Nº 4779 TERÇA-FEIRA 1-6-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
hoje macau
HOJE MACAU
MOP$10
APOIO AO CONSUMO
TORNEIRA ABERTA GRANDE PLANO
CARTA DE MAREAR ANABELA CANAS
MÁQUINA DO ROMANCE PAULO JOSÉ MIRANDA
AZULEJO PORTUGUÊS
UM MUNDO A DESCOBRIR EVENTOS
ÓBITO
MORTE NOS LAGOS PUB.
ÚLTIMA
Sem garantias O Governo reforça o aviso: é de evitar as deslocações ao Interior da China. Os recentes casos de covid-19 em Cantão, levaram a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura a marcar presença na conferência de imprensa semanal de ac-
tualização da pandemia, onde deixou clara a ideia de que os cidadãos se devem abster de viajar para locais com casos declarados. “Não podemos garantir a 100 por cento que não há mais casos” em Macau, disse Elsie Ao Ieng U.
PÁGINAS 6-7
1.6.2021 terça-feira
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Alegria passageira APOIO AO CONSUMO
COMERCIANTES POUCO OPTIMISTAS QUANTO À NOVA RONDA DE APOIOS
Os residentes inscritos no “Plano de benefícios de consumo por meio electrónico” já podem começar a utilizar o montante total de 8.000 patacas. Ao HM vários comerciantes revelam estar pouco optimistas, havendo, contudo, quem esteja a planear campanhas para a ocasião. Do lado dos consumidores, a ajuda é bem-vinda, com a maioria a preferir o cartão de consumo ao pagamento móvel. Cerca de 540 mil residentes já se inscreveram
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O meio do deserto lá passa uma aragem. A partir de hoje, os residentes permanentes e não permanentes de Macau inscritos no “Plano de benefícios de consumo por meio electrónico”, podem começar a utilizar, por via digital ou através de cartão de consumo, os montantes destinados a apoiar a economia de Macau, no valor total de 8.000 patacas por pessoa. Até ao meio-dia de ontem, aproximadamente 540 mil residentes já tinham efectuado a inscrição para obter o montante inicial de 5.000 patacas e outro, para desconto imediato, no valor de 3.000 patacas, sendo que, do total de inscritos, 405 mil residentes já receberam os valores do apoio, podendo começar a gastá-lo a partir de hoje. De referir ainda que, até ao momento, a maioria dos inscritos, ou seja 303 mil residentes, optou pelo cartão de consumo em detrimento da utilização de pagamentos móveis, ou seja 203 mil residentes.
Uma ronda por alguns estabelecimentos localizados no centro da cidade, revelou que a maioria dos comerciantes está pouco optimista relativamente aos efeitos práticos que o programa do Governo vai ter ao nível do negócio, apontando, contudo, que existem sempre alguns benefícios. Com o fantasma da pandemia a persistir, outra das preocupações reveladas pelos lojistas com quem o HM falou, prende-se com o facto de a maioria dos consumidores canalizarem grande parte dos gastos dos apoios para as grandes superfícies e supermercados. Chang é responsável por uma banca de venda de carne, localizada no Mercado de São Domingos e vê com bons olhos a nova ronda de apoios, apesar de não ter grandes expectativas quanto à melhoria do negócio. “Acho que o plano de benefícios ao consumo pode contribuir para melhorar o negócio, mas as vendas têm sido muito más [devido
“[Nas rondas anteriores], a utilização do cartão do consumo fez aumentar em cerca de vinte por cento o volume total do negócio. Espero que o novo plano de benefícios ao consumo possa trazer um aumento semelhante.” KUOK VENDEDOR
à pandemia] e, por isso, não estou a ver que o programa possa trazer assim tantos benefícios. Além disso, devido ao calor que se faz sentir agora, as pessoas preferem fazer compras nos supermercados em vez de vir aos mercados municipais”, partilhou. Dois andares abaixo, na área da peixaria, Chao conta que na banca onde trabalha não houve despedimentos devido à situação causada pela pandemia, mas que o seu salário foi cortado. Sobre o plano de apoio ao consumo espera que “beneficie o negócio” e deixa elogios à utilização do cartão de consumo em detrimento dos pagamentos electrónicos, pois “só os jovens sabem utilizá-los”. Às compras naquela zona está Lito, residente de Macau natural das Filipinas, que assegura já ter efectuado antecipadamente a inscrição no plano de apoio. Questionado sobre o meio de pagamento seleccionado, o residente de 59 anos revela ter optado pelo cartão
de consumo por ter “medo de ser alvo de ciberataques”. Uma cliente do mercado municipal de São Domingos de apelido Ieong confirma também a preferência pelo formato físico, revelando ter optado pelo cartão de consumo. “Já me inscrevi no plano e fui carregar o meu cartão de consumo. Não tenciono gastar o montante em nenhuma área específica, até porque ao longo de meio ano é fácil gastar a totalidade do valor”, contou ao HM. Recorde-se que, a partir do momento em que os valores são atribuídos aos residentes, os apoios poderão ser utilizados até ao final do ano, ou seja, 31 de Dezembro de 2021. O “Plano de benefícios do consumo por meio electrónico” é uma das iniciativas que integram a estratégia do Governo de salvaguarda do emprego e estabilização da economia. O objectivo, passa por “aliviar as dificuldades da população” e estabilizar a economia”, salientou o director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), Tai Kin Ip, por ocasião da apresentação do programa.
É melhor aproveitar
Na rua o negócio já viu melhores dias e mais turistas, mas nem por isso, alguns comerciantes vão tentar capitalizar com o início do plano de apoio ao consumo para atrair clientela local. O responsável de uma farmácia localizada na rua de São Domingos, de apelido Kuok aponta que, apesar de a maioria dos clientes serem do Interior da China e virem, sobretudo, à procura de comprar leite em pó, a partir de hoje vai introduzir descontos entre os 10 e os 20 por cento em todos os produtos. Até porque, nas rondas de apoio anteriores, o programa do Governo contribuiu para que o volume de negócios do estabelecimento aumentasse cerca de 20 por cento. “[Nas rondas anteriores], a utilização do cartão do consumo fez aumentar em cerca de vinte por cento o volume total do negócio. Espero que o novo plano de benefícios ao consumo possa
“Não estou a ver que o programa possa trazer assim tantos benefícios.” CHANG VENDEDORA
FOTOS HOJE MACAU
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deu incentivos com a condição de não despedir. Não há nada disso neste momento. O que há é literalmente algo para alegrar a malta toda mas, na prática, quando acabar o consumo (...) as empresas ficam na mesma”, rematou.
Ainda há esperança
trazer um aumento semelhante. Os supermercados são os maiores beneficiários do plano, mas as pessoas acabam normalmente por comprar leite em pó nas farmácias. No ano passado, 10 por cento do consumo feito aqui na loja através do cartão de consumo foi para comprar leite em pó”, revelou ao HM. Por seu turno, a gerente de uma cadeia de lojas de cosmética, de apelido Tong, revela que no ano passado houve “pouco volume de negócio impulsionado pelo cartão de consumo”, embora tenha visto o consumo dos clientes locais a aumentar. Questionada se iriam ser aplicadas promoções a pensar na nova ronda de apoios, a responsável partilhou tal não vai acontecer, não só porque a maioria dos consumidores são habitualmente turistas do Interior da China, mas também porque desde o início da pandemia a maioria dos produtos já têm desconto.
Sol de pouca dura
Em Abril, durante a apresentação do “Plano de benefícios de consumo por meio electrónico”, Tai Kin Ip apontou que, através do programa, o Governo espera injectar mais de seis mil milhões de patacas, embora o efeito na economia possa ser mais abrangente. Contactado pelo HM, Albano Martins revela que o plano apoia de facto a economia, mas de uma forma “fragilizada”, pois o valor a injectar no mercado representará apenas cerca de 10 por cento de um trimestre. Além disso, o economista aponta que depois dos incentivos
acabarem “vão continuar a haver layoffs”, até porque o apoio não chega a todos os sectores e, ao contrário da primeira ronda de
“O que há é literalmente algo para alegrar a malta mas, na prática, quando acabar o consumo (...) as empresas ficam na mesma.” ALBANO MARTINS ECONOMISTA
apoios, as medidas de retenção de trabalhadores não existem. “Se o incentivo ao consumo não for feito de forma continuada não funciona e não tem significado na economia. Os valores representaram cerca de 4,0 por cento do PIB por trimestre ou, de outra forma, representa cerca de 10 por cento de um trimestre. Não estou muito convencido que é por aí que se vai dar a volta até porque grande parte desse consumo é feito, sobretudo, no mesmo tipo de empresas como supermercados e restaurantes. As outras PME não recebem esses apoios”, começou por dizer. “Acabado o consumo, as pessoas são colocadas outra vez em layoff ou despedidas. Não há garantias nenhumas de que isso não vá acontecer. No passado, quando o Governo lançou o primeiro pacote de apoio, impediu que as empresas despedissem trabalhadores porque
“Em Macau não (…) somos tratados como seres humanos. Devem pensar que não temos de comer ou que não consumimos.” JASSY SANTOS PRESIDENTE DA UNIÃO PROGRESSISTA DOS TRABALHADORES DOMÉSTICOS DE MACAU
Apesar de o plano prever originalmente a inclusão de trabalhadores não residentes (TNR), os actuais moldes em que o plano foi pensado após forte contestação da população, não incluem os trabalhadores migrantes. O Governo já admitiu a possibilidade de o plano, ou pelo menos a vertente das 3.000 patacas em descontos, poder ser alargada aos TNR. Contudo o tema continua “em estudo”, de acordo com as palavras proferidas por Tai Kin Ip no passado mês de Abril. Contactada pelo HM, a presidente da União Progressista dos Trabalhadores Domésticos de Macau, Jassy Santos, considera que, se tal vier a acontecer, seria uma “grande ajuda”, até por muitos trabalhadores migrantes estão actualmente a viver da caridade, por terem perdido os postos de trabalho. “Temos esperança de ainda vir a ser incluídos no programa porque isso seria uma grande ajuda para os muitos trabalhadores não residentes que, actualmente, estão a viver apenas à custa da caridade. Espero sinceramente que o Governo venha a incluir os trabalhadores migrantes. Era uma grande ajuda”, referiu. Sobre as razões da exclusão, Jassy Santos aponta que, em Macau, a classe que representa não é tratada com dignidade. “Em Macau não somos tratados como trabalhadores. Na verdade, nem somos tratados como seres humanos. Devem pensar que não temos de comer ou que não consumimos. O Governo é realmente discriminatório em relação aos TNR. Nós também consumimos, na verdade, somos bons consumidores. O nosso salário apenas é gasto aqui”, apontou a responsável. Pedro Arede e Nunu Wu
FRAUDES DSEDT E CC ALERTAM COMERCIANTES PARA CUMPRIMENTO DA LEI
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IAS antes do início da utilização dos “benefícios de consumo por meio electrónico”, a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) e o Conselho de Consumidores (CC) deslocaram-se a vários bairros da cidade para apelar aos comerciantes para o cumprimento rigoroso das regras de utilização do programa. O objectivo,
segundo um comunicado oficial passa, sobretudo, por proteger os direitos dos consumidores e evitar a utilização ilícita dos montantes afectos à nova ronda de apoio. “Os comerciantes não podem aceitar, de forma ilícita, o pagamento com subsídio de consumo, nem praticar actos que prejudiquem os direitos e interesses dos consumidores, nomeadamente a
prestação de informações enganosas sobre o preço ou o aumento do preço sem justa causa, devendo ainda os mesmos prestar plena cooperação”, pode ler-se na nota. Caso se verifiquem irregularidades, lembra a DSEDT, o organismo pode, dependendo da gravidade da situação “fazer cessar, no prazo indicado, a aceitação do pagamento com benefícios de consu-
mo por meio electrónico por todos ou parte dos estabelecimentos comerciais do empresário comercial ao qual pertence aquele estabelecimento”. Relativamente a receios de eventuais oscilações de preço, a DSEDT revelou que entre 1 de Maio de 2020 e 28 de Maio de 2021, efectuou 7.500 inspecções a estabelecimentos comerciais, tendo sido inspeccionados alea-
toriamente cerca de 75.000 unidades de produtos. Por seu turno, o CC aponta que, nos últimos dias afixou a etiqueta do código QR e cartazes do serviço “Consumidor Online” em vários estabelecimentos comerciais, permitindo que, no momento da transação, os consumidores possam apresentar reclamações por via de texto ou fotografia. P.A.
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DIA DA CRIANÇA SEXO PRECOCE APONTADO COMO ENTRAVE A DESENVOLVIMENTO SAUDÁVEL
Dores de crescimento
Assinala-se hoje o Dia da Criança, uma data que, segundo Lei Chan U, deveria ser feriado oficial. O deputado aponta o abuso de drogas e o sexo precoce como factores que afectam o desenvolvimento dos mais novos e alerta para “insuficiências” na defesa dos direitos das crianças, apesar de reconhecer melhorias nas últimas décadas
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TIAGO ALCÂNTARA
M BORA reconheça melhorias na defesa dos direitos das crianças, o deputado Lei Chan U apontou novos desafios ao crescimento saudável dos jovens. “Com o desenvolvimento da economia e da sociedade, as crianças encontram cada vez mais factores que perturbam o processo de crescimento e vários elementos indesejáveis irão sempre afectar o seu desenvolvimento saudável, como o vício da internet e produtos electrónicos, fumar, beber, abuso de drogas e sexo precoce”, pode ler-se num comunicado da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). De acordo com a nota, Lei Chan U apontou “insuficiências” no desenvolvimento dos direitos das crianças em Macau, como a falta de espaços de entretenimento e desporto de larga escala diversificados, a ocorrência de casos de bullying escolar e violência doméstica, e situações de abuso sexual. Elementos que “afectam ou mesmo ameaçam o desenvolvimento saudável das crianças”. Além disso, o deputado apontou dificuldades à intervenção das crianças no processo de tomada de decisões políticas, criticando que as suas expectativas e exigências sejam “frequentemente ignoradas”. Assim, ficou o apelo para as entidades governamentais
trabalharem no sentido de “ouvir as vozes das crianças”.
Tempo de reflexão
Lei Chan U enfatizou que o Dia da Criança, celebrado hoje, não é um feriado oficial, pelo que, a menos que coincida com o fim de semana, a maioria das crianças passa a data longe dos pais. O deputado defende que o dia se torne num feriado para “lembrar
Lei Chan U apontou “insuficiências” ao desenvolvimento dos direitos das crianças em Macau, como a falta de espaços de entretenimento e desporto de larga escala diversificados, a ocorrência de casos de bullying escolar e violência doméstica, e situações de abuso sexual
Autocarros Pedidas instruções para condutores
Ella Lei quer saber se o Governo e as empresas de autocarros vão emitir instruções em casos de ataques verbais aos condutores. A questão da deputada apoiada pela Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) surge na sequência dos insultos de um passageiro
a sociedade de prestar atenção à família”. AConvenção sobre os Direitos da Criança aplica-se em Macau desde 14 de Setembro de 1998. As crianças passaram a contar com direitos fundamentais que incluem o direito à vida, de serem protegidas, ao desenvolvimento e à participação. Apesar dos desafios apontados, Lei Chan U considera que nas duas décadas que seguiram à adesão à convenção, o
a um condutor, após lhe ter sido exigido que usasse a máscara para entrar no autocarro. “Os trabalhadores da linha da frente não devem estar sujeitos à falta de educação e ameaças de violência por estarem a cumprir as suas obrigações e implementarem as exigências pandémicas. Será que os respectivos departamentos e empresas vão emitir orientações claras e mais apoio aos trabalhadores?”, questionou. Ella Lei aponta ainda haver necessidade de reforçar os mecanismos de supervisão aos passageiros e recorda que estes ataques “não são apenas uma ameaça à segurança pessoal, mas também uma ameaça à segurança e funcionamento dos transportes públicos”.
Governo “cumpriu as suas obrigações” e “protegeu e desenvolveu” os direitos e interesses das crianças. “O estado de saúde das crianças continuou a melhorar, o direito à educação foi plenamente garantido, o ambiente de crescimento foi optimizado diariamente e as conquistas são notáveis”, destacou. De acordo com a Base de Dados das Crianças do Instituto de Acção Social (IAS), em 2019 registaram-se três menores em tratamento de desintoxicação e 12 vítimas de abuso sexual. Em 2020, houve dez casos de violência doméstica sobre crianças. Na vertente escolar, os dados mostram uma taxa de aproveitamento do ano lectivo 2018/2019 no ensino infantil de 98,9 por cento e no secundário de 92,1 por cento. Salomé Fernandes
IAM MOSQUITOS E PARQUES PÚBLICOS PREOCUPAM CONSELHEIROS
A
questão da propagação dos mosquitos e os possíveis casos de dengue foram um dos principais temas da reunião de ontem do Conselho Consultivo para os Assuntos Municipais do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM). Segundo o relato do canal chinês da Rádio Macau, o engenheiro Leong Hong Sai, vice-presidente dos Moradores de Macau, foi o primeiro a abordar o assunto e defendeu que este ano os mosquitos têm surgido mais cedo. Por isso, pediu ao Governo para desenvolver mais acções de controlo dos insectos, principalmente nos parques públicos e lugares de estacionamento. A preocupação foi acompanhada por Ku Man Tat. O empresário e conselheiro sugeriu mesmo a criação de um índice sobre a fertilidade dos mosquitos, com cada nível da escala a ser associado a um determinado tipo de medidas de controlo dos riscos. A falta de espaços públicos, que foi vista como a explicação para o sucesso da zona de lazer junto da estátua de Kun Iam, foi outro dos assuntos discutidos. Segundo o membro U Kin Cho é necessário desenvolver mais espaços para as crianças e família em Macau. Cristina Ho Hoi Leng concordou com a queixa e não se limitou a pedir mais parques, sugerindo também mais actividades culturais, com espaços para os artistas.
VIGÍLIA KEVIN HO APOIA RECUSA DAS AUTORIDADES
K
EVIN Ho, empresário local e membro da Assembleia Popular Nacional (APN), mostrou apoio à recusa, por parte das autoridades, da realização da vigília do 4 de Junho, que recorda o massacre de Tiananmen. Segundo o jornal Ou Mun, Kevin Ho lembrou que na vigília foram divulgadas mensagens como “Acabar com a ditadura de partido único”, o que pode levar à incitação da subversão do poder do Estado chinês, violando a lei da segurança nacional em vigor.
“A divulgação destes assuntos de forma consecutiva pode influenciar as opiniões dos residentes, além de ter um impacto na reputação da governação do país ou do partido”, disse Kevin Ho, referindo-se ao Partido Comunista Chinês (PCC). O empresário frisou que as autoridades de Macau devem assumir uma postura “mais séria” na hora de lidar com este tipo de assuntos, questionando a legitimidade da organização da vigília. Quanto à possibilidade de esta vir a ser organizada num espaço
fechado, Kevin Ho disse que se a vigília conter mensagens como “Acabar com a ditadura de partido único” constitui também uma violação intencional da lei. Também Suen Yan Kwong, membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, se declarou contra a vigília. Macau é agora um local seguro no que diz respeito à covid-19 e a realização de iniciativas como a da vigília “é algo irresponsável e que pode perturbar a ordem social e levar os residentes ao engano”, afirmou. A.S.S. / N.W.
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Comércio Países lusófonos exportaram menos para Macau
Os países lusófonos exportaram menos 7,2 por cento para Macau nos primeiros quatro meses do ano, em comparação com igual período do ano passado, anunciou ontem a Direção de Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC). As exportações atingiram o valor de 221 milhões de patacas de Janeiro a Abril. Por outro lado, os países lusófonos importaram produtos no valor de 322 mil patacas, o que representou um aumento de 135,2 por cento. No total, Macau exportou produtos avaliados em 4,52 mil milhões de patacas, um aumento de 24,8 por cento, comparativamente ao período homólogo de 2020. As importações de mercadorias pela RAEM, situaram-se nas 43,43 mil milhões de patacas, ou mais 116,6 por cento, em termos anuais. O défice da balança comercial de Macau até Abril do corrente ano cifrou-se em 38,91 mil milhões de patacas, face aos 16,4 mil milhões de patacas em relação ao período homólogo de 2020.
São Januário Acidente de moto leva a internamento
Um homem com 46 anos sofreu ontem um acidente na Ponte da Amizade e teve de ser transportado para o Hospital Conde São Januário. A informação foi divulgada pelo canal chinês da Rádio Macau. O homem apresentava contusões e uma anca partida, na altura em que foi levado pelas equipas de salvamento para o hospital. Além disso, quando foi transportado para o hospital começou a perder a consciência. O acidente aconteceu por volta das 7h.
Quanzhou Delegação visita IPM
Uma delegação chefiada por Zheng Zhiqiang, Sub-Director do Gabinete para os Assuntos de Taiwan, Hong Kong e Macau do Governo Popular do Município de Quanzhou, visitou ao Instituto Politécnico de Macau (IPM) no passado dia 20 de Maio. Segundo um comunicado, que só ontem foi divulgado, esta visita teve como objectivo “o reforço da cooperação entre as instituições do ensino superior de Quanzhou e Macau”. No encontro “ambas as partes trocaram impressões sobre intercâmbio académico e a formação de quadros qualificados entre as instituições do ensino superior de Macau e do Interior da China”. Im Sio Kei, presidente do IPM, disse que a instituição vai continuar a “formar mais quadros qualificados e práticos para a Pátria e para Macau de forma a contribuir para o desenvolvimento sinergético das instituições do ensino superior de Macau e do Interior da China”.
BURLAS MULHER PERDEU 3,7 MILHÕES DE DÓLARES DE HK ONLINE
Aposta azarada
Depois efectuar várias apostas online e alegadamente ganhar mais de três milhões de dólares de Hong Kong, uma mulher, na casa dos 20 anos, não conseguiu levantar o dinheiro e apresentou queixa à polícia. Num outro caso, a burla qualificada levou a prejuízos superiores a 742 mil dólares
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MA mulher na casa dos 20 anos sofreu alegadamente um prejuízo de 3,7 milhões de dólares de Hong Kong, num caso que envolve uma plataforma de apostas online, avançaram ontem as autoridades policiais em conferência de imprensa. A plataforma foi apresentada à vítima através de um homem que esta conheceu pela internet em Outubro do ano passado. Inicialmente, a alegada vítima depositou três mil dólares de Hong Kong numa conta, tendo sido avisada no final de Janeiro de que o nome da plataforma online tinha
mudado. De acordo com a polícia, no total a mulher depositou cerca de dois milhões de dólares de Hong Kong e disse que teve ganhos superiores a três milhões de dólares.
No dia 18 de Maio, a mulher descobriu que a plataforma deixou de estar em funcionamento e apresentou queixa na polícia, alegando um prejuízo de 3,7 milhões de dólares de Hong Kong
No entanto, quando quis retirar o dinheiro, um funcionário da plataforma online disse que precisava de pagar taxas de transacções, depósito e caução, pedindo para continuar a depositar dinheiro para poder fazer o levantamento. No entanto, no dia 18 de Maio a mulher descobriu que a plataforma deixou de estar em funcionamento e apresentou queixa na polícia, alegando um prejuízo de 3,7 milhões de dólares de Hong Kong. O caso está sob investigação.
Dar sem receber
As autoridades deram também conta de outros casos de burla
qualificada a envolver troca de dinheiro. Num deles, esteve em causa uma troca de 262 mil renminbis por 300 mil dólares de Hong Kong. As autoridades indicaram que os dois indivíduos já tinham realizado trocas de dinheiro anteriormente. O suspeito transferiu inicialmente seis mil renminbis para a alegada vítima, e pediu para receber o montante em dólares de Hong Kong enquanto esperava que um amigo transferisse o valor restante. A vítima acabou por fazer duas transferências, uma de 200 mil dólares de Hong Kong e outra de 450 mil, que o suspeito perdeu no jogo. Como o suspeito não fez a transferência deste dinheiro, o ofendido apresentou queixa alegando um prejuízo total superior a 742 mil dólares. Salomé Fernandes
ABUSO DE CONFIANÇA Um jovem de 24 anos admitiu que tirou dinheiro do cofre da loja onde trabalhava para pagar um empréstimo. A responsável de uma loja no Cotai percebeu que tinha desaparecido dinheiro do local e através da cctv viu que um trabalhador abriu o cofre e retirou dinheiro em três dias diferentes. O trabalhador em causa tinha iniciado funções há apenas duas semanas e terá retirado um total de 60 mil dólares de Hong Kong. Foi encaminhado ao Ministério Público por abuso de confiança.
DSEC REGISTADOS 4.097 ACIDENTES E 1.394 FERIDOS ATÉ AO MÊS DE ABRIL
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OS primeiros quatro meses do ano houve um total de 4.097 acidentes nas estradas de Macau, que causaram 1.394 feridos. Os dados foram revelados ontem pelos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Entre estes, 1.022 acidentes de viação ocorreram no mês
de Abril e resultaram em 377 feridos. No espaço de um ano houve igualmente um crescimento de 1,9 por cento no número de veículos matriculados em Macau, que atingiu as 244.327 viaturas. No que diz respeito ao número de automóveis ligeiros houve um cresci-
mento de 2,1 por cento para 111.711 viaturas, apenas ultrapassado pelo aumento de motociclos, que foi de 3,7 por cento para 103.453. No mês de Abril, o número de veículos com matrículas novas foi de 971, mais 13,3 por cento, em relação ao mês homólogo de 2020. Entre estes,
o número de automóveis ligeiros (461) aumentou 60,6 por cento, porém, o de motociclos (483) diminuiu 13,1 por cento. Nos quatro primeiros meses do corrente ano, o número de veículos com matrículas novas fixou-se em 4.477, mais 40,7 por cento, face ao mesmo período de 2020.
Ainda no mês de Abril deste ano, o movimento de automóveis nos postos fronteiriços situou-se em 381.069, mais 733,7 por cento, em termos anuais, devido principalmente ao movimento de automóveis ligeiros (352.556) ter subido 1.499,8 por cento.
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Soam os alarmes COVID-19 SURTO EM CANTÃO LEVA GOVERNO A PEDIR QUE SE EVITEM DESLOCAÇÕES
Os vinte casos identificados domingo na província vizinha colocaram Macau em modo de alerta e o Governo apela aos residentes para que evitem as deslocações ao Interior. A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura realçou que em tempo de pandemia não se pode garantir a 100 por cento a segurança da RAEM
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surto comunitário dos últimos dias na Província de Cantão levou o Governo a apelar aos cidadãos para evitarem as deslocações ao outro lado da fronteira. A mensagem foi deixada ontem pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieng U, durante a conferência de imprensa semanal sobre a evolução da pandemia da covid-19. Desde domingo, a província de Cantão relatou 20
casos, 18 dos quais na cidade de Guangzhou e dois em Foshan. Um dos casos esteve em contacto próximo com um residente local, o que fez com que a pessoa de Macau tivesse de ser colocada de quarentena. “Uma vez que surgiram novos casos em Guangzhou e Foshan aproveito para uma vez mais apelar a todos os cidadãos que, caso não seja necessário, não saiam de Macau e não se desloquem a locais com casos identificados”, apelou.
“Talvez haja pessoas que pensem que Macau nunca vai passar pela epidemia, mas já antes houve recaídas e não podemos nunca garantir a 100 por cento que não há mais casos”, acrescentou. O surto levou a que tenham sido adoptadas medidas mais restritivas de circulação de pessoas. Em Macau, ainda não se coloca o cenário de ser imposta quarentena para quem vem do outro lado da fronteira, mas poderá haver um agravar das
restrições se surgirem casos. “Se houver casos temos de voltar a Junho do ano passado [...] Por isso, espero que os residentes não se desloquem a países e regiões com casos confirmados”, sublinhou.
Mais testes e código amarelo
Também ontem foi anunciado que as pessoas que se deslocarem aos hospitais com febre vão ser testadas à covid-19 e durante o tempo em que aguardarem pelo
resultado serão reencaminhadas para casa, onde se espera que cumpram o isolamento. Nesse período, a cor do código de saúde dos afectados vai ser alterada para amarelo, até que se confirme que não estão infectados. “Como sabemos há casos novos nas regiões vizinhas [...] por isso vamos testar as pessoas para descobrir o mais cedo possível potenciais infecções”, afirmou Alvis Lo Iek Long, director dos Serviços de Saúde (SSM).
“Uma vez que surgiram novos casos em Guangzhou e Foshan aproveito para uma vez mais apelar a todos os cidadãos que, caso não seja necessário, não saiam de Macau e não se desloquem a locais com casos identificados.” ELSIE AO IEONG U SECRETÁRIA PARA OS ASSUNTOS SOCIAIS E CULTURA
Na ocasião, o médico abordou igualmente a situação das 31 pessoas que viajaram com o residente local que esteve em contacto próximo com um infectado, em Cantão. Apesar disso, apenas o homem do contacto próximo está de quarentena, e Alvis Lo avançou ontem com a explicação para os diferentes critérios. “As 31 pessoas são da mesma excursão, mas não estiveram no mesmo local que o contacto próximo. Mesmo assim, as 31 pessoas vão fazer três testes de ácido nucleico”, indicou. “Achamos que a medida é suficiente, porque também temos de ser razoáveis nas medidas que tomamos”, justificou.
Hong Kong mais longe
Durante a conferência de imprensa de ontem, os representantes foram questionados sobre a possibilidade de se aliviarem as restrições de circulação com Hong Kong. A pergunta foi feita com base nos dados de domingo, quando Cantão apresentou 20 casos, o que não impede a circulação para o outro lado da fronteira sem quarentena, enquanto Hong Kong apresentou zero casos. Contudo, neste momento, não é possível circular para a RAEHK sem cumprir o isolamento médico.
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No entanto, a diferença foi explicada com uma maior confiança da RAEM nos mecanismos do Interior
Código de saúde Problema sem impacto
A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, garantiu que os problemas com o código de saúde de Cantão não afecta a capacidade dos Governo de detectarem o percurso das pessoas infectadas com Covid-19. A posição foi explicada com base na “comunicação permanente” entre as autoridades das regiões. Contudo, a secretária mostrou-se preocupada com a concentração nos últimas dias de pessoas nas Portas do Cerco e apelou aos residentes para que utilizem outras fronteiras.
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do que da RAEHK. “As nossas decisões têm por base dados científicos. O Governo tem contactado com Hong Kong e quando forem alcançados os 14 dias sem casos, vamos iniciar as negociações para uma circulação mais próxima”, afirmou Alvis Lo. De seguida, o médico, fez a comparação com Interior: “Em relação a Guangdong foram aplicadas restrições muito fortes desde que foi descoberto o caso. Podemos considerar que têm capacidade para testar toda a zona afectada e que o risco é médio”, defendeu o director dos SSM. “A capacidade do Governo de Guangdong é muito forte e recebemos prontamente a comunicação com os casos confirmados. [...] Acho que as medidas que
tomaram são suficientes”, acrescentou.
Vacinação com 48 mil marcações
De acordo com a informação disponibilizada, o processo da vacinação começa a ser mais requisitado. Segundo a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, só na última semana houve mais de 48 mil marcações, o que representou uma média diária superior a 7 mil agendamentos por dia. O número levou a secretária a agradecer à população. Este aumento vai fazer com que os cidadãos que pretendam ser inoculados com a vacina BioNTech/Pfizer tenham de aguardar alguns dias, depois de realizarem a marcação. Os que têm agendada a segunda dose não vão ser afectados por eventuais atrasos.
“Neste momento temos cerca de 20.500 doses da vacina MRNA. Essas doses são de reserva e para as pessoas levarem a segunda dose. Por isso, se fizermos os cálcu-
los já não temos vacinas de MRNA suficientes e as pessoas que fizerem a marcação vão ter de esperar um pouco mais”, reconheceu Tai Wa Hou, coordenador do
Plano de Vacinação contra a Covid-19. A necessidade de espera foi explicada pela secretária, que acrescentou que o fornecimento está a ser feito de acordo com a procura, para evitar o desperdício. “Temos vacinas suficientes. Mas uma vez que o período da validade é mais curto, pedimos aos fornecedores que nos abastecessem pouca quantidade de uma vez”, clarificou. “Antes havia centenas de pessoas a receber esta vacina por dia, mas recentemente houve um grande aumento de marcações, com cerca de mil vacinas MRNA por dia. Por isso, no armazém não temos vacinas suficientes, temos de pedir imediatamente ao fornecedor. Temos de pedir para satisfazer a procura”, adcrescentou. Ainda de acordo com as contas de Elise Ao Ieng U, a espera entre a marcação e a vacinação deverá ser de “um ou dois dias”, pelo que considerou que as pessoas não se precisam de preocupar porque “as vacinas são suficientes”. João Santos Filipe
FALECIMENTO
FRANCISCO PINTO FRAÚSTO DE MASCARENHAS GAIVÃO
ÓBITO NOTÍCIA DA MORTE DE ADVOGADO ATRASADA A PENSAR NA FAMÍLIA
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URANTE a conferência de imprensa de ontem, Alvis Lo admitiu que a notícia da morte do advogado Francisco Gaivão foi atrasada por motivos familiares. “Sentimos que tínhamos de considerar a situação da família”, reconheceu o médico. Os esclarecimentos foram
prestados, depois de os responsáveis do Governo terem sido questionados sobre uma eventual ligação entre a morte e a vacinação do advogado de 48 anos. Inicialmente, o caso tinha sido classificado como de reacção adversa à vacinação, mas o Governo acabou por
considerar que não havia ligação entre a vacinação e a morte. “Sabemos que a epiglotite necrosante aguda pode causar asfixia, por isso achamos que o caso não tem a ver com a vacinação”, sublinhou Alvis Lo. Sobre a qualificação como reacção adversa, o director
dos SSM diz que faz parte de um processo inicial, em que por uma questão de transparência qualquer sintoma é tido como reacção adversa e que só mais tarde, em caso de necessidade, é investigada.
A Família e os Amigos participam o seu falecimento e a celebração de Missa de sufrágio no dia 2 de Junho, às 19:00 horas, na Sala de Páscoa, da Casa Mortuária Diocesana.
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AZULEJO PORTUGUÊS CASA DE PORTUGAL INAUGURA EXPOSIÇÃO NO JARDIM LOU LIM IEOC
JOALHARIA EXPOSIÇÃO “O NOVO MUNDO” INAUGURADA ESTA QUINTA-FEIRA
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LÉM da exposição sobre o azulejo português, a Casa de Portugal em Macau (CPM) inaugura também, esta quinta-feira, uma outra mostra, mas desta vez sobre joalharia. Intitulada “O Novo Mundo”, esta exposição acontece na Casa de Vidro, na praça do Tap Siac, e conta com curadoria de Cristina Vinhas, também monitora da CPM. Segundo um comunicado da CPM, “esta exposição pretende celebrar a portugalidade revelando ao público a arte de trabalhar metais nobres”, como é o caso da filigrana portuguesa. “Esta arte artesanal seduz, não pelo valor do metal mas pelo delicado rendilhado, pela variedade das formas de expressão ou figuração comparado a um ‘sonho leve’”, lê-se ainda. O nome da exposição parte das incertezas geradas pela pandemia da covid-19. Com esta mostra de joalharia, o objectivo é “perspectivar um mundo melhor para todos”. Com portas abertas até ao dia 27 de Junho, podem ver-se peças de Cristina Gomes da Silva, Emily Leong, Filipa Didier, Lúcia Lemos e Maria Paulina Lourenço.
Além do azul e branco A 7 de Junho é inaugurada a “Mostra Didáctica do Azulejo Português”, uma iniciativa da Casa de Portugal em Macau com curadoria de José Matos. A ideia é mostrar ao público que há mais vida além do tradicional e mais conhecido azulejo português azul e branco, bem como mostrar o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido nas oficinas da associação
“M Hush! Inscrições para concurso de curtasmetragens abrem dia 7
É já na próxima segunda-feira, dia 7, que arranca o processo de candidaturas para o concurso de curtas-metragens “Hush! 300 Segundos”, organizado pelo Instituto Cultural (IC) em parceria com o Instituto para os Assuntos Municipais e a Direcção dos Serviços de Turismo. As inscrições terminam a 5 de Julho, estando a entrega dos prémios agendada para o dia 11 de Julho no evento “Ouvir Hush! Na Tenda”. O concurso “proporciona uma plataforma de partilha online para o público revelar o seu talento musical e as diversas possibilidades da música”, sendo que os interessados “podem enviar um vídeo da sua própria apresentação musical ou interpretação vocal, juntamente com o formulário de inscrição”. O festival “Hush! Concertos de Verão” acontece entre os dias 26 de Junho e 11 de Julho “em diferentes bairros de Macau, apresentando diversos espectáculos musicais, workshops de música, tendas e instalações de arte”.
OSTRA Didáctica do Azulejo Português” é a nova exposição promovida pela Casa de Portugal em Macau (CPM) que abre portas no Pavilhão Che Chou Tong, no Jardim Lou Lim Ioc, na próxima segunda-feira, dia 7 de Junho. Com curadoria de José Matos, o objectivo desta mostra é revelar os segredos e detalhes do azulejo português além do modelo mais conhecido, com as cores azul e branca. “Vamos ter algumas técnicas de azulejaria portuguesa, a começar pelas técnicas hispano-mouriscas que chegaram à Península Ibérica, primeira a Sevilha e depois a Portugal, como o azulejo aresta ou azulejo de corda seca. Vamos ter a explicação visual de todo o material envolvido na fabricação e concepção de cada azulejo até ter um exemplo de trabalho final”, adiantou ao HM José Matos. Mas no espaço expositivo haverá também a possibilidade de conhecer mais sobre o azulejo de estampilha, “representativo da reconstrução de
Lisboa depois do terramoto de 1755, quando se começou a fazer uma produção diferente”. Além disso, a mostra conta com exemplos do “azulejo figurado, também contemporâneo dessa altura”, bem como da pintura “de vários tipos de temas, desde os jarrões até às carrancas, depois coisas mais ou menos figurativas”. “Temos vários exemplos de tudo o que é pintura de azulejo”, frisou o curador. Segundo José Matos, “existe muito a ideia, e é o que é mais conhecido cá, de que o azulejo por-
“O principal objectivo da exposição é mostrar as várias técnicas e formas de fazer azulejo e os vários trabalhos finalizados que temos.” JOSÉ MATOS CURADOR
tuguês é o azul e branco, o azulejo barroco”. No entanto, em Portugal, “produziram-se diferentes tipos de azulejo com técnicas diferentes”. “Também temos representado o estilo figuras de convite, ensinado num curso que terminamos na semana passada, em que foram abordadas várias técnicas, e esses trabalhos também vão estar expostos”, acrescentou o curador.
Das escolas
Os azulejos expostos são fruto do trabalho dos alunos dos cursos que a CPM tem organizado nos últimos anos e, por isso, não têm assinaturas especiais. José Matos focou-se, por isso, mais nas técnicas utilizadas ao invés dos autores na hora de fazer a curadoria. “É difícil destacar um trabalho em especial. Todas as técnicas têm um trabalho concluído. O que está mais representado será na pintura de azulejo feita em cima do vidrado
cru. Temos uns painéis feitos nos últimos anos e serão os trabalhos com um pouco mais de destaque.” “O principal objectivo da exposição é mostrar as várias técnicas e formas de fazer azulejo e os vários trabalhos finalizados que temos”, adiantou o curador, que falou também do trabalho que será desenvolvido com a comunidade escolar. “Temos algumas visitas marcadas com as escolas e nessas visitas vou tentar exemplificar, na prática, como se desenvolvem essas técnicas. Vamos ter também todos os fins-de-semana duas pintoras da escola a executar trabalhos ao vivo”, concluiu. A exposição tem entrada livre e fecha portas a 20 de Junho. Esta iniciativa conta com o apoio de entidades como a Fundação Macau e o Consulado-geral de Portugal em Macau, entre outras. Andreia Sofia Silva
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NATALIDADE GOVERNO AUMENTA PARA TRÊS LIMITE DE FILHOS POR CASAL
Crescei e multiplicai-vos A política de incentivo à natalidade visa contrariar o envelhecimento da população que põe em risco as metas de desenvolvimento preconizadas para o país
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China decidiu ontem aumentar de dois para três o limite de filhos por casal, quando se adivinha uma crise demográfica no país, como resultado da política de filho único, que vigorou até 2016. Três semanas após serem conhecidos os resultados do último censo demográfico, que se realiza a cada dez anos e que revelou forte desaceleração no crescimento populacional, a liderança chinesa decidiu flexibilizar a sua política de controlo da natalidade, mas mantendo um limite: não mais do que três filhos por casal. “Em resposta ao envelhecimento da população (...) um casal passa a poder ter três filhos”, avançou a agência noticiosa oficial Xinhua, que citou as conclusões de uma reunião entre os membros permanentes do Comité Permanente do Politburo do Partido Comu-
nista Chinês liderada pelo Presidente Xi Jinping. A política vem acompanhada de “medidas de apoio” às famílias, acrescentou a Xinhua, sem avançar detalhes. No início de Maio, os resultados do censo realizado em 2020 revelaram um envelhecimento mais rápido do que o esperado da população chinesa. A população aumentou em 72 milhões de pessoas nos últimos 10 anos, para 1.411 milhões, segundo os dados oficiais. O crescimento médio anual fixou-se em 0,53 por cento, em termos homólogos, uma queda de 0,04 por cento, em relação à década anterior. No ano passado, marcado pela epidemia da covid-19, o
número de nascimentos caiu para 12 milhões, face a 14,65 milhões, em 2019, quando a taxa de natalidade (10,48 por 1.000) foi já a menor desde a fundação da República Popular da China, em 1949. A China praticou um rígido controlo de natalidade, entre 1980 e 2016, em nome da preservação de recursos escassos para a sua economia em expansão.
A queda na taxa de natalidade é vista agora, no entanto, como grande ameaça ao progresso económico e à estabilidade social no país asiático.
Idosos em excesso
A política de filho único foi abolida em 2016, mas os casais permanecem reticentes em ter mais filhos, face aos elevados custos de vida e
“Em resposta ao envelhecimento da população (...) um casal passa a poder ter três filhos”, avançou a agência noticiosa oficial Xinhua, acrescentando que a política vem acompanhada de “medidas de apoio” às famílias
discriminação das empresas contra as mães. No outro extremo da pirâmide etária, a China tinha mais de 264 milhões de pessoas com 60 anos ou mais no ano passado. Aquela faixa etária passou a representar 18,7 por cento do total da população, um aumento de 5,44 por cento, em relação ao censo de 2010. Em contrapartida, a população em idade activa (15 a 59 anos) representa agora 63,35 por cento do total, uma queda de 6,79 por cento. Em Março passado, a Assembleia Popular Nacional, o órgão máximo legislativo da China, votou um plano para aumentar gradualmente a
idade de reforma ao longo dos próximos cinco anos. Os detalhes desta política não foram divulgados. Especialistas alertaram o país contra um desenvolvimento ao estilo japonês ou sul-coreano, com um declínio da população e um excesso de idosos em relação aos jovens e trabalhadores. A China poderá ser ultrapassada nos próximos anos pela Índia como o país mais populoso do mundo, segundo estimativas das Nações Unidas. Pequim previu que a sua curva de crescimento populacional atingirá o pico em 2027. A população chinesa começará então a diminuir para atingir 1,32 mil milhões de habitantes em 2050. A China, juntamente com a Tailândia e outros países asiáticos em desenvolvimento, enfrenta o risco de envelhecer antes de enriquecer. Alguns especialistas consideram que o país asiático enfrenta uma “bomba-relógio demográfica”. Reflectindo a sensibilidade da questão, o gabinete de estatísticas da China tomou a decisão invulgar, no mês passado, de reagir a uma notícia do jornal The Financial Times, que avançou que o último censo tinha revelado um declínio demográfico. Os casais que desejam um filho enfrentam grandes desafios. Muitos dividem apartamentos com os pais em cidades densamente povoadas no litoral do país. Os cuidados infantis são caros e a licença de maternidade curta. A maioria das mães solteiras está excluída do seguro médico e dos pagamentos da previdência social. Japão,Alemanha e alguns outros países ricos enfrentam o mesmo desafio de sustentar populações envelhecidas com menos trabalhadores, mas podem recorrer ao investimento em fábricas, tecnologia e activos estrangeiros.
ESPAÇO TRIPULAÇÃO PARA A ESTAÇÃO CHINESA DESCOLA EM BREVE
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MA tripulação composta por três astronautas chineses vai descolar, em Junho, para uma missão de três meses na nova estação espacial da China, disse um responsável da agência espacial do país. O plano para colocar a primeira tripulação na estação espacial chinesa foi confirmado à televisão estatal do país pelo encarregado do programa espacial tripulado, Yang Liwei.
O anúncio foi feito depois de a China ter lançado a nave espacial automatizada com combustível e suprimentos para a estação Tianhe. ATianhe (“Harmonia Celestial”, em português) é a terceira e a maior estação espacial lançada pelo programa espacial da China, tendo o módulo principal sido lançado em 29 deAbril.Acápsula Shenzhou 12, que transporta a tripulação, vai partir da base de Jiuquan, no noroeste da Chi-
na, no próximo mês, afirmou Yang à televisão estatal chinesa CCTV. Os tripulantes vão realizar caminhadas espaciais e conduzir reparos e manutenção, bem como experiências científicas. Yang, que orbitou a Terra em 2003, não avançou dados sobre as identidades dos astronautas ou a data de partida e disse que a tripulação foi escolhida entre os dois primeiros grupos de astronautas
do programa espacial. Questionado sobre se mulheres vão integrar a tripulação, Yang disse que não, mas que “futuras missões terão”. A nave Tianzhou-2, que atracou em Tianhe, no domingo, transportou 6,8 toneladas de carga, incluindo fatos espaciais, alimento e equipamentos para os astronautas e combustível para a estação. A agência espacial chinesa planeia um total de 11 lançamen-
tos até ao final do próximo ano, para entregar mais dois módulos para a estação, suprimentos e os membros da tripulação.
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DESPORTOS MOTORIZADOS PARAM NA CHINA E A PANDEMIA NÃO É A RAZÃO
Tramados por culpa alheia A passada quinta-feira, no moderno Ningbo SpeedPark International, parecia um dia normal daqueles que antecedem o início de qualquer temporada de automobilismo, com o frenesim habitual de equipas e pilotos atarefados a ultimar detalhes antes de um fim de semana de muitas emoções. Contudo, da manhã para a tarde, a ânsia de voltar a competir deu lugar a uma estupefação generalizada. Todos os desportos motorizados acabavam de ser suspensos no país
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M comunicado da Federação dos Desportos Automóveis e Motociclos da República Popular da China (CAMF) deu conta da suspensão de todas as actividades de automobilismo e motociclismo por tempo indeterminado, e com efeito imediato, seguindo assim as recomendações da autoridade máxima dos desportos do país. A nota é clara, todos os circuitos, organizadores e partes interessadas no desporto têm de rever os seus procedimentos de segurança e emergência. Esta medida, que também abrangerá outros desportos, e que terá levado já ao cancelamento de dez maratonas por todo o país e do torneio
de Xadrez de Chengdu, surgiu depois da tragédia numa prova de atletismo. Vinte e uma pessoas morreram devido ao mau tempo numa corrida de 100 quilómetros de montanha no noroeste da China. Mau tempo extremo, com queda de granizo, chuva gelada e vento forte, atingiu a área durante o evento que estava a ser realizado na reserva natural da Floresta de Pedra do Rio Amarelo, perto da cidade de Baiyin, na província de Gansu. Este gravíssimo acidente obrigou a Administração Geral do Desporto da China a reagir imediatamente. Os pilotos de Macau - André Couto, Leong Lok Choi, Lam Hong Fai
e Cheang Kin Sang - já estavam em Ningbo a prepararem-se para o arranque da temporada do Campeonato da China de GT, foram todos apanhados de surpresa e regressaram a casa sem corridas, embora as equipas tivessem sido autorizadas a realizar testes privados nos dias seguintes na pista da cidade que os portugueses chamavam de Liampó.
Portugueses afectados
Esta suspensão terá certamente impacto imediato nos programas desportivos dos vários pilotos portugueses e macaenses. O calendário de Junho estava bastante preenchido e todas as corridas previstas para o sexto mês do ano foram
diferidas. Para além de ter visto a sua temporada de regresso às corridas de GT ser adiada, André Couto também viu a terceira prova da Taça Porsche Carrera Ásia, prevista para Zhuzhou, ser postergada. A segunda corrida do Campeonato
Num clima de incerteza, o impacto desta paragem forçada nos agentes desportivos será maior quanto maior for a demora no reinício das corridas
TCR China, onde compete o português Rodolfo Ávila, que iria visitar a Província de Hunan dentro de duas semanas, ficou igualmente em “banho-maria”. Pela mesma razão, Rui Valente deverá ver a sua campanha no GIC Challenge interrompida por tempo indeterminado. Estas imposições foram transversais a todas as disciplinas, das provas de velocidade em circuito ao todo-o-terreno, assim como as competições de carácter nacional ou regional. Do outro lado das Portas do Cerco, a Associação de Desportos Motorizados de Zhuhai prontamente cancelou o seu evento planeado para os dias 19 e 20 Junho, o que atrasará o início da temporada do
Campeonato da China de Fórmula 4.
E quando recomeça?
Esta é a pergunta que se coloca, até porque o comunicado federativo é vago nessa matéria, referindo apenas que “as atividades serão retomadas de forma ordenada após a conclusão do trabalho de rectificação e governança”. Assim, todos as entidades responsáveis terão agora que "realizar auto-inspeções sobre a formulação e implementação de planos de resposta a emergências, à prevenção e controle de epidemias, sobre as instalações, equipamentos locais e da situação das equipas de competição, avaliação de risco de segurança abrangente, detecção oportuna de problemas e implementação de rectificação”. Depois de 2020 ter sido um “annus horribilis” para o automobilismo chinês, como foi praticamente para a modalidade em todas as nações do continente asiático, devido à pandemia, este ano estava tudo a decorrer dentro de uma normalidade até este “murro no estômago”. Num clima de incerteza, o impacto desta paragem forçada nos agentes desportivos será maior quanto maior for a demora no reinício das corridas. Sérgio Fonseca
ANABELA CANAS
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cartografias
ANABELA CANAS
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Carta de marear (Apontamentos)
Gesto de adorno. Talvez vazante. Páginas cheias do dicionário. Pensar em quando se diz estar de maré e a qual de duas nos referimos se há duas e opostas e sempre uma que traz e outra que leva. Marear, adornar. Terminações que rimam entre si também. Marear: acto de enfrentar as marés. Navegar ou entontecer a bordo. Adornar, alindar ou inclinarse o barco, amar ou submergir. O dicionário não ajuda nem mente. Enfrenta paradoxos com candura e serenamente. Ao reencontro cuidadoso da rota por entre palavras como escolhos visíveis abaixo do vidro. Como as evitar, se delas se faria navegar. A norte desarvorou o barco, velas desamarradas e pouco vento será mais do que o necessário para transbordar o mar. Dir-se-á que serão os icebergs em lágrimas de ainda mais norte a vir por aí abaixo, outra coisa já sendo, a misturar-se ao que já eram mares. Mais subidos e indiferentes. Menos terra maravilhosa de água sido feita. Menos ursos gordinhos e filhotes felizes, menos tudo. Menos terra depois de soterrada, menos país o que for baixo. Avaliado
em tantos discutíveis valores, valeria mais talvez naufragado. Pasto à pirataria inocente e não grave das crianças na praia sem saber nadar. Recolectoras de tábuas de acaso. Tesouros mórbidos e pedaços de outros. Naufrágios. Reticências afundadas em aquário de peixes soltos. Soltos mas limitados. Seja o domínio da ilusão ou o da relatividade das coisas. Observadas. Através da água com a profunda imprecisão de ser dentro ou fora da viscosidade do vidro. Que contém a água que contém os olhos. Mas sabe-se lá mesmo, se estes dentro das paredes de vidro, lavados pelas águas, ou no recato exterior e ressequido mas a fingir tão
A TINTA ESTALADA DO SOL E DO SAL. MADEIRAMENTOS DESPROTEGIDOS A FLUTUAR E A RANGER. ESPERAR A MARÉ. OS MÍNIMOS PARA UNS DIAS
bem. Que a ondulação que lhes perpassa na córnea os humedece talvez de uma emoção viva. Que os contamina de realidade química e lhes causa uma sensação mais do que a da ficção, a da física. As transparências ambíguas sem coordenadas de localização. Como a vida é diferente vinte centímetros atrás, ou vinte centímetros à frente. Mas idêntica e límpida. Contudo, às vezes sabe-se que é uma aparência que mente. Como se sabe lágrimas debaixo de chuva? Dentro de um aquário pequeno com água. Microrganismos começam a edificar cortinas verdes. Quem sabe a camuflar um mundo distorcido. Menos nas cores que são tristes. Reais? Águas livres. Que são como espelhos de verificar existência. As de transparência, as de brilho superficial, as espessas e de profundidade abismal, desconhecida. Fundos de peixes estranhos onde não chega a luz. As límpidas e que reflectem um eu em si e no amor de si e do eu, não me interessam nem nunca. As de opaca profundidade estranha e desconhecida, sim. O outro e o desconhecido em si e em mim. Esse
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mergulho a pique sem garantias de salvação ou retorno. Umas vezes a tentação, outras o inevitável. Cartas de marear. Sobre a mesa. Ansiadas. (Mas o meu capitão proíbe. De voz tonitruante, apela aos astros, à intuição e ao olhar para longe. Para um além de nuvens que abarque o espaço sideral como uma folha de araucária caída para ser lida. Diz ser o olhar, a carta. E o ver bem, o marear com calma. Estranhas premissas deste capitão quase se diria poeta. Não fosse o bagaço rude das garrafas atiradas ao mar. Mas espiando, uma noite, rolhadas as vi e imprecisamente repletas de uma forma fina a dizer provavelmente algo. Ou não sei. No seio da forma fina, da superfície grosseira do vidro tosco, no duplo abraço, na água que acolhe engolindo fundo. Algo chegará à margem mesmo que de um tempo por vir definir e medir. Este meu capitão. Afinal poeta a lançar ao mar. O poema e não ele. Que um dia de borco, também pode cair. Se antes, o tempo não levar.) Ser marinheiro que sempre espera do mar. Mesmo se em terra, a próxima maré. Ser é estar sempre de olhos no mar Mesmo cerrados de intempéries, invadidos de poeiras e iludidos de monstros ao dobrar dos cabos. Marinheiro amador. Nada é por uma jorna. Nem embarcar, nem esperar. As marés que se levantam, as serenas eclosões dos ventos, outras latitudes. A tinta estalada do sol e do sal. Madeiramentos desprotegidos a flutuar e a ranger. Esperar a maré. Os mínimos para uns dias. Ultrapassar com rigor a linha do horizonte e parar logo a seguir longe da vista. Como brincadeira de criança na curva do corredor. Sobra um edifício mais alto, assim, irónico e visto, no meio do mar, como um registo de catástrofe. Era um farol. Em tempos. E esperar até que a disposição mude como um vento, mas não o formato das ondas. Sentir longe. Apagamento. Sem temporizador. Seixos rolados à mercê do tempo. Interrompidos. Muito tempo e labor. Maresia alterada da memória como uma mesa rasa e distante na corrente de ar. Ventos opostos. A intermitência do olfato. Respirar devagar para não assustar um aroma fugidio. Enquanto o ar salga a pele do rosto mas sem cheiro. Uma coisa subtil. Sem sintoma. Deixa rastos como mapas no limiar de sumir. Orlas brancas a lembrar ondas conservadas. O alívio da água doce. Vazante. Uma dor a vir de solstício, uma moinha. Rolar. Plâncton. Sem mobilidade própria à mercê de todas as cadeias alimentares. Ínfimo. Mas basta redefinir os termos de comparação. Criaturas que servem para alimentar as que servem para alimentar as que servem para alimentar. Inesgotáveis circunstâncias, algo ou alguém. Como mar.
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uma asa no além
PAULO JOSÉ MIRANDA
Para o Sérgio Gonçalves Helder Macedo, nascido na África do Sul em 1935, figura incontornável das letras e da cultura portuguesa – responsável pela negociação e aquisição da Cinemateca Portuguesa, quando era Secretário da Cultura do governo de Maria de Lurdes Pintassilgo –, tornou-se romancista relativamente tarde. A publicação do seu primeiro romance, «Partes de África», aconteceu em 1991, tinha o escritor 55 anos. Além do primeiro romance, profundamente estudado no Brasil – multiplicam-se as teses universitárias acerca do livro – há outros dois romances muito importantes na vida literária do escritor: Pedro e Paula, por ter sido o seu maior sucesso comercial, e Tão Longo Amor Tão Curta A Vida, que é provavelmente o romance contemporâneo mais extraordinário escrito na nossa língua. Para além de romancista, Helder é também poeta e ensaísta. Como poeta, o seu primeiro livro, «Vesperal», 1957 – com ainda 21 anos – foi euforicamente elogiado por Jorge de Sena, que nunca foi levado a encómios exagerados. A partir daí, Jorge de Sena e Helder Macedo tornaram-se amigos para sempre. Ambos expatriados. Foi durante anos responsável pela Cátedra de Camões no King’s College, em Londres, onde ainda vive, desde os anos 60. A sua obra ensaística vai desde a sua famosa tese de doutoramento sobre
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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A Máquina do Romance Cesário Verde – «Nós – Uma Leitura de Cesário Verde» – até Camões e Bernardim Ribeiro, passando por Machado de Assis e Teixeira Gomes. Os prémios e as condecorações preenchem páginas. Tudo isto é conhecido e reconhecido. Mas aquilo que me traz aqui hoje é um livro pouco conhecido de Helder – um dos seus ensaios –, intitulado «A Máquina do Romance», de 1989. Era como se esse livro anunciasse tudo aquilo que o autor iria fazer depois na prática, isto é, nos seus romances. Na realidade, «A Máquina do Romance» é o livro mais helderiano de todos os livros de Helder Macedo, apesar de, à distância, nem parecer ter sido escrito por ele. Mas este pensamento assalta-nos apenas superficialmente. É sabido que os romances de Helder mais do que construir uma imagem, tornam todas as imagens em palavras. Talvez não seja certo dizermos que nos romances de Helder uma palavra vale mil imagens, mas é seguro dizermos que uma frase vale mil palavras. Um acontecimento vira uma frase, uma história vira um parágrafo, uma vida vira um capítulo, o universo um romance. Em «A
Máquina do Romance», Helder escreve, à página 34: «O romance torna tudo o que toca em romance. Quer sejam pessoas, edifícios, países, obras de arte, óperas, filmes, tudo o que o romance evoca passa a ficar parte dele. O universo não tem parte de fora. No universo não há lado de fora e lado de dentro, tudo é lado de dentro. E assim acontece com o romance. O romance não tem lado de fora. Aquilo a que chamamos intertextualidades não passa do modo de ser natural do romance. Tal como no universo, no romance tudo é intertextualidade.» É evidente que Helder referiase ao seu modo de escrever romances, ou melhor, ao modo como iria escrevê-los, deixando isso logo anunciado em 1989, neste ensaio. «A Máquina do Romance» é hoje uma espécie de visita, não à oficina do romancista Helder Macedo, mas àquilo que é a essência do romance helderiano. Numa entrevista, nesse mesmo ano, e acerca deste ensaio, Helder diz: «Depois de Pessoa, não me parece interessante escrever romances sem a dimensão de alteridade do humano exposta. Contar uma história como se imitássemos a vida de alguém
«A MÁQUINA DO ROMANCE» É HOJE UMA ESPÉCIE DE VISITA, NÃO À OFICINA DO ROMANCISTA HELDER MACEDO, MAS ÀQUILO QUE É A ESSÊNCIA DO ROMANCE HELDERIANO
também não me interessa. A narrativa em si mesma tem de ser a personagem principal do romance. No fundo, aquilo que pretendi que ficasse claro é que a máquina do romance é a própria narrativa a desenvolver-se ao longo do livro, a apropriar-se dele, arrastando tudo para dentro de si: autor, leitor, personagens, mundo. A narrativa tem vida própria, pensa e pensa-se a si mesma.» Todos os livros de Helder Macedo acabam por se desenvolver a partir da ideia de narrativa como problema. Não são as personagens que importam, nem sequer o autor, mas a narrativa no sentido de problema. Como se pode narrar, o que é narrar hoje em dia? Escreve no ensaio: «Narrar não é contar uma história, nem tão pouco expor problemas da existência ou da sua percepção. Narrar é transformar tudo em palavras. Lê-se no início do Evangelho Segundo São João: “1. No princípio era a Palavra [...] 14. E a Palavra tornou-se carne e habitou entre nós [...]”. Todo o romance é a tentativa de inverter esse Evangelho: No Princípio era a carne; e a carne tornou-se em palavra. Se no Evangelho há um incarnare da palavra, no romance há um inparabole da carne. Ou seja, no romance a carne tornase em palavra. O mundo torna-se palavra.» Infelizmente, «A Máquina do Romance» está esgotadíssimo. Esperemos que em breve seja reeditado.
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através da perspectiva dos concorrentes, dos especta45 dores e dos órgãos de comunicação 3 5 7social. 1 Este 9 6é um4 documentário imperdível 8 9todos4 os5que2 gostam 7 1 para de ciclismo, mas também 6 1 2 3 4 8 9 os que admiram desafios físicos. 5 7 João 9 4Santos 1 Filipe 3 6
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SALA 1
FAST AND FURIOUS 9 [C]
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Um filme de: Justin Lin Com: Vin Diesel, Michelle Rodriguez, Tyrese Gibson, Helen Mirren 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 2
FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Craig Gillespie
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3 4 1 8 7 7 8 2 4 6 77 HEARTWARMINGS [B] 2 6 9 5 3 9 2 5 6 8 4 5 3 1 2 1 3 7 9 4 8 9 6 3 5 6 1 4 7 9 5 7 8 2 1 Com: Emma Stone, Emma Thompson 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 3
FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Herman Yau Com: Pakho Chau, Charlene Choi 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
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terça-feira 1.6.2021
opinião 15
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ai, portugal, portugal
André Namora
O LABIRINTO DA POLÍTICA EM PORTUGAL os políticos ou enlouqueceram ou querem matar-se uns aos outros. Já ninguém do povinho os entende e o que é que pretendem. Houve um escriba que até se deu ao luxo de afirmar que a direita e a esquerda políticas tendem a acabar... O homem não deve ter tido conhecimento do que aconteceu na semana passada e que está a fazer correr muita tinta. O chamado “Congresso das Direitas” pode ser classificado de duas formas: por um lado a pretensão de ressuscitar dinossauros de triste memória que até percebiam imenso de submarinos e por outro, um palco onde se promoveu a extrema-direita sem que se ouvisse uma intervenção com algum conteúdo de política digna, futurista, infraestrutural, alternativa ou até, num extremo analítico, de união dessas direitas para que pudessem vencer futuras eleições. Não, aquilo pareceu mais um velório, onde o silêncio foi quebrado com baboseiras de indivíduos que escolheram a política para se manterem à tona da sociedade ou para enriquecerem. Não ouvimos um discurso com conteúdo suficientemente baseado em propostas de mudança no país, de forma a que os desprotegidos deixassem de dizer que não há justiça, que não há saúde, que não há educação, que não há combate à corrupção, que não há economia, que não há emprego e por aí fora tal como diz continuamente a vox populi. A ideia parva de juntar uns comentadores ultrapassados, os líderes do CDS, Chega, Iniciativa Liberal e PSD foi algo de absurdo porque nenhum daqueles “sábios” está interessado numa mudança social no país. Eles querem promover-se e afirmar que são de direita, sem o serem. Para serem de direita têm de assumir, em princípio, propostas conservadoras mas sérias e democráticas. Ora, ali naquela reunião chamada “Congresso das Direitas” só vimos um liberal que não tem iniciativa alguma. Um fala-barato da extrema-direita que só para rir é que se ouve o fulano a dizer que quer ser governo, um centrista que se apelida de democrata-cristão e um ex-autarca que deixou os adeptos do seu partido, dito social-democrata, de boca aberta quando afirmou que não era de direita, mas sim do centro. Mas qual centro? E assim quase que se concluiu que não há direita na política portuguesa. A palhaçada ultrapassou os limites quando levaram para a plateia o ex-primeiro-ministro e líder do PSD, Pedro Passos Coelho, que ao fim e ao cabo foi a vedeta da “festa” mais aplaudida. E porque teria estado ali esta figura pública ultrapassada? Alguém pretende que Passos Coelho volte a ser o número um do PSD? O próprio diz que não quer. Ou há sonhadores que o querem promover para eventual candidato a Presidente da República nas próximas eleições? Obviamente que há direita política. São todos aqueles que estiveram no denominado “congresso”. Todos são de direita e da extrema-direita. Todos querem
acabar com o reinado de António Costa e aproveitarem-se das divergências existentes no Partido Socialista e restante esquerda representada pelo Partido Comunista e Bloco de Esquerda. O tal “congresso” foi um fiasco e nem uma proposta de alternativa ao actual regime socialista foi ouvida pelo auditório, de onde se conclui que afinal, o grande vencedor daquela triste iniciativa foi António Costa, o qual até já anunciou a sua recandidatura a líder do PS. Triste é vermos a luta das sanguessugas pelo poleiro na esquerda política. No PS, Pedro Nuno Santos, Fernando Medina e Ana Catarina Mendes. Três facções em que os apoiantes já começaram a “trabalhar” para que um dos três políticos possa ser o substituto de António Costa na liderança socialista. Os políticos enlouqueceram. Querem ser alguma coisa que os leve à televisão. Autarcas, deputados ou governantes, todos repetem a mesma lengalenga aos assessores para que estes os promovam na hasta pública. Sim, porque se trata de um leilão, onde por vezes aquele que tiver mais dinheiro é que coloca a coroa de diamantes na cabeça. No Partido Comunista, Jerónimo Sousa, continua com a teimosia de ver o Bloco de Esquerda como “ladrão” de votos
O tal “congresso” foi um fiasco e nem uma proposta de alternativa ao actual regime socialista foi ouvida pelo auditório, de onde se conclui que afinal, o grande vencedor daquela triste iniciativa foi António Costa
e a partir daí não admite entendimentos à esquerda. Por sua vez, no Bloco de Esquerda as manas Mortágua estão desejosas de que Catarina Martins volte para os palcos de teatro e deixe o microfone bloquista. Temos, sem dúvidas, políticos de direita e de esquerda que não compreendem o que o povo necessita. Não são capazes de ver as miseráveis reformas que são pagas a milhares de velhos que trabalharam uma vida inteira e que imensas empresas não lhes executaram os devidos descontos para a Segurança Social. São políticos que há dois anos andam a falar de pandemia, confinamento e covid-19, três palavras que nunca tinham antes pronunciado. Estes políticos estão a desgraçar o país porque o povo está cada vez mais a optar pela abstenção de cada vez que temos eleições. E quem ganha com isto é sempre o populismo normalmente de extrema-direita, o que é perigoso. Estamos num labirinto difícil de encontrar a saída, mas onde os portugueses têm de começar a levantar a voz bem alto de modo a que o seu protesto é que tenha de mudar o paradigma de políticos que valem zero. *Texto escrito com a antiga grafia
‘‘Há uma ferrugem pior do que todas: chama-se ignorância.’’ PALAVRA DO DIA
BNU DIAS EXTRA PARA VACINADOS
O
PUB PUB.
Banco Nacional Ultramarino (BNU) vai oferecer dois dias extra de férias aos trabalhadores inoculados com as duas doses da vacina contra a covid-19 até ao final de Setembro. A medida da empresa foi anunciada ontem num comunicado, depois de um encontro entre o CEO do BNU e os principais directores da instituição. “Temos todos a responsabilidade de fazer a nossa parte para que tenhamos um ambiente de trabalho seguro, para nós e para os nossos clientes”, afirmou, segundo um comunicado do BNU, o CEO durante o encontro. “Tivemos uma excelente resposta e rápida actuação na implementação das medidas de prevenção à propagação do vírus quando este apareceu no princípio de 2020 e devemos mais uma vez demonstrar o nosso compromisso com o Governo na criação de uma imunidade de grupo para proteger toda a comunidade de Macau e apoiar uma rápida recuperação económica”, acrescentou. O banco vai ainda distribuir outros benefícios que diz que vão custar “perto de 1 milhão de patacas”, no caso de ser atingida a meta “um determinado número mínimo de empregados completamente vacinados”. A meta não foi anunciada, mas os benefícios vão ser envolvem “notas por cortar, cupões de dinheiro de diferentes montantes para usufruir num resort seleccionado, notas comemorativas” e vão ser sorteados entre os trabalhadores vacinados. Além disso, o banco vai organizar um seminário com os Serviços de Saúde em que vão ser explicados aos trabalhadores os benefícios da vacinação. O encontro vai decorrer no dia 4 de Junho.
O
chefe da Divisão de Ligação entre Polícia e Comunidade e Relações Públicas da Polícia Judiciária, Cheang Pou Seong, foi encontrado ontem sem vida dentro da viatura. O corpo de Cheang foi detectado, junto do Lago de Nam Van, depois de a família ter dado o alerta para o desaparecimento do homem de 47 anos de idade “Esta manhã, a Polícia Judiciária foi informada pela família de um investigador desta força sobre a impossibilidade de contactá-lo. Na sequência da denúncia, os agentes encontraram o carro do agente num parque de estacionamento junto do Lago de Nam Van”, afirmou a PJ numa mensagem escrita, em que o morto era identificado como agente Cheang. “O agente foi encontrado dentro do carro, onde também estavam alguns objectos de carvão que tinham sido queimados”, foi acrescentado. Ainda de acordo com a informação oficial, o corpo do agente da PJ não apresentava sinais de lesões. Porém, a PJ diz que a causa da morte só vai ser identificada depois de ser feita a autópsia. Ao HM, um porta-voz da PJ recusou prestar mais esclarecimentos sobre o caso, devido a motivos familiares, e indicou que a informação já tinha sido disponibilizada.
O
Governo continua a ser pressionado para apresentar um calendário e planos concretos para a habitação destinada à classe sanduíche, mesmo que, na última sexta-feira, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, tenha pedido mais tempo para o fazer. O deputado Ng Kuok Cheong entregou ontem nova interpelação sobre a matéria, lembrando que “ainda não há o regime jurídico sobre as habitações para a
Dhammapada
terça-feira
1.6.2021
ÓBITO CHEANG POU SEONG ENCONTRADO MORTO JUNTO A NAM VAN
Tragédia nos Lagos
Contudo, a principal tese aponta para que Cheang Pou Seong tenha cometido suicídio, uma vez que com o corpo, além do carvão queimado, terá sido alegadamente encontrada uma carta.
Carreira de louvores
Cheang Pou Seong era licenciado em Direito e estava na Polícia Judiciária desde 1999. Ao longo da carreira assumiu os cargos de investigador criminal estagiário, investigador
criminal e sub-inspector. Foi em Abril de 2013 que passou a assumir as funções que manteve até ontem. Até 2013, de acordo com uma nota do Gabinete de Comunicação Social, aquando a tomada de posse, tinha acumulado uma Menção de Mérito Excepcional, 4 louvores individuais e 8 louvores colectivos. Em 2014, Cheang recebeu outra menção de Mérito Excepcional, atribuída pelo secretário para a Segurança, Cheong Kuoc
Dura de roer
Governo pressionado a apresentar planos para classe sanduíche
classe sanduíche e as residências para idosos”. Para o deputado, estas matérias devem estar incluídas nas Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2022, para que haja “uma base jurídica para a aquisição de imóveis”. Ng Kuok Cheong pretende também saber quais os planos do Executivo
para terrenos em locais como a zona A dos novos aterros, avenida Wai Long, bairro Tamagnini Barbosa, em Mong-Há, e na avenida Venceslau de Morais. “Depois de desistir dos aterros na zona D, os novos aterros da zona norte da Taipa vão ser afectados? Quantas são as fracções habitacionais
Vá. “Revelou sempre dedicação, empenho e um espírito inovador, activo e responsável no trabalho. Para alargar os laços de cooperação entre a polícia e a população envidou grande esforço, procurando sempre manter uma boa cooperação com as associações, estabelecimentos de ensino e média”, destacou na altura o então secretário. “Manteve uma boa interacção com os média, reforçando em diversos âmbitos, os laços de coo-
peração entre a polícia e a população, dando assim um contributo relevante para o desenvolvimento do trabalho de policiamento de proximidade”, foi igualmente destacado. O Instituto de Acção Social (IAS) apela às pessoas com pensamentos suicidas e que necessitem de auxílio que contactem o Serviço de Auxílio da Cáritas, através do número 2852 5222, em chinês, ou do número 2852 5777, em inglês. João Santos Filipe
ainda disponíveis? Será que os novos aterros em Seac Pai Van incluem os terrenos recuperados da avenida do Vale das Borboletas e da avenida Ip Heng? Quantas são as fracções habitacionais disponíveis?”, questionou.
do Cidadão, o responsável lembrou que o Governo recuperou mais de 80 terrenos não desenvolvidos desde 2015, devendo destinar alguns para construir estas casas, em consonância com o Plano Director. Leong Sin Man defendeu que “há uma necessidade urgente” de casas económicas, que pode ser satisfeita com os projectos para a zona A e avenida Wai Long. No entanto, a habitação para a classe sanduíche não passa ainda de um mero conceito político, referiu.
Mero conceito
Também Leong Sin Man, vice-presidente da Associação da Nova Juventude Chinesa de Macau, defendeu que o Governo deve acelerar a concepção das casas para a classe sanduíche. Segundo o Jornal