HOJE MACAU SEGUNDA-FEIRA 1-8-2022
Nº 5062
MOP$10
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
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Registo negro O número de casos de suicídio começa a atingir níveis preocupantes. Desde Janeiro, já são mais de 50 e só entre Junho e Julho, período de medidas mais restritivas no combate à covid-19, registaram-se 10 mortes. Autoridades pedem que a sociedade se mantenha alerta e não hesite em pedir apoio psicológico. CENTRAIS
COVID-19 | KARAOKE
SEGURANÇA NACIONAL
PÁGINAS 2-3
PÁGINA 4
POLÍCIAS DETIDOS
NA LINHA DA FRENTE
CASO JOHN MO
PENA CONFIRMADA PÁGINA 5
JOGO
O GRANDE TOMBO CENTRAIS
OPINIÃO
DOS PONTOS DE PARTIDA
MÁRIO DUARTE DUQUE
2 especial covid-19
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1.8.2022 segunda-feira
PANDEMIA DUAS AGENTES DA POLÍCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA VÃO A KARAOKE PJ “PARTIDA” COM TESTE RÁPIDO FALSO RESULTA EM DETENÇÃO
U
M jovem residente de 20 anos foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) por suspeita de ter declarado resultados positivos de um teste rápido no código de saúde de uma jovem ao apropriar-se dos seus dados privados. No passado dia 19 de Julho, a PJ recebeu a denúncia de um indivíduo reportando que alguém teria submetido resultados positivos de teste rápido no código de saúde da sua filha, alegando a possibilidade de os dados privados da jovem terem sido usados para a apresentação da falsa declaração. A investigação da PJ resultou na identificação e apreensão do suspeito, que declarou ser amigo da jovem em questão. Segundo
a polícia, o suspeito terá confessado que queria “pregar uma partida” à vítima, e que esta lhe terá passado o telemóvel para submeter o resultado de outro teste. O suspeito terá mais tarde usado os dados guardados da jovem para carregar a fotografia de um teste rápido positivo várias vezes, imagem que terá sido retirada da internet. A PJ alega também que o jovem terá usado várias vezes fotografias de testes de terceiros para submeter no seu código de saúde. Como tal, o caso foi encaminhado para o Ministério Público e o jovem poderá responder pela prática dos crimes de falsificação informática e de falsificação de documento. N. W. PUB.
AVISO
ISENÇÃO DO IMPOSTO DE TURISMO
Faz-se saber que, ao abrigo do n.º 3 do artigo 17.º da Lei n.º 21/2021 (Lei do Orçamento de 2022), alteradas pelas Leis n.º 8/2022 e n.º 4/2022, são isentos do imposto de turismo, os serviços prestados pelos estabelecimentos como hotéis, salas de dança, bares, saunas, health clubs, massagens e karaokes, no período entre 1 de Agosto e 31 de Dezembro de 2022. Durante o período de isenção acima referido, os sujeitos passivos do imposto ficam, ainda, obrigados a apresentar a declaração modelo M/7 junto da Direcção dos Serviços de Finanças, até ao último dia do mês seguinte àquele a que as operações dizem respeito, nos termos do n.º 2 do artigo 7.º do Regulamento do Imposto de Turismo, aprovado pela Lei n.º 19/96/M, de 19 de Agosto. No caso de cobrança indevida do imposto de turismo junto dos consumidores no período de isenção, sempre que a mesma se verifique, é aplicada uma multa em termos legais, para além do pagamento do respectivo imposto. Aos, 27 de Julho de 2022. O Director da DSF Iong Kong Leong
Cantigas de
Operação contra um karaoke ilegal acabou com a detenção de 44 pessoas entre as quais dois agentes do CPSP. Em destaque na conferência de imprensa de ontem, esteve também o caso de um agressor sexual que não utilizou máscara durante o alegado crime. Fase de consolidação pode terminar hoje
D
UAS agentes do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) foram apanhadas a divertir-se num karaoke ilegal, na Avenida Venceslau Morais, de acordo com a informação apresentada ontem na conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia. Segundo Lei Tak Fai, representante do CPSP, as agentes vão ser alvo de processos disciplinares, depois de terem sido interceptadas numa operação que levou a um total de 44 detenções. “Entre os 40 clientes do karaoke ilegal havia dois agentes dos CPSP, que entraram para a corporação em 2014 e 2017. O CPSP
não tolera actos ilegais e vamos tomar conta do assunto de forma rigorosa, através dos respectivos processos disciplinares”, prometeu Lei Tak Fai. Segundo os pormenores da operação, o CPSP detectou a existência de um karaoke ilegal num edifício industrial na Avenida Venceslau Morais. Foram detidas 44 pessoas, com idades entre os 16 e 43 anos, a grande maioria residentes locais, além de um residente de Hong Kong. O bar estaria em funcionamento, segundo o gerente, há cerca de seis meses. Os 44 presentes arriscam até dois anos de prisão, ou multa de 240 dias, por infracção
TRÊS IMPORTADOS No sábado registaram-se três casos importados assintomáticos de covid-19 em três mulheres com idades compreendidas entre os 20 e os 53 anos, de acordo com o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus. As três mulheres negaram qualquer historial de infecção e foram reencaminhadas para um dos locais designados para observação médica em isolamento. Até ontem, Macau contabilizava 791 casos confirmados de covid-19 e 1.378 infecções assintomáticas
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especial covid-19 3
E INFRINGEM A LEI
inimigo
Quarentenas Governo pré-anuncia “ajustamentos” Lei Tak Fai CPSP “Entre os 40 clientes do karaoke ilegal havia dois agentes dos CPSP, que entraram para a corporação em 2014 e 2017. O CPSP não tolera actos ilegais.
facto de o alegado criminoso não estar a utilizar máscara. Segundo Lei Tak Fai, o caso aconteceu na madrugada de ontem, na Taipa, e o homem, com cerca de 20 anos, terá tocado numa mulher que passava na rua. “O homem tentou fugir e estava sem máscara. Durante a fuga ainda tirou a roupa da parte de cima do corpo e o chapéu”, foi revelado. “Na altura do assédio estava sem máscara, tem mais de 20 anos, nacionalidade indiana e é suspeito de ter infringido a Lei de Prevenção, Controlo e Tratamento de Doenças Transmissíveis”, foi acrescentado. De acordo com o porta-voz do CPSP, o agressor está igualmente indiciado pelo crime de importunação sexual.
Consolidar para estabilizar
Também ontem, foi revelado que às 15h, durante a 14.ª ronda de testes em massa, havia 488.817 resultados apurados, entre um total de 619.469 testados, e todos tinham resultados negativos. Até ontem, o território tinha registado 791 casos confirmados da covid-19 e 1.378 casos de infecção assintomática.
Até ontem, o território tinha registado 791 casos confirmados da covid-19 e 1.378 casos de infecção assintomática
do artigo 30.º da Lei de Prevenção, Controlo e Tratamento de Doenças Transmissíveis.
Sem máscara, não!
Entre os casos de infracção à Lei de Prevenção, Controlo e Tratamento de
Doenças Transmissíveis revelados ontem, o CPSP destacou também o episódio de um trabalhador não-residente que alegadamente cometeu um crime de importunação sexual. Contudo, o aspecto mais destacado durante a conferência de imprensa foi o
Caso se confirme que não há resultados positivos na ronda de testes que decorreu até ontem, Macau vai deixar a chamada fase de consolidação e entrar na fase de estabilização. Os representantes das autoridades pouco revelaram sobre as medidas de “estabilização”, que só deverão ser anunciadas hoje. No entanto, Leong Iek Hou, médica, deixou no ar a possibilidade de as empresas deixarem de ter restrições sobre o número de trabalhadores nas suas instalações. “Não vai haver limite de trabalhadores, mas vai haver restrições, como uma distância de um metro e vai ser preciso haver divisórias para tomar refeições”, indicou. “Mas as medidas vão ser anunciadas amanhã”, acrescentou. Por sua vez, Luís Gomes, representante dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude, revelou que algumas escolas poderão ter mais tempo para preparar o início do novo ano lectivo, uma vez que as medidas do governo face ao surto sobrecarregaram as instituições ao nível dos trabalhos administrativos. João Santos Filipe
Na conferência de imprensa de sábado, Leong Iek Hou prometeu que, no início de Agosto, irá haver ajustamentos no período de quarentena para quem entra em Macau vindo do estrangeiro. “Sobre as pessoas que regressam do exterior, estamos a analisar o prazo de avaliação médica. Estamos quase a finalizar esse trabalho e acredito que no início do próximo mês podemos anunciar este ajustamento”, afirmou a Chefe de Divisão de Prevenção e Controlo de Doenças Transmissíveis. Actualmente, o período para quem faz quarentenas vindo de qualquer destino que não seja o Interior, Hong Kong ou Taiwan é de 10 dias.
Consulado Acesso mantém-se condicionado
O Consulado de Portugal em Macau e Hong Kong anunciou ontem que vai manter o acesso aos “serviços de chancelaria” fechados para todos os utentes que não se encontrem em situação de urgência. O anúncio foi feito ontem através da rede social Facebook, e acompanha as medidas adoptadas pelos “serviços públicos da RAEM”. A instituição liderada por Paulo Cunha Alves anunciou que quem tiver agendamento para o dia de hoje vai ser contactado para reagendar a marcação. Em relação a assuntos de emergência, a instituição pede que os contactos sejam feitos “pelo e-mail macau@mne.pt, pelo número telefone 28356660 ou pelo envio de mensagem via Facebook”.
Estudantes Associação pede quartos de quarentena
A pensar nos estudantes de Macau prestes a ingressar no ensino superior em universidades da China, o vice-presidente da Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau, Chan Hou Nam, sugere que o Governo articule com as autoridades do Interior a possibilidade de garantir quartos aos estudantes para a realização de quarentenas em Zhuhai. Citado pelo jornal Ou Mun, o responsável lembra que a maioria das instituições de ensino superior chinesas abre portas no final de Agosto e que é normal os estudantes viajarem antecipadamente para esses locais para se ambientarem à nova realidade. Por esse motivo, Chan Hou Nam mostra-se preocupado que as medidas fronteiriças actualmente em vigor, que obrigam a quem se desloca de Macau para Zhuhai a fazer quarentena, possam impor constrangimentos nas inscrições e na procura de alojamento. Isto, tendo em conta que a oferta de quartos para o efeito na região vizinha está muitas vezes esgotada, devido à elevada procura e que não há voos directos a partir de Macau para muitas regiões do Interior da China.
4 política
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O Comissariado SEGURANÇA NACIONAL À FRENTE DE DIREITOS E LIBERDADES do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China em Macau afirmou que “nenhum direito e liberdade pode romper a linha de fundo da segurança nacional”, numa resposta a críticas da ONU. O Gabinete de Ligação destaca liberdades e direitos sem precedentes na história de Macau
de votarem em genuínas eleições”. Uma preocupação reforçada pela desqualificação de candidatos pró-democracia em Julho do ano passado, justificada pelo facto de “não serem leais a Macau”. Outro ponto diz respeito à independência dos tribunais. “O comité está preocupado com a “pré-selecção de juízes que estejam de acordo com os critérios para julgar casos que envolvam a segurança nacional”, afirmou.
GCS
A lei mais forte
N
A semana passada, o Comité dos Direitos Humanos das Nações Unidas emitiu um relatório sobre a implementação em Macau do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, que motivou uma resposta forte do secretário para a Segurança Wong Sio Chak. Um dia depois, na sexta-feira, foi a vez das entidades que representam o Governo Central na RAEM denunciarem as conclusões do organismo das Nações Unidas. “Deve salientar-se que qualquer direito deve ser exercido de acordo com a lei, e que não há liberdade de imprensa e de manifestação no mundo que esteja acima da lei”, destacou em comunicado Liu Xianfa, comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China na RAEM. Na mesma nota, o comissariado sublinhou que “nenhum direito e liberdade pode romper a linha de fundo da segurança nacional”. Afinal, acrescentou, “o sistema
democrático da RAEM está de acordo com o princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ e o estatuto constitucional de Macau, e é conducente à salvaguarda dos direitos democráticos dos residentes de Macau e à manutenção da prosperidade e estabilidade” do território. O Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM também reagiu “às chamadas conclusões” do Comité dos Direitos Humanos num artigo publicado na agência estatal Xinhua. “Alguns conteúdos são baseados em informação ou fontes não verificadas, que não se alinham com a realidade. As críticas à situação dos direitos humanos em Macau são tendenciosas e sem fundamento”, argumentou o porta-voz do Gabinete de Ligação. O responsável sublinhou que o Gabinete de Ligação do Governo
Central na RAEM irá continuar a apoiar o Governo local na “firme salvaguarda dos direitos fundamentais e liberdades de que gozam os residentes de Macau, ao abrigo da Lei Básica, e na implementação do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, de acordo com a Lei Básica”. O representante argumentou ainda que a implementação bem-sucedida do princípio “Um País, Dois Sistemas” recebeu aclamação universal, e que os residentes da RAEM gozam de uma amplitude de direitos e liberdade sem precedente, algo que “pode ser comprovado por quem não encara a situação com preconceito”.
Daqui a seis anos
Macau já tinha repudiado, na véspera, as críticas do Comité
dos Direitos Humanos das Nações Unidas, que pediu mudanças na Justiça, sistema eleitoral e defesa de liberdades para se evitarem violações do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos. As autoridades de Macau manifestaram a sua firme oposição a algumas das conclusões do comité, no âmbito da avaliação periódica da implementação do pacto, sustentando que os responsáveis da ONU não compreendem a interpretação da Lei Básica de Macau e garantindo a independência do sistema judicial. Um dos pontos destacados no relatório do comité divulgado na quarta-feira prende-se com o sistema eleitoral, já que as autoridades “não expressaram qualquer intenção de instituir o sufrágio universal para garantir o direito de todas as pessoas
TRABALHO ELLA LEI PEDE MAIS APOIOS PARA DESEMPREGADOS
C
OM os números do desemprego a dispararem para valores impensáveis há alguns anos, a deputada Ella Lei quer saber quais são as medidas estruturais do Governo para resolver a situação. A pergunta faz parte de uma interpelação, em que a legisladora ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau aponta que entre os 13 mil desempregados, uma grande proporção encontra-se sem emprego há vários meses. Ella Lei questiona assim o Governo sobre as medidas que
visa tomar para este problema social, além do pacote de apoios económicos no valor de 10 mil milhões de patacas. Como é que as autoridades vão ajudar os residentes desempregados a encontrar empregos?”, perguntou. “O Governo disse anteriormente que ia utilizar de forma racional os recursos financeiros para relançar a economia. Quais são as medidas concretas tenciona implementar para a promoção do emprego?”, questionou. Segundo as estatísticas oficiais, entre os 13 mil de-
sempregados, 6.400 estão sem emprego há mais de quatro meses. Também de acordo com os dados oficiais, cerca de 7.200 desempregados têm idades entre os 25 e 44 anos. Face ao surto mais recente, que dura há mais de um mês e se encontra em “fase de estabilização”, Ella Lei quer saber quando vão ser retomados os programas de procura de emprego promovidos pela Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais. A legisladora pergunta ainda, face
“O sistema democrático da RAEM está de acordo com o princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ e o estatuto constitucional de Macau, e é conducente à salvaguarda dos direitos democráticos dos residentes de Macau e à manutenção da prosperidade e estabilidade.”
a tanta restrição, quando os desempregados vão poder começar a frequentar entrevistas de emprego. Por último, e à imagem da agenda política da FAOM, Ella Lei está preocupada que os trabalhadores não-residentes fiquem com os trabalhos dos locais, ou que impeçam que estes seja contratados. A deputada pergunta como é que o Executivo de Ho Iat Seng vai tomar medidas para garantir a prioridade dos locais no acesso ao emprego.
LIU XIANFA COMISSÁRIO DO MNE NA RAEM
O comité expressou também preocupação com “a deterioração” da liberdade de expressão, de imprensa e do direito à manifestação em Macau em recentes anos. No documento da ONU pede-se igualmente que Macau “considere descriminalizar a difamação e os insultos à bandeira nacional, símbolos e hino”, sublinhando que a pena de prisão prevista “nunca é uma pena apropriada para a difamação”. O comité pediu a Macau que submeta em Julho de 2028 o próximo relatório sobre a implementação do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, um dos instrumentos que constituem a Carta Internacional dos Direitos Humanos da ONU. João Luz com LUSA
Grande Baía Ho Iat Seng e John Lee no lançamento de TV e rádio
Ho Iat Seng e John Lee participaram sexta-feira na cerimónia de lançamento da Televisão Grande Baía e Rádio Rio das Pérolas, através de vídeos de felicitações. Ho Iat Seng afirmou-se esperançado de que a nova televisão e rádio difundam as características especiais de Macau, contem bem a história da implementação gloriosa do princípio “Um País, Dois Sistemas” e ofereçam programações com conteúdos populares. John Lee apontou que o Governo de Hong Kong vai continuar a impulsionar a cooperação e o intercâmbio audiovisuais com as televisões do Interior da China. A Televisão Grande Baía e a Rádio Rio das Pérolas têm como público alvo Guangdong, Hong Kong e Macau, assim como o público cantonense no exterior.
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DESEMPREGO TAXA SUBIU PARA 3,7% ENTRE ABRIL E JUNHO
E
NTRE Abril e Junho, a taxa de desemprego de Macau subiu 0,2 por cento para 3,7 por cento “devido ao novo surto pandémico”, representado uma população desempregada de 13.900 pessoas, ou seja, mais 1.100 relativamente ao primeiro trimestre. Segundo dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) na sexta-feira, a taxa de desemprego dos residentes foi de 4,8 por cento, uma subida de 0,3 por cento em relação ao período compreendido entre Janeiro e Março deste ano. De destacar que, a maioria dos desempregados à procura de novo emprego, trabalhou anteriormente “no ramo de actividade económica das lotarias, outros jogos de aposta e actividade de promoção de jogos e no ramo da construção”, representando 7,0 por cento do total da população desempregada. Já a população subempregada fixou-se em 15.700 pessoas, ou seja mais 3.000, em relação ao período anterior, devido à necessidade de suspender ou reduzir as actividades ao mínimo. Contas feitas, o número total de empregados diminuiu em 7.000 pessoas, em termos trimestrais, destacando-se que o número de residentes empregados desceu 3.400 pessoas. O sector do jogo, que emprega cerca de 70 mil funcionários, e da construção civil, que emprega cerca de 29 mil trabalhadores, foram os mais afectados, representando perdas de 3.100 e 3.000 mil trabalhadores, respectivamente em relação ao primeiro trimestre do ano. Em sentido contrário, o número de empregados no sector da educação (21.400) subiu 2.400 pessoas. Amediana do rendimento mensal do emprego da população empregada cifrou-se em 15.300 patacas, menos 700, em termos trimestrais. P.A.
sociedade 5
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CASO JOHN MO TUI CONFIRMA CONDENAÇÃO DE SEIS ANOS POR ABUSO SEXUAL
Em parte incerta
O Tribunal de Última Instância confirmou a condenação de John Mo pelo crime de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência. Se não for entregue pelas autoridades do Interior, o ex-director da Faculdade de Direito da Universidade de Macau não deverá cumprir pena
John Mo
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Tribunal de Última Instância (TUI) manteve a condenação a seis anos de prisão para John Mo, antigo director da Faculdade de Direito da Universidade de Macau, pelo crime de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência. A decisão foi tomada na passada quarta-feira e coloca um ponto final num caso que se arrastava desde 2018. Foi nesse ano que John Mo terá cometido o abuso contra uma aluna de mestrado de outra instituição local que não a Universidade de Macau. O episódio aconteceu durante uma saída à noite, numa sala de karaoké e foi registado pelas
câmaras de videovigilância. A vítima era casada, tinha terminado os estudos, e terá apresentado a queixa antes de regressar ao Interior, de onde é natural. Em Fevereiro de 2019, na primeira decisão sobre o caso, o Tribunal Judicial de Base (TJB) absolveu John Mo do crime de violação, de
John Mo foi condenado com uma pena de prisão de seis anos e a pagar indemnização de 100 mil patacas por danos não patrimoniais
que estava inicialmente acusado. Na perspectiva do colectivo de juízes do TJB, não havia relação de poder entre os dois, e a mulher teve várias oportunidades para deixar a sala de karaoké, onde o crime aconteceu, porém, nunca mostrou resistência face aos avanços do académico. O TJB também colocou a hipótese de a queixa ter sido apresentada devido ao facto da mulher ir regressar ao Interior, onde tinha o marido à sua espera, e precisar de justificação para as marcas que apresentava no pescoço.
Volte-face
A decisão da primeira instância permitiu a John Mo sair da prisão
CONCESSÕES EVENTOS DESPORTIVOS E MUSICAIS ENTRE CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO
O
programa do concurso para a atribuição das novas licenças de jogo inclui critérios de avaliação como a intenção de promover espectáculos com estrelas internacionais do mundo da música, grandes eventos desportivos, museus temáticos e aposta no turismo marítimo e área da saúde. A informação foi avançada ontem pela TDM - Rádio Macau, que teve acesso ao programa do concurso internacional do jogo em curso até 14 de Setembro. Além destes, os concorrentes serão ainda valorizados caso apresentem propostas que mostrem inovação científica e tecnológica, promovam a gastronomia local, melhorem as salas de espectáculo de Macau, realizem
festivais de música e cinema e construam museus temáticos, galerias de arte e teatros. Da lista de critérios fazem ainda parte propostas que potenciem o desenvolvimento da indústria televisiva, a realização de eventos literários e artísticos de nível mundial e a reabilitação das áreas urbanas circundantes, através da instalação de arte pública, esplanadas e zonas verdes. Quanto à área da saúde e bem-estar, as futuras operadoras devem apostar em produtos turísticos que visem prestar assistência médica e cuidados de saúde e beleza. As propostas devem ainda incluir actividades de lazer aquático, passeios, competições desportivas marítimas e produtos de turismo costeiro.
e deixar o território, pelo que não deverá cumprir pena, a não ser que seja entregue à RAEM pelas autoridades do Interior. As notícias mais recentes sobre o seu paradeiro são de Junho de 2021, quando a publicação Mariana Variety revelou que o académico estava em Saipan, nas Ilhas Marianas do Norte, como consultor jurídico de Cui Li Jie, ex-presidente da empresa Imperial Pacific International. No entanto, o Ministério Público não aceitou a absolvição e apresentou recurso. O Tribunal de Segunda Instância aceitou o recurso, e considerou que não estava em causa o crime de violação, mas antes de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência. John Mo foi assim condenado a uma pena de prisão de seis anos e a pagar indemnização, por danos não patrimoniais, no valor de 100 mil patacas. A defesa de John Mo, liderada pela advogada Oriana Pun, apresentou recurso da condenação, mas o TUI confirmou a decisão no que diz respeito à matéria criminal e manteve a condenação a seis anos de prisão. Em relação a recurso relativo ao pagamento da indemnização de 100 mil patacas, a decisão também foi mantida, uma vez que o TUI recusou analisar a matéria. João Santos Filipe
Inquérito 47 por cento das PME em risco de falência
Um inquérito da Aliança do Povo de Instituição de Macau indica que 47 por cento das empresas do território correm o risco de encerrar. De acordo com a vice-presidente da associação ligada à comunidade de Fujian, Chan Peng Peng, o estudo reuniu 1262 inquéritos a pequenas e médias empresas. Cerca de 90 por cento admitiram estar em apuros financeiros, enquanto 40 por cento apontaram dificuldades em manter o negócio solvente. Em declarações ao jornal Ou Mun, a representante concluiu que apenas 9,9 por cento dos empresários inquiridos entende que o seu negócio não está em perigo, enquanto 73 por cento encaram o futuro com pessimismo, prevendo quebras de receitas de 50 por cento na segunda metade do ano. A dirigente associativa sublinhou que 71 por cento dos inquiridos indicaram não ter sido beneficiados pelo novo plano de apoios económicos.
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A outra pand
Desde Janeiro registaram-se 53 suicídios em Macau, número que se aproxima dos totais de 2021 (60), 2020 (76) e 2019 (66). Destes, 10 coincidiram com a imposição de apertadas medidas anti-epidémicas durante o surto, incluindo o confinamento parcial da cidade. As autoridades de saúde admitem o problema e apelam à população para estar atenta e pedir ajuda psicológica
É
um registo negro que continua a adensar-se à medida que o tempo passa e a normalidade tarda em chegar, devido as medidas de prevenção inerentes à covid-19. Desde o início do ano até à passada sexta-feira, ou seja, em menos de sete meses, registaram-se 53 suicídios em Macau, número que se aproxima do valor total dos anos 2021 (60), 2020 (76) e 2019 (66). Os dados foram revelados no sábado pela TDM-Canal Macau, com base em informação compilada a partir de notificações da Polícia Judiciária (PJ), enviadas
aos meios de comunicação social aquando da ocorrência destes casos. Segundo a análise, é possível ver que, entre Janeiro e Julho de 2022, houve quase tantos suicídios do que os registados ao longo de todo o ano de 2021, período em que houve, no total, 60 ocorrências. Além disso, dos 53 casos reportados pela PJ, 10 ocorreram entre Junho e Julho, meses marcados pela imposição de rigorosas medidas restritivas à população, nomeadamente o confinamento parcial da cidade e o encerramento de praticamente todas as actividades consideradas “não essenciais”. Recorde-se que, durante parte deste período, os cidadãos foram proibidos de sair à rua, incluindo para fazer exercício físico ou passear animais de estimação, estando limitados à compra de bens em supermercados e à participação em testes em massa. Dos 53 casos registados desde o início do ano, o último ocorreu na passada sexta-feira e diz respeito a uma mulher de 24 anos que saltou de um prédio localizado na Taipa. A partir da compilação de dados feita pela TDM-Canal Macau é possível ver que, do total, 46 pessoas são residentes de Macau e sete são não-residentes. A maioria dos casos pertence às faixas etárias entre 30 e 40 anos, 50 e 60 anos e entre 70 e 80 anos. De frisar ainda que, das 53 mortes por suicídio, 12 sofriam de doenças, quatro estavam desempregados e não conseguiam arranjar trabalho e que 12 deixaram notas à família.
No último mês registou-se ainda uma tentativa de suicídio numa zona vermelha, referente a um homem de 30 anos que pretendia saltar do edifício onde estava confinado, mas acabou persuadido pelos bombeiros a desistir da ideia. Recorde-se que, no primeiro trimestre deste ano, o número de mortes por suicídio em Macau quase triplicou, dado que, entre Janeiro e Março de 2022, 28 pessoas cometeram suicídio, ou seja, mais 18 casos (180 por cento) em comparação com o mesmo período do ano passado, altura em que foram registados 10 casos.
LUSA
SUICÍDIOS MAIS DE 50 CASOS DESDE JANEIRO. REGISTADAS 10 MORTES ENTRE JUNHO E JUL
Entre Janeiro e Julho de 2022, houve quase tantos suicídios do que os registados ao longo de todo o ano de 2021 Na altura, os Serviços de Saúde disseram que a situação “não pode ser ignorada” e apontaram como possíveis causas dos suicídios registados no primeiro trimestre de 2022, problemas financeiros, relacionados com jogos de azar e ainda, doenças crónicas, físicas ou mentais. Além disso aconselharam “manter um estilo de vida saudável”, que inclua uma dieta equilibrada, exercício físico e sono adequado, que prescinda do consumo de tabaco e álcool e privilegie o “relaxamento”, soluções
ANDRÉ CHEONG POLÍTICA DE ZERO CASOS É PARA MANTER APESAR DOS CUSTOS
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secretário para a Administração e Justiça, André Cheong reiterou na passada sexta-feira que a política de zero casos de covid-19 é para manter em Macau. Isto, apesar dos elevados custos que a manutenção da estratégia implica para os cofres públicos. “Nos últimos dois anos, o Governo tem adoptado a política de zero infecções, que se
articula com a realidade e as necessidades de Macau em prol da saúde dos cidadãos. Creio que esta medida tem de ser implementada independentemente do dinheiro que implica gastar. Já tinha dito que, não só o surto, mas também a pandemia, vai passar. Além disso, as medidas que adoptamos e a forma como as aplicamos, incluindo ao nível das
quarentenas, vão melhorar gradualmente”, começou por dizer, segundo a TDM-Canal Macau, na conferência de imprensa destinada a apresentar a nova ronda de apoios à população e às empresas. Recorde-se que a reserva financeira perdeu mais de 10 por cento do seu valor desde o início de 2022 e mais de 100 mil milhões de
patacas no período de ano e meio, tendo atingido o máximo de 663 mil milhões de patacas em Fevereiro de 2021. Além da pandemia, também a necessidade de retirar mais 70 mil milhões de patacas para o orçamento contribuiu para o emagrecimento da reserva financeira. “Não é porque as despesas estão a aumentar que vamos alterar as
políticas de prevenção e controlo epidémicas adoptadas nos últimos dois anos. O Governo tem utilizado de forma escrupulosa a reserva financeira de Macau. Face à pandemia temos sido muito prudentes na utilização da reserva, tanto ao nível dos apoios aos residentes como dos apoios aos estabelecimentos comerciais”, acrescentou André Cheong. P. A.
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especial covid-19 7
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parcialmente impedidas de ser concretizadas devido às medidas impostas durante o último surto, que teve início a 18 de Junho.
HOJE MACAU
LHO
Poucas soluções
Confrontadas com os 53 casos dos últimos sete meses, as autoridades de saúde admitiram o problema e aconselharam os residentes com problemas de saúde mental, devido ao confinamento, a pedir ajuda. “Muitas pessoas tiveram que ficar em isolamento, inclusivamente as pessoas infectadas tiveram que ficar mais tempo em observação médica. O Instituto de Acção Social [IAS] tem vindo a acompanhar de perto estes casos”, começou por dizer, o médico-adjunto da direcção do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Lei Wai Seng, segundo a TDM-Canal Macau. “Para alem de receberem tratamento, as pessoas que estão em isolamento também podem pedir aconselhamento psicológico. Podemos ver que há muita pressão na nossa sociedade, incluindo a questão do emprego ou até conflitos familiares devido ao período de isolamento. Apelo que, caso os residentes tenham essa necessidade, podem ligar ao IAS, pedir apoio através do website ou ligar para a linha de aconselhamento psicológico, não devendo acumular esses problemas e chegar a uma situação extrema. Os nossos serviços de urgência também prestam tratamento psicológico para as pessoas necessitadas”, acrescentou. De frisar que, os Centros de Saúde do Tap Seac, Fai Chi Kei, Areia Preta, Ilha Verde, Jardins do Oceano, Nossa Senhora do Carmo — Lago, e Praia do Manduco, subordinados dos Serviços de Saúde, foram abertas consultas externas de saúde mental. Caso tenha pensamentos suicidas e necessite de auxílio, pode ligar para o Serviço de Auxílio da Cáritas, através do número 2852 5222, em chinês, ou do número 2852 5777, em inglês. Pedro Arede
Cotai para sempre Macau era ‘rei mundial do jogo’, agora tem de se reinventar, diz Sales Marques
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economista José Sales Marques disse à Lusa que Macau tem “muito trabalho pela frente” para reinventar a indústria do jogo, depois de ter perdido para Las Vegas o estatuto de capital mundial dos casinos. O facto de nos primeiros cinco meses do ano as receitas de Las Vegas terem superado as da cidade asiática, quando antes da pandemia o território angariava seis vezes mais do que aquelas no estado norte-americano de Nevada, traduz “o grande tombo de Macau”, sublinhou. “É inconcebível. É difícil de visualizar o grande tombo que foi. Mas se formos ver os casinos e as ruas, percebemos”, acrescentou. “A covid-19 afectou Macau, mas curiosamente, este é o pior ano de todos”, lamentou Sales Marques. “Até 2019 éramos reis absolutos, tínhamos seis vezes mais receitas do que Las Vegas. Estávamos nesse patamar muito alto. E agora, chegamos a ter menos dez vezes as receitas”, destacou, lembrando que a riqueza dos ganhos na indústria do jogo também era possível observar no produto Interno Bruto (PIB) ‘per capita’, que entre 2019 e 2021 desceu para quase metade. Os números deixam perceber “a dimensão das dependências internas e externas de Macau”, sustentou. “Fora de Macau, e para além da covid-19, há dois aspectos a ter em conta, muito importantes: as medidas de controlo de fluxo de capitais e a repressão à promoção
APOIOS DISTRIBUIÇÃO FINANCEIRA COMEÇA A PARTIR DE 17 DE AGOSTO
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apoio financeiro destinado à população e empresas, para fazer face à crise gerada pela covid-19 vai começar a ser distribuído a partir de 17 de Agosto, esperando-se que beneficie mais de 280 mil residentes, entre trabalhadores, profissionais liberais e responsáveis de estabelecimentos comerciais. “A partir de 17 de Agosto, vamos iniciar a transferência bancária dos respectivos montantes e serão enviados, faseadamente, os cheques cruzados. Prevemos con-
seguir enviar todos os cheques em Agosto. Quanto aos trabalhadores [beneficiados] serão 231 mil, os profissionais liberais serão cerca de 10 mil (…) e os operadores de estabelecimentos comerciais serão cerca de 39 mil”, detalhou na sexta-feira o director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong, segundo a TDM - Rádio Macau. Recorde-se que o Governo vai entregar uma verba de 15 mil patacas aos trabalhadores que tenham apresentado rendimentos totais inferiores a 600 mil patacas
nos dois últimos anos. Este apoio inclui “os trabalhadores elegíveis cujos trabalhos foram suspensos, encontrando-se em situações de desemprego ou subemprego”. Os profissionais liberais também são abrangidos pelas medidas e, caso tenham declarado rendimentos inferiores a 240 mil patacas em 2021, terão direito a um apoio entre 15 e 300 mil patacas. Aos condutores de táxi, condutores de triciclo, vendilhões e arrendatários de bancas, guias turísticos, condutores
de táxi-marítimo, pescadores e mediadores de seguros, será atribuído um apoio pecuniário de 10 mil patacas. Por fim, os empresários de estabelecimentos comerciais que tenham declarado no ano passado um lucro inferior a 600 mil patacas vão receber um valor entre 30 mil patacas e 500 mil patacas. A medida vai custar ao Governo 8.563 milhões de patacas e inclui ainda uma ajuda às empresas, através da concessão de empréstimos bonificados.
do jogo” entre os grandes apostadores no interior da China, salientou.
Carga de trabalhos
Com a nova lei do jogo e com o lançamento do novo concurso para atribuição de seis licenças para operar casinos, tudo parece convergir para um facto, frisou: “Macau tem muito trabalho pela frente e o grande desafio de diversificar produtos e mercado”. Se em 2001 havia um mercado desconhecido pela frente, aquando da atribuição das primeiras licenças, agora as autoridades e as operadoras também vivem “alguma incerteza”, até porque “o modelo seguido até aqui parece esgotar-se”, concluiu. Apesar de não ser conhecido o caderno de encargos do concurso, o economista chamou a atenção para a ênfase que o Governo está a dar na valorização das propostas que contemplem a vertente não-jogo e “a grande força que está a fazer para a diversificação de produtos e de mercado”. Afinal, defendeu, antecipa-se uma queda no mercado chinês, que tem alimentado a indústria do jogo em Macau, e “é preciso saber mobilizar clientes para o jogo, mas não só, que venham de outras proveniências”. Só que, sublinhou, esse trabalho não vai ser fácil, porque, por um lado Macau estava habituado ao mercado chinês, mas, por outro, porque ao nível do turismo tem de contar com forte competição de outras cidades, como Hong Kong e Cantão, exemplificou. “Há muito trabalho para fazer”, enfatizou.
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1.8.2022 segunda-feira
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DIPLOMACIA BIDEN E XI PONDERAM ENCONTRO PRESENCIAL
De olhos nos olhos Apesar das tensões entre os dois países, Joe Biden e Xi Jinping admitem encontrar-se. Caso tal venha a acontecer, será o primeiro encontro presencial entre os dois líderes desde que Biden tomou posse
queimar”, disse o chefe de Estado chinês ao homólogo norte-americano, citado pela agência noticiosa oficial chinesa Xinhua (Nova China). O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China divulgou, através de um comunicado, que Xi Jinping pediu ao homólogo norte-americano que os Estados Unidos “sigam o princípio ‘uma só China’”. Durante a conversa telefónica, o Presidente chinês reiterou a Biden a oposição da China “ à independência de Taiwan» e à “interferência externa”.
Por outro lado
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S Presidentes norte-americano e chinês deixaram em aberto um possível encontro presencial, durante a longa conversa telefónica de quinta-feira, centrada nas tensões sobre Taiwan, que levaram Xi Jinping a avisar Joe Biden para não “brincar com o fogo”. Segundo uma autoridade norte-americana, que falou à agência France-Presse (AFP) sob a condição de anonimato, os dois chefes de Estado concordaram “que as suas equipas vão fazer um esforço para encontrar um momento ideal para os dois”.
No entanto, não foi antecipado qualquer cronograma para aquele que será o primeiro encontro presencial desde que Biden assumiu a administração dos EUA. Washington e Pequim descreveram o telefonema, o quinto entre os dois líderes, como “sincero e apro-
fundado”, um termo diplomático que antecipa que as divergências entre os dois países continuam complexas. Segundo os ‘media’ estatais chineses Xi Jinping avisou Joe Biden para não “brincar com o fogo” em relação a Taiwan. “Aqueles que brincam com o fogo acabam por se
A conversa acontece num momento em que se fala de uma possível visita a Taiwan da líder da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, em Agosto, situação que está a intensificar a tensão entre Washington e Pequim
Do lado do Presidente norte-americano, Joe Biden disse ao homólogo chinês que a posição de Washington sobre Taiwan “não mudou” e que continua a opor-se “firmemente” a qualquer esforço unilateral para alterar o estatuto daquele território. “Os Estados Unidos opõem-se firmemente aos esforços unilaterais para alterar o estatuto ou ameaçar a paz e estabilidade no estreito de Taiwan”, que separa a China da ilha, referiu a administração norte-americana. A conversa acontece num momento em que se fala de uma possível visita a Taiwan da líder da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, em Agosto, situação que está a intensificar a tensão entre Washington e Pequim. Pelosi ainda não anunciou oficialmente nenhuma viagem a Taiwan, mas o Governo chinês tem vindo a alertar que responderá com “medidas fortes” se a visita se confirmar. Embora as autoridades norte-americanas visitem Taiwan com frequência, Pequim considera a viagem de Pelosi, uma das figuras mais altas do Estado norte-americano, uma grande provocação. As relações entre os dois países começaram a deteriorar-se em 2018, quando o então Presidente dos EUA, Donald Trump, iniciou uma guerra comercial com a China que se estendeu depois ao sector da tecnologia e diplomacia. As tensões EUA-China não se cingem apenas a esta possível viagem, ou à situação de Taiwan, e nenhum progresso terá sido alcançado, durante a conversa telefónica, sobre as taxas aduaneiras impostas a produtos chineses ainda por Donald Trump e que Joe Biden pode aumentar para combater a inflação no seu país.
TAIWAN RÚSSIA APOIA PEQUIM E AVISA EUA
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Rússia manifestou sexta-feira o seu apoio à China numa altura de fortes tensões sobre a questão de Taiwan, alertando os Estados Unidos da América (EUA) contra quaisquer medidas “provocatórias” que possam agravar a situação. Na quinta-feira, durante uma conversa telefónica com o homólogo norte-americano, Joe Biden, o Presidente chinês, Xi Jinping, avisou Washington para não “brincar com o fogo” em relação a Taiwan (ver texto principal). Sexta-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, reagiu à conversa entre os líderes chinês e norte-americano, afirmando que a Rússia apoia firmemente a soberania e a integridade territorial da China. “Acreditamos que nenhum outro país tem o direito de colocar isso em dúvida ou tomar medidas provocatórias”, disse Peskov, referindo-se à disputa sobre a soberania de Taiwan, reclamada por Pequim. Nas mesmas declarações, Peskov advertiu os EUA contra eventuais movimentos “destrutivos”, acrescentando que “tal comportamento na arena internacional só pode exacerbar as tensões, pois o mundo já está sobrecarregado com problemas regionais e globais”.
PORTO GRUPO ALIBABA INAUGURA O PRIMEIRO CENTRO DE SERVIÇOS NO CONTINENTE EUROPEU
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empresa chinesa Alibaba Cloud anunciou a abertura no Porto do primeiro centro de serviços na Europa, “para responder à crescente procura por serviços digitais” também em África e no Médio Oriente. Num comunicado, a Alibaba Cloud disse que
o novo centro, inaugurado na quinta-feira em parceria com a Teleperformance, vai disponibilizar apoio pós-venda a 88 países nas três regiões. O director-geral do serviço técnico internacional da Alibaba Cloud, Li Jin, disse que o centro do Porto
“representa um novo reforço da capacidade de apoio técnico no estrangeiro” para a empresa chinesa. O centro vai ajudar a Alibaba Cloud a “servir os mercados estrangeiros de forma mais eficiente e inteligente”, acrescentou Li Jin.
O centro de serviços do Porto é o primeiro de três centros internacionais que a empresa decidiu criar. Os outros dois, na Cidade do México e na capital da Malásia, Kuala Lumpur, deverão abrir ainda este ano, referiu o comunicado. A Alibaba Cloud sublinhou
que as três cidades são “centros locais de tecnologias de informação com ricas reservas de talento, convenientes para a criação de grandes centros de serviço com capacidades multilinguísticas”. A presidente da unidade internacional da Alibaba
Cloud, Yuan Qian, sublinhou que os novos centros vão ajudar a empresa chinesa a melhor “compreender e respeitar as regras sobre segurança de dados de diferentes países”. A Alibaba Cloud faz parte do grupo tecnológico chinês Alibaba.
segunda-feira 1.8.2022
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Como Li Song viu a onda sob o luar PAULO MAIA E CARMO texto e ilustração
«Montanhas verdes atrás de montanhas, mansões atrás de mansões,/ Quando terminarão as canções e as danças no Lago do Oeste?/ Um vento quente aquece os visitantes, tornando-os desnorteados,/ Parece que a justa Hangzhou se vai assemelhando à velha capital, Bianzhou.»
Su Shi (1036-1101) preservou em emocionantes poemas a árdua experiência de estar no meio de tempestades embarcado no meio de um rio. Quando em 1082 escreveu as suas reflexões sobre o passado e as guerras no Penhasco Vermelho (Qianchibi fu) após uma viagem com amigos no rio Changjiang, foi esta situação que o poeta descreveu como «pairávamos livres como se tivéssemos deixado o mundo para trás, nos tivessem nascido asas e voássemos como os imortais», que se tornou de tal modo visual que os pintores repetidamente a evocariam. Como no caso de uma notável pintura feita alguns anos após a morte do poeta e que o mostra nessa embarcação com amigos no meio das ondas e rochedos sem margens e, o único vestido de vermelho é o poeta que volta a cabeça para um penhasco. Essa memória visual (folha de álbum montada como rolo vertical, tinta e cor sobre seda, 24,7 x26,3 cm, no Museu NelsonAtkins) é atribuída a um pintor de Hangzhou, que estava ao serviço da corte, num tempo em que era fluida a fronteira entre os pintores literatos e académicos, e se notabilizaria por ilustrações da irrupção do incomum no habitual da vida quotidiana, chamado Li Song (1166-1243). Existiria uma afinidade do pintor com o poeta atento às mudanças e que anotava as permanências, como ele escreve no poema da Lua do meio-Outono (…) «A Via Láctea está silenciosa, volto-me para o prato de jade,/ O bem desta vida não durará muito tempo./ No próximo ano onde observarei
a lua brilhando?» Essa mesma velha lua do meio-Outono cuja claridade na disponibilidade da noite, permite reconhecer os amigos foi observada por Li Song através de um espantoso fenómeno natural que ocorre anualmente perto de Hangzhou. Em Observando a onda numa noite de luar (folha de álbum, tinta e cor sobre seda, 22,3 x 22 cm, no Museu do Palácio em Taipé) o pintor alcança uma memorável síntese poética. Li Song dispôs os poucos elementos da sua pintura num cuidadoso equilíbrio. Uma mansão construída à beira das águas colocada entre duas árvores nuas, com um pátio onde estão rochas e pinheiros, dentro da casa pequenas personagens deixadas em branco, parecem fantasmas, como se adquirindo a cor da lua, que na pintura tem uma coloração que dir-se-ia humana. Só algumas estão na varanda a assistir a essa violenta maré que empurra as águas do rio Qiantang no equinócio do Outono, fazendo-as correr ao contrário e é um acontecimento raro no mundo (no Brasil designado pororoca) e é o que ocupa o centro da pintura. Está alinhada debaixo da lua e de uma inscrição que refere que é preciso abrir a porta e «observar a onda nocturna sob o luar» e é acompanhada pelo vistoso carimbo da Senhora Gongsheng (1162-1233) a imperatriz Yang dos Song, que nas suas três linhas cortadas é o trigrama kun, da terra, o receptivo, que dialoga com a onda dita localmente do «dragão de prata», yinlong.
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Anúncio Programa de Reforço da Inovação Científica e Tecnológica para o ano de 2022 (1)
Objectivo Para se articular com os objectivos da política de desenvolvimento científico e tecnológico da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), apoiar os jovens investigadores a dedicarem-se à investigação da tecnologia, aumentar a capacidade do pessoal científico e tecnológico de investigação primária na investigação inovadora, e melhorar a capacidade da inovação científica e tecnológica de Macau, promovendo assim o papel e a contribuição da inovação científica e tecnológica para o desenvolvimento social.
(2)
Alvos de Patrocínio (i) Instituições de ensino superior sujeitas à tutela do Governo da RAEM; (ii) Laboratórios ou outras entidades da RAEM vocacionados para actividades de investigação e desenvolvimento (I&D) científico e tecnológico; (iii) Instituições privadas sem fins lucrativos registadas na RAEM.
(3)
Valor de Apoio Financeiro O montante de candidatura de cada projecto não pode exceder 500.000,00 (quinhentos mil) patacas.
(4)
Duração do apoio financeiro O prazo do apoio financeiro de projecto é de 12 a 24 meses.
(5)
Data do Pedido De 1 de Agosto a 31 de Agosto de 2022
(6)
Forma do Pedido Através do sistema informático - “online” do FDCT (website: www.fdct.gov.mo). Endereço: Avenida do Infante D. Henrique N.º 43-53A, Edf. “The Macau Square ”, 11.º andar K, Macau. Para informações: tel. 28788777.
(7)
Condições de Autorizações Por despacho do Chefe do Executivo nº 64 /2021, processa o <<Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro>>. A aprovação leva em conta especialmente os seguintes elementos: (i) Valor da aplicação tecnológica do projecto; (ii) Capacidade da entidade candidata para executar o projecto; (iii) Viabilidade e programa de trabalhos; (iv) Razoabilidade orçamental; (v) Resultados esperados da investigação; (vi) O efeito do projecto no reforço da capacidade de investigação científica dos participantes. O Presidente do C. A. do FDCT, Chan Wan Hei 2022 / 07 / 29
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Mário Duarte Duque*
PLANEAMENTO GERAL DO TRÂNSITO E TRANSPORTES TERRESTRES DE MACAU I – DOS PONTOS DE PARTIDA De entre as perspectivas de futuro a que o surto pandémico se substituiu e retirou visibilidade, encontra-se o Planeamento Geral do Trânsito e Transportes Terrestres de Macau, colocado a consulta pública, a qual terminou no próximo dia 31 de Agosto. Ou seja, algo de que a RAEM necessariamente depende, e logo no primeiro dia em que os “habitantes” da RAEM deixem de estar confinados (importa a designação de habitantes porque é a única que representa quem efectivamente aqui vive). Quando as prioridades se substituem, quase se anulam, mas que inevitavelmente se retomam, isso obriga a um esforço de reconstituição do que efectivamente tiveram como ponto de partida. O Planeamento Geral do Trânsito e Transportes Terrestres de Macau (diga-se RAEM) faz parte de um conjunto de planos temáticos ou de especialidade, que não tendo sido já introduzidos no Plano Director, surgem necessariamente a jusante. Devem pautar-se pelo comando do Plano Director, e são necessariamente sua consequência. Partindo daqui, extrai-se naturalmente que, de um Plano Director, que não se interessou pelo centro da cidade, não apenas o Centro Histórico, mas antes todos os sítios que se encontram no topo da hierarquia de uma teoria urbanística de “lugares centrais”, e que se debruçou predominantemente sobre as periferias e sobre a integração regional, era espectável que ao subsequente Planeamento Geral do Trânsito e Transportes Terrestres de Macau, também não interessasse o centro da cidade, como não interessou. A razão por que assim aconteceu pode tanto ter resultado de o Plano Director não ter formulado as directrizes necessárias para o centro da cidade, como essa ausência ser a própria directriz. Na história das cidades, as primeira grandes infra-estruturas de transportes urbanos, fossem pontes, fossem caminhos de ferro, tiveram como prioridade a acessibilidade aos centros. Desse propósito não se consegue distinguir se na altura o sentido foi de afirmação desses centros, ou já um dependência de apetrechamento funcional. Sabe-se que esses centros se reforçaram com infra-estruturas diversas, nomeadamente de transportes, e admite-se que se teriam extinguido funcionalmente se esse apetrechamento não tivesse acontecido. A determinação dessas iniciativas mede-se também pela complexidade e pelo engenho do que foi realizado. Os centros são mor-
fologicamente e funcionalmente complexos, as solução são necessariamente engenhosas, a perturbação com o curso dos trabalhos é grande, e as soluções são necessariamente visionárias, ou seja, devem incluir tudo o que se estima que os centros venham a precisar, mesmo que num futuro distante, porque não é viável repetir a mesma perturbação. Ou seja, deve comtemplar muito mais do que foi possível antever e realizar nos dois últimos grandes estaleiros que empataram o centro da cidade, o Tap Seac e a praça Ferreira do Amaral. Deve contemplar muito mais que recentemente assegurou o metro ligeiro da Taipa, que não teve em consideração uma pertinente distribuição demográfica e funcional, ou preencher o trinómio residência/ trabalho e educação/lazer, sem o qual os habitantes de uma cidade, podendo ter um transporte privado, vão continuar a recorrer ao automóvel. Sequer teve interesse em assegurar desde a fase inicial o que já estava assegurado, i.e. a travessia entre Macau e a Taipa, já prevista na construção do tabuleiro inferior da ponte de Sai Van (diga-se, a única infra estrutura verdadeiramente visionária desde o estabelecimento da RAEM).
A vantagem de uma lógica de circuitos articulados em correspondências permitiria que os passageiros não seriam mantidos em circuitos de distribuição que não lhes interessam, e apenas fariam os segmentos mais directos que os levam aos seus destinos
Travessia que teria logo de início, em abstracto, e sem necessidade de mais estudos demográficos de pormenor, a garantia de poder servir toda a população pendular da Península de Macau e da Ilha da Taipa e de substituir muitas carreias de autocarros que fazem a mesma travessia. Outra realidade ausente do Plano de Transportes prende-se com o cenário real de que a RAEM é efectivamente inundável. A partir do momento em que o Executivo da RAEM assumiu que a Região deve necessariamente conviver com inundações e estabeleceu protocolos de avisos e de intervenção para fazer face a essas situações, importa a planificação dos serviços e das rotas de transportes, por forma a que alguns se admitam suspensos em situações de inundação, mas outros se mantenham e assegurem que a população se mantenha activa. Algo que constituiria um aperfeiçoamento da resiliência da RAEM nessas situações de perturbação, i.e. a capacidade de a RAEM se manter funcional, mesmo nessas situações. As inundações podem corresponder a níveis diversos de perturbação onde não importa apenas que a população tenha escapatórias para acederem a pontos de refúgio elevados, mas também que toda a RAEM esteja coberta por caminhos de resgate nessas situações. Sabe-se que a geografia ocidental da Península de Macau tem refúgios de inundação em torno da Colina da Penha, e que a cidade oriental tem esses refúgios principalmente em torno da Colina da Guia. Menos atentos estamos a que a ligação elevada entre essas duas colidas correu no passado por uma linha de cumeeira que correspondia à actual Rua Central, e que se estendia até ao largo da Sé. Essa morfologia geográfica foi desmontada e interrompida para a construção da Av. de Almeida Ribeiro. Razão por que a Rua Central passou a ser íngreme e, do lado oposto, se sobe hoje por escadas para a Rua da Sé. Ou seja, as colinas ficam isoladas quando os níveis de inundação atingirem o Leal Senado. Acontece que todos os hospitais da Península de Macau estão em torno da Colina da Guia e que não existe nenhuma circulação elevada que cubra, ligando e acedendo a todos os lugares de refúgio das colinas. Os
viadutos de Macau tiveram por alcance a eficiência rodoviária com atravessamentos desnivelados, mas não integram uma estratégia de resgate em situação de inundação. Mais sério é o facto de que no Território de Macau nunca se construíram hospitais em zonas baixas ou de aterro, porque isso é visto como factor de vulnerabilidade. Quando se decidiu edificar as primeiras unidades hospitalares em aterro, nomeadamente no aterro do Cotai, também nenhuma estrutura elevada foi prevista que articulasse essas unidades hospitalares com circuitos de resgate ligados elevadamente aos circuitos nas encostas das ilhas da Taipa e de Coloane. Escrutinadas as questões iniciais que se prendem com a longevidade das infra-estruturas, a hierarquia dos lugares e a morfologia do território, é igualmente questão inicial a lógica funcional por que se pauta um sistema de transportes. A tradição dos circuitos de autocarros foi dotar as rotas de uma autonomia que tanto serve as distâncias como a distribuição local. Não assenta num sistema de eixos de rotas em que o circuito individual do passageiro é feito pelo próprio, por vias das correspondência que efectua entre rotas diversas e que lhe são colocadas à disposição por via de uma planificação que conhece as pertinência dessas correspondências. A vantagem de uma lógica de circuitos articulados em correspondências permitiria que os passageiros não seriam mantidos em circuitos de distribuição que não lhes interessam, e apenas fariam os segmentos mais directos que os levam aos seus destinos. A vantagem seria também para quem não está familiarizado com as rotas dos autocarros, nomeadamente os visitantes, poderem circular na cidade com um gráfico simplificado de rotas que se exibissem nas paragens, pois é isso que é recorrente noutras cidades, em vez de colunas e colunas de rotas individuais. Gráficos onde facilmente se identificariam os nós de correspondência, a que corresponderia um gráfico no interior dos veículos, que identifica as paragens ao longo de um eixo, onde em cada paragem, por sua vez, se identificam as correspondências que aquela paragem permite, e anunciadas pelas mensagens áudio que se sucedem ao longo das rotas. Desta lógica resulta necessário outros tipos de apetrechamentos.As correspondência entre rotas devem ser sincronizadas com intervalos próximos, devem ser confortáveis por via de autocarros com o ingresso ao nível dos cais, e devem ser resguardadas à intempérie. (com continuação) *arquitecto
‘‘Sempre fiz questão de nunca fumar quando estou a dormir.’’ PALAVRA DO DIA
Mark Twain
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F1 Verstappen vence na Hungria
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Max Verstappen conquistou ontem o Grande Prémio da Hungria de Fórmula 1, apesar de ter arrancado do décimo lugar da grelha partida.George Russell, da Mercedes, tinha sido o mais rápido na qualificação e co nquistou a primeira ‘pole’, à frente de Carlos Sainz e de Charles Leclerc, ambos pilotos da Ferrari a ocuparem os outros lugares do pódio. Numa má tarde para a Ferrari, os dois pilotos acabaram por saltar do pódio, com um quarto lugar para Sainz e uma sexta posição para Leclerc. Max Verstappen ganha mais vantagem sobre a concorrência e soma agora 228 pontos, mais 80 do que Leclerc na geral, com 178 pontos.
1.8.2022
IGREJA PAPA CRITICA A GANÂNCIA COMO “UMA DOENÇA” POR TRÁS DA GUERRA E DESIGUALDADES
JAPÃO ESPERANÇA MÉDIA DE VIDA CAI PELA PRIMEIRA VEZ NUMA DÉCADA esperança média de vida no Japão caiu pela primeira vez numa década devido às mortes causadas pela covid-19, revelou um estudo divulgado na sexta-feira pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-estar do país. A esperança média de vida das mulheres japonesas em 2021 foi de 87,57 anos e dos homens de 81,47 anos, menos 0,14 e 0,09, respectivamente, em relação a 2020, quando o país registou um máximo histórico. Esta é a primeira queda deste tipo no país desde 2011, quando um terramoto de magnitude 9 na escala Richter e um tsunami atingiram o nordeste japonês, deixando mais de 18 mil mortos e desaparecidos. As mortes por acidentes de viação, cancro ou pneumonia diminuíram em 2021, mas um aumento de óbitos ligados à covid-19 contribuiu para a diminuição da longevidade. Ainda de acordo com o relatório, 16.771 pessoas morreram de covid no Japão no ano passado, um número 4,8 vezes superior ao do ano anterior, quando foram registadas 3.466 mortes pela doença.Apesar desta diminuição, as autoridades acreditam que a tendência para viver mais tempo no país não abrandou e que o impacto da covid é temporário. A esperança média de vida das mulheres no Japão continua a ser a mais elevada do mundo, de acordo com as autoridades de Saúde nipónicas. O Japão ocupa este lugar desde 1985. Já os homens encontram-se em terceiro lugar, atrás da Suíça e da Noruega.
segunda-feira
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Numa informação dirigida aos Estados-membros (...) a agência listava Portugal, Bulgária, França, Grécia, Itália, Malta e Espanha como os países cujo espaço aéreo poderia eventualmente ser afectado
Uma queda pacífica Restos de foguetão espacial chinês desintegraram-se sobre o Índico
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M segmento do foguetão chinês que reentrou sábado sem controlo na atmosfera terrestre desintegrou-se sobre o oceano Índico, indicaram militares norte-americanos, sem especificar se os destroços causaram danos. “O comando da Força Espacial confirma que o foguete Long March-5B da República Popular da China reentrou na atmosfera sobre o oceano Índico a 30 de Julho”, às 16:45 GMT, escreveu o Exército dos Estados Unidos da América (EUA) na rede social Twitter. Os detalhes sobre a dispersão dos destroços e o local exacto do impacto foram enviados às autoridades chinesas, que lançaram o foguetão no espaço a 24 de Julho, o segundo de três módulos da estação espacial Tiangong, que deverá estar plenamente operacional no final do ano. Com um peso estimado entre 17 e 22 toneladas e a viajar no espaço sem controlo a uma velocidade de 28
mil quilómetros por hora, o foguetão não foi concebido para controlar a sua descida, o que suscitou críticas. A China “não deu informações precisas sobre a trajectória do seu foguetão”, apontou o administrador da NASA, Bill Nelson, numa mensagem no Twitter. “Todos os países que desenvolvem actividades espaciais deveriam respeitar as práticas exemplares”, porque a queda de objectos desta dimensão “representa riscos importantes de provocar perdas humanas ou materiais”, acrescentou. A entrada na atmosfera provoca um calor e fricção imensos, e os segmentos podem queimar-se ou desintegrar-se, mas os de maiores dimensões, como este foguetão, podem não ser totalmente destruídos. A trajectória do Long March-5B estava a ser monitorizada, uma vez que podia interferir com o espaço aéreo, de acordo com um alerta feito na quinta-feira pela Agência Europeia para a Segurança da Aviação.
Numa informação dirigida aos Estados-membros, às companhias aéreas e às autoridades de aviação, a agência listava Portugal, Bulgária, França, Grécia, Itália, Malta e Espanha como os países cujo espaço aéreo poderia eventualmente ser afectado.
Do mesmo
Em 2020, os destroços de outro foguetão Long March caíram em aldeias da Costa do Marfim, provocando danos, mas sem provocar feridos. Em Maio de 2021, um outro foguetão, também Long March, desintegrou-se quase totalmente na atmosfera terrestre e os detritos caíram no oceano Índico sem causar danos. O foguetão Long March-5B foi lançado no passado domingo da ilha de Hainan para transportar um módulo da nova estação espacial chinesa. A China enviou o seu primeiro astronauta para o espaço em 2003, e em 2021 fez aterrar um pequeno robot em Marte.
Papa Francisco lamentou ontem que as famílias discutam por heranças e denunciou a ganância como “uma doença” para a sociedade, que está por trás da guerra e das desigualdades, durante a oração dominical do Angelus. “Quantos irmãos e irmãs, quantos membros de uma mesma família brigam, infelizmente, e talvez nem se falem, por causa da herança”, lamentou o pontífice ao comentar o Evangelho de ontem, da janela do Palácio Apostólico, perante dezenas de fiéis. Francisco definiu a ganância como “a ambição desenfreada por posses” e como “uma doença que destrói as pessoas, porque a fome de posses é viciante”, transformando-as em “servas do dinheiro”. O Papa alertou que a cobiça é também uma “doença perigosa” para a sociedade, porque é por causa dela que existem actualmente paradoxos e “uma injustiça como nunca antes na história, onde poucos têm muito e muitos têm pouco ou nada”. “Pensemos também em guerras e conflitos: o desejo de recursos e riqueza está quase sempre envolvido. Quantos interesses estão por trás de uma guerra? Sem dúvida, um deles é o comércio de armas, um escândalo perante o qual não podemos e não nos devemos resignar”, considerou. O pontífice católico explicou que por trás deste fenómeno não estão apenas “algumas pessoas poderosas ou certos sistemas económicos”, mas também a ganância “que está no coração” de cada um. Francisco considerou que os bens materiais, o dinheiro e a riqueza “podem tornar-se um culto, uma verdadeira idolatria”. “Servir-se das riquezas sim. Servir a riqueza não: é idolatria, é ofender a Deus. Irmãos, irmãs, acumular bens materiais não basta para viver bem, porque - repetiu Jesus [no Evangelho de hoje]- a vida não depende do que se possui”, concluiu.