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Hoje Macau 01 JUNHO 2022 #5019

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ANA CRISTINA ALVES

O TEMPLO DA POESIA ENTREVISTA

HOJE MACAU QUARTA-FEIRA 1-6-2022

INCÊNDIO MARÍTIMO

CORRIGIR OS ERROS PÁGINAS 4-5

O PÉRIPLO DE WANG YI PÁGINAS 10-11

FAM

ENCANTO NA DESPEDIDA EVENTOS

À luz da lei A vigília do 4 de Junho volta a não se realizar em Macau. Este ano, pela primeira vez, a Polícia de Segurança Pública não recebeu qualquer pedido de reunião. Deputados defendem que a liberdade de manifestação continua a estar garantida pela lei e separam a ausência de pedidos da questão do patriotismo. Au Kam San vai estar sozinho com uma vela no próximo sábado. PÁGINA 6

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

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CHINA

Nº 5020

MOP$10


2 entrevista

1.6.2022 quarta-feira

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ANA CRISTINA ALVES

“Este livro é um diálogo Acaba de ser lançado, com a chancela da editora Labirinto, o novo livro de poesia de Ana Cristina Alves, especialista em filosofia chinesa, docente e responsável pela área educativa do Centro Científico e Cultural de Macau. “Visitações” reúne poemas que estabelecem um diálogo permanente entre as espiritualidades ocidental e oriental, partindo da base do “I Ching - O Livro das Mutações”

Como surgiu a possibilidade de editar esta obra? Foi uma experiência poética. A última vez que estive em Macau foi em 2015, mas andei muito pelo Oriente e pelo sul da China. Entre 2011 e 2015, estive muito voltada para temas religiosos, fiz investigação na Academia Sínica, recolhi dados sobre templos, que são cerca de dez mil. A pesquisa para o trabalho científico não foi publicada, ficou na gaveta. Nos dez anos que estive em Macau visitei sempre os templos. Sempre gostei muito da espiritualidade chinesa, porque é aberta a receber influências de várias religiões e nenhumas se zangam umas com as outras. Sobre esse projecto que ficou na gaveta… Sim, ficou ali. Entretanto, chegou a pandemia, que nos remeteu a todos para casa. Sempre encarei a arte como terapia, sou capaz de estar o dia todo a ouvir música, por exemplo. Como nesses dois anos de pandemia estive bastante tensa, e como gosto muito de escrever e de poesia, foi uma maneira de me agarrar à vida pelo lado positivo, pois fomos bombardeados com notícias negativas todos os dias. Recordei-me então das experiências que vivi nas visitas ao Oriente e começaram a surgir espontaneamente poemas que estão divididos em vários capítulos.

Como dividiu tematicamente o conteúdo? Os capítulos são sobre divindades chinesas, seres sagrados do Oriente e do Ocidente, porque eu sou portuguesa e o meu olhar ocidental está lá inevitavelmente. Escrevi também poemas sobre festividades e seres sagrados ligados a divindades. Outros escritos resultaram de visitas a templos. Tudo do ponto de vista poético, não científico, através de um diálogo intercultural. A última parte do livro é sobre poesia de adivinhação, numa tentativa para chegar a um amor diferente, objectivo, mas também compreender o mistério que não se deixa compreender por palavras. Quanto mais nós tentamos entrar em certas esferas e explicar tudo de forma racional, pior é. Peguei no clássico I Ching - O Livro das Mutações. Já a Fernanda Dias [poetisa] tinha feito uma experiência deste tipo, em Macau, porque a obra tem 64 hexagramas. Ela fez um poema para cada um deles, em “O Fio de Seda”, publicado em 2012. Utilizei

AUTORA E ACADÉMICA

“Este livro aborda a China espiritual e tradicional, assim como o contacto com o Ocidente também cultural e espiritual.”

a filosofia da complementaridade e fiz poemas sobre 32 hexagramas, porque acredito sempre nos opostos que não são oposição, mas que são complementares. Qual o objectivo desse exercício? Foi uma tentativa de entrar neste mistério que não entendemos, mas que sentimos através da nossa intuição, de que há qualquer coisa da qual é difícil falar do ponto de vista racional. São 32 poemas dedicados à adivinhação. Mas foi muito compensador. De cada vez que escrevia um poema, por muito más que fossem as notícias sobre a pandemia, nunca me deixavam muito maldisposta. A arte compensava e era como se estivesse a fazer terapia. Esta obra, “Visitações”, surge num momento muito particular da nossa história colectiva e individual, em que nos confrontamos com a pandemia. Alguns poemas mostram esse lado. Em que sentido? Por exemplo, há uma divindade muito malandra (Na Tcha), um menino que provoca muitos desacatos e que acaba por magoar um dos filhos do Rei Dragão, que nunca lhe perdoa. Esta divindade está mesmo ao lado das Ruínas de São Paulo [Templo de Na Tcha] e tem um dom especial: combater epidemias. É óptimo para estes tempos. Como descreve este livro? É um diálogo intercultural, que aponta para uma espiritualidade,

“Escrevi sobre festividades e seres sagrados ligados a divindades. Outros escritos resultaram de visitas a templos. Tudo do ponto de vista poético, não científico, através de um diálogo intercultural.”

mas que não a define, não diz “é assim”, ou de outra forma. Não há dogmas, mas leituras de possíveis caminhos espirituais, uma espiritualidade muito aberta, com a mistura de divindades. Um dos capítulos é sobre seres divinos, sagrados e monstros, no Ocidente

e no Oriente, sempre numa tentativa de diálogo. Na primeira parte do livro temos poemas dedicados à minha sensibilidade reservada, enquanto que a maior parte dos poemas têm como fio temático a espiritualidade chinesa e o diálogo com a espiritualidade ocidental.


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intercultural”

O que significa esta sensibilidade reservada? São poemas mais seculares, mais do dia-a-dia, que surgem em confronto com situações. Tenho lido muito e gosto muito de Fernando Pessoa, dos clássicos, mas também de Luís de Camões e Sophia de Me-

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llo Breyner. Mas o meu despertar poético é sempre sobre situações da vida e por qualquer coisa que se está a passar no aqui e agora. A guerra na Ucrânia preocupa-me muito, por exemplo. Não é tanto a sensibilidade de receber influência dos outros poetas, mas quando me

surge este chamamento poético, este diálogo, é sempre sobre algo que está a acontecer na minha vida. Que poema destaca nesta obra? “Macau Tricolor” é um poema de que gosto muito. Dentro das experiências poéticas uma das que gosto

“’Macau Tricolor’ é um poema de que gosto muito. Dentro das experiências poéticas uma das que gosto de fazer é misturar línguas dentro do próprio poema, é um traço da minha poesia.”

de fazer é misturar línguas dentro do próprio poema, é um traço da minha poesia. Este poema é sobre Macau e surge na sequência do 24 de Junho, antigo Dia de S. João, quando ocorreu a batalha contra os holandeses, em 1622. Começa por ser escrito em português, depois passa para patuá, graças ao pouco que aprendi com o Adé, e depois termina em chinês. Celebro os portugueses, os macaenses com a sua especificidade e os chineses que estão em Macau, a quem pertence não só a terra como a administração. Escreveu outros poemas sobre a China? Há muitos poemas sobre a China e as festividades tradicionais chinesas, sobre a festividade dos barcos dragão e o ano novo chinês. Mas esta China é aquela que eu deixei em 2015 e não a de hoje. No livro “Migrando pelos Dias” falo mais da China dos dias de hoje. Este livro aborda a China espiritual e tradicional, assim como o contacto com o Ocidente também cultural e espiritual. Tenho um poema sobre o São Martinho, o Natal e a Páscoa. Saí de Macau há sete anos, e o que me lembro da China e de Macau está mais na cultura do que na vivência diária. Porquê o nome “Visitações”? A capa, que está muito bem conseguida, tem duas portas fechadas. Então é como bater à porta de algo, de um mundo misterioso, e a visitação é a tentativa de entrar nesse mundo, mas a porta mantém-se fechada. Está semi-aberta com a nossa sensibilidade, mas pouco compreendemos sobre esse mundo com seres sagrados e divindades. “Visitações” é então essa ideia de visitar um mundo transcendente. Acredito que com a poesia se consegue lá chegar. Tem uma larga experiência como investigadora, sobretudo na área da filosofia oriental. Escrever estes poemas trouxe-lhe outra perspectiva da China? Desta vez usei o clássico “I Ching – O Livro das Mutações”, que o padre Joaquim Guerra chamava “A Bíblia Chinesa”. Dá uma outra visão menos pragmática e utilitária da cultura chinesa. Leva-nos à cultura tradicional que valorizava a sensibilidade poética. Não nos podemos esquecer que os governantes, para passarem os exames imperiais, tinham de fazer poesia e saber interpretá-la, para chegarem a oficiais e mandarins. Este contacto com os clássicos é a entrada no mundo da história, que hoje muitas vezes é esquecido na China contemporânea porque valores económicos, e outros, se levantam. Andreia Sofia Silva


4 assembleia legislativa

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Minha culpa

GCS

INCÊNDIO NO PORTO INTERIOR WONG SIO CHAK RECONHECE FALTA DE MEIOS

Quadros Qualificados Registo falha metas traçadas O Governo reconheceu ontem que o sistema de Registo de Informações de Talentos, uma base de dados onde as pessoas com mais de 15 anos podem registar as suas qualificações, tem falhado no objectivo de se tornar representativo da realidade local e auxiliar na definição de políticas de

formação de quadros locais. “Até ao momento apenas se registaram 17.500 pessoas, o que não é suficiente para reflectir a situação real de talentos em Macau”, afirmou a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U. O sistema foi implementado em Dezembro 2016, o que significa

uma média de 3.500 inscritos por ano. A secretária prometeu que a Comissão de Talentos e a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude vão unir esforços e fazer uma maior promoção junto dos alunos locais que prosseguem os estudos no exterior.

Função Pública Revisão do Estatuto está a ser ultimada O secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, anunciou que a proposta de revisão do Estatuto dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ETAPM) está a ser ultimada para ser depois apresentada à Assembleia Legislativa. O secretário não anunciou prazos para a entrega do diploma, mas

garantiu que vai ter em conta a situação dos funcionários públicos que serão enviados para a Zona de Cooperação da Ilha da Montanha, e que não deverão ser prejudicados pela mudança. Além disso, a proposta vai ter como objectivo permitir uma maior flexibilidade dos trabalhadores, que assim podem

ser mais facilmente enviados para diferentes serviços, de acordo com as necessidades sentidas. Ao mesmo tempo, André Cheong prometeu que os Serviços Públicos mais utilizados vão ser “gradualmente estendidos à Zona de Cooperação Conjunta e às cidades da Grande Baía, através de diversas formas”.


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assembleia legislativa 5

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O Chefe do Executivo disponibilizou um orçamento de 400 milhões de patacas para a compra de embarcações, mas a tutela da Segurança considerou que não era necessário um barco de salvamento de grande dimensão. Agora, após o incêndio no Porto Interior que destruiu cinco embarcações, Wong reconheceu o erro

W

ONG Sio Chak reconheceu a falta de capacidade das forças de segurança para lidar com incêndios marítimos, e admitiu que, por sua escolha, a RAEM não comprou um barco de grande dimensão para responder a emergências, apesar do orçamento de 400 milhões de patacas. A admissão foi feita ontem na Assembleia Legislativa, num dia em que revelou planos para no espaço de dois anos e meio comprar uma embarcação de grandes dimensões e duas de média para resgate e combate a incêndios. O incêndio de Abril no Porto Interior foi ontem discutido na Assembleia Legislativa, na sequência de uma interpelação do deputado Ron Lam. “Depois da definição das águas marítimas (em 2019) sob a jurisdição de Macau, tivemos de começar do zero. Comprámos logo 13 barcos, o que faz com que actualmente tenhamos 16 embarcações de salvamento”, informou Wong Sio Chak. “Claro que o número não é suficiente”, acrescentou. Sobre a falta de meios, o secretário admitiu culpas no cartório, depois de ter sido disponibilizado um orçamento de 400 milhões de patacas para o efeito. “Sobre a razão de não termos comprado antes um barco de grande dimensão... Cheguei a apresentar a proposta e foi logo autorizado um orçamento de 400 milhões de patacas pelo Chefe do Executivo”, revelou. “Na altura, não comprámos uma embarcação de grande dimensão, porque considerámos que os nossos barcos eram suficientes”, confessou.

Atrás do prejuízo

O secretário apresentou ontem o plano da Direcção de Serviços

para os Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA), tutelada pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, para aquisição de mais material nos próximos dois anos e meio. “Actualmente, as lanchas de fiscalização dos Serviços de Alfândega têm apenas capacidade de combate a incêndios no mar a nível geral, e após referenciar as funções e a capacidade dos barcos profissionais de combate a incêndios das regiões vizinhas, os SA propuseram a aquisição de um barco grande de combate a incêndios e salvamento de dois barcos de tamanho médio de combate a incêndios e salvamento”, revelou o secretário para a Segurança.

“Na altura, não comprámos uma embarcação de grande dimensão porque considerámos que os nossos barcos eram suficientes.” WONG SIO CHAK SECRETÁRIO

Segundo o plano apresentado, a embarcação maior será destacada “para o Base de Operações Marítima na Zona E1”, perto do Terminal do Pac On, e as outras duas embarcações vão ficar nos extremos do Porto Interior. Wong Sio Chak anunciou também a proposta para adquirir extintores de pó para incêndios petrolíferos, combustíveis líquidos, e substâncias sólidas, e “pistolas de combate a incêndios de pequena dimensão”.

Segundo os dados apresentados, as “regiões vizinhas” têm bombas de incêndio nos barcos com capacidade para expelir entre 1.000 a 4.000 metros cúbicos de água por hora. Em Macau, as lanchas têm capacidade para 100 a 240 metros cúbicos de água por hora. Mesmo no caso da embarcação “Barra” da DSAMA, a mais bem preparada, a capacidade da boca de incêndio é de 2.700 metros cúbicos de água por hora. Ao mesmo tempo, Wong Sio Chak apresentou uma proposta ao Chefe do Executivo para reforçar

Renovação Urbana Prometidas melhores condições no Iao Hon A empresa Renovação Urbana garantiu à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) que a reconstrução do Bairro de Iao Hon vai assegurar melhores condições de vida, com ruas mais espaçosas. A garantia foi deixada durante um encontro que aconteceu

recentemente, entre a empresa e a FAOM, segundo um comunicado. No encontro, que

serviu para abordar também a construção do Novo Bairro de Macau, na Ilha da Montanha, os responsáveis da companhia prometeram ainda que apesar de poder haver aumentos na altura dos edifícios, estes não serão significativos, e que a densidade populacional não vai crescer.

a equipa de salvamento e combate a incêndios, e explicou que é uma medida que se justifica com o facto de, desde 2018, não terem sido contratadas pessoas para os quadros da DSAMA.

Remendos de ocasião

Além do reforço dos meios, o secretário para a Segurança revelou que foi entregue ao Chefe do Executivo uma proposta de regulamento que obriga ao armazenamento de combustíveis para barcos em depósitos, sobre o limite do transporte de botijas de gás, entre outras.

A proposta tem a concordância “geral” de Ho Iat Seng, porém, de acordo com a informação disponibilizada aos deputados, existem ainda arestas por limar. No entanto, Ella Lei alertou que o problema da falta de armazenamento de combustíveis está ligado às exigências de controlo da pandemia. “Eles (proprietários) não depositaram os bens, porque as restrições da pandemia não lhes permitiram. Precisam de pessoal para guardar combustíveis nos depósitos, que não tinham”, avisou. João Santos Filipe

Saúde Leong Hong Sai alerta para perigos na via pública O deputado dos Moradores, Leong Hong Sai, alertou ontem na Assembleia Legislativa que as fezes de cão deixadas na via pública são cada vez mais um problema. “A ocupação das vias pedonais, entre outros espaços públicos, para o

depósito de objectos, lixo a trouxe-mouxe, os pingos do ar-condicionado e as fezes de cães em espaços públicos são fenómenos que prejudicam a saúde pública e a qualidade do ambiente de vida dos residentes”, alertou. Neste contexto,

Leong disse ser necessário proceder a uma revisão do Regulamento Geral dos Espaços Públicos, porque ao fim de 18 anos, “muitos dos seus artigos estão manifestamente desactualizados e não se adequam às necessidades reais”.


6 política

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4 DE JUNHO AUSÊNCIA DE PEDIDOS NÃO IMPLICA LIBERDADE DE REUNIÃO, DEPUTADOS

“Não considero que haja uma relação directa entre o facto de não haver reuniões no dia 4 de Junho e o patriotismo. O respeito pelo direito de reunião e manifestação é o garante da liberdade de expressão (…) dos residentes e um valor nuclear que é preciso defender”, acrescentou. Ron Lam considera ainda “essencial” que o Governo “trate bem” as questões relacionadas com a economia e o bem-estar da população e que ouça as opiniões da sociedade para assegurar a concretização dos princípios “Macau governado por patriotas” e “Um país, dois sistemas”.

Tudo de acordo com a lei Pela primeira vez, o CPSP não recebeu pedidos de reunião para a realização da vigília do 4 de Junho. Apesar de parcos em palavras, deputados como Zheng Anting, Ron Lam e Wong Kit Cheng dizem não estar em causa o patriotismo e que a liberdade de reunião continua a existir em Macau. Em nome próprio, Au Kam San vai realizar uma vigília online RÓMULO SANTOS

O

Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) não recebeu qualquer pedido de reunião relativo à vigília do 4 de Junho, assinalada em memória das vítimas dos acontecimentos de Tiananmen. Depois de em 2020 e 2021, os pedidos de reunião terem sido rejeitados pelas autoridades, este ano o CPSP confirmou não ter recebido, pela primeira vez, qualquer pedido por parte da União de Macau para o Desenvolvimento da Democracia (UMDD), sobre a realização da iniciativa no Largo do Senado, ao contrário do que sempre aconteceu desde 1989. “Até às 19h00 do dia 31 de Maio de 2022, esta Corporação não recebeu qualquer aviso prévio de que alguém pretenda realizar manifestação ou reunião no dia 4 de Junho do corrente ano”, pode ler-se na resposta enviada pelo CPSP. Contactados pelo HM, vários deputados àAssembleia Legislativa, são da opinião que o facto de não haver pedidos de reunião para o próximo sábado não significa que existam restrições às liberdades de reunião e manifestação dos residentes de Macau. Questionado sobre o assunto, Zheng Anting, considera mesmo que todos são livres de entregar pedidos de reunião, cabendo

Em nome próprio

CPSP “Esta Corporação não recebeu qualquer aviso prévio de que alguém pretenda realizar manifestação ou reunião no dia 4 de Junho do corrente ano.”

depois ao Governo decidir sobre a sua aprovação. “Há liberdade de reunião em Macau. Não há qualquer impedimento para fazer um pedido nesse sentido, caso alguém assim o pretenda. Se depois o pedido é aprovado ou não, isso já é um assunto do Governo”, referiu. Já Wong Kit Cheng, considera que a ausência de pedidos de reunião para o dia 4 de Junho não está de forma alguma relacionado com a concretização do princípio

“Macau governado por patriotas” e indicou não ter na sua posse informação suficiente para desenvolver o assunto. Por seu turno, o deputado Leong Sun Iok indicou não “conhecer bem a situação” dos pedidos relacionados com a vigília do 4 de Junho e que, por isso, “não é conveniente elaborar uma resposta”. Chan Chak Mo admitiu apenas “não ter posição sobre o assunto”. Também o deputado Ron Lam considera que os direitos de reunião

e manifestação estão garantidos pela Lei Básica, pese embora espere que “esses direitos possam ser mantidos, independentemente do tema, das ideias ou do ambiente político”. “Espero que a pandemia não continue a ser usada como pretexto [para rejeitar pedidos de reunião e manifestação] ou isso poderá resultar num ambiente social difícil. Sobretudo depois da pandemia, estes direitos devem ser garantidos”, começou por dizer.

O ex-deputado e habitual promotor da vigília organizada em nome da UMDD, Au Kam San, confirmou ao HM não ter dirigido qualquer pedido de reunião ao CPSP, por temer incorrer em infracção legal por “difamação”. Isto depois de, no ano passado, o Tribunal de Última Instância (TUI) ter chumbado o recurso sobre o pedido de reunião, por considerar que a liberdade de reunião não pode admitir “abusos e ofensas sem limites”. “Defendi sempre que devíamos entregar um pedido de reunião, tal como prevê a lei e apesar de a rejeição ser expectável. Dado que o acordão do TUI apontou que as vigílias podiam implicar o crime de difamação e que perdemos o recurso no ano passado (…) a iniciativa podia ser considerada um acto ilegal”, começou por explicar. “Considerando as preocupações e os apelos que amigos e membros da UMDD me dirigiram para não realizar a vigília sob pena de vir a ser acusado pelas autoridades, acabámos por não fazer o pedido”, acrescentou. Au Kam San revelou, contudo, que no próximo sábado irá transmitir em nome próprio, através das redes sociais, uma vigília onde irá estar sozinho e apenas com uma vela, simbolizando que “em Macau a luz das velas não se extinguiu”. Pedro Arede e Nunu Wu

KAIFONG ESTUDO APONTA QUE APENAS 27% MOSTRA VONTADE DE TER FILHOS

U

M estudo da União Geral dasAssociações dos Moradores de Macau (UGAM) revelou que apenas 27 por cento dos inquiridos mostram vontade em ter filhos. De acordo com o inquérito dos Kaifong, citado pelo canal chinês da TDM-Rádio Macau, 75 por cento dos 1.643

entrevistados considera o “rendimento familiar” e o “ambiente de educação” factores determinantes quando é chegada a altura de decidir ter ou não filhos. Entre os entrevistados, com idades compreendidas entre os 18 e os 50 anos, 60 por cento apontaram ainda

que “ter tempo suficiente para cuidar dos filhos” é o principal factor para aumentar a vontade de ter filhos. Por outro lado, mais de 50 por cento indicou ser importante ter “acesso a serviços de cuidados infantis” e “poder concorrer a habitação pública adequada ao número de filhos”.

Perante os resultados do estudo, os Kaifong produziram uma lista de sugestões e tópicos de promoção da natalidade e qualidade de vida. Esta inclui a implementação de medidas favoráveis ao aumento do tempo passado em família, à melhoria do mercado de trabalho em

Macau, ao alívio da inflação e à melhoria dos sistemas de cuidados infantis, educação e habitação pública. Dos 1.643 entrevistados, 70 por cento tinha entre 26 e 40 anos e cerca de 40 por cento não tem ou não quer ter filhos. Do total de inquiridos, 20 por cento diz respeito a pais.


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sociedade 7

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Trânsito Novos veículos com quebra anual de 12,9%

A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelou que o número de veículos a circular em Macau com novas matrículas era em Abril 846, uma quebra de 12,9 por cento em relação a Abril de 2021. De frisar que, deste grupo, 160 eram carros eléctricos. No total, existiam em Abril 246.854 veículos matriculados, mais um por cento em termos anuais. Somados os primeiros quatro meses do ano, o número de veículos com matrículas novas foi de 3.844, menos 14,1 por cento face ao mesmo período de 2021. Em matéria de acidentes de viação ocorreram 3.909 entre Janeiro e Abril deste ano, resultando em quatro mortos e 1.363 feridos.

Fronteiras Circulação automóvel cai 12,4%

O movimento de automóveis nos postos fronteiriços foi de 1.252.697 nos primeiros quatro meses deste ano, o que representou uma quebra de 12,4 por cento face ao mesmo período de 2021. Só em Abril passaram nas fronteiras 340.675 veículos, menos 10,6 por cento em termos anuais. O movimento de automóveis ligeiros, em Abril, foi de 307.834, menos 12,7 por cento, revelou ontem a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos. Relativamente aos voos comerciais, realizaram-se apenas 657 em Abril, o que constitui uma queda anual de 53,7 por cento. Nos primeiros quatro meses do ano, realizaram-se 4.402 voos comerciais, mais cinco por cento face ao período homólogo de 2021, enquanto o peso bruto da carga aérea situou-se em 18.468 toneladas, mais 46,9 por cento.

Túnel da Guia Reaberto a partir da Fonte da Inveja

Reabre hoje ao trânsito, a partir das 10h, o acesso ao Túnel da Guia a partir da Rua da Fonte da Inveja. De acordo com a Direcção dos Serviço para os Assuntos de Tráfego, a reabertura ao trânsito acontece um mês antes do previsto, dado que o final das obras foi também antecipado. Com a reabertura do acesso, também os lugares com parquímetros da Avenida de Sidónio Pais retomarão o seu funcionamento, assim como, as carreiras de autocarros 23 (no sentido “Torre de Macau”) e 56 (no sentido “Avenida de Vale das Borboletas”) voltam a circular no percurso original. No entanto, como as obras de ligação de esgotos do Sistema Pedonal Circundante da Guia deverá acontecer “até meados de Junho”, a faixa de rodagem esquerda da Rua da Fonte da Inveja em direcção ao Túnel da Guia estará vedada.

Expo Xangai Macau com prazo de inscrição alargado

O prazo para as empresas culturais e criativas de Macau se inscreverem na Expo Xangai foi alargado até 30 de Junho, anunciou ontem o Fundo de Desenvolvimento da Cultura (FDC). O prolongamento foi a solução encontrada, “tendo em conta o impacto da pandemia na produção e funcionamento dos expositores”. O evento, cujo nome oficial é “5.ª Exposição Internacional de Importação da China”, terá lugar nos dias 5 a 10 de Novembro de 2022, no Centro Nacional de Exposições e Convenções de Xangai. O Instituto Cultural e o FDC vão organizar, em conjunto com empresas das indústrias culturais de Macau, a instalação de um expositor na Zona de Exposição de Bens de Consumo Diário, sob o tema “Moda”, no intuito de promover produtos de marcas originais de Macau.

Dário Silva “Somos um consórcio dedicado a melhorar o ambiente de negócios e promover relações económicas (…) a China e outros (…) países de língua portuguesa e países onde podemos alavancar a diáspora portuguesa”

GRANDE BAÍA NOVA PLATAFORMA DE NEGÓCIOS SINO-PORTUGUESA

Uma ponte interior

O Centro de Cooperação Internacional de Investimento e Comércio Sino Português pretende promover o investimento entre os países de língua portuguesa e a região da Grande Baía. A iniciativa é também o “reconhecimento, por parte da China, da relevância geoestratégica de Portugal”

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Centro de Cooperação Internacional de Investimento e Comércio Sino Português (CCIICSP) é hoje inaugurado e visa promover projectos de investimento e comércio entre Portugal, países de língua portuguesa e a região da Grande Baía. De acordo com um comunicado do CCIICSP, citado pela agência Lusa, a partir de 1 de Junho vai ter lugar “a inauguração do Centro de Cooperação Internacional de Investimento e Comércio Sino Português - CCIICSP, com sede na cidade de Guan-

gzhou, na China”, cuja sessão inaugural decorrerá em ‘streaming’, com a participação de ‘stakeholders’ públicos e privados chineses e portugueses. O CCIICSP resulta da parceria da “Porcham”, associação empresarial de negócios bilateral em vias de se transformar em Câmara de Comércio de Portugal na China, e da empresa “Cinco” com a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, “tendo como objectivo a prossecução de projectos de investimento e comércio entre Portugal, a diáspora portuguesa e os países de

língua portuguesa com a região de Guangdong-Hong Kong-Macau Greater Bay Area (GBA) [Área da Grande Baía], e a ilha de Hainan”. De acordo com a nota, “a iniciativa constitui um importante passo na concretização da parceria estratégica entre Portugal e a China, estabelecida em 2005, e do forte impulso dado às relações bilaterais entre os dois países com a visita a Portugal do Presidente Xi Jinping, em 2018”. O mercado português “é hoje um dos maiores destinatários ‘per capita’ do investimento chinês

na Europa”, é referido no comunicado.

Distribuir jogo

A criação do CCIICSP “é também o reconhecimento por parte da China da relevância geoestratégica de Portugal como interlocutor privilegiado e de primeira linha, na implementação doAcordo Abrangente de Investimento UE-China, celebrado em 2020, integrado na estratégia ‘The Belt & Road Initiative’”, refere a entidade. “Somos um consórcio dedicado a melhorar o ambiente de negócios e promover relações eco-

nómicas construtivas e sustentáveis entre a República Popular da China e outros países com grande foco em países de língua portuguesa e países onde podemos alavancar a diáspora portuguesa”, afirma o ‘chairman’do CCIICSP, Dário Silva, citado em comunicado. Dário Silva é um empreendedor português radicado na China há quase duas décadas e presidente da “Porcham”. “Ajudamos as empresas portuguesas a ter sucesso na China, bem como as empresas chinesas a ter sucesso no exterior, fornecendo suporte de ‘advocacy’, oportunidades de ‘networking’ [contactos], ‘insights’ e serviços de suporte empresarial”, acrescenta o responsável, salientando que o CCIICSP “é uma plataforma para empreendedores e profissionais se conectarem, partilharem recursos e construírem uma próspera comunidade internacional na Grande Baía, uma das regiões económicas em mais acelerado crescimento no mundo”.


8 eventos

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FAM LIZA WANG EM CONCERTO DE ENCERRAMENTO HOJE E AMANHÃ

Com chave de ouro “[Os bilhetes] esgotaram logo após o início da venda”, traduzindo, por isso, uma “resposta entusiástica por parte dos aficionados da música de Macau e da Grande Baía”

A conhecida artista de Hong Kong actua hoje e amanhã com a Orquestra Chinesa de Macau em dois concertos que marcam o encerramento da 32.ª edição do Festival de Artes de Macau. Intitulado “Canções valentes mas ternas com melodias tocantes”, o espectáculo inclui versões de “Lisboa Menina e Moça” e clássicos como “O Brilho do Passado” ou “Amor e Paixão”

Liza Wang partilhou também como foi passar pela quarentena de 14 dias que lhe permitiu entrar em Macau. Na óptica da artista, a experiência, que foi uma estreia, até acabou por ser positiva. “Não diria que foi um sacrifício, até me soube bem fazer a quarentena, porque nestes 14 dias tive uma vida muito diferente do habitual. Na verdade, até me soube muito bem, pois tive tempo para mim, em privado. É possível fazer tudo”, disse segundo a TDM-Canal Macau.

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Vida Cheia

NTRE hoje e amanhã, a consagrada cantora, actriz e apresentadora de Hong Kong, Liza Wang sobe ao palco do Venetian Theatre com a Orquestra Chinesa de Macau, para apresentar duas sessões do concerto intitulado “Canções valentes mas ternas com melodias tocantes”. Segundo a organização, os bilhetes para os dois espectáculos que marcam o encerramento da 32.ª edição do Festival de Artes de Macau “esgotaram logo após o início da venda”, traduzindo, por isso, uma “resposta entusiástica por parte dos aficionados da música de Macau e da Grande Baía”. Aos comandos da Orquestra Chinesa de Macau estará o maestro Hu Yongyan, assegurando assim

que a voz da estrela de Hong Kong está devidamente suportada enquanto decorre ao longo dos 18 temas previstos no programa do espectáculo. Durante o concerto, Liza Wang irá interpretar vários clássicos, incluindo “As Mulheres Generais da Família Yang”, “Amor e Paixão”, “O Brilho do Passado”, “Anos na Ribalta” e “Os Chineses Valentes”. Além disso, nota ainda para as adaptações de outros temas como “Lisboa Menina e Moça” de Paulo de Carvalho, a Abertura da Ópera :”O Barbeiro de Sevilha” de Gioachino Rossini ou “Carmen” de Georges Bizet. Durante um encontro com a imprensa, promovido na segunda-feira pelo Instituto Cultural (IC),

Nascida em 1947, Liza Wang é conhecida, não apenas pela carreira que trilhou na televisão, no canto e

Liza Wang irá interpretar vários clássicos, incluindo “As Mulheres Generais da Família Yang”, “Anos na Ribalta” e “Os Chineses Valentes” (...) e adaptações de outros temas como “Lisboa Menina e Moça” de Paulo de Carvalho, e a Abertura de “O Barbeiro de Sevilha” de Rossini

na ópera cantonense, mas também pelo trabalho comunitário que tem desenvolvido ao longo dos anos em Hong Kong. Em 1981, integrou a lista de “Dez Jovens Notáveis” de Hong Kong, tendo sido nomeada delegada de Hong Kong e Macau para a 7.ª e 8.ª Legislatura da Assembleia Popular Nacional da República Popular da China em 1988 e 1993, respectivamente. Entre 1998 a 2018, foi membro do 9.º ao 12.º Comité Nacional da Conferência Política Consultiva do Povo Chinês. Adorada pelo público chinês em todo o mundo, para além de ter colhido elogios pelos icónicos papéis que desempenhou ou canções que interpretou, Wang foi ainda condecorada com uma Estrela Bauhinia de Prata pelo Chefe do Executivo de Hong Kong em 2004, em reconhecimento da carreira no sector das artes cénicas, bem como pelo contributo para o trabalho comunitário e pela sua dedicação à “aprendizagem ao longo da vida”. Actualmente, Liza Wang é presidente da Associação de Artistas Chineses de Hong Kong e membro da Comissão Executiva daAssociação de Luta Contra o Cancro de Hong Kong. Pedro Arede


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Famílias e “pactos de sangue” “Senhor da Chuva” aborda ligação de Ruy Cinatti a Timor

AMBIENTE ABERTAS INSCRIÇÕES PARA ACTIVIDADES NAS ZONAS ECOLÓGICAS

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partir de hoje, os interessados podem inscrever-se para as actividades que decorrem este mês nas zonas ecológicas, promovidas pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA). Uma das iniciativas decorre entre os dias 11 e 25 de Junho e intitula-se “DiaAberto ao Público”, tendo o total de 100 vagas. A visita, de duas horas, será orientada por guias e visa um maior conhecimento da Zona Ecológica I e Zona Ecológica II, a fim de se poder “apreciar as plantas e observar a beleza das aves”. O público poderá ainda inscrever-se para o workshop “Conhecer mais sobre peixes”, que decorre no dia 11 às 9h30 e 14h30, estando disponíveis 50 vagas. Neste workshop, os visitantes “poderão entrar nas zonas ecológicas para efectuar a medição de peixes comuns, elaborar desenhos, conhecer as espécies de peixes através da aplicação móvel da DSPA e completar a tabela de medição para adquirir mais conhecimentos sobre os peixes que habitam nas zonas ecológicas”. No dia 25 de Junho, às 10h e 15h, será organizado um outro workshop, destinado às crianças e pais, intitulado “Actividade educativa sobre a Natureza” e que disponibiliza dez vagas. Nesta sessão “o instrutor vai transmitir conhecimentos relativos à ecologia e orientar as crianças para fazerem desenhos de folhas aí recolhidas”.

Drones Prazo de concurso de fotografia prolongado até dia 30

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) decidiu estender o prazo para a participação no concurso de fotografia “Macau nas Quatro Estações” e concurso de composição de imagem “Drones Arte Cintilante”. Desta forma, os interessados podem enviar os trabalhos até ao dia 30 de Junho. O prazo inicial terminava ontem. Estes concursos constituem actividades adjacentes à Gala de Drones “Brilha sobre Macau”, organizada pela DST no início de Maio.

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ENHOR da Chuva” é o título de um novo livro ilustrado editado em Díli sobre a ligação do poeta e antropólogo português Ruy Cinatti a Timor-Leste, vincada com ‘pactos de sangue’ com duas famílias de chefes tradicionais. “Quando falava do Cinatti às pessoas, parecia estar a falar de uma lenda. Via a curiosidade que as pessoas tinham e daí esta ideia de um livro, que não pretende ser uma biografia, mas é sim uma exploração dessa rica ligação a Timor-Leste”, disse a autora Mara Bernardes de Sá à Lusa. “É mais um ponto de partida para descobrir Cinatti, um tributo. Um projecto que depois o artista Bosco Alves abraçou e que agora é publicado”, afirmou. O livro de Mara Bernardes de Sá, em Timor-Leste desde 2015, está ‘pintado’com telas desenhadas propositadamente pelo pintor timorense Bosco Alves, actualmente um dos mais conceituados do país. O primeiro exemplar foi entregue ao Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, aquando da visita a Timor-Leste e o lançamento oficial da obra decorre no Centro Cultural Português, na quinta-feira.

Ligação antiga

A autora explicou à Lusa que a ligação a Cinatti é praticamente tão antiga quanto a ligação a Timor-Leste, já que na primeira viagem ao país recebeu o livro “Condição Humana em Ruy Cinatti” de Peter Stilwell. “Foi a minha ligação a Ruy Cinatti e a Timor-Leste, lia

como se ouvisse o poeta e estava encantada com a ilha, quando viajava levava comigo recortes de poemas e fotografias de Ruy Cinatti que deixava em lugares que sentia terem significado”, explicou. Depois, mais tarde, percebeu o vinco ainda mais forte do poeta e agrónomo português ao país, em virtude de dois pactos de sangue celebrados com Adelino Ximenes, então ‘liurai’ [chefe tradicional] de Loré, e Armando Barreto, ‘liurai’ de Ai-Assa. Natural de Chaves, Mara Bernardes de Sá tem obras publicadas, incluindo na antologia de poesia “Mouth Ogres”, em várias edições de autor de alguns livros infantis e com textos em livros, como “Timor Ruguranga” e “Olhares que falam”. Da nova obra e da exposição que a acompanha, fazem parte quatro telas pintadas especialmente para o livro por Bosco Alves, de 57 anos, artista que fez a primeira exposição, em Timor-Leste, em 2000, e já com obras em colecções privadas em vários países. A par da apresentação do livro, está patente uma exposição de vários documentos relacionados com Ruy Cinatti, espólio do Arquivo Nacional de Timor-Leste, incluindo vários livros, na maioria em primeiras edições e fotografias da vida do poeta. O livro é editado pela Plural Editores, do grupo Porto Editora, e a iniciativa é apoiada pela Embaixada de Portugal em Díli, Escola Portuguesa de Díli, Fundação Oriente, Camões-Instituto da Cooperação e da Língua e Arquivo e Museu da Resistência.


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VARÍOLA DOS MACACOS REFORÇADAS MEDIDAS PARA EVITAR IMPORTAÇÃO

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S autoridades alfandegárias da China têm feito esforços para impedir a importação do vírus da varíola dos macacos via portos, enquanto o país se esforça para combater a epidemia da covid-19, declarou na segunda-feira a Administração Geral das Alfândegas (AGA). A AGA mobilizou especialistas para realizar uma avaliação de risco, emitiu alertas sobre o vírus da varíola dos macacos e tomou medidas rigorosas, incluindo o monitoramento da temperatura corporal

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e a inspecção médica para os viajantes que entram no país, informa a Xinhua. As autoridades alfandegárias reforçaram a quarentena de produtos, assim como melhoraram a gestão de bio-segurança dos laboratórios e fizeram preparativos sólidos para os testes, informou a AGA. A administração também coordenou com outros departamentos governamentais para prevenir estritamente o risco de casos importados. Viajantes de entrada e saída devem reportar voluntariamente à alfândega se se sentirem doentes ou tiverem sintomas de febre, dor de cabeça, dores musculares ou eritema, disse a AGA. PUB.

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 8/P/22 Faz-se público que, por despacho da Ex.ma Senhora Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, de 18 de Maio de 2022, se encontra aberto o Concurso Público para o «Fornecimento de equipamentos laboratoriais cedidos como contrapartida do fornecimento de reagentes para detecção de proteínas específicas ao Serviço de Patologia Clínica dos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 1 de Junho de 2022, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 42,00 (quarenta e duas patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm. gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 22 de Junho de 2022. O acto público deste concurso terá lugar no dia 23 de Junho de 2022, pelas 10,00 horas, na “Sala de Reunião”, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP144.400,00 (cento e quarenta e quatro mil e quatrocentas patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 26 de Maio de 2022 O Director dos Serviços de Saúde Lo Iek Long

PACÍFICO SUL CHINA VAI NOMEAR REPRESENTANTE PARA NAÇÕES INSULARES

O enviado especial

Na sequência do périplo do ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, pelos pequenos países do sul do Pacífico, com o intuito de firmar um acordo abrangente, Pequim anunciou a nomeação de um delegado especial para a região

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Governo chinês anunciou ontem que vai nomear um enviado especial para as nações insulares do Pacífico Sul, reflectindo as crescentes ambições de Pequim para a região estratégica. O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, está a realizar um périplo pelas nações insulares da região, tendo chegado ontem a Tonga, que continua a recuperar de uma enorme erupção vulcânica e um tsunami, que matou três pessoas em Janeiro e destruiu centenas de casas. No Tonga, Wang Yi reuniu com o rei, Tupou VI, e o primeiro-ministro, Siaosi Sovaleni. O ministro chinês assinou vários acordos com Sovaleni que abrangem quase todas as vertentes, desde a gestão de desastres até um projecto de melhoria do túmulo real. O embaixador chinês neste reino polinésio, Cao Xiaolin, disse em comunicado que os

dois países já têm laços estreitos em várias áreas, incluindo comércio, infraestruturas e energias renováveis. O mesmo representante disse que a China disponibilizou vários programas de formação, que vão abranger cerca de 1.200 funcionários do governo tonganês. “A relação entre a China e o Tonga é uma pérola brilhante”, reforçou o embaixador. O governo do Tonga informou, por sua vez, que os dois lados tiveram “conversas frutíferas” e agradeceu à China por enviar dois aviões militares e dois navios da Marinha para entregar ajuda após o tsunami.

Por partes

Na segunda-feira, o governante chinês esteve nas Fiji sem conseguir assinar um amplo acordo multilateral de cooperação e segurança com 10 países do Pacífico, embora países como Samoa, Tonga, Kiribati, Papua Nova Guiné, Vanuatu, Ilhas Sa-

lomão, Niue e Vanuatu tenham concordado em cinco áreas de cooperação, que incluem recuperação económica após a pandemia de Covid-19 e novos centros para agricultura e desastres. Após a reunião nas Fiji, Pequim apresentou um documento oficial sobre a sua estratégia para a região, que inclui a nomeação de um enviado especial e uma colaboração mais próxima na luta contra a crise do clima, na segurança, covid-19, desastres naturais, infraestrutura, pesca e educação, entre outras questões. “A China e os países insulares do Pacífico, como países em desenvolvimento, compartilham uma ampla gama de interesses, incluindo a manutenção da paz e da estabilidade na região da Ásia -Pacífico, preservação da igualdade e justiça e promoção do desenvolvimento sustentável”, pode ler-se no documento oficial, emitido pela embaixada da China nas Fiji.

No documento, as autoridades chinesas também propuseram a realização regular de um encontro entre Pequim e 10 nações do Pacífico Sul, incluindo Ilhas Salomão, Kiribati, Samoa, Fiji, Tonga, Vanuatu, Papua Nova Guiné, Ilhas Cook, Niuê e os Estados Federados de Micronésia.

Em estudo

Durante o encontro realizado entre Wang e os homólogos daqueles países, as nações insulares pediram mais tempo para estudar o acordo multilateral, designado de Visão de Desenvolvimento Conjunto China – Países Insulares do Pacífico, o que seria um importante pacto geopolítico. Wang assinou vários acordos bilaterais nesta viagem de 10 dias, que inclui uma paragem em Timor-Leste. A viagem do ministro chinês ilustra a tentativa de Pequim de ampliar a sua influência no Pacífico Sul.

O lento regresso à vida Xangai alivia a partir de hoje medidas rigorosas de confinamento

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S 25 milhões de residentes de Xangai vão poder circular em zonas sem casos de covid-19 a partir de hoje, após dois meses de confinamento rigoroso, anunciaram ontem as autoridades da capital financeira da China. A partir desta quarta-feira, 1 de junho, os residentes que vivem em zonas sem casos de covid-19 poderão abandonar as suas casas, num dia em que as empresas e os transportes públicos também voltarão a funcionar. De acordo com a agência noticiosa estatal Xinhua, citada pela agência espanhola EFE, a cidade do leste da China irá flexibilizar as restrições à entrada ou saída de

edifícios residenciais, bem como ao tráfego rodoviário. “Ninguém deve impor restrições aos residentes que entram ou saem de complexos residenciais, excepto os que se encontram em áreas de médio e alto risco ou áreas sujeitas a uma liberdade de circulação limitada”, segundo um comunicado das autoridades locais de prevenção e controlo da covid-19. De acordo com as autoridades, Xangai irá geralmente retomar os serviços de transportes públicos e táxis, e será permitida a circulação de automóveis particulares nas estradas, excepto nas áreas de médio e alto risco. O governo de Xangai já tinha anunciado um regresso gradual à normalidade a

partir de quarta-feira, num processo que deverá estar concluído até ao final de Junho.

A pouco e pouco

Nos últimos dias, muitas áreas que tinham estado confinadas durante meses começaram a recuperar a liberdade total ou parcial, embora a grande maioria das lojas ainda estivesse fechada. No domingo, o governo municipal alargou de 48 para 72 horas o tempo máximo desde o último teste PCR com resultado negativo para utilizar transportes públicos ou aceder a outros locais, como os supermercados. O rigoroso confinamento imposto à população de


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ECONOMIA MANUFACTURA RECUPERA APÓS ALÍVIO DE RESTRIÇÕES EPIDÉMICAS

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actividade manufactureira da China registou uma ligeira recuperação em Maio, à medida que foram levantadas algumas das medidas de prevenção epidémica, que resultaram no bloqueio de Xangai e outros centros industriais. Segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas da China, o índice de Gestores de Compras, um dos principais indicadores para o sector manufactureiro, fixou-se nos 49,6 pontos, depois de se ter fixado nos 47,4 pontos, em Abril, numa escala de 100 pontos. Neste indicador, uma marca acima dos 50 pontos implica expansão e, abaixo, uma contração. Mais empresas em Xangai, a “capital” financeira da China, estão a ser autorizadas a reabrir esta semana, depois de as autoridades terem considerado que a situação epidémica na cidade está sob controlo (ver texto principal). Outros centros industriais, incluindo Shenzhen, no sul, e Changchun, no nordeste, também retomaram a produção e o comércio em Maio, depois de terem estado sob bloqueio nos meses anteriores. Os dados indicam que a “actividade começou a recuperar à medida que as medidas de contenção foram revertidas”, disse Sheana Yue, analista da consultora Capital Economics, num relatório. “A recuperação provavelmente vai permanecer lenta, face à fraca procura externa e tensões no mercado de trabalho”, acrescentou.

PUB.

Comunicado da embaixada da China nas Fiji “A China e os países insulares do Pacífico, como países em desenvolvimento, compartilham uma ampla gama de interesses, incluindo a manutenção da paz e da estabilidade na região da Ásia -Pacífico, preservação da igualdade e justiça e promoção do desenvolvimento sustentável.”

AVISO

ENERGIA MAIS VENTO E SOL PARA UMA MATRIZ LIMPA

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China implementou uma série de medidas para aumentar significativamente a sua capacidade instalada de energia eólica e solar no passo mais recente em direção a uma combinação de energia de baixo carbono, seguro e eficiente. De redes de energia mais adequadas para avanços tecnológicos e apoio financeiro, um plano de acção oficial emitido GETTY IMAGES

Xangai motivou protestos de muitos residentes devido a dificuldades no acesso a alimentos, perda de rendimentos e excesso de pessoas em centros de quarentena. As autoridades municipais também anunciaram ontem um plano de 50 medidas para revitalizar a economia local após dois meses de estrita contenção face ao pior surto de covid-19 na cidade desde o início da pandemia. De acordo com a imprensa oficial, as medidas reduzirão a carga financeira das empresas e outros intervenientes no mercado em cerca de 300.000 milhões de yuan (mais de 41.930 milhões de euros, ao câmbio actual). Xangai registou 68 novas infecções de covid-19 no domingo, maioritariamente assintomáticas, muito longe do pico de quase 28.000 casos em meados de Abril.

na segunda-feira especifica um total de 21 políticas para levar a capacidade combinada de energia eólica e solar do país a 1,2 mil milhões de quilowatts até 2030, informa a agência Xinhua. A China acelerou o impulso verde nos últimos anos, trazendo um boom de desenvolvimento no sector de novas energias, com uma capacidade instalada líder mundial. A ele-

tricidade derivada da energia eólica e solar foi responsável por 11,7 por cento da geração total de energia do país. O sector entrou basicamente numa nova fase que apresenta preços acessíveis e sem subsídios, diz o documento, que lista vários factores de contenção, como a desfasagem das redes eléctricas e os recursos terrestres limitados. Para o desenvolvimento em larga escala e de alta qualidade do sector de nova energia a longo prazo, “uma das principais tarefas é acelerar a substituição efetiva e confiável dos combustíveis fósseis por fontes de nova energia”, disse Du Zhongming, presidente do Instituto de Planeamento e Engenharia de Energia Eléctrica. Até 2025, metade dos novos prédios de instituições públicas terá instalações de energia solar nos telhados.

Faz-se saber que em relação ao concurso público para empreitada de obra pública designada por «Obra de Estação Elevatória de Águas Pluviais e Drenagem no Porto Interior- 1.a Fase», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 20, II Série, de 18 de Maio de 2022, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 2.2 do programa do concurso, e foi feita aclaração complementar conforme necessidades, pela entidade que realiza o concurso e juntos ao processo do concurso. Os referidos esclarecimentos e aclaração complementar encontram-se disponíveis para consulta, durante o horário de expediente, na Direcção dos Serviços de Obras Públicas, sita na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 9.º andar, Macau. Direcção dos Serviços de Obras Públicas, aos 26 de Maio de 2022. O Director, Lam Wai Hou


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XUNZI

Aqueles que atravessam as águas marcam as zonas fundas, mas se as marcações não forem claras, as pessoas nelas se afundarão. Aqueles que ordenam às pessoas que marquem o Caminho, sem se certificarem de que as marcações são claras, trarão o caos. Essas marcações são os rituais. Rejeitar o ritual é confundir o mundo, e confundir o mundo é criar grande caos. Assim, quando nenhuma parte do Caminho é incerta e aquilo que está dentro e fora dos limites é marcado diferentemente, tendo as coisas pérfidas e as coisas ilustres medidas constantes, então as armadilhas que se podem colocar ao povo serão eliminadas. A miríade das coisas é apenas uma faceta do Caminho. Cada coisa é apenas uma faceta da miríade de coisas. Os tolos tomam uma única faceta de uma única coisa e dizem para si conhecerem o Caminho – o que é ausência de conhecimento. Shenzi [ou Shen Dao1] viu o valor de ficar para trás, mas não o valor de estar na

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ELEMENTOS DE ÉTICA, VISÕES DO CAMINHO

Discurso sobre o Céu

dianteira. Laozi viu o valor de ceder, mas não o valor de se esforçar. Mozi viu o valor de tornar as coisas uniformes, mas não o valor de estabelecer diferenças. Songzi viu o valor de ter poucos desejos, mas não o valor de ter muitos desejos. Se houver só ficar para trás sem tomar a dianteira, as massas não terão porta por onde avançar. Se houver só cedência sem esforço, os nobres e os plebeus não se distinguirão. Se houver só uniformidade sem diferença, não é possível dar ordens de governação. Se houverem apenas poucos desejos em vez de muitos desejos, as massas não poderão transformar-se. Os Documentos dizem:

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1 - Filósofo legalista (350-275 a.C) que recorria à noção de dào 道 sem qualquer sentido metafísico. Traduzimos aqui um dos poucos fragmentos da sua obra que sobreviveram: “O Dao do senhor e dos ministros consiste em os ministros se atarefarem e o príncipe não ter tarefas; o príncipe é sereno e feliz, ao passo que os ministros assumem a responsabilidade das tarefas. Os ministros aplicam toda a sua inteligência e força no desempenho satisfatório das tarefas [do senhor], nas quais este não participa, limitando-se a aguardar pela sua conclusão. Daqui resulta que cada tarefa é assegurada. Este é o modo correcto de governação”. Cf. K. Chen and H.C.W Sung 2015 p.251 Dao Companion to Daoist Philosophy.

Não cries novos gostos. Segue a via do rei. Não cries novas aversões. Mantém-te na via do rei. Isto exprime aquilo que quero dizer.

Xunzi (荀子, Mestre Xun; de seu nome Xun Kuang, 荀況) viveu no século III Antes da Era Comum (circa 310 ACE - 238 ACE). Filósofo confucionista, é considerado, a par do próprio Confúcio e Mencius, como o terceiro expoente mais importante daquela corrente fundadora do pensamento e ética chineses. Todavia, como vários autores assinalam, Xunzi só muito recentemente obteve o devido reconhecimento no contexto do pensamento chinês, o que talvez se deva à sua rejeição da perspectiva de Mencius relativamente aos ensinamentos e doutrina de Mestre Kong. A versão agora apresentada baseia-se na tradução de Eric L. Hutton publicada pela Princeton University Press em 2016.


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AMÉLIA VIEIRA

Nós contemporizamos, esquecendo todos os danos. Somos Humanos! Mas o que existe de tão agreste na raiz das coisas, que temos de sabotar tudo o que somos? Uma cicatriz de amplo espectro vigilante. Por vezes, nem Deus se abeira da nossa súplica nós, que o construímos Com a certeza de que não nos faltaria, deparamonos com sua solidão aflita. Agora o tempo está sem céu, e a nossa grande jornada em nós arrefeceu. Talvez tenha morrido no anátema traçado, talvez tenhamos vivido sem a força desse outro lado. Que nada diminui esta vasta caminhada de seres da fome, tão frágeis, tão tenazes, que acolhidos Fomos, no planeta pela Morte. Não podemos ainda sair daqui! Vivos e mortos somos a jornada.

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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Filiação Reerguemos as eras, e elas são iguais a tudo o que já era. Congelámos as promessas. Nem sempre o silêncio é sinal de sabedoria. Mas de perplexidade, desse não saber como num certo Jardim outrora se fazia. «Mulher, eis o teu Filho»! Nós, filiados assim, não sentimos que a progenitura nos pertença. E muito menos queremos ser dela esta continuada incerteza. Que nós não temos filhos, mas brasas lançadas aos destinos que se recuperam e se perdem Nos acasos dos sentidos. Não temos nada, e inventámos o amor para existir na gleba de um verso de ouro que nos Engendra Filhos do Homem, caminho do meio, nós de Humano, nem temos já os seios. Somos aquelas fontes onde nascem só venenos, que na intranquila ilusão compensamos Como eventos. Já não sou Jó! - Nunca fui Jó. Testes a mais fazem-nos em pó. Dias em que se morra e pereça e que a mãe ao próprio filho não conheça... Não os quero mais escutar nem o mundo já os dar. Que esta nossa labuta fere engenhos, mas não temos que ceder. Sou mais Raquel, e não Lia, essa fábrica carnívora. E neste manjar de sombras, lembro-me de um homem que veio apenas para nos ressuscitar. Confesso esse grande amor pela casa de David. O

nosso ser precisava dela! De um ser que cingisse a consciência de nosso limitado ser para o encher de esperança. E quanto mais se caminha, mais ele ressuscita, que não é o mesmo que prendê-lo a outa vinda. Nós requeremos estes dons maiores, pois que de todos são. Acordá-los, eis toda a nossa futura condição. A doença que progride é vão caminho, e dela não estamos ausentes como estamos do destino. Deus nada quer, a obra não lhe nasce, e o Homem não a sonha... crê que a pensa Mas nosso pensamento é vil e não produz nascença. Porém, desejamos ser inscritos no Livro da Vida, esse, que um homem feito deus nos veio dizer Ser a saída. Mas aqui nos encontramos, mortos, a tributar os danos das blasfémias conseguidas. Perdoai-nos! Somos cúmplices e inocentes, e espera-nos outro ser saído do súbito instante que se evolou Pela alma erguida. Tu és o nosso guindaste celeste, morrido com pés ausentes de terra, a maravilha que flutua Grave e séria. Jacob precisou de escadas, lutar, e ficar coxo. Tu, estavas exangue, mas pleno de ternura, sem mais nada. Sem chão, que a Terra arde. E gela. A Terra que é tão triste...! Mas muito mais existe para além dela.


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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 39

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6 2 4 7 1 3 5 0 9 8 3 5 6 2 8 4 1 0 7 1 2 9 1 7 3 0 5 6 8 2 5 6 4 2 8 1 7 9 0 3 5 2 3 0 3 9 7 5 6THE 2 4 8 BAD GUYS 8 4 5 3 0 9 5 4 8 9 6 2 1 3 0 7 2 0 1 4 9 3 8 5 6 0 7 1 2 4 8 3 9 2 4 0 7 6 1 8 5 8 7 5 0 6 2 4 1 9 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia 5 8 6 1 7 4 8 7 0 3 5 1 2 6 4 9 7Sofia6Silva;4João9Santos 3 Filipe; 1 Pedro 5 Arede, 2 0 Nunu Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Gonçalo Waddington; José Simões Morais; 6Julie0Oyang; 2 Paulo 9 Maia 3 e7Carmo; Rosa Coutinho 4 Cabral; 1 6Rui Cascais; 8 3Sérgio 5 Fonseca; 9 2 Colunistas 7 0 André Namora; David 6 4Chan;2João8Romão; 1 Olavo 0 Rasquinho; 7 9 3 9Paul2Chan7Wai 0Chi; Paula 5 1Bicho; Tânia dos Santos 2 Grafismo 0 9 Paulo 1 Borges, 8 6 Rómulo 7 5Santos3 Agências 4 Lusa; Xinhua5Fotografia 9 0Hoje6Macau; 4 Lusa; 8 GCS; 3 Xinhua 7 1 Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare 3Morada 1 Pátio 4 da8 Sé,2n.º22,6Edf. Tak Fok, R/C-B, 7 Macau; 5 3 2 9 0 4 8 6 1 1 8 3 5 2 7 9 6 4 Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo

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GUN: MAVERICK [B] 3TOP 8 0 Um filme de: Joseph Kosinski Com: Tom Cruise, Jennifer Connely, Kilmer, Miles Teller 914.15,Val16.45, 9 3 19.15, 21.45 8 1 5 JUJUTSU KAISEN: ZERO [B] EM JAPONÊS LEGENDADO 1FALADO 4 2 EM CHINÊS E INGLÊS filme de: Seong-Hu Park 6Um 3 1 14.30, 21.45 0UNPLANNED [C] 7 8 Um filme de: Cary Solomon, Chuck 2Konzelman 5 6 4 6 9 5 2 4 7 0 7

Com: Ashley Bratcher, Emma Rose Roberts,

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C I N E M A

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J. Lindell, Jared Lotz 6 17.00,2Michael 4 3 5 1 19.307 2 THE6BAD GUYS 0 1 5 4 7 [B] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO 7 EM CHINÊS 0 9 8 4 6 2 Um filme de: Ruben Fleischer 5 14.30,117.00,319.309 8 7 6 0 EVERYTHING 2 EVERYWHERE ALL7 AT ONCE [C]5 6 8 9 Um filme de: Daniel Kwan, Daniel Scheinert 4 Com:3Michelle1Yeoh,6Stephanie 9 Hsu,2 0 Ke Huy Quan, James Wong 21.30 9 4 8 0 7 1 3 3 5 4 7 2 0 8 1 8 6 3 0 9 5 8 9 5 2 1 3 4

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O MAURITANO I KEVIN MCDONALD I 2021

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Baseado numa história verídica, este filme que está nas salas de cinema relata a vivência 4 0de Guantánamo 5 1 2 6e os8ataques 7 9aos3direitos humanos 9 que 3 ali 5 são 6 perpetrados. 4 8 0 Do 7 na prisão rol de6grandes filmes actualmente em exibição este é aquele que se enquadra no perfil 8 3 2 7 5 9 4 1 0 1 8 7 0 2 9 3 4 Hollywoodesco. É comercial, mas marca uma posição. A presença de Jodie Foster é sem9 4 8 7 1 3 0 5 6 2 0 6 1 5 7 4 8 9 pre uma mais valia. Andreia Sofia Silva

7 1 2 6 5 9 6 3 2 3 0 9 8 5 1 4 www. 3 6 4 8 hojemacau. com.mo 0 7 9 5

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quarta-feira 1.6.2022

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in sapo24

opinião 15

Francisco Sena Santos

A COLÔMBIA decide daqui a três semanas se vai ter um presidente das esquerdas e ex-guerrilheiro ou uma versão local de Donald Trump. No Brasil, Lula é superfavorito para a eleição em outubro. Os últimos 12 meses na América do Sul estão a mostrar castigo dos governos alinhados à direita. A nova geração da esquerda chilena foi determinante para a eleição há três meses de Gabriel Boric (55,8 por cento dos votos), que tinha ficado conhecido nos últimos dois anos como líder do movimento estudantil. Boric, 36 anos, pôs como prioridade a agenda climática, o combate à pobreza, o respeito pelas mulheres e pelos povos indígenas. Defende para o Chile uma sociedade social-democrata inspirada no modelo escandinavo. A República do Peru elegeu há um ano para presidente o professor rural Pedro Castillo. Desceu de uma aldeia nos Andes para instalar em Lima um “modelo político conciliador”, com respeito “pelos de baixo que têm de ser puxados para cima”. Tanto no Chile como no Peru as direitas assustaram-se com a chegada à presidência de políticos esquerdistas. O chileno Boric com opções mais moderadas, o peruano Castillo mais revolucionário mas ambos rejeitando o modelo castrista de Cuba ou da Venezuela. Mas o povo preferiu a mudança e não houve concessão aos governantes dos últimos anos. A Colômbia é um dos cinco grandes países da América do Sul – com Brasil, Argentina, Chile e Peru. Os eleitores colombianos ao votarem neste domingo na primeira volta das eleições presidenciais introduziram duas surpresas e uma confirmação. A maior surpresa é a eliminação das forças conservadoras que dominaram a política e os negócios da Colômbia nas últimas duas décadas. O candidato do “sistema”, identificado como direita conservadora recebeu 23 por cento dos votos (5.057.972) A segunda surpresa é Rodolfo Hernandez, teve 28 por cento do voto (5.953.120) e é definido como um Donald Trump da Colômbia. Poucos deram pelo aparecimento deste candidato ultra a não ser nos últimos dias de campanha. As sondagens mostram como há cinco semanas ele estava cotado com menos de 10 por cento das intenções de voto (perante 23 por cento do candidato conservador); em pouco mais de um mês o ultra direitista Hernandez passou de 10 para 28 por cento, através de um slogan um milhão de vezes repetido nas televisões: “vou acabar com a roubalheira”. Quase ninguém apostava em Hernandez. Se a 19 de junho conseguir reunir todos os votos

AP

A VAGA DE PROTESTO QUE EMPURRA A AMÉRICA DO SUL PARA A ESQUERDA

da direita a Colômbia poderá eleger para a presidência uma versão local de Trump. Mas é de prever que muito eleitorado centrista aposte no candidato das esquerdas, Gustavo Petro. Petro é a confirmação nesta primeira volta presidencial colombiana. Recebeu 40 por cento dos votos (8.527.132), como as sondagens sempre apontaram. Gustavo Petro, hoje com 61 anos, aos 20 era guerrilheiro na clandestinidade. Optou pelo modelo democrático, foi por duas vezes eleito senador e uma vez presidente da câmara da capital, Bogotá. Amado por muitos, mal suportado por outros, detestado à direita. Lidera um movimento que se apresenta como Pacto Histórico, que reúne todos os partidos da esquerda e alguns movimentos de centro-esquerda. Petro já mostrou que é duro a enfrentar os poderosos clãs do narcotráfico e é forte frente à corrupção muito disseminada pela Colômbia. Mas o grande trunfo do esquerdista Gustavo Petro é Francia Marquez: esta mãe solteira negra, professora de Direito depois de ter sido mulher a dias e empregada doméstica é o fenómeno político desta eleição. É candidata a vice-presidente na lista de Petro, apresenta-se como “a voz dos que não têm voz” e está a mobilizar muitos que nunca votaram. De facto, nesta eleição, para além da confirmação de Petro, os fenómenos são dois e ambos populistas com discurso para as extremas: Francia, na esquerda, Hernandez, na direita.

Mais do que considerações ideológicas, há entre os povos sul-americanos grande vontade de mudança. A esquerda parece tirar proveito – resta saber por quanto tempo vai resistir esta vaga a favor da esquerda

Nesta primeira volta votaram 21,5 milhões dos 39 milhões de colombianos com direito a voto. Os 45 por cento que no domingo se abstiveram são, provavelmente, a chave que vai abrir a decisão desta eleição. A direita moderada tem um problema sério com o ultra Hernandez: ele passou o último mês a acusar todos de fazerem parte do clã da roubalheira. Mais: este Hernandez elogiou Hitler e atirou as mulheres para lugar secundário. A dupla Gustavo Petro/Francia Marquez é favorita na decisão eleitoral colombiana em 19 de junho – mas a surpresa da ultra direita não está excluída. O que parece evidente é que a governação da Colômbia vai ter mudanças radicais. Em 2 e 30 de outubro é a vez da escolha presidencial no Brasil. Todas as sondagens mostram Lula destacado e encaminhado para voltar à presidência. O levantamento popular contra as desigualdades crescentes, as tremendas dificuldades económicas, os sucessivos escândalos de corrupção e a péssima gestão da pandemia estão a fazer sancionar sem indulgência os governos dos últimos anos na América do Sul. Mais do que considerações ideológicas, há entre os povos sul-americanos grande vontade de mudança. A esquerda parece tirar proveito – resta saber por quanto tempo vai resistir esta vaga a favor da esquerda.


“Os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em asilos de loucos.” PALAVRA DO DIA

DANIEL ACKER/BLOOMBERG

QUARENTENA MAIS HOTÉIS DEPENDE DA VONTADE DE TRABALHAR EM CIRCUITO FECHADO

Chesterton

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1.6.2022

Contrabando Cerca de 135 milhões em bebidas alcoólicas

O

presidente da Associação de Hotéis de Macau, Luís de Heredia, considera que o aumento do número de hotéis de quarentena está dependente da existência de trabalhadores disponíveis para trabalhar em circuito fechado. “O Governo vai fazendo as suas interpretações e vai tentando que haja operadores que lhes consigam fornecer esse tipo de serviço, mas tem que haver um compromisso porque nem sempre é fácil encontrar os trabalhadores que estejam dispostos a prestar esse serviço [em circuito fechado]”, disse à TDM-Rádio Macau. Sobre os efeitos da crise gerada pela covid-19, Luís de Heredia não se mostrou surpreendido com a redução do número de funcionários ao final do primeiro trimestre de 2022 e assegurou que o sector está a fazer tudo o que está ao seu alcance para assegurar os postos de trabalho dos locais e não residentes. “Se olharmos para os números estatísticos dos turistas, entravam quase entre 30 a 40 milhões, e agora se estivermos a fazer um cálculo para o ano serão seis, sete ou oito milhões. Não sabemos. É evidente que tem de haver uma actualização do número de trabalhadores. Mesmo assim, penso que praticamente todos os operadores e donos de hotéis têm feito um esforço para manter ao máximo os trabalhadores, tanto os locais como os TNR”, considerou.

quarta-feira

“Estamos a limitar o número de armas de mão neste país”, disse Trudeau, na segunda-feira. “Será ilegal comprar, vender, transferir ou importar armas de mão em qualquer lugar do Canadá”

CANADÁ GOVERNO QUER CONGELAR MERCADO DE ARMAS DE FOGO PESSOAIS

Passo para a sanidade

O

governo do primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, apresentou uma proposta de lei que deverá congelar, a partir do Outono, a importação, a compra ou a venda de armas de fogo pessoais no Canadá. “Estamos a limitar o número de armas de mão neste país”, disse Trudeau, na segunda-feira. “Será ilegal comprar, vender, transferir ou importar armas de mão em qualquer lugar do Canadá”, sublinhou. O Canadá tem tinha banido 1.500 tipos de armas de fogo, de estilo militar, na sequência de um tiroteio em Abril de 2020, o pior da história do país, no qual morreram 23 pessoas, na Nova Escócia (leste). As autoridades pretendem lançar, no final do ano, um programa no âmbito do qual os cidadãos serão obrigados a revender este tipo de armas ao governo. Numa conferência de imprensa em Otava, Trudeau, rodeado por dezenas de familiares de vítimas de tiroteios, disse que os proprietários só poderão manter armas de assalto se estas forem tornadas inutilizáveis. O primeiro-ministro canadiano, que já tinha alargado os controlos

ao registo criminal de pessoas que quisessem adquirir uma arma, lançou esta proposta de lei, na sequência do tiroteio em Uvalde, nos Estados Unidos, onde um atirador solitário matou 19 crianças e dois professores, na semana passada. O ministro da Segurança Pública canadiano, Marco Mendicino, descreveu a legislação como o passo mais significativo que o país deu numa geração. “Países que fazem um bom trabalho no controlo de armas fazem um bom trabalho no controlo da violência armada”, disse Mendicino em entrevista à agência de notícias Associated Press.

Votos e aplausos

Mendicino disse acreditar que cerca de um milhão de armas de mão circulem no Canadá, a maioria dos quais importadas ilegalmente dos Estados Unidos. O governo também disse que a proposta de lei vai permitir a remoção de licenças de armas de pessoas envolvidas em atos de violência doméstica ou assédio criminal, incluindo perseguição. O diploma vai também permitir aos tribunais que exijam a entrega

de armas de fogo à polícia por parte de pessoas consideradas perigosas. As autoridades do Canadá defenderam que a medida vai proteger a segurança de mulheres em perigo de violência doméstica. O governo disse que vai exigir que os carregadores de armas de grande porte sejam alterados permanentemente para que nunca possam conter mais de cinco cartuchos e proibir a venda e a transferência de carregadores de grande capacidade. As novas medidas vão a votação no Parlamento do Canadá, onde os liberais, no poder, e os novos democratas, da oposição de esquerda, têm votos suficientes para atingir uma maioria. A Coligação para o Controlo de Armas, fundada depois do homicídio de 14 mulheres numa universidade de Montreal em 1989, aplaudiu a proposta de lei. "A proposta de eliminação da posse privada de armas de fogo é um grande passo à frente e mostra que o governo ouviu as vozes das vítimas", disse a presidente da organização, Wendy Cukier, em comunicado.

Os serviços de alfândega de Gongbei e as autoridades policiais de Zhuhai detectaram um caso de contrabando de bebidas alcoólicas que levou à detenção de quatro pessoas. O crime, que envolveu um total de 135 milhões de renmimbis, seria gerido por dois dos quatro suspeitos, que compraram garrafas de Maotai, vinho vermelho e whisky em Macau, através de um vendedor de bebidas. As bebidas alcoólicas eram depois transportadas e vendidas numa loja em Gongbei, onde os quatro suspeitos foram presos. Os agentes alfandegários de Gongbei realizaram mais operações em Zhuhai e Zhongshan, tendo sido detidas mais 19 pessoas ligadas a dois grupos de contrabando. Foram ainda detectados cinco armazéns que serviriam para as operações e apreendidas cerca de duas mil garrafas de vinho branco de marcas conhecidas no mercado, com um valor aproximado de três milhões de renminbis.

Droga Quatro detidos por suspeita de tráfico na Horta e Costa

A Polícia Judiciária deteve quatro pessoas de origem vietnamita por suspeita de tráfico e consumo de metanfetaminas na zona da Horta e Costa. As autoridades encontraram escondidas numa panela eléctrica para arroz 58,69 gramas da droga também conhecida como ice, com um valor estimado de cerca de 200.000 patacas no mercado negro. Os suspeitos, três homens e uma mulher, têm idades compreendidas entre 29 e 51 anos. Um dos indivíduos, desempregado, confessou ter começado a traficar droga há 3 meses e consumir estupefacientes, enquanto as outras três pessoas testaram negativo à presença de drogas no organismo. A polícia referiu ter também encontrado três comprimidos com substância activa da família das benzodiazepinas. De acordo com o canal chinês da TDM, um dos homens, que estava no apartamento onde a droga foi apreendida, estaria em Macau sem autorização de permanência. Como tal, o suspeito de tráfico de droga acabou também por suspeito do crime de acolhimento.


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Hoje Macau 01 JUNHO 2022 #5019 by Jornal Hoje Macau - Issuu