Skip to main content

Maquinas 31

Page 1

Do editor Grupo Cultivar de Publicações Ltda. CGCMF : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480 Rua Sete de Setembro 160 – 12º andar 96015-300 – Pelotas – RS www.grupocultivar.inf.br Direção Newton Peter Schubert K. Peter

Cultivar Máquinas Edição Nº 31 Ano III - Junho 2004 ISSN - 1676-0158 www.cultivar.inf.br cultivar@cultivar.inf.br Assinatura anual (11 edições*): R$ 119,00 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)

Números atrasados: R$ 15,00 Assinatura Internacional: US$ 80,00 • 70,00 • Editor

Prezado leitor A agricultura é um dos setores que tem menor autonomia na hora de definir o preço de venda dos produtos colhidos, por isso, é necessário que o produtor rural administre seus custos da melhor maneira possível, de forma que no final das contas os lucros não sejam uma surpresa desagradável. Como um dos maiores gastos no processo de produção agrícola está ligado ao parque de máquinas, a terceirização da colheita pode ser uma saída interessante e rentável. É justamente essa conta que vamos ajudá-lo a fazer nesta edição, onde abordamos, no artigo de capa, os custos para colher com máquinas próprias e com máquinas terceirizadas. Vale a pena dar uma conferida para ver qual é a melhor opção para sua propriedade. Chamamos a atenção também para o caderno sobre uso de EPIs nas operações de aplicações de defensivos agrícolas, o último de uma série de quatro cadernos sobre pulverização. Como o gerenciamento de custos é essencial em qualquer operação, outros artigos sobre pneus, por exemplo, e trituradores de capoeira em substituição às queimadas, fazem uma análise interessante de como diminuir as despesas e ampliar os lucros. Afinal de contas, esse é o nosso objetivo: ajudá-lo a ampliar seus ganhos. Uma boa leitura a todos!

Índice

Nossa Capa

Charles Ricardo Echer • Redação

Capa Deutz

Rodando por aí

04

Pneus de alta flutuação

06

Congresso de Agricultura de Precisão

10

Aplicação de neblina artificial

12

Inspeção de pulverizadores

16

Próprias ou alugadas?

20

Gerenciamento eletrônico de motores

24

Conjunto de esteira de tração

30

Protótipo triturador de capoeira

34

Pedro Batistin

4x4 - Travessia de erosões

38

_____________

Nova fábrica de tratores

39

Lançamentos Baldan

40

Coluna Esporte Trator

41

Coluna jurídica

42

Rocheli Wachholz • Revisão

Luciene Bassols Brisolara • Design Gráfico e Diagramação

Cristiano Ceia _____________

• Gerente Comercial

Neri Ferreira • Assistente de Vendas

• Gerente de Circulação

Cibele Costa • Assinaturas

Rosiméri Lisbôa Alves Jociane Bitencourt Simone Lopes • Expedição

Destaques

Edson Krause Dianferson Alves

Toneladas bem distribuídas • Impressão:

Os pneus de alta flutuação ganham espaço e ajudam a diminuir a compactação e os custos das operações .................................................... 06

Kunde Indústrias Gráficas Ltda. NOSSOS TELEFONES: (53) • ATENDIMENTO AO ASSINANTE:

3028.4013 / 3028.4015

Próprias ou alugadas?

• ASSINATURAS:

3028.4010 / 3028.4011 • GERAL

3028.4013 • REDAÇÃO:

Caderno especial

3028.4002 / 3028.4003 • MARKETING:

3028.4004 / 3028.4005 • FAX:

3028.4001 Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@cultivar.inf.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.

Pulverização

Saiba o que é mais rentável: colher com máquinas próprias ou terceirizar a operação? ...................................................

20

Eletrônica no motor Entenda como funcionam os motores com gerenciamento eletrônico e quais as suas vantagens ...................................................

24

Sem queimadas Triturador de capoeira, além de acabar com as queimadas, incorpora matéria orgânica de solo ................................................... 34


Rodando por aí

Novos rumos

Energia A Cummins, empresa fabricante de motores, especializou-se também em produção de energia. Segundo Cecília Oliveira, da Power Rent, responsável pela locação de energia ou de grupos geradores, a empresa possui uma capacidade geradora de energia de até 32 Mega Wats e entrega em qualquer lugar do país em até 48 horas.

Cecília Oliveira

Milésima Axial Em abril, a Case IH produziu a colhedora Axial-Flow de número mil, que foi produzida na unidade da empresa em Curitiba (PR) e é um marco na produção de colhedoras em território nacional. Disponíveis no mercado em dois modelos, Axial-Flow 2388 e Axial-Flow Extreme, elas alcançaram no ano passado uma produção total de 483 unidades, 753 vendidas no Brasil e 108 destinadas à exportação.

Dilvo Grolli

Coopavel A Show Rural Coopavel de 2005 acontecerá entre os dias 31 de janeiro a 4 de fevereiro. Segundo Dilvo Grolli, presidente da Coopavel, para a próxima edição, além das mudanças na infra-estrutura, o evento terá um novo espaço dedicado à pecuária de corte.

Casas populares O presidente do Grupo Kepler Weber, Othon D’Eça Cals de Abreu, junto com a Prefeitura Municipal de Campo Grande (MT), entregaram cem casas populares do núcleo residencial Tuiuiú, próximo da nova fábrica da empresa prevista para ser inaugurada em novembro. O investimento no núcleo residencial, que é composto por cem casas populares, ficou em torno de R$ 1 milhão. Cada casa está construída num terreno de 220 m2.

O pesquisador Marco Antônio Gandolfo é o mais novo integrante da empresa Jacto, onde trabalha desde abril como responsável pelo setor de serviços agronômicos, atuando em treinamentos com os canais de revenda e no relacionamento da empresa com órgãos de pesquisa e universidades. Anteriormente, Gandolfo estava atuando no departamento de engenharia da Fundação Faculdades Luiz Meneghel e foi responsável, junto com o pesquisador Ulisses Antuniassi, pelo projeto de Inspeção Periódica de Pulverizadores.

Othon D’Eça C. de Abreu

Livro Flávio Crosa

Lótus 2004 A Agrale recebeu o prêmio Lótus 2004 na categoria Marca do Ano em Chassis Leves. A empresa foi indicada pelo desempenho no ano de 2003, quando comercializou 3.226 chassis. Segundo o diretor de Vendas e Marketing, Flávio Crosa, “a conquista é resultado dos constantes investimentos em pesquisa e desenvolvimento de produtos inéditos e específicos para os diferentes nichos de mercado”.

Rinaldo Calheiros

O pesquisador do Instituto Agronômico (IAC) e especialista em irrigação, Rinaldo de Oliveira Calheiros, é um dos autores do livro Preservação e Recuperação de Nascentes, lançado em junho. O livro foi elaborado pensando na preservação e uso racional da água. “Se não houver presercação nas nascentes, acabam-se os rios. Elas são o evento hodrológico mais importante que existe”, alerta o pesquisador.

Palestra

04

Máquinas

Penetrômetro

Pratini de Maraes

Importação A John Deere entregou a produtores do Cerrado colhedoras de algodão que fazem parte da maior importação desse tipo de máquina já feita pela empresa no país. O lote de 109 cotton pickers John Deere, desembarcado no porto de Santos (SP), foi transportado em comboios de carretas para Cuiabá (MT), Catalão e Anápolis (GO) e foram entregues nas propriedades de agricultores de Mato Grosso, Bahia e Goiás para auxiliar na colheita.

Distinção A Metasa S.A. Divisão Agrícola recebeu o prêmio Fiergs Distinção Indústria 2004. O implemento premiado é a semeadora SDM Múltipla Metasa Geração IV, sendo considerada múltipla por ser montada sob cassi duplo em duas versões: grãos finos e grãos grossos. Na versão grãos finos, ela pode ser utilizada para semeadura de trigo, aveia, cevada, renovação de pastagem e demais culturas de inverno. Na versão grãos grossos, para semeadura de milho, soja, feijão, sorgo e demais culturas de verão.

Marco Antônio Gandolfo

“Em pouco tempo o Brasil será a maior nação agrícola dentro do cenário do comércio internacional”, com esta afirmacão o ex-ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, iniciou sua palestra para cerca de cem produtores rurais durante evento promovido pela Montana Pulverizadores. Pratini defendeu ainda uma forte posição do Brasil em termos de negociações interenacionais, dizendo que o país não deve arredar um milímetro das pretensões se as outras partes envolvidas não se abrirem para negociação.

Presença A equipe da Jacto esteve presente no XXIV Congresso Brasileiro da Ciência de Plantas Daninhas, realizado em maio em São Pedro (SP). Fábio Pernassi, Marco Antônio Gandolfo e Daniel de Souza Dias animaram o estande e apresentaram o que a empresa possui de melhor no setor de tecnologias de aplicação.

Um novo equipamento para determinação dos dados de resistência mecânica à penetração em função da profundidade do solo é o Penetrômetro Eletrônico Geo-referenciado, desenvolvido no Laboratório de Instrumentação e Controle da Feagri/Unicamp, juntamente com a empresa DLG – Automação Industrial, localizada em Sertãozinho (SP). Seu desenvolvimento teve apoio da Fapesp, no âmbito do Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas – PIPE.

Pernassi, Gandolfo e Dias

50 ANOS A Bardahl comemora, em 2004, 50 anos de presença no Brasil, com uma linha de 130 itens e 18 distribuidores espalhados pelo país. Ainda para este ano, a empresa guarda uma série de novidades, com uma expectativa de crescimento de 20%.

www.cultivar.inf.br

Junho 2004


Pneus

compactação

Toneladas bem distribuídas

Com máquinas cada vez maiores e mais pesadas os pneus de alta flutuação ganham espaço e, além de diminuir a compactação do solo, ajudam a diminuir os custos nas operações de campo Fotos Flavio Rielli Mazetto

A

modernização da frota brasilei ra de máquinas e equipamentos agrícolas, com a finalidade de racionalizar e otimizar as operações no campo, tem aumentado o número de máquinas de grande porte, ou seja, tratores de grande potência para tracionar equipamentos de alta capacidade operacional e que realizam operações conjugadas. Essas máquinas e equipamentos têm a vantagem de apresentar alta capacidade operacional, porém são mais pesados, refletindo em maiores cargas aplicadas ao solo, causando alterações em suas características físicas tal como a compactação, estando associada com decréscimo da produtividade agrícola. Os agricultores aliados aos centros de pesquisa passaram a contabilizar as perdas de produtividade advindas da compactação do solo pelo tráfego agrícola e começaram a dar maiores importâncias aos pneus como forma de minimizar a compactação. Os pneus rodoviários, comumente utilizados nos equipamentos agrícolas, foram substituídos por pneus de baixa pressão e alta flutuação. Os pneus de alta flutuação foram implantados, inicialmente, nos equipamentos de trans-

06

Máquinas

porte de cana-de-açúcar durante as operações de colheita, pois apresentavam elevada carga de cana colhida e pneus rodoviários estreitos com alta pressão de inflação (100 psi), proporcionando alta pressão de contato dos pneus sobre o solo, tornando uma das operações mais críticas de compactação, limitando a produtividade e longevidade da cultura. Atualmente, com a mecanização da colheita de cana-de-açúcar houve mudanças na logística de transporte, onde começaram a serem utilizados transbordos com eixos esterçantes e pneus de flutuação para trafegar sobre solo cultivado, reduzindo os impactos da compactação

Transbordo de cana com pneus rodoviários com alta pressão e pneus de alta flutuação com baixa pressão

www.cultivar.inf.br

e do arraste dos pneus no solo. Tais pneus não ficaram restritos apenas aos equipamentos de colheita e transporte de canade-açúcar, passando a serem utilizados nos equipamentos de preparo de solo, plantio e tratos culturais de culturas perenes, semi-perenes e anuais. O advento do plantio direto e a preocupação em minimizar a compactação do solo fez com que as máquinas e equipamentos agrícolas com pneus de alta flutuação fossem larga-

Área de contato aumenta 75% ao diminuir a pressão de 1,6 bar para 0,4 bar.

Junho 2004


“O contato pneu/solo é diretamente proporcional à pressão utilizada nos pneus, e sendo esta baixa, minimiza a compactação”

Trator com pneus estreitos afundam sob solo com baixa capacidade de sustentação

mente difundidos e utilizados.

INTERAÇÃO DOS PNEUS COM O SOLO Os pneus de alta flutuação são mais largos e apresentam baixa pressão de inflação o que aumenta a área de contato com o solo, proporcionando maior área de distribuição da carga aplicada pelos equipamentos agrícolas, permitindo maior conservação da estrutura física do solo. O contato pneu/solo é diretamente proporcional à pressão utilizada nos pneus, e sendo esta baixa, minimiza a compactação. Estes pneus, por apresentarem maior área de contato, recalcam menos no solo, isto é, afundam menos, proporcionando menor compactação e resistência ao rolamento do pneu, ten-

do viabilidade em solos arenosos com baixa capacidade de sustentação de carga ou irrigados por inundação, tal como em cultivo de arroz. A resistência ao rolamento consiste na força contrária ao livre deslocamento do pneu sobre o solo e o seu valor é proporcional ao recalque e inversamente proporcional à área de contato. Pneus mais estreitos e com maiores pressões de inflação apresentam menores áreas de contato, refletindo em maiores recalque e resistência ao rolamento, implicando maior desgaste e exigindo maior força de tração do trator, elevando o dispêndio energético. Os equipamentos de irrigação, tal como pivô-central, geralmente utilizam pneus estreitos e seu tráfego ocorre quando o teor de água do solo é elevado, propiciando a formação de

Pneu de alta flutuação recalca menos em solo sob irrigação do que o pneu convencional

rastros que elevam a resistência ao rolamento do pneu, podendo em condições extremas a danificar a estrutura do equipamento, além de promover a compactação do solo. É importante lembrar que para os eixos das máquinas e equipamentos agrícolas que apresentam tração, os pneus de alta flutuação devem ser acoplados com o desenho das garras no sentido do deslocamento operacional, ao contrário dos eixos sem tração, onde as disposições das garras devem ser no sentido inverso do deslocamento da máquina, pois o pneu apresentará menor resistência ao rolamento durante o movimento de roto-translação, implicando em menor desgaste.

PNEUS DE TRATORES

Pneu de diâmetro menor e estreito apresenta alto recalque, implicando maior resistência ao rolamento, enquanto pneus de alta flutuação com diâmetros maiores e mais largos recalcam menos e apresentam baixa resistência

Junho 2004

www.cultivar.inf.br

Diante da tecnificação dos agricultores e da necessidade sempre crescente em absorver tecnologia como forma de racionalizar o sistema produtivo e torná-los mais competitivos comercialmente no mercado globalizado, a maior parte dos fabricantes de máquinas agrícolas estão disponibilizando seus tratores e colhedoras com pneus de baixa pressão e alta flutuação. Os pneus de baixa pressão e alta flutuação

Máquinas

07


“A alta flutuação proporcionada por esse tipo de pneu permite com que o tráfego de máquinas seja iniciado num tempo menor após um período chuvoso”

Configuração estrutural do pneu

O

s pneus de alta flutuação po dem apresentar as seguintes configurações estruturais: • Diagonal: os cordonéis das lonas estão dispostos de talão a talão em ângulos menores que 900 (aproximadamente 300 a 400). • Radial: possuem cintas na banda de rodagem dispostas 900 em relação à linha de tração. • Diagonal cinturado: são compostos de lonas com os cordonéis dispostos diagonalmente em relação à linha de tração e banda de rodagem com cintas extras (em 900) que lhe proporcionam maior durabilidade, maior interação com o solo e menores riscos de perfurações. O desenho das garras dos pneus de alta flutuação permite tração mais sutil para condições de solos mais sensíveis à compactação, os ombros são mais arredondados, evitando pontos de maior concentração de carga e possuem maior área de contato com o solo, já que são mais largos e sua configuração espara tratores são diagonais cinturados, ou seja, a banda de rodagem é radial (cintas) enquanto que as laterais dos mesmos são diagonais. Os pneus de alta flutuação para equipamentos agrícolas apresentam as seguintes denominações em seus flancos:

Trelleborg: marca Twin: nome do produto 404: símbolo referente ao desenho das garras 400/60-15.5: designação da dimensão 400: largura da banda de rodagem - mm 60: altura do flanco em porcentagem da largura da banda de rodagem - % 15.5: diâmetro do aro - polegadas 14 PR: quantidade de lonas – codificação antiga IMP: referente aos pneus de equipamentos ou implementos 143 A6: índice de carga para uma dada velocidade do pneu sob livre rolamento 130 A6: índice de carga para uma dada velocidade do pneu sob tração Tubeless: sem câmara 408: data de fabricação

Tubeless: sem câmara 408: data de fabricação

A característica diagonal das laterais dos pneus de alta flutuação possibilita maior resistência a danos provocados por tocos de arvores em áreas “novas” ou restos culturais, tal como talos de algodão e soja, justamente onde os

pneus de concepção radial são frágeis. A maior largura da banda de rodagem aliada à baixa pressão de inflação dos pneus, proporcionam área superior de contato dos mesmos com o solo, o que confere maior desempenho dos tratores e redução da compactação do solo, aliada a diminuição da resistência ao rolamento e patinagem proporcionando, assim, maior durabilidade (duas a três vezes mais que os pneus convencionais). Os pneus de alta flutuação, por apresentarem maior largura da banda de rodagem em relação aos convencionais, freqüentemente, substituem os rodados duplados em tratores e colhedoras. A alta flutuação proporcionada por esse tipo de pneu permite que o tráfego de máquinas seja iniciado num tempo menor após um período chuvoso, evitando que falte matéria prima na indústria e a colheita de grãos seja realizada num curto período, disponibilizando as áreas para o próximo plantio. As menores pressões de inflação dos pneus

Divulgação

Trelleborg: marca Twin: nome do produto 414: símbolo referente ao desenho das garras 710/65-38: designação da dimensão 400: largura da banda de rodagem - mm 60: altura do flanco em porcentagem da largura da banda de rodagem % 15.5: diâmetro do aro - polegadas 8 PR: quantidade de lonas – codificação antiga 156 A8 : índice de carga para velocidade de 40 km/h do pneu 153 B: índice de carga para velocidade de 50 km/h do pneu

trutural permite utilizar baixas pressões de inflação para maiores capacidades de carga. Os pneus de alta flutuação para equipamentos agrícolas apresentam as seguintes denominações em seus flancos:

Mazetto: “O custo horário com pneu de alta flutuação pode ser até 26,6% menor”

08

Máquinas

Pneu mais estreito apresenta bulbo de compactação mais profundo, ao contrário de pneus de alta flutuação que distribuem a carga sobre o solo, reduzindo a profundidade do bulbo

www.cultivar.inf.br

Junho 2004


de alta flutuação proporcionam maiores deformações dos mesmos, permitindo maior adequação às irregularidades do terreno e absorção de impactos, eliminando o power hop (galope) e vibrações à máquina, propiciando conforto superior ao operador. É importante lembrar que nem todos os rodados pneumáticos permitem a utilização de pressões baixas de inflação, devendo-se levar em consideração a pressão recomendada pelos fabricantes para a carga e velocidade máxima que os diversos tipos de pneus serão submetidos. Os pneus de alta flutuação para tratores apresentam garras mais altas em três diferentes ângulos, para garantir maior tração e melhor auto-limpeza da banda de rodagem, além de apresentar alta capacidade de suporte de carga devido à maior largura da banda de rodagem. Os resultados relativos aos ensaios de rodados agrícolas têm demonstrado superioridade dos pneus de baixa pressão e alta flutuação, quanto ao desempenho operacional de tratores e economia de consumo de combustível em comparação com os outros tipos de rodados pneumáticos, como pode ser observado nos gráficos. Perante as vantagens operacionais e de con-

servação dos solos, os pneus de baixa pressão e alta flutuação vêm oferecendo as soluções para os agricultores, com a tecnologia totalmente voltada para as condições brasileiras, proporcionando a utilização mais racional das máquinas e equipamentos agrícolas a custos reduzidos, elevando a rentabilidade econômica das M culturas. Flávio Rielli Mazetto, FCA/Unesp-Botucatu

Custos

O

s rodados pneumáticos de alta flutuação para tratores apresentam custo de aquisição 100% mais alto que os pneus convencionais, porém se avaliarmos a durabilidade (três vezes mais) e a economia no consumo de combustíveis (de até 15%) o custo horário será de 26,6% mais baratos em comparação aos pneus diagonais. Outro benefício, tal como maior produtividade agrícola decorrente da menor compactação do solo pode ser citado.

Tabela comparativa de consumo de combustível Pneus convencionais vs. Alta flutuação Rendimento e consumo Trator Pneus Dimensão dos Pneus dianteiros Dimensão dos Pneus Traseiros Subsolador Stara de Arrasto Canavieiro Largura de trabalho (m) Velocidade de trabalho (Km/h) Eficiência (%) Capacidade de campo teórica (Ha/h) Capacidade de campo efetiva (Ha/h) Hectares trabalhados em 18 hs Hectares trabalhados em 30 dias Consumo aproximado l/h Consumo aproximado l/ha Consumo de óleo diesel (l) em 500 ha Valor do Litro de óleo diesel (R$) Total gasto em diesel p/500 ha (R$) Diferença em 500 Ha em R$ Diferença em 5000 Ha em R$

270 cv 270 cv Diagonais Alta flutuação 18.4X26 600/60X30.5 30.5X32 850/60X38 5 hastes 5 hastes 2,5 2,5 6,21 6,94 80% 80% 1,55 1,74 1,24 1,39 22,356 24,984 670,68 749,52 41,8 39,1 33,68 28,19 16839,77 14095,82 1,30 1,30 21891,71 18324,57 -3567,14 -35671,39


Evento ConBAP

Sucesso no ConBAP Fotos Arno Dallmeyer

A

comunidade técnica brasileira envolvida com as mais recentes tecnologias agrícolas teve um encontro em Piracicaba (SP), nos dias 17 a 19 de maio passado. O ConBAP 2004 (Congresso Brasileiro de Agricultura de Precisão) foi realizado pela Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) e Fealq. A organização foi de uma comissão de cinco professores da USP, coordenada pelo professor José P. Molin. No público participante de 291 pessoas houve a predominância de técnicos de empresas (27%), seguido por estudantes (21%) e pesquisadores, consultores e agricultores, (cada um com 10%). Embora 40% dos participantes fossem paulistas, havia mais 12 estados brasileiros representados, e dez pessoas do Paraguai, o que atesta a importância do tema e a oportunidade do Congresso. Os trabalhos propostos foram mais de cem, sendo 70 em forma de pôster e 30 apresentações orais. Houve também cin-

UM OUTRO EVENTO Evandro Chartuni Mantovani e Daniel Marçal de Queiroz divulgaram o 5º Simpósio Internacional de Agricultura de Precisão, a ser realizado em Minas Gerais, em junho de 2005, com o apoio da Sociedade Brasileira de EngeM nharia Agrícola. AD

Mais de cem trabalhos técnicos foram apresentados no evento

Posição paralela permitiu que empresas apresentassem seus produtos para o setor

co painéis temáticos de discussão, e cinco conferências, das quais três internacionais, apresentadas por renomados pesquisadores dos Estados Unidos e da Inglaterra. Uma exposição paralela permitiu a mais de 15 empresas mostrar seus produtos para AP e discutí-los com o público.

Mantovani e Queiroz divulgaram o 5º Simpósio Internacional de Agricultura de Precisão

Síntese da avaliação feita por amostragem por participantes do ConBAP 2004

Total de 291 participantes e 132 fichas de avaliação

10

Máquinas

www.cultivar.inf.br

Junho 2004


Termonebulizadores café

Neblina contra a Pedro de Castro Neto

Nas lavouras de café em Minas Gerais e São Paulo, o velho problema das geadas, que às vezes causa perdas totais , já pode ser contornado com a utilização de termonebulizadores, equipamentos que produzem uma neblina artificial e previnem a formação de gelo sobre as plantas

A

região Sul e parte da região Sudeste do Brasil, abrangendo, nesta última, principalmente os estados de São Paulo e Minas Gerais, têm sofrido esporadicamente os efeitos do fenômeno da geada. Principalmente por ser um fenômeno adverso de ocorrência ocasional, provoca prejuízos consideráveis, fundamentalmente na cafeicultura, pastagens e olericultura, uma vez que os agricultores não têm se preparado adequadamente para evitar os danos. Se, ao ocorrer uma geada, a umidade do ar for mais elevada, haverá a formação de uma camada branca de orvalho congelado na superfície dos vegetais, e o fenômeno será denominado geada branca. Se o ar estiver muito seco, não haverá formação do orvalho congelado, recebendo a denominação de geada negra. Nas noites frias, o ar que está em contato com as plantas se resfria mais rapidamente, tornando-se mais denso e, por isso desloca-se vagarosamente para as partes mais baixas dos terrenos que apresentam alguma inclinação. Este é o motivo principal pelo qual deve-se evitar os terrenos mais baixos para o cultivo de lavouras que não resistem aos efeitos da

12

Máquinas

geada (Figura 1). Para prever se, numa determinada noite, é possível a ocorrência de geadas em certa lavoura, pode-se utilizar o método do pagoscópio, que nada mais é que um gráfico (Figura 2) para a previsão de geadas microclimáticas ou de irradiação noturna. Além do gráfico, o agricultor deverá adquirir um psicrômetro, que é um conjunto de dois termômetros que, em

um deles, existe uma espécie de “pavio” que envolve o bulbo do termômetro, mantendo-o úmido. Para a utilização do pagoscópio, devese acompanhar os seguintes passos: • Instalar um psicrômetro na parte mais fria da lavoura, dentro da lavoura, a 0,5m acima do solo, mais ou menos 20 minutos após o pôr-do-sol; • Deixar o psicrômetro em repouso

Figura 1: representação esquemática da seqüência de acúmulo de ar frio nas partes mais baixas de terreno

www.cultivar.inf.br

Junho 2004


“Dentre os métodos disponíveis para o combate direto às geadas, o que tem se apresentado mais aplicável, prático e econômico, principalmente no caso de culturas extensivas, como a cafeicultura, é a nebulização atmosférica”

geada por mais ou menos 20 minutos e efetuar as leituras, anotando criteriosamente qual leitura se refere ao termômetro de bulbo seco e bulbo úmido; • Cruzando-se os dados da leitura dos termômetros adequadamente no pagoscópio, o cruzamento das duas linhas indicará a área de probabilidade de geada. • Se a previsão indicar geada certa ou geada provável, deve-se continuar medindo a temperatura do ar (termômetro de bulbo seco) de hora em hora, para verificar se atingirá o valor de 2 ºC antes das cinco horas e 30 minutos e, se ocorrer, deve-se aplicar um método de combate direto à geada para evitar os danos às plantas. Dentre os métodos disponíveis para o combate direto às geadas, o que tem se apresentado mais aplicável, prático e econômico, principalmente no caso de culturas extensivas, como a cafeicultura, é a nebulização atmosférica.

Figura 2: gráfico do pagoscópio, utilizado para medir a parte mais fria do terreno


“Um fato importante é que os termonebulizadores são máquinas de grande versatilidade, podendo ser utilizados, além do combate a geadas, em outras atividades, como desinsetização de ambientes”

Fotos Pedro de Castro Neto

As neblinas verdadeiras, cujas partículas têm diâmetro superior a 8 mm, com maior quantidade entre 8 e 20 mm, são capazes de absorver ou dispersar a radiação de ondas longas emitida pelo solo e pelas plantas, impossibilitando assim o abaixamento da temperatura, impedindo ou, pelo menos, reduzindo os danos às plantas. Somente se obtêm bons resultados por nebulização quando a neblina cobrir toda a bacia, onde está a cultura, ou seja, deve-se nebulizar a bacia toda onde está a cultura, e não-somente a cultura. A neblina deve também ser lançada no momento adequado, antes que a temperatura atinja os limites críticos. Devese iniciar o processo quando a temperatura do ar, medida a 0,5 m acima do solo, na parte mais fria da lavoura, atingir o valor de 2 ºC. Para gerar a neblina, deve-se utilizar os equipamentos denominados “termonebulizadores”, cujo princípio de funcionamento é baseado na injeção de óleo díesel ou outros óleos em uma corrente de ar quente gerada por uma turbina pulso jato, que provocará a quebra do óleo em partículas finas, sem que haja a combustão do óleo. As partículas de óleo serão lançadas diretamente na atmosfera, provocando a formação da neblina artificial. Os termonebulizadores podem ser construídos com uma ou duas saídas de neblina, apresentando vazão de até 30 ou 60 litros de óleo por hora, e consumo de 1,5 ou 3 litros por hora, respectivamente. Dependendo da conformação da bacia onde está localizada a lavoura a ser protegida, gasta-se de um a 1,5 litros de óleo para cobrir cada hectare, sendo que cada equipamento com saída simples é capaz de gerar neblina para uma área

Tipos de geada

N

o sentido agronômico, considera-se geada o fenômeno que provoca a morte de plantas ou de parte delas devido ao abaixamento acentuado da temperatura do ar. Seus efeitos provocam danos econômicos e sociais importantes, e se propagam nos anos seguintes à ocorrência, particularmente no caso da pecuária e das culturas perenes. São reconhecidas duas formas de geadas: 1) Geadas Climáticas ou de vento: são aquelas causadas diretamente pelo deslocamento de massas de ar frio provenientes das regiões polares, que atingem o local das lavouras com temperaturas me-

14

Máquinas

nores que aquelas suportadas pelas plantas. Sua ocorrência é pouco importante na região Sudeste do Brasil e a proteção somente é eficiente se as plantas forem cobertas e aquecidas. 2) Geadas microclimáticas ou de irradiação noturna: são aquelas de formação local, que ocorrem em noites frias de inverno, com céu limpo e ausência de vento. Nestas noites, o ar frio e seco não tem capacidade de reter a radiação de ondas longas emitida pela superfície, que se perde para o espaço e facilita o abaixamento da temperatura noturna, que poderá ser da ordem de 1ºC/hora.

www.cultivar.inf.br

entre cem e 150 ha, dependendo da forma da bacia. As maiores vantagens desta metodologia consistem na independência das condições de umidade do ar, baixo consumo e peso dos equipamentos e grande portabilidade, facilitando o trabalho de combate a geadas que, deve-se lembrar, é feito durante a noite. A localização dos termonebulizadores é também um ponto que deve ser estudado com atenção, uma vez que, muitas vezes, os equipamentos serão instalados a grandes distâncias das lavouras a serem protegidas, de forma a aproveitar o declive do terreno. Assim, o ar frio que se desloca para as partes mais baixas levará consigo a neblina artificial, enchendo a bacia de neblina de baixo para cima. Os equipamentos deverão permanecer ligados até que o dia comece a clarear.

Junho 2004


Um fato importante é que os termonebulizadores são máquinas de grande versatilidade, podendo ser utilizados, além do combate a geadas, em outras atividades, como desinsetização de ambientes (condomínios, sítios, clubes, acampamentos, indústrias, canalizações de esgoto, acampamentos na selva ou qualquer outro lugar onde haja incidência de pernilongos, moscas, baratas, borrachudos, piuns e outros), controle de doenças, como dengue, malária e outras, controle de insetos em armazéns e silos etc. Opcionalmente, existe a possibilidade de adaptar uma saída curva, que permite a utilização do termonebulizador para o combate à formiga, praga que causa grandes prejuízos à lavoura. Esta versatilidade do equipamento faz com que o custo fixo de aquisição seja distribuído em várias atividades da propriedade. Por outro lado, somente conseguiremos ter a certeza da ocorrência deste fe-

O princípio dos termonebulizadores baseia-se na injeção de óleos em uma corrente de ar quente

nômeno adverso na própria noite de sua ocorrência, fato que exige que o agricultor esteja preparado para a eventual ocorrência da geada preventivamente, ou seja, sem saber se vai ou não utilizar os equipamentos, bem como mantê-los com ma-

Quanto custa

O

investimento necessário em um termonebulizador com turbina é de R$ 3.996,00, o que equivale a, aproximadamente, 20 sacas de café. A existência de diversas propriedades em uma única bacia hidrográfica possibilita, na maioria das vezes, a aquisição de várias máquinas para vários produtores, sendo as operações feitas também em um sistema cooperativo. Com relação aos custos operacionais, o gasto por hectare protegido varia bastante em função da relação entre a área

de lavoura e a área da bacia. Exemplificando, se para 100 ha de bacia tivermos 10 ha de lavoura, serão gastos, para cada noite de geada, mais ou menos 130 litros de óleo díesel e 7 litros de gasolina, o que totaliza aproximadamente uma saca de café. Considerando-se que, caso a lavoura não seja protegida e ocorra uma geada, tem-se um prejuízo na produção que pode chegar a até 100% naquele ano e comprometer a produção nos próximos dois anos, os custos operacionais tornam-se insignificantes.

nutenção adequada para que, no momento necessário, estejam em condições perfeitas de utilização. Nesta hora, vale o ditado que diz que “é melhor prevenir M do que remediar!”. Pedro Castro Neto, UFLA

Neto alerta para as perdas ocasionadas pela geada, que chegam a 100%


Pulverizadores inspeção

Fotos Jacto

produção. Assim, como forma de melhorar a qualidade da aplicação dos produtos fitossanitários em pomares e para determinar o funcionamento de acordo com as normas e informações especificadas, foi instalado na Estação Experimental de Caçador o sistema de Inspeção de Pulverizadores, através de uma unidade móvel que se desloca até a propriedade, para fazer a avaliação do funcionamento dos equipamentos de pulverização que estão sendo utilizados normalmente nos tratamentos dos pomares. Este trabalho foi iniciado em 2001, na região produtora de maçã, com o apoio da Basf, e é realizado também para atender a uma das normas da produção integrada de frutas, que estabelece a necessidade da realização de calibração dos equipamentos de

Vistorias regulares

16

Máquinas

A

escolha de um equipamento de pulverização deve atender às necessidades da cultura alvo dos tratamentos. Os fabricantes disponibilizam no mercado equipamentos que, quando novos, devem apresentar funcionamento adequado e dentro das especificações técnicas, porém, pelo uso freqüente com produtos que proporcionam desgastes em determinados componentes, estes necessitam substituição ou reparos. No campo, a decisão de substituição de peças sem uma avaliação exata de seu funcionamento torna-se uma tarefa difícil, principalmente pela incerteza de que o que se está substituindo não é necessário e, conseqüentemente, isto reflete diretamente no aumento do custo de

www.cultivar.inf.br

Luis Antônio Palladini

Em Santa Catarina, o sistema de inspeção regular de pulverizadores é uma realidade entre os produtores de frutas e, ao mesmo tempo que detecta inúmeros problemas, auxilia na adequação dos equipamentos utilizados, diminuindo em até 25% o desperdício de produtos fitossanitários

Unidade móvel utilizada na inspeção de pulverizadores em Santa Catarina

Junho 2004


“No item segurança dos operadores, destaca-se que 84,5% dos tratores não possuem a proteção do cardan, dispositivo que evita acidentes com os operadores e auxiliares, durante as operações prévias e dos tratamentos fitossanitários diretamente no campo”

I

nicialmente, os custos do serviço de inspeção de pulverizadores adicionado à substituição das pontas de pulverização desgastadas podem parecer altos, mas o lucro é muito maior. Considerando o aumento médio de 12,6% no consumo de calda de pulverização, isto aumenta o custo de produção de macieira em aproximadamente R$ 285,00 ha/ano. Como a média de tratamentos realizados por pulverizador é de 25 hectares, o aumento total seria de R$ 7.125,00 reais/ano para 25 ha e o custo com a substituição de todos as pontas de pulverização de um equipamento com 22 pontas mais os serviços da inspeção não ultrapassa 10% do valor total da economia. Assim, o produtor teria um lucro de aproximadamente 6,5 mil reais a cada 25 ha. pulverização que estão sendo utilizados nas áreas nas quais os frutos são para comercialização, como de produção integrada. As inspeções das máquinas de pulve-

rizações são realizadas por duas avaliações distintas: uma de visualização geral do funcionamento de todos os componentes, que verifica o funcionamente e o estado de conservação de componentes do equipamento, registrando-se todas estas observações e a outra para as determinações quantitativamente das rotações por minuto (rpm) na tomada de força do trator (tdf), para aferir o funcionamento do manômetro que mede a pressão em que o pulverizador está aplicando a calda, para determinação da vazão nominal da bomba em litros por minuto e para a determinação individual da vazão das pontas de pulverização. Os parâmetros utilizados para determinar se os componentes estão ou não dentro dos limites aceitáveis na aprovação do pulverizador são o intervalo de variação de até 10% para a vazão das pontas de pulverização; o funcionamento dos manômetros e vazão da bomba; e a variação entre 530 e 570 rotações por minuto na tomada de força do trator. Como este trabalho até então é uma novidade e os produtores ainda não estão acostumados a fazerem os reparos e consertos nos equipamentos, logo que os defeitos aparecem ou fazem revisão dos equipamentos após o ano agrícola, os re-

A variação de até 10% para a vazão das pontas de pulverização está dentro do limite aceitável Luis Antônio Palladini

Os custos

Vazamento nas conexões do pulverizador


“O número de pontas desgastadas e o aumento da vazão pelo desgaste é muito variável entre as pontas de um mesmo pulverizador e entre os pulverizadores”

Quadro 1 - Componentes e porcentagens de reprovação dos principais itens alvo do sistema de inspeção do conjunto trator-turboatomizador utilizado nos tratamentos fitossanitários em fruticultura. Equipamento/componentes Turboatomizador Pontas usadas Manômetro que estava funcionando RPM na tomada de força do trator Vazão nominal da bomba do pulverizador Indicador do volume de calda no tanque Cadan sem proteção

Porcentagem de reprovação 21,0% 64,8% 30,0% 45,0% 51,0% 14,0% 84,5%

Luis Antônio Palladini

sultados mostraram que os equipamentos de pulverização apresentaram muitos defeitos, e isto está proporcionando enormes desperdícios de produtos e, conseqüentemente, prejuízos econômicos aos proprietários e ao meio ambiente. No primeiro ano de inspeção, o resultado foi de que 21% dos pulverizadores foram reprovados na inspeção, pois apresentavam defeitos como vazamentos, ausência de componentes e funcionamento inapropriado, que impossibilitavam os procedimentos necessários para a realização da inspeção. Em relação aos demais componentes (Quadro 1), os resultados mostraram que 30% dos manômetros não são aptos para calibrar os pulverizadores; 51% das bombas apresentaram vazão nominal fora do limite, proporcionando insuficiência na

agitação da calda, principalmente nas formulações pó molhável, pela decantação rápida do produto, causando diferenças de concentração na solução entre o início e final da aplicação. Em relação à rotação por minuto (rpm) na tomada de força do trator, 45% dos tratores não estavam funcionando de acordo com as especificações técnicas. Verificou-se, também, que 14% dos pulverizadores apresentaram o dispositivo para verificar o nível de calda remanescente no tanque invisível. Isto condiciona o operador a parar a aplicação somente quando termina totalmente o líquido de dentro do tanque, o que fatalmente proporciona a aplicação em subdosagens em algumas plantas. No item segurança dos operadores, destaca-se que 84,5% dos tratores não possuem a proteção do cardan, dispositivo que evita acidentes com os operadores e auxiliares, durante as operações pré-

IPP em São Paulo

A

lém do Sistema de Inspeção de Pulverizadores apresentado neste artigo, existe o Projeto IPP (Inspeção Periódica de Pulverizadores), coordenado pelo professor Ulisses Rocha Antuniassi, realizado no Nempa (Núcleo de Ensaio de Máquinas e Pneus Agrícolas da FCA/ Unesp), em Botucatu (SP), com o apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). O sistema já está sendo utilizado em diversas propriedades desde o ano de 2002. vias e dos tratamentos fitossanitários diretamente no campo. Além destes, verificou-se que 64,8% das pontas de pulverização que estavam em uso nos tratamentos apresentavamse desgastadas e aplicavam volumes aci-

Vazão das pontas de pulverização determinada na inspeção inicial do pulverizador, vazão corrigida com a substituição das pontas desgastadas e o limite superior e inferior tolerável

Ramal de bicos com vazamento

18

Máquinas

Vazão das pontas de pulverização determinadas na inspeção inicial do pulverizador, vazão corrigida com a substituição das pontas desgastadas e os limites superiores e inferiores toleráveis para a vazão de cada ponta

www.cultivar.inf.br

Junho 2004


trando ser eficiente para: • evitar desperdícios de produtos, reduzir a contaminação ambiental e risco de resíduos acima dos limites aceitáveis; • detectar e corrigir defeitos dos equipamentos de pulverização, proporcionando uma aplicação de pesticidas nas dosagens corretas e recomendadas; • informar e instruir os usuários para a necessidade da realização de tratamentos fitossanitários com pulverizadores funcionando corretamente; • reduzir os custos de produção; M • reduzir o uso de agroquímicos.

Necessidade de inspeção necessidade de se conhecer as características técnicas das máquinas de aplicação de produtos fitossanitários é indispensável nos dias de hoje, pois os produtos químicos são cada vez mais específicos e eficientes. Diversos países, principalmente da Europa, para verificar o funcionamento dos seus equipamentos de pulverização, já realizam a inspeção dos pulverizadores de forma obrigatória ou voluntária. Na Alemanha, desde 1993 é obrigatória, por lei, a inspeção dos pulverizadores de barra e, a partir de 2000, também para os turboatomizadores. A utilização de pulverizadores com a certeza de que os bicos estão com a vazão correta, a bomba está funcionando adequadamente, o manômetro está registrando a pressão exata do líquido e o trator está na rotação adequada, proporciona a segurança ao técnima dos limites toleráveis. O número de pontas desgastadas e o aumento da vazão pelo desgaste é muito variável entre as pontas de um mesmo pulverizador e entre os pulverizadores. Para se ter uma idéia, foram determinados em uma amostra de pulverizadores uma variação entre 0,8 e 35,6 % de vazão maior pelo desgaste das pontas. Como exemplo, pode-se verificar na figura ao lado esquerdo, a vazão individual de cada ponta de um dos pulverizadores inspecionados. Observa-se que das 18 pontas que equipavam o pulverizador foram necessárias a substituição de dez. A utilização dessas pontas com vazão maior pelo desgaste estavam proporcionando um aumento na vazão total do pulverizador de 25,4 %. Em outro pulverizador, verificou-se que, das 18 pontas, 8 necessitavam ser substituídas e o volume aplicado a mais era de 15,4%. Em todos os pulverizadores, após a verificação de que todos os componen-

co responsável e ao produtor de que o produto está sendo distribuído nas quantidades e de forma adequada para o controle que se deseja, na cultura alvo, além de proporcionar a redução do impacto ambiental. Porém, deve-se ter sempre muito claro que, para a eficiência de um tratamento fitossanitário, é necessário que sua aplicação seja em quantidade suficiente e com uma distribuição uniforme sobre o alvo que se deseja controlar ou proteger. Normalmente, o uso incorreto do equipamento de pulverização é o grande responsável pela deficiência no controle e pela poluição do ambiente caracterizando, assim, que o equipamento de pulverização é o grande responsável para proporcionar um tamanho de gota adequado e fazer com que esta gota, contendo o produto químico, atinja o alvo de forma eficiente. tes alvo da inspeção estão funcionando adequadamente, é fixado um selo, para comprovar e demonstrar que aquele equipamento foi calibrado pelo Sistema de Inspeção de Pulverização. Como resultado final, o sistema de inspeção de pulverizadores está demons-

Luiz Antonio Palladini, Epagri Divulgação

A

Palladini alerta para a necessidade da inspeção: 64,8% dos bicos pesquisados aplicavam volumes incorretos

Selo de comprovação da inspeção do pulverizador

Junho 2004

www.cultivar.inf.br

Máquinas

19


Colheita custos

Próprias ou alugadas? Agco

Colher com máquina própria nem sempre é a opção mais rentável. Dependendo do tamanho da propriedade, a terceirização da colheita pode ser uma forma de aumentar a margem de lucro

A

s justificativas do investimento na aquisição do equipamento próprio vão desde as facilidades e as vantagens fiscais do financiamento, passando pela segurança e chegando até a satisfação de um desejo muitas vezes estimulado pela propaganda. Porém, na agricultura capital-intensiva, as margens estão se tornando cada vez mais estreitas, obrigando o empresário rural a rever a sua planilha de custos e tomar decisões com base em indicadores objetivos.

20

Máquinas

www.cultivar.inf.br

Junho 2004


“Na agricultura capital-intensiva, as margens estão se tornando cada vez mais estreitas, obrigando o empresário rural a rever a sua planilha de custos e tomar decisões com base em indicadores objetivos”

John Deere

Atendo-se apenas aos interesses econômicos, a decisão entre colher com máquina própria ou alugada depende da interação de alguns parâmetros fundamentais do projeto agrícola. Começa com a quantidade de tempo disponível para a colheita, observando a janela de oportunidade da operação. Com isso, é possível estimar o custo de uso (propriedade + operação) e a capacidade de campo anual do equipamento. O custo da unidade de área trabalhada, ou saca colhida, será fornecido pela relação entre o custo de

Figura 1: intervalos de área para uso de colhedora própria segundo o custo do serviço de terceiros

uso e a respectiva capacidade. Porém, a parcela do custo de propriedade é um valor fixo, de forma que o custo unitário dependerá da quantidade anual de serviço. Assim, quanto maior a área trabalhada (ou sacas colhidas), menor será o

Junho 2004

www.cultivar.inf.br

custo unitário, limitado todavia à capacidade anual da máquina. A extensão de área a ser colhida define a demanda de unidades. Se uma máquina tem capacidade para colher 600 ha/ ano operando 300 horas, uma área mai-

Máquinas

21


“Ademais, o serviço deve ser garantido por cláusulas de pontualidade e qualidade, para minimizar as perdas antes e durante a colheita”

Número de colhedoras

1

2

3

4

Área (ha) 200 300 400 500 600 650 650 700 800 900 1000 1100 1200 1300 1350 1350 1400 1500 1600 1700 1800 1900 1950 1950 2000 2100 2200 2300 2400 2500 2600 2650

Custo Máquina Própria (R$/ha) 409,50 288,57 228,10 191,82 167,63 158,33 269,96 254,01 228,10 207,94 191,82 178,63 167,63 158,33 154,20 207,94 202,19 191,82 182,75 174,75 167,63 161,27 158,33 195,54 191,82 184,91 178,63 172,89 167,63 162,80 158,33 156,22

100kW Plataforma de 5,7 m Custo Serviço Terceiros - Custo Máquina Própria (R$/ha) 7,0% 8,0% 9,0% 5,0% 6,0% -209,50 -234,50 -259,50 -184,50 -284,50 -113,57 -88,57 -63,57 -163,57 -138,57 -53,10 -28,10 -3,10 -103,10 -78,10 8,18 -16,82 -41,82 33,18 -66,82 7,37 32,37 57,37 -42,63 -17,63 16,67 41,67 66,67 -33,33 -8,33 -69,96 -94,96 -119,96 -44,96 -144,96 -79,01 -54,01 -29,01 -129,01 -104,01 -28,10 -53,10 -78,10 -3,10 -103,10 -7,94 -32,94 -57,94 17,06 -82,94 -16,82 8,18 33,18 -66,82 -41,82 21,37 -3,63 -28,63 46,37 -53,63 32,37 7,37 57,37 -17,63 -42,63 16,67 41,67 66,67 -33,33 -8,33 20,80 45,80 70,80 -29,20 -4,20 -7,94 -32,94 -57,94 17,06 -82,94 -27,19 -2,19 -77,19 -52,19 22,81 -16,82 8,18 33,18 -66,82 -41,82 -7,75 17,25 42,25 -57,75 -32,75 25,25 0,25 -24,75 50,25 -49,75 7,37 32,37 -42,63 -17,63 57,37 13,73 38,73 63,73 -36,27 -11,27 41,67 16,67 66,67 -8,33 -33,33 4,46 -20,54 -45,54 29,46 -70,54 8,18 -16,82 33,18 -41,82 -66,82 15,09 -9,91 40,09 -34,91 -59,91 21,37 -3,63 46,37 -28,63 -53,63 27,11 2,11 52,11 -22,89 -47,89 32,37 7,37 57,37 -17,63 -42,63 37,20 12,20 62,20 -12,80 -37,80 41,67 16,67 66,67 -8,33 -33,33 43,78 18,78 66,78 -6,22 -31,22

Claas

or exigirá uma segunda máquina e o tempo médio de uso anual de ambas fica reduzido inicialmente a 150 horas, elevando-se até o limite de 300 horas, quando a área trabalhada será maximizada em 1.200 ha. Uma área ainda maior demandará uma terceira unidade e as três máquinas apresentarão inicialmente um tempo médio de uso anual de 200 horas, podendo se elevar progressivamente até 300 horas cada uma, quando a área será maximizada em 1,8 mil ha. Este raciocínio é repetido para outras áreas, desde que as condições de logística permaneçam relativamente constantes. Quando, porém, a área total a ser co-

A opção por máquina própria ou alugada depende de fatores como, por exemplo, o tempo disponível

22

Máquinas

10,0% -159,50 -38,57 21,90 58,18 82,37 91,67 -19,96 -4,01 21,90 42,06 58,18 71,37 82,37 91,67 95,80 42,06 47,81 58,18 67,25 75,25 82,37 86,73 91,67 54,46 58,18 65,09 71,37 77,11 82,37 87,20 91,67 93,78

lhida está aquém da capacidade da colhedora ou da frota de colhedoras, o cus-

Custos da

A

s tabelas fazem um comparativo entre os custos do serviço contratado e custos do serviço com equipamento próprio, para os dois modelos de colhedoras. As faixas verdes, com receita positiva, indicam que a posse do equipamento é mais interessante. Ocorrem com o aumento da área e do preço do serviço contratado. O aumento da área de trabalho diminui a difeto de colheita com máquina própria geralmente é mais alto que com máquina alugada. Isso ocorre porque o empreiteiro pode, mediante contratos em carteira, maximizar a capacidade das suas máquinas e, assim, oferecer um serviço com custo unitário menor. Obviamente, no custo do serviço prestado devem estar incluídos os custos da empresa como administração, impostos e mobilização do equipamento. Ademais, o serviço deve ser garantido por cláusulas de pontualidade e qualidade, para minimizar as perdas antes e durante a colheita. Geralmente, o serviço de terceiros é remunerado com base num percentual fixo sobre a quantidade de produto colhido de forma que o custo final depende do respectivo preço. A figura 1 ilustra os resultados da simulação para determinar os intervalos de

O que influencia na escolha?

O

utros fatores, porém, interfe rem na decisão, geralmente, levando o agricultor a adquirir equipamento próprio. Um deles é a confiabilidade no prestador de serviços. No Brasil, este tipo de empresa é incipiente e carece de profissionalismo associado a uma boa logística, para garantir a pontualidade e a qualidade do serviço. É comum o prestador de serviços ser agricultor também que, tendo excesso de capacidade, colhe primeiro a sua lavoura e depois a dos vizinhos, para abater os custos da sua máquina com as receitas do serviço prestado a terceiros. Ademais, como o preço do serviço geralmente é um percentual da produção colhida, o custo final depende do preço do produto. Porém, quando o preço do produto ou a produtividade é baixa ou, ainda, as condições de operação são difíceis, o

www.cultivar.inf.br

empreiteiro cobra por área ou hora trabalhada. Isto, evidentemente, dificulta a decisão imediata. Outro fator é a oportunidade e as vantagens fiscais do financiamento das máquinas dentro dos programas oficiais. No empreendimento agrícola, também cabe a divisão de tarefas para aumentar a eficiência do sistema. Assim, o produtor deve terceirizar as operações que requerem equipamento caro para trabalhar pouca área ou pouco tempo, isto é, que não possuam escala de demanda razoável no projeto agrícola próprio. Isso se aplica particularmente à operação de colheita em áreas com menos de 700 ha de lavoura por ano. Com isso, abre-se um mercado potencialmente bom para a prestação de serviços de colheita, observando-se, contudo, as garantias de pontualidade e qualidade do serviço.

Junho 2004


Número de colhedoras

colheita rença entre o custo-serviço de terceiros e o custo máquina própria, porque cada nova unidade incorporada possui uma referência inicial de tempo de serviço anual maior que a anterior, o que reduz o custo fixo por unidade de serviço executado. Por conta disso, o produtor rural deve rever a posse do equipamento quando se trata de serviços sem demanda de escala, ou seja, serviços em pequena área e por pouco tempo.

Junho 2004

2

3

4

Custo Máquina Própria (R$/ha) 460,88 320,17 249,82 207,60 179,46 159,36 144,29 132,56 127,62 216,49 207,60 192,25 179,46 168,64 159,36 151,32 144,29 138,08 132,56 127,62 172,06 165,39 159,36 153,88 148,87 144,29 136,17 129,21 159,36 155,20 151,32 144,29 138,08 132,56 127,62

100kW Plataforma de 7,0 m Custo Serviço Terceiros - Custo Máquina Própria (R$/ha) 5,0% 9,0% 8,0% 7,0% 6,0% -335,88 -235,88 -260,88 -310,88 -285,88 -195,17 -95,17 -120,17 -145,17 -170,17 -124,82 -24,82 -49,82 -74,82 -99,82 -82,60 17,40 -7,60 -57,60 -32,60 -54,46 45,54 20,54 -4,46 -29,46 -34,36 65,64 40,64 15,64 -9,36 -19,29 80,71 55,71 5,71 30,71 -7,56 92,44 67,44 42,44 17,44 -2,62 97,38 72,38 22,36 47,38 -91,49 8,51 -41,49 -16,49 -66,49 -82,60 17,40 -7,60 -32,60 -57,60 -67,25 32,75 7,75 -17,25 -42,25 -54,46 45,54 -4,46 20,54 -29,46 -43,64 56,36 31,36 6,36 -18,64 -34,36 65,64 40,64 15,64 -9,36 -26,32 73,68 48,68 23,68 -1,32 -19,29 55,71 80,71 5,71 30,71 -13,08 86,92 61,92 36,92 11,92 -7,56 92,44 67,44 42,44 17,44 -2,62 97,38 72,38 22,38 47,38 -47,06 27,94 52,94 -22,06 2,94 -40,39 59,61 34,61 9,61 -15,39 -34,36 65,64 40,64 15,64 -9,36 -28,88 71,12 46,12 21,12 -3,88 -23,87 76,13 51,13 26,13 1,13 -19,29 80,71 55,71 30,71 5,71 -11,17 88,83 63,83 38,83 13,83 -4,21 95,79 70,79 45,79 20,79 -34,36 65,64 40,64 15,64 -9,36 -30,20 69,80 44,80 19,80 -5,20 -26,32 73,68 48,68 23,68 -1,32 -19,29 80,71 55,71 30,71 5,71 -13,08 86,92 61,92 36,92 11,92 -7,56 92,44 67,44 42,44 17,44 -2,62 97,38 72,38 47,38 22,38

162 kw, com plataforma de 7 m, começa a ser interessante quando o preço do serviço de terceiros é igual ou superior a 6%. Neste caso, uma unidade se aplica a áreas entre 750 e 950 ha. Para 7%, 650 a 950 ha; 8%, 525 a 950 ha; 9%, 450 a 950 ha e 10%, 400 a 950 ha. Para preço do serviço terceirizado inferior a 6%, não é interessante a posse do equipamento para qualquer tamanho de área. Embora as conclusões acima lancem alguma luz sobre o problema analisado economicamente, elas dependem todavia

10,0% -210,88 -70,17 0,18 42,40 70,54 90,64 105,71 117,44 122,38 33,51 42,40 57,75 70,54 81,36 90,64 98,68 105,71 111,92 117,44 122,38 77,94 84,61 90,64 96,12 101,13 105,71 113,83 120,79 90,64 94,80 98,68 105,71 111,92 117,44 122,38

dos parâmetros de contorno dos cenários simulados. Destacam-se o preço de aquisição, o tempo de uso anual, o horizonte de vida útil e a capacidade de campo das máquinas; o preço do produto e a M produtividade da lavoura. Iackson Borges, UFPR Marcos Milan, Esalq/USP Antônio José da Silva Maciel, Feagri/Unicamp

Divulgação

área para utilização de três modelos de máquinas na colheita de soja, considerando o serviço executado com equipamento próprio ou terceirizado. Os modelos são de 100 kw, com plataforma de 4,5 m, 125 kw, com plataforma de 5,7 m e 162 kw, com plataforma de 7 m. Os parâmetros de contornos principais dos cenários foram o tempo anual de utilização do equipamento próprio estimado em 300 h/ano e vida útil de dez anos, produtividade da lavoura estimada em 50 sc/ ha, preço da soja a R$ 50,00/sc e o custo (preço) do serviço terceirizado, variando de 5% a 10% da quantidade de produto colhido. A colhedora de 100 kw, com plataforma de 4,5 m, revelou-se muito restrita quando se trata de equipamento próprio, porque produz um custo unitário elevado em decorrência da sua capacidade limitada. Assim, o uso de uma unidade seria interessante somente quando o preço do serviço terceirizado for igual ou superior a 9%. Para este percentual, todavia, as áreas devem estar entre 400 – 425 ha; para 10%, entre 350 e 425 ha. Para duas ou mais unidades, os valores de área são múltiplos daqueles encontrados para uma unidade. Abaixo desses percentuais, e para qualquer tamanho de área, é mais interessante a compra dos serviços de colheita. A colhedora de 125 kw, com plataforma de 5,7 m, possui uma faixa de utilização maior que a máquina anterior visto que, tendo uma capacidade maior, produz um custo da unidade de serviço menor. Assim, quando o preço do serviço de terceiros for igual ou superior a 7%, a posse desta máquina se justifica para áreas entre 575 e 650 ha. Para 8%, 475 a 650 ha; 9%, 400 a 650 ha e 10%, 375 a 650 ha. Para mais unidades, utilizar múltiplos dessas áreas. E para serviços terceirizados a preços inferiores a 7%, não seria interessante a posse de equipamento próprio para qualquer tamanho de área. Finalmente, a posse da colhedora de

1

Área (ha) 200 300 400 500 600 700 800 900 950 950 1000 1100 1200 1300 1400 1500 1600 1700 1800 1900 1900 2000 2100 2200 2300 2400 2600 2800 2800 2900 3000 3200 3400 3600 3800

Borges, Milan e Maciel mostram que, apesar da confiabilidade em se ter uma colhedora própria, contratar este serviço também é uma boa opção

www.cultivar.inf.br

Máquinas

23


Motores eletrônica

Computador no Fotos Miguel Neves de Camargo

O gerenciamento eletrônico aumenta o desempenho e reduz as emissões dos motores, tornando-se um processo comum e irreversível, cada vez mais presente nos veículos brasileiros

N

esta última década, a indústria automobilística brasileira ingressou definitivamente numa nova era tecnológica: a tecnologia da eletrônica embarcada que, apesar de ter chegado em nosso país com um atraso de quase 20 anos, representa um passo importante na melhoria do desempenho e redução

Central de gerenciamento eletrônico micro-processado

24

Máquinas

de emissões de nossos motores. Este é um caminho sem volta. Cada vez mais a eletrônica vai comandar nossos veículos. A principal aplicação da eletrônica embarcada é o gerenciamento de motores. Hoje, todos os motores automotivos de ciclo Otto fabricados no Brasil são dotados de gerenciamento eletrônico, que também está começando a equipar alguns motores Diesel. Acabou a era do carburador e, em breve, vai terminar também a bomba injetora. Um motor com gerenciamento eletrônico é aquele que não tem carburador e a dosagem do combustível e a sua ignição são comandados com precisão por um computador (processador eletrônico). O principal componente do gerenciamento eletrônico de um motor é, sem dúvida, a central eletrônica. A central eletrônica gerencia o motor como se cada cilindro fosse um motor independente e sem influência sobre os outros, e todos os cálculos, ações e correções são

www.cultivar.inf.br

repetidos a cada ciclo de funcionamento do motor. São duas as funções básicas a serem controladas pela central eletrônica: a dosagem de combustível e a ignição. Para que a central eletrônica possa executar as funções de comandar a dosagem de combustível e a ignição são necessárias muitas informações fornecidas por vários sensores que podem ser organizadas por grupos de funções afins. O primeiro gera duas informações necessárias: a posição angular do motor em relação aos 720º de um ciclo completo e, ao mesmo tempo, o regime de rotação do motor a cada instante (rpm instantânea). Estas duas informações são obtidas a partir de um disco dentado que gira solidário com o eixo de comando de válvulas. Neste disco, há falta de um dente que determina o ângulo zero para o primeiro cilindro. Um sensor de proximidade, fixo na carcaça do motor, percebe quando um dente do disco pas-

Junho 2004


“Hoje, todos os motores automotivos de ciclo Otto fabricados no Brasil são dotados de gerenciamento eletrônico, que também está começando a equipar alguns motores Diesel”

comando

sa pelo mesmo e emite um pulso elétrico para a central eletrônica. A central detecta a rotação medindo a freqüência dos pulsos e detecta o ângulo zero pela falta de um pulso. O ângulo instantâneo é definido pela contagem dos pulsos a partir do ângulo zero. Outro grupo de sensores define as condições do ar admitido. Consistem de um

sensor de quantidade de ar admitido a cada instante e de sensores de temperatura e pressão atmosférica deste ar, além de um sensor de posição da borboleta do acelerador. Existem diversos tipos de sensores de quantidade de ar admitidos pelo motor. Os mais comuns são os medidores de fluxo de ar, que medem o volume de ar aspirado pela defle-

xão de uma válvula borboleta que reage contra a pressão de uma mola e o medidor de massa de ar a fio quente; neste, o fluxo de ar passa através de uma tubulação onde existe um fio eletricamente aquecido, o qual é esfriado pelo de ar que está passando. Medindo-se a temperatura e a corrente elétrica necessária para manter o fio aquecido, podese determinar a massa de ar que está passando pela tubulação por unidade de tempo. Em ambos os casos, são necessárias muitas correções em função da temperatura do ar que está sendo admitido e sua pressão atmosférica. Outro grupo de sensores formados pela sonda Lambda e pelo sensor de detonação servem para corrigir as ações comandadas pela central eletrônica para o próximo ciclo do cilindro correspondente. Para determinar a carga à qual o motor está submetido, a central eletrônica considera a relação entre a posição da borboleta do acelerador, a massa de ar admitida e a rotação instantânea do motor. Após efetuar os cálculos, pré-definidos no programa do microprocessador, com base nas informações recebidas dos sensores, fica determinado a rotação instantânea do motor, a massa de ar admitida e, conseqüentemente, a carga à qual o motor está submetido. Resta à central eletrônica definir a massa de gasolina a ser pulverizada no ar que está sendo admitido para formar a mistura e determinar o instante exato que deve ser formada a centelha elétrica que irá dar início à combustão. Como o motor, na realidade, não trabalha com a mistura estequiométrica e, sim, com um valor da relação lambda diferente de 1 e variável a cada instante dependendo do regime de rotação, da carga à qual o motor está submetido, da temperatura do motor, e até da pressão atmosférica, torna-se difícil calcular a cada instante a massa de combustível a ser injetado. Para facilitar, é feito um mapeamento do motor onde fica determinado, em fun-


Fotos Miguel Neves de Camargo

“Basta terem sido determinados a rotação do motor e a carga aplicada para a central eletrônica encontrar o momento exato da ignição. Estes cálculos são repetidos para cada cilindro e para cada ciclo de funcionamento de cada cilindro”

Esquema de um sistema de gerenciamento eletrônico Bosch

ção da rotação e da carga qual a relação lambda adequada. Este mapeamento é feito experimentalmente e fica armazenado na memória da central eletrônica. São tantos os fatores que influem na determinação da relação lambda que o mapa tridimensional obtido tem a forma de uma cadeia de montanhas. Vê-se que só é possível obter este mapeamento por método experimental Assim, resta à central eletrônica, tendo já calculado a massa de ar, a carga à qual o motor está submetido e a rotação instantânea, encontrar no mapa da memória qual o valor adequado de lambda e então determinar a massa de combustível. A válvula injetora de combustível fica situada no coletor de admissão bastante próxima da válvula de admissão. Esta válvula injetora (que não deve ser confundida com bico injetor de motor Diesel) tem uma vazão determinada por unidade de tempo que permanece aberta. Então basta controlar o tempo de abertura para se ter o controle sobre a quantidade de combustível injetado. Portanto, a central eletrônica apenas controla o tempo de injeção. Da mesma forma, também é difícil determinar com exatidão o momento em que se deve dar a ignição, devido aos inúmeros fatores que afetam o ponto de ignição. Entende-se que a mistura ar e combustível dentro da câmara de combustão não sofre uma queima instantânea. Isto seria uma detonação prejudicial ao motor. A queima é progressiva, apesar de muito rápida e leva um tempo para se propagar por toda a mistura. Então, é necessário que a combustão inicie um pouco antes do pistão chegar

26

Máquinas

no ponto morto superior, ou seja, a ignição ocorre com um certo ângulo de antecipação. Este ângulo é chamado de ângulo de avanço da ignição. O ângulo de avanço é determinado de tal forma que o aumento da pressão dos gases, resultante da combustão, ocorra logo após o ponto morto superior, quando o pistão já iniciou o ciclo de descida, convertendo esta pressão em torque no virabrequim. Se o motor estiver funcionando em rotação elevada é natural que este ângulo seja aumentado para que o ponto de máxima pressão se dê sempre logo após a ultrapassagem do ponto morto superior. Portanto, o ângulo de avanço da ignição deve ser variável com a rotação. Em um motor antigo sem gerenciamen-

to eletrônico esta variação do ângulo de avanço, em função da rotação, era feito por um sistema mecânico constituído de contrapesos centrífugos. Era chamado de “avanço centrífugo” da ignição. Por outro lado, para aumentar o torque do motor em baixas rotações sob carga também deve ser aumentado o ângulo de avanço da ignição. Nos motores antigos sem gerenciamento eletrônico este aumento do ângulo de avanço em função da carga era feito por um sistema pneumático onde o vácuo formado em um determinado ponto do venturi do carburador acionava um diafragma que, por sua vez, produzia a antecipação do ponto de ignição. Era o chamado “avanço a vácuo”. Como pode-se ver o sistema antigo além de ter uma grande complexidade mecânica não oferece precisão. Em um motor com gerenciamento eletrônico é feito um mapeamento tridimensional, por métodos experimentais, determinando-se com precisão o ângulo avanço de ignição correto em função da rotação e da carga à qual o motor está submetido a cada instante. Este mapeamento, assim como o mapeamento da relação lambda, apresenta o aspecto de uma cadeia de montanhas, tal é a sua complexidade. Este mapeamento também fica armazenado na memória do microprocessador, como no caso da relação lambda. Então basta terem sido determinadas a rotação do motor e a carga aplicada para a central eletrônica encontrar o momento exato da ignição. Estes cálculos são repetidos para cada cilindro e para cada ciclo de funcionamento de cada cilindro. Entretanto, apesar de todos os cálculos feitos, tanto o ângulo de avanço da ignição como a quantidade de combustível injetada podem ainda não estar totalmente cor-

Exemplo de alguns componentes de um sistema de injeção de combustível

www.cultivar.inf.br

Junho 2004


Motor sem gerenciamento eletrônico

E

m um motor antigo, sem gerenciamento eletrônico, todas estas funções são efetuadas pelo carburador. O carburador tem também a função de controlar a aceleração do motor através de uma válvula borboleta que restringe a entrada da mistura ar e combustível no motor. A proporção correta da mistura, assim como o enriquecimento em determinados eventos, como a partida do motor e como uma brusca aceleração, são feitos pelo carburador através de variações de pressão no fluxo de admissão, gerando vácuo que promove abertura ou fechamento de passagens de retas. Se, por exemplo, a câmara de combustão estiver muito aquecida, a combustão é facilitada e pode haver pré-ignição, que leva à detonação. A detonação é a queima instantânea de toda, ou parte da mistura de ar e combustível, causando uma espécie de explosão dentro do motor. Este fato causa acréscimos excessivos de pressão que podem danificar o motor, provocando um desgaste prematuro e até a ruptura de componentes

combustível. Pode-se deduzir que o carburador é um órgão muito complexo e de pouca precisão, ou seja, a mistura de ar e combustível dificilmente é a mais adequada. Os motores antigos também são dotados de um distribuidor elétrico e uma bobina de alta tensão, responsáveis pela geração de um impulso elétrico de alta tensão e a distribuição deste impulso entre as velas de ignição onde é convertido em uma centelha responsável pelo início da combustão da mistura de ar e combustível preparada pelo carburador e já comprimida dentro do cilindro. internos como bielas, virabrequim e pistões, portanto deve ser evitado. A detonação produz um ruído característico, com se fosse uma batida seca. O sensor de detonação escuta e detecta este ruído e informa a central eletrônica, através de um pulso elétrico. A central eletrônica, ao receber esta informação, reduz o ângulo de avanço da ignição já para o próximo ciclo deste cilindro. Esta redução do ângulo de avanço da ignição difi-

culta a ocorrência de detonação, pois atrasa um pouco o ponto de ignição. A sonda lambda é um sensor que determina a quantidade de oxigênio livre nos gases de escapamento e, conseqüentemente, a relação lambda. Imediatamente após a combustão, a sonda lambda analisa os gases expelidos e informa através de um sinal elétrico qual o teor de oxigênio livre. Com esta informação a central eletrônica revisa o cálculo feito para determinar a massa de combustível em função do valor lambda mapeado e corrige já para o próximo ciclo do cilindro respectivo. Os modernos veículos eletronicamente

Sensor de posição angular e rotação


Fotos Miguel Neves de Camargo

“Relação estequiométrica é a relação entre a quantidade de ar admitido e a quantidade de combustível necessário para haver uma combustão completa sem sobrar oxigênio livre e nem carbono sem reagir”

Mapeamento da relação lambda e mapeamento do ângulo de avanço da ignição

gerenciados agregam muitas outras funções, entre elas pode-se incluir o gerenciamento do sistema de frenagem ABS, o sistema de gerenciamento de tração, abertura e fechamento de vidros e portas, o sistema de segurança contra furtos, o sistema de piloto automático (controle automático da aceleração), o sistema de gerenciamento da estabilidade espacial do veículo (empregado no Mercedes Clase A), o sistema de navegação por GPS, e outras tantas funções que dia-adia estão sendo implementadas.

FORMAÇÃO DA MISTURA AR E COMBUSTÍVEL Para um motor funcionar deve haver a combustão de um combustível com o ar atmosférico. Para facilitar esta combustão o combustível deve ser finamente pulverizado e misturado com ar, antes de entrar no motor. O combustível empregado, em geral, é uma mistura de hidrocarbonetos, chamada gasolina. Os hidrocarbonetos são substâncias químicas compostas de carbono e hidrogênio. A combustão é uma reação química entre o oxigênio do ar com o carbono e o hidrogênio do combustível, resultando água (H2O) e gás carbônico (CO2). Na ga-

solina também existem outros compostos químicos que reagem entre si e com os componentes do ar, formando uma série de poluentes. Relação estequiométrica é a relação entre a quantidade de ar admitido e a quantidade de combustível necessário para haver uma combustão completa sem sobrar oxigênio livre e nem carbono sem reagir. Quando existe excesso de combustível em relação à quantidade de ar admitido, dizse que a mistura está rica e sobra combustível sem queimar que sai semiqueimado pelo cano de descarga causando poluição. Quando há falta de combustível em relação à quantidade de ar admitido, diz-se que a mistura é pobre. Neste caso, não é aproveitada toda a potência que o motor pode gerar. Em regime normal de funcionamento, a mistura deve ser mais próxima possível da mistura estequiométrica, porque esta apresenta o melhor equilíbrio entre potência, consumo e emissão de poluentes, entretanto, em algumas faixas de rotação e carga a mistura deve ser enriquecida e, em outras, empobrecida. Para facilitar a partida do motor, ela deve ser temporariamente enriquecida; também é enriquecida quando se

necessita de um brusco acréscimo de potência, por exemplo, durante a aceleração em uma ultrapassagem. Quando o motor é pouco solicitado a mistura pode ser empobrecida para reduzir o consumo. Em geral, obtêm-se maiores potências com a mistura levemente rica, por outro lado, obtém-se um menor consumo com uma mistura levemente pobre. Pode-se entender então que a relação real de ar e combustível difere da relação ideal (estequiométrica). Para determinar a intensidade desta diferença estabeleceu-se a relação lambda (ë). Lambda indica quanto ar a mistura real tem a mais do que teria com a relação estequiométrica. Quando a relação lambda for igual à relação estequiométrica se diz que lambda é igual a 1, portanto, uma mistura pobre tem lambda maior que 1 e uma mistura rica tem lambda menor que 1. Disto se pode concluir que para cada situação de funcionamento instantâneo do motor, em função da carga aplicada, da rotação e, até mesmo, da temperatura, o valor de lambda deve variar para se obter a M melhor condição de funcionamento. Miguel Neves de Camargo, UFSM

Central eletrônica

A

Gráfico com a relação entre o ar admitido e a quantidade de combustível, determinando mistura rica e pobre

28

Máquinas

central eletrônica consiste de um poderoso microprocessador capaz de receber todas as informações emitidas pelos muitos sensores instalados no motor, tomar as decisões, baseado em um mapeamento do funcionamento correto e acionar atuadores, que corrigem ou executam uma tarefa específica para manter o motor funcionando na condição ideal a cada instante.

www.cultivar.inf.br

Camargo diz que, apesar do atraso de quase 20 anos, a eletrônica representa um passo importante

Junho 2004


Colhedoras Colhedoras

conjunto de esteira

À prova d’água Indicado principalmente para terrenos alagados, como é o caso das lavouras de arroz, o conjunto de esteiras de tração é também uma saída para diminuir a compactação do solo e facilitar a colheita, apesar de possuir elevado custo de manutenção

A

colheita destaca-se como uma das operações agrícolas que desempenham papel importantíssimo na produção de grãos, e o teor adequado de umidade do grão para realizar a mesma é que define o momento exato para sua extração, independentemente das condições de umidade do solo, pois tanto a antecipação quanto o retardo da colheita podem comprometer a sua qualidade e acrescer custos para realizar seu processamento posterior. A colheita do arroz manteve por muitos anos a exclusividade no uso das esteiras de tração, porém a expansão da agricultura provocada pelo avanço da área cultivada e o melhor aproveitamento do solo disponível desenvolveram alguns adeptos do seu uso para outras variedades de grãos, de acordo com as necessidades apresentadas. Preocupados em adequar os equipamentos para a agricultura, os fabricantes têm acompa-

30

Máquinas

Conjunto de esteira de tração (componente do lado esquerdo) reduz, principalmente, a compactação do solo e possui bom desempenho em terrenos alagados

www.cultivar.inf.br

Junho 2004


“Várias alterações têm sido agregadas ao equipamento para aumentar sua vida útil e garantir uma melhor performance”

cessidades, pois estará menos propensa a deformações, além de reduzir as solicitações sobre os demais componentes.

Esteira de Tração

E

m colhedoras de grãos, a esteira de tração substitui os rodados dianteiros, sendo utilizada em condições de terrenos alagados. Composto por um chassi principal, onde estão montadas as duas rodas-guias e os seis ou sete roletes de acordo com o modelo, sendo articulado sobre um suporte fixo diretamente ao eixo dianteiro da colhedora. Uma corrente formada por elos e sapatas de aço conformado é deslocada sobre os rodantes, através do giro de uma engrenagem motriz montada na ponta de eixo da redução final da colhedora.

Os pontos positivos da esteira de tração são: 1) Reduzir a compactação do solo – devido à maior flutuação com o aumento da área de contato. 2) Melhorar a tração em terrenos alagados – devido à redução da patinagem para deslocamento do equipamento. 3) Melhorar a performance de colheita – devido à melhora na estabilidade da colheitadeira sobre o terreno. 4) Redução no desgaste do sistema de tração – devido à carga (peso) da colhedora ser distribuída, através do eixo dianteiro, sobre todo o conjunto da esteira e não, apenas, nas reduções finais.

PONTOS CRÍTICOS Todo e qualquer conjunto de esteira de tração apresenta pontos críticos semelhantes, como: 1) Custo de manutenção – devido à vida

MONTAGEM DO CONJUNTO NA COLHEDORA A montagem do conjunto esteira de tração John Deere na colhedora é facilitada pela simplicidade do projeto, necessitando apenas posicionar o conjunto e efetuar a fixação através das porcas e parafusos. O cliente recebe o conjunto pré-montado, eliminando a possibilidade de erros de montagem dos componentes, além de um manual de instruções para sanar eventuais dúvidas. O conjunto da esteira de tração possui três pontos no chassi, apropriados para inserção dos braços hidráulicos de um trator. A suspensão, através destes pontos, é utili-

Fotos John Deere

nhado de perto as evoluções que têm surgido nas variedades das culturas, variações dos sistemas de cultivo, condições climáticas adversas e seus impactos e até as necessidades regionais sentidas pelos produtores agrícolas. Com os conjuntos de esteira de tração, a situação não é diferente. Várias alterações têm sido agregadas ao equipamento, para aumentar sua vida útil e garantir uma melhor performance. Entre elas, novos sistemas de vedações, lubrificação permanente, materiais adequados e sistemas de montagem e desmontagem proporcionam menor tempo, maior segurança e garantia de alinhamento do conjunto. A disponibilização de conjuntos de esteira de tração usando sapatas com largura de 950 mm pode ser visualizada como uma adequação diferenciada ou regional, pois o seu uso é bastante restrito a áreas que exigem elevada sustentação da colhedora sobre o terreno.

PONTOS POSITIVOS

útil do equipamento ser comprometida pelo desgaste gerado através do atrito entre componentes, terrenos arenosos e presença de água. 2) Baixa velocidade para deslocamento – o desempenho da colhedora pode ficar limitado pela velocidade do conjunto de esteira de tração. 3) Uso exclusivo em áreas alagadas – além do desgaste e do ruído, o comprometimento de outros sistemas da colhedora se acentua em terrenos secos, devido à vibração do conjunto em movimento.

OPÇÕES DE COLHEDORAS A maioria dos fabricantes possui versões de colhedoras preparadas para receber o conjunto de esteiras de tração, que podem ser adquiridos conjugados ou posteriormente, de acordo com a opção ou necessidade do cliente. Ao optar pelo uso da esteira de tração, o produtor rural deve primar pelo uso de equipamentos originais da marca de sua preferência que, além de serem aprovados e garantidos, não requerem adaptações para sua montagem, possuindo também apoio técnico da rede de concessionárias com serviços e peças de reposição. A quantidade de roletes e a largura das sapatas definem a área que estará em contato com o solo, sendo escolhida de acordo com a necessidade de flutuação que se deseja. É importante escolher a sapata com a menor largura possível e que atenda às ne-

Junho 2004

Detalhe mostrando os pontos de fixação do conjunto esteira de tração ao trator, facilitando o posicionamento para a montagem na colhedora ou quando transportado

www.cultivar.inf.br

Máquinas

31


Fotos John Deere

“A fixação do conjunto no eixo dianteiro da colhedora é realizada através de parafusos e porcas especiais que acompanham o equipamento”

Custo de instalação

O

custo do conjunto de esteira de tração completo varia de acordo com a especificação requerida pelo cliente, considerando: 1. Modelo de colhedora a ser utilizado; 2. Quantidade de roletes; 3. Largura de sapatas. O valor médio aproximado para a aquisição é R$ 70.000,00, considerando a mão-de-obra para montagem. zada para o posicionamento do conjunto visando à fixação na colhedora e, também, para transporte. A fixação do conjunto no eixo dianteiro da colhedora é realizada através de parafusos e porcas especiais que acompanham o equipamento. A engrenagem motriz é montada diretamente nos parafusos da ponta de eixo e fixa com as porcas antes utilizadas para a fixação do rodado. O torque de aperto está especificado no manual de instrução que acompanha o equipamento.

O tensionamento correto da corrente (x) é fator fundamental para garantir a durabilidade

DURABILIDADE DO CONJUNTO 1) Tensionamento correto da corrente com sapatas; 2) Fixação adequada das sapatas na corrente; 3) Respeitar o limite de desgaste dos componentes; 4) Velocidade limite; 5) Evitar deslocamentos em terrenos secos, rochosos ou estradas; 6) Evitar manobras desnecessárias.

ALTERNATIVA Uma possibilidade acessível e disponível, atualmente, é o uso de colhedoras equi-

Detalhe do conjunto de esteira de tração montado na colhedora


Modelos e conjuntos

E

Rajczuk aponta a tração em terrenos alagados e a estabilidade da colhedora como pontos positivos

padas com pneus e tração traseira auxiliar, que podem ser utilizadas tanto em lavouras irrigadas, com exceção das condições extremas, quanto em terrenos secos. Na maioria dos casos, esta versão apresenta vantagens em relação ao custo de manutenção e à durabilidade do conjunto, além de oferecer maior facilidade de transporte e manuseio em relação à equipada com esteiras de traM ção. Gilson Rajczuk, John Deere

xemplos de colhedoras John Dee re preparadas para receber esteira de tração: Modelo 1165 – quatro saca-palhas Modelo 1175 – cinco saca-palhas Modelo 1450 – cinco saca-palhas (tração hidrostática) Opções John Deere de esteira de tração disponíveis: Seis Roletes 700 mm – Para Colheitadeira 1165 Seis Roletes 800 mm - Para Colheitadeira 1165 Seis Roletes 700 mm – Para Colheitadeira 1175 e 1450 Seis Roletes 800 mm – Para Colheitadeira 1175 e 1450 Sete Roletes 950 mm – Para Colheitadeira 1165 Sete Roletes 950 mm – Para Colheitadeira 1175 e 1450


Implemento tritucap

Sem fogo nas lavouras

Fotos Clóvis Bervald

Além de evitar as queimadas, que eliminam até 98% do carbono e do nitrogênio no solo, a utilização de triturador de capoeira permite que os detritos sejam utilizados como fonte de matéria orgânica, diminuindo os gastos com adubações complementares

U

ma grande área do território brasileiro vem sendo, aos poucos, incorporada ao processo produtivo agrícola. Com uma área correspondente a 60% do território brasileiro, a região amazônica engloba os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão e corresponde a cinco milhões de hectares. Assim como em outras regiões do país, existem áreas de produção agrícola de pequena escala e áreas maiores com agricultura empresarial. Novas áreas denominadas pólos produtivos, principalmente no estado do Pará, denominados pólos de produção de grãos, vêm gradativamente aumentando suas áreas nos últimos três anos, principalmente nos pólos de Santarém e Paragominas, localizado na rodovia Belém-Brasília. Tanto em pequenas áreas como em áreas maiores, o processo de preparo é feito com a

34

Máquinas

utilização da vegetação secundária (capoeira). Essa vegetação, típica da região, cresce espontaneamente em áreas que foram um dia de floresta primária, retirada pelas madeireiras, sendo gradativamente incorporadas ao sistema de agricultura. Para o preparo dessas áreas, tanto em pequenas como em grandes propriedades, o fogo é o modelo de manejo do solo adotado pela facilidade no preparo. No modelo familiar de produção, essas áreas são preparadas na estação seca, nos meses de outubro e novembro, recebendo a queimada. O modelo é baseado na fertilização do solo propiciada pelas cinzas residuais oriundas desse processo. Porém, o sistema vem-se tornando insustentável, pelo sucessivo processo de queima e abandono por intervalos de tempo cada vez menores, enfraquecendo a vegetação responsável pela ciclagem dos nutrientes. Ao contrário do que ocorre em regiões tem-

www.cultivar.inf.br

Figura 1: queda da produtividade e aumento no período de pousio

Junho 2004


“Uma alternativa ao processo de queima foi o desenvolvimento de uma máquina capaz de realizar o processo de trituração da vegetação arbustiva”

peradas, nos trópicos, a maior parte dos nutrientes necessários às culturas não são armazenados no solo mas, sim, na vegetação que sobre ele cresce. Esse fato torna a regeneração da capoeira (vegetação secundária) de extrema importância à sustentabilidade do sistema de pequena agricultura.

MANEJO DE VEGETAÇÃO SECUNDÁRIA Uma alternativa ao corte e queimada é a adoção de um sistema de manejo alternativo, eliminando a queimada e utilizando a capoeira como fonte de matéria orgânica através da trituração, permitindo assim que, ao longo de um período de pousio de dois a três anos, a vegetação se regenere dos tocos e possa ser novamente utilizada como fonte de nutrientes para um novo plantio. Pesquisas realizadas na região do nordeste paraense, nos últimos anos, demonstraram que através da queimada 98% do carbono, 98% do nitrogênio, 47% do fósforo, 16 a 31% do potássio, 9 a 48% do cálcio e 17 a 40% do magnésio são eliminados ou por lixiviação ou para a atmosfera. O processo de empobrecimento da vegetação, tão necessária ao processo de fertilização, pode ser visualizado na figura 1, projetando o efeito da utilização de sucessivas queimadas ao longo de vários anos na regeneração da capoeira. Utilizando-se da vegetação de capoeira triturada como cobertura morta, foram desenvolvidos, em 1994, experimentos de cultivos com extremo sucesso, adotando um triturador de marca nacional para picagem da vegetação. Para esse processo, tornava-se necessário o transporte da biomassa até o local do triturador, retornando-o ao local de origem pós-picagem. Comprovando-se o aumento de produção

Vista superior e lateral do protótipo triturador de capoeira

Vista lateral do acoplamento junto ao trator

pela utilização da vegetação secundária como cobertura morta (mulch), partiu-se para a viabilização do estudo de um sistema mecanizado de trituração da biomassa.

DESENVOLVIMENTO E ADEQUAÇÃO Uma alternativa ao processo de queima foi o desenvolvimento de uma máquina capaz de realizar o processo de trituração da vegetação arbustiva, utilizando-se para tal um trator de baixa potência. Essa máquina foi fruto de pesquisa bilateral Brasil-Alemanha, pelo Instituto de Engenharia Agrícola da Universidade de Göttingen, e do projeto Shift, em execução na Embrapa Amazônia Oriental. A idealização do maquinário deu-se pela adequação de uma máquina já existente no país em que o protótipo foi desenvolvido, utilizado para colheita de clones de árvores destinadas à

Junho 2004

www.cultivar.inf.br

Protótipo foi desenvolvido em função do benefício trazido pela trituração, explica Bervald

Máquinas

35


“A idealização do maquinário deu-se pela adequação de uma máquina já existente no país em que o protótipo foi desenvolvido, utilizado para colheita de clones de árvores destinadas à produção de papel”

Custos e benefícios

C

onsiderando vegetação de capoeira de até quatro anos e, portanto, dependendo da heterogeneidade da vegetação (10 – 40 t/ha), o consumo médio de combustível é de 16 l/h. O custo estimado da tecnologia, incluindo amortização do trator de 70 kw, amortização da máquina, consumo, engraxamento, remuneração do operador, custos de manutenção da máquina e do trator durante o trabalho ficam em torno de US$ 100 ha. No sistema tradicional de derruba da vegetação com posterior queimada, tem-se um custo em torno de US$ 80 ha. Estão excluídos desse custo os impactos ocasionados ao sistema na queimada por volatilização para a atmosfera. Para a determinação quantitativa sob o aspecto enerprodução de papel. Essa máquina, capaz de que em uma única passada por sobre a vegetação de seis metros de altura, totalmente heterogênea como na região amazônica, foi idealizada a partir dos princípios utilizados no triturador de clones. O desenvolvimento do triturador, realizado em cem por cento pelo Instituto de Engenharia Agrícola da GWDG, foi testado no Brasil, no ano de 1997 (Protótipo 1). Um segundo protótipo foi desenvolvido com base nos testes efetuados a partir do primeiro, em 2002.

ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO Denominado de Tritucap “Triturador de Capoeira”, a máquina foi desenvolvida a partir de um chassi base sobre o qual foram projetados dois rotores, de forma a rotacionar do centro para as extremidades. Na base dos rotores, duas serras circulares cortam a vegetação logo acima da superfície do solo. O corte é efetivado por dentes de Wídea substituíveis, à medida que sofrem desgaste ou

gético do sistema tradicional e sistema de trituração, estudos mais detalhados deverão ainda ser realizados. Como ponto final dos testes, está prevista a transferência da tecnologia para uma empresa capaz de construir o equipamento em nível nacional, em escala industrial. Como fator limitante, tem-se a distância da região dos centros metal-mecânicos do país. Todos os testes com o Tritucap foram realizados no município de Igarapé Açu, região Nordeste do Estado do Pará. Cidade localizada a 110 km da capital do estado, com recursos advindos do projeto Shift-Capoeira, através de financiamento do BMF (Federal Ministry of Education and Research) Alemanha. eventual quebra. Após o corte, os arbustos são direcionados verticalmente sobre a serra, através de mecanismos expulsores para junto do chassi da máquina, recebendo o ataque de martelos inferiores, presos ao corpo do rotor, e por facas helicoidais soldadas no entorno deste. Fabricadas em duas camadas, uma superior de menor dureza, possuem capacidade de autoamolamento. A trituração ocorre mais intensamente na parte inferior do rotor, pela maior proximidade das facas helicoidais ao chassi, devido à maior largura do rotor no limite inferior. A distribuição homogênea do material sobre a área, em forma de cobertura morta, ocorre através de duas janelas inferiores, localizadas na parte posterior da máquina. A transmissão de potência é feita através de acoplamento em tomada de potência dianteira ou traseira de 1000 rpm. O detalhamento da máquina pode ser verificado, na vista superior e lateral. Um separador central e três barras delimitadoras são auxiliares ao direcionamento do material cortado, para junto das facas helicoidais.

Detalhe da estrutura de proteção e acionamento

36

Máquinas

www.cultivar.inf.br

Capoeira de 4 anos Tritucap

Mecanis

1 7 3 5

A vegetação é cortada e transportada por um disco serrilhado (3, 4 e 5, 6) e vai ao encontro do cilindro em espiral (1, 2)

Um freio a disco, colocado nas duas polias transmissoras de torque, em cada um dos rotores, é acionado sempre que o torque for superior ao suportado pela máquina em um deles (2112 N m). Normalmente, o acionamento ocorre quando arbustos de diâmetro superior à capacidade da máquina entram no sistema para serem trituradas. A máquina possui serras circulares com mil mm cada, resultando em largura útil de 1950 mm e altura das barras delimitadoras de 1600 mm. Os rotores em formato tronco cônico possuem 700 mm na parte inferior e 600mm na parte superior, pesando 400 kg cada. O peso total da máquina é de 1,3 mil kg. Acionado pela TDP de um trator de 70 kw, a velocidade máxima alcançada por cada rotor é de 880 rpm e a velocidade periférica máxima dos dentes da serra é de 46 m/s.

Junho 2004


Fotos Clóvis Bervald

JD 3050

Sentido de operação

mo triturador

8

2

4 6

ADAPTAÇÕES NO TRATOR Para que se possa fazer a trituração da vegetação secundária, é necessária a utilização de um trator com tomada dianteira ou traseira de 1000 rpm. Existem algumas adaptações que devem ser feitas para que se possa utilizar um trator dentro desse tipo de vegetação: 1) É fundamental a utilização de cabine fechada, com circulação de ar forçado, em funTabela 1: Rendimento em função da biomassa. Tempo (h/ha) 8,02 2,62 2,15 0,87

Junho 2004

Biomassa (t/ha) 44,70 31,60 23,20 12,50

Tempo (t/h) 5,57 12,06 10,79 14,36

ção das altas temperaturas e ataque de insetos voadores. 2) Soldagem de uma estrutura de proteção da cabine, para evitar a quebra dos vidros e a maior proteção do operador, contra quedas de arbustos sobre a cabine. 3) Aparafusamento de uma chapa protetora na parte inferior ao bloco, com a finalidade de proteger o cárter e as canalizações da marcha hidráulica. 4) Adaptação de marcha hidráulica para ser utilizada no processo de trituração, em velocidades de 3 a 5 km/ h, não necessitando, portanto, troca de marchas e embreagem. 5) Utilização de pneus florestais pelo tráfego por sobre os tocos. O preparo com o tritucap é feito com uma única operação de modo que a vegetação é cortada e transportada por um disco serrilhado (3, 4 e 5, 6) e vai ao encontro do cilindro em forma de espiral (1, 2). A distribuição ocorre através de duas janelas posteriores por sobre a área. O diâmetro máximo da vegetação a ser triturada com eficiência é de 10 cm.

RENDIMENTO O rendimento mé-

dio do conjunto, conforme demonstrado na tabela 1, é de 10 toneladas de material triturado M por hora. Clóvis Priebe Bervald e José Miguel Reichert, UFSM Osvaldo Ryohei Kato, Embrapa Amazônia Oriental


4x4 4x4

condução

Travessia de erosões

Ao atravessar terrenos com erosões, a atenção deve ser redobrada, já que os riscos de desmoronamento de terra e amassamento da carroceria são grandes Fotos Técnica 4x4

E

rosões são comuns em trajetos fora de estrada, e quando o trecho não é conhecido, deve-se fazer uma inspeção a pé e verificar se o terreno não vai ceder com o peso do veículo ou, ainda, se não há risco de o veículo cair de lado e ficar encalhado. Neste tipo de obstáculo, o risco de amassar a carroceria é grande e toda atenção é requerida durante a travessia. Após a inspeção, tente colocar o veículo sobre as laterais do facão. Siga com tração 4x4, primeira marcha reduzida e blocante. Em muitas situações, você verá que, durante uma travessia, o contato dos pneus com o terreno se limita a suas bordas e, também, por esse motivo é que se deve instalar pneus adequados a uma incursão em trilhas. Mas se o terreno não permitir esta manobra e você realmente tiver de entrar no facão, só resta verificar se a profundidade compromete os diferenciais ou chassi, travando o veículo e impedindo-o de seguir adiante. Caso isto aconteça, não entre. Use alguma ferramenta como uma pá e rebaixe

38

Máquinas

as laterais do facão jogando a terra, o barro ou areia para dentro dos sulcos. É a melhor alternativa para nivelar o terreno e facilitar sua travessia. Se tiver que atravessar a vala na transversal, verifique a profundidade e analise a possibilidade do pára-choque do seu 4x4 encostar logo na saída da valeta. Lembre-se do ângulo de ataque. Se isso acontecer, o veículo não vai seguir adiante e você deverá dar marcha a ré e jogar terra, pedras ou a prancha de desatolagem para diminuir a profundidade da erosão. Atravesse a valeta, colocando uma roda de cada vez no buraco. Se entrar em ângulo reto com o terreno, o veículo corre o risco de ter os dois pneus dianteiros encalhados e não vai sair facilmente. Use a primeira marcha reduzida, bloqueie o diferencial central e inicie a travessia com toda a atenção. Se tiver mais alguém por perto, solicite que lhe oriente dizendo se não há risco dos pneus entalarem no buraco, ou do chassi e transmissão se chocarem com o solo. Segure o volante com firmeza para que as rodas dianteiras se mantenham em linha reta, elas

www.cultivar.inf.br

vão tentar se acomodar no terreno e podendo esterçar o volante bruscamente. Após a travessia de um pneu, o segundo entrará no buraco e assim sucessivamente até que o veículo conclua a travessia. Com esta manobra você garante sempre três pneus em contato com o piso firme e sempre um eixo em condição de empurrar o veículo para frente, ou trazê-lo de M ré para uma nova abordagem. João Roberto de C. Gaiotto, Goodyear

Na travessia lateral de facão, uma roda deve passar de cada vez

Junho 2004


Empresa tratores

Negócio da China Charles Echer

zida (8 velocidades á frente e 4 à ré), com engrenagens deslizantes, de dentes retos. A redução final é epicíclica. As carenagens (capô e protetor do painel) são em fibra de vidro. Possui arco de segurança, dobrável. A tração dianteira é de acionamento central, mecânico. O sistema hidráulico é categoria 2, e o sistema tem duas bombas hidráulicas independentes acionadas diretamente pelo motor. A trator vem equipado com pneus traseiros 12.4-28 e dianteiros 8.3-20.

GREEN HORSE 220

T

ratores com preços até 35% abaixo dos valores atuais de merca do, essa é a principal promessa da Green Horse Tratores, uma nova fábrica de tratores que está se instalando em Pelotas (RS). O foco principal da empresa será a pequena propriedade e, para isso, serão comercializados três modelos de potências entre 20 e 45 cv. Para conquistar os produtores, a empresa promete oferecer tratores de 45 cv 4x4 na faixa dos R$ 45 mil, um valor muito abaixo de mercado, se considerarmos que os modelos existentes com esta potência, atualmente, são comercializados entre R$ 67 mil e R$ 70 mil. Estes preços só serão possíveis, porque na China os tratores com esta configuração custam entre US$ 2 mil e US$ 3 mil, explica o proprietário da empresa, Irajá Rodrigues. Os novos tratores serão montados em

Pelotas, com parte das peças importadas da China e parte produzida no Brasil. A intenção da empresa é atuar entre os produtores que atualmente trabalham com ferramentas primárias ou pequenas máquinas compradas de segunda ou terceira mão. “Estes produtores podem ter a preço acessível, um trator novo, simples e que se adequa à sua realidade, já que algumas máquinas com configurações menores poderão chegar aos R$ 10 mil”, garante.

GREEN HORSE 454 Um dos modelos é o Green Horse 454 4X4, com tração dianteira auxiliar (TDA), equipado com motor de 3 cilindros (SL 3105 ABT) de 33,1 kW (45 cv) a 2200 rpm. O trator possui caixa de mudanças com 4 marchas, mais redu-

Trata-se um trator 4X2, equipado com motor de 2 cilindros (TY 295 Diesel Engine) com 16,2 kW (22 CV) a 2300 rpm. O trator possui caixa de mudanças com 3 marchas, mais reduzida (6 velocidades à frente e duas à ré), redução final tipo coroa e pinhão. A caixa é de engrenagens deslizantes, dentes retos. Vem com pneus traseiros 8.3-24 e dianteiros 4.00-16.

INICIO DAS ATIVIDADES A ordem de serviço, que oficializa a importação das máquinas, foi assinada no dia 19 de maio, em Pelotas, com a presença de autoridades estaduais. O primeiro pedido de 74 máquinas já foi feito ao fabricante na China, o Jiangsu Yueda Investement, de Yangcheg, e a entrega está prevista para a segunda quinzena de julho. Embora as primeiras unidades importadas sejam azuis, a cor predominantes será verde.


Lançamento semeadoras

Fotos Agri-Tillage do Brasil

Plantio com mais precisão A

mentes em profundidade uniforme e rodas de compactação com regulagens angulares, de pressão e alinhamento.

SLA SPEED 3000

A semeadora de precisão PP Solo Monotolva conta com depósito em aço carbono com tratamento superficial em epoxi, bicas individuais e independentes para a saída de sementes, que podem ser montadas a cada 20 cm, discos distribuidor de semente horizontal perfurado com mecanismo dosador de precisão, caixa de engrenagens a banho de óleo, de troca rápida com 62 regulagens para distribuição de sementes. A plataforma é de livre acesso e antiderrapante, o sistema de lubrificação centralizado que reduz o tempo utilizado para lu-

Agri-Tillage do Brasil, detentora da marca Baldan está lançando a semeadora leve de arrasto SLA Speed 3000 e a semeadora de precisão PP Solo Monotolva.

A semeadora leve de arrasto SLA possui depósito de adubo em aço carbono com tratamento superficial em epoxi ou em aço inox e sistema de mola helicoidal condutora de distribuição. A caixa de engrenagens a banho de óleo possui 62 regulagens para distribuição de adubo e sementes; os marcadores de linha hidráulicos possuem dupla ação com válvula sequencial, e o cabeçalho com terceiro ponto permite acoplamento ao trator e nivelamento da máquina. Os discos de corte desencontrados, com mola independente, permitem regulagem de profundidade individual; as plataformas são de livre acesso e anti-derrapantes e o sistema de lubrificação centralizado reduz o tempo utilizado para lubrificar a máquina. A semeadora conta ainda com discos distribuidores de sementes horizontal perfurado com mecanismo dosador de precisão, rodas de controle de profundidade com 18 pontos de regulagens, duplas independentes com um só ponto de apoio, que transpõem obstáculos na superfície do solo, mantendo as se-

40

Máquinas

PP SOLO MONOTOLVA

O cabeçalho removível com cilindro hidráulico permite acoplamento ao trator nos modelos 6500 e 7500

www.cultivar.inf.br

brificar a máquina. O cabeçalho com terceiro ponto permite o nivelamento da máquina e o seu acoplamento ao trator, para os modelos 4000, 4500 e 5000. O cabeçalho removível com cilindro hidráulico permite regulagem de altura e acoplamento ao trator nos modelos 6500 e 7500. Possui, ainda, discos de corte paralelos de 18º com mola independente e regulagem de profundidade individual para os modelos 4000, 4500 e 5000 e discos de corte desencontrados de 20º com mola independente e regulagem de profundidade individual para os modelos 6500 e 7500. As rodas de controle de profundidade com 18 pontos de regulagens, duplas independentes com um só ponto de apoio, transpõem obstáculos na superfície do solo, mantendo as sementes em profundidades uniformes e as rodas de compactação possuem regulagem angular, de pressão M e alinhamento.

A semeadora possui marcadores de linha hidráulico de dupla ação com válvula seqüencial

Junho 2004


por Arno Dallmeyer

Acelera... C

onforme a edição anterior, publicamos as regras da categoria de mais impacto, a TRATORSHOW. (Nas próximas edições as demais categorias).

TRATORSHOW

ca de bateria são livres, é necessária uma chave geral que desligue o trator em caso de acidente. Os faróis traseiros e dianteiros deverão estar funcionando. • Sistema de lubrificação é livre. Os respiros de óleo devem finalizar em um ou mais reservatórios com capacidade mínima total de três litros. • Circuito de combustível: o percurso da linha de combustível é livre. Bomba e filtros de combustível devem estar devidamente protegidos. • Equipe: no máximo sete pessoas, podendo ser até dois pilotos por equipe. Cada trator deverá ter um nome e um número e cores sugeridos pela equipe aos organizadores. É obrigatório o uso de macacão, luvas, calçado firme antiderrapante e capacete fechado nas laterais, com viseira, homologados e válidos. • Todos tratores deverão ter espaço reservado para os patrocinadores oficiais do evento. Fotos Arno Dallmeyer

• Participam desta categoria tratores modificados para a competição, protótipos com chassi de trator ou modificações e no mínimo câmbio, diferencial e carcaça traseira de trator; a parte frontal poderá ser de estrutura tubular e o motor deverá estar localizado à frente do piloto. • Tratores monoposto. O peso mínimo do trator sem piloto é de 2.000 kgf. • Um motor diesel de no máximo quatro cilindros, nacional ou importado por trator. • Sistema de Ignição: marca e tipos livre. Cabeçote Livre. Sistema de alimentação: é permitido o uso de superalimentação com óxido nitroso. É permitido o uso de turbo, turbocompressor blower, superchar-

ger ou intercooler. É permitido somente o uso do combustível líquido diesel. Escapamento: dimensionamento livre. • Transmissão: é obrigatória a existência da marcha a ré funcionando normalmente, a tração deverá ser no mínimo nas duas rodas traseiras. É permitido o uso de diferencial autoblocante. Câmbio e embreagem do tipo elétrico-mecânico. Não serão aceitos na competição tratores com câmbios do tipo Tiptronic, Automáticos, Hidramáticos e ou Pneumáticos. • Rodas e pneus: os pneus traseiros poderão se parcialmente lixados. • Freios: será obrigatório e, após cruzar a linha de chegada, deverá frear e parar em no máximo 180 metros. • Carroceria e chassi: do tipo Trator, com características agrícolas. A “gaiola de proteção” ou Santo Antonio deve fazer parte da estrutura do trator. Banco do piloto tipo concha, e o cinto de segurança com no mínimo quatro pontos. • Sistema elétrico: a capacidade e mar-

História - O primeiro O

ficialmente a indústria brasileira de tratores começou, em 1959, em função do Plano Nacional da Indústria de Tratores Agrícolas (Dec. 47.473/1959), elaborado pelo mesmo GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística) que implantara a indústria de automóveis e caminhões três anos antes. Habilitaram-se 20 empresas, das quais foram selecionadas dez, e seis acabaram se instalando no Brasil. Uma delas foi a finlandesa Valmet (atualmente Valtra). Ainda em dezembro de 1960 a Valmet montou, em Mogi das Cruzes (SP) os primeiros sete tratores brasileiros, os 360 D, uma evolução dos 33 D finlandeses. Estes eram produzidos a partir de 1957, e exportados, inclusive 1.250 tratores para o Brasil em 1958. O Valmet 360 D pesava 1800 kgf, tinha um motor MWM de 40 HP e câmbio de seis velo-

Junho 2004

cidades. O fornecimento de motores da MWM persiste até hoje. O primeiro 360 D foi doado ao Setor de Mecânica Agrícola da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” em Piracicaba (SP). Ainda hoje, três décadas depois, podem ser encontrados “valmetinhos” trabalhando em nosso interior, prova do equilíbrio do projeto e da confiabilidade do produto.

Agenda Data Cidade Local 07/08/2004 Campo Grande (MS) Autódromo de Campo Grande 11/09/2004 Dourados (MS) Aeroporto Spessato 13/11/2004 Maripá (PR) Tratoródromo de Maripá Distância (m) Recorde 201 metros Estréia 201 metros Estréia 201 metros Armando Boldrin Jr: 10.2 segundos

www.cultivar.inf.br

Máquinas

41


Informe jurídico • Newton Peter • OAB/RS 14.056 • consultas@newtonpeter.com.br

Acompanhamento diferenciado da empresa

A

complexidade do sistema tributário brasileiro obriga as empresas a aumentar seus gastos com serviços de assessoria jurídica e contábil. Há algum tempo recomenda-se a clientes o acompanhamento mensal de receitas, despesas, tributos e contribuições pagos, com o objetivo de evitar surpresas caso a Secretaria da Receita Federal (SRF) alegue eventuais discrepâncias nas informações. Em alguns casos evitaram-se multas; em outros, as empresas puderam efetuar reservas de capital para cobrir eventuais despesas e, portanto, tiveram garantida a continuidade de suas operações. Com a publicação da Portaria 557 da SRF, no final de maio, mesmo as empresas que se sentiam seguras e realizam acompanhamento menos criterioso da situação tributária devem iniciar processo de adaptação. A medida prevê “acompanhamento econômico-tributário diferenciado para pessoas jurídicas”. Na prática, a SRF elegerá empresas de relevância econômica e as acompanhará mensalmente. Se por um lado isso evitará aumento dos custos com eventuais juros e multa, por outro, reduzirá a autonomia das empresas no planejamento tributário. Também impedirá as que enfrentam dificuldades de se valer da ilegal mas existente sonegação para fechar as contas do mês. Está prevista na Portaria a utilização dos dados resultantes do pagamento de Imposto de Renda, IPI, IRRF, IOF, CSLL, Cofins, Cides e, mais importante, CPMF. O cruzamento dessas informações pode gerar problemas mesmo que o contribuinte esteja em dia com suas obrigações, pois cabe a ele o ônus da prova. Digamos, por exemplo, que uma empresa de médio porte declarou receita bruta de R$ 1,5 milhão no trimestre e que pagou CPMF sobre a movimentação de R$ 2 milhões em suas contas bancárias. Caberá ao contribuinte, numa eventual fiscalização, comprovar que os R$ 500 mil não são produto de ilícito. Às vezes isso é relativamente fácil. Todavia, há casos em que, apesar de não haver irregularidade, não se consegue convencer os fiscais ou, mais grave, o judiciário.

42

Máquinas

Funcionamento do sistema

A

Portaria prevê que o contribuinte será notificado sobre o acompanhamento diferenciado da sua empresa até o último dia de janeiro. Como é impossível prever todas as empresas abarcadas pelo sistema, recomenda-se aproveitar o momento para contatar seu advogado e contador e reavaliar toda a estrutura fiscal. Se houver problemas, pode-se optar pela denúncia espontânea ou por poupar recursos para o caso de procedimento fiscal. Os contribuintes objeto do novo sistema de acompanhamento serão definidos primariamente com base nos seguintes critérios: I – Receita bruta constante na DIPJ; II – Débitos declarados na DCTF; III – Representatividade na arrecadação. Secundariamente, serão considerados setores econômicos relevantes, compensações tributárias tidas como indevidas pela SRF, be-

www.cultivar.inf.br

neficiários de incentivos fiscais e os enquadrados em infração à legislação tributária. Além disso, as superintendências regionais têm autonomia para usar outros critérios quaisquer para indicar contribuintes. Uma vez enquadrada, a empresa goza de caráter prioritário nos trâmites administrativos no caso de incompatibilidade no cruzamento de informações. Está, portanto, sujeita a responder mais rapidamente por seus atos. Como as empresas tendem a tomar decisões semelhantes e a manter procedimentos que aparentemente funcionam, cuidado. A SRF pode cobrar dívidas de até cinco anos. O maior risco consiste em, numa ação de rotina, ver descoberto ilícito repetido e, portanto, de grandes proporções monetárias. Conselho: aproveite o momento para conversar com seu advogado. Como não se sabe onde o raio vai cair, melhor estar preparado.

Junho 2004


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Maquinas 31 by Grupo Cultivar - Issuu