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Hoje Macau 10 OUT 2014 #3190

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

WWW.HOJEMACAU.COM.MO

S E X TA - F E I R A 1 0 D E O U T U B R O D E 2 0 1 4 • A N O X I V • N º 3 1 9 0

hojemacau

GENTE FELIZ ´ COM LAGRIMAS COMUNIDADE FILIPINA VIDAS PRECÁRIAS A RIR E CANTAR

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

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PÁGINAS 2-3

SOMOS O PRIMEIRO

Segundo o FMI, a economia chinesa ajustada ao poder de compra, ultrapassou os Estados Unidos e é agora a líder mundial

Ter para ler PUB

CHINA

PÁGINA 11

CÓDIGO COMERCIAL

EMISSÃO DE ACÇÕES AO PORTADOR QUASE À BEIRA DA EXTINÇÃO PÁGINA 4

ESTUDO O elo mais forte

O factor humano continua a ser determinante na economia local. Segundo uma pesquisa, se o Governo não implementar medidas para obter mão-de-obra com vista aos novos empreendimentos, as consequências poderão ser “desastrosas”. PÁGINA 7


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REPORTAGEM

hoje macau sexta-feira 10.10.2014

RENDAS PREÇOS ALTOS LEVAM TNR FILIPINOS A PARTILHAR CASAS ÀS DEZENAS

? ´ HA ESPACO ´

PARA MIM Vêm à procura de melhores condições de vida, mas as rendas altíssimas dos imóveis de Macau fazem-se sentir em todas as carteiras. A comunidade filipina do território é uma das que mais sofre com a necessidade de um tecto e a que, todos os meses, faz uma verdadeira dança pela sobrevivência. Chegam para trabalhar, mas as contas incluem dinheiro que é enviado para a terra natal e as rendas, por cá, não perdoam. A solução? Partilhar casa

20.625 pessoas, comunidade filipina em Macau

FILIPA ARAÚJO

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

“D

OZE”. Repetimos a pergunta, precavendo uma possível falha na tradução. “Com quantas pessoas partilha casa?”. A resposta confirma-se: 12 pessoas. Dakila Marquez é um quase adulto com cara de miúdo, que carrega consigo os sonhos e ambições de qualquer jovem da sua idade. É um dos filipinos com quem falámos e que nos conta que, como tantos outros, tem de partilhar casa para sobreviver às rendas altas do mercado imobiliário de Macau. Dakila chegou a Macau o ano passado, assim que terminou a licenciatura de Gestão Hoteleira na Nueva Ecija Universidade de Ciência e Tecnologia (NEUST) do seu país natal, as Filipinas. “Moramos num apartamento com três quartos, mas também usamos a sala como quarto. Por isso é como se fosse uma casa com quatro quartos”, conta. O espaço é partilhado por dois casais – tios do nosso entrevistado –, os respectivos filhos e amigos que “vieram da mesma terra” que Dakila. Com uma renda mensal de 12 mil patacas, o valor é dividido por todas as pessoas, à excepção das cinco crianças que “ainda estão a estudar e por isso não podem pagar”.

DINHEIRO VEM, DINHEIRO VAI

O jovem filipino partilha um dos quartos com mais três pessoas. “Normalmente as mulheres ficam de um lado e os homens no outro, por sermos muitos”, explica, adiantando que todos os meses entrega ao tio 800 patacas pela sua parte do quarto. Valor muito “em conta” para Dakila. “Quando cheguei a Macau, a casa estava muito cheia e tive que esperar uns tempos para conseguir vir para aqui. Fiquei num apartamento com um dos meus primos, que veio na mesma altura que eu, pagávamos uma renda de 3500 patacas”, conta entusiasmado, deixando libertar um “finalmente já estamos com os meus tios”. Dakila, que significa grande,

faz jus aos traços do jovem. “Sou empregado de mesa, recebo seis mil patacas por mês”, começa por nos dizer. Contudo, como nos explica, a verdade é que quatro mil patacas desse valor vão directamente para a família que está na terra que o viu nascer. “A minha prioridade é a minha avó, que precisa de medicação diária e isso não pode faltar. Foi ela que me criou, é a minha mãe”, par-

tilha, continuando a sua história. “Depois, outra parte do dinheiro vai para os meus dois irmãos mais novos que estão a estudar”. Feitas as contas, por mês, sobram-lhe 1200 patacas para viver em Macau. Ou sobreviver. “Como trabalho num restaurante como sempre lá, nunca gasto dinheiro em comida, aí já poupo muito. Depois, também não tenho por onde gastar, porque é muito

comum encontrarmos grupos de filipinos com comida e bebida nas praças e ruas de Macau. Estamos a conviver, mas ao ar livre”, brinca.

NÃO DESISTIR

Foi exactamente num desses momentos de convívio que conhecemos Mikey. Ao contrário de Dakila, este ‘pinoy’ está em Macau há 11 anos. “E continuo com Blue Card”, ironiza. Dados avançados pela Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos indicam que no final do mês de Agosto, o número de trabalhadores não residentes (TNR) ultrapassava a barreira dos 161 mil, ou seja, mais de um quarto da população total do território, que se fixou nos 624 mil habitantes. Deste grupo, a comunidade de não residentes oriunda das Filipinas, ou seja, ou trabalhadores em regime de Blue Card, é a segunda maior em Macau, registando um total de 20.625 pessoas. “Há coisas que não vão mudar. Os filipinos serão sempre ‘Blue Cards’, terão sempre salários baixos e serão sempre os trabalhadores mais obedientes. Temos medo, medo de perder os nossos trabalhos”, começa por afirmar Mikey.

VÍTIMAS DE RACISMO As rendas altas não são a única pedra no sapato para esta comunidade. Com 11 anos de Macau, Mikey garante que os seus conterrâneos são muitas vezes alvo de atitudes racistas. “Sei de muitas histórias de colegas que sofreram maus tratos dos seus colegas chineses”, começa por explicar o filipino, exemplificando, “uma vez um pinoy estava a limpar uma casa de banho, tudo ficou a brilhar, mas o seu colega chinês foi lá depois e estragou todo o trabalho, por ciúmes”. Esta é a justificação que Mikey encontra para atitudes discriminatórias. “Todos sabem que os filipinos são bons empregados, nunca dizemos que não aos nossos patrões, fazemos sempre tudo muito bem porque estamos muito focados no trabalho, queremos ser bons empregados porque não queremos ser despedidos. Sabemos que se alguma coisa correr mal é o filipino que vai embora.” Mikey conta que, ao contrário dos residentes da China os filipinos não têm facilidade em encontrar trabalho. “Por sermos bons e pelos patrões gostarem de nós é que o sofremos maus tratos dos outros colegas. Não estamos aqui para roubar trabalho ninguém, aliás somos nós que fazemos o trabalho que mais ninguém quer fazer”, reivindica. O estafeta garante ainda que muitas destas situações estão escondidas porque as próprias vítimas têm medo de o tornar público. “É fácil de perceber, não é no filipino que os patrões vão acreditar e se nos queixarmos muito vamos para a rua”, explica.


reportagem 3

hoje macau sexta-feira 10.10.2014

“Normalmente as mulheres ficam de um lado e os homens no outro, por sermos muitos” DAKIL Empregado de mesa

O estafeta de 42 anos relembra o dia em que chegou ao território. “Vim para aqui, porque os meus amigos me apoiaram muito, estavam sempre a dizer que em Macau qualquer filipino arranjava trabalho em menos de um dia. E eu, que trabalhava na construção civil nas Filipinas, conversei com a minha esposa e decidimos que viria tentar a nossa sorte”, conta. Tal como a grande maioria, foi a procura de melhores condições de vida que fez com que o casal tomasse esta decisão. Apesar de

S

ISSI prontifica-se de forma simpática a responder a todas as nossas perguntas. Esta filipina de 26 anos traz consigo duas crianças bem pequenas. São as suas filhas e está na hora de ir para a escola. A jovem, licenciada em Ciências Tecnológicas, precisava que o seu dia tivesse mais de “40 horas” para conseguir fazer tudo. Tentámos acompanhar um ritmo que se mostra bem mais difícil do que aquilo que pensávamos. Sissi tem dois trabalhos como empregada doméstica que lhe ocupam grande parte do tempo. É mãe e esposa e paga os estudos aos irmãos que estão nas Filipinas e que, “assim que terminarem, vêm para Macau trabalhar”. A filipina de olhos grandes e negros, faz uma pausa, sorri e conta-nos que ela e a sua família vivem num

Mikey ter um trabalho no seu país que lhe permitisse “pagar as contas todas”, ao fim do mês nada tinha amealhado. “E se de repente a minha mulher ficasse doente? Ou um dos nosso miúdos? E quando eles crescessem, quem pagaria os estudos?”, questiona. A residência foi o primeiro problema que Mikey encontrou. Ao chegar, e contrariamente ao que os amigos lhe tinham dito, o filipino percorreu algumas ruas em busca de um hotel com preços “mais em conta”. Não encontrou, sabia que o dinheiro que tinha não era o suficiente para se hospedar num hotel ou residência e pensou que mais valia retornar a casa. “Andei durante horas até que acabei por me sentar bem ali [aponta para o Lago Nam Van] e liguei à minha esposa, expliquei-lhe que queria ir embora, que me tinham dito que por não falar cantonês não ia conseguir

arranjar trabalho e os sítios para dormir eram todos muito caros. Não tinha dinheiro para estar cá”. Ao seu lado estava um grupo de filipinos, conta-nos Mikey, que ao ouvir o seu telefonema foi ao seu encontro. Foi assim que o filipino recebeu uma proposta: pagar uma renda por aquele que foi o seu primeiro quarto. Aliás, o seu primeiro sofá numa sala que acolhia mais de dez filipinos.

PARTILHAR PARA VENCER

A partilha de casa é uma das soluções mais encontradas por TNR em Macau, para sobreviver aos altos preços das rendas. As condições nem sempre são boas e já foi possível ao HM testemunhar 18 pessoas a viver num T2, na zona da Taipa. Contudo, e como nos conta Jessie, empregada doméstica, esta é, quase sempre, a única solução. “Tem de ser, porque o dinheiro não chega. Recebo 3800 patacas por

DIVIDIR PARA AJUDAR A FAMÍLIA

Cuidar de todos apartamento a que vulgarmente dão o nome de pensão: não é nada mais do que um apartamento carregado de camas, onde apenas se arrenda a cama. “Pago 700 patacas para mim e para as minhas filhas, dividimos o quarto com quatro pessoas, num total de 13 pessoas”. Quanto aos quartos, conta, são quatro, mais a sala que tem novos inquilinos. “Não há silêncio, mas também não me importo. Os filipinos são pessoas felizes, estamos sempre a cantar e a rir”, diz sorrindo, enquanto brinca: “mas também há maus filipinos, poucos, mas há”. Mikey, o jovem com nos encontrámos anteriormente

e que trabalha em Macau como estafeta, conta-nos que este tipo de ‘pensões’ têm surgido cada vez mais, pois são “uma forma de se poupar muito dinheiro”. Como Sissi, também Mikey tem de cuidar da família na terra natal. “As rendas das casas em Macau são muito altas, nós temos salários baixos, só assim [partilhando casa] é que conseguimos”, conta. Apesar de todos serem graduados e terem cursos específicos, todos trabalham nos mesmos tipos de emprego: restauração, limpezas e outros. Mikey acumula part-times, assim como a sua irmã, o irmão e como todos os seus amigos. Afinal, não

“Há coisas que não vão mudar. Os filipinos serão sempre ‘Blue Cards’, terão sempre salários baixos e serão sempre os trabalhadores mais obedientes. Temos medo, medo de perder os nossos trabalhos” MIKEY Estafeta de 42 anos

mês e isso não dava para arrendar uma casa. Mas eu até tenho sorte, vivo com os meus irmãos, que me ajudam a pagar a nossa renda, de 5600 dólares.” Jessie tem apenas 23 anos, mas veio para Macau para ajudar a

é só para eles que trabalham. “É preciso mandar dinheiro para a família, filhos e mulheres, mas também é preciso sobreviver aqui”.

SOBREVIVER

Questionados sobre as condições de vida, os entrevistados garantem que não há outra solução. Se assim não

“Pago 700 patacas para mim e para as minhas filhas, dividimos o quarto com quatro pessoas, num total de 13 pessoas” SISSI Jovem, licenciada em Ciências Tecnológicas

família nas Filipinas. Partilha um T1 com os irmãos, sendo que todos dormem no mesmo quarto, numa cama e um beliche. “É a única maneira para podermos pagar. Temos de partilhar a casa, sempre. E mais vale que seja com a família.” Mikey concorda. Para o filipino, onze anos depois algumas coisas mudaram. O estafeta vive agora num apartamento com dois quartos, pelo qual paga seis mil patacas por mês. “Na minha casa está também a minha mãe, irmã e irmão – que entretanto vieram das Filipinas - e temos também outras pessoas. Fizemos da sala um quarto, para que a renda fosse dividida por mais pessoas. Nem todos pagamos o mesmo, a minha mãe não paga renda, nós não deixamos. A minha irmã também não paga, porque ela só recebe três mil patacas e ajuda só na comida”, explica. Tornar as salas em quartos é, diz Mikey, “a prática mais comum”.

for, não há forma de “sobreviver em Macau”. Sissi conta-nos, por exemplo, que num dos quartos ao lado há quem tenha direito à cama por turno. “Há pessoas que trabalham no horário da noite, portanto podem usar as camas quando os outros estão a trabalhar, depois quando os que trabalham durante o dia terminam, é hora de ir trabalhar”, explica como se fosse a coisa mais natural do mundo. “É também por isso”, começa por explicar Dakila, outro dos nossos entrevistados, “que vamos para as ruas conviver. Nós não temos sala para receber os nossos amigos”.

MACAU PARA TRÁS

Idealizando o futuro, nenhum dos nossos entrevistados quer ficar em Macau. Dakila, que trabalha agora como empregado de mesa, espera que a

sua passagem pelo território seja muito breve, até que o irmão, “que está agora no último ano da faculdade”, conclua os estudos. “Depois gostava de conseguir ir para o Canadá, tenho lá um amigo e diz que há trabalho e ganha-se muito mais do que em Macau”, explica. O mesmo brilho não tem Mikey, que apenas quer voltar para as Filipinas um dia, viver com a sua família e na sua comunidade. “Macau não é sítio para se viver para sempre e como as coisas estão agora, parece que também não é sítio para ganhar dinheiro, com tantas despesas”, partilha. Visão contrária à de Sissi, que não deixa morrer a esperança de melhores dias e nos confessa que um dia também deixará o território, mas só depois de criar algumas condições que permitam que a sua família tenha uma vida melhor. - F.A.


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POLÍTICA

hoje macau sexta-feira 10.10.2014

CÓDIGO COMERCIAL GOVERNO QUER ACABAR COM EMISSÃO DE ACÇÕES AO PORTADOR

Na luta contra branqueamento de capitais O Governo quer acabar com a regra jurídica que permite que as sociedades emitam acções ao portador, de forma a saber quem realmente detém esses capitais. Tudo para cumprir critérios internacionais exigidos à RAEM. A alteração poderá estar incluída na revisão ao Código Comercial, que vai agora a consulta pública andreia.silva@hojemacau.com.mo

da Direcção dos Serviços de Finanças (DSF). A ideia é transformar as acções ao portador em acções nominativas, sendo que os accionistas podem ser ‘offshores’. Se em seis meses essa conversão não for feita, os direitos dos accionistas em questão poderão ficar suspensos. O Governo apenas sabe que actualmente 125 sociedades anónimas podem emitir acções ao portador, segundo os seus estatutos, mas desconhece mais informações sobre o processo.

GCS

ANDREIA SOFIA SILVA

O

Código Comercial vai entrar em processo de revisão, estando em consulta pública desde hoje e até ao próximo dia 18 de Novembro. Nas alterações propostas, o Governo diz querer acabar com a permissão das sociedades anónimas de emitirem acções ao portador, ou seja, acções que não se sabe a quem pertencem. Esta é uma das formas de responder aos requisitos exigidos pelo Fórum Global sobre Transparência e Troca de Informações para fins fiscais, pretendendo-se combater acções de terrorismo e branqueamento de capitais. “Não podemos saber quem é o titular ou portador das acções e isso muitas vezes pode favorecer o branqueamento de capitais ou o

Angela Leong Menos poluição automóvel A deputada Angela Leong pede ao Governo que lute contra a poluição do ar provocada pela emissão de gases automóveis. Numa carta aberta enviada ontem, a deputada lembrou que as autoridades referiram que a eventual discussão sobre a proposta de lei que controlar esta poluição iria ser feita este ano. No entanto, diz, ainda nada foi feito, faltando apenas três meses para o final do prazo. Para Angela Leong, o Executivo deve também criar obrigatoriedades como a não utilização do motor do automóvel enquanto este se encontra estacionado, assim transformando Macau numa cidade ideal para viver. De acordo com um relatório lançado em Maio passado – relativo à competitividade entre as várias cidades da China – Macau desceu do segundo lugar da lista e está agora fora do Top 10 de cidades competitivas. A deputada acredita que o resultado do relatório mostra que a diminuição da qualidade de vida em Macau tem uma relação directa com a tendência de queda da lista.

AVALIAÇÃO NA MIRA

“Não podemos saber quem é o titular ou portador das acções e isso muitas vezes pode favorecer o branqueamento de capitais ou o terrorismo” IEONG KONG LEONG Sub-director da DSF

terrorismo. Tendo em conta essa tendência internacional temos de reforçar esse aspecto. Qualquer actividade que emita acções que não sabemos a quem pertencem não cumpre regras de transparência”, disse Ieong Kong Leong, sub-director

Outra alteração que a revisão do Código Comercial poderá trazer prende-se com a criação do conceito de actividade permanente, focada em empresas que prestam serviços em Macau mas que têm a sua sede no estrangeiro. O Executivo deu como exemplo empresas do imobiliário,

DOENÇAS MENTAIS CHAN HONG PEDE MAIS RECURSOS

Cuidar de quem mais sofre CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

A

deputada Chan Hong insta o Governo a aumentar os recursos em lares psiquiátricos, tais como o número das camas, instalações e funcionários. Em interpelação escrita, a deputada referiu que um em cada quatro residentes sofre de ansiedade, segundo dados dos Serviços de Saúde (SS). Este é, por isso, um dos temas mais importantes de resolver para a deputada. “Ao mesmo tempo, o apoio dos SS não é suficiente. Embora o hospital Conde de São Januário tenha aberto uma ala psiquiátrica recentemente, esta tem apenas 91 camas e seis alas de isolamento. As

instalações financiadas pelo Instituto de Acção Social só têm três lugares residenciais e três centros de reabilitação, oferecendo apenas 300 vagas de camas. Tal resulta numa fila de espera para os pacientes necessitados”, frisou, em interpelação escrita enviada ao Executivo. Chan Hong apontou ainda que o tratamento hospitalar é um processo apenas temporário e que, para uma melhor reabilitação dos pacientes, as consultas de acompanhamento psicológico e de mudança de humor são igualmente importantes. No mesmo documento, Chan Hong aproveitou para afirmar que foram poucas as instalações financiadas que contrataram psiquiatras,

havendo apenas 21 psicoterapeutas registados nos SS. “O recurso de psicoterapeuta é escasso e as pessoas estão sempre a mudar de local de trabalho, o que não é bom, porque a mudança de psicoterapeuta também influencia a reabilitação dos pacientes”, salientou. Assim, a deputada perguntou ao Governo como vai aumentar o volume de recursos nos lares psiquiátricos, além de ter pedido um aumento do subsídio para estes trabalhadores. Para colmatar as necessidades, a deputada sugere que as autoridades cooperem com grupos de reabilitação, de modo a coordenar os recursos de auxílio a pacientes e seus familiares.

área financeira e até dos transportes públicos. O Governo garante que as mudanças no Código Comercial são essenciais para responder aos critérios internacionais impostos pelo Fórum Global. Caso contrário, a RAEM não passará na terceira avaliação do organismo, a acontecer em 2016. As consequências poderão ser negativas. “Se Macau não passar na avaliação isso poderá afectar a imagem da RAEM ou a imagem internacional do país”, lembrou o sub-director da DSF, frisando ainda as consequências a nível do desenvolvimento económico. Ieong Kong Leong lembrou ainda que Macau continua atrasada, a este nível, em relação a regiões como Hong Kong, Malásia ou Singapura, que há muito eliminaram a possibilidade das sociedades emitirem acções ao portador.

Gestão predial IH com mais poderes para punir empresas

C

HEANG Sek Lam, vice-director substituto do Instituto de Habitação (IH), sugeriu que o organismo tenha mais poder no que diz respeito à punição de empresas que não cumpram a Lei da Actividade Comercial de Administração de Condomínios, cuja consulta pública está em andamento, já que vai ser revista. O responsável pede mais direitos de fiscalização e aplicação de sanções às empresas de gestão predial, quando a lei que obriga a que estas sociedades tenham licenças entrar em vigor. Cheang Sek Lam requer que o pessoal do IH possa inspeccionar em ‘loco’ todas as empresas. No programa “Macau Talk” do canal chinês da Rádio Macau, Cheang sugeriu às empresas de gestão que anunciem de forma clara os custos que os proprietários de fracções tenham de pagar, caso contrário, as autoridades têm direito a punir as empresas. “Algumas violações podem ser apanhadas através da fiscalização de documentos, mas para outras é preciso ir directamente aos locais. Quando a lei sair, o IH terá o direito de supervisão, obviamente que o pessoal vai inspeccionar os locais.” - F.F.


política 5

hoje macau sexta-feira 10.10.2014

ENSINO ESPECIAL GOVERNO VAI REVER REGIME EM VIGOR HÁ 18 ANOS O regime que regula o ensino especial nas escolas data de 1996 e, por isso, vai ser revisto. “O diploma vai ser revisto, colaborar na disponibilização de ção, transporte e tempos livres estamos na fase de elaboração vagas. Temos uma boa parceria estão incluídos. Ainda não há data do projecto de revisão. Queremos com as escolas e se estas tiverem para a conclusão salvaguardar o direito de acesso vontade de receber estes alunos MAIS ALUNOS alunos com necessidades não teremos quaisquer problemas Chow Pui Leng falou ainda do desse trabalho, mas dos educativas especiais ao ensino. em encontrar vagas”, explicou a aumento de 200 alunos com netivermos um diploma com directora. cessidades educativas especiais a DSEJ garante um Quando Chow Pui Leng garantiu ainda desde o ano lectivo de 2012/2013, mais maturidade vamos avançar número suficiente com mais dados”, disse Wong Kin que, a haver problemas, será no essencialmente porque os pais chefe de Departamento de ensino secundário. “No ensino começaram a levar os filhos para de docentes mesmo Mou, Estudos e Recursos Educativos secundário geral vai haver maior serem avaliados por terapeutas. tensão no próximo ano, porque da DSEJ. “Conseguimos ver um aumento admitindo que tem a ver com a evolução dos de alunos. A DSEJ tem feito algum estudos das crianças, mas estou trabalho, não diria muito, para que a houve um aumento EM CIMA DA MESA O anúncio foi feito no dia em confiante que as escolas vão co- população esteja mais aberta e para de 200 alunos que os apoios ao ensino especial laborar connosco e não vamos ter que os pais estejam mais abertos às necessidades das crianças e os foram discutidos no âmbito da nenhuma ruptura”, disse ainda. com necessidades encarregados de educação tamreunião plenária do Conselho bém estão mais abertos a trazer as de Educação para o Ensino Não educativas especiais Superior. Chow Pui Leng, direccrianças”, frisou Chow Pui Leng.

Espaço para todos

ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

D

ATA do tempo do Governo de Vasco Rocha Vieira o decreto-lei que determina as regras do ensino que deve ser dado a alunos com necessidades educativas especiais ou sobredotados. Ontem, a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) anunciou que vai rever o diploma, ainda que sem apresentar uma data para a conclusão desse trabalho.

tora do Centro de Apoio Psico-Pedagógico e Ensino Especial, garantiu que são necessárias 700 vagas para os alunos, sendo que ainda há escolas que não aceitam integrar nas suas turmas estudantes que necessitam de mais apoio. Apenas 28 escolas privadas têm turmas integradas, sendo que numa turma de 25 alunos, apenas três alunos com estas necessidades podem ser admitidos. “Temos de continuar a sensibilização das escolas para a organização de turmas inclusivas. Muitas vezes conseguimos ter uma boa receptividade dos directores das escolas e estão a

700

número de vagas necessárias para alunos com exigências educativas especiais

Da reunião saíram directrizes do apoio que será dado a estes alunos, que passam pelo “desenvolvimento do ensino inclusivo e a promoção progressiva do ensino a alunos sobredotados”, estando ainda previstas “várias medidas para reduzir a pressão dos pais nos cuidados prestados aos filhos”. Apoios na alimenta-

Actualmente, o tempo de avaliação da necessidade de cada criança dura dois meses, sendo que a DSEJ pretende melhorar o período de espera. Apenas duas crianças estão à espera de vaga para entrar no ensino infantil, mas isso porque o relatório dos terapeutas ainda não está concluído. Em relação ao número de docentes especializados neste tipo de ensino, são suficientes, garante o Governo, sendo que a DSEJ garante ainda formação a docentes no estrangeiro. No ano lectivo de 2013/2014, eram 109 os professores deste tipo de ensino.

PATRIOTISMO NAS ESCOL AS Questionado sobre o número de escolas que já possuem a disciplina de Educação Cívica e de Valores Morais, Wong Kin Mou, chefe de departamento, garantiu que a nova lei veio obrigar todas as escolas a ter essa disciplina, sendo que a mesma deverá conter conteúdos políticos. Contudo, ainda não há uma definição concreta do tipo de conteúdos que serão ensinados. “Vai ser um ensino mais interactivo, com uma ligação ao sistema e estrutura política. As escolas têm vindo a ter algumas disciplinas de educação cívica e o seu conteúdo pode ser diversificado. Temos de formar os cidadãos com um espírito patriótico e com o sentimento de amar Macau. Utilizamos o termo Educação Cívica porque somos uma RAE, mas abrange conteúdos patrióticos”, disse o responsável.

REFORMA NO ENSINO INFANTIL EM TRÊS ANOS A reunião de ontem serviu também para a discussão da reforma dos currículos no ensino infantil, que deverá ser implementada até ao ano lectivo 2015/2016. “Este ano lectivo já temos o quadro da organização curricular, que já está em vigor, e vamos proceder à reforma. Esperamos que em três anos os alunos atinjam os objectivos para cada ano, com um ensino que desperte o gosto pela aprendizagem do aluno. Damos ênfase ao ensino com temas globalizantes, adoptando actividades lúdicas”, disse Wong Iat Hang, chefe da Divisão de Estudos e Apoio à Reforma Educativa.


6 política

hoje macau sexta-feira 10.10.2014

A deputada pede que se altere a lei com mais de 20 anos no sentido de se criar um maior equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar, como já foi recomendado em 2012 pela OCDE

LEI DE BASES DA POLÍTICA FAMILIAR WONG KIT CHENG PEDE MUDANÇAS

Tempos modernos HOJE MACAU

lias em que tanto o pai como a mãe trabalham. Muitas vezes falham na conciliação da vida familiar e do trabalho. A longo prazo, isso pode levar a muitos problemas sociais”, escreveu a deputada. “O auxílio aos residentes, especialmente nos casos em que os casais trabalham fora

“O auxílio aos residentes, especialmente nos casos em que os casais trabalham fora de casa e têm família, tornou-se num assunto ao qual o Governo tem de dar atenção”

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

A

deputada Wong Kit Cheng defende numa interpelação escrita entregue ao Governo uma revisão da actual Lei de Bases da Política Familiar, de forma a que sejam dados mais apoios aos trabalhadores com filhos e família. “Há cada vez mais famíPUB

EDITAL Edital n : 35/E-BC/2014 Processo no : 353/BC/2014/F Assunto : Início do procedimento de audiência pela infracção às respectivas disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local : Avenida do Coronel Mesquita n.º 5, Edf. Jade Garden (Fase 2), terraço sobrejacente à fracção 15.º andar I (CRP: I14), Macau. o

Chan Pou Ha, subdirectora da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pela alínea 7) do no 1 do Despacho no 003/SOTDIR/2013, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 46, II Série, de 13 de Novembro de 2013, faz saber por este meio aos proprietários, aos donos da obra ou seus mandatários, cujas identidades se desconhecem, da obra existente no local acima indicado, o seguinte: 1. O agente de fiscalização desta DSSOPT constatou em 01/08/2014 no local acima identificado a realização de obra sem licença, cuja descrição e situação é a seguinte: Situação da obra

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

1.1 Execução da obra de renovação no compartimento Em curso não autorizado com paredes em alvenaria de tijolo, janela de vidro e cobertura em betão.

Infracção aos no 4 do artigo 10o e no 3 do artigo 29o - obstrução do caminho de evacuação e ocupação do piso de refúgio.

Obra

2. Foi emitido em 12/08/2014 por esta DSSOPT o despacho de embargo da obra n.º 419/DE/2014 e foi afixado o respectivo despacho em 13/08/2014 no local das obras ilegais para notificar aos proprietários, inquilinos, sublocatários, aos donos das obras ou seus mandatários, aos construtores e às pessoas relacionadas com a execução das obras ilegais nas fracções em epígrafe que foi embargada a continuação das respectivas obras ilegais por esta DSSOPT para dar conhecimento dos assuntos às pessoas acima referidas e para efeitos de cumprimento. 3. Sendo as escadas e corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no nº 4 do artigo 10º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei nº 24/95/M, de 9 de Junho. E o terraço acima referido é considerado como piso de refúgio, em caso de incêndio, não é permitida a sua ocupação ilícita com elementos construtivos, de acordo com o disposto no nº 3 do artigo 29º do RSCI. As alterações introduzidas pelo infractor nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e piso de refúgio e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, a obra executada não é susceptível de legalização pelo que terá necessariamente de ser determinada pela DSSOPT a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. 4. Nos termos do no 3 do artigo 87o do RSCI, a infracção ao disposto no no 4 do artigo 10o é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas, e nos termos do no 7 do mesmo artigo, a infracção ao disposto no no 3 do artigo 29o, é sancionável com multa de $2 000,00 a $20 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o no 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou segurança do edifício. 5. Considerando a matéria referida nos pontos 3 e 4 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data de publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no nº 1 do artigo 95o do RSCI. 6. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, no 33, 15o andar, Macau (telefones nos 85977154 e 85977227). Aos 30 de Setembro de 2014 Pelo Director dos Serviços A Subdirectora Enga Chan Pou Ha

escreveu a deputada eleita pela via directa.

COMO NOS OUTROS PAÍSES

de casa e têm família, tornou-se num assunto ao qual o Governo tem de dar atenção”, frisou ainda. A deputada, que representa no hemiciclo a União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM), disse que em 2012 a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) já tinha lembrando ao Governo ser necessário estabelecer um equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar, com a implementação de mais políticas. “Por exemplo, nos cuidados e no ensino aos filhos nos primeiros anos de vida, as férias em família, a licença de paternidade e maternidade, a adopção de benefícios familiares e isenções fiscais”, começa por dizer. “Devem ainda ser criados centros de apoio familiar nas comunidades, com melhoria de apoios a creches e lares de idosos”,

Wong Kit Cheng deu o exemplo de políticas adoptadas na Europa e até no Japão, denominando as políticas sociais no país do Sol Nascente como sendo “perfeitas”. “Têm subsídio de maternidade, subsídio para crianças e mais tempo para os pais ficarem com filhos de três anos. Para crianças maiores, o Governo dá apoio quando os pais estão a trabalhar. Metade dos patrões pagam subsídio ao cônjuge dependente”, lembrou a deputada. Wong Kit Cheng falou das promessas feitas nas LAG em 2013. “Em Abril deste ano, Chui Sai On também disse que era possível modificar a Lei de Bases da Política Familiar, com mais de 20 anos”, apontou. A deputada pede que o Executivo implemente um horário mais flexível para o cuidado de crianças, bem como a atribuição de feriados e subsídios para a manutenção de um ambiente familiar no trabalho, de forma a resolver os problemas dos pais que trabalham.


SOCIEDADE

hoje macau sexta-feira 10.10.2014

ESTUDO AUSÊNCIA DE MEDIDAS NA ÁREA LABORAL PODE AFECTAR ECONOMIA

ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

O eterno factor humano

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“A maioria dos inquiridos acredita que o Governo de Macau vai flexibilizar as actuais restrições à importação de trabalhadores nos próximos 12 meses, sendo que parece não haver alternativas a novos desenvolvimentos na área dos recursos humanos nos próximos cinco anos”

Se o Governo demorar a adoptar medidas para a obtenção da mão-de-obra necessária aos novos empreendimentos, as consequências para a economia local poderão ser “desastrosas”, ao ponto das empresas poderem optar por novos locais na Ásia. As conclusões são de um estudo da consultora RPO Global TIAGO ALCÂNTARA

MA pesquisa efectuada pela empresa RPO Global revela que o Governo de Macau deve adoptar, o quanto antes, medidas que imponham uma maior flexibilidade na área dos recursos humanos, com vista a manter um bom nível de desenvolvimento económico. A ideia consta na conclusão do estudo desenvolvido pela empresa que trabalha na Ásia e que tem sede em Hong Kong. O documento, ao qual o HM teve acesso, é claro. “A maioria dos inquiridos acredita que o Governo de Macau vai flexibilizar as actuais restrições à importação de trabalhadores nos próximos 12 meses, sendo que parece não haver alternativas a novos desenvolvimentos na área dos recursos humanos nos próximos cinco anos. Se o Governo for lento a implementar estas medidas, acredita-se que os efeitos na economia de Macau serão desastrosos, sendo que [os problemas com os recursos humanos] poderão bloquear a captura e a manutenção de quota de mercado”, pode ler-se no estudo a que o HM teve acesso. “[Por isto], os investidores estrangeiros poderão olhar para outros locais na Ásia para investimentos sustentáveis”, pode ler-se na conclusão. A RPO Global afirma ter entrevistado “uma vasta gama de pessoas empregadas em Macau”, tanto da área operacional como da

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área executiva, de diferentes indústrias, com diferentes contextos, que forneceram as suas opiniões sobre a questão dos recursos humanos.

PAÍSES DA ÁSIA-PACÍFICO À ESPREITA

EMPREGADOS CUSTAM MAIS 30%

A RPO Global fala ainda do facto de várias economias da região da Ásia Pacífico estarem a mudar as restrições para receber mais empreendimentos e turistas na área do Turismo e Jogo, por forma a copiarem o sucesso de Macau. “Isso vai intensificar a competição no mercado laboral em Macau e reduzir as equipas mais talentosas, deixando poucas opções para os empregadores locais em encontrar pessoas para os negócios já existentes”, pode ler-se.

O estudo da RPO Global chama ainda a atenção para o facto dos custos laborais terem aumentado 30% nos últimos três anos, sendo os aumentos salariais uma das formas que tem sido adoptada para o problema da falta de mão-de-obra. “As empresas estão numa fase em que, para manterem a sua competitividade, estão a oferecer pacotes salariais mais altos. É sabido que esta tendência não pode continuar indefinidamente e que é apenas uma solução de curto prazo para um problema de longa duração, uma vez que há um limite na percentagem dos lucros que podem ser pagos aos empregados”, pode ler-se na conclusão do estudo. Tendo em conta o aumento dos custos, revela a RPO Global, as empresas e os seus accionistas

esperam ter o retorno desse investimento na fase actual e no futuro. Apesar das empresas pagarem hoje mais aos empregados, isso não significa que a qualidade da equipa tenha aumentado, apontam ainda as conclusões. “A falta de recursos humanos em Macau está a criar um padrão de pro-

CCAC Falsificação de documentos por funcionário público

O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) descobriu um caso de alegada falsificação de documentos cometido por um funcionário público, processo que já seguiu para o Ministério Público (MP). A falsificação terá sido cometida para que o arguido obtivesse a melhor classificação num concurso administrativo, tendo alterado as informações dos documentos à mão. O funcionário confessou a prática do crime, que pode ser punível com pena de prisão até três anos.

gressão rápida na carreira por forma a manter e a atrair os empregados”, sendo que “muitas vezes as pessoas são promovidas ou contratadas para cargos para as quais não estão devidamente preparadas, ou simplesmente isso acontece como uma mera estratégia de retenção de pessoas”. O estudo chama, por isso, a atenção para a necessidade de se apostar em mais acções de formação, para colocar as pessoas certas nos lugares certos. “Muitas das pessoas entrevistadas pela RPO Global defendem a necessidade das empresas em investir mais nas equipas, dando a devida formação em áreas especificas”. Tal pode também aumentar a eficiência das empresas, aponta o documento. A empresa lembra ainda que a elevada rotatividade de pessoas no mercado laboral é causada pelo facto de não se contratarem as pessoas certas, de se promoverem pessoas para posições para as quais não estão capacitadas e ainda por não se investir na formação correcta.

“Muitas vezes as pessoas são promovidas ou contratadas para cargos para as quais não estão devidamente preparadas, ou simplesmente isso acontece como uma mera estratégia de retenção de pessoas” “Os elementos que afectam o mercado laboral de Macau vão eventualmente afectar toda a economia”, frisa ainda o estudo da RPO Global, que apoia outras empresas na área da contratação de pessoas e na adopção de estratégias de formação.

Ilha Verde Residentes contra novo posto transfronteiriço

Cinco moradores da Ilha Verde entregaram ontem uma carta com mais de cem assinaturas ao Governo, como forma de mostrarem a sua insatisfação quanto à abertura do novo posto transfronteiriço industrial na zona da Ilha Verde, cujo horário será entre a meia noite e as sete da manhã. Os residentes consideram que o Executivo tomou essa decisão sem consultar os moradores da zona e esperam que haja uma maior ponderação sobre o projecto. Sugerem ainda que seja feita uma passagem de 24 horas junto ao posto transfronteiriço do Cotai e que a fronteira junto às Portas do Cerco abra uma hora mais cedo e feche uma hora mais tarde.


8 sociedade

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

O

Governo ainda não tomou qualquer decisão em relação à renovação do contrato com a empresa de táxis amarelos Vang Iek. A sociedade tem cem licenças de rádio-táxi, mas o contrato com o Governo termina a 6 de Novembro, depois de já ter sido prolongado. A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) confirmou ao HM que, a faltar um mês para a decisão de renovar ou não o contrato, ainda se está a fazer uma avaliação. “A RAEM está a fazer um avaliação final da operação [destes táxis] e às necessidades existentes na

TÁXIS GOVERNO AINDA NÃO SABE SE RENOVA CONTRATO COM A VANG IEK

Decisão em ponto morto

Termina em Novembro o contrato com os táxis amarelos, que disponibilizam cem veículos. O Governo não sabe se há-de renovar o contrato e diz que ainda está a fazer uma avaliação. Entretanto, todas as licenças atribuídas a táxis pretos em 2005 vão expirar no próximo ano sociedade sobre esse tipo de serviço [rádio-táxi]”, explicou a DSAT, adiantando ainda que tanto o organismo, como a empresa privada mantêm um “contacto próximo” e têm como objectivo máximo “procurar a melhoria da qualidade do serviço”.

Na mesma resposta, a DSAT esclarece que ainda falta avaliar vários detalhes e, por isso, nada “está definido”.

TIAGO ALCÂNTARA

FILIPA ARAÚJO

hoje macau sexta-feira 10.10.2014

CRITÉRIOS A CUMPRIR

É de lembrar que, ao contrário dos táxis pretos, os táxis

TÁXIS PRETOS LICENÇAS DE 2005 EXPIRAM DEFINITIVAMENTE EM 2015 Relativamente ao serviço de táxis pretos, o Governo assegura que até ao final do ano prevê que sejam aprovadas cem novas licenças, das 200 a atribuir aos que concorreram ao último leilão, em Maio deste ano. “O Governo prevê que cem táxis possam estar em funcionamento antes do final do ano”, explica a DSAT.

Actualmente, apesar de 1380 licenças válidas, apenas circulam nas ruas de Macau 1180 táxis. Sem apresentar números, a DSAT clarifica que, em Maio de 2015 todas as licenças atribuídas em 2005 vão expirar “gradualmente” e não podem ser renovadas, visto que “as licenças com limite de anos não podem ser prolongadas”. PUB

“A RAEM está a fazer um avaliação final da operação [destes táxis] e às necessidades existentes na sociedade sobre esse tipo de serviço [rádio-táxi]” DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS PARA OS ASSUNTOS DE TRÁFEGO

amarelos não tiveram de obter as licenças através de leilão. Contudo, o ano passado, o Governo disse que, caso a empresa quisesse ver o seu contrato renovado, teria de respeitar alguns critérios: apanhar passageiros nos bairros antigos, ter carros para deficientes e, mais recentemente, colocar 60% dos carros a responder a chamadas telefónicas, enquanto os outros 40% podem apanhar clientes nas ruas. O contrato com o Governo foi, então, prolongado o ano passado, a 7 de Fevereiro, mas com a condição de que os táxis amarelos tivessem um período experimental de nove meses, ou seja, até Novembro. Durante este tempo, a frota amarela teve que cumprir várias exigências, já que, caso a empresa não conseguisse cumprir o contrato seria cessado e a DSAT faria um novo concurso para a prestação do serviço de rádio-táxis. A avaliação ao serviço em causa tem sido feita de forma periódica, através de dados estatísticos e relatórios informáticos cedidos através do sistema de GPS instalado nos veículos. Em final de tempo de experimental, contudo, ainda pouco ou nada se sabe sobre o futuro dos veículos. O HM tentou contactar a Vang Iek mas não foi possível até ao fecho desta edição.

ORBIS RESIDENTES DIABÉTICOS PODEM FICAR CEGOS

Tudo começa à mesa A

organização sem fins lucrativos dedicada aos problemas visuais, Orbis, está a organizar uma nova campanha de sensibilização para uma alimentação saudável no mês em que a Organização Mundial de Saúde celebra o dia mundial da visão. A representante da Orbis em Macau, Vivian Lo, frisou que vários problemas visuais irreversíveis começam com problemas dos hábitos alimentares. Um dos objectivos da campanha deste ano é a angariação de, pelo menos, um milhão de patacas até final de Outubro. O dinheiro conseguido deverá então servir para ajudar a controlar esta doença em países em desenvolvimento. “Usamos vários tipos de plataformas publicitárias para que a população de Macau possa aprender mais sobre a saúde dos olhos”, esclareceu Lo. “Os olhos são uma das partes do nosso corpo que facilmente negligenciamos e a visão não é algo que se possa ter novamente depois de perdida”. Na perspectiva da directora, uma má

alimentação pode provocar diabetes, doença que pode implicar sérios problemas de visão. Desta feita foram focados os perigos da retinopatia diabética (RD), que pode culminar em cegueira total e irreversível. Esta patologia desenvolve-se de modo progressivo e, de acordo com dados dos Serviços de Saúde e da Orbis, deverá afectar 70% a 80% dos residentes portadores de diabetes. - L.S.M.

NÚMEROS Entre 70% a 80% dos diabéticos de Macau têm grande probabilidade de desenvolver Retinopatia Diabética num espaço de 10 anos. Estatísticas de 2002 apontam para uma estimativa de cerca de 5 milhões de pessoas infectadas em todo o mundo, com grande incidência na Índia, China e Bangladesh.


sociedade 9

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IMOBILIÁRIO AUMENTA TENDÊNCIA DE COMPRA NA ILHA DE MONTANHA

“Estilo” Macau para todos “Os apartamentos são muito atractivos, sendo sobretudo adequados para os jovens residentes não qualificados para habitação económica e que não têm capacidade para comprar casa em Macau”

FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com.mo

M

EMBROSdosector imobiliário referiram ontem que há cada vez mais residentes a querer comprar casa na Ilha da Montanha. Os números surgem depois de, num só dia, terem sido vendidas todas as 600 fracções de seis blocos do edifício MingZuan. O director geral da agência imobiliária Ricacorp Macau referiu que a venda de fracções deste prédio foi mais positiva do que o inicialmente previsto. “O investidor pretendia vender apenas os primeiros dois blocos do edifício, mas não satisfeitos, os compradores adquiriram seis blocos, ao invés de dois em apenas um dia”, contou o responsável. O representante da Ricacorp Macau acrescentou ainda que a maioria de compradores é residente em Macau e considera que os compradores têm confiança no mercado imobiliário da Ilha da Montanha. “O território de Macau é pequeno, a Ilha de Montanha traz vantagens para pessoas, até porque os automóveis com

A

S doenças crónicas são a maior causa de morte em Macau, atingindo os 68% do número total de mortes registadas no território. “As doenças crónicas tornaram-se a causa essencial que ameaça a saúde dos residentes de Macau”, afirmou o director dos Serviços de Saúde (SS), Lei Chin Ion. Segundo indicam os SS em nota à imprensa, os quatro tipos de doenças crónicas com mais casos de morte são o cancro, doenças cardiovas-

licenças de Macau poderão entrar directamente na ilha. Os apartamentos são muito atractivos, sendo sobretudo adequados para os jovens residentes não qualificados para habitação económica e que não

têm capacidade para comprar casa em Macau”, esclareceu. Já Ronald Cheung, director executivo da Midland Macau, referiu que o enfoque da agência passou a ser a Ilha da Montanha e não Macau.

Isto porque o preço das casas nesta zona está a metade do preço das habitações no território. “Mesmo que seja preciso passar a fronteira, os imóveis da Ilha da Montanha são mais completos e têm auto-silos suficientes. Acredito que a ilha vai ter um “estilo de Macau” e a maioria de imóveis vão ser adquiridos pelos residentes,” concluiu.

SAÚDE DOENÇAS CRÓNICAS SÃO A MAIOR CAUSA DE MORTE

Fatais como o destino culares, diabetes e doenças do tracto respiratório inferior. O director explicou que as doenças crónicas são “um problema grave de saúde pública, não só para indivíduo como para a família, sendo ainda um encargo de longo prazo e pesado”, mas Lei Chin Ion considera também que causam prejuízos ao desenvolvimento

sustentável da sociedade e da economia”. Por isso mesmo, Lei Chin Ion avançou que irá propor “a inten-

68% do número total de

mortes registadas no território são causadas por doenças crónicas

sificação na prevenção e controlo das doenças crónicas”, bem como apelar aos serviços públicos, entidades médicas e associações cívicas a prestarem uma colaboração activa, para aproveitar os recursos existentes para reforçar o trabalho de prevenção e controlo. Ainda na mesmo documento, os SS in-

formaram que a Comissão de Prevenção e Controlo de Doenças Crónicas irá promover uma série de acções – distribuição de folhetos, sessões temáticas, workshops de formação – que pretendem promover a detecção precoce, a “auto-gestão das doenças crónicas e promover hábitos de vida saudável”. - F.A.

Mulher do continente detida por burla

O Ministério Público (MP) deteve uma mulher do interior da China de 43 anos, pelo crime de burla. Actualmente, a suspeita aguarda julgamento em prisão preventiva. O caso remonta a final de Agosto passado e envolve uma burla à Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM). De acordo com um comunicado do MP, a detida, juntamente com um cúmplice, havia participado num esquema de burla. O crime incluiu a falsificação da procuração da vítima, que permitiu burlar a CTM através do pedido de um cartão SIM, então utilizado para falar com o cúmplice, que se fez passar pela vítima para tirar fichas e dinheiro de uma sala VIP no valor de 34 milhões de patacas. No entanto, a burla foi descoberta por uma testemunha ocular, que assim evitou que a vítima saísse lesada. Após investigação, o MP concluiu que a suspeita do continente já havia estado envolvida num caso semelhante na região vizinha, do qual somou 7 milhões de dólares de Hong Kong, tendo por isso determinado que esta era culpada.

Turismo Helena de Senna Fernandes preocupada com cortes nas excursões

A directora dos Serviços de Turismo (DST), Helena de Senna Fernandes, disse ontem estar preocupada com o facto de o Governo Central ter cortado os vistos de turismo de excursões para Hong Kong. A responsável assegura que, para já, ainda não houve qualquer influência significativa para Macau – desde que a política entrou em vigor, na Semana Dourada -, mas diz que se esta medida continuar por mais um mês, influenciará as excursões que costumam visitar Macau. Helena de Senna Fernandes explicou que agora apareceram mais excursões só para Macau, o que pode compensar e diz que a RAEM vai estar de olho. “As autoridades dão atenção ao desenvolvimento da situação, quando necessário vamos estudar outros métodos para resolver o problema.” Segundo os dados fornecidos pelo Corpo de Política de Segurança Pública, entre os dias 1 e 7 de Outubro, semana de feriados comemorativos do Dia Nacional da China, as fronteiras de Macau registaram, no total, 901 mil turistas.

Dengue RAEM já regista 11 casos

Os Serviços de Saúde de Macau confirmaram ontem o registo do nono caso importado de febre de dengue no território. O paciente é um residente de Hong Kong, de 36 anos, que trabalha na região vizinha de Zhuhai e que, entre os dias 15 e 22 de Setembro, esteve nas Filipinas em serviço, segundo os Serviços de Saúde. O homem, que se queixou a 1 de Outubro de sintomas da febre de dengue, recorreu inicialmente a um médico de Zhuhai e na passada segunda-feira, após ter detectado erupção cutânea no corpo dirigiu-se ao Hospital Kiang Wu, em Macau, onde se confirmou o diagnóstico. O doente melhorou, já não tem febre e nenhum dos familiares, com quem reside, apresenta sintomas, detalham os Serviços de Saúde. Macau registou até ao momento 11 casos de febre de dengue, dois dos quais locais. Em comunicado, os Serviços de Saúde advertem que a situação epidemiológica da febre de dengue dos países do Sudeste Asiático e na província de Guangdong é grave. Na região vizinha, realçam, foram registados desde o início do ano 24.489 casos, dos quais seis se revelaram mortais.


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hoje macau sexta-feira 10.10.2014

Seminário “Medicina Legal e Forense: limites e potencialidades” A Medicina Legal e Forense é a aplicação de conhecimentos médicos e metodologias para a resolução de questões jurídicas e problemas para os indivíduos e a sociedade. Envolve a observação, documentação, recolha, avaliação e interpretação científica da evidência médica decorrente de investigações clínicas post mortem requeridas por diferentes áreas do direito, incluindo penal, civil, do trabalho, da família e administrativo. Nos últimos anos, séries de televisão CSI proporcionaram uma enorme visibilidade e projeção entre a opinião pública das diversas áreas da ciência forense. Essa visibilidade tem contribuído para um melhor conhecimento das ciências forenses e ao mesmo tempo para criar alguns equívocos. Esta palestra aborda as várias áreas de medicina forense e suas potencialidades e limitações no âmbito de investigações criminais e na investigação judicial em outros campos do direito.

Professor Catedrático Duarte Nuno Vieira O Vencedor da “Douglas Lucas Medal 2014”, considerado o melhor investigador forense do mundo, é Professor Catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e Presidente do Conselho Pedagógico desta Faculdade, sendo também docente visitante em diversas outras universidades nacionais e estrangeiras. Presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal e do Conselho Médico-Legal. É Presidente da Academia Internacional, da Associação Internacional de Ciências Forenses e da Associação Mundial de Médicos de Polícia. Orador: Professor Catedrático Duarte Nuno Vieira Data: 10/10/2014 (Sexta- Feira) Hora: 15:00 Local: Anfiteatro nº3, 1ºandar, Edif Wui Chi, IPM Língua: Inglesa

Sejam Bem-Vindos!

ANÚNCIO

CONCURSO PÚBLICO PARA “OBRA DE DECORAÇÃO DA RESIDÊNCIA DO ESTUDANTE DO EDIFÍCIO LEI SAN” 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9.

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Entidade que põe a obra a concurso: Instituto Politécnico de Macau (IPM). Modalidade de concurso : concurso público. Local de execução da obra: Rua de Luís Gonzaga Gomes, N.º 136 Edifício Lei San, 4º andar, A4~H4. Objecto da empreitada: execução dos trabalhos de reconstrução e decoração da residência do estudante do Instituto Politécnico de Macau, no local de execução da obra. Prazo máximo de execução: 75 dias. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de 90 dias, a contar da data do Acto Público do Concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso. Tipo de empreitada: a empreitada é por Série de Preços. Caução Provisória: MOP 180.000,00 (cento e oitenta mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução aprovado nos termos legais. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). Preço base: não há. Condição de admissão: inscrição na DSSOPT na modalidade de execução de obras. Local, dia e hora do limite para entrega das propostas: Local : Divisão de Obras e Aquisições do IPM, Rua de Luís Gonzaga Gomes. R/C, Macau; Dia e hora do limite: 29 de Outubro de 2014 (Quarta-feira), pelas 17H45 Em caso de encerramento dos serviços e entidades públicas da RAEM, por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora do limite para a entrega de propostas serão adiadas para o mesmo tempo do primeiro dia útil seguinte. Local, dia e hora do acto público: Local: Anfiteatro III, 1.º andar do Edifício Wui Chi do Instituto Politécnico de Macau, sita na Avenida de Dr. Rodrigo Rodrigues. Dia e hora: 30 de Outubro de 2014 (Quinta-feira), pelas 10H00 Em caso de adiantamento da data do limite para a entrega de propostas mencionada de acordo com o número 12 ou em caso de encerramento dos serviços e entidades públicas da RAEM na hora estabelecida para o acto público de abertura das propostas acima mencionadas por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes os seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. Local, hora e preço para obtenção da cópia e exame do Processo; Local: Divisão de Obras e Aquisições do IPM, Rua de Luís Gonzaga Gomes, R/C, Macau; Dia: A partir do dia deste anúncio até ao dia e hora do acto público do concurso. Horário: Horário de Expediente. Na Divisão de Obras e Aquisições do IPM poderão ser solicitadas cópias do processo de preço de MOP1.000,00 (mil patacas), por exemplar. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Preço razoável 60% - Plano de trabalhos 10% - Experiência e qualidade em obras 18% - Integridade e honestidade 12% Junção de esclarecimentos: Os concorrentes deverão comparecer na Divisão de Obras e Aquisições do IPM, Rua de Luís Gonzaga Gomes, R/C, Macau, a partir de 16 de Outubro de 2014 (inclusive) e até à data do limite para a entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Macau, 29 de Setembro de 2014 O Presidente do Instituto Politécnico de Macau, Lei Heong Iok


CHINA

hoje macau sexta-feira 10.10.2014

O método utilizado pelo Fundo Monetário Internacional baseia-se na paridade de poder aquisitivo, que tem em conta as diferenças dos preços ao consumidor nos diversos países

FMI CHINA ULTRAPASSA EUA COMO MAIOR ECONOMIA MUNDIAL

O supremo gigante

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Governo de Hong Kong rompeu ontem as negociações com os estudantes destinadas a pôr fim às manifestações pró-democracia que têm paralisado diversas zonas da cidade. “A base para um diálogo construtivo foi minada. É impossível realizar uma reunião construtiva amanhã [hoje]”, disse a secretária-chefe do executivo da Região Administrativa Especial chinesa, Carrie Lam, em declarações à imprensa. A porta-voz da Federação de Estudantes, Yvonne Leung, informou numa mensagem escrita na aplicação online ‘WeChat’ que os estudantes iriam reagir ao rompimento das negociações por parte do Governo. Carrie Lam atribuiu a ruptura das negociações aos líderes estudantis, que acusou de “minarem a confiança” na reunião

chinês em dólares subestima o poder de compra que o indivíduo, e, portanto, esse país, pode ter. O Índice Big Mac da revista The Economist é um grande exemplo destas disparidades, assim como são as medidas do FMI relacionadas aos PIB em termos taxas de mercado, e em termos de poder de compra. Com base no poder de

O FMI considera que a economia da China, ajustada ao poder de compra, é agora a maior do mundo MIKE BIRD GGN

compra, a China está a ultrapassar os EUA neste momento e a tornar-se a maior economia do mundo. De acordo com o FMI, até o final de 2014, a China vai tornar-se o país com 16,48% do poder de compra ajustados ao PIB mundial (ou US $17.632 biliões), enquanto os EUA vão acumular 16,28% (ou US $ 17.416 biliões).

HONG KONG GOVERNO ROMPE NEGOCIAÇÕES COM ESTUDANTES

Regresso à casa da partida proposta com os comentários que fizeram nos últimos dois dias. “O diálogo não pode ser utilizado como uma desculpa para incitar mais pessoas a juntarem-se aos protestos”, declarou. LUSA

China ultrapassou os EUA ao tornar-se a maior economia do mundo, segundo as regras do Fundo Monetário Internacional. Chris Gilesm, editor de economia no Financial Times, constatou a mudança. O economista já tinha alertado, em Abril deste ano, para o que estava prestes a acontecer . O método utilizado pelo FMI faz o ajuste, basicamente, para a paridade de poder aquisitivo. A lógica simples é que os preços não são os mesmos em cada país: uma camisa custa menos em Xangai do que São Francisco, por isso não é inteiramente razoável comparar os países sem levar isto em linha de conta. Embora uma pessoa comum na China receba muito menos do que um americano típico, converter um salário

Carrie Lam

“Os activistas da ocupação ilegal têm de parar”, acrescentou.

AMEAÇAS ESTUDANTIS

Os comentários da responsável surgiram horas depois de os líderes dos protestos terem feito

saber que reforçarão a ocupação de zonas cruciais da cidade se não obtivessem concessões do Governo. Um líder estudantil do movimento pró-democracia de Hong Kong advertiu que os que protestam não recuarão e alargarão o movimento de ocupação a novos locais se o governo não responder às suas exigências. “Sem uma explicação justa e sem ideias concretas sobre os meios de resolver o conflito, o povo de Hong Kong não vai bater em retirada”, declarou aos jornalistas Alex Chow, presidente da federação dos estudantes. Chow adiantou que “os estudantes irão ocupar outros locais” se as suas reivindicações não forem satisfeitas.

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Tiananmen Campanha no Twitter para ocupar praça com guarda-chuvas

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MA campanha intitulada “Occupy Tiananmen” começou a circular na rede social Twitter, na qual se pede aos cidadãos que saiam às ruas da capital chinesa com guarda-chuvas no sábado, em solidariedade para com o movimento pró-democracia em Hong Kong. A ‘convocatória’ pede às pessoas que saiam para as ruas de Pequim entre as 11:00 e as 17:00 com guarda-chuvas, objecto que se tornou um símbolo dos protestos em Hong Kong, em particular para a Praça de Tiananmen, palco da repressão do movimento estudantil em 1989, escreve ontem a agência Efe. Sem se saber com certeza a origem do ‘hashtag’ (etiqueta), acredita-se que poderá ter como proveniência Hong Kong, já que a mensagem original está escrita em carateres chineses ao estilo da antiga colónia britânica e, além disso, o Twitter não está censurado na Região, ao contrário do que sucede no interior da China, onde o acesso é apenas possível através de uma VPN (Virtual Private Network), o que permite fugir à chamada Grande Muralha ‘Firewall’ da China. Apesar de a campanha já ter tido eco, alguns utilizadores da rede social e activistas de direitos humanos de Hong Kong questionam-se acerca da sua viabilidade, uma vez que essa praça é um dos locais mais vigiados e protegidos pela China. Até à tarde de ontem não foram reportadas informações relativas à realização de iniciativas idênticas noutros lugares da China.

Xi Jinping satisfeito com austeridade e na luta contra corrupção

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Presidente chinês, Xi Jinping, declarou ‘vitória’ na campanha de austeridade de 15 meses que resultou no corte de 8.600 milhões de dólares em despesas públicas, e prometeu continuar a luta contra a corrupção. A iniciativa “Linha de Massas” - um termo maoista que se refere à necessidade de alinhar o Partido Comunista com as pessoas - resultou na remoção de mais de 160.000 funcionários públicos “fantasma” e na punição de 74.000 membros do partido por terem violado as regras de austeridade, indica a agência Xinhua. A conclusão do plano foi assinalada com uma conferência com os sete membros do Comité Permanente do Politburo do Partido Comunista Chinês, transmitida em directo. “O fim da campanha não é o fim dos bons métodos de trabalho”, disse Xi Jinping, citado pela Xinhua. Segundo o jornal oficial Global Times, a iniciativa, que começou em Junho de 2013, visava acabar com “estilos de trabalho pouco desejáveis, como o formalismo, a burocracia, o hedonismo e a extravagância”. A Xinhua indica que o plano resultou numa redução de 25% de reuniões oficiais, na retirada de mais de 100.000 veículos governamentais e numa redução de 1,9 milhões de documentos oficiais.


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EVENTOS

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CCM apresenta vídeo para celebrar 15 anos

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Centro Cultural de Macau vai apresentar um vídeo que faz uma retrospectiva do percurso e desenvolvimento dos últimos 15 anos, desde que abriu as portas em 1999. O vídeo leva espectadores e profissionais das artes para o centro da acção enquanto personagens activas e testemunhas no processo. “Olhando para a última década e meia, o vídeo recorda o crescimento simultâneo do CCM e do público de Macau, captando memórias e diferentes perspectivas. O registo foca não só as produções e espectáculos como os musicais, concertos e festivais mas também inúmeras outras actividades de palco e bastidores”, aponta um comunicado do CCM. As mudanças ocorridas no panorama artístico local também são retratadas, relembrando programas de intercâmbio e espectáculos comissionados que contribuíram para o enriquecimento do Audiovisual e das Artes Performativas. O filme lança um olhar às oportunidades surgidas com os projectos mentores e residências artísticas, cujo objectivo tem sido expandir e sofisticar o vocabulário da cena artística local. O “Especial Vídeo – CCM 15º Aniversário” vai para o ar este domingo, 12 de Outubro, no canal português da TDM às 22h30. Depois da estreia, o vídeo de 25 minutos ficará disponível no YouTube.

Filmes lusos no Festival de Cinema de Londres

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S filmes “Cavalo Dinheiro”, de Pedro Costa, e “Taprobana”, de Gabriel Abrantes, serão exibidos na próxima semana no Festival de Cinema de Londres, que começou na passada quarta-feira, em Londres. A 58ª edição do London Film Festival, que conta com a participação de mais de 250 filmes, receberá, nos dias 16 e 18 de Outubro, o “Cavalo Dinheiro”, de Pedro Costa, filme que levou à conquista do prémio de Melhor Realizador no festival de Locarno (Itália). Também “Taprobana”, a curta-metragem de Gabriel Abrantes premiada em Berlim, será exibida nos dia 19 de Outubro. O filme é uma co-produção entre Portugal, Sri Lanka e Dinamarca, e é descrito como uma comédia que acompanha a lua-de-mel do poeta Luís Vaz de Camões com Ti-nan-men, uma chinesa por quem se apaixonou, no Oriente, quando escreveu “Os Lusíadas”. O festival fica marcado pela presença de vários filmes biográficos, entre os quais “The imitation game”, sobre o investigador matemático Alan Turing, interpretado por Benedict Cumberbatch, “Rosewater”, sobre o jornalista de origem iraniana Maziar Bahari, interpretado pelo actor Gael Garcia Bernal, ou “Mr. Turner”, sobre o pintor oitocentista britânico William Turner, com o actor Tomthy Spall.

De entre cinco nomeações, o filme rodado em Macau conseguiu arrecadar três Prémios Sophia da Academia Portuguesa de Cinema

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última vez que vi Macau”, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, ganhou três Prémios Sophia, anunciou a Academia Portuguesa de Cinema na quarta-feira à noite. A longa-metragem filmada em Macau estava nomeada para receber cinco prémios, tendo conseguido o galardão para Melhor Filme do Ano. Também Rui Poças conseguiu vencer o prémio de Melhor Director de Fotografia com a película

PRÉMIOS SOPHIA “A ÚLTIMA VEZ QUE VI MACAU” VENCE NA C

Não há duas se e João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata conseguiram obter o Prémio de Melhor Argumento Original. “A Última Vez que Vi Macau” teve estreia em 2012, depois dos realizadores terem chegado a Macau em 2009 para as filmagens. O filme conta a história de um português que viveu no território na infância e que regressa 30 anos depois, para rever uma amiga – Candy. O filme transforma-se numa história policial, quando “coisas estranhas e assustadoras” acontecem e o actor se apercebe que Candy anda metida com as pessoas erradas. O filme de João Guerra da Mata e João Pedro Rodrigues já tinha sido nomeado para

dois outros prémios de cinema, em Espanha e na Suíça.

25 DE ABRIL PREMIADO

“A Última Vez que Vi Macau” competia com filmes como “Até amanhã Camaradas”, de Joaquim Leitão, que conseguiu vencer na categoria de Melhor Realizador. Rita Durão, com a interpretação “Em segunda mão”, obteve o prémio para Melhor Actriz, e o de Melhor Actor foi para Pedro Hestnes, também pela interpretação “Em segunda mão”. A Academia Portuguesa de Cinema atribuiu ainda, quarta-feira à noite, prémios de carreira ao director de fotografia Eduardo Serra, ao produtor Henrique Espírito Santo e ao realizador José Fonseca e Costa.

João Braz, com “É o amor”, venceu o prémio Sophia para Melhor Montagem e André Marques, com “Luminita”, obteve o galardão para Melhor Curta-Metragem de Ficção. O Prémio de Melhor Curta-Metragem de Animação foi para “Alda”, de Luís Catalo, Ana Cardoso, Filipe Fonseca e Liliana Sobreiro, e o de Melhor Curta-Metragem Documentário para “Lápis Azul”, de Rafael Antunes. O Prémio para Melhor Documentário foi atribuído a “A Batalha de Tabatô”, de João Viana, e o de Melhor Guarda-Roupa a Maria Gonzaga e Maria Amaral, por “Até Amanhã Camaradas”. Augusto Mayer, com “Comboio Nocturno para Lisboa”, venceu o Prémio Sophia para Melhor Direcção deArte e


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CEM Feira Recreativa da Energia este domingo

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evento anual ‘Feira Recreativa da Energia’ está de volta à cidade e este ano vai ter lugar na Praça do Tap Seac, no dia 12 de Outubro. Das 11h00 às 16h30, com o tema ‘Poupança de Energia e Segurança’, o evento tem como objectivo promover uma utilização mais ecológica e segura da energia no dia-a-dia dos cidadãos de Macau. Tendo como público alvo crianças e jovens até aos 16 anos, 13 escolas secundárias locais irão participar no evento, incluindo a Escola Portuguesa de Macau. As escolas irão competir entre si em três competições distintas, o “Concurso do Melhor Expositor”, no qual os alunos são desafiados a conceber um expositor com jogos associados ao tema do evento para participação do público, o “Concurso de Peças de Arte Recicláveis”, no qual os alunos têm de usar a sua criatividade para criar peças de arte usando apenas material eléctrico reciclável, por forma a demonstrar como é importante utilizar melhor os nossos recursos e assim proteger o ambiente e os alunos irão também entreter a audiência através de actuações em palco no ‘Concurso de Talentos’.

Taiwaneses Sue Rey e Power Station no Venetian

CATEGORIA DE MELHOR FILME

em três o de Melhor Caracterização foi atribuído a Sano de Perpessac, com o mesmo filme. Lançados em 2012, os Prémios Sophia visam distinguir os profissionais do cinema nacional pelos próprios pares, neste caso, a Academia, fundada em 2011, composta

por mais de uma centena de membros, desde realizadores, actores e directores de fotografia. A Academia Portuguesa de Cinema anunciou que a quarta edição dos prémios acontecerá a 2 de Abril do próximo ano.

MacPro Ah Chung estreia “The Worm Talks” em Macau

A cantora de Taiwan, Sue Rey, vai actuar às 20 horas de dia 1 de Novembro, na Cotai Arena do Venetian, juntamente com o duo Power Station. Os bilhetes, que custam entre 280 e 880 patacas, estão à venda nas bilheteiras e na internet a partir de hoje. Do repertório da artista, conhecida por juntar rock elementos de rock ocidental com música chinesa pop, fazem parte conhecidas músicas como “The Same Moonlight”, “Follow Your Feelings”, ou “Black Tornado”. Sue Rey lançou o seu primeiro álbum em inglês em 1975, chegando ao estrelato apenas oito anos depois. Já os Power Station nasceram em 1997 e são compostos por dois artistas taiwaneses, que voltam a pisar o palco da Cotai Arena, como fizeram no ano passado.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA SONATAS PARA VIOLINO Nº 1 & 2 • Luís de Freitas Branco, Carlos Damas

Um dos compositores mais talentosos e proeminentes do século XX português, Luís de Freitas Branco escandalizou os mais conservadores com a nova linguagem harmónica desta obra. O tom sonhador da primeira sonata contrasta com a clareza neo-clássica da sonata n º 2. Carlos Damas foi professor no Conservatório de Música de Macau, integrou a Orquestra de Macau e participou no Festival de Música de Macau, no Festival de Artes de Macau e no Quinto Festival de Artes da República Popular da China.

O pintor Yim Yee King – mais conhecido por Ah Chung – inaugurou ontem “The Worm Talks in Macau”, a sua primeira exposição a solo no território, na galeria MacPro. A mostra do proeminente artista de Hong Kong vai estar patente no mesmo local até ao próximo dia 26 e a entrada é livre. Os amantes e curiosos terão oportunidade de ver duas pinturas a óleo em tamanho gigante, representativas da cidade de Macau. Contudo, não é a primeira vez que Ah Chung tem uma exposição individual, tendo já tido a oportunidade de mostrar o seu trabalho em Taipei e Los Angeles. A mostra na Galeria MacPro está patente das 12h00 às 20h00.

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

O HOMEM QUE GOSTAVA DE CÃES • Leonardo Padura

Em 2004, com a morte da mulher, Iván, um aspirante a escritor, relembra um episódio que lhe aconteceu em 1977, quando conheceu um homem enigmático que passeava pela praia acompanhado de dois galgos russos. Após vários encontros, «o homem que gostava de cães» começou a confidenciar-lhe relatos singulares sobre o assassino de Trótski, Ramón Mercader, de quem conhecia pormenores muito íntimos. Graças a essas confidências, Iván irá reconstituir a trajetória de Liev Davídovitch Bronstein, mais conhecido por Trótski, e de Ramón Mercader, e de como se tornaram em vítima e verdugo de um dos crimes mais reveladores do século XX. Através de uma escrita poderosa sobre duas testemunhas ambíguas e convincentes, Leonardo Padura traça um retrato histórico das consequências da mentira ideológica e do seu poder destrutivo sobre a utopia mais importante do século XX.


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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José Simões Morais

A PEREGRINAÇÃO DE MENDES PINTO FOI EDITADA HÁ 400 ANOS

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“Peregrinação”, livro que apareceu trinta e um anos após a morte do seu autor, Fernão Mendes Pinto, foi publicado em Lisboa por Pedro Craesbeeck no ano de 1614, às custas de Belchior de Faria, Cavaleiro da Casa do Rei e seu livreiro, tendo como preço de capa 600 reis. A 22 de Setembro de 1558, Fernão Mendes Pinto tinha regressado a Portugal após vinte e um anos de viagens pela Ásia e segundo as suas palavras, depois de ter sido vendido dezassete vezes, por treze vezes feito cativo e cinco naufrágios. Casou com Maria Correia de Brito em 1563 e ficou a viver na quinta do Pragal, em Almada, onde escreveu o livro que pretendeu deixar aos seus filhos. Tarefa a que se dedicou entre 1568 e 1578 com ajuda das notas que foi tomando ao longo das suas viagens e de outras que lhe chegaram às mãos, algumas quando já estava a escrever a “Peregrinação”. O que aí se encontra escrito é um relato que mais parece ficção para quem o lê, tal a natureza incrível do que descreve e por isso, o trocadilho com o seu nome, que foi passando ao longo dos séculos: Fernão, mentes? Minto. São episódios por ele narrados de memória, muitos em autobiografia, como o de ter pertencido ao grupo de portugueses que primeiro chegou ao Japão devido a uma tormenta no mar ter empurrado o barco até à costa e aí ter introduzido a espingarda nesse país, que à primeira vista o descredibilizam. Actualmente, todas essas pseudo-fantasias começam a ser creditáveis e verosímeis, à medida que estudos de campo mais profundos se vão realizando. Já as datas, que atribuiu a muitos dos acontecimentos por ele descritos, estão por vezes erradas, o que desacreditou o seu trabalho. Mas as preciosas informações que se encontram no livro levaram a ser, após a sua publicação, rapidamente traduzido para outras línguas. Assim, logo em 1620 foi traduzido para castelhano por Herrera Maldonado e oito anos depois para francês. Em 1652, parte do livro foi traduzido

para holandês, no ano seguinte apareceu a versão completa em inglês e em 1671, em alemão.

A VIAGEM DE FERNÃO MENDES PINTO A afinidade que sentimos com Fernão Mendes Pinto e todos os que como ele se fizeram ao mar em busca do além, o que está para lá de nós e só pode ser encontrado na vivência do estar da viagem, por lugares desconhecidos que nos confrontam com o nosso complemento, aquilo que em nós desconhecemos, leva-nos a apresentar este irrequieto aventureiro como um dos arquétipos do estar português do século XVI. Nascido de uma família pobre em Montemor-o-Velho entre 1509 e 1511, Fernão Mendes Pinto chegou a Lisboa a 13 de Dezembro de 1521, ficando aí ano e meio ao serviço de uma dama nobre. Dessa casa fugiu precipitadamente, pois tinha a vida em risco e embarcando para Setúbal, foi capturado por piratas franceses em frente a Sesimbra, juntamente com dezasseis companheiros. Afundada a caravela, foram atados de pés e mãos para serem vendidos como escravos aos mouros em Larache, recebendo constantes açoites, que lhes puseram a carne em chagas. Maldizendo a sua sorte, eis que apareceu uma nau que regressava de S. Tomé carregada de açúcar e de escravos. Capturada esta pelos piratas, para dar lugar a tão preciosa carga foram alguns dos anteriores cativos abandonados na praia de Melides e o barco dos piratas, mudando de rota, seguiu para França. Regressado a Setúbal, Fernão Mendes Pinto ficou durante quatro anos ao serviço de Francisco Faria, fidalgo da Casa do Mestre de Santiago, após o que foi dado como moço de câmara ao mestre D. Jorge de Lencastre, onde permaneceu ano e meio. Como os proveitos não davam para o sustento, resolveu embarcar para a Índia. A 11 de Março de 1537 Mendes Pinto partiu para a Ásia, numa armada de cinco naus. Em Moçambique ficaram a saber que três das naus teriam como destino Diu, onde chegaram a 5 de Setembro, não de 1538, como por engano escreveu, mas de 1537. Os

setecentos homens da armada foram muito bem recebidos pelo Capitão de Diu, António da Silveira, que gastou largas somas de dinheiro em festas, na distribuição de comida e em mercês. Tal largueza e abastança levou-o a sonhar com uma vida de fortuna, abrindo as portas para a sua grande aventura. Tendo-se deixado ficar por Diu durante dezassete dias, daí embarcou depois

numa das duas fustas que foi ao Estreito de Meca para indagar sobre a localização da armada turca. Os tormentos da viagem ocorrida “com tempo assaz forte, na despedida do inverno, com grandes chuvas e contra monção,” quase levou a todos se perderem e já sem esperança, só por milagre conseguiram chegar à Ilha de Socotorá (à entrada do Mar Vermelho e hoje pertencente


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ao Iémen), onde fizeram aguada. Não nos alongaremos mais sobre as histórias que Fernão Mentes Pinto sobre si narrou na “Peregrinação” e abreviando, resumiremos. Primeiro, no Mar Arábico como soldado e dois anos depois em Malaca, foi daí enviado pelo capitão da cidade a Samatra e a Patane, portos muito frequentados pelos chineses. Por essa altura, havia muitos portugueses a comerciar pelas costas do Mar de Bengala e no Sudeste Asiático, onde não era necessário o cartaz (permissão dada pelos governantes portugueses para quem queria navegar pelo Mar Arábico) e eram chamados de alevantados. Em Patane, por essa altura tributária do reino de Ayuthia na costa Oriental da península Malaia, viviam trezentos portugueses alevantados. Estes eram aventureiros que, por iniciativa própria, largavam tudo e partiam em busca de uma nova vida, fundando colónias espontâneas e casando com mulheres locais. Desde 1541 e durante dois anos, Fernão Mendes Pinto viveu como alevantado em Martabão, no reino de Pegu, onde serviu no exército do Rei da Birmânia. Em 1543 vai pela primeira vez à China e continuando como alevantado, mercancia durante dez anos no Mar de Bengala com os comerciantes do Reino de Pegu e no Mar da China, com os de Sião, China e Japão. Fernão Mendes Pinto faz o relato da viagem ao Japão e do que lá aconteceu entre os capítulos 131 e 135 da “Peregrinação”. Os seus negócios enriqueceram-no e tornou-se um entendido sobre usos e costumes dos países do Extremo Oriente. Conheceu o Padre Francisco Xavier em Malaca no ano de 1547, tendo-lhe emprestado dinheiro para a construção de uma igreja em Yamaguchi, no Japão.

MENDES PINTO ENTRA NA COMPANHIA DE JESUS Há uma parte da vida de Fernão Mendes Pinto que não aparece no livro “Peregrinação” e não se sabe se dele foi retirada, ou se o protagonista não a escreveu. Levava já dezassete anos de Ásia, quando em Goa, chegado do Sião, Mendes Pinto, após ter amealhado mais de nove mil cruzados, uma verdadeira fortuna, se preparava para regressar à sua terra e constituir família. Decorria o mês de Março de 1554 e enquanto esperava pelas naus, que o iriam levar de regresso à pátria, Pinto

foi por duas ou três vezes ao Colégio de S. Paulo de Goa na esperança de conseguir reaver o dinheiro que emprestara a S. Francisco Xavier para a construção de uma igreja no Japão. Estava muito recente a morte de S. Francisco Xavier, que tinha falecido na Ilha de Sanchoão, no Sul da China, a 3 de Dezembro de 1552 e por isso, todos os que tinham privado com o padre eram constantemente solicitados para falar sobre a sua relação com o Santo. Numa dessas visitas ao Colégio, o Irmão João Bravo, que conhecera Fernão Mendes Pinto em Malaca, convidou-o para falar sobre a amizade que ligava Pinto a S. Francisco Xavier. Logo ali foi rodeado pelos irmãos e padres, que se mostraram muito interessados em o escutar, o que o sensibilizou muito. Depois apareceu o Padre Belchior Nunes Barreto, Reitor do Colégio, que ficou muito contente por ter ali um amigo do Santo. Levando-o a visitar o Colégio, começou a consciência de Fernão a sentir a diferença entre aquelas verdades ali administradas e a sua vida, alimentada até então no amor ao dinheiro e afeição da pedraria. No entretanto chegou a Goa a notícia que a nau onde vinha o corpo de S. Francisco Xavier estava para chegar. Mendes Pinto logo se ofereceu para acompanhar na fusta o Padre Belchior e ir ao encontro da nau. Encontraram-na a vinte léguas de Goa, junto a Baticalá. Perante o corpo incorrupto, que provava a santidade do padre, Fernão sentiu um novo fervor religioso. O corpo de S. Francisco Xavier chegou a Goa a 16 de Março, tendo-se feito grandes festas. Foi então que Fernão Mendes Pinto tomou a decisão, movido por súbito acesso de exaltação religiosa, de entrar na Companhia de Jesus. Certa vez, o Padre Belchior Nunes Barreto perguntou-lhe pelas coisas do Japão e o modo da terra e gente. Pinto contou-lhe muitas coisas, dizendo-lhe que em nenhuma outra parte do mundo se podia fazer maior serviço a Deus que naquela terra, pela disposição que ele viu no tempo que lá andou. Se o Padre se dispusesse a ir ao Japão, ele despedia quanto possuía e tinha e iria em sua companhia acabar a vida em tão santa obra. Seriam onze ou doze mil pardaos e estas coisas dizia com tanta eficácia e tão afervorado, que o Padre ficou suspenso. E disse mais: que de quanto dinheiro tinha, tomaria somente três ou quatro mil pardaos, ou o que fosse necessário, os quais levaria para edificar um colégio na principal cida-

A AFINIDADE QUE SENTIMOS COM FERNÃO MENDES PINTO E TODOS OS QUE COMO ELE SE FIZERAM AO MAR EM BUSCA DO ALÉM, O QUE ESTÁ PARA LÁ DE NÓS E SÓ PODE SER ENCONTRADO NA VIVÊNCIA DO ESTAR DA VIAGEM (...) LEVA-NOS A APRESENTAR ESTE IRREQUIETO AVENTUREIRO COMO UM DOS ARQUÉTIPOS DO ESTAR PORTUGUÊS DO SÉCULO XVI de de Japão. Segundo Padre Francisco de Sousa: “Fernão Mendes Pinto, sem examinar como manda o Evangelho, se tinha cabedal bastante para as despesas de tão grande edifício, levantou a voz, e com o rosto abrasado, e todo desfeito em lágrimas, fez voto de pobreza, castidade e obediência, e de viver e morrer na Companhia de Jesus, e de empregar toda a sua fazenda no serviço da Cristandade japonesa.” Fernão Mendes Pinto começou logo a distribuir o que tinha ganho com tanto trabalho e perigos do corpo e alma, fazendo muitas esmolas a pobres e outras muitas obras de misericórdia. Tinha muitos escravos seus cativos, aos quais a todos forrou. Mandou para Portugal somente setecentos mil reis, para aí darem a uns seus parentes. Comprou muitas peças ricas com o fito de as levar aos reis e príncipes do Japão. O Vice-Rei, ao saber que Fernão Mendes ia para o Japão, mandou-o como seu embaixador para o Rei do Bungo, com cartas em reposta das que lhe ele escrevera. Constitui-se a missão, composta pelos padres Belchior Nunes Barreto e Gaspar Vilela, pelos irmãos António Dias, Belchior Dias, Luís Fróis, Estêvão de Góis, Brás e Fernão Mendes e ainda, por cinco jovens. Partiram de Goa, via Cochim, a 16 de Abril de 1554, na nau que transportava o novo Capitão de Malaca, D. António de Noronha. Durante os largos meses que aguardaram tempo favorável para passarem ao Japão, o comportamento do Irmão Fernão Mendes causou profunda impressão em quantos o haviam conhecido. Testemunha-o uma

carta do Padre Belchior Nunes, escrita daquela cidade a 3 de Dezembro de 1554: “Mete em muito espanto à gente desta terra nosso Irmão Fernão Mendes, que é o embaixador que o Vice-Rei mandando-lhe, em nome d’ El-Rei, por ele umas armas de grande preço. Era ele muito conhecido nesta terra, e tinha aqui servido ao mundo arrezoadamente, e era tido por dos mais ricos entre eles e que mais triunfava, julgavam-no por bem-aventurado a quem a fortuna dava tantas riquezas. Vêem-no agora vestido em uma teada velha e rota, pedir-lhes esmola de porta em porta – o que dantes lhe dava banquetes – e servir aos enfermos no hospital – o que dantes por nenhum preço chegara a visitá-los, de precioso.” A acidentada viagem ao Bungo está narrada entre os capítulos 220 e 225 da “Peregrinação”, mas sem nenhuma alusão do autor à sua vida de missionário. Passando por Macau em 1555, no ano seguinte estava no Japão como irmão jesuíta e embaixador do Vice-Rei da Índia. Terá sido nas terras de Bungo que, a seu pedido, Fernão Mendes foi dispensado dos votos feitos dois anos antes com grande precipitação e levado pelo fervor e desprendimento. Assim a 14 de Novembro de 1556, já desligado dos jesuítas, deixava o Bungo na companhia dos restantes missionários, que regressavam desanimados com o insucesso da viagem. A 4 de Dezembro estavam em Lampacau e partindo rumo a Goa, aí chegaram a 16 de Fevereiro de 1557. Fernão Mendes foi logo dar conta ao Governador Francisco Barreto dos resultados da sua embaixada, entregando-lhe a carta de resposta do Rei de Bungo e os presentes por ele enviados. O governador mandou-lhe passar certidões comprovativas dos serviços prestados, crendo Pinto que com elas iria receber em Lisboa uma farta régia recompensa e com essa confiança, embarcou para o Reino. Chegado a Lisboa a 22 de Setembro de 1558, logo tratou de entregar à Rainha D. Catarina a carta que para ela trazia do Governador. Aproveitou ainda a audiência para requerer as benesses de que se julgava merecedor mas, despachado para o oficial encarregado de atender a tais assuntos, não viu atendidas as suas pretensões. Desiludido e pobre, vai viver para Almada. Com uma vida sedentária, dedicou-se entre 1568 e 1578 a escrever a “Peregrinação”, livro concluído em 1580 mas que apenas foi publicado em 1614.


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Thomas Lim*

OS SEGREDOS DE UM ACTOR Capítulo XIV: Os desafios e os mitos

Um actor não depende apenas das suas técnicas de representação. Uma grande parte do trabalho implica resistir a toda a negatividade, até ao dia em que consiga alcançar os seus objectivos

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A minha opinião, só dois grupos de actores é que têm mais prazer do que dificuldades na sua carreira profissional: aqueles que já atingiram o estrelato e aqueles com menos de 25 anos de idade que estão ainda a começar o seu trabalho. Estes são os dois extremos opostos da carreira e acho que apenas estes não se preocupam com a insegurança e as dificuldades que vou descrever neste texto. O facto é que 98% dos actores enfrentam estes problemas, seja em qual parte do mundo, mesmo os que já são famosos mas não são ainda considerados estrelas.

1) NÃO POSSUIR CONHECIMENTOS PARA DESEMPENHAR OUTRA CARREIRA Um actor não possui quase nenhum talento que possa ser usado noutro tipo de trabalho. Diria que um actor com 30 e poucos anos que decida mudar de área terá muito mais dificuldades do que um produtor com a mesma idade, pois este tem sempre a possibilidade de adaptar o que sabe a outro tipo de trabalho, enquanto que poucos empregos procuram alguém que domine técnicas de representação de cinema ou teatro. A única excepção a esta regra seria talvez um cargo de professor de drama, mas até este emprego é irregular, fornecendo apenas um pouco mais de segurança (e muito menos satisfação) a um actor que na verdade desejava poder continuar a representar.

2) FALTA DE DINHEIRO A indústria cinematográfica é caracterizada por períodos de “abundância e escassez”. Normalmente, quando um actor consegue trabalho, acaba por receber nesse período mais do que seria pago noutros ramos. Depois vem um período de contenção financeira enquanto tenta arranjar outro trabalho. Seja qual for o país em que desempenham as suas funções, quase todos os actores acabam por ser freelancers, passando assim por fases como as que descrevi. Se o mercado for vibrante, os membros da equipa técnica conseguem trabalhar noutra produção com facilidade, pois há sempre procura para os seus talentos. Entre produções, os directores e produtores preparam-se activamente para os seus novos projectos. Mas os

actores adoptam uma atitude passiva enquanto esperam pacientemente para conseguir arranjar um novo trabalho. Assim sendo, quando um actor está a ser pago, deve sempre fazer poupanças para cobrir as alturas de escassez e insegurança. Devido a isto, muitos actores não se sentem seguros sequer para oferecer uma boa refeição aos seus amigos, e isto pode gerar emoções negativas se se repetir frequentemente (o que é normal acontecer). Na verdade, uma vez chegando aos 30 anos, um actor repara que os seus amigos já realizaram grandes avanços em outras carreiras, o que o faz sofrer muita ansiedade se não estiver a conseguir fazer progresso na área financeira. Esta pressão faz com que muitos actores na casa dos 30 decidam mudar de área, abandonando assim os seus sonhos de representar. Torna-se necessário ter uma grande força mental para resistir às alturas difíceis, mas tudo isto acaba por valer a pena quando conseguir finalmente obter um bom papel que o torne famoso.

3) FALTA DE RESPEITO Regra geral, as pessoas pensam que qualquer actor deve ser facilmente identificado pelo público. Imaginam sempre conseguir reconhece-lo através da televisão ou do cinema, ou no mínimo esperam conhecer o título das produções em que este participou. Mas se ninguém ouviu falar dos projectos em que esteve envolvido, é possível que o actor se sinta até envergonhado de falar do seu percurso profissional. As pessoas não costumam dizê-lo directamente, mas é fácil de perceber, através da maneira como passam a olhar e falar consigo, que acham a sua escolha profissional irrealista e desadequada. Também é frequente tecerem

considerações sobre a sua aparência para decidir se um indivíduo pode ou não trabalhar nessa área (apesar de este já ter mencionado que é na verdade um actor). Toda a gente acha que um actor tem de ser dotado de uma grande beleza física pois isto é o que se verifica com as maiores estrelas do cinema. Os actores tentam convencer-se que a opinião dos outros não é importante desde que estes sejam determinados, mas todos acabam por ser afectados por aquilo que os rodeia. E se receberem frequentemente o mesmo tipo de críticas acabam por perder o ânimo. Estes factores ilustram a razão pela qual digo que um actor não depende apenas das suas técnicas de representação. Uma grande parte do trabalho implica resistir a toda a negatividade, até ao dia em que consiga alcançar os seus objectivos. É por isso que vai necessitar de uma grande força de vontade, de poder mental e de uma atitude positiva para conseguir continuar a perseguir as suas ambições. Mas se conseguir chegar ao topo da carreira e obter o estrelato, os papéis mudam e daí em diante é o próprio actor que determina o seu futuro. Uma pequena nota: mais vale desempenhar papéis pequenos em produções grandes e com muita visibilidade do que optar pelo papel principal num projecto pequeno que ninguém vai ver. Nestas situações, o actor tem mais confiança quando tiver de responder à pergunta “em que produções é que participou”?

4) A MAIOR PARTE DOS PAPÉIS NÃO REQUEREM UMA REPRESENTAÇÃO SÉRIA Um actor vai inevitavelmente conhecer pessoas que lhe vão sugerir que se desafie a si próprio para se tornar num grande ac-

tor, optando por papéis que não tenham semelhanças com a sua própria pessoa. Estas pessoas até criticam aqueles que trabalham com frequência, implicando que as personagens interpretadas acabam por ser iguais ao actor na vida real. Mas a verdade é que, até um actor se tornar famoso, este vai principalmente interpretar personagens parecidas consigo próprio. Aqueles que criticam este facto não conhecem a indústria e estão apenas a fingir que sabem. Certamente que não conseguem sequer nomear 10 actores que desempenhem frequentemente papéis em que são diferentes de si mesmos. Apenas alguns (como Anthony Hopkins ou Daniel Day Lewis) são bons o suficiente para conseguir sempre apagar todas as suas características pessoais das personagens que representam. Na Ásia, a maior parte dos actores, mesmo aqueles que são considerados estrelas, integram muito de si próprios nos papéis que desempenham. Mas não pensem que é fácil representar uma personagem que se assemelha ao actor na vida real. O trabalho requer alguém com boa técnica que consiga simular as emoções que lhe forem pedidas. Se conseguir arranjar este tipo de contratos com frequência então já se pode considerar muito feliz, pois 98% dos actores são assolados pelo desemprego. Na verdade, se estiver inserido num mercado grande e ainda não for conhecido, o mais provável é que os papéis que conseguir arranjar não requeiram uma grande técnica de representação. O mais normal é que estes actores sejam contratados devido a um qualquer talento especial que possuam, ou então devido à sua aparência física. Em geral têm de realizar muito pouco diálogo, o que não lhes permite desenvolver muito a personagem. O que se espera é que sejam certeiros quando tiverem de falar e que sigam as instruções do director. É por isso que muitas produções optam por contratar extras ou “actores por um dia” (papéis com muito pouco diálogo) nas localidades em que estão a filmar. Estes papéis são fáceis e não exigem muita técnica. Ao mesmo tempo, esta solução permite poupar dinheiro em hotéis, pois os locais podem recorrer às suas próprias casas. Existem alguns actores americanos de ascendência asiática que residem em Hong Kong ou em Pequim de modo a tentar obter este tipo de contratos, e eu próprio conheço alguns que foram assim descobertos, vindo de seguida a obter papéis mais importantes em outras produções. *actor e realizador


DESPORTO

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MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

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UAS jornadas bastaram para que a Casa do Sport Lisboa e Benfica de Macau rectificasse um mau início de temporada nas lides da “Bolinha” e passasse de besta a bestial. Depois de se ter sagrado campeã de futebol do território, ao conquistar a Liga de Elite, a formação orientada por Bruno Álvares apresentava-se na contenda pelo título de futebol de sete como uma virtual candidata ao triunfo na competição, mas foi necessário esperar até à recta final do campeonato para que a formação encarnada confirmasse credenciais e fizesse valer as expectativas criadas.

ENCONTRO COM MONTE CARLO

As águias do território encerraram a participação na primeira fase da competição na liderança da série A e vão agora disputar as meias-finais da prova frente ao Grupo Desportivo Monte Carlo. Uma semana depois de ter derrotado pela margem mínima o até então líder do campeonato Taxi Chi Iao, o sete encarnado voltou a somar novo triunfo, desta feita frente ao lanterna vermelha da prova, o Pau Peng. Com a incumbência de vencer, a formação orientada por Bruno Álvares não comprometeu e entrou na partida a todo o vapor, criando a primeira grande oportunidade do desafio logo aos quatro minutos na sequência de uma boa jogada de entendimento entre Fabrício Lima e Vinício Morais Alves. Rápido, o brasileiro entregou para o companheiro de ataque, mas o dianteiro macaense falhou o enquadramento com a baliza do Pau Peng. A resposta do Grupo Desportivo Artilheiros surgiu menos de um minuto depois, numa iniciativa conduzida por Chan Tsz Chun que obrigou o guarda-redes do Benfica, Rui Nibra, a aplicar-se. Aos oito minutos, Fabrício Lima e Vinício Morais Alves voltaram a combinar na perfeição na frente de ataque, mas o avançado macaense voltou a não conseguir enquadrar o remate com a baliza de Sou Kwok Hou e a bola acabou por morrer na malha lateral da baliza do Pau Peng. O Benfica fazia por merecer o golo e o tento

FC PORTO E SPORTING ASSEGURAM PERMANÊNCIA

Benfica vence série A da “Bolinha” acabou por surgir aos doze minutos, com Fabrício Lima a inaugurar o marcador com um chapéu com peso, conta e medida ao guardião do Artilheiros. O lanterna vermelha do campeonato respondeu de imediato, com Liu Pui Fung a forçar Rui Nibra a uma defesa atenta.

SEGUNDA PARTE RECHEADA

O grupo de trabalho às ordens de Bruno Álvares continuou a dominar sem grande oposição, mas só na etapa complementar acabaria por conseguir reforçar a magra vantagem com que regressou ao balneário durante o intervalo. O sete encarnado não se deixou amolecer pelo interlúdio e aos 33 minutos marcou o seu segundo golo, com Marquinhos a combinar com um colega de equipa, antes de disparar, num remate seco, para o fundo das

redes da baliza de Sou Kwok Hou. Moralizadas, as águias do território tomaram gosto às celebrações e festejaram novo tento três minutos depois. Facturou Nicholas Torrão, numa jogada a papel químico do lance que garantiu o segundo golo aos campeões de futebol de onze de Macau. A vencer por três bolas a zero, o Benfica encerrou a contagem com o quarto e último golo do

Com a incumbência de vencer, a formação orientada por Bruno Álvares não comprometeu

desafio a dois minutos do fim do tempo regulamentar. Marcou um atleta do Pau Peng na própria baliza, num golo que a Associação de Futebol de Macau atribuiu ao internacional Nicholas Torrão. Com o triunfo, a formação encarnada ultrapassou o Taxi Chi Iao na liderança da classificação da Série A e encerrou a participação na fase de grupos num esclarecedor primeiro lugar. Líder incontestado das contas da série durante a maior parte da prova, o Taxi Chi Iao partia para a derradeira ronda da fase regular da “Bolinha” com a qualificação para as meias-finais já garantida e ontem foi um sete transfigurado aquele que perdeu pela margem mínima frente ao Ching Fung. Sem a determinação evidenciada noutros desafios, o Taxi

Chi Iao consentiu o único tento da partida logo aos seis minutos. O golo que valeu o triunfo do Ching Fung foi apontado por Arnold Ndala.

PORTUGUESES FELIZES

Na fuga, aos lugares de despromoção, as formações de matriz portuguesa foram felizes, ainda que tenham somado resultados distintos. Depois de um arranque satisfatório de Campeonato, o Futebol Clube do Porto não conseguiu evitar uma hecatombe em termos de resultados e ontem somou nova derrota no frente-a-frente com o Lai Chi. Os dragões do território não tiveram argumentos para discutir o resultado de igual para igual com a adversário e perderam por duas bolas a zero. Com um golo aos 41 minutos e outro apontado a três minutos do final do de-

safio, Leong Ka Hang foi o carrasco da formação azul e branca. O FC Porto escapou, ainda assim, por uma unha negra à ingrata incumbência de disputar a “liguilha” de manutenção no primeiro escalão da “Bolinha”, graças em parte ao triunfo do Sporting Clube de Macau sobre o Grupo Desportivo Lam Pak. Os leões do território precisavam de derrotar o adversário para assegurarem a permanência entre os grandes do futebol de sete de Macau e não comprometeram. A formação orientada por João Maria Pegado e por Mandinho impôs-se ao adversário por duas bolas a zero, com golos de Timba e de Jorge Tavares, forçando o histórico Lam Pak a ter que discutir a manutenção no primeiro escalão com os melhores classificados da segunda Divisão.


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hoje macau sexta-feira 10.10.2014

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Cineteatro

O QUE FAZER ESTA SEMANA HOJE

10.1

FESTIVAL DE JAZZ & BLUES Venetian, Cotai 18h00 – Big Small Quintet with Tess Collins / DJ Sessions 18h30 – Blue Note 19h00 – Old Style Sextet 19h30 – Blue Note 20h00 – The Kandinsky Effect 21h00 – 3-0-3 Tango Fusion 21h30 – 80 & Tal 22h00 – Soulmate 23h30 – Andy Fresco & The UN / Flipside DJ Sessions ENTRADA LIVRE

0.2

YUAN

1.3

CINEMA

ANNABELLE SALA 1

ANNABELLE [C]

Um filme de: James Wan Com: Annabelle Wallis, Ward Horton 14.30, 19.30, 21.30

THE MAZE RUNNER [B]

Um filme de: Wes Ball Com: Dylan O’Brien, Kaya Scodelario 16.30 SALA 2

INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA DE CONCEIÇÃO JÚNIOR “TERRITÓRIOS” Clube Militar, 18h15 ENTRADA LIVRE

DRACULA UNTOLD [C]

Um filme de: Gary Shore Com: Luke Evans, Dominic Cooper, Sarah Gadon, Charles Dance 14.15, 16.00, 17.45, 21.30

INAUGURAÇÃO DO WORLD PRESS PHOTO (até 2 de Novembro) Casa Garden, 18h30 ENTRADA LIVRE

THE MAZE RUNNER [B] Um filme de: Wes Ball Com: Dylan O’Brien, Kaya Scodelario 19.30 SALA 3

JUON - THE BEGINNING OF THE END [C] FALADO EM JAPONÊS E LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Masayuki Ochiai Com: Nozomi Sasaki, Sho Aoyagi, Reina Triendi 14.30, 16.30, 19.3, 21.30

ACONTECEU HOJE

10 DE OUTUBRO

TEATRO “IL DON CHISCHIOTTE E IL MAESTRO DI MUSICA – INTERMEZZI DE GIOVANNI BATTISTA MARTINI” Teatro D. Pedro V, 19h30 200 A 250 PATACAS

SÁBADO

FESTIVAL DE JAZZ & BLUES Venetian, Cotai 13h00 – Jazz Jam 15h30 – Blue Note 17h00 – Concrete/Lotus 17h30 – 80 & Tal 18h00 – Concrete/Lotus 19h00 – The Moreira Project 20h00 - Lowcal 21h00 – Budda Power Blues (Portugal) 22h00 – The Northern Governors 23h00 – Andy Fresco and The UN ENTRADA LIVRE TEATRO “IL DON CHISCHIOTTE E IL MAESTRO DI MUSICA – INTERMEZZI DE GIOVANNI BATTISTA MARTINI” (FIMM) Teatro D. Pedro V, 20h00 200 A 250 PATACAS TRIO AARON GOLDBERG (FIMM) Fortaleza do Monte, 20h00 80 PATACAS ORQUESTRA CHINESA DE MACAU COM GEORGE LAM (FIMM) Centro Cultural de Macau, 20h00 200 A 500 PATACAS STAND UP COMEDY COM JOÃO SEABRA Auditório do Consulado de Portugal em Macau, 20h30 ENTRADA LIVRE

DOMINGO

FESTIVAL DE JAZZ & BLUES Venetian, Cotai 13h00 – Jazz Quartet 14h30 – Blue Note 15h30 – Big Small Quintet 16h00 – 80 & Tal ENTRADA LIVRE DUO PARNAS (FIMM) Auditório do Conservatório de Macau, 15h00 e 20h00 100 PATACAS

Assinala-se o Dia Mundial Contra a Pena de Morte

U M L I V R O H O J E “THE MAZE RUNNER” (JAMES DASHNER, 2009) Thomas, o protagonista deste livro, acorda num lugar desconhecido, sem memórias e sem saber sequer o seu nome. Só depois de ver pessoas que viviam há alguns meses ou anos no mesmo local onde ele se encontra é que se apercebe que está dentro de um labirinto. Todos os meses, são entregues “caloiros” neste lugar misterioso, mas nunca nenhum deles conseguiu sair do labirinto. Um dia, Thomas junta-se à única mulher dentro do labirinto. Juntos, matam um monstro e a sua vida começa a mudar. Muitos companheiros morrem e a confusão instala-se. Será que Thomas consegue escapar? E se escapar, será que vai perceber o motivo de existir este lugar terrífico? - Flora Fong

fonte da inveja

Há uma melancolia triste no Outono;

a beleza de invocar o fim.

• Hoje marca-se uma data que pretende defender a vida, pedra basilar dos direitos humanos. Hoje, celebra-se também o Dia Mundial da Saúde Mental. O primeiro Dia Mundial Contra a Pena de Morte foi celebrado em 2003, em resultado de uma iniciativa de organizações não-governamentais internacionais, organizações jurídicas e governos locais de todo o mundo. Desde então, diversas organizações de países de todo o mundo levam a cabo acções de sensibilização contra a pena de morte, através da coordenação de esforços de pressão internacional, para sensibilizar os estados que ainda aplicam esta pena. A Organização das Nações Unidas, na Assembleia Geral de 2007, também repudiou a legalidade e uso da pena capital, incentivando os países a tomarem medidas. A União Europeia concordou com a decisão da ONU e, actualmente, todos os países consideram a pena de morte ilegal. E Portugal foi o primeiro país do mundo a abolir a pena de morte na Lei Constitucional, após a reforma penal de 1867. A esse propósito, o poeta francês, estadista e activista pelos direitos humanos, Victor Hugo escreveu: “Está pois a pena de morte abolida nesse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande história. (...) Felicito a vossa nação. Portugal dá o exemplo à Europa. Desfrutai de antemão essa imensa glória. A Europa imitará Portugal. Morte à morte! Guerra à guerra! Viva a vida!”. Hoje, no Dia Mundial Contra a Pena de Morte, assinala-se esta lição que Portugal deu ao mundo e, acima de tudo, na defesa do direito à vida.

João Corvo


OPINIÃO

hoje macau sexta-feira 10.10.2014

ISABEL CASTRO

isabelcorreiadecastro@gmail.com

contramão

E

CHARLES CHAPLIN, CITY LIGHTS

Os novos-ricos SPANTAM-ME as certezas absolutas. Não é de hoje – as certezas absolutas sempre me deram arrepios. Espantam-me ainda mais as certezas absolutas sobre as coisas alheias, as coisas dos outros, as coisas que motivam os outros. Tentar compreender as realidades que não são nossas é um exercício bem diferente de achar que se sabe, sem dúvidas, o que acontece nas realidades que não nos pertencem. Como se a verdade fosse algo dado por concluído, por terminado. Como se a verdade não fosse uma entidade em constante mutação. Como se a verdade fosse só de alguém e não de todos. E é nisto que (também) penso quando leio, na Internet e no papel, uma amostra do muito que se tem escrito por esse mundo fora acerca de Hong Kong e dos acontecimentos das duas últimas semanas. De repente, deu-se o milagre da multiplicação dos especialistas em movimentos estudantis, dos politólogos entendidos em assuntos relativos à antiga colónia britânica, dos constitucionalistas que dissecam a Lei Básica e a Declaração Conjunta para irem ao passado concordar ou discordar do presente. Há depois os a favor e os contra, os mais apaixonados e os menos, os que sabem do assunto e os que têm uns palpites que não podem deixar de dar, em comparações absurdas justificadas com uma história que nem sempre é cíclica – se fosse, tínhamos todos regressado ao tempo em que ainda não se sabia bem para que servia a roda. Há quem se entusiasme loucamente porque os jovens saíram à rua e há quem perca as estribeiras porque os jovens saíram à rua. Há quem ache que a democracia é uma reivindicação mais do que justa e há quem entenda que eles, os manifestantes, não sabem o que fazem e que deviam estar sossegadinhos em casa, de tablet numa mão e Coca-Cola na outra. Há quem condene os que tentam exportar sistemas políticos para territórios alheios e os que condenam aqueles que querem os sistemas políticos alheios só para eles. E eu não sei, não sei mesmo, apesar de ser suposto saber – espera-se de quem escreve em jornais que saiba sobre tudo o que escreve. Eu não sei porque me faltam dados, não sei porque não vivo lá, não sei porque tudo isto é muito diferente e muito novo e não há os bons e os maus, os anjos e os diabos, com uma fronteira a dividi-los como se não houvesse os mais-ou-menos. Não sei porque, apesar de esta Ásia também ser minha, na minha Europa acontece tudo de maneira diferente, a parte estética é diferente, as causas que fui conhecendo são outras. Não sei, portanto. Ou sei pouco, muito pouco. O que sei tem que ver apenas com o que gostaria que o mundo fosse, sem verdades absolutas. E eu gostaria que o mundo fosse mais livre do que é, mais equilibrado do que é. Sem os conhecer e sem os exaltar nas alturas, compreendo (e admiro, sim) quem sai à rua porque está cansado daquilo

que tem. Compreendo quem tem medo do futuro por estar atento ao que hoje lhe é oferecido e vedado. E é isto que me chega de Hong Kong. Comparar o incomparável é um exercício inútil que fazemos muitas vezes por cá. Macau e Hong Kong são filhos de pais diferentes, com genes diferentes e futuros diferentes também.

Imagino que há um dia em que a paciência chega ao fim. Que há um dia em que já não há quem aguente o discurso do amor à Pátria e a prática do desprezo à terra. Porque é fácil gostar da terra – basta ser menos novo-rico na governação e não querer que a conta bancária seja a maior do burgo

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Partilham o mesmo modelo constitucional e os mesmos hábitos dos novos-ricos da política: quem chega finalmente ao poder para governar os seus, governa-se bem e governa mal, porque está mais interessado em ter um carro maior do que o do vizinho do que em garantir que os que trabalham para ele não morrem sem tecto. E disto eu também não sei muito, mas sei um bocadinho mais, que já conheci mais novos-ricos do que desejava. E, depois, imagino. Imagino que há um dia em que a paciência chega ao fim. Que há um dia em que já não há quem aguente o discurso do amor à Pátria e a prática do desprezo à terra. Porque é fácil gostar da terra – basta ser menos novo-rico na governação e não querer que a conta bancária seja a maior do burgo. Não sei se os estudantes de Hong Kong que saíram à rua vão ter capacidade de reacção, depois de terem lançado a acção. Não sei o que vai acontecer hoje, quando este texto for publicado. Não sei que consequências práticas terá tudo isto, um vendaval que passou ali ao lado e com que muitos de nós não contavam, pelo menos neste formato e com esta envergadura. Sem verdades absolutas, acredito que nada será como dantes. Mesmo que amanhã ainda fique tudo na mesma.


20 opinião

hoje macau sexta-feira 10.10.2014

PAUL CHAN WAI CHI*

um grito no deserto

Não deixem que o 4 de Junho se repita

A

FRANK LI, NEWSCOM

acção política do grupo “Occupy Central” transformou-se num movimento popular. Devido à disciplina e auto-controlo da população de Hong Kong e à estratégia usada pelas forças policiais, a situação encontra-se num impasse enquanto escrevo este artigo. Pessoalmente estou muito preocupado com o que pode vir a acontecer nos próximos dias.* Ninguém quer ver Hong Kong passar por algo semelhante ao que aconteceu em Quatro de Junho de 1989, quando as autoridades chinesas usaram a força para dispersar os manifestantes em Pequim. Até ao momento, tanto os manifestantes como a polícia têm mostrado uma grande contenção, o que evitou que a situação piorasse ainda mais. Mas não é possível negar que algumas pessoas divulgaram notícias falsas com a intenção de provocar actos de violência para agravar o conflito. Exemplo disto são os relatos de que a polícia abriu fogo sobre a multidão, que alguém atropelou manifestantes com o seu carro ou que outros lançaram ovos sobre os protestantes enquanto estes se encontravam sentados na rua. Os estudantes têm vindo a exigir que o Chefe do Executivo de Hong Kong, C.Y. Leung, aceite dialogar para que juntos possam encontrar uma solução que traga um verdadeiro sufrágio universal ao território vizinho. Quanto às reivindicações a exigir que C.Y. Leung abandone o seu cargo ou que o Comité Permanente da Assembleia

Nacional Popular volte atrás na sua decisão relativa ao pacote de reformas constitucionais, só o Governo Central é que pode lidar com esses assuntos. Tudo depende se Xi Jinping tem a determinação necessária para resolver a crise das reformas constitucionais de Hong Kong de uma forma pacífica. Se o povo não desistir dos seus objectivos, é possível encontrar outras maneiras de superar as dificuldades que estão agora a ser enfrentadas. Recentemente falei com um perito chinês que salientou que se a China implementasse imediatamente este tipo de democracia e estado de direito, o país enfrentaria uma situação caótica. E este perito acha que o mesmo aconteceria em Hong Kong. Será possível que os líderes da China não entendem que forçar Hong Kong a implementar o sistema político definido por Pequim vai sempre gerar oposição e discussões? Tendo em conta as declarações e a atitude de C.Y. Leung relativamente aos protestos, é fácil de perceber que este não tem possibilidade de remediar a situação por si próprio. Como é uma pessoa inteligente, é impossível que não compreenda as exigências dos manifestantes ou que não seja capaz de perceber o que aconteceria caso as negociações não funcionassem. Só há duas possíveis razões para o seu comportamento: ou foi ordenado a agir desta maneira ou então deseja ser o maior beneficiário deste incidente. Em 2017, seja através de um sufrágio universal verdadeiro ou então procedendo de acordo com o pacote de reformas constitucionais proposto pelo Comité Permanente da Assembleia Nacional

Popular, C.Y. Leung não tem possibilidade de vir a ser reeleito, tendo em conta o seu desempenho político assim como a opinião pública. Mas caso a proposta para realizar um verdadeiro sufrágio universal em 2017 não venha a ser adoptada, então C.Y. Leung já tem hipóteses de vir a ser reeleito.

É muito interessante verificar que na política estas situações caóticas de crise costumam também proporcionar oportunidades únicas e preciosas É muito interessante verificar que na política estas situações caóticas de crise costumam também proporcionar oportunidades únicas e preciosas. As tácticas usadas pelos conspiradores políticos são: acentuar a interferência exercida por forças estrangeiras de modo a fazer o Governo Central mais resistente; revelar a existência de contribuições financeiras vindas igualmente do exterior de modo a tirar credibilidade a este movimento popular; usar variados canais para divulgar notícias falsas que ponham em causa as intenções dos manifestantes; introduzir agentes provocadores para perturbar a lei e a ordem. Mas tendo em conta que em 2003 mais de meio milhão de manifestantes saíram à rua

em Hong Kong, o governo Central já não tem confiança de usar apenas em um canal para recolher informações. Optou em vez disso por usar muitos agentes para recolher dados em Hong Kong e Macau, de modo a obter informação sobre a qual pode basear as suas decisões. Se estes protestos acabassem num banho de sangue, isso mostraria que as políticas adoptadas pelo Governo Central em relação a Hong Kong e Macau são completamente inapropriadas. Apesar de ser impossível que o Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular volte imediatamente atrás nas suas decisões quanto ao sufrágio universal directo em Hong Kong no ano de 2017, há sempre a possibilidade de atrasar a sua implementação de modo a que C.Y. Leung possa apresentar uma nova proposta sobre esta matéria. Isto seria obviamente melhor do que pedir que abandone o seu cargo político. Os eventos trágicos do incidente de Quatro de Junho não se podem voltar a verificar. Os líderes políticos devem analisar a situação e lembrar-se que podem insistir em avançar ou também voltar atrás. O diálogo é sempre melhor que a resistência. É muito mais efectivo resolver os problemas com negociações em vez de optar pela supressão, que iria apenas instigar ainda mais conflitos. * Nota do editor: Este artigo foi escrito na semana passada, quando os acontecimentos em Hong Kong ainda se encontravam num impasse

*Ex-deputado e membro da Associação Novo Macau Democrático


opinião 21

hoje macau sexta-feira 10.10.2014

FERNANDO VINHAIS GUEDES

desporto e não só

A

segunda quinzena de Setembro foi muito complicada para o Governo de Passos Coelho. Nos passados dias 17 e 18, dois ministros do seu Governo, pediram desculpas aos Portugueses. Primeiro, no dia 17, foi a Ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, em declarações à televisão pública, que se penitenciou pelo bloqueio dos tribunais, causado pelo falhanço do novo sistema informático, provocando a anarquia no novo mapa judiciário, que desde o início de Setembro tem paralisado milhares de processos, que pura e simplesmente, deixaram de estar acessíveis a advogados, a magistrados e funcionários judiciais. Entretanto, a Ministra, como é hábito nestas situações, desvaloriza a situação e apela ao empenhamento de todos no sentido de serem minimizados os efeitos deste «apagão» na nova plataforma informática, concebida por especialistas em matéria de informática. Simultaneamente, a responsável da Justiça diz assumir as responsabilidades do falhanço e informou que, haverá uma investigação para apurar responsabilidades. Disse ainda, que terá sido mal informada por quem de direito e que se tivesse sido informada, adiaria por semanas ou meses a entrada em vigor do novo sistema. Contudo, técnicos ligados á implementação desta nova plataforma, deixaram entender que há mais de um ano tinham avisado a Ministra da possibilidade de poder vir a acontecer o que sucedeu! A responsável da justiça terá mostrado pressa na implementação desta polémica reforma, sem se certificar da operacionalidade do sistema implementado. Convém lembrar, que esta reforma, muito contestada pelos municípios, onde foram fechados os tribunais, começou há quase dois anos, tempo suficiente para que fossem resolvidos todos os problemas! Isto de pedir desculpa pelos erros cometidos e pelos prejuízos causados, pode parecer um ato muito bonito, mas aquilo que os cidadãos querem é que este tipo de erros não aconteça, sendo também para isso que pagam impostos! Impõe-se perguntar para que servem afinal as dezenas de assessores e especialistas, que se encontram nos ministérios, remunerados à margem das tabelas da função pública. Entretanto, passaram-se já três semanas e a confusão nos tribunais mantém-se, não havendo, na opinião de técnicos desta área, grandes probabilidades de o resolver a curto prazo, tanto mais que continuam desaparecidos do novo sistema cerca de 3.5 milhões de processos! Para que a culpa não fique solteira, o responsável pela equipa de informática do Ministério da Justiça, coordenada por Carlos Brito, apresentou já a sua demissão, que foi aceite pela Ministra.

RAY C. SMALLWOOD, CAMILLE

Peço desculpa!

Talvez seja pertinente lembrar, que quem devia pedir desculpas aos Portugueses por terem sido enganados é precisamente o chefe do actual Governo, que ganhou o poder prometendo que não cortaria ordenados e pensões nem aumentaria os impostos! O segundo Ministro a pedir desculpa pela confusão gerada no seu ministério foi Nuno Crato. O pedido foi feito no decorrer de uma sessão na Assembleia da República, quando acossado pelas bancadas da oposição, a propósito do concurso para professores contratados. O Ministro da Educação, reconheceu publicamente, que as coisas correram mal, com prejuízo para muitos docentes, que se viram ultrapassados por colegas e outros, que tendo vagas em escolas próximas das suas residências, acabaram por ir parar a centenas de quilometras das suas famílias! Sinceramente não se compreende, que numa matéria, que se repete para este Ministério há três anos, ainda haja trapalhadas desta natureza! Aqui, rolou já uma cabeça. O Ministro aceitou a demissão do seu director geral de Administração Escolar, Mário Pereira. A tudo isto e para tornar ainda mais negra esta segunda metade do mês de Outubro, as notícias vindas a público, dando conta que estão a ser investigados o ex- presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, destacado dirigente do PSD, por negócios suspeitos e outra envolvendo o próprio

Passos Coelho, relacionada com dinheiros recebidos enquanto administrador da empresa Tecnoforma, ao mesmo tempo que desempenhava funções de deputado do PSD no Parlamento, entre 1995 e 1999 em regime de exclusividade, causaram algum espanto. Sobre as funções de Passos Coelho, no dia 22 de Setembro, os serviços administrativos da Assembleia informaram que o então deputado, não pedira o regime de exclusividade e como tal podia acumular com outras funções remuneradas. Porque o tema principal de hoje é «peço desculpa», talvez seja pertinente lembrar, que quem devia pedir desculpas aos Portugueses por terem sido enganados é precisamente o chefe do actual Governo, que ganhou o poder prometendo que não cortaria ordenados e pensões nem aumentaria os impostos! Na altura dizia, que bastava cortar nas «gorduras do Estado» e afinal ao longo destes três penosos anos, tem aumentado tudo que são impostos directos e indirectos, IVA, IRS, taxas moderadoras, descontos para os serviços de saúde, etc. etc. Quanto a vencimentos, é o que está á vista: cortes brutais nos vencimentos dos

funcionários públicos e nos pensionistas tendo como consequência directa o desaparecimento gradual da classe média a viver cada vez mais com menos, enquanto os jovens emigram procurando noutros países o que lhes falta no seu. A emigração terá atingido no ano de 2013 cerca de 120 mil pessoas, a maioria jovens com qualificações académicas. A ordem dos engenheiros noticiou, que durante o corrente ano já deixaram o país cerca de 2 mil licenciados em engenharia civil. Há uma promessa, que este chefe do Governo cumpriu, quando afirmou que o nosso País teria que empobrecer! É verdade. Os cidadãos vivem cada vez mais com menos. Quanto a isto não restam dúvidas! Os portugueses são hoje mais pobres do que eram há três anos e muito embora sugados com descontos e impostos, o raio da nossa dívida relativamente ao produto interno bruto (PIB) aumentou entre 2010 e 2013 de 90% para 134%! Dizem os políticos que nos governam, que o País está melhor, mas os governados não dão por isso, antes pelo contrário, já que o número de ordens de penhora por incumprimento fiscal está a decorrer ao ritmo de 1277 por dia, atingindo já as 2.3 milhões de ordenações com um valor, que ronda as 5.8 mil milhões de euros! Por me ter atrasado no envio deste texto, tive oportunidade de assistir a dois factos políticos que merecem, a meu ver, serem comentados: o primeiro relacionado com o facto de Passos Coelho, ter afirmado primeiro, que não se lembrava já, se tinha ou não acumulado receitas do cargo de administrador da empresa Tecnoforma com os vencimentos de deputado! Passados poucos dias a sua memória despertou e no Parlamento refutou as acusações dizendo, que afinal, só tinha recebido para despesas de representação e para transportes! Quando no mesmo Parlamento foi confrontado sobre quanto recebeu nesses anos, de despesas de representação, o PM «escondeu-se» por detrás do que considerou ser uma violação da sua fiscalidade! A desculpa só agradou à maioria que o apoia e a oposição pediu ao PM que mostre a declaração de rendimentos nos anos em que acumulou essas funções! Como diz o povo, «quem não deve não teme», mas o PM não está para isso! O segundo facto tem a ver com as primárias do Partido Socialista. António Costa ganhou folgadamente as eleições a António Seguro, levando este a demitir-se de imediato. Como a campanha foi tudo menos urbana e limpa, falta saber se o PS com às suas “tropas” divididas, com acusações, que ultrapassaram o razoável, tem agora condições para se unir à volta do novo líder. Contudo, nestas coisas de política e de eleições, e porque o poder tem sempre muito para distribuir, seja qual for a sua cor, o PS terá rebuçados para Costistas e Seguristas se daqui a um ano ganhar as eleições!


PERFIL

hoje macau sexta-feira 10.10.2014

HOJE MACAU

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SANTOS PINTO, DONO DO RESTAURANTE “O SANTOS”

“ACHO QUE TENHO O DOM DE LIGAR PESSOAS”

LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

S

ANTOS Pinto é, aos olhos da comunidade portuguesa, uma das pessoas que melhor consegue (re)unir as mais variadas pessoas num mesmo espaço, juntando sabores lusos e boa companhia. No fundo, parece ser a sua dedicação, talento para a cozinha e simpatia que fazem do proprietário uma das pessoas mais acarinhadas, seja pela comunidade portuguesa ou pelas centenas de turistas que se sentam nas mesas tipicamente decoradas com toalhas aos quadrados. “Acho que tenho um dom”, confessa ao HM. “Acho que tenho o dom de ligar umas pessoas às outras... Dezenas e talvez até centenas de pessoas que se conheceram aqui”, diz-nos. Enquanto Cabo da Marinha Portuguesa, Santos Pinto – hoje proprietário de um dos restaurantes lusos mais conhecidos de Macau – desembarcou no território no Inverno de 1983, a 17 de Dezembro. Com contrato de trabalho de dois anos, acabou por ficar mais um punhado deles a trabalhar como cozinheiro na Marinha. “Ao fim de um ano [em Macau], já me queria ir embora, mas tinha que cumprir dois. Ao fim disso, comecei a fazer contas à vida e a perceber que, se ficasse mais um ano, conseguia comprar a casa que sonhei”, explica Santos, alentejano de gema.

Foi apenas seis anos depois que Santos começou a pensar abrir um restaurante, podendo assim ajudar a família. “Na altura paguei uma pequena fortuna pelo trespasse desta casa”, contou, sentado a uma das mesas do local que se tornou lugar dos lusos emigrados. Na altura, a intenção era abandonar o território dali a uns tempos, o que acabou por não acontecer.

PURAS COINCIDÊNCIAS

É em Novembro que se celebram 25 anos de abertura do restaurante, mas os mais importantes, para Santos, foram os 20. “Foi no dia 20 de Novembro de 2009, porque fazia 20 anos que tinha estado na Marinha, 20 que saí do meu Alentejo, 20 que estou em Macau, no número 20 da Rua do Cunha”, explica. Uma série de coincidências que justificam o facto de, este ano, o aniversário dos 25 anos passar quase despercebido. Portugal é, hoje em dia, o país onde Santos vai para matar saudades de parte da família, das vistas e da alma lusa. Contudo, ainda hoje continua a dedicar-se às pessoas de Macau e a Macau, tal como no primeiro dia.

GRANDE PRÉMIO, MAU AGOIRO

Curiosamente, e ao contrário do que se possa pensar, é na semana do Grande Prémio que “O Santos” recebe menos clientela. Desconhece-se a razão do sucedido, mas

talvez seja pelo trânsito condicionado na península, ou pelas inúmeras actividades criadas pela organização. “Dia 20 de Novembro de 1989 abri a porta com a ideia do Grande Prémio, mas afinal foi – e continua a ser, até hoje – um falhanço. Nunca tenho clientes como nos outros dias. É um fim de semana abaixo do normal”, lembra Santos, que, no dia da inauguração, havia encarado o evento como um bom presságio.

BENFICA, UM GRANDE AMOR

Na “tasca” do Santos, vermelho é a cor da casa e as paredes estão pejadas com cachecóis e emblemas, mostrando orgulho no clube português, Benfica. Assim se passam os dias no estabelecimento de dois andares, situada na Rua do Cunha, mesmo no centro da vila da Taipa. Aos fins de semana, a estreita rua turística enche-se de gente esperando por uma mesa, um cantinho que seja para provar iguarias como Arroz de Cabidela, Espetadas de Lombinho ou Arroz de Pato. “É um descanso ter este sítio, porque não tenho que me preocupar em pagar a renda e em saber se o senhorio ma vai aumentar ou pôr-me na rua.”, diz Santos.

POR ESSE MUNDO FORA

Engane-se quem julga que “O Santos” é apenas reconhecido em Macau. O portu-

guês teve direito a um filme documental sobre o seu estabelecimento, chamado “O restaurante” e realizado por um residente da RAEM. Entre falas e conversas, acabou por descobrir que existe um estabelecimento dedicado a si na China. “[Um casal] estava a passear na rua e viu uma placa a dizer Restaurante ‘O Português’, no qual depois repararam que a única coisa que tinha relacionada com Portugal era uma fotografia, em todas as páginas do menu, dos proprietários comigo”, conta Santos, entre risos. Perto das 15 horas, já a afluência havia minorado e Santos acaba por desabafar sobre quão diferente está Macau daquilo que era há um quarto de século, quando chegou. “Raramente vou ao centro, pelo menos em horas de ponta”, diz, lamentando o fluxo de gente. Para já, a ideia de voltar definitivamente para Portugal não está nos seus planos, já que tenciona continuar pelo território, onde já constituiu família e se sente feliz. “Dedico-me a esta casa com toda a força e amor”, diz-nos Santos. E Santos, tem ainda outra curiosidade que partilha connosco. O seu primeiro nome é, de facto, Santos e não João ou Pedro, como se possa pensar. Assim, dá pelo nome completo de Santos Manuel Bruno Pinto.


DIÁRIO DE BORDO

hoje macau sexta-feira 10.10.2014

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POR CARLOS MORAIS JOSÉ

ontem macau

LUCROS Um homem visita o showroom da Samsung Electronics Co.’s, em Seul, Coreia do Sul. A empresa disse na terça-feira que os seus lucros diminuíram, no terceiro trimestre, para o nível mais baixo dos últimos três anos. (AP Photo/Ahn Young-joon)

horah

Com toda a naturalidade

“Pode-se cortar o tempo para a realização do relatório? Se não, teremos de esperar mais três anos para que a lei seja criada” MELINDA CHAN • DEPUTADA, SOBRE O ATENTADO AO PUDOR

“O casino já um local ‘sujo’ e, portanto, não precisamos de estar preocupados com o fumo”, JOGADORA NÃO IDENTIFICADA

“Penso que deveria explicar à população porque é que precisa de tanto tempo para apresentar as políticas e os planos futuros.” LARRY SOU • ACADÉMICO

“Felizmente que o pensamento criativo precede o acto de criar, muitas vezes oficinal e, como tal, limitador e angustiante.” ANTÓNIO CONCEIÇÃO JÚNIOR • ARTISTA

www. hojemacau. com.mo

édito

“Há coisas que não vão mudar. Os filipinos serão sempre ‘Blue Cards’, terão sempre salários baixos e serão sempre os trabalhadores mais obedientes. Temos medo, medo de perder os nossos trabalhos” Mikey, estafeta de 42 anos, P.2

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau. com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

L I G U E - S E • PA R T I L H E • V I C I E - S E

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SÃO imperscrutáveis as razões que presidem aos actos de Chui Sai On, mas podemos especular. Por que razão, então, adia o Chefe as LAG e só nos dá o resumo do quinquénio que se fina? É que muito há a decidir e são coisas sérias, sob o olho de Pequim. A elite de Macau, a sua organização clânica, mantém a esperança de que o leite e o mel continuarão a fluir na mesma direcção. Mas, para que tudo fique na mesma, é preciso alguma mudança. Esta é a natureza das coisas. Assim, por um lado, é natural que, havendo um novo governo, os neo-secretários precisem de algum tempo para se organizarem e criarem as linhas de força das suas acções. Assim, tomando posse a 20 de Dezembro, faz sentido que lhes sejam outorgados três meses para as apresentar. Por outo lado, é natural que precise de tempo para parar e pensar seriamente, porque a RAEM vive um momento crucial, em que existe uma agitação social latente, alimentada pelo decréscimo da qualidade de vida (habitação, inflação, transportes, poluição) e espevitada pelos acontecimentos de Hong Kong. O Governo precisa naturalmente de parar para pensar como vai descalçar, uma a uma, as várias botas que tem enfiadas até ao joelho. Veremos – ponto central – como reparte, porque a partição do bolo será também um índice de confiança ou desconfiança para a população. Para manejar todos estes factores, vai precisar o Governo de muito estudo e reflexão. É por isso mais que natural que adie as LAG. Já estranho tanta naturalidade. Estará a mudar a natureza do nosso Executivo ?


hoje macau sexta-feira 10.10.2014

IMPRENSA ESTRANGEIRA DIZ QUE MACAU PERDE A PROVA

WTCC pode deixar Macau SÉRGIO FONSECA info@hojemacau.com.mo

S

EGUNDO a revista alemã Motorsport Total, do grupo Auto Bild, Macau poderá deixar de fazer parte do roteiro de provas do Campeonato do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCC) já em 2015. A publicação germânica dá conta da saída de Spa-Francorchamps e do Circuito da Guia, continuando a República Popular da China a fazer parte do calendário com pelo menos uma corrida em Xangai (em 2014 o WTCC visitou também Pequim). Desde o renascimento do WTCC em 2005, o Circuito da Guia foi o único circuito que se manteve sempre de pedra e cal ao longo dos anos no calendário do terceiro campeonato mais importante da Federação Internacional do Automóvel (FIA). Sendo esta uma das provas mais emblemáticas do WTCC, são desconhecidas do grande público as razões para a RAEM deixar subitamente de fazer do calendário. Fonte próxima da organização do campeonato promovido pelo canal televisivo Eurosport confirmou ao HM que “o único evento confirmado para 2015 é o da Alemanha

(Nurburgring- Nordschleife) e existem negociações a decorrer com todos os outros”.

DÉJÀ VU

Esta não é a primeira vez que a prova de Macau do WTCC esteve seriamente ameaçada. Em 2008, o “braço de ferro” entre a Comissão do Grande Prémio de Macau e a KSO, a empresa italiana então responsável pela promoção do campeonato, foi notícia na imprensa internacional especializada. No entanto, ambas as partes chegaram a um acordo que evitou que o WTCC rumasse a outras paragens até hoje. Também na incerteza está a prova de Portugal, que deveria regressar no próximo ano com mais uma edição do Circuito da Boavista. Em causa, para a realização do WTCC nas ruas portuenses, estão 650 mil euros, cerca de 6,5 milhões de patacas, que a autarquia da cidade do Porto reclama do Turismo de Portugal e que servirão para cumprir o acordo com o Eurosport Events, que compreende uma campanha de publicidade televisiva. O calendário provisório do WTCC para 2015 deverá vir a lume a 30 de Outubro, aquando do próximo Conselho Mundial da FIA.

CEM Tarifa não vai aumentar

O consultor da Comissão Executiva da CEM, Un Iok Meng, disse que não será preciso aumentar a tarifa da electricidade nos próximos dois semestres. “A tarifa de electricidade inclui tarifa essencial e ajustamento de coeficiente. É necessário referir todos os semestres ao Governo e apenas com autorização é que se pode ajustar a tarifa. Acredito que a tarifa não vai ser aumentada nos próximos dois semestres”, afirmou.

MUST Reitor considera necessária faculdade de Medicina

O reitor da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, Liu Liang, mostrou-se optimista quanto à possibilidade de criação de uma faculdade de Medicina em Macau. Citado pelo jornal Ou Mun, o reitor afirmou que a desvantagem do desenvolvimento científico de Macau faz-se sentir em pequena escala, estando o território apenas um pouco atrasado. Contudo, o director considera que a longo prazo o território e a sua população irão precisar de uma faculdade de Medicina, adiantando ainda que, além da saúde ocupar um lugar importante em qualquer sociedade, servirá para desenvolver os serviços prestados aos utentes e formar futuros médicos.

cartoon por Stephff

OPERAÇÃO DE CHARME SIN FONG GARDEN DECISÃO “CABE AOS MORADORES”

Eterno dilema O Governo volta a afirmar que a bola está do lado dos moradores, sendo que os serviços públicos irão dar apoio administrativo e técnico

O

futuro do Sin Fong Garden é algo que tem de ser decidido pelos moradores, voltou ontem a reiterar o Governo. Em comunicado, enviado na véspera de uma manifestação pacífica em frente ao edifício em ruína desde 2012, o Executivo diz que o “projecto de reconstrução é particular, sendo que será dirigido pelos condóminos do Edifício Sin Fong Garden”. Será a Macau Empresa Social, Limitada – que gere o dinheiro entregue aos proprietários do edifício por associações sociais – que será responsável pela emissão de pareceres profissionais relativos à obra e à gestão financeira da mesma, sendo que os serviços públicos competentes irão apenas dar apoio administrativo e técnico “nos termos legais”. Enquanto o Executivo assume já que a reconstrução do edifício vai ser feita em conformidade com os projectos originais, recorde-se que ainda não há consenso entre todos os

moradores para que o futuro do prédio seja, de facto, a reconstrução. “A DSSOPT forneceu à Macau Empresa Social, Lda. os projectos originais do edifício e os arquivos do projecto, auscultou as opiniões relativas à reconstrução dos representantes dos condóminos e esclareceu as questões técnicas, nomeadamente a resolução das questões relativas à montagem dos aparelhos de ar-condicionado e à concepção das paredes exteriores”, indica o Governo. Desde a ocorrência do incidente da danificação dos pilares estruturais no Sin Fon Garden que mais de cem famílias ficaram sem as casas. O Governo assegura que está a prestar todo o apoio necessário e até que “os problemas relativos aos impostos e ao registo predial causados pela demolição e reconstrução do prédio”

“A maioria dos condóminos deste edifício prefere a reconstrução, no entanto, existem obstáculos no respeitante à recolha de fundos para pagamento das despesas de reconstrução” COMUNICADO DO GOVERNO

estão a ser resolvidos “após alguns estudos efectuados em conjunto por vários serviços públicos”. Actualmente, o problema que afecta o andamento da reconstrução é a proporção dos direitos de propriedade que cada proprietário do edifício detém, uma vez que a lei estipula que a reconstrução necessita do consentimento de todos os condóminos.

PEDIDOS DE ALOJAMENTO CONTINUAM

O Instituto de Acção Social (IAS) tem atribuído aos condóminos um subsídio de renda de alojamento sob a forma de adiantamento monetário, mas parece não chegar. “Recentemente, tem havido condóminos que têm apresentado dificuldades em pagar o arrendamento das suas casas ou em renovarem os seus contratos de arrendamento, tendo-se recebido nos últimos meses 38 pedidos para serviços de alojamento provisório”, diz. “Após a respectiva apreciação, 28 agregados familiares reúnem condições para utilizarem as unidades de alojamento dos serviços referidos.”

PARA MAIS TARDE DESCONTAR

Actualmente, subsídios de renda de alojamento estão a ser atribuídos, mas o Executivo garante que esses apoios serão deduzidos nas indemnizações que se receberão resultantes das acções judiciais. Esta indemnização aos condómino, contudo, só chegará depois de eventual interposição de acções judiciais, mas ainda não se sabe quem são os verdadeiros responsáveis pelo incidente. Uma coisa é certa, o Governo assegura que “neste momento estamos perante um momento fulcral para a reconstrução do edifício” e apela aos proprietários que possam chegar a um consenso. “A maioria dos condóminos deste edifício prefere a reconstrução, no entanto, existem obstáculos no respeitante à recolha de fundos para pagamento das despesas de reconstrução”, frisa ainda o Executivo.


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Hoje Macau 10 OUT 2014 #3190 by Jornal Hoje Macau - Issuu