Cultivar Máquinas • Edição Nº 180 • Ano XV - Dezembro 17 / Janeiro 18 • ISSN - 1676-0158
Índice 4 Rodando por aí 6 Desempenho de tratores 9 Compactação em lavouras de café 12 Altura de pontas na pulverização 14 Semeadoras em arroz irrigado 18 Capa - Test Drive Uniport 5030 NPK 28 Regulagem de colhedoras de café 32 Manutenção de tratores 36 Volume de calda em pulverização aérea 39 Colhedoras convencionais x axiais 42 Uso de Vants na agricultura 44 Mecanização em canaviais
Destaques
Test Drive - Uniport 5030 NPK Jacto Conheça o distribuidor de fertilizantes autopropelido da Jacto, o Uniport 5030 NPK, que se destaca pela tecnologia e a agilidade
Manutenção em tratores Saiba quais são as principais regulagens e manutenções importantes para os tratores
Grupo Cultivar de Publicações Ltda. Direção Newton Peter
• Editor Gilvan Quevedo • Redação Rocheli Wachholz Karine Gobbi
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Comparativo entre colhedoras Avaliação em campo mostra o desempenho de colhedoras convencionais em relação às axiais
Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 www.revistacultivar.com.br cultivar@revistacultivar.com.br (*10 edições mensais + 1 conjunta Dez/Jan) Números atrasados: R$ 22,00 CNPJ : 02783227/0001-86 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Insc. Est. 093/0309480 € 130,00
• Coordenador Comercial Charles Echer
• Revisão Aline Partzsch de Almeida
• Vendas Sedeli Feijó Rithiéli de Lima Barcelos José Luis Alves
• Design Gráfico Cristiano Ceia
• Coordenação Circulação Simone Lopes
Capa - Charles Echer
C
Cultivar
• Assinaturas Natália Rodrigues Clarissa Cardoso • Expedição Edson Krause • Impressão: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.
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NOSSOS TELEFONES: (53) • GERAL
• ASSINATURAS
• REDAÇÃO
• MARKETING
3028.2000
3028.2070
3028.2060
3028.2065
Por falta de espaço, não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@revistacultivar.com.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.
RODANDO POR AÍ Valtra com Precision Planting A Valtra apresentará em fevereiro sua linha de plantadeiras com a tecnologia Precision Planting, dosadores inteligentes que agregam maior performance na distribuição de sementes. O sistema, que passa a ser integrado de fábrica, será oferecido nos modelos Valtra HiTech e Frontier CFS. Os dispositivos do Precision Planting garantem mais de 99% de singulação, mantendo o espaçamento regular. As plantadeiras HiTech também vão passar a oferecer aumento de 20% na capacidade dos reservatórios de semente suspensos, garantindo maior autonomia de trabalho e disponibilidade da máquina no campo.
Nova concessionária Case IH
Em parceria com a DHL, a Case IH inaugurou mais uma concessionária no interior do estado do São Paulo. Localizada na cidade de Piedade, a nova loja leva aos produtores todos os produtos e serviços oferecidos pela marca. Com a novidade, a Case IH somará 19 concessionárias em São Paulo. “Acreditamos no sucesso desta nova filial, que permitirá estarmos ainda mais próximos dos nossos clientes, oferecendo a eles soluções completas com produtos inovadores e serviços superiores”, afirmou o gerente de Desenvolvimento de Concessionários da Case IH, Aldo Stacchini.
Lubrificantes Massey Ferguson A Massey Ferguson acaba de firmar uma parceria com a Shell Lubrificantes para o lançamento de lubrificantes de marca própria para suas máquinas agrícolas. Desenvolvida para oferecer proteção e alta performance em motores, transmissões e sistemas hidráulicos, a nova linha será vendida exclusivamente nas concessionárias da Massey Ferguson a partir de dezembro. “As máquinas fabricadas pela AGCO sempre estiveram protegidas pelos lubrificantes Shell, mas agora teremos produtos feitos especificamente para o nosso portfólio completo de tratores”, ressaltou o gerente de Estratégia, Marketing e Inteligência de Negócios de Peças da AGCO América do Sul, Rafael Almeida.
Rafael Almeida
Customer Experience - CX Awards
Aldo Stacchini
Padronização à vista
A John Deere reconhece anualmente as melhores iniciativas desenvolvidas pela sua Rede de Concessionários, responsável por levar os equipamentos e serviços da marca aos clientes. Neste ano, o 3º Customer Experience – CX Awards teve 56 projetos inscritos, 23% a mais do que na edição anterior. Foram premiados quatro concessionários, em cinco categorias: Inspirar, vencida pela Treviso Máquinas; Pertencer, pela Höhl Máquinas; Engajar, pela SLC Comercial; e, por fim, a Minas Verde venceu nas categorias Agir e Reconhecer. Com isso, a Minas Verde, que possui sete lojas no sul de Minas, levou o grande prêmio da noite, o troféu CX Awards, pelo conjunto de ações e projetos desenvolvidos para seus clientes.
New Holland de portas abertas Ao que tudo indica os tratores da Agrale ganharão pintura com cor padronizada em todas as séries e modelos da marca, atendendo um desejo antigo da Rede de Concessionários. O Departamento de Marketing admite novidades a partir de janeiro de 2018, mas não confirma a padronização das cores. Nas redes sociais já circulam fotos com vários modelos com cores diferentes das utilizadas atualmente e, muito provavelmente, o novo padrão será prata metalizado com rodados vermelhos.
Felipe Vieira Dezembro 2017 / Janeiro 2018 • www.revistacultivar.com.br
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Produtores rurais de Mato Grosso e Santa Catarina visitaram a fábrica da New Holland em Curitiba (PR) para ter contato com a tecnologia empregada na produção de tratores, colheitadeiras e transmissões. Ao todo, 64 produtores da região das concessionárias Amazônia (MT) e Agrowerner (SC), após palestra realizada na Galleria New Holland, puderam conhecer as instalações da unidade. “A New Holland abriu as portas da sua casa para o cliente e a visita na linha de montagem serve para o produtor ver o compromisso da marca com a qualidade, o meio ambiente e a inovação”, afirmou o diretor de Marketing Comercial da marca, Felipe Vieira.
Hora de planejar
MegaStore Massey Ferguson
Dezenas de concessionários brasileiros e de toda a América Latina participaram do Dealer Meeting da marca fabricante de máquinas agrícolas Case IH, em Orlando, nos Estados Unidos. O encontro anual acontece sempre em dezembro e tem como objetivo discutir o que aconteceu no último ano e traçar novas metas e estratégias para 2018, junto com o time global de executivos da Case IH. Durante o evento, os concessionários que alcançaram os melhores resultados em 2017 foram premiados.
A Massey Ferguson, em parceria com o Banco do Brasil, promoveu o MegaStore nos dias 23 e 24 de novembro. O evento ocorreu nas quatro unidades da concessionária Mosena, no Mato Grosso do Sul, e ofereceu aos cerca de 300 visitantes test drive, descontos especiais para tratores, colheitadeiras e implementos para plantio. O trator MF 6713R Dyna-4 (135cv), lançado este ano, estava disponível para test drive. O visitante teve a oportunidade de conferir de perto diferenciais como piloto automático, sistema de transmissão que efetua as trocas de marchas automaticamente, além da cabine projetada para oferecer mais ergonomia e espaço para movimentação.
Novas pás carregadeiras
Produtores rurais, agropecuaristas e cerealistas, além de empresários da construção pesada, foram os principais convidados da concessionária Tork para o lançamento das novas pás carregadeiras da Case Construction Equiment: a W20F e a 621E. Os eventos aconteceram nos dia 12 e 14 de dezembro, em Primavera do Leste (MT) e Pontes Lacerda (MT), respectivamente. O diretor da Tork, Renato Nucci, falou sobre a importância do segmento no mercado atualmente na região. “Há um crescimento constante pela recuperação de áreas degradadas e utilização de novas áreas, que favorecem o agronegócio”, explicou. As novas pás carregadeiras Case têm variadas aplicações no agronegócio, como abertura e limpeza de área para formação de pastagem, e preparo para a agricultura e movimentação de grãos dentro e fora de armazéns.
TRATORES Fotos Renata Fernandes de Queiroz
Arranjo mais adequado
O arranjo espacial das culturas não interfere apenas na quantidade de plantas distribuídas em cada área, mas tem relação direta com as configurações das máquinas e dos equipamentos utilizados pelo produtor
O
arranjo espacial das culturas é um dos aspectos agronômicos que podem influenciar diretamente na produtividade final da cultura. Esse arranjo espacial consiste no adequado número e distribuição de plantas por área. Os tratos culturais que envolvem o espaçamento entre as fileiras de plantas e o número de plantas por fileira interferem na disponibilidade de radiação solar e consequentemente no potencial de produção e fitomassa. Esse maior adensamento das culturas, ou seja, um maior número de plantas por área, modificou o arranjo espacial das mesmas. No caso da cultura do milho, que anteriormente era cultivado espaçado cerca de 80cm a 1m entre fileiras, hoje, em sua maioria, é cultivado com espaçamento de 45cm
entre fileiras. Alguns pesquisadores atribuem isso a híbridos mais produtivos e tolerantes ao estresse hídrico e nutricional, além de melhores tecnologias empregadas no controle de plantas invasoras, pragas, doenças e na utilização de adubos e corretivos de solo. Pesquisas mostram que tanto os espaçamentos de 45cm como o de 90cm podem ser interessantes para o milho. O que vai ser fundamental para a escolha correta do arranjo, visando uma boa produtividade, serão o tipo de híbrido utilizado, as condições de solo e as condições climáticas da região (Dourado Neto et al, 2003; Farinelli, Penariol e Fornasieri Filho, 2012). O que poucos falam ou se interessam em colocar como fator importante na adoção de um novo arranjo espacial
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para uma cultura são as configurações das máquinas e dos equipamentos utilizados em campo quando há uma mudança no arranjo espacial de plantas. Essas mudanças no espaçamento e na densidade de semeadura interferem diretamente na configuração e nas regulagens de máquinas e equipamentos utilizados na agricultura, principalmente em semeadura, plantio ou transplantio e colheita. Bertolini et al (2012) afirmaram que o número de linhas de semeadura utilizadas em uma semeadora-adubadora interfere diretamente na demanda tratória do conjunto mecanizado, aumentando a força e a potência requerida pelo trator na medida em que o espaçamento entre linhas diminui e o número de unidades de semeadura aumenta.
Em contrapartida, Casão Júnior, Araújo & Ralisch, (2000) afirmaram que a quantidade de sementes por hectare e a quantidade de sementes por metro podem influenciar na velocidade angular do disco dosador de sementes, interferindo na qualidade inicial do processo de semeadura do milho, ou seja, para uma mesma população de plantas em uma determinada área, se for adotado um menor espaçamento entre linhas deverá ser adotado maior número de unidades de semeadura na semeadora, podendo demandar mais força e potência do trator. No mesmo caso, se forem adotados espaçamentos maiores entre fileiras de plantas, haverá uma quantidade maior de plantas na linha, aumentando a velocidade de rotação do disco dosador de sementes, podendo ocasionar desuniformidade no espaçamento entre plantas. Com o intuito de verificar as possíveis consequências do arranjo espacial na cultura do milho em sistema plantio direto em uma área experimental da Unesp/Jaboticabal (SP), com solo classificado como Latossolo Vermelho Eutroférrico Típico e textura argilosa, foi instalado um experimento avaliando o desempenho operacional de um conjunto mecanizado trator semeadora-adubadora em dois espaçamentos (45cm e 90cm), para ambos os espaçamentos a população do milho híbrido, Powercore cultivar 2B710PW, foi de 60 mil plantas/ha visando um
Semeadora configurada com sete linhas de 45cm. Para a semeadura do milho com 90cm as linhas com seta vermelha são desativadas
espaçamento entre plantas de 2,7 plantas por metro e 5,4 plantas por metro, respectivamente. Foi utilizado trator (4x2 TDA) com potência máxima de 91,9kW (125cv) no motor, na rotação de 1.950rpm, trabalhando na marcha L3. Massa de 7.000kg (40% dianteira e 60% traseira) calculada para operações médias, com relação de 56kg/cv, pneus dianteiros de 14.9-24 R1, com pressão de inflação de 18psi (124kPa), pneus traseiros de 18.4-34 R1, com pressão de inflação de 22psi (152kPa). Semeadora-adubadora de arrasto, com disco pneumático de dosagem de sementes, distribuidor helicoidal de fertilizante, configurado para semeadura direta com disco de corte
frontal de 18”, sulcador do tipo haste trabalhando na profundidade de 14cm e regulado para deposição do adubo a 8cm, discos duplos desencontrados de 15” para deposição das sementes a 5cm de profundidade e rodas compactadoras em “V”, configuradas para sete linhas espaçadas por 45cm e quatro fileiras espaçadas por 90cm para semeadura de milho. A patinagem dos rodados do trator foi determinada por meio do número de voltas dos rodados dianteiro e traseiro, com a finalidade de avaliar a adequação da semeadora nas duas configurações (45cm e 90cm) ao trator. Foi constatado, por meio de cartas de controle, que a patinagem do rodado
Figura 1 - Cartas de controle de valores individuais para patinagem do rodado traseiro Figura 2 - Cartas de controle de valores individuais para patinagem dos rodados do trator em % dianteiros em %
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traseiro do trator obteve, para ambos os espaçamentos, valores abaixo dos aceitáveis considerando a Asae (1997), que recomenda para obtenção de máxima eficiência de tração, patinagem de 11%-13% em solos mobilizados ou cultivados (Figura 1). Pode-se observar que na carta com espaçamento de 45cm os pontos de patinagem encontram-se mais uniformes, porém com valores sempre abaixo de 10%. Para os valores de patinagem do rodado dianteiro percebe-se uma variabilidade no processo para os valores encontrados no espaçamento de 45cm (Figura 2). As linhas vermelhas da carta de controle indicam os limites de controle dos dados analisados, quanto menor a diferença do limite superior para o inferior, maior é a uniformidade dos dados, indicando que os dados do espaçamento de 90cm possuem maior uniformidade em comparação à patinagem dos rodados dianteiros no espaçamento de 45cm. A força na barra de tração foi mensurada por meio da célula de carga M. Shimizu, modelo TF400, com capacidade para 100kN e precisão de 10N com suporte de sustentação e um Micrologger CR23X da Campbell Scientific para armazenar dados de força e velocidade. Os valores da Figura 3 apresentam de forma clara o comportamento da força requerida na barra de tração do trator quando há uma mudança na configuração do espaçamento entre linhas. A média da força requerida no
Renata Fernandes de Queiroz
Figura 3 - Cartas de controle de valores individuais para Força em kN
espaçamento de 90cm (linha verde) ficou bem abaixo da média da força de tração no espaçamento de 45cm, quase em seu limite inferior. Os valores de potência média na barra de tração obtiveram diferença entre os espaçamentos estudados, com valores mais elevados para o espaçamento de 45cm entre linhas de milho, apresentando um ponto fora de controle. Tal resultado pode estar diretamente relacionado ao maior número de linhas de semeadura utilizadas neste espaçamento e consequentemente ao maior número de órgãos ativos da semeadora-adubadora em contato com o solo, Figura 4. Estudos com desempenhos operacionais de máquinas agrícolas demonstram, de uma maneira geral, que o aumento da demanda tratória dos equipamentos resulta no aumento do consumo de combustível da máquina
e consequentemente em grande parte dos custos da operação mecanizada, tendo em vista que o combustível é responsável por uma grande parcela do mesmo. Esses dados são muito importantes para ajudar o produtor a optar pelo arranjo espacial que mais se adapte às suas necessidades. Tendo em vista que os parâmetros operacionais não devem ser os únicos fatores a serem considerados, mas podem ser determinantes, principalmente quando não há uma diferença significativa na produtividade da cultura em diferentes arranjos .M espaciais. Renata Fernandes de Queiroz, Leonardo Bernache, André Ferreira Damasceno, Franciele Morlin Carneiro e Carlos Eduardo Angeli Furlani, Unesp/FCAV Carlos Alessandro Chioderoli, Univ. Federal do Ceará/UFC
O estudo avaliou o desempenho operacional de um conjunto trator/semeadora no plantio de milho em espaçamentos de 45cm e 90cm
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Figura 4 - Cartas de controle de valores individuais para Potência em kW
MECANIZAÇÃO
Linha descompactada A subsolagem em lavouras cafeeiras recém-instaladas é muito importante para descompactar o solo duramente castigado pelo grande tráfego de máquinas durante o preparo e o plantio de mudas desenvolvimento é importante implementar práticas de manejo no solo que minimizem este efeito. Vários inconvenientes são acarretados diante de um solo compactado. Como exemplos, podemos citar a menor capacidade de infiltração e armazenamento de água, redução da macroporosidade e aeração, menor disponibilidade de nutrientes às plantas e aumento da resistência mecânica ao crescimento radicular, tornando seu crescimento superficial e com má-formação. A subsolagem é uma alternativa para minimizar a compactação e melhorar as condições físicas dos solos, sendo utilizada principalmente quando o adensamento ou a compactação atingem camadas mais profundas. Neste sentido, para avaliar seus efeitos após a implantação do cafeeiro, foi conduzido um estudo na fazenda São Francisco, na região do Alto Paranaíba (MG),
cujo objetivo foi avalizar os efeitos da subsolagem após a implantação do cafeeiro como método estratégico para reduzir a compactação do solo na linha de projeção do rodado. O solo da região é classificado como Latossolo Vermelho Amarelo Distrófico típico, com textura argilosa. O clima é classificado como Cwb, de acordo Köppen, caracterizado pela presença de duas estações bem definidas, com precipitação pluviométrica média de 1.600mm/ano.
TESTES NO CAMPO
Foram realizadas dez operações mecanizadas até a instalação da lavoura. Para tal, utilizou-se o mesmo trator ajustado com bitola de 1,20m. Primeiramente, utilizou-se o sulcador a 0,20m de profundidade para delinear a linha de plantio, espaçadas em 3,80m entre linha. Em seguida, empregou-se o subsolador na linha de plantio a 0,60cm de profundidade para descompactar o solo. Logo após, utilizou-se
Agrale
A
pesar de a mecanização agrícola ser uma alternativa muito interessante para produtores, ela deve ser implementada adequadamente, pois caso contrário, no decorrer dos anos, o investimento desta tecnologia poderá onerar custos e não ser tão rentável quanto o esperado. Isto porque a movimentação constante de máquinas e implementos agrícolas pode alterar a estrutura física dos solos e comprometer a produtividade das lavouras. A passagem das máquinas e seus implementos na implantação da lavoura cafeeira restringe-se às faixas entre a linha de plantio e sobre ela. Dessa maneira, o tráfego ocorre sempre no mesmo local, contribuindo para o aumento da densidade do solo, tornando-o consequentemente compactado. Este espaço próximo à saia do cafeeiro é a região onde a maioria das raízes ativas da cultura se encontra e para que o efeito da compactação não prejudique seu
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Fotos Mariana Cecília Melo
As avaliações mostraram que a camada subsuperficial de solo estava compactada por gradagens sucessivas
novamente o sulcador à profundidade de 0,40m para retirar a terra do sulco. Após a abertura dos sulcos, realizaram-se ao todo três passadas com o trator para aplicação de calcário, fósforo e composto orgânico. Os produtos aplicados no sulco foram misturados com o uso do subsolador, seguido por duas passagens da grade niveladora (1,2m de largura de ataque e 0,1m de profundidade). Posteriormente, foi realizada a última passada com o trator para transplantio das mudas. As mudas de café foram transplantadas quando se encontravam com dois a três pares de folhas, utilizando-se a cultivar Catuaí Vermelho IAC 144. O plantio foi semimecanizado, com o trator passando sobre a linha de plantio, onde as mudas foram distribuídas a cada 0,65m (espaçamento entre plantas), totalizando stand em torno de 4.049 plantas por hectare. Para a realização da subsolagem após o transplantio das mudas foram retiradas as três hastes da frente, restando somente as duas hastes traseiras, espaçadas a 1,2m de distância. O subsolador foi regulado para atingir a profundidade de 40cm. O experimento foi delineado ao acaso, com dois tratamentos e sete repetições. Os tratamentos foram: manejo adotado na fazenda sem a realização da subsolagem (controle) e com subsolagem realizada somente nas linhas de projeção do rodado do trator, após a implantação do cafeeiro. O controle foi representado pelas dez passagens dos equipamentos sobre a linha de plantio, com a linha de projeção do rodado a 60cm de distância do cafeeiro. Para avaliação, as parcelas foram subdivididas,
sendo realizadas na linha de plantio, linha de projeção do rodado e entre linha em seis profundidades: 0cm a 10cm; 10cm a 20cm; 20cm a 30cm; 30cm a 40cm; 40cm a 50cm e 50cm a 60cm. A variável avaliada foi a resistência mecânica do solo à penetração (RMSP), a qual foi determinada antes da subsolagem e um mês após sua realização. Utilizou-se para esta avaliação um penetrômetro de impacto modelo IAA/Planalsucar-Stolf, sendo os resultados fornecidos em “impactos/dm” e transformados em MPa. Durante a avaliação da resistência à penetração, foram coletadas amostras de solo para determinação da umidade pelo método gravimétrico. Os dados foram submetidos à análise de variância, e as médias de resistência à penetração do solo nas profundidades foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. A resistência mecânica do solo à penetração (RMSP) foi o parâmetro de avaliação da compactação do solo neste estudo. Pode-se verificar na Tabela 1 que os tratamentos foram dependentes da profundidade e não variaram em relação ao local de avaliação dentro do cafeeiro. Observa-se maior RMSP apenas na camada de 20cm a 30cm no tratamento controle, quando comparado à área subsolada, sugerindo que o local é mais compactado devido ao número de operações mecanizadas e que a subsolagem teve efeito positivo na descompactação do solo. Observando-se os resultados do tratamento controle (Tabela 1) nas profundidades de 0cm a 10cm, 10cm a 20cm e 20cm a 30cm pode-se verificar menor RMSP até 20cm. Este fato pode
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estar ligado ao grande revolvimento do solo até esta camada, promovido pelos órgãos ativos dos equipamentos utilizados. Pode-se inferir ainda que os efeitos de carga dos equipamentos afetaram a RMSP até a profundidade de 5cm e que este parâmetro é diluído com o aumento da profundidade do solo, como sugere Gamero & Benez (1990). O efeito dos locais avaliados na área do cafeeiro mostrou-se dependente da profundidade do solo. Podem ser observados menores valores da RMSP na linha do cafeeiro quando comparado com os demais locais dentro de cada profundidade (Tabela 2). A baixa RMSP encontrada na linha é explicada pela formação do sulco de plantio, a qual foi aberta com duas mobilizações do sulcador mais uma subsolagem até a profundidade de 6cm para descompactação do fundo do sulco de plantio, melhorando as condições físicas do solo deste local. Na entre linha, os menores valores de RMSP foram observados nas últimas camadas do solo, sugerindo que nessas camadas o solo ainda se encontra sem alteração de sua estrutura. Verifica-se que a compactação do solo na linha de projeção do rodado foi maior na profundidade de 10cm a 20cm em relação à linha de plantio, região onde, futuramente, estará desenvolvida a projeção da copa do cafeeiro e onde as raízes irão se desenvolver. Com isso, é possível que as plantas gastem mais energia para se desenvolverem nessa região e, consequentemente, apresentem produtividades aquém das esperadas. Pode-se observar por meio da Tabela 3 que a umidade diferiu significativamente em função do manejo adotado ao longo da profundidade. Porém, em relação ao tratamento controle e subsolado, somente foram observadas diferenças na profundidade de 40cm. Este fato pode ser justificado devido à regulagem do subsolador, uma vez que sua profundidade para o manejo foi justamente até o ponto de 40cm. Sabe-se que a RMSP tem relação inversa com a umidade do solo, ou seja, a RMSP aumenta à medida que a
quantidade de água no solo diminui. Comparando-se os dados de umidade na Tabela 3 com os dados da RMSP na Tabela 1 pode-se observar que o manejo subsolado reduziu a RMSP na camada de 20cm a 30cm, enquanto que a umidade do solo não diferenciou estatisticamente do manejo controle. Assim, é possível afirmar que o manejo do solo subsolado, após a implantação do cafeeiro, reduziu sua compactação nesta profundidade em detrimento da umidade do solo. Pela Tabela 4 pode-se verificar que houve efeito dos locais avaliados na área do cafeeiro quanto à umidade do solo ao longo da profundidade. Observa-se maior umidade na entre linha e menor na linha do cafeeiro nas camadas superficiais. O que pode ter colaborado para tal resultado é o manejo de plantas daninhas adotado, pois, na entre linha, é mantida a vegetação espontânea, controlada com herbicidas e roçadora. Na linha do cafeeiro verificam-se resultados com menores teores de água no solo. Neste local, a exposição do solo à radiação solar é maior, possibilitando que sua temperatura e evapotranspiração aumentem, diminuindo a umidade perante os outros locais avaliados. Na área sob a projeção do rodado do trator, tal fato pode ser explicado pelo aumento da coesão das partículas, o que leva ao aumento da compactação do solo neste local, reduzindo a infiltração de água, crescimento radicular e, consequentemente, menor teor de água no solo. Portanto, diante dos resultados deste trabalho, pode-se concluir que a
subsolagem respondeu positivamente quanto à descompactação do solo, podendo ser utilizada como método estratégico de descompactação na linha de projeção do rodado após implanta.M ção do cafeeiro.
Penetrômetro de impacto modelo IAA/Planalsucar-Stolf
Unidade experimental na área onde se instalou a cultura do café
Tabela 1 - Interação entre o manejo e a profundidade do solo antes (controle) e após subsolagem em lavoura de café recém-implantada Profundidade ----- m ----0,0-0,10 0,10-0,20 0,20-0,30 0,30-0,40 0,40-0,50 0,50-0,60 Fc
Manejo do Solo Subsolado Controle --- MPa --1,56 abA 1,65 bcA 1,65 abA 1,55 cA 1,56 bB 1,94 aA 1,78 abA 1,86 abA 1,85 aA 1,84 abcA 1,71 abA 1,57 cA 2,67* 5,47**
Fc 0,75ns 1,28ns 12,63** 0,68ns 0,02ns 2,11ns
Tabela 2 - Resistência mecânica à penetração observada nas profundidades de 0m a 0,60m em lavoura de café recém-plantada, em três locais dentro da lavoura Profundidade Local na área do cafeeiro ----- m ----- Linha Rodado Entre Linha Fc --- MPa --0,0-0,10 1,22 bC 1,64 bB 1,96 bcA 18,57** 0,10-0,20 0,31 dB 2,14 aA 2,36 aA 194,71** 0,20-0,30 0,83 cB 2,13 aA 2,29 abaA 73,28** 0,30-0,40 1,22 bB 2,05 aA 2,19 abcA 36,48** 0,40-0,50 1,65 aB 1,98 abA 1,90cdAB 3,94* 0,50-0,60 1,48 abB 1,84 abA 1,61 dAB 4,34* Fc 33,76** 4,98** 10,88**
As médias seguidas de letras iguais minúsculas na coluna e letras iguais maiúsculas na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. ns: não significativo (P>0,05); *significativo (P≤0,05); **significativo (P≤0,01). Fc: resultado do Teste F.
As médias seguidas de letras iguais minúsculas na coluna e letras iguais maiúsculas na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. ns: não significativo (P>0,05); *significativo (P≤0,05); **significativo (P≤0,01). Fc: resultado do Teste F.
Tabela 3 - Interação entre o manejo do solo e profundidades para a umidade do solo em lavoura de café recém-plantada
Tabela 4 - Umidade do solo avaliada na linha, projeção do rodado e entre linha ao longo das profundidades de 0m a 0,60m em lavoura de café recém-plantada
Profundidade ----- m ----0,0-0,10 0,10-0,20 0,20-0,30 0,30-0,40 0,40-0,50 0,50-0,60 Fc
Manejo do Solo Controle Subsolado --- % --26,86 abA 27,03 aA 26,18 bA 25,75 cA 26,52 bcA 26,19 bA 26,82 abA 26,75 abA 27,46 aA 26,49 abB 26,93 abA 26,42 abA 2,83* 9,09**
Fc 0,34ns 2,81ns 1,18ns 0,06ns 12,21** 3,47ns
As médias seguidas de letras iguais minúsculas na coluna e letras iguais maiúsculas na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. ns: não significativo (P>0,05); *significativo (P≤0,05); **significativo (P≤0,01). Fc: resultado do Teste F.
Profundidade Local na área do cafeeiro ----- m ----- Linha Rodado Entre Linha --- % --0,0-0,10 24,69 bC 27,04 aB 29,10 aA 0,10-0,20 24,79 bC 25,88 cB 27,22 bA 0,20-0,30 25,59 abB 26,00 bcB 27,48 bA 0,30-0,40 26,36 aB 26,33 abcB 27,67 bA 0,40-0,50 26,49 aB 26,97 abAB 27,47 bA 0,50-0,60 26,31 aB 26,36 abcB 27,36 bA Fc 11,85** 4,12** 8,47**
Fc 84,60** 29,42** 14,86** 10,18** 4,13* 6,08**
As médias seguidas de letras iguais minúsculas na coluna e letras iguais maiúsculas na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. ns: não significativo (P>0,05); *significativo (P≤0,05); **significativo (P≤0,01). Fc: resultado do Teste F.
Mariana Cecília Melo, Alberto Carvalho Filho, Renato Adriane Alves Ruas, Luis César Dias Drumond, Eduardo Willian Lopes e Liliane Evangelista Visotto, Universidade Federal de Viçosa
Subsolagem nas linhas de projeção dos rodados após a implantação do café
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Fotos Charles Echer
PULVERIZAÇÃO
Melhor configuração
Dentre os diversos fatores necessários para se ter uma aplicação de defensivos agrícolas mais eficiente e segura, a altura e a distância entre bicos têm se mostrado importantes para que o coeficiente de variação de calda esteja dentro dos limites estabelecidos e apresente boa uniformidade na distribuição
P
ensando em diminuir os riscos de intoxicação e contaminação do meio ambiente, a aplicação de defensivos agrícolas caminhou na busca de tecnologias que permitam aplicações mais seguras e rentáveis. Nas décadas passadas, a pulverização era feita molhando-se a cultura e consequentemente gastando grandes volumes de calda e ainda permitindo que ocorressem maiores riscos de contaminação ambiental. Atualmente, há a preocupação com o volume de calda aplicada. Essa nova mentalidade propicia maior autonomia e capacidade operacional do pulverizador, maior eficiência na aplicação e consequentemente diminui os custos (Cunha et al, 2006). Maior eficiência na aplicação de de-
fensivos agrícolas diminui o desperdício dos produtos, o risco de contaminação ambiental e os custos de produção. Visando a eficiência da aplicação dos defensivos agrícolas, o ideal é que a quantidade correta de calda chegue ao alvo e para que isso ocorra existem alguns parâmetros que podem ser variados, como a pressão de trabalho, a ponta utilizada, a altura da barra de pulverização e a distância entre bicos. Para avaliar a uniformidade de aplicação da calda é utilizado o coeficiente de variação determinado em função da distância entre bicos e da altura da barra de pulverização. A comunidade europeia estabelece que o valor máximo do coeficiente de variação, para uma boa uniformidade de distribuição é 7% (trabalhando em
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laboratório e nas condições solicitadas pelo fabricante). As pontas hidráulicas possuem características próprias de distribuição da calda, que vai depender das condições de trabalho e das condições ambientais. O fabricante indica o coeficiente de variação para condições preestabelecidas, sendo necessário estudar as pontas em diferentes conformações para se determinar qual a melhor combinação de condições que nos fornece uma pulverização mais eficiente e com segurança ambiental. Por isso, foi realizado um trabalho para determinar a uniformidade de distribuição de uma ponta hidráulica em função da altura da barra de pulverização e da distância entre bicos. Os ensaios foram realizados no Laboratório de Mecanização Agrícola
do Departamento de Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Viçosa. Para determinação da uniformidade de distribuição foi determinado o perfil de distribuição da ponta hidráulica AXI 110 03 de cerâmica (azul) da marca Jacto, vazão de 1,2L/mim em bancada de ensaio construída conforme a norma ISO 5682/1. A bancada de ensaio é formada por canaletas espaçadas de 5cm que coletam os volumes pulverizados e canalizam para provetas graduadas com capacidade de 20ml. A pressão hidráulica é fornecida por uma bomba de pistão com vazão de 20L/mim e uma pressão de até 0,5MPa. A pressão foi medida por meio de um manômetro com o ponteiro imerso em glicerina. Foi utilizada a ponta hidráulica AXI 110 03 de cerâmica, pulverizando a 3bar de pressão por 60 segundos, a três alturas da barra porta-bicos, 40cm, 50cm e 60cm. O cálculo do coeficiente de variação (CV) foi realizado simulando três distâncias entre bicos (40cm, 50cm e 60cm). Para a altura de barra de pulverização de 40cm observou-se que o maior CV foi de 26% (Tabela 1) encontrado quando a distância entre bicos foi de 50cm. O menor CV, 6,62%, foi determinado quando a distância aumentou para 60cm. Esse foi o único CV que apresentou valor abaixo de 7% estando dentro do limite estabelecido pela norma europeia UNE-EM 12761:2 (2002). Quando se trabalhou com altura de barra de pulverização de 50cm, observou-se que à medida que a distância entre bicos aumenta, o valor do CV diminui. Neste caso, o valor do CV passou de 26,83% para 12,34% quando a distância entre bicos passou de 40cm para 60cm, respectivamente. O mesmo ocorre com a altura da barra de pulverização de 60cm. O CV passou de 27,90% para 8,84% quando a distância entre bicos variou de 40cm para 60cm. Freitas et al (2005), pulverizando a 300kPa e altura da barra de 30cm, 40cm e 50cm encontraram valores de CV abaixo de 7% utilizando espaçamento entre bicos de 50cm, 1m e 1,20m.
Tabela 1 - Coeficientes de variação (%) em função da distância entre bicos e da altura da barra de pulverização Altura da barra de pulverização (m) Distância entre bicos (m)
Bancada de ensaios segundo a norma ISO 5682/1
Avaliando a melhor distribuição de pulverização em função do espaçamento entre bicos e da altura da barra de pulverização, Bauer e Raetano (2004) observaram que a uniformidade de distribuição é menos influenciada pela altura da barra de pulverização quando o espaçamento entre bicos é menor. Corroborando os resultados do presente trabalho, já que quando a distância entre bicos foi de 40cm os valores do CV variaram pouco. Os valores do CV passaram de 24,16%, a 40cm para 27,90%, a 60cm de altura da barra de pulverização. Já quando aumentamos a distância entre bicos para 50cm, observamos que a variação do CV, com o aumento da altura da barra de pulverização, aumentou, variando
0,40 0,50 0,60
0,40 24.16 26.00 6.62
0,50 26.83 19.63 12.34
0,60 27.90 15.13 8.84
de 26% para 15,13% para alturas da barra de pulverização de 40cm e 60cm, respectivamente. Para a ponta hidráulica utilizada AXI 110 03 de cerâmica da marca Jacto AXI, trabalhando a 3bar de pressão, a pulverização teria uma boa uniformidade de distribuição utilizando altura da barra de 40cm e distância entre bicos de 60cm, pois essa conformação foi a única a apresentar valores de CV abaixo do limite definido pela União Europeia. As demais conformações apresentaram CVs superiores a 7%, apresentando baixa uniformidade de distribuição, não sendo recomendado para essa ponta utilizando esta pressão .M de trabalho. Juliana Pinheiro Dadalto, Mauri M. Teixeira, Haroldo C. Fernandes, Remo M. F. Silva e Diego Weslly F. do N. Santos, UFV
Com altura de barra de pulverização de 0,50m observa-se que à medida que a distância entre bicos aumenta o valor do coeficiente de variação diminui
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John Deere
SEMEADORAS
Desenho ideal
A eficiência operacional na semeadura do arroz irrigado está diretamente ligada ao formato dos talhões e ao número de manobras realizadas nas entradas e saídas de linha
O
arroz é um dos alimentos mais consumidos no mundo e destaca-se como uma das principais fontes de renda da fronteira oeste do Rio Grande do Sul, caracterizando-se por ser uma cultura muito exigente em relação ao clima. Contudo, quando cultivado na época recomendada, encontra condições favoráveis de clima para atingir altas produtividades. Em função das condições do clima cada vez mais inconstantes, as operações realizadas têm menor tempo para
serem executadas, às quais dependem de um planejamento eficiente, para que ocorram na janela prevista. A partir de um bom planejamento, o produtor poderá fazer o máximo uso dos seus equipamentos, tendo assim a diluição do seu custo num intervalo reduzido de tempo. Neste contexto, o planejamento da utilização dos equipamentos agrícolas é uma ferramenta importante que auxilia no gerenciamento da propriedade. O planejamento da mecanização
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agrícola em uma propriedade é de extrema importância, pois nele estão dispostas todas as atividades a serem realizadas e o período que as mesmas necessitam para serem executadas. Com isso, é possível fazer o dimensionamento dos equipamentos de acordo com a necessidade exigida, na qual é necessário saber a eficiência operacional de cada equipamento para calcular sua máxima capacidade de campo operacional, reduzindo gastos excessivos com equipamentos desnecessários.
Jefferson Sandi
esses estágios de acordo com a época mais recomendada para a ocorrência de cada um deles. Com isso, deve-se ter um grande cuidado para que a semeadura seja executada de maneira correta e no período recomendado para a cultura. Neste contexto, pesquisadores do Rio Grande do Sul conduziram um trabalho a campo com os objetivos de determinar a eficiência operacional na semeadura de arroz irrigado em diferentes relações de largura pelo comprimento de uma mesma extensão de área e apontar a capacidade operacional na semeadura do arroz irrigado em diferentes formatos e extensões de talhão.
A eficiência é um dos fatores mais importantes a se conhecer de um equipamento agrícola, pois é a capacidade total de trabalho efetivo que o mesmo vai conseguir exercer em uma jornada de trabalho. As semeadoras possuem baixa eficiência de trabalho, porém, desempenham a etapa mais importante da cultura do arroz irrigado, que é a semeadura. Ela que determina as demais fases da cultura, a época da emergência, do florescimento, da maturação, podendo através dela definir
Alcione Brutti Dallaporte
NO CAMPO
O trabalho foi realizado no município de Alegrete (RS), em uma propriedade que conta com uma área de 700 hectares (ha), sendo uma parcela de 170ha destinados para a produção de arroz irrigado e o restante destinado para a criação de bovinos e ovinos de corte. A atividade orizícola contribui significativamente para o desempenho econômico-financeiro da propriedade, respondendo com uma produtividade média de 8.895,78kg/ha (177,91 sacos/ ha) no ano agrícola 2014/15. Foi utilizado um conjunto composto por um trator da marca Massey Ferguson, modelo 299 TDA, com 130cv de potência e uma semeadora-adubadora de fluxo contínuo da marca Semeato, modelo TDNG 320, composta de 20 linhas de semeadura com espaçamento de 0,17 metro (m) entre linhas, sendo
o sistema de distribuição de sementes do tipo rotor acanalado helicoidal e autonomia calculada, de acordo com a regulagem, em três hectares. Para a coleta de dados foi utilizado o aparelho celular iPhone 5C equipado com aplicativo Planimeter GPS Area Measure e plano de dados de internet móvel, estando a uma distância de aproximadamente 16km da antena de telefonia da operadora vivo, obtendo um nível de sinal moderado 2G (Anatel, 2017). O aparelho celular foi fixado no centro da semeadora-adubadora, para demarcar o trajeto, também fazendo o uso do mesmo para a medição das áreas experimentais. Em trabalho realizado por Lopes (2017), utilizando o referido aplicativo, o autor alcançou precisões mínimas acima dos 98% em área total comparada, validando o uso dos smartphones avaliados como ferramenta para coleta de dados planimétricos em diversas atividades agrícolas do dia a dia do agricultor. No experimento 1 os tratamentos foram compostos por diferentes relações entre a largura e o comprimento dos talhões de semeadura. Foram demarcadas parcelas de semeadura com área de 1 hectare cada, com diferentes relações entre largura e comprimento, sendo cinco tratamentos, realizando três repetições cada, conforme mostrado na Tabela 1. No experimento 2, foi realizada a determinação da eficiência operacional da semeadura de arroz irrigado em talhões aleatórios dispostos no campo,
A semeadura do arroz irrigado deve ser executada de maneira correta e no período recomendado para a cultura
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Figura 2 - Layout das áreas que compuseram os tratamentos do Experimento 2
onde não houve intervenção na escolha do talhão, obtendo, assim, formatos de áreas a serem semeadas diferentes entre si, possibilitando a análise da eficiência entre estes. Primeiramente, foram definidas cinco áreas aleatórias e então realizado o levantamento planimétrico das mesmas para aferição de suas respectivas áreas em hectares (Figura 2). Posteriormente, foi realizada a semeadura com a cronometragem do tempo gasto para realizar a operação nas áreas, descontando os tempos perdidos por manobras e afins. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso. Em cada parcela foram calculadas a capacidade de campo teórica, a capacidade operacional efetiva e a eficiência operacional conforme Grisso et al (2004). Os resultados foram expressos em gráficos de dispersão e Tabelas para melhor visualização dos dados.
RESULTADOS OBTIDOS
A velocidade média de operação obtida foi de 7,16km/h e uma largura de
Fotos Alcione Brutti Dallaporte
Figura 1 - Trajetória utilizada na semeadura da parcela medindo 100 x 100 metros
trabalho da semeadora-adubadora de 3,4m. Após a obtenção desses dados foi determinada a capacidade operacional teórica da semeadura, resultando em 2,43ha/h. Ao cronometrar o tempo durante a semeadura, após cada repetição realizada, obtiveram-se tempos médios para cada tratamento, como podemos observar na Tabela 2. De posse da área semeada, de 1ha por parcela e do tempo em horas para a realização da semeadura, pode-se calcular a capacidade operacional efetiva nos tratamentos. Como se pode observar na Tabela 2, os valores obtidos variaram de 1,46ha/h a 1,91ha/h dentre os experimentos realizados. Com a obtenção da capacidade operacional teórica e efetiva, foi calculada a eficiência operacional dos tratamentos. Conforme mostra a Figura 3, quanto menor a relação da largura do talhão pelo comprimento há um decréscimo
O trabalho realizado procurou avaliar a eficiência da operação de semeadura do arroz irrigado em diferentes traçados
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na eficiência operacional da semeadora, tendo na relação 1:1 a menor média, chegando a apenas 59,88%. No entanto, na relação largura x comprimento de 1:25, a maior realizada no experimento, encontrou-se um valor médio de eficiência operacional igual a 78,48%. Na comparação entre os dois tratamentos extremos, foi observada diferença de 18,60% no valor absoluto, o que representa um incremento de 24% na eficiência operacional. Como os talhões são relativamente pequenos, quando considerada a capacidade dos reservatórios da semeadora, o fator que mais afetou a eficiência operacional foi efetivamente o número de manobras realizadas para cada talhão. Tais valores corroboram as informações trazidas por Araldi (2011), que comenta que talhões mais longos e mais estreitos têm incremento na eficiência operacional pela menor necessidade
Figura 3 - Eficiência operacional nos respectivos tratamentos: T1= 1:25; T2= 1:16; T3= 1:9; T4= 1:4; T5= 1:1
Tabela 1 - Dimensões predefinidas das parcelas experimentais dos tratamentos Tratamentos Comprimento (m) Largura (m) Relação Largura x Comprimento 20,00 1:25 T1 500 25,00 1:16 T2 400 33,33 1:9 T3 300 50,00 1:4 T4 200 100,00 1:1 T5 100 Tabela 2 - Tempo médio gasto para realização da semeadura em cada tratamento Capacidade operacional efetiva (ha/h) Tempo (Horas) 1,91 0,52 1,78 0,56 1,71 0,59 1,62 0,62 1,46 0,69
Tratamentos 1:25 1:16 1:9 1:4 1:1
de manobras. Na Tabela 3 são apresentados os dados referentes à determinação da eficiência operacional em cinco talhões aleatórios. A área variou de 0,46ha para o talhão 1 até 6,39ha para o talhão 5. Com base no tempo utilizado para realizar a semeadura em cada área, pode ser calculada a capacidade operacional efetiva, chegando a valores médios de 1,68ha/h a 1,88ha/h, como se pode observar na Tabela 3. A eficiência operacional para cada área variou entre 69,20% e 77,31%. Estes valores médios de eficiência operacional ficaram dentro dos valores encontrados no primeiro experimento. Ao observar os dados de eficiência operacional, pode-se verificar que não houve tendência clara de aumento ou redução da eficiência em função da área. Os talhões com áreas próximas a 0,5ha apresentaram eficiência operacional média muito próxima dos talhões de mais de quatro hectares. Desde modo, o experimento 2 vem ao encontro dos resultados obtidos no experimento 1,
Tabela 3 - Eficiência operacional na semeadura de arroz irrigado em quadros de formato aleatório Tratamento Área (ha) Tempo (h) Capacidade operacional efetiva (ha h-1) Eficiência Operacional (%) 76,53 0,25 1,86 1 0,46 77,31 0,27 1,88 2 0,50 72,54 2,42 1,76 3 4,26 73,65 2,42 1,79 4 4,34 69,20 3,80 1,68 5 6,39
mostrando que, para os tamanhos de talhão simulados, o fator preponderante é o formato, baseado na relação largura x comprimento.
CONCLUSÕES
Com base nos dados obtidos, é possível concluir que houve aumento da eficiência operacional com elevação da relação entre comprimento e largura do talhão. Conforme previsto, há um acréscimo na eficiência operacional com o aumento do comprimento do talhão.
Não foi observada relação entre o tamanho de talhões aleatórios e a eficiência operacional. O fator que mais contribui para a redução da eficiência no trabalho realizado foi a quantidade .M de manobras por hectare. Alcionei Brutti Dallaporta, Vilnei de Oliveira Dias, Tiago Gonçalves Lopes, Camila Aramburu Dalcin, Bruno Pilecco Bisognin e Rômulo Bock, Lamap – Unipampa
O cultivo do arroz irrigado exige diferentes preparos dependendo do tipo de terreno onde a cultura será implantada
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CAPA
Uniport 5030 NPK Com capacidade para 5.000kg de fertilizantes, o Uniport 5030 NPK, da Jacto, é um distribuidor autopropelido que traz um pacote tecnológico completo, além de características que proporcionam uma deposição rápida, eficaz e precisa
N
as páginas da Revista Cultivar Máquinas são comuns os testes de tratores e colhedoras, por isto mesmo são muito esperados e apreciados os ensaios com outros tipos de máquinas e implementos. Para esta edição realizamos um teste de campo com um Distribuidor da Jacto, modelo Uniport 5030 NPK. Por si só isto já provocaria o interesse da equipe de testes, mas quando o vimos, soubemos da história do seu desenvolvimento e o estágio atual da tecnologia aplicada, ficamos entusiasmados. O Uniport 5030 NPK é um veículo dotado de depósito com capacidade de 5.000kg, com um sistema distribuidor bastante desenvolvido, vários itens de tecnologia recente e do qual contaremos a história, explicaremos o funcionamento e analisaremos o desempenho nesta edição. O nome do modelo 5030 deriva da sua capacidade, onde 50 se refere aos 5.000kg, e o 30 busca uma identifica-
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ção e padronização com a família de pulverizadores automotrizes Uniport 2530, Uniport 3030 e Uniport 4530. Este produto da Jacto foi lançado na Agrishow, em maio de 2017, em Ribeirão Preto (SP), também fez parte dos lançamentos da marca na última Expointer, em Esteio (RS), no final de agosto, e ainda será exposto como lançamento no próximo Show Rural de Cascavel (PR) e na Expodireto, em Não-Me-Toque (RS) no início de 2018. Desta forma, a Jacto conclui a sua apresentação,
com o novo equipamento da marca, no circuito das grandes feiras. O Uniport 5030 NPK é um distribuidor de produtos diferenciado, voltado aos agricultores envolvidos com culturas anuais de grãos, devendo ter como principais mercados o nacional e o da América do Sul. Já há equipamentos vendidos para fora do País. Embora não haja indicativos de que a família de distribuidores autopropelidos venha a crescer com o lançamento de novos modelos, há uma forte tendência de que se amplie a linha com o lançamento de um distribuidor rebocado (carreta), com as mesmas funcionalidades deste autopropelido.
Fotos Charles Echer
O projeto é diferenciado e foi fruto de um desenvolvimento de dois anos e meio, tendo iniciado em 2015, com testes de campo e validação pela equipe própria do fabricante. Este equipamento é integralmente fabricado em Pompeia, no estado de São Paulo, na sua unidade fabril. A Jacto é um dos maiores fabricantes de pulverizadores e colhedoras de café do mundo, com aproximadamente 1.500 colaboradores, que completa 70 anos em 2018.
VEÍCULO
O veículo é muito semelhante ao pulverizador autopropelido fabricado pela Jacto, inclusive compartilhando vários componentes comuns. O chassi, formado por longarinas e travessas, não utiliza solda entre seus componentes, e sim rebites, que proporciona flexibilidade à estrutura e ao mesmo tempo evita quebras quando a estrutura/conjunto sofre maiores esforços no campo. O motor utilizado é da marca Cummins, modelo QSB, com volume total de 6,7 litros, com potência declarada pelo fabricante de 243cv. A injeção é eletrônica e quanto às emissões atende o padrão MAR-1, podendo-se utilizar diesel até o nível B20 como combustível. A transmissão de potência é do tipo hidrostático,
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Fotos Charles Echer
O motor utilizado no Uniport 5030 NPK é um Cummins, modelo QSB, eletrônico, com volume total de 6,7 litros, com potência de 243cv
com motores hidráulicos independentes nas quatro rodas, com redutores planetários. Há integração entre motor e transmissão, com o que o motor constantemente varia de rotação para entregar somente o torque e a rotação que as rodas precisam no momento, otimizando o consumo de combustível e mantendo a velocidade de deslocamento. Este fator é importante, principalmente quando se está trabalhando com taxa variável, em que a manutenção da velocidade é vital para a eficiência da prática. Esta integração se faz por meio de dois módulos de controle que atuam sobre a bomba hidráulica ao comando de
sinais recebidos de sensores diversos. Também são influenciados os motores hidráulicos das rodas, para auxiliar na aderência e no equilíbrio. Estes módulos atuam também sobre o motor do veículo, adequando a rotação ao torque necessário. O veículo é dotado de uma suspensão pneumática independente nas quatro rodas, com bolsas de ar conectadas a válvulas de controle automático de altura.
CABINE
A cabine tem grande conforto, com ar-condicionado digital, sendo a mesma utilizada no pulverizador Uniport
O depósito tem esteira de borracha que preenche todo o fundo e defletor para aliviar a pressão do produto
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2530. O acesso à cabine é feito por uma escada frontal, que é rebatida quando o equipamento é posto em movimento. Como era de se esperar em um equipamento distribuidor, e até por ser a mesma do pulverizador, a cabine é pressurizada. O assento possui amortecimento pneumático, com várias regulagens para adaptá-lo ao operador. Ao lado esquerdo do operador há um assento de acompanhante. A coluna da direção é ajustável em altura e distância ao operador. O comando multifunção está colocado ao alcance da mão direita do operador, sobre um console. Com ele é possível controlar a velocidade e o sentido de deslocamento. E através de interruptores acionáveis pelos dedos polegar e indicador, pode-se ligar e desligar a aplicação, ativar o sistema de controle de bordadura, controlar o piloto automático, quando estiver disponível, e outras funções configuráveis.
RODADOS
Os pneus são iguais em todas as rodas. Na versão standard são de perfil diagonal e como opcional o cliente pode adquirir o veículo com pneus de perfil radial, como era o caso do equipamento testado, com pneus da especificação IF340/85R38. O sistema de frenagem é integrado à transmissão, através dos motores hidráulicos. A bitola das rodas é ajustável, de 2,60 a 3,15 metros, sendo que a forma de ajuste manual é equipamento
As aletas ou pás de distribuição possuem diferentes tamanhos para uniformizar a distribuição dos produtos
Controles localizados no para-lamas facilitam a operação do hidráulico Visão dos discos (esq.) e detalhe da barra que regula o ângulo da bica (dir)
standard, enquanto o acionamento hidráulico é oferecido como opcional. É interessante esta variação de bitola para adaptação do equipamento aos diferentes espaçamentos das culturas e também aos dispositivos de transporte, como caminhões e carretas. A altura é constante, com vão livre de 1,50 metro. Com isto, se pode fazer tráfego controlado. A massa total com o depósito vazio é de 8.430kg.
SISTEMA DE DOSAGEM E DISTRIBUIÇÃO
O sistema de distribuição se inicia com o armazenamento do produto, em um depósito de 5.000kg, fabricado integralmente em aço inox. A massa de referência é de 5.000kg, mas depende da densidade do produto que será aplicado, sendo a referência o cloreto
de potássio; na ureia, cuja densidade é menor, o peso será também menor que 5.000kg. Para verificação do nível de produto no depósito existem duas opções: a primeira através de um pequeno visor de nível e a segunda por meio de uma câmara de vídeo, instalada dentro do depósito, que proporciona visualização da imagem diretamente no monitor posicionado no console lateral direito. No depósito de produto foi colocada uma esteira de borracha, que preenche toda a largura do fundo do depósito. O projeto previu um esticador na parte da frente e tambores que acionam a esteira em um formato de barrilete, para não permitir a movimentação lateral da esteira. Acima da esteira foi colocado um defletor para aliviar a pressão do pro-
duto sobre a mesma, e sobre este, uma grade para impedir a entrada de impurezas de grandes dimensões, produto empedrado e também como proteção aos operadores. Também são úteis como uma espécie de peneira que, com o movimento do veículo, provoca a segregação dos produtos empedrados. Na aplicação de produtos em pó, como calcário ou gesso, é recomendado retirar tanto a grade, como os defletores. Sobre o depósito há uma lona de cobertura que abre e fecha por meio de uma manivela, que aciona um sistema articulado de braços que abre e recolhe, recoloca e estica a lona. Se for necessário, ainda há um componente elástico com esticadores, para dar mais firmeza à lona. A vazão do produto que será distribuído é determinada pelo fluxo que será depositado sobre os discos distribuidores, que por sua vez depende da velocidade linear da esteira e da abertura de uma comporta. Há uma caixa
A lona de cobertura do depósito de fertilizantes abre e fecha por meio de uma manivela que agiliza e facilita o processo que é repetido a cada vez que ocorre carregamento do produto
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Fotos Charles Echer
O depósito de fertilizantes tem capacidade para 5.000kg de produtos sólidos e é fabricado integralmente em aço inox
de redução, colocada logo abaixo das comportas e da esteira, com duas faixas de velocidade. Quando é colocada na posição 1 a esteira girará mais rápido do que na posição 2. Os limites de vazão de produto dependem basicamente da sua forma e estado físico. O equipamento pode variar a dose dos granulados entre 50kg e 600kg por hectare. Produto em forma de pó pode ser aplicado até 6.000kg por hectare. Este distribuidor pode aplicar produtos em pó e em grão. É interessante dizer que o sistema de aplicação em taxa variável é standard neste equipamento. Para usá-lo, o produtor deverá previamente montar e inserir um mapa de prescrição, diretamente no sistema e este controlará a vazão em função das necessidades do terreno. Para regular a saída do produto que cairá sobre os discos, há duas comportas colocadas no final do depósito em posição levemente inclinada, que abrem-se no máximo a 120mm para a maioria dos produtos. Para otimizar o processo, a máquina está programada para abrir a comporta de forma totalmente automática, quando a velocidade da esteira for máxima. O Dezembro 2017 / Janeiro 2018 • www.revistacultivar.com.br
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acionamento das comportas é eletro-hidráulico, automatizado com um pequeno cilindro hidráulico que abre e fecha a comporta após receber sinal de um potenciômetro. A máquina fecha automaticamente a comporta quando o sistema de agricultura de precisão indicar que ela está se deslocando sobre uma área onde já ocorreu a aplicação em passada anterior, como ocorre na bordadura. No processo de programação da regulagem do equipamento, basta escolher o produto que já há uma pré-configuração da abertura da comporta, limitando as grandes aberturas. Para o calcário e outros produtos em pó, as comportas abrem-se de 120mm a 200mm. Para a calibração do equipamento, o fabricante recomenda que se retirem os discos e se faça o recolhimento do
produto que sai das comportas, informando esta vazão obtida diretamente no monitor. Este procedimento pode ser feito com uma pequena quantidade de produto. A faixa de distribuição é baseada na alteração do ponto de deposição do produto, sendo invariáveis o tipo de disco, o tipo de aleta e seu posicionamento sobre o disco. As aletas, por isto, são fixas, mas têm tamanhos diferentes, uma curta e a outra longa. O fabricante, que também chama as aletas de pás, disponibiliza três opções, sendo uma de série e outras que podem ser utilizadas para adequar-se a diferentes produtos e faixa de aplicação. O SmartSet (veja box na página 25) auxilia na escolha das aletas. Para os produtos em pó, como o calcário e o gesso agrícola, o disco distribuidor será específico.
O
Local do teste
s testes do distribuidor Jacto Uniport 5030 NPK foram feitos na Fazenda Triunfo, situada na cidade de Itaí (SP), próxima a Paranapanema. A Fazenda é bem organizada, possuindo 791 hectares de área própria e 1.035 hectares arrendados. O proprietário é o produtor Paulo Swart, que é cliente fiel da Jacto e possui uma adubadora Uniport 5030 NPK e um pulverizador Uniport 3030, além de dois turbo atomizadores
da marca. Na fazenda são plantados soja, milho, feijão, algodão e laranja e na cultura da soja, onde estávamos fazendo a aplicação de cloreto de potássio, as produtividades médias superam os 70 sacos por hectare. Além do técnico agrícola que nos atendeu, fornecendo informações e proporcionando-nos o contato com a máquina, há mais 14 funcionários na área agrícola, além dos que atuam na área comercial.
Nos testes realizados pela equipe de validação do fabricante foi detectada uma faixa de aplicação de até 50 metros, obtida com NPK no grão. Nestes testes a ureia teve faixa aproximada de 35 metros e para os demais produtos em pó esta faixa foi menor. Nos testes anteriores ao lançamento já houve
A transmissão de potência é do tipo hidrostático, com motores hidráulicos independentes nas quatro rodas, com redutores planetários
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Fotos Charles Echer
O Uniport 5030 NPK possui duas câmeras: uma localizada dentro do depósito de produtos e outra sobre os discos na parte traseira da máquina
demonstração de que o perfil de distribuição típico é de seção triangular. Como dito anteriormente, a variação do perfil de distribuição se dá neste equipamento apenas com a alteração da posição de queda do produto. Utiliza-se uma bica que recebe o produto que sai da comporta e o deposita sobre o disco. Esta bica pode movimentar-se no sentido longitudinal do veículo, com posição de inicial 100, mediana 137 e final 153. Quando o usuário fizer a pré-regulagem do equipamento utilizando o SmartSet, este indicará qual o ponto de deposição, que será informado no monitor Otmis OM4200 e posicionará automaticamente o local da bica sobre o disco. No entanto, pelo volume aplicado, esta forma de regulagem e a bica não se utilizam para calcário nem a produtos similares. Após a regulagem do equipamento, com o auxílio do SmartSet é importante fazer a conferência do resultado. Isto pode ser feito pelo usuário com o auxílio de bandejas, que são fornecidas pelo fabricante quando da aquisição do distribuidor. Para isto, as bandejas são dispostas transversalmente à passagem do distribuidor em posições regulares, de acordo com a faixa de
deposição projetada. Após, o conteúdo das bandejas é colocado em provetas graduadas, com o que se pode ver como ficou a distribuição ao longo da faixa de aplicação. Uma dúvida que sempre surge é em relação à segregação de produtos em mistura, pois o peso de cada com-
ponente, sendo distinto, provoca diferentes perfis de distribuição entre eles. A equipe de validação que nos acompanhava mencionou que nos testes realizados durante a fase de desenvolvimento este problema foi diminuído pela diferença de tamanho e perfil das pás. O fato de ter duas pás intercaladas,
O acesso à cabine é feito através de uma escada automática
A plataforma de acesso à cabine é toda protegida e possui piso antiderrapante
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uma grande e a outra menor, com um ressalto no centro, separando-a em duas metades, gera um fluxo duplo, que melhora a distribuição. Para que o produtor possa realizar adequadamente as regulagens e aferições do equipamento, o fabricante fornece um granulômetro, um copo para aferição da densidade, quatro bandejas e uma balança.
TECNOLOGIA
Como item tecnológico a destacar, mencionamos o controle de bordadura, utilizado para produtos granulados. Com este dispositivo é possível variar
a faixa de aplicação apenas para um dos lados. Desta forma, ocorre uma concentração de aplicação para um dos lados, limitando a aplicação até a borda, sem transpasse, evitando que seja aplicado produto para fora da área da lavoura. Isto se consegue com o auxílio da bica, que se direciona sobre o disco de modo a depositar o produto sobre a aleta de bordadura, naquele lado. Este item tecnológico provoca vantagem tanto na qualidade da aplicação como na questão ambiental, pois evita a aplicação indesejada em estradas, matas, rios etc. Outra habilidade deste equipa-
mento que está sendo desenvolvida é a possibilidade de uso do controle automático de seções, que proporciona o fechamento de seções, impedindo a aplicação de produtos sobre áreas onde já foram colocados em outra passada. É possível controlar de duas a 12 seções, iniciando do centro da máquina, por meio da alteração do ponto de queda do produto sobre o disco, reduzindo a faixa de aplicação daquele lado que tenha havido a indicação de necessidade. Haverá que ocorrer uma interação do equipamento com um sistema de georreferenciamento (GPS) para que se utilize esta vantagem
Sistema de configuração de aplicação SmartSet
O
SmartSet é um sistema de configuração da faixa de aplicação, colocado à disposição do agricultor pela Jacto, através de uma página web aberta, que é possível utilizar em português, inglês e espanhol. (Veja exemplo de telas abaixo) Pode ser visto no http://jactosmartset. com.br/jacto/. Ele pede que o usuário declare ter conhecimento das condições de uso do SmartSet e esclarece que podem haver variações das características físicas dos fertilizantes, que indiquem valores diferentes
do que possui efetivamente o fertilizante utilizado pelo usuário. Também recomenda que seja feita uma conferência da largura de trabalho real obtida pelo trabalho de campo e exclui de responsabilidade a empresa pelo uso de valores que possam diferir dos reais. O SmartSet ainda é utilizado apenas para fertilizante e se inicia com a indicação do produto utilizado, que pode ser escolhido pelo tipo ou fabricante. Ao escolher o tipo, já em seguida é possível escolher o produto comercial e, desta forma, já são
assumidas a densidade e a granulometria padrão, que poderão ser alteradas pelo usuário, se constatar alguma diferença. Em seguida se escolhe o equipamento, no caso o Uniport 5030 NPK, e o software indica o conjunto de pás e a faixa de aplicação, gerando em seguida o ajuste da largura, com a consequente posição da bica sobre o disco, que deverá ser informada no monitor. Evidentemente esta é uma regulagem básica que necessita de uma aferição de campo com as bandejas.
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Fotos Charles Echer
A bitola é ajustável entre 2,60m e 3,15m e o vão livre é de até 1,5m
tecnológica. O sistema de gerenciamento e telemetria Otmis, que é opcional, integra a máquina com um servidor de rede, e assim se pode acessar informações operacionais através de um computador ou smartphone. Isto permite que no momento da operação um gerente ou mesmo o produtor possa acompanhar on-line a operação. O distribuidor pode estar equipado com barra de luzes ou piloto automático, à escolha do usuário. Além do equipamento de direcionamento automático sem correção,
existente na máquina, é possível inserir métodos de correção tipo RTX e RTK. O monitor Otmis OM4200 apresenta as funções de operação e de diagnóstico. Operacionalmente é possível acompanhar a largura de aplicação, a dose instantânea aplicada, a velocidade de deslocamento, entre outras. Ao simples toque de um botão pode ser acionada a câmara colocada no depósito ou a traseira, que mostra a distribuição.
tre 18km/h e 20km/h, embora pelas condições do terreno fosse possível andar a velocidades operacionais ao redor de 25km/h, que é um padrão do equipamento, pela configuração da sua transmissão. Para o transporte, a velocidade limite é de 40km/h. Utilizamos uma velocidade mais reduzida pela existência de sulcos transversais feitos pelo sistema de irrigação por aspersão e pela natural falta de prática com o equipamento. Após um breve período de explicações básicas de funcionamento e controles operacionais, assumimos o controle do equipamento, o qual foi difícil ter que deixar. A cabine, o assento e a posição do comando multifunção nos agradaram bastante, assim como os recursos de câmara de vídeo, que proporcionam a visualização da
TESTE
Os testes que fizemos com o Uniport 5030 NPK ocorreram pela parte da tarde, aplicando cloreto de potássio em cobertura sobre soja em estádio fenológico V3, aplicando dose variável em média 180kg por hectare. Utilizamos velocidades de deslocamento en-
O Uniport 5030 NPK é um distribuidor de produtos diferenciado, voltado aos agricultores envolvidos com culturas anuais de grãos, devendo ter como principais mercados o nacional e o da América do Sul
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A cabine é ampla, pressurizada, com ar-condicionado e assento pneumático. O console de comandos à direita do operador possui joystick e dois monitores fornecem todas as informações de regulagens e agricultura de precisão
parte traseira do equipamento e do depósito de produto. A operação é fácil, bastando acostumar-se com a sensibilidade do comando multifunção. Nele se pode definir o sentido, a velocidade de deslocamento e dar o início da aplicação. No monitor ao lado do console são controlados a velocidade de deslocamento, a vazão instantânea de produto e o nível do depósito. Para que o operador não tenha que estar pendente do monitor, principalmente quando não está utilizando piloto automático, este possibilita a apresentação de erros ou falhas com
mensagens diretamente na tela, que é sensível ao toque. Um pouco à frente tínhamos o monitor Otmis LB1200, que é o da operação com agricultura de precisão, que possibilita ver a área onde já foi aplicado o produto e configurar parâmetros que permitam trabalhar com o sistema. É marcante a atuação dos módulos de controle do motor, ouvindo-se claramente a variação da rotação para se adequar às condições dinâmicas. Portanto, a rotação do motor não é fixa, para manter inalterada a velocidade de deslocamento e otimizar o consumo de combustível.
No mais, uma tocada segura, sem dificuldades. Antes da manobra de cabeceira já se nota a interrupção da aplicação, automática quando se entra na faixa de bordadura. A manobra é fácil, com bom raio de giro, sem a presença das barras do pulverizador. Nos testes e na aplicação que estavam sendo feitos se seguiam os rastros do pulverizador Uniport, em um sistema de tráfego controlado, bem visível. Durante a nossa participação no teste pudemos realizar o carregamento do produto duas vezes. O sistema utilizado pelo produtor é o de braço hidráulico do caminhão (munck) e big bag. Também é possível fazer o carregamento de produto com pá carregadeira. Fomos auxiliados neste teste pelo engenheiro mecânico, gerente de Produto para Pulverizador Automotriz e Adubadoras em Geral, Paulo Guirao, e pelo tecnólogo em Mecanização e Agricultura de Precisão e analista de validação da Jacto, Giovani Lopes Zuliani. Também tivemos o apoio de Bruno Alves Loureiro, técnico agrícola, funcionário da fazenda e que atua em vários processos, como operação e administração. Sem dúvida foram bons momentos para avaliar esta máquina em ótimas condições operacionais e com a boa vontade de todos .M os participantes. José Fernando Schlosser, Nema/UFSM
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COLHEDORAS Fotos Luiz Ferreira Junior
Efeito dominó
Não basta apenas fazer o correto manejo da lavoura de café, se o produtor não estiver atento aos diversos aspectos da colheita seletiva mecanizada, que pode influenciar definitivamente na qualidade final do produto
A
mecanização da cafeicultura tem sido utilizada em diversas regiões produtoras de café do Brasil como uma alternativa para a redução de custos, agilidade no processo e melhoria da qualidade do produto final. Recentemente, a adoção da colheita seletiva mecanizada tem contribuído fortemente para a obtenção de lotes uniformes com o mínimo de frutos verdes, proporcionando maiores chances ao sucesso da qualidade da bebida. A produção de cafés de qualidade tem crescido de forma acelerada nos últimos anos. Como consequência de um mercado que se torna cada vez mais exigente na busca por uma bebida de melhor qualidade, os cafeicultores estão migrando da
produção de café tradicional (commodities) para a produção de cafés diferenciados, conhecidos como cafés especiais, os quais se diferenciam na complexidade e na singularidade dos sabores percebidos na bebida. Essa mudança para a produção de cafés de qualidade, atualmente considerada como alternativa para melhorar a rentabilidade do cafeicultor, tem sido tratada de forma gradativa na propriedade. A qualidade da bebida de café depende de diversos fatores, como a composição química do grão, fatores genéticos, tratos culturais e características do ambiente de cultivo. Além da bebida, sua valorização também é influenciada por aspectos físicos, como o tamanho do grão e os defeitos
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que este venha a sofrer durante o processo de produção. Sendo assim, cuidados com a colheita e o manejo pós-colheita tornaram-se fundamentais para a comercialização e o aumento do lucro ao produtor.
CUIDADOS NA COLHEITA
O processo de colheita é de extrema importância para a manutenção da qualidade do grão e obtenção de uma melhor qualidade da bebida para atender às exigências dos consumidores. Dessa forma, o presente estudo tem por objetivo orientar o produtor de café quanto aos cuidados operacionais durante o processo de colheita mecanizada que estão relacionados à qualidade do café produzido.
Origem dos principais problemas Tabela 1 - Natureza dos defeitos que sofrem influência do processo de colheita, causa, como evitar e como esses defeitos influenciam na qualidade do café. Como evitar Influência na qualidade Planejamento pré-colheita, limpeza e ajusPrejudica aspecto, cor, torrate do sistema de recolhimento da colhedora e ção e bebida. manejo de plantas. Planejamento pré-colheita, limpeza Prejudica aspecto, cor, torraArdido e ajuste do sistema de recolhimento da ção e bebida. colhedora, vibração, freios dos osciladores, velocidade operacional e manejo de plantas. Planejamento pré-colheita, ajuste da Prejudica aspecto, cor, torraVerde vibração, freios dos osciladores, velocidade ção e bebida. operacional e colheita seletiva. Inspeção de colheita, repasse nas lavouPrejudica aspecto. Brocado Ataque de broca do café. ras e controle de praga. Ajuste dos sistemas de transportes da Prejudica aspecto e torração. Quebrado Atrito do grão durante a passagem pelos sistemas de transportes colhedora e manutenção preventiva. da colhedora. Ajuste dos sistemas de limpeza e rePrejudica aspecto e torração. Pau, pedra, torrão Deficiência do sistema de limpecolhimento. e casca za e queda de frutos no chão. Causa Colheita atrasada e contato dos frutos com o solo e grãos residuais de safras anteriores que se alojam na colhedora. Colheita de frutos verdes, atrasada, contato dos frutos com o solo e grãos residuais de safras anteriores que se alojam na colhedora. Colheita de frutos verdes.
Antes de iniciar a colheita, a colhedora deve estar isenta de grãos de café que se alojam em pontos específicos da estrutura e dos sistemas de transportes da colhedora, como elevadores, transportadores e também no próprio reservatório. Esses frutos retidos fermentam com o tempo, então, entre uma safra e outra, recomenda-se a limpeza total da colhedora, impedindo que lotes de café colhidos na safra atual sejam prejudicados com a presença e a contaminação desses frutos fermen-
tados. Os frutos podem permanecer alojados em diversos lugares, como, por exemplo, na parte externa da colhedora automotriz, na lateral interna da estrutura da colhedora ou nos transportadores horizontais (esteiras). Resíduos químicos, como vazamento de óleo lubrificante, de combustível ou excesso de lubrificante (graxa) que geralmente são encontrados nas colhedoras, devem ser inadmissíveis, principalmente para o produtor que visa a obtenção
de cafés de qualidade, pois este tipo de resíduo também contamina lotes durante a colheita, influenciando na análise sensorial do café, podendo ser verificado na prova de xícara, prejudicando a qualidade final da bebida e seu valor. Os vazamentos de óleo em juntas, válvulas e no tanque das colhedoras de café, assim como vazamentos de óleo no trator que está transportando o café colhido são comuns e devem ser evitados. Uma boa opção ao produtor de
João Paulo Barreto Cunha
Natureza Preto
Exemplos de resíduos de café alojados em diferentes partes das colhedoras que muitas vezes ficam acumulados de uma safra para outra
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Fotos Luiz Ferreira Junior
Exemplos de resíduos químicos provenientes de diversos sistemas e componentes de colhedoras e tratores que contaminam o café durante a colheita
café, para estar atento aos cuidados com esses tipos de resíduos, é fazer com que o operador da colhedora participe de um curso de manutenção, que apresente de forma prática e objetiva as melhores formas e condições de limpeza das colhedoras. Uma vez que a colhedora esteja
preparada para adentrar a lavoura, considera-se como fator de sucesso na colheita mecanizada do café encontrar o ponto ideal de maturação dos frutos, tarefa desafiadora e difícil de ser gerenciada devido às diferentes condições e variedades de lavouras, que podem ser de maturação
precoce, média ou tardia. Além disso, em uma mesma variedade de planta e no mesmo talhão, pode-se encontrar variação climática que acarreta em floradas desuniformes ao longo da planta, influenciando também em uma maturação desuniforme dos frutos e dificultando a colheita seletiva mecânica. Decidir o momento ideal para colher é muito importante e tem relação direta com a qualidade e os defeitos do café. Uma colheita atrasada acarreta maior quantidade de grãos pretos. Caso a colheita for adiantada, poderá ocorrer maior quantidade de frutos ardidos e verdes, prejudicando também a qualidade final do café.
COLHEITA SELETIVA
As colhedoras de café, tanto automotrizes quanto as tracionadas pelo trator, possuem opções de ajustes de vibração, freio dos osciladores e velocidade operacional que interagem entre si, de acordo com o tipo Dezembro 2017 / Janeiro 2018 • www.revistacultivar.com.br
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e a condição de lavoura para a ação da colheita seletiva. Essas variações de velocidade e vibração têm grande influência na quantidade de frutos que caem no chão e caso isso ocorra, mesmo após recolhimento, há grandes chances de se obter grãos pretos e ardidos. A colheita seletiva mecanizada pode proporcionar lotes mais homogêneos, ou seja, com maior uniformidade de maturação, maior quantidade de frutos cerejas, favorecendo a qualidade da bebida, visto que lotes uniformes promovem maior agilidade e controle nos sistemas de pós-colheita, tendo como exemplo o processo de secagem. Dessa forma, fica evidente que a atenção no processo de colheita passa a ser também um pré-requisito para o sucesso do processo da pós-colheita. Alguns cuidados devem ser tomados quanto aos ajustes dos sistemas de transporte da colhedora (transportadores horizontais e verticais, também conhecidos como esteiras e elevadores). É importante ajustar a tensão das correntes e/ou correias e sempre verificar se não há situações na qual favorecem o descascamento do fruto de café e/ou danos ao grão. Esse tipo de dano influencia negativamente na qualidade do café, aumentando o número de grãos quebrados.
Luiz Ferreira Júnior fala sobre perdas na colheita do café
Obstruções de espaços, onde os grãos colhidos passam, podem promover o descascamento e a quebra dos mesmos
Se houver rupturas na base do transportador, estas podem alojar frutos, e com o movimento das taliscas os mesmos são quebrados e/ou descascados pelo cisalhamento. Se, por exemplo, a bica de descarga sofrer algum dano mecânico, isto pode promover o desalinhamento do canal interno da bica, fazendo com que as taliscas danifiquem os grãos de café que sofrem atrito entre elas e a lateral amassada da bica de descarga. A colheita mecânica do café de forma inadequada tem grande influência nos defeitos de natureza intrínseca. A Tabela 1 representa, de forma resumida e objetiva, a natureza dos defeitos que sofrem influência do processo de colheita, causa, como evitar e como esses defeitos influenciam na qualidade do café. Garantir a qualidade do café durante a colheita é a base para o início da manutenção da qualidade do grão, visto que é o processo responsável por retirar o fruto da planta e enca-
minhar ao sistema de pós-colheita. Assim, todos esses cuidados devem ser observados pelo responsável da colheita na propriedade, e nesta deve haver uma equipe treinada, consciente quanto à influência da colheita mecânica na qualidade final do produto. Trabalhar com sinergia para enfrentar os desafios durante a colheita mecanizada e interagir a colhedora com o perfil de lavoura, com foco sempre em preservar a qualidade do grão e obter uma melhor bebida que atenda ao paladar dos consumidores de cafés especiais, são tarefas desafiadoras, mas que devem se tornar rotina no gerenciamento da colheita em propriedades cafeeiras que adotam a mecanização da colheita. .M Luiz de Gonzaga Ferreira Júnior, Ufla/Cemes/Gonzaga Treinamentos e Consultoria Agrícola Ltda Alberto Cardoso Almeida, Case IH Felipe Gabriel Lorenzoni Martins, Ufla
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TRATORES
Como um relógio As manutenções preventivas e periódicas, além de manterem todos os sistemas rigorosamente regulados, são ações que possibilitam ter o trator sempre operando em ótimas condições, garantindo maior desempenho nas atividades
Charles Echer
O
mercado brasileiro de tratores agrícolas possui uma grande quantidade de marcas que ofertam um variado número de modelos de tratores, que vão de 15cv a 605cv de potência, com diferentes tipos de rodados, sistemas com funções específicas, além de acessórios para fornecer maior conforto ao operador, que pode usufruir de cabines com ar-condicionado, computadores de bordo e, mais importante do que
isso, dispondo de sistemas de segurança, como estrutura de proteção ao capotamento, cinto de segurança, proteção das partes móveis, alarmes e bloqueadores eletrônicos. O conceito de tratorista foi substituído por operador de máquinas, atribuindo a esse profissional, além da função de movimentar o trator, a fazê-lo de forma correta, consciente, segura e de acordo com uma programação preestabelecida. A preparação correta de um trator agrícola para
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o trabalho constitui uma operação simples, mas necessária, e por isso a importância de que o operador saiba fazer as regulagens corretamente, caso contrário, poderão ocorrer danos. Para tanto, uma das ferramentas para a correta utilização das máquinas agrícolas é a operação de manutenção. Manutenção entende-se como o conjunto de operações realizadas, visando à conservação da máquina de forma a mantê-la em
Fotos Massey Ferguson
A limpeza externa dos sistemas de arrefecimento é importante para garantir que o trator trabalhe na temperatura adequada
condições de uso e prologar a sua vida útil. Quando realizada no período e de forma correta, a manutenção garante um melhor aproveitamento da máquina e maximiza sua vida útil.
É necessário sempre estar atento aos elementos filtrantes e substituí-los conforme orientações
Em tratores agrícolas, o período de manutenção varia de marca para marca e modelo do trator, portanto, o manual do operador deve estar sempre à mão, junto à máquina, no posto de operação. A manutenção pode ser dividida em corretiva e preventiva. Na manutenção corretiva, a troca das peças se dá somente após a sua quebra. Já na preventiva, a manutenção segue um calendário preestabelecido pelo fabricante e que consta no manual do operador. Elas podem ser manutenções diárias (10 horas), semanais (50 horas), mensais (200 horas), semestrais (500 horas) ou anuais (mil horas), e dividem-se em lubrificações, ajustes, troca de peças e fluidos, proteção contra agentes que lhes são nocivos, eque significam um grande ganho de produtividade e economia a longo prazo. Para evitar perdas no campo, alguns pontos devem ser observados e estão descritos a seguir.
informam o número de horas para a próxima manutenção no painel de instrumentos.
SISTEMA DE ARREFECIMENTO
Os novos tratores agrícolas passaram por um processo de modernização com a incorporação de novas tecnologias, onde a temperatura de trabalho dos sistemas é muito importante para que o trator possa gerar a sua máxima eficiência. O número de radiadores varia de marca e potência dos motores, mas, em geral, a manutenção do sistema de arrefecimento é simples, mas necessária e se aplica a todos da mesma forma. A limpeza externa é muito importante, pois o acúmulo de impurezas nas colmeias
MOTOR
Para aumentar a vida útil do motor, verifique diariamente o seu nível de óleo e corrija quando necessário, sempre utilizando o mesmo óleo, e consultando o manual do operador. É importante ficar atento ao número de horas para realizar a troca do óleo lubrificante e o elemento filtrante. Os tratores de alguns fabricantes já
Visor facilita a verificação do nível do óleo da transmissão
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e aletas dos radiadores dificulta a circulação do ar de arrefecimento, o que pode provocar um superaquecimento no motor e nos demais sistemas. Além do radiador de água e óleo da transmissão, motores interculados possuem um radiador para resfriar o ar de admissão do motor. Para manter a temperatura constante do óleo diesel, alguns fabricantes utilizam um radiador no retorno do diesel ao tanque de combustível, isto aumenta a eficiência do sistema. Para tratores cabinados existe o condensador do ar-condicionado. Por isso, sempre que possível faça uma limpeza. Para limpar os radiadores, utilize ar comprimido ou jatos de água no sentido inverso ao do fluxo de ar, e sempre observe o nível do líquido de arrefecimento do motor, completando com fluido quando necessário.
Juan Paulo Barbieri
SISTEMA DE ALIMENTAÇÃO
Com o advento dos motores com injeção eletrônica, a correta manutenção deste sistema garante um combustível livre de impurezas, contribuindo para o ótimo desempenho do motor e sua maior vida útil. O número de componentes do sistema muda de fabricante para fabricante, mas, em geral, o sistema é composto por filtros sedimentadores de água e impurezas. Para uma maior vida útil do sistema de injeção, realize diariamente a drenagem de água e impurezas. Observe a situação do elemento filtrante e, seguindo a ta-
Fotos Eder Dornelles Pinheiro
Simulação mostra o efeito de pneus diagonais (esquerda) e radiais (direita) na compactação do solo
bela de recomendação do fabricante, substitua o mesmo, quando necessário, pois um filtro deficiente acarreta perda de potência e aumento do consumo de combustível. Sempre ao final da jornada de trabalho realize o abastecimento. Isso evitará que ocorra condensação de umidade no interior do tanque à noite devido à queda de temperatura.
SISTEMA DE FILTRAGEM DO AR
O sistema de filtragem dos tratores é composto, em geral, por um filtro primário e um filtro secundário. Se o trator possuir filtro descartável, ele deverá ser substituído na ocasião que o indicador acusar restrição. Um detalhe importante no caso de filtros que são descartáveis é que se deve evitar retirá-lo, a não ser para realizar a troca, pois pode danificar a vedação e com isso comprometer a vida útil do motor. Já os filtros que permitem a limpeza, o número de vezes que esta pode ser feita depende do fabricante, mas em geral o filtro secundário admite até cinco limpezas e, para isso, faça batendo com as mãos ou no pneu do trator, sem machucar a vedação.
TRANSMISSÃO
Filtros descartáveis devem ser substituídos quando saturados
Em manutenções periódicas, verifique o nível de óleo da transmissão e redução final e complete caso necessário. O nível baixo faz com que os sistemas trabalhem com deficiência, além de provocar superaquecimento e acelerar o desgaste. É importante
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realizar a substituição do óleo lubrificante dentro dos prazos estabelecidos pelo fabricante, pois devido ao tempo de trabalho, o óleo tem suas características originais modificadas. Este procedimento assegurará que a transmissão trabalhe adequadamente lubrificada. Para facilitar a visualização, alguns fabricantes estão substituindo as varetas por visores na carcaça do trator, e assim o produtor tem um maior controle da situação.
LASTREAMENTO
A lastragem é um fator que influencia no desempenho de um trator. Ela é importante para evitar desgastes prematuros, compactação do solo e consumo excessivo de combustível. Por isso é necessário observar com cuidado as configurações de cada máquina e os pesos indicados para cada situação. O lastreamento consiste em adicionar ou retirar pesos no trator, com o objetivo de garantir a estabilidade, a aderência e a capacidade de tração do trator. Uma maneira simples de descobrir se a lastragem está correta é observando os rastros deixados no solo. São dois os tipos de lastragem: lastragem hidráulica, que consiste na adição de água nos rodados, e lastragem metálica, onde são adicionadas na parte frontal do trator e nas rodas traseiras massas metálicas de aço ou ferro fundido. A lastragem deve ser realizada de acordo com a operação que o
trator irá realizar, e para isso devemos observar a relação peso (kg) por potência (cv). No Brasil, alguns fabricantes entregam suas máquinas com uma relação 55kg/cv. A literatura traz que tratores mais leves, com relações peso/potência em torno de 45kg/cv, são adequados à execução de operações mais leves e a maiores velocidades, como pulverização e transporte. Já tratores com uma relação peso/potência acima dos 60kg/ cv são apropriados a operações de maior exigência de força de tração, como semeadura e preparo de solo.
Nema
AVANÇO CINEMÁTICO
Em tratores 4x2 com tração dianteira auxiliar (TDA), o avanço cinemático é um item que deve ser controlado adequadamente. Escolha do pneu adequado, lastragem e pressão dos pneus adequada são itens que devem ser observados para evitar perdas de eficiência de tração e desgaste prematuro do pneu. Nos tratores 4x2 TDA, o avanço cinemático ocorre com o intuito de corrigir a diferença de diâmetro entre as rodas dianteira e traseira do trator, onde o eixo dianteiro deve girar com uma rotação maior que o eixo traseiro. A faixa ideal, segundo a literatura, é de 1% a 5%. Quando ocorrem valores abaixo de 1%, a TDA perde eficiência
de tração e em valores acima de 5%, teremos um desgaste excessivo dos pneus dianteiros e possível causa de Power Hop (galope). Um método prático e rápido para o cálculo do avanço, que pode ser realizado na propriedade, é medir cinco voltas completas das rodas dianteira e traseira, com a tração ligada e após com ela desligada em um solo firme. Para isso, basta fazer uma marca de giz nos pneus dianteiros e traseiros, selecionar uma marcha baixa e acionar o bloqueio do diferencial. Para contar o ponto inicial da contagem do número de voltas, quando a marca tocar o solo coloca-se uma estaca marcando este ponto. Ao final da quinta volta, marca-se esse ponto com uma estaca, como feito anteriormente. Após isso, medir a distância entre as duas estacas e aplicar os valores conforme a equação.
PATINAGEM
Ao tracionar implementos, deverá, obrigatoriamente, ocorrer patinagem dos rodados dos tratores. A patinagem serve como um escape em caso de esforço excessivo por parte do trator. A patinagem recomendada para tratores 4x2 TDA é de 8% a 15%. Quando os índices de patinagem são maiores que 15%, passam a ocorrer perda da eficiência de tração e maior
Cálculo de avanço
desgaste dos pneus. Para calcular a patinagem na sua propriedade marque uma distância de 50 metros e conte o número de voltas com o trator realizando operação e após o número de voltas sem carga, ou seja, com o implemento erguido. Outro ponto importante que influencia a capacidade de tração do trator e que deve ser observado é a distribuição de peso, onde em tratores 4x2 TDA a concentração de peso no eixo dianteiro deve estar situada entre 35% e 40%. Para aferir, basta utilizar uma balança rodoviária, onde se pesa o trator inteiro e posteriormente o eixo dianteiro. A porcentagem de peso é a distribuição estática.
CONCLUSÃO
A utilização correta de uma máquina agrícola pode gerar uma significativa economia de consumo de combustível e, portanto, menor custo operacional e maior lucro para a empresa. Por isso, a realização correta da manutenção, obedecendo os períodos estipulados pelo fabricante, contribui para um melhor funcionamento e maior vida útil de suas .M máquinas. Eder Dornelles Pinheiro, Saulo Ginak e Kazuo Fernando Wottrich Nunes, Massey Ferguson Juan Paulo Barbieri e Gustavo Oliveira dos Santos, Base Assessoria Agronômica
Cálculo da patinagem Um dos tipos de lastragem utilizados é a que consiste na adição de água nos rodados
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PULVERIZADORES
Volume ideal
Charles Echer
Quanto menor for o volume de calda e mais críticas forem as condições climáticas, maiores serão as chances de erro, elevando a probabilidade do insucesso do tratamento químico
O
uso de defensivos contribui para reduzir os danos às culturas por plantas daninas, doenças e insetos, podendo ser citada como uma praga altamente danosa à cultura do algodão, a Helicoverpa armigera. No entanto, o uso inadequado de métodos para a aplicação pode causar contaminação nos ecossistemas aquáticos ou até mesmo culturas vizinhas. Para que um tratamento seja eficaz, ele depende não apenas do produto químico a ser aplicado e da quantidade do ingrediente ativo a ser pulverizado, mas também da distribuição uniforme do produto na superfície do alvo e da baixa perda por deriva. Tanto a perda por exoderiva (evaporação), que tem potencial de atingir outras áreas, quanto por endoderiva (por escorrimento) devem ser evitadas ao máximo. Assim, a tecnologia de aplicação tem a função de distribuir o produto com um tamanho de gota adequado para esse alvo. Entre as tecnologias utilizadas em grande escala na agricultura brasileira
existem as aplicações aéreas; o uso de aeronaves agrícolas para realizar a pulverização é uma realidade no País, principalmente devido à diminuição do tempo das aplicações, pois apresenta grande capacidade operacional em relação à aplicação no solo. O volume de aplicação é um dos parâmetros fundamentais para o sucesso da aplicação. A sua definição depende das características do alvo a ser atingido, do tamanho das gotas, da cobertura necessária, dentre outros fatores. O volume de aplicação influencia diretamente na capacidade operacional da operação, pois, quanto maior o volume de aplicação utilizado, maior será o número de paradas para reabastecimento do pulverizador e menor a área tratada por unidade de tempo pelo mesmo equipamento. É conhecido que a tecnologia aérea leva a questionamentos, especialmente entre os produtores, em relação ao volume utilizado pela aeronave, a capacidade de penetração e deposi-
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ção de gotas agroquímicas no dossel da planta, uma vez que as taxas são relativamente menores quando comparadas ao volume da solução (litros por hectare) usado pelo pulverizador terrestre, influenciando a porcentagem de cobertura e também a deposição do produto no alvo. Por todas estas razões, é muito importante que a necessidade de maiores capacidades operacionais não seja desculpa para o descuido com a qualidade e com a segurança das aplicações. Esta é uma necessidade que está fundamentalmente relacionada com a sustentabilidade do processo de produção agrícola. Neste contexto, pesquisadores da Universidade Estadual de Goiás, juntamente com pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso, realizaram um estudo para avaliar a qualidade da aplicação, a forma que o produto é distribuído na planta. O trabalho foi realizado na Fazenda Campo Belo, localizada no alto da Serra Azul,
Fotos Mateus Massola
Tabela 1 - Médias da porcentagem de cobertura e quantidade de gotas por centímetro quadrado para a pulverização aérea dos volumes de 8, 11, 14, 17 e 20 L ha-1 Tratamentos 8 11 14 17 20
Cobertura Superior Médio Solo 1,58 b 0,32 b 0,63 b 1,66 b 0,33 b 0,78 b 1,72 b 0,35 b 0,86 ab 2,14 a 0,58 ab 1,12 a 2,48 a 1,05 a 1,46 a
Gotas cm2 Superior Médio 9,71 b 0,32 b 16,74 ab 0,33 b 14,79 ab 0,35 b 17,72 a 0,58 ab 19,78 a 1,05 a
Solo 0,63 b 0,78 b 0,86 ab 1,12 a 1,46 a
Médias seguidas de mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
Tabela 2 – Médias da deposição de calda da pulverização aérea (μl cm-2) para os volumes de 8, 11, 14, 17 e 20 L ha-1 Volumes
Posição das etiquetas e das folhas que foram retiradas para a recuperação do corante
8 11 14 17 20
Superior 0,0653 d 0,0801 c 0,0845 bc 0,0890 b 0,1180 a
Deposição Médio 0,0356 c 0,0869 b 0,0918 b 0,0960 b 0,1144 a
Solo 0,0546 c 0,0879 b 0,0847 b 0,0842 b 0,1298 a
Médias seguidas de mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
no município de Nova Xavantina (MT). O objetivo do trabalho foi avaliar a deposição obtida na pulverização aérea em plantas de algodão e a eficiência da pulverização com diferentes padrões de gotas, sendo avaliado o volume de calda aplicada de 8L/ha, 11L/ha, 14L/ha, 17L/ha e 20L/ha, com cinco repetições. Cada faixa foi composta de uma área útil de cinco hectares, com comprimento perpendicular ao sentido do vento, e com 15m de largura. Os pontos de coleta foram distribuídos em intervalos de 200 metros, sendo que em cada ponto foi colocada uma etiqueta no terço superior e no terço médio da cultura e uma etiqueta no solo da entre linha. No trabalho foi determinado para o espectro de gotas, o percentual de cobertura das etiquetas e a quantidade de gotas por centímetro quadrado. Na deposição foi determinada a quantidade de volume retido de acordo com a recuperação do corante no terço superior e no terço médio da planta e, para fim de quantificação da perda por endoderiva, foi verificado o volume retido no solo, onde foi utilizada uma placa de vidro de 100 centímetros quadrados. Para análise do espectro de gotas foram utilizadas etiquetas sensíveis à
água. Os alvos foram distribuídos nos terço superior e médio da planta e entre linha da cultura com uma etiqueta por ponto. Para avaliar a deposição foi utilizado um corante alimentício azul brilhante, na concentração de calda de dez gramas por litro de água. Após a pulverização foram tiradas as folhas e as etiquetas identificadas de acordo com o volume aplicado e a sua repetição e levados para o Laboratório de Práticas Mecanizadas (Lapam) da Unemat e analisadas. Na análise estatística, os pesquisadores constataram que os volumes de calda aplicada influenciaram na porcentagem de cobertura no terço superior
médio e no solo da entre linha, é possível observar cobertura superior a 2% para volumes maiores que 17L/ha no terço superior. Mas, para a quantidade de impactos, influenciaram apenas no terço superior das plantas, esse resultado é indicativo de que a alteração no volume de calda pulverizado provoca mudanças na quantidade de gotas por unidade de área, que foi favorável com o incremento do volume pulverizado de calda (Tabela 1). O terço médio não apresentou diferença estatística para a quantidade de gotas por cm² nos diferentes volumes e, ao comparar a cobertura, podemos afirmar que as gotas maiores são mais
Aeronave Ipanema 201 A, equipada com os Micronair utilizado no experimento realizado em lavouras de algodão
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pesadas e, por isso, chegam nos terços mais baixos. Esse resultado proporcionou menor distribuição de calda no terço médio da cultura, condição indesejada principalmente quando o defensivo químico é usado para controle de doenças causadas nas partes mais baixas das plantas. Uma maior cobertura poderia facilitar o processo de controle de pragas e doenças. No dossel superior da cultura do algodoeiro ocorreu maior porcentagem de cobertura e, no terço médio, menor cobertura de gotas, o que já era esperado, uma vez que o terço superior encontra-se mais próximo ao ponto de lançamento da gota e para o terço médio ainda existe o impedimento por menores espaços intrafoliares gerados pelas folhas do terço superior do dossel da planta. A penetração das gotas é a capacidade que o defensivo aplicado tem de atravessar as camadas externas da folhagem, atingindo os pontos do interior da planta. De maneira geral, as gotas pequenas penetram melhor nas plantas com grande densidade de folhas. A deposição apresentou menores valores para o solo da entre linha da cultura comparada com os terços médio e superior, indicando que a perda de produto para o solo é pequena, porém existente (Tabela 2). Na análise da deposição houve destaque para a pulverização com o volume de 20L/ha, que apresentou maior recu-
Fotos Mateus Massola
No volume de 20 L/ha, colocação de acordo com a posição de retirada na planta (S-superior; M-médio e V-vidro colocado no solo da entre linha)
peração do corante, tanto para a parte superior quanto para o terço médio da planta. Porém, para as aplicações de 11L/ha e 17L/ha no terço médio, não houve diferença, diferenciando apenas para o volume de 8L/ha. Ressalta-se que as folhas coletadas para análise do terço médio foram retiradas do interior da planta. O que pode explicar as diferenças encontradas entre o terço superior. Estes valores de deposição
Foi utilizado Micronair, modelo AU-5000 LD com ângulo de pás de 45 graus
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são de grande interesse, pois mostram a quantidade de produto que efetivamente atingiu o alvo da aplicação. Quando comparada a deposição da calda de pulverização com a cobertura, observa-se que houve menor cobertura no terço médio no menor volume de calda. A mesma condição foi verificada para a deposição no papel sensível no mesmo terço sobre a mesma condição, confirmando a precisão da metodologia. Com relação aos tratamentos avaliados, os pesquisadores puderam concluir que o volume de calda pulverizado proporcionou uma baixa distribuição ao longo do dossel do algodoeiro. E que é preciso buscar mais estratégias que possam auxiliar o uso correto do volume junto com uma boa deposição, principalmente na parte média da cultura. O uso de menor volume de calda aumenta a capacidade operacional dos pulverizadores, tanto terrestre quanto aéreos, podendo ser o principal componente do desempenho operacional em diversas culturas. Porém, neste trabalho, o menor volume apresentou menor cobertura e também menor quantidade de gotas por centímetro quadrado. .M Mateus Prolo Massola e Elton Fialho dos Reis, UEG Vandoir Holtz e Bruno Eduardo G. Koester Unemat Eliel Severino Gonzaga, Fazenda Campo Belo
Os autores avaliaram a deposição de produtos na cultura do algodão
COLHEDORAS
As perdas e a qualidade de grãos na colheita mecanizada de soja são diferentes quando são comparadas colhedoras com sistemas de trilha axiais e convencionais
U
ma das principais etapas de produção da cultura da soja é a colheita, que demanda muitos cuidados, pois se for realizada de forma inadequada, pode ocorrer excessiva perda de grãos em campo, além dos danos mecânicos que irão comprometer a qualidade do produto. De modo geral, as atividades agrícolas vêm sendo submetidas à intensa modernização tecnológica. Na colheita mecanizada da soja, as principais novidades introduzidas no mercado nos últimos anos foram as plataformas e o sistema de trilha. As plataformas com correias transportadoras (plataforma Drapper) mantêm o fluxo contínuo da massa colhida, com menor atrito entre a massa e os mecanismos da plataforma de corte, o que diminui as perdas na colheita e preserva melhor a qualidade dos grãos. Os sistemas de trilha também evoluíram, com rotor simples e rotores duplos, montados longitudinalmente à máquina (sistema axial), do qual se espera uma diminuição das injúrias nos grãos e melhor eficiência no processo
de trilha, proporcionando redução das perdas. Contudo, independentemente da tecnologia empregada na colheita, é necessário identificar as possíveis causas das perdas dos grãos, sejam elas qualitativas ou quantitativas. Os principais fatores que podem influenciar nestas perdas são a velocidade de deslocamento da colhedora, a rotação do molinete, a rotação do sistema de trilha, a abertura do côncavo, a altura da plataforma de corte ao solo, a população de plantas inadequadas, a escolha equivocada da cultivar e sua época de implantação e também a ocorrência de plantas daninhas. É importante destacar que a maior parte destes fatores pode ser influenciada pela condição de umidade da palha e dos grãos no momento da colheita. Assim, além do treinamento do operador e do perfeito funcionamento da colhedora, deve-se também moni-
AVALIAÇÃO DE AXIAIS X CONVENCIONAIS
Com base nestas informações, pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso realizaram ensaio com o objetivo de avaliar as perdas de grãos em campo e a qualidade da massa de grãos colhida. A coleta dos dados foi realizada no município de Nova Xavantina (MT), durante o mês de março de 2017, utilizando duas colhedoras da marca New Holland: uma no modelo TC 5090, com sistema de trilha dotado de cilindro e côncavo, trabalhando com rotação do cilindro de 680rpm e com 18mm de abertura do côncavo, e outra modelo CR 9060, com sistema de trilha equipado com duplos rotores com fluxo de massa axial, trabalhando com 850rpm de rotação do rotor e abertura 25mm. O estudo foi realizado em uma lavoura comercial, cultivada com a soja Monsoy 8766. No momento da colheita
New Holland
Evolução
torar as perdas de grãos em campo e a qualidade dos grãos que estão sendo colhidos. Isto porque a temperatura e a umidade relativa do ar atuam no grão e na palha, provocam alterações nas suas umidades, mesmo ao longo de um dia favorável à colheita. Além disso, podem ocorrer chuvas, que irão influenciar acentuadamente as perdas na colheita, tanto de forma direta, na eficiência dos mecanismos da máquina, como indiretamente na qualidade do grão.
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Fotos Charles Echer
apresentava altura média de 0,96m, altura média de inserção da primeira vagem de 0,205m e produtividade média de 3.850,05kg/ha. As perdas de grãos em campo foram avaliadas em dois horários no período da tarde, às 14h30min e as 16h30min. Para determinar as perdas de grãos no campo foi utilizada uma armação retangular de madeira e barbante com área de 4m², sendo que a dimensão maior coincidia com a largura da plataforma de corte. A armação foi montada na área já colhida, sendo recolhidos todos os grãos que estavam na superfície do solo, dentro da área delimitada pela armação. A porcentagem de grãos danificados e a porcentagem de impurezas foram determinadas nos horários de 14h30min, 15h30min e 16h30min. Para isto foram coletadas cinco amostras da massa de grãos, com aproximadamente 1kg cada, no momento da descarga do produto pela colhedora. Em laboratório, os grãos danificados e as impurezas foram separados manualmente e tiveram sua massa quantificada. A partir da porcentagem de grãos danificados, foi determinada a massa de tegumento perdida durante a colheita mecanizada. A coleta dos dados foi realizada no campo sem interferências nas regulagens habituais do operador da máquina. Com o trabalho, os pesquisadores encontraram resultados com diferenças significativas entre as colhedoras equipadas com sistemas de trilha por cilindro e rotor axial (P<0,05) e também entre os horários de colheita, tanto para
New Holland
As colhedoras utilizadas no comparativo eram dotadas de sistema convencional de trilha e sistema axial com rotores duplos
as perdas de grãos e de tegumento, como também para a porcentagem de grãos danificados e de impurezas. De acordo com a Tabela 1, a colhedora equipada com sistema de rotor axial apresentou uma variação nas perdas conforme o horário de operação. Às 16h30min as perdas chegaram a 66,62kg por hectare, acima do nível aceitável que é um saco por hectare, devendo ser acrescentada a este valor a massa de tegumento que também foi perdida. Para a colhedora dotada com cilindro para trilha dos grãos, não houve diferença entre os horários avaliados, porém as perdas foram maiores nos dois horários e ainda mais crítico quando somada a massa de tegumento perdido. A perda do tegumento de grão ocorre quando os grãos são quebrados ao passar pelo sistema de trilha, o tegumento é desprendido e levado para fora da máquina pela corrente de ar gerada pelo ventilador do sistema de limpeza. As diferenças estatísticas apresentadas para as perdas de grãos e de tegumentos estão relacionadas com os
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teores de umidade da palha e dos grãos, agravados pelas regulagens inadequadas da colhedora. Vários trabalhos publicados já comprovaram que mais de 80% das perdas de grãos na colheita mecanizada de soja ocorrem na plataforma de corte e recolhimento. Para minimizar estas perdas é importante ajustar a velocidade radial do molinete, que deve ser de 10% a 20% superior à velocidade de deslocamento da colhedora; ajustar posição do molinete em relação à altura da cultura, fazendo com que os dedos do molinete toquem a planta na altura do seu terço superior; e a posicionar o molinete de forma que a projeção do seu eixo fique avançada de 15cm a 30cm em relação à barra de corte. Já com relação às perdas ocorridas no sistema de trilha, o aumento das perdas ocorre quando a umidade da palha e dos grãos se eleva. Para evitar estas perdas, os ajustes necessários são na rotação do sistema de trilha e abertura do côncavo. Outra informação que foi destacada pelos pesquisadores é que a umidade da palha e dos grãos pode interferir na quantidade de impurezas e de grãos danificados. No estudo encontraram os maiores valores quando os grãos e a massa colhida estiverem com teores de umidade mais baixos. A explicação para este fato é que não foram realizados os ajustes adequados na colhedora, especialmente a redução da rotação do rotor ou cilindro no momento em que a massa colhida apresentava-se mais seca. Assim, quando a massa colhida passava pelo sistema, ocorria
Além do sistema de trilha, outro fator que interferiu na qualidade da colheita o horário da operação
A avaliação foi realizada no município de Nova Xavantina (MT)
Tabela 1 - Média das perdas de grãos e de massa de tegumento na colheita mecanizada de soja (kg ha-1), utilizando colhedora com sistema de trilha com rotor e cilindro, nos diferentes horários Perdas de grãos (kg ha-1) Perdas de tegumento (kg ha-1) Fonte de Variação 14:30 h 16:30 h Média
Rotor 40,93 B b 66,62 B a 53,78 B
Cilindro 83,17 Aa 78,74 Aa 80,96 A
Média 62,05 b 72,68 a 67,37
Rotor 40,93 B b 66,62 B a 53,78 B
Cilindro 83,17 Aa 78,74 Aa 80,96 A
Média 62,05 b 72,68 a 67,37
Médias seguidas de mesma letra minúscula na coluna e maiúscula na linha, não diferem pelo teste Tukey a 5% de probabilidade.
Tabela 2 - Média das perdas da porcentagem de impureza e porcentagem de grãos quebrados na colheita mecanizada de soja, utilizando colhedora com sistema de trilha com rotor e cilindro, nos diferentes horários Impureza Quebrados FV 14:30 15:30 16:30 Média
Rotor 0,13 Ab 0,27 Ab 0,92 Aa 0,43A
Cilindro 0,35 Aa 0,25 Aa 0,29 Ba 0,29B
Média 0,24 b 0,26 b 0,60 a 0,37
Rotor 7,13 Bb 13,19 Ba 11,56 Bab 10,63 B
Cilindro 22,58 Aa 23,33 Aa 24,53 Aa 23,48 Aa
Média 14,86 b 18,26 a 18,04 a 17,06
Médias seguidas de mesma letra minúscula na coluna e maiúscula na linha, não diferem pelo teste Tukey a 5% de probabilidade.
New Holland
Vandoir Holtz
uma maior fragmentação do material colhido, tanto nos grãos como na palha. No caso dos grãos, os resultados são a maior danificação e a perda do tegumento. Já quando ocorre maior fragmentação da palha, maior será a quantidade de partículas que deverão ser retiradas pelo sistema de limpeza e separação, afetando sua eficiência. Neste caso, a solução é a redução da rotação do sistema de trilha e/ou aumento da abertura do côncavo. A quantidade de impurezas e grãos quebrados pelos sistemas de trilha das colhedoras é apresentada na Tabela 2. Nesta tabela é possível verificar que a colhedora que possui sistema de trilha com duplos rotores de fluxo axial apresentou menor porcentagem de danos mecânicos aos grãos, o que pode ser explicado pela própria característica do sistema, que resulta em uma trilha mais suave, diferente do sistema de trilha por cilindro, em que os mecanismos do sistema de trilha promovem maior choque físico contra a massa colhida, o que causa mais danos físicos visíveis, especialmente em grãos com umidade muito baixa e regulagens inadequadas. Além dos danos físicos visíveis, o processo de colheita pode causar danos mecânicos latentes aos grãos, como microrrachaduras, abrasões, danos internos no embrião, quebra de pequenos fragmentos ou desestruturação das células. Estes tipos de danos se manifestarão durante o armazenamento, com
a queda da qualidade fisiológica dos grãos, e são maximizados em função do tipo de sistema de trilha, regulagens inadequadas ou umidade dos grãos abaixo do indicado para a colheita mecanizada. Após o estudo, os pesquisadores concluíram que a danificação dos grãos é reduzida significativamente quando utilizadas máquinas equipadas com o sistema de trilha de fluxo de massa axial, embora estes danos podem variar em função da umidade dos grãos, características da planta e dos grãos, como também da rotação do mecanismo de trilha e abertura de côncavo. Ainda, afirmaram que para diminuir as perdas no campo e colher grãos com
melhor qualidade é necessário rigoroso monitoramento das operações de colheita, quantificando as perdas e identificando os problemas, para manter as regulagens adequadas na colhedora de acordo com as condições momentâneas de umidade da palha e dos grãos, em conformidade com o estádio de maturidade da planta. .M Vandoir Holtz e Deivys Hiago Grellmann, Univ. do Estado de MT – Unemat Carlos César Silva Jardim, Univ. Fed. Grande Dourados - UFGD Danilo Gomes de Oliveira, Instit. Federal do Tocantins – IFTO Mateus Prolo Massola Univ. Estadual de Goiás – UEG
O estudo concluiu que a qualidade dos grãos é superior quando colhidos com colhedoras axiais
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VANTS
Pulverização auxiliar
Entre os diversos usos na agricultura, os drones estão se tornando uma ferramenta bastante útil para aplicação de defensivos químicos em áreas pontuais, onde pulverizadores terrestres e aviões são inviáveis
O
emprego de Veículos Aéreos Não Tripulados (Vants), popularmente conhecidos por drones, terminologia que usaremos neste artigo, tem crescido no Brasil, especialmente no segmento de agricultura de precisão, englobando áreas correlatas como florestas de precisão e pecuária de precisão. Existe uma gama de aeronaves que são autônomas, semiautônomas ou remotamente operadas. Diversos países estão bem evoluídos no uso de drones, entre eles: Estados Unidos, Israel, Japão, Coreia do Sul, Austrália, França, Inglaterra, Itália, Alemanha e África do Sul. Artigo publicado por este autor na Revista Cultivar Máquinas, na década passada, já apontava o uso em larga escala de drones de pulverização do tipo helicóptero no Japão. No Brasil, os primeiros projetos com drones ocorreram na década de 1980, destacando-se o projeto Acauã (militar) e o projeto Helix (civil). Além dos componentes de uma aeronave, o drone é composto de uma estação de controle em solo, um sistema de posicionamento global, e diversas op-
ções de equipamentos acoplados com finalidades específicas. De uma maneira geral, podemos classificar os drones em asa fixa (avião) ou rotativa, sendo que estes podem ser do tipo helicóptero convencional ou multirrotor. Quanto à motorização, podem ser movidos por combustíveis líquidos ou por baterias elétricas. Inúmeros tipos de câmeras para captura de imagens podem equipar os drones, entre elas: RGB, térmicas, multiespectrais, hiperespectrais e de sensores ativos. A resposta espectral dos cultivos baseia-se em dois comprimentos de onda que apresentam relação direta com variáveis na planta: ondas do espectro do vermelho (V), cuja reflectância é menor em condições de maior quantidade de clorofila, e ondas do espectrodo infravermelho (IV), cuja reflectância é maior quanto maior for o acúmulo de MS na planta. Hoje já existem no país diversas empresas com drones tipo avião, com modernas câmeras acopladas, que permitem estimar a produtividade dos
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cultivos anuais, identificar focos de doenças e pragas, mapear falhas de adubação e irrigação, podendo, inclusive, gerar mapas de recomendação de ações corretivas. Realizar o planejamento da construção de taipas (curvas de nível de alta precisão) para a irrigação de lavouras de arroz por inundação é um processo moroso e caro, mas os drones já chegaram neste segmento do agronegócio para auxiliar o setor produtivo, como no planejamento das taipas de irrigação em lavouras de arroz (Figura 1). Drones multirrotor também podem estar equipados com câmeras de precisão, para operar em situações que necessitem manobras menos velozes, contornar obstáculos em voos a baixa altura, decolagem e pouso na vertical, e imagens mais detalhadas. As câmeras dos drones podem prestar relevantes serviços nas culturas perenes. Na fruticultura, é possível acompanhar o desenvolvimento de cada planta, identificando inclusive redução de vigor em função de ataque de pragas. Na silvicultura, falhas de plantio, perda de mudas por seca ou geada e estimativas valiosas para as operações de inventário florestal são ferramentas já disponíveis hoje no Brasil. Um grande avanço está sendo dado no setor de pulverização de produtos químicos, notadamente inseticidas, fungicidas e herbicidas. Drones multirrotor
podem fazer pulverizações em focos de doenças nos cultivos, substituindo as aplicações em área total, com economia significativa de produtos. Pulverizações de agroquímicos já são conduzidas com drones como o Pelicano, da empresa Skydrones, no Rio Grande do Sul. A primeira aplicação real conduzida por esta empresa foi feita no município de Pelotas no mês de agosto, exatamente 70 anos após a realização da primeira aplicação aeroagrícola, executada pelo piloto Clovis Candiota naquela cidade. Herbicida dessecante foi aplicado em campo para plantio direto de soja e arroz. O controle da vegetação foi rápido e muito uniforme. O drone aplicou em voo totalmente autônomo, com altura de três metros e faixas com cinco metros de largura, uma taxa de dez litros de calda por hectare, em apenas dez minutos. Outra ação pioneira foi a primeira aplicação real de herbicidas em área florestal em Otacílio Costa, em Santa Catarina. Herbicidas dessecantes e pré-emergentes foram aplicados em diversos talhões de pínus, sempre com excelentes controles de plantas daninhas. Neste caso, devido à presença de restos de colheita (tocos e galhos) e à topografia bastante acidentada, os voos foram realizados a cinco metros de altura. Outra vantagem relevante tem sido a substituição de trabalhadores com pulverizadores costais por drones autônomos. Desta forma, elimina-se o risco de exposição destes trabalhadores aos
Fotos Eugênio Schröder
Demonstração de pulverização localizada em manchas de infestação em soja, com drone Pelicano
agroquímicos, passando a efetuarem outras tarefas enquanto os drones pulverizam as lavouras. Já é possível identificar oportunidades de aplicações complementares com drones. Aviões agrícolas pulverizam lavouras com rapidez e precisão, mas ficam limitados em locais com obstáculos como redes elétricas e árvores dentro das lavouras. Nestas pequenas áreas, os drones podem complementar a aplicação com precisão similar à de um avião. Similarmente, pulverizadores terrestres tratam grandes áreas com precisão, mas alguns pontos da lavoura com solo encharcado, pedregoso ou outros obstáculos podem comprometer a qualidade do serviço. Para evitar que nesses locais as doenças e plantas daninhas se proliferem, os drones podem fazer aplicações pontuais, mantendo toda a
lavoura sadia e produtiva. Demonstrações desta técnica foram realizadas em lavoura de soja na cidade de Palmeira (PR) e em lavoura de arroz, em Tubarão (SC). Na atualidade, o órgão regulador Anac permite o uso de drones de pulverização com até 25 quilogramas (equipamento mais carga). Diante deste cenário, hoje é possível utilizar um drone tipo avião para mapear uma grande lavoura (por exemplo, mil hectares por dia), gerar mapas com o posicionamento de focos de plantas daninhas (por exemplo, 50 hectares de infestação) e pulverizar herbicidas com drone multirrotor nestes locais em dois dias. A economia de herbicidas será de 95%, em relação .M à pulverização em área total. Eugênio Passos Schröder, Schroder Consultoria
Planejamento das taipas de irrigação de arroz com drone Maptor
Aplicação de herbicidas realizada com drone dotado de barras de aplicação de cinco metros de largura
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MECANIZAÇÃO Charles Echer
Compactação minimizada
A utilização cada vez maior de máquinas nos canaviais exige buscas de alternativas para diminuir o tráfego nas lavouras e, consequentemente, a compactação do solo que prejudica o desenvolvimento da cultura e reduz a sua produtividade
A
produção da cana-de-açúcar tem demonstrado evolução no sistema de colheita no que se refere à utilização de máquinas e transporte, com a opção por veículos de maior capacidade unitária de carga. Entretanto, isso causa impactos adversos no solo, destacando-se o aumento da compactação, certamente o maior problema dos canaviais brasileiros. As plantas necessitam de condições de solo propícias para o crescimento das raízes, tendo em vista que o sistema radicular tem a função de suporte e absorção dos nutrientes, germinação ou brotação, sustentação e tolerância a pressões aplicadas por maquinário. No entanto, o tráfego de máquinas promove alterações no solo, dificultando ou impedindo o crescimento de raízes.
A pressão exercida pelo conjunto do rodado expulsa o ar dos poros, tornando-o num complexo mineral mais coeso, alterando a interação entre massa/ volume. A redução do espaço poroso faz com que o sistema radicular da cultura da cana-de-açúcar se desenvolva com dificuldade para contornar as barreiras físicas no solo e resistir a baixas taxas de oxigênio disponível. Por esse motivo, a quantidade de raízes em determinadas faixas do solo não é indicativa de desenvolvimento da planta, e sim a distribuição do sistema radicular por todo o perfil do solo, considerando as mudanças na rota de crescimento. Na Figura 1 é possível observar a diferença entre os perfis em termos de porcentagem de raiz por camada de solo, onde houve tráfego
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(A) e onde não houve tráfego (B), em perfis de 1m de profundidade sob o espaçamento convencional (1,5m), o qual é o mais utilizado pelas unidades produtoras no Brasil
CONTROLE DE TRÁFEGO
Sendo assim, o emprego do controle de tráfego pode ser útil para a manutenção da qualidade física do solo, como forma de separar as linhas trafegadas permanentemente, formando faixas de tráfego capazes de suportar o recalque adicional. Além disso, aumenta a eficiência de tração e flutuação das máquinas agrícolas dentro das áreas destinadas ao tráfego, uma vez que a produtividade das culturas depende de um equilíbrio entre as condições adequadas para o crescimento das plantas (solo friável) e
AVALIAÇÃO EM CAMPO
Para verificar o comportamento da cultura sob diferentes espaçamentos de plantio e tráfego de máquinas, partimos do pressuposto que o tratamento com menor área total trafegada por máquinas na cana-de-açúcar cultivada com a variedade CTC 15 proporciona maior produtividade da cultura. Para identificar e relacionar o desempenho produtivo da cultura sob diferentes configurações de plantio foi desenvolvido um experimento numa
Detalhes da distribuição em diferentes espaçamentos em cana com 3 e 12 meses Fotos Guilherme Adalberto Ferreira Castioni
as necessárias para as operações mecanizadas (solo compactado). Outro ponto importante é a eficiência da colheita, que nos moldes atuais é feita colhendo uma ou duas linhas por vez, por conta do grande volume de massa processado e da bitola da máquina. Com isso, a passagem da máquina se repete na mesma linha por mais de uma vez, aumentando a carga no solo e o gradiente de compactação. Dessa forma, se forem colhidas mais linhas em uma passagem da máquina, maior seria a quantidade de cana por unidade de tempo e menor a distância percorrida pela máquina por unidade de área. Neste caso, em adição ao controle de tráfego, a redução do espaçamento da cana-de-açúcar é uma alternativa viável, por ser uma técnica adequada para sistemas de produção com cultivo em linha, determinando as zonas de tráfego a permanecer no mesmo local, como ocorre nos sistemas de produção da cana-de-açúcar na Austrália. Assim, não há sobreposição de rodados na linha, preservando o ambiente de crescimento radicular.
área localizada próxima ao município de Lençóis Paulista (SP), sob latossolo vermelho amarelo arenoso. Foram avaliadas quatro configurações de plantio. O experimento foi montado em um esquema de parcelas subdivididas com cinco repetições, totalizando 35 parcelas experimentais. Na cana planta os espaçamentos foram alocados na parcela principal, com dimensões de 24m de largura por 50m de comprimento. Os espaçamentos empregados foram identificados como espaçamento convencional: espaçamento simples com 1,50m entre linhas; espaçamento combinado duplo: espaçamento de 0,90m x 1,50m entre linhas duplas; espaçamento combinado triplo: espaçamento de 0,75m x 0,75m x 1,50m entre linhas, e plantio geométrico de 0,75m x 0,75m equidistante. Visando isolar o efeito do tráfego em cada configuração de plantio, a partir do primeiro corte as parcelas foram divididas em subparcelas, perfazendo 12m de largura ou metade da parcela
principal. Então, o tráfego foi direcionado ao lado A da parcela, caracterizando os tratamentos com e sem tráfego (A e B, respectivamente). A variedade da cana-de-açúcar foi a CTC 15 e o plantio foi feito manualmente. Para o espaçamento convencional, a quantidade de mudas utilizadas foi de 4,3t/ha. No combinado duplo utilizaram-se 5,4t/ha de mudas, e no tratamento combinado triplo a quantidade de mudas foi de 6,5t/ha. No plantio de precisão as mudas foram provenientes de dois microtoletes de duas gemas, a quantidade gasta de mudas foi de 5,8t/ha. A produtividade de colmos (mg/ ha) de todas as parcelas foi avaliada colhendo manualmente os colmos presentes em 100m2 na área central de cada parcela. Os colmos foram separados de ponteiros e folhas secas e pesados com o uso de dinamômetro acoplado à garra da carregadora. Considerando a área de cada espaçamento de plantio (Tabela 1), foi calculada a distância percorrida pelas máquinas na
No experimento foram realizados plantios em quatro diferentes espaçamentos, num total de 35 parcelas experimentais
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Figura 1 - Porcentagem de distribuição de raízes onde houve tráfego de máquinas (A) Figura 3 - Produtividade (TCH) obtida em cada espaçamento na cana planta e primeira e onde não houve tráfego de máquinas (B) soqueira com e sem tráfego
operação de colheita e, por sua vez, a porcentagem de compactação induzida pelo tráfego de máquinas. O plantio geométrico não é relacionado na projeção, por conta da bitola da máquina colhedora não permitir a passagem dentre as linhas plantadas.
SIMULAÇÃO DO TRÁFEGO
O tráfego foi simulado por meio de duas colhedoras de marca John Deere, modelos 3520 e 3522, e um transbordo de marca Santal, modelo VT 10. As máquinas colhedoras e o conjunto trator transbordo carregado trafegaram dentre as linhas de cada parcela de acordo com a configuração de plantio
(Figura 2). A produtividade obtida nos espaçamentos de plantio em termos de TCH para o sistema de plantio de precisão foi superior à produtividade dos demais espaçamentos, diferença de 11,01% ou 9,9mg/ha (Figura 3). Demonstrando que a maior quantidade de plantas por metro promove ganhos na população estabelecida na colheita. No primeiro corte (Figura 3), os espaçamentos convencional, combinado triplo e plantio de precisão obtiveram médias de produtividade muito próximas, sugerindo que o peso individual da cana no espaçamento mais largo (1,5m) é maior, no entanto, em termos de população, nos espaçamentos reduzidos o
Figura 2 - Exemplo da configuração de plantio para os espaçamentos convencional, combinado duplo, combinado triplo e plantio de precisão, com a representação da área trafegada
Tabela 1 - Projeção da distância percorrida pelos equipamentos na colheita e a porcentagem de compactação de acordo com a área dos tratamentos. C = convencional; CD = combinado duplo; CT = combinado triplo. Espaçamento Metros lineares por hectare Distância percorrida pela máquina na colheita Compactação
m/ha m %
C 6.666,67 6.666,67 0,60
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CD 8.333,33 4.166,67 0,38
CT 10.000,00 3.333,33 0,30
peso individual é compensado. Nota-se que os espaçamentos reduzidos alcançam maiores produtividades quando não se consideram a influência do manejo, o clima e a mecanização (Figura 3). O espaçamento com maior amplitude de redução (PP) apresentou vantagem na produção em termos de TCH na cana planta, por conta da tolerância aos efeitos do ambiente e suprimento de água suficiente para o desenvolvimento da planta. A diferença de produtividade obtida nos espaçamentos reduzidos em cada corte diminui ao passo que se avança a idade do canavial. No Brasil, as usinas têm empregado o espaçamento de plantio de 1,50m com maior representatividade de áreas. Então, se for considerado o período de utilização do solo, que hoje conta em média com cinco rebrotas, o efeito cumulativo do tráfego de máquinas deverá compactar gradativamente, comprometendo as funções deste solo, até a reforma do canavial. Sendo assim, considerando a plasticidade da cana-de-açúcar frente aos diversos fatores limitantes e a forma como estes ocorrem em cada região, pode-se considerar que o melhor espaçamento de plantio é aquele que tem .M controle de tráfego. Guilherme Adalberto F. Castioni, Zigomar Menezes de Souza, Oriel Thiago Kolln e Henrique Coutinho J. Franco, Unicamp