Cultivar Máquinas • Edição Nº 183 • Ano XVI - Abril 2018 • ISSN - 1676-0158
Índice 4 Rodando por aí 6 Sensoriamento proximal 10 Ficha Técnica - Hércules 6.0 14 Agricultura de precisão 20 Capa - Test Drive LS Tech 28 Regulagem de semeadoras 32 Ficha Técnica - Canavieiro 36 Uso de oficinas móveis 40 Test Drive Pegasus 4.6 Air 48 Enfardamento palhiço de cana
Destaques
Test Drive - LS Tech Confira o teste do LS Tech, formado por duas importantes ferramentas, o Sistema de Proteção do Motor e o Sistema de Telemetria
Ficha Técnica Hércules 6.0, o maior distribuidor de fertilizantes sólidos da Stara
Grupo Cultivar de Publicações Ltda. Direção Newton Peter
• Editor Gilvan Quevedo • Redação Rocheli Wachholz Karine Gobbi
10
20
Ficha Técnica Uniport 3030 Canavieiro da Jacto, projetado para trabalhar em cana
Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 www.revistacultivar.com.br cultivar@revistacultivar.com.br (*10 edições mensais + 1 conjunta Dez/Jan) Números atrasados: R$ 22,00 CNPJ : 02783227/0001-86 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Insc. Est. 093/0309480 € 130,00
• Coordenador Comercial Charles Echer
• Revisão Aline Partzsch de Almeida
• Vendas Sedeli Feijó Rithiéli de Lima Barcelos José Luis Alves
• Design Gráfico Cristiano Ceia
• Coordenação Circulação Simone Lopes
Capa - Charles Echer
C
Cultivar
• Assinaturas Natália Rodrigues Clarissa Cardoso • Expedição Edson Krause • Impressão: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.
32
Test Drive - Pegasus 4.6 Air Conheça o distribuidor de produtos sólidos Pegasus 4.6 Air da PLA
40
NOSSOS TELEFONES: (53) • GERAL
• ASSINATURAS
• REDAÇÃO
• MARKETING
3028.2000
3028.2070
3028.2060
3028.2065
Por falta de espaço, não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@revistacultivar.com.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.
RODANDO POR AÍ Conexão
Oferta completa Entre 9 e 13 de abril ocorreu no município de Rio Verde (GO) a Tecnoshow Comigo, promovida pela Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano. A New Holland marcou presença com um estande de soluções que se encaixam nos desafios encontrados por produtores no campo. “Pensando em colheita, o produtor rural pode escolher entre uma colheitadeira de cilindro, a TC 5090 ou a de duplo rotor classes 6, 7 alta ou a maior do Brasil fabricada pela marca, a CR8.90”, afirmou o especialista de Marketing da New Holland Agriculture, Juliano Mendonça.
Juliano Mendonça
Preparo do solo
Karen Morales
CVT
A Piccin Tecnologia Agrícola levou para a Tecnoshow Comigo, sua linha de implementos para preparo de solo. Dentre os equipamentos, destaque para o Escarificador Piccin Controle Remoto (EPCR-300) e para a Grade Niveladora Controle Remoto Especial (GNPCRE). “A Piccin preocupa-se em acompanhar o mercado e as novas tecnologias, e mais, levar até eventos como o Tecnoshow Comigo, os seus equipamentos de maior destaque e aqueles que possam proporcionar aos clientes, benefícios no seu trabalho”, destacou a coordenadora de Marketing, Karen Morales.
A Valtra levou à Tecnoshow Comigo a Série T de tratores, única a ser fabricada no Brasil com o câmbio automático CVT (Transmissão Continuamente Variável). “Renovamos todo o portfólio de tratores para oferecer ao produtor rural o que há de mais tecnológico. Uma das inovações que levamos ao público foi a Série T, representada pelo modelo T 250 CVT”, afirmou o coordenador de Vendas da Valtra, Fábio de Biase. Produzida na fábrica da Valtra em Mogi das Cruzes (SP), a Série T esteve disponível para compra com financiamento baseado em recursos do Finame, linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
04
Fábio de Biase
Com o intuito de apresentar aos produtores soluções integradas, equipamentos de agricultura de precisão e serviço de pós-vendas, a John Deere participou da Tecnoshow Comigo, realizada de 9 a 13 de abril, em Rio Verde (GO). “Para oferecer suporte ao agricultor, a John Deere conecta máquinas, tecnologia, pessoas e inteligência para garantir rentabilidade de forma sustentável. Na Tecnoshow Comigo, apresentamos um portfólio completo para produtores de diferentes culturas”, explicou o diretor de Vendas da John Deere Brasil, Rodrigo Bonato. Destaque para o trator 7230J, da Série 7, ideal para as grandes propriedades de grãos, cana-de-açúcar e algodão, além de contar com tecnologias como JDLink e piloto automático vindos de fábrica.
Rodrigo Bonato
Steiger
Denny Perez
O trator Steiger 550 foi um dos destaques da Case IH na Farm Show, uma das principais feiras do Centro-Oeste. Junto à concessionária Agrofito, de Rondonópolis (MT), a marca apresentou soluções criadas especialmente para o agricultor. O evento ocorreu de 3 a 6 de abril, em Primavera do Leste (MT). “O Mato Grosso é uma das regiões agrícolas mais importantes do Brasil e, por isso, a Case IH esteve presente, oferecendo as melhores soluções aos empresários do agronegócio”, disse o gerente regional da Case IH, Denny Perez. Além do Steiger, a Case IH levou para a feira os tratores Magnum, Puma e Farmall.
Massey Ferguson A Massey Ferguson participou da Tecnoshow Comigo, onde o produtor rural pôde conferir de perto um portfólio de máquinas e implementos agrícolas. “Apresentamos as novas famílias da marca como o MF 7700 Dyna-6 e o MF 6700R Dyna-4, que aliam alta produtividade e economia operacional. Também levamos as plantadoras MF 500 e MF 700 CFS, já conhecidas pelo público, mas que agora contam com o sistema Precision Planting”, disse o coordenador comercial da Massey Ferguson, Paulo Carrijo.
Paulo Carrijo
TECNOLOGIA Yara
Bem de perto O uso de tecnologia nas operações agrícolas se mostra indispensável também no setor canavieiro, que tem enfrentado crise e necessita otimizar o rendimento da cultura. Neste sentido, o sensoriamento proximal tem atingido ótimos resultados por conseguir avaliar não só o solo, mas também a cultura
A
produção eficiente de cana-de-açúcar (ou cana-energia) é fundamental para a manutenção e o retorno econômico das unidades produtoras no País. Nos últimos anos, o setor canavieiro tem enfrentado grave crise, o que resultou no fechamento de inúmeras usinas que apresentavam baixa eficiência produtiva e gerencial. A acirrada competição por mercado fez com que produtores e usinas passassem a buscar o uso de tecnologia na produção com a meta de reduzir Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
06
custos e aumentar o rendimento dos cultivos, seja por meio de aumento de produtividade ou ganhos operacionais. Para atingir tais metas, a adoção de tecnologia nas operações agrícolas se mostra indispensável. Hoje, a adoção do piloto automático nas operações de plantio e colheita é praticamente mandatório. O uso de telemetria para gerenciamento da frota e da produção é cada vez mais almejado. Da mesma forma, o emprego de técnicas de agricultura de pre-
cisão passa a ser frequente, uma vez que esta assume que os canaviais não são uniformes, buscando otimizar o uso de insumos e o rendimento da cultura. Para isso, são demandadas técnicas que avaliem não só o solo, mas também a cultura, buscando identificar problemas localizados para um manejo adequado. Neste sentido, cada vez mais está presente a utilização de imagens de satélites no apoio a decisões gerenciais, pois informações valiosas de grandes áreas são obtidas a custos
tas (parte aérea) e, em função de algumas características do dossel, determinadas faixas de energia são refletidas em maior ou menor intensidade. Estas faixas de energia são chamadas de bandas espectrais. A intensidade da refletância que ocorre nestas bandas permite alguns cálculos matemáticos (relações), ao que é dado o nome de índice de vegetação, sendo que o mais conhecido deles é o Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI). A intensidade da refletância que ocorre nestas bandas e o comportamento característico dos índices de vegetação dão indicativos da presença ou não de plantas e de seu vigor. Assim, é possível identificar quando um alvo é planta ou não, o que permite, por exemplo, identificar onde há plantas daninhas nas entre linhas da cana ou enquanto a cultura ainda não brotou, assim como possibilita quantificar falhas na brotação. Além disso, tal tecnologia foi desenvolvida para permitir inferências práticas quanto ao vigor da cultura, uma vez que plantas sadias refletem pouca luz visível (absorvem para realização da fotossíntese) e muita energia na região do infravermelho
próximo. Assim, tal tecnologia apresenta grande utilidade para mapear regiões dentro dos canaviais que mostrem desenvolvimento diferenciado da cana. Portanto, é possível observar que valores discrepantes das leituras do sensor de dossel ao longo da mesma passada do trator indicam plantas com biomassa e fechamento da entre linha diferenciados. Logo, tal informação possibilita a investigação localizada do porquê tal discrepância está ocorrendo, permitindo o tratamento localizado, assim como qualquer tipo de intervenção ou aplicação que deva levar em conta o porte ou a biomassa da cultura. Dentre os tratamentos localizados permitidos por esse tipo de tecnologia está a aplicação de nitrogênio em doses variadas. Na verdade, este potencial foi o que incentivou o desenvolvimento de tal tecnologia, uma vez que a fertilização nitrogenada é um desafio para a maioria das culturas agrícolas, principalmente porque a disponibilidade deste nutriente não pode ser inferida diretamente pelas análises laboratoriais de solo. Contudo, a conversão das leituras do sensor em doses de fertilizante ni-
Figura 1 - Canavial de cerca de 6ha mapeado com sensor de dossel (GS-6200 – Jacto), mostrando o mapa de prescrição de fertilizante nitrogenado (doses). Na foto acima é mostrado o porte da cana desejável para que seja utilizado este tipo de sensor; setas amarelas mostram a localização dos sensores na traseira da máquina.
Fotos Cristiano Zerbato
reduzidos. Contudo, tal técnica apresenta uma série de limitações, como o tempo de obtenção entre uma imagem e outra e a presença de nuvens, ambas podendo impedir a obtenção de dados no momento adequado, a resolução espacial limitada das imagens com preço acessível, a presença de palhada, que impede a coleta de informações sobre o solo, o tombamento das plantas, que dificulta inferências acuradas sobre o porte e o vigor da cultura, dentre outros. Visando reduzir as limitações apontadas, surge o potencial uso de sensores próximos às culturas ou em contato com as plantas ou o solo, na maioria das vezes tracionados ou montados em veículos agrícolas. Este tipo de tecnologia recentemente teve seu nome generalizado para sensoriamento proximal, discernindo-se do sensoriamento remoto, onde sensores e câmeras são instalados em satélites ou aviões. Este tipo de tecnologia é uma das áreas que se mostram mais promissoras para o desenvolvimento dentro dos preceitos da agricultura de precisão. Muita pesquisa tem sido desenvolvida neste sentido, visando à criação e à adaptação das tecnologias existentes. No entanto, a aplicabilidade da informação gerada pelos diversos equipamentos ainda carece de resultados satisfatórios. Duas tecnologias disponíveis no mercado nacional e que apresentam aplicações práticas bem definidas para a produção de cana-de-açúcar são os sensores de condutividade elétrica aparente do solo e os sensores de refletância do dossel das culturas.
SENSORES DE REFLETÂNCIA DO DOSSEL
Esta tecnologia está disponível comercialmente no Brasil e apresenta diversas aplicações. Seu funcionamento se dá por meio da emissão de luz modulada pelo sensor (energia eletromagnética específica). Esta energia atinge o dossel das planAbril 2018 • www.revistacultivar.com.br
07
Figura 2 - Ambientes de Produção caracterizados por técnicas usuais (à esquerda) em canavial com 28ha, comparado à informação de variabilidade espacial que um sensor de condutividade elétrica aparente do solo (EM38-MK2 - Geonics) pode fornecer (à direita)
trogenado não é tarefa trivial, sendo um dos principais desafios na área. Há diversas propostas para tal, mas a que tem se mostrado mais promissora para o caso da cana-de-açúcar trata de identificar, por meio do sensor, as regiões com porte contrastante da cana ao longo das áreas e, com isso, direcionar maiores doses onde há maior potencial de produção, pois nestes locais há menor presença de outros fatores limitantes. Onde o potencial produtivo é baixo, assume-se que problemas como falta de água e danos à soqueira podem estar ocorrendo, o que limitaria a resposta ao fertilizante, reduzindo sua eficiência e seu retorno econômico e aumentando a chance da ocorrência de danos ambientais. Desse modo, o sensor pode ser conduzido sobre o canavial por veículo agrícola, apenas para a coleta de dados, com posterior criação dos mapas de prescrição de fertilizante em escritório. Este caso é exemplificado na Figura 1, onde algumas unidades do mesmo sensor foram instaladas na barra de aplicação de uma máquina agrícola para a coleta de dados e posterior confecção do mapa de prescrição de fertilizante. Outra possibilidade é a utilização deste sensor em máquina distribuidora de fertilizante equipada com controladores de doses variadas, realizando-se a aplicação em tempo real, ou seja, na mesma passada da máquina obtêm-se as leituras e os dados são processados pelo controAbril 2018 • www.revistacultivar.com.br
08
Figura 3 - Mapa de variabilidade espacial do conteúdo de argila do solo de um canavial com 100ha, comparando os resultados de uma amostragem direcionada pela CEa e uso dos dados na interpolação (à esquerda) com uma amostragem densa sem o uso da CEa (à direita)
lador, o qual regula a dosagem de fertilizante.
CONDUTIVIDADE ELÉTRICA APARENTE DO SOLO
Uma das tecnologias com maior potencial para caracterizar a variabilidade espacial dos solos agrícolas é a condutividade elétrica aparente (CEa). Sensores conduzidos por veículos agrícolas ao longo das lavouras apresentam diversas vantagens, como alta velocidade de aquisição de dados, facilidade de uso e portabilidade para aplicações em campo. Os equipamentos existentes no mercado podem utilizar diferentes métodos de mensuração, sendo principalmente a resistividade elétrica (RE) e a indução eletromagnética (IEM). O princípio básico por trás de todos os métodos consiste na injeção de uma corrente elétrica conhecida no solo e sua posterior leitura após a passagem desta corrente pela matriz do solo. A vantagem do princípio da RE em relação aos outros métodos consiste na facilidade de ajustar a profundidade de mensuração por meio da alteração da configuração (espaçamento) dos eletrodos. Já os aparelhos baseados em IEM apresentam a vantagem de mensurar a condutividade elétrica sem entrar em contato direto com o solo, mas demandam que não haja materiais metálicos ao redor para não influenciar o sinal medido. Logo, sen-
sores de IEM podem ser preferidos se na área o revolvimento do solo não é desejável por algum motivo ou se existe uma camada espessa de resíduos que impedem os discos do equipamento baseado em RE de entrarem em contato com o solo. Independentemente do método utilizado, diversas propriedades do solo influenciam o sinal elétrico do sensor, como umidade do solo, capacidade de troca de cargas, presença de sais, compactação, dentre outros. Dificilmente é possível isolar o efeito de um único fator que influencie a CEa do solo, sendo que esta tecnologia permite a caracterização da variabilidade do solo de forma ampla e não específica. Uma característica interessante da variabilidade espacial da CEa é a sua alta repitibilidade ao longo dos anos, o valor absoluto se altera, mas as manchas/regiões visualizadas nos mapas se mantêm, logo, não é necessário realizar constantes mapeamentos. Uma importante aplicação da CEa para o setor sucroenergético brasileiro é no direcionamento amostral do solo, podendo auxiliar tanto na definição dos ambientes de produção, como na confecção de mapas de fertilidade. As unidades produtoras de cana-de-açúcar no Brasil realizam o manejo de suas lavouras de acordo com ambientes de produção, definidos em função das condições físicas, hídricas, morfológicas e
Quadriciclo portando sensor de dossel (destaque à direita) e tracionando sensor de condutividade elétrica (destaque à esquerda), com indicação de um receptor GNSS (GPS)
mineralógicas dos solos. Apesar de sua alta importância no sistema de produção sucroenergético brasileiro, a atual classificação dos ambientes é baseada em inferências realizadas em poucos locais (pontos amostrais) ao longo das áreas, seja por conta da dificuldade ou do custo operacional. Sua determinação se dá basicamente pela expertise do técnico responsável pelo levantamento. Neste sentido, a CEa pode auxiliar o pedólogo na classificação do solo e dos ambientes de produção, uma vez que fornece dados em alta resolução, permitindo a delimitação mais assertiva da variabilidade do solo existente nas áreas (Figura 2), além de ganho de tempo e economia de recursos. Outra aplicação dos sensores de CEa do solo é no auxílio à alocação de amostras para caracterização
Sensores de CEa do solo: por resistividade elétrica, mostrando os discos que precisam estar em contato com o solo (esquerda); e por indução eletromagnética, que é conduzido sobre o solo (direita)
espacial da fertilidade do solo. Isso porque a amostragem inadequada de solo em grade ocasiona adubações inconsistentes com as reais necessidades do solo e da cultura. Porém, devido aos custos envolvidos, frequentemente a densidade amostral praticada no Brasil é ineficiente. Assim, a partir de metodologias adaptadas da indústria petrolífera, a amostragem de solo direcionada pela CEa pode reduzir a necessidade de amostras para representar a mesma propriedade do solo. Paralelamente a isso, os dados de CEa podem ser usados como informação auxiliar na interpolação (geoestatís-
tica multivariada) e criação de mapas de prescrição de fertilizantes. A Figura 3 mostra a semelhança entre dois mapas do teor de argila de um canavial, sendo um construído por meio de 300 amostras de solo (três amostras por hectare) e outro por apenas 40 amostras (2,5 hectares por amostra) alocadas de forma direcionada e utilizando os dados de CEa para preparação dos mapas. Isso mostra que o uso da CEa do solo representa um grande avanço para .M a caracterização dos solos.
Lucas R. Amaral e Guilherme M. Sanches, Unicamp
Canavial com cerca de 15ha mapeado com sensor de dossel (N-Sensor ALS – Yara), mostrando a variabilidade nas leituras do sensor (índice de vegetação) e o respectivo porte da cana-de-açúcar no campo
Autores falam das vantagens do sensoriamento proximal
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
09
FICHA TÉCNICA
Hércules 6.0
Com possibilidade de aplicar em faixa de até 36 metros de largura, o distribuidor de fertilizantes Hércules 6.0 vem com reservatório de seis mil quilos e pode render até 80ha/h
O
Hércules 6.0 é o maior distribuidor autopropelido produzido no Brasil atualmente e é conhecido pelo seu alto rendimento operacional e a qualidade de distribuição. Com capacidade de até seis mil quilos e largura de distribuição de até 36 metros, o rendimento diário pode chegar até 80ha/h, gerando grande autonomia de trabalho com baixo consumo de combustível.
MOTOR E TRANSMISSÃO
O Hércules 6.0 é equipado com
motor eletrônico MWM de 220cv Turbo, atendendo a legislação MAR-I, destinada ao segmento agrícola. Além da maior durabilidade, o motor possui baixa emissão de poluentes e menor vibração e ruído. Através do Topper 5500, ocorre a comunicação com o motor e, através de um software de controle, realiza o ajuste ideal da rotação, chamado de “modo ECO”, reduzindo sua rotação e ocasionando a diminuição do consumo de combustível em até 12%, proporcionando melhor desempenho e performance do conjunto motor e transmissão. A bomba hidráulica possui sistema diferenciado que, mesmo em situações de alta aceleração, a bomba de tração
O Hércules 6.0 é equipado com motor eletrônico MWM de 220cv Turbo, atendendo a legislação MAR-I
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
10
controla o fluxo do óleo, evitando picos de pressão nas mangueiras e em todo o sistema de transmissão. O Hércules 6.0 é equipado com uma bomba LS (Load Sensing) de alta performance, responsável pelos discos de distribuição e sistema de taxa variável. A tecnologia LS ajusta automaticamente o fluxo de óleo e pressão, utilizando somente a vazão necessária para executar as funções da máquina, proporcionando economia de combustível. O Hércules 6.0 possui sistema elétrico composto por chicotes modulares,
Fotos Stara
O vão livre é de 1,35m e a bitola é variável entre 2,90m e 3,50m
integrados na máquina e devidamente posicionados no interior de eletrodutos de proteção, evitando a exposição e o contato direto com produtos cor-
A capacidade do depósito de fertilizantes é de seis mil quilos e a largura de distribuição de até 36 metros
rosivos e intempéries, aumentando a proteção do sistema elétrico eletrônico. Ainda possui aplicação de derivadores em pontos críticos dos chicotes, facilitando a manutenção quando necessária, além do uso dos melhores conectores do mercado com vedação resistente à aplicação no campo.
DISTRIBUIÇÃO
O conjunto de distribuição do Hércules 6.0 foi desenvolvido para garantir excelente qualidade de aplicação. A esteira que transporta os fertilizantes granulados é de borracha e equipada com exclusivo dispositivo auto centralizador da fita transportadora, proporcionando maior precisão na distribuição. Os roletes que suportam a esteira possuem distância reduzida entre eles, melhorando a distribuição de peso e resultando em uma aplicação mais precisa e uniforme. Esse sistema de roletes evita a formação de “barrigas” na esteira, eliminando a variação indevida na dosagem e garantindo a uniformidade da aplicação. Como resultado, o Hércules 6.0 apresenta perfil de distribuição com CV (Coeficiente de Variação) abaixo de 12% (podendo variar conforme o produto e a
condição climática). O distribuidor autopropelido possui divisor de produto, indispensável para a aplicação dos fertilizantes, sendo responsável pelo direcionamento do produto sobre o centro dos discos a fim de manter o perfil de distribuição. Os discos possuem sistema de regulagem de palhetas, as quais proporcionam uma faixa de aplicação de até 36 metros, mantendo a qualidade de aplicação. O sistema de comporta dupla foi desenvolvido para trazer economia de fertilizantes na realização de arremates, aplicações em bordaduras e na distribuição em áreas já aplicadas. Isso evita a sobreposição, possibilitando a aplicação da dosagem ideal recomendada. Vem equipado com balança eletrônica, dispositivo que integra um sistema de pesagem desenvolvido pela Stara, que monitora a quantidade de produto no reservatório e envia as informações para o Topper, que, por sua vez, emite alertas sonoros quando o nível está baixo. Isso contribui com a gestão de tempo, pois otimiza o reabastecimento do produto. Além disso, a balança pode ser utilizada para pesar outros produtos utilizados na fazenda, dispensando outros aparelhos. O Hércules 6.0 possibilita a calibração precisa para a aplicação da taxa variada de fertilizantes. O seu Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
11
Fotos Stara
nitrogenado a ser aplicada. A leitura é realizada instantaneamente através de feixes de luz que são emitidos a uma largura de três metros. Esta tecnologia permite o melhor aproveitamento da adubação nitrogenada, sendo que a planta recebe exatamente a quantidade de nitrogênio que necessita no exato momento da aplicação, potencializando o desenvolvimento e a produtividade. O leitor é indicado para as culturas de cevada, trigo, milho, batata, canola e aveia. Para maior eficiência dessa tecnologia recomenda-se o uso de fertilizantes YaraBela.
TECNOLOGIA
Um dos opcionais é o leitor de biomassa N-Sensor®, que realiza em tempo real a leitura do índice de vigor das plantas
sistema de troca de faixas de aplicação garante que a dose aplicada seja igual à dose programada, com exatidão das dosagens. Com a calibração correta, é possível atingir 98,7% de precisão das aplicações, comparando a dosagem recomendada com a dosagem aplicada e, ainda, possibilita a ampla variação de dosagem, podendo variar entre 15kg/ha e 1.500kg/ha, de acordo com dados do Programa Ciclus, da Cotrijal. Os valores podem ser diferentes dependendo do produto e da velocidade de trabalho.
POTENCIALIZA A PRODUTIVIDADE
O Hércules 6.0 potencializa a produtividade por possibilitar o fracionamento e a aplicação de fertilizantes em estádios mais avançados da cultura. Isso é possível, já que o vão livre da máquina é de 1,35m. Além disso, o distribuidor possibilita andar no mesmo rastro das máquinas da propriedade, diminuindo as perdas por amassamento na lavoura, sendo possível com o ajuste hidráulico da bitola de 2,90m a 3,50m. Os pneus do Hércules 6.0 são radiais 380/80 R38. Os ganhos de produtividade por ter menos amassamento podem chegar a uma saca/ha em soja e duas sacas/ Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
12
ha em milho, de acordo com dados do Projeto Aquarius. O Hércules 6.0 possui como opcional o leitor de biomassa N-Sensor ®. O sensor realiza a leitura em tempo real do índice de vigor das plantas (biomassa, teor de clorofila e nitrogênio absorvido) e, no mesmo instante, informa ao distribuidor a quantidade de fertilizante
O Hércules 6.0 é equipado com tecnologia para Agricultura de Precisão própria, de ponta, e de fácil utilização pelo operador. O controlador Topper 5500, projetado e produzido pela Stara, possui tela multitoque que proporciona mais facilidade de operação e interatividade entre a máquina e o usuário. Todas as calibrações do Hércules 6.0 são feitas através do assistente de configuração, função “Siga-me”, o qual permite que o operador, de forma fácil e objetiva,
trabalhos e manobras de ré. Outra tecnologia disponível neste modelo é a Telemetria Stara. Essa tecnologia possibilita que o produtor tenha acesso à informação em tempo real sobre as taxas de aplicação na lavoura. Em qualquer dispositivo móvel com acesso à internet é possível monitorar as operações, como mapa de aplicação, área feita, área aplicada, porcentagem de transpasse, talhões, velocidade média, localização, informações sobre o motor eletrônico e informações climáticas. Tudo isso faz com que o produtor tenha mais agilidade na tomada de decisões, segurança para o operador e para a máquina.
CABINE
Na cabine ampla e com grande visibilidade, o operador tem à sua direita o monitor Topper 5500 com tela multitoque
calibre a máquina. O controlador Topper 5500 pode ser utilizado nas aplicações em taxa fixa, variável ou com N-Sensor ®. As informações são enviadas para uma central elétrica que, através de sensores e da válvula proporcional, permite variar a taxa de aplicação, fazendo com que a
rotação da esteira altere a velocidade da aplicação de acordo com o modo de trabalho. Durante a distribuição a taxa variável, a dosagem é alterada automaticamente em poucos segundos, conforme recomendações do mapa. O Topper 5500 ainda permite a utilização de câmeras para visualização dos
A cabine é ampla, confortável e com isolamento acústico. O ar-condicionado é digital e com filtro de carvão ativado para garantir a melhor qualidade do ar que circula na cabine. Permite a ampla visibilidade da cultura durante a aplicação. Seu banco é com suspensão pneumática, rádio com entrada USB e Bluetooth e o acabamento interno da cabine possibilita a fácil limpeza e .M higienização.
O autopropelido possui balança eletrônica que controla a quantidade de produto no reservatório e envia as informações para o monitor na cabine
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
13
AGRICULTURA DE PRECISÃO
Só o necessário A agricultura de precisão busca o manejo cada vez mais individualizado das lavouras. No entanto, para se obter as informações necessárias de cada área é indispensável conhecer a variabilidade de nutrição das plantas, as características do solo, fornecendo então subsídios para a racionalização de insumos e para o manejo adequado da fertilidade do solo
A
agricultura de precisão prioriza o conhecimento da variabilidade espacial e temporal, realizando aplicação de insumos no local correto, no momento adequado e em quantidades ideais para áreas cada vez menores e mais homogêneas, tanto quanto a tecnologia e os custos permitam, sendo possível identificar e quantificar as exigências locais do solo (Manzatto et al, 1999; Molin, 2001; Machado et al, 2007; Carvalho et al, 2008). No manejo tradicional (uniforme), Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
14
há grandes diferenças em produtividade, podendo estar relacionadas com histórico da área, problemas de erosões, compactações, erros na aplicação de insumos com sub ou superfertilizações e exportação de nutrientes ao longo de cultivos sucessivos. Para evitar tais problemas é necessário conhecer a variabilidade da nutrição de plantas e da produtividade, além das características do solo, fornecendo subsídios à racionalização de insumos, assim como auxiliar no manejo adequado da
fertilidade do solo. De maneira geral, o processo da agricultura de precisão inicia-se com uma amostragem programada e criteriosa, com o intuito de captar a variabilidade espacial da fertilidade do solo. Para isso, é necessário utilizar esquema de amostragem adequado, juntamente com amostragem representativa da área e analisar atributos diagnósticos, aliando ao menor custo possível. Ragagnin et al (2010), ao estudarem variabilidade e dependência
Raven
espacial de variáveis de solo e efeito sobre recomendação de corretivo de três intensidades simuladas de amostragem, obtiveram diferenças especialmente na distribuição espacial das doses de fertilizantes. Entretanto, mesmo quando se considerou correta amostragem com maior número de amostras (seguindo conceitos de geoestatística), além de considerar a redução de custos e a diferença aceitável entre as recomendações, foi viável a utilização de menor intensidade de amostragem. Outro fator importante considerado por Kravchenco & Bullock (2000) foi a importância do relevo na produtividade das culturas. Os autores verificaram que as características topográficas explicaram até 54% da variabilidade da produtividade do milho e da soja, porém, quando se combinaram propriedades topográficas e químicas, foram explicados até 78% da variabilidade da produtivida-
de dessas culturas. Nota-se então, a importância de investigar as causas da variabilidade de propriedades do solo em unidades definidas na paisagem, tanto pelo manejo das culturas como pela classe de solo. De posse de informações geradas a partir da amostragem do solo e, portanto, compreensão do verdadeiro potencial produtivo de cada local da propriedade, parte-se para o tratamento direcionado da fertilidade do solo, com aplicação de corretivos e fertilizantes a taxas variáveis, sanando problemas de falta ou excesso de nutrientes que possam depreciar a qualidade e a produtividade da lavoura. Na agricultura do oeste paranaense, a maior parte das áreas de produção de grãos é considerada homogênea quanto à variabilidade química do solo, sendo notável a constatação de áreas manejadas com tecnologias de agricultura de preci-
Mapas gerados da esquerda para a direita com pontos de coleta, imagem de satélite e valores finais
Nonononononononononono
são. É crescente a divisão das propriedades em malhas de amostragem de solo para realizar a recomendação de corretivos e fertilizantes. Contudo, de fato, o relevo ondulado e as características edafoclimáticas regionais podem interferir na variabilidade da fertilidade do solo e na produtividade das culturas. Desta forma, realizou-se estudo em propriedade agrícola da região oeste do Paraná cultivada em sistema de semeadura direta Latossolo Vermelho Eutroférrico de textura muito argilosa. Nessa área foram delimitadas unidades de manejo em um sistema de agricultura de precisão, definidas com base nos conhecimentos agronômicos da propriedade, considerando-se o histórico de produtividade, adubações, calagem, gessagem, relevo, tipos de solo, com destaque para os terraços, oriundo do declive existente na propriedade. Posteriormente, foram avaliados os atributos químicos do solo nas unidades de manejo. A amostragem foi realizada em oito unidades de manejo com auxílio de amostrador elétrico Saci® com broca helicoidal, na profundidade de 0m - 0,20m, perfazendo 20 amostras simples por unidade de manejo. O resultado da análise química do solo foi utilizado para elaborar uma matriz de dissimilaridade utilizando a distância euclidiana média e posteriormente foi utilizado o método estatístico de agrupamento UPGMA Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
16
(Ligação Média Entre Grupos) para agrupar as unidades de manejo. A partir dos grupos formados foi elaborado o mapa da propriedade rural, agrupando as unidades de manejo semelhantes quanto às variáveis estudadas com o auxílio do software QGIS. Na Figura 1 é possível verificar a formação de quatro grupos de manejo: grupo I, formado pelas unidades de manejo 1 e 2; grupo II, formado pelas 3 e 4; grupo III, formado pelas 5 e 8; grupo IV, formado pelas 6 e 7. Desta forma, ficou caracterizado que os integrantes de cada grupo apresentam características químicas do solo mais próximas. Com isto, a junção das unidades de manejo de cada grupo permitiu facilitar a avaliação da fertilidade química da propriedade e propor manejos mais
específicos. No mapa ilustrado na Figura 2 foram inseridas com cores iguais as unidades de manejo semelhantes segundo o método de agrupamento UPGMA. Desta forma, o mapa permitiu realizar a visualização das unidades de manejo que podem ser manejadas conjuntamente quanto às características químicas do solo. Este agrupamento traz benefícios no mo-
Figura 1 - Quatro Grupos de Manejo oriundo dos dados de fertilidade do solo de 8 unidades de manejo delimitadas na propriedade
.M
Massey Ferguson
mento da realização das adubações de correções e manutenção necessárias para a condução das culturas. Diversas pesquisas têm ressaltado a identificação de vários tamanhos de malhas (grids) amostrais para utilizar durante a amostragem de solo, pois conforme conceitos de geoestatística, pode ser considerada adequada. Contudo, a adoção de unidades de manejo permite utilizar conhecimentos existentes da propriedade para obtê-las, facilitando o manejo. Além disso, é possível acumular informações de cada unidade de manejo ao longo do tempo, reduzindo a quantidade de mapas específicos de cada atributo químico do solo, facilitando a tomada de decisões acerca das recomendações de manejo. Desta forma, a utilização de glebas homogêneas (Raij, 1991) para a delimitação de áreas de amostragem de
solo é pertinente para o oeste do Paraná. Considerando que nesta região, devido ao relevo ondulado, a variabilidade espacial da produtividade das propriedades, pode-se considerar os terraços aliados à semeadura em nível para determinar áreas para a avaliação da fertilidade, delimitando em áreas menores e mais homogêneas, sendo consideradas unidades de manejo. Portanto, neste sistema é possível aproveitar as informações existentes da propriedade para delimitá-la e avaliar a variabilidade química do solo, que aliada à diferenciação regional nas características edafoclimáticas pode elevar a variabilidade da produtividade das culturas. Sendo possível atuar no desenvolvimento sustentável, ou seja, a aplicação correta de cada insumo sem contaminar o meio ambiente, atrelado às técnicas avançadas de agricultura de precisão, com o intuito de elevar a produtividade real, se aproximando da produtividade potencial de cada área. Os mapas gerados por unidades de manejo são uma opção diferenciada para representar as informações dos locais estudados e delimitados em um sistema de agricultura de precisão, que, diferentemente do sistema de amostragem em malha, não necessita de metodologias geoestatísticas Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
18
Hexagon
Figura 2 - Mapa ilustrando os grupos de manejo formados na propriedade rural do Oeste do Paraná, baseado nas unidades de manejo preestabelecidas
para gerar os mapas. É bom lembrar que as tecnologias de agricultura de precisão, mesmo nas unidades de manejo, demandam ferramentas agronômicas mais avançadas para avaliar os dados, sendo crucial o conhecimento agronômico e o bom senso para recomendar ajustes no manejo. A definição de unidades de manejo com a utilização de conhecimentos agronômicos e as condições edafoclimáticas regionais permitiram capturar a variabilidade da fertilidade do solo intrínseca à propriedade do oeste do Paraná, possibilitando
o monitoramento das unidades ou grupos de manejo ao longo do tempo, consequentemente facilitando o direcionamento de correções, adubações .M e manejos específicos. Leandro Rampim e Maria do Carmo Lana, Unicentro Jean Sérgio Rosset, UEMS Marcos Vinicius Mansano Sarto, Unesp Armin Feiden, Alfredo Alves Neto, Leandro Taubinger e Jhonatan Spliethoff, Unioeste
De posse dos dados de cada talhão da lavoura, o produtor pode realizar intervenções específicas em cada área
CAPA
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
20
Fotos Charles Echer
LS Tech
Duas importantes ferramentas, o Sistema de Proteção do Motor e o Sistema de Telemetria, oferecidas pela LS Tractor, garantem que até mesmo clientes das linhas menores tenham tratores com tecnologia de ponta e mais segurança
E
m geral os testes que fizemos para a Revista Cultivar Máquinas envolvem tratores, pulverizadores, colhedoras e outras máquinas agrícolas. Para esta edição, a avaliação que fizemos e estamos trazendo aos leitores envolve tecnologias aplicadas aos tratores fabricados pela LS Tractor. Pela primeira vez, em todos estes anos que colaboramos com o Grupo Cultivar, os testes foram feitos na sede do Laboratório de Agrotecnologia, ligado ao Núcleo de Ensaios de Máquinas Agrícolas (Nema) da Universidade Federal de Santa Maria (RS). A linha de tratores da marca LS que é oferecida no Brasil se caracteriza por atender, em grande parte, o mercado de pequenos e médios produtores. Em geral, no nosso país, é exatamente esta faixa de potência a que ressente de tecnologia de ponta, disponível com mais frequência nas gamas mais altas. De maneira surpreendente, a LS passa a oferecer alta tecnologia aos seus clientes, inserindo este acréscimo de qualidade aos modelos de pequeno e médio porte. Os produtos que nos referiremos neste texto são o Sistema de Proteção do Motor e a Telemetria. Esta ação é resultado de uma parceria da LS com a Colven, desde março de 2017. A Colven é uma empresa de origem argentina, que opera no mercado brasileiro há mais de 20 anos como fabricante de produtos com a sua marca comercial. A empresa, embora com origem na região de Santa Fé, República Argentina, atualmente tem presença em 32 países, com unidades
fabris em alguns deles e vários dos seus produtos possuem certificação de qualidade, tendo parcerias em em alguns projetos com o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), que é uma organização pública ligada ao Ministério da Agroindústria do país vizinho. Desde a Agrishow 2017 o Sistema de Proteção do Motor e a Telemetria foram apresentados ao mercado e são oferecidos aos clientes da LS, como equipamento standard na Série H, nos modelos de 115cv, 125cv e 145cv e como opcional em qualquer um dos outros modelos da marca. O primeiro equipamento disponibilizado na parceria é um dispositivo protetor de motor, denominado “Engine Protection”, que atua sobre a informação fornecida por sensores de temperatura no bloco e de pressão do óleo lubrificante do motor do trator, fazendo o desligamento automático quando este apresentar sintomas de aquecimento exagerado e diminuição da pressão de lubrificação. Com isto, a proposta da LS e do seu parceiro é proteger o motor, diminuindo gastos decorrentes destas anomalias de funcionamento e desta forma reduzindo ou impedindo necessidade de manutenção corretiva. Esta aplicação também serve para todos os veículos dotados de motor a combustão, como os automóveis, caminhões, tratores, colhedoras e pulverizadores. Desde o lançamento deste equipamento nos tratores da LS Tractor, as duas empresas vêm demonstrando o Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
21
Fotos Charles Echer
no mercado, que estes dois equipamentos possuem capacidade de utilização em motores de injeção mecânica, convencional e não somente em equipamentos com injeção eletrônica.
PROTETOR ELETRÔNICO DO MOTOR
O painel do Engine Protection é simples e prático de instalar
seu funcionamento em uma unidade do trator LS Plus 80, com o registro de mais de mil desligamentos provocados através de simulações de aquecimento do motor ou falta de óleo no sistema de lubrificação. O segundo equipamento avaliado pela equipe da UFSM foi o sistema de Telemetria, Unit Control, fabricado pela Colven e disponibilizado pela LS aos seus clientes. É um sistema de telemetria bastante funcional, que possui ótima interface visual e no qual o produtor rural pode localizar e receber informações instantâneas de localização e funcionamento do seu trator. Ressalta-se como um diferencial em relação a outras alternativas oferecidas
O equipamento Engine Protection é um sistema de proteção eletrônico para motores, que monitora suas principais variáveis de funcionamento, tais como temperatura do motor, pressão de óleo e tensão da bateria. Ao detectar erro em um ou mais parâmetros de funcionamento do motor, o sistema toma uma decisão pré-programada, emite um alerta sonoro e luminoso indicando a falha no painel do equipamento, e no caso de uma falha crítica, tal como perda de pressão de óleo ou superaquecimento do motor, desliga o motor. Também pode funcionar na indicação de falhas menos graves, como em situações onde a tensão da bateria está abaixo ou acima dos parâmetros predeterminados. Esta ajuda tecnológica permite ao operador focar sua atenção no desenvolvimento da atividade com qualidade, e não
O test drive foi realizado no Laboratório de Agrotecnologia da Universidade Federal de Santa Maria
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
22
necessitar atenção a instrumentos ou sinais luminosos do painel original do veículo. O conjunto é composto de um módulo, um monitor com teclas e sinais sonoros e luminosos, chicote elétrico de instalação e sensores de pressão do óleo e temperatura no bloco do motor. O módulo, que é de pequena dimensão, pode ser embutido com facilidade no interior do painel do veículo, sem necessidade de grandes modificações. Ele possui um sistema de registro de eventos, sendo que é possível ao usuário do equipamento fazer o download dos registros na versão básica, através de um cabo conectado diretamente ao computador ou em tempo real, quando integrado ao sistema de telemetria Unit Control, que explicaremos a seguir. Os registros armazenados permitem verificar a data, o horário, o tipo de evento. Os dados de data de instalação do equipamento, desligamento e religamento da bateria também ficam registrados. A capacidade de armazenamento é de 1.600 eventos, o que corresponde, em média, de seis a oito meses de dados, sempre sobrescrevendo os dados mais antigos, no caso de alcançar o limite de armazenamento da memória. Os tipos de eventos registrados vão desde falhas até as partidas e os desligamentos do motor. Também as leituras e as alterações no sistema podem ter o nome do operador registrado no módu-
O modelo testado estava equipado com sistema de simulação de panes
Sensores estão instalados em vários pontos estratégicos para enviar informações sobre temperatura e pressão do óleo do motor
lo, pois cada software disponibilizado tem chaves de acesso únicas. O pequeno monitor que fica preso ao painel do trator conta com dois botões e quatro sinais luminosos. O botão de cor vermelha, ao ser pressionado, anula o funcionamento da proteção do Engine Protection por 16 segundos. Este recurso é de grande importância, em uma situação de emergência, quando o equipamento ou veículo teve seu motor desligado em um local de perigo ou uma situação indesejada, sendo possível ao pressionar este botão, dar a partida no motor e se movimentar a um local seguro. Por motivos de segurança, e também pela política da empresa desenvolvedora do Engine Protection, o botão vermelho pode ser pressionado por quantas vezes o operador demandar, no entanto, cada evento é registrado no módulo, sendo possível a consulta posterior. O botão verde, ao ser pressionado por aproximadamente dez segundos, executará o teste de proteção do sistema, desligando o equipamento e acionando o alerta sonoro. Com isto, é possível ter a segurança de que se alguma falha grave ocorrer, o sistema que desliga o motor estará atuando perfeitamente, como também o seu alerta sonoro. Os sinais luminosos de alerta ao usuário são, na sequência: estado de funcionamento do motor e do Engine Protection; alta ou baixa tensão no sistema elétrico; baixa pressão de óleo; alta
ou baixa temperatura do motor. Caso haja desconexão dos cabos ou interrupção do sinal que vem dos sensores, o sistema também irá alertar. Quanto maior for o risco ao motor, mais repetitivos serão os sinais sonoros e luminosos. Os sensores do Engine Protection são inseridos sem que haja interferência na instalação original do trator. O sensor de pressão de óleo é específico para cada motor utilizado, levando em consideração a pressão mínima de óleo para o correto funcionamento daquele modelo de motor. Sua posição de instalação é em paralelo ao sensor original do motor. O sensor de temperatura da água mede de forma analógica a temperatura do líquido de arrefecimento nas
galerias do cabeçote do motor, sendo configurada como temperatura máxima de operação aquela do motor aplicado, podendo inclusive operar em motores arrefecidos a ar. O sistema tem como diferencial o sensor de temperatura, que é colocado diretamente no cabeçote, medindo tanto a temperatura do líquido ou do ambiente interno da câmara quando da ausência de água, diferindo em posicionamento das instalações originais, em que o sensor é colocado nas mangueiras ou tubulações, geralmente acima do motor e longe dos pontos de maior aquecimento. Caso haja um rompimento e vazamento do fluido de arrefecimento do sistema, os sensores originais podem não avisar da existência de um superaquecimento do
Para avaliar o sistema de Telemetria da LS Tractor, o trator seguiu diversos trajetos predeterminados, simulando paradas e ações do operador
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
23
Fotos Charles Echer
TELEMETRIA
Diferentes telas do sistema de Telemetria, que informam o local exato onde o trator se encontra e quais as ações estão ocorrendo em tempo real
motor, e quando o mesmo indicar esta anomalia, os danos possivelmente já ocorreram. Também é comum, quando da ausência de água nas tubulações, que o medidor original do motor indique uma queda, seguida da elevação gradual da temperatura, quando os vapores de água chegam no sensor. Porém, quando o ponteiro indicar o superaquecimento, o motor já trabalhou por certo tempo em condições severas, mesmo que o operador veja o termômetro de forma imediata. Neste sentido, a empresa instala seus sensores nas galerias de água do cabeçote. Assim, caso deixe de passar água pelas galerias, o cabeçote irá aquecer rapidamente e o sistema irá agir, desligando o motor. Além disto, o sistema conta com a detecção de falhas de sensores ou fraude intencional do sistema, acionando um registro do Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
24
evento no módulo, quando a alteração foi detectada. Para a localização do ponto exato de inserção do sensor de temperatura, o fabricante disponibiliza um pequeno gabarito para a instalação. O chicote da instalação elétrica já é fornecido no tamanho correto para instalação conforme o modelo a ser instalado, podendo ser utilizado em qualquer tipo de equipamento, sem alterações na instalação original. Aparenta ótima construção, com carcaça em nylon injetado e fiação de qualidade, envolta em uma capa protetora, com terminais com encaixes robustos. O sistema de desligamento pode atuar tanto eletricamente, cortando a alimentação do solenoide da bomba injetora, no caso dos motores de ciclo diesel, e da bobina, no caso dos motores ciclo Otto, quanto diretamente, na interrupção do fornecimento de combustível, através de uma eletroválvula.
O sistema de telemetria Unit Control, fabricado pela empresa Colven e instalado nos tratores LS, fornece acesso a uma variedade de informações sobre a frota via sinal de telefonia (GPRS). Certificado pela Anatel, o sistema é composto por módulo PL 210, antena GPS, antena GPRS, antena externa e chicote elétrico. O módulo PL 210 é eletrônico, encarregado de processar os dados recebidos, como posição georreferenciada, velocidade de deslocamento instantânea, transmitindo estes dados para o servidor, onde ficam armazenados como eventos e são disponibilizados para visualização a qualquer momento. Este sistema permite que o gestor da frota tenha informações precisas sobre localização, horas de funcionamento (horas ligadas e horas produtivas), resumo de estado da frota, imagem do percurso via Google Earth, problemas no motor (relatório exclusivo de cada unidade), relatório de velocidade e rpm da TDP. Como opcional, o sistema oferece opções de identificação das unidades (trator e equipamento utilizado), identificação de operador (identificação/ relatório de produtividade da pessoa), controle por áreas através de cercas eletrônicas que delimitam o perímetro de trabalho da unidade, alerta de entrada em áreas de risco ou áreas não permitidas e botão de pânico ou emergência. Através da plataforma Gestya InfoWeb, acessada através de qualquer computador pessoal, ou pelo aplicativo para celulares, com conexão à internet, o gestor tem acesso remoto às informações de cada unidade da frota, o que lhe permite acompanhar, em tempo real, o desempenho das atividades. A transferência do pacote de dados, quando o trator se encontra desligado, ocorre de hora em hora. Com o trator ligado a transferência ocorre a cada minuto quando o percurso for em linha reta. Se houver mudança de direção, o sistema identifica a alteração do movimento e envia os dados em menor espaço de
tempo. No caso de ocorrer um alerta, o sistema envia um ponto no momento da ocorrência. Ademais, o sistema permite cadastrar manutenções que podem ser determinadas por quilômetro percorrido ou horas trabalhadas, indicando ao operador com até 20 horas de antecedência a operação programada para a unidade. O usuário do sistema é quem faz os relatórios conforme for conveniente, podendo ainda a criação de hierarquia entre os usuários. O módulo PL 210 possui tamanho reduzido, o que permite fácil ocultação dentro do painel do veículo. Em determinados casos é interessante que o operador não saiba da existência deste sistema de controle. O módulo possui bateria interna, que permite funcionar por algum tempo, mesmo que o veículo tenha a alimentação principal cortada. Além do módulo PL 210, a empresa parceira disponibiliza aos clientes LS uma gama de itens adicionais personalizáveis conforme a aplicação, tais como sensor de rotação da TDP, sensor de temperatura para furgões, identificador de motorista por chave de código único, botão de abertura de porta, identificador de reboque ou equipamento acoplado e identificador de reboque com localizador, calibrador eletrônico para pneus, além de se comunicar e receber
C
Tratores LS
om fábrica em Garuva, Santa Catarina, a LS Mtron iniciou a fabricação de tratores no Brasil no ano de 2013. Atualmente, fabrica tratores, carregadores frontais e semeadoras. Na linha de tratores, o portfólio da LS Tractor possui sete modelos de 40cv a 100cv, divididos em quatro séries (Série G, Série R, Série U e Série Plus). A série G possui apenas o modelo G40, de 40cv, motor três cilindros, marca LS, de injeção direta, a transmissão característica da marca é de 12Fx12R, com reversor no volante para facilitar a operação. A série R possui dois modelos (R50 e R60), de 50cv e 60cv, respectivamente. Os modelos são equipados com motor LS, quatro cilindros de injeção direta, com tecnologia de redução de emissões padrão Tier III. O trator pode vir equipado com super-redutor, o que transforma a transmissão em 32 marchas à frente e 16 marchas à ré, com reversor mecânico, nas versões plataformada e cabinada. O trator U60, da série U, de 65cv, possui transmissão de 16Fx16R, podendo vir equipado com super-redutor (32 marchas à frente e 16 marchas à ré). O sentido de movimento do trator é dando pelo inversor localizado à esquerda do volante, podendo ser mecânico ou
os dados de temperatura, pressão, tensão de bateria e status de funcionamento do módulo de proteção do motor Engine Protection.
Kit de instalação do sistema de proteção eletrônica do motor, que pode ser instalado em qualquer modelo
eletro-hidráulico. Está disponível nas versões cabinada e plataformada. Atualmente, os tratores de maior potência fabricados pela LS Tractor no Brasil são da série Plus. São três modelos (Plus 80, Plus 90 e Plus 100), de 80cv, 90cv e 100cv, respectivamente. Os três modelos vêm equipados com motor MWM, de quatro cilindros, bomba de injeção Delphi modelo DP 100 e somente o modelo Plus 80 é aspirado, os demais utilizam turbo compressor. Quanto à transmissão, o número de marchas é 12x12, tendo um inversor ao lado do volante para facilitar a operação. O posto do operador pode ser plataformado ou cabinado. Os tratores das séries R, G, U e Plus possuem tomada de potência independente, com três velocidades de operação, 540rpm, 750rpm e 1.000rpm. Uma nova série de tratores, a Série H, de potência de 110cv a 150cv, com transmissão Syncro Shuttle de12Fx12R ou Power Shuttle de 20Fx20R, foi apresentada na Expointer 2017, e estará disponível para venda após o Agrishow de Ribeirão Preto. São nestes modelos da Série H que a LS Tech traz como equipamento standard o sistema de proteção do motor e telemetria, que testamos para Revista Cultivar.
Os dados de funcionamento do veículo referente aos módulos instalados ficam disponíveis na plataforma Gestya InfoWeb, o que permite facilidade em
O modelo testado já realizou mais de mil desligamentos provocados por simulações de falhas no motor
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
25
As tecnologias testadas estão disponíveis em tratores para pequenos produtores
Equipes do Nema, da LS Tractor e da Colven participaram do test drive
gerenciar a frota de equipamentos, principalmente através dos alarmes configuráveis, sendo recebidos em um computador ou dispositivo móvel, ou mesmo por correio eletrônico. Os alertas de eventos possibilitam ao gerenciador da frota, uma rápida percepção do problema, mesmo sem estar acompanhando o veículo em que ocorreu o alarme, tendo assim um menor tempo de resposta ao efetuar uma tomada de decisão. Além disto, é possível visualizar o total de horas trabalhadas, o tempo em funcionamento, o tempo em deslocamento, o odômetro, o trajeto, a velocidade média do trajeto, os excessos de velocidade, sempre informando data, hora e local das ocorrências. Também é possível monitorar as rotações da TDP, através de um kit oferecido opcionalmente, composto por um sensor indutivo, suporte e anel que são fixados na TDP. Neste anel tem um ímã, sendo que a cada rotação do eixo o sensor lê um pulso, convertendo diretamente para as rotações da TDP. Através do sistema de telemetria Unit Control, por exemplo, é possível o gestor acompanhar em tempo real se a aplicação de defensivos pelo operador está sendo realizada na rotação correta.
do Centro de Eventos da UFSM para realização do teste de verificação do funcionamento do sistema de telemetria do trator. O percurso predefinido para o teste de telemetria constituiu-se do deslocamento do veículo por caminhos de contorno em quadras do local, para que fossem observados o desempenho do dispositivo ao marcar a rota da unidade e o envio dos dados à plataforma. Para o teste dos dispositivos tecnológicos nos tratores LS, o fabricante disponibilizou um modelo LS Plus 80, em que foi instalado um equipamento adaptado para realizar a simulação do funcionamento do motor em condições onde seria necessário fazer o desligamento automático do motor, ou seja, baixa pressão de óleo lubrificante e alta temperatura do mesmo. Para provocarmos a atuação do sistema de proteção, com o corte de combustível, o equipamento criava condições de baixa pressão de óleo do motor, removendo parte do óleo lubrificante do motor,
levando este óleo até um reservatório externo. Nestas condições de reduzidas quantidades de óleo no cárter à disposição da bomba de lubrificação, o sensor fazia a leitura de uma pressão baixa e provocava o corte do fluxo de combustível e consequentemente da injeção de combustível. Repetimos esta simulação várias vezes, com visualização da eficiência do sistema. Assim que o sensor do sistema de proteção detectava a baixa pressão de óleo lubrificante do motor, acendia um LED de cor vermelha no painel de monitoramento do sistema de proteção do trator, seguido do imediato desligamento do motor do trator e da emissão de um sinal sonoro, impedindo, assim, o funcionamento do motor em condições inadequadas. Ao mesmo tempo da ocorrência da atuação do sistema de proteção, este envia uma notificação no celular, mostrando o local, a hora e a pane ocorrida no trator. Por segurança do operador, constatamos que ao acionarmos o botão de cor vermelha do painel de controle, pudemos forçar o funcionamento do motor, burlando o sistema de proteção, permitindo o funcionamento do trator por 16 segundos. Evidentemente que este sistema serve apenas para a solução de um problema de posicionamento do veículo em local seguro, quando em situação de risco. Fizemos esta ação, verificando que é possível ainda que o operador use várias vezes, no entanto
TESTE
Para a realização desta avaliação, as atividades de reconhecimento do funcionamento dos dispositivos ocorreram no Laboratório de Agrotecnologia da UFSM, no qual se verificou a atuação do dispositivo de proteção do motor, seguindo, posteriormente, a uma área Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
26
Com o sistema de Telemetria é possível, delimitar a área onde o trator pode circular, enviando um alerta quando transpor a limitação
sua ação ficará registrada no sistema. Outro teste que pudemos fazer, utilizando o módulo de demonstração da empresa foi o de verificar a atuação do sistema de proteção através do controle da temperatura do motor. Para isto havia outro depósito externo para migrar o líquido do sistema de arrefecimento. Com o trator em funcionamento, um sistema de bombeamento direciona o líquido de arrefecimento para este depósito externo, esvaziando o radiador, as câmaras do bloco e do cabeçote e as mangueiras, provocando o aquecimento do motor e a verificação desta temperatura crítica pelo sensor de temperatura do motor. Quando esta atingia o nível máximo predefinido pelo sistema, verificou-se a ação de corte da alimentação de combustível, provocada pela atuação do sistema de proteção. Da mesma forma, o painel de controle indicava qual o problema que gerou o desligamento do motor, seguido de aviso sonoro e o envio de uma notificação a um aplicativo de celular do proprietário ou concessionário. Verificamos que os dados de pressão de óleo lubrificante e temperatura do motor do trator eram registrados em cada acontecimento, em um módulo de armazenamento de dados, permitindo assim o controle das condições de funcionamento e parada do trator, obtidos em tempo real por telemetria, ou ainda baixados através do módulo do sistema. Uma das dúvidas que tínhamos era sobre a segurança no funcionamento do sistema de controle. Nos foi explicado que o painel de controle das condições de trabalho do motor informa quando houver um problema de funcionamento dos sensores de proteção do motor através de um sinal luminoso. Com isso, durante o teste, desconectamos os cabos dos sensores, permitindo identificar a falha na aquisição de dados e consequentemente da segurança do motor, devido a algum fio rompido ou desconectado. Para certificar-se do pleno funcionamento do sistema de proteção do motor, acionamos o botão verde do painel, que realiza um desli-
Fotos Charles Echer
O
Local do Teste
teste do sistema de proteção do motor e de telemetria do trator LS Plus 80 foi realizado no Laboratório de Agrotecnologia do Núcleo de Ensaios de Máquinas Agrícolas (Nema) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) localizado na cidade de Santa Maria, estado do Rio Grandedo Sul. O Nema é um órgão suplementar do Centro de Ciências Rurais da UFSM que possui autonomia administrativa desde 1991, com missões de ensino, pesquisa, difusão de tecnologia, avaliação de máquinas agrícolas, desenvolvimento de produtos e projetos em apoio ao ensino de graduação, pós-graduação
gamento do motor, indicando-nos que o sistema de proteção estava atuando corretamente. Para o teste do sistema de telemetria, realizamos o acompanhamento do trator a partir de um aplicativo de celular e uma página do sistema na internet, usando login e senha cadastrados no servidor do sistema Gestya InfoWeb. Para isto, a equipe de teste se dividiu, uma parte acompanhando o trator em um percurso predefinido, dentro da área de centro de eventos da UFSM, em um trajeto de aproximadamente dois quilômetros, distantes 900 metros do local onde permaneceu a outra metade da equipe, acompanhando, através da telemetria, a movimentação do veículo e identificando parâmetros de funcionamento do mesmo em tempo real. Recebemos informação do trator, como temperatura e pressão do óleo,
e à comunidade em geral. Integrado ao Nema, o Laboratório de Agrotecnologia – Agrotec - é um laboratório de pesquisa científica voltado ao campo das novas tecnologias agrícolas, que possibilita ampla atuação no meio acadêmico, agrícola e industrial. Atualmente, o laboratório realiza trabalhos voltados a avaliações e ensaios de tratores agrícolas, englobando temáticas como: ergonomia e segurança, desempenho em tração e desempenho em bancadas dinamométricas, sendo referenciado como um dos mais importantes laboratórios no Brasil a desenvolver avaliações desta natureza.
velocidade de deslocamento e rotação da tomada de potência em tempo real, através do aplicativo. Além disso, o sistema de telemetria nos informava a localização atual e a trajetória do trator durante seu funcionamento. Pôde-se verificar que a atualização do posicionamento e da trajetória do trator era feita a cada minuto, no entanto, este tempo de aquisição dos dados era menor a partir do momento em que havia mudança na trajetória, como uma curva ou, ainda, na ocorrência de desligamento do trator pelo sistema de segurança. .M José Fernando Schlosser, Bruna Batistella, Daniela Herzog, Lucas Simon da Rosa e Rovian Bertinatto, Laboratório de Agrotecnologia – Nema - UFSM
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
27
SEMEADORAS
Uma semente conta Estudo mostra que o momento da semeadura é uma das etapas mais importantes na implantação da lavoura, onde a má regulagem da semeadora, mesmo com falhas que pareçam pequenas, pode ser a chave entre o lucro e o prejuízo no final da safra
A
produção nacional de grãos na safra 2015/2016 foi de 186,6 milhões de toneladas. E em 2016/2017 foi de 232,3 milhões de toneladas (aumento de 24,53%), segundo a Conab (2018). A área plantada em 2015/2016 foi de 58,3 milhões de hectares, e em 2016/2017 aumentou para 58,4 milhões de hectares (0,2%), segundo a Conab (2018). Isto significa que a produção total do Brasil crescerá muito mais do que as novas áreas para o plantio, o que mostra um grande desafio que deverá ser aliado com planejamento e inovações. O momento da semeadura é uma das etapas mais importantes na implantação de uma lavoura.
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
28
Almeida et al (2010) afirmam que um bom processo de semeadura se caracteriza pela correta deposição longitudinal das sementes no solo juntamente com a correta profundidade. A qualidade da semeadura está combinada a diversos fatores como a qualidade das sementes, o contato com a água e o solo através da boa cobertura, a profundidade e a uniformidade de deposição na linha de plantio, assim como o preparo adequado do sulco e o espaçamento entre fileiras (Márquez, 2004). Para se alcançar a produtividade adequada, Portella (1999) afirma ser necessário que as sementes sejam depositadas no sulco com a máxima regularidade possível.
A velocidade de deslocamento do conjunto trator-semeadora está diretamente relacionada à uniformidade de semeadura e à produtividade, podendo alterar a profundidade de deposição das sementes, o estande de plantas, a qualidade da abertura e do fechamento do sulco, além da deposição de fertilizante, dentre outras coisas. Existe diferença da velocidade máxima aceitável no uso de semeadora mecânica e pneumática, sendo que a velocidade da primeira não deve ultrapassar os 6km/h e a segunda os 8km/h. Também se deve considerar que velocidades de semeadura muito baixas afetam o desempenho operacional e que o bom manejo do solo auxilia na
Nilson Konrad
Fotos Luan Solér Francischinelli
Diferenças entre uma linha com deposição regular (direita) e outra com falhas. Casos assim podem resultar em mais de dez sacas de perdas por hectare
qualidade, pois é mais vantajoso que o mesmo seja nivelado e que não possua torrões, além de estar com o teor de água ideal. Não basta apenas o produtor rural investir em maquinário de última geração e com alto custo, se não empregar a velocidade ideal no plantio e não realizar as devidas manutenções e medidas de conservação. Baseado na hipótese de que o erro de uma semente ao longo do sulco de semeadura faz falta, surgiu a ideia de contabilizar quanto esta falha representa no total de perdas no campo. Como exemplo foi feito o cálculo de falha de uma única Tabela 1 - Simulação de erro na linha de semeadura de milho, com uma falha a cada 2,5 metros
População (hectare) População alcançada 60.000 51.111,1 Espaçamento (m) Erro na deposição (%) 0.45 14,81 Metros de linha Perda sacas 60Kg (hectare) 22.222,22 29,63 Plantas p/metro Perda sacas 60Kg (área) 2,7 4.444,44 Falha na linha Preço saca (R$) 1 a cada 2,5 metros R$ 35,00 Área total (hectare) Perda R$ (hectare) 150 R$ 1.037,04 Produção por planta (Kg) Perda total (R$) 0,2 R$ 155.555,56 Perda semente (ha) 8.888,9
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
30
semente na semeadura de milho a cada 2,5 metros de linha. Para isso, foi considerada, como hipótese, uma população por hectare de 60 mil sementes, semeadas a 0,45m entre fileiras, resultando a quantidade de 2,7 sementes por metro. No caso de um produtor que plante 150 hectares de lavoura, obtenha produção por espiga de 0,200kg e venda cada saca de milho por R$ 35,00, ele teria enormes perdas, como mostra a Tabela 1 Caso se tenha uma boa regulagem da máquina semeadora se consegue criar a hipótese de umasemeadura melhor do quea apresentada anteriormente, como por exemplo, supondo uma falha a cada 4 metros.
Comparando as duas situações, sendo uma falha a cada quatro metros e uma falha a cada 2,5 metros, podem ser observadas diferenças que fazem com que estas discrepâncias levem os produtores a se atentarem para as boas práticas de semeadura. A população alcançada por hectare poderia subir de 51.111,11 para 54.444,44 plantas, apenas diminuindo o índice de falhas, proporcionando um ganho de 3.333,33 plantas de milho, com isso o erro diminuiria de 14,81% para 9,26%, perdendo, portanto, 11,11 sacas a menos por hectare, e com isso o produtor deixaria de perder R$ 388,89 por hectare. Ana-
Relação falha na deposição x produtividade por hectare
Tabela 2 - Simulação de erro na linha de semeadura de milho, com uma falha a cada 4 metros População (hectare) População alcançada 60.000 54.444,4 Espaçamento (m) Erro na deposição (%) 0,45 9,26 Metros de linha Perda sacas 60 Kg (hectare) 22.222,22 18,52 Plantas p/ metro Perda sacas 60 Kg (área) 2,7 2.777,78 Falha na linha Preço saca (R$) 1 a cada 4 metros R$ 35,00 Área total (hectare) Perda R$ (hectare) 150 R$ 648,15 Produção por planta (Kg) Perda total (R$) 0,2 R$ 97.222,22 Perda semente (hectare) 5.555,6
lisando essa diminuição de falhas na área total suposta, a perda total mudaria de R$ 155.555,56 para R$ 97.222,22, ocasionando uma diminuição de R$ 58.333,34. Assim, cabe salientar que os cuidados na hora da regulagem antes da semeadora ir a campo são preponderantes, podendo ser a chave entre o lucro e o prejuízo do produtor. Na Unesp de Botucatu, integrantes do Grupo de Plantio Direto (GPD) vêm apresentando as boas práticas agrícolas com o projeto Inspeção Periódica de Semeadoras
Os autores falam sobre as perdas causadas na produção e chamam a atenção para os cuidados com a regulagem da semeadora
(IPS). O objetivo do projeto é levar os conhecimentos oriundos de estudos da universidade para os produtores rurais, a fim de mostrar a importância da boa regulagem da semeadora no aspecto geral da safra de uma cultura. Existem casos reais em que se extrapola o número de apenas uma falha a cada 2,5 metros. De todas as semeadoras avaliadas pelo GPD até hoje no estado de São Paulo, nenhuma apresentava uniformidade entre todas as linhas na deposição de adubo e sementes. Isso mostra que as perdas financeiras que aqui foram simuladas, realmente acontecem no dia a dia dos produtores brasileiros. Pode-se concluir que o sucesso de uma safra está no planejamento
e isto está diretamente ligado à operação de semeadura. Precisamos nos conscientizar que às vezes não é a semente ou o maquinário comprado que é ruim, mas que na verdade, deve-se ter cuidado especial com a regulagem da máquina para que seja obtida uma semeadura uniforme, que vise à ocorrência do mínimo possível de falhas e duplas, que as sementes fiquem todas na mesma profundidade e que o contato água/solo/ semente seja ideal e permita uma boa germinação, resultando em .M maior produtividade. Luan Solér Francischinelli, Luiz Henrique Menck Rusconi, Adriano Fabbro Gandini e Paulo Roberto Arbex Silva, FCA Unesp de Botucatu
FICHA TÉCNICA
Canavieiro
O Uniport 3030 Canavieiro, da Jacto, é um pulverizador projetado exclusivamente para atender às exigências do mercado sucroenergético
O
Uniport 3030 Canavieiro é o mais novo lançamento da Jacto para pulverização. O equipamento é um pulverizador desenvolvido especificamente para a cultura da cana-de-açúcar, projetado para buscar melhor desempenho e qualidade de aplicação, com menor impacto ambiental e redução nos custos de produção. Entre os principais diferenciais do equipamento, que será apresentado durante a Agrishow 2018, estão versatilidade para trabalho em culturas altas, componentes mais resistentes e robustos para o trabalho nessa cultura, que exige quase o triplo de horas de trabalho em comparação a outras culturas, e alta precisão na aplicação de defensivos. O pulverizador possui reservatório de três mil litros e barras de pulverização de 24 metros. Ele vem com sistema Jacto Precise Solutions que integra três conjuntos de soluções tecnológicas presentes no equipamento: o Jacto Smart Vehicle (JSV), conjunto de soluções desenvolvidas para o veículo; o Jacto Quality Spray (JQS), sistema de pulverização do Uniport 3030 Canavieiro, e ferramentas de Agricultura de Precisão, representada pela Otmis, marca das soluções de tecnologia Jacto. As tecnologias melhoram a precisão das operações e gerenciam a qualidade de aplicação e o rendimento opera-
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
32
cional do Uniport 3030 Canavieiro. No final, os custos são reduzidos com menor impacto ambiental e aumento efetivo no lucro.
MOTOR
O motor diesel Cummins QSB 6.7 com 243cv, que equipa o Uniport 3030, é governado eletronicamente e ajustado para trabalhar em baixa rotação, oferecendo máximo torque e menor consumo de combustível, disponibilizando toda a potência necessária com a máxima economia, que pode chegar até 35% a menos no consumo de óleo diesel em relação aos concorrentes.
CABINE
A cabine do Uniport 3030 Canavieiro apresenta grande amplitude visual para melhor visibilidade da cultura, facilitando ao operador a realização de manobras dentro e fora dos talhões.
Para um maior conforto do operador durante a jornada de trabalho, o assento com suspensão pneumática é ajustável, assim como a coluna de direção. O equipamento possui dois monitores, com funções sensíveis ao toque, que centralizam todas as operações e tecnologias embarcadas. A agilidade e a praticidade operacional são alcançadas com um joystick multifunções, o qual permite controlar o movimento das barras, ligar ou desligar a pulverização, acionar o piloto automático.
BARRAS
O Uniport 3030 Canavieiro possui 24 metros de barras que permitem alto rendimento com grande facilidade operacional nos talhões de cana-de-açúcar. As barras são robustas para trabalhar em cana, com quadro e braços de levante mais resistentes para o trabalho em bordadura e arremates Um grande diferencial deste modelo é a altura de trabalho da barra, que varia de 0,50m a 2,50m, permitindo
Fotos Jacto
elevada disponibilidade de uso em todas as fases de desenvolvimento da cultura, desde aplicações iniciais com plantas pequenas, pulverizações com pingentes e tratamentos fitossanitários em plantas com até dois metros de altura. Como atinge a altura máxima de 2,50m, este modelo proporciona excelente qualidade de aplicação em tratamentos de final de ciclo na cultura de cana-de-açúcar.
TRANSMISSÃO, PNEUS E SUSPENSÃO
Com transmissão hidrostática inteligente 4x4 e controle automático de tração independente, o modelo proporciona maior capacidade de tração em diferentes tipos de solo, com capacidade de rampa de 26%. A transmissão final de torque para as rodas é realizada por redutores do tipo planetário. O Uniport 3030 Canavieiro tem sempre as quatro rodas tracionando e caso uma delas perca a tração, as outras três continuarão tracionando, ao contrário dos equipamentos tradicionais com tração em “X”, que perdem a tração em outra roda na diagonal quando uma perde a tração. Essa configuração permite o deslocamento em velocidades de até 40km/h com pneus canavieiros, e até 65km/h com pneus radiais, dependendo das condições das vias, limitando-se às áreas de pulverização e às vias internas da propriedade. Com suspensão pneumática independente e válvula de controle automático de altura, o sistema busca, constantemente, manter o nivelamento do chassi em relação ao solo, proporcionando maior estabilidade para as barras e, consequentemente,
O Uniport 3030 Canavieiro vem com motor diesel Cummins QSB 6.7 eletrônico, com 243cv
maior qualidade de aplicação. Os Pneus 18,4 x 38” (de série) e 380/90 R46 (opcional) garantem maior estabilidade entre as linhas de plantio, maior flutuação e menor compactação do solo. O sistema de frenagem integrado à transmissão hidrostática evita o travamento das rodas proporcionando maior segurança para o operador. O Uniport 3030 Canavieiro pode ser equipado com o sistema direcional Unitrack, uma solução inovadora que permite manobras mais rápidas em carreadores estreitos.
CHASSI E VÃO LIVRE
O conceito moderno de projeto, utilizando material de alta resistência e juntas rebitadas sem o uso de soldas, resultou em um chassi de baixo peso e elevada flexibilidade à torção. O peso total do equipamento vazio é de 9.250kg. O sistema exclusivo de vão livre
ajustável oferece maior versatilidade, ampliando sua disponibilidade para o cuidado da cultura durante toda a janela de aplicação. Através de um sistema ajustável em duas posições, pode-se aumentar o vão livre do equipamento alcançando uma altura máxima de 1,72m (com pneus 18,4 x 38”) e 1,75m (com pneus 380/90 R46). Com o vão livre maior, o Uniport 3030 Canavieiro fica limitado à velocidade máxima de trabalho de 15km/h e velocidade máxima de translado de 20km/h. A bitola também é ajustável hidraulicamente de 2,73m até 3,28m, o que proporciona adaptabilidade de transporte em pranchas e aos diversos espaçamentos da cultura.
PULVERIZAÇÃO
O sistema de pulverização do Uniport 3030 Canavieiro foi projetado com componentes exclusivos, utilizando toda a expertise de quem conhece pulverização há décadas. A maioria dos
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
33
Fotos Jacto
A cabine tem grande amplitude visual para melhor visibilidade da cultura, facilitando ao operador a realização de manobras. Dois monitores centralizam todas as operações e tecnologias embarcadas
componentes é projetada e montada na Jacto, garantindo a qualidade e a robustez necessárias para o trabalho duro na cultura. O controle de vazão é feito através da rotação da bomba, sem medidor de vazão e sem comando de pulverização. Não há necessidade de alteração do circuito para aplicação de baixo e alto volume e confere o erro na taxa de aplicação de apenas 1% a 2%, com o menor tempo de resposta (um segundo), característica que confere ao equipamento alta precisão na aplicação de defensivos. Sem medidor de vazão e sem comando de pulverização, o controle da dosagem é realizado diretamente na bomba JP 300. Isso garante respostas muito mais rápidas e precisão no controle da dosagem para entregar mais qualidade na aplicação. O reservatório principal, com capacidade de três mil litros, é equipado com agitador mecânico com controle de rotação, que propicia menor formação de espuma e homogeneidade da calda do início ao fim da pulverização. Ele pode ser equipado com bomba centrífuga para abastecimento do reservatório principal com capacidade de até 500L/min. Com a calibração automática, a constante de vazão é calibrada sem a necessidade de fazer Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
34
a medição nos bicos. Esta operação é mais precisa, pois considera a densidade real da calda de pulverização a ser aplicada e não somente água. As válvulas de segmento, localizadas próximas às entradas dos ramais de pulverização nas barras, possibilitam menor tempo entre o comando de abertura e fechamento e a resposta nos bicos de pulverização. Isso representa maior qualidade, minimizando variações de pressão e consequentemente falhas na aplicação. O pulverizador vai equipado com cinco conjuntos de bicos configuráveis conforme as diferentes necessidades do produtor, como tipo de agroquímico, volume de aplicação, velocidade e condições climáticas. Possui porta-bicos quadrijet que permite o rápido ajuste dos parâmetros de aplicação através dos diferentes bicos de pulverização, minimizando o tempo de parada e aumentando o rendimento operacional do pulverizador. Outro diferencial é que o pulverizador é equipado de série com conjunto de 26 pingentes para controle de pragas ou ervas.
AGRICULTURA DE PRECISÃO
Este modelo também conta com pa-
cote de tecnologias Otmis. As ferramentas melhoram a precisão das operações, gerenciam a qualidade de aplicação e o rendimento operacional do Uniport 3030 Canavieiro, possibilitando os custos reduzidos com menor impacto ambiental e aumento efetivo no lucro. Entre as tecnologias embarcadas está o conjunto Otmis LB 1200, sistema completo de direcionamento e controle de pulverização via GPS, composto por barra de luzes, controlador automático de oito seções e piloto automático hidráulico. A barra de luzes indica ao operador a direção ideal a seguir na cultura, grava mapas de aplicação, mede áreas e está conectada com o controlador automático de seções e com o piloto
automático hidráulico. O piloto automático direciona automaticamente o Uniport, auxilia na pulverização, minimiza falhas, sobreposições e permite que o operador fique mais atento às outras funções do equipamento. O controlador automático de oito seções é um sistema de abertura e fechamento automático de seção das barras de pulverização. Minimiza falhas e sobreposições na aplicação, proporciona economia de agroquímicos e menor impacto ambiental. O Uniport 3030 Canavieiro pode ser equipado com sistema de aplicação em taxa variável, que permite variar a taxa de aplicação de insumos a partir de mapas de prescrição. O Otmis Maps Telemetria é um
sistema de gestão da pulverização via web que permite visualizar mapas com diversas informações, gerenciar melhor as operações e agilizar o processo de tomada de decisão.
MANUTENÇÃO E SEGURANÇA
O Uniport 3030 Canavieiro atende requisitos de normas proporcionando maior segurança ao operador e ao meio ambiente. A localização e o acesso aos itens de inspeção e manutenção facilitam o trabalho operacional e diminuem o tempo do equipamento parado. Possui várias ferramentas de diagnóstico dos sistemas e alarmes que facilitam a ma.M nutenção preventiva.
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
35
MECANIZAÇÃO Charles Echer
Reparo no campo Uma ferramenta muito útil em médias e grandes propriedades, a oficina móvel ou comboio de manutenção facilita as intervenções programadas ou não nas máquinas agrícolas que estão no campo
O
produtor atuante no setor do agronegócio precisa estar preparado para eventuais problemas mecânicos que venham a surgir em seu maquinário e implementos agrícolas. Aumenta, assim, a demanda das manutenções mecânicas nas oficinas. A manutenção de máquinas agrícolas pode ser definida como um conjunAbril 2018 • www.revistacultivar.com.br
36
to de procedimentos, com o objetivo de manter as máquinas em condições de funcionamento e aumentar a vida útil, através de lubrificação, ajustes, revisões e proteção contra agentes nocivos, os quais estão presentes no ar, solo e plantas. Estes fatores podem gerar desgaste dos equipamentos, sendo decorrentes do próprio trabalho, do meio ambiente e ou do manejo ao qual
são submetidos. O agricultor, ou o responsável pelo gerenciamento da propriedade, determinará o método de manutenção que será adotado, podendo ser: preventivo, corretivo ou preditivo. Além disso, define se fará uso de oficina fixa ou oficina móvel para a execução das operações de manutenção. A oficina móvel, também conheci-
Maintainer Corporation of Iowa
Arquivo
Exemplo de oficinas móveis utilizadas para realizar manutenções em máquinas agrícolas no campo
da como comboio de manutenção, é amplamente empregada em diversas áreas. Como exemplo, podemos citar terraplanagem, pavimentação, construção e manutenção de estradas, mineração, silvicultura/colheita florestal e canavieiro. Já no setor agrícola, em pequenas e médias propriedades, normalmente estas oficinas não são utilizadas. Em empresas rurais, onde a análise de custos de produção é mais desenvolvida, é notável o retorno financeiro ao implementar uma oficina móvel. Este ocorre através da redução de custos de operação, do aumento da disponibilidade mecânica e do aumento do rendimento operacional das máquinas, resultante da manutenção no momento certo e com ferramentas adequadas. A oficina móvel tem a finalidade de dar suporte ao operador mecânico na realização das operações de manutenções rápidas e de baixa complexidade. Também reduz o tempo de deslocamento, evita a quebra da máquina por funcionamento inadequado, diminui substancialmente o tempo de e entre paradas, possibilita também a manutenção preventiva de forma programada. Comercialmente as oficinas móveis podem ser encontradas montadas sobre caminhões e/ou veículos utilitários ou sobre reboques. A escolha será dependente do tipo de manutenção a ser realizada, das atividades executadas na
operação (cultura, manejo, disposição geográfica), bem como dos equipamentos e máquinas a serem atendidos. A oficina rebocada apresenta maior número de opções e especificidade ao tipo de atividade. Como vantagem podem ser transportadas juntamente com reboques de abastecimento e
demais comboios utilitários, diferentemente das montadas sobre caminhões. No entanto, Velozo (2015) afirma que estas apresentam como desvantagem a limitação da mobilidade, pois dependem de um veículo de tração, por suas dimensões, peso e baixa velocidade de deslocamento.
Exemplo de configuração de furgão oficina
Fonte: Adaptado de Metalpar.
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
37
Ilustrações Gascom
O uso de oficinas móveis em caminhões tem sido uma opção que possibilita agilidade no deslocamento, podendo atuar em mais de uma frente de trabalho, centralizando o ferramental e dispensando multiplicidade de ferramentas em oficinas temporárias. Para a configuração da oficina móvel, se faz necessário considerar os fatores ambientais e físicos do campo de trabalho, pois essas condições interferem na estrutura adotada, que varia entre: aberta, semiaberta e fechada. As oficinas móveis devem ser protegidas de ações climáticas como ventos fortes, chuvas e exposição ao sol e agentes contaminantes, uma vez que possuem equipamentos, materiais e produtos necessários para a manutenção. O projeto das oficinas móveis visa autonomia, arranjo compacto (disposição das ferramentas em pequenos espaços) e funcionalidade ao conjunto. Este deve contar com gerador de energia elétrica, reservatórios para óleos e graxas, coletores de óleo e filtros usados, reservatório de água potável, não potável e água contaminada, compressor e mangueira para ar comprimido, lavatório para peças e ferramentas de uso geral e para ajuste e montagem, Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
38
Philipwatkins
O projeto das oficinas móveis deve visar autonomia, arranjo compacto (disposição das ferramentas em pequenos espaços) e funcionalidade ao conjunto
como chaves, alicates, cachimbos, de corte, de preensão, de percussão, de abrasão, de limpeza e outros. É fundamental dimensionar a oficina móvel de acordo com o fluxo operacional do local, onde a frota atua e o número de equipamentos a serem atendidos em cada frente de trabalho. Estes fatores devem ser considerados e analisados criteriosamente para o correto dimensionamento da oficina móvel de acordo com a necessidade da propriedade. O desenvolvimento do projeto adequado possibilita inúmeros benefícios, como centralização das ferramentas, de peças e redução de estoques nos
almoxarifados. Além disso, permite um ambiente de manutenção confiável, uma vez que dispõe de estruturas, equipamentos e ferramentas adequadas. Para que isso seja realizado, deverá contar com um operador mecânico, devidamente treinado e capacitado, para realizar as manutenções conforme a necessidade de cada situação.
LAYOUT
As opções disponíveis no mercado permitem personalização. A maioria dos fabricantes e das empresas que executam os projetos de oficinas permite que o cliente escolha os equipamentos e acessórios. São exemplos: isolamento térmico, conjunto para óleo usado, conjunto de guincho, conjunto para lavar, prensa hidráulica e bancada de lavagem de peças. Alguns itens são comuns para as diversas concepções encontradas, como furadeira de bancada, máquinas de solda, armário para ferramentas, bancada de serviços, reservatório para água e escada de acesso de acordo com normas vigentes (Quadro 1).
Quadro 1 – Alguns equipamentos recomendados e especificações para oficina móvel Característica Iluminação Equipamentos
Localização Interna Externa Interna
Outros
Interna
Equipamento Luminárias LED Faróis articulados LED em ambas as laterais Prensa Esmeril de bancada ou de coluna Compressor (4 pontos de rede e carretel com mangueira de ar) Gerador Furadeira de bancada Morsa Guincho de Coluna Armário para ferramentas Bancadas
Capacidade 10W 100W 15 t 1 HP 9,438 L/s 45 kVA ⅝” 1t
Fonte: Adaptado de Veloso, 2009.
compras e outras. Em 1974, Mialhe já destacava que para realizar o planejamento do comboio deve ser controlada a quantidade de material consumido, para fins de programação de estoque e custos.
MANUTENÇÃO FACILITADA
Fotos 4Truck
Uma oficina móvel do tipo fechada, disponível no mercado nacional, é apresentada na Figura 1 sendo constituída basicamente por: furgão duralumínio (estruturada em perfil de aço carbono e cabine em fibra), escada, gerador/alternador de energia trifásico 127/220 volts, rede elétrica com painel, voltímetro, amperímetro, lâmpadas, tomada (podendo ser: trifásica, bifásica e monofásica). Componentes optativos para a oficina móvel são: máquinas de solda, compressor de ar, moto esmeril, furadeira de bancada, bomba d’água, bancada, lavatório de peças, propulsora pneumática para graxa, morsa de bancada, gerador/ alternador, armário, suporte para oxiacetileno, prensa hidráulica, pórtico traseiro com trolley e talha, reservatório para armazenamento de água, toldo com braços móveis e outros. A oficina móvel do tipo aberta pode ser acoplada no trator e levada para o campo. É equipada com gerador de energia, compressor de ar, calibrador de pneus com manômetro, máquina para soldas e engraxadeira para lubrificação, que possibilita a troca de óleo ou pequenas manutenções nas máquinas e implementos. Com relação à documentação para o controle das manutenções realizadas nas oficinas móveis, vale adotar fichas para o controle dos serviços realizados, planilha de movimentação do estoque do almoxarifado, fichas de pedidos de
Tendo em vista a necessidade de reparos e manutenções corretivas imediatas em máquinas e implementos, para não comprometer a produção no campo, é relevante a presença de uma unidade móvel de manutenção mecânica junto à frente de trabalho.
Também é essencial utilizar neste processo estratégias de comunicação, como o uso de rádios comunicadores, para facilitar o diálogo entre os operadores e a oficina móvel. Ainda se faz necessário considerar os aspectos ambientais, trabalhistas e de segurança nas oficinas, para o operador e para as operações de manutenção. As oficinas móveis propiciam agilidade, flexibilidade e autonomia nas atividades de manutenção. Tornam os planos de manutenção preventiva possíveis de serem executados, com qualidade e, sobretudo, de forma rápida. O uso destas estruturas depende do tamanho da propriedade e do número de máquinas e implementos utilizados, fazendo com que os custos de implantação sejam diluídos. Tem grande importância nos planos de gestão agrícola e na modernização das propriedades rurais, em função do aumento da disponibilidade mecânica .M e da eficiência operacional. Bruna Santos, Carisiane Jaroczewski e Lucas Simon, PPGEA/UFSM Catize Brandelero e Valmir Werner, CCR/DER/Nema/UFSM
Exemplo de oficina móvel fechada, montada com as principais ferramentas utilizadas para pequenas e médias manutenções
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
39
TEST DRIVE
Pegasus 4.6 Air O Pegasus 4.6 Air é um distribuidor autopropelido de produtos sólidos da PLA, que substitui os convencionais discos rotativos por barras de 30 metros com defletores que garantem uma distribuição mais homogênea dos produtos aplicados
O
destino da equipe da Revista Cultivar Máquinas para este teste foi a região do Terceiro Planalto Paranaense, localidade de Palmeirinha, próximo à cidade de Guarapuava, no estado do Paraná. O nosso interesse era conhecer e avaliar no campo o distribuidor de sólidos, modelo Pegasus 4.6 Air da fabricante PLA. Este equipamento, que foi lançado em 2014, teve o seu design totalmente reformulado em 2017, com a adoção de uma nova cabine, e foi feita toda uma readequação da parte frontal. Este novo design foi vencedor do Prêmio Internacional “Best ofthe Best” – Categoria de Produto Industrial no RedDotAward, da Alemanha, um dos maiores e mais respeitados concursos de design profissional do mundo. Este distribuidor foi projetado com o objetivo de superar os problemas decorrentes da falta de homogeneidade, comum nos tradicionais equipamentos que fazem a distribuição por meio de discos, utilizando a força centrífuga. Sua estrutura permite a aplicação de produtos sólidos, como sementes, fertilizantes e corretivos sobre culturas já implantadas, como é o caso da aplicação de aveia preta sobre soja, como iremos detalhar aos leitores da revista. Uma equipe nos acompanhou no teste, principalmente da área técnica da PLA, entre eles o engenheiro Rodrigo
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
40
Oliva, que é gerente de Marketing da empresa, e o senhor Douglas Machado, que é vendedor regional PLA. O vendedor Antônio Silvestre nos acompanhou representando a concessionária Trator Sul, que é uma revenda autorizada LS com matriz na cidade de Ponta Grossa e em parceria com a PLA comercializa seus produtos na região.
TESTE
Para realizar o teste, o primeiro passo foi conhecer cada detalhe construtivo da máquina. Já no campo, começamos um checklist detalhado de todos os componentes que formam o Pegasus 4.6 Air para entender o funcionamento deste distribuidor de produtos sólidos. O chassi do Pegasus é a estrutura
base do equipamento e no nosso entender um bom ponto para iniciar a descrição técnica e suas particularidades. Esta estrutura é a mesma que a PLA monta no Pulverizador 4.6 Pegasus e está constituída de uma armação de perfis metálicos estruturada em três níveis, o primeiro, superior, para suportar o depósito, um intermediário que serve para que seja montado o motor e uma porção frontal que serve de suporte para a cabine e todos os componentes que se relacionam com entrada e saída e movimentação de pessoas. Como é adequado e usualmente recomendado neste tipo de máquina, que
por seu porte suporta diversas tensões durante o trabalho, a engenharia de fábrica previu uma flexibilidade da estrutura, o que se convencionou chamar de chassi powerflex, proporcionando três níveis de sustentação e apoio da máquina ao terreno, que em geral apresenta irregularidades. São dois tirantes traseiros e um frontal, o que, segundo os técnicos, dá uma maior estabilidade ao equipamento. Para incrementar esta flexibilidade foi projetado um sistema de tirantes e dispositivos pantográficos que minimizam as tensões na estrutura, quando esta for submetida a movimentos amplos, decorrentes da interação com o terreno. Esta foi uma das preocupações que ouvimos dos técnicos que estão acostumados a ver problemas de ruptura de material em equipamentos da concorrência. Nas extremidades das tensões que unem os eixos à estrutura, a PLA colocou uma rótula, ao invés de terminar com uma junção fixa. A ideia é mini-
mizar a manutenção, pois se houver desgaste, basta apenas trocar a rótula, sem a necessidade de mudar todo o braço tensor. Para a articulação do eixo em relação ao chassi, o projeto previu a colocação de bolsas pneumáticas com amortecedores, tornando a suspensão ativa e facilmente controlável de dentro da própria cabine. Na extremidade de cada eixo, as colunas da roda (canelas) de ferro fundido, envolvem e protegem as mangueiras hidráulicas e suportam os motores hidráulicos de roda. Por sinal, é de se destacar a ótima qualidade de fundição destas canelas. O eixo, que é telescópico, permite o ajuste da bitola de 2,8 a 3,2 metros. No entanto, se for desejo do cliente customizar o equipamento, uma das alternativas é solicitar a máquina com possibilidade de alteração larga de bitola, que pode ser de 3,5 a 3,9 metros. O ajuste da bitola é totalmente automático, podendo ser feito com auxílio hidráulico pelo operador de dentro da cabine, com uma leve movimentação
Fotos Charles Echer
Cada roda possui um motor hidráulico independente
do veículo. Além disso, é possível ver em uma escala impressa junto ao eixo a bitola alcançada pela regulagem. Verificamos que é inovador o sistema de ajuste do eixo na sua carcaça, pois foram colocadas bolachas de tecnil para ajuste,
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
41
si sobre quatro coxins, sendo dois na parte dianteira e dois na traseira, assim como o radiador que está também assentado à frente, sobre dois coxins. Esta montagem permite a absorção das vibrações provenientes do motor, assegurando diminuição das vibrações que se transmite na estrutura, aumentando o conforto e diminuindo as quebras de partes metálicas. Para alcançar uma boa autonomia durante a jornada de trabalho, o fabricante montou nesta máquina um depósito de diesel com capacidade de 450 litros.
TRANSMISSÃO
A suspensão é pneumática independente
tanto vertical como horizontal. Estas bolachas estão colocadas na frente e embaixo do eixo, proporcionando um controle mais facilitado das folgas que possam surgir neste local.
MOTOR
O motor que equipa o Pegasus é da marca MWM de seis cilindros, com volume total de 7.200cm3 e com 220cv de potência máxima. Este motor da série 10 tem injeção eletrônica, cumprindo as exigências máximas das normativas de emissões de poluição - MAR I. O propulsor está instalado no chas-
Como se deduz de uma máquina que deve se deslocar e, além disso, acionar uma série de componentes hidráulicos de acionamento e distribuição de produto, a transmissão da potência do motor é um componente extremamente importante. No Pegasus Air foi montada uma transmissão hidrostática da tradicional marca Sauer Danfoss, série 90, que deve dar conta de toda a demanda. No que se refere à movimentação da máquina, a transmissão é continuamente variável, sem marchas aparentes, como nos sistemas de transmissão mecânicos. O sistema compõe-se de duas bombas de transmissão, em paralelo, com uma servindo ao acionamento dos motores de roda do eixo dianteiro e outra para os dois motores de roda do eixo
A bitola pode ser ajustada entre 2,8m e 3,2m, mas se o cliente desejar, é possível aumentar o vão entre as rodas
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
42
traseiro. Os motores de roda individuais para cada uma são da série 51. Para a transmissão do movimento e acionamento do sistema de deslocamento da máquina o fabricante previu utilização do óleo hidráulico ATF, exatamente para evitar a contaminação, que ocorre nos demais elementos do sistema, pelo desgaste de componentes, principalmente dos pistões hidráulicos que tendem a recolher impurezas no seu movimento de abertura e fechamento. Para melhorar a dissipação de calor, o equipamento utiliza dois radiadores, um que serve ao arrefecimento do calor do sistema hidro de transmissão e outro que somente atua para a diminuição da temperatura do sistema de distribuição, principalmente do óleo que aciona as turbinas que geram o fluxo de ar. Assim como o sistema de arrefecimento utiliza estes dois radiadores, o sistema de filtragem também é separado, utilizando dois filtros para o óleo do sistema hidro. Os rodados, que são revestidos por para-lamas plásticos, utilizam pneus 380/90-46, não havendo alternativa opcional a esta montagem. Pelo lado externo, cada roda tem seu redutor mecânico. Como equipamento standard, o distribuidor Pegasus vem montado com rodados direcionais na parte dianteira, porém se for de interesse do cliente, como opcional, poderá ser escolhido o sistema de giro nas quatro rodas, que traz como vantagens a redução do
Calços de tecnil são colocados entre o eixo e a carcaça para diminuir a possibilidade de folgas
Fotos Charles Echer
O material utilizado desde a escada de acesso à cabine até as plataformas que levam ao motor e ao reservatório é antiderrapante, com guarda-corpos bem dimensionados
amassamento das culturas e a diminuição do raio de giro nas manobras. Os rodados utilizam uma estrutura metálica, que serve como separador de abertura de linha, para diminuir o amassamento da cultura.
SISTEMA DE APLICAÇÃO
O sistema de aplicação compõe-se de um depósito de produto, de turbinas que geram fluxo de ar para os dosadores e leva o produto com energia suficiente para passar pelos bicos e de todo um sistema hidráulico para a movimentação e ajuste da barra de aplicação. O depósito de produtos sólidos é uma caixa metálica pressurizada, com capacidade para 4,6m3, depositada sobre células de carga que enviam informações do peso aos sistemas de controle na cabine. O fechamento superior do depósito é feito por meio de duas tampas, com abertura manual e vedação com borracha nas bordas. A pressurização reduz muito as variações de fluxo de produto, estabelecendo continuidade da vazão. Em outros sistemas não pressurizados o efeito da declividade pode provocar a variação da dose aplicada (kg/ha). A pressurização proporciona estabilidade da vazão em
toda a faixa de aplicação, mesmo em dias inadequados para a aplicação com sistemas convencionais de disco. Abaixo do depósito, em cada lateral da máquina, há duas turbinas que, acionadas hidraulicamente, geram um fluxo de ar que impulsiona as partículas sólidas do produto que estão sendo depositadas sobre defletores, montados internamente dentro de um difusor. Este difusor individualiza a saída que vai para cada mangueira, que por sua vez vai ligado ao bico de distribuição. Neste difusor, o fluxo de ar entra na horizontal e recolhe o produto que está caindo na vertical desde o fundo do depósito e é dosificado por rotores acanalados, dentro de uma estrutura prismática no fundo do difusor. Por conta da necessidade de se obter alta eficiência na distribuição, o sistema trabalha com pressão e por conta disso deve estar bem vedado e com mínimas perdas de ar. Os dosadores de produto podem ser de três tipos, um para sementes finas como a canola, onde as taxas de aplicação são muito reduzidas, e os outros dois (sementes médias e grossas) que podem ser utilizados com sementes e produtos de granulometria maior, como é o caso da aveia preta, que
estávamos utilizando no teste. Como informamos, o sistema de aplicação necessita ser independente do sistema de transmissão, para sofrer e provocar pouca influência no deslocamento da máquina, por isso o projeto contemplou uma bomba exclusiva para este sistema, com circuito fechado, utilizando óleo 68 e dois filtros para os
Cada turbina alimenta homogeneamente nove dutos
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
43
O quadro que suporta as barras é o mesmo utilizado nos pulverizadores da marca, que garante boa estabilidade
pistões hidráulicos. Na parte traseira do chassi está montado um quadro, que é o mesmo do pulverizador de barras fabricado pela PLA. Nesta torre vertical, a altura da barra pode ser ajustada para um plano horizontal que vai de 1,5m a 2,4m, conforme o tipo e o estágio da cultura sobre a qual o equipamento está trabalhando. No centro deste quadro está mon-
Detalhe da ponteira com difusor de produtos
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
44
tado um pistão hidráulico que aciona o suporte da barra. Entre os dois trilhos verticais sobre o qual se ajusta o suporte da barra há uma distância de dois metros, o que serve para aumentar a estabilidade lateral da barra. Nos testes, as principais vantagens deste arranjo são o tempo de reação e a capacidade de levantar e abaixar a barra sempre na vertical, dependendo apenas deste cilindro hidráulico. Estes trilhos, onde o suporte da barra desliza, têm duas formas de bloqueio, podendo estar travado nos percursos de transporte ou destravado quando o equipamento está sendo utilizado na aplicação do produto. A barra de aplicação é uma estrutura metálica montada na forma de treliça invertida, onde estão dispostos a cada 1,5 metro os bicos difusores fixos. Um dos pontos positivos do equipamento é que a forma de montagem da barra sobre o suporte traz alguns mecanismos para manutenção da horizontalidade e nivelamento da barra durante a aplicação. Um destes mecanismos, muito engenhoso, traz uma espécie de biela, uma de cada lado, que oscila pendulando durante o movimento e mantém o nivelamento. Por isso, devem estar
destravadas durante a aplicação. Para absorver o movimento decorrente da inércia da barra no início e ao final do movimento, o projeto dispôs duas molas que fazem a absorção das forças, evitando o movimento de avanço e atraso da barra, quando o veículo inicia o movimento ou mesmo quando reduz velocidade para as manobras. Também é de se destacar outro ponto positivo, que é o fato de que os pistões laterais que fazem o recolhimento das barras se articulam sobre um pino que está na parte superior, portanto se houver rompimento do pistão, a barra fica no lugar. Quando a montagem é por articulação inferior, como em outras máquinas, a quebra do pistão provoca a queda da barra. Após a dosagem do produto e o seu envio pelas mangueiras até a saída pode ocorrer entupimento, principalmente de produtos higroscópicos, que costumam empedrar dentro de depósito. Para evitar que o operador siga o trabalho sem que o produto esteja fluindo por uma das saídas, há sensores de fluxo nas mangueiras, próximos à saída. Desta
Fotos Charles Echer
forma, na ocorrência de obstrução que não possa ser superada pelo fluxo de ar, o operador será avisado pelo sistema e a informação aparecerá no monitor. Portanto, como informamos, na barra existem nove saídas para cada lado, 18 no total. É o padrão para este equipamento que aplica uma faixa de 30 metros. No centro do quadro traseiro há um painel onde estão dispostas as válvulas do sistema hidráulico. São sete vias, de abertura e fechamento das ponteiras, controle da altura da barra, abertura e fechamento das barras, efeito de 45 graus da barra e travamento do quadro. Quanto à altura, a barra pode ter esta dimensão regulada desde uma distância vertical ao solo mais baixa de 1,5m até próximo a dois metros, que pode ser útil para culturas de grande porte, como o milho, por exemplo.
ração com uma calibração do sistema de aplicação. O procedimento de calibração é bastante simples e consiste em informar ao sistema da máquina qual a dose a ser aplicada e recolher em cada um dos bicos defletores a quantidade aplicada em um determinado tempo. Para isto, colocamos o motor do distribuidor em funcionamento e o posicionamos
em rotação de trabalho, acionando no monitor o modo calibração e estipulando um tempo de 30 segundos para o recolhimento do produto em sacos de rafia, que posteriormente passamos a bandejas, com a massa de produto recolhida em cada bico, que foi levada individualmente para pesagem. O nosso plano era calibrar o equipamento para realizar a aplicação de aveia preta na velocidade de 15km/h com uma taxa-alvo de 100kg/ha. Para caracterizar o fluxo e o peso específico deve-se inserir uma constante para cada produto a ser aplicado. O ideal é escolher um lado para a calibração, recolhendo produto de nove bicos e informando o sistema desta pesagem. Para a largura do pulverizador havia a expectativa de recolher-se um peso de 15kg nas nove bandejas, que é a taxa de alcance do teste de calibração. Será considerado calibrado o equipamento quando a vazão recolhida for igual à expectativa. Se não for obtida a quantidade desejada, o sistema deverá ser informado do peso recolhido e a operação de calibração repetida. Analisando-se os dados obtidos na calibração do equipamento, verificamos uma excelente acurácia, com uma pequena variação de aplicação de no máximo -0,18% a 5,83%, sobre uma média de variação de 2,56%, o que faria variar a taxa de aplicação de 98,7kg/ha
CALIBRAÇÃO E APLICAÇÃO
Depois de conhecer todo o funcionamento da máquina, a colocamos em operação para o teste. Iniciamos a ope-
Durante o teste foi realizada a calibração para conferir a acurácia do sistema de distribuição
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
45
Fotos Charles Echer
O pacote de agricultura de precisão é da marca Trimble
a 101,28kg/ha sobre uma dose de aveia preta projetada de 100kg/ha. Na área da Fazenda em que realizamos o teste, a aveia branca é semeada sobre a cultura da soja em mais de mil hectares, nesta dose de 100kg/ha. Também em cobertura são semeadas sementes de canola em aproximadamente 46 hectares, com doses muito pequenas de 5kg/ha. A grande vantagem que o produtor vê neste equipamento, inserido no seu sistema de produção, é a possibilidade de realizar em 25 dias com o Pegasus o que necessitaria 45 dias, utilizando nove semeadoras, acopladas em nove tratores. Além da alta exigência de mão de obra, a economia de tempo e combustível alia-se ao melhor argumento que é o aproveitamento do momento de aplicação, visto que esta operação tem que ser feita em momento adequado. Atrasá-la significa entrar na lavoura com a soja em momento que a debulha é preocupante. O fato de não ter que esperar a colheita para realizar a implantação da cultura de cobertura proporciona um ganho de pelo menos 25 a 30 dias de tempo de desenvolvimento da aveia ou da canola. Durante o teste nos deslocamos a uma velocidade constante de 15km/h, aplicando aveia preta na área coberta com soja. Verificamos que os rastros, todos já previamente marcados, eram seguidos perfeitamente pelo sistema de piloto automático e nas manobras Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
46
O Pegasus 4.6 Air possui barra de 30 metros com 18 dutos que distribuem uniformemente o produto sólido
havia necessidade de recuperar o controle usando visualmente os trajetos anteriormente feitos pelo pulverizador. Após a manobra, operações muito fáceis eram feitas para retomar o trajeto com o piloto, abrir o sistema de aplicação e controlar a velocidade de deslocamento. Foi notável no teste a qualidade
do sistema de absorção de vibrações, verificando-se um grande conforto na cabine e também se verificou que era bastante efetivo o controle de oscilação das barras, mesmo em uma condição de relevo bastante ondulado.
CABINE
A cabine que equipa o PLA Pega-
sus Air é fruto de uma parceria com o fabricante de cabines Implemaster. É a mesma aplicada ao pulverizador da PLA, tendo passado, como informamos antes, por uma renovação de projeto recentemente. Após o acesso pela escada retrátil entra-se na cabine utilizando uma pequena plataforma. No interior estava montado um assento com amortecimento e regulagem pneumática, que neste equipamento é item fornecido como standard. A coluna de direção é ajustável, podendo ser retraída para a movimentação, e com um simples toque de pedal é trazida para próximo ao operador. Há um assento de acompanhante ao lado esquerdo do principal. À direita do operador há um console lateral com apoio ao braço. Levantando-se a cobertura deste apoio se dá o acesso aos interruptores de luzes e do recolhimento da escada. À frente do apoio há um comando multifunção (tipo joystick), onde além de ser possí-
O
Local do teste
local do teste foi a Fazenda do Campo do Meio, na localidade de Palmeirinha, município de Guarapuava, Paraná. Em uma área de aproximadamente seis mil hectares são produzidas as culturas de soja e milho no verão e cevada e trigo no inverno. Próximo ao ponto de colheita é feita a inserção de aveia que se desenvolve como cobertura para a proteção do solo e utilização no sistema de plantio direto. O teste que fizemos foi no talhão CM2, onde se estimava a colheita de aproximadamente 70 sacos de soja por hectare. Recebemos todo o apoio do operador de máquinas da Fazenda, Wagner Santos Miranda, que é funcionário há mais de sete anos e mora com
vel controlar o sentido e a velocidade de deslocamento, com interruptores ao alcance dos dedos, pode-se fazer o controle da barra de aplicação. À frente do comando multifunção está colocado o monitor Agrotax, que é encarregado de controlar e informar a velocidade da turbina, a abertura e o recolhimento das barras e a abertura e o fechamento de bitola da máquina. O monitor Trimble é o que faz o controle da navegação, da taxa variável de produto que está sendo aplicado e controle do piloto automático, além dos cortes de sessão, para otimizar a aplicação. Como itens acessórios, mas não menos importantes, o fabricante colocou na parte frontal, abaixo do assoalho da
a família no local. São aproximadamente 30 funcionários que trabalham envolvidos em produção na Fazenda. Durante o teste, ele nos explicou que além de ser o operador preferencial do Pegasus, trabalha com o pulverizador autopropelido e que é muito importante a adaptação das máquinas ao tráfego controlado, passando os rastros das diferentes máquinas utilizadas sempre pelo mesmo local, reduzindo desta forma o amassamento exagerado, que provoca perda de produção. Inclusive, nos mencionou que a perda por amassamento é controlada pelo produtor. A frota da empresa é de sete colhedoras e mais de 20 tratores, distribuídos principalmente em duas marcas comerciais.
cabine, entre os faróis, um depósito de 300 litros de água limpa e um pequeno depósito de dez litros onde pode ser colocado xampu, havendo ainda um local para a colocação de sabão ou sabonete. No lado externo da cabine há dois espelhos retrovisores grandes devido à impossibilidade de utilizar-se espelho interno, pois a altura do depósito impede a visualização traseira. Como item de destaque em tecnologia embarcada deve-se ainda mencionar o controlador Trimble, que faz o controle da velocidade do rotor e da eletroválvula, que comanda a abertura .M da vazão e os cortes de seção. José Fernando Schlosser, Laboratório de Agrotecnologia – Nema - UFSM
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
47
COLHEDORAS
Palha analisada Fotos Fábio Makoto Okuno
Com o aumento do recolhimento e utilização de palha da cana-de-açúcar para gerar energia em usinas, pesquisadores avaliam as impurezas que podem estar presentes no produto nas operações de enfardamento
N
o Brasil, atualmente, cerca de 90% dos nove milhões de hectares de cana-de-açúcar são colhidos de forma mecanizada e picados durante o processo de colheita, segundo dados do 3º levantamento de safra Conab, dezembro/2017, principalmente em áreas com declividade inferior a 12% e sem obstáculos naturais. A adoção do sistema mecanizado de colheita de cana picada, ao processar toda essa massa vegetal, produz uma grande quantidade de resíduos vegetais: a palha, que é separada da cana-de-açúcar através dos extratores primário e secundário da colhedora. Visto que a recuperação da palha da cana-de-açúcar ganhou grande Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
48
importância nos últimos anos para o setor sucroenergético, atualmente, uma das alternativas para o recolhimento da palha remanescente no campo é a adoção da operação de aleiramento e enfardamento alguns dias após a colheita. Através da sua queima, existe a possibilidade de produzir energia térmica e elétrica suficiente para suprir toda a demanda da usina durante a safra e, ainda, gerar excedentes para a comercialização, sendo uma importante fonte de receita que deve ser verificada e validada. Além da possibilidade em agregar valor à biomassa, utilizando esse resíduo da colheita para ampliar a geração de eletricidade com baixas emissões
de gases de efeito estufa, a presença da palha no campo proporciona benefícios para a produção agrícola. Servindo como cobertura do solo, traz vantagens como a redução da erosão, conservação da umidade do solo e disponibilização de nutrientes. Entretanto, em algumas áreas, seu acúmulo pode dificultar a brotação da soqueira e favorecer a proliferação de pragas. Desse modo, parte da palha pode ser recolhida no campo e processada na indústria, ficando a outra no solo para os benefícios mencionados. A quantidade depende de vários fatores que devem ser analisados de acordo com determinadas condições de clima, solo e época de colheita da cana. Assim como a quantidade de palha
a ser removida do campo, a qualidade do material a ser entregue à usina é de fundamental importância para a manutenção e longevidade dos equipamentos industriais. Essa qualidade é mensurada quanto ao nível de impurezas minerais presentes na palha. Os equipamentos utilizados para a recuperação da palha, a forma como são operados e as condições do solo e umidade são os aspectos que definem a quantidade de impurezas contidas no produto final. As questões relativas aos custos de recolhimento e aos consumos energéticos também são relevantes. As impurezas minerais, além de aumentarem o custo de transporte, considerando que a terra aderida na palha acaba compondo a carga e, depois, precisa voltar ao campo, ainda elevam consideravelmente o custo de manutenção, principalmente dos equipamentos utilizados para picar a palha no campo e na indústria. Ainda trazem grande prejuízo por causar corrosão e incrustação nos tubos e componentes que realizam trocas de calor nas caldeiras, reduzindo, assim, a eficiência e a vida útil das mesmas. Dentre as vantagens do enfardamento, no sentido de proporcionar condições mais favoráveis para a utilização da palha nas usinas, está a possibilidade de recolher o material com menor teor de umidade, aumentando a densidade de transporte e transformando a palha em unidades uniformes, o que reduz os
Detalhe de impurezas acumuladas nos equipamentos, como incrustação nos tubos do superaquecedor (esquerda) e corrosão e depósito de fuligem no economizador
custos logísticos de transporte, armazenamento e processamento. No entanto, esse processo de recolhimento da palha no campo também apresenta gargalos que podem impactar a viabilidade do uso da palha para geração de bioeletricidade. O processo de enfardamento é composto por diversas atividades (Figura 1), que implicam custos operacionais e consumos energéticos, além de contaminar a matéria-prima com impurezas (terra). Dentre as etapas de operação da rota de fardos estão: a colheita mecanizada da cana-de-açúcar, o aleiramento, o enfardamento e o carregamento e transporte dos fardos. Estudos sobre o uso da palha para geração de bioeletricidade estão sendo conduzidos pelo Projeto Sucre, uma iniciativa do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetano (CTBE), que integra o Centro Nacional de Pesquisa e Energia em Materiais (CNPEM), em Campinas (SP). O proje-
Figura 1 - Etapas do processamento de palha na área agrícola
Figura 2 - Efeitos da colheita da cana no teor de impurezas minerais da palha
to é gerido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), e vem realizando desde 2015 análises em todo o circuito da palha nas usinas. Para a avaliação do sistema de recolhimento de palha via fardos, foram realizadas análises do teor de impurezas minerais nas diversas etapas que envolvem o processo de recolhimento da palha via fardos, identificando os processos que mais impactam na variação de seus teores. Com isso, será possível propor estratégias que melhorem a qualidade da palha. As impurezas minerais são constituídas pela somatória das cinzas constituintes da palha com a contaminação externa.
QUALIDADE DA MATÉRIA-PRIMA
O levantamento da qualidade da palha, em termos de impurezas minerais, foi realizado considerando as etapas descritas na Figura 1. Os ensaios foram realizados em quatro usinas, localizadas no estado de São Paulo, ao longo das safras de 2015/2016, 2016/2017 e 2017/2018.
Figura 3 - Impacto do aleiramento no teor de impurezas minerais da palha
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
49
Fotos Fábio Makoto Okuno
Desgaste de facas que picam a palha no campo (esquerda) e desgaste nos martelos no picador da usina
Em média, o teor de cinzas das amostras coletadas no canavial antes da colheita da cana variou entre 3% e 3,6% em todos os ensaios. O teor de cinzas leva em consideração as impurezas minerais, mais as cinzas constituintes da palha. A operação de colheita de cana contribuiu fortemente com o aumento do teor de impurezas minerais, conforme visto na Figura 2. Observa-se um aumento de três a quatro vezes o teor de impurezas minerais na palha após a colheita mecanizada de cana. Isso reforça a necessidade do correto controle e regulagem do corte de base para a qualidade tanto da cana, como da palha oriunda desse processo. O aleiramento é o segundo fator
operacional mais preponderante para a elevação da quantidade de terra na palha. Segundo as avaliações efetuadas pelo CTBE, dentro do Projeto Sucre, o aleiramento foi responsável por aumentar em até 2,5 vezes o teor de impurezas minerais na palha na Usina 3, conforme a Figura 3. A operação de aleiramento permite ao produtor o agrupamento de diferentes quantidades de palha para serem recolhidas, conforme a quantidade de biomassa disponível e a estratégia adotada pela usina/ produtor. O recolhimento de maiores quantidades de palha, potencialmente aumenta o arraste de terra para as leiras. Foi avaliada, também, a qualidade da palha em diferentes alturas da leira formada (Figura 4).
Figura 4 - Diferentes quantidades de palha recolhida e teor de impurezas minerais
Abril 2018 • www.revistacultivar.com.br
50
Observa-se que há uma tendência de aumento na quantidade de terra nas partes inferiores da leira. Com relação à quantidade de palha recolhida, no valor de até 8t/ha, não há diferença no teor médio de impurezas minerais. Por fim, foram avaliadas as quantidades de terra nos fardos (Figura 5). Os testes foram realizados em diversas usinas e diferentes marcas/ fabricantes. Contatou-se uma grande variação nos teores de impurezas minerais, com valor mínimo abaixo de 6% em cinzas totais e máximo de quase 25%. Com base na Figura 4, pode-se supor que a qualidade da palha nos fardos é determinada pela condição anterior, formação das leiras. Quando colocadas lado a lado duas marcas, em diferentes usinas, com diferentes operadores, as cinzas obtiveram resultados semelhantes. Os testes de campo executados até o momento têm indicado os teores de impurezas minerais que são comumente encontrados nas práticas atuais. Todavia, testes relativos ao processamento da palha enfardada na usina e sua queima nas caldeiras ainda estão sendo realizados em algumas usinas parceiras, numa tentativa de se determinar limites para as impurezas minerais da palha, e os impactos de outros contaminantes menos conhecidos (potássio, cloro, enxofre) e menos testados, nas caldeiras de bagaço queimando quantidades .M mais significativas de palha. Fábio Makoto Okuno, Jorge Luís Mangolini Neves e Daniel Duft, CTBE e CNPEM
Figura 5 - Teor de impurezas minerais no fardo