Skip to main content

materializar a palavra - desconstruir a imagem - reinventar a materialidade

Page 1

materializar a palavra desconstruir a imagem reinventar a materialidade


Produzido por Caseira Editora www.caseira.art Publicação organizada durante a oficina Empoderamento Gráfico, com Gustavo Reginato, Integrante da programação da Feira Literária do Tocantins, organizado pelo Sesc -TO Participaram da oficina: Nomes completos:

Ficha Catalográfica

ISBN


Gustavo Reginato (org.)

Título

1ª Ed.

Florianópolis/ Palmas Editora Caseira 2021


Sumário


Apresentação


Foram dias cheios! Povoados de intensidades, trocas afetivas e momentos de suspensão. Saio nesse instante da oficina contaminada, com a bagagem mais cheia e com a noção de ‘empoderamento gráfico’ mais ampliada e madura. Os exercícios proporcionaram um movimento de ‘montanha russa’, entre relações internas e externas, fazendo com que buscássemos um equilíbrio entre o tempo chronos (cronológico) e kairós (natural, oportuno). Nos exercícios desenvolvi temas que dizem respeito ao meu projeto de pesquisa, da ideia de ‘caminhada’ como um processo de escrita, expandindo o ‘caminhar’ para além da prática de um corpo que se move em um território. Nesse instante, assumi também essa prática como um ‘fazer’ do pensamento que ‘escorre’ e se move em territórios diversos, neste caso, da imaginação e relação afetiva para a construção de páginas deste livro, desenvolvendo assim a ideia de escrita performativa. Entendo que o caminhar, assim como a escrita e o desenho, partem de uma sucessão de pontos/passos que se movem, resultando em um traço, uma letra, uma palavra, um conceito e que a cada novo encontro, se transmutam, ganhando novos sentidos, construindo novos territórios. Portanto, foram exploradas as propostas da oficina desse modo: de um desenho


que se tornou escrita - de uma a escrita que se tornou desenho, a ponto de perder o sentido de ‘representação’, ou de ser somente escrita ou desenho, brincando assim, de ser dervir-qualquercoisa, possibilitando enfim a subversão de ideias tradicionais de escrita, composição literária e usos/funções de livros. Pude realizar também revisitamentos de escritas e esboços de projetos antigos, que ao se deparar com a oficina, ganharam novos sentidos a partir dos temas abordados, saindo do ‘plano imagético’ para ganhar e compor novos territórios simbólicos e sensíveis. Dentre todas as trocas valiosas que ocorreram nesses dias, gostaria de destacar que, o que mais me ‘encantou’ foi que houve uma desmistificação, se assim posso dizer, da elaboração e do fazer de livros/materiais gráficos. Tenho certeza que todos os participantes estão sentindo que é possível tornar ‘real’ grandes projetos com poucos materiais, os quais na maioria já temos em casa, ou ainda, que se não temos os materiais… podemos construir ou ainda comprar os básicos com um valor acessível. Portanto, a meu ver essa ‘simplicidade do fazer’ que o Gustavo proporcionou, tornando a arte mais acessível e próxima do cotidiano é a ‘mensagem’ mais valiosa da oficina. Agora o ‘empoderamento gráfico’ é algo que todos podem sentir!


Participar da Oficina Empoderamento Gráfico, e cumprir com as propostas apresentadas pelo Gustavo foi certamente gratificante. 22/06/2021 - 22:57. Hoje pela manhã, enquanto realizava os serviços domésticos, uma palavra chegou a mim e me inspirou: passarinho. Me fez lembrar de cada vez que tive que interromper esses mesmos serviços para atender a um chamado das crianças para ver um passarinho, rápido e sem fazer barulho, antes que eles voem. Pássaros muito lindos. Eles me perguntam o nome, mas eu não sei diferenciar pássaros. Sei que são diferentes, por isso não sei explicar. João de barro, por exemplo, só sei que é ele se o vejo na casinha que é tão característica dele. Mais tarde, caminhando na cidade, a ideia surgiu. Não posso afirmar como, mas imaginei livros voando. Hoje conversando com minha irmã Monica, ela me falou que queria desenhar um Beija flor. Coincidência? Concluí: tem que ser isso. Pensei em cada sessão de contação de histórias que fiz com meu filhos. Lembrei de suas caras de admiração, e juro que consegui ver bem clara a imagem de sua imaginação alçando voo. Então percebi que o tempo todo, livros se tratavam disso mesmo, de voar. De permitir ao pensamento o bater das asas. Lembrei-me do Pinocchio que o Murilo ganhou quando era bebê, em formato de marionete, e que ele tanto gosta. Lembrei-me de todas as vezes que já falei para minhas crianças que eu queria ser um passarinho para atravessar o oceano, e até voltar no tempo para pousar no parapeito da janela de Ronald Tolkien e observa-lo por alguns instantes enquanto produz suas escritas fantásticas. Se possível fosse, também me transformaria em fênix, voaria até Londres, e ali, de carona num trem


observaria J. K. Rowling escrevendo sobre o menino órfão. Pensei nas vezes que meu pensamento voava sem limites nas páginas de um livro e em como é lindo ver a história se repetindo. Lembrei-me de cada livro que encadernei, e sorrindo, imaginei cada exemplar nas mãos de um leitor. Mais tarde, enquanto acompanhava a oficina, fui produzindo tudo isso que tinha em mente. Reconheci que para uma marionete ser manipulada, pelo menos três linhas devem segurá-la. Uma linha passou pelo meio do livro, outras duas, pelas bordas das capas, para que livro possa “bater asas”. Usei um livro já pronto. 23/06/2021 – 14:15. Hoje foi o dia de fazer arte! Aproveitei restinhos de tecido que sobrou da produção de livros. Pesquisei imagens de pássaros fofos para me inspirar. Fiz testes e mais testes, e vários modelos de passarinhos, com colagens, misturando com pintura. Enquanto isso, o dia seguia com um lindo sol que eu tanto esperava, para ajudar na secagem das roupas.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
materializar a palavra - desconstruir a imagem - reinventar a materialidade by Gustavo Reginato - Issuu