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Con(SHE)ência - 3ª edição

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NEWSLETTER HEFORSHE UCP 2023/24

edição
MAIO 3ª

CON(SHE)ÊNCIA

Notícias, opiniões, desenvolvimentos e descobertas feministas

Nãoéum“adeus”, éumatéjá!

E porque tudo tem um fim (ou uma pausa), não fosse essa a magia da coisa, convidamo-vos à leitura da última edição da “ConSHEência” do Mandato 2023/24!

Aos artigos da casa, juntam-se os honrosos contributos da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e do, já nosso conhecido parceiro, Jornal Pontivírgula. Assim, podem esperar uma saudosa despedida, onde vigora a tradição disruptiva pela qual, desde o início, se pautou esta nossa (e vossa) ConSHEência.

Obrigada a todxs os que escolheram perder-se nas páginas que a nossa equipa preparou, cuidadosamente, ao longo do último ano

Esperamos que este projeto, enquanto expressão da liberdade, vos tenha inspirado a manter-se atentxs, interessadxs e a ousar olhar o mundo de forma conSHEente.

Cumprimentos feministas,

A Direção da HeForShe UCP

DIREÇÃO

Sofia Pereira

Joana Vieira

Alice Fernandes

M A I O 2 0 2 4 | E D I Ç Ã O 3 01

REDAÇÃO

Coordenação erevisão:

Beatriz Ribeiro

Matilde Alves

Catarina Canelas

Ema Castelo

Maria Seatra

Rita Nunes

Jornal Pontivírgula APAV

DESIGN GRÁFICO

Coordenação:

Rita Bento

Constança Lourenço

Margarida Guilherme

Mariana Antunes

Gilberta Outeiro

Rafaela Cunha

02

01

NOTA DA DIREÇÃO

08

DEDO NA FERIDA:

QUOTAS DE GÉNERO

FICHA TÉCNICA 12

MULHERES NA POLÍTICA 05

DESCOBERTAS CIENTÍFICAS: ADA

LOVELACE

CONTRARRELÓGIO: A PRESSÃO DA

JUVENTUDE ETERNA

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15
ÍNDICE CON(SHE)ÊNCIA HEFORSHE UCP 03

16 APAV HORA DE SER®SENSIBILIZAR E EDUCAR PARA OS

RELACIONAMENTOS

20 PERSONALIDADES

FEMINISTAS

PORTUGUESAS: CAPICUA

25 CONTACTOS DE APOIO

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Ada Lovelace a mãe da programação

Augusta Ada Bryon King, mais conhecida como Ada Lovelace, nasceu no dia 10 de dezembro do ano de 1815. Para além de matemática e escritora, foi a primeira programadora da História, responsável por aquele que foi posteriormente conhecido como o primeiro algoritmo de computador de toda a história Foi a única filha legítima do seu pai, o poeta Lord Byron, um dos mais importantes do romantismo, que se separou da sua mãe apenas um mês após o seu nascimento, abandonando a sua família e fugindo para Inglaterra, onde acabou por falecer quando Ada tinha apenas 8 anos.

A sua mãe, Lady Wentworth, incentivou o interesse de Ada pela lógica e pela matemática, tentando que a filha não seguisse aqueles que eram os passos do seu pai e toda a sua “loucura”, como costumava dizer. No entanto, Ada manteve não só um grande fascínio pelo pai, mas pela poesia e pelas artes, o que fez com que a sua mãe se tornasse muito distante a nível emocional, passando Ada a ser criada praticamente apenas pela sua avó. Assim, apesar da sua infância ter sido sempre estável a nível financeiro, o relacionamento dos seus pais foi algo que provocou danos a nível emocional.

Acreditava que a intuição e a imaginação eram boas formas de pôr em prática aqueles que eram os conceitos científicos, de modo a explorar aquilo que intitulava como “mundos invisíveis”. Quando tinha apenas 12 anos, fascinada com a ideia de voar, construiu um “par de asas”, através de uma pesquisa cuidadosa sobre a anatomia dos pássaros, tendo o seu estudo dado origem ao livro “Flyology” (em português, conhecido como “Estudo do Voo”).

DESCOBERTAS CIENTÍFICAS
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Passou a ser conhecida como Ada Lovelace quando herdou o título de seus antepassados, os Barões de Lovelace. A partir desse evento, ela e o seu marido, William Lord King, passaram a ser conhecidos como Conde e Lady Lovelace. Para além do tempo que era investido nos seus estudos e na sua carreira, Ada tinha alguns comportamentos que eram incomuns para as mulheres da época (como beber ou jogar nos temos livros), o que fez com que muitos a consideram uma pioneira do movimento feminista, mesmo sem ter sido essa a sua principal intenção.

Ada foi desde sempre uma pessoa extremamente criativa, o que se verifica de forma clara nos seus trabalhos enquanto matemática Já em idade adulta, foi apresentada pela sua tutora Mary Somerville, ao matemático britânico Charles Babbage, com quem desenvolveu uma grande amizade, tendo até cooperado num trabalho do mesmo sobre a Máquina Analítica, que teria como principal objetivo realizar cálculos, através d

No entanto, Ada percebeu que a máquina era capaz de fazer muito mais do que aquilo que Charles imaginou: não só deu uma revisão no que já tinha sido criado, como também acrescentou anotações sobre várias coisas que a máquina poderia fazer, mas que Charles ainda não se tinha apercebido. De qualquer forma, devido às limitações tecnológicas da época, a máquina nunca foi finalizada, e atualmente encontra-se exposta no The London Science Museum

No ano de 1842, Ada dedicou o seu tempo à tradução de um manuscrito do matemático e engenheiro italiano Luigi Federico Menabrea, adicionando algumas anotações, nas quais analisa como a Máquina Analítica poderia ser utilizada, não apenas para realizar simples cálculos, mas como uma forma de fazer a sociedade progredir. Para além disso, escreveu um algoritmo para que a máquina pudesse computar a Sequência de Bernoulli, o que foi posteriormente reconhecido como sendo o primeiro programa de computador da História.

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Ada notou que se trocasse os números que queria calcular, por outros elementos (como, por exemplo, letras, símbolos ou códigos), podia programar a máquina para fazer diversas operações à sua vontade. Desenvolveu, para além disso, uma visão sobre a capacidade dos computadores conseguirem fazer algo muito para lá de meros cálculos, numa época na qual todos os matemáticos estavam focados meramente nisso, demonstrando uma visão muito à frente do seu tempo.

Lovelace não foi apenas a primeira mulher a escrever um código: foi a primeira pessoa a programar um computador. As suas anotações só foram entendidas de forma total após quase um século da sua morte, tendo Ada vivido sem ter sido reconhecida no seu tempo de vida, e tendo morrido sem sequer imaginar aquele que seria o seu impacto no mundo.

Ada morreu no dia 27 de Novembro de 1852, aos 36 anos, devido a um cancro no útero, mas a verdade é que o seu legado está mais presente nas nossas vidas atualmente, do que algum dia esteve:

FOI ESTE ALGORITMO FOI ESTE ALGORITMO QUE ABRIU PORTAS QUE ABRIU PORTAS PARA OS CIENTISTAS PARA OS CIENTISTAS APRIMORAREM E APRIMORAREM E DESENVOLVEREM DESENVOLVEREM NOVAS TECNOLOGIAS. NOVAS TECNOLOGIAS.

SEM ELE, QUEM SABE SE IRÍAMOS TER OS NOSSOS COMPUTADORES E OS NOSSOS SMARTPHONES. ASSIM, PODEMOS CONCLUIR QUE PARA ALÉM DE UMA GRANDE MULHER, TORNOU-SE TAMBÉM UMA GRANDE INSPIRAÇÃO PARA AS VÁRIAS GERAÇÕES QUE A SUCEDERAM.

HEFORSHE UCP MAIO2024 07 Ema Castelo

QUOTAS DE GÉNERO

Entenda-se por quotas de género as medidas ou políticas adotadas de forma a promover a igualdade de género e neste sentido garantir uma representação equitativa de homens e mulheres em determinadas áreas, como educação, política, mercado de trabalho, entre outras.

Tendo por base o seu objetivo concreto, a sua implementação pode assumir diversas formas, tenha-se a título de exemplo: exigência de que uma determinada percentagem de cargos de liderança sejam ocupados por mulheres; fornecer incentivos económicos a empresas de forma que estas promovam a igualdade de género; estabelecimento de metas específicas que exijam a contratação de mulheres em determinadas áreas; entre outras.

O seu surgimento, fortemente associado à procura de igualdade de género em diferentes esferas da sociedade, remonta às lutas pelo sufrágio feminino e pelos direitos das mulheres, que ganharam força em especial no século XIX e início do século seguinte. Contudo, as primeiras políticas mais formais de quotas de género surgiram recentemente e são cada vez mais verificadas Desde então, diversos países têm adotado políticas onde surge a aplicação de quotas de género em diversas áreas, sendo as mais frequentes a política e educação.

Devido à sua natureza, este conceito e a sua respetiva implementação pode e tem vindo a ser alvo de controvérsias e debates em alguns contextos, existindo uma opinião paradoxal

D E D O N A F E R I D A
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quem argumente e defenda que as quotas de ro são necessárias e que se têm revelado uma menta fundamental na luta pelos direitos das mulheres e por trazerem diversos benefícios para a sociedade, transcendendo os indivíduos diretamente afetados. Uma das principais vantagens é a promoção direta da igualdade de género, ao garantir uma representação mais equitativa de mulheres em cargos influentes, verifica-se, consequentemente, um desafio às estruturas patriarcais que historicamente têm excluído as mulheres dessas mesmas posições Com isto, garante-se oportunidades iguais para as mulheres, desencadeando-se uma mudança cultural ao desafiar e redefinir as normas de género fortemente enraizadas. Além disso, a implementação das quotas de género promovem a inclusão e diversidade, sendo que a presença de mulheres em cargos de liderança traz ao de cima uma série de experiências e perspetivas, aumentando a legitimidade das organizações e enriquecendo o processo de tomada de decisão Este facto não apenas reflete uma representação mais justa e precisa da sociedade, assim como cria políticas mais abrangentes e eficazes, sensíveis às questões de género A representação equitativa de género em cargos influentes desempenha ainda um papel importante como inspiração para gerações futuras e como role models, o que ajuda a quebrar estereótipos de género e expandir as aspirações das muitas mulheres e pessoas

FERIDA

D RIDA DE A

DEDO NA FERIDA DO NA FERIDA DEDO NA FERIDA DEDO NA FER DEDO NA FERIDA DEDO

NA
DE
IDA HEFORSHE UCP MAIO24 09

género não apenas cumpre o seu objetivo, assim como constrói sociedades mais justas e inclusivas, reconhecendo e valorizando as contribuições de diversas mulheres em diversos domínios.

Por outro lado, muitos apresentam diversas controvérsias associadas às mesmas, levantando várias preocupações. Uma delas centra-se na ideia de que com a implementação das quotas de género assistimos a uma colisão entre o princípio da meritocracia (ligação direta entre mérito e poder) e a procura pela igualdade de oportunidades, associada à igualdade de género Nesta linha de pensamento, muitos são os que argumentam que com esta implementação, assistimos a um comprometimento da meritocracia, favorecendo a seleção de candidatos menos qualificados (menor mérito) em detrimento dos mais capazes, tendo como critério apenas o género

Neste sentido, apontam-se ainda preocupações de que as quotas de género possam levar a uma estigmatização das mulheres, podendo gerar a perceção de que estas foram escolhidas, não pelo seu mérito, mas unicamente para cumprir uma cota ou um número obrigatório, o que desvalorizaria por completo as suas competências e habilidades. Outro ponto de controvérsia é a resistência cultural, uma vez que em determinadas sociedades e culturas, o conceito de quotas de género é visto como uma interferência externa nos processos de seleção e portanto uma imposição de valores estrangeiros Deste modo, pode-se gerar resistência e recusa por parte daqueles que defendem a manutenção contínua da distribuição tradicional (e histórica) de poder

C
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Apesar das diversas controvérsias, a principal preocupação verificada prende-se exatamente com a questão da eficácia da implementação das quotas Muitos argumentam que se tratam apenas de uma solução temporária, rejeitando, ignorando ou não abordando as verdadeiras causas subjacentes da desigualdade de género verificada, assemelhando-se a colocar um penso rápido por cima de uma ferida que sósetornarámaisprofunda.

Concluindo, embora o conceito de quotas de género tenha sido implementado com a intenção de promover a igualdade e inclusão, é notável que o seu impacto e eficácia podem permanecer incertos para muitos Enquanto alguns as têm como uma medida necessária para corrigir certos desequilíbrios estruturais, culturais e históricos, simultaneamente, outros consideram-nas como uma solução simplista que pode comprometer princípios fundamentais.

Por todas estas e outras razões, a questão essencial do tema prende-se com o facto de se as quotas de género são efetivamente o caminho mais eficaz para alcançar uma sociedade verdadeiramente igualitária e justa Nesta linha de pensamento, em vez de simplesmente impor números arbitrários e quotas obrigatórias a cumprir, se deva direcionar os esforços e a luta para abordar as razões profundas da desigualdade de género, desafiando normas de género e culturais profundamente enraizadas e promovendo uma mudançasistémica

A reflexão sobre este tema convida-nos a repensar que talvez se devam explorar novos caminhos, mais desafiadores e complexos, que tratem a procura por uma sociedade onde a igualdade é uma realidade tangível para todos e não apenas uma utopia Por outro lado, como muitos ficarão a pensar, talvez este seja realmente um passo na luta pela conquista da igualdade de género. A implementação das quotas de género já não é assim tão recente mas os frutos da mesma continuam a ser recolhidos, pelo que apenas com o tempo obteremos a resposta para esta questão aparentementeparadoxal

CatarinaCanelas
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frequentemente marcada por desafios. É uma história repleta de resistência e conquistas. Não é um tópico recente, mas tem ganho cada vez mais expressividade na atualidade Desde os primórdios da civilização, as mulheres têm desempenhado papéis significativos nas suas comunidades, mas a sua participação formal na esfera política tem sido frequentemente limitada por sistemas de poder predominantementepatriarcais.

Ao longo dos séculos, as mulheres têm lutado por reconhecimento político e igualdade de direitos. Exemplo disso, foi a luta pelo sufrágio feminino, um marco extremamente importante na história feminista, que ganhou destaque especialmente nos séculos XIX e XX. Várias mulheres, um pouco por toda a parte do mundo, organizaram protestos, petições e campanhas pelo direito de votar e de poderem ser eleitas para cargos políticos Em 1893, graças ao movimento liderado por Kate Shepparda, a Nova Zelândia tornou-se o primeiro país a conceder o sufrágio feminino a nível nacional, posição seguida gradualmenteporoutrospaíses

No entanto, a obtenção do direito de voto não foi o fim das lutas das mulheres na política. Muito pelo contrário. Mesmo depois de conquistar esse direito fundamental, é facto que as mulheres continuam a enfrentar discriminação, obstáculos institucionais e culturais para poderem ter acesso a cargos de liderança e de influência política Durante grande parte do século XX, as mulheres eram frequentemente marginalizadas em partidos políticos e excluídas de cargos de poder.

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P O L
T I C A

Nas últimas décadas, houve avanços significativos na participação política das mulheres em todo o mundo. Cada vez mais mulheres estão a ser eleitas para cargos públicos, quer sejam eles de governos locais ou até mesmo chefias de estado Alguns países implementaram as chamadas políticas de “quotas de género”paragarantirumarepresentação mais equitativa nos parlamentos e órgãosgovernamentais Paraalémdisso,movimentosfeministase de igualdade de género têm aplicado uma certa pressão por reformas sistémicasquereconheçamevalorizemo papel das mulheres na política Mulheres líderes emergiram em diversos países, desafiando todos os tradicionais estereótipos de género, mostrando as capacidades e habilidades femininas de liderança em diversas áreas, desde a diplomaciaatéàgestãopública Contudo, importa referir que, apesar desses progressos, continuam a persistir algunsdesafiossignificativos,taiscomoo sexismo institucionalizado e a subrepresentação de mulheres em certas esferas políticas, mas a história das mulheres na política mantém-se uma história de resiliência, determinação e perseverança.

A presença das mulheres na política tem demonstradoterimpactosignificativoem diversas áreas. Estes efeitos refletem não apenas uma maior diversidade de perspectivas como também mudanças substanciais na maneira como as questões são abordadas e as decisões são tomadas. As mulheres demonstram ter uma sensibilidade e empatia particular Esta sensibilidade pode influenciarsignificativamenteopapeldas mulheres na política e é extremamente crucialdar-lheasuadevidarelevância.

Vejamos, as mulheres tendem a possuir uma gama mais ampla de expressões emocionais e a serem mais recetivas às emoções dos outros, o que pode torná-las mais empáticas e inclinadas à resolução deconflitosatravésdeumaviamais pacifista, incentivando uma cultura política mais favorável ao diálogo e à cooperação. Num cenário político, essa sensibilidade emocional pode resultar em abordagens mais centradas nas necessidades e preocupações das comunidades que estão em jogo no tabuleiro do cenário internacional ou aquelas que podem ser também afetadas como danos colaterais, o que leva a uma adoção de políticas mais inclusivas e sensíveis às questões sociais.

Esta questão é particularmente importante em sociedades onde a polarização política e a falta de empatia podem danificar a eficácia do processo político. Ao permitir que as mulheres desempenhem um papel significativo na tomada de decisões políticas e se sentem à mesa das negociações, podemos criar sociedades mais justas e resilientes, onde vimos as necessidades de todos os cidadãos serem tidas em conta.

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Outro tópico importante sobre a participação das mulheres na política éaassociaçãoaumaagendapolítica mais inclusiva e sensível às questões de género. As mulheres muitas vezes trazem ao de cima problemas que afetam diretamente as mulheres, como por exemplo a igualdade salarial, a saúde reprodutiva e o aborto, o combate à violência de género, entre outros. Isto faz com que exista um maior conjunto de políticas públicas mais abrangentes e eficazes desenvolvidas para atender às necessidadesdapopulação.

Noentanto,éimportantenotarqueos efeitos da participação das mulheres na política podem variar dependendo do contexto político, social e cultural específico onde cada uma se insere, ouseja,podevariardepaísparapaís.

Apesar dos benefícios substanciais, desafios persistentes, como a discriminaçãodegéneroeaviolência política, continuam a representar obstáculos significativos para que haja uma plena participação das mulheresnaesferapolítica

Àmedidaquerefletimossobreopapel das mulheres na política, inspiramonos na resiliência e na determinação que têm demonstrado ao longo de toda a história. Embora os desafios persistam, a presença feminina na esfera política continua a moldar um mundo mais justo e inclusivo No que diz respeito ao avanço da participação política das mulheres no futuro, o cenário é desafiante mas sorridente Cadavozecadapassoem direção à igualdade de género são um testemunho do poder da mudança. Ao celebrarmos as conquistas alcançadas, renovamos o nosso compromisso de garantir que as mulheres não tenham apenas lugares reservados na mesa política das decisões, mas que liderem o caminho em direção a um futuro de oportunidadesmaisjustasparatodxs.

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MariaSeatra

Contrarrelógio: A pressão da juventude eterna

Cremes, séruns, protetores-solares, exfoliantes, fillers, botox.

Porque é que as mulheres sentem a necessidade de manter a sua aparência jovem intacta?

Desde o final dos anos 20, com o lançamento do primeiro creme cosmético hormonal, que a indústria antienvelhecimento lucra com as inseguranças das mulheres O pioneiro foi um creme alemão, Amor Skin, feito com secreções glandulares de uma tartaruga, introduzido nos Estados Unidos em 1927 por Florence Wall.

Na adolescência, as rugas e os cabelos brancos pouco desassossego provocam Não obstante, a influência de conteúdos digitais relacionados à beleza vendem constantemente a ideia que temos de ter “x”, “y” e “z” produtos para evitar as repercussões no futuro. O aumento maciço das cirurgias plásticas, que antes pareciam ser exclusivas a celebridades ou ricos, contribuiu para a normalização de uma imagem meticulosamente construída e polida como padrão

Mas esta luta contra a inevitável passagem do tempo não surgiu com as redes sociais. Existe a noção de que a juventude está intrinsecamente associada à beleza e, à medida que uma mulher envelhece, perde a sua atratividade, tornando-se indesejável aos olhos dos homens A epidemia de validação masculina tem contaminado os padrões de beleza das mulheres durante séculos e continua a desempenhar um papel na desconsideração das mulheres de meia-idade. A maioria dos produtos antienvelhecimento são direcionados a este grupo.

A relação entre a mulher e todas as fases da sua vida devia ser nutrida, de modo que, cada etapa, não seja algo que se deva temer ou atrasar Como a minha avó diz sempre que alguém comenta que está a envelhecer: “É sinal de que estou viva, porque os mortos não envelhecem ”

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UMADASAPOSTASDAAPAVNAPREVENÇÃO: HORADESER®-SENSIBILIZAREEDUCARPARAOS RELACIONAMENTOS

O Hora de SER® - Sensibilizar e Educar para os Relacionamentos é um programa de prevenção centrado na violência interpessoal, desenvolvido pelaAssociaçãoPortuguesadeApoioà Vítima(APAV).

Parte do pressuposto que a prevenção da violência será tanto mais eficaz quanto mais precocemente tiver início e, por essa razão, o programa apresenta duas versões: pré-escolar, para crianças entre os 3 e os 6 anos; 1º ciclo, para idades compreendidas entre os6eos10anos.

Mariana Pinto, Cynthia Silva, Manuela Santos e Rosa Saavedra Unidade de Prevenção| APAV

Este programa de prevenção, com potencial de implementação em contexto escolar e comunitário (e.g., ATL,campodeférias),integramúltiplas componentes e procura promover relacionamentos interpessoais positivos,assentesemvalorescomoo respeito, a igualdade e a nãoviolência,atravésdaaprendizageme treinodecompetênciasespecíficas. Partindo das causas identificadas na investigação em diferentes domínios da violência, o programa pretende atuar diretamente sobre alguns dos fatores que podem aumentar (e.g, estereótipos de género) ou prevenir (e.g., aprender a resolver conflitos de forma assertiva e sem recorrer à violência) a ocorrência de diversas formasdeviolência.

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Existemcincomódulosemcomumnasduasversõesdo

programa,quedescreveremosdeformasucinta:

ValordoGrupo

Os comportamentos considerados aceitáveis são definidos durante este módulo, através de responsabilidade individual e de grupo. A consciência grupal é desenvolvida por meio da partilha de experiências e interações positivas entre os participantes, promovendo a inclusão e a perceção do grupocomoumambienteseguroparaaaprendizagem,noqualcadacriança pode manifestar livremente sua opinião, experiência, emoções e sentimentos, semmedodesendojulgadaoucriticada.

IgualdadeeDiversidade

Centra-se na promoção da igualdade de género e no reconhecimento da diversidadecomoalgonaturalepositivo. Os valores subjacentes aos Direitos Humanossãoabordadoseascriançassãoconfrontadascomadesigualdade presentenasociedadedevidoaogénero,idadeediversidadefuncional.Nesse sentido, os estereótipos e as suas consequências são trabalhados para fomentar pensamentos e comportamentos alternativos, destinados a alcançarumarealidademaisjustaeigualitária.

RelacionamentosPositivos

Dedica-se à aprendizagem e formação de competências pessoais e sociais, essenciais para estabelecer relações interpessoais positivas. As crianças aprendem a identificar emoções e sentimentos e a expressar emoções negativas de forma adequada; identificar diferentes estilos de comunicação e suas consequências; treinam o uso da assertividade e a resolução de conflitosdeformapositiva.

EfeitosdaViolência

Pretende-se promover a empatia das crianças relativamente às vítimas, através do reconhecimento das consequências e do impacto que a violência pode ter nas suas vidas. Procura-se desconstruir atitudes que legitimem qualquer forma de violência As crianças também são sensibilizadas para a importância das testemunhas em situações de violência e é facilitada a tomada de decisões através da aprendizagem de estratégias de segurança quepodempermitirqueascriançasajudema(s)vítima(s)deviolência.

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Existem cinco módulos em comum nas duas versões do programa, que descreveremos de forma sucinta:

Segurança

Oprincipalobjetivodestemóduloéfornecerum conjuntodeestratégiasde segurança (individuais ou através do recurso a redes de apoio formais e informais)quepermitamàscriançassaberoquefazer,casosoframalgum tipo de violência direta ou indireta. As crianças aprendem a identificar no seu círculo pessoal quais são os adultos de confiança e são encorajadas a partilhar acontecimentos, pensamentos e emoções que têm ao lidar com este(s)adulto(s)noseudiaadia.

Reforça-se a importância de contactar estas pessoas de confiança em situações de perigo, aumentando os seus sentimentos de segurança e promovendo a ideia de que devem procurar ajuda imediatamente após uma situação abusiva ou sempre que se sintam ameaçadas antes, para prevenireevitaravitimizaçãoesuacontinuidade.

OPapeldaFamílianaPrevenção

Este é um módulo específico para as famílias das crianças O objetivo é reforçaroprocessodepartilhaentrecrianças-família,atravésdarealização conjunta de dinâmicas que possam facilitar a generalização de aprendizagens e reforçar as competências adquiridas durante o Hora de SER®.

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Aimplementaçãodosprogramasérealizadatendocomobasedoismanuais de Atividades, que incluem a descrição de todos os componentes do programaeindicaçõesprecisasparaaimplementaçãodecadaatividade. Emborasejarecomendávelaimplementaçãocompletadoprograma,estefoi desenvolvido considerando a possibilidade de aplicação dos módulos de forma independente, sem comprometer a sua integridade. Isto permite aplicar os módulos na sua totalidade, ou selecionar os módulos de acordo com a avaliação das necessidades e especificidades do grupo. Contudo, ao prolongar a duração do programa, aumentam as oportunidades de aquisiçãodecompetênciaseasoportunidadesparaoseutreino.

Este programa assenta numa metodologia de aprendizagem não formal, que privilegia a participação, a cooperação e a experiência das crianças, respeitandooseupontodevistaevalorizandoapartilhadentrodogrupo.

A implementação do programa foi sujeita à mediçãodoseuimpactosocial realizada por uma entidade independente com vasta experiência na avaliaçãodeprogramas.

Foi utilizada uma abordagem quase-experimental com dois grupos de crianças: o grupo experimental e o grupo de controlo. Os resultados mostraram que, após a participação no Programa Hora de SER®, ascrianças apresentam uma maior empatia em relação às consequências da vitimaçãonavítima,umadiminuiçãodeestereótiposdegénero,umamaior intolerância a diferentes formas de violência e uma maior capacidade de reconhecerestratégias(in)adequadasparalidarcomsituaçõesdeviolência, dandoprimaziaaestratégiasassertivas.

Enquantoestratégiadealargamentodoprograma,aAPAVtemapostadona formaçãodeprofissionaisque,noseucontextodetrabalho,contactamcom crianças nestas faixas etárias. Até à data, foram capacitadas/os para a implementaçãodoProgramaHoradeSER®cercade400profissionais,oque permitiuqueaproximadamente4750criançasbeneficiassemdoprogramae dasaprendizagensaeleassociadas.

Vamos continuar a apostar na prevenção enquanto ferramenta de combatecontraaviolência!

HEFORSHE UCP MAIO2024 19 MarianaPinto,CynthiaSilva,ManuelaSantoseRosaSaavedra UnidadedePrevenção|APAV

PERSONALIDADES FEMINISTAS PORTUGUESAS

CAPICUA, NOME ARTÍSTICO DE ANA

MATOS FERNANDES, É UMA RAPPER, ATIVISTA E CRONISTA PORTUGUESA

NASCIDA NA CIDADE DO PORTO O SEU

NOME DESTACOU-SE NO PANORAMA

MUSICAL PORTUGUÊS, ESPECIALMENTE COMO MC, COM TEMAS COMO

“VAYORKEN” E “MARIA CAPAZ”.

CONQUISTOU O PAÍS E A COMUNIDADE

DO RAP POR DEFENDER E APOIAR AS MULHERES E ASSUMIR PUBLICAMENTE AS SUAS POSIÇÕES

COM APENAS 15 ANOS DESCOBRE O HIP HOP, PRIMEIRO PELOS DESENHOS NAS PAREDES, DEPOIS PELAS RIMAS EM CASSETES, ATÉ CHEGAR AOS MICROFONES.

SOCIÓLOGA DE FORMAÇÃO (ISCTE), COM

ERASMUS E DOUTORAMENTO FEITOS EM BARCELONA, ANA MATOS FERNANDES

ACABOU POR FAZER DA MÚSICA O SEU

PRINCIPAL OFÍCIO E É CONHECIDA PELA SUA ESCRITA EMOTIVA, FEMINISTA E PODEROSA. A MÚSICA TEVE, POR ISSO, UM PAPEL FUNDAMENTAL NA DIVULGAÇÃO E ACEITAÇÃO DAS SUAS IDEOLOGIAS.

RAP FEMINISTA

EM 2012, A SUA MÚSICA ALCANÇOU UM PÚBLICO MAIS EXTENSO, SENDO FALADA EM TODOS OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO PORTUGUESES, CONSEGUINDO DESTE MODO PROFISSIONALIZAR-SE NA MÚSICA. LANÇA NESSE ANO O SEU PRIMEIRO ÁLBUM HOMÓNIMO “CAPICUA” A ARTISTA SURPREENDE E GANHA DESTAQUE NAS LISTAS DE MELHORES DISCOS DO ANO.

FEZ, TAMBÉM, DESDE AÍ, DIVERSAS PARTICIPAÇÕES COM OUTROS ARTISTAS, INCLUINDO SÉRGIO GODINHO, SAM THE KID E DJ RIDE A PRÓPRIA ADMITE QUE O SEU TRABALHO É MUITO INFLUENCIADO POR POETAS PORTUGUESES, EM ESPECIAL PELA POESIA DE SOPHIA DE MELLO BREYNER

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EM 2014, A SUA MÚSICA INSPIROU O NOME DA PLATAFORMA FEMINISTA CRIADA POR RITA FERRO RODRIGUES E IVA DOMINGUESMARIA CAPAZ.

EM 2015 NASCE “MEDUSA” , UM DISCO COM 14 REMISTURAS E DOIS

TEMAS ORIGINAIS, COM VÁRIAS PARTICIPAÇÕES COMO VALETE E M7, CONTENDO UMA FORTE CRÍTICA À VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

CAPICUA RECORREU À FIGURA DA MEDUSA DA MITOLOGIA GREGA, PROPOSITADAMENTE, COMO “UMA HISTÓRIA PODEROSA SOBRE A CULPABILIZAÇÃO DA VÍTIMA, UMA MULHER QUE FOI CASTIGADA E TRANSFORMADA NUM MONSTRO”.

EM PARCERIA COM PEDRO GERALDES, DOS “LINDA MARTINI” , CAPICUA EDITA, EM 2016, “MÃO VERDE”, DISCO E LIVRO DE MÚSICA, AMBOS PARA CRIANÇAS.

INICIA, ASSIM, UMA NOVA DIGRESSÃO, DESTA VEZ PARA UM PÚBLICO DISTINTO, COM UMA CLARA MOTIVAÇÃO ECOLOGISTA.

EM 2017, RECEBEU O PRÉMIO JOSÉ DA PONTE, ATRIBUÍDO PELA SOCIEDADE PORTUGUESA DE AUTORES A JOVENS AUTORES.

É DE ASSINALAR AINDA A SUA PARTICIPAÇÃO EM PROJETOS SOCIAIS, NOMEADAMENTE NO PROJETO DE INTERVENÇÃO SOCIAL, CULTURAL E ARTÍSTICO “OUPA!” IDEALIZADO EM 2014 PELA CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO. INTEGRADO NO PROGRAMA "CULTURA EM EXPANSÃO", ESTA INICIATIVA PROCURA PROMOVER A CAPACITAÇÃO E EMPODERAMENTO DOS JOVENS DOS BAIRROS SOCIAIS, ATRAVÉS DA PALAVRA E DA MÚSICA.

EM 2020, LANÇOU O SEU ÁLBUM “MADREPÉROLA” , ÁLBUM ESTE QUE ABORDA TEMAS COMO O MACHISMO, GENTRIFICAÇÃO, LIBERDADE, IGUALDADE DE GÉNERO, MUDANÇAS CIVILIZACIONAIS E MATERNIDADE (PRINCIPALMENTE POR TER SIDO MÃE EM 2019)

NUM CONTEXTO GERAL, TRATA DO QUE É SER MULHER NUM MUNDO DE HOMENS, NÃO SÓ NA MÚSICA, MAS NA NOSSA SOCIEDADE.

HEFORSHE UCP MAI2024 21

O RAP E A SUA ESCRITA

HÁUNSANOSHAVIAUMCERTOPRECONCEITOEMRELAÇÃOAOHIPHOPEORAP ESTAVAMUITOCIRCUNSCRITOÀ“TRIBO”EAOPESSOALDACULTURAHIPHOP.

ASSOCIADOAORAPEXISTETODAUMAIDEIADEFECHAMENTO,QUEFOISENDO DESMISTIFICADAPELOSIMPLESFACTODETERCHEGADOAVÁRIASPESSOAS DIFERENTES

COMOSEUCONTRIBUTOEDEMUITASOUTRASPESSOAS,HOUVEUMAABERTURA DORAPAUMPÚBLICOMAISGENERALIZADO,CONSEGUINDOCHEGARAVÁRIAS TRIBOSEVÁRIASGERAÇÕES.

FOIESTAUMAINOVAÇÃOPORPARTEDECAPICUA.AMESMATEMTENDÊNCIAPARA CATIVARUMPÚBLICOMAISJOVEM,PORÉMTAMBÉMCATIVAMULHERESNACASA DOSSEUS40,CRIANÇASEATÉMESMOHOMENSDE60ANOS.

PARAAMESMAORAPACABAPORSERUMAFORMADEINSPIRAROUTRAS GERAÇÕES,DETRANSMISSÃODEMENSAGENSPOSITIVAS.ÉCOMOUMMEGAFONE

PARAASSUASCAUSASEFERRAMENTAPARAMUDAROMUNDO. NESSESENTIDO,TUDOSECOMPLEMENTA.

ORAPÉCOMOQUEUMACRESCENTOIMPORTANTEÀQUILOQUEAMESMASE PROPÔSAFAZER:

ASSOCIARAMÚSICA,NÃOSÓCOMOALGOESTÉTICO,MASTAMBÉMCOMOUMA FORMADEDISCURSO

ANAFERNANDESTENTAFAZERUMRAPINTERESSANTEDOPONTODEVISTA LITERÁRIOEBEMESCRITO,PORQUEAVERDADEÉQUEFOIAESCRITAQUEA PERMITIUESCREVERMÚSICA.

DESTE MODO, A MÚSICA E A ESCRITA ESTÃO SEMPRE INTERLIGADAS.

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“QUE FORÇA É ESSA AMIGA” HINO FEMINISTA -

NUM ANO EM QUE CELEBRAMOS OS 50 ANOS DA REVOLUÇÃO DOS CRAVOS, COMO REVOLUÇÃO PROVIDENCIAL PARA A LIBERTAÇÃO DAS MULHERES NO NOSSO PAÍS, “QUE FORÇA É ESSA AMIGA” É A MAIS RECENTE MÚSICA LANÇADA POR CAPICUA

FRUTO DE UM CONVITE PARA FAZER UMA VERSÃO DE UMA MÚSICA DE SÉRGIO GODINHO, ESTA CANÇÃO LANÇADA NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER, DÁ USO AO POEMA DO “QUE FORÇA É ESSA” , MUDANDO A LETRA ALUSIVAS À EXPLORAÇÃO DO TRABALHO DE UNS PARA O ENRIQUECIMENTO DE OUTROS, PERSONIFICANDO O HOMEM, PARA FALAR DAS QUESTÕES DO TRABALHO DOMÉSTICO, TRABALHO REPRODUTIVO, A UALDADE QUE AINDA EXISTE DENTRO DAS PAREDES DAS O NOSSO PAÍS E OS CUIDADOS INFORMAIS QUE NÃO SÃO ADOS, VÁRIAS FORMAS DE EXPLORAÇÃO DA MULHER E DO SEU CORPO QUE SÃO, MUITAS VEZES, INVISÍVEIS.

É UMA CANÇÃO INSURGENTE E SUBVERSIVA, QUE NOS DEIXA O MOTE PARA UMA REFLEXÃO: “QUE FORÇA É ESSA, AMIGA, QUE TE FAZ LEVAR O MUNDO TODO NA BARRIGA?”

CAPICUA CONSIDERA QUE

A LIÇÃO MAIS FEMINISTA QUE APRENDEU FOI EFETIVAMENTE NO HIP HOP, UM MEIO DOMINADO POR HOMENS.

ENQUANTO FEMINISTA, ACREDITA QUE A SOCIEDADE IMPÕE UMA SUPER-EXIGÊNCIA SOBRE MULHERES, MAS QUE HÁ MUITO QUE CELEBRAR.

É ÓBVIO PARA A MESMA QUE TEM DE SER REJEITADO O PAPEL DE PERPETUAR A CONDIÇÃO DE COADJUVAR, TORNANDO-SE AS MULHERES COMO PROTAGONISTAS DAS SUAS PRÓPRIAS VIDAS, PARA QUE AS PRÓXIMAS GERAÇÕES POSSAM SE INSPIRAR

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O SEU LEGADO

CAPICUA É, REALMENTE, UMA DAS VOZES DOS NOSSOS DIAS, E TEM-SE DISTINGUIDO PELA SUA PLENA DEDICAÇÃO AO FEMINISMO.

ACREDITA QUE É MOLDANDO AS MENTALIDADES MAIS JOVENS QUE SE PODE FAZER REALMENTE ALGUMA DIFERENÇA, MOTIVO PELO QUAL INICIOU UM PROJETO MUSICAL INFANTIL, VISANDO COM ISTO ESTIMULAR AS MENTES DOS MAIS JOVENS.

É INEGÁVEL QUE A MESMA TEM CONTRIBUÍDO PARA A DESTRUIÇÃO DOS PRECONCEITOS ASSOCIADOS AO RAP E PARA O EMPODERAMENTO FEMININO, INCENTIVANDO DESTA FORMA, ATRAVÉS DAS SUAS MÚSICAS E AÇÕES, OUTRAS MULHERES A CONSTRUÍREM OS SEUS PERCURSOS E A DEFINIREM OS SEUS PRÓPRIOS CAMINHOS

DE UM MODO GERAL, CONTRIBUIU PARA UMA MUDANÇA CULTURAL SIGNIFICATIVA.

“EU DIGO QUE SOU RAPPER MILITANTE, NO SENTIDO DE COMPROMISSO E MISSÃO COM AS MINHAS CAUSAS E USO A MÚSICA COMO UM VEÍCULO DE MENSAGEM”

“ACHO QUE É MUITO DIFÍCIL [NÓS MULHERES] MANTERMOS A AUTOESTIMA NESTA SOCIEDADE, É MUITO DIFÍCIL NÃO NOS QUESTIONARMOS OU SERMOS INSEGURAS PORQUE PARECE QUE TEMOS QUE PROVAR SEMPRE TRÊS VEZES MAIS, PARECE QUE ESTÃO SEMPRE A QUESTIONAR A NOSSA VALIDADE.”

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