Skip to main content

Hoje Macau 10 OUT 2017 #3911

Page 1

MOP$10

TERÇA-FEIRA 10 DE OUTUBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3912

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau

PUB

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

GRANDE PRÉMIO

HÁ CERA NO MUSEU

PLANO DIRECTOR CONCURSO PÚBLICO CONTESTADO

PÁGINA 9

Arquitectos falam de falta de transparência e de visão no processo que dá agora os primeiros passos. Cinco empresas e consórcios foram escolhidas para participar na elaboração do Plano Director para a cidade. Entre elas sobressai a CAA de Chui Sai Peng que tem ganho inúmeros projectos de obras públicas nos últimos tempos.

LIXO ELECTRÓNICO

O fio da meada

GRANDE PLANO

PÁGINA 7

A SOMBRA DE TESEU h PAULO JOSÉ MIRANDA

AS LINHAS h MIGUEL MARTINS PUB

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

Fito urbano

MARIA JOÃO BELCHIOR

Ásia a bordo EVENTOS

h ANTÓNIO CABRITA


2 grande plano

O Plano Director parece estar a sair da gaveta. Ainda tímido e sem qualquer definição está sujeito aos seus executores. A primeira fase do concurso público já é conhecida. São cinco as empresas e consórcios que estão na corrida. Falar de previsões é sinónimo de silêncios e anonimatos. O vencedor parece adivinhar-se e há quem fale de falta transparência

F

OI dado a conhecer esta semana o resultado da primeira fase do concurso publico do Plano Director. São cinco as empresas e consórcios implicados, sendo que um dos nomes se destaca. É a CAA, Planeamento e Engenharia Consultores Limitada, dirigida por Chui Sai Peng e que tem arrecadado um sem número de projectos públicos. Há quem diga que “a montanha pariu um rato” e que deveria ser o Governo a assegurar o cumprimento do Plano. A tarefa não deveria ser deixada a cargo de empresas

10.10.2017 terça-feira

PLANO DIRECTOR

ARQUITECTOS QUESTIONAM CONCURSO PÚBLICO

DESTINO ` TRACADO? porque “trata-se de um grande poder”. No entanto, “existindo uma CAA nos nomes da primeira fase, é quase certo quem vai avançar”. A ideia, dada por um arquitecto que preferiu não ser identificado, é partilhada por um outro colega que também optou pelo anonimato. “É um concurso que não tem em conta a maioria das empresas locais”, refere, ao mesmo tempo que salienta que “até hoje praticamente só uma empresa tem sido considerada no que respeita a urbanismo”, disse ao HM . “É essa empresa que vai continuar a ter trabalhos nesse sentido quando há no território várias pessoas qualificadas para o fazer”, diz. Já Miguel Campina, também arquitecto, apenas refere que “têm vindo a ser feitas algumas coisas na área do urbanismo, encomendadas pelo Governo de uma forma não muito transparente”. Por outro lado, Campina já não mostra muita esperança neste plano e lamenta que o trabalho já feito possa não ser sequer considerado. “Se só agora estão a lançar um concurso público para a elaboração do plano director, significa que tudo o que esteve a ser feito nos últimos dez a 15 anos não era aquilo que me disseram que era”, refere, salientando que foram feitas consultas no sentido de se falar das linhas gerais. Hoje, não sabe o que é feito desses trabalhos. Francisco Viseu Pinheiro, por sua vez, questiona porque é que “o Governo, que tem todos os dados na mão, de repente entrega a concepção do plano a uma empresa privada”.

CHINA CONTROVERSA

O facto de os consórcios apresentados incluírem empresas da China continental é visto de formas

diferentes pelos profissionais do território. Para Miguel Campina a possibilidade de uma empresa do continente vir a ter a seu cargo o Plano Director local não significa mais qualidade. “As empresas da China têm as mesmas capacidades e aqueles que têm vindo a intervir em Macau nos últimos anos não são referência para ninguém e não deixaram aqui nada do ponto de vista das ideias que tenha sido exemplo”, explica. Já para o também arquitecto Viseu Pinheiro, a situação pode ser exactamente a inversa. É lá, considera, que estão os maiores construtores de cidades. “Metade do que se constrói no mundo é feito na China”, refere. E se “há 20 ou 30 anos a qualidade podia ser duvidável, neste momento o continente está a fazer coisas muito mais avançadas”. Para o profissional, o problema é outro: em Macau as pessoas já estão habituadas à má qualidade.

“A população deveria ser mais chamada a intervir no sentido daquilo que se quer. Ou seja, se se pretende uma cidade mais verde, mais amiga do ambiente e com melhor qualidade de vida, ou se se pode construir em todo o lado à custa de espaços verdes e de zonas públicas.” VISEU PINHEIRO ARQUITECTO

No entanto, a presença de empresas continentais não poderá ser vista como um passo em frente na integração. “Não tem que ver com o futuro da integração, porque esta está feita”, afirma peremptoriamente. Para o arquitecto, “2049 já passou”, o que se pode constatar “do ponto de vista da cultura e das orientações políticas”. “Até de um ponto de vista físico isso está concretizado”, aponta.

POPULAÇÃO ESQUECIDA

A opinião entre arquitectos é unânime. Para existir um Plano Director há que dar corpo a uma visão de futuro do território. Para Viseu Pinheiro é a população que tem o papel principal na definição e cidade em que pretende viver. O arquitecto considera assim que esta premissa deveria existir antes mesmo do lançamento de um concurso para a elaboração do Plano Director de Macau. “Seria um dado a ter à priori e que serviria de orientação até para os requisitos do concurso”. Viseu Pinheiro explica: “A população deveria ser mais chamada a intervir no sentido daquilo que se quer. Ou seja, se se pretende uma cidade mais verde, mais amiga do ambiente e com melhor qualidade de vida, ou se se pode construir em todo o lado à custa de espaços verdes e de zonas públicas”. Por outro lado, a monitorização do projecto e da sua implementação tem, não só de ser feita pelo Governo, mas, e acima de tudo, pela própria população. “Não é só o Governo mas sobretudo as pessoas que habitam a cidade. O Plano deve ser sujeito a uma monitorização social regular”, afirma. Para sustentar a ideia, Viseu Pinheiro dá como exemplo a situação de Singapura: “Normalmente

o plano é feito para um total de 20 anos mas a cada cinco anos é revisto para para que seja possível adaptar o estipulado aos novos desafios que surgem”. O exemplo de Singapura pode ser aplicado ao território. Um local que à semelhança de Macau, mudou muito nos últimos 20 anos e que passou de um lugar “sem qualquer interesse turístico e arquitectónico para ser a cidade


grande plano 3

terça-feira 10.10.2017

A CORRIDA DOS CINCO

A

primeira fase do concurso para a elaboração do Plano Director de Macau tem pré-seleccionadas cinco consócios e empresas. Da lista fazem parte o Consórcio Companhia de Construção de Obras Portuárias Zhen Hwa, Limitada, Shenzhen LAY-OUT Planning Consultants Ltd. e CCCC-FDHI Engineering Co., Ltd., o Consórcio Shanghai Tongji Urban Planning & Design Institute e Companhia de Consultadoria de Engenharia Kit & Parceiros, Limitada, o Ove Arup & Partners Hong Kong Ltd., o Consórcio CAA, Planeamento e Engenharia, Consultores Limitada, China Academy of Urban Planning and Design (CAUPD) Planning & Design Consultants Co. e CONSULASIA — Consultores de Engenharia e Gestão, Limitada e o Consórcio Beijing Tsinghua Urban Planning and Design Institute (THUPDI) e King Honor International Design Consultancy Limited. O Consórcio CAA, Planeamento e Engenharia, Consultores Limitada é presidida pelo deputado Chui Sai Peng enquanto que a Kit & Partners Consulting Engineering Limited tem à frente também deputado Wu Chou Kit.

ventilação para a cidade e as zonas em se deve construir menos e mais. Esses elementos dão informação e, tendo em conta o tipo de cidade que se pretende no futuro, deveriam dar origem a qualquer Plano Director”, aponta Viseu Pinheiro.

“Deveriam abrir o processo a mais corpos profissionais e ter sido feitos mais workshops com a participação de profissionais do sector: arquitectos, urbanistas e engenheiros de Macau e também do estrangeiro, onde há uma maior experiência em termos de planeamento” DOMINIC CHOI PRESIDENTE DOS ARQUITECTOS SEM FRONTEIRAS DE MACAU

número um na Ásia em muitos aspectos, nomeadamente no que respeita a qualidade e eficiência”. Por outro lado, considera, há que ter em conta a capacidade do próprio território. “Trata-se de uma das cidades mais densas mundialmente, factor que também deve ser de relevo no seu planeamento”. “O que falta é isso, é uma consulta pública e uma consulta a especialistas na área para definir

objectivos e prioridades que depois dariam corpo ao próprio Plano Director”, remata.

ONDE ESTÃO OS ESPECIALISTAS?

A realização de uma consulta às opiniões de especialista é também a ideia defendida pelo presidente dos Arquitectos sem Fronteiras de Macau, Dominic Choi. “O Governo deveria ter aberto o processo a mais corpos pro-

fissionais e deveriam ter sido feitos mais workshops com a participação de profissionais do sector: arquitectos, urbanistas e engenheiros de Macau e também do estrangeiro, onde há uma maior experiência em termos de planeamento”, sugere o responsável. Esta troca de conhecimento deveria, de acordo com Dominic Choi, trazer ao território especialistas internacionais, até

porque Macau não tem a experiência que a China, por exemplo, tem, e teria sido interessante um debate a nível internacional sobre o planeamento do território”. Já há também estudos que podem contribuir para uma melhor concretização do plano director. Viseu Pinheiro aponta a pesquisa sobre o mapa climático de Macau, feita pela Universidade de Hong Kong. “É um trabalho que nos diz onde estão os corredores de

Mal ou bem, o concurso para a elaboração do Plano Director de Macau parece estar a avançar e os profissionais do território dividem-se no que respeita às esperanças no futuro. “Não sei se nesta altura faz sentido termos alguma ansiedade com aquilo que possa advir de novo com esse Plano Director. O prazo de realização está por determinar, diz Miguel Campina. Já Viseu Pinheiro autodefine-se como “um optimista” no que respeita ao ao futuro deste planeamento do território. Sofia Margarida Mota com Andreia Sofia Silva info@hojemacau.com.mo


4 política

TIAGO ALCÂNTARA

10.10.2017 terça-feira

Áreas marítimas Estudo vai custar quase cinco milhões

O instituto Pearl River Hydraulic Research, da comissão Pearl River Water Resources, será o responsável pela realização do “estudo para planeamento de médio e longo prazo de utilização e desenvolvimento das áreas marítimas da RAEM (2016-2036) — Secção de recursos hídricos”. A entidade estatal da República Popular da China irá receber quase cinco milhões de patacas, a serem pagas até 2018, por este trabalho, segundo o Boletim Oficial.

ALEXIS TAM AUMENTO DE ORÇAMENTO NA TUTELA ANUNCIADO NAS LAG

O AUTOCARROS ZHENG ANTING DEFENDE OPERADORA SÓ PARA RESIDENTES

Carreira privada

Mak Soi Kun e Zheng Anting, o seu número dois na Assembleia Legislativa, foram ao programa matinal do canal chinês da Rádio Macau defender que deveria ser estabelecida uma concessionária que operasse autocarros só para residentes

A

intenção do Governo em aumentar as tarifas dos autocarros, estabelecendo dois tipos de tarifas para residentes e não residentes, tem gerado grande debate no seio da sociedade. O assunto foi ontem abordado pelos deputados Mak Soi Kun e Zheng Anting no programa “Fórum Macau” do canal chinês da Rádio Macau. Zheng Anting considerou viável a ideia do Governo estabelecer uma nova concessionária de autocarros que se destinaria apenas ao transporte de residentes permanentes e não permanentes. O objectivo seria atenuar o fluxo de trânsito e garantir melhores dados sobre o aproveitamento dos autocarros por parte da população local, que poderiam ajudar a um melhor planeamento.

Quanto à decisão de aumentar as tarifas, o número dois de Mak Soi Kun considerou que a proposta do Executivo é “demasiado complicada”, esperando que haja uma simplificação da mesma, a fim de conseguir que idosos e portadores de deficiência tenham acesso a transporte gratuito. Quanto ao projecto de renovação do terminal das Portas do Cerco, Mak Soi Kun, recentemente eleito deputado pela lista União Macau-Guangdong, referiu que o calendário das obras, cuja conclusão está prevista para 2019, poderia ser encurtado.

Para o deputado, a realização de horas extra por parte dos funcionários públicos envolvidos no processo de concurso público poderia acelerar o plano. Além disso, deveria ser melhorado o sistema de credenciação do pessoal ligado à construção civil.

HABITAÇÃO E INFILTRAÇÕES

Quanto à nova legislatura da Assembleia Legislativa (AL), que se inicia na próxima segunda-feira, Mak Soi Kun promete continuar a prestar atenção à qualidade das habitações, uma vez que, no seu entender, há

Zheng Anting considerou viável a ideia do Governo estabelecer uma nova concessionária de autocarros que se destinaria apenas ao transporte de residentes permanentes e não permanentes

ainda o problema das infiltrações de água nos prédios. Para resolver essa questão, o Executivo deveria alargar o apoio financeiro para a manutenção e administração dos edifícios, bem como melhorar a legislação em vigor. Já Zheng Anting promete dar atenção aos mecanismos de resposta às catástrofes, sem esquecer os problemas originados com a passagem do tufão Hato, incluindo os veículos que ficaram inutilizados. Quanto a estes lesados, o número dois de Mak Soi Kun recordou que muitos deles não têm capacidade para comprar novos automóveis, pelo que o Governo deveria estudar a possibilidade de restituir os impostos de acordo com a depreciação dos automóveis danificados.

SIN FONG GARDEN, A DEMORA

Durante o programa, um ouvinte queixou-se do caso do edifício Sin Fong Garden e das más condições de habitação dos idosos. Mak Soi Kun lamentou que o caso continue sem resolução ao fim de cinco anos do aparecimento das primeiras fissuras no prédio, o que, na sua opinião, mostra a inoperância das autoridades em termos administrativos. O deputado considera que é “uma vergonha” que os idosos sejam obrigados a viver em casas com más condições, esperando que se acelerem os projectos de renovação das zonas antigas da cidade. HM

secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, disse ontem aos jornalistas que poderá vir a aumentar o orçamento da sua tutela no próximo ano. Ainda assim, e de acordo com um comunicado, “as medidas supra mencionadas ainda estão em estudo”, sendo que “a decisão final será anunciada aquando da apresentação do relatório das Linhas de Acção Governativa, ou seja no próximo mês”. Alexis Tam lembrou que, devido “à queda da economia no ano passado, o orçamento global do Governo deste ano não foi aumentado”. “Contudo, com a melhoria da situação económica, este ano, o orçamento das várias áreas sob a tutela da secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura terá um aumento”, aponta o mesmo comunicado. A medida servirá para a “construção de instalações médicas”, além de que “a taxa de orçamento no âmbito de serviços para idosos e crianças será maior”. Alexis Tam “disse esperar que o aumento orçamental possa optimizar o serviço de saúde do território”. Na área da educação, o secretário frisou que vai ser uma realidade o aumento do orçamento para a educação especial e inclusiva, “em prol da integração das crianças com necessidades educativas especiais na sociedade”. Quando à preservação, promoção e educação cultural, as autoridades prevêem uma aposta nos recursos para reforçar os trabalhos de sensibilização e consciencialização, com o objectivo de dar a conhecer melhor, à próxima geração, o património cultural de Macau, frisa o mesmo comunicado. Alexis Tam falou à imprensa à margem de um evento promovido pela Associação de Beneficência Tung Sin Tong.


política 5

terça-feira 10.10.2017

AL Primeiro plenário da nova legislatura acontece dia 16

É já na próxima segunda-feira, dia 16 de Outubro, que acontece o primeiro plenário da nova legislatura da Assembleia Legislativa. Os 33 deputados designados após a realização das eleições legislativas irão tomar posse, além de que serão votados os novos presidentes das comissões permanentes e das comissões de acompanhamento. A sessão terá início às 15h00 e será transmitida em directo como é habitual.

Governo Mais de sete milhões para centro de dados

Foi adjudicado à empresa Macroview Telecom (Macau) Limitada o contrato para a “prestação de serviços para funcionamento do centro de Dados do Governo”, sob alçada da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública. Segundo o despacho publicado ontem em Boletim Oficial, estes serviços vão custar aos bolsos do Governo mais de sete milhões de patacas, a serem pagos até 2019.

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Ser solitário Cerca de 460 idosos a viver sozinhos recebem apoios do Governo

A

OBRAS EMPRESA DE CHUI SAI PENG GANHA MAIS DOIS CONTRATOS

Eles comem tudo A CAA – Planeamento e Engenharia vai ser a responsável pela construção do novo edifício do Instituto de Habitação. A empresa liderada pelo deputado e primo do Chefe do Executivo vai ainda levar a cabo o projecto de renovação do monumento Portas do Entendimento

D

EPUTADO reeleito nas últimas eleições legislativas pelo sectores comercial, industrial e financeiro para a Assembleia Legislativa, José Chui Sai Peng acaba de ganhar mais dois contratos para projectos públicos. O engenheiro civil, director da CAA – Planeamento e Engenharia, vai ter em mãos duas obras de alguma importância, sendo uma delas a renovação do monumento Portas do Entendimento, localizado na Barra e há muito votado ao esquecimento. Segundo a edição de ontem do Boletim Oficial (BO), caberá à empresa do também primo do Chefe do Executivo, Chui Sai On, a concretização do “projecto de reparação das Portas do En-

tendimento”, um contrato orçamentado acima das três milhões de patacas. A renovação do monumento da autoria do escultor Charters Almeida deverá ficar concluída no próximo ano, uma vez que o despacho publicado em BO determina que o pagamento de uma tranche do valor será feito em 2018.

IH COM NOVA CASA

Outra empreitada também adjudicada à empresa de José Chui Sai

Peng foi a “obra de reconstrução do edifício da sede do Instituto de Habitação (IH) – elaboração do projecto de execução da obra”. Este empreendimento terá um valor acima das 11 milhões de patacas, sendo que o orçamento será pago à empresa até ao ano de 2021. ACAA– Planeamento e Engenharia tem vindo a ganhar diversos contratos públicos nos últimos meses. Um dos mais importantes está ligado à construção do novo complexo hospitalar de saúde das

Caberá à empresa do também primo do Chefe do Executivo a concretização do “projecto de reparação das Portas do Entendimento”, um contrato orçamentado acima das três milhões de patacas

ilhas, em que a empresa de Chui Sai Peng será a responsável pela gestão e fiscalização da obra num consórcio com a AECOM. Esta empresa de Hong Kong foi a escolhida no concurso público, depois de terem sido feitos convites directos a firmas do ramo pelo Gabinete de Desenvolvimento de Infra-estruturas. Coube à AECOM optar por trabalhar com a CAA – Planeamento e Engenharia. O ano passado a adjudicação de serviços na área da educação à Associação Promotora das Ciências e Tecnologias de Macau, também dirigida por Chui Sai Peng, gerou polémica e levou o próprio Chefe do Executivo a pronunciar-se sobre os eventuais conflitos de interesses que possam surgir na assinatura de contratos públicos. Num comunicado, Chui Sai On disse que “pedirá escusa em todos os casos onde possa surgir conflito de interesses, no cumprimento de uma conduta que considera indispensável para um Chefe Executivo”. O Chefe do Executivo acrescentou ainda que cumpre “rigorosamente com o estipulado na Lei Básica”, assim como com o juramento da sua tomada de posse, onde se comprometeu a seguir a lei e a executá-la com lealdade. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

CTUALMENTE existem cerca de 460 idosos a viver sozinhos que recebem apoios do Instituto de Acção Social, no que diz respeito à entrega de refeições, trabalhos domésticos, higiene pessoal, enfermagem, entre outros. Entre os ajudados, encontram-se idosos ou casais de idosos que vivem sozinhos, de acordo com uma resposta enviada pela presidente do IAS, Vong Yim Mui, a uma interpelação da deputada Ella Lei Cheng I. Anteriormente, a deputada ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau tinha enviado uma interpelação a questionar o Executivo sobre os apoios existentes para esta camada idosa da população de Macau. “Acresce ainda que, para reforçar a segurança domiciliária dos idosos que vivem sozinhos, este Instituto, através do subsídio dos serviços de tele-assistência ‘Peng On Tung’, presta-lhes apoio urgente durante 24 horas, havendo neste momento, cerca de 3.100 utilizadores, incluindo idosos que vivem sozinhos e casais de idosos”, revela Vong Yim Mui. Ainda no que diz respeito ao apoio a idosos que vivem em situações de isolamento, a presidente do IAS explicou que são organizados grupos de voluntários, que dão “carinho” por telefone ao necessitados. O serviço abarca cerca de 2.900 idosos. Também nesta área, o IAS financia associações particulares, que depois realizam de forma gratuita a avaliação dos riscos existentes nas casas-de-banho dos idosos que vivem sozinhos, assim como a instalação dos equipamentos de segurança necessários. Este serviço já chegou a cerca de 4.000 residentes. No que se refere a serviços de apoio comunitários, o IAS subsidia cinco equipas de serviços de cuidados domiciliários integrados e de apoio. As equipas servem 626 idosos, prestando serviços de apoio nas actividades quotidianas, cuidados de enfermagem e tratamento de reabilitação. Em relação aos cinco centros de cuidados especiais subsidiados pelo IAS, actualmente servem 218 pessoas, tendo capacidade para 278 idosos. Por esta, razão, o IAS sublinha que não existem, de momento, filas de espera.


6 publicidade

10.10.2017 terça-feira

公告 澳門街坊會聯合總會 開展流動緊急呼援服務 公開招標競投 1. 2. 3. 4. 5. 6.

招標實體:澳門街坊會聯合總會 招標方式:公開招標 實施地點:澳門”平安通”呼援服務中心 承攬標的:流動緊急呼援服務 交標地點、日期及時間: 地點:澳門白朗古將軍大馬路464號四樓,澳門街坊會聯合總會社區服務大 樓四樓接待處 截止日期及時間:2017年11月14日,下午18:00 招標簡介會地點、日期及時間: 地點:澳門白朗古將軍大馬路464號二樓,澳門街坊會聯合總會社區服務大 樓二樓205室 日期及時間:2017年10月20日,上午10:00 為了讓有意投標者更清晰投標內容,可於招標簡介會當天登記及預約2017年10月 23日下午解說會面。(每單位約有四十五分鐘至一小時解說會面時間。) 7. 開標地點、日期及時間: 地點:澳門白朗古將軍大馬路464號四樓,澳門街坊會聯合總會社區服務大 樓四樓會議室 日期及時間:2017年11月15日,上午09:00至下午 18:00 8. 發佈中標地點、日期及時間: 地點:澳門白朗古將軍大馬路464號四樓,澳門街坊會聯合總會社區服務大 樓四樓會議室 日期及時間:2017年11月23日,上午10:00 為了讓中標者或代表更清晰雙方未來簽署的合作協議內容,中標者或代表應出席 發佈中標前的會面。(會面日期及時間:2017年11月21日,上午10:00) 9. 取得招標文件的方法: 於澳門街坊會聯合總會網頁下載 http://www.ugamm.org.mo/CN/ 時效:由有關公告刊登日起至2017年11月14日,下午18:00 10. 評選方式: 由本會成立評選小組,該小組將綜合考慮方案的各項因素(詳情請參閱招標書) ,並不承諾最低價者中標。 11. 查詢及簡介會報名方式: 電話:2899 2222 電郵:pot@ugamm.org.mo 12. 聯絡人:潘嘉倫先生、林雪金女士 13. 附加說明文件: 公開招標日起至2017年11月14日,下午18:00截標日前,投標者應密切注意本會有 否附加的說明文件。 澳門街坊會聯合總會,見報即日生效。

NOTIFICAÇÃO EDITAL N.º 85/2017 (Solicitação de Comparência do Empregador) Nos termos das alíneas b) e c) do n.º 1 do artigo 6.º do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugadas com o artigo 58.º e o n.º 2 do artigo 72.º do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, fica o empregador TANG WUN KEONG, proprietário de “Obras de Decoração Tang Keong”, para no prazo de 15 (quinze) dias a contar do dia seguinte ao da publicação da presente notificação edital, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho (DIT) da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sito na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.os 221 a 279, Edifício Advance Plaza, 1.º andar, a fim de prestar declarações relativas ao processo n.º 356/2017 que foi instaurado devido à queixa apresentada nestes Serviços pelo trabalhador Chio Nga Choi, no dia 16 de Fevereiro de 2017, relativa à matéria de salário. O Chefe do Departamento Substº., LAI KIN LON 29 de Setembro de 2017


sociedade 7

terça-feira 10.10.2017

A saúde primeiro

AMBIENTE QUATRO MILHÕES PARA RECOLHA DE LIXO ELECTRÓNICO

A

O plano de reciclagem de equipamentos de informática e comunicação foi lançado ontem. A DSPA vai recolher e separar o lixo electrónico. O aproveitável será reutilizado por instituições sociais, enquanto o restante seguirá para o Japão e para o continente. A medida tem um orçamento previsto de quatro milhões de patacas.

DSEJ lança plataforma para orientar escolas e alunos

Direcção dos Serviços de Educação e Juventude lançou um serviço para fornecer às escolas informação sobre as necessidades dos alunos ao nível da saúde física. A apresentação da chamada “Plataforma de Educação para a Saúde”, que foi lançada este ano, decorreu ontem e foca essencialmente três pontos: prática de exercício físico, alimentação e sono saudáveis. Com esta plataforma, as escolas vão informar o Governo sobre os dados físicos dos alunos e em troca vão saber os aspectos em que devem apostar para que a condição das turmas seja mais saudável. “Vamos recolher informações para depois termos uma boa imagem da saúde dos alunos. Após essa recolha dos dados, vamos fazer uma análise e depois entregar um relatório a professores, alunos e pais. A partir desse relatório eles ficam a saber onde precisam de melhorar”, disse, ontem, Cheong Man Fai, Chefe de Divisão de Desporto Escolar e Ocupação de Tempos Livres da DSEJ. Ontem foram entregues os primeiros relatórios às 53 escolas primárias e 24 secundárias que decidiram participar no projecto, num total de 19 mil alunos. Entre as participantes consta a Escola Portuguesa de Macau. “Nós queremos que os problemas com a saúde dos alunos sejam encontrados o mais depressa possível. Esta plataforma está numa fase preliminar e talvez ainda precise de algumas articulações com as escolas. Mas a Universidade de Macau vai enviar especialistas às escolas para ensinar como fazer a análise de dados”, explicou Cheong Man Fai.

UMA VEZ TRÊS

Por sua vez, Walter King-yan Ho, professor auxiliar da Faculdade de Ciências da Educação da Universidade de Macau, destacou que a plataforma foca-se principalmente em três aspectos: exercício físico, alimentação e sono. O académico foi um dos responsáveis pelo programa “Viver em movimento 1,2,3”, que há vários anos avaliação a condição física de grupos de estudantes. “A situação dos alunos está a melhorar, é isso que nos mostram os dados recolhidos nos últimos anos. Claro que há áreas em que não estamos tão bem, mas tem havido melhorias”, afirmou Walter King-yan Ho. O académico explicou, depois, que o programa da DSEJ tem áreas inovadoras, como as orientações nas escolas com académicos: “Em certas áreas este programa é muito avançado, mesmo mais do que noutras regiões, como no fornecimento de orientações às escolas”, justificou. J.S.F.

Circuito aberto

F

OI lançado ontem o projecto-piloto que pretende proceder à colecta de lixo electrónico no território. O plano de reciclagem de equipamentos de informática e comunicação tem um custo previsto de cerca de quatro milhões de patacas e pretende recolher telemóveis, televisões, computadores, impressoras e cartuchos de tinta. Os electrodomésticos ficam, para já de fora da iniciativa, sendo que poderão, daqui a um ano, fazer parte do programa. Os materiais recolhidos podem vir a ser reutilizados através da sua doação a entidades de cariz social ou, quando inaproveitáveis, são desmantelados. “As componentes electrónicas seguem para o Japão, enquanto as plásticas vão para o continente de forma a terem o devido tratamento”, esclareceu o chefe do centro de gestão de infra-estruturas ambientais, Chan Kwok Ho.

ADJUDICAÇÃO POR CONSULTA

A recolha de resíduos fica a cargo da Direcção dos Serviços

ser dirigido apenas a empresas públicas, cidadãos e escolas. A razão, apontou Chan Kwok Ho, tem que ver com o fato de as empresas privadas terem a seu cargo “uma responsabilidade social na matéria”. Por outro lado, esta é uma forma de garantir que este serviço seja dado a empresas ligadas ao ambiente. “Pretendemos dar mais espaço para que o sector privado dê negócio às empresas de recolha de resíduos e de reciclagem do território, afirmou o chefe do centro de gestão de infra-estruturas ambientais O objectivo de toda a acção é ainda “aumentar a consciência ambiental dos cidadãos em relação à redução, reutilização e recolha de resíduos recicláveis, adquirindo experiência para uma futura operação de reciclagem em grande escala”, sublinhou Chan Kwok Ho.

O plano de reciclagem de equipamentos de informática e comunicação tem um custo previsto de cerca de quatro milhões de patacas e pretende recolher telemóveis, televisões, computadores, impressoras e cartuchos de tinta de Protecção Ambiental (DSPA) mas o seu tratamento foi adjudicado por consulta à Chong Heng Technology. “Escolhemos, sem recorrer a concurso público, uma empresa de Hong Kong que já tem muita experiência no tratamento deste tipo de resíduos e contamos com essa experiencia para o plano de Macau”, justificou Chan Kwok Ho. No entanto o responsável não exclui a hipótese de vir a ser considerada a abertura de um concurso público daqui a um ano, findo o projecto piloto.

A DSPA vai disponibilizar quatro postos fixos para a recolha de resíduos: dois em Macau, um na Taipa e um em Seac Pai Van. No entanto, “e de modo a facilitar a vida dos residentes”, o Governo irá ainda ter uma carrinha todas as quintas-feiras e sábados de tarde, a parar em 16 pontos de Macau. “Funciona como uma recolha ao domicilio”, afirmou o responsável.

PRIVADOS DE FORA

O plano, durante este primeiro ano em que vai estar activo, vai

A medida é tomada em conformidade com a política de gestão que pretende proceder à redução e separação de resíduos a partir da fonte. Os resíduos electrónicos somam aproximadamente 7000 toneladas anuais no território. O plano vem ainda no seguimento da recolha de pilhas que teve início no ano passado e que já arrecadou mais de cinco toneladas destes objectos. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

Serviços de Saúde Empresa de Hong Kong vai realizar testes pré-natais

Os Serviços de Saúde (SS) decidiram adjudicar à BGI Tech Solutions, uma empresa de Hong Kong, o contrato para a “prestação de serviços de testes pré-natais não invasivos” para grávidas. O contrato tem um valor de três milhões de patacas e um prazo de validade até 2019. Estes exames pré-natais são importantes para avaliar a saúde do feto, sobretudo para confirmar se o bebé é ou não portador de síndrome de down. Os SS já tinham garantido, em comunicado, que todas as grávidas que se dirigissem ao hospital público teriam acesso a este exame.


8 sociedade

10.10.2017 terça-feira

COMPRADORES DO PEARL HORIZON DIVIDIDOS DEVIDO A CARTA ABERTA

A separação das águas

A Polytec começou a vender fracções no projecto La Marina e a União Geral dos Proprietários do Pearl Horizon escreveu uma carta a pedir a suspensão das vendas. No entanto, outro grupo de compradores do Pearl Horizon veio a público criticar o primeiro apelo

O

Grupo Polytec começou a vender fracções no empreendimento La Marina, situado ao lado do Centro de Saúde da Areia Preta, e a questão está a dividir os proprietários do Pearl Horizon. O assunto veio a público ontem, com uma carta aberta no Jornal do Cidadão, publicada em nome de alguns proprietários. A causa da discórdia é uma outra carta aberta que emergiu no seio da União Geral dos Proprietários do Pearl Horizon, liderada por Kou Meng Pok, e que exigiu a suspensão da venda das fracções do outro projecto do Grupo Polytec, La Marina. A declaração foi publicada a 2 de Outubro, também no mesmo jornal, com os proprietários a afirmarem que antes das vendas do La Marina serem autorizadas, deveria haver um consenso e uma solução para o Pearl Horizon. Nesta carta aberta é também pedida a ajuda do Governo para que fiscalize os movimentos dos fundos da companhia, a fim de garantir que os proprietários prejudicados podem ser compensados. Estes compradores apelaram igualmente à banca para que pare de oferecer empréstimos aos interessados nas fracções do projecto La Marina, até que esteja totalmente confirmada a autorização de ocupação do espaço. O objectivo passa por para evitar outra ocorrência semelhante ao caso Pearl Horizon. No entanto, a primeira carta gerou oposição por parte de outros proprietários que não fazer parte da União Geral dos Proprietários do Pearl Horizon. De acordo com o documento publicado ontem, alguns proprietários atacaram a primeira carta aberta e falam em falta de representatividade. Segundo estes compradores, nem todas as opiniões dos proprietários foram consultadas. Este grupo de assinantes faz mesmo questão de esclarecer que nem todos se revêm no conteúdo da carta da União.

“DECISÃO IMATURA”

Os proprietários descontentes defendem também que a primeira carta aberta mostra falta de conhecimento jurídico e que foi

tomada uma “decisão imatura”, com a publicação. Ainda de acordo com o documento publicado ontem, os signatários dizem-se preocupados com as ideias defendidas pela União, porque consideram que vêm complicar ainda mais a solução do problema. Os assinantes defendem que medidas para apelar à suspensão das vendas do La Marina pode criar má vontade entre a sociedade contra os lesados, que assim passarão a ser ignorados, apesar de a causa ser justa. No entanto, mesmo que admitam a existência de divergência entre os lesados, o objectivo dos proprietários mantém-se igual, ou sejam pedem esforços

conjuntos das autoridades e do Grupo Polytec, para resolver o caso que está pendurado há cerca de dois anos. Por sua vez, Kou Meng Pok, presidente da União Geral dos

Kou Meng Pok, presidente da União Geral dos Proprietários do Pearl Horizon, admitiu que não tem capacidade para impedir o surto de opiniões diferentes

Proprietários do Pearl Horizon, admitiu ao HM que não tem capacidade para impedir o surto de opiniões diferentes, justificando que “a minoria também tem o seu direito a expressar a sua opinião”. Por outro lado, o presidente revelou que foi ontem, novamente, à sede do Grupo Polytec, pedir uma resolução para o caso de Pearl Horizon, juntamente com outros proprietários. No entanto, as vozes da manifestação desta vez não foram recebidas, com a justificação de que tinha “desaparecido” o gerente. Por essa razão, os proprietários que se deslocaram ao local confessaram-se agitados. Victor Ng

info@hojemacau.com.mo

HATO QUASE 500 CARROS RETIRADOS DE QUATRO AUTO-SILOS

O

Governo de Macau retirou mais de 470 veículos de quatro parques de estacionamento que sofreram inundações durante a passagem do tufão Hato, a 23 de Agosto, informaram os Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT). Em comunicado, a DSAT disse que 433 automóveis e 39 motociclos foram retirados de quatro auto-silos públicos, a pedido dos proprietários. Em Agosto, o Governo tinha indicado que cerca de mil veículos tinham ficado destruídos nos mesmos quatro parques públicos. À Lusa, fonte da DSAT explicou que, desde então, os proprietários retiraram os seus veículos dos parques, alguns com o intuito de os reparar, outros para cancelar a matrícula. Os 470 retirados pelas entidades públicas tiveram já as matrículas canceladas. Segundo a DSAT, três dos auto-silos “sofreram inundações relativamente leves” e, por isso, espera-se que possam ser reparados até ao final do ano. No entanto, no caso do parque do edifício Fai Tat, o mais afectado, a recuperação “será mais prolongada devido à necessidade de reparar ou substituir todos os equipamentos”, prevendo-se que reabra no primeiro semestre de 2018. “Os equipamentos do sistema de ventilação, de elevadores, de controlo de acesso e de combate a incêndios não estão a funcionar com normalidade, sendo demorado o processo de aquisição de alguns equipamentos”, acrescentou a DSAT.

Fronteiras Mais de um milhão de pessoas em Macau

Mais de um milhão de turistas visitaram Macau na chamada ‘Semana Dourada’, entre 30 de Setembro e 8 de Outubro, anunciou o Corpo de Polícia de Segurança Pública. Os 1,016 milhões de visitantes representaram um aumento de 10,14% em relação ao mesmo período do ano passado. A fronteira das Portas do Cerco foi aquela que registou maior movimento de pessoas neste período: quase 3,3 milhões de pessoas cruzaram esta fronteira de um total de 4,45 milhões de entradas e saídas.


sociedade 9

terça-feira 10.10.2017

Porto Interior Consórcio chinês estuda edificação de barragem

Wai Long AECOM analisa construção de habitação pública

O Governo decidiu adjudicar a um consórcio criado por entidades estatais da China o contrato para a elaboração de um “relatório de estudo da viabilidade da barragem de maré no Porto Interior - Prospecção Geotécnica e Estudo Temático”. O consórcio é composto pela entidade China Water Resources Pearl River Planning Survey e Scientific Institute of Pearl River Water Resources Protection e vai ganhar das mãos do Governo mais de 56 milhões de patacas. O estudo deverá estar concluído em 2018.

O

Museu do Grande Prémio vai acolher oito figuras de cera de pilotos que se destacaram no Circuito da Guia, feitas pela empresa Merlin Attractions, responsável pelos museus Madame Tussauds. A informação foi publicada, ontem, no Boletim Oficial e confirmada, ao HM, pela directora da Direcção de Serviços de Turismo, Maria Helena de Senna Fernandes. Como parte do acordo, o Governo, através do Fundo de Turismo, compromete-se a pagar 16,5 milhões de patacas à Merlin Attractions. O pagamento de metade do montante é feito já este ano, o restante vai ser feito em 2019. “É uma opção que faz sentido também à luz das palavras do secretário Alexis Tam, que realçou a importância de ter conteúdos de

A empresa de Hong Kong AECOM foi a escolhida pela via do concurso público para fazer um “estudo de implementação” da construção de habitação pública na avenida Wai Long, no mesmo terreno onde iria nascer o complexo La Scala. O estudo em questão vai custar aos cofres do Governo quase 16 milhões de patacas e deverá estar concluído em 2018. Vários deputados têm defendido a necessidade de construir mais casas públicas no local, ainda que não exista consenso sobre o assunto.

GP MUSEU COM FIGURAS DO MADAME TUSSAUDS

Pilotos de cera

O Governo vai pagar 16,5 milhões para que a empresa responsável pelo museu Madame Tussauds faça oito figuras de cera com pilotos que se destacaram no Grande Prémio de Macau nível mundial no museu. Não fazia sentido apenas limitarmo-nos a expandir as instalações e não trazer conteúdos fortes”, disse Maria Helena de Senna Fernandes. “É uma colaboração para oito modelos de cera, que é o forte deles [Merlin Attractions]. Isto não quer dizer que não se possa estender a outras áreas, como a venda de lembranças no museu. É

algo que ainda está em fase de análise”, explicou. Em relação aos pilotos que vão estar representados no museu, Maria Helena de Senna Fernandes admitiu que existe uma lista com o nome dos desejados, mas que não é definitiva. No entanto, garante que houve a preocupação de ter várias categorias representadas, além dos talentos de Fór-

mula 3, que acabaram por ser campeões mundiais de Fórmula 1. “Temos uma lista com os pilotos que pretendemos ter representados em cera, mas ainda estamos na fase das negociações para saber os oito finalistas. Depois, também precisamos de obter autorização dos pilotos, ou das famílias, no caso de já terem falecido”, explicou.

“A maioria dos pilotos tem estatuto internacional e correu em Macau. Por outro lado, temos a preocupação de manter um certo equilíbrio. Não queremos apenas pilotos da Fórmula 3 que foram campeões de Fórmula 1. Queremos que as motas e os carros de turismo também estejam representados”, sublinhou.

PARCERIA INOVADORA

A responsável da DST revelou ainda que a parceria é inovadora, visto esta ser a primeira vez que a empresa produz figuras de cera para terceiros. Um cenário novo que exigiu mais preparação do que o habitual. “É um modelo de colaboração que resultou de uma negociação trabalhosa. Não se pode dizer que tenha sido difícil, porque não foi esse o caso. Só que é a primeira vez que eles estão a produzir

As estimativas do Governo apontam para que o museu do Grande Prémio reabra as portas em 2019 estátuas de cera para ficarem em espaços que não são geridos por eles”, revelou. “Foi uma parceria possível porque eles viram os nossos planos para o futuro do museu e gostaram. Consideraram que era uma oportunidade para desenvolverem um modelo para novas colaborações no futuro”, justificou. As estimativas do Governo apontam para que o museu do Grande Prémio reabra as portas em 2019. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


10 eventos

10.10.2017 terça-feira

Saiu de Pequim para criar uma editora de nicho em Portugal, que só publica livros que versam sobre esse grande país que é a China e todo o continente asiático. Em entrevista, Maria João Belchior fala dos desafios que é publicar livros do outro lado do mundo no mercado editorial português Colaborou com vários meios de comunicação em Macau, viveu em Pequim, até que decidiu ir para Portugal e fundar a Livros de Bordo. Porquê publicar livros sobre a China e a Ásia? Eu vivi durante 12 anos em Pequim onde trabalhei como correspondente para Portugal e Macau. Regressei a Portugal no último dia do ano 2013 (tinha chegado em 2002). A ideia de abrir uma editora focada em temas sobre a Ásia já vinha de há algum tempo, porque, apesar de haver muitos livros bons sobre a Ásia e o Oriente, encontrei vários que nunca tinham sido publicados. A Livros de Bordo nasce de um amor aos livros e de uma experiência bastante longa de vida na Ásia. Apesar de ter passado muito tempo na China, estive também no Japão, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Tailândia, Laos, Cambodja, Índia, Taiwan. Fui encontrando livros e temas que nunca tinham sido

MARIA JOÃO BELCHIOR

FUNDADORA DA EDITORA “LIVROS DE BORDO”

“Faltam conhecimentos sobre a China antiga” publicados, ou que se encontravam há muito esgotados em Portugal, e decidi arriscar no mundo da edição. Publica livros académicos sobre a sociedade, cultura ou sistema político da China, ou mais obras de escritores chineses?

A editora só conta até agora – Outubro de 2017 – com sete títulos publicados dos quais dois são reedições da obra de Wenceslau de Moraes. Cinco dos livros são inéditos. Os temas não têm sido exclusivos da China. Um deles apenas “Quando Mil Milhões de Chineses Saltam” é uma viagem

pela China atravessando todas as províncias e registando os problemas ambientais e as soluções que têm sido encontradas. O autor, Jonathan Watts, foi correspondente do The Guardian na China durante 12 anos. Outro dos livros “A Antiga Rota do Chá e dos Cavalos” é uma viagem

de um explorador canadiano pela história do comércio do chá desde as primeiras trocas que se faziam entre a província de Yunnan e o Tibete. Os outros três livros passam pela Mongólia, pelo Tibete e pela Índia. Não são livros académicos mas registos históricos de viagens feitas, nomeadamente desde

o século XIII. “A História dos Mongóis aos Quais Chamamos Tártaros” é uma obra traduzida pela primeira vez do latim com o registo de viagem de um frade franciscano, Giovanni da Pian del Carpini, que chegou à corte Mongol em 1247. O livro “Cartas do Tibete” reuniu pela primeira vez na íntegra as quatro cartas escritas pelo padre jesuíta António de Andrade sobre a sua viagem até ao reino de Guge, no Tibete, e a criação da primeira missão jesuíta naquele território na primeira metade do século XVII. Quais os grandes desafios de publicar estas obras em Portugal? Prendem-se com a tradução, sobretudo? Publicar livros históricos tem sempre alguma dificuldade por


eventos 11

terça-feira 10.10.2017

“Existe certamente o desafio de tradução de, por exemplo, textos clássicos, que é algo quase inexistente em Portugal pela dificuldade que representa” MARIA JOÃO BELCHIOR FUNDADORA DA LIVROS DE BORDO

histórico, tanto pela linguagem utilizada como pelo cenário descrito. As dificuldades de edição estão sobretudo ligadas à escala, porque sendo uma editora pequena é mais difícil entrar nas grandes redes de livrarias, o dito “mercado”. De qualquer maneira, já temos dois títulos em segunda edição o que mostra que tem havido interesse no trabalho por parte do público. Quais os temas ou obras que mais interessam aos leitores portugueses? Querem compreender a China de hoje ou querem ler mais autores chineses? É sempre complicado generalizar. Creio que existe um interesse por todos os temas, sendo que há formas mais comerciais de vender livros ou temas. A Livros de Bordo é uma editora de nicho e apenas posso dizer que existe de facto interesse na China, mas também na Ásia e na sua história antiga.

serem livros específicos, que num sentido geral se podem considerar literatura de viagens, quando se fala na viagem feita

há poucos anos pela Rota do Chá e dos Cavalos. No entanto, viagens do século XIII ou do século XVII têm um pendor

NOVIDADES E INÉDITOS

E

nsaio, História, Ciências Sociais e Meio Ambiente, sem esquecer Viagens. Estes são os temas principais que compõem o catálogo da Livros de Bordo, que acaba de lançar a obra “Índia”, de Albert Londres. O lançamento das primeiras obras começou nos anos de 2014 e 2015 e o objectivo era mostrar “algumas obras inéditas em Portugal”. Há ainda a vontade de “recuperar obras que gostaríamos de ver de novo publicadas”. “Ao longo do processo de criação da Livros de Bordo, notámos que a intenção de abrir uma editora provoca o mais variado tipo de reacções que vão do espanto e admiração, ao receio, ao reconhecimento, a uma descrença generalizada, ou a uma crença optimista. Por vezes tudo num só diálogo. Não deixando de ser interessante tentar encontrar resposta para todas as questões e dúvidas que se colocam, a mesma leva-nos invariavelmente a uma conversa sobre livros e edição. É esse o ponto de partida”, lê-se no website da editora.

Há ainda um grande desconhecimento em relação à China e à Ásia, apesar de existir uma maior publicação de livros nos últimos anos? Esta é outra resposta que não consigo dar com certeza. Há momentos em que determinados assuntos se tornam mais apelativos, seja pelos acontecimentos da actualidade, seja pelo momento criado pelos media, como por exemplo a divulgação de filmes históricos. É natural que a China ocupe um grande espaço, mas também é verdade que há já muitos títulos no mercado sobre a nova realidade chinesa. Por vezes, até o que falta mais é conhecimento sobre a China antiga. Aqui existe certamente o desafio de tradução de, por exemplo, textos clássicos, que é algo quase inexistente em Portugal pela dificuldade que representa. Só que também aqui tem havido uma grande mudança à medida que existe mais curiosidade sobre o país e a sua cultura. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Petasite Nome botânico: Petasites hybridus (L.) “G.Gaertn., B.Mey. & Scherb.” Sinonímia científica: Petasites officinalis Moench; Tussilago hybrida L. Família: Asteraceae (Compositae). Nomes populares: PETASITEHÍBRIDA; PETASITES; SOMBREIRO. Nativa das regiões frias e temperadas da Europa e Ásia, a Petasite encontra-se nos locais húmidos e sombrios, crescendo em grupos de numerosos exemplares; habita as margens dos lagos, prados regularmente inundados e bosques. É uma planta curiosa: do seu rizoma espesso e rastejante nasce, no início da Primavera, um caule viloso, oco e provido de escamas de cor ruiva, com capítulos de flores rosadas ou violáceas, formando cachos; só depois surgem as folhas, com cerca de 30 cm de diâmetro – as maiores do reino vegetal europeu –, em forma de coração e com um longo pecíolo. Pode alcançar mais de um metro de altura. O seu nome botânico Petasites provém do grego, petasos, e significa aproximadamente “chapéu de aba larga”, numa alusão ao tamanho das suas folhas usadas como chapéu pelos pastores e pessoas do campo. Utilizada como remédio desde a Antiguidade, a Petasite foi mencionada por Dioscórides e Laguna. Tabernaemontanus, médico e botânico alemão do século XVI, escreveu: «… é boa contra os espasmos… a raiz tem a capacidade de expulsar a urina… expulsa as toxinas através do suor». Em fitoterapia são usados as raízes, os rizomas e, menos vezes, as folhas. Composição Traços de alcalóides pirrolizidínicos (senecionina); sesquiterpenos (petasina), óleo essencial, resinas, taninos, mucilagens, inulina e pectina. Aroma suave (raiz) e repugnante (pecíolo); sabor amargo. Acção terapêutica De comprovados efeitos antiespasmódicos, a Petasite inibe o aparecimento de substâncias inflamatórias, suaviza as vias respiratórias, favorece a expectoração e acalma a tosse beneficiando as afecções do peito; é ainda sudorífica e tónica. Tem sido usada no tratamento da tosse, catarro, constipação e gripe, sendo especialmente benéfica nos problemas pulmonares como bronquite, broncopneumonia, asma e tosse convulsa; na asma evita a recorrência

das crises agudas. Também pode ser tomada em caso de faringite, laringite, rouquidão, afonia e traqueíte pelas propriedades já referidas. Devido à sua acentuada acção antialérgica, é eficaz na rinite alérgica, aliviando a congestão nasal, espirros, comichão e rinorreia. Além de antiespasmódica e anti-inflamatória, esta erva é analgésica, sendo muito recomendada nas dores de cabeça de tensão e enxaquecas; nestas últimas reduz a sua frequência, duração e intensidade. É igualmente indicada nas cólicas renais, bem como nos espasmos gastrintestinais, coronários, dores menstruais e articulares. A Petasite tem demonstrado ser útil em situações de gastrite e úlcera do estômago. Tradicionalmente, tem sido empregue pela actividade diurética na retenção de líquidos, micção difícil ou dolorosa, inflamações urinárias e cálculos urinários que ajuda a dissolver e, como sedativo, na agitação, nervosismo, insónia e stress. Outras propriedades Com acção adstringente, a Petasite desinflama e cicatriza a pele, sendo usada nas feridas, erupções cutâneas, furúnculos, flebites e gânglios inflamados; também tem sido utilizada para acalmar as dores articulares. Como tomar Uso interno: Em xarope e cápsulas, em fórmulas, para as alergias respiratórias, afecções do tracto respiratório inferior e enxaquecas. Uso externo: Cataplasmas das folhas frescas esmagadas: aplicar no local afectado. As folhas frescas também podem ser aplicadas directamente na pele. Precauções A Petasite contém quantidades variáveis de alcalóides pirrolizidínicos que podem produzir lesões hepáticas e favorecer o aparecimento de cancro, sendo por isso totalmente desaconselhada a preparação de infusões. Actualmente encontram-se no mercado extractos livres destes alcalóides que não apresentam estes riscos – só estes devem ser usados (confirmar no rótulo). Por falta de estudos que avaliem a sua segurança, mesmo estas preparações estão contra-indicadas na gravidez, lactação, crianças com idade inferior a seis anos e pessoas com doenças hepáticas. Os estudos realizados não relataram efeitos adversos. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


12 publicidade

10.10.2017 terça-feira

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 665/AI/2017

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 669/AI/2017

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora ZHOU DONGFEI, portadora do Passaporte da RPC n.° E34596xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 27.1/DI-AI/2016, levantado pela DST a 28.02.2016, e por despacho da signatária de 16.06.2017, exarado no Relatório n.° 405/DI/2017, de 26.05.2017, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua de Kunming n.° 92, Phoenix Garden, 12.° andar D.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.--------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor CHONG

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 15 de Setembro de 2017.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 15 de Setembro de 2017.

KIN FAI, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.° 74326xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 34/DI-AI/2015 levantado pela DST a 14.04.2015, e por despacho da signatária de 15.09.2017, exarado no Relatório n.° 676/DI/2017, de 04.09.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Nagasaki n.° 50-A, Jardim San On, Bloco 2, 6.° andar L, Macau onde se prestava alojamento ilegal.-------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 30 dias, conforme o disposto na alínea a) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.--------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.------------------------------------------------------------

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 678/AI/2017

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 690/AI/2017

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor LAM WAI KIT, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.° 51281xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 27/DI-AI/2016, levantado pela DST a 28.02. 2016, e por despacho da signatária de 16.06.2017, exarado no Relatório n.° 404/DI/2017, de 26.05.2017, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Kunming n.° 92, Phoenix Garden, 12.° andar D onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora IAO WAI CHIO, portadora do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.° 73428xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 48/DI-AI/2015 levantado pela DST a 02.05.2015, e por despacho da signatária de 12.07.2017, exarado no Relatório n.° 459/DI/2017, de 19.06.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Avenida do Infante D. Henrique n.° 11, Edf. Kuan Fat Fa Yuen 14.° Andar C onde se prestava alojamento ilegal.-------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 30 dias, conforme o disposto na alínea a) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.------------------------------------------------------------

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 15 de Setembro de 2017.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 15 de Setembro de 2017.

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


china 13

terça-feira 10.10.2017

NÚMERO RECORDE DE VIAGENS DURANTE SEMANA DOURADA

Milhões em trânsito

C

OM um número recorde de viagens realizadas nos últimos oito dias, os feriados do Dia Nacional, um dos momentos mais importantes na China, inspirou grandes mudanças na forma como as pessoas viajam. Geralmente, os feriados do Dia Nacional vão de 1 a 7 de outubro, sendo comummente designado como “Semana Dourada”. Contudo, este ano, o feriado foi prolongado para oito dias, já que coincidiu com o Festival do Meio do Outono. A maior duração dos feriados permitiu que um número recorde de pessoas viajasse, informa o Diário do Povo. As estatísticas da Administração Nacional de Turismo da China (CNTA, na sigla inglesa) mostraram que 705 milhões de viagens foram realizadas durante os feriados deste ano, tendo 663 milhões sido registadas nos primeiros sete dias, um aumento de 12% em relação ao período homólogo do ano anterior. Mas, o número crescente de viagens não é a única mudança nos últimos anos. As viagens ferroviárias, especialmente nos comboios de alta

velocidade, permitiram que mais pessoas viajassem durante os feriados. As estimativas da China Railway Corp, operadora ferroviária nacional, mostram que cerca de 40% das viagens durante os feriados foram feitas de comboio, inclusive no TGV Fuxing, a operar desde Junho.

705

milhões de viagens foram realizadas durante os feriados deste ano

Ao mesmo tempo, a política de livre circulação nas vias rápidas durante os feriados públicos, que entrou em vigor durante as férias desde 2012, tornou as viagens rodoviárias mais baratas e convenientes, incentivando mais pessoas a viajar de carro. Yang Pei, 46, residente em Dezhou, província de Shandong, viajou de carro com a sua família até Tianjin. Noutros dias, uma viagem entre sua cidade natal e o município do norte da China teria o custo de portagem de 210 yuan. “Com a política de livre circulação nos feriados, o único custo durante esta viagem é a gasolina, que é de cerca de 300 yuan”, disse Yang. “É muito mais económico, pois viajar no TGV custaria o dobro ou triplo”. Além disso, os turistas usaram também bicicletas compartilhadas com maior frequência durante os feriados. De acordo com a Ofo, uma das maiores empresas de partilha de bicicletas, a frequência de uso das suas bicicletas aumentou 15% durante os feriados, reduzindo as emissões de carbono em cerca de 78 mil toneladas métricas.

HONG KONG NOVAS REGRAS CONTRA BLOQUEIOS PARLAMENTARES

O

Conselho Legislativo de Hong Kong vai adoptar esta semana novas medidas para prevenir bloqueios nas reuniões da comissão das finanças, foi ontem anunciado. De acordo com a emissora pública de Hong Kong RTHK, o líder da comissão, Chan Kin-por, disse que as novas directivas vão ser emitidas na sexta-feira, de modo a alterar as regras sobre as reuniões, incluindo a possibilidade de banir deputados indisciplinados durante um dia. Chan disse considerar a possibilidade de estender a proibição a mais de um dia em casos extremos. Nesse caso, o presidente da comissão deve apresentar uma justificação, indicou. As novas regras devem entrar em vigor no próximo dia 21. Chan desvalorizou as preocupações do campo pró-democracia de que a sua capacidade de monitorização venha a ser reduzida, argumentando que pretende ver o oposto acontecer. “O que eu quero é cortar o tempo [gasto] a argumentar sobre procedimentos e usar esse tempo para fazer perguntas ao Governo”, disse. “O que não é bom ou apropriado é ver dirigentes do Governo ali sentados, sem fazer nada, enquanto os membros estão a argumentar uns com os outros sobre procedimentos”, disse Chan.

Região

A família quer-se por perto Kim Jong-un nomeia irmã para direcção política do partido no poder

O

Presidente norte-coreano, Kim Jong-un, promoveu a sua irmã mais nova à direcção política do partido que lidera a Coreia do Norte. A promoção de Kim Yo-jong à direcção política do comité central do partido ocorreu numa reunião de dirigentes do partido, numa altura em que a Coreia do Norte assinala o 20.º aniversário da aceitação de Kim Jong-il, pai do actual líder, do título de secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Coreia. Kim Jong-il, já falecido e conhecido na Coreia do Norte como o “eterno secretário-geral”, é pai de Kim Jong-un e de Kim Yo-jong. Milhares de pessoas, a maioria estudantes, encheram a praça Kim Il-sung, em Pyongyang, para dançar e ver o fogo-de-

-artifício para marcar a celebração, na noite de domingo. Na madrugada de ontem, a imprensa estatal norte-coreana anunciou que os principais dirigentes do país se tinham reunido na véspera, num encontro chefiado por Kim Jong-un. Na ocasião, o líder norte-coreano insistiu nas provocações contra os Estados Unidos da América e a sua determinação em avançar com o programa nuclear, ao mesmo tempo que promete um “novo crescimento” da economia do país para mostrar a sua força, apesar das sanções internacionais impostas sobre o comércio e do isolamento de Pyongyang, devido aos testes nucleares. A irmã mais nova de Kim, que deverá ter entre 28 e 30 anos, é considerada uma das pessoas mais próximas do líder da Coreia do Norte. Os dois são irmãos verdadeiros,

ambos filhos da mesma mãe, Ko Yong Hui.

RAMO ÚNICO

Michael Madden, fundador de uma organização que observa o regime norte-coreano, considera que a nomeação da irmã mostra que os descendentes de Ko Yong Hui “foram determinados como o único ramo de sucessão da família Kim”, tendo em conta o assassinato do meio irmão do líder, Kim Jong-nam. Duas mulheres, uma indonésia e outra vietnamita, estão a ser julgadas na Malásia pela sua alegada participação na morte de Kim Jong-nam no aeroporto de Kuala Lumpur, em Fevereiro. Antes da sua morte, o meio-irmão, cuja existência era praticamente desconhecida entre os norte-coreanos, tinha uma vida

luxuosa num exílio fora da Coreia do Norte. Apesar de a atenção estar focada em Kim Yo-jong e nas armas nucleares da Coreia do Norte, Madden considera que as mudanças demonstram uma grande atenção na economia do país, que tem estado a crescer, mas pode sofrer um duro golpe devido às novas sanções, mais duras, impostas sobre Pyongyang. O responsável afirmou que o primeiro-ministro norte-coreano, Pak Pong-ju, parece ter uma crescente influência na designação de dirigentes que ele próprio formou e considerou que o regresso de Thae Jong-su, um tecnocrata que desempenhou vários cargos importantes até ao ano passado, é de realçar, dada as suas “boas e duradouras relações com a China”. A Coreia do Norte depende em grande parte do comércio com a China, mas Pequim está a colocar cada vez mais pressão sobre Pyongyang, numa tentativa de aliviar a tensão com Washington.


h

As listas Chego a pensar que ficarei soterrado sob o estranhíssimo aluvião de tantas imagens da minha vida.

10.10.2017 terça-feira

Uma angustia, Uma desconsolacão´ da epiderme da alma ´ ALUVIÃO Miguel Martins ERIC ROHMER, LA COLLECTIONNEUSE

14

David Mourão-Ferreira

E

RA o século XV. Jacques Coeur, rico mercador da corte de Carlos VII, explorava, entre muitas outras actividades proveitosas, a mineração de prata de Pampailly, perto de Lyon. Em inícios dos anos 90, era eu um jovem adulto, candidatei-me a participar nas escavações arqueológicas desse complexo mineiro, dirigidas por um professor da Sorbonne, de longas barbas brancas, arquétipo do soixante-huitard. Recordo-me de que, quando nos encontrámos pela primeira vez, brindou-me com esta tirada, seguida de um abraço: — Portugal? Otelo Saraiva de Carvalho! Creio que trabalhei nessas escavações cerca de dois meses, de que guardo hoje, apenas, uma meia-dúzia de imagens e sensações, coadas pelo tempo: o cheiro da terra húmida, repleta de minhocas que o nosso trabalho repetidamente amputava; a bondade das refeições, em que aprendi a apreciar esses pequenos pepinos em vinagre chamados cornichons; uma breve aventura sexual com uma jovem franco-cabo-verdiana, de volumosíssimos cabelos loiros, encarapinhados, quase sempre contidos por um lenço, mas esplendorosos quando soltos; um par de visitas a um château próximo, propriedade de um casal de velhos anacoretas, que, quando estavam de feição a receber visitas, içavam uma bandeira branca num mastro, e que, a propósito da sua assumida xenofobia, me afirmaram: “Sabe, nós detestamos estrangeiros, em teoria. Mas temos tido o azar de gostarmos de todos os que conhecemos”; uma breve viagem a Belfort, quase na fronteira com a Suíça e a Alemanha, cidade em que os caracteres franceses e germânicos se confundem; um fim-de-semana em Paris para visitar uma namorada colombiana, que trabalhava na UNESCO e morava na recatada Rue Serpente, no Quartier Latin, e com quem continuo a contactar de vez em quando, embora não nos vejamos há anos. Dessa viagem tinha, ainda há algum tempo, uma recordação física: uma cassete de Archie Shepp, saxofonista de jazz, comprada no Quai des bouquinistes.

Um dramaturgo que conheço desde que éramos crianças, isto é, há mais de quarenta anos, escreve, a dado passo, no seu único livro de poemas: “estou já demasiado anglosaxónico para escrever coisas que não sejam listas” Ora, há alguns anos, não tendo como aceder-lhes ao som, deitei para o lixo um saco cheio de cassetes, incluindo a dita. Suponho que esse desprendimento, extensivo a todo o tipo de bens materiais, signifique que compreendi que os objectos não fazem falta à memória. Pelo contrário, creio que a limitam no que tem de mais estimulante – a capacidade de se desconstruir ou destruir, de se reconstruir ou reinventar. De facto, nos últimos anos, tenho dado ou vendido quase tudo o que tinha, a começar pelos livros, a maior parte deles imediatamente a seguir a uma única leitura. Faço-o não tanto por necessidade mas por ter a noção clara de quais os que me voltarão a

interessar no futuro, que são, percentualmente, bem poucos, até porque, se, por um lado, tenho este desapego à propriedade, por outro, gosto de ler quase tudo, mesmo coisas que sei serem muito pouco valerosas ou das quais tenho consciência de ter pouca capacidade de entendimento. Assim, de alguns milhares de livros que cheguei a possuir em dados momentos, e dos muitos milhares de que, ao longo do tempo, fui proprietário, guardo, agora, poucas centenas. Muito menos, ainda, são os discos. Fotografias, por razões que não importa precisar, fiquei com pouquíssimas (a minha infância, por exemplo, ficou, para mim, quase indocumentada).

Tenho, também, alguns desenhos e fotografias de autoria de artistas amigos. E, quanto a outros objectos, se excluirmos a roupa, em que também não sou pródigo, não ocuparia muito espaço a lista exaustiva de quanto possuo! Voltando aos livros, gosto muito mais dos que partilham a vida vivida do que dos que têm o despudor de impor aos demais a entropia do escritor, isto é, a quantidade de energia deste que não é convertida em trabalho mecânico. Ou seja: desconfio daquilo a que se costuma chamar Literatura. Um dramaturgo que conheço desde que éramos crianças, isto é, há mais de quarenta anos, escreve, a dado passo, no seu único livro de poemas: “estou já demasiado anglo-saxónico para escrever coisas que não sejam listas”. Às vezes, também eu sinto que as listas – sem acréscimo de comentários – bastam a cumprir a função do texto, tanto junto do próprio escritor como junto dos leitores: fixar a memória sem recurso a objectos.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

terça-feira 10.10.2017

Máquina Lírica Paulo José Miranda

A Sombra de Teseu PERSONAGENS: Afrodite Ártemis Chefe dos Guardas Corifeu Coro de mulheres Criada de Fedra Criado de Hipólito Fedra Hipólito Teseu

(a cena representa o jardim do palácio de Trezena; Fedra e Hipólito acabaram de jantar e estão sentados num pequeno jardim privado do palácio)

FEDRA Parece que recuperaste do cansaço da viagem, Hipólito! Pelo menos, é isso que aparentas. Estou certa? HIPÓLITO Está certa, sim, Fedra. As palavras que disse acerca das más e das boas notícias acabaram por me dar algum ânimo. FEDRA Fico contente por ter ajudado. Nesta tua viagem aconteceu alguma coisa de diferente? HIPÓLITO Como assim, de diferente, Fedra? FEDRA Uma experiência nova. Um olhar novo acerca do mundo. HIPÓLITO Continuo sem entender, Fedra. Que experiência nova poderia acontecer numa viagem? FEDRA Hipólito, meu querido, tanta coisa pode acontecer numa viagem! E para alguém jovem e belo como tu, não é somente tanta; tudo pode acontecer. Vives precisamente o tempo de todas as possibilidades, o tempo do infinito que habita os mortais por um período determinado. És hoje esse infinito determinado dos mortais, Hipólito. Que pode acontecer numa viagem, perguntas tu! É como se perguntasses, o que pode acontecer numa vida? Pode acontecer tudo, querido Hipólito. HIPÓLITO Parece-me que estou a entender o que diz, minha madrasta, mas isso não se aplica a mim. FEDRA Não se aplica a ti, porquê, Hipólito? Por acaso és um deus, aos quais as leis que regem os mortais não se aplicam?

HIPÓLITO (um pouco embaraçado) Não sou um deus, Fedra, mas sou um devoto obstinado da melhor das deusas, Ártemis. E isso, só por si, faz com que onde quer que eu ande, ou com quem quer que ande, não haja senão a mesma possibilidade de devoção a ela e à sua castidade. FEDRA E por que dizes que Ártemis é a melhor das deusas, Hipólito? Conheces todas as deusas, todos os deuses para te pronunciares dessa maneira tão peremptória, tão pouco conveniente a um mortal? HIPÓLITO Não, Fedra, não conheço. Mas do mesmo modo que não preciso de conhecer tudo o que existe, para saber aquilo que me convém, também não preciso de conhecer todas as deusas e deuses para saber aquela que me convém, e que é para mim a melhor. FEDRA Entendo-te, Hipólito! Mas não podemos julgar os deuses pela nossa medida. O que é um bem pode ser um mal e um mal pode ser um bem, vindo dos deuses e aos nosso olhos. Não achas que o amor entre um homem e uma mulher possa ser um bem, um grande bem? HIPÓLITO Se for um amor carnal, não. Nenhum amor carnal pode ser entendido como algo superior. Por isso te digo, sem quaisquer dúvidas acerca deste assunto, Afrodite nunca poderá igualar-se a Ártemis; ser-lhe-á sempre inferior.

FEDRA Cuidado com as palavras, Hipólito, os deuses são-nos superiores, mas também padecem de paixões. E não te parece que sem Afrodite, nós mortais, não poderíamos procriar, e assim perpetuar-nos pelo tempo? Não te parece que a nossa imortalidade, ao contrário da dos deuses, passa através do corpo, da união dos corpos? HIPÓLITO Fedra, minha madrasta, não quero ofender nenhuma deusa, mas não posso deixar de pensar o que penso e assim dizê-lo, se mo pedirem. Esses são os ensinamentos de Ártemis. Quanto à união dos corpos, não vejo nisso nenhuma elevação. Vejo antes uma maldição que nos concederam, aos sermos obrigados a descer ao corpo, para fazermos de deuses e originarmos um filho. Na realidade vejo isso como um grande embuste, Fedra. Os deuses concederam-nos uma pequena imitação deles mesmos, a um preço muito elevado: o de termos de não ser somente alma e espírito. Termos de descer ao corpo para procriar é uma rocha presa ao pé, que não nos deixa voar. Trocava facilmente essa imitação dos deuses por mais uma dívida aos deuses, Fedra. (fica com o olhar longe) FEDRA E que dívida é essa, que querias contrair com os deuses, em troca da procriação, Hipólito, posso saber? HIPÓLITO (regressando desse olhar longe e fixando agora Fedra nos olhos) Que os deuses, eles mesmos, nos dessem os filhos, sem que precisássemos de nos deitar com uma mulher. (faz-se silêncio) FEDRA Hipólito, tens assim uma imagem tão terrível do amor? HIPÓLITO Do amor, não, Fedra. Do amor carnal! Do amor que Afrodite semeia nos mortais, necessário até para o nascimento dos filhos, mesmo que não exista qualquer elevação entre os pares que se juntam para a concepção dos mesmos. O nascimento dos filhos, hoje, tanto pode ser entre as piores pessoas quanto entre as melhores. E pode até ser entre ambos cruzados, um bom e outro mau. Um filho, Fedra, por si só, não prova nada. Até, ao que parece, nos deuses há os bons e os maus. Olha o exemplo de Zeus que fez uma filha de excelência, Ártemis, e outra... (Fedra tapa-lhe a boca, com furor) FEDRA Por favor, querido, não digas mais nada! (ficam por momentos nos olhos um do outro e a mão de Fedra entre eles; por fim, Fedra recua um pouco e continua a falar)

(SEGUNDO EPISÓDIO) Há amor carnal, Hipólito, que é realmente como tu pensas que é todo o amor carnal; mas há amor carnal que é elevado, meu querido. Vê o caso de Eros, filho de Afrodite! Não te parece que ele promove verdadeiros encontros, que o amor que nasce de suas flechas é elevado, apesar de despertar um desejo avassalador entre os amantes? Não há um verdadeiro encontro entre dois mortais sem uma atracção fulminante pelo finito e infinito de cada um, Hipólito; uma atracção pelo corpo e pela alma. Este é o amor de Eros! Este é o amor que sinto, Hipólito! (cala-se, de repente, fica ainda um pouco a fixar os olhos de Hipólito, que também a fixa, mas depois desvia-os e vira-se de costas) HIPÓLITO (depois de algum silêncio) Mas como pode o desejo ser bom, Fedra? Explica-me isso, por favor! Como, se ele mesmo é um alheamento de nós próprios? FEDRA (voltando-se para Hipólito, sorrindo um pouco) Meu querido, tudo neste mundo pode ser bom e mau, dependendo de nós e do uso que fazemos do que sentimos. Não direi tudo, Hipólito, mas quase tudo. Para ti, nesta vida, o mundo todo é terra ou água, céu ou fogo. Mas devo dizer-te que poucas coisas são assim tão completamente estanques na vida, meu querido. E porque para ti não há nada senão os opostos, como se o mundo não passasse de uma eterna guerra, não consegues ver que o amor carnal de que falas é a paixão sem medida, a paixão sem nada em comum, que não seja o corpo. E que o verdadeiro amor carnal, o amor que nasce das flechas de Eros, é o fim da guerra, a paz entre os opostos; o reconhecimento por parte do corpo de que o desejo só existe mesmo, só existe com tamanha intensidade, porque o corpo viu a alma fora de si, e a alma reconheceu nesse corpo que não é o seu, a imagem perdida com que sempre sonhou. HIPÓLITO Dito assim, Fedra, parece bonito. Parece até que é verdade, e até dá vontade de senti-lo... FEDRA (aproxima-se de Hipólito, toca-lhe no rosto, olha-o, fala) E é verdade, querido! É tão verdade como estarmos agora aqui os dois, sozinhos, e sentindo tudo isto, como se o sentimento fosse as asas das palavras que vamos dizendo um ao outro; olhos que falam, meu querido! O que sinto por ti, Hipólito, é amor, é verdade. (e beija o enteado na boca; o beijo dura algum tempo, até que Hipólito empurra Fedra, que se desequilibra) HIPÓLITO Que vergonha! Que vergonha! (acaba a cena e entra o coro de mulheres)


16

h

10.10.2017 terça-feira

´

cidade ecrã Rui Filipe Torres*

AL BERTO em filme versão pop gay

O

filme AL BERTO, do realizador Vicente Alves do Ó, teve estreia comercial a 5 de Outubro de 2018. Um filme é sempre o resultado de duas coisas, o olhar de quem o filma e as condições de produção que o circunscreveram. Este axioma encerra e contém todos as variáveis, equipas artísticas e técnicas, contextos, estéticas e pensamento cinematográfico, distribuição e mercados. Este AL BERTO é o do Vicente Alves do Ó. Na nota biográfica que se pode ler na página da Assírio & Alvim, editora da obra poética do AL BERTO, prémio PEN de poesia em 1987, lê-se : “Poeta e editor português, de nome completo Alberto Raposo Pidwell Tavares, nasceu a 11 de Janeiro de 1948, em Coimbra, e faleceu a 13 de Junho de 1997, em Lisboa. Tendo vivido até à adolescência em Sines, exilou-se, entre 1967 e 1975, em Bruxelas, dedicando-se, entre outras atividades, ao estudo de Belas-Artes. Publicou o primeiro livro dois anos depois de regressar a Portugal. Em mais de vinte anos de actividade literária, a expressão poética assumida por Al Berto, o pseudónimo do autor, distingue-se de qualquer outra experiência contemporânea pela agressividade (lexical, metafórica, da construção do discurso) com que responde à disforia que cerca todos os passos do homem num universo que lhe é hostil. Trazendo à memória as experiências poéticas de Michaux ou de Rimbaud, é no próprio sofrimento, na sua violenta exaltação, na capacidade de o tornar insuportavelmente presente (nas imagens de uma cidade putrefacta, na obsidiante recorrência da morte e do mal, sob todas as suas formas) que a palavra encontra o seu poder exorcizante, combatendo o mal com o mal. É neste sentido que Ramos Rosa fala de uma “poesia da violência do mundo e da realidade insuportável”: “a opacidade do mal ou a agressividade do mundo é tão intensa que provoca um choque e um desmoronamento geral”, mas “à violência desta destruição responde o poeta com uma violenta negatividade que é uma pulsão de liberdade absoluta, que procura por todos os meios o seu espaço vital.”, sublinhando ainda a forma como esta espécie de “grito de fragilidade extrema e irredutível do ser humano, do seu desamparado infinito, da sua revolta absoluta e sem esperança”, se consubstancia, ao nível do estilo, num ritmo “ofegante, precipitado, como um assalto contínuo feito de palavras tão violentas como instrumentos de guerra” (cf. ROSA, António Ramos - A Parede Azul. Estudos Sobre Poesia e Artes Plásticas, Lisboa, Caminho, 1991, pp. 120-121).” No filme do Vicente Alves do Ó, conhecemos um Al Berto nos anos de 1975, em Sines, regressado do seu exílio em Bruxelas. Importa notar que 1975 é o ano quente, o tempo de maior tensão social e cultural vivido na sociedade portuguesa depois dos anos de convulsão do final da regime Monárquico e implantação da República nos anos de fronteira do séc. XIX para o Séc. XX. O mundo estava ainda dividido em mundo livre, o mundo Ocidental de econo-

mia de mercado aberto, e o mundo para lá da “cortina de ferro” , a Europa Oriental e a sua zona de influência , de sistema comunista, mercado planificado e onde o Estado era assumido como um poder de classe, mas naquele caso, a classe dos proletários. Em Portugal sonhava-se as possibilidades do mundo. Sines avançava nos projetos já anteriormente decididos ( Estado Novo) da grande indústria da energia a partir do petróleo. Sines, a vila porto de pesca, vivia novos enxames, gente que chegava das ex-colónias e ali procurava um recomeço de vida, e mão de obra à procura do salário. A Sines chegava também o poeta. A casa apalaçada da sua família tinha, como tantas outras, sido objecto de expropriação. Desabitada, era o lugar ideal para um Maio de 68, não em Paris, mas em Sines. Este é o contexto. O filme mostra um AL BERTO em que o seu capital de transgressão pouco mais parece ser do que o desregramento e o amor homossexual . Poderá a muitos não parecer pouco. Para mim é. Pouco se percebe, para quem não o saiba já, do tempo social e histórico em que a narrativa acontece. Pouco se sabe da profunda sensibilidade estética, do homem que na sua vida e já naquele tempo teve como lugar absoluto a sua obra literária. Por essa altura, 1974/75 escreveu “ À PROCURA DO VENTO NUM JARDIM D’ AGOSTO” , em “atrium” , lê -se: “ luta de sonâmbulos animais sob a chuva, insectos quentes escavam geometrias de baba pelas paredes do quarto, em agonia, incham, explodem contra a límpida lâmina da noite, são resíduos ensanguentados do ritual. na cal viva da memória dorme o corpo. vem lamber-lhe as pálpebras um cão ferido. acorda-o para a inútil deambulação da escrita. abandonado vou pelo caminho de sinuosas cidades, sozinho, procuro o fio de néon que indica a saída.

eis a deriva pela insónia de quem se mantem vivo num túnel de noite, os corpos de Alberto e Al berto vergados à coincidência suicidaria das cidades. eis a travessia deste coração de múltiplos nomes: vento, fogo, areia, metamorfose, água, fúria, lucidez, cinzas. ardem cidades, ardem palavras, inocentes chamas que nomeiam amigos, lugares, objectos, arqueologias, arde a paixão no esquecimento de voltar a dialogar com o mundo, arde a língua daquele que perdeu o medo. germinam fluidos mágicos por dentro da matéria contaminada do corpo, os órgão profundos gemem assustados pelo excesso, nunca mais voltámos a encontrar um paraíso. a pausa para respirar não existe, o tempo dos grandes desertos absorveu a seiva dos adolescentes dias. a insónia, essa ferida cor de ferrugem, festeja noctívagas alucinações sobre a pele. no ácido écran das pálpebras acendem-se quartos alugados onde pernoitamos. são enfim brancos esses pedaços de memória onde dávamos abrigo e sossego aos corpos. para sobreviver à noite decidimos perder a memória. cobríamo-nos com musgo seco e amanhecíamos num casulo frio, perdidos no tempo, mas, antes que a memória fosse apenas uma ligeira sensação de dor, registámos inquietantes vozes, caminhámos invisíveis na repetição enigmática das máscaras, dos rostos, dos gestos desfazendo-se em cinza. escutámos o que há de inaudível em nossos corpos. era quase de manhã no fim do cansaço. despertava em nós o vago e trémulo desejo de escrever. ... O filme AL BERTO do Vicente Alves do Ó, acontece, propõe-se acontecer no tempo desta escrita, e tem o mérito de nos permitir regressar a ela, de exigir mesmo esse regresso a todo do corpo da escrita do poeta, porque é aí, e só aí, que sen-

timos o batimento do sangue, o sal das lágrimas, o espanto e o horror do mundo, neste combate em que raramente se passa o estágio de aprendiz ofuscados na euforia das guitarras eléctricas e esparsos fios de mel. Vicente Alves do Ó, é um realizador inteligente, sabe o que quer, sabe onde está. Sabe também que cenas como a vandalização da livraria que coloca no filme não aconteceram. Sabe que a homossexualidade e o comportamento transgressivo da norma sexual é um dado permanente e comum, embora sempre um interdito, no quotidiano das comunidades, sejam rurais ou citadinas, agora ou ontem. Mas a associação direta do artista, da sensibilidade inerente à prática e exercício duro, solitário, feroz, radical, da arte, à homossexualidade, coisa muito vista cá no burgo, é uma falácia, como outras. Ser homossexual não é passaporte para ser poeta, ou cineasta, ou pintor, como evidentemente também não é impeditivo, nem barreira. Hoje, quando passam 20 anos ( o tempo corre veloz) , da morte do Alberto e do Al Berto, SINES vive-o como o seu máximo e justo herói. AL BERTO é património e identidade de SINES, tal como o Festival Músicas do Mundo recentemente distinguido - a 19 de Setembro- pela Plataforma Europeia de Festivais , entre os 715 festivais de todas as áreas artísticas, um dos seis vencedores desse prémio europeu. Ou a excomunhão farisaica de que nos fala Vicente Alves do Ó, de uma vila a expulsar um dos seus habitantes, não tem uma ligação assim tão direta ao real vivido pela comunidade, ou a mentalidade da comunidade mudou totalmente, e o pecador é agora o santo eleito. Inocente também não é colocar o partido comunista português como o agente principal da repressão à liberdade de costumes do poeta. É uma visão, a do realizador, e terá sempre o mérito de trazer à discussão o cinema português e o poeta Al Berto. No filme temos alguns rasgos do imaginário e do real, e em várias sequências estivemos perto de um tratamento com maior profundidade da complexidade do pulsar da realidade social nesse tempo retratado, mas quase sempre, a inquietude e o sonho do mundo, fica reduzida a um registo pop gay. O poeta AL BERTO resiste, foge, como sempre fez, arde no caminho solitário como cometa, resiste consciente da sua efemeridade, foge da tela para a obra, a palavra escrita, onde permanecerá maior e voz singular

* - Cineasta. Licenciado em Ciências da Comunicação pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Mestrando em Desenvolvimento de Projecto Cinematográfico na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa. O texto não segue o novo acordo ortográfico.


(f)utilidades 17

terça-feira 10.10.2017

TEMPO

?

AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

MIN

27

MAX

31

HUM

70-95%

•

EURO

9.13

BAHT

ABERTURA DO OKTOBERFEST MGM | Até ao dia 22 de Outubro

Sexta-feira

FIMM | EL FOG – MASAYOSHI FUJITA Edifício do Antigo Tribunal | 20h00

Sábado

FIMM | A FRAGANT DREAM – ÓPERA NUM ACTO Centro Cultural de Macau | 20h00

O CARTOON STEPH

FIMM | “THE ERHU FAMILY” Centro Cultural de Macau | 20h00 KINO | FESTIVAL CINEMA ALEMÃO “BERLINALE CURTAS I: UTOPIA SEM LIMITES” Cinemateca Paixão | 19h30 KINO | FESTIVAL CINEMA ALEMÃO “FITZCARRALDO” Cinemateca Paixão | 21h30 DEBATE | “O NOVO CINEMA ALEMÃO” Cinemateca Paixão | 16h00 às 17h30

DIARIAMENTE

WORLD PRESS PHOTO Casa Garden | até 22/10

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 136

EXPOSIÇÃO | “REPRESENTAÇÕES DA MULHER” Museu de Arte de Macau | Até quinta-feira BALLADA – ANIMAMIX ARTE CONTEMPORÂNEA Museu de Arte de Macau| | Até 15/10 EXPOSIÇÃO | MACAU NA 57ª EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARTE DA BIENAL DE VENEZA 2017 Museu de Arte de Macau| | Até 12/11

Cineteatro

C I N E M A

PROBLEMA 137

UM FILME HOJE

SUDOKU

DE

Domingo

1.17

NÃO TARDA NADA

DEBATE E LANÇAMENTO DE LIVRO “A POÉTICA DA LUZ NA CALÇADA PORTUGUESA” Fundação Rui Cunha | 18h30 às 20h30

KINO | FESTIVAL CINEMA ALEMÃO “O MEU ENCONTRO COM A VIDA” Cinemateca Paixão | 16h30 e 21h30

YUAN

PÊLO DO CÃO

SEMINÁRIO | “CHINA POLICY INSIGHT: GREATER BAY AREA” Fundação Rui Cunha | 12h00 às 15h00

Quinta-feira

0.23

Meu mundo, Acordo sem ti mesmo sabendo que isto é um paradoxo porque tu és tudo e estás em toda a parte, por isso como posso eu acordar sem ti? O que sei é que não faz sentido acordar e tu não estares ao meu lado, nem em lado nenhum que eu veja ou palpe ou cheire. Nada. Apenas vazio quando tu não estás, meu mundo... Não é como se não houvesse mais nada porque realmente não há mais nada além de ti. Essa é a realidade. Mas posso imaginar outro mundo qualquer, milhões de mundos, mas nunca passaria de imaginação e os meus sentidos recusá-lo-iam por nele não te reconhecerem. Tens uma pele, sabes? Que é única, é só tua. Nem sequer se trata de algo físico apesar de se poder tocar. Há uma distância intransponível entre os meus dedos e o teu corpo, meu mundo. Posso apenas simular uma carícia e as minhas mãos ondearem por ti todo vagamundas. E com isto me aproximar do que é digno e é bom, ainda que o verdadeiro toque me escape. Se calhar é mesmo assim, meu mundo: vivo em ti e por ti sem nunca te alcançar. Acordo sem ti por desfastio, sem lições ou devoções subalternas. Passei noites por tavernas quando tu eras ainda presente ou eu assim o cria. Nada então me fazia imaginar: não era preciso: abria a boca: bastava cantar. Mas poucas canções se elevaram, ainda não te conhecia, não fôramos apresentados e eu tímido num dos teus cantos, a levar-te a casa sem consequências e a despedir-me afivelando um ar enfastiado. Adeus, meu mundo, disse então. Hoje acordei sem ti. Não tarda nada vou-me embora. Carlos Morais José

DOCUMENTÁRIO “VAI PASSAR” | CHICO BUARQUE

Músico maior da Música Popular Brasileira, Chico Buarque explica neste documentário a sua luta contra a ditadura militar no Brasil e o período em que viveu exilado em Roma, Itália. As canções proibidas, as amizades em Itália e a tentativa de compreensão do que aconteceu nesse período, que duraria até 1984, sem ignorar os tempos actuais. De frisar que o documentário passou na televisão brasileira quando Lula da Silva estava no poder. Andreia Sofia Silva

BLADE RUNNER 2049 SALA 1

THE MOUNTAIN BETWEEN US [C] Fime de: HanyAbu-Assad Com: Kate Winslet, Idris Elba 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2

BLADE RUNNER 2049 [C] Fime de: Denis Villeneuve Com: Ryan Golsling, Harrison Ford, Jared Leto, Dave Bautista 14.30, 18.15, 21.15 SALA 3

THE LEGO® NINJAGO MOVIE [A]

FALADO EM CANTONENSE Fime de: Charlie Bean 14.15, 16.05, 17.50

FIREWORKS, SHOULD WE SEE IT FROM THE SIDE OR THE BOTTOM? [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Akiyuki Shimbo Com: Suzu Hirose, Masaki Suga, Mamoru Miyano, Takako Matsu 19.55, 21.30

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


18 opinião

10.10.2017 terça-feira

RUI TAVARES in Público

GRUPO PUZZLE, BANDEIRA NACIONAL

Qual estado, qual nação?

P

EGUEMOS num mapa da Europa, de Vigo a Varna (eu sei, eu sei). A Espanha, como todos agora notamos, não é um Estado-nação. Não que as elites políticas espanholas não o tenham tentado, do século XVIII até à actualidade. No fundo sempre quiseram imitar aquilo que viram acontecer com o muito centralizado Estado de França, com quem o Reino de Espanha partilhou as origens dinásticas dos Bourbons. Só que a França também não é bem um Estado-nação. Há sempre, pelo menos, a questão da Córsega. Mais a norte temos o Reino Unido, que também não é um Estado-nação. A Alemanha nem por isso, a Itália tampouco. E quanto mais formos para o Leste europeu, menos claras são as fronteiras, mais encavalitadas estão as etnias e mais confusa é a história. Em resumo: basta estudarmos por uns minutos a cartografia das nações históricas e dos movimentos separatistas no nosso continente para chegarmos à conclusão de que Estado-nação na Europa há só um, que é Portugal. E mesmo aí, mais devagar. Eu sei que ficámos todos enxofrados há umas semanas por Juncker se ter referido à Europa como indo de Vigo a Varna, mas as exigências

Basta estudarmos por uns minutos a cartografia das nações históricas para concluirmos que Estado-nação na Europa há só um, que é Portugal de que ele tivesse dito um mais clássico de “Lisboa a Tallin” mascararam apenas a facilidade negligente com que nos esquecemos de reclamar antes por uns (igualmente inexactos, mas ao menos mais inclusivos) “de Ponta Delgada a Petersburgo” ou “das Selvagens a Cheliabysnk”. Pode ser que um dia venhamos a dar pela falta. Mesmo que Portugal seja o único Estado-nação da Europa, porém, é curto — não chega para organizar o mundo como se nós fossemos a norma. O facto é que os repetidores de banalidades nos andaram a dizer durante todo o ano de 2016 que estávamos perante um regresso do Estado-nação, e vemos agora em 2017 que é difícil regressar àquilo que nunca existiu completamente. Quanto mais vociferante é o nacionalismo, mas evidente se torna a sua crise. Isto não corresponde a negar a importância da identidade, do sentimento de pertença, da constituição de redes de solidariedade comunal que por vezes coincidiram com as fronteiras das nações e/ou com as jurisdições dos estados. Posso ser português até ao tutano, como sou, e querer que os estados sejam mais capazes de cuidar dos seus. Mas isso também não me permite negar a evidência de que o contrato entre

povo, Estado e nação, dominante nos últimos 200 anos, passa agora por uma crise profunda. Não é a primeira vez na história que tal acontece. Antes, o contrato dominante nas cabeças das pessoas e na mentalidade colectiva era o que se pensava ter sido estabelecido entre súbditos, rei e Deus. Se alguma coisa de errado acontecia, havia apenas que reforçar a fé em Deus e a obediência ao rei. Até que durante o século XVIII na Europa, provavelmente sob o impacto do Grande Terramoto de Lisboa, houve quem notasse a evidência de que o contrato súbdito-rei-Deus não funcionava. O contrato povo-nação-Estado moderno, que começou a nascer então, pretendia responder à pergunta: como enterrar os mortos, cuidar dos vivos e garantir que para a próxima estamos mais prevenidos? O contrato anterior não dava resposta à nova realidade, o que não significa que todas as pessoas tenham deixado de acreditar nele: até mais de século e meio depois, no dealbar da I Grande Guerra, ainda havia quem jurasse pelo contrato súbditos-rei-Deus. Estamos um pouco na mesma situação. O nosso contrato vigente povo-Estado-nação não chega para dar resposta às grandes perguntas: como redistribuir recursos à escala global? O que fazer perante as alterações climáticas? O que vai acontecer ao trabalho com o impacto da automação? Mas enquanto os esboços de um contrato humanidade-planeta-tecnologia não estiverem mais claros, ainda vai haver muita gente a jurar pelo contrato anterior. O Estado-nação vai dominar as notícias desta semana. Mas atrás desta semana vêm muitas outras, e as verdadeiras perguntas do nosso tempo não podem continuar sem resposta.


opinião 19

terça-feira 10.10.2017

sexanálise

Porque é que se faz sexo?

E

STE pedaço de texto apresentar-se-á como um desabafo - porque existem pessoas altamente competentes, i.e., com doutoramentos e essas oficializações de inteligência e de respeito, que poderiam falar das sua disciplinas de forma diferente. Tenho a impressão que a ciência e as suas várias disciplinas desenvolvem ideias bizarras sobre os humanos e o comportamento, e tentam de alguma forma comunicá-las ao mundo de forma nua e crua. Um dos problemas teóricos nunca resolvidos é... porque é que se faz sexo? Não há respostas claras para isto, do ponto de vista da evolução. Porque aparentemente, não há vantagem em termos sexo - copular a dois para trazer filhos a este mundo. Sempre pensei que a variabilidade genética fosse a causa principal para nos termos tornado seres sexuais em vez de assexuais e de reprodução por mitoses sucessivas. Parece que não é bem assim, por isso vieram agora com a explicação que talvez seja o contacto com os micróbios e na criação de resistência a agentes estranhos. Mas também não se tem a certeza - e sobre a evolução é difícil ter a certeza porque não estávamos lá para assistir. Estas são apenas algumas explicações de porque é que há milhões de anos atrás viemos todos de seres unicelulares que se desenvolveram em seres que nós somos hoje. Se traz alguma coisa para o sexo de hoje em dia? Tenho sérias dúvidas. Mas há quem ache que sim, e que insiste em trazer estas dúvidas teóricas de quando éramos coisas, possivelmente, sem consciência, para os problemas do sexo hoje em dia. Afinal, porque raio é que fazemos sexo? Se pensarmos no comportamento humano como resultado de impulsos meramente biológicos embrulhados em algum conteúdo social, então sim, porque é que ainda nos incomodamos com esta prática de troca de fluídos? Os algoritmos da natureza e da evolução estão a ser utilizados para a evolução computacional e é bastante interessante ver que a nossa ‘estratégia sexual’ não é utilizada de todo. Isto é, o sexo não vale de nada para o mundo dos computadores – e se os computadores que têm o potencial para serem mais inteligentes que nós não precisam de sexo, a pergunta continua a insistir, porque é que nós ainda precisamos? Vou dar uma explicação ateórica, fruto de introspecção – é que eu fico mesmo incomodada quando explicam a

MILO MANARA

TÂNIA DOS SANTOS

Acho que não digo nenhum disparate quando me atrevo a julgar o sexo como quasitranscendental, e isso os computadores nunca saberão o que é nossa humanidade de forma tão mecanizada e oportunista. Nós, ao contrário dos robots, temos uma caixa negra dentro do nosso crânio que aprendeu que o sexo é bom, prazeroso e, quiçá, romântico. Também aprendemos que o sexo é socialmente difícil de ser

trabalhado, e que se rege por perspectivas e práticas muito distintas, fruto do que nós somos e gostamos de ser. Freud, o menos mecanicista de todos, envolveu o sexo em tanto mistério que lhe atribuiu a responsabilidade da nossa saúde e bem-estar. Nós já não temos sexo com a desculpa de ter bebés, nós temos sexo porque procuramos prazer e intimidade. Para os que se identificam como sexuais - excluindo os assexuais – o sexo é um veículo pessoal e social para nos descobrirmos e ao(s) outro(s). Acho que não digo nenhum disparate quando me atrevo a julgar o sexo como quasi-transcendental, e isso os computadores nunca saberão o que é.


Jovens empresas apoiar seria simplesmente dar-lhes um lugar.

Tesoura das ilhas

terça-feira 10.10.2017

PISCINAS PRIVADAS NOVO MACAU PEDE MAIS REGULAMENTAÇÃO

Braçadas quase mortais o apoio do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, Serviços de Saúde e Instituto do Desporto. Contudo, Sou Ka Hou lamenta que não seja obrigatória a presença de nadadores salvadores nas piscinas privadas, com licença. Faltam ainda planos de contingência para o salvamento nas piscinas, alertou.

HOJEMACAU

A Associação Novo Macau pede que as autoridades definam regras mais apertadas de segurança para as piscinas privadas, depois de um homem ter sido salvo de um afogamento numa piscina no Cotai

POUPANÇA DE RECURSOS

S

OU Ka Hou, o novo deputado recentemente eleito para a Assembleia Legislativa, sugere, em nome da Associação Novo Macau, que se definam novos regulamentos para melhorar a segurança nas piscinas privadas. A Novo Macau emitiu ontem um comunicado após a ocorrência de um caso em que um homem, oriundo de Taiwan, quase ia morrendo afogado numa piscina num complexo turístico do Cotai. Actualmente o homem está ainda hospitalizado e não há novos dados sobre o seu estado de saúde. O deputado eleito lembra que o caso não é único e que

já houve várias ocorrências semelhantes no passado. Para Sou Ka Hou, há a necessidade de resolver as lacunas na actual legislação sobre piscinas privadas e também ao nível da fiscalização dos hotéis. Actualmente vigoram orientações definidas pela Direcção dos Serviços de Turismo, com

Os nadadores salvadores devem ainda, na visão de Sou Ka Hou, ser sujeitos a um regime de credenciação e exame para a obtenção de licença

Apesar da existência de regras, Sou Ka Hou acredita que muitas cadeias de hotéis as ignoram, com vista à poupança de recursos. Como tal, é fundamental que o Governo acelere o processo de estabelecimento de uma nova legislação, que defina o licenciamento das piscinas e padrões de higiene a cumprir. As novas leis devem ainda, segundo o deputado designado, definir um número de nadadores salvadores obrigatório e cuidados de primeiros socorros. Os nadadores salvadores devem ainda, na visão de Sou Ka Hou, ser sujeitos a um regime de credenciação e exame para a obtenção de licença. Entretanto, o Governo recusou o pedido da deputada Kwan Tsui Hang para que as piscinas privadas abertas ao público sejam obrigadas, por lei, a contar com a presença de nadadores-salvadores. A resposta da Direcção dos Serviços de Turismo não é directa, mas não se compromete com a possibilidade de legislar sobre o assunto.

C

PUB

O presidente da Associação Sonho Macau explicou que recebeu a resposta pronta da DSE. Aos comerciantes foi explicado que o pedido de compensação pode ser alterado antes de chegar a compensação, ou no prazo de 15 dias, após a entrega do cheque.Carl Ching prometeu também que esta actividade para revisão dos pedidos vai

continuar nos dias seguintes, com o objectivo de ajudar mais pessoas a obterem a ajuda necessária. O ex-candidato a deputado revelou ainda que há comerciantes que não foram informados sobre o aumento do montante de compensação para o limite de 50 mil patacas. O presidente da Associação Sonho Macau

info@hojemacau.com.mo

O HM ERROU

TUFÃO HATO VENHA A NÓS O NOSSO REINO

ARL CHING, presidente da Associação Sonho Macau, deslocou-se ontem com cerca de uma dezena de comerciantes à Direcção dos Serviços de Economia (DSE) com o objectivo de alterar os conteúdos dos pedidos de compensação na sequência do tufão Hato e pedir que as autoridades paguem o mais cedo possível as compensações.

Vítor Ng (com A.S.S.)

defendeu igualmente um aumento da compensação pelos prejuízos a nível do negócio, mas também pelos efeitos para a saúde mental dos envolvidos. Em relação ao aumento do preço dos bilhetes de autocarro, Carl Ching prometeu realizar actividades para solicitar retirar a proposta.

Na notícia publicada na edição de ontem, com o título “DSEJ não quer falta de material”, o HM indicou de forma errada que cabe à Direcção dos Serviços de Educação e Juventude a concessão de subsídios para a aquisição de material escolar, mas, na verdade, é o Gabinete de Apoio ao Ensino Superior que concede esses apoios aos alunos locais. Aos leitores e às entidades visadas, as nossas desculpas.

Toi San Habitação pública vai custar 500 milhões

A Companhia de Engenharia e de Construção da China (Macau) foi a escolhida para o projecto de execução da “empreitada de construção da habitação pública na Rua Central de Toi San”. Segundo o despacho publicado ontem em Boletim Oficial (BO), o projecto de construção, há muito parado, vai custar cerca de 500 milhões de patacas. O complexo de habitação deverá estar concluído em 2021.

Legionella Edifício Hou Kong sem vestígios

Apesar de uma moradora do Edifício Hou Kong ter sido diagnosticada com Legionella, os Serviços de Saúde resolveram o caso e os últimos testes já não detectaram vestígios da bactéria na canalização do edifício. A confirmação foi emitida ontem, ao princípio da noite, num comunicado oficial. O caso da residente tinha sido identificado a 8 de Setembro. Após as investigações das autoridades competentes o foco da bactéria foi confirmado a 20 de Setembro, sendo que no dia 22 do mesmo mês foi limpo e desinfectado o sistema de abastecimento de água daquele edifício.

Xangai João Sousa eliminado na primeira ronda

O tenista português João Sousa foi ontem eliminado na primeira ronda do Masters 1000 de Xangai, ao perder com o espanhol Albert Ramos por 3-6, 6-3 e 7-5. João Sousa, 63.º na hierarquia ATP, sofreu a quarta derrota no circuito principal diante do espanhol, em seis encontros que os dois tenistas disputaram, três dos quais este ano, com vitória do português em Auckland e derrotas em São Paulo e Xangai. Na última semana, João Sousa tinha sido também afastado na primeira eliminatória do torneio de Tóquio, então diante do australiano Bernard Tomic, também em três ‘sets’. Ontem, João Sousa até começou bem, ao vencer o primeiro parcial por 6-3, depois de quebrar o serviço a Albert Ramos ao sexto jogo, o terceiro de serviço para o espanhol, mas acabou por ceder nos ‘sets’ seguintes. No segundo, João Sousa perdeu o seu primeiro jogo de serviço, com o espanhol a manter a vantagem até 6-3, e no terceiro teve a partida igualada a 5-5, até o espanhol, 25.º do ‘ranking’, conseguir uma vez mais ganhar o serviço e terminar com 7-5.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Hoje Macau 10 OUT 2017 #3911 by Jornal Hoje Macau - Issuu