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Hoje Macau 1 JUN 2018 #4063

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TIAGO ALCÂNTARA

C.B. ARAGÃO

GONÇALO LOBO PINHEIRO

CANÍDROMO

PLANO ENTREGUE ÚLTIMA

AU KAM SAN

TODOS OS NOMES

O FADO PUNK EVENTOS

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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ISTOCK

PÁGINA 4

MÍSIA

hojemacau

Filhos, mas pouco Entre 2000 e 2017, foram abandonadas em Macau 45 crianças, a maioria recém-nascidos, de acordo com dados fornecidos pelo IAS. Ao longo destes 18 anos, dos 45 menores deixados ao abandono, 35 foram adoptados. Hoje celebra-se o Dia Mundial da Criança. PÁGINA 7

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SEXTA-FEIRA 1 DE JUNHO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4063

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ


2 ENTREVISTA

PEDRO ROCHA VIEIRA CEO E FUNDADOR DA BETA-I, EMPRESA LIGADA A STARTUPS

Filho do último governador português de Macau, Pedro Rocha Vieira é hoje CEO da Beta-i, uma empresa que ajuda startups a procurar investimento dentro e fora de Portugal. Macau está nos seus planos e os primeiros protocolos serão assinados este mês. Pedro Rocha Vieira viveu em Macau na década de 90 e entende que as empresas portuguesas não souberam, na altura, explorar as oportunidades deste lado do mundo

“Macau não pode parar no tempo” É CEO da Beta-i, uma empresa ligada ao empreendedorismo e startups. Como começou este projecto? A Beta-i nasce enquanto associação sem fins lucrativos, no pico da crise em Portugal, em 2009. Tínhamos o objectivo de trazer para Lisboa uma nova cultura de empreendedorismo e para capacitar as futuras gerações de empreendedores. Acreditámos que Portugal, e sobretudo Lisboa, tinha um potencial enorme para ser um hub de inovação e de startups a nível global, porque tem talento, boa qualidade de vida. Fomos responsáveis pela construção da grande parte do ecossistema do empreendedorismo em Lisboa, que incluem as startups de tecnologia e com maior ligação e capital internacionais. Começámos por fazer eventos, programas de capacitação de empreendedores, e depois criámos um programa emblemático, que foi o Lisbon Challenge, para empresas de todo o mundo que ainda estão a adaptar o seu produto ao mercado, precisam de acertar a sua estratégia. Fomos contribuindo para a criação de uma cultura de investimento, porque não havia muitos investidores internacionais, sobretudo que investissem na fase de capital de risco. Existiam investidores ligados a um modelo mais tradicional e contribuímos para uma nova mentalidade de investimento. Evoluímos para uma sociedade de capital de risco, e esse é, hoje em dia, o nosso maior negócio. A Beta-i é hoje uma empresa gerida por quatro sócios e este ano fundimo-nos com uma outra empresa, uma boutique de inovação, e somos oito sócios. Quais os principais projectos da Beta-i depois dessa fusão?

“Macau tem um grande desafio porque é um território muito dependente de poucas indústrias, tal como o jogo, o turismo e imobiliário. A maior parte do talento e dos investidores estão nessas indústrias, e o custo de se fazer outras coisas é muito alto.” Sentimos que aquilo que estava a acontecer nas startups, ao nível do capital de risco, tinha um impacto nas grandes empresas. Hoje em dia todas as indústrias estão a passar para o digital e a Beta-i é um forte parceiro no processo de transformação das grandes empresas, desde ajudar a definir estratégias de inovação, capacitá-las com ferramentas de empreendedorismo e ajudamos a executar estratégias. Trouxemos muita da experiência que tínhamos com as startups. O nosso maior foco é a inovação aberta, pois, por um lado, as startups precisam de grandes empresas para entrar no mercado e para acelerar a sua inovação. Estamos a começar a fazer projectos globais com uma empresa de Hong Kong, a Fosun e o Hospital da Luz, por exemplo. Temos feito um trabalho muito forte nas grandes empresas e sentimos que um dos maiores desafios tem a ver com a mentalidade das pessoas dentro e fora das organizações. Temos programas de capacitação de empreendedores dentro das universidades, através de parcerias

e estamos a apostar em escolas de Verão para crianças. Também temos uma ligação forte em termos internacionais. Há muito tempo que estamos em contacto com a China e acho que Macau pode ter um papel importante na ligação do mercado chinês aos países de língua portuguesa. Macau, mais do que a oportunidade, tem a capacidade de aderir ao digital e às novas tendências de empreendedorismo? Tem e não tem. Por um lado, Macau tem um grande desafio porque é um território muito dependente de poucas indústrias, tal como o jogo, o turismo e imobiliário. São indústrias que dão muito dinheiro, e também tem uma Administração Pública muito forte. A maior parte do talento e dos investidores estão nessas indústrias, e o custo de se fazer outras coisas é muito alto. O incentivo para diversificar é muito baixo, o que faz com que seja muito difícil criar oportunidade e interesse nos jovens empreendedores, ou potenciais,

“O meu pai [Vasco Rocha Vieira] foi sempre um político atípico e foi mais chamado para desafios de Estado, não foi propriamente um político. Foi chamado para desafios que assumiu com responsabilidade e com sentido de Estado.”

para explorarem outro tipo de negócio. Numa fase de capital de risco, os investidores vão, muito provavelmente, optar por investir em negócios mais tradicionais. Tenho acompanhado a evolução nos últimos anos e há uma vontade política para a diversificação e uma visão de estratégia mais alargada da presença do território no delta do rio das pérolas e a relação que Macau possa ter com os países de língua portuguesa nos próximos anos, dada a inauguração da nova ponte e uma maior interligação ao nível dos transportes. Há dinheiro para investir no digital e na tecnologia, o Governo de Macau pode investir em projectos de cidades inteligentes e na estruturação da maior parte das áreas. Acima de tudo, é preciso fazer um trabalho para atrair investimento e empreendedores para essa região e de articulação de Macau com as restantes cidades na região. O secretário Lionel Leong [da tutela da Economia e Finanças] tem uma visão para esta área. Mas há muitos tipos de empreendedorismo. Pareceu-me que está muito ligado ao turismo, e com negócios que podem ser apenas locais, e também ligado às indústrias criativas. Também há coisas novas que se podem explorar, e é uma aposta que Macau quer fazer, na área da saúde e das cidades inteligentes. Tenho visto uma mudança muito grande. Viveu em Macau e o seu pai [Vasco Rocha Vieira] foi o último governador português de Macau. Havia apenas a Universidade da Ásia Oriental e agora há mais oferta educativa. A pouca aposta no ensino superior nas décadas de 80 e 90 poderão ter influenciado este atraso que Macau ainda tem no sector empresarial, em comparação com Hong Kong? Pelo que sei, houve uma aposta muito forte para que Macau tivesse algumas bases. Hong Kong tem mais universidades mas tem uma dinâmica completamente diferente, com maior presença do sector privado. Muito do que existiu ao nível do ensino superior até foi uma aposta de Portugal, mas é difícil criar projectos de longo prazo. Foi feita uma aposta em torno do Direito, protocolos com a Universidade Católica Portuguesa, Universidade de Coimbra. Na altura, a realidade da região era completamente diferente e a China teve uma enorme mudança nos últimos anos. Os jovens que queriam estudar iam para fora, onde havia boas universidades, e as pessoas de Macau são bem formadas. Ao nível


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do ensino superior são precisas estratégias de longo prazo e acho que muito se fez na altura. Diria que não há falta de qualificações nas pessoas da minha geração. O liceu de Macau, onde estudei, era muito bom. Mas houve uma evolução enorme em todo o ensino superior na Ásia, hoje muitas universidades da China estão nos rankings mundiais. Tem mais a ver com a cultura e não com a educação, pois trata-se de um território pequeno. O meu pai tinha uma grande preocupação quanto à falta

de espaço, pois nem havia terrenos para construir universidades. Estava tudo planeado, mas não houve tempo dentro da Administração portuguesa. Mas sei que era uma preocupação muito grande. Há projectos específicos que a Beta-i esteja a preparar com Macau? Vai haver uma delegação de Macau e China em Portugal no final deste mês [Maio], e o objectivo é estreitar relações entre Portugal e Macau. Vão ser assinados alguns

“Acho que Portugal fez um erro. Durante a Administração portuguesa foi feito um esforço para mostrar aos empresários portugueses o potencial que a China e Macau tinham. Houve pouco aproveitamento...”

protocolos e o objectivo é criar aqui ângulos de cooperação. Há alguns projectos que estão a ser trabalhados, mas é um bocado cedo para os revelar. O que se pretende é que, no final do mês, comecem a ser assinados os primeiros protocolos para que comece a ser feita uma maior ligação entre a Beta-i e Macau, com organizações locais. A Beta-i organiza também o evento Lisbon Investment Summit. As empresas de Macau poderão vir a participar? Sim, e penso que a Websummit, que não é organizada por nós, também é um óptimo evento para que Macau conheça o que se está a fazer nesta área. Não foi só Macau que mudou muito, Portugal também. Perceber esta nova dinâmica é muito interessante. O que é preciso melhorar nas relações entre a China e Portugal? Parece que há ainda algumas diferenças para resolver. É preciso que as empresas portuguesas percebam melhor o contexto chinês, e vice-versa? Claro. Há certas coisas que demoram tempo. Acho que Portugal fez um erro. Durante a Administração portuguesa foi feito um esforço para mostrar aos empresários portugueses o potencial que a China e Macau tinham. Houve pouco aproveitamento, e mesmo no contexto dos países de língua portuguesa, acho que as empresas portuguesas sempre tiveram um pouco de costas voltadas para a China, não perceberam o valor e não perceberam o que é preciso fazer. Não há uma via verde e não basta pensar que Macau era território português e que, com isso, as portas abrem-se. É preciso trabalhar muito e a China hoje em dia é um mercado super complexo, muito competitivo e de difícil entrada. Está a abrir mais,

e da experiência que tenho tido com o contacto com a China é que existe uma maior abertura para novos produtos, novos contactos e parcerias. Macau não pode ficar parada no tempo e os portugueses têm de perceber que podem explorar muito mais o mercado chinês, e que, dadas as afinidades culturais, podem usar Macau para isso. São importantes as relações institucionais e o Governo chinês tem mandado mensagens muito claras que Macau tem esta importância para as relações com os países de língua portuguesa e Portugal, sobre a diversificação do território e quanto à nova posição da China sobre a política “Uma Faixa, Uma Rota”. O que é preciso é que isto passe para o nível dos empresários e não fique apenas na política. Há o enquadramento e Macau tem vantagens e desvantagens. Se calhar para muita gente é mais fácil ir directamente à China do que estar a ir para Macau. Acabou por enveredar pela área dos negócios. Nunca pensou seguir os passos do seu pai, numa carreira como militar ou na política? (Risos) Militar, de todo. Política, acho que o meu pai foi sempre um político atípico e foi mais chamado para desafios de Estado, não um político. Foi chamado para desafios que assumiu com responsabilidade e com sentido de Estado. Hoje em dia, vejo que ao ter criado uma associação, a minha forma de estar no mundo, de dever cívico, foi fazer algo que tenha impacto. Penso que ao criar a Beta-i contribui para uma mudança no meu país e na minha geração. Penso que há muitas formas de ter impacto na sociedade e a minha foi esta, mas nunca se sabe o que há-de acontecer. Comecei na banca, mas depois percebi que não estava talhado para isso. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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A

PEARL HORIZON AU KAM SAN ACUSA GOVERNANTES DE FALTA DE VISÃO

E os burros são eles?

O pró-democrata está contra a solução do Governo e, num dos discursos mais agressivos dos últimos anos no hemiciclo, utilizou a expressão “cabeça de burro” para descrever os poderes decisores que conduzir o desfecho do caso do Pearl Horizon. Au Kam San acrescentou ainda que a solução é proveniente de uma classe de pessoas sem um “cérebro normal TIAGO ALCÂNTARA

solução do Governo para o problema do Pearl Horizon não convence os deputados e, ontem, na Assembleia Legislativa o deputado Au Kam San arrasou o Executivo e a “alegada” elite local da equipa escolhida por Chui Sai On. Num dos discursos mais agressivos dos últimos anos no hemiciclo, o pró-democrata usou expressões como “cabeça de burro” e equipa de dirigentes que “nem sequer tem um cérebro normal”. O deputado citou ainda um politólogo chinês, Cao Gui, para dizer que a falta de visão é característica dos governantes que “apenas se preocupam em encher o bandulho”. “O Governo está sempre a surpreender a população, tal como desta vez, no tratamento do caso do Pearl Horizon. Claro que se trata de um conflito comercial entre promotor e pequenos proprietários, mas o Governo também não pode fugir às suas responsabilidades, pois foi ele que retomou o terreno e cobrou os impostos. Portanto, é totalmente impossível alhear-se disso, mesmo que assim o queira”, foi desta forma que Au Kam San começou o tom para a intervenção antes da ordem do dia. “A solução apresentada pelo Governo deixou a população francamente assustada, sem conseguir imaginar qual foi a cabeça de burro que esteve na origem de tal solução”, acrescentou. Au Kam San fez questão de referir que tudo deve ser tratado com a lei, e que muitos do governantes locais se consideram parte da elite local, mas que nem cérebro normal têm: “Os governantes recebem salários elevados, então, muitos deles pensam que devem pertencer à elite e que são os melhores para ocuparem tais cargos. Qual elite! A solução para o problema do Pearl Horizon prova que quem faz parte da equipa de

Au Kam San, deputado “A solução para o problema do Pearl Horizon prova que quem faz parte da equipa de dirigentes do Governo nem sequer tem um cérebro normal”

dirigentes do Governo nem sequer cérebro normal tem, portanto, nem vale a pena falar de elites”, apontou.

Depois, o legislador fundador da Novo Macau recorreu à História chinesa e a Cao Gui para explicar a

Trânsito Deputado quer novo planeamento para a zona da Pérola Oriental O deputado Leong Sun Iok pede ao Executivo um novo planeamento para a zona da rotunda da Pérola Oriental. “Proponho ao Governo que proceda ao reordenamento da rede das instalações viárias da zona em causa e ao planeamento da rotunda da Pérola Oriental, e que pondere construir ali viadutos”, referiu ontem o deputado no período de antes da ordem do dia, na Assembleia Legislativa. O objectivo é a preparação de

falta de visão dos políticos locais: “Já o politólogo Cao Gui dizia que ‘falta sempre visão àqueles que

condições capazes de receber o aumento do trânsito e de pessoas provocado com a abertura da ponte Hong Kong – Zhuhai – Macau. Leong sugeriu ainda ao Executivo que incentive as concessionárias de jogo a disponibilizarem serviços de transporte em Zhuhai. Para o deputado, uma forma de aliviar a pressão do tráfego na zona norte seria promover a utilização do posto fronteiriço de Hengqin.

apenas se preocupam em encher o bandulho’”, atacou. “Será que isto não se aplica também a estes

governantes de Macau? Estes, com o bandulho cheio e desinteressados de qualquer contacto com a população e com as suas dificuldades, inventam despreocupadamente medidas que só lesam os legítimos interesses dos cidadãos”, completou.

CHOVERAMCRÍTICAS

Contudo, Au Kam San não foi o único a deixar reparos à actuação do Governo. O mesmo aconteceu com o colega de bancada Ng Kuok Cheong e com Si Ka Lon, Mak Soi Kun e Zheng Anting. Por exemplo, o grande vencedor das últimas eleições, acusou o Governo de insensibilidade social, na altura de resolver os problemas dos cidadãos. “Recentemente, ocorreram com o Governo muitos casos de ‘tratar os assuntos de acordo com a lei’, mas, na opinião de muitos cidadãos, esta actuação é ‘legal mas irracional’ e até consideram que estes casos estão cobertos pelo vestido da ‘legalidade’, mas, na realidade, são um caos social que gera grande indignação na população”, apontou Mak Soi Kun. Também Ella Lei, deputada ligada aos Operários, apontou baterias ao assunto, mas optou por criticar exclusivamente o Grupo Polytec, ligado ao empresário Or Wai Sheun. “O concessionário tem a responsabilidade de apoiar os pequenos proprietários a ocupar as fracções. Mas nunca actuou nem mostrou sinceridade aos pequenos proprietários e à sociedade na resolução do problema”, indicou Ella Lei. “O concessionário ignora os que se encontram em apuros e afirma, sem qualquer pudor, que está embaraçado com as afirmações do Governo. Está mesmo a ignorar as suas responsabilidades sociais.”, acusou. Segundo a proposta do Governo, o terreno onde ia ser construído o empreendimento de luxo Pearl Horizon vai ser recuperado para a construção de habitações públicas. No local, os promitentes-compradores poderão comprar casas com dimensão e preço semelhantes às que iriam ter no empreendimento de luxo. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


política 5

GCS

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Alexis Tam, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura “O IAS tem os seus benefícios e políticas e, neste aspecto, cabe ao FSS assumir as devidas competências. A reserva financeira do FSS é bastante estável e os senhores deputados podem estar descansados, o FSS tem capacidade para prestar estas contribuições.”

O

S portadores de invalidez estão a um passo de terem acesso a uma pensão específica para a sua condição, ao invés de receberem apenas um subsídio provisório. Isto porque os deputados da Assembleia Legislativa (AL) aprovaram ontem na generalidade, e por unanimidade, o novo regime de segurança social, em vigor desde 2011, que cria a pensão de invalidez e põe fim ao “subsídio provisório de invalidez”. Resta agora a discussão na especialidade e respectiva votação final, que decorre nos próximos meses. A solidez financeira do Fundo de Segurança Social (FSS) foi posta em causa por alguns deputados do hemiciclo, que temem que não seja possível custear este apoio. O deputado Leong Sun Iok, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), pediu mesmo a criação de um orçamento próprio para o pagamento destas pensões. “Esta proposta pretende criar um subsídio permanente, mas este tipo de solução deve ser autonomizada e não deve ser encaixada dentro do FSS. Creio que o Governo deve ter um orçamento próprio para o efeito, porque isto vai constituir um grande

INVALIDEZ GOVERNO REJEITA CRIAÇÃO DE ORÇAMENTO PRÓPRIO PARA PENSÕES

Fundo sem fundo

Foi ontem aprovado na generalidade o novo regime de segurança social que prevê a criação de uma pensão de invalidez e o fim do subsídio provisório. Deputados questionaram a capacidade do Fundo de Segurança Social para suportar esta despesa e foi pedida a criação de um orçamento próprio. O secretário Alexis Tam garantiu a saúde financeira do FSS encargo para o nosso sistema de segurança social”, disse o número dois da deputada Ella Lei. Da parte do Governo foram dadas garantias claras de que o FSS não ficará numa situação financeira mais difícil depois do pagamento destas pensões. “O Instituto de Acção Social (IAS) tem os seus benefícios e políticas e, neste aspecto, cabe ao FSS assumir as devidas competências. A reserva financeira do FSS é bastante estável e os senhores deputados podem estar descansados, o FSS tem capacidade para prestar estas contribuições.” No ano passado, foram injectadas 37 milhões de patacas no FSS “para assegurar a capacidade de

pagamentos”, disse uma responsável da entidade. Até finais do ano passado, o valor de activos chegou às 77 mil milhões de patacas.

DIFÍCEIS CONTRIBUIÇÕES

O hemiciclo levantou também a questão das dificuldades financeiras dos próprios portadores de invalidez, se bem que o secretário para os

Assuntos Sociais e Cultura garantiu que não será obrigatório o pagamento das contribuições do FSS. “Os beneficiários são também contribuintes, e vamos continuar a exigir essa contribuição durante 36 meses. Não pretendemos criar caos ou situações de injustiça. Se não forem capazes de contribuir podemos

dar um apoio financeiro através do IAS.” Chan Hong, deputada nomeada, revelou preocupação sobre esta matéria. “As pessoas têm de contribuir, pelo menos, durante 36 meses. Será que, no futuro, o Governo vai adoptar medidas para ajudar estas pessoas? Temos de ver as suas capacidades, porque precisam de descon-

tar durante esse período. Às vezes os rendimentos não são elevados, têm de trabalhar e contribuir, e sem esse subsídio é difícil.” Na sua apresentação, o secretário defendeu que o subsídio provisório tratava-se apenas de uma “medida administrativa provisória”, e que era necessário “garantir, de forma permanente, a protecção social de base de pessoas portadoras de deficiência”. A proposta de lei ontem aprovada visa ainda a alteração da alínea do diploma que diz que “a invalidez (deve ser) verificada depois de obtida a qualidade de beneficiário”. Isto para que “a pensão de invalidez seja atribuída de forma universal a todas as pessoas que se encontram em situação de invalidez”. Até 30 de Abril deste ano o Governo autorizou 847 casos de atribuição do subsídio provisório. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Saúde Wong Kit Cheng quer revisão à carreira de enfermeiro A deputada Wong Kit Cheng questionou ontem o Governo sobre o andamento dos trabalhos na revisão do regime da carreira dos enfermeiros. Na Assembleia Legislativa a legisladora e enfermeira-assistente

do Hospital Kiang Wu recordou que a revisão do estatuto é uma promessa antiga do Executivo, mas que tem ficado por cumprir. Por outro lado, a deputada ligada à Associação Geral das Mulheres de Macau pede para

um esforço do Executivo para aumentar o rácio de enfermeiros no território de quatro para cada 1000 habitantes, assim medidas para reduzir o fosso salarial entre o sector público e o privado.


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FINANÇAS NOVO REGIME DE LOCAÇÃO FINANCEIRA MAIS FLEXÍVEL

F

OI ontem aprovada na generalidade o novo regime jurídico das sociedades de locação financeira, que visa rever o regime em vigor desde a década de 90. O diploma prevê que as futuras sociedades de locação financeira deixem de ser instituições de crédito e passem a ser instituições financeiras. O Governo decidiu implementar uma série de medidas mais flexíveis, tal como a redução do capital social de 30 para 10 milhões de patacas ou a permissão para se constituírem como sociedades anónimas ou por quotas, ao invés da obrigatoriedade de serem apenas sociedades anónimas. Na apresentação ontem feita na Assembleia Legislativa (AL), o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, frisou que o objectivo é aplicar “um conjunto de exigências de supervisão menos rigorosas e distintas das aplicáveis às instituições de crédito”. Os deputados mostraram-se preocupados com PUB

esta matéria. “Porque é que a supervisão vai ser menos rigorosa? Porque é que estas sociedades deixam de ser instituições de crédito? Estas devem ser supervisionadas com um maior rigor, porque a sua estrutura e dimensão são diferentes”, frisou Ip Sio Kai. “Essa supervisão menos rigorosa poderá acarretar problemas? Há também uma redução

adequada das exigências”, lembrou Ella Lei. Lionel Leong lembrou que esta flexibilidade ao nível da fiscalização se deve ao facto de estas sociedades terem deixado de ser instituições de crédito. “Quisemos agora adoptar medidas mais flexíveis. Os critérios eram mais rigorosos e antes podiam receber depósitos, mas as instituições financeiras não podem receber

depósitos ou outros fundos. Tentamos adoptar medidas mais flexíveis para reduzir os riscos.” A responsável da Autoridade Monetária e Cambial de Macau (AMCM) explicou que a redução do capital social mínimo exigido se deve também a esta alteração. “Não haverá grandes riscos e não se coloca em questão se há ou não capital social suficiente. Antes havia a

preocupação de garantir que as instituições de crédito mantinham capital social suficiente para pagar aos seus credores, mas nestas sociedades de investimento não há esse problema”. Além desta lei serão ainda criados “leis complementares de registo”. Outras mudanças trazidas por esta proposta de lei prendem-se com a redução do número de membros do órgão de administração da sociedade, pois agora este poderá ter apenas um membro. É também permitida a introdução do “conceito de filiais com o propósito de locação financeira”, cujo pedido pode ser feito por bancos ou outras sociedades de locação financeira autorizados a exercer actividade em Macau. A AMCM apenas terá de ser notificada, previamente, sobre este ponto. Os deputados aprovaram também, na generalidade, o regime do benefício fiscal para a locação financeira, que mantém, entre outras medidas, a isenção do imposto de selo sobre a constituição de empresas e aumentos de capital social. A.S.S.

Aviação Song Pek Kei pede fim do monopólio da Air Macau

Song Pek Kei, deputado ligada à comunidade de Fujian e Chan Meng Kam, instou o Governo a terminar o monopólio da Air Macau em 2020, altura em que termina o contrato de exclusividade. “O Governo deve prestar elevada atenção à realidade de que o desenvolvimento do sector do transporte aéreo tem sido impedido, devendo-se, assim, adoptar medidas preventivas e fazer um planeamento de longo prazo”, afirmou a deputada. “Proponho que se deve acabar, plenamente, com a exclusividade no transporte aéreo, criando um ambiente favorável à concorrência e ao desenvolvimento do sector”, acrescentou a deputada.


sociedade 7

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Em média, dois menores são abandonados por ano em Macau, a maioria dos quais recém-nascidos. É o que revelam dados facultados ao HM pelo Instituto de Acção Social (IAS)

O

S números falam por si. Entre 2000 e 2017, o IAS prestou assistência a 58 menores (29 meninas e 29 meninos), com idades até 13 anos. Contudo, o IAS ressalva que viria a confirmar, posteriormente, que 13 não tinham sido efectivamente abandonados, pelo que o número total cai para 45, o que dá, ainda assim, uma média anual de dois casos. Para encontrar um ano com “ficha limpa” é preciso recuar a 2012, ano em que, à semelhança de 2010, não houve qualquer caso. Os dados do IAS permitem ainda notar uma diminuição do número de abandono de menores entre a primeira e a segunda metade da década. A título de exemplo, no ano passado, houve um caso de um menor abandonado, enquanto em 2000 ascenderam a sete. Dos 58 menores encaminhados para o IAS, 47 correspondem a casos em que foram identificados os

CRIME DOIS MENORES ABANDONADOS EM MÉDIA POR ANO ENTRE 2000 E 2017

Deixados à sua sorte progenitores (ambos ou pelo menos um), sendo que nos 11 restantes não foi possível apurar a identidade dos mesmos. De acordo com o IAS, “grande parte” dos menores abandonados “encontrava-se de boa saúde física e mental”. Contudo, “alguns dos bebés ou crianças de tenra idade apresentavam deficiências, incluindo motora, intelectual, da fala ou visual”, indicou o IAS, sem especificar números.

Crime Prisão preventiva para três suspeitos de auxílio a imigração ilegal

O juiz de instrução criminal ordenou a aplicação de prisão preventiva a três indivíduos suspeitos da prática dos crimes de associação criminosa, auxílio à imigração ilegal e de acolhimento. A medida de coação foi decidida após a entrega de um inquérito por parte do Ministério Público. Aos três suspeitos referidos, juntam-se mais dois que receberem outras medidas de coacção, sendo acusados dos mesmos crimes. De acordo com um comunicado oficial, a prisão preventiva foi aplicada dada a “gravidade e circunstâncias concretas do respectivo inquérito”.

“Quando o IAS recebe um menor abandonado, a primeira preocupação é protegê-lo. Assim, este instituto, de acordo com a idade do menor, irá colocá-lo num lar para crianças e jovens que lhe seja adequado e, de imediato, comunicar o caso ao Ministério Público (MP), por forma a que proceda a uma investigação quanto à identificação dos seus pais”, explica o IAS. O processo de adopção, esse, inicia-se só depois de os órgãos judiciais

atestarem que o menor foi abandonado.

MAIORIA ADOPTADOS

Sete em cada dez menores abandonados foram adoptados (35 em 45) ao longo dos últimos 18 anos. Já dois casos encontram-se em “fase de pré-adopção” e outros tantos foram “comunicados ao MP ou aos tribunais a fim de dar seguimento ao processo”, havendo um “com o relatório de apreciação concluído”, de acordo com

as informações facultadas em meados de Maio a este jornal. Diferente sorte tiveram outros três casos, particular-

Sete em cada

dez menores abandonados foram adoptados

mente o de um menor com necessidades especiais, dado que “o emparelhamento [entre as características e necessidades das crianças e as pretensões e capacidades dos candidatos] foi infrutífero”. Os outros dois dizem respeito a menores que “não estão dispostos a serem adoptados, pelo que não há possibilidade de realizar com sucesso o emparelhamento”. E se uns não quiseram integrar uma nova família, outros quiseram mas não puderam, dado que há dois menores, entretanto com mais de 16 anos, “que não conseguiram ser adoptados”, isto apesar dos mais de 600 pedidos de adopção. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

LIVROS PLAZA MACAU PERTENCE AO GABINETE DE LIGAÇÃO DE HONG KONG

O

grupo editorial Sino United Publishing (SUP) de Hong Kong, que pertence ao Gabinete de Ligação da região vizinha, é também dono da livraria local Plaza Cultural, revelou ontem o Macau News Agency. A informação surge após a divulgação por parte da RTHK de que o

Gabinete de Ligação da região vizinha é o maior proprietário das livrarias de Hong Kong, tendo a seu cargo mais de metade do mercado livreiro. A livraria Plaza Cultural de Macau tem ainda uma loja na Universidade de Macau e fornece livros em língua chinesa e portuguesa à loja de presentes do Museu de

Arte de Macau. De acordo com a mesma fonte, é também responsável pela organização de seminários e exposições de carácter cultural no território. De acordo com a investigação da RTHK, o grupo SUP é propriedade da empresa Xin Wenhua Hong Kong Development Company, que por

sua vez tem como donos uma firma de Cantão que pertence unicamente ao Gabinete de Ligação de Hong Kong. Além das livrarias em Hong Kong e Macau, a SUP opera ainda no continente, Taiwan, Singapura, Malásia Japão, Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França e Austrália.

À Macau News Agency, a livraria Plaza não esclareceu se a SUP tem algum papel no que respeita às opções de negócio, ou no tipo de livros que a loja oferece aos clientes. A UM não deu qualquer resposta à mesma agência.


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ENSINO SUBSÍDIO DE PROPINAS ACTUALIZADO E ALARGADO A TODA A PROVÍNCIA DE GUANGDONG

Cobertura ampliada

V

AI ser alargado a todas as 21 cidades de Guangdong o âmbito do plano que prevê a atribuição de um subsídio de propinas a residentes de Macau que frequentem escolas na província vizinha. Os montantes também vão ser revistos em alta, a partir do corrente ano lectivo, com o Governo a estimar uma despesa de 27,6 milhões de patacas, revelou ontem o porta-voz do Conselho Executivo. “Temos alargado gradualmente o âmbito da aplicação porque [o plano] tem funcionado muito bem”, afirmou Leong Heng Teng, dando conta de que actualmente há quase 4.000 alunos de Macau a frequentar escolas na vizinha província. Em paralelo, os montantes do subsídio também vão ser actualizados, subindo de um máximo de 4.000 para 6.000 patacas para os estudantes que frequentem os ensinos primário, secundário geral e secundário complementar; e de 6.000 para 8.000 patacas no caso do ensino pré-escolar. Tanto o alargamento da cobertura geográfica a todas as cidades da província de Guangdong, como o aumento dos montantes dos subsídios de propinas, tinham sido anunciados aquando da apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) pelo

O

Conselho Executivo deu luz verde a um projecto de regulamento administrativo que define normas para a utilização de edulcorantes em géneros alimentícios. O diploma, cujos principais contornos foram apresentados ontem, tem com objectivo “definir padrões para garantir a segurança alimentar”. Segundo o porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng, a definição de regras pretende “evitar a utilização ou adição nos géneros alimentícios de

O plano de subsídio de propinas a residentes de Macau que frequentem escolas em Guangdong vai ser estendido a todas as 21 cidades daquela província. Os montantes também vão ser revistos em alta

O Governo estima gastar 27,6 milhões de patacas em subsídios de propinas para quase 4.000 alunos de Macau que estudam em Guangdong

Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On. A atribuição de um subsídio de propinas a residentes de Macau que estudem em escolas de Guangdong arrancou no ano lectivo 2012/13, com

o projecto-piloto circunscrito na altura a escolas de apenas duas cidades (Zhuhai e Zhongshan) e a um nível de ensino (secundário complementar). O plano foi sendo paulatinamente alargado e, no ano lectivo anterior,

Contém aditivos Definidas normas relativas à utilização de edulcorantes em alimentos

substâncias que não tenham passado na avaliação de segurança”. O diploma “define os tipos de edulcorantes abrangidos pelas normas, as categorias de géneros alimentícios que permitem a utilização de edulcorantes, a sua dose máxima de utilização, assim como as condições em que a sua utilização deve corresponder”.

Existem duas categorias de edulcorantes que podem ser utilizados ou adicionados em géneros alimentícios. A primeira, que versa principalmente sobre edulcorantes de origem natural ou sobre outros sem dose diária admissível especificada, abarca dez tipos. Já a segunda diz respeito a nove tipos permitidos dentro do âmbito e limites de

ou seja, em 2016/2017, cobria sete cidades de Guangdong.

Cooperação Guangdong-Macau, o Governo gastou 30 milhões de patacas em subsídios de propinas, dos quais beneficiaram 5.761 alunos. A título de exemplo, no ano lectivo anterior, foram 2.000 os estudantes que receberam o apoio. Os dados foram apresentados numa conferência de imprensa do Conselho Executivo que deu luz verde a um projecto de regulamento administrativo que estipula, entre outros, os requisitos a observar. O diploma, que deve entrar em vigor este mês, torna elegíveis aos subsídios os alunos residentes nascidos antes de 2015 que, a 31 de Março último, se encontravam efectivamente a frequentar um dos níveis de ensino em escolas de Guangdong. As candidaturas têm de ser apresentadas à Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) que, por sua vez, atribuirá o subsídio de propinas, numa única prestação, a partir de Outubro. O regulamento administrativo determina ainda que os residentes de Macau que frequentem o ensino secundário complementar “têm de frequentar um curso de formação”, organizado pela DSEJ, “com vista a reforçar os conhecimentos nomeadamente no âmbito político, económico e cultural de Macau”. Esse curso, a decorrer entre Junho e Agosto, tem de ter uma duração não inferior a 12 horas, sendo exigida uma taxa de presença não inferior a 80 por cento.

TERMOS E CONDIÇÕES

Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

Desde o lançamento do plano, gizado no âmbito do Acordo-Quadro de

utilização, ou seja, que têm uma dose diária admissível determinada pelo Comité Misto FAO/OMS de Peritos em Aditivos Alimentares. Tal significa que podem ser utilizados sem risco para a saúde, desde que o valor de referência não seja excedido. Na elaboração das normas sobre os edulcorantes, que são um aditivo alimentar que confere sabor doce em substituição do açúcar, “o Governo não só ponderou a realidade internacional e local, como também tomou em consideração, de forma cabal, as normas dos principais locais de origem, os

padrões de segurança alimentar da República Popular da China e as normas dos territórios vizinhos”, explicou Leong HengTeng. Em paralelo, foram também integrados os “resultados da monitorização do teor de edulcorantes em géneros alimentícios no mercado de Macau”. Apesar de as regras apenas surgirem agora, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) garante que os produtos alimentares – tanto importados como fabricados em Macau – têm estado em conformidade desde a entrada em vigor da

Lei da Segurança Alimentar, em Outubro de 2013. “Não há qualquer produto que, neste momento, não satisfaça os requisitos internacionais”, até porque “a maior parte é importado”, afirmou Ung Sau Hong, que integra o conselho de administração do IACM. A mesma responsável adiantou ainda que, no âmbito da segurança alimentar, o IACM espera finalizar ainda este ano um outro regulamento administrativo, desta feita sobre os limites permitidos de resíduos de metais pesados. D.M.


sociedade 9

sexta-feira 1.6.2018

EFEMÉRIDE LARGO DO SENADO ACOLHE VIGÍLIA POR TIANANMEN PELO QUINTO ANO CONSECUTIVO

A

empresa Chap Mei –Artigos de Porcelana e de Aço Inoxidável e Outros Metais vai ter mesmo de desocupar um terreno no Pac On, com uma área de 2637 metros, após ter perdido o diferendo no Tribunal de Última Instância, em que contestava a decisão do Governo de despejar a empresa.Adecisão foi tomada a 30 de Maio e revelada ontem, num comunicado publicado pelo Gabinete do Presidente do TUI. A Chap Mei contestava a decisão do Chefe do Executivo por considerar que havia falta de fundamentação no pedido de despejo, ao mesmo tempo que contestava o prazo de 60 dias para a desocupação. No entanto, os argumentos da empresa não convenceram o TUI: “O acto recorrido [ordem de despejo] está perfeitamente fundamentado, permitindo ao destinatário perceber a sua racionalidade”, consta no acórdão. “Não se vislumbra muito bem que tipo de fundamentação é que seria adequada para dizer que o prazo para a desocupação é de 60 dias e não de 45 ou 65 dias”, é acrescentado. No que diz respeito ao prazo, o tribunal recorda que legalmente o despejo deveria ter ocorrido mesmo em 45 dias e que a empresa já tinha sido beneficiada pela decisão de permitir a desocupação do terreno em causa em 60 dias. Quanto ao argumento da empresa de não ter sido ouvida em audiência antes da ordem do despejo, o TUI considerou que foi tudo feito dentro da legalidade, uma vez que a Chap Mei tinha sido ouvida, na altura em que o Chefe do Executivo assinou a declaração da caducidade do terreno em causa, conhecido como Lote V2.

Economia Comércio externo subiu 23,7 por cento até Abril

O comércio externo de Macau atingiu 33,31 mil milhões de patacas nos primeiros quatro meses do ano, traduzindo um aumento anual homólogo de 23,7 por cento, indicam dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Macau exportou bens avaliados em 4,06 mil milhões de patacas (mais 7,3 por cento) e importou mercadorias no valor de 29,25 mil milhões de patacas (mais 26,4 por cento). Por conseguinte, o défice da balança comercial dos primeiros quatro meses do ano agravou-se, atingindo 25,19 mil milhões de patacas.

Para não esquecer

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Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) confirmou ontem ao HM ter aceitado o pedido submetido pela União para o Desenvolvimento Democrático de Macau, dos deputados Au Kam Sam e Ng Kuok Cheong, para realizar a vigília em homenagem às vítimas do massacre de Tiananmen no Largo do Senado. A iniciativa tem lugar na próxima segunda-feira entre as 20 e as 22 horas. Em declarações ao HM, Au Kam San afirmou não ter expectativas relativamente à adesão da vigília que, no ano passado, juntou aproximadamente duas centenas de pessoas na principal praça de Macau no pico do evento. A vigília em homenagem às vítimas de Tiananmen voltou ao Largo do Senado em 2014, após um interregno de, pelo menos, 15 anos. Essa vigília, que coincidiu com o 25.º aniversário de Tiananmen, foi, aliás, uma das mais participadas de sempre, tendo juntado pelo menos três mil pessoas, de acordo com a organização. Depois de anos reservado para actividades subordinadas ao Dia Mundial da Criança, a praça ficou desimpedida em 2014 após a Associação Geral de Estudantes Chong Wa de Macau ter cancelado o pedido de cedência do espaço em respeito por Ma Man Kei, uma das figuras mais importantes da comunidade chinesa, que tinha falecido na semana anterior. Tal permitiu aos dois deputados ocupar a vaga e deixar de assinalar a efeméride no Largo de S. Domingos que, apesar de distar poucos metros do “coração” da emblemática praça, fazia com que o evento passasse mais despercebido, além de que era, muitas vezes, ofuscado pelos espectáculos do Dia Mundial da Criança. Macau e Hong Kong (com uma dimensão muito mais expressiva, na ordem dos milhares de participantes por ano) são os únicos locais da República Popular da China onde se assinala a repressão do movimento estudantil pró-democracia de 4 de Junho de 1989. Centenas de pessoas – ou mesmo mais de mil segundo algumas estimativas – morreram depois o regime chinês enviar tanques para a Praça de Tiananmen, esmagando os protestos no coração de Pequim, onde manifestantes estavam concentrados há sete semanas a exigir reformas democráticas. Em Dezembro último, porém, foi tornado público um telegrama secreto da diplomacia britânica que dava conta de uma “estimativa mínima de 10.000 civis mortos”. O número, facultado a 5 de Junho de 1989 pelo então embaixador da Grã-Bretanha, Alan Donald, é quase dez vezes superior ao comummente aceite à época. No entanto, foi considerado credível pelo sinólogo francês Jean-Pierre Cabestan que, em declarações à agência de notícias France-Presse, assinalou então que os documentos confidenciais que foram sendo divulgados nos últimos anos nos Estados Unidos sugerem a mesma ordem de grandeza. Diana do Mar com Vítor Ng info@hojemacau.com.mo

O Largo do Senado vai ser palco, na próxima segunda-feira, da tradicional vigília em homenagem às vítimas do massacre de Tiananmen, o que sucede pelo quinto ano consecutivo

CARMO CORREIA

TERRENOS EMPRESA CHAP MEI OBRIGADA A SAIR DE LOTE NO PAC ON

A vigília em homenagem às vítimas de Tiananmen vai decorrer na segunda-feira entre as 20 e as 22 horas PUB

Aviso Início da candidatura às bolsas de mérito para estudos pós-graduados do ano lectivo de 2018/2019 Informa-se que a candidatura às bolsas de mérito para estudos pós-graduados, do ano lectivo de 2018/2019, vai decorrer entre 1 e 15 de Junho. Os destinatários a esta candidatura são os residentes permanentes da Região Administrativa Especial de Macau que se encontram matriculados num curso de pós-graduação ou tenham sido admitidos por uma instituição do ensino superior, para frequentarem um curso de pós-graduação, em regime de tempo integral ou parcial. Há 137 bolsas de mérito para atribuir, sendo duas para cursos integrados de licenciatura e mestrado, 105 para cursos de mestrado, cinco para cursos integrados de mestrado e doutoramento, e as restantes 25 para cursos de doutoramento.

Para mais informações sobre a candidatura, os interessados podem, por favor, consultar a página electrónica da Comissão Técnica de Atribuição de Bolsas para Estudos Pós-Graduados em: http://www. gaes.gov.mo/ctabe/. Podem, também, contactar com o GAES, para qualquer esclarecimento, através dos telefones 83969393/83969343 ou do e-mail: ctabe@ gaes.gov.mo. Macau, a 1 de Junho de 2018. A Presidente, substituta Sílvia Ribeiro Osório Ho


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COMÉRCIO PEQUIM QUER TRABALHAR COM WASHINGTON PARA EVITAR CONFLITOS

Em busca da harmonia

No entanto, não está previsto que pare de subsidiar empresas do sector tecnológico e garanta uma melhor protecção dos direitos de propriedade intelectual das empresas norte-americanas, as principais causas de fricção com os EUA.

TUDO QUERER

A China afirmou ontem esperar que a delegação norte-americana que chegou a Pequim coopere no sentido de “implementar o consenso” entre ambas as partes, visando evitar uma guerra comercial

A

busca pelo entendimento entre as duas maiores potências económicas prossegue com os, já habituais, avanços, recuos e múltiplas reuniões. "A China mantém a porta aberta para negociar. Uma delegação norte-americana chegou a Pequim e, nos próximos dias, manterá discussões sobre como implementar o consenso bilateral", afirmou a porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying, em conferência de imprensa. Hua destacou que a China e os Estados Unidos partilham muitos interesses comuns e que ambos devem almejar a cooperação e benefício mútuo. "Esperamos que os EUA trabalhem em conjunto para implementar o consenso alcançado e poder assim dar boas notícias e obter maiores benefícios para a comunidade empresarial dos dois países", acrescentou. Na semana passada, Pequim comprometeu-se a "aumentar significativamente" as compras de produtos agrícolas e recursos energéticos norte-americanos, após negociações entre ambos os países.

CIÊNCIA CIENTISTAS DEVEM ESTUDAR INSTRUÇÕES DE XI SOBRE INOVAÇÃO

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M alto funcionário do Partido Comunista da China (PCC) pediu aos cientistas chineses que estudem as recentes instruções de Xi Jinping sobre a inovação em ciência e tecnologia e trabalhem para tornar a China um líder mundial nessa área. Numa reunião para comemorar o 60º aniversário da fundação da Associação de Ciência e Tecnologia da China, o membro do Comité Permanente do Politburo do Comité Central do Partido Comunista da China (PCC), Wang Huning, salientou que é vital entender as importantes instruções dadas por Xi Jinping e aplicá-las voluntária e firmemente. Xi pronunciou num discurso na abertura da 19ª Reunião de Académicos da Academia Chinesa de Ciências e 14ª Reunião de Académicos da Academia Chinesa de Engenharia. De acordo com Wang, o discurso do presidente chinês instilou nos cientistas um sentido forte de responsabilidade e urgência para obter progresso nas áreas de pesquisa de vanguarda, servir melhor ao desenvolvimento económico e social, impulsionar a cooperação internacional e desenvolver a força do país em ciência e tecnologia. Xinhua

A delegação norte-americana que ontem aterrou em Pequim é chefiada pelo secretário do Comércio, Wilbur Ross. Pelas contas de Washington, no ano passado, a China registou um excedente de 375,2 mil milhões de dólares (320 mil milhões de euros) - quase o dobro do Produto Interno Bruto (PIB) português - no comércio com os EUA. Donald Trump exigiu a Pequim uma redução do défice dos EUA em "pelo menos" 200.000 milhões de dólares (170.000 milhões de euros), até 2020, visando cumprir com uma das suas principais promessas eleitorais.

“A China mantém a porta aberta para negociar. Uma delegação norte-americana chegou a Pequim e, nos próximos dias, manterá discussões sobre como implementar o consenso bilateral.” HUA CHUNYING PORTA-VOZ DO MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS

Trump quer ainda taxas alfandegárias chinesas equivalentes às praticadas pelos EUA e que Pequim ponha fim a subsídios estatais para certos setores industriais estratégicos.

ECONOMIA INDÚSTRIA MANUFACTUREIRA ACELERA EM MAIO

A

actividade da indústria manufactureira (PMI, na sigla em inglês) da China acelerou 51,9 pontos em Maio, mais cinco décimas do que em Abril,

superando as expectativas das autoridades, indicam dados oficiais ontem divulgados. O PMI cresceu, em Maio, ao ritmo mais rápido desde Outubro passado e acima do registado no mesmo mês de 2017, quando se fixou em 51,2 pontos. Quando se encontra acima dos 50 pontos, o PMI sugere uma expansão do sector, pelo que abaixo dessa barreira pressupõe uma contração de

actividade. O índice é tido como um importante indicador mensal do desenvolvimento da segunda economia mundial. "O sector manufactureiro cresceu a um ritmo mais rápido, num momento em que o crescimento é mais forte do que o esperado", afirmou Zhao Qinghe, analista do Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE) chinês. O GNE acrescentou ainda que o sector dos serviços

cresceu 54,9 pontos, em Maio, uma décima acima do registado no mês anterior. Numa nota aos clientes, a unidade de análise financeira Capital Economics recomendou cautela, apesar dos dados positivos. "Duvidamos que este vigor se mantenha por muito mais tempo, visto que parece reflectir, sobretudo, um impulso temporário da produção industrial devido ao relaxamento das políticas de combate à poluição", afirmou.

PATRIMÓNIO HOMEM CONDENADO A PRISÃO POR DANIFICAR PONTE

U

M homem foi condenado a dois anos de prisão por um tribunal chinês por ter danificado "gravemente" uma ponte com mais de dois mil anos, informou ontem a agência noticiosa oficial chinesa

Xinhua. O condenado, não identificado pela agência, destruiu parte da ponte durante escavações realizadas no ano passado num parque de estacionamento gerido pelo réu, na cidade de Xi'an, centro do

país, a primeira capital do Império chinês. Uma equipa arqueológica a trabalhar na região denunciou à polícia as actividades do homem, que prometeu então parar as obras. Meses depois, no entanto, o

homem prosseguiu com as escavações, danificando "gravemente" a ponte, construída em madeira e pedra e com 880 metros de extensão. O réu foi ainda multado em 30.000 yuan (cerca de 4.000 euros).


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DIREITOS HUMANOS MULHER DE ADVOGADO IMPEDIDA DE DEIXAR BAIRRO ONDE VIVE

JUSTIÇA SUPREMO TRIBUNAL DA CHINA ABSOLVE EX-MAGNATA RETALHISTA

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HANG Wenzhong, ex-presidente da empresa retalhista Wumei Holdings, foi absolvido das acusações de fraude, suborno e desvio de fundos na passada quinta-feira após um novo julgamento pelo Supremo Tribunal Popular (STP). A decisão do STP também absolveu Zhang Weichun e Wumei Holdings - dois outros acusados n​​ o caso - de acusações de fraude e suborno, respectivamente. Zhang Wenzhong, Zhang Weichun e a empresa Wumei foram processados ​​em 2007 pela Procuradoria Popular de Hengshui, na Província de Hebei, norte da China. Depois da condenação, os réus foram multados de acordo com uma decisão do Tribunal Popular Intermediário de Hengshui em 2008. Esta decisão foi alvo de recurso por parte dos arguidos para o Tribunal Popular Superior de Hebei. Zhang Wenzhong foi condenado a 12 anos de prisão e multado em 500 mil yuans (o equivalente a 78 mil dólares americanos) por acusações anteriores numa decisão final do Tribunal Popular Superior de Hebei em 2009. Mais tarde, Zhang Wenzhong viria a interpor uma petição no STP em Outubro de 2016 e o STP ​​ decidiu refutar a argumentação do empresário em Dezembro de 2017. A decisão do STP identifica falhas na apuração de factos e na aplicação das leis nas instâncias anteriores, afirmando que tais erros devem ser corrigidos de acordo com a lei. O tribunal disse que os procedimentos nacionais de compensação e a recuperação de multas e bens serão lançados de acordo com a lei. Mais de 80 pessoas, incluindo parentes dos réus, representantes de funcionários da Wumei Holdings, legisladores, assessores políticos, académicos, representantes de instituições relevantes e membros do público estiveram presentes para o veredicto. Xinhua

Um cativeiro bairrista

A mulher de um advogado chinês dedicado a causas ligadas a direitos humanos afirmou ontem que está a ser impedida de sair do seu bairro. O incidente parece configurar mais um aparente caso de intimidação sobre quem entra em conflito com o Partido Comunista

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U Yan escreveu na rede social Twitter que quando sai de casa é perseguida pela polícia, que a impende de apanhar um táxi, ao dizer aos taxistas para não a levarem. "Eu perguntei: porque me estão a restringir?", escreveu Xu, afirmando que a polícia respondeu não saber ou desconhecer quem autorizou aquelas medidas ou por quanto tempo serão impostas. O marido de Xu, Yu Wensheng, foi detido pela polícia em Janeiro passado, quando levava o filho de 13 anos para a escola, e está acusado de "incitar à subversão contra o poder do Estado". Aquela acusação é frequentemente usada pelas autoridades chinesas contra activistas e advogados de defesa dos direitos humanos. Durante uma visita a Pequim, na semana passada, a chanceler alemã, Angela Merkel, encontrou-

“Eu perguntei: porque me estão a restringir?”, escreveu Xu, afirmando que a polícia respondeu não saber ou desconhecer quem autorizou aquelas medidas ou por quanto tempo serão impostas

-se com Xu e Li Wenzhu, a mulher de outro advogado detido, Wang Quanzhang.

TOQUES AUTOCRÁTICOS

A detenção de Yu insere-se na campanha repressiva contra activistas pelos direitos civis, lançada pelas autoridades em Julho de 2015. Yu foi detido um dia depois de ter difundido uma carta na Internet

na qual apelou a reformas constitucionais e eleições presidenciais livres. A polícia chinesa frequentemente detém ou intimida familiares de acusados de crimes contra o Estado. O caso mais conhecido é o de Liu Xia, a viúva do prémio Nobel da paz e dissidente chinês, Liu Xiaobo, que morreu de cancro no

fígado, no Verão passado, quando cumpria uma pena de prisão de onze anos. No início deste mês, a Alemanha manifestou-se disponível para receber Liu Xia, depois de uma mensagem sua dar conta que está disposta a morrer em casa, em protesto, caso as autoridades chinesas a mantenham sob prisão domiciliária.

COMÉRCIO PEQUIM REDUZ LIMITE AO INVESTIMENTO ESTRANGEIRO

A

China está a elaborar novas listas para o acesso do investimento estrangeiro ao mercado, de acordo com informação veiculada pelo Ministério do Comércio. As restrições à energia, recursos, infra-estruturas, transporte, circulação do comércio e serviços serão removidas

ou relaxadas nas próximas listas, disse Gao Feng, numa conferência de imprensa. O país já havia anunciado medidas para liberalizar os sectores de finanças e automóveis. Gao disse que o Ministério do Comércio, junto com outras agências do Governo,

está acelerar esforços na elaboração de duas listas, que devem ser divulgadas e implementadas antes do final de Junho. Uma para a implementação nacional e outra para zonas piloto de livre comércio. Haverá um período de transição para algumas in-

dústrias e medidas específicas serão introduzidas para a abertura nos próximos anos, acrescentou. A China estabeleceu uma série de medidas para ampliar significativamente o acesso ao mercado desde o início de 2018, ano que marca o

40º aniversário da política de reforma e abertura do país. O investimento estrangeiro na China bateu um novo recorde de 877,56 bilhões de yuans em 2017, o que representou um aumento de 7,9 por cento em termos anuais. Xinhua


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MÍSIA

CANTORA

Pode ser quase vista como a fadista punk portuguesa. Mísia começou a ter sucesso no estrangeiro antes da chegada do reconhecimento português. Canta o fado porque canta a vida e marca o seu percurso com genuinidade. Ao HM, a intérprete, como prefere ser referida, falou do presente póstumo que deu a Amália e do seu fado imperfeito

Definiu-se como sendo a "anarquista do fado". O que quer isto dizer? Foi uma resposta que dei a uma entrevista. Há sempre esta procura da sucessora da Amália, da nova rainha do fado, como se isso fosse possível. O caminho que a Amália fez foi o caminho que foi dela e há sempre esta tendência a chamar-me a mim e a outras pessoas de novas rainhas do fado. Uma vez respondi: não sou a nova rainha do fado e se fosse alguma coisa seria a anarquista do fado. A partir daí esta é uma frase que me persegue, não me incomoda, mas persegue. Porquê anarquista? Começa logo por eu não ser monárquica e porque fiz as coisas à minha maneira, sempre com muito respeito, mas fiz o meu caminho individual. Não segui regras. Isto é uma atitude. Mas, sobretudo, porque estou em contraposição àquela coisa da monarquia. Por outro lado, a meu ver, só há uma rainha, e é a Amália. O fado para si não é triste nem alegre. O que é? É a vida com tudo o que tem lá dentro. Actualmente, há uma corrente ou uma tendência que deixa as pessoas muito aflitas. Parece que sentem que têm de esclarecer se o meu fado é triste ou é alegre. Como se isto fosse obrigatório. O fado não é nem uma coisa nem outra, o fado é destino com tudo o que isso tem lá dentro. Não é uma descoberta da pólvora cantar fados alegres e voltamos à Amália que já cantava a Mariquinhas, etc. Mas agora parece que há uma preocupação que o fado não seja triste, o que é uma coisa impossível também. O fado não é triste, é profundo. Tem a profundidade dos sentimentos maiores da alma humana, sobretudo porque fala da vida e da morte, pelos menos os fados que gosto de ouvir e que gosto de cantar. Quando começou a cantar, o fado não tinha o público que tem hoje. Como é que foi o seu início de carreiro e como vê agora o reconhecimento e aceitação deste género? Comecei a falar com editoras depois do 25 de Abril, numa altura em que o fado sofria um estigma e tinha duas dificuldades: não era comercial, não vendia e culturalmente também estava ferido de morte. Era uma altura em que não era nada aconselhável cantar fado. Aliás, as pessoas dizem-me muito "tu assim vestida com essa

C.B. ARAGÃO

“O fado não é triste, é pr


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rofundo”

imagem, porque é que não cantas pop ou outra coisa?”. Eu respondia que não, que queria fazer um fado como eu o sentia, com novos poetas, com pessoas que não são do universo do fado. Foi difícil e oscilei durante muitos anos entre um grande êxito no estrangeiro e a falência no meu país porque as pessoas não estavam abertas a esta proposta. Hoje em dia isso não acontece. Mas também de acordo com os críticos do fado, agora é um género mais consensual. As pessoas são jovens, cantam mas não vão ao núcleo mexer nos poemas. É menos arriscado do que o fado que eu e o Paulo Bragança fazíamos que era uma coisa muito mais subversiva. Como explica esta adesão de público? Acho que veio de fora para dentro. Não é nossa culpa, dos intérpretes, nem nosso mérito. Fui a primeira, depois da Amália, a ir cantar aos sítios onde ela tinha estado desde a Roménia, à Polónia ou à Turquia. Começaram-se a editar discos e a aparecer a moda dos ciclos de músicas do mundo que calhou também ao fado. Acho ainda que o tempo põe as coisas no seu lugar e que os portugueses perderem a vergonha de gostar de fado. Também é cantado, hoje, de uma maneira mais acessível relativamente à altura em se usavam as letras cantadas no tempo da Amália. Hoje, esta moda do fado tem coisas boas e coisas más. Coisas boas porque atrai uma grande visibilidade para este género de música, porque é fácil gravar e porque há vários tipos de fadistas. Por outro lado, também há o perigo da banalização e do esvaziamento das letras e do significado. Canta poemas do Lobo Antunes, do José Saramago, do Vinícios de Morais e de muitos outros. Como é que escolhe as letras para as suas canções? A maioria das letras que canto de poetas vivos - acho que só o António Lobo Antunes é que não o fez - são poemas escritos directamente para o meu trabalho e para a minha voz. É um ponto de honra. Não é só porque escrevem para o meu trabalho mas, dada a situação de desprestígio do fado quando comecei a cantar, achei que trazer estes poetas era uma forma de provar que o fado era importante. O José Saramago escreveu um poema para mim, a Lídia Jorge, a Amélia Correia etc. Andei muitos anos a bater a muitas portas a dizer "Olá sou a Mísia e não sou só uma franja e uma mini saia". Acho que não descobri nenhuma pólvora e a única coisa que fiz foi fazer as coisas de uma maneira pessoal, muito genuína e diferente. Como é que descobriu que o fado era para si? A minha mãe era bailarina e a minha avó fazia espectáculos burlescos em Barcelona nos anos 30. Tudo indi-

caria que eu iria fazer alguma coisa interpretativa e o fado era a minha música do quotidiano na minha infância no Porto. Eu não sou tão de fora como às vezes possa aparentar. Durante três ou quatro anos, passei muitas noites nas casas de fado do Porto a cantar como amadora. Aos 16 anos comecei frequentar a Taberna São Jorge, e ia aprender e ouvir. Na Taberna São Jorge actuava a Beatriz da Conceição, que para mim é uma deusa. Não sou tão “outsider” como se possa pensar.

“Andei muitos anos a bater a muitas portas a dizer ‘Olá sou a Mísia e não sou só uma franja e uma mini saia.’” O que é que o fado lhe dizia? Não gosto de todos os fados, e naquela altura era muito critica. Aproximei-me através dos fados mais filosóficos e depois comecei a gostar mais de fados populares, com letras mais simples e mais descritivas. Lembro-me que a primeira vez que cantei fado, nenhum dos guitarristas sabia a canção que queria cantar. Começou logo ali a diferença. Mesmo em relação à Amália, quase toda esta nova geração a quem chamam de filhas de Amália, começa por gravar coisas desta artista, vestidas como ela, com as saias rodadas e tal. Eu fiz ao contrário. Fiz um disco que se chama "Para Amália” aos 25 anos de carreira, depois de ter feito o meu trabalho. Parecia-me como se estivesse a usar uma coisa que não era minha. Sou muito territorial. Por isso foi mesmo uma prenda para Amália, mas já depois de ter feito o meu caminho, com os meus colegas e com os meus músicos.

“O fado não tem de ser bonito, não tem de ser perfeito, tem de ter força tem de ter uma ligação à vida que é o que me interessa.” Como foi fazer esse disco? Foi muito interessante porque não estava a fazer um disco para mim, só com as coisas que gosto da Amália. A Amália é um diamante com várias faces, podemos mesmo falar das Amálias. Aliás, era esse o nome que inicialmente queria dar ao disco. Foi muito interessante porque fiz, não só repertório amaliano como achei que era bonita a ideia de oferecer inéditos à Amália e, desta forma, oferecer uma coisa a uma pessoa que já morreu. É um disco duplo em que uma parte é só com piano porque a Amália ensaiava muitas

vezes ao som de piano e só depois passava para as guitarras. Portanto, há esse piscar de olhos à maneira de ensaiar. É um disco feito com muito respeito. Foi muito difícil escolher o repertório e até costumo dizer que canto a "F word” - folclore, que é uma coisa que gosto imenso de ouvir, mas que nunca pensei vir a cantar. Tem uma canção com o Iggy Pop. O que ouve além do fado? Não ouço muito fado. Ouço muito música clássica porque a minha mãe era bailarina. O Iggy Pop tinha feito um disco em francês, o “Aprés”. Foi por causa disso que o convidei para fazer aquele tema, “La Chanson d´Hélène”, que faz parte da banda sonora do filme “Les choses de la vie” ne Claude Sautet. A versão original era cantada por Michel Piccoli e Romy Schneider. É um tema mais triste do que o fado mais triste. É uma letra incrivelmente triste. Quando pedi ao Iggy Pop para me acompanhar pensei que o não era garantido e resolvi pedir na mesma. Ele estava a gravar um disco, mandei-lhe a versão original e gravei a versão com a minha voz. No dia seguinte respondeu-me que aceitava. Esteve aqui para ser acompanhada pela Orquestra de Macau e por instrumentos chineses. Já estava habituada a tocar com orquestras. Mas aqui tive que ter alguns cuidados. Os instrumentos são diferentes e eu vinha cheia de curiosidade e ilusão, e não estou nada defraudada. Escolhi um repertório especial que pensei adaptar-se a estes instrumentos. Escolhi fados que têm melodias muito bonitas e que podem brilhar com este tipo de acompanhamento. Também faz teatro pontualmente. Sim. Não sou actriz, e mesmo no fado não sou uma cantora. Sou uma voz intérprete, não sou uma voz performance. Aliás, eu cuido pouco a voz. A voz é um instrumento e não é a minha finalidade ser uma boa fadista. A minha finalidade é falar da vida e o fado é um instrumento cultural que utilizo para o fazer, para falar do que é a fragilidade de viver. Sempre fui uma voz personagem. Às vezes sei que vou dizer uma frase e que se a mudasse podia sair mais perfeita, mas ela sai como a vida e é isso que interessa. Se sai a voz raspada, olha que bonito que saiu. Os meus músicos brincam muito comigo porque estou sempre a dizer "não me digam que isto é bonito" e eles respondem que saiu muito mal que não é nada bonito. O fado não tem de ser bonito, não tem de ser perfeito, tem de ter força tem de ter uma ligação à vida que é o que me interessa. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


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Valho mais que uma flor Porque ela não sabe que tem cor e eu sei

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José Simões Morais

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ARA sair a 20 de Maio de 1898, o Jornal Único, quando chega o dia de comemorar o Quarto Centenário da Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia, apresenta apenas as duas primeiras páginas do jornal. A sua publicação vai sendo adiada e os primeiros exemplares saem da tipografia provavelmente a 23 de Maio, sendo distribuídos à medida que as fotografias ficam prontas e coladas. Os primeiros a receber são as entidades da cidade, depois os órgãos de comunicação, que a 5 de Junho já o têm e só mais tarde, a 15 de Junho é que terá sido posto à venda, custando ele cinco patacas. De capa dura, a apresentação da publicação bilingue, em português e mandarim, é óptima e Dr. José Gomes da Silva tem um papel de vulto na elaboração desse jornal com 55 páginas. “A qualidade da impressão, feita na tipografia de N. T. Fernandes e Filhos e Noronha e Ca., graças à competência de Secundino de Noronha e Jorge Fernandes, era notória. A capa, um desenho aguarelado feito por António Rodrigues Belo, foi litografada e impressa, bem como a ante-capa da autoria dos senhores Fernandes e Noronha. Além de uma interessante colaboração na parte escrita, apresenta onze fotografias de Macau realizadas por Carlos Cabral e coladas no papel do jornal. Consta haver alguns exemplares desse Jornal Único com fotografias diferentes às estabelecidas. O Director das Obras Públicas, Eng. Augusto César d’ Abreu Nunes, a quem se devia a ideia e construção da Avenida Vasco da Gama, escreve no Jornal Único sobre essa avenida referindo, “veio preencher uma grande lacuna, que havia na cidade formada de ruas estreitas e de muitos becos sem saída, dando um desafogo aos habitantes de Macau.” Na publicação colaboraram também com artigos entre outros Wenceslau de Moraes e Camilo Pessanha, que apresenta o poema “San Gabriel”, o nome da nau que transportara Vasco da Gama à Índia.

PUBLICAÇÃO EM LISBOA

O Porvir de 25 de Junho de 1898 refere ter recebido a magnífica revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, Occidente cujo número 697 trata sobre as comemorações do centenário. Vem com 16 páginas e impresso a cores, tendo na parte ilustrada as seguintes gravu-

MACAU AUNTIGO.BLOGSPOT

Ainda o Jornal Único

ras: Paço real d’ Évora, onde El-Rei D. Manuel contratou com Vasco da Gama a sua primeira viagem à Índia; Sines, local onde segundo a tradição, existiu a casa em que nasceu Vasco da Gama; Fortaleza de Sines; Igreja de Nossa Senhora das Sallas, vista exterior e interior; Vidigueira, jazigo dos Gamas: Túmulo onde estão os restos mortais de Vasco da Gama, no Mosteiro dos Jerónimos; e um esplêndido retrato de Vasco da Gama, baseado sobre documentos de família e que representa o grande Almirante das Índias na idade em que ele empreendeu a sua primeira viagem à Índia, este retrato é uma verdadeira novidade. A parte literária compõe-se dos seguintes artigos: Chronica Occidental, por D. João da Câmara. O retrato de Vasco da Gama, por Brito Rebello; Ilha dos Mortos, por J.C.; Vasco da Gama e a Vidigueira, por A.C. Teixeira de Aragão;

Exposição da Imprensa por Silva Pereira; etc. Um mês antes tinha O Porvir (jornal português de Hong Kong) recebido o Jornal Único e feito a sua apreciação dizendo, “Declara a redacção ter-se deleitado imensamente com a sua leitura e mais se deleitaria se “os srs. Pedro Nolasco e Horácio Poiares não destoassem do concerto colaboratório do jornal inserindo neste umas puerilidades impróprias dele, e as quais, apesar do brilhantismo das produções literárias dos outros colaboradores, e principalmente dos belos artigos do Sr. conselheiro Galhardo e do Revmo. Bispo D. José Xavier de Carvalho, muitos descoram o jornal, com o qual parece que os srs. Nolasco e Poiares quiseram brincar. Estimaríamos sumamente que o tivessem tomado mais a sério e que com algo mais sério tivessem contribuído para ele. (...) Podiam e deveriam ter empregado o seu tempo e a sua ilustração em assuntos de mais interesse e utilidade do que aqueles que preferiram, talvez irreflectidamente”. Ao Echo Macaense não agradou a apreciação feita pel’ O Porvir do artigo do Sr. Pedro Nolasco sobre patois macaense e do conto ‘pueril’ do Sr. Dr. Poiares.

FOTÓGRAFO PROFISSIONAL

O Porvir acha as imagens publicadas no Jornal Único, pouco limpinhas vistas fotográficas. Tal se deve à comparação com as oferecidas ao jornal pelo talentoso e habilíssimo artista Joaquim António, distinto fotógrafo português estabelecido em Bangkok que, na sua passagem por Macau tirou uma série de esplêndidas fotografias instantâneas de alguns dos mais belos edifícios de Macau e dos pontos mais pitorescos da cidade. <Devemos, porém, declarar que se grande é o nosso prazer por tão apreciável mimo, grandessíssimo é o nosso dissabor por não vermos figurar esse trabalho do nosso distinto compatriota, no Jornal

O Director das Obras Públicas, Eng. Augusto César d’ Abreu Nunes, escreve no Jornal Único sobre essa avenida referindo, “veio preencher uma grande lacuna, que havia na cidade formada de ruas estreitas e de muitos becos sem saída, dando um desafogo aos habitantes de Macau.”

Único. Joaquim António, que, após muitos anos de ausência em Bangkok, veio passar alguns meses em Hong Kong e Macau, sua terra natal. Durante a sua permanência em Macau executou vários trabalhos fotográficos, que foram muito apreciados pelo então Governador de Macau Eduardo Galhardo, que lhe passou um atestado onde certifica que <o Sr. Joaquim António, proprietário do The Charoen Krung Photographic Studio em Bangkok, português, natural de Macau, de passagem por esta cidade me prestou e à minha família os seus serviços como fotógrafo, ficando nós muito satisfeitos com a perfeição e nitidez dos seus trabalhos assim como com a modicidade da remuneração por ele exigida; obtendo também dele bastantes provas fotográficas de diversos monumentos, lugares e costumes de Siam e de Macau, que revelam o seu gosto e mérito artístico, pelo que o recomendo a todos os estrangeiros que visitarem o seu estabelecimento em Bangkok, e, especialmente aos meus compatriotas residentes ou em trânsito pela capital de Siam. Macau, 1 de Junho de 1898, assinado Eduardo Augusto Rodrigues Galhardo>. “Apraz-me ainda registar que este nosso compatrício que tão desprotegido era quando residia em Macau, está hoje vivendo muito bem em Bangkok, onde encontra meios de vida e é muito apreciado, porque o Sr. António não é só fotógrafo, mas um bom desenhador, e como tal esteve há muitos anos para cá empregado nas Obras Públicas de Macau, tendo também acompanhado o Sr. Adolpho Loureiro nos estudos a que S. Exa. procedia sobre o assoreamento do porto de Macau”, n’ O Porvir de 18 de Junho. Dez dias antes de Joaquim António regressar para Bangkok, o que ocorreu no dia 22 de Junho, O Independente refere serem “raríssimos os casos de peste que se dão em Macau”. Na data da sua partida está já a cidade livre da epidemia, provavelmente pelas muitas preces dos chineses e dos católicos na Igreja de S. António a S. Sebastião, advogado contra a peste. “Podemos considerar, felizmente, de todo extinto este terrível flagelo, que trouxe por alguns meses sobressaltada esta cidade”. Termina o anual ciclo da peste, a poder estender-se a Julho, Agosto e iniciado em Fevereiro com o despertar da Natureza, quando se recomeça a ouvir à noite os insectos.


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tonalidades António de Castro Caeiro

Noite de inverno Georg Trakl Quando a neve dá na janela Longamente tocam os sinos. A mesa está pronta para muitos, E a casa está bem arrumada Alguns chegam à porta, Pelos caminhos sombrios da peregrinação. Dourada floresce a árvore das bênçãos, O suco fresco que vem da terra. Caminhantes entram em silêncio. O limiar petrifica a dor. Aí, reluzem num clarão puro Pão e vinho sobre a mesa

Winterabend Wenn der Schnee ans Fenster fällt, Lang die Abendglocke läutet, Vielen ist der Tisch bereitet Und das Haus ist wohlbestellt. Mancher auf der Wanderschaft Kommt ans Tor auf dunklen Pfaden. Golden blüht der Baum der Gnaden Aus der Erde kühlem Saft. Wanderer tritt still herein; Schmerz versteinerte die Schwelle. Da erglänzt in reiner Helle Auf dem Tische Brot und Wein.

TRAKL, GEORG. (2008). Das dichterische Werk: Auf Grund der historisch-kritischen Ausgabe. Editores: Walther Killy e Hans Szklenar. Munique. Deutscher Taschenbuch Verlag, p. 58.

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Linguagem (II)

“A

linguagem designa o tempo de uma noite de inverno. O que é este denominar […] Denominar não distribui títulos. Não emprega palavras. Chama à palavra. Chamar traz o que é chamado por si a uma proximidade. De igual modo, esta aproximação não torna o que é chamado disponível numa região mais próxima do presente, para aí o acolher. O Chamamento chama, de facto.Ele traz à proximidade o que é chamado. […] Ele traz o presente do que não tinha sido chamado até então a uma proximidade. Mas enquanto o chamamento convoca, dirige-se para o que foi chamado para o trazer. Para onde? Até ao longe, onde o que é chamado permanece ainda mas na sua ausência.“ (18) As formulações de Heidegger, em “A linguagem (Die Sprache)”, não são as mais fácil e directamente inteligíveis. Não são óbvias. A linguagem não é expressão, mas é chamamento. A linguagem não é a actividade que sincroniza eventos, espectadores, relatores e ouvintes, como no exemplo de Quine a respeito do arunta, uma língua desconhecida, com a palavra “gavagai”. Quando um coelho é avisado a passar, um nativo pronuncia a palavra. O antropólogo que não conhece a língua, reage ao coelho que passa: pode ser: “comida”, “caça”, e para além de outras hipóteses: “parte de coelho”, “coelho” ou “coelhidade”. A linguagem transforma o que é visto como facto ocorrido num acontecimento de sentido. Há significado. Não, factos. A referência é o que é em vista do sentido interpretativo. O horizonte da linguagem é a atmosfera universal do humano. Cada um de nós não é apenas uma biografia num tempo de esperança de vida. Somos cada um de nós à escala mundial. Melhor, existimos à escala universal implicados em todas as gerações passadas e futuras, que constituem cada humano. Este é o nosso “espaço lógico”. Por outro lado, a linguagem não se limita a expressar o que efectivamente acontece na realidade, no modo indicativo, seja passado, presente ou futuro. O que é, ontologicamente, não é apenas o que está disponível, se apresenta e é visto. O que não é, ontologicamente, não é o que não aparece não está visto, nunca aparece. O que aparentemente não aparece pode surtir um efeito anónimo. Pode ser uma reacção traumática a um acontecimento passado que é apagado da memória cognitiva mas que nos trabalha a partir do seu interior, nos faz ser quem fomos. Pode ser todos os sonhos destruídos que nunca desaparecem mas nos fazem viver uma vida com a possiblidade perdida da primeira vez de todas as primeiras vezes ou como dizem os românticos um amor infeliz.

A linguagem fala a partir do horizonte do universal humano a constituir a sua abertura na tentativa de obter inteligibilidade e dar sentido ao que acontece. O modo da língua falar não é o de fazer a reportagem do indicativo, do que é representável, do que efectivamente acontece. Não é a expressão representativa da realidade interior daquilo para o que nos dá, das ideias que temos, dos sentimentos que vemos nascer em nós. Nem apenas da realidade exterior, quando a referimos meteorologicamente ou para saber a que dia da semana estamos. A linguagem fala para além dos factos, refere sentidos. O seu elemento é a vida. O seu modo é o condicional, o irreal do que poderia ter sido e não foi e do que não poderia ter acontecido e foi mesmo o que aconteceu. O nosso elemento transcende o indicativo e projecta-se para o futuro em que pode ser, quando acontecer o que gostaríamos que acontecesse, quando a vida será como gostaríamos que fosse. Ou então momento quando estivermos aliviados da existência. É também uma possibilidade projectada no futuro. Obs.: Denominar, dar nomes, designer, chamar. Trazer à presença, afastar da presença, não falar ou falar sobre alguém ou alguma coisa pode corresponder ao querer ou não querer lembrar-se de alguém. A revogação, o chamar o passado, a provocação, a chamada no presente, lembrar para o futuro, o que se chama do passado e se apresenta como o que virá a ser. A lógica da expressão é completamente diferente porque está alicerçada numa lógica de causalidade e portanto de presença ou então na relação entre interior daqui para aí ou exterior de lá para cá, quando o que se passa é no próprio comportamento da acção: faz favor? O que pretende? O pedido, a súplica, a interrogação, o comando. Nem sequer se dá quando há relações pragmáticas quando temos de ir a sítios tratar de assuntos particulares com alguém. A linguagem também não é reflexiva nem se reduz à palavra, embora a palavra seja a sua condição inalienável. Nem o que diz é o indicativo mas pode ser o possível, a ficção, a biografia e o futuro a haver mas no interior das veleidades. A linguagem pode dizer o impossível, o que não se aguenta, ressuscita mortos com quem nos faz conviver mais intensa e dramaticamente do que com qualquer pessoa viva: amores abortados, vidas interrompidas. No chamamento, há um convite. O convite convida as coisas a aproximaremse dos seres humanos e a serem compreendidas no seu sentido como coisas. Não como factos. A queda da neve, o anoitecer, o inverno não são factos. Esses

acontecimentos estão impreganados pela própria linguagem. São dizíveis no que são meteorologicamente, na hora do dia e na estação do ano. Mas existem num acontecimento conjuntamente com o ser humano no horizonte universal onde acontecem como sentidos. “A linguagem do poema traz as pessoas sob o céu que escurece ao anoitecer. O som do sino à noite traz os mortais enquanto mortais diante do divino. Casa e mesa ligam os mortais à terra. […] Este


ARTES, LETRAS E IDEIAS 17

sexta-feira 1.6.2018

A dor não é um fenómeno subjectivo. Pode acontecer no corpo ou na alma. A dor é uma realidade não anulável. Sente-se numa das suas dimensões de tal sorte que faz implodir e filtra toda a vida, sem apelo nem agravo. Custa. Dói, isto é, faz doer

fazer e deixar permanecer da reunião faz das coisas as coisas. […] Na nomeação, estas coisas são chamadas na sua essência.” (20) Nós existimos num horizonte estrutural que Heidegger identifica como o espaço intermédio, o meio intermédio. Não nos encontramos como sujeitos à janela do mundo a espreitar ou a assistir ao que acontece. Não somos polarizados pelo mundo como objecto. Antes, sujeito e objecto existem na relação intrínseca en-

tre um e outro. O sentido da relação entre um sujeito e um objecto é cognitivo ou teórico. Mas este não é o único. Também a teoria nos implica a nós como sujeitos e ao mundo e às outras pessoas num espaço interior. “O meio de duas coisas é designado pela língua: o espaço intermédio o espaço “entre” (“das Zwischen”). A língua latina diz: “inter”. Corresponde-lhe o alemão “unter”. A interioridade de mundo e coisa não é uma fusão. A interioridade reina

apenas, onde o interior, mundo e coisa, puramente se separam e permanecem separados. No meio de dois, no entre do mundo e coisa, no seu “inter”, neste “entre” reina a fissura.“ (25).

MAS É A DOR

“que se metamorfoseia em pedra não se endureceu no limiar para se fixar nela. A dor como dor manifesta-se e apresenta-se duradoura no limiar. […] A dor é a inserção da fissura. A inserção é o limiar. Ela

suporta o entre, o meio entre os dois que se separaram. A dor insere a fissura da diferença. A dor é a própria diferença.” (24) A dor não é um fenómeno subjectivo. Pode acontecer no corpo ou na alma. A dor é uma realidade não anulável. Sente-se numa das suas dimensões de tal sorte que faz implodir e filtra toda a vida, sem apelo nem agravo. Custa. Dói, isto é, faz doer. Nos caminhos da peregrinação, encontramo-nos todos. Ou na via sacra da teologia da cruz ou nos caminhos contemporâneos que tornaram o planeta terra à quase ausência de distância. Nenhum animal peregrina. Só o ser humano se pode deslocar na forma de uma peregrinação, de uma viagem, até sem se deslocar. O limiar da porta é o portal de entrada para uma outra dimensão. Chega-se a casa onde se é acolhido. Mas só se chega desta maneira a casa com a percepção da dificuldade da dor que é fazer o caminho. Ou antes, o caminho do tempo usa o humano para o seu próprio acontecer. Mesmo sem nunca sairmos do mesmo local, sem sairmos do próprio corpo, o tempo faz o seu percurso em nós mesmos. Há silêncio, porque o que acontece não tem referente. O pão e o vinho sobre a mesa não são comida e bebida, não são meros alimentos. Estão sobre a mesa de uma casa bem arrumada. O encontro entre o peregrino e a mesa permitem um chamamento. Não apenas do passado, da infância, das refeições em família, nem da importância da refeição na vida de uma família, no quotidiano e nos dias de festa. O que é invocado é convocado da ausência: é o próprio clarão puro. É o brilho do que aí acontece que alegoricamente metamorfoseia simplesmente tudo para fora do âmbito estrito da realidade factual e para a dimensão do significado.


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Anúncio Prestação dos serviços de manutenção e reparação do sistema mecânico-eléctrico (01/09/2018-31/08/2020) do Edifício Meng Tak, na Sede do Instituto Politécnico de Macau CONCURSO PÚBLICO N.º 01/DOA/2018 Faz-se público que, de acordo com o despacho de 14 de Maio de 2018, do Exm.º Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para a “Prestação dos serviços de manutenção e reparação do sistema mecânico-eléctrico do Edifício Meng Tak, na Sede do Instituto Politécnico de Macau”. 1. Entidade adjudicante: Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. 2. Entidade que põe o serviço a concurso: Instituto Politécnico de Macau. 3. Modalidade de concurso: Concurso Público. 4. Objecto do Concurso: Serviços de manutenção e reparação dosistema mecânico-eléctrico (01/09/2018-31/08/2020) do Edifício Meng Tak, na Sede do Instituto Politécnico de Macau. 5. Período: 1 de Setembro de 2018 a 31 de Agosto de 2020. 6. Prazo de validade das propostas do concurso: As propostas do concurso são válidas até 90 dias contados da data de abertura das mesmas. 7. Garantia provisória: $125 940,00 (cento e vinte e cinco mil e novecentas e quarenta patacas), através de depósito no Serviço de Contabilidade e Tesouraria do Instituto Politécnico de Macau ou mediante garantia bancária a favor do Instituto Politécnico de Macau, em Macau. 8. Garantia definitiva: 4% do preço global da adjudicação (para garantia do contrato). 9. Condições de admissão: Entidades com sede ou delegação na RAEM cuja actividade total ou parcial se inscreva na área objecto deste concurso. 10. Local, data e hora de explicação: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luis Gonzaga Gomes, em Macau. Hora e Data: 4 de Junho de 2018, pelas 10H00. 11. Local, data e hora do limite da apresentação das propostas: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luis Gonzaga Gomes, em Macau. Hora e Data: 14 de Junho de 2018, antes das 17H45. 12. Local, data e hora da abertura do concurso: Local: Sala n.º 603 do Edifício Meng Tak do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luis Gon zaga Gomes, em Macau. Hora e Data: 15 de Junho de 2018, pelas 10H00. 13. Local, hora e preço para exame do processo e obtenção da cópia do processo: Local de exame: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Local de obtenção: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau, mediante o pagamento de MOP$100,00 (cem patacas). Hora: de 2ª feira a 5ª feira das 09H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H45. 6ª feira das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H30. Informações: 8599 6140, 8599 6153 ou 8599 6279. 14. A avaliação das propostas do concurso será feita de acordo com os seguintes critérios: - Preço Razoável (60%). - Qualidade do Serviço (40%): (a) Harmonizar os diferentes serviços de manutenção e reparação do sistema mecânico-eléctrico no Edifício Meng Tak, na Sede do Instituto Politécnico de Macau, referidos no Mapa de caracterização, tais como as condições da nomeação do pessoal, distribuição do trabalho, catálogos elucidativos das características dos equipamentos e produtos (10%); (b) Curriculum Vitae, competências e experiência do concorrente (10%); (c) Outras e demais propostas favoráveis para a execução dos serviços de manutenção e reparação do sistema mecânico-eléctrico no Edifício Meng Tak, na Sede do Instituto Politécncio de Macau, referidas no Mapa de Caracterização (15%); (d) Esclarecimentos na reunião (questões profissionais sobre a prestação dos serviços de manutenção e reparação do sistema mecânico-eléctrico no Edifício Meng Tak do Instituto Politécnico de Macau, levantadas pelo Instituto Politécnico de Macau) (5%). Macau, aos 21 de Maio de 2018 Presidente do Instituto, Lei Heong Iok


20 desporto

Bronca na quarta Queixa sobre jogadores inscritos de forma ilegal adia campeonato de futebol da 4ª divisão

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ODOS os jogos da 4.ª divisão do futebol de Macau foram adiados, devido às suspeitas de utilização ilegal de jogadores que estão federados em campeonatos fora da RAEM. A informação foi avançada pelo portal Happy Macao, especializado em desporto local, e confirmada pelo vice-presidente da Associação de Futebol de Macau, Daniel Sousa, ao HM. “Os jogos foram adiados. Estamos a estudar um caso que tem que ver com a 4.ª Divisão, mas não queremos mencionar as equipas e os jogos envolvidos em concreto. São dados que vamos dar a conhecer depois de haver uma decisão da Comissão Disciplinar”, afirmou Daniel Sousa, presidente da AFM, ao HM. “Esperamos que haja uma decisão dentro de uma semana ou duas. Logo a seguir, iremos retomar o campeonato”, acrescentou. De acordo com o portal Happy Macao, a situação terá tido origem a 17 de Maio, após o encontro entre a União de Macau e o Cheng Loi, jogo em que a primeira equipa perdeu nos penáltis. Após a derrota, a formação da União apresentou queixa, por considerar que o Cheng Loi utilizou atletas inscritos em outros campeonatos, o que contraria o regulamento. “Houve uma queixa e agora estamos a recolher todas as informações neces-

ANTÓNIO FALCÃO

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sárias, mesmo junto das outra associações fora de Macau. O regulamento diz que os jogadores estrangeiros só podem ser inscritos com a apresentação da autorização da transferência internacional ou com a declaração das associações”, informou o vice-presidente da AFM.

SITUAÇÃO REPETIDA

Esta é uma situação que não é nova em Macau. No ano passado, o Sporting foi penalizado devido à utilização de Júnior Soares, que também estava inscrito em Hong Kong. Na altura, os leões foram penalizados com uma derrota por 3-0 diante do Lai Chi, formação que apresentou a queixa. Porém, Daniel Sousa admite que o controlo destas ocorrências é mais limitado na 4.ª divisão. “Este ano está a funcionar nas três primeiras divisões um sistema mais rigoroso para controlar estas situações. A quarta divisão, embora seja uma categoria que também faz parte do sistema de promoção e despromoção, é encarada mais como um torneio de entretenimento”, explicou o dirigente. “Não temos aplicado os regulamentos de uma forma tão rigorosa como nas três primeiras divisões, mas vamos reunir com os clubes. Se exigirem que a regra passe a ser aplicada de forma mais rigorosa, é o que vamos fazer”, frisou. J.S.F

Motociclismo Dan Kneen morre na Ilha de Man

Dan Kneen, motociclista que nas últimas duas edições do Grande Prémio de Macau terminou no 11.º lugar, perdeu a vida após um acidente, na quarta-feira, durante a sessão de treinos para a corrida TT na Ilha de Man. Dan tinha 30 anos, competia com uma BMW e morreu após um acidente na primeira curva da sessão de treinos. “A ACU Events lamenta confirmar que Dan Kneew, 30 anos, de Onchan, na Ilha de Man, morreu esta tarde devido às lesões sofridas num acidente de Superbike durante a sessão de treinos”, comunicou a organização numa nota de imprensa.

24 HORAS ANDRÉ COUTO PROCURA VITÓRIA NA MÍTICA PISTA DE FUJI

O grande desafio

O piloto local está este fim-de-semana em Fuji para participar nas 24 horas, a contar para o campeonato Super Taikyu Series. Ao HM, André Couto afirmou que nos treinos livres o carro mostrou um bom ritmo e deu indicações de que pode entrar na luta pela vitória

S

ÃO 24 horas e tudo pode acontecer. É com esta mentalidade que o piloto André Couto vai abordar a participação nas 24 horas de Fuji, prova pontuável para o campeonato Super Taikyu Series, que arranca amanhã e termina no Domingo. “No primeiro treino livre tivemos um bom ritmo e ficámos em terceiro. O carro está bom, por isso vamos continuar a rodar para melhorar as afinações. Em princípio, vamos estar na luta pela vitória” afirmou Couto, ao HM, ontem. “São 24 horas e tudo pode acontecer”, frisou. Em Fuji, o piloto local volta aos comandos do Audi R8 LMS da Phoenix Racing Asia que irá partilhar com o taiwanês Jeffrey Lee. Porém, para a prova de 24 horas juntam-se aos pilotos ainda o japonês Shintaro Kawabata e o belga Alessio Picariello. A condução do Audi vai ser repartida. Ontem, André Couto ainda não tinha definida a estratégia

para a corrida, até porque a sessão de qualificação apenas se realizada hoje. No entanto, o piloto local deve passar cerca de oito horas ao volante, ao longo de diferentes turnos de condução, que vai intercalar com os colegas de equipa. “Ainda não temos bem definida a estratégia para a corrida mas posso andar oito horas no total. Vou repartir as 24 horas. Vamos ver como vai ser o desafio, não vai ser fácil”, anteviu. Uma das grandes vantagens para André Couto é o facto de correr numa pista que conhece muito bem e onde inclusive venceu, em 2015, quando participava na corrida de GT300 do campeonato Super GT japonês, ao volante do Nissan GTR.

Nesse ano, o piloto de Macau acabou mesmo por se sagrar campeão. “É uma das minhas pistas favoritas e é sempre um gosto voltar a Fuji. É um traçado onde sempre treinei muito, porque pertence à Toyota e era muito frequente rodar aqui, quando participava nos Super GT 500”, referiu. “Também tenho desta pista memórias muito boas, até porque ganhei os 500 Km de Fuji na categoria GT300”, acrescentou.

EQUIPAS REFORÇADAS

Apesar de ser visto como um campeonato abaixo dos Super GT, o facto da competição Super Taikyu ter uma prova de 24 horas em Fuji, faz com que muitos pilotos mostrem

“No primeiro treino livre tivemos um bom ritmo e ficámos em terceiro. O carro está bom, por isso vamos continuar a rodar para melhorar as afinações. Em princípio, vamos estar na luta pela vitória.” ANDRÉ COUTO PILOTO

interesse em participar. Por essa razão, as equipas são reforçadas com pilotos que normalmente competem nesse campeonato mais mediático. “Esta corrida ganhou alguma importância no Japão porque é a primeira vez que há uma prova de 24 horas em Fuji. Estão aqui vários pilotos do Campeonato Super GT porque como quase todas as equipas têm de ter quatro pilotos, há espaço para mais pilotos. Todas as equipas têm um amador e o resto é quase tudo profissionais”, apontou André Couto. Ao nível do campeonato, o carro inscrito por André Couto e Jeffrey Lee ocupa actualmente o quinto lugar, com 17 pontos. Na frente da tabela está o Porsche 911 GTR3 com o número 777, tripulado pelo japoneses Seiji Ara, Satoshi Hoshino e Tsubasa Kondo, que soma 41 pontos, após duas rondas. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


(f)utilidades 21

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O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

CONCERTO | UMA NOITE COM PIANO na Galeria | 18h00

Cineteatro

?

AGUACEIROS

MIN

27

MAX

35

HUM

50-95%

27 6 8 7 3 1 2 5 9 4

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2 3 9 8 7 4 1 5 6

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C I N E M A

4 3 1 5 6 9 8 7 2

7 9 5 4 1 2 6 3 8 7 6 3 1 8 5 4 2 9

6 2 1 3 8 9 4 7 5 5 4 9 2 7 3 1 8 6

29 4 7 1 9 6 6 5 8 7 1 9 A STAR 2 WARS 3 STORY 4 [B]5 SOLO: 8 3 5 2 7 1 6 9 8 4 THE 2WALL4[C] 7 1 3 7 1 6 5 8 WHEN 5 SUN9MEETS 4 MOON3[B] 2 3 8 2 6 9 SALA 1

Um filme de: Ron Howard Com: Alden Ehrenreich, Woody Harrelson, Emilia Clarke 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 2

Um filme de: Doug Liman Com: Aaron Taylor-Johnson, John Cena 14.30, 21.30

FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Benny Lau Com: Kathy Yuen, Daichi Harashima, Aimee Chan,

3 4 8 6 5 7 9 2 1 8 1 2 6 9 4 3 5 7

9 5 2 1 3 6 7 8 4 3 7 4 9 5 6 2 1 8

8 7 6 2 4 5 3 1 9 1 5 8 4 2 7 9 6 3

4 1 3 7 9 8 5 6 2 2 9 6 8 3 1 7 4 5

3 8 5 2 2 9 3 4THE WALL 8 6 7 1 6 1 4 9 LOVE CHUNIBYO AND OTHER DEKUSIONS [B] 5 3 2 7 9 5 8 6 4 2THE TALE 9 3 DESTINY: OF KAMAKURA [B] 1 7 6 8 7 4 1 5 Danny Summer 16.15, 18.00, 19.45 SALA 3

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Tatsuya Ishihara 14.30, 16.30, 21.45

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Takashi Yamazaki Com: Masato Sakai,Mitsuki Takahata 19.15

9.42

BAHT

0.25

YUAN

1.26

O PATERNALISMO

7

O CARTOON STEPH 26 DE

1 6 4 5 2 3 8 9 7

EURO

VIDA DE CÃO

5

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25 5 8 7 9 6 1 2 4 3

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5 9 6 7 4 2 1 3 8

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 26

7 5 3 2 1 4 8 6 9

9 2 1 8 3 6 4 5 7

4 7 9 3 8 5 6 2 1

28 6 8DISCO 1 2 9 HOJE 7 4 UM 7 5 3 6 8 4 2 Dummy 2 9 pode 4 ser1o álbum 5 3 8 que melhor representa do trabalho 9 4 de5 Portishead. 7 6 1 3 De 1994, o disco marca 8 década 3 6de 4boa 2mú- 5 1 uma sica que muitas vezes se 1 a7esquecer. 2 8O álbum 3 9 5 tende de4estreia 2 7da banda 5 1de 6 9 Bristol traz a voz de Beth Gibbons 5 6 para 9 a3ribalta 4 e8 7 põe o trip-hop da época 3 fãs1 vindos 8 9de todos 7 2 6 com os quadrantes musicais. Dummy é o disco de Portishead que se tem de 30 ter à mão não vá bater a vontade 1 4 de3ouvir 9 temas 2 7 como “Roads”, “Glory Box” 2 ou 5 “Mysterons” 6 8 3 4 Sofia Margarida Mota

8 9 7 1 7 2 4 5 5 3 8 6 9 6 1 3 6 7 9 2 3 8 2 4 www. 4hojemacau. 1 5 7 com.mo

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PROBLEMA 27

33 2 8 93 6 6 4 1 7 2 5 6 4 1 7 2 9 5 3 6 29 6 5 7 3 8 7 2 1 4 3 5 26 4 8 1 9 1 9 7 1 2 89 3 7 3 6 5 8 48 77 4 5 1 2 8 6 9 16 9 1 8 4 5 2 3 4 3 2 95 4 8 1 12 7 9 3 87 3 2 9 76 4 8 1

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É natural que no final da leitura de sentença o juiz se lance numa diatribe moralista 26procura desviar o condenado da via que torcida que o levou a sentar-se no banco do réu. Mas quando o crime se mistura com o exercício de um direito fundamental que, ainda para mais, é uma pedra política no sapato do poder, seria dispensável este tipo de paternalismo. O leitor já deve ter percebido a que caso me estou a referir. O julgamento de Sulu Sou e Scott Chiang terminou com a juíza a aconselhar os arguidos que acabara de condenar da seguinte forma: “Vocês é que sabem se vale a pena continuar com estas condutas, mas espero que no futuro não as repitam”. A recomendação em causa tem laivos de restrição aos mais elementares direitos do ordenamento jurídico da RAEM. Num processo com clara motivação política, deveria ter havido alguma contenção por parte da magistrada, em vez da habitual 28 e paradoxal machadada no Estado de Direito, ao mesmo tempo que se proclama a defesa da legalidade. O direito a protestar está regulado na lei de forma a ser garantido e não restrito de forma meramente administrativa. Uma juíza que tenta coagir dois cidadãos a não exercer um direito fundamental deveria motivar uma reflexão profunda de todos os agentes que vivem da justiça, uma vez que não podemos esperar isso da população. Para que serve a Lei Básica? Qual a relevância da hierarquia normativa, num contexto em que um decreto-lei, que ganha a força de lei com uma revisão, atropela sem pudor as normas constitucionais? As respostas a estas questões ditam a sobrevivência do segundo sistema. João Luz

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34 1 2 “DUMMY” 5 8 | PORTISHEAD 4 7 3 6 9 2 3 4 81 8 6 9 2 97 8 7 76 19 1 2 35 8 23 6 49 7 5 18 91 3 4 5 2 63 7 99 4 1 18 1 18 4 6 3 82 59 75 9 7 5 3 1 6 34 2 88 1 2 99 4 77 5 6 4 3 6 62 35 8 7 1

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22 opinião

1.6.2018 sexta-feira

um grito no deserto

PAUL CHAN WAI CHI

HONORÉ DAUMIER, A CRIMINAL CASE

Foquemo-nos no estado de direito

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ULU Sou, com o mandato de deputado suspenso, que tinha sido acusado do crime de desobediência qualificada, foi condenado a uma pena de 120 dias de multa pelo Tribunal de Primeira Instância, a 29 de Maio. Scott Chiang, outro dos acusados, recebeu uma pena idêntica pelo crime de reunião ilegal. Como ambos podem ainda recorrer da sentença, o resultado final permanece uma incógnita. O conceito de “estado de direito” é um valor universal e a pedra basilar do socialismo. Quando comparado com o “estado popular”, revela-se mais eficaz no que diz respeito à restrição dos abusos de poder, à implementação da ordem social, à gestão social, à redução

das contradições e conflitos sociais e, em última análise, na obtenção da paz social. O julgamento de Sulu Sou captou a atenção do público e dos media. A sentença do Tribunal de Primeira Instância terá certamente a sua base legal. Se a acusação e a defesa não a aceitarem, podem tentar revertê-la apelando para uma instância superior, o que é uma prerrogativa de qualquer estado de direito. Desde que este assuntos sejam tratados com transparência, correcção e justiça, a comunidade terá de aceitar a justeza das decisões do Tribunal.

Quando os opositores não obedecem à lei, os ditadores ganham a força da razão. Daí resulta que a sociedade fica fora de controlo e as pessoas começam a atacar-se umas às outras

Ex-Deputado • Membro da Associção Novo Macau

No artigo “Olho por olho …” publicado em Fevereiro, falei sobre os combates “não-violentos” e exortei as pessoas a desistirem da ideia de fazer justiça pelas próprias mãos. Mahatma Gandhi disse um dia “olho por olho e ficamos todos cegos”. Esta afirmação nasceu da sua experiência enquanto testemunha da luta sangunária entre Hindus e Muçulmanos. Estudei numa escola secundária que defende a liberdade e onde os estudantes podem falar livremente com os professores. Nessa altura, o professor perante uma classe cheia de adolescentes enérgicos e apaixonados pelos seus ideiais, confidenciou que, em jovem, tinha sido apoiante do “Movimento 4 de Maio”. Esta conversa acalorada entre o professor e os alunos não degenerou em conflito, nem os alunos foram punidos por terem debatido estas questões. O fosso entre o professor e os alunos foi transposto através do diálogo. Tolerância, consideração, entendimento e diálogo são as melhores formas de resolver os problemas. Uma lei injusta é aquela que ainda não foi revista. Conheço uma legista de Hong Kong, ligada ao campo pró-democrata, que faz questão de obedecer à lei porque acredita no estado de direito como arma para corrigir as “leis más” e que nunca se envolveria em actos de violação da lei. Quando os opositores não obedecem à lei, os ditadores ganham a força da razão. Daí resulta que a sociedade fica fora de controlo e as pessoas começam a atacar-se umas às outras. A frase de Gandhi não revela fraqueza nem submissão, mas sim a posição de um homem corajoso. Os políticos devem ser pessoas de mente aberta e nunca devem agir em proveito próprio. O juizes terão de fazer respeitar a lei e o povo deve assegurar que a sociedade continua a ser por ela governada. Desde o “Movimento dos Guarda-Chuva”, parece que, tanto o Governo de Hong Kong como os seus opositores, perderam a paciência. A luta entre os dois campos só poderá agravar as clivagens sociais. É necessário que haja consenso para ultrapassar as cisões. Se Gandhi ainda fosse vivo, o índice de felicidade da Índia e do Paquistão seria muito maior. Se Yitzhak Rabin ainda fosse vivo, a paz entre Israel e a Palestina seria uma realidade. Sob a liderança do Presidente Xi, que defende o socialismo de características chinesas, a possibilidade de Hong Kong e Macau atingirem o equilíbrio depende do empenho das suas populações na implementação plena do estado de direito.


retrato 23

sexta-feira 1.6.2018

ELVIS MOK, CALÍGRAFO E POETA

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ICENCIADO em língua chinesa pela Universidade de Macau, Elvis Mok, de 36 anos de idade, é professor da caligrafia. A paixão surgiu por influência da família, revelou ao HM, especialmente porque o pai era professor de chinês. No entanto, a dedicação a esta arte só apareceu quando entrou na universidade. “No início não gostava muito de caligrafia chinesa, e só quando fui para a universidade é que me apercebi da importância de escrever os caracteres com exactidão”, contou. As obras de caligrafia de Elvis Mok podem ser encontradas no “Tealosophy Tea Bar”, loja em que o menu é escrito pelo calígrafo e os copos de papel são ilustrados com um poema da sua autoria. A parceria com este estabelecimento foi motivada pela amizade entre Mok e o proprietário que nasceu de um interesse comum por cultura chinesa, há cerca de oito anos. Quando o amigo decidiu abrir uma loja de bebidas convidou Mok para escrever o menu. A

O artesão da escrita poesia é outra das suas paixões apoiada pelo “Tealosophy Tea Bar” com a divulgação da colecção de poemas “A Cultura é Vida” que Kok usa para levar as suas mensagens aos clientes daquele estabelecimento.

ENSINAR A ESCREVER

Elvis Mok é também o fundador do Centro de Educação de Artes Hon Mak. Neste centro, lecciona cursos de caligrafia chinesa, enquanto a irmã, parceira neste projecto, é professora de pintura. A ideia de criar o Centro de Educação de Artes Hon Mak foi concretizada após Mok ter deixado as suas funções de professor do ensino secundário, há três anos. No centro, o mestre dos caracteres ensina crianças, mas também adultos que na sua maioria são professores. Para Elvis Mok muitos professores de chinês de escolas secundárias, apesar de não serem profissionais na arte da caligrafia, precisam de ensinar os alunos como escre-

ver correctamente. Para isso, o calígrafo, nos cursos destinados aos professores, tem especial atenção no ensino da técnica. O número de interessados em frequentar estes curso têm excedido as expectativas de Mok. A razão, referiu, tem que ver com a atitude dos pais das crianças que estão atentos ao desenvolvimento das capacidades de escrita na escola e fazem questão que os filhos escrevam os caracteres chineses com exactidão. O professor considera ainda que o ensino da caligrafia é fundamental por poder potencializar o estudo em geral e por ser um bom instrumento para promover a capacidade de coordenação visual e manual das crianças. Elvis Mok reconhece que a arte da caligrafia chinesa está cada vez mais distante da população, mas ainda está muito ligada à vida quotidiana das pessoas. Mok olha para o futuro com esperança, mas também com algum receio quanto ao avanço tecnológico e a sua repercussão nas formas mais

tradicionais de escrita. “Se os estudantes nas escolas usarem o Ipad para escrever os trabalhos de casa relativos à caligrafia, será terrível”, diz. Elvis Mok é também presidente da Associação de Poetas de Macau Outro Céu, uma plataforma criada em 2002 para se reunir os poetas locais. Um outro objectivo desta entidade é conseguir angariar fundos para publicar colectâneas dos trabalhos produzidos pelos seus associados. “Em Macau há poucas publicações locais, ou seja, muitas pessoas escrevem poemas mas as obras não são divulgadas por não existir uma editora que o faça”, disse Elvis Mok. O resultado é que alguns dos poetas locais acabam por recorrer a este tipo de serviço no exterior. Por outro lado, Mok considera que, mesmo que existam obras publicadas no território, há outros obstáculos a superar, como a falta de leitores. Vitor Ng

info@hojemacau.com.mo


Os moralistas são pessoas que coçam onde os outros têm comichão. ECONOMIA MERKEL QUER “RECIPROCIDADE” ENTRE CHINA E EUROPA

PALAVRA DO DIA

SOFIA MARGARIDA MOTA

Samuel Beckett

Animação Desenhos raros de Tintim são leiloados amanhã

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chanceler alemã, Angela Merkel, defendeu ontem em Lisboa a necessidade de haver “reciprocidade” nas relações económicas entre a China e a Europa. “Nessas questões é importante haver reciprocidade. Ou seja, onde a China se abre, também nós podemos abrir-nos. Já falei sobre isto com as autoridades chinesas. É uma situação de ‘win-win’”, comentou a chefe do Governo alemão, em declarações aos jornalistas no final de uma reunião bilateral com o primeiro-ministro português, António Costa. Os dois governantes foram questionados pela imprensa sobre a OPA lançada pela empresa chinesa China Three Gorges à EDP, em relação ao qual Merkel não se opôs, apesar de não ter sido um tema abordado neste encontro. “Nós, na Alemanha, temos relações económicas muito estreitas com a China. É claro que houve uma fase em que a Alemanha investiu na China, e [Pequim] também tem interesse no mercado europeu”, disse. Já António Costa reiterou que “nem sequer o Estado português tem que se pronunciar sobre uma operação de mercado que decorre de acordo com as regras do mercado”. A China Three Gorges anunciou em meados de Maio a intenção de lançar uma OPA voluntária sobre o capital da EDP, oferecendo uma contrapartida de 3,26 euros por cada acção, o que representa um prémio de 4,82 por cento face ao valor de mercado e avalia a empresa em cerca de 11,9 mil milhões de euros. A CTG, que já detém 23,27 por cento do capital social da EDP, pretende manter a empresa com sede em Portugal e cotada na bolsa de Lisboa.

sexta-feira 1.6.2018

Dentro da validade Angela Leong entregou plano sobre o futuro dos galgos ao Governo dentro do prazo

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deputada e proprietária do terreno onde está localizado o Canídromo, Angela Leong, disse ontem à margem da sessão plenária na Assembleia Legislativa que já entregou o plano ao Governo sobre o futuro a dar aos 600 galgos que estão sob posse da concessionária Yet Yuen, empresa responsável pela exploração das corridas de galgos. Ao HM, o IACM apenas adiantou que já recebeu o plano por parte da Yet Yuen e que o mesmo será analisado. “O plano foi entregue hoje [ontem era o último dia do prazo proposto pelo Executivo]. Relativamente aos pormenores, perguntem à nossa equipa. Como sabem estou ocupada. Vamos cooperar com o Governo”, adiantou aos jornalistas a directora-executiva da Sociedade de Jogos de Macau (SJM). A deputada e empresária esquivou-se a mais explicações. “Conheço o futuro plano de de-

senvolvimento, mas como não participei em algumas discussões é melhor deixar que o director-geral [da Yet Yuen] se explique. Para que a população não esteja a tentar adivinhar, é melhor que as pessoas vejam o plano por escrito, que contém mais pormenores.” Angela Leong nada disse das recentes acções da ANIMA, presidida por Albano Martins, junto do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). “Não sei do que está a falar, todos os dias há muitas notícias e eu não as leio todas. [Os grupos de protecção dos animais] que pretendem proteger os galgos de forma sincera, em vez de aproveitarem este caso para atingir os seus próprios objectivos são todos bem-vindos.” A deputada disse ainda que, para já, não tem nenhum galgo adoptado, mas prometeu proteger os animais que vão deixar as corridas quando a SJM tiver de entregar o terreno ao Governo, depois do

encerramento do Canídromo em Julho. Num comunicado recente, o IACM referiu que a empresa tem a responsabilidade de cuidar dos animais, sendo que o Canídromo já referiu que existe um plano preliminar para o futuro dos galgos, que poderá passar pela cooperação com o interior da China. Durante o mês de Junho, Albano Martins vai voltar a reunir com o Gabinete de Ligação sobre este assunto. Em declarações recentes, o presidente da ANIMA disse temer que o Canídromo seja ocupado mesmo até finais de Julho. “Aminha opinião, de longa data, é que eles querem ficar naquele espaço mais tempo. Acho que vão consegui-lo porque não estou a ver o Governo a mandá-los embora imediatamente, quando ainda têm 650 animais. Mais uma vez, Angela Leong vai levar a sua avante”, projectou. A.S.S. / J.S.F.

Desenhos originais do livro de banda desenhada das Aventuras de Tintim “Carvão no Porão” vão ser leiloados amanhã, nos Estados Unidos, numa sessão que deverá chegar às centenas de milhares de dólares. Ambas desenhados à mão pelo artista belga Hergé em 1957, estas ilustrações, uma a lápis (35,2 x 50 cm) e a outra a tinta china (30,7 x 47,7 centímetros), poderão render entre 720.000 e 960.000 dólares (entre 618.000 e 825.000 euros), de acordo com a casa de leilões Heritage Auctions, que as colocou à venda em Dallas, no Texas. A empresa de leilões vai transmitir o evento em directo, a partir da sua sede holandesa, perto de Utrecht (centro). Os dois esboços representam a página 58 das aventuras do famoso repórter da poupa loura, no 19.º álbum do Hergé, publicado em 1958. No início desta prancha, dividida em doze vinhetas, vê-se o Tintim, o Capitão Haddock, o seu fiel companheiro Milou e o piloto estónio Piotr Szut com uma pala preta no olho, a olhar para o mar.

Dinamarca Parlamento proíbe véu integral islâmico em público

O Parlamento dinamarquês aprovou ontem uma lei que proíbe o uso do véu integral islâmico (burqa ou niqab) no espaço público, seguindo assim outros países europeus que já adoptaram esta regra como a França e a Bélgica. “Qualquer pessoa que use um traje que lhe cubra o rosto em lugares públicos pode ser multada”, segundo o texto que foi aprovado por uma maioria de 75 votos contra 30. O projecto de lei, apresentado pelo Governo de centro direita, obteve a aprovação das duas maiores forças políticas do Parlamento: os sociais-democratas e o Partido Popular dinamarquês (populista, anti-imigração). A partir de 1 de Agosto, data da entrada em vigor da nova legislação, qualquer infracção à interdição do uso de véu integral em lugares públicos será punida com uma muta de 134 euros. Se as infracções forem repetidas, a multa pode elevar-se. Não foram divulgadas estatísticas oficiais sobre o número de mulheres que usam niqab ou burqa na Dinamarca.


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Hoje Macau 1 JUN 2018 #4063 by Jornal Hoje Macau - Issuu