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Zine SDA #1 - Iniciar: Um raio-x do Sarau Cultural

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A “Zine SDA” é uma publicação estudantil liderada pela Sociedade das Artes da FGV. Nosso objetivo é discutir projetos artísticos e culturais que acontecem na FGV Rio e de amplificar projetos artísticos de alunos da FGV Rio.

Nessa edição, Davy Albert, ex-presidente da SDA e Pérola Kim, atual presidente, falam sobre o Sarau Cultural, tanto sobre o desse ano, 2024, quanto sobre o primeiro, do ano passado. Além disso, temos na seção de arte convidada Filipy Azevedo, que enviou um texto e Carolina Whitaker, que enviou duas fotografias, inclusive a que está aqui embaixo!

Essa publicação não é material oficial da FGV e não reflete as opiniões da instituição. Boa leitura!

Um Sarau começa com o sonho de que todos que queiram falar, cantar, mostrar e exercitar sua arte e talento tenham lugar para fazê-lo. Entre esse sonho e a realidade, o que tem é correria, doideira, problema, papelada, muito e-mail e braço que carregue tudo que precisa chegar a tempo: livro, biscoitinho, coca-cola, caixa de som, mesa, piano, cadeira, banco, todo tipo de parafernalha. Mas, compensa no final, quando a gente senta no canto, cansado, vendo já a desmontagem, pensa “Foi real, aconteceu!”.

Na minha cabeça, é como se tivesse durado algo entre 2 meses à 2 minutos, porque o planejamento é longo, mas no dia tudo passa voando. Ano passado, tocamos o terror no Centro Cultural. Se balançando na escada emprestada, amarramos no teto nossos cenários e nossas florzinhas tão cuidadosamente desenhadas, recortadas e montadas. Fiquei com uma dor terrível nas pernas, mas pelo menos não caí da escada (e foi quase! Mas a decoração ficou uma graça).

Esse ano eu não estava muito para aventuras e peguei uma tarefa mais tranquila: as impressões. Programamos: Um PDF de 28 folhas com poeminhas que seria impresso 2 vezes, para termos 2 cópias de cada poema. Fui ali, já volto, e a impressora não parava, que demora. Parei pra ver e tínhamos não uma, não duas, mas 28 cópias das 28 páginas (quantas mil folhas, que vamos usar de rascunho até o fim dos tempos). Cada qual com seus desafios.

Do lado de cá, na organização, temos os nossos (esses, e outros) perrengues.

Mas a verdade é que é preciso também muita coragem e compromisso do outro lado para aprender, ensaiar e tocar lá na frente uma música, mostrar algo de seu. E admiro sempre todos que participam conosco, colorindo a FGV à sua própria maneira. Vale a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena (que clichê!). Mas enquanto houver quem quiser tocar e quem quiser parar pra ver e se divertir com a gente, a Sociedade das Artes vai continuar se esforçando pra fazer acontecer.

“O 1o Sarau Cultural da Fundação Getúlio Vargas”. Eu enchi tanto a boca para falar isso no meu discurso na abertura do ano passado! E não foi à toa: um grupo reduzido de alunos e de funcionários estava se descabelando há algum tempo para fazer aquele evento acontecer. Particularmente, achei lindo como ocupamos o centro cultural e demos palco para quem queria ser ouvido.

Sem querer, quem estava passando se deixava cair naquele delírio em meio ao mundo acadêmico e empresarial da FGV; sem querer, acendemos uma faísca em muita gente que, perdida no cotidiano, havia se esquecido de que podia fazer Arte. O 1o Sarau foi muito especial porque provamos que dava para ter duas coisas ao mesmo tempo na FGV: o Cotidiano e a Arte. Já o 2o Sarau foi bem diferente.

Agora, tínhamos um grupo 5 vezes maior de trabalho, e uma quantidade maior ainda de pessoas nos apoiando de outras formas. Em resumo, eu diria o seguinte sobre o processo desses 2 eventos: mesmo com pessoas engajadas, mesmo com patrocínio, apoio institucional, mesmo com hora marcada e reserva feita, ocorrem imprevistos. 4x mais folhas do que precisávamos, uma ventania ‘disgramada’, microfone

recém comprado dando problema, cantores ainda para chegar e a gente decorando o local do evento enquanto ele acontecia. E se conseguimos vencer tudo isso, dar entretenimento e acender um pouco da paixão pela Arte em quem estava assistindo ou passando por ali, fomos muito mais do que bem sucedidos.

Hoje, em meio à mudança achei um perfume, metade cheio, perdido nas gavetas do quarto, não entendi o porquê ele estava lá, afinal pelo que me lembre eu adorava o cheiro dele. Gostava tanto que foi irresistível não provar novamente de seu odor, sentei-me na cama e apertei o topo do frasco e foi aí que me lembrei...

O perfume que eu adorava, foi a primeira coisa que ela elogiou em mim, ao nos trombarmos em uma festa aleatória. No meio de todo aquele álcool e fumaça, ela aparece, toma o cigarro de meus dedos enquanto me fita com aqueles olhos negros, num tom de desejo...hipnotizado eu só aceito o pequeno furto, ela sorri, sussurra um agradecimento em meus ouvidos e depois diz “parabéns pelo perfume, muito cheiroso”.

O bendito perfume que eu usei em nosso primeiro encontro, num barzinho em São Paulo, tocava MPB enquanto ela ria de minhas piadas ruins e zoava meu gosto pra drinks enquanto enchia seu copo de cerveja. O perfume que nem mesmo o cheiro do cigarro pode encobrir, pois após nos beijarmos, pela primeira vez, ela apoia a cabeça em meu peito enquanto diz “adoro seu cheiro”.

O meu perfume preferido, que passo antes de buscá-la de carro para mais um churrasco com minha família, a qual ela já está familiar, para novamente ouvir de minha mãe que ela tem que convencer a parar de fumar, pois o cigarro além de feder, me mata aos poucos... ela ri enquanto puxa um de seu próprio maço, e brinca com minha

mãe que passa pelo mesmo problema, mas adora o misto do cigarro de melancia com o odor amadeirado do meu perfume.

O maldito perfume que passei sorridente, num sábado que amanheceu nublado como presságio da dor, para encontrá-la em sua casa. Onde ela já me esperava com uma caixa com minhas coisas, alegava que estava infeliz e que não podia mais continuar com ISSO. Nossa relação, os meses que passamos juntos, as risadas, o carinho, os toques, o amor, tudo resumido a um simples “isso”. Os olhos negros já não me fitavam mais com desejo, ou amor, mas com mágoa de um fim que não sei como chegou.

Aquela merda de perfume que impregnou meu carro enquanto dirigia a 150 km/h na dutra, querendo chegar em casa o mais rápido possível para me desintoxicar do cheiro, enquanto chorava e olhava pro banco do carona, onde antes havia ela agora existia a caixa com o quadro, os presentes, nossas fotos, e meu casaco roubado, e me destruia lentamente.

O perfume que acumulou poeira nas semanas pós fim, enquanto não levantava da cama para nada que não fosse trabalho, até o dia que o guardei, pois apenas olhar para ele dilacerava meu peito.

Lembrei-me dela...

Limpo a lágrima do rosto, levanto da cama e jogo o frasco na lixeira do quarto. Acendo um cigarro e trago fumaça ao peito, expulsando do ambiente o cheiro daquele perfume e consequentemente a lembrança dela.

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texto principal perola kim carvalho davy albert

arte convidada “perfume e cigarro” por filipy azevedo fotografia por carolina whitaker

diagramação e design guilherme moraes marinho

participe das zines ou da sociedade das artes linktree.com/sdafgv

uma publicação da sociedade das artes @sociedadedasartesfgv

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