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Cultivar
Cultivar Máquinas • Edição Nº 175 • Ano XV - Julho 2017 • ISSN - 1676-0158
Índice 5 Rodando por aí
Destaques
6 Agricultura de precisão 12 Compactação em colheita de cana 17 Transplantio florestal 20 Capa - Test Drive LS Planter 28 Motores turbinados 31 Empresas - Tratour John Deere 32 Distribuição de sementes
Test Drive - LS Planter H 08045 Confira o teste com a semeadora hidráulica da LS Planter e o seu desempenho na distribuição de sementes e fertilizantes
Agricultura de Precisão Tamanho da evolução quanto a adoção da tecnologia de aplicação pelos agricultores brasileiros
Grupo Cultivar de Publicações Ltda. Direção Newton Peter
• Editor Gilvan Quevedo • Redação Rocheli Wachholz Karine Gobbi
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Motor turbinado Saiba quais os benefícios e também os aspectos negativos de turbinar o motor de tratores agrícolas
Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 www.revistacultivar.com.br cultivar@revistacultivar.com.br (*10 edições mensais + 1 conjunta Dez/Jan) Números atrasados: R$ 22,00 CNPJ : 02783227/0001-86 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Insc. Est. 093/0309480 € 130,00
• Coordenador Comercial Charles Echer
• Revisão Aline Partzsch de Almeida
• Vendas Sedeli Feijó Rithiéli de Lima Barcelos José Luis Alves
• Design Gráfico Cristiano Ceia
• Coordenação Circulação Simone Lopes
Capa - Charles Echer
36 Aplicação de fertilizantes em cana
• Assinaturas Natália Rodrigues Clarissa Cardoso • Expedição Edson Krause • Impressão: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.
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NOSSOS TELEFONES: (53) • GERAL
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• MARKETING
3028.2000
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Por falta de espaço, não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@revistacultivar.com.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.
RODANDO POR AÍ Marketing Case IH
Superviagem
A Case IH reestrutura seu time de marketing, com a contratação de Marco Ripoli, que se torna o responsável por Marketing de Produto, atuando no desenvolvimento da gama de produtos oferecidos pela montadora na América Latina. A área de Marketing Comercial passa para a responsabilidade de Diogo Melnick, que está no grupo há 14 anos. Ambos os executivos respondem diretamente para Mirco Romagnoli, vice-presidente da Case IH para América Latina. A nova estrutura na área absorverá as funções que estavam sob responsabilidade de Christian Gonzalez, que recentemente assumiu a diretoria de Planejamento de Produto e Commercial Services da CNH Industrial para América Latina, reportando ao presidente Vilmar Fistarol.
Durante cinco dias, 104 aventureiros embarcaram para a Europa em um roteiro especial organizado pela AgroBravo. Deste total, 90 são produtores rurais gaúchos, clientes da Super Tratores, concessionária New Holland. No roteiro da viagem, visita à fábrica mais antiga de colheitadeiras do mundo, que pertence à New Holland e está localizada na cidade de Zedelgem, na Bélgica. Foi lá que nasceu a tecnologia de colheita autopropelida, ou automotriz, para grãos. Em solo europeu, os produtores acompanharam a fabricação de algumas das cerca de sete mil peças que integram as máquinas usadas em suas próprias fazendas.
Confiança e crescimento
Finalistas de Hackathon Para conhecer a inovação agrícola completa, do desenvolvimento dos produtos e serviços até a atuação efetiva no campo, os finalistas do primeiro Hackathon John Deere realizaram, nos dias 22 e 23 de junho, uma imersão na experiência tecnológica John Deere. Com uma agenda ampla e diversificada, os 14 jovens trocaram experiências com colaboradores de diferentes áreas da companhia e ainda foram ver de perto as máquinas atuando em uma fazenda. O primeiro dia do encontro foi marcado por visitas e palestras com o time de tecnologia da John Deere, no recém-inaugurado Centro de Agricultura de Precisão e Inovação, em Campinas (SP). Já no dia 23, o grupo seguiu até Cesário Lange (SP) para ver uma operação agrícola ao vivo, na fazenda Nova Esperança.
A Mahindra tem modelos de tratores fortes, com alta durabilidade, economia de combustível e motores com potência de até 92cv. Entre os campeões de venda neste segmento está o trator Mahindra 8000. Com motor de 80cv, ele oferece força e alto desempenho nas atividades do campo, além de baixo custo de manutenção. Outro diferencial é a garantia inédita de cinco anos. “Esta garantia, única no mercado, é a comprovação da confiança que a Mahindra tem no produto que ela está entregando para o agricultor brasileiro”, explica o diretor-geral de Operações da Mahindra, Jak Torretta. Nos dois primeiros anos (ou duas mil horas), o cliente tem garantia total do trator (exceto para itens de manutenção regular). Nos três anos seguintes (ou três mil horas), o agricultor conta com a garantia estrutural para todo o trem de força e componentes de motor.
Jak Torretta
Visita mundial
Agritech Durante o dia de 23 de junho, agricultores da região de Brasília visitaram a fábrica da Agritech e puderam conhecer toda a linha de produtos da empresa. A ação foi realizada em parceria com a concessionária Hanashiro Máquinas Agrícolas e reforça a política de portas abertas da marca para receber estudantes, agricultores e concessionários em sua fábrica.
O presidente mundial da New Holland, Carlo Lambro, visitou a Cooperativa Agropecuária do Distrito Federal (Coopa/DF) no dia 5 de julho. No encontro, Lambro e o vice-presidente da marca para a América Latina, Rafael Miotto, se reuniram com o presidente da Coopa/DF, Leomar Cenci, para conhecer detalhes da cooperativa, que conta com 140 associados. Lambro destacou a confiança da New Holland no Brasil e sua força agrícola. “Um dos motivos para o agronegócio conquistar essa importância no Brasil é o sistema cooperativista. A organização, a eficiência e o comprometimento de cooperativas como a Coopa/DF fazem com que o país se torne o líder em produção de alimentos que conhecemos”, explanou o presidente mundial da marca.
Alexandre Blasi
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AGRICULTURA DE PRECISÃO
O tamanho da AP
A adoção de Agricultura de Precisão no Brasil avança em marcha acelerada. No entanto, a massificação da adoção dessas técnicas ainda esbarra no correto entendimento dos preceitos básicos e na disponibilidade de gente com essa bagagem de conhecimento para atuar no setor
Massey Fergson
A
agricultura de precisão (AP) tem sua origem na gestão da variabilidade espacial das lavouras, como um grande desafio e avanço que a agricultura deste início do século 21 precisa perseguir. A razão é simples: se há variabilidade (e há), ainda há espaço para se melhorar o que é feito hoje, simplesmente espacializando o amplo conhecimento que se utiliza na condução das lavouras. Essas estratégias podem ser praticadas em diferentes níveis de complexidade e com diferentes abordagens. No Brasil a prática predominante é o gerenciamento da adubação (fertilizantes e corretivos) das lavouras com base em amostragem georreferenciada de solo, ou em grade. A aplicação de calcário, gesso, fósforo e potássio em taxas variáveis, com base nos mapas, tem tido grande apelo comercial porque, num primeiro momento, as maiores chances estão na racionalização do uso dos insumos com a aplicação destes na quantidade e no local certos dentro de cada talhão. Com a realocação, são diminuídos os desequilíbrios e como consequência a produtividade das culturas tende a melhorar, justamente porque a “Lei dos Mínimos” é agora especializada, na forma de mapas. No entanto, quanto mais dados, mais consistente é a informação gerada e o consequente diagnóstico referente à variabilidade existente nas lavouras. Dessa forma, dados de produtividade expressos por mapas são fundamentais. A interpretação da variabilidade presente nas lavouras, evidenciada nos mapas de produtividade, implica uma relação entre causas e efeito. A explicação para os fatos é a tarefa mais desafiadora,
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na qual devem ser identificados os fatores que podem causar as baixas produtividades onde elas se manifestarem. Em muitos casos as baixas produtividades observadas em determinadas regiões de um talhão podem estar associadas a aspectos que estão totalmente fora da nossa capacidade de intervenção, como é o caso da variabilidade da textura do solo. Nesses casos a solução é tratar as regiões de baixa produtividade de acordo com o seu baixo potencial, com menor aporte de insumos, visando obter lucro, mesmo que com baixa produtividade. Já, as regiões de maior potencial produtivo das lavouras devem receber um aporte maior de insumos, visando explorar o limite do seu potencial. Ao se analisar especificamente a estratégia da amostragem de solo em grade se percebe uma sensível diversidade de procedimentos por parte de executores e de prestadores de serviço, nem sempre alinhados com os conceitos já estabelecidos. As amostragens de baixa densidade sabidamente geram mapas de diagnósticos cheios de incertezas. Por consequência, os mapas de recomendações também carregarão essas incertezas, o que é muito preocupante. Há muito ainda por se fazer e esperam-se boas notícias referentes à disponibilização de técnicas de sensores que permitam o adensamento de dados para auxiliar no diagnóstico da variabilidade das lavouras. Além disso, deve ser dada importância às demais práticas, como tratamento localizado de plantas invasoras, pragas e doenças, num
P no Brasil contexto moderno que contempla a aplicação minimizada de insumos visando a economia e o menor impacto ambiental possível. Aliás, essa área da AP tem evoluído muito pouco. A marcha de adoção de AP avança, em especial a amostragem de solo para aplicação localizada de insumos e o uso de tecnologias embarcadas nas máquinas, a exemplo dos sistemas de direção automática (piloto automático) em tratores, colhedoras e pulverizadores. Mesmo assim, são grandes os desafios para a massificação da adoção dessas técnicas para os próximos anos e provavelmente o maior deles é o correto entendimento dos preceitos básicos e a disponibili-
dade de gente com essa bagagem de conhecimento para atuar no setor. E como era de se esperar, já surgem novos desafios, como o uso mais intenso de coleta de dados, especialmente pela viabilização crescente da comunicação entre a máquina e o gestor (via telemetria) e pelas várias vertentes do sensoriamento em diferentes níveis de aquisição. Isso está fomentando a formação do “BigData” do agro, porém ainda bastante compartimentado, em formatos diferentes para cada criador de dados, o que nos exigirá a organização que ordene tudo isso para que o usuário possa ter proveito sem se sentir ameaçado ou “inundado” por
Figura 1 - Distribuição geográfica das entrevistas e o perfil de produção dos municípios envolvidos
Topcon
Quanto mais dados são gerados, mais consistente se torna a informação
Figura 2 - Perfil dos produtores a partir das culturas com as quais vêm trabalhando (% sobre o total de entrevistados)
Figura 3 - Combinações de sistemas mecanizados disponíveis nas propriedades entrevistadas
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Figura 4 - Nível de adoção de técnicas de AP relacionadas com a variabilidade espacial das lavouras e de amostragem de solo em grade
Figura 6 - Frequência de adoção de tecnologias para o monitoramento das operações e de automação das máquinas
essa aparente abundância de dados. Quanto aos números do mercado, enquanto outras soluções não se materializam, temos que ir em busca das empresas especializadas que se dedicam a levantamentos para a geração de perfis demandados por setores específicos do mercado. Foi assim que chegamos aos dados obtidos pela empresa de informação estratégia de mercado do agronegócio Kleffmann Group, em 2013, numa das suas campanhas de levantamento de dados endereçados aos seus clientes. A empresa cordialmente se dispôs a nos ceder os dados para que fossem apresentados no InfoAg 2016, em St. Luis, EUA. Foram juntados dados que mais interessam à grande comunidade e que certamente ajudam a visualizar e entender algumas das tendências do segmento de AP no Brasil. Vamos aos dados. O trabalho foi realizado com o Julho 2017 • www.revistacultivar.com.br
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Figura 5 - Tamanho das grades amostrais, em hectares, praticadas em cada região
Figura 7 - Tipos de sinal GNSS utilizados
intuito de entender o mercado de equipamentos e técnicas de AP, focando em produtores de soja e milho que participam da tomada de decisão de compra de máquinas e implementos agrícolas. Para tanto foram realizadas 992 entrevistas telefônicas, sendo 429 entrevistas no Sul, 415 no Cerrado e 148 na região conhecida como Mapitoba. As entrevistas foram realizadas entre os dias 31 de agosto e 30 de setembro de 2013, portanto os dados que serão aqui apresentados e discutidos não incluem aqueles referentes a 2013. A margem de erro dos valores totais é de 3% para o Sul, o Cerrado é de 5% e para a região do Mapitoba é de 8%. A Figura 1 mostra a distribuição geográfica das entrevistas e o perfil de produção dos municípios envolvidos. A amostra representa os produtores das culturas foco, e não somente os usuários de agricultura de preci-
são ou proprietários de determinadas marcas de máquinas agrícolas. A Figura 2 caracteriza o perfil dos produtores quanto às culturas com as quais trabalham e a Figura 3 apresenta a combinação de máquinas disponíveis nas propriedades. Obviamente a soja está presente em 99% das propriedades e o milho de segunda safra tem destaque no Cerrado, enquanto que o milho de verão é destaque no Sul e na região do Mapitoba. Quanto ao perfil da mecanização dos entrevistados, no Sul destaca-se o fato de que 26% deles não possuem a colhedora no seu plantel, entendendo-se que utilizam a terceirização da colheita. Analisando-se inicialmente a AP voltada à gestão da variabilidade espacial das lavouras, a resposta dos entrevistados nos leva a alguns dados interessantes e ao mesmo tempo conflitantes, do ponto de vista do usuário
e do seu entendimento sobre tudo isso (Figura 4). Quando perguntado se utiliza alguma técnica de AP na propriedade, 45% deles responderam afirmativamente e destes, 79% afirmam que fazem mapeamento para fins de gestão da fertilidade do solo. Porém quando indagados sobre a forma de amostragem, 43% destes afirmam utilizar amostragem georreferenciada (em grade). Isso nos leva a um universo de 15,3% deles que realmente utilizam as técnicas de amostragem de solo com vistas à obtenção de mapas para o diagnóstico da variabilidade espacial dos atributos da fertilidade do solo. Não deixa de ser um nível expressivo de adoção da técnica mais conhecida no mercado nacional. Se considerarmos que estamos tratando de um total de aproximadamente 59 milhões de hectares, esse montante chega a nove milhões de hectares já submetidos a essa técnica. O que não se tem disponível, e haverá a necessidade de entendermos, é qual parcela dessas áreas que tem sido submetida a reamostragens. A estratificação por região indica que no Sul são 12%, no Cerrado são 17% e na região do Mapitoba são 21% dos produtores que utilizam as técnicas de amostragem de solo. No entanto, quando perguntados sobre o tamanho das grades amostrais (Figura 5), observa-se uma certa distorção quanto ao correto entendimento e à condução desses trabalhos
Valtra
A adoção de técnicas e tecnologias de AP visa principalmente o aumento da produtividade e a redução do custo de produção
de amostragem. No Sul, 26% dos entrevistados dizem utilizar grades maiores que 3ha. No Cerrado esse número sobe para 50% e na região do Mapitoba o valor atinge 58%. Os que dizem fazer a aplicação de fertilizantes em doses variáveis já estão vinculados a esse grupo. No entanto, é necessário explorarmos melhor o entendimento dos agricultores de que 28% daqueles 45% praticam a técnica de populações variadas de sementes e 30% deles praticam pulverizações em doses variáveis; isso resulta em 12,6% e 13,5% do total, respectivamente. Ao que se sabe, são técnicas que exigem um elevado grau de monitoramento para um diagnóstico e geração de
Figura 8 - Razões pessoais para o uso de técnicas e tecnologias de AP
recomendações e não é essa a percepção que se tem do mercado. Na outra grande frente da AP, que trata dos componentes de monitoramento das operações e de automação das máquinas (Figura 6), a pesquisa mostra que o uso de piloto automático, de fato, é a tecnologia mais adotada e chega a 60% dos entrevistados. No entanto, 88% deles utilizam apenas sinal aberto (Figura 7), sem correção diferencial, o que não combina com a tecnologia que afirmam estar utilizando. Interessante é que 31% dos informantes dizem ter monitor de produtividade nas suas colhedoras, o que indica que deveríamos ter mais mapas de colheita sendo gerados para o bom
Figura 9 - Indicação do produtor quanto à intenção de investir em novas tecnologias
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Figura 10 - Evolução histórica do mercado e forma de atrelamento da tecnologia à máquina
e correto entendimento da variabilidade espacial das lavouras. Na Figura 8 observa-se que as opiniões dos produtores quanto a decidir pela adoção de técnicas e tecnologias de AP são focadas na expectativa de aumento da produtividade e de redução do custo de produção. Quando perguntados se pretendem continuar investindo em novas tecnologias (Figura 9), 58% deles responderam afirmativamenJulho 2017 • www.revistacultivar.com.br
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te e os itens de maior destaque são justamente aqueles relacionados à adubação e à semeadura em doses variáveis, portanto relacionados à variabilidade espacial das lavouras. Numa visão histórica, desde o início da década passada, dos dados de aquisição das tecnologias mais conhecidas dentro da AP (Figura 10), observam-se alguns movimentos interessantes. O mercado de barras de luzes, por exemplo, já havia passado
por uma etapa que não é coberta por este levantamento. Entre os anos de 1997 e 2000, aproximadamente, a frota nacional de aviões agrícolas foi equipada com barras de luzes. As versões para aplicações terrestres entraram no mercado a partir de 2000/01 e eram predominantemente vendidas como equipamentos avulsos. Os dados mostram que houve uma primeira onda de aquisições até 2005/06 e depois observa-se uma segunda onda que ainda não mostrava inflexão até 2012, já com muitos equipamentos casados com a compra das máquinas. No entanto, sabe-se que com a popularização das soluções de pilotos automáticos, é de se esperar que a procura por barras de luzes diminua. O monitor de semeadoras é um equipamento já conhecido no mercado desde antes do surgimento da própria AP, mas observa-se que a sua aceitação também é recente. Os dados indicam que os agricultores os têm adquirido como equipamento avulso ou embarcado na própria semeadora em proporções semelhantes. Os controladores de taxas variáveis de sólidos e de líquidos seguem uma tendência de aquisição por parte dos produtores, crescente a partir da segunda metade da década de 2000, mas com oscilações. Os controladores têm sido adquiridos separadamente ou montados nas máquinas, também em proporções semelhantes. Do ponto de vista da tecnologia, os controladores para semeadura em doses variadas são os mesmos de taxas variáveis. Aqui são analisados em separado e observa-se que tiveram aceitação a partir de 2008 e estão predominantemente associados à compra das semeadoras. Já os monitores de colheita, com ligação umbilical com a AP, indicam uma adoção crescente e acelerada a partir do final da década passada. E como é de se esperar, predominam
Figura 11 - Distribuição geográfica e quantidades de pilotos automáticos adquiridos
Figura 12 – Equipamentos nos quais os pilotos automáticos estão instalados
Figura 13 - Os benefícios considerados pelos produtores na adoção de sistemas de Figura 14 – Distribuição geográfica e quantidades de monitores de colheita adquiridos piloto automático
A adesão aos sistemas de piloto automático na área de grãos, diferentemente da cana, só se iniciou no final da década de 2000. Na Figura 11 observa-se que na região do Mapitoba ocorre maior concentração numérica desses equipamentos por propriedade do que no Cerrado. Embora haja uma certa predominância dos pulverizadores autopropelidos (Figura 12), os sistemas de piloto automático equipam tratores médios, grandes e também colhedoras. Quando perguntados sobre as razões que levaram à aquisição dessa tecnologia (Figura 13), os produtores indicam o ganho de produtividade como o fator mais destacado, seguido da redução de custos, modernização e redução do uso de insumos, com proporções semelhantes. Na Figura 14 observa-se que no Sul do Brasil a grande maioria dos produtores (81%) tem apenas um monitor, ou uma colhedora, lembrando que 26% deles informaram não possuir a colhedora. Já no Cerrado e
John Deere
(89%) aquisições de equipamentos já embarcados nas colhedoras.
na região do Mapitoba há a indicação da presença de frotas de colhedoras equipadas com monitores. O acesso a estes dados nos permite uma visão numérica do que tanto desejávamos ter, mas sabemos que não é suficiente e que precisamos de muito mais empenho para que dados sejam gerados e disponibilizados. Um dos grandes interessados, mas não o único, é a indústria de soluções e serviços em AP, que pode ser chamada a colaborar de forma
cooperativa no sentido de termos um esforço conjunto para que periodicamente se produzam dados atualizados sobre as tendências do setor no País. Paralelamente a dados sigilosos, haverá aqueles que podem ser sistematicamente disponibilizados ao grande público. Certamente há outras formas e caminhos, mas esta nos parece a mais próxima da .M realidade atual.
José Paulo Molin, Lab. de Agric. de Precisão, USP-Esalq
O ganho de produtividade é o principal fator para a aquisição dos sistemas de piloto automático
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TRATORES Valtra
Impacto produtivo
A colheita mecanizada da cana-de-açúcar é realidade em praticamente todas as áreas cultivadas no País. No entanto, é preciso estar atento aos impactos que a compactação do solo tem sobre a produtividade e a longevidade dos canaviais e fazer as adequações necessárias para atingir os melhores ganhos econômicos
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colheita mecanizada de cana-de-açúcar cresceu de forma exponencial na última década, passando de 25% para praticamente 95% de adoção desse sistema ante a colheita manual. Os ganhos relacionados à redução de custo em reais por tonelada com o uso da colheita mecanizada são indiscutíveis, porém os impactos que as máquinas (colhedoras + tratores e transbordos) causam no canavial devem ser levados em consideração e analisados detalhadamente para que ações de gestão agrícola sejam tomadas buscando, além de redução de custos, ganhos de produtividade e lucratividade. Quando comparamos a evolução da produtividade em culturas como milho, soja e algodão, notamos que Julho 2017 • www.revistacultivar.com.br
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nesse mesmo período houve um incremento da ordem de 30% a 40% em produtividade, enquanto que nos canaviais brasileiros a produtividade média continua estagnada entre 75t/ ha e 80t/ha. Obviamente, essa estagnação está relacionada a outros entraves tecnológicos e não exclusivamente ao uso de máquinas nas lavouras, mas vale lembrar que as usinas e os produtores que vêm adotando as melhores práticas de mecanização agrícola são as que vêm conseguindo atingir produtividades médias acima de 95t/ha, ou seja, um incremento entre 20% e 30% (Belardo, 2016a) Um fator extremamente relevante está relacionado ao período de safra e à época de colheita, que aumentou em 50% no período chuvoso, pois a
safra que era antes realizada de maio a novembro, hoje é realizada de março a dezembro, muitas vezes tendo início em janeiro ou fevereiro no período de maiores precipitações (Mazza, 2016). E o tráfego de máquinas em áreas de maior umidade acarreta maior compactação de solo.
IMPACTOS DA COMPACTAÇÃO
Para entendermos qual é o impacto das máquinas na colheita de cana, precisamos em um primeiro momento fazer algumas observações de campo, onde frequentemente é possível observar situações, resultantes da ação de compactação e pisoteio generalizado das linhas de cana. Situações como essa levam ine-
Figura 1 - Distância do afastamento de segurança entre colhedora de uma linha e trator + transbordo em espaçamento simples de 1,50m com colhedora de esteira com sapata de 18” (a) e sapata de 16” (b). Fonte: Belardo (2016b) B
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CONCEITOS DE PISOTEIO E TRÁFEGO
Fotos José Alencar Magro
vitavelmente a uma queda de produtividade nos anos subsequentes e queda da longevidade dos canaviais. A compactação é maior quanto maior a curvatura da sulcação, e a soma das compactações de linha e entre linha, quando ocorrem precipitações intensas, implica escorrimento de água, solo, além de herbicidas e fertilizantes, o que acaba inevitavelmente sobrecarregando os terraços (Mazza, 2016). Além disso, o impacto da compactação de solo está diretamente relacionado à menor quantidade de enraizamento do canavial e confinamento da raiz em menores áreas no solo, acarretando menor absorção de água e nutrientes pela planta, maior suscetibilidade a veranicos e períodos secos e perdas de produtividade. Para tentarmos mensurar as perdas de produtividade relacionadas à compactação e ao pisoteio da linha de cana, podemos usar alguns dados de pesquisa do CTC que estimam perdas entre 10t/ha e 15t/ha por ano de colheita. Considerando essas premissas temos entre 10% a 20% de queda de produtividade de um ano para outro em t/ha, o que no final de um período de cinco anos do canavial implicaria perda de um ano safra ou aproximadamente 75t/ha (Belardo, 2016a).
Fica evidente que o impacto da compactação na linha e na entre linha de cana e o pisoteio de soqueira são extremamente relevantes e que a interação máquina x canavial deve ser melhor gerenciada. Para entender melhor o conceito de pisoteio e tráfego na cultura da cana-de-açúcar é fundamental que exista um afastamento de segurança entre a máquina e a cultura que, conforme Mialhe (2004), corresponde ao afastamento lateral, de ambos os lados do eixo da fileira de plantas, a partir do qual a passagem da roda é inócua tanto a parte aérea como ao sistema radicular. Ripoli e Ripoli (2009) comentam
que em cana-de-açúcar devemos ter o mínimo de 25cm de distância entre a borda da banda de rodagem do pneu ou esteira mais próximo da fileira de cana e o centro da linha de soqueira. Sabemos que a cana-de-açúcar tem um comportamento de perfilhamento lateral para a entre linha e de uma forma geral, podemos considerar que uma soqueira de cana tem aproximadamente 40cm de largura (20cm para cada lado do centro da linha). Sendo assim, convergindo o conceito de afastamento de segurança de Mialhe com a definição de Ripoli e Ripoli, podemos afirmar que em um canavial com uma soqueira de aproximadamente 40cm de largura, teríamos 15cm de afastamento de segurança para colheita de cana-de-açúcar (Be-
Ação de compactação e pisoteio da linha de cana em espaçamento duplo alternado (esq.) e espaçamento simples (dir.) visualizado em campo
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Figura 2 - Distância do afastamento de segurança entre colhedora de duas linhas e trator + transbordo em espaçamento duplo alternado de 0,9 X 1,50 m com conjunto transbordo de bitola de 3,0 m (a) e conjunto trator + transbordo de bitola de 2,40 m (b). Fonte: Belardo (2016b) B
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Luis Carlos Dalben
MÁQUINAS E ESPAÇAMENTOS
Baseados nessas premissas faremos uma análise técnica dos principais conjuntos de colheita (colhedoras + tratores e transbordos) e os principais espaçamentos adotados no Brasil (simples de 1,50m e duplo alternado de 0,90m x 1,50m). Quando avaliamos o principal espaçamento adotado no Brasil, o simples de 1,50m, e a interação das máquinas com ele, observamos que com o uso das colhedoras de cana de uma linha com bitolas de 1,90m e conjuntos tratores + transbordos
com bitola de 3m o problema relacionado ao afastamento de segurança está na colhedora que tem uma distância de 12cm, abaixo do mínimo de 15cm, enquanto que o conjunto trator + transbordo está com 23cm (Figura 1a). Existe a opção de uso de esteiras mais estreitas nas colhedoras de cana com “sapata” de 16 polegadas de largura (40cm), e com o uso desta opção o afastamento de segurança da colhedora passaria para 18cm, ou seja, dentro do mínimo exigido para tal (Figura 1b). Essa opção confirma o que vem sendo praticado por grande parte das usinas no Brasil, que fazem o controle de tráfego de forma eficaz
Trincheira mostra área compactada e sem penetração de raízes
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Rogério Germino
lardo, 2016b).
com o uso desse sistema de colheita em espaçamento simples de 1,50m. Avaliando a interação máquina x canavial no espaçamento duplo alternado de 0,90m x 1,50m, que tem a composição de colheita com colhedora de duas linhas com bitola de 2,40m e conjunto trator + transbordo com bitola de 3m, observamos que o problema passa a ser o transbordo que está com 12cm de afastamento de segurança e abaixo do limite recomendado, enquanto que a colhedora tem 32cm (Figura 2a). Quando analisamos a composição para colhedoras de duas linhas e conjunto trator + transbordo, ambos com bitola de 2,40m, a colhedora permanece com 32cm e o transbordo vai para 23cm de afastamento de segurança, ou seja, dentro do limite aceitável (Figura 2b). O que aconteceu em algumas áreas onde foi adotado o uso do plantio duplo alternado e que observamos até hoje em campo é que, apesar da adequação das colhedoras ao espaçamento, muitas vezes é mantido o conjunto trator + transbordo antigo com bitola de 3m e que não atende o afastamento de segurança mínimo, em outras palavras, de nada adianta fazer a mudança de espaçamento se não for feito o ajuste dos equipamen-
John Deere
Figura 3 - Distância do afastamento de segurança entre colhedora de duas linhas e trator + transbordo em espaçamento simples de 1,50m. Fonte: Belardo (2016c)
O uso de colhedoras, tratores e transbordos causa impacto no canavial que deve ser levado em consideração
tos para atender a essa bitola, pois o pisoteio da soqueira acaba sendo inevitável, principalmente pelo transbordo (Belardo, 2016c). Vale lembrar que a possibilidade de desvio do conjunto trator + transbordo é maior do que da colhedora. Nesse caso, qualquer descuido do operador do trator pode acarretar no pisoteio da soqueira do canavial,
principalmente quando esse conjunto é formado por um trator e dois ou mais transbordos, que são muito mais difíceis de serem controlados e normalmente desviam do traçado original em áreas de maior declividade (Belardo et al, 2015). Avaliando a opção mais recente de colheita de duas linhas de 1,50m por colhedoras, observamos que ambos
os conjuntos teriam bitolas de 3m e que o afastamento de segurança para a colhedora seria de 45cm, enquanto que para o conjunto trator + transbordo seria de 23cm, nesse caso, seria a melhor opção entre todas as analisadas relacionadas ao afastamento de segurança mínimo (Figura 3). A melhor solução para evitar esse
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Com relação à compactação do solo e às pressões exercidas pelos equipamentos, a colhedora que tem aproximadamente 20t de peso, o distribui de forma mais uniforme devido à maior área de contato entre a esteira e o solo. Já o conjunto trator com peso de 13t e dois transbordos com peso sem carga de 6t cada um, mais a carga de cana de 10t cada, teriam um total de 32t, distribuído de forma mais concentrada, gerando uma densidade maior em kg/cm2 e consequentemente maior compactação. Uma boa opção para minimizar o pisoteio de soqueira devido ao desvio de tráfego e à menor compactação de transbordo é a substituição gradativa de conjuntos de um trator + dois transbordos por transbordos de maior capacidade de carga e maior número de eixos, como os de 21t e quatro eixos que levam a mesma quantidade de cana, porém trazem benefícios como a distribuição de peso sobre os pneus mais uniforme e ganhos operacionais como menor tempo de manobra e de transbordamento, além, obviamente, de ter um menor desvio de traçado.
CONCLUSÕES
Mafes
problema por algum desvio na operação que prejudique o afastamento de segurança tem sido o uso de piloto automático com correção de sinal via RTK, uma ferramenta eficiente para controlar o tráfego e minimizar o pisoteio de soqueira e compactação de solo, possibilitando trafegar com erros da ordem de 2cm a 5cm. Baio e Moratelli (2011) comprovaram que sem o uso de GPS com correção RTK o erro médio é de 17cm e conseguiram atingir resultados médios de 3,3cm com a utilização do sistema, confirmando que o uso desse equipamento é controlável e positivo para o controle de tráfego. Como já mencionado anteriormente, sabemos que o desvio dos transbordos é maior que o do trator e mais recentemente Passalaqua e Molin (2016) avaliaram a ocorrência de erros entre passadas dos tratores e das carretas transbordos em terreno plano, terreno em declive sem curvatura e terreno em declive com curvatura. O resultado mostra que apesar do uso de sistema de piloto automático com correção via sinal RTK, os desvios encontrados para o trator, mesmo sendo menores que dos transbordos, estavam acima do valor aceitável em todos os cenários avaliados, porém com valores mais próximos para o terreno plano com percurso reto e mais elevados em terrenos declivosos e percursos curvos. Quando observado o último eixo do segundo transbordo, o desvio reflete, em seu pior cenário, a sua passagem sobre a soqueira da fileira adjacente, com erro ultrapassando a distância de separação entre duas fileiras de cana. Vale lembrar que a colhedora de cana sempre foi vista como a “vilã” com relação a pisoteio de soqueira e compactação de solo, porém conforme observamos nas análises anteriores, vemos que o grande problema de pisoteio de soqueira está relacionado ao conjunto trator + transbordo devido ao menor afastamento de segurança e possibilidade de desvio de traçado.
Precisamos de uma forma geral melhorar as nossas análises de conjuntos
mecanizados de colheita, pois como pudemos observar, para cada modelo de espaçamento é necessária uma adequação dos equipamentos para controlar melhor o tráfego e minimizar o pisoteio de soqueira e compactação da linha e da entre linha. Nesse artigo abordamos principalmente a interação máquina x canavial na colheita, mas sabemos que para maximizarmos e melhorar as operações agrícolas, temos que organizar o trabalho com um bom planejamento visando principalmente melhores eficiências de colheita. Esse planejamento tem início na definição de espaçamentos, zonas de manejo e sistematização das áreas, passando por práticas conservacionistas de solo, como uso de cobertura vegetal, rotação de culturas e preparo de solos reduzidos, que aliadas à adequação de equipamento e ao uso de sistema de controle de tráfego, podem gerar mais redução de custos e ganhos de produtividade com médias acima 100t/ha, aumentando também a longevidade dos canaviais para mais de seis anos. Tudo isso obviamente com o objetivo final de melhores resultados .M econômicos. Guilherme Belardo, Unesp
Trincheira mostra o enraizamento e a profundidade das raízes de canavial em área sem compactação
IMPLEMENTOS Rodrigo Bordim Rizato
Plantando florestas O transplantio de mudas em áreas florestais é um desafio constante, uma vez que geralmente são encontradas condições adversas de terrenos e equipamentos disponíveis para a operação
A
produção de florestas para atender o mercado consumidor de madeira e derivados é uma tarefa contínua. Para obter uma floresta homogênea e de qualidade, o plantio das mudas se torna uma das operações mais importantes, pois somente com as mudas bem consolidadas
no campo é possível assegurar um bom desenvolvimento inicial da floresta. O plantio florestal pode ser feito de três formas: manual, semimecanizado ou mecanizado. A escolha do método depende de uma série de fatores, que estão relacionados principalmente com a disponibilidade de mão de obra, a decli-
vidade do terreno e o tipo de preparo de solo utilizado. O plantio mecanizado é ainda pouco usado, sendo o semimecanizado o mais utilizado hoje pelo setor florestal, por ser de mais baixo custo, fácil manutenção, bom rendimento, além de permitir o planejamento do plantio o ano todo. As transplantadoras são as máquinas responsáveis pela implantação das mudas no campo. Semelhantemente às plantadoras convencionais, estas máquinas podem ser utilizadas para fazer o transplante no sistema com preparo do solo (convencional) ou em sistema de transplante direto (sem preparo do solo). Nesse sentido, as máquinas mais comuns são constituídas basicamente por um chassi, no qual são montados os elementos de plantio, como sulcadores para deposição da muda e do adubo; sistema de recobrimento e compactaJulho 2017 • www.revistacultivar.com.br
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Divulgação
entraves deste sistema é justamente a manutenção do espaçamento entre as mudas, que depende, unicamente, da destreza do operador. A alternativa apresentada com o uso de autopropulsão é devido à falta de tratores de pequeno e médio porte com relações de transmissão super-reduzidas.
ALIMENTAÇÃO NO SULCO
O transplante florestal semimecanizado é dividido em sistema de alimentação por gravidade, por depósito diretamente no sulco e por alimentação indireta
ção da muda; sistema de acoplamento ao trator; e bancos para os operadores, no caso daquelas com alimentação semiautomática das mudas. A seguir, será explanado o transplante florestal semimecanizado, em que as transplantadoras abrangem especialmente três sistemas de alimentação: por gravidade, depósito diretamente no sulco e alimentação indireta.
TRANSPLANTIO POR GRAVIDADE
No sistema de transplantio de mudas com alimentação por gravidade, ainda é possível diferenciar dois sistemas. O primeiro é largamente difundido no meio florestal, por ser considerado o mais simples dentre os métodos. Neste sistema, as mudas armazenadas numa caixa carregada pelo próprio trabalhador são colocadas de forma manual na parte superior da transportadora e escorregam por gravidade até alcançarem a parte inferior da máquina. Nesse momento, o trabalhador aciona um mecanismo de abertura e fechamento, para que a muda seja então liberada no sulco, previamente aberto por uma máJulho 2017 • www.revistacultivar.com.br
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quina de preparo do solo. Concomitante ao transplantio, geralmente ocorre a irrigação da muda transplantada, através de um sistema de mangueira acoplado à transplantadora e abastecido por um reservatório auxiliar. O segundo sistema é baseado no primeiro, entretanto, esta concepção passa a ser acionada por um motor de combustão interna, sustentado pelas rodas de tração, localizadas na parte anterior da máquina. Ela possui dois tubos estruturais, os quais, em sua extremidade superior, apresentam as pegas nas quais o operador conduz e equilibra a máquina. O princípio de funcionamento desta transplantadora é muito simples: as mudas, armazenadas na caixa, são também depositadas manualmente pelo operador na calha, em forma de “V”. A partir deste momento as mudas escorregam, por gravidade, sobre a calha inclinada, até alcançar o sulco previamente aberto pelo sulcador (mecanismo constituinte dessa máquina). Ao final de cada operação têm-se as mudas transplantadas com espaçamento relativamente grande, regulado pela agilidade e prática do operador. Um dos
As transplantadoras de mudas com alimentação no sulco podem ser apresentadas de diversas formas. Entretanto o princípio de funcionamento é o mesmo para todas. Elas são constituídas por um chassi transversal no qual estão fixados a roda limitadora de profundidade e os sulcadores com a função de abrir o primeiro sulco. Geralmente, logo em frente a esses mecanismos sulcadores, existem hastes que, em suas extremidades inferiores, suportam sulcadores de menor dimensão deslocados em relação aos primeiros sulcadores, e entre as abas destes os operadores depositam as mudas, diretamente no sulco. Na sequência da operação é realizado o fechamento do sulco, com a deposição de solo ao redor da muda e leve compactação, através das rodas compactadoras. As transplantadoras apresentam ainda uma estrutura em forma de caixa para armazenamento das mudas, de onde os operadores as retiram para o plantio. O deslocamento do conjunto pode ser através do sistema de três pontos do trator. Neste tipo de equipamento a posição do operador é desconfortável, pois trabalha arqueado, tendo de curvar-se para depositar as mudas no solo ou permanecer o tempo todo em pé, sem o conforto necessário. Outro ponto importante é o fato de o espaçamento das mudas depender unicamente da habilidade do operador de depositá-las sempre no mesmo espaçamento.
TRANSPLANTADORAS DE MUDAS
O transplantio de mudas com alimentação indireta assemelha-se mui-
Edegal
Farming Simulator
No detalhe, o mecanismo de roda gigante condutor da muda ao solo
cadeia distribuidora e/ou modificando o número de pinças/canaletas. Além dos sistemas mencionados, existem outros tipos de transplantadoras semimecanizadas, sendo, entretanto, menos utilizadas para o plantio florestal. São exemplos, as transplantadoras com alimentação por fitas, que possuem alimentação automática baseada no dispositivo alimentador em forma de carretel, em que são colocadas as mudas fixadas com o auxílio de prendedores; e as transplantadoras com alimentação por bobinas, onde as mudas são previamente preparadas e montadas num suporte que as transfere para um tambor alimentador que irá conduzi-las até o solo. Independentemente da transplantadora adotada, um aspecto comum a todas é que precisam de uma velocidade de trabalho muito reduzida (inferior a 2km/h), devido à necessidade da muda permanecer erguida no solo. O
Transplantadora com alimentação direta no sulco
trator que acopla a máquina deve, portanto, estar preparado para trabalhar uniformemente a velocidades muito reduzidas. Dessa forma, com a implantação inicial das mudas adequada, a condução da floresta se torna um processo muito mais facilitado. As florestas plantadas não são apenas eficientes unidades produtoras de matérias-primas. Mas também conjuntos vivos e dinâmicos em constante interação com o meio ambiente podem e devem desempenhar funções econômicas, ambientais e sociais sem antagonismo com os princípios de sustentabilidade, como é o caso de florestas de proteção, de abrigo e de barreiras contra o vento ou contra .M a desertificação. Gessieli Possebom, Tiago Gonçalves Lopes e Airton dos Santos Alonço, Laserg/UFSM
Divulgação
AgaClip
to ao sistema anterior, entretanto o trabalhador não deposita a muda diretamente no sulco, e sim um mecanismo condutor é responsável por essa tarefa. De modo análogo ao anterior, um mecanismo sulcador realiza a abertura do sulco. Esse procedimento pode ser realizado por discos ou por hastes, variando de acordo com a transplantadora utilizada. Independentemente do mecanismo empregado, acima do sulcador, a transplantadora apresenta um sistema semelhante a uma roda gigante, que gira no mesmo sentido do deslocamento do trator. Essa roda gigante apresenta canaletas ou pinças, de modo que permitem o acoplamento das mudas florestais pelos trabalhadores, fechando automaticamente, uma vez que o operador colocou a planta. Com o sistema de giro da roda gigante, a muda florestal alcança o solo e, em todos os casos, as pinças ou canaletas se reabrem quando a planta foi depositada no sulco. A sequência da operação é dada da mesma forma que as demais transplantadoras, com o fechamento e a compactação do sulco através das rodas compactadoras. Para que a operação ocorra de maneira correta, esse sistema requer uma alimentação contínua por parte do operário. A regulação da distância entre mudas dentro de cada linha é feita modificando a relação de transmissão entre a roda motriz e o disco ou
Exemplo de transplantadora com alimentação por gravidade manual (esquerda) e com motor à combustão (direita)
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CAPA
LS Planter H 08045
A versão hidráulica da semeadora LS Planter H 08045, testada pela nossa equipe, mostrou grande precisão na distribuição geométrica de sementes, além de distribuição de fertilizantes que garante uma homogeneização entre as linhas acima dos 99%
O
Brasil possui uma condição invejável em termos de oferta e variedade de máquinas para semeadura, principalmente em condição do que convencionamos chamar de plantio direto na palha. Poucos países do mundo possuem tantos avanços em máquinas semeadoras direcionadas a esta prática. Esta é uma das razões por termos conseguido consolidá-la como uma das melhores formas de controle
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de erosão e conservação do solo agrícola. Na região Sul nasceu a técnica e com o passar dos anos ela evoluiu, chegando a um estágio realmente digno de elogios. É ciência aplicada, resultante da interação entre diversas áreas de engenharia e da agronomia. Nossas máquinas são auxiliares tanto na conservação do solo como à elevação da produtividade agrícola. Nesta edição voltamos a testar a LS Planter, em uma nova configuração e em condições de campo e forma de
avaliação. A marca LS Tractor já não é novidade no País. Esta empresa de origem sul-coreana, desde 2013 está instalada e produzindo tratores no Brasil, atingindo níveis de conquista de mercado realmente importantes. Instalada com fábrica de tratores em Garuva (SC), possui uma rede de concessionários já bem estabelecida, fazendo com que começasse a oferecer em 2017, além dos tratores de rodas, uma máquina semeadora. Esta ação está sendo feita por meio de um acordo com a empresa EIXOPLANT, de Passo Fundo (RS), que é responsável pelo projeto, desenvolvimento e produção com a marca LS Planter. O portfólio de produtos já desde o início é bastante amplo, com oferta de diversos modelos e configurações. O chassi comporta de 6 a 16 linhas com espaçamento padrão (45 cm), sendo que em plantio adensado (30 cm) pode chegar a 21 linhas, em chassi único. Ainda é possível dobrar com a utilização de Tandem, acoplado a duas máquinas em linha. O espaçamento pode variar desde 30cm até 1metro,
Fotos Charles Echer
apenas por deslocamento lateral das linhas sobre a barra transversal que a suporta.
ESTRUTURA
O chassi da H 08045 é do tipo Flex Frame, que permite junções sem soldas entre os componentes. Utilizando em sua maioria parafusos de cabeça francesa, facilita reapertos, montagens e desmontagens, sendo necessária apenas uma ferramenta. Robusta, utiliza chapas e perfis espessos, sendo que nesta configuração, com as oito linhas montadas, alcança 3.520kg de peso total. O tracionamento da semeadora é do tipo arrastado, sendo que o engate do cabeçalho à barra de tração do trator apresenta duas posições de altura, que facilitam o nivelamento conforme a altura da barra de tração do trator, mantendo a máxima horizontalidade. Já na junção com a máquina, possui engate nas duas partes inferiores e terceiro ponto na parte superior, com macaco de rosca, que é utilizado tanto para levantar o cabeçalho para acoplamento ao trator, quanto para nivelar a semeadora longitudinalmente para o trabalho. No cabeçalho é dispo-
nibilizado um espaço com tampa para guardar ferramentas. O sistema de suporte dos rodados da semeadora ocorre por dois robustos pistões hidráulicos, com gerenciamento automático da altura através do monitor, diretamente da cabine do operador. Os incrementos de altura ocorrem de forma percentual, ajuste possível graças a um sensor de posição localizado junto ao pistão, informando em tempo real a altura exata da semeadora e possibilitando ajustes milimétricos. As rodas estão equipadas com pneus marca Goodyear modelo Bandeirante 7.50-16. No caso desta semeadora, os rodados servem somente para sustentação, pois o acionamento dos dosadores ocorre de forma
A LS Planter H 08045 não possui nenhuma roda dentada ou correntes
hidráulica. Para o apoio da H 08045 ao solo, quando estacionada ou completamente elevada para manutenção, contam-se com dois cavaletes com regulagem de altura, propiciando boa estabilidade e
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Conjunto eletro-hidráulico gerencia os motores hidráulicos que movimentam os dosadores de fertilizantes e sementes
segurança. As dimensões para transporte ou acondicionamento são: largura total de 4.310mm; comprimento com o cabeçalho abaixado 4.870mm e suspenso 3.180mm; altura máxima 2.640mm. Os reservatórios de semente e fertilizante estão localizados em mesmo nível na parte superior da máquina, separados por uma ampla plataforma, que disponibiliza 570mm de largura de piso para a passagem dos operadores. Cada reservatório atende duas linhas, sendo quatro unidades para fertilizante, com capacidade total de 1.056kg (880L), e quatro unidades para sementes, com 660kg (880L) de capacidade. O acesso à plataforma é facilitado por escadas escamoteáveis, com quatro degraus, nas duas extremidades laterais, sendo presentes também pega-mãos para o auxílio à subida. Notou-se esmero construtivo na parte elétrica e hidráulica. Com a fiação elétrica envolta e protegida em conduítes plásticos, foi presa ao chassi por abraçadeiras plásticas de nylon, mesmo material utilizado para organizar as mangueiras hidráulicas. Estes foram posicionados em locais que dificultam o acesso de materiais que possam arrancá-los ou danificá-los. Também verificamos a presença de proteções plásticas para as molas que regulam a pressão de corte do facão sulcador, resguardando contra poeira e impactos acidentais que possam lesionar o operador. As linhas de semeaduras são responsáveis por abrir um sulco para depositar sementes e fertilizantes, em Julho 2017 • www.revistacultivar.com.br
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Ao longo de 3.178mm estão localizados todos os componentes da linha de plantio
local e profundidades adequados, e também proporcionar um ambiente ideal para que essas sementes possam germinar e ter um ótimo crescimento. As linhas de semeadura da LS Planter H08045 possuem diversos mecanismos para oferecer essas condições, com algumas particularidades que facilitam o trabalho e o tornam mais preciso. Em 3.178mm de comprimento estão bem distribuídos: disco de corte, sulcador do tipo haste para o fertilizante, sulcador do tipo disco duplo para a semente (em sistema pantográfico), rodas de controle de profundidade e rodas de cobertura. Oito linhas de semeadura equipam este modelo de semeadora testada.
DISCO DE CORTE
aço especial de 12mm de largura, com extremidade em bisel, formando um ângulo de 45°, com um ângulo de ataque ao solo de 20°. A lâmina de corte em formato bisel tem seu corte para apenas um lado, sendo quatro delas voltadas para o lado direito e quatro para o lado esquerdo, mantendo assim o equilíbrio na atuação dos mesmos e menor exigência de energia para sua atuação. O sulcador permite até sete opções de proximidade do disco de corte, através de dois parafusos que fixam o sulcador à estrutura. Devido ao afastamento do disco de corte, possui um sistema de mola dupla para atingir profundidades maiores quando se deseja
Para o corte da palha e o início da abertura do sulco, a semeadora estava equipada com disco de corte liso de 20”, fixado em estrutura robusta para suportar a agressividade dos obstáculos em que o mecanismo está constantemente exposto. Para permitir que o mesmo possa atingir boa profundidade de atuação, mesmo em solos compactados ou com bastante palha, o mecanismo possui um sistema de mola independente, com regulagem da pressão através de rosca.
SULCADOR DE FERTILIZANTE
Aqui destacamos uma das primeiras novidades e o diferencial da máquina. O sistema de sulcador anti-impacto para fertilizante, localizado logo após o disco de corte, é composto por uma haste em
Posicionamento dos fusos entre as barras
uma atuação mais profunda. O que mais nos impressionou neste sistema sulcador foi o mecanismo utilizado para vencer os obstáculos, como pedras, raízes e outros, que possam danificar ou romper a estrutura que suporta o sulcador de haste. No momento de um impedimento, o disco de corte é forçado a subir mesmo com a atuação da mola, suspendendo e passando por cima da barreira; ao mesmo tempo em que o disco sobe, seu suporte prende na estrutura da haste, suspendendo-a também e permitindo com que o obstáculo seja vencido sem causar danos à estrutura.
SULCADOR DA SEMENTE
A atividade mais importante realizada pela semeadora é a distribuição da semente. Para isso, além de um sistema dosador preciso e eficiente, é necessário um mecanismo que possa depositar essas sementes no solo, em distância e profundidade selecionadas na regulagem. Esta responsabilidade recai sobre o sistema sulcador e as rodas de controle de profundidade. Os discos de 15”, fixados em eixos desencontrados, permitem a abertura de um sulco adequado para a deposição das sementes. Após a dosagem no sistema dosador, localizado logo acima destes discos duplos, as sementes entram em um tubo condutor que passa
Fotos Charles Echer
Na regulagem da coluna umidificadora deve-se cuidar para que as escovas toquem nos fusos
Através do monitor na cabine é possível definir todas as características do plantio, como espaçamento, profundidade e volume de fertilizantes
por entre os discos e então são depositadas no solo. Essa pequena distância entre a dosagem e a deposição, somada à condução até próximo do solo, evita a variação na deposição das sementes. No teste quantitativo que fizemos e também pelas informações fornecidas pelo monitor, dentro da cabine do operador, através de sensores presentes nos condutores, se pode verificar esta qualidade da máquina. Um sistema de limpeza na parte interna, através de raspagem, elimina o solo retido nos discos, evitando com que os resíduos fiquem presos e impeçam a rotação dos mesmos.
Nos surpreendeu positivamente a existência de um amortecedor e de uma mola, em cada linha, no sistema pantográfico da semeadora. Durante as avaliações práticas, foi constatado o seu desempenho, sendo perceptível a atenuação da vibração na linha, mantendo movimentos mais suaves e facilitando a dosagem e o deslocamento das sementes, sem impedir o contato constante com o terreno.
RODAS DE PROFUNDIDADE
O controle da profundidade de atuação do sulcador da semente é realizado por duas rodas limitadoras de profundidade, para cada linha. Também nos agradou a forma de atuação desses mecanismos, onde as rodas estão posicionadas ao lado dos discos duplos, característica oferecida através de uma estrutura que faz com que as rodas trabalhem mais adiantadas, sendo empurradas pelo conjunto e não tracionadas, como ocorre convencionalmente. Isso permite maior precisão na sua atuação, através do reconhecimento das irregularidades do solo próximo ao local onde as sementes estão sendo depositadas, evitando variação na profundidade. Antes de iniciar o teste no campo, foi realizada a regulagem da semeadora para depositar as sementes na profundidade de três centímetros para posterior avaliação da distribuição longitudinal e transversal. No momento da regulagem, fomos surpreendidos pela vasta gama Julho 2017 • www.revistacultivar.com.br
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Manutenção e servicibilidade
A
LS Planter teve atenção especial quanto ao quesito manutenção, utilizando acionamento por eixos e caixas de transmissão, ao invés de rodas dentadas e correntes. Devido aos conjuntos de acionamento contarem com rolamentos blindados e ao acionamento dos dosadores de semente serem através de um eixo flexível, giratório e elástico (eixoplant), os pontos onde deve ocorrer a lubrificação por graxa são mínimos. A tarefa de lubrificação de pinos graxeiros se resume a quatro unidades em cada lateral da máquina, no suporte dos pistões hidráulicos, duas unidades no macaco de suporte e ajuste do cabeçalho e quatro unidades por linha de semeadura, diminuindo assim o tempo para a realização das atividades diárias de manutenção. As caixas de transmissão possuem fluido lubrificante em seu interior, propiciando maior intervalo entre manutenções, e que deve ser substituído conforme as orientações contidas no manual do
de opções de regulagens precisas de profundidade disponibilizadas por um sistema, que através de um eixo com rosca, oferece opções milimétricas, totalizando aproximadamente 80 posições. Além disto, há uma regulagem do ângulo de convergência entre as rodas. A variação deste ângulo lateral na atuação das rodas limitadoras é importante para situações de alto conteúdo de umidade do solo ou presença de muita palha, possibilitando um melhor fluxo, evitando embuchamentos.
RODAS COMPACTADORAS
Compondo a parte final da linha de semeadura, as rodas compactadoras possuem a função de eliminar o excesso de ar dentro do sulco e melhorar o contato da semente com o solo. Quatro opções de pressão de mola permitem que as rodas de cobertura, dispostas em “V”, executem essa função sem ocasionar excesso ou baixa pressão de compactação do solo. Outra característica importante, também conferida a este mecanismo, foram as seis opções de abertura do ângulo de ataque em relação ao sulco. Julho 2017 • www.revistacultivar.com.br
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fabricante. O sistema hidráulico de acionamento também possui um filtro para proteção do conjunto. Com o acionamento dos dosadores ocorrendo por eixos flexíveis, e estando posicionados logo acima da parte inferior do conjunto de deposição de sementes, se eliminam os tradicionais enrolamentos de palhas, além de proporcionar maior vida útil deste componente. A altura mínima do solo, quando em elevação máxima da semeadora, é 280mm para o disco de corte. Esta alta capacidade de elevação é uma característica fundamental para atividades de desembuchamento e para a alteração de largura ou montagem/desmontagem de linhas, assim como para o deslocamento sobre terraços. Além disso, facilita o transporte, evitando que discos atinjam o solo em estradas irregulares e com camaleão central. Para facilitar a regulagem do espaçamento entre linhas, o projeto inclui abraçadeiras robustas, com guias para auxiliar o trabalho, diminuindo o esforço na atividade.
Essa regulagem é utilizada para manter ou evitar o excesso de solo sobre a linha de semeadura.
CALIBRAÇÕES E REGULAGENS
A numeração 08045 da semeadora indica tratar-se de uma máquina com oito linhas, espaçadas em 45cm entre si. Ainda, a letra H identifica que o modelo é dotado de motores hidráulicos para o acionamento dos mecanismos dosadores de sementes e de fertilizantes.
Um aspecto importante, que chama atenção de imediato nessa semeadora, é a completa ausência de rodas dentadas e correntes nas transmissões de potência entre os seus eixos. Os mecanismos dosadores de sementes e de fertilizantes são acionados através de um fluido hidráulico sob pressão, fornecido pelo sistema hidráulico do trator. Uma mangueira conduz o fluido pressurizado do sistema hidráulico do trator até um conjunto de comando eletro-hidráulico, onde, através de sinais advindos do controlador LS Planter 8100, o mesmo gerencia o acionamento dos motores hidráulicos que movimentam os dosadores de fertilizantes e sementes. Outra mangueira atua apenas como retorno do sistema. Não é necessário que os tratores utilizados contem com sistema com fluxo do hidráulico constante, podendo somente realizar o travamento da alavanca de acionamento e contar com um sistema com vazão mínima de 35L/min. O controle da velocidade dos mecanismos dosadores que, em última análise determina a população de plantas e a dose de fertilizantes, é comandado por um controlador eletrônico associado a um sensor de roda que registra em tempo real a velocidade de deslocamento da máquina. Dessa forma, as velocidades dos eixos são ajustadas às necessidades definidas pelo usuário (dose de fertilizantes e população de plantas) e a velocidade real de deslocamento da semeadora no campo. O controlador LS Planter 8100, utilizado na LS Planter H08045, é um sistema de automatização, que permite ao
Durante o teste, a equipe realizou medidas da distribuição de sementes que apresentou 90% de espaçamentos normais
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Detalhes como proteção do conjunto de molas mostram o cuidado com os detalhes da máquina
usuário realizar as principais regulagens da máquina, como população de plantas, dose de fertilizantes e pressão sobre as linhas que contêm os mecanismos rompedores do solo, assim como o levantamento e o abaixamento das linhas, com simples toques em uma tela sensível. A LS Planter desenvolveu um sistema em que a calibração inicial, onde devem ser inseridos dados como o espaçamento entre as linhas, o número de alvéolos do disco dosador de sementes e a quantidade de fertilizante coletado em cada linha durante um tempo preestabelecido, é feito com a máquina parada. Selecionando os menus (sementes, fertilizantes e calagem) define-se a população de plantas, a dose de fertilizante e a pressão de calagem desejada (não
A plataforma de acesso aos reservatórios de sementes e fertilizantes é ampla e de fácil acesso
utilizando calço no cilindro hidraulico). Da mesma forma, a tela touchscreen possui as funções Iniciar Plantio e Finalizar Plantio, apenas com um toque. Nesse caso, ao tocar em Iniciar Plantio, os cilindros hidráulicos baixam os discos e os sulcadores ao solo e pressionam os mesmos de acordo com o nível de pressão selecionado (calagem), que pode variar entre 55% e 99%. Ao mesmo tempo, os motores hidráulicos que acionam os mecanismos dosadores de fertilizantes e de sementes são ligados e iniciam a distribuição desses insumos. De forma inversa, ao se pressionar na tela a opção Finalizar Plantio, os cilindros hidráulicos levantam a máquina, cessando o movimento dos eixos que acionam os dosadores de fertilizantes
e de sementes. Nessa tela de comando ao toque também é possível desligar a distribuição de sementes em metade da largura da semeadora. As configurações (regulagens) iniciais da semeadora (quantidades de sementes, doses de fertilizantes e pressão sobre as molas - calagem) podem ser alteradas durante a operação, através de toques na tela sensível do monitor, possibilitando, nos modelos com o acionador hidráulico, realizar as operações com taxa variável, tanto na quantidade de sementes quanto na dose de fertilizantes, ou mesmo na pressão sobre os rompedores do solo. O controlador da semeadora também monitora a distribuição das sementes em tempo real, linha por linha, e calcula a média entre as linhas, alertando o usuário em caso de falha nos dosadores. Além disso, o controlador informa a velocidade de deslocamento do conjunto trator/ semeadora-adubadora, a capacidade de trabalho da máquina (hectares por hora) e totaliza a área semeada em uma jornada.
ROTOR DE PULSO ZERO
No teste de distribuição de fertilizantes, houve uma variação de apenas 0,94% entre as quatro linhas avaliadas
O mecanismo dosador de fertilizantes, rotor de pulso zero, é um dosador constituído por uma câmara, dentro da qual gira um rotor com células ou alvéolos, que guardam alguma similaridade com o dosador de sementes por rotor acanalado helicoidal. O rotor é composto por um polímero de alta resistência contra a abrasão, antiaderente e imune à ação química dos elementos constituintes dos fertilizantes. Cabe destacar que a Julho 2017 • www.revistacultivar.com.br
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Fotos Charles Echer
Monitor fornece todas as informações de plantio e calibragens da máquina
Rotor de pulso zero distribui fertilizantes com grande precisão
principal qualidade, e o diferencial desse dosador de fertilizantes, é a ausência de pulsações proporcionadas pela disposição helicoidal das células em torno do rotor, cujo eixo é posicionado transversalmente ao sentido de deslocamento da máquina. Como já mencionado, na parte inferior do dosador (saída), o mesmo é conectado a um tubo telescópico (condutor) que conduz os fertilizantes até um tubo rígido localizado na parte traseira do sulcador (facão), onde se desloca até o fundo dos sulcos abertos por este no solo. Na saída do dosador, pouco antes de sua conexão com o tubo telescópico, existe uma abertura retangular (janela) que possibilita ao operador verificar a ocorrência de obstrução do condutor de fertilizantes.
deslocada ao longo de um percurso de 50 metros. Nos 6,5 metros centrais do percurso, desprezando-se as extremidades, foram realizadas as medidas de distância entre as sementes em quatro linhas (espaçamento), o que deveria permitir a verificação da regularidade da distribuição geométrica das sementes. O sistema de distribuição geométrica, divulgado pela empresa, refere-se ao arranjo das plantas em grupos de cinco, com uma no centro, o que resulta em triângulos equiláteros, onde se obtém a otimização do espaço entre as plantas pela não coincidência de sementes de linhas vizinhas. Para verificação da acurácia da máquina em depositar as sementes no espaçamento e na posição pretendidos, utilizamos a metodologia de quantificar cada espaço entre sementes, em um número total de 100, e estimar, dentre eles, a presença de espaçamentos fora do padrão de normalidade, como falhas
TESTES DE CAMPO
Decidimos fazer um teste quantitativo para esta edição. As razões pela escolha desta metodologia foram a disposição de condições ótimas de campo, a disponibilidade de pessoal e a visualização de características particulares da máquina. Na calibração da população de sementes (milho), partiu-se da seleção do disco dosador em função das dimensões (comprimento, altura e largura) das sementes. Optou-se por um disco de 28 alvéolos (furos) circulares com diâmetro de 11mm, mais um anel espaçador liso de 4mm de espessura. As sementes foram lubrificadas com grafite em pó. O controlador de semeadura foi ajustado para distribuir quatro sementes por metro, e para estimar a distribuição longitudinal de sementes a máquina foi Julho 2017 • www.revistacultivar.com.br
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(vazios) ou duplas (múltiplas). Para isto, utilizou-se o critério de enquadrar apenas, como espaçamento padrão ou normal, aquele que estivesse no intervalo entre a metade do espaçamento predeterminado (25cm entre sementes) e uma vez e meia este espaçamento objetivo. Portanto, passamos a considerar padrão ou normal todo o espaçamento entre sementes que ficasse no intervalo de 12,5cm a 37,5cm. Abaixo de 12,5cm, seria considerado para sementes duplas e acima de 37,5cm consideraríamos uma falha na distribuição. Aplicando-se este método, em quatro linhas contíguas, chegamos ao expressivo número de 90% de espaçamentos normais, isto é, apenas 10% dos espaçamentos entre sementes ficaram dispostos fora da normalidade. Este resultado coloca esta máquina em uma condição de aprovação para certificação nos mercados mais exigentes. Para calibrar a distribuição de fertilizantes, coletou-se e pesou-se o fertilizante distribuído em quatro linhas da máquina, utilizando um procedimento de calibração padronizado, no qual o controlador define um tempo de coleta e uma velocidade do eixo de acionamento do dosador de fertilizantes. Nessa calibração, os valores obtidos nas quatro linhas foram de 1.764g, 1.760g, 1.759g e 1.739g, o que corresponde a uma média de 1.755,5g e a desvios máximos de 0,94% abaixo da média e de 0,48% acima da média. Esse procedimento de calibração deve ser realizado cada vez que se altera o tipo de fertilizante utilizado, e o valor obtido tem de ser informado ao
controlador de semeadura. A partir disso basta selecionar o menu fertilizantes e digitar a dose desejada, que pode variar entre 19kg/ha e 900kg/ha.
LOCAL DO TESTE
O local escolhido pelo concessionário LS para os testes foi a Fazenda Nossa Senhora Aparecida, que está localizada às margens da Rodovia RS-135, município de Coxilha (RS). Fomos recebidos com muita atenção e motivação pela senhora Loreni e o senhor André, filha e genro do senhor Oclydes Otávio Antoniolli, proprietário da fazenda. Tanto o senhor Oclydes como a sua esposa, Maria Luiza, a neta Ana Lorena e o neto Otávio estavam presentes no teste e na tarde de campo que se realizou em sequência. Atualmente a cultura predominante é a soja, correspondendo a 100% da área cultivada (70 hectares) nos últimos três anos, como cultura de verão. Já para a cultura do inverno, a escolha é aveia, sendo semeados aproximadamente 20% da área cultivada. Também é aproveitado este período para a engorda de gado, terminando no período de verão em sistema de confinamento. Para a família, a motivação em adquirir a LS Planter foi a possibilidade de trabalhar com mais tecnologia na semeadura, com melhor qualidade de distribuição, tanto de semente quanto de adubo, para alcançar uma maior eficiência e melhorar a produtividade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta máquina apresenta três opções
O teste foi realizado na Fazenda Nossa Senhora Aparecida, no município de Coxilha (RS)
de acionamento para os mecanismos dosadores, as transmissões mecânica, hidráulica e CVT (transmissão variável). Os clientes que utilizam mais tecnologia tenderão a optar pelo acionamento elétrico, pois é um sistema mais completo, permitindo a inserção de mapas de correção. No entanto, como este sistema tem funcionamento mais complexo, exigirá maior capacidade técnica dos operadores. Já o sistema hidráulico permite uma operação facilitada e com possibilidade de alterações manuais das taxas de aplicação com o simples apertar de uma tecla, sem necessitar a inclusão de mapas e aproveitando o conhecimento de particularidades da lavoura pelo agricultor. Tanto a semeadora com comando hidráulico quanto a que utiliza o sistema CVT possuem tecnologia independente, não necessitando de outras interfaces para funcionamento, nem especialização do trator utilizado para a tração. Ao acoplar a semeadora, o sistema de controle e interação com o operador virá junto e terá seu próprio monitor. Para o funcionamento da H08045 é utilizado o controlador no interior da ca-
P
bine. No entanto, no caso de necessidade de movimentar a semeadora, é possível desacoplar as mangueiras dos pistões de levante do engate rápido presente no comando eletro-hidráulico e acoplar diretamente no trator, agilizando o processo de manobra. Destacamos que desde o primeiro teste realizado, o acionamento do dosador de sementes realizado por eixo flexível mantém a velocidade do disco dosador constante, mesmo que haja oscilação da posição vertical dos abridores de sulco para a deposição das sementes. Finalmente a equipe de teste ressalta a qualidade da distribuição longitudinal e transversal de sementes que, com a alta porcentagem de espaçamentos dentro do padrão de qualidade exigido, coloca esta máquina em condições de ser aprovada nos mais rígidos padrões de qualidade. .M José Fernando Schlosser, UFSM Walter Boller, UPF Rovian Bertinatto e Gilvan Bertollo, UFSM
Concessionário Globalmac
ara a realização deste teste, contamos com o apoio da concessionária Globalmac, de Passo Fundo. O grupo Globalmac também possui lojas em Barra do Ribeiro, Caxias do Sul, Pelotas e Porto Alegre. Ainda, possui postos avançados em Capivari do Sul, Carazinho, Erechim, Espumoso, Mostardas, Veranópolis e Tuparendi, onde, através de parceiros de negócios, oferecem peças e serviços, além de exposição de máquinas, aproximando-
-se ainda mais do produtor. Atualmente, o grupo Globalmac atende 319 municípios do estado do Rio Grande do Sul. A empresa foi fundada em 2013 e se tornou uma importante parceira da LS Tractor, desde o início da produção de tratores na fábrica. Com um novo endereço e instalações no município de Passo Fundo, ao visitá-la percebemos uma loja bem organizada, propiciando um bom local para atendimento aos agricultores.
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MOTORES Marcelo Silveira de Farias
Turbinar ou não?
Turbinar o motor de um trator certamente é uma tentação para muitos produtores. No entanto, para se obter o efeito desejado, deve-se ir além da simples sobrealimentação de ar no sistema de combustão
A
inda, muitos agricultores, no momento da aquisição, levam em consideração o motor dos tratores agrícolas como referência para comparações, onde as principais especificações observadas dizem respeito à marca e ao modelo do motor, ao número de cilindros, ao volume interno deslocado (cilindrada), à aspiração e aos valores de torque e potência. Estes valores representam as principais características do desempenho do motor e são conhecidos por meio de ensaios dinamométricos. O grupo de pesquisa do Laboratório de Agrotecnologia (Agrotec), vinculado ao Núcleo de Ensaios de Máquinas Agrícolas (Nema) da UFSM, trabalha na consolidação de uma proposta ampla de trabalho, visando imprimir uma rotina de ensaios que melhor caracterizem os tratores utilizados na região. A partir da realização deste tipo de avaliação em tratores pode-se obter, por exemplo, a realidade encontrada no momento da Julho 2017 • www.revistacultivar.com.br
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execução de uma operação agrícola. A fim de aumentar a potência de um motor aspirado, geralmente abaixo de 80cv, alguns agricultores contratam empresas especializadas que disponibilizam kits para a sobrealimentação de ar, os quais podem ser instalados em motores de tratores novos ou usados. Esta prática proporciona um aumento da potência do motor a um baixo custo, o que resulta em uma boa relação custo-benefício, uma vez que estes kits servem para introduzir no cilindro um volume de ar superior ao correspondente à aspiração natural. O compressor centrífugo, do tipo turbocompressor, popularmente chamado de turbo, é um sistema que aproveita a energia dos gases de escape para movimentar uma turbina, instalada na entrada do sistema de admissão de ar do motor. Essa turbina faz a sucção do ar atmosférico (oxigênio) e o conduz, sob pressão, para o interior do cilindro, obtendo-se assim maior potência para
um mesmo volume interno deslocado. De acordo com alguns pesquisadores, a maior quantidade de ar possibilita um melhor funcionamento do motor diesel, e isto oferece, entre outras, a vantagem de poder utilizar combustíveis de pior qualidade para aumentar a potência do motor, pois quanto maior é o volume de ar admitido, mais fácil se obtém a combustão total da carga de combustível. Contudo, para se conseguir ganhos significativos de potência do motor, além do aumento do volume de ar, obtido por meio da adição do kit, também se faz necessário incrementar o volume de combustível injetado na câmara de combustão. Estas modificações fazem com que o consumo específico de combustível seja reduzido, em função da melhor relação estequiométrica (mistura ar/ combustível), proporcionando aumento da eficiência térmica do motor. Devido à necessidade de quantificar o efeito da adição do turbo no desempenho
submetidos à análise estatística para verificar a significância das diferenças entre as quatro configurações avaliadas (C1, C2, C3 e C4), em um delineamento experimental inteiramente casualizado, com três repetições.
RESULTADOS DE TORQUE
Configurações do motor aspirado (esquerda) e turboalimentado (direita)
de um motor agrícola, foi desenvolvido um trabalho que teve como objetivo determinar os valores de torque, a potência e o consumo de combustível, com diferentes configurações do sistema de alimentação de ar e de combustível do motor.
COLETA DE DADOS
O experimento foi realizado utilizando um trator da marca Massey Ferguson, modelo MF 4275, equipado com motor Perkins, modelo 1104A-44 de quatro cilindros, 4,4L de volume deslocado, aspiração natural com potência e torque máximo de 75cv e 275Nm, respectivamente, sob a norma ISO TR 14396, segundo informações do fabricante. A bomba injetora de combustível que equipa o motor é mecânica do tipo rotativa, da marca Delphi. Para os testes, utilizou-se um freio dinamométrico móvel de correntes parasitas, marca EGGERS, modelo PT 301 MES. Por meio deste, coletaram-se os valores de torque e potência máxima do motor. O consumo de combustível foi medido por meio de um fluxômetro da marca Eggers, modelo FM3-100. Para a coleta de dados foi utilizado o software Eggers Power Control, que gerencia o uso do dinamômetro e do fluxômetro. Antes de iniciar as avaliações, com o objetivo de atingir a temperatura ótima de funcionamento, utilizando o freio dinamométrico, foi imposta carga ao motor, pelo período de 20 minutos. Como as medições foram realizadas na TDP do trator, e considerando que segundo a norma Asae EP496.2 (2003) existem perdas de potência da transmissão do motor até a TDP (10%), esse percentual
foi adicionado aos valores observados de torque e potência. Foram realizadas intervenções no motor para poder estabelecer o fator configuração do sistema de alimentação de ar e de combustível: C1. O motor foi avaliado na sua configuração original de fabricação; C2. Foi realizada a regulagem da bomba injetora em uma bancada de testes, onde a carga de óleo diesel passou de 67ml a 800rpm da bomba injetora para 74ml (aumento de 10%); C3. Um kit para a sobrealimentação de ar, da marca Master Power, modelo APL 240, com pressão de admissão de 1bar, foi instalado após o serviço realizado na bomba injetora; C4. Com o turbo instalado, retornou-se à carga original de óleo diesel injetada pela bomba. Os valores médios das variáveis de desempenho do motor (Tabela 2) foram
O aumento de torque do motor está diretamente relacionado com o volume de combustível injetado no interior da câmara de combustão. Conforme pode ser observado na Figura 1a, o maior torque obtido foi na rotação de 1.200rpm, para as quatro configurações avaliadas. Ainda, é possível constatar que o menor e o maior torques, respectivamente, foram obtidos na configuração original do motor (295,90Nm) e na configuração de turbo + bomba (361,17Nm). Neste sentido, é possível inferir que ao aumentar o débito de óleo diesel da bomba injetora e ao adicionar o turbo, houve um acréscimo de 22% no torque máximo do motor. É importante ressaltar que a adição de turbo sem aumentar o volume de débito da bomba injetora (C4), não apresenta ganho significativo no torque quando comparado à configuração C2 (aspirado + bomba). No entanto, quando se analisam apenas estas duas configurações, por meio da Figura 1d, o consumo específico de combustível é menor na
Figura 1 - Variação do desempenho: a) torque; b) potência; c) consumo horário e d) consumo específico de combustível em função da rotação do motor, para as quatro configurações avaliadas
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Tabela 1 - Tratamentos executados no experimento Tratamento Configuração 1 (C1) Configuração 2 (C2) Configuração 3 (C3) Configuração 4 (C4)
Tabela 2 - Valores médios dos parâmetros de desempenho do motor, e sua variação (∆) com relação à configuração 1 (motor aspirado)
Configuração Motor aspirado (original) Motor aspirado + Bomba Motor Turbo + Bomba Motor Turbo
C1 C2 C3 C4 CV
configuração C4. Isto é, com a adição de turbo sem o aumento do débito na bomba o motor trabalha de forma econômica, e sua capacidade de reação frente a uma sobrecarga momentânea será semelhante para ambas as configurações (C2 e C4).
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∆ (%) Ch (L/h) 0,00 14,01C 14,49 16,04A 16,13 16,27A B 3,85 14,55 2,15
Ce (g/cv/h) 184,36A 184,03A 173,63C 180,39B 2,20
∆ (%) 0,00 -0,18 -5,82 -2,15
*Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem pelo teste de Tukey a 5% de significância.
Marcelo Silveira de Farias
RESULTADOS DE POTÊNCIA
Para o correto dimensionamento do conjunto mecanizado (trator + implemento), é de suma importância que se conheça o tipo de solo que serão realizadas as operações agrícolas, o implemento a ser tracionado e a potência do motor. Neste sentido, existe a possibilidade que se obtenham ganhos em potência quando se utilizam técnicas adequadas na intervenção mecânica como: adição de turbo e/ou aumento do débito de combustível da bomba injetora. No entanto, muitas vezes, pode-se observar que na grande maioria dos tratores nos quais são instalados os kits de turbo, não há regulagem da bomba injetora, fazendo com que a mistura ar/ combustível (relação estequiométrica) não seja adequada, implicando, desta forma, ganho nulo ou muito pequeno na potência nominal do motor. Ao analisar a Figura 1b, é possível constatar que a potência máxima foi obtida na rotação de 2.100rpm do motor, para todas configurações utilizadas. De forma semelhante ao observado para o torque, a menor e a maior potência ocorreram nas configurações C1 e C3, respectivamente. Assim, justifica-se a importância de se configurar adequadamente a bomba injetora após adicionar o turbo. É importante evidenciar que apenas a adição do turbo, sem intervenção na bomba injetora, representa ganho insignificante de potência em relação à configuração original do motor, resultando em acréscimo de 5,93%, pois é injetado na câmara de combustão um volume maior de ar, para uma mesma
Torque* (Nm) ∆ (%) Potência (cv) ∆ (%) 0,00 0,00 273,66D 66,38D 13,36 13,56 310,20B 75,38B 23,97 23,66 339,25A 82,08A 7,59 6,70 294,43C 70,82C 0,29 0,33
quantidade de combustível. Ao considerar os valores médios, apresentados na Tabela 2, o ganho de potência em relação à configuração original (66,38cv), para a configuração C2 representa 1,13 vez maior (75,38cv), para a configuração C3 é de 1,23 vez maior (82,08cv), já para a configuração C4, apenas 1,07 vez maior (70,82cv). Lembrando que são valores médios, referentes a toda faixa de rotação do motor avaliada. O máximo valor de potência (92,93cv a 2.100rpm) foi obtido para a configuração C3 (turbo + bomba). Consumo de combustível Ao analisar a Figura 1c, percebe-se que com o aumento do débito da bomba injetora, com ou sem adição do turbo, tem-se um maior consumo de combustível, como pode ser observado na Tabela 2, visto que em ambas as configurações (C2 e C3) o consumo horário foi superior a 16L/h. No entanto, a título de comparação, deve ser levada em consideração a potência gerada pelo motor. Assim pelo fato de as configurações C2 e C3 apresentarem os maiores valores médios de potência nominal, 75,38cv e 82,08cv, respectivamente, estes maiores valores de consumo horário de combustível representam uma melhor conversão energética, quando comparado com as configurações C1 e C4.
Em suma, para ser avaliado e comparado o consumo de combustível de um motor agrícola, é importante que seja levado em consideração o consumo específico (Figura 1d), pois considera o consumo de combustível para gerar 1cv por hora. Desta maneira, como pode ser observado na Tabela 2, o menor consumo específico de combustível foi obtido na configuração C3 (turbo + bomba), que entrega maior potência do motor avaliado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A sobrealimentação de ar e combustível do motor, em relação à configuração original, proporciona aumento significativo do torque e da potência. Somente a adição de turbo não causa efeito significativo no desempenho do motor. Ressalta-se a importância de ter prudência, seguindo, preferencialmente, a recomendação de cada fabricante, para evitar danos nos componentes internos do motor, no sistema de arrefecimento e ainda, evitar gasto desnecessário de combustível, caso o sistema de alimentação .M não seja reconfigurado. Marcelo Silveira de Farias José Fernando Schlosser Alfran Tellechea Martini Juan Paulo Barbieri Nema – UFSM
EMPRESAS
Perto do produtor
rápido para qualquer necessidade”, explica Dorneles. Além de conversar com o time local da empresa, conhecer de perto as máquinas que foram levadas até o evento e tirar dúvidas, os produtores que participaram da ação também assistiram a uma palestra com conteúdos selecionados, mostrando o desempenho dos tratores John Deere a campo e puderam conhecer mais de perto a tecnologia utilizada, além da apresentação de outros modelos da marca. Para Arneldo Hübner e o filho Diego, que possuem tratores da marca há mais de 15 anos e produzem principalmente soja, o evento é importante para que
eles possam conhecer as novidades que a empresa está lançando e também para se aproximar do concessionário. “Nós possuímos três tratores John Deere e é um investimento que vale a pena, porque percebemos que eles têm mais tecnologia, são melhores para trabalhar. Se formos trocar, vai ser por um da mesma marca”, conclui Arneldo. O especialista em Soluções Integradas John Deere, Tiago Dickel, também confirma a preocupação que a empresa tem em não só oferecer um produto de qualidade, mas também de estar sempre perto dos clientes. “Ações como esta, de levar para perto dos produtores a carreta do Tratour, vêm para reafirmar o compromisso da empresa em estar sempre perto dos nossos clientes, levando a John Deere para onde não temos lojas. Estas ações contam, em média, com 60% de público que ainda não possui os nossos tratores, uma grande oportunidade de oferecermos os nossos produtos, mas também de podermos conversar com os produtores e saber quais são as suas necessidades”, explica Dickel. Os produtores que participaram da ação, ainda puderam adquirir produtos da companhia em condições especiais. Em 2017, diferentemente das edições anteriores, são duas caravanas viajando ao mesmo tempo, com o objetivo de visitar os 125 municípios .M entre março e agosto.
O evento nos aproxima ainda mais dos clientes, afirma William Dorneles
Diego e Arneldo Hübner participaram da edição em São Lourenço do Sul
Fotos Rocheli Wachholz
Tratour John Deere percorrerá 125 municípios brasileiros entre março e agosto de 2017
E
m 2017, 125 municípios receberão a Caravana Tratour John Deere, uma ação desenvolvida em todo o País com o objetivo de levar informações e apresentar a linha de tratores da marca para produtores, principalmente em cidades onde a empresa não possui concessionários. Uma das edições aconteceu no município de São Lourenço do Sul, com o apoio da Lidermaq, concessionário na região, e contou com a participação de aproximadamente 150 produtores, que puderam ver de perto os tratores da série 5E, voltados principalmente para pequenas propriedades. De acordo com o consultor estratégico de Negócios da Lidermaq, William Dorneles, além de apresentar os tratores da empresa, a ação busca mostrar aos clientes o quanto a John Deere quer estar presente no dia a dia dos produtores. “O pós-venda é uma grande preocupação da empresa, porque o trator não quebra parado, mas trabalhando e é neste momento que o produtor precisa de agilidade e rapidez. Hoje temos a maior estrutura da região e tudo isso é para o produtor, para que ele tenha atendimento
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TRATORES
Por igual Estudo mostra que apesar da distribuição de sementes ser uma operação realizada em grande parte de maneira satisfatória, há ainda necessidade de monitoramento da operação de semeadura para identificação de fontes de variabilidade intrínsecas ao processo, a fim de reduzir os espaçamentos falhos e melhorar a qualidade da distribuição
O
Brasil deve colher na safra atual, uma produção de 234,4 milhões de toneladas de grãos, com aumento de 25,6% em relação à safra passada. A soja deve ter uma produção de 113,9 milhões de toneladas. Os ganhos de produção da cultura refletem num aumento de 19,4% na produção total (Conab, 2017). Esse crescimento se deve a técnicas de manejo do solo como o plantio direto, que consiste em um manejo homogêneo que visa à melhoria da qualidade do solo e, consequentemente, manter ou elevar a produtividade da cultura a níveis satisfatórios. Todavia, esta melhoria não se manifesta de forma homogênea em toda a área, sendo que em uma mesma lavoura pode haver subáreas com distintas qualidades de solo e potencial produtivo, o que implica variabilidade na produtiviJulho 2017 • www.revistacultivar.com.br
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dade da cultura (Amado et al, 2005). A variabilidade espacial ou a heterogeneidade da produtividade de grãos pode estar associada a uma série de fatores que interagem de forma complexa e condicionam a expressão da cultura. O estudo da variabilidade espacial de atributos de solo e de planta e da produtividade da cultura é fundamental para o entendimento dos fatores que determinam a expressão do potencial produtivo da cultura e sua variabilidade em uma área agrícola, o que pode levar ao desenvolvimento de práticas de manejo sítio-específicas, visando à maximização do potencial produtivo em diferentes zonas da lavoura (Vian et al, 2016). Neste contexto, ferramentas de agricultura de precisão devem ser utilizadas para a busca de informações no campo, seja pela utilização de sensores agronômicos, seja pela
utilização de malhas amostrais de solos e/ou componentes agronômicos da cultura, a fim de otimizar os processos agrícolas e elevar o rendimento agrícola (Soares Filho & Cunha, 2015). Aliado a isso, o uso de ferramentas de qualidade do processo, como o controle estatístico de qualidade, vem sendo de grande valia em processos agrícolas para verificar a estabilidade do processo em função de limites pré-especificados, auxiliando o monitoramento e o controle das fontes de variabilidade (Voltarelli et al, 2015; Arcoverde et al, 2016). Portanto, objetivou-se mapear a qualidade da semeadura da cultura da soja em uma área comercial, analisando o estande de plantas e a distribuição longitudinal, utilizando como ferramentas a estatística descritiva e a geoestatística.
Semeato
Quadro 1 - Estatística descritiva dos dados de estande e distribuição longitudinal Parâmetros Média DP Variância CV Mínimo Mediana Máximo Assimetria Curtose Probabilidade
Estande (plantas/m) 13,25 0,99 0,99 7,51 11,17 13,33 15 -0,14 -0,86 >0,10
Espaçamentos Normal (%) 78,07 5,00 25,01 6,41 64,24 78,43 87,32 -0,44 0,04 >0,10
Falho (%) 14,62 4,59 21,07 31,39 5,66 14,64 23,41 0,04 -0,88 >0,10
Duplo (%) 7,31 3,53 12,49 48,37 0 7,14 19,49 0,37 1,22 >0,10
*p≥0,05 dados normais, não significativo - simétrico; ** p<0,05 dados não normais, significativo - assimétrico. DP: desvio padrão; CV: coeficiente de variação;
O trabalho foi conduzido em uma área comercial da Fazenda São Bento no município de Itaporã (MS), cujos formato e espacialização da altitude são apresentados na Figura 1. O local situa-se em latitude W 54 07´ 01” e longitude de S 22 01´ 06”. O clima é do tipo (CWa), segundo a classificação de Köppen, e o solo da área é um Latossolo vermelho distroférrico e tendo avaliação em estágio v2. A variedade semeada foi uma semente de soja Monsoy 6410, com 98% de pureza e 92% de germinação mínima. Na área em questão se utiliza plantio direto há 12 anos, a semeadora utilizada é da marca Semeato, modelo FastFil de 30 linhas espaçadas por 60cm, que utiliza de sistema pneumático e tem distribuição de 16 sementes por metro linear. A área analisada possui 132 hectares e foi dividida em 71 parcelas
(pontos), denominadas ponto amostral (PA), conforme caracterizado na Figura 2 O georreferenciamento dos pontos amostrais para a análise de uniformidade de semeadura foi realizado pela utilização do aplicativo de GNSS disponível para o sistema operacional Android, utilizando coordenadas métricas (UTM WGS84). A distribuição de pontos amostrais para as análises de uniformidade de semeadura e coleta de amostras de solo foi feita em grade regular com 200 metros entre células. Esta grade regular com as respectivas coordenadas foi inserida no receptor, os pontos foram localizados na área a ser estudada Figura 1 - Talhão utilizado e altitude da área (m)
e foi feita a identificação das linhas de semeadura. Em cada ponto foram analisadas três linhas de semeadura, cada uma com dois metros consecutivos. Foram coletadas amostras do número de plântulas de soja emergidas em estágio V2, dois metros consecutivos e em três linhas em cada ponto amostral. Na avaliação de distribuição longitudinal ou uniformidade de espaçamentos entre plântulas foi utilizada uma trena. A porcentagem de espaçamentos normais, falhos e duplos foi obtida de acordo com as normas da ABNT (1984) e Kurachi et al (1989), considerando-se porcentagens de espaçamentos: “duplos” (D): <0,5 vez o Xref. espaçamento de referência; “normais” (A): 0,5<Xref.<1,5; e “falhos” (F): >1,5 o Xref. Inicialmente, os dados foram anaFigura 2 - Mapa da área e pontos amostrais
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Figura 3 - Mapeamento do estande de plantas por metro
lisados por meio da estatística descritiva e depois, para a verificação da dependência espacial, interpolação dos dados e construção de mapas foi empregada a análise geoestatística.
Charles Echer
RESULTADOS
Para o estande de plantas observa-se que a média e a mediana encontram-se próximas, bem como
Figura 4 - Espacialização da distribuição longitudinal para espaçamentos normais (%)
baixos valores do coeficiente de variação (CV) (Quadro 1). No entanto, apesar da baixa variação, este componente condiciona a produtividade da cultura, em função da distribuição uniforme de plantas na área (Sangoi et al, 2012; Vian et al, 2016). Para as variáveis relacionadas à
Mapeou-se a qualidade da semeadura da soja em área comercial, analisando o estande e a distribuição longitudinal
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distribuição longitudinal (Quadro 1), observou-se que os espaçamentos, falhos e duplos, apresentaram média e mediana relativamente próximas, porém, com elevados CV. No entanto, para espaçamento normal observaram-se baixos índices de CV. A baixa variabilidade entre espaçamentos é comum para a semeadura na cultura da soja, o que se observa o contrário em valores obtidos para distribuição longitudinal de plantas na cultura de milho (Santos et al, 2011; Arcoverde et al, 2016). Verificou-se para a variabilidade do estande (Figura 3), com predomínio das faixas de 12 e 13 plantas me 13 e 14 plantas/m, que ocuparam pouco mais de 70% da área, tendo que o desejado seria de 15 plantas. Quanto à distribuição dos espaçamentos normais, há maior predominância das faixas compreendidas entre 73% e 83% (Figura 4), em mais de 85% da área, o que para uma semeadora-adubadora pneumática representa desempenho aceitável. Ressalta-se o predomínio de faixas de porcentagem de espaçamentos falhos entre 10% e 20% em mais
Figura 5 - Mapas da distribuição longitudinal (A – falho; B - duplo)
de 85% da área (Figura 5A) e, de modo menos representativo, a distribuição de espaçamentos duplos com predomínio das faixas abaixo de 10% em 85% da área (Figura 5B). Desta forma, devem-se verificar os pontos operacionais relacionados ao aumento dos espaçamentos falhos, a fim de aumentar o estande de plantas e o percentual de espaçamentos normais correspondente à regulagem de distribuição de sementes pela semeadora-adubadora. Esse resultado evidencia a necessidade de acompanhamento e monitoramento da operação, visando a identificação e o controle de pontos que reduzem a qualidade do processo agrícola, tais como disco e/ ou anel inadequado para a peneira do híbrido, pressão imprópria no sistema pneumático, falta ou excesso de grafite, tratamento de sementes com elevada abrasividade, posicionamento das sementes dentro do sulco, ataque de pragas, contato solo-semente dificultado pela quantidade de palha no sistema de semeadura direta, umidade do solo inadequada para semeadura, abertura e fechamento do sulco (Weirich
Semeato
É preciso monitorar a semeadura para identificar os possíveis pontos que reduzem a qualidade da operação
Neto et al, 2015).
CONCLUSÕES
O estande de plantas e a distribuição de espaçamentos normais foram considerados bons, mas não excelentes para uma semeadora pneumática. O estande de plantas e a distribuição longitudinal dos espaçamentos normais, falhos e duplos para a soja apresentaram dependência espacial.
Existe necessidade de monitoramento da operação de semeadura para identificação de fontes de variabilidade intrínsecas ao processo, a fim de reduzir os espaçamentos falhos e melhorar a qualidade da .M distribuição. Mateus Augusto Estevão, Jorge Wilson Cortez, Sálvio Napoleão Soares Arcoverde Anamari Viegas de A. Motomyia e Maiara Pusch, UFGD
IMPLEMENTOS
Na raiz
Fotos: Marcelo José da Silva
Novo método para aplicação localizada de fertilizante líquido em cana-soca, desenvolvido pela Unicamp, consegue um incremento de até 30% na produção quando comparado a aplicações com métodos convencionais
benefícios da camada de palha deixada sobre a superfície do solo após a colheita (controle de erosão, reciclagem dos nutrientes agrícolas, conservação da umidade do solo), a prática interfere na eficiência do fertilizante nitrogenado. Um exemplo é a aplicação da ureia sobre a superfície da palha. A técnica aumenta a volatilização da amônia, levando a perdas de até 40% do fertilizante aplicado. A melhoria na adubação nitrogenada pode ser alcançada com a incorporação do fertilizante no solo. Mesmo assim, a aplicação do fertilizante nitrogenado em superfície é bastante popular entre os produtores agrícolas. Em áreas de cana-soca, a prática tem sido intensificada principalmente devido à capacidade efetiva operacional das máquinas (hectares por hora), aliada ao incremento na dificuldade de realizar a operação mecanizada do corte da camada de palha combinada com a incorporação do fertilizante em sulcos. Além disso, a eficiência da incorporação convencional pode ser prejudicada quando a camada de palha não é totalmente cortada para acessar o solo, nos casos em que o fertilizante é incorporado no sulco junto aos resíduos vegetais ou junto a torrões de solo seco que permitem emissão da amônia para a atmosfera; ou, ainda, se raízes na camada superficial são danificadas no processo de abertura dos sulcos.
SOLUÇÃO PROPOSTA
A
adubação nitrogenada em áreas de cana-de-açúcar geralmente é realizada após a etapa da colheita, durante a fase de brotação das soqueiras. A adubação é realizada junto às linhas de cultivo, Julho 2017 • www.revistacultivar.com.br
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por meio de aplicação em superfície ou incorporação do fertilizante no solo. Na superfície, o fertilizante pode ser exposto a condições que favorecem perdas do nutriente e reduzem a eficiência da operação. Apesar dos
Para superar os problemas relatados, pesquisadores desenvolveram um processo para a aplicação localizada de fertilizante líquido nitrogenado em cana-soca, patenteado pela Unicamp. O sistema é baseado no processo mecanizado de perfuração do solo para a injeção de fertilizante líquido próximo das raízes da cana-de-açúcar. A principal vantagem da técnica é a viabilidade no acesso da camada superficial do solo sem mobilização de palha, solo ou raízes da cana-de-açúcar. Outra vantagem da aplicação é a redução das perdas por volatilização da amônia,
melhorando as condições para o uso de fertilizantes líquidos como a ureia (ureia + água), aquamônia e uran. A operação foi desenvolvida de acordo com os princípios das boas práticas para a adubação. Sendo assim, a deposição do fertilizante é realizada em local que facilita o acesso das raízes ao nutriente.
TECNOLOGIAS DESENVOLVIDAS
Para viabilizar a operação, foi projetado e confeccionado um protótipo mecânico com sistema puncionador. Entre as especificações, foi considerada a distância entre as perfurações igual a 300mm, uma média entre as soqueiras da cana-de-açúcar. Já a profundidade das punções em até 100mm foi determinada como suficiente para reduzir as perdas causadas pela volatilização da amônia. Na versão atual, a máquina é montada nos engates dos três braços inferiores do trator. O acionamento do mecanismo puncionador é realizado a partir dos rodados em contato com o solo. Durante o deslocamento de avanço da operação, mesmo sob variações de velocidade, o sincronismo das perfurações com distância regular A
(300mm) e profundidade controlada (100mm) é garantido por um sistema composto por came de tambor e mecanismo biela-manivela-puncionador acoplado sobre um trilho (Figura 1). No processo mecanizado de puncionamento no solo para a aplicação do adubo líquido, entre as características, o sistema hidráulico deve realizar uma injeção sincronizada ao movimento de perfuração; também, a dosagem deve ser uma função da recomendação agronômica para a taxa de adubação. Para alcançar as exigências, foi desenvolvido um sistema hidráulico dosador e injetor baseado nos seguintes princípios: quando o puncionador se desloca sobre a superfície do solo, uma bomba de pistão realiza a sucção do fluido a partir do reservatório e, na sequência, durante a perfuração, a bomba injeta o adubo líquido pressurizado no interior do solo. Já o volume da dose aplicada em cada ciclo de puncionamento é controlado através de um mecanismo que realiza o retorno hidráulico do fluido para o reservatório. Sendo assim, o sistema viabiliza a aplicação com taxa variável, uma das vantagens da aplicação localizada de fertilizante. O sistema hidráulico de aplicação B
Figura 2 – Sistema de injeção de fertilizante líquido. A) Avaliação em laboratório. B) Operação mecanizada de puncionamento e injeção do fluido no solo
Figura 1 - Protótipo com mecanismo puncionador
do fertilizante é composto por um reservatório, uma bomba dosadora-injetora e uma sonda injetora fixada ao mecanismo puncionador. Levando em consideração diferentes condições de operação para a adubação nitrogenada em lavouras de cana-soca, foi determinada no sistema uma taxa variável entre 50kg e 180kg de N por hectare, sendo equivalente a aproximadamente 5ml a 18ml por injeção do fertilizante líquido uran. Primeiramente, a avaliação do sistema hidráulico injetor foi realizada em nível de laboratório (Figura 2A), com medições sobre a variação de dosagem, vazão média e pressão na câmara da bomba de pistão. Após esses testes preliminares, o sistema dosador injetor foi acoplado ao protótipo puncionador (Figura 2B). Em geral, a operação mecanizada de puncionamento combinado com a injeção do fluido foi considerada satisfatória, porque o líquido injetado foi sincronizado com o puncionamento no interior do solo, sendo incorporado em profundidade maior que 50mm, uma condição considerada adequada à redução de perdas por volatilização da amônia e disponibilidade do nutriente próximo à zona radicular das plantas de cana-de-açúcar. Além disso, a dosagem foi variada em um interJulho 2017 • www.revistacultivar.com.br
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Figura 3 - Efeito dos métodos de aplicação do fertilizante líquido na produtividade da cana-de-açúcar
Avaliação experimental dos métodos de adubação nitrogenada (esq.) e cana em fase de brotação, após a colheita mecanizada sem despalha com fogo (dir.)
valo representativo, demonstrando potencial favorável à aplicação do fertilizante em função da dosagem exigida na recomendação agronômica. Nos testes, confirmou-se a operação com mínima mobilização (Figura 2B II); outra vantagem observada foi ao jato de aplicação (Figura 2B III), o qual possui velocidade suficiente para produzir um bulbo úmido em torno do ponto de aplicação e, deste modo, favorece a distribuição dos nutrientes através do solo.
AVALIAÇÃO DO MÉTODO DE APLICAÇÃO
Em paralelo ao desenvolvimento do processo mecanizado de aplicação localizada de fertilizante líquido nitrogenado, foi conduzido experimento em área comercial de cana-de-açúcar, no município de Iracemápolis (SP). Na avaliação, utilizou-se o nitrato de amônio líquido, uma fonte reconhecida pela baixa emissão de amônia para a atmosfera (perdas por volatilização menores que 5%). Já a taxa de adubação utilizada foi de 100kg de N por hectare, uma recomendação comum em canaviais no estado de São Paulo. O experimento foi montado com os métodos: puncionamento com injeções do fertilizante líquido a cada 300mm (I), aplicação do fertilizante sobre a superfície da palha (II) e acompanhamento de tratamento sem adubação (III). No experimento realizado em parcelas representadas por sete linhas de cana-de-açúcar com comprimento de 15m, as quatro repetições de cada método foram sorteadas aleatoriaJulho 2017 • www.revistacultivar.com.br
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mente em quatro blocos. Nos tratamentos com adubação, o fertilizante foi aplicado paralelo às linhas das soqueiras em brotação. A principal avaliação do experimento foi realizada através da colheita mecanizada acompanhada por um caminhão instrumentado com célula de carga, utilizado na medição da produtividade. Entre os resultados (Figura 3), foi verificada maior produtividade da cana-de-açúcar através do método de puncionamento (102ton/hectare). A diferença em relação ao tratamento sem adubação foi de 30% (79ton/hectare). E, quando comparado com o valor alcançado através da aplicação do fertilizante sobre a superfície da palha (92ton/ hectare), a produtividade representou uma redução de 10%. O melhor resultado de produtividade foi associado com a maior disponibilidade do nutriente para absorção pelas plantas, alcançado pela deposição do fertilizante na zona
radicular. Além disso, foi confirmado que a aplicação em superfície reduz a disponibilidade do fertilizante para as plantas, mesmo sob a redução das perdas por volatilização garantida pelo nitrato de amônio. Tal efeito é explicado pela ação dos micro-organismos que utilizam o fertilizante nitrogenado para a decomposição da palha, a qual também representa uma barreira física para a difusão do fertilizante até a .M camada superficial do solo. Marcelo José da Silva e Paulo Sérgio Graziano Magalhães, Feagri-Unicamp
Diferenças entre distribuição e aproveitamento de fertilizantes no método convencional e aplicação por puncionamento