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Cultivar
Cultivar Máquinas • Edição Nº 203 • Ano XVII - Fevereiro 2020 • ISSN - 1676-0158
Índice
Destaques
04 Rodando por aí 08 Mundo Máquinas 14 Colhedoras
Características das colhedoras de grãos comercializadas no Brasil
20 Tecnologia
Uso de imagens NDVI na previsão de safra
23 Irrigação
Como reduzir custos na agricultura irrigada
28 Capa
Test drive exclusivo com a Série MF 4300 da Massey Ferguson
38 Manutenção
Como manter as correntes lubrificadas em diferentes sistemas
40 Especial
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Conheça os lançamentos e as novidades do Show Rural 2020
Uso da telemetria na pulverização
Rocheli Wachholz
Nossa capa
46 Pulverização 49 Motores
Turbocompressor e intercooler aliados dos motores diesel
52 Implementos
Uso de paraplow rotativo para descompactação do solo
Grupo Cultivar de Publicações Ltda. Direção Newton Peter
• Editor Gilvan Quevedo • Redação Rocheli Wachholz Karine Gobbi Cassiane Fonseca • Revisão Aline Partzsch de Almeida • Design Gráfico Cristiano Ceia
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Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 www.revistacultivar.com.br cultivar@revistacultivar.com.br (*10 edições mensais + 1 conjunta Dez/Jan) Números atrasados: R$ 22,00 CNPJ : 02783227/0001-86 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Insc. Est. 093/0309480 € 130,00
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Por falta de espaço, não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: contatos@revistacultivar.com.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.
RODANDO POR AÍ Novo posicionamento
O diretor comercial da PVT, Enio Artuzzo, aproveitou a presença no Show Rural para apresentar a PVT, nascida da marca Pulverjet, e ressaltou que a movimentação de público da feira demonstrou o potencial de crescimento de vendas do portfólio da marca. Segundo Artuzzo, a fábrica de Tapejara (RS), que anualmente produz 60 máquinas, estima produzir 200 em 2020. O aumento é fruto do novo posicionamento de mercado e do portfólio diferenciado que a PVT lançou e levou à feira. “Trazemos os 20 anos de experiência da Pulverjet, com um patamar de posicionamento focado em inovação. O que trouxemos para o Show Rural é uma nova proposta: máquina agrícola não é só robusta, aqui nós aliamos força, tecnologia e design”, reforçou o diretor.
Novo integrante
A Stara apresentou no Show Rural Coopavel o mais novo integrante da família de pulverizadores: o Imperador 2000. Com capacidade de dois mil litros no reservatório de calda, o equipamento conta com Sistema Recirculante Contínuo, Sistema Bico a Bico e Giro Inteligente nas quatro rodas. “O desligamento bico a bico e o giro nas quatro rodas são tecnologias inéditas nessa linha de produtos. Outro destaque é o sistema Conecta, que auxilia o produtor a esclarecer dúvidas sobre o equipamento direto com a fábrica, mesmo na lavoura, o que agrega eficiência à jornada de trabalho”, enfatizou o coordenador de Marketing de Produto Stara, Jonas Rafael Reis.
Para pomar
A presença da Mahindra no Show Rural Coopavel marcou a celebração do resultado de vendas para 2019: com um aumento de mais de 50%. No evento, a marca apresentou uma novidade para o produtor de frutas de pomar, o trator 6075 Estreito. Com motor de 80 cavalos, o veículo possui largura máxima de 1,67m. Equipado com redutor e inversor, o modelo passa a contar com 20 marchas à frente e igual número de marchas à ré. “O trator foi feito especialmente para culturas de pomares, como a laranja, que é muito importante aqui no Paraná”, afirmou o CEO da Mahindra Brasil, Jak Torretta.
Piloto por câmera
A Raven do Brasil lançou, durante o Show Rural Coopavel, o piloto por câmera VSN, que identifica as linhas de cultivo através do processamento de imagens. “O equipamento vai instalado na frente da máquina e posiciona as rodas entre as linhas, permitindo que o operador mantenha o foco em outros aspectos importantes da pulverização. Outra grande vantagem é que a tecnologia não depende de sinal de GPS, dificuldade ainda encontrada em muitas lavouras pelo Brasil”, orientou o gerente de Produto da Raven do Brasil, Alberto Maza. O piloto por câmera VSN pode ser utilizado em culturas como soja, milho, algodão, cana e sorgo.
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Versatilidade
Integrada pelos modelos MF 4305 (57cv), MF 4306 (67cv) e MF 4307 (77cv), a nova linha 4300 da Massey Ferguson foi destaque no Show Rural Coopavel. Com o motor AGCO Power de três cilindros turbinados e adequado ao Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) MAR-1, a série de tratores MF 4300 possui transmissão 8x2, capacidade de levante de 2.500kg, controle remoto 57L/min (vazão máxima) e capacidade do tanque de 95 litros de combustível. “Para o pequeno produtor, com a linha 4300, nós apresentamos um equipamento multitarefa que entrega versatilidade no campo, podendo ser empregado em diversas aplicações”, disse o coordenador de Marketing Tático da AGCO, Oscar Pich Neto.
Conjunto de plantio
A Valtra lançou no Show Rural Coopavel um conjunto de plantio formado pela plantadeira Momentum, equipada com tecnologia 100% Precision Planting, e pelo trator T 250 com transmissão CVT. A plantadeira Momentum é dobrável, ficando com apenas 3,6 metros de largura quando fechada, o que facilita o transporte. A tecnologia Precision Planting está disponível nas versões de 24, 30 e 40 linhas no espaçamento de 45cm. “Esse é um conjunto de plantio de altíssima tecnologia. Atualmente, a plantadora Momentum expressa um índice de singulação que chega a 99,6% no milho, mesmo em velocidades superiores a 10km/h no plantio”, enfatizou o diretor comercial da Valtra, Alexandre Vinicius Assis.
Potência
Tratores de alta potência estiveram entre os destaques da Case IH durante o Show Rural Coopavel. A linha Steiger conta com modelos de 370cv a 620cv. “A linha foi projetada para proporcionar potência máxima em qualquer tipo de atividade ou campo, além das demandas de potência hidráulica de implementos modernos. A articulação central é outra característica que permite puxar implementos maiores, como plantadeiras de 60 linhas – o conjunto auxilia o produtor a diminuir sua janela de plantio”, afirmou o diretor de Marketing Comercial Case IH, Eduardo Penha.
Gestão de frota
A LS Tractor levou para o Show Rural Coopavel sua série de tratores LS Plus, equipados com tecnologia Power Shuttle. Os modelos apresentados possuem motorização de 80cv, 90cv e 105cv. “A tecnologia Power Shuttle, que equipa os modelos da linha LS Plus, dá nova dinâmica à transmissão dos veículos, permitindo aumentar a produtividade no trabalho e melhorar a economia de combustível. Além disso, reforçamos nossa plataforma de tecnologia: o LS Tech, com foco na gestão de frota para os produtores que buscam o controle da máquina no campo através de telemetria”, ressaltou o gerente de Marketing de Produto da LS Tractor, Astor Kilpp. Fevereiro 2020 • www.revistacultivar.com.br
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Pulverização
Novidades
A Jacto destacou no Show Rural Coopavel as tecnologias Eletrovortex e PWM. Especializada em pulverizadores, a marca tem ampliado o foco em soluções com apelo ambiental e de eficiência na aplicação. “Entre os diferenciais da tecnologia Eletrovortex está a redução de 35% na deriva durante as aplicações, o que significa o melhor aproveitamento do agroquímico e a melhor sanidade da planta. Já a tecnologia PWM é voltada para a precisão no controle do tamanho de gota, o que vai garantir uma vazão constante durante toda aplicação do equipamento”, explicou o gerente de Negócios Pulverizadores Automotrizes da Jacto, Rodrigo Madeira.
Durante o Show Rural Coopavel, a Kuhn lançou o pulverizador de arrasto Eco Ranger 2000 e o misturador Vertical Autocarregável Profile Automixer. O pulverizador Eco Ranger 2000 conta com 18 metros de barra. Já o misturador Profile Automixer se diferencia pela simplicidade e o menor gasto em manutenção, como explica o especialista de Produto Kuhn, Claiton Ecco. “O Profile Automixer é uma máquina de 6m³, que tem como característica principal uma fresa de alta capacidade com dois metros de largura, com controle automático de descida, o que evita qualquer problema de embuchamento ou picos diferentes de pressão durante o carregamento. A máquina vem de série também com chapas K-Nox, inox utilizado nas fábricas Kuhn da Europa, e que dá mais resistência contra o desgaste causado pela corrosão e abrasão”, disse Ecco.
Acessibilidade
Cenário positivo
O gerente de Vendas da John Deere, Eduardo Martini, falou sobre as novidades da marca no Show Rural Coopavel e sobre o cenário atual do agronegócio, principalmente para o produtor paranaense. “O Show Rural é um evento de suma importância para a John Deere e para o mercado agrícola, por se tratar da primeira feira do ano, sendo um termômetro de vendas para o ano agrícola. Além disso, as condições de clima e produtividade da região estão muito positivas, o que faz o produtor reinvestir em tecnologia”, disse Martini. A John Deere lançou, durante o evento, a linha de tratores de médio porte 6M e os novos pulverizadores PLA 120J e PLA 125J, marca adquirida em 2018 pela John Deere.
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A acessibilidade foi um dos destaques da New Holland durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel, no Paraná. A marca levou para a feira o trator TL 5.80, adaptado para atender pessoas com dificuldades de mobilidade, e realizou demonstrações da tecnologia durante o evento. “Trouxemos nosso portfólio de tratores, desde 55cv até 629cv de potência. Em especial, destacamos nosso trator acessível, adaptado para pessoas com mobilidades reduzidas. Mas isso não quer dizer que o trator possa ser adaptado somente a cadeirantes: nosso parceiro Elevittá customiza a tecnologia de acordo com a necessidade específica do operador”, enfatizou o especialista de Marketing da New Holland, Juliano Perelli.
John Deere nomeia novas lideranças
MUNDO MÁQUINAS
Kubota apresenta trator-conceito autônomo
X Tractor
Meio século depois de exibir seu primeiro trator-conceito na Exposição Mundial do Japão, realizada em Osaka em 1970, a Kubota apresentou o X Tractor. O novo trator-conceito foi apresentado nas comemorações do 130º aniversário de sua fundação. Equipado com inteligência artificial (IA) e tecnologia de eletrificação, o X Tractor é um trator completamente autônomo que representa o futuro da agricultura na visão da Kubota. A empresa apresentou esse modelo conceitual com inúmeras tecnologias avançadas, como IA e tecnologia que torna a máquina 100% movida a eletricidade, em antecipação
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à introdução em larga escala da agricultura inteligente, que é continuamente esperada pelos agricultores japoneses. O X Tractor tem design futurista e operação controlada por inteligência artificial, completamente autônoma. Ela se baseia em várias informações, como dados meteorológicos que ele mesmo capta e taxas de crescimento das culturas para escolher a operação apropriada para cada situação. Os dados ambientais obtidos pelos tratores em operação podem ser compartilhados automaticamente com outras máquinas no local para realizar uma operação eficiente gerenciada centralmente.
Com o objetivo de dar continuidade ao crescimento de vendas e estratégia de mercado para a América Latina, a John Deere anunciou a chegada de dois novos representantes ao seu quadro diretivo. Marcelo Lopes assume como diretor de Vendas da Divisão Agrícola para o Brasil, no lugar de Rodrigo Bonato - que assume a função de diretor de Marketing de Produto para a América Latina. Roberto Marques é o novo diretor de Vendas da Divisão Construção para América Latina, exceto Brasil. Com isso, Thomás Spana - gerente de Vendas da Divisão Construção - passa a ser responsável pela área no Brasil. Lopes (esquerda) e Spana (direita) vão liderar a execução de vendas no Brasil, em colaboração com a rede de concessionários e distribuidores, além das áreas de Marketing e Suporte ao Cliente. Além disso, serão responsáveis por impulsionar as vendas de equipamentos e serviços pós-venda, levando a um crescimento sustentável da participação de mercado.
Fendt pioneira na Indústria 4.0 Na edição 2020 do Fórum Econômico Mundial, ocorrido em Davos, na Suíça, entre 21 e 24 de janeiro, as duas unidades fabris da Fendt Factory Union foram reconhecidas com o “Advanced 4th Industrial Revolution Lighthouse”. Desta forma, a Fendt junta-se agora ao clube de apenas 44 empresas a nível mundial: o Global Lighthouse Network. As empresas integrantes do Global Lighthouse Network têm um papel influente na 4ª Revolução Industrial, também conhecida como Indústria 4.0, atualizando habilmente os seus processos de produção e utilizando análises de dados digitais, sistemas autônomos ou um ní-
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vel particularmente elevada de agilidade. “A Fendt é o único fabricante de maquinário agrícola membro desta rede de elevado calibre de empresas de indústrias globais”, enfatizou o vice-presidente sênior e chefe de Supply Chain da AGCO, Hans-Bernd Veltmaat. “Este reconhecimento é uma prova das proezas de desenvolvimento da Fendt, bem como da sua liderança na produção de tratores. Com unidades fabris e produção de ponta, além de processos inteligentes, a Fendt - e também as suas marcas associadas do Grupo AGCO – alcança um modo de produção altamente variável e eficiente”, afirmou.
Mahindra cresce mais de 50% em 2019 A Mahindra registrou um índice de vendas 52,5% maior do que em 2018, segundo a Anfavea e fabricantes independentes. Nesta estatística, o mercado brasileiro de tratores real foi de 37.694 unidades, uma queda de 14,3% em relação a 2018, quando foram comercializados 43.958 tratores no Brasil. A Mahindra, neste período, realizou a entrega de 575 unidades, contra 377 no ano anterior. A estimativa é que os ganhos até março de 2020, fechamento do ano fiscal, sejam de 75% em relação ao ano anterior. A expansão do portfólio de produtos e o crescimento da rede de concessionários, hoje com 30 pontos de vendas e assistência técnica, foram fatores de grande influência no aumento da participação da Mahindra no território nacional. Além desses, práticas de demonstração, realizadas em parceria com a equipe de vendas e concessionários, estão expondo os diferenciais da marca para o agricultor brasileiro.
Massey Ferguson na Abertura Oficial da Colheita do Arroz
A Massey Ferguson participou da 30ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, que ocorreu entre os dias 12 e 14 de fevereiro no município de Capão do Leão (RS). A marca apresentou a colheitadeira híbrida MF 6690 (265cv), com plataforma draper de 25 pés. A máquina foi projetada para aumentar a produtividade suportada pelo sistema híbrido de trilha e separação. Produzida em Santa Rosa (RS), a colheitadeira híbrida MF 6690 (classe 5) vem equipada com motor eletrônico AGCO Power de 265cv. Segundo a companhia, a máquina oferece ao produtor rural mais produtividade, baixos índices de perdas nos mais variados terrenos, grãos mais limpos e inteiros no 12
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tanque e menos paradas para manutenção. Os equipamentos estão disponíveis nas versões MF 4690 (200cv), MF 5690 (225cv) e MF 6690 (265cv). “Já é tradição da Massey Ferguson participar desse importante evento do segmento arrozeiro, e estamos otimistas com o cenário de 2020”, disse o diretor de Vendas da Massey Ferguson, Eduardo Nunes. Nesta 30ª edição, a Massey Ferguson também participou com a palestra “Sustentabilidade - Experiências do Plantio de Soja na Várzea”, ministrada por Nunes. “Mais uma forma de a Massey Ferguson contribuir junto aos produtores rurais e discutir fatores que melhorem a produtividade da rizicultura”, afirmou o diretor de vendas.
SkyAgri e Avant
firmam parceria A SkyAgri, empresa gaúcha de drones para lavoura, e a Avant Sementes, consultoria paranaense e vendas de insumos, firmaram uma parceria para fornecimento de serviços de pulverização ou semeadura por drones para produtores rurais da metade sul gaúcha. A assinatura ocorreu durante a programação da 30ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, em Capão do Leão (RS). Pela parceria, a SkyAgri fornece os equipamentos, assistência técnica e aprimoramentos aos aparelhos não tripulados, enquanto a Avant Sementes, que já comercializa insumos, passa também a fornecer o serviço de aplicações com os drones. “Estamos trazendo para a aplicação aérea um nicho ainda hoje fora da aviação agrícola, como os trabalhos de pulverizações em áreas menores, como culturas de tabaco e frutas. Além dos arremates em soja, milho, arroz e outras culturas – em pontos muito próximos a áreas sensíveis ou com muitos obstáculos”, explicou o diretor da SkyAgri, Eugênio Schröder. “Na verdade, estamos substituindo os pulverizadores costais e suprindo lacunas dos terrestres”, enfatizou o empresário.
COLHEDORAS
Aliados produtivos Novas tecnologias na agricultura, como as presentes nas colhedoras de grãos, podem proporcionar ganhos em eficiência, porém entender o seu funcionamento e dominar ajustes e calibrações são fundamentais para atingir a eficiência da operação
A
mecanização da colheita das lavouras evoluiu muito, no entanto ainda não atingiu seu máximo. Algumas culturas ainda requerem considerável avanço tecnológico para que se viabilize a colheita mecanizada, para tanto a colheita de grãos já avançou consideravelmente e o agricultor tem acesso a soluções de diferentes formas e níveis tecnológicos para a colheita mecanizada (Molin, 2010). No sistema de produção de grãos vigente no Brasil, sem o preparo convencional do solo, a colheita passou a ser, na maioria dos casos, a operação mais cara, e a colhedora, a máquina mais complexa e com maior custo de aquisição. No nosso ambiente de cultivos do Centro-Sul do Brasil, em que boa parte das lavouras agrícolas permite duas safras por ano (verão e inver-
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no ou safra e safrinha), o agricultor possui maior otimização da utilização das máquinas contribuindo para diluir o custo do capital das colhedoras. A colhedora é uma máquina projetada e construída especialmente para colher e trilhar diferentes espécies de grãos de várias culturas agrícolas (Portella, 2000).
SISTEMAS QUE COMPÕEM AS COLHEDORAS DE GRÃOS
A colhedora de grãos deve ser analisada e entendida pelos sistemas que a compõem, que são sistema de corte (ou despiga), alimentação, trilha, separação, limpeza, transporte e armazenamento (Molin, 2010). A Figura 1 demonstra os sistemas que
Fotos Charles Echer
compõem as colhedoras de grãos.
SISTEMA DE CORTE OU ARRANQUIO (DESPIGA)
As plataformas de corte de colhedoras podem ser de dois tipos básicos, as rígidas e as flexíveis. As plataformas rígidas não possuem sensores embutidos, visto não manterem contato com o solo, e são empregadas na colheita de culturas de corte alto, como, por exemplo, trigo, arroz, milho e outras (Conte, 2013). Já plataformas flexíveis são capazes de executar movimentos de subida, descida e inclina-
Sistemas de trilha e separação: saca-palhas (acima), sistema híbrido (centro) e rotor axial (abaixo)
ção, a fim de reproduzirem a topografia do terreno onde atuam. Estas plataformas de corte flexíveis são empregadas principalmente para colheita de leguminosas (fabaceae), as quais podem executar o corte rente ao solo e possuem sensores destinados a analisar a altura da plataforma em relação ao solo, que são posicionados nas laterais esquerda e direita (Molin, 2010). Os principais benefícios das plataformas flexíveis são que trabalham nas mais variadas irregularidades do solo e oferecem alta produtividade, mesmo em condições adversas. No caso de plataforma segadora (trigo, ar-
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Fotos Charles Echer
radas e arrancadas por dois delimitadores, dispostos acima dos rolos (ABNT, 1987). As espigas ou capítulos são então carregadas pelas correntes transportadoras até a plataforma e daí levadas ao centro da máquina por meio de um caracol transportador. O sistema de corte e o de alimentação se complementam, sendo o primeiro dedicado à ceifa ou arranquio e estão associados à plataforma.
SISTEMA DE ALIMENTAÇÃO
A condução após o corte ou arranquio do produto pode ser realizada de duas maneiras, através do caracol transportador ou da esteira tipo “draper” (ABNT, 1987). O caracol transportador leva o produto já cortado até o centro e o conduz ao elevador de alimentação ou canal alimentador. Recentemente, o caracol vem sendo gradativamente substituído por um transportador tipo esteira draper, em função do aumento da largura da plataforma e, portanto, da distância de transporte até o centro da máquina (Conte, 2013). A plataforma draper promove um ritmo maior na colheita, com uma alimentação mais suave e constante, a debulha torna-se mais eficiente e os custos de manutenção reduzem-se significativamente. Sem o triângulo de estrangulamento, o material colhido não debulha, não embucha, nem trava a plataforma e flui uniformemente com a massa de grãos para dentro da máquina. Tendo assim como benefícios a colheita mais rápida, eficiente, com maior rendimento e economia de combustível (Molin, 2010). Após, o material deve ser levado ao elevador de alimentação, onde ele entrega o produto ao sistema de trilha, de fluxo radial ou axial.
SISTEMA DE TRILHA
Diferentes tipos de plataformas: de caracol (acima) e draper (centro e abaixo), que permitem maior flexibilização e leitura do terreno
roz, soja, cevada), o componente principal é o molinete, responsável por conduzir as plantas em pé até a barra de corte, que faz o corte (ABNT, 1987). A plataforma para colheita de milho e girassol é dividida em unidades despigadoras – uma para cada fileira de plantas, sendo variável pelo tamanho da plataforma e do espaçamento entre linhas. Os componentes principais são os rolos despigadores, responsáveis por puxar o pé de milho ou girassol para baixo, e as espigas ou capítulos, de maior diâmetro que estes, serão bar-
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Tem a função de destacar os grãos dos restos de cultura (caule, espigas, vagem, panículas e folhas). É composto basicamente de cilindro e côncavo (ABNT, 1987). O cilindro de trilha é composto de barras estriadas dispostas sobre uma estrutura metálica em forma de cilindro. Tem a função de exercer ações mecânicas de impacto, compressão e atrito, por esfregamento, sobre o material que está sendo introduzido entre ele e o côncavo, causando a trilha. O côncavo tem a forma aparente de uma calha tendendo a envolver o cilindro de trilha. É composto de barras estriadas unidas por estrutura metálica, que toma forma de uma grelha que permite a filtração de sementes, vagens e fragmentos de vagens e de hastes. Desde muito tempo existiram muitas variações construtivas nas trilhadoras, que ultimamente convergiram para dois formatos – a trilha de fluxo radial ou tangencial e a trilha de fluxo axial (Molin, 2010). Na trilha de fluxo radial, o produto passa uma única vez entre uma parte móvel – o rotor – e uma parte fixa, o côncavo. Na trilha de fluxo axial, o produto gira entre o rotor e o cilindro separador, entrando em uma extremidade e saindo na ou-
Classes de colhedoras de grãos
A
Figura 1 - Representação dos sistemas ativos das colhedoras de grãos. Fonte: Conte, O
tra. Como a trilha tem que ser completa, obviamente, o sistema em fluxo radial precisa ser mais abrupto, pois o produto fica exposto ao atrito e ao impacto por um contato tangencial de poucos graus. Já no sistema com fluxo axial, há mais tempo para a trilha, pois o produto fica exposto por algumas voltas. Colhedoras com fluxo axial são mais eficientes em termos de perdas e danos aos grãos, além de permitirem maior alimentação para um mesmo porte de máquina, se comparadas com as de fluxo radial (Camolese et al, 2015; Cassia et al, 2015). O material não filtrado através do côncavo é dirigido ao sistema de separação.
SISTEMA DE SEPARAÇÃO
Após passar pelo sistema de trilha, o material restante é composto por um aglomerado com palha inteira e triturada, grãos debulhados e não debulhados e materiais estranhos. Isso mostra que ainda há a necessidade de se separar o grão dos demais materiais. Essa separação começa a ser feita na grade do côncavo, nas grades do cilindro e nos saca-palhas. O sistema de separação é composto da extensão regulável do côncavo, batedor, cortinas retardadoras e saca-palhas (ABNT, 1987). O sistema de separação desmembra o fluxo na máquina entre o grão sujo de palhiço, que segue para o sistema de limpeza,
e o fluxo de palha, que segue para a traseira, até ser jogado para fora da máquina. Na trilha de fluxo axial a separação acontece entre o rotor e o cilindro separador, no mesmo corpo do sistema de trilha. No caso de fluxo radial, a trilha é totalmente independente do sistema de separação e esta é composta pelo saca-palhas (Faganello et al, 2015).
SISTEMA DE LIMPEZA
Após passar pelo sistema de trilha e separação, grãos e impurezas devem ser levados ao sistema de limpeza da máquina. O sistema de limpeza é composto por um dispositivo denominado de bandeja de alimentação (“bandejão”), e os mecanismos de limpeza são a peneira superior, a peneira inferior e o ventilador (ABNT, 1987). Enquanto os grãos caem por gravidade ao passar pela primeira peneira, chegarão à peneira inferior e serão atingidos por uma corrente de vento horizontal gerada pelo ventilador, que transporta o palhiço para fora da máquina. Os grãos limpos são recolhidos pelo escorregador de grãos limpos, no fundo da máquina (abaixo da peneira inferior) e levados via helicoide transportadora para o elevador de grãos limpos (Molina, 2014). Sobre a peneira superior ficarão retidos materiais maiores que a sua abertura. Esse material é, por exemplo, parte de
classificação de colhedoras de grãos de acordo com a potência do motor segue de acordo com a AEM (Association of Equipment Manufacturers). •Classe 3 < 161 HP. •Classe 4 = 161 - 200 HP. Exemplos: MF5650, BC4550, TC5070, JD 1175; •Classe 5 = 201 - 254 HP. Exemplos: S550, CR5080; •Classe 6 = 255 - 294 HP. Exemplos: BC6500, AFS2799, S660, CR6080; •Classe 7 = 295 - 354 HP. Exemplos: MF9790, BC7500, AFX7230, S670; •Classe 8 = 355 - 474 HP. Exemplos: MF9895, BC8800, CR9080 •Classe 9 = 475 - 594 HP. Exemplos: CR9090, S690.
Monitores com as principais informações de colheita e funcionamento da colhedora estão presentes em praticamente todos os modelos
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Valtra
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dais, incluindo os de material não trilhado e limpo, o tanque graneleiro e o condutor helicoidal de descarga do graneleiro (ABNT, 1987). Depois de limpo, o condutor helicoidal de grãos limpos entrega o material ao elevador de grãos, que os leva para o condutor superior de grãos limpos ou para o condutor que carrega o tanque grane1eiro na parte superior da máquina. Este tanque armazenará os grãos temporariamente, e quando estiver cheio, o operador descarrega esses grãos para uma carreta graneleira ou caminhão por meio do tubo de descarga, que é uma grande helicoide transportadora. Sensores de produtividade e de umidade de grãos podem ser instalados no topo do elevador-transportador de grãos para estimativa de tais parâmetros vinculado com Global Navigation Satellite System (GNSS) para espacialização e verificação da variabilidade dos mesmos. Os sensores mais comuns são de impacto e de infravermelho, sendo necessária calibração prévia. (Molin, 2010).
CONTROLADORES E GNSS EMBARCADOS
Com a telemetria, é possível acompanhar todo o processo da colheita a distância
uma vagem de soja que contém grãos. Se ele seguir o caminho do palhiço, será jogado fora pela traseira da máquina, e isso não é desejável. Assim, todas as máquinas que possuem as peneiras têm na sua parte final um elemento denominado de extensão de retrilha da peneira superior. Nesse trecho da peneira é feita a regulagem de abertura para que esse material caia, pelo escorregador da retrilha, e seja recuperado e redirecionado para a retrilha (trilhado novamente) (Molin, 2010). Existem basicamente dois tipos de sistema de retrilha nas máquinas de mercado. A retrilha independente é realizada na parte posterior da máquina, próximo às peneiras, e é composta por uma pequena unidade de trilha, normalmente por impacto. A outra opção é da retrilha integrada, que
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é realizada na trilha principal, e para isso a máquina deve dispor de um elevador dedicado, denominado de elevador da retrilha, que recebe esse material e o entrega na entrada da trilha, na parte anterior da máquina.
SISTEMA DE TRANSPORTE E ARMAZENAMENTO
Manejar a colheita significa mover os grãos trilhados, separados e limpos para o tanque graneleiro e deste tanque para um vagão ou caminhão. Todavia, a retrilha é outra fase do manejo dos grãos que deve ser também incluída (Nunes, 2016). Entre os componentes de manejo destacam-se o elevador de grãos limpos, o elevador de carregamento do tanque graneleiro, todos os condutores helicoi-
O tipo de controlador mais utilizado em máquinas agrícolas é o baseado na realimentação (“feedback”). Realimentação é o processo em que a variável a ser controlada é medida e usada a influenciar o valor da própria variável (Dias et al, 1998). Os controladores são acoplados em um sistema de navegação por satélite, o qual possui a capacidade de oferecer posicionamento em qualquer ponto da superfície terrestre, adotando-se a nomenclatura de GNSS. GPS diferencial (DGPS - Differential Global Positioning System) é uma evolução do GPS, que provê uma melhoria significativa na precisão da localização. Da precisão nominal de 15 metros obtida com o GPS para cerca de 10cm nas melhores implementações do DGPS (Molin, 2010). O Real Time Kinematic (RTK) é uma técnica que se baseia na medição de fase da onda portadora dos sinais dos satélites (ao invés das informações transmitidas por estes sinais), a qual é corrigida através de dados de correção enviados por uma estação de referência, permitindo-se obter uma
acurácia decerca de 0.02-0.2 metro (Molin, 2010).
TELEMETRIA E INTERNET DAS COISAS (IOT)
Telemetria é uma tecnologia que permite a medição e a comunicação de informações de interesse do operador ou desenvolvedor de sistemas. Telemetria possui origem grega (“tele” é remoto e “metron” significa medida), entrou na agricultura há cerca de cinco anos e ganha cada dia mais aplicação na tecnologia embarcada nas máquinas agrícolas no Brasil, tanto em grandes como médios produtores de grãos, cana, entre outros. A telemetria é o mais recente passo da agricultura de precisão (AP). Remotamente, é possível acompanhar tudo que acontece no campo. O produtor pode visualizar on-line todos os parâmetros do veículo e pode entrar em contato com o operador quase instantaneamente para fazer as correções necessárias, entre outras atividades. Internet das coisas (em inglês Internet of Things, IoT) é um conceito que se refere à interconexão digital de objetos cotidianos com ainternet, conexão dos objetos mais do que das pessoas, sendo fundamental na confecção de plataformas digitais. A telemetria integrada a outras ferramentas da agricultura de precisão acopladas às máquinas, como mapas de produtividade, monitor de colheita, barra de luz (sistema de navegação), piloto automático e aplicadores de taxa variável, ajuda o produ-
tor ou gestor a fazer uma radiografia da lavoura, a fim de definir ações para melhorar o desempenho das operações, aumentando a produção e a produtividade e gerando uma redução de custos (Globo Rural, 2017).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para cada funcionalidade, sistema ou tecnologia embarcada em colhedoras de grãos é necessário conhecimento para otimizar a funcionalidade. Entender o funcionamento, dominar ajustes e calibrações em colhedoras de grãos proporcionam melhores resultados no trabalho de colheita, bem como a eficiência da operação. Novas tecnologias na agricultura, e principalmente em colhedoras agrícolas de grãos, podem proporcionar ganhos em eficiên.M cia e conhecimento, diminuindo mão de obra e custos. Luan Pierre Pott, Airton dos Santos Alonço, Henrique Eguilhor Rodrigues, Gessieli Possebon, Mayara Torres Mendonça, Rômulo Bock, Wagner Alexandre Silveira da Cruz, Ítala Thaísa Padilha Dubal e Tiago Rodrigo Francetto, UFSM
Metafim
TECNOLOGIA
Prevendo a safra J
Com uso de imagens NDVI é possível gerar uma estimativa da produtividade e determinação de zonas de manejo
á é possível mapear a variabilidade espacial do dossel em áreas agrícolas, associando-se o “vigor” das plantas com a estimativa da produtividade, bem como identificar locais-problemas (zonas de manejo) nos talhões de forma rápida e com pouco esforço e custo. A estimativa da produtividade das culturas e a identificação de zonas de manejo podem, portanto, ser realizadas por meio de técnicas de sensoriamento remoto, a partir dos índices de vegetação gerados por imagens multiespectrais (abrangem as faixas do visível e do infravermelho, do espectro eletromagnético de energia) de satélites (Vettorazzi et al, 2000). Um conhecido índice de vegetação é o Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI - Normalized Difference Vegetation Index), sendo o resultado da razão da subtração das bandas de infravermelho próximo (IP) com a de infravermelho visível (V) pela soma entre estas bandas, como mostra a equação abaixo. NDVI = (1P - V) (1P + V)
Teoricamente, o NDVI varia entre -1 e 1; valores iguais ou menores a 0 podem sugerir ausência de vegetação ou solo exposto e, valores próximos a um indicam relativa quantidade de vegetação fotossinteticamente ativa.
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Portanto, a imagem NDVI de um talhão cultivado com soja, milho, algodão, dentre outras espécies vegetais, e com valores próximos a 0,5, sugere vegetação verde cobrindo densamente o solo. De outra forma, valores próximos a 0,1 indicariam vegetação cobrindo esparsamente o solo, ou vegetação senescente ou seca. Valores em torno de zero ou negativos indicariam a ausência de vegetação incluindo corpos de água e solo nu (Pereira Júnior, 2002).
IMAGENS DA LAVOURA
A obtenção da imagem NDVI de uma propriedade por um técnico pode ser dada de forma gratuita, com uso de imagens dos satélites Landsat 8 e Snetinel-2, por exemplo, que têm resolução espacial permissiva a este tipo de serviço, sendo, respectivamente, de 30m e 10m. Embora gratuitas e abrangendo grandes áreas, é preciso considerar para essas imagens gratuitas, que na época de passagem à qual pretende-se obter a imagem, possa haver nuvens sobre a área (talhão). Existem também empresas especializadas que oferecem serviço de fornecimento de imagens com alta resolução, embora havendo um custo dependente dos períodos do ano e dos locais em que se deseja obter a imagem. Outra forma de obter imagens NDVI é com o uso de Veículos Aéreos Não Tripulados (Vants). O custo disso recai so-
bre o investimento do equipamento - o qual deve estar provido de câmera multipespectral e ter autonomia de voo para fotografar grandes áreas - e de supercomputadores e softwares que fazem a junção das fotos (mosaico) para a criação de uma imagem ortorretificada. Uma alternativa são empresas que possuem este pacote tecnológico e oferecem o serviço de imageamento. O uso de Vant permite a obtenção de imagens de boa resolução que dependerá da sua altura de voo, bem como voar em períodos e no estrato livre de nuvens. É necessária a criação de um modelo matemático confiável, podendo esse ser uma função (equação de regressão linear) dada pela produtividade (característica dependente - eixo x) medida em certo local georreferenciado em função do índice NDVI (característica dependente - eixo x) obtido no mesmo local georreferenciado. A criação do referido modelo matemático envolve um processo amostral amplo e com muitos pontos (locais amostrados), formando-se uma “nuvem de pontos”. Dessa forma, em locais georreferenciados delimitados por polígonos
Fotos Raphael Cessa
Horus
Em cima ,as fotos obtidas pelo Vant (altura de voo 150m). Embaixo, a imagem ortorretificada após realização do mosaico. Talhão contendo pivô central e milho no estágio fenológico de emergência. Planaltina (DF)
Exemplo de amostragens (partes da área delimitadas por polígonos) na obtenção do NDVI. Imagem obtida de um Sentinel-2 em 3/1/2019. Água Fria de Goiás (GO)
“Falhas” no dossel das plantas de um talhão cultivado com soja em plena florada, indicando segundo o técnico local processo erosivo do solo. Imagem obtida de um Sentinel-2 em 3/1/2019. Água Fria de Goiás (GO)
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Fotos Raphael Cessa
Imagem NDVI de cultivos de milho e soja em pivôs no município de Água Fria de Goiás (GO), Brasil, exaltando solo exposto, restos culturais, plantas em estágios iniciais de desenvolvimento Figura e dosséis 2 fotossinteticamente ativos recobrindo o solo durante o desenvolvimento das culturas, bem como a presença de nuvens
no interior dos talhões, são medidos a produtividade da cultura em questão e o NDVI médio. É importante na construção deste modelo matemático que outros fatores sejam considerados na hora de obtenção das imagens para extrair o NDVI, como: os estágios fenológicos das plantas devem ser sempre os mesmos, bem como proximidade das condições climáticas e horário em que as imagens foram geradas, o gru-
po de plantas deverá ser o mesmo.
ATUALIZAÇÃO DOS MODELOS
Importante ressaltar, que o modelo deve ser “alimentado” todo ano com novos valores de produtividade e NDVI, tornando-o cada vez melhor quanto à confiabilidade. Outro aspecto a ser observado é que sua validação sempre é dada confrontando os dados de “balança”, ou seja, ao se usar o modelo para estimar produtividades em uma propriedade é preciso, de forma amostral, confrontar os dados de alguns talhões com as suas estimativas. Mas como se pode estimar de forma rápida e sem esforço a produtividade de lavouras com uso de imagens NDVI em uma propriedade agrícola? Quando há um modelo testado de boa confiabilidade, o técnico poderá fazer um voo amostral no talhão em questão com um Vant provido com câmera multiespectral e, com o valor médio de NDVI da imagem, entrar no modelo e estimar a produtividade. Quanto às zonas de manejo, podem ocorrer “falhas” nas imagens referentes à diferença do espectro reflectivo dos dosséis de plantas. Essas falhas têm proveniência desconhecida até que o técnico possa averiguar o local e atribuir o fato a situações como: manchas de nematoides, compactação de solo, problemas com a disponibilidade de certos elementos químicos no solo, presença de manchas de cascalho, microclimas, empoçamento de água, ataque de insetos e doenças com distribuição espacial em reboleiras, competição por plantas daninhas etc. Com as zonas de manejo definidas, sendo um processo rápido por imagens NDVI, fica mais fácil para o técnico da propriedade fazer a intervenção necessária, o que melhoraria de forma mais rápida e com menor custo as áreas de cul.M tivo da propriedade. Raphael Maia Aveiro Cessa, Caio Vinícius Leite e Nilton Nélio Cometti, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília – Campus Planaltina
Imagens NDVI obtidas dos satélites Landsat 8 (em cima) e Sentinel -2 (embaixo) com larguras das cenas básicas respectivas de 170,0 x 183 km e 100 x 100 km, exaltando a quantidade de área imageada a baixo custo e de forma rápida
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IRRIGAÇÃO
A
agricultura irrigada, em geral, é o sonho de consumo da maioria dos agricultores, simplesmente porque pode tornar suas culturas independentes da sazonalidade e relativa imprevisibilidade das chuvas e, assim, assegurar uma produtividade compensadora. Entretanto, um impasse ocorre ao solicitar um orçamento a uma empresa especializada, pois há consenso generalizado em admitir que a irrigação represente o insumo mais oneroso aplicado na produção agrícola. Por essa razão, antes de se envolver com a possibilidade de contratação de um projeto, várias providências podem ser tomadas com o objetivo de reduzir custos fixos e variáveis, contribuindo assim para evidenciar a viabilidade econômica desse importante recurso tecnológico.
Como reduzir
custos
Visto como um dos custos mais altos na implementação de uma lavoura, o projeto de irrigação deve observar diversos requisitos que podem auxiliar na diminuição do valor de implementação
VOLUME DE ÁGUA NECESSÁRIO E VAZÃO REQUERIDA
Arquivo
A primeira providência que antecede um projeto de irrigação consiste em avaliar se os recursos hídricos da propriedade são satisfatórios, em termos de quantidade e qualidade, para satisfazer a demanda hídrica das culturas que serão desenvolvidas nas áreas pretendidas. Para tanto, bas-
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Arquivo
A primeira providência que antecede um projeto de irrigação consiste em avaliar se os recursos hídricos da propriedade são satisfatórios, em termos de quantidade e qualidade
ta executar um cálculo que, apesar de simples, requer uma estimativa responsável da demanda hídrica das culturas de interesse, para o período e o local onde a irrigação será executada. Em geral, os valores usuais adotados no dimensionamento de projetos variam entre 3mm/dia e 6mm/dia, sendo que os menores valores prevalecem nos meses com temperaturas mais baixas e menor incidência de radiação solar. Deve-se observar, entretanto, que o estádio de desenvolvimento das culturas deve ser considerado no manejo das irrigações, para racionalizar a aplicação de água, limitada pelos valores máximos de demanda previamente adotados no dimensionamento. Assim, identificando-se um valor representativo de demanda hídrica, pode-se calcular o volume de água necessário em função da área a ser cultivada. Por exemplo, sendo a demanda hídrica da cultura (D) estimada em 4mm/d (que representa 4 litros por m2 de área cultivada por dia) e a área (A) 10 hectares, o volume de água necessário (V) será: V = 10 × D × A = 10 × 4 × 10 = 400m3/dia
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Sistema CNA, Tony Oliveira
O número 10 nessa equação é apenas um fator para ajustar as unidades dimensionais utilizadas. Convém observar nesse exemplo, que cada milímetro incluído na equação corresponde a 100m3 de água por dia para uma área de apenas 10 hectares. Portanto, trata-se de um número que deve ser adotado com muito critério, pois deverá interferir em todo dimensionamento hidráulico e, consequentemente, no custo do projeto. Em condições de escassez hídrica, existem alternativas que, mesmo admitindo dotações inferiores às necessárias, podem proporcionar produtividades satisfatórias e resultados econômicos compensadores. Essas alternativas são amplamente reconhecidas e estão identificadas por “irrigação deficitária” no contexto da agricultura irrigada. Agora, pode-se calcular a vazão requerida (Q). Para tanto, basta fornecer o período diário de irrigação (T) em horas, e uma estimativa da eficiência de aplicação de água do sistema de irrigação a ser adotado. É importante observar que quanto maior o período diário de operação, menor será a vazão requerida, com inúmeras vantagens no dimensionamento, como a menor potência do conjunto motor e bomba hidráulica e do transformador, menor diâmetro das tubulações e acessórios ou menor perda de carga hidráulica nas
que existe uma demanda deficitária de 0,8mm/dia. Assumindo-se que a capacidade de água disponível no solo seja 32mm, um valor característico para a maioria dos solos classificados para irrigação, pode-se afirmar que esse valor poderia complementar a demanda hídrica da cultura durante 40 dias (32mm/0,8mm/dia = 40 dias). A amplitude desse intervalo deve, necessariamente, incluir o período crítico de exigência hídrica da cultura. A condição necessária nessa proposta é a reposição da capacidade de água disponível ao solo, através de chuva ou irrigação, nos períodos antecedentes, nos quais a demanda hídrica é inferior à capacidade de bombeamento adotada no projeto.
Divulgação
Uma alternativa acessível em projetos de irrigação para culturas anuais consiste em se adotar uma capacidade de bombeamento inferior à demanda hídrica durante o período crítico de exigência da cultura. A proposta seria utilizar o solo como um reservatório de água disponível, cuja capacidade poderia suprir a demanda deficitária durante aquele período. Essa alternativa está graficamente representada a seguir. Assim, por exemplo, assumindo-se que a demanda hídrica média durante o período crítico esteja avaliada em 4mm/dia e adotando-se uma capacidade de bombeamento de 3,2mm/ dia (20% de redução) pode-se concluir
Alguns sistemas automatizados, bem dimensionados e operados, podem atingir de 85% a 90% de eficiência
Netafim
tubulações e acessórios, menor capacidade dos dispositivos de segurança operacional etc. Por outro lado, a eficiência de aplicação de água, em geral, depende do sistema de irrigação considerado. Porém, a demanda atual da sociedade por melhores desempenhos dos sistemas de irrigação praticamente não admite eficiência inferior a 80%. Esse número significa que a cada 100m3 de água aplicada, 80m3 serão aproveitados pela cultura e 20m3 serão perdidos por percolação, escoamento superficial ou evaporação, isoladamente ou em conjunto. Alguns sistemas automatizados, bem dimensionados e operados, podem atingir 85% até 90% de eficiência. Outros, negligenciados, não conseguem ultrapassar 50%. Convém salientar que não existe um sistema de irrigação ideal, capaz de operar com uma eficiência absoluta, ou seja, sem perdas de água. Em resumo, adotando-se um período operacional diário (T) de 20h e uma eficiência (E) de 80%, convertida para decimal (80/100 = 0,8) na seguinte equação, resulta: Q = V/ (T × E) = 400/(20 × 0,8) = 25m3/h. Caso o período operacional seja reduzido para 10h/dia, a vazão requerida será duplicada (50m3/h) com os inconvenientes já mencionados. A condição necessária para viabilizar a operação noturna consiste apenas em se disponibilizar dispositivos capazes de assegurar a condição operacional, que estão disponíveis a um custo relativamente reduzido.
Exceto no sistema por aspersão pivô central, cuja área é total ou parcialmente circular, a maioria dos sistemas de irrigação é favorecida em áreas retangulares
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Verificada a quantidade, resta avaliar a qualidade da água face às exigências do sistema de irrigação pretendido. Nesse caso, a exigência de melhor qualidade da água é direcionada aos sistemas de irrigação localizada, microaspersão e gotejamento, principalmente este último, em função da reduzida dimensão dos condutos existentes nos gotejadores. Nesses sistemas, a exigência de um eficiente sistema de filtragem da água é mandatória. Além disso, a presença de concentrações excessivas de sais solúveis ou águas ferruginosas também requer cuidados especiais para evitar problemas de precipitação e deposição nos gotejadores, causando sua obstrução parcial ou total, uma condição muito difícil de ser revertida, e quase sempre determinando o descarte de todo equipamento comprometido. Os sistemas por aspersão e superfície são menos dependentes da qualidade física e biológica da água. Na maior parte das instalações, apenas um crivo instalado na entrada da tubulação de sucção pode ser suficiente para evitar que os aspersores ou orifícios e sifões sejam obstruídos, simplesmente porque apresentam orifícios com maior diâmetro.
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DIMENSÕES E FORMA DA ÁREA A SER IRRIGADA
Exceto no sistema por aspersão pivô central, cuja área é total ou parcialmente circular, a maioria dos sistemas de irrigação é favorecida em áreas retangulares. Nessas áreas, tanto o dimensionamento quanto o manejo das irrigações são facilitados. Muitas vezes é aconselhável descartar formas irregulares que podem dificultar o dimensionamento, encarecer o projeto e dificultar o manejo das irrigações. A definição das dimensões das áreas deve também considerar as características do sistema de irrigação. Assim, por exemplo, uma tubulação de PVC DN 40, especificado para esgotamento sanitário, com 37,6mm de diâmetro interno, é capaz de abastecer simultaneamente 12 aspersores espaçados de 12m, com vazão média de 500L/h, o que corresponde a 1.728m2 de área efetiva irrigada. Admitindo-se outra linha lateral abastecida pela mesma linha de derivação, totaliza-se 288m de faixa irrigada com 3.456m2. Essa alternativa diminui o número de registros no início das linhas laterais e favorece a operação do sistema. Por-
tanto, ao explorar a capacidade de condução de água da tubulação para definir as dimensões das áreas irrigadas, sempre ocorrerá uma redução nos custos de investimento e operacionais nos projetos de irrigação. Existem situações particulares em irrigação por superfície nas quais a forma das áreas irrigadas é determinada pela topografia do terreno, predominantemente plana. A estrutura ou tubulação responsável pela dotação de água percorre um gradiente muito reduzido ou nulo, distribuindo a água que se movimenta pela ação gravitacional na superfície do solo. Nessas condições, em geral, a água não constitui um fator limitante ao dimensionamento e manejo das irrigações.
CONSUMO DE ENERGIA
Raramente um sistema de irrigação opera sem consumir energia. Em geral, os mananciais mais utilizados, representados por reservatórios, riachos ou rios, localizam-se nas cotas mais reduzidas das propriedades, requerendo uma ação de recalque para disponibilizá-los em cotas mais elevadas nas áreas irrigadas. Alguns sistemas consomem grandes quantidades de energia, notadamente quando envolvem acentuados desníveis entre o manancial e as áreas irrigadas e operam com pressões elevadas. Nesse caso, a relação é diretamente proporcional, ou seja, quanto maior a altura manométrica requerida no bombeamento, maior será o consumo de energia. Existem várias alternativas para reduzir o consumo de energia em irrigação. Em primeiro lugar, priorizar áreas que estejam próximas e com um pequeno desnível em relação ao manancial. A condição ideal seria localizar o recurso hídrico no centro geométrico da área irrigada. O sucesso do sistema pivô central iniciou-se quando foi possível retirar água de aquíferos subterrâneos no ponto central da área, ou ponto do pivô, para abastecer o equipamento.
Em segundo lugar, quando possível, optar por sistemas de irrigação por superfície, que não dependem de pressurização no processo de distribuição de água na área irrigada. Em seguida, considerar a opção por sistemas de irrigação localizada, principalmente o gotejamento, utilizando microtubos spaghetti como emissores pontuais. Microtubos com 1,5mm de diâmetro interno podem operar, em muitas condições, com cargas manométricas inferiores a 2m, o que poderia dispensar a pressurização por bombeamento, além de serem menos suscetíveis à obstrução que os gotejadores comerciais. Sendo aspersão, considerar a opção por aspersores com bocal único e diâmetro reduzido. Essas condições, além de reduzir a pressurização, oferecendo menor especificação na classe de pressão nominal dos tubos, diminuem a vazão nas tubulações que constituem as linhas laterais, favorecendo a redução do diâmetro e da perda de carga hidráulica, permitindo maiores comprimentos dessas tubulações.
FERTIRRIGAÇÃO
Não há justificativa para um sistema de irrigação criteriosamente dimensionado prescindir da aplicação de fertilizantes hidrossolúveis juntamente com a água. A premissa de uma distribuição de água satisfatória na área irrigada resume a condição necessária para a incorporação desses fertilizantes no processo de aplicação. A estratégia de se incorporar com frequência quantidades suficientes de fertilizantes, tornando-os prontamente disponíveis ao sistema radicular das plantas cultivadas, é um importante benefício adicional que deve ser incorporado aos projetos de irrigação. Cabe destacar a reconhecida versatilidade de fertirrigação em sistemas de irrigação por superfície, que podem aplicar, com sucesso, até fertilizantes orgânicos, praticamente impedidos ou limitados em outros sistemas de irrigação, tornando-os então prioritários em sistemas de produção orgânica.
CONCLUSÕES
CONDIÇÕES TOPOGRÁFICAS
Em resumo, deve-se admitir a dificuldade em se encontrar as condições integradas que favorecem a economia dos projetos de irrigação. Assim, à medida que as condições se afastam daquelas mais favoráveis, os custos de investimento e operacionais serão inevitavelmente ampliados, justificando a opção por culturas mais valorizadas, capazes de tornar o empreendimento economicamente compensador. Em algumas situações, pode ser recomendável iniciar a irrigação nas condições mais favoráveis, objetivando acumular recursos financeiros para custear a incorporação futura das áre.M as com maiores restrições à agricultura irrigada.
A topografia da superfície desempenha um importante papel na economia e até mesmo na viabilidade de um projeto de irrigação. O aumento do gradiente topográfico acentua o rigor no dimensionamento exigindo, em sistemas pressurizados, um maior número de controladores de pressão. Em irrigação por sulcos, o aumento da declividade transversal acentua o risco de transbordamento da água, predispondo ao surgimento de processos erosivos superficiais, difíceis de serem corrigidos. Por essas razões, gradientes transversais acima de 10% praticamente inviabilizam a irrigação por sulcos. Uma topografia desuniforme também dificulta o dimensionamento e o manejo das irrigações, encarecendo os projetos. A condição ideal seria a manutenção de gradientes topográficos reduzidos em todas as direções, caracterizando uma condição relativamente plana e uniforme. Edmar José Scaloppi
Figura 1 - Demanda hídrica de uma cultura anual hipotética durante o ciclo de desenvolvimento e capacidade de bombeamento do projeto de irrigação
Edmar José Scaloppi, Unesp
Irrigação por sulcos com 0,5% de declive em culturas de milho e feijoeiro. A tubulação pode ser sucessivamente deslocada em áreas com declividade regular
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CAPA
Série MF 4300 Entre os principais atributos encontrados pela nossa equipe, simplicidade e robustez se destacam na Série MF 4300, que chega ao mercado com diversas novidades e projeto alinhado com design global da Massey Ferguson
P
ara este número da revista Cultivar Máquinas faremos o relato da experiência de, em primeira mão, ter testado dois novos modelos da recém-incorporada Série 4300, os tratores MF 4305 e 4306. A convite do fabricante, a equipe da Cultivar Máquinas e do Laboratório de Agrotecnologia do Núcleo de Ensaios de Máquinas Agrícolas (Nema) da Universidade Federal de Santa Maria deslocaram-se até o município de Santa Cruz do Sul, onde puderam pas-
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sar um dia repleto de testes com estes novos modelos. Com este lançamento, a Massey Ferguson adquire a tão esperada uniformidade da linha e adapta-se ao que é oferecido pela marca nos principais mercados do mundo. Estes modelos já estão sendo comercializados. Com este lançamento serão retirados da oferta os modelos MF 250XE e 255, além do MF 4265, permanecendo da tradicional linha 200 e a sua sucessora 4200 apenas os modelos das séries 4200 Xtra (4280 Xtra, 4283 Xtra, 4290 Xtra e 4292 Xtra). Por sinal, a linha 200 é uma das mais longevas ofertadas no País, que tanto contribuiu para a consolidação da marca no Brasil e que por muitos anos sustentou a liderança da marca no mercado brasileiro. Atualmente o portfólio da Massey Ferguson no Brasil é composto de 32 modelos, distribuídos em 11 séries. A primeira série, MF 3300, reúne três modelos compactos e denominados “especiais”, como o cafeeiro etc; MF 3306, MF 3307 e MF 3308, que vão de 69cv a 89cv. Depois vem as séries que mencionamos anteriormente. Já em tratores de porte médio vem a série 4700, com três modelos, MF 4707, MF 4708 e MF 4709, de 79cv a 99cv; a seguinte série, 5700, compõe-se de dois modelos, MF 5709 e MF 5710. A quarta série é a 6700, que compreende três modelos, MF 6711, MF 6712 e MF 6713, de 115cv a 135cv, que se replica em parte da série
Fotos Rocheli Wachholz
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Fotos Rocheli Wachholz
6700 Dyna-4, que aplica esta transmissão em dois modelos da série anterior, MF 6712 R Dyna-4 e MF 6713 R Dyna4, nas potências de 125cv e 135cv. A quinta série é a 7200 com três modelos, de 148cv a 189cv, MF 7214, MF 7217 e MF 7219. Já em tratores beirando ou acima de 200cv, temos a série MF 7700, com os modelos MF 7719 Dyna-6, MF 7720 Dyna-6, MF 7722 Dyna-6 e MF 7725 Dyna-6, começando em 195cv e terminando em 250cv. Por último, a série 8700 Dyna-VT, com quatro modelos, MF 8730 S Dyna-VT, MF 8732 S Dyna-VT, MF 8735 S Dyna-VT e MF 8737 S Dyna-VT desde 295cv até 370cv. Esta nova série que testamos, por ora, terá três modelos, estes dois que testamos e o 4307, com 80cv, e substituirá a série 200 Advanced, que permanecia no portfólio até este lançamento. Este importante passo para a uniformização dos modelos com o que é ofertado pela marca em nível mundial também introduz um conceito de padronização de nomenclatura, em que mundialmente a marca adota números significativos no nome do modelo. No caso do número dos modelos que testamos, 4305 e 4306, os dois primeiros números
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O modelo MF 4305 foi testado com diferentes implementos
O MF 4306 que testamos estava equipado com o braço de retroescavadeira
(43) representam o tamanho e a geração do trator, enquanto os dois últimos a faixa de potência (06 = 60-69cv). Alguns destaques podem ser mencionados, ressaltando a questão da semiplataforma adotada para superar as dificuldades dos tratores com o posto acavalado, isto é, com as alavancas de marchas e regime sobre a transmissão entre as pernas do operador. Outro destaque é a nova posição dos pesos de lastragem abaixo da linha do motor e não mais à frente, como nos modelos anteriores. Visualmente nota-se o alinhamento mundial a partir do capô rebatível e dos faróis dianteiros. Embora a dimensão seja reduzida, nota-se semelhança destes modelos com os maiores da linha, com identidade de design. Enfim, esta nova série representa a substituição de séries tradicionais de tratores compactos, de fácil operação e manutenção, predominantemente mecânicos e que indicam a adaptação a um usuário que necessita pouco conhecimento de máquinas, às vezes complexas e com uma grande confiabilidade.
TRANSMISSÃO
A Série MF 4300 está equipada com transmissão mecânica do tipo engrenagens deslizantes, com oito marchas à frente e duas à ré
Os modelos que possuem TDP tem embreagem dupla (uma para acionamento da transmissão e outra para o acionamento da tomada de potência), do tipo disco seco, disponível em material cerametálico ou orgânico, e acionada mecanicamente por pedal. Os novos modelos da linha MF 4300 são equipados com transmissão mecânica do tipo engrenagens deslizantes, com oito marchas à frente e duas à ré, resultado da combinação de quatro marchas e dois grupos (alta e baixa). No entanto, o modelo 4307 possui transmissão com 12 velocidades à frente e quatro à ré. A alavanca de marcha está localizada entre as pernas do operador, junto com a alavanca de seleção dos grupos. A opção por esta transmissão, bastante conhecida e confiável, é parte do pacote tecnológico e do tipo de cliente a atender. Evidentemente que faz falta um inversor, dadas a frequente utilização desta gama de tratores e as recentes ofertas. As velocidades de deslocamento variam através de duas alavancas, uma de marchas e outra de grupos de 2,3km/h a 30,4km/h à frente e 3,1km/h a 12,6km/h a ré. Porém, com um grande salto entre a sexta e sétima marcha, partindo de 13,5km/h para 24,8km/h. Quanto à posição de marchas, como ponto positivo,
MOTOR O motor que equipa esta série, formada por três modelos, é de três cilindros da marca AGCOPower, de 3.300cm3, modelo 33MEC-T3, com turbocompressor e um radiador intercooler para proporcionar potência de 57cv, 67cv e 80cv (ISO TR14396). Ainda que seja um motor de injeção mecânica, com bomba rotativa marca Delphy, ele atende as normas de emissões, baseando-se em um sistema EGR. Com este lançamento, todos os tratores da linha são equipados com a mesma marca de motor. Suprimem-se outras opções, como acontecia anteriormente. O arrefecimento da temperatura do motor é feito por um sistema de circuito aberto com um radiador de tamanho adequado, o que nos permitiu verificar a manutenção da temperatura durante todo o período de testes. Na frente do radiador de água está instalado um de menor tamanho que serve ao intercooler. Para a filtragem do combustível, estes modelos utilizam um tradicional sistema de filtro duplo em série. O fabricante informa que pelo tipo de injeção não há restrição de utilização de combustível, podendo-se utilizar o diesel comum S500 ou mesmo o S10.
O motor que equipa a série é de três cilindros da marca AGCOPower, de 3.300cm3, com turbocompressor e intercooler
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pode-se ressaltar o alinhamento da ré e da primeira marcha, o que é bastante adequado para estes modelos que não utilizam inversor. Embora não muito valorizado por este segmento, talvez fosse interessante melhorar um pouco o sistema, diminuindo o esforço para o engate das marchas. A nova linha MF 4300 também apresenta como opcional o Creeper, um super-redutor acionado de forma mecânica, possibilitando uma faixa de velocidades entre 0,6km/h e 1,8km/h, utilizadas em operações especiais, que requeiram baixas velocidades de deslocamento. Não há sobreposição de velocidades entre os grupos de transmissão, ou seja, a última marcha do grupo baixo tem menor velocidade que a primeira marcha do grupo alto. Isso aumenta as chances de troca dos grupos durante o trabalho. Há duas versões para a tomada de potência (TDP) dos tratores dessa linha. A versão standard apresenta uma TDP dependente, devendo-se acionar o pedal de embreagem
até um segundo estágio para poder desconectá-la. A versão opcional, que em geral será escolhida pelos usuários (TDPi), traz uma facilidade na hora da operação, pois pode ser desacoplada independentemente da transmissão, ou seja, enquanto o trator se movimenta é possível desligar a TDP. Para ambas, a velocidade é de 540rpm na rotação de 1.900rpm do motor. Para a segurança do operador, há uma proteção metálica do tipo escudo no entorno da TDP. Nos eixos traseiros, a redução final é do tipo planetária epicicloidal, com fixação do rodado por flange. O bloqueio do diferencial é do tipo mecânico e acionado por pedal, localizado à direita, abaixo do assento do operador. O freio de serviço é de acionamento mecânico, composto por cinco discos úmidos em cada lado do eixo traseiro. Na carcaça do eixo traseiro, há uma indicação em modo de relevo da quantidade de discos, o que representa facilidade no momento da manutenção. O freio de estacionamento é de acionamento mecânico - para
SISTEMA HIDRÁULICO A linha MF 4300 apresenta duas bombas principais, uma exclusiva do sistema de direção e outra para as válvulas de controle remoto (VCR), sendo ambas de engrenagem, trabalhando a uma pressão máxima de 180bar. A bomba das VCR é independente e possui uma vazão de 40L/min. Também há uma bomba Isyp responsável pelo levante de três pontos, de categoria II, com filtro exclusivo e vazão de 17L/min, com a opção da segunda bomba com 42l/min, fazendo com que a vazão passe a ser de 59L/min. O acionamento ocorre por uma pequena alavanca abaixo do banco. Para quem é mais antigo na área de mecanização, lembrará que no passado os tratores que utilizavam bomba Isyp dispunham de uma chave seletora que dividia o fluxo para o sistema de três pontos ou para as válvulas VCR, neste caso não há divisão e sim soma da vazão. A versão standard destes modelos apresenta uma válvula VCR, tendo como opcional duas ou três. No teste, o trator MF 4305 estava equipado com uma VCR e o MF 4306 com duas VCRs. Ressalta-se o oferecimento de opções para os estabilizadores dos braços do sistema hidráulico de três pontos. Nos tratores que testamos havia um com o sistema de correntes e roscas e outro do tipo telescópico. Evidentemente que nos agrada mais o segundo tipo, pela facilidade que traz no momento deste ajuste. O controle de altura do sistema de três pontos está posicionado ao lado direito do operador, sendo a regulagem
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A versão standard vem com uma válvula VCR com opcionais para até três válvulas VCR
da sensibilidade de altura do sistema realizada pelo tradicional sistema Ferguson, no qual regula-se a sensibilidade, escolhendo dentre os três furos do terceiro ponto, sendo o furo inferior com menor sensibilidade e o furo superior com maior sensibilidade. A capacidade de levante a 610mm da rótula é de 2.500kgf, para os três modelos da série. Ressalta-se como ponto positivo que o fabricante colocou um filtro exclusivo para o sistema hidráulico.
interruptor, este tipo de acionamento não destoa do tipo de trator e nos pareceu bastante fácil o engate. O eixo cardã passa na posição lateral, comum nesse porte de trator, pois aumenta o vão livre. Nota-se que são muito boas as proteções do cardã que transmite ao eixo dianteiro, no entanto é necessário afastar os protetores plásticos para
POSTO DO OPERADOR O posto do operador, embora utilize o mesmo câmbio dos tratores com alavancas posicionadas entre as pernas do operador, recebeu uma estrutura do tipo semiplataforma, em que o operador tem relativa liberdade de movimentos, ficando bem mais ergonômica que a anterior alternativa. Os espelhos foram colocados na parte inferior da capota, não dando uma boa resposta à visão para trás. Poderiam ser de maior tamanho e colocados nas laterais em posição mais inferior. Para informação do operador, foi projetado e instalado um painel bastante simples, com um termômetro para medir a temperatura da água de arrefecimento e um medidor de volume de combustível. De outra parte, neste mesmo painel foram instaladas luzes de alerta para diversas funções e checklist do trator após o seu funcionamento. Na parte de trás do assento e servindo também de suporte à capota foi instalado um arco de segurança de dois pontos, com a sua respectiva homologação pelo fabricante, de acordo com a norma internacional. Também muito bem avaliada pela equipe de testes foi a posição do tubo de escape, posicionado agora na lateral direita do trator, portanto no lado contrário ao recomendado para a entrada. Nos modelos anteriores esta posição era contrária, o que poderia favorecer o acidente por queimaduras e o contato do corpo do operador, principalmente as mãos. Também foram inseridos defletores laterais de vidro para diminuir calor e ruído que chegam ao operador.
acessar aos pontos de engraxamento. O bloqueio do diferencial é do tipo LimitedSlip, atuando de forma automática, transferindo torque para o rodado de mais aderência, ao contrário do diferencial sem bloqueio. A transmissão de torque para os rodados ocorre por meio de juntas universais homocinéticas.
Fotos Rocheli Wachholz
ativá-lo, basta puxar uma alavanca à direita e abaixo do volante e acionar os freios de serviço, os quais são travados. Toda a linha MF 4300 é equipada com tração dianteira auxiliar (TDA) da marca ZF, acionada mecanicamente por uma alavanca, que se move no sentido vertical, ao lado esquerdo do operador. Ainda que a ligação pudesse ser por um
No posto de operação, foram colocadas duas proteções de vidro para dispersar o calor do motor
As alavancas de marchas continuam localizadas entre as pernas do operador
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MANUTENÇÃO
Fotos Rocheli Wachholz
A colocação do capô rebatível apresenta boa abertura e fechamento. Como novidade, um sistema de fechamento com chave, para impedir o acesso e a abertura por pessoas que não sejam autorizadas, como prevê a norma regulamentadora (NR-12). Reiteramos a boa proteção contra o contato de mãos, nas mangueiras de arrefecimento no lado esquerdo e na correia do alterador no lado direito. Há também uma proteção tipo escudo, colocada sobre o eixo da TDP, o que impede o fácil contato, principalmente dos pés do operador que sobe pela parte traseira do trator. Os filtros de ar podem ser acessados facilmente para limpeza e troca, assim como o decantador de água e os filtros de combustível e de óleo e das varetas de verificação dos níveis de óleos. A nova posição do depósito de combustível, na parte traseira do assento do operador, parece facilitar o abastecimento.
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DIMENSÕES E CAPACIDADES Os tratores da linha 4300 que testamos têm peso total de 3.025kg e 3.575kg, respectivamente (sem lastro metálico e sem água nos pneus). O comprimento total dos tratores é de 3.851mm, largura mínima de 1.852mm e altura máxima de 2.542mm. A distância entre eixos é de 2.286mm, o que proporciona melhor manobrabilidade, com raio de giro de 4,6m, com o uso do freio individual. Esta característica de projeto se reflete em desempenho, principalmente quando se tratam de pequenas áreas. A bitola desta linha chama a atenção, com 1.571mm de distância mínima e 2.160mm de distância máxima entre as rodas traseiras, e 1.322mm de distância mínima e 1.957mm de distância máxima para as dianteiras. Além do vão livre de 340mm, proporcionado pela posição do eixo cardã ao lado esquerdo do trator. Para a lastragem metálica frontal podem ser utilizados até oito pesos de 25kg cada, posicionados na parte inferior frontal do trator, o que diminui o comprimento total do trator, facilitando a realização de manobras em curtos espaços. No entanto, ao diminuir o comprimento do trator se diminui a ação dos pesos na estabilidade dianteira, pela redução da distância do centro destas massas em relação ao eixo dianteiro. Embora esteticamente seja mais agradável a solução, a retirada e a colocação dos pesos, nesta nova posição, dificultaram a operação de lastragem dianteira, principalmente em um modelo que deverá ter um uso bem versátil pelo pequeno produtor. Quanto aos rodados, o modelo MF 4305 testado estava equipado com pneus diagonais da marca Pirelli, sendo os traseiros com especificação 14.928 R1, e os dianteiros 9.5-24 R1. O modelo MF 4306 testado também estava equipado com pneus diagonais, porém da marca Goodyear, sendo os traseiros com especificação 13.5-38 R1, e os dianteiros 12.424 R1. Os pneus R1 são de tração, indicados para solos mais secos ou com umidade normal e apresentam garras menores. Com relação às capacidades, o tanque de combustível da linha 4300 é capaz de comportar 95 litros de diesel, um aumento de 38 litros na capacidade de armazenamento de combustível, proporcionado pela mudança de posição do tanque que na
nova linha passa a se localizar atrás do posto do operador. O sistema elétrico é de 12V, e conta com um alternador de 80A e bateria de 70Ah. A bateria está localizada na parte posterior ao motor do trator, sendo protegida pelo capô. O trator também conta com uma caixa porta-ferramentas, localizada próxima à bateria.
O TESTE O teste da nova linha 4300 da Massey Ferguson foi realizado na propriedade de Aloísio Pedro Weber e família, localizada na cidade de Santa Cruz do Sul, localidade de Cerro Alegre Alto, estado do Rio Grande do Sul. Trata-se de uma propriedade familiar com área total de 11,5 hectares, a qual se caracteriza pela produção de tabaco para a geração de renda, e de alimentos para a subsistência da família. Para a realização desse teste, contamos com o apoio de Giovane Luiz Weber, filho de Aloísio Pedro Weber, o qual nos mostrou como é a rotina da produção do tabaco desde a criação das mudas para transplante até o processo de secagem e comercialização. O Giovane é um influenciador digital bastante conhecido, princi-
O tanque de combustível foi deslocado para a parte traseira
palmente pelos produtores de fumo da região. Também, contamos com o apoio de Gustavo Borin, vendedor externo da Samaq Comercial de Máquinas Ltda, concessionária Massey Ferguson. Juntamente conosco estavam presentes o coordenador de Marketing de Produto Tratores da AGCO para América do Sul, Éder Dornelles Pinheiro, o especialista de Marketing de Produto Tratores da AGCO, Juan Paulo Barbieri, e o especialista de Produto da Samaq Comercial de Máquinas Ltda, Rodrigo Kaufmann. O local escolhido para o teste era uma área de lavoura a ser preparada para a produção da cultura do tabaco, com relevo ondulado e com comprimento de trajeto suficiente para a avaliação dos mode-
Os pesos de lastragem estão localizados abaixo do capô
Testamos o MF 4305 nas atividades desenvolvidas numa pequena propriedade
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Design da nova série está alinhado com projeto mundial da marca
SAMAQ A Samaq Comercial de Máquinas Ltda, concessionária Massey Ferguson, foi fundada em 28 de agosto de 1968 na cidade de Santa Cruz do Sul, pelo presidente senhor Lothar Kurt Krause. Em 51 anos de história, a Samaq, além da matriz em Santa Cruz do Sul, conta com três filiais localizadas nas cidades de Rio Pardo, Estrela e Sobradinho, abrangendo 53 municípios no estado do Rio Grande do Sul e gerando mais de 100 empregos diretos.
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los de tratores da linha 4300. A umidade do solo estava acima do aceitável para trabalho com maquinários, o que restringiu e dificultou um pouco a nossa avaliação. Para os testes a campo, disponibilizamos de quatro implementos agrícolas, sendo reservados dois para cada modelo de trator testado. Primeiramente, testamos o modelo MF 4306, equipado com o braço de retroescavadeira, popularmente conhecido na região como “mão de padre”, modelo RT75 da Massey Ferguson by Woods. Nessa atividade pudemos observar a versatilidade do modelo de 65cv, o qual proporcionou o excelente desempenho do implemento que faz uso do sistema hidráulico do trator e da tomada de potência (TDP), garantindo agilidade nas atividades desempenhadas, sem falhas
de operação, suavidade nos movimentos, força e estabilidade do conjunto. A segunda operação realizada com o trator MF 4306 foi a utilização de enxada rotativa RTR 60.40 da Woods, em área não revolvida, testamos o desempenho do conjunto mecanizado e observamos a facilidade do acionamento da TDPi. E, para o modelo MF 4305, utilizamos um escarificador de três hastes, modelo ASM 5-1.60, e uma grade de discos, modelo GH da Tatu, com 28 discos de 20” e espaçamento de 195mm entre discos. Nestas operações podemos destacar a ágil resposta do sistema de levante hidráulico ao serem acionadas as alavancas de controle de profundidade e sensibilidade. As impressões ao operar os trato-
Fotos Rocheli Wachholz
CONSIDERAÇÕES FINAIS Com as provas de campo que realizamos com retroescavadeira, grade de discos, escarificador e enxada rotativa, vimos um grande potencial de utilização deste trator em pequenas e médias propriedades, principalmente da região Sul, e Sul e Sudeste. Embora o terreno em que testamos este trator não estivesse em condições ótimas para receber todos estes equipamentos, pela necessidade dos produtores em ter um trator econômico e versátil, para utilizar-se com diferentes equipamentos, avaliamos como muito positiva a experiência. Acreditamos que o ponto alto deste trator e que possa diferenciá-lo neste mercado competitivo é o motor. Durante todos os trabalhos que executamos, o sentimos muito eficiente em manter a rotação e livrar-se das dificuldades impostas pelos diferentes equipamentos. Não temos a menor dúvida em qualificar o motor como superior e suficiente para a aplicação. Também qualificamos como positivas as soluções trazidas das séries de maior potência e que sensivelmente trouxeram melhoras em relação às séries que foram substituídas. É um trator simples e modesto em tecnologia, porém que terá muita utilidade no campo, principalmente para aqueles produtores que necessitam de um trator robusto, de fácil operação e manuten.M ção e que seja multitarefa.
res da linha 4300 foram muito boas, destacando-se a facilidade para o acionamento dos pedais da embreagem, dos freios e da tração dianteira auxiliar. Durante o teste que utilizamos constantemente a tração dianteira auxiliar, o que mais nos chamou a atenção foi o comportamento do motor, seguidas vezes deixamos o implemento atingir toda a sua profundidade e o motor caía de rotação e logo se recuperava quando era aliviada a carga do implemento. Vale ressaltar que a estabilidade do conjunto mecanizado, tanto com o implemento em operação, quanto suspenso para execução de manobras, é excelente, garantindo segurança e conforto ao operador. Outro ponto a destacar é o sistema de segurança de partida do motor, o qual exige que a alavanca de grupos se encontre na posição neutra para que ocorra o acionamento do motor.
José Fernando Schlosser, Heliodoro Catalán, Daniela Herzog e Halan Borsatto, Laboratório de Agrotecnologia - UFSM
O teste foi realizado na cidade de Santa Cruz do Sul (RS) e contou com o apoio da concessionária Samaq
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MANUTENÇÃO Fotos Charles Echer
Correntes lubrificadas Manter as correntes de máquinas e implementos agrícolas lubrificadas é uma necessidade e, muitas vezes, também um desafio, principalmente quando a lubrificação deve ser feita com a máquina em movimento
A
manutenção das correntes de acionamento em equipamentos móveis e industriais constitui um particular desafio em face da severidade da condição de serviço a que estes elementos de máquinas são expostos. Os ambientes em que as correntes operam podem ser extremamente poeirentos e úmidos e a força centrífuga a que são submetidas torna extremamente difícil a sua lubrificação. Antes de abordar as diferentes formas de lubrificação de correntes, nunca é demais mencionar que a lubrificação de correntes com graxa é um método que deve ser evitado devido à ineficácia. Um dos métodos mais usuais de se lubrificar correntes é manualmente e utilizando-se pincel, brocha ou almotolia.
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Estes métodos de lubrificação, porém, não são dos mais satisfatórios, pois os intervalos podem ser muito espaçados e irregulares. Além disso, os pinos e as buchas não são lubrificados de forma eficiente e a limpeza (remoção de material particulado sólido abrasivo) é deficiente. Mas existem diversas alternativas à lubrificação manual de correntes de maquinários móveis ou industriais por pincel, brocha ou almotolia, como veremos a seguir.
COPO CONTA-GOTAS
O método de lubrificar com copo conta-gotas é relativamente eficaz, por propiciar a lubrificação e a remoção de material particulado sólido abrasivo (limpeza) continuadas das correntes, reduzindo assim a necessidade das constan-
tes e, nem sempre possíveis, intervenções do mecânico-lubrificador, como no caso da lubrificação manual com pincel ou almotolia. Existem no mercado copos conta-gotas de variadas capacidades volumétricas, que possibilitam a reposição programada do óleo lubrificante com o maquinário em operação, obviamente levando-se em conta questões de segurança, de forma a disponibilizar a lubrificação e a limpeza contínua das correntes. A lubrificação por copo conta-gotas tem o benefício adicional de se poder ajustar a quantidade despachada de lubrificante, através de parafuso de ajuste, conforme a condição de serviço, e pode ser bem utilizado em equipamentos com regime de operação contínuo ou intermitente.
COPO COM MECHA OU COPO LUBRIFICADOR COM ESCOVA
Estes métodos proporcionam lubrificação e remoção de material particulado sólido abrasivo (limpeza) das correntes de forma contínua, apresentando o inconveniente, porém, de não ser possível efetuar a regulagem do fluxo de óleo lubrificante e a interrupção da lubrificação quando da paralisação do maquinário, sendo necessário um monitoramento mais frequente do nível de óleo lubrificante. Este método de lubrificação tem maior aplicação em maquinários com regime de operação contínuo.
LUBRIFICAÇÃO POR BANHO DE ÓLEO
A lubrificação de correntes por sistema de lubrificação automatizado necessita, porém, de maiores investimentos em componentes e estudos técnicos mais detalhados. Como exemplo, podemos citar bomba de óleo lubrificante, sistema de temporização do fluxo de óleo lubrificante etc. A recomendação para lubrificação de correntes de acionamento de equipamentos móveis ou industriais é que o processo deve ser realizado de forma contínua e regular, de maneira que a película lubrificante possa ser satisfatória entre os pinos e as buchas e haja a mínima deposição de material particulado sólido abrasivo (limpeza). Fato é que a lubrificação de correntes em maquinários móveis e industriais muitas vezes é negligenciada, sendo o maior custo não o da corrente em si, mas o do maquinário indisponível. Vale a pena pensar sobre esta questão, muitas vezes de fácil .M resolução. Marcos Lobo, Petrobras
Lubrificação manual por almotolia ou pincel
Correntes, muitas vezes, operam em ambientes com poeira e umidade
Neste método, os pinos e as buchas das correntes são lubrificados de forma eficaz e contínua por óleo lubrificante contido em cárter, havendo, também, menor deposição de material particulado sólido abrasivo (limpeza), apresentando boa aplicação em maquinários com regime de operação contínuo ou intermitente.
Copo conta-gotas com ajuste de fluxo
SISTEMA AUTOMATIZADO
Conforme a necessidade de confiabilidade e disponibilidade do maquinário, a lubrificação de correntes pode ser realizada por meio sistema de lubrificação automatizado. Este método é bastante eficiente, visto dar ao mecânico-lubrificador mais tempo para outras atividades necessárias.
Banho de óleo: pinos e buchas bem lubrificados e limpos
Copo com mecha e lubrificador com escova
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rimeira grande feira agrícola do ano, o Show Rural Coopavel, realizado de 2 a 6 de fevereiro, em Cascavel (PR), recebeu 298.910 visitantes. A 32ª edição 2020 movimentou R$ 2,7 bilhões, crescimento de 23% na comparação com os R$ 2,2 bilhões alcançados no evento no ano passado. Entre os fatores que levaram a este desempenho, o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, cita a alta produtividade de grãos, anúncio da maior safra de grãos da história do Brasil (251 milhões de toneladas) e valores das sacas de soja e milho maiores, respectivamente, em 15% e 35% comparativamente aos preços praticados em fevereiro de 2019. “Números tão bons explicam a razão de tantas empresas escolherem o Show Rural Coopavel para o lançamento de variedades de soja, híbridos de milho e inovações em máquinas e outras tecnologias para o agronegócio”, explica Grolli. Confira a seguir os principais lançamentos e destaques do Show Rural 2020.
Trator TL5 da New Holland com acessibilidade Acessibilidade foi a palavra de ordem no estande da New Holland, durante o Show Rural Coopavel. A marca demonstrou o conceito do trator modelo TL5 adaptado para pessoas com mobilidade reduzida. O equipamento proporciona condições de trabalho iguais a todos no campo, com segurança e conforto. Equipado com uma plataforma de elevação e um joystick, com o qual o operador comanda os movimentos necessários para fazer o seu próprio embarque/desembarque, além de
uma cabine adaptada para facilitar as operações, com ergonomia e amplo espaço interno. A empresa parceira da New Holland, Elevittá, customiza o trator para qualquer tipo de necessidade especial. A família de tratores TL5, por sua vez, vem equipada com motor FPT S8000 MAR I e é indicada para multitarefas no dia a dia. A linha possui três diferentes tipos de transmissão, versões com reversor Power Shuttle, com ou sem cabine e várias opções de configurações de pneus.
Gigante Steiger da Case IH Máquinas de alta potência estiveram em destaque no estande da Case IH no Show Rural Coopavel. Um exemplo é a linha Steiger, solução para perfis de produtores com grandes áreas rurais. A série, que conta com tratores de 370 a 620 cavalos, foi projetada para proporcionar potência máxima em qualquer tipo de atividade ou topografia, além das demandas de potência hidráulica de implementos modernos, como plantadeiras de 60 linhas, por exemplo. As máquinas são equipadas com motor Cursor 13, da FPT Industrial, de 12,9 litros de capacidade, 24 válvulas e seis cilindros, o que proporciona 40% de reserva de torque. Com mais vazão hidráulica, a Case IH também levou uma nova versão dos tratores Puma 200, 215 e 230 à feira. Um dos principais destaques deste produto é o novo fluxo hidráulico de 180L/min, 20% maior do que o modelo anterior, que permite ao produtor trabalhar com plantadeiras e implementos maiores, com mais velocidade em manobras.
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John Deere lança trator 6M Uma série de lançamentos destacou a presença da John Deere no Show Rural Coopavel. Na linha de tratores de médio porte, a marca lançou o 6M. Composta por cinco tratores com potência de 135 a 210 cavalos, a linha é ideal para produtores que precisam de uma máquina versátil e potente. O 6M conta com a opção do novo eixo dianteiro de suspensão TLS, que aumenta em 8% a produtividade. Outro ponto positivo é que, graças à transmissão CommandQuad, que realiza a regulagem automática de marcha em relação à velocidade, há uma economia de até 9% do combustível. Também durante o evento, a Pla, marca adquirida pela John Deere em 2018, levou os inéditos pulverizadores PLA120J e PLA125J, ideais para pequenas e médias áreas rurais. Os equipamentos possuem barra de 24,5m e 27,5m, tanque de produto de 2.000 e 2.500 litros rotomoldado e vão livre de 1,40m, o que agrega versatilidade na aplicação das máquinas.
Imperador 2000 da Stara Agora com a família completa, a Stara apresentou o mais novo membro da linha Imperador de autopropelidos durante o Show Rural Coopavel. O Imperador 2000, além de pulverizar, realiza a semeadura pneumática através do sistema Ponte Verde. Além disso, possui reservatório de calda de dois mil litros e tecnologias como o Sistema Recirculante Contínuo, que proporciona maior homogeneidade nas aplicações e concentração exata do produto. Outro destaque é o Sistema Bico a Bico, que possibilita economia de defensivos e eficiência na aplicação do produto. Já o giro inteligente nas quatro rodas oferece raio de giro 42% menor que os sistemas convencionais, o que reduz o amassamento nas manobras e bordaduras. Além da barra central de 30 metros, a versão completa do novo Imperador da Stara possui piloto automático, controle de tração, abertura de bitola de 2,60m a 3,20m, motobomba e vão livre de 1,60m.
Válvulas PWM nos produtos Jacto Com foco na qualidade de pulverização, a Jacto lançou a tecnologia PWM durante sua participação no Show Rural Coopavel. A PWM consiste em um sistema de controle de vazão nos bicos, que permite manter o tamanho das gotas mesmo com a variação da velocidade. A tecnologia complementa a linha de produtos de tecnologia de aplicação da Jacto, que incluem o controle bico a bico, circuito circulante de pulverização e uma variada linha de bicos de pulverização. A tecnologia PWM não tem restrições quanto ao uso de agroquímicos e pode operar com herbicidas, fungicidas e inseticidas e particulados, o que permite trabalhar em todo o ciclo da
pulverização. Além da PWM, a Jacto demonstrou os diferenciais da família Uniport, com o Uniport 3030 e o Uniport EletroVortex – ambas as máquinas passam a ter o sistema de abastecimento de três polegadas de série, proporcionando mais eficiência e mais tempo de pulverização, o que pode aumentar em até 7% a produtividade em hectares/dia quando comparado com o sistema de duas polegadas. Outra novidade das máquinas é o reservatório de 400 litros de
diesel disponível de série para o Uniport 3030 EletroVortex e opcional para o Uniport 3030 e Uniport 4530. Com este novo opcional, a autonomia pode atingir até 24 horas de trabalho, dependendo das condições de operação do equipamento.
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Mahindra lança trator 6075 fruteiro A Mahindra apostou nos produtores de café, laranja, maçã e outras frutas de pomar com o lançamento do trator 6075 E durante o Show Rural Coopavel. Um trator de 80cv de potência e quatro cilindros, com largura máxima de 1,6m, ideal para pomares com espaçamento de 3,5m a 4m entre as plantas e o “vão livre da rua” entre 1,8m e 2m. De simples operação, mesmo “estreito” mantém a ergonomia aprimorada e as características da marca de economia de combustível. O 6075 E também possui transmissão mecânica sincronizada com reversor, 15 marchas à frente e 15 à ré, ou com redutor, 20 marchas à frente e 20 à ré, e maior número de velocidades disponíveis (nove marchas na faixa de trabalho), garantindo versatilidade nas mais diversas condições de trabalho. Para completar, a Mahindra expôs todo seu portfólio de tratores, que vai de 25cv a 95cv, para os produtores que visitaram o estande na feira.
Novo Rhino 4004 Multiset da nova PVT Com lançamento oficial no Show Rural Coopavel, as séries Rhino 4004 Multiset e Rhino 2004, da PVT, foram desenvolvidas para suportar os trabalhos em todos os tipos de terreno e topografias. O pulverizador Rhino 2004 possui 2.000L de
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tanque, enquanto o Rhino 4004 Multiset é um autopropelido porta-ferramentas que pode ser transformado em pulverizador de 4.000L de tanque, ou em distribuidor de insumos sólidos – seis metros cúbicos de capacida-
de. Na função pulverizador, possui 32m de barras e apresenta estabilidade para distribuição e deposição de gotas. O sistema Multiset realiza a troca rápida de função, onde em menos de 30 minutos, duas pessoas transformam o autopropelido em pulverizador ou distribuidor. Já o modelo de entrada Rhino 2004 está disponível apenas na versão de pulverização, com 28m de barras, potência do motor de 190cv e quatro cilindros, e a transmissão hidrostática 4x4, sendo hidro+mecânica 4x4 no Rhino 4004. Ambos os modelos possuem sistema de eixos direcionais, que permite que as rodas traseiras passem no mesmo rastro das dianteiras, diminuindo em até 42% o amassamento de plantas.
Série MF 4300 da Massey Ferguson Ao demonstrar seu portfólio completo durante o Show Rural Coopavel, a Massey Ferguson aproveitou a oportunidade para apresentar a série de tratores MF 4300 para o produtor paranaense. Integrada pelos modelos MF 4305 (57cv), MF 4306 (67cv) e MF 4307 (77cv), a nova linha substitui os antigos MF 250 e MF 255, ampliando o portfólio da marca com tratores que podem ser utilizados em todo ciclo produtivo. Com o exclusivo motor AGCO Power de três cilindros turbinados e adequado ao Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) MAR-1, a série de tratores MF 4300 possui transmissão 8x2, capacidade de levante de 2.500kg, controle remoto 57L/min (vazão máxima) e capacidade do tanque de 95 litros de combustível. A Massey Ferguson também levou ao produtor rural pacote de serviços e soluções agronômicas FarmSolutions e os tratores da linha MF 4200 Xtra, cujos modelos são todos 4x4, plataformados. Com o motor eletrônico AGCO Power de três cilindros e também adequada ao MAR-1, a linha MF 4200 Xtra é composta por quatro modelos: o MF 4280 Xtra (80cv), MF 4283 Xtra (89cv), MF 4290 Xtra (99cv) e MF 4292 Xtra (105cv), e os tratores se diferenciam pelo baixo custo de manutenção e por aceitarem todos os tipos de implementos agrícolas.
Semeadora Momemtum da Valtra Pela primeira vez no Show Rural Coopavel, a Valtra expôs a plantadora dobrável Momentum. Lançada na metade de 2019, a Momentum fica com apenas 3,6 metros de largura quando fechada, o que facilita o transporte em estradas. O implemento também possui tecnologia 100% Precision Planting, que se integra com o sistema de telemetria dos equipamentos Valtra e está disponível nas versões de 24, 30 e 40 linhas no espaçamento de 45cm. O índice de singulação (percentual de sementes falhas e duplas) da nova plantadora chega a 99,6% no milho, mesmo em velocidades superiores a 10km/h de plantio. Outra série de máquinas inéditas da Valtra na Coopavel foi a evolução da Série A Geração 2 de tratores: a Série A2R, agora conta com motor eletrônico AGCO Power de três cilindros, homologado pela lei de controle de emissões MAR-1. Os modelos da série A2R são 4x4, plataformados, têm baixo custo de manutenção e aceitam implementos como grades aradoras, pequenas plantadeiras, perfuradores, enxadas rotativas, distribuidores e pulverizadores. A série A2R da Valtra é composta por quatro modelos: o A800R (80cv), A850R (89cv), A950R (99cv) e o A990R (105cv).
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Piloto por câmeras
VSN da Raven
Série Plus da LS Tractor com transmissão Power Shuttle Introduzida em tratores com o objetivo de aumentar a produtividade de trabalho, a transmissão Power Shuttle auxilia na economia de combustível, diminui os custos de manutenção e dá mais versatilidade e agilidade nas operações. Por isso, a tecnologia foi a novidade da LS Tractor no Show Rural Coopavel, que apresentou a Série Plus de tratores equipada com a transmissão. A novidade dobra as opções de marchas, passando de 12x12 para 24x24 – o que amplia as opções de velocidade do trator e facilita para o operador as trocas de marcha. Em diversas atividades do dia, o trator precisa se movi-
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mentar para frente e para trás várias vezes, e o operador tem que usar a embreagem para realizar a ação. O Power Shuttle dispensa o uso da embreagem, reduzindo gastos de peças do desgaste prematuro e também evitando a fadiga do operador. A introdução da tecnologia na Série Plus considera a importância de levar soluções versáteis para os pequenos e médios produtores rurais. A linha Plus possui, também, o Syncro Shuttle, inversor de frente e ré sincronizado, e motorização Perkins Turbo Intercooler, que se diferencia pela baixa emissão de poluentes e baixo consumo de combustível.
A Raven do Brasil destacou novidades em agricultura de precisão no Show Rural Coopavel. Um dos lançamentos foi o piloto por câmeras VSN, que transforma a orientação da máquina através das linhas da plantação. A tecnologia utiliza uma câmera estéreo para navegar sobre as linhas, através de processamento de imagens, permitindo que o operador mantenha seu foco em outros aspectos importantes da pulverização. Por não depender de GPS e satélite, a VSN se torna uma opção para as áreas onde há pouco sinal, além de agregar eficiência à operação, evitando o amassamento. Outra tecnologia apresentada foi o JobSync, a comunicação entre máquinas, sistema que possui cobertura compartilhada, cujos dados são salvos mesmo se há interrupção na conexão, pois a cobertura é sincronizada quando a conexão é reestabelecida. Para dosagens mais precisas, a Raven destacou o sistema de injeção direta SidekickPro, tecnologia que estabelece um novo padrão para aplicações químicas. A mistura é realizada no momento da aplicação, o que torna a solução ideal para a pulverização de herbicidas em culturas em que necessitam a criação de uma região de segurança entre a área de aplicação e de culturas vizinhas sensíveis a este mesmo herbicida. Além disso, permite ao usuário uma aplicação localizada e os químicos não utilizados podem ser guardados sem perder sua eficiência.
PULVERIZAÇÃO
Detalhes decisivos
O uso da telemetria na pulverização garante ao produtor um acréscimo de qualidade nas aplicações e controle total dos fatores que envolvem desde o consumo do pulverizador até detalhes das aplicações
Q
nicar de maneira instantânea. No caso de um pulverizador automotriz, a rede irá comunicar com sensores relativos à máquina (motor, transmissão, sistema hidráulico etc.) e com sensores relativos à pulverização (válvulas, pressão, vazão, sensores de temperatura e umidade relativa do ar). Todos estes sensores estarão ligados aos módulos controladores que podem executar funções específicas no equipamento, como, por exemplo, controle do sistema de transmissão (motor diesel, motores hidráulicos) ou as funções vitais de um pulverizador, enviando e monitorando parâmetros para garantir o correto volume de aplicação em uma determi-
COLETA E TRANSMISSÃO DE DADOS
Em pulverizadores automotrizes, as principais informações que são coletadas estão relacionadas com os dados do operador, status do pulverizador, status da aplicação, condições ambientais e status da operação. O Quadro 1 mostra os detalhes destes componentes. A Figura 1 mostra tipos de transmissão de dados de um pulverizador automotriz. É possível observar que existem três maneiras de transmissão de dados: internet móvel, wi-fi e coletor wi-fi. Na transmissão por internet móvel (dados móveis), os dados são transmitidos simultaneamente à coleta quando há disponibilidade de conexão 2/3/4G. A taxa de coleta e transmissão varia para cada equipamento e fabricante. No caso de um pulverizador automotriz, a taxa é de cinco segundos. Todos os dados cole-
Fotos Jacto
uando o produtor agrícola está adquirindo um trator novo ou uma nova máquina automotriz (colhedora, pulverizador, adubadora), é comum ele observar, em alguns modelos, que a máquina pode apresentar de série um sistema de telemetria. O objetivo deste texto é responder algumas perguntas que porventura podem surgir sobre este tema. O sistema de telemetria consiste em coleta e transmissão remota dos dados. Isso é possível devido às máquinas utilizarem sistema de comunicação CAN (Controller Area Network, traduzindo, Rede de Área de Controle). Esse sistema é uma rede de transmissão de dados em que diferentes dispositivos de um equipamento podem se comu-
nada condição. No entanto, existem módulos que não executam ações, mas, sim, realizam a coleta e a transmissão de informações, através da internet móvel, para um servidor. Este é o módulo que realizará a telemetria, ou seja, que realizará a coleta e a transmissão remota dos dados.
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tados irão para uma nuvem, que pode ser acessada virtualmente pelo usuário, por meio de tablet, notebook ou smartphone.
ONDE HÁ NECESSIDADE DE CONECTIVIDADE EM TODA A ÁREA
A coleta e transmissão dos dados permite à equipe de gestão da propriedade realizar o monitoramento do equipamento, isto é, acompanhamento em tempo real das condições de aplicação e status do equipamento. Logo na sequência, cerca de dez minutos (dependendo do fabricante), os dados já são processados, gerando os mapas operacionais e de aplicação. Com isso, caso o gestor da propriedade necessite do monitoramento em tempo real, a fazenda necessita de conectividade em toda a área. A conectividade no campo está cada vez mais acessível e com melhor qualidade. Diversas iniciativas apoiadas por empresas ligadas ao agronegócio estão com projetos para estimular e viabilizar o acesso à internet. Um destes projetos é o ConectarAGRO (conectaragro.com.br). No entanto, quando na propriedade ou no local em que o pulverizador automotriz estiver operando não houver cobertura de dados móveis, os dados continuarão sendo coletados a cada cinco segundos, mas serão armazenados no módulo telemetria. Como os dados são codificados, o consumo de memória é reduzido. Os dados armazenados poderão ainda ser transmitidos de duas maneiras: a primeira trata-se de uma condição em que próximo ao local de armazenamento do equipamento há cobertura Wi-Fi, assim, o módulo é capaz de conectar à rede configurada e transmitir os dados. A transmissão dos dados é mantida, mesmo que o operador desligue o equipamento, já que o módulo permanece em funcionamento após um determinado tempo para completar a transmissão dos dados. E a segunda maneira é, caso não houver a cobertura Wi-Fi, a coleta e transmissão dos dados poderá ser realizada pelo smartphone do operador ou encarregado. Nessa condição, o módulo da telemetria gera uma rede Wi-Fi para que o smartphone seja capaz de se conectar. Ao conectar, os dados começarão a ser armazenados no celular e quando este estiver conectado à internet, os dados serão
Figura 1 - Exemplo de um sistema de telemetria de um pulverizador automotriz. Fonte: Adaptado de Jacto, 2019
A Telemetria é uma rede de transmissão de dados onde diferentes dispositivos de um equipamento podem se comunicar de maneira instantânea
Figura 2 - Ciclo PDCA e as etapas de acompanhamento e análise
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Quadro 1 - Dados coletados e transmitidos de um pulverizador automotriz • Dados do Operador:
• Condições Ambientais:
> Identificação;
> Umidade relativa do ar;
> Ordem de serviço em execução.
> Temperatura Ambiente.
• Status do Pulverizador:
• Status da Operação:
> Consumo de combustível instantâneo;
> Deslocamento;
> Velocidade Instantânea;
> Em operação;
> Alarmes da máquina.
> Parada;
• Status da Aplicação:
> Ocorrência;
> Dose Programada e Instantânea;
> Sem Precisão;
> Volume e Área aplicada.
> Sem Conexão.
Fonte: Adaptado de Jacto, 2019.
transmitidos ao servidor. Desta maneira, não há perda nem dados corrompidos, tornando-se uma maneira prática, segura e eficiência para o mapeamento das operações agrícolas.
COMO UTILIZAR OS DADOS?
Os dados obtidos por meio da telemetria permitem melhorar a gestão operacional. Uma das técnicas de gestão de processos é o método PDCA (1: Plan - planejar; 2: Do - executar; 3: Check controlar; 4: Action - agir), utilizado pelas empresas para garantir o alcance de metas estabelecidas, tomando as informações como fator de direcionamento das decisões. A Figura 2 ilustra o ciclo PDCA com destaque para as etapas 2 (executar, acompanhar) e 3 (analisar e controlar o processo de pulverização). Figura 3 - Mapa de monitoramento de pulverizadores automotrizes no campo. Fonte: Adaptado de Jacto, 2019
Na Figura 3 é possível ver um mapa de monitoramento de pulverizadores no campo, correspondente à etapa 2 do ciclo PDCA (acompanhamento das operações). As máquinas em cores azuis estão se descolando, as cores verdes estão em operação e as cinzas, estão sem conexão (desligadas). Já a Figura 4 mostra um mapa de pulverização em litros por hectare (L/ha), visualizado em uma plataforma virtual do fabricante. Os dados também podem ser exportados em formato shape file e visualizados em qualquer software de SIG (sistema de informação geográfica). A análise dos mapas corresponde à etapa 3 do ciclo PDCA (analisar resultados nos mapas e relatórios). A Figura 5 mostra um mapa de sobreposição (ha) e uma análise de áreas sobrepostas (%) de diversas pulverizações em uma mesma área. Observa-se na análise que de sete pulverizações realizadas, três estão com sobreposição acima da média Com isso, observa-se a relevância do uso do sistema de telemetria em operações agrícolas mecanizadas, com a possiblidade de ganhos financeiros e qualitativos, por meio de dados que estão disponíveis ao agricultor por equipamentos que estão sendo oferecidos de série nas máquinas e com investimentos em assinaturas de nuvem e plataforma virtual que não chegam a 0,4% do valor de aquisição do equipamento. .M José Vitor Salvi, Ângelo Junior Tavares Santos e Daniela Pinguelo, Fatec “Shunji Nishimura” de Pompeia Figura 4 - Mapa de pulverização em litros por hectare (L/ha). Fonte: Adaptado de Jacto, 2019
Figura 5 - Mapa e análise de sobreposição em pulverização. As áreas com sobreposição estão na cor vermelha no mapa à esquerda. Fonte: Adaptado de Salvi et al., 2019 e Jacto, 2019
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MOTORES
Divulgação
Aliados potentes Com o aumento da demanda de força e torque para realizar as atividades agrícolas mais pesadas, turbocompressor e intercooler garantem potência extra em motores diesel
A
correta relação ar e combustível é um fator imprescindível no melhor aproveitamento do poder calorífico dos combustíveis utilizados pelos motores de combustão interna de ciclos Otto e Diesel, que são os principais utilizados no setor agrícola. Através de uma reação exotérmica dentro do cilindro, o combustível é queimado na presença do oxigênio e o movimento de expansão dos gases durante a queima movimenta o pistão do ponto morto superior ao inferior, transmitindo força à biela, que, por sua vez, transmite torque ao eixo virabrequim. O ar atmosférico, após passar por um ou mais tipos de filtro de ar, é direcionado ao cilindro para fornecer oxigênio na proporção exata que cada combustível exige, para que o processo de queima ocorra integralmente. No caso da gasolina e do diesel, a
proporção é de aproximadamente 15 partes de ar para 1 parte de combustível, em peso, enquanto o etanol necessita de 9 para 1. Com o aumento da demanda de força e torque para realizar as atividades agrícolas mais pesadas, os engenheiros buscam aumentar a potência dos motores visando atender essa exigência. E dessa forma, uma das soluções é otimizar o processo de queima do combustível, fornecendo a proporção adequada de ar/combustível para que não haja desperdício de combustível pela falta de oxigênio, principalmente quando ocorre o lançamento de combustível não queimado no cano de descarga. Uma das primeiras estratégias é o aprimoramento da entrada de ar nos cilindros. Normalmente, as entradas de ar para o interior dos motores com vários cilindros agrupam-se num único coletor de admissão, logo após o ar passar pelo filtro de ar – este projeto permite que apenas um filtro seja suficiente para alimentação de todos os cilindros, e o projeto do coletor deve conferir ao ar um movimento turbilhonar ao entrar nos cilindros. Nos motores a gasolina, normalmente se utiliza sistema de múltiplas válvulas por cilindro, como os famosos motores de 16 válvulas nos tradicionais de quatro cilindros, sendo duas de admissão e duas de escape para cada cilindro – tornando melhor a
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Fotos Charles Echer
Sistema hidráulico x motor: comparação não adequada
Turbocompressor (esq.) e esquema de funcionamento de um turbocompressor (dir.)
entrada e saída dos gases em altas rotações de trabalho (rpm), aumentando-se assim a potência. Nos motores a diesel, não há interesse em melhorar o sistema de admissão e descarga, pois as rotações são mais baixas – nestes casos, a utilização de várias válvulas por cilindro tem como objetivo a melhoria da queima do combustível, o que torna os motores mais limpos.
TURBOCOMPRESSOR
Para aumentar ainda mais a potência e o rendimento dos motores, a indústria desenvolveu o turbocompressor, ou apenas turbo. Este sistema, patenteado em 1905 pelo suíço Alfred Büchi, visa sobrealimentar os motores com ar, uma vez que a taxa de enchimento dos cilindros, provocada pela depressão criada pelo movimento do pistão para o seu ponto morto inferior, não representa mais que 80% a 90% da cilindrada unitária do cilindro. Nos motores aspirados (sem turbo), a abertura e o fechamento das válvulas de admissão conduzem à formação de ondas de pressão que provocam um ligeiro acréscimo desta no coletor de admissão, o que dificulta a entrada de ar para
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os cilindros. O turbocompressor serve então para oferecer mais potência sem ter que aumentar o tamanho do motor. Como o rendimento está diretamente relacionado com a massa de ar que o motor consegue aspirar por ciclo de admissão, o turbo tem a missão de comprimir o ar antes de ele ser admitido, resultando em mais massa de ar na câmara de combustão, e mais ar significa que mais combustível pode ser adicionado. Obtém-se, portanto, mais potência das explosões em cada cilindro. Um motor turbinado produz mais potência do que o mesmo motor sem o dispositivo. Isso pode melhorar significativamente a relação peso/potên-
cia do motor. O turbocompressor, antes utilizado apenas em veículos de grande porte a diesel e os carros esportivos, agora é usado em todos os tipos, especialmente nos que precisam de menor consumo. Faz parte do conceito de “downsizing”, com motores menores capazes de entregar a mesma potência dos maiores, com benefícios em gasto de combustível. E isso é o que se vê na indústria de carros atualmente – as montadoras estão trocando motores 2.0 L por motores 1.3 L ou até 1.0 L turbinados. Os motores estão obtendo a mesma potência, mas com menor consumo de combustível. O uso de turbinas é especialmente importante nos motores a diesel, pois aumentando a pressão e a temperatura no interior dos cilindros, diminui-se o risco da detonação, já a aplicação nos motores a gasolina aumenta este risco, o que leva mais atenção em sua aplicação nestes motores.
FUNCIONAMENTO
O turbocompressor é formado por um sistema composto por um compressor com duas turbinas, em que uma, designada por turbina de escape, é acionada pelos gases do escapamento, funcionando assim como elemento motor, e a outra, designada por turbina de admissão, funciona como uma bomba, ou seja, provoca a aspiração do ar que é depois conduzido, sob
Intercooler (esq.) e esquemas de intercoolers com funcionamento ar-ar e ar-água (dir.)
FPT
pressão, através do coletor de admissão, para os cilindros. A tubulação de descarga se encontra ligada por um lado ao coletor de descarga do motor e pelo outro ao corpo do compressor – a entrada dos gases de descarga se faz tangencialmente à turbina, tendo a saída uma direção axial relativa à hélice. Em alguns motores, o coletor de descarga se encontra dividido em duas partes, o que permite que os gases dos cilindros anteriores e posteriores se faça por condutas separadas, evitando-se assim o choque de correntes de ar, o que permite uma alimentação mais regular da turbina. As turbinas de descarga, constituídas por várias palhetas, cujo perfil permite otimizar seu rendimento, estão sujeitas a temperaturas muito elevadas, de 700°C a 900°C, e são fabricadas em aço especial refratário ou em cerâmica, e separadas do corpo central por um isolamento térmico, fabricado em aço inoxidável. A turbina de admissão, que se encontra solidária com a de descarga, apresenta também palhetas, mas é fabricada em material leve, e o movimento do ar é contrário ao apresentado para a descarga, pois a entrada se faz de forma axial e a saída tangencial. Estando as duas turbinas ligadas por um eixo, a quantidade de ar aspirado depende da rotação da turbina de descarga, que é muito elevada, podendo mesmo ultrapassar as 100.000rpm, o que poderá aumentar a potência do motor para o dobro. A tubulação de admissão tem uma entrada de ar axial, sendo depois este dirigido tangencialmente para o coletor de admissão, é fabricada em material leve e está fixada pela outra extremidade ao corpo do compressor. O corpo do compressor, além de servir de suporte às tubulações, apresenta mancais para suporte do eixo que liga as duas turbinas e um circuito de óleo para lubrificação e refrigeração do turbocompressor. Os mancais têm casquilhos em bronze ou em ligas, que, juntamente com os eixos das turbinas, têm movimento de rotação, de forma a permitirem rotações muito elevadas. Devido a estas altas rotações, a lubrificação entre os mancais e os casquilhos, e entre os casquilhos e o eixo, ocorre em condições muito difíceis, e a pressão de óleo deve ser suficiente para manter em permanência uma camada líquida entre as peças. Desta forma, nunca se deve baixar bruscamente a rotação do motor nos motores turbinados, pois o turbocompressor, devido à sua elevada velocidade, ainda se mantém em rotação durante um determinado período, e a diminuição da pressão resultante da redução da rotação pode não ser suficiente para assegurar uma lubrificação eficaz, vindo a danificar o sistema de forma prematura. Considerando o aumento de temperatura resultante do funcionamento dos turbocompressores, o ar aspirado pode atingir valores de 100°C a 150°C, o que faz com que a sua densidade diminua, reduzindo também o seu rendimento do sistema. Então, com o objetivo de minimizar os efeitos resultantes do aumento de temperatura, pode-se utilizar um radiador de ar-ar ou ar-água associado ao turbocompressor. Este sistema definido por intercooler, permite baixar a temperatura do ar para aproximadamente 70°C.
Turbina de motor a diesel em corte
INTERCOOLER
O turbo utiliza os gases de escape, fazendo com que eles girem uma turbina a até 100.000rpm, bombeando ar fresco para dentro do motor. Ao ser comprimido, o ar se aquece e isso faz ele ocupar mais espaço do que deveria. Ele também pode fazer o combustível entrar em combustão antes do tempo, causando a famosa “batida de pino” nos motores a gasolina. Por isso, o turbocompressor é quase sempre associado a um sistema de resfriamento do ar de admissão – o intercooler. Esse sistema possui um tipo de radiador que refrigera o ar admitido no motor após passar pelo turbocompressor. Além de manter a mistura na temperatura certa, isso permite colocar mais ar para dentro dos cilindros. Os principais benefícios da utilização do interccoler é aumentar o torque e a potência do motor, proporcionar maior durabilidade do motor e seus componentes e economia de combustível. Como o intercooler é um trocador de calor, ele necessita de um sistema que troque calor do ar comprimido pelo turbo com o ambiente, e desta forma existem os modelos ar-ar e ar-água. A diferença entre eles é que o primeiro troca calor com o ar ambiente e o segundo utiliza um sistema de água pressurizada para a troca de calor. O sistema ar-ar é bem mais simples, no entanto o segundo tende a ser mais eficiente. O modelo ar-ar deve estar localizado em uma posição que receba muito ar ambiente, do contrário, não terá utilidade. Desta forma, sua localização é geralmente na frente do veículo, à frente do radiador do motor para não receber ar quente e comprometer sua função. Pode ser instalada junto ao permutador de calor do intercooler uma ventoinha para melhorar o fluxo de ar por entre as aletas, proporcionando melhor troca de calor. O modelo ar-água não necessita de uma posição específica para receber ar ambiente, pois utiliza um circuito independente de água para o resfriamento, logo pode ser localizado onde for mais conveniente. Contudo, necessita de um sistema para que a .M água perca calor. Ricardo Ferreira Garcia, Uenf (Campos dos Goytacazes, RJ)
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Descompactação diferente Ferramenta de preparo de solo desenvolvida para condições tropicais utilizando paraplow rotativo apresenta bom desempenho na descompactação do solo
O
preparo de solo é uma atividade de alto custo financeiro para a implantação de culturas. As ferramentas utilizadas para esta operação são importadas e vêm sendo utilizadas no Brasil, sem que fossem consideradas as nossas condições de clima e solo. A aração é uma forma de preparo do solo que consiste em corte, elevação e inversão da camada superficial, expondo esta à ação do sol. Este processo em clima quente pode apresentar efeitos contrários aos pretendidos, aumentando a perda de água e diminuindo a fauna que ajuda na decomposição da matéria orgânica do solo. Uma técnica utilizada para minimizar os problemas gerados pelo preparo de solo convencional é o plantio direto, que preconiza uma agricultura sem o revolvimento na cobertura do solo. Esta técnica, porém, pode apresentar uma queda na produtividade da lavoura, pois não há uma ferramenta eficiente que prepare o leito semeável e o deixe em condições adequadas para receber a semente e assim garantir uma germinação melhor. As ferramentas de preparo de solo apresentam, na sua maioria, grande consumo de potência e pouca eficiência mecânica de transmissão de energia entre o trator e o implemento, pois utilizam o sistema de arrasto pela barra de tração, que é pouco eficiente, podendo chegar de 40% a 50%, dependendo das condições do solo. O paraplow é um implemento não inversivo de subsolagem, similar a uma haste do subsolador, projetado para aumentar a força de quebra estrutural do solo na direção lateral, por meio do uso de superfícies de subsolagens largas no sentido transversal à translação e anguladas lateralmente para a elevação do solo. O implemento possui uma subsolagem similar ao arado e é um dos melhores equipamentos para o cultivo conservacionista, sendo largamente utilizado na América do Norte. A ideia revolucionária da ferramenta veio através do professor doutor Cheu Shang Chang (in memoriam), da Faculdade de
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Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp, que desenvolveu um tipo rotativo de paraplow para melhorar o desempenho, juntando a ideia de uma enxada rotativa, só que vertical, com o paraplow. O paraplow rotativo possui o sentido de giro paralelo ao solo, diferente da enxada rotativa convencional, onde o sentido de giro é perpendicular, isso produz uma dificuldade de penetração das facas exigindo esforço maior somente para esta tarefa. O paraplow rotativo é um equipamento de baixo peso, sua geometria facilita a penetração no solo, possibilita melhor mobilidade do solo no subsolo, o que permite a conservação da camada vegetal na cobertura e mobiliza o solo horizontalmente sem invertê-lo. A questão energética é outro ponto de destaque desta ferramenta. Sabe-se que o método mais eficiente e econômico de transmissão de potência em um trator agrícola para um implemento é pela Tomada de Potência (TDP). Esta ferramenta trabalha com uma transmissão da TDP dos tratores até o solo, onde é necessária energia para mobilizá-lo. O preparo de solo em faixa, onde não se prepara o terreno todo, vem se destacando como forma de preparo de solo, pois
Fotos Cesario Benedito Galvão
IMPLEMENTOS
envolve uma economia de trabalho e energia despendida, e o paraplow rotativo vem de encontro a esta tendência, pois seu trabalho é em faixa. O paraplow rotativo trabalha com velocidade angular e velocidade de avanço determinada pelo deslocamento do trator, cujo material a ser trabalhado é o solo, realizando, portanto, o trabalho de preparo do solo em faixas. Um trabalho realizado na Feagri comparou o desempenho da enxada rotativa com o paraplow rotativo em relação ao trabalho executado. As máquinas diferem-se entre si em relação ao eixo de rotação dos órgãos ativos. Enquanto a enxada rotativa possui seu eixo rotativo no sentido horizontal, o paraplow rotativo possui eixo de rotação na posição vertical. Este trabalho de pesquisa foi realizado no Campo Experimental da Universidade Estadual de Campinas. O solo onde foi realizado o experimento é típico da região de Campinas (SP), sendo um Latossolo Vermelho Distroférrico com textura Argilosa. O último plantio ocorreu na safra passada de 2014/2015 com milho. O trabalho foi conduzido em delineamento experimental de blocos ao acaso, em esquema fatorial 3 x 1, com quatro repetições, totalizando um universo amostral de 12 parcelas, cada bloco possui dimensão de 20 x 9 metros e cada parcela com dimensão de 20 x 3 metros, conforme esquema abaixo: O trator foi conduzido com rotação do motor em 1.650 rotações por minuto (rpm) para garantir a rotação padrão de 540rpm na tomada de potência para ambas as máquinas (enxada rotativa e paraplow rotativo), visando preparo do solo em função das características do solo iniciais e finais desejáveis em solo preparado. Os parâmetros físicos estudados foram resistência à penetração e velocidade de infiltração básica de água no solo. As medições foram realizadas em campo no mesmo dia para todos os tratamentos de uma mesma repetição, buscando-se, dessa forma, eliminar o efeito da variação do teor de água no solo. A resistência do solo à penetração será obtida em campo com
Projeto do paraplow vertical
O perfil mobilizado do solo tem a forma geométrica de um trapézio Figura 1 - Valores de resistência do solo à penetração nos diferentes tratamentos
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Fotos Cesario Benedito Galvão
O paraplow rotativo trabalha velocidade angular e velocidade de avanço, preparando o solo em faixas
o medidor automatizado de compactação do solo Falker SoloTack PLG5200 e a velocidade de infiltração básica do solo foi avaliada por meio do permeâmetro de Guelph, cujo funcionamento é baseado no princípio de Mariotte, em condições de campo, por meio do fornecimento de água ao solo com carga hidráulica controlada. As medições de infiltração de água no solo foram realizadas com carga hidráulica de 5cm e 10cm, com profundidade de 15cm do solo, em orifícios abertos com trado de 6,5cm de diâmetro. As medições foram realizadas em um intervalo de tempo de um minuto, estendendo-se até o fluxo constante de água no solo, após realização de pelo menos cinco leituras consecutivas iguais. A Figura 1 ilustra os valores de resistência do solo à penetração nos tratamentos realizados com as máquinas. As curvas são resultantes dos valores médios de resistência mecânica do solo à penetração, em função da profundidade. Observa-se que a resistência mecânica à penetração foi maior nas camadas entre 0,10m e 0,15m do solo para a testemunha em função do histórico da área que teve sucessivas utilizações de implementos de preparo de solo para plantio convencional, caracterizado como a formação de compactação subsuperficial, mais conhecido como pé de arado. Após os tratamentos utilizando enxada rotativa e paraplow rotativo foi observado o rompimento da camada compactada. O paraplow rotativo apresentou elevada capacidade de romper a camada compactada em relação à enxada rotativa porque atingiu maiores profundidades, demonstrando a eficácia do seu design que possui capacidade de penetrar no solo Na Tabela 1 estão apresentados os dados relativos à velocidade de infiltração básica de água no solo nos diferentes tratamentos. Os dados relativos à infiltração foram coletados sempre 450mm distantes da faixa de solo preparado pelos equipamentos de preparo. A média do tratamento com paraplow rotativo foi maior em
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relação aos demais experimentos para ambas as lâminas de água, confirmando que promove alterações nas camadas laterais e subsuperficiais do solo, causando fissuras em sua macroestrutura que facilitam a infiltração de água no solo. O teste de infiltração foi realizado nas entre linhas a 0,45m da faixa mobilizada para ambos os lados.
CONCLUSÕES
O sistema de preparo do solo com paraplow rotativo apresentou um bom resultado, como pode ser visto no gráfico da curva de resistência à penetração, pois rompeu a camada compactada e promoveu melhor infiltração da água no solo, como pode ser verificado pelas taxas de infiltração apresentadas. O paraplow rotativo pode ser dimensionado para várias culturas, sendo uma ferramenta versátil, e seu conceito tende a ser revolucionário no cenário agrícola brasileiro de clima tropical, já que aglutina várias tendências conservacionistas e de eficiência .M energética. Cezario Benedito Galvão, Angel Pontin Garcia, Daniel Albiero e Marcos Takumi Okuno, Fac. Eng. Agrícola da Unicamp Tabela 1 - Velocidade de infiltração básica de água no solo nos diferentes tratamentos
Tratamento Paraplow Rotativo Enxada Rotativa Testemunha
Taxa de infiltração mm minuto-1 Lâmina de água (mm) 50 100 15,60 27,07 12,43 18,53 13,17 18,77