UNESCO
De olhos na colina da Penha
Preconceitos e outras histórias
hoje macau Nº 4725
QUARTA-FEIRA 10-3-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
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MOP$10
O preço da crise
A crise desencadeada pela covid-19 trouxe até Macau uma nova realidade: mais de metade da população empregada passou, nos últimos três meses, por situações de licença sem vencimento. Um inquérito, levado a cabo pela FAOM, dá conta de que muitos dos empregados em sectores como o jogo, a restauração ou as comunicações, entre outros, viram os seus rendimentos mensais caírem para metade. Cerca de 90% dos inquiridos diz que a situação se deve manter nos próximos meses e pede nova ronda de apoios.
NUNO FONTARRA
DIÁLOGOS CONSTRUTIVOS ENTREVISTA
JÉSSICA LEÃO
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HONG KONG | ELEIÇÕES
Exposição As “Raízes” intensas de Jéssica Leão
APLAUSOS DE HO IAT SENG
EVENTOS
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DESPORTO
É PRECISO CORTAR NO EXERCÍCIO
PUB.
PUB.
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2 entrevista
NUNO FONTARRA
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10.3.2021 quarta-feira
ARQUITECTO
SOBRE A NOVA BIBLIOTECA CENTRAL
Ficou surpreendido por vencer este concurso? Não. Fizemos o projecto de concepção de design em Agosto do ano passado e sempre tivemos boas relações com o Governo de Macau. Eles aceitaram bastante bem o projecto e sabem que uma das nossas mais valias são as bibliotecas, temos várias construídas em todo o mundo. A única coisa que nos surpreendeu é que a concorrência era bastante alta, havia dois escritórios Pritzker, um suíço e um irlandês. Consideramos que fizemos um bom projecto por isso não nos surpreende.
“Está totalmente assegurada a participação dos locais.”
“Será um disseminador físico de cultura” O arquitecto português, do atelier holandês Mecanoo, é o responsável principal pelo projecto da Biblioteca Central, no edifício do antigo Hotel Estoril. Nuno Fontarra fala de um espaço que será multifacetado, com uma função social e de ligação à praça do Tap Siac. Grande parte do edifício será demolido, colocando-se a possibilidade de pavimentar a avenida de Sidónio Pais
Quando olharam pela primeira vez para o edifício do antigo Hotel Estoril, pensaram de imediato que seria um desafio para o vosso atelier? Quando nos chegou o pedido do Governo para fazer o edifício, só tínhamos uma fotografia frontal do edifício. Não o tinha visto pessoalmente. Parecia muito interessante trabalhar com ele. Do ponto de vista histórico também? Sim, e o edifício tinha um carácter interessante. Mas quando vimos em detalhe percebemos que era completamente impossível [mantê-lo], porque os pés direitos são muito baixos, a estrutura não está em condições. O alçado fica para que a memória do edifício se mantenha, e o grande mural. Decidimos que estaria melhor lá dentro do que no alçado exterior. Lá dentro tem mais condições para se manter mais tempo, para que não se deteriore tão depressa. E também pode ser interessante no átrio, que vai ser bastante alto. Será sempre visível do exterior. Desde o início deitar fora o mural não era uma opção. Nunca foi uma hipótese. Podia mudar, mas o mural tinha de ser mantido. A segunda hipótese era ficar no alçado do edifício, mas assim que se demolir o edifício por detrás será quase impossível manter o alçado porque não tem muita qualidade. Como é de betão achamos melhor refazer o alçado com um material parecido, modernizando-o.
Grande parte do edifício será, portanto, demolido. Exacto. Essa foi uma das decisões que se tomou logo
“Os detalhes da equipa ainda estão sob avaliação do Governo de Macau, mas [a participação de Carlos Marreiros] está fora de hipótese.”
no início. Por exemplo, a parte detrás do edifício é completamente irrecuperável, está num nível que não é compatível com uma biblioteca. Os pés direitos não têm mais do que 2,7 metros, é quase habitação. A presidente do Instituto Cultural disse que o vosso edifício irá “ultrapassar a imaginação do público em relação às bibliotecas tradicionais”. De que forma é que pretendem marcar
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mas no Japão, por exemplo. As bibliotecas mudaram um bocado. Quando há problemas sociais, de isolamento, as bibliotecas passaram a ter um comportamento social pró-activo. Havia o bibliotecário atrás da sua secretária, só. Aqui a biblioteca em Delft, devido aos seus funcionários, foi considerada a melhor do mundo durante vários anos. Porque são funcionários muito diversificados, pessoas que vieram da rádio, da televisão. É um grupo muito dinâmico, com muitos voluntários. Esse é um comportamento social e a arquitectura apenas ajuda a fazer isso. A equipa tem de ser treinada e já percebi, pelas pessoas com quem tenho falado para este projecto, que são pessoas jovens e dinâmicas. Se lhes dermos a arquitectura certa podem tirar partido disso. A praça do Tap Siac, com a calçada portuguesa, também vos inspirou? Sim. Uma das coisas que nos interessava é que o edifício conferisse coerência a toda a praça, algo que o edifício do Hotel Estoril já fazia. Não queríamos mudar muito isso. Um dos problemas que temos neste momento, e que é difícil de resolver, é que há uma rua que passa entre a biblioteca e a praça [avenida Sidónio Pais] que corta um pouco essa possibilidade de relação com a praça. Seria melhor que se pavimentasse toda a rua, algo que talvez se possa propor nos próximos estudos que vamos fazer.
a diferença em relação ao conceito de biblioteca como o conhecemos? Trabalhamos com bibliotecas há cerca de dez anos. Um dos projectos mais famosos é em Delft, onde está o nosso escritório, que é uma biblioteca da universidade. É bastante diferente de uma biblioteca pública. Depois fizemos a biblioteca de Birmingham que está numa condição parecida com esta, numa praça principal. [Tínhamos a ideia de] bi-
“Surpreendeu-nos o custo da construção em Macau. São valores mais altos do que na Holanda. Estamos a fazer a biblioteca de Nova Iorque e os valores são quase comparáveis.”
bliotecas muito silenciosas, um local que não é dinâmico e que só oferece livros. A ideia é que esta biblioteca se integre com a vida da praça o mais possível e que não tenha apenas livros, mas onde se possa ver um filme ou ir a uma conferência. Se decidir só tomar um café, será um bom café. Chamamos de “live Internet”, em que a pessoa vai ver uma coisa, mas tem outras expostas. E será sobretudo um disseminador físico de cultura. As
bibliotecas, sobretudo nos países nórdicos [da Europa] servem também o público. Macau é um território na Ásia, mas com a presença da cultura portuguesa. Pretendem trazer essa modernidade da Europa, uma nova visão da arquitectura? Não é tanto a arquitectura que impacta. O que vai impactar é a função da biblioteca. Isso passa-se não apenas nos países nórdicos,
Além do mural, o vosso projecto também tem outros elementos históricos, como um mosaico. E com o desenvolvimento do projecto ainda poderemos preservar mais. Queremos que haja um diálogo entre um edifício antigo e moderno. Tem de se contar uma história também, e quantos mais bocadinhos da memória do Hotel Estoril conseguirmos recuperar, melhor. Este projecto esteve envolvido em várias polémicas, incluindo a retirada de um convite a Siza Vieira, ou as críticas face à pouca participação de arquitectos locais. Quer comentar? Ainda falta discutir esses detalhes com o Governo, mas a nossa equipa terá arquitectos locais. Trabalhamos sempre com locais fora da Holanda, precisamos do know-how
do arquitecto local. Falta também discutir a equipa de engenharia. Está totalmente assegurada a participação dos locais. Alguns arquitectos já têm uma certa idade e não estavam interessados em trabalhar connosco, já estão cansados de fazer este tipo de trabalho. Temos contactos com gente mais jovem. Falamos do arquitecto Carlos Marreiros, por exemplo, que viu o seu projecto ser anulado pelo Governo? Não. Temos contacto com ele, mas o arquitecto não está na equipa. Os detalhes da equipa ainda estão sob avaliação do Governo de Macau, mas [a participação de Carlos Marreiros] está fora de hipótese. Só temos contacto a nível pessoal.
“A equipa tem de ser treinada e já percebi, pelas pessoas com quem tenho falado para este projecto, que são pessoas jovens e dinâmicas. Se lhes dermos a arquitectura certa podem tirar partido disso.” O orçamento é de 500 milhões de patacas. Espera que possa ser mantido? Sim, apesar de nos ter surpreendido o custo da construção em Macau. São valores mais altos do que na Holanda. Estamos a fazer a biblioteca de Nova Iorque e os valores são quase comparáveis, e é talvez o sítio do mundo onde é mais caro construir. Não entendemos bem porque é que isto acontece em Macau. Estamos habituados a trabalhar na China onde os custos de construção não são tão altos. Temos projectos em Shenzhen e os custos não são tão disparatados. Andreia Sofia Silva
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ESTUDO MAIS DE METADE DOS TRABALHADORES COM LICENÇA SEM VENCIMENTO
Uma outra realidade
Segundo um estudo da FAOM, nos últimos três meses 56 por cento da força trabalhadora de Macau esteve sujeita a licença sem vencimento. Segundo os números oficiais, o número do subemprego é de 5,4 por cento
M
AIS de metade das pessoas empregadas em Macau nos últimos três meses, 56 por cento, esteve sujeita a licenças sem vencimento, de acordo com os resultados de um estudo revelado ontem pela Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). As conclusões foram feitas com base em 594 inquéritos, que tiveram como principal foco o sector do jogo, restauração, hotelaria, transportes e comunicações.
“Alguns dos operários viram os seus rendimentos mensais caírem para metade ou mesmo um terço.” LAM LON WAI DEPUTADO
Para Lam Lon Wai, deputado da associação eleito pela via indirecta, os números mostram que o prolongamento da crise, que começou em Fevereiro do ano passado, está a afectar muitos trabalhadores e revela a necessidade de intervenção do Governo. “A pandemia decorre há um ano e muitos funcionários foram afectados. No início ainda achávamos que a pandemia ia ter uma
duração curta. Mas, ao fim de um ano, verificamos que foram muitos os operários que sofreram um grande impacto com as licenças sem vencimento”, disse Lam Lon Wai, ao HM.
Ainda de acordo com os resultados, os 56 por cento com licenças de vencimento viram os seus rendimentos afectados entre 10 e 15 por cento, durante a pandemia. Ao mesmo tempo,
O
deputado Lei Chan U quer saber se o Governo vai começar a definir uma quota de trabalhadores locais para as obras de construção públicas. A pergunta é colocada numa interpelação escrita, em que o legislador da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) se mostra preocupado com o facto de no início do mês terem aparecido 400 trabalhadores locais à procura de emprego na Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). “Será que o Governo vai estipular nos cadernos de
encargos das futuras obras públicas uma proporção de trabalhadores locais, além da medida de exigir que as empresas sejam de Macau?”, pergunta Lei Chan U, num documento revelado ontem. A questão é levantada na sequência do anúncio que o Executivo vai gastar 18,5 mil milhões de patacas este ano em obras públicas, para promover a economia. Contudo, Lei Chan U está preocupado que o dinheiro não chegue aos locais, porque não há uma quota que obrigue à contratação de
um determinado número de trabalhadores. Por outro lado, o deputado indica que entre as pessoas à procura de emprego, cerca de 61 por cento tem mais de 55 anos, uma idade em que as perspectivas profissionais em termos de novas oportunidades ficam mais restringidas. Por esse motivo, o deputado quer também saber que mecanismos vão ser criados para que os trabalhadores locais sem formação específica possam ser requalificados e assumir posições mais especializadas no sector da construção.
SOFIA MARGARIDA MOTA
OBRAS LEI CHAN U QUER QUOTAS PARA LOCAIS
20 por cento dos afectados afirmou que devido aos cortes nos rendimentos ficaram mesmo sem capacidade para fazer face a todas as despesas mensais. “Alguns dos operários viram
os seus rendimentos mensais caírem para metade ou mesmo um terço”, revelou Lam. Devido a este cenário, os deputados da FAOM, Lam Lon Wai, Ella Lei, Leong Sun Iok e Lei Chan U vão hoje à Direcção dos para os Assuntos Laborais com vários trabalhadores despedidos apresentar queixa.
Mais apoios
O número dos 56 por cento inclui não só as licenças sem vencimento, mas também os funcionários dos casinos que tiveram direito a um programa em que se tirassem por sua iniciativa um dia de licença sem vencimento recebiam outro dia pago, em que não precisavam de trabalhar. Por outro lado, entre os trabalhadores sujeitos a licenças sem vencimento, 35 por cento ficaram entre 8 e 15 dias por mês sem trabalhar, nem receber salário. Ao mesmo tempo, 93 dos inquiridos dizem que o regime de licenças sem vencimento deve continuar pelo menos durante os próximos três meses. Segundo os dados mais recentes do Governo, entre Setembro e Novembro de 2020 a taxa de desemprego foi de 2,9 por cento, enquanto a taxa de subemprego, onde constam os números das licenças sem vencimento, foi de 5,4 por cento. Além da situação dos trabalhadores, o inquérito abordou a possibilidade de haver mais apoios sociais do Executivo. De acordo com os resultados, 87,54 dos inquiridos querem uma terceira ronda do cartão de consumo, e 59,93 por cento esperam que o cheque pecuniário seja atribuído antecipadamente. Houve ainda 32,32 por cento a pedir que o Governo lance mais medidas para aliviar as despesas das famílias, com redução de impostos e mais programas de requalificação de carreiras subsidiados. Nunu Wu • João
Santos Filipe
Galaxy Trabalhadores lesados ao receber indeminização
A Associação de Bem-Estar Social de Macau entregou ontem uma carta ao Chefe do Executivo onde pede que seja dado acompanhamento ao caso de 14 trabalhadores do estaleiro das obras de expansão do Galaxy que não foram correctamente indemnizados após terem sido despedidos em Julho do ano passado. De acordo com o canal chinês da TDM-Rádio Macau, os trabalhadores são todos residentes Macau, sendo que, no início da relação laboral, foram levados a assinar um contrato onde constava uma função diferente daquela que iriam desempenhar. Segundo revelou o presidente da associação, Leong Seak, tendo em conta que, o rendimento salarial diário entre dois empregos tinha uma diferença de 100 patacas, estima-se que os trabalhadores tenham sido lesados em milhares de patacas. Leong Seak sublinhou ainda que os trabalhadores em questão ainda se encontram desempregados, não tendo ainda obtido resposta da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL).
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LUSA
Os membros de Macau da Assembleia Popular Nacional defendem que as ferramentas de comunicação do Governo, como gabinetes de comunicação ou redes sociais, devem regular “as formas de discurso” e “os conteúdos publicados”. Por outro lado, a proposta apresentada por Dominic Sio, Lok Pok, Ho Sut Heng, Iong Weng Ian e Lai Sai e Kei defende que os órgãos de comunicação governativa do Interior devem promover mais interacção com as congéneres de Macau, para estabelecer uma maior uniformização.
O
Chefe do Executivo disse que apoia as mudanças no sistema eleitoral em Hong Kong, um projecto de decisão da Assembleia Popular Nacional (APN). As declarações foram proferidas à televisão estatal CCTV no domingo, antes de regressar a Macau depois de participar nas reuniões magnas do Partido Comunista Chinês. “A alteração do sistema eleitoral em Hong Kong é muito importante, pelo que nós, enquanto Região Administrativa Especial de Macau, também emitimos imediatamente uma declaração. Apoiamos inteiramente as alterações e decisões relevantes do (...) mais alto órgão do poder estatal, que tem este poder e responsabilidade de fazer o seu trabalho para o desenvolvimento constitucional das nossas duas regiões administrativas especiais”, disse. No plano mais alargado, Ho Iat Seng defendeu que a base da educação em Macau e Hong Kong tem de ser patriota para não ser influenciada pelo estrangeiro.
Com o devido agradecimento Ho Iat Seng apoia alteração do sistema eleitoral de Hong Kong
GCS
APN Pedida comunicação uniformizada
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Ho Iat Seng, Chefe do Executivo “Apoiamos inteiramente as alterações e decisões relevantes do (...) mais alto órgão do poder estatal, que tem este poder e responsabilidade de fazer o seu trabalho para o desenvolvimento constitucional das nossas duas regiões administrativas especiais.”
Por essa razão, frisou, o Governo da RAEM tem vindo a reforçar a educação do "patriotismo e amor por Macau" desde a infância.
Segurar o país
Já durante as sessões em Pequim, o Executivo di-
vulgou um comunicado a declarar o apoio à medida aprovada pela APN. “Sob a liderança do Governo Central, a RAEM tem promovido, gradualmente, o desenvolvimento do sistema político democrático, de acordo com a
Constituição da República Popular da China e a Lei Básica da RAEM, estabelecendo regimes eleitorais do Chefe do Executivo e da Assembleia Legislativa que correspondam às realidades de Macau, no sentido de salvaguardar
(…) o exercício do direito democrático da população, facto que veio criar uma conjuntura favorável a ‘Macau governado por patriotas’, bem como garantir que a implementação do princípio ‘um país, dois sistemas’ avance sempre na trajectória correcta.” O Chefe do Executivo mencionou também o empenho na defesa da segurança nacional, algo que caracterizou ao órgão de comunicação oficial como prioridade e um dos mais importantes objectivos do Governo da RAEM. “Já estabelecemos as leis de segurança nacional relevantes desde 2009 e concluímos as nossas leis em conformidade com o Artigo 23 da Lei Básica. Isto é 'patriotismo e amor por Macau', defendeu. João Luz com LUSA
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CONVOCATÓRIA AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1. Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 <<Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes.
Nos termos e para os efeitos do artigo 14° dos Estatutos, é por este meio convocada a Assembleia Geral Ordinária da TRANSMAC – TRANSPORTES URBANOS DE MACAU, S.A.R.L., matriculada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis de Macau sob o n.° 3053, a fls. 164 do livro C-8, para se reunir no dia 29 de Março de 2021, pelas 11 horas, na respectiva sede social, sita em Macau, na Avenida da Amizade, n.ºs 918, Edifício “World Trade Centre Macau”, 09.º andar,com a seguinte ordem de trabalhos: 1.
Localização dos terrenos: - - - -
Rua da Ribeira do Patane, n.ºs 1 e 3, Avenida de Demétrio Cinatti, n.ºs 40 e 41 e Travessa da Guelra, n.º 6, em Macau; Travessa do Bom Jesus, n.ºs 4 a 4H, em Macau, (Edifício Veng Fu San Chun); Avenida do Almirante Lacerda, n.º 15 e Avenida Marginal do Patane, n.ºs 332 a 340, em Macau, (Edifício San Lei); Travessa Marginal do Lam Mau, n.ºs 15 a 31, Avenida Marginal do Patane, n.ºs 331 a 339 e Rua Marginal do Lam Mau, n.ºs 330 a 342, em Macau (Edifício Yoho City Center) - Avenida do Almirante Lacerda, n.ºs 23 a 25C e Avenida Marginal do Patane, n.ºs 360 a 380, em Macau, (Edifício Long Ut Koi); - Rua Marginal do Lam Mau, n.ºs 358 a 388, Avenida Marginal do Patane, n.ºs 359 a 375 e Travessa Marginal do Lam Mau, n.ºs 12 a 28, em Macau (Edifício Long Hou Fong); - Avenida do Almirante Lacerda, n.ºs 39A a 39C e Avenida Marginal do Patane, n.ºs 438 e 442, em Macau, (Edifício Kam Seng Garden); - Avenida do Almirante Lacerda, n.ºs 95 e 95A, em Macau (Edifício Veng Lei) - Avenida do Almirante Lacerda, n.ºs 97C e 97E, em Macau (Edifício Veng Seng); - Avenida do Almirante Lacerda, n.ºs 129F e 129FA, em Macau (Edifício Pak Tat); - Avenida do Almirante Lacerda, n.ºs 129H e 129HA, em Macau (Edifício Hong Kuan); - Avenida do Almirante Lacerda, n.ºs 165A a 165C, em Macau (Edifício Va Tou); - Estrada da Areia Preta, n.ºs 42D a 44N, Avenida de Venceslau de Morais, n.ºs 92 a 122 e Rua das Indústrias, n.ºs 12 a 32, em Macau, (Edifício Lei Seng Kok – Lei Fung Kok – Lei Tim Kok); - Rua Norte do Canal das Hortas, n.ºs 118 a 136 e Travessa do Canal das Hortas, n.ºs 5 e 11, em Macau, (Edifício Pensão Jin Jiang); - Rua do Almirante Costa Cabral, n.ºs 21 a 21B, em Macau, (Edifício Va Chao); - Rua da Madre Terezinha, n.ºs 2F a 2H e Beco dos Pássaros, n.ºs 5 e 5A, em Macau, (Edifício Fok Veng Lau). 2. Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situada no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Serviços da RAEM das Ilhas, para os efeitos do respectivo pagamento. 3. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 29 de Janeiro de 2021.
O Director dos Serviços de Finanças Iong Kong Leong
2. 3.
Considerar e aprovar o relatório do Conselho de Administração, as contas auditadas, a utilização do excedente e a opinião do Comitê de Fiscalização no exercício findo em 31 de dezembro de 2020; Reeleger Conselho de Administração; Resolução de outros assuntos de interesse da sociedade.
Macau, aos 4 de Março de 2021 A Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Liu Hei Wan
Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental do Governo da Região Administrativa Especial de Macau AVISO DE RECRUTAMENTO Para 3 lugares de técnico superior de 2.ª classe, 1.º escalão (área de engenharia civil) (Ref. do Concurso n.º: TSEC-001-DSPA/2021) Faz-se público que, por despacho do Exmo. Senhor Secretário para os Transportes e Obras Públicas, de 26 de Fevereiro de 2021, se encontra aberto o concurso de avaliação de competências profissionais ou funcionais, externo, do regime de gestão uniformizada, para o preenchimento de três lugares de técnico superior de 2.ª classe, 1.º escalão, da carreira de técnico superior, área de engenharia civil, em regime de contrato administrativo de provimento da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, e dos que vierem a verificar-se nesta Direcção de Serviços até ao termo da validade do concurso. Para mais informações queiram consultar o aviso de abertura do concurso, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, n.º 10, II Série, de 10 de Março de 2021, ou consultar a página electrónica desta Direcção de Serviços: www.dspa.gov.mo e dos SAFP: http://www.safp.gov.mo. O Director, Tam Vai Man 2 de Março de 2021
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RÓMULO SANTOS
PEARL HORIZON PEDIDOS PRAZOS DE HABITAÇÕES PARA TROCA
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UNESCO “O Centro do Património Mundial (…) irá rever o conteúdo das informações enviadas, consultando, para o efeito, as autoridades estatais da China e solicitando os seus comentários.”
COLINA DA PENHA UNESCO RESPONDE À NOVO MACAU E PROMETE ACOMPANHAMENTO
Monte dos vendavais
A directora do Centro do Património Mundial da UNESCO, Mechtild Rössler assegurou que irá ter em conta as informações partilhadas pela Novo Macau para interceder junto das autoridades chinesas acerca do corredor visual da Colina da Penha
E
M resposta a uma carta enviada pela Associação Novo Macau (ANM) em Janeiro, a directora do Centro do Património Mundial da UNESCO, Mechtild Rössler garantiu ter “tomado as notas devidas” sobre as preocupações apresentadas relativamente ao corredor visual da Colina da Penha e que será dado seguimento às diligências junto das autoridades envolvidas. “O Centro do Património Mundial (…) irá rever o conteúdo das informações enviadas, consultando, para o efeito, as autoridades estatais da China e solicitando os seus comentários em linha com as Orientações Técnicas para Aplicação da Convenção do património Mundial”, pode ler-se na resposta da UNESCO, datada de 4 de Março. Recorde-se que o caso diz respeito à aprovação de dois projectos na Zona C do Lago
Nam Van, que preveem alturas máximas entre 34,1 e 50,8 metros para dois edifícios judiciais que, a ANM receia que possam vir a bloquear os corredores visuais entre a Colina da Penha e a zona marítima da Ponte Nobre de Carvalho, destruindo a paisagem “colina-mar-cidade” da região. De acordo com a mesma resposta, a informação providenciada pela ANM será igualmente revista pelos órgãos consultivos do Centro do Património Mundial da UNESCO e tida em conta na preparação dos documentos para a 44ª sessão do Comité do Património Mundial, que terá lugar nos próximos meses de Junho e Julho em Fuzhou, China. O documento assinado por Mechtild Rössler acrescenta ainda que a UNESCO mantém contactos próximos com a Administração Estatal de Património Cultural da China, “tendo em conta o estado
de conservação da propriedade” e as decisões tomadas pelo Centro do Património Mundial.
Zona de batalha
Desde que o Governo mostrou intenção de construir os dois edifícios na Zona C, a Novo Macau manifestou, por diversas vezes, oposição ao plano, apontando que o Executivo não revelou o relatório de avaliação de impacto paisagístico, dados de investigação e que o mesmo carece de apoio popular. Na carta enviada à UNESCO, a associação assinalou que, as informações relativas aos planos urbanísticos e à reclamação de terras, deveriam ter sido submetidas pelo Governo antes da aprovação do Plano Director. No dia em que os dois projectos foram levados ao Conselho do Planeamento Urbanístico, o vice-presidente da Novo Macau,
Rocky Chan, recordou que, das mais de 100 opiniões que o público endereçou formalmente às autoridades durante o período de consulta pública, apenas uma foi favorável. “Desde que o Governo apresentou os dois projectos (…) tentámos tudo o que estava ao nosso alcance para que o Executivo ouvisse a vontade da população”, disse na altura. A Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) já emitiu, entretanto, as duas plantas de condições urbanísticas (PCU) dos projectos em questão, assinalando que, após análise, o Instituto Cultural (IC) assegurou que o plano “não altera a configuração do espaço urbano de Macau” e que, a vista da principal área do mar a partir do Miradouro da Capela de Nossa Senhora da Penha em direcção à Taipa será mantida. Pedro Arede
HENG Anting quer saber quando é que os proprietários de fracções do empreendimento Pearl Horizon vão poder mudar-se para as casas que estão a ser construídas pelo Governo. A questão consta de uma interpelação oral divulgada ontem e que deverá ser discutida na Assembleia Legislativa nos próximos meses, dependendo do agendamento do presidente Kou Hoi In. Na interpelação, o deputado recorda que os proprietários do empreendimento que ficou por construir passaram por “vários anos de tortura” e que em 2019 foi prometido que as obras ficariam concluídas dentro de três anos. No entanto, o legislador mostra-se preocupado porque “já se passaram dois anos desde a apresentação do projecto” e “não foi avançada qualquer obra no lote em causa”. Além da questão, o deputado ligado à comunidade de Jiangmen apela assim para que o “Governo compreenda a ansiedade e acelere a construção da habitação para troca”. Por outro lado, quer também saber quando a empresa de capitais públicas Macau Renovação Urbana vai apresentar os resultados do estudo feito em sete edifícios no Iao Hon. Este trabalho tinha como objectivo perceber as necessidades dos residentes em termos de habitações temporárias, quando for altura de renovar os prédios em questão. Anteriormente, na Assembleia Legislativa, o presidente da empresa, Peter Lam, afirmou que a maioria das casas estudadas se encontram arrendadas. J. S. F.
Taipa Recupera terreno ocupado ilegalmente
O Governo recuperou ontem um terreno na Estrada Lou Lim Ieok, na Taipa, que estava ocupado ilegalmente e que incluía um lote que tinha estado concessionado. Segundo o comunicado das Obras Públicas no terreno “encontravam-se várias barracas de zinco, tapumes e vedações metálicos, diversos materiais”, entre outros objectos. Além de ter procedido à desocupação do terreno, as autoridades vedaram a área e colocaram um aviso a explicar que a ocupação por terceiros é proibida.
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DESPORTO GOVERNO REDUZ NÚMERO DE GRANDES EVENTOS DEVIDO A PANDEMIA
Pouca parra e pouca uva
A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) afirmou ontem que, entre Novembro do ano passado e Janeiro último, o índice global de preços da habitação caiu 0,4 por cento em comparação com o período transacto entre Outubro e Dezembro de 2020. A evolução foi assimétrica entre Macau e Ilhas, com os preços na península a descerem 0,5 por cento, enquanto na Taipa e Coloane se mantiveram semelhantes. No que diz respeito às habitações já construídas, o índice de preços baixou 0,2 por cento. Neste segmento de mercado, Macau voltou a registar quebras de 0,5 por cento, enquanto na Taipa e Coloane os índices subiram 1 por cento. Tendo em consideração o ano de construção, as habitações com mais de 20 anos registaram uma diminuição de 0,8 por cento do índice de preços, enquanto o escalão entre 6 e 10 anos de construção cresceu 1,4 por cento. Os imóveis ainda em construção caíram no índice de preços de 0,2 por cento durante o período analisado pela DSEC.
Crime Detido suspeito por roubar jóias em casa na Penha
No passado domingo, a Polícia Judiciária (PJ) deteve um homem suspeito de roubar duas peças de joalharia no valor de 22 mil patacas, de uma habitação localizada na Estrada da Penha. Segundo a PJ, concretizado o assalto, o indivíduo foi detido, após o táxi em que seguia ter sido interceptado junto da residência. O homem ainda tentou fugir, mas sem sucesso, ao contrário do condutor do veículo que ainda está a monte. Iniciada a investigação, a polícia concluiu que, tanto as marcas das solas dos sapatos encontradas na habitação, como as jóias descritas pela vítima, correspondiam ao vestuário e aos bens que estavam na posse do detido. O suspeito é oriundo do Interior da China e tem 23 anos. O caso seguiu para o Ministério Público (MP), onde irá responder pelo crime de roubo agravado.
Ilha da Montanha Iniciadas obras no Novo Bairro de Macau
As obras do projecto do Lote 1 do Novo Bairro de Macau, na Ilha da Montanha, já foram iniciadas e as tubagens e acessos estão concluídos. Segundo o jornal Ou Mun, o Lote 1 do Novo bairro de Macau está a cargo do Grupo de Construção Yijian da Província Zhejiang, após o contrato de empreitada ter sido assinado com a empresa Macau Renovação Urbana a 8 de Janeiro. O lote em causa corresponde à parte norte do projecto, com uma área de cerca de 310 mil metros quadrados, incluindo 14 prédios, e um valor de construção de 1,667 mil milhões de patacas.
PAVILHÃO DE MONG HÁ NO FINAL DO ANO
RÓMULO SANTOS
Habitação Preços caíram entre Novembro e Janeiro 0,4 por cento
Pun Weng Kun, presidente do ID “Esperamos que tudo corra bem e que em Novembro haja maior estabilidade em termos da pandemia, para organizar de forma adequada o Grande Prémio de Macau.”
O Executivo sublinha intenção de organizar o Grande Prémio de Macau, confirma negociações com a Federação Internacional do Automóvel (FIA), mas admite que há desafios relacionados com a evolução da pandemia no exterior
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PESAR do objectivo declarado de organizar um grande evento desportivo por mês, a pandemia obrigou a uma meta mais modesta, que vai resultar na organização de apenas cinco, em vez de doze. O cenário foi traçado ontem pelo presidente do Instituto do Desporto (ID), Pun Weng Kun, após uma reunião do Conselho do Desporto. “No final do ano passado, de acordo com as orientações recebidas para organizar mensalmente um grande evento, fizemos as nossas preparações. Mas, como no Inverno houve diferentes desenvolvimentos da pandemia, fomos forçados a reduzir em cerca de 50 por cento os grandes eventos, o que faz com que sobrem apenas cinco”, disse Pun Weng Kun. Segundo os planos actuais, no próximo mês vai decorrer a corrida de 10 quilómetros,
depois, em Junho, a RAEM volta a receber a corrida de Barcos-Dragão. Posteriormente, e até ao final do ano, vão ainda decorrer a Maratona Internacional, o Grande Prémio de Macau, e o Torneio de Ténis de Mesa. “Estamos a manter conversações sobre estes eventos e esperamos que possa haver um bom contacto com as federações internacionais”, acrescentou.
Grande Prémio com dúvidas
Um evento que ainda levanta muitas dúvidas, apesar da vontade e confiança na organização, é o Grande Prémio de Macau. De acordo com o calendário definido pelo Conselho Mundial da FIA, a corrida de Fórmula 3 está agendada para 21 de Novembro, mas a confirmação está dependente do “contrato com o promotor”, ou seja, com o Governo local.
Face a estes desenvolvimentos, Pun Weng Kun confirmou as negociações, mas admitiu que a pandemia vai ser um condicionamento. No ano passado, apesar de haver um regime especial para as equipas e participantes na prova, que permitia que os estrangeiros entrassem excepcionalmente na RAEM, a necessidade de quarentena de 14 dias manteve-se, o que levou ao cancelamento de várias provas internacionais. Desde então, o período de quarentena subiu para 21 dias. Este é um desafio para todos: “Temos mantido conversações para organizar o evento. Esperamos que tudo corra bem e que em Novembro haja maior estabilidade em termos da pandemia, para organizar de forma adequada o evento”, desejou Pun, que também liderada a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau.
João Santos Filipe
O presidente do ID acredita que o Pavilhão de Mong Há pode abrir as portas até ao final do ano. Neste momento, espera-se que as obras fiquem concluídas até Junho. Depois é necessário tratar das formalidades relacionadas com a avaliação da segurança das obras e a obtenção de licenças. Ainda de acordo com Pun Weng Kun, o espaço será dividido entre a prática desportiva do cidadão comum (70 por cento) e provas desportivas e treinos de associações de desporto (30 por cento). Ainda em relação a associações, o responsável deu conta de um corte nos subsídios de 8 a 10 por cento, para 16 milhões de patacas.
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DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE FINANÇAS
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Contribuição Predial Urbana RECLAMAÇÕES
Faz-se saber, face ao disposto no artigo 71.º do Regulamento da Contribuição Predial Urbana, aprovado pela Lei n.º 19/78/M, de 12 de Agosto, com nova redacção dada pelo Decreto-Lei n.º 19/87/M, de 13 de Abril, que, durante o período de 1 a 31 de Março do corrente ano, as matrizes prediais vão ser postas a reclamação dos contribuintes, podendo estes reclamar contra o rendimento colectável fixado para o exercício de 2020. O respectivo impresso é fornecido por estes Serviços, no Edifício “Finanças”, no Centro de Serviços da RAEM e no Centro de Serviços da RAEM das Ilhas, ou ser descarregado através do endereço electrónico www. dsf.gov.mo, podendo, ainda, o pedido de reclamação acima referido ser apresentado através do endereço electrónico desta Direcção dos Serviços. Aos, 5 de Fevereiro de 2021. O Director dos Serviços, Iong Kong Leong
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ESPAÇO ARTIGO DE INVESTIGADOR PORTUGUÊS SOBRE LUAS GELADAS EM DESTAQUE NA NATURE
Mares nunca antes navegados O artigo sobre exploração dos oceanos das luas geladas do Sistema Solar, assinado pelo investigador português que lidera a equipa de astrobiologia da MUST, André Antunes, foi uma das publicações destacadas em 2020 pela revista Nature, na Área da Astronomia. Com as atenções viradas para Marte, o investigador não tem dúvidas que as luas geladas “são o próximo passo da exploração espacial”
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OM os holofotes apontados para as três missões a Marte que estão actualmente a decorrer em simultâneo, a diferentes velocidades, há quem prepare terreno para materializar as próximas paragens da exploração espacial. O artigo intitulado “Experimental and Simulation Efforts in the Astrobiological Exploration of Exooceans”, com co-autoria do investigador português que lidera a equipa de astrobiologia da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST), André Antunes, foi seleccionado pela revista Nature como uma das seis publicações que mais contribuíram para a área da Astronomia em 2020. Originalmente publicado na revista Space Science Reviews, o ar-
tigo traduz o trabalho desenvolvido por uma equipa multidisciplinar e internacional, que colectou estudos experimentais e de modelação de várias áreas científicas ligadas à exploração dos oceanos das luas geladas do Sistema Solar. “O foco do artigo acaba por se reflectir nos esforços de replicação em laboratório ou por via computacional, das condições que existem nestas luas e, esse tipo de trabalho, (…) é muito importante para conseguirmos planear devidamente futuras missões e interpretar os dados que iremos obter destas missões”, explicou André Antunes ao HM. Do ponto de vista científico, apontou o investigador da MUST, o trabalho destacado na publicação, assume uma importância acrescida, dado que “as luas
geladas do Sistema Solar são o próximo passo da exploração espacial”, até porque são locais onde existe água em estado líquido e isso pode significar a possibilidade de encontrar vida. “Tendo em conta a experiência que temos na Terra, pois não conhecemos nenhum outro ponto do Sistema Solar ou do Universo que tenha vida, a existência da água em estado líquido é essencial. Por isso, o facto de encontrarmos sítios no nosso Sistema Solar em que há enormes quantidades de água líquida, gera grande expectativa, numa perspectiva de ser possível existir vida nestes locais”, elucidou o académico. Além disso, explica, investigar as luas geladas é uma tarefa “difícil”, pois, como estão mais afastadas da Terra, “implica toda uma série de condicionantes do ponto de vista técnico” para a sua exploração.
não só de agrupar contribuições de diferentes instituições como a NASA, a Agência Espacial Alemã e colaboradores de outras partes do mundo, como do Japão, mas também de compilar diferentes abordagens importantes para “estimular o diálogo entre disciplinas que geralmente não têm tendência a comunicar muito”. O investigador, também membro do Laboratório de Referência Estatal Chinês para as Ciências Lunares e Planetárias da Universidade Ciência e Tecnologia de Macau (MUST), vinca ainda a relevância que o artigo tem para “colocar Macau no mapa”.
Macau no mapa
André Antunes destaca ainda a visibilidade que a distinção da Nature permite atingir a um nível maior, pois considera que a investigação, por si, “só faz sentido se, de facto, alcançar um número elevado de pessoas e investigadores e for utilizada para alguma coisa”. “Marte está na moda agora, mas são artigos como este que vão marcar o próximo passo da exploração espacial”, acrescentou, frisando que a publicação tem o condão,
“Marte está na moda agora, mas são artigos como este que vão marcar o próximo passo da exploração espacial.” ANDRÉ ANTUNES INVESTIGADOR DA MUST
“Do ponto de vista da MUST e do Laboratório de Referência Estatal Chinês para as Ciências Lunares e Planetárias, este tipo de reconhecimento é muito importante, pois acaba por contribuir e validar o caminho que temos vindo a traçar, que é o de colocar Macau como ponto de referência para a área da Astrobiologia, não só na China, como a nível global”, vincou André Antunes. Questionado sobre a missão chinesa a Marte, Tianwen-1, que se encontra na órbita do planeta vermelho, o investigador referiu que “as expectativas continuam muito altas”, embora a operação esteja a ser gerida de forma “mais cautelosa”, por se tratar da primeira missão chinesa em Marte. Já sobre os moldes como está a decorrer o trabalho de investigação nas plataformas experimentais de Astrobiologia e Cosmoquímica inauguradas em Dezembro de 2020 na MUST, André Antunes revela que devido à pandemia o laboratório está “semi-funcional”. A situação deve-se ao facto de membros estrangeiros da equipa não terem hipótese de vir para Macau. “Obviamente que não baixamos os braços, continuamos trabalhar e a dar o litro e a fazer tudo por tudo para avançar com a investigação”, rematou. Pedro Arede
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Jogo Março com subida de receitas
As receitas brutas do sector do jogo cresceram nos primeiros sete dias de Março cerca de 19 por cento, em comparação com a última semana de Fevereiro, segundo estimativa da consultora Sanford C Bernstein. Os analistas atribuem a subida ao levantamento de restrições fronteiriças a turistas chineses. Durante o mesmo período, projecta-se que o volume das receitas brutas do sector VIP tenha caído entre 2 e 3 por cento, em comparação com a última semana de Fevereiro, enquanto o jogo de massas tem demonstrado subidas progressivas. O relatório semanal da Bernstein calcula que entre 1 e 7 de Março as receitas brutas dos casinos da região andaram perto dos 1,8 mil milhões de patacas, com uma média diária de 257 milhões de patacas. Citado pelo portal Inside Asian Gaming, a consultora prevê que os resultados da primeira semana de Março deste ano sejam 70 por cento inferiores ao mesmo período de 2019, antes da pandemia.
Casinos Contratações caem 86% no quarto trimestre de 2020
As operadoras de casinos contrataram menos 86,6 por cento para o sector das lotarias e outros jogos de aposta, devido ao impacto que a pandemia está a ter em Macau, foi ontem anunciado. “Durante o quarto trimestre de 2020 foram recrutados somente 174 trabalhadores, tendo-se observado uma queda de 86,6 por cento, em relação ao mesmo trimestre de 2019 (1.294 trabalhadores)”, indicou a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), em comunicado. Na mesma nota, a DSEC acrescenta que no final de 2020 existia 56.613 trabalhadores a tempo completo no sector das lotarias e outros jogos de aposta, menos 1.612 que em 2019. Em relação às remunerações, as autoridades apontam também uma diminuição face a 2019: “a remuneração média (excluindo as participações nos lucros e os prémios) dos trabalhadores a tempo completo no sector das lotarias e outros jogos de aposta cifrou-se em 23.440 patacas, menos 4,9 por cento, em termos anuais”.
DIREITO DO JOGO ALERTA PARA “DISCRIMINAÇÃO” EM ALGUMAS PROFISSÕES NO SECTOR
Os pobres bate-fichas
José Miguel Figueiredo e Hugo Luz dos Santos são os autores do livro “Regime jurídico da concessão de crédito para jogo ou aposta em casino - anotado e comentado”, apresentado amanhã na Livraria Portuguesa. Os autores alertam para casos de preconceito com profissões como os bate-fichas ou os troca-fichas, apelando a um maior debate sobre esta área. José Miguel Figueiredo afasta a urgência da revisão da lei
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Livraria Portuguesa acolhe amanhã, às 18h30, o lançamento do livro “regime jurídico da concessão de crédito para jogo ou para aposta em casino - anotado e comentado”, da autoria de José Miguel Figueiredo e Hugo Luz dos Santos. Ao HM, o jurista José Miguel Figueiredo destacou a importância do lançamento desta obra como uma forma de promover uma maior discussão sobre a matéria. “Deveria promover-se um maior debate em torno destas questões, quer da parte do Governo quer de entidades privadas. Macau tem grandes especialistas em direito do jogo e deveria apostar nas pessoas que tem”, referiu. O debate é importante, na visão do jurista, para combater também alguns “preconceitos” em relação a algumas profissões do sector, como os bate-fichas ou os troca-fichas, que trabalham com os junkets. Estas “são muitas vezes cinzeladas pelos tribunais e pela Administração de forma preconceituosa e discriminatória”, lê-se nas notas introdutórias do livro. Para José Miguel Figueiredo, “ainda que o jogo seja a realidade
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do dia-a-dia de Macau há sempre um certo preconceito associado”, daí ser tão importante “analisá-lo de forma crua e descomprometida”.
O jurista, que actualmente é assessor no Ministério da Economia em Portugal, defende que não é urgente rever este regime. “Esta lei é muito importante para o funcionamento dos casinos e a sua sustentabilidade, mas o foco, neste momento, não deve estar nesta lei. Esta lei não dita o futuro do direito do jogo em Macau”, assegurou. “Há sempre uma abertura para fazer revisões. O que nos parece é que não é a maior exigência neste momento mexer neste regime jurídico, que funciona. Claro que é sempre passível de aperfeiçoamento, mas não me parece que não esteja a dar resposta”, acrescentou o jurista. Os autores alertam também, no livro, para “a falta de reflexão e de pensamento científico sobre o direito de Macau e, em particular, sobre o direito do jogo”. “Questio-
“Há sempre uma abertura para fazer revisões. O que nos parece é que não é a maior exigência neste momento mexer neste regime jurídico, que funciona.”
namos como pode a RAEM ter no jogo a base da sua economia e, ao mesmo tempo, dispor de uma tão ligeira e descomprometida reflexão em torno do tema”, frisam.
“Grandes desafios”
Questionado sobre a revisão das licenças, José Miguel Figueiredo disse apenas que “vamos assistir a grandes desafios nos próximos tempos, porque a realidade que tínhamos há um ano é diferente da actual”. “O Governo vai ter de repensar aquilo que tinha pensado há um ano, mas o importante é que tome decisões com base na lei e no interesse público”, frisou. O HM tentou chegar à fala com Hugo Luz dos Santos, que não quis prestar declarações por não ter mais nada a acrescentar às declarações do seu colega neste projecto. A sessão de apresentação começa amanhã às 18h30 e conta com a presença de Jorge Neto Valente, presidente da Associação dos Advogados de Macau. Andreia Sofia Silva
JOSÉ MIGUEL FIGUEIREDO AUTOR
COVID-19 CÓDIGO AMARELO VALE INTERDIÇÃO DE ACESSO A VÁRIOS LOCAIS
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Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus anunciou ontem que quem estiver a cumprir os sete dias de autogestão, obrigatórios após o período de quarentena, fica interdito de entrar em hotéis, centros comerciais, serviços pú-
blicos governamentais, edifícios de imigração, instituições médicas e restaurantes. Durante o período de autogestão, quem o cumpre fica com Código de Saúde a amarelo, o que impede o acesso aos espaços indicados. Além disso, as autoridades sanitárias
denunciaram ontem que alguns estabelecimentos e instituições “não estão a aplicar de forma rigorosa as medidas antiepidémicas, nomeadamente a verificação correcta do Código de Saúde e a medição da temperatura corporal”. Sem especificar casos de
falta de rigor, o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus apelou ao rigor das medidas de controlo em “hotéis, centros comerciais, serviços públicos governamentais, edifícios de imigração, instituições médicas e restaurantes
(especialmente com capacidade para 400 pessoas)”. Apesar da situação epidémica em Macau estar estável, sem transmissões comunitárias há quase um ano, as autoridades recordam que a nível mundial o cenário ainda é crítico e que
nas regiões vizinhas subsistem casos locais de infecção. Como tal, e para evitar risco de focos de propagação, as autoridades reforçam a necessidade de insistir no “uso de máscaras, lavar as mãos com frequência e manter a distância de um metro”. J. L.
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10.3.2021 quarta-feira
A força de um EXPOSIÇÃO “RAÍZES”, DE JÉSSICA LEÃO, REVELA IMAGENS DA ÍNDIA, BUTÃO E SRI LANKA
ACasa Garden acolhe, a partir desta quinta-feira, a exposição de fotografia “Raízes”, de Jéssica Leão. Natural de Goa, Jéssica habituou-se desde criança a viajar pelo sudeste asiático, não só na Índia mas também em países como o Butão ou o Sri Lanka. As imagens destacam sociedades repletas de contrastes e pessoas cuja força se reflecte no olhar
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AÍZES”, de Jéssica Leão, é a nova exposição de fotografia patente na Casa Garden até ao dia 12 de Abril. A inauguração acontece esta quinta-feira, dia 12. A mostra revela 79 fotografias que foram sendo captadas por Jéssica Leão ao longo de 30 anos em países como a Índia, Butão e Sri Lanka. Natural de Goa, Jéssica foi fotografando pessoas, animais e lugares destas regiões, onde contrastam diferentes nações e culturas. Sempre de máquina na mão, percorreu lugares mágicos “do sossego de Pondicherry à caótica cidade de Bombaim, dos desertos do Rajastão às montanhas do Ladakh, passando pelas igrejas brancas e coqueiros de Goa e descendo aos vales do Butão …”. Ao HM, Jéssica Leão confessou que estas imagens são o resultado não apenas de uma ligação familiar mas também da paixão que tem pela Índia
e pelas suas gentes. "Tenho uma grande atracção pelo país, pelo Sri Lanka. Ao Butão só fui uma vez mas também me identifiquei imenso com o país.” No Butão, onde esteve em 2012, Jéssica deparou-se com um país parado no tempo. “Foi uma experiência única porque é um país lindíssimo, com gentes espectaculares. São pessoas reservadas mas calorosas. Vê-se que há ali uma vivência muito genuína, não se vê muita interferência de coisas modernas, os miúdos com telemóveis. Vêem-se as pessoas nos jogos tradicionais, nas conversas, nos campos, é ainda um país muito genuíno. Está parado em um certo tempo, e isso encantou-me.” Foi a própria Jéssica Leão que fez a selecção das imagens que integram esta mostra, não conseguindo destacar apenas uma. “Todas as imagens são especiais porque reportam a uma viagem, a um sítio, a um momento. O que sobressai mais são as pessoas, os olhares, a intensidade que as
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m olhar “Todas as imagens são especiais porque reportam a uma viagem, a um sítio, a um momento. O que sobressai mais são as pessoas, os olhares.” JÉSSICA LEÃO
pessoas na Índia mostram nos seus olhares, naquilo que nos conseguem transmitir só com isso. É isso que me fascina na Índia, o poder do olhar. E tenho algumas fotografias que transmitem essa força e intensidade.”
Ideia concretizada
Jéssica Leão já tinha pensado em fazer uma exposição com as imagens que foi captando nos últimos anos, mas só quando a Fundação Oriente (FO) fez o convite é que o projecto se concretizou. Ape-
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sar de não fazer da fotografia a sua profissão, Jéssica Leão já fez vários cursos e está sempre com o olhar atrás da lente. “É uma paixão que tenho e que gosto de exercer nos meus tempos livres, sobretudo em viagem. Mas mesmo em Macau gosto de estar sempre a fotografar e estou sempre atenta a pormenores, a luzes, a enquadramentos.” Entre 1990 e 1993 Jéssica Leão frequentou cursos de fotografia na Academia das Artes Visuais de Macau e fez vários workshops. Publicou a sua primeira fotografia em 1993, na Revista Macau, integrada no Festival das Artes de Macau. Em 1995 participou na exposição colectiva "FM2", na Galeria da Livraria Portuguesa de Macau. Também em 1995 integrou a 2.ª Bienal das Artes de Macau. Em 1996, participou na exposição colectiva "Regresso ao Futuro", realizada no Instituto Português do Oriente. Em 1997 volta a integrar o conjunto de artistas da 3ª Bienal das Artes de Macau e, em 2000, participa na exposição "Mostra dos Artistas de Macau", organizada pela Câmara Municipal Provisória de Macau, no Centro de Actividades Turísticas (CAT). Para aqueles que visitarem a exposição, Jéssica Leão espera que “possam sentir um pouco a paixão que tenho pelas pessoas”. “Quem já esteve na Índia vai perceber, mas para quem não foi, gostava que as minhas imagens conseguissem transmitir essa beleza e serenidade que o país transmite a quem viaja por lá. É o contraste entre a alegria e as cores com a pobreza, a tristeza. É tudo muito presente para quem vive e viaja na Índia.” Andreia Sofia Silva
“O Gaudí da linguagem” O Bairro de Gonçalo M. Tavares aplaudido pela crítica em França
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mais extenso projecto literário de Gonçalo M. Tavares, O Bairro, uma série de dez livros, foi publicado em França num só volume e aplaudido pela critica, que classificou o escritor português como “o Gaudí da linguagem”. De acordo com a Relógio d’Água, editora que publica actualmente a obra de Gonçalo M. Tavares e está a reeditar os livros desta série, a edição francesa conta com um prefácio de Mathias Énard, “um dos mais importantes escritores franceses, que escreve que, tal como a Saramago, também a ele lhe apetece bater em Gonçalo M. Tavares”. Publicado com o título Le Quartier, Les Messieurs (“O bairro, os senhores”, em tradução directa), este volume compila os dez títulos da colecção “O Bairro”, cada um dedicado a um “senhor” homónimo de um grande escritor: O Senhor Valéry (ven-
cedor do Prémio Branquinho da Fonseca), O Senhor Henri, O Senhor Brecht, O Senhor Juarroz, O Senhor Kraus, O Senhor Calvino, O Senhor Walser, O Senhor Breton, O Senhor Swedenborg e O Senhor Eliot. Nojornal L’Observateur, Didier Jacob considera Gonçalo M. Tavares “o Gaudí da linguagem” e acrescenta sobre O Bairro: “o grande romancista português trabalha há vinte anos nesta catedral única, onde o único culto prestado é à literatura, e com um humor surpreendente, uma erudição jocosa e uma doçura incomparável”.
Para Gladys Marivat, do Le Monde des Livres, Gonçalo M. Tavares é o “prodígio das letras portuguesas” e o “seu Bairro” é “um dos raros locais onde as restrições devidas ao coronavírus ainda nos permitem viajar”. Christine Marcandier, do Diacritik, considera O Bairro uma “série literária, aventura textual e gráfica”. “Os inclassificáveis e indispensáveis Senhores são uma delícia de ler, um resumo de risos filosóficos, absurdos mas tão lógicos, insolentes de exactidão e ‘charme elegante’, um olhar único sobre a barbárie do mundo contra o qual só a inventividade literária pode lutar”, acrescenta a crítica literária francesa. Na Lire, Bernard Quiriny diz que se trata de “um tributo picante à literatura, como uma micro-utopia de papel para nos protegermos do mundo”, enquanto Augustin Trapenard fala deste “projecto maluco, este mundo de sonho, este bairro maravilhoso de Gonçalo M. Tavares”. “Um bairro muito real, pois fica na cabeceira de Gonçalo M. Tavares”, refere por sua vez Alain Nicolas, em L’Humanité. Gonçalo M. Tavares, nascido em 1970, é um escritor e professor universitário português, cuja primeira obra foi publicada em 2001.
BIBLIOTECAS ACTIVIDADE DE TROCA DE LIVROS PROLONGA-SE ATÉ AO DIA 11 DE ABRIL
O
Instituto Cultural (IC) promove até ao dia 11 de Abril a actividade de troca de livros em todas as bibliotecas públicas. A actividade integra-se na “Semana da Biblioteca de Macau” e tem por objectivo “promover a leitura e de incentivar a criação de amizades, bem como partilhar os recursos entre os amantes da leitura”. Os interessados podem levar as suas colecções de livros às seguintes bibliotecas do IC: Biblioteca Central de Macau, Biblioteca no Jardim Comendador
Ho Yin, Biblioteca Sir Robert Ho Tung, Biblioteca do Patane, Biblioteca do Mercado Vermelho, Biblioteca de Mong Há, Biblioteca da Ilha Verde, Biblioteca de Wong Ieng Kuan no Jardim da Areia Preta, Biblioteca de S. Lourenço, Biblioteca da Taipa, Biblioteca de Seac Pai Van ou Biblioteca de Coloane. Depois de entregarem os livros, os interessados recebem uma ficha classificativa com um carimbo. Nos dias 24 e 25 de Abril poderão, durante os dias de
promoção da “Semana da Biblioteca de Macau”, trocar livros de valor equivalente no edifício do antigo tribunal. Será atribuído um ponto por cada dez patacas, sendo a pontuação dos livros de valor inferior a dez patacas arredondada. Por cada ponto atribuído será colocado um carimbo na ficha classificativa. A pontuação máxima por livro ou colecção é de 100 pontos, enquanto os livros que não têm preço assinalado serão considerados como valendo dez patacas. Não podem
ser trocados livros didácticos, cadernos de exercícios, manuais escolares, revistas, publicações pornográficas, publicações religiosas, banda desenhada, livros sobre tecnologia de informação e periódicos publicados há mais de um ano, livros turísticos publicados antes de 2019, materiais audiovisuais, publicidade, livros e periódicos não originais (que violam os direitos de autor), livros danificados ou sujos, colecções incompletas e livros com inscrições no seu interior.
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O programa, denominado “Código de Saúde contra a Epidemia, versão internacional”, ainda não permite a visualização dos resultados da vacinação e está restrito aos cidadãos chineses
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China lançou ontem uma aplicação móvel que permite aos seus cidadãos mostrar além-fronteiras os certificados de vacinação anti-covid e os resultados dos testes ao novo coronavírus. Trata-se de um miniprograma que pode ser aberto por meio da aplicação móvel WeChat, usada na China como serviço de mensagens instantâneas e carteira digital. Os utilizadores devem indicar o país que pretendem visitar ou a partir de onde retornam. O programa, denominado “Código de Saúde contra a Epidemia, versão internacional”, ainda não permite a visualização dos
COVID LANÇADO CERTIFICADO DIGITAL DE VACINAÇÃO PARA VIAJAR
Trânsito seguro resultados da vacinação e está restrito aos cidadãos chineses. No domingo, o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, anunciou que o país asiático vai emitir certificados de saúde para viajantes internacionais, com o objectivo de “facilitar o trânsito seguro e orde-
CORRUPÇÃO 20.000 CONDENAÇÕES EM 2020
O
número de condenados por corrupção na China caiu em 2020, mas permaneceu alto, com mais de 20.000 pessoas punidas por aquele crime, algumas com pena de morte, segundo um relatório oficial divulgado ontem. Vários quadros do Partido Comunista Chinês (PCC) foram condenados desde que o actual Presidente da China, Xi Jinping, lançou a campanha anticorrupção, que visou as forças armadas, empresas estatais e governos locais. No total, foram realizados 22.000 julgamentos por corrupção,
em 2020, envolvendo cerca de 26.000 pessoas, segundo o relatório do Supremo Tribunal do Povo, entregue aos deputados da Assembleia Nacional Popular, que realiza esta semana a sua sessão plenária. No ano passado, 99,93 por cento dos 53 milhões de réus levados à justiça em processos criminais foram condenados, segundo a mesma fonte. Entre as 26.000 pessoas julgadas por corrupção, a esmagadora maioria foi condenada, mas houve menos 3.000 condenações, em relação a 2019. Nos últimos
12 meses, vários casos envolveram altos funcionários. Zhao Zhengyong, ex-chefe do Partido Comunista Chinês (PCC) na província de Shaanxi, no norte do país, foi punido com pena de morte suspensa por ter aceitado o equivalente a 97 milhões de euros em subornos. Lai Xiaomin, ex-chefe de um fundo de investimento, que acumulou mais de 215 milhões de euros em subornos, foi executado no final de Janeiro. A campanha anticorrupção de Xi Jinping já sancionou pelo menos 1,5 milhões de quadros do PCC.
nado”. No entanto, não se sabe que países ou territórios vão aceitar este novo certificado digital ou se há alguma negociação em curso com outros governos. O epidemiologista-chefe do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da China, Wu Zunyou, disse recentemente que, caso a China não
registe infecções e os Estados Unidos atinjam uma taxa de vacinação de 90 por cento, os dois países poderão retomar as viagens entre si.
Caminho estreito
ano passado, mesmo para muitos estrangeiros que têm autorização de residência no país, à medida que a covid-19 se alastrou pelo mundo. Todos os estrangeiros que viajam para a China devem passar por rigorosas medidas de prevenção contra o vírus. Isto inclui um teste de detecção do coronavírus no país de origem, antes de embarcar no avião, e outro logo à chegada. O recém-chegado tem ainda de cumprir um período de quarentena de pelo menos 14 dias num local designado.
A China praticamente fechou as suas fronteiras em 28 de Março do
ESTAÇÃO LUNAR RÚSSIA E CHINA ASSINAM MEMORANDO
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ÚSSIA e China assinaram ontem um memorando de entendimento para criar uma estação espacial na Lua, segundo a agência espacial russa Roscosmos, depois de Moscovo ter desistido de participar no programa lunar norte-americano Artemis. O documento foi assinado pelo chefe executivo da Roscosmos, Dmitri Rogozin, e pelo director da Administração Espacial Nacional da China (CNSA), Zhang Kejian. A Roscosmos e a CNSA “vão cooperar na criação da base lunar, com acesso aberto a todos os países interessados e parceiros internacionais”, disse a agência espacial russa, em comunicado. O objectivo da Rússia e da China é “fortalecer a interação na pesquisa científica e promover o estudo e uso do espaço para fins pacíficos em benefício de toda a humanidade”.
Em meados de 2020, Rogozin anunciou publicamente que Moscovo tinha desistindo da participação no programa lunar norte-americano Artemis, que contempla o retorno de seres humanos à Lua, em 2024, porque aquele programa se tinha convertido num “grande projecto político”. Rogozin garantiu que a Rússia se opõe à privatização e exploração comercial da Lua, conforme proposto no ano passado pelo
então Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A Rússia, o primeiro país a enviar um homem ao espaço em 1961, planeia lançar uma missão tripulada à Lua a partir de 2031. A China conseguiu um marco histórico, em Dezembro passado, quando a sonda Chang’e 5 pousou no lado visível da Lua, já depois do feito do Chang’e 4, que pousou no lado oculto da Lua, em Janeiro de 2019.
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Aviação Regulador investiga confrontos físicos entre piloto e comissário durante voo
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regulador da aviação civil da China informou ontem que está a investigar relatos de confrontos físicos entre o capitão piloto e o comissário-chefe, a bordo de um voo doméstico realizado no mês passado. AAdministração de Aviação Civil da China disse que leva "muito a sério" o incidente e que está a reunir mais informação. Qualquer incidente que ponha em risco a segurança dos voos é "tratado rigorosamente de acordo com a lei", apontou, em comunicado. A imprensa chinesa informou que a altercação ocorreu durante um voo da companhia aérea DonghaiAirlines, em 20 de Fevereiro. O piloto ficou furioso, depois de sair
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da casa de banho ao deparar-se com um passageiro da primeira classe à espera, do lado de fora. O piloto acusou então o comissário de não cumprir as suas obrigações, por não ter exigido que o passageiro esperasse no seu assento. Os dois envolveram-se então num confronto físico. O comissário acabou por partir a mão e o capitão ficou com um dente rachado, segundo os relatos. O voo partiu de Nantong, na província de Jiangsu, leste da China, com destino a Xi'an, na região oeste, um percurso que demora menos de uma hora. A Donghai Airlines pediu desculpa, em comunicado, e disse que está a rever os protocolos de segurança.
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MPRESAS e cidadãos de Xinjiang processaram o antropólogo alemão Adrian Zenz por "espalhar boatos" sobre o uso de "trabalho forçado" naquela região do noroeste da China, o que causou "perdas económicas", informou ontem a imprensa local. Um comunicado publicado no portal do Partido Comunista Chinês (PCC) em Xinjiang anunciou que a acção civil entrou num tribunal local contra Zenz, especialista em estudos sobre a China da Fundação em Memória das Vítimas do Comunismo, uma organização com sede nos Estados Unidos. Sem detalhar quais as empresas e cidadãos que processaram Zenz, o jornal oficial Global Times indicou que estes exigiram um pedido de desculpas e indemnizações, face às informações "caluniosas" que "causaram grandes perdas económicas às empresas produtoras e processadoras de algodão". Em Setembro passado, o Governo do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump proibiu a importação de certos produtos originários
O preço da calúnia Empresas de Xinjiang processam investigador alemão por “espalhar boatos”
cídio em Xinjiang e, um mês depois, os parlamentos da Holanda e do Canadá aprovaram moções nesse sentido.
Contra-ataque
daquela região, cuja população é maioritariamente muçulmana chineses, alegando que eram fabricados com recurso a trabalho forçado. Washington proibiu especificamente a importação de algodão de Xinjiang, que responde por cerca de 30 por cento da produção chinesa daquele material e, posteriormente, de
Em resposta, a China está a preparar legislação para conter "sanções e intromissões" externas e "enfrentar os desafios impostos por forças estrangeiras", segundo o relatório de trabalho produzido pela Assembleia Popular Nacional, o órgão máximo legislativo da China. Embora os detalhes ainda não sejam conhecidos, a legislação terá como objectivo "neutralizar as sanções que alguns países, incluindo os Estados Unidos, impuseram a autoridades e empresas chinesas, atacando a sua dignidade", segundo o Global Times. Porta-vozes do Governo chinês asseguraram que as acusações de trabalhos forçados são feitas por "forças anti-China" e que os testemunhos dos uigures a viver fora do país constituem uma "ficção".
produtos relacionados com tomate. O Congresso dos Estados Unidos aprovou ainda um projecto de lei que visa impor sanções aos responsáveis pelas alegadas violações dos Direitos Humanos em Xinjiang. Em Janeiro, o Governo de Trump alegou que o Governo chinês está a cometer geno-
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MACAU PASS S.A. Convocatória
ANÚNCIO Concurso Público n.o 001/DHAL /2021 Trabalho de eliminação de mosquitos nas instalações municipais (01.07.2021-31.12.2022) Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais do IAM, concedida no dia 29 de Janeiro de 2021, se acha aberto o concurso público para o “Trabalho de eliminação de mosquitos nas instalações municipais no período de 01.07.2021-31.12.2022”. O Programa de Concurso e o Caderno de Encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo da Divisão Administrativa do Departamento de Apoio Administrativo do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro n.º 163, r/c, Macau, ou descarregados de forma gratuita através da página electrónica deste Instituto (http://www.iam.gov.mo). Se os concorrentes quiserem, podem descarregar os documentos acima referidos, sendo também da sua responsabilidade a consulta de actualizações e alterações das informações na nossa página electrónica durante o período de entrega das propostas. O prazo para a entrega das propostas termina às 12:00 horas do dia 31 de Março de 2021. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo da Divisão Administrativa, e prestar uma caução provisória de MOP 60.000,00 (sessenta mil patacas). A caução provisória pode ser prestada em numerário ou garantia bancária. Caso seja em numerário, a prestação da caução deve ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Assuntos Financeiros do IAM ou no Banco Nacional Ultramarino de Macau, juntamente com a guia de depósito (em triplicado), havendo ainda que entregar a referida guia na Tesouraria da Divisão de Assuntos Financeiros do Instituto, após a prestação da caução, para efeitos de levantamento do respectivo recibo oficial. Caso seja sob a forma de garantia bancária, a prestação da caução deve ser, obrigatoriamente, efectuada na Tesouraria da Divisão de Assuntos Financeiros do IAM. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á na Divisão de Formação e Documentação do IAM (sita na Avenida da Praia Grande, n.ºs 762 a 804, Edf. China Plaza 6.º andar), pelas 10:00 horas do dia 7 de Abril de 2021. Além disso, o IAM realizará uma sessão de esclarecimento que terá lugar às 10:00 horas do dia 15 de Março de 2021 (segunda-feira) na Divisão de Formação e Documentação do IAM.
CONVOCATÓRIA Nos termos do n.º 1 do artigo 14.º dos Estatutos de Matadouro de Macau, S.A.R.L., convoco todos os membros da Assembleia Geral, para reunir no dia 25 de Março de 2021, às 15:00 horas, para a realização da reunião da Assembleia Geral, a ter lugar na sede da Sociedade, sita na Estrada Marginal da Ilha Verde, s/n, Macau. Ordem de trabalhos 1. Deliberar sobre o relatório do Conselho de Administração, do Conselho Fiscal e as contas relativos ao ano de exercício de 2020; 2. Outros assuntos de interesse para a sociedade. Macau, 3 de Março de 2021
www. iam.gov.mo
1. Discussão e deliberação sobre o relatório, balanço e contas e o parecer do Fiscal Único, referentes ao exercício findo em 31 de Dezembro de 2020; 2. Resolução de outros assuntos de interesse da sociedade. Todos os documentos e informações relacionados com os pontos 1.º da agenda, encontrem-se desde já na sede social da Sociedade à disposição dos accionistas para consulta durante o horário de trabalho. Macau, aos 4 de Março de 2021
Aos 10 de Fevereiro de 2021 A Administradora do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais To Sok I
Nos termos e para os efeitos dos artigos 15.º e 16.º dos Estatutos da Sociedade, é por este meio convocada a Assembleia Geral Ordinária da Macau Pass S.A., registada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis de Macau sob o n.º 20621, para se reunir no dia 29 de Março de 2021, pelas 12 horas, na respectiva sede social, sita em Macau, na Avenida da Amizade, n.ºs 918, Edifício “World Trade Centre Macau”, 9.º andar “C” e “D”, com a seguinte ordem de trabalhos:
Presidente da Mesa da Assembleia Geral Zhang Jie
A Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Liu Hei Wan
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ROSA COUTINHO CABRAL
“Os poetas , como os cegos, podem ver no escuro” Jorge Luis Borges
Entrei numa gruta sem saber onde estava. Os gritos do imperador ecoavam de dor, enquanto os seus olhos se derramavavam nas sombras da sua concubina preferida, reminescências daquelas que Platão aprisionara na sua caverna. Simulacros lançados na indefenida coreografia que iria reger o ocidente e o oriente, ao compasso de incertas dramaturgias entre transcendência e imanência. Deitei-me, fechei os olhos e disse para mim mesma: daqui não saio, daqui ninguém me tira. O real ensopado de mil chuvas e corroído por mil vermes ficava de fora. Eu ficava dentro, no lugar onde todo o espaço explodia e se guardava no meu olhar, qual porto onde ancorava um desejo antigo, muito antigo de cinema, antropologicamente antigo e aparelhado pelas mãos de Dédalo. Uma vontade de ver imagens correndo em continuidade e animadas pelo vento. O cinema era o Outro, deste outro tempo anterior que já não estava ao alcance da minha mão, mas do encantatório Rosebud sussurado por Orson Wells, hipnotizando o fundo do meu pathos. Fui afectada pelos ecrãs dos cinemas, viajei por muitas cidades cinematográficas desde Griffith, Lang, Ford, Mizogoushi, Renoir... foram dias felizes. Na verdade as metrópoles mais belas da cartakhôra destes meus contos, são acontecimentos, metamorfoses semânticas, rasgos no céu e no devir. Como os gregos, nada somos se não vivemos numa cidade e, diferentemente deles, o que nos atrai, contemporaneamente, é o desvio do que já aconteceu e nos conduz para mais longe, na direcção de um não acontecido – o horizonte poético da potência. As minhas cidades são erguidas pelos artífices e artesãos da arte e porta voz de uma energia urgente e inadaptada, e as cinematográficas rompem a parede onde estão as sombras, passam para o real e para o sonho de uma sombra, percorrendo a extensa região de Píndaro.
10.3.2021 quarta-feira
Era uma vez uma sombra que fugiu da parede... AURORA, MURNAU -1927
teorias do céu
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Eclipsando a importância da Sagrada Família ou da Casa Milá de Gaudi, as notas em sol triste, que ecoavam num beco, atrairamme como uma fêmea com cio para a cave escura onde Tete Monteliu improvisava ao piano. Connosco o clube ficou com 3, 4 pessoas no máximo, numa total escuridão. Embora o jazz fosse um país que conhecia há muito, e do qual podia desenhar o mapa quase de olhos fechados, lembro-me bem como fiquei emocionada. Tudo o que interessava naquele momento eram as mãos que inquietavam aquelas teclas num misteroso processo, improvisando. É esta a figura do trabalhador que habita as cidades do meu planisfério. O que contraí o síndrome de improvisar como um actor, um músico, um filósofo, e de inventar como um cientista, ensaiar como um pensador... Neste
síndrome, vários sintomas sem causa e sem resposta, disparam, emergem, contaminam as sombras negras daquela cave, revelando um corte, uma inadequação, uma esperança, uma guerra. Suspeitava, claro, da violência com que tudo se arquitectava, o que confirmei nas inúmeras visitas que fiz como viajante, a Brecht, Godard, Viola, onde grandes revoluções foram projectadas. Pouco a pouco, o trabalho das sombras fez de mim testemunha de um passe de magia em que o logos foi conquistado pela imagem, soltando-a agora da black-box e expandindo o que o cinema, afinal, nunca pôde prometer. Por todo o lado, o reflexo narcísico e predador invade territorialmente o mundo, numa expansão imperial sem precedentes, na rede, na white-box dos museus, no teatro,
SEI QUE OS CORPOS TERÃO DE LEVAR PARA LONGE, MUITO LONGE, ESTA CARGA, EM SUBTIS REMEDIAÇÕES DE IMAGENS NESTE MUNDO MEDIAL. MAS NUNCA ESQUEÇO QUE MURNAU AINDA É A CIDADE ONDE ENCONTRO A MAIS BELA E TRISTE AURORA...
nas instalações, nas televisões das casas, nos computadores, nos telemóveis... e, confesso, até tenho medo que a hybris tecnológica mobilizada pela imagem, se torne tão omnipresente que nos possa cegar. Voltei à gruta onde encontro Winona Ryder, imóvel durante 30 minutos, enquanto Bob Wilson ajusta as luzes até a imagem de Dias Felizes desaparecer na escuridão. Fecho os olhos e vejo o último plano de Trás os Montes de António Reis: um homem afasta-se em profundidade na paisagem como se fosse parte de um tempo sem ponteiros. Quem é o outro inventado pelo cinema quando devolve, não a coisa em si, mas a coisa constituída de inesperadas qualidades da mediação? O que muda agora, quando a sombra que se solta da parede continua presente na sua travessia, mesmo quando abandona a projecção numa sala de cinema? Já de partida, e sem resposta, sonho com Diotima que nasce do negror clássico e me traz numa caixinha de berlindes a memória de Eros. Mais do que deus da ligação, ele é aquele que é capaz de tornar visível o que não está ligado, aparelhando tecnicamente a circulação das imagens, transformando-as na mais poderosa carga de afecção do mundo actual. Como ser intermediário, Eros captura o síndrome da visibilidade irreversível, num movimento de sombras nunca visto. Identifica os sintomas num mundo agora prometido aos Maelstrom de Poe, que é preciso, se calhar, preencher com imagens que não eram previsíveis ou que estavam ocultas e desligadas no anterior regime de virtualização do mundo. Imagens que são agora o que nos securiza na grande queda da vida e se soltam e correm em todo o terreno possível. Ao contrário de Platão, que temia que a escrita matasse a memória, eu, afinal, não temo que as imagens ceguem o mundo. Sei que os corpos terão de levar para longe, muito longe, esta carga, em subtis remediações de imagens neste mundo medial. Mas nunca esqueço que Murnau ainda é a cidade onde encontro a mais bela e triste aurora...
quarta-feira 10.3.2021
JOÃO PAULO COTRIM
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HORTA SECA, LISBOA, QUARTA, 3 MARÇO O motorista a mirar-me no retrovisor deve ter pensado, mas nada disse. Talvez tenha aumentado a tolerância aos desvios da normalidade, desde que confinados aos comportamentos da burguesia tele-transportada, bem entendido. Lá ia indo eu de polegares e indicadores a enquadrar com imaginada câmara lambendo as paredes do percurso em longuíssimo travelling. Os olhos da alma das cidades, os acessos aos bens e ao mal, as passagens para o grande circo do gozo, as montras estão todas fechadas. Cada uma com o seu modo de assinalar a suspensão ou o encerramento: o pó, os papéis, os jornais que ainda servem para cobrir e vedar, muros a murmurar um digno volto já ou tão só o abandono do que se lixe. Devia ter continuado às voltas e nem me lembrei da câmara do telemóvel. As realizações na cabeça ficam sempre melhor. A estranheza continuará a marcar o dia assim que as mãos tocam no «Salazar, i w godzinie jego śmierci» (ed. Timof Comics). O grafismo está de tal modo semelhante que parece erro de sintonização, um piparote no cocuruto e talvez aparecesse em húngaro ou russo ou filipino. Ganhou leveza com a troca de papel, mas até prefiro o relato sem brilho. No final, acrescentam-se páginas de tradução e enquadramento de alguns dos materiais de que nos socorremos para evocar momentos concretos, sobretudo jornais, que ainda hoje servem para nos dizer de ontem. O título ganhou o «e» que o aproxima da fórmula da velha oração, ou seja, perdeu o que se pretendia com o «agora, na hora da sua morte». A biografia condensavase no instante derradeiro que o leitor irá desvendando. Ao que se somava a ideia, optimista, bem sei, de sugerir que estava na altura de desligar a assombração permanente do ditador. Ao contrário de outras produções literárias, tardamos a mastigar e digerir a nossa História de maneiras que não sejam apenas este tão contemporâneo quanto
ARTES, LETRAS E IDEIAS
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Nefelibata de trazer por casa redutor agitar de bandeiras ou implodir de estatuária. Insistem depois os editores polacos na tradicional dicotomia entre desenhador e argumentista, que o Miguel [Rocha] e eu sempre recusámos por redutora em relação à complexidade destas parcerias criativas, em que ambos escrevemos com imagens. Vai-se notando alguma evolução, mas se até custa a entender a alguns dos nossos melhores investigadores... Diverteme aqueloutro facilitismo na apresentação da contracapa que coloca a novela «no Top 3 da banda desenhada histórica portuguesa», abrindo-me a curiosidade de saber quais seriam os outros e com que critérios se punham uns em cima dos outros para chegar ao topo. A biografia velha de décadas dá-me como jornalista e deixa-me, como de costume, melancólico, afinal a mais constante das vocações. SANTA BÁRBARA, LISBOA, SÁBADO, 6 MARÇO A parada e resposta do Diário das Nuvens dura há 50 dias. Se soubesse extrair uma raiz do quadrado diria que nunca antes tinha estado tanto tempo a escrever ininterruptamente. Se me ficasse pela leitura FRANCISCO VILHENA
diário de um editor
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faria melhor ao ecossistema, mas perdoe-se o mal que faz pelo bem que (ainda) sabe. Celebrámos a brincadeira com uma antologia em versão lençol que me pôs logo a sonhar com variações na pele de Lisboa: https://abysmo.pt/diario-dasnuvens-de-joao-franciscovilhena-e-joao-paulo-cotrim/ O entusiasmo promete para já variações mais fílmicas, mas a brincadeira tornou-se caso sério. Surgem reacções comoventes, onde cada peça se revela espelho ou consolo. Além da partilha de interesses e trabalhos artísticos em torno destes fascinantes habitantes dos céus. Para celebrar a data redonda atropelei a regra e olhei por breves instantes para o miradouro (junto vai a visão correspondente do João [Francisco Vilhena]). As nuvens também se avistam umas às outras. «Pare, escute, olhe. Na passagem de nível sem guarda que se atravessa, a paragem passou a ser um sexto sentido muito. Nas camadas superiores está posto trânsito dos diabos. As raivas que se condensam em rangentes nuvens dentatas não respeitam nada. Ao passo que as robustas saudades acumulam-se pacientando pela queda do sinal
verde na passadeira vermelha. Os enxames de cristais de gelo circulam indiferentes em contra-mão. Andam praí a cuspir nuvens da boca para fora. Vai daí a locução própria do nível informal atrai cada vez mais praticantes. É vê-los equipados com desvelo a velar zelosamente pela nuvem de palavras. Um toque dá acessos e conta as vezes. Atracção fatal pelo artificial, a dos fazedores de chuva. Uma gaze mais não é senão nuvem feita tecido trocando consolo pela tintura do sangue. E quem chamou nuvem turva à primeva ecografia, primeira Eva?» SANTA BÁRBARA, LISBOA, TERÇA, 9 MARÇO Perto tem morrido gente, mas também alguns nascimentos se anunciam e nisso sopra leveza. Vem grávido este livro cujo lançamento será gravado hoje, mas para acontecer mais adiante no âmbito do Ronda, o festival de poesia de Leiria (o novo normal bem tenta fintar o tempo). Por estar na colecção Mão Dita, por ser poesia, além do primeiro neste «famigeradano», abre ainda janelas primaveris no coração pesadote da abysmo. «Cordão», de Ana Freitas Reis, com capa de Eugénia Mussa, diz como quem dança que o corpo «é um evento apaixonado» e que faz parte do mistério, que a mulher não abdica do seu papel principal, que ainda há lugar para o espanto e o assombro, que Deus faz parte da fauna e flora, que a investigação maior do mundo só pode ser feita pela palavra, ainda que condenada ao fracasso. Canta ainda muita música. Transbordemos portanto, que nem «Pégaso»: «Só o que gera salva / E tudo o que nasce deixa buraco,/ o fino corte da beleza.// Não seremos nunca o pássaro afinado./ Porque o corpo é água viva/ e todo o movimento/ é duelo contraditório.// O jogo é deixar transbordar/ atravessando o corpo./ O campo empírico/ tem um modo próprio de pulsar.// Sobram-nos suspiros sob a cintura./ Por instantes libertase/ o fardo empoleirado aos ombros/ dando um salto que não depende/ do porte do cavalo.»
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AMÉLIA VIEIRA
De forma a esconjurar este ambiente triste em volta - e à volta do mundo lembrar os seres em vias de extinção e o seu legado amoroso na vida das culturas a que pertenceram, Platero, um burro, leva-nos a revisitar o sul ibérico, Andaluzia, terra de mouros e ciganos, de laranjas e de flores, de tudo o que é bom nesta parte do mundo terra de antigos califados. Jimenez, andaluz, traz-nos a atmosfera que também podemos encontrar em Lorca para percorrer esse salão grande da memória meridional. Jimenez - Juan Ramón Jimenez - levou-a para o mundo e dele recebeu um Nobel de Literatura na qualidade de Poesia, e a Andaluzia em peso está ali plasmada como que a dizer que uma certa grandeza se alcança quando levamos o solo natal inalterável e alheio às influências que o modificam. Num tempo tão urgentemente ecológico, havia ele lembrar os conhecimentos imprescindíveis que educam a sensibilidade para que se faça em harmonia com o chão dos sonhos, mais importante que fazer neófitos que declaram sem filtro novas formas de totalitarismo. É nesta componente que a preservação se dá, não por dogma, mas por uma doçura ambiental que as ideias nunca alcançam. Não iremos encontrar aqui nenhum antropomorfismo, não é uma fábula, nem tem conteúdo moral, também o autor rejeitou que apelidassem de uma obra para crianças, e entende-se bem porquê, a entrincheirada escrita juvenil não é muito do agrado dos poetas, mas só eles sabem como fazer para que o maravilhoso fique intacto para todos, e as crianças serão as primeiras a saber desse efeito: a actual literatura infantil está ainda a abarrotar de componentes estéreis que podem estar a afectar os dons oníricos das próximas gerações.
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10.3.2021 quarta-feira
Platero As crianças conhecem dinossauros, mas suspeitamos se conheçam burros, a velocidade a que foram rasurados os nossos amigos próximos, pode ter criado efeitos mentais não muito explícitos para que se possam já analisar. Amigos! Sim, a obra é a de uma amizade, e ela dá-se entre várias formas de vida, de espécies vivas, e porque, e sobretudo, nós os mamíferos temos um profundo sentimento de empatia uns pelos outros, esse encontro de vidas é certamente a mais viva componente de respeito por ela que aqui o poeta nos traz. Ele fala de, e, com Platero, com a narrativa limpa, o respeito intacto, e o carinho mais intenso, ele percorre então todas as rondas dos caminhos e são ainda os seus olhos de água que dão fôlego à narrativa e nos lavam a alma sujeita a tanto estilhaço de divisão colectiva. Teremos de interpretar tal obra como uma consolidação do poder narrativo do seu autor que não poderia no entanto ter feito outra coisa que prosa poética « o poema em prosa existiu desde sempre, como o conto, e o poema em verso ou o ensaio» editado pela primeira vez em 1914 a reedição de 1917 seria aumentada, esta, já com componentes de crítica
social tendo cento e trinta e oito capítulos que desejou estender sem sucesso até aos cento e noventa. A primeira edição é por isso mesmo a mais indicada para a leitura das novas gerações, que no entender do poeta, as crianças deviam ler o que lêem os adultos, dependendo das escolhas, evidentemente. Ao prosseguir esta jornada damo-nos conta do impressionante efeito visual, como se lêssemos uma pintura descritiva e cheirássemos ainda aquelas rosas com que cobriu Platero ao mencionar-lhe que caiam, e esta vastidão de encanto é toda ela uma vitória dos sentidos. Não precisamos de construir a nossa própria atmosfera dentro da narrativa, entregamo-nos a ela como fazem os amantes, e tudo isto é ainda melhor que os seus desejos (componentes do outro que por excesso nos recria) é uma lembrança muito boa da maneira maravilhosa de gostar. Também há dor, Platero morre, e não há espaço livre no coração que o descreve para a esperança imediata. O luto é entendido como uma paragem recomendada no processo da separação, e de lá saem as sombras negras das mulheres viúvas que o sul tão solar sabe fazer azeviche, como se esse processo, todo ele fechado e só, fosse uma dádiva, a única liturgia para dizer adeus. Platero, tu vês-nos, não é ? Verdade que vês as crianças correndo... Levando mariposas brancas.... Sim, tu vês-me. Creio agora ouvir .... a tua voz tão minha. A alma de Platero não é mais pequena que a de qualquer um de nós, e a saudade que deixa, menos importante que uma outra saudade. Mas isso, só quem ama - esse que abarca o todo em todas as criaturas- o poderá compreender.
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 45
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CINETEATRO
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THE UNTOLD TALE OF THE THREE KINGDOMS [B]
FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Yuichi Fukuda Com: Oixumi Yo, Kaku Kento, Hashimoto Kanna, Yamamoto Mizuki 14.30, 16.34, 21.30
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BAHT
UM DOCUMENTÁRIO HOJE
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BULLY. COVARDE. VÍTIMA. A HISTÓRIA DE ROY CONN | IVY MEEROPOL
SALA 2
MONSTER HUNTER [B]
Um filme de: Paul W. S. Anderson Com: Milla Jovovich, Tony Jaa, Ron Perlman 16,45, 19.30 SALA 3
Roy Conn foi um famoso advogado nova-iorquino com ligações à máfia e amigo pessoal de Donald Trump. Homossexual escondido, racista e xenófobo, Conn era tido como alguém sem escrúpulos que condenou os próprios avós à pena de morte. Este documentário pega por esse ângulo para descrever uma estranha figura que dominou Manhattan nos anos 70 e 80. Andreia Sofia Silva
8 4 1 0 7 9 0 5 6 8 2 4 7 9 0 3 5 6 5 6 2 4A GIFT8FROM 1 BOB 9 3 8 5 6 7 6 2 4 1 9 3 Propriedade 3 1 5Fábrica 2 de0Notícias, 8 Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede; Salomé Fernandes Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; Gonçalo 1 0M.Tavares; 7 9 Gonçalo 3 5Waddington; Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; 4 Rasquinho; 8 3 7Paul 1Chan2Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; Olavo GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia 2 7Morada 9 Pátio 6 da4Sé,0n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo Welfare 5 7 3 0 1 8 9 4 2 6
1 4 8 6 7 5 2 3 9 0
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perspectivas
10.3.2021 quarta-feira
Jorge Rodrigues Simão
O AQUECIMENTO GLOBAL PRÉ-COVID-19 “Before the COVID-19 pandemic of 2020, emissions of carbon dioxide were rising by about 1% per year over the previous decade, with no growth in 2019. Renewable energy production was expanding rapidly amid plummeting prices, but much of the renewable energy was being deployed alongside fossil energy and did not replace it, while emissions from surface transport continued to rise.” Nature Climate Change volume 10, pages647-653 (2020)
DESDE PEQUENO sempre me fiz perguntas que a maioria das pessoas não pensa: como é que o Universo teve origem e como vai acabar, como se formou a vida e será o futuro, até onde iremos? Tenho sido um fã da ficção científica, em particular da que imaginava viagens entre as estrelas e a descoberta de novos mundos. Sou apaixonado pelos problemas do mundo em vez do futebol ou outros desportos, e sonho com um mundo muito diferente do verdadeiro, onde não há guerras, nem fome, nem ultra-ricos o ambiente é respeitado. Ao longo dos anos, fiquei convencido de que, devido à natureza do Homem, estes poderiam estar destinados a permanecer apenas utopias. Na verdade, o Homem sempre foi egoísta e possessivo. Desde muito cedo aprende a dizer: "É meu". A reacção mais comum das pessoas quando obtêm algo não é a satisfação, mas o desejo de ter ainda mais. E depois a resistência à mudança pois a mente é habitual por natureza e, portanto, a mudança custa energia e esforço, por isso resiste. A mudança significa a quebra de um padrão, de uma forma de ser e de funcionar, agora familiar, para passar para outro completamente novo e estranho. Estas são algumas das razões pelas quais, em vez de ter em conta que existe apenas uma Terra e de fazer investimentos para um futuro melhor, houve uma corrida ao consumismo mais desenfreado, sem considerar os danos para o ambiente e o legado prejudicial deixado às gerações futuras. Mesmo os países são governados por indivíduos que pensam em termos egoístas para o seu país e o povo apoia-os porque o nacionalismo prevalece. O homem é um animal que graças à sua adaptabilidade e capacidade de colaborar, conseguiu prevalecer sobre os outros animais e desenvolver uma inteligência tal que o tornou o senhor absoluto do planeta Terra, explorando plenamente os seus recursos naturais a fim de satisfazer as suas necessidades. Se nas épocas anteriores o impacto humano na natureza tinha sido mínimo, desde a primeira Revolução Industrial, há mais de duzentos anos, com as suas actividades e comportamentos, o Homem modificou profundamente o clima e o ambiente. Nos últimos anos tem havido um animado debate sobre o aquecimento global e as suas causas e efeitos.
Actualmente, a grande maioria dos cientistas afirmam e demonstram que o aquecimento global em curso se deve a actividades humanas. Há muito poucos que o negam e que têm interesses económicos e/ou políticos significativos, como o ex-presidente americano Trump, que não desistia mesmo quando confrontado com a evidência dos efeitos nocivos sofridos pelo seu país. Há algumas décadas muito poderia ter sido feito para o evitar, mas, em vez disso, continuou-se sem medo ao longo do caminho do consumismo e do desperdício. Hoje ainda podemos fazer algo, pelo menos para limitar os danos, mas devido aos egoísmos individuais e nacionais não conseguiremos sequer abrandar o ritmo. O aquecimento global poderá tornar-se inevitável e mais acelerado do que pensamos, com as consequentes catástrofes naturais devido a fenómenos cada vez mais extremos, tais como chuvas intensas, furacões e grandes secas que provocarão inundações, destruições, desertificação, incêndios, derretimento do gelo e subida dos mares que farão desaparecer enormes superfícies cultiváveis ou habitadas, perecerão flora e fauna, tanto terrestre como marinha, até chegar a uma nova extinção em massa. Entretanto, haverá migrações de populações inteiras, guerras pela água e pela terra cultivável, mortes, doenças e sofrimento. A única esperança de parar ou pelo menos abrandar o aquecimento global é agir incisivamente “AGORA” a nível global tentando fazer com que as utopias se tornem realidade. O comboio está a partir e para não o perder temos de o apanhar à pressa. Não podemos esperar que a ciência, com os seus desenvolvimentos futuros, encontre uma solução prática para resolver o problema ou que seres extraterrestres venham e nos façam mudar radicalmente o nosso estilo de vida. Também não se pode esperar que a política resolva tudo. Se não fizermos todos um esforço para adoptar um estilo de vida diferente e assumirmos um compromisso político, mesmo apoiando partidos que defendem o Ambiente, será difícil mudar o estado das coisas. Pode-se sempre fazer algo por muito pouco que seja como instalar painéis fotovoltaicos no telhado, cultivar um pedaço de terra com uma horta e pomar, seguir uma dieta principalmente vegetariana nos passos da dieta mediterrânica dos nossos avós, tentar andar a pé ou de bicicleta o máximo possível, mas isto não é suficiente porque são muito pouco a fazer. Os cientistas dizem que ainda temos nove anos até que o processo de aquecimento global se torne irreversível. O que tem sido feito até agora é insuficiente e não será capaz de conter o aumento da temperatura média global. Só se todos remarmos em sincronia conseguiremos conduzir os nossos netos para um futuro onde possam viver em paz e harmonia com
a natureza. É de fazer um apelo especial aos jovens em particular, porque são eles que mais sofrerão com as consequências das alterações climáticas. Rebelem-se tomando parte activa na política ou, em todo o caso, dando o seu apoio aos partidos que assumem a responsabilidade pelos problemas ambientais. O aquecimento global é um fenómeno climatológico que tem afectado o nosso planeta desde a segunda metade do século XX, o que implica um aumento da temperatura média da superfície do planeta, incluindo tanto a atmosfera da Terra como as águas dos oceanos, causado pelo efeito de estufa e atribuível à actividade humana. O efeito estufa, como o nome sugere, é comparável ao que acontece numa estufa ou num carro exposto ao sol com as janelas fechadas. O ar no interior é aquecido pelos raios solares enquanto as janelas do carro ou as folhas transparentes da estufa o impedem de irradiar e entrar em contacto com o ar mais frio do exterior, fazendo com que a temperatura interna suba consideravelmente. No caso da Terra, a função do vidro ou da folha transparente é realizada principalmente pelos chamados "gases com efeito de estufa". Os mais conhecidos e mais utilizados são o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4), enquanto o mais influente é o vapor de água, que é
de origem natural. Tal como numa estufa, a Terra aquece mais do que o normal. O aumento das temperaturas médias globais provoca o derretimento dos glaciares e o aumento do nível do mar. O aquecimento climático, contudo, tem efeitos diferentes de região para região e as suas influências locais são muito difíceis de prever. O que é certo, porém, é a natureza extrema dos fenómenos meteorológicos e o seu aumento de frequência. As consequências do aquecimento global são numerosas e aumentam em gravidade à medida que a temperatura média global aumenta como chuvas fortes, furacões, inundações, deslizamentos de terras, seca extrema, desertificação, fome, incêndios, derretimento do gelo, subida dos mares, extinção de espécies, migração de populações inteiras, guerras por causa da água e terras aráveis. Estas catástrofes naturais, no entanto, não atacam de forma homogénea. Um continente pode sofrer de seca extrema, enquanto outro pode sofrer chuvas fortes, inundações ou furacões. A situação actual até ao aparecimento da Covid-19 (Janeiro de 2019) quanto à temperatura atmosférica era de que os últimos quatro anos tinham sido os mais quentes desde 1880, pois a concentração de CO2 na atmosfera foi a mais elevada em oitocentos mil anos (410 partes por milhão) e está a aumentar. O aquecimento global
quarta-feira 10.3.2021
Actualmente, cerca de seiscentas espécies animais estão ameaçadas de extinção do que já é conhecido, como constituindo uma longa lista vermelha com noventa mil entradas. A biodiversidade é um património precioso para a vida na Terra que deve ser preservado a todo o custo
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era actualmente cerca de 1 grau acima dos níveis pré-industriais. Isto soa como um não cerebral, mas está longe disso. Mesmo a mais pequena mudança importa e pode trazer mudanças drásticas. O ano de 2018 foi o mais quente desde 1800 para a maioria dos países da Europa do Sul +1,58°C acima da média. Dos trinta anos mais quentes desde 1800, vinte e cinco foram desde 1990. Em vários estados europeus, particularmente na Alemanha, França, Suíça, Áustria, Hungria e Finlândia, 2018 foi também o mais quente registado desde que foram feitas observações, assinalando temperaturas recordes como, por exemplo, na Finlândia, onde as temperaturas de Verão excederam os 30°C. O ano de 2018 foi o ano mais quente de sempre porque, o fenómeno El Niño estava em curso, amplificando eventos climáticos extremos já exacerbados pelas alterações climáticas. Quanto a eventos extremos, 2018 tem até uma dúzia de acontecimentos excepcionais, a começar pelos Furacões Florence e Michael, que foram os mais destrutivos e dispendiosos da história dos Estados Unidos. Os incêndios na Califórnia são também considerados como os mais destrutivos e dispendiosos em termos de vidas na história do estado. No Japão, inundações e deslizamentos de lama causaram duzentos e trinta mortes e destruíram milhares de casas, seguidas por ondas de calor excepcionais, com cento e cinco mortes só em Tóquio. A China também sofreu chuvas torrenciais com mortes e danos consideráveis. Finalmente, a Austrália, Argentina e a área da Cidade do Cabo na África do Sul foram atingidas por uma seca excepcional. A situação para o gelo e glaciares não é certamente melhor pois o gelo da Gronelândia está a derreter mais rapidamente do que o esperado e o fenómeno, que começou em meados do século XIX, é o mais pronunciado em quatrocentos anos. Glaciares de todo o mundo estão a retroceder. Basta pensar no glaciar Marmolada que está a desaparecer, bem como em todos os glaciares Dolomitas e Alpinos cujo recuo não pára, apesar de uma estação de Inverno e Primavera caracterizada por uma boa pluviosidade. As más notícias também vêm de glaciares suíços vizinhos. Entre 1973 e 1985, a superfície dos glaciares suíços permaneceu praticamente inalterada, enquanto de 1985 a 2000 foi reduzida em 18 por cento. No Ticino, entre 1985 e 2009, a superfície dos glaciares foi reduzida em 70 por cento, desaparecendo abaixo de uma altitude de 2100 metros acima do nível do mar. A Antárctida detém 90 por cento das reservas de gelo do planeta e desempenha um papel fundamental no clima da Terra. É daqui que o ciclo começa, o que permite que a temperatura da
superfície terrestre permaneça constante e evite o sobreaquecimento. Entre 1992 e 2017, a Antárctida perdeu três triliões de toneladas de gelo. O derretimento do gelo árctico levou a uma subida do nível do mar de cerca de dez milímetros. A emergência dos refugiados climáticos está a tornar-se cada vez mais alarmante, pois estamos a falar de mais de um milhão de pessoas forçadas a abandonar as suas casas devido à erosão e às tempestades causadas pela subida do nível do mar. Este número poderia aumentar significativamente, uma vez que muitas comunidades costeiras recorrem à migração interior como medida preventiva. Está a acontecer na Louisiana, Brasil, Nova Iorque, Austrália, Tailândia, Filipinas e Alasca. Em Veneza, por exemplo, o nível do mar está a subir a um ritmo recorde e "la Serenissima" poderia estar debaixo de água até 2100. Isto é revelado no capítulo dedicado ao clima do volumoso "Relatório Estatístico 2018" divulgado pela Região de Veneto. O nível do mar Adriático em Veneza subiu "significativamente acima da média global" e mesmo "quase o dobro do de Trieste". A subida do nível do mar causada pelo aquecimento global está a acelerar e, no final do século e cerca de 7 por cento da população mundial poderá terminar submersa, com imensos danos e inconvenientes. O novo alarme, que reforça ainda mais os precedentes sobre o derretimento do gelo, vem de um grupo de investigadores da Universidade de Boulder, no Colorado. Estes cientistas calcularam que o nível médio do mar nos últimos vinte e cinco anos aumentou sete centímetros, e mostraram que a velocidade de crescimento deste nível não é a mesma em cada ano que o anterior (três milímetros por ano), mas é dada pelo anterior adicionando quase um milímetro para cada ano. Por isso, é como se mantivesse o pé no acelerador de um carro cuja velocidade continuaria sempre a aumentar. O texto foi desenvolvido utilizando dados fornecidos desde 1993 até 2018 por vários satélites em órbita da Terra, tais como TOPEX/Poseidon e Jason-1 a 3. O ano de 2018 é também um ano recorde para o aquecimento dos oceanos. De facto, foi o ano mais quente de que há registo, com uma acumulação recorde de calor. A investigação publicada na Nature, utilizou um método novo e mais fiável para calcular os efeitos do aquecimento global nos mares e oceanos e descobriu que os oceanos estão a aquecer muito mais rapidamente do que se pensava anteriormente. Um factor chave que está a exacerbar o aumento das temperaturas, que é o aumento constante dos níveis de vapor de água na atmosfera. A investigação mostra que os seres humanos, com as suas actividades diárias, são largamente responsáveis
opinião 19
pela crescente "hidratação" na atmosfera superior. Nos últimos trinta anos, o nível de humidade na troposfera superior (de 4,8 a 11,2 quilómetros), tem tido uma constante tendência ascendente principalmente devido a actividades humanas. A presença de florestas desempenha um papel muito importante na manutenção do equilíbrio do ecossistema. Através do processo de fotossíntese, as plantas removem o dióxido de carbono do ar, libertando oxigénio em seu lugar. Enquanto a destruição das florestas produz enormes quantidades de CO2, o seu crescimento absorve-o, fazendo da sua protecção um dos elementos-chave na luta contra as alterações climáticas, especialmente as tropicais, cujo crescimento ocorre ao longo de todo o ano. Em vez disso, estamos infelizmente a perder treze milhões de hectares de floresta todos os anos. A este ritmo, mais de duzentos e trinta milhões de hectares desaparecerão até 2050. Apesar dos esforços para reduzir a desflorestação tropical, a taxa de perda de árvores quase duplicou ao longo dos últimos cinco anos. A desflorestação acrescentou 7,5 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono à atmosfera em 2017, de acordo com estimativas do World Resources Actualmente, cerca Institute (WRI), 50 por cento mais do que as de seiscentas emissões produzidas pelo sector energético dos Estados Unidos. espécies animais A desertificação, tal como a desflorestaameaçadas de para ção, reduzestão a capacidade da vegetação absorver CO2. As causas são múltiplas, extinção do que já devido tanto a causas naturais (aumento das temperaturas, seca, degradação é conhecido, como do solo e transporte devido ao efeito de chuuma longa vas fortes)constituindo como antropogénicas, ou seja, causadas lista por actividades vermelhahumanas com (uso insustentável de aquíferos, remoção de noventa mil entradas. solos férteis e impermeabilização do solo devido à urbanização, lavra em encostas, A biodiversidade etc.). Globalmente, uma área com metade do é União um património tamanho da Europeia (4,18 milhões de quilómetros quadrados) é degradada precioso para a vida todos os anos. A África e a Ásia são os continentes afectados. Em menos namais Terra que deve ser de um século, o número de animais que vivem a todo o no nosso preservado planeta diminuiu praticamente para metade. Actualmente, cerca de seiscusto centas espécies animais estão ameaçadas de extinção do que já é conhecido, como constituindo uma longa lista vermelha com noventa mil entradas. A biodiversidade é um património precioso para a vida na Terra que deve ser preservado a todo o custo. Basta pensar nas preciosas abelhas que polinizam e fertilizam as nossas árvores de fruto. Se, devido ao aquecimento global, se extinguissem, seria extremamente prejudicial para a agricultura, pois não só faltaria mel, mas também fruta, legumes e forragens para animais. Seguir-se-iam grandes fomes, pondo em risco a nossa própria sobrevivência.
“Quem começou, tem metade da obra executada.” PALAVRA DO DIA
Dúvidas desfeitas IAM desmente cancelamento de importação de ananases
Macau, uma vez que, ao contrário da prática nestes casos, não tinha recebido qualquer aviso por parte das entidades da RAEM.
Contradições
O
Governo nega ter existido qualquer suspensão das importações de ananás de Taiwan, ao contrário do que circulava na imprensa da Formosa e em alguma de Hong Kong. Numa resposta enviada ao HM, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) sublinha que trabalha sempre para reforçar as medidas de segurança alimentar, mas que não houve alterações recentes. “Nos termos da lei, todos os produtos alimentares frescos e vivos importados em Macau devem ser objecto de declaração prévia e sujeitos à inspecção sanitária. O IAM reforça sempre a inspecção sanitária dos produtos alimentares com risco de segurança”, foi, primeiramente, explicado. “As respectivas medidas [de importação de ananases de Taiwan] têm sido mantidas, sem alteração na fase actual”, foi acrescentado. O IAM confirma assim a posição do Conselho para a Agricultura que dizia desconhecer qualquer suspensão das importações para
No início deste mês, o Governo do Interior declarou que as importações de ananases vindas da Formosa ficavam suspensas, por alegadamente terem sido encontrados nos carregamentos deste tipo de fruta “pestes” que ameaçam a segurança alimentar do outro lado da fronteira. A justificação do Governo de Pequim foi vista como tendo por trás uma motivação política para Taiwan, cuja sociedade civil lançou um movimento para que os cidadãos aumentassem o consumo deste produto. Na sequência do litígio entre Pequim e Taipé, a publicação China Reviews News Agency, de Hong Kong, citou um director da Quinta Chen Nong, em Taiwan, a dizer que também Macau tinha suspendido as importações e que já não era possível enviar ananases para a RAEM. Porém, o Apple Daily, jornal de Hong Kong, apresentava uma versão diferente, se por um lado havia vendedores a dizer que as importações para Macau dos ananases de Taiwan estavam suspensas, pro outro, citava produtores de Taiwan a dizer que as exportações para Macau e Hong Kong decorriam dentro da normalidade. A resposta do IAM vem agora esclarecer as dúvidas existentes. No ano passado, segundo as estatísticas do Conselho para a Agricultura, a RAEM importou 27 toneladas de ananases de Taiwan. J.S.F.
CRIME POLÍCIA JUDICIÁRIA APREENDE COCAÍNA EM ACESSÓRIOS INFORMÁTICOS
Q
UATRO residentes foram detidos pelas autoridades por suspeitas de tráfico e consumo de droga. A Polícia Judiciária afirma ter recebido informações de que um cartel de tráfico de droga de Hong Kong iria enviar para Macau material informático onde viria escondida droga.Após investigação, as autoridades obtiveram informação do destino e dos destinatários das encomendas. De acordo com informação da Polícia Judiciária (PJ), na segunda-feira foi interceptada uma residente, destinatária das encomendas enviadas para uma loja de uma empresa de compras online no norte da península. A mulher foi detida em conjunto com um residente que a foi buscar de
automóvel. Dentro do embrulho apanhado pelas autoridades estava um teclado de computador onde estavam escondidas 10,66 gramas de cocaína, com valor de 35 mil patacas. A PJ deteve outros três residentes na Areia Preta e na Avenida Almirante Lacerda. As autoridades apuraram que os primeiros dois detidos tinham como destino um centro comercial na Areia Preta para entregar as encomendas a outro indivíduo, que por sua vez passaria a droga a um consumidor e ao seu motorista. Os cinco residentes foram transferidos para o Ministério Público, suspeitos dos crimes de tráfico e consumo de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas. J. L. e P. A.
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Horácio
quarta-feira
10.3.2021