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SEGUNDA-FEIRA 11 DE JANEIRO DE 2021 • ANO XX • Nº 4686
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
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ANOS
PROJECTO MAO-MAO
VOZES DOS OPERÁRIOS
O tempo não perdoa
Pela primeira vez, desde 2016, o Centro Bom Pastor não vai marcar presença no Conselho para os Assuntos das Mulheres e Crianças. Segundo a directora do centro, o afastamento deveu-se a um atraso na entrega de documentação. Debbie Lai assume as responsabilidades,
EVENTOS
IMIGRAÇÃO
Cerco aos ilegais PÁGINA 5
FRONTEIRAS | COVID-19
Medidas a rigor PÁGINA 4
mas diz também que nunca lhe foi revelado qualquer prazo para a entrega da lista de nomes a integrarem o Conselho. A Associação Comercial de Macau e a Federação da Juventude de Macau, são alguns dos novos nomes que fazem agora parte do organismo.
OPINIÃO
MORRER LONGE ANDRÉ NAMORA
GETTY IMAGES
PÁGINA 6
FÓRMULA 1
Portugal na pole position PUB.
PÁGINA 11
CHINA | CRESCIMENTO SÓLIDO GRANDE PLANO
2 grande plano
11.1.2021 segunda-feira
SEMPRE EM˜ CONTRAMAO BANCO MUNDIAL
ECONOMIA CHINESA DEVERÁ CRESCER 7,9 POR CENTO ESTE ANO, DIZ RELATÓRIO
Um relatório do Banco Mundial com as previsões económicas para este ano, divulgado esta terça-feira, dá conta de um crescimento da economia chinesa na ordem dos 7,9 por cento este ano, quase o dobro da previsão feita a nível mundial. A recuperação económica do país “tem sido sólida, mas irregular”. O consumo interno poderá ser a saída para a crise
F
OI o país onde se registaram os primeiros casos do novo coronavírus, mas foi também dos primeiros a recuperar de uma profunda crise económica. Prova disso são as projecções feitas pelo Banco Mundial para a economia chinesa este ano, divulgadas na terça-feira no relatório “2021 Global Economic Prospects”.
O documento dá conta de que a economia chinesa deverá crescer 7,9 por cento este ano, quase o dobro do crescimento global económico previsto que é de 4 por cento. No entanto, o crescimento chinês continua a estar “abaixo das projecções prévias devido a uma procura mais reprimida”. “Mesmo que o Produto Interno Bruto (PIB) regresse aos
níveis pré-pandemia em 2021, deverá continuar a estar dois por cento abaixo das projecções feitas para 2022, [dada] a acentuada crise com origem em vulnerabilidade e desequilíbrios anteriores”, lê-se. O relatório do Banco Mundial dá ainda conta de que no ano que agora terminou o crescimento económico da China desacelerou em dois por cento, o valor “mais baixo desde 1976 mas acima das projecções prévias, o que ajudou a um controlo efectivo da pandemia e do estímulo ao investimento público”. No país, “a recuperação tem sido sólida mas irregular, com os serviços de consumo a ficarem atrás da produção industrial”. A China parece ser, assim, a excepção à regra, numa altura em que a covid-19 não dá sinais de abrandar na maior parte dos países, tal como em mercados mundiais importantes como a zona Euro ou os EUA. “Apesar de se prever um crescimento das economias em desenvolvimento na ordem dos cinco por cento em 2021 e um valor moderado de 4,2 por cento em 2022, a melhoria vai reflectir-se largamente na expectável recuperação da China.”
“RECUPERAÇÃO ROBUSTA”
O Banco Mundial denota que “a actividade da economia global, que começou a sua recuperação em
Os analistas do Morgan Stanley prevêem também que o consumo privado cresça 12,4 por cento este ano, desempenhando um papel mais importante do que as exportações e o investimento em infra-estruturas meados de 2020, foi moderada”. “A queda do investimento global o ano passado foi acentuada, em particular nos mercados emergentes e nas economias em desenvolvimento, com a exclusão da China”, acrescenta. Desta forma, “a recessão global de 2020 foi, de certa forma, menos elevada do que o esperado devido a contracções menos profundas nas economias desenvolvidas e uma recuperação robusta na China, enquanto que
a maior parte das economias em desenvolvimento registaram recessões profundas”. O relatório prevê ainda que as economias desenvolvidas possam ter um crescimento de 3,3 por cento este ano e de 3,5 por cento em 2022, “tendo como pano de fundo a contenção da pandemia com a ajuda da vacinação em massa e uma política monetária sustentável”, além de outras políticas de benefícios fiscais. No próximo ano, o Banco Mundial prevê que o crescimento económico global seja “moderado”, na ordem dos 3,8 por cento, um valor “avaliado em baixa devido aos danos causados pela pandemia a um potencial crescimento”. “Em particular, o impacto da pandemia no investimento e no capital humano deverá eliminar projecções de crescimento nos mercados emergentes e nas economias em desenvolvimento, atrasando objectivos de desenvolvimento estabelecidos”, acrescenta o relatório.
CONSUMO É O CAMINHO
Citado pelo jornal China Daily, Ning Jizhe, vice-ministro da Comissão do Desenvolvimento Nacional e da Reforma do Governo chinês, disse que o país vai manter uma política fiscal pró-activa e uma política monetária prudente, além de se apostar numa estabilização da economia
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segunda-feira 11.1.2021
a um nível “razoável” este ano, apesar das incertezas do ambiente externo. O optimismo económico impera também num artigo de análise publicado pela agência noticiosa
No próximo ano, o Banco Mundial prevê que o crescimento económico global seja “moderado”, na ordem dos 3,8 por cento, um valor “avaliado em baixa devido aos danos causados pela pandemia a um potencial crescimento”
Xinhua esta terça-feira, intitulado “Novas tendências a observar para a economia chinesa em 2021”. É referido que o “consumo pode emergir como uma chave para o crescimento da economia em 2021 devido à recuperação do mercado laboral, a recuperação da confiança no consumo e uma maior política de apoio”. A Xinhua escreve que foram criados 10,99 milhões de novos empregos nas cidades nos primeiros 11 meses do ano passado, esperando-se a continuação da tendência este ano. A agência cita um relatório do banco de investimentos Morgan Stanley que refere que o mercado laboral “pode regressar aos níveis pré-pandemia com mais empregos disponíveis nos segmentos de serviços, o que vai contribuir para a recuperação do consumo privado”. Os analistas do Morgan Stanley prevêem também que o consumo privado cresça 12,4 por cento este ano, desempenhando um
papel mais importante do que as exportações e o investimento em infra-estruturas. “Além disso, o papel do consumo está a fomentar a economia chinesa e espera-se que surjam mudanças estruturais em 2021 e nos anos seguintes”, pode ler-se.
Citado pela Xinhua, Gao Ting, director de investigação e chefe de estratégia na consultora Nomura Orient International Securities, disse que a área de serviços tem muito espaço de recuperação este ano, sobretudo ao nível do turismo, entretenimento e educação. “Mesmo de uma perspectiva de longo prazo, a percentagem do consumo no PIB tem vindo a aumentar ao longo dos anos. Penso que esta tendência vai continuar”. A ideia é que os consumidores chineses gastem mais em serviços e produtos. O mesmo artigo da Xinhua dá conta de que a China “irá manter as suas políticas macroeconómicas consistentes, estáveis e sustentáveis em 2021”. Além disso, “numa altura em que a cooperação e a coordenação são mais importantes do que nunca, espera-se que a China continue a abrir-se ao mundo e a garantir um sistema de comércio multilateral”.
Ainda em relação às previsões do Banco Mundial, faz-se ainda uma análise em baixa caso a pandemia continue a propagar-se, embora a China continue a registar um cenário económico satisfatório. “Num cenário em baixa, novos casos de covid-19 podem manter-se altos de forma persistente em vários lugares do mundo e o processo de vacinação mais lento devido a impedimentos logísticos, o que causa uma relutância em relação à imunização. Nestas circunstâncias, o crescimento económico global deverá ser moderado, com uma recuperação de apenas 1,6 por cento em 2021 e 2,5 por cento em 2022.” O Banco Mundial defende ainda que as economias desenvolvidas podem expandir-se, neste cenário, 0,6 por cento, enquanto que as economias em desenvolvimento deverão crescer apenas 1,6 por cento, “à exclusão da China”. Andreia Sofia Silva
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4 política
11.1.2021 segunda-feira
FRONTEIRA CIRCULAÇÃO COM O INTERIOR JUSTIFICADA POR MEDIDAS “UNIFORMES”
Coerência interna
As medidas de prevenção e controlo da pandemia em Macau e no Interior são rigorosas e por isso é possível reestabelecer a circulação de pessoas. Com o exterior, é preciso esperar por melhores dias, diz o director dos Serviços de Saúde médicas e trabalhadores dos hotéis e que neste momento Macau não consegue lidar com um grande número de casos, para garantir a segurança da população de Macau, apenas se pode, de momento, aguardar que a situação epidémica diminua”, é frisado.
GCS
C
OM O as medidas de prevenção da covid-19 de Macau e do Interior são “rigorosas” e “relativamente uniformes”, justifica-se a retoma da circulação de pessoas entre as duas regiões. A explicação consta na resposta do director dos Serviços de Saúde, Lei Chin Ion, a uma interpretação do deputado Sulu Sou, em que eram questionadas as medidas aplicadas. “A avaliação do risco de doenças transmissíveis numa região, para além de ser necessário avaliar de acordo com a actual situação epidémica, é preciso também avaliar o grau de rigor com que as medidas são tomadas”, começou por contextualizar Lei Chin Ion. “Quer Macau quer o Interior da China seguem as normas que visam ‘prevenir casos importados e evitar o ressurgimento interno’, daí que tenham adoptado rigorosas medidas preventivas relativamente a visitantes e à importação de produtos alimentares da cadeira de frio”, acrescentou. Outro aspecto usado para justificar a circulação, é a realização de testes de ácido nucleico a “todos os casos necessários e a todas as pessoas com vontade”, o que permite que “potenciais pessoas infectadas sejam detectadas precocemente”. Face a este cenário, Lei Chin Ion diz que “dado que a situação epidémica e as medidas implementadas em
EVITAR VIAGENS
Macau e no Interior da China são relativamente uniformes, existem condições para que a normal deslocação de pessoas seja retomada”. Quanto à entrada de estrangeiros, e trabalhadores não-residentes sem naciona-
lidade chinesa, os Serviços de Saúde apontam que a sua entrada é um risco e que resta esperar por melhores dias. “Dado que é difícil garantir que cidadãos estrangeiros, à chegada a Macau, não transmitam o vírus às equipas
“Quer Macau quer o Interior da China seguem as normas que visam ‘prevenir casos importados e evitar o ressurgimento interno.’” LEI CHIN ION DIRECTOR DOS SERVIÇOS DE SAÚDE
Cooperação Xi Jingping atento à colaboração Guangdong-Macau O secretário do comité provincial de Guangdong do Partido Comunista Chinês (PCC), Li Xi indicou que o Secretário-Geral Xi Jinping atribui grande importância à construção da Grande Baía, prestando “elevada atenção” à cooperação entre Guangdong e Macau. Por ocasião da visita oficial do Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, a Cantão, Li Xi reiterou ainda que o Presidente chinês apoiará, “com firmeza” o Governo de Macau, a diversificação adequada da economia do território
e a construção da Grande Baía, “num ponto de partida e padrões mais elevados”. Segundo um comunicado oficial divulgado ontem, o objectivo é servir o princípio “um país, dois sistemas” e contribuir para o desenvolvimento e a prosperidade de Hong Kong e Macau em sintonia com a pátria. Por seu turno, Ho Iat Seng agradeceu todo o apoio prestado durante a pandemia e afirmou esperar que a concretização da estratégia conjunta para Hengqin possa acontecer “o mais rápido possível”.
No mesmo documento, o Governo deixa ainda um apelo às pessoas para evitarem viagens “transfronteiriças desnecessárias” e indica que tem vindo a investir em mais meios para combater um eventual ressurgimento de casos de infecção. “O Governo [...] tem aumentado a capacidade de prevenção e controlo, tratamento, testes e investigação epidemiológica, assegurando instalações, medicamentos, materiais de prevenção em quantidade suficiente e tem promovido a utilização correcta da tecnologia da informação, definindo zonas e gradação de medidas precisas de prevenção e controlo, planificando as necessidades e preparando para acudir as eventuais situações emergentes”, é sublinhado. As medidas de prevenção da covid-19 impedem a entrada de cidadãos não-chineses não residentes. No entanto, em casos específicos, como por motivos familiares, é possível pedir ao Governo autorização de entrada. João Santos Filipe
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Pontes para todos os gostos
Medicina chinesa, ferrovia e turismo em foco no roteiro de Ho Iat Seng na Grande Baía
I
NTEGRADA numa visita oficial a várias cidades da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, o Chefe do Executivo Ho Iat Seng visitou na sexta-feira e no sábado as cidades de Zhongshan, Jiangmen, Zhaoqing e Foshan. Dos encontros com os dirigentes governamentais das cidades resultaram elogios, compromissos e vontade de cooperar em áreas como a medicina tradicional chinesa, a ferrovia, o turismo, educação, ambiente, agricultura e gastronomia. De acordo com um comunicado oficial, durante a passagem por Zhongshan, o presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Municipal do território, Lai Zehua apontou que, tendo em conta que Macau foi designada uma das quatro cidades principais na construção da Grande Baía, espera reforçar a cooperação bilateral nas áreas da indústria, bio-farmacêutica, serviços públicos e intercâmbio de pessoas. Por seu turno, Ho Iat Seng reiterou que “as empresas de Zhongshan podem aproveitar a plataforma estabelecida por Macau para se desenvolverem ainda mais” e que em termos de cooperação industrial, Macau “estimula e apoia o desenvolvimento da medicina tradicional chinesa”. Já durante encontro com o secretário do comité municipal e presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Municipal de Jiangmen, Lin Yingwu, foi abordada a cooperação ao nível da organização de roteiros
turísticos conjuntos. Constatando que tanto Macau como Jiangmen são duas regiões com património mundial, Ho Iat Seng apontou esperar a elaboração de mais projectos no âmbito do turismo cultural, a promoção da cooperação entre os serviços de turismo das duas regiões e a criação de planos de turismo multi-destinos. Lin Yingwu referiu, por sua vez, a vontade de estreitar a colaboração nos sectores da finança moderna, empreendedorismo e da construção, nomeadamente, neste último ponto, ao nível de “ligações para uma articulação dos transportes ferroviários”.
RIO NOSSO
Chegado a Zhaoqing, Ho Iat Seng considerou “muito bom” o trabalho de protecção ambiental e desenvolvimento ecológico da cidade, agradecendo a “dedicação” que o território tem emprestado na preservação da qualidade da água do Rio Xijiang, que é “vital para a vida dos residentes de Macau”. O Chefe do Executivo vincou ainda esperar que Macau e Zhaoqing sejam capazes de reforçar a cooperação ao nível da agricultura. “Zhaoqing reúne boas condições ambientais, que favorecem a agricultura e permitem que a população desfrute de produtos agrícolas de elevada qualidade”, apontou Ho Iat Seng. Já em Foshan, além das sinergias relacionadas com a medicina chinesa, ficaram à vista as potencialidades do reforço de intercâmbios ao nível da gastronomia e da revitalização de bairros antigos. P.A.
política 5
segunda-feira 11.1.2021
Leprosaria Ng Kuok Cheong quer homenagem a padre Nicosia O deputado Ng Kuok Cheong pede ao Executivo que respeite a vontade do padre Gaetano Nicosia e que mude o nome da Leprosaria de Ká-Hó para Vila de Nossa Senhora em Ká-Hó. O pedido faz parte de uma interpretação escrita em que o legislador católico defende a necessidade de o local se manter fiel às suas origens e manter as características cristãs, que sempre respeitou
A
LEGANDO que há mais de 10 anos que as leis sobre migração não eram revistas, o Conselho Executivo anunciou na passada sexta-feira ter concluído a discussão sobre o Regime jurídico dos controlos de migração e das autorizações de permanência e residência em Macau. De acordo com uma nota oficial divulgada no mesmo dia, o objectivo do diploma que será submetido à Assembleia Legislativa (AL) para aprovação, passa essencialmente pelo “combate eficaz à imigração ilegal e permanência ilegal” e a “prevenção de crimes”. Uma das novas medidas previstas na proposta de lei sugere que os não residentes tratem “oportunamente” dos documentos de viagem dos filhos nascidos em Macau e que notifiquem o facto às autoridades de migração. De acordo com a TDM-Rádio Macau, o comandante do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), Ng Kam Wa, explicou durante a conferência de imprensa do Conselho Executivo que os trabalhadores não residentes (TNR) terão 90 dias para registar os passaportes dos recém-nascidos e que, fora desse prazo, serão considerados “os motivos e os factos para a prorrogação” do mesmo. O comandante do CPSP disse ainda que esta é uma medida que visa evitar que, no futuro, as crianças que nunca tenham sido registadas venham a ficar sob a responsabilidade do Governo ou que, por razões humanitárias, venham a pedir o estatuto de residente. Assim, ao abrigo da nova proposta de lei, os TNR que não tratarem dos documentos de identificação dos filhos recém-nascidos podem ver a autorização de permanência cancelada. “Se não cumprirem vamos cancelar o prazo de permanência em Macau e durante algum tempo não
ao longo dos anos. Ng Kuok Cheong quer ainda saber se vai ser possível criar um museu nos antigos edifícios da leprosaria e se vai haver uma cooperação com a Sociedade de São Francisco de Sales para esse efeito. Nicosia viveu durante 48 anos na Leprosaria de Ká-Hó, para tratar dos doentes, até 2011, altura em que se mudou para Hong Kong.
CCAC / CA Wong Kit Cheng questiona aplicação das recomendações A deputada Wong Kit Cheng quer saber as medidas que vão ser aplicadas pelo Governo para que seja feito o acompanhamento à aplicação das recomendações do Comissariado Contra a Corrupção e do Comissariado de Auditoria. De acordo com uma interpelação divulgada ontem, a legisladora apoiada pela Associação das Mulheres pretende saber que mecanismos vão ser implementados para garantir
que os departamentos públicos e empresas com capitais públicos implementem as recomendações sugeridas pelas duas instituições de supervisão. Ao mesmo tempo, Wong questiona ainda como o CCAC e o CA se vão coordenar com o Gabinete para o Planeamento da Supervisão dos Activos Públicos, outra entidade de supervisão criada com a subida de Ho Iat Seng ao poder.
TNR IMIGRANTES COM 90 DIAS PARA REGISTAR PASSAPORTES DE RECÉM-NASCIDOS
O cerco continua a apertar O Conselho Executivo deu luz verde para dificultar a imigração ilegal. Além do registo da documentação das crianças, entre as medidas previstas conta-se ainda a recolha de dados biológicos dos visitantes, a criminalização do casamento falso e a obrigatoriedade de os hotéis passarem a transmitir às autoridades os dados dos hóspedes não residentes
Os TNR que não tratarem dos documentos de identificação dos filhos recém-nascidos podem ver a sua autorização de permanência cancelada
poderá solicitar a autorização para permanência especial”, afirmou o responsável, segundo a mesma fonte.
PARA TE VER MELHOR
Outra das medidas prevê a “recolha e verificação de elementos biológicos dos visitantes”, com a finalidade de detectar identidades falsas e ainda, “prevenir e combater melhor” os actos de imigração e permanência ilegal. Citado pela TDM-Rádio Macau, Ng Kam Wa deta-
lhou que serão recolhidos quatro tipos de dados biométricos, incluindo a impressão digital, a configuração da íris ou da retina e traços de reconhecimento facial para identificar melhor “alguma identidade falsa de suspeitos de serem infractores da lei”. Quanto ao armazenamento e tratamento dos dados biológicos, o comandante do CPSP esclareceu que os detalhes serão definidos através de um regulamento complementar, lembrando
que, no espaço Schengen, os países da UE “têm de informar a autoridade policial” antes de recolher os dados. A proposta de lei a ser submetida à AL propõe ainda que os operadores dos hotéis registem os dados dos hóspedes não residentes com mais de 16 anos e que os transmitam às autoridades de migração no prazo de 24 horas, após a entrada e saída nos estabelecimentos. Sobre a medida, foi apenas adiantado que estão pre-
vistas multas em caso de incumprimento. Durante a conferência de imprensa foram ainda avançadas outras duas medidas de combate à imigração e permanência ilegal. A primeira está relacionada com os contratos de trabalho fictícios e casamentos falsos. Com o novo regime, as situações deixam de ser encaradas como casos de “falsificação de documentos”, passando a estar enquadradas no regime penal, sendo que, no caso
dos casamentos falsos, os infractores poderão ser punidos entre dois e oito anos de prisão. A outra medida prevê acabar com o prazo de detenção de 60 dias, estipulado actualmente para as pessoas que entrem ou permaneçam em Macau de forma ilegal. Segundo Ng Kam Wa, a medida visa evitar atrasos intencionais no processo de expulsão. Pedro Arede
pedro.arede.hojemacau@gmail.com
6 sociedade
11.1.2021 segunda-feira
GONÇALO LOBO PINHEIRO
com a irmã Juliana para falarmos sobre os nomes a serem indicados [...] Também quando nos indicaram que entregássemos a lista dos nomes nunca me ligaram a dizer qual era o prazo”, justificou. Ainda face à renovação do mandato de 2018, a directora do Centro fala de um processo menos claro. “Cumpri dois mandatos e quando se deu a renovação o processo foi bem mais simples. Recordo-me que foi diferente, porque quando me pediram os nomes dos membros efectivo e suplente foi tudo muito claro e bem explicado. Até o prazo de entrega foi muito claro. Mas desta vez, não foi assim. Nunca me falaram do prazo”, lembrou.
CULPAS REPARTIDAS
MULHERES E CRIANÇAS BOM PASTOR AFASTADO DO CONSELHO
Fora de prazo
Um atraso terá estado na origem da exclusão do Centro Bom Pastor do Conselho para os Assuntos das Mulheres e Crianças. A directora Debbie Lai assume responsabilidades, mas diz que o processo foi mais complexo e que nunca lhe foi dado um prazo para a resposta
O
Centro Bom Pastor deixou de estar representado no Conselho para os Assuntos das Mulheres e Crianças. A decisão foi tomada pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U e consta de um despacho que entrou em vigor a 14 de Dezembro do ano passado. Esta é a primeira vez que o Centro Bom Pastor fica de fora, desde a reforma de 2016, que fez com que o Conselho passasse a ser constituído maioritariamente por associações. Nos anteriores dois mandatos, a actual directora Debbie Lai tinha sido a representante do centro. Ao HM, a directora do Centro Bom Pastor explicou a exclusão
com uma resposta tardia aos representantes do Executivo, apesar de dizer que nunca lhe tinha sido traçado um prazo. “Eles ligaram-me para indicarmos os nomes do representante efectivo e do suplemente. Depois, pediram um outro documento, com a estrutura da liderança. Eu afirmei que ia responder-lhes mais tarde”, começou por contar Debbie Lai. “Quando enviei a documentação, disseram-me que os membros já tinham sido escolhidos e a que a entrega tinha sido feita muito tarde. Foi a resposta que nos deram”, acrescentou. Segundo a directora do Centro Bom Pastor, o primeiro contacto terá sido estabelecido pelos
membros do Governo no final de Agosto e princípios de Setembro e a resposta foi enviada no início de Novembro. Durante este período, nunca terá havido qualquer tipo de alerta para o prazo da entrega. “A resposta foi dada naquela altura porque precisei de tempo de estar
Entre as novas entradas para o conselho surgem os nomes da Associação Comercial de Macau e a Federação de Juventude de Macau
No entanto, Debbie Lai não recusa responsabilidades no desfecho. “A nossa comunicação foi muito fraca. Esperamos que se houver uma próxima vez tenhamos um resultado diferente”, reconheceu. Por outro lado, o Centro Bom Pastor entende que a decisão não vai afectar a associação. “Acho que não vai ter um impacto na nossa acção para a sociedade. O Centro Bom Pastor assume outros papéis e vamos continuar a desempenhá-los e a pensar nos serviços que temos de disponibilizar”, clarificou. O actual Conselho para os Assuntos das Mulheres e Crianças entrou em vigor em 2006, como Conselho para os Assuntos das Mulheres. Desde esse ano, quando os representantes eram escolhidos a título individual, o Centro Bom Pastor esteve sempre presente, através da irmã Juliana Devoy. O Centro Bom Pastor não foi o único a ficar de fora. Em comparação com 2016 saíram ainda a Associação de Beneficência Sin Meng, a Igreja Metodista de Macau, a Associação de Beneficência Ze Ai e a Zona Club de Macau. Em sentido contrário, passaram a integrar o conselho a Associação Comercial de Macau, a Federação de Juventude de Macau, a Associação das Funcionárias Públicas de Macau, o Movimento Católico de Apoio à Família-Macau e a Associação dos Trabalhadores da Comunicação Social de Macau. João Santos Filipe
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ECONOMIA JOEY LAO PREVÊ PREÇOS A NÍVEL MODERADO ATÉ MEIO DO ANO
O
deputado e economista Joey Lao apontou que a procura externa em Macau é baixa, por isso prevê que os preços vão manter-se a um nível moderado nos primeiros seis meses do ano. A previsão foi feita em declarações ao jornal Ou Mun e não tem em conta eventuais impac-
tos extremos da pandemia. O também presidente da direcção da Associação Económica de Macau justificou a previsão com o facto de a subida dos preços ser principalmente impulsionada pela procura externa. Ao mesmo tempo, explicou que a procura interna não deverá ser responsável
por um aumento, uma vez que o rendimento da população diminuiu e que a procura interna encontra-se também enfraquecida. Outro factor que Joey Lao considera irá ter impacto no preço dos bens é a política de abertura das fronteiras, mas o economista sublinhou que neste capítulo
não se esperam mudanças significativas. O mesmo responsável avançou ainda que os preços no segundo semestre do ano dependem do desenvolvimento do covid-19, a política de imigração, bem como da recuperação da procura externa. Joey Lao afirmou que o Produto
Interno Bruto (PIB) dos segundo e terceiro trimestres do ano passado registaram quebras de 60 por cento devido à pandemia, e que o consumo está num nível baixo, com os preços dos bens em quebra há três meses consecutivos, face ao mesmo registo do ano anterior.
Habitação Preços sobem 0,2% entre Setembro e Novembro
O
índice global de preços da habitação entre Setembro e Novembro de 2020, foi de 268,2, representando um crescimento de 0,2 por cento, em relação ao período anterior, ou seja, entre Agosto e Outubro de 2020. Detalhando os dados divulgados na passada sexta-feira pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), o índice de preços das habitações da Península de Macau foi “semelhante” ao do período precedente (268,0), ao passo que o índice referente à Taipa e Coloane foi de 269,2, traduzindo-se, num aumento de 0,1por cento. Já o índice de preços das habitações construídas foi de 289,4, tendo caído 0,3 por cento em relação ao período anterior. Em termos do ano de construção, o índice das habitações pertencentes ao escalão dos 6 aos 10 anos desceu 1,2 por cento. Já o índice do escalão inferior ou igual a 5 anos de construção cresceu 1,0 por cento. Em sentido ascendente está também o índice de preços de habitações em construção, que registou um aumento de 1,9 por cento. O índice dos edifícios do escalão dos 75 aos 99,9 metros quadrados de área útil caiu 1,1 por cento. Em sentido contrário, tanto o índice do escalão igual ou superior a 100 metros quadrados, como o do escalão inferior a 50 metros quadrados, ascenderam 0,7 e 0,5 por cento, respectivamente. P.A.
Saúde Mais de 264 candidaturas a seguro de Zhuhai
Só na semana passada a União Geral das Associações dos Moradores de Macau recebeu mais de 264 candidaturas de residentes de Macau ao seguro de saúde de Zhuhai. O número foi avançado ontem por uma responsável da associação, em declarações ao canal chinês da Rádio Macau. Segundo a pessoa citada, os pedidos são feitos por residentes com mais de 60 anos. Entre estes, muitos vivem há vários anos em Zhuhai ou então pessoas são pessoas que se deslocam com frequência entre os dois locais, o que faz com que tenham interesse em ter o seguro.
sociedade 7
segunda-feira 11.1.2021
PJ Motorista desvia 7,71 milhões em fichas de jogo Um motorista é suspeito de ter desviado 7,71 milhões de dólares de Hong Kong (HKD) em fichas de jogo, pertencentes ao seu empregador, um homem de negócios. Segundo o jornal Ou Mun, tudo começou após a vítima ter assinado um contrato no valor de 30 milhões de HKD com uma sala VIP, no Cotai. Depois de
Um residente com 52 anos foi detido por alegadamente ter esbofeteado e agredido a filha com uma cadeira nas costas. A PJ diz que a ira do pai foi provocada após a vítima se ter recusado, uma vez mais, a continuar os estudos fora de Macau. As autoridades não consideram tratar-se de um caso de violência doméstica
É
caso para dizer que o suspeito pode agora esperar sentado. A Polícia Judiciária (PJ) deteve na passada terça-feira um residente de Macau com 52 anos, suspeito de ter esbofeteado e agredido a própria filha, pelas costas, com uma cadeira. A razão na origem da ira do pai, acusado do crime de ofensa simples à integridade física, terá sido a recusa da filha, com cerca de 20 anos, de prosseguir os estudos no estrangeiro. Segundo o jornal Ou Mun,
ter perdido 27,29 milhões de HKD, a vítima viria a reforçar o montante disponível com mais 20 milhões em fichas de jogo, tendo pedido ao motorista que, do valor total, disponível, fossem transferidos 15 milhões de HKD para a conta de um amigo. Embora a transferência tenha acontecido, o restante valor, cerca de
7,71 milhões de HKD foi desviado pelo suspeito. Após ter tentado contactar o motorista por diversas vezes, sem sucesso, a vítima apresentou queixa junto da (PJ). No rescaldo da investigação, uma mulher afecta a uma empresa de junkets que jogou com o suspeito foi detida. O motorista continua a monte.
MP Despedimento chega aos tribunais A trabalhadora despedida do Ministério Público (MP), Tang Weng Ian, fez entrar no Tribunal de Segunda Instância (TSI) um processo a contestar o processo do despedimento. Segundo o HM apurou, a queixa terá dado entrada no tribunal na semana passado. Tang era funcionária do Gabinete do Procurador do MP há mais de 10 anos, até que em Dezembro do ano passado lhe
foi comunicado que seria despedida por extinção de posto do trabalho. A sugestão do despedimento partiu do Procurador-Adjunto Vong Vai Va, com a aprovação do Procurador Ip Son Sang. Devido aos 60 dias com que a decisão tem de ser comunicada, a trabalhadora vai ficar no MP até Fevereiro, mas, entretanto, está a recorrer aos tribunais para tentar cancelar a decisão.
VIOLÊNCIA PAI AGRIDE FILHA COM CADEIRA POR SE RECUSAR A ESTUDAR NO ESTRANGEIRO
Com as costas quentes
Incrédulo, o pai esbofeteou a filha na face, tendo de seguida pegado numa cadeira para desferir uma nova agressão, desta feita dirigida às costas da vítima
por esbofetear a vítima na face. Depois disso pegou numa cadeira de madeira e acertou-lhe com ela nas costas. Após investigar, o suspeito admitiu ter cometido o crime e, de acordo com os especialistas forenses, as agressões resultaram em ferimentos ligeiros no corpo da vítima”, explicou o porta-voz.
VIOLÊNCIA CASEIRA
o episódio teve lugar no primeiro dia de 2021, durante a tarde, quando os pais da vítima decidiram visitar a filha ao apartamento onde reside, na zona central da cidade. Durante a visita, os pais terão insistido com a filha para prosseguir com os estudos fora de Macau. No entanto, apesar de a vítima ter já assumido a mesma
posição noutras ocasiões, a recusa em prosseguir os estudos no estrangeiro originou uma reacção irada por parte do pai, que rapidamente adicionou violência à discussão. Incrédulo, o pai esbofeteou a filha na face, tendo de seguida pegado numa cadeira para desferir uma nova agressão, desta feita
dirigida às costas da vítima. Durante a discussão, a mãe, que assistiu a tudo, procurou ainda interpor-se entre os dois, numa tentativa de acalmar os ânimos. Após a discussão, ambos os pais saíram da habitação. No dia seguinte, a vítima resolveu apresentar queixa, tendo a PJ iniciado uma investigação que resultou na
detenção do homem de 52 anos na passada terça-feira. De acordo com o porta voz da PJ, Leng Kam Lon, citado pelo canal inglês da TDM Canal Macau no sábado, a vítima apresentava ferimentos ligeiros. “Houve alguns problemas que, muito provavelmente, estiveram na base da ira do suspeito, que acabou
De acordo com a mesma fonte, apesar dos contornos, a PJ não considera tratar-se de um caso de violência doméstica. O homem foi, entretanto, presente ao Ministério Público (MP), acusado da prática do crime de ofensa simples à integridade física. Caso se confirme a acusação, o homem, desempregado, pode vir a ser punido com pena de prisão até três anos ou com pena de multa. Pedro Arede e Nunu Wu
pedro.arede.hojemacau@gmail.com
8 eventos
11.1.2021 segunda-feira
POESIA / MÚSICA PROJECTO MAO-MAO QUER VOLTAR AO ACTIVO ASSIM QUE A PANDEMIA DEIXAR
Enquanto houver estra
FRC “Em Busca da Nossa Arte” inaugura sexta-feira
A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe, a partir desta sexta-feira, dia 15, a exposição de pintura a óleo intitulada “Em Busca da Nossa Arte”, que estará patente até ao dia 30. Esta mostra reúne os trabalhos de 23 artistas, estudantes do quarto ano do Centro de Estudos Contínuos de Pintura em Macau, uma extensão da Escola de Artes da Universidade Hua Qiao, na província de Guangdong, China. O projecto, apoiado pela Macau Education Fund Society of Hua Qiao University, é dado agora a conhecer através de 38 trabalhos desenvolvidos pelos jovens artistas ao longo dos últimos três anos de estudo dedicado às técnicas da pintura a óleo. “É o sonho de todo o pintor compartilhar com os amantes da arte a sua jornada e as obras através de exposições de curadoria. Esta mostra de pinturas a óleo condensa de forma abrangente os sonhos de todos os participantes nestes últimos três anos”, lê-se no manifesto de intenções da exposição, que traz à Galeria da FRC a qualidade e criatividade de novos artistas em formação. PUB.
O escritor Valério Romão integra, juntamente com o poeta José Anjos, Pedro Salazar, Paula Cortes e Sandra Martins o projecto mao-mao, que dá uma roupagem musical a poemas escritos por trabalhadores de fábricas chinesas. Depois do lançamento de dois vídeos online o grupo quer dar concertos em Portugal, revelando, através da música e das palavras, um outro mundo da China dos dias de hoje
M
UITO antes de conhecer Eleanor Goodmand pessoalmente, em Macau, já o escritor Valério Romão tinha tido contacto com a colectânea de poemas escritos por trabalhadores chineses, intitulada “Iron Moon: An Anthology of Chinese Worker Poetry”. Daí até musicar e tocar em palco alguns desses poemas foi um pequeno passo. Depois de um vídeo lançado em Dezembro, e de estar agendado o lançamento de um outro ainda este mês, o projecto mao-mao pretende dar concertos em Portugal assim que a pandemia da covid-19 permitir mais deslocações e espectáculos. O grupo mao-mao é composto por Valério Romão, que traduziu alguns poemas da versão inglesa para português, José
Valério Romão, escritor “Embora estes poemas não tenham sido, de todo, alvo de tentativas de silenciamento, de certa forma
Anjos, musico e poeta, Paula Cortes, Sandra Martins e Pedro Salazar. Ao HM, Valério Romão confessou ter ficado “muito impressionado com a força daqueles poemas”. “Tivemos um apoio pontual do Fundo das Artes do Ministério da Cultura e conseguimos montar um espectáculo com base nas poesias destes trabalhadores, que são tão inesperadas quanto a força que têm”, adiantou. Além do apoio institucional do Ministério da Cultura em Portugal, os mao-mao contam também com a ajuda do departamento cultural da APIOT - Associação para a Igualdade de Oportunidades no Turismo. Neste projecto, Valério Romão destaca os poemas de Xu Lizhi, um trabalhador da FoxConn, onde são produzidos os produtos
da Apple, que cometeu suicídio aos 24 anos. “Era um daqueles trabalhadores migrantes que existem aos milhões na China, com condições muito precárias. O nome da antologia é retirado de um verso de um poema dele e revela muito bem a força daquela poesia, o desespero e as condições em que os trabalhadores vivem.” “Não sendo uma poesia estritamente documental é impossível não ver nela uma leitura muito crua e honesta e com muita força da realidade deste mundo globalizado”, acrescentou Valério Romão.
A OUTRA CHINA
“Filho” é o nome do tema de apresentação dos mao-mao e foi composto a partir de um poema de Chen Nianxi, trabalhador mineiro nascido em 1970 na província de Xianxim. Este tema
eventos 9
segunda-feira 11.1.2021
ada para andar O
Sucesso além-fronteiras “Vitalina Varela” votado como quarto melhor filme de língua estrangeira
filme “Vitalina Varela”, de Pedro Costa, foi votado o quarto melhor de língua estrangeira do ano pela Sociedade Nacional de Críticos de Cinema dos Estados Unidos. O anúncio, que colocou “Vitalina Varela” atrás do romeno “Collective”, de Alexander Nanau, do brasileiro “Bacurau”, de Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e do russo “Beanpole”, de Kantemir Balagov, foi feito através da conta de Twitter da organização, depois da reunião dos 55.º prémios anuais. Segundo a votação, “Collective” reuniu 38 pontos, enquanto “Bacurau” e “Beanpole” conseguiram 36 pontos ‘ex aequo’, seguindo-se “Vitalina Varela” com 32 pontos. O filme de Pedro Costa foi ainda o terceiro classificado na categoria de melhor cinematografia, com o director de fotografia Leonardo Simões a ser superado por James Richards (de “Nomadland”) e Shabier Kirchner (de “Lovers Rock”). “Nomadland”, de Chloé Zhao, foi o grande vencedor destes galardões, tendo conquistado também as categorias de melhor filme, melhor realização, e melhor actriz, atribuído a Frances McDormand. De acordo com a sociedade de críticos, o processo foi conduzido por um sistema de votação ponderada, com os participantes a votarem nas
suas três escolhas para cada categoria (três pontos para a primeira escolha, dois para a segunda e um para a terceira). “O nomeado com mais pontos e que apareça na maioria dos boletins de voto vence”, explicou a sociedade.
RECONHECIMENTO INTERNACIONAL
Candidato português à nomeação para Óscar de Melhor Filme Internacional, “Vitalina Varela” teve estreia mundial em Agosto de 2019 no Festival de Cinema de Locarno, na Suíça, onde arrecadou os principais prémios: Leopardo de Ouro e Leopardo de melhor interpretação feminina. Desde então, tem sido exibido e recebido vários prémios em diversos festivais internacionais de cinema, além de ter aparecido em múltiplas listas de melhores do ano. A publicação especializada Variety colocou-o, há dias, em 19.º na lista de pos-
síveis candidatos ao Óscar de Melhor Filme Internacional. Pedro Costa conheceu Vitalina Varela quando rodava “Cavalo Dinheiro”, acabando por incluir parte da sua história na narrativa, dando-lhe depois protagonismo no filme seguinte. A narrativa centra-se numa mulher cabo-verdiana que chega a Portugal três dias após a morte do marido, depois de ter estado 25 anos à espera de um bilhete de avião. Em Locarno, Pedro Costa explicou que os filmes sobre a comunidade cabo-verdiana não são documentários: “Estamos a fazer algo um pouco mais épico”, com base numa relação que existe há 25 anos. “Falo de pessoas que vivem hoje no esquecimento, dormem nas ruas, são torturados. O cinema pode protegê-los, de certa forma vingar uma parte desta situação, porque pode ser exibido em qualquer lado”, disse.
ÓBITO MINISTRA DA CULTURA RECORDA TRABALHO DA ACTRIZ FERNANDA GONÇALVES
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a mostram uma face menos bonita da China contemporânea.”
fez parte do primeiro vídeo do projecto divulgado nas redes sociais em Dezembro, tendo sido gravado na Escola de Mulheres - Oficina de Teatro em Agosto do ano passado. Para Valério Romão, o projecto Mao-Mao acaba por mostrar um outro lado da China contemporânea que nem sempre os portugueses e os ocidentais, no geral, conseguem ver, apesar das notícias diárias que enchem os media. “Vai ajudar, de certa forma, a humanizar o desconhecido, porque a China é ainda o outro lado do mundo. Vai ajudar a compreender também de onde vêm as coisas que se compram muito baratas. É importante que as pessoas percebam isso, que haja essa percepção de que as condições de trabalho não são iguais em todos os lugares do mundo.”
Valério Romão defende que os poemas musicados de “Iron Moon” revelam uma realidade semelhante à de muitos ocidentais, que se deparam com difíceis condições de vida, baixos salários e condições precárias de trabalho. “Embora estes poemas não tenham sido, de todo, alvo de tentativas de silenciamento, de certa forma mostram uma face menos bonita da China contemporânea, apesar do lustro das suas cidades cosmopolitas, gigantes e aparentemente super modernas. Tudo isso tem um custo e esse custo muitas vezes não aparece no enquadramento da fotografia que a China passa para o resto do mundo”, rematou. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
ministra da Cultura, Graça Fonseca, lamentou “profundamente” a morte da actriz Fernanda Gonçalves, aos 88 anos, definindo-a como uma “referência para gerações de actores” que passaram pelo Teatro Experimental do Porto (TEP) e para os espectadores. Numa nota de pesar em que envia as suas condolências à família e amigos da actriz, Graça Fonseca refere que o percurso de Fernanda Gonçalves se confunde com a história do Teatro Experimental do Porto, “mas também com a história do teatro no Porto e, até, com a história do próprio teatro”. “A história do Teatro Experimental do Porto, dos seus fundadores e daqueles que o continuaram, é uma história de exemplos e de resistência”, refere Graça Fonseca, acrescentando que Fernanda Gomes “é um desses nomes”, cujo percurso profissional “se escreve” nos palcos deste teatro e “nas peças encenadas por esta companhia histórica, formadora de muitas das estéticas e dos
discursos que, durante os tempos da ditadura, tornaram o teatro português mais próximo da grande história do teatro mundial”. A actriz morreu quinta-feira, no Porto, disse à Lusa o actor e encenador Júlio Gago, amigo da família e antigo director da companhia, recordando que Fernanda Gonçalves fez parte da equipa do TEP desde início, desde o primeiro espectáculo, de “Gota de Mel”, de Leon Chancerel, levado a cena em 18 de Junho de 1953. A base de dados do Centro de Estudos do Teatro, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, atribui à actriz a participação em 80 peças em palco, de “Macbeth” a “Os Fantasmas”, todas no TEP, a que junta ainda “A hora em que não sabíamos nada uns dos outros”, de Peter Handke, posta em cena por José Wallenstein, no Teatro Nacional São João, em 2001.
10 china
11.1.2021 segunda-feira
Ao contrário do que é habitual, o Ano Novo Chinês será diferente para muitas famílias devido à pandemia da covid-19. As autoridades chinesas impuseram, no sábado, novas restrições de circulação em duas cidades da província de Hebei, o que muda a vida de quase 18 milhões de pessoas
A
S autoridades chinesas reforçaram no sábado as restrições de circulação em duas cidades da província de Hebei, sul de Pequim, para tentar conter o novo surto de covid-19 e travar a propagação com a aproximação do Ano Novo Lunar.
COVID-19 RESTRIÇÕES APERTAM COM APROXIMAÇÃO DO ANO NOVO LUNAR
Milhões em suspenso Na cidade de Shijiazhuang, capital da província de Hebei, foi suspensa a circulação do metro como medida para ajudar na “prevenção e controlo da epidemia”, enquanto na cidade de Xingtai foi decretada a proibição de sair de casa durante uma semana. Um total de 18 milhões de pessoas nesta província estão proibidas de circular para fora desta zona, a não ser por motivo considerado urgente. Segundo a agência Associated Press, Pequim está a exigir aos trabalhadores da província de Hebei, um comprovativo de trabalho e um teste de covid-19 negativo antes de autorizar a sua entrada na capital do país. A France Presse indica, por seu lado, que as autoridades decidiram também encerrar as escolas naquelas duas cidades da província de Hebei, tendo ainda imposto restrições à circulação dos meios de transporte de longa distância. Estas medidas estão a ser tomadas numa altura em que se
de trabalhadores a regressarem às respectivas terras natais.
CASOS AUMENTAM
A Comissão de Saúde da China anunciou ter identificado 69 casos de covid-19, no sábado, mais do que o dobro do dia anterior, sendo 48 de contágio local e 21 oriundos do exterior. No sábado, as autoridades chinesas tinham contado 17 casos locais. A maior parte destes casos locais, 46, foram registados na província de Hebei, que circunda Pequim.
aproximam as comemorações do Ano Novo Lunar, a principal festa das famílias chinesas, e depois de na semana passada a China ter detectado mais de 300 infecções por covid-19, 200 das quais assintomáticas. A principal festa das famílias chinesas é também a maior migração interna do planeta, com dezenas de milhões
A Comissão de Saúde da China anunciou ter identificado 69 casos de covid-19, no sábado, mais do que o dobro do dia anterior, sendo 48 de contágio local e 21 oriundos do exterior PUB.
HM • 1ª VEZ • 11-1-21
Diplomacia Pompeo levanta “todas as restrições” nas relações com Taiwan
O
ANÚNCIO Execução Ordinária n.º
CV2-16-0233-CEO
Exequente: BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL DA CHINA (MACAU) S.A. (中國工商銀行(澳門)股份有限公司), com sede em Macau, na Avenida da Amizade, nº 555 – Macau Landmark, Torre ICBC, 18.º andar. Executado LAO IOK PANG (劉煜鵬), casado, com último endereço conhecida em Macau, na Rua da Paris, nº 10-38, -Edifício “Centro Comercial Cheng Feng”, 8º andar “A”, ora ausente em parte incerta. Nos autos supra identificados, foi designado o dia 23 de Fevereiro de 2021, pelas 11:00 horas, neste Tribunal, para a venda por meio de propostas em carta fechada, dos bens penhorados abaixo indicados: Bens penhorados (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8) (9) (10) (11) (12) (13)
Denominação da fracção autónoma: “A3”, do 3.º andar “A”. Situação: Em Macau, na Rua Nova de S. Lázaro, S/N. Fim: Para habitação. Número de matriz: 073845. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 22839, do Livro B. Número de inscrição do proprietário: 306717G. 1 aparelho de ar-condicionado da marca “Gree” 1 aparelho de ar-condicionado da marca “Rasonic” 1 armário de chão 1 estante 1 cama 2 sofás 1 máquina de lavar da marca “Panasonic” 1 exaustor da marca “Panasonic” 1 frigorífico da marca “Panasonic” 1 esquentador da marca “Berlin” 1 exaustor de cozinha da marca “Hitachi” 1 esterilizador de louças da marca “Cristal”
Valor a anunciar para a venda dos bens n.º 1 a n.º 13 acima mencionados:
Os 21 casos importados foram diagnosticados nas cidades de Xangai (leste) e de Tianjin (nordeste), e nas províncias de Guangdong (sul), Liaoning (nordeste), Fujian (sudeste), Zhejiang (leste), Shanxi (centro) e Shaanxi (centro). As autoridades indicaram que foram detectados 27 doentes assintomáticos, 13 dos quais oriundos do exterior, apesar de estes casos só serem considerados confirmados se manifestarem sintomas. A Comissão de Saúde da China disse que, nas últimas 24 horas, 16 pacientes receberam alta, pelo que o número de pessoas infectadas activas no país se fixou em 588, incluindo 16 em estado grave. O organismo não anunciou novas mortes devido à covid-19, pelo que o número permaneceu em 4.634, o mesmo desde Maio de 2020. O país somou, no total, 87.433 infectados desde o início da pandemia e 82.211 pessoas que recuperaram da doença.
2º Juízo Cível
MOP$4.543.900,00 (Quatro Milhões, Quinhentas e Quarenta e Três Mil, Novecentas Patacas). Os preços das propostas devem ser superior aos valores a anunciar acima indicados. Os interessados na compra devem entregar a sua proposta em carta fechada, com indicação nos envelopes das propostas da seguinte expressão “proposta em carta fechada”, “2.º Juízo Cível” e o “Processo Número: CV2-16-0233-CEO”, na Secção Central deste Tribunal, até ao dia 22 de Fevereiro de 2021, até 17:45 horas, podendo os proponentes assistir ao acto da abertura das propostas. É fiel depositário Sr. WONG SENG FONG, residente em Macau, Taipa, na Rua de Nam Keng, Nova City, Torre 4, 13.º andar C, que está obrigado, durante o prazo dos edital e anúncio, a mostrar os bens acima mencionados a quem pretenda examiná-los podendo fixar as horas em que, durante o dia, facultará a inspecção. Quaisquer titulares de direito de preferência na alienação dos bens supra referidos, podem, querendo, exercerem o seu direito no próprio acto da abertura das propostas, se alguma proposta for aceita, nos termos do artº 787º do C.P.C.M. Macau, aos 05 de Janeiro de 2021. ***
chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, anunciou no sábado que os EUA decidiram levantar "todas as restrições" impostas a responsáveis e representantes do país nas suas relações com Taiwan. "Hoje, anuncio que estou a levantar todas estas restrições auto-impostas”, afirmou o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, acrescentando que as representações do Executivo norte-americano devem "considerar nulas todas as 'directrizes de contacto'" relativas às relações com Taiwan anteriormente emitidas pelo Departamento de Estado, lê-se no comunicado divulgado pelo Departamento de Estado. Além disso, toda e qualquer secção do Manual de Negócios Estrangeiros que tenham "a intenção de regular o envolvimento do ramo executivo com Taiwan, através de qualquer entidade que não seja o Instituto Americano em Taiwan (AIT), são também anuladas por este meio", especifica o secretário de Estado norte-americano. "As relações […] com Taiwan devem ser
tratadas pela organização sem fins lucrativos AIT, tal como estipulado na Lei de Relações de Taiwan", frisa. Segundo Pompeo, o Governo dos Estados Unidos mantém relações com parceiros não oficiais em todo o mundo "e Taiwan não é excepção". "As nossas duas democracias partilham valores comuns de liberdade individual, o Estado de direito, e o respeito pela dignidade humana. A declaração de hoje reconhece que a relação EUA-Taiwan não precisa, e não deve ser restringida por restrições auto-impostas da nossa burocracia permanente", conclui Pompeo. Ainda de acordo com o comunicado, Pompeo considera que "Taiwan é uma democracia vibrante e um parceiro fiável dos Estados Unidos”. A decisão de sábado foi anunciada depois de a China ter advertido na quinta-feira os Estados Unidos de que vão pagar "um preço alto" se a embaixadora norte-americana na ONU visitar Taiwan nos próximos dias, como anunciado pelo Departamento de Estado dos EUA.
desporto 11
segunda-feira 11.1.2021
O mais que provável adiamento do Grande Prémio da China de Fórmula 1 deverá permitir o regresso da principal categoria do automobilismo pelo segundo ano consecutivo a Portugal em 2021
FÓRMULA 1 ADIAMENTO DO GP CHINA ABRE PORTAS AO GP PORTUGAL
Uma passadeira vermelha Mundo de Atletismo Indoor, agendado para Nanjing, que tinha sido programado para Março de 2021, foi adiado para Março de 2023, ou a prova do Campeonato FIA de Fórmula E que seria disputada a meio de Março nas ruas de Sanya. Apesar da vontade do organizador em realizar o evento do Circuito Internacional de Xangai na segunda metade do ano, a última palavra será das entidades oficiais da cidade. “Tudo depende do plano do governo da cidade. Se colocamos todos os eventos internacionais na segunda metade do ano, a cidade ficará sobrelotada. Para a realização de eventos em sucessão, são necessários recursos públicos em massa, como polícia e secretarias de saúde. Se tivermos que acolher todos os maiores eventos na segunda metade do ano, iremos enfrentar falta
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incerteza quanto ao início da temporada deste ano do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 continua. Com a corrida da Austrália, em Melbourne, que deveria ser a prova de abertura de temporada, praticamente adiada devido às condicionantes criadas pela pandemia da COVID-19, as dúvidas quanto à realização da prova chinesa na data inicialmente prevista, 11 de Abril, foram crescendo ao longo das últimas semanas, parecendo uma inevitabilidade o seu adiamento. Yibin Yang, o responsável pela Juss Event, a empresa que tem os direitos de promoção da Fórmula 1 na República Popular da China, confirmou no sábado à imprensa local que “temos estamos em contacto [com a F1] via videoconferência quase todas as semanas. Apesar do calendário se manter intacto, penso que é altamente incerto que a [nossa] corrida de F1 tenha lugar na primeira metade do ano, em Abril”. Para o responsável chinês, o objectivo da organização que lidera é “trocar a data original para a segunda metade do ano e apresentamos formalmente o pedido e esperamos transferir [o evento] para a segunda metade do ano.” Caso a Formula One Management (FOM) concorde em adiar as provas da Austrália e da China, depois do Grande Prémio do Bahrein, marcado para o último fim-de-semana de Março, apenas o Grande Prémio de Espanha está confirmado, a 9 de Maio, uma vez que
o fim-de-semana de 25 de Abril – quando se deveria realizar a prova do Vietname – está também em aberto, dado o desinteresse em que caiu o evento prometido a Hanoi. Isto obriga a que a FOM encontre soluções para garantir um arranque de época sustentado, sendo o Autódromo Internacional do Algarve, em Portugal, e o circuito italiano de Imola as opções em cima da mesa
“Temos estamos em contacto [com a F1] via videoconferência quase todas as semanas. Apesar do calendário se manter intacto, penso que é altamente incerto que a [nossa] corrida de F1 tenha lugar na primeira metade do ano, em Abril.” YIBIN YANG O RESPONSÁVEL PELA JUSS EVENT
para que se cubra o hiato entre o Bahrein e Espanha. De acordo com o calendário que anda a circular, a temporada terá o seu início em Sakhir, a 28 de Março, seguindo-se o Grande Prémio de Portugal a 11 de Abril, na data da prova da China, e o Grande Prémio de Emilia Romagna, a 25 de Abril, para quando estava prevista a ronda do Vietname. Tanto a Austrália como a China esperam poder realizar os seus eventos na segunda metade do ano, o que poderá criar ainda mais alterações no calendário, dado que, com vinte e três provas previstas para este ano, são poucos os fins-de-semana livres para um novo reagendamento.
REAGENDAMENTO COMPLICADO
Embora tenha um número de casos diários francamente melhor que a média mundial, a República Popular da China continua bastante fechada ao resto do mundo. Uma série de eventos desportivos marcados para os primeiros meses do ano foram cancelados ou adiados, como os campeonatos de recinto coberto daAssociação Asiática deAtletismo em Hangzhou, previstos para o mês de Fevereiro, o Campeonato do
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de recursos públicos, assim como conflitos em termos de marketing entre eventos”, explicou Yibin Yang. O ano transacto foi bastante negativo para os desportos motorizados no país da Grande Muralha, tendo todas as competições internacionais sido canceladas, incluindo a prova do mundial de Fórmula 1. O 67º Grande Prémio de Macau foi o único evento de automobilismo internacional a ser realizado em território chinês em 2020 e o imponente Circuito Internacional de Xangai realizou apenas uma corrida em todo o ano, neste caso a “ Porsche Sports Cup China” para clientes da marca de automóveis de luxo germânica. Sérgio Fonseca
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11.1.2021 segunda-feira
Um pouco mais de
A emergência do Buda e a pintura
Paulo Maia e Carmo texto e ilustração
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AKYAMUNI, o Buda histórico, depois de abandonar o palácio retirou-se para as montanhas em busca de iluminação acompanhado de cinco outros ascetas e lá ficou durante seis anos, até que uma jovem, Sujata, lhe ofereceu um pouco de leite de arroz que ele, inesperadamente bebeu, terminando assim o jejum. Decepcionados , os seus companheiros deixaram-no e ele, sozinho, decide descer das montanhas e regressar ao convívio social, em direcção a Gaya, no actual Estado indiano de Bihar onde, debaixo da árvore Bodhi, alcançaria finalmente a iluminação. Os pintores adeptos do Chan, particularmente durante a dinastia Song (9601279) encontrariam numa destas etapas do percurso do Buda, um motivo que visualmente ajudava a esclarecer a doutrina. Designaram-no Chushan Shijia (em japonês Shussan Shaka), o «Sakyamuni emergindo da montanha» e continha uma série de atributos que, mostrados em certas ocasiões, ajudava a reflexão dos monges e eram reconhecidos entre uma minoria de literatos da elite. Entre esses elementos, estavam: a dificuldade de atingir a iluminação, a necessidade do retiro espiritual mas também um aviso: o afastamento total do mundo dos homens não é desejável. Ao olhar para uma pintura feita por um monge do século XIII de quem pouco mais se sabe que um nome, Hu Zhifu, essa encenação como exemplo, fica clara. Essa pintura, que se encontra no Smithsonian, Galeria Nacional de Arte Asiática em Washington, DC (rolo
vertical em tinta sobre papel, montado num painel, 92 x 31,7 cm) reluz no espírito como um espelho: um homem frágil, cansado, vem sozinho, as mãos escondidas, os pés nus, um à frente do outro parece caminhar, saindo de uma massa rochosa – uma montanha. Um elemento que se tornaria central na pintura shanshui que desde então ocuparia o pincel de grandes mestres nos anos seguintes. Zhu Ruoji, que adoptaria o nome Yuanji Shitao (1642-1707) ao entrar para um mosteiro budista em 1651, seria um desses mestres que procurou transmitir o Chan sem usar palavras. Teria vinte e cinco anos quando, utilizando um outro ícone do Budismo, os «Dezasseis Luohans» faria numa extensa pintura (rolo horizontal, 46,4 x 598,8 cm, a tinta sobre papel) que se encontra no Metmuseum em Nova Iorque, uma sedutora demonstração das possibilidades do uso do traço da tinta preta. Numa pintura que se desenrola tendo como fundo uma «onda de pedra», estão figurados os dezasseis discípulos a quem o Buda pediu que aguardassem na montanha a emergência do Maitreya, o buda do futuro. Mas o que prende o olhar de todos é a aparição de um dragão, o agente das infinitas metamorfoses da Natureza que foi libertado, a partir dos vapores de um pequeno vaso, por um dos discípulos. A sua mão alçada, semelhante à de um pintor segurando um pincel, será um gesto visionário, uma iluminação como a que as mãos do Buda têm o poder de revelar.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 13
segunda-feira 11.1.2021
azul - eu era além
José Simões Morais
Fernão de Magalhães no mar Arábico
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OI grande a repercussão que o descobrimento do caminho marítimo para a Índia obteve nos centros políticos e comerciais da Europa. Tanto na corte pontifícia e junto dos Reis Católicos, como nos principais sectores económicos da Itália e da Flandres, a notícia constituiu uma verdadeira revolução. Muitos agentes estrangeiros vieram estabelecer-se em Lisboa, onde procuravam recolher benefícios da compra e distribuição das especiarias. É evidente que a coroa de D. Manuel I quis de imediato assegurar o monopólio dos produtos orientais, servindo-se das estruturas financeiras e técnicas que reunira ao serviço da empresa. A ciência náutica foi logo colocada ao dispor da política régia, para garantir o êxito de novas viagens à região do Malabar. O que significa que um grupo de nautas experientes, incluindo pilotos, cartógrafos e mareantes, passou a trabalhar na <carreira da Via da Índia>, dispensando uma cobertura naval aos pequenos fidalgos e aos mercadores nacionais e estrangeiros que embarcavam com aquele destino”, refere Veríssimo Serrão. “A Cidade dos Doges [Veneza] viu-se, devido ao aparecimento no Índico das nossas esquadras, gravemente prejudicada em proveito de Lisboa e de Antuérpia - pois logo em 1501 concentrámos no grande porto flamengo avultadas exportações de mercadorias e em 1503 o negociante Tomé Lopes entende-se com alguns argentários e ali instala rendoso centro de distribuição de produtos. Pouco tardam a afluir, tanto à metrópole do Tejo como à do Escalda, os magnates da finância germânica e italiana - os Fugger, os Welser, os Hochstetter, os Imhof, os Frescobaldi, os Gualterotti - na mira de vantajosas transacções”, segundo João Ameal, que refere, tal como o Cairo, Alexandria, Beirute e Alepo, Veneza não se resignava e propôs-lhes uma aliança para combater os portugueses. “Vacila ainda o Sultão Kansuh el Ghuri em desencadear hostilidades contra nós, tão intenso receio lhe inspira o valor já bem atestado dos portugueses; mas busca intrigar e intimidar-nos com o envio a Roma do Prior do Convento de Monte Sinai, Fra Mauro, a prevenir o Papa Júlio II do propósito em que se encontra de exercer violentas represálias sobre a cristandade palestiniana e, também, de iniciar operações de guerra no Mediterrâneo caso o Rei de Portugal insista em manter no Índico as suas armadas, os seus núcleos fortificados, os seus estabelecimentos mercantis. Quando se conhecem em Lisboa estas
Lourenço de Almeida em finais de 1505 estava no Ceilão (Sri Lanka), a origem da canela, estabelecendo em Galé uma aliança com o reino de Kotte. Discutia-se fazer no Ceilão a capital da governação, pois de mais fácil defesa que Cochim, mas tal não foi avante. O primeiro Vice-Rei da Índia D. Francisco de Almeida (1505-09) mandou nos finais de 1506 uma expedição “para solucionar as divergências sobre a posse do trono de Quíloa, existentes entre Hocem e Micante”, segundo João Cosme, que refere ter Fernão de Magalhães nela participado. “Crê-se que regressou à Índia na nau S. Simão que, em 19 de Setembro de 1507, partiu de Sofala em direcção à costa do Malabar.” notícias, apercebe-se o Venturoso do vasto conluio dos adversários para nos expulsar das águas orientais.” A Lisboa chegou em Junho de 1505 Fra Mauro com o recado do Papa a exortar à desistência, mas já a armada partira e como resposta levou, estarem os portugueses decididos a avançar na empresa e substituir o eixo comercial Veneza, Alexandria, Meca, Calicute.
COM FRANCISCO DE ALMEIDA
Através de Afonso de Albuquerque, D. Manuel compreendeu a necessidade de alterar a estratégia no Oriente e aí ter uma organização de governação. Criou o cargo de Governador, como seu representante com autoridade na Índia portuguesa. A prioridade era dar apoio e protecção às embarcações no Mar Arábico e fazer alianças com os soberanos locais para estender a soberania a outras regiões, onde se deviam criar feitorias e erguer fortalezas. Além do Malabar, procurar abrir as rotas com o Ceilão, Malaca e Insulíndia, fonte das especiarias e no Golfo Pérsico tomar Ormuz. A primeira escolha de D. Manuel foi Tristão da Cunha, mas estando em momentânea cegueira substituiu-o por Francisco de Almeida, nomeado governador por um triénio, levando de Lisboa outor-
gado o título de Vice-Rei quando erguesse fortalezas em Cananor e Coulão. O Rei investiu uma enorme soma de dinheiro para erguer a armada, co-financiada pelos alemães Welser, sendo a finalidade assegurar o domínio português no Índico e aí impor o monopólio do comércio de especiarias, assim como criar estaleiros para a reparação de navios. A sétima armada à Índia, comandada por D. Francisco de Almeida, deixou o Tejo rumo ao Oriente a 25 de Março de 1505. Numa das 22 naus ia com 25 anos Fernão de Magalhães, um entre os 1500 soldados, fora a tripulação e onde seguia a primeira mulher a embarcar de Portugal, Iria Pereira, a acompanhar o marido António Real, mandatado alcaide-mor de Cochim. Na costa oriental de África, a 22 de Julho em Quíloa erguiam a fortaleza e a 15 de Agosto conquistavam e incendiavam Mombaça. Chegaram à ilha de Angediva em Setembro de 1505, fazendo um forte e depois a Cochim, onde se montou a sede da governação no Oriente e se instalou a residência de Governador, Casa da Fazenda, Casa dos Contos e Casa da Matrícula. Ainda nesse ano tomaram Cananor e construíram a fortaleza de Santo Ângelo.
Para travar as conquistas portuguesas realizadas nas costas ocidentais da Índia, o Sultão do Egipto enviou uma grande armada que, coligada com a do Sultanato de Deli e muçulmanos de Diu, em Janeiro de 1508 apanhou de surpresa no interior do porto de Chaul a frota de Lourenço de Almeida
DESASTRE DE CHAUL
Em missão de patrulhamento, D. Francisco de Almeida enviou em 1507 o filho Lourenço para Norte, pela costa ocidental da Índia, com a intenção de estrangular Cambaia, zona de grande comércio e cujos mercadores dominavam as rotas no Índico, com ligações do Golfo Pérsico até Malaca. Como a cidade de Cambaia era de impossível ataque, pois recuada da costa e cuja muralha no alto do monte controlava o porto, situado no interior do golfo, então, era preciso nas redondezas encontrar locais para impedir a navegação dos seus barcos. A atenção virou-se para a cidade de Chaul, no Decão e mais tarde, para a ilha de Diu, no Guzerate. Chaul, cujo Rei Nizamaluco era rival do vizinho Adil Khan de Goa, tinha no Rio Roha uma boa enseada onde os barcos portugueses aportaram pela primeira vez em 1505. Dois anos depois, Lourenço aí afundou sete navios do Samorim de Calicute. Para travar as conquistas portuguesas realizadas nas costas ocidentais da Índia, o Sultão do Egipto enviou uma grande armada que, coligada com a do Sultanato de Deli e muçulmanos de Diu, em Janeiro de 1508 apanhou de surpresa no interior do porto de Chaul a frota de Lourenço de Almeida e derrotou-a. Capturando algumas naus, mataram D. Lourenço e mais cem homens, conseguindo outros muito a custo regressar a Cochim. Como retaliação pela morte do filho, D. Francisco de Almeida em finais de 1508 foi aos domínios de Cambaia arrasar o porto de Dabul e Diogo Lopes de Sequeira, saído de Lisboa em Abril de 1508 ao comando da nona armada com a intenção de ir a Malaca, tentou, sem conseguir, construir em Chaul uma fortaleza.
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 6
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Destroços e bocados de corpos foram encontrados na zona onde desapareceu, ao largo da Indonésia, um avião Boeing 737-500 da companhia indonésia Sriwijawa, com 62 pessoas a bordo, disse ontem a polícia. “Esta manhã
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Cineteatro 9
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C I N E M A
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5 9 4 68 2 2 8 1 4 9 4 6 0 3 7 8 7 DEMON 6 SLAYER: 9 1 20 THE MOVIE KIMETSU NO YAIBA MUGEN 4 5 7 8 6 TRAIN [C] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: 3Sotozaki1Haruo 8 0 4 1 2 0 9 3 8 4 6 5 7 0 3 5 2 1 9 7 2 3 5 LOVE YOU FOREVER [B]
FALADO EM EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Yoyo Yao Com: Lee Hongchi, Li Yitong 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2
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THE NEW MUTANTS [B]
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14.30, 16.45, 17.15, 21.30
7 0 8 3 1 3 5 6 7 0 Um3 filme de: Josh Boone Com: Maisie4 Williams, 1 5Anya Taylor-Joy 2 9 Charlie Heaton, Alice Braga 14.30, 19.30 4 5 3 2 8 4 UNHINGED [C] 3 Um2 filme de:9 Derrick 0 Borte 1 Com: Russel Crowe 16.30, 6 21.302 9 5 7 3 1 8 7 4 6 5 9 123 0 2 4 6 7 9 86 0 8 1 4 6
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BAHT
recebemos dois sacos, um com objectos pertencentes aos passageiros e outro com bocados de corpos”, afirmou o porta-voz da polícia Yusri Yunus à cadeia de televisão Mero TV. A polícia está a “trabalhar nas identificações”,
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EURO
0 2 8 9 1 4 6 7 3 4 2 1 5 7 0 3 9 1 8 Protagonizado por Matt 4 6e Christoph 1 8 Waltz, 3 5 Damon “Downsizing” tem como 5 7 9 1 2 0 premissa uma solução original 3 para 5 7os problemas 0 9 6 ambientais resultantes do 6 9de 0população: 5 7 re-8 excesso duzir o tamanho 1 3 2 4das8pes-7 soas para pouco mais de 8 4 3 6 1 12 2centímetros. Alexander Payne, que também realizou 8 1 5 2 0 3 “Sideways”, trouxe de novo para 7o grande 4 3ecrã6um5filme9 pleno de humor negro com 0 6 do7qual4tudo2 um9argumento se pode esperar. Salpicado por algumas escolhas narrativas erráticas, “Downsizing” não é uma obra-prima, mas 9 1não8é um5desperdí0 2 também cio5 de tempo. Um bom 7 3 9 1filme8 para uma preguiçosa tarde de domingo. 2 6 0João4Luz 7 3
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indicou. Várias embarcações de equipas de socorro, forçasarmadas,bemcomohelicópterosemergulhadores, foram destacados para o presumível local do acidente, ao largo de Jacarta e perto de ilhas turísticas.
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DOWNSIZING | ALEXANDER PAYNE
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opinião 15
segunda-feira 11.1.2021
ai, portugal, portugal
ANDRÉ NAMORA
L
A pandemia tem de ir morrer longe
I muito do filósofo escocês David Hume, um homem excepcional que faleceu em 1776. A sua principal obra foi a “Investigação sobre os Princípios da Moral”. Cada vez que mais o lia mais discordava com ele, apercebendo-me que eu era uma formiga intelectual ao pé de um elefante. O genial David Hume teorizava sobre questões epistemológicas – aquelas que tratam da natureza do conhecimento. Seus pensamentos foram revolucionários o que o levou a ser acusado de heresia pela Igreja Católica por ter ideias associadas ao ateísmo e ao cepticismo. Compõs a famosa tríade do empirismo britânico, sendo considerado um dos mais importantes pensadores do chamado iluminismo escocês e da própria filosofia ocidental. Dizia que era impossível provar a existência de Deus. Opôs-se particularmente a Descartes e às filosofias que consideravam o espírito humano desde um ponto de vista teológico-metafísico. Assim David Hume abriu caminho à aplicação do método experimental aos fenómenos mentais. A sua importância no desenvolvimento do pensamento contemporâneo é considerável. Somente no fim do século XX os comentadores se empenharam em mostrar o carácter positive e construtivo do seu projecto filosófico. Mas, ó André, a que propósito vens com filosofias? Não seria empírico falares sobre o que nos desgosta em Portugal? Precisamente, apresentei-vos David Hume porque ele escreveu uma vez que nada se destruía ou tudo desapareceria. Discordei logo dele. Primeiramente, não concebo que muitas coisas não se destruam quando, por exemplo, entre milhares de factos, estamos desde Março a aturar e a sofrer com uma pandemia que já matou milhões de pessoas em todo o mundo. O confinamento foi terrível e levou um amigo meu ao suicídio, o que aconteceu com tantos humanos que não aguentaram o enjaulamento caseiro e a progressiva deterioração na relação com a companheira ou vice-versa, tendo, alguns, os filhos pelo meio a enlouquecer o cérebro dos pais. Uma pandemia que nos trouxe a covid-19, algo ainda hoje inexplicável. O Coronavírus pulula pelo mundo há anos e a ciência tem andado sempre no seu alcance e no seu controlo. De repente, foi denominado de covid-19 e começou a matar humanos por todo o mundo, particularmente nos EUA, Brasil, China e Índia. As especulações são imensas: guerra entre americanos e chineses com o objectivo da destruição económica, anulação de metade da população de velhos no mundo em especial porque os governos já não têm dinheiro para pagar as reformas e para sustentar os organismos de apoio à saúde, uma tentativa da China de colocar Donald Trump na ordem ou no jazigo,
farmacêuticas e laboratórios que viram a porta aberta para a angariação de biliões de dólares, enfim, uma panóplia de teorias de conspiração que levou às mais variadas opiniões de especialistas, cientistas, simples clínicos, comentadores de televisão e até políticos, esses incompetentes que nem das suas tutelas entendem quanto mais de uma pandemia. Ainda bem que já estamos em 2021, um novo ano que nos leva a ter esperança que tudo poderá melhorar. É uma esperança, porque se um rochedo dos Himalaias ou da Serra da Estrela dá razão a David Hume em nunca se destruir e assistirem à vivência milenar de gerações atrás de gerações, também temos de pensar que o vírus tem de desaparecer
Desculpa, meu admirado David Hume, algo tem de terminar para bem de todos nós. Não podemos continuar a sofrer como tem acontecido desde Março do ano passado. A pandemia tem de ir morrer muito longe...
para Júpiter ou Saturno, mas que não nos mate mais. Agora assistimos ao negócio das vacinas. Esperemos que a ciência ganhe a batalha e que o inacreditável da criação de uma vacina em tão pouco tempo possa dar o efeito desejado, mesmo que seja um dos maiores negócios lucrativos do globo. O ano que terminou nem queremos lembrá-lo. Mudou o mundo, as pessoas, as estruturas, os pensamentos, os investimentos. Mudou a estabilidade de milhares de empresas. Deixou milhares no desemprego. Obrigou patrões pela primeira vez a despedirem trabalhadores fiéis de dezenas de anos com as lágrimas nos olhos. Obrigou jornais e revistas a encerrar. Obrigou casais a divorciarem-se porque a maioria dos homens nunca esteve habituada a não sair à noite para tomar um copo com as amigas e amigos. Obrigou os políticos a mentir nos números de infectados e de óbitos no respeitante à covid-19. Obrigou os médicos e enfermeiros a trabalhar como nunca pensaram e a sofrer desmesuradamente por se sentirem impotentes quando os seus doentes lhe morriam nos braços devido a esse vírus maldito. Por aqui, em Portugal, ai, meus leitores de Macau. A situação é horrível. Não houve Natal, não se festejou a passagem de ano, os restaurantes têm ido à falência, os hotéis
estão vazios, os táxis estão sem clientes, os cabeleireiros nem sabem se os seus clientes mais idosos morreram ou não saem de casa desde Março. Meus amigos, que conhecem Portugal, dizer-vos que aquelas tascas maravilhosas à beira das estradas que serviam bifanas e pregos de provocar a lambidela dos dedos também têm encerrado as portas. Estão a morrer quase 80 pessoas por dia. O recorde de infectados chegou quase aos oito mil em 24 horas. Que o novo ano venha cheio de sorte, fé, amor e saúde! Que encha os nossos dias de força, de coragem e de pessoas de luz nas nossas vidas! Que nos ajude a manter o foco e a fé no que realmente importa! Que alivie o peso das lutas e nos traga paz! Que nos faça acreditar que aconteça o que acontecer, há sempre um sol por detrás dos dias escuros e nublados... há sempre! E que todos nós, em 2021 possamos dizer: fuck... estou a viver o melhor ano da minha vida, Desculpa, meu admirado David Hume, algo tem de terminar para bem de todos nós. Não podemos continuar a sofrer como tem acontecido desde Março do ano passado. A pandemia tem de ir morrer muito longe...
*Texto escrito com a antiga grafia
“Nada de grande se faz sem sonho.” Ernest Renan
segunda-feira 11.1.2021
PALAVRA DO DIA
Missão atribulada COVID-19 CHINA E OMS AINDA NÃO ACORDARAM DATA PARA DESLOCAÇÃO DE ESPECIALISTAS
ELEIÇÕES | HONG KONG PORTUGUESES SEM HIPÓTESES DE VOTAR DEVIDO À PANDEMIA
O
S portugueses que residem em Hong Kong não vão conseguir votar nas eleições presidenciais marcadas para 24 de Janeiro por causa das restrições da pandemia, disse à Lusa o cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong. “Em Hong Kong não haverá mesas de voto. Infelizmente os portugueses residentes em Hong Kong não terão hipótese de votar para as presidenciais, uma vez que o voto é apenas presencial”, explicou Paulo Cunha-Alves. O cônsul precisou que, devido às restrições da pandemia, os portugueses a residir em Hong Kong apenas poderiam votar em Macau se cumprissem previamente no território 21 dias de quarentena. E quando regressassem a Hong Kong, acrescente-se, seriam obrigados a cumprir uma outra quarentena, de 14 dias. Já em Macau, serão tomadas simplesmente “as medidas habituais, já em curso”: “uso de máscara, medição de temperatura à entrada da chancelaria e recomendação aos votantes para manterem uma certa distância social”. As eleições presidenciais estão marcadas para 24 de jJaneiro de 2021, mas é possível votar antecipadamente entre 12 e 20 de Janeiro. Esta possibilidade destina-se a pessoas em confinamento domiciliário devido à pandemia de covid-19, emigrantes ou trabalhadores deslocados no estrangeiro e outros cidadãos que prefiram exercer o seu direito noutra assembleia de voto que não a sua em todo o país (17 de Janeiro numa qualquer autarquia). Hong Kong registou mais de nove mil infectados e de 150 mortos desde o início da pandemia.
Índia Dez bebés mortos em incêndio em maternidade
PUB PUB.
Pelo menos dez bebés morreram sábado num incêndio ocorrido numa maternidade, no estado indiano de Maharashtra, no oeste da Índia, disse um médico. O pessoal conseguiu socorrer sete recém-nascidos no hospital do distrito de Bhandara (centro), mas não os dez bebés, disse Pramod Khandate, acrescentando que "o fumo sufocou os bebés". Os bombeiros conseguiram impedir a propagação do incêndio, com origem na unidade neonatal, a outras zonas do hospital. "Tragédia em Bhandara, Maharashtra, onde perdemos jovens vidas preciosas", escreveu o primeiro-ministro indiano, Narenda Modi, na rede social Twitter. O líder da oposição Rahul Gandhi disse tratarem-se de mortes "extremamente trágicas". As autoridades ordenaram já um inquérito, na sequência de mais um acidente num estabelecimento hospitalar. Em 2011, mais de 90 pessoas morreram num incêndio, num hospital em Calcutá, no estado de Bengala Ocidental, no leste do país.
A
China e a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda não chegaram a acordo sobre a nova data para a missão que deveria ter viajado esta semana até ao país para investigar a origem do novo coronavírus. O director da OMS, Tedros Ghebreyesus, disse, contudo, acreditar que haverá um consenso sobre a nova data da missão, na próxima semana, reconhecendo o atraso nas negociações com Pequim.
“Estamos em contacto com as autoridades chinesas, que concordaram em fornecer as datas específicas da viagem nos próximos dias. Esperamos, nessa altura, que a questão fique resolvida”, explicou Ghebreyesus, durante uma conferência de imprensa em Genebra. O director de Emergências de Saúde da OMS, Mike Ryan, acrescentou nessa mesma conferência de imprensa que os dois membros da missão que já tinham iniciado a sua
viagem para a China no início desta semana voltaram aos seus locais de origem, enquanto se resolve o problema, que, segundo Pequim, se deveu a um “mal-entendido”. “Esperamos que os planos continuem e que a colaboração com os nossos colegas na China continue”, concluiu Ryan.
TENSÕES E DECEPÇÕES
Na terça-feira, numa rara demonstração de tensões entre a OMS e o Governo chinês, Tedros Ghebreyesus disse estar
“muito decepcionado” com os obstáculos colocados pelas autoridades chinesas à chegada dos especialistas, para uma missão que sofreu meses de atrasos e tem estado rodeada por secretismo de ambas as partes. A missão é formada por especialistas ligados à OMS, à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e à Organização Mundial de Saúde Animal, tendo como principal objectivo viajar até Wuhan, onde foram
notificados os primeiros casos de covid-19, no final de 2019. Cientistas dos Estados Unidos, Japão, Rússia, Reino Unido, Holanda, Dinamarca, Austrália, Vietname, Alemanha e Qatar farão ainda parte desta missão. Equipas de especialistas da OMS já visitaram a China, em Fevereiro e Julho do ano passado, para investigar as origens do novo coronavírus, embora em ambas as ocasiões poucos pormenores tenham sido divulgados.
Tedros Ghebreyesus “As autoridades chinesas concordaram em fornecer as datas específicas da viagem nos próximos dias. Esperamos, nessa altura, que a questão fique resolvida.”
COREIA DO NORTE REVISTAS REGRAS DO PARTIDO ÚNICO
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Coreia do Norte concluiu uma revisão das normas do partido único, nas quais destacou a importância de possuir "poderosas capacidades de defesa" e definiu a realização de um congresso quinquenal, foi ontem noticiado. A revisão foi adoptada ao quinto dia do oitavo congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia, que decorreu em Pyongyang, no sábado, indicou a agência estatal oficial de notícias KCNA, um dia depois
do regime norte-coreano ter definido os Estados Unidos como o "maior inimigo" e prometido reforçar o arsenal nuclear. "As poderosas capacidades de defesa serviriam para conter as ameaças militares e salvaguardar a estabilidade e um ambiente pacífico na península da Coreia", de acordo com a KCNA. O partido único norte-coreano decidiu também autorizar a convocação da comissão militar apenas com a presença "dos membros necessários, sem ter em conta a
taxa de assistência" para garantir na prática "a rapidez na discussão de assuntos militares urgentes", acrescentou. No congresso partidário, ainda a decorrer e sem dia anunciado para a conclusão, a Coreia do Norte também decidiu restabelecer secretarias no conselho de política executiva, anteriormente eliminadas. O partido decidiu ainda realizar congressos a cada cinco anos, anunciados vários meses antes. O oitavo congresso começou na terça-feira, quase cinco anos de-
pois da realização do sétimo, em maior de 2016. Então, a sessão foi a primeira a realizar-se em 36 anos. Vários analistas disseram esperar que esta importante reunião política sirva para lançar alguma luz sobre a posição do regime relativamente ao programa nuclear e à mudança de Governo nos Estados Unidos. No entanto, o regime optou até agora por permanecer em silêncio sobre a vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais norte-americanas.