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h - Suplemento do Hoje Macau #12

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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Anos 5o Japテ」o

a cテ「mara dos mestres

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O PENSAMENTO DE MANUEL AFONSO COSTA

ALI, AO FUNDO, SEREI FELIZ?

PARTE INTEGRANTE DO HOJE MACAU Nツコ 2382. Nテグ PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE

Arte em HK

pintura e contentamento


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L E T R A S S Í N I C A S

WEN ZI 文子

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A COMPREENSÃO DOS MISTÉRIOS

Levado demasiado longe, o amor se torna indulgência, que é ineficaz.

CAPÍTULO 153 Lao Tzu disse: De entre todas as energias do universo, nenhuma é maior do que a harmonia. A harmonia significa a regulação de yin e yang, a divisão do dia e da noite. Assim, a miríade de seres nasce na Primavera e perece no Outono. O nascimento e a maturação requerem a vitalidade da harmonia – desse modo, o yin acumulado não produz e o yang acumulado não desenvolve; apenas quando yin e yang interagem são capazes de produzir harmonia. É por isto que a Via dos sábios é magnânima mas severa, severa mas quente, suave mas directa, feroz mas humana. Aquilo que é demasiado duro parte-se, aquilo que é demasiado macio dobra-se: a Via situa-se exactamente entre a dureza e a flexibilidade. A benevolência que vai demasiado longe torna-se em fraqueza e perde dignidade. A severidade que vai demasiado longe torna-se ferocidade, que não é harmónica. Levado demasiado longe, o amor se torna indulgência, que é ineficaz. O castigo que vai demasiado longe torna-se calamidade, que se traduz na perda de amizade e família. Por tudo isto, se deve valorizar a harmonia. Tradução de Rui Cascais Ilustração de Rui Rasquinho

O texto conhecido por Wen Tzu, ou Wen Zi, tem por subtítulo a expressão “A Compreensão dos Mistérios”. Este subtítulo honorífico teve origem na renascença taoista da Dinastia Tang, embora o texto fosse conhecido e estudado desde pelo menos quatro a três séculos antes da era comum. O Wen Tzu terá sido compilado por um discípulo de Lao Tzu, sendo muito do seu conteúdo atribuído ao próprio Lao Tzu. O historiador Su Ma Qian (145-90 a.C.) dá nota destes factos nos seus “Registos do Grande Historiador” compostos durante a predominantemente confucionista Dinastia Han. A obra parece consistir de um destilar do corpus central da sabedoria Taoista constituído pelo Tao Te Qing, pelo Chuang Tzu e pelo Huainan-zi. Para esta versão portuguesa foi utilizada a primeira e, até à data, única tradução inglesa do texto, da autoria do Professor Thomas Cleary, publicada em Taoist Classics, Volume I, Shambala, Boston 2003. Foi ainda utilizada uma versão do texto chinês editada por Shiung Duen Sheng e publicada online.


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Na primeira versão do “Ensaio Sobre a Visão” vamos ensaiar Macau. Aqui, no complexo terreno percorrido pelos fotógrafos do território. Uma zona, uma rua, um edifício. A água que bebemos dentro de uma mão cheia de imagens. A Fotografia sem explicação, para que se compreenda o que é a Cidade. Esta cidade onde vivemos.

E N S A I O S O B


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B R E A V I S Ã O

Hugo Pinto

Não se lembra exactamente quando foi a primeira vez que pegou numa câmara fotográfica, mas lembra-se que era uma Zenit e era pesada. Lembra-se também de um sem fim de frases bonitas sobre fotografia, mas prefere o silêncio das imagens. Um destes dias passeou pela Avenida da República onde procurou instantes de um passado presente e a paz de um futuro ausente. Para mais tarde recordar.

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Avenida da República


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P R I M E I R O B A L C Ã O

luz de inverno

Boi Luxo

A PROPÓSITO DE UGETSU MONOGATARI, MIZOGUCHI, 1953.

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XISTE ENTRE AS PESSOAS QUE FALAM OU ESCREVEM SOBRE CINEMA UMA FORTE INCLINAÇÃO - QUE NÃO ESCONDE NUNCA UM BENÉVOLO EXAGERO E UMA MUITO DESCULPÁVEL CERTEZA - PARA DESTACAR MOMENTOS OU SITUAÇÕES QUE SENTEM E TENTAM IMPOR COMO ÚNICOS. Assim nascem frases como “nunca Ingrid foi tão bela como neste plano”, “nunca mais o cinema foi inocente” ou “nunca houve cineasta de mulheres como Mizoguchi”. Percebe-se o vício, que pode excitar alguma irritação, mas perdoa-se e aplaude-se a paixão que o promove. Isto pode levar a concluir que há planos que são inesquecíveis ou que há planos que têm um poder revolucionário, quer esta revolução se opere num campo mais restrito ou mais geral. Esta história de Mizoguchi tem uma cena assim. É também um lugar muito comum dizer que há obras de arte a que voltamos repetidamente e a que pedimos que nos confortem com o reconhecimento ou que nos surpreendam cada vez que a ela voltamos. Pode acontecer com um livro ou um quadro ou um filme. Certamente que Ugetsu Monogatari provoca em muitos esta expectativa. Um filme que é visto muitas vezes começa a ganhar interesses diversos. A consciência que

temos da sua estrutura toma formas diferentes, e, libertos da pressão da novidade, é antecipadamente que hierarquizamos os seus momentos nucleares e que, especialmente, esperamos o aparecimento de um ou mais planos que preenchem, de modo particularmente excitante, as nossas necessidades estéticas ou emocionais singulares. Em Ugetsu Monogatari isso acontece várias vezes mas há uma cena que se destaca ainda mais do que as outras e que se investe de um lugar único na economia de toda a história. Pode até ser que se trate de um plano que domina, avassalador, todos os outros. Esta é necessariamente, uma afirmação muito íntima. Se este filme tem tido uma recepção em que os elogios se acumulam imensos e diversos é porque se trata de uma história excepcional. Ele é, talvez, o filme a que mais vezes se regressa, mesmo que as razões que estão por trás desta inexorável repetição possam ser muito diversas. Sei que é isto que acontece comigo e permitir-me-ão ainda uma outra pequena e desavergonhada confissão: este é o filme que me atraiu para sempre para o cinema japonês e se não foi na desfloração que ele operou em mim que bebi o máximo dos deleites que ele dispensa foi porque muitas mais vezes para ele me dirigi. Sei que esta atracção atinge muitos outros, e mesmo aqueles que demonstram um gosto especial por outros filmes de Mizoguchi, confessam sem qualquer receio que este conto

tem um lugar único na sua atenção. Se este é o único filme que nestas páginas aparece pela segunda vez é porque o merecimento que a esta decisão leva é indiscutível. O oleiro Genjuro é encantado por uma mulher. São muitas as mulheres encantadoras na tradição ocidental e asiática mas esta mulher, a Senhora Wakasa, leva o seu amante para um lugar que é o lugar mais paradisíaco do cinema. Estas linhas estavam decididamente a encaminhar-se para um encómio desta natureza, raríssimo mas sentidíssimo. Quem já viu este filme muitas vezes fá-lo certamente para se ver arrastado, uma vez mais, para este lugar único. São as cenas em que Genjuro e a Senhora Wakasa gozam a companhia um do outro num campo junto a um rio, uma árvore no meio da composição. Um rio e uma árvore que não são a árvore e o rio do paraíso terrestre ocidental porque este paraíso, mesmo enganoso, é uma projecção futura e não o locus do início. Neste filme há muito mais, mesmo muito mais para ver e para esperar. Os momentos antecipados a cada nova visão são muitos, como sejam os planos da chegada à casa da encantadora, os planos das travessias de barco, o do regresso à sua casa da aldeia, o dos momentos de amor na casa nocturna ou os planos em que a Senhora Wakasa e Genjuro se conhecem e em que aquela admira as suas criações de cerâmica. Os planos que dizem respeito à histó-

ria mais terrena de Tobei (irmão de Genjuro), quase cómica, têm também uma importância maior para o entendimento do filme e só com estes se compreende o complexo do filme na sua totalidade. Mas a cena junto ao rio, que é o que aqui nos traz, é algo que está para lá do filme, algo que sobrevive, suspensa no tempo e no espaço, separada do corpo que a gerou. Certamente que o amor que a Senhora Wakasa inspira também em nós provém da certeza de que esta não poderá nunca morrer, o elemento frágil sendo nós, vasos fugazes de uma existência certa que tanto necessita daquela. A riqueza, a liberalidade e o corpo da Senhora Wakasa são a face do nosso desejo de felicidade simples e da felicidade do camponês oleiro. Este complexo exprime-se no seu maior brilho nesta cena do pequeno campo junto ao rio em que nada acontece que não seja a certeza da felicidade total, de um bloqueamento desejado, de um engano cujo deleite é irrecusável, de uma luz de que só o filme a preto e branco era capaz. No estado paradisíaco em que o pobre camponês vive com a amante o tempo vê-se suspenso, como se a existência deste fosse sinal de um estado inferior ou, pelo menos, de um estado comum e mundanal. Sinal desta estação existencial é a certeza de que este é o lugar de que se não quer sair mais.


CORAÇÃO DIABO Antønio Falcão «Vi-o nas minhas mãos, a queimar-se no coração Vi-o no passado, a atormentar-me a casa Mas faz algum sentido voltar a vê-lo de novo? Não sei Senti-o por algum tempo, e nem por isso O fel deixou de escorrer na minha cabeça, sim o amor dói E não estou à espera de nenhuma mudança, mas é difícil resistir Porque não me lembro de estar assim tão morto Só ela existe, perdi o melhor que tinha Depois, encontrei-a num sonho, à minha procura O meu coração está em chamas, e levo-o sozinho Para cima e para baixo, despedaçando-se de novo E os meus braços Pouco me importa quem abraçam Talvez seja melhor assim, deixar o amor de lado Mesmo que chames o meu nome, pelo amor que precisas Não vais encontrá-lo aqui E consigo ver o fim daquilo que comecei Uma história de amor, que veio e que foi Mas que agora, sem promessas Já não me vai levar, nem eu irei atrás dele» É isto. Simples. Pega-se numa guitarrinha, dedilham-se umas notas, abre-se a alma e deitam-se todas as guelras cá para fora. Se estiver uma rapariga bonita ao cimo da janela, tanto melhor, se não estiver, também não faz mal. Fica para a próxima. Mas é preciso muito mais do que isto, para fazer uma canção. Não basta a atitude comum do “agora vou ser poeta” ou o “não consigo deixar de pensar nela”. Porque não se está só. Não se canta para as paredes. Canta-se até que tudo em nós nos doa. O exemplo em cima – é apenas isso – vem de uma canção de uma banda inglesa – desculpem a tradução manhosa, mas o original não é muito melhor –, são os The Big Pink, e o mimo chama-se “Velvet”. Porque está aqui? Porque queria exibir o modelo de uma receita, essas coisas de as canções atingirem os outros, e com isso perfazerem o processo de deslumbre – e também de penitência – do acto de criar, entre o emissor e o outro lado da parede. Este “veludo” tem tanto de sublime como de restos de outra comida. Uma certa melodia, alguma repetição, muito barulho, onde se amassam vários estilos, e uma letra que não diz nada de novo. Mas é um momento. Um raio que se solta – de uma nota só - que se impregna em algum lugar do marfim humano e se perde sem mais se achar. Não se sabe muito bem o que é, porque umas pessoas gostam disto e outras daquilo. Como quem dá uma garfada de peixe e outra de uma iguaria desconhecida. Estranha-se, dizem, depois embrenha-se. Ou lá o que é. E chegamos à parte desta pequena crónica em que vou dizer mal do Bob Dylan. Como se toda esta conversa, fosse apenas um pretexto para aqui chegar, a um mero excerto de clímax. É verdade, neste cantor não há nada que se entranhe. Muita gente poderá dizer que estou a cometer a maior das heresias, que é uma estátua em que se não toca; como se dissesse que o Messias era um homem muito feio ou que a Virgem tinha um leve buço. Fiz várias tentativas, é certo, mas todas sem êxito. Uns dizem que o fenómeno é todo por causa da sua lírica – que era um “grande poeta” – mas no durável dos anos, nos dele e nos meus, longos, nada nos relacionou. Talvez porque nenhum de nós tenha tomado os comprimidos será. Porque será? “Não sei”. Em Portugal os pavilhões enchem-se para ouvir Tony Carreira e afins. Compreendendo-se ou não é também fruta do mesmo saco. THE BIG PINK 4AD • www.musicfromthebigpink.com Bob Dylan www.bobdylan.com

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T E R C E I R O O U V I D O

próximo oriente

Hugo Pinto

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O BRANCO MAIS BRANCO Tal como o original No Wave nova-iorquino, 30 anos antes, o movimento No Beijing convocou as diferenças como denominador comum entre as hostes musicais. No entanto, à semelhança dos estados igualitários onde “uns são mais iguais do que outros”, também aqui cedo se percebeu que “uns eram mais diferentes do que outros.” Do inicial “bando dos quatro” (White-2j, The Gar, Carsick Cars e Snapline), e pesando embora toda a energia criativa que proliferava, a que se juntava a heterogeneidade própria da natureza do “grupo”, os mais originais e “diferentes”, de forma destacada, sempre foram os White-2j (entretanto transformados em White+). Na nova música chinesa, ainda hoje, passados seis anos depois da apresentação ao mundo do No Beijing, através do lançamento do disco homónimo repartido pelas quatro bandas, os White+ continuam a ser um caso raro de experimentalismo avant-garde em “flirt” constante com os formatos aceites pela cultura popular, criando um universo simultaneamente acessível e distante, um universo onde o criador dá pelo nome de Zhang Shouwang. Conta-se que, certa noite, Michael Pettis (antigo banqueiro de Wall Street, professor universitário em Pequim, dono do clube D-22 e da editora Maybe Mars) avistou um jovem chinês num bar da capital vestido com uma T-shirt dos Velvet Underground. O norte-americano meteu conversa e descobriu que o seu interlocutor chamava-se Zhang Shouwang e que era um guitarrista com a mente aberta para muitas e diferentes sonoridades. A empatia entre Pettis e Zhang foi imediata – o homem que se fartou dos jogos da alta finança pressentiu o valor do talento em estado bruto e ofereceu a Zhang uma guitarra Gibson SG. O episódio vem relatado

na New Yorker e o resto, como se diz, é história. Foi ainda em 2004 que Zhang Shouwang (ou Jeff Zhang) criou o nome White para designar os vários projectos onde deu azo às suas tendências experimentadoras. No início de 2005, Zhang formou os White No.1, um septeto de tributo a uma das suas maiores influências, o compositor e guitarrista norte-americano Glenn Branca, pioneiro em “afinações alternativas” e explorador do minimalismo e repetição aplicados às seis cordas de uma guitarra eléctrica. A admiração teria reciprocidade logo um ano depois, quando Zhang viajaria até Nova Iorque para fazer parte da gravação de uma peça de Branca, a sinfonia número 13, “Hallucination City”, composta para ser tocada por uma centena de guitarristas. No mesmo ano em que Zhang Shouwang formou os White No.1 nasceram também os White-2j, que, pouco tempo depois, seriam apenas White. Neste projecto, Zhang teve como cúmplice a baterista dos Hang on The Box, Shen Jing, uma parceria que duraria até ao Verão de 2010, altura em que Shen deu lugar a Wang Xu, baterista dos The Gar, uma das quatro bandas fundadoras do No Beijing. 2005 foi também o ano em que Zhang fundou os Carsick Cars, mas essas são contas de um outro rosário. As mudanças constantes dos colaboradores de Zhang e até as próprias alterações ao nome do projecto podem ser entendidas como consequência do pulsar vibrante e da urgência criativa que está condensada naquele que, até ao momento, é o único disco assinado com o nome White. Foi em 2009. O álbum, “White”, com selo Maybe Mars, foi gravado em Berlim, onde Zhang

e Shen tiveram a ajuda de Blixa Bargeld, lenda viva da música, mentor dos Einsturzende Neubauten e ex-Bad Seed de Nick Cave. Bargeld foi o produtor dos 13 temas que revelam o carácter multifacetado da dupla White e das suas diversas influências – dos padrões minimais de Steve Reich até aos mestres chineses clássicos, passando pelos ritmos maquinais do “industrial” –, sempre com uma atitude “rock’n’roll”, feroz e agressiva, mas sedutora. A abrir o disco, ouvimos, em “Space Decay”, o zumbido do fantasma Suicide a voar pelos céus de Pequim; “Build a Link” e “47 Rockets” são revisitados por Laurie Anderson; “Spring House” traz o crescendo ilusório das guitarras de Glenn Branca e “Conch Crunch” dilata a veia “noise” e industrial, à boa (e velha) maneira dos alemães Einsturzende Neubauten. Todas as influências díspares congregadas por White acabam por fazer sentido juntas, dada a organização e arrumação que percebemos existir por detrás da aparente espiral caleidoscópica e na animação da força centrípeta de uma música que parece decidida a mover-nos com a energia de um organismo vivo, mutante e em permanente evolução. Sabemos que, no Oriente, a cor branca representa tristeza e luto, ao contrário do Ocidente, onde o branco tem conotações mais positivas. No entanto, universal é o que qualquer enciclopédia nos diz sobre a cor branca: a junção de todo o espectro de cores; aquela que reflecte todos os raios luminosos, não absorvendo nenhum e, assim, surgindo como clareza máxima. Podia ser esta, também, a definição da missão que Zhang Shouwang deixa entrever que persegue na sua obra e actividade: haja luz, muita luz, mesmo que esta tenha que vir por caminhos misteriosos e insondáveis.


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O L H O S A D E N T R O

ART HK 11 DE PICASSO A ZHANG HUAN E KONSTANTIN BESSMERTNYI Michel Reis

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CONTINUAMOS A FALAR DE ARTE! ENTRE OS DIAS 26 E 29 DE MAIO, REALIZOU-SE NO CENTRO DE CONVENÇÕES E EXPOSIÇÕES DE HONG KONG, A 4ª FEIRA INTERNACIONAL DE ARTE DE HONG KONG, UM DOS MAIORES CERTAMES DO GÉNERO DO MUNDO. Um dos mais antecipados eventos do calendário artístico internacional, a Feira contou com a participação de 260 galerias de 38 países, no que constituiu a maior exibição de arte contemporânea alguma vez realizada na região vizinha. A ART HK 11 apresentou obras de mestres modernos como Picasso e Matisse a importantes artistas contemporâneos como Takashi Muramaki, Zhang Huan e Damien Hirst (que teve duas obras expostas na primeira exposição realizada na Galeria Louis Vuitton em Macau), oferecendo aos visitantes a oportunidade de mergulharem na melhor e mais extensa mostra de arte moderna e contemporânea da Ásia, com obras a preços entre os 8,000 e os 80 milhões de dólares de Hong Kong! Tendo tido a sua primeira edição em 2008, a ART HK, passou, conforme foi anunciado no início de Maio, a ter como principais depositários os proprietários de Art Basel (a principal feira de arte contemporânea do mundo), uma viragem que promete dar ao evento ainda mais proeminência. A compra da firma Asian Arts Fairs, proprietária da ART HK, pelo Grupo de Exposições MCH, da Suíça, constituiu a principal sensação. O actual Director da ART HK, Magnus Renfrew, afirmou que o envolvimento de Art Basel ira trazer uma competência e contactos sem paralelo à ART HK e irá elevar o certame a um novo patamar, transformando-o na terceira feira de arte mais importante do mundo. Referiu ainda que, mesmo antes do anúncio da compra do certame pela Art Basel, a organização foi inundada por 500 candidaturas de galerias e apenas aceitou cerca de metade, assegurando o sabor asiático da feira, não obstante a presença de grandes nomes de Nova Iorque e Londres. Para já e até 2012, o novo proprietário não irá mudar a gestão local da feira, alterando apenas a data da sua realização, que passará para o mês de Fevereiro, encaixando-se entre os eventos de Art Basel em Miami, em Dezembro, e em Basel, em Junho. Este ano, a ART HK estendeu-se para além das paredes do Centro de Convenções. O grande número de eventos realizados no exterior criou pela primeira vez a sensação de uma verdadeira semana de arte na cidade. Uma das novas características da feira este ano foi a secção ASIA ONE, com 47 galerias representando uma dúzia de países, da Turquia à Índia, e do Japão à Nova Zelândia, que apresentaram apenas exposições individuais. Contou ainda com a secção ART FUTURES, patrocinada pelo retalhista de luxo Lane Crawford, uma exibição multi-galeria de obras de artistas emergentes representados por galerias criadas nos últimos cinco anos, que incluiu uma amostra representativa do melhor da arte contemporânea emergente. Numa colaboração com o Asia Art Archive e integrado no seu programa educativo, a ART HK organizou uma série de palestras informativas e educacionais durante a feira. Foram ainda organizadas visitas guiadas ao evento a fim de permitir aos visitantes terem um conhecimento mais profundo das galerias expositoras e das obras em exposição. A ART HK empenhou-se ainda no desenvolvimento de uma plataforma para as crianças explorarem o mundo da arte através da colaboração com importantes instituições artísticas locais, no suprimento de programas de arte especialmente concebidos para os mais novos. A feira havia já captado as principais galerias do mundo

e orquestrado vendas de obras de milhões de dólares de artistas famosos como Damien Hirst. O mercado de Hong Kong está inundado de dinheiro, particularmente no que respeita aos novos coleccionadores endinheirados do Interior da China e de outras partes da Ásia. Leiloeiras como a Christies associaram-se também ao evento, promovendo leilões de arte, antiguidades, vinhos, relógios e jóias. O Deutsche Bank, patrocinador de longa data, continuou a estar envolvido na feira, que contou também com ofertas bizarras de companhias como a BMW, que expôs um automóvel decorado por Jeff Koons, ou como o Mandarin Oriental, que ofereceu bolos com design da autoria do artista chinês Zhou Tiehai. As galerias locais esperaram também pela semana da ART HK 11 para abrirem novos espaços ou exporem obras de artistas importantes. Mesmo as galerias que não fazem oficialmente parte do certame aproveitaram essa semana para promoverem os seus perfis. O homem mais procurado na cidade parece ter sido David LaChapelle. Na passada semana, o fotógrafo de moda e arte nova-iorquino desvelou uma colagem da sua autoria com a dimensão de 3 metros, inspirada na obra “A Balsa da Medusa” de Géricault, na sua primeira exposição a solo em Hong Kong, que tem lugar na recém inaugurada Galeria Sarthe Fine Arts. A Galeria Edouard Malange, que abriu no ano passado, trabalhou com a Pace Gallery de Nova Iorque na instalação de uma massiva escultura do artista chinês Zhang Huan junto a um hotel e complexo comercial da cidade. “Três Cabeças e Seis Braços” estará em exibição no exterior do complexo Hullet House, um edifício colonial do séc. XVIII renovado, até ao final de Junho. Entre as obras expostas, encontrava-se uma escultura do controverso artista e activista chinês Ai Wei Wei, actualmente detido pelas autoridades chinesas. A obra, intitulada “Braço de Mármore”, foi criada em 2007 e apresenta um desafiante dedo médio em riste. Esta obra está ligada a uma série de fotografias do artista intitulada “Estudo de Perspectivas”, que mostram o artista a levantar o seu dedo médio em frente de edifícios incluindo a Casa Branca em Washington, a Torre Eiffel em Paris e a Praça de Tiananmen em Pequim, como um gesto que questiona os centros de poder. A obra encontrava-se em exposição na Galeria do negociante de arte Urs Meile, que tem trabalhado com o artista desde o final dos anos 90. Para quando uma extensão deste fulgurante evento a Macau e a desejada participação de galerias e artistas locais na ART HK, já que ao que sabemos apenas o artista local russo Konstantin Bessmertnyi estava representado e bem?


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À S U P E R F Í C I E

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Fernando Pessoa

CARTA A CAMILO PESSANHA Ex.mo Senhor Dr. Camilo Pessanha, Macau, Há anos que os poemas de V. Exa. são muito conhecidos, e invariavelmente admirados, por toda Lisboa. É para lamentar — e todos lamentam — que eles não estejam, pelo menos em parte, publicados. Se estivessem inteiramente escondidos da publicidade, nas laudas ocultas dos seus cadernos, esta abstinência da publicidade seria, da parte de V. Exa., lamentável mas explicável. O que se dá, porém, não se explica; visto que, sendo de todos mais ou menos conhecidos esses poemas, eles não se encontram acessíveis a um público maior e mais permanente na forma normal da letra redonda. É sobre este assunto que assumo a liberdade de escrever a V. Exa. Decerto que V. Exa. de mim não se recorda. Duas vezes apenas falámos, no “Suíço”, e fui apresentado a V. Exa. pelo general Henrique Rosa. Logo da primeira vez que nos vimos, fez-me V. Exa. a honra, e deu-me o prazer, de me recitar alguns poemas seus. Guardo dessa hora espiritualizada uma religiosa recordação. Obtive, depois, pelo Carlos Amaro, cópias de alguns desses poemas. Hoje, sei-os de cor, aqueles cujas cópias tenho, e eles são para mim fonte continua de exaltação estética. Não escrevo estas coisas a V. Exa. para seu mero agrado, adulando. Elas são a expressão sincera do modo como sinto as composições a que me reporto. Nem sequer cito este prazer, que os seus poemas me deram, com o restrito fim de apoiar em frases que

possivelmente sensibilizem o pedido que venho fazer. A ordem dos factos é outra: é porque muito admiro esses poemas, e porque muito lamento o seu actual carácter de inéditos (quando, aliás, correm, estropiados, de boca em boca nos cafés) a que ouso endereçar a V. Exa. esta carta, com o pedido que contém. Sou um dos directores da revista trimestral de literatura “Orpheu”. Não sei se V. Exa. a conhece; é provável que a não conheça. Terá talvez lido, casualmente, alguma das referências desagradáveis que a imprensa portuguesa nos tem feito. Se assim é, é possível que essa notícia o tenha impressionado mal a nosso respeito, se bem que eu faça a V. Exa. a justiça de acreditar que pouco deve orientar-se, salvo em sentido contrário, pela opinião dos meros jornalistas. Resta explicar o que é “Orpheu”. É uma revista, da qual saíram já dois números; é a única revista literária a valer que tem aparecido em Portugal, desde a “Revista de Portugal”, que foi dirigida por Eça de Queirós. A nossa revista acolhe tudo quanto representa a arte avançada; assim é que temos publicado poemas e prosas que vão do ultra-simbolismo até ao futurismo. Falar do nível que ela tem mantido será talvez inábil, e possivelmente desgracioso. Mas o facto é que ela tem sabido irritar e enfurecer, o que, como V. Exa. muito bem sabe, a mera banalidade nunca consegue que aconteça. Os dois números não só se têm vendido, como se esgotaram, o primeiro deles no espaço inacreditável de três semanas. Isto alguma coisa prova — atentas as

condições artisticamente negativas do nosso meio — a favor do interesse que conseguimos despertar. E serve ao mesmo tempo de explicação para o facto de não remeter a V. Exa. os dois números dessa revista. Caso seja possível arranjá-los, enviá-los-emos sem demora. O meu pedido — tenho, reparo agora, tardado a chegar a ele — é que V. Exa. permitisse a inserção, em lugar de honra do terceiro número, de alguns dos seus admiráveis poemas. Em geral publicamos em cada número bastante colaboração de cada autor, de modo que, apesar de a revista ter 80 páginas, os colaboradores de cada número não têm passado de 7 (8). Isto é para indicar que sobremaneira estimaríamos que nos concedesse a honra de publicar umas dez a vinte páginas de sua colaboração. Entre os poemas que era empenho nosso inserir contam-se os seguintes: “Violoncelos”, “Tatuagens”, “O Estilita” (só conheço, deste, o segundo soneto), “Castelo de Óbidos”, “O Tambor”, “Nocturno”, “Passeio no Jardim”, “Ao longe os barcos de flores”, “O meu coração desce...”, “ Passou o Outono já”, “Floriram por engano as rosas bravas...”, “O Fonógrafo”. Ao soneto que considero o maior de todos os seus, e é sem dúvida um dos maiores que tenho lido — “Regresso ao Lar” — , não me refiro, visto que o seu assunto, infelizmente, inibe (e creio ser essa a vontade de V. Exa.) que ele se publique. Podia V. Exa. fazer-nos o favor que pedimos? Nós não pedimos só por nós, mas por todos quantos amam a arte em Portugal; não serão muitos,

mas, talvez por isso mesmo, merecem mais carinhosa atenção dos poetas. Se fosse possível enviar-nos mais colaboração do que esta que indiquei, dobrado seria o favor, e sobradamente honradas as páginas da nossa revista. Como correm por aqui várias versões, mesmo escritas, dos seus poemas, pedíamos que — caso quisesse anuir ao nosso pedido, no que julgamos que não terá dúvida — ou nos enviasse cópia exacta deles, ou — caso isso o incomodasse — nos indicasse a quem, aqui, nos devamos dirigir para obter essas cópias. Como nos parece que estamos abusando do tempo e da paciência de V. Exa., e como esta carta segue registada, basta-nos, para resposta, um postal — ainda que uma carta registada, contendo as cópias ou a indicação pedida, fosse preferível — , ou, caso V. Exa. não queira dar-se ao incómodo de nos enviar esse postal, basta (cremos não abusar combinando assim) que V. Exa. não nos responda negativamente para nos considerarmos autorizados. Nesse caso guiar-nos-emos pelas cópias que nos parecerem mais conformes à constante psíquica do seu pensamento poético. O preferível, porém, era que V. Exa. nos enviasse as cópias dos poemas. Confessando-me, pelo “Orpheu”, desde já altamente grato e honrado com o envio dos seus poemas, subscrevo-me, com o maior respeito e admiração.

Fernando Pessoa (1915?)


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À S U P E R F Í C I E

Um moço de recados

{ouvido na rádio da boca de cidadãos com nomes falsos} Apátrida

Nunca ele se imaginou nesta situação. A derrota era mais do que certa, restava-lhe arranjar uma justificação para os números. Se fossem menos era a vitória da prepotência e do virar o rabinho aos outros, se fossem mais era um claro sinal de que o povo não esquecera o trabalhinho feito de joelhos ao amigos lá de fora. Ou aos de dentro também. Mas estes números, os da derrota, trocaram-lhe as voltas a ponto de dizer apenas o que era politicamente incorrecto, no momento da consagração dos outros. E não lhe sobrou nada! Varreu o País e o mundo com os cinquenta e poucos segundos de silêncio e acreditando existirem pêlos levantados e cristas disparadas para o espaço por todo o planeta. De novo, um exagero da sua parte, uma falsa modéstia. Sócrates era um homem perdido, no lugar errado à hora errada, mas que por certo, por outra construção dos astros, poderia ter sido a correcta, estando neste exacto momento a apanhar as rosas da sua consagração. Não se havia preparado para esta disenteria. Para este abandono. Agora era um homem de ninguém, nem da esquerda, nem da direita. Nem dos que buscam uma saída ou uma qualquer conclusão de autonomia. Também não era dos que sonham com o futuro, com a independência, nem dos que sendo portugueses adoravam, em nome de uma região, defrontar e derrotar Portugal num estádio de futebol. Este resto de homem já não é, nem dele próprio. O novo galo, que deverá ser tão velhaco quanto este seu antecessor, porque bom bailarino, consta que também não irá ser, nem dele próprio, não sabendo dirigir o comboio destruído. Tal como aconteceu em tempos com Cavaco Silva, agora el presidente, ao debruçar-se sobre uma maldita fatia de Bolo Rei, necessitará de ajuda de terceiros, para que lhe sacudam o lombo. No entanto, soube safar-se na mente de cada votante seu, com a argumentação da incoerência do eleitorado e do estado das coisas.

Mas Sócrates não. Sócrates ficou sem o menino nos braços quando já sonhava com a adopção. Para já vem a dor de cabeça do “dia seguinte”. A desintegração do seu Governo cheio de gente insatisfeita e de buracos. Coisas daqui e dali, qual manta de retalhos. Depois a obrigatoriedade de trazer de volta os despojos de toda uma campanha sem sequer poder fechar a luz. Nem aos militares na caserna, nem às adolescentes transvertidas. Sócrates, o camarada, quando precisar de um momento calmo, agora, ou de um cantinho com boa música, solarengo e bem cuidado, já sabe, terá de apanhar um avião para bem longe. O seu país já não o quer.

O medo maior

Os homens também têm receios, caso não vos tenha passado semelhante visão pela cabeça, os homens têm realmente receios grandes. Ao acender um cigarro o homem capacita-se da figura máscula a quem é permitido inclusive coçar os testículos em público. O cigarro torna macho o pequenote imberbe. Ao acender um cigarro uma mulher pode evitar uma conversa que não domine, apresentar uma imagem irrealmente segura, mas não aproveita em circunstância alguma, pública, para coçar o que não tem, até porque se coçasse o que tem rapidamente era tomada por uma prostituta em busca de contrato verbal. Os homens têm receios como qualquer animal do reino, exceptuando a Orca, o Tubarão Branco e a Sucuri igualmente conhecida por Anaconda. Quando os homens têm à sua frente uma bela mulher, estendida numa cama, despida numa cama, os homens receiam falhar e interromper a comunicação aberta das partes (emissor) para o cérebro (receptor), estando acima ainda, e a salvo, da acção pretendida. Os homens não admitem falhar, sendo a falha, entenda-se nesta altura, não conseguir manter estável uma edificação. Quando os homens descem, naqueles segundos anteriores ao contacto cutâneo com a mulher

despida, imaginam uma quantidade imensa de absurdas possibilidades.

Depende

«Agora imagina a maneira como avança o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão lá desde a infância, de pernas e pescoço acorrentados, não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles porque as correntes não lhes permitem voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas. Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objectos de toda espécie, que o transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda a espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio. Assemelham-se a nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, de si mesmos e dos seus companheiros, mais do que as sombras projectadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica de fronte?» Dizia ele.

Póquer e outros jogos

Written by mister Bob Dylan: “O Chandler disse-me uma vez: ‘Tens de aprender a fazer bluff. Nunca hás-de vencer neste jogo se não o fizeres. Às vezes é preciso ser-se apanhado a fazer bluff. É uma ajuda para quando se tiver uma mão forte e se quiser que os outros jogadores pensem que provavelmente estamos a fazer bluff’.


3 6 2011

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À S U P E R F Í C I E

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ANSIÃO, UMA VILA ONDE TAMBÉM SE VIVE António MR Martins

A

NSIÃO É UMA VILA PORTUGUESA, SEDE DE CONCELHO, DO DISTRITO DE LEIRIA, LOCALIZADA NO CORAÇÃO DO MACIÇO DE SICÓ, EM PLENA REGIÃO CENTRO DO PAÍS, COM BONS ACESSOS RODOVIÁRIOS, ENTRE SIMILAR DISTÂNCIA DE LEIRIA (46 KM) E COIMBRA (45 KM). Venha-se de norte ou sul, a melhor alternativa é apanhar a A1, cortar no nó de Pombal e seguir 20 km, pelo IC8, onde se vislumbrará a Serra de Sicó, em toda as suas majestosas grandiosidade e beleza. Existem outras vias complementares e alternativas, como, por exemplo, o IC3, onde se liga Condeixa-a-Nova a Setúbal e nas proximidades os, possíveis, itinerários feitos a partir dos IC1 e IC2. Este concelho é composto pelas seguintes freguesias: Ansião, Alvorge, Avelar, Chão de Couce, Lagarteira, Pousaflores, Santiago da Guarda e Torre de Vale de Todos. Possui o seguinte património: - Religioso: Igreja Matriz de Ansião, Capela da Constantina, Igreja Matriz de Alvorge, Capela da Misericórdia de Alvorge, Capela da Ateanha, Igreja N. Srª. da Graça, Igreja Matriz de Santiago da Guarda, Igreja de S. Domingos, Capela da N. Srª. da Guia, Igreja Matriz de Chão de Couce, Capela N. Srª. do Pranto e Igreja N. Srª. das Neves. - Militar: Solar dos Condes de Castelo Melhor e Ruínas da Torre da Ladeia. - Civil: Ponte da Cal e Ponte do Marquinho, Quinta de Cima e Forno Medieval de Avelar. - Moinhos de Vento: Serra do Anjo da Guarda (Pousaflores), Melriça (Santiago da Guarda) e Outeiro (Alvorge). Miradouros: Quartinho (Chão de Couce), Serra do Anjo da Guarda (Pousaflores), Melriça (Santiago da Guarda) e Outeiro (Alvorge). A ímpar característica e genuidade de Ansião, salta à vista de quem a visita, pela particularidade que assume cada uma das suas vias e do seu traçado geral, que ora está sofrendo consideráveis melhorias, no âmbito do seu pólo central, onde se localiza o edifício da Câmara Municipal, na Praça do Município, edifício dos Correios, Biblioteca Municipal, Igreja Matriz e

o seu principal pólo de comércio, em geral. É uma autêntica história viva e permanente. O aspecto religioso tem enorme relevância no íntimo dos ansianenses e, nesse contexto, se reflecte o calendário de festas e romarias, celebradas em honra dos vários santos padroeiros e protectores das respectivas localidades do concelho. Embora essa tradição já não tenha a força e o rigor de outras épocas, estes eventos são motivo para se poderem estabelecer sãos convívios populares e o condimento essencial para que se concretizem afáveis reuniões entre familiares e amigos, que no seu quotidiano não têm essa possibilidade, apesar da vida, nesta vila, com algo de ruralidade intrínseco, seja bem diferente das grandes e médias cidades, onde se procede à prova dos diversos petiscos e bebidas da região. A 3km de distância encontra-se a sua zona industrial, Parque Empresarial do Camporês, onde existem várias empresas fabricantes, dos mais variados ramos e produtos, e o seu novel Centro de Negócios, local propício à efectivação de feiras locais, exposições, colóquios, palestras, congressos e muitas outras actividades possíveis neste relevante espaço. Para além destas referências o concelho possui todos os elementos para que nele se possa viver condignamente, com o recurso aos necessários apetrechos para que tal aconteça. Existem diversos serviços públicos, escolas, centros de saúde, farmácias e bibliotecas e também vários locais de lazer, tais como: - Cinema, piscina, parque de campismo, jardins e campo de futebol, entre outros. Não muito distantes de Ansião, mais locais de enorme interesse turístico aguardam pela presença de quem pretender usufruir de bons momentos de descanso e empatia com a natureza, sendo próprios para lazer e devendo ser frequentados, representando, por isso, uma mais-valia para quem é visitante e para a região em si. Na zona envolvente encontram-se, igualmente, algumas praias fluviais e o litoral encontra-se, igualmente, muito perto. Nestes tempos, em que a crise nos aperta os sentidos e nos esvazia os bolsos, Ansião, e seu concelho, são um pretexto excelente para se fazerem agradáveis e reconfortantes férias, cá dentro!...


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