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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
hojemacau MOP$10
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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEXTA-FEIRA 10 DE JUNHO DE 2011 • ANO X • Nº 2386
OPINIÃO
TEMPO POUCO NUBLADO MIN 27 MAX 33 HUMIDADE 60-95% • CÂMBIOS EURO 11.7 BAHT 0.26 YUAN 1.2
José Pereira Coutinho
Paul Chan Wai Chi
A VIGÍLIA CONFORMISMO NOCTURNA E IMPUNIDADE NO GOVERNO DA ESPERANÇA • PÁGINA 17
• PÁGINA 19
Homem escondia-se em WC de estacionamento
JOVEM ESCAPA A TENTATIVA DE VIOLAÇÃO NO NAPE • ÚLTIMA
Divórcio entre casais jovens sobe a pique devido a turnos de trabalho
Casinos matam pombinhos Lei nova, vida velha Com a aprovação na AL da lei que visa penalizar compradores de imóveis que só querem ganhar dinheiro com a revenda, a especulação pode ainda não estar sob controlo. Agentes imobiliários dizem que o novo diploma quase não terá efeito no mercado. >Página 4
Enquanto que na China a sogra é que a culpada dos 1,96 milhão de divórcios só em 2010, por Macau o vilão é a indústria do jogo. O número crescente de divórcios, especialmente entre casais jovens, tem sido justificado com os constantes desencontros devido ao trabalho por turnos nos casinos. As estatísticas mostram que em cada 3,5 matrimónios há um que falha. > PÁGINA 7
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• DELEUZE/DERRIDA E A PROXIMIDADE DA MORTE Esta terra são só doutores Precisamente 583. É esse o número de doutorandos que estavam, no último ano lectivo, registados a estudar no território. O número não pára de crescer e prevê-se que, com os investimentos na Ilha da Montanha, a quantidade de doutores vai atingir um auge nunca antes imaginado. >Página 9
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ACTUAL
Exploradores encontram 3,3 toneladas de moedas em navio da 2.ª Guerra
Isto sim é um tesouro U
MA empresa de prospecção submarina encontrou em águas sul-coreanas do Mar Amarelo um navio japonês afundado durante a Segunda Guerra Mundial com 3,3 toneladas de moedas que poderiam ter grande valor. A companhia Sea Love, baseada na cidade sul-coreana de Boryeong, empreendeu as buscas em Fevereiro. O navio em questão seria o Nishima Maru 10, um cargueiro de madeira de 253 toneladas afundado pelas forças americanas a 2 de Julho de 1945. Os técnicos ainda fazem buscas entre os restos do navio, localizado no fundo do mar próximo à costa da ilha de Seonyu, com a esperança de encontrar até dez toneladas de valiosos lingotes de ouro. No entanto, só com as moedas encontradas, calcula-se que o tesouro já vale poderiam obter cerca de 36 biliões de patacas. As moedas, cunhadas na China entre os anos 1920 e 1930, estavam guardadas em caixas de madeira apodrecidas, explica Pyun Do-young, proprietário da empresa. Por lei, a empresa Sea Love deverá en-
A
Coreia do Norte e a China chegaram ontem a acordo para desenvolver uma zona de comércio conjunta numa ilha da fronteira entre os dois países, segundo informações da agência de notícias sul-coreana Yonhap. O acordo é um sinal de que o Governo norte-coreano, que vive dificuldades financeiras, poderá avançar para reformas
FIM DO PESADELO
tregar 20% do tesouro extraído ao Governo sul-coreano caso o proprietário do navio não apareça. Embora os especialistas ainda não tenham calculado o valor das moedas, o facto de que a maioria delas seja de níquel as torna mais valiosas do que se fossem de prata. Pyun afirma que, antes do fim da Segunda Guerra Mundial, altos funcionários do Governo japonês, prevendo uma derrota no conflito, passaram a roubar ouro, artefactos, jóias e minerais da China e do Sudeste Asiático em navios privados, tais como o Nishima Maru. O cargueiro poderia ter transportado o chamado “Tesouro de Yamashita”, um botim de ouro supostamente roubado pelo general japonês Tomoyuki Yamashita no Sudeste Asiático, que pesaria dez toneladas de ouro, de valor inestimável actualmente.Os pesquisadores da companhia Sea Love estudaram registos públicos sobre os bombardeios norte-americanos durante a guerra, mas ainda terão de analisar o navio encontrado para confirmar se realmente é o Nishima Maru.
COREIA DO NORTE E CHINA CRIAM ZONA ECONÓMICA COMUM
Acordo de vizinhos e amigos económicas no estilo da China, avalia a agência. A cerimónia de assinatura do protocolo reuniu cerca de mil pessoas, incluindo Jang
Song Thaek, cunhado do líder norte-coreano, Kim Jong-il, e o ministro de Comércio chinês, Chen Deming. “Amizade Coreia do Norte-China e o desenvolvi-
Um grupo de estudantes do município de Chongqing atiram para o ar um professor do secundário, como forma de comemorar sua entrada no ensino superior. Mais de 9 milhões de estudantes tentaram a sua sorte nos exames nacionais.
Pyongyang elaborou uma lei especial para estabelecer uma zona de livre comércio na ilha fronteiriça, chamada de Hwanggumpyong em coreano e de Huangjinping em chinês. A ilha fica no estuário do Rio Yalu, que corre ao longo da fronteira mento conjunto” era a inscrição de dezenas de balões gigantes na cerimónia, que teve banda militar e músicas festivas. Pyongyang elaborou uma lei especial para estabelecer uma zona de livre comércio na ilha fronteiriça, chamada de Hwanggumpyong em coreano e de Huangjinping em chinês. A ilha fica no estuário do Rio Yalu, que corre ao longo da fronteira. O Governo norte-coreano afirmou anteontem que a zona económica deve ser estabelecida em duas ilhas do rio fronteiriço. Dias antes, Kim retornou de uma viagem para avaliar o forte crescimento económico do seu vizinho, quando reuniu-se com várias autoridades. Pequim já recomen-
dou que a Coreia do Norte realize uma abertura económica similar à chinesa. O país, porém, mostra-se cauteloso com a possibilidade de abrir as suas portas ao resto do mundo. A economia norte-coreana sofre com sérios problemas de falta de energia eléctrica e de matérias-primas. O país ainda enfrenta períodos de grave escassez de comida. A China, maior aliado da Coreia do Norte, tem explorado activamente as oportunidades de investimento no vizinho.
É preciso inverter este ciclo e criar um novo paradigma de responsabilização e credibilização das entidades públicas da RAEM, por forma a aumentar a legítima expectativa que os cidadãos têm no funcionamento destas. E isto só se consegue fazer operando mudanças internas, de personalidade, de perfil e de competências. José Pereira Coutinho, P. 17
A
S emissões de dióxido de carbono da China subiram 10,4% em 2010 em comparação com o ano anterior, enquanto as emissões globais tiveram o aumento mais acelerado em mais de quatro décadas, indicaram dados divulgados ontem pela petrolífera britânica BP. “Todas as formas de energia tiveram um crescimento forte e o aumento nos combustíveis fósseis sugere que as emissões globais de CO2 do consumo de energia tenham tido o crescimento mais acelerado desde 1969”, disse a BP na sua “Revisão Estatística da Energia Mundial”, divulgada anualmente pela companhia. O aumento rápido acontece no momento em que discussões da ONU parecem ter pouca probabilidade de levar a um acordo sobre um pacto legalmente compulsório para travar emissões e combater as mudanças climáticas antes do término da vigência do Protocolo de Quioto, em 2012. As emissões globais de dióxido de carbono são vistas como um dos principais
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Emissões de CO2 da China subiram 10,4% em 2010
O preço alto do progresso responsáveis pela elevação das temperaturas mundiais. As emissões aumentaram 5,8% no ano passado, para 33,16 mil milhões de toneladas, graças ao facto da maioria dos países ocidentais ter saído da recessão económica, disse a BP. As emissões da China foram de 8,33 mil milhões de toneladas. A Agência Internacional de Energia (AIE) estimou no mês passado que as emissões globais de CO2 subiram 5,9% em 2010, para 30,6 mil milhões de toneladas, movidas principalmente pelas economias emergentes dependentes do carvão. Dados da BP mostraram que a China foi responsável por um quarto das emissões mundiais. Os EUA foram o segundo maior emissor, com aumento de 4,1% das suas emissões, para 6,14 mil milhões de toneladas.
As emissões chinesas estão a aumentar muito nos últimos dez anos, na medida em que o país construiu muitas novas centrais de carvão para mover seu crescimento económico. O país tornou-se também o maior consumidor mundial de energia, ultrapassando os EUA e crescendo 11,2%, enquanto o crescimento global foi de 5,6%.
CARVÃO E RENOVÁVEIS
O consumo global de carvão aumentou 7,6% no ano passado, o aumento mais rápido desde 2003. Hoje o carvão responde por 29,6% do consumo energético global. Dez anos atrás, esse número era de 25,6%, segundo a BP. O consumo de carvão da China aumentou 10,1% no passado. O país consumiu 48,2% do carvão mundial, contra 47% em 2009. En-
CHINA ASSEGURA QUE EMBARCAÇÃO NÃO SERÁ UMA AMEAÇA
O primeiro porta-aviões A
SEXTA-FEIRA 10.6.2011
China confirmou ontem estar a construir o seu primeiro porta-aviões - uma versão remodelada de um navio ucraniano, o Varyag. O general do exército chinês Chen Bingde confirmou que o porta-aviões de 300 metros de largura está em construção, mas não precisou a data em que estará pronto. A BBC adianta que até ao final de Maio de 2012 a embarcação deverá começar a ser testada no mar mas, ainda que esteja quase terminada, especialistas relembram que pode demorar anos até que marinheiros e pilotos saibam usá-la. O exército chinês, o maior do mundo, tentara manter em segredo a construção do porta-aviões, mas o projecto não passou desapercebido a jornalistas e observadores.O porta-aviões está a ser construído no porto de Dalia, no noroeste do país, e o tenente general Gen Qi Jianguo assegurou ao “Hong Kong Commercial Daily” que a embarcação não navegará nas águas territoriais de outros países. Um aviso importante, já que a China enfrenta sérias disputas com vários países (incluindo o Vietname e as Filipinas) quanto a fronteiras marítimas. Qi Jianguo assegurou também que a
embarcação não constitui uma ameaça para outras nações. “Todos os grandes países do mundo possuem porta-aviões, são símbolos de uma grande nação”, declarou. No passado domingo, o general chinês Liang Guanglie tentou também acalmar países vizinhos explicando, no âmbito de uma conferência sobre segurança regional em Singapura, que a modernização do Exército Popular é uma consequência natural do avanço económico da China e não uma ameaça. “Sei que muita gente tende a acreditar que, com o seu progresso económico, a China se converterá numa ameaça militar. Gostava de dizer-vos que não é a nossa vontade. Não perseguimos, não estamos a a perseguir, nem perseguiremos a hegemonia e não ameaçaremos nenhum país”, declarou Guanglie, citado pelo “El País”. O navio Varyag foi construído nos anos 80, mas nunca foi terminado. Quando se deu o colpaso da União Soviética, o navio acabou por ficar esquecido na Ucrânia. Mais tarde, uma companhia chinesa ligada ao exército, comprou a embarcação com o pretexto de que o queria converter num casino flutuante em Macau, relata o “El Mundo”.
quanto isso, a produção global de carvão subiu 6,3% - 9% na China, que foi responsável por dois terços do crescimento global. Em termos de energia mais limpa, a produção de energia hidroeléctrica e de
energia nuclear teve o seu aumento mais forte desde 2004. A produção hidroeléctrica subiu 5,3%, com a China como responsável por mais de 60% do aumento global da produção, graças à sua nova capacidade que entrou em
produção e ao clima húmido. Mundialmente, a produção de energia nuclear cresceu 2% em 2010, e países da OCDE foram responsáveis por três quartos desse crescimento. A produção nuclear francesa subiu 4,4%, o maior aumento no mundo. Outras fontes de energia renovável também cresceram. A produção mundial de biocombustíveis subiu 13,8%, para 24 mil barris por dia. A maior parte desse crescimento foi dos EUA e do Brasil - respectivamente 17% e 11,5%. A produção de energia eólica teve um aumento robusto de 22,7%. “O aumento na energia eólica foi movido pela China e os EUA, que, juntos, responderam por quase 70% do crescimento global”, disse o relatório. “Essa forma de energia renovável foi responsáveis por 1,8% do consumo energético global, contra 0,6% em 2000.”
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AUTORIDADE MONETÁRIA DE MACAU ANÚNCIO ASSUNTO: LIQUIDAÇÃO DO BANK OF CREDIT AND COMMERCE INTERNATIONAL (OVERSEAS) LIMITED – SUCURSAL DE MACAU Em cumprimento do despacho do Exmº. Senhor Secretário para a Economia, exarado no uso dos poderes delegados pela Ordem Executiva n.º 121/2009, em 15 de Abril de 2011, na deliberação n.º 233/CA, adoptada na sessão de 8 de Abril de 2011 do Conselho de Administração da AMCM, convocam-se todos os actuais credores do Bank of Credit and Commerce International (Overseas) Limited – Sucursal de Macau para solicitarem o pagamento total ou adicional, consoante o caso, dos créditos reconhecidos no âmbito desta liquidação, no período compreendido entre o dia 1 de Junho de 2011 e o dia 29 de Julho de 2011, no R/C do Edifício-Sede da AMCM, sito na Calçada do Gaio números 24-26, em Macau, durante o horário normal de expediente (de segunda a sexta feira, no período da manhã, das 9:30 às 12:30 horas e, no período da tarde, das 14:30 às 17:15 horas). Para esse efeito, devem os interessados apresentar os documentos que comprovem a existência e reconhecimento dos respectivos créditos (original e 1 cópia de cada documento apresentado) e preencher o modelo de requerimento disponibilizado pelos serviços da AMCM. Findo o prazo supra fixado todos os créditos não exigidos e prescritos revertem a favor da RAEM. Autoridade Monetária de Macau, aos 27 de Maio de 2011. Pel’O Conselho de Administração da AMCM: O Presidente do Conselho de Administração, Anselmo Teng. O Administrador, António José Félix Pontes. O Liquidatário Local, Rui José Cunha.
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POLÍTICA
Agências imobiliárias consideram que novo imposto não vai resolver nada
Selo ou não selo... Sector imobiliário não está a pôr fé na nova lei que pune quem compra casa para depois revender a seguir. Agentes imobiliários apontam que a maioria dos compradores são residentes que querem uma casa melhor e não investidores que querem ganhar dinheiro Virginia Leung
virginia.leung@hojemacau.com.mo
U
MA medida que está a ser preparada para combater a especulação no mercado imobiliário – a introdução de um novo imposto de selo para venda de casas – pode vir a não ter o efeito desejado de fazer baixar os preços. Quem o diz é Jacky P.T. Shek, director de vendas da agência imobiliária Centaline (Macau), e outros agentes imobiliários locais ao Hoje Macau.
A nova proposta de lei designada “Imposto do selo especial sobre a transmissão de bens imóveis destinados a habitação” visa dissuadir os investidores da prática de comprar apartamentos apenas para os venderem logo a seguir por um preço mais elevado, prática essa que é a grande responsável pelo aumento exagerado do preço das casas. Para Jacky Shek, a introdução do novo imposto de selo poderá até ter algum impacto na especulação de curto prazo, mas o principal efeito que será notado será a redução do número total de transacções no mercado. “O que é certo é que as transacções no mercado vão diminuir, mas a maior parte delas nem sequer teria nada a ver com especulação”, considera o director de vendas. “O principal mercado em Macau é o dos proprietários-moradores que desejam mudar-se para casas melhores”, observa. No território, a proporção da especulação não é elevada e as pessoas que usam as habitações apenas como investimento não alcança os 10%, de acordo com os números referidos por Shek. “Em 2010, a média de transacções foi de 1500 unidades por mês. [Com o novo imposto de selo] espera-se que haja uma redução de um a dois terços nessa média e será muito difícil alcançar um nível de transacções de 1500 mensais.” Para os actuais proprietários, o novo sistema fiscal ainda não se
aplica pelo que poderão desfrutar das mesmas condições para vender a sua casa antiga. Já quem pretende comprar uma casa nova terá de pensar duas vezes, pois há mais factores a considerar. “O mercado de segunda-mão está a mudar”, notou Shek. “Isto porque as pessoas hoje em dia, quando comparam preços, preferem pagar um pouco mais por uma residência nova do que comprar uma em segunda-mão”, explicou.
SEM ESPAÇO PARA REDUÇÃO
O responsável da Centaline considera que mesmo com a nova proposta de lei, não há actualmente espaço à redução dos preços no mercado privado. “Os actuais proprietários não têm de se preocupar com uma desvalorização dos seus imóveis porque não existe pressão para rever os preços em baixa”, afirmou, explicando que a redução do número de transacções apenas irá afectar antes de mais as agências imobiliárias. Para Jacky Shek, a proposta de lei não ameaça demasiado o mercado privado porque a maior parte dos seus clientes é, alegadamente, composta por pessoas que não usam os apartamentos apenas para especulação, mas sim como moradia própria. No entanto, o novo imposto de selo terá um impacte directo na decisão das pessoas que normalmente comprariam uma casa para nela viverem apenas por um ou dois
anos, contribuindo para uma estabilização da procura. Outros três profissionais de pequenas agências imobiliárias de Macau também não acreditam que o novo diploma irá trazer grandes alterações. “Quem sofre, e continuará a sofrer, é o peixe pequeno”, referiu uma agente. A proposta de lei do “Imposto de selo especial sobre a transmissão de bens imóveis destinados a habitação” foi aprovada na terça-feira por unanimidade, na generalidade e na especialidade, pelos deputados da Assembleia Legislativa. O documento foi entregue para ser analisado com urgência, mas acabou por demorar mais tempo que o previsto para sair do papel e deverá estar em vigor por dois anos antes de uma nova revisão. Com a entrada em vigor deste articulado será cobrado um imposto especial de 20% - no caso de a revenda ocorrer após um ano da aquisição – e de 10% se a casa for colocada à venda entre o primeiro o segundo ano. O mercado imobiliário em Macau continua a movimentar milhões, mas sofreu uma certa retracção no primeiro trimestre do ano, de acordo com o relatório trimestral “Construção Privada e Transacções de Imóveis”, divulgado pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Os números impressionam: 7422 imóveis vendidos no primeiro trimestre de 2011, ascendendo a um total de 17,67 mil milhões
de patacas transaccionadas, de acordo com os registos do imposto de selo. Ainda assim, estamos a falar de menos 15,8% no número de imóveis negociados e menos 8,8% nos montantes envolvidos, comparativamente aos números do trimestre anterior. Uma queda considerável. A tendência verificou-se também no número de contratos de empréstimo para compra de casa assinados: 2016 contratos, menos 5,7% do que no trimestre anterior. De acordo com a informação dos registos do imposto de selo, o preço médio das transacções realizadas referentes a todas as unidades habitacionais foi de 38.261 patacas por metro quadrado de área habitável, ou seja, mas 14,6% do que a média do trimestre anterior. Na Península de Macau e em Coloane os aumentos foram de 25,3% e 4,8%, para 37.159 e 67.484 por metro quadrado, respectivamente. A Taipa foi a excepção, com um decréscimo de 16,2% para 33.402 no valor do metro quadrado. Os altos preços dos apartamentos em Macau estão a levar muitas pessoas a optarem por viver do outro lado da fronteira, na China Continental. Segundo as estimativas mais recentes, avançadas por empresas do sector imobiliário, entre 10 e 20% dos residentes escolheram mudar-se para Zhuhai ou outras localidades na província de Guangdong.
CENSOS PRECISAM RECRUTAR 2000 TRABALHADORES
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Segundo a Direcção dos Serviços de Estatística, ainda é necessário avançar para a contratação de mais de 2000 trabalhadores para trabalharem nos Censos deste ano – entre 12 e 26 de Agosto. O recrutamento começou no ano passado, mas ainda não foi possível preencher todas as vagas. O recrutamento dos Censos termina em breve, pelo que o organismo pede pressa para os candidatos.
Vanessa Amaro
vanessa.amaro@hojemacau.com.mo
F
AZ parte da Convenção da Organização Internacional de Trabalho, em vigor também em Macau, mas a lei sindical está longe de ser aplicada no território. O Governo fecha-se em copas e afiança que é preciso estudar o assunto, equilibrar os interesses de várias partes, de forma a que os interesses dos trabalhadores não sejam lesados. O deputado José Pereira Coutinho, um forte crítico da posição oficial, continua sem perceber o que falta para a legislação entrar em campo – o que significaria um florescer de sindicatos em vez das tradicionais associações da RAEM. A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) diz que muitas vezes têm funcionado como uma intermediária nos desentendimentos entre patrões e empregados, mas, na opinião do também presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), não vê a intervenção do mesmo ângulo. “É claro que a DSAL não é um PUB
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GOVERNO DIZ QUE LEI SINDICAL PODE PREJUDICAR TRABALHADORES
Um equilíbrio longínquo
que a entrada em vigor de uma lei sindical vai prejudicar os interesses dos trabalhadores? Porque é que a aprovação de uma lei sindical vai pôr em causa os benefícios em geral de Macau? Quais são os benefícios que virão a ser afectados?”, volta à carga o deputado.
AVISO EXTERNO
substituto dos sindicatos nem tem mandato para representar os trabalhadores”, referiu ontem Pereira Coutinho, em mais uma interpelação enviada sobre o tema ao Executivo – a segunda em menos de seis meses. Já em 23 de Dezembro de 2010, o deputado bateu com o pé a querer
à força toda saber quais eram os planos do Governo quanto a uma lei sindical. A resposta, por parte da DSAL, chegou em Fevereiro deste ano, e argumenta que o Executivo tem respeitado a Convenção Internacional, salvaguardando a liberdade de associação, de organização e de participação em
associações sindicais e em greves. Mas a autorização de organismos com o título de “sindicato” não parece estar para breve. José Pereira Coutinho ficou sem perceber o que diz Shuen Ka Hung, director da DSAL, sobre os possíveis danos aos trabalhadores com a criação da lei sindical. “Porque é
Esta semana, o Relatório Anual de Violações dos Direitos Sindicais da Confederação Sindicalista Internacional também apontou o dedo a Macau quanto a falta de melhorias no âmbito dos direitos laborais. O organismo classifica a capacidade de negociação da RAEM como “fraca”. Já o poder dos sindicatos pró-Pequim é, apesar da existência de sindicatos novos e independentes, “forte”. As áreas problemáticas para os sindicatos em Macau continuam a existir essencialmente no plano jurídico onde, apesar da adopção da nova lei trabalhista em 2009, “a liberdade de associação é garantida pela legislação local e a lei proíbe o despedimento de trabalhadores pela sua pertença a um sindicato ou devido a actividades sindicais”.
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SOCIEDADE Virginia Leung
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O
S divórcios em Macau estão a aumentar. De acordo com números da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), o total de separações na última década cresceu quase sempre de ano para ano, tendo atingido em 2010 os 889 casos (comparativamente aos 348 registados em 2001). A tendência é, no entanto, praticamente proporcional ao aumento da quantidade de casamentos (3103 em 2010, contra 1222 em 2001). As estatísticas mostram que em cada 3,5 matrimónios há um que falha. Entre os factores preponderantes na dissolução dos casais estiveram a tolerância (ou falta dela) às manifestações emocionais; problemas de comunicação entre os cônjuges; e discordâncias no planeamento familiar (entre evitar ou procurar uma gravidez), conforme explicou Yedda Ieong, assistente social do Movimento Católico Apoio à Família, em declarações ao Hoje Macau. Os conflitos dentro do casal normalmente surgem devido a alguns factores externos que provocam instabilidade emocional e irregularidade nos tempos livres, problemas económicos, ou pressões de vários tipos, de acordo com a especialista do movimento, que presta aconselhamento matrimonial. “Alguns dos casais que vêm ao nosso serviço de aconselhamento revelam que trabalham por turnos que cobrem as 24 horas nos casinos. Assim, por causa da natureza dessas ocupações, os seus tempos livres nem sempre coincidem, o que pode degenerar numa falta de comunicação”, explicou. Existem cinco armadilhas mais comuns entre as que podem despertar conflitos matrimoniais, conforme observou Filomena Yip-chow, secretária-geral da mesma organização, que também falou ao Hoje Macau. Esses obstáculos são a distribuição económica na família; os diferentes hábitos no gozo dos tempos livres; o sexo; a relação com os sogros, e as crianças.
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Cada vez mais casais se estão a separar em Macau
A febre dos divórcios
Entre os casais que procuram aconselhamento junto do movimento cristão em Macau, 50% fazem parte do escalão etário entre os 30 e os 39 anos, e 41% têm de 20 a 29 anos. Mas mais do que a idade das pessoas, o que parece ter influência no aparecimento de problemas
é a duração do casamento e as diferenças de mentalidade dos dois membros do casal. Para resolver a falta de sintonia que pode levar à ruptura do casal, a procura de aconselhamento pode muito bem ser o primeiro passo. “Damos muito valor às pessoas que têm a cora-
Tabela exemplo Ano Casamentos Divórcios 2001 1222 348 2002 1209 385 2003 1309 440 2004 1737 475 2005 1734 573 2006 2100 592 2007 2047 684 2008 2778 658 2009 3035 782 2010 3103 889
gem de nos contactar para uma consulta porque isso significa que têm a intenção de resolver os problemas e que gostariam de salvar o casamento”, explicou Yedda Ieong. “A persistência é uma atitude muito boa porque mostra que não se quer desistir do casamento sem pelo menos fazer todos os esforços possíveis em tentar recuperá-lo”, acrescentou, sublinhando a importância do estabelecimento de metas comuns para que a operação “salvar o casal” dê resultado. “É muito mais difícil quando apenas um dos lados quer mudar a situação de conflito e o outro não está a cooperar”, observou Filomena Yip-chow, sem considerar, no entanto, um esforço inútil quando apenas uma das partes pede ajuda.
A chave, explicou, é tentar mudar os pontos de vista e assim obter diferentes reacções às situações de forma a atenuar os diferendos. Para evitar conflitos, os casais devem preparar-se muito bem e assegurarem-se da sua maturidade mental, considera Yip-chow, lembrando que é também importante ter em mente que o casamento é uma promessa e, uma vez celebrado, deve passar a constar no topo das prioridades dos membros do casal, que devem trabalhar em conjunto para construir a harmonia. “Também é importante que os casais partilhem das mesmas metas familiares e tenham a intenção de ultrapassar qualquer tipo de problemas”, afirmou a responsável, defendendo que, se o casal tiver fé na
construção mútua de um lar harmonioso, irá encontrar a coragem e força para atravessar os períodos mais conturbados.
CHINA: UMA SOGRA NO CAMINHO
Na China, só no ano passado 1,96 milhão de casais divorciaram-se - um crescimento de 7,6% desde 2003. Por lá, contudo, a sogra tem sido a grande vilã da história. A tendência parece ainda mais certa no caso de maridos e mulheres nascidos na década de 80. “Ela disse-me que não queria um neto com as pálpebras tão gordas como as minhas. Ninguém nunca me humilhou tanto como a minha sogra”, conta Yi, uma jovem de 27 anos de Pequim ao jornal “China Daily”. Sociólogos do continente acreditam que a geração de “reis e rainhas” - como são conhecidos os que estão agora na casa dos 30 anos têm uma menor capacidade de lidar com os problemas a longo prazo. A política do filho único também tem culpa. As raparigas são educadas como donzelas e quando saem das suas famílias não sabem cuidar de si próprias. Os rapazes são o ouro dos papás. A tradição torna a combinação bombástica - quando as mulheres se casam na China, geralmente vão viver sob o mesmo tecto que o marido... e a sogra. Há sete anos, antes de Zhou Yanli, 30 anos, de Xangai, subir ao altar, a mãe teve uma longa conversa com a sogra. “A minha filha cresceu num pote de mel. Não sabe fazer nenhum trabalho domestico. Por favor, tenha paciência”, revela Zhou. Antes de ir viver com a família do marido, a jovem nunca tinha usado uma vassoura ou um pano. Quando os sogros tiveram de viajar por três dias, Zhou entrou em desespero. Nem sequer a cama sabia como fazer. Muitos menos escovar os dentes à filha de três anos ou pentear-lhe o cabelo. “Não me importo que ela não seja uma fada-do-lar, mas não tolero a forma desleixada como segue a vida. Zhou não faz o mínimo esforço para mudar”, queixa a sogra, de apelido Xu. No mês passado, o casal avançou para o divórcio.
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BANCO NACIONAL ULTRAMARINO POR OCASIÃO DO DIA DE PORTUGAL E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS O BNU SAÚDA TODOS OS PORTUGUESES!
DEPÓSITOS DOS RESIDENTES CRESCERAM 3,5% EM ABRIL
SEXTA-FEIRA 10.6.2011
Os depósitos dos residentes aumentaram 3,5% entre Março e Abril para 261,5 mil milhões de patacas. Segundo dados da Autoridade Monetária de Macau, os depósitos efectuados em patacas desceram 0,2% e os depósitos em dólares de Hong Kong e em outras moedas (com a excepção do dólar de Hong Kong) subiram 5,2% e 3,6%, respectivamente. Já os depósitos dos não residentes aumentaram 3% para 88,9 mil milhões de patacas, enquanto os depósitos do sector público da actividade bancária de Macau cresceram 1,7% para 22 mil milhões de patacas.
Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo
“E
STAMOS perante um aumento do número de estudantes de doutoramento em Macau”, referiu o vice-reitor da Universidade de Macau (UMAC), Rui Martins, ao Hoje Macau. De acordo com dados do biénio 2009/2010 disponibilizados pelo Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES), existiam, a tempo inteiro ou a tempo parcial, 583 estudantes de doutoramento nas três instituições de ensino superior autorizadas para o efeito na RAEM. Os dados também revelam que a procura dos alunos está dividida por sete áreas: Educação, Artes e Humanidades, Ciências Sociais, Gestão de Empresas e Direito, Ciências, Arquitectura e Engenharia, Saúde e Serviços. Gestão de Empresas, com mais procura – 360 inscritos -, conta com mais de metade dos alunos de doutoramento. Segue-se o Direito com 53 e Farmácia com 26 doutorandos. O top cinco fecha com Informática, com 21 alunos, e Engenharia, com 19. Rui Martins aponta que 80% do corpo docente da UMAC é doutorado e que desde 2000 a universidade já produziu cerca de 50 doutores. “Amaior percentagem é originária de Macau ou da China Continental mas também existem alguns portugueses”, disse.
Uma terra de doutores
Segundo dados do GAES, no biénio 2009/2010 o número de doutorandos era de 583 indivíduos. O vice-reitor da UMAC, Rui Martins, assumiu que o número de estudantes têm tendência a aumentar. Gestão, Direito, Farmácia, Informática e Engenharia são as áreas mais solicitadas
Na UMAC, os doutorandos espalham-se em várias áreas, mas o vice-reitor da universidade destaca Engenharia, Medicina Chinesa, Matemática e Estudos Portugueses como os mais procurados. “Com os novos laboratórios planeados para a Ilha da Montanha, acho que a Engenharia e a Medicina Chinesa vão ter um grande crescimento”, acredita Rui Martins.
INVESTIGAÇÃO A QUANTO OBRIGAS
O GAES revelou que, de acordo com a informação submetida à UNESCO no
ano passado, existiam em Macau 1235 pessoas ligadas à investigação e desenvolvimento em nove instituições de ensino superior - excluindo a Universidade de São José (USJ). Desses, 887 eram investigadores, 326 técnicos e funcionários, e ainda 22 membros equipas de apoio. Contudo o GAES não tem qualquer informação sobre a área de pesquisa, projectos ou o nível de reconhecimento neste momento. Rui Martins acredita que a investigação está bem em Macau e recomenda-se, principalmente nas duas áreas onde o território tem recebido as suas distinções. “Já há algum valor naquilo que se produz em Macau, nomeadamente no que a Micro-electrónica e Medicina Chinesa dizem respeito. A primeira tem já patentes registadas nos EUA e a segunda tem diversas patentes registadas na China”, lembrou. Paralelamente, Rui Mar-
Grupos
Áreas de estudo
Número de alunos
Educação
Ciência Educacional
18
Humanidades e Artes
Humanidades Línguas e Literaturas Religião e Teologia
18 11 5
Ciências Sociais, Gestão e Direito
Sociologia e Ciências comportamentais 11 Jornalismo e Comunicação 2 Administração Pública 13 Gestão de Empresas 360 Direito 53
Ciências Matemática 7 Informática 21 Engenharia 19 Arquitectura 4
Saúde Medicina 6 Enfermagem 6 Farmácia 26 Serviço
9
Educação | Número de doutorandos não pára de subir
Os doutoramentos de Macau
Arquitectura e Engenharia
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Turismo e Entretenimento
Total
3 583 (estudantes a tempo inteiro e tempo parcial)
tins afirma que desde o ano 2000 tem havido um aumento de publicações de artigos em revistas científicas. “Há cerca de dois anos tínhamos 100 artigos publicados. Hoje já atingimos os 200 e pouco. Tem havido um aumento significativo do reconhecimento dos investigadores da RAEM.”
EXEMPLO COSMOPOLITA
Parece não haver dúvidas de que há cada vez mais interessados em fazer o seu doutora-
mento nas escolas superiores de Macau. José Manuel Simões é um deles. Doutorando em Estudos Globais pela USJ, Simões está a investigar os índios potiguaras do nordeste brasileiro. “Fiz trabalho de campo no exterior durante dois anos. Com o trabalho feito no Brasil tenho a minha tese quase toda concluída fora de Macau”, revelou o também coordenador do departamento de Comunicação e Media da USJ.
SOCIEDADE “Memória, asilo e poder” é o título da tese que José Manuel Simões vai defender. Apesar de ter realizado a sua pesquisa e investigação fora de Macau, José Manuel Simões referiu que a parte mais lectiva cá de todo o processo foi uma mais-valia. “Na USJ prevalece o aspecto cosmopolita. A parte lectiva é, de facto, importante para qualquer doutorando e eu tive a oportunidade de ter seminários com o professor Ruben Cabral, que é brilhante ao nível da retórica”, afirmou o doutorando. Depois há outra coisa bem curiosa. A USJ tem como doutorandos pessoas das mais variadas proveniências. “Nigéria, Guiné-Conacri, Canadá, Portugal ou China. A partilha de ideias é muito mais eclética do que em qualquer universidade europeia ou norte-americana. Falo no concreto porque não conheço outra realidade”, analisou José Manuel Simões.
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SAÚDA O DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS
ENTREVISTA
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Sofia Bobone, designer
“Macau precisa de ser descoberta, ANTÓNIO FALCÃO | BLOOMLAND.CN
F
ORMADA no Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing (IADE), em Lisboa, onde nasceu, Sofia Bobone é uma designer multiplicada que não fica no seu canto. Observa à volta e repara que há sempre tanto para criar. A viagem começou cedo na vida desta designer: aos três anos chegava ao Brasil com os pais e mais três irmãos. Foram dez anos repartidos por São Paulo e Curitiba, naquele belo planalto capital do Paraná. Na entrevista que se segue, Sofia fala dessas e de outras memórias, dos primeiros trabalhos, dos mais significativos, de como encara o acto de criar; e também destes 14 anos em Macau, boa parte deles vividos junto às águas deste delta, onde todas as manhãs acorda vendo os verdes, os azuis e os tons mais pardos das águas que banham a região. Podemos começar por um esboço de memórias. Do Brasil da sua infância e préadolescência. Já lá voltou? Voltei há dois Natais, revi alguns sítios, ainda tenho muitas lembranças desse tempo. Lembranças de brincadeiras, de lugares onde fomos felizes. Sei que foi uma época feliz da minha família mais próxima, os meus pais e meus irmãos; somos quatro, dois rapazes e duas raparigas. Como aconteceu a decisão de trabalhar em artes? Sempre me atraíram. Os testes psicotécnicos também confirmaram essa forte inclinação. O que sempre pensei seguir foi publicidade. Precisamente o sector onde trabalhei logo que completei o curso. Mas isso depois do estágio, primeiro numa revista, a edição portuguesa da “Elle”, fazendo paginação. Depois é que entrei para uma grande agência de publicidade, a MKT, com vários departamentos, e que hoje é a “Brandia”. Painéis publicitários, posters, publicidade para a imprensa, muita coisa, trabalhando em dupla criativa (copywriter e art director). Algum exemplo que queira recordar? Uma campanha que adorei fazer pouco antes de vir para Macau, em 1997, e que já só vi quando voltei a Portugal de férias pela primeira vez, foi a do lançamento da “Worten”, a cadeia de
“Gostava que Macau fosse mais virada para fora, tivesse mais espaços ao ar livre, esplanadas, zonas exclusivas para peões com restaurantes e outras atracções de lazer, tudo bem organizado, com bom gosto, agradável de estar, com precauções ambientais, tudo bonito do ponto de vista da estética” megastores especialista em electrodomésticos e electrónica. Do ponto de vista de meios foi a maior que fiz. Também criei uma campanha que acabou por ser um único anúncio para televisão, mas que me marcou positivamente; foi
para a APSI (Associação para a Promoção da Segurança Infantil), sob o lema que eu e outro criativo concebemos: “Sinto atrás, vida pela frente”. Há um histórico bastante positivo na publicidade em Portugal... Sem dúvida, há uns bons anos que a publicidade feita em Portugal é boa e tem vindo a conquistar muito terreno, hoje as boas agências cresceram bastante. A publicidade é um meio muito dinâmico. É um meio preferencial para si? É. Lembro-me que quando vim para cá e comecei a trabalhar na função pública, senti uma grande frustração por não continuar nessa área, sobretudo por ser um ambiente único, com tanto ritmo de trabalho, sempre tanta coisa a acontecer. Ao passo que em Macau, nessa área, era tudo muito diferente. Como aconteceu a sua vinda até aqui? Vim com o meu marido, ele é
jurista e veio contratado. Mas logo no dia seguinte a termos chegado, tive uma entrevista com o Nuno Barreto arranjei emprego dando aulas no Instituto Politécnico, no curso de comunicação gráfica. Foi um grande desafio, dos maiores que tive, esta minha estreia a dar aulas por dois anos lectivos. Docência é uma experiência irrepetível? Não, não! Repetível. Na época foi realmente um super desafio, pois era muita nova, naturalmente que tinha pouca experiência e os alunos eram quase da minha idade, aliás até havia alguns deles muito mais velhos do que eu. As aulas eram à noite, de dia trabalhava na “Conde Designs”, onde fazíamos bastante publicidade. Por exemplo, este novo logótipo do BCM fui eu que o desenhei, tendo sido lançado publicamente já eu não estava na “Conde Designs”. Entretanto, o professor Oliveira Dias, então presidente do Politécnico,
convidou-me para coordenar o núcleo gráfico do Instituto. A seguir fui para o Instituto de Estudos Europeus de Macau, dirigido pelo Dr. Sales Marques, fazer as promoções de todos os seminários, cursos e outras iniciativas que eles fazem, a página da Internet etc. Entretanto, fiz pós-graduação em Gestão das Artes, surgindo-me um trabalho para o IPOR, ainda na alçada do professor Saldanha. Fiz um trabalho, depois solicitaram-me outro, até que fui convidada para coordenadora do departamento de Acção Cultural. Completado mais um ciclo de três anos, abraça em pleno outro projecto relacionado com jóias... É verdade. Por causa duma assessoria jurídica prestada pelo meu marido, conheci um senhor português proprietário da empresa “Ming” que trabalha na área “home decor” com algumas fábricas no continente chinês. Fui chamada para criar nessa área dos objectos de decoração, num amplo leque de opções com as mais diferentes características e materiais. É então a “Ming” que possui a marca “Anouk” relacionada com jóias? Isso mesmo, o que me dá grande alegria e que me faz dedicar quase completamente às jóias. Apesar de não ser a única designer a criar para a marca “Anouk” - há um outro designer na Alemanha - desenvolvo a criatividade em pleno para além de criar, pois faço o acompanhamento da produção dos designers que vêm de fora, dado que as fábricas estão aqui na China. Também concebi o catálogo da “Anouk”, as fotos, a paginação, a página na Internet, as embalagens - que são muito especiais por complementam muito bem as peças -, os sacos, os expositores específicos. Dentro da “Anouk” dei e dou todo o apoio na parte de comunicação, exposição,
embalagem e produção das jóias. Vou a todos os cantos possíveis. Quais são os materiais utilizados nessas jóias da “Anouk”? Variados [e mostra um exemplo do que está a usar no momento da entrevista]. Usamos pedras semipreciosas originárias do Brasil, da República Checa e de outras proveniências. Em Macau não estão à venda essas criações...
“Desde o princípio que de Macau ter de ser descob parecer não muito apelativ ser descoberta. Quando ch sempre às pessoas que ia mesmo. Porque os recanto casas antigas, os pátios, o a mistura de estilos, que n não só do ponto de vista hi culturas, hábitos”
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com Helder Fernando
pois tem ambientes únicos” Realmente não estão, mas isso tem a ver com a estratégia comercial que implica ter outros canais de divulgação e distribuição. É um segmento de mercado que é novo. Dentro do chamado “fashion jewelry”, a “Anouk” cria o considerado topo de gama. Não são objectos muito baratos, mas não se comparam aos preços das jóias em ouro e diamantes. Gostaria de trabalhar em jóias preciosas?
e considero a necessidade berta. À partida, pode va, precisando por isso de heguei, ao sair de casa dizia descobrir Macau. E era isso os, os becos, as ruelas, as os mercados, as comidas, nos podem atrair bastante, istórico, mas também de
Não especialmente, porque acho que as da “Anouk” são mais criativas, até porque dá para arriscar mais com um eventual prejuízo menor. O acto de desenhar é muito importante para si? Gosto muito! Fiz vários “workshops” de joalharia que gostei muito, mas o que me atrai mais é a parte da concepção, da criação. E sobre a necessidade de actualização do processo criativo? Ah, claro, é necessário acompanhar o que nesta área se faz à volta do mundo, as cores, os materiais, os ambientes, as novas tendências. Desde que trabalho para a “Ming” comecei a visitar as feiras específicas em vários países. Ainda há pouco estive numa feira na Alemanha. Quer dizer que também há moda neste tipo de desenho industrial? A moda começa nos tecidos aplicados tanto na decoração como no “fashion”. Os têxteis seguem vários caminhos, da decoração até às jóias, ou aos sapatos, por exemplo. É muito importante a actualização constante. É atraída pelas criações na roupa ou no calçado? O que seja criação atraime sempre. Como é o caso dos produtos da “Macau Bannerbag” - carteiras, saco.... Por isso os sapatos também me poderiam atrair, mas se me faz essa pergunta, eu digo que o mobiliário me atrai bastante. Já desenhei para mim, mas isso seria um desafio que também iria adorar, mobiliário, candeeiros, acho que é um mundo fantástico, quem sabe um dia... Falando da “Macau Bannerbag”, aí está um exemplo de criatividade completamente diferente de todos os outros exemplos que tem falado. Existe hierarquia entre jóias e os objectos da “Macau Bannerbag”? O meu emprego principal são as jóias. A “Macau
Bannerbag” está no coração. O Miguel Quental é a pessoa que teve a ideia e levou-a para a frente. Já nos conhecíamos e ele chamoume para trabalharmos juntos. A nossa amizade cresceu com este projecto que tem a parte ambiental e também a componente humana e solidária com a Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM) que nós até gostaríamos de desenvolver mais. Penso que vamos ter oportunidade de desenvolver as nossas acções em conjunto com a ARTM, com a criação da casa para as mulheres. Essas mulheres poderão ter formação específica e fazerem elas próprias. Será óptimo para elas, poderão ter uma nova profissão e possuir coisas bonitas, criativas e serem mais um exemplo positivo na sociedade local. Sobre o interesse neste produtos bastante utilitários, que público é mais consumidor? Sobretudo ocidentais aqui residentes, australianos, ingleses, americanos, franceses, mais até do que os portugueses. Gostam imenso e todos os anos esperam por novas criações. As pessoas já estão mais sensibilizadas para este tipo de coisas. Os modelos vão variando, como é exemplo da exposição que está no “Creative Macau”, que a seguir vai para a Livraria Portuguesa e outros locais. Uma criativa como a Sofia, como olha para Macau? Desde o princípio que considero a necessidade de Macau ter de ser descoberta. À partida, pode parecer não muito apelativa, precisando por isso de ser descoberta. Quando cheguei, ao sair de casa dizia sempre às pessoas que ia descobrir Macau. E era isso mesmo. Porque os recantos, os becos, as ruelas, as casas antigas, os pátios, os mercados, as comidas, a mistura de estilos, que nos podem atrair bastante, não só do ponto de vista histórico,
mas também de culturas, hábitos. Isso faz com que Macau seja uma região super pitoresca. Já não é a mesma de quando cheguei há 14 anos, mas para um ocidental ainda existe muito com interesse. Macau tem um bom design? No estrito campo do design, não sei se terá, não diria tanto. Do ponto de vista da imagem digo que é riquíssima. O design é uma coisa mais trabalhada, para ser bom, teríamos que trabalhar mais no design de Macau. Depois das jóias, que tanto a está a emocionar, tem algum outro projecto que possa revelar? Sim, estou completamente envolvida na marca PUB
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“Anouk”, mas ainda estou a aprender, este é um caminho profissional que até há pouco tempo era novo para mim. Vou dizer que sonho um dia pintar, em tela, colagens. Tenho feito muitos desenhos, pinto de forma clássica. Nunca desenvolvi essa vertente, mas desde sempre ambicionei apostar. A vida e as solicitações profissionais sempre me encaminharam para outros lados. Por agora é um sonho. Em Macau ou sei lá onde. Macau é inspiradora? Acho que sim. Observa Macau como região feminina ou masculina? Bom, para mim Macau não é apenas a cidade, até porque moro em Coloane em cima da praia. Todas as manhãs tenho a felicidade de poder descobrir qual é a cor do mar naquele dia. Também pensava que era sempre castanho, mas não é. Desde que há quatro anos vivo em Coloane e a minha percepção
sobre Macau mudou imenso. Não é só esta poluição da cidade, esta claustrofobia, há outras coisas. Diria que Macau é mulher, talvez não saiba explicar exactamente porquê. Se, em termos de design, pudesse contribuir para modificar alguma coisa, o que faria ou sugeriria? Gostava que Macau fosse mais virada para fora, tivesse mais espaços ao ar livre, esplanadas, zonas exclusivas para peões com restaurantes e outras atracções de lazer, tudo bem organizado, com bom gosto, agradável de estar, com precauções ambientais, tudo bonito do ponto de vista da estética. Temos o bairro de São Lázaro, que é um sítio classificado, que tem condições de base para ser um local assim, com galerias, com conforto, com aquilo tudo que já disse. Mas com qualidade, porque às vezes essas coisas são niveladas por baixo.
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CULTURA
Shan Sa, escritora e pintora, passou ontem pela Livraria Portuguesa
Uma mulher, dois universos
Diz que se apaixonou por Macau porque assim como ela, é uma fusão de dois mundos. Shan Sa, escritora de sucesso que também começa a dar cartas na pintura, conta como é ser embaixadora de dois pólos opostos que eventualmente também se atraem Filipa Queiroz
filipa.queiroz@hojemacau.com.mo
Q
UANDO chegou à Livraria Portuguesa tinha, pelo menos, uma dezena de pessoas à sua espera. Algumas delas com “As quatro vidas do Salgueiro” debaixo do braço, para já o único título da obra de Shan Sa disponível na versão portuguesa. A autora chinesa radicada em Paris diz que escolheu e foi escolhida por Macau para apresentar o mais recente trabalho artístico, a exposição de pintura “Tempo do Oeste, Luz do Oriente”, patente no Museu da Transferência. É que a artista é mesmo assim, como Macau, uma mistura de talentos e culturas numa só personalidade. “Sou um produto da China tradicional e da China moderna, tenho amigos tradicionais e amigos modernos. Por isso há uma sintonia entre mim e esta cidade, acho que é perfeita para eu arrancar com a minha exposição retrospectiva na Ásia”, confessa enquanto afaga subtilmente os longuíssimos cabelos negros com as mãos. Mesmo ligeiramente atrasada para fazer a exposição do seu universo literário, Shan Sa (pseudónimo de Yan Ni) dedica alguns minutos, sem pressas, aos jornalistas. E não resiste a começar por uma pequena declaração de amor à RAEM. “Nos últimos anos Macau evoluiu muito, sobretudo no sentido da promoção da cultura. Está a tornar-se uma cidade líder na China nesse aspecto, a atrair artistas e a construir coisas lindas. Apaixonei-me pelos museus e pelas pessoas daqui, sobretudo por causa desta fusão de Ocidente com Oriente.” Mas não é especificamente a Macau que Shan Sa dedica a sua escrita. A China é a principal protagonista dos seus romances, apesar de não viver no país desde 1990. Tinha 17 anos quando rumou a Paris, pouco depois do massacre de Tiananmen, ao qual já dedicou um livro. Escreveu-o a partir de França, tal como outras obras como “A Imperatriz” e “A Jogadora de
sua cultura, a sua família e as suas crenças para apanharem um barco rumo ao desconhecido”, sustenta. Foi com um arrojo semelhante que a própria artista deixou a mãe pátria mãe há duas décadas rumo França atraída por cada uma das cores da bandeira do país. “Adoro o estilo de vida francês, a comida, o romantismo, a forma de desfrutar a vida. Também a tradição de igualdade, democracia e liberdade.” Mas não há bela sem senão. “Adoro as conversas liberais dos franceses mas às vezes entram um bocado em excesso”, admite a Shan Sa. “Acho que eles se sentem tão superiores culturalmente, e por serem tão democráticos e livres, que acabam por fazer comentários bastante desagradáveis sobre as outras culturas.” Nada que não se cure com o romantismo. “Se for a um jantar francês já sei que a conversa começa em política e acaba numa história de amor.”
PERSPECTIVA CONTERRÂNEA
Go”, distinguido pela Associação de Escritores da China. Obras que discorrem pelos meandros das tradições cínicas ao mesmo tempo que questionam alguns dos seus dogmas.
MISSÃO DE PAZ
Shan Sa considera-se uma espécie de mensageira entre o Ocidente e o Oriente. Mais concretamente entre a França e a China. Duas nações que vivem num limbo entre o amor e o ódio que a autora chinesa diz que se deve, em grande parte, à ignorância. “O mundo Ocidental conhece a China há 14 séculos mas até hoje esse conhecimento é muito superficial. Mas está a mudar”, diz a escritora. “Conheci muitos franceses que, antes de me conhecerem, ainda pensavam que as chinesas tinham os pés bandados, unhas compridas e eram todos maoístas
a envergar uniformes”, admite. Shan Sa defende que hoje a China é sobretudo uma terra de oportunidades e renovação, algo que tenta transmitir aos seus leitores e a cada plateia que a assiste nas conferências que dá um pouco por todo o mundo. Sa admite que os franceses têm uma interpretação muito errada das teorias de Confúcio, por exemplo, e que mesmo a ideia da China actual é distorcida pelas movimentações económicas e jogadas políticas dos seus líderes. “As pessoas falam de uma invasão chinesa, que vão ser conquistadas pelo mercado chinês. Eu tento dar-lhes confiança, digo que o povo chinês é um povo pacífico, que a China aprecia a amizade e a harmonia e que qualquer agressividade que transpareça é, no fundo, um mal-entendido”, diz. “São coisas de
pessoas que não compreendem a cultura chinesa e que deviam vir cá para ver como é.”
VICE-VERSA
Não são apenas os ocidentais que precisam de conhecer melhor os chineses, na óptica de Shan Sa. “Os chineses são muito orgulhosos da sua cultura mas eu tento encorajá-los a conhecer o Ocidente, a saírem e verem o mundo. Mas não como um museu exótico ou uma marca de luxo, e sim compreendendo cada identidade, história e até o exemplo de coragem e força daqueles que há séculos se aventuraram pelo mundo”, conta. “Adoro a história de Macau, por exemplo. É uma terra de aventuras, de pessoas que descobriram e penetraram nas portas do Império. Pensar que há 400 anos tantos ocidentais abandonaram a
Apesar de tudo, a autora chinesa não considera que o povo chinês a veja como uma estrangeira. “Acho que os chineses se sentem orgulhosos de mim e do que alcancei, porque compreendem como é difícil ser bem-sucedido no mundo artístico ocidental, especialmente em Paris”, assegura. “De certa forma dou-lhes alguma inspiração.” Shan Sa defende que é preciso valorizar a cultura até como escape da overdose capitalista. “Muita gente pensa que a cultura é inútil mas não é, ela dá muita esperança às pessoas que precisam mais do que só dinheiro. A maior parte precisa de algo mais, precisa de crenças, de cultura, de viagens, de liberdade.” Uma liberdade que na China continua a ter muitos limite, e onde a escritora e pintora apenas se desloca para visitar a família e promover o seu trabalho artístico e os seus livros. Embora a sua obra contenha alguma carga política, esse não parece ser o assunto favorito da autora, que considera que a verdade está na cultura e não no palco das máquinas governativas. “Os políticos instrumentalizam as pessoas e instigam o nacionalismo porque precisam desse instrumento para promoverem as suas correntes políticas. Na verdade a política é ficção. Hoje os políticos dizem uma coisa e amanhã, se precisarem, dizem outra. É um círculo vicioso porque a audiência precisa de drama.” Shan Sa vai continuar a digressão da sua exposição de pintura “Tempo do Oeste, Luz do Oriente” pelo Japão, França e China. Na calha tem um novo livro e a adaptação para o cinema de “A Jogadora de Go”.
ENCONTRADA PARTITURA DE MOZART ESCRITA AINDA EM CRIANÇA A primeira edição de uma partitura que Wolfgang Amadeus Mozart escreveu quando tinha apenas oito anos foi encontrada numa loja de roupa e objectos em segunda mão por uma voluntária da organização não governamental Oxfam, em Reading, no Sul da Inglaterra. A voluntária, Elestr Kee, reparou imediatamente que o nome de Mozart estava na partitura que um anónimo ofereceu à loja dedicada à luta contra a pobreza, muito provavelmente desconhecendo o seu real valor. A partitura vai agora a ser leiloada pela Sotheby’s, como a própria leiloeira confirmou. A data do leilão ainda não foi anunciada.
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Celebrações do Dia de Portugal com filmes na segunda-feira
Cinema português a caminho A partir de segunda-feira há cinema luso no Auditório do Consulado Geral de Portugal. O programa inclui animação, longas e curtasmetragens, entre elas “Arena”, vencedora da Palma de Ouro em Cannes
O
Consulado Geral Português e o Instituto Português do Oriente prepararam um leque alargado de iniciativas para assinalar o Dia de Portugal,
de Camões e das Comunidades Portuguesas. Além dos eventos habituais que assinalam o 10 de Junho, e a mostra “A Aventura das Plantas” já em exposição na Livraria Portuguesa, a partir de segunda-feira, dia 13, arranca o Ciclo de Cinema Português Contemporâneo no Auditório do Consulado. A abrir o certame será exibido o mais recente filme de António Pedro Vasconcelos, “A Bela e o Paparazzo”. A fita com Soraia Chaves e Marco d’Almeida nos principais papéis conta a história de Mariana, uma actriz de telenovelas que está perto de um colapso nervoso agravado pela perseguição de um ‘paparazzo’ muito particular. Dois dias depois, na quarta-feira (15), a noite será reservada às curtas-metragens. “Auto do Cordeiro”, de Pedro Rocha Nogueira, “Universo de Mya”, de Maria Clara Vasconcelos,
“Directo”, de Luís Alvarães e Luís Mário Lopes, e “Arena”, de João Salaviza, vencedor da Palma de Ouro para a Melhor Curta-Metragem no Festival de Cannes em 2009. O filme conta a história de Mauro, um rapaz que está a cumprir uma pena em prisão domiciliária e que enfrenta o dilema de transgredir a lei para acertar contas com um grupo de miúdos marginais. Na quinta-feira, dia 16, o serão é reservado à animação. A partir das 18h, podem ser vistos no Auditório do Consulado os filmes “Olhos do Farol”, de Pedro Serrazina, “Um Gato Sem Nome”, de Charlie Blue, e “Passeio de Domingo”, de José Miguel Ribeiro, uma co-produção dividida por quatro países, Portugal (Zeppelin Filmes), Bélgica (S.O.I.L.), Holanda (il Luster Productions) e França (Folimage). De volta às curtas, na segunda-feira, dia 20, pas-
FEIRA DO LIVRO DO AUTOR PORTUGUÊS
Até 24 de Junho a literatura lusa decorre nas instalações do Instituto Português do Oriente (IPOR), na Rua Pedro Nolasco da Silva, a Feira do Livro do Autor Português. Integrada na semana de comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, a Feira disponibiliza para venda títulos que vão desde a poesia à literatura infantil, passando pela ficção e o ensaio. Segundo as informações divulgadas pelo IPOR os livros estão a ser vendidos a preços simbólicos, já que o objectivo da iniciativa é a “divulgação da riqueza e diversidade das obras e autores portugueses, desde os clássicos aos autores contemporâneos”.
sam “Desassossego”, de Lourezo Degl’Innocenti, “Kinotel”, de Christine Reech, e “Castelos no Ar”, de Vicente Alves do Ó. O ciclo termina com duas longas-metragens, “A Religiosa Portuguesa”, de Eugène Green, e “O Último Voo do Flamingo”, de João Ribeiro, nos dias 22 e 23 respectivamente, às 20h. O último é baseado no romance homónimo do escritor moçambicano Mia Couto e vencedor do prémio para a Melhor Longa-Metragem Estrangeira no Festival de Cinema de Luanda. Todos os filmes são recentes, lançados em 2009 ou 2010. Cinco deles terão legendagem em inglês, nomeadamente “A Bela e o Paparazzo”, “Arena”, “Passeio de Domingo”, “Kinotel” e “O Último Voo do Flamingo”. O filme “A Religiosa Portuguesa” é falado em francês com legendagem em português.
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A Associação
Filme “Arena”
dos
Trabalhadores da Função Pública de Macau
SAÚDA TODOS OS PORTUGUESES
POR OCASIÃO DO DIA DE PORTUGAL
E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS
Filme “A Bela e o Paparazzo”
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14 FUTSAL RICARDINHO ELEITO MELHOR JOGADOR DO MUNDO Ricardinho subiu ao topo do Mundo. O internacional português foi distinguido pelo site futsalplanet com o prémio Umbro Futsal Award para o melhor jogador do Mundo em 2010. Refira-se que este prémio, que existe desde 2000, é comparável à antiga Bola de Ouro da France Football no futebol, que entretanto foi absorvida pela FIFA. O antigo jogador do Benfica que na última época brilhou no Nagoya Oceans, clube onde se sagrou campeão, é o primeiro português a conquistar este troféu. Depois de uma época positiva no Japão, o internacional luso vai deixar o futsal asiático e prepara-se para abraçar um novo projecto em Moscovo, tendo já acordo para representar a equipa de futsal do CSKA. FC PORTO HULK ELEITO MELHOR BRASILEIRO A JOGAR NO ESTRANGEIRO O avançado do FC Porto foi eleito pela ESPN o melhor brasileiro a jogar no estrangeiro, arrecadando o prémio “Futebol no mundo”. A eleição de Hulk foi considerada unânime, uma vez que recolheu a preferência tanto do júri da ESPN brasileira como a votação do público em geral, razão pela qual recebeu dois troféus. O defesa David Luiz, que em Janeiro passou do Benfica para o Chelsea, foi eleito a revelação do ano por parte do público, enquanto o avançado Hernanes, da Lazio, recolheu a preferência do júri especializado. Para receber os troféus, Hulk esteve nos estúdios da estação televisiva acompanhado do pai.
BENFICA QUIM APOIA NUNO GOMES O guarda-redes Quim, actualmente no SC Braga, sai em defesa do seu antigo companheiro e diz que Nuno Gomes merece tratamento diferente no clube da Luz. “Nuno Gomes não merece o que está a passar no Benfica, por tudo o que tem feito no clube. É um jogador fantástico que seria bem-vindo a qualquer clube”, afirmou o guarda-redes, em declarações à Renascença. Há rumores que apontam para o interesse do SC Braga nos serviços do avançado. Quim atirou: “Não sei se vem ou não para o SC Braga, mas não tenho dúvidas de que seria útil.”
DESPORTO Automobilismo | Luís Sá Silva e Asia Racing Team juntos novamente
Recuperar o tempo perdido
O
piloto angolano de Macau Luís Sá Silva é o mais recente reforço da equipa Asia Racing Team para o campeonato de monolugares “Formula Pilota China Series”. Depois de um ano fora de competição devido a grave lesão provocada por um acidente, Sá Silva quer voltar a mostrar os créditos que o sagraram vice-campeão asiático de Fórmula Renault em 2009. “Depois de ter estado praticamente um ano sem competir, é com muita satisfação que procuro relançar a minha carreira e nada melhor do que fazê-lo na equipa onde dei os meus primeiros passos e alcancei os meus melhores resultados”, começou por explicar. Ciente da forte concorrência que terá pela frente e depois de ano impossibilitado de competir, o piloto angolano admite que a sua equipa lhe dá a confiança necessária para
voltar a triunfar. “Em relação ao campeonato propriamente dito, a Asia Racing Team dá-me garantias de poder lutar pelo título, pois trata-se de uma equipa competente e que encara sempre com muita seriedade
as competições em que participa”, afirmou o piloto de 20 anos, natural de Angola, que promete dar o seu melhor e com dignidade em prol do seu país. Baseada no Circuito Internacional de Zhuhai, a Asia Racing Team, fundada em Macau no ano de 2003, é uma das mais reputadas equipas de automobilismo no continente asiático. Para Philippe Descombes, o chefe de equipa da Asia Racing Team, o regresso do piloto angolano à equipa é uma mais-valia. “O Luís deu os primeiros passos no automobilismo nesta casa, e em 2009, apenas não festejámos em conjunto o título asiático de Fórmula Renault por mero infortúnio. Após uma paragem tão longa, o Luís precisa de voltar a ganhar o ritmo e a confiança, mas estamos certos que a experiência europeia e a motivação suplementar de re-
gressar ao volante irá ser preponderante para que esteja no topo da forma desde o início”, referiu Descombes. O campeonato “Formula Pilota China Series” é uma competição que se inicia este ano no continente asiático que conta com o patrocínio da Ferrari Drivers Academy e será composto por seis provas e doze corridas, disputados maioritariamente na República Popular da China e Malásia. Utilizando um chassis Tatuus e um motor FIAT 1.4 litros Turbo, esta competição fez furor o ano passado em Itália, tendo este ano ganho o estatuto europeu e expandido o conceito para a América Latina e Ásia. O primeiro evento da “Formula Pilota China Series” está marcado para o fim-de-semana de 2 e 3 de Julho no Circuito Internacional de Guangdong.
FC PORTO | CAPUCHO OU PAULINHO SANTOS PARA O LUGAR DE ADJUNTO
Pedro Emanuel de saída para a Académica A
saída de Pedro Emanuel da equipa técnica portista abre uma vaga para uma destas referências do clube. Nuno Capucho e Paulinho Santos são os nomes mais fortes para suceder a Pedro Emanuel como treinador adjunto de André Villas-Boas no FC Porto. Com a saída de Pedro Emanuel para assumir o comando da Académica, abriu-se uma vaga na estrutura e na linha do que tem sucedido nos últimos anos essa posição deve ser ocupada por um elemento com passado de referência no clube e experiência nas camadas jovens. De acordo com o jornal A Bola, Capucho, que
treina os sub-17, e Paulinho Santos, adjunto nos sub-19, preenchem esses requisitos, nomeadamente o primeiro, que está muito bem cotado junto de Pinto da Costa. O anúncio do sucessor de Pedro Emanuel na equipa técnica portista deve ser feito nos próximos dias.
SÓ FALTA PEDRO EMANUEL ASSINAR
Há muito escolhido como alvo preferencial, por parte do presidente da Académica para assumir o comando técnico da equipa, Pedro Emanuel tem praticamente tudo acertado para rumar a Coimbra.
Existe já um acordo verbal entre a Direcção e o antigo defesa central, acordo que deve passar para o papel muito brevemente, prevendo-se uma ligação de duas ou três temporadas. A menos que exista uma inversão muito grande no que está, para já, estabelecido, as pequenas arestas que estão por limar não serão impeditivas de confirmar o que está já estabelecido. Se tudo correr como é expectável e o desenvolvimento das negociações chegar ao sucesso que ambas as partes desejam, Pedro Emanuel vai fazer a sua estreia como treinador principal numa equipa da Liga aos 36 anos de idade.
MANTORRAS NO 1º DE AGOSTO POR SETE MESES
BOLT REITERA DESEJO DE SER FUTEBOLISTA
O futebolista angolano Pedro “Mantorras” assinou um contrato válido por sete meses com a equipa do 1º de Agosto, informou ontem à Angop o supervisor do clube das forças armadas, Paulo Figueiredo. No final do período, caso ambas as partes estejam de acordo, o contrato poderá ser prorrogado. Deste modo, a par do avançado português Nuno Gomes “ex-Mafra da segunda divisão de Portugal”, Mantorras é um dos reforços para segunda volta do Campeonato Nacional (Girabola). O avançado, que começou a sua carreira no Progresso do Sambizanga antes de passar pelo Alverca, Sport Lisboa e Benfica (Portugal), realiza o sonho de jogar no 1º de Agosto, clube que sempre foi adepto. Com 29 anos de idade, Mantorras, campeão africano de sub-20 em 2001, regressa a Angola 12 anos depois, após passar por Portugal onde se tornou num dos jogadores mais mediáticos daquele campeonato, tendo conquistado, entre vários troféus, o título de campeão português.
O recordista olímpico e mundial dos 100 e 200 metros confia na sua velocidade e boa técnica para um dia singrar no Manchester United. Usain Bolt já expressara o seu desejo de um dia experimentar o futebol, nomeadamente no seu clube de sonho: o Manchester United. Agora, o recordista olímpico e mundial dos 100 e 200 metros reforçou essa ambição e garante estar apto para singrar nos campeões ingleses e vice-campeões europeus. «Quero mesmo tentar jogar futebol depois de me retirar do atletismo. Pelo que tenho visto ao longo dos anos, acho que podia ser um bom jogador», afirmou o velocista jamaicano à BBC. Bolt defende a rapidez e a boa técnica como as suas armas para alimentar o sonho de ser futebolista. «Acho mesmo que sou suficientemente bom para jogar pelo Manchester United. Sou bom porque sou rápido e tenho alguma técnica. Tenho de a apurar um pouco, mas acho que seria suficientemente bom», concluiu.
PERFIL
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ANSOUMANE DOUTY DIAKITE | PROFESSOR UNIVERSITÁRIO
Entre desafios e sucessos Patrícia Ferreira
PATRÍCIA FERREIRA
patricia.ferreira@hojemacau.com.mo
Deixou a sua terra natal à procura de melhores oportunidades, sem saber que o destino lhe traria a Macau. Ansoumane Douty Diakite, de 30 anos, é actualmente professor de Direito Internacional e Gestão na Universidade de São José. Deixou o país de origem, Guiné Conacri, em 2002, e viajou para o Cairo, Egipto, onde licenciouse em Direito de Negócios Internacionais e foi o primeiro africano a ser eleito presidente da Associação dos Estudantes do Instituto do Direito Empresarial. “Fiquei surpreso por ter sido eleito por uma maioria de egípcios”, diz. Ansoumane diz que os momentos que passou no Cairo foram inesquecíveis e os sucessos e progressos alcançados são permanentes. O próximo passo também foi uma surpresa. “Nunca pensei que iria fazer o meu mestrado na China”. Quando soube que tinha sido aceite pela Universidade de Macau na área do Direito Internacional, em 2006, sabia que seria um desafio. Com muita convicção nas suas capacidades, destinou-se à sua jornada para Macau, onde apesar das dificuldades diz ter sido uma das suas melhores opções. O seu maior obstáculo foi a língua inglesa. O professor veio de um país francófono e não estava habituado a usar o inglês. “Tive que aprender inglês em apenas três meses. Lembro-me do sufoco que passei por não entender o que o professor explicava na sala de aula.” Com a colaboração de amigos e colegas, hoje fala inglês sem nenhum problema. Além de ter concluído o mestrado com êxito, Ansoumane também conseguiu outros certificados na Universidade de Macau, como o Programa de Pós-
Graduação (SPG); um certificado emitido pelo escritório das Nações Unidas em Genebra, em 2007; um Certificado de Arbitragem Comercial Internacional, emitido pelo Departamento Jurídico de Macau e Centro de Estudos Judiciários, em parceria com Hong Kong para a Carta Internacional de Arbitragem Comercial, em Março 2008, e o Certificado em Comércio Internacional e Direito de Investimento, em Julho de 2008, por parte da Academia Macau de Comércio Internacional e Direito de Investimento. Findo os seus estudos em Macau, em 2008, Ansoumane pensou em regressar ao seu país de origem ou rumar até França, um dos seus sonhos, mas o plano não correu como tinha planeado e acabou por ficar no território. Começou a trabalhar como professor na Universidade de São José e tornou-se co-coordenador do Centro de Investigação e Estudos de Desenvolvimento Africano, função que abraçou há quase três anos. O que mais fascinou Ansoumane em relação a de Macau é a “segurança” que a cidade oferece em comparação com outros países. O gosto por Macau surgiu desde que cá pisou, mas, com o passar do tempo, aumentou devido as oportunidades que o território lhe ofereceu. E continua a oferecer, de forma que nunca teria imaginado antes. “Macau é praticamente a minha segunda casa, onde me acolheu e me fez crescer profissionalmente”, diz. Os planos futuros ainda não sabe e confessa que o destino sempre reserva surpresas. A certeza por agora é que ficará pelo menos mais cinco anos em Macau, a terra que lhe abriu as portas para o sucesso.
[f]utilidades SEXTA-FEIRA 10.6.2011 www.hojemacau.com.mo
Cineteatro | PUB
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[ ] Cinema SALA 2
X-MEN FIRST CLASS [B] Um filme de: Matthew Vaughn Com: Michael Fassbender, James McAvoy 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 3
VERTICAIS: 1-Quile. Tribo e índios do Brasil, em Mato Grosso. 2-Fula-fula. Planta rutácea, muito aromática. 3-Dar mimo a. Ausência de quantidade. 4-Dizia-se das penas mais conhecidas por voadeiras. Elemento de origem grega que significa só, unidade. 5-Flexão de pron. tu Satisfeito, alegre. 6-Subúrbios de cidade. Ah! ou Oh! Ave pernalta. 7-Mostrar-se triste. Elemento de origem grega que significa ácido. 8-Zigoto. Elemento de origem grega que significa gesso. 9-Juquiá. Diz-se do verso chamado sáfico. 10-Que tem a aparência ou a transparência do vidro. Tanto. 11-Grande família etnográfica, a mais oriental da Europa. Baile campestre, espécie de fandango.
SOLUÇÕES DO PROBLEMA HORIZONTAIS: 1-QUARTA. OCHE. 2-ULMEIRA. UIS. 3-IAIA. OBOVAL. 4-L. MIR. UVULA. 5-DASIURO. IV. 6-PIR. DAR. ENO. 7-AT. MEIAGOO. 8-CANON. RIL. C. 9-AMANTE. PITA. 10-AND. EMOSCAR. 11-SOAR. AXIOMA. VERTICAIS: 1-QUIL. PACAAS. 2-ULA. DITAMNO. 3-AMIMAR. NADA. 4-REAIS. MON. R. 5-TI. RIDENTE. 6-ARO. UAI. EMA. 7-ABURRAR. OX. 8-O. OVO. GIPSI. 9-CUVU. ELOICO. 10-HIALINO. TAM. 11-ESLAVO. CARA.
REGRAS |
Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR
Su doku [ ] Cruzadas
HORIZONTAIS: 1-Intevalo musical de quatro notas. Expressão usada para afagar os bois. 2-Ulmária. Gritos de dor. 3-Menina. Obóveo. 4-Estação espacial soviética. Saliência cónica, na parte posterior do véu patatino. 5-Quadrú. Marsupial. 4, em romano. 6-Elemento de origem grega que significa fogo ou inflamação. Entregar, pôr em poder de confiar. Elemento de origem grega significa vinho. 7-Símbolo químico do astato. O meio de qualquer coisa. 8-Cânone, forma preferível. Espécie de dança. 9-Aquele que tem relações ilícitas. Trança feita com fios de ... 10-Em inglês, e. Sacudir, tirar a mosca. 11-Constar, divulgar-se. Proposição, cuja verdade é evidente.
SALA 1
SUPER 8 [C]
PIRATES OF THE CARIBBEAN ON STRANGER TIDES [B]
Um filme de: J. J. Abrams Com: Elle Fanning, Kyle Chandler, Ron Eldard 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
Um filme de: Rob Marshall Com: Johnny Depp, Penelope Cruz, Geoffrey Rush 14.15, 16.45, 19.15, 21.45
[Tele]visão www.macaucabletv.com TDM 13:00 13:30 14:30 19:00 19:30 20:25 20:35 21:00 22:00 22:58 23:00 23:30 01:10 01:40
TDM News - Repetição Jornal das 24h RTPi DIRECTO Ásia Global (Repetição) Ganância Acontecimentos Históricos Telejornal Jornal da Tarde da RTPi Viver a Vida Acontecimentos Históricos TDM News Flightplan (Pânico a Bordo) Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO
17:00 18:00
Hot Water 2011/12 (LIVE) WTA - Aegon Classic Quarterfinals
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INFORMAÇÃO TDM
RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Documentário 15:15 Café Central 15:30 Com Ciência 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Cerimónias Oficiais do 10 de Junho 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:00 Encontros Imediatos 22:30 Recantos 23:00 Dia de Portugal TVB PEARL 83 06:00 Bloomberg West 07:00 First Up 07:30 NBC Nightly News 08:00 Putonghua E-News 08:30 ETV 10:30 Inside the Stock Exchange 11:00 Market Update 11:30 Inside the Stock Exchange 11:32 Market Update 12:00 Inside the Stock Exchange 12:02 Market Update 12:30 Inside the Stock Exchange 12:35 Market Update 13:00 CCTV News - LIVE 14:00 Market Update 14:40 Inside the Stock Exchange 14:43 Market Update 15:58 Inside the Stock Exchange 16:00 ZingZillas 16:30 Mr. Moon 17:00 The Penguins of Madagascar 17:30 Ben 10 Ultimate Alien 18:00 Putonghua News 18:10 Putonghua Financial Bulletin 18:15 Putonghua Weather Report 18:20 Financial Report 18:30 Green Challenge: Golfing World 19:00 Global Football 19:30 News At Seven-Thirty 19:50 Weather Report 19:55 Earth Live 20:00 Money Magazine 20:30 Rick Stein’s Far Eastern Odyssey 21:30 Weekend Blockbuster: The Guardian 22:30 Marketplace 22:35 Weekend Blockbuster: The Guardian 00:30 The CEO Connection 00:35 World Market Update 00:40 News Roundup 00:55 Earth Live 01:00 Dolce Vita 01:25 NBA Finals 2011 – Miami Heat Vs Dallas Mavericks 03:25 European Art at the MET 03:30 Bloomberg Television 05:00 TVBS News 05:30 CCTV News
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Chinatown Inkheart Cirque Du Freak The Goonies The Invention Of Lying Repo Men Red Dragon
CINEMAX 42 12:00 13:30 15:00 16:45 18:00 20:15 21:45 22:00 23:30
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MGM CHANNEL 43 11:45 Starcrossed 13:30 Love Bites 15:15 Defiance 17:00 Quigley Down Under 19:00 Witness to the Mob 21:00 Pieces of April 22:30 The Meteor Man 00:15 Igby Goes Down DISCOVERY CHANNEL 50 13:00 Mythbusters - Shooting Fish In A Barrel 14:00 Brew Masters - Bitches Brew 15:00 Mega Builders 4 - World’s Biggest Container Ship 16:00 Build It Bigger 4 - Gotthard Base Tunnel 17:00 Dirty Jobs - Big Animal Vet 18:00 How It’s Made 18:30 How Do They Do It? 19:00 Mega Engineering - Mile High Skyscraper 20:00 What A Tool - Slashers And Crushers 21:00 The Shift 2 22:00 Kidnap & Rescue - Hostage Rescue Team 23:00 Forensics: You Decide 00:00 The Shift 2
ANIMAL PLANET 52 13:00 Corwin’s Quest - The Crocodile’s Element 14:00 Caught In The Moment 15:00 Wild Hearts 16:00 Wildest Africa - Ethiopia 17:00 Animal Cops Miami - Race For Life 18:00 Animal Cops Philadelphia 19:00 Downsize My Pet 20:00 Corwin’s Quest - The Chimp’s Politics 21:00 Wild Hearts - Growing Up...Lynx 22:00 Wildest Africa - Okavango 23:00 Animal Cops Miami 00:00 Corwin’s Quest - The Chimp’s Politics HISTORY CHANNEL 54 13:00 Modern Marvels 14:00 Sugihara: Conspiracy Of Kindness 16:00 Top Shot 17:00 Swamp People 18:00 The Universe 19:00 Modern Marvels 20:00 Swamp People 21:00 Icons Of Power 23:00 Hidden Cities 00:00 Top Shot BIOGRAPHY CHANNEL 55 13:00 Intervention 14:00 Malcolm Forbes 15:00 Storage Wars 16:00 Christina Onassis 17:00 Obsessed 18:00 Intervention 19:00 Rendezvous With Simi Garewal 19:30 Shatner’s Raw Nerve 20:00 Tough Love Couples 21:00 Private Sessions 22:00 Gene Simmons: Family Jewels 22:30 Storage Wars 23:00 Intervention 00:00 Celebrity Ghost Stories AXN 62 12:15 13:05 13:55 14:50 15:40 16:30 17:25 18:15 19:10 20:05 20:35 21:05 22:00 23:50
Csi: Crime Scene Investigation Ncis: Los Angeles The Amazing Race Asia Numb3Rs Csi: Crime Scene Investigation Hawaii Five-O Csi: Crime Scene Investigation House Csi: Ny Sony Style Tv Magazine Ebuzz Csi: Crime Scene Investigation Csi: Ny So You Think You Can Dance
STAR WORLD 63 12:35 DC Cupcakes 13:05 How I Met Your Mother 13:35 Private Practice 15:25 90210 16:20 Desperate Housewives 17:15 Don’t Stop Believing 18:10 How I Met Your Mother 18:40 MasterChef Australia 19:05 DC Cupcakes 19:35 How I Met Your Mother 20:00 Hell’s Kitchen 21:50 90210 22:45 MasterChef Australia 00:05 Hell’s Kitchen
ESPN 30 12:00 US Open Championship 2010 15:00 Total Rugby 2011 15:30 MLB Regular Season 2011 Boston Red Sox vs. New York Yankees 18:30 (Delay) Baseball Tonight International 2011 19:30 (LIVE) Sportscenter Asia 20:00 (LIVE) ATP - Aegon Championships Quarterfinals STAR SPORTS 31 13:00 FEI Equestrian World 13:30 Total Rugby 2011 14:00 Asian Touring Car Series 15:00 Wimbledon Classic Matches 1993 Ladies Singles Final
NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL 51 12:30 Japan’s Tsunami: How It Happened 13:25 Pirate Patrol - Combat Ready 14:20 Situation Critical 15:15 Salvage Code Red - Dangerous Seas 16:10 Megastructures - World’s Busiest Port 17:05 Dogtown - Pit Bull Rescue 18:00 Extraordinary Dogs 19:00 Every Singaporean Son 20:00 Megacities - Kaohsiung 21:00 Wild Case Files 22:00 Mystery Files 23:00 Taboo - Extreme Performers 00:00 Wild Case Files
(MCTV 40) Star Movies 21:00 THE INCREDIBLES Informação Macau Cable TV
OPINIÃO
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ca u sa s p ú b l i ca s Um olhar atento sobre a actualidade da RAEM
Conformismo e impunidade G
RASSA neste momento em Macau um clima de enorme conformismo e impunidade face aos problemas das entidades públicas da RAEM, que surgem com uma base quase diária. Referi-me a esta questão na minha intervenção antes da ordem do dia na Assembleia Legislativa e a repercussão foi extremamente forte junto do Governo e dos cidadão. Desde obras públicas, com custos e prazos incertos e sempre crescentes a regimes legais que já não reflectem a realidade social e económica da RAEM e que atrasam e obstam ao seu crescimento, tudo parece ocorrer com a maior normalidade e sem suscitar praticamente reparos. É preciso inverter este ciclo e criar um novo paradigma de responsabilização e credibilização das entidades públicas da RAEM, por forma a aumentar a legítima expectativa que os cidadãos têm no funcionamento destas. E isto só se consegue fazer operando mudanças internas, de personalidade, de perfil e de competências. É inegável a necessidade de remodelação em áreas como a Justiça e as Obras Públicas, onde os desaires se somam uns a seguir aos outros e onde não se vislumbram quaisquer alterações ou melhorias. São necessárias para estas áreas pessoas que tragam um novo alento,
É preciso mais e melhor do que temos tido. E os secretários da Justiça e das Obras Públicas visivelmente não conseguem atingir estes objectivos. A actuação catastrófica destes dois secretários tem perturbado a performance do Chefe do Executivo, mas, e mais grave ainda, tem-se revelado um enorme obstáculo ao crescimento e desenvolvimento da RAEM uma capacidade regeneradora de mentalidades e de procedimentos, maior transparência, sentido de responsabilidade e liderança. Ou seja, algo que nenhum dos actuais secretários dessas áreas tem! As áreas da Justiça e das Obras Públicas, pelo seu peso na vida e no desenvolvimento de Macau, exigem mais que nunca a capacidade para identificar os problemas, a coragem política para os assumir e atacar, bem como a consistência técnica para os resolver. É preciso não ter medo de consultar com verdadeira abertura as entidades privadas que operam nestas áreas, de inovar nos meios e nas soluções, de potenciar os valiosos funcionários públicos que temos e auxiliá-los com consultores especializados quando se revele necessário. É ainda preciso assumir as decisões e não as delegar em “comissões” de grande
morosidade de processos, ou em “consultas públicas” sem conteúdo efectivo e que só visam protelar as decisões e dividir responsabilidades por eventuais falhas. Em suma, é preciso mais e melhor do que temos tido. E os secretários da Justiça e das Obras Públicas visivelmente não conseguem atingir estes objectivos. Aactuação catastrófica destes dois secretários tem perturbado a performance do Chefe do Executivo, mas, e mais grave ainda, tem-se revelado um enorme obstáculo ao crescimento e desenvolvimento da RAEM. Está na hora de mudar, e o caminho da mudança passa pela saída de ambos o quanto antes, antes que os danos que continuam a causar se tornem irreparáveis.
MELHORIAS À VISTA?
A possibilidade de comercialização da ha-
José Pereira Coutinho
bitação económica em regime de mercado livre após o período de 16 anos mereceu críticas quase unânimes de todos os quadrantes. Em resposta a estas críticas, vem agora o secretário das Obras Públicas afirmar que se planeia introduzir o direito de preferência do Governo da RAEM no momento da revenda destes imóveis, bem como um mecanismo que assegure que apenas residentes poderão comprar estas casas. A este respeito, saúda-se o facto de o Governo estar atento às sensibilidades e opiniões dos deputados e de as considerar no momento de definir e ajustar as suas políticas. No entanto, é ainda necessário tornar bem claras quais as condições, prazos e formalidades deste direito de preferência, bem como clarificar conceitos como o de “preço de mercado”. Mais do que isso, é fundamental estabelecerem-se critérios claros para a avaliação das necessidades de habitação económica da RAEM que o Governo terá que fazer em cada caso, ao decidir accionar ou não o seu direito de preferência. Só assim poderemos estar certos de que se está a implementar um sistema claro, justo e protector dos interesses dos cidadãos da RAEM.
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OPINIÃO
18 p er sp ect i va s
Fim da biodiversidade? “To say that we live in an age of science is a common place, but like most common places, it is only partially true. From the point of view of our predecessors, if they could view our society, we should, no doubt, appear to be very scientific, but from the point of view of our successors, it is probable that the exactly opposite would seem to be the case.” The Scientific Outlook Bertrand Russell,
O
S ecologistas estão preocupados justificadamente com o impacto ecológico de fabrico de produtos naturais, que alcançou um êxito excessivo. Tendência que é sempre para as monoculturas rentáveis. É de temer que a procura internacional a subir em espiral possa representar o fim da biodiversidade, em vez de estimular a conservação dos recursos naturais como inicialmente se pretendia. A pressão crescente que é exercida sobre os recursos biológicos provém do aumento da população a nível mundial, da alteração dos padrões de consumo e das novas tecnologias. A agricultura intensiva tornou-se mais necessária após a crise sistémica e a crise alimentar devido às alterações climáticas e o seu impacto nos recursos biológicos ainda não foi avaliado. A conservação da biodiversidade levanta questões importantes no domínio da investigação, que são relevantes para a criação de novas tecnologias de produção e sistemas e uso do solo, desde logo a de saber se podem as tecnologias diversificadas em termos biológicos e consumidoras de pequenas quantidades de energia ser ampliadas e/ou intensificadas? Os sistemas de produção podem ser intensificados de forma diferente para que a biodiversidade seja mantida noutras partes do sistema? Em que medida é que a exploração crescente de determinadas espécies afecta outras espécies e as propriedades gerais do sistema? É necessário prestar uma minuciosa atenção à produtividade relativamente baixa de alguns modelos tradicionais de exploração económica, incluindo, especificamente, as reservas extractivas. Adependência de muitos países pelos seus recursos não só os empobrece como reduz a biodiversidade. Antes de agirem para melhorar as reservas extractivas é necessário ter uma visão crítica das suas limitações. Apesar de ser premente expurgar alguns dos mitos românticos associados à extracção, não é de concordar que os seus agentes sejam elementos marginais como por exemplo, no processo de expansão fronteiriça da Amazónia, que apesar de todas as normas e controlo se continua a dar, e que se deve concentrar todos os esforços no sentido de aperfeiçoar o uso do solo. As forças que combatem a desflorestação, quer seja na Amazónia, quer seja em outro local do planeta são cada vez menores, e é
imperioso que os aliados e o campo de batalha sejam cuidadosamente escolhidos. Persiste uma produtividade demasiado acelerada dos modelos de exploração tradicionais da Amazónia. A posição politicamente incorrecta adoptada no passado pelos seringueiros, que era um movimento político e não um movimento ambientalista, apesar de o caracterizarem como tal. Os seringueiros liderados por Chico Mendes fundador do Partido Trabalhista, conjuntamente com o ex-presidente Inácio Lula da Silva, ou outros na mesma linha de pensamento e actuação, acabam por esgotar a sua fonte de recursos como qualquer outro grupo, se tiverem oportunidade para isso. Foram canalizados demasiados fundos para apoiar um pequeno segmento de agricultores pobres, apegados à sua herança cultural e à sua economia de vida, sendo necessário soluções para milhões de outros habitantes das florestas tropicais. Houve um excesso de recursos que se destinaram a apoiar o modelo de reserva extractiva limitada, ao mesmo tempo que se permitiu que os camponeses sem terra, os pequenos agricultores e até os grandes fazendeiros brasileiros descobrissem métodos mais rentáveis em termos de utilização das florestas tropicais. Muitas sociedades tradicionais entregaram-se a uma exploração maciça da fauna das suas reservas, provocando a redução e até a extinção local de espécies muito perseguidas pela caça. Esse processo de destruição da fauna pode conduzir também à extinção ecológica, entendida como a redução de uma espécie, de tal modo que, apesar de continuar presente na comunidade, não interage com outras espécies de modo significativo. Os povos nativos não são os nobres selvagens ecológicos, apelidados a partir de 1987, quando a ONU decidiu atribuir o prémio Global 500 a Chico Mendes, em consideração pela sua defesa do ambiente e que se tornou mais intenso, após o seu assassinato no final de 1988. O nível de destruição do ecossistema em termos globais pode significar que em certos casos, a única forma possível de conservar a biodiversidade consiste em abolir todos os tipos de comportamento humano, desde a construção de estradas e a extracção de madeira à caça e à actividade extractora nativa. Provocar mudanças culturais pode ser igualmente preocupante. Estabelecerem-se mecanismos para a justa compensação dos povos nativos, não se estará também a criar regras para destruir as suas sociedades através da subversão do materialismo e do consumismo? Stephen Cory, director da “Survival International”, organização internacional para a defesa dos direitos dos povos nativos é um dos opositores mais radicais à actividade extractora, assinalando que em termos históricos,
os povos nativos e as comunidades locais nunca aceitaram bem o sistema económico externo, muito mais poderoso, sugerindo que, no célebre caso de roubo pelo chefe Paulinho Paiakan, o líder dos índios caiapós do Brasil, a “The Body Shop” foi, em última análise, responsável pelo comportamento desastroso do chefe relativo ao óleo de castanha, em que cada metro cúbico de óleo é comprado à comunidade de índios caiapós, a aldeia A-Ukre, pela quantia de 36 dólares. Desde 1995 que a “The Body Shop”, através das suas 1500 lojas espalhadas pelo mundo, à excepção do Brasil teve um lucro de cerca de 30 milhões de dólares e os caiapós 800 mil dólares.
A pressão crescente que é exercida sobre os recursos biológicos provém do aumento da população a nível mundial, da alteração dos padrões de consumo e das novas tecnologias. A agricultura intensiva tornou-se mais necessária após a crise sistémica e a crise alimentar devido às alterações climáticas e o seu impacto nos recursos biológicos ainda não foi avaliado A ideologia da actividade extractora, revela-se um argumento essencialmente integracionista, com vestes verdes e atraentes; uma filosofia retrógrada que, se alcançasse projecção, podia provocar um recuo de vinte e cinco anos ou mais na campanha a favor dos povos tribais, depositando-os nas mãos daqueles que pretendem opor-se ao movimento, em prol dos direitos do uso do solo. Se for conseguido, este simulacro ético integracionista de ambientalismo, será profundamente desgastante para a luta que tantas organizações de povos nativos travam para ensinar ao mundo, que o seu solo não está à venda e que não tencionam usá-lo para fins comerciais especulativos. Num ataque à “Cultural Survival” feito pela “The Body Shop”, aquela considerou que todo o comércio efectuado com os nativos é um veneno de acção lenta, e os que estão envolvidos nessa actividade não são comerciantes de florestas húmidas, são atacantes das mesmas, que extorquem o que podem à custa da boa vontade do público que desconhece este tipo de relações comerciais, aproveitando-se do facto de a floresta estar na moda. As sociedades nativas e os seus ambientes naturais, estão a ser destruídos pela expansão dramática da actual sociedade industrializada.
Jorge Rodrigues Simão
Boas ou más, as multinacionais farmacêuticas e produtos naturais conheceram o êxito, graças aos seus esforços e não se afastarão. É relativamente óbvio que, quer-se queira ou não, um ecossistema que não tem valor, será nivelado para abrir caminho a outro qualquer que o tenha, ainda que seja apenas numa escala limitada e que os benefícios sejam de curto prazo. Até os povos mais isolados das florestas húmidas, com poucas excepções, têm necessidades que só o mercado pode satisfazer. Pode-se deixar esses grupos em paz, mas sempre existirão outros grupos que os atormentarão. Pode até ser construída uma vedação à sua volta, ou à volta de toda a Amazónia por exemplo, mas essas opções nunca teriam qualquer efeito, e se a destruição do seu solo continuar a processar-se ao ritmo actual, dentro de pouco tempo tudo acabará. Existe premência em agir. É aqui que entram os elos entre a violação dos direitos humanos e a pobreza por um lado, e a degradação ambiental, pelo outro. Prova-se que as estratégias mais bem sucedidas para conservar as florestas húmidas, mantêm a sua biodiversidade natural e satisfazem as necessidades económicas dos povos das florestas. A “Cultural Survival” não abandonou o seu trabalho em prol dos direitos do solo, da organização política e do desenvolvimento sustentável; foi-lhes acrescentada uma nova dimensão, que deve passar em termos simples, pela procura de mercados para produtos provenientes das florestas húmidas sustentavelmente desvastadas, que possam ajudar os que lá vivem. Tais produtos verdes, têm vindo a ter uma aceitação crescente e prevê-se que a breve prazo esgote a produção sustentada. A guerra da turfa que envolveu o “The Body Shop”, “Cultural Survival” e a “Survival International” recebeu uma ampla cobertura dos meios de comunicação social. Mais do que qualquer outro tema sobre esta matéria na memória recente, a colheita deixou investigadores, biólogos, grupos defensores dos direitos dos povos nativos e cidadãos comuns em estado de perplexidade. Não se tratou de uma situação em que os bons, maus e feios estivessem contra os justos, santos e verdadeiros heróis. A verdadeira tragédia talvez estivesse no facto de a preocupação com a floresta húmida e os seus povos se dividir rudemente, e sem cerimónia entre vários grupos de protectores. Os conflitos que duram há cerca de quarenta anos, fará que os povos nativos se libertem totalmente de todos os intermediários, aproveitando para lutarem pela sua independência, pela consciência global que despontou e explodirem como tem vindo a acontecer, desde a passada década com maior intensidade, o que revela que após uma longa caminhada, toda a provação terá sempre um desfecho positivo.
Aquele que não se deixa dominar pelo sentimento, mas só pela é quem está no bom caminho.
razão,
Padre Manuel Teixeira [1912-2003]
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OPINIÃO
u m g r i t o n o d eser t o Paul Chan Wai Chi*
A vigília da esperança T
ODOS os anos, desde 1989, que permanecia em Macau durante a noite de 4 de Junho para participar na vigília em memória das vítimas do massacre da Praça de Tiananmen. Mesmo no ano em que tive de assistir a um curso em Hong Kong, corri de volta para Macau para participar na vigília. Mas em Junho deste ano, em vez disso, fui para Taiwan, para assistir à cerimónia de formatura do meu filho, que nasceu em 1989. Durante a minha viagem a Taiwan, alguns dos estudantes de Hong Kong e Macau convidaram-me para participar na vigília na Praça da Liberdade, em Taipé, na noite do 4 de Junho. Prometi que, se conseguisse chegar a tempo na Ilha Formosa, iria certamente participar. Durante o dia 4 de Junho, o tempo em Taiwan esteve muito quente. Depois de assistir à cerimónia de formatura, estava completamente encharcado em suor. Quando cheguei a Taipé, eram já 19h. Apesar de ser um pouco tarde, ainda fui a tempo de participar na segunda metade da vigília. Nessa vigília nocturna de Taiwan em que se celebrou o 22.º aniversário dos incidentes de 4 de Junho, a primeira metade foi preenchida com retrospectiva e discursos dos participantes. A segunda parte foi uma sessão de partilha realizada por estudantes universitários de Taiwan, Hong Kong e Macau. Relativamente aos incidentes, muitos especialistas, académicos e activistas pró-democracia expuseram a sua visão do passado. Quando vi estes estudantes, tão velhos quanto o próprio massacre, a falarem sobre os incidentes, ouvindo as suas opiniões e observando a forma como partilhavam sentimentos, senti-me diferente emocionalmente. Para quem viu o massacre de Tiananmen a acontecer, em directo na TV, à vista desarmada, as imagens da noite de 3 de Junho e madrugada de 4 de Junho estão ainda muito vivas nos nossos olhos. Se o Governo chinês na altura tivesse sido capaz de lidar com a insatisfação dos estudantes e pessoas comuns em vez de chamar as forças armadas para reprimir os protestos, penso que os trágicos incidentes não teriam acontecido. Penso que com o desenvolvimento da China de hoje, não deveria haver lugar a desarmonia entre
a sua economia e política, a corrupção não seria tão desenfreada e grave no sector empresarial e na administração, e as reformas políticas na China não teriam permanecido estagnadas até hoje. No começo, os incidentes de 4 de Junho foram considerados pelo Governo como uma convulsão. Mais tarde, viria a ser oficialmente conhecida como uma perturbação política que ocorreu na passagem da Primavera para
o Verão. Isso mostra que os incidentes não foram tão graves como o Governo julgava ao início. Na altura em que Zhao Ziyang esteve gravemente doente acabando por morrer, alguns altos-responsáveis do Governo foram visitá-lo ao hospital e deixar o seu adeus eterno. Ainda assim, o Governo chinês nunca apoiou a sua responsabilidade nos protestos de 4 de Junho, deixando as almas daqueles que morreram na Praça de
Para quem viu o massacre de Tiananmen a acontecer, em directo na TV, à vista desarmada, as imagens da noite de 3 de Junho e madrugada de 4 de Junho estão ainda muito vivas nos nossos olhos. Se o Governo chinês na altura tivesse sido capaz de lidar com a insatisfação dos estudantes e pessoas comuns em vez de chamar as forças armadas para reprimir os protestos, penso que os trágicos incidentes não teriam acontecido
Tiananmen, sobretudo os jovens, incapazes de descansar em paz. A dor dos familiares dos que morreram nunca poderá ser sarada. Uma das Mães de Tiananmen, a senhora Ding Zilin, revelou anteriormente que, durante o final de Fevereiro de 2011, quando se realizavam a Assembleia Popular Nacional (APN) e a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), certos representantes do departamento distrital de segurança pública da cidade de Pequim visitaram a família de uma das vítimas para uma conversa informal. O assunto não foi nada sobre “dizer ao povo a verdade”, “inquéritos judiciais” ou “explicação do caso”, mas simplesmente a compensação monetária a ser paga às vítimas. Isso mostra que o Governo chinês tem a intenção de resolver o problema. Apesar de a senhora Ding se ter sentido insatisfeita quando o Governo chinês lhe negou o pedido de diálogo aberto, ela congratulou-se com o facto de Pequim ter finalmente quebrado o silêncio. A vigília nocturna do 4 de Junho realizada na Praça da Liberdade em Taipé terminou por volta das 21h, após os representantes das organizações estudantis terem feito um manifesto e após os convidados terem partilhado as suas ideias e sentimentos com a assistência. Antes do final, os convidados fizeram o público cantar o hino “A Internacional”, canção favorita do [antigo] primeiro-ministro [da China] Zhou Enlai. O sentimento foi muito especial quando ouvi esse hino cantado em coro na Praça da Liberdade, sob o regime do Patido Nacionalista (KMT). Um compatriota da China Continental que estava atrás de mim cantava fervorosamente. Depois de terminada a vigília, vi aquela arcada com as palavras “Praça da Liberdade” iluminadas com luzes brilhantes, enquanto o Memorial de Chang Kai-Shek ao longe parecia apagado e sombrio. Essa imagem aparecia como um retrato da cena política actual da China. Mas no momento em que me retirei, vim cheio de confiança porque, durante aquela noite, vi que a juventude tinha crescido e despertado; vi a esperança e o futuro da China. *Deputado e presidente da Associação Novo Macau Democrático
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção Filipa Queiroz; Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Patrícia Ferreira, Rodrigo de Matos; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; João Miguel Barros, Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Luís Sá Cunha, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
ca r t oon por Steff
LISBOA TÚMULO SEM CAMÕES O túmulo referente a Luís de Camões existente no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, tem grande probabilidade de não conter os restos mortais do poeta, afirmou um especialista em estudos camonianos. O poeta terá sido sepultado na Igreja de Sant’Ana, em Lisboa, próxima da casa onde vivia a sua mãe, na calçada de Santana, mas não se sabe exactamente onde foi colocado o cadáver, se dentro, se fora da igreja ou se até numa fossa. E. COLI BACTÉRIA EM BETERRABAS DA HOLANDA Uma variante da bactéria E.coli (EHEC), diferente da que provocou a morte a 25 pessoas na Europa, foi detectada em rebentos de beterrabas holandesas exportadas para a Alemanha e Bélgica. Os rebentos de beterraba, exportados para a Alemanha e a Bélgica, serão retirados do mercado. Uma estirpe rara e virulenta de E.coli Enterohemorrágica (EHEC) já matou 25 pessoas na Europa, 24 das quais na Alemanha, sendo que a origem da epidemia ainda não foi determinada. CONDECORAÇÃO MACAU DE FORA O presidente da República Portuguesa vai atribuir condecorações a 19 personalidades das comunidades portuguesas e a cidadãos estrangeiros, por ocasião do Dia de Portugal, entre os quais o fotojornalista João Paulo da Costa Silva, ferido no Afeganistão no ano passado. Ao contrário do que aconteceu no ano passado, quando Edmund Ho e Rita Santos foram agraciados, este ano nenhuma personalidade de Macau foi incluída na lista. ÍNDIA ELEFANTES MATAM DOIS Durante três horas, dois elefantes provocaram o pânico nas ruas da cidade de Mysore, em Karnataka, na Índia. Um homem acabou por morrer. Os elefantes entraram na cidade através de uma floresta situada nas redondezas e levaram o pânico à cidade. Um homem de 55 anos que saiu à porta de casa para ver o que estava a acontecer foi brutalmente atacado por um dos elefantes e acabou por morrer. Numa outra rua, outro elefante matou duas vacas que se encontravam na estrada. As escolas e as universidades foram fechadas como precaução enquanto as autoridades tentavam controlar os elefantes: um deles entrou no recinto de uma universidade e o outro percorreu um bairro.
RESOLUÇÃO CONTRA AL-ASSAD
Detido suspeito que atacava perto de karaokes
Jovem escapa a violação
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MAestudante universitária de 24 anos conseguiu escapar, depois de muita luta, de uma tentativa de violação num parque de estacionamento próximo a vários karaokes no NAPE. O ataque aconteceu na madrugada de segunda para terça-feira, quando a jovem estava no subterrâneo da Alameda Dr. Carlos d’Assumpção a dirigir-se sozinha para o seu carro depois de uma festa num karaoke na zona.
Segundo relataram testemunhas ao Hoje Macau, um homem de origem estrangeira estava escondido na casa de banho do estacionamento à espera da vítima. O WC, que funciona até à meia-noite, tinha a porta arrombada há mais de um mês. Quando a estudante desceu das escadas, o homem atacou-a pelas costas. Seguiu-se um confronto físico, com puxões de cabelo e pontapés, e tentativas de violação na casa
de banho. No entanto, a jovem conseguiu escapar. A rapariga está agora hospitalizada com lesões em todo o corpo. Fontes ligadas ao processo garantem que a Polícia Judiciária (PJ) já deteve um suspeito do ataque, que poderá não ter sido o primeiro. Contactada pelo Hoje Macau, a PJ não quis avançar com nenhuma informação sobre o caso. A estudante, que está em estado de choque, não tem previsão de alta.
JOGO | NOVOS MERCADOS NA ÁSIA NÃO AFECTAM MACAU
Árvore das patacas inabalável
A abertura de novos mercados na Ásia “não irá, de todo, afectar Macau”, mas “ajudar” a reforçar a sua posição como capital mundial de jogo, disse à agência Lusa o presidente da Associação Americana de Jogo, Frank Fahrenkopf. “Uso o exemplo dos Estados Unidos: Las Vegas é o lugar para se ir por ter uma elevada concentração de hotéis, casinos, entretenimento, restaurantes, tudo num único lugar e, mesmo com jogo noutros locais – à excepção do Utah e o Havai, onde a actividade não é legal devido à influência das igrejas mórmon –, Vegas continua a crescer”, disse. Ao considerar que Macau “se tornou na Las Vegas do Oriente”, Fahrenkopf defendeu que a região tem à sua frente um “futuro próspero, pois mesmo que Singapura ou a Coreia ofereçam uma experiência semelhante, as pessoas vão querer ir a Macau” pela concentração de empreendimentos turísticos e casinos. Na perspectiva de Frank Fahrenkopf, que falava à margem da Global
Gaming Expo (G2E Asia), que decorre em Macau até hoje, a região precisa, no entanto, de diversificar a oferta de entretenimento além do jogo, a principal alavanca da economia local, em linha com as metas definidas pelo Governo. “Em Singapura, os projectos [ligados ao jogo] - World Sentosa e Marina Bay Sands – estão mais voltados para a cultura, sendo que só 10 por cento da sua actividade” está focada nas apostas, disse o responsável, ao defender que esta “é uma nova abordagem ao jogo”, que territórios como a Coreia ou Taiwan olham como “modelo de futuro desenvolvimento”. Apesar de defender que esta abordagem por parte do sector “está a começar” a ganhar forma em Macau, Frank Fahrenkopf lembra que tal “leva tempo porque os mercados não mudam do dia para a noite”. “Estamos a assistir a uma evolução em Macau”, disse, ao realçar que já “não compra a ideia” de que “os chineses só vêm [à região] para jogar”.
SEXTA-FEIRA 10.6.2011 www.hojemacau.com.mo
FUKUSHIMA MAIS PESSOAS EM RISCO O Governo japonês anunciou que decidirá muito brevemente se vai, ou não, ordenar a retirada de mais pessoas em redor da central nuclear de Fukushima. Os níveis de radioactividade excederam os limites. Esta tomada de posição surge depois de ter sido detectada em algumas zonas das cidades de Date e Minamisoma níveis de exposição à radioactividade que excedem os 20 millisieverts por ano, limite definido pelo Governo, noticia hoje a estação de televisão japonesa NHK. Estas cidades localizamse fora da actual área de evacuação, num raio de 20 quilómetros. SCHENGEN BULGÁRIA E ROMÉNIA DE FORA O governo holandês só se irá pronunciar em 2012 acerca da adesão da Bulgária e da Roménia (Estadosmembros desde 2007) ao Espaço Schengen - espaço sem fronteiras no seio da UE -, depois de um período experimental. É necessária a unanimidade dos 25 membros do Espaço Shengen para que haja integração de novos membros. PORTUGAL RECUPERAÇÃO MAIS RÁPIDA QUE A GREGA A ministra francesa das Finanças e candidata a direcção do FMI, Christine Lagarde, admitiu ontem que a recuperação económica em Portugal será mais rápida do que na Grécia devido a “aliança” política em torno do programa de ajuda externa. Christine Lagarde salientou que Grécia, Irlanda e Portugal - os países que no último ano pediram ajuda financeira externa - representam apenas seis por cento do produto interno bruto da zona euro, mas afirmou que “todos contam e são importantes”. “Cada país é diferente e tem de responder a diferentes categorias de problemas e questões”, disse. SÍRIA VÍDEOS COM TORTURAS Vídeos de dois adolescentes sírios torturados e mortos, depois de terem sido detidos no meio de manifestações anti-governamentais, foram tornadas públicas, o que vem confirmar a violação dos direitos humanos naquele país. Um primeiro vídeo mostra o corpo de Hamza al-Khatib, de 13 anos, que foi assassinado e torturado pelas forças de Bashar Asad, em Deraa. O adolescente desapareceu após uma manifestação a 29 de Abril.