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Hoje Macau 10 JUNHO 2022 #5025

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Nº 5026

MOP$10

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

CENSOS 2021

LICENCIADOS ENCALHADOS

Sempre a abrir A política de alívio de restrições de entrada em Macau, conheceu ontem mais um capítulo. A partir da próxima semana, as portas abrem-se aos trabalhadores não-residentes de todas as nacionalidades. Quanto à redução do período de quarentena, a medida continua a ser equacionada. “Vamos primeiro reduzir de 14 para 10 dias a título experimental e veremos se há possibilidade de reduzir para sete dias”, disse ontem Leong Iek Ho, do Centro de Coordenação e Contingência.

GRANDE PLANO

EMPREGO

SALVE-SE QUEM PUDER PÁGINAS 4-5

ANA JACINTO NUNES

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SEXTA-FEIRA 10-6-2022

XINHUA

HOJE MACAU

PÁGINA 7

CASA GARDEN

QUE ANIMAL É ESTE?

PEQUENO CICLO DE CURTAS EVENTOS

CARLOS MORAIS JOSÉ OPINIÃO

CAPITALISMO SONSO

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PUB.

JOÃO ROMÃO


2 grande plano

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10.6.2022 sexta-feira

XINHUA

CENSOS 2021 MAIS RESIDENTES TÊM CURSO SUPERIOR, MAS MERCADO NÃO ABSORVE GRADUADOS

Rui Martins, vice-reitor da Universidade de Macau “Até 2019/2020, costumava dizer que bastava a um aluno de Macau entrar na UM para ter emprego. Mas a economia está a abrandar e os licenciados começam a ter mais dificuldades em encontrar emprego.”

TUDO PARA COLOANE

NÃO-RESIDENTES NO ACTIVO

Coloane registou, em dez anos, um aumento de moradores de 753,7%, e uma subida vertiginosa de 900% no número de habitações. Por sua vez, a Ilha Verde teve um aumento de 143,9%, devido à construção “de edifícios novos e empreendimentos habitacionais públicos de grande envergadura”. Entre 2011 e 2021 registou-se uma quebra de 6,8% no número de pessoas a viver na península, enquanto que a proporção a residir na Taipa aumentou 16,4%. Os mais velhos residem sobretudo em zonas como a Praia Grande e Penha, numa proporção de 18,4%, e avenida Conselheiro Ferreira de Almeida, com 17,1%. Em termos de dimensão do território, Macau tinha em 2021 mais 3,14Km2, sendo que na baixa da Taipa residem 75.689 pessoas, 11,1% da população total. Na zona da Areia Preta reside 10,4%.

Entre 2011 e 2021, deu-se um aumento de 8,8% das pessoas em idade de trabalhar “em consequência dos incrementos de imigrantes e de trabalhadores não-residentes”. A população activa feminina cresceu 14,6%, sendo superior à masculina em 3,3%. Em termos gerais, Macau a população activa no ano passado era de 377.071 pessoas. A população empregada global era, em Agosto de 2021, composta por 364.043 pessoas, mais 7,8% em relação há dez anos atrás. Sectores como o do jogo,

inserido nas “actividades culturais e recreativas, lotarias e outros serviços”, comércio por grosso e retalho, hotelaria e restauração tinham 48% da população empregada global, uma quebra de 4,1% em relação a 2011. A área do “trabalho doméstico” tinha, em 2021, mais 5% de pessoas empregadas, num total de 30.242 pessoas, em relação a 2011. No ano passado havia também mais pessoas empregadas nos sectores da educação (5,4%), saúde e acção social (4,3%) e actividades financeiras (3,9%).

SALÁRIOS EM ALTA A mediana do rendimento dos trabalhadores de Macau subiu 5.600 patacas em 10 anos, situando-se, em Agosto do ano passado, em 15.600 patacas. Os funcionários públicos apresentam a mediana de rendimento mensal mais elevada, com 40.000 patacas, seguindo-se os sectores da “educação”, com uma mediana de 27.000 patacas, e “produção e distribuição de electricidade, gás e água”, com 25.500 patacas.


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grande plano 3

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Sinal dos tempos

Numa década, o número de residentes com curso superior mais que duplicou. A maior parte opta por licenciaturas em ciências empresariais, línguas e turismo. Entre 2011 e 2021, quase metade dos diplomas foram obtidos nas universidades locais. Analistas ouvidos pelo HM assumem que o mercado laboral não consegue absorver todos os licenciados

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enquanto os cursos de “humanidades e línguas” representam nove por cento. Seguem-se os cursos de “turismo, hotelaria e serviços de catering”, com 8,4 por cento. Apesar de muitos locais optarem por estudar no estrangeiro, a verdade é que a procura por cursos em Macau aumentou, com 44,2 por cento dos diplomas a serem obtidos no território. Segue-se o Interior da China com 29,5 por cento, Taiwan com 10,5 por cento e Hong Kong com 2,8 por cento. Portugal representa apenas 1,3 por cento dos destinos para frequentar o ensino superior. Ainda no sector educativo, os Censos mostram que “com a elevação do nível de escolaridade da população, 29 por cento dos trabalhadores detinham cargos de ‘directores e dirigentes administrativos’, ‘especialistas das profissões intelectuais e científicas’ e ‘técnicos e profissionais de nível intermédio’”, um aumento de 6,2 por cento face a 2011. Estes trabalhadores mais qualificados eram, no total, 10.5432, sendo que 73,8 por cento tinha estudado no ensino superior.

E encontrar emprego?

Para Agnes Lam, académica e ex-deputada, estes dados são “um bom sinal” e reflectem “o investimento que tem sido feito pelo Governo no que diz respeito à

MAIS IDOSOS SOZINHOS EM CASA A população idosa mais que duplicou, com um aumento de 107,2 % em relação a 2011. Os idosos representavam no ano passado 12,1% da população, mais 4,9% face a 2011, sendo que mais de metade dos dependentes, 63,7%, vivem em casas de família, enquanto que 34,5% estão em lares. Ainda assim, 95,5% dos idosos com 60 ou mais anos afirma ter capacidade para levar uma vida autónoma. A solidão na terceira idade é cada vez mais comum, uma vez que, em dez anos, houve um aumento de 80,3% de idosos a morar

sozinhos. Francisco Manhão, presidente da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), considera que, em termos gerais, os mais velhos têm uma boa vida em Macau, sendo importante o regresso da injecção das sete mil patacas anuais nas contas individuais de previdência. Isto porque o Governo “deveria partilhar mais a sua riqueza com os residentes, em particular com os da terceira idade”. Além disso, Francisco Manhão defende a criação “de uma cidade satélite” para albergar os idosos.

escolaridade gratuita e concessão de bolsas”. No entanto, acredita que, com o actual cenário de crise económica, “o mercado não consegue absorver todas as pessoas”. “Deveria haver um mecanismo para ajudar licenciados a iniciarem os seus próprios negócios em determinadas áreas, e não apenas HOJE MACAU

M dez anos, a fatia da população com curso superior quase duplicou, segundo os resultados dos Censos 2021, que traçam o retrato de um período marcado não apenas pelo investimento público no ensino superior, aponta o relatório. “A tendência para a formação contínua foi impulsionada pelo aumento da procura de quadros qualificados, que se deve ao desenvolvimento económico”, lê-se. Da população com mais de 15 anos, num total de 583.089 pessoas, 175.956, ou seja, 30,2 por cento, tinha curso superior, quando esse valor era em 2011 de apenas 18,1 por cento, o que constitui um aumento de 99,9 por cento. Relativamente aos locais, deu-se um aumento de 97,9 por cento do número de residentes com formação superior, sendo que as maiores proporções se registam nas pessoas com idades compreendidas entre 25 e 29 anos e dos 30 aos 34 anos, com percentagens de 72,2 e 61 por cento. A grande escolha dos residentes recai na licenciatura, que representa 69,8 por cento, enquanto que apenas 14,7 dos residentes tem mestrado e 1,6 por cento doutoramento. Relativamente às áreas de ensino, os cursos de “ciências empresariais e administração” são os mais procurados, com uma fatia de 30,5 por cento,

‘‘Deveria haver um mecanismo para ajudar licenciados a iniciarem os seus próprios negócios em determinadas áreas, e não apenas a abrirem cafés.” AGNES LAM ACADÉMICA

a abrirem cafés. Há pequenos negócios que podem ser criados, mas serão precisos mais dez anos para vermos algum desenvolvimento [a este nível]. Deveríamos apostar também na educação profissional. Não podemos ter os mesmos empregos que tínhamos nos anos 90 e as pessoas também têm de encarar essa realidade”, admitiu. Rui Martins, vice-reitor da Universidade de Macau (UM), interpreta os dados demográficos do ensino como o reflexo do investimento público e privado no ensino superior. “A nível de licenciatura creio que grande parte dos alunos são de Macau, mas ao nível de mestrado e doutoramento este panorama inverte-se um bocado”, disse. Antes da pandemia, 30 por cento dos graduados da UM encontravam emprego assim que terminavam o curso, mas o cenário mudou um pouco. “Estamos numa situação de crise devido à pandemia e isso afecta grandemente a economia dos casinos. Estes têm, à sua volta, uma série de empresas e indústrias que permitem a criação de muitos empregos. Até 2019/2020, costumava dizer que bastava a um aluno de Macau entrar na UM para ter emprego. Mas a economia está a abrandar e os licenciados começam a ter mais dificuldades em encontrar emprego.”

No entanto, Rui Martins acredita que, levantadas as restrições pandémicas e com mais visitantes, a situação laboral “entrará no ritmo normal que tínhamos”. Por sua vez, Carlos Noronha, docente da UM, destaca o “grande encorajamento para que os residentes trabalhem em Hengqin”, embora haja ainda poucas vagas no contexto dos projectos de cooperação existentes. “Temos de esperar mais um tempo porque a economia está a ser muito afectada pelas restrições. Como se pode atrair os jovens a trabalhar em Hengqin? Por exemplo, na Grande Baía, existe um sistema jurídico diferente e estas coisas têm de ser resolvidas.” Carlos Noronha entende, contudo, que existe “receio de ir trabalhar para outros locais”, pois em Macau “os jovens são muito protegidos e talvez queiram manter-se por perto ou mesmo “procurar emprego em Hong Kong”. “Não há emprego se a porta para a internacionalização continuar fechada. [Seria importante] enviar estudantes universitários para o estrangeiro para absorverem mais conhecimentos e deixá-los regressar a Macau ou para Hengqin para transferir ferramentas e capacidades. Macau vai conhecer um retrocesso se continuar desta forma”, rematou o docente da UM. Andreia Sofia Silva

RENDAS MAIS CARAS

PORTUGUÊS MENOS FALADO

Olhando para o contexto da habitação privada arrendada, os Censos mostram que em Agosto do ano passado as zonas do Pac On e Taipa Grande são as que têm a renda média mensal mais elevada, no valor de 16.300 patacas. Pelo contrário, viver nas zonas do Patane e São Paulo era mais barato, com uma renda média mensal de 5.500 patacas. A renda média mensal das casas paga por agregado familiar atingiu, em 2021, o valor de 8.700 patacas.

Em matéria de domínio de línguas, os Censos revelam que, em dez anos, houve uma ligeira descida de 0,1% das pessoas que falam fluentemente português, representando apenas uma fatia de 2,3%. Entre 2011 e 2021, Macau passou a ter mais pessoas a dominar o inglês, um aumento de 1,3%, representando uma proporção de 3,6%. Tal deve-se “ao crescimento da população imigrante oriunda de outros países ou territórios”. Em termos de domínio geral de línguas, 86,2% da população usava o cantonense como meio de comunicação, enquanto que 45% falava mandarim, menos 3,8% e mais 3,6%, respectivamente.


4 assembleia legislativa

10.6.2022 sexta-feira

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EMPREGO DEPUTADO LIGADO AOS OPERÁRIOS PEDE QUE RESIDENTES BAIXEM AS EXPECTATIVAS

O que vier à rede RÓMULO SANTOS

Lei Chan U deixou ontem um aviso aos residentes: ou baixam as expectativas ou ficam sem emprego. Esta é a nova realidade, que, para o deputado, resulta em grande parte do “ajustamento” da indústria do jogo, que vai para além da pandemia. Já Che Sai Wang, recusa que os residentes tenham expectativas elevadas, e fala num mercado difícil até para os mais qualificados

Lei Chan U “Espero que os residentes à procura de emprego ou desempregados, ajustem a sua atitude e mentalidade, e adoptem a estratégia de ‘primeiro, ter um emprego e, depois, fazer escolhas entre os empregos disponíveis.’

Dóci Papiaçám Chan Hou Seng elogiou peça de teatro Chan Hou Seng, deputado nomeado pelo Chefe do Executivo, elogiou o papel da peça de teatro“Lorcha di Amor”, do grupo Dóci Papiaçám di Macau. “Convidou os espectadores a pensarem sobre como lidar

com a adversidade, abordando a questão do turismo sob os efeitos da pandemia. A representação conseguiu pacificar o nosso coração e levou-nos a vislumbrar algum alento neste período de dificuldades

e recessão”, afirmou Chan, na intervenção antes da ordem do dia. “Analisando o significado profundo destas iniciativas, podemos ver o papel da cultura e da arte na governação da sociedade”, vincou.

Covid-19 Apelo à circulação sem quarentena com Hong Kong Apesar de ter reconhecido que tem de ser Hong Kong a restabelecer, primeiro, a circulação com o Interior, o deputado Leong Hong Sai apelou à circulação entre Macau e a RAEHK sem necessidade

de quarentena. “A sociedade também tem expectativas quanto à passagem fronteiriça entre Hong Kong e Macau sem quarentena, pois trata-se duma necessidade de muitos para se reunirem com a famí-

lia, para consultas médicas ou funerais, e o sector turístico também espera que os turistas de Hong Kong possam visitar Macau, com vista a impulsionar o consumo”, disse o deputado.


sexta-feira 10.6.2022

Se Lei Chan U pediu aos residentes para baixarem as expectativas, num polo oposto, Che Sai Wang apelou ao Governo para arranjar soluções para os quadros qualificados recém-licenciados. Segundo o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), os residentes não têm medo de trabalhar, e até aceitam empregos que não correspondem à área da formação. Para Che, o problema é outro: “Devido ao impacto da pandemia, a economia está em baixa, por isso muitos recém-licenciados estão desempregados, e depois optam por trabalhar na entrega de comida ou em lojas que vendem refrigerantes de chá, empregos que não correspondem à sua formação”, apontou. Também muitas vezes os residentes não são vistos como qualificados para as posições disponíveis, por falta de experiência. “Muitos estudantes inscreveram-se no ‘dia aberto da feira de emprego’ organizado pela DSAL, mas os postos de trabalho disponíveis eram apenas para lavagem de loiça e segurança, não correspondendo aos cursos de formação da sua graduação. Mais, a maior parte destes postos exige dois a três anos de prática profissional e

esta exigência dificulta a vida das pessoas que não têm experiência de trabalho”, justificou.

Os não-residentes

Também na bancada da ATFPM, José Pereira Coutinho indicou que a falta de empregos para os residentes locais está relacionada com a importação de trabalhadores não-residentes, que aceitam condições laborais inferiores às dos residentes. “As principais razões, de termos ainda 167.738 trabalhadores não residentes na RAEM deriva da tolerância do Governo em autorizar de forma ‘desnorteada’ a importação de mão-de-obra barata e não qualificada. Muitos destes trabalhadores de segunda classe são explorados nos seus direitos e regalias, como acontece todos os dias, com o não pagamento de horas extraordinárias”, afirmou Coutinho.

“A economia está em baixa, por isso muitos recém-licenciados estão desempregados, e depois optam por trabalhar na entrega de comida ou em lojas que vendem refrigerantes de chá.” CHE SAI WANG DEPUTADO

O deputado defendeu também que existem vários trabalhos não-qualificados em mercados como o do imobiliário, banca, seguradoras e financeiro que podiam ser ocupados por residentes. “Porque é que os jovens e os desempregados não têm capacidade de ocupar as cerca de 15 mil vagas ocupadas pelos trabalhadores não residentes e não especializados que trabalham no ramo imobiliário?”, questionou. “A razão é simples. Os trabalhadores não residentes têm de ser mais obedientes e não se atrevem a reclamar dos seus direitos, caso contrário serão de imediato despedidos e recambiados para os seus locais de origem”, respondeu. Uma visão contrária foi apresentada por Ip Sio Kai, deputado eleito pela via indirecta, que fala de uma situação em que as empresas não podem contratar não-residentes, mas também não conseguem contratar residentes. “Segundo os dados, até ao final de Abril de 2022, o número de trabalhadores não residentes diminuiu cerca de 30 mil, em comparação com o final de Dezembro de 2019, mas o desemprego local não melhorou muito, o que demonstra que não existe uma relação de complemento entre os postos de trabalho libertados pelos não residentes e os postos de trabalho pretendidos pelos residentes”, argumentou. “As necessidades de mão-de-obra das empresas locais são diferentes das intenções dos candidatos locais, o que resulta numa situação de ‘haver pessoas sem emprego e postos de trabalho sem candidatos’, e a mão-de-obra não se forma nem pode melhorar dum dia para o outro através de políticas”, completou. João Santos Filipe

Tribunais Pagamentos electrónicos a partir de Setembro A Assembleia Legislativa aprovou na especialidade a proposta de lei sobre o envio de peças processuais e pagamento de custas por meios electrónicos. A nova lei entra em vigor a 1 de Setembro do

REUTERS

L

EI Chan U, deputado dos Operários, considera que os residentes têm de baixar as expectativas e aceitar os empregos disponíveis. Num discurso em que fez eco das palavras do Governo, o legislador pró-laboral apelou aos residentes para tomarem uma atitude “pragmática” e aceitarem a realidade, que é afectada não só pela pandemia, mas pelo “ajuste do sector do jogo”. “Há dias, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais reconheceu que muitos trabalhadores do sector do jogo têm dificuldade na colocação profissional e a razão principal é faltar vagas”, começou por afirmar Lei Chan U. “Assim, é de salientar, mais uma vez, que, perante o duplo impacto resultante da pandemia e do ajustamento profundo do sector do jogo, se os trabalhadores continuarem com grandes expectativas de emprego e falta de flexibilidade na sua procura, vão estar numa posição social fraca, sob a realidade em que a procura de trabalho é maior do que a oferta”, acrescentou. Lei Chan U deixou ainda um recado para os residentes e avisou-os que está na altura de aceitarem os empregos disponíveis, antes de pensarem na carreira: “Espero que os residentes à procura de emprego ou desempregados, tendo em conta as condições e a realidade social, da actual situação do mercado laboral, ajustem a sua atitude e mentalidade, e adoptem a estratégia de ‘primeiro, ter um emprego e, depois, fazer escolhas entre os empregos disponíveis’, ou ‘primeiro, acumular experiência e, depois, escolher o rumo de desenvolvimento profissional’”, apelou. O deputado, eleito pela via indirecta, pediu ainda na intervenção antes da ordem do dia aos residentes que adoptem esta atitude para contribuírem para o esforço comum de combate à pandemia.

Mais alternativas

assembleia legislativa 5

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corrente ano, e a partir dessa altura os pagamentos junto dos tribunais vão poder ser feitos de forma electrónica. Ontem, na AL, André Cheong, secretário para a Administração e Justiça, garantiu que os

procedimentos vão ser realizados a tempo. Os deputados aprovaram também a lei que vai permitir aos condutores apresentarem o comprovativo de seguro ou de inspecção do veículo electronicamente.

Prazer quase proibido Aprovadas medidas contra cigarros electrónicos. Pedida proibição do tabaco

A

Assembleia Legislativa aprovou ontem na generalidade e por unanimidade a revisão à lei do tabaco, para proibir o fabrico, distribuição, venda, importações e entrada no território de cigarros electrónicos, assim como de outros produtos de tabaco consumidos de forma oral. No entanto, entre os deputados houve pedidos para que se vá mais longe. Ip Sio Kai, ligado ao sector bancário, pediu que o consumo do tabaco seja totalmente proibido. E não foi o único. Quando apresentou a proposta de revisão à lei, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, alegou que as alterações visam combater a popularidade dos cigarros electrónicos entre os jovens dos 13 aos 15 anos, faixa etária que registou um aumento de 1,4 por cento no consumo, de 2015 para 2021. Mas houve deputados que não se mostraram satisfeitos com as alterações. Ip Sio Kei considerou que

todo o tabaco devia ser proibido no território, com multas para os fumadores. “Eu não percebo, porque é que não proibimos todo o consumo de tabaco?”, questionou. “Era muito mais simples que estas medidas todas. Aliás, como o consumo não é sancionado, acho que não vai ser possível alcançar os objectivos das alterações à lei”, afirmou. Ip mostrou-se ainda preocupado com o que diz ser uma nova tendência, em que os mais jovens consideram que têm um ar “cool”, quando fumam cigarros electrónicos. “Eu não sei fumar, mas parece que as pessoas acham que é muito estiloso fumar”, atirou.

Passo a passo

Também Leong Sun Iok considera que o Governo deve ter poderes para controlar os fumadores, com multas, se necessário. “Não podemos afastar o cenário das pessoas recorrerem a meios ilícitos para obterem cigarros electrónicos, por

isso, o uso também devia ser ilegal”, argumentou Leong. “Actualmente, o Governo não pode sancionar uma pessoa que fuma cigarros electrónicos, mas esse poder devia estar nesta proposta”, defendeu. Contudo, a secretária defendeu que o trabalho de combate ao tabaco vai ser feito progressivamente. “Em relação à proibição de fumar, temos o objectivo de fazer os trabalhos de forma gradual. A nossa experiência mostra-nos que esta forma de trabalho é eficaz”, justificou. “Os nossos dados mostram-nos que há menos pessoas a fumar, mas entre os jovens o consumo aumentou, e isso faz com que apresentamos estas alterações à proposta vigente”, explicou. Elsie Ao Ieong U defendeu ainda que é preciso “dar tempo” para que as pessoas possam “passo a passo” deixar de fumar. A secretária destacou também que a aposta vai passar por acções de campanha a explicar os malefícios do tabaco.


6 política

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Economia Patentes podem ser registadas online Os pedidos de patente de utilidade passaram a poder ser apresentados online no portal da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), já a partir de segunda-feira. O novo serviço veio completar a plataforma de pedidos online ao nível do registo de marcas, patentes ou

modelos de desenho, defende a DSEDT, com vista a “aumentar ainda mais o grau de conveniência dos serviços públicos de propriedade industrial”, além de “fornecer um forte apoio à promoção da inovação tecnológica”. São 21 os serviços na área da propriedade intelectual que podem ser efectuados online na DSEDT.

Sim, mas

Remar para o mesmo lado

equacionar os custos totais do projecto e a viabilidade dos planos de resposta em caso de acidente.

Um passo de cada vez

Já sobre o Metro Ligeiro, Leong Hong Sai considera que a construção da Linha Oeste, entre Barra e Portas do Cerco, é uma ideia a ter em conta, dado que poderá beneficiar a população dos bairros antigos de Macau. Contudo, alerta para a complexidade da obra e o facto de a prioridade passar por concluir as ligações entre Taipa e Barra, a linha de Hengqin e a linha Leste entre o Aeroporto e as Portas do Cerco. “A acontecer, a linha Oeste vai ter um efeito muito positivo para a população dos bairros antigos e beneficiar as ligações entre os Postos Fronteiriços de Qingmao, Portas do Cerco e Hengqin”, disse. Sobre o tema, Cheong Sok Leng sublinhou que o objectivo do plano de transportes passa por elevar o Metro Ligeiro ao estatuto de meio de transporte principal, relegando para segundo plano os autocarros. Contudo, alerta para a dificuldade que é concretizar novas linhas do Metro Ligeiro, dado que a única linha existente (na Taipa) levou 10 anos a ser construída. N.W. e P.A.

A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais começa a aceitar, a partir de segunda-feira, inscrições para dois planos de formação subsidiada, orientados para o “aumento das competências técnicas” e “empregabilidade”. As inscrições podem ser feitas até sexta-feira, 17 de Junho. Os subsídios variam entre 5.000 e 6.656 patacas para

empregadores que inscrevam os seus empregados. Relativamente à 19ª edição deste programa, cujas inscrições terminaram a 20 de Maio, mais de 500 pessoas inscreveram-se para mais de mil vagas disponíveis. Relativamente ao programa destinado ao aumento do emprego, inscreveram-se 1.240 pessoas para um total de 1.060 vagas.

“Actualmente, Governo, escolas, famílias e a própria sociedade estão a trabalhar de forma separada sobre a questão da educação sexual, fazendo com que a mensagem transmitida às crianças seja diferente e levando ao surgimento de lacunas e deficiências”, começa por apontar Ho Ion Sang em interpelação escrita.

“Actualmente, Governo, escolas, famílias e a própria sociedade estão a trabalhar de forma separada sobre a questão da educação.” HO ION SANG DEPUTADO

RÓMULO SANTOS

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Centro da Política da Sabedoria Colectiva considera que o projecto de construção do teleférico entre o Centro de Ciência e a Zona A dos Novos Aterros deve avançar se for considerada uma mais-valia para o sector do turismo, ficando a faltar, contudo, uma solução para o trânsito. “A população está atenta à ligação entre as zonas A e B [onde está o Centro de Ciência] e o teleférico parece ser um projecto mais virado para o turismo. Para resolver o assunto de trânsito (...) será ainda necessário construir uma passagem por túnel ou viaduto”, disse ontem o vice-presidente da associação e deputado, Leong Hong Sai, durante um encontro que serviu para discutir o Planeamento Geral do Trânsito e Transportes Terrestres de Macau (2021-2030). Além disso, o deputado alertou o Governo para a necessidade de fazer um estudo sobre a viabilidade da construção do teleférico, não só em termos de engenharia, mas também ao nível dos custos e capacidade de manutenção da hipotética estrutura. P o r s eu t u r n o , Cheong Sok Leng, membro do Conselho Consultivo do Trânsito lembrou que, caso se decida avançar com a obra, o Governo deve

Formação subsidiada Inscrições a partir de segunda-feira

EDUCAÇÃO SEXUAL HO ION SANG QUER MEDIDAS PARA COMBATER ABUSO DE MENORES

Kaifong apoia teleférico, mas diz que falta solução para o trânsito

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Para o deputado, o actual modelo de ensino leva a que a qualidade da educação sexual “varie de escola para escola” e impacte negativamente a criação de uma cultura de respeito e protecção dos direitos das crianças. Recorde-se que, o gabinete do secretário para a Segurança revelou que no primeiro trimestre de 2022, foram registados nove casos de abuso sexual de menores, ou seja, mais quatro (80 por cento) relativamente aos primeiros três meses de 2021.

Apoiar quem precisa

Ho Ion Sang defende que o Governo deve uniformizar mecanismos de apoio e conteúdos da disciplina de educação sexual, para combater o aumento dos abusos sexuais de menores. Para o deputado, é necessário apurar “seriamente” as causas do problema no actual contexto social e económico e disponibilizar apoio psicológico às vítimas

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REOCUPADO com o aumento de 80 por cento de casos de abuso sexual de menores no primeiro trimestre do ano, o deputado Ho Ion Sang defende que os conteúdos, material didático e modelo de ensino da disciplina de educação sexual devem ser uniformizados em todas as escolas de Macau.

O objectivo, passa por elevar a qualidade da disciplina, criar mecanismos de apoio acessíveis e contribuir para que “Governo, escolas, famílias e a própria sociedade” trabalhem juntos sobre a questão. Isto quando a educação sexual em Macau é geralmente ensinada, de forma complementar e transversal, nas disciplinas de cidadania, estudo do meio e ciências naturais.

Neste contexto, e para evitar agravar o problema, Ho Ion Sang considera ser da maior importância que o Governo apure “seriamente” se as causas do aumento dos abusos sexuais de menores estão relacionadas com o actual ambiente social e económico de Macau ou se se prendem com factores psicológicos ou outros. O deputado pretende ainda saber se o Executivo ira intensificar a prestação de aconselhamento psicológico a menores e às suas famílias e lembra ainda o caso do recém-nascido que foi abandonado junto a um caixote do lixo nas Portas do Cerco. “Irá o Governo reforçar o apoio psicológico às crianças vítimas de abuso sexual e às suas famílias, de forma a ajudá-las a superar a tristeza e a regressar à vida normal? Além de reforçar a educação sexual, vão ser disponibilizados mais canais de apoio social e sensibilização legal, para evitar situações de abandono de bebés resultantes de gravidez indesejada?”, questionou por escrito. Pedro Arede com N.W.


sexta-feira 10.6.2022

sociedade 7

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Porto Interior 13 propostas para estação elevatória

A Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) admitiu todas as 13 propostas recebidas para a construção da primeira fase da obra da estação elevatória de águas pluviais e drenagem no Porto Interior. As propostas variam entre 128 e 159 milhões de patacas, com um prazo de execução entre 458 e 475 dias de trabalho. A obra será executada em três fases. A primeira fase será construída uma estação elevatória de águas pluviais, ficando reservado um espaço para construir uma plataforma estrutural destinada às instalações de tratamento de águas residuais. Prevê-se que os trabalhos relativos à primeira fase estejam concluídos no final do ano. A DSOP aponta ainda que as obras da segunda e terceira fases “serão iniciadas de acordo com o andamento da obra da primeira fase”, com o objectivo de “optimizar o sistema de drenagem circundante do lado sul do Porto Interior”.

Covid-19 Detectados nove casos importados

As autoridades detectaram na quarta-feira nove casos importados de covid-19, sete sem sintomas e dois casos de recaída. Os casos assintomáticos dizem respeito a residentes que viajaram do Uganda e EUA, que estão internados no Centro Clínico de Saúde Pública no Alto de Coloane. Os dois casos de recaída são relativos a uma residente de 85 anos que viajou de Portugal via Alemanha e Singapura e um residente de 55 anos que fez a mesma rota.

Burla Alerta para perigos de sites desconhecidos

A Polícia Judiciária (PJ) emitiu ontem uma nota a alertar para o perigo de websites e origem desconhecida, após ter recebido denúncia de um cidadão que abriu a ligação winnerslink. net, numa rede social. De imediato apareceram “indicações para clicar nos ícones de duas empresas de telecomunicações de Macau”, o que levou o homem a dar o alerta nas redes sociais sobre a possibilidade de constituir um caso de burla. A PJ afirma não ter recebido, até à data, queixas sobre este tipo de caso.

Portugal Representante fiscal já não é obrigatório

A Autoridade Tributária Aduaneira portuguesa anunciou que os cidadãos portugueses a viver no estrangeiro deixam de ter de nomear representante fiscal, caso não tenham obrigações fiscais em Portugal. “No acto de inscrição e atribuição de número de identificação fiscal (NIF) a cidadão nacional ou estrangeiro, como não residente, com morada em país terceiro, isto é, em país não pertencente à União Europeia (UE) ou ao Espaço Económico Europeu (EEE), como é o caso da Região Administrativa Especial de Macau, não é obrigatória a designação de representante fiscal”, pode ler-se numa nota oficial citada pela secção de Macau do PS, segundo a TDM-Rádio Macau. Contudo, a obrigatoriedade de nomear um representante legal para os contribuintes com carro ou casa em território português, mantém-se. Para a secção de Macau do PS a medida é de “enorme relevância”, pois resolve “muitas situações de cidadãos portugueses residentes em Macau” que estavam obrigados a nomear um representante fiscal, mesmo deixando de ter ligação permanente em Portugal.

COVID-19 GOVERNO ABRE PORTAS A TNR DE TODAS AS NACIONALIDADES

Uma nesga de esperança A partir de segunda-feira, os trabalhadores não-residentes com blue card válido estão autorizados a entrar para Macau, enquanto que quem tem autorizações de trabalho pode candidatar-se ao processo de entrada a partir de 24 de Junho

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Governo decidiu levantar algumas restrições de entrada no território, permitindo a vinda de trabalhadores não-residentes de todas as nacionalidades. Foram ontem anunciadas regras para três grupos de trabalhadores, sendo que já a partir da meia-noite de segunda-feira será permitida a entrada de trabalhadores não-residentes (TNR) com um blue card válido, sem necessidade de requerimento prévio emitido pelos Serviços de Saúde (SSM). Em relação aos TNR especializados com autorização de trabalho emitida pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), bem como quem tenha autorização especial de permanência, podem candidatar-se ao processo de entrada a partir de

24 de Junho. As regras completas serão publicadas no dia 17 de Junho pelas autoridades. Cabe às entidades empregadoras de TNR especializados fazer o pedido de requerimento aos SSM, enquanto os próprios trabalhadores devem tratar do processo para os familiares. As autoridades sublinharam que é obrigatória a vacinação contra a covid-19 para quem entra em Macau, sendo que os empregadores devem assumir o pagamento da quarentena caso os TNR não tenham condições económicas para o fazer. Na conferência de imprensa de ontem do Centro de Coordenação e de Contingência, foi ainda referido que os cidadãos do Nepal, Sri Lanka, Bangladesh, Nigéria e Paquistão devem requerer um visto junto da embaixada ou consulado da China antes de entrarem em Macau pela primeira vez.

Recorde-se que desde 27 de Maio é possível a entrada de portugueses não-residentes e que, até à data, foram recebidos 54 pedidos, estando todos em processo de análise. Em relação à vinda de trabalhadores domésticos, o Governo recebeu 100 pedidos e aceitou 55. Apenas cinco requerimentos

“Vamos primeiro reduzir de 14 para dez dias a título experimental e veremos se há a possibilidade de reduzir para sete dias. Estamos a analisar a situação no Interior da China.” LEONG IEK HOU MÉDICA

foram cancelados a pedido do empregador.

Redução em análise

Em relação à redução do período de quarentena, Leong Iek Hou deu eco às palavras de Ho Iat Seng, mas não adiantou datas concretas. “Vamos primeiro reduzir de 14 para dez dias a título experimental e veremos se há a possibilidade de reduzir para sete dias. Estamos a analisar a situação no Interior da China, pois a medida de quarentena de sete dias difere de cidade para cidade. Há pessoas que precisam de ficar em casa e outras que saem no período de auto-gestão de saúde”, adiantou Leong Iek Hou, médica e coordenadora do centro. As autoridades anunciaram também o encerramento, a partir de segunda-feira, do centro de vacinação de Mong-Há. Andreia Sofia Silva


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10.6.2022 sexta-feira

CASA GARDEN CURTAS-METRAGENS EM EXIBIÇÃO NO FIM-DE-SEMANA

Pequenas grandes películas Lúcia no Céu

The Girl from Saturn

The Flight of the Manta Rays

Tradição e Imaginação

My Castle, My home

10 de Junho Gastronomia e vinhos portugueses no Clube Militar O Clube Militar de Macau apresenta entre hoje e domingo a “Celebração da Gastronomia e Vinhos de Portugal”, uma experiência sensorial aliada à “Exposição de Pintura Portuguesa”, também patente no mesmo

local. A partir de hoje, até domingo, o serviço de buffet durante o almoço terá uma oferta reforçada de saladas, enquanto o leque de oferta de pratos quentes e sobremesas será duplicado. Também em buffet, os convivas terão

acesso a uma vasta variedade de vinhos portugueses de várias regiões. O Clube Militar de Macau acrescenta em comunicado que, especialmente para esta iniciativa, foi “refrescada a ‘Carta do Restaurante’”.

Hush! Inscrições para concurso de curtas abrem segunda-feira O festival “Hush! Concertos de Verão” regressa em Julho, mas as inscrições para o concurso de curtas-metragens incluído no evento, intitulado “Hush! 300 segundos” abrem na próxima segunda-feira. Este concurso “proporciona uma plataforma de partilha online para o

público revelar o seu talento musical e as possibilidades infinitas da música”, devendo os interessados enviar um vídeo de uma apresentação musical ou interpretação vocal. O júri irá escolher as melhores actuações e atribuir prémios como “Prémio Partilhar com o Coração”

ou “Prémio Música Plus JAM”, entre outros. As inscrições terminam a 4 de Julho, com os vencedores a serem divulgados a 7 de Julho nas redes sociais do festival “Hush!”. A entrega dos prémios será feita dia 10 de Julho, já no festival, que conta com organização do Instituto Cultural.


sexta-feira 10.6.2022

A Casa Garden vai exibir, amanhã e domingo, 14 curtas-metragens seleccionadas do New York Portuguese Short Film Festival e do Festival de Cinema dos Países de Língua Portuguesa. As sessões começam às 17h30 e têm entrada gratuita

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Casa Garden irá exibir um ciclo de curtas-metragens amanhã e no domingo, com 14 películas seleccionadas do New York Portuguese Short Film Festival e do Festival de Cinema dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A iniciativa é organizada pela Fundação Oriente, o Arte Institute e a Casa de Portugal em Macau, com o apoio institucional do Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, do Instituto Português do Oriente e da AICEP. Na sessão marcada para amanhã, serão exibidas 14 obras de realizadores portugueses, que fizeram

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parte do New York Portuguese Short Film Festival. A sessão começa com “Paralympia”, do Coletivo Hyperion, um filme lançado no ano passado que conta a história de dois atletas paralímpicos. A película é uma espécie de ensaio histórico desportivo, recheada de emotividade, com os dois atletas a recordarem as provas em que competiram num diálogo acompanhado pelo visionamento simultâneo de imagens de arquivo. Numa perspectiva completamente diferente e demonstrando o ecletismo do cartaz, a curta-metragem que se segue é “The Girl from Saturn”, de Gonçalo

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Almeida, um filme que abre portas à fantasia. A narrativa tem no epicentro Luís, um rapaz que vive em Portugal numa zona rural. Um episódio aparentemente inocente vira de pernas para o ar a vida de Luís, quando a mãe lhe pede para acompanhar uma rapariga que não conhece. A partir daí, o jovem embarca numa viagem cósmica que lhe irá marcar a vida para sempre. A curta que se segue é “My Castle, My home”, de José Mira, uma obra com contornos autobiográficos centrada na vida atlética de um adolescente de 13 anos, Guilherme, e na forma como a prática do ténis degenera numa miríade de pesadelos e fobias. Atormentado pelo seu treinador, o jovem começa a ser aterrorizado por criaturas que têm raquetes em vez de mãos, que o perseguem ao longo dos corredores de casa. Num ambiente de terror sufocante, a casa de Guilherme transforma-se num labirinto. A única salvação é o aconchego materno.

O cartaz prossegue com a exibição de “Two Cartoonists”, de Bruno Teixeira, “Ouro Sobre Azul”, de Andreia Pereira da Silva, “The Coop” da autoria de Rita Al Cunha, “A Straight Story” de João Garcia Neto, “Her name is Carla” de Cátia Biscaia e “Still Life” de Francisca Coutinho.

Das lusófonas

No domingo, também na Casa Garden, o dia será dedicado às curtas-metragens produzidas no universo lusófono. Piscando o olho ao imaginário dos The Beatles, será exibido “Lúcia no céu com semáforos”, uma curta-

Os filmes serão apresentados no auditório da Casa Garden, no sábado e domingo, a partir das 17h30. A entrada é livre

-metragem com produção angolana, realizada por Ery Claver e Gretel Marín Palacio. O filme conta a história de um ser que apenas existe corporeamente, como um objecto-vivo cuja existência tem como objectivo único a satisfação das necessidades e desejos dos outros. No ecrã, Lúcia mantém sempre um olhar distante que esconde gritos, medos e explosões, traçando uma alegoria da mulher que se cinge a um papel funcional, sem o direito a existir, viver, pensar ou exprimir o que sente. Um dos destaques da sessão de domingo é “Tradição e Imaginação”, da realizadora guineense Vanessa Fernandes que viveu em Macau. Nesta obra, a autora conduz o espectador até ao Benim, na África Ocidental, numa viagem marcada pelo passado de escravatura, uma memória que perdura nas memórias dos mais velhos. Outro dos filmes do dia é “The Flight of the Manta Rays”, uma animação

surrealista com produção luso-espanhola, realizada por Bruno Carnide. Uma imagem fantástica de enormes raias a voar pelos céus, passa da fantasia para a realidade, produzindo cenários de sonho. “Sentado no sofá, imaginei uma raia, em toda a sua beleza e magnificência, que em vez de nadar nas profundezas do mar voava na imensidão dos céus. A partir daí, comecei a desenhar”, escreveu Bruno Carnide na plataforma da Mailuki Filmes, uma agência de distribuição de filmes para festivais de cinema. No domingo serão ainda exibidos “Simpatia do Limão”, do brasileiro Miguel de Oliveira e “Dona Mónica”, do cabo-verdiano Carlos Yuri Ceuninck. Os filmes serão apresentados no auditório da Casa Garden, no sábado e domingo, a partir das 17h30. A entrada é livre. João Luz


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10.6.2022 sexta-feira

COVID-19 PAÍS QUER MAIS CENTROS DE TESTAGEM E DE QUARENTENA

Manter a estratégia A

INUNDAÇÕES PELO MENOS 10 MORTOS E TRÊS DESAPARECIDOS EM HUNAN

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ELO menos 10 pessoas morreram e três estão desaparecidas, devido às inundações ocorridas na província de Hunan, no centro da China, informou ontem a imprensa estatal. Várias tempestades atingiram o centro da China desde o início do mês. Algumas estações de monitoramento registaram níveis históricos de chuvas, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua. Cerca de 1,8 milhão de pessoas foram afectadas em Hunan, província montanhosa e predominantemente rural – 286 mil das quais foram levadas para um local seguro, enquanto mais de 2.700 casas ficaram danificadas ou colapsaram, de acordo com a Xinhua.

A China sofre regularmente inundações durante os meses de Verão, mais frequentemente no centro e sul do país. As fortes chuvas e inundações também afectaram a província vizinha de Jiangxi. Segundo a agência de notícias oficial Xinhua, cerca de 32 mil pessoas foram retiradas pelas autoridades, entre 28 de Maio e esta segunda-feira. Não foram relatadas mortes. Globalmente, tempestades tropicais mais intensas estão a aumentar, como resultado das mudanças climáticas, levando ao aumento das inundações, que ameaçam vidas humanas, colheitas e a qualidade das águas subterrâneas. PUB.

Aviso sobre pedido de junção de restos mortais em sepultura perpétua Eu, Chong Mun Kin (鐘滿鍵), nos termos das alíneas 3 e 4 do número 1 e dos números 2 e 3 do artigo 26.º-A do Regulamento Administrativo n.º 37/2003, alterado pelo Regulamento Administrativo n.º 22/2019, venho requerer a junção de ossadas e cinzas dos falecidos Chong Miu Iong (鐘妙容) e Van Sio Fai (溫 兆輝), respectivamente, na sepultura n.º MH-3-2336 do Cemitério da Nossa Senhora da Piedade. As pessoas que pretendem ser juntas são nora e neto do primeiro inumado na sepultura referida, Ho Kam Ha (溫門何氏). Venho por este meio informar as pessoas indicadas no n.º 1 do artigo 26.º-A do Regulamento Administrativo acima referido de que podem apresentar objecção por escrito no prazo de 30 dias, contados a partir da data da publicação do aviso, ao IAM. A objecção escrita deve ser entregue no escritório dos assuntos de cemitérios da Divisão de Higiene Ambiental do IAM, sito no 3.º andar do Edifício Comercial Nam Tung, na Avenida da Praia Grande n.º 517. Se o IAM não tiver recebido objecção por escrito dentro do prazo determinado, o pedido de junção pode ser autorizado. Aos 10 de Junho de 2022 Chong Mun Kin

SCMP

Apesar dos custos económicos e sociais, a China mantém-se comprometida com a estratégia de zero casos no combate à pandemia da covid-19

China está a construir centenas de milhares de centros permanentes de testagem à covid-19 e a expandir as instalações de quarentena em muitas das suas maiores cidades, como parte da política de ‘zero casos’. Em Xangai, no distrito de Minhang, novas medidas de bloqueio e testes em massa foram ontem anunciadas, abrangendo mais de dois milhões de pessoas. A directiva foi emitida uma semana após o Governo chinês ter declarado a vitória da cidade contra o vírus, depois de duas semanas de um bloqueio altamente restritivo. Medidas de confinamento, totais ou parciais, em dezenas de cidades puseram o país à beira da recessão, pela segunda vez em três décadas. Os indicadores económicos do trimestre actual são sombrios: as vendas de automóveis em Abril caíram quase para metade, em relação ao período homólogo, e os gastos no setor retalhista caíram 11 por cento. Embora as medidas tenham sido relaxadas em várias cidades, este mês, o programa lançado pelas autoridades relativo às infraestruturas para conter o vírus, indica que a política de tolerância zero à doença é para manter. As autoridades estão a desenvolver estratégias que permitam testar populações inteiras no espaço de 24 horas. As principais cidades chinesas devem agora ter locais de teste disponíveis a não mais de 15 minutos a pé das casas dos moradores, e instalações temporárias estão a ser substituídas por centros permanentes, fornecidos por empresas médicas privadas. As 31 províncias e regiões do país também estão a seguir ordens de Pequim para preparar novos hospitais e instalações de quarentena, para o caso de ocorrer um surto de grandes dimensões, como aquele que atingiu Xangai. Yanzhong Huang, especialista em políticas de saúde


sexta-feira 10.6.2022

Em construção

Em Abril, 400 hospitais improvisados tinham já sido concluídos ou estavam em fase de construção, com capacidade para mais de 560.000 camas, segundo a Comissão Nacional de Saúde. Autoridades em cidades com mais de 10 milhões de pessoas foram informadas de que pelo menos 1.500 camas hospitalares devem estar disponíveis em instalações de quarentena centralizadas, além de centros de apoio, que podem ser

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pública do Conselho de Relações Externas, um centro de reflexão com sede em Nova Iorque, disse que as medidas demonstram o compromisso de Pequim com a estratégia de ‘zero casos’, “apesar do crescente custo social e económico associado a esta abordagem”. “O Governo acredita que pode superar o vírus. Mas sabemos que isto não é realista para a variante Ómicron. E, para uma variante ainda mais transmissível, isto tornar-se-á ainda menos viável”, apontou.

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As principais cidades chinesas devem agora ter locais de teste disponíveis a não mais de 15 minutos a pé das casas dos moradores, e instalações temporárias estão a ser substituídas por centros permanentes convertidos com alguns dias de antecedência. “A capacidade para internamentos e isolamento deve ser reforçada, e hospitais designados (…) e pontos de isolamento centralizados devem ser planeados e preparados com antecedência”, escreveu no mês passado Ma Xiaowei, alto funcionário da Comissão, no Qiushi, o principal jornal do Partido Comunista Chinês. Num exemplo de rápido progresso, Ningbo, uma cidade com oito milhões de ha-

bitantes, abriu a sua primeira instalação centralizada para quarentenas no mês passado, com 4.356 quartos. A maioria das grandes cidades chinesas já instituiu requisitos para testes regulares de covid-19. Em Pequim é necessário ter um teste negativo para o vírus, realizado nas 72 horas anteriores, para aceder a supermercados, restaurantes ou transportes públicos. Lanzhou, uma cidade do noroeste, com quatro milhões de habitantes, tem capacidade

para testar cerca de 150.000 pessoas diariamente. A política da China foi bem-sucedida em conter a doença e manter o número de mortos baixo, em comparação com o resto do mundo. Mas muitas pessoas estão cansadas com a perspectiva de que a política se prolongue. “É uma loucura total”, comentou um residente de Pequim. “A comunidade científica considera a política insustentável, mas isto foi já convertido numa acção de mobilização das massas”, afirmou outra residente. Oito cidades na China e 74 milhões de pessoas estão agora sob bloqueio total ou parcial, em comparação com 133 milhões de pessoas há uma semana e 355 milhões de pessoas em Abril, segundo uma pesquisa divulgada pelo banco japonês Nomura. Segundo a mesma fonte, se todas as cidades adoptassem o requisito de teste de 72 horas, como em Pequim ou Xangai, seriam abrangidas 814 milhões de pessoas e o custo ascenderia a 1,7 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

COMÉRCIO RECUPERAÇÃO COM LEVANTAMENTO DE MEDIDAS DE CONFINAMENTO

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comércio externo da China recuperou, em Maio, face ao atenuar das medidas de prevenção epidémica em Xangai e outros importantes centros industriais do país, segundo dados das alfândegas chinesas ontem divulgados. As exportações subiram 16,9 por cento, em relação ao mesmo mês do ano anterior, para 308,3 mil milhões de dólares, acima do crescimento de 3,7 por cento, alcançado em Abril. As importações subiram 4,1 por cento, para 229,5 mil milhões de dólares, depois de terem aumentado 0,7 por cento, no mês anterior. “As exportações mostraram uma resiliência considerável em Maio, apesar do impacto do prolongado

bloqueio de Xangai”, disse Rajiv Biswas, da S&P Global Market Intelligence, num relatório. “A perspectiva para o segundo semestre de 2022 é de uma recuperação mais forte das importações, à medida que a procura doméstica recupera”, acrescentou. O excedente comercial da China aumentou 82,3 por cento, em relação ao mesmo período do ano anterior, para 78,8 mil milhões de dólares. O porto de Xangai informou que o número de contentores de carga movimentados diariamente recuperou para 95 por cento dos níveis normais, no final de Maio. No entanto, o acumular de dezenas de milhares de contentores provavelmente causarão atrasos que serão sentidos em todo o mundo. A economia da China cresceu 4,8 por cento no primeiro trimestre do ano, em termos homólogos.

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A SANTA CASA DA MISERICÓRDIA CELEBRA O DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS 10 de Junho de 2022

A Presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceania das Comunidades Portuguesas, Comendadora Rita Santos, felicita toda a comunidade portuguesa residente no interior da China, Macau e Hong Kong por ocasião das comemorações do 10 de Junho, Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas


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diário de próspero

ANTÓNIO CABRITA

07/06/22 Raramente se encontra um melhor argumento para a necessidade da arte do que este, avançado pelo humanista e cientista Jorge Wagensberg: «Olhar para trás é uma tarefa complacente, mas certas paisagens debotaram e, enquanto não se melhorar muito as técnicas de leitura, já não é possível saber quantos coices deu o cavalo de Napoleão; outros lampejos, em troca, como a Sinfonia Concertante de Mozart, permanecem claros e nítidos». Em tempos de guerra como este, este argumento vê reforçada a sua pertinência, porque à guerra – como nesta disputa se tornou claro – motiva-a o passado e a vã ilusão de fixar o número de coices que deu o cavalo do Napoleão. É a obsessão que orientou Putin, como, antes dele, inspirou outros corifeus da guerra: ressuscitar o império, reencontrar a pureza da alma eslava ou concretizar o velho sonho da Euroásia, não passam de facetas duma mesma crença, a saber, a solução para o mundo expressa-se no número cabalístico incarnado pelos coices que deu o cavalo de Napoleão. Compromete-se a dignidade do presente e a do futuro quando insistimos em querer esvaziar o mar com uma forquilha. O passado não volta. A oportunidade que se gorou no passado não volta. O instante que acabou no momento em que digito esta frase não me tornará mais novo. Suponhamos que a guerra se alastra e os beligerantes tiram das gavetas as bombas de neutrões. Daqui a cinquenta anos aterram os extraterrestres e encontram Paris, Moscovo, Joanesburgo ou Nova Iorque semi-devastadas e habitadas pelos ratos e o vento, sem sombra de humanos. Saberão ler nos vestígios a insanidade da guerra, que o homem não assimilou que se na natureza tudo é possível nem todos os acontecimentos virtuais são desejáveis ou plausíveis; que existem leis para restringir o caos e que devem ser seguidas. Mas encontram estátuas, um ou outro lance arquitectónico, arquivos, livros, imagens, e,

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10.6.2022 sexta-feira

Paula Rego Biden, por muito que isso custe a quem nos agride só perdura o que dá a vida. O mais são os coices e os flatos do cavalo do Napoleão – pó, sem terra onde poisar.

PAULA REGO

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num velho aparelho que activam, ouvem Bach, o Love Supreme de Coltrane, a nona Sinfonia do Mahler; são atraídos pela Notre Dame, de Paris, que, face à vacuidade de tudo, se ergue então como um alento misterioso. E percebem pelo contraste entre a dor que o homem infligiu a si mesmo, extinguindo-se, e aqueles exemplos de uma exuberante fluidez harmónica, ou mesmo dissonante, que realçavam momentos de algum ajuste, de algum sentido para figurar uma busca de infinito,

DAQUI A CINCO SÉCULOS, A TREZE, OU NAQUILO QUE NOS RECORDAR E FOR LEVADO PELOS VISITANTES DA CONSTELAÇÃO DE ORION, O QUE SERÁ DIGNO DE MEMÓRIA SÃO AS PINTURAS DE PAULA REGO E NÃO OS MÍSSEIS DE PUTIN E BIDEN, POR MUITO QUE ISSO CUSTE A QUEM NOS AGRIDE SÓ PERDURA O QUE DÁ A VIDA

que se a insanidade havia vencido no planeta isso não representava em exclusivo o homem. O que nos degradou não havia eliminado a energia que nos arrancava do chão em busca de um equilíbrio, talvez cósmico. Entram num museu de arte e vagueiam por entre as imagens, atentos ao halo que as obras humanas resgatam, aqui e ali, como testemunho de um certo viés para a beleza ou de um sentimento de exílio, mas ao arrepio da destruição. Não era muito, mas esse testemunho repunha alguma dignidade. E resolvem levar algumas obras, uma pintura da Paula Rego, outra com uma estranha arquitectura de Robert Matta, onde curiosamente se sentem retratados, a dança dos estilhaços em Cold Dark Matter de Cornelia Parker (- antes, noutra sala, os extraterrestres haviam aproveitado a Fonte, de Duchamp, para urinar, e num relance às Sopas Campbell, de Warhol, não lhe descortinaram a validade, o que me faz desconfiar que estes extraterrestres se alimentam por fotossíntese). Daqui a cinco séculos, a treze, ou naquilo que nos recordar e for levado pelos visitantes da Constelação de Orion, o que será digno de memória são as pinturas de Paula Rego e não os mísseis de Putin e

08/06/22 À procura de outra coisa, encontro esta afirmação de Simone Weil: «No mal, como no sonho, não existem leituras múltiplas. Daí a simplicidade dos criminosos. Crimes lisos como os sonhos dos dois lados: lado do carrasco e lado da vítima. Haverá algo mais aterrador do que morrer num pesadelo?». Eis o portador do mal refém do seu olhar unilateral, dogmático, da sua impossibilidade em reverter os efeitos da sua própria crença. De cada vez que perpetra o mal, só se rebaixa, esgarçando ainda mais a possibilidade de conseguir ler o fio da relação entre as coisas. Paranóico, devido à suspeita de poder haver algo que possa não controlar, apegase à inteligência. Só que esta, noutro dizer luminoso de Simone Weil, «não tem nada para descobrir, tem sim para terraplanar». Como não pensar nos Senhores da Guerra. Entretanto, volto a Jorge Wagensberg, que me ensina outras coisas surpreendentes. Por exemplo, que as crenças não são o produto de conclusões, mas, em qualquer caso, de estímulos. Mas igualmente que, se já sabíamos que as crueldades mais absurdas aparecem justificadas por uma concepção determinista do mundo, não demos conta que também muitos artistas e escritores ilustram os seus actos com as leis do determinismo: «O meu romance escreve-se sozinho, tal pintura, tal escultura têm a sua própria dinâmica, obedecem às suas próprias leis, algo guia a minha mão… ou o “Eu não procuro, eu encontro”, de Picasso.» surpreendente, não é, como nunca tínhamos associado uma coisa à outra? Leituras múltiplas, e responsabilização nos actos criativos: procuram-se, mortas ou vivas, 10 000 euros de recompensa.


sexta-feira 10.6.2022

antropofobias

CARLOS MORAIS JOSÉ

Esta nossa demanda por terras chinesas obriga-nos, por vezes, a enfrentar criaturas de horror, cuja existência incita os homens a interrogar os deuses sobre a sua original bondade. Como podem deuses benevolentes permitir a semelhantes criaturas assombrar a terra entre os Quatro Mares onde uma humanidade valerosa se esforça por ser respeitadora e submissa aos seus preceitos e vontades? A pergunta incha de indignação quando a experiência nos diz que as principais vítimas destes seres de pesadelo são, geralmente, inocentes maculados pelo único pecado de se encontrarem em

ARTES, LETRAS E IDEIAS

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O gudiao sítio funesto à hora errada. O mal tem uma inegável preferência por aqueles que, em termos de pensamentos e acções, muito pouco se encontram submetidos aos seus desígnios, nem frequentam os espaços onde os seus modos favoritos habitualmente proliferam. Tomemos o horrendo exemplo do gudiao, uma feroz besta

que habita o monte Luwu, duas montanhas a leste do monte Xun. O terreno em Luwu é particularmente seco, o que limita de forma radical o crescimento de vegetação: além de ricos minerais, pouco mais se apresenta ao viajante que ousar aventurar-se por estas paragens. Ali nasce o rio Zegeng, afluente do rio

TAL COMO OUTRAS BESTAS COMEDORAS DE HUMANOS, TAMBÉM O GUDIAO APRENDEU A IMITAR O CHORO DE UM BEBÉ. E FÁ-LO COM ARTE E CONVICÇÃO, DE MODO A ASSIM ATRAIR NUMEROSAS VÍTIMAS

ANA JACINTO NUNES

Pang. Ora é ao longo do seu curso atribulado, através de pontudos rochedos e aflitivas depressões, que habita o gudiao, uma espécie de abutre cornudo, senhor de rica plumagem e que ostenta uma cauda semelhante a uma serpente. Contudo, a sua característica mais repugnante é o bico em forma de gancho, com o qual se apraz a desfazer e deglutir seres humanos, por cuja carne detém um particular apetite. Esta preferência agudiza-se quando a vítima se trata de uma criança ou uma jovem mulher. Alguns afirmam mesmo que o gudiao adquire rapidamente o vício da carne humana e, para o mitigar, não terá outro remédio que não seja caçar e absorver o almejado petisco, após o que sossega, até que os roncos inclementes do seu estômago vazio de novo o lancem na busca do seu predilecto alimento. Tal como outras bestas comedoras de humanos, também o gudiao aprendeu a imitar o choro de um bebé. E fá-lo com arte e convicção, de modo a assim atrair numerosas vítimas que, desgraçadas, só demasiado tarde reparam ter caído numa mortal armadilha. Por que razão criaram os deuses tal estirpe de criaturas e lhes permitem refocilar na carne dos inocentes? Este tipo de questão poderia causar alguma confusão nas mentes mais vulneráveis, mas valemnos as palavras de mestre Zuo (Zuozi), inscritas na pedra: “Não compreender os actos de um gudiao equivale a não compreender os nossos próprios actos. O homem não se deve crer aparte da natureza ou superior nas suas acções aos outros dez mil seres. Se avaliarmos com integridade (cheng) o nosso coração (xin) – as nossas motivações, os nossos pensamentos, as nossas acções –, logo descobriremos que o comportamento do gudiao se queda muitos graus abaixo do nosso numa escala de iniquidades. Nós, os humanos, somos todos canibais. Da carne e da alma dos nossos semelhantes, fazemos festa e fortuna.”


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ANGEL DUST | FAITH NO MORE

C I N E M A

SALA 1

JURASSIC WORLD: DOMINION [B]

Este disco devia ser ensinado nas escolas algures entre o 9º e o 11º ano, tão essencial quanto matemática e português. “Angel Dust”, que foi lançado há exactamente 30 anos, está para a mente criativa como um saca-rolhas para uma garrafa de vinho, é a porta para o ecletismo e vistas largas. Com letras estranhas a roçar o bizarro e composições que fogem aos confinamentos estilísticos do rock, o quarto disco dos Faith No More é muito difícil de catalogar estilisticamente. Sei que já sugeri este disco. Desta vez não destaco singles, mas as músicas estranhas como “Caffeine”, “Smaller and Smaller” e “Malpractice”, autênticas chaves que destrancam limites do que é concebível no mundo do rock. João Luz

Um filme de: Colin Trevorrow Com: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Laura Dern, Jeff Goldblum 14.15, 19.00, 21.45

JUJUTSU KAISEN: ZERO [B]

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Seong-Hu Park 17.00 SALA 2

TOP GUN: MAVERICK [B] Um filme de: Joseph Kosinski Com: Tom Cruise, Jennifer Connely, Val Kilmer, Miles Teller 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

EVERYTHING EVERYWHERE ALL AT ONCE [C]

Um filme de: Daniel Kwan, Daniel Scheinert Com: Michelle Yeoh, Stephanie Hsu, Ke Huy Quan, James Wong 14.15, 21.45

JURASSIC WORLD: DOMINION [B] Um filme de: Colin Trevorrow Com: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Laura Dern, Jeff Goldblum 16.45 SALA 3

UNPLANNED [C]

Um filme de: Cary Solomon, Chuck Konzelman Com: Ashley Bratcher, Emma Rose Roberts, Michael J. Lindell, Jared Lotz 19.30

8 4 1 0 7 9 0 5 6 8 2 4 7 9 0 3 5 6 5 6 2 4 8 1 JURASSIC WORLD DOMINION 9 3 8 5 6 7 6 2 4 1 9 3 3Propriedade 1 5 Fábrica 2 0de Notícias, 8 Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede, Nunu Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Gonçalo Waddington; José Simões Morais; 1Julie0Oyang; 7 Paulo 9 Maia 3 e5Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo Rasquinho; 4Paul8Chan3Wai7Chi; Paula 1 2Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare 2Morada 7 Pátio 9 da6 Sé,4n.º22,0Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo 5 7 3 0 1 8 9 4 2 6

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sexta-feira 10.6.2022

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confeitaria

opinião 15

João Romão

CAPITALISMO SONSO NA CRÓNICA ANTERIOR escrevi sobre improváveis parcerias no mundo do trabalho contemporâneo: depois das relações entre exploradores e explorados e até entre colaboradores e colaborados, o termo “parceiro” vem hoje designar formas de organização e estruturação do trabalho que em vez de promover a igualdade de direitos, ou pelo menos uma certa equidade, promovem a precarização e exploração máximas, o isolamento absoluto, enfim, a perda de quase todos as conquistas que justificaram longas e duras batalhas durante os últimos séculos, um pouco por todo o mundo. Mas não são só estes os termos que branqueiam as cada vez mais desequilibradas e tóxicas relações de poder no capitalismo contemporâneo: desde os anos 1980 tem havido uma sucessão de novas palavras que parecem prometer justiças necessárias mas que afinal aprofundam desequilíbrios e injustiças antigas. Desde logo, o famigerado “desenvolvimento sustentável”, que retirou às questões da inclusão e da igualdade social a centralidade que a emergência e a consolidação dos Estados Providência lhes tinham atribuído desde o início do século vinte. Essa centralidade passou a ser repartida com a das questões ambientais - o que até seria pouco problemático se fosse verdade: mas desde os anos 80, não só o crescimento económico tem sido sistematicamente baixo, como os problemas ambientais do planeta se agravaram, enquanto as desigualdades sociais aumentaram implacavelmente ano após ano. Mais do que promover qualquer tipo de pensamento e acção estratégica de longo prazo, que a tal ideia de “sustentabilidade” sugere, afinal o que se foi justificando foram supostas urgências de curto prazo que respondessem a limitações cada vez maiores de finanças públicas cada vez mais condicionadas por políticas de sucessiva austeridade: em nome da necessidade de proteger ao mesmo tempo o ambiente e as contas dos Estados, foram-se promovendo “parcerias público-privadas” nas mais variadas áreas, incluindo serviços e infra-estruturas públicas elementares e estratégicas - recolha e tratamento de resíduos, tratamento e distribuição de água, construção e exploração de infra-estruturas para diversos modos de transporte, individual e colectivo, hospitais e outros centros de saúde, ou vastos projectos de renovação urbana que em nome da valorização do ambiente foram promovendo formas mais ou menos massificadas de gentrificação nas cidades mais atractivas. Os resultados para o planeta destes 35 anos de “desenvolvimento sustentado” - desde que se publicou o famigerado relatório “O nosso futuro comum” - são elucidativos: com excepção de economias como a chinesa, pouco seguidoras dos manuais do neoliberalismo contemporâneo, o crescimento económico – ou mesmo a inovação e o dinamismo empresarial, tão apregoados – foram sempre

Na realidade das sociedades contemporâneas não vemos nem partilha, nem parcerias equilibradas, nem desenvolvimento, nem equidade, nem protecção do ambiente, nem um olhar o longo prazo: apenas a exploração máxima, o mais rapidamente possível

muito limitados; os problemas ambientais continuam a agravar-se e à poluição e esgotamento de recursos naturais não-renováveis junta-se agora uma emergência climática para a qual não há respostas convincentes nem sistemáticas; a tendência para uma generalizada redução de desigualdades sociais que se foi consolidando ao longo do século vinte inverteu-se, dando lugar a desigualdades crescentes e cada mais violentas, expressas na segregação urbana, nas disparidades salariais entre patrões e trabalhadores (os tais “parceiros”), nas largas franjas da população permanentemente expostas à fome, à pobreza e, agora, aos impactos das alterações climáticas, ou no crescente número de bilionários que pouco ou nada contribui para as colectas de impostos mas que utiliza o espaço como um pátio de recreio e a economia global como uma sala de casino. Na mesma linha branqueadora da exploração máxima que a extração sistemática de recursos vai oferecendo a uma economia onde escasseiam outras ideias, mais produtivas e orientadas para necessidades sociais e colectivas, emergiu também o conceito de “economia partilhada” (“shared economy”), mais uma vez a apelar a uma certa ideia de equilíbrio, de generosidade colectiva, de aproximação, colaboração ou cooperação entre pessoas e instituições. É até verdade que há bons exemplos dessa partilha de recursos, como o tempo ou o esforço, que as tecnologias digitais podem exemplificar: plataformas de conhecimento como a “wikipedia” ou sofisticadas aplicações para cálculo técnico e científico, como a “R”, só são viáveis porque é possível coordenar e acumular conhecimentos individuais, de um largo número de pessoas que nem se conhece entre si, para a produção de ferramentas úteis, de utilização generalizada, massiva e gratuita, por vastas comunidades globais de utilizadores. As plataformas colaborativas mais notórias e lucrativas são, no entanto, as que em vez de partilha promovem a extração de recursos (como o parque habitacional) ou a exploração de trabalho (como a dos condutores ou dos transportadores de produtos diversos, como a alimentação). Em ambos os casos, promove-se a desregulamentação, a diminuição (ou eliminação) de direitos laborais e exigências ambientais, a desorganização sistemática das estruturas de representação colectiva, e a precarização absoluta. Esta economia da partilha não olha a processos colaborativos: olha para a maximização de lucros em negócios em que o que é novo é apenas a forma de organizar a exploração. Podemos juntar todas estas novas palavras mas na realidade das sociedades contemporâneas não vemos nem partilha, nem parcerias equilibradas, nem desenvolvimento, nem equidade, nem protecção do ambiente, nem um olhar o longo prazo: apenas a exploração máxima, o mais rapidamente possível.


“A glória é um modesto e efémero absinto.” PALAVRA DO DIA

A

Rússia e a China justificaram esta quarta-feira perante a Assembleia-Geral da ONU o veto a uma proposta norte-americana para sancionar a Coreia do Norte, na primeira vez em que as potências foram obrigadas a explicar-se. Os 193 Estados-membros da ONU reuniram-se quarta-feira para ouvir as explicações da Rússia e da China, que em 26 de Maio bloquearam uma resolução que procurava endurecer as sanções internacionais a Pyongyang em resposta aos seus últimos testes de mísseis. O embaixador chinês na ONU, Zhang Jun, assegurou que o seu país procura sempre cooperar com os demais membros do Conselho de Segurança para tentar chegar a um consenso e evitar vetos, mas deixou claro que, nesta ocasião, era impossível apoiar a resolução dos EUA.

“Os Estados Unidos devem assumir a responsabilidade por isso”, disse Zhang, que acusou Washington de forçar uma votação quando sabia que nem a China nem a Rússia apoiavam a iniciativa. Conforme referiu, o seu país levantou inúmeras opções alternativas que foram rejeitadas pelos EUA, a quem Pequim atribuiu o actual bloqueio em discussões com a Coreia do Norte. “Desde que a República Popular Democrática da Coreia adoptou medidas de desnuclearização em 2018, os Estados Unidos não retribuíram essas iniciativas positivas e não abordaram as preocupações legítimas e razoáveis” da Coreia do Norte, insistiu. A Rússia, por sua vez, ressaltou que impor mais sanções à Coreia do Norte não ajudará em nada e criticou a fixação dos EUA por apostar nesse caminho de pressão e não no diálogo.

ONU FUNCIONÁRIO DA OMS FOI MORTO A TIRO NO MYANMAR

PUB

U

M funcionário da Organização Mundial da Saúde (OMS) foi morto a tiro no sudeste de Myanmar (antiga Birmânia), num incidente cuja autoria é ainda desconhecida, indicou ontem a Organização das Nações Unidas num comunicado. A vítima, identificada como Myo Min Htut, trabalhava há cinco anos como motorista da OMS e foi morto na quarta-feira, atingido por disparos enquanto conduzia uma motocicleta, numa pequena vila no sudeste do Estado de Mon. Desde o golpe militar de 1 de Fevereiro de 2021, Myanmar está mergulhado numa profunda crise política, social e económica que

desencadeou uma espiral de violência com o surgimento de novas milícias civis e exacerbou a acção das guerrilhas. “A ONU apela a todas as partes para que respeitem a neutralidade das Nações Unidas e dos trabalhadores humanitários e apela à protecção dos direitos e da segurança dos civis, condenando veementemente a violência contra estes”, disse Ramanathan Balakrishnan, o coordenador humanitário e residente em funções da ONU. Balakrishnan adiantou que “as Nações Unidas esperam uma investigação imparcial sobre o incidente e que os responsáveis sejam responsabilizados”.

10.6.2022

Paul Verlaine

Prontos para o pior Efeitos das chuvas intensas deixam a deputada Wong Kit Cheng preocupada

A

deputada Wong Kit Cheng está preocupada com os efeitos das fortes chuvas registadas na quarta-feira, que resultaram em várias inundações por toda a cidade e no encerramento das escolas. Para a deputada, o facto de a população ter sofrido muitos “constrangimentos” e muitas zonas de Macau terem ficado inundadas quando “apenas” estava accionado o sinal vermelho de chuva intensa é motivo para questionar as medidas que têm sido tomadas pelo Governo para prevenir as inundações. “O Governo tem levado a cabo uma série de projectos para melhorar a capacidade de drenagem de várias zonas de Macau. Perante o inconveniente provocado pelas intervenções, a população esperava não ter que sofrer novamente com as inundações. Sobretudo, quando ontem [quarta-feira] de manhã apenas esteve em vigor sinal o sinal vermelho e isso levou à ocorrência de várias inundações. Por isso, muitas pessoas estão preocupadas com a eficácia das intervenções do Governo”, apontou Wong Kit Cheng em comunicado. Recorde-se que, na quarta-feira, ao fim de praticamente de sete horas em que o sinal vermelho de chuva intensa esteve em vigor, Macau registou várias inundações nas zonas baixas da cidade, provocando fortes constrangimentos à circulação e levando mesmo ao cancelamento das aulas durante tarde. De acordo com dados da Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), até às 16h00 desse dia, choveu o equivalente a 234,8 litros por metro quadrado na zona da Taipa, 184,4 litros por metro quadrado em Coloane e 182,8 litros por metro quadrado na península de Macau. Numa resposta enviada ao HM, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) revelou que durante o mau tempo registado na quarta-feira, não foram recebidas participações de “ferimentos” ou “acontecimento de

IAM

COREIA DO NORTE RÚSSIA E CHINA JUSTIFICAM VETO A MAIS SANÇÕES

sexta-feira

Wong Kit Cheng, deputada “O Governo tem levado a cabo uma série de projectos para melhorar a capacidade de drenagem de várias zonas de Macau. Perante o inconveniente provocado pelas intervenções, a população esperava não ter que sofrer novamente com as inundações.”

acidentes em parques de estacionamento” directamente relacionados com as chuvas.

Problemas de sempre

Dado ser “indiscutível” que há cheias em Macau sempre que há chuva intensa, PUB.

Wong Kit Cheng considera que os projectos e obras concluídas e em curso para prevenir inundações “são inadequadas” para lidar com as intempéries no território. Desta forma, a deputada defende que o Governo

deve rever o Regulamento Geral dos Espaços Públicos com o objectivo de renovar a rede de esgotos, melhorar a capacidade de escoamento e drenagem e combater descarga ilegal de resíduos. P.A.


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Hoje Macau 10 JUNHO 2022 #5025 by Jornal Hoje Macau - Issuu