Cultivar Máquinas • Edição Nº 169 • Ano XIV - Dez 2016 / Jan 2017 • ISSN - 1676-0158
Índice 4 Rodando por aí 7 Pulverização em lavouras de café 10 Economia de combustível 14 Vantagens do caminhão comboio 19 Pressão de aspersores 22 Gasto de energia em pivô central 24 Capa - Test Drive MF 9130 Plus 32 Farmbox: ferramenta para gestão 35 Lubrificação de motores 38 Perdas em colhedoras de algodão 42 Ficha Técnica - KF 44 Software para pulverização
Destaques
Test Drive - MF 9130 Plus Conheça o MF 9130 Plus da Massey Ferguson, que chega com novidades em motorização, design, barras e sistema de pulverização
Pulverizadores Saiba como diminuir a deriva em aplicação de produtos fitossanitários na cultura do café
Grupo Cultivar de Publicações Ltda. Direção Newton Peter
• Editor Gilvan Quevedo • Redação Rocheli Wachholz Karine Gobbi • Revisão Aline Partzsch de Almeida • Design Gráfico Cristiano Ceia
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Motores Dicas de como evitar o desgaste prematuro dos componentes dos motores a diesel
Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 www.revistacultivar.com.br cultivar@revistacultivar.com.br (*10 edições mensais + 1 conjunta Dez/Jan) Números atrasados: R$ 22,00 CNPJ : 02783227/0001-86 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Insc. Est. 093/0309480 € 130,00
• Coordenador Comercial Charles Echer • Vendas Sedeli Feijó Rithiéli de Lima Barcelos • Coordenação Circulação Simone Lopes
Capa - Nilson Konrad
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Cultivar
• Assinaturas Natália Rodrigues Clarissa Cardoso Aline Borges Furtado • Expedição Edson Krause • Impressão: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.
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NOSSOS TELEFONES: (53) • GERAL
• ASSINATURAS
• REDAÇÃO
• MARKETING
3028.2000
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Por falta de espaço, não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@revistacultivar.com.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.
RODANDO POR AÍ Treinamento intensivo
30 mil unidades
A concessionária Triama, que representa a Massey Ferguson na região norte de Minas Gerais, promoveu entre os meses de setembro e outubro um treinamento intensivo em Negociação de Alto Impacto. O curso foi ministrado pelo coach Vinícius Faggundes, do Instituto de Liderança e Evolução Corporativa (Ilec), e teve como objetivo aprimorar o atendimento dos colaboradores. Durante o treinamento os participantes aprenderam e colocaram em prática diversas técnicas, como o overdelivery (entrega mais do que o prometido), gatilhos mentais, programação neurolinguística (PNL) e coaching em negociação.
A AGCO alcançou a marca de 30 mil implementos fabricados na planta de Ibirubá, no Rio Grande do Sul. “Atingimos esse número em nove anos de instalação. Nossa evolução foi crescente e seguimos em ritmo positivo, já nos preparando para a expansão da fábrica”, comemorou o responsável pelas operações da unidade, Rafael Ferraz. Atualmente são fabricados oito modelos de plantadeiras, dois de distribuidores de sólidos e três tipos de plainas frontais.
Nicola D’Arpino
Experiência do cliente
Lavoura de resultados
A John Deere reconheceu no último dia 2 de dezembro as melhores iniciativas de entrega de experiência aos clientes, desenvolvidas por seus concessionários em 2016. O Customer Experience Awards (CX Awards) premia cinco projetos baseados na “Cultura Centrada no Cliente”, em cinco categorias: Inspirar, Pertencer, Engajar, Agir e Reconhecer, e o Troféu Experiência do Cliente, para o concessionário mais bem colocado em mais categorias. Neste ano, 43 novos projetos foram inscritos. Os vencedores foram: Categoria Inspirar, Reconhecer, Pertencer e Troféu Experiência do Cliente: Maqcampo, de Brasília (DF); Categoria Engajar: Minas Verde, Três Corações (MG); Categoria Agir: Ciarama, Ponta Porã (MS).
Criado para levar informação e conhecimento aos produtores rurais, o projeto Lavoura de Resultados, da Emater-RS, conta com a parceria da Embrapa e da Massey Ferguson para habilitar agricultores a executar, de forma correta, a aplicação de defensivos agrícolas. Uma das etapas do programa é o treinamento que a Massey Ferguson oferece aos profissionais que trabalham no projeto. Em novembro, 24 técnicos da Emater-RS foram capacitados na sede da fabricante de máquinas agrícolas sobre tecnologia de aplicação.
Richard Tobin
Florestal A John Deere Florestal completou duas décadas de atuação no mercado brasileiro. “Temos uma sólida estratégia de longo prazo para o Brasil, com confiança no desenvolvimento socioeconômico do País”, disse o diretor de Vendas da John Deere Construção e Florestal, Roberto Marques. Com uma linha completa, a companhia lançou em 2015 a Série M e uma nova linha de Skidders e Feller Buncher de Pneus, da Série L. Dentro do portfólio, a John Deere oferece equipamentos para todo processo de manejo florestal.
Roberto Marques
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Aprendizado A Massey Ferguson entregou, para duas instituições de Ensino Superior, protótipos de colheitadeiras híbridas. Os modelos foram encaminhados ao Instituto de Desenvolvimento Educacional do Alto do Uruguai, localizado em Getúlio Vargas (RS), e à Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), na cidade de Jaboticabal (SP). “Os protótipos irão oferecer melhores condições de aprendizado, com equipamentos modernos, chegando o mais perto possível do funcionamento da colheita”, explicou o gerente de Marketing de Produtos Colheitadeiras da AGCO América do Sul, Douglas Vincensi.
Douglas Vincensi
Ensino para multiplicadores
Encontro de gerentes comerciais
A Case IH está realizando cursos para aperfeiçoar a habilidade dos profissionais de multiplicar conhecimento em parceria com a Escola Senai de Sorocaba (SP). O programa Metodologia de Ensino para Multiplicador foi elaborado para explicar como ocorre o processo de aprendizagem e orientar a fazer um planejamento de aula adequado. “Queremos que os concessionários e clientes se sintam aptos tanto para o trabalho no campo quanto para disseminar o conteúdo aprendido da melhor forma possível”, explicou o customer training da Case IH para a América Latina, Edgardo Legar.
Alexandre Blasi
Marketing América Latina A New Holland Agriculture anunciou o novo diretor de Marketing para a América Latina. Eduardo Kerbauy de Freitas Luís é engenheiro mecânico, tem MBA em Administração e 17 anos de experiência dentro da CNH Industrial. Nos últimos cinco anos esteve à frente da Diretoria de Negócios dos Importadores da América Latina da New Holland Agriculture. “A expectativa é dar continuidade ao crescimento da marca na América Latina e especialmente no mercado brasileiro”, afirmou Kerbauy.
Eduardo Kerbauy de Freitas Luís
Presidente mundial
A CNH Industrial anunciou Carl Gustaf Göransson como novo presidente mundial do segmento de máquinas de construção. Formado em Marketing e Administração pela Eductus IHM Business School, em Växjö, Suécia, e licenciado pela Swedish Officers Academy School, em Halmstad, no mesmo país, Göransson tem aproximadamente 25 anos de experiência no setor de equipamentos de construção. O executivo vai dirigir globalmente a Case Construction Equipment e a New Holland Construction. Carl Gustaf Göransson
Com o objetivo de discutir estratégias e experiências, a New Holland promoveu o 4° Encontro Nacional de Gerentes Comerciais no Centro de Treinamento de Sorocaba (SP), nos dias 17 e 18 de novembro. O evento teve mais de 150 participantes, sendo 104 profissionais de concessionárias espalhadas por todo o Brasil, e o tema foi “Estratégias de Gestão”. “Muitas vezes, uma estratégia comercial de determinada região pode ser aplicada em todo o país, tamanha a eficiência dela”, explicou o diretor comercial da New Holland, Alexandre Blasi. O encontro também apresentou detalhes sobre lançamentos e familiarizou ainda mais os concessionários com produtos, parceiros e suportes internos, como o Banco CNH Industrial e o Consórcio da marca.
Barter A New Holland iniciou o financiamento de máquinas na modalidade barter com café. Para Jefferson Kohler, gerente de Marketing da New Holland, as operações de barter sempre tiveram importância como uma forma de financiar o produtor. “O barter tem sido uma ferramenta alternativa para financiamento em um momento de escassez de crédito e pode ganhar uma representatividade maior no segmento de máquinas agrícolas”, destaca. A New Holland priorizou os estados de São Paulo, Bahia e Minas Gerais para dar início a essa modalidade de financiamento e a primeira negociação ocorreu no município de Varginha (MG) com um trator TT3880F.
Jefferson Kohler
Visita
No dia 18 de novembro, a Stara recebeu cerca de 30 alunos do curso de Engenharia Agrícola, da URI (Universidade Regional Integrada), campus de Erechim, no Rio Grande do Sul, para uma visita à sua fábrica. Pela manhã, os alunos puderam conhecer a história da empresa e a sua estrutura fabril. Em seguida, participaram de uma apresentação sobre Agricultura de Precisão, resultados dos projetos que a Stara participa e tendências para a agricultura. Também conheceram as máquinas da marca em uma dinâmica, com destaque para a plantadora Princesa e o autopropelido Imperador 3.0.
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Aviação agrícola
Agritech
A Schroder Consultoria realizou dois cursos para capacitação de profissionais de aviação agrícola em novembro. Os cursos foram o 10° Curso de Executores em Aviação Agrícola, dirigido para técnicos agrícolas que trabalham nas pistas de pouso dos aviões agrícolas e que ocorre sob delegação de competência do Ministério da Agricultura, e o 29° Curso de Aplicação Segura de Agrotóxicos – NR-31, que se destina a todos os trabalhadores de aviação que lidam com defensivos e é realizado em parceria com a Associação dos Agrônomos de Pelotas (RS). As aulas práticas contaram com o apoio da Mirim Aviação Agrícola
Concessionários Agritech se reuniram no Centro de Treinamento da empresa para participar de um curso com foco em vendas, no início de novembro. O treinamento teve a finalidade de habilitar profissionais com capacidade técnica/teórica para oferecer o produto ao cliente de acordo com sua necessidade. Durante a ação foram apresentadas as formas de aquisição através das várias opções de financiamento disponíveis, incluindo o banco de fábrica De Lage Landen, consórcio e linha de implementos Agritech Lavrale.
Motocultivadores
Semeadora PL 6000
A Tramontini, indústria de tratores sediada em Venâncio Aires (RS), lança, no Show Rural Coopavel, mais dois modelos de produtos dentro de sua linha hortifrutigranjeiros: os motocultivadores MT 07 G e MT 07 G Master. Os modelos são microtratores indicados para trabalhos em hortas, capinas, aviários, pequenos transportes, entre outros. O modelo MT 07 G utiliza um motor de 7HP a gasolina, de quatro tempos, equipado com rotativa com profundidade de corte de 90mm e largura de 470mm. O motocultivador MT 07 G Master é também de 7HP a gasolina, quatro tempos. Este modelo também permite a troca de implementos, podendo acoplar pequenas carretas.
A New Holland apresenta no Show Rural 2017 a nova semeadora PL 6000. A máquina é equipada com distribuidores a vácuo e transmissão por cabo de altíssima precisão, distribuindo as sementes com reduzida variação nos espaçamentos. A PL 6000 pode ser configurada com 11, 13, 15, 17 e 19 linhas de 45cm de espaçamento em chassis únicos, e 24, 28, 32 e 36 linhas de 45cm em chassis acoplados. Para espaçamentos de 50cm há semeadoras com 12, 14, 16 e 17 linhas em chassis únicos e 22, 24, 28 e 32 linhas de 50cm em chassis acoplados.
Pulverizador M7040
Case Construction
A Metalfor do Brasil lança, no Show Rural, o pulverizador autopropelido com caixa automática M7040. Este novo opcional permite contar com um equipamento de transmissão mecânica que introduz a tecnologia de caixa automática na troca de marchas. O motor deste equipamento é um Cummins QSB 4.5 eletrônico de 160HP, que é programado eletronicamente para atuar junto com a caixa para selecionar a potência e o torque exatos a cada momento, dependendo da carga e da condição de trabalho.
A Case Construction apresenta no Show Rural a Série C de escavadeiras, com destaque para a CX180C. A Série C ganhou lanças, braços e opções de caçambas heavy duty para serviços pesados. O sistema hidráulico foi otimizado, proporcionando melhor distribuição da vazão das bombas nos movimentos combinados. As escavadeiras são equipadas com motores eletrônicos com certificação Tier III. Para melhor controle das operações, todas as informações estão disponibilizadas no monitor de LED com tela de 7”. O modelo CX180C, com peso operacional de 17.815kg e motor de 119,6HP, se encaixa nas demandas do mercado de aluguel, e em algumas aplicações feitas por escavadeiras de 20 toneladas, como a colheita florestal.
Nonononono
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PULVERIZADORES Massey Ferguson
Mais segura A escolha da ponta de pulverização e as suas características de trabalho são alguns dos principais fatores que influenciam nas perdas de produtos fitossanitários. Escolher e fazer uso adequado das pontas são fatores fundamentais para a melhoria das condições de precisão e segurança na aplicação
O
conhecimento das condições de trabalho e, principalmente, do desempenho dos equipamentos de pulverização de produtos fitossanitários é elemento básico para uma aplicação adequada e eficiente, garantindo ao mesmo tempo eficácia biológica e segurança ambiental. O tipo de ponta de pulverização e as suas características de trabalho são alguns dos principais fatores que influenciam nas perdas de produtos fitossanitários. Assim, a escolha e o uso adequado destas pontas constituem passos importantes para a melhoria das condições de precisão e segurança
na aplicação. As pontas de jato cônico vazio são tradicionalmente recomendadas nas aplicações em culturas com ampla massa foliar, em que a penetração e a cobertura são essenciais. Por trabalharem normalmente em pressões maiores do que outros tipos de pontas, elas produzem gotas muito pequenas, às vezes menores do que 100 micra (µm). Contudo, muitos pesquisadores relatam que essa classe de tamanho de gotas sofre mais intensamente a ação dos fenômenos climáticos, apresentando alto risco de deriva. Em virtude disso, tem-se no mer-
cado uma variante dessa ponta, com indução de ar, que produz gotas de maior diâmetro, minimizando perdas por deriva. Gotas com diâmetro maior do que 500µm têm pouco problema de deriva. Uma desvantagem dessas gotas é que, devido ao seu peso, normalmente têm maior dificuldade de se fixarem nas folhas, escorrendo para o solo. No entanto, alguns produtores vislumbram a possibilidade de substituir as pontas de jato cônico vazio por outras mais seguras ambientalmente, desde que a eficiência da aplicação não seja prejudicada. Nesse sentido, este trabalho objeti-
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foi de 8,2km/h. A rotação do motor do trator adotada durante a operação foi de 1.800rpm para a obtenção de 540rpm na tomada de potência. As pressões de trabalho das pontas de pulverização ATR e TVI foram de 1,567MPa (227,5Lb/pol2) e 1,447MPa (210Lb/ pol2), respectivamente, e segundo o fabricante, nestas pressões estas pontas produzem gotas muito finas e muito grossas. O traçador adicionado à calda para posterior quantificação foi a rodamina B (Synth, Diadema, Brasil). Utilizou-se a concentração de 100mg/L. As aplicações foram feitas em uma gleba de café da variedade catuaí vermelho, disposto no espaçamento 3,8m entre linhas e 0,7m entre plantas, com três anos de idade, tendo em média 2,5m de altura. O diâmetro médio inferior da copa foi de 1,2m. As pulverizações foram feitas sempre aos pares, conduzidas em delineamento de blocos casualizados em esquema de parcelas subdivididas no espaço 2x20 com dez repetições, sendo o primeiro fator referente às pontas de pulverização e o segundo, ao número de distâncias em relação à última linha pulverizada.
Tabela 1 - Porcentagem de deriva resultante de aplicações em cafeeiro feitas com duas pontas de pulverização Ponta de pulverização1 Distância (m) ATR (Sem indução de ar) TVI (Com indução de ar) 5,06 a 2,5 6,68 b 1,59 a 5,0 2,75 b 0,85 a 7,5 1,67 b 0,63 a 10,0 1,33 b 0,47 a 12,5 1,03 b 0,40 a 15,0 0,82 b 0,35 a 17,5 0,69 b 0,30 a 20,0 0,52 b 0,29 a 22,5 0,45 a 0,31 a 25,0 0,41 a 0,30 a 27,5 0,37 a 0,29 a 30,0 0,35 a 0,28 a 32,5 0,33 a 0,30 a 35,0 0,32 a 0,30 a 37,5 0,30 a 0,33 a 40,0 0,30 a 0,30 a 42,5 0,30 a 0,31 a 45,0 0,28 a 0,30 a 47,5 0,29 a 0,32 a 50,0 0,29 a Médias seguidas por letras distintas na linha diferem entre si pelo teste de Tukey a 0,05 de significância.
vou determinar a deriva gerada pelas pontas de pulverização jato cônico vazio com e sem indução de ar nas aplicações na cultura do café.
AVALIAÇÃO DA DERIVA
As atividades de campo foram realizadas no Setor de Cafeicultura da Universidade Federal de Uberlândia, no município de Uberlândia (MG), com auxílio da Fapemig e CNPq. Nas aplicações foi utilizado um pulverizador hidropneumático (Montana, Arbo 360). Trata-se de um pulverizador montado, dotado de 12 bicos, sendo seis de cada lado do arco, acoplado em um trator 4 x 2 com motor de 65cv de potência (Massey Ferguson, 265E). Foram utilizados dois tipos de pontas de pulverização: jato cônico vazio ATR 80º Laranja 3,0 e jato cônico vazio com indução de ar TVI 8002. Em todas as aplicações, utilizou-se o volume de calda de 400L/ha. A velocidade média de trabalho do conjunto
Fotos Guilherme Sousa Alves
APLICAÇÕES A CAMPO
Anteriormente às aplicações, placas de polietileno com dimensões de 0,40m
Equipamento utilizado para avaliar a deriva
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x 0,08m x 0,006m foram colocadas rente ao solo em área adjacente à cultura fora da área tratada, no sentido do vento, desde uma distância de 2,5m do centro da última passada do pulverizador até 50m, espaçadas 2,5m entre si, totalizando 20 distâncias em relação à última linha pulverizada. Esta mesma disposição foi repetida em quatro fileiras, espaçadas por 1,5m entre si no mesmo sentido de deslocamento do pulverizador. Foram pulverizadas as últimas quatro fileiras de plantas, por um comprimento de 50m. Sobre as placas de polietileno, foram fixados papéis filtrantes com pH neutro e gramatura de 65g/m2 com dimensões de 0,38m x 0,07m. Para a realização das aplicações, seguiu-se a metodologia descrita na Norma ISO 22866.
QUANTIFICAÇÃO DO TRAÇADOR
Ao finalizar a parte de campo, foram feitas a extração e a quantificação da rodamina B dos papéis. De posse dos dados de concentração da rodamina B extraída dos papéis, conhecendo-se o volume de calda e a concentração real da calda, foi determinado o depósito do traçador por unidade de área dos coletores de deriva, expresso em microlitros por centímetro quadrado (μL/cm2).
RESULTADOS
As aplicações feitas no cafeeiro com a ponta de jato cônico vazio com indução de ar (TVI) ocasionaram menor deriva do que a ponta de jato cônico vazio sem indução de ar (ATR) até 20 metros
Pulverizador hidropneumático montado, dotado de 12 bicos
de distância da última linha pulverizada. A partir desta distância, não houve diferença entre as duas pontas. Dessa forma, a ponta com indução de ar reduziu a deriva da calda para as áreas mais próximas da cultura, pois essas pontas produzem gotas com maior diâmetro da mediana volumétrica, resultando em gotas de maior massa, o que dificulta o arraste pelo vento. Em alguns casos, pode ocorrer aumento da deriva com pontas de indução de ar nas distâncias mais próximas à área tratada, em função da passagem das gotas grossas pela parte inferior das plantas. Contudo, neste experimento a copa das plantas estava próxima à superfície do solo, impedindo que tal fato acontecesse. Assim, a ponta TVI pode ser uma boa opção nas pulverizações em que o cafezal localiza-se próximo de regiões onde se deve reduzir ao máximo a deriva, como culturas vizinhas sensíveis ao produto aplicado, cursos d’água e áreas habitáveis. Porém, ao recomendá-la, deve-se levar em consideração a deposição de calda. Silva et al (2013) observaram que, no volume de 500L/ ha, as pontas de jato cônico vazio com e sem indução de ar resultaram em semelhante deposição de calda nos terços inferior e superior de cafeeiros. Com relação à eficiência de controle, Fießleden (2004) não observou diferenças significativas no controle de diferentes pragas usando pontas de jato cônico com e sem indução de ar. Esse
O experimento foi realizado com dois tipos diferentes de pontas: de jato cônico vazio (laranja) e de jato cônico vazio com indução de ar (amarelo)
mesmo autor afirmou que embora os resultados sejam promissores para as pontas com indução de ar, estudos são necessários para definir mais precisamente o efeito das aplicações quando não são utilizados produtos sistêmicos para controlar alvos muito pequenos. As maiores porcentagens de deriva foram obtidas no ponto de coleta mais próximo da cultura, decrescendo à medida que se afastou da área tratada. Acima de 20m, a porcentagem de deriva ficou abaixo de 1%. Porém, em nenhuma distância este valor foi nulo, mesmo a 50m utilizando-se a ponta com indução de ar.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As pontas de jato cônico vazio com indução de ar reduziram a deriva até 20m de distância da área tratada. A partir dessa distância, pontas com e sem indução de ar geraram a mesma deriva. Neste sentido, a seleção adequada das pontas de pulverização é uma boa estratégia para o agricultor reduzir os problemas de deriva nas aplicações foliares em cafeeiro, tornando-as mais seguras ambientalmente. .M Guilherme Sousa Alves e João Paulo Rodrigues da Cunha, Universidade Federal de Uberlândia
Figura 1 - Curvas de deriva decorrentes de aplicações em cafeeiro feitas com dois tipos de pontas de pulverização
A avaliação mostrou que as pontas de jato cônico vazio com indução de ar reduziram a deriva até 20m de distância da área
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Fotos Bruna Batistella
PULVERIZADORES
Economia na aplicação O
Conciliar otimização do consumo de combustível e regularidade de distribuição em um pulverizador tratorizado pode ser um desafio na hora de aplicar defensivos, mas é algo possível de fazer
custo para produção de alimentos é composto pela adição de operações e recursos utilizados durante o processo produtivo. Com a crescente competitividade da agricultura e a elevação dos preços com insumos e energia para produção, a administração rural torna-se uma ferramenta importante para a melhoria da eficiência na produção e no planejamento das atividades agrícolas, tornando necessário buscar alternativas para redução dos gastos durante as operações para chegar ao produto final. As atividades mecanizadas de preparo do solo, semeadura, tratos culturais e colheita demandam elevado consumo de combustível para sua realização. Segundo dados do Instituto Rio
Grandense do Arroz (Irga, 2013), a estimativa de despesas com combustíveis em operações na lavoura arrozeira tem participação de aproximadamente 6% no custo total de produção. Em outras culturas, este percentual é ainda mais elevado, elucidando a importância do gerenciamento das atividades mecanizadas. As aplicações de defensivos para o controle de pragas constituem-se uma das atividades mais importantes para obtenção de maiores produtividades na lavoura, controlando agentes que levam à redução da potencialidade da cultura em produzir, sendo também uma das mais dispendiosas. Nesse contexto, torna-se importante buscar alternativas para reduzir os custos desta operação. Para aplicação de defensivos com o
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uso de pulverizadores acionados pela tomada de potência (TDP), recomenda-se que seja usado no seu regime nominal de 540rpm durante a aplicação, pois a bomba utilizada no pulverizador para pressurizar o sistema é normalmente dimensionada para trabalhar nessa rotação. Quando esta recomendação não é seguida e a rotação do motor é inferior à recomendada, têm-se dois aspectos negativos fundamentais do ponto de vista do pulverizador: má pressurização da calda, podendo ocasionar oscilações na barra e redução da vida útil dos componentes da bomba (Jacto, 2001). Contudo, ao fazer uso destas recomendações, a bomba produzirá uma vazão excessiva de calda, onde boa parte retornará ao tanque, realizando a
As aplicações foram realizadas com quatro diferentes rotações
Determinação da vazão das pontas em diferentes rotações
em diferentes rotações do motor e em diferentes marchas de trabalho.
agitação hidráulica da mistura presente no tanque do pulverizador. A eficácia dos produtos fitossanitários em função de sua formulação poderá ser influenciada ao utilizarmos menores rotações na TDP, podendo causar problemas na homogeneidade da calda. Mesmo assim, muitos agricultores não utilizam essa indicação, por acharem que se trata de uma rotação no trator muito elevada, gerando maior consumo de combustível e maior desgaste do sistema, conforme observado por Dornelles (2008) em um estudo sobre a inspeção técnica de pulverizadores agrícolas no Rio Grande do Sul, a qual identificou que apenas 20,23% dos pulverizadores avaliados utilizavam a rotação ideal de trabalho durante o processo de aplicação.
Para a condução dos experimentos, foi utilizado um trator TL 75 4x2 TDA com potência de 55,2kW (75cv) a 2.400rpm e torque de 264Nm a 1.400rpm, com 700 horas de uso, ano de fabricação 2011. O pulverizador utilizado foi da marca Jacto, modelo Falcon Vortex 600, montado no sistema de engate aos três pontos do trator. A medição do consumo de combustível foi feita a partir do uso de um reservatório auxiliar de combustível graduado, com capacidade de um litro, permitindo visualização do consumo volumétrico de óleo diesel, juntamente com uma mangueira de conexão do tanque auxiliar à bomba alimentadora do trator, que alimentou o sistema com combustível. Este reservatório substituiu o tanque de combustível do trator, sendo fonte de
TESTE EM CAMPO
Percurso utilizado para determinar o consumo do trator
Outra preocupação com relação à rotação de trabalho é o ruído causado no posto de operação do trator, o qual é diretamente proporcional à elevação da rotação, o que pode causar problemas à saúde do operador quando este não fizer uso do protetor auricular. Para buscar mais informações sobre esta operação, um grupo de pesquisadores da Unipampa realizou um trabalho com o objetivo de avaliar o consumo de combustível e a regularidade de distribuição de um conjunto trator-pulverizador
Detalhes do circuito do cumbustível com tanque auxiliar para verificação do consumo durante as aplicações
O experimento verificou que é possível obter menores consumos de combustível ao ajustar a marcha e a rotação
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Gráfico 1 - Consumo horário de combustível em quatro rotações de trabalho em diferentes marchas do trator que resultaram nas velocidades de deslocamento
óleo diesel para a bomba alimentadora e recebendo o volume que retornava do sistema e não era queimado pelo motor do trator. Para as aferições, estabelece-se um trajeto de 400m em área plana, onde era computado o volume de combustível necessário para completar o trajeto nos diferentes tratamentos. Neste percurso, o pulverizador com metade da capacidade do reservatório em todas as observações. A regularidade de distribuição na barra foi aferida pela relação entre a vazão esperada e vazão obtida e pelo cálculo do coeficiente de variação na barra. Os tratamentos constaram da combinação de três marchas de trabalho e quatro rotações do motor: 1.600rpm, 1.800rpm, 2.000rpm e 2.200rpm em delineamento inteiramente casualizado com três repetições. Foram utilizadas pontas de pulverização Jacto ADI 11002 leque e ATR 4,0 cone vazio em duas pressões de trabalho dentro da faixa recomendada pelo fabricante.
CONSUMO HORÁRIO
Durante o experimento foi possível perceber que ao variar a velocidade de 3,82km/h para 9,1km/h, alterando a marcha, mas na mesma rotação de trabalho (1.600rpm), ocorreu um acréscimo de 36,5% no consumo de combustível (Gráfico 1). Para a rotação de 1.800rpm, o acréscimo foi de 31,02%
no consumo horário entre 4,34km/h e 10,21km/h. Resultados semelhantes foram encontrados por Trintin et al (2005), avaliando a demanda energética por uma semeadora-adubadora, encontrando um incremento de 35,9% com a variação da velocidade de 4,2km/h para 6,5km/h, mantendo a rotação em 1.750rpm. Nas rotações de 2.000rpm e 2.200rpm, o consumo horário mostrou-se um pouco mais elevado nas velocidades de 7,74km/h e 8,47km/h, respectivamente, com pouca variação no consumo para as maiores velocidades. Isto pode ser visto na Tabela 2 da análise estatística, que mostra que não houve diferença significativa entre as duas rotações mais elevadas. A partir dos dados de médias, chegou-se à equação de regressão da reta e ao coeficiente de determinação da amostra. Foi possível observar um aumento linear no consumo horário de combustível em massa em função das diferentes rotações, evidenciando o maior consumo na maior rotação de trabalho. Estes resultados estão de acordo com os encontrados por Almeida et al (2010), que obtiveram maiores consumos quando o trator é operado em maiores rotações e maiores velocidades.
CONSUMO OPERACIONAL
Também foi possível verificar no experimento que ao utilizar marchas
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Gráfico 2 - Consumo operacional em quatro rotações de trabalho em diferentes marchas do trator que resultaram nas velocidades de deslocamento
que proporcionem maiores velocidades dentro da mesma rotação, o consumo operacional reduziu cerca de 44%, para as rotações de 1.600rpm, 1.800rpm e 2.000rpm (Gráfico 2). Ao utilizar 2.200rpm, a redução do consumo operacional foi de 53% ao passar de 5,25km/h para 12,66km/h. Logo, a utilização de marchas que proporcionem maiores velocidades apresenta reduções no consumo operacional, por proporcionarem maior capacidade de campo efetiva. No entanto, torna-se necessário que a área seja adequada a maiores velocidades, considerando também o tipo de pulverizador. Algumas limitações poderão ser observadas ao utilizar maior velocidade nas menores rotações, pelo fato da perda de potência do trator em áreas que exijam maior torque para manutenção da rotação do trator. Embora o trator esteja trabalhando dentro da reserva de torque, estará mais suscetível a oscilações na rotação e por isso esta condição de baixa rotação e velocidade elevada restringe-se a poucas condições de uso normal, onde o trator não seja sobrecarregado constantemente.
REGULARIDADE DE DISTRIBUIÇÃO
Para as pressões aplicadas na ponta ADI 11002 (20 e 45psi), o erro relativo mais elevado ocorreu em 1.800rpm, 2.200rpm e 2.000rpm, respectivamen-
te, não representando uma tendência, revelando não haver diferença em vazões por bico ao utilizar rotações inferiores às indicadas (Tabela 1). Este parâmetro é calculado em função da vazão esperada e da vazão observada nas coletas. O coeficiente de variação na barra apresentou pequenas variações entre as rotações aplicadas, com maiores valores na pressão mais elevada de serviço. Para a ponta ATR 4, os valores de erro médio foram menores em 1.600rpm para 60psi de pressão e 2.200rpm para 105psi, não havendo tendência nos dados observados (Tabela 2). O coeficiente de variação na barra manteve-se baixo em todas as pressões aplicadas e teve pouca variação dentro das rotações utilizadas, mostrando que não houve efeito da rotação do motor na regularidade de distribuição desde que mantida a pressão do sistema.
COMO ECONOMIZAR SEM COMPROMETER
Após realizar este teste de campo fica evidenciado que é possível obter menores consumos de combustíveis ao ajustar a marcha e a rotação de trabalho do trator. A utilização da mesma velocidade em diferentes rotações proporciona redução do consumo operacional em rotações mais baixas, devido ao menor consumo horário nestas rotações. Todavia, o operador
Tabela 1 - Vazões observadas, erro relativo médio e coeficiente de variação da barra para a ponta ADI 110 02 Pressão (psi) 20
45
Rotação (RPM) 1600 1800 2000 2200 1600 1800 2000 2200
Vazão esperada (L/min) 0,57
0,80
Vazão média observada (L/min) 0,60 0,61 0,61 0,61 0,86 0,87 0,88 0,88
Erro relativo médio (%) 6,36 7,99 6,99 7,43 8,17 9,02 9,98 10,00
CV da barra (%) 2,0 1,8 1,9 1,8 2,7 2,3 2,6 2,6
Tabela 2 - Vazões observadas, erro relativo médio e coeficiente de variação da barra para a ponta ATR 4,0 Pressão (psi) 60
105
Rotação (RPM) 1600 1800 2000 2200 1600 1800 2000 2200
Vazão esperada (L/min) 1,23
1,62
Vazão média observada (L/min) 1,26 1,28 1,29 1,28 1,55 1,57 1,55 1,60
deve ficar atento à necessidade de agitação da calda e às condições operacionais para assim escolher a melhor combinação marcha/rotação de trabalho. Para as pontas de pulverização e pressões estudadas, é possível realizar a aplicação de defensivos em menores rotações do que a recomendada sem influenciar a uniformidade de aplica-
Erro relativo médio (%) 2,84 4,28 4,99 4,31 4,40 3,37 4,33 1,95
CV da barra (%) 1,90 1,10 1,30 1,20 1,30 1,50 1,70 1,10
ção da barra e vazão média das pontas de pulverização. .M
Bruna Batistella, Vilnei de Oliveira Dias, Tiago Lopes, Alcionei Dallaporta, Bruno Bisognin e Camila Dalcin, Lamap/Unipampa
FROTA
Quando o posto vai até a máquina
O abastecimento e a lubrificação móveis nas propriedades rurais e florestais facilitam a vida dos operadores, além de garantir menor tempo perdido com paradas e deslocamentos
A
s áreas cultivadas no Brasil são distintas em relação ao tamanho, à topografia e às características de solo, sendo corriqueiro haver grandes distâncias entre as frentes de trabalho e os postos de serviços das propriedades. Estes últimos, geralmente situados nas sedes, evidenciam que o deslocamento de determinadas máquinas para o abastecimento e a lubrificação resulta em maiores custos ou é inviável tecnicamente. Geralmente as máquinas que apresentam dificuldade de deslocamento e elevado custo operacional necessitam de atendimento na própria frente de trabalho, minimizando o tempo de máquina parada para
maior eficiência operacional. Com o objetivo de atender estas necessidades no campo existem os veículos comboio, popularmente conhecidos por “melosa”. São unidades montadas sobre chassis ou carrocerias, dotadas de recursos necessários tanto para o abastecimento quanto para a lubrificação. As atividades de abastecimento e lubrificação podem ser organizadas e ou executadas pelo operador da máquina ou pela equipe do veículo comboio. Estas atividades dependem de fatores como número de máquinas a serem lubrificadas e abastecidas, distância entre as frentes de trabalho e a sede das propriedades, capacidade técnica do operador
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para as atividades de lubrificação e abastecimento, disponibilidade dos equipamentos para realizar as atividades e riscos de contaminação. Embora os custos de abastecimento e lubrificação sejam menores quando realizados pelo operador da máquina, esta opção apresenta desvantagens, como maior probabilidade de desperdício, contaminação ambiental, erros de registros de dados e na quantidade abastecida. No entanto, a utilização de comboios possibilita a execução das operações de abastecimento e lubrificação simultaneamente (aumentando a produtividade), e a diminuição dos riscos de contaminação e desperdícios. Sabe-se, também,
que a viabilidade de proporcionar treinamento específico à equipe dos comboios (motorista e lubrificador) é maior do que capacitar todos os operadores. A evolução dos veículos comboio ocorreu simultaneamente com o aumento da mecanização agrícola no País. A inserção de máquinas com alta tecnologia embarcada evidenciou a necessidade de se reestruturar os processos de manutenção, lubrificação e abastecimento, provando ao empresário rural que processos improvisados não mais atingem os resultados necessários.
CARACTERÍSTICAS
O comboio pode ser específico
Florestal Barra
Charles Echer
para abastecimento ou apenas para lubrificação, podendo também ter as duas funções combinadas em um mesmo veículo. Este comboio misto pode dispor de reservatórios para combustível (usualmente diesel, mas também de gasolina, álcool, querosene e gasolina de aviação), graxas, lubrificantes, elementos filtrantes, ar comprimido (para a calibragem de pneus, limpeza de peças, radiadores e filtros de ar), água e aditivos para arrefecimento. Normalmente são dimensionados conforme a necessidade de cada caso. A introdução de motores eletrônicos, que atendem a resolução Proconve P7 e MAR-I, expôs a necessidade de reservatórios também para diesel S-10 (teor de enxofre de 10mg/kg) e Arla-32. Esta substância conjuga água tratada e ureia, sendo um reagente utilizado com a tecnologia SCR – Selective Catalytic Reduction ou Redução Catalítica Seletiva, que reduz quimicamente o volume de NOx emitido pelos motores a diesel. Portanto, se a propriedade possuir veículos que necessitem destes insumos, e são abastecidos pelo comboio, deverão ser previstos estes reservatórios. A capacidade volumétrica e a
quantidade de reservatórios de lubrificantes são dimensionadas em relação ao número de máquinas atendidas (para reposição ou trocas de óleo no período), tendo relação direta com as horas trabalhadas. Já a escolha do tamanho dos tanques de combustíveis deve considerar o volume demandado pelas máquinas no período. Entende-se que o comboio pode ser reabastecido diversas vezes no dia (abastecimento mais prático e rápido do que o de lubrificantes), e posteriormente seguir para outras frentes de serviço. Não se faz necessário um tanque com a capacidade total de abastecimentos diários. O comboio deve possuir proteção contra as intempéries, podendo ser aberto, semiaberto ou fechado, como apresentado no Box 1. Muitos fabricantes, por questões de segurança e meio ambiente, já não oferecem em seu portfólio os comboios abertos e semiabertos devido ao maior risco de contaminação e à menor durabilidade. Por isso, os comboios mais requisitados são os blindados e modulares. Este segundo é um facilitador de configurações na hora da compra, podendo acrescentar a quantidade de módulos conforme a necessidade específica.
Os comboios fechados oferecem menor risco de contaminação, maior segurança e os vazamentos ficam contidos dentro do próprio veículo
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Fotos Florestal Barra
O comboio pode ser específico para abastecimento ou apenas para lubrificação, podendo também ter as duas funções combinadas em um mesmo veículo
Essa configuração privilegia a ergonomia, permitindo que os operadores acessem o módulo com os carretéis de mangueiras e medidores ao nível do solo. Os demais módulos contêm os reservatórios de combustíveis, óleos lubrificantes, graxas, óleo usado, ar comprimido e outros (com o intuito de alojar ferramentas, acessórios e filtros usados). O sistema modular também é mais seguro, pois o tanque de combustível tende a ser localizado no centro, protegido de colisões pelos demais módulos. A retração dos carretéis de mangueiras pode ser manual ou por mola. Como as mangueiras são extensas, para aperfeiçoar o trabalho no campo, o indicado é sempre utilizar carretéis retráteis com mola, para evitar o contato da mangueira com o solo, reduzindo a possibilidade de contaminação. A disposição dos carretéis no comboio pode ser lateral - comumente utilizados nas áreas de mineração e/ou agroflorestal. Também pode ser traseira - aplicados nos serviços com máquinas em rodovias, permitindo que o posicionamento do comboio diminua a largura do conjunto, facilitando o fluxo dos demais veículos.
PROPULSÃO DE LUBRIFICANTES
Para o abastecimento dos tan-
ques de óleos lubrificantes do comboio são empregadas três formas de propulsão: pneumática, pressurizada e hidráulica. A propulsão pneumática atua através de uma bomba instalada nos tambores ou reservatórios de lubrificantes, sendo movida por ar comprimido e apresentando vazão de lubrificantes de até 15L/ minuto. Este valor é insuficiente para a utilização em propriedades com grande número de máquinas e equipamentos ou para muitos atendimentos diários. É o sistema mais utilizado para a propulsão de graxa, pois a baixa vazão é desejável para facilitar a dosagem nos pinos graxeiros, com o objetivo de evitar desperdícios e contaminações. A propulsão pressurizada efetua o abastecimento por pressão, como é apresentado, esquematicamente, na Figura 1. Quando o abastecimento é por pressão positiva utiliza-se para o abastecimento das máquinas. Quando o sistema é por pressão negativa (efeito Venturi) é utilizado para a retirada dos óleos usados da máquina ou para o reabastecimento dos reservatórios do comboio. É importante que o ar comprimido injetado nos reservatórios seja filtrado e sem umidade. Este sistema dispensa bombas e outros componentes, resultando
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num menor custo de aquisição, sendo de simples manutenção. É o modelo mais requerido pelas indústrias sucroalcooleiras, agroflorestais e nos canteiros de obras, pois atua com uma vazão de até 25L/minuto. O sistema hidráulico atua com bombas de engrenagens, sendo acionado por motores hidráulicos, proporcionando vazões de 40L/ minuto a 90L/minuto. No entanto, é o de maior valor dos três modelos, geralmente utilizado em obras de mineração e grandes obras de infraestrutura.
DIMENSIONAMENTO DO VEÍCULO
A seleção do veículo que irá transportar o comboio deve ser realizada após o dimensionamento dos reservatórios. Deve ser estimado para as condições mais adversas encontradas, assegurando operação ininterrupta, levando em consideração dimensões das estradas, tipos de solo, topografia (planas a acidentadas) e períodos de chuvas (demandando tração em todos os eixos), temperatura (se muito baixa ou elevada) e condições das frentes de serviço. Com estes dados, é possível escolher o tipo de chassi (conforme carga e regime de utilização), potência, quantidade de eixos (conforme Lei 9.503), facilidade de manobra e
tipos de pneus. De acordo com o dimensionamento, o veículo pode ser um caminhão, uma carreta tracionada por trator ou até mesmo uma caminhonete, sendo que esta última também pode transportar em sua carroceria um pequeno comboio. As carretas podem ter seus equipamentos acionados pela tomada de potência de um trator (TDP) ou por motor estacionário. Já as caminhonetes, além da possibilidade de motor estacionário, podem ter seus organismos movidos pela bateria do veículo. Além disso, é comum e freqüente a utilização de caminhonetes que transportam em suas carrocerias tambores de combustíveis, lubrificantes (em suas embalagens originais), bomba de graxa, vasilhames para água, dentre outros itens e ferramentas, desempenhando as atividades de um comboio.
ENGATES RÁPIDOS
Uma alternativa encontrada em vários comboios são os sistemas de engate rápido. Tais sistemas funcionam encaixando-se a mangueira diretamente no bocal de abastecimento de combustível ou drenagem de lubrificantes, proporcionando a redução de uso
Operações florestais exigem comboios completos que possam atender às diversas demandas das máquinas que atuam em áreas mais distantes e de difícil acesso
dos dispositivos auxiliares como funis, bandejas, estopas e panos. É importante que nestes equipamentos as conexões utilizadas evitem ao máximo qualquer tipo de vazamento. Podem ser obtidos ganhos, como menor tempo de atendimento, eliminação de respingos dos lubrificantes, redução das chances de queimaduras dos operadores pelos óleos retirados, aspiração direta dos reservatórios e troca hermética de fluidos.
Modelos de comboio
Na coleta do óleo usado, a mangueira é conectada diretamente no cárter ou nos recipientes de drenagem. É importante que não seja utilizada a mesma mangueira de abastecimento de óleo novo para a retirada de óleo usado, para evitar contaminações.
COMBUSTÍVEIS DE ALTA VAZÃO
As bombas convencionais de abastecimento possuem faixa de vazão de 50L/minuto a 150L/mi-
Comboio aberto
Comboio semiaberto
Comboio fechado
Fonte: MF Rural - Utilizam coberturas metálicas (proteção contra chuva e sol). - Pouco ergonômicos. - Alto risco de contaminação. - Menor custo de aquisição.
Fonte: MF Rural - Possuem proteções nas laterais. - Não são completamente vedados. - Possibilidade de vazamentos para o exterior.
Fonte: Silveira, M. O. - São completamente vedados (blindados). - Modulares. - Trabalho ao nível do solo. - Menor risco de contaminação. - Maior durabilidade e segurança. - Vazamentos ficam contidos dentro do comboio
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nuto. Com o advento dos bocais de engate rápido, foi possível utilizar sistemas de alta vazão, que possuem capacidade de até 500L/minuto. Se considerada uma máquina com reservatório de combustível de 1.000L, a diferença no tempo de abastecimento pode chegar até 18 minutos. Esse ganho de tempo resulta em maior quantidade de abastecimentos que o comboio conseguirá realizar diariamente, menor tempo de máquina parada, contribuindo na eficiência operacional.
REGISTROS AUTOMATIZADOS
Os sistemas medidores podem ser analógicos ou digitais. Apresentam a vantagem de realizar o controle instantâneo do abastecimento, memorizar as quantidades movimentadas diariamente, além de possibilitar a integração com coletores de dados. Escolher a melhor tecnologia de controle da transferência de fluidos repercute na maior precisão dos registros dos volumes de combustíveis, óleos lubrificantes e graxas abastecidas nas máquinas. Com a evolução das tecnologias embarcadas nas máquinas, é comum encontrar sistemas cada vez mais sofisticados. Com isso, é possível a direta comunicação entre as máquinas agrícolas com as centrais
Exemplo de comboio com os carretéis de abastecimento localizados na traseira do veículo
de controle. Informam instantaneamente os tempos das operações, o ritmo operacional, o consumo de combustível, o período de manutenção, entre outras informações. Os sistemas de registros automatizados são responsáveis não só por armazenar as informações, mas, também, por emitir relatórios dos abastecimentos. Tais sistemas possuem tecnologias que travam o mecanismo de abastecimento, impedindo que o operador abasteça ou lubrifique a máquina errada. Todas as máquinas possuem seus dados técnicos (volume dos tanques, consumos, tipos de fluidos, dentre outros), histórico de abastecimento
Figura 1 - Esquema de funcionamento de um sistema pressurizado
e lubrificação cadastrados no sistema. Isto permite que o comboio identifique as máquinas e o período que estas necessitam ser lubrificadas e abastecidas - limitando a quantidade abastecida -, precavendo assim, desperdícios e roubos, pois os combustíveis são produtos de fácil venda em mercados clandestinos. Registrar os dados de lubrificação e abastecimento manualmente permite brechas na segurança do processo. Possibilita desvios ou desperdício de combustível, além de baixa confiabilidade, pois os apontamentos podem estar incorretos, ilegíveis ou serem extraviados.
SEGURANÇA
Para a realização de atividades com o veículo comboio é necessário observar as normas que abrangem: o transporte de produtos perigosos, as relativas à não contaminação do meio ambiente, a operação e segurança do trabalho e o armazenamen.M to de líquidos inflamáveis. Rovian Bertinatto, William Vaz Belinazzo, Mario Fernando de Mello, Sabrina Dalla Corte Bellochio, Catize Brandelero e Valmir Werner, Nema/CCR - UFSM
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IRRIGAÇÃO Divulgação
Pressão em campo
A avaliação do desempenho de sistemas de irrigação, apesar de ser uma prática pouco realizada por técnicos e produtores rurais, é importante para incrementar a produtividade e utilizar adequadamente os recursos hídricos
A
agricultura irrigada tem s i d o u m a i m p o r t a n te estratégia para a otimização da produção de alimentos, promovendo desenvolvimento sustentável no campo, com geração de emprego e renda. Porém, a disponibilidade de água tem se tornado cada vez mais limitante, devendo ser utilizada de maneira criteriosa, não só visando o incremento da produtividade e da qualidade final do produto, mas também o uso adequado dos recursos hídricos. Para que a irrigação seja eficiente, é fundamental que os sistemas apresentem uniformidade de aplicação da água, igual ou acima dos limites estabelecidos. Uma vez instalado um projeto de
irrigação, é necessário verificar se as condições inicialmente previstas se confirmam em campo. Para tanto, deve-se avaliar as condições de pressão, vazão e lâminas d’água aplicadas. A avaliação do desempenho de um sistema de irrigação é etapa fundamental a ser realizada, pois é com base nesses resultados que será possível avaliar e adequar o sistema em relação à necessidade de água que a cultura exige. No entanto, a avaliação do desempenho de sistemas de irrigação em áreas cultivadas é uma prática pouco realizada por parte de técnicos da área e dos produtores rurais, por falta de orientação e, até mesmo, conhecimento. Uma das maneiras para unifor-
mizar os sistemas de irrigação é a correta escolha dos aspersores, adequando a necessidade que a cultura exige de água com as características operacionais destes equipamentos. Há casos em que os produtores irrigantes se guiam apenas pelo catálogo fornecido pelo fabricante do aspersor para determinar a vazão, o que pode ocasionar aplicação de uma lâmina de água excessiva ou mesmo deficitária em comparação com a lâmina de reposição necessária para a cultura agrícola irrigada. Em algumas propriedades agrícolas, os produtores não realizam revisões em seu sistema de irrigação - que geralmente é utilizado durante anos sem nenhuma ou
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Figura 1 - Vazões teóricas e observadas do aspersor
reduzida revisão de seus componentes. Trabalhos que avaliaram sistemas de irrigação por aspersão demonstram que os principais defeitos em equipamentos de irrigação ocorrem primordialmente em vazamentos ao longo das tubulações do sistema, o segundo problema de maior impacto é o observado nos aspersores e por fim estão os encontrados no conjunto motobomba. A vazão do aspersor se dá em função do diâmetro do bocal e da pressão de serviço. Quando a pressão é excessiva, ocorrerá a diminuição do tamanho médio de gotas em função da fragmentação do jato de água, diminuindo também o raio de alcance da lâmina aplicada. A falta de revisão e de manutenção do sistema é uma das principais causas da má distribuição de água no solo, resultando em perdas na produtividade potencial quando comparada com áreas cultiváveis que utilizem manejo adequado da irrigação, com todo o sistema operacional funcionando de maneira eficaz. Em experimento realizado no Laboratório de Hidráulica Agrícola, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), foi testada a variação da vazão de aspersores submetidos a diferentes pressões
Agrojet
Existem no mercado diversos modelos de aspersores
de serviço. Esta análise baseou-se em uma norma técnica (NBR ISO 3951) fornecida pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que padroniza os procedimentos que devem ser realizados em avaliações da vazão de aspersores. Foi realizada também a análise da variação da fabricação do aspersor. Os aspersores comerciais utilizados foram do modelo P5 da marca Agrojet. A determinação da vazão foi realizada através de um hidrômetro com volume conhecido, e através de um cronômetro
Tabela 1 - Valores médios da vazão observada e valores da vazão fornecida pelo fabricante do aspersor
Aspersor P5 da Agrojet utilizado no experimento
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foi medido o tempo para uma volta completa do mesmo. A pressão de serviço foi monitorada por um manômetro instalado no cano de elevação próximo ao aspersor testado. Utilizou-se a expressão Q = V/T para obtenção da vazão medida, em que Q é a vazão (L/h); V é o volume (litros) e T é o tempo (horas). Os testes foram realizados testando-se cinco pressões de trabalho (10mca, 15mca, 20mca, 25mca e 30mca), de acordo com o catálogo fornecido pelo fabricante do aspersor. Foram efetuadas repetições da vazão para cada valor de pressão, a fim de aumentar a confiabilidade dos dados. Utilizou-se uma caixa de plástico para conter a água no momento da realização dos testes. A Tabela 1 apresenta os valores de vazão teórica e observada do aspersor quando submetido a diferentes pressões de serviço. Pressão (mca) 10 15 20 25 30
Teórica 250 293 341 389 431
Vazão (l/h) Observada Desvio padrão 261 5,5 301 3,8 345 1,8 385 2,2 429 0,9
Fotos Anderson Crestani Pereira
Segundo a Tabela 1, podemos observar que ocorrem pequenos desvios entre a vazão teórica e a vazão observada. As maiores diferenças acontecem nas menores pressões testadas devido ao fato de que as mesmas são mais difíceis de estabilizar, ocasionando, desta forma, uma maior oscilação na vazão. A norma sugere que para aspersores que possuam vazões nominais acima de 250 litros/hora, que a variação da vazão não seja superior a 5%. Obteve-se como resultado do teste uma variação da vazão de 4,4%, 2,7%, 1,17%, 1,03% e 0,69% respectivamente para as pressões de serviço de 10mca, 15mca, 20mca, 25mca e 30mca. Com base na classificação da norma e nos resultados obtidos, observa-se que todas as vazões nas distintas pressões de serviço estão em conformidade com a normativa técnica proposta pela ABNT. Outro fator que pode interferir na vazão do aspersor é a variação na sua fabricação, podendo acarretar diferenças na vazão obtida a campo em relação à vazão teórica. Isto ocorre devido à precisão com que este equipamento é fabricado. Para a avaliação da variação de fabricação dos aspersores adotou-se a metodologia proposta por Solomon (1979), utilizando-se a relação entre o desvio padrão da vazão do aspersor e a sua vazão média submetida a testes com pressão em estudo. Obteve-se como resultado uma variação média de fabricação de 1%, o que, segundo o autor do teste, se classifica como excelente, demonstrando a ótima precisão com que esses aspersores foram fabricados. Na Figura 1 estão representados os valores teórico (l/s) e de vazão observada (l/s). Por meio da análise visual da Figura 1 observa-se que existe uma alta correlação entre os valores de vazões observa-
das e teóricas, obtendo um elevado coeficiente de determinação (R²) de 0,9989, comprovando uma excelente tendência da vazão teórica poder refletir os valores de vazão observada a campo. Diante disso, e com base nos testes realizados experimentalmente, podemos concluir que a utilização das vazões propostas pelo fabricante do aspersor está de acordo com as normativas técnicas propostas pela ABNT, comprovando que podemos utilizar os valores de vazão expostos no catálogo sem prejuízo para determinação da vazão aplicada em sistemas de irrigação de acordo com cada pressão de serviço.
É importante ressaltar que a manutenção e os reparos necessários devem ser realizados periodicamente nos equipamentos de irrigação para que haja maior eficiência e uniformidade de aplicação da lâmina de água, ajustando a utilização dos recursos hídricos .M para fins de irrigação. Anderson Crestani Pereira, Adroaldo Dias Robaina, Marcia Xavier Peiter, Marcos Vinicius Loregian, Bruna Dalcin Pimenta, Jardel Henrique Kirchner, Luis Humberto Bahú Ben, Jhosefe Bruning, Wellington Mezzomo e Rogério Ricalde Torres, Lab. Eng. de Irrigação - UFSM
Aspersor do tipo P5 irrigando as culturas de canola e trigo durante as avaliações de desempenho do produto
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IRRIGAÇÃO Fotos Eloiny Guimarães Barbosa
Superdimensionados A limitação da disponibilidade comercial de potências predeterminadas de motores elétricos pode ser a causa do gasto excessivo com energia elétrica em sistemas de irrigação, aumentando os custos nesta operação
N
os últimos anos, a eletricidade passou a ser fator fundamental para o setor agropecuário, tendo impacto direto no custo de produção. Sabe-se que as propriedades rurais que possuem bom fornecimento de energia elétrica passaram a ser mais produtivas por causa do uso de tecnologias, como a utilização de motores elétricos em sistemas de irrigação, prática que, além de incrementar a produtividade, pode proporcionar a obtenção de um produto diferenciado, de melhor qualidade e com perspectiva de bons preços no mercado. Com o desenvolvimento do setor agrícola, houve também um aumento no consumo de energia elétrica, que é, em sua maioria, utilizada por equipamentos que demandam tração como motores elétricos, equipamentos que transformam energia elétrica em ener-
gia mecânica, sendo de grande utilidade para tração de cargas no meio rural. Os motores elétricos mais utilizados no meio rural, principalmente em sistemas de irrigação por pivô central, são os de indução, por apresentarem algumas vantagens como maior robustez, simples construção, baixo custo, facilidade de transporte, simplicidade de comando, grande versatilidade de adaptação às cargas dos mais diversos tipos e serem mais leves e de melhor rendimento (Oliveira Filho et al, 2009). A limitação da disponibilidade comercial de potências predeterminadas de motores elétricos é uma das causas de muitos sistemas de irrigação por pivô central apresentarem motores superdimensionados, trabalhando a vazio, ou seja, não utilizando totalmente sua potência nominal. Quando os motores de indução tra-
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balham a vazio, apresentam redução de seu índice de carregamento. Este índice representa o quanto da potência disponibilizada está sendo efetivamente utilizada e quanto mais seu valor se aproxima de 100%, mais eficiente é o sistema, influenciando diretamente nos gastos com energia elétrica. Na região de Cristalina (GO) foi realizado um levantamento no comércio para verificar as condições mais utilizadas no dimensionamento de pivô central. Foram colhidas informações das pressões de serviço dos aspersores trabalhando em baixa pressão, que corresponde à pressão de serviço de 196kPa para as áreas de 100, 110, 120 e 130 hectares, assim como suas respectivas vazões (Tabela 1). A potência absorvida na bomba foi determinada utilizando os dados de vazão e altura manométrica, sendo essa
Tabela 1 - Dimensionamento dos motores em função das diferentes áreas e gasto de energia para os sistema de irrigação usando pivô central, trabalhando a pressão de serviço de 196kPa Área (ha) 100,00 110,00 120,00 130,00
Hman (kPa) 490,00 490,00 490,00 490,00
Vazão (m³/h) 329,13 362,05 394,96 427,87
100,00 110,00 120,00 130,00
490,00 490,00 490,00 490,00
329,13 362,05 394,96 427,87
DIMENSIONAMENTO E GASTO DE ENERGIA PARA MOTORES COM POTÊNCIAS COMERCIAIS Rend. Pot. Eixo da Pot. motores comerciais IC Rend. do Consumo de energia Bomba (%) bomba (kW) (cv) (k) (%) motor (%) (kWh/ano) 79,40 56,47 100,00 73,60 76,73 88,90 222335,70 79,90 61,73 100,00 73,60 83,88 89,40 241694,50 81,00 66,43 100,00 73,60 90,26 90,00 258744,50 81,50 71,53 100,00 73,60 97,18 90,20 277534,01 DIMENSIONAMENTO E GASTO DE ENERGIA ELÉTRICA PARA MOTORES POTÊNCIAS IDEAIS 79,40 56,47 77,00 56,47 100,00 95,00 208047,40 79,90 61,73 84,00 61,73 100,00 95,00 227426,30 81,00 66,43 90,00 66,43 100,00 95,00 244742,10 81,50 71,53 97,00 71,53 100,00 95,00 263532,58
a potência que se deve ter no eixo do motor elétrico (ver Equação 1 no box). Para realizar a estimativa do custo de energia elétrica (ver Equação 2 no box), considerou-se 3.500 horas de funcionamento por ano, tarifa horo-sazonal verde para o subgrupo A3a, alimentado com tensão de 34,5kV, com preços cobrados pela Celg pela resolução Aneel Nº 02/2015. O dimensionamento das bombas e dos motores elétricos, assim como os rendimentos em razão da área definida como irrigada, o consumo e o gasto com energia elétrica, para a pressão de serviço de 196kPa, pode ser verificado na Tabela 1. Observa-se também que pelo fato de existirem apenas algumas potências predeterminadas de motores comerciais, foi dimensionado um motor de mesma potência (100cv) para as quatro áreas predefinidas, ocasionando superdimensionamento e consequente aumento de consumo de energia elétrica em 10%, 8%, 6% e 5% por ano, para as áreas de 100, 110, 120 e 130 hectares, respectivamente. A variação no índice de carregamento dos motores é inversamente proporcional ao tamanho das áreas analisadas (Figura 1), ou seja, quanto maior a área, menor a variação desse índice, visto que quanto mais a potência exigida no eixo da bomba se aproxima do valor de potência comercial (100cv), maior é o seu índice de carregamento, chegando a 97,18% no caso da maior área (130
hectares). Pode-se observar que o índice de carregamento variou de 76,73% a 97,18%, o que significa que os motores não estão trabalhando com o rendimento fornecido pelo fabricante. Na menor área (100ha), o índice de carregamento está 23,27% abaixo do ideal, nota-se que o mesmo motor, cuja potência comercial é 100cv, poderia irrigar 30 hectares a mais, reduzindo a variação do seu índice de carregamento para 2,82%, tornando o sistema mais eficiente. Por existirem apenas algumas potências predeterminadas de motores comerciais, na maioria das vezes, os sistemas de irrigação ficam superdimensionados, trabalhando a vazio e diminuindo sua eficiência, o que causa um aumento significativo no consumo e no gasto com energia elétrica, e quanto mais o valor da potência solicitada no eixo da bomba se aproxima do valor da potência do motor comercial, mais próximo de 100% é o valor do seu índice de carregamento e, consequentemente,
Muitas vezes os motores utilizados na pulverização são superdimensionados
Gasto de energia/ ano (R$) 86924,08 92925,29 98086,70 104035,54 78414,68 85622,16 92190,05 99214,79
maior o seu rendimento e menor o gasto .M com energia elétrica. Eloiny Guimarães Barbosa, Maria Joselma de Moraes e Marcos Eduardo Viana de Araujo, UEG
Como calcular o consumo A potência absorvida na bomba foi calculada através da equação 1: Pb= Q. Hm (1) 367.ηb em que: Pb - Potência absorvida pela bomba, kW. Q - Vazão necessária, m3h-1. Hm - Altura manométrica, mca. ηb - Rendimento da bomba, decimal. Após o cálculo da potência absorvida pela bomba, pode-se calcular o consumo estimado de energia elétrica (Equação 2): C = 0,736 . Hf . Ce . Pn . Ic (2) ηm em que: C - Custo anual de energia elétrica, R$.ano-1 Hf - Período de funcionamento, h.mês-1 Ce - Tarifa de energia elétrica, R$.kW-1.h-1 Pn - Potência nominal do motor elétrico, cv. Ic - Índice de carregamento do motor elétrico, decimal. ηm - Rendimento do motor elétrico, decimal. 0,736 - Fator de conversão da potência de cv para kW.
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CAPA
MF 9130 Plus Mais moderno e com mais tecnologia que os modelos antecessores, o MF 9130 Plus está de cara nova e cheio de novidades em motorização, design, barras e sistema de pulverização
E
m um sábado nublado, nos deslocamos até a Fazenda Querência, localizada no município de Cachoeira do Sul, na região central do estado do Rio Grande do Sul, para testar o pulverizador MF 9130 Plus, um novo lançamento da Massey Ferguson. Este equipamento substitui o MF 9030 Plus que, por sua vez, sucedeu o modelo de lançamento MF 9030, testado para a Revista Cultivar Máquinas em Lucas do Rio Verde (MT) com publicação na edição de fevereiro de 2011. O MF 9030 Plus havia sido lançado na última Expointer 2016, em Esteio (RS). O novo modelo, que inicia comercialização em janeiro de 2017, está preparado para atender a nova normativa de emissões, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2015, mas que estabeleceu um período de cumprimento para as máquinas agrícolas até 1º de janeiro de 2017. Esta norma faz parte do programa de controle de emissão de poluentes Proconve MAR-I (Máquinas Agrícolas e Rodoviárias-I). O Brasil, com a vigência desta normativa, ingressa em um rol de países que exigem
das máquinas agrícolas alguns limites semelhantes ao que ocorre nos Estados Unidos, com o EPA Tier, e na Europa, com a graduação Euro Stage. Esta inovação, além de outras que vamos contar neste texto, faz parte de um conjunto de alterações no projeto do MF 9030, passando pelo MF 9030 Plus. Como não testamos o MF 9030 Plus, faremos um paralelo entre o que havíamos visto no primeiro e a grande evolução que vimos neste modelo, que agora tivemos a oportunidade de testar. Já de imediato notamos uma grande alteração de design da
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grade dianteira e todo o capô que envolve o motor. Este novo capô e a grade fazem parte de uma padronização com os novos modelos de tratores que a marca tem atualmente no mercado. Esta nova identidade visual alinha o
pulverizador aos outros produtos da MF. Ainda que este equipamento possa ter uma aplicação generalizada, em lavouras de todo o país, o mesmo atenderá principalmente aqueles agricultores com grandes áreas, que necessitam cobrir amplas extensões de pulverização, aproveitando a boa largura de aplicação e velocidade de deslocamento. Como dissemos, este equipamento que testamos é lançamento, substitui o modelo MF 9030 Plus 2016 e traz como grande diferença em relação a este o fato de atender a normativa de emissões, algo que somente será exigido para os equipamentos produzidos a partir de 2017. Recuperando um pouco de história, o primeiro pulverizador autopropelido da história da MF foi apresentado na edição de 2011 do Show Rural, em Cascavel (PR), e na Expodireto 2011, em Não-Me-Toque (RS). Os primeiros passos foram dados em 2008, quando este equipamento foi projetado e realizados os os testes de camp o p a ra validação técnica, em diferentes
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Acionamento das quatro rodas é por meio de motores hidráulicos individuais
condições de trabalho no país. A forma de indicar o modelo tem relação com a série, que passa de 90 para 91 e com a capacidade do depósito de calda, em que o 30 tem relação com a capacidade do depósito, que é de três mil litros. MOTOR O MF 9130 Plus vem equipado com motor marca AGCO Power, modelo 66CW3.1263 Tier III, sendo sobrealimentado por turbo compressor. Constitui-se de seis cilindros verticais em
O chassi é formado por vigas em formato de “C”
linha, com deslocamento volumétrico de 6.600cm3, injeção do tipo eletrônica que atende às exigências do Programa de Controle da Poluição do Ar por veículos Automotores (Proconve) MAR-1 . Esta resolução exige que os motores de máquinas agrícolas e rodoviárias atendam a um limite máximo de emissões de gases poluentes. Este padrão de controle é utilizado nos Estados Unidos e na Europa desde 2006, porém, no Brasil será implantado primeiramente para
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Válvulas de abertura e fechamento de seções de pulverização
máquinas acima de 75kW, e a partir de 2019 todos os motores agrícolas deverão atender a esta resolução. Pensando neste cenário nacional e internacional, a Massey Ferguson equipou seu autopropelido MF 9130 Plus com uma fonte de potência capaz de atender a estas exigências normativas. O motor possui potência máxima declarada pelo fabricante de 147,05kW (200cv) numa rotação de 1.900rpm e o torque máximo de 790Nm em 1.800rpm do motor. Diferentemente da injeção de combustível mecânica dos modelos anteriores, o sistema de injeção eletrônica do motor possui sensores conectados a uma unidade de comando, que possibilita adequar de forma independente a pressão e a quantidade de combustível que o motor necessita para realizar as operações. Desta forma, o sistema torna o motor mais eficiente e reduz o nível de emissões. O motor está montado na parte frontal da máquina, o que auxilia na distribuição de peso do equipamento, já que o reservatório de calda se encontra na parte posterior. O sistema de filtragem de ar é convencional, possuindo dois elementos filtrantes. O filtro está localizado à frente do radiador, facilitando a sua manutenção pela plataforma lateral. Uma das grandes mudanças do MF 9130 Plus, além da injeção eletrônica, é a remodelagem do capô e da grade frontal. O capô permanece basculante, facilitando as manutenções a serem feitas no motor e outros dispositivos inseridos neste local.
SISTEMA DE PULVERIZAÇÃO
O gerenciamento da pulverização é realizado através do controlador eletrônico modelo C3000, que atua juntamente com o fechamento automático das seções de barra (standard) e o piloto automático Auto-Guide 3000 . A bomba de pulverização da marca Hypro é do tipo centrífuga, produzida em aço inox e acionada por um motor hidráulico, sendo sua vazão proporcional à rotação do motor. Possui capacidade de até 549 litros por minuto, proporcionando grande fluxo de produto e uma ampla faixa de vazões configuráveis, para que o produtor possa adaptá-la às suas necessidades. O abastecimento de água ou calda pronta no pulverizador pode ocorrer por gravidade, por bombeamento externo ou, opcionalmente, por uma bomba de alta vazão para o abastecimento de produto, incorporada ao pulverizador. Também fabricada pela Hypro, é do tipo
Painel à direita do incorporador permite selecionar diversas operações
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Incorporador de defensivos e sistema de lava-frascos pode ser baixado até o nível do operador
centrífuga, construída em polipropileno e com vazão máxima de 568 litros por minuto, permitindo a rápida recarga do pulverizador. A saída da mangueira da bomba de abastecimento está localizada próxima ao fundo do tanque, evitando formação excessiva de espuma na calda de pulverização. O sistema de pulverização possui proteção contra aumentos excessivos de pressão. Uma válvula de alívio atua nestas situações, protegendo os componentes do sistema e propiciando maior segurança nas aplicações.
TRANSMISSÃO
O MF 9130 Plus possui tração integral, com acionamento das quatro rodas por meio de motores hidráulicos individuais. Estes motores hidráulicos são acionados por duas bombas, que trabalham em diagonal. Assim, cada bomba aciona uma roda de um lado no primeiro eixo, em conjunto com a do outro lado no segundo eixo. Este tipo de tração, que se convenciona chamar de cruzada, é um diferencial para resolver problemas decorrentes de apoio da roda em diferentes tipos e condições de superfície, que possam dificultar a aderência e provocar problemas ao deslocamento. Este diferencial é muito importante neste tipo de equipamento, pois uma redução na velocidade de deslocamento - ou mesmo um movimento lateral - pode diminuir a qualidade da aplicação que está sendo feita por uma barra, transversal à direção de deslocamento.
Em relação ao modelo MF 9030, o MF 9030 Plus já havia incorporado um diferencial importante para resolver problemas de aderência e capacidade de vencer rampas que ocasionalmente fossem encontradas no terreno. Por meio de uma modificação na relação de transmissão do redutor, o aclive máximo que o equipamento pode vencer, sem problemas, passou da declividade máxima de 24% para 28%. Este detalhe de projeto que pode não ter maior importância em terrenos planos e secos, como os encontrados nas grande áreas agrícolas do nosso país, é relevante em terrenos úmidos e também ondulados, como os que ocorrem nas regiões de produção agrícola Sul e Sudeste do Brasil. Com a transmissão que equipa este pulverizador é possível realizar aplicações a velocidades de até 30km/h em 3ª marcha à rotação recomendada de 1.900rpm, com a opção de pneus standard. Em deslocamentos pode trafegar a 43km/h.
BARRA DE PULVERIZAÇÃO
O MF 9130 Plus vem equipado de série com barra de pulverização de 28 metros (25 metros opcionalmente), sendo possível recolher hidraulicamente as ponteiras e trabalhar com um comprimento de 19 metros. A barra é montada na parte traseira do autopropelido e construída em forma de treliças. Ela conta com a ação de molas e amortecedores que atuam na estabilização, tanto horizontal quanto verticalmente. As ponteiras das barras possuem desarme automático, que recuam ao encontrar algum obstáculo e, depois de vencê-lo, retornam à sua posição normal.
Escada de acesso à cabine recolhe automaticamente sempre que o freio de estacionamento é desativado
Nas ponteiras estão presentes as proteções de impactos da barra contra o solo, também chamadas de patins, que apresenta um sistema de molas para auxiliar na absorção de impactos contra o solo. A barra de pulverização é dividida em sete seções, uma central e três para cada lado. O desligamento das seções é automático, mas também é possível desligar uma a uma, manualmente, no painel de comando da cabine. Como item opcional é oferecido o bico End Row, localizado na parte final da barra, facilitando as operações de remate. O MF 9130 Plus testado estava equipado com os sensores de altura de barra, disponibilizados como opcional. Houve uma evolução da quantidade de sensores da geração MF 9030 para a MF 9130 Plus, passando de três sensores (um em cada
barra e um central), para cinco sensores (dois por barra e um central). Esta maior quantidade de sensores permite que as barras copiem melhor as irregularidades do solo, efetuando uma operação mais eficiente e de melhor qualidade. A regulagem é realizada no interior da cabine, possibilitando ao operador ajustar a altura de trabalho de acordo com o solo ou a partir do dossel da cultura. Esta regulagem de altura pode variar de 0,55m a 2,15m, tendo como referência o solo. A tubulação utilizada nas barras de pulverização é de aço inoxidável com diâmetro de 25,4mm (uma polegada), sendo este material anticorrosivo, não reagindo com os produtos químicos e mantendo a integridade de sua estrutura. Para melhor eficiência no sistema de filtragem, os componentes apresentam
O sistema “End Cap” da Hypro otimiza em até 85% o tempo para aliviar a pressão residual da tubulação, além de facilitar a limpeza das tubulações
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aumento gradual de malhas por polegada ao quadrado (mesh). O filtro principal do equipamento é composto por malha de 30 mesh, e os filtros de linhas que estão dispostos um na barra central e um para cada lateral são compostos de malha de 80 mesh. Aqui também foi encontrada outra alteração do MF 9030 para o MF 9130 Plus, que facilita a manutenção do dia a dia para o operador. A quantidade de filtros que equipava o antigo modelo era de cinco unidades, sendo duas por barra lateral e uma para a barra central. As duas unidades de filtros por barra lateral foram substituídas por uma unidade de mesma capacidade de filtragem, totalizando três unidades de filtros de barra. Os bicos que equipam a barra são do tipo multicorpo, e as pontas modelo Guardian 12004, ambos fabricados pela Hypro. O numeral 120 indica o ângulo de abertura do leque em graus, e o numeral 04 indica a vazão da ponta de 0,4 galão
O
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Bico End Row, localizado na parte final da barra, facilita as operações de remate
americano por minuto (1,5 litros/minuto), a uma pressão de 2,8bar (39,98psi). Além disso, cada bico multicorpo conta com um sistema antigotejo, equipado com uma válvula de 0,55bar. Assim, quando a pulverização for desligada, este sistema evitará vazamentos e, consequentemente, a perda de produtos e
Local e equipe de apoio
local deste teste, como explicamos no início, foi na região central do estado do Rio Grande do Sul, mais particularmente na Fazenda Querência, do Cliente Massey Ferguson Eduardo Borges, que está localizada na BR-290 - km 247, no Distrito Piquiri, município de Cachoeira do Sul (RS). No local do teste, que fica a 8km da sede da Fazenda, fomos recebidos pelo gerente Márcio. Para o teste, nos reservaram uma excelente lavoura de soja, por sinal uma das poucas áreas que restavam a semear. O relevo levemente ondulado era cercado de matas e restingas, que serviam de cobertura a cursos de água nas partes baixas.
O local do teste era em uma área de resteva de trigo, sendo que para o cultivo do verão estava sendo realizada a semeadura de soja no sistema de plantio direto. A propriedade conta com pivôs que realizam a irrigação das culturas em caso de estresse hídrico. Para melhor compreensão do novo pulverizador MF 9130 Plus, contamos com o apoio do Coordenador de Marketing Produto Pulverizadores, engenheiro Ronaldo Botelho Machado. Ele está há seis anos na empresa e nos mostrou que conhece bem o produto com o qual trabalha. Tendo conhecimento vasto, explicou cada detalhe da máquina, tornando de fácil entendimento seu funcionamento.
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problemas de fitotoxicidade na lavoura. É aceitável que este gotejamento seja de até cinco segundos após o desligamento da pulverização, conforme a norma ISO 16122.
CHASSI E SUSPENSÃO
O chassi é confeccionado em aço liga estrutural e formado por vigas em formato de “C”. Conhecido como Flex Frame, permite junções sem soldas, utilizando apenas parafusos. Este sistema, além de garantir maior flexibilidade, evita a formação de trincas na estrutura da máquina e também nas barras. Assim, possibilita maior vida útil e diminui as paradas para manutenções corretivas, as quais, quando realizadas durante o período de aplicação, diminuem a capacidade operacional da máquina. Os eixos, onde são fixados os rodados da máquina, são formados por estruturas independentes, sendo unidos ao chassi através das barras estabilizadoras e com a presença de bolsas de ar (bags) para realizar a suspensão pneumática ativa, e de válvulas de controle para o gerenciamento. A ausência de eixos rígidos em relação ao chassi, aliada ao sistema Flex Frame, permite ao MF 9130 Plus transpor e superar obstáculos, mantendo as quatro rodas em contato constante com o solo, melhorando a capacidade de tração, a estabilidade da máquina e das barras, principalmente nas operações em áreas de topografia irregular. Ainda, pela ação deste sistema, proporciona-se maior conforto operacional e possibilita uma melhor qualidade na aplicação, possível pela melhor estabilidade das barras.
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DEPÓSITO
O reservatório de calda é construído em polietileno rotomoldado, com capacidade para três mil litros, volume que possibilita grande autonomia, mesmo quando empregadas altas taxas de aplicação. Não somente, permite que os abastecimentos de calda ocorram em maiores intervalos de tempo, maximizando a produtividade e a capacidade operacional. A mistura e homogeneização da calda é realizada por dois agitadores hidráulicos. Caso seja necessária a troca de produtos, a limpeza do reservatório é realizada por um sistema automático, dotado de um esguicho giratório para limpar o produto aderido nas paredes internas. O abastecimento do reservatório é realizado através da estação de recarga, localizada na lateral do pulverizador. Para seu funcionamento, é necessário que o motor esteja ligado. Ao acionar a bomba pela estação de recarga, um sistema de segurança é acionado, bloqueando as rodas do pulverizador, e assim prevenindo acidentes. A válvula central efetua o direcionamento do fluxo para quatro funções distintas: para baixo, direciona o fluxo de calda para as barras; para a esquerda, habilita o uso do incorporador; para cima, direciona o fluxo para a lavagem do reservatório; para a direita, permite o enchimento do reservatório. A alavanca superior direita comanda os agitadores de calda, que deve ser regulada conforme características do produto utilizado, como decantação e formação de espuma. À direita da estação encontram-se a válvula e o bocal de recarga de água ou calda pronta, equipado com engate rápido de duas e de três polegadas.
Acumulador de pressão auxilia no amortecimento de impactos
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A Case IH oferece três diferentes modelos: o Patriot 250, o Patriot 350 e o Patriot 250 Extreme, com opções de barras de 24m a 30m
A cabine é ampla e possui comandos e displays limpos que facilitam o trabalho do operador
O incorporador de defensivos e sistema de lava-frascos é construído em polietileno, e está situado ao lado esquerdo da estação de recarga. Conta com um sistema retrátil que permite baixar o conjunto até o nível do operador, contribuindo para uma operação ergonomicamente correta. Uma bomba tipo pneumática foi instalada para a realização da tríplice lavagem dos frascos de defensivos, que utiliza um volume de água 12 vezes menor que o modelo que equipava o MF 9030. Para seu funcionamento, é disponibilizado um tanque de água limpa, exclusivo para a lavagem dos frascos. Para maior segurança dos operadores que reabastecerem o pulverizador, e também para evitar o término de água que ocasionalmente ocorre em sistemas interligados, foi instalado um tanque de água limpa independente, para a lavagem das mãos, que possui ligação direta com a torneira posicionada na estação de recarga, sem contato com qualquer outra tubulação da máquina. Para facilitar as operações diárias, como calibragem de pneus e limpeza da máquina, o MF 9130 Plus conta com duas tomadas de ar comprimido, uma junto à estação de recarga e outra dentro da cabine. Também, ao lado direito da estação de recarga, está localizada uma caixa porta-ferramentas ou EPIs, para que não haja o armazenamento de material contaminado dentro da cabine.
CABINE, ACESSOS E ERGONOMIA
Analisamos o posto de operação
do MF 9130 Plus, tanto no sentido do acesso como também a comodidade em operação. Nota-se que foi colocado desde a versão MF 9030 Plus um assento com amortecimento pneumático, o que tornou bastante confortável a permanência do operador por longos períodos. Também foi constatado que a posição central da cabine na estrutura, em um equipamento de grande distância entre eixos (4,4 metros), minimizou bastante as oscilações de posição, reduzindo o mal-estar quando da ocorrência de vibrações de grande amplitude e baixa frequência. Observamos, em relação à primeira versão, que o fabricante provocou mudanças nos comandos, alterando o console integrado lateral, com uma mudança na textura do tecido de apoio ao braço direito, além de colocá-lo a uma maior altura do piso, o que melhorou o conforto. Um detalhe interessante encontrado foi no botão de acionamento do modo transporte, que foi dotado de uma pequena moldura, que serve para impedir o acionamento involuntário. Este novo modelo atende integralmente a Norma Regulamentadora 12 do Ministério do Trabalho e Emprego. O acesso ao posto de condução é bem fácil, devido a uma escada bem projetada em número e dimensões dos degraus, e que fica na posição frontal, mas que é recolhida a partir do momento em que se coloque a máquina em condições de movimento. O operador não necessita fazer nenhuma ação, sendo somente necessário que o freio de estacionamento
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seja desbloqueado e a máquina esteja em condições de operação. Também nota-se que as áreas ao redor da cabine e do depósito são protegidas, possibilitando que o operador circule com segurança quando for acessar e realizar a manutenção. A cabine tem razoável espaço para um operador, e possui um pequeno console à esquerda, que pode eventualmente servir como assento para um operador em treinamento ou para um auxiliar. O interior da cabine é estanque, com filtragem absoluta do ar interno através de filtros de carvão ativado. Também em relação ao modelo anterior há um bom incremento de iluminação exterior com a disposição de seis faróis na grade frontal e outros mais para iluminar a barra de aplicação e a parte traseira do equipamento.
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Barras estão disponíveis nas medidas 28 e 25 metros
Este equipamento possui ajuste de bitola hidráulico, através de botões presentes no painel de comandos da cabine. O operador pode selecionar a configuração adequada conforme a entre linha da cultura. Vimos que há uma régua para verificação da bitola configurada, que permite uma medida exata do trabalho de adequação. A bitola mínima do MF 9130 Plus é de 2,8m, atingindo um valor máximo de 3,4m. Para realizar este ajuste, basta retirar as travas localizadas nos quatros rodados e movimentar a máquina em baixa velocidade. Esta regulagem é muito importante para adequar a máquina aos espaçamentos utilizados pelos agricultores, e também para possibilitar a utilização de técnicas de tráfego controlado, onde é necessário estabelecer o local de passagem das rodas dos equipamentos, com bitolas padronizadas. O reservatório de calda possui uma capacidade de carga de três mil litros, com amplo bocal de abastecimento. No pulverizador também foi montado um reservatório de água limpa, fabricado em polietileno e com capacidade de 240 litros, para efetuar a tríplice la-
DIMENSÕES E CAPACIDADES
O MF 9130 Plus possui comprimento total de 8,5m e altura total de 3,95m. A distância de 4,4m entre eixos faz com que a máquina tenha uma boa estabilidade, critério essencial para este tipo de equipamento. O peso de máquina vazia é de 8.900kg, podendo chegar a 11.900kg com a máquina carregada, devido à grande capacidade de carga do reservatório de calda. O modelo do teste estava equipado com pneus do tipo radial na medida 380/90 R46, com os quais se configura um vão livre de 1,65m. Na configuração para a cultura da cana, tem como opcional os pneus diagonais de medida 18.4-34, que confere uma redução do vão livre do pulverizador para 1,54m. O autopropelido possui um raio de giro de 7,5m, o que auxilia em manobras de cabeceiras. Dezembro 2016 / Janeiro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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vagem das embalagens. Além disso, o fabricante também pensou na higiene e segurança, adicionando um tanque de 40 litros dedicado exclusivamente para o operador. O autopropelido MF 9130 Plus é equipado com um edutor de produtos, responsável pela incorporação dos produtos fitossanitários e a lavagem de alta pressão das embalagens. Este componente é fabricado em polietileno e tem capacidade de 26,5 litros. Sendo assim, a capacidade volumétrica deste elemento é superior à maior embalagem de produto do mercado, 20 litros. Logo, a colocação de produtos se dá em um único despejo.
TECNOLOGIA
No decorrer dos testes, ficou evidente a tecnologia embarcada neste modelo. A bomba de pulverização possui o gerenciamento da rotação de seu motor hidráulico através de uma válvula automatizada. Conforme a variação do fluxo de óleo pelo motor altera proporcionalmente a vazão da bomba. Com este procedimento, é dispensada a utilização da tubulação de retorno das seções de barra, pois
Jacto
toda a calda que é pressurizada será aplicada. O fato de não desperdiçar energia pressurizando a calda não aplicada resulta em economia de combustível, evita o desgaste de tubulações e contribui para um menor custo operacional. Além das seções de pulverização contarem com tubulações em aço inoxidável, que apresentam maior durabilidade, as extremidades das seções estão equipadas com o sistema End Cap da Hypro. Segundo o fabricante, este sistema otimiza em até 85% o tempo para aliviar a pressão residual da tubulação. Durante os testes, foi constatado o funcionamento deste sistema, através do rápido tempo de resposta quando do acionamento e desligamento das seções, contribuindo assim para uma aplicação mais uniforme. Foi verificado também que este sistema facilita a limpeza do circuito de pulverização: com a simples retirada de uma trava metálica e posteriormente a tampa é possível pressurizar o sistema e as impurezas sairão pelas pontas do End Cap. O MF 9130 Plus utilizado nos testes estava equipado com piloto automático Auto-Guide 3000 e sensores de altura de barra (opcional), que, em conjunto
A
Concessionário
Itaimbé Máquinas Agrícolas é uma empresa tradicional do ramo de máquinas agrícolas. Fundada em 1968, atuou muitos anos na região de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Ao longo dos anos, dado o seu trabalho representando os produtos da marca Massey Ferguson, foi ampliando a sua área de atuação, alcançando hoje um número de 70 municípios, que são atendidos por diversas lojas na região central e do planalto médio do estado, com filiais em Cacequi, Cachoeira do Sul, Palmeira das Missões, Panambi, Frederico Westphalen e Júlio de Castilhos. Posteriormente, a ampliação da empresa levou à conquista de concessões para atuar em aproximadamente 30 municípios do Vale do Araguaia e Alto Xingu, no estado do Mato Grosso do Sul, abrindo lojas nas cidades de Canarana, Querência,
com os standards, controlador de pulverização C 3000 e fechamento automático de seções de barra, propiciaram a automatização completa da operação, permitindo ao operador dedicar atenção maior aos monitores e ao gerenciamento da pulverização. Para auxiliar no gerenciamento e monitoramento da frota, é disponibilizado como opcional o sistema AgCommand. Através de sinal de celular (GPRS), disponibiliza informações em tempo real, tais como localização, velocidade, horas de trabalho, dentre outras. Criando assim um histórico de cada máquina, além de permitir o monitoramento remoto através de equipamentos que possuam conexão com a internet.
TESTE
Durante o dia em que estivemos envolvidos nos testes, toda a equipe pode operar o equipamento, avaliando o desempenho através das telas do sistema de aplicação e monitoramento da máquina. Nos surpreendemos positivamente com muitas das alterações que foram introduzidas na versão MF 9130 Plus. Como o terreno era bastante ondulado e com variação de declividade, durante os tiros entre o início e o final dos bordos da área que utilizamos nos testes, estávamos curiosos para
Água Boa e Confresa, com a marca Buritis. O produtor que visitamos é cliente da filial de Cachoeira do Sul. Esta parceria entre produtor e concessionário é importante, pois o fabricante proporciona a adaptação do equipamento às mais diversas condições locais. Também pode ser estabelecido um contato direto entre o revendedor MF e a Hypro, que fornece vários componentes do pulverizador, como jogos de pontas de pulverização e bombas, que não são disponibilizados de série pela fábrica, para que haja uma correta adequação à necessidade do agricultor. Neste caso, os clientes contam com o DSH (parceria AGCO Hypro), que consiste na redução de encargos para a venda pela concessionária. O concessionário AGCO tem canal direto com o fornecedor, apresentando preços mais competitivos ao produtor.
concluir sobre a estabilidade da barra de pulverização, o que nos deixou bastante satisfeitos. Tanto as oscilações horizontais como as verticais foram bastante minimizadas pelos sistemas adotados. O motor com novo controle de emissões também foi alvo dos nossos testes, e fomos unânimes em concluir que nada verificamos de diferença que sugerisse perda de desempenho em relação ao motor anterior. Também testamos o sistema de mistura da calda e de limpeza de embalagens, para o qual a avaliação do grupo de teste foi bastante positiva. Acreditamos que a introdução de um reservatório dedicado apenas à limpeza do operador foi um avanço em termos de segurança, inclusive em relação a outros modelos comerciais. Finalmente, outra avaliação positiva foi o posto do operador, que recebeu bastantes elogios pela facilidade de acesso e visibilidade exterior, inclusive da barra de pulverização. O controle único, posicionado à mão direita do operador em um console mais elevado, .M facilitou o trabalho. José Fernando Schlosser, Rovian Bertinatto e Giácomo Muller Negri, Nema/UFSM
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TECNOLOGIA
Como a palma da mão
Fotos Checkplant Sistemas S.A.
Conhecer a sua propriedade, sua frota e os produtos disponíveis não significa fazer o melhor uso do potencial de cada um. Algumas tecnologias disponíveis no mercado podem ajudar a criar estratégias para controlar melhor o manejo da lavoura e dos bens disponíveis
A
gricultura. Um desafio gigante e complexo por natureza, milhares de interações e reações químicas acontecendo a cada instante e uma busca diária por altas produtividades, com maior escala e menor custo. Nessa corrida constante na busca por soluções que aumentem a lucratividade das operações no campo, o desenvolvimento tecnológico cresceu muito, deixando-nos hoje em um cenário em que as tecnologias disponíveis são tantas, que ainda não estamos preparados para implementar e usufruir de tudo.
O Brasil utiliza o que há de mais moderno em sementes, proteção de culturas, manejo de solos e maquinário. Mesmo com tantos recursos, os resultados desejados não estão sendo alcançados nas lavouras e ninguém sabe dizer exatamente o motivo. Fatores climáticos estão sempre em questão e não há dúvidas de que as secas dos últimos anos foram muito prejudiciais para a agricultura. Mas será que é só esse o problema? Segundo a Fundação MT, 50% do potencial das lavouras é perdido no manejo. Defensivos sendo
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aplicados fora do tempo ideal, com o bico do pulverizador errado, na cultura errada e até mesmo com dosagens calculadas incorretamente são episódios comuns nas fazendas. Mas, como mudar esse cenário? Cada vez mais responsabilidades são delegadas para as equipes sem a preocupação de como as informações estão sendo passadas, se serão registradas e poderão ser verificadas posteriormente. A ausência de ferramentas eficazes que permitam o registro das atividades no campo e a consequente sintonia de toda a equipe são os grandes problemas enfrentados hoje. Com o manejo cada vez mais técnico, cada talhão com sua própria história, estratégias, variedades, suscetibilidades a pragas e doenças diferentes, fica mais difícil manter tudo em dia. Sem informações confiáveis é impossível tomar decisões assertivas. O produtor, neste cenário, que deseja enxergar o negócio como uma empresa, deseja saber o retorno sobre o investimento de suas lavouras, e sem informações e registros adequados a equipe técnica sente-se muito pressionada e os proprietários desconfiados. Sendo assim, como podemos monitorar as ameaças, errar menos e ser mais proativos durante a operação sem aumentar a burocracia?
IMPLANTAR UMA CULTURA DE REGISTROS
Hoje não precisamos mais memorizar algumas coisas, nem os números de telefones de nossos(as) esposo(as). Outro sinal desta modernidade foi uma entrevista de um dos fundadores do aplicativo de GPS Waze. Ele estava a caminho
Com o manejo cada vez mais técnico, fica mais difícil manter tudo em dia. Por isso, informatizar os registros é um dos primeiros passos para manejar adequadamente a lavoura
do aeroporto e pediu a seu filho que o levasse, mas ele disse que não podia, pois o seu celular estava sem bateria e ele não sabia como chegar ao aeroporto sem o aplicativo. Em algumas propriedades que visitamos, alguns produtores relataram que não precisam muito de registros, pois está tudo na cabeça e estão todos os dias na fazenda. É fundamental ter o registro das operações, e as informações devem ser padronizadas. Caso contrário, não é possível realizar comparações entre fazendas ou entender os motivos pelos quais algumas variedades necessitam de mais inseticidas do que outras, ou quais são os principais motivos de atraso nas pulverizações. Os decisores no processo devem planejar as informações que são fundamentais para não burocratizar o trabalho de sua equipe, evitando retrabalho do papel para o computador, envolvendo outras pessoas, pois erros de digitação e relatórios incorretos são comuns sem ferramentas adequadas. É necessário planejar também as rotinas e os formatos em que as informações são coletadas, pois alimentar um sistema de custo, por exemplo, quinzenalmente depois que as operações foram realizadas só para ter um histórico de registros do que aconteceu cria a oportunidade de algumas ações ficarem de fora e o resultado final ficar mascarado.
Ter o caderninho da movimentação de estoque do almoxarife, o bloco de recomendações do agrônomo e mais planilhas com as informações duplicadas, além de consumir um tempo precioso pode ser motivo de complicação quando algo vai mal na operação. Qual a informação que será a certa? E estes acontecimentos podem ser levados a todas as atividades do ciclo, como o plantio, a adubação, as pulverizações e os monitoramentos. O ideal é que os registros estejam sempre à mão e disponíveis para que deem a toda a equipe uma visão integrada de aspectos da lavoura, desde as condições de crescimento da cultura, situação de ameaças (pragas/doenças), controles químicos ou biológicos já realizados, bem como com o custo destes. Só é possível ter bons resultados através de boas decisões com as informações
corretas, na hora certa e com os recursos adequados.
ROTINAS SISTEMÁTICAS DE REGISTROS
Faz 18 dias que o talhão 2 foi monitorado! As pragas devem ter reduzido muito a produtividade! A frequência com que as informações devem ser coletadas é fundamental. De nada adianta ter uma informação de monitoramento de pragas de um talhão de 20 dias atrás, por exemplo. Vamos supor que você deixasse sua carteira aberta em cima da mesa com R$ 100.000,00 disponíveis para gastar entre cinco pessoas na fazenda, sendo que a cada retirada basta deixar, se quiser, um papelzinho anotado com a quantidade. Será que você conseguiria fazer um relatório de quem retirou e no que foi gasto? É notório que muitas fazendas têm
Só é possível ter bons resultados através de boas decisões com as informações corretas, na hora certa e com os recursos adequados
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Fotos Checkplant Sistemas S.A.
as ameaças de pragas, doenças, ervas daninhas, a performance e a forma com que os insumos estão sendo aplicados no campo. Receber estas informações em um tempo aceitável e que elas cheguem até os tomadores de decisão para facilitar o processo de decisão são fundamentais para que melhore o tempo de resposta às ameaças no campo e se evitem perdas e custos desnecessários.
MEDIR OS SEUS OBJETIVOS
As informações bem organizadas podem medir se os objetivos da sua fazenda estão sendo cumpridos, por exemplo, “zero erro no estoque”, ou “melhorar o timing das pulverizações”, são alguns exemplos. Em uma fazenda que tenha registros bem estruturados, com uma rotina bem clara e definida, fica fácil entender, por exemplo, se o consumo de defensivos está dentro do planejado ou se os controles de lagartas estão sendo eficientes.
ATMOSFERA DE APRENDIZADO
Aplicativo permite acesso às informações a qualquer momento
gerenciado seu estoque desta forma. É comum ouvir alguma história como esta: “Preciso de mil litros do inseticida T para pulverizar amanhã aqueles talhões. O agrônomo recomenda, com base na sua planilha, mas quando vai executar no outro dia, recebe uma informação que não tem mais disponível.” Se não registrar a informação na hora, além dos problemas operacionais que são óbvios, se gasta um tempo enorme com contagens de estoque, além de criar um clima de desconfiança entre a equipe. Em resumo, o momento em que a informação é registrada é fundamental para aumentar a confiança da informação e a segurança da equipe.
Ser capaz de medir os objetivos através de informações de manejo pode criar uma atmosfera de aprendizado na sua fazenda. Os dados organizados e confiáveis levam a importantes discussões entre a equipe
técnica. Como exemplo, o agrônomo percebe um índice de pragas muito acima do normal, mesmo realizando todas as pulverizações no tempo correto, com as doses certas. Ele se reúne com a equipe de monitores de pragas e os responsáveis pela pulverização para entender se a operação foi bem executada. Cruzando os dados com a fenologia, a pluviometria e os horários de pulverização, eles chegam à conclusão de que se deve mudar o período do dia para ter melhor eficiência no controle. Isto gera uma ótima oportunidade para treinar os funcionários sobre como fazer as coisas diferentes e ter uma melhor performance. É comum ouvir de produtores, que usam um software para gerenciar seu manejo como o Farmbox, que a equipe técnica da fazenda sente-se mais confiante, que há uma melhor comunicação e que, ao invés de ficar preenchendo planilhas, tem mais tempo para olhar aquilo que é realmente importante. O crescimento e o sucesso da sua propriedade serão determinados pela consistência nos resultados. E estes resultados só poderão ser atingidos se eles tiverem sido registrados e medidos para que a sua equipe constantemente atinja as metas e os alvos desejados. .M Alexandre Figueiredo Fachinello, Checkplant Sistemas S.A
RECEBER INFORMAÇÕES NA HORA CERTA
A informação é poder, e ela traz o benefício de inovar a gestão de operações nas fazendas. A informação entrega o poder às equipes operacionais sobre
Softwares como o Farmbox, da Checkplant, oferecem soluções completas para gerenciamento de insumos, frotas e manejo de lavouras
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MOTORES
Cuidado sempre
Manutenções periódicas, trocas de filtros e cuidados com óleo lubrificante são medidas que ajudam a diminuir o desgaste dos componentes do motor e a aumentar a sua vida útil diminuir a perda de compressão dos gases provenientes da combustão. Os óleos lubrificantes ainda promovem a limpeza dos pontos lubrificados, removendo resíduos metálicos e incrustações geradas pela queima do combustível.
ÓLEO ADEQUADO
A viscosidade é a característica mais importante dos óleos lubrificantes. Esta propriedade pode ser definida como a resistência que o óleo oferece ao fluxo em uma dada temperatura. O óleo lubrificante dos motores deve ser viscoso o suficiente para que não ocorra a ruptura da película devido ao aumento das temperaturas e às pressões nos pontos lubrificados. No entanto, este mesmo óleo deve manter a fluidez para escoar pelos condutos e entre as partes em movimento, mesmo quando
os motores estiverem funcionando em baixa temperatura. A partir da relação entre viscosidade e temperatura, a SAE (Society of Automotive Enginners) elaborou uma classificação numérica para categorizar óleos lubrificantes. Os óleos são separados de acordo com a adaptação da viscosidade ao clima em que o motor será utilizado. Para os motores, os óleos de verão (SAE20, SAE30, SAE40 e SAE50) são classificados em função da viscosidade a uma temperatura de 100°C. Quanto maior o valor numérico, maior é a viscosidade do óleo. Já os óleos de inverno (SAE0W, SAE5W, SAE10W, SAE15W, SAE20W, SAE25W) são classificados em condições de baixas temperaturas. A letra W indica que esses são óleos de inverno (winter). Por apresentar características próprias, no caso de variações climáticas estes óleos devem ser substituídos para que
FPT
O
s motores utilizados nas variadas máquinas agrícolas contêm eixos, pistões, válvulas e outras partes móveis e fixas que por estarem em constante contato requerem lubrificação para que possam apresentar um funcionamento pleno. Nos motores em funcionamento sem lubrificação adequada pode ocorrer excesso de atrito entre as partes móveis e fixas, acarretando no aumento do consumo de combustível e no desgaste de peças. O sistema de lubrificação utilizado nos motores tem como função principal distribuir óleo lubrificante entre as partes móveis, formando uma película que se interpõe às superfícies em contato em movimento relativo e reduz o atrito entre elas. Além disso, os lubrificantes atuam como enchimento entre as paredes do cilindro e nos anéis contidos nos pistões dos motores, servindo como uma vedação eficaz para
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Fotos Anderson Gomide Costa
Formação das borras no pistão (A) e no cárter (B) dos motores
não afetem o funcionamento do motor. Existem ainda os óleos multiviscosos, os quais podem ser utilizados em qualquer condição climática, uma vez que apresentam viscosidades ideais tanto para baixas, quanto para altas temperaturas (Figura 1). Outro tipo de classificação utilizado para auxiliar na escolha do óleo para o motor é o elaborado pela API (American Petrolium Institute). A classificação API categoriza os óleos em função do tipo de motor e do tipo de serviço a ser executado. Na nomenclatura utiliza-se a letra S (spark – centelha) para motores do tipo ciclo Otto e a letra C (compression – compressão) para motores do tipo ciclo diesel. A segunda letra da nomenclatura se refere ao tipo de serviço que será executado As classificações SAE e API são fornecidas pelos fabricantes dos óleos, estando contidas nas embalagens dos
óleos a serem utilizados. Ressalta-se que, para cada tipo de motor e condição de uso será utilizado um óleo com características específicas. Para a escolha adequada do óleo deve-se verificar o manual da máquina, respeitando também os prazos estipulados para as trocas.
LUBRIFICAÇÃO INADEQUADA
CONSUMO EXCESSIVO DE ÓLEO
O consumo de óleo em função de tempo ou quilometragem depende especialmente da utilização do motor, dos tipos de anéis de segmento, dos pistões, dos mancais e das condições de amaciamento do motor. O consumo tende a aumentar, principalmente devido ao desgaste de cilindros, camisas, anéis de segmento e pistões. O recondicionamento e a limpeza do motor permitem que o consumo de óleo se mantenha em níveis aceitáveis. Problemas relacionados a vazamentos externos também fazem com que o consumo de óleo aumente. Os locais mais prováveis para vazamentos são: plugue de dreno, conexão do filtro de óleo, selos, gaxetas e unidade sensor de tomada de pressão. A viscosidade do óleo do cárter é o fator primordial para o consumo do lubrificante.
Figura 1 - Nomenclatura SAE. Principais óleos lubrificantes utilizados nos motores ciclo diesel e ciclo otto
FORMAÇÃO DE BORRAS
O sistema de lubrificação do motor é composto por inúmeros componentes que fazem a circulação do óleo, realizando a lubrificação em todas as áreas de atrito sob as diferentes condições de operação do motor. O processo de lubrificação dos motores apresenta algumas particularidades, as quais podem gerar complicações caso não sejam observadas cuidadosamente. Os óleos lubrificantes podem sofrer um processo de contaminação pelo combustível e pelos produtos de combustão que se formam no cilindro e que alcançam o cárter em decorrência de vazamentos através dos anéis (Blow-by), causando incrustações conhecidas como borras. No caso dos motores diesel, durante a combustão ocorre grande formação de vapores de água juntamente com os gases de exaustão. Esse vapor chega até o cárter e condensa devido à variação de temperatura, resultando na oxidação de componentes. O resíduo da oxidação, ao se misturar com o lubrificante, também forma borras. Além do cárter, a tampa das válvulas é outro local onde frequentemente pode ocorrer a formação das borras. As borras prejudicam a livre circulação do óleo, impedindo a lubrificação adequada, o que gera um desgaste dos componentes do motor.
Embalagem de óleo lubrificante com a classificação SAE e API
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Verificação do nível de óleo: nível abaixo do recomendado (esq.); abastecimento do tanque de lubrificação; nível acima do mínimo recomendado (dir.)
DESGASTE EXCESSIVO DOS COMPONENTES
O uso de óleos com viscosidade adequada evita a formação de resíduos na superfície da válvula e favorece uma boa vedação. Além disso, problemas de engripamento podem ocorrer devido a dificuldades na lubrificação do comando de válvulas, gerando queda de pressão do fluxo de óleo, ruído, perda de desempenho do motor e aumento de consumo de combustível. No caso dos pistões é importante que as camisas dos cilindros estejam polidas, permitindo menor aderência do óleo e eliminação de depósitos (regiões onde ocorrem incrustações de óleo). A presença de depósitos no pistão irá causar travamentos e desgastes excessivos dos cilindros e anéis. Quando a formação deste depósito se dá na saia do pistão podem ocorrer perdas na transferência de calor. Já nos anéis, após um longo tempo de operação são comuns a oxidação e a formação depósitos que limitem o livre movimento. O uso de óleos com características de neutralizar ácidos, antidesgaste e de dispersar a formação de depósitos auxilia na limpeza e aumenta a vida útil destes componentes. Outros componentes passíveis de desgastes são os mancais presentes no eixo virabrequim, a árvore de cames, a haste de conexões e o pistão. Cuidados com a lubrificação desses componentes são necessários para evitar o contato entre o eixo e os encaixes dos
rolamentos. O uso de lubrificantes com boa fluidez e viscosidade adequada, principalmente na partida, e que contenham características anticorrosivas é de grande importância. PERDA DE PRESSÃO DO ÓLEO
Pressões de óleo muito baixas também podem indicar vazamento de óleo, problemas com a bomba ou insuficiência de óleo. Já pressões de óleo elevadas indicam que o filtro de óleo pode estar sujo ou entupido, a válvula de alívio pode ter problemas ou ter alguma galeria entupida. Nesses casos, o reparo imediato deve ser realizado para evitar problemas graves com o funcionamento do motor. DIFICULDADE NA PARTIDA
Dentre outras causas, a dificuldade na partida do motor pode estar relacionada com fatores com falta de compressão devido aos desgastes de componentes (anéis e mancais princi-
Desgaste nos mancais devido à lubrificação inadequada
palmente) ou vazamentos de juntas do cabeçote e válvulas. Uma das características obtidas a partir da viscosidade dos óleos lubrificantes é o preenchimento das folgas de pistões e mancais. Esta característica influencia no momento da partida dos motores. Quanto maior o torque querido para o arranque do motor, maior deverá ser a viscosidade do óleo. A viscosidade adequada é aquela recomenda pelo fabricante, que corresponde à temperatura quando o motor se encontra frio (condição de partida).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com o motor em funcionamento, vários mecanismos móveis se atritam e exercem esforços, necessitando de lubrificação adequada. Alguns minutos sem lubrificação no virabrequim do pistão e no comando de válvulas, por exemplo, seriam suficientes para fundir o motor e causar graves prejuízos. O operador deve estar atento a todos os cuidados diários com o sistema de lubrificação do motor, verificando o nível de óleo e caso necessário realizar o reabastecimento do cárter com óleo apropriado. Além disso, é fundamental a realização das manutenções periódicas de troca de filtros, verificação da bomba e outros componentes. A lubrificação correta dos motores (escolha do óleo adequado e manutenções nos períodos recomendados) proporcionará melhor desempenho da máquina, aumento da vida útil e redução de custos com manu.M tenção e troca de componentes. Anderson Gomide Costa, João Paulo Barreto Cunha e Carlos Alberto Alves Varella, UFRRJ
Desgaste na bronzina devido à lubrificação inadequada
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Fotos Gabriela de Faria Veiga Viotto
COLHEDORAS
Não acelere
Quando o operador aumenta a velocidade de deslocamento da colhedora de algodão, aumenta consequentemente a possibilidade de deixar mais produto por colher
A
cultura do algodão é uma das espécies vegetais mais cultivadas no mundo e atualmente é produzida em mais de 60 países, dando destaque para China, Índia, Estados Unidos, Paquistão e Brasil, que são os maiores produtores, respectivamente. O Brasil é o terceiro país exportador e o primeiro em produtividade do algodão em sequeiro. A demanda interna também é promissora, sendo o quinto maior consumidor de algodão do mundo (Abrapa, 2012). No levantamento realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab, 2016) para a safra 2016/17, a
área cultivada com algodão no Brasil é de mais de 950 mil hectares e aponta para a redução na área plantada de 2,5% na temporada 2015/16, quando comparado com o exercício anterior. O estado de Mato Grosso é o maior produtor brasileiro de algodão, responsável por 57,6% da produção da espécie em caroço na safra 2015/16, onde a maioria dos cotonicultores realiza o plantio do algodão de segunda safra, devido aos altos volumes de chuvas verificados no período de semeadura do algodão primeira safra (Conab, 2015). Segundo o sexto levantamento da Conab (2016), no Mato Grosso o al-
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godão registrará incremento na área plantada neste ano, atingindo 2,7% em relação à temporada passada, impulsionado pelo incremento do plantio, na região oeste do estado. A expectativa de produtividade ficará dentro da média histórica de 4.100kg/ha para o algodão de ciclo longo (primeira safra) e 3.951kg/ha para o adensado (segunda safra). O custo de produção da cultura do algodão aumenta a cada ano devido aos elevados custos de insumos e à utilização de cultivares de ciclo tardio, os quais exigem tratos culturais por períodos superiores a 200 dias em mui-
tos casos. Uma alternativa para evitar o aumento no custo da produção seria a utilização de sementes de alta tecnologia, que podem aumentar em torno de 50% a produtividade, e a redução das perdas durante a colheita mecanizada (Ferreira, 2007). Uma etapa de muita importância dentro do processo produtivo do algodão é a colheita e, quando realizada de forma inadequada, pode acarretar prejuízos quantitativos e qualitativos no produto final (Eleutério, 2001). O algodoeiro possui crescimento indeterminado, e dependendo do ambiente e do manejo adotado podem ser obtidas plantas com arquitetura que favoreçam a colheita, aumentando a produtividade (Oosterhuis, 1999). Ainda de acordo com o autor, outros fatores podem influenciar nas perdas durante a colheita, como ponto de maturação, condições de colheita, regulagens de máquinas, velocidade de colheita, porte da planta, tipo de máquina, tipo de solo, variedade e fatores climáticos. Segundo Vieira et al (2001) a máxima perda aceitável na colheita do algodão é de 10%, tendo como faixa ideal entre 6% e 8%. Durante a colheita mecanizada ocorrem perdas quantitativas na ordem de 15% a 17%, enquanto que na colheita manual estas perdas não passam, em média, de 5%. Em se tratando de per-
O experimento foi conduzido numa área comercial no município de Sinop, no Mato Grosso
das qualitativas, a colheita mecanizada chega a 35%, e a manual 5% (Embrapa, 2006). Para avaliar as perdas no sistema de colheita mecanizada, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso realizou trabalho com o objetivo de diagnosticar as perdas na colheita de algodão em função da velocidade de deslocamento da colhedora nas safras de 2012/2013 e 2013/2014.
O EXPERIMENTO
O experimento foi conduzido nas safras 2012/13 e 2013/2014, no campo de produção da Fazenda Aeroporto, localizada no município de Sinop (MT).
Valtra
Figura 1 - Dados da média das produtividades máxima e real do algodoeiro em caroço. Coeficiente de Variação (CV = 11,02%). Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey (p≤0,05)
A classificação de Köppen para a região é de clima do tipo Aw, tropical de savana, propriamente dito, com chuvas de verão e inverno seco, caracterizado por temperaturas médias de 24°C, com pluviosidade média anual de 2.500mm. A avaliação das perdas na colheita mecanizada do algodoeiro ocorreu nos meses de julho de 2013 e julho de 2014, com uma colhedora de algodão da marca John Deere, modelo 9996, com 257,43kW (350cv) de potência no motor, plataforma com seis linhas de unidade de colheita, e que utilizava o sistema de colheita picker. As velocidades de deslocamento da máquina avaliada foram duas, 1,14m/s e 1,36m/s
.M
Os valores de produtividade diferiram significativamente entre as cultivares. A cultivar FM 951LL teve uma produtiva maior que a FM 975WS.
A colhedora utilizada foi uma John Deere, modelo 9996, com seis linhas e sistema de colheita picker
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Figura 2 - Dados da perda na pré-colheita da colheita mecanizada de algodão em caroço Coeficiente de Variação (CV = 8,23%). Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey (p≤0,05) A
planta após a passagem da colhedora. Para a determinação da produtividade foram coletados manualmente todos os capulhos presentes em todas as plantas contidas no espaço delimitado pelo gabarito, antes da passagem da colhedora, ou seja, sem perdas pós-colheita, representando, dessa forma, a produtividade máxima. O material devidamente identificado ao chegar ao laboratório passou por um processo de limpeza, foi pesado e realizada a determinação da umidade das amostras. A umidade foi determinada pelo método gravimétrico, sendo que as amostras foram retiradas para este fim, pesadas úmidas e levadas à secagem em estufa de ar forçado, a 70ºC, até peso constante (Ferronato et al, 2003). Foi utilizado o método de amostragem simples ao acaso (Vale et al, 2009) para poder inferir na população, acerca das variáveis estudadas. Os tratamentos
Fotos Gabriela de Faria Veiga Viotto
(4,1km/h e 4,9km/h) e as variedades cultivadas foram a FM 951LL e FM 975WS, semeadas a um espaçamento de 0,73m e 0,76m, respectivamente. As cultivares FM 951LL e FM 975WS pertencem à Bayer Cropscience, de ciclo intermediário a tardio, variando de 150 a 190 dias, com porte de planta médio/ alto e possui rendimento de fibra de 39% a 40% (Bayer Cropscience, 2014). Para estimar as variáveis foi utilizado um gabarito de 0,5 metro de largura e 3,8 metros de comprimento. Foi selecionado um talhão que represente a propriedade como um todo, neste talhão foi realizada a amostragem de plantas contidas dentro do gabarito, em cinco pontos aleatórios. A amostragem para levantamento das perdas foi dividida em duas etapas, a primeira consistiu na coleta de dados referentes à estimativa de Perdas Pré-Colheita (PPC), antes da colheita mecanizada, e a segunda etapa foi realizada após a colheita mecanizada através da coleta de dados das estimativas das Perdas Totais (PT). Para a determinação das perdas pré-colheita coletou-se manualmente todo o material que estava caído sobre o solo dentro do gabarito. Para a determinação das perdas totais coletou-se manualmente todo o material que estava dentro do mesmo gabarito utilizado na determinação das perdas de pré-colheita e que ficou no solo e na
B
Parte das perdas pode ser atribuída a regulagens inadequadas
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foram compostos por duas velocidades de deslocamento: 1,14m/s e 1,36m/s (4,1km/h e 4,9km/h). Para cada tratamento foram utilizadas 16 repetições, totalizando 48 parcelas experimentais. A área total utilizada no experimento foi de 2,94ha, em cada avaliação. Os resultados obtidos das perdas foram submetidos à análise de variância com aplicações do teste “F” e as médias foram comparadas pelo teste de Tukey ao nível de significância de 5% de probabilidade, utilizando-se o aplicativo estatístico Saeg 9.0 (Ribeiro Júnior, 2001).
RESULTADOS OBTIDOS
Os resultados de produtividade do algodão em caroço foram oriundos da colheita manual realizada em cada parcela, antes da passagem da colhedora. O teor médio de água no algodão em caroço na ocasião da colheita foi de 6,8% e 7,9%, nas safras 2012/2013 e 2013/2014, respectivamente. (Figura 1) Os valores de produtividade diferiram significativamente entre as cultivares. A cultivar FM 951LL teve uma produtiva maior que a FM 975WS. Comparando numericamente a produtividade dessas duas safras com a média do estado de Mato Grosso na safra 2012/13, apresentada pela Conab (2014), nota-se que a propriedade apresentou produtividade real superior à média do estado, que foi de 3.915kg/ha na safra 2012/13. Já na
Figura 3 - Dados da perda total da colheita mecanizada de algodão em caroço. Coeficiente de Variação (CV = 32,16%). Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey (p≤0,05) A
safra 2013/2014, apresenta uma produtividade abaixo da média do estado, que foi de 3.934kg/ha (Conab, 2015). Na ocasião da colheita manual para obtenção da produtividade, avaliaram-se as perdas na pré-colheita (Figuras 2A e 2B). Na safra 2012/2013 a perda na pré-colheita foi maior, porém, não foi relevante para afetar negativamente os índices de produtividade real da cultura. As perdas na pré-colheita encontradas nas safras 2012/2013 e 2013/2014 (Figura 2B) estão de acordo com os resultados encontrados por Belot et al (2002) para o estado de Mato Grosso, que se situa entre 0,50% e 4,79%. A perda total aumentou com o au-
B
mento da velocidade de deslocamento, observando diferenças estatísticas entre as velocidades nas duas safras (Figuras 3A e 3B). Na safra 2012/2013, com o aumento da velocidade de 4,1km/h para e 4,9km/h, obteve-se acréscimo de 12,11% na perda total. Na safra 2013/2014 o aumento da velocidade de 4,1km/h para 4,9km/h proporcionou acréscimo de 19,23% nas perdas. Em pontos percentuais, a perda total foi maior na safra 2013/2014 em função da velocidade de colheita. Os elevados índices de perdas (11,9%), provavelmente, foram inerentes de regulagens inadequadas dos mecanismos colhedores e desfibradores ou das placas de compressão das plantas
sobre os tambores de colheita, as quais devem ser verificadas e ajustadas de forma que os fusos colham o máximo de algodão em caroço. Com base nos dados obtidos em campo é possível afirmar que a maior velocidade proporcionou maior perda total. Ainda assim, as perdas totais encontradas neste trabalho situam-se dentro do limite considerado como aceitável para a colheita mecanizada .M de algodão. Gabriela de Faria Veiga Viotto Welington Gonzaga do Vale Diego Augusto Fiorese Solenir Ruffato Geraldo do Amaral Gravina Adailton Nogueira da S. Júnior, UFMT
Para a determinação das perdas totais coletou-se manualmente todo o material que estava dentro do mesmo gabarito utilizado na determinação das perdas de pré-colheita e que ficou no solo e na planta após a passagem da colhedora
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FICHA TÉCNICA Fotos KF
TG Evolution 35L
Com 35 linhas de plantio de trigo, a TG Evolution 35L vem com reservatório de sementes de 1.280kg e chassi reforçado
O
desenvolvimento de máquinas agrícolas que atendam às necessidades dos produtores em diversas situações de trabalho é uma preocupação constante dos fabricantes. Com a recorrente modernização da agricultura brasileira, os agricultores têm buscado máquinas mais eficientes, com maior autonomia de trabalho e performance elevada. O processo de semeadura do trigo exige máquinas capazes de depositar a semente e o adubo adequadamente, mesmo em situações adversas. A maior dificuldade encontrada pelos produtores da região Sul do Brasil é o curto prazo de semeadura, aliado às condições climáticas desfavoráveis. O período de semeadura do trigo muitas vezes coincide com uma época de chuvas frequentes, onde o produtor fica aguardando uma brecha para poder entrar com as máquinas na lavoura. Agronomicamente é recomendado que as operações agrícolas ocorram apenas em situações de solo friável, quando a umidade é propícia. Os solos argilosos, característicos da região Sul do Brasil, tendem a aderir muito facilmente nos
implementos quando a umidade está acima do recomendado. Já em situações de solo seco, o trabalho das máquinas é dificultado pela alta resistência à penetração, nessa situação, formam-se torrões que dificultam o acondicionamento adequado das sementes. A semeadura no período correto é fundamental para que a cultura atinja seu potencial produtivo. E muitas vezes os agricultores são obrigados a iniciar o plantio em solo úmido para conseguir atender ao zoneamento climático. Além disso, a máquina deve se adaptar às mais diversas situações de trabalho, como a presença de palhada espessa em plantio direto, solo revolvido em plantio convencional, ondulações do relevo e presença de terraços. Pensando nestes produtores, a KF passou a oferecer as Semeadoras Adubadoras de Arrasto TG Evolution com 35 linhas. Trata-se de uma máquina mais robusta, com maior autonomia de adubo e semente. Estas máquinas foram desenvolvidas para as sementes miúdas das culturas de inverno, principalmente o trigo e, por isso, seguem os princípios das máquinas de trigo da linha TG Dou-
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ble System New, modelo já conhecido pelos produtores.
ESTRUTURA E AUTONOMIA
Um dos aspectos que chamam atenção na máquina é a robustez. O chassi é desenvolvido com três tubos de alta resistência. O tubo central da estrutura e os tubos que dão sustentação às caixas de adubo e semente são posicionados em 45°, garantindo maior rigidez. A máquina é equipada com caixas de adubo e semente em polietileno com capacidade de 2.000kg de adubo, sendo possível o plantio de cerca de 13,5ha com uma dosagem de 150kg/ha sem
Caixas de adubo e sementes em polietileno
Caixa de transmissão com duas alavancas para a troca das engrenagens
reabastecer. A caixa de semente suporta cerca 1.280kg.
RODADO, TRANSMISSÃO E DOSAGEM
A semeadora TG Evolution possui rodado em formato de garfo, ou seja, com mancais de apoio nas duas extremidades do eixo, tornando-se mais resistente. A máquina é equipada com pneus Pirelli 400/60-15,5 de alta flutuação, que garantem maior área de contato com o solo e menor compactação. A transmissão ocorre por meio de rodas dentadas, correntes e engrenagens. Já a regulagem de dosagem de adubo ocorre por meio de uma caixa de transmissão com duas alavancas, que permitem a troca das engrenagens de forma rápida e prática. Este sistema permite uma dosagem de cerca de 70kg até 700kg de adubo por hectare. Além disso, o operador não precisa se preocupar com a escolha e o alinhamento de rodas dentadas e correntes, basta acionar a embreagem e posicionar a alavanca no local indicado na escala. A regulagem da dosagem das sementes é realizada através de um manípulo na lateral da máquina, movimentando os rotores axialmente.
Linhas de plantio pantográficas copiam o terreno
Rodas de transporte e rodas acionadoras são do mesmo tamanho
curso. O sistema de deposição de adubo e semente utiliza discos duplos de 15” desencontrados. As articulações das linhas de plantio utilizam buchas de bronze sintetizado autolubrificantes, que garantem maior resistência e durabilidade. O posicionamento das rodas limitadoras, aliado ao material flexível e de alta performance utilizado nas bandas, faz com que a máquina tenha um ótimo desempenho em situação de solo úmido. O solo que adere na superfície da banda é liberado pelo movimento da borracha. Este diferencial faz com que o produtor ganhe tempo hábil para realizar o plantio. A regulagem da profundidade de deposição é realizada de forma prática, através de um manípulo em cada linha. As linhas dianteiras utilizam bandas estreitas e as linhas traseiras utilizam bandas largas, esta combinação foi testada e apresentou os melhores resultados
a campo em termos de uniformidade de deposição e desempenho em solo úmido.
OPCIONAIS
Como opcionais, este modelo possui sistema de levante de cabeçalho hidráulico, caixa de sementes miúdas, marcador de linhas e rodado de transporte, que permite o deslocamento longitudinal, acoplando o trator na lateral da máquina. Outro diferencial desta máquina é em relação aos pneus de transporte idênticos aos pneus da roda acionadora, servindo como estepe. Desta forma, em caso de pneu furado, o operador pode realizar a troca e prosseguir o trabalho. Também estão disponíveis como opcionais os dosadores de semente com rotor de aço e o dosador de adubo Toplanting, com helicoide duplo, que mantém a dosagem constante em qualquer condi.M ção de inclinação do terreno.
LINHAS DE PLANTIO
As linhas de plantio são pantográficas, produzidas em ferro fundido de alta resistência, com 453mm de curso vertical. O grande trunfo deste sistema é o posicionamento das molas, que possibilita que a máquina copie as ondulações do solo de forma suave, mantendo a pressão praticamente constante durante o Dezembro 2016 / Janeiro 2017 • www.revistacultivar.com.br
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Divulgação
TECNOLOGIA
Conta-gotas
Comparativo de três diferentes softwares utilizados para analisar imagens de manchas de gotas de pulverização mostra diferenças e semelhanças nos resultados obtidos
N
o controle fitossanitário, a eficácia da aplicação de defensivos está intimamente relacionada com a quantidade e a forma que o produto aplicado atinge o alvo. A partir disso, a utilização de softwares para análise de espectro e população de gotas é uma ferramenta fundamental para a quantificação e a classificação da deposição volumétrica da calda aplicada. Em geral, esses programas auxiliam na tomada de decisão sobre a qualidade da aplicação, sendo que no mercado existem várias opções de
softwares pagos e gratuitos voltados a essa tarefa. Entre eles, podemos citar o CIR 1.5, que é um programa pago e já conceituado no mercado, e o Image Tool, que é uma ferramenta gratuita, ambos desenvolvidos para o sistema operacional Windows. Além disso, tem sido utilizado, de forma prática, o aplicativo Gotas, que é gratuito e desenvolvido para o sistema operacional mobile Android. Este aplicativo se destaca principalmente pela mobilidade e praticidade, podendo ser utilizado em smartphones e tablets. Apesar
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das vantagens oferecidas pelas diversas opções que estão disponíveis aos produtores e técnicos, nota-se que, na prática, os programas podem apresentar diferenças entre os seus resultados. E isso, pode ocasionar distorções nas tomadas de decisão sobre a qualidade de aplicação de defensivos, o que demonstra a importância da análise dos softwares utilizados. Para tentar encontrar possíveis diferenças entre os resultados de cada programa e dimensioná-las, foram avaliados três softwares utilizados para analisar imagens
o coeficiente de dispersão e a densidade de cobertura foram determinados no aplicativo Gotas. Em seguida, as etiquetas foram digitalizadas (1.200dpi) e esses mesmos parâmetros foram avaliados nos softwares CIR e Image Tool. Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância (Anova) e a posterior teste de média (Tukey-5%). O aplicativo Gotas, apesar de parar de funcionar em algumas situações durante o processo de análise, se mostrou rápido e prático na avaliação da imagem das manchas. O primeiro passo para analisar a etiqueta nesse software é a captura da imagem, isso deve ser feito o mais rápido possível para evitar que a superfície da etiqueta escureça pelo efeito da umidade do ar. A etiqueta deve ser colocada sobre superfície plana e deve preencher totalmente a área indicada no aplicativo, para que o sistema realize a calibração do tamanho das gotas, tomando como referência as dimensões padronizadas da etiqueta. O segundo passo é selecionar a opção editar e ir em recortar - pode-se utilizar a opção realçar também
antes de recortar, para melhorar a qualidade da imagem. O terceiro passo é selecionar uma área da etiqueta que melhor representa a aplicação. Essa área deve ser a maior possível, porém devem ser evitadas as bordas da etiqueta ou áreas onde houver borrões. No quarto e último passo, o aplicativo mostrará a área que foi selecionada anteriormente. Deve-se agora clicar na opção processar e, então, serão mostrados os resultados. Os programas CIR e Image Tool são menos práticos, pois necessitam que as etiquetas sejam previamente digitalizadas. Porém, a partir deste ponto o CIR se destaca em relação ao Image Tool, pois realiza os cálculos de forma automática, dando os resultados já de forma tabelada. O Image Tool necessita que o usuário realize análises de forma manual e calcule numa tabela à parte os dados finais.
COMPARATIVO
A análise da variância dos dados foi significativa para as três características (diâmetro da mediana volumétrica, coeficiente de dispersão e densidade de cober-
Resultado da analise da etiqueta utilizando o software CIR
Guilherme Andrade Gontijo
de manchas de gotas de pulverização: CIR 1.5 (Conteo y Tipificación de Impactos de Pulverización), Image Tool 3,0 e o aplicativo Gotas 1.2. Foram utilizadas 16 etiquetas hidrossensíveis (26mm x 76mm) pulverizadas com água, empregando-se as seguintes pontas: API11002 (jato leque simples-JLS), AD/D-11002 (jato leque duplo-JLD), AVI TWIN-11002 (jato leque duplo com indução de ar-JLDIA) e APM-09502 (jato leque simples de impacto-JLSIP), com quatro repetições. A pulverização foi feita na ausência de vento, utilizando-se pulverizador costal hidráulico de CO2 pressurizado, operando na pressão de trabalho de 300kPa, aplicando 200L/ha, e com altura da barra de pulverização de 0,5m. As manchas nas etiquetas foram analisadas em cada um dos três softwares e foram determinados os seguintes parâmetros do espectro de gotas produzido: o diâmetro da mediana volumétrica (DMV), o coeficiente de dispersão (SPAN) e a densidade de cobertura (DEN). O diâmetro da mediana volumétrica (DMV) é o diâmetro da gota que separa o conjunto total de gotas produzidas pela pulverização da calda em duas metades com a mesma quantidade de líquido. Então, a soma do volume das gotas com diâmetro menor que o DMV é igual à soma do volume das gotas maiores que o mesmo. O coeficiente de dispersão (SPAN) mede a amplitude relativa que existe entre o diâmetro de todas as gotas produzidas, sendo que, quanto mais próximo de zero o seu valor, maior será o grau de uniformidade das gotas. E a densidade de cobertura (DEN) é medida através do número de gotas depositadas em cada cm2 do alvo pulverizado. Logo após a aplicação, as etiquetas foram recolhidas e o diâmetro da mediana volumétrica,
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João de Deus Godinho Junior
Renato Adriane Alves Ruas
Resultado da análise da etiqueta utilizando o software Gotas
tura). Ou seja, os programas apresentaram valores diferentes para todas elas. No entanto, não houve diferença entre os softwares CIR e Gotas para o diâmetro da mediana volumétrica. Por outro lado, o coeficiente de dispersão foi diferente nos três programas. Em contrapartida, a densidade de cobertura foi semelhante nos aplicativos Gotas e Image Tool. O programa Image Tool tendeu a ter valores bem mais elevados, em média até 84% maiores para o diâmetro da mediana volumétrica (Tabela 1). Possivelmente, por ter dificuldade em distinguir manchas muito pequenas na superfície das etiquetas. Alguns estudos já realizados mostraram que este programa, em relação a outras ferramentas, não
Os autores avaliaram três diferentes programas para análise de espectro e população de gotas na pulverização
é eficiente na determinação destes valores. Entretanto, para o coeficiente de dispersão e a densidade de cobertura, este mesmo programa apresentou valores medianos (Tabela 1). Esses mesmos estudos observaram que o Image Tool é uma excelente ferramenta na análise da densidade de cobertura. Em relação ao aplicativo Gotas, este resultou valores medianos para o diâmetro da mediana volumétrica e valores em média até 28% e 81% menores para coeficiente de dispersão e densidade de cobertura, respectivamente (Tabela 1). Por outro lado, o software CIR apresentou valores em média até 46% menores para diâmetro da mediana volumétrica e 39% e 419% maiores para coe-
João de Deus Godinho Junior
Resultado da análise da etiqueta utilizando o software Image Tool
ficiente de dispersão e densidade de cobertura, respectivamente (Tabela 1). A capacidade desse programa de identificar maior número de gotas/ cm-2 é uma característica já observada em outras situações. Isso ocorre pela maior sensibilidade desse software em distinguir a sobreposição entre gotas. Ademais, já foi observada boa consistência dos dados desse aplicativo, quando se avaliam etiquetas hidrossensíveis intactas. Por fim, pode-se concluir que houve superestimativa na determinação do tamanho das gotas pelo usuário quando se utilizou o software Image Tool 3.0, em comparação com o CIR .M 1.5 e o Gotas 1.2.
João de Deus Godinho Júnior, Guilherme Andrade Gontijo, Renato Adriane Alves Ruas, José Márcio de Sousa Júnior e Waner Gleider Barbosa, UFV
Tabela 1 - Classificação de subsoladores de acordo com o número de hastes Tratamentos SPAN GOTAS 0,84 a IMAGE TOOL 1,04 b CIR 1.5 1,17 b
DMV (µm) DEN (gotas cm-2) 383,64 a 68,70 a 564,61 b 122,18 a 306,77 a 356,50 b
Médias seguidas da mesma letra na coluna, não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey.
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