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Hoje Macau 10 JAN 2014 #3008

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TIAGO ALCÂNTARA

hojemacau

S E X TA - F E I R A 1 0 D E J A N E I R O D E 2 0 1 4 • A N O X I I I • N º 3 0 0 8 PUB

MOP$10

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

Mak Soi Kun diz haver saída para o problema do imobiliário

“Se o Governo tiver o povo no coração” Mais paixão do que razão. É essa a receita de Mak Soi Kun para o arrefecimento do preço do imobiliário. Para o deputado, o Governo deve agir com o coração, pensando nas pessoas, do que

deixar o mercado aberto e sem regulação. Em entrevista franca ao HM, Mak Soi Kun afirma categoricamente não ter violado a Lei Eleitoral e que apoia a promoção da Língua Portuguesa.

• INDÚSTRIAS CULTURAIS

Revitalização de pátio antigo avança este ano PÁGINA 7

• HOMENAGEM A EUSÉBIO

BENFICA DE MACAU VAI JOGAR A ÉPOCA COM O BUSTO DO PANTERA NEGRA NA CAMISOLA PÁGINA 16

• AUTOCARROS

Governo refere que ocorreram “vícios ou desvios”

PÁGINAS 2 E 3 PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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PÁGINA 4


ENTREVISTA

CECÍLIA LIN

cecília.lin@hojemacau.com.mo

hoje macau sexta-feira 10.1.2014

HOJE MACAU

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Comecemos pela sua reeleição na Assembleia Legislativa (AL). Como avalia o resultado das últimas eleições? Acho que temos de respeitar os resultados da democracia. Não fui o único a ser acusado de violar a lei, e cheguei a ser avisado de que tinha de tirar a minha fotografia da porta do meu escritório de deputado. Mas depois vi outros candidatos a fazerem publicidade nos táxis. Penso que não violámos a lei, e se a sociedade sentir que as eleições não foram justas, então temos de alterar a lei, por forma a sermos mais preventivos. Na verdade, acho que os resultados das eleições foram uma escolha do povo. Um dos assuntos debatidos no hemiciclo tem sido as necessidades dos residentes das camadas mais baixas. Dar dinheiro é uma solução? Trata-se de ensinar as pessoas no sentido de como é que estas se podem ensinar a si próprias. Ou seja, dar ajuda financeira não deve ser a única maneira de ajudar os cidadãos de forma profunda. Por exemplo, para os portadores de deficiência, o Governo disse na AL que já há muitos empregos para eles. Mas da minha experiência vejo que há falta de acessos na cidade. Perto dos postos de Polícia de Segurança Pública (PSP), no NAPE, as indicações para os cegos, nos semáforos, não funcionam. Se uma cidade não consegue ajudar os deficientes a terem auto-confiança, para que consigam sair de casa sem a ajuda dos seus familiares, então só encontrar um emprego não é a ajuda ideal. Tudo depende da construção do sistema e da sociedade, e também da execução das leis. Se falarmos das pessoas com deficiência, mas não ofereceremos reais condições para eles, a ajuda não é completa. Falando de uma questão de competências profissionais, muitos residentes de meia idade têm receios face às suas capacidades, em comparação com os não residentes. Sou um exemplo disso. No passado, trabalhei nas obras e depois fiz um curso de metrologia (área ligada à construção civil), que é re-

MAK SOI KUN AFIRMA QUE NÃO VIOLOU A LEI ELEITORAL

“Resultados das eleições foram uma Conseguiu voltar a sentar-se no hemiciclo e eleger o seu número dois, Zheng Anting. Ao HM, o deputado comenta a corrida eleitoral de 2013 e diz que, mais do que implementar uma nova lei do ruído, há que consciencializar a população. E o Governo também deve dar o exemplo conhecido na Europa. A educação mudou-me. Não estou apenas a falar da educação no ensino superior, mas também de escolas profissionais. Na Alemanha e na Coreia do Sul, por exemplo, essas escolas ajudam os locais a terem as suas habilidades. Se Macau tiver uma escola famosa nesta área, os pais dos

alunos não vão pensar que tirar um curso profissional é pior que o ensino normal. Há pessoas que são melhores com maquinaria do que a ler livros. Mas, acima de tudo, o Governo tem de criar condições para a promoção de emprego. Criar essas condições é sempre melhor do que dar cheques e dinheiro.

Não podemos estar sempre a criar as leis quando já foram feitos danos aos cidadãos. Se só se cria uma lei quando surge um problema, então trata-se de uma legislação por arrependimento e não uma lei com perspectiva

Outra das questões debatidas prende-se com o ensino do português. Há quem peça a promoção geral da língua, enquanto que outros acreditam que só devem aprender aqueles que têm interesse. O que defende? Quando trabalhava nas obras tive três anos de português, mas já me esqueci de quase tudo (risos). Também queria que o meu filho aprendesse a língua. Temos de ver esta questão sob diferentes perspectivas, porque a posição estratégica de Macau já foi definida por Pequim. Se é uma plataforma para os países de língua portuguesa e se vão existir três centros estratégicos

Sou a favor da promoção do português então temos de promover a língua. Para termos negócios e desenvolvimentos é necessário promovermos a língua, porque Macau tem essa vantagem, especialmente na cooperação com Guangdong. Se os comerciantes da província quiserem fazer negócios com os países de língua portuguesa, então Macau pode ajudar, e por isso temos de ter mais talentos bilingues. Sou a favor da promoção do português.

A inflação continua a ser também um tema dominante nos plenários. Como avalia os altos preços das casas? Discutimos isso na AL por diversas vezes. É uma questão de oferta e de procura. Podem ser construídos mais prédios de habitação pública para que se ofereçam mais fracções. Em Hong Kong também se faz isso. Para as casas privadas, mesmo as casas de luxo, o Governo pode regular alguns andares, por forma a obrigar a arrendar essas casas à classe média. Aí as rendas seriam mais baixas do que no mercado. Essa política seria diferente da habitação pública, porque


entrevista 3

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[Mudanças nas políticas de imobiliário] dependem se o Governo tiver mesmo o povo no coração Mas tem de haver medidas práticas de controlo. Poderia construir-se casas com paredes e vidros à prova de som. Quem tiver cães em casa não pode fazer com que o animal não emita ganidos. Mas acho que não basta uma lei para regular esse tipo de comportamentos dos residentes, mas sim formar uma consciência civil para que sejam mais responsáveis na hora de fazerem barulho com bebés, a jogar mahjong ou com animais em casa.

escolha do povo” seria virada para a classe média. Mas tudo depende se o Governo tiver mesmo o povo no coração.

NOVOS ATERROS COM BOM PLANO Já estão a ser analisadas novas regras sobre o barulho das obras e da vida

social. Trata-se de um tema que tem causado algum debate. Como é que o deputado olha para a questão? Macau é uma região muito pequena, mas se tivesse um bom planeamento urbano, o problema seria mais fácil de resolver. Porque uma cidade pode ter instalações públicas, complexos habita-

cionais e comerciais, e ainda ainda zonas industriais. A grande questão é que essas zonas estão muito juntas. Por exemplo, na zona do NAPE há edifícios residenciais e comerciais. Em cima dos bares de karaoke há residências privadas e o controlo do ruído é mais difícil de fazer.

Mas fazer essas paredes e vidros à prova de som pode significar alguma despesa para as famílias. O Governo poderia dar financiamento, à semelhança do que fez com as gaiolas ilegais? Não concordo com o financiamento dessas construções ilegais. Sempre estive contra isso. Se os residentes já violaram a lei, porque é que o Governo os vai financiar de novo para que não violem a lei? O Governo não pode ajudar ou pagar todas as despesas dos residentes. Colocar essas paredes à prova de som é uma responsabilidade de cada um, e se um cidadão pedir financiamento, todos pedem para qualquer tipo de barulho. Mais uma vez, o Governo não deve ajudar em tudo, especialmente quando a culpa e responsabilidade devem ser do cidadão. Então, na sua opinião, temos de melhorar o planeamento urbano e a consciência cívica. Em Macau já há muitos lugares que não podem ser

alterados, como no NAPE, onde já não podemos tirar os bares de junto dos lugares residenciais. Isso é culpa do antigo plano de desenvolvimento urbano, porque antes não se pensava na protecção ambiental. Só se pensava no desenvolvimento económico e o caso do mangal é disso exemplo. As aves não estão adaptadas a vir para o centro da cidade e sempre estiveram no mangal, mas agora há tantos casinos e edifícios à volta que já não é um lugar ideal para as aves. No futuro, a lei do ruído tem que estar ligada a outras leis, como a lei do planeamento urbanístico e a nova lei de protecção ambiental. Para melhorar a consciência civil, não é necessário melhorar a educação? Espero que, para além da área do planeamento urbano, as associações possam ensinar os residentes a terem maior consciência civil. Assim, quando a lei entrar em vigor, os cidadãos não vão violar essa política e sabem que o seu barulho pode afectar verdadeiramente a vida dos outros.

conhece. Causam menos poeira e confusão. Os novos aterros devem ter um plano mais completo para evitar que as obras de rua se repitam, indeterminadamente, no futuro. Mas nos bairros antigos a situação já não pode ser alterada. Podemos utilizar novas tecnologias para ultrapassar essa questão, mas as despesas bem mais altas. As empresas não conseguem suportá-las? Os preços são elevados, e se o Governo implementar uma lei como na China, muitos vão querer usar essas máquinas. E também temos outro problema: o Japão não quer exportar as suas máquinas para Macau, porque acredita que o mercado é tão pequeno que não vale a pena exportar tecnologia. Entrei em contacto com o Instituto de Promoção ao Comércio e Investimento de Macau (IPIM), e o Centro de Produtividade e Tecnologia de Macau (CPTTM), mas não consegui ainda trazer esta máquina.

O Governo não deve ajudar em tudo, especialmente quando a culpa e responsabilidade devem ser do cidadão

Refere-se, por exemplo, aos barulhos da construção civil, também abrangidos na proposta de lei? Aí é uma questão ligada ao desenvolvimento da cidade. Acho que o padrão do ruído da construção deve ser visto de uma forma geral. Agora não vai ser possível fazer barulho entre as dez da noite e as oito da manhã, mas isso numa cidade com trabalhos por turnos também não ajuda, e claro que há sempre pessoas influenciadas. Por exemplo, em Tóquio, as obras só podem ser feitas durante a noite, porque durante o dia as obras congestionam as ruas.

Com tanto desenvolvimento, é difícil controlar o ruído com uma lei? Sim. Mas a questão não é apenas fazer a lei para controlar, mas fazer com que os cidadãos tenham maior consciência. A educação é uma questão que surge com o tempo e que não é uma coisa que se possa conseguir com dinheiro.

Disse que em Macau tem, por ano, uma média de três mil obras. Não podem ser reguladas? Na China a lei não permite que uma rua faça uma segunda obra no espaço de cinco anos. Mas há sempre situações imprevistas. Na construção civil há uma máquina que pode causar menos barulho, e toda a gente que trabalha no sector

O Governo também deve dar o exemplo? Claro. Uma lei não é a única maneira de resolver tudo. Não podemos estar sempre a criar as leis quando já foram feitos danos aos cidadãos. Se só se cria uma lei quando surge um problema, então trata-se de uma legislação por arrependimento e não uma lei com perspectiva.


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POLÍTICA

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JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

W

ONG Wan admitiu ontem que a responsabilidade dos problemas no novo modelo de autocarros é sua. O director dos Serviços para osAssuntos de Tráfego (DSAT) esteve na Assembleia Legislativa para dar explicações sobre a recente situação, num debate apresentado por José Pereira Coutinho e Leong Veng Chai em Novembro e que só ontem teve lugar. “Se tivermos que apurar responsabilidades, tenho de admitir que sou eu - eu e a minha equipa - os principais responsáveis por esta política, fui eu que a apresentei ao superior.” Wong Wan respondia a Song Pek Kei, que pediu que se explicasse se o problema dos autocarros foi responsabilidade da assessoria do Governo ou de uma decisão do secretário para as Obras Públicas e Transportes. “A assessoria não está a servir de bode expiatório?”, questionou. Recorde-se que o Comissariado contra a Corrupção (CCAC) disse que o novo modelo de autocarros era “a violação mais grave da lei alguma vez vista” pelo organismo, porque o Governo assinou contratos de prestação de serviços com as operadoras de autocarros, em vez de um de concessão de serviços, como deve ser feito para serviços públicos. O Governo, por diversas vezes, disse ter seguido os conselhos da sua assessoria. Mas, apesar de

Não houve ilegalidade, houve vícios ou desvios. A nossa opinião está em linha com o CCAC, de que devia ter sido [elaborado] um contrato de concessão e foi de prestação de serviços, mas isso é vício ou desvio. Não se coloca a questão da ilegalidade. Essa expressão de vícios ou desvios são termos que reflectem a legalidade jurídica, temos que perceber onde surgiram problemas, mas temos de ser precisos ANDRÉ CHEONG Director dos Serviços para os Assuntos de Justiça

AUTOCARROS GOVERNO PROMETE REVISÃO DOS CONTRATOS E VOLTA A NEGAR VIOLAÇÃO DA LEI

A “mea culpa” de Wong Wan

O director da DSAT assumiu a responsabilidade nos problemas detectados no novo sistema de autocarros, mas os deputados não deixaram o responsável sozinho. Querem mais explicações, dizem que as responsabilidades são de toda a equipa governativa e querem saber o que vai ser feito para resolver o problema. As promessas foram poucas, mas passam pela revisão dos contratos com as outras duas operadoras. Ainda assim, o Governo continua a contradizer o CCAC, voltando a dizer que não houve violação da lei assumir a responsabilidade, nem Wong Wan, nem Lau Si Io admitem que houve, de facto, violação da lei. “O que pretendíamos [com o novo modelo] era melhor os serviços de autocarros e articulá-los com o metro ligeiro. Estávamos condicionados no nosso trabalho, mas de acordo com o regulamento [de Transportes Interurbanos de Macau] e com a Lei [de Bases do Regime das Concessões de Obras Públicas e Serviços Públicos] não estávamos impedidos de usar o regime [de prestação de serviços] para a celebração do contrato. A adaptação dessa lei estava adequada ao modelo que pretendíamos, havia mais conveniência.” Os deputados criticaram o facto do Governo continuar a dizer que concorda com o CCAC, mas não admitir que houve violação da lei. André Cheong, director dos Serviços para os Assuntos de Justiça, também se juntou na defesa desta afirmação. “Não houve ilegalidade, houve vícios ou desvios. A nossa opinião está em linha com o CCAC, de que devia ter sido [elaborado] um contrato de concessão e foi de prestação de serviços, mas isso é vício ou desvio. Não se coloca a questão da ilegalidade. Essa

AUTOCARROS SÓ PARA RESIDENTES, PEDE DEPUTADO Zheng Anting voltou novamente a insistir na criação de autocarros só para residentes. Esta é a segunda vez que o deputado pede isto, tendo sido inclusive alvo de críticas. Zheng Anting considera que deveria haver um passe para autocarros só para residentes, pelo menos até o metro estar pronto. Depois, deixou ainda outra sugestão: que os turistas paguem dez patacas pelas viagens, uma vez que os benefícios nas tarifas de autocarros devem ser apenas para os residentes. Da mesma forma, diz, os turistas deveriam também pagar entrada “nos locais turísticos que visitam em Macau”.

expressão de vícios ou desvios são termos que reflectem a legalidade jurídica, temos que perceber onde surgiram problemas, mas temos de ser precisos.”

WONG NÃO ESTÁ SOZINHO

Uma das justificações que mais se ouviu ontem na AL foi a de que o Governo criou o novo modelo “sempre tendo em conta a primazia dos transportes públicos” e que o


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O QUE OS DEPUTADOS DISSERAM • Da forma como falou, parece que só Wong Wan cometeu erros, mas depois do debate, pareceme que há culpa de outras entidades MELINDA CHAN • Se ele [Wong Wan] é responsável, como resolvemos a questão? Eu não quero que ele assuma tudo sozinho NG KUOK CHEONG

VITOR TSUI LAP KWAN Deputado

interesse público sempre foi respeitado. Nem isso, contudo, impediu que críticas sobre o novo modelo e a falência da Reolian tivessem vindo de quase todas as bancadas, até porque Lau Si Io disse ainda que a escolha do regime do contrato “tinha sido uma má escolha”. Por isso mesmo, os deputados, além de não aceitarem que Wong Wan tenha sido o único responsável, deram ainda um puxão de orelhas ao próprio secretário. “Como é que pode ser apenas um problema do Wong Wan, se a proposta [do novo modelo] foi entregue ao Conselho Executivo e passou? Isto pode envolver negligência e irresponsabilidade por parte da equipa e têm de admitir esta negligência”, começou por atirar Ng Kuok Cheong. “Como é que pode haver má escolha? Então, se há problemas jurídicas, o melhor é contratar juristas de fora para corrigir esta situação. Este tipo de respostas de ânimo leve não é muito favorável. Os serviços cometem os erros e acabam por não ter nenhuma culpa”, criticou Vitor Tsui Lap Kwan. Fong Chi Keong foi o único que pediu a cabeça de Wong Wan, discordando com os colegas. “

REVISÕES

Entre muitas das perguntas feitas pelos deputados, muitas delas ficaram sem resposta, especialmente no que à falência da Reolian diz respeito. Ao certo, ficam as promessas de Wong Wan e do secretário para as Obras Públicas e Transportes, que adianta que está a ser analisado como pode ser rectificado todo o modelo dos autocarros. “Estamos a rever todo o processo, incluindo o modelo novo e já estamos a fazer uma análise mais aprofundada. Vamos proceder à revisão e esperamos adoptar um modelo que jogue melhor com a lei”, completou Wong Wan. De acordo com o Executivo, já estão a ser travados contactos com as duas operadoras da RAEM.

• Tenho ouvido críticas pelos meus colegas devido à omissão praticada pelo Governo, mas quem conhece a Administração Pública, sabe que, em todas as reformas ou inovações, é inevitável evitar problemas. Só depois dos problemas é que é possível optimizar os regimes, devemos apoiar o Governo e não

GABINETE DE LIGAÇÃO NOMEADO NOVO DIRECTOR

Bem-vindo Li Gang O

criticar SIO CHI WAI • Não adianta só dizer que vão

Conselho de Estado chinês anunciou ontem a nomeação de Li Gang como director do Gabinete de Ligação do Governo chinês em Macau, sucedendo a Bai Zhijian, que se aposentará. Li Gang, de 58 anos, que entrou em Novembro de 2012 para o Comité Central do Partido Comunista Chinês e é, desde então, também membro da sua Comis-

ser envidados esforços, isso é uma resposta evasiva. Há algo concreto para saber o que vai ser melhorado? O Governo não pode encarar [a Reolian] como uma empresa normal. Isto é uma empresa de serviços públicos, o Governo precisa de rever esses contratos no sentido de reforçar a fiscalização ELLA LEI • Não havia conhecimentos

são Central de Controlo e Disciplina, assumiu, um mês depois, o cargo de subdirector do Gabinete de Ligação do Governo chinês em Macau. Entre 2003 e 2012, também foi subdirector do organismo homólogo na região vizinha de Hong Kong. O novo director do Gabinete de Ligação do Governo central chinês em Macau é natural da província chinesa de Shandong e é formado

pelo departamento de inglês da Universidade de Línguas Estrangeiras de Liaoning. O chefe do executivo de Macau, Fernando Chui Sai On, agradeceu a “dedicação, empenho e contributo demonstrados ao longo dos anos” por Bai Zhijian, que foi director do Gabinete de Ligação em Macau desde 2002, de acordo com um comunicado divulgado. “O seu apoio foi central na promoção

do intercâmbio e cooperação entre Macau e o Interior da China, nas áreas da economia, do ensino, da ciência, da cultura, do desporto, entre outras, e contribuiu para a concretização dos grandiosos princípios ‘um país, dois sistemas’ e ‘Macau governado pelas suas gentes’ com ‘alto grau de autonomia’”, sublinha a mesma nota. Chui Sai On garantiu que o seu Governo “continuará a manter o estreito diálogo com o Gabinete de Ligação, trabalhando em conjunto pelo sucesso da concretização do princípio ‘um país, dois sistemas’”. - Lusa

jurídicos suficientes? Ou esta decisão [do contrato] foi deliberada? Mesmo se substituirmos dez directores da DSAT, o problema vai continuar KWAN TSUI HANG • Se houve erro tem de dizer que houve, será que o caso Ao Man Long também padeceu de vícios? Não me diga que no CCAC são todos inúteis! Vícios são problemas pequenos, é uma menina bonita com uma cicatriz FONG CHI KEONG

TIAGO ALCÂNTARA

Como é que pode haver má escolha? Então, se há problemas jurídicas, o melhor é contratar juristas de fora para corrigir esta situação. Este tipo de respostas de ânimo leve não é muito favorável. Os serviços cometem os erros e acabam por não ter nenhuma culpa

Função Pública Melinda Chan quer um regime de conciliação

M

ELINDA Chan quer um mecanismo de queixa e mediação para os funcionários públicos e pede ao Governo que defina a criação de um regime centralizado de conciliação. A deputada quer ainda que seja criado um departamento para tratar das queixas, que possa proteger os funcionários que fazem queixas e querem evitar retaliações. “Agora, quando os funcionários fazem queixa, os caso são julgados pelos seus departamentos, o que faz com que os funcionários sejam investigados pelos próprios responsáveis de que fizeram queixa.”A deputada aponta que o Governo já mencionou a criação de um regime de conciliação várias vezes nas Linhas de Acção Governativa (LAG), mas nunca o criou.


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Open Tender Notice

Open Tender Notice Request for Proposal – MIA – Procurement of the Rescue and Fire Fighting Rubber Boats – RFQ-161 1. 2. 3. 4.

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Company: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) Tendering method: Open tendering Objective: To select a qualified contractor to perform the Procurement of the Rescue and Fire Fighting Rubber Boats. Request for tender documents: Tender Notice and Tender Document can be downloaded from the website www.macau-airport.com and www.camacau.com until 7 days prior to the deadline for submission of Bidders’ tenders. Please regularly check the website for any clarification or changes/modification/amendment of the Tender Document. Location and deadline for submission of Bidders’ tenders: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) 4th Floor, CAM Office Building, Av. Wai Long, Taipa, Macau Before 17:00 on 25 March 2014 (Macau Time) The addressee of the tender shall be Mr. Deng Jun – Chairman of the Executive Committee. The tenders received after the stipulated date and time will not be accepted. CAM reserves the right to reject any tender in full or in part without stating any reasons.

Request for Proposal – MIA – Design and Modification Works for Optimization of Aircraft Parking Stands in East Apron (RFQ-159) 1. 2. 3. 4.

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6.

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Open Tender Notice

Open Tender Notice Request for Proposal – Design and Build of Aircraft Fire Training Simulator at Macau International Airport - RFQ-178 1. 2. 3. 4.

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6.

Company: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) Tendering method: Open tendering Objective: To select a Contractor/Supplier for the design, purchase, delivery, installation, training, T&C and related maintenance service of the respective aircraft fire training simulator at Macau International Airport. Request for tender documents: Tender Notice and Tender Document can be downloaded from the website www.macau-airport.com and www.camacau.com until 7 days prior to the deadline for submission of Bidders’ tenders. Please regularly check the website for any clarification or changes/ modification/amendment in the Tender Document. Location and deadline for submission of Bidders’ tenders: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) 4th Floor, CAM Office Building, Av. Wai Long, Taipa, Macau Before 17:00 on 25 March 2014 (Macau Time) The addressee of the tender shall be Mr. Deng Jun – Chairman of the Executive Committee. The tenders received after the stipulated date and time will not be accepted. CAM reserves the right to reject any tender in full or in part without stating any reasons. -END-

Company: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) Tendering method: Open tendering Objective: To select a qualified contractor to perform the reconfiguration and optimization of aircraft parking stands in east apron of Macau International Airport. Request for tender documents: Tender Notice and Tender Document can be downloaded from the website www.macau-airport.com and www.camacau.com until 7 days prior to the deadline for submission of Bidders’ tenders. Please regularly check the website for any clarification or changes/modification/amendment of the Tender Document. Location and deadline for submission of Bidders’ tenders: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) 4th Floor, CAM Office Building, Av. Wai Long, Taipa, Macau Before 17:00 on 25 March 2014 (Macau Time) The addressee of the tender shall be Mr. Deng Jun – Chairman of the Executive Committee. The tenders received after the stipulated date and time will not be accepted. CAM reserves the right to reject any tender in full or in part without stating any reasons.

Request for Proposal – Passenger Terminal Building Renovation for Decoration Optimization – “Design and build” for Curbside Facade at MIA - RFQ-185 1. 2. 3. 4.

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6.

Company: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) Tendering method: Open tendering Objective: To select a Contractor/Supplier for the detail design and construction works of the curbside façade of the Passenger Terminal Building (PTB) at Macau International Airport. Request for tender documents: Tender Notice and Tender Document can be downloaded from the website www.macau-airport.com and www.camacau.com until 7 days prior to the deadline for submission of Bidders’ tenders. Please regularly check the website for any clarification or changes/ modification/amendment in the Tender Document. Location and deadline for submission of Bidders’ tenders: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) 4th Floor, CAM Office Building, Av. Wai Long, Taipa, Macau Before 17:00 on 27 Mar 2014 (Macau Time) The addressee of the tender shall be Mr. Deng Jun – Chairman of the Executive Committee. The tenders received after the stipulated date and time will not be accepted. CAM reserves the right to reject any tender in full or in part without stating any reasons. -END-


SOCIEDADE

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PÁTIO DA ETERNA FELICIDADE GOVERNO VAI AVANÇAR COM REVITALIZAÇÃO

A nova casa das indústrias culturais As obras de construção ou de manutenção que estão a acontecer no Pátio da Eterna Felicidade vão estar prontas este ano e o Cinema de Artes estará a funcionar já no final de 2014. O processo de revitalização do pátio vai avançar, com o local a preparar-se para ser casa para as indústrias culturais CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

O

Governo vai avançar com o processo de revitalização do Pátio da Eterna Felicidade, depois de, em Outubro do ano passado, Chui Sai On ter visitado os bairros antigos e ter tomado especial atenção a este pátio. Segundo o jornal Ou Mun, o director do Departamento do Património Cultural do Instituto Cultural (IC), Cheong Cheok Kio, disse que a manutenção dos edifícios que ficam no pátio da Eterna Felicidade é um dos trabalhos mais importantes para este ano. E não só porque é um dos locais obrigatórios na rota de quem visita o património, como refere a Associação dos Embaixadores do Património de Macau. Também há muitos produtores cinematográficos que utilizam o local para filmes,

tanto de Hong Kong, como de Macau.

OBRAS PRONTAS ESTE ANO

Cheong Cheok Kio alerta para o facto de os prédios erguidos no pátio estarem todos em risco, sendo que o IC começou as obras de manutenção já em 2011. O responsável disse que, num desenvolvimento a longo prazo, a zona será dedicada às indústrias criativas e culturais, além de estar como património. Obras nesse sentido estão já a ser feitas: por exemplo, na Lutuosa dos Indivíduos de Apelido Ho (de acordo com o nome

O ESSENCIAL A manutenção dos edifícios que ficam no Pátio da Eterna Felicidade é um dos trabalhos mais importantes do Instituto Cultural para este ano

no Boletim Oficial) as obras vão terminar este ano e o segundo andar do edifício vai ser utilizado para exposições criativas e culturais. Também as obras de manutenção do Cinema de Artes, na Travessa da Paixão, vão estar prontas em Março e, depois da aprovação, o cinema vai poder ser utilizado no final do ano.

CARACTERÍSTICAS PRESERVADAS

Para o arquitecto Lui Chak Keong, que falou ao Ou Mun, o Governo deve avançar com o plano o mais rapidamente possível. O arquitecto sugere a criação de uma comunidade artística e cultural, mas o curador Kuong Wa Fun diz que é preciso explorar as características do local, embora sublinhe que deve ser protegido o ambiente original do Pátio da Eterna Felicidade. “Na zona, ainda vivem moradores, se se atrair um grande fluxo de pessoas pode

levar ao aumento das rendas, causando danos ao ambiente original.” O curador considera que a Lutuosa dos Indivíduos de Apelido Ho e o Cinema de Artes já vão atrair muitos turistas. Por isso, aconselha que a Administração possa convidar mais curadores, artistas e historiadores para explorar as características do local ou até reconstruir as casas dos moradores para que sejam museus ou casas abertas de forma a que os turistas as possam visitar. “Assim, não vai fazer danos ao ambiente original da zona, mas também vai trazer visitantes para conhecer a sua cultura e história.” O Pátio da Eterna Felicidade fica perto das Ruínas de São Paulo e é propriedade da Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu. Em 2011, o IC realizou uma reunião com a associação, de que os prédios deveriam ser restaurados em vez de demolidos.


8 sociedade

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

O

novo plano de ordenamento da zona norte da Taipa chega porque “os terrenos [do local] tinham de ser aproveitados antes da entrada em vigor” da Lei de Planeamento Urbanístico, a 1 de Março. É esta a justificação dada por Lau Si Io, secretário para as Obras Públicas e Transportes, depois do anúncio do novo plano ter originado críticas na sociedade. A Associação Novo Macau acusou o Governo de estar a fazer o plano para contornar a nova lei, mas Lau Si Io nega. Contudo, o plano só vai entrar em vigor porque as plantas de alinhamento oficial [PAO] dos terrenos a serem desenvolvidos na zona norte “não estariam de acordo com a nova lei”. “Havia muitos terrenos que tinham de ser aproveitados antes do dia 1 de Março. Há terrenos que precisam de ser desenvolvidos porque, com a entrada em vigor da lei, a planta de alinhamento oficial já não era idêntica. [O plano] foi para que os terrenos fossem aproveitados com a sua a planta de alinhamento oficial.” Nunca se tinha ouvido falar do ordenamento da zona norte da Taipa até à semana passada, dia em que o Governo anunciou o plano. Contudo, na altura, o comunicado entregue aos jornalistas refere que a Administração “nunca emitiu qualquer Planta de Alinhamento Oficial válida ou aprovou qualquer projecto de construção nestes terrenos”. O HM tentou pedir esclarecimentos às Obras Públicas sobre

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TAIPA PLANEAMENTO DA ZONA NORTE PORQUE “PLANTAS DE ALINHAMENTO”ESTÃO EM DESACORDO COM NOVA LEI

Afinal havia PAO

isto, mas, devido à hora tardia, não foi possível. O Governo ainda tem, também, que negociar o aproveitamento de alguns dos terrenos, que são privados, uma vez que, aquando da apresentação do plano, ainda não tinha falado com os proprietários. Lau Si Io diz que o Governo só quer transformar a zona porque, desta forma, pode reservar terrenos para construir habitação pública e estradas, para acabar com os problemas de trânsito. “Não foi algo que lhes deu na cabeça”, avisa, mas sim “algo que corresponde às aspirações da sociedade”.

• NOTA DE REDACÇÃO É lamentável o que se tem passado nos últimos dias em termos de tradução para a língua portuguesa de declarações proferidas pelo secretário Lau Si Io. Ainda hoje, não foi possível perceber aos média portugueses qual vai ser a solução encontrada pela DSRT para o mercado televisivo de Macau. A informação que tem vindo a público nos jornais portugueses já teve de ser corrigida mais do que uma vez, por falhas de tradução ou motivos que nos são alheios. Não obstante a DSRT ter sido alertada pelos jornais portugueses para emitir um comunicado em língua

portuguesa para toda a imprensa onde esclareça exactamente o que se vai passar com o contrato da TV Cabo, nada ainda foi feito para que a informação passada ao público seja a que a nossa profissão nos obriga: a mais correcta possível. Mais ainda, ontem, voltou a assistir-se a uma nova confusão, desta vez relacionada com o novo plano de ordenamento da zona norte da Taipa. Até ontem, foi revelado que a Administração nunca tinha emitido qualquer Planta de Alinhamento Oficial para os terrenos. Contudo, à margem da AL, foi dito aos média portugueses que o novo plano surge precisamente por

causa dessas plantas de alinhamento – declaração que contraria o que vem escrito num comunicado em chinês, emitido às 19horas de ontem e cuja versão em português não se encontrava disponível até à hora do fecho desta edição. Aos nossos leitores pedimos desculpa pelas incorrecções e correcções que temos vindo a ser forçados a fazer. Ao Governo, pedimos encarecidamente que nos dê – da forma mais clara possível – as informações correctas sobre os dois assuntos acima referidos, de forma a que possamos continuar a desempenhar o nosso papel de forma profissional.

TV CABO CONTRATO AFINAL VAI SER REVISTO

Governo em negociações com a empresa A FINAL, o contrato entre a TV Cabo e o Governo vai ser revisto. Isso mesmo foi ontem dito ao HM, numa resposta da Direcção dos Serviços de Regulação das Telecomunicações (DSRT). Depois de ter sido dito primeiramente por Lau Si Io, secretário para as Obras Públicas e Transportes, que a empresa de cabo não ia continuar a operar após o contrato de exclusividade terminar, em Abril, Lau Si Io frisou, um dia depois, que afinal iria haver renovação. Contudo, ontem, a DSRT informou o HM, a pedido, que o Governo ainda está em negociações com a empresa para uma eventual revisão do contrato. “Na sequência do fim do Contrato de concessão do serviço terrestre de televisão por subscrição em Abril, o Governo está a negociar com a TV Cabo Macau, S.A. a revisão do contrato, tendo em conta a política

de liberalização do mercado. A negociação está a ser realizada tendo em conta as diversas circunstâncias existentes.ADirecção dos Serviços de Regulação de Telecomunicações vai tomar, cuidadosamente, como referência e analisar todos os panoramas favoráveis aos serviços televisivos de Macau, a fim de garantir o direito dos cidadãos de Macau à recepção dos canais básicos.” O contrato será, portanto, passível de uma possível revisão, que pode estar relacionada com o fim do monopólio, uma vez que o Governo já anunciou que iria entregar os canais básicos a uma instituição sem fins lucrativos. O HM questionou a DSRT sobre se iria haver renovação e se as redes da TV Cabo – as únicas em Macau - iriam continuar a ser utilizadas por outras operadoras, depois de Abril, mas não obteve qualquer resposta. - J.F.

Tribunal nega renovação de licença por causa de ‘slot-machines’

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Tribunal Administrativo impediu um titular de licença de um centro de jogos electrónicos com 49 máquinas de diversão de ver renovada a sua licença. Desde Julho de 2005 que o homem era titular da licença. Em Maio de 2012, contudo, o homem viu ser-lhe negada a renovação da autorização para o centro. Isto, porque tanto o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), como a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DCIJ) consideraram que, entre as máquinas de diversão, dez tipos “possuíam notoriamente natureza de jogo de fortuna ou azar”, ou seja, que não podem ser instaladas em centros de jogos electrónicos. O homem interpôs recurso da decisão no Tribunal Administrativo. O homem alegava que, não tendo havido alteração da legislação, nem das máquinas de diversão anteriormente autorizadas, ao indeferir a instalação das máquinas de diversão já autorizadas há mais de quatro anos, o IACM violou o princípio da igualdade e o princípio de boa fé. No entanto, o Tribunal manteve a decisão. “O recorrente considerou, com base no fundamento de que os jogos instalados nas máquinas de diversão podem ser livremente vendidos e comprados no mercado, que o acto recorrido violou o princípio da igualdade, [mas], na opinião do Tribunal, as vendas de jogos em vídeo e máquinas de diversão no mercado para o uso privado eram do âmbito diferente ao da exploração de centros de jogos electrónicos, sendo matérias incomparáveis, pelo que o fundamento supramencionado deve ser julgado improcedente.” - J.F.


sociedade 9

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INVESTIGAÇÃO DA UMAC E DA MUST ANALISADAS AO FIM DE TRÊS ANOS

ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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S dois laboratórios de investigação em medicina tradicional chinesa da Universidade de Ciências e Tecnologia (MUST) e da Universidade de Macau (UMAC), bem como um laboratório de investigação na engenharia da UMAC, foram a exame e passaram com distinção. Os três espaços de investigação cientifica foram ontem alvo de uma avaliação por parte de peritos e académicos vindos de diversas entidades do continente, que ficaram satisfeitos com o trabalho desenvolvido. O objectivo era avaliar se o financiamento do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e Tecnologia (FDCT) tem sido aplicado e com resultados práticos. Esta é a primeira avaliação feita a laboratórios criados em 2011. “Os laboratórios têm dinheiro suficiente para a investigação e têm desenvolvido todos os projectos conforme o plano estipulado. Os laboratórios têm vindo a cumprir os objectivos e foram obtidos muito bons resultados”, disse Tong Chi Kin, presidente do conselho de administração do FDCT. Mais. Esta trata-se da primeira fase do plano de investigação cien-

Peritos dão nota positiva a laboratórios Três laboratórios de investigação em medicina tradicional chinesa e engenharia foram ontem alvo de uma vistoria por parte de peritos e académicos do continente. Os resultados dos milhões investidos são positivos, dizem tifica, que não fica por aqui. “Nos próximos três anos os laboratórios vão entrar numa nova fase. Vai ser iniciada uma série de estudos para o futuro de Macau e espero que surjam novos projectos. Devem ser inovadores. Não vamos intervir com os trabalhos científicos,

mas vamos continuar a dar apoio financeiro.”

O “DESERTO” DA INVESTIGAÇÃO ACABOU

Relativamente aos laboratórios de medicina tradicional chinesa, já receberam um total de 170 milhões de patacas, para um total de 105 projectos. Não só criaram 16 novas patentes, como formaram 38 investigadores. Estes têm “requisitos para serem laboratórios de referência nacional e podem prestar mais apoio à China, ao nível da investigação sobre medicamentos chineses”, disse Tong Chi Kin. Em relação ao laboratório de engenharia, na área dos circuitos integrados e mistos, já foram feitas sete teses de investigação. “O laboratório passou na nossa avaliação intercalar e espero que

não deixe de trabalhar de forma continuada bem como de reforçar a sua comunicação.” Liu Liang, reitor da MUST, disse tratar-se de uma “honra” receber esta distinção. “O facto da nossa instituição ter tido uma aprovação na avaliação intercalar tem um

grande significado e agora temos de suprir as nossas insuficiências e continuar o nosso trabalho.” Rui Martins, vice-reitor da UMAC e director do laboratório, garantiu que nos dias de hoje Macau já não vive um “deserto” em termos de investigação cientifica, ao contrário do que acontecia há 20 anos atrás, quando chegou ao território. “Existiu uma grande seriedade na avaliação. Estamos contentes mas preocupados em relação ao futuro e aos desafios. Passámos a estar ao nível dos laboratórios de referência na China, e independentemente das estruturas que temos, passámos a ter os mesmos padrões. Trata-se de uma área que pode ajudar na diversificação económica de Macau, que é um lugar do jogo. Com a ciência e tecnologia podemos mostrar que temos bons resultados.”

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Open Tender Notice Request for Proposal – Design and Build of Renovation for Decoration Optimization at PTB Arrival Level and Departure Level at MIA - RFQ-182 1. 2. 3.

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Company: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) Tendering method: Open tendering Objective: To select a Contractor/Supplier for the design and the renovation works of the floor, wall, false ceiling, lighting and other decorative accessories for the Passenger Terminal Building at Macau International Airport, according to the chosen design concept from “Macau International Airport Environmental Optimization Design Competition”. Request for tender documents: Tender Notice and Tender Document can be downloaded from the website www.macau-airport.com and www.camacau.com until 7 days prior to the deadline for submission of Bidders’ tenders. Please regularly check the website for any clarification or changes/ modification/amendment in the Tender Document. Location and deadline for submission of Bidders’ tenders: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) 4th Floor, CAM Office Building, Av. Wai Long, Taipa, Macau Before 17:00 on 27 March 2014 (Macau Time) The addressee of the tender shall be Mr. Deng Jun – Chairman of the Executive Committee. The tenders received after the stipulated date and time will not be accepted. CAM reserves the right to reject any tender in full or in part without stating any reasons. -END-

Open Tender Notice Request for Proposal – Construction of New Warehouse and Office Building at Main Fire Station at MIA - RFQ-184 1. 2. 3. 4.

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6.

Company: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) Tendering method: Open tendering Objective: To select a Contractor for the construction of a new warehouse and office building at Main Fire Station at Macau International Airport. Request for tender documents: Tender Notice and Tender Document can be downloaded from the website www.macau-airport.com and www.camacau.com until 7 days prior to the deadline for submission of Bidders’ tenders. Please regularly check the website for any clarification or changes/ modification/amendment in the Tender Document. Location and deadline for submission of Bidders’ tenders: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) 4th Floor, CAM Office Building, Av. Wai Long, Taipa, Macau Before 17:00 on 1 Apr 2014 (Macau Time) The addressee of the tender shall be Mr. Deng Jun – Chairman of the Executive Committee. The tenders received after the stipulated date and time will not be accepted. CAM reserves the right to reject any tender in full or in part without stating any reasons. -END-


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CHINA

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China levou à Organização das Nações Unidas esta quarta-feira a guerra de palavras com o Japão, questionando os motivos do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, para visitar um controverso santuário de guerra e pedindo que este corrija a “visão errónea” da história. A visita feita por Abe em 26 de Dezembro ao Santuário Yasukuni, em Tóquio, onde os líderes japoneses condenados por crimes de guerra estão enterrados com outros mortos do conflito, enfureceu a

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GUERRA DE PALAVRAS COM O JAPÃO CHEGA À ONU

Do lado errado da história China e a Coreia do Sul e causou preocupação nos Estados Unidos, um importante aliado do Japão. “Tudo se resume a saber se o líder de um país deveria posicionar-se do lado da manutenção dos princípios e propósitos da Carta das Nações Unidas ou ficar do lado dos criminosos de guerra”, disse o represen-

O ESSENCIAL A visita feita por Abe em 26 de Dezembro ao Santuário Yasukuni, em Tóquio, onde os líderes japoneses condenados por crimes de guerra estão enterrados com outros mortos do conflito, enfureceu a China e a Coreia do Sul

POLUIÇÃO MEIO MILHÃO DE MORTES PREMATURAS POR ANO

Novas metas no combate A

China impôs novas metas para uma redução de 5 a 25 por cento na poluição atmosférica, disse a imprensa estatal na noite de terça-feira, salientando a preocupação do governo com um tema que inquieta a opinião pública. A China emite regularmente directrizes para tentar combater a poluição atmosférica nas grandes cidades, mas com efeitos apenas limitados. O ex-ministro da Saúde Chen Zhu disse que a poluição atmosférica causa 350 mil a 500 mil mortes prematuras por ano na China, relatou a imprensa estatal. Chen escreveu o artigo na edição de Dezembro da revista médica The Lancet. Também na terça-feira, a qualidade do ar atingiu níveis insalubres em grande parte do norte e sul da China. Pelas novas regras, Pequim, a vizinha Tianjin e a província de Hebei, no norte, precisarão reduzir em 25 por cento por ano a presença

de partículas do tipo PM 2,5, que são especialmente nocivas, disse a agência Xinhua citando o documento

do Ministério de Protecção Ambiental. Xangai e as províncias de Jiangsu, Zhajiang, Shandong

tante chinês na ONU, Liu Jieyi, aos jornalistas. Tanto a China como a Coreia sofreram um brutal domínio japonês, com partes da China ocupadas em 1930 e a Coreia colonizada de 1910 a 1945. “Surge inevitavelmente a questão de saber do que Abe é capaz, para onde quer ele levar o seu país”, disse Liu.

“A comunidade internacional deveria permanecer vigilante e emitir um alerta... que Abe tem de corrigir a sua visão errónea da história, que tem de corrigir os seus erros e deixar de percorrer ainda mais o caminho errado”, afirmou o embaixador. As relações entre o Japão e a China já estavam tensas

(todas no leste) e Shanxi (norte) precisarão realizar cortes de 20 por cento. Guangdong e Chongqing deverão fazer reduções de 15 por cento, e a Região Autónoma da Mongólia Interior terá de cortar 10 por cento, segundo a Xinhua. O governo está a analisar um sistema para avaliar o progresso de cada localidade, e pretende expor à execração aqueles que não cumprirem as metas, segundo o jornal China Daily.

por causa da disputa sobre a propriedade de um grupo de ilhotas desabitadas no Mar do Leste da China. O governo chinês diz que deseja conversar com o Japão sobre o assunto, mas acusa Abe de não ser sério quanto a querer resolver a divergência. Como parte da disputa por causa da visita de Abe ao santuário, os embaixadores da China e do Japão em Londres escreveram artigos no jornal britânico Daily Telegraph na semana passada, comparando-se um ao outro a Lord Voldemort, o vilão nas histórias de Harry Potter.

Inflação subiu 2,6% em 2013

O Índice de Preços no Consumidor da China (IPC), um dos principais indicadores da inflação, aumentou 2,6% em 2013, abaixo da meta de 3,5% preconizada pelo Governo, anunciou ontem o Gabinete Nacional de Estatísticas do país. Em Dezembro passado, o aumento do IPC abrandou 0,5 pontos percentuais em relação ao mês anterior, de 3% para 2,5%. Os produtos alimentares, que representam um terço do cabaz com base no qual é calculado o IPC, subiram em Dezembro passado 4,1% em relação a igual período de 2012, e os outros produtos aumentaram 1,7%, indicou a mesma fonte. A China é a segunda maior economia do mundo, a seguir aos Estados Unidos. O seu crescimento tem vindo a abrandar, mas deverá continuar acima dos 7,5% em 2013. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia chinesa deverá registar um crescimento de 7,6% em 2013, uma descida de 0,1 pontos percentuais em relação a 2012, que foi já o mais baixo da última década.

Taiwan Sismo de 5,7 abala leste do país sem causar vítimas

Um sismo de 5,7 na escala de Richter abalou ontem o leste de Taiwan sem que tenham sido registados vítimas ou danos graves, informou o Serviço Meteorológico Central da ilha. O epicentro do terramoto foi localizado no oceano Pacífico, a 166,5 quilómetros a leste do distrito de Yilan e a uma profundidade de 25,5 quilómetros, acrescentaram as autoridades citadas pela agência Efe. O sismo foi sentido com maior intensidade nos distritos de Yilan, Hualien, Taitung, Changhua e Yunlin, localizados no leste e sul da ilha. Taiwan está situada numa zona vulcânica e tectónica na qual confluem as plataformas da Ásia continental e das Filipinas, registando anualmente dezenas de tremores de terra com intensidade superior a 5 na escala aberta de Richter. O sismo mais devastador dos últimos 100 anos em Taiwan ocorreu a 21 de Setembro de 1999, registou uma magnitude de 7,3 e provocou mais de 2.400 mortos.


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H7N9 NOVOS CASOS REGISTADOS EM HONG KONG E CONTINENTE

Em estado crítico D

OIS novos casos de gripe aviária H7N9 foram confirmados, na quarta-feira, em Hong Kong e na província chinesa vizinha de Guangdong, encontrando-se os pacientes internados em estado crítico, informou ontem a imprensa da antiga colónia britânica. De acordo com a edição de ontem do jornal South China Morning Post, o novo caso em Hong Kong envolve um homem de 65 anos, que se deslocou à cidade chinesa vizinha de Shenzhen no dia 1 e regressou à antiga colónia britânica no dia seguinte. O paciente estava, na quarta-feira, internado num hospital da Região Administrativa Especial chinesa em estado crítico, não tendo, alegadamente, tido contacto directo com aves, mas passado por um mercado de Shenzhen que terá sido ontem inspeccionado. Uma menina de quatro anos que esteve em contacto com PUB

este homem está de quarentena, segundo as autoridades locais. Este é o terceiro caso registado em Hong Kong, mas as autoridades suspeitam que todos os pacientes tenham contraído o vírus durante deslocações a Shenzhen. Um destes três casos resultou na morte de um homem de 80 anos, residente em Shenzhen, a 26 de Dezembro, que foi a primeira pessoa a morrer em Hong Kong infectada com H7N9, e o outro envolve uma empregada doméstica indonésia, que continuava na quarta-feira internada num hospital em situação estável. As autoridades da província chinesa de Guangdong confirmaram também na quarta-feira que uma mulher de 51 anos foi diagnosticada com a estirpe H7N9 da gripe das aves na cidade de Foshan, depois de ter comprado uma galinha viva e de a ter matado em casa no dia 31 de Dezembro.

Esta paciente foi internada na sexta-feira e quarta-feira encontrava-se em estado crítico. Foi o terceiro caso registado na província só esta semana. As autoridades de Guangdong confirmaram ainda a morte, na segunda-feira, de um homem de 39 anos que tinha sido diagnosticado com o vírus. Esta província chinesa já contabilizou dez casos de H7N9 desde Agosto. A China já registou 151 casos de infecção humana pela gripe aviaria H7N9 e, incluindo Taiwan e Hong Kong, o número ascende a 156 casos, dos quais resultaram 49 mortes. Os especialistas acreditam que o vírus H7N9 é essencialmente transmitido através do contacto com aves ou com os seus produtos derivados, secreções e excrementos, suspeitando que ele possa ser transmitido entre humanos, mas esta situação ainda não foi provada.


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EVENTOS

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Noite de piano na Fundação Rui Cunha

Tem hoje lugar, entre as 18 e as 20h, mais uma noite de piano na Galeria da Fundação Rui Cunha, que apresenta desde a semana passada este evento semanalmente às sextas feiras em associação com a ELITE – Associação para a Criatividade e Cultura Musical. As noites com piano exibem diferentes tipos de música, do clássico ao pop ocidental e chinês, e são tocadas por Forest Kam. O evento, cujo slogan é Aprecie a música, aprecie-se a si, é uma sessão aberta a todos os convidados que se poderão juntar ao concerto e tocar a sua música, informa o comunicado de imprensa da organização.

AFA celebra seis anos de existência com exposição de 12 artistas locais

ANO DO CAVALO PARADA A 2 E 8 DE FEVEREIRO COM MARCHA DE ALFAMA

Alegria e abundância JOSÉ C. MENDES info@hojemacau.com.mo

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OI ontem, pelas 15h, apresentada no Centro de Actividades Turísticas, o programa da Parada de celebração do Ano do Cavalo, subordinada ao tema “Celebrar a Alegria e Abundância do Ano do Cavalo”. Coube à directora da Direcção dos Serviços de Turismo, DST, Maria Helena Senna Fernandes fazer as honras da casa e apresentar o programa que este ano viu o seu orçamento aumentado de 13 para 18 milhões de patacas, uma subida de 40%. As razões do aumento são, segundo a directora da DST, simples. “Para além da inflação, o evento deste ano conta com um maior número

de participantes e apostámos também em reforçar as acções de promoção e de publicidade para que o acontecimento atraia mais turismo para Macau”, disse Helena Senna Fernandes, acrescentando “esperar que a parada possa este ano ser ainda mais atraente para a população”. Assim, o evento “Celebrar a Alegria e Abundância do Ano do Cavalo”, contará com a participação de 1.038 artistas, distribuídos por 23 entidades locais e oito grupos vindos do estrangeiro, oriundos do interior da China, Hong Kong, Taiwan, Malásia, Japão, Indonésia, Coreia e Portugal, que apresenta a Marcha de Alfama. A Parada que fará desfilar 13 carros alegóricos, mais

PRIMEIRO LIVRO DE POESIA • Sophia de Mello Breyner Andresen, Júlio Resende

Poemas em língua portuguesa para a infância e a adolescência. Constituído por obras de poetas de todos os países de língua oficial portuguesa, O Primeiro Livro de Poesia é um livro de iniciação, destinado à infância e à adolescência e onde Sophia de Mello Breyner procurou reunir poemas que, sendo verdadeira poesia, são também acessíveis. Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura.

Antiga biblioteca do Marquês, no Porto, vai ser uma cafetaria

três dos que o do ano passado, sofrerá algumas modificações no seu percurso. A cerimónia de abertura, no 3º dia do Ano Novo Lunar, 2 de Fevereiro, terá lugar pelas 20h na Praça do Centro de Ciência de Macau, seguindo pela Avenida Dr. Sun Yat Sen até à Praça do Lago Sai, com ponto de chegada em frente à Torre de Macau, onde haverão várias actuações a decorrer no palco aí instalado, culminando com um espectáculo de fogo de artifício que terá lugar pelas 22:00h. Pelo percurso haverão vários ecrãs gigantes para a população acompanhar o evento que é também transmitido em directo pela TDM e pela TV Cabo Macau. No 9.º dia do Novo Ano Lunar, 8 de Fevereiro, os 13 carros alegóricos desfilarão da

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA

A AFA, (Art for ALL Society) faz seis anos e para comemorar o aniversário apresenta hoje, pelas 18:30, e até 1 de Março, uma exposição que reúne trabalhos de fotografia, aguarela e pintura de 12 artistas locais que exibem 31 obras na galeria da Associação de Macau. Entre os artistas representados estão nomes como os de Lai Sio Kit, Sylvie Lei, James CHu, Rui Rasquinho, Eric FoK, José Drummonde Alice Kok, entre outros. Nestes seis anos a AFA organizou seis exposições e participou em seis Feiras de Arte Internacionais, apresentando mais de 60 artistas, informa o comunicado de imprensa da organização.

Avenida do Conselheiro Borja até ao Jardim do Mercado de Iao Hon, onde também decorrerão vários espectáculos no palco. Os carros alegóricos estarão em exposição nos dias 7 e 8 e 15 e 16 de Fevereiro no Lago Sai Van e no Tap Seac, respectivamente. Paralelamente ao evento, a DST e a CTM implementaram um jogo SMS, em que os residentes podem votar no seu grupo artístico preferido através de mensagem para a CTM, sendo o mais popular convidado a viajar até Portugal para participar nas Marchas Populares de Lisboa.

A Câmara do Porto revelou ontem que a escritura de concessão da antiga biblioteca do Marquês, encerrada há 13 anos e emparedada desde Dezembro, vai ser assinada “em breve” e prevê a transformação do espaço numa cafetaria. “Ainda não foi assinada a escritura, encontrando-se para breve a sua concretização. A actividade proposta pelo segundo classificado é a de cafetaria (que dependerá do respectivo processo de licenciamento) e será essa que constará do respectivo contrato a outorgar”, revelou fonte da autarquia, numa resposta escrita enviada à Lusa. A autarquia anunciou a 16 de Dezembro ter revogado a adjudicação da concessão de exploração da antiga biblioteca a Manuel Leitão, pelo facto de o empresário “se ter recusado a celebrar a escritura” de acordo com o programa da hasta pública realizada para o efeito, a 16 de Julho de 2012.

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

UMA MULHER INVULGAR • Janny Scott

Barack Obama escreveu extensamente sobre o pai que o deixou, mas pouco se sabe acerca da mulher que, mais do que ninguém, moldou a criança que haveria de se tornar Presidente dos Estados Unidos. Agora, em “Uma Mulher Invulgar”, Janny Scott, jornalista premiada do New York Times, conta a história de Stanley Ann Dunham, a quem o Presidente Obama atribui, segundo diz, «o que de melhor há em mim». A história começa numa época em que o casamento inter-racial era crime em grande parte dos Estados Unidos e a segregação e a discriminação eram factos cruentos da vida americana. Segue a vida de uma mulher não convencional vinda de uma era convencional, que atravessou fronteiras, venceu limites culturais e desafiou as regras da raça, da maternidade e do seu género. “Uma Mulher Invulgar” é um olhar profundo e inspirado sobre como se molda uma personalidade. É igualmente a história de uma mulher à frente do seu tempo, cuja morte aos cinquenta e dois anos, quando Obama se estava a lançar na sua primeira campanha para um cargo público, a impediu de ver o filho chegar à Presidência dos Estados Unidos.


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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José Simões Morais

A ABELHA DA CHINA

PRIMÓRDIOS DO JORNALISMO EM MACAU (PARTE II)

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NTES de voltarmos à História do período do primeiro jornal de Macau, A Abelha da China, vamos recapitular alguns pontos do artigo da semana passada. Com a Revolução Liberal ocorrida em Portugal em 1820 e assinada a nova Constituição, numa sessão das Cortes em 23 de Setembro de 1822, aceite a 1 de Outubro por D. João VI, suspendia-se o Absolutismo e entrava a Monarquia Constitucional. Como as notícias de Lisboa levavam pelo menos cerca de seis meses a chegar a Macau, as alterações política só nos finais de 1821 são conhecidas nesta cidade. Formaram-se então dois partidos; chefiado pelo major Paulino da Silva Barbosa, o Partido Constitucional e pelo Conselheiro Ouvidor Miguel José de Arriaga Brum da Silveira, o Partido Conservador. Vivendo Macau fortemente controlada por Goa, de onde vinham os Governadores, e tendo o Senado perdido muito do seu poder inicial, as ideias liberais traziam uma nova esperança a uma parte da população. Após a publicação em Edital de 5 de Janeiro de 1822 da adesão de Macau à Monarquia Constitucional, a 11 de Fevereiro apareceu uma Representação assinada por 36 pessoas, que advogava uma Câmara eleita pelo povo, cuja autoria o padre Manuel Teixeira crê ser de João Nepomuceno Maher. Apercebendo-se do fervilhar das movimentações liberais e do rumo que Macau estava a tomar, os então vereadores conservadores pediram auxílio a Goa.

A 19 de Agosto de 1822, numa assembleia geral reunida no Senado e presidida pelo Governador José Osório de Castro Cabral e Albuquerque, procedeu-se à eleição por sufrágio popular dos novos membros da Câmara. Assim, nesse dia, em Macau “instalou-se um governo constitucional, constando dum Senado de sete membros, dois juízes com exercício de Ouvidor, três vereadores e um procurador.” E continuando com o padre Manuel Teixeira, “o poder executivo passou para os novos edis, de que se constituiu chefe” o major Paulino da Silva Barbosa e “no dia seguinte, pediram ao governador Osório de Castro Cabral que resignasse, ficando este apenas comandante interino das forças militares. (Sobre estas eleições de 19 de Agosto de 1822, A Abelha da China fala pela versão liberal, a 12 de Junho de 1823 e pela visão conservadora, no dia 4 e 18 de Outubro de 1823.) Deixava assim Macau de ser governado pelos conservadores, passando o poder para os liberais que, precisavam de um órgão de informação para propagar os seus ideais. Por isso, apareceu em 12 de Setembro de 1822, o semanário A Abelha da China, o primeiro jornal de Macau, que constava de quatro páginas e era impresso em papel de fabrico chinês. Fora mentor o major Barbosa e “o material que saía nas suas páginas reflectia os pontos de vista e as ordens do partido que se encontrava no poder, mas, quando havia carência de publicidade desta natureza, reproduzia documentos contemporâneos, incluindo documentos chineses vertidos para a língua portuguesa e transcrições de

documentos antigos.” José Maria Braga e seguindo com o que diz Manuel Teixeira: “Era visada pela censura, mas esta deixava-lhe passar os mais virulentos ataques aos inimigos do governo.” Pelas dez e meia da noite do dia 15 de Novembro de 1822, ocorreu uma “nova” insurreição contra os liberais. Esta, como vimos no artigo da semana passada, devido às semelhanças dos factos e à não existência de referências por parte de Montalto de Jesus, poderá ter sido a revolta contra a ditadura do major Barbosa, que o padre Manuel Teixeira datou em 13 de Setembro de 1822 e por isso, diz ser a de 15 de Novembro de 1822 uma nova insurreição. Já Beatriz Basto da Silva dá as duas datas numa das entradas do ano “1822 - (IX-13) e (XI15) – O chamado Batalhão Regenerador, (porque o Batalhão Príncipe Regente, completamente saneado, passa a ser chamado como B. Regenerador), tenta uma revolução absolutista em Macau, com o Cons. Arriaga a liderar. Alguma agitação. Clima de anarquia. Felizmente em vez de armas, usou-se a força da prudência, e do patriotismo que se identificava com o governo constitucional...” O padre Manuel Teixeira comenta: “começou-se a planear a restauração do absolutismo pela supremacia militar. Osório (de Castro Cabral) pôs-se à frente dos conspiradores e a conjuração militar rebentou em 13 de Setembro e pela segunda vez, na noite de 15 de Novembro, sendo Barbosa ferido nesta última.” Na revolta militar feita pelos conservadores, foram presos o juiz Paulo Vicente Belo e o vereador Paulino da Silva Barbosa que, na reunião do Con-

selho geral do Senado realizada no dia 17 de Novembro, disse ter sido preso, ferido e maltratado por uma escolta conduzida pelo capitão de Infantaria Maximiano Joaquim dos Santos Vital e conduzido à Fortaleza do Monte onde o colocaram incomunicável. Como se percebe a revolta dos conservadores contra os liberais foi abortada. O Conselho decidiu mandar presos para Goa os militares implicados, alguns sem processo formado e o Governador militar, José Osório de Castro Cabral e Albuquerque, destituído por ser considerado um dos principais conspiradores. Este deveria seguir para Lisboa, conjuntamente com o demitido Conselheiro Ouvidor Arriaga, o principal instigador da revolta. “Para o poupar ao ultraje e à morte às mãos de uma populaça furiosa, Barbosa escoltou Arriaga até à cidadela (Fortaleza do Monte), onde ficou detido aguardando a partida. Em consequência da falta de saúde, contudo, foi-lhe autorizado mudar-se para a sua residência e lá permaneceu sob vigilância durante três meses.” E continuando com Montalto de Jesus, “mas, quando embarcava, Arriaga conseguiu escapar do barco e seguiu numa embarcação para Cantão, onde esperou a reparação.” Já Beatriz Basto da Silva na entrada de 1822 – (IX-13) e (XI-15) referida anteriormente diz: “... Miguel de Arriaga é preso, em tumulto durante a noite de 15 para 16, e é enviado à prisão da fortaleza do Monte. Saiu de lá por estar enfermo a 3 de Dezembro, mas continuou com prisão domiciliária. Foi libertado a 18 de Janeiro de 1823.” Esta professora,


artes, letras e ideias 15

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apenas em sintonia com Luís Gonzaga Gomes, leva a prisão de Arriaga para o dia 25 de Março de 1823, com a fuga deste para Cantão de onde escreveu “ao Vice-Rei da Índia ...” Como governador escolhido pelos liberais, ficava o brigadeiro Francisco de Melo da Gama e Araújo.

GOA ENVIA UMA FRAGATA “Em Goa formara-se o partido da Santa Aliança contrário à Constituição. Em Macau, o bispo D. Fr. Francisco de Nossa Senhora da Luz Chacim, O.F.M. e o cabido eram contra, mas os Dominicanos e Lazaristas eram a favor da Constituição.” E continuando com o padre Manuel Teixeira, os militares conservadores deportados para Goa, aí chegaram em 25 de Janeiro de 1823 e perante tal, o Governador-geral da Índia, Manuel da Câmara resolveu enviar a Macau a fragata Salamandra para restabelecer o antigo regime (conservador). “Informado disso, o Senado nomeou Barbosa, num conselho geral, para seguir imediatamente para Lisboa com o fim de apelar junto do rei e das cortes contra a decisão arbitrária do Governador-geral. No entanto, este sensato projecto nunca foi levado a cabo.” E Montalto acrescenta, “Cinco dias depois do conselho geral, a 16 de Junho de 1823, a (fragata) Salamandra chegou a Macau” sob o comando do Capitão-de-mar-e-guerra Joaquim Mourão Garcez Palha. Respondia assim o Governador de Goa, Manuel da Câmara ao pedido de auxílio feito antes das eleições de 19 de Agosto de 1822 pelos vereadores do Senado. A bordo da fragata vinham 69 marinheiros comandados pelo major João Cabral de Estefique e muitas mais pessoas, entre as quais, os oficiais deportados por Barbosa. A primeira notícia que apareceu n’ A Abelha da China sobre esta Fragata é de 12 de Julho de 1823 e logo na semana seguinte, outra, (ainda que não oficial)

“uma Fragata, mandada pelo Governo da Província, vem esta à Cidade com o fim de mudar o Governo que se acha instalado até à decisão de El-Rei, e do Soberano Congresso”. Já A Abelha da China de 26 de Junho de 1823 transcreveu uma “Carta dirigida ao Vereador Presidente do Leal Senado. Ilustríssimo Senhor Paulino da Silva Barboza. Não pude ontem dar a informação da Fragata Salamandra pela brevidade com que eu deveria fazer partir o meu Segundo oficial com a parte e resposta do ofício, de que eu estava encarregado, o que agora faço por ter tido tempo, para inquirir do dito meu oficial, e do segundo que mandei para o mesmo fim. É a Fragata Salamandra linda de casco, mas mal aparelhada, tem 20 peças, e tripulada com 200 homens, 150 militares, 30 lascares moiros, 10 canarins, 10 servidores e neste número de 200 homens tem 15 ou 20 portugueses, que procurarão a fuga; todos vêm em grande miséria, comem duas vezes por dia arroz com seu caril de peixe cação, segundo disseram, vem com lastro de Sal na qual especulação esperam ter um grande proveito, pela falta que há dele em Macau; esta informação foi dada pela tripulação. O Comandante, segundo mostrou pela admiração que fez do ofício, pretende ocultar o ministério a que vem; o primeiro oficial é o que foi a terra e segundo é um João Ignácio que já esteve no serviço do Leal Senado, este vem de Pratico, e vem todos os que de Macau foram remetidos para Goa, os quais estavam muito alegres cantando, pagarão, pagarão, pagarão ou morrerão, morrerão, morrerão; com muito boa toada. Alguns dos oficiais da Fragata tiveram tanta ignorância, que perguntaram por onde era a parte mais fraca da Cidade para o desembarque, e pelas conversas dissimuladas, que o Comandante teve com o meu segundo oficial, mostra que só em V. Senhoria achará frente; e não nos mais que actualmente estão no Governo da Cidade, o que é de inferir? De todo o referido se pode concluir, que toda a mansidão e termos de silêncio de que o Comandante pretende servir-se, são venais e não serão para outro fim, do que conseguir um desembarque à sua tropa, e maruja, um bom quartel, e comer, e beber, pagamento, e depois quando lhe parecer fazer o mesmo que o Batalhão do Príncipe Regente fez, e então será mais trabalhoso repelir, e muito mais reunindo-se-lhe a praga dos Corcundas que há em Macau. Se eu nesta minha informação exceder em algum termo indecoroso, espero da bondade de V. Senhoria me revele, por que, tudo é proferido do grande amor e firmeza que tenho, à Religião, à Constituição e ao meu Rei, Viva Viva Viva. Deos Guarde a V. Senhoria por muitos anos e sou

Nove-Ilhas, 17 de Junho de 1823. D. V. Senhoria seu Constitucional Criado, Francisco Pedro de Lemos. P.S.: Que em Goa houve festas de aclamação ao Príncipe Real, Imperador do Brasil e Colónias Asiáticas; pelo que foram vários presos remetidos pela Charrua para Lisboa.” A Salamandra entrou na barra de Macau a 16 de Junho e logo o comandante Garcez Palha enviou o capitão da fragata, João Mendonça Corte Real com um ofício explicando que, a fragata vinha a Macau por ordem do Governador das Índias e continuando com o padre Manuel Teixeira: “O Senado respondeu a esse ofício dizendo que a chegada da fragata lançara a inquietação nos espíritos e ordenava ao comandante ou ao seu delegado que desembarcasse sem força armada e se apresentasse no Senado, munido dos despachos perante os vereadores.” Garcez Palha respondeu que não viera perturbar, mas restaurar a ordem e que não lhe era permitido deixar a fragata. Reunido em Macau o Conselho Geral, Paulino Barbosa disse ter recebido os vários ofícios do Governo de Goa e as razões do envio para Macau da fragata serem para estabelecer um novo Governo interino. Foram todos contrários à entrada da fragata, havendo quem propusesse resistir, como foi o caso do padre Frei José de Santa Clara. O Senado então resolveu enviar as suas decisões ao comandante da fragata dizendo que, apenas se aceitava o desembarcar dos cipaios que tinham sido pedidos a Goa; depois de se reabastecer, a fragata deveria deixar Macau; Goa não tinha autoridade para interferir no governo de Macau eleito pelo povo; e que preferiam morrer de armas na mão, a voltar ao antigo regime. Informações do padre Manuel Teixeira. Lembrando como o governo de Goa (conservador) era contrário ao de Macau (liberal), continuamos com Montalto de Jesus que acrescenta muitos dados a essa história. “Na falta de autorização do governo de Lisboa, as ordens de D. Manuel da Câmara foram ignoradas.” Negada à fragata a entrada no Porto Interior, apenas acediam os de Macau a fornecer provisões para a sua viagem de regresso a Goa. À passagem de um barco português carregado de arroz, os da fragata interceptaram-no e tomaram cem sacas, passando o comandante um recibo. Já na cidade, as pessoas foram convidadas a guarnecer os fortes, tendo os comandantes ordens de Barbosa para disparar sobre a Salamandra se ela tentasse entrar no porto. Arriaga, que se encontrava em Cantão, moveu as suas influências e conseguiu que o poder imperial chinês mandasse a Macau dois comissários do Vice-rei para examinar a situação. Pedia ao Vice-Rei de Cantão para que

fosse possível arranjar provisões para a fragata que, vinda de Goa, não era hostil aos chineses. Informava sobre o comandante da fragata, que em Macau tinha estado anteriormente cinco meses de paz e da reunião que houvera para planear a introdução em Macau das forças militares vindas de Goa e fazia-lhe um pedido para os habitantes chineses de Macau abandonarem a cidade num prazo de 48 horas. O mandarim enviado a Macau veio parlamentar com o Senado, que logo convocou um conselho geral. Aí estiveram o capitão Garcês Palha e o major Cabral de Estefique, comandante do destacamento militar trazido no Salamandra, que apresentaram à assembleia as ordens de Goa. Constavam estas da nomeação de um novo Senado e o major Estefique ser o governador da cidade, o que foi pela assembleia liberal unanimemente rejeitado. Já fartos com os problemas entre os portugueses, os comissários chineses, antes de partir para Cantão, propuseram que a fragata regressasse a Goa, o que ficou acordado pelos chefes da tripulação Salamandra, com a ressalva que só poderiam partir na monção de nordeste, e deixaram ordens aos mandarins distritais para velarem pela tranquilidade de Macau.

POR ORDEM DO GOVERNO PROVISÓRIO Estaria a história nesta fase, quando a 28 de Agosto de 1823 foi o jornal Abelha da China queimado à porta da Ouvidoria por ordem do Governo Provisório. Aqui encontramos o grande buraco desta história. Se a tripulação do Salamandra ainda não tinha desembarcado e o governo provisório ainda era pró-liberal, o porquê de ter mandado queimar o jornal que era por si dirigido? Se o governo provisório era já pró antigo regime, conservador, como é que isso aconteceu? E lendo todo o jornal dessa data, nada há que possa indiciar um artigo que levasse a tomar tal decisão, tanto para um lado, como para o outro. Nesse jornal, o artigo das duas primeiras páginas, com o título Gazetas de Paris, transcritas no Jornal de Calcutta, vem de Lisboa com a data de 12 de Dezembro de 1822 e no primeiro parágrafo resume: “Publicou-se uma relação, acompanhada de todos os documentos oficiais, de tudo quanto se tinha passado desde 3 de Novembro até 4 de Dezembro, em consequência de não ter querido a Rainha (D. Maria que falecera a 20 de Março de 1816) dar o juramento à Constituição.” Na terceira página vem um artigo com o título Morning Chronicle de Londres 30 de Dezembro que con(Continua na pagina seguinte)


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tinua o mesmo tema. Depois mais dois pequenos artigos da “Gazetas de Paris Transcritas no Morning Chronicle (Jornal de Paris)”, o primeiro de Paris, 18 de Abril e o segundo de Aix-La-Chapelle, com a mesma data, que é um extracto de uma carta particular. São notícias da Europa onde no meio do artigo do Jornal de Paris aparece: “cartas de Portugal, que falam do embarque do Conde de Amarante, depois de haver sido completamente derrotado e terem sido executados dois dos seus confederados...” Um terceiro artigo, muito breve: “Gazetas de Nova York (transcritas no Morning Chronicle) sobre uma revolução em Chile e da Conceição, marchava um exército sobre Santiago. O Congresso brasileiro não se reuniu e duvida-se de que ele jamais se reúna. Algumas das Províncias recusarão mandar Deputados. Pernambuco declarou-se em favor do governo republicano.” Só na quarta página, página 216, vem uma notícia sobre Macau: “Transcrevemos aqui a seguinte ordem de S. Majestade para que os vadios se não queixem, quando o Governo, obrigado da necessidade, a mandar pôr em execução. Manda El-Rei pela Secretaria de Estado dos Negócios de Justiça, remeter ao Intendente Geral da Polícia a relação inclusa dos indivíduos, que não tendo outros meios de subsistência mais do que os seus ofícios, vivem ociosos e por este meio se tornam suspeitos: para que na conformidade das ordens das Cortes faça entrar no Serviço do Exército os vadios que forem capazes para este Serviço e proceda contra os outros na forma da Lei, dando conta por esta Secretaria de Estado de assim o haver cumprido. Palácio de Queluz em 3 de Junho de 1822, José da Silva Carvalho.” Por fim aparece a continuação da Exposição referida na Carta do Conselheiro Arriaga que vinha já de números anteriores, no de XXXVII e XXXVIII. Este em resumo, o conteúdo do jornal n.º L de 28 de Agosto de 1823, que foi queimado por ordem do Governo Provisório. Voltamos às palavras de Montalto para que se consiga perceber algo mais sobre este acto. “Complicações judiciais e fiscais levaram Barbosa a propor a eleição de outro Senado sem juízes, que eleitos separadamente, actuariam independentemente do Senado”... ”Enquanto estas propostas eram lançadas ao vento, o Senado, estonteado pelos seus dilemas, demonstrava uma total indiferença pela sua popularidade em rápido declínio e pela crescente ascendência do Partido Conservador.” Foi na Gazeta de Macau n.º XI de sábado, 13 de Março de 1824, que encontramos o “Termo de Execução feita na Gazeta Abelha da China n.º L - Aos vinte e quatro do mês de Dezembro de 1823, nesta Cidade do Nome de Deus de Macau na China, na porta das Ca-

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sas do Juiz Ordinário com exercício de Ouvidor António Joaquim de Oliveira Matos, sendo presentes o Tabelião Jozé Gabriel Mendes e os Oficiais Executores do Juízo, e à vista de muitos circunstantes, eu Escrivão De Ouvidoria Geral e anexos, li em voz alta a Ordem do dito Juiz, pela qual se ordenava em consequência da requisição feita pelo Ex.mo e Ilustríssimo Governadores interinos desta cidade, que fosse queimado e reduzido a cinzas o número cinquenta da Gazeta do passado Governo desta mesma cidade, intitulada - A Abelha da China - do dia quinta feira vinte oito de Agosto, de mil oitocentos vinte três, para dele não haver no futuro mais leitura, notícia, nem memória, e em cumprimento o Porteiro do Juiz Manuel da Luz, pegando na dita Folha a lançou em uma fogueira, que por isso ali estava preparada, na qual com efeito ardeu a dita Gazeta, até ficar completamente reduzida a cinzas; de que dou fé. E desta forma se deu cumprimento à Ordem, e fim ao presente acto, e eu António Vicente do Rosário Aggersborg, Escrivão da Ouvidoria Geral e anexos lavrei este Termo em que se assinarão os oficiais referidos. “Seguem-se as assinaturas.

O FIM DA ABELHA A 18 de Setembro de 1823, apesar da resistência do governo, o Capitão Mourão Garcez Palha do Salamandra ordenou que 70 marinheiros desembarcassem, indo sem disparar um tiro ocupar as fortalezas. Informação do padre Manuel Teixeira que diz ainda ter sido nesse dia publicado o último Abelha da China sob a direcção de frei Amarante, o que corresponde ao n.º LIII, que saiu nesse dia, uma quinta-feira. Já Montalto de Jesus refere: “Manhã cedo do dia 23 de Setembro, o destacamento militar desembarcou sem encontrar oposição, e formou diante da casa do Senado. Ao mesmo tempo, proclamações agitadoras

de Mourão e de Estefique compeliam o Partido Constitucional a abandonar a causa perdida de Barbosa, que fora apanhado na cama, de surpresa, e levado para bordo da Salamandra. Foi nomeado imediatamente um governo provisório...” que J. F. Marques Pereira assinala também no dia 23 de Setembro de 1823: “Toma posse do governo desta colónia, em substituição do Senado, um conselho composto pelo bispo de Macau, D. Fr. Francisco de Nossa Senhora da Luz Chacim, como presidente, João Cabral de Estefique, e um vereador aos meses,” sendo Inácio Baptista Cortela o primeiro vereador que logo ali tomou posse. O local era o Salão Nobre do Senado, estando ausentes muitos vereadores e na presença de muitos cidadãos, foi lida a provisão do Governador de Goa, D. Manuel da Câmara, nomeando o novo governo da colónia - Conselho Governativo do Governo e Capitania-Geral, como Luís Gonzaga Gomes chamou ao Conselho de Governo Absolutista (Conservador) que governou Macau de 23 de Setembro de 1823 até 1825. Manuel Teixeira adita: “Alguns dos cidadãos presentes, tanto eclesiásticos como civis, protestaram contra a nomeação deste novo governo, registando o seu protesto na acta com as suas assinaturas. Entre eles contavam-se o reitor do Seminário de S. José, Pe. Joaquim José Leite e o Pe. Francisco da Silva Pinto e Maia, ambos lazaristas e professores do seminário. O novo governo prendeu nesse mesmo dia o major Paulino da Silva Barbosa, que foi surpreendido durante o sono e metido no Salamandra, donde em 26 de Setembro, dirigiu um protesto contra a sua prisão.” E continuando, “pela queda do governo constitucional a 23 de Setembro de 1823, Fr. Gonçalo de Amarante refugiou-se em Cantão juntamente com os liberais Domingos José Gomes e João Nepomuceno Maher; ainda lá se encontrava em 16 de Outubro seguinte na esperança de regressar a Macau, logo

que mudasse o governo; algum tempo depois, embarcou para Calcutá, onde morreu.” O jornal A Abelha da China passou depois de 23 de Setembro de 1823, a ser dirigido pelos Agostinhos e a defender o governo provisório. Se até então o jornal saia à quinta-feira, passou a partir de então e nas suas 14 edições seguintes a sair ao sábado e tinha como editor António José da Rocha que, apesar de viver no Convento de Sto. Agostinho, não era padre. Assim, na semana seguinte, a 27 de Setembro de 1823 era já a voz do novo governo conservador e dizia que os macaenses acabavam de “renunciar para sempre aos delírios duma imaginação exaltada.” A 2 de Outubro de 1823, foi presente ao Juiz Ordinário António Joaquim de Oliveira Matos, que servia de Ouvidor, Paulino Barbosa pois fora vereador do Senado anterior e trazia como acusações: Primeiro - resistência às ordens do Governo da Índia para entregar o Governo de Macau às pessoas apontadas nas ditas ordens, com a circunstância agravante de resistir com armas, sendo ele nesse tempo encarregado dos negócios militares. Segundo - nesse cargo, incitou o povo a resistir com mão armada às ordens do Governo da Índia e à fragata Salamandra, buscando a ingerência de nações estranhas como fez com os chineses e ainda com o Governo de Manila, com a circunstância agravante de prevenir o povo contra essa fragata, a fim de sustentar a rebelião, a que a cidade fora levada pelo Senado intruso a 19 de Agosto, no qual tinha Barbosa toda a influência e preponderância, não consultando muitas vezes os seus colegas, o que consta dos documentos e da Gazeta do Governo – A Abelha da China. Ora aqui está a causa do queimar o jornal. A 6 de Outubro, o novo regime foi consagrado por um solene Te Deum, presidido pelo prelado e foi pregador o capelão da Salamandra, o Pe. Francisco Xavier da Madre de Deus, O.F.M.. A 11 de Novembro de 1823, as autoridades de Macau receberam a pedido do povo, por intermédio do Senado, da guarnição militar do Batalhão Príncipe Regente, do clero e dos portugueses e chineses, para que o Conselheiro Miguel Arriaga de Brum Silveira regressasse a Macau, o que aconteceu a 26 de Dezembro, sendo recebido em triunfo. Mas só no ano seguinte, em 17 de Março, um aviso régio ordenava a Miguel de Arriaga que todas as coisas voltassem ao estado anterior e a ele fosse restituído o cargo de Ouvidor. No dia seguinte à chegada a Macau do Conselheiro Arriaga, saiu o número LXVII (67), o último do semanário A Abelha da China, com a data de 27 de Dezembro de 1823.


artes, letras e ideias 17

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Carlos Morais José

HAVERÁ VIDA PARA ALÉM DOS CASINOS?

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Calle Bailen serpenteia pelo antigo bairro de Santa Madalena em Sevilha. Trata-se de uma rua e não de um réptil, apesar da sua pele ser fresca, devido a uma aragem subtil que faz esquecer a canícula. E por ela se desliza, adivinhando do outro lado, nas sedutoras plazas, o imenso peso do sol a esmagar as pedras seculares das calçadas. Da praça do Hotel Cólon até junto do Museu de Belas Artes, a Calle Bailen apresenta na sua estreiteza mourisca um desfile de pequenos hotéis, minúsculas lojas, aromáticos restaurantes, misteriosas portas que dão para ainda mais misteriosos pátios, onde se alongarão na siesta perturbantes mulheres exemplarmente maquilhadas. Na Calle Bailen, como em muitas outras ruas dos bairros antigos de Sevilha, cruzam-se turistas com gente local, estrangeiros com pessoas oriundas de várias regiões de Espanha, artistas sem nação, cantores de flamenco, engraxadores, ciganos e as suas montadas, gente do Mahgreb à procura de uma oportunidade europeia. Mesmo na hora da siesta, quando a cidade se recolhe e paira no ar o sonorífero zumbido do calor, a Calle Bailen continua a ser atravessada por quem prefere a sua subtil e fina aragem à luz coada dos quartos ou dos pátios. Em Sevilha ocorreu um encontro de culturas. Que, por sinal, eram inimigas e se combateram ferozmente. Mas, política e religião à parte, a cultura predominou. E ali se assiste à existência de traços únicos, na arquitectura, na arte, na literatura, no temperamento dos seus habitantes. Ali se assiste a uma rara genuinidade, que se traduziu em criatividade, desenvolvimento, qualidade de vida, excelência. (Já no que diz respeito à modernidade, a aposta de Sevilha, concentrada na Exposição Universal, falhou. A zona antes ocupada pela Expo não constitui pólo de atracção, nem para turistas nem para a população, como acontece em Lisboa com o Parque das Nações. Pelo contrário, os edifícios construídos para albergar a Expo de 1929 resistiram ao passar do tempo e continuam hoje a ser apreciados, como é o caso da Plaza de España e do Pavilhão do Paraguai. Ironias...)

MACAU É UM ESPAÇO PEJADO DE RARAS E SUBTIS JÓIAS. DE LOCAIS ÚNICOS E DE GENTE ESPECIAL. SÓ QUE A VISÃO DAS AUTORIDADES CONTINUA OFUSCADA PELA CASINAGEM E SEUS HORRÍVEIS DERIVADOS

Ora não serão estes os conceitos que Macau procura desenvolver? A julgar pelos discursos dos políticos, sim. A julgar pelas suas acções, menos. A julgar pelo empenhamento das pessoas, não. Contudo, Macau é um espaço pejado de raras e subtis jóias. De locais únicos e de gente especial. Só que a

visão das autoridades continua ofuscada pela casinagem e seus horríveis derivados, ao invés de apostar a sério e realmente no que não é transitório e constitui uma real identidade. É preciso falar claro: a estética (?) dos casinos é uma desgraça. Aqui, em Las Vegas, na Austrália, em Atlantic City, no Estoril ou em Joanesburgo.

Neste momento está em construção uma espécie de parque de pesadelos gigantesco que abraça esta cidade e a tolhe, a estupidifica. Pior: mente-lhe, porque se afirma como paradigma do luxo e da grande vida, quando na verdade vive do plástico, da cópia barata, do vício e, por vezes, da infâmia. Máquinas de sacar dinheiro, os casinos poderiam ser muito úteis a Macau se forem entendidos exactamente como aquilo que são – uma produção menor, de segunda classe –, cuja existência tem de possibilitar a tal excelência à população local. Ora esta excelência só pode ser obtida se a cidade tiver algo mais para oferecer para além da casinagem. Uma das mais descentradas apostas, embora também ela necessária, passa pelos grandes eventos desportivos ou culturais. Ou seja, por aquilo que desempenha correctamente o papel de levar o nome de Macau ao exterior mas pouco acrescenta à vida dos cidadãos. Gasta-se (e bem) muitos milhões de patacas em Festivais Internacionais e Jogos ao ar livre e no interior, mas a população tem um nível cultural muito baixo, está desfasada do mundo contemporâneo e pouco vê para além do dinheiro como objectivo para a vida. Pior: não tem graça. Ou seja a bimbalhice ostentatória dos casinos, vem reforçar a tendência para a estupidificação geral da população, sem que o governo proporcione alternativas de real qualidade. Dito de forma sintética: em Macau não há respeito porque não existe a melhor biblioteca multi-cultural da Ásia (haveria dinheiro para isso), uma mera cinemateca, um grupo de teatro regular, um grupo de dança, edições de livros fundamentais, grupos de estudos específicos, espaços que estimulem o encontro e o debate. Incompreensivelmente, nem sequer existe a preocupação de generalizar seriamente o uso do inglês. Por tudo isto, não me falem de cidade de cultura. Em Macau tem de existir vida para além dos casinos ou apesar deles. Mas isto, meus caros e pacientes leitores, revela-se muito difícil de conseguir. Ou mesmo de fazer entender. E o problema não passa pelas línguas. Temo que passe, sobretudo, por certas carteiras, cujo fundo parece cada vez mais problemático discernir.


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h “no fundo, no fundo, bem lá no fundo, a gente gostaria de ver nosso problemas resolvidos por decreto a partir desta data, aquela mágoa sem remédio é considerada nula e sobre ela -- silêncio perpétuo extinto por lei todo o remorso, maldito seja quem olhar pra trás, lá pra trás não há nada, e nada mais

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POESIA BRASILEIRA

Congresso Internacional do Medo

Canção

Provisoriamente não cantaremos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos. Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços, não cantaremos o ódio, porque este não existe, existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro, o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos, o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas, cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas, cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte. Depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas

Viver não dói. O que dói é a vida que se não vive. Tanto mais bela sonhada, quanto mais triste perdida.

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

mas problemas não se resolvem, problemas têm família grande, e aos domingos saem todos passear o problema, sua senhora e outros pequenos probleminhas”

Viver não dói. O que dói é o tempo, essa força onírica em que se criam os mitos que o próprio tempo devora. Viver não dói. O que dói é essa estranha lucidez, misto de fome e de sede com que tudo devoramos. Viver não dói. O que dói, ferindo fundo, ferindo, é a distância infinita entre a vida que se pensa e o pensamento vivido.

PAULO LEMINSKI

Que tudo o mais é perdido.” EMÍLIO MOURA

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Retrato Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: Em que espelho ficou perdida a minha face? CECÍLIA MEIRELES

“Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio Nem ama duas vezes a mesma mulher. Deus de onde tudo deriva E a circulação e o movimento infinito. Ainda não estamos habituados com o mundo Nascer é muito comprido.” MURILO MENDES


DESPORTO

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LIGA DE ELITE ÁGUIAS DO TERRITÓRIO HOMENAGEIAM “PANTERA NEGRA”

MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

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temporada futebolística que agora arranca será para a Casa do Sport Lisboa e Benfica de Macau integralmente uma época de homenagem a Eusébio da Silva Ferreira, antiga glória do Benfica e do futebol português desaparecido no último domingo aos 71 anos. As águias do território, que concluíram a última edição da Liga de Elite na segunda posição da tabela, vão fazer da homenagem ao “Pantera Negra” uma motivo permanente e consagrar a temporada de 2014 à memória de Eusébio. A direcção da formação encarnada vai adicionar ao equipamento com que vai competir na nova época um dístico com a efígie do futebolista nascido em Moçambique. O emblema deverá apetrechar as camisolas do Macau e

Eusébio na época do Benfica Benfica pelo menos até ao final de uma temporada que tem o pontapé de saída previsto ainda para este mês: “Contactámos o Sport Lisboa e Benfica a solicitar uma imagem de alta resolução do busto de Eusébio, semelhante ao emblema que é a imagem de marca da Eusébio Cup. A proposta que fizemos foi a de adicionar durante esta época esta imagem icónica ao nosso equipamento, num dístico a ser colocado na manga e assim homenagear e manter viva a memória de Eusébio da Silva Ferreira”, revela Duarte Alves, director desportivo do Benfica de Macau. A formação encarnada, este

ano orientada por Paulo Bento, realizou ontem um jogo-treino com o onze do Organismo Autónomo de Futebol da Casa de Portugal em Macau, numa iniciativa que chegou a ser identificada nas redes sociais como uma homenagem a Eusébio da Silva Ferreira. Apesar de ter sido promovida como tal pela equipa técnica da Casa de Portugal, a iniciativa é relativizada pela direcção da Casa do Sport Lisboa e Benfica de Macau. Duarte Alves demarcou-se das boas intenções dos adversários por considerar que Eusébio merece uma homenagem com outra visibilidade e com outra envergadura: “Foi

um jogo-treino que serviu para preparar a equipa para a temporada que se avizinha, mas que nunca poderia ter sido uma homenagem com cariz oficial porque Eusébio merece algo mais significativo”, esclarece Alves. “A nível interno estamos a discutir possibilidades e uma das mais fortes é a eventual realização de um jogo de homenagem frente à Selecção de Macau. Esta é, no entanto, uma hipótese ainda muito prematura. Ainda não estabelecemos quaisquer contactos nesse sentido”, remata o Director Desportivo do Benfica de Macau. Depois de terem concluído

a derradeira edição da Liga de Elite na segunda posição, os vice-campeões do território apostam forte para a temporada que agora arranca. As águias do território refrescaram o sector ofensivo com as contratações de Niki Torrão ao Ka I e de William ao Lam Pak. Da formação azul e branca, o Benfica recebeu ainda o guarda-redes Fong Chi Hang, que deverá disputar a titularidade com Rui Nibra, um dos atletas que o formação orientada por Paulo Bento foi buscar a Portugal. Os outros são o médio Zé Lopes, contratado ao Futebol Clube da Lixa, e Guilherme Carvalho.

SÉRGIO FONSECA info@hojemacau.com.mo

T

EDDY Yip Jr, fiho de Teddy Yip e sobrinho do magnata do jogo Stanley Ho, não descarta a possibilidade de reavivar a equipa do seu falecido pai na Fórmula 1, isto depois do regresso em cheio na última edição do Grande Prémio de Macau. Numa rara entrevista ao “The Globe And Mail”, Yip Jr, que reside actualmente em Victoria, no Canadá, levantou um pouco o véu dos seus planos para o futuro da Theodore Racing, a equipa fundada pelo seu pai, um dos nomes indissociáveis da história do maior cartaz desportivo de Macau e sócio fundador da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau. O regresso à Fórmula 1, onde o seu pai esteve no final da década setenta e princípio de oitenta com a sua própria equipa, não é uma carta fora do baralho, muito pelo contrário. Yip Jr começou o seu envolvimento no desporto automóvel, em 2005, dois anos após o falecimento do seu pai, fundando a equipa Status Grand Prix, que em 2011 preparou o monolugar do português António Félix da Costa no campeonato

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FÓRMULA 1 TEDDY YIP JR. NÃO DESCARTA REGRESSO

Tudo a médio prazo GP3 Series. O ano passado, ano do jubileu de diamante do Grande Prémio de Macau, Yip Jr resolveu reavivar a Theodore Racing, que tinha estado afastada das pistas desde 1992, através de uma parceria com a equipa italiana Prema Powerteam

na Taça Intercontinental FIA de Fórmula 3 do 60.º Grande Prémio de Macau. E dificilmente o regresso poderia ter corrido melhor. O inglês Alex Lynn venceu a corrida, como Ayrton Senna o tinha feito em 1983. Este resultado motivou Yip Jr

que poderá expandir o nome Theodore Racing para outras disciplinas, incluindo a disciplina máxima do desporto automóvel, a Fórmula 1. A Federação Internacional do Automóvel (FIA) decidiu abrir um processo de selecção para candidatos

a participar no Campeonato do Mundo de Fórmula 1 a partir de 2015 ou 2016. Todo o processo de selecção, assim como o seu critério, prazos, juntamente com todas as condições inerentes foram comunicados aos candidatos que revela-

ram interesse junto da FIA até ao passado dia 3 de Janeiro de 2014. Yip Jr disse à publicação canadiana que deixou passar propositadamente esta oportunidade. “Temos que ter parceiros comerciais para podermos fazer isto”, afirmou o jovem empresário que estima precisar de cerca de 750 milhões de patacas para se lançar no “Grande Circo”, tendo já uma infra-estrutura preparada em Inglaterra, assim como pessoal especializado, se um dia avançar mesmo. Antes disso, Yip Jr pretende alargar os seus horizontes, mas o desporto local não faz parte das suas prioridades por agora, faz sim o norte-americano, outra das paixões do seu pai que não assistiu ao seu nascimento por estar nos Estados Unidos da América a assistir às 500 milhas de Indianápolis. “Gostaria de apoiar o automobilismo canadiano. Estamos perto de alcançar umas coisas”, disse ao jornal da cidade que o adoptou. Quanto ao Grande Prémio de Macau, é possível que em Novembro voltemos a ver dois Fórmula 3 patrocinados e pintados com as cores da histórica Theodore Racing.


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FUTILIDADES

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MUITO

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CINEMA

Pu Yi

SECRET LIFE OF WALTER MITTY [B]

Um filme de: Ben Stiller Com: Ben Stiller, Sean Penn, Kristen Wiig 19.30 SALA 2

AS THE LIGHT GOES OUT [B] SALA 1

THE LEGEND OF HERCULES [C] Um filme de: Renny Harlin Com: Kellan Lutz, Gaia Weiss 14.15, 16.00, 21.30

THE LEGEND OF HERCULES [3D] [C] Um filme de: Renny Harlin Com: Kellan Lutz, Gaia Weiss 17.45

(FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Derek Kwok Com: Nicholas Tse, Shawn Yue, Simon Yam, Hu Jun, Bai Bing 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 3

GIRL IN THE SUNNY PLACE [B] (FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Miyazaki Hayao 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

O que pensamos sobre a comunidade homossexual em Macau? Os resultados do inquérito realizado pela Universidade de Hong Kong sobre o que a população pensa face à comunidade homossexual pode e deve servir de exemplo a Macau. Se na região vizinha mais de 70% dos entrevistados aceita uma igualdade de direitos, mas só 20% concorda que os gays também devam casar-se, necessitamos de saber o que pensa a população de Macau. Eu concordo com o que diz Anthony Lam, o único membro desta comunidade que teve a coragem de, há cerca de um ano, abrir a Associação Arco-Íris e lutar, formalmente, pelos direitos LGBT. Jason Chao vinha fazendo-o, a título pessoal, e muitas vezes deixando muitos dos cidadãos confusos, pois é também dirigente da Associação Novo Macau (ANM) e foi, até, candidato às eleições. Já todos tinham percebido os intentos de Chao, mas a luta deste pelos direitos dos homossexuais era uma parte da sua extensa lista de projectos enquanto activista. Com Anthony Lam, temos uma luta especifica e focada. Não existe mais porque não existe mais espaço de manobra – a primeira manifestação ocorrida o ano passado já foi um grande passo em frente. Mas na Macau do século XXI, com jovens, estrangeiros, imensas culturas, o que se pensa sobre a homossexualidade? Podem casar ou não podem? Podem viver juntos, e adoptar? Ou não. Somos uma sociedade conservadora, ou afinal até aceitamos coisas que nos são diferentes? É certo que Macau nunca avançará para uma legislação antes de Hong Kong – se não o faz em assuntos bem mais importantes, a igualdade de direitos dos homossexuais não será, decerto, uma prioridade a longo prazo. Mas era importante que, junto da opinião pública, algo se fosse construindo. Afinal, já estamos em 2014, e não em 1964.

Orgasmo de três horas “leva” americana às urgências • Uma mulher teve que ser hospitalizada de urgência devido ao prolongamento dos espasmos que sofreu após ter sexo com o seu namorado. Ao chegar às urgências, os médicos pensaram mesmo que ela estava em trabalho de parto por causa dos gemidos que fazia. Liz, assim é identificada a mulher, é de Seattle, começou a ficar preocupada logo que terminou o acto sexual com o seu namorado Eric. Como duas horas depois o orgasmo continuava, foi conduzida ao hospital. “Comecei a mover-me de cima para baixo para ver se ajudava algo”, contou Liz e acrescentou: “Bebia vinho a ver se isso me acalmava o sistema. Tentei todas as maneiras possíveis para que parasse”.

Bananas num supermercado escondiam cocaína

DIRECTAMENTE DO CÉU... Ashley Sky é uma das mulheres mais sensuais do mundo, tem raízes brasileiras e o seu passatempo favorito é colocar fotos suas no Instagram, para sorte de todos que a seguem. A bela norte-americana, considerada a rainha do Instagram, já fez campanhas para marcas de calças de ganga, posou para a FHM e para a Sports Illustrated. Um pedacinho de céu para todos admirarem.

fonte da inveja

Freud explica, dizem. Mas quem explica Freud?

• Anunciada pela polícia alemã a apreensão de 140 quilogramas de cocaína dissimulada em caixas de bananas de um supermercado em Berlim. A droga, avaliada em seis milhões de euros, surpreendeu os funcionários, que chamaram as autoridades. Decorrem investigações, com a finalidade de descobrir os autores do tráfico de cocaína, originária da Colômbia. Certo é que os traficantes cometeram um erro de logística. Esta é a segunda maior apreensão de droga feita em Berlim, desde 1978, ano em que foi criada uma unidade especial de combate ao tráfico.

João Corvo


OPINIÃO

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ISABEL CASTRO

isabelcorreiadecastro@gmail.com

contramão

U

LAURA BEST, O STORMTROOPER PENSADOR

Os anos velhos MA das chatices de viver em Macau é levar com uma dupla passagem de ano – a ocidental e a chinesa. Comemorações à parte, é chato para quem não gosta particularmente de balanços e de fazer planos, que é o meu caso. Mas é uma inevitabilidade: chega o final do ano e a gente fecha para contas, sabendo de antemão que é tarefa impossível, mais a mais quando já se percebeu que são poucos os assuntos da vida em que se deve mesmo fazer projectos. Saem sempre ao lado – e ainda bem que, se os dias fossem certinhos, a vida era um contínuo bocejo. Mas a gente fecha para balanço e lembra-se dos mortos e dos vivos que o ano velho nos trouxe, das tristezas e das alegrias, das surpresas francamente más e das inesperadas bênçãos. Já quando se fala em política, a cantiga é outra: a autocrítica remete-me para exercícios maoístas, pelo que a dispenso, mas pensar retroactivamente faz falta, para que se possa pensar para o futuro. E em Macau pensa-se pouco, politicamente falando – apesar de Chui Sai On ter um ‘think-tank’ à disposição, já todos percebemos que o gabinete do ex-deputado Lao Pun Lap é mais um tank do que um think. Nos últimos dias do ido ano, o Chefe do Executivo anunciou que vai reflectir para depois decidir se se recandidata ao cargo. Fingimos todos que acreditamos – no exercício de reflexão e na indecisão em torno da candidatura. Se esta última parece ser um dado mais do que adquirido, pelo que não valerá a pena gastar grandes pensamentos em torno dela, a primeira faria bem a Chui Sai On – assim como faria bem a todos os políticos de Macau em especial e do mundo em geral. Não sou dada a balanços e irritam-me as jornalísticas revistas do ano que, de vez em quando, me saem no bolo-rei como tarefa a executar, mas é importante olhar para trás para que se possa exigir mais para a frente. Acontece que, em Macau, não basta olhar para o ano a acabar. É preciso andar mesmo para trás para chegarmos ao início de tudo. E, chegando ao início de tudo, de nada nos adianta tentarmos perceber o que aconteceu pelo meio. Ninguém explica. Primeiro exemplo: uma notícia de Julho de 2007 diz-me que em meados de 2008 se iria dar início à construção do metro ligeiro de Macau. O mesmo texto diz-me que a primeira fase iria estar em funcionamento em 2011. E ainda que se tratava da terceira versão de um projecto em estudo desde 2003. Segundo exemplo: uma notícia de Fevereiro de 2010 diz-me que o Chefe do Executivo visitou o local onde vai ser construído o novo hospital de Macau. O mesmo texto

Em Macau pensa-se pouco, politicamente falando – apesar de Chui Sai On ter um ‘think-tank’ à disposição, já todos percebemos que o gabinete do ex-deputado Lao Pun Lap é mais um tank do que um think diz-me que a data de conclusão prevista é 2014, o ano que acabámos de inaugurar e que chegaria ao fim com mais 500 caminhas e um serviço de urgência de grande dimensão. Terceiro exemplo: uma notícia de Dezembro de 2008 diz-me que o novo terminal marítimo da ilha da Taipa, localizado junto ao aeroporto de Macau, só deveria ficar concluído em 2012. Com a serpente a queimar os últimos cartuchos e o cavalo quase a postos, com 2013 gasto há 10 dias e 2014 em pleno funcionamento, não temos metro, nem hospital nas ilhas, nem terminal novo pronto. São só três exemplos – há mais por aí, haja paciência para pesquisas e comparações. Estes três chegam. Herdámos muita obra incompleta da década passada e já não falta tudo para que esta chegue a meio. Entre os pensamentos sobre o metro de 2003 e os planos optimistas para 2011, foram construídos uns vinte casinos. Sobre o novo hospital é melhor nem escrever: é que não

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me consigo imaginar a fazer a reportagem sobre o assunto, de tão distante e irreal me parece o objecto. Já em relação ao novo terminal, é um daqueles mistérios que não consigo entender. Temos quase três vezes mais turistas por ano do que o Japão inteiro. Temos três vezes mais turistas do que tínhamos em 2003. Temos o mesmo hospital consensualmente a rebentar pelas costuras, que os turistas ficam doentes e – espanto – a população cresceu. O trânsito está cada vez mais insuportável. O ar que se respira também – é uma pena que Chui Sai On não seja adepto de jogging e só em caridosas e anuais marchas saia à rua em ritmo compassado. É por estas e por outras que é bom pensar e é bom planear – politicamente falando, claro está. Quanto aos outros, os mortais, de nada lhes vale fazer grandes projectos sobre a cidade, caso ainda acreditem na ciência do planeamento: ela vive ao ritmo do vento que há muito deixou de arejar ruas e ideias.


22 opinião

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JORGE RODRIGUES SIMÃO

A

Joseph S. Nye, Jr. The Future of Power

reputação global da China tem vindo a flutuar ao longo da última década, com uma descida mais pronunciada nos últimos anos três anos. A China apresentou uma imagem no geral, a nível internacional positiva, no período de 2000 a 2007 e foi considerada como sendo uma estratégia apelidada de “ofensiva de charme”. Mas desde 2008, a imagem global da China tem, em geral caído no mundo, à excepção da África, e alguns países da Ásia. A maioria do povo chinês tem-se mostrado indignado sobre a forma como o seu país é visto pelo exterior, alegando que a obliquidade da comunicação social ocidental faz distorcer a “China real”. O Vice-director de Informação do Conselho de Estado afirmou no “Fórum Económico Mundial de Davos”, em 2010, que um dos temas principais da agenda chinesa seria encontrar uma forma aceitável pelo outros países para divulgar a história da China e ajudar a comunidade internacional a melhor compreender o país. É de acreditar que seja parte da verdade, mas existem outros factores de impacto que tem vido a complicar globalmente a visão que o mundo tem da China. As mensagens que a China tem divulgado e visam projectar uma determinada imagem, tem sido muitas vezes imerecidamente tratadas como resultado de comportamentos e políticas negativas do país no exterior. Uma das visões negativas é atribuída ao facto de enormes excedentes comerciais da China estarem a contribuir directa e indirectamente para a perda de empregos em todo o mundo e daí ser um factor de declínio da imagem internacional do país. A modernização militar e a muscular flexão regional da China na Ásia é considerada como corrosiva da sua reputação. O sistema político da China, que tem nos Estados Unidos e naturais aliados os seus maiores opositores, pese o facto da crise sistémica Ocidental ter começado no país líder de tal antagonismo, têm criado uma admirável propaganda de inimizade no exterior, embora o seu crescimento económico seja admirado. O registo e as contribuições para o aquecimento global ambiental por parte da China são igualmente criticados no exterior, tendo o país dado uma reviravolta em sentido positivo, ao ter anunciado a 19 de Dezembro de 2013 que investirá até 2017, o equivalente a cerca de 300 mil milhões de dólares para combater a poluição atmosférica que afecta a maior parte do país. O plano contra a poluição criará mais de dois milhões de postos de trabalho. O montante correspondente a cerca de 37 por cento

Múltiplas visões, um só país do investimento terão como beneficiários a industria de limpeza do ar, sendo ainda o correspondente a cerca de 28 por cento do investimento destinado ao incentivo às de fontes de energias renováveis, sendo os restantes 35 por cento destinados às áreas da inovação e tecnologia como a melhoria da qualidade dos motores dos veículos. O governo chinês tinha recentemente implementado um plano quinquenal com o objectivo de incluir as novas políticas ambientais de forma a permitir eficazmente combater os altos índices de poluição existentes no país, que tem o carvão como sua principal fonte de energia. Pese tal facto, a ascensão da China no mundo dos negócios foi desconcertante para muitos, sendo todavia frequentemente vista como enigmática, pouco clara nos seus objectivos, temível e usando um “marketing político” que não condiz com as preocupações estrangeiras. A China também é vista por muitos como não se encaixando confortavelmente na ordem liberal internacional existente e ter uma agenda oculta “revisionista” para a derrubar. Todavia, apesar dessas lucubrações, algumas sem sentido, a África, Ásia e América do Sul têm uma certa simpatia para com a China, mas o sentimento que nutre o Ocidente é de profunda angústia. Estereótipos simplistas e preconceitos, impedem muitos também de ver uma China cada vez mais complexa e matizada, quer internamente, quer no exterior. A lacuna quanto às pesquisas regulares de opinião pública mundial acerca da imagem da China no mundo, em nada favorece o conhecimento imprescindível que se deve ter sobre o país. A “The Pew Global Attitudes Project”, desde 2005, vem a efectuar um conjunto de estudos, sondagens de opinião pública e pesquisas significativas num conjunto de países. Os estudos que podem ser lidos e constantes das pesquisas da “Pew” revelam um entendimento global misto da China, que concilia opiniões favoráveis e desfavoráveis. A Indonésia, Quénia, Paquistão e Rússia apresentam uma compreensão consistente e positiva da China. A Alemanha, Japão, México, Espanha e Turquia, por outro lado, tem uma visão negativa e ao longo do tempo. Os restantes países mostram resultados mistos, entre o favorável e o desfavorável quanto à imagem da China no mundo. As pesquisas da “Pew”, com algumas excepções, indicam claramente um declínio significativo da imagem positiva global da China entre 2006 e 2008, com um aumento geral do índice de favorabilidade no período de 2009 a 2011, à excepção do México e da Turquia que continuam a ter uma visão esmagadoramente negativa do país. O Serviço de Radiodifusão britânico (BBC na sigla em inglês) realiza igualmente

CASPAR DAVID FRIEDRICH, O CAMINHANTE SOBRE O MAR DE NEBLINA

“The power transition occurring in this century is sometimes called the rise of Asia, but it is more accurately called the recovery of Asia. In 1800, more than half of the world’s population was in Asia and more than half of the world’s product was in Asia. One hundred years later, more than half of the population was still in Asia, but only about 20 percent of world product was. Now, in twenty-first century, we are getting back to proportions that are historically more normal.”

O facto mais impressionante a registar é que a maioria da população dos vinte e sete países ou tem uma opinião indiferente ou não manifesta qualquer posição sobre a China pesquisas globais anuais acerca da imagem dos países, sendo um pouco diferente na estrutura dos dados revelados pela “Pew”, sendo o conjunto base da sondagem constituído por 27 países. A BBC acrescenta à relação de países constantes da lista da “Pew”, o Canadá, Peru, Chile, Portugal, Itália, Nigéria, Gana, África do Sul, Filipinas, Austrália e Coreia do Sul, permitindo uma perspectiva mais valiosa de como os africanos, asiáticos, europeus e sul-americanos vêem a China. A pesquisa de 2011 mostra visões extremamente positivas da China na Ásia, com excepção da Austrália, Coreia do Sul, Índia e Japão que consideram muito negativa. A África e América do Sul têm uma imagem muito positiva da China, com excepção do México. A Europa e América do Norte têm uma visão geralmente negativa. A sondagem de opinião da BBC reconfirma de certa forma as conclusões da pesquisa da “Pew” em 2011. O facto mais impressionante a registar é que a maioria da população dos vinte e sete países ou tem uma opinião indiferente

perspectivas

ou não manifesta qualquer posição sobre a China. Isto significa que nesses países a China não é um tema fulcral, ou seja não tem interesse a posição do país no cenário global e em termos polarização do poder mundial, bem como não revela que os americanos e os europeus tenham opiniões esmagadoramente mais negativas que as reveladas na pesquisa da “Pew” reiterando os pontos de vista negativos da Índia, Japão, e Coreia do Sul. A sondagem da BBC, sustenta ainda os resultados da “Pew” em termos de imagem, comprovadamente positivos em todo o resto da Ásia, à excepção da Austrália, cuja opinião é mista, sendo semelhantes as opiniões no geral positivas em África e na América do Sul, à excepção do México. Tal como a pesquisa da “Pew”, no geral, os resultados da sondagem da BBC também mostram um aumento global em termos de visão global positiva da China em 2010 e 2011, com as notáveis excepções do Canadá, Índia, Japão, México e Estados Unidos. Os dados da “Pew” e da BBC considerados em conjunto, fornecem uma perspectiva interessante acerca da forma como a China é actualmente vista no mundo, continuando a desfrutar de “índices de favorabilidade” altos na África, América do Sul e partes da Ásia, apresentando índices negativos persistentes em toda a Europa e restantes partes da Ásia. Os americanos têm uma visão ambivalente. A queda global da imagem da China entre 2006 e 2008 parece ter sido invertida no período de 2009 a 2011. Apesar de tal facto, a conclusão mais importante a retirar é que a imagem global da China continua a ser mista e a maior parte do mundo é muito ambígua acerca da ascensão do país no cenário global. O futuro do impacto da China no mundo vai depender de uma ampla variedade de determinantes nacionais e internacionais, mas uma das variáveis mestras é a forma como os chineses entenderem a posição e o papel internacional do seu país. Actualmente, a China está a passar por uma espécie de crise de identidade internacional, que possui um número de concorrentes internacionais e cultiva um número apoiantes a nível igualmente internacional que se pode resumir, a que as grandes potências são a chave, as áreas circundantes são a primeira prioridade, os países em desenvolvimento são o fundamento, e fóruns multilaterais são a etapa importante. A política externa da China, como consequência dos seus concorrentes internacionais, apresenta diversas matizes parecendo por vezes contraditória, outras complementares com relevo e direcção. O mundo é testemunha de que os líderes chineses estão presentes nos encontros intergovernamentais, actuando como agentes de poder global e desempenhando o papel pragmático de um país comprometido e responsável. Mais que retóricas beligerantes e impulsos hiper-nacionalistas a China está ocupada pragmaticamente a negociar acordos de parceria comercial e a assinar tratados de cooperação ampliando a sua rede global de parceiros. Tal comportamento é indicativo de acirrados debates internos e de diversas forças que puxam a China a nível internacional.


opinião 23

hoje macau sexta-feira 10.1.2014

um grito no deserto

GIOVANNI DOMENICO TIEPOLO, CONTRUÇÃO DO CAVALO DE TROIA

PAUL CHAN WAI CHI*

O que leva um banco a produzir uma nota

M

ACAU pode ser o local com mais inteligência do mundo, no que toca a gastar dinheiro, ou o local com menos credibilidade. Há três anos, em Macau começaram a ser emitidas anualmente notas alusivas aos signos do zodíaco, para além das notas normais. O Governo diz que quer fazer isto durante 12 anos. Porquê? A explicação do executivo é que estas notas são para a população oferecer como “lai-sis” durante o Novo Ano Lunar Chinês. Esta explicação é uma anedota! O secretário de Economia disse recentemente aos jornalistas, respondendo acerca da data de emissão das notas deste ano do cavalo, que estas seriam emitidas após o Novo Ano Lunar Chinês, e que a razão avançada previamente pelo Governo para a sua emissão já não tinha validade. Por isso, o Governo não tinha pressa para emitir as novas notas antes do Novo Ano Lunar Chinês para que estas fossem usadas como “lai-sis”. Esta explicação é uma anedota ainda maior! A credibilidade do

Governo é como um concurso de anedotas de emissão de notas leva inevitavelmente à criação de inflação e à desvalorização da num ‘talk-show’! Os Governos costumam emitir notas co- moeda. A emissão indiscriminada de notas memorativas de diferentes acontecimentos, resulta num caos financeiro e a especulação um pouco por todo o mundo. A emissão monetária é considerada crime em certas das notas em Macau está regulada pela lei. regiões. O Governo de Taiwan emitiu notas Segundo sei, Macau é o primeiro local do e moedas de 10 dólares para assinalar o mundo a emitir notas do zodíaco por 12 anos centésimo aniversário da ROC. As notas foram emitidas apenas uma vez, consecutivos. Este tipo de notas, de acordo enquanto as moedas com o Governo, não foram cunhadas de são comemorativas. forma intermitente É por isso que, se A emissão das notas do o que acabou por necessário, as notas zodíaco é actualmente uma resultar em inflação. podem ser emitidas Apesar de tudo evitoumais do que uma vez, ideia cultural e criativa e -se a especulação das (como aconteceu com um negócio atraente notas de banco. as notas-dragão que Quanto a Macau, a tiverem direito a uma segunda emissão), e é também por isso que emissão das notas do zodíaco é actualmente estas notas são consideradas notas de circu- uma ideia cultural e criativa e um negócio lação normal. O que as torna diferentes das atraente. Alguns brincam, dizendo que o outras é que o seu valor pode aumentar e Governo tem tanto dinheiro que não sabe o podem ser vendidas por coleccionadores a que fazer com ele. O que na verdade não é um preço superior ao seu valor facial, o que uma ideia estúpida! Os bancos que emitem as notas têm controlo sobre a emissão, enquanto explica a sua ausência do mercado. As notas de banco são um papel que o público só tem acesso à distribuição fixada. foi usado para substituir metais preciosos Quem são afinal os grandes beneficiários? usados nas trocas comerciais. O aumento Se as notas temáticas não são para a quadra

do Novo Ano Lunar, qual o seu objectivo? Mais uma vez, será que o Governo pensou na especulação, quando decidiu emitir a colecção de 12 anos de notas do zodíaco? As autoridades de topo que dirigem as finanças de Macau não são crianças, mas um grupo de tipos bastante inteligentes com grande conhecimento das operações de mercado e que se mexem muito bem nas diferentes instituições financeiras. Emissão de notas pode significar ganhar dinheiro. A emissão das notas do zodíaco é digno de nota na história financeira de Macau e uma forma do Governo fazer bastante dinheiro. No entanto, só revela que a mentalidade do Governo é orientada para o dinheiro. Os valores centrai duma sociedade ficam distorcidos quando os que estão no poder só pensam em dinheiro. A orientação duma sociedade deve ser no caminho do desenvolvimento. Se as autoridades centrais do Governo não mudarem para melhor em 2014, Macau não terá outro futuro senão o de um Governo virado para o lucro. *Ex-deputado e membro da Associação Novo Macau Democrático

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau sexta-feira 10.1.2014

China País como maior número de fumadores

A China é o país do Mundo onde há mais fumadores. De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), um em cada três cigarros é fumado na China. Naturalmente, o país também é o mais populoso do mundo, contudo, para contrariar as estatísticas, o Governo de Pequim preparase para, até ao final do ano, proibir o fumo em locais públicos fechados, avança a CNN. Quem não cumprir a lei será punido. Metade dos homens chineses são fumadores.

Xanana Gusmão vai deixar cargo de primeiro-ministro

cartoon por Stephff

PROJECTOS PODEM FINANCIAR-SE JUNTO DE FUNDO DE COOPERAÇÃO DE MACAU

Tudo pela Língua Portuguesa P ROJECTOS de 40 cidades onde o português é a língua oficial poderão procurar financiamento do Fundo de Cooperação de Macau, segundo um protocolo ontem celebrado entre a União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) e a AICEP. O presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e o secretário-geral da UCCLA, que reúne 40 cidades de oito países onde se fala português, assinaram hoje um protocolo, em Lisboa, que visa “aumentar as sinergias de ambas as entidades, nomeadamente nas áreas da cooperação empresarial, avaliação de mercados-alvo e oportunidades de negócio, assim como no apoio à selecção e estruturação de projectos que poderão vir a ser financiados por entidades bilaterais, multilaterais ou outras”. O objectivo é que as duas instituições possam “identificar em conjunto projectos de desenvolvimento e de infra-estruturas nas cidades-membros, mesmo que sejam embrionários, ajudar a torná-los uma realidade e ver onde é possível

posicioná-los em termos de financiamento”, disse o presidente da AICEP, Pedro Reis, lembrando que a agência “acompanha de forma permanente as linhas multilaterais e bilaterais a nível mundial”, entre as quais “essa importante iniciativa da China e de Macau, o Fundo de Cooperação para a agenda da lusofonia”. “Isso é um instrumento absolutamente decisivo para conseguir materializar projectos em países em desenvolvimento, onde muitas vezes o que falta é justamente o financiamento destas instituições internacionais, e inclusivamente das nossas próprias empresas, na área das engenharias, infra-estruturas ou transportes”, salientou. O protocolo prevê, entre outras medidas, que a AICEP realize acções de formação para avaliar oportunidades de exportação e/ou internacionalização, a participação da UCCLA em feiras internacionais organizadas pela agência ou a organização conjunta de iniciativas políticas ou empresariais. A AICEP deve ainda fornecer uma base de dados de pequenas e médias empresas que estejam interessadas ou

que já trabalhem nas cidades que integram a UCCLA: “Temos uma base de dados de 10 mil empresas exportadoras”, exemplificou Pedro Reis. Por seu lado, Vítor Ramalho explicou que a UCCLA tem “uma relação de grande proximidade com as cidades”, que elencam as “prioridades a desenvolver, quer do ponto de vista do município, quer das carências empresariais”. “A acção que nós desenvolvemos é ligada às prioridades que as próprias cidades têm e as candidaturas que fazemos [para obter financiamento] são, regra geral, dirigidas à União Europeia”, realizando actividades que vão desde a prevenção de matérias respeitantes à saúde até às infra-estruturas, disse. O secretário-geral da UCCLA destacou um exemplo dessa política de proximidade, relatando que só foi possível realizar uma acção de formação na Guiné-Bissau, onde existe um Governo de transição não reconhecido por Portugal nem pela União Europeia, “graças à política de relação directa com os presidentes de câmara e mercê desta habilidade da UCCLA”. - Lusa

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O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, vai abandonar o cargo em breve, informou o próprio, esta quintafeira, depois de se ter despedido do Parlamento Nacional, durante a discussão do Orçamento do Estado, sem que tenha precisado a data em que vai abandonar a chefia do Governo. “É com todo o respeito que me dirijo, e pela última vez na qualidade de primeiro-ministro, a esta que é por excelência a casa mãe da nossa democracia”, afirmou Xanana, citado pelo Jornal de Notícias. Recorde-se que, no passado mês de Novembro, Xanana Gusmão já tinha anunciado que se iria retirar do cargo de chefe de Governo timorense até 2015.


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Hoje Macau 10 JAN 2014 #3008 by Jornal Hoje Macau - Issuu