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Hoje Macau 10 JAN 2019 #4207

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CERIMÓNIA

OS NOVOS MEDALHADOS GRANDE PLANO

QUINTA-FEIRA 10 DE JANEIRO DE 2019 • ANO XVIII • Nº4208

REGATAS

NAVEGAR, É PRECISO PÁGINA 17

JOÃO MIGUEL BARROS

GCS

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

“BOXE”

DISTINÇÕES NIPÓNICAS

h

MOP$10

EVENTOS

NUDEZ E ATEÍSMO ANTÓNIO CABRITA

NOME DE FAMÍLIA

GISELA CASIMIRO

GERACÕES ´ LUÍS CARMELO

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

SOFIA MARGARIDA MOTA

hojemacau

Contas fechadas A multa, de 25,450 milhões de patacas, pelo abandono dos galgos no Canídromo, está paga. A Yat Yuen descartou a contestação da penalização nos tribunais e resolveu pagar a coima, aplicada pelo Instituto para os Assuntos Municipais, de 50 mil patacas por cada um dos 509 animais abandonados. No Canídromo, permanecem ainda 300 cães à espera de um novo abrigo. PÁGINA 7


GCS

2 grande plano

10.1.2019 quinta-feira

MEDALHAS

VÍTOR SERENO RECEBEU TÍTULO HONORÍFICO E OUVIU-SE O GRITO DE GUERRA DE CRISTIANO RONALDO

Siiiiiii!!!! F OI ao som de um grito “Siiii” vindo da audiência, numa referência ao festejo de Cristiano Ronaldo – quando ganhou a quinta Bola de Ouro –, que Vítor Sereno recebeu das mãos do Chefe do Executivo o Título Honorífico de Prestígio. A Cerimónia de Imposição de Medalhas e Títulos Honoríficos do Ano de 2018 decorreu ontem, no Centro Cultural de Macau, e o momento em que o ex-Cônsul Geral de Portugal em Macau e Hong Kong recebeu a distinção foi o único que “furou” o protocolo. No final, o actual embaixador de Portugal no Senegal, que regressou a Macau para esta cerimónia, admitiu estar “muito feliz” e dedicou a distinção à família.

“Em primeiro lugar é um reconhecimento à comunidade portuguesa, que esteve comigo ao longo dos últimos cinco anos

“Estou muito contente [com a distinção]. Desde 2008 recebi três medalhas. Agradeço ao Governo pelo reconhecimento e encorajamento e espero no futuro poder continuar a fazer coisas benéficas para Macau.” CHAN MENG KAM

e meio. É um reconhecimento a todas as portuguesas e portugueses que diariamente aqui vivem e trabalham e que por acaso tiveram um cônsul que se chamava Vítor Sereno”, afirmou o diplomata. “É um reconhecimento à equipa de trabalho que tive a honra de chefiar e um reconhecimento à família, a quem dedico este título honorífico”, acrescentou. Vítor Sereno fez também questão de destacar “a qualidade” da comunidade portuguesa e referiu que Macau tem uma situação única ao nível da comunidade, que nunca encontrou em nenhum dos locais onde esteve ao serviço de Portugal. “Temos uma comunidade portuguesa em Macau sem paralelo no mundo inteiro, em termos de

Foram ontem atribuídas as medalhas e títulos atribuídos pelo Chefe do Executivo às pessoas e instituições que se destacaram ao longo do ano passado.A entrega do título ao ex-Cônsul de Portugal marcou a sessão, num momento único que “furou” o protocolo

representação diplomática, de qualificação, do interesse pelo próprio país. Nunca vi isto em mais lado nenhum”, reconheceu o agora Embaixador de Portugal no Senegal.

“Estou muito feliz, emocionado, é bom rever tanta gente, tanta cara amiga. Basicamente é um reconhecimento que partilho com a comunidade portuguesa.” VÍTOR SERENO

Ainda sobre o regresso à RAEM, Vítor Sereno disse estar “emocionado”. “Estou muito feliz, emocionado, é bom rever tanta gente, tanta cara amiga. Basicamente é um reconhecimento que partilho com a comunidade portuguesa”, indicou.

MEDICINA LUSA

Entre as personalidades distinguidas esteve a médica Paula Pimenta, chefe de serviço no Centro Hospitalar Conde de São Januário, que foi agraciada com a Medalha de Mérito Profissional. Em relação à distinção, a médica considerou que se trata de um reconhecimento por parte da RAEM do papel desempenhado pela medicina portuguesa. “Como é natural estou extrema-


grande plano 3

quinta-feira 10.1.2019

• MEDALHAS DE HONRA LÓTUS DE OURO LÓTUS DE PRATA LÓTUS DE PRATA LÓTUS DE PRATA LÓTUS DE PRATA

• MEDALHAS DE MÉRITO

Vítor Sereno, ex-cônsul de Portugal em Macau

Paula Pimenta, chefe de serviço no Centro Hospitalar Conde de S. Januário

MÉRITO PROFISSIONAL MÉRITO PROFISSIONAL MÉRITO PROFISSIONAL MÉRITO PROFISSIONAL INDUSTRIAL E COMERCIAL MÉRITO INDUSTRIAL E COMERCIAL MÉRITO INDUSTRIAL E COMERCIAL MÉRITO TURÍSTICO MÉRITO TURÍSTICO MÉRITO EDUCATIVO MÉRITO EDUCATIVO MEDALHA DE MÉRITO EDUCATIVO MEDALHA DE MÉRITO EDUCATIVO MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL MÉRITO ALTRUÍSTICO MÉRITO ALTRUÍSTICO MÉRITO ALTRUÍSTICO MÉRITO ALTRUÍSTICO MÉRITO DESPORTIVO MÉRITO DESPORTIVO MÉRITO DESPORTIVO MÉRITO DESPORTIVO MÉRITO DESPORTIVO

Chan Meng Kam Fong Chi Keong Ho Hao Tong Kwan Tsui Hang Huang Junhua

Xu Aoao Kuok Cheong U Maria Paula de Matos Pimenta Simões Mak Seng Hin Mok Chi Wai Ip Sio Man Wong Kin Chong Restaurante Sai Nam Restaurante Cantonense Kapok, Limitada Choi Kun Sam Sou Chio Fai Escola de Santa Madalena Tang Siu Lan Ou Mun Iat Pou (Diário de Macau) Empresa Jornalística e Editorial Limitada Lee Bun Sang Stephen Federação das Associações dos Operários de Macau Associação Geral das Mulheres de Macau Associação Geral dos Chineses Ultramarinos de Macau Iao Chon In Li Yi Sou Soi Lam Hoi Long Wong Sok I

• MEDALHAS DE VALOR, DE DEDICAÇÃO E DE SERVIÇOS COMUNITÁRIOS Chan Meng Kam, político e empresário

mente honrada pela distinção do Governo da RAEM. Penso que se fica a dever ao meu trabalho – estou cá desde 1995 –, mas vejo sobretudo esta distinção como o reconhecimento do contributo e importância que a medicina portuguesa tem tido em Macau”, afirmou Paula Pimenta. Para a profissional de saúde, a medicina portuguesa vai continuar presente no território através dos médicos que ainda estão presentes e dos que virão no futuro. Neste momento, os Serviços de Saúde estão num processo de recrutamento de médicos em Portugal. Paula Pimenta considerou que Macau ainda oferece condições atraentes para os médicos portugueses, apesar de reconhecer terem existidos alterações. “As condições [para os médicos portugueses] foram-se modificando. Mas depende das condições e regime que têm. Considero que oferece condições aliciantes para os médicos”, considerou.

TRÊS VEZES TRÊS

Na cerimónia que decorreu no Centro Cultural de Macau, o político e empresário Chan Meng Kam, ligado aos casinos da marca Golden Dragon, recebeu a distinção mais elevada da tarde, a Medalha de Honra de Lótus de

Stephen Lee, bispo de Macau

Ouro. No final, disse em declarações ao HM, que espera continuar a contribuir para a RAEM. “Estou muito contente [com a distinção]. Desde 2008 recebi três medalhas. Agradeço ao Governo pelo reconhecimento e encorajamento e espero no futuro poder continuar a fazer coisas benéficas para Macau e para o País”, afirmou o também membro do Conselho do Executivo e ex-deputado. No que diz respeito à economia do território, Chan prometeu continuar a disponibilizar serviços sociais para a população e considerou que os empresários têm o dever de contribuir para a diversificação da economia. Finalmente, quando questionado se o facto de ter deixado de ser deputado lhe permitia mais

“Vejo sobretudo esta distinção como o reconhecimento do contributo e importância que a medicina portuguesa tem tido em Macau.” PAULA PIMENTA

tempo para aproveitar a vida, Chan Meng Kam confessou que continuar a arranjar formas de contribuir de se envolver no bem-estar da cidade. “Todos podemos contribuir com papéis diferentes na sociedade e todos podemos arranjar um papel. Desde que haja entusiasmo”, respondeu, negando ter mais tempo livre.

BISPO MEDALHADO

Outro dos galardoados foi Stephen Lee, Bispo de Macau, com a Medalha de Mérito Altruístico. No final da cerimónia, Lee afirmou que a distinção destaca o trabalho da Diocese da RAEM ao longo dos anos. “Na História de Macau a Igreja sempre trabalhou para aqueles que precisam. Penso que este é um sinal do Governo a reconhecer o que a Igreja fez até agora e por isso é bom que a Igreja e o Governo, e todos os outros, colaborem juntos”, afirmou o Bispo. “Acho que é um sinal que tem um significado muito bonito”, completou. Lee aproveitou igualmente para abordar as informações que o chegaram a apontar como o substituto de Michael Yeung, Bispo de Hong Kong. No final a escolha recaiu em John Tong. “Para nós é igual a nomeação para Bispo, porque temos fé. Acreditamos que

VALOR VALOR VALOR DEDICAÇÃO DEDICAÇÃO DEDICAÇÃO DEDICAÇÃO SERVIÇOS COMUNITÁRIOS SERVIÇOS COMUNITÁRIOS SERVIÇOS COMUNITÁRIOS SERVIÇOS COMUNITÁRIOS

Centro de Operações de Protecção Civil Serviço de Urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário Chao Ka Cheong Chio U Lok Vong Se Peng Ngou Kuok Lim Tang Kwong Yui Lam Wai Wa Chan Ioi Kong Marjory Rangel de Faria Vendramini Associação Richmond Fellowship de Macau

• TÍTULOS HONORÍFICOS DE PRESTÍGIO E DE VALOR PRESTÍGIO PRESTÍGIO PRESTÍGIO VALOR VALOR VALOR VALOR

é através da nomeação do Santo Padre que se cumpre a vontade divina”, respondeu.

DEDICAÇÃO DOS COLEGAS

Já uma das Medalhas de Mérito Educativo atribuídas foi para Sou Chio Fai, coordenador do Gabinete Apoio ao Ensino Superior (GAES), que no final afirmou ser um prémio para os trabalhadores do sector da educação. “Sinto-me muito feliz porque é uma confirmação da dedicação dos colegas e dos trabalhadores no sector da educação durante estes anos. Acho que é um prémio colectivo,

Ma Hok Cheung Vítor Paulo da Costa Sereno Liu Liang Lam Oi Man U Choi Hong Equipa da Escola Secundária Pui Ching que participou na “Feira Internacional de Ciência e Engenharia 2018 (Intel ISEF)” Leong Ieng Wai

porque sem os colegas e o apoio e esforços dos colaboradores e trabalhadores do sector da educação nada teria sido feito”, afirmou Sou. O responsável do GAES abordou igualmente a aplicação da nova lei do Ensino Superior e prometeu que vai ser um esforço para traçar um plano de médio e longo prazos para o ensino local e para preparar esta área para a Grande Baía. João Santos Filipe (Com V.G. e D.M.)

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4 política

10.1.2019 quinta-feira

CIBERSEGURANÇA PEDIDA MAIS AUTONOMIA DAS OPERADORAS PARA CONTRATAÇÃO DE ESPECIALISTAS

Testes de confiança

A contratação de um especialista de cibersegurança pelas operadoras de infra-estruturas críticas vai ser obrigatória e a idoneidade dos candidatos é garantida por um parecer dado pela Polícia Judiciária. No entanto, os deputados da 1ª Comissão Permanente consideram que este parecer não deve ser vinculativo, a não ser quando os candidatos tenham sido acusados de prática de delitos informáticos ou de crimes graves

Questionado se um registo criminal não seria o suficiente para garantir a idoneidade do candidato ao cargo de especialista de cibersegurança, Ho Ion Sang respondeu que “o parecer pode conter informações acerca de casos em andamento ou que aconteceram no estrangeiro”, situações que não figuram nos registos criminais. No entanto, garantiu, todas as informações concedidas pela PJ estarão dadas ao abrigo do sigilo e de acordo com a lei de protecção de dados pessoais. Já no que respeita ao requisito da experiência profissional os deputados também consideram que a avaliação deste item deve ficar a cargo da empresa contratante. “Sobre a experiência profissional as operadoras devem decidir por si sobre quem contratar sendo que a PJ apenas terá em conta a idoneidade da pessoa a ser contratada”, disse. Para que fique claro, a comissão quer este esclarecimento na proposta de lei da cibersegurança.

CARTÕES IDENTIFICADOS

Na reunião de ontem foi ainda discutida a ausência de sanções para quem não registe o seu cartão telefónico na medida em que o diploma prevê a obrigatoriedade desta acção, mas não define as punições para quem não o fizer.

O

Os deputados defendem que este parecer não deve ser vinculativo à excepção dos casos em que o candidato tenha no seu passado crimes relacionados com cibersegurança ou outros considerados graves

S deputados da 1ª Comissão Permanente não querem que o parecer da Polícia Judiciária, um documento obrigatório para garantir a idoneidade dos interessados em ser especialistas de cibersegurança das operadores das infraestruturas críticas, tenha poder vinculativo na sua contratação. A ideia foi deixada ontem pelo presi-

dente da 1ª Comissão Permanente após a reunião de discussão na especialidade da proposta de lei acerca desta matéria Recorde-se que de acordo com a proposta de lei da cibersegurança, as operadores das infraestruturas críticas são obrigadas a contratar um especialista sendo que os requisitos exigidos são a sua idoneidade e a experiência.

O diploma prevê que a idoneidade seja reconhecida através de um parecer dado pela PJ, mas os deputados defendem que este parecer não deve ser vinculativo à excepção dos casos em que o candidato tenha no seu passado crimes informáticos ou outros considerados graves, sendo que a definição de grave integra os delitos que tenham dado origem a penas superiores a cinco anos.

BO Chefe do Executivo renova mandato de ex-secretário Lau Si Io O Chefe do Executivo, Chui Sai On, decidiu renovar o mandato do ex-secretário para os Transportes e Obras Públicas, Lau Si Io, como membro do conselho de curadores do Fundo para o Desenvolvimento

das Ciências e da Tecnologia. De acordo com o despacho publicado ontem em Boletim Oficial (BO), a renovação entrou ontem em vigor e prolonga-se até ao dia 19 de Dezembro deste

ano, último dia do mandato da actual Administração. Lau Si Io mantém-se como presidente do conselho de administração do Centro de Ciência de Macau desde que deixou o Governo, em 2014.

Para os membros da comissão, quem não seja contemplado com este tipo de crimes pode ser contratado pelas operadoras ficando a decisão a cargo das mesmas e não vinculada ao documento emitindo pela PJ. “Não somos contra o parecer da PJ, mas este parecer não deve ser vinculativo e esperamos que isto seja clarificado na lei”, até porque “se [o candidato] não estiver dentro destes crimes, por exemplo se tiver cometido um roubo simples, a PJ também vai emitir um parecer e a contratadora privada decide depois. Estes crimes simples é que não são vinculativos”, esclareceu. Os deputados esperam que “as operadoras privadas tenham o direito de contratar pessoas sem dependerem deste parecer”, acrescentou.

Os membros da comissão questionaram o Governo sobre a forma como este registo obrigatório de cartões telefónicos iria facilitar o combate ao crime, sendo que segundo o Executivo, “os cartões SIM por registar são fonte para praticar muitos crimes e o Governo não tem dados estatísticos”. Acresce ainda o facto de “muitos criminosos virem a Macau adquirir estes cartões SIM pré-pagos para depois os utilizarem no exterior para burlar os chineses que lá vivem”, explicou o presidente da 1ª comissão. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


política 5

GCS

quinta-feira 10.1.2019

A

MTR Corporation Limited, de Hong Kong, empresa responsável pelas operações do Metro Ligeiro nos primeiros cinco anos, já contratou cerca de 300 pessoas em Macau para o funcionamento e manutenção da Linha da Taipa que tem abertura prevista para este ano. A informação foi ontem deixada pelo secretário para os Transportes e Obras públicas, Raimundo do Rosário, depois de ter participado em mais uma reunião da 3ª Comissão Permanente onde a proposta de lei do sistema do metro ligeiro está a ser analisada na especialidade. “Sei que a MTR já começou o recrutamento e até houve umas sessões de apresentação dirigidas a potenciais candidatos em articulação com a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais e o meu colega acabou de me dizer que já foram contratadas à volta de 300 pessoas”, disse o secretário. Segundo o governante, está prevista a contratação de um total de 500 funcionários. Quanto a mais pormenores acerca do metro ligeiro, tais como o valor das tarifas ou datas aproximadas para a sua entrada em funcionamento, Raimundo do Rosário prefere não avançar com

MTR CONTRATADAS CERCA DE 300 PESSOAS

Ao trabalho

Já foram contratados mais de metade dos funcionários que vão trabalhar no funcionamento e manutenção do metro ligeiro. De acordo com Raimundo do Rosário, das 500 vagas, já estão preenchidas cerca de 300. Entretanto, a 3ª Comissão Permanente continua com dúvidas quando às tarifas e aos poderes de autoridade pública atribuídos aos fiscais informações. “Acho que ainda é um bocadinho cedo para responder a perguntas tão concretas como estas. Este tipo de coisas vão ser divulgadas mais perto do acontecimento”, referiu. No entanto, o secretário continua a manter garantia de que a Linha da Taipa irá começar a funcionar no ano de 2019. “Sinceramente não sei dizer em que

mês. Posso e confesso que tenho ainda imenso que fazer até abrir o metro, mas farei tudo para o inaugurar este ano”, sublinhou o governante.

PREOCUPAÇÕES CONSTANTES

Entretanto, os deputados da 3ª Comissão Permanente continuaram a manifestar as mesmas dúvidas que têm vindo a marcar as reuniões na

especialidade. O desconhecimento da entidade que vai definir o valor das tarifas foi apontada pelo presidente da comissão, Vong Hin Fai, como uma preocupação. “Na comissão não discutimos quais os critérios que vão ser levados em consideração para a definição do valor das tarifas [...] e preocupamo-nos qual será a entidade que define o valor”, referiu. Na ordem de trabalhos dos deputados voltou a estar o facto do diploma não prever sanções para as operadoras que não cumpram com o estipulado em contrato. “Não conseguimos encontrar normas sancionatórias em caso de incumprimento de deveres da operadora”, apontou Vong. Por seu lado, o secretário voltou a frisar que as sanções são um aspecto a ser contemplado no contrato realizado, e não na lei. A questão dos poderes dos agentes de fiscalização foi mais uma vez tema de discussão ontem, sendo que os deputados continuam a considerar que no caso do metro ligeiro são concedidos a estes profissionais poderes de autoridade pública únicos. “Neste momento, não conseguimos encontrar no ordenamento jurídico de Macau regras que atribuam tantos poderes aos trabalhadores das concessiona-

NOVO MACAU PETIÇÃO SOBRE REVERSÃO DO TERRENO DO “PARQUE OCEANIS”

A

Novo Macau entregou ontem na Assembleia Legislativa (AL) uma petição a lamentar a reversão “tardia” do terreno, na Taipa, para onde estava projectado um parque temático, cuja concessionária era uma empresa que tem como principal accionista o ex-deputado Fong Chi Keong. Lembrando que o prazo de aproveitamento do ter-

reno, concedido em 1997, expirou há muitos anos, a Novo Macau quer saber por que razão o Governo demorou tanto tempo a avançar com a anulação da concessão. A reversão da parcela, com uma área superior a 130 mil metros quadrados, não é, no entanto, definitiva, uma vez que Fong Chi Keong já fez saber que a empresa vai recorrer da decisão para os tribunais.

Na petição, a Novo Macau questiona a existência de irregularidades administrativas ou de má conduta por parte do Executivo durante o processo ou

mesmo graves violações à lei e incumprimento do dever. “Se forem encontradas irregularidades, após uma investigação, o Governo deve ser responsabilizado e devem ser tomadas medidas para evitar a ocorrência de casos similares”, refere o documento entregue pela associação. “Temos dúvidas e esperamos que a AL possa assumir a sua função de

fiscalizar o Governo para exigir que as explique à sociedade”, afirmou Rocky Chan, da Novo Macau, em declarações aos jornalistas, apontando que se desconhece o processo de recuperação de outros terrenos. “O que o Governo fez até ao momento é pouco, pelo que a população não consegue conhecer a situação dos valiosos recursos de terrenos” , apontou. V.N.

“Sei que a MTR já começou o recrutamento e até houve umas sessões de apresentação dirigidas a potenciais candidatos em articulação com a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais e o meu colega acabou de me dizer que já foram contratadas à volta de 300 pessoas.” RAIMUNDO DO ROSÁRIO SECRETÁRIO PARA OS TRANSPORTES E OBRAS PÚBLICAS

rias de serviços públicos”, referiu Vong Hin Fai, reconhecendo que “no aeroporto e terminal marítimo os segurança gozam de poderes mas não de autoridade pública”. Em resposta, o Governo afirmou que vai facultar mais dados sobre a situação nestes dois locais para que possam ser considerados pela comissão. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

Finanças Lançada consulta pública sobre novas Normas de Relato Financeiro

Arranca hoje uma consulta pública sobre novas Normas de Relato Financeiro. O documento de consulta, elaborado pela Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas da Direcção dos Serviços de Finanças propõe uma revisão às actuais tendo como referência a versão de 2015 das Normas Internacionais de Relato Financeiro. A auscultação pública tem a duração de 40 dias, terminando a 18 de Fevereiro.


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10.1.2019 quinta-feira

Anúncio Faz-se saber que no concurso público n.o 45/P/18 para o «Fornecimento de Refeições Confeccionadas aos Serviços de Saúde», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 50, II Série, de 12 de Dezembro de 2018, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 3.º do programa do concurso público pela entidade que o realiza e que foram juntos ao respectivo processo. Os referidos esclarecimentos encontramse disponíveis para consulta durante o horário de expediente na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, e também estão

disponíveis na página electrónica dos S.S. (www.ssm. gov.mo). Os concorrentes devem estar presentes na Secção de Alimentação e Dietética, sita no 1. º andar, do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 11 de Janeiro de 2019, às 10,00 horas, para visita de estudo ao local de fornecimento de refeições a que se destina o objecto deste concurso. Serviços de Saúde, aos 3 de Janeiro de 2019 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

NISHIMATSU CONSTRUCTION COMPANY LTD Rua de Pequim, n.ºs 244-246, Edifício Macau Finance Centre, 11.º andar A REGISTADA NA CRCBM SOB O Nº 14904, CAPITAL AFECTO À REPRESENTAÇÃO PERMANENTE: MOP$25.000,00 Para os devidos efeitos legais, anuncia-se que, por declaração do Administrador Representante e Presidente da Sociedade datada de 30 de Novembro de 2018, foi decidido dissolver e encerrar a liquidação, a partir de 29 de Novembro de 2018, da sucursal da sociedade comercial denominada Nishimatsu Construction Company Ltd, com sede no Japão, e com representação permanente em Macau, na Rua de Pequim, n.ºs 244-246, Edifício Macau Finance Centre, 11.º andar A, registada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis de Macau sob o n.º 14904, com o capital afecto à representação permanente de MOP$25.000,00, tendo o respectivo registo sido requerido em 12 de Dezembro de 2018. Macau, 8 de Janeiro de 2019

PRECISA-SE Colaborador/a com interesse pelas notícias de Macau e que domine as línguas portuguesa e cantonesa.

POR FAVOR CONTACTAR JORNAL HOJE MACAU

TEL: 2875 2401 • EMAIL: info@hojemacau.com.mo


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quinta-feira 10.1.2019

DSAJ Disponibilizado serviço de senhas online

IC DIRECTOR DO MUSEU DE ARTE ESCOLHIDO PARA VICE-PRESIDENTE

lançado um outro de marcação prévia para agendamento no próprio dia. Este passa a estar disponível para serviços na área do registo predial, registo comercial e de bens imóveis, registo civil, notariado e assistência judiciária. Em comunicado, a DSAJ afirma que “sempre tem colaborado

cabalmente com a orientação do Governo da RAEM para o desenvolvimento de uma cidade inteligente tendo, ao longo dos anos, introduzindo aplicações electrónicas para os serviços dos registos e do notariado, com vista a proporcionar aos cidadãos um serviço público de qualidade e conveniente”.

IAM Designadas competências para dirigentes Foram ontem publicados em Boletim Oficial (BO) os despachos que determinam as competências dos dirigentes do novo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), que entrou em funções no passado dia 1. No caso de José Tavares, presidente do conselho de administração deste organis-

mo público, pode, entre outras funções, autorizar a realização de despesas até 700 mil patacas bem como “a liquidação de todas as despesas autorizadas por si”. Pode também autorizar a realização de despesas do fundo permanente até ao limite de 30 mil patacas.

SOFIA MARGARIDA MOTA

A Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ) vai lançar o serviço de marcação de senhas online através de uma aplicação de telemóvel e do website do organismo, apontou ontem o organismo em comunicado. Além do serviço de marcação de senhas, será

E

STÁ escolhido o nome que vai arcar com a pasta da vice-presidência do Instituto Cultural (IC). De acordo com um comunicado ontem divulgado, será Chan Kai Chon a assumir o cargo, deixando a direcção do Museu de Arte de Macau (MAM). O responsável, que toma posse este sábado, dia 12, passa a dirigir os trabalhos das áreas da museologia, Indústrias Culturais e Criativas e educação artística. Chan Kai Chon assumiu funções como director do MAM em 2017. Licenciado em Economia pela Universidade de Jinan e mestre em Letras (Belas Artes) pela Universidade de Nanjing Normal, o novo vice-presidente do IC possui também um doutoramento na mesma área pela Academia Central de Belas Artes. Iniciou em 1992 funções na Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) e ocupou o cargo de Chefe da Divisão de Extensão Educativa da DSEJ de Setembro de 1994 a Agosto de 2003. A seu pedido, Ieong Chi Kin cessou funções do cargo de Vice-Presidente a partir 1 de Janeiro de 2019.

CANÍDROMO YAT YUEN FEZ PAGAMENTO DE MULTA DE MAIS DE 25 MILHÕES DE PATACAS

Um acto de contrição

Companhia aceita multa por abandono de 509 animais e já procedeu ao pagamento junto do IAM. Neste momento, segundo a ANIMA, ainda estão 300 galgos no Canídromo, mas alguns já têm destino

A

empresa Yat Yuen decidiu aceitar a multa aplicada pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) sobre os galgos deixados no Canídromo e pagou 25,450 milhões de patacas. A informação foi avançada ao HM pelo IAM, que tinha aplicado uma penalização à empresa de 50 mil patacas por cada um dos 509 galgos abandonados no Canídromo, no final da concessão para as corridas deste tipo de animais. Além deste valor a empresa tem vindo a assumir as despesas relacionadas com a manutenção dos cães nas instalações do Canídromo, enquanto o Governo trabalha, numa colaboração com associações, entre elas a ANIMA, para encontrar novos lares para os galgos. Até meados de Dezembro, a empresa já tinha pagado cerca de 4 milhões de patacas para a manutenção dos

galgos, informou, na altura, José Tavares, presidente do IAM. Com este desfecho chega ao fim o potencial diferendo entre o Executivo e a Yat Yuen, que poderia ter acabado nos tribunais. Isto porque a empresa poderia ter optado por contestar a natureza da punição de abandono. Em relação ao valor da multa, o Governo optou por sancionar a companhia com 50 mil patacas por cão. De acordo com a lei em vigor, o abandono de animais,

O IAM tinha aplicado uma penalização à empresa de 50 mil patacas por cada um dos 509 galgos abandonados no Canídromo

infracção que o Governo considerou cometida pela empresa, é punido com uma multa entre 20 mil e 100 mil patacas. Assim, no pior cenário para a Yat Yuen, a empresa poderia ter sido chamada a pagar 100 mil patacas por cão, o que significaria um total de 50,9 milhões de patacas. O Executivo optou por não aplicar a pena mais grave.

300 À ESPERA

Neste momento, de acordo com um comunicado de Albano Martins, presidente da ANIMA, numa rede social, ainda estão no Canídromo 300 galgos. Este número tem em conta 10 animais que vão ser enviados hoje para a Europa e Estados Unidos. Ainda segundo o presidente da ANIMA, desde que terminou a concessão da Yat Yuen e o Governo tomou conta das instalações do Canídromo foram realojados 219

galgos. Entre estes, 15 ficaram em Macau, 10 foram enviados para Milão, Itália. Contudo, o país que recebeu mais galgos para adopção foi os Estados Unidos, com um total de 194 animais. Filadélfia, com 69 cães, e Miami, com 40, foram as cidades que mais contribuíram para encontrar um futuro lar para os animais. Também nos próximos dias, mais 30 cães deverão deixar Macau, 15 para os EUA e outros 15 para a Europa. Com estas adopções, o número de cães no Canídromo ficará em 270. Além destas regiões, também em Janeiro deverão começar a ser materializadas as adopções em Hong Kong, que fará com que o número desça ainda mais. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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10.1.2019 quinta-feira

AEROPORTO ESTIMADAS RECEITAS SUPERIORES A 5 MIL MILHÕES REFERENTES AO ANO PASSADO

O

BRANQUEAMENTO DE CAPITAIS ADVOGADOS TÊM DE REPORTAR TODOS OS CASOS

Dinheiro mais limpo

Os advogados devem agora sinalizar junto do Gabinete de Informação Financeira todos os casos suspeitos de branqueamento de capitais, independentemente do seu valor. As novas instruções foram ontem publicadas em Boletim Oficial e prevêem também a figura das “pessoas politicamente expostas”

A

S novas instruções destinadas a advogados sobre o tratamento de casos suspeitos de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo foram ontem publicadas em Boletim Oficial (BO), depois de terem sido aprovadas pela Associação dos Advogados de Macau (AAM) em Novembro último. Um dos novos deveres dos advogados que trabalham no território é o de “participar as operações ou tentativas de concretização de operações que indiciem a prática dos crimes de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo, independentemente do seu valor”, aponta o despacho, sendo que esta sinalização deve ser feita junto do Gabinete de Informação Financeira (GIF). O HM tentou obter esclarecimentos junto do presidente da AAM, Jorge Neto Valente, mas até ao fecho da edição não foi possível estabelecer contacto. Em declarações à Rádio Macau, o causídico explicou a principal mudança em causa. “Os advogados tinham um limite de um milhão de patacas, abaixo do qual havia menos obrigações de identificação e verificação mais cuidada das transacções. Como o Governo já obrigou os notários públicos e privados [a levantar os limites], verificava-se uma situação: os advogados que não eram notários tinham menos obrigações ou obrigações ligeiramente diferentes em relação aos

que eram notários. Para se igualar e para que não se aponte que Macau não está a seguir as instruções do Grupo Ásia-Pacífico, fez-se esta instrução”. As novas regras determinam ainda que os advogados devem informar o GIF no prazo de dois dias úteis após a ocorrência dos casos suspeitos, sendo que estão incluídas acções como a compra ou venda de casas, gestão de fundos e de contas bancárias e transmissão de empresas. “A associação faz verificações por amostragem e sabe que tem havido participações directamente ao GIF. Todos os meses, o gabinete informa a associação de quantas participações re-

Um dos novos deveres dos advogados que trabalham no território é o de “participar as operações ou tentativas de concretização de operações que indiciem a prática dos crimes de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo, independentemente do seu valor”

cebeu de todo Macau e reporta se houve alguma feita por advogados. Verifica-se que há poucas de advogados, mas há muitas de bancos e de outras entidades onde passa o dinheiro real”, explicou Jorge Neto Valente.

CONTAS À PARTE

Ainda de acordo com a Rádio Macau, os advogados têm, nestes casos, de ter a contabilidade separada daquela que pertence ao cliente e que está sob sua gestão, sendo que devem apresentar um relatório à AAM relativo à gestão dessas contas. Pode também ser apresentada uma declaração que sirva de comprovativo à não administração do dinheiro dos clientes por parte dos advogados. Neto Valente, que foi reeleito presidente da AAM em Dezembro, adiantou à Rádio Macau que foram estabelecidas infracções para quem não cumprir esta regra. As novas instruções passam ainda a incluir a definição de “pessoas politicamente expostas”, como sendo “pessoas singulares a quem são, ou foram, atribuídas funções públicas proeminentes (como, por exemplo, Chefes de Estado ou de Governo, altos quadros políticos, titulares de altos cargos judiciais, titulares de elevados cargos de gestão de empresas estatais, e os titulares de elevados cargos de partidos políticos ou militares) ou são, ou foram, confiadas funções proeminentes em organizações internacionais”. A.S.S.

Aeroporto Internacional de Macau (AIM) arrecadou receitas superiores 5 mil milhões de patacas em 2018, ano em que registou 8,26 milhões de passageiros, um valor recorde em 23 anos de operação. O número redondo foi disponibilizado pela Companhia do Aeroporto (CAM) no seu mais recente boletim. No documento, publicado no portal da operadora, a empresa diz que o AIM “alcançou um avanço histórico”, embora sem facultar o valor concreto ou a taxa de aumento. Em 2017, as receitas do AIM ascenderam a 4,9 mil milhões de patacas. A CAM faz ainda referência à dívida aos accionistas, entre os quais o Governo, enfatizando que tem vindo a ser paga de acordo com o plano. Segundo dados complementares à Lei do Orçamento, facultados aos deputados, aquando da discussão da proposta de lei, o Governo prevê encaixar este ano 75 milhões de patacas com mais uma prestação do empréstimo concedido à CAM no valor global de 1,65 mil milhões de patacas. Ao HM, a Direcção dos Serviços de Finanças confirmou não haver, porém, uma meta temporal para o pagamento integral

da dívida remanescente. O pagamento foi dividido em três fases: a primeira terminou em 2016, a segunda iniciou-se em 2017 e termina em 2022, enquanto a terceira começa em 2023 e continuará nos anos seguintes até à devolução total do empréstimo concedido para resolver a situação financeira da empresa. Até ao momento, a CAM liquidou aproximadamente 300 milhões de patacas. Já as emissões de dióxido de carbono (CO2) foram reduzidas em 41 por cento em cinco anos. “As metas de redução das emissões de carbono nos movimentos em 20 por cento em 2018 foram alcançadas. A redução das emissões de carbono (…) em comparação com 2012 ultrapassou os 41 por cento”, indicou o AIM à Lusa. O AIM tinha como objectivo baixar as emissões de dióxido de carbono em 20 por cento em relação a 2012, ano em que foram emitidas 19.300 toneladas de CO2, incluindo as produzidas nos movimentos de viaturas e aeronaves ou pelos aparelhos de ar condicionado. Em breve, segundo complementou o AIM à mesma agência, será apresentado “um plano para os próximos dez anos”.

D.M. (com Agência Lusa)


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quinta-feira 10.1.2019

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Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) está a investigar o caso das 269 portas corta-fogo do Edifício do Bairro da Ilha Verde que têm de ser substituídas por não cumprirem os padrões mínimos de segurança. Em causa está o facto do edifício de habitações económicas ainda nem sequer ter licença de ocupação e de precisar de novas portas que vão custar 40 milhões de patacas, ou seja 150 mil patacas por porta. A investigação foi revelada pelo comissariado do CCAC, André Cheong, à margem da cerimónia de imposição de medalhas e títulos honoríficos. “O CCAC está a par do assunto e recebeu queixas de cidadãos e de associações. Com base nos procedimentos normais, vamos investigar o caso e estamos a trabalhar nele. Se a investigação obtiver resultados relevantes vamos explicá-los o mais cedo possível à sociedade”, disse o responsável do CCAC. O dirigente do organismo negou ainda que as investigações

HIPÓTESE DE PRESCRIÇÃO DE TERRENO DO WYNN

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oi em 2014 que foi revelado o início de uma investigação à concessão do terreno onde se encontra o casino Wynn Palace. Contudo, a investigação do CCAC ainda está a decorrer e o coordenador não negou a hipótese de os eventuais crimes irem prescrever. “Diferentes crimes têm diferentes tempos de prescrição. Só depois de termos uma conclusão é que podemos dizer mais alguma coisa”, limitou-se a dizer André Cheong, ao HM, quando questionado se o caso ia prescrever. Cheong não avançou uma data para o final desta investigação que decorre há quase cinco anos.

CORRUPÇÃO CCAC INVESTIGA CASO DE PORTAS QUE CUSTAM 40 MILHÕES DE PATACAS

O bombeiro de serviço

O dirigente máximo do Comissariado Contra a Corrupção (CCAC), André Cheong, admite a existência de queixas sobre o caso das 269 portas corta-fogo no Edifício do Bairro da Ilha Verde. Contudo, recusa que o organismo ande apenas a reboque de denúncias apenas sejam feitas a reboque das queixas dos cidadãos, afirmando o carácter pró-activo da entidade. “As investigações do CCAC não começam apenas devido à apresentação de queixas, quer sejam identificadas ou anónimas. Se o CCAC detecta, através quaisquer meios, que vale a pena prestar atenção a um assunto e que este se enquadra dentro das suas competências, então é feita uma investigação de forma activa”, defendeu.

O PREÇO CERTO?

Em declarações aos jornalistas, André Cheong explicou igualmente a linha de investigação. Por um lado, vai analisar-se se o preço de 150 mil patacas por porta corta-fogo está dentro dos valores do mercado. Por outro lado, vai tentar perceber-se se em 2012, quando as 269 portas corta-fogo que precisam de ser substituídas foram instaladas no edifício, se já havia instruções internas sobre as exigência e se estas foram ignoradas. O CCAC vai assim fazer uma investigação a um preço que o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, considerou “normal”. A construção do Edifício do Bairro da Ilha Verde foi adjudicada ao consórcio Companhia de Engenharia e de Construção da China (Macau) e Companhia de Constri-

André Cheong, Comissariado Contra a Corrupção “Vamos investigar o caso e estamos a trabalhar nele. Se a investigação obtiver resultados relevantes vamos explicá-los o mais cedo possível à sociedade.”

ção de Obras Portuárias Zhen Hwa, por 1,95 mil milhões de patacas, e tem sofrido vários atrasos. O caso das portas-corta fogo promete atrasar os trabalhos mais

cinco meses, uma vez que apesar das portas originais terem sido instaladas em 2012, apenas na vistoria da obra se descobriu que os padrões de segurança não tinham

sido respeitados. Apesar disso, o Governo vai assumir o custo dos trabalhos de substituição. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

SAÚDE DETECTADO CASO SUSPEITO DE INFECÇÃO COLECTIVA DE GASTROENTERITE

O

S Serviços de Saúde de Macau (SSM) foram ontem notificados quanto à possibilidade de ocorrência de um caso suspeito de uma infecção colectiva de gastroenterite numa turma do ensino primário da escola Choi Kou, e que terá afec-

tado um total de sete alunos, seis rapazes e uma rapariga, todos com seis anos de idade. De acordo com um comunicado dos SSM, “o primeiro paciente manifestou o sintoma de vómitos no dia 8 de Janeiro [terça-feira]”, sendo que “os outros alunos

também manifestaram os mesmos sintomas, nomeadamente vómitos, dores abdominais e febre”. O mesmo comunicado explica que “a maioria dos pacientes recorreu a instituições médicas para tratamento, sendo o estado de saúde de

todos os alunos considerado estável”. Não foi registado, até ao momento, “nenhum caso grave ou de internamento”. Os SSM defendem que “é provável que o agente patogénico [da gastroenterite] esteja relacionado

com uma infecção viral”, estando a acompanhar e a investigar o caso. Nesta fase está a ser feita uma recolha de amostras de fezes para a realização de uma análise laboratorial, tendo sido “reforçadas as indicações ao estabeleci-

mento escolar para que haja a implementação de medidas, em especial a forma correcta de tratamento de vómitos e de excrementos, de limpeza profunda do ambiente e manutenção da ventilação do ar no interior das instalações”.


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10.1.2019 quinta-feira

FOTOGRAFIA JOÃO MIGUEL BARROS DISTINGUIDO NOS PRÉMIOS INTERNACIONAIS DE TÓQUIO

O combate da

Uma série de fotografias que contam a história de um pugilista do Gana, da autoria de João Miguel Ba national Foto Awards (TIFA). Além do prémio, o trabalho fica exposto no Centro Cultural de Shibuya

A

S imagens do ensaio “Blood, Sweat and Tears” foram distinguidas no prémio internacional de fotografia de Tóquio (Tokyo International Foto Awards – TIFA), no Japão. Algumas das imagens que João Miguel Barros captou no Gana estarão expostas, entre os dias 20 e 24 de Fevereiro, no Centro Cultural de Shibuya, na capital japonesa. João Miguel Barros ganhou a medalha de ouro na sub-categoria de Desporto e uma menção honrosa na sub-categoria Ensaio, ambas inseridas na categoria Editorial, na vertente de fotógrafos amadores. O fotógrafo conquistou

também uma menção honrosa com o ensaio “Night Visions”, desta vez sobre Macau. Ao HM, João Miguel Barros adiantou que a distinção “acaba por ser um estímulo e um incentivo para continuar a trabalhar”, tendo em conta que o fotógrafo começou nesta profissão tardiamente, pelo facto de ser advogado e ter feito a sua formação base na área do Direito. “Comecei relativamente tarde a trabalhar nas fotografias de uma forma mais consistente, no sentido de criar histórias e fazer menos fotografias bonitas. Neste momento tenho alguns portfólios construídos”, adiantou. Esta não é a primeira vez que “Boxe” é distinguido a

nível internacional, tendo já ganho algum reconhecimento em Paris e Nova Iorque. As imagens resultaram de um combate de boxe que aconteceu em Macau em Outubro de 2017, e João Miguel Barros nunca mais perdeu a linha narrativa que se criou no ringue. “Depois segui esse pugilista ganês, que perdeu o combate, até ao Gana. Estive lá em duas ocasiões distintas, uma em Julho do ano passado e outra em finais de Novembro ou Dezembro. A partir daí construí uma narrativa.”

DO RINGUE PARA A ESCOLA

Já em África, João Miguel Barros decidiu acompanhar os treinos do jovem ganês,

com cerca de 20 anos, que tem o sonho de ser um grande pugilista, mas que perdeu o combate em Macau. “Acompanhei-o durante algum tempo nos seus treinos e na sua relação com os outros desportistas que treinam regularmente, duas vezes por dia, na cidade velha de Acra.” Daí nasceu uma outra ideia associada à série “Boxe”. “Da última vez que lá estive aproveitei para fazer um outro trabalho, que não é complementar, mas que está próximo deste, que teve a ver com o registo da vivência numa escola preparatória que fica muito perto do ginásio onde eles treinavam no final de tarde.”

Ambos os projectos são independentes e têm como nome “Wisdom” (sabedoria), e darão origem a uma futura exposição no Albergue, a anunciar em Junho deste ano. “Vou apresentar os dois projectos porque as fotos foram tiradas na mesma zona da cidade”, frisou.

ÁFRICA MINHA

A viver em Macau há 30 anos, João Miguel Barros sempre se distinguiu como advogado, tendo trabalhado em Portugal como assessor da ex-ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz. Contudo, assume estar cansado da profissão de uma vida e querer mostrar os projectos culturais que sempre

desenvolveu desde os tempos da faculdade. O seu olhar de fotógrafo está agora virado para África. “Já tenho mais alguns projectos em mente, em África. Ao fim de 30 anos em Macau, e com um conhecimento da Ásia relativamente grande, acabo por desviar um bocadi-

“Tento procurar coisas que me surpreendam e África é o continente que menos conheço.” JOÃO MIGUEL BARROS FOTÓGRAFO


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quinta-feira 10.1.2019

HOJE TERAPIA Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Constipação • DESCRIÇÃO: A constipação, também referida como rinofaringite, é uma infecção viral das vias respiratórias superiores. Existem mais de duzentos vírus associados à constipação, sendo os mais frequentes os rinovírus. Afecta sobretudo a cavidade nasal, faringe e cordas vocais, sendo os sintomas provocados pela resposta imunitária e não pela destruição dos tecidos pelos vírus. Assim, quando ocorre a infecção, as membranas que revestem as narinas incham e começam a produzir mais muco, provocando corrimento e congestão nasal, espirros, olhos lacrimejantes, tosse, cansaço e mal-estar geral. Pode ainda haver comichão no nariz, diminuição ou perda do olfacto e paladar, falta de apetite e inflamação da garganta; eventualmente podem ocorrer dores de cabeça ou febre baixa (nas crianças pode ser mais elevada). Os sintomas surgem de forma gradual e, geralmente, desaparecem em cerca de uma semana. Trata-se de uma afecção contagiosa, já que os vírus podem ser transmitidos através de gotículas expelidas através da fala, tosse ou espirros. Embora possa surgir em qualquer época do ano, a constipação é mais comum no final do Outono e no Inverno, pois o frio e a humidade não só são mais propícios à propagação dos vírus como favorecem a concentração de pessoas em ambientes fechados, o que facilita o contágio.

a vitória

arros, acabam de ser distinguidas nos Tokyo Intera entre os dias 20 e 24 de Fevereiro nho o meu centro de atenções para África e fugir um bocadinho da Ásia. Não sei se isto tem a ver com o facto de ter um pouco o olhar cansado relativamente à Ásia”, assumiu, afirmando que quase nunca tira fotos em Macau. “Tento procurar coisas que me surpreendam e África é o continente que menos conheço. Não ponho de parte a hipótese de construir histórias e narrativas na Ásia ou outros sítios que tenham algum tema interessante”, frisou. Com uma exposição já marcada para o Museu Berardo, em Lisboa, onde vai expor ao lado de Guilherme Ung Vai Meng e Chan Hin Io em Novembro, João Miguel

Barros revela estar cada vez mais interessado em criar histórias com as imagens que capta. “Cada vez entendo mais que é importante se a fotografia fizer parte de um processo narrativo. Na exposição que fiz no Museu Berardo [Photo-Metragens] também utilizei texto como uma parte integrante desse processo da narrativa. Não ponho de parte a possibilidade do texto estar ao lado da imagem, mas o que importa é que o conjunto tenha consistência”, apontou. Com 60 anos de idade, João Miguel Barros assume estar “claramente cansado da advocacia” e conta que há muito tempo queria mostrar o

que fazia além dos tribunais e processos. “A profissão, muitas vezes, esmaga-nos, e nem todas as pessoas são corajosas para mostrarem de imediato o que fazem. Depois de sair do ministério [da Justiça] achei que era tempo de mostrar os esqueletos que tinha no armário, dar o salto e vir a público mostrar as coisas que andava a fazer. Esse processo acaba por ser o resultado de muito investimento da minha parte.” Andreia Sofia Silva João Santos Filipe

info@hojemacau.com.mo

Em média, um adulto saudável pode constipar-se uma ou duas vezes por ano; as crianças mais, por estarem expostas a uma maior quantidade de vírus contra os quais ainda não criaram imunidade. Mais susceptíveis são ainda os fumadores e os doentes respiratórios crónicos. Presente desde a Antiguidade, esta é a doença infecciosa mais comum entre os seres humanos. Causas: De um modo geral, o nosso sistema imunitário defende-nos destes vírus. No entanto, quando a constipação é recorrente, pode ser uma indicação de que as defesas se encontram enfraquecidas, normalmente devido a factores relacionados com o estilo de vida: excesso de trabalho, níveis elevados de stress, carências nutricionais ou falta de exercício físico. Estes factores devem ser equacionados e, se possível, corrigidos. Apesar de ser uma afecção benigna, a constipação pode ter complicações: ao bloquear a drenagem do local, a congestão nasal favorece o crescimento de bactérias, originando uma otite média ou uma sinusite. COMO O TRATAMENTO NATURAL PODE AJUDAR • Plantas medicinais Numerosas plantas medicinais podem fortalecer a imunidade, aliviar os sintomas e acelerar a recuperação. Além das sugeridas Hoje, podem ser tomadas as futuramente abordadas em outras afecções respiratórias. ALHO, Allium sativum L., bolbos: Tem actividade anti-infecciosa, aumenta as defesas imunitárias e é um fortificante geral do organismo; é ainda expectorante, diurético e depurativo. Pode ser ingerido cru, em decocção ou suplemento alimentar. EUCALIPTO, Eucalyptus globulus Labill., folhas e óleo essencial: Tem acção anti-séptica e expectorante; suaviza

e desinflama as vias respiratórias, dissolve as mucosidades, descongestiona o nariz, aumenta a sudação e auxilia a baixar a febre. Toma-se em infusão ou suplemento alimentar. Externamente pode ser usado em inalações, banhos de vapor ou banhos de imersão; também pode ser aplicado topicamente. SABUGUEIRO, Sambucus nigra L., flores e/ou frutos: As flores aumentam a sudação auxiliando a baixar a febre, reduzem a viscosidade do muco e favorecem a expectoração; têm ainda acção anti-inflamatória, diurética e depurativa. Os frutos têm propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, antivirais, estimulam o sistema imunitário e tonificam o organismo; são também sudoríficos e diuréticos. Toma-se em infusão ou suplemento alimentar. Os frutos podem ser tomados em sumo. ALIMENTAÇÃO • Aumentar a ingestão de: Líquidos: água, tisanas, sumos. Hidratam o tracto respiratório. Alimentos leves: sopas e caldos de vegetais. Aliviam o tracto digestivo permitindo ao organismo concentrar-se no combate à infecção. Frutas e vegetais amarelos e cor-de-laranja: são ricos em vitamina C e betacaroteno (provitamina A), importantes para o reforço da imunidade. • Evitar ou reduzir a ingestão de: Lacticínios: aumentam a produção de muco nas vias respiratórias. Açúcar: debilita o sistema imunitário. ESTILO DE VIDA • Evite a exposição ao frio e a ambientes com fumo. • Areje a casa. Mantenha a atmosfera húmida: o ar húmido dilui as secreções. • Durma e descanse o máximo que puder. • Evite factores que diminuem a imunidade, como o stress, a falta de sono e o consumo de cafeína e álcool.

ADVERTÊNCIAS: Este artigo tem como objectivo apenas a divulgação e não deve substituir a consulta de um profissional de saúde, nem promover a auto-prescrição. Além disso, algumas plantas têm contra-indicações, efeitos adversos ou interacções com medicamentos.


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EQUIM autorizou mais de dois mil cazaques a abdicar da cidadania chinesa e a abandonar o país, revelou ontem o Governo cazaquistanês, num período de crescente repressão contra os muçulmanos no extremo oeste da China. A detenção arbitrária de membros das minorias étnicas chinesas de origem muçulmana cazaques e uigures, em campos de doutrinação, onde são forçados a criticar o islão e a sua própria cultura, tem sido uma questão delicada entre Pequim e Astana. Com cerca de 18 milhões de habitantes, o Cazaquistão faz fronteira com a China e os dois países são importantes parceiros comerciais. A imprensa cazaquistanesa, controlada pelo Estado, tem evitado referir a detenção de mais de um milhão de muçulmanos na China, mas a crescente cobertura por órgãos internacionais e denúncias pela ONU terá levado Astana a pressionar Pequim. O ministério cazaquistanês dos Negócios Estrangeiros disse que a China concordou em deixar mais de dois mil cazaques abandonar o país. Estes poderão solicitar a cidadania cazaquistanesa ou a residência permanente, após a sua chegada ao Cazaquistão, informou a mesma fonte, sem detalhar os critérios para a selecção dos dois mil cazaques. O ministério chinês dos Negócios Estrangeiros não comentou, até à data, estas informações.

10.1.2019 quinta-feira

CIDADANIA DOIS MIL CAZAQUES AUTORIZADOS A ABANDONAR O PAÍS

Regresso a casa testemunhas denunciaram a criação dos campos de doutrinação na região, onde antigos detidos denunciaram terem sido forçados a renunciar à sua cultura e fé e submetidos a doutrinação política. As detenções assustaram a comunidade de cazaques chineses radicados no Cazaquistão.

Muitos deixaram a China para procurar oportunidades de negócio no comércio ou educar os filhos nas escolas do Cazaquistão, à medida que as restrições contra o islão se intensificaram no país. Os familiares no Xinjiang de centenas de pessoas passaram a estar incontactáveis, e muitos

passaram a escrever cartas abertas e a organizar conferências de imprensa, apelando à China que permita o regresso dos seus entes queridos a casa.

NOVAS TENDÊNCIAS

Citado pela agência Associated Press, Serikzhan Bilash, que dirige

Desde que, em 2009, a capital da região do Xinjiang, Urumqi, foi palco dos mais violentos conflitos étnicos registados nas últimas décadas na China, entre os uigures e a maioria han, predominante em cargos de poder político e empresarial regional, a China tem levado a cabo uma agressiva política de policiamento dos uigures e cazaques. Nos últimos meses, grupos de defesa dos direitos humanos e

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O ministério cazaquistanês dos Negócios Estrangeiros disse que a China concordou em deixar mais de dois mil cazaques abandonar o país. Estes poderão solicitar a cidadania cazaquistanesa ou a residência permanente, após a sua chegada ao Cazaquistão No mês passado, foi convidado para dar uma entrevista de uma hora num conhecido programa de televisão do Cazaquistão, indicando crescente tolerância pelo seu trabalho. "Eu afirmei que as autoridades chinesas são perigosas para a Ásia Central e para o Cazaquistão", disse Bilash. "Eles estão a começar agora a aceitar a minha opinião". Embora tenham evitado criticar abertamente a China, os diplomatas do Cazaquistão trabalharam para garantir a libertação dos seus cidadãos detidos no Xinjiang. O ministério dos Negócios Estrangeiros afirmou, em Novembro passado, que a China havia detido já 29 cidadãos do Cazaquistão, mas que 15 foram, entretanto, libertados e autorizados a regressar ao Cazaquistão.

HISTORIAL DE CONFLITO

S negociações entre representantes dos Estados Unidos e da China, que visam pôr fim à guerra comercial entre os dois países, vão prolongar-se por mais um dia do que o previsto, informou ontem a imprensa oficial chinesa. As conversas de alto nível prosseguiram ontem, em Pequim, depois de na terça-feira se terem prolongado até ao final da noite. Analistas citados pelo Global Times, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, consideraram que a extensão reflecte a vontade de ambas as partes de chegarem a um acordo. Trata-se do primeiro frente-a-frente desde que, no início de

a organização de defesa dos Direitos Humanos Atajurt, afirma sentir uma mudança "subtil" na postura do governo cazaquistanês. Bilash disse que, no Verão passado, foi advertido por quatro vezes pelas autoridades, para parar com as suas campanhas que denunciam a situação dos cazaques detidos, mas que as advertências pararam, entretanto.

Horas extraordinárias Prolongado diálogo sobre questões comerciais com EUA

Dezembro, os Presidentes dos EUA e da China, Donald Trump e Xi Jinping, respectivamente, concordaram numa trégua de 90 dias, para encontrar uma solução. Os dois países aumentaram já as taxas alfandegárias sobre centenas de milhões de dólares de produtos de cada um, numa disputa suscitada pela política industrial chinesa. Na terça-feira, Trump afirmou na rede social Twitter que as negociações com Pequim estão a correr

"muito bem". O vice-representante do Comércio, Jeffrey Gerrish, lidera a delegação norte-americana, que inclui ainda funcionários dos sectores de energia, agricultura e comércio, e do Departamento de Estado e do Tesouro. Pequim não informou quem lidera a delegação, mas sabe-se que participou numa das reuniões o vice-primeiro-ministro chinês encarregado da política económica, Liu He, num nível de representação

mais alto do que o esperado para a primeira ronda de negociações.

MATÉRIA EM CAUSA

De acordo com os termos acordados entre Trump e Xi, Pequim e Washington devem chegar a um acordo definitivo antes do início de Março. Trump suspendeu temporariamente o aumento das taxas alfandegárias, de 10% para 25%, sobre um total de 200 mil milhões de dólares de bens importados da China. Pequim reduziu as taxas sobre veículos importados do EUA e retomou as importações de soja norte-americana, além de ter apre-

sentado um projecto de lei que visa proibir a transferência forçada de tecnologia. Trump exigiu que a China ponha fim a subsídios estatais para certas indústrias estratégicas, à medida que a liderança chinesa tenta transformar as firmas do país em importantes actores em actividades de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros eléctricos, ameaçando o domínio norte-americano naquelas áreas. O Partido Comunista Chinês está relutante em abdicar dos seus planos, que considera cruciais para elevar o estatuto global do país.


quinta-feira 10.1.2019

É por dentro de um homem que se ouve

António Cabrita

06/01/2019

Beber um café sem açúcar é como engolir um astro, raspa na garganta, explode no palato, mineraliza a língua: as primeiras impressões da dieta a que me propus para me metamorfosear de homem-livro em homem-livre, pelo intenso cuidado de si (de mim). Só posso beber vinho, outra das restrições. Voltar a incarnar o corpo, emagrecendo, para o sentir de novo, até na doença, é o fito, e aliás a percepção do corpo é um tracejamento cíclico porque a nossa vida é ondulatória – periodicamente necessitamos de uma inversão. Entretanto, talvez o mais difícil na vida seja emendar o que calámos. Porque o silêncio, em maior ou menor medida, faz da memória um rascunho.

Nudez e ateísmo THE-DREAM-OF-THE-FISHERMANS-WIFE

diários de próspero

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07/01/2019

Não deixo de ler a frase uma e outra vez: “aquele nu era um implante, mas que não se deixava reabsorver”. Fascinante, os jogos de linguagem, nomeadamente quando são involuntários: que um nu possa ser um implante. A frase é do livro Le Nu Impossible, de François Jullien, um ensaio delicioso que questiona porque não “consentiu” a China esse género pictórico e através da análise desse tabu o estudo debruça-se igualmente sobre as condições que permitiram o nu na Europa. O que se interpôs entre a carne e a nudez, na China, tornando-a fonte de opróbrio, enquanto noutras culturas a nudez pode isentar-se de moral e nem significa necessariamente “estar nu”? Um dos mais belos nus de que me lembro é o de Ornella Muti, na abertura dos Contos da Loucura Normal, do Marco Ferreri. Serking/Ben Gazzara é um poeta alcoólatra de tendência anarquista que vive e vagueia entre prostitutas e marginais, no submundo da cidade de Los Angeles. Um dia, conhece Cass/Ornella Muti, uma prostituta de uma espantosa beleza e um carácter auto-destrutivo. Os dois iniciam um romance que ganhará tonalidades trágicas… Quando o filme começa, dentro do quarto, Serking olha a silhueta nua de Cass à janela e vomita. Dirão os mais prosaicos: é grande a ressaca. Eu prefiro outro tipo de explicação mais excêntrica: Serking vomita porque a beleza é um excesso irremediável, que não se absorve sem custos. E então sobre o nu foi implantada a beleza. Inclusive, o nu erótico, na China, continua Jullien mais adiante, como em Qui Ying, não é convincente. E falando de um rolo deste, mostra como as figuras enquanto estão vestidas são delicadas, in-

sinuantes, e ao aparecerem despidas “os corpos parecem empilhados como sacos” desgraciosos e absolutamente desviados de qualquer sensualidade. Todo o contrário do que se vê no Japão, em Hokusai, por exemplo, onde até tomando um polvo como amante a nudez está magnificada pela sensualidade que implanta no nu o seu desejo encantadamente polimórfico.

08/01/2019

Tinha acabado de anotar: Atrevo-me a escrever que, apesar de tudo, vivemos uma época de desencantamento muito tonificante pois acredito que os sinais de retrocesso civilizacional que por todo o lado mostram a sua cauda simiesca não correspondem a mais do que um momentâneo estertor final dos sentimentos mais arcaicos - e de repente leio no editorial da Ana Sá Lopes, no Público: «49 pessoas, incluindo crianças, foram resgatadas por dois barcos de uma ONG alemã, mas até agora nenhum país europeu aceitou recebê-los. É verdade que se “meteu” o Natal e quando se “mete o Natal” e o Ano Novo a Europa congela.(…) Ao menos se fossem cães ou gatinhos, haveria uma opinião pública disponível

para se emocionar. Como são pessoas, não têm esse benefício. Ver morrer pessoas no Mediterrâneo (em 2018 foram 2262) tornou-se um hábito e não convoca a consciência das massas. O Papa fez ontem um apelo “do fundo do coração” para que a Europa não se mantenha congelada nas férias de Natal, mas tenha consciência do significado profundo daquilo que celebram como férias. Francisco lembrou que os barcos com os 49 migrantes esperam há dias autorização para aportar e exortou os países europeus a tomarem medidas “de solidariedade concreta com estas pessoas», e lá se vai o meu optimismo à viola. Por outro lado, o Papa esteve bem, nesta questão, e repararam como nas homilias de entre o Natal e o Ano Novo ele declarou que era mais respeitável e digno ser ateu do que ser um cristão hipócrita e inconsequente? Quando um gajo se sente acompanhado pelo líder da maior igreja do mundo não pode esmorecer.

09/01/2018

Um actor chinês sempre começa uma acção com o seu oposto. Para olhar para uma pessoa sentada à sua esquerda, um

actor ocidental usaria um movimento directo e linear do pescoço. Mas o actor chinês, como os demais orientais (é pensar nos filmes japoneses), começaria como se quisesse olhar para o lado oposto. Se se deseja agachar o actor chinês começa por levantar-se. Do mesmo modo, na dramaturgia, o que faz evoluir uma trama é o estorvo, o conflito, a dificuldade de se alcançar o objectivo. Ou seja, de novo, alguém começar a despir-se não implica que se queira ficar nu. Regras simples que tenho de transmitir ao Assistente que me arranjaram na universidade. Estou contente até porque somos amigos e o Venâncio Calisto é bastamente inteligente e é de facto a grande revelação dos últimos anos no teatro em Moçambique. Mas não deixa de ser um luxo bizantino arranjarem-me um Assistente numa disciplina onde tenho dois alunos.

09/01/2019

O cartaz repete-se de cinco em cinco metros, ao longo dos tapumes que cobrem as obras do Hotel Andalucia, a 30 metros de minha casa. Anuncia o cartaz: «Proibido mijar no murro!». Era difícil ser melhor.


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10.1.2019 quinta-feira

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Inserir nome de família

estendais Gisela Casimiro

- Diz à Gisela o que disseste ainda agora. - Que se dormisse lá em casa ficávamos em família. - E que mais? - Como antigamente. * Eles falam ao mesmo tempo, um por cima do outro, completam as frases um do outro, refilam um com o outro, confundem-se um com o outro, e ora competem sobre quem vai contar uma história, ora pedem ao outro que a conte. Servem-me café, sumo, tosta mista com manteiga, bolo-rei. Não lhes posso recusar nada e eles oferecem-me tudo. A televisão ligada nalgum programa da tarde. São os mesmos sofás verdes, mas a casa já não é a de antes. Já não é comprada e já não é aquela onde viram filhos e netos crescer nos últimos quarenta anos, e onde estive à mesa do almoço tantas vezes, terminando refeições com um licor caseiro. Estão muito magrinhos, digo. Mas eles sabem. Poderia ter dito: estão muito velhinhos, afinal ele está a uns dias de fazer oitenta anos. Mas eles sabem. Eles sabem tantas coisas. Ela vai buscar-me à estação e, num regresso lento e cuidadoso, sempre a pé, fala-me dos últimos problemas e da vida nova, umas ruas abaixo da morada anterior. Reparo na igreja onde também já estivémos. Faz-me uma visita guiada à casa antes mesmo de o marido se levantar da sala e vir abraçar-me no corredor. Um abraço como só alguém que pensou que nunca mais nos veria pode dar. Brinco com ele: digo, as coisas que faz para ter atenção e histórias para contar. E se há alguém que tem histórias para contar, são estes dois. O meu filho dizia, porque é que arranjaste uma rapariga, foi só para me chatear? Mas tu querias uma mana. Queria, mas uma coisa destas não. Na escola ele sentia-se infeliz, porque era o único que não tinha irmãos. Só que a irmã era um terror. Dez anos de diferença. No entanto, as fotografias de ambos mostram somente o amor entre eles. Escusas de estar a enganar-me. Foi mesmo assim, o mais novo foi buscar o tablet e disse, A internet mostra como é estar nos cuidados intensivos, e se é assim que ele está, tenho de ir vê-lo. Mas claro que não podia e, quando ele finalmente pôde, eu já estava na enfermaria. É o que dá deixarem os miúdos ir à escola, aprendem a ler e a escrever e a navegar na internet, não podemos mentir-lhes. Já o mais velho, a primeira vez que foi visitar o avô, foi logo lá para fora chorar. Foi ele que me tirou do fundo do poço, quando nasceu. Tomei conta dele. Ele lembra-me muito o meu filho.

Tive uma tuberculose pulmonar aos onze anos. E depois voltou quando eu estava grávida, afectou-me os ossos. Estás a ver a tartaruga dentro da carapaça? Era ela mas num tabuleiro de gesso, numa gaiola, diz o marido. Só pensava no meu filho. Ele nunca me tratou por mãe. Perguntava: “Mãezinha, quando é que vais para casa?” E eu deixava-o com a ama ou com familiares e ele detestava porque não o tratavam bem. Os outros miúdos eram maus para ele. À sexta-feira, depois de deixar esta, ele vinha passar o fim-de-semana comigo. Foi praticamente um ano deitada, paralisada, um ano de visitas diárias ao hospital. À minha filha, agora, o médico disse, Despeça-se do seu pai porque ele não vai sobreviver. Mas o colega dele visitava-me todos os dias, nem ia para casa, queria cuidar de mim a toda a hora. E sobrevivi. O pai chora. Ele sobreviveu melhor porque trabalhava, saía de manhã, vinha à noite. Eu estava em casa. Já me tinha reformado, cedo, por causa do problema nos ossos e das operações. Ao fim de tanto tempo de baixa, foi automático. Quando ele tinha de ir para algum lado por causa do trabalho, eu ia com ele. Havia dias em que

eu não podia ouvir nada, dias em que eu não podia levantar-me para vesti-la, para ela poder ir para a escola. Eu dizia, espera só um pouco que a mãe já levanta a cabeça e já te ajuda. E ela dizia que não precisava de ajuda, que já sabia escolher. E eu dizia, então veste o que quiseres e depois a mãezinha já vê. Ela virava costas e ia a casa da vizinha pedir que a vestisse. Outro dia ela disse-me, Eu sei que preferias que tivesse ido eu em vez do meu irmão, eu sei que não fui planeada; fiquei tão triste, aquilo magoou-me muito. A mãe chora. Feitios diferentes, apazigua o marido. Eu sei porque é que ela diz aquilo. Porque ela estava sempre sozinha. E já o meu filho tinha ficado sozinho. E depois nós ficámos todos sem ele. Eu fiquei desorientada, fiquei de cama, só eu e Deus sabemos o que passei. Ela diz que nos esquecemos dela. Em Tenerife achei que ia voltar para Portugal num saco-cama. Olha, não terias passado por esta de agora. Pois não. Eles entendem-se mesmo no humor negro. Tenho passado bons momentos na vida, conclui. Passeei bastante, gozei bastante enquanto tive saúde. Se voltar a ter,

Duas pessoas raramente contarão a mesma história da mesma maneira, e o que recordamos uns dos outros dependerá sempre do lugar sombrio ou mágico onde nos tiverem tocado. Mas gostaria de acreditar que sim, que há algo de luminoso que une as famílias, mesmo as que tantas vezes não se entendem, mas nunca deixam de estar lá uns para os outros

gostava de ainda fazer algumas coisas. Ir à Madeira. Falam-me de todas as viagens que fizeram, em férias ou em trabalho. Contam as últimas dos netos, do genro, da filha. Mais tarde ela liga-me, diz, Os meus pais adoraram a tua visita. Eu não deixei de pensar neles desde então. Acompanhamos pessoas a uma missa pela alma do filho, do irmão morto ao dezasseis por um colega mais velho, com uma faca de ponta e mola, sem nunca se saber o motivo. Vamos buscar os miúdos à escola com elas. Vamos juntos para a piscina. Telefonamos de vez em quando ou eles a nós. Partilhamos histórias de cirurgias, exames e sintomas que os médicos nunca chegam realmente a saber o que são, apenas o que não são. Vamos com elas ao supermercado, rimos com elas, pensamos em como sobrevivem com tanta dor e durante tanto tempo. Sabemos dos comprimidos para dormir, das mudanças, das avarias, dos tribunais, dos dias em que pensaram tirar a própria vida. Das coisas ditas sem querer. Da generosidade imensa, do cuidado. Sabemos que houve alguém que se assumiu culpado de um crime sem testemunhas e depois se enforcou, vinte anos depois, sem que se soubesse porquê. E há quem tenha de continuar, quem carregue um corpo consigo, apenas com algumas pausas pelo caminho, a vida toda. O peso de uma vida que mal começara a ser, e que poderia ter sido tanto para tanta gente. Uma memória como uma ferida em constante reabertura. Talvez só um filho seja mesmo insubstituível. Talvez o corpo, o karma ou a necessidade de punição por se estar vivo e o outro não, atraiam tantas outras situações de sofrimento. Talvez se busque uma dor que possa ser maior. E se falhe constantemente. Estas pessoas, que são tão reais, tornam-se parte de nós, tornam-se as nossas pessoas, mesmo se com outro nome de família. Não sei quando se esclarecerão todos os equívocos e nem sempre a redenção chega antes da morte. Duas pessoas raramente contarão a mesma história da mesma maneira, e o que recordamos uns dos outros dependerá sempre do lugar sombrio ou mágico onde nos tiverem tocado. Mas gostaria de acreditar que sim, que há algo de luminoso que une as famílias, mesmo as que tantas vezes não se entendem, mas nunca deixam de estar lá uns para os outros. * - Lembras-te de quando dormiste lá? - Lembro. - Eu também gostei. (Dá-me dois beijos) - Ó puto, eu não te disse se gostei ou não...


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quinta-feira 10.1.2019

Retrovisor Luís Carmelo

O

poder é como a polifonia: um vasto conjunto de vozes que irrompe de todo o lado, não se detectando, na maior parte das vezes, de onde provém e para onde segue. É uma zoada que desejaria subjugar ou imobilizar tudo o que mexe e que se impregna em todos nós, pobres mortais. Como escreveu Barthes, na sua famosa Lição (1977), é discurso de poder todo aquele “que engendra a culpa e, por conseguinte, a culpabilidade daquele que o ouve”. Os poderes fazem parte da teia humana, ou seja: eles são o grande parasita do maior predador do planeta, o que quer dizer que estão muito para além da galáxia política ou das (muitas) redomas dos costumes. Até esta crónica é um pequeno apêndice de poder. Até os periquitos do Jardim da Estrela são adições de poder (já me têm subjugado a meio dos meus passeios matinais). Num tempo secular em que a rigidez dos costumes começou a pouco a pouco a fluir, o que aconteceu gradativamente depois da segunda grande guerra mundial, as gerações passaram a constituir-se, cada vez mais, como agentes de poder (de muitos poderes). Não é por acaso que, hoje em dia, a publicidade visa targets cada vez mais jovens: dos adolescentes aos pré-adolescentes, tal é o poder que estas franjas passaram a conquistar dentro do que ainda resta do conceito clássico de família. Tão longe destas encenações próprias do nosso tempo, João de Salisbúria escrevia, há 859 anos, socorrendo-se de uma imagem semelhante à que acompanha este texto: “os modernos (neste caso, as pessoas do seu tempo) são como que anões aos ombros de gigantes que vêem mais e melhor do que os seus predecessores, não porque possuam uma visão mais apurada mas porque se encontram numa posição mais elevada, suportada pelos gigantes”. O adágio, atribuído a Bernardo de Chartres, dava a entender que o esclarecimento do mundo vinha sempre e inevitavelmente de trás; só a partir da ‘Querela dos Antigos e dos Modernos’, oito séculos depois, é que esta relação se começou a alterar. Desde então, e com acelerações brutais até aos nossos dias, foi emergindo a ‘consciência do nosso tempo’ e a ideia de que é no presente, e só no presente, que se encontram os gigantes, os génios, os chavalões e, figuradamente, ‘os imortais’. Cada geração com que convivemos nos nossos dias imagina-se sempre no cume da história, numa espécie de clímax ou de vórtice mergulhado em chantili festivo. A desmobilização das ideologias que iluminavam o futuro e domesticavam o passado, a par dos poderes encantatórios da tecnologia que nos devolvem a instantaneidade do agora como único tempo

As gerações são um gelado ao sol A consciência de se ser geração é uma coisa recente e corresponde a um modo de caracterizar mutações sobre as quais deixou de haver controlo. O que realmente fractura é a quase ausência de leme no fluxo de acontecimentos que fazem o mundo e não tanto o que possa decorrer desse agente fantasmático que, há poucas décadas, se passou a designar por geração

possível e fruível, sublinham a patologia. Escrevi “patologia” pois nunca houve um tempo tão desligado da história, quer no sentido antigo (da pertença escatológica), quer no sentido dos modernos (que recriaram a escala do humano após o Iluminismo). As gerações são hoje a graça divina animada pela juventude eterna dos ginásios, pelos likes no FB enquanto inscrição existencial, pela aceleração e mediação das imagens, enfim, por uma espécie de autismo social de tipo ahistórico. Um papagaio de peito feito a quem os deuses deram vida perpétua. O presente basta-se, desta forma, a si próprio nos nossos dias. É até possível que tal venha a configurar a primeira grande utopia que se realiza enquanto se vive (será esse o segredo conjugado do virtual, do hiperespaço e da telemática). De qualquer modo, só se entende bem o que é uma geração, quando se sai da vaga. Isto é: ao cruzarmos as primeiras cinco ou seis décadas de vida, o olhar retrospectivo permite ver e rever de fora a emergência de uma nova geração a ocupar os seus poderes, os mais diversos e em todas as esferas (mesmo nas que parecem mais inofensivas como a literária, por exemplo). Tudo o que ela afirma e inscreve funciona como se tudo estivesse a acontecer pela primeira vez. Já nem está em causa a amnésia ou a vaguez dos horizontes. O culto vira-se sobretudo para hiatos de linguagem (como “os novos”, “a neo-”, o “retro”, os “primeiros”) que são indícios, ainda que involuntários, de uma auto-celebração que se vai tornando pouco inclusiva. Sinal dos tempos. Quando o que se celebrava era um feito luminoso do passado que ritualizava efectivamente o presente, os ‘culpados’ éramos todos nós. Razão tinha Barthes no seu diagnóstico dos poderes (os tais discursos que “engendravam a culpa”). Hoje em dia, celebramo-nos a nós próprios, ou, por outras palavras, cada geração celebra-se a si mesma, fazendo dessa ‘correcção’ um modo eficaz de nos desculpabilizarmos. Nunca os poderes foram, portanto, tão invisíveis e, ao mesmo tempo, tão actuantes e arredados do ‘dever ser’ tradicional. A ‘correcção’ e a sua colmeia onanista de ditames (amante de uma imagem turva da liberdade) é filha desta saga que gosta, ao espelho, de se confessar como sendo fracturante. Não haverá maior devaneio. A consciência de se ser geração é uma coisa recente e corresponde a um modo de caracterizar mutações sobre as quais deixou de haver controlo. O que realmente fractura é a quase ausência de leme no fluxo de acontecimentos que fazem o mundo e não tanto o que possa decorrer desse agente fantasmático que, há poucas décadas, se passou a designar por geração.


16 (f)utilidades MUITO

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O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente

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REENCARNAÇÃO DE ALLEN WONG Creative Macau

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C I N E M A

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O CARTOON STEPH 38 DE

3 0 6 9 8 1 7 4 2 5

9 1 8 5 2 4 3 0 7 6

6 3 7 0 9 8 4 1 5 2

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2 7 4 1 5 3 6 8 9 0

7 8 2 0 3 9 6 5 MORE THAN BLUE [B] FALADO 0EM PUTONGHUA 6 9LEGENDADO 8 EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Gavin Lin 4 3 1 2 Com: Jasper Liu, Ivy Chen 14.30, 21.30 6 4 7 3 THE POOL [C] FALADO 8EM TAILANDÊS 2 LEGENDADO 5 1 EM CHINÊS/INGLÊS Um filme de: Ping Lumpraploeng 1 0 3 4 Com: Theeradej Wongpuapan, Ratnamon Ratchiratham 8 7 16.30,9 19:30 5 5 1 4 9 YOU ARE THE APPLE OF MY EYE [B] 2 7 0 6 FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO SALA 1

SALA 2

EM CHINÊS/INGLÊS Um filme de: Yasuo Hasegawa

4 0 9 6 1 7 5 2 3 8 1 4 7 5 0 9 6 2 8 3

5 8 0 9 7 1 2 4 6 3

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1 2 6 8 3 5 7 9 0 4

4 8 6 9 0

EXPOSIÇÃO | JARDIM BRILHANTE Museu de Arte de Macau | Até 24/02/2019

5 6 3 7 1 0 8 2 9 4

0 9 2 7 4 6 1 3 8 5

7 4 5 3 8 2 0 6 1 9

5 3 9 6 THE 4 POOL 0Com: Yuki8Yamada,1Asuka 7 Saito, 2 Honoka Matsumoto, Takara Sakumoto 414.30, 16.30, 2 21:305 3 1 BUMBLEBEE 7Um filme0de: Travis6[B]Knigth8 9 Hailee Steinfeld, John Cena, 2Com: 1Lendeborg 8 Jr 9 5 Jorge 19:15 3 6 7 4 0 8AUmDOG’S 9 WAY2HOME5[A] 7 filme de: Charles Martin Smith Com: Bryce Dallas Howard, Ashley Judd, 1 Alexandra 4 Shipp 3 0 6 14.30, 16.30, 21:30 6RALPH7BREAKS 0 THE2INTERNET: 3 WRECK-IT RALPH 2 [A] 9FALADO5EM CANTONÊS 4 1 8 SALA 3

Um filme de: Rich Moore, Phil Johnson 19.15

9.26

BAHT

0.25

YUAN

1.18

EXEMPLO DE MÃE

EXPOSIÇÃO | PAISAGEM MUTANTE Museu de Arte de Macau | Até 10/02/2019

8 4 9 0 2 3 1 7 4 2 5 9 1 8 0 6 5 6 4 3 7 9 8 2 9 0 3 4 6 5 7 1 0 1 6 5 Cineteatro 3 7 2 8

EURO

VIDA DE CÃO

EXPOSIÇÃO | “A “A STATE OF BLISS” DE ZHAO QIAN Fundação Rui Cunha | 18h30

37

•

7 0 5 2 9 4 8 1 6 3

1 8 4 7 2 3 6 5 0 9

6 3 9 1 7 8 2 0 4 5

5 4 6 8 1 0 3 9 2 7

2 9 0 3 5 6 7 4 1 8

4 5 2 6 3 7 0 8 9 1

3 7 8 4 6 9 1 2 5 0

8 2 1 0 4 5 9 7 3 6

hojemacau. com.mo

39 65 16 3 8 92 7 51 4 70

2 94 7 9 1 60 16 3 88 5

5 4 9 8 1 7 4 0 2 3 9 6 5 5 9 0 3 2 6 7 4 0 7 8 9 6 3 5 2 8 0 4 1 7 4 6 8 7 1 3 9 0 6 3 5 4 9 1 0 6 7 8 3 5 2 2 4 7 0 8 1 3 5 2 8 1 7 5 2 3 8 1 6 0 9 4 9 3 1 5 6 2 0 8 2 1 8 9 5 4 1 7 5 8 9 0 2 6 4 3 1 2 3 4 5 7 8 6 4 2 6 7 0 3 2 3 0 6 4 9 7 5 8 1 7 0 6 8 9 5 1 2 0 4 7 3 2 6 3 8 6 9 5 4 1 2 7 0 3 1 5 6 0 9 4 7 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia 6 Margarida 9 5Mota;8Vitor1Ng Colaboradores 0 0 António 2 4Cabrita; 1 António 7 6Castro5Caeiro;8 António 3 Falcão; 9 Gonçalo Lobo Pinheiro; 8 7João Paulo 9 Cotrim; 2 4José Drummond; 0 6 1 Amélia Vieira; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; 5 Fonseca; 8 3Valério1Romão 6 Colunistas 7 António Conceição 6 Júnior; 0 David 9 Chan; 7 João 3 Romão; 5 Jorge 4 Morbey; 1 2Jorge Rodrigues 8 6 5 4 9 7 8 Sérgio 2 3 Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária 1 5 0 4 9 2 5 4 8 2 1 3 9 7 0 6 0 8 2 1 3 4 5 9

1 2 6 4 9 3 8 5 0 7

8 5 9 7 0 4 2 3 1 6

2 0 6 4 1 5 7 3 2 6 4 8 9 1 5

0 3 7 9 1 5 8 9 1 7 2 4 2 4 9 3www. 6 8

28 3 49 6 54 5 1 87 90 02

9 1 0 7 5 6 4 2

PROBLEMA 39

41

3 4 6 1 5

45 83 4 66 0 1 7 9 58 5 72

6 68 7 4 73 9 32 5 40 1

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05 7 89 28 6 2 41 0 4 63

6 9 2 7 10 78 53 25 31 4 1 0 5 2 04 98 3 27 9 36

1 80 05 98 79 16 4 2 7 3 59 2 41 3 25 30 6 4 7 8

32 3 0 09 7 6 95 41 8 54

7 6 8 85 3 54 72 0 9 41

0

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Depois do centenário da 7 5 9 Russa liderada 8 3 6 0 Revolução pelos Bolcheviques, 8 4 7 2 5 1o país 9 produziu a série sobre umas 1 suas 6 figuras 3 0 mais 9 contro8 5 das versas, 6 3 Leon 4 Trotsky, 9 7 0funda2 dor do Exército Vermelho. 0 8da viagem 1 5 histórica, 2 4 3os Além oito 3 episódios 2 5 6realizados 0 7 por 8 Alexander Kott e Konstantin 9 1 8 7 4 3 6 Statsky estão muito bem feitos e trazem ao ecrã o período 42 revolucionário, as suas esperanças e genocídios, os 1 6 e 8convicções 0 7 3de um 2 dramas homem que acabou no exílio 2 4 5 3 9 6 1 no México onde acabou por 9 assassinado. 1 7 2 A8ver.0 Sofia 4 ser Margarida Mota 4 5 0 6 3 7 9

64 7 3 00 92 1 48 6 5 9

4 2 5 6

7 11 3 65 0 74 8 6 02 9

68 6 34 7 2 3 0 09 1 15

0 8 51 32 5 7 09 4 3 6 0 29 2 91 8 05 74 3 36 7

3 1 0 4 6 9 5 8 2 7

3 9 8 2 5 6

0 81 7 9 4 32 8 5 76 3

6 5 8 4 3 2 1 7 9 0

5 12 4 2 51 27 3 9 0 7 9 76 8

5 7 9 6 3 1 8 3

5

44 9 31 3 58 05 0 16 2 97

5 7 2SÉRIE 1 8 9HOJE 4 0 3 UMA 4 9 0 3 6 2 1 7 8

6 8 5 3 0 7

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0 6 1 9 3 4 8 7 2 5

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0 1 3 9 8 2 5 6 7 4

7

7 6 0 9 3 6 7 9 3 2 8 7 1 2 4 5 9 2

Muito se fala da mãe pátria em Macau. Por tudo e por nada, “há 38 seguir os exemplos da mãe”, que “há que 1 contribuir 5 para o4desen- 8 volvimento da mãe”, “há que fazer 3 para 4 estar de5acordo 7 isto e aquilo com as políticas da mãe”. Tudo 5 9 0 7 8 muito bem, não fossem as acções 2 3 facto 5 fariam concretas, e que de 0 ficarem de9Macau um bom5 filho, para trás. Macau é o miúdo com 4 6 1 muito jeito para os discursos e 8 eficácia no7comportamen4 pouca to.1O maior 0 exemplo 4 3da falta2de seguimento do exemplo da mãe é 4 ambiente. 2 9 5 a defesa do Enquanto 9 se destaca 7 cada vez 1 mais 6 a China pelas políticas que tem vindo a adoptar para defesa do ar que 40 44 por cá parece que este respiramos, assunto 9 5 8a3 representar 5 76 continua 91 7 8 a 34 inconveniência do costume. En8 37está,2e muito 0 15 bem, 3 1 quanto4a mãe a substituir frotas de autocarros 2 0 8 19 54 6 5 7 por todo o país por veículos eco7 1 83 36 65 08 4 2 lógicos, por cá fazem-se ouvidos 48 O72mesmo 24 7se 9pode 91 dizer 6 0 moucos. no1que6 toca os táxis. Aqui ao lado, 3 5 0 1 6 9 2 78 Shenzhen já consegue ter somente 0 7 2 3 89 31 46 92enquanto táxis eléctricos que por 5 cá0ainda 3 se9 pensa 4 8no assunto. 2 0 6 85 nem Entretanto respiramos todos este 3 0 57 6 5 3 4 1 9 ar impróprio para consumo que 9coisas 4 não 1 há 0 7 3 48 mãe 32 que nestas1 nos 2 valha. Sofia Margarida Mota

62 9 3 0 5 27 4 71 98 6

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 38

9 6 7 5 0 1 4 3 8 2

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S U D O K U

TEMPO

10.1.2019 quinta-feira

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46 63 0 14 6 07 91 5 79 8 3 2

5 54 3 07 32 16 91 8 49 0

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TROTSKY | ALEXANDER KOTT E KONSTANTIN STATSKY

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de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


desporto 17

quinta-feira 10.1.2019

VELA REGATA INTERNACIONAL E DA GRANDE BAÍA ARRANCAM HOJE

Na crista das ondas

Sidney Simona Halep regressa à competição com uma derrota

A tenista romena Simona Halep, líder da hierarquia mundial, regressou ontem à competição, após uma ausência de quase quatro meses, com uma derrota frente à australiana Ashleigh Barty, por duplo 6-4, no torneio de Sydney. Halep regressou à competição depois de mais de três meses de ausência devido a uma hérnia discal, a poucos dias do Open da Austrália, que começa

na segunda-feira. “Foi um grande jogo, quase quatro meses depois do último. Acho que joguei a bom nível, mas faltou-me inspiração em alguns pontos importantes”, disse a romena, acrescentando: “Ela jogou muito bem, mereceu a vitória”. A número um mundial considerou “um bom sinal” o facto de não ter “sentido dores nas costas” e admitiu que agora só precisa de ganhar mais confiança.

Aukland João Sousa perde frente a Cameron Norrie nos oitavos de final

Macau recebe, a partir de hoje, duas regatas: uma da Grande Baía e outra internacional. O evento, de quatro dias, que vai juntar aproximadamente 300 velejadores, divididos por 20 equipas, inclui um desfile a pensar no público

A

S águas a sul da praia de Hac Sá acolhem, entre hoje e domingo, duas regatas: uma internacional, a primeira de grande escala, e outra subordinada à Grande Baía. O evento inclui actividades paralelas, entre as quais um desfile das embarcações para o público poder desfrutar – tanto em terra como no mar. A Regata Internacional, a primeira de grande escala, “abre uma nova era para os desportos náuticos de Macau”, sublinhou a vice-presidente do Instituto do Desporto (ID), Christine Lam, em conferência de imprensa. Na prova vão participar dez equipas oriundas da Austrália, Canadá, Estónia, Filipinas, França, Alemanha, Japão, Rússia, Singapura e Emirados Árabes Unidos. Da lista de entradas, a organização destaca nomeadamente a Marenostrum Racing Club, equipa francesa liderada por Lionel Péan, cujo palmarés inclui a conquista da actualmente designada Volvo Ocean Race, a formação da Estónia e a das Filipinas, pelos respectivos palmarés. A Regata da Taça Grande Baía também conta com dez equipas, duas das quais de Macau (a Wanboyu Sailing e a Sugram). As restantes chegam de Hong Kong (quatro), Shenzhen

(três) e Guangzhou (uma). Ao contrário do que acontece na prova internacional (em que todas as formações competem com veleiros Beneteau First 40.7), na competição da Grande Baía participam diferentes tipos de embarcações. Para o evento, foram convidados juízes internacionais registados na Federação Internacional de Vela.

ORÇAMENTO E PRÉMIOS

O evento, organizado pelo ID e pela empresa Gestão de Eventos em Navegações dos Quatro Oceanos, com o apoio da Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água e a Associação de Vela de Macau, tem um orçamento na ordem de 20,4 milhões de patacas, segundo dados facultados anteriormente

pelo ID que entra com um terço, ou seja, com 6,8 milhões. Os vencedores de cada uma das regatas têm direito a prémios monetários em igual montante, com o primeiro classificado a receber 20 mil dólares de Hong Kong, o segundo 10 mil e o terceiro oito mil.

ACTIVIDADES PARALELAS

Além das provas, a terem lugar em simultâneo, foram planeadas duas actividades paralelas a pensar no público: um desfile de embarcações e uma corrida de exibição entre a Doca dos Pescadores e a Ponte Sai Van. Residentes e turistas terão assim oportunidade de assistir à parada de veleiros (amanhã e domingo entre as 9h e as 11h), antes

das provas do dia, a partir da Avenida Dr. Sun Yat Sen (Macau) e Avenida do Oceano (Taipa). Em paralelo, a organização vai disponibilizar seis catamarãs NACRA 17 para participarem em corridas de exibição (todos os dias entre as 12h e as 15h), nas águas entre a Ponte Governador Nobre de Carvalho e a Ponte Sai Van.

Regatas vão contar com a participação de 20 equipas, com aproximadamente 300 velejadores “É uma boa oportunidade de aproveitar o nosso mar, de promover o desporto [náutico] e Macau”, afirmou a chefe do departamento dos Grandes Eventos Desportivos, Lei Si Leng, aos jornalistas, dando conta de que a iniciativa de organizar o evento partiu da empresa Gestão de Eventos Em Navegação dos Quatro Oceanos, sucursal de uma empresa chinesa, escolhida com base na experiência na organização de eventos do género na China. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

O português João Sousa, 44.º do ‘ranking’ mundial de ténis, foi ontem eliminado na segunda ronda do torneio de Auckland, ao perder frente ao britânico Cameron Norrie, 93.º da hierarquia, por 7-6 (7-5) e 6-4. Norrie qualificou-se para os quartos de final ao vencer o primeiro embate frente ao número um português, finalista do torneio neozelandês em 2017, em uma hora e 35 minutos. O britânico vai disputar uma vaga nas meias-finais

frente ao norte-americano Taylor Fritz, 50.º do ‘ranking’, que venceu nos ‘oitavos’ o seu compatriota John Isner, primeiro cabeça de série e 10.º do circuito, por 7-6 (7-3) e 7-6 (7-5).

PUB HM • 1ª VEZ • 10-1-19

ANÚNCIO Execução Ordinária

CV3-14-0143-CEO

3º Juízo Cível

EXEQUENTE: BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL DA CHINA (MACAU) S.A. (中國工商銀行(澳門)股份有限公司), com sede em Macau na Avenida da Amizade, nº 555 – Macau Landmark, Torre ICBC, 18º andar. EXECUTADO: CHAN I TAK (陳以德), masculino, residente em Macau na Estrada Nova de Hac Sá, nº 181-E, Complexo “Hellene Garden” – Wealthy Villa Lot 6 – Tower V (Hibiscus Court), 6º andar J. *** FAZ-SE SABER QUE nos autos acima indicados, foi resolvida a venda por meio de propostas em carta fechada, dos seguintes bens penhorados do executado Chan I Tak. IMÓVEIS PENHORADOS Denominação: Fracção autónoma denominada pela letra “I6” do 6.º andar I. Situação: Estrada Nova Hac-Sa, nºs 181-A a 291 e Avenida de Luís de Camões, nºs 190-J a 190-S. Fim: Para habitação. Número de matriz: 050638. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 22632 a fls. 145 do Livro B71K. O valor base da venda é de MOP$9.742.080,00. Denominação: Fracção autónoma denominada pela letra “J6” do 6.º andar J. Situação: Estrada Nova de Hac-Sa, nºs 181-A a 291 e Avenida de Luís de Camões, nºs 190-J a 190-S. Fim: Para habitação. Número de matriz: 050638. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: 22632 a fls. 145 do Livro B71K. O valor base da venda é de MOP$9.742.080,00. Denominação: 1/136 e 2/136 avos da fracção autónoma “A1”. (3 em total) Fim: Para estacionamento. Situação: Estrada Nova de Hac-Sa nºs 181-A a 291 e Avenida de Luís de Camões nºs 190-J a 190-S. Número de matriz: 050638. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: nº 22632, a fls. 145 do livro B71K. O valor base a venda de cada um é de MOP$908.160,00. *** Os 5 bens imóveis acima mencionados foram apreendidos pelo Ministério Público no processo-crime. Procede-se à venda judicial por proposta fechada, separadamente, dos referidos bens imóveis. São convidadas todas as pessoas com interesse na compra dos imóveis penhorados, a entregarem as suas propostas na Secção Central deste Tribunal, até ao dia 15 de Fevereiro de 2019, antes das 17:30 horas, devendo as propostas conter no envelope da proposta a indicação de “PROPOSTA EM CARTA FECHADA” bem como o “NÚMERO DO PROCESSO CV3-14-0143-CEO”. No dia 18 de Fevereiro de 2019, pelas 9,45 horas, no Tribunal Judicial de Base da RAEM, proceder-se-á à abertura das propostas de preço superior ao do valor base da venda apresentadas, a cujo o acto podem os proponentes assistir. É fiel depositário dos imóveis penhorados a Sra. CHONG IM WA, com domicílio profissional na Avenida da Amizade, Edifício Landmark, Torre do Banco ICBC, 18º andar, que está obrigada a mostrar o imóvel a quem pretenda examiná-lo (artº 786º, nº.6 do C.P.C.M.). Quaisquer titulares de direito de preferência na alienação do imóvel supra referido, podem, querendo, exercerem o seu direito no próprio acto da abertura das propostas, se alguma proposta for aceite, nos termos do art.º 787º do C.P.C.M. RAEM, 4 de Janeiro de 2019


18 opinião

10.1.2019 quinta-feira

“Artificial intelligence is changing our world faster than we can imagine? It will impact every area of our lives. And this is happening whether we like it or not. Artificial intelligence will help us do almost everything better, faster, and cheaper, and it will profoundly change industries, such as transportation, tourism, healthcare, education, retail, agriculture, finance, sales, and marketing. In fact, AI will dramatically change our entire society.” Artificial Intelligence: 101 Things You Must Know Today About Our Future Lasse Rouhiainen

A

S empresas americanas esperam que o seu investimento em inteligência artificial (IA), que muitas vezes faz parte de iniciativas inteligentes de automação vá além da melhoria da produtividade e diminuição de custos. É de considerar que 20 por cento dos líderes empresariais americanos com iniciativas de IA relatam que a vão introduzir nos seus negócios em 2019, de acordo com o último relatório sobre a matéria publicado pela PricewaterhouseCoopers (PWC) que é uma multinacional de serviços sediada em Londres. As empresas vêem a IA como um caminho para o crescimento de lucros e receitas em 2019. No entanto, existem desafios, como treinar funcionários para usar sistemas de IA, e ameaças à segurança continuam a ser uma séria preocupação. O sucesso na alavancagem da IA s​​ erá construído com base em estratégias para a organização e força de trabalho, para criar dados de IA responsáveis, reinventar o negócio e integrá-la a outras tecnologias. A maioria dos líderes empresariais sabe que a IA tem o poder de mudar praticamente tudo o que faz em termos negócios e pode contribuir com até 15,7 triliões de dólares para a economia global até 2030. Mas o que muitos líderes empresariais não sabem é como implantar a IA, não apenas em um projecto-piloto, mas em toda a organização empresarial, onde pode criar o máximo valor. O “como” é o ponto de atrito com qualquer tecnologia emergente, e a IA não é excepção. Como se define a estratégia de IA? Como encontrar trabalhadores conhecedores de IA ou treinar pessoal existente? O que se pode fazer para obter dados disponíveis para a IA? Como se garante que a IA é confiável? As respostas a essas perguntas geralmente variam de uma empresa para outra e o ambiente está em constante evolução. Mas as empresas não podem esperar que a poeira se estabilize. A adopção de IA, que aconteceu com intermitência, será acelerada em 2019. Para obter uma leitura

acerca do actual estado das organizações, o estudo do qual resultou o relatório, entrevistou mais de mil líderes empresariais americanos que estão a investigar ou a implementar a IA. Se esses planos ambiciosos forem bem-sucedidos, muitas empresas americanas de ponta serão aperfeiçoadas por IA, não apenas em termos de custos de organização, mas em todas as suas operações. Os especialistas afirmavam que em 2018, existiam oito previsões sobre como a IA provavelmente se desenvolveria ao longo do ano, com implicações para os negócios, governo e sociedade. As tendências que foram identificadas incluíam o verdadeiro impacto da força de trabalho na IA, a necessidade de todas as empresas se concentrarem na IA responsável e as ameaças emergentes à volta da segurança cibernética e na competitividade interna americana serem ainda mais relevantes actualmente, com a actual política comercial e industrial da administração Trump. À medida que se foi aproximando 2019, com a IA a mudar cada vez mais do laboratório para os escritórios, fábricas, hospitais, locais de construção e vida dos consumidores, uma abordagem diferente tornou-se necessária e não se trata apenas de destacar o que é provável que aconteça, mas o que os líderes empresariais devem fazer com a IA. A lista de prioridades da IA​​ para 2019, é acerca das grandes previsões nesta área que é das mais importantes a nível global, e que passa pelas empresas concentrarem os seus esforços em seis áreas-chave, o que lhes permitirá uma vantagem substancial em relação a outras empresas em 2019. A estratégia de IA deve abordar a estrutura que é a organização para o retorno sobre investimento (ROI na sigla em língua inglesa) e esforço; a força de trabalho; a formação com os especialistas de IA para trabalharem em conjunto; a confiança que é tornar a IA responsável em todas as suas dimensões; os dados que permitam localizar e classificar para ensinar as máquinas; a reinvenção que é monitorizar a IA através de personalização e maior qualidade e convergência que é combinar IA com inteligência analítica, Internet das Coisas (IoT na sigla em língua inglesa), entre outras. Quanto à primeira área-chave, sabemos que com a IA, é tempo de aumentar a produtividade ou desistir. As empresas líderes estão a começar a transferir os seus modelos de IA para a produção, onde executarão operações para melhorar a tomada de decisões e fornecer inteligência voltada para o futuro e pessoas em todas as funções. A IA vai transformar quase tudo nos negócios e mercados, sendo um bom motivo para agir, mas não o suficiente para fazer muito de forma rápida. Se for realizado correctamente, o desenvolvimento de um modelo de IA para uma tarefa específica, pode melhorar

HACKER NOON

A confiabilidade da

um processo existente ou resolver um problema de negócios bem definido, ao mesmo tempo que cria o potencial de se alargar a outras áreas da empresa. Acerca dos algoritmos de IA existe o facto de haver poucos, o que pode surpreender os utilizadores de negócios. Os mesmos algoritmos são capazes de resolver a maioria dos problemas de negócios para os quais a IA é relevante, portanto, se puderem ser aplicados com sucesso em uma área da empresa, geralmente poderão ser usados em outras. É exemplo, o facto, de toda a empresa precisar de processar facturas. Ao extrair informações automaticamente, mesmo de facturas que não são totalmente padronizadas, as ferramentas

de IA podem automatizar o processo para reduzir custos e tempo de processamento. É possível modificar e usar o componente IA para acelerar outras áreas da empresa, como o atendimento ao cliente, marketing, impostos e gestão da cadeia de suprimentos, que também consomem enormes quantidades de dados não estruturados e semi-estruturados. O objectivo é conceber um portfólio de blocos de construção reutilizáveis, para criar um ROI rápido e um momento de escala. Os líderes empresariais estão a adoptar essa estratégia, pois classificaram os modelos de IA e os conjuntos de dados que podem ser usados ​​em toda a organização, como a capacidade mais importante na qual se concentrarão em 2019.


opinião 19

quinta-feira 10.1.2019

perspectivas

JORGE RODRIGUES SIMÃO

inteligência artificial (I)

Quando as iniciativas de IA começam a ser praticadas por especialistas, por vezes lutam para obter uma ampla simpatia, mas quando vêm o lado comercial, os projectos podem ter um foco limitado ou não aproveitar totalmente a tecnologia e em ambos os casos, as equipas isoladas podem criar esforços duplicados ou incompatíveis. A resposta é a supervisão de uma equipa diversificada que inclui pessoas com competências em negócios, TI e IA especializadas, e que representem todas as áreas da organização. É preciso ser disciplinado, criar uma estrutura organizacional que cruze funções e permita estabelecer uma estratégia clara de IA e um centro de excelência (CoE na sigla

A maioria dos líderes empresariais sabe que a IA tem o poder de mudar praticamente tudo o que faz em termos negócios e pode contribuir com até 15,7 triliões de dólares para a economia global até 2030. Mas o que muitos líderes empresariais não sabem é como implantar a IA, não apenas em um projecto-piloto, mas em toda a organização empresarial, onde pode criar o máximo valor em língua inglesa) que é frequentemente a melhor forma de construir essa base de IA, e o modelo que se espera tornar mais predominante. As empresas podem optar por adicionar responsabilidades de IA a grupos existentes de análise ou automação, ou a outros CoEs

estabelecidos. Onde quer que este grupo resida, as suas responsabilidades devem abarcar questões de negócios, tais como identificar casos de uso e como desenvolver responsabilidade e governança, devendo estabelecer e supervisionar políticas de dados em toda a empresa e devem determinar

ainda os padrões de tecnologia, incluindo arquitectura, ferramentas, técnicas, gestão de fornecedores e propriedade intelectual, e como os sistemas inteligentes de IA necessitam de ser e evoluir. A equipa de IA deve criar e gerir uma plataforma digital para colaboração, suporte e administração de recursos, devendo ser esse o objectivo único para os esforços de IA, como sendo um ambiente virtual com ferramentas ligáveis, onde os profissionais de negócios e de tecnologia compartilharão recursos como conjuntos de dados, metodologias e componentes reutilizáveis e colaborarão em iniciativas. Continua


Se não tiveres a capacidade de dizer não, o teu sim não significa nada. Osho

PRESIDENTE DA APPLE “OPTIMISTA” EM ACORDO ENTRE EUA E CHINA

Dá-me abrigo Austrália vai analisar pedido de asilo de jovem saudita

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quinta-feira 10.1.2019

Taiwan Exercícios militares prevêem defesa contra invasão chinesa

O Exército de Taiwan anunciou uma série de exercícios militares em grande escala para 2019 que prevêem tácticas de defesa contra uma possível invasão chinesa, em resposta à ameaça de Pequim de usar a força para controlar a ilha. As Forças Armadas de Taiwan realizam regularmente exercícios militares, mas agora a agência de notícias oficial daquele território citou o chefe de planeamento do Ministério da Defesa, o general Yeh Kuo-hui, que disse que os exercícios em 2019 “estão a ser ‘desenhados’ com base na adopção de novas tácticas de defesa contra uma possível invasão chinesa”. A China reivindica soberania sobre Taiwan, que se separou do continente no meio da guerra civil em 1949. O Presidente chinês, Xi Jinping, renovou a ameaça de força na sua mensagem de 2 de Janeiro, afirmando que a China reserva esse direito para combater a interferência de forças externas e o que apelidou de um reduzido número de separatistas taiwaneses.

N

OVA Iorque, EUA, 08 jan (Lusa) - O presidente executivo da Apple, Tim Cook, manifestou-se hoje “muito otimista” face às negociações para um acordo comercial entre Estados Unidos da América e China, afirmando ser a favor “dos melhores interesses” para os dois países. Numa entrevista à cadeia norte-americana CNBC, o líder da tecnológica definiu como “muito complexo” o pacto e considerou “temporária” a debilidade económica da China, relacionada com as turbulências comerciais. “O tratado será bom não só para nós, como também o será para o mundo em geral. O mundo precisa de uma economia forte nos Estados Unidos e china para que a mundial também o seja”, afirmou o presidente da tecnológica norte-americana que fabrica os seus produtos na China. Na semana passada, a Apple reviu em baixa as expectativas dos resultados no primeiro trimestre do seu ano fiscal, apontando a debilidade do mercado chinês como uma das razões, além de vendas menores que o esperado dos seus modelos iPhone. Tim Cook criticou ainda aqueles que têm “desvalorizado” a filosofia de novos produtos e serviços da Apple. “Na minha honesta opinião existe uma cultura de inovação na Apple que, combinada com alguns clientes incríveis e leais, consumidores felizes, este virtuoso sistema está provavelmente desvalorizado”, salientou.

PALAVRA DO DIA

Nancy Caça francês desaparece dos radares

Rahaf Mohammed Al-Qunun “Vou continuar o meu caminho para chegar a um país onde estarei segura.”

A

S autoridades australianas confirmaram ontem que receberam o pedido de asilo da jovem saudita que está sob a protecção do ACNUR em Banguecoque, na Tailândia, e que irão analisar o caso. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) enviou, de facto, “o caso para a Austrália para consideração de concessão de asilo como refugiada”, referiu num comunicado o Ministério do Interior australiano. “Se for verificado que é uma refugiada, então nós estudaremos verdadeiramente, realmente a sério, a oportunidade de (concessão de) um visto humanitário”, havia dito anteriormente o ministro da Saúde australiano, Greg Hunt, no canal de televisão ABC. Hunt acrescentou que discutiu o caso com o ministro da Imigração, David Coleman, na terça-feira à noite. A Austrália

é conhecida pela sua severa política de imigração. “Vou continuar o meu caminho para chegar a um país onde estarei segura”, disse ontem Rahaf MohammedAl-Qunun, numa das suas mensagens publicadas em árabe na rede social Twitter. O ACNUR considerou que a jovem saudita Rahaf Mohammed Al-Qunun, que fugiu para a Tailândia, é uma refugiada e pediu à Austrália que lhe concedesse asilo.

ESCALA PROLONGADA

Rahaf Mohammed Al-Qunun tinha previsto viajar para aAustrália, onde pretendia pedir asilo depois de receber ameaças de morte da sua família por ter rejeitado um casamento arranjado e também a religião islâmica, mas foi detida pelas autoridades tailandesas numa escala em Banguecoque no fim de semana passado. De férias no Kuwait com sua família, Rahaf Mohammed al-Qunun, de 18 anos, fugiu e aterrou

no aeroporto de Banguecoque. As autoridades tailandesas queriam deportá-la para a Arábia Saudita na manhã de segunda-feira, mas Rahaf Mohammed al-Qunun barricou-se no seu quarto de hotel do aeroporto, de onde publicou mensagens desesperadas e vídeos na rede social Twitter, afirmando-se ameaçada de morte pela sua família caso regressasse a casa. A adolescente ficou sob a protecção do ACNUR depois de deixar o aeroporto da capital tailandesa. A jovem chegou no sábado ao aeroporto tailandês num voo a partir do Kuwait, onde aproveitou o facto de as mulheres não necessitarem de autorização dos seus “guardiões masculinos” para viajar, como ocorre na Arábia Saudita. As autoridades tailandesas informaram ontem que o pai e um irmão de Rahaf Mohammed Al-Qunun estão em Banguecoque, mas a jovem recusou encontrar-se com ambos.

Um caça francês que descolou da base aérea de Nancy-Ochey (nordeste de França), desapareceu ontem dos radares pouco depois das 11:00 numa área montanhosa, com dois militares a bordo, segundo a autarquia de Doubs. O plano de resgate, que coordena a busca de “uma aeronave que poderá ter aterrado ou caído”, foi desencadeado pelo autarca de Doubs às 11:45 de acordo com a autarquia, no departamento de mesmo nome, no nordeste de França. “Estamos a procurar o avião que desapareceu do radar numa área entre o Haut-Doubs e Haut-Jura”, referiu ainda a autarquia. Os dois militares que estão a bordo do avião ainda não contactaram com as autoridades, acrescentou a mesma fonte. O resgate nesta vasta área montanhosa é difícil devido à neve e à falta de visibilidade. O caça, um Mirage 2000, “estava desarmado e não tinha uma reserva de combustível adicional”, indicou a fonte.


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Hoje Macau 10 JAN 2019 #4207 by Jornal Hoje Macau - Issuu