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Hoje Macau 10 SETEMBRO 2021 #4851

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HÓSPEDE INDISCRETO

CIDADES DO PASSADO

ANABELA CANAS

VALÉRIO ROMÃO

GONÇALO M. TAVARES

hoje macau

Nº 4851 SEXTA-FEIRA 10-9-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

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UMA BALA, AS CASAS

IRREDUTÍVEIS

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Estamos no ano 2021 DC. Todo o planeta está a aliviar as restrições de circulação impostas pela covid-19. Todo? Não! Uma pequena região habitada por irredutíveis chineses resiste ainda e sempre a qualquer espécie de mudança. PÁGINA 5

HENGQIN

ORÇAMENTO | JOGO

GRANDE PLANO

PÁGINA 4

O LUGAR DA HISTÓRIA

DESCER À TERRA

DSAMA | JUSTIÇA

MALAS DE CONDENAÇÃO PÁGINA 6

ELEIÇÕES

A ESCOLHA É SUA CENTRAIS


2 grande plano

GCS

Os planos de cooperação para as zonas de Hengqin e Qianhai foram ontem oficialmente apresentados pelo gabinete de informação do Conselho de Estado. André Cheong, secretário para a Administração e Justiça, destacou a “oportunidade histórica” que o projecto representa para a diversificação económica do território e para os residentes, sobretudo em termos de oportunidades de emprego e negócios

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HENGQIN PLANO DE COOPERAÇÃO É “OPORTUNIDADE HISTÓRICA”, DIZ ANDRÉ CHEONG

As prendas de

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MA grande oportunidade para Macau diversificar a economia e para potenciar o mercado de trabalho e as chances de negócio. Para o Governo da RAEM, estas são as grandes vantagens do plano de cooperação com Hengqin, ontem oficialmente apresentado em conferência de imprensa em Pequim, promovida pelo gabinete de informação do Conselho de Estado. O evento serviu também para apresentar o plano de criação da zona de cooperação económica entre Qianhai, Shenzhen e Hong Kong. André Cheong, secretário para a Administração e Justiça, disse que a ligação a Hengqin constitui uma “oportunidade histórica” e apresentou quatro acções que o Governo pretende desenvolver a curto prazo. “Em primeiro lugar, [iremos] estudar com seriedade e dominar com precisão as linhas orientadoras das políticas da construção da Zona de Cooperação Aprofundada, a fim de estabelecer uma base para os trabalhos subsequentes”. Segue-se a promoção do plano e a apresentação do seu conteúdo “aos diversos sectores da sociedade”, para que “a população em geral conheça o grande significado da construção” da zona de cooperação. Uma das ideias-chave do projecto é o desenvolvimento das “vantagens próprias [de Macau] em conjunto com a província de Guangdong, de modo a construir uma grande sinergia” que irá proporcionar uma “conjuntura que favorece a cooperação e ganhos mútuos”. O Executivo da RAEM prometeu “empenhar-se na implementação” do projecto de cooperação e “dividir bem as tarefas”, além de “clarificar as responsabilidades dos serviços”. André Cheong referiu ontem que o plano de Hengqin traduz “uma nova dinâmica na oferta de novos espaços e na criação de novas oportunidades para o desenvolvimento de Macau a longo prazo”. Para o governante, a concepção do projecto “é inovadora” e traz “uma grande reforma”, com “um amplo âmbito de aplicação”.

Está em causa o estabelecimento “de uma nova plataforma para promover o desenvolvimento da economia de Macau” e de “um novo espaço para facilitar a vida e o emprego dos residentes de Macau”. O plano de cooperação com Hengqin visa ainda “enriquecer a prática do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ e proporcionar um novo patamar para impulsionar a construção da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”.

Espaço para os jovens

Em resposta aos jornalistas ontem em Pequim, André Cheong destacou ainda que as indústrias fundamentais a desenvolver no âmbito do plano de cooperação passam pela medicina tradicional chinesa, área financeira, convenções e exposições e alta tecnologia.

“O presidente Xi Jinping referiu que um dos objectivos da zona de cooperação com Hengin é apoiar o desenvolvimento da economia de Macau. E para levarmos a cabo este plano temos de ter esta ideia

“O Governo de Hong Kong vai adoptar um plano de emprego para a juventude na Grande Baía, a fim de encorajar e apoiar os licenciados a encontrar empregos nestas cidades, incluindo Qianhai.” JOHN LEE KA-CHIU SECRETÁRIO PARA A ADMINISTRAÇÃO DA RAEHK

em mente. Vamos ter em consideração as vantagens de Macau e as expectativas dos residentes”, apontou o governante. Os dirigentes deram também grande destaque às oportunidades geradas para os jovens que pretendem estudar, trabalhar e viver em Hengqin e também nas cidades da Grande Baía, sem esquecer os que querem abrir negócios. “Temos adoptado políticas em matéria de recrutamento, reconhecimento mútuo de qualificações profissionais, coordenação de sistemas de segurança social e planos de impostos. Com estas medidas temos vindo a alargar o mercado de emprego de Guangdong aos jovens de Hong Kong e Macau, para que desfrutem de igualdade de oportunidades em relação aos cidadãos de Guandgong”, disse


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Pequim

Anunciado no domingo, o plano de cooperação com Hengqin foi aprovado pelo Comité Central do Partido Comunista da China e pelo Conselho de Estado, e abrange uma área de 106 quilómetros quadrados. Além de apontar à mudança da economia de Macau, o plano visa também reforçar a Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau. Além dos quatro sectores chave já mencionados, inclui-se ainda a criação de vários incentivos fiscais e medidas para atrair quadros qualificados.

Lin Keqing, membro permanente do Comité Provincial e vice-governador executivo da província de Guangdong. André Cheong adiantou que o Governo da RAEM tem “apoiado os jovens a começarem negócios em Hengqin” e destacou que já existem mais de 500 projectos implementados em termos de incubadoras de negócios, bem como programas de apoio ao empreendedorismo. Para o secretário, “um dos principais papéis de Hengqin será facilitar a vida dos residentes de Macau”. “O Governo vai criar maiores condições para que os residentes de Macau possam viver e trabalhar em Hengqin. Vamos encorajar os jovens a irem para lá PUB.

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e fazerem lá os seus estudos, e também trabalhar. O plano vai mudar a estrutura económica de Macau e criar mais empregos para os jovens de Macau”, frisou o governante.

“O plano de Hengqin traduz “uma nova dinâmica na oferta de novos espaços e na criação de novas oportunidades para o desenvolvimento de Macau a longo prazo.” ANDRÉ CHEONG SECRETÁRIO PARA A ADMINISTRAÇÃO E JUSTIÇA

Felicidade em Qianhai

O lugar dos jovens foi também referido por John Lee Ka-chiu, secretário para a Administração da Região Administrativa Especial de Hong Kong. “A China promove estas acções na área do empreendedorismo, o que dará muitas oportunidades aos jovens de Hong Kong. Estas políticas têm atraído muitos jovens de Hong Kong para abrirem startups e incubadoras”, disse, referindo-se ao projecto de criação da zona de cooperação económica entre Qianhai, Shenzhen e Hong Kong. “Com o apoio da província de Guangdong, o Governo de Hong Kong vai adoptar um plano de emprego para a juventude na Grande Baía, a fim de encorajar e apoiar os licenciados a encontrar empregos

“O Governo vai criar maiores condições para que os residentes de Macau possam viver e trabalhar em Hengqin. Vamos encorajar mais jovens a irem para lá e fazerem lá os seus estudos, e também trabalhar.” ANDRÉ CHEONG SECRETÁRIO PARA A ADMINISTRAÇÃO E JUSTIÇA

nestas cidades, incluindo Qianhai”, disse John Lee Ka-chiu. O governante concluiu que a zona económica especial “vai trazer maiores desenvolvimentos para a juventude de Hong Kong”, e afirmou que o Governo liderado por Carrie Lam irá “continuar a implementar programas com foco na juventude, em prol da sua integração em todo o país”. A zona económica especial vai ter uma expansão para um limite máximo de 120 quilómetros quadrados e a ideia é atrair universidades de Hong Kong, Macau e também do estrangeiro para que estabeleçam polos. O foco é também dirigido para

empresas do sector financeiro, uma vez que Hong Kong é, desde há muito, um importante centro financeiro na Ásia e a nível global. O objectivo é que, em 2035, “Qianhai proporcione um ambiente de negócios de nível mundial e que seja um local de desenvolvimento de alta qualidade com grande capacidade de alocação de recursos, trazendo inovação e desenvolvimento em matéria de coordenação”, lê-se no plano, citado pelo canal RTHK. Na conferência de imprensa de ontem estiveram presentes Cong Liang, subdirector da Comissão Nacional para o Desenvolvimento e Reforma e subdirector do Gabinete do Grupo de Líderes para o Desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, bem como Xu Hongcai, vice-ministro das Finanças da China. Participaram também Pan Gongsheng, vice-governador do Banco da China e director da Administração Estatal de Divisas Estrangeiras, bem como Zhou Zhiwu, subdirector da Administração Geral da Alfândega, e ainda Tan Weizhong, vice-secretário geral do Comité Municipal de Shenzhen e presidente do Município. Andreia Sofia Silva


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ELEIÇÕES CANDIDATOS DO SECTOR INDUSTRIAL QUEREM VACINAÇÃO EM MASSA

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ORÇAMENTO GOVERNO VAI REVER AS ESTIMATIVAS DE RECEITAS DO JOGO

Com os pés na terra

O Executivo vai ajustar as estimativas de receitas anuais do jogo. O secretário para a Economia e Finanças adiantou que o orçamento para 2021 será revisto para reflectir o efeito devastador dos casos locais de covid-19, verificados no início de Agosto

O

orçamento da RAEM para 2021 aponta para uma estimativa de 130 mil milhões de patacas de receitas anuais da indústria do jogo de Macau, meta que parece cada vez mais difícil de alcançar, à medida que 2021 se aproxima do último trimestre. Recorde-se que nos primeiros oitos meses do ano, os casinos amealharam 61,9 mil milhões de patacas, menos de metade da estimativa anual. Face à cruel frieza dos números, e após algumas vozes críticas terem alertado para a missão quase impossível, Lei Wai Nong anunciou na quarta-feira que o Governo irá “definitivamente” rever, até ao final do ano, as estimativas das receitas do jogo e submeter um orçamento rectificativo à Assembleia Legislativa.

Em declarações citadas pelo canal chinês da Rádio Macau, o secretário para a Economia e Finanças afirmou que a revisão foi forçada pelos recentes “acontecimentos”, que marcaram a ordem do dia em Macau, referindo-se ao surto local de infecções por covid-19, que levou à paralisia da cidade, com a realização de testes de ácido nucleico a toda a população. O governante adiantou que a nova estimativa ainda está a ser calculada, mas reforçou a esperança do Executivo quanto aos resultados do sector do jogo ao longo dos próximos dois meses.

Questões médias

Lei Wai Nong afirmou também que na terça-feira passada, Macau registou a entrada de 24.000 visitantes, número que contrasta com a média diária

de 21.000 entradas na primeira metade do ano. A posição assumida pelo Executivo chegou em sintonia com divulgação dos dados da Direcção dos Serviços Financeiros revelando que foram arrecadados aproximadamente 2,56 mil milhões de patacas em impostos oriundos do sector dos casinos

Lei Wai Nong adiantou que a nova estimativa ainda está a ser calculada, mas reforçou a esperança do Executivo quanto aos resultados do sector do jogo ao longo dos próximos dois meses

em Julho. A quantia representa uma quebra acentuada, 36,3 por cento, em relação aos impostos correspondentes a Junho, quanto os casinos pagaram mais de 4 mil milhões de patacas em impostos. No final de Julho, Lei Wai Nong mantinha a estimativa anual de receitas do jogo, indicando que o segundo semestre de 2021 seria determinante para a recuperação. Na primeira metade do ano, as receitas atingiram as 49 mil milhões de patacas, o que representava menos 25 por cento das estimativas do Governo. Na altura, o secretário apostou que “os períodos prósperos” se iriam “concentrar no segundo semestre, nomeadamente, nas férias de Verão, na semana dourada do Dia Nacional [da China], no Grande Prémio de Macau, bem como nas férias tradicionais em Dezembro”.

S candidatos que concorrem ao sufrágio indirecto no sector industrial e comercial, Kou Hoi In, José Chui Sai Peng, Ip Sio Kai e Wang Sai Man, querem que o Governo impulsione a vacinação em massa contra a covid-19. Os elementos da lista União dos Interesses Empresariais de Macau entendem que a inoculação é um passo essencial para acelerar a fluidez das passagens transfronteiriças com o Interior da China e Hong Kong, principalmente tendo em conta que a taxa de vacinação de Macau é muito baixa em comparação com as regiões vizinhas. Em declarações ao jornal Cidadão, os deputados apresentam outras receitas para a retoma económica, em especial com atenção para as Pequenas e Médias Empresas (PME), sector que auscultaram e atravessa uma situa-

ção “muito urgente”. Além dos apoios ao consumo e da organização de eventos culturais e recreativos que atraiam visitantes, o quarteto pró-Governo pede flexibilidade na fiscalização a PMEs, com mais avisos em vez de multas. Os legisladores mencionaram também queixas de comerciantes quanto às restrições fronteiriças impostas pelo Governo para fazer face à pandemia, que impossibilitam a vinda de clientes internacionais e de todas as províncias da China. O grupo de deputados pró-Governo, que inclui o presidente da Assembleia Legislativa, propõe ainda a isenção ou reembolso de despesas de licenças de agências de viagem e autocarros turísticos, a redução de custo de licenciamento para empresas e agentes do sector imobiliário e aprovação mais rápida de blue cards. N. W.

Cartão de consumo Inquérito revela apoio limitado para comerciantes

Um inquérito realizado pelo Centro da Política da Sabedoria Colectiva revela que o cartão de consumo não trouxe um grande apoio aos comerciantes, uma vez que 50 por cento dos entrevistados referiram que a ajuda foi limitada. No entanto, 80 por cento dos entrevistados disse que o programa do cartão de consumo lhes foi benéfico. Por sua vez, 65 por cento dos comerciantes afirmou que a pandemia teve um impacto negativo nos negócios, através da redução de clientes, contratos e aumento de custos com rendas e matérias-primas. O estudo conclui também que 40 por cento dos entrevistados não confia na recuperação da economia no próximo ano para níveis pré-pandemia. O inquérito contou 1.061 respostas válidas, tendo sido realizado entre os dias 26 de Julho e 3 de Agosto. A equipa responsável pela realização do estudo sugere que o Governo aposte em medidas que possam transformar o sector das pequenas e médias empresas, nomeadamente através do fomento do comércio electrónico.


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Gripe aviária Autoridades notificadas de um caso em Guangxi Os Serviços de Saúde foram notificados pelo Departamento de saúde do Interior da China de um caso de infecção humana pela gripe aviária H5N6 na Região Autónoma da Etnia Zhuang de Guangxi. Segundo um comunicado publicado ontem, o caso foi identificado numa pediatra de 48 anos, residente na cidade de Liuzhou, da Região Autónoma

da Etnia Zhuang de Guangxi. A doente manifestou sintomas, no dia 25 de Agosto e foi internada a 29 de Agosto e encontra-se em estado crítico. Segundo o historial epidemiológico, a paciente teve contacto com aves domiciliárias antes do início de sintomas. Face a este aviso, os Serviços de Saúde “apelam aos residentes que evitem o

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contacto com aves e tenham atenção à higiene individual e alimentar”. Desde Abril do ano 2014, foram registados casos confirmados de infecção humana pela gripe aviária H5N6, nas Províncias de Sichun, Cantão (Guangdong), Yunnan, Hubei, Hunan, Anhui, Região Autónoma da Etnia Zhuang de Guangxi e Província de Jinagsu.

HK “Pouco provável” abrir fronteiras com Interior antes de Abril Deverá ser pouco provável que Hong Kong e China cheguem a um acordo para relaxar as medidas transfronteiriças no âmbito da covid-19 antes de Março ou Abril, relata o South China Morning Post, citando uma fonte próxima das negociações, ligada ao Governo de Guangdong, que disse que não haverá mudanças a curto

prazo, uma vez que a China ainda está a recuperar de uma série de surtos de covid-19. Especialistas ouvidos pelo jornal defendem que a abertura de fronteiras de Hong Kong deverá acontecer mediante uma maior taxa de vacinação e a manutenção da política de “zero casos” de infecção. Tam Yiu-chung, delegado de Hong Kong

à Assembleia Popular Nacional, disse esta quarta-feira estar optimista quanto à possibilidade de se vacinarem cinco milhões de residentes de Hong Kong até ao final deste mês. Tal medida, a concretizar-se, poderá convencer as autoridades de Pequim e de Guangdong a relaxar as medidas transfronteiriças, defendeu.

HONG KONG ESTRANGEIROS AUTORIZADOS A ENTRAR EM MACAU

Uma via possível

A partir de 15 de Setembro, cidadãos estrangeiros que tenham permanecido 21 dias em Hong Kong podem requerer uma autorização para entrar em Macau, mediante o cumprimento de quarentena de 14 dias. Reciprocidade do plano de Hong Kong que isenta residentes de quarentena, não está, para já, a ser equacionado no regresso a Macau

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Leong Iek Hou, médica “Só vamos autorizar pessoas que precisem de vir a Macau tratar de assuntos de grande importância.”

O seguimento da melhoria da situação epidemiológica de Hong Kong, os Serviços de Saúde anunciaram que a partir de 15 Setembro, será permitida a entrada de estrangeiros em Macau, mediante a autorização prévia das autoridades, caso tenham permanecido no território vizinho durante 21 dias e realizem uma quarentena de 14 dias à entrada. “Devido à melhoria da situação epidémica em Hong Kong, pretendemos levantar as restrições para os não residentes estrangeiros em Hong Kong que já permaneceram [lá] durante 21 dias e nunca saíram para outros lugares. [Estas pessoas] podem requerer a sua entrada para entrar em Macau”, começou por partilhar ontem Leong Iek Hou, coordenadora do Núcleo de Prevenção e Doenças Infecciosas e Vigilância da Doença. Segundo explicou a responsável, durante a habitual conferência de imprensa sobre a covid-19, os destinatários da medida são todos os estrangeiros com autorização de residência ou permanência, familiares de residentes com autorização de permanência, cônjuges ou parentes próximos de indivíduos que se encontrem em Macau, alunos admitidos em estabelecimentos de ensino superior em Macau e ainda, outros casos considerados excepcionais. Os pedidos de entrada podem ser submetidos a partir do dia 15 de Setembro, sendo que as primeiras entradas de estrangeiros em Macau estão agendadas para cinco dias depois, a 20 de Setembro. Os pedi-

dos relacionados com cônjuges ou reunião familiar devem ser feitos através do website dos Serviços de Saúde pelos residentes de Macau. Pedidos de outro teor devem ser apresentados por entidades sediadas em Macau. “Só vamos autorizar pessoas que precisem de vir a Macau tratar de assuntos de grande importância e não prevemos que haja uma grande procura”, antecipou Leong Iek Hou.

Sem “V” de volta

Embora as autoridades de Hong Kong tenham anunciado que a

VACINAR DEVAGAR Os Serviços de Saúde anunciaram que até às 16 horas de ontem tinham sido inoculadas 613 mil doses da vacina contra a covid-19, havendo 284 mil pessoas vacinadas com as duas doses. Tendo em conta que, de acordo com os dados mais recentes, a população de Macau era composta por 682 mil habitantes, a percentagem de vacinados corresponde a 41,6 por cento da população, faltando ainda vacinar mais de 8,0 por cento do total de residentes para que metade da população esteja completamente inoculada.

partir de 15 de Setembro os residentes de Macau podem requerer uma das quotas diárias do plano “Come2HK” para ficar assim isentos de quarentena ao entrar no território vizinho, Leong Iek Hou revelou que, para já, não está a ser ponderada uma medida semelhante em sentido contrário. A responsável confirmou assim que os residentes que pretendam gozar da isenção de quarentena para entrar em Hong Kong, terão de ficar em observação médica durante 14 dias no regresso a Macau. Sobre a abertura da circulação entre Macau, Hong Kong e o Interior da China, Leong Iek Hou apontou que continuam a não estar reunidas as condições necessárias. “Quem participa no plano [Come2HK] não precisa de fazer quarentena na ida, mas, no sentido contrário, essas pessoas estão sujeitas a quarentena de 14 dias. Já explicámos muitas vezes a questão da livre circulação entre Macau, Hong Kong e o Interior da China (…) e o facto de que, para mantermos o livre trânsito entre a China e Macau, temos de cumprir as actuais medidas de prevenção [em vigor]”, referiu a médica. Durante a conferência de imprensa foi ainda revelado que a mãe das duas crianças identificadas como a fonte do mais recente surto de covid-19 em Macau, teve ontem alta. Pedro Arede


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PORTUGUÊS UNIVERSIDADES DE LISBOA, MACAU E PEQUIM FORMAM ALIANÇA DE ENSINO

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Universidade de Lisboa, a Universidade de Macau e a Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim assinaram um protocolo para a criação da Aliança Universitária para o Ensino de Língua Portuguesa na China, foi divulgado ontem. A iniciativa marca “a criação oficial da Aliança, organização esta que irá apostar em elevar o nível da cooperação na área do ensino da língua portuguesa na China”, de acordo com um comunicado da Universidade de Macau (UM). As universidades vão “desenvolver cooperação na formação de profissionais de qualidade, recrutamento estudantil e futuro emprego, investigação científica, inovação colaborativa e serviços sociais, entre outras áreas”, acrescentou.

O vice-reitor da UM, Rui Martins, sublinhou que a aliança universitária vai “desempenhar plenamente o seu papel como ponte de ligação entre a China e os países de língua portuguesa”, com o objectivo de aprofundar a cooperação no domínio do ensino do português. A organização sem fins lucrativos foi proposta pela UM e vai procurar potenciar vantagens de cada uma das instituições “nos domínios de ensino e investigação científica de língua portuguesa, fomentando a compartilha e a produção conjunta de recursos, e promovendo uma cooperação mais aprofundada entre os membros na formação de quadros qualificados e na inovação científico-tecnológica”, indicou a mesma nota.

AMCM EMPRÉSTIMOS PARA HABITAÇÃO AFUNDARAM EM JULHO

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montante dos novos empréstimos hipotecários para habitação teve uma quebra de 50,7 por cento em Julho deste ano, em comparação com o período homólogo de 2020. Os dados foram publicados ontem pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Em Julho deste ano os bancos emprestaram 4,11 mil milhões de patacas, enquanto que no mesmo mês em 2020 o montante tinha sido de 8,33 mil milhões de patacas, mais do dobro. No entanto, a comparação entre Junho e Julho deste ano mostra um aumento dos empréstimos para a habitação de 6,7 por cento de 3,85 mil milhões para 4,11 mil milhões. No sentido oposto, houve um crescimento de dez vezes

do valor dos empréstimos para actividades comerciais. Os novos empréstimos para negócios atingiram em Julho 11,04 mil milhões de patacas. Há um ano, 1,41 mil milhões de patacas foram emprestados com propósito comercial. A tendência de subida foi igualmente verificada quando se compara Junho com Julho, neste caso de 39,5 por cento, de 7,91 mil milhões para 11,04 mi milhões de patacas com fins comerciais. J. S. F.

Trânsito Condenada por atropelamento

Uma residente do território foi ontem condenada a um ano e três meses de prisão, com pena suspensa, por ter atropelado um idoso na passadeira. Em tribunal foi dado como provado que a mulher cometeu o crime de ofensa grave à integridade física por

negligência, acusação que a infractora confessou em julgamento. “A culpada devia ter abrandado porque se aproximava de uma passadeira e, depois, parado, para deixar passar os peões”, afirmou a juíza Leong Fong Meng. “Espero que no futuro sempre que circular perto de passadeiras seja mais cuidadosa”, vincou. Além da condenação, devido aos danos morais e físicos, a seguradora da mulher foi obrigada a 470 mil patacas de indemnização à vítima, um homem com 65 anos, que como consequência do acidente sofreu um traumatismo craniano.

DSAMA EX-SUBDIRECTOR ABSOLVIDO DO CRIME DE CORRUPÇÃO

Calhou aos outros

Vong Ka Fai foi absolvido do crime de corrupção em relação a um contrato por ajuste directo atribuído à empresa China Overseas. Tong Vun Ieong, chefe de divisão da DSAMA, e Lao Weng U, ex-chefe de divisão, foram condenados a pena de prisão efectiva por terem recebido malas da Chanel

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ONG Ka Fai, ex-subdirector da Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA), foi absolvido do crime de corrupção, no âmbito da de um contrato atribuído à empresa China Overseas. A leitura da sentença decorreu ontem no Tribunal Judicial de Base (TJB), e entre os cinco arguidos, todos ligados à DSAMA, só Tong Vun Ieong, chefe de divisão, e Lao Weng U, ex-chefe de divisão, foram considerados culpados. No caso do subdirector, e apesar de ter sido considerado que houve corrupção, o acórdão lido pela juíza Leong Fong Meng indicou que não foram apresentadas provas suficientes para ligar o arguido ao acto ilícito. “O subdirector da DSAMA estava ciente que não havia licenças para as embarcações actuarem [...] Mas não há provas para dizer que praticou o acto”, foi lido.

Adecisão agradou a Vong e ao seu advogado, Ricardo Carvalho, que se mostrou cauteloso no final da sessão de julgamento. “Temos de ver se o Ministério Público vai recorrer da decisão, mas é um bom resultado. Agora vamos esperar”, afirmou o representante, ao HM. “O meu cliente disse-me que era este o resultado que estava à espera e está satisfeito”, acrescentou. Também no caso dos arguidos Kuok Kong Wa, ex-chefe de departamento, e Kuok Wang Ngai, ex-funcionário da DSAMA, o tribunal decidiu que as provas apresentadas não foram suficientes para os condenar.

Em troca de Chanel

Por sua vez, Tong Vun Ieong e Lao Weng U foram condenados pela prática de um crime de corrupção passiva para acto ilícito, com pena de prisão efectiva de dois anos e seis meses. O tribunal deu como provado que no primeiro con-

trato de dragagem atribuído à empresa China Overseas em 2014 algumas cláusulas ficaram por cumprir, em questões de segurança das embarcações e em relação ao tempo efectivo dos trabalhos. O tribunal deu como provado que Tong e Lao foram os funcionários responsáveis pelo documento em que a DSAMA declarou que o contrato de 54,7 milhões de patacas tinha sido respeitado e que justificou a renovação, com mais um pagamento de 38 milhões de patacas. Contudo, as juízas consideraram que não havia condições para o novo vínculo e que tal foi possível devido a corrupção com prendas.

Neste caso, que remonta a 2014 e 2015, não houve arguidos acusados de corrupção activa

Na tese do Ministério Público, os condenados receberam presentes de funcionários da China Overseas, como malas Chanel, no valor de 20 mil e 30 mil patacas, e cosméticos avaliados em 80 mil patacas. “O 3.º e 4.º arguidos receberam prendas que se destinavam à obtenção dos trabalhos [de dragagem]. Receberam prendas para violarem a sua função, deveres e para a China Overseas receber a adjudicação directa”, afirmou Leong Fong Meng. “Os actos são bastantes graves e prejudicam a RAEM”, sublinhou. A decisão não agradou à defesa de Tong Vun Ieong, a cargo de Icília Berenguel: “A defesa ainda não tem acesso à decisão integral, mas obviamente que não era este resultado que estávamos à espera e vamos recorrer da decisão”, afirmou a advogada ao HM, à saída do tribunal. Neste caso, que remonta a 2014 e 2015, não houve arguidos acusados de corrupção activa. João Santos Filipe


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PJ DETIDO POR ABUSAR SEXUALMENTE DE ENTEADA

Vida madrasta

Um residente de Macau de 60 anos foi detido por ter abusado sexualmente da sua enteada em diversas ocasiões, aproveitando o facto de esta se encontrar medicada. O alerta foi dado pela mãe da vítima, que descobriu e viu tudo após instalar uma câmara de videovigilância no quarto da filha. O casal trabalha numa banca de comida na Areia Preta

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Polícia Judiciária (PJ) deteve na passada quarta-feira um residente de Macau de 60 anos, por suspeitas de abusar sexualmente da sua enteada, aproveitando o facto de esta se encontrar a ser medicada com fármacos prescritos para conseguir dormir. O casal explorava, por turnos, uma banca de comida na Areia Preta. Dado que se trata de um caso considerado especial, a PJ apontou ter informado o Instituto de Acção Social (IAS) sobre o sucedido, acrescentando que, para salvaguardar a identidade da família, detalhes como a idade e a condição psicológica da vítima não podem ser revelados. De acordo com informações reveladas ontem em conferência de imprensa, a vítima foi diagnosticada com uma doença e, devido ao seu estado de saúde, precisa de

medicamentos para conseguir dormir. Além disso, enquanto conversava com a filha, a mãe, de 40 anos, descobriu que esta se encontrava emocionalmente perturbada. Ao perguntar o que se tinha passado, a filha revelou que o padastro tinha usado as mãos para tocar nas suas partes íntimas. Após o marido ter negado as acusações, a mãe, também ela residente de Macau, decidiu instalar uma câmara de videovigilância no quarto da filha. Na passada quarta-feira, enquanto

A mãe decidiu consultar (…) a transmissão emitida em directo pela câmara e deparouse com a imagem do marido deitado na cama da filha

trabalhava na banca de comida que explora em conjunto com o marido, a mãe decidiu consultar, a partir do smartphone, a transmissão emitida em directo pela câmara e deparou-se com a imagem do marido deitado na cama da filha, dando a impressão de estar a abusar sexual da mesma.

Acto recorrente

Ao ver as imagens, a mulher largou o posto de trabalho e dirigiu-se imediatamente a casa. Ao abrir a porta, viu o marido totalmente vestido a saltar da cama da filha. De imediato revelou saber o que se estava a passar e que tinha visto tudo através da câmara, tendo de seguida chamado a polícia. Na reacção, o suspeito arrancou a câmara e atirou-a pela janela, numa tentativa de eliminar as provas do crime. Após a detenção, o homem recusou-se a tecer qualquer comentário ou a

colaborar com a investigação. Nas buscas efectuadas nas redondezas da habitação, a PJ encontrou a câmara de videovigilância, conseguindo igualmente recuperar os registos obtidos ao longo da semana em que o dispositivo esteve a funcionar. Ao consultar as imagens, ficou provado que o suspei-

SAÚDE DIA MUNDIAL DA PREVENÇÃO DO SUICÍDIO ASSINALADO HOJE COM VELAS À JANELA

É

assinalado hoje o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio 2021, motivo pelo qual os Serviços de Saúde (SSM) apelam à população para que hoje às 20h acenda uma vela perto de uma janela “para relembrar os falecidos e apoiar o trabalho de prevenção e controlo do suicídio”. A efeméride terá este ano o tema “Criar esperança através da acção”, que tem como objectivo tornar a população em participantes activos na prevenção do suicídio, reforçando a ideia de que, por vezes, basta “estar atento e ouvir com atenção” pessoas que atravessam situações complicadas.

No primeiro semestre de 2021, registaram-se 22 casos, uma redução de 16 casos em comparação com o período homólogo de 2020. Recorde-se que no ano passado foram registados em Macau 76 suicídios, dos quais 65 eram residentes de Macau (41 homens e 24 mulheres), o que representou uma taxa total de 11,1 suicídios por 100 mil habitantes e um aumento de 13,3 por cento em relação a 2019. As autoridades sublinham que são dadas consultas externas de saúde mental, a título gratuito, sem necessidade de

encaminhamento nos Centro de Saúde do Tap Seac, do Fai Chi Kei, da Areia Preta, da Ilha Verde, dos Jardins do Oceano, do Carmo-Lago e da Praia do Manduco. O Dia Mundial da Prevenção do Suicídio foi instituído em 2003 pela Organização Mundial da Saúde e a Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio. Caso tenha pensamentos suicidas e necessite de auxílio, pode ligar para o Serviço de Auxílio da Cáritas, através do número 2852 5222, em chinês, ou do número 2852 5777, em inglês. J. L.

to abusou sexualmente da enteada por diversas vezes, acreditando-se que actos semelhantes tenham sido cometidos noutras ocasiões passadas. O caso seguiu ontem para o Ministério Público (MP), onde o suspeito irá responder pelo crime de abuso sexual de pessoa

incapaz de resistência. A confirmar-se, o homem pode vir a ser punido com pena de prisão de 2 a 10 anos. Por se tratar de um caso qualificado, a pena pode ser agravada na proporção de um terço. Pedro Arede

IMIGRAÇÃO ILEGAL DESMANTELADA REDE QUE CONTORNAVA MEDIDAS ANTI-EPIDÉMICAS

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M colaboração com as autoridades de Hong Kong e Zhuhai, a Polícia Judiciária (PJ) interceptou cinco pessoas, suspeitas de estarem envolvidas ou ter usufruído dos serviços prestados por uma rede criminosa dedicada a ajudar interessados a entrar e sair de Macau, sem fazer testes de ácido nucleico para vir ao território jogar. De acordo com informações reveladas ontem em conferência de imprensa, pelas 3h00 da madrugada da passada quarta-feira, a PJ deteve um homem e duas mulheres na zona do Pac On, que tinham sido largadas por uma embarcação no local para vir jogar. Pouco depois, a mesma embarcação viria a ser interceptada no mar pelos

Serviços deAlfândega, que procederam igualmente à detenção de um suspeito de 19 anos que admitiu pertencer à rede criminosa, bem como de um outro homem que pretendia sair de Macau. Ao mesmo tempo, do outro lado da fronteira, as autoridades de Zhuhai detiveram três homens, sendo que dois deles são cabecilhas do grupo. Questionado pela PJ, o suspeito detido em Macau confessou ter colaborado nas operações de facilitação de imigração ilegal e que, por cada serviço, recebia 500 renminbis. Por seu turno, os quatro clientes interceptados pela PJ confessaram ter vindo a Macau para jogar e que, por cada viagem, desembolsaram entre 25.000 e 32.000 renminbis. P.A.


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Este domingo decorrem as eleições para escolher 14 deputados pela via directa para a Assembleia Legislativa. Num acto que ficou marcado pe

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Associação dos Cidadãos Unidos de Macau

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Energia Colectiva de Macau

CANDIDATO N.º 1: Zheng Anting Idade: 47 anos Deputado

CANDIDATA N.º 1: Agnes Lam Iok Fong Idade: 49 anos Professora

CANDIDATO N.º 1: Si Ka Lon Idade: 43 anos Deputado

CANDIDATA N.º 1: Latonya Leong Wai Meng Idade: 41 anos Profissional bilingue

CANDIDATO N.º 1: Chan Tak Seng Idade: 61 anos Dirigente Associativo

CANDIDATO N.º 1: Ron Lam U Tou Idade: 40 anos Assistente Social

CANDIDATO N.º 1: Ângelo Choi Man Cheng Idade: 40 anos Serviços Sociais

CANDIDATA N.º 2: Lo Choi In Idade: 48 anos Bancária

CANDIDATO N.º 2: Zhao Yunqiao Idade: 46 anos Médico

CANDIDATA N.º 2: Song Pek Kei Idade: 36 anos Deputada

CANDIDATO N.º 2: Pun Lap Fung Idade: 47 anos Produtor de Eventos

CANDIDATO N.º 2: Kou Seng Man Idade: 36 anos Académico

CANDIDATO N.º 2: Johnson Ian Heng Ut Idade: 46 anos Director de Empresa Consultora

CANDIDATA N.º 2: Lai On Na Idade: 39 anos Médica

CANDIDATA N.º 3: Lao Ka U Idade: 35 anos Arquitecta

CANDIDATO N.º 3: Chu Kar Kit Idade: 53 anos Consultor

CANDIDATO N.º 3: Lei Leong Wong Idade: 35 anos Dirigente Associativo

CANDIDATO N.º 3: Cheong Ka Kit Idade: 29 anos Comerciante

CANDIDATA N.º 3: Lei Wai Chong Idade: 41 anos Advogada

CANDIDATA N.º 3: Sio Ieng Weng Idade: 39 anos Médica

CANDIDATO N.º 3: Chiang Ngoc Meng Idade: 68 anos Aposentado

CANDIDATO N.º 4: Io Meng Lai Idade: 35 anos Comerciante

CANDIDATO N.º 7: Rui Leão Idade: 52 anos Arquitecto

CANDIDATA N.º 4: Chan Peng Peng Idade: 36 anos Assistente Social

CANDIDATO N.º 4: Kong Ngai Wa Idade: 27 anos Consultor Financeiro

CANDIDATO N.º 4: Mak On Tek Idade: 33 anos Comerciante

CANDIDATA N.º 4: Che I Kei Idade: 31 anos Administrativa

CANDIDATA N.º 4: Hoi Long Idade: 37 anos Funcionária Pública


sexta-feira 10.9.2021

eleições 9

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ela primeira exclusão de candidatos e listas inteiras, aos 325 mil residentes inscritos para votar a escolha resume-se às seguintes 14 listas:

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União Promotora para o Progresso

Aliança de Bom Lar

CANDIDATO N.º 1: Leong Hong Sai Idade: 54 anos Engenheiro

CANDIDATA N.º 1: Wong Kit Cheng Idade: 39 anos Enfermeira

CANDIDATO N.º 1: Ma Kuok Choi Idade: 63 anos Restauração

CANDIDATA N.º 1: Ella Lei Cheng I Idade: 40 anos Administrativa

CANDIDATO N.º 1: Nelson Kot Man Kam Idade: 62 anos Director de Empresa

CANDIDATO N.º 1: Zhou Xinzheng Idade: 63 anos Profissional da Comunicação Social

CANDIDATO N.º 1: José Pereira Coutinho Idade: 64 anos Deputado

CANDIDATO N.º 2: Ngan Iek Hang Idade: 37 anos Bancário

CANDIDATO N.º 2: Ma Io Fong Idade: 37 anos Professor

CANDIDATO N.º 2: Leong Sio Hong Idade: 64 anos Motorista

CANDIDATO N.º 2: Leong Sun Iok Idade: 43 anos Formador Profissional

CANDIDATA N.º 2: Lei Chao Leng Idade: 50 anos Administrativa

CANDIDATA N.º 2: U Chi Leng Idade: 57 anos Trabalhadora Por Conta Própria

CANDIDATO N.º 2: Che Sai Wang Idade: 55 anos Funcionário Público

CANDIDATA N.º 3: Cheong Sok Leng Idade: 35 anos Funcionária em Serviços Sociais

CANDIDATA N.º 3: Leung Mei Leng Idade: 42 anos Gerente de Empresa de Autocarros

CANDIDATO N.º 3: Fong Hong Tak Idade: 61 anos Decorador

CANDIDATO N.º 3: Choi Kam Fu Idade: 43 anos Trabalhador de Associação

CANDIDATO N.º 3: Leong Chon Kit Idade: 40 anos Funcionário Público

CANDIDATA N.º 3: Lun Weng U Idade: 31 anos Administrativa

CANDIDATA N.º 3: Tang Si Wan Idade: 38 anos Empresária

CANDIDATO N.º 4: Leong Chon Kit Idade: 41 anos Gerente de Marketing

CANDIDATA N.º 4: Lei Choi Hong Idade: 48 anos Empresária

CANDIDATO N.º 4: Kong Iam Iok Idade: 43 anos Subdirector de Escola

CANDIDATO N.º 4: Leong Chi Kin Idade: 58 anos Dirigente Associativo

CANDIDATO N.º 4: Kuong Chi U Idade: 24 anos Assistente de Engenheiro Civil

CANDIDATA N.º 5: Lídia Lourenço Idade: 46 anos Empresária

União Para o Desenvolvimento


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10.9.2021 sexta-feira

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AFEGANISTÃO PEQUIM DOA 26 MILHÕES DE EUROS E ALERTA PARA INFILTRAÇÃO DE TERRORISTAS

Disponível para ajudar A China anunciou que vai doar a Cabul o equivalente a 26 milhões de euros, em cereais e vacinas contra a covid-19, e alertou para o perigo de grupos terroristas que possam escapar do Afeganistão para países vizinhos. O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, reuniu na quarta-feira com os seus homólogos de todos os países vizinhos do Afeganistão, num encontro presidido pelo chefe da diplomacia do Paquistão, Shah Mehmood Qureshi, informou ontem a agência noticiosa oficial Xinhua. Também participaram da reunião os ministros dos Negócios Estrangeiros do Irão, Tajiquistão, Uzbequistão e Turcomenistão, todos países

que, junto com a China e o Paquistão, fazem fronteira com o Afeganistão. Wang afirmou que “algumas forças terroristas internacionais com base

no Afeganistão planeiam infiltrar-se em países vizinhos”. “Pedimos aos Talibã que rompam completamente as suas relações com todas as PUB.

AVISO N.° 130/AI/2021

AVISO N.° 131/AI/2021

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractores abaixo discriminados:------------------------------ 1. Mandado de Notificação n.° 804/AI/2021:LU JIANXIN, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C88948xxx e portador do Passaporte da RPC n.° E95351xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 214/DI-AI/2019 levantado pela DST a 06.08.2019, e por despacho da signatária de 25.08.2021, exarado no Relatório n.° 871/DI/2021, de 16.08.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua Cidade do Porto n.° 415, Jardim Brilhantismo, 10.° andar AD onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------------------------------- 2. Mandado de Notificação n.° 805/AI/2021: ZHAN HANFEN, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° CB2014xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 214.1/DI-AI/2019 levantado pela DST a 06.08.2019, e por despacho da signatária de 25.08.2021, exarado no Relatório n.° 872/DI/2021, de 16.08.2021, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua Cidade do Porto n.° 415, Jardim Brilhantismo, 10.° andar AD.--------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.--------------Desta decisão pode os infractores, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.----------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau.---------------------------------------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractores abaixo discriminados:-----------------------------------------------1. Mandado de Notificação n.° 632/AI/2021: WANG JUN, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C44642xxx e do Passaporte da RPC n.° E28656xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 355/DI-AI/2019, levantado pela DST a 30.11.2019, e por despacho da signatária de 19.08.2021, exarado no Relatório n.° 698/DI/2021, de 29.07.2021, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua Francisco H.Fernandes n.° 23, Edf. Hot Line, 8.° andar AD onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------- 2. Mandado de Notificação n.° 760/AI/2021: LI HAIXIA, portadora do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C14567xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 28/ DI-AI/2020, levantado pela DST a 15.01.2020, e por despacho da signatária de 31.08.2021, exarado no Relatório n.° 824/DI/2021, de 28.07.2021, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua Francisco H.Fernandes n.° 23, Edf. Hot Line, 10.° andar AG onde se prestava alojamento ilegal.-------------------------------------------------------------------- 3. Mandado de Notificação n.° 819/AI/2021: WU JIERONG, portadora do Título de Identificação de Trabalhador Não-Residente da RAEM n.° 23248xxx e portadora do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C70343xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 343/DI-AI/2019, levantado pela DST a 26.11.2019, e por despacho da signatária de 06.07.2021, exarado no Relatório n.° 632/DI/2021, de 09.06.2021, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Taipa, Estrada Nordeste da Taipa n.° 86, Jardim Hoi Wan, 16.° andar L onde se prestava alojamento ilegal.-----------------------------------------Pelo mesmo despacho foi determinado que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito, não sendo admitida a apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ------------------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau. ------------------------------------------------------------

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 06 de Setembro de 2021.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 06 de Setembro de 2021.

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

forças extremistas. Todas as partes devem aumentar os esforços para compartilhar inteligência e controlar as fronteiras e prender imediatamente grupos terroristas que chegam do Afeganistão, de forma a garantir a estabilidade regional”, disse.

O ministro chinês também mencionou os desafios que o país da Ásia Central enfrenta e garantiu que os “países vizinhos, mais do que ninguém, querem ajudar o Afeganistão a sair do caos” e devem encorajar os Talibã a “cooperar com todos os grupos étnicos e construir uma estrutura política inclusiva”. “Respeitando a integridade territorial e a soberania do Afeganistão”, os países vizinhos devem “exercer uma influência positiva” sobre o país, defendeu Wang Yi. O chefe da diplomacia chinesa observou que os “Estados Unidos e os seus aliados são quem mais deve fornecer assistência humanitária ao Afeganistão”. “Os EUA e os seus aliados têm a responsabilidade principal pelo problema dos refugiados afegãos. Eles devem fornecer a

“Pedimos aos Talibã que rompam completamente as suas relações com todas as forças extremistas. Todas as partes devem aumentar os esforços para compartilhar inteligência e controlar as fronteiras e prender imediatamente grupos terroristas que chegam do Afeganistão.”

compensação necessária às nações que desejam receber refugiados”, disse. Wang expressou a sua satisfação com as recentes declarações dos Talibã, que prometeram formar um governo, lutar contra o terrorismo e manter relações amigáveis com todos os vizinhos, mas alertou que a “chave é transformar essas palavras em acções concretas”.

Juntos pela paz

A representação chinesa no encontro propôs aos vizinhos do Afeganistão várias áreas nas quais eles poderiam cooperar: combate à pandemia, gestão de refugiados, assistência humanitária e cooperação antiterrorismo e anti tráfico de droga. Wang disse que a China trabalhará com os países da região para ajudar o Afeganistão a reconstruir a sua economia e sociedade, além de combater grupos terroristas e o comércio ilegal de drogas. Os ministros concordaram em institucionalizar as suas futuras reuniões para continuar a cooperação nestes assuntos, de acordo com o ministro chinês. No final de Julho passado, Wang Yi recebeu uma delegação dos Talibã na cidade de Tianjin, no nordeste da China. Segundo o comunicado divulgado então pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Wang disse que os Talibã são uma “força militar e política crucial” no Afeganistão e expressou esperança de que terão um “papel significativo no processo de paz”.

WANG YI MNE CHINÊS

HONG KONG ACTIVISTAS DECLARAM-SE CULPADOS DE PARTICIPAREM EM VIGÍLIA SOBRE TIANANMEN

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OZE activistas pró-democracia de Hong Kong declararam-se ontem culpados de participarem numa vigília não autorizada para assinalar os acontecimentos de Tiananmen. Os 12 foram acusados de participarem na vigília não autorizada em 4 de Junho do ano passado, quando milhares de habitantes de Hong Kong acenderam velas e entoaram cânticos, apesar dos avisos da polícia de que poderiam estar a infringir a lei. Sete deles foram também acusados de incitarem outros a integrarem a iniciativa. Entre os activistas que se declararam culpados contam-se o advogado Albert Ho, os antigos legisladores Eddie Chu e Figo Chan, e um antigo líder da Frente

Cívica de Direitos Humanos, movimento conhecido por ter promovido as maiores manifestações pró-democracia em Hong Kong. Os 12 réus enfrentam agora uma pena que pode ir até aos cinco anos de prisão. Os activistas fazem parte de um grupo maior de detidos em 4 Junho. Alguns deles, incluindo o fundador do Apple Daily, Jimmy Lai, declararam-se inocentes. Já o activista Joshua Wong, assim como três outros, também acusados de reunião ilegal na vigília de 4 de Junho do ano passado, já se tinham declarado culpados em Abril deste ano, tendo sido condenados a penas de prisão entre quatro e dez meses.


sexta-feira 10.9.2021

VALÉRIO ROMÃO

Caros amigos, temos de falar do Algarve. Talvez não de todo o Algarve, deixemos por ora de parte aquela parte suficientemente afastada do mar para não atrair turistas. Quase tudo o resto está condenado. O melhor que lhe podia acontecer era um súbito e radical desinteresse turístico para que das cinzas se pudesse reerguer algo habitável. Aquilo, como está, não é para ninguém. Falemos de Albufeira, por exemplo. Eu comecei a ir para Albufeira literalmente no século passado. As minhas irmãs fixaramse lá. Compraram casa. Abriram lojas. A estrada que ligava Albufeira à Oura era de terra batida. Ainda não se imaginava o alcatrão que a recobria muitos anos mais tarde ou a famigerada «rotunda das minhocas», uma espécie de elegia urbanística ao mau-gosto mandada edificar no auge do afluxo turístico e que de certa forma se tornou a celebração paisagística perfeita do fenómeno que a tornou possível. Albufeira era uma vila piscatória pobre, como de resto o era praticamente todo o país. Era uma vila bonita; as casas baixas caiadas desciam encosta abaixo até à Praia dos Pescadores, em cujo areal descansavam à noite os barcos que, de dia e quando o tempo o permitia, se enchiam de peixe e marisco. O comércio era o necessário; drogarias, padarias, talhos, uma papelaria, meia dúzia de tascas onde se podia comer o peixe do dia, cafés e tabernas onde beber. O futuro, obviamente, chegou a Albufeira; o futuro chega sempre. Trouxe consigo as primeiras levas de turistas. A maior parte deles endinheirados (nem precisavam de o ser, Albufeira era muito barata). Chegaram os turistas e as suas necessidades e Albufeira foi lesta a responder a ambos. Criaram-se hotéis, abriram-se restaurantes com mesas recobertas de toalhas de linho e empregados de calças pretas vincadas, camisas brancas e bigodes farfalhudos a servir à mesa. De repente, a juventude que se imaginara condenada a perpetuar o estilo de vida dos pais e a pobreza dele decorrente conseguia não somente sobreviver como poupar para uma Zundapp ou um Fiat 127. Quando eu fui estudar para Albufeira – o meu quinto ano – os tectos das salas de aula, recobertos a esferovite, estavam cravados de projécteis de papel que os alunos

As cidades do passado

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ARTUR PASTOR

ofício dos ossos

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Albufeira

se entretinham a soprar para se distraírem das aulas. As turmas eram uma confusão de crianças e adolescentes de diversas idades. Era a altura onde ainda se chumbava na escola. Tinha repetentes com dezasseis anos na minha turma. Quase todos os dias me convidavam para resolver desavenças que eu não compreendia à porrada. «Às cinco da tarde no campo da bola, é melhor apareceres.» Eu aparecia sempre e levava sempre na boca.

Estive em Albufeira há cerca de uma semana. Há muito pouco da Albufeira que eu conheci na Albufeira de agora. Talvez isso nem seja mau de todo; a vila do antigamente era pitoresca para quem a visitava, mas impraticável para criaturas com a sensibilidade à flor da pele, como eu. O que é pena, de facto, é que Albufeira já nem autóctones em quantidade suficiente tenha para cumprir com a quota cenográfica

O QUE É PENA, DE FACTO, É QUE ALBUFEIRA JÁ NEM AUTÓCTONES EM QUANTIDADE SUFICIENTE TENHA PARA CUMPRIR COM A QUOTA CENOGRÁFICA EXIGIDA POR QUEM A VISITA. OS POUCOS LOCAIS QUE PONTUAM A PAISAGEM URBANA TRABALHAM NAS LOJAS, NOS BARES, NOS RESTAURANTES. NÃO ESTÃO PROPRIAMENTE NAS SUAS VIDAS; SÃO OS EMPREGADOS DE QUEM VISITA A CIDADE

exigida por quem a visita. Os poucos locais que pontuam a paisagem urbana trabalham nas lojas, nos bares, nos restaurantes. Não estão propriamente nas suas vidas; são os empregados de quem visita a cidade. Os seus horários têm que coincidir com os horários de quem ocupa a cidade no Verão, de quem a procura pelo sol, pela praia, pela comida e bebida relativamente barata para quem traz no bolso um ordenado do norte da Europa. É redundante dizer que Albufeira se transformou numa Disney para bêbedos. A imagem está gasta, já não tem punch. Mas é isso que, de facto, acontece, pois Albufeira não têm o renascimento de Florença, o charme de Paris ou mesmo as ruelas de Alfama. Tem sol, praia e uma catrefada de gente pronta a vender tudo quanto se queira comprar. Os locais trocaram a cidade pela possibilidade de um futuro. Quem sou eu, que basicamente não passei fome, para criticar o negócio?


ANABELA CANAS

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cartografias

ANABELA CANAS

Coisas delicadas que esperava encontrar no meio dos objectos de quem, morrendo, fica a adejar emoções válidas. Testamentos. Legados a anónimos pretendentes em linha. São esses os vícios das palavras. Muitos as querem. Suas. Mas de quem se foi nada mais há, a cientificamente demonstrar. Labirintos de sentidos. Quem dá mais, na senda de se encaixar no remoinho emotivo que tinha palavras tu. Tarde demais para apanhar o pequeno ramo com a segurança do acaso, mesmo. Quanto mais de um remetente a endereçar. Quanto muito: meu querido diário. E ele sabe que é ele. No mesmo labirinto de sentidos um mapa de sinais este inferno improdutivo - só um caderno inorgânico pode saber exactamente e sem margens de ambiguidade que a ele se endereçavam palavras mesmo se quando partilhadas infiéis com outros sujeitos.

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10.9.2021 sexta-feira

Hóspede indiscreto O vaso em alabastro tem uma discreta luz por detrás quando está vazio Mas quando cheio tudo se complica A superfície o recheio a luz que incide do outro lado um calor uma agonia suave cio Folheio páginas lancinantes como hóspede indiscreto que abre um ficheiro na memória e estaco naquela do poema curto a acabar. Ela estava triste nas linhas anteriores e irresoluta nas que se seguem porque do seguimento da vida ela não sabia nada nem queria nunca mais deitar-se a adivinhar. E as linhas breves colheramme como em arena cornos pontiagudos de animal em fúria desencaminhado.

Com o mesmo desconhecimento. Que a perplexidade de não ter certezas, apesar de tudo, nos sedimenta margens de segurança, estanques que não deixam mais ou nunca mais que uma dúvida como sinos se insinue e construa. Por dentro, claro, como só por dentro as coisas que nos arrastam de uma inércia qualquer, constroem. Fico com o registo dela mas não sei quanto tempo durará. Este abalo. Paro e descubro trocos que pagam um gelado de passagem e nem sei se esse outro pensamento dura. Ela, na sua intensidade que nem sempre se admite compreensível - digo eu, a minar. A pequena sequência de linhas, pequeno poema púdico entre outros, que encontra desprevenido, agora, uma luz póstuma que o estranha e não sabe ler. Copio apressadamente numa folha minha, aquelas linhas sem certeza de que um dia vou entender. Senão com a minha vontade. Sucesso inglório, sem

troféu. Que não este papel já mole e enrugado. Meu, copiado dela e como se para mim. Porque me dizia sem nunca o dizer quero deixar-te tudo, quando morrer. E o sabor do gelado, gelado e frutado sem doce em demasia, na ansiedade apressada para não escorrer nem derreter mais do que o que o palato pode acolher mesmo num dia de calor tórrido, distraime o pensamento à superfície. No fundo, como em cenário, a dúvida que perpassa do simples papel que se apropriou de um pensamento de um seu igual mas com linhas. Sem ter certeza no sentir, ou se dele. E sem saber se descer ou subir a rua, entretanto e porque é indiferente para a resolução impossível de pensamentos como este a gerar suaves questões que ficaram em vida. Equações. Porque das profundezas do tempo, aquela palavra tu. Em cada excerto de narrativas improváveis.


sexta-feira 10.9.2021

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GONÇALO M. TAVARES

Legendas sem Fotografias (3)

Uma bala, as casas

RECORDAÇÕES DE E. 1. Este era o sobrinho mais novo da minha mãe, filho de um irmão. Era muito bonito, gostava muito de música, tocava muito bem piano. Um dia estava a tocar junto a um amigo que tinha uma caçadeira na mão e o alvejou. Só lá estavam os dois. Não é em Lisboa, ele está com ar de férias, deve ser no Algueirão. Sempre pensei que alguém que acerta com uma bala num pianista devia ser duas vezes preso, mas sei que as leis não são assim. As leis não ligam muito à arte, sempre pensei sobre isso. As leis não percebem nada de arte. Acertar com uma bala na mão de um pianista é muito grave, não achas?

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FICÇÃO, ENSAIO, POESIA, FRAGMENTO, DIÁRIO

entre oriente e ocidente

Família, infância

ARTES, LETRAS E IDEIAS

RECORDAÇÕES DE J.

1. 1955 (2/3 anos) Mouchão , Parque Pernes (perto de Santarém). Cá estamos os dois irmãos. Iguaizinhos. Estamos sempre com o mesmo corte de cabelo e com o mesmo frio. Vêem? Era isso: estávamos os dois ao mesmo tempo no verão ou no inverno. E nunca no mesmo verão e inverno dos outros. Era diferente: quando os dois andávamos no espaço parecia para mim que se abria uma clareira à nossa frente. Como aquela coisa do mar que vai para os dois lados e deixa passar o povo prometido. Quando éramos crianças eu via as coisas assim. Andávamos os dois e o mar abria para passarmos. Depois, fui percebendo que não. E lá fui tentando não me afogar. Não é fácil. 2. 1953/54 , Casa da Avó em Pernes. Um à frente e outro atrás. Mas era mais ou menos igual. Ninguém queria estar à frente. Quando a avó dizia para um de nós: dá um passo em frente, nós olhávamos sempre para o outro e para onde ele estava. Tínhamos de aparecer os dois na fotografia se não a fotografia estava estragada. Uma imagem sem os dois era falsa ou estava estragada. É estranho pensar nisso agora. 3. Eu e o meu irmão na nossa casa, Pernes, 1952. A casa é aquilo que quando recuamos nos dá abrigo. Gosto das fotografias que têm casas atrás de pessoas. Dá boa sorte. É bom ter para onde recuar, não é? a partir da Natureza Fantasma de Marco Martins e Companhia Maior

ILUSTRAÇÃO ANA JACINTO NUNES


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8 53 2 5 3 7 0 4 9 7 1 9 5 6 0

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PUB.

52 8 2 7 0 5 4 1 6 3 9

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4 1 6 8 3 7 9 2 0 5 9 1 8 0 3 2 4 6 7 5

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7 6 5 9 2 1 0 2 8 0 9 4 3 4

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3 8 4 0 3 9 6 5 7 4 2 1 7 8 6 2 2 5 0 3 4 9 7 1 8 6 1 8 3 7 2 4 5 0 6 9

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 50

50

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PROBLEMA 51

51

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10.9.2021 sexta-feira

9.45

BAHT

0.24

CINETEATRO SONIC YOUTH – GOO

1 6

2 0

6 54

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Um filme de: Destin Daniel Creton Com: Simu Liu, Tony Leung, Awkwafina, Fala Chen, Meng’er Zhang 14.15, 16.45, 19.15, 21.30

Quando me mudei para Lisboa, em 1996, comprei três discos/ pontos cardeais: “Dummy” de Portishead, “Asylum Years” de Tom Waits e este “Goo” dos Sonic Youth, todos fundamentais até hoje. “Goo”, apesar de lançado há mais de três décadas, continua sexy, cool e intemporal. As guitarras dissonantes, meticulosamente desafinadas, o baixo-motor, as vocalizações casuais e faladas de Kim Gordon, as músicas com o cunho muito pessoal de Lee Ranaldo e selvajaria dos riffs de Moore atingiram em “Goo” um dos pontos mais altos da carreira 4dos 7Sonic2 Youth. 1 0A melhor 8 9 banda de sempre! João Luz

SALA 2

THE CURSED: DEAD MAN’S PREY [C]

1.23

C I N E M A

SALA 1

SHANG-CHI AND THE LEGEND OF THE TEN RINGS [B]

0 8 3 1 0 8 9 3 0 1 6 7 5 1 9 4 6 3

YUAN

FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kim Yong-wan Com: Uhm Ji-won, Jung Ji-so, Jung Moon-sung, Oh Yoon-ah 14.30, 16.30, 21.30

FREE GUY [B]

Um filme de: Shawn Levy Com: Ryan Reynolds 19.15 SALA 3

ZERO TO HERO [B]

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Jimmy Wan Com: Sandra Ng, Louis Cheung, Leung Chung Hang, Fung Ho Yeung 14.30, 19.30, 21.30

CRAYON SHINCHAN: SCHOOL MYSTERY! THE SPLENDID TENKASU ACADEMY [B] FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Wataru Takahashi 16.30

8 3 1 7 4 0 2 9 5 6 5 3 96 2 4 3 5 8 6 1 7 04 8 2 1 7 9 5 3 0 6 4 0 1 57 40 94 29 78 83 6 3 9 0 3 1 4 6 5 7 8 2 7 58 0 2 6 3 1 9 80 4 5 9 2 4 8 3 7 6 0 1 SHANG-CHI AND THE LEGEND OF THE TEN RINGS 3 40 1 84 05 51 97 6 28 7 1 7 5 9 0 2 6 3 4 8 2 63 7 06 80 98 32 5 44 1 0 8 6 3 5 4 1 2 7 9 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José João 2 7 9 6 4 3 5 9 8 7 Nunu 4 Wu 1 Colaboradores 2 3 0 Anabela 6 Canas; António2Cabrita; 3 António 4 Editores 8de 7 9 Luz;0José5C. Mendes 1 6Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede, Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; José 2 Simões 8 74 2 62 Gonçalo 31 03M.Tavares; 55 4 Gonçalo 17 9Waddington; Inês Oliveira; 7 1João0Paulo 6 Cotrim; 3 8 4 Morais; 9 5Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo www. Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo 6 9 4 3 6 9 Rasquinho; 1 7 Paul 8 Chan 0 Wai 5 Chi; 2 Paula Bicho; Tânia3dos5Santos9 Grafismo 0 6Paulo1 Borges, 4 8 2 Santos 7 Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Rómulo hojemacau. Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia 4 3 8 0 6 5 com.mo 1 0 9 5 Welfare 2 6Morada 4 Pátio 7 da3Sé, 8n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, 4 6Macau; 8 Telefone 5 228752401 7 9Fax 28752405; 1 3 0e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo 8 7

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sexta-feira 10.9.2021

www.hojemacau.com.mo

confeitaria

opinião 15

João Romão

A QUINTA VAGA SÃO JÁ QUASE dois anos de convívio com o covid-19 no Japão, começa a haver sinais de abrandamento da quinta vaga e está para breve a chegada do terceiro chefe de governo desde o início da pandemia. O primeiro a abandonar foi Shinzo Abe, após sete anos e oito meses como primeiro-ministro, o período mais longo na história do Japão. Evocou problemas de saúde - tal como tinha feito em mandato anterior, terminado em 2007 - mas já se acumulavam suspeitas de favorecimentos diversos em negócios do estado, além de manifestos sinais de insucesso das profundas reformas na política económica que implementou - a pomposamente chamada “Abenomics”, de fracos resultados, afinal. Desta vez foi Yoshihide Suga, o anterior ministro do governo de Abe que o havia de substituir no cargo, a demitir-sai após um ano deste exercício, assumindo a responsabilidade pelo descontrole que se vive hoje no país em relação à pandemia. Os primeiros casos verificaram-se em Janeiro de 2020, os números de infecções sempre estiveram longe das calamidades que se viveram noutras paragens, mas foram-se sucedendo novas “vagas” de infecções, cada vez maiores. Os temores que se foram expressando em relação ao perigo das Olimpíadas afinal não se justificaram (foram pouquíssimos os casos associados aos Jogos) mas ainda assim o Japão vive hoje o seu pior período de convivência com o vírus, com grande parte do país num estado de emergência que foi oficialmente prolongado à data em que escrevo (quinta feira, 9 de Setembro). A primeira vaga de infecções, iniciada em final de Janeiro de 2020, teria o seu ponto máximo em meados de Abril, com uma média semanal inferior a 550 novos casos por dia, valor que hoje parece insignificante para uma população de 126 milhões de pessoas (menos de meio caso por 100 mil habitantes, portanto). Parece pouco mas na altura impunha receios, sobretudo pela desconhecimento do que estava por vir e de como lidar com um problema que nessa primavera chegava à Europa e à América, depois de um inverno exclusivamente asiático. A segunda “vaga” havia de chegar no Verão e de ter o seu ponto culminante durante a primeira metade do Agosto, com a média semanal de novos casos a chegar ao valor máximo de 1.380, já mais de 1 caso por cada 100.000 habitantes, mas com grandes variações regionais e uma larga concentração nas grandes áreas metropolitanas de Tóquio e Osaka (além da ilha de Hokkaido, que se destacou desde o início e ainda hoje é zona particularmente problemática). A viver em Sapporo, foi aí que comecei o meu contacto com a pandemia desde o seu início em terras japonesas, mas neste verão já estava na tranquilidade de Hiroshima, até então praticamente imune ao vírus. Outras duas vagas haviam de se seguir, com durações e dimensões semelhantes e

E é já com cerca de metade da população vacinada que se vive uma quinta vaga de propagação da epidemia, já numa clara tendência de descida, mas que atingiu no final de Agosto uma média semanal de novos casos superior a 23 mil (mais de 18 por 100 mil habitantes)

números máximos de novos casos francamente superiores: no início de Janeiro de 2021 atingiu-se uma média de 6.445 casos por semana (mais de 5 por cada 100 mil habitantes) e em meados de Maio chegou-se a

um número bastante semelhante (6.460). Em ambas as situações, a cidade de Hiroshima, onde continuo a viver, já não era o paraíso de isolamento que tinha sido até então e tiveram que se intensificar as medidas restritivas. Havia de se iniciar entretanto um tardio processo de vacinação, com uma inusitada demora na aprovação pelas autoridades sanitárias do país das mesmas vacinas que já se utilizam massivamente em grande parte do mundo. E é já com cerca de metade da população vacinada que se vive uma quinta vaga de propagação da epidemia, já numa clara tendência de descida, mas que atingiu no final de Agosto uma média semanal de novos casos superior a 23 mil (mais de 18 por 100 mil habitantes). Ainda assim, o estado de emergência que tinha sido decretado até 12 de Setembro em quase todo o país foi hoje prolongado até ao fim do mês e o primeiro-ministro que estava no poder durante este período de descontrolo máximo apresentou esta semana a demissão. Na realidade, os números que se vivem hoje no Japão (média semanal de 10,7 novos casos diários) não são sequer próximos dos que se registam nos mesmos dias no reino Unido (56,7) ou nos Estados Unidos (45,5), são inferiores

aos que se registam em Portugal (15,7) e semelhantes aos do estado espanhol (11,1). Sendo de longe os piores números que se registaram no país ao longo desta pandemia, o Japão em nenhum momento viveu sob medidas compulsivas de confinamento para as quais, aliás, não há sequer cobertura legal. Há restrições severas aos horários de funcionamento de alguns estabelecimentos, limites à lotação de estabelecimentos públicos, recurso ao tele-trabalho ou apelos à não-mobilidade entre regiões. Nunca houve limitações à mobilidade entre municípios e mesmo em relação à mobilidade entre regiões o controle é quase inexistente. Há um apelo generalizado ao bom-senso e à auto-disciplina, que em geral foi resultando mas que agora começa a dar sinais de alguma ineficácia. São quase dois anos nisto, afinal. Felizmente a vacinação progride agora aceleradamente e espera-se que a partir de Novembro comece a haver mais abertura em relação às viagens internacionais, para as quais continua a haver uma quarentena obrigatória de duas semanas quando se entra no país. Talvez possa então fazer planos para visitar familiares e amizades em Portugal. Já é tempo.


‘‘Se de noite chorares pelo sol, não verás as estrelas.’’ PALAVRA DO DIA

Rabindranath Tagore

sexta-feira

10.9.2021 episódio 71

O Jogo das Escondidas

ARTFUSION MACAU AJUDA SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

um folhetim por Fernando

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UAS associações de São Tomé e Príncipe, a ARCAR e a ANKA, receberam cerca de 2500 euros em donativos numa acção da ArtFusion Portugal, ligada ao projecto MacauArtFusion, liderado por Laura Nyögéri. A iniciativa, intitulada “Olá S. Tomé” levou ainda material escolar, roupas e brinquedos a crianças desfavorecidas, com o objectivo de os aproximar do mundo artístico. Macau colaborou com 20 por cento desse valor. Por cada donativo de dez euros [cerca de 95 patacas] foi criado um kit que incluía uma t-shirt, um saco mochila e material escolar. “Estes kits fora preparados pelos alunos da ArtFusion Portugal. O objectivo era envolver directamente as nossas crenças nesta missão e levar o conceito de solidariedade a um universo maior e mais real”, contou Laura Nyögéri ao HM. Os donativos foram distribuídos por mais de uma centena de crianças e famílias. “Recebemos também donativos de material escolar, sapatos, roupas, livros e brinquedos. Os donativos foram recebidos pelas associações mas também “pelas ruas e roças ao longo das viagens realizadas pela ilha”. Laura Nyögéri recordou ainda que, já no país africano falante de língua portuguesa, “continuávamos a receber donativos”, que serviram depois para comprar alimentos e medicamentos.

Mais um prolongamento Japão estende estado de emergência até ao final do mês de Setembro

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Japão anunciou ontem o prolongamento até final de Setembro do estado de emergência devido ao coronavírus em Tóquio e 18 outras áreas, porque o sistema de saúde continua sob forte pressão, embora os contágios tenham diminuído ligeiramente. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro, Yoshihide Suga, que adiantou que o número de casos graves de covid-19 continua alto, sobrecarregando os hospitais. A medida visa ainda reduzir a movimentação de pessoas face a feriados no final do mês, segundo a agência noticiosa espanhola EFE. O actual estado de emergência, que deveria terminar no domingo, foi decretado inicialmente em

Acidente Homem não resiste a queda de escadote

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Um homem de 57 anos não resistiu aos ferimentos provocados por uma queda de dois metros ocorrida no dia 31 de Agosto, enquanto trabalhava numa obra de reparação num parque de estacionamento localizado Avenida de Vale das Borboletas, em Coloane. Segundo o canal chinês

Sobral

da TDM-Rádio Macau, o homem terá caído de um escadote, tendo sido transportado para o hospital após um cidadão o ter encontrado estendido no chão. De acordo com uma nota divulgada pela Polícia Judiciária (PJ), apesar dos cuidados médicos de que foi alvo ao longo de quase 10 dias, o homem não

resistiu aos ferimentos no crânio e nas costas que resultaram da queda. O caso já foi comunicado à Direcção para os Assuntos Laborais (DSAL).

Okinawa em Maio e foi sendo alargado e prolongado. No entanto, as medidas, sobretudo voluntárias, são cada vez mais ignoradas por uma população exausta. No Japão o estado de emergência não implica o confina-

No Japão o estado de emergência não implica o confinamento, pedindo-se às pessoas que reduzam as saídas, recorram se possível ao teletrabalho e evitem as concentrações

mento, pedindo-se às pessoas que reduzam as saídas, recorram se possível ao teletrabalho e evitem as concentrações. As restrições afectam sobretudo bares e restaurantes, que não devem servir bebidas alcoólicas e fecham mais cedo. Além de Tóquio e arredores, continuam sob o estado de emergência Hokkaido, Osaka, Aichi e Fukuoka, mas as autoridades já estudam o alívio das restrições que esperam aplicar em Novembro, quando se prevê que esteja vacinada a maioria da população. De acordo com os últimos dados do Ministério da Saúde, mais de 62,5 milhões de pessoas (49,4 por cento da população japonesa) já receberam as duas doses da vacina.

IAM Faleceu a panda-vermelha de Seac Pai Van A panda-vermelha Tong Tong, criada no Parque de Seac Pai Van, faleceu na quarta-feira, de acordo com o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM). O animal não resistiu à doença de que sofria. Depois de demonstrar diminuição no apetite no início do mês, os médicos-veterinários do IAM submeteram Tong Tong a exame físico e elaboraram um plano de tratamento. A resposta terapêutica foi dada em conjunto com especialistas da Base de Pesquisa de

Criação de Pandas Gigantes de Chengdu, na província de Sichuan. Nos primeiros exames foi diagnosticada estomatite aftosa e realizado um raio-X que revelou um tumor, que viria a ser a causa de morte, numa análise preliminar. O IAM confirmou que ainda serão realizados mais testes laboratoriais para apurar a causa de morte. Tong Tong chegou a Macau, vinda de Chengdu, em 2016, juntamente com o panda-vermelho Luo Luo, e morreu com oito anos.

SPEROU por Amoroso. Sabia que ele viria. Iria inquiri-la e tentar colocá-la contra a parede. Conhecia a táctica psicológica do torturador: dividir o mundo entre “nós” e “eles”. A crueldade desencadeada na vítima é sempre promovida por o torturador necessitar de acreditar que o seu mundo é justo. As vítimas merecem o que lhes está a acontecer, segundo eles. Era uma boa defesa. Mas o tenente Amoroso não era um santo, nem um justo. Olhou para o relógio de bolso de ouro de Joaquim Palha, que trouxera. Precisamos de relógios para nos lembrar que somos apenas mortais. Era verdade. Nós passamos pelo tempo. Os relógios ficam. Sentiu que o tenente estava atrasado. Finalmente ouviu um ruído. Eram passos. A criada estava a indicar o caminho a Amoroso. Escutou a porta a abrir-se, sem aviso. Através do espelho, viu um corpo a aproximar-se dela. Ele parou e ficou a olhar para as suas costas e para a sua face no espelho. - Boa tarde, senhora Palha. Seguiu-se um breve silêncio. - Sabe o que me traz aqui. - Boa tarde, tenente. Presumo que sim. Ela não se virou e ele puxou uma cadeira para que ela pudesse ver a sua cara através do espelho. - Escuso de lhe recordar que o seu marido morreu. Aparentemente, suicidou-se. Sabemos que Max Wolf fugiu. E também temos a certeza que ambos eram sócios com um chinês, Fu Xian, para colocar heroína à venda em Macau e Hong Kong. Isto para além do seu marido conspirar para que, se Macau fosse vendida à Alemanha, lucrar com isso, algo que é pouco patriótico. Resta-nos resolver duas coisas. Quem matou o seu amante, João Carlos Silva? E até que ponto estava a senhora ao corrente de tudo isto? Sofia Palha levou um lenço aos olhos, como se uma lágrima traiçoeira ainda estivesse por ali. - Meu caro tenente, aqui em Macau temos a nossa terra e o nosso mar. E a nossa energia. Acreditei demasiado nesta cidade. E nas suas pessoas. E, claro, no meu marido. Seguiu-o como se faz a uma luz que ilumina o nosso caminho. Nunca me questionei sobre a bondade das suas decisões. (continua)


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Hoje Macau 10 SETEMBRO 2021 #4851 by Jornal Hoje Macau - Issuu