NEWSLETTER 2023/24
JANEIRO 2ª edição
HEFORSHE UCP
JANEIRO 2024 | EDIÇÃO 2
CON(SHE)ÊNCIA Notícias, opiniões, desenvolvimentos e descobertas feministas
Novo ano, nova edição! Como não há melhor forma de começar o ano do que com um banho de força e sabedoria, deixem-se refrescar por estas palavras que vos apresentamos. Num ano que se apresenta desafiante e promete a mudança, acompanha-o uma nova edição, novas cores, novos conteúdos! Sem porém perder a ousadia em explorar temas fraturantes e a vontade de enveredar por caminhos inovadores. Posto isto, deliciem-se com mais um excelente contributo da nossa equipa e, desta vez, com a participação especial de dois dos nossos parceiros: o Jornal Pontivírgula e Women in Engineering do Instituto Superior Técnico. Resta-nos apelar a que, em 2024, sejam conSHEentes: de vocês mesmos e do mundo que vos rodeia. Cumprimentos feministas, A Direção da HeForShe UCP
DIREÇÃO Sofia Pereira Joana Vieira Alice Fernandes 01
REDAÇÃO Coordenação e revisão: Beatriz Ribeiro Matilde Alves Catarina Canelas Ema Castelo Maria Seatra Rita Nunes Jornal Pontivírgula Women in Engineering
DESIGN GRÁFICO Coordenação: Rita Bento Constança Lourenço Margarida Guilherme Mariana Antunes Gilberta Outeiro 02
CON(SHE)ÊNCIA
ÍNDICE
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NOTA DA DIREÇÃO
FICHA TÉCNICA
PERSONALIDADES FEMINISTAS: CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO
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DESCOBERTAS CIENTÍFICAS: NETTIE STEVENS
FEMINISTA E PATROAS
HEALTH/MENTAL CLARITY (WE CARE) PÍLULA - PRÓS E CONTRAS
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DESCONSTRUIR TABUS: A OUTRA FACETA DO OESTE AMERICANO
MULHERES EM TEMPO DE GUERRA
DISPARIDADES DE GENERO NA ÁREA DAS ENGENHARIAS
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MULHERES INVISIVEIS E A LITERATURA
HEFORSHE EM AÇÃO
CONTACTOS DE APOIO
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Carolina Beatriz Ângelo
SET 2023
Nasceu a 16 de abril de 1878, no concelho de Guarda, filha de um pai jornalista e de uma mãe doméstica. Cresceu num ambiente familiar liberal, e, sendo o seu pai e avô apoiantes do Partido Progressista, e associados à atividade jornalística da região, conseguiu concluir os seus estudos primários e secundários em 1891, no Liceu da Guarda.
Carolina Beatriz Ângelo foi uma médica, republicana, feminista e uma das mais reconhecidas sufragistas portuguesas do século XX, tendo sido a primeira mulher cirurgiã e a primeira mulher a votar em Portugal, dois marcos importantíssimos na luta pelos direitos das mulheres e no combate à desigualdade de género.
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Desempenho académico Mais tarde, em Lisboa, na última década de oitocentos, prossegue os seus estudos e matricula-se na Escola Politécnica (estabelecimento de ensino superior técnico, atual Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) e na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, concluindo o curso de Medicina em 1902. Apesar de ser a única mulher da sua turma, isso não a impediu de estabelecer boas relações com os seus colegas, entre os quais, Januário Barreto, com quem viria um dia a casar, e professores com os quais trabalhou anos mais tarde, destacando-se alguns como:
Manuel Alfredo da Costa (pioneiro da obstetrícia em Portugal) e José Curry da Câmara Cabral (médico e um dos mais afamados investigadores e professores portugueses na área das ciências médicas), atualmente homenageados pela atribuição dos seus nomes a dois hospitais. Aos 24 anos viria a casar-se em Lisboa, sendo fruto deste casamento apenas uma filha, Maria Ângelo Barreto, que mais tarde se viria a tornar professora de filosofia.
Carolina Beatriz Ângelo numa foto do curso de medicina. Era a única mulher.
Primeira mulher cirurgiã portuguesa Um ano mais tarde, em 1903, apresenta a sua dissertação inaugural e inicia a sua carreira como a primeira cirurgiã portuguesa, contrariando a enraizada tendência, fortemente sexista, dos blocos operatórios portugueses, à época. Torna-se, assim, a primeira mulher portuguesa a operar no Hospital São José. Mais tarde, dedicou-se à especialidade de Ginecologia, abrindo um consultório particular na Baixa de Lisboa, feito que permitiu abrir novos horizontes às futuras gerações de médicas.
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Feminismo Em 1906, em consonância com os ideais feministas e republicanos, inicia-se a sua militância em organizações defensoras dos direitos das mulheres, começando pela sua participação no comité português da agremiação portuguesa La Paix et le Désarmement par les Femmes, associação que tinha como objetivo a resolução de conflitos internacionais através do diálogo e de uma arbitragem exclusivamente feminina. Em 1907, integra o Grupo Português de Estudos Feministas (contando com diversas médicas, jornalistas, professoras, escritoras, tinha como objetivo difundir os ideais da emancipação feminina), e a Maçonaria (organizações fraternais), junto com outras mulheres feministas e que partilhavam de alguns dos mesmos ideais. Em 1909, integra o grupo de mulheres fundador da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (organização e associação política e feminista, defensora dos ideais republicanos, sufrágio feminino, direito ao divórcio, instrução das crianças, direitos e deveres igualitários para homens e mulheres). A 5 de outubro de 1910, data da Implantação da República, juntamente com Adelaide Cadete (uma das principais feministas portuguesas do século XX), foram as responsáveis pela confecção secreta das bandeiras republicanas, símbolo desta revolução. À data era dirigente da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas. Esteve ainda envolvida na fundação da Associação de Propaganda Feminista (organização e associação política e feminista), que chegou a dirigir. No seguimento disto, projetou a criação de uma escola de enfermeiras, mais uma manifestação da sua clara e evidente preocupação com a emancipação das mulheres e com os seus direitos. Até morrer no ano seguinte, liderou o movimento feminista e o movimento republicano feminino em Portugal.
Primeira mulher portuguesa a votar Além da área médica e cirúrgica, manifestou ainda um interesse político (muitos dizem que este pode ter sido motivado pelo marido), nomeadamente ao nível do direito de voto das mulheres. Por toda a Europa, há anos que as sufragistas reivindicavam este direito, sendo que, na época, a Finlândia era o único país europeu que reconhecia o sufrágio feminino (1911). A nível mundial, foi a Nova Zelândia o primeiro país a conceder este direito, em 1893.
Relativo ao ato de votar, a primeira lei eleitoral da República Portuguesa apontava alguns critérios como indispensáveis e essenciais ao reconhecimento do direito de voto, sendo este concedido apenas a “cidadãos portugueses com mais de 21 anos, que soubessem ler e escrever e fossem chefes de família”.
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Face a estas condições, e perante o que se pode considerar um lapso legal da legislação eleitoral, Carolina vê a oportunidade de subverter a lei a seu favor, visto que estes critérios não excluíam expressamente as mulheres. Além disto, à data, era viúva, tinha uma filha menor a seu cargo, era impecavelmente instruída e tinha mais de 21 anos, pelo que, tecnicamente, preenchia todos os critérios necessários por lei para que lhe fosse atribuído o direito ao voto. Neste mesmo sentido, dirige um requerimento para que o seu nome seja incluído no novo recenseamento eleitoral, visto que, a seu ver, reunia as condições necessárias para votar. Contudo, apesar do seu esforço, o seu pedido foi rejeitado, pelo que o seu nome não foi aceite para ser incluído nos cadernos eleitorais. Perante isto, não desistiu, e apresentou recurso em tribunal, onde obteve uma sentença favorável que ficaria marcada para a história, por parte do juíz João Baptista de Castro, pai de Ana de Castro Osório, importante feminista e ativista portuguesa:
“Excluir a mulher (...) só por ser mulher (...) é simplesmente absurdo e iníquo e em oposição com as próprias ideias da democracia e justiça proclamadas pelo Partido Republicano. (...) Onde a lei não distingue, não pode o julgador distinguir (...) e mando que a reclamante seja incluída no recenseamento eleitoral.” (28 de abril de 1911) Deste modo, a 28 de maio do mesmo ano, Carolina Beatriz Ângelo torna-se a primeira mulher portuguesa a exercer o direito de voto, nas eleições para a Assembleia Constituinte, ato amplamente noticiado em Portugal e felicitado em diversos países do mundo por diversas associações feministas, representando uma enorme vitória e sinal de esperança e mudança para o feminismo:
“Representa este despacho das justiças da República uma vitória para o feminismo nacional (…). Tanto mais quanto essa vitória corresponde ao sentir íntimo de alguns dos membros do governo (…). Os nossos parabéns, portanto, não só à diretamente interessada, como ao governo provisório, e ainda ao país (…).” (jornal A Capital, a 29 de abril).
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Contudo, apesar do ato de votar de Carolina ter sido revolucionário, a “mudança” não se manteve, ocorrendo, quase como uma consequência imediata, um retrocesso na lei, não tendo sido consagrado o sufrágio universal. Deste modo, o Código Eleitoral de 1913, estipulava especificamente que apenas os cidadãos portugueses do sexo masculino se encontravam elegíveis de votar. Assim, apenas em 1931, é que as mulheres veriam o seu direito ao voto ser concedido, contudo, ainda com algumas restrições:
JAN2023 apenas podiam votar as que tivessem cursos secundários ou superiores, enquanto para os homens as restrições mantinhamse, considerando-se saber ler e escrever suficientes. Foram ainda feitos progressos a uma maior liberdade destas restrições em 1946, alargando o direito de voto às mulheres chefes de família e casadas, que, sabendo ler e escrever, tivessem bens próprios e pagassem pelo menos duzentos escudos de contribuição penal.
Mais progressos foram feitos em 1968, contudo, apenas após o 25 de abril em 1974, é que as mulheres veriam o seu direito ao voto ser regularizado sem quaisquer restrições com base no género. Apesar de não ter presenciado a implementação do sufrágio universal no país, pleno direito de votar e ser votado de todos os cidadãos elegíveis, este feito foi possível em grande parte pela sua coragem em ter desafiado as normas conservadoras da sociedade portuguesa. Falecimento e Homenagens Em 1911, apenas quatro meses após exercer o que ficou conhecido como o primeiro voto de uma mulher em Portugal, vem a falecer em sua casa, aos 33 anos, deixando uma filha pequena e todo um futuro, decerto, esplêndido e repleto de enormes feitos. Devido ao importantíssimo e notável papel que desempenhou enquanto mulher, médica, feminista, é, até hoje, homenageada por diversos movimentos feministas portugueses e internacionais, tendo sido atribuído o seu nome a várias localidades portuguesas como Sesimbra, Oeiras, Odivelas e Sintra.
Numa destas localidades, a Câmara Municipal de Odivelas, inaugurou ainda o Prémio Municipal Carolina Beatriz ngelo que pretende reconhecer o trabalho e contributo de mulheres, homens e instituições, em prol da redução de desigualdades, especialmente de género e no combate à exclusão social. Tem ainda uma escola na cidade da Guarda e um hospital em Loures, batizados com o seu nome. Carolina Beatriz Ângelo foi mais do que a primeira mulher cirurgiã e a primeira mulher a votar, foi a mulher feminista que abriu caminho e lutou pela igualdade de género, deixando um legado, com mais de 110 anos, de inspiração, luta e sacrifícios, que incentivaram as conquistas femininas ao longo das décadas do século XX, e esperemos que atualmente, a todos os que queiram honrar e continuar a sua luta. Catarina Canelas
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QUEM FOI NETTIE STEVENS? Nettie
Maria
americana
Stevens
que
foi
contribuiu
uma
geneticista
e
significativamente
citologista para
a
comprenssão do papel dos cromossomas na determinação do sexo de um organismo. Nascida a 7 de julho de 1861, em Cavendish, Vermont, Stevens realizou pesquisas inovadoras no início do século XX. É, até hoje, considerada, um dos maiores nomes da história científica
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UMA DAS PRIMEIRAS MULHERES A SER RECONHECIDA PELA CIÊNCIA Nettie Stevens foi uma das primeiras mulheres norte-americanas a ser reconhecida pela sua contribuição à ciência. Apesar do reconhecimento do seu trabalho, Nettie nunca chegou a um cargo universitário oficial. No entanto, fez carreira na pesquisa, em trabalhos de campo e em laboratório. Esta experiência em células germinativas levou a concluir que os cromossomas tinham um papel fundamental na determinação do sexo dos indivíduos, durante o seu desenvolvimento fetal. Ao observar os cromossomas dos insetos, Stevens descobriu que, em algumas espécies, os cromossomas são diferentes de acordo com o sexo, levando a uma diferença no nascimento entre machos e fêmeas. A sua descoberta foi a primeira diferença observável da ligação entre os cromossomas e o fenótipo. Este trabalho foi publicado em 1905.
Trabalhando, principalmente, com insetos, Nettie identificou o pequeno cromossoma (hoje identificado como Y) e deduziu que a base cromossómica para o sexo do Y era carregado pelos machos. Um óvulo fertilizado pelo esperma iria carregar o Y para o indivíduo que se tornaria macho, enquanto um cromossoma X (grande cromossoma) geraria uma fêmea. Ao estudar as moscas, larvas e besouros, Nettie concluiu também que os cromossomas existiam geralmente em pares , como XX ou XY, mas que poderiam existir variações, como XO. Hermann Henking já tinha, efetivamente, estudado previamente os cromossomas nos besouros, tendo encontrado o X, mas não tendo, contudo, conseguido identificar o Y. Stevens ainda concluiu que o cromossoma X não determinava o sexo dos indivíduos, tal como achava Clarence Erwin McClung. Apesar desta descoberta, não foi Nettie que nomeou os cromossomas X ou Y.
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MACHISMO ASSOCIADO A NETTIE Embora Nettie e Wilson tenham ambos trabalhado
Contradiz-se ainda quando em texto corrente diz
para a determinação cromossómica dos sexos,
que o trabalho foi feito em conjunto com Wilson e
muitos autores apenas atribuem esta descoberta a
Nettie e, porém, em nota de rodapé afirma que o
Wilson.
estudo sobre a descoberta destes cromossomas foi de facto de Nettie Stevens
Wilson, porém, não identificou nem o cromossoma Y nem o X, defendendo até que fatores ambientais acabavam
por
ter
um
papel
principal
na
determinação do sexo.
Para além disto, Morgan argumenta que Nettie Stevens carecia de uma visão abrangente que inspirava descobertas.
Na verdade, quem tem o crédito de descobrir os cromossomas sexuais é Thomas Hunt Morgan, embora ele discordasse tanto de Wilson como de Nettie. Este reconhecimento veio no seguimento do seu estudo relacionado com as moscas da fruta, acabando por receber um Prémio Nobel em 1933.
No entanto, é importante observar que Morgan parece
ter-se
esquecido
das
barreiras
enfrentadas por Nettie, uma vez que era constantemente excluída de palestras e de encontros
científicos,
privando-a
da
oportunidade de apresentar as suas teorias e as ideias.
Efetivamente, Nettie não foi reconhecida pela sua descoberta nem sequer na época em que publicou o seu trabalho. Enquanto Morgan e Wilson eram convidados a dar palestras sobre as suas teorias a respeito da determinação do sexo, em 1906, Nettie nunca recebeu convite algum. Após a morte de Nettie, Morgan acabou por escrever um obituário no jornal Science, dizendo que a mesma “teve parte em sua importante descoberta”, no entanto foi impreciso em várias
Alega ainda que foi no seu laboratório que
passagens. Morgan disse que Nettie confirmou a
analisou e descobriu os cromossomos sexuais.
hipótese de McClung sobre o cromossoma X, no
entanto,
hipótese.
Nettie
refutou
essa
mesma
A verdade é que Morgan adotou uma abordagem semelhante em relação a muitos outros cientistas, especialmente aqueles que foram seus alunos. Esta prática acabou por levantar questões sobre a justa atribuição
de
créditos
descobertas científicas.
no
contexto
das
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MORTE PREMATURA Tragicamente, a carreira de Nettie foi interrompida pela sua morte prematura, aos 51 anos de idade, em 1912, devido a um cancro da mama, em Baltimore, Maryland. Apesar da sua curta carreira, Stevens publicou cerca de 40 artigos científicos.
LEGADO DE STEVENS Em 1994, Nettie foi incluída no National
A
Women’s Hall of Fame, uma organização
Universidade Estadual de Westfield,
dos
honrou o nome de Nettie com a
Estados
Unidos
que
reconhece
conquistas de mulheres norte-americanas.
5
de
maio
de
2017,
a
inauguração do Centro de Inovação e Ciências Dra. Nettie Stevens.
A 7 de julho de 2016, ano do seu 155º aniversário, o Google criou um doodle comemorativo, mostrando Stevens a olhar para os cromossomas X e Y, por um microscópio. -Ana Rita Nunes
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Feministas e patroas Depreende-se da mais superficial análise da estrutura organizativa da nossa sociedade que o trabalho doméstico, vulgarmente pouco valorizado socialmente, é desempenhado, na sua esmagadora maioria, por mulheres, comumente, em situação económica mais desfavorecida. Pouca aprofundação desta análise se exige para encarar a exposição de um paradoxo do feminismo contemporâneo: a promoção de mulheres que ocupam lugares de destaque no mundo do trabalho faz-se, muitas vezes, à custa da transferência do trabalho doméstico para outras mulheres, em situação mais vulnerável e de maior necessidade. Historicamente, o trabalho doméstico tem sido atribuído predominantemente a mulheres, contribuindo para a perpetuação da conceção de que a esfera doméstica é responsabilidade do sexo feminino. Por mais que pouco evidenciada, a atividade desempenhada por trabalhadoras domésticas figura-se como fundamental para a promoção da igualdade entre homens e mulheres na esfera profissional. Denunciar a atribuição injusta de trabalho não remunerado foi um dos grandes projetos da segunda vaga de feminismo. O movimento que se debruçava sobre a atribuição de salários para o trabalho doméstico exigia o reconhecimento do valor financeiro deste. No entanto, na década de 1980, nos Estados Unidos, as preocupações feministas dominantes tinham-se voltado para a esfera pública – o alvo era, agora, eliminar as diferenças salariais entre homens e mulheres e aumentar a representação das mulheres no parlamento.
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A relação simultaneamente afetiva e laboral que é estabelecida, muitas vezes, com empregadas domésticas, alicerçada sempre numa fina camada de desconforto, encontra o seu expoente máximo em expressões como “a senhora que ajuda com as limpezas lá em casa”. É, das demais vezes, esta dinâmica afetiva que faz com que as trabalhadoras domésticas suportem condições de trabalho que outras pessoas considerariam inaceitáveis. Também as frágeis condições socioeconómicas em que as trabalhadoras de serviço doméstico se encontram contribuem para a sujeição a baixos salários, a trabalhar para além do horário do trabalho e sem pagamento de horas extraordinárias, devido a contratos informais, sem horário de trabalho e tarefas claramente definidas e ainda, sem respeito pelos tempos de descanso necessários.
Esta vulnerabilidade é evidente quando constatamos que muitas delas não estão inscritas na Segurança Social e, quando estão, é, maioritariamente, sob um regime que não assegura o acesso a subsídio de desemprego e proporcionando uma pensão de reforma consideravelmente reduzida, no término da sua carreira contributiva – isto obriga a que, muitas vezes, estas pessoas se vejam na necessidade de trabalhar muito para além da idade prevista para a reforma. Além disto, é evidente uma menorização deste trabalho, que conduz a uma desvalorização das consequências que o desempenho do mesmo tem na vida destas trabalhadoras: ao nível da saúde, por exemplo, não estão protegidas pelos mecanismos de medicina do trabalho. As suas vidas pessoais e domésticas vêm-se igualmente prejudicadas, objeto de negligência perante a necessidade de priorização da vida laboral. Uma revisão do regime de Segurança Social, acompanhada pelo estabelecimento de um sistema de proteção de saúde destas pessoas seria uma alternativa ao espaço de isolamento e informalidade que rodeia este tipo de dinâmica laboral. A promoção das mulheres na sociedade e a escalada da igualdade de género não podem ser travadas, mas não podem continuar a ser feitas à custa de outras mulheres. A integração da luta sobre condições de trabalho doméstico no movimento feminista é crucial para alcançar uma verdadeira e plena igualdade de género. O movimento não deve – e não pode – deixar de ouvir as vozes destas mulheres. Não há mulheres de primeira e de segunda categoria. Matilde Alves
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PÍLULA PRÓS E CONTRAS Que tipos de pílula existem?
Mas e então... quais os benefícios? E os aspetos negativos?
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PÍLULA De certeza que já ouviste falar deste famoso medicamento que tem tido um impacto profundo na vida das mulheres e que ajudou a moldar o mundo moderno. A história da pílula anticoncepcional é uma história de descoberta, controvérsia e também de revolução. A ideia de um contraceptivo hormonal foi proposta pela primeira vez na década de 1920, mas foi só na década de 1950 que os cientistas começaram a desenvolver um método eficaz. A feminista Margaret Sanger foi uma das principais defensoras do desenvolvimento da pílula. Ela acreditava que as mulheres deveriam ter o controlo do seu próprio corpo e que o acesso ao contraceptivo era algo fundamental para a emancipação feminina. Foi então que se começou a desenvolver a criação de uma pílula por um grupo de cientistas liderados por Gregory Pincus, John Rock e Celso-Ramón García. Em 1957, Pincus e Rock testaram uma pílula experimental em mulheres consideradas saudáveis. Os resultados foram promissores e levaram ao desenvolvimento da primeira pílula anticoncepcional, denominada de Enovid-10, que foi aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos em 1960. Foi um sucesso instantâneo. Em apenas cinco anos, este medicamento já era usado por mais de 2,5 milhões de mulheres nos Estados Unidos e rapidamente se espalhou para outros países, sendo hoje usada por mais de 100 milhões de mulheres em todo o mundo.
QUE TIPOS DE PÍLULA EXISTEM? A pílula anticoncepcional é um método contraceptivo hormonal que funciona alterando o ciclo menstrual natural. As duas hormonas essenciais para o seu funcionamento são o estrogénio e a progesterona. O tipo de pílula é determinado pela dosagem e pela combinação das hormonas que ela contém. Note-se que, também é importante considerar a frequência de administração da pílula.
No caso da pílula combinada, que é a mais comum, composta tanto por estrogénio como progesterona, pode ser tomada diariamente 21 em cada 28 dias (com interrupção de 7 dias) ou de forma contínua durante 28 dias. Também existe a pílula sem estrogénios, adequada a mulheres que estão a amamentar ou a quem não é aconselhado a toma de pílula com presença de estrogénios.
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MAS E ENTÃO... QUAIS OS BENEFÍCIOS? Primeiramente, ela previne a gravidez. É um método contraceptivo muito eficaz e se for tomado de forma regular (e sem esquecimentos) pode ter uma eficácia de 99%;
E OS ASPETOS NEGATIVOS? Não protege contra DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis); Pode causar alterações no humor;
É fácil de tomar;
Diminuição do apetite sexual;
Ajuda a regular a menstruação;
Dores de cabeça e enxaquecas;
Auxília na redução das cólicas e das dores menstruais (bem como da TPM);
Aumento do peso;
Ajuda a reduzir o risco de cancro do ovário, do cólon e do endométrio; Pode melhorar a oleosidade da pele e ajudar a combater a acne; Não afeta a fertilidade;
Alguns medicamentos (nomeadamente o uso de certos antibióticos) podem comprometer a eficácia; Acne (o que nalgumas pessoas pode ajudar a combater, noutras pode ser um fator que ajuda a surgir); Risco de trombose.
Ajuda a diminuir a aparição e presença de quistos nos ovários;
SE ESTÁS A PENSAR COMEÇAR A TOMAR A PÍLULA, AQUI TENS ALGUMAS RECOMENDAÇÕES Fala com o médico, não com o google. Não há ninguém melhor do que o teu médico para te ajudar a decidir se a pílula é o método contraceptivo indicado para ti. Lê a bula. A bula contém informações importantes sobre os benefícios e riscos da pílula. Começa a tomar a pílula no primeiro dia da menstruação. Isso ajuda a garantir que estejas protegida contra a gravidez e é mais fácil para manter o ciclo regulado. Toma a pílula todos os dias à mesma hora. Podes colocar um alarme ou um lembrete no telemóvel para não te esqueces. Irá ajudar-te a garantir a eficácia máxima do medicamento. Se te esqueceres de tomar uma pílula, consulta a bula e toma-a assim que te lembrares. Se te esqueceste de tomar duas ou mais pílulas, o melhor é que consultes o teu médico. Se estiveres grávida ou achares que podes estar, para de tomar a pílula de imediato. Maria Seatra
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A OUTRA FACETA DO OESTE AMERICANO Se pensarmos no Oeste americano do século XIX certamente nos lembraremos de uma só realidade: cowboys. E que clássica imagem nos vem à cabeça quando pensamos num cowboy? Um homem hétero montado num cavalo, forte, independente e viril. Mas será que isto correspondia à realidade da vida no Oeste americano? Está na hora de desconstruir ideias e mostrar a outra face da moeda desta tão (des)conhecida sociedade! O Oeste americano estava repleto das mais diversas pessoas, desde mulheres assumidamente lésbicas até às corajosas pessoas trans em busca de liberdade, passando pelos cowboys gays que apenas buscavam amor sob as planícies secas. Mas embora esta história seja cheia de amor e poder para alguns, é também um legado de luta dolorosa e opressiva para outros. A história é, e sempre será, complexa pelo que o nosso papel é analisar todas as nuances para obter justiça para todos os envolvidos.
A cultura do Velho Oeste era repressora em relação à expressão da sexualidade. Contudo, havia muitos indícios de que a homossexualidade era bem mais comum do que sugerem os livros de história. Como escreveu o historiador Chris Packard no seu livro “Queer Cowboys”, o cowboy, conforme popularmente representado por Hollywood, “ensina meninos e homens a imitar um conjunto de comportamentos, valores e quadros de referência que conotam a masculinidade idealizada”.
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MAS VEJAMOS PRIMEIRAMENTE DE ONDE SURGIRAM OS COMBOYS A história dos cowboys remonta ao século XIX, durante o auge da expansão para o
A representação histórica da homossexualidade nos cowboys é um tema que tem sido objeto de discussão e debate, ainda que de forma não
Oeste dos Estados Unidos. O termo "cowboy"
expressiva.
tem origem nas atividades de pastor de gado,
A cultura popular frequentemente retrata
essenciais
os cowboys como símbolos de virilidade,
para
a
indústria
pecuária
da
época.
coragem e masculinidade, o que contribuiu para a perceção estereotipada de que
A expansão para o Oeste começou após a
todos os cowboys seriam heterossexuais.
Guerra Civil Americana (1861-1865), quando
No entanto, como em qualquer grupo, a
muitos
diversidade sexual existia.
veteranos
retornaram
a
casa
e
procuraram novas oportunidades de trabalho. A descoberta de vastas terras abertas e
É importante notar que a cultura do Oeste
férteis, especialmente nas grandes planícies,
americano no século XIX era
incentivou
predominantemente conservadora, e as
um
grande
movimento
de
normas sociais da época muitas vezes
colonização para o Oeste.
reprimiam a expressão aberta da Grandes rebanhos de gado foram reunidos
homossexualidade. Isto significa que
nas vastas planícies e nas terras abertas, e
histórias ou evidências diretas sobre a
era necessário mão de obra para pastorear e
homossexualidade entre os cowboys são
conduzir os rebanhos até os mercados do leste, onde a carne poderia ser vendida a preços mais altos. Os homens que assumiam esta tarefa eram chamados de "cowboys". Esses trabalhadores eram, na sua maioria, jovens de diversas origens étnicas, incluindo afro-americanos,
mexicanos
e
nativos
americanos. A imagem popular dos cowboys começou a ser amplamente difundida através de livros, jornais e, posteriormente, filmes e programas de televisão
escassas. Contudo, mais comuns do que retratam os filmes de Hollywood.
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Alguns investigadores argumentam que a natureza isolada e muitas vezes solitária da vida dos cowboys nas trilhas de gado e nas vastas
áreas
proporcionado
abertas um
poderia
ambiente
onde
ter a
sexualidade não conformista poderia ter encontrado
expressão
mais
livre.
No
entanto, é crucial reconhecer que essas afirmações são especulativas e baseadas em interpretações de registos históricos bastante limitados.
Desde logo, o aclamado filme Brokeback Mountain
Hoje em dia, a representação dos cowboys está
a
revisão,
passar com
por um
uma
reavaliação
e
ênfase
crescente
na
diversidade de histórias e experiências. As comunidades LGBTQIA+ estão a reivindicar uma presença mais inclusiva na narrativa histórica, destacando que pessoas de todas as orientações sexuais e identidades de género contribuíram para a construção do Oeste americano.
(2005) representa, grosso modo, uma história de amor entre dois cowboys. Embora muitos tenham elogiado o filme, dirigido por Ang Lee, por ter retratado de forma tão realista o conturbado amor entre dois homens, o filme foi sujeito a duras críticas. Os críticos consideraram a representação de
um
casal
homossexual
no
filme
imoral
e
antiamericana, fruto de uma tentativa de afeminar os homens. Vários críticos acusaram os cineastas de impor uma “agenda” aos americanos, sendo que um deles escreveu que “os roteiristas e produtores de Hollywood acham que é o seu dever ensinar à América
que
travestismo
a
são
conduta
homossexual
comportamentos
normais
e
o que
deveriam ser afirmados na cultura americana. […] Nunca aceitámos a crença de que as relações entre pessoas do mesmo sexo ou o travestismo são simplesmente variações da sexualidade humana”. Estas
crenças,
desconcertantes,
embora
objetivamente
levantaram
questões
interessantes: a homossexualidade alguma vez foi aceite no passado da América? Como é que a sexualidade
era
realmente
vista
no
Oeste
americano? E por que desafiar esta imagem estereotipada do cowboy estimula uma resposta tão feroz?
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A própria ideia de que dois homens
Desconstruída a típica imagem do cowboy
poderiam ser vulneráveis e íntimos um
americano, convidamos-vos não só a verem
com
sua
o filme Brokeback Mountain, mas a lutarem
o
outro
e
manter
nega
as
conceções
contra o ciclo de opressão presente em
masculinidade
americana
cada canto da História, de modo a que se
masculinidade centrais
da
a
que Hollywood enraizou na sociedade.
faça
justiça
Assim, para aqueles cuja masculinidade
contribuíram.
a
está ligada à imagem do Hollywood Cowboy, Brokeback Mountain expõe a natureza paradoxal da sua identidade, desafiando a métrica através da qual a qualificam.
Ao
forçar
o
público
a
reconhecer uma ligação mais profunda entre
os
obrigado
dois a
protagonistas,
reconhecer
a
ve-se
fronteira
artificial entre a homossexualidade e o homoerótico (ou até o obseno) que é imposta pela homofobia. Ao fazer isto, o público tem uma janela para
uma
abordagem
nova
e
mais
saudável do mito do cowboy americano e da masculinidade americana. Como Eric Patterson afirma: “Ao localizar o amor entre
os
homens
iconográfico
de
dentro
do
paisagem,
sistema
roupas
e
atividades que são fundamentais para o faroeste, Brokeback Mountain obriga os leitores
e
o
público
a
começar
a
reconhecer como a fantasia nacional americana
da
aventura
ocidental
e
particularmente como os heróis cowboys idealizados
distorceram
a
história
e
endossaram uma construção homofóbica de masculinidade”.
-Beatriz Ribeiro
todxs
os
que
para
ela
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VOLUME #3
MULHERES EM TEMPOS DE
GUERRA
Ao analisarmos a literatura comum relacionada com a guerra, podemos concluir que os personagens masculinos, para além de protagonistas, são também caracterizados pela sua bravura e coragem. As experiências das mulheres, por outro lado, são frequentemente esquecidas, e o heroísmo aparece constantemente associado apenas aos traços tradicionalmente masculinos.
No entanto, devemos relembrar-nos de que a narrativa feminina é igualmente importante. Nunca poderemos entender totalmente como funcionou a sociedade em tempos de guerra, sem falarmos do importante papel das mulheres (tanto na linha da frente, como na vida quotidiana). São também elas heroínas, protagonistas das suas próprias histórias, e da narrativa de toda a nossa sociedade. Foi com as grandes guerras, que as mulheres se começaram a emancipar, uma vez que deixaram de exercer exclusivamente as funções que lhes eram designadas até então (ou seja, a ideia de terem de se cingir ao papel de “boas mães” e “boas esposas”), e, sobretudo nos países que foram mais afetados pelas guerras, começaram a assumir os postos de trabalho daqueles que haviam partido para as frentes de combate. Entre várias funções distintas (freiras, costureiras, cozinheiras e todas as outras profissões que servem e cuidam dos outros), as mulheres estiveram sempre presentes. Para começar, quando havia escassez de recursos nas cidades em guerra, eram frequentemente mulheres a arranjar cozinhas improvisadas e bancos de alimentos, de forma a conseguir alimentar a população civil. É também de relembrar que era necessário fazer novos uniformes, fazer reparos nos antigos, ou roupas para a comunidade do local de conflito, que passava por várias necessidades.
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Durante séculos, as mulheres reagiram a várias ameaças militares, e sobretudo a partir de Segunda Guerra Mundial, o seu envolvimento em estruturas militares começou a surgir numa escala muito maior, começando a ajudar não só soldados, mas também civis. Por exemplo, o Serviço Militar Feminino foi criado sob a liderança de Maria Wittek, na Polónia. Entre as várias mulheres da resistência, estavam não apenas combatentes experientes e voluntárias, mas também mulheres que até à data tinham como única função serem donas de casa. Eram elas as responsáveis pela organização e funcionamento dos pontos de contacto, asseguravam o bom funcionamento da comunicação, dos correios, e prestavam serviços de escritório. Algumas trabalharam até na produção de explosivos, outras comandaram unidades e, quando necessário, chegaram até a travar batalhas armadas. Em tempos de guerra, as mulheres trabalhavam principalmente como enfermeiras, mas também desempenhavam outras tarefas, como administrar cozinhas de soldados, extinguir incêndios, construir barricadas, trabalhar em arsenais, e até mesmo funções como resgatar feridos e mortos. Em guerras longas e de grande escala, como a Segunda Guerra Mundial, foram sobretudo as mulheres que trabalharam e conseguiram manter as economias dos seus países nas melhores condições possíveis, substituindo os homens em todos os setores anteriormente vistos como setores “exclusivamente masculinos”, ou então em trabalhos relacionados com espionagem.
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Por exemplo, antes de ser uma grande estrela de Hollywood, aos 18 anos, Norma Jeane Mortensen, mais conhecida como Marilyn Monroe, trabalhava numa fábrica que produzia uma versão primitiva de aeronaves não tripuladas (hoje em dia conhecidos como drones), tendo, portanto, sido funcionária do setor bélico durante a Segunda Guerra Mundial. Para além disso, não nos podemos esquecer das mulheres que ficavam em casa, a assumir o papel de mães ou a ajudar os familiares com problemas de saúde, que estavam impedidos de assumir qualquer tipo de função na guerra, e que tiveram de fazer esforços a dobrar, porque para além das suas funções maternas, tiveram de cumprir as funções daqueles que estavam fora, ficando muitas vezes sobrecarregadas com trabalhos, ou até mesmo com funções domésticas. No entanto, é também preciso relembrar que apesar dos seus múltiplos esforços, as mulheres serão também sempre grandes vítimas da guerra. Como se sabe, a violência sexual é uma estratégia frequentemente utilizada, com o objetivo de humilhar e aterrorizar as populações. Assim, são comuns os abusos sexuais, sendo até muitas vezes encorajados. Por exemplo, durante a Segunda Guerra Mundial, os nazis utilizavam as mulheres de certas etnias como escravas sexuais, violando-as coletivamente, antes de as matarem. Deste modo, podemos concluir que, apesar de todo o seu papel durante e após os conflitos, o esforço feminino muitas vezes é esquecido ou pouco citado. Para concluir, a opinião da professora Cristina Wolff, que afirma que “O imaginário da guerra aproxima esses momentos da realidade masculina devido ao machismo estrutural da nossa sociedade. As mulheres são pensadas como ‘as que cuidam’, com um ‘papel secundário', que não reflete o seu esforço”. Posto isto, resta-nos esperar que a educação evolua, num sentido de comprovar a igualdade e a importância de todos os papéis representados nestes tempos de guerra, que são sempre tão difíceis.
Ema Castelo
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DISPARIDADES DE GÉNERO NA ÁREA DAS ENGENHARIAS Mui tas vezes, quando se fal a no estudante de engenhari a, a i magem que vem à cabeça da mai or i a da popul ação é uma i magem mascul i na. O facto da área das Engenhar i as ai nda ser vi sta como uma ár ea mascul i na, l eva a que menos mul her es escol ham estudar engenhari a, o que consequentemente l eva a uma di spari dade de género .
Segundo o Boletim Estatístico 2023 Igualdade de Género em Portugal [1], no ano de 2022, cerca de 52,3% da população portuguesa eram mulheres (5 449 milhões). Em termos de escolaridade, em cada 100 pessoas com ensino superior completo, cerca de 61 eram mulheres . No ensino superior, as raparigas encontram-se em maioria ( 54% ), mas não em todas as áreas.
Como alunas de Engenharia, deixanos triste pensar que uma menina pode nem colocar a hipótese de escolher um curso nesta área, simplesmente porque não imagina uma engenheira, porque não tem role models. Neste artigo, propomos explorar esta disparidade no mundo, e mais concretamente em Portugal.
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Aliás, no no boletim boletim estatístico estatístico pode-se pode-se ler ler “Quer “Quer nas nas matrículas, matrículas, quer quer nas nas Aliás, conclusões no no ensino ensino superior, superior, oo número número de de raparigas raparigas éé superior ao dos conclusões superior ao dos rapazes em as áreas, com , exceção dos serviços, engenharias, rapazes emtodas todas as áreas com exceção dos das serviços, das indústrias transformadoras e construção e das tecnologias da engenharias , indústrias transformadoras e construção e das informação e da comunicação (TIC)., demonstrando(TIC)., assim demonstrando a disparidade tecnologias informação e comunicação existente, também chamado gender gap, com taxas gender de feminização de assim a disparidade existente, também chamado gap , com 31,7%de e 18,9%, respetivamente. taxas feminização de 31,7% e 18,9%, respetivamente.
Olhando agora para as próprias estatísticas do IST (Instituto Superior Técnico), no que toca ao número total de matrículas nesta faculdade, a percentagem do sexo feminino é 29,4% relativamente ao ano letivo de 2022/2023.
Esta percentagem varia muito dentro dos cursos. Cursos relacionados com a área da Biologia , Química e Arquitetura têm até um maior número de mulheres do que homens, mas cursos como Electrotécnica , Mecânica , Informática , Naval e Aeroespacial estão abaixo deste valor médio, com a percentagem de Eletrotécnica a ser a mais baixa, com um valor chocante de 11,88% .
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Todos estes dados mostram a grande disparidade que existe nesta área e a necessidade de ação por parte da sociedade. A realidade é que este problema é um problema da sociedade e não apenas das instituições de ensino, e que resulta da existência de estereótipos muito enraizados das profissões que são para meninas e de que a Engenharia é para homens, da falta de role models femininos na Engenharia , da dificuldade a chegar a cargos superiores, etc.
Assim, muitas instituições de ensino da área têm vindo a tomar medidas para promover a inclusão . Particularmente no IST , o programa “Engenheiras por um dia” em conjunto com a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) para estudantes do secundário, o Prémio Maria de Lurdes Pintasilgo , e a Alumni Talks - Women Edition.
A nível internacional , as mesmas tendências de sub-representação feminina nas áreas de STEM verificam-se. As mulheres constituem apenas 34% da força de trabalho nas áreas de STEM, e a nível universitário, estas percentagens agravam-se. Estas disparidades de género acentuam-se particularmente em trabalhos com rápido crescimento e melhores salários, como a informática e as engenharias , onde as percentagens de mulheres atingem valores na ordem dos 16,5%. É de salientar que o salário anual médio para um homem em STEM é cerca de 15000$ superior ao salário anual médio para uma mulher.
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Concluindo, ainda existe uma grande assimetria de géneros na área das engenharias, tanto a nível nacional como internacional. É necessário que as instituições de ensino tomem medidas de forma a atingirmos um equilíbrio, e ainda que a sociedade modifique a sua cultura no sentido de deixarmos os estereótipos e preconceitos para trás. - Joana Bonito e Mariana Abreu WIE - IST
QUEM QUEM SOMOS? SOMOS?
A WIE-IST (Women in Engineering, ou Mulheres na Engenharia) surge com o objetivo de promover a inclusão. Somos um grupo de afinidade do IEEE - IST Student Branch , destinado a todos os estudantes de engenharia dedicados ao combate das disparidades e discriminações de género no mundo das engenharias. O nosso principal objetivo passa por motivar e inspirar futuras engenheiras a perseguir carreiras científicas do seu interesse, e promover um ambiente diversificado de diálogo e consciencialização para o debate, no sentido de criar uma comunidade científica mais inclusiva e informada. De modo a impulsionar esta visão, organizamos iniciativas como palestras , workshops , discussões e debates , uma Newsletter Mensal Online , e ainda um Podcast.
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Mulheres invisíveis e a literatura Ao caminhar pelas ruas de Lisboa, longe dos pontos turísticos e cartões postais, um pedestre curioso pode chegar na Travessa de Santa Quitéria. Se procurar bem, quem por lá passar é capaz de encontrar uma joia escondida em meio aos prédios: a Livraria Snob. Na entrada, um buquê de flores convida timidamente os visitantes a sentirem a luz acolhedora da livraria. Já lá dentro, pilhas de livros dão as boas-vindas aos seus possíveis leitores, que podem desfrutar de um café ou um copo de vinho enquanto folheiam todas as obras que puderem encontrar. Mais ao fundo, escondida numa mesinha entre as estantes, Rosa Azevedo responde emails no seu computador. Como livreira e proprietária da Snob, há muito a ser feito. No entanto, pelo sorriso que oferece a quem venha perguntar-lhe algo, é fácil notar que o trabalho de Rosa é recheado de amor.
Os seus afazeres não estão limitados às portas da livraria. Isto porque Rosa também é a fundadora do Mulheres Raras, um curso livre focado em recuperar a voz de autoras portuguesas no século XX. Mesmo após estudar literatura e sempre ter se considerado “uma pessoa atenta e ativa na defesa desta questão das mulheres”, Rosa percebeu que não conhecia muitas escritoras. Mais do que isto: reparou que não era a única que carecia deste conhecimento.
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Frustrada, Rosa evidencia que “a história das mulheres não está escrita a não ser por visões masculinas”. Devido à exclusão feminina, a literatura carece da representação de um mundo através da perspectiva das mulheres. Observando os livros ao seu redor, Rosa reforça que as mulheres possuem uma identidade singular. Apesar de também poderem ser retratadas pelos homens, elas devem ter o benefício de traduzir as suas próprias características ao mundo. Esposa, mãe, amante. Quando se trata da representação da mulher na literatura, estes são os papéis que lhe eram atribuídos pelos homens. Houve momentos em que a existência feminina não era nem mesmo reconhecida, como por exemplo no Estado Novo. Com base nas suas pesquisas, Rosa explica que “durante a ditadura as mulheres não eram representadas, nem sequer havia propriamente na literatura a mulher defendida pelo Estado Novo.” “Era como se não existissem”, lamenta. “O seu papel na cultura não era um papel vinculado. Os personagens centrados eram masculinos, eram sobretudo os homens que presenciam este cânone, que eram lidos.”
Neste contexto, surge ainda um debate acerca da diferença entre a escrita masculina e feminina, que, na visão de Rosa, não existem. “Eu consigo definir isto de outra maneira”, propõe. “Para mim há uma diferença, mas não é o género que define esta diferença. O fato de eu ter nascido mulher, e ser mulher, não define a minha escrita”, afirma. “Enquanto a sociedade me vê como mulher, eu tenho uma vida e uma vivência diferente dos homens, e, portanto, o meu livro é diferente.”
HEFORSHE UCP Um dos principais desafios na valorização da mulher na literatura é a iniciativa de lê-las, principalmente vinda dos homens. “No meu curso Mulheres Raras , já fiz dezenas de edições e só tem mulheres a assistir e depois tem um homem muito de vez em quando” , explica. “Faz parte desta estrutura. Eu adoraria ter mais homens, mas também não os posso obrigar. Mas já começam a aparecer , e acho interessante que tenham ganho interesse, mas numericamente é muito inferior.”
“Ainda há um preconceito ” , afirma, os olhos frustrados. “Se vier um livro muito diferente, fora da caixa, contemporâneo, se calhar os homens até pegam, mas a resistência existe . Enquanto uma mulher pega naturalmente, compra e lê, para o homem ainda tem ali uma viragem, ou seja, ‘deixa-me lá dar uma oportunidade, ver o que é que isto é’.”
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Para a sua frustração, Rosa também notou esta t e n d ê n c ia d u r a n t e o s e u trabalho como livreira. Ao escolher a sua próxima leitura, são sobretudo mulheres que optam por um l i v r o d e a u t o r ia f e m i n i n a . “Esta é a parte mais difícil”, confessa. “Se calhar mulheres traduzidas não, mas também depende das mulheres traduzidas. As portuguesas o público ainda é maioritariamente feminino.”
De acordo com Rosa, a questão é a i n d a m a is d e l i c a d a q u a n d o s e t r a t a d e a u t o r a s q u e p u b l ic a r a m no século XX. Mesmo com o c o n h e c im e n t o a t u a l d e q u e a s mulheres desta época não se limitavam ao ambiente d o m é s t ic o , este retrato fo i e n r a iz a d o d e t a l f o r m a q u e e st a s a i n d a s ã o v is t a s a t r a v é s d e s t e olhar. “Parece que ficou intricado na nossa cultura. Não p a s s o u m u it o t e m p o , é d i f í c i l combater”, lamenta. “Ainda existe este preconceito: a dona de casa que escrevia livros nos anos 50.”
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A p e s a r d e n ã o s e r p e r f e i t a , a q u e s t ã o d a m u lh e r n a li t e r a t ura t e m e v o l u íd o g r a d a t i v a m e n t e , p o i s , c o m o d i t o p o r R o s a , “ a l i t e r a t u r a a c o m p a n h a a c u l t u r a e m d e s e n v o lv i m e n t o ” . A i n d a h á m u i t o a s e r f e it o , m a s o p r i m e ir o p a s s o j á fo i d a d o : a i n s e r ç ã o da mulher no mercado literário. Não somente autoras, mas t a m b é m l i v r e i r a s , e d i t o r a s , t r a d u t o r a s e m a is . De pouco em pouco, as mulheres conquistam o espaço necessário para que possam finalmente contar as suas próprias histórias. No entanto, até mesmo as que não são e s c r it o r a s s o f r e m c o m o p r e c o n c e i t o q u e h á s é c u l o s a s s o m b r a as mulheres na literatura.
N o e s c r it ó r io d a E d i t o r a P e r g a m i n h o , J o a n a N e v e s , e d it o r a h á m a i s de 20 anos, não se anima ao contar sobre as más experiências que j á t iv e r a n o m e r c a d o . “ F o r a m in ú m e r a s a s v e z e s e m q u e n ã o f u i e s c u t a d a , e m q u e a m in h a o p i n i ã o n ã o fo i t i d a e m c o n t a o u e m q u e não me foram alocados recursos necessários”, desabafa. “E c o n s ig o a f ir m a r q u e i s s o a c o n t e c e u d e v i d o a o m e u g é n e r o p o r o m e s m o n ã o s u c e d e r c o m c o l e g a s h o m e n s , s e j a m e le s p e s s o a s q u e o c u p a m u m c a r g o e q u i p a r a d o a o m e u , o u u m c a r g o i n fe rio r o u s u p e r io r n a h ie r a r q u i a d a e m p r e s a . ”
“Essa sensação é partilhada por diversas das minhas colegas, tanto dentro da minha empresa como em outras editoras” , reforça. “Em reuniões, os pontos levantados por editoras são muitas vezes só tomados para debate seriamente se forem secundados por um colega homem. ”
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Para além das injustiças no âmbito editorial , Joana testemunhou momentos em que lançamentos de autoria feminina não foram devidamente valorizados: “Assisti pessoalmente a vários casos em que livros de autoras mulheres foram secundarizados ou menorizados em relação a livros de autores homens. Menos alocação de marketing , menor cuidado editorial, menos investimento na comunicação .”
Joana Neves carrega a mesma opinião já exprimida por Rosa Azevedo: ainda há uma resistência por parte dos homens ao ler mulheres. “É um cliché no meio editorial, na ficção, dizer que ‘os homens não leem mulheres’, e é um cliché por ter uma base de verdade. Embora não haja muitos dados verificáveis, é algo que comprovamos por experiência própria e em encontros com leitores em lançamentos, na feira do livro, etc.” Inquieta, Rosa Azevedo teme esta tendência: “Isto vai se virar contra nós. Vamos continuar a falar para dentro, fechadas, ainda que estejamos a fazê-lo.”
Joana ainda continua: “Os livros de ficção escritos por mulheres tendem a serem apresentados como ‘para mulheres’, com um design de capa supostamente ‘feminino’, que se assume ser alienante para leitores homens”. Por norma, esta classificação faz com que estas obras sejam consideradas mais comerciais e de menor qualidade. Por este e outros motivos, nota-se uma menor atenção oferecida a obras publicadas por mulheres. Segundo Joana, “basta contar o número de críticas e menção a livros escritos por mulheres em qualquer publicação que fale de livros. Para não falar dos prémios literários atribuídos.”
Mesmo que as mulheres conquistem cada vez mais espaço na literatura, este ainda é desproporcional ao ocupado pelo homem. Para Joana, “isto deve-se fundamentalmente a uma falta de acesso e oportunidades”. A editora ainda completa que, apesar da grande maioria das editoras serem mulheres, há “uma minoria muito reduzida em cargos de direção.”
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“As escolhas editoriais são feitas por editoras ( mulheres ), mas a decisão final cabe muitas vezes a diretores editoriais ( homens ), e estes tendem a dar mais valor a obras de autores homens, por também serem os mais premiados e alvos de mais atenção mediática” , explica. “A qualidade do trabalho literário das mulheres é ainda muito invisibilizada, e muitas vezes a sua produção literária é apresentada como menos séria ou de menor valor .” A discriminação da mulher no mercado literário não é limitada ao reconhecimento do seu trabalho. “Foram-me relatados casos de assédio a autoras por parte dos seus editores” , revela. Joana reforça que, embora não os tenha testemunhado diretamente, foram relatados por pessoas cuja palavra tem por fiável.
Ao longo dos séculos, as mulheres têm lutado para que sejam representadas pelas próprias palavras. “A realidade da experiência das mulheres, a sua interioridade e complexidade , não são devidamente retratadas na literatura produzida por homens. Elas são quase sempre vistas como objetos de desejo ou de consolo , e muito raramente como sujeitos de direito próprio” , diz Joana. Em meio às dificuldades, a editora não renuncia à esperança. “Creio que esse é o grande aporte da literatura por e sobre mulheres: a visibilização da realidade da mulher enquanto pessoa plena .”
Michela Calderano
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HEFORSHE EM AÇÃO Se tens esta dúvida e queres saber mais sobre o trabalho desenvolvi-do pela HeforShe, este artigo é para ti! Esta é a agenda da HeforShe, onde estão descritos os eventos realiza-dos entre o mês de junho e dezembro.
Aula de ioga A HeforShe organizou, no dia 16 de junho, uma aula de ioga solidária em apoio à APAV (As-sociação de Apoio à Vítima). Esta teve início às 10:30h da manhã onde vários membros da comunidade académica, a-migos e família se juntaram no Jardim do Campo Grande para, através desta atividade, se co-nectarem uns com os outros e com o seu corpo.
A aula foi coordenada por Maria Rodrigues, uma instrutora de ioga especializada e simultaneamente colaboradora da HeforShe UCP. Foi um momento de tranquili-dade e união que contribuiu para angariar fundos para a APAV através do valor simbóli-co de participação de 2€.
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A 14 de outubro, a HeForShe UCP organizou uma ca(o)mi-nhada solidária pelo Parque Florestal de Monsanto. Este encontro teve início às 11h da manhã no Parque Recreati-vo do Alto da Serafina. Partiu-se deste ponto para a caminha-da ao longo do Parque de Mon-santo. Após muitos risos e al-gum suor chegou-se ao final do percurso. Com esta caminhada reuniram-se fundos para apoiar a Associ-ação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV). Apresentando um valor simbólico de partici-pação de 2€ por pessoa.
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Dia 17 de outubro celebrou-se o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. De modo a comemorar esta data a HeforShe UCP em par-ceria com o Gabinete de Responsabilidade Social da Universidade rea-lizou uma campanha de recolha de bens. Entre os dias 2 e 17 de outubro angariaram-se bens alimentares e de higiene fornecidos pela comunidade académica em dois postos do campus da UCP. Estes bens foram entregues dia 19 de outubro à CEPAC, sendo expos-tos na Mercearia Bu Gosta que pertence ao Centro.
HEFORSHE UCP
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No dia 7 de novembro a HeforShe UCP em parceria com a Escola F.P.K.M proporcionou a oportunidade de participar numa aula de Krav Maga. Esta atividade iniciou-se às 19:30 na Escola Secundária Ma-ria Amália Vaz de Carvalho (com os instrutores …. …,) e ter-minou às 21h. Foi uma hora e meia muito bem passada em que se explo-raram diversas técnicas de de-fesa pessoal, trabalhando a re-sistência, coordenação e auto-disciplina. Todos saíram com um sorriso na cara e uma mai-or sensação de segurança.
No dia 19 de outubro a HeforShe reali-zou uma ação de voluntariado espontâ-nea na CEPAC (Centro Padre Alves Cor-reia). A CEPAC é uma organização sem fins lucrativos que tem como missão, apoiar indivíduos imigrantes e/ou refugiados em circunstâncias vulneráveis a alcançar uma existência digna e feliz. Nesta ação, a HeforShe auxiliou na triagem de roupa que chega ao Centro, organizando-a na Boutique da roupa onde esta é posteriormente doada. Ajudou igualmente na arrumação dos alimentos recolhidos entre os dias 2 e 17 de outu-bro na Universidade Católica Portugue-sa.
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A CEPAC desenvolveu um conceito muito interessante nas suas instalações, no qual a Boutique e a Mercearia onde são doados os bens assumem o aspeto idêntico a uma loja ou mercearia vulgar. Este processo auxilia a aproximar realidades, fazendo com que aqueles que beneficiam deste serviço não se sintam inferiorizados. Foi um dia muito bem passado na companhia do staff impecável da CEPAC que nos acolheu e deu a conhecer um pedaço do que é a realidade de ser um imigrante que procura refazer a sua vida.
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Ação de sensibilização APAV No dia 13 de dezembro, a HeForShe, de mão dada com a APAV, organizou e promoveu uma ação de sensibilização, destacando-se as contribuições das oradoras Teresa Silva e Cá-tia Fernandes, ambas integran-tes da instituição. O evento teve início às 18:30 e realizou-se no auditório 121 do campus da Universidade Católi-ca Portuguesa de Lisboa. O propósito principal foi apresen-tar de forma abrangente a ins-tituição, desmistificando con-ceitos, com especial enfoque na problemática da violência doméstica e na sua impactante repercussão para mulheres e crianças.
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A época natalícia chegou e a HeForShe trouxe presentes. De 4 a 22 de dezembro, na entra-da dos edifícios de Direito e Gestão da nossa universidade, encontra-se um ponto de reco-lha de bens essenciais para as nossas crianças guineenses. “Os Guinanos” são uma insti-tuição que se vem afirmando como entidade ativa na promo-ção de um sistema educativo de qualidade na Guiné-Bissau. Fundada em 2019 por um gru-po de amigos estudantes uni-versitários, a organização tem vindo a crescer e conta, diariamente, com a ajuda e boa von-tade de quem queira contri-buir. No post do nosso instagram, consegues encontrar todas as informações necessárias de exemplos de bens essenciais que esta instituição recolhe.
NÃO DEIXES PARA AMANHÃ O QUE PODES OFERECER HOJE.
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CEPAC Dentro da HeForShe, ouviram-se os sinos do Natal bem cedo este ano. No dia 12 de dezem-bro, os nossos membros junta-ram-se para um lanche de na-tal com troca de presentes soli-dária. Em conjunto, escolhe-mos a instituição sem fins lu-crativos CEPAC. Criada em 1992, por iniciativa e sob a responsabilidade da Província Portuguesa da Congregação do Espírito Santo, a CEPAC dedica-se a apoiar imigrantes em situação de vulnerabilidade na construção de um projeto de vida digna e feliz. Nesta curta tarde, a nossa equipa reuniu diversos bens essenciais que certamente irão deixar o Natal de várias famíli-as mais iluminado. Mas não te preocupes que não vais tarde! A CEPAC está todos os dias de braços abertos a quem tenha vontade de ajudar. Uma pesquisa rápida pelo site da organização, e sabes quais os passos a dar para que este Natal seja cheio de prendas.
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Linha SNS24 SOS Estudante SOS Voz Amiga Linha do Serviço de Informação às Vítimas de Violência Doméstica
Sexualidade em linha
CLICA PARA ACEDERES!
hfs.ucp@gmail.com
HEFORSHE UCP 2023/24