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Hoje Macau 1 MAR 2011 #2319

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Agência Comercial Pico • 28721006

hojemacau Mop$10

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Director carlos morais josé • terça-feira 1 de março de 2011 • ANO X • Nº 2319

tempo com abertas min 17 max 24 humidade 75-99% • câmbios euro 11.08 baht 0.26 yuan 1.23

opinião Pedro Correia

Helder Fernando

• página 14

página 15

10 mil milhões para melhorar sistema

o papel uma cidade crucial do de trânsito jornalista humano

Andar de carro ou a pé?

daqui a nove anos vai dar na mesma

Saúde adiada por mais uma década

A promessa foi feita ontem: o Governo irá investir 10 mil milhões de patacas para finalmente melhorar o sistema de saúde. Mas só daqui a dez anos é que se vai sentir a diferença. Por agora, é preciso arranjar espaço para o novo hospital, uma série de centros de saúde e, é claro, mão-de-obra qualificada que queira vir para o território ganhar menos do que um médico recebe em Hong Kong. Tempos difíceis. > Página 7

• CENTRAIS

Jake Blakesberg

Desarmonia familiar

Um autocarro de problemas A Reolian não está em paz com o Governo. A nova operadora dos autocarros criticou duramente o Executivo pela inércia em mexer-se para arranjar motoristas para os seus veículos. A empresa jura que quer contratar locais, só não sabe como. >Página 7

Graças ao reagrupamento familiar, Macau tem recebido chineses como nunca. E as relações dentro de casa parecem não ser benéficas para as mulheres. Das 67 que buscaram apoio por violência doméstica naAssociação Geral de Mulheres, 80% não eram nascidas em Macau. >Página 6

Kronos tocam hoje no CCM

o mundo todo NA PONTA DOS DEDOS • PÁGINA 10


terçA-feira 1.3.2011 www.hojemacau.com.mo

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actual

Há tempos que uma palavra não era tão proibida por Pequim

Polícia chinesa dispersa protestos

Proibido dizer “jasmim”

Apitos e água

Maria João Belchior info@hojemacau.com.mo

D

epois da ideia de uma manifestação ter levado centenas de polícias às ruas de Xangai e Pequim, a palavra “jasmim” tornou-se mais proibida que nunca na China continental. A ideia lançada através da Internet para uma manifestação no domingo já era esperada por alguns chineses que antes tinham tentado comemorar a saída de Mubarak do Egipto. Mas cada vez mais alerta, a China tem

vindo a proibir os movimentos daqueles que considera que podem ser perigosos. Aideia de uma manifestação para domingo foi divulgada através da Internet mas sobretudo por chineses da diáspora. As informações contraditórias sobre quem estava a organizar o quê, levou muita gente à rua mais por curiosidade do que participação. O aparato policial chegou para chamar a atenção de muitos que pararam para saber o que estava a acontecer. Só que sendo verdade que

não houve registos de nenhuma violência ou confronto, lentamente pela capital espalharamse no domingo à noite alguns carros da polícia especial de intervenção. No mesmo dia, na Internet, foram bloqueadas dezenas de páginas e a palavra “jasmim” tornou-se um tema sensível. Entre os jovens chineses já se sabe que para evitar problemas, o “jasmim” tem de ficar fora dos emails e dos SMS enviados. A mensagem inicial a referir a manifestação de domingo também dizia – “se não conseguirmos neste fim-de-semana, tentamos no próximo”. Razão suficiente para aumentar os nervos em Pequim. Em breve, arranca a Assembleia Nacional Popular, o maior encontro do Governo e que reúne todas as províncias em Pequim.

U

m grande número de polícias com apitos e camiões-tanque entraram no domingo em confronto com manifestantes na China. Este foi o segundo domingo seguido de protestos pacíficos no país, após os movimentos recentes no Médio Oriente. Perto da Praça do Povo, em Xangai, a polícia usava apitos sem interrupção e gritava para as pessoas não pararem, apesar de 200 delas enfrentarem o barulho. Em Pequim, camiões normalmente usados para limpar as ruas andavam pelo distrito comercial a jogar água e a manter as pessoas afastadas.

Em Xangai, autoridades convocaram jornalistas estrangeiros para, indirectamente, mantê-los afastados dos locais de protesto. A polícia em Pequim também seguia alguns repórteres e os impedia de entrar, com câmaras, numa rua de comércio onde os manifestos eram convocados. As autoridades detiveram vários chineses, pelo menos dois em Pequim e quatro em Xangai, colocando-os dentro de carrinhas fechadas e levando-os para locais incertos. Apesar de não se saber quantas pessoas decidiram participar nos protestos, a resposta em comparação com a manifestação da semana passada mostra que as convocações misteriosas deixaram o governo tenso. Diferentemente do Egipto e da Tunísia, onde as frustrações populares com a economia foram o motivo para os protestos populares contra os líderes, a China tem uma economia saudável e altos padrões de vida.

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COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS

Aviso

Faz-se público, em conformidade com deliberação da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, de 24 de Janeiro de 2011, e nos termos do disposto no nº 1 do artigo 18º do Estatuto dos Auditores de Contas, aprovado pelo Decreto-Lei nº 71/99/M, de 1 de Novembro, no nº 1 do artigo 13º do Estatuto dos Contabilistas Registados, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 72/99/M, de 1 de Novembro, bem como do disposto no ponto 3) do artigo 1º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 2/2005, de 17 de Janeiro, que nos dias 28 e 29 de Maio e 4, 5 e 11 de Junho do corrente ano, irá realizar-se a prestação de provas para inscrição inicial e revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas. 1. Prazo, local e horário de inscrição - Prazo de inscrição: De 28 de Fevereiro a 15 de Março de 2011 - Local de inscrição: Instalações da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, no 16.º andar do “Edifício Finanças”, sito na Avenida da Praia Grande, n.ºs 575, 579 e 585. - Horário de inscrição: De 2ª a 5ª feira: das 09h00 às 13h00; das 14h30 às 17h45 6ª feira: das 09h00 às 13h00; das 14h30 às 17h30 2. Condições de candidatura Auditores de contas: Podem candidatar-se todas as pessoas maiores, residentes ou portadoras de qualquer título válido de permanência na Região Administrativa Especial de Macau, que reúnam os requisitos gerais para registo como Auditores de Contas nos termos do artigo 4º do Estatuto dos Auditores de Contas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 71/99/M, de 1 de Novembro, e que, no caso de revalidação de registo, tenham cumprido o disposto no artigo 10º do mesmo Estatuto.

Contabilista registado e técnico de contas: Podem candidatar-se todas as pessoas maiores, residentes ou portadoras de qualquer título válido de permanência na Região Administrativa Especial de Macau, que reúnam os requisitos gerais para registo como contabilistas registados ou técnicos de contas nos termos do artigo 4º do Estatuto dos Contabilistas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 72/99/M, de 1 de Novembro, e que, no caso de revalidação de registo, tenham cumprido com o disposto no artigo 10º do mesmo Estatuto.

3. Local de levantamento do boletim de inscrição O boletim de inscrição, os esclarecimentos relativos à prestação de provas, o regulamento das provas e as regras da prestação de provas relativas aos candidatos e conteúdo das provas podem ser obtidos no sítio da internet da Direcção dos Serviços de Finanças, no local relativo à CRAC (www.dsf.gov.mo) ou levantados nos seguintes locais: 1) Rés-do-chão do Edifício da Direcção dos Serviços de Finanças, sito na Avenida da Praia Grande n.os 575, 579 e 585 2) Centro de Serviços da RAEM, Rua Nova de Areia Preta No.52 3) Centro de Atendimento Taipa, Rua de Bragança, Nº 500, R/C, Taipa Em caso de dúvidas, agradecemos o contacto com a CRAC, durante as horas de expediente, através do telefone número 85990168 ou 85990139, ou através do e-mail crac@dsf.gov.mo. Direcção dos Serviços de Finanças, ao 23 de Fevereiro de 2011

O Presidente da CRAC Iong Kong Leong


Passam breves aquelas horas em que não nos atropelamos neste trânsito urbano de pessoas e veículos cada vez mais ambas as coisas e menos urbano. Parece não haver tempo nem espaço para cortesias e afabilidades. Um atordoamento preenchendo a fatia mais agitada de cada dia. Helder Fernando, P.15

Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

E

studos, apoios científicos, auscultações, reuniões com académicos. Só depois disso haverá decisões sobre salários mínimos, recursos humanos e inflação. Esta foi a grande não novidade da 1.ª reunião de 2011 da secção para o estudo das políticas económicas do Conselho para o Desenvolvimento. Vong Kok Seng, vicepresidente do Conselho de Administração da Câmara de Comércio de Macau e responsável pela secção dos estudos de políticas económicas do Conselho para o Desenvolvimento Económico, revelou aos jornalistas que a fixação do salário mínimo está longe de estar concretizada. “Ainda não é oportuno a fixação de um salário mínimo. Macau está a desenvolver-se de uma pub

Salário mínimo longe de ficar afixado

A escola que gere Macau

forma muito acelerada e estamos num período transitório da crise económica. A taxa de desemprego está

a diminuir. Se fixarmos agora um salário mínimo vamos causar uma depressão nas pequenas e médias

empresas”, justificou Vong Kok Seng que de seguida acrescentou a já tradicional frase: “Nós achamos que

terça-feira 1.3.2011 www.hojemacau.com.mo

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o salário mínimo é uma questão complexa pela qual temos de aguardar por dados científicos e fundamentos teóricos. Por enquanto o consenso base é para estudar...”. O responsável pela secção afirmou que esta não tem um plano muito concreto, por isso o melhor será fazer uma recolha de opiniões e de dados. Novidades? Não. A reunião foi (in)frutífera no que à inflação diz respeito. Instado a prenunciar-se sobre o assunto Vong Kok Seng não se alongou nem mais um milímetro daquilo que já havia sido dito anteriormente por muitas cabeças do território. “Todos nós estamos preocupados. Há várias razões que nos deixam apreensivos como o desenvolvimento económico rápido de Macau ou a taxa de desemprego baixa. Isto aumenta os custos com os

recursos humanos e ajuda à existência de inflação”, afirmou. Para o responsável da Associação Comercial de Macau, estas questões não são mais do que as características da inflação muito própria da RAEM porque nos outros vectores não é possível mexer. “Estamos perante questões muito peculiares de Macau e as outras questões que são importadas não podemos fazer nada. Esta não é uma questão que possa ser resolvida de um dia para o outro”, disse. Uma coisa é certa para Vong. O Governo pode dar a volta ao texto indo por outro caminho. “Haja coragem para tomar medidas como baixar as rendas ou regular o mercado imobiliário. As medidas para aperfeiçoar o sistema imobiliário são o caminho a seguir para a baixa da inflação”, sugeriu.


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4 Joana Freitas

A

joana.freitas@hojemacau.com.mo

pesar de ter sido ontem aprovada em Assembleia Legislativa (AL), a proposta do novo “regime de construção e venda de habitação económica”, apresentada pelo secretário para as Obras Públicas e Transportes, Lau Si Io, suscitou controvérsia entre todos os presentes. Os principais motivos que levaram à intervenção de cerca de uma dezena de deputados prendem-se sobretudo com a confusão que origina a própria redacção da proposta de lei, “visivelmente mal feita”, como caracteriza o deputado Lam Heong Sam. Entre os documentos apresentados no plenário, a nota justificativa, que esclarece o objectivo da existência da lei, apresenta determinados pontos que não se encontram na proposta do próprio diploma, deixando, assim, imperceptíveis alguns artigos e chegando mesmo a gerar contradições que impedem a aplicação da lei. Entre as principais falhas a apontar, os deputados defendem que não é possível perceber as separações a ser implementadas no actual e no futuro regime, que diferem, por exemplo, no facto de existir, a partir da entrada em vigor da lei, limites de rendimentos, a serem impostos por despacho do Chefe do Executivo, para os candidatos a este tipo de habitação. Também a alteração de atribuição de fracção económica por ordem de chegada, como prevalece no regime actual, para sorteio suscitou exaltação entre os deputados. Conforme já tinha sido anteriormente explicado pelo Chefe do Executivo, os regimes de venda de habitação pública vão ser efectuados de forma diferente, mesmo com a entrada em vigor da nova lei. Para os actuais candidatos, a lista de espera vai manter-se na ordem em que se encontra e existe isenção no limite de rendimentos por agregado familiar. No entanto, o diploma ontem aprovado na AL não se mantém claro no que concerne a estes aspectos de divisão entre actuais e futuros candidatos, o que levantou dúvidas entre os deputados, que questionam o que prevalece depois da lei ser aprovada, se o diploma se as palavras do Chefe do Executivo. “O objectivo [da lei] é claro mas a elaboração da proposta suscita muita controvérsia”, salientou Paul Chan Wai Chi, acrescentando que “o Governo devia reconhecer as falhas na redacção da lei”.

política Proposta de habitação económica aprovada com polémica na AL

Mais “lapsos” nas leis

Ontem os deputados da Assembleia Legislativa apontaram falhas à redacção da nova proposta de lei da construção e venda de habitações económicas. Entre as controvérsias, salientam-se as dificuldades em perceber a separação entre o actual e o futuro regime. Os deputados alertam para os muitos candidatos à espera de casa e caracterizam a não atribuição de casas como “uma alavanca” para o mercado imobiliário privado O facto de existirem estas lacunas, que remetem para discursos diferentes de Chui Sai On e de Lau Si Io, fez com que Ng Kuok Cheong comparasse as declarações do secretário como promoção a uma nova forma da recente “Revolução do Jasmim”, sentida por toda a China e ontem à tarde no Largo do Senado, contra o Chefe do Executivo. Antes de ser interrompido pelo presidente da AL, que alertou o deputado para as “comparações insultuosas”, Ng Kuok Cheong acusou a existência de “um lapso na escrita” da proposta de lei, à semelhança do que aconteceu anteriormente na lei do tabaco.

À mercê do pim-pam-pum

José Pereira Coutinho acusou o Governo de estar a tomar medidas semelhantes a “brincadeiras de crianças” no que toca à atribuição das habitações económicas. Para os deputados, o facto de na nova lei os futuros candidatos ficarem sujeitos a sorteio para que lhe seja entregue uma habitação pública, é algo que não se adequa ao princípio do “apoio pelo Governo”. Paul Chan Wai Chi defende que, desta forma, “quem tem necessidades reais nunca vai conseguir beneficiar da distribuição da riqueza”. Entre a maioria dos deputados este é o sentimento que prevalece. Pereira Coutinho, que partilha da posição de existirem irregularidades entre a proposta e a nota justificativa, defendeu que todos os candidatos são merecedores de habitação, desde que cumpram por inteiro os requisitos, e acusou a Administração de estar a “resolver superficialmente a questão”, ao limitar o direito a este tipo de fracções. Esta atribuição de casas que, segundo os deputados é uma “questão primordial”, está na nova lei sujeita a sorteio, também não estabelecido ainda na proposta

aprovada ontem. Os deputados consideram que o anterior método de ordenação era mais eficaz, uma vez que através de sorteio quem necessita realmente de uma habitação económica pode ficar sem ela. Ho Ion Sang acusou mesmo o Governo de “estar a introduzir nesta forma de atribuição o factor do jogo” e de deixar os cidadãos necessitados sem garantias e à espera da sorte. Os limites, a serem impostos por Chui Sai On, levantam também dúvidas entre os membros da AL, que dizem querer saber “quais os fundamentos e critérios a serem seguidos” para a imposição desses valores, que, segundo recentes discussões acerca desta proposta de lei, rondavam as 20 e 30 mil patacas por agregado familiar. Melinda Chan deixou ainda no ar a sugestão de ser excluída da contabilização dos valores do agregado o rendimento do “cabeça da família”, isto é, a pessoa que mais contribui para a subsistência dos familiares, incluindo filhos, idosos e pessoas com deficiência. Já Tsui Wai Kwan considerou ser indispensável esta limitação de rendimentos, uma vez que o número de fracções económicas também é limitado. O deputado, que diz que o facto da

habitação económica pertencer à Administração vai impedir desvalorização no mercado e permitir erradicar a especulação, e Melinda Chan disse estar de acordo com a construção de mais fracções. Mas a deputada interrogou o secretário para as Obras Públicas e Transportes acerca de eventuais contratos celebrados anteriormente com empresas de construção. Lau Si Io salientou que “não há qualquer promessa de permuta de terrenos em curso” e que os dois únicos acordos que restam estão a “ser resolvidos”.

Plano a longo prazo

Actualmente na lista de espera estão cerca de 12 mil candidatos. Apesar dos recentes terrenos conquistados ao mar, todos os deputados concordam com a existência de recursos limitados e escassez de solos no território para satisfazer na totalidade a população no sentido de puderem ser adquiridas fracções económicas. Au Kam San ironizou as atitudes do Governo atirando um “devagar não se vai ao longe”, devido a nem todos os necessitados poderem ter direito a este tipo de habitações,

e Pereira Coutinho lembrou Lau Si Io dos “inúmeros armazéns” que se encontram devolutos em Macau. Contudo, o secretário apontou para o facto de ser possível haver “desistências entre alguns dos 12 mil candidatos” e disse ser provável “que sobrem casas para os novos cidadãos interessados”. Kwan Tsui Hang disse achar que esta não teria sido uma “altura oportuna” para a aprovação desta proposta, já que “sem um primeiro ajuste no mercado imobiliário privado” não é possível definir de forma concreta este regime. A deputada alertou ainda que esta medida pode ser “um tónico para o mercado imobiliário privado”, já que na hipótese dos candidatos não conseguirem acesso à habitação pública, vão procurar habitações no sector privado. O secretário salientou que “além dos actuais projectos de construção das 19 mil fracções económicas” existirão mais “projecções” e afirmou que quando “surgirem novos lotes de terrenos estes vão ser reservados para a habitação económica”. Lau Si Io garante que esta medida de habitação económica é uma acção “contínua e a longo prazo” e que tanto o Instituto de Habitação como a Administração se comprometem a acompanhar a evolução no mercado, por exemplo aumentando os limites de rendimento se eventualmente subirem os preços das casas. Defendeu que sem esta imposição “todos tinham acesso e provavelmente os mais necessitados eram prejudicados. O regime da habitação económica é aplicado há mais de dez anos e necessitou agora de uma revisão. Lau Si Io confirmou que a actual proposta “tem margem para a melhoria” e pediu ajuda aos deputados da AL para a definição do conteúdo na sua especialidade, de forma a colmatar as falhas ontem apontadas.


Falta dinheiro para a Juventude Unida

Cheong Weng Fat, director-geral da Associação de Mútuo Auxílio dos Operários, formou, com a ajuda de vários trabalhadores e alguns jovens, uma nova associação chamada “Federação da Juventude Unida”. Mas um relatório divulgado ontem pela TDM revelou uma queixa de Cheong por não conseguir suficiente apoio do Governo ao nível dos subsídios. A nova associação tem mais de dez membros e por isso deveria receber um milhão de patacas para fornecer refeições gratuitas ou outros benefícios para os membros. Apesar disso, a associação recebeu apenas 200 mil patacas no último trimestre de 2010.

Joana Freitas

E

joana.freitas@hojemacau.com.mo

m 2010 as receitas do jogo superaram os 180 mil milhões de patacas, o que representa mais de 60 mil milhões de patacas em impostos para os cofres do Governo. Mas, segundo Au Kam San, “quanto maior é o valor, maior a pressão para o gastar”, e estas receitas do erário público têm sido “esbanjadas” pela Administração. Ontem, na AL, a juntar-se a Au Kam San estiveram José Pereira Coutinho, Ung Choi Kun e Chan Meng Kam. Os deputados teceram críticas à Administração, acusando-a de estar a funcionar de “forma pouco cuidadosa e pouco satisfatória”, apontou Ung Choi Kun, acrescentando que “os dirigentes passaram a ser preguiçosos” com a “falta de rigor na execução do sistema de responsabilização”. Em cima da mesa, o exemplo dos recentes relatórios apresentados pelo Comissariado de Auditoria relativamente aos gastos excessivos dos trabalhadores da função pública em missão no exterior. José Pereira Coutinho, apontou falhas na legislação da RAEM, alertando para a necessidade de revisão da lei “do pagamento das ajudas de custo diárias” que, tendo sido actualizada há mais de 15 anos, se encontra “obsoleta” e impõe aos funcionários optarem pelo “regime alternativo como regra geral

F

ernando Chui Sai On tem planeada para este ano uma deslocação oficial a Bruxelas, que, para já, ainda não tem data definida, disse à agência Lusa o gabinete do porta-voz do Executivo. “O senhor Chefe do Executivo já manifestou o desejo de visitar a União Europeia durante 2011, embora a data da viagem ainda não esteja definida”, afirmou uma fonte do gabinete do porta-voz do Governo. Esta será a primeira deslocação oficial de Fernando Chui Sai On a Bruxelas e a segunda a um país estrangeiro e à Europa, repetindo a visita que o seu antecessor Edmund Ho efectuou em Maio de 2000 e, depois, em 2006. A visita a Bruxelas chegou a estar planeada para Junho de 2010, quando Chui Sai On se deslocou a Lisboa. À semelhança da agenda que Edmund Ho cumpriu nas suas visitas oficiais a Bruxelas, Chui Sai On deverá reunir-se com o presidente da Comissão Euro-

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Deputados fazem lista de problemas do Governo

O que fazer com tanto dinheiro? Os gastos descontrolados da função pública e a necessidade de apoios financeiros à sociedade foram as temáticas “antes da ordem do dia” mais abordadas ontem na Assembleia Legislativa. Nas interpelações dos deputados não faltaram também ataques “à inércia do Governo” em utilizar o erário público para fins úteis no pagamento das deslocações ao exterior”. Normalmente eram definidos antes das viagens oficiais os valores para as refeições individuais e estadia. No entanto, com a inflação e o aumento normal dos preços ao longo dos anos, o facto de não serem suficientes os valores determinados levou a que os funcionários optassem por dispensar dinheiro do próprio bolso e acusar o pagamento posteriormente, tendo direito à devolução dos gastos mediante apresentação de recibos e de um relatório. Contudo, e segundo conclusões divulgadas recentemente, muitos serviços públicos aceitavam esta apresentação de forma tardia ou não obrigavam mesmo a sua existência. Uma vez que o dinheiro utilizado nessas ajudas de custo faz parte do erário público, os deputados fizeram questão de deixar claro o seu descontentamento. To-

dos estes deputados mencionaram que esta não foi uma auditoria aleatória. Au Kam San caracterizou estes documentos como “a ponta do icebergue” e Pereira Coutinho acusou o Comissariado de Auditoria de estar esquecer-se “voluntária ou involuntariamente” de alertar para as infracções disciplinares de todos os que faltaram à apresen-

tação dos relatórios das despesas. Para o deputado, esta atitude é de “anarquia” e só prova que a lei está a ser aplicada “de forma cirúrgica e selectiva”. Tsui Wai Kwan e Ng Kuok Cheong acreditam que apoiar a população através do erário público é uma medida viável para combater a inflação em Macau. Ng Kuok

Chefe do Executivo vai a Bélgica este ano e exclui lusofonia

Olá Bruxelas, aqui vou eu peia, Durão Barroso, visitar o parlamento europeu, encontrar-se com deputados europeus, visitar a Delegação Económica e Comercial de Macau em Bruxelas, podendo ainda ter uma audiência com o herdeiro da coroa belga, o príncipe Philippe. A União Europeia é o segundo maior parceiro de Macau no comércio externo, depois dos Estados Unidos. Em 2010, este continente representou cerca de 23% das importações do território e absorveu cerca de 6% do total exportado pelo território. Macau tem um acordo de cooperação económica e comercial com a União Europeia desde os anos 1990, do qual tem resultado o desenvolvimento de planos de acção e projectos num leque vasto de áreas, incluindo formação de

intérpretes tradutores e de quadros da área jurídica. A mesma fonte do gabinete do porta-voz do Governo de Macau acrescentou que, além de Bruxelas, o Chefe do Executivo tem este ano apenas “previstas viagens ao interior da China para aprofundar as relações de cooperação, não estando agendada qualquer viagem a países africanos” de língua portuguesa.

Apreensão

Os países membros do Fórum Macau veem com “apreensão” a ausência de visitas oficiais aos seus territórios na agenda do Executivo de Macau, quando a região desempenha o papel de plataforma entre a China e a lusofonia. “É visto com uma certa apreensão o facto de os dirigentes de Macau não visitarem

os países que fazem parte do Fórum Macau”, disse à Lusa o secretáriogeral adjunto do Secretariado Permanente do Fórum Macau, Manuel Amante da Rosa, representante de Cabo Verde. Ao realçar que os “dirigentes dos vários países de língua portuguesa se deslocam regularmente a Macau”, o responsável considerou que, “especialmente nesta fase em que se está a executar o terceiro plano de acção do Fórum, há necessidade de haver uma reciprocidade, que os dirigentes de Macau também visitem aqueles países”. “Não faz sentido termos aqui esta plataforma, que é estratégica para o nosso relacionamento (lusofoniaChina), se os seus dirigentes não se deslocarem aos países lusófonos e quando até há muitos dirigentes da

Cheong apelou a uma reforma no regime de apoio aos residentes tendo em conta “a enorme capacidade financeira que o Governo da RAEM dispõe” e Tsui Wai Kwan defendeu mesmo um aumento nos valores da comparticipação pecuniária para os pagamentos das tarifas de água, electricidade e transportes públicos para toda a gente. Também Au Kam San se juntou à causa, sugerindo “aproveitar os actuais rendimentos do jogo para se manter um bom funcionamento do Fundo de Segurança Social” e financiar projectos que ajudem no desenvolvimento da qualidade e vida da população, ao invés de “acumular o erário público nos cofres e eliminar tendências para o despesismo”. Para o deputado, o território está actualmente numa “situação financeira confortável”, mas os investimentos não estão a ser feitos de forma adequada.

República Popular da China que o fazem regularmente”, acrescentou. A secretária-geral adjunta do Secretariado Permanente do Fórum Macau, Rita Santos, representante do Executivo de Macau no organismo, também considera “importante que membros do Governo de Macau visitem os países de língua portuguesa”. “Mas penso que a visita aos países de língua portuguesa não se limita a nível político e julgo ser mais importante o intercâmbio entre os empresários e os serviços públicos”, salientou, acrescentando que o Secretariado Permanente tem este ano prevista a visita a três países de língua portuguesa, sem querer adiantar quais antes da reunião ordinária do Secretariado, que deverá realizar-se em Março. O delegado de Cabo Verde no mesmo organismo, Francisco Mendes, disse que o primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, convidou o Chefe do Executivo de Macau para visitar o arquipélago, não tendo ainda obtido resposta.


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6 Aeroporto continua a perder passageiros O aeroporto de Macau iniciou 2011 em queda de passageiros, com o número de Janeiro a diminuir 16% para 301.503 pessoas, comparativamente ao mês homólogo anterior, indicam dados da Companhia do Aeroporto. Os mesmos dados revelam que a carga processada no aeroporto caiu 32% para 3475 toneladas, enquanto que o número de movimentos (aterragens e descolagens) descia 3% para 3289. Já em 2010, o número de passageiros caiu cerca de 4% para quatro milhões, o terceiro ano de quedas consecutivas que derivam, entre outros, do aumento das ligações directas entre a China e Taiwan. Os dados divulgados em Janeiro pela Companhia do Aeroporto de Macau indicavam que entre Janeiro e Dezembro do ano passado, o número de passageiros com destino a Macau tinha, no entanto, aumentado 3% para 3,8 milhões de pessoas. Um total de 40% dos passageiros que tinham como destino Macau eram oriundos de Taiwan (valor idêntico a 2009), 22% do continente chinês – valor que registou uma subida de 36% – e 38% dos mercados internacionais, que registaram uma quebra de 7%. Ao longo de 2010, o aeroporto de Macau processou 57.148 toneladas de carga e registou 37.148 movimentos, uma diminuição de 8,7% face a 2009, mas traduz uma maior eficiência e resultados para as companhias aéreas que utilizam a infra-estrutura. Défice da balança comercial aumenta O défice da balança comercial no mês de Janeiro de 2011 aumentou 46,7% para 4280 milhões de patacas, comparativamente aos dados de Janeiro do ano passado. Os números dos Serviços de Estatística e Censos referem que em Janeiro de 2011 as exportações de Macau aumentaram 5,8% face a Janeiro de 2010 para um total de 656 milhões de patacas. A exportação doméstica aumentou 17% para 249 milhões de patacas e a reexportação manteve um valor idêntico ao mês homólogo anterior de cerca de 407 milhões de patacas. Já as importações registaram uma subida de 39,5% para um valor 4930 milhões de patacas, elevando o défice da balança comercial em 46,7% para 4280 milhões de patacas. Hong Kong passou a ser o principal mercado de destino das mercadorias de Macau absorvendo produtos no valor de 324 milhões de patacas, uma subida de 19,8% face a Janeiro de 2010. Já a União Europeia, como destino de mercadorias no valor de 54 milhões de patacas viu as exportações de Macau subirem 24,8%. O continente chinês e os Estados Unidos, com 69 e 68 milhões de patacas de mercadorias exportadas, foram os segundo e terceiro mercados de exportação de Macau, mas o valor das exportações caíram, respectivamente, 16,5% e 18,2% face a Janeiro de 2010. O sector têxtil teve um peso de cerca de 23,5% nas vendas, já que os produtos não-texteis cresceram 6,9% para um valor total de 502 milhões de patacas.

sociedade Reagrupamento familiar | Recorde de imigrantes da China

A multiplicação dos chineses

Kahon Chan

O

kahon.chan@hojemacau.com.mo

reagrupamento familiar tem contribuído para o disparar do número de imigrantes vindos da China Continental. Em 2010, com o aumento natural da população também em alta, com um aumento de 7,3% em relação ao ano anterior, milhares de imigrantes chineses em idade activa vieram aliviar a escassez de trabalhadores, mas um académico mostra-se preocupado com a sobrecarga que isso representa para o sistema de saúde em Macau. A população estimada a 31 de Dezembro de 2010, de acordo com os últimos números da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), foi fixada em 552.300 habitantes, ou seja, mais 10.100 (1,9%) do que no ano anterior, com uma diminuição de 5034 no “número de indivíduos autorizados a residir” a compensar uma boa parte do aumento resultante da imigração e dos nascimentos. Em 2010 nasceram 5114 bebés, o que representa um aumento de 7,3% em relação a

2009 e mantém constante uma tendência para aumento desde 2003. O pico dos nascimentos verificou-se em 1988, ano em que vieram ao mundo 7913 bebés em Macau, mas a taxa de natalidade começou a baixar desde então, atingido o menor número em 2002 (3162). Mas o “boom” económico alimentado pela liberalização do jogo terá reacendido o interesse expansionista das famílias. O aumento da natalidade estará provavelmente relacionado com o aumento no número de novos casamentos, e é um reflexo também das altas taxas de nascimentos dos anos 80, com os bebés da altura a chegarem agora à idade de terem os seus próprios bebés. Com 3103 novos casais registados, o ano de 2010 viu mais casamentos do que qualquer outro ano desde a transferência – apenas mais 2,2% do que no ano anterior, mas uma explosão de 154% se comparados com os números de 2000. Outro impulso efectivo para a população de Macau foi o afluxo de “filhos maiores” no âmbito do acordo recém-introduzido de reagrupamento familiar. Um

total de 9056 chineses continentais imigraram para a RAEM, o que representou um incrível aumento de 190% em relação ao ano anterior, e um número sem precedentes de imigrantes chineses legais desde a transferência. O último pico de imigrantes chineses tinha sido em 2004, quando 6885 cidadãos da China Continental se mudaram para Macau, mas o número foi caindo para se fixar entre 2000 e 3000 por ano desde então. A maioria dos novos imigrantes de 2010 veio de Guangdong (67%). As candidaturas para reunir as famílias separadas pela fronteira começaram em Dezembro de 2009 e Chong Tak Chi, representante do entretanto extinto grupo de coordenação para o reagrupamento familiar, registou que “mais de 90%” dos filhos maiores elegíveis foram posteriormente autorizados a se mudarem para Macau na segunda metade do ano, deixando poucos casos indeferidos, provavelmente por problemas de documentação ou identidade. Chong lembrou que cerca de seis mil pedidos de reunião foram apresentados antes de começa-

rem os pedidos de autorização de residência, indicando que a maioria dos filhos em causa já tinha residido em Macau. Com idades geralmente entre os 20 e os 40 anos, esses imigrantes não terão tido problemas para encontrar trabalho, tendo muitos deles começado cursos de formação para “dealers” de casinos. Um minoria oriunda da província de Fujian viu-se a braços com a barreira linguística e cursos de cantonês foram lançados para acelerar a sua integração na comunidade. “Dificilmente há problemas se [o imigrante] estiver aberto a qualquer emprego”, considera Chong. “Eles são um benefício para Macau ao complementarem a mão-de-obra local.” Mas um académico alerta que um rápido aumento de imigrantes em apenas alguns meses pode aumentar a pressão sobre alguns serviços essenciais como os de saúde. “A incapacidade de se adaptar à vida em Macau pode aumentar os custos de assistência social, como é o caso com a saúde, que já está curta na oferta. A pressão seria óbvia nos centros de saúde que servem os bairros e que têm absorvido vários milhares de novos residentes”, explicou Larry So, especialista em serviço social do Instituto Politécnico de Macau (IPM), ao Hoje Macau. O professor notou que os novos imigrantes podem também vir a constituir famílias em Macau para posteriormente aumentar as taxas de natalidade, mas como o crescimento é constante e previsível, o académico espera que o Governo seja capaz de fornecer as vagas extra que serão necessárias nos infantários num futuro próximo. Um problema consistente dos novos imigrantes é o da violência doméstica, sendo que muitas dessas pessoas são mulheres da China Continental que se casaram com residentes de Macau. Das 67 mulheres que buscaram ajuda de um abrigo operado pela Associação Geral das Mulheres de Macau, 22% chegaram a Macau há menos de três anos. De facto, 80% das mulheres que procuraram a ajuda da associação desde que o abrigo abriu em Julho de 2005 não eram nascidas em Macau.


Macau muito assediado na Bolsa de Turismo de Lisboa

A participação de Macau na Bolsa de Turismo de Lisboa está cada vez mais forte e o stand do Turismo de Macau registou uma forte procura por parte dos profissionais, segundo informou o responsável da entidade, Rodolfo Faustino. “Sentimos que estamos bem com o mercado”, afirmou o director, que faz um balanço positivo da participação do certame, onde estão desde a sua primeira edição, referindo que “este foi mais um ano que demonstrou que estamos a solidificar a nossa presença no mercado português”. Macau, que em 2010 recebeu 13.583 turistas portugueses, mais 9,3% que em 2009 e recebeu 24,965 milhões de turistas no total, mais 14,8%, prepara-se para abrir novas unidades hoteleiras, nomeadamente uma unidade Okura e uma Banyan Tree, a partir de Abril, que irão estar presentes no resort Galaxy World.

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Novo hospital público, cinco novos centros de saúde e várias obras de remodelação são alguns dos melhoramentos que o Executivo prevê para o sistema de saúde do território nos próximos dez anos Filipa Queiroz

edifício do Serviço de Urgência, que inclui 100 camas, e têm conclusão prevista para 2012, assegurou o director dos Serviços de Saúde. Outros planos para serviços auxiliares tiveram de ser adiados uma vez que só o hospital está dentro do limite fixado para a construção de edifícios à volta do Farol da Guia, tendo por isso de sofrer ajustes para baixar a sua altura.

Saúde, Lei Chin Ion, cerca de 52.200 mil pessoas atenderam a consultas externas nos centros de saúde, mais 13 mil do que em 2000. Já no hospital público, registaramse 30.400 consultas, e 19.300 no Serviço de Urgência. Foi a levar em conta estes dados, e aqueles relativos ao

fluxo de pessoas no território inclusive visitantes - que em 2010 foram 24,9 milhões -, que o Executivo criou o plano que inclui a construção do novo Complexo de Saúde nas Ilhas e a remodelação do Centro Hospitalar Conde de São Januário. As obras do último já começaram no

Novo operador envia resposta dura ao Governo

Reolian mostra as garras Kahon Chan

kahon.chan@hojemacau.com.mo

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Injecção de investimento

Dados reveladores

Com um aumento de 26% desde 2000, a densidade populacional da RAEM é três vezes maior que a de Hong Kong, com 18.400 habitantes por quilómetro quadrado. Cerca de 7,7% dos cerca de 542 mil habitantes têm idade igual ou superior a 65 anos. De acordo com os dados apresentados ontem pelo director dos Serviços de

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Plano para melhorar saúde vai custar 10 mil milhões

Filipa Queiroz

azer face ao envelhecimento da população e acompanhar o desenvolvimento de Macau em termos de densidade populacional são os objectivos do Governo, que inclui obras de ampliação e reconstrução de estruturas que já existem, a construção do novo Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas e o planeamento da rede dos cuidados de saúde primários. O investimento preliminar apontado pelo Executivo para melhorar as infra-estruturas do sistema de saúde de Macau nos próximos dez anos é de 10 mil milhões de patacas.

terça-feira 1.3.2011

novo operador do serviço de autocarros Reolian acusou o Governo de ostracismo perante a escassez de motoristas em Macau, numa resposta publicada ontem no jornal “Ou Mun”, e reiterou a vontade de empregar motoristas locais, mas “um grande cozinheiro fica de mãos atadas se não houver abastecimento de alimentos”, pelo que apelou ao Governo para que tomasse medidas responsáveis para evitar que os contribuintes sofressem as consequências da falta de condutores. A “joint-venture” franco-macaense admitiu que muitos desafios apenas se apresentaram quando a empresa chegou a Macau e que o recrutamento era a principal dor de cabeça, na mais dura resposta ao Governo até agora. O novo operador de autocarros disse preferir um debate aberto e a procura de uma solução para a escassez de motoristas, uma questão que vem sendo amplamente reconhecida a nível local há bastante tempo,

dado que o novo serviço irá aumentar as frequências em 40%. Citada no artigo, a Reolian põe em dúvida as diligências da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), criticando o número de cartas de condução de pesados emitidas. “Se não houver ninguém a conduzir veículos pesados, poderiam eles estar todos sem emprego? Será que o número de quatro mil cartas um reflexo honesto da realidade?”, questiona a empresa, que também contestou outro dos números apresentados pelo Governo – os participantes de um curso de preparação para motoristas de autocarro – e mostrou-se pouco convencida de que os 270 alunos ficariam à disposição dos operadores de autocarros. “Enquanto operador de transportes públicos [...], não somos capazes de competir com a indústria do jogo pelos motoristas de autocarros”, explicou. “O aumento dos salários devido à escassez de condutores irá inevitavelmente resultar em concorrência entre os três operadores e em caos para a administração. Os contribuintes de Macau irão sofrer as consequências.”

Novo hospital

Lei Chin Ion diz que o projecto do novo hospital público ainda está numa fase inicial, por isso não tem orçamento previsto, mas o Governo obteve um parecer favorável quanto à localização do novo complexo, entre o Dome e o reservatório de Coloane. Os estudos foram feitos com o apoio da Autoridade Hospitalar de Hong Kong, e revelaram que “o local é conveniente em termos de transportes, é tranquilo, afastando-se dos grandes estabelecimentos agrupamentos de jovens e o planeamento orográfico favorece a distribuição geral”. O director dos Serviços

de Saúde adiantou que a obra do edifício hospitalar das Ilhas está a progredir “ordenadamente” e aguarda neste momento “a conclusão das obras de aterro e terraplanagem efectuadas pelos serviços competentes de obras públicas”. O novo complexo vai albergar uma série de serviços, entre eles laboratórios, um edifício de Urgências, um Centro de PET-CT e Radioterapia, uma unidade de recuperação e um Instituto de Enfermagem. Em estudo está também a construção de um heliporto.

Centro de saúde

De acordo com o novo plano, nos próximos dez anos a RAEM terá mais cinco centros de saúde, a somar aos seis já existentes, localizados na Ilha Verde, no lote TN27 da Taipa, no ZAPE, no lote terreno de Seac Pai Van e no Projecto de Reconstrução da Zona Norte. Os restantes, na sua maioria, vão sofrer obras de reconstrução. Também está prevista a reconstrução do Centro de Reabilitação de Kao Ou, em Coloane, que vai disponibi-

lizar 100 camas, e também a construção de um Centro de Recuperação de Doenças Infeccionas no Alto da Montanha de Coloane, que vai dispor de 60 camas. Contratação de pessoal O director dos Serviços de Saúde disse que o Governo espera até 2015 “formar para os não diferenciados 180 profissionais e para os diferenciados 150”. Lei Chin Ion disse ainda que para o Hospital das Ilhas está prevista a necessidade de 200 médicos e 600 enfermeiros”, e que os novos centros de saúde “vão precisar de 45 médicos e 100 enfermeiros”. O responsável admitiu a hipótese de recrutar mais pessoal ao exterior no futuro, “como tem vindo a ser feito”, e disse também que as duas escolas de enfermagem do território vão aumentar o número de vagas e cursos para atender às exigências do melhoramento do sistema de saúde. Dez milhões de patacas é o valor preliminar apontado pelo Governo para a totalidade das obras. Para coordenar os trabalhos, foi aprovada ontem a Comissão de Acompanhamento da Rede de Infra-estruturas do Sistema de Saúde, presidida pelo próprio Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On. O secretariado ficou a cargo da assessora do Gabinete do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Vong Wai Han, que exercerá o cargo em regime de acumulação não remunerada.

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.º 60/AI/2011 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora CHU THI NHINH que, na sequência do Auto de Notícia n.º 27/DI-AI/2010, de 22.08.2010, levantado pela DST e por despacho do signatário de 25.02.2011, exarado n Relatório n.º 67/DI/2011, de 18.02.2011, foi desencadeado procedimento sancionatório, com vista ao seu alojamento na fracção autónoma situada na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Centro Internacional de Macau, Bloco 12, 9º andarAe utilizada para a prestação ilegal de alojamento.----------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito sobre a matéria constante daquele Auto de Notícia, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito. Nos termos do n.º 2 do artigo 14.º da Lei n.º 3/2010 não é admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo.-----------------------------------------------------------------------------------------------A matéria constante daquele Auto de Notícia, constitui infracção ao artigo 2.º da Lei n.º 3/2010, que dispõe: “a actividade de prestação de alojamento ao público, sem possuir a licença para exploração de estabelecimentos hoteleiros, em prédio ou fracção autónoma não destinado a fins de actividade hoteleira e similar, cujo ocupante é não residente da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), ao qual não foi concedida autorização especial de permanência ou autorização de permanência de trabalhador não residente”. Tal facto é punível nos termos no n.º 1 do artigo 10.º da Lei n.º 3/2010 - : “Quem prestar ilegalmente alojamento ou controlar por qualquer forma prédio ou fracção autónoma utilizado para a prestação ilegal de alojamento é punido com multa de 200.000,00 a 800.000,00 patacas”.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, em Macau, aos 25 de Fevereiro de 2011. O Director dos Serviços, João Manuel Costa Antunes


vida

terça-feira 1.3.2011 www.hojemacau.com.mo

8 Gonçalo Lobo Pinheiro

S

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e nada for feito, e de acordo com a projecção actual, estima-se que em 2020 o número de veículos no território antinja os 310 mil contra os 190 mil que se registam agora, passando a taxa de partilha dos transportes públicos de 33,6% para 27%. Carros, motas, autocarros, não interessa. Os gases de efeito de estufa emitidos pelos transportes terrestres de Macau vão chegar às 407 mil toneladas. Esta é uma das conclusões de um estudo realizado pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) durante o mês de Janeiro. Com esta realidade surgem as dúvidas. Que fazer então? A DSAT quer assentar as suas políticas na “primazia dos transportes públicos” como pedra basilar no combate contra o trânsito caótico e a poluição. Segundo os responsáveis da DSAT, as medidas a tomar assentam na posição de utilidade social dos transportes públicos, aceleração da construção de todas as fases do Metro Ligeiro, garantia da prioridade aos transportes públicos com intensificação da fiabilidade e pontualidade, promoção da gestão de veículos e controlo do crescimento e utilização destes. A política geral de trânsito e transportes terrestres de Macau para a década 2010-2020 prevê, através de medidas incentivadoras, dar prioridade à utilização dos veículos com

Carros eléctricos fazem

Carros eléctricos da Austrália, Alemanha e Suíça terminaram mundo sem emissões de CO2. A viagem envolveu 188 dias d Unidas. Seis meses depois de começar um percurso de 27 m Trev, uma scooter alemã e a motocicleta suíça Monotracer che

Automóveis são alavanca da economia chinesa

Dinheiro por ar irrespirável O trânsito está a tornar-se caótico. Cada vez mais chineses querem comprar carro próprio descurando o uso dos transportes públicos. A DSAT já alertou para o excesso de poluição até 2020. Se nada for feito, andar de carro em Macau pode tornar-se um pesadelo. Um estudo alerta ainda que em algumas zonas serão tão lentas as deslocações dos carros comparando-as à velocidade do simples caminhar humano baixas emissões e promover junto dos serviços públicos, empresas comerciais e cidadãos a substituição de veículos por meios de transporte amigos do ambiente, reduzindo a utilização dos veículos com altas emissões. Esta iniciativa visa concretizar a criação de uma cidade verde com baixas emissões, menos poluentes e menores consumos. E tem mesmo de ser assim porque, caso contrário, em 2020 estaremos envoltos numa nuvem de fumo como nas grandes metrópoles deste mundo. Segundo uma projecção feita pela THI Consultants, de Taiwan, esse ano trará consigo um aumento impressionante do número dos veículos particulares. Os dados estão lançados mas a probabilidade de Macau se tornar numa cidade complicada ao nível do trânsito é muito grande. Actualmente a quilometragem total percorrida

diariamente pels ruas de Macau por veículos privados é de 1050 milhões de quilómetros pelo que, se nada for feito, esta distância será aumentada trazendo consigo “ameaças insidiosas para o ambiente e para a saúde da população”, como alerta o estudo do Governo. A par disso, “a

velocidade média de circulação nas horas de ponta pode passar de 15 km/h para 10km/h”, o que roça os valores de velocidade de caminhada de um ser humano. Um ambiente de trânsito confortável transmite à população e aos turistas uma imagem de Macau como

cidade internacional de turismo. Apesar do grau de satisfação dos turistas com os transportes públicos ser de 73%, são os cidadãos os principais utentes dos meios de transporte da RAEM. A pensar na população a DSAT elaborou, entretanto, três conjuntos de políticas de medidas cruciais para melhorar o trânsito em Macau: o plano de desenvolvimento básico, o plano de gestão de avanço gradual e o plano de controlo do volume global. Com este triplo eixo, o Executivo procura incentivar os cidadãos a reduzir a utilização de veículos privados, diminuindo o congestionamento do trânsito e, com isso, reduzir o volume de emissões poluentes do ar, poluição sonora e consumo de energia. Paralelamente, a promoção do estacionamento fora das vias que economiza espaços rodoviários pode

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Recessão mundial não fez com que poluição diminuísse

Crise não afecta poluição A

última recessão económica mundial pode ter sido a pior dos últimos 80 anos e diminuído consumo e produção em diversos países ao redor do globo – mas não reduziu em um milímetro cúbico a poluição. De acordo com a agência norteamericana Energy Information Administration (EIA), mesmo que as emissões de gases do efeito estufa dos Estados Unidos tenham decaído 8,18% em relação a 2006, na China elas saltaram 32,5%. De 2006, um ano antes da recessão económica começar, a 2009, quando terminou, segundo especialistas, as emissões mundiais cresceram 5,2%, principalmente impulsionadas pelo crescimento chinês. Para fins de comparação, a poluição do ar

produzida pela China no período foi 4,7 vezes maior do que a da França e pouco mais de duas vezes superior à da Alemanha. Mais um Bric contribuiu para

o número mundial: a Índia testemunhou um estrondoso crescimento de 24,9%. Enquanto isso, na Europa, as emissões caíram 8,6%.

Os dados da EIA levam em consideração as emissões de CO2 advindas do uso de energia e combustível, mas ignoram a desflorestação ou o metano emitido pelo gado – o que talvez contribua para que grandes produtores de carne, como o Brasil, fiquem mais longe da lista de maiores emissores.


m volta ao mundo

Terça-feira 1.3.2011

na quinta-feira, em Genebra, uma volta ao de rotas por terra e mar e teve o apoio das Nações mil quilómetros, um triciclo australiano chamado egaram às instalações da ONU na cidade suíça.

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Autocarro de última geração Não é a primeira vez que o Straddling Bus aparece no mundo. A diferença é que antes parecia apenas um projecto estranho de um engenheiro chinês e, agora, é um investimento representativo do Governo de Pequim. O objectivo é diminuir o caos, os congestionamentos gigantes e a poluição das principais vias da capital.. O autocarro, uma espécie de engolidor de carros, representa um investimento de cerca de 80 milhões de yuans. A expectativa é que, com o Straddling Bus, os engarrafamentos e a poluição diminuam em 30% nas principais vias da capital chinesa. A promessa não é pouca, já que Pequim conseguiu a proeza de ter

proporcionar aos residentes melhor espaço pedonal e para a circulação dos veículos. Todos estas intenções reportamse ao médio prazo com a entrada em funcionamento do Metro Ligeiro, em 2015, e com o desenvolvimento dos novos aterros e articulação dos transportes com a Região do Delta do Rio das Pérolas, em 2020.

O mau exemplo do lado

As vendas de automóveis da China cresceram de tal forma que já ultrapassaram o mercado norteamericano. Os recordes de 2009 cifram-se em 13,6 milhões de unidades vendidas, de acordo com dados divulgados pela Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis. A China torna-se, assim, no maior mercado do mundo para a indústria automobilística ultrapassando a meta colocada previamente para os 10 milhões de veículos. O mais interessante nesta história é o facto de estes quase 14 milhões de unidades incluírem igualmente os veículos pesados. Tirando estes – cerca de 650 mil - a China continua à frente dos EUA só com carros de uso privado. “As vendas têm sido extremamente altas na maior parte do ano, com pequenas mudanças de índole sazonal. Muitas pessoas têm que esperar semanas ou até meses para

congestionamentos a estenderem-se por até 10 dias. Em Agosto do ano passado, uma fila gigante de mais de cem quilómetros tinha previsão de durar até Setembro. No fim de 2010, a capital chinesa tinha 4,8 milhões de veículos registados, 750 mil a mais que no fim do ano anterior. Há cinco anos, eram 2,6 milhões de automóveis. Considerada uma das cidades com pior trânsito do mundo, Pequim é lar de serviços um tanto curiosos. Um deles oferece ao motorista preso na fila a opção de ir de mota até o destino desejado. Enquanto isso, uma outra pessoa “administra” o veículo no engarrafamento.

obter os seus carros”, disse Qin Xuwen, analista chinês. Uma garantia foi dada pelo Governo Central, apesar de todas as medidas para combater a poluição de carros em cidades como Pequim, o desenvolvimento da indústria automóvel é um dos pilares do desenvolvimento económico, não podendo as autoridades ambientais conter as aspirações de cada vez mais o povo chinês comprar um carro.

Estado caótico

Segundo estudos recorrentes feitos por Hong Kong, pelo menos 10 mil pessoas morrem todos os anos em Macau, na região vizinha e no sul do continente chinês devido ao agravamento regional da poluição atmosférica. “Estimamos que haja 10 mil mortes atribuídas à poluição atmosférica, mortes que poderiam ser potencialmente evitadas”, afirmou Anthony Hedley, professor no departamento de medicina comunitária na Universidade de Hong Kong, que conduziu um dos estudos. O mesmo responsável garantiu que as estimativas “são muito conservadoras” e que o preço a pagar pela poluição “é muito alto”. Até quando vai a China levar adiante o consumismo atroz de compra de carros? Qual o preço a pagar por estas políticas? O mundo com certeza ficará bem pior nos próximos anos caso não se altere o rumo.

Planeta em números

50 milhões

É esse o número estimado de fraldas descartáveis que todos os dias são deitadas no lixo em todo o mundo. Só daqui a 500 anos é que o material estará completamente decomposto. Isso faz dos bebés um dos seres humanos mais poluentes do planeta.

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terça-feira 1.3.2011 www.hojemacau.com.mo

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Quarteto Kronos toca hoje à noite no Centro Cultural de Macau

Gira o disco e toca o mundo

Folclore escandinavo, choubi iraquiano, mugam tradicional do Azerbaijão e rock mexicano, cabe tudo entre as 16 cordas do Quarteto Kronos que tocam esta noite no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Macau filipa queiroz

avid Harrington, John Sherba, Hank Dutt e Jeffrey Zeigler elegeram Macau para começar a sua digressão “À volta do mundo com Kronos”. Os violinistas, violista e violoncelista, respectivamente, estreiam-se no território com um repertório que vai desde a música tradicional do Iraque às melodias contemporâneas da Islândia, passando pela “música espacial”, fruto de um projecto encomendado pela NASA.

cultura

Definições à parte

Explicar o percurso do Quarteto Kronos é como folhear uma gigante ‘playlist’ de música do mundo, onde de entre dezenas de nomes com as mais diversas origens saltam alguns bastante célebres como Philip Glass, David Bowie, Tom Waits, Dave Mathews e até Nelly Furtado. Definir a música do Quarteto Kronos é tarefa complicada. Influenciados pelos mais variados estilos e sonoridades, o grupo toca em função da descoberta, das pessoas com quem se cruza e com quem colabora, numa miscelânea contemporânea de diferentes ritmos e sons. O que trazem a Macau? Uma espécie de “mosaico do mundo musical da forma como o conhecemos hoje”, responde David Harrington, violinista e fundador do quarteto de cordas. “Nos últimos 37 anos tocámos música de origens muito diferentes, criada por mulheres e homens com culturas e tradições muito diferentes e, ultimamente, percebemos que seleccionando cuidadosamente os temas do nosso repertório conseguimos esse mosaico”, explica. Dizem que actuar para audiências desconhecidas, como a de Macau, não os preocupa, mas gera alguma inquietação. “Temos um repertório tão vasto que [este tipo de estreia] gera sempre uma longa discussão para decidir o que devemos tocar” , diz John Sherba. “O nosso público pode ir de um extremo ao outro, gente que não faz ideia de quem nós somos e gente que nos adora

- é fascinante”, atira Hank Dutt. “Quando estivemos no México sentimo-nos autênticas estrelas rock, foi demais, quando aparecemos em palco as pessoas gritavam por nós, que é algo completamente invulgar.”

Sem idade

Vietname: Um sonho por cumprir Acabado de aterrar na Ásia, David Harrington conheceu um novo desafio que o faz recuar no tempo. “Descobri um instrumento esta manhã do qual nunca tinha ouvido falar”, conta. “É original do Vietname e tocado pelos monges de uma forma muito invulgar.” O violinista e fundador do Quarteto Kronos confessa que já encomendou um exemplar e que está “ansioso por experimentá-lo”. O achado despertou um desejo antigo. “Não faço ideia se um dia vou conseguir ir ao Vietname mas como norte-americano que cresceu nos anos 60 sinto-me ligado de alguma forma à cultura vietnamita”, explica. A guerra do Vietname está na origem do quarteto de cordas, já que Harrington decidiu criar o grupo depois de assistir a um concerto/ manifesto contra o conflito, em 1973. “Quis criar algo que fosse um contrabalanço daquilo que o meu país tinha feito”, conta. O tema “Black Angel, de George Crumb, foi decisivo, e o violinista mantém a vontade de mostrar a cultura vietnamita ao seu país. “Passo muito tempo a explorar o assunto e a falar com pessoas, vamos onde vai dar. Talvez da próxima vez que vier a Macau tenha algo fantástico para mostrar.” Ficamos à espera.

São tantas as sonoridades quanto os autores das composições interpretadas pelo quarteto. Entre temas originais, como “Aheym” do guitarrista dos The National, Bryce Dessner, ou “Café Tacuba” do compositor argentina Osvaldo Golijov, o quarteto apresenta esta noite peças que foram arranjados para serem tocados pela formação. “Flugufrelsarinn (O Libertador das Moscas)”, dos islandeses Sigur Rós, é uma delas. “Provavelmente a peça mais antiga [a ser apresentada esta noite] foi escrita nos anos 80, há 25 anos”, diz Harrington. Mas a idade, assegura o violista, não é um problema. “Nós é que ficamos velhos, não é a música”, nota o violinista. “A música é sempre jovem.” Victor Gama e as composições de Carlos Paredes também já fizeram parte do repertório do quarteto que já passou por Portugal e tem o sonho de tocar na Índia e no continente africano. O que não impediu o quarteto de gravar “Pieces of Africa”, em 1992. “Há muitos sítios onde eu gostaria de ir, mas como sei que a vida não vai ser suficiente para ir a todos eles, é bom ser possível trazêlos até nós”, diz Harrington que não tem apenas lugares debaixo de olho. “Há um artista fantástico com quem há 15 anos tenho vontade de colaborar, o DJ Qbert”, confessa. Richard Quitevis é um disco-jockey e compositor californiano, de ascendência

filipina. “É o Jimmy Hendrix das mesas de mistura.”

Componente educativa

O quarteto de cordas não se fica pelas salas de espectáculo para dar concertos. Os músicos visitam regularmente escolas e creches da terra natal para sessões educativas sobre música. Jeffrey Zeigler lembrase de uma vez em que a banda tocou um tema do artista experimental John Zorn perante uma audiência de petizes. “Foi uma experiência inesquecível, nunca tinha tocado uma peça em que o público estivesse o tempo todo literalmente a rir-se às gargalhadas”, conta. “Não paravam de rir, foram gargalhadas abertas durante a peça inteira!” Os músicos falam num défice de educação musical nas escolas norte-americanas e da necessidade de expor as crianças às artes “o máximo possível”. “Quando éramos pequenos, a arte e a música estavam tão presentes nas escolas e agora parece que isso está a desaparecer”, refere Hank Dutt, que confessa que fica contente se conseguir convencer uma criança a pegar num violino. Há oito anos o quarteto criou a organização sem fins lucrativos “Kronos Performing Arts Association” dedicada a apoiar músicos e compositores emergentes, que inclui o projecto “Menores de 30”. Uma iniciativa para “desenvolver relacionamentos artísticos com a nova geração criativa” que já atraiu jovens oriundos de 49 países do mundo a candidatarem-se a compor e tocar com o quarteto de cordas. Componente educativa ou elixir da juventude? A banda norte-americana vai mostrar a fórmula que lhes deu longevidade esta noite, no Centro Cultural de Macau, às 20h.


Orquestra Chinesa apresenta “Encanto de Portugal”

“Encanto de Portugal” é o nome do espetáculo que a Orquestra Chinesa de Macau apresenta a 12 de Março no Centro Cultural da cidade sob a batuta de Pang Ka Pang. Integrado no ciclo de concertos de música luso-chinesa, o concerto da orquestra chinesa tem a participação de Zhou Tingting, no erhu, Wang Ciheng, no dizi, Paulo Valentim, na guitarra portuguesa, Natália Juskiewicz, no violino, Bruno Costa, na viola, e Rodrigo Serrão, na guitarra baixo.

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Victor Hugo como referência

“Os Miseráveis” é até hoje um dos livros franceses

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China e França discutem preservação do património

Maria João Belchior oi o General De Gaulle o primeiro a criar um ministério da Cultura. O primeiro a considerar que a cultura precisava de um ministério próprio”. O professor Denis Lavalle falou em Pequim para uma audiência de alunos chineses e franceses durante uma semana de eventos destinados a discutir o que é o património. Organizado pelo Instituto de Estudos Superiores de Artes em Paris (IESA), o seminário em Pequim juntou o debate teórico com visitas por alguns dos sítios mais emblemáticos da capital. Françoise Schmitt, criadora e presidente do Instituto em Paris, disse ao Hoje Macau que esta não foi a primeira vez que a escola organizou seminários no estrangeiro. No entanto, foi a primeira vez na China com o intuito de promover um diálogo cultural entre Paris e Pequim. Duas cidades que há muito que se conhecem.

terça-feira 1.3.2011

Conselhos de quem sabe

mais traduzidos para mandarim. Em 1861 o escritor e pensador francês defendeu a China numa carta em que referia o ataque ao Palácio de Verão pelas tropas inglesas e francesas como a destruição de uma “maravilha do mundo”. Com uma conferência dedicada a entender Victor Hugo e o encontro entre a França e a China, o evento referiu abordou também o reencontro artístico entre os dois países.

Para o professor Lavalle, conservador geral do património e principal orador nas conferências, a dualidade que por vezes opõe protecção de património e modernidade ainda faz sentido na China. Mas, como o próprio frisou, hoje já há métodos para por exemplo construir uma linha de me-

tro sem obrigar à demolição de edifícios. Em Pequim, depois de durante a preparação para os Jogos Olímpicos uma grande parte da cidade mais antiga ter sido destruída, no final do ano passado, o plano de uma nova linha de metro obrigou a mais demolições em zonas históricas da cidade.

Ainda sem uma lei que defina claramente a protecção do património, Pequim tem colocado muitas vezes o desenvolvimento à frente do valor dos edifícios mais antigos. E perante a descaracterização da cidade antiga, o governo municipal adoptou uma estratégia em que, depois de destruídos

nos seus materiais originais, os edifícios nasçam como cópias do que eram mas adaptados a outros fins. Em Pequim as casas nos hutongs deram lugares a cafés e lojas, à semelhança do que também aconteceu também em Xangai. Depois do fim da II Guerra, para os franceses tornouse mais importante que nunca a conservação das cidades e da arte. Actualmente há no país 360 associações ligadas ao património, 40 das quais apenas dedicadas a Paris. Na China o debate está ainda a dar os primeiros passos sobre qual a melhor forma de proteger o património. Destinado a alunos chineses e franceses que vieram a Pequim para o encontro, o evento percorreu vários séculos de história. As visitas passaram desde a Cidade Proibida da dinastia Ming ao distrito artístico conhecido como 798, onde se discutiu a passagem do património industrial para a vanguarda artística. A acompanhar a reforma económica, nos últimos anos a China aprendeu novas formas de olhar para si mesma. E hoje o país já está a reflectir sobre como proteger o que é antigo enquanto se orgulha do moderno.

Obra de Tom Hooper leva quatro estatuetas douradas

“O Discurso do Rei” é o filme do ano nos Óscares A

lém de melhor filme e realizador, “O Discurso do Rei” bateu os adversários noutras duas das categorias mais importantes, como melhor argumento original e actor. Natalie Portman conseguiu o Óscar para melhor actriz, arrebatando assim a sua primeira estatueta dourada à segunda nomeação. Colin Firth também leva um Óscar para casa. Depois de ter sido batido por Jeff Bridges em 2010, na categoria de melhor actor, Firth virou a sorte a seu favor, ganhando nesta mesma categoria, para a qual Bridges também estava nomeado. “Tenho a sensação que a minha carreira acabou de chegar ao auge”, disse Firth, quando recebeu a estatueta dourada. O filme em que estava nomeado concorria em 12 categorias e a Academia acabou por se curvar quatro vezes perante a história do rei gago (Jorge VI de Inglaterra) que, em ter-

A lista completa

mos de prémios cinematográficos, falou alto e bom som para todo o mundo, este ano. Outra favorita da noite, a actriz Natalie Portman, conseguiu bater a forte concorrência na categoria de melhor actriz. “Isto é de loucos”, disse, entre lágrimas, quando recebeu o Óscar em palco.

Em termos numéricos, “O Discurso do Rei” e “A Origem” ficam empatados e levam quatro prémios para casa. Seguem-se “A Rede Social”, com três Óscares e, empatados com dois prémios cada, o “Último Round”, “Alice no País das Maravilhas” e “Toy Story 3”.

Filme O Discurso do Rei Actor Colin Firth, O Discurso do Rei Actriz Natalie Portman, Cisne Negro Realizador Tom Hooper, O Discurso do Rei Fotografia A Origem Actriz Secundária Melissa Leo, Último Round Actor Secundário Christian Bale, Último Round Argumento adaptado A Rede Social Argumento original O Discurso do Rei Filme Estrangeiro Num Mundo Melhor Curta-Metragem de Animação The Lost Thing Longa-Metragem de Animação Toy Story 3 Banda-Sonora original A Rede Social Canção Original Randy Newman, Toy Story 3 Mistura de som A Origem Montagem de som A Origem Maquilhagem O Lobisomem Figurinos Alice no País das Maravilhas Documentário de curta-metragem Strangers No More Curta-metragem God of Love Documentário de longa-metragem Inside Job - A Verdade da Crise Efeitos visuais A Origem Cenografia Alice no País das Maravilhas Melhor Montagem A Rede Social


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12 Marco Carvalho

A

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o segundo encontro, a formação de veteranos do Organismo Autónomo Desportivo da Casa de Portugal em Macau não conseguiu evitar o primeiro desaire no âmbito do campeonato de futebol da categoria. Depois de se ter estreado na prova com um triunfo pela margem mínima sobre o Jardim Amizade, com um grande golo de Dani, o grupo de trabalho orientado pelo são-tomense Pelé não conseguiu contrariar um maior ascendente do Heng Fa, sendo copiosamente derrotado por três bolas a uma em partida disputada ao início da noite de sexta-feira no relvado sintético do Campo do Colégio D. Bosco. Integrados nas andanças do Grupo A da competição, os antigos craques dos relvados que vestem a camisola

desporto Casa de Portugal derrotada à segunda jornada

Veteranos sem pernas da Casa de Portugal não conseguiram melhor do que amortizar a derrota e salvar a honra do convento, com um golo apontado por Vidigal. Inesperado, o desaire acabou por não roubar a moral aos responsáveis pelo projecto orientado por Pelé, que mantém vivas as esperanças e a ambição de conseguirem atingir pelo menos a segunda fase da prova. O sete

do Organismo Autónomo Desportivo regressa à carga já na próxima sexta-feira, defrontando no Campo do Colégio D. Bosco a formação do Diabos Vermelhos. O próximo adversário da Casa de Portugal ainda não ganhou para o Campeonato, tendo empatado sem golos frente ao Man Kan e perdido pelo margem mínima frente ao Ip U, em partida a contar para

a segunda jornada da competição. No último encontro disputado, o sete do Diabos Vermelhos foi surpreendido pelo Jardim Amizade, que vingou a derrota sofrida frente aos pupilos de Pelé e derrotou os próximos adversários da Casa de Portugal por duas bolas a uma. Numa altura em que estão decorridas três jornadas, a Série A do Campeonato de Futebol de Veteranos é liderada sem oposição pelo Ip U, formação que soma três vitórias em outros tantos jogos disputados. No encalço directo do líder segue o Heng Fa, com duas vitórias somadas e um encontro ainda em falta.

Leões não ganham sem Liedson, Corinthians só vence

Um Sporting no nevoeiro pub

R

onaldo retirou-se no dia 14 de Fevereiro, mas o Corinthians já tem um novo “Fenómeno”. E o nome dele é Liedson. Repatriado depois de quase oito anos no futebol português, o atacante de 33 anos rapidamente conquistou jogadores, comissão técnica e os adeptos. Afinal, já fez sete golos em cinco jogos. Assim começa o texto do “globoesporte” sobre o ex-avançado do Sporting. Desde que se estreou com o emblema do clube de São Paulo, contra o Ituano, o novo camisola 9 ficou apenas uma vez em branco. Foi no jogo com o Paulista, em Jundiaí, que o Corinthians empatou (0-0). Esta realidade, quando Liedson não marca a equipa não ganha, é uma verdade também no Sporting. Desde que saiu, os “leões” ainda não ganharam. Liedson deixou Alvalade com dois golos no empate do Sporting com a Naval (3-3). Pior: a noite de 4 de Fevereiro, a última do camisola 31 no Sporting, os “verde e brancos” não só não ganharam como têm dificuldade em marcar golos. Empataram em Olhão (2-2) com dois golos de Postiga, foram à Escócia arrancar novo empate com o Rangers (1-1), saíram derrotados em casa pelo Benfica (0-2), empataram e foram eliminados da Liga Europa pela formação de Glasgow (2-2) e perderam agora na Madeira com o Nacional (0-1). Um saldo negativo, que culminou inclusive com a saída do director para o futebol Costinha e do treinador Paulo Sérgio.

“Ronaldo whu”?

No Brasil, tudo são rosas agora. O Corinthians já respira de alívio e os adeptos já perguntam “Ronaldo Whu?”, uma referência à saída do brasileiro e à chegada do ex-sportinguista. O clube venceu o Itu e o Grêmio Prudente com dois golos de Liedson em cada jogo, outro no clássico contra o Santos e mais um no triunfo

sobre o Mogi Mirim. Todos no Pacaembu, a casa do Corinthians. “Estou dando a minha contribuição, assim como todos os jogadores. Não podemos citar um ou dois nomes. Isso não é ténis. Temos de lembrar o conjunto. Com movimentação e trabalho, os golos vão surgir naturalmente. Todos que estão no Corinthians sabem jogar”, afirmou Liedson ao “globoesporte”. “Cheio de modéstia”, diz o jornal brasileiro. “Mas quando a palavra é passada aos companheiros, a real importância de Liedson ao grupo é notada”. Até porque o “Levezinho” chegou num momento complicado, a seguir à precoce eliminação da Taça Libertadores da América (o equivalente à Liga dos Campeões na Europa) e durante as saídas das estrelas Ronaldo e Roberto Carlos. Liedson jogou todos os cinco jogos desde que chegou ao Corinthians e marcou sete golos, levando a equipa à vice-liderança do Campeonato Paulista e é o segundo melhor marcador da prova.

Mais perto da descida do que do primeiro lugar

De acordo com o “Record”, o presidente demissionário José Eduardo Bettencourt acabou por explicar a saída de Liedson para o Corinthians no mercado de Inverno. “Foi um bom negócio para a SAD e, se quiserem, até ajuda a pagar-vos os ordenados“, terá dito Bettencourt ao plantel leonino, que lamentou a saída de um dos jogadores mais importantes do plantel. Uma medida no mínimo estranha. A equipa está em crise e tem vindo a perder pontos. A tal ponto que os “leões” estão agora mais perto da descida de Divisão (estão 19 pontos acima do Portimonense) do que do primeiro lugar do FC Porto (distam 26 pontos).


[f]utilidades Cineteatro | PUB

[ ] Cinema

Sala 1

Sala 3

Preço: Mop50.00 (Falado em japonês, legendado em chinês) Um filme de: Takashi Yamazaki Com: Takuya Kimura, Meisa Kuroki, Toshiro Yanagiba 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

Preço: Mop50.00 Um filme de: Paul Weitz Com: Robert De Niro, Ben Stiller, Owen Wilson, Blythe Danner 14.30, 16.30, 21.30

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Preço: Mop50.00 Um filme de: Darren Aronofsky Com: Natalie Portman, Vincent Cassel, Winona Ryder 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Preço: Mop50.00 (Falado em cantonense) Um filme de: Chung Shu Kai, Eric Tsang Com: Tony Leung, Sandra Ng, Eric Tsang 19.30

Soluções do problema HORIZONTAIS: 1-URANICO. ALO. 2-RUMAR. NAVAL. 3-EB. RAMIFERO. 4-DISOREXIA. R. 5-ONUS. LENDA. 6-ANCIA. CODA. 7-A. DALINA. OB. 8-ADA. ENERGIA. 9-CONSOAR. IDI. 10-ADEUS. TORAX. 11-RASA. MOXARA. VERTICAIS: 1-UREDO. SACAR. 2-RUBINA. SODA. 3-AM. SUNDANES. 4-NAROSCA. SUA. 5-IRAR. ILENOS. 6-C. MELAINA. M. 7-ONIXE. NERTO. 8-AFINCAR. OX. 9-AVEADO. GIRA. 10-LAR. ADOIDAR. 11-OLOR. ABAIXA.

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição solução do problema do dia anterior

Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Diz-se do óxido e dos sais produzidos pelo urânio. Para a banda donde sopra o vento. 2-Pôr um rumo. Relativo a navios ou navegação. 3-Abrev., estibordo. Que tem ramos. 4-Falta de apetite. Abrev. de recebido. 5-Encargo, obrigação. Narrativa de sucessos fantásticos. 6-Indicativo de qualidade, de acção ou resultado de acção. Cauda. 7-De sul. Substância de dália. Ou. 8-Membro que serve às aves para voarem. Maneira com que se exerce uma força. 9-Tomar como consoada ou em consoada. Sacerdote gentílico. 10-Despedida. Segmento intermédio do corpo dos insectos. 11-Três alqueires. Tença, na Índia. VERTICAIS: 1-Cogumelo na urina de certos oxalúricos. Tirar. 2-Preparado insecticida. Carbonato que tem por base esse óxido. 3-Amerício. Língua do arqui.Sunda. 4-Marosca. Forma elíptica em vez de opinião,... vontade, etc. 5-Produzir ira em. Dor reumática do intestino. 6-O algarismo 100 na numeração romana. Matéria negra, que segregam os moluscos cefalópodes. De Maxwell, unidade de fluxo magnético. 7-Unha encravada. Género de insectos coleópteros tetrâmeros. 8-Cravar objecto delgado e longo. Elemento de origem grega que significa ácido. 9-Adoidado. Indivíduo inconstante, amalucado. 10-Lugar em que se acende fogo, na cozinha. Tornar doido. 11-Cheiro agradável. Espécie de fisga, usada na pesca a lampreia.

[Tele]visão www.macaucabletv.com

TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:20 Jornal das 24h 14:30 RTPi DIRECTO 17:35 Liga Sagres: Benfica vs Marítimo (Repetição) 19:00 TDM Desporto (Repetição) 19:30 Ganância 20:25 Acontecimentos Históricos 20:30 Telejornal 21:00 Jornal da Tarde da RTPi 22:15 A Muralha 22:58 Acontecimentos Históricos 23:00 TDM News 23:30 Montra do Lilau 00:00 Grandes Livros 00:30 Telejornal (Repetição) 01:00 RTPi DIRECTO INFORMAÇÃO TDM RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Bravo – Joana Carneiro 15:00 Magazine Goa Contacto 15:30 Percursos Da Música Portuguesa 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 O Preço Certo 17:45 O Olhar Da Serpente 18:30 A Alma E A Gente 19:00 Nos Trilhos Culturais Da Angola Contemporânea 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:00 Magazine Goa Contacto 22:30 Portugal No Coração TVB PEARL 83 06:00 Tacking Stocks 07:00 First Up 07:30 NBC Nightly News 08:00 Putonghua E-News 08:30 ETV 10:30 Inside the Stock Exchange 11:00 Market Update 11:30 Inside the Stock Exchange 11:32 Market Update 12:00 Inside the Stock Exchange 12:02 Market Update 12:30 Inside the Stock Exchange 12:35 Market Update 13:00 CCTV News - LIVE 14:00 Market Update 14:40 Inside the Stock Exchange 14:43 Market Update 15:58 Inside the Stock Exchange 16:00 Word World 16:30 ZingZillas 17:00 Scooby-Doo! Mystery Incorporated 17:30 Survive This 18:00 Putonghua News 18:10 Putonghua Financial Bulletin 18:15 Putonghua Weather Report 18:20 Financial Report 18:30 Football Asia 19:00 The Works 19:30 News At Seven-Thirty 19:50 Weather Report 19:55 Earth Live 20:00 The Pearl Report 20:30 Heroes 21:30 Joanna Lumley Cat Woman 22:30 Marketplace 22:35 Human Target and The CEO Connection 23:30 World Market Update 23:35 News Roundup 23:50 Earth Live 23:55 On the Red Carpet at The Oscars: The Winners 01:25 The Pearl Report 01:55 Transworld Sport 02:50 European Art At The MET 03:00 Bloomberg Television 05:00 TVBS News 05:30 CCTV News ESPN 30 13:00 ACC Sunday Night Hoops Maryland vs. North Carolina 15:00 Stihl Timbersports Series

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opinião ca d er n o d i á r i o Pedro Correia

SEGUNDA, 21 O Turista, de Florian Henckel: Angelina Jolie está deslumbrante neste filme que parece ter sido (e provavelmente foi mesmo) subsidiado pelo Turismo de Veneza. Quem nunca a viu noutros filmes (no deslumbrante Changeling, de Clint Eastwood, por exemplo) ficará certamente rendido a tanta fotogenia. Quem já a conhece, no entanto, percebe que aqui não se vislumbra sequer um simulacro de actriz: deparamos apenas com uma capa de revista. Por outro lado, quem nunca foi a Veneza deixa-se hipnotizar provavelmente por esta colecção de bilhetes-postais. Porque O Turista, no fundo, nada mais é que isto: Jolie em pose e uma sucessão de postais. Mas o melhor mesmo é ir lá: agora até há viagens baratinhas com os voos de baixo custo. Alguns custam pouco mais do que um bilhete de cinema. Caro, só andar de gôndola... O Depp faz de caixeiro-viajante, em propaganda nada dissimulada aos cigarros electrónicos. Se fosse português, chamarlhe-íamos Chico Esperto. Sem exagero de qualquer espécie. Qualquer semelhança entre isto e cinema é pura coincidência. A mim, confesso, deume até para bocejar. QUARTA, 23 O papel dos jornalistas nas

horas de grande tensão política é crucial. Faz hoje 30 anos, quando um punhado de militares saudosos do franquismo invadiu o edifício do Parlamento, sequestrando os membros do Governo e os deputados que lá se encontravam, Espanha viveu longas horas sob o pesadelo do regresso à ditadura após cinco anos incompletos de sistema democrático. Nessa noite de 23 para 24 de Fevereiro de 23 para 24 de Fevereiro de 1981, Madrid parecia uma cidade fantasma: só alguns bandos de arruaceiros de extremadireita varriam as ruas vitoriando Tejero de Molina e os seus capangas da Guarda Civil que mantinham os políticos sob a mira das armas de fogo. Nesses momentos dramáticos, em que tudo podia acontecer, dois jornais diários fizeram a diferença: o El País, de Juan Luis Cebrián, e o Diario 16, de Pedro J. Ramírez, lançaram edições especiais que estavam fechadas às 21.30 (apenas três horas após o início do golpe) e já circulavam na rua pouco depois das 11 da noite. “Fracasa el golpe de Estado” – foi a manchete do Diario 16. “El País com la Constitución”, titulava o El País. Numa altura em que o rumo dos acontecimentos era ainda imprevisível. Manchetes editorializadas, que exprimiam mais desejos do que certezas, mas que à sua maneira também contribuíram para influenciar o desfecho da intentona extremista: vários agentes da Guarda Civil que tiveram acesso a essas edições – hoje históricas, por motivos óbvios – acabaram por abandonar o edifício do Parlamento, à revelia de Tejero, durante a madrugada: era o primeiro indício claro de que o golpe fracassaria.

O papel dos jornalistas nas horas de grande tensão política é crucial. Faz hoje 30 anos, quando um punhado de militares saudosos do franquismo invadiu o edifício do Parlamento, sequestrando os membros do Governo e os deputados que lá se encontravam, Espanha viveu longas horas sob o pesadelo do regresso à ditadura após cinco anos incompletos de sistema democrático Coube ao Rei Juan Carlos o papel mais decisivo ao surgir já cerca da 1.30 da manhã de 24 de Fevereiro em directo na televisão espanhola, com a sua farda de comandante supremo do exército, desautorizando os golpistas com estas palavras claras: “A Coroa, símbolo da permanência e da unidade da pátria, não pode tolerar de forma alguma acções de pessoas que pretendem interromper pela força o processo democrático que a Constituição, oportunamente votada pelo povo espanhol, determinou através de um referendo.” “Nós, na redacção, partilhávamos da inquietação que percorreu Espanha. A experiência da liberdade política iria acabar num novo fracasso? Mas tínhamos também

ca rtoon por Steff

uma impaciência particular e íntima: o que acontecerá quando os militares chegarem aqui?”, lembrava ontem, nas páginas do El Mundo, o jornalista Justino Sinova, à época director-adjunto do Diario 16, revivendo essas horas de enorme tensão, em que tudo poderia acontecer num país onde permaneciam vivas as memórias da sangrenta guerra civil de 1936-39. Nos momentos decisivos, o jornalismo fiel à sua verdadeira vocação, não hesita: escolhe sempre a trincheira da liberdade.

QUINTA, 24 As revoltas populares no

Magrebe e no Médio Oriente têm servido de pretexto, a vários colunistas na imprensa portuguesa, para debitarem o seu ódio contra as sociedades islâmicas em geral e os países árabes em particular. Não me lembro há muito de ver textos tão rasteiros e tão boçais, em que se traça de cada árabe o retrato de um fulano manipulável, demente, violador de mulheres, saqueador de bens e um terrorista em potência, às ordens dos extremistas mais fanáticos. Um desses colunistas, alarvemente, chegou a proclamar-se islamófobo em prosa digna de um Ahmadinejad – bastaria trocar “islâmico” por “judeu” no referido arrazoado. Esses articulistas – alguns dos quais certamente com ascendência árabe – nem reparam, nesta visceral aversão à “rua islâmica”, que agora se mobiliza para derrubar tiranos – que os seus textos expressam um radicalismo simétrico ao daqueles que pretendem denunciar. Esquecendo que, se os atentados matam, também as palavras podem matar. O primeiro passo para uma bomba assassina é sempre um texto a escorrer ódio.

SEXTA, 25 Jorge VI, pai da actual Rainha

Isabel II, era um homem introvertido e ensi-

controlo

mesmado, que nunca sonhou ser monarca. A sucessão do rei-imperador Jorge V, neto da rainha Vitória, estava garantida para o filho mais velho, David, que viria a adoptar o nome de Eduardo VIII ao subir ao trono, em Janeiro de 1936. Eram tempos difíceis, para Inglaterra e para o mundo. Mussolini ocupara a Abissínia, Hitler preparava-se para marchar em direcção a Viena, as tropas de Franco não tardariam a revoltar-se contra o governo da Frente Popular em Madrid, dando início à mais sangrenta guerra civil de que há memória em território europeu. Eduardo VIII e o duque de York – que se chamava Alberto mas viria a escolher o nome de Jorge VI ao tornar-se rei – eram dois irmãos muito unidos. Mas de feitios opostos: o primeiro era extrovertido, frívolo e adorava aparecer nas colunas sociais; o segundo era de uma timidez desconcertante, agrava pelo facto de ser gago. Falar em público, para ele, constituía um pesadelo. O maior pecado de Eduardo – e que acabaria por lhe custar o trono – era a sua notória atracção pela Alemanha nazi. Uma conspiração da classe política britânica – com o primeiro-ministro Stanley Baldwin à cabeça – forçou-o a renunciar ao trono. E ele assim o fez, numa dramática alocução radiofónica aos súbditos, em Dezembro de 1936. Pretexto invocado: a sua anunciada intenção de casar-se – aos 42 anos – com uma americana divorciada, Wallis Simpson, algo reprovável para os costumes da época. Mas o dilema mais fundo, neste drama de bastidores, era o Reino Unido vir a ter um monarca amigo de Adolf Hitler em vésperas da eclosão de uma guerra mundial. Jorge VI, portanto, subiu a um trono que jamais desejou e Eduardo VIII rumou a um exílio perpétuo. Os dois irmãos, que tanto se estimavam, praticamente nunca mais se viram. Tom Hooper tinha aqui material para um excelente filme. Infelizmente, desperdiçou todas estas pistas ao assinar uma longametragem reverente, pomposa, académica e previsível, centrada no exerício de virtuosismo de dois grandes actores – o britânico Colin Firth e o australiano Geoffrey Rush, já galardoado em 1996 com o Óscar de melhor actor pelo seu desempenho em Simplesmente Genial. O Discurso do Rei, o principal candidato ao Óscar de melhor filme de 2010, centra-se na gaguez de Jorge VI e nos esforços que fez para se curar. Tema interessante mas que não justifica os 113 minutos de duração do filme: a história poderia ser contada com mais eficácia em apenas hora e meia. Mas imperdoável é mesmo esta sensação de que o realizador passou ao lado de um grande filme com o material temático de que dispunha: dois irmãos, ambos reis, separados por preconceitos morais e pelas primeiras nuvens negras de uma tempestade política sem precedentes na história humana. Que um deles fosse gago, para o caso, é um pormenor quase irrelevante.


Procuremos ver, reparar, ouvir, escutar e Padre Manuel teixeira [1912-2003]

aprenderemos muito.

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15 à f l or d a p el e Helder Fernando

Esta cidade de gente P

assam breves aquelas horas em que não nos atropelamos neste trânsito urbano de pessoas e veículos cada vez mais ambas as coisas e menos urbano. Parece não haver tempo nem espaço para cortesias e afabilidades. Um atordoamento preenchendo a fatia mais agitada de cada dia. Nesta geografia que não é apenas a ciência do espaço, Macau não é uma metrópole gigante, apenas inventou a mania de que já o é. Tal como lhe impõem a mania de fazer tudo para ser uma cidade para ricos, expulsando do seu seio os que não são assim. Necessário lutar - ou “apenas” resistir? - contra estas e outras insanidades, mantendo a própria sanidade. Quem realmente sente a cidade cá dentro, nas entranhas, junto ao melhor dos sentimentos, não a deseja fumarenta, cinzenta, de máscara na boca; nem a deseja fétida em muitos locais. Nem a deseja indiferente, taciturna, não solidária. Até porque Macau nunca foi assim. Esta cidade talvez ainda vá a tempo de continuar a ser um local diferente, o porto de abrigo que a tornou uma pérola do rio deste lado do delta. O crescimento não a impedirá de ser diferente, de ter espaço para sentimentos, para aproximações, local onde podemos beber as tempestades e as bonanças, gostar de poesia, de madrugadas com luar, do canto dos pássaros, de esplanadas descontraídas, de música, de palcos, de sol, de ventos que sopram canções e segredos, enganos, desencantos e encantamentos. Tudo isto que ela tem e muito que não tem. Esta cidade guarda uma história social e não apenas uma história de sócios. É para ser amada por nós, mas também tem de nos amar. Não se julgue possível a cidade de um lado e o sentimento do outro. Ou o sentimento para aqui e a cidade, apática, para ali. Ou uma cidade sem cidadania. Macau pode não ser a cidade ideal, mas tem de sublimar ideais e ter receio de perde-los. Tem de mobilizar-se e de nos mobilizar. Pode ser cada vez mais difícil descobrirlhe espaços para solitários, mas tem de os entender imensamente. E tem de ser uma cidade solidária. A gostar de crianças e a desgostar as que nunca puderam nascer. O tráfego urbano de gentes e veículos retira-lhe muitos lugares de fuga, de vazios

necessários; mas não deve, por isso, porventura sem saber, impor-lhe o manto principal do fútil, do vazio, do vácuo. Uma cidade não tem de ser bacteriologicamente pura, vinte e quatro horas por dia politicamente correcta - ou apenas “das suas gentes”. As variadas ressonâncias humanas da nossa Macau oferecem-lhe diferentes mas não desavindos húmus, opostos simbolismos, desiguais aspirações, diversidades contraditórias entre si. Deve ter dias que nos engana e outros dias que a enganamos, que a traímos até. Esta Macau só não deve é exibir lantejoulas como se fosse a sua verdadeira pele, aceitando as luzes intermitentes de uma cidade vulgar que só tem aquilo e pouco ou nada mais além e aquém daquilo. Uma cidade deve escolher responsáveis que saibam conversar com ela, que realmente saibam rir sem reverências, mas que também saibam chorar e que gostem de sentir a carícia dos pingos da chuva; que saibam ouvi-la nos gabinetes e nas poças de água, por entre panchões, no interior dos carros de luxo e na degradação de muitos táxis e taxistas.

Esta cidade guarda uma história social e não apenas uma história de sócios. É para ser amada por nós, mas também tem de nos amar. Não se julgue possível a cidade de um lado e o sentimento do outro. Ou o sentimento para aqui e a cidade, apática, para ali. Ou uma cidade sem cidadania As cidades têm ciclos viciosos, mas não devem ter apenas ciclos viciosos que as dominem e, muito menos, hipotéticos salvadores acima de tudo e de todos, gananciosamente dividindo entre si os bolos e algumas bolas de naftalina. Nesta Macau de novos conquistadores, de novas desconstruções, não temos, felizmente, eternamente, os mesmos gostos; devemos é praticar a tempo inteiro o tanto que sentimos por ela, e a falta que nos faz

quando dela estamos longe. Macau para ser uma cidade humana não precisa de ter demasiados humanos que mal cabem nela; deve preferir resmungar com alguma da sua memória sem a perder nunca, sem deixar que o excessivo a abafe no que de melhor ela sempre teve e sempre deu. Porque as cidades possuem sentimentos, têm história, têm muitas histórias que são delas mesmo, não as inventadas por quem não as conhece e as aborda e invade para costurá-las, pintá-las, enfeitá-las, transformá-las para as exportar com adereços que lhes são distantes, com ornatos que lhes nasceram de varinhas mágicas, na imposição desta necessidade de um diferente, afinal igualzinho a tantos iguais. Uma cidade cercada não é uma cidade feliz. Em “A Cidade e as Serras”, Eça de Queirós coloca esta reflexão como se o fizesse hoje: “Mas o que a Cidade mais deteriora no homem é a Inteligência, porque ou lha arregimenta dentro da banalidade ou lha empurra para a extravagância”.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção António Falcão; Filipa Queiroz; Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Kahon Chan; Rodrigo de Matos Colaboradores Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; João Miguel Barros, Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Luís Sá Cunha, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


isto é uma terra de estudiosos. Egipto Murabak retido O antigo presidente egípcio Hosni Mubarak está proibido de sair do Egipto. Os seus bens foram também congelados. A proibição de viajar abrange não só o antigo líder mas também a sua família. As autoridades têm dado vários passos contra Mubarak, ordenando inquéritos à sua riqueza e pedindo o congelamento dos seus bens no estrangeiro, tentando distanciarse do antigo presidente. Espanha Funerais em 3D Uma empresa espanhola lançou um serviço que permite ao clientes visualizar o seu próprio funeral em 3D. Além disso, a morte pode ser também anunciada a amigos e familiares através das redes sociais. Com um sistema idêntico ao de uma lista de casamento, a pessoa pode escolher incluir vídeos, fotografias, textos e músicas, além das tradicionais flores, das homenagens, das decorações e da ementa. “Ao início pensámos que seria uma loucura. Que ninguém nos levaria a sério”, disse o gerente da empresa, Miguel Adán. “Por que não ver a pessoa que faleceu como uma recordação agradável?” pub

porque não passam o Politécnico a Universidade?

Ahhh, devem estar a estudar

!!!

Macau | Ranking económico da China

Nono na competitividade Kahon Chan

U

kahon.chan@hojemacau.com.mo

ma avaliação nacional à competitividade económica e desenvolvimento relativa ao ano de 2009 foi divulgada, com Macau a ocupar o nono posto. O “ranking” foi apresentado pela Academia Chinesa de Ciências Sociais mas várias agências de Fujian foram responsáveis pela maior parte da investigação, que cobriu 34 províncias e regiões de toda a China, incluindo Taiwan. O “Livro Azul da Competitividade Nacional” na verdade

classifica a capacidade competitiva de 31 províncias ou cidades autónomas da China, mas também inclui Macau, Hong Kong e Taiwan para referência, com

mais de uma centena de parâmetros analisados. No ano de 2009, Hong Kong ficou à frente de toda a concorrência, seguido de Taiwan, Xangai e a capital Pequim, por essa ordem. Macau ficou apenas em nono, enquanto Jiangsu ultrapassou Guangdong para assumir a quinta posição. A investigação concluiu que as três regiões “especiais” superaram claramente o resto da China em termos de capacidade financeira e desenvolvimento ambiental, tendo também apresentado um bom desempenho macro-económico, desenvolvimento sustentável e coordenação.

terça-feira 1.3.2011 www.hojemacau.com.mo

Tecnologia Sexo com a consola O novo jogo da Nintendo Wii propõe brincadeiras sexuais entre casais. Chama-se “We dare” e é descrito como um “jogo sexy que oferece uma grande variedade de desafios divertidos, inovadores e, por vezes, excêntricos”. Para jogar o utilizador dispõe dos comandos da consola para pequenos jogos que podem envolver striptease ou a simulação do jogo de trincar a maçã. EUA Morre último veterano da 1.ª Guerra O último veterano norteamericano da Primeira Guerra Mundial, Frank Buckles, que mentiu sobre a idade quando se alistou em 1917, morreu com 110 anos. Buckles morreu no domingo de causas naturais na sua casa, perto de Charlestown (Virgínia Ocidental, no sul dos EUA). Durante a Primeira Guerra Mundial, Buckles prestou serviço como motorista de ambulâncias do exército norte-americano na Europa, antes de ser promovido a cabo pouco antes do fim do conflito. Depois da guerra, trabalhou na marinha mercante.


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Hoje Macau 1 MAR 2011 #2319 by Jornal Hoje Macau - Issuu