Nº 4869 SEGUNDA-FEIRA 11-10-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
MOP$10
hoje macau
ESCOLAS
DICA DE DEPUTADO PÁGINA 2
COVID-19
PÁGINA 3
CASO SANDS
VOZES DE CIMA PÁGINA 4
Águas mil
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TESTES POR ORIGEM
Depois de três dias de chuva ininterrupta e um tufão, Macau prepara-se para outra tempestade que deve começar a afectar o território a meio da semana. As chuvadas intensas resultaram em cheias, deslizamentos de terra e pessoas retidas em veículos. PÁGINA 5
CHINA
POUPAR NO PRATO PÁGINA 9
PORQUE NÃO FUGIU MONTY ANTÓNIO CABRITA
LÁ ATRÁS
VALÉRIO ROMÃO
CASA DE CHÁ LONG WA JOSÉ SIMÕES MORAIS
2 política
11.10.2021 segunda-feira
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Pequim Quarentena para quem chega de Macau Desde o passado sábado que, ao entrar em Pequim, todas as pessoas provenientes de Macau estão obrigadas a cumprir quarentena de 14 dias e um período adicional de “supervisão de saúde” de sete dias. Além disso, serão efectuados testes
de ácido nucleico conforme as “exigências de isolamento centralizado e supervisão de saúde de pessoas que entram em Pequim”. As medidas resultam da ocorrência dos últimos surtos de covid-19 registados em Macau.
TNR Operários preocupados com trabalhadores ilegais
No rescaldo dos novos casos de covid-19 diagnosticados em dois trabalhadores ilegais, o vice-presidente Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), Choi Kam Fu, defendeu que o Governo deve aplicar e rever os regimes legais de combate ao trabalho ilegal. Segundo o jornal Ou Mun, tendo em conta as lacunas do actual regime, o respon-
sável apontou que tem recebido, ao longo do tempo, inúmeras queixas de residentes sobre o tema, relacionados, sobretudo, com o sector da construção. Apontando a importância de dar prioridade ao emprego dos residentes, Choi Kam Fu chamou ainda a atenção para o facto de a taxa de emprego estar a aumentar e de muitos trabalhadores não residentes (TNR) do sudeste asiático, ainda permanecerem em Macau devido à pandemia, apesar de já terem excedido a validade do período permanência. PUB.
Edital (51/FGCL/2021) Nos dos pedidos: 172/2020, 173/2020. 174/2020, 175/2020, 176/2020, 177/2020, 178/2020, 179/2020, 180/2020, 181/2020, 182/2020
Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos pedidos acima referidos,“SOCIEDADE DE PAREDE DE CORTINA HANG LEI (MACAU) LTD”, com sede na Rua da Vitória, nº 6, Edf. Ma Pou, Loja A, R/C, Macau, o seguinte: Relativamente aos 11 ex-trabalhadores (Cheong Heng Cheong, Lei Fong Son, Kou Keong Weng, Ho Chek Hong, Su Jianbin, Tang Chi Fong, Chan Kuong Hoi, Chong Weng San, Leong Fu Lon, Tam Seng Wai e Lei Kuong Mao), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 29 Setembro de 2021, deliberou, nos termos do artigo 6.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa aos extrabalhadores acima referidos, no valor total de $379 396,60 (Trezentas e setenta e nove mil e trezentas e noventa e seis patacas e sessenta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àquelas ex-trabalhadoras, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 30 Setembro de 2021 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong
ESCOLAS KOU KAM FAI DIZ QUE VACINAS PODEM IMPEDIR ENCERRAMENTOS
O antídoto necessário
O deputado nomeado Kou Kam Fai considera que a vacinação de alunos é a chave para impedir que as escolas fechem portas perante novos casos de covid-19. Para o também director da Escola Pui Ching é necessária uma maior adaptação ao ensino online e a adopção de manuais escolares mais próximos dos usados no Interior da China
O
deputado nomeado Kou Kam Fai defendeu na passada sexta-feira que a vacinação dos alunos de Macau contra a covid-19 é a melhor solução para que as escolas do território não tenham de encerrar sempre que se registem surtos comunitários. Durante o programa “Fórum Macau” do canal chinês da TDM-Rádio Macau, o também presidente da Escola Pui Ching vincou que, apesar de não ser ideal, o ensino online é a melhor ferramenta à disposição de docentes e alunos para fazer face ao encerramento das escolas e prosseguir o plano de estudos. Contudo, o responsável aponta que é necessário maior acompanhamento ao nível do processo. “Acredito que as aulas online têm um certo impacto nos alunos. É claro que as aulas presenciais são melhores, mas, para garantir que a aprendizagem continua enquanto as
aulas físicas estão suspensas, não temos outras soluções, só podemos providenciar aulas online. Os Serviços de Educação já lançaram orientações claras a indicar que as aulas online devem ser realizadas de forma adequada e é preciso acompanhar o processo para que os alunos se adaptem a este modo de ensino. Espero que todos os professores, pais e alunos possam comunicar quando precisarem", referiu Kou Kam Fai, citado pela TDM-Rádio Macau. Após agradecer a confiança do Chefe do Executivo pela nomeação para a próxima le-
“É claro que as aulas presenciais são melhores, mas (…) não temos outras soluções.” KOU KAM FAI DEPUTADO
gislatura enquanto deputado, Kou Kam Fai apontou durante a emissão que, das suas frentes de combate farão parte, o desenvolvimento do sector da educação de Macau e a integração na zona da Grande Baía.
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Sobre este último tema, o deputado nomeado defendeu que, dado o previsível aumento de estudantes de Macau a rumar ao Interior da China para estudar, deviam ser adoptados manuais escolares mais próximos dos utilizados do outro lado da fronteira. “Neste momento, cerca de 30 por cento dos estudantes de Macau dão continuidade aos seus estudos no Interior da China. Acredito que esta será uma tendência que vai aumentar no futuro. Muitos dos manuais escolares têm como referência os manuais utilizados no sistema de ensino do Interior da China. [Ao todo], quase 50 por
cento dos estudantes ficam em Macau e cerca de 10 por cento dos estudantes vão estudar para o estrangeiro. Deviam ser fornecidos manuais escolares mais próximo do sistema de educação do Interior da China para os alunos que querem prosseguir os estudos na China", partilhou Kou Kam Fai, segundo a TDM-Rádio Macau. O director da Escola Pui Ching foi ainda confrontado com o facto de os alunos de Macau serem “menos trabalhadores” que os estudantes do Interior da China e que por isso deviam ser submetidos a uma educação “mais rígida”. Segundo o portal Macau Concealers, Kou Kam Fai concordou com o argumento que os estudantes de Macau “não são tão competitivos”, mas que, em contrapartida, “são mais felizes”. Pedro
Arede com Nunu Wu
segunda-feira 11.10.2021
Zhuhai Menina de 10 anos sobrevive graças a take-away A criança de 10 anos que ficou sozinha em Zhuhai, com a família retida em Macau devido à imposição de quarentena de 14 dias para quem entra no território vizinho, tem sobrevivido à custa de refeições
providenciadas por serviços de take-away. Segundo o jornal Exmoo, desde o dia em que foram impostas as novas medidas, a 4 Outubro, os avós da criança têm feito sucessivos apelos para que fosse prestada
O
Novas infecções
No sábado foram identificados mais dois casos de infecção em pessoas que receberam as duas doses da vacina da Sinopharm. O primeiro caso é relativo a um trabalhador não-residente do Interior, com 53 anos. O homem vivia na
assistência directa à menor. Ontem, contudo, os serviços de educação anunciaram que entre hoje e amanhã, as autoridades de Zhuhai vão autorizar a passagem de alunos transfronteiriços retidos em Macau
desde que tenham menos de 14 anos. Recorde-se que, a menor ficou sozinha em Zhuhai, após os avós terem vindo a Macau acompanhar o neto (seu irmão) no regresso às aulas, acabando por ficar retidos na RAEM.
Tai Wa Hou Postos de testes são “bom negócio” O coordenador do programa de vacinação, Tai Wa Hou, cometeu um lapso na conferência de imprensa de ontem e em vez de dizer que os postos de testagem
estavam com muito afluência disse que estavam com “um bom negócio”. “Porque, de repente, estes grupos de pessoas tiveram de realizar os testes,
COVID-19 TNR NEPALESES E VIETNAMITAS OBRIGADOS A FAZER TESTES
Selecções nacionais As autoridades detectaram dois casos positivos de covid-19 relativos a trabalhadores não-residentes do Interior da China e Vietname, e declararam nepaleses e vietnamitas como grupos de alto risco de infecção LUSA
Executivo definiu todos os vietnamitas e nepaleses não-residentes em Macau como grupos de alto risco de infecção de covid-19. A decisão de testar as pessoas com base na nacionalidade foi anunciada no sábado, após de terem sido identificado os casos 76.º e 77.º, com nacionalidades chinesa e vietnamita. Além de vietnamitas e nepaleses, também as classes profissionais de trabalhadores de obras de remodelação, pessoal de lavandarias e seguranças foram classificados como de grupos de riscos. A classificação implica que estes grupos sejam sujeitos a quatro testes de ácido nucleico, intercalados por um dia. O Executivo espera que o procedimento fique concluído até à próxima semana. “Esta medida não é de todo discriminatória, tem por base uma avaliação dos riscos, tendo em conta que os casos recentes ocorreram com pessoas de nacionalidades nepalesa e vietnamita”, defendeu Leong Iek Hou, médica. Ontem, os Serviços de Saúde (SSM) ainda não sabiam a dimensão dos grupos de alto risco. “Ainda estamos a fazer as estatísticas, mas com base na marcação, houve 11 mil marcações hoje [ontem] e amanhã [hoje] há mais de 4 mil, o que faz com que haja um total de mais de 15 mil agendamentos”, afirmou Tai Wa Hou. “Este é o cálculo que temos até agora”, acrescentou.
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podemos ver que os postos hoje estão com bom negócio. Para fazer face ao aumento, aumentámos as vagas imediatamente”, afirmou Tai.
“Segundo a nossa avaliação, o risco de transmissão é baixo”, considerou.
Transferência com tufão
O fim-de-semana ficou também marcado pela transferência das pessoas que estavam em quarentena no Edifício San Mei On, onde habitava o caso 75.º, 76.º e 77.º, para o Hotel Tesouro. A mudança ocorreu durante a passagem do tufão Lionrock, quando estava içado o sinal número três, e depois de se concluir que o edifício que estava classificado com código vermelho não tinha condições necessárias para garantir que não haveria mais casos. Segundo Alvis Lo, director dos SSM, a decisão teve por base as “dificuldades no apoio à sobrevivência e à realização de testes de ácido nucleico” durante a passagem do tufão. A transferência foi realizada numa lógica de circuito fechado, sem contacto com a comunidade, e envolveu mais de 800 pessoas e um total de 400 quartos. A organização das pessoas pelos espaços ficou a cargo da Direcção de Serviços de Turismo. João Santos Filipe
REGRESSO A ZHUHAI
mesma casa que o 75.º caso, e também era pedreiro. O segundo caso envolve uma empregada doméstica vietnamita, com 49 anos, que trabalhava no edifício Bayview, na Areia Preta. A empregada foi colocada de quarentena, mas antes esteve com o empregador,
“Esta medida não é de todo discriminatória, tem por base uma avaliação dos riscos.” LEONG IEK HOU MÉDICA
um homem que trabalhou no centro de testes em massa do Hospital Kiang Wu. O contacto levantou questões sobre o possível contágio num dos maiores centros de testagem do território, mas os SSM dizem que o risco é baixo. “Durante o procedimento ele estava equipado com o
fato de protecção. Durante o descanso, tirou a máscara e falou com presentes. Todas essas pessoas estão classificadas como contacto próximo de segunda via, mas não houve contacto directo com o público”, afirmou Tai Wa Hou, médico e coordenador do programa de vacinação.
O Governo anunciou ontem um mecanismo para que os alunos com menos de 14 anos que vivem em Zhuhai possam regressar a casa, a partir de amanhã. A medida envolve 500 estudantes e cada um pode fazer-se acompanhar de um adulto. Antes de partirem para Zhuhai os alunos têm de fazer um teste e depois quarentena em casa. A medida não está disponível para todos os alunos retidos, apenas para os que cumpre os critérios negociados entre Macau e Zhuhai, que não foram revelados.
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CASO SANDS EQUIPA DE AVALIAÇÃO INSTRUÍDA A JUNTAR SANDS E GALAXY
Cair nas boas graças
David Green revelou que membros da empresa responsável por avaliar concorrentes às licenças de jogo em 2001 foram instruídos a juntar a Sands e a Galaxy, em detrimento da Asian American Entertainment Corporation. A testemunha assegurou que a pontuação final foi alterada face à dada pela empresa que fez a avaliação
C
HAMADO a depor no caso que opõe a Asian American Entertainment Corporation e a Las Vegas Sands sobre o processo de candidatura das licenças de jogo de 2001, David Green, o líder de equipa da Arthur Andersen, empresa responsável por avaliar a experiência dos concorrentes, revelou que a Comissão de Jogo terá dado instruções para colocar a Galaxy como parceira da Las Vegas Sands, em vez da
Asian American Entertainment Corporation (AAEC). Segundo a TDM-Canal Macau, David Green disse na sexta-feira em tribunal que a proposta da AAEC foi alterada à última hora quando, já depois da meia-noite e a escassos dias de terminarem as avaliações, foi instruído para retirar a Las Vegas Sands da proposta da empresa do taiwanês Marshall Hao. “Foi uma instrução verbal de Jorge Costa Oliveira e de Manuel Neves. Estávamos autorizados pelo secretário
ter em conta e que nós não tínhamos, nomeadamente o que cada um se comprometia a fazer em Macau”, afirmou Green em tribunal. Recorde-se que a Las Vegas Sands e a AAEC submeteram um pedido para licença de jogo em 2001, mas a Sands decidiu mudar de parceiro para se aliar à Galaxy Entertainment, acabando por obter a concessão em 2002.
para a Economia e Finanças, Francis Tam, a receber instruções verbais”, referiu David Green segundo a mesma fonte. Além disso, a Comissão de Jogo terá ainda alterado a pontuação atribuída aos candidatos, facto que, segundo Green, é algo que a comissão pode fazer. “Ficava inteiramente à discrição da Comissão de Jogo aceitar ou não a avaliação da Arthur Andersen. Não foi surpreendente que ajustassem a pontuação. Havia outros critérios que eles tinham de
Sobe e desce
Para a testemunha, não fosse a mudança de planos e a
AAEC do taiwanês Marshall Hao, que se queixa de ter perdido a licença devido à violação do acordo pela Las Vegas Sands, teria tido outra pontuação caso a pareceria tivesse ficado de pé. Green foi mais longe e disse mesmo que, devido à experiência da Las Vegas Sands no sector do jogo, a AAEC teria uma pontuação semelhante à pontuação recebida pela Galaxy no final e que esta, por sua vez, teria caído não fosse a proximidade com a Sands.
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Polícia Judiciária Pugilista em coma após combate amigável. Caso no MP Edital (53/FGCL/2021)
Nos dos pedidos: 170/2021, 189/2021
Nº de pedido: 56/2020
Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos pedidos acima referidos, “COMPANHIA DE CONSTRUÇÕES E ENGENHARIA VINCHI LDA”, com sede na Rua Alameda Dr. Carlos D’Assumpção nº 263, Edf. China Civil Plaza, 6 Andar H e I, Macau, o seguinte: Relativamente aos 2 ex-trabalhadores(Wong Hong Kam e Tang Fai Pang), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 29 Setembro de 2021, deliberou, nos termos do artigo 6.º da Lei n.º 10/2015(Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa aos ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $33 573,10 (Trinta e três mil e quinhentas e setenta e três patacas e dez avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àquelas ex-trabalhadoras, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 30 Setembro de 2021 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong
Nos termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo DecretoLei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos pedidos acima referidos,“DIVERSÕES PALÁCIO, LIMITADA”, com sede na Rua Cidade de Sintra, No.319-356, Hotel Mundo De Estrelas, 9 Andar, Macau, o seguinte: Relativamente à ex-trabalhadora Lam Ut Kio, no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo para pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 29 de Setembro de 2021, deliberou, nos termos do artigo 6.º da Lei n.º 10/2015(Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa ao ex-trabalhador acima referido, no valor total de $56 092,50(Cinquenta e seis mil e noventas e duas patacas e cinquenta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àquele ex-trabalhador, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.º da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 30 de Setembro de 2021 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong
Edital (52/FGCL/2021)
Um praticante de boxe foi submetido de urgência a uma cirurgia cerebral e encontra-se em coma, após um combate amigável ter terminado com o um soco disferido contra o lado esquerdo do rosto da vítima, provocando a sua queda súbita momentos depois. A vítima está em perigo de vida. De acordo com a Polícia Judiciária, após o incidente a vítima foi transportada para Centro Hospitalar Conde de São Januário com uma hemorragia cerebral, tendo ficado provado que, durante o combate,
os dois pugilistas acordaram em prescindir das protecções de cabeça. O combate, que durou sete minutos, teve lugar no dia 4 de Outubro, num recinto desportivo da Taipa por iniciativa da vítima. Interrogado pela PJ, o suspeito admitiu ter conhecimento do perigo que constitui a prática da modalidade sem protecções. O caso seguiu para o Ministério Público (MP), onde o homem irá responder pelo crime de ofensa à integridade física. A confirmar-se, pode ser punido com prisão de 2 a 10 anos.
Citado pela TDM-Canal Macau, David Green apontou ainda que a Arthur Andersen via a Galaxy como “inexperiente” no sector do jogo e que existiam inconsistências em relação ao relatório individual de um dos directores da empresa. Recorde-se que o proprietário da AAEC, Marshall Hao, reclama mais de 96 mil milhões de patacas por considerar que teria conseguido a licença de jogo, caso a Sands não tivesse violado o acordo para se juntar à Galaxy. Pedro Arede
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Semana Dourada Entradas diárias caíram
Cerca de oito mil pessoas visitaram Macau na ‘Semana Dourada’ de Outubro, numa quebra acentuada em relação ao ano passado, devido a um surto de covid-19, anunciaram as autoridades. Em média, o número diário de visitantes foi de 1.166, uma quebra de 93,9 por cento em relação a 2020, de acordo com dados do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). Entre 1 a 7 de Outubro, 8.159 visitantes, na maioria (7.939) oriundos da China, entraram no território, acrescentou. Na ‘Semana Dourada’ de 2020, que decorreu entre 1 e 8 de Outubro, 156.300 pessoas visitaram o território, numa média diária de 19.538 visitantes. “Devido à diferença do número de dias de feriado da ‘Semana Dourada’ em 2021 e 2020 (sete dias em 2021 e oito em 2020), não é possível fazer uma comparação directa, pelo que a taxa de variação é comparada com a média diária de chegadas de passageiros da ‘Semana Dourada’ destes dois anos”, indicou o CPSP.
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TUFÃO LIONROCK “MASSACROU” TERRITÓRIO COM CHEIAS E VENTOS FORTES
Um fim-de-semana chuvoso
Tufão Kompasu aproxima-se depois de amanhã
A passagem do tufão Lionrock causou seis feridos ligeiros e inundou a cidade, com maior incidência no Cotai e Taipa. As autoridades intervieram em 35 ocorrências, entre queda de janelas, reboco e retirada de pessoas presas em veículos IAM
Entre amanhã e quarta-feira o tufão Kompasu deve afectar o território, ao passar a menos de 400 quilómetros, de acordo com a previsão de ontem dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG). “Espera-se que a circulação relacionada com o sistema traga tempo instável para Macau. A meio da semana, o vento na região vai intensificar-se, havendo aguaceiros fortes”, indicaram ontem as autoridades. Ontem o Kompasu estava a 1.600 quilómetros de Macau e tinha uma velocidade máxima no centro de 80 quilómetros por hora, o que fazia com que estivesse classificado como Ciclone Tropical. Contudo, espera-se que nos próximos dias a velocidade intensifique e que a classificação do Kompasu suba para Ciclone Tropical Severo.
CPSP Detido por danificar carro igual ao da sogra
O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) deteve um homem com cerca de 30 anos no passado dia 2 de Outubro por danificar um carro na via pública, mais precisamente na Rua Nam Keng, na Taipa. Segundo o jornal Ou Mun o homem, que está em processo de divórcio, confessou ter raspado as portas do lado esquerdo do veículo com uma moeda, por este se assemelhar bastante ao carro da sogra e se encontrar “maldisposto” devido ao andamento do processo. O suspeito foi identificado com recurso às câmaras de videovigilância.
Património IC colocou sacos de areia no Templo Sin Fong
TDM
Uma equipa do Instituto Cultural (IC) acorreu ontem de manhã ao Templo Sin Fong devido à inundação no local, colocando sacos de areia para bloquear a entrada de água e removendo objectos que poderiam ficar danificados para local seguro. De acordo com o IC, o templo está em bom estado e os trabalhos de limpeza vão continuar. Face à instabilidade meteorológica, o organismo liderado por Mok Ian Ian alertou o seu pessoal para estar atento a possíveis operações para garantir a segurança de relíquias de elevado valor cultural.
As ilhas foram afectadas por deslizamentos de terras e pedras nas traseiras do Edifício Greenville, na Rotunda Leonel de Sousa e na paragem de autocarro Piscina de Cheoc Van-1
O
Tufão Lionrock, que passou por Macau no fim-de-semana, causou seis feridos ligeiros e obrigou as autoridades a intervirem em 35 ocorrências. Com o sinal de tufão número 8 a ser içado pela primeira vez este ano na madrugada de sábado, aos ventos fortes seguiram-se cheias, que atingiram o território com maior incidência, numa altura em que o sinal tinha sido reduzido para o número 3. “O Centro de Operações de Protecção Civil (COPC) registou um total de 30 incidentes, nomeadamente 22 casos de queda de reboco, reclamos, janelas, toldos ou outros objectos e remoção de objectos com risco de queda”, foi revelado, num primeiro balanço, antes das cheias. “Foram também registados 6 casos de residentes com ferimentos ligeiros causados pela tempestade tropical”, acrescentaram as autoridades. No balanço das operações de resposta ao Tufão
foi igualmente indicado que não houve feridos graves nem mortes. Contudo, devido aos ventos fortes e cheias 21 pessoas precisaram de utilizar os quatro centros de acolhimento do Instituto de Acção Social, o centro da Ilha Verde, do Campo dos Operários, do Centro de Acção Social da Taipa e Coloane e da Escola Superior das Forças de Segurança de Macau. No âmbito das operações de combate às infracções durante tufões, o Corpo de Polícia de Segurança Pública detectou ainda quatro casos de taxistas que negociaram preços com clientes e um que se recusou a prestar o serviço.
Rotunda do Lótus inundou
Após o sinal de tufão ter baixado para número três, às 02h de ontem, abateram-se sobre Macau fortes chuvadas, que levaram ao registo de mais cinco ocorrências. A intensidade da chuva fez-se sentir um pouco por
todo o território levando a várias ocorrências, como carros presos na estrada e deslizamentos de terra. Segundo os números oficiais, citados pelo canal chinês da TDM, os bombeiros foram chamados para cinco ocorrências nas Ilhas, sem que tenha havido feridos. No entanto, entre as pessoas resgatadas cons-
tam dois passageiros de um veículo que ficou preso na Rotundo Flor de Lótus, no Cotai, devido às cheias. A operação de salvamento decorreu por volta das 10h. Além do casal, mais três homens também ficaram presos nas viaturas e tiveram de ser retirados e colocados num lugar seguro pelo Corpo de Bombeiros.
As ilhas foram ainda afectadas por deslizamentos de terras e pedras nas traseiras do Edifício Greenville, na Rotunda Leonel de Sousa e na paragem de autocarro Piscina de Cheoc Van-1. Nestes acidentes não houve registo de feridos. João Santos Filipe
MÁRIO VALE Falecimento A família enlutada de MÁRIO VALE, vem comunicar o falecimento do seu ente querido no dia 8 de Outubro de 2021 no Centro Hospitalar Conde de São Januário. Deixou esposa, filhos, netos e genro. A família convida amigos e familiares a celebrar a vida do MÁRIO, numa cerimónia que terá lugar no dia 11 de outubro às 18:30 na Avenida Almirante Lacerda, no Jardim da Esperança, pelas 18:30 horas. Obrigada! Rita Castanheira do Vale
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diário de próspero
ANTÓNIO CABRITA
Como lhe sugere o pai, por que não foge Monty? Cumprirá sete anos por narcotráfico, consciente de que tendo rejeitado continuar no “esquema” mafioso dentro da cadeia ou tornar-se informador da polícia ficará mais desprotegido e sujeito à violência e à arbitrariedade. Contudo, Monty escolhe a “via recta” num labirinto de solicitações e de emboscadas – e a sua escolha insólita eleva-o a um plano ético insustentável, embora, dada a dificuldade, digníssimo. Falo de “A 25ªHora”, de Spike Lee, que revi agora porque preparo um pequeno ciclo do cineasta. Aos sete anos, Monty tem pouca esperança de sobreviver. A narrativa segue as suas últimas horas de soltura (fora alguns flash-backs de contextualização); vemo-lo abrir mão dos privilégios que conquistou como traficante: uma boa casa, a entrada VIP em boates, a fama e a prosperidade económica. E despede-se do pai, um comerciante alcoólatra a quem o filho foi safando as dívidas, da sua namorada Naturelle (Rosario Dawson), que o ama apesar das desconfianças dele, e dos seus melhores amigos de infância, Jacob (Philip Seymour Hoffman), um tímido professor do liceu apaixonado por uma aluna, e Slaughtery (Barry Pepper), um corrector de sucesso em Walt Street. Os quatro passam a última noite livre de Monty, enquanto se adensa a questão de saber quem o terá denunciado à polícia (- terá sido Naturelle?). Monty extrai as devidas consequências dos seus actos e aceita estoicamente a ida para a prisão. Monty não é um rebelde sem causa, alguém a quem o instinto da liberdade, à visão do castigo, faz
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Por que não fugiu Monty?
espernear; vibra nele uma espécie de diapasão que lhe tempera o tom certo a cada momento da sua vida. Houve necessidade, para resolver certas coisas, de entrar nos negócios ilícitos, e fê-lo convictamente, com eficácia, desfrutando o que pôde da situação. Depois conheceu o amor e entregou-se-lhe, sem reservas nem cinismo – sinal de que o seu carácter não fora corrompido. Com a mesma naturalidade e a mesma lucidez face às circunstâncias, aceita o custo da redenção. O carácter de Monty clarificase logo de início quando, contra a opinião de Kostya (o ucraniano que o denunciará), resolve salvar o cão que encontraram abandonado e ferido, em vez de matá-lo num “gesto de misericórdia”. É um
“SÓ A FORÇA DA “RESPOSTA PARADOXAL” INTRODUZ MUDANÇAS RADICAIS NOS COMPORTAMENTOS CULTURAIS: FOI ASSIM COM O OFERECIMENTO DA OUTRA FACE, EM CRISTO, COM A INESPERADA INFLEXÃO PARA A RECONCILIAÇÃO DE MANDELA, QUE SALVOU A ÁFRICA DO SUL DE UM BANHO DE SANGUE, COM O PACIFISMO DE GHANDI FACE AO IMPERIALISMO BRITÂNICO.”
homem decente que face a certas circunstâncias teve necessidade de enveredar por más escolhas. A sua índole conhece um contraste em Slaughtery, o corrector. Que vive duma actividade lícita onde só a lógica entra, arredia à natureza do escrúpulo. Jacob vai a casa de Slaughtery, definido num ápice pelo que há sobre a mesa de trabalho - o Financial Times, revistas de gajas nuas, garrafas de vinho: é um hedonista empedernido. As janelas do apartamento dão para o Ground Zero, o espaço vago das Twin Towers (o filme é de 2002). Dá-se aí uma conversa desconcertante, sintomática. Jacob refere que segundo as informações o “ar daquela zona é irrespirável” e pergunta-lhe se não pensa em mudar. Slaughtery insinua-lhe que ainda espera ganhar muito com a inflação imobiliária e por isso, mesmo que tivesse como vizinho o Bin Laden, não tenciona mudar de poiso. Slaughtery não tirou as devidas consequências do desastre de 11 de Setembro, a que pôde assistir “nas primeiras filas”; para ele quando se vive na selva há que seguir as regras e aproveitar as oportunidades: é um puro caçador-colector. Monty/ Edward Norton é de outra índole, mesmo que pleno de contradições. Fez o que havia a fazer na sua oportunidade, agora tem necessidade de redimir-se e rejeita as possibilidades flagrantes de fuga, preferindo uma “reparação” quase irrespirável. Apesar das tentações que o pai enumera pelo caminho, o filme termina sem mercê (- sendo incerto que Monty resista ao inferno da prisão).
A dado momento, Monty, que almoça com o pai, vai à casa de banho do restaurante e um “Fuck You” que alguém escreveu a marcador no espelho atira-o para uma longa diatribe sobre os tipos humanos e étnicos que compõem a cidade, uma massa diversa de comportamentos anómicos que segundo o discurso transformam a urbe numa pauta de irresgatáveis dilaceramentos morais; como se se confessasse filho de um determinismo inescapável. E nada fica de fora desse discurso, da manhosa “inocência” das minorias e do assistencialismo a que se encostam à cupidez dos judeus ou à torpeza dos que impõem a lei. É um segmento que parece desgarrado no filme, uma espécie de manifesto. Que, contudo, se integra e se elucida na sequência final quando no percurso para a cadeia, o rosto condoído e desfigurado de Monty dentro do carro vê como aqueles de quem ele disse mal lhe acenam dos transportes públicos, num gesto de empatia, que lhe antecipa o perdão. “25th Hour”, que só ganhou com o tempo, feito ainda no rescaldo do 11 de Setembro, é um magnífico manifesto sobre a necessidade do perdão. O segmento do filme com o Ground Zero, que Spike Lee acrescentou ao romance adaptado, deu uma outra densidade à narrativa e um segundo nível de leitura que o tempo trouxe à tona. O perdão teria de começar por um “encarceramento” interno, especular, da América, que a fizesse reflectir e reconhecer os seus crimes, antes de se estender de forma incondicional, gratuita, infinita aos terroristas. Só a força da “resposta paradoxal” introduz mudanças radicais nos comportamentos culturais: foi assim com o oferecimento da outra face, em Cristo, com a inesperada inflexão para a reconciliação de Mandela, que salvou a África do Sul de um banho de sangue, com o pacifismo de Ghandi face ao imperialismo britânico. Spike Lee intuiu-o, mas a América não esteve à altura da sua lucidez nem teve a grandeza de o seguir. E escolhendo depois a mentira como modo-de-uso imperial a América pôs-se de costas voltadas para o mundo. Começou então o regime de um mundo pós-verdade.
segunda-feira 11.10.2021
ofício dos ossos
FILÓSOFO OLHA PARA UM ESPELHO, JUSEPE DE RIBERA
VALÉRIO ROMÃO
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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Lá atrás Quando entrei na faculdade, em filosofia, estava tudo menos preparado. Não só para a faculdade como para a idade adulta, se assim o podemos chamar. Tinha vinte anos, era mais velho do que os meus colegas de primeiro ano e, ainda assim, não estava preparado. A vida é toda ela um pouco isso, cenário destas divergências entre a idade legal ou socialmente idealizada para fazer uma coisa – beber, tirar a carta, casar, abrir um negócio – e a idade em que um sujeito se sente capacitado para tal. Há muitas pessoas que poderiam perfeitamente ter tirado a carta aos dezasseis, ou até antes, e há pessoas – que vemos todos os dias na estrada – que nunca o deveriam ter feito. Há pessoas que acertam praticamente sempre na altura de tomar decisões – seja vender a casa, ir de viagem ou apenas o caminho a tomar naquele dia. E há pessoas que falham quase sempre. Somos tempo e é por ele que medimos o acerto e o fracasso. Eu vinha de Albufeira e fui morar para uma casa típica perto de Santa Apolónia. Quatro quartos – começámos com três, mas pobretanas como éramos, rapidamente prescindimos da sala para dar espaço a outra pessoa –, uma cozinha, uma casa de banho. Vínhamos todos do Algarve. Lisboa era apetecivelmente enorme e havia tudo o que não havia em Albufeira: teatros, cinemas, livrarias, alfarrabistas, a noite com todos os seus espaços e possibilidades, um sem-fim de raparigas bonitas, de amigos por descobrir, de gente com quem traçar tangentes a caminho do trabalho final de curso. Filosofia. Depois do final do curso, não se adivinhava uma saída profissional que não o ensino ou a árida e insegura carreira académica. Felizmente, nessa altura era-se demasiado tonto para equacionar devidamente as consequências. Há coisas que, felizmente, só fazemos porque não sabemos mais. A casa estava quase sempre desarrumada, a loiça quase sempre por lavar. Cada um retirava com basto nojinho o prato, a faca e o garfo que ia utilizar, lavandoos tão bem quanto sabia para no final da refeição os deixar no lava-loiça, novamente sujos, novamente à espera do desespero
do próximo esfomeado. Era uma baderna masculina sem qualquer tipo de romantismo salvífico. A coisa boa dessa impreparação para a convivência, para a idade adulta e para as coisas dos adultos, fruto também da forma como cada um tinha crescido e sido educado, era a possibilidade de, longe e com medo, cada um se reinventar sem ninguém fosse capaz de fazer luz sobre a inconsistência da criatura face ao seu passado. De repente, tudo quanto eu via reflectido no espelho da minha interioridade – e não gostava – era passível de ser mudado (claro que não o era, mas muita coisa é-o e não o fazemos por conveniência ou medo).
“A MINHA APRENDIZAGEM, FORA DO ESPAÇO DAS AULAS, FOI SOBRETUDO ESSA: DESPIR-ME, VESTIR-ME, OLHAR-ME AO ESPELHO E TENTAR PERCEBER A PESSOA EM QUE ME ESTAVA A TORNAR E A PESSOA QUE, DESESPERADAMENTE, NÃO QUERIA SER.” A minha aprendizagem, fora do espaço das aulas, foi sobretudo essa: despir-me, vestir-me, olhar-me ao espelho e tentar perceber a pessoa em que me estava a tornar e a pessoa que, desesperadamente, não queria ser. O que eu queria ser era apenas ideal: um tipo mais ou menos correcto, mais ou menos capaz de encontrar o amor, mais ou menos fiel a uma voz interior a que na altura prestava pouca atenção. Quando sai da faculdade, cinco anos depois e uma tentativa de doutoramento frustrada pelo meio, era outra pessoa. Ganhara a segurança que é a valiosa poeira que as refregas vão soltando cada vez que eclodem, tinha alguns preceitos morais – fruto da tentativa e erro – e tinha a certeza de que o amor, mesmo que raro e esquivo, podia ser encontrado.
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José Simões Morais
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11.10.2021 segunda-feira
Os 60 anos da casa de chá Long Wa
Para saborear a atmosfera das antigas casas de chá de Cantão, aí já inexistentes, há ainda em Macau a possibilidade de usufruir esse estar na casa de chá Long Wa, situada no primeiro andar do n.º 3 da Rua Norte do Mercado Almirante Lacerda, aberta todos os dias das sete da manhã às duas da tarde. O prédio amarelo de dois andares, por detrás do Mercado Vermelho, chama a atenção do exterior pelos bonzais colocados ao longo da varanda a circundá-lo e nas suas sempre abertas janelas encontram-se nostalgicamente dependuradas algumas gaiolas já sem pássaros. Subindo as escadas para o primeiro andar, um mundo completamente fora do espectável. De frente, o balcão sem caixa registadora, mas onde repousa um ábaco e lateralmente abrem-se duas amplas salas, agora completamente atafulhadas de antiguidades, esculturas e mobílias, tendo nos últimos tempos aparecido, a substituir as cadeiras de madeira, inúmeras de plástico azul cerúleo a desfazer o ambiente. Nas paredes, entre as verdes janelas, relógios, quadros de caligrafia e pinturas, e o poster com o retrato de Mao Zedong. Desde a nossa última visita passaram quase dez anos pois, devido à fama alcançada não conseguimos em várias tentativas arranjar mesa para sentar. Sentíamos falta da saborosa comida, da qualidade do chá e daquele ambiente, que ao longo da nossa estadia em Macau foi desaparecendo com o fecho da maior parte das casas de chá então existentes, devido a irem paulatinamente fechando umas atrás das outras, deixando a cidade sem inúmeras das que nos anos 70 tinham aparecido. Abrira em 1962 com capital de Hong Kong, sendo o prédio construído de raiz para ser uma casa de chá e teve como gerente Ho Fong, nativo de Deqing, Guangdong, que viera da então colónia britânica para Macau em 1952. O negócio era florescente, chegando a ter mais de 60 empregados a trabalhar nas salas dos dois andares, ocupando a cozinha a metade do segundo andar, fora da vista dos clientes, onde num fogão a lenha se preparavam as iguarias da casa, a massa frita, carne de porco assada e pato à Cantão, sem faltar o famoso dim sam.
Na década de 70, o gerente Ho Fong comprou-a ao seu patrão e Ho Meng Te, que estudara em Inglaterra, em 1976 veio trabalhar para ajudar o pai no negócio. CONVÍVIO COM OS PÁSSAROS Conhecia-a ao seguir um homem transportando três gaiolas e curioso, quis ver onde ia. Já nessa altura era só usado o primeiro andar para casa de chá, com uma virtual separação das duas distintas e airosas salas, recheadas de arte chinesa. As janelas estavam sempre abertas, pois nunca teve ar-condicionado, e por baixo delas as mesas dispostas ao longo das paredes com bancos corridos para duas pessoas em cada um dos lados. Junto ao local da água a ferver, uma estante guardava, além de chá,
“O NEGÓCIO ERA FLORESCENTE, CHEGANDO A TER MAIS DE 60 EMPREGADOS A TRABALHAR NAS SALAS DOS DOIS ANDARES, OCUPANDO A COZINHA A METADE DO SEGUNDO ANDAR, FORA DA VISTA DOS CLIENTES, ONDE NUM FOGÃO A LENHA SE PREPARAVAM AS IGUARIAS DA CASA”
livros e catálogos, inúmeros diferentes bules e chávenas, parecendo pertença dos clientes que aqui quotidianamente passavam as manhãs num uníssono convívio com os seus pássaros, cujo tagarelar entre eles se juntava ao dos comensais, dando grande animação à sala. Nesse embriagante ambiente de um todo envolvente, o volume de som sustentava-se harmonioso e ia aumentando acompanhado pelo chilrear dos pássaros que na sua sensibilidade se ligava ao som das vozes até atingirem um clímax. Ao se dar pelo barulho da sala, repentinamente tudo se calava e o ruído suspenso perdia pé, imperando um monumental silêncio. Aos poucos uma voz animada se elevava e outra e mais outra, acompanhadas por um piar e mais um e outro e o avolumar da sala voltava a entrar em ebulição até ao momento de se atingir a atenção e então quebrava. Era o respirar da casa. Na fictícia divisão das salas, junto às escadas para o segundo andar da cozinha, num carrinho coziam a vapor as iguarias do dim sam, confeccionadas nos cestos redondos de bambu, com bolas de carne e de peixe, pão chinês não fermentado, carne de porco e o bolo de canela cantonense. Numa panela ao lado aquecia a sopa de arroz, o canji. As salas estavam divididas; a reservada para comer e conversar num convívio com o chá, sem a presença de pássaros, contava com os peixes dourados da boa sorte num enorme aquário. Na outra, dependuradas nas janelas as gaiolas dos pequenos chivit (de pelugem verde e um bico longo para o tamanho desta ave) que exibiam constantemente os seus atributos, tanto no canto como em voos com cambalhotas. Já nas mesas do centro da sala, dispostas de uma maneira desordenada, repousavam as gaiolas com os wa men, chamados também de olhos de long-ngán, com uma pelugem preta e junto aos olhos um traço branco, eram constantemente mudadas para obterem os lugares de privilégio mediante o movimento do ar. Durante os meses de Março, Abril e Maio realizavam-se frequentes combates entre estes pássaros. De um momento para o outro notavase uma movimentação estranha na sala, deslocando-se as mesas para dar lugar no chão a duas gaiolas, cada uma com um macho,
cobertas com um pano branco. Uma em frente à outra e ao lado de ambas era colocada a gaiola com uma fêmea. Em redor, a tensão dos espectadores em silêncio era transmitida aos machos que vendados sentiam a presença da fêmea. Aos poucos, já com os machos assanhados, era retirada a gaiola da donzela e os panos a envolver-lhes as gaiolas. Ainda separados pelas grades tentavam com bicadas atingir-se e abertas as portas, o mais assanhado atacava, entrando para a gaiola do adversário. Durante alguns minutos as bicadas sucediam-se e com as patas se agarravam entre eles, até que por fim, um fugia e o combate terminava. NOVOS TEMPOS Em 2003, na sala de chá foram os pássaros proibidos de entrar pois tornaram-se potenciais transmissores do H5N1 e assim muitos dos habituais clientes matinais com as suas aves deixaram de aparecer. A sala de chá Long Wa passou a ser então local de encontro de fotógrafos e onde se realizaram exposições de fotografia, não fosse o dono Ho Meng Te um apaixonado por arte. Com a abertura dos novos casinos apareceram clientes de todos os cantos do mundo e sobretudo da Malásia e Singapura, em busca das memórias antigas que já não encontravam nos seus países. O ambiente encantava e amplamente divulgado por artigos de jornal e programas de televisões em 2010 chegaram os turistas chineses do continente, sendo o filme Du cheng feng yün (O Mestre dos Jogos, ou From Vegas to Macau) de 2014 do realizador Wong Jing a catapultar a fama que atraiu para aqui verdadeiras multidões. Hoje, apenas um lado da sala é usada e os quatro trabalhadores e o jovem patrão dão conta do recado, garantindo à casa uma maior estabilidade, já que sem grandes encargos, mesmo neste período difícil como o que passa desde 2020, consegue manter-se aberta. Findo o dia de trabalho e após a sala limpa, às duas e meia, três da tarde, Ho Meng Te sentase à roda da mesa com os seus empregados e tomam a refeição em conjunto. A casa de chá Long Wa guarda ainda as características e um ambiente das existentes antigamente e conseguiu sobreviver sem perder o charme.
segunda-feira 11.10.2021
china 9
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ALIMENTOS DESPERDIÇAR MENOS FACE A CLIMA EXTREMO
Do prato à boca
O clima extremo que afecta importantes regiões agrícolas da China constitui um desafio para a segurança alimentar do país mais populoso do mundo, apontam especialistas, numa altura em que Pequim tenta reduzir o desperdício alimentar
O
S efeitos das alterações climáticas na agricultura levaram à acção das autoridades, em particular no combate ao desperdício alimentar. “Certamente tem impacto na produção e armazenamento de grãos”, explicou à agência Lusa Cao Yang, alto quadro das reservas de grãos da China. “O futuro das alterações climáticas é muito imprevisível e, por isso, devemos atribuir-lhe grande importância. É um teste para todo o mundo”, realçou o também professor da Universidade de Agricultura e Silvicultura da Universidade de Zhejiang, no leste da China. Níveis recorde de precipitação registados este Verão em Henan, província líder na produção agrícola da China, causaram mais de 300 mortos e obrigaram à retirada de 1,5 milhão de pessoas.
As perdas económicas directas ascenderam a 14.269 milhões de yuans. Fenómenos semelhantes ocorreram na Alemanha e Bélgica no mesmo período. O país asiático alimenta quase 19 por cento da população mundial com apenas 8,5 por cento das terras aráveis do mundo. Em comparação, o Brasil, por exemplo, tem quase 7 por cento das terras aráveis para 2,7 por cento da população mundial. Estes números tornam a segurança alimentar ou a gestão das reservas de grãos ou proteína animal em questões de alto interesse para Pequim, explicou Li Peiwu, o director do laboratório nacional da China para experiências agrícolas, à agência Lusa. “Esta tem sido uma questão para a China desde os tempos antigos”, apontou. “O Governo chinês sempre atribuiu grande importância
Covid-19 24 novos casos, todos importados
A China detectou ontem 24 casos de covid-19, todos oriundos do estrangeiro, anunciaram as autoridades de saúde do país. A Comissão de Saúde da China adiantou que o número total de casos activos é de 731, entre os quais um encontra-se em estado grave. Desde o início da pandemia da covid-19, o país registou 96.398 casos da doença e 4.636 mortos.
Evergrande Sanções para executivos que resgataram investimentos A gigante de imobiliário chinesa Evergrande anunciou que “sancionou” seis executivos seniores que resgataram os seus investimentos em produtos de gestão de património da empresa antes do prazo acordado. Num comunicado publicado no seu site, a Evergrande garante que os seis executivos já devolveram todos os recursos que tinham resgatado antecipadamente. “A empresa exigiu responsabilidades aos seis executivos e sancionou-os”, refere o documento sem avançar mais pormenores sobre o processo. Em 18 de Setembro, a Evergrande anunciou que exigia que
os seis executivos devolvessem os recursos em causa, sem nunca identificar os gestores, os produtos em que investiram ou os valores que foram resgatados antes do prazo. Posteriormente o gigante imobiliário garantiu que “atribuía grande importância” à acção dos executivos, adiantando que iria impor-lhes “graves sanções”.
à segurança alimentar. O secretário-geral [do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping], costuma dizer que os chineses devem segurar firmemente as tigelas de arroz com as suas próprias mãos”, descreveu.
Encher a barriga
Este ano, o país asiático promulgou uma ampla lei, destinada a reduzir o desperdício de alimentos. Ao comer fora, os anfitriões chineses tradicionalmente pedem comida em excesso, como forma de demonstrar hospitalidade aos
A China alimenta quase 19% da população mundial com apenas 8,5% das terras aráveis do mundo. Em comparação, o Brasil, por exemplo, tem quase 7% das terras aráveis para 2,7% da população mundial
convidados, mas os restaurantes podem agora cobrar uma taxa extra aos clientes que desperdiçam grande quantidade de comida. Os estabelecimen-
tos que encorajam pedidos excessivos recebem, primeiro, um aviso e, de seguida, uma multa de até 10.000 yuans por reincidência.
Segundo estimativas oficiais, a restauração é responsável pelo desperdício de cerca de 18 milhões de toneladas de alimentos por ano no país asiático, o suficiente para alimentar até 50 milhões de pessoas, de acordo com a Academia de Ciências Sociais da China. Mas o retalho representa apenas metade do problema. Uma quantidade equivalente é desperdiçada durante a fase de produção, ou colheita, fixando o total das perdas em cerca de 35 milhões de toneladas. “Para reduzir as perdas de grãos, devemos contar com o progresso científico e tecnológico (…) no processo produtivo, através da semeadura de precisão, melhoria do nível de mecanização da colheita, e aplicação de conceitos de agricultura inteligente e aprimoramento da capacidade e funcionalidade das instalações de armazenamento”, explicou Li Peiwu. A campanha contra o desperdício atingiu também figuras que se tornaram célebres nas redes sociais pelos seus vídeos a devorar grandes quantidades de comida.
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HM • 1ª vez • 11-10-21
HM • 1ª vez • 11-10-21
ANÚNCIO Execução Ordinária n.º CV1-18-0047-CEO 1.º Juízo Cível Exequente: BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL DA CHINA (MACAU) S.A., matriculada na Conservatória dos Registos Comercial e Automóvel de Macau sob o n.º 610. --Executados: 1. IP SENG CHIO, casado, de nacionalidade chinesa, titular do B.I.R.M., com última residência conhecida em Macau, Rua das Margoseiras, s/n.º - Complexo “One Oasis”, Torre II, Edifício “Red Wood Tower”, 10.º andar E, Coloane, ora ausente em parte incerta; e ---2. IP LENG LENG, casada, de nacionalidade chinesa, titular do B.I.R.M., com última residência conhecida em Macau, Rua das Margoseiras, s/n.º - Complexo “One Oasis”, Torre II, Edifício “Red Wood Tower”, 10.º andar E, Coloane, ora ausente em parte incerta. ----------------*** ----FAZ-SE SABER, que foi designado o dia 10 de Novembro de 2021, pelas 10:00, no local de arrematação deste Tribunal e no processo acima indicado, para venda por meio de propostas em carta fechada, do seguinte bem penhorado: -----------------------------------------------------------Imóvel ----Fracção autónoma designada por “A4”, do prédio sito em Macau, S/N, da Rua Nova de S. Lázaro, para habitação, descrito na conservatória do registo predial de Macau sob o n.º 22839, inscrito na matriz predial sob o n.º 073845, registada a favor dos executados pela inscrição n.º 306721G. Sobre o imóvel recai, hipoteca que se encontra devidamente registada na conservatória a favor do BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL DA CHINA (MACAU), S.A. pela inscrição n.º 201431C. -------------------------------------------------------------------------------O Valor base da venda: MOP4,644,000.00 (Quatro Milhões, Seiscentas e Quarenta e Quatro Mil Patacas). ---------------------------------------------------------------------------------------------------*** ----São convidados todos os interessados na compra daquele bem a entregar na Secção Central deste Tribunal, as suas propostas, até ao dia 10 de Novembro de 2021, pelas 10:00, sendo que o preço das propostas devem ser superior ao valor acima indicado, devendo o envelope da proposta conter a indicação de “PROPOSTA EM CARTA FECHADA” bem como o “NÚMERO DO PROCESSO: CV1-18-0047-CEO”.-------------------------------------------------------------------------No dia da abertura das propostas podendo, querendo, os proponentes assistir ao acto. ------------Durante o prazo dos editais e anúncios, os proponentes, a fim de proteger os seus interesses, podem, caso queiram, antes de apresentar quaisquer propostas dirigir-se à fiel depositária, Chong Im Wa (com domicílio em Macau, na Avenida da Amizade, n.º 555, Macau Landmark, Torre ICBC, 18º andar); a fiel depositária, por sua vez, está obrigada a mostrar o bem a quem pretenda examiná-lo, podendo fixar as horas em que, durante o dia, facultará a inspecção. -----------Quaisquer titulares de direito de preferência na alienação do bem supra referido, podem, querendo, exercer o seu direito no próprio acto da abertura das propostas, se alguma proposta for aceite, nos termos do artigo 787.º do C.P.C. --------------------------------------------------------------* Na R.A.E.M., 29/09/2021 O JUIZ
ANÚNCIO Acção de Despejo
n.º
CV2-20-0064-CPE
2º Juízo Cível
Autores: LIANG DEWEI (梁德偉), do sexo masculino, maior, residente em Macau, na Taipa, na Rua de Aveiro, Ed. Kam Lei Tat Fa Un, Bloco 4, 22.º andar Y; e GUAN WEI QIU (關偉球), do sexo masculino, maior, residente em Macau, na Avenida do Ouvidor Arriaga, n.º 46A, r/c. Ré: LIU LILI (劉麗莉), do sexo feminino, maior, com última residência conhecida na China, em Hong Kong, Flat NB, 49/F, Block 1 Phase 1, Festival City, Mei Tin Road 1, Tai Wai, New Territories, ora ausente em parte incerta. *** Correm éditos de Trinta (30) dias, a contar da segunda e última publicação do anúncio, citando a Ré LIU LILI (劉麗莉), para, no prazo de Quinze (15) dias, findo os éditos, contestarem a acção supra identificada, ao contestar, pode deduzir em reconvenção o seu direito a benfeitorias ou a uma indemnização (nos termos do art.º 930º 2º, 671º e 673º do C.P.C.M.). De que a falta da contestação, não implica o reconhecimento dos factos articulados pela autora. Cujo pedido consiste em que seja declarada: i. Ser decretada a resolução do contrato de arrendamento celebrado entre os Autores e a Ré, com início a 12 de Março de 2020, sobre a fracção autónoma “AOR/C”, para comércio, e 1/464 avos da fracção “BER/C”, para estacionamento, ambas do prédio sito em Macau, na Avenida Sir Anders Ljungstedt, n.ºs 392 a 438, na Rua Cidade de Santarém, n.ºs 397 a 501, na Rua de Cidade de Sintra, n.ºs 394 a 506, e na Alameda Dr. Carlos D´Assumpção, n.ºs 393 a 437, descrito na Conservatória do Registo Predial sob o n.º 22306; ii. Ser ordenado o consequente despejo, condenando-se a Ré a desocupar e entregar as ditas Fracções aos Autores, livres e devolutas de pessoas e bens; iii. Ser a Ré condenada a pagar aos Autores as rendas vencidas e não pagas até à presente data, referentes aos meses de Março a Novembro de 2020, no valor global de HKD720.000,00 (setecentos e vinte mil dólares de Hong Kong), equivalente a MOP$741.600,00 (setecentas e quarenta e uma mil e seiscentas patacas), acrescido dos juros vencidos e vincendos, à taxa legal e, bem assim, as rendas que se forem vencendo, acrescidas dos respectivos juros, até a efectiva entrega das Fracções; iv. caso até a data da contestação a Ré não exerça o direito que lhe assiste nos termos do artigo 1019º do Código Civil ou não proceda à entrega dos imóveis devolutos, deve a mesma ser condenada ainda a pagar aos Autores a indemnização prevista no nº 2 do artigo 1027º, conjugado com os n.ºs 1 e 2 do artigo 1014º, ambos do Código Civil, por cada mês de atraso na restituição das Fracções, desde a data da citação até efectiva entrega das Fracções e, ainda, os respectivos juros legais até efectivo e integral pagamento; v. Deve ainda a Ré ser condenada no pagamento de custas e condigna procuradoria. Tudo conforme melhor consta do duplicado da petição inicial que neste 2º Juízo Cível se encontra à sua disposição e que poderá ser levantado nesta Secretaria Judicial nas horas normais de expediente. E ainda que é obrigatória a constituição de advogado caso seja contestar (nos termos do art.º 74º do C.P.C.M.). Macau, aos 29 de Setembro de 2021. ***
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8 7 8 3 0 6 5 2 6 0 9 9 4 1 2 3
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 8
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CINETEATRO OSCURO DESEO I LETICIA LÓPEZ MARGALLI
“Oscuro Deseo” é uma tentação para quem tem saudades de ver um thriller criminal, pelo menos olhando para o trailer. A narrativa gira em torno de um casal e do pequeno ciclo social e sexual que os rodeia. Bem produzido e com uma fotografia decente, “Oscuro Deseo” derrapa por ter demasiados episódios, o que obriga à multiplicação de ganchos de argumento (cliffhangers) e torna a série aborrecida. Uma pena. “Oscuro Deseo” acaba por ser uma das frustrações do catálogo da Netflix, quando podia ter sido muito mais simples, traída pelo loop inconsequente de revelações. João Luz
Um filme de: Cary Jojo Fukunaga Com: Daniel Craig, Rami Malek, Léa Seydoux, Lashana Lynch 14.30, 18.15, 21.15
THE ADDAMS FAMILY 2 [B] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Greg Tiernan, Laura Brousseau, Kevin Polvovic 14.30, 16.30, 19.30
DUNE [B]
Um filme de: Denis Villeneuve
1.23
C I N E M A
SALA 1
SALA 2
YUAN
Com: Timotheé Chalamet, Rebecca Ferguson, Oscar Isaac 21.15 SALA 3
THE COMEBACK TRAIL [C]
Um filme de: George Gallo Com: Robert De Niro, Morgan Freeman, Tommy Lee Jones 14.30, 19.30
SHANG-CHI AND THE LEGEND OF THE TEN RINGS [B]
Um filme de: Destin Daniel Creton Com: Simu Liu, Tony Leung, Awkwafina, Fala Chen, Meng’er Zhang 16.30, 21.30
THE ADDAMS FAMILY 2
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede, Nunu Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; 8 Gonçalo M.Tavares; 6 1Gonçalo Waddington; Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo 7 Rasquinho; Paul 0 Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; 1 Xinhua Secretária 8 de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Pátio da Sé, n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo
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NO TIME TO DIE [B]
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6 2 8 7 4 9 0 3 5 1 4 3 9 5 0 1 7 2 8 6 5 1 3 6 2 8 4 9 0 7 0 9 1 8 3 6 5 7 2 4 Anúncio Programa de Financiamento para Pesquisa e Desenvolvimento Inovadores de Empresa para o ano de 2021 7(1) 8 0 4 6 2 3 1 9 5 Objectivo com as8linhas0de acção do Governo da RAEM, reforçar o apoio às PMEs em I&D da inovação 2 7 6Para9se articular 5 4 1 governativa 3 científica e tecnológica, fomentar o desenvolvimento de indústrias emergentes e criar uma atmosfera de I&D das empresas, o FDCT lançou este programa de financiamento, a fim de incentivar as empresas registadas em Macau a realizarem I&D em inovação e transformação dos 9 5 2 1 7 3 6 8 4 0 resultados de investigação científica, e alcançar os seguintes objectivos: 1. Promover a transformação industrial dos resultados de investigação científica; 1 4 7 uma 0 cooperação 8 5mais2estreita6e profunda 3 9entre a indústria, a universidade e a investigação; 2. Orientar 3. Incentivar as empresas locais a aumentarem o seu investimento em investigação e desenvolvimento (I&D); 3 0 4 as PMEs 2 e1fomentar 7 o9 5 6 de8indústrias emergentes. 4. Apoiar desenvolvimento (2) Alvos de Patrocínio 8 6 5 3 na 9 1 menos 4 um7ano;2superior a 50% das quotas é detida por residente de Macau e tem, no mínimo, três 1. Registada RAEM0há pelo funcionários que trabalham a tempo inteiro; Se tem menos de três funcionários que trabalham a tempo inteiro, deve ser recomendada por um espaço de empreendimento público a nível nacional estabelecido em Macau; 3. Não está em dívida por impostos à RAEM e por eventuais contribuições para a segurança social. (3) Valor de Apoio Financeiro 1. A entidade candidata deve indicar, em detalhes, o montante do orçamento do projecto no Programa de candidatura, que consiste em duas partes, nomeadamente o montante do apoio financeiro solicitado ao FDCT e o montante do investimento correspondente da empresa. As despesas listadas no montante do orçamento do projecto devem satisfazer os requisitos das “Despesas elegívies” mencionados no artigo anterior. 2. O investimento correspondente da empresa não deve ser inferior a 50% do montante do orçamento do projecto. 3. O montante máximo do apoio financeiro solicitado ao FDCT é de 1.000.000,00 patacas (1 milhão de patacas). 4. Todas as despesas do projecto (incluindo o apoio financeiro concedido pelo FDCT e o investimento da empresa) devem destinar-se ao projecto de investigação. (4) Duração do apoio financeiro O prazo do apoio financeiro de projecto é de 12 a 24 meses. (5) Data do Pedido De 11 de Outubro a 11 de Novembro de 2021 (6) Forma do Pedido Através do sistema informático - “online” do FDCT (website: www.fdct.gov.mo). Endereço: Avenida do Infante D. Henrique N.º 43-53A, Edf. “The Macau Square ”, 11.º andar K, Macau. Para informações: tel. 28788777. (7) Condições de Autorizações Por despacho do Chefe do Executivo nº 64 /2021, processa o 《Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro》. A aprovação leva em conta especialmente os seguintes elementos: (1) Se a entidade candidata e seu parceiro têm capacidade de executar o projecto; (2) Inovação do conteúdo de I&D; (3) Base existente do conteúdo de I&D; (4) Razoabilidade orçamental; (5) Pertença da propriedade intelectual; (6) Perspectiva de mercado dos resultados da I&D; (7) Benefícios económicos esperados; (8) No caso de cooperação com instituições de ensino superior ou institutos de investigação científica, a divisão do. trabalho e o compromisso de recursos e participação das instituições de ensino superior ou institutos de investigação científica no projecto também serão considerados. O Presidente do C. A. do FDCT, Chan Wan Hei 2021 / 10 / 08
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Anúncio 【N.º 202110-1】 Torna-se público que, nos termos do artigo 29.º do Regulamento Administrativo n.º 5/2014 (Regulamentação da Lei do planeamento urbanístico), a DSSOPT vai proceder-se à recolha de opiniões dos interessados e da população respeitantes aos projectos de Planta de Condições Urbanísticas (PCU) elaborados para as zonas não abrangidas por plano de pormenor mas inseridas nos lotes abaixo indicados: ─ Processo N.o: 86A087, Terreno junto ao Pátio de Além-Bosque-Macau; ─ Processo N.o: 96A083, Travessa do Alpendre nos16-20-Macau; ─ Processo N.o: 2015A071, Rua da Tercena no40-Macau; ─ Processo N.o: 2015A086, Rua de Nossa Senhora do Amparo no25 e Pátio da Mina no12-Macau; ─ Processo N.o: 2018A015, Terreno situado na Zona A das Novas Zonas Urbanas-Lote A7-Macau; ─ Processo N.o: 2018A088, Rua da Ribeira do Patane no28F e Travessa das Plumas no5-Macau; ─ Processo N.o: 2021A004, Rua do Cunha no15-Taipa; ─ Processo N.o: 2021A014, Travessa da Areia Preta no11 e Travessa da Fábrica nos5-5B-Macau; ─ Processo N.o: 2021A015, Rua dos Clérigos no8-Taipa; ─ Processo N.o: 2021A017, Avenida de Almeida Ribeiro no219-Macau; ─ Processo N.o: 2021A019, Largo do Mercado Municipal no5-Macau. Para efeitos de referência, os projectos de PCU para as zonas dos lotes supracitados que não estão abrangidas por plano de pormenor já estão disponíveis para consulta no Departamento de Planeamento Urbanístico, situado na Estrada de D. Maria II n.º 33, 19º andar, Macau, e encontram-se afixados na Rede de Informação de Planeamento Urbanístico desta Direcção de Serviços (http:// urbanplanning.dssopt.gov.mo). O período de recolha de opiniões tem a duração de 15 dias e decorre entre 11 de Outubro de 2021 e 25 de Outubro de 2021. Caso os interessados e a população queiram apresentar as opiniões sobre os referidos projectos de PCU de zona do território não abrangida por plano de pormenor, deverão preencher o formulário O011,o qual pode ser descarregado nos websites http:// urbanplanning.dssopt.gov.mo ou www.dssopt.gov.mo, ou levantado nesta Direcção de Serviços (Estrada de D. Maria II n.º 33, Macau), podendo submetê-lo no período de recolha de opiniões através dos seguintes meios: ─ Comparecendo pessoalmente: Estrada de D. Maria II n.º 33, Macau, durante o horário de expediente nos dias úteis ─ Correio: Estrada de D. Maria II n.º 33, Macau (o prazo limite de entrega é contado a partir da data de envio indicada no carimbo do correio) ─ Fax: 2834 0019 ─ Email: pcu@dssopt.gov.mo Serão consideradas as opiniões respeitantes aos projectos de PCU de zona do território não abrangida por plano de pormenor elaborados para os lotes, quando forem apresentadas de acordo com as exigências acima indicadas. Para mais informações podem pesquisar o website http://urbanplanning.dssopt.gov.mo e para qualquer informação adicional queiram contactar o Centro de Contacto desta Direcção de Serviços (8590 3800). Macau, aos 08 de Outubro de 2021
A Directora da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes Chan Pou Ha
segunda-feira 11.10.2021
opinião 11
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Mário Duarte Duque
INUNDAÇÕES NA RAEM (III) A PRIMORDIAL preexistência de um tecido urbano é a sua morfologia geográfica. É isso que determina a preferência de determinado local em relação a outros para a formação urbana, como também determina o modo da ocupação urbana desse local. Dessas características ressaltam condições favoráveis para a formação urbana, como resultam moldes de ocupação, desenvolvidos por engenho e por arte, que tiram melhor partido dessas condições iniciais favoráveis. A segurança (que em português tanto significa security como safety) é igualmente critério por que se pauta a escolha dos locais e os moldes da ocupação. A génese da formação urbana na península de Macau pautou-se pelas vantagens da configuração do litoral, mas também se pautou pela segurança que as colinas conferem, face à contingência da presença da hidrologia. Assim, a cidade caracterizou-se por dois anfiteatros, um orientado para a Praia Grande e outro para o Porto Interior, inicialmente distintos, social e funcionalmente, mas unidos pela cumeeira comum e contínua da Colina da Penha. Era esse o perfil geográfico mais seguro em caso de inundação, a que correspondia, e que ainda corresponde, grande parte da Rua Central. Na Rua Central localizaram-se igrejas principais desde a Sé a S. Lourenço, o comércio ocidental, passando pelo centro administrativo, o Largo do Senado, ao qual se acedia pelas rampas que hoje correspondem às travessas do Roquete, da Misericórdia e de S. Domingos. Com a mesma Rua Central comunicavam privilegiadamente os tardozes dos palácios da Praia Grande, assim como as mansões chinesas viradas ao Porto Interior. Do que já vinha infra-estruturando e caracterizando a fábrica da cidade por aplicação de modelos urbanos ocidentais, chegaram também a Macau os modelos ocidentais de apetrechamento e de actualização das mesmas tradições urbanísticas ocidentais. Na Europa foi a abertura dos territórios nacionais pelo caminho de ferro, e a abertura das cidades a esses territórios através de estações, e ao mundo através de portos, que espoletou o movimento de pessoas, assim como o movimento de bens e de serviços, e que determinou mudanças radicais nos centros das cidades, na maior parte ainda de matriz medieval. Todas estas transformações tinham em vista a abertura do espaço urbano para uma melhor circulação e qualidade ambiental, introduzindo o novo modelo de vias a que se chamou boulevard. Teve como modelo mais paradigmático as transformações efectuadas na cidade de Paris pelo Barão Haussmann (1809 – 1891), enquanto conduziu a prefeitura do Sena (18531870), que se pautaram pelas aspirações de
MÁRIO DUARTE DUQUE
DA RECONSTRUÇÃO DA MATRIZ MORFOLÓGICA DA RAEM
uma classe média que passou a predominar nos centros das cidades, como se pautaram pelos mesmos fundamentos intelectuais que tinham aberto caminho ao liberalismo económico e puseram termo ao “ancien regime”. Em Macau o mesmo modelo, movido pelos mesmos pressupostos, formou a iniciativa da abertura da Av. de Almeida Ribeiro, conhecida por San Ma Lou em chinês, ou tão simplesmente, a “avenida nova”. Comando que se atribui a Carlos da Maia (1878-1921), enquanto Governador de Macau (1914-1916). Macau passou assim a ser dotado de uma nova via principal, moderna, arejada por duas frentes marítimas, ligando os dois anfiteatros urbanos, social e funcionalmente distintos até então, integrando uma nova acessibilidade, criando um polo com funções onde predominou a classe média, e colocando a cidade em comunicação verdadeiramente cosmopolita com outras regiões e com o mundo, através de um porto. Por tudo isso, essa só pode ter sido uma intervenção esclarecida, pois nela se reflectem muitos dos fundamentos intelectuais por que o modelo se pautou. Para essa realização foi necessário rasgar parte da cumeeira geográfica a que correspondia a Rua Central. É essa a razão por que se desce por escada da Sé à Av. Almeida Ribeiro, e por rampa, mais inclinada que outrora, da Rua Central à Av. Almeida Ribeiro. Disso resultou que a morfologia da colina da Penha se isolou do resto da cidade, ou seja, interrompeu-se a continuidade da circulação segura que servia toda a cidade no caso de inundação das zonas baixas. Em grande medida é isso que hoje também reduz a fruição da continuidade do Centro Histórico de Macau, tal como está hoje definido, agravada pela forma como se encontram definidos os atravessamentos pedonais da Av. Almeida Ribeiro.
Chegados aqui, importa dizer que as estratégias por se pauta a infra-estruturação das cidades são sempre aquelas que resultam do que anima e preocupa o momento histórico. Efectivamente, à data, o delta do Rio das Pérolas não estava ocupado como se encontra hoje, nem a maré precisava de se espraiar pela cidade por já não ter espaço no estuário. À data, a cidade apenas estava histórica, funcional e intelectualmente desactualizada e estiveram disponíveis os instrumentos para uma actualização necessária. Presentemente a inundação das zonas baixas da Península de Macau é preocupação e importa conhecer quais são as zonas que podem ficar geograficamente isoladas. Importa conhecer se toda a Colina da Penha pode ficar isolada da Península de Macau, de onde depende da quase totalidade dos dispositivos da protecção civil, no dia em que toda a Av. Almeida Ribeiro passar a ser considerada zona de inundação. Como importa avaliar da autonomia dessa colina, no que respeita a serviços de apoio, pois os locais de refúgio do Poto Interior, no caso de inundação, são parte na Colina do Monte, mas outra parte na Colina da Penha. A segurança contra inundações pauta-se por critérios que, em grande medida, é possível retirar da segurança contra incêndios, com adaptações óbvias. Os espaços dos edifícios são igualmente seccionados por compartimentação de segurança, todas essas áreas são dotadas de escapatórias própria e alternativas, os caminhos de evacuação devem ser convenientemente enclausurados. No caso do risco de incêndio, as portas devem ter adequada resistência ao fogo, mas no caso do risco de inundação, as portas deverão ter adequada estanqueidade. Neste caso falamos principalmente de caves. Os espaços urbanos devem ser na generalidade e alternativamente acessíveis por
vias que acomodem a circulação e a manobra dos veículos de emergência, de resgate e de combate a incêndios. No caso de segurança contra inundações os mesmos locais já têm que ser acessíveis por vias acima do nível da inundação. Por isso, e alternativamente importaria avaliar da possibilidade de a Rua Central ser infra-estruturada com uma passagem desnivelada, que de novo a ligasse à Rua da Sé, sobrevoando a Av. de Almeida Ribeiro, e que fosse acessível a peões e a veículos, nomeadamente a veículos de emergência e de resgate, recuperando a continuidade da mesma cumeeira que no passado serviu a cidade. Um tipo de intervenção que reclama engenho e arte. Importa ainda clarificar que esta zona integra o Centro Histórico de Macau, inscrito na lista do património mundial classificado pela UNESCO, e relevar que o que justifica a inscrição de monumentos e lugares na lista do Património Mundial da UNESCO, não é a antiguidade mas “o valor universal excepcional” dessas realizações. Exactamente aquilo que se alcançou por engenho e por arte e que habilita as realizações de hoje a inscrições na lista desse património no futuro. Classificação que se pauta por 10 critérios onde importa “o desenvolvimento de formas de relevo ou características geomórficas significativas” (vd. critério 8); Falamos de infra-estruturas urbanas que se caracterizam por disposições construtivas fundamentais e necessárias para estabelecimento e suporte da vida urbana. Avaliam-se por uma análise S.W.O.T., nomeadamente no sentido de aferir oportunidades e de tirar o maior partido do esforço da iniciativa (vd. Plano Director IX – Oportunidade para uma análise S.W.O.T., em Hoje Macau - 11 Jun 2021) Inscrevem-se em legítima espectativa dos habitantes da cidade junto dos seus administradores. São dispositivos em permanente actualização face ao acréscimo de complexidade por que a vida urbana evolve. Por vezes caracterizam-se na sua concepção por qualidades semelhantes aos humanos e às organizações, nomeadamente por resiliência. I.e., a capacidade de se manterem funcionais na perturbação. Têm a capacidade de colocar os habitantes em paz com as suas instituições. Nunca será demais lembrar Thomas Heatherwick, pelo seu manifesto de 2013 “I don’t like design, at all”, onde clamou que “o que define o carácter de uma cidade é sua infra-estrutura, não é um edifício extraordinário”. “É a infra-estrutura da cidade que a diferencia, mais do que um museu ou a casa chique de alguém”. Sempre se dirá que a infra estrutura mais primordial de uma cidade é a forma urbana.
“O Estado deve fazer o que é útil. O indivíduo deve fazer o que é belo.” PALAVRA DO DIA
Oscar Wilde
segunda-feira
11.10.2021 episódio 86
O ex-futebolista Rui Costa, de 49 anos, foi eleito o 34.º presidente da história do Benfica, ao vencer as eleições antecipadas de sexta-feira para os corpos sociais do clube, com 84,48 por cento dos votos. O anunciou oficial foi feito ontem pelo presidente da mesa da Assembleia-Geral, António Pires de Andrade, após o acto eleitoral com mais votantes de sempre (40.085), contra os 38.102 que elegeram Luís Filipe Vieira em 2020. Rui Manuel César Costa, eleito para o quadriénio 2021/2025, bateu Francisco Benitez, que teve 12,24 por cento dos votos. Luís Filipe Vieira, que comandava o clube desde 2003, suspendeu funções em Julho, na sequência da operação ‘Cartão Vermelho’, sendo substituído no cargo pelo então vice-presidente Rui Costa.
Vaticano Gastos em armamento são “escandalosos”
O Papa Francisco considerou ontem “escandaloso” que os países gastem “enormes somas de dinheiro” em armamentos enquanto proclamam a paz nas cimeiras internacionais. Numa mensagem divulgada por ocasião da 60.ª Marcha pela Paz, que percorre as cidades italianas de Assis e Perugia, Francisco sublinha que “o cuidado é o contrário da indiferença, do descarte, de violar a dignidade do próximo, quer dizer, dessa ‘anticultura’ baseada na violência e na guerra”. O Papa lamentou que, “ainda hoje, depois de duas guerras mundiais cruéis e de muitas guerras regionais que destruíram povos e países”, haja Estados que “ainda gastam enormes somas de dinheiro em armamento”. “É escandaloso”, declarou. Tudo isto “enquanto nas conferências internacionais se proclama a paz, desviando a atenção de milhões de irmãos e irmãs a quem falta o necessário para viver ou que se arrastam numa existência indigna para o homem”, acrescentou.
ALL ABOUT MACAU
Benfica Rui Costa eleito presidente com 84,48% dos votos
O Jogo das Escondidas um folhetim por Fernando
Ao contrário do que tem sido habitual, o edifício não foi classificado com código de saúde amarelo ou vermelho
Vista para a baía Governo nega que ligações familiares de Alvis Lo tenham evitado isolamento
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S Serviços de Saúde (SSM) recusaram que as ligações familiares do director, Alvis Lo, tenham estado na origem da decisão que evitou que o edifício Bayview fosse isolado e os moradores classificados com código de saúde amarelo ou vermelho. A polémica surgiu depois de identificado o 77.º caso de covid-19, relativo a uma mulher vietnamita que trabalhava como empregada doméstica no Bloco 3 do Edifício Bayview. Contudo, ao contrário do que tem sido habitual nestas situações, o edifício não foi classificado com código de saúde amarelo ou vermelho, levando a que os moradores ficassem restringidos nas deslocações. Em último caso, até poderiam ser obrigados a cumprir quarentena. Após a decisão, surgiram rumores que no Bloco 3 do edifício habitavam familiares de Alvis Lo, director dos SSM,
e do subdirector dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude, Kong Chi Meng. Além disso, foi também referido nas redes sociais que no mesmo edifício vivem membros da família Ma, uma das mais influentes do território. O assunto foi abordado na conferência de imprensa de sábado, com a médica Leong Iek Hou a recusar qualquer tratamento preferencial. Após surgirem rumores, Leong entrou em contacto com Alvis Lo, que terá garantido que nenhum dos seus familiares vivia no Bloco 3 do edifício. A médica afirmou também que o mesmo acontecia com Kong, que não morava no edifício em causa. A situação dos familiares do desaparecido Ma Man Kei nunca foi abordada.
Todos negativos
Apesar de não ter sido classificado como zona amarela ou vermelha, o Governo de-
cidiu controlar as entradas no Bayview e não permitiu que ninguém saísse, até que todos os moradores e ocupantes fossem testados. Os testes terminaram no sábado, com todos os moradores autorizados a circular normalmente entre a comunidade. “A amostragem, que começou às 08h e terminou às 14h30, revelou que os resultados de teste de ácido nucleico dos 771 moradores e das 102 amostras ambientais dos espaços públicos deram todos negativos”, foi anunciado, em comunicado. Sobre os critérios para situações semelhantes no passado, Leong Iek Hou justificou que a fonte de contágio tinha sido identificada no contacto com o caso 75.º, que não trabalhava no mesmo edifício. Além disso, foi indicado que a trabalhadora doméstica nunca tinha tido qualquer teste positivo até 8 de Outubro e que estava em quarentena desde o dia 5 de Outubro. João Santos Filipe
A
MOROSO agarrou num cigarro e deixou a sala. Caminhou até à porta do “Noite Tranquila” e sentiu os raios de sol a queimarem-lhe os olhos. Espiou o infinito céu azul e entre algumas núvens baixas, lá estava o sol, altivo e elegante. Tinhamlhe falada de uma Idade das Trevas. Seria o fim. Mas ainda havia muito para fazer. Mesmo para os que tinham vivido demasiado tempo na escuridão e agora estavam cegos pela luz e continuavam a necessitar de sinais ou de sons que os guiassem. Os portugueses, é certo, tinham excesso de saudade. De coisas que nunca existiram. De impérios de água. De uma potência de portos comerciais e de barcos que tinha desafiado a fúria do vento. De lágrimas que se tinham perdido nos oceanos, entre coros das sereias. E, às vezes, depois de tanto tempo e de tantos desafios, pareciam amedrontados com o presente. Voltou a olhar para o céu e pareceu ver a face de Ding Ling a sorrir-lhe. Andou mais uns passos, hipnotizado pela visão. Sabia agora uma coisa simples, mas também complexa. Já não havia lugar no mundo para as almas solitárias.
FILIPINAS DUTERTE EM SILÊNCIO SOBRE NOBEL DA PAZ DE MARIA RESSA
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Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, manteve ontem o silêncio sobre a atribuição do prémio Nobel da Paz à jornalista Maria Ressa, distinguida por lutar contra o abuso de poder e o autoritarismo no país. Maria Ressa, de 58 anos, foi a primeira pessoa filipina a receber um prémio Nobel - partilhado com o jornalista russo Dmitri Muratov - e foi felicitada por vários governos e pela sociedade
filipina, mas dois dias depois de conhecida a decisão do comité Nobel, Rodrigo Duterte ainda não fez qualquer comentário. O único comentário por parte do Governo filipino veio do ministro dos Negócios Estrangeiros, Teddy Locsin, que na rede social Twitter felicitou Maria Ressa, comentando que "uma vitória é uma vitória", mas ressalvou que a ex-presidente filipina Cory Aquino também teria merecido o Nobel
da Paz por liderar o movimento pró-democracia nas Filipinas durante os anos 80. Maria Ressa destacou-se por investigar a guerra contra o narcotráfico iniciada por Duterte quando chegou ao poder, em 2016, uma campanha que deixou um rasto de milhares de mortos em operações policiais e execuções extrajudiciais, e que está a ser investigada pelo Tribunal Penal Internacional por alegados crimes
contra a humanidade. A jornalista é uma das co-fundadoras do 'site' de notícias Rappler, iniciado em 2012, e tem também trabalhado para combater as notícias falsas e a desinformação em redes sociais como o Facebook, em grande parte atribuídas a contas relacionadas com Duterte. Por causa dessa actividade, Ressa tem sido alvo de assédio judicial, com processos contra si que poderão acarretar vários anos de prisão.
Sobral
Fim