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Maquinas 35

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Do editor Grupo Cultivar de Publicações Ltda. CGCMF : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480 Rua Sete de Setembro, 160 – 12º andar 96015-300 – Pelotas – RS www.cultivar.inf.br www.grupocultivar.com Direção Newton Peter Schubert K. Peter

Cultivar Máquinas Edição Nº 35 Ano III - Outubro 2004 ISSN - 1676-0158 www.cultivar.inf.br cultivar@cultivar.inf.br Assinatura anual (11 edições*): R$ 119,00 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)

Números atrasados: R$ 15,00 Assinatura Internacional: US$ 80,00 • 70,00 • Editor

Charles Ricardo Echer

Prezado leitor Uma prática que está crescendo entre os produtores rurais é a terceirização da colheita de grãos, através de empresas prestadoras deste tipo de serviço. Essa é uma forma de diminuir os custos com a operação e garantir que a colheita, muitas vezes, seja realizada com tecnologia de ponta. No entanto, nem sempre o produtor sai ganhando tanto quanto imagina. São estes dados que estamos apresentando no artigo de capa desta edição. Uma pesquisa de quatro anos, realizada por pesquisadores da Unesp comprovaram que as perdas na colheita terceirizada são bem maiores do que quando realizada com máquina própria. Muitos fatores influenciam estes números, no entanto, a falta de cuidado é um dos principais problemas. A edição destaca também a importância dos terraços mesmo em sistemas de plantio direto, pois a adoção de uma técnica não dispensa a outra. Erosões acontecem mesmo quando existe farta palhada. Abordamos ainda, pulverização, armazenagem, colheita de cana-de-açúcar e outros assuntos importantes para quem desejam manter a frota sempre alinhada. Uma boa leitura a todos.

Índice

Nossa Capa

• Redação

Rocheli Wachholz • Revisão

Lise Rocha Marques • Design Gráfico e Diagramação

Cristiano Ceia _____________

• Comercial

Pedro Batistin _____________

• Gerente de Circulação

Cibele Costa • Assinaturas

Rosiméri Lisbôa Alves Jociane Bitencourt Simone Lopes

Capa Claas

Rodando por aí

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Perdas visíveis e invisíveis em colhedoras

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Uso de terraços em plantio direto

10

Efeito dos tipos de rodas compactadoras

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Fertirrigação correta

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Perdas em colheita terceirizada

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4x4 - Apoio no resgate

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Manutenção em equipamentos de transporte 28 Rudução no volume de aplicação

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Pulverização em café

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Negócios - Stihl

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Esporte Trator

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Coluna jurídica

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• Gerente de Assinaturas Externa

Raquel Marcos

Destaques

• Expedição

Edson Krause Dianferson Alves

Perdas visíveis e invisíveis Saiba como identificar e evitar as perdas visíveis e invisíveis em colhedoras de canade-açúcar, tornando a operação bem sucedida .................................................... 06

• Impressão:

Kunde Indústrias Gráficas Ltda. NOSSOS TELEFONES: (53) • ATENDIMENTO AO ASSINANTE:

3028.4013

Efeito das rodas

• ASSINATURAS:

3028.4010 / 3028.4011 • GERAL

3028.4013 • REDAÇÃO:

3028.4002 / 3028.4015 • MARKETING:

3028.4004 / 3028.4005 • FAX:

3028.4001 Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@cultivar.inf.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.

Assine já!

Avaliação de diferentes modelos de rodas compactadoras de semeadoras mostra o efeito de cada uma sobre a qualidade do plantio ................................................... 14

Cuidados na hora de terceirizar A terceirização da colheita possibilita colher com alta tecnologia a um custo menor, porém as perdas podem inviabilizar a operação ................................................... 22

Gerenciamento das aplicações Como gerenciar a pulverização em lavouras de café, operação responsável pelo segundo maior custo nesta atividade ................................................... 30


Rodando por aí

Nova atuação

Vendas

Conird

Fábio Baio, doutor em Energia na Agricultura, acaba de ser contratado pela John Deere Brasil. Fábio atuará na recém constituída área de engenharia de vendas, dando suporte de informações técnicas tanto na área interna da empresa quanto aos concessionários.

De 24 a 29 de outubro acontece em Porto Alegre (RS) o XIV Conird e o I Encontro Interamericano de Irrigação, Drenagem e Controle de Enchentes, promovidos pela Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem e pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Os eventos contarão com minicursos, pôsters, conferências e dias de campo, com temas diversos como uso de águas residuárias na irrigação; recursos hídricos e parcerias para o desenvolvimento sustentável dos agronegócios calçados na agricultura irrigada; reconversão de sistemas de irrigação na rizicultura e alternativas de seqüências e rotações de culturas, entre outros.

Marco Ripoli, especialista em mecanização canavieira, assume novo desafio profissional, passando a atuar junto à gerência regional de vendas de São Paulo da John Deere Brasil.

Satisfação O diretor da Stahar, Fernando Stapelbroek, apesar de ter ocupado um espaço reduzido e tendo participado pela primeira vez da Expointer, estava satisfeito com os contatos que foram feitos.

Marco Ripoli

Avaliaçao Positiva

Fábio Baio

Curso novo

Sima 2005 De 27 de fevereiro a 3 de março de 2005 acontecerá o Sima 2005 no Parque de Exposições de ParisNord Villepinte, na França. Para esta edição do evento mais de 90% da área de exposição já foi reservada totalizando mais de 100 mil m 2 ocupados por estandes, onde todos os setores estarão representados.

César Mantovani

A Faculdade Horizontina, que mantêm o único curso brasileiro de engenharia mecânica com ênfase em Toni Ferrarin máquinas agrícolas, acaba de receber autorização do MEC para o funcionamento de um curso de engenharia de produção. O coordenador, César Mantovani, espera repetir o sucesso de procura e assiduidade do primeiro curso.

Brasileiro de arrancada O baile para a escolha da rainha abre a programação do 2º Campeonato Brasileiro de Arrancada de Tratores/GP Vipal , em Maripá (PR). O evento acontece no dia 6 de novembro, no Centro de Eventos do Tratoródromo. O campeonato será realizado nos dias 13 e 14 de novembro. A programação prevê show com bandas locais, exposição agrícola e tuning, desfile de tratoretes e shows. “Estamos trabalhando para que a festa seja melhor do que no ano passado”, afirma o diretor da HSJ Desenvolvimentos, Heinz Schreiber Júnior.

Heinz Schreiber Jr.

Diretora

Edgard Stuber

Vendas e Mkt Edgard Stuber assumiu a diretoria de vendas em marketing da Stihl. Stuber fez integração durante dois meses na Sthil da Alemanha e dos Estados Unidos, assumindo o comando efetivo no Brasil a partir de junho.

04

Máquinas

O diretor da Baldan, Paulo Centeno, avaliou positivamente a nova organização da Expointer, onde as máquinas agrícolas tiveram um espaço bem delimitado, facilitando com isso o acesso do público interessado em conhecer as novidades em mecanização agrícola.

A Honeywell Turbo Technologies – Garrett, uma das principais empresas brasileiras na produção de sistemas de turboalimentação de motores, nomeou como diretora de recursos humanos Poliana Conti. Formada em psicologia, Poliana possui experiência em recursos humanos, por intermédio de trabalho prestado a empresas internacionais. Antes de ingressar na Garrett, foi gerente de treinamento e de desenvolvimento da DaPoliana Conti none Brasil.

Ajuste ao mercado A Deutz Fahr alemã apresentou, na Festa de Agricultura Cental da Baviera, seu estado de origem, o que poderia ser o trator Agrotron do futuro. O modelo de 150cv estava caracterizado com as cores do estado da Baviera e pode atingir a velocidade de 50 km/h.

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Paulo Centeno

Certificação A empresa ZF Sachs, uma das principais fabricantes mundiais de embreagens, recebeu a certificação do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA). A conquista reforça o seu comprometimento na melhoria dos processos, visando a qualidade dos produtos e a satisfação dos clientes. Os processos de logística e distribuição de peças da ZF Sachs foram submetidos à auditoria do IQA.

Setembro 2004


Colhedoras regulagem

Perdas visíveis e invisíveis

Paulo Graziano Magalhães

Pela grande representatividade da cana-de-açúcar no Brasil e pela falta de tecnologia apropriada para a cultura é que as perdas nas colhedoras devem ser minimizadas para não onerar demais o custo de produção

A

evolução da produtividade e da área cultivada permite visualizar as dificuldades a serem enfrentadas nas zonas canavieiras menos dinâmicas, dado o desafio de substituir um complexo consolidado há séculos, por uma alternativa consistente em termos da geração de emprego e renda. Segundo estudos realizados por nossa equipe o setor canavieiro enfrenta problemas pela falta de tecnologia apropriada, principalmente no setor agrícola que, aliado à questão da sazonalidade da mão-de-obra, tem onerado o custo da produção. Na tentativa de reduzir custos e melhorar a rentabilidade do setor, as usinas, a exemplo do que ocorreu nas demais culturas, têm optado por um sis-

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Máquinas

tema gradual de mecanização, principalmente da colheita. Da área do estado de São Paulo, segundo artigo publicado na revista Alcobras em abril de 2004, apenas 30% foram colhidos por máquinas na safra de 2003, sendo que este percentual tende a aumentar rapidamente nos próximos anos, devido a vários fatores, como custo de colheita e escassez de mão-de-obra, mas, sobretudo em virtude do decreto do Governo do Estado que regulamenta a prática da queima de canaviais. A adoção do sistema preconizado de colheita introduziu certos inconvenientes, tais como o aumento dos índices de matéria estranha na carga, o que, por sua vez, implicam na redução da qualidade tecnológica da

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matéria-prima fornecida para moagem e perdas de cana no campo. Consideram-se matéria estranha ao processamento industrial da cana-de-açúcar tudo que não é colmo industrializável, ou seja, que não se prestam à extração de açúcar ou de álcool. Geralmente as impurezas vegetais como folhas, ponteiros e raízes, compreende a maior porcentagem de impurezas nas cargas transportadas à usina, seguidas pelas impurezas minerais como terra, pedras e eventuais pedaços de metal. Segundo os dados dos próprios fabricantes a maioria das colhedoras de cana picada em operação no país são das marcas Case e Cameco que trabalham no campo segundo o mesmo princípio de operação, ou seja, utili-

Outubro 2004


“Na tentativa de reduzir custos e melhorar a rentabilidade do setor, as usinas, a exemplo do que ocorreu nas demais culturas, têm optado por um sistema gradual de mecanização, principalmente da colheita”

A cana no Brasil

A

cultura da cana-de-açúcar representa 8% do PIB do Brasil e 35% do PIB do estado de São Paulo, produz 11,5 milhões de toneladas de açúcar e 12 bilhões de litros de álcool por ano nos 5,4 milhões de hectares em que é plantada, além de gerar 1,2 milhões de empregos diretos e 4 milhões de empregos indiretos no país. Este segmento tem crescido significativamente nos últimos 10 anos, avançando não só em área plantada, mas também em produtividade média, e com os avanços comerciais obtidos pelo Brasil em suas negociações internacionais, a tendência observada é de um crescimento ainda mais acentuado, apontando para uma duplicação da área plantada nos próximos 10 anos. zam os mesmos componentes e sistemas de processamento de cana conforme descritos na Figura 1. A qualidade tecnológica da cana-de-açúcar implica que para o processamento indus-

Carga do veículo de transbordo, com cana-deaçúcar, impurezas vegetais e minerais

trial o colmo deve estar maduro, sadio e limpo, sendo a cana madura aquela que atingiu seu potencial máximo de acúmulo de sacarose. Colocando-se a parte as particularidades e a eficiência da usina ou destilaria, o rendimento da recuperação de açúcar ou de

Figura 1 - Componentes e sistemas de processamento de cana - colhedora convencional de cana picada

álcool estará na dependência direta da qualidade tecnológica da matéria-prima. As impurezas presentes na cana a ser moída oneram os custos de transporte e manutenção de equipamentos industriais, e reduzem a eficiência de moagem e extração de sacarose. Na colheita mecânica de cana sem queimar, os índices de perdas e impurezas tendem a aumentar devido à maior massa vegetal que será processada pela colhedora. As perdas de cana-de-açúcar durante a colheita mecânica podem ser divididas em duas componentes, perdas visíveis e invisíveis. As perdas são denominadas visíveis quando podem ser detectadas visualmente no campo após a colheita, constituindo-se principalmente de canas inteiras, rebolos e tocos resultantes da altura do corte basal. Estas perdas podem ser facilmente determinadas por coleta manual. As perdas na forma de caldo, serragem e estilhaços de cana, que ocorrem devido à ação de mecanismos rotativos que cortam, picam e limpam a cana durante o processamento interno nas colhedoras, são definidas como perdas invisíveis. A tentativa de se reduzirem os índices de


“Atualmente os principais fabricantes de colhedoras estão disponibilizando no mercado sistemas e dispositivos que ajudam a reduzir o percentual de perdas e melhoram o desempenho das mesmas”

Paulo Graziano Magalhães

Paulo Graziano Magalhães

Matéria estranha eliminada pelo extrator primário, serragem, palha e lascas de cana-de-açúcar

impurezas na cana colhida por meio do aumento da velocidade de saída de ar dos extratores/ventiladores das colhedoras, pode elevar as perdas de matéria-prima a níveis inaceitáveis. Por outro lado, o sistema de extratores e/ou ventiladores é responsável pela maior demanda de potência disponível no motor a combustão da colhedora, além de ser o ponto principal de ocorrência de perdas de matéria-prima. É possível ajustar a velocidade dos extratores, de forma a permitir que a colhedora opere num ponto ótimo em relação às perdas e impurezas, porém, é difícil de se avaliar com precisão no campo este ponto, em razão da dificuldade de se coletarem os fragmentos de rebolos de cana que são atirados pelos extratores das colhedoras. Para relacionar as perdas visíveis de matéria prima e a eficiência de limpeza das colhedoras através do extrator primário trabalhando sob duas velocidades de rotações do ventilador, 1200 e 1500 rpm, avaliamos a carga recebida no veículo de transbordo, e realizamos um levantamento de massa remanescente no campo (perdas) de rebolos, colmos inteiros, tocos, pedaços, e massa foliar deixados no campo após a colheita. A análise estatística indicou que não existia diferença significativa em nível de 5% de probabilidade entre as cargas dos veículos para as componentes cana, lascas de cana e impurezas minerais, mas nos componentes

palmito, palha e impurezas totais os testes estatísticos indicaram diferença significativa com 95% de confiabilidade, sendo que a carga recolhida com a menor rotação no extrator primário apresentou maior quantidade de impurezas totais, Figura 2. A avaliação de campo indicou que a porcentagem de perdas totais pode chegar a 5,68% dependendo da velocidade de rotação do extrator, Figura 3. Observa-se que as perdas em colhedoras de cana-de-açúcar comerciais de cana-picada podem chegar a valores extremamente elevados, dependendo da regulagem de seus componentes, principalmente o sistema de corte de base e do extrator primário. A eficiência de limpeza do extrator primário, as perdas de cana-de-açúcar em geral e a velocidade de rotação do ventilador, estão diretamente relacionadas, pois quanto maior é a rotação, maior é a eficiência de limpeza, e maiores são as perdas. O CTC (Centro de Tecnologia da Copersucar) de Piracicaba desenvolveu e patenteou um mecanismo simples, constituído de braços articulados que trabalham com o princípio de mecanismos de 4 barras, unindo o

conjunto de corte (motor, caixa de engrenagens, discos e facas de corte) à estrutura da máquina. Dessa forma, as ondulações, elevações e depressões do terreno seriam acompanhadas de modo suave e preciso. O conjunto de corte movimenta-se simultaneamente para trás e para cima ou para frente e para baixo, devido ao mecanismo de braços articulados. Além disso, há duas molas aliviando o peso do conjunto para diminuir a pressão de contato com o solo e duas calotas para distribuir o peso residual do conjunto sobre a área projetada das calotas no terreno (Figura 4 e 5). O dimensionamento e o posicionamento relativo das articulações extremas dos braços superiores e inferiores são feitos de modo a que o deslocamento angular destes, limitado a um ângulo operacional predeterminado, provoque o deslocamento do disco de corte na direção vertical e em torno de um eixo geométrico horizontal e transversal ao eixo geométrico longitudinal da máquina, fazendo com que o deslocamento vertical da borda de fuga das facas do disco de corte, durante a movimentação angular dos braços superior e inferior, seja substancialmente menor do que aquele da borda de ataque das

Figura 3 - Valores médios de rebolos, colmos, tocos, pedaços, lascas, total de perdas e massa foliar deixadas no campo (%) as rotações de 1500 e 1200 do ventilador do extrator primário Jorge Neves

Figura 2 - Valores médios em porcentagem da carga no veículo de transbordo, de cana, lascas, palha, palmito, matéria estranha mineral, obtidos nos ensaios, às rotações de 1200 e 1500 rpm do extrator primário

Corte de base mal realizado, com grande quantidade de tocos deixados no campo e alta porcentagem de perdas

Avaliação do material deixado sobre o solo após a passagem da colhedora

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Máquinas

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limpeza AntiVortex, alterando o desenho das pás e do cubo, improvisando na limpeza. O novo sistema reduziu as perdas por estilhaços e as impurezas vegetais, aumentando a densidade de carga. A Feagri-Unicamp também tem trabalhado no desenvolvimento de soluções alternativas para o problema, com o desenvolvimento de um mecanismo pantográfico para seguimento do solo e um conjunto de facas oscilantes que em testes de laboratório mostraram um bom desempenho, provando ser uma alternativa viável para a redução de perdas de matéria prima e melhora no desemM penho das colhedoras.

Figura 4 - Representação esquemática do Corte Basal Flutuante, desenvolvido pelo CTC

Paulo Graziano Magalhães e Oscar Braunbeck, Unicamp Jorge Luís Mangolini Neves, CTC Figura 5 - Detalhes do mecanismo instalado em uma colhedora de cana-de-açúcar Jorge Neves

facas do disco de corte. O dispositivo testado em várias usinas cooperadas à Copersucar, tem demonstrado ser eficiente, reduzindo drasticamente as perdas de matéria prima, a contaminação por impurezas minerais e a vida útil das facas do cortador. O mecanismo de corte basal flutuante, modelo Copersucar, até o momento, já foi instalado em 101 colhedoras pertencentes a 23 usinas. Atualmente os principais fabricantes de colhedoras estão disponibilizando no mercado sistemas e dispositivos que ajudam a reduzir o percentual de perdas e melhoram o desempenho das mesmas. A Cameco lançou há pouco tempo a CACB (Controle Automático do Corte de Base), um dispositivo eletrônico que controla através do sistema hidráulico a altura do cortador de base, reduzindo as perdas por tocos deixados na lavoura, assim como a contaminação por impurezas minerais. A Case-CNH por sua vez está realizando testes de campo em cana comercial, de usina da região de Ribeirão Preto/SP, com uma máquina montada com um protótipo de um mecanismo eletro-hidráulico de controle da altura do cortador de base. A Case-CNH também investiu no extrator primário, desenvolvendo o sistema de

Braço articulado superior

Mola

Conjunto de corte de base

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Manejo do solo plantio direto

Reforço contra a e Baldan

A diminuição do processo de erosão hídrica em áreas com plantio direto, principalmente com declividade superior a 9% onde as perdas estão acima dos limites toleráveis, é possível com o uso do sistema de terraciamento

M

uito se tem debatido atualmente a respeito da necessidade do uso dos sistemas de terraceamento em áreas cultivadas com plantio direto, havendo inclusive acirradas discussões entre as partes que defendem ou não a utilização dos terraços nestas áreas. Este texto está estruturado com base nos seguintes tópicos: prejuízos advindos da erosão, descrição do processo associado à erosão hídrica, práticas para a minimização do processo erosivo, efeito dos sistemas de preparo e manejo do solo no processo erosivo e estudo de caso relativo à necessidade do uso do terraceamento em áreas com plantio direto.

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Máquinas

A EROSÃO E SEU PROCESSO DE OCORRÊNCIA A erosão consiste em um complexo processo que ocorre devido tanto a fenômenos naturais, que agem continuamente na crosta terrestre, quanto à ação humana, pela inserção de práticas que destroem o equilíbrio das condições naturais. Enquanto a primeira forma de erosão, ocasionada pelos fenômenos naturais e denominada erosão geológica ou natural é um processo benéfico, uma vez que é essencial para a formação do solo, a segunda, denominada erosão acelerada é considerada um dos principais problemas ambientais associados às áreas agrícolas.

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Em países de clima temperado o tempo estimado para a formação de 25 mm de solo é de aproximadamente 300 anos, sendo este tempo reduzido em até dez vezes para as condições de climas tropicais. Já as perdas de solo associadas à erosão acelerada atingem valores médios da ordem de dois mm/ano (correspondentes a cerca de 26 ton/ha/ano) e, portanto, superiores à taxa de formação do solo. Uma das principais formas de ocorrência da erosão é devida à ação da água, sendo denominada erosão hídrica. A erosão hídrica começa com a incidência das precipitações. Do volume total precipitado, uma parte é interceptada pela vegetação, enquanto o restante atinge a

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“A quantidade de solo desestruturado aumenta com a intensidade da precipitação, a velocidade e o tamanho das gotas”

Charles Echer

rosão

superfície do solo, provocando o umedecimento dos agregados e reduzindo suas forças coesivas. Com a continuidade da ação da chuva ocorre a desintegração dos agregados em partículas menores. A quantidade de solo desestruturado aumenta com a intensidade da precipitação, a velocidade e o tamanho das gotas. Além de ocasionar a liberação de partículas que obstruem os poros do solo, o impacto das gotas tende também a compactá-lo, ocasionando o selamento de sua superfície e, conseqüentemente, reduzindo a capacidade de infiltração da água. Esgotada a capacidade de retenção superficial, a água começa a escoar pela superfície do solo. Associado ao escoamento superficial ocorre o transporte de partículas do solo, que sofrem deposição somente quando a velocidade do escoamento superficial é reduzida (Figura 1). O primeiro agente cisalhante, isto é, aquele devido ao impacto das gotas de chuva, está diretamente associado à energia cinética da precipitação e, portanto, à massa e à velocidade das gotas e ao total precipitado. A energia de impacto das gotas constitui no principal agente energético do processo de erosão laminar, que é aquela que se caracteriza pela remoção de delgadas lâminas do solo. A energia associada à precipitação que ocorre em um hectare em um ano, em geral, é superior à energia liberada pela explosão de 50 t de dinamite. A outra forma de desprendimento de partículas é a associada ao escoamento superficial, em que o agente erosivo é decorrente da tensão

Eficiência

O

No exemplo em declividades acima de 9% as perdas de solo excederam o limite tolerável

cisalhante associada ao próprio escoamento. Este é o principal componente do processo de erosão em sulcos, sendo expresso pela equação , em que t = tensão cisalhante associada ao escoamento, g = peso específico da água que escoa, RH = raio hidráulico, e I = declividade da superfície livre da água. Na Figura 2 se representa, para um evento de precipitação que produz escoamento superficial, a forma como variam as tensões cisalhantes durante o tempo ao longo do qual se processa o escoamento, sendo que até o tempo t1 a tensão cisalhante é insuficiente para proceder a liberação de sedimentos, a qual somente ocorre durante o intervalo t1 a t2, quando o escoamento passa a ser, novamente, insuficiente para proceder a liberação de sedimentos. Ao longo do intervalo de tempo t1-t2 a taxa de liberação de sedimentos (TS) é expressa pela equação , em que K = erodibilidade do solo, A = área da superfície do solo, tM = tensão média de cisalhamento durante o intervalo de tempo , e tc = tensão cisalhante a partir da qual começa ocorrer a liberação de sedimentos. Uma vez ocorrida a liberação das partículas, o seu transporte somente mantém-se quando a energia associada ao escoamento superficial é suficiente para mantê-las em suspensão.

Figura 1 - Principais processos associados à formação do escoamento superficial em áreas com ocupação agrícola

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levantamento de dados de diversas pesquisas realizadas mostra que, no plantio direto, as perdas de solo são reduzidas em média 68% em relação ao preparo convencional, enquanto as perdas de água são reduzidas em média 27%, sendo que nas pesquisas em que houve aumento das perdas de água, estas foram em média 16% maiores, e naquelas em que houve redução das perdas de água, estas foram em média 35% menores. Estes dados caracterizam claramente a maior eficiência do plantio direto na redução das perdas de solo que nas perdas de água.

MINIMIZAÇÃO DO PROCESSO EROSIVO Todo o esforço visando a redução da erosão hídrica deve estar voltado, portanto, à minimização do impacto associado aos agentes responsáveis pelo desprendimento das partículas de solo e à redução da capacidade de transporte do escoamento superficial. Todas as práticas que possibilitem a redução da energia cinética da chuva que é aplicada sobre a superfície do solo, o aumento da capacidade de armazenamento de água sobre a superfície ou no perfil do solo, o aumento da infiltração da água e da resistência do solo ao cisalhamento são práticas favoráveis à redução da erosão. Enquanto as práticas edáficas visam, fundamentalmente, melhorar a fertilidade do solo, o que irá propiciar uma maior produção de biomassa e, consequentemente, a maior cobertu-

Figura 2 - Representação da variação da tensão cisalhante com o tempo para o escoamento superficial, indicando a região de interesse para determinação da perda de solo

Máquinas

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“Cada situação merece, portanto, uma análise específica e que contemple os diversos fatores que realmente favorecem ou não a ocorrência das perdas de solo e água”

Baldan

O manejo da cobertura vegetal representa importante componente na redução do processo erosivo, pois diminui o impacto da energia cinética da precipitação

ra de sua superfície, as práticas vegetativas se valem desta cobertura vegetal para minimizar as perdas de solo. A cobertura vegetal representa, portanto, importante componente na redução do processo erosivo, à medida que atenua o impacto da energia cinética da precipitação, reduz a capacidade de transporte pelo escoamento superficial e melhora as condições físicas associadas ao solo, inclusive a sua capacidade de infiltração. Desta forma, a manutenção da cobertura da superfície do solo deve ser intensamente buscada pelos técnicos envolvidos com o planejamento conservacionista. Nas práticas mecânicas o principal efeito consiste na interceptação do escoamento suTabela 1- Perdas de solo estimadas para diferentes declividades do terreno em área cultivada com milho em plantio direto feito em contorno Declividade 1% 2% 3% 4% 5% 6% 7% 8% 9% 10% 11% 12% 13% 14%

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Perda de solo (t/ha/ano) 1,6 2,3 3,3 4,5 5,8 7,3 9,0 10,9 12,9 15,0 17,4 19,9 22,6 25,4

perficial, diminuindo a energia associada a este, o que reduz tanto a capacidade de desprendimento de partículas como a capacidade de transporte daquelas partículas já desprendidas. Assim é que, tanto os terraços como as barraginhas e as bacias de acumulação não atuam diretamente nas causas do processo erosivo, mas sim no sentido de segmentar a distância percorrida pelo escoamento superficial, visando reduzir a energia associada a este. São práticas que, portanto, agem em fases mais avançadas do processo erosivo, à medida que vão atuar no controle da energia associada ao escoamento superficial. Devem, por este motivo, ser utilizadas como práticas complementares às práticas edáficas e vegetativas, que por atuarem em fases mais iniciais do processo erosivo são mais efetivas no controle da erosão.

SISTEMAS DE PREPARO E MANEJO DO SOLO Os sistemas de preparo e manejo do solo devem manter a maior cobertura possível da superfície, propiciar uma maior capacidade de infiltração e assegurar a máxima rugosidade da superfície, não só a fim de garantir a dissipação da energia associada ao escoamento, mas, também, aumentar a capacidade de armazenamento de água sobre a superfície e no perfil do solo. O plantio direto constitui um sistema de cultivo em que a redução das perdas de solo ocorre tanto em decorrência do eventual aumento da capacidade de infiltração da água como, principalmente, pela dissipação da energia cinética da precipitação pela cobertura vegetal e pela redução da energia associ-

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ada ao escoamento em virtude da maior rugosidade hidráulica da superfície do solo, reduzindo tanto a capacidade de desprendimento como de transporte de partículas pelo escoamento superficial. Enquanto no sistema convencional ocorre periodicamente uma renovação da camada superficial do solo, promovendo um aumento momentâneo da infiltração da água, no plantio direto, não há esta descompactação. Todavia, o fato da superfície apresentar, no preparo convencional, uma menor cobertura, acarreta um maior selamento superficial decorrente do impacto da precipitação ou da irrigação. Além deste aspecto, o fato do plantio direto favorecer o restabelecimento da estrutura do solo e a formação de canais naturais, advindos tanto das atividades biológicas mais intensas quanto da decomposição das raízes, faz com que as taxas de infiltração neste sistema de cultivo sejam, em geral, maiores do que no preparo convencional. Em relação à redução das perdas de solo a eficiência do sistema de plantio direto é indiscutível, tendo em vista que sob este sistema de preparo a presença da cobertura vegetal assegura uma maior proteção contra o impacto das gotas de chuva, reduz a energia cinética associada ao escoamento, o que também reduz a sua capacidade de desprender e transportar as partículas de solo, além de aumentar a resistência do solo às forças que promovem a liberação das partículas.

Prejuízos

A

s perdas anuais de solo e água em áreas ocupadas por lavouras e pastagens no Brasil são da ordem de 822,7 milhões de toneladas e 171 bilhões de m3, respectivamente. Estima-se que a estes valores estaria associada uma perda total no âmbito da propriedade rural, de US$ 2,9 bilhões por ano, a qual se refere aos custos relativos à reposição de corretivos e fertilizantes somados às perdas referentes à menor produtividade e aos maiores custos de produção ocasionados pela erosão. Além destes, os custos externos à propriedade rural devidos ao processo erosivo (tratamento de água, reposição da capacidade de acumulação de reservatórios, manutenção de estradas, recarga de aqüíferos, maior consumo de combustíveis, maior consumo de energia elétrica em áreas irrigadas, entre outros) somariam US$ 1,3 bilhões anuais. Assim, estima-se que a erosão promoveria ao Brasil um prejuízo total de US$ 4,2 bilhões por ano.

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Informações compiladas de diversas pesquisas comparando o plantio direto com o sistema de preparo convencional permitem evidenciar valores médios para a taxa de infiltração estável (Tie) cerca de 32% maiores nas áreas com plantio direto. Todavia, em alguns solos argilosos manejados sob plantio direto a compactação induzida pelo trânsito das máquinas promove um efeito mais acentuado na redução da capacidade de infiltração que aquele decorrente da proteção ao impacto das gotas de chuva e da formação dos canais naturais. Assim sendo, observa-se na literatura trabalhos em que houve a redução da Tie de até 42% no plantio direto em relação ao preparo convencional, fazendo com que as perdas de água fossem majoradas nas áreas com plantio direto. Desta forma, o aumento ou a redução do escoamento superficial em áreas com plantio direto dependerá do efeito combinado destes dois fatores.

USO OU NÃO DE TERRACEAMENTO A fim de caracterizar os diversos aspectos a serem considerados na tomada de decisão sobre a adoção do terraceamento em áreas manejadas com sistema de plantio direto realizou-se a análise apresentada a seguir, em que considerou-se uma área com as condições climáticas típicas de Passo Fundo (RS) e cultivada com milho em plantio direto feito em contorno. O solo considerado foi um latossolo vemelho, para o qual a perda máxima tolerável é de 12,3 ton/ha/ ano. Tomou-se um comprimento de rampa igual a 150 m, sendo consideradas diversas situações de declividade, variando entre 1% e 14%. Para cada uma destas condições de declividade foram feitas estimativas das perdas de solo com a utilização da Equação Universal de Perdas de Solo (EUPS), obtendo-se então os valores apresentados na Tabela 1. Pela análise da Tabela 1 evidencia-se que as perdas de solo estimadas para declividades inferiores a 9% são menores que o limite tolerável, dispensando, portanto, o uso do sistema de terraceamento. Para declividades iguais ou superiores a 9%, entretanto, as perdas de solo excederam o limite tolerável, sendo que para a declividade de 14% a perda já foi de mais de duas vezes este limite, indicando portanto o sério risco que a não adoção de uma prática conservacionista complementar ao plantio direto iria acarretar nesta situação. A partir do estudo de caso apresentado pode-se evidenciar que a defesa de uma postura radical a favor ou contra o uso de terraceamento em áreas manejadas com plan-

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Charles Echer

As taxas de infiltração de água no plantio direto são, em geral, maiores

tio direto é um procedimento inadequado, à medida que está baseada em uma generalização que desconsidera a real complexidade de processo erosivo. Cada situação merece, portanto, uma análise específica e que contemple os diversos fatores que realmente favorecem ou não a ocorrência das perdas de solo e água. Vale ressaltar que neste exemplo caracterizou-se apenas o efeito da declividade do terreno na análise da necessidade do uso do

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terraceamento em áreas com plantio direto, entretanto outras variáveis devem também ser consideradas, como as condições locais da precipitação, a erodibilidade do solo, o comprimento de rampa, a cultura a ser implantada e a utilização de outras práticas M conservacionistas complementares. Roberto Avelino Cecílio e Fernando Falco Pruski, Universidade Federal de Viçosa

Máquinas

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Plantadeiras adensamento

Acabamento ideal Sfil

As rodas compactadoras têm a função de melhorar o controle da profundidade e do posicionamento da semente em relação ao solo, porém há necessidade de conhecer a sua influência sobre a terra e no desenvolvimento das culturas

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Máquinas

RESULTADOS to contato solo-semente diminui o tempo aumentando a porcentagem de germinação. As rodas compactadoras tornam possível alterar o comportamento técnico do solo, buscando um ambiente mais favorável à planta. Este trabalho teve o objetivo de avaliar o efeito de cargas verticais sobre a roda compactadora no processo de produção da cultura da soja.

METODOLOGIA Este trabalho foi realizado na pista de ensaios de semeadura Fazu - Faculdades Associadas de Uberaba. Esta pista é composta de um trole elétrico o qual é suportado por trilhos de comprimento de 24 m. O carrinho (trole) possui acessórios para nivelamento, sulcamento e rodas compactadoras com engate para variação da carga vertical. A cultivar de soja utilizada foi a vencedora plantada a 5 cm de profundidade, espaçadas de 40 cm entre linhas e com uma densidade de 14 a 15 plantas por metro linear fornecendo um estande de 360 mil plan-

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As rodas R1 e R2 proporcionaram uma compactação lateral do solo, enquanto que a roda R3 fez uma compactação de forma mais direta sobre a linha de semeadura. A roda R1 provoca elevação central do solo na linha de semeadura, alterando sua profundidade. Esta roda faz uma movimentação do solo de 15 cm, a roda R2 movimenta 25 cm e a roda R3 movimenta 12 cm de solo. A compactação direta da roda R3 diminui a profundidade de semeadura inicial e proporJorge Wilson Cortez

O

uso de canais de solo tornouse necessário, pois permite o controle de variáveis como teor de água, tipo de solo e a inclinação e rugosidade, possibilitando a comparação de diferentes ferramentas uma vez que os ensaios são em condições semelhantes. Este sistema foi desenvolvido em 1979 denominado “pista de ensaios com carrinho e roda compactadora”. O estabelecimento de uma cultura inicia-se com a semeadura germinação e emergência das plântulas. O comportamento do solo assume grande importância para o bom desenvolvimento inicial da cultura. As partículas do solo para condições ideais de semeadura devem estar entre 0,5 a 1,0 mm para que haja um ótimo contato solo-semente. Os principais fatores ao redor da semente são temperatura, aeração, teor de água. Observou que ocorreu desenvolvimento mais rápido quando aumentou temperatura e teor de água de 7 a 9 %. Vários autores sugerem que o dispositivo de cobertura da semente podem maximizar o contato solo-semente e afirmam que o aumen-

tas por hectare. A análise de solo demonstrou que não havia necessidade de calagem, e foi aplicado apenas adubo para plantio de 500 kg/ha de 2-2020. Foi utilizado Systane para controle da ferrugem asiática (Figura 1), mas devido a aplicação tardia não fez o efeito desejado, prejudicando a produção da cultura conforme apresentado na Tabela 1. O experimento foi montado em 01/11/2003 esquema fatorial, utilizando delineamento em blocos ao acaso, com três tipos de rodas (R1, roda em V simples, R2 roda em V em nervura e R3 roda lisa) e quatro níveis de carga vertical (0, 50, 100 e 150 N), totalizando 12 tratamentos no experimento. Sendo utilizado blocos obtemos um total de 36 parcelas. Os blocos são representados pelos canais de solo que são três como podemos observar na Figura 2. R1 é chamada de roda dupla angulada constituída por duas rodas cilíndricas em V, revestidas por borracha maciça, normalmente usada para plantio direto. R2 é chamada de roda dupla com nervura simples, constituídas por duas rodas cilíndricas, revestidas com borracha maciça e nervura central. Por possuir eixo inclinado essa roda companha a forma de um V. R3 é chamada de roda convexa larga sendo revestida com borracha deformável tipo câmara de ar. A foto das rodas são apresentadas na Figura 3.

O experimento foi montado utilizando delineamento em blocos ao acaso, com três tipos de rodas

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“O estabelecimento de uma cultura inicia-se com a semeadura germinação e emergência das plantulas”

Adensamento

O

adensamento melhora o contato assegurando melhor transferência do teor de água para a semente. Influi diretamente sobre a força de emergência da plântula no rompimento da crosta superficial do solo. O desempenho de rodas compactadoras apresentou considerável influência benéfica sobre o ambiente em torno da semente. Seu efeito depende da pressão e do desenho da roda. O desenho das rodas promove um efeito distinto no desenvolvimento das plantas, produção de grãos e alteração nas características físicas do solo. ciona uma melhor concentração de umidade na camada superficial favorecendo a germinação. A roda R2 proporciona a melhor umidade no solo, sendo a roda R1 a menor umidade no solo, isto é devido a área de movimentação de solo de cada roda, pois quanto maior a área de ação da roda, maior a umidade armazenada no solo. No NMDPE podemos observar que a roda convexa larga (RD3), que proporciona uma cobertura direta sobre a semente teve maior NMDPE, e quando comparamos as cargas ver-

Tabela 1 - Fatores analisados Rodas

NMDPE

V simples V nervura Convexa larga Cargas (N) 0 50 100 150 Teste de F R C RxC C. V. (%)

6,20 A 6,06 A 6,22 A

Altura de inserção da 1º vagem (cm) 18.5833A# 17.4167 A 18.5833 A

Vagem/ planta 24.50 A 28.50 A 27.25 A

Grãos / vagem 1.8667 A 2.1167 A 2.0167 A

Massa 100 sementes (g) 11.0083 A 11.3167 A 11.2167 A

Matéria seca (kg ha-1) 2785.59 A 3029.58 A 2780.28 A

11.5667 10.9444 11.2222 10.9889

A A A A

2729.55 A 3130.28 A 2602.88 A 2997.87 A

662.38 818.45 626.46 736.62

0.3759 NS 0.9241 NS 1.1463 NS 7.94

1.0103 NS 2.1800 NS 3.1445 * 17.13

2.1394 NS 2.3226 NS 5.7240 ** 23.55

6,10 A 6,20 A 6,06 A 6,29 A

17.5556 18.4444 17.2222 17.3333

A A A A

25.00 A 28.55 A 27.44 A 26.00 A

2.0222 1.8222 1.9778 2.1778

0,33 NS 0,37 NS 0,44 NS 7,44

2.4829 NS 0.7831 NS 1.1524 NS 10.65

1.76 NS 0.77 NS 1.37 NS 19.93

1.4964 NS 1.5168 NS 1.0530 NS 17.81

# Médias seguidas de mesma letra não diferem estatisticamente pelo Teste de F * Significativo a 5% pelo teste de Tukey. ** Significativo a 1% pelo teste de Tukey.

ticais a carga de 150 N proporcionou o maior tempo de germinação, mas a carga de 100 N proporcionou o menor tempo de germinação, mostrando que existe uma carga ideal entre a resistência do solo e a germinação. Na altura de inserção da primeira espiga, este item é muito importante, pois mostra a que altura a plataforma de corte tem de trabalhar do solo para não deixar vagens na planta. E os resultados mostram que a RD1 (V sim-

A A A A

Produtividade (kg ha-1) 629.55 A 746.56 A 756.83 A A A A A

ples) e RD3 não mostraram diferença já a RD2 (V nervura) ficou um 1cm a menos de altura. A carga de 50 N apresentou a maior altura de vagem. Os dados de vagens por planta e o número de grãos por vagem refletem qual será a real produção da cultura, mas observamos poucas vagens por planta devido ao ataque severo da ferrugem asiática. Estes resultados não mostram uma cultura real que pode chegar no mínimo há 60 vagens por planta e 2,5 grãos por vagem na média, dependendo da variedade e


“É importante que o produtor leia sempre o manual de instruções e observe em qual ponto se obtém a melhor carga vertical para a cultura”

Fotos Jorge Wilson Cortez

Charles Echer

A cultivar utilizada recebeu aplicação tardia para o controle da ferrugem asiática e desenvolveu a doença

CARACTERÍSTICA DOS TIPOS DE RODAS

As semeadoras são compostas por rodas compactadoras e sistema de pressão que exerce carga sobre esta roda

das condições de manejo. A massa de cem sementes mostra que com grãos mais pesados precisamos de menor quantidade de área para produzir a mesma quantidade, e observamos que a RD2 e a carga de 100 N proporcionaram os melhores resultados. A quantidade de matéria seca produzida reflete a pequena produção de massa que a soja deixa, caso seja em um sistema de plantio direto, neste experimento a RD2 e a carga de 100 N proporcionaram as maiores quantidades de massa seca. A produtividade da soja foi como citado anteriormente bem abaixo de um patamar adequado para produções a campo, devido a doença que se instalou na cultura, mas comparando as rodas e cargas novamente a RD2 e a carga de 50 N proporcionaram os melhores resultados. Para matéria seca, a roda R3 produziu mais com carga de 50 N, já para as rodas a R2 produziu mais do que as demais. Para produtividade a roda R3 produziu mais com carga de 50 N e na comparação com as outras rodas foi a maior. As semeadoras são compostas por rodas compactadoras e sistema de pressão que exerce carga sobre esta roda, mas muitas vezes o produtor não sabe qual a carga ideal para a cultura ou não sabe para que serve a mola de pressão. É importante que o produtor leia sempre o manual de instruções e observe em qual ponto se obtém a melhor carga vertical para a cultura. Neste experimento observamos que carga de 50 N proporcionou boa produtividade dentro de uma média, sabendo da grande perda que a ferrugem asiática proporcionou a este experimento.

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Máquinas

O perfil ideal de roda compactadora, ou o desenho, sempre estará por ser comercializado e que geralmente, rodas em forma de U ou V fornecem a pressão necessária com um mínimo de peso. Segundo a ASAE (1995) as rodas compactadoras utilizadas são classificadas da seguinte maneira seguindo a utilização neste experimento; • Roda 1: roda duplo angulada, constituídas por duas rodas cilíndricas em “V”, revestidas com borracha maciça, normalmente usada para plantio direto. Esta roda faz uma movimentação do solo de 15 cm, provocando uma elevação central do solo; • Roda 2: roda dupla com nervura simples, constituída por duas rodas cilíndricas revestidas com borracha maciça, não deformável com nervura central. Por possuir eixos inclinados, essa roda acompanha a forma de um “V”. Esta roda faz uma movimentação do solo de 25 cm; • Roda 3: roda convexa larga, revestida de borracha deformável, tipo câmara de ar, esta roda sofre a ação do solo na sua deformação. Esta roda faz uma movimentação do solo 12 cm de solo, fazendo a compactação direta sobre a localização da semente. Estes tipos de rodas compactadoras possuem um efeito distinto entre os tipos de rodas compactadoras, em relação ao desenvolvimento da planta, a produção de grãos e alteração nas características físicas do solo. Sendo que o desenho da roda pode sofrer um efeito benéfi-

Três tipos de rodas utilizadas no experimento, da esquerda para a direita R1, R2 e R3

co ou não sobre o ambiente do solo em torno da semente. As rodas do tipo em “V” possuem um alívio central na linha de semeadura já projetado para tentar evitar a compactação excessiva sobre a semente. A pressão exercida pelas rodas compactadoras pode ser calculada a partir da equação de Mialhe (1980) calculando primeiro a área de contato pneu-solo (Equação 1) e depois a pressão (Equação 2): Equação 1 S = 1,005.r. b em que: r : raio da roda (m); b: largura da roda (m). S: área de contato (m²) Equação 2 P = F / S em que: F: força ou peso (N); P: pressão exercida pela roda (N m-2). A partir destas fórmulas pode-se calcular área e pressão exercida sobre a roda compactadora, podendo ser feito na propriedade rural, e mesmo o produtor pode calcular escolhendo a melhor pressão que atende sua necessidade de acordo com as pesquisas e as condições locais M do ambiente. Jorge Wilson Cortez e Alberto Carvalho Filho, Fazu Rouverson Pereira da Silva, Unesp

Os tipos de rodas compactadoras possuem um efeito distinto entre os tipos de rodas em relação ao desenvolvimento da planta, a produção de grãos e alteração nas características do solo, explicam os autores

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Irrigação fertirrigação

Fotos José Alves Júnior

Adubação pela água A utilização da irrigação e da fertilização de plantas através da fertirrigação tem sido uma alternativa de sucesso, mas para alcançar o máximo rendimento nesta operação é fundamental ter o domínio de todos os aspectos das duas tecnologias

A

aplicação de fertilizantes via água de irrigação, denominada fertirrigação, é uma tecnologia que vem sendo utilizada com sucesso em algumas produções de frutas e hortaliças. Apesar de ser uma técnica antiga, sua expansão está associada ao desenvolvimento e utilização de sistemas de irrigação mais tecnificados. No Brasil, o uso da fertirrigação teve início com a aplicação de produtos orgânicos (vinhaça) em cana-de-açúcar, principalmente no estado de São Paulo. Sua introdução e expansão no país, data dos anos 70 e 80, com o uso do autopropelido e a irrigação por sulcos. O crescente interesse pelo uso da irrigação localizada em citros é decorrente de diversos fatores. Os principais são os seguintes: sucessivos anos com índices menores e distribuição irregular de chuvas, constatação que pomares irrigados convivem melhor com a clorose variegada do citros (CVC), redução de perdas de nitrogênio por lixiviação e a presença da morte súbita dos citros exigindo a substituição do

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Máquinas

porta-enxerto limão ‘cravo’ por outros com menor tolerância ao déficit hídrico. A fertirrigação consiste na utilização de duas tecnologias simultaneamente: a irrigação e a fertilização. Os elementos nutritivos são injetados na água de irrigação, que se torna uma solução nutritiva que alcançará todas as plantas irrigadas. Esta definição impõe condições para o sucesso da fertirrigação: o domínio des-

Bateria de tensiômetros instalados (manejo da irrigação)

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sas duas tecnologias. A tecnologia de irrigação inclui: a escolha adequada do equipamento de irrigação e seu projeto hidráulico. Já a fertilização relaciona-se com injetores de fertilizantes, adubos solúveis e conhecimento da marcha de absorção dos nutrientes. Este novo conceito de aplicação de nutrientes inclui componentes da tecnologia de fertilização convencional, tais como: o conhecimento de qual elemento nutritivo está faltando, em que quantidades devemos fornecer estes elementos, como devemos aplicar este elemento, qual é o fertilizante de maior eficiência econômica. E ressaltamos a importância do fornecimento de nutrientes de acordo com as necessidades de cada fase fenológica da cultura, respeitando a marcha de absorção de nutrientes. Portanto, o planejamento do programa de nutrição é ponto chave para o sucesso da fertirrigação. Existem trabalhos científicos, como o da Universidade de Concepción em uva merlot, indicando que a fertirrigação diária apresenta resultados superiores ao da fertirrigação

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“A tecnologia de irrigação inclui: a escolha adequada do equipamento de irrigação e seu projeto hidráulico”

quinzenal, considerando as mesmas quantidades aplicadas de nutrientes durante um ciclo de produção. Para empregar corretamente os fertilizantes em fertirrigação deve-se conhecer as seguintes características: a) Solubilidade: todos os fertilizantes utilizados na fertirrigação devem ter um grau de solubilidade que impeça obstruções com partículas sólidas insolúveis. Para incorporar um fertilizante tem-se que preparar previamente uma dissolução concentrada que é a que se injeta no sistema de irrigação; b) Salinidade: a concentração de sais solúveis é um dos critérios mais influentes para julgar a qualidade das águas para irrigação. Quando a água é de boa qualidade se pode utilizar, sem perigo grave, concentrações altas; porém quando a água é de má qualidade resulta imprescindível utilizar concentrações baixas, o que requer aplicações freqüentes; c) Acidez: o mais conveniente é manter uma reação ácida, o que facilita a solubilização dos compostos de cálcio e evita, portanto, as precipitações calcáreas nas tubulações; d) Grau de pureza: os fertilizantes utilizados em fertirrigação devem ter um alto grau de pureza, para evitar sedimentos ou precipitações que obstruam a instalação; e) Compatibilidade: há de se evitar as rea-

Para obter uma irrigação eficiente é necessários fazer a escolha adequada do equipamento de irrigação e seu projeto hidráulico

ções químicas onde se originam produtos sólidos insolúveis. O manejo adequado da irrigação, com equipamentos bem dimensionados, determinando quando e quanto irrigar, garante condições hídricas altamente favoráveis ao desenvolvimento da planta. Nenhum programa de fertirriga-

ção terá sucesso se o manejo de irrigação for inadequado. Para auxiliar no manejo existem diversas técnicas e metodologias. A quantidade de água no solo é na verdade uma conseqüência da interação entre solo-planta-atmosfera. A evapotranspiração consiste na transferência de água na forma de vapor, do sistema


“Para mantermos o solo com umidade ótima, devemos repor por meio da irrigação quantidades de água que têm como base os valores da evapotranspiração”

Quadro 1 - Períodos de maior exigência dos nutrientes para a laranjeira Nutrientes

Pré-Floresc até Floresc. alto alto baixo

N P K

Fases do desenvolvimento (em dias) Fim Floresc. até Chumbinho até Expansão até Chumbinho expansão Inicio maturação baixo alto alto baixo baixo baixo alto alto alto

Maturação até colheita alto alto alto

Fonte: adaptado de Malavolta e Violante Netto (1989)

Quadro 2 - Distribuição dos nutrientes (%) para a laranjeira fertirrigada, ao longo do ano de produção Nutrientes

8º

9º

10º

11º

12º

N P K Ca, Mg B

5 20 0 10 20

5 15 16 15 20

10 15 16 15 20

15 0 14 10 10

20 0 12 20 10

Meses do ano 1º 2º % a ser aplicada 15 15 10 20 12 10 10 20 0 0

3º

4º

5º

6º

7º

10 10 10 0 0

0 0 10 0 0

0 0 0 0 0

0 0 0 0 0

5 10 0 0 20

Fonte: adaptado do banco de dados Kemira GrowHow

Quadro 3 - Parcelamento proposto para macronutrientes (NPK) em %, ao longo do ano por variedade

Pera

Natal

N P K C B

Valencia

Meses do ano 2º 3º 4º % a ser aplicada 10 6

9º

10º

11º

12º

1º

12 20 9 10 20 11 10 20 11

12 20 9 10 20 11 12 20 11

12

12

10

9 10 20 11 12 20 11

11 12 20 11 12

11 12

11 12

11 10

10

6

11 12

10 10

10 10

8 6

8

11

10

10

8

8

5º

6º

7º

8º

6 20 11

10 20 11

10 20 7 6 20 9 10 20 11

6 20 9

Fonte: Salomão (1999)

solo-planta para atmosfera. A evapotranspiração, como a medição de chuva é feita em milímetros por dia (mm/dia). Estes valores variam em cada região do Brasil e de acordo com as condições locais, podendo ser de dois a três mm/ dia, em um dia nublado, até oito a dez mm/dia, em dias ensolarados com ventos não muito fortes. Para mantermos o solo com umidade ótima, devemos repor por meio da irrigação quantidades de água que têm como base os valores da evapotranspiração. A definição dos períodos em que ocorre absorção diferenciada na cultura da laranja (Quadro 1) é necessário para o parcelamento da fertirrigação ao longo do ciclo produtivo. Para determinar as quantidades de nutrientes a serem aplicadas no ano, o produtor deve fazer uma análise criteriosa dos resultados de análise química do solo, da análise foliar e da produtividade almejada, com o objetivo de de-

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Máquinas

finir a dosagem mais adequada de nutrientes a ser fornecido ao longo do ano, de acordo com os parcelamentos propostos a seguir. Para fins de parcelamento de fertirrigação é apresentada no Quadro 2, sugestão de distribuição de fertilizantes ao longo do ciclo de produção da laranja. Os dados contidos neste quadro são sugestões da empresa Kemira Grow How Brasil para a laranja pêra rio, no estado de São Paulo. Componente essencial na avaliação do programa de fertirrigação, a relação custo/benefício não é freqüentemente abordada nas literaturas e quando citada, aponta o custo como umas das desvantagens da técnica da fertirrigação, pois exige a utilização de fertilizantes solúveis, mais puros e com baixa condutividade elétrica e, conseqüentemente mais caros que os fertilizantes tradicionais, onde somente culturas de alto valor agregado absorveriam tal in-

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vestimento em qualidade. No entanto, a determinação do custo da fertirrigação tem que envolver outros parâmetros, ao invés de simplesmente relacionar o custo entre as fontes de fertilizantes, comparando a fertirrigação x adubação tradicional e fertirrigação com fertilizantes não-específicos x fertirrigação com fertilizantes mais puros. Os parâmetros que devem ser avaliados e quantificados para caracterizar os custos de produção na fertirrigação são: 1. Operacionais: quantidade de fertilizantes utilizada. Pela maior eficiência e qualidade da fonte, utiliza-se menor quantidade de fertilizante por área; custo com transporte: frete e transporte dentro da propriedade (redução); área para armazenamento; vida útil do equipamento de irrigação; vida útil do sistema de filtragem, menos impurezas proporcionando menor desgaste e menor freqüência de retrolavagem; utilização de produtos químicos para limpeza e desobstrução dos gotejadores; consumo de energia; maior solubilidade contribui para diminuição do tempo de aplicação. 2. Técnicos: quantidade de fertilizantes aplicada, manutenção das características estruturais do solo, menor risco de salinização, menor impacto ambiental; condição nutricional do solo e da planta; sanidade das plantas e utilização de defensivos agrícolas; aquisição de novas áreas para cultivo, diminui essa necessidade, pois permite reinvestimento dos lucros em tecnologia; produtividade e qualidade do produto para comercialização; preço de comercialização, mercados selecionados com satisfação

Evolução

D

e acordo com a literatura, a utilização da água de irrigação como veículo para aplicar fertilizantes orgânicos nas culturas é relativamente antiga, com registros de aplicação de esterco animal em canais de irrigação há centenas de anos atrás. Na Califórnia nos anos 30, produtores passaram a utilizar sistemas de irrigação por aspersão para aplicar fertilizantes em pomares, marcando o início do uso da fertirrigação em sistemas de irrigação pressurizada. Entretanto, sua expansão deu-se a partir das décadas de quarenta e cinqüenta com o aparecimento do sistema de irrigação por pivô central, o que permitiu a aplicação de fertilizantes via água de irrigação de forma mais ampla. Posteriormente, com o desenvolvimento e a expansão da irrigação localizada, a prática da fertirrigação tem-se expandido paralelamente de forma mais intensa.

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Fotos José Alves Júnior

Turbogotejador realizando fertirrigação, possibilidade de atender as reais necessidades de cada cultura, em cada situação específica

Sistema de filtragem e tanque de preparo de solução para fertirrigação

do consumidor, gerando aumento da demanda. A partir destas análises a decisão de se introduzir ou não a fertirrigação, utilizar ou não fertilizantes altamente solúveis fica baseada em dados, análises técnicas e econômicas, cabendo ao produtor a definição pela alternativa mais conveniente e lucrativa. Com o uso da fertirrigação, a dinâmica dos nutrientes no solo requer o controle mais eficaz e rápido que possibilite correções imediatas de possíveis desajustes no programa. É na fase aquosa do solo que se encontra o principal reservatório de nutrientes disponível para a absorção das raízes sob fertirrigação. A utilização de extratores de solução do solo permite avaliação rápida e precisa da disponibilidade dos íons na solução, como NO3-, NH4+, K+, PO43-, Ca2+, Mg2+, Cl-, SO4-, além do pH e CE. Pode-se assim, avaliar a ocorrência de perda de nutrientes por lixiviação e o acúmulo de sais próximo da zona radicular, bem como calcular a extração de nutrientes das plantas em determinada fase do desenvolvimento.

A fertirrigação em hortaliças está bem consolidada, já a irrigação de culturas perenes embora exista o potencial, ainda não há resultados a campo no Brasil que consolidem o uso da fertirrigação, devido a falta de tradição e a realização de poucos experimentos com curta duração. A fertirrigação tem, portanto, a finalidade de orientar o produtor ou engenheiro responsável na correta elaboração da programação nutricional, para atender as reais necessidades de cada cultivo, em cada situação específica. A pesquisa para gerar informação específica deve

ser incessante, principalmente para os portaenxertos utilizados na citricultura que apresentam diferentes características na absorção de nutrientes, sendo esse o papel das universidades, produtores e órgãos de pesquisa privados com o intuito de intensificar a agricultura sustentável de precisão, como forma de satisfazer M a demanda global por alimentos. Carmello Crisafulli Machado, Marconi Batista Teixeira e Rubens Duarte Coelho, Esalq/USP

Machado, Teixeira e Coelho alertam para o controle mais eficiente e rápido da dinâmica dos nutrientes no solo que deve ser adotado com a fertirrigação


Colheita custos

Contratando o serviço certo Case

A terceirização da colheita tornou-se uma possibilidade de o produtor possuir alta tecnologia a um menor custo, porém alguns fatores como idade e manutenção das máquinas, velocidade de deslocamento, eficiência do operador e condições da lavoura podem gerar perdas de até 66,60 reais por hectare neste sistema

A

mização dos custos torna-se essencial. Desta forma, terceirizando algumas etapas do processo de produção, o agricultor pode dedicar-se mais ao planejamento, além de evitar grandes investimentos na aquisição de maquinários. No cerrado mineiro, a terceirização das operações de colheita de soja tem ocorrido por meio do serviço prestado por empresas especializadas na locação de colhedoras ou

Rouverson Pereira da Silva

tendência mundial de terceirização de serviços chegou ao campo brasileiro e a colheita, por suas peculiaridades é uma das etapas do processo produtivo que mais oferece possibilidades neste aspecto. A terceirização do processo de colheita de grãos possibilita, em muitos casos, o acesso dos agricultores a um mercado altamente tecnificado e competitivo, onde a mini-

As perdas na colheita da soja, são influenciadas por fatores inerentes a cultura e por fatores relacionados com a colhedora

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Máquinas

Alguns dos fatores que fazem os produtores optarem por col a diminuição de pessoal contratado e a maior agilidade na

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“Grande parte das empresas e produtores que prestam serviços aceita o pagamento em espécie, ou seja, em sacos de grãos colhidos”

Rouverson Pereira da Silva

Rouverson Pereira da Silva

Copo medidor para auxiliar na determinação de perdas ocorridas durante a colheita

Das perdas relacionadas com a cultura podem ser destacadas a variedade, população de plantas infestadas por plantas daninhas, produção de massa verde e preparo e conservação do solo

por produtores com capacidade operacional excedente, situação esta que pode ser resultante de uma renovação da frota de colhedoras, ocorrendo então a existência de certa ociosidade no uso deste maquinário, permitindo que estes produtores possam executar serviços em outras propriedades. Desta forma, muitos produtores com déficit em sua capacidade operacional, que não possuem colhedoras ou ainda, produtores de cana-de-açúcar que utilizam a cultura da soja como forma de efetuar uma rotação de culturas, fazem uso de máquinas alugadas de outras propriedades ou junto a empresas que se especializaram neste tipo de prestaNew Holland

ção de serviços. Com a terceirização o produtor evita a imobilização de capital na aquisição de máquinas agrícolas, podendo investir em outras atividades. Uma vez que a máquina entra em sua propriedade apenas para executar determinada atividade e o produtor efetua o pagamento equivalente ao serviço prestado, pode-se considerar que as despesas com a depreciação serão divididas entre as várias propriedades onde a máquina vai prestar serviços. A atividade de empreita vem assumindo grande importância no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, sendo esta região grande detentora de empresas prestadoras de serviço de colheita via máquinas. Dentre os principais motivos alegados por produtores desta região para adoção da colheita terceirizada, destacam-se: • Redução de custos de manutenção das máquinas e outros implementos;

• Redução de pessoal contratado, reduzindo também os encargos trabalhistas; • Maior agilidade na colheita. O pagamento pelo serviço executado normalmente é negociado com base em um percentual da produção, que varia de 5 a 10%, determinado em função do custo horário da operação de colheita. Grande parte das empresas e produtores que prestam serviços aceita o pagamento em espécie, ou seja, em sacos de grãos colhidos. Normalmente os contratos entre as partes são informais, e a negociação ocorre apenas alguns dias antes da colheita. A presença de contratos informais ocorre muito em função das propriedades não possuírem uma forma de gestão empresarial, acarretando a desconsideração de alguns fatores que podem afetar o desempenho econômico da colheita, tanto por parte dos prestadores de serviços como por parte dos produtores. Dentre esses fatores, pode-se destacar as características das máquinas utilizadas na colheita terceirizada e o nível de perdas na colheita, dentre outros. Dados de pesquisas indicam existir uma relação entre a idade da colhedora e o nível de perdas na colheita, onde observa-se que

Figura 1 - Perdas médias na colheita mecanizada de soja no triângulo mineiro e Alto Paranaíba (MG)

heita terceirizada são a redução de custos de manutenção, colheita

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Máquinas

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“Durante a colheita, um fator que deve ser sempre monitorado é o nível de perdas, que é influenciado por fatores inerentes à cultura e por fatores relacionados com a colhedora”

Ganhos e perdas

C

Para exemplificar, se considerarmos uma propriedade de mil ha, trabalhando com colheita terceirizada, o produtor poderia ter um acréscimo em sua produção variando de 1.620 a 1.710 sc, correspondendo a 59,9 a 63,2 mil reais, já descontados os percentuais relativos ao pagamento do serviço de colheita (Tabela). É interessante observar nesta simulação (Tabela) que os próprios prestadores de serviços teriam acréscimos em suas receitas, variando de 3,3 a 6,6 mil reais para taxas de terceirização de 5 e 10%, respectivamente.

om os dados obtidos nesta pesquisa pode–se observar que a colheita mecanizada de soja na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba encontra-se em níveis acima do aceitável, principalmente quando se considera a colheita terceirizada. Tomando-se o preço médio pago ao agricultor na safra 2003/2004, verifica-se que, se os prestadores de serviços fizerem um controle de perdas, levando-as ao mesmo nível encontrado nas propriedades com colheita própria (0,8 sc/ha), teríamos um acréscimo de 1,8 sc/ha na produção, correspondendo a 66,60 reais o ha.

Tabela - Simulação da renda do produtor em função da redução de perdas na colheita mecanizada de soja, para uma propriedade de 1.000 ha, no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (MG), na safra 2003/2004 Perdas (sc ha)

Ganho de

Taxa de aluguel

produção (*) Colhedora própria Colhedora alugada Diferença (A) (B) (A-B) 2,5

0,8

1,8

(sc)

(R$)

1.800

66.600

máquinas com mais de 15 anos apresentam perdas 30% superiores àquelas encontradas nas colhedoras com até cinco anos. Outros fatores, tais como eficiência do operador, condições da lavoura e conservação da máquina, também causam consideráveis perdas na colheita. Com relação ao modelo das colhedoras, nota-se máquinas que possuem sistema de trilha axial, apresentam menores danos mecânicos às sementes quando comparados com sistema de trilha radial, o que pode ser explicado pelo fato das primeiras possuírem maior capacidade de colheita e apresentarem redução de danos mecânicos às sementes, embora seu custo inicial ainda seja considerado elevado para os produtores brasileiros. Durante a colheita, um fator que deve

(%) 5 7 10

Acréscimo nas despesas com terceirização (*) (sc) 90 126 180

(R$) 3.330,00 4.662,00 6.660,00

Acréscimo na renda do produtor com a diminuição de perdas na colheita (*) (sc) 1710 1674 1620

(R$) 63.270,00 61.938,00 59.940,00

ser sempre monitorado é o nível de perdas, que é influenciado por fatores inerentes à cultura e por fatores relacionados com a colhedora. Dentre os fatores relacionados com a cultura podemos destacar a variedade, população de plantas, infestação por plantas daninhas, produção de massa verde e características de preparo e conservação do solo. Estes fatores, por fazerem parte do processo de condução das lavouras, devem ser monitorados pelos proprietários ou responsáveis pela produção. Já em relação aos fatores ligados à ação da colhedora destacam-se a velocidade de trabalho, velocidade e posição do molinete, rotação do cilindro trilhador, abertura entre cilindro-côncavo, condições de funcionamento da barra de corte, regulagem dos

transportadores, manutenção e regulagem dos sistemas de transmissão, fluxo de ar do ventilador e velocidade de oscilação do sacapalhas e peneiras. Estes fatores podem ser facilmente contornados pelos técnicos e operadores responsáveis pela colheita. Em pesquisas realizadas durante a colheita da cultura da soja na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (MG), nas safras 2001/2002, 2002/2003 e 2003/ 2004, encontrou-se uma média de perdas na colheita em torno de 1,65 sc/ha (Figura 1), o que representa prejuízo anual superior a 12 bilhões de reais para a região, descontadas as perdas admissíveis, que são de 1 sc/ha. Outros fatores que também contribuem para a elevação das perdas quando da utili-

Figura 2 - Relação entre velocidade de trabalho e idade da colhedora na colheita mecanizada de soja no triângulo mineiro e Alto Paranaíba (MG). (a) Colheita terceirizada; (b) Máquinas próprias

B)

A)

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Rouverson Pereira da Silva

New Holland

Determinação de perdas ocorridas durante a colheita

zação de colhedoras alugadas refere-se à velocidade de deslocamento e a idade das colhedoras (Figura 2). Quanto à velocidade, devido à necessidade de se liberar rapidamente a área para possibilitar o trabalho em outras propriedades, os prestadores de serviços muitas vezes trabalham em velocidades acima daquela considerada ideal para as colhedoras, que normalmente varia de 4 a 6 km/h. Observa-se uma tendência oposta quando se analisa o comportamento da


“Os produtores ao adquirirem equipamentos mais modernos são informados de suas características técnicas e da possibilidade de desenvolverem maiores velocidades com estas colhedoras”

com máquinas próFigura 3 - Perdas médias na colheita mecanizada própria e terceirizada para a cultura de soja no triângulo mineiro e Alto Paranaíba (MG) prias e terceirizadas (Figura 3), onde fica evidente que a terceirização tem influenciado negativamente nas perdas de grãos da cultura da soja, com as colhedoras alugadas apresentando perdas muito superiores ao nível considerado aceitável, que é de 1 sc/ha. Já velocidade em relação a idade das colhedo- as colhedoras próprias apresentaram perdas ras. Para a colheita terceirizada há uma ten- superiores ao nível aceitável nas safras 2001/ dência de aumento da velocidade quando 2002 e 2002/2003, enquanto que safra se trabalha com máquinas mais velhas, ao 2003/2004 as perdas ficaram abaixo do nípasso que na colheita realizada com máqui- vel admissível. A diferença entre colhedonas próprias a velocidade tende a ser maior ras terceirizadas e próprias pode ser explipara as colhedoras mais novas. Este fato si- cada pelo fato de que o proprietário tem um naliza a idéia geral por parte dos operadores maior cuidado na condução de sua colheide que máquinas mais “velhas” requerem ta, fazendo um acompanhamento adequamenos cuidados, podendo então trabalhar do, enquanto que nas máquinas terceirizaas velocidades mais altas. Por outro lado, os das não se registram tantos cuidados duprodutores ao adquirirem equipamentos rante a colheita. Analisando-se a Tabela 1 nota-se que os mais modernos são informados de suas características técnicas e da possibilidade de serviços de terceirização disponíveis na redesenvolverem maiores velocidades com es- gião utilizam colhedoras com média de idade superior a média encontrada nas propritas colhedoras. É interessante observar que a aquisição edades que utilizam colhedoras próprias. A condição de trabalho da colhedora (próde novas máquinas por si só não é garantia de redução de perdas. Há casos de máquinas recém-adquiridas que apresentaram perdas de 1,8 sc/ha. É preciso verificar adequadamente as regulagens e para isso é necessário investir em treinamento da mãode-obra. Uma máquina bem regulada pode evitar cerca de 50% das perdas na colheita. Portanto, um dos principais pontos a serem trabalhados na assistência técnica é a conscientização do operador de máquinas. Outro fator que afeta o nível de perdas na colheita é a velocidade da máquina e, neste aspecto é preciso tomar muito cuidado na hora de terceirizar o serviço, pois o pagamento é feito sobre a safra colhida, não se considerando o que ficou no chão. Quando se comparam as perdas na colheita mecanizada de soja na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, observa-se que, de uma maneira geral, os prestadores de serviço não têm demonstrado grande preocupação como o nível de perdas durante a colheita. Isto pode ser constatado quando se avaliam as perdas encontradas nas lavouras colhidas

Divulgação

Silva, Furlani e Lopes explicam a necessidade de se estabelecer critérios de monitoramento das perdas

pria ou terceirizada) tem influenciado significativamente nas perdas de grãos na cultura da soja, o que pode ser explicado pelo fato de que o proprietário tem um maior cuidado na condução de sua colheita, fazendo um acompanhamento adequado, enquanto que nas máquinas terceirizadas não se registram os mesmos cuidados durante a colheita. Desta forma seria interessante que, durante a contratação de serviços de terceiros visando a colheita fossem estabelecidos critérios de monitoramento das perdas, evitando-se um maior preM juízo aos produtores. Rouverson Pereira da Silva, Carlos Eduardo Angeli Furlani e Afonso Lopes, Unesp John Deere

Tabela 1 - Média de idade e velocidade das colhedoras utilizadas no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (MG) Condição da colhedora Idade (anos) Idade (horas) Velocidade Própria 6,8 2369,5 6,1 Alugada 9,7 4295,1 6,3

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As perdas atribuidas as condições de trabalho das colhedoras podem ser explicadas em parte, pois de maneira geral o proprietário tem um maior cuidado na condução de sua colheita

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4x4

condução

Apoio no resgate

Para resgatar um veículo encalhado é necessário usar diversos equipamentos auxiliares, sendo fundamental ancorar o cabo de aço, a corda ou a corrente em algum ponto de apoio Pedro Hartmann

ANCORAGEM EM ÁRVORES Escolha uma que tenha boa fixação no solo. Evite danos à árvore, pois é ela que irá lhe ajudar a sair do enrosco. Outro aspecto é quanto ao porte da árvore, sim, porque se for pequena há uma grande chance do guincho arrancá-la na primeira puxada. Portanto, é recomendável procurar por uma árvore grande e firme. A cinta de ancoragem deverá ser posicionada na parte mais baixa do tronco e próxima ao solo. Nunca use cabos de aço ou corrente para “abraçar” a árvore, você pode matá-la ao danificar a casca!

ANCORAGEM NO VEÍCULO

P

ara uma boa ancoragem são necessários alguns apetrechos que podem ser reunidos em um “kit de resgate” e a configuração pode ser ampliada de acordo com as necessidades de cada um: • cinta de nylon curta com dois metros para o mínimo de sete t; • cinta de nylon comprida com cinco metros para o mínimo de sete t; • patesca; • corrente ou extensão de cabo de aço com 20 m e pontas em anel; • manilhas; • luvas de couro; • pá escavadeira. Com o equipamento mínimo necessário, você pode fazer o resgate a partir de algumas possibilidades como ancoragem em um ponto fixo e ancoragem no próprio veículo.

ANCORAGEM EM UM PONTO FIXO

ANCORAGEM EM ROCHAS Monitore o comportamento da rocha durante a operação. Se ela apresentar algum movimento com a carga aplicada pelo guincho, o resgate deverá ser suspenso e o problema contornado de outra maneira. Não há uma regra específica para essas situações, a capacidade de improvisar é que conta, mas o importante é manter a integridade física dos presentes, preservar o veículo de um acidente e manter o caminho livre para seguir adiante.

João Roberto de C. Gaiotto, Goodyear Fotos Técnica 4x4

Pode ser uma rocha ou árvore mas deverá

ser forte para agüentar o esforço a ser exigido. Ao fixar o cabo de aço jamais prenda o gancho no próprio cabo, pois o ponto onde ele se apoia para formar a argola será amassado durante a operação, causando a ruptura do cabo há médio prazo. O equipamento ideal é a cinta de nylon com argolas ou ganchos nas pontas. Também pode se utilizar cabos de aço ou correntes, desde que em rochas ou em outros veículos.

Da mesma maneira que o veículo deverá ser ancorado em um ponto fixo e com todas as precauções que foram citadas anteriormente, também ele deverá ser capaz de oferecer um bom ponto de apoio. É comum a fixação de cabos em grampos e furos preparados apenas para fixar o veículo no caminhão cegonha ou no container, na hora do transporte, estes não servem para uma ancoragem eficiente. Não use também pára-choques e componentes da suspensão como amortecedores, barras de direção e torção. Preste atenção ao envolver os diferenciais com uma cinta ou cabo de aço, para evitar danos na tubulação do fluído de freio. Cuidado também com as bolas e pontos de engate de reboque, pois em média suportam até 2,5 mil kg, bem menos do que pode pesar um veículo carregado e completamente encalhado. Uma boa ancoragem deve partir do chassi e daí então servir de apoio para guinchos, cabos e outros apetrechos. Sempre que possível, distribua a força aplicada em dois pontos de M ancoragem.

Ancoragem correta em árvore, dando apoio para resgate de outros veículos

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Pontos de ancoragem montados no chassi de um Land Rover Defender

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Ancoragem usando corrente de comprimento adequado, fixada nas extremidades do chassi

Máquinas

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Armazenagem

transportadores de grãos

Os transportadores de grãos são responsáveis por interligar estruturas e máquinas, movendo a massa de grãos. Uma manutenção constante é imprescindível para o desempenho eficiente de suas funções e redução de perdas

Trânsito liv

U

GSI - USA

nidades armazenadoras de grãos apresentam-se constituídas por: (a) estruturas físicas: moegas, silos-pulmões, silos armazenadores ou graneleiros, (b) maquinários: secadores, máquinas de pré-limpeza e de limpeza e (c) transportadores: elevadores de caçamba, correias transportadoras, transportadores helicoidais e transportadores de correntes. A função dos transportadores é interligar estruturas e maquinários, movendo a massa de grãos nas direções: vertical, horizontal ou inclinada. Para o desempenho destas funções é imprescindível a realização de manutenções cuidadosamente planejadas e executadas, o que minimiza a possibilidade de quebra dos equipamentos e reduz a perda de tempo em paralisações. As manutenções são tipificadas como de rotina, emergência e preventiva. A manutenção de rotina é executada conforme especificações dos fabricantes. O que refere-se a atividades, tais como: (a) checar e completar o nível de óleo em motor-redutores, (b) lubrificar mancais, (c) verificar e substituir correias e rolamentos danificados ou com vida útil esgotada. A manutenção de emergência decorre quando ocorre pane em um dos transporta-

Os elevador de caçambas são projetados para movimentar produtos no sentido vertical

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Máquinas

dores durante o funcionamento. Conforme o grau da pane, funcionários da unidade poderão executar o reparo, desde que estejam capacitados e disponham das ferramentas e peças necessárias. Caso contrário deverá ser contatado o prestador de serviços. Conforme ressaltado, as manutenções devem ser cuidadosamente planejadas e executadas, mesmo as de emergência. Para tanto, quatro passos devem ser observados. O primeiro passo consiste em identificar e caracterizar cada um dos transportadores da unidade armazenadora. Na identificação, por exemplo, o caso de um elevador de caçambas situado no setor de moegas pode ser: M-EL01. O que significa que o elevador de número um está localizado no setor de moegas. Quanto à caracterização, refere-se à obtenção de informações, tais como capacidade horária, nome do fabricante, altura ou comprimento, tipo e potência do motor elétrico e peças. Como resultado deste passo será criado um fichário, sendo que cada equipamento terá uma ficha.

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O segundo passo refere à especificação das necessidades de manutenção de rotina e preventiva para cada transportador. Isto deve ser registrado nas fichas e servirá para definir o cronograma da execução das manutenções. O terceiro passo leva a organização do almoxarifado com peças de reposição. Deverá ser preferencial as peças mais requeridas e com maior dificuldade de aquisição. Nas fichas dos equipamentos para cada peça, é interessante atribuir códigos, por exemplo: (a) DA – disponível no almoxarifado, (b) FA – fácil aquisição, e (c) PA – precisa ser adquiria. Além disso, devem ser registradas informações para o fácil contato com os fornecedores e prestadores de serviço. O quarto passo corresponde ao registro de informações sobre as manutenções executadas, tais como, peças substituídas, mão-deobra empregada, equipamentos especiais empregados e custos. Este histórico poderá ser utilizado para calcular o custo de manutenção para cada transportador, estabelecer os pontos de maior risco de pane e dar suporte à

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“As caçambas podem possuir diferentes formatos e serem construídas em materiais metálicos ou plásticos ou ainda metálicos com revestimento plástico”

GSI - USA

re

Preventivas

Q

uanto à manutenção preventiva, esta consiste em promover inspeções periódicas que englobam os procedimentos de manutenção de rotina, além de ter como objetivos a limpeza, ajuste e reparo dos equipamentos e seus acessórios. Nestes casos, peças danificadas ou com vida útil esgotada, como também, cabos elétricos danificados, são substituídos.

CASP

Exemplo de caçambas de polietileno, que podem ainda ser de metal

tomada de decisão quanto à opção de reparar ou substituir um dado transportador. A seguir são apresentados os principais tipos de transportadores de grãos, utilizados no Brasil e ressaltados os cuidados básicos na manutenção.

Tecno - Moageirra

montado um sistema de freio. Este tem por função evitar o retrocesso da correia de canecas cheias de produto. Isto, por exemplo, pode ocorrer na falta de energia elétrica. Assim, ocorre acúmulo de grãos no pé do elevador impossibilitando uma nova partida. Os sistemas de freios mais simples são o de catraca e o de cinta. A polia inferior, denominada polia tipo gaiolo, é montada em mancais deslizantes acoplados em parafusos, permitindo esticar e alinhar a correia de canecas. Durante a operação é importante inspecionar a ocorrência de manchas de aquecimento devido ao atrito das canecas ou da correia com as chapas de revestimento e observar a ocorrência de barulhos relativos ao atrito das canecas com a estrutura do transportador ou ainda de parafusos soltos. Estes problemas podem gerar faíscas que apresentam como

fontes de ignição, explosões ou incêndios. Quanto aos procedimentos de manutenção preventiva, estes compreendem (a) verificar se a correia de canecas está devidamente esticada e alinhada; (b) substituir as canecas danificadas; (c) reparar danos na emenda da correia de canecas; (d) apertar os parafusos frouxos; (e) limpar o pé do elevador, pois o acúmulo de pó e restos de produtos podem gerar gases tóxicos, como também, propiciar a proliferação de roedores e insetos; (f) lubrificar mancais e redutores conforme especificado pelo fabricante, (g) substituir rolamentos danificados ou com vida útil esgotada; e (f) verificar o correto funcionamento dos acessórios de segurança que são o sistema de freio e para equipamentos mais sofisticados os sensores de movimento e de alinhamento. Quando da limpeza manual do pé do elevador o operador deve remover o excesso de grãos e bloquear mecanicamente a correia de canecas. Isto evita acidentes com as mãos e braços. Outro cuidado que deve ser tomado é

ELEVADORES DE CAÇAMBAS São equipamentos projetados para movimentar produtos no sentido vertical. Estruturalmente, são dotados de caçambas fixadas sobre uma correia estendida entre duas polias posicionadas na vertical. As caçambas podem possuir diferentes formatos e serem construídas em materiais metálicos ou plásticos ou ainda metálicos com revestimento plástico. A polia superior, também denominada polia motora ou tambor motriz, tem por função tracionar a correia de canecas. O acionamento é feito por um motor elétrico que é acoplado por meio de correias ou um motor-redutor. Geralmente, junto ao tambor motriz é

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Projetadas para movimentar produtos no sentido horizontal a correia transportadora pode também operar com inclinação de até 12º

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GSI - USA

“Operacionalmente, são equipamentos muito versáteis, no entanto não devem ser empregados em unidades de beneficiamento de sementes devido à alta probabilidade de ocorrência de danos mecânicos”

Os transportadores helicoidais podem ser utilizados no transporte horizontal, vertical e inclinado, porém em unidades de beneficiamento podem causar muitos danos mecânicos

quando da necessidade de proceder soldagem em elevadores, isto devido ao risco de explosão. Portanto, antes de iniciar o trabalho, devem ser abertas todas as janelas de inspeção para saída do pó acumulado.

CORREIAS TRANSPORTADORAS Correias transportadoras ou fitas transportadoras são equipamentos projetados para movimentar produtos no sentido horizontal. Mas, podem operar com inclinação de até 12o, o que afeta a eficiência operacional. Estes equipamentos são constituídos por uma correia estendida entre os tambores motriz e de retorno e apoiadas sobre vários roletes. Para fins agrí-

colas são comercializados no Brasil equipamentos com capacidade de 30 a 320 t/h. Junto ao tambor motriz é montado (a) o motor elétrico que é acoplado por meio de correias ou um motor-redutor; e (b) o sistema mecânico para esticar a correia. Este sistema atua sobre os mancais que suportam o tambor de retorno, por meio de parafusos, ou um contra peso atado a trilhos sobre os quais estão os mancais. A carga das correias transportadoras pode ser feita por meio de tremonhas ou calhas e estas podem ser fixas ou móveis. Assim, é possível receber o fluxo de grãos em várias posições ao longo do transportador. Quanto a descarga, esta pode ser na extremidade final, ou

em pontos intermediários por meio do carro de despejo. As correias transportadoras apresentamse em diferentes configurações: (a) simples conduz o produto em um único sentido, (b) reversível - transporta produtos em dois sentidos, (c) dupla – conduz produto em dois sentidos ao mesmo tempo, e (d) blindada – quando a correia é montada envolta por caixa metálica. Na manutenção são recomendados: (a) verificar o estado da correia quanto a danos e cortes, nestes casos procure identificar a causa e reparar, (b) proceder ao alinhamento, (c) verificar o estado de rolamentos e mancais, (d) proceder à reposição de roletes danificados e (f) ajustar a tensão da correia. Pois, caso a correia esteja muito esticada a vida útil é reduzida e danos ocorrem, principalmente, nos mancais e rolamentos dos tambores.

TRANSPORTADOR HELICOIDAL Transportador helicoidal, rosca sem-fim ou caracol, é utilizado no transporte horizontal, vertical e inclinado. É freqüentemente empregado em descargas de silos, máquinas de prélimpeza e secadores. Podem apresentar sem revestimento ou instalados em calhas abertas e tubulares. Podem ainda, ser fixos ou móveis


Luis César da Silva

Divulgação

quando são montados sob rodas. Operacionalmente, são equipamentos muito versáteis, no entanto não devem ser empregados em unidades de beneficiamento de sementes devido à alta probabilidade de ocorrência de danos mecânicos. Quando da manutenção preventiva deve ser verificado o estado dos rolamentos, o alinhamento e o estado do helicóide e da calha.

TRANSPORTADORES DE CORRENTE Transportador de corrente, também denominado redler, é aplicado ao transporte de produtos na horizontal ou em inclinações de até 40o, no entanto, a capacidade operacional decresce em 33%. Geralmente, nestes equipamentos, as correntes são montadas em calhas metálicas com formado retangular ou em “U”. Quanto aos tipos de palhetas fixadas à corrente, estas podem ser de madeira, metal ou polietileno. Quanto à manutenção deve ser verificado o (a) estado dos rolamentos, (b) alinhamento da corrente (c) estado das palhetas e (d) vedação da calha.

SEGURANÇA Quando da manutenção dos transporta-

O transportador de corrente faz o transporte na horizontal ou com inclinações de até 40º

dores é imprescindível desligar os motores elétricos. Em algumas unidades os funcionários do setor de manutenção possuem os seus jogos de cadeados. Assim, primeiro o funcionário dirige ao quadro de comandos, desliga os circuitos elétricos, remove os fusíveis e tranca o quadro com um de seus cadeados. Somente, ao final é procedida a religação dos circuitos elétricos. Outra medida é a instalação de tomadas de conexão, próximas, aos motores elétricos. Assim, por medida de segurança, antes dos procedimentos de manutenção a tomada é desconectada. É também recomendado colocar avisos para

O autor alerta para a necessidade de se redobrar os cuidados durante a manutenção das máquinas

evitar o acionamento de equipamentos inadvertidamente o que pode causar acidentes. Outro cuidado importante refere ao acesso a ambientes confinados, tais como poços de elevadores, túneis, câmaras dos secadores. Nestas situações é imprescindível a renovação do ar para remover gases tóxicos, pois estes podem causar intoxicações e M até óbitos. Luís César da Silva, Unioeste

M


Pulverização volume aplicado

Quanto reduzir?

Charles Echer

A diminuição do volume de agroquímicos aplicados é uma necessidade, tanto para a redução de custos quanto do impacto ambiental. Porém, esta redução exige um aprimoramento da tecnologia empregada e uma avaliação com acompanhamento rigoroso das condições de aplicação

O

objetivo da tecnologia de aplicação de agrotóxicos é colocar a quantidade certa de ingrediente ativo no alvo, com a máxima eficiência e da maneira mais econômica possível, afetando o mínimo possível o ambiente. A utilização de técnicas de aplicação mais eficientes e a adequação do equipamento aplicador possibilitam diminuir a quantidade total do produto a ser introduzido no ambiente, reduzindo, proporcionalmente, todos os problemas relacionados a essa prática. Nas décadas passadas, pouca atenção era dada à tecnologia de aplicação de agrotóxicos, pois o interesse consistia em molhar bem a cultura, o que se conseguia mediante um volume de calda bastante alto. Atualmente, entretanto, existe tendência em reduzir o volume de aplicação a fim de minimizar os custos de produção e aumentar a eficiência da pulverização. O uso de menor volume de calda aumenta a autonomia e a capacidade operacional dos pulverizadores, além de diminuir os riscos de contaminação ambiental, pois reduz o escorrimento e, em alguns casos, a evaporação e a deriva. Com o incremento da capacidade operacional, a máquina passa a pulverizar áreas maiores em períodos de tempo com boas condições de temperatura, umidade e velocidade do vento. Essa

redução de volume de aplicação requer, no entanto, um aprimoramento da tecnologia de aplicação empregada no campo. É preciso uma avaliação e um acompanhamento rigoroso das condições de aplicação. O volume de aplicação depende do tipo de equipamento, tipo e formulação do agrotóxico, estágio de desenvolvimento da cultura, alvo e condições climáticas. Portanto, pode-se perceber a complexidade de se recomendar um volume de aplicação adequado sem a devida análise da situação. Freqüentemente, consultores da área de tecnologia de aplicação se deparam com a pergunta: qual o melhor volume de aplicação? A resposta, apesar de não soar muito bem, é: depende. Depende das condições de aplicação de cada agricultor. O volume de aplicação, conceitualmente, é a quantidade de mistura (água + produto) distribuída por unidade de área e, geralmente, é Tabela 2 - Volumes de aplicação tradicionalmente recomendados

Tabela 1 - Classes de volume de aplicação Denominação Volume alto Volume médio Volume baixo Volume muito baixo Volume ultrabaixo

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Máquinas

Volume de Aplicação (litros/hectare) Superior a 600 200-600 50-200 5-50 Inferior a 5

Produto Herbicidas

Inseticidas Fungicidas

Tratamento Pré-plantio Pré-emergência Pós-emergência

Volume de Aplicação (litros/hectare) 200-500 150-300 150-300 300-400 300-400

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expresso em litros/hectare (l/ha). As denominações empregadas no Brasil são bastante variáveis. De maneira geral, para culturas de porte baixo (anuais), a literatura traz a denominação apresentada na Tabela 1. Muitas referências trazem a “receita de bolo” (recomendação) apresentada na Tabela 2. A experiência prática e os trabalhos de pesquisa mais recentes mostram, no entanto, que os volumes de aplicação podem ser reduzidos, com a manutenção da eficácia da aplicação e ganho em eficiência. Porém, reduzidos até quanto? Na cultura da soja, na região de Rio Verde (GO), a safra 2003/2004, por exemplo, muitos agricultores utilizaram volumes de aplicação de 80 l/ha para controle da ferrugem asiática empregando pulverizadores autopropelidos. Em muitos casos o controle foi satisfatório, em outros no entanto, não, reforçando a idéia de que o volume empregado depende de cada situação. Nesta ocasião, a utilização de baixo volume foi uma necessidade, em virtude da agressividade da doença e do atraso nas aplicações. Em primeiro lugar, as condições climáticas para a utilização de BVO (baixo volume) devem ser adequadas. Locais com rajadas de vento freqüentes, baixa umidade relativa do ar e alta temperatura, condições freqüentes em muitos municípios na região Centro-Oeste,

Outubro 2004


“Uma cobertura homogênea pressupõe uma distribuição uniforme, caracterizada por baixos coeficientes de variação da distribuição volumétrica superficial, tanto no sentido longitudinal, como no transversal”

João Paulo R. da Cunha

dos jatos e da posição da barra porta-bicos em relação ao plano de tratamento.

ADJUVANTES Um grande aliado nas aplicações a baixo volume são os adjuvantes. Existem no mercado diversos produtos, principalmente os tensoativos que facilitam as aplicações, tornando-as mais eficientes e mais seguras. Adjuvantes complexos de múltiplas funções podem reduzir a deriva, aumentar a adesividade, diminuir entupimentos de pontas e reduzir a formação de espuma. São, sem dúvida, grandes aliados a tecnologia de aplicação. Determinar o volume de aplicação ideal não é uma tarefa fácil. Se por um lado reduzir o volume torna as aplicações mais operacionais e mais econômicas, por outro, aumenta a complexidade do processo. Acertar um alvo com uma “cartucheira” é sem dúvida mais fácil do que com um revólver. Assim, também ocorre com a aplicação de agrotóxico. Maiores volumes por área geralmente permitem maior acerto do alvo. No entanto, a redução da quantidade de água nas aplicações é uma realidade no campo. Deve ser feita, contudo, de

A fim de reduzir os custos de produção há uma tendência de diminuir o volume de aplicação, porém isto requer aprimoramento da tecnologia empregada

Outubro 2004

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Recomendar o volume de aplicação depende de uma série de fatores e é um processo complexo

John Deere

dificultam as aplicações, requerendo estratégias principalmente para a redução da deriva. A formulação e a forma de ação dos agrotóxicos também devem ser avaliadas. Produtos de contato requerem maior cobertura do alvo e, portanto, maior densidade de gotas depositadas. Formulações pó-molhável e suspensão concentrada podem causar entupimento do orifício das pontas de baixa vazão nominal. Dessa forma, em aplicações em baixo volume deve-se evitar esse tipo de formulação, principalmente pó-molhável. Além disso, deve-se redobrar o cuidado com o sistema de filtragem dos equipamentos aplicadores e com a qualidade da água. Outro ponto importante, principalmente nas aplicações de fungicida, é o estágio de desenvolvimento da cultura. Quando esta já se encontra em estágio avançado, com grande massa foliar, geralmente é requerido maior volume de aplicação para se obter boa cobertura. Um inconveniente desta nova técnica é a possibilidade de aumento de deriva, quando a aplicação for realizada em período inadequado. A redução do orifício de saída das pontas, visando à diminuição do volume de aplicação, pode diminuir o tamanho das gotas geradas, podendo comprometer a segurança da aplicação. A correta seleção da ponta é fundamental. Em geral, gotas menores são biologicamente mais eficazes, auxiliando o sucesso das aplicações em baixo volume, porém são pouco seguras sob o ponto de vista ambiental. Outro fator que deve ser verificado nas aplicações com baixo volume é a uniformidade de deposição. A redução do volume de calda é possível somente quando se dispõem de pontas de pulverização que propiciam distribuição transversal uniforme e espectro de gotas uniforme e de tamanho adequado. Uma cobertura homogênea pressupõe uma distribuição uniforme, caracterizada por baixos coeficientes de variação da distribuição volumétrica superficial, tanto no sentido longitudinal, como no transversal. Essa uniformidade transversal depende da ponta, da sobreposição

Cunha explica que a redução dos volumes aplicados é uma realidade, porém deve ser feita de forma criteriosa

forma criteriosa. É preciso avaliar as condições locais e a recomendação do fabricante do produto. Constantemente, escutam-se casos de sucesso de aplicações, até mesmo de fungicidas, utilizando volumes inferiores a 100 l/ha. No entanto, generalizar um volume ideal pode ser bastante arriscado. Mais uma vez: o volume de aplicação depende das condições de aplicação M de cada agricultor. João Paulo Rodrigues da Cunha, Universidade Estadual de Goiás

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Pulverização café

Fotos Jacto

Gerenciamento das aplicações

O controle de pragas e doenças é responsável pelo segundo maior custo da lavoura cafeeira, sendo que além de utilizar equipamentos com alta capacidade operacional é indispensável gerenciar todos os fatores que permeiam esta operação

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o Brasil, a cultura do café foi por muito tempo a principal fonte de divisas, influenciando diretamente a colonização e a industrialização nacional, assumindo até hoje um importante papel econômico e social. Atualmente apesar de perder significativamente sua relevância econômica frente aos demais produtos, o país mantém-se como maior produtor e maior exportador mundial. O agronegócio do café sempre foi caracterizado por uma série de flutuações nos preços, em conseqüência do excesso de produção, fatores climáticos, intervenções governamentais e acordos internacionais. A conseqüência desta sazonalidade foi a reestruturação do setor nas últimas décadas, visando a redução nos custos de produção, principalmente através da inserção da mecanização. Os maquinários são responsáveis por grande parte do capital empregado na cultura do café. Através das dificuldades econômicas e o custo elevado da mão-de-obra, tem sido observada a expansão no uso de sistemas mecanizados ou semimecanizados nas lavouras de café. Dentre as operações, o controle de pragas e doenças é responsável pelo segundo

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Máquinas

maior gasto na lavoura cafeeira, atrás somente da colheita. São efetuadas ao longo do ano diversas aplicações, incluindo adubações foliares, aplicações de inseticidas, fungicidas e outros defensivos. O êxito des-

te controle químico na lavoura é conseqüência da aplicação no momento apropriado de acordo com o ciclo da doença/ praga, variações climáticas e deficiência nutricional da planta.

Para reduzir custos de produção são adquiridos equipamentos de alta capacidade operacional que muitas vezes não se ajustam a rotina da propriedade

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Outubro 2004


“Os sistemas de suporte à decisão são um conjunto de conhecimentos formalizados como modelos, coerentes e integrados entre si, que possibilitam a simulação e estudo de sistemas reais complexos”

Figura 1 - Distribuição dos tempos de preparo, aplicação, manobras de cabeceira e reabastecimento

Muitos cafeicultores, objetivando redução nos custos de produção optam por adquirir equipamentos de alta capacidade operacional, que muitas vezes não se ajustam à rotina gerencial da empresa rural, comprometendo diretamente os custos e a eficiência das operações de aplicação. Os sistemas de suporte à decisão são um conjunto de conhecimentos formalizados como modelos coerentes e integrados entre si que possibilitam a simulação e estudo de sistemas reais complexos. As informações inseridas de forma correta no modelo podem ser manipuladas e acessadas, possuindo informações importantes para a tomada de decisão e a minimização de perdas. Estes modelos possibilitam a criação de cenários, estudos de previsão e avaliações condicionais de impacto, sem a necessidade do deslocamento ao campo. Para identificar os fatores que interferem na eficiência de trabalho do sistema de pulverização formulou-se um modelo com detalhamento nos turboatomizadores, tratores, sistema de reabastecimento, de-

Figura 2 - Variação em porcentagem do tempo de pulverização em função de 8 situações, considerando C0 como padrão

talhes do talhão e características do sistema de aplicação. Foram estabelecidos diversos cenários associados com técnicas de aplicação e de gerenciamento, visando identificar os pontos críticos do sistema de pulverização. Optou-se por analisar cinco fatores: volume de calda aplicada por hectare, velocidade de aplicação, velocidade de manobras, tipo de reabastecimento (dentro ou fora do talhão), vazão da bomba e um fator conjunto: vazão da bomba associado com reabastecimento no talhão. Como cenário padrão (C0) utilizou-se um pulverizador com capacidade para 700 l. O talhão-padrão adotado possui 200 m de comprimento médio e 300 m de largura, abrangendo seis hectares; espaçamento de quatro metros entre ruas, totalizando 75 ruas a serem pulverizadas. A aplicação foi estipulada em uma dosagem de 800 l/ha, com velocidade de aplicação de 0,80 m/s e velocidade de manobras de 0,60 m/s. O reabastecimento do turboatomizador foi feito através do deslocamento do conjunto

por uma distância de 500 m do talhão a velocidade de 1,40 m/s ao ponto de água. Os cenários C1 a C7 utilizaram os mesmos dados do cenário-padrão, alterandose apenas o fator a ser analisado. No cenário 1 (C1) modificou-se o volume do tanque do pulverizador de 700 para 1,5 mil litros. Em C2 alterou-se o volume de aplicação de 800 para 600 l/ha. No cenário 3 (C3) alterou-se a velocidade de aplicação do conjunto para 1,2 m/s. A velocidade de manobras de cabeceira foi modificado para 0,80 m/s no cenário 4 (C4). Em C5 o reabastecimento foi alterado para dentro do talhão, evitando deslocamento até ponto de reabastecimento. O cenário 6 (C6) utilizou uma bomba com maior vazão (40 l/ min), numa tentativa de minimizar o tempo de enchimento do turboatomizador. Em C7 utilizou-se bomba com vazão de 40 l/ min em conjunto com o reabastecimento no interior do talhão. A partir da figura 1 analisou-se o tempo gasto pelo conjunto em cada uma das atividades. Nota-se que excluindo o tem-


“A análise do tempo disponível e da capacidade de campo operacional em uma pulverização na cultura cafeeira faz parte de um planejamento, onde a propriedade agrícola pode prever seus gastos com a mecanização, visualizando a eficiência dos conjuntos”

Jacto

Figura 3 - Variação (%) da Capacidade de Campo Operacional para os 8 cenários, sendo C0 a situação padrão

Num controle eficiente é importante levar em consideração a capacidade operacional da máquina

A situação C6 (aumento da bomba de abastecimento) obteve o melhor resultado individual, com acréscimo da capacidade de campo operacional (Cco) de 23% e redução de 19% no tempo de aplicação total em relação ao cenário padrão. O cenário conjunto C7 (aumento da bomba e abastecimento no talhão) obteve redução de 31% no tempo de aplicação e acréscimo de 46% da capacidade de campo operacional. A partir dos resultados obtidos através do modelo pode-se notar que através da adoção de sistemas de planejamento em conjunto obtém-se melhores resultados em relação à utilização de sistemas M isolados. Gustavo Kazuo Nagumo, Gustavo Fontana, Adriano Barbosa M. de Souza e Marcos Milan, Esalq/USP

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um índice de produtividade que indica o quanto uma máquina é capaz de produzir por hora. A figura 3 apresenta a variação percentual da capacidade de campo operacional para os oito cenários propostos, considerando a situação C0 o cenário padrão. O cenário 7 (C7), por considerar dois fatores em conjunto (maior bomba e abastecimento no talhão), foi o que obteve o maior acréscimo da capacidade de campo operacional, com aumento de 46% em relação ao cenário-padrão. O C6 obteve aumento de 23%, seguido por C2 e C5 com 14,7% e C1 com 7% de acréscimo. O C4 não obteve acréscimo superior a 1%. A análise do tempo disponível e a capacidade de campo operacional em uma pulverização na cultura cafeeira faz parte de um planejamento onde a propriedade agrícola pode prever seus gastos com a mecanização, visualizando a eficiência dos conjuntos.

Gustavo Kazuo Nagumo

po de aplicação (principal atividade), os tempos de preparo e de reabastecimento são os principais fatores críticos deste sistema totalizando 42% do tempo total da operação. A figura 2 apresenta a variação em porcentagem do tempo de aplicação do conjunto mecanizado em função de sete cenários, sendo o cenário 0 (C0) a situação considerada padrão. Observou-se que o cenário 6 (C6) obteve a menor redução do tempo de aplicação, cerca de 19% em relação ao cenário padrão (C0). O aumento da velocidade de aplicação, representado pelo cenário 3 (C3) determinou redução de 16%. Os cenários C2 (diminuição do volume de calda aplicado por hectare) e C5 (abastecimento no talhão) resultaram no decréscimo de 12,5%, o aumento da capacidade do tanque (C1) reduziu 6% e o cenário 4 (C4) apenas 2% o tempo de aplicação em relação ao cenário padrão (C0). A proposta de desenvolvimento de uma situação conjunta, realizado no cenário C7 (aumento da capacidade da bomba e abastecimento no tanque) obteve o melhor resultado com redução de 31% do tempo de aplicação. A capacidade de campo operacional é

Para o êxito do controle químico, o momento apropriado das aplicações é essencial

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Máquinas

Fontana, Souza e Nagumo explicam que a partir dos resultados obtidos notou-se que sistemas de planejamento em conjunto obtiveral melhores resultados

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Negócios empresa

Fotos Stihl

Ampliando horizontes U

ma das 150 melhores empresas para se trabalhar no Brasil, com um crescimento respeitável nos últimos anos. Assim pode ser definida a unidade da Stihl, de São Leopoldo (RS), instalada na região desde 1973, influenciada, na época, pelo grande mercado de motosserras existentes no Rio Grande do Sul e pelo número expressivo de imigrantes alemães que viviam na região metropolitana de Porto Alegre. A primeira sede, um galpão alugado bastante rústico, serviu para iniciar as atividades no Brasil com a produção de dois modelos de motosseras. Em 1975 foi inaugurada a planta definitiva, que atualmente possui um total de 243 mil m 2, na qual 1,05 mil funcionários fabricam 55 produtos diferentes, totalizando 300 mil unidades motoras por ano. Passados 31 anos,

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Com mais de 300 mil unidades motoras construídas por ano, a unidade da Stihl no Brasil aumenta a gama de produtos como forma de ampliar ainda mais seu mercado

a unidade brasileira vai fechar 2004 com um faturamento de nada menos que US$ 100 milhões. Aproximadamente 50% da produção é comercializada no Brasil e o restante vai para países da América Latina, sudoeste da Ásia, Malásia, Singapura, Turquia, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Alemanha e EUA. Todas as máquinas da marca são projetadas na Alemanha e sofrem pequenas adaptações de acordo com o país onde serão comercializadas. Como todos os componentes obedecem a projetos da matriz, as máquinas produzidas em qualquer uma das três fábricas (Brasil, Estados Unidos ou Alemanha) funcionam com as mesmas peças, isto significa maior intercâmbio de peças e componentes. Atualmente todas as máquinas Stihl

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utilizadas no Brasil são fabricadas na unidade de São Leopoldo, com exceção de um único modelo de motosserra, o MS460, que ainda é importado da matriz na Alemanha. A aprovação para a fabricação de peças no Brasil só é dada após uma

A contratação de pessoal é constante, sendo que atualmente a unidade conta com 1,05 mil funcionários

Máquinas

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Fotos Stihl

profunda análise técnica e econômica. Hoje 2,3 milhões de cilindros saem da unidade de São Leopoldo, sendo que grande parte deste volume é exportado para as fábricas da Alemanha e EUA. Segundo o diretor geral da Stihl no Brasil, Harry Peter Grandberg, a empresa Stihl conseguiu absorver os altos e baixos do mercado ao longo dos anos no Brasil justamente por ser voltada para a exportação. Esta operação começou a se fortalecer em 1997, ano em que a empresa ampliou a gama de produtos e passou a produzir, roçadeiras entre outros

Desde 1997 a produção da motossera MS-380 foi concentrada no Brasil e abastece todo o mercado mundial

Como nasceu a Sthil

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Rocheli Wachholz

m 1926, na cidade de Leipzig, foi lançada a primeira máquina portátil para o corte de árvores, com motor de DKW, pesando 60 kg, para ser utilizada por duas pessoas, sua produção mensal era de 22 unidades. Em 1950 foi lançada a primeira motosserra operada por um só homem, com 19 kg. Hoje a empresa já atua em 150 países com canais próprios de distribuição e possui mais de sete mil funcionários em todo o mundo.

Muito alé

Cultivar Máquinas - Desde 1997 a Stihl recebeu diversas certificações e premiações. A que o senhor atribui todos estes reconhecimentos? Harry Grandberg - Isso é resultado de um grande trabalho. A empresa investe muito na formação de pessoal, não só em termos de estudo, mas tentamos passar valores e conceitos. A nossa associação de funcionários por exemplo, não tem portão ou vigia, ela é aberta, os funcionários transitam da associação para dentro da fábrica como querem. Isto é para que entendam que a empresa é de todos e que tudo o que eles fizerem de bom pela empresa também se reverterá em benefício de todos. Melhorando a qualificação e passando esses valores, os funcionários buscam as metas que são propostas e o resultado que estamos vendo é este que está ai. É uma conseqüência natural. CM - Qual é a participação da Stihl no mercado de roçadeiras e motosseras no Brasil? HG - Somos líderes de mercado tanto em roçadeiras como em motosseras.

Parte do tronco cerrado na inauguração da unidade de São Leopoldo em 1975

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Máquinas

CM - Qual o principal segmento da empresa no Brasil em percentuais?

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Rocheli Wachholz

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empre dando enfoque às pessoas da empresa e com planos bastante otimistas, o diretor geral da Stihl no Brasil, Harry Peter Grandberg, fala do crescimento da unidade brasileira e das expectativas para os próximos anos.

equipamentos, abrindo maiores oportunidades de negócios, que iriam muito além da comercialização de motosserras. No mesmo período, a Stihl passou a concentrar a produção de alguns equipamentos, como a motossera MS-380, na unidade do Brasil, para abastecer todo o mercado mundial. A unidade brasileira em 98, 99 e 2000, recebeu bronze, prata e ouro, respectivamente, no Prêmio Qualidade RS; já possui a certificação ISO 9001 versão 2000, sendo a primeira planta do grupo a conseguir esta certificação, e também está en-

HG - O carro chefe da empresa no Brasil continua sendo a motosserra. A roçadeira ganhou muito em importância nos últimos anos. Eu diria que hoje são os dois principais segmentos, mas temos procurado diversificar a gama de produtos para não ficar só com as duas linhas de produto que representam muito no nosso volume de negócio. Procuramos diversificar com pulverizadores, derriçadores de café, cortadores de cerca viva e outras linhas, não só de produtos, mas de brindes e acessórios para diversificar a nossa gama. CM - A Stihl do Brasil começou com o mercado brasileiro, partiu para a América Latina e hoje exporta para o mundo todo. Como aconteceu esta evolução? HG - A exportação representa metade do faturamento da empresa hoje. Essa evolução aconteceu, em parte, porque conquistamos uma melhoria significativa da qualidade dos nossos produtos. Nós temos um medidor de qualidade, um

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quinas podem ser adquiridos, mas a qualidade final do produto é influenciada diretamente pela capacidade das pessoas que compõem a empresa. E isto está muito claro para a Stihl. Nossos funcionários são o que temos de mais valioso”, garante Harry. A empresa está desenvolvendo novos projetos e lança produtos diferenciados com certa regularidade como forma de manter a liderança do mercado. A Stihl é líder de mercado de motosseras e roçadeiras no Brasil, com uma rede de 1,2 mil revendas em M todo o território nacional.

m da motossera índice que compara todas as plantas do grupo Stihl no mundo e a unidade brasileira está no mesmo patamar das outras. Todas as empresas do grupo estão acima da meta colocada pela matriz. Então a qualidade do nosso produto, aliada ao comprometimento dos colaboradores em buscar esta qualidade e os novos mercados possibilitaram o crescimento. O grupo ajudou, concentrando alguns dos produtos na planta brasileira abastecendo o mercado mundial a partir daqui. Com a ampliação da linha de produtos vamos continuar abastecendo os mercados mundiais e impulsionando o crescimento.

CM - Com este crescimento, quais são os planos estratégicos para os próximos anos? HG - O plano obviamente é continuar crescendo. Nós temos metas bem audaciosas em termos de crescimento. Foi comprado um terreno em frente a nossa planta. Além disso, na nossa visão, o crescimento vem de dois segmentos, um deles é a exportação, já recebemos visitas de grupos da América Latina inteira, agora vamos ter da Malásia, recebemos grupos de revendedores da Alemanha, do grupo Stihl, o que gera novos negócios. Também vamos trabalhar no mercado nacional com novas linhas de produtos além de acessórios e brindes. A melhoria contínua na rede de revendas através de diversos projetos tem sido um foco de nosso trabalho. CM - Como a matriz vê a unidade no Brasil? HG - A matriz vê a unidade no Brasil como uma possibilidade de crescimento do Grupo Stihl. É nossa a responsabilidade de cuidar bem do mercado brasileiro e eles confiam muito na qualidade dos nossos produtos. A partir desta confiança eles abrem as portas do mercado mundial, porque ninguém vai se expor se não confia no que está sendo entregue ao mercado consumidor. O senhor Stihl,

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vem pessoalmente passar uma semana por ano na planta brasileira, para comprovar o comprometimento com a qualidade dos produtos e melhorias de processo. Com isso as portas do mundo se abrem.

CM - O carro-chefe no Brasil ainda é a motossera. Ela é também o principal produto para exportação? HG - Sim, mas a roçadeira está crescendo cada vez mais. A roçadeira começou a ser exportada na América Latina e agora vamos exportar para a África do Sul. O mercado sul africano é bem parecido com o mercado brasileiro, então os produtos que são vendidos lá e aqui são similares, a utilização é semelhante. Por isso estamos conseguindo exportar roçadeiras para lá e queremos continuar crescendo neste segmento. O derriçador de café, que é um produto fabricado exclusivamente aqui no Brasil, já teve as suas primeiras 180 unidades exportadas para a Espanha onde será usado para derriçar oliva (azeitona). Eles estão encontrando outras aplicações para este produto que é feito aqui no Brasil, o que é motivo de orgulho, pois se trata de um produto desenvolvido para o mercado nacional, embora tenha recebido apoio e liberação da Alemanha para a exportação. Agora já começa a ser exportado para mercados tidos como de primeiro mundo. CM - A marca Stihl está muito ligada às motosserras. Uma coisa inevitável é a ligação desta máquina com a questão do desmatamento. Como a empresa lida com esta questão? Existe alguma preocupação de manter uma imagem de preservação ambiental? HG - Sim, existe uma preocupação. O que nós incentivamos, e o grupo mundial também, é que a motossera é uma ferramenta necessária para grandes áreas de reflorestamento, produção de celulose e papel, pois a madeira é a base dessa produção. Obviamente a empresa não incentiva o des-

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Apenas uma máquina, de todas utilizadas no Brasil, não é fabricada na unidade de São Leopoldo

matamento, mas sim a exploração seletiva. Tanto é verdade, que nós temos um convênio com uma Organização Não-Governamental (ONG), a FFT Fundação Floresta Tropical, no norte do Brasil. A Stihl os abastece com material para treinamento e conscientização dos operadores de motosseras e nós temos um laço muito estreito com esta fundação. Trata-se de uma ONG mundial que também é suportada pelos EUA e Alemanha com patrocínio, vídeo, material e palestras de conscientização das pessoas para encontrar o equilíbrio entre o crescimento e a preservação. CM - A que o senhor atribui a força do nome Stihl? HG - Um fator muito importante para a força que o nome conquistou é a confiança que o consumidor pode ter na marca. Ele sabe que se for numa revenda Stihl, será bem atendido, haverá um serviço de pós-venda, haverá peças de reposição para o seu produto quando necessário e mesmo com estes altos e baixos do mercado brasileiro e da América Latina, a Stihl nunca abandonou o mercado, sempre esteve presente desde a inauguração da fábrica em 1973. Independente de crise econômica, da hiperinflação, a Stihl sempre esteve presente e com isso é possível construir uma marca de confiança. Rocheli Wachholz

tre as 15 melhores empresas para se trabalhar no Rio Grande do Sul e entre as 150 melhores no Brasil este ano, segundo a revista Exame. “Estes reconhecimentos nos deixam muito satisfeitos e, ao mesmo tempo, nos colocam como objetivo profissional para muitas pessoas ”, garante Harry. Diariamente, a empresa recebe aproximadamente 80 novos currículos de pessoas à procura de uma vaga. “Cadastramos cada currículo, sem exceção. Isso nos dá um banco de dados rico e qualificado. As pessoas que trabalham aqui são a chave do nosso sucesso. Processos e má-

Grandberg: “Um fator muito importante para a força que o nome conquistou é a confiança”

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Acelera...

3º Pega de Tcha-Tcha-Tcha Fotos Arno Dallmeyer

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nquanto aguardamos as provas finais do ano, tanto de trekker-trek, quanto de arrancadão, vamos esquentado os motores, e fazendo circular a adrenalina na incrível prova de Tcha-tcha-tcha, conforme vocês podem ver a seguir. Foi no dia 25 de setembro, um sábado ensolarado, e nós fomos conferir. É uma iniciativa interessante, que traz diversão e integração entre os produtores de uma pequena comunidade rural do interior gaúcho e seus amigos e simpatizantes. Oxalá outras iniciativas do gênero proliferem Brasil afora. Boa diversão!

GP VIPAL DE ARRANCADA DE TRATORES EM DOURADOS

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ocê estranhou o nome? Ah, eu também!!! Mas não existe uma nomenclatura padronizada para este tipo de máquina agrícola (também não adiantaria muito ter nomenclatura padronizada, as pessoas continuariam usando os nomes populares. Veja o caso das “plantadeiras”, “colheitadeiras”, “subsoladores” etc). Tudo começou em um balcão de bar. Três amigos da localidade de Vila Cruz, distrito de Nova Palma, região centro do Rio Grande do Sul, estavam reunidos comentando o grande número de Tchatcha-tcha (ou carreta agrícola motorizada , ou tuque-tuque, ou carroça a motor, ou jibata) que existiriam no local. São cerca de 30 veículos, o primeiro do município foi adquirido em 1978 e o primeiro da localidade em 1980, ainda prestando serviços. Foi quando veio a idéia: -Por que não fazer uma competição usando estes veículos? Não podia ser uma corrida simplesmente (experiência tentada em 2000, e não bem sucedida, pela próprias características dos veículos e dos competido-

res). Foi assim que Clarindo Vestena (o Cascalho), Idonelson Vestena e Gelson Pesamosca idealizaram a competição em 2002, no alto das montanhas da Serra Geral. Uma prova com os veículos, mas envolvendo os pilotos (tratorista e copiloto) em tarefas que lembram as antigas atividades coloniais dos agricultores. Uma gincana, em resumo, onde porém a velocidade e torque dos veículos pode fazer a diferença.

A PROVA Após o desfile oficial dos competidores - nessa edição foram 20 duplas masculinas, e quatro femininas – iniciaram as provas.

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ldecir Rohloff, de Toledo, no Para ná, foi campeão do GP Vipal de Arrancada de Tratores, disputado no aeroporto Spessatto, em Dourados, no Mato Grosso do Sul em 12 de setembro. Aldecir tirou a expectativa de vitória de Armando Boldrin Jr, atual campeão brasileiro e de Dorval Conci Jr, vencedor da etapa de Campo Grande (MS), que tiveram problemas mecânicos. Embora com baixas temperaturas cerca de 1.5 mil pessoas assistiram ao evento, disputado sob frio e neblina. Na pista, o nível técnico foi elevado. A próxima festa dos tratores será em Maripá (PR) nos dias 12, 13 e 14 de novembro, quando será disputado o 2º Campeonato Brasileiro de Arrancada de Tratores. Resultado do GP Vipal de Arrancada de Tratores em Dourados: 1º) Aldecir Rohloff (Toledo) 2º) Paulo Radetzki (Maripá) 3º) Alolir Luiz Muller (Pérola Independente) 4º) Ivan Schanoski (Maripá) 5º) Alexandre Schweinberger (Mal. Cândido Rondon)

Uma das tarefas executadas pelos participantes

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Chassi longo ou curto?

Outubro 2004


por Arno Dallmeyer - arnomaq@yahoo.com.br

O VEÍCULO

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O motor preferencial Pneu “Slick” ou de chuva?

As provas são realizadas em caráter eliminatório, de dois a dois, no estilo de um torneio. A cada fase é trocada a atividade a executar. Na parte inicial da prova existe uma “arrancada” de cerca de 300 m, ao final da qual o veículo é parado, e a dupla que chegou já pode executar a tarefa. Cumprida a tarefa existe mais um “sprint” de 50 m com o veículo até a linha de chegada. Quem chegar em primeiro passa à fase seguinte, a outra dupla é eliminada. As tarefas somente são conhecidas no momento da prova. Neste ano constaram de: a) carregar um saco de palha de milho morro acima por 80 m e carregar na carreta; b) debulhar milho a mão e encher uma garrafa de refrigerante com os grãos; c) carregar o companheiro em um percurso demarcado com uma “carriola” (carrinho de mão); d) serrar uma tora (árvore) em cima de um jirau, com a serra na vertical, como se fazia na época da

colonização. Para as mulheres houve provas como: a) debulhar milho com debulhadora; b) recolher ovos em uma cesta e conduzir sem quebrar; c) trilhar feijão com o uso do “manguá”, batendo nas vagens secas até separar os grãos; d) pilão, usado para descascar arroz, quebrar milho para canjica, moer a erva-mate.

rata-se de um chassi de Jeep (jipe) ou Rural Willys, dos quais era mantida a transmissão e implantado um motor diesel monocilíndrico Agrale (M93, 15 CV) ou Tobatta (12 CV) daí o nome do “cruzamento”: jibata. Poucos veículos receberam motores Agrale bicilíndricos (M790, 30 CV). Voltaremos a abordar a história deste veículo, que começou em Flores da Cunha-RS na década de 1970, em nossas próximas edições. Com uma carroçaria de madeira está pronto o veículo, que é usado para o transporte na propriedade, seja para fumo, cereais, batatinha, uvas, pedras ou pessoas.

RESULTADOS Na categoria feminina as vencedoras foram Vanilce Antonello e Mariel Batistella. Na masculina foram Augusto Sartori e Geovani Sartori. Estas duplas são os competidores a desafiar os outros na prova do próximo ano.

Agenda Data

Local

Evento

Categoria

13 e 14/11/2004

Tratoródromo - Maripá (PR)

Festa das Orquídeas

Arrancadão

14/11/2004

Holambra II - Paranapanema (SP)

XI Holambra Feest

Trekker Trek

27/11/2004

Castrolanda - Castro (PR)

Trekker Trek

Primeira carreta de Vila Cruz fabricada em 1980 dirigida por Idonelson Vestena


Informe jurídico • Newton Peter • OAB/RS 14.056 • consultas@newtonpeter.com.br

Sonegação e crime

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em do Poder Judiciário a melhor notícia na área do direito Tributário dos últimos tempos. Os ministros do Supremo Tribunal Federal colocaram uma mordaça no Leão e já não é mais possível processar criminal e indiscriminadamente contribuintes acusados de sonegação fiscal sem que possam estes se safar. Claro, não se abriu uma brecha para a sonegação. Apenas garantiu-se o direito de os contribuintes em dívida para com o Fisco quitarem seus débitos sem correrem o risco vexatório de se verem recolhidos à prisão, como criminosos. O STF passou a decidir, reiteradamente, que os contribuintes denunciados pelo Ministério Público por sonegação fiscal poderão eximirse da ação penal mesmo que tenham perdido o Refis 2 (Programa de Recuperação Fiscal). Para tanto basta aderirem a parcelamentos do débito ou, em não havendo parcelamento disponível, efetuar o pagamento integral do tributo. Vigilante não só na área federal, mas igualmente em relação aos Estados, o STF já suspendeu ação penal que verificava suposta sonegação do ICMS, de arrecadação estadual, como informou recente notícia publicada no jornal Valor Econômico. A boa nova decorre da interpretação que o Supremo deu à lei do Refis 2 (Lei nº 10.684/03), permitindo a sua aplicação não só aos casos em que o contribuinte recolheu menos imposto em função de interpretação de lei tributária divergente do fisco, como também em casos de falsificação de notas ou documentos contábeis, áreas críticas da ilicitude penal. A origem está na própria legislação, mais propriamente no artigo 9º da lei do Refis 2, que condiciona a questão penal ao pagamento do tributo. O texto legal, no entanto, de-

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termina que se suspenda a pretensão punitiva do Estado referente aos crimes contra a ordem tributária enunciados na Lei nº 9.249/95. O que o Supremo fez foi estender o benefício a quem parcelasse o débito e não simplesmente o quitasse de imediato. Decisão correta, que leva em conta o difícil momento econômico nacional, para quem o insaciável apetite do Leão não está nem aí, como se diz. Os procuradores do Ministério Público Federal, responsáveis pela

denúncia dos crimes contra a ordem tributária, já acusaram o golpe, manifestando-se alguns pela dificuldade incipiente e crescente de se processar alguém por sonegação. E as decisões do STF se propagam rapidamente, influenciando julgamentos de tribunais regionais federais, como até mesmo o de Porto Alegre, considerado um dos mais rigorosos em questões criminais, que tem suspendido ações deste tipo. PRIVILÉGIO ODIOSO Aliás, a queixa dos procuradores nos leva a discorrer um pouco sobre tema já mencionado de passagem neste espaço: as prerrogativas e privilégios de que goza o Poder Público em matéria de Direito. É fato notório que as normas do Direito Administrativo caracterizam-se, em face do direito privado, por conferi-

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rem à administração prerrogativas sem equivalente nas relações privadas. Falemos, aqui, apenas de determinados privilégios como os prazos dilatados em juízo, processo especial de execução, e a presunção de veracidade de seus atos. Enquanto o setor privado, dos mortais comuns, se sujeita aos rigores de lei, a administração utiliza seus favores. A dilatação dos prazos processuais – que já não se explica em razão do numeroso corpo de funcionários para atender o setor – e a presunção de veracidade dos seus atos incomodam. Basta lembrar as vexatórias ações de procuradores, vistas até cansar na televisão, perseguindo empresas ligadas a pessoas de expressão pública, sem as mínimas provas e sem embasamento legal. Como gozam de privilégios, para calar essas vozes incômodas a administração os promove a postos inexpressivos, quando o setor privado simplesmente demitiria um advogado incompetente e inconseqüente. E por que um advogado do fisco necessita de prazo dobrado, se tem disponibilidade total de tempo para trabalhar? É difícil entender que a administração pública, mesmo quando recorre ao Poder Judiciário, usufrui as mesmas prerrogativas processuais típicas do regime jurídico-administrativo, mesmo tendo, em sentido material, relação diversa. Ao escolher a via judicial, a administração deveria receber o mesmo tratamento dispensado ao particular, posto que o Estado em nada é melhor do que o indivíduo. O primeiro existe para servir o segundo, não o contrário. Esse é um dos pilares da democracia moderna. Se for derrubado, voltaremos à servidão da Era Feudal. Pior, naquele tempo os senhores eram responsáveis por seus súditos. O Estado Brasileiro, considerandose os serviços prestados à população, está muito aquém disso.

Outubro 2004


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