cm), é uma imagem icónica da elevada realização artística da Renascença, exemplificando os valores estilistas e humanistas pelos quais este período é glorificado. A obra integra uma série de pinturas da deusa romana, como “O Nascimento de Vénus” e “Marte e Vénus”, uma das pinturas mais preciosas da Alta Renascença, um período de renascimento da Antiguidade, em que as obras de arte eram caracterizadas pelo domínio da técnica e composição heróica, para além do citado conteúdo humanista. A pintura está habitualmente patente na Galleria Sabauda em Turim, e retrata a deusa nua como um símbolo de amor, beleza, fertilidade e prosperidade na mitologia greco-romana, personificando a forma artística ideal ao dar luz à verosimilhança e beleza da condição humana.

Pouco se sabe sobre Alessandro di Mariano Filipepi, nascido em meados da década de 1440. Alcunhado “Botticelli” nome que deriva da palavra “botticello” que significa “pequena pipa de vinho”). O talento precoce do jovem foi, por sorte, reconhecido e Alessandro foi tirado da escola e enviado para trabalhar como aprendiz de ourives, antes de ingressar no estúdio do aclamado mestre pintor Fra Filippo Lippi. Iniciou a sua carreira a pintar frescos em igrejas e catedrais florentinas e trabalhou ainda com o pintor e gravador Antonnio del Pollaiuolo. Em 1470 já tinha a sua oficina. A aprendizagem com Fra Filippo proporcionou-lhe excelentes contactos, pois o seu mestre gozava da protecção de algumas das principais famílias florentinas, tais como os famosos Medici, para quem passou a maior parte da sua vida a trabalhar, assim como para o seu círculo de amigos e para quem pintou algumas das suas mais ambiciosas pinturas seculares tais como “Primavera”. Tal era a sua reputação que, em 1481, foi chamado pelo Papa a Roma para ajudar a decorar as paredes da recentemente completada Capela Sistina no Vaticano, sendo responsável por frescos retratando cenas da vida de Moisés e “As Tentações de Cristo”, assim como por vários retratos papais. A natureza desta tarefa demonstra a elevada consideração em que era tido na época. Um ano depois, regressou a Florença para prosseguir com a etapa mais prolífica da sua carreira, durante a qual produziu as suas famosas obras mitológicas, como “O Nascimento de Vénus” e “Vénus e Marte”. Nos últimos 15 anos de vida, o trabalho de Botticelli parece ter atravessado uma crise de estilo e expressão. A


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Ring Joid

década de 1490 foi turbulenta; os Medici tinham sido expulsos de Florença e a paz italiana perturbada pela invasão e por pragas. Botticelli rejeitou o charme ornamental das suas obras iniciais a favor de uma abordagem mais simplista que parecia, em contraste, grosseira e desajeitada. Estas pinturas mais tardias, com conotações morais e religiosas profundas, sofreram também comparações com a estética sofisticada de artistas como Michelangelo e Rafael. Segundo Vasari, um pintor e arquitecto contemporâneo de Botticelli, nos últimos anos de vida, o sentimento pio das suas obras parece sugerir algum envolvimento nas revoltas religiosas e políticas que ocorreram em Floren-

A MECENAS DA EXPOSIÇÃO, PANSY HO, DIZ QUE PARA ALÉM DE DAR MAIS UMA OPORTUNIDADE AO PÚBLICO DE APRECIAR A MAGNÍFICA CULTURA ARTÍSTICA ITALIANA, A EXPOSIÇÃO CONSOLIDA HONG KONG COMO UM LOCAL ONDE A GLOBALMENTE INFLUENTE ARTE EUROPEIA É APRECIADA E ESTUDADA E AJUDA A REFORÇAR A IMAGEM DA CIDADE NO PANORAMA ARTÍSTICO GLOBAL.

ça na época. “Natividade Mística” é a mais ambiciosa pintura deste período e reflecte este sentimento de pressentimento apocalíptico. Sugere ainda que à medida que o seu trabalho caiu em desgraça, Botticelli foi acometido de melancolia e depressão, tendo os últimos anos de vida do pintor sido marcados pela pobreza, pelo isolamento e pela angústia. Após a sua morte, o seu nome foi esquecido até ao final do séc. XIX, quando surgiu uma apreciação crescente pelas artes e cultura florentinas que provocou um interesse renovado na sua obra. A UMAG concebeu à volta desta verdadeira sensação um programa extenso de sensibilização do público em Hong Kong, que inclui palestras, workshops e seminários, para além de cursos, em colaboração com académicos italianos do departamento de Belas-Artes da HKU. Segundo o Director da UMAG, Florian Knothe, “a apresentação desta obra-prima ímpar aqui em Hong Kong visa comunicar os valores culturais e filantrópicos e artísticos da Renascença. É a primeira vez que esta pintura é exibida em Hong Kong e acredito ser a primeira vez que uma pintura original da Renascença é exibida em público aqui”. A Cônsul-geral da Itália em Hong Kong e Macau, Alessandra Schiavo, que propôs esta iniciativa, refere que “esta magnífica exposição… permite ao público em geral familiarizar-se e apreciar em primeira mão as ricas raízes culturais italianas. Esta obra é não apenas uma oferta intemporal e bela à humanidade, mas também o culminar dos ideais italianos da Renascença que estiveram na base do ressurgimento económico de todo o continente europeu”. A mecenas da exposição, Pansy Ho, diz que para além de dar mais uma oportunidade ao público de apreciar a magnífica cultura artística italiana, a exposição consolida Hong Kong como um local onde a globalmente influente arte europeia é apreciada e estudada e ajuda a reforçar a imagem da cidade no panorama artístico global. Em Janeiro deste ano, a pintura de Botticelli “Virgem e Menino com o Jovem S. João Baptista”, foi vendida por 10,4 milhões de dólares americanos a um licitador anónimo na Christie’s em Nova Iorque, estabelecendo um recorde para o artista em leilão e coroando uma digressão mundial da obra que teve início no ano passado e que incluiu uma exibição privada em Hong Kong em Novembro.

EUFURIBUNDO O

UVI a voz pela primeira vez quando me debruçava sobre um velho a quem estava a dar uma esmola. Dizia: “Queres ser imortal?” Olhei para os lados, não havia mais ninguém. Olhei para a figura aos meus pés, quase esvaída de vida e impressionei-me. Dizia: “Queres ou não queres?” “Como assim?”, respondi-lhe. “Imortal, viver para sempre, nunca morrer…” A voz vinha de uma boca que não se abria, vinha de um sentido que era impossível determinar. Mas lá estava, nos meus ouvidos. Como um eco de um pequeno pesadelo. “Quem não quer?”, disse-lhe. “Mas há uma coisa”, continuou. Debrucei-me novamente e observei bem aquela figura. Esguia. Um tronco perdido na brisa do vento. Esquecido. Sem se saber se era macho ou fémea. Cabelos desgrenhados, uns olhos fugidos. E umas vestes negras, como um saco de plástico, para levar o lixo. Como se toda aquela figura, na sua forma, na impossibilidade de existir, estivesse no fundo a gozar comigo. Ou a elogiar-me. “Tens de ficar enfermo…” e repetiu de novo: “Tens de ficar enfermo!” Só que eu não percebi bem. Pensei noutra palavra, como se tudo aquilo fosse mal traduzido. E disse: “Furibundo? Tenho de ficar furibundo para ser imortal, é isso?” “Ajuda-me a levantar”, ouvi, num ínfimo de súplica. E eu peguei nele – quase que não existia – e ajudei-o a levantar-se. Um saco de lixo. Em pé não se percebia bem que altura era aquela. Se era alto, se era baixo. Se era, por fim. A sua existência era toda uma coisa má de se ver, porque não se podia distinguir. Dos outros. Do resto dos outros. E eu achei que estava a delirar. Não era possível acreditar naquela realidade. “Põe-me ali no meio da estrada onde passam os autocarros”. Da sua boca parecia sair o uivo de uma expressão remota de um filme muito antigo, quando ainda nem existiam filmes. Primeiro o som, depois a imagem cheia de atraso. Séculos. E não se compreendia de onde vinha o som

nem a imagem. “Para ali?”, perguntei. “Sim, leva-me até ali, para o meio do alcatrão, arrasta-me se for preciso”. E levei-o. Ao colo. Peguei nele ao colo e levei-o. Ele anichou-se um pouco a mim, como um bebé. E fez-me lembrar quando peguei pela primeira vez no meu primeiro bebé. “Agora podes deixar-me. Deixa-me aqui!”, um zumbindo de gente era tudo o que se podia percepcionar. Sem qualquer vestígio de alma. Lá ao fundo, a trezentos metros, um trânsito intenso a aguardar no semáforo vermelho. Autocarros de dois andares e de três, eléctricos, a gasóleo ou a que fosse. A restos de óleos do jantar! E em quatro segundos a avançarem para o precipício do vulto que tinha deixado no meio da avenida. Que não via nem olhava. Porque não tinha por onde ver nem olhar. E por isso não era visto. Mas mirava de soslaio na minha direcção. A troçar de mim. “Queres ser imortal?”, parecia ainda balbuciar. Quando os autocarros deixaram de passar. E já era noite cerrada, porque muitos foram aqueles que passaram. Ainda restava alguma coisa dele – ou dela. Os cabelos desgrenhados. Uma dentadura com dois dentes. Um olho aqui, outro ali. E o saco sem asas a voar ao vento. Mas ainda a voz. “Tens de ficar enfermo!” Quando me ia embora, ouvi: “Pega em mim. Pega em mim e põe-me dentro do saco.” Corri um pouco, saltei para cima de um banco de jardim e apanhei o fim ou o princípio do plástico. Sim, recolhi os restos. Uma orelha na sarjeta, dois dedos levados por um cão. Um sapato com um pé lá dentro, já cheio de formigas. E a voz: “Deixame onde me encontraste.” Aí percebi o que era ser imortal. E não furibundo. E não enfermo. Voltar ao início, ao ponto de partida. E não fiz o que me pediu. Outros ouvidos iriam passar.

Ring Joid é o pseudónimo literário de António Falcão


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DESPORTO

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WUSHU SELECÇÃO PORTUGUESA CONSEGUE DOIS LUGARES NO TOP10 DOS MELHORES DO MUNDO

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

A

selecção portuguesa de Wushu marcou presença no 12.º Campeonato do Mundo de Wushu, na Malásia. A equipa nacional – constituída por três atletas - conseguiu dois lugares no top dez dos melhores do mundo. Gonçalo Pinto e Pedro Santos, os dois portugueses a competir na vertente de Sanda (combate), alcançaram uma oitava posição cada um, num campeonato que contou com mais de 1500 atletas de 80 países e territórios. Na categoria de Sanda – 65kg, e depois de perder mais de seis quilos para poder competir, Gonçalo Pinto conseguiu chegar aos quartos de final, onde perdeu frente à Coreia. O atleta português venceu primeiramente o Sri Lanka e saiu, posteriormente, vencedor frente à Ucrânia. Esta não é a primeira vez que o atleta representa Portugal, tendo conseguido já lugares no pó-

Eles querem mais

dio, mas Gonçalo Pinto quer mais. “Estou contente com a minha prestação, apesar de estar um pouco frustrado porque estive muito próximo das medalhas”, disse ao HM.

“Mas, agora, o que quero é treinar para chegar ao pódio já no próximo.” Em estreia, esteve Pedro Santos. O português que competiu também na versão

de combate do Wushu venceu frente a Hong Kong, mas o Vietname fez o atleta ficar-se pelo oitavo lugar. À semelhança do presidente da Federação Portuguesa de Artes Marciais

Chinesas – e líder da comitiva – PauloAraújo, também Pedro Santos considerou as “vitórias difíceis, mas saborosas”. “Acho que estive bem, mas quero mais”, disse ao HM. “Foi a minha primeira prova internacional - logo no mundial - e adorei. Nunca pensei que o mundial fosse assim, com esta qualidade. O nível dos atletas surpreendeu-me bastante, todos lutam pela medalha, são todos muito bons.” O único atleta a competir na categoria de Taolou (formas) foi Rodolfo Torres. O português – que esteve em Macau, no ano passado, a representar Portugal no Campeonato Mundial de Juniores – competiu em três provas. Rodolfo Torres conseguiu um 41.º lugar com Daoshu (espada), um 43.º na prova de Gunshu (bastão) – onde o atleta de Macau, Jia Rui ficou em primeiro lugar – e um 54.º lugar com a forma de Chang Chuan (punhos do norte). A participação de Rodolfo no campeonato da Malásia foi acompanhada de uma estreia. “Os meus objectivos foram conseguidos. Esta foi a minha

primeira prova como sénior e sei que tenho que melhorar bastante. Mas foi uma prova que me deixou contente”, frisou ao HM. Para o já veterano seleccionador nacional, José Machado, a prestação da comitiva portuguesa deixou satisfação. Além dos bons resultados, disse o seleccionador ao HM, o espírito de equipa é também de apontar.Agora, é melhorar. “É
nestes grandes eventos que podemos evoluir e no meio dos melhores que podemos apreender e fazer crescer o nível nacional. Espero que todos continuem a treinar como até aqui, para continuarem a merecer a confiança de [Portugal].” Paulo Araújo, presidente da FPAMC, frisou que a evolução da qualidade dos atletas portugueses é fruto das formações constantes que a federação tem dado e do empenho dos treinadores nacionais. Para o presidente, e mestre de artes marciais chinesas, a concentração está agora na preparação para os Jogos da Lusofonia, na Índia.

SEPARAÇÃO ENTRE CIPRIOTAS GREGOS E TURCOS DURA HÁ DÉCADAS

Chipre a caminho da reunificação futebolística P OR enquanto a cautela impera, mas olhando de que perspectiva seja, o acordo assinado entre as associações de futebol da República de Chipre (CFA) e da República Turca de Chipre do Norte (CTFA) é histórico. As conversações com vista a colocar um ponto final em décadas de afastamento entre os dois organismos duravam há largos meses, tendo culminado num entendimento provisório, patrocinado pela FIFA e UEFA. O documento estabelece os princípios para a reunificação do futebol cipriota, com a integração da CTFA na CFA. “É um dia histórico para o futebol de Chipre mas também para o povo cipriota. Após 60 anos de separação, é agora possível voltar a unir o futebol”,

sublinhou o presidente da CFA, Costakis Koutsokoumnis. A divisão política da ilha dura há várias décadas. A tensão entre cipriotas gregos e cipriotas turcos desencadeou incidentes violentos em 1963 na capital Nicósia, que nem a intervenção de uma missão da ONU travou. Em 1974 deu-se o afastamento, na sequência de uma intervenção militar da Turquia no Norte, depois de um golpe de Estado de nacionalistas cipriotas gregos, apoiados por Atenas. A República Turca de Chipre do Norte foi autoproclamada em 1983, tendo sido reconhecida apenas pela Turquia. Mas, nos relvados, a tensão já vinha de trás. A divisão entre equipas gregas e turcas remonta a 1955, ainda antes de Chipre se

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA

tornar independente do Reino Unido. Nesse ano foi criada a CTFA e, com ela, um campeonato cipriota turco. Um dos emblemas que integrou a nova prova foi o Çetinkaya, que resiste até aos nossos dias como o único clube a ser campeão e vencer a Taça antes da divisão e depois dela, no Norte. Houve implicações para outros clubes, como por exemplo o Anorthosis Famagusta (clube cipriota grego actualmente treinado pelo português Jorge Costa), que teve de deixar a cidade-natal, na parte Norte, e mudar-se para Larnaca. Apenas a CFA, fundada em 1934, faz parte da FIFA. A CTFA não tem existência formal e, sem acesso a jogos oficiais, limita-se

a participar em competições não oficiais, como o VIVA World Cup (o principal torneio para territórios não reconhecidos). Estreou-se na mais recente edição do torneio, em 2012, tendo chegado à final – onde foi derrotada pelo anfitrião Curdistão Iraquiano. Só que, à luz do acordo agora assinado, isso poderá ter de acabar. Num texto publicado no seu blogue, o jornalista inglês Steve Menary, que se dedica a escrever sobre o futebol fora da esfera da FIFA, considerou que a participação da República Turca de Chipre do Norte em provas deste género “poderá perturbar um entendimento que levou bastante tempo a ser obtido”. E acrescentou que a aproximação

registada entre os dois blocos “poderá seguramente beneficiar os futebolistas de todas as comunidades no Norte, bem mais do que a noção de ‘equipa nacional’ alguma vez beneficiará.” De um e outro lados, os tempos são de cautela – e esperança. Turan Altay, treinador do Çetinkaya, resumiu: “Os [cipriotas] gregos estão só a uns minutos e não podemos jogar contra eles. É uma loucura, mas é a triste realidade. As conversações para a reunificação representam a maior oportunidade para o futebol no Norte desde que me lembro. Esperámos muito tempo e não tinha a certeza de que este dia chegasse. Mesmo o mais pequeno avanço representa um passo gigante.”

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111 RECEITAS DE COZINHA CHINESA • A.M.S.

Com este “111 Receitas de cozinha chinesa” da Europa-América, podemos agora confeccionar nós próprios os pratos orientais mais saborosos, saudáveis e fascinantes. São muitas as sugestões de sopas, pratos de peixe, vegetais, carnes, aves, arroz, massas e ainda sobremesas. Repletos de sabor e cor são certamente a sopa de rebentos de bambu, pimenta verde e gengibre, os camarões com ervilhas, a perna de carneiro com cebola e alho francês, as asas de galinha à Xangai ou a laranja mandarim.

TRÊS CANTOS

Encontro histórico» entre José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto. “Três Cantos” é o espectáculo comum que os três músicos apresentaram no Campo Pequeno de Lisboa e no Coliseu do Porto.


FUTILIDADES

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TEMPO

Cineteatro

C H U VA

FRACA

MIN

23

MAX

30

HUM

70-95%

CINEMA

•

EURO

10.6

BAHT

0.2

YUAN

21

1.3

HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

THOR: THE DARK WORLD [3D] [B] SALA 1

ENDER’S GAME [B]

Um filme de: Alan Taylor Com: Natalie Portman, Anthony Hopkins 19.30

Um filme de: Gavin Hood Com: Hailee Steinfeld, Ben Kingsley, Viola Davis, Abigail Breslin 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

SALA 3

SALA 2

(FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Shinsuke Sato Com: Junichi Okada, Fukushi Sota, Eikura Nana 21.30

THOR: THE DARK WORLD [B] Um filme de: Alan Taylor Com: Natalie Portman, Anthony Hopkins 14.30, 16.30, 21.30

Cálamo-aromático

A PERFECT MAN [C]

Um filme de: Kees van Oostrum Com: Jeanne Tripplehorn, Liev Schreiber 14.30, 16.15, 18.00, 19.45

LIBRARY WARS [C]

Nome botânico: Acorus calamus L. Família: Araceae Nomes populares: Ácoro-cheiroso; Ácoro-verdadeiro; Cálamo; Cana-cheirosa; Cana-de-cheiro. O Cálamo-aromático é uma planta aquática que pode atingir 1,50 metros de altura, de folhas estreitas e compridas em forma de lança; as flores, que raramente apresenta, são hermafroditas e muito pequenas, reunindo-se numa inflorescência em forma de espiga cilíndrica. Cresce nas margens das lagoas, rios e pântanos da Ásia, de onde é originário, e de quase toda a Europa e América do Norte. É igualmente cultivado. Foi usado como incenso nos templos dos sumérios e pelos egípcios, tendo sido encontrados vestígios da planta no túmulo de Tutankhamon. No século XIII, foi introduzido na Europa pelos Tártaros, que o utilizavam para desinfetar a água que bebiam. Atualmente usa-se para aromatizar diversos licores digestivos e em perfumaria. Os rizomas, que integram a medicina ayurvédica, chinesa e outros sistemas médicos tradicionais, são um reputado remédio para o estômago desde a Antiguidade. Também se usam como condimento, principalmente na Indonésia.

Chinês processa mulher por ter tido um filho «feio» e ganha batalha judicial • Um chinês pediu o divórcio e, em seguida, processou a ex-mulher por dar à luz aquilo que ele considera ser «um bebé extremamente feio», avança o «The Huffington Post». Inicialmente, Jian Feng acusou a mãe da criança de infidelidade por achar impossível ser pai de um bebé feio. No entanto, depois de efetuar o teste de ADN, a ex-mulher de Jian confessou-lhe que antes de se conhecerem tinha gastado uma pequena fortuna em cirurgias estéticas na Coreia do Sul. Foi então que o chinês decidiu processar a ex-mulher por esta o ter enganado, fazendo-o acreditar que a sua beleza era natural. O tribunal concordou e condenou a mulher a pagar 120 mil dólares.

COMPOSIÇÃO Óleo essencial e princípios amargos a que se devem as suas propriedades medicinais; hidratos de carbono, taninos, heterósidos, colina, mucilagens, bases orgânicas, resina e um alcaloide. Aroma fragante, lembrando o da Tangerina, sabor amargo e picante.

Jovem brasileira volta a leiloar virgindade • Catarina Migliorini, a brasileira que ficou conhecida em todo o mundo por ter leiloado a sua virgindade, diz que ainda não teve a sua «primeira vez» e prepara-se agora para organizar um novo leilão no Brasil. «O primeiro leilão não correu bem», explicou a jovem ao «Globo». Alegando desentendimentos com o realizador do documentário «Virgins Wanted», Catarina, que tinha leiloado a sua virginidade por 600 mil euros, decidiu agora fazer um novo leilão por sua conta. Para tal, está a trabalhar num site que se chamará «Virgins wanted 2» e até já criou um canal no Youtube, onde tem publicado vídeos sobre a sua vida. Esta será mais uma tentativa de lucrar com «a sua primeira vez».

MISS UNIVERSO É VENEZUELANA E QUER PAZ EM TODO LADO Gabriela Isler foi eleita Miss Universo 2013, por razões óbvias. Só que, originalmente, no momento em que discursou, garantiu que detesta ver criancinhas com fome e gostava que a paz reinasse no mundo. Ora toma!

fonte da inveja

Quanto mais Fringe, mais se restringe...

João Corvo

AÇÃO TERAPÊUTICA O Cálamo é considerado um amargo aromático, ou seja, as suas principais propriedades devem-se aos princípios ativos que lhe conferem o sabor e aroma. Assim, é de realçar o seu efeito estimulante sobre o apetite e a digestão, aumentando a secreção gástrica e tonificando o funcionamento do estômago, o combate aos espasmos e a eliminação de gases do tubo digestivo. É uma planta muito útil na falta de apetite, mesmo nas crianças pequenas, sendo especialmente indicada em casos de magreza ou anorexia nervosa; é ainda utilizado nas náuseas, vómitos, digestões difíceis ou pesadas, inclusive no idoso, escassez de suco gástrico, gastrite crónica,

flatulência e cólicas gastrintestinais. O Cálamo tem ação antibiótica e desinfetante sobre as vias respiratórias, facilita a eliminação da expetoração, aumenta a sudação favorecendo a descida da febre e, simultaneamente, fortalece o organismo aumentando a resistência às infeções. Tradicionalmente, tem sido usado nas afeções das vias respiratórias como catarro e tosse, sinusite, faringite, gripe, bronquite e asma. Pela sua ação diurética é igualmente usado na inflamação da bexiga e vias urinárias, retenção de líquidos, hipertensão arterial e gota. OUTRAS PROPRIEDADES Externamente pode ser utilizado na ansiedade, nervosismo e dificuldade em conciliar o sono, pelo seu efeito sedativo sobre o sistema nervoso (em banhos de imersão e uso interno); nas dores musculares, articulares e nevralgias, pela sua ação calmante da dor e relaxante muscular (em compressas ou banhos de imersão quentes); e nas erupções cutâneas e urticária, acalmando o prurido e suavizando a pele (em banhos de imersão). COMO TOMAR • Uso interno Cozimento ou infusão dos rizomas: 1 colher de sobremesa por chávena de água. Tomar 2 ou 3 chávenas por dia, sem adoçar. Na falta de apetite tomar antes das refeições, como digestivo tomar depois. Em tintura, xarope e pastilhas, encontrando-se em fórmulas para as perturbações digestivas. Fatias tenras dos rizomas podem ser cristalizadas e usadas como remédio (Gengibre alemão). O rizoma finamente cortado pode ser adicionado, como aromatizante, a compotas de Pera ou Maçã. • Uso externo Cozimento dos rizomas: 200 g por litro de água. Adicionar à água do banho ou aplicar em compressas. PRECAUÇÕES O Cálamo-aromático não deve ser usado durante a gravidez e amamentação. Devido ao óleo essencial, doses elevadas são neurotóxicas provocando alucinações. As doses devem ser respeitadas e o tratamento não deve exceder um mês. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


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OPINIÃO

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HUGO PINTO

I Nesta página, escreve-se sobre música e o resto, esses interlúdios entre discos. Por vezes, os intervalos que separam os sons são feitos de silêncio. Quando não há tanta sorte, o resto é ruído. II Na última sexta-feira, em Berlim, o jornalista angolano Rafael Marques recebeu o “Integrity Award”, prémio atribuído pela Transparency International. A organização que promove o combate à corrupção em todo o mundo justifica a distinção com o “trabalho incansável e corajoso na investigação e denúncia de casos de corrupção em Angola”. Rafael Marques é um herói. Por causa do que ousou escrever esteve preso várias vezes. A primeira foi em 1999. Rafael recorda-se bem desse dia em que os verdugos do regime foram a sua casa: “Tinha sete armas apontadas contra mim, inclusive uma pistola nas têmporas”, conta à Deutsche Welle. Contra o jornalista correm actualmente 11 queixas-crime apresentadas pelos que ele denunciou como corruptos. Rafael Marques não treme: “Não tenho medo desses generais porque estou a provar que eles são tão falíveis quanto os outros cidadãos e que terão que responder, tarde ou cedo, pelos seus crimes. Hoje sou eu a responder, mas amanhã serão eles”. Na hora de receber o prémio, Rafael Marques dedicou-o ao compatriota Nito Alves, de 17 anos, detido no dia 12 de Setembro (mandado aguardar julgamento em liberdade, no passado fim-de-semana) por imprimir T-shirts com a fotografia de José Eduardo dos Santos e as palavras “ditador” e “nojento”. Outro vencedor do “Integrity Award” deste ano: o jornalista chinês Luo Changping, “pela sua coragem

O

nosso amigo dr. Albano Martins tem uma confessa predilecção por animais, o que, olhando à volta, é geralmente compreensível. Aqui há uns tempos, não gostou de uns comentários que, a respeito das bestas, foram feitos na televisão e insurgiu-se com valentia na defesa dos quadrúpedes, talvez com demasiada veemência – como ele próprio reconheceu, num exercício de carácter e hombridade muito raro hoje em dia. Também por isso escusei-me a comentar o bombardeamento então efectuado. Só que, na sexta-feira passada, resolveu alargar a sua defesa ao universo dos bípedes e aí a cousa grunhe mais fino. E, espanto dos espantos, o alvo escolhido foram... os jornalistas ou aquilo a que ele chama o “estilo Correio da Manhã”. Ora como entendo que, ao contrário dos quadrúpedes, as bestas bípedes merecem menos consideração, sobretudo quando se trata de políticos, desta vez não posso deixar de tecer alguns comentários à sua prosa escanchada. Diz pois o dr. Albano tratar-se de sensacionalismo ou mesmo de uma linguagem menos própria quando este jornal mandou estudar o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros por ter chamado

E o resto é ruído ao denunciar a corrupção de um alto oficial do governo chinês”, que, em consequência, veio a ser expulso do Partido Comunista. Diz a Transparency International: “Os dois vencedores representam tudo aquilo por que o nosso movimento global luta, nos nossos esforços para pôr um fim aos abusos de poder, negócios escuros e subornos”. É difícil imaginar uma luta mais desigual. III O discurso político, mas também a sua prática, raramente estão de acordo com a realidade, vivendo antes num universo paralelo distante e dissonante. Cada vez mais desafinada a banda, por todo o lado, as pessoas fartaram-se dos políticos que têm e estão ansiosas de ver outros nos seus (deles, políticos) lugares. A ansiedade que todos encurrala entre o medo e a expectativa cedo se transforma na depressão. Segue-se o desespero. É a explicação mais benevolente que encontro para a elevação súbita de Russell Brand a arauto da próxima revolução. Que propõe o multimilionário apresentador/comediante/ actor e consumidor de mais laca do que a rainha de Inglaterra? Não votem. Claro que a estrela de “Get Him to the Greek” elabora com prosápia. Russell é um “profissional da comunicação”, especialista em “dizer coisas” com segurança, rapidez e gravidade. Gil Scott-Heron não estava armado em profeta quando disse que “the revolution will not be televised”. Estava a implorar.

próximo oriente ódio e da opressão, esta geração, partindo das suas amargas inquietudes, teve que restaurar um módico do que constitui a dignidade de viver e de morrer.” Há coisas que nunca mudam. “É preciso imaginar Sísifo feliz”. Se não, resta-nos o quê?

IV Muito mal terá andado a Igreja nos últimos dois mil anos para o mundo se espantar com um Papa que se comporta como um católico. Francisco dispensa o ouro e o luxo do Vaticano, defende os mais pobres e os marginalizados, lava os pés de prisioneiros, diz abertamente que nem ele pode julgar os outros, homossexuais ou divorciados, e beija doentes desfigurados. Por uma vez, que “humano, demasiado humano” seja uma virtude. V Se fosse vivo, Albert Camus teria feito 100 anos no passado dia 7. Parece que em França (onde passou a maior parte da vida) e na Argélia (onde nasceu), pouca atenção foi prestada à efeméride. Ignomínia. Se há pensamento que se mantém à prova do tempo é o do autor de “L’Étranger”. Eis Camus em discurso directo, quando recebeu o Nobel da Literatura, em 1958: “Indubitavelmente, cada geração acredita estar destinada a reformar o mundo. A minha sabe que não o fará, mas a sua missão é talvez de maior importância. Consiste em impedir que o mundo se destrua. Herdeira de uma história corrompida em que se misturam revoluções falhadas, tecnologias enlouquecidas, deuses mortos e ideologias gastas; em que os poderes medíocres, que tudo conseguem destruir, não sabem como convencer; em que a inteligência se humilhou para se colocar ao serviço do

VI “Quinhentos Poemas Chineses”, antologia tornada possível pela editora Livros do Meio e pela Casa de Portugal em Macau, é a devida comemoração de um milagre que dura há cinco séculos – a sobrevivência de uma comunidade oriunda de longe no seio de um império milenar. Não escrevo “milagre” por acaso. Nesta história não falta de inexplicável. Apesar de termos sido pioneiros no estabelecimento de relações entre povos europeus e a China, mantivemos quase intacto ao longo dos tempos um profundo desconhecimento – basta lembrar, por exemplo, que não há uma sinologia portuguesa. Contudo, a ignorância, sempre atrevida e muitas vezes mútua, não resultou em guerra. Os conflitos que ao longo dos tempos foram surgindo nunca abalaram, decisivamente, a paz, mas também é verdade que “harmonia” não é a palavra que melhor descreve uma convivência suportada nos limites de um território exíguo. Os confins sempre foram apertados, mas ao invés de nos aproximarem, terão sido motivo para nos mantermos apartados e fixados em horizontes diferentes, imaginando, talvez, uma outra realidade. Macau é uma ideia. Tem sido. Quimérica. E também aqui nos dividimos. Já não entre imperadores e reis ou mandarins e generais, mas simplesmente entre os que gostam desta terra, respeitando-a por aquilo que foi e é, e os outros.

CARLOS MORAIS JOSÉ

a outra face

O dr. Albano e o amor às bestas “República da China” à “República Popular da China”. Sim, leram bem: Negócios Estrangeiros e não Pescas ou Administração Interna. E isto faz toda a diferença. É que o mínimo que se exige a quem ocupa tal cargo e viaja em representação de Portugal para outro país é que aprenda o nome da terra que visita, ou seja... que estude. Para além disso, devia perceber que o “estilo Correio da Manhã” é inócuo, porque geralmente refere a vida dos “famosos”, das tias, dos tios, das meninas e das meninas, para além de noticiar bravamente o crime e o castigo, distraindo a populaça dos assuntos que lhes tiram e põem o pão na mesa e da categoria das bestas (bípedes) que a governam. Para além disso, aposta também na nudez feminina, normalmente) para arregalar os olhos da populaça. Ora nada disso aqui se passou. O que no Hoje Macau se cultiva é o

estilo directo, sem meias e sem peias, sem paninhos quentes ou tépidos, de quem não tem não receio de apontar o dedo, nem medo de o espetar onde mais dói em quem nos desgoverna, em quem nos envergonha sem pudor, em quem prima pela falta de educação e pela arrogância, enquanto nossos representantes. E comparar um erro de um jornalista (e as consequências dele) aos erros diplomáticos cometidos por Portas e pelas outras travessas quer o acompanhavam, é comparar o incomparável. E por falar em comparações, como se sabe, o dr. Albano é economista e é português. Ora se compararmos as consequências do que os economistas portugueses têm feito ao nosso país nas últimas décadas com os desvarios dos jornalistas, mesmo os do Correio da Manhã... mais palavras para quê?... A triste realidade geme por si

mesma, vítima da genialidade dos homens das contas de bem dividir pelos mesmos e de subtrair a quem mais precisa. Qualquer economista, antes de falar de qualquer outra profissão, deveria pôr a mão na larga testa e pensar 35 vezes. Mas não. O dr. Albano ficou escandalizado pelo modo como tratámos quem chegou sistematicamente atrasado a todos os encontros oficiais que tinha marcados em Macau com as autoridades chinesas (não, não foi só à recepção do Bela Vista), quem cometeu gafes atrás de gafes; eriçaram-se-lhe os cabelos por fielmente citarmos a opinião de membros da comunidade, enfim, por fazermos o nosso trabalho, sem metáforas brandas nem conversas moles, chamando as bestas pelos nomes. Não gosta do estilo, prefere meiguices. Sobretudo, gosta de animais de coleira e de trela. Aqui não há desses, meu caro dr. Albano, aqui não...


opinião 23

hoje macau segunda-feira 11.11.2013

N

DAVID CHAN* legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.yahoo.com/legalpublications

O dia 22 de Outubro de 2013 a manchete do jornal “The Sun”, de Hong Kong, relatava que 75% da população de Hong Kong gostaria de fazer amor em hotéis, automóveis e em matas ou bosques. O jornal “Ming Pao” deu uma notícia semelhante, no mesmo dia. O conteúdo destas notícias foi feito a partir de um inquérito da “Family Planning Association of Hong Kong” e da LGBT Hong Kong. LGBT Hong Kong é uma associação que promove a educação sexual em Hong Kong.As duas associações são também os organizadores do “Hong Kong Sex Cultural Festival 2013”. A “Family Planning Association of Hong Kong” e a LGBT Hong Kong conduziram este inquérito entre Março e Agosto de 2013 tendo entrevistado 559 pessoas. Mais de 80% dos entrevistados afirmaram não existir espaço suficiente para fazer amor ou para se masturbar. Uma das razões é porque as casas em Hong Kong são muito pequenas. As pessoas sentem-se oprimidas sexualmente e procuraram outros locais para libertar os instintos sexuais. Os locais mais populares são (ver tabela). O facto de as casas serem pequenas não é a única razão para a escolha de outros locais para fazer amor ou para se masturbar. Eis outras razões: a. Mais divertido e mais estimulante b. Satisfação imediata do desejo c. Evitar fazer amor ou masturbar-se em frente dum membro da família O presidente da LGBT Hong Kong, Lai, disse que fazer amor num local secreto pode anular a insipidez do sexo. Fazer amor num local escondido pode ser uma forma de satisfazer o desejo sexual. Como é que se descobrem espaços para fazer amor? Quem é que deve resolver este tipo de problema? Os amantes? O governo? São questões a considerar. Antes de avançarmos, olhemos para outra notícia polémica, publicada no dia 14 de Outubro de 2011, no “YouTube”. Esta notícia é um vídeo de uma entrevista a uma rapariga, Lau, estudante universitária na China. No vídeo, Lau defende que os quartos dos estudantes universitários devem ser partilhados por elementos masculinos e femininos. Em defesa da causa, Lau recusou ficar numa residencial, mas ficou num acampamento durante uma semana. Para ela, a questão da moralidade do sexo é irrelevante. Lau sublinhou ainda que se um rapaz estiver na residencial de uma rapariga, esta deve ser punida pela universidade. Notícias semelhantes podem ser vistas em websites. A Universidade de Taiwan University determinou, em 2009, que os estudantes de ambos os sexos podem partilhar a mesma residencial, em defesa do conceito da igualdade de sexos. Como é a situação em Macau? No passado, o East Asia College da Universidade

macau visto de hong kong

Sexo nos dias de hoje Local (os entrevistados podem escolher mais do que um local)

Percentagem de entrevistados

Número de entrevistados

Hotéis

51.3%

287

Hotéis (podem ser alugados por 2 horas ou mais)

31.7%

177

Praias ou piscinas

28.3%

158

Parques

27.2%

152

Parques de estacionamento privados

25.6%

143

Casas de Banho

24.9%

139

Escritórios

21.3%

119

Escolas

20.9%

117

Telhados

18.2%

102

Matas ou bosques

17.9%

100

de Macau permitia que os estudantes de ambos os sexos vivessem no mesmo edifício, mas em andares diferentes, provavelmente porque Macau tem falta de espaços e esta também era uma forma de estimular a comunicação entre os estudantes masculinos e femininos. Mas com a mudança para a Montanha, os sexos voltaram a ficar separados. Em Hong Kong, as residenciais ainda mantêm a separação de sexos nas residenciais universitárias. Os rapazes estão estritamente proibidos de entrar nas residenciais das raparigas. Se tal acontecer a rapariga é castigada pela universidade e pode ser proibida de voltar a entrar na residencial universitária. Estas duas notícias indiciam uma mudança de atitude em relação ao sexo, na sociedade chinesa. No passado o sexo era

cartoon por Stephff

tratado, de acordo com a tradição, como uma coisa secreta entre o marido e a mulher. Isto tem vindo a alterar-se passando de um assunto privado entre marido e mulher, para uma relação casual entre namorados, e actualmente é matéria de discussão pública. Será que o sexo deve ser um assunto entre namorados? Ou entre marido e mulher depois de casados? Ou deverá ser encarado de outras formas? Não é fácil responder a estas questões. Não se pode legislar sobre o comportamento ou a conduta. Mas podemos garantir que o mérito de manter o sexo como uma questão privada entre um casal é assegurar que os filhos são dos mesmos pais e evitar disputas familiares desnecessárias. Concorda que uma rapariga deve ser castigada se um rapaz entrar na sua residencial. Em Hong Kong, existe um contrato

que é a base legal para aplicar uma punição nestas circunstâncias. Por outras palavras, se a rapariga concorda com o contrato que proíbe a entrada de rapazes na residencial, não pode quebrar o contrato, sob pena de ser castigada pela universidade. A lei pouco pode fazer nada nestes casos. E o mesmo acontece em relação à questão do sexo. Provavelmente, só a moral pode lidar com esta questão. Como os valores morais variam de pessoa para pessoa, é difícil de chegar a uma conclusão clara. As duas notícias deste artigo indicam que a mudança de atitude da sociedade, fazem com que valha a pena pensarmos sobre a melhor maneira de lidar com o sexo e a moral. *Professor Associado no Instituto Politécnico de Macau

MAIS CONVERSA

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau segunda-feira 11.11.2013

OITO ESCOLAS LUSO-CHINESAS CELEBRARAM FESTIVIDADE

Um São Martinho sem água-pé, mas bilingue Como juntar as secções de português e chinês de uma só escola que nem sempre comunicam abertamente ao longo do ano lectivo? Uma festa para celebrar o tipicamente português São Martinho pode ser a solução. O pátio da escola primária luso-chinesa da Flora foi pequeno para receber pais, alunos e professores ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Q

UASE que se pode dizer que aquela tarde se transformou na materialização do bilinguismo, alvo de discursos sociais e governamentais. Olhos rasgados rodopiavam no pátio da escola primária luso-chinesa da Flora, enquanto envergavam trajes folclóricos, tipicamente portugueses. O motivo? A celebração da tradicional festa do São Martinho. Pensada para alunos, encarregados de educação e dirigentes educativos, a festa não teve a tradicional água-pé, mas teve castanhas e muitos espectáculos de música e dança em palco, sem esquecer uma entrega de prémios. No total, participaram oito escolas que se dedicam ao ensino em língua portuguesa e chinesa. A Escola Portuguesa de Macau (EPM) foi uma delas. Mas com uma variante: ao invés de levar o seu grupo folclórico, levou apenas jogos tradicionais, que chamaram a atenção de muitos alunos. Elsa Botão Alves, docente, foi a responsável pela coordenação do espaço. “É sempre bom ter estas

experiências”, conta ao HM. “Eles (alunos chineses) gostam muito de participar e oferecem-se para estar aqui. Cada vez estão mais habituados (às actividades culturais portuguesas).” Também da EPM, a aluna Vanessa Silva, de 13 anos, confessa que este foi o segundo ano em que participou na festa. Este ano regressou porque “acha giro comer castanhas e conviver”. Apesar de não ter muitos amigos chineses, Vanessa diz que “gostam muito da festa e de conviverem todos juntos”, e acredita que “deveriam haver ainda mais espectáculos”. Manuel Machado, presidente da direcção da EPM, considera “importantíssimo” a realização de festas daquele tipo, porque simbolizam “a abertura da escola ao meio”. “É fundamental para que as crianças e os adultos possam conviver com as pessoas que utilizam línguas diferentes e com posturas e hábitos diferentes. Isso é extremamente enriquecedor na formação dos jovens.”

O CAMINHO É BILINGUE

Enquanto crianças vestidas com camisolas amarelas e enfeitadas com desenhos de castanhas cantavam em português no palco, o

professor Fernando Margarido era um homem atarefado, vestido com um avental vermelho. Docente do ensino primário da escola primária luso-chinesa da Flora, garantiu ao HM que aquele tipo de festividades é muito importante para juntar duas secções de uma só escola que, por vezes, não comunicam muito entre si. “O nosso projecto educativo é feito para isso mesmo e por isso queremos que haja um melhor intercâmbio cultural. Queremos que as secções portuguesa e chinesa confraternizem mais, e pôr os alunos a participar nestas actividades uns com os outros.” Será que o futuro caminho das escolas se traça cada vez mais em chinês e português? “Não é fácil responder a essa pergunta, embora se aponte para um caminho do bilinguismo. As escolas luso-chinesas são o grande veículo”, aponta Fernando Margarido. As dificuldades práticas, no entanto, persistem. “Há muitas reticências da parte dos alunos em aprender, porque têm dificuldade em falar a língua no dia-a-dia, quer sejam portugueses ou chineses. Só falam a língua na escola.” De uma coisa Fernando Margarido tem a certeza. “Este ano temos mais alunos, e especialmente no ensino pré-escolar cresceu muito. Diria que foi um aumento de 40%, o que é de assinalar, uma vez que até ao ano passado a secção portuguesa tinha vindo a diminuir em termos de alunos no ensino primário.” O aumento deu-se “por várias razões”. A vaga de emigração dos portugueses é uma delas. “Há muita gente nova que chegou a Macau, trouxeram os seus filhos e que nos procuraram.” Depois da entrega dos prémios, que muitos mostravam, satisfeitos, foi a vez de directores de escolas e de responsáveis da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) terem ido visitar as muitas barraquinhas que compunham a festa.


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