61
º
ESTE SUPLEMENTO É PARTE INTEGRANTE DO HOJE MACAU E NÃO PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE
GRANDE PRÉMIO DE MACAU
GCS
QUARTA-FEIRA 12.11.2014
A
61.ª edição do Grande Prémio de Macau arranca amanhã com um vasto programa de corridas que tem na Taça Intercontinental em Fórmula 3 a prova rainha e onde Ayrton Senna inscreveu o nome como primeiro vencedor. Na 32.ª edição da corrida, o balanço de campeões que passaram por Macau é vasto, mas o nome de Senna ficará sempre marcado na história do grande prémio. Os relatos de 1983 dizem que o brasileiro chegou a Macau apenas na noite anterior aos treinos e que nesse mesmo dia deu uma volta à pista a pé. A garra de Senna permitiu-lhe conquistar a “pole position”, vencer as duas mangas da prova e acabar a última corrida em gestão de vantagem sobre os adversários. Foi chegar, ver e vencer e, logo a seguir, um grande salto para a Fórmula Um, um dos caminhos para os vencedores em Macau. Mas o circuito da Guia já conheceu outros vencedores a falar português. André Couto, em 2000, na primeira corrida sob
O grande desafio administração chinesa de Macau, até levou a bandeira do Benfica para o pódio, mas a bandeira e o hino que tocou nesse dia foi o chinês porque o piloto sempre correu com as cores de Macau. Para se ouvir “A Portuguesa”, numa sessão que até nem correu bem à organização por uma troca de hinos, foi preciso esperar até 2012, através do volante de António Félix da Costa. Com 6,1 quilómetros, o circuito urbano da Guia, em Macau, é conhecido por ser uma das pistas onde os erros se pagam caro, normalmente com a desistência e muitos danos materiais para os mecânicos tentarem reparar. Ladeado por muros e rails, a pista de Macau tem poucas escapatórias, é exigente em termos físicos e muito traiçoeira pois um pequeno erro de cálculo atira qualquer piloto para fora da corrida. Se nos carros, o amarelo e preto dos rails
assusta pela rapidez com que passam tão perto das viaturas, já nas motos a adrenalina é ainda maior devido ao contacto entre piloto e máquina com o próprio circuito. Desligadas as luzes vermelhas na recta da meta, é sempre “a abrir” até à traiçoeira curva Mandarim Oriental, que antecede a difícil curva do Hotel Lisboa, um ângulo recto cujas bancadas são muitos disputadas por ali haver grandes probabilidades de se registarem acidentes que param provas e definem vencedores. Depois da curva do Hotel Lisboa, os pilotos conduzem as máquinas para a zona mais sinuosa da pista, através da subida de São Francisco e da rampa do Hospital, no cimo da qual carros e motos por vezes perdem a aderência e acabam nos muros. Segue-se a curva e contra curva na zona da Maternidade, uma ligeira descida em
“quase” recta, uma curva à esquerda e, à direita, a entrada nos Esses da Solidão, onde os muros e os “rails” são a única companhia dos pilotos, que, mesmo perseguidos a curta distância, não conseguem ver o adversário devido à sequência de curvas e contra curvas. Ainda na estrada de Cacilhas, os pilotos chegam ao Ramal dos Mouros, outra das zonas apertadas, antes de entrarem na estrada D. Maria e chegarem à curva Melco, a zona mais lenta da pista, feita habitualmente a pouco mais de 40 km/h e em primeira velocidade. Ultrapassada a Melco, os motores voltam a acelerar a sério através de uma série de rectas “separadas” pelas curvas dos Pescadores e R, que antecedem a entrada na recta da meta, voltando a repetir o trajecto e os desafios, principalmente na curva do hotel Mandarim e do hotel Lisboa. A partir de quinta-feira os motores estão na estrada num programa que vai reunir 211 pilotos de 36 países e territórios numa pista que já foi denominada como uma “das mais loucas do mundo”, pela sua dificuldade e exigência. - Lusa/HM
61
º
GP
FESTAS, DEPOIS DA FESTA
• Doca em movimento
Durante o fim-de-semana, a Macau Federal Commercial Association of Convention & Exhibition Industry organiza, na Doca dos Pescadores, a sua primeira feira do Grande Prémio subordinada ao tema “A Pista e a Paixão”. O evento incluirá actuações, jogos, paradas, gastronomia, danças e outras actividades. Tem entrada livre
• FRC com exposição
A Galeria da Fundação Rui Cunha recebe, até segunda-feira, uma exposição de fotografia. Desde os eventos mais antigos, aos mais recentes, a galeria acolhe fotografias dos melhores momentos dos últimos 60 anos do Grande Prémio de Macau. A entrada é livre
• Clássicos em exposição
A 4ª Exposição Internacional de Automóveis da China, que está a decorrer no Cotai Expo do Venetian Macau, conta com a participação da Comissão do Grande Prémio de Macau e da Direcção dos Serviços de Turismo, que disponibilizam vários automóveis das corridas desta edição e de edições anteriores. Os veículos motorizados patentes no local são o carro de Daniel Juncadella (Campeão da Fórmula 3 em 2011) e a moto de Michael Rutter (com a qual ele se sagrou Campeão do Grande Prémio de Motos em 2003), o Volkswagen Passat (carro rescue da 61ª edição) e carros das provas da Taça GT Macau, Taça Carros de Turismo de Macau – CTM e Macau Road Sport Challenge deste ano. A entrada é livre
FAÇA VOCÊ MESMO!
E se pudesse perguntar algo ao seu piloto preferido? O que seria? Envie-nos uma pergunta para um dos pilotos que participam este ano no Grande Prémio de Macau e veja-a respondida no nosso suplemento! Envie a sua pergunta, devidamente identificada, para info@hojemacau.com.mo. Esperamos por si!
CORRIDA NO TEMPO
FOI HA 20 ANOS! ´
FÓRMULA 3 ESTREANTES E REPETENTES NA CORRIDA DE ELEIÇÃO
Ocon, Verstappen e os outros SÉRGIO FONSECA info@hojemacau.com.mo
O
empurrão que a FIA deu no Campeonato da Europa de Fórmula 3 nos dois últimos anos permitiu à competição europeia sair das trevas onde se encontrava. No entanto, este crescimento teve um efeito eucalipto, tornando os campeonatos nacionais uma sombra do que já foram. A Taça Intercontinental FIA de Fórmula 3 acaba por ser hoje pouco mais que uma continuação a Oriente do europeu, o que não tira prestígio à corrida, dado que a disciplina voltou aos seus tempos de glória, aglomerando os melhores jovens pilotos que há por este mundo fora. Esteban Ocon, Max Verstappen e Félix Rosenqvist são apontados como os grandes favoritos ao triunfo este fim-de-semana. Ocon, que se estreou na F3 precisamente em Macau o ano passado, foi o campeão do europeu. Filho de famílias modestas, mas apoiado pela Lotus F1 Team, o piloto da Theodore Racing, que na realidade não é mais que a Prema Powerteam - a equipa que venceu em 2013 com Alex Lynn - conta também com a ajuda dos motores Mercedes, superiores este ano sobre a concorrência. O francês
Esteban Ocon
de 18 anos, que o ano passado deixou escapar um resultado nos dez primeiros devido a um arranque infeliz, diz que está hoje “mais confiante mas em Macau nunca se pode ter demasiada confiança”. “O Grande Prémio é no domingo e não se pode perder muito terreno na qualificação. É importante partir
Max Verstappen
no top-5 para lutar pela vitória”, diz. Todas as atenções da corrida vão estar no duelo de Ocon com Verstappen, o menino prodígio de 17 anos que já tem contrato com a Toro Rosso, a segunda equipa da Red Bull na Fórmula 1. O jovem holandês, que no fim-de-semana passado participou nos treinos-livres
F4 PODERÁ SER POSSIBILIDADE EM MACAU
A
60º aniversário do evento, mas esta semana a presença da federação internacional vai ser mais relevante. “A FIA está a trabalhar para apoiar o organizador local nos aspectos desportivos, técnicos e imprensa e quer ajudar a aumentar o impacto do evento”, dizia o comunicado da FIA emitido depois do último Conselho Mundial no Verão. “Agora queremos aumentar o relacionamento com a associação desportiva nacional de Macau, a AAMC (Associação Geral Automóvel Macau-China), para ajudar [no evento] e melhorá-lo passo-a-passo”, afirmou Berger. Os responsáveis do AAMC concordarem em aceitar os comissários técnicos do campeonato europeu. Assim a FIA nomeou o seu Director de Corrida e dois Comissários Des-
do Grande Prémio do Brasil, estará aos comandos de um Dallara F314 Volkswagen da Van Amersfoort Racing e não se assusta com o desafio que tem pela frente, mas reconhece as dificuldades de novato. “Não conheço o Circuito da Guia, mas felizmente o simulador da Red Bull tem o circuito e os monolugares
MOTAS MICHAEL RUTTER
FIA com mais peso Federação Internacional do Automóvel quer ter uma maior presença na corrida de Fórmula 3 do Grande Prémio de Macau daqui em diante e fê-lo saber em Maio passado, primeiro através de um comunicado imprensa, e depois através das palavras do então responsável máximo pela Comissão de Monolugares, o ex-piloto de Fórmula 1 Gerhard Berger. A corrida cabeça de cartaz do Grande Prémio é há vários anos a Taça Intercontinental FIA de Fórmula 3, o maior troféu da disciplina, mas a federação internacional quer tornar a corrida ainda mais relevante, fortalecendo os laços com as entidades do território. O ano passado uma comitiva do Campeonato da Europa FIA de Fórmula 3 (ex-Fórmula 3 Euroseries) visitou a RAEM no
Félix Rosenqvis
Um duelo a
O portivos, para além do Delegado Técnico. O regulamento técnico será de todo idêntico ao do campeonato europeu, mas com o cuidado de criar uma “competição justa” entre os concorrentes europeus e os rivais provenientes de outras paragens, como o Japão, por exemplo. Este ano o peso mínimo dos carros foi aumentado para 565 kg e o sistema de escape será igual ao europeu para cumprir os níveis máximos de ruído do Grande Prémio, o que
obrigará os concorrentes japoneses a adaptarem os seus monolugares ao limite máximo de 110db. Mas a FIA quer mais além e depois de introduzir a Fórmula 4 - categoria que servirá de trampolim para a Fórmula 3 - em vários países, entre eles, Alemanha, França, Inglaterra, Itália, Japão, Austrália e China, está a pensar realizar uma final mundial no Circuito da Guia. Contudo, esta final mundial, a acontecer, só acontecerá em 2016. -S.F.
título desta pequena peça poderia ser “Todos Contra Rutter”. Afinal, nas últimas duas décadas tem sempre sido assim. Aos 42 anos, o britânico Michael Rutter chega ao território para a 20ª participação no campeonato de motas. Espera alcançar a nona vitória e assim bater o recorde que a si pertence. “Temos uma boa mota e espero vencer de novo. Mas desta vez há bons pilotos, talvez a melhor lista de inscritos dos últimos anos”, admite ‘The Blader’, que venceu em Macau pela primeira vez em 1998 e pela última vez em 2012. A maior oposição a Rutter, que este ano trocou uma Honda por uma mais competitiva Yamaha, virá das duas Kawazaki verdes do duo da Paul Bird Motorsport Team: Stuart
hoje macau quarta-feira 12.11.2014 1994 foi o ano em que Michael Rutter se estreou no Circuito da Guia, mas foi também uma edição de má memória na corrida de motos. A corrida de 30 voltas, vencida pelo escocês Steve Hislop, foi interrompida três vezes e acabou por ter apenas 20 voltas devido aos vários acidentes - sete no total. O japonês Katsuhiro Tottori acabou mesmo por falecer, após um forte impacto nas barreiras perto da linha de meta, enquanto três outros motociclistas passaram pelo hospital para receberem assistência após um evento deveras acidentado.
s
st
de F3. É um circuito com muitas curvas cegas e que demora algum tempo para nos adaptarmos.” Após uma temporada decepcionante, Rosenqvist corre pela quinta vez na Guia, numa prova onde já foi segundo classificado (2012). A seu favor está, para além da vasta experiência, o facto de contar também
com motores Mercedes e a última oportunidade de conquistar um título na disciplina. O vice-campeão europeu Tom Blomqvist, Lucas Auer, sobrinho de Gerhard Berger, William Buller, que venceu na Guia de Fórmula BMW, e o ex-campeão inglês Jordan King são outros nomes a ter em conta no que respeita à luta pelos lugares do pódio. Markus Pommer e Martin Cao foram respectivamente os vencedores dos campeonatos alemão e inglês, mas nem um, nem outro, deverão rodar perto do topo. O contingente japonês, este ano mais fraco, nem sequer conta com o campeão. Kenta Yamashita e Sam McLeod defendem as cores da poderosa TOM’s, cujos seus motores Toyota pautam pela performance nas longas rectas de Macau, mas a última vez que um ‘rookie’ venceu a corrida foi em 2009. A prova volta a contar com convidados especiais, dois deles que poderão complicar seriamente a vida aos habitués da F3. O espanhol Robert Merhi, ex-campeão europeu da especialidade e piloto de testes da Caterham F1, poderá ter uma palavra a dizer, assim como o monegasco Stefano Coletti que tem competido nos últimos anos na GP2 Series, a antecâmara da Fórmula 1. Uma última nota para a presença da colombiana Tatiana Calderón, que não é especialmente rápida, mas também não envergonha ninguém e que é a primeira senhora a competir nesta corrida desde 1983.
A VEZ DE CHANG
Dezanove anos após a estreia de André Couto na corrida de Fórmula
R, DE REGRESSO PELA 20ª VEZ. DUNLOP NÃO CORRE
a três
Easton, tricampeão de 2008 a 2010, e Ian Hutchinson, vencedor no ano passado. “Fiquei super feliz pelo Paul me ter oferecido um contrato para o que faltava do ano e para 2015 também. Corri pela equipa anteriormente e estar aqui com eles é brilhante”, diz ‘Hutchy’, que venceu com uma Yamaha a edição passada, num dia em que esqueceu as trinta intervenções cirúrgicas à sua maltratada perna esquerda.
TROCAS E BALDROCAS
Hutchinson e Rutter aqueceram o “mercado de transferências” de final de temporada, pois Rutter irá conduzir pela equipa de Hutchinson e Hutchinson pela ex-equipa de Rutter. O norte-americano Jeremy Toye, que traz uma nova Kawasaki ZX-10R,
3 e uma década depois da estreia de Rodolfo Ávila na mesma corrida, Macau volta a ter um jovem piloto no prato forte do programa – ‘Andy’ Wing Chung Chang. O piloto de 18 anos, protegido do AAMC e do Instituto do Desporto, fez carreira no karting internacional, tendo desfrutado da oportunidade de fazer parte da equipa de fábrica da Tonykart em 2012 e 2013. O ano passado subiu às corridas de monolugares, estreando-se no Circuito da Guia com um 7º lugar na prova da Fórmula Masters China Series. Este ano, sempre com o intuito de preparar a prova de F3, ‘Andy’ Wing Chung Chang fez algumas provas do Open F3, em Espanha, meio campeonato do britânico da especialidade, onde subiu por quatro vezes ao pódio, e nas duas últimas rondas do Europeu. Na sua primeira corrida de F3 em Macau, Chang, que reside em Inglaterra, conduzirá um Dallara-Mercedes do Team West-Tec, equipa britânica que fará igualmente a sua primeira participação na prova. A estreia de Chang no europeu “foi bastante positiva”, de acordo com John Miller, o chefe da equipa West-Tec, lembrando que na primeira corrida em Nurburgring “podia ter mesmo vencido se a pista tivesse continuado molhada, o que acabou por não acontecer”. Este fim-de-semana os objectivos serão bem mais moderados e qualquer resultado dentro dos 15 primeiros, poderá ser já considerado um bom resultado para o ‘rookie’ da casa.
se ter sagrado campeão nacional de Superbike, Pires estará integrado na equipa CF Racing Team 32, aos comandos de uma moto totalmente desconhecida para si, uma Yamaha YZF-R1. Com ambições mais contidas, o piloto da FMP Team Portugal afirma que “este ano espera estar em melhores condições físicas e acredita que isso irá ajudar”.
A ANTEVISÃO DE...
ÁLVARO PARENTE, CAMPEÃO BRITÂNICO DE F3 DE 2005
“O
Circuito da Guia é muito especial e tem um caracter muito próprio! Tem duas zonas muito distintas – a zona baixa é muito veloz e necessita de um carro com boa velocidade de ponta, enquanto a zona da montanha é muito técnica e rápida, o que requer muito apoio aerodinâmico – o que torna muito difícil afinar os monolugares. Normalmente, acertamos o carro para beneficiar a velocidade de ponta para que não percamos lugares e possamos ganhar alguns, tornando a zona da montanha um desafio de pilotagem extraordinário, onde o piloto faz a diferença, sendo muito fácil cometer um erro que, habitualmente, é pago com uma visita aos raids de protecção. É um circuito do qual gosto muito e para o qual olhava sempre com grande antecipação quando lá ia correr. Para além disso, era interessante perceber a influência que Portugal tinha culturalmente, evidenciando o carácter que o nosso
RAPIDINHAS NEM CHARLIE NEM FREITAS
Com Charlie Whitting a assumir a posição de Delegado de Segurança da FIA e o português Eduardo Freitas com compromissos no mundial de resistência no Bahrein, a direcção de prova da corrida de Fórmula 3 estará este ano entregue a Bob Kettleboro, o director de corridas da GP2.
FALTOSOS
Dusan Borkovic
Martin Jessopp, Gary Johnson e o incontornável John McGuiness são outros dos nomes que são mais apontados aos lugares no pódio. Portugal voltará a estar representado por dois concorrentes: André Pires e Nuno Caetano. Com o ambicioso objectivo de terminar no “Top-10”, depois do 13º lugar do ano passado e de este ano
Ainda no campo das ausências, destaque para Dusan Borkovic, piloto sérvio do WTCC, que não participará por estar lesionado numa mão, e para o suíço Alex Imperatori, terceiro classificado da Taça GT Macau 2013, que não participará devido a problemas financeiros na Team Starchase. O inglês Jake Dennis também desistiu de alinhar na prova de F3.
DE FORA
DUAS DESISTÊNCIAS
Sem estatuto de favorito, mas não deixando de ser uma mediática presença na lista de inscritos, Michael Dunlop - filho do vencedor do Grande Prémio de 1989, Robert Dunlop, e sobrinho do falecido Joey Dunlop - já não vai tripular uma BMW S1000RR entre nós. No final de Outubro, a Dunlop e a BMW Motorrad UK separaram-se, por razões que não foram ainda dadas a conhecer, e o motard de 24 anos já não irá correr. O português Tiago Magalhães também esteve inscrito para regressar à prova, fazendo equipa com Caetano, mas a sua participação também foi cancelada. - S.F.
povo tinha e ainda vai tendo, tendo sido sempre muito bem recebido em Macau. Quanto aos favoritos para este ano, penso que o Esteban Occon, face aos resultados que tem vindo a demonstrar, poderá ser um dos favoritos, mas julgo que o Tom Blomqvist poderá, igualmente, ter uma palavra a dizer. Será muito interessante seguir a prestação de Max Verstappen que, com a sua confirmação na Toro Rosso em 2015, terá uma enorme pressão sobre si. Nunca esteve em Macau, sendo este um conjunto de circunstâncias muito difícil para ele. Mas ele já demonstrou ser um piloto com uma mentalidade muito adulta e não ficaria surpreendido se ele conseguisse ultrapassar todos estes obstáculos. Além destes três, o Roberto Mehri, dada a sua experiência, será também um piloto a ter em conta, mas Macau é muito particular e pode sempre aparecer um piloto que se adapte muito bem e consiga realizar uma surpresa. Não poderia deixar de notar a ausência de pilotos portugueses este ano numa prova realizada num território que nos diz tanto. Depois do António Félix da Costa não termos nenhum piloto capaz de tomar parte numa prova desta dimensão, é uma pena!”
O que têm em comum Tou Lap Pang, Chan Wei Hong e Miguel Kwong Kin Cong? Foram os únicos três pilotos das duas categorias do Campeonato de Carros de Turismo de Macau (Road Sport e AAMC Challenge) que não conseguiram vaga para participar no 61º Grande Prémio.
QUATRO PORTUGUESES NO MEIO DOS 211 CONCORRENTES
Tiago Monteiro
O GP vai contar com três corridas principais Fórmula 3, WTCC e motociclismo – e quatro provas de suporte. Tiago Monteiro (WTTC), Rui Águas (Taça GT Macau), e Nuno Caetano e André Pires são os nomes portugueses confirmados pela organização. No WTCC Tiago Monteiro volta a conduzir o seu Honda e, com a experiência do português em Macau, nunca se sabe até onde pode ir a garra do piloto do norte que é sempre muito lutador no traçado da Guia.
61
º
hoje macau quarta-feira 12.11.2014
GP
ONDE VER AS CORRIDAS Macau: Praça das Portas do Cerco, Jardim do Mercado do Iao Hon, Largo do Senado, Rotunda de Carlos da Maia, Tap Seac, Praça da Amizade Taipa: Rua do Cunha
GRANDE PRÉMIO MAIS DO QUE SÓ CORRIDAS, HÁ ASSUNTOS QUE FAZEM PARTE
Mistérios densos
O Grande Prémio de Macau não se faz só de corridas, carros, vencedores e vencidos. Nos bastidores serão vários os outros temas de conversa e três deles são de interesse indubitável para Macau e para quem gosta de seguir o evento - por perto e não só info@hojemacau.com.mo
O WTCC
A continuidade ou não do Grande Prémio de Macau no calendário do Campeonato do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCC) em 2015 é hoje uma interrogação. Desde o renascimento do WTCC, em 2005, que o campeonato termina em festa no Circuito da Guia. Contudo, depois de ter sido dado a conhecer às equipas um calendário provisório onde não constava Macau, este ano voltaram a surgir rumores na imprensa internacional que dão conta que o Circuito da Guia sairá do calendário do WTCC no próximo ano. Em entrevista à revista italiana ‘Italiaracing’, François Ribeiro, o responsável máximo pelo Eurosport Events - a entidade que promove o WTCC - disse que “neste momento, não há um contrato para 2015, mas é claro que se vai falar sobre o assunto como tem acontecido sempre”. Curiosamente, e sobre o mesmo tema, o dirigente realçou que, devido aos vários acidentes em provas passadas, a prova de Macau merece “reflexão”, pois as novas viaturas do WTCC têm muitos mais componentes em carbono, o que significa que os estragos terão maior impacto financeiro para as equipas e as corridas poderão ter interrupções maiores para limpar os detritos. É do domínio público que o contrato entre a Comissão do Grande Prémio de Macau e a Eurosport Events é renovado anualmente e que há situações no Grande Prémio que nunca foram do pleno agrado dos organizadores do mundial, tal como o horário das provas ou as condições do ‘paddock’. À espreita de um vazio na Corrida da Guia, caso não haja um acordo entre ambas as partes, está o campeonato de carros de turismo ‘TC3 Internacional’, fundado por Marcelo Lotti, o ex-número um do WTCC. Igualmente a aguardar a oportunidade de entrar no calendário do WTCC a curto prazo estão outros circuitos, como Yas Marina, nos Emirados Árabes Unidos, ou
o novo autódromo de Buriram, na Tailândia. Certo é que o WTCC não voltará a repetir a experiência deste ano em Pequim.
OS SUBSÍDIOS
A “atribuição de subsídio a pilotos locais participantes nas corridas no exterior” tem sido nos últimos anos um tema quente no Grande Prémio. É impossível agradar a “gregos e a troianos”, mas todo este ‘sururu’ em redor do assunto é causado pela controversa cláusula que obriga os pilotos a “ter terminado e obtido classificação oficial nas corridas do Grande Prémio de Macau (GPM)” realizado no ano anterior ao pedido do subsídio. Em poucas palavras, quem não termina o Grande Prémio, independentemente da corrida em que participa e do valor como piloto, perde automaticamente o direito ao subsídio. O Governo defende-se com o argumento de CGPM
SÉRGIO FONSECA
este apoio “não é propriamente para subsidiar uma carreira de um piloto internacional”. “Embora um dos intuitos do subsídio seja apoiar os pilotos que têm a possibilidade de correr internacionalmente a promover as suas carreiras, é importante também que os pilotos locais tenham um bom rendimento no Grande Prémio”, disse o Coordenador do Grande Prémio, em entrevista à Rádio Macau no dia 10 Novembro de 2013. Contudo, segundo os pilotos, “a organização não percebe a pressão que coloca sobre os pilotos e não percebe que isto não tem pés nem cabeça”, conforme disse Rodolfo Ávila, em entrevista à Rádio Macau no mesmo dia. Jerónimo Badaraco, em entrevista ao mesmo média no dia 17 Novembro de 2013, resumia bem a quente a situação ingrata em que são colocados os pilotos: “Quem é
que vai jogar quando há um risco 50/50? Ninguém vai. Sem o subsídio é muito difícil para nós (...) És piloto local e tens de acabar a corrida mas também quem é que te vai patrocinar se sabe que vais jogar pelo seguro só para concluíres a corrida?” Para complicar a já ingrata tarefa dos pilotos que defendem as cores da RAEM, que podem ver uma temporada desportiva condicionada por um só infortúnio, os critérios para atribuição dos apoios para 2015 não são ainda do domínio público, o que, no mínimo, não augura nada de bom para quem já tem um complicado fim-de-semana pela frente.
A SUCESSÃO
Outro tema habitual de conversa será novamente a sucessão do Eng.º João Manuel Costa Antunes à frente dos destinos da Comissão do Grande Prémio de Macau. O engenheiro civil comanda a organização da prova praticamente desde 1988 até hoje e foi ele quem herdou o fardo da organização após décadas a fio em que os destinos da prova estavam nas mãos da Associação Automóvel de Hong Kong (HKAA). Contudo, como nenhum líder é eterno, Costa Antunes, como o próprio já admitiu em declarações passadas à imprensa, poderá sair de cena nos próximos anos. Chong Coc Veng, Presidente da Associação Geral de Automóvel de Macau-China e Coordenador da Subcomissão Desportiva da Comissão do Grande Prémio de Macau, é o nome apontado nos bastidores para ocupar a cadeira de número um do evento. Apesar de manter um perfil “politicamente correcto”, o também presidente da Associação de Futebol e piloto de automóveis noutros tempos, não goza de consenso no meio automobilístico de Macau, sendo bastante criticado pela inércia da associação que dirige e incapacidade de ouvir a opinião dos pilotos do território. Outro nome apontado para suceder ao engenheiro português, por razões óbvias, é a actual coordenadora-adjunta, Davina Chu.
PROGRAMA PROVISÓRIO • 13 DE NOVEMBRO (QUINTA-FEIRA) 06:00 - Fecho do Circuito 06:30/07:00 - Inspecção do Circuito 07:15 / 07:40 - Teste do Campeonato do Mundo de Carros de Turismo da FIA – Corrida da Guia de Macau – Suncity Group 08:00 / 09:00 - Treinos livres do 48.º Grande Prémio de Motos de Macau Suncity Group 09:15/09:45 - Treinos livres da Taça da Corrida Chinesa 10:00/10:40 - Treinos livres da Macau Road Sport Challenge 10:55/11:35 - Treinos livres do Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 - Suncity Group 12:05/12:35 - Treinos livres da Taça GT Macau 12:55/13:35 - Treinos livres da Taça de Carros de Turismo de Macau - CTM 13:55/14:25 - Treinos livres do Campeonato do Mundo de Carros de Turismo da FIA – Corrida da Guia de Macau –Suncity Group 14:45/15:25 - Treinos do Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 - Suncity Group (cronometrados) 15:55/16:40 - Treinos do 48.º Grande Prémio de Motos de Macau - Suncity Group (cronometrados) 18:30 Abertura do Circuito • 14 DE NOVEMBRO (SEXTA-FEIRA) 06:00 - Fecho do Circuito 06:30/07:00 - Inspecção do Circuito 07:30/ 08:15 - Treinos do 48.º Grande Prémio de Motos de Macau - Suncity Grupo (cronometrados) 08:35/09:05 - Treinos livres da Taça da Corrida Chinesa (cronometrados) 09:25/09:55 - Treinos livres do Campeonato do Mundo de Carros de Turismo da FIA – Corrida da Guia de Macau –Suncity Grupo 10:15/10:45 - Treinos da Macau Road Sport Challenge (cronometrados) 11:10/11:50 - Treinos livres do Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 - Suncity Grupo 12:15/12:45 - Treinos da Taça de Carros de Turismo de Macau - CTM (cronometrados) 13:10/13:40 - Treinos da Taça GT Macau (cronometrados) 14:05/14:45 - Treinos do Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 - Suncity Grupo (cronometrados) 15:10/16:40 - Treinos do Campeonato do Mundo de Carros de Turismo da FIA – Corrida da Guia de Macau –Suncity Grupo (cronometrados) 18:30 - Abertura do Circuito • 15 DE NOVEMBRO (SÁBADO) 06:00 - Fecho do Circuito 06:30/07:00 - Inspecção do Circuito 07:30/ 07:50 - Treinos livres do 48.º Grande Prémio de Motos de Macau - Suncity Grupo 08:20/09:20 - Taça da Corrida Chinesa - 10 voltas 09:50/10:50 - Macau Road Sport Challenge - 10 voltas 11:20/12:20 - Taça de Carros de Turismo de Macau - CTM - 12 voltas 12:50/13:20 - Treinos da Taça GT Macau (cronometrados) 13:45/14:35 - Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 - Suncity Grupo (Prova Classificativa) - 10 voltas 15:30/16:30 - 48.º Grande Prémio de Motos de Macau - Suncity Grupo – 12 voltas 18:30 - Abertura do Circuito • 16 DE NOVEMBRO (DOMINGO) 06:00 - Fecho do Circuito 06:30/07:00 - Inspecção do Circuito 07:00/ 08:30 - Evento Especial 09:00/10:00 - Taça GT Macau – 12 voltas 10:30/ 13:00 - Campeonato do Mundo de Carros de Turismo da FIA – Corrida da Guia de Macau –Suncity Grupo - 2 corridas de 10 voltas com 15 minutos de intervalo 13:45/14:35 - Evento Especial 15:10/15:25 - Dança do Leão 15:30/16:30 - Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 - Suncity Grupo – 15 voltas 18:30 Abertura do Circuito