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Maquinas 167

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Cultivar Máquinas • Edição Nº 167 • Ano XIV - Outubro 2016 • ISSN - 1676-0158

Índice 4 Rodando por aí 7 Graxas lubrificantes 10 Recolhimento de biomassa 12 Colhedoras de algodão 14 Pulverização e deriva 18 Capa - Mercado de semeadoras 24 Colheita florestal 29 Expedição China 33 Lastragem de pneus 36 Baixo volume de pulverização

Destaques

Mercado brasileiro de semeadoras Levantamento completo mostra quais são as principais características das semeadoras fabricadas e comercializadas no Brasil

Pulverizadores Entenda como minimizar os efeitos da deriva na aplicação de produtos fitossanitários

Grupo Cultivar de Publicações Ltda. Direção Newton Peter

• Editor Gilvan Quevedo • Redação Rocheli Wachholz Karine Gobbi • Revisão Aline Partzsch de Almeida • Design Gráfico Cristiano Ceia

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Tratores Saiba como lastrar adequadamente um trator agrícola de acordo com as atividades que serão desenvolvidas

Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 www.revistacultivar.com.br cultivar@revistacultivar.com.br (*10 edições mensais + 1 conjunta Dez/Jan) Números atrasados: R$ 22,00 CNPJ : 02783227/0001-86 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Insc. Est. 093/0309480 € 130,00

• Coordenador Comercial Charles Echer • Vendas Sedeli Feijó Rithiéli de Lima Barcelos • Coordenação Circulação Simone Lopes

Capa - Marcos Ribolli

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Cultivar

• Assinaturas Natália Rodrigues Clarissa Cardoso Aline Borges Furtado • Expedição Edson Krause • Impressão: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.

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NOSSOS TELEFONES: (53) • GERAL

• ASSINATURAS

• REDAÇÃO

• MARKETING

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Por falta de espaço, não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@revistacultivar.com.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.


RODANDO POR AÍ Versão cabinada

Marcelo Facci

A versão cabinada dos tratores Série MF 4200 Compacto foi destaque da Massey Ferguson no estande da concessionária Mecaniza durante a 24ª edição do Seminário do Café, no início de outubro, em Patrocínio (MG). Composta de três modelos: MF 4265 (65cv), MF 4275 (75cv) e MF 4283 (85cv), a nova família é indicada para culturas adensadas como a cafeicultura. “A marca desenvolveu os novos modelos para garantir o conforto e a segurança do operador”, comentou o diretor executivo da Mecaniza, Caio Marcelo Facci.

Agrolíder A concessionária Agrolíder inaugurou, no dia 15 de setembro, sua unidade de representação da Massey Ferguson em Votuporanga (SP). Após um jantar, 400 produtores rurais da região conheceram as novas instalações, que somam 6.000m² entre pátio e área construída, e ainda conferiram as principais novidades da marca. “Acreditamos que estar presente em regiões que vivem da força do agronegócio é fundamental”, afirmou o coordenador de Vendas da Massey Ferguson, Cristiano Oliveira.

Itaimbé

O grupo empresarial Itaimbé reforçou seu investimento na região de Panambi (RS) com uma nova concessionária Massey Ferguson. Presente na cidade desde 2002, as novas instalações possuem um terreno de 8.560m² e 1.154m² de área construída. “As instalações dão mais conforto aos clientes e colaboradores”, afirmou a gerente e sócia do Grupo, Mauren Doeler Dumoncel. Para inaugurar a nova sede, a empresa promoveu o evento Massey Show, que teve a presença de especialistas da marca, exposição do portfólio de produtos e um espaço de tecnologia.

Aquisição A AGCO fechou acordo comercial para a compra do espaço predial da unidade da IIAA - International Indústria Automotiva da América do Sul, em Canoas, no Rio Grande do Sul. “Há planos de modernizar a fábrica, a aquisição foi uma oportunidade de garantirmos a futura expansão”, afirmou o VP Financeiro AGCO para América do Sul, Julio Escossi. A AGCO está em Canoas desde 1969 através da marca Massey Ferguson. A companhia IIAA continuará utilizando parte do espaço para operar seu negócio de caminhões, já que a AGCO não pretende usar de imediato toda a área adquirida.

Julio Escossi

Prêmio

Agricultura de Precisão Para apresentar as novidades tecnológicas em agricultura de precisão, a John Deere participou do Congresso Brasileiro de Agricultura de Precisão (ConBAP), que ocorreu de 4 a 6 de outubro, em Goiânia (GO). O evento reuniu estudiosos, pesquisadores, extensionistas, fornecedores e agricultores para discutir tendências e inovações na área. A JD apresentou aos participantes o Starfire 6000, um receptor multibandas que recebe sinal de satélites GPS e Glonass, além do sinal fornecido pelos satélites Inmarsat. A empresa também anunciou aos clientes uma parceria com as empresas Tecgraf e Optimus para soluções de gerenciamento de software para as máquinas John Deere.

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O 5º Fórum Nacional de Agronegócios, promovido pelo Lide – Grupo de Líderes Empresariais, comandado pelo ex-ministro Luiz Fernando Furlan, reuniu mais de 200 participantes em Campinas (SP). Ao término das palestras, foram anunciados os vencedores do Prêmio Lide Agronegócios 2016, distribuídos em seis categorias. A John Deere foi contemplada na categoria Tratores. O diretor de Planejamento Estratégico da John Deere Brasil, João Pontes, recebeu a premiação das mãos de Roberto Giannetti da Fonseca, presidente do Lide Infraestrutura; Roberto Rodrigues, presidente do Lide Agronegócios e ex-ministro da Agricultura, e Gustavo Ene, CEO do Lide Grupo de Líderes Empresariais.


Comak

Álvaro Fialho Filho

Pró-Colheita

Focada no comércio e representações de peças, máquinas e implementos agrícolas, a Comak agora é a concessionária da LS Tractor para o Mato Grosso do Sul. A empresa, que buscava ampliar os negócios para o setor de tratores, abre a loja na cidade de Campo Grande, sede do grupo empresarial, e pretende atender a 34 municípios da região. “Acreditamos no potencial da região e também no diferencial dos tratores LS para ter sucesso no novo empreendimento”, afirmou o diretor comercial da Comak, Álvaro Fialho Filho.

Colheita avançada O setor de Peças da Case IH lançou uma campanha para manutenção e revisão das máquinas que serão utilizadas no período de colheita nos campos de soja: a Colheita Avançada, que disponibiliza mais de cem peças genuínas com até 40% de desconto. “Colocamos à disposição dos clientes os itens mais usados na revisão dos equipamentos nessa época do ano. Na rede de concessionárias, o produtor irá encontrar as melhores condições na aquisição de peças genuínas utilizadas na colheita”, afirmou o gerente de Peças da Case IH, Henrique Sá. A primeira fase da campanha irá até dezembro deste ano.

Carlos Furlan

A Case IH lançou o Pró-Colheita, app que fornece as informações que servirão de suporte na configuração e nos ajustes iniciais das colheitadeiras Axial-Flow Série 130. A ferramenta possui dados dos modelos 4130 (classe 5), 5130 e 6130 (classe 6) e 7130 (classe 7), e específicos para variadas culturas. “Nosso objetivo com esse aplicativo é oferecer os dados que o usuário necessita, em uma sequência ordenada e funcional”, comentou o especialista de Marketing de Produto Case IH, Carlos Furlan. O novo aplicativo auxilia o produtor na diminuição de desperdícios e no aumento de sua rentabilidade.

Carboni

Henrique Sá

A Carboni inaugurou uma concessionária na cidade de Rio do Sul (SC), com operação dupla para atender as marcas CNH Industrial, Iveco e Case IH. A nova loja passa a suprir a demanda por caminhões, máquinas agrícolas, peças e serviços da região. No caso das máquinas agrícolas, os principais destaques são as novas colheitadeiras Axial-Flow Série 130, em especial a versão para a colheita de arroz do modelo 5130. “Os clientes da Carboni poderão conhecer também os novos modelos Puma 200, 215 e 230, a plantadeira Easy Riser e o pulverizador Patriot 250 Extreme”, comentou o diretor de Marketing da Case IH para a América Latina, Christian Gonzalez.

Christian Gonzalez


MacPonta No dia 7 de outubro, a MacPonta, concessionário John Deere que atua na região Oeste do Paraná, realizou uma solenidade que marcou a expansão da rede no município de Quedas do Iguaçu (PR). “A inauguração da nossa sétima loja é uma importante conquista na nossa história de 20 anos como concessionário John Deere”, afirmou o presidente da MacPonta, José Divalsir Gondaski. A empresa, que representa a JD desde 1996, também recebeu o certificado Concessionário Classe Mundial John Deere, reconhecimento dado aos melhores concessionários da marca pelo mundo.

Olhos no horizonte O presidente da John Deere Brasil, Paulo Herrmann, palestrou aos participantes do X Seminário da Agronomia promovido pela AgroPlan-UFV, Empresa Júnior de Agronomia da Universidade Federal de Viçosa (UFV), de Minas Gerais. Com o tema “Pés no Chão, Olhos no Horizonte”, Herrmann falou sobre gestão de carreira com base em sua própria jornada profissional. O evento contou com mais de 250 alunos, a maioria das ciências agrárias da UFV, além de professores, produtores rurais e profissionais da área.

Treinamentos

New Holland Attack

Luciano Navarini

Com 574 pessoas da rede de concessionários de 16 países latino-americanos e 250 clientes, o programa de treinamento comercial New Holland Attack completou a sua 5ª edição, em Castro (PR). O evento preparou a equipe de vendas para utilizar o portfólio da marca nas mais diversas situações de campo. Os integrantes da rede, com essa experiência, obtêm mais informações práticas para orientar os produtores sobre as funções das máquinas e as tecnologias empregadas. “Essa experiência é fundamental para que o nosso consultor tenha mais facilidade, segurança e conhecimento na hora de efetivar a venda”, afirmou o responsável pelo treinamento comercial da marca na América Latina, Luciano Navarini.

Transmissão

Entre os dias 26 e 29 de setembro, concessionários Agritech participaram de um curso sobre Sistema de Transmissão das linhas 1175/1185 no Centro de Treinamento da marca. As aulas práticas focaram na simulação de falhas, diagnósticos de defeitos, testes, regulagens, medições e utilização de ferramentas especiais. Os participantes passaram a conhecer a fundo o funcionamento dos sistemas de tração e transmissão dos tratores 1175 Compacto e Agrícola e das séries 1175 S e 1185 S Turbo.

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Ricardo Marozzin

Na última semana de setembro, a GSI Brasil promoveu a “Semana de Treinamentos GSI”, com treinamentos sendo realizados nas sedes em Marau e Passo Fundo (RS). A marca também vem realizando desde agosto ciclos de palestras técnicas in company, em diversos municípios pelo Brasil. “Nosso objetivo principal, de oferecer capacitação aos técnicos da integradora que fazem o atendimento diário dos integrados, foi atingido com êxito”, comentou o gerente de Marketing e Serviços ao Cliente da GSI, Ricardo Marozzin.

Portas abertas

No dia 30 de setembro, a Stara abriu as suas portas para receber 17 alunos do curso de pós-graduação em Agronomia da Unochapecó para uma visita à fábrica. Os alunos conheceram a história da empresa e o parque fabril e também participaram de uma dinâmica de máquinas onde puderam conhecer as principais tecnologias da Stara, com destaque para o Imperador 3.0, o distribuidor Hércules 6.0 e o sistema de plantio utilizado nas plantadoras da Stara.


LUBRIFICANTES

Opção ideal

A utilização de graxas em máquinas e equipamentos na propriedade, apesar de ser rotineira, exige conhecimentos específicos para a sua escolha e não dispensa cuidados básicos para que a sua aplicação traga os resultados desejados e evite problemas Charles Echer

roda, entre outros. Para uma apropriada lubrificação, a aplicação deve ocorrer regularmente e que não haja excesso ou falta de graxa. Sempre devemos utilizar graxas lubrificantes recomendadas no manual do fabricante da máquina. Nestes, são informadas quais graxas são recomendadas e aprovadas para os seus produtos, bem como a forma de lubrificação e a frequência.

PRINCIPAIS TIPOS DE GRAXAS LUBRIFICANTES

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graxa é um material formado por óleo mineral ou sintético, espessante e aditivos. A variação desses componentes vai determinar os diferentes tipos de produto. O óleo proporciona a lubrificação, o espessante a consistência e os aditivos proporcionam características adicionais ao produto. A graxa é constituída de 90% de óleo básico, podendo variar

a proporção de óleo e sabão conforme a consistência desejada. A principal vantagem da graxa é que ela não escorre do lugar em que é colocada, como acontece com os óleos lubrificantes. Nas máquinas e nos implementos agrícolas, a graxa é utilizada em diferentes locais, como em mancais de arado, grades, enxadas rotativas, estrias de acoplamento de cardã, cubos de

O tipo e as características das graxas se devem ao agente espessante do qual ela é constituída. Os sabões metálicos, como os de cálcio, sódio e lítio, são os mais utilizados nas graxas convencionais. Atualmente, as graxas mais encontradas no mercado são: Graxa de cálcio: indicada para uso em peças que operam em contato com água, aplicadas na lubrificação de mancais planos que trabalham em baixas velocidades, rolamentos, chassi de veículos e em bombas d’água. Possui elevado ponto de gota, boa resistência ao calor e ao trabalho. Graxa de sódio: esta é fibrosa, solúvel em água e proporciona proteção contra a oxidação e a ferrugem, absorvendo a água das superfícies metálicas. Pode trabalhar em locais com temperatura de até 150°C, aplicada em mancais de rolamentos que trabalham a altas velocidades, juntas universais e, principalmente, em engrenagens. Graxa de lítio: pode ser utilizada em múltiplas aplicações. Possui resistência à água, recomendada para trabalhos com temperaturas elevadas e, em alguns casos, pode substituir as graxas Outubro 2016 • www.revistacultivar.com.br

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Quadro 1 - Classificação das graxas, segundo a NLGI Graus NLGI Penetração trabalhada ASTM (mm/10) 000 445 a 475 00 400 a 430 0 355 a 385 1 310 a 340 2 265 a 295 3 220 a 250 4 175 a 205 5 130 a 160 6 85 a 115

Charles Echer

Fonte: (ASTM: D-217)

de cálcio e sódio. É de fácil aplicação por meio de pistolas e sistemas centralizados de lubrificação. Os aditivos normalmente contidos nas graxas de lítio são os antioxidantes, de extrema pressão (EP), os anticorrosivos, os ampliadores de viscosidade e aderência. No meio agrícola, geralmente é indicada a graxa de lítio devido à sua baixa solubilidade em água, capacidade de aderir às superfícies metálicas, suportar altas cargas e variações de temperatura (20°C a 250°C). Os graus de consistência mais utilizados são o dois e o três.

Quadro 2 - Ponto de gota ou ponto em que a graxa começa a fluir Tipo de Sabão Graxas de cálcio Graxas de alumínio Graxas de sódio e cálcio Graxas de sódio Graxas de lítio Graxas de bário Graxas especiais de argila, sílica ou grafite

Ponto de gota ºC 66 - 104 82 - 110 121 - 193 148 - 260 177 - 218 177 - 246 260 ou mais

FUNÇÕES DA GRAXA

Para que uma graxa apresente bom desempenho, ela deve proteger contra a ferrugem e a corrosão; evitar que a poeira, água e outros contaminantes adentrem nas partes lubrificadas; não deve derramar ou gotejar; deve manter sua estrutura e consistência durante o período de utilização; permitir livre movimento das partes móveis a baixas temperaturas e poder ser bombeada facilmente nessas condições; possuir as características físicas desejáveis para fácil aplicação e mantê-las durante a armazenagem e tolerar certo grau de contaminação sem perda significativa de eficiência.

Para que a graxa apresente bom desempenho, ela deve proteger contra a ferrugem e a corrosão, evitando que outros contaminantes adentrem nas partes lubrificadas

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Figura 1 - Pino graxeiro. Fonte: (Adaptação de Tecem, 2016)

DESEMPENHO DAS GRAXAS LUBRIFICANTES

Uma das características de grande importância no desempenho das graxas lubrificantes é a consistência. Esta utiliza o padrão tabelado pela NLGI (National Lubricating Grease Institute). Esta característica indica o quanto a graxa é pastosa. No Quadro 1 é apresentada a classificação das graxas segundo a NLGI, definindo a consistência trabalhada em 60 ciclos, que variam de 000 (muito macia) a 6 (muito consistente). A menor classificação 000 define uma graxa fluida, recomendada em sistemas centralizados, nos quais não se tem acesso ao rolamento. A graxa 000 é muito parecida com um óleo e possui o benefício de aumentar a resistência à quebra de película, além de eliminar vazamentos. A segunda característica, de grande importância, é o ponto de gota. Esta é uma propriedade da graxa que indica a temperatura acima da qual uma graxa lubrificante passa de um estado viscoso ao líquido. Em outras palavras, é a temperatura na qual a graxa começa a fluir, sendo capaz de gotejar através do orifício. É uma característica importante para as máquinas e os equipamentos que apresentam componentes que atingem altas rotações e temperaturas (Quadro 2). O teste do ponto de gota é


definido nos padrões ABNT MB-350, ASTM D-566 e D-2265.

PINOS GRAXEIROS

O pino graxeiro é um componente de lubrificação que se projeta a partir da superfície da caixa de mancal. Neste se faz o acoplamento da bomba de lubrificação (Figura 1). Na parte interna do pino graxeiro existe uma esfera comprimida por uma mola que retém a graxa no interior do componente. Os pinos graxeiros são feitos para serem utilizados em qualquer ângulo facilitando a lubrificação. Têm diferentes padrões de roscas, bem como diferentes comprimentos (do corpo). Estes são classificados como: reto e curvo (DIN 71412), bola (DIN 3402), funil (DIN 3405), botão (DIN 3404) e pino graxeiro tipo pino ou baioneta (SAE J 534). Os pinos graxeiros tipo reto e curvo (DIN 71412) são os mais usados e conhecidos. Podem ser fabricados em aço carbono galvanizado, aço inoxidável e latão reto e curvo (Figura 2).

LUBRIFICAÇÃO COM GRAXA LUBRIFICANTE

Manual com pincel ou espátula: aplica-se a graxa com o uso de um pincel ou espátula diretamente sobre a peça a ser lubrificada. Manual com pistola ou bomba graxeira: a graxa é introduzida através do pino graxeiro com a utilização de uma bomba pneumática ou de uma bomba graxeira. Copo Stauffer: o preenchimento do copo com graxa é realizado pelo orifício localizado na parte inferior do copo. Quando a tampa chegar ao fim do curso da rosca, o copo deverá ser preenchido novamente. Os equipamentos utilizados para realizar as aplicações de graxa devem ser armazenados em um ambiente limpo, seco e protegido. Ao utilizá-los adote medidas de limpeza do conjunto aplicador. Todo o material usado para limpeza deve ser armazenado e des-

cartado em recipientes devidamente identificados. Estes recipientes devem ser encaminhados para empresas credenciadas que farão o devido descarte.

ARMAZENAMENTO

O tempo máximo de armazenamento de graxas lubrificantes deve seguir as recomendações do fabricante do produto e, acima de tudo, tomando cuidado com a data de fabricação do mesmo. É interessante que medidas de manejo sejam adotadas durante a manutenção de estoque, principalmente com relação à proteção contra o calor e o frio excessivos. Graxas armazenadas por muito tempo têm a tendência em separar a parte líquida da sólida. As embalagens adequadamente fechadas farão o isolamento de agentes indesejados nos produtos. Recipientes de graxa, mangotes e tambores abertos são meios para entrada de contaminantes existentes no ar, com a poeira. Recomenda-se realizar a limpeza prévia das tampas antes de manipular os produtos. Recipientes de maiores volumes, como baldes ou tambores, têm um risco ainda maior de contaminação, pois são utilizados por um maior período de tempo.

CUIDADOS

Antes de escolher ou aplicar a graxa em qualquer máquina ou equipamento é necessário observar alguns pontos fundamentais para que a utilização seja eficiente:

Utilize sempre a graxa recomendada pelo fabricante. As graxas não são todas iguais. Para evitar a aplicação da graxa de forma errada, verifique a especificação no recipiente e no manual do fabricante. Utilize o plano de lubrificação informado no manual de sua máquina, para lubrificações diárias, semanais e mensais. Mantenha limpos as bombas de aplicação e os reservatórios de graxas, evitando o contato com a poeira e a água. Antes da aplicação, limpe com um pano os pontos de lubrificação para evitar que a sujeira acumulada externamente entre no sistema. Em caso da graxa retornar através da esfera de retenção, recomenda-se a substituição do pino graxeiro. Deve-se aplicar graxa nova até que toda a graxa velha tenha sido expulsa do reservatório. Isto é percebido devido à diferença de coloração da graxa nova com a velha. Após a aplicação, com um pano limpo, retire o excesso de graxa sobre o pino graxeiro, para evitar o acúmulo de resíduos e a contaminação ambiental. Graxas armazenadas, por períodos acima de seis meses, podem causar problemas de aplicação. Planeje a aquisição de graxa de acordo com o consumo médio anual da .M propriedade. Jaqueline Ottonelli, Catize Brandelero, Valmir Werner, Eliana Andreia Vogt e Marcelo Alberto Hilgert, Nema/CCR - UFSM

Figura 2 - Fonte: (Adaptação de TECEM, 2016)

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IMPLEMENTOS

Quanto deixar?

A utilização da biomassa da cana-de-açúcar é uma realidade cada vez mais presente nos canaviais. No entanto, definir o quanto de palhiço deve ficar na lavoura e o quanto será recuperado na leira é tarefa fundamental para proporcionar maior eficiência no enfardamento e viabilizar a operação

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cana-de-açúcar é uma cultura onde é possível aproveitar toda a planta. Desde a produção de açúcar e álcool, até a de energia renovável, onde é utilizada a biomassa remanescente no campo por meio de processos industriais no aproveitamento dos subprodutos, existe no setor grande aplicação da biomassa com expectativa de baixo impacto ambiental. A grande quantidade de biomassa da cana-de-açúcar disponível e remanescente da colheita mecanizada, especificamente a palha e o bagaço, é direcionada para a produção de etanol de segunda geração e cogeração de energia elétrica. A utilização de fontes renováveis de combustível está evoluindo com o passar do tempo, e a biomassa é considerada pelos mercados internacionais como uma das principais alternativas para a diversificação da matriz energética, consequentemente, reduz a dependência de combustíveis fósseis. Com a eliminação da queima da palha da cana-de-açúcar e a substituição da colheita manual pela colheita mecanizada da cana crua, a palha da cana-de-açúcar começou a receber muita atenção, pois o grande volume de cobertura morta que fica armazenada na superfície do solo pode causar

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problemas relacionados ao manejo da cultura, como, por exemplo, dificuldades na rebrota e na operação de cultivo, problemas no controle seletivo de plantas invasoras e aumento nas populações de pragas que se abrigam e se multiplicam sob a palhada. Porém, esse acúmulo de palha também acarreta benefícios. Pode prevenir a erosão do solo, controlar a umidade e as plantas invasoras e servir de fonte para a geração de energia. Visando minimizar tais problemas, estudos vêm sendo realizados com o objetivo de propor estimativas da quantidade ideal de palha a ser deixada no campo. Estudos mostram que por razões agronômicas é recomendado manter cerca da metade da palha no solo, reduzindo a erosão e aumentando a ciclagem de nutrientes. Decidir a quantidade de palhiço que as máquinas devem aleirar e enfardar no campo ainda é um fator que deve ser bem avaliado. Para aperfeiçoar todo o processo de recolhimento do palhiço e minimizar custos das operações, fazendo com que as máquinas envolvidas forneçam um bom desempenho econômico e operacional, o enfardamento da palha da cana-de-açúcar por máquinas vem

sendo bastante pesquisado. Para chegar a um sistema de recolhimento do palhiço economicamente viável, faz-se necessário um planejamento para atender às necessidades de implantação, condução e retirada da cultura ou material remanescente do campo, estando sujeito à influência de fatores externos com ênfase no solo, clima, fatores operacionais e mão de obra qualificada para operar as máquinas. Aliar a eficiência operacional das máquinas envolvidas no processo com um desempenho econômico satisfatório ainda é um desafio muito grande nas operações de recolhimento de palha. Experimento realizado pela FCA Unesp de Botucatu em uma Usina no município de São Miguel dos Campos (AL) objetivou avaliar o desempenho operacional de duas máquinas de enfardamento prismático em palhiço de cana-de-açúcar, em relação a distância entre fardos, em que as máquinas conseguem atuar, refletindo na produção final e diária de fardos e no transporte para a indústria. O recolhimento do palhiço foi realizado em três diferentes regulagens, definido pelo implemento ancinho aleirador. Os tratamentos consistiram em: V1


Fotos New Holland

Tabela 1 - Análise de variância em relação à distância entre fardos (m) nos três tratamentos Volumes

Decidir a quantidade de palhiço que as máquinas devem aleirar e enfardar no campo ainda é um fator que deve ser bem avaliado

Anderson Ravanny de A. Gomes, Tiago Pereira da Silva Correia e Paulo Roberto Arbex Silva, FCA Unesp de Botucatu-SP

96,97 a 87,71 b 14,20 5,45

V1 = 90 % do volume total; V2 = 70 % do volume total; V3 = 50 % do volume total; M1 e M2 = diferentes tipos de enfardadoras **significativo a 1% pela análise de variância; CV % = coeficiente de variação em porcentagem. Letras minúsculas diferem estatisticamente entre máquinas. Letras maiúsculas diferem estatisticamente entre volumes de recolhimento da palha. Anderson Ravanny

-se que o baixo volume de biomassa na leira compromete não só a produção de fardos palas máquinas, mas também afeta todo o sistema de produção, levando em consideração que, quando a máquina produz uma quantidade mínima de fardos e, consequentemente, com maior distância entre os mesmos, operações como o recolhimento dos fardos já produzidos no campo para serem armazenados nas carretas de transporte também serão afetadas, pois a máquina responsável por coletá-los terá que andar ainda mais para conseguir o número de fardos necessários para completar a carga do caminhão que fará o transporte para indústria ou para o local de estoque, acarretando no maior consumo de combustível. A menor distância entre fardos foi para a Máquina 2, isso porque essa máquina conseguiu recuperar maior quantidade de biomassa na leira e assim proporcionar maior eficiência .M no enfardamento do palhiço.

Máquinas M1 M2 CV (%) DMS

Por razões agronômicas é recomendado manter cerca da metade da palha no solo Anderson Ravanny

= Recolhimento de 90% do volume total de palhiço; V2 = Recolhimento de 70% do volume total de palhiço; T3 = Recolhimento de 50% do volume total de palhiço. De acordo com os dados coletados em campo, a distância entre os fardos produzidos diferiu entre os tratamentos para cada máquina, ou seja, a quantidade de palhiço disponibilizado nas linhas aleiradas influenciou na quantidade de fardos produzidos e na produtividade total de cada máquina. A maior distância entre fardos produzidos foi no tratamento V3, em que a distância média foi de 120,33 metros entre fardos, deste modo, quando comparada com a distância dos mesmos no V1, que foi de 61 metros, pode-se observar que de fato o volume de palhiço na leira influenciou a distância entre os fardos produzidos no campo. Esses dados refletem diretamente na dinâmica de transporte desse material para a indústria, pois se observa que quanto menor o volume de palhiço de cana-de-açúcar disponibilizado na leira, maior será a distância entre eles. Isso compromete diretamente a produção de fardos por dia em qualquer empresa que trabalhe na linha de enfardamento dessa biomassa. Sendo assim, percebe-

61,00 C 93,66 B 120,33 A 8,02

V1 V2 V3 DMS

Autores falam da utilização de biomassa nas lavouras de cana

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COLHEDORAS Fotos Nayra Fernandes Aguero

Calculando perdas

Na colheita de algodão adensado as perdas podem ser maiores por conta do tipo de colhedora e plataforma utilizadas

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tualmente, o algodão é produzido por mais de 60 países, nos diferentes continentes. Os países que se destacam como os principais produtores da fibra são Índia, China, Estados Unidos, Paquistão e Brasil. Os maiores exportadores são Estados Unidos, Índia, CFA Zone, Brasil e Uzbequistão. No Brasil, o estado de Outubro 2016 • www.revistacultivar.com.br

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Mato Grosso é o maior produtor, seguido pela Bahia. O maior desafio dos estados produtores é a busca para produzir fibras de qualidade que atendam aos interesses da indústria têxtil, além da redução das perdas no processo de colheita, beneficiamento e armazenamento, de forma a aumentar a lucratividade da cotonicultura brasileira.

O cultivo de algodão adensado no estado de Mato Grosso responde por 10% da área total plantada com essa cultura. O espaçamento utilizado entre linhas é de 45cm para este tipo de plantio, e para o convencional são utilizados os espaçamentos de 76cm e 90cm. A colheita do algodão adensado é realizada utilizando dois tipos de máquinas: picker VRS e stripper. No sistema picker VRS as unidades possuem espaçamento variável (VRS) e têm a capacidade de colher linhas mais estreitas. Um mecanismo de corte à frente e à direita do tambor com fusos corta a linha, direcionando este material para a linha sem cortes. As linhas que não foram cortadas são colhidas de forma normal com os fusos. A máquina equipada com esta plataforma pode colher linhas de 45cm a 50cm de espaçamento. A colheita com as plataformas do tipo stripper consiste no arranquio dos capulhos inteiros da planta, direcionando-os para o cesto da máquina, depois de uma etapa de pré-limpeza do algodão em caroço na maioria das vezes, por meio do extrator tipo HL posicionado em cima da máquina. Este método presente no estado de Mato Grosso colhe o algodão de sistema adensado, semeado com espaçamentos que variam entre 30cm e 50cm. Portanto, o sistema de colheita do tipo stripper não é seletivo e extremamente agressivo pela ação vigorosa dos pentes que funcionam como um raspador (“stripper” de pente) ou das escovas (“stripper” de escovas) sobre as plantas, removendo grande quantidade de impurezas, retirada de cápsulas abertas e fechadas, o que torna necessária a instalação de unidades de limpeza eficientes na própria colhedora, além de sistemas de limpeza da fibra após o beneficiamento. Com base nesta realidade, alunos e pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), do Campus de Rondonópolis-MT, com o apoio do Instituto Mato-grossense de Algodão (IMAmt), realizaram pesquisa de campo com o objetivo de avaliar a quantidade


Gráfico 1 – Eficiência dos diferentes sistemas de colheita

Gráfico 2 – Perdas dos diferentes sistemas de colheita

Gráfico 3 - Porcentagem de casquinha, caule e o lixo total presente na fibra em função da plataformas de colheita

Colhedora de algodão Jonh Deere, modelo 9960, com plataforma stripper de pente EMA-S-0036 de 3,66m de largura

de contaminantes presentes na fibra colhida, perdas e eficiência de colhedoras com plataformas picker-12 VRS e stripper, no sistema de cultivo adensado. O experimento foi conduzido em uma propriedade produtora de algodão adensado no município de Sorriso (MT), em 2014. A colheita foi realizada por cinco sistemas mecanizados: picker-12 VRS, stripper de escova com e sem extrator HL e stripper de pente com e sem extrator HL. O operador das máquinas manteve a velocidade média das colhedoras stripper em 2,35km/h e picker-12 VRS a 5,14km/h. Para representação da produtividade da lavoura foram coletadas plumas presentes nas plantas na área experimental em vários pontos da lavoura. Além disso, foram coletadas perdas pré-colheita, decorrentes das condições climáticas e do manejo cultural, que consistiu em recolher todo o algodão caído no solo, e perdas pós-colheita, que são as plumas que permanecem no algodoeiro após a passagem da colhedora e as que caem no chão no momento de colheita pela máquina. A soma dessas duas perdas resulta na perda final do processo.

Para analisar a quantidade de impurezas presentes na pluma decorrente do sistema utilizado, foram coletadas amostras no interior do cesto da máquina. Todas as amostras foram manipuladas, processadas e analisadas no laboratório do Instituto Mato-grossense do Algodão em Primavera do Leste (MT). Os resultados obtidos com este trabalho mostram que, independentemente do sistema de colheita, a eficiência foi bem abaixo do esperado (na faixa de 88,78% a 91,1%) (Gráfico 1). Em qualquer operação mecanizada é comum a ocorrência de perdas, mas no caso da colheita do algodão isso ocorre por causa da falta de eficiência da colhedora ocasionada por falta de regulagens, operação inadequada ou problemas na colhedora, que deixa de

Plataforma stripper de escova utilizada no experimento

colher o algodão presente na planta. Deve-se ressaltar que, independentemente do sistema utilizado, as perdas não devem ser superiores a 5% do total colhido pela máquina. No entanto, de acordo com o Gráfico 2, as perdas variaram de 182kg/ha a 234kg/ha (9,9% a 12,7%). A colhedora equipada com a plataforma picker-12 VRS proporcionou menores perdas quando comparada com as demais, e a colhedora com plataforma stripper de pente com extrator HL obteve o maior percentual. De acordo com os dados apresentados no Gráfico 3, a plataforma picker-12 VRS, no momento da colheita retirou menor porcentagem de casquinha e caule das plantas, sendo que as plataformas stripper escova e pente sem extrator HL apresentam a maior quantidade .M desses contaminantes. Nayra Fernandes Aguero, Renildo Luiz Mion, Hiago Henrique R. Zanetoni, Cíntia Michele Baraviera, Renato Bassini, Myllena Teixeira, Luiza Cabral, Willian Lima Crisostomo e Carlos Alberto Viliotti, UFMT

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Jacto

PULVERIZADORES

O custo da deriva Na agricultura moderna, a deriva é um fator que aumenta os custos da lavoura e reduz o seu potencial produtivo

D

entre os fatores de perdas presentes em um tratamento fitossanitário, a deriva pode ser considerada um dos mais impactantes. Pode ocorrer por escorrimento do produto fitossanitário na planta ou pelo transporte das gotas produzidas na pulverização para áreas limítrofes à lavoura. O deslocamento do produto para fora da área tratada caracteriza a perda por desperdício, uma vez que não atuará no local onde foi aplicado. Este fenômeno pode reduzir o potencial produtivo da lavoura ou exigir reaplicações, minimizando lucro e elevando custos. Outro efeito é o risco de que a deriva cause redução da produtividade das áreas vizinhas prejudicadas pelo produto fitossanitário deslocado. Uma vez comprovado o prejuízo na produOutubro 2016 • www.revistacultivar.com.br

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ção advindo de deriva, a responsabilidade será atribuída a quem o causou.

OCORRÊNCIA DA DERIVA

Entre os fatores que podem elevar os riscos da ocorrência de deriva de um produto fitossanitário, os mais impactantes estão relacionados à condição ambiental no momento da aplicação, ao espectro de gotas produzido pelo equipamento e à composição da calda de pulverização. Dentre as variáveis ambientais, a velocidade do vento, a temperatura e a umidade do ar são os mais relevantes. A ocorrência de ventos fortes tem grande responsabilidade na promoção da deriva. Porém, deve-se considerar que o vento movimentará para fora da área de aplicação somente as gotas que não caírem na direção

do alvo, caracterizando a deriva por transporte horizontal. A absoluta ausência de vento também pode favorecer a deriva, retardando ou impedindo a queda das gotas mais leves da pulverização na área que foi tratada, caracterizando a deriva vertical. A temperatura e a umidade do ar atuam de forma combinada, acelerando a evaporação dos compostos voláteis das gotas (Figura 1). Desta forma, a água que compõe a gota é retirada para o ambiente na forma de vapor, tornando-a mais leve, expondo-a à ação convectiva do calor ou ao arrastamento pelo vento. Uma vez que as tecnologias de aplicação permitem a produção de padrões de gotas de diversos tamanhos, a gota ideal para promover uma apli-


John Deere

Case IH

Entre os fatores que podem elevar os riscos da ocorrência de deriva de um produto fitossanitário, os mais impactantes estão relacionados à condição ambiental

cação segura seria aquela que evitasse seu transporte horizontal ou vertical, independentemente da existência e da velocidade do vento ou da temperatura e umidade. Embora essa reflexão seja logicamente compreensível, ela não é facilmente obtida, pois a micronização do líquido pulverizado em gotas nas pulverizações convencionais não permite a produção de todas as

gotas de tamanho semelhante. Estudos são realizados para identificação de como alguns fatores afetam o espectro de gotas. Dentre os que mais podem ter efeito sobre a qualidade delas estão as pontas de pulverização e a pressão operacional. Pontas de jato plano de uso ampliado são reconhecidamente aquelas com a maior variabilidade no tamanho das gotas, elevando o potencial de deriva devido ao alto percentual de gotas muito finas. Já as pontas com indução de ar produzem níveis baixos de gotas finas, permitindo que os produtos possam ser usados com segurança (Tabela 1). Estas pontas, por sua vez, requerem análises técnicas mais precisas para um uso adequado, devendo ser evitadas em aplicações que demandem depósitos em profundidade em culturas de elevada densidade foliar. Ao considerar a possibilidade de que um determinado volume de calda seja destinado a uma área diferente daquela que recebeu o tratamento,

A composição da calda de pulverização tem grande influência nos riscos de deriva

pode-se medir o custo das perdas diretas envolvidas neste processo. Os custos totais da aplicação envolvem a logística de transporte de água e de produto fitossanitário, a parte operacional da pulverização e a aquisição do produto. Estimativas do custo em logística de transporte de água e produtos foram realizadas por Moraes & Gandolfo (2016) e indicam valores próximos de R$ 3,60 para cada 100 unidades transportadas (litros ou quilogramas). Os mesmos autores quantificaram um valor médio para o custo operacional de R$ 22,00 para cada 100 litros de calda pulverizada no Brasil e que esse volume seria um valor representativo para tratar um hectare de área em cultura de grãos. Também observaram uma frequência de aplicação de oito vezes em média em uma safra de soja. Assim, o valor total despendido em logística para essa cultura seria de R$ 204,80 para um hectare. O custo de aquisição de produtos fitossanitários para tratar uma área

Tabela 1 - Modelos de pontas de pulverização, suas classes de gotas e percentual do volume pulverizado com gotas muito finas Modelo da ponta Jato plano de uso ampliado Jato plano de uso ampliado Jato cônico vazio Jato cônico vazio Jato plano com pré-orifício Jato plano com indução de ar

Pressão Classe de gotas % de gotas muito finas 276 kPa Média 18 560 kPa Fina 27 828 kPa Fina 10 1656 kPa Fina 19 276 kPa Média 7 560 kPa Grossa 3

Fonte: Catálogos dos fabricantes.

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Figura 1- Grade de amostragem com os 110 pontos (30 x 36m)

equivalente a um hectare de soja foi estimado em aproximadamente R$ 900,00. Ao somar estes custos aos da logística, tem-se um valor total de R$ 1.104,80 para cada hectare tratado na cultura da soja produzida em nosso país. Se essas pulverizações ocorressem com uma técnica de aplicação de alto risco, tal como aquela realizada com uma ponta de pulverização de uso ampliado, que, ainda sendo a mais utilizada, pode proporcionar perdas por deriva superiores a 20% do volume aplicado devido à formação de gotas muito finas, é possível determinar que o valor total desperdiçado supere R$ 250,00 por safra em cada hectare tratado. A composição da calda de pulverização tem grande influência nos riscos de deriva e pesquisas têm mostrado que algumas formulações de produtos fitossanitários podem reduzir o impacto ambiental destas aplicações (Figura 2). A indústria desenvolve estas formulações que, se acompanhadas da assistência técnica correta, permitem que o produtor use-as com segurança, minimizando as perdas para o ambiente e potencializando sua eficiência. Os adjuvantes de calda com características antideriva e as formulações de baixa volatilidade e com baixo potencial de formação de gotas muito finas estão difundidos no meio agrícola, sendo recomendados quando o risco Outubro 2016 • www.revistacultivar.com.br

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Charles Echer

TECNOLOGIAS DE REDUÇÃO DA DERIVA

Figura 2 - Deriva coletada em túnel de vento a 5, 10 e 15 metros de distância, com diferentes formulações de produtos fitossanitários em pulverizações com e sem adjuvantes.

de perdas em evaporação ou deriva é iminente, devendo ser escolhidos por sua segurança. A preservação do produto aplicado na área de destino induz a um controle mais eficiente e por mais tempo das pragas, doenças e plantas invasoras, retardando seu aparecimento, podendo, inclusive, diminuir o número de aplicações. Isso ajuda a planta a expressar seu maior potencial produtivo, pois reduz a concorrência com os agentes de danos. Da mesma forma que, conforme visto, os custos destas perdas podem superar R$ 250,00 em cada hectare tratado, a viabilidade econômica da adoção de uma tecnologia que as reduza pode ser avaliada pelo nível de redução da perda. Assim, o investimento em uma

técnica de aplicação mais adequada, o uso de uma formulação de produto fitossanitário mais segura ou a inclusão de um redutor de deriva na calda de pulverização pode custar menos do que o valor que seria perdido por negligenciar os fatores de risco e a existência de alternativa. O conhecimento e o uso das alternativas tecnológicas que possibilitem aplicações seguras e eficientes poderão se dar em uso isolado ou associando-as de forma simultânea, compensando as condições ambientais críticas, produzindo alimentos e matérias-primas de qualidade, com um custo adequado em um ambiente .M seguro. Marco Antonio Gandolfo e Eder Dias de Moraes, Inst. Dashen de Pesq. Agronômica

O investimento em uma técnica de aplicação mais adequada pode custar menos do que o valor que seria perdido por negligenciar os fatores de risco


CAPA

Menu completo

Com mais de 500 modelos disponíveis, a oferta de semeadoras no mercado brasileiro possibilita que os produtores encontrem a máquina ideal para a sua propriedade

O

Valtra

Brasil possui uma agricultura forte e em crescente expansão, isso se deve às condições favoráveis de clima, solo, topografia, dentre outras, que o colocam em destaque mundial na

produção agrícola. No agronegócio, somos referência pela obtenção de elevados índices de produtividade. Muitos avanços no decorrer dos anos foram necessários para chegar neste nível, bem como o esforço dos

Conforme aumenta o tamanho da máquina, maior também é o nível tecnológico presente como, por exemplo, o sistema dosador de sementes pneumático

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produtores rurais na busca de tecnologias, tornando suas produções agrícolas competitivas. Vários profissionais deste setor têm tentado encontrar soluções para os mais diversos problemas por meio de pesquisas e levar estas informações até os produtores rurais e empresas fabricantes de produtos, máquinas e equipamentos como forma de desenvolver uma variedade de opções para atender às mais diversas exigências e necessidades reais do ambiente agrícola e seus sistemas de produção. Estas máquinas são responsáveis por uma das principais atividades do processo produtivo agrícola, que é a operação de semeadura. Este implemento é utilizado em períodos específicos do ano e pos-


Figura 1 - Total de modelos de semeadoras produzidas por estado brasileiro

sui diferentes opções de modelos e configurações, que o torna versátil, adaptando-se às diferentes condições de cultivo, características e cobertura de solo, topografia e, até mesmo, potência exigida do trator. Neste artigo, serão apresentadas as principais opções de configurações das semeadoras comercializadas, atualmente, no mercado brasileiro, a partir de um diagnóstico elaborado no mês de agosto de 2016.

O MERCADO BRASILEIRO DE SEMEADORAS

Ao fazer uma análise do mercado brasileiro de semeadoras, observa-se uma grande concentração de empresas fabricantes na região Sul, principalmente no estado do Rio Grande do Sul, onde são fabricados 548 modelos (73,76%) de semeadoras, de um total de 743

Figura 2 - Número de modelos de semeadoras ofertadas no mercado brasileiro de acordo com cada fabricante

disponíveis para comercialização (Figura 1). Outra informação importante a ser mencionada diz respeito ao número de fabricantes, sendo ao todo 19 empresas que montam e/ ou fabricam este tipo de máquina e a grande quantidade de modelos que cada empresa oferta no mercado brasileiro, buscando atender às mais diversas exigências para cada região agrícola (Figura 2). A grande quantidade de modelos de semeadoras se deve, principalmente, às diferentes possibilidades de configurações e dimensões destas máquinas, para que possam desempenhar suas funções da melhor maneira possível frente às diferentes situações em que são constantemente expostas. No decorrer deste diagnóstico serão discutidas as principais con-

figurações que as compõem, como sistema dosador de sementes, que pode ser mecânico ou pneumático; número de linhas de semeadura, que implica tamanho da máquina (largura de trabalho); opções de espaçamento entre linhas, o qual define se ela pode ou não ser utilizada na semeadura de grãos miúdos, com menores espaçamentos entre linhas.

NÚMERO DE LINHAS DE SEMEADURA

A largura de trabalho, dada em metros, de uma semeadora vai depender da quantidade de área que deverá ser semeada, que, por sua vez, depende do período destinado para esta operação (janela de semeadura). Através de cálculos de dimensionamento, obtém-se um valor de demanda de tração, que pode

Case IH

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Massey Ferguson

Stara

A largura de trabalho, dada em metros, de uma semeadora vai depender da quantidade de área que deverá ser semeada

ser relacionado com o número de linhas necessárias para realizar a semeadura dentro do período previsto, a uma velocidade de trabalho adequada, visando à qualidade da operação. Dividindo a largura de trabalho pelo espaçamento entre linhas chega-se ao número de linhas que compõe cada semeadora. Observa-se que o espaçamento entre as linhas reduziu nos últimos anos,

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principalmente na cultura do milho, que passou de 80cm para 45cm. O espaçamento das linhas mais ofertadas no mercado atualmente é de 45cm e 50cm entre linhas e utilizados principalmente nas culturas da soja e milho. Após o dimensionamento do número de linhas necessárias, são muitas as alternativas para obtê-las. A primeira delas é selecionar no mercado brasileiro semeadoras

que possuam o número de linhas preestabelecido. Caso este número seja grande e/ou a configuração não esteja disponível, buscam-se alternativas, como utilização de outro conjunto mecanizado trator + semeadora ou a utilizaçãodo sistema tandem, equipamento dotado de um cabeçalho móvel onde são acopladas duas ou mais semeadoras de configuração variável. Este sistema caracteriza-se por proporcionar menor uso de mão de obra, aproveitando a potência disponível do trator. A opção de utilizar o sistema tandem é bastante interessante se for levada em consideração a comercialização das semeadoras após determinado tempo de uso, bem como a disponibilidade de potência do trator. Se, por exemplo, através do cálculo de planejamento da mecanização agrícola, forem necessárias 24 linhas de semeadura, o produtor pode optar por adquirir duas semeadoras de 12 linhas cada, mais o cabeçalho móvel. No momento em que for revender tal conjunto,


pode, facilmente, desmembrar o tandem e comercializar as semeadoras individualmente (duas de 12 linhas). Com certeza será mais fácil encontrar comercialização para semeadora de 12 linhas comparado a uma de 24. A terceira opção consiste na aquisição de semeadoras e tratores menores, porém em maior número para atender quantidade de área, se isso for o caso. Esta alternativa traz como vantagens a facilidade de semeadura em áreas menores, mais declivosas, irregulares e com presença de obstáculos. Contudo, exige maior quantidade de mão de obra, isto é, operadores de máquinas.

DEMANDA DE POTÊNCIA DO TRATOR

A potência mínima requerida é um valor informado pelos fabricantes, através dos catálogos das semeadoras, que serve para ajustar, da melhor forma possível, a semeadora à fonte de potência (trator agrícola). Este valor deve ser observado no momento da aquisição

C

Os dosadores de sementes

onsiderado por muitos especialistas o principal componente da semeadora, o dosador de sementes é responsável por selecionar individualmente (grãos graúdos) ou em grupo (grãos miúdos) as sementes armazenadas no reservatório e encaminhá-las no sistema condutor, até os sulcadores. Como este processo é realizado rapidamente, devido à grande quantidade de dosadas e influência direta da velocidade de operação, este sistema tem sofrido evoluções no decorrer dos anos, com a incorporação de tecnologias que melhoraram seu desempenho e a regularidade do processo. O sistema de dosagem mecânica, de grãos graúdos, é constituído, basicamente, de discos perfurados (alvéolos), com capacidade para acondicionar apenas uma semente, de forma individual. Este disco é movimentado pela ação de um conjunto de rodas dentadas, eixos e correntes, nos sentidos vertical e horizontal, apoiados em uma base fixa, a qual possui um orifício, pelo qual a semente vai se desprender com o auxílio de um mecanismo ejetor, e através da ação da gravidade se depositar no solo. A origem do movimento dos dosadores pode ser através das rodas da semeadora (rodas de terra) ou por fluxo de óleo hidráulico, que aciona os motores

hidráulicos, permitindo maior controle da rotação do disco dosador, que possibilita a deposição de sementes em taxa variável, e precisão na dosagem das mesmas. O sistema pneumático possui as mesmas opções de acionamento do conjunto mecânico, porém uma turbina de ar fornece pressão manométrica negativa em um sistema de tubulação que auxilia na seleção das sementes no sistema dosador. Ao contrário do sistema mecânico, no sistema dosador pneumático o disco dosador fica posicionado verticalmente, onde as sementes são “presas” ao disco através da pressão negativa existente do lado oposto do disco, fazendo uma “sucção” das mesmas. Assim, pode-se reduzir, consideravelmente, o risco de ocorrência de sementes falhas ou duplas, o que garante maior precisão na distribuição das sementes. O mercado brasileiro ainda oferece a maior porcentagem de dosadores mecânicos, sendo 55% dos modelos disponíveis (Figura 3). Percebe-se também que algumas empresas oferecem ao produtor rural a opção de selecionar o sistema dosador entre mecânico e pneumático no momento da aquisição, contudo, essa característica está disponível em apenas 4% dos modelos ofertados no mercado nacional de semeadoras.

Figura 3 - Opções de configuração do sistema dosador de sementes disponíveis no mercado brasileiro

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Fankhauser

Figura 4 - Potência requerida (cv) em função do número de linhas da semeadora

New Holland

A opção de utilizar o sistema tandem é bastante interessante se for levada em consideração a sua comercialização

da máquina, pois o conjunto trator + semeadora deve ser harmônico, isto é, o motor do trator deve fornecer a potência que a semeadora exige e o saldo não deve exceder 5% para mais ou para menos, para que não haja excesso de patinamento das rodas motrizes do trator nem elevado consumo de combustível do motor, muito menos o funcionamento deficiente da semeadora, caso trabalhe com sistemas sulcadores impróprios para a situação. Ao analisar o número de linhas dos modelos de semeadoras disponíveis no mercado e ao fazer uma associação com a potência requerida para tracioná-las, chega-se a uma reta crescente, onde conforme aumenta o número de linhas da semeadora, aumenta a exigência

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de potência do motor do trator (Figura 4). Com o objetivo de facilitar o entendimento do mercado de semeadoras, foi proposta uma classificação das mesmas de acordo com sua exigência de potência, resultando em quatro classes, sendo: Classe I as semeadoras de 40cv a 109cv (30kW a 80kW), Classe II de 110cv a 190cv (81kW a 140kW), Classe III de 191cv a 272cv (141kW a 200kW) e Classe IV de 273cv a 510cv (201kW a 375kW). A partir desta classificação, é possível analisar a distribuição da oferta de semeadoras de acordo com as faixas de potência exigida para sua tração e, assim, verificar qual faixa está sendo mais ofertada pelos fabricantes nacionais.

Observando a Figura 5 é possível perceber que a maior oferta de semeadoras no mercado está dentro da Classe II (40cv a 109cv de potência requerida), o que corresponde a 46% do total, seguida da Classe I (28%), da Classe III (19%) e por último a Classe IV (7%). Estes valores podem ser explicados pela fatia de mercado, a qual pretende atender a cada fabricante ou importador de semeadoras. A grande quantidade de modelos disponíveis na faixa intermediária de potência requerida (Classe II) evidencia o tamanho médio das propriedades rurais brasileiras, onde são utilizadas semeadoras que atendam pequenas e médias áreas de cultivo. Para modelos que demandam elevada potência do


Semeato

Figura 5 - Porcentagem de modelos de semeadoras nas Classes I (40cv a 109cv), II (110cv a 190cv), III (191cv a 272cv) e IV (273cv a 510 cv)

John Deere

A grande quantidade de modelos disponíveis na faixa intermediária evidencia o tamanho médio das propriedades brasileiras

motor, pertencentes à Classe IV, os fabricantes disponibilizam 7% do total das semeadoras comercializadas no Brasil, que exigem tratores agrícolas equipados com motores acima de 272cv (200kW). Ao fazer uma relação entre a potência requerida para tração da semeadora e o tipo de sistema dosador de sementes, é possível verificar que conforme aumenta o tamanho da máquina (a potência requerida), maior é o nível tecnológico presente nestas máquinas como, por exemplo, o sistema dosador de sementes pneumático, que está presente em mais de 70%

dos modelos das Classes III e IV (Figura 6).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Atualmente, o mercado brasileiro de semeadoras é bastante amplo, visto que dispõe de vários modelos comercializados. Esta grande diversidade de modelos existentes pode ser explicada pelo vasto leque de configurações disponíveis para esta máquina, para atender as mais variadas situações no campo, as quais são constantemente expostas durante o trabalho. Desta forma, faz-se necessário

que o produtor rural conheça suas áreas de cultivo, realize um planejamento detalhado de suas atividades agrícolas, para somente então optar por semeadoras que realmente atendam às suas necessidades e especificidades, executando o trabalho com qualidade e eficiência, pois o sucesso de uma safra agrícola se inicia com uma boa operação de .M semeadura. José Fernando Schlosser, Gilvan Moisés Bertollo, Marcelo Silveira de Farias, Gustavo dos Santos e Luis Fernando V. de Oliveira, Nema/UFSM

Figura 6 - Porcentagem de semeadoras equipadas com os diferentes tipos de sistemas dosadores de sementes disponíveis no mercado brasileiro para cada classe de potência requerida

No Brasil, 19 empresas montam e/ou fabricam semeadoras, oferecendo ao mercado 548 diferentes modelos

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MECANIZAÇÃO John Deere

Em qualquer área A mecanização da colheita florestal é um processo contínuo de melhorias, buscando sempre a redução dos custos, o aumento da produtividade e o maior conforto para os operadores. Vários são os fatores que influenciam na escolha do sistema que se adapta melhor a cada situação

O

caminho para o atendimento das necessidades crescentes dos produtos florestais se dá por meio de uma produção mais intensa que, por sua vez, está associada a uma ampla mecanização, que é o principal meio para elevar a produtividade do trabalho florestal. Na década de 1960, com o advento dos incentivos fiscais, o setor florestal Outubro 2016 • www.revistacultivar.com.br

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teve seu maior crescimento, pois muitas empresas começaram a manifestar interesse pelo setor, desenvolvendo pesquisas, plantando em novas áreas e gerando tecnologias. Atualmente, o setor desempenha um importante papel na economia nacional, principalmente na indústria de transformação, onde o carvão, a celulose e os móveis são os seus principais produtos.

Dentre todas as atividades que compõem o setor florestal, a colheita de madeira se destaca, sendo um conjunto de operações realizadas no maciço florestal, visando ao preparo e ao transporte da madeira até o depósito, utilizando técnicas e padrões preestabelecidos. A demanda por produtos de origem florestal contribuiu para uma mecanização intensiva


Ponsse

Tigercat

Feller-buncher foi projetado para cortar e acumular troncos

do setor, visando a um aumento na produtividade e redução dos custos. Esse processo de modernização das operações florestais teve início na década de 1970, quando os maquinários começaram a ser fabricados para fins florestais. No Brasil, a abertura das importações por volta de 1994 fez com que grande parte das empresas iniciasse a mecanização da colheita. Com isso, verificou-se um aumento contínuo do nível de automatização no país e, em maior escala, na colheita de floresta de 1a rotação, onde o alto volume de madeira e a homogeneidade da floresta colaboraram para que se tornasse possível. A colheita de madeira pode ser realizada através de diversos sistemas, sendo que atualmente no Brasil os sistemas de toras longas e de toras curtas são os mais empregados. O sistema de toras longas envolve o corte e desgalhamento das árvores no local de abate, transporte e posterior processamento à margem da estrada ou no pátio. No sistema de toras curtas, as árvores são cortadas e processadas em toras, com dimensões de acordo com o uso final, no próprio local de abate. A combinação “Feller-buncher + Skidder” pode ser considerada representativa no sistema de toras longas, enquanto que o módulo “Harvester + Forwarder” trabalha em um sistema de colheita com processamento das árvores no local de abate. Existem diversos fatores que afetam as etapas da colheita, a exemplo

John Deere

Harvester e Forwarder utilizados para o corte e transporte das árvores cortadas

do diâmetro e rigidez dos galhos, volume da copa, densidade da madeira, volume por hectare, diâmetro, altura, retidão do fuste, alinhamento do plantio, declividade do terreno, capacidade de suporte do solo, regime pluviométrico e distância de extração. As etapas mais importantes da colheita são o corte, a extração, o carregamento, o transporte e o descarregamento. O corte é a primeira etapa da colheita, que é subdividida em corte de derrubada, que consiste no corte na base do fuste e posterior tombamento da árvore; desgalhamento, que compreende a retirada dos galhos; descascamento, que consiste na retirada da casca; traçamento, que é o seccionamento da tora, e, por fim, o

empilhamento, que consiste em acomodar as toras facilitando a operação subsequente. Essa atividade pode ser realizada de forma manual, semimecanizada e mecanizada. A adoção de determinada máquina irá depender, basicamente, do poder aquisitivo do agricultor ou empresa, declividade do terreno e tamanho da área a ser colhida.

CORTE FLORESTAL

O machado, formado por um cabo de madeira e uma lâmina na sua extremidade, foi de extrema importância para colheita florestal até 1960, antes da introdução das motosserras. Essa ferramenta pode ser utilizada para abater, desgalhar e traçar as árvores. Atualmente é pouco empregado, a não ser por pequenos agricultores e em áreas de relevo acentuado. A motosserra é a máquina utilizada em derrubada, desgalhamento, destopamento e traçamento das árvores, sendo formada por um motor de dois tempos e conjunto de corte (sabre, corrente e pinhão). No Brasil, o corte com esse equipamento difundiu-se a partir do final da década de 1960, acontecimento este de grande impor-

O Harvester é uma colhedora florestal automotriz, capaz de realizar todas as etapas que compõem o corte

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solo. Seu cabeçote apresenta braços acumuladores - para acumular as árvores, garras para segurá-las durante o corte e um elemento de corte podendo ser disco dentado, tesoura de dupla ação ou serra. O Feller-buncher de disco trabalha em altas rotações do motor e em consequência apresenta elevada demanda energética, porém apresenta alto rendimento, podendo cortar até 500 árvores por hora efetiva de trabalho. O Harvester é uma colhedora florestal automotriz, capaz de realizar todas as etapas que compõem o corte. É constituído por uma máquina base podendo ser de pneus ou esteiras, um braço hidráulico de tamanho variável

Forwarder é um trator autocarregável projetado para a remoção das toras já cortadas de dentro da floresta

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EXTRAÇÃO DA MADEIRA

O Skidder de garras é um trator de pneus, articulado, com uma garra hidráulica de abertura inferior, localizada na parte traseira que “abraça” as árvores e permite que o trator as arraste até a margem das estradas, sendo indispensável para realizar extração quando o corte é realizado com Feller-buncher. Um ponto negativo da utilização desse tipo de máquina, principalmente em plantios de eucalipto, são os danos causados às cepas em virtude de a máquina realizar o

O Forwarder é formado por uma caixa de carga, com capacidade variável e uma grua hidráulica

Komatsu

Tigercat Ponsse

tância para o setor, pois livrou alguns trabalhadores de uma atividade rudimentar (corte manual). Atualmente, ainda é muito utilizada no Brasil, principalmente por pequenos agricultores e em áreas de relevo acidentado. Apesar das vantagens da utilização da motosserra em relação ao corte manual, vale ressaltar que este é um equipamento de alta periculosidade, que emite muito ruído e vibração. O Feller-buncher é um trator florestal autopropelido de esteiras ou pneus, projetado para realizar o corte e acúmulo das árvores. Assim, quando se atinge o número máximo de árvores que o cabeçote pode acumular, elas são depositadas na superfície do

(depende do modelo) e um cabeçote. O cabeçote é constituído por braços acumuladores, que têm a função de segurar e levantar as árvores durante o corte de derrubada, rolos dentados para movimentar as toras horizontalmente, facas para realizar o descascamento e desgalhamento e por fim um sabre ou serra para realizar corte e o traçamento das toras. É um trator de alto rendimento, capaz de cortar e processar uma árvore em cerca de 30 segundos. A extração consiste na retirada da madeira do interior do talhão até as margens das estradas, sendo também conhecida como transporte primário. No sistema toras longas, a principal máquina utilizada é o Skidder com garras, já no sistema toras curtas o forwarder é mais empregado.


arrasto das toras sobre a superfície do solo, prejudicando a rebrota. O Clambunk Skidder, também utilizado para o arraste e carregamento de toras inteiras, apresenta uma maior capacidade de carga quando comparado com o Skidder de garras, sendo mais recomendado para áreas de declividade mais acentuada. O carregamento é realizado por uma grua, que coloca as toras inteiras sobre uma pinça de abertura superior. O Forwarder é um trator autocarregável projetado para utilização no transporte primário, ou seja, a remoção das toras já cortadas de dentro da floresta para a periferia dos talhões de modo a evitar o tráfego de caminhões dentro dos mesmos. Essa máquina é formada por uma caixa de carga, com capacidade variável a depender do modelo e do fabricante e uma grua hidráulica que é utilizada para realizar o carregamento e descarregamento das toras. O trator agrícola adaptado, em razão do alto valor de aquisição das máquinas florestais, foi desenvolvido com algumas adaptações nos tratores agrícolas visando à propagação dessas máquinas a pequenos agricultores e a pequenas empresas. O trator agrícola autocarregável é ótima opção para operar em pequenas áreas, sendo a caixa de carga acoplada na barra de tração e a grua hidráulica acionada

Divulgação

A retirada da madeira em áreas de declividade pode ser feita por helicópteros

através do controle remoto do trator, possibilitando assim a abertura e o fechamento da pinça. Já o guincho-arrastador é um trator agrícola de pneus com um guincho que é acionado pela TDP. É uma solução para áreas montanhosas com declive maior que 20 graus. Esta máquina tende a compactar mais o solo devido ao arraste das toras. O carregamento consiste em pegar

a madeira deixada na beira da estrada e efetuar o carregamento no veículo que irá realizar o transporte. Atualmente, o carregamento mecanizado é o mais empregado em virtude da eficiência operacional e também pelo fato do carregamento manual na maioria das vezes não ser viável técnica, econômica e ergonomicamente. Existem diversas máquinas empregadas para realizar o carregamento, a exemplo dos carregadores mecânicos de pneus ou esteiras, caminhão autocarregável, carregadores frontais, carregador fixo e descarregador móvel. Pode-se definir o transporte florestal como a movimentação da madeira e seus derivados da floresta ou pátio intermediário até a fábrica ou centro consumidor. No Brasil, os meios de transporte florestal mais utilizados são o rodoviário, o ferroviário e o hidroviário. O transporte rodoviário consiste na movimentação da madeira fazendo o uso de caminhões, tritrem, biminhão, treminhão e rodotrem. É o meio de transporte mais utilizado pelas empresas florestais brasileiras em virtude da possibilidade de transporte da madeira de pátio a pátio, do baixo preço inicial, da possibilidade de escolha de diferentes rotas e das diferentes capacidades de cargas dos veículos. O transporte ferroviário consiste

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Komatsu

no transporte da madeira via trem. Esse modal tem a capacidade de transportar grandes volumes com elevada eficiência energética, apresenta poucos índices de acidentes e menor incidência de furtos e roubos, porém, é pouco utilizado no Brasil quando comparado com outros países como EUA, Rússia e Canadá. A Bahia Specialty Cellulose/Copener utiliza o transporte ferroviário desde 2011. A empresa faz o transporte de madeira da cidade de Acajutiba/BA (ponto de partida) até Camaçari (ponto de chegada), sendo que uma viagem do transporte ferroviário corresponde à viagem de 30 carretas bitrem, e isso resultada na redução do uso de combustível, pneus e lubrificantes, além de diminuir o trânsito na BR que liga as cidades. Já no transporte hidroviário a madeira é transportada através de rios e mares, cujas características (largura, profundidade) permitem o tráfego de embarcações como balsas, navios e barcos. No Brasil, a primeira empresa florestal a utilizar o transporte marítimo de madeira por cabotagem foi a Aracruz Celulose (atual Fibria), que

utiliza esse serviço desde 2003. A madeira sai do terminal de Caravelas/BA e desembarca no terminal de Portocel (Barra do Riacho/ES), percorrendo cerca de 275km. Uma viagem de cada barcaça corresponde à viagem de 100 caminhões, fato este que contribui para diminuir o trânsito na BR-101 e o consumo de derivados de petróleo (pneus, diesel e lubrificantes). Além das máquinas citadas existem muitas outras que vão sendo lançadas no mercado internacional ou outras adaptações que são efetuadas. Isto fica muito evidente em casos de necessidade de retirada da madeira em áreas de declividade muito acentuada ou de difícil acesso onde estão sendo utilizados sistemas de calhas, guindaste, cabos aéreos (teleféricos) e até mesmo helicópteros. O guindaste vem sendo testado em áreas com alta declividade, onde as máquinas tradicionais de colheita têm atuação limitada. Sua utilização baseia-se no posicionamento do guindaste no topo do talhão, exigindo que a madeira seja empilhada previamente para que trabalhadores treinados possam amarrar os cabos às pilhas

Um dos fatores que dificultam a extração da madeira e por isso exigem máquinas ainda mais específicas é a declividade do terreno

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formadas, permitindo assim que estas sejam içadas até a margem da área. Já o cabo aéreo é utilizado para extração de madeira em áreas com declividade acentuada e de difícil acesso por meio de máquinas convencionais, sendo formado por uma máquina base, o Yarder, uma torre e um carro teleférico. A fonte de potência de todos os cabos aéreos é o yarder, sendo ele movido a diesel, com potência variando de 90hp a 600hp e formado por tambores que armazenam os cabos de aço. Essa máquina levanta as toras verticalmente, de forma total ou parcial, e posteriormente as transporta por meio do carro teleférico. Um dos fatores negativos dessa máquina é o baixo rendimento, associado ao alto custo operacional. O helicóptero, assim como o sistema de cabos aéreos e guindaste, também é mais utilizado em áreas com alta declividade e acesso restrito pelas máquinas de colheita convencionais, porém, é pouco aplicado devido aos altos custos para implementar e manter esse tipo de sistema de extração, além da alta dependência de condições climáticas favoráveis. A retirada é feita por meio de um helicóptero unido a cabos adaptados para práticas de extração madeireira. Com o auxílio de profissionais treinados trabalhando dentro dos talhões, os cabos são unidos às árvores já desgalhadas. Feito isso, o helicóptero as levanta verticalmente e realiza o transporte. Apesar da evolução da colheita florestal nos últimos anos, a mesma é uma atividade muito complexa devido à influência de fatores ambientais, técnicos, sociais e econômicos. Mediante isso, a mecanização da colheita é um processo contínuo de melhorias, buscando sempre a redução dos custos, aumento da produtividade e maior .M conforto para os operadores. Haroldo C. Fernandes, Diego Weslly F. do N. Santos e Róbson R. Damiano Teixeira, Universidade Federal de Viçosa


ESPECIAL

Expedição China Durante dez dias produtores do Brasil percorreram os caminhos da soja brasileira em solo chinês, onde conheceram o mercado e as principais demandas do gigante asiático

D

e 18 a 28 de setembro a Revista Cultivar, em parceria com a AgroBravo, participou da Expedição China, com o objetivo de percorrer os caminhos da soja brasileira em território chinês e conhecer o tamanho do mercado para os produtos brasileiros naquele país. Durante quase dez dias o grupo de 32 pessoas, formado por produtores e consultores, visitou centros de pesquisa, empresas beneficiadoras de soja, propriedades rurais e diversos pontos turísticos em várias cidades chinesas e também em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A expedição começou na cidade de Beijing com um encontro entre os produtores brasileiros e um membro do Instituto de Ciências Geográficas e Investigação de Recursos Naturais, Liu Aimin. Na pauta a produção e comercialização de soja na China, perfil do consumidor,

mercado interno, importação e exportação do produto para o desenvolvimento da China. Os dados apresentados mostraram o exato tamanho do mercado chinês e a necessidade crescente por alimentos vindos de fora. Numa população de um bilhão e quatrocentos milhões de habitantes, qualquer acréscimo de poucos gramas na média anual de consumo de alimentos gera números exorbitantes. Por exemplo, se a média anual per capita de consumo de carne bovina aumentar 500 gramas de um ano para outro, seria necessário um acréscimo de 700 mil toneladas do produto. Não poderia ser melhor notícia para os produtores brasileiros presentes na expedição. Murilo Teixeira Gonçalves, produtor e pecuarista de São Gabriel (RS), comemora a constatação. “Cada chinês consome anualmente cinco quilos de carne bovina. Isso mostra o quanto

as exportações de carne bovina para a China podem crescer”, explica. “Percebemos também que a capacidade de esmagamento de soja é duas vezes maior que a quantidade realmente esmagada, o que deixa claro que, apesar dos chineses dizerem que a importação se manterá estável nos próximos anos, a tendência é de aumento”, diz. Outro ponto que chamou atenção para ele é o fato de os chineses demonstrarem grande desejo de realizar negociações diretas com os produtores, o que aumentaria ainda mais a competitividade dos produtos brasileiros na China. O pesquisador também falou sobre o desafio de produzir alimentos em seu país e a importância dos principais produtos agrícolas na economia chinesa, principalmente trigo, milho e soja. No ano 2000 a China cultivava aproximadamente oito milhões de hectares de trigo. Hoje a cultura cobre uma área de 24 miOutubro 2016 • www.revistacultivar.com.br

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Fotos Charles Echer

Os produtores visitaram a Hopefull Group, com capacidade de processar 600 mil toneladas de soja por ano, e a Jiusan Group, que tem 12 unidades na China

lhões de hectares, com produtividade de 4,95ton/ha chegando a um total de 120 milhões de toneladas por safra. A China consome toda a sua produção e ainda importa uma parcela para complementar o consumo. O milho foi a única cultura que cresceu em área e produtividade na China nos últimos anos, alcançando uma produção de 200 milhões de toneladas na última safra. Isso fez com que os estoques ficassem saturados, obrigando o governo a retirar inclusive parte da proteção de preço mínimo utilizada para incentivar o cultivo da cultura. Em 2015 a área cultivada com milho chegou aos 36 milhões de hectares com uma produtividade média de 5,9ton/ha. Do total da produção, 150 milhões de toneladas são destinadas à alimentação animal e o restante é utilizado para alimentação humana e outros fins. Já o crescimento do consumo de soja na China pode ser medido pelo aumento Outubro 2016 • www.revistacultivar.com.br

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do número de empresas esmagadoras e beneficiadoras nos últimos anos. De acordo com Aimin, no ano 2000 aproximadamente 60 empresas de médio porte operavam, espalhadas entre as regiões produtoras de soja no país. Hoje são mais de 120 plantas modernas, com pelo menos o dobro de capacidade das antigas, possibilitando o processamento de mais de 500 mil toneladas/dia. Essas empresas instalaram-se principalmente próximas às regiões portuárias do Pacífico, porta de entrada de grande parte das importações chinesas. Para se ter uma ideia deste crescimento, no ano 2000 o total de soja importada pela China equivalia à produção de 6,75 milhões de hectares. Em 2015 foi importado o equivalente a 64,26 milhões de hectares e desde 2013 o Brasil é o maior exportador de soja para a China, seguido por Estados Unidos e Argentina. Esse aumento de demanda é consequência do crescimento econômico

do país que avança na casa dos 6,5% ao ano. Com mais recursos, os chineses incrementaram a sua alimentação, multiplicando por dez o consumo de aves e quatro o consumo de carne suína nos últimos anos, além de ovos e leite. Para os próximos anos a tendência é a manutenção dos patamares atuais de importação de soja e aumento em itens como carne bovina e leite, por conta da escassez de terra para produção destes alimentos e também porque os chineses preferem criar animais de menor porte, como porcos e frangos, que são fáceis de serem produzidos em pequenas propriedades, além de utilizarem o esterco como adubo orgânico. Esta expectativa anima também o pecuarista Guilherme Teodoro, de Vilhena (RO). Ele, que viajou para entender o mercado e encontrar oportunidades para seu negócio, acredita que a carne bovina brasileira tem um enorme potencial no mercado chinês. “Se o consumo aumentar, Austrália e Estados Unidos, que são os principais fornecedores de carne bovina para a China, não darão conta sozinhos, e nós produzimos a carne mais barata do mundo e com grande qualidade, o que possibilita ampliar a participação do Brasil neste segmento”, avalia. Para o estudante de Agronomia Bruno Katzer, de Jataí (GO), que viajou para a China com o seu pai, Airton, e sua irmã, Gabriela, os números chineses surpreenderam principalmente pela baixa capacidade de produção de alimento dos chineses. “Eu já conhecia a grande demanda chinesa por alimentos, mas essa viagem me fez perceber que apesar da grande extensão territorial há pouca área produtiva e cultivável e apesar de terem tecnologias e técnicas avançadas em outras áreas, as propriedades rurais ainda praticam uma agricultura bastante rudimentar e enfrentam dificuldades”, explica Bruno. A constatação de Bruno se deve principalmente a uma das visitas técnicas realizadas pelo grupo a uma pequena cooperativa de produtores da nos arredores de Beijing. Na China, os produtores não são donos de suas terras; moram e trabalham em áreas estatais e possuem di-


Airton Katzer e seus filhos Gabriela e Bruno viajaram para conhecer e entender melhor o mercado chinês

reito de explorar da maneira que melhor entendem a parcela destinada a cada um, podendo inclusive arrendar. Esta prática foi instituída em 1980 pelo governo chinês, que oferece um pedaço de terra entre 0,5 e cinco hectares distribuídos de acordo com o tamanho da família e região onde vivem. Alguns produtores exploram sozinhos o seu pedaço de terra, mas um exemplo típico de como trabalham os camponeses chineses é a cooperativa de camponeses Man Cun He, formada por 18 famílias que juntam suas terras e seus trabalhos como forma de aumentar seus rendimentos. Liderados pelo senhor Yang, um produtor de 80 anos de idade, os camponeses cultivam uma área total de aproximadamente 90 hectares, onde produzem soja orgânica em 27 hectares e milho em 55 hectares. De acordo com Yang, a produção de soja alcança 50 sacas/ha. Com poucos recursos para produzir eles aproveitar ao máximo os escassos espaços disponíveis, cultivando grãos consorciados com outras culturas e

A Hopefull Group possui o maior armazém de grãos do mundo com capacidade de 800 mil toneladas

até mesmo árvores ornamentais. De acordo com o pesquisador responsável pelo Escritório de Tecnologia da Soja, da Academia de Ciências Agrícolas da China, Huang Heng Liu, três características principais diferem o cultivo chinês do brasileiro: rotação de culturas com trigo e milho; escarificação profunda do solo no outono para descompactar a terra que ficou congelada durante o inverno de até 45 graus negativos; e cultivo em camaleões para conservar a água e a temperatura, uma vez que o verão é bastante quente e a precipitação na região é baixa. A produtividade varia bastante de região para região e 50sc/ha é considerada uma produtividade boa.

VISITAS

As visitas técnicas são parte muito importante nos roteiros organizados pela AgroBravo. É principalmen-

te neste momento da viagem que os grupos têm um contato mais próximo com a realidade de cada país e conseguem entender como é o dia a dia de empresas, produtores, cooperativas e feiras agrícolas. O objetivo principal dos roteiros elaborados pela AgroBravo é oferecer aos produtores a possibilidade de conhecerem o máximo possível a realidade dos países visitados. “Procuramos sempre desenvolver um roteiro baseado nos negócios de nossos clientes, possibilitando assim que eles entendam melhor a realidade do país que estão visitando”, explica Julio Bravo, diretor da agência. Durante e Expedição China, o grupo realizou seis visitas técnicas em diferentes setores, como empresas esmagadoras de soja, cooperativas, centros de pesquisa e fábricas de máquinas agrícolas. No primeiro dia em solo chinês o grupo

A Expedição China realizou visitas técnicas em empresas, cooperativas e centros de pesquisa

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Fotos Charles Echer

A Muralha da China foi um dos pontos turísticos visitados pelos integrantes da Expedição

visitou uma das unidades da empresa Hopefull Group, com capacidade de processar sete mil toneladas de grãos por dia e 600 mil toneladas por ano. Contando com suas outras unidades, a Hopefull Group consegue beneficiar três milhões de toneladas por ano. Esta mesma unidade, instalada nos arredores de Beijing, possui o maior armazém de grãos do mundo, com capacidade para 800 mil toneladas, que fica ao lado de uma ferrovia pública e distante 175km do terminal portuário. Outra empresa visitada que também opera no processamento de soja é a Jiusan Group, um grupo empresarial estatal com 12 unidades na China, metade delas na província de Hei Long Jiang e a outra metade em diferentes regiões do país, além de três sucursais de negócios instaladas em São Paulo, Chicago e Hong Kong. Atualmente, as 12 unidades da empresa são responsáveis por moer 12 milhões de toneladas de soja ao ano, sendo a processadora com maior capacidade produtiva na China e a terceira em processamento de óleo. A unidade de Harbin, que é responsável pelo processamento fino de óleo, somente utiliza soja convencional por causa de regras provinciais que proíbem o processamento de soja transgênica. A última visita da expedição foi na fábrica Grupo CNH. Fundada em junho de 2014, a unidade de Harbin é a única Outubro 2016 • www.revistacultivar.com.br

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fábrica do grupo em solo chinês. Mesmo com uma capacidade produtiva de 5.450 máquinas por ano, em 2015 produziu pouco mais que duas mil máquinas entre tratores, colheitadeiras e enfardadeiras. Apesar da agricultura chinesa ser, na grande maioria, de pequeno e médio porte, a CNH também produz máquinas maiores para atender a fazendas que são administradas por empresas privadas. A linha de tratores produz modelos da Case IH e New Holland com potências entre 150cv e 250cv. Em 2015 foram fabricadas 250 colhedoras, 700 tratores e 1.200 enfardadeiras.

PONTOS TURÍSTICOS

Entre uma visita técnica e outra, o programa reservou momentos para desfrutar as belezas do país. Além de city tours pelas cidades de Beijing, Xangai e Harbin, dois passeios mereceram destaque. Considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo, a Muralha da China com sua história milenar e seus 6,8 mil quilômetros de extensão foi visitada pelo grupo no último dia na cidade de Beijing. Já na cidade de Harbin, o grupo visitou a maior reserva de tigres siberianos do mundo, uma espécie em extinção que conta com apenas mil exemplares. Esta reserva abriga 500 tigres que são alimentados e monitorados para proporcionar um ambiente parecido com o habitat natural com segurança, garantindo a

possibilidade de reprodução da espécie. Em Xangai, na cidade mais futurística da China, além de conhecer a parte moderna da cidade, o grupo visitou o Yuyuan Garden, um local que guarda traços da Dinastia Ming entre os séculos 14 e 17, com suas construções típicas. Já na cidade de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, que também estava no roteiro da viagem, o objetivo era conhecer os modernos arranha-céus e as avenidas largas. Erguida entre o deserto da Arábia e a costa do Golfo Pérsico, Dubai possui uma das maiores rendas per capita do mundo. Lá está também o maior prédio do mundo, o Burj Khalifa, com 828 metros de altura, de onde o grupo de brasileiros pôde conferir um visual deslumbrante da cidade no skydeck localizado no 124º andar. O grupo também visitou o mercado de especiarias, o famoso mercado de joias Gold Souk, o Burj Al Arab Hotel e a Palm Jumeirah, além de realizar um safári no deserto, onde foi possível conhecer uma fazenda de camelos e desfrutar um jantar típico.

AGROBRAVO

A Revista Cultivar participou da Expedição China em parceria com a AgroBravo Viagens Corporativas. A agência é especializada em viagens de relacionamento e aprendizado para os diversos setores do agronegócio e em serviços customizados à necessidade dos clientes, com roteiros que abrangem os cinco continentes. Entre os destinos mais visitados estão as principais feiras agrícolas mundiais. Mais informações sobre os próximos destinos podem ser obtidas no site da agência: .M www.agrobravo.com.

Murilo, de São Gabriel (RS), vê grande potencial na exportação de carnes


TRATORES

Sob medida

O lastro ideal é estabelecido por diferentes fatores, entre eles adequação à tração, ao tipo de rodado e às condições da superfície do solo

A

o se tracionar implementos que mobilizem o solo, há uma transferência de parte do peso do eixo dianteiro do trator para o traseiro, provocando a perda de aderência das rodas motrizes. As consequências desse efeito se manifestam na forma de patinagem ou de instabilidade de direção, acarretando a perda de rendimento de tração, com redução da velocidade de locomoção e com influência direta na perda de potência na barra de tração. Portanto, a relação pneu/solo deverá ser analisada sempre e corrigida quando não apresentar conformidade. Além da perda da capacidade operacional, a patinagem poderá interferir negativamente nas características físicas do solo.

LASTRAMENTO DO TRATOR

O lastramento é um procedimento simples, mas precisa de adequação em função do peso do trator, da configuração do rodado, do implemento e das condições da superfície do solo. A inclusão de lastro no trator

pode ser realizada com peso líquido ou sólido. O lastro líquido consiste em encher os pneus de tração com água pura ou mistura com aditivos anticongelantes (nas regiões mais frias), através das válvulas de calibragem. A operação deve ser realizada com o auxílio de um macaco, tendo o cuidado de girar o pneu e posicionar a válvula na altura referente ao percentual de preenchimento por líquido (Figura 1), respeitando relação diferente para pneus diagonais e radiais. Nos pneus diagonais, deve-se observar o máximo de 75% do volume do pneu para não eliminar suas propriedades de flexão e amortecimento. Já nos casos de pneus radiais, somente em casos especiais e com recomendação do fabricante, preencher com até 40% do volume do pneu. Recomenda-se, ainda, sempre que possível, substituir o lastro líquido pelo equivalente em peso em lastro sólido. Efetuado o processo, deve-se baixar o trator colocando a válvula na posição inferior e calibrar o pneu com ar, seguindo a pressão recomendada, com o auxílio de um

manômetro especial para pneus com água. A inclusão de água como lastro é a forma mais simples e barata para aumentar o peso nos eixos de tração, no entanto, a sólida é a mais indicada. A inclusão de lastro sólido é efetuada utilizando-se placas de ferro fundido adicionadas às rodas e ao chassi do trator. Os pesos para as rodas estão disponíveis em diversos tamanhos, permitindo maior precisão na distribuição de peso no trator. As placas de ferro fundido são inseridas na dianteira do trator, compensando o peso transferido para a parte traseira pelo uso do implemento, desta forma aumentando ao rendimento de tração. Nos casos dos tratores com tração dianteira auxiliar – TODA, o peso na parte frontal irá conferir maior eficiência do sistema pneu/solo aumentando a eficiência de transferência de tração, já nos tratores sem TDA a função do peso será principalmente melhorar a dirigibilidade.

RELAÇÃO PESO/POTÊNCIA

A força potencial de um trator está

Charles Echer

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Fotos Luiz Atilio

Como lastrar

E

xemplo de lastragem para um trator de 90cv, 4x2 com tração dianteira auxiliar, considerando a utilização de um implemento específico: - Carga de trabalho média = 90cv x 50kg = 4.500kg de peso total. - Implemento agrícola semeadora = 35% na dianteira e 65% na traseira. Resultados: • Dianteira: 4.500kg x 0,35 = 1.575kg • Traseira: 4.500kg x 0,65 = 2.925kg

relacionada à reação máxima do solo sobre suas rodas motrizes em função de vários parâmetros: - A carga sobre as rodas motrizes, que é composta pelas seguintes forças exercidas sobre o trator: peso do trator, carga complementar (implemento + lastro) e regulagens de acoplamento; - A natureza do contato pneu/ solo; - Área de contato com o solo, pressão dos pneus, formas e dimensões do rastro, assim como a textura e a condição física do solo. Na prática, a força de tração não excede 60% do peso total do trator somado à carga complementar. Um trator com um peso da ordem de quatro toneladas raramente poderá exercer uma força de tração superior a 2,5 toneladas, em solo agrícola. Sabendo-se que a força de tração

Figura 1 - Representações visuais da relação pneu/solo

está diretamente relacionada com o peso do trator acoplado, torna-se fácil encontrar seu peso ideal ou relação peso/potência. Esta relação é expressa em quilogramas por kilowatt (kg/kW) e é calculada com base na potência nominal do motor. Quanto maior a demanda de força de tração, mais significativa será a necessidade de lastro. No entanto, por razões de conservação de sistemas mecânicos da transmissão, o valor da relação peso/potência para operações com menor velo-

cidade e maior demanda de tração será em torno de 60kg/kW, e para operações com menor demanda de tração e maior velocidade, em torno de 35kg/kW (Tabela 1). Aumentar o coeficiente de aderência do trator assegurará uma melhor tração sem que haja necessidade de diminuir a velocidade ou mesmo aumentar a potência de base do trator.

RELAÇÃO PESO/PNEU

Cada tipo de pneu possui seu limite máximo de carga suportado e

.M Tabela 1 - Lastragem ideal em kg kW-1 para operações de diferentes naturezas

Carga de trabalho Operação Velocidade de avanço (km/h) Relação peso/potência (kg kw-1)

Baixa Média Alta Transporte interno e externo à propriedade, pulverização Plantio, semeadura/adubação Aração, escarificação, gradagem e outras >8 8<7 7<6 35 45 60

Charles Echer

Adaptado de Titan e Schlosser et al.

Tabela 2 - Distribuição de peso entre traseira e dianteira em % Carga Eixo 4x2 4x2 (TDA) / 4x4

Média Pesado Leve Dianteiro Traseiro Dianteiro Traseiro Dianteiro Traseiro 30% 70% 35% 65% 25% 75% 35% 65% 40% 60% 35% 65% Fonte: Titan

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Tabela 3

ultrapassar tais limites corresponde à perda de garantia do item. Os fabricantes disponibilizam em seus manu-

ais e websites tabelas de base com os valores máximos para cada tipo, classe, lastragem ideal e tamanho de pneus de sua gama de produtos, como pode ser visto na Tabela 3. É de fundamental importância conhecer a relação peso/potência de forma a equilibrar dinamicamente o trator e desta forma obter o melhor rendimento com o menor impacto no ambiente de produção. Respeitadas as especificações do trator,

D

Inserção da mangueira na válvula de calibragem; pneus diagonais; pneus radiais

do pneu e das condições do solo, a lastragem adequada representará ganhos significativos em relação à capacidade operacional dos conjuntos motomecanizados e econômicos, refletindo em produtividade e ren.M tabilidade.

Thiago de Santana Marques, Gláucia Maria dos Santos Silva, Ismael dos Reis Alves e Marcos Roberto da Silva, UFRB/CCAAB/GPESOA

Como constatar e medir a patinagem

e uma forma simples e rápida, é possível constatar a ocorrência de patinagem realizando-se uma análise visual a campo através das marcas deixadas pelos pneus ou através da mensuração para se determinar o índice de patinagem. No entanto, deve-se levar em consideração outros fatores que podem provocar o fenômeno, como pneus com desenho e/ ou tamanho inapropriado para a operação, topografia irregular do terreno, umidade do solo elevada, seleção de marcha ou rotação do motor incorreta, incompatibilidade trator/ implemento ou regulagem inadequada do implemento. Na análise visual, o ideal é

verificar que as marcas deixadas pelos pneus estejam bem definidas nas bordas externas e sinais de deslizamento no centro do rodado. O lastro insuficiente, ocasionando excesso de patinagem, implica redução na potência disponível para realizar a operação, no desgaste acentuado dos pneus e maior consumo de combustível, uma vez que as rodas girarão mais para percorrer a mesma distância, imagem 1A. O excesso de lastro, com ausência de patinagem, proporciona um elevado consumo de combustível, promove deformação no solo, danos aos pneus com rompimento das garras, além de aumentar a carga sobre a transmissão, imagem 1B.

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PULVERIZAÇÃO

Volume reduzido Valtra

A redução do volume de aplicação atende aos anseios do setor agrícola por maior rendimento operacional de pulverizadores com eficiência na aplicação de produtos fitossanitários, economia e sustentabilidade, mas exige maior entendimento e uso dos princípios da Tecnologia de Aplicação para garantir a eficiência da operação

A

s regiões produtoras de grãos no Brasil mantêm 56% de suas áreas cultivadas sob Plantio Direto (PD). Este sistema preconiza o cultivo mínimo do solo associado à formação de palhada por plantas de cobertura. Portanto, antes da implantação e o estabelecimento da cultura subsequente faz-se importante a dessecação eficiente das plantas de cobertura ou da vegetação espontânea para que esta não se torne um problema no estabelecimento ou durante o ciclo da cultura sucessora. Neste contexto, o glifosato tem sido o herbicida mais utilizado nas aplicações. O sucesso da dessecação está relacionado não só com pulverizadores de alto nível tecnológico, mas também com a recomendação apropriada de pontas de pulverização, volume de aplicação e conhecimento das características do herbicida e da cobertura vegetal a Outubro 2016 • www.revistacultivar.com.br

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ser controlada. No entanto, justificado pela pressão mercadológica exercida na cadeia produtiva agrícola, constata-se em campo práticas na aplicação de herbicidas que não são embasadas nos princípios da Tecnologia de Aplicação de Produtos Fitossanitários. Atualmente, devido ao déficit de máquinas em relação ao tamanho das áreas cultivadas no Brasil e de mão de obra capacitada, a redução do volume de aplicação é uma das alternativas encontradas pelos produtores de grãos para maximizarem o uso de pulverizadores, principalmente de autopropelidos que possuem alto custo de aquisição. Assim, ao aumentarem a capacidade operacional (ha/h) com a redução do volume de aplicação (L/ha), diminuem o custo operacional. Entretanto, volumes de aplicação e tamanhos de gotas podem influenciar na eficiência da aplicação e na eficácia de controle das coberturas

vegetais. Pesquisas recentes com herbicida sistêmico (glifosato) no sudoeste do estado de Goiás (UFG-Regional Jataí) constataram que o volume de calda reduzido (50L/ha) com uso de gotas muito grossas com indução de ar foi eficiente no controle de braquiária. Já com o uso de gotas finas, ao reduzir o volume de aplicação pode incorrer em perda de eficiência no depósito do ativo e, consequentemente, redução no controle da cobertura vegetal (Almeida, 2014). A associação dos herbicidas glifosato (sistêmico) e saflufenacil (de translocação restrita) com o volume de calda de 50L/ha controlou eficientemente plantas de buva com até 40 centímetros de altura. Embora, volumes de 150L/ha e 200L/ha proporcionaram menores porcentagens de plantas com rebrote com ambos os tamanhos de gotas (fina e extremamente grossa) em plantas com


altura acima 40 centímetros. Neste caso vale salientar que o saflufenacil é recomendado para plantas com até 40cm. No entanto, lembra-se que muitas das espécies de plantas daninhas possuem germinação escalonada. Assim, o volume calda, ao pulverizar herbicidas com translocação restrita, poderá ser o viés da eficiência da aplicação e controle das plantas (eficácia) em momentos emergenciais que se precisa dessecar para realizar a semeadura da cultura (Almeida, 2014). Ao se tratar de dessecação de áreas com vegetação espontânea (plantas-daninhas) com diferentes arquiteturas, ao reduzir o volume de aplicação implicará redução da cobertura por gotas nos terços inferiores. Assim, ao aplicar herbicidas de translocação restrita (herbicida de contato) ou de translocação apoplástica/acropetal (via xilema) pode-se lançar mão do uso de barras de pulverização com assistência de ar ou pontas de jato plano duplo objetivando incrementos de cobertura nos terços inferiores. Portanto, ao manter uma cobertura suficiente evita-se a incidência de plantas com rebrote (Almeida, 2014). Em aplicações via líquida, quando há condições favoráveis de umidade, temperatura e ventos, gotas menores

Charles Echer

O sucesso da dessecação está relacionado não só com pulverizadores de alto nível tecnológico, mas também com a recomendação apropriada de pontas de pulverização

proporcionarão maior cobertura do alvo. Por outro lado, em condições adversas, tais gotas finas ou mesmo gotas médias estarão sujeitas à deriva e à evaporação, culminando em perdas da calda aplicada e redução de eficiência da aplicação. Além disto, podem expor os operadores à calda e aos riscos de intoxicação e agravar o problema da poluição ambiental (Ferreira, 2009). De acordo com organizações internacionais como a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), as condições meteorológicas limites para uma pulverização são umidade relativa do ar mínima de 55%, velocidade do vento de 3,2km/h a 9,6km/h e temperatura abaixo de 30ºC (Ferreira, 2009). Porém, em regiões como no Centro-Oeste do Brasil (Bioma

Cerrado) as condições meteorológicas encontradas durante períodos diurnos (manhã e tarde) normalmente estarão fora dos limites sugeridos pela FAO para uma aplicação com menores riscos de perdas (Almeida et al, 2014). Ao lançar mão de volumes de calda reduzidos aumentam-se as preocupações com as condições atmosféricas desfavoráveis, pois perdas mínimas por deriva nesta situação podem resultar em deposição insuficiente do ingrediente ativo nas plantas a serem dessecadas. No entanto, pode-se aplicar o glifosato em períodos alternativos (madrugada e noite) sem radiação solar, pois nestes períodos normalmente predominam condições atmosféricas favoráveis à aplicação (temperatura, umidade relativa e velocidade do vento), com

Fotos Dieimisson Paulo Almeida

Caracterização do depósito insuficiente de glyphosate em Brachiaria ruziziensis Caracterização da desuniformidade de distribuição volumétrica de calda na barra de pulvericonstatada pela falha no controle aos 10 dias após a aplicação (DAA) com o volume zação equipada com pontas de cone vazio ao aplicar glyphosate + saflufenacil em Conyzas de calda de 50 L ha-1 e classe de gotas fina. Jataí-GO, outubro, 2013 sp. com o volume de calda de 50 L ha-1 e classe de gotas fina. Jataí-GO, outubro, 2013

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Figura 1 - Condições climáticas no decorrer de um dia em Jataí, GO, localizada no Centroeste do Brasil (Bioma Cerrado). 6A. Caso realizar aplicações somente em períodos que haja irradiância totalizaria 4 horas e 20 minutos de trabalho em condições preconizadas pela FAO. 6 B. Ao aplicar em períodos com e sem irradiância totalizaria 16 horas de trabalho em condições preconizadas pela FAO. (Esquema: Dieimisson Paulo Almeida)

Tecnologia de aplicação

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o dia a dia do campo pode-se lembrar e aplicar o conceito da Tecnologia de Aplicação no tratamento fitossanitário por meio de quatro questionamentos: 1. Quem se quer controlar (- alvo, - biologia)? 2. Onde ele está (- organografia da planta, - comportamento)? 3. O que aplicar (produto possui eficácia comprovada)? 4. Como aplicar eficientemente (Aplicação Via líquida: - características físico-químicas dos produtos e das caldas; - morfologia e anatomia da superfície onde se pretende depositar as gotas, - com gota fina ou grossa, - qual o volume de calda)? Assim, fica evidente que antes de realizar a aplicação de produtos fitossanitários há uma demanda de conhecimento da conjuntura do sistema de produção como um todo.

perdas possivelmente menores do potencial de ação do herbicida (Almeida, 2014). Vale salientar que moléculas que inibem a ação da Protox ou PPO, mesmo ao serem aplicadas eficientemente em períodos noturnos têm sua eficácia de controle reduzida. Isso ocorre provavelmente devido à redução da quanti-

Volume de aplicação ideal

o que se refere a questionamentos sobre o volume de aplicação (L/ ha) ideal, enaltece-se, não há uma exata recomendação sobre qual empregar e, fica a sugestão, antes da escolha, responder a quatro perguntas básicas: 1. Qual o tamanho da superfície a cobrir? 2. Qual é o volume máximo que a planta pode reter? 3. Qual o volume necessário para o controle do problema fitossanitário? 4. Como deve ser a distribuição das gotas nas áreas para que o alvo receba o depósito suficiente em quantidade e qualidade (uniformidade da cobertura) do produto fitossanitário? (Ferreira 2014).

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Divulgação

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dade de radicais livres produzidos no citoplasma das células, no período sem radiação solar. Tal hipótese é evidenciada ao comparar aplicações diurnas (matutino e vespertino) e noturnas de saflufenacil em plantas de buva (Ferro, 2015). Em aplicações noturnas, além de possível redução da eficácia por possível metabolização da molécula pela planta a ser dessecada, há outro fator a ser considerado, o molhamento das plantas. Este fenômeno ocorre pela condensação de água nas folhas (orvalho). Por fim, o molhamento das plantas por orvalho poderá resultar em duas formas de perda do produto, uma por diluição, a ponto de atrapalhar penetração na folha e consequentemente a sua absorção, e outra por escorrimento. Neste caso, lançar mão de volumes de caldas reduzidos poderá diminuir o potencial de ocorrência de tais perdas em aplicações noturnas, devido ao aumento da concentração de produto na calda ao

reduzir o volume de aplicação para uma mesma dosagem do produto. A redução do volume de aplicação atende aos anseios do setor agrícola por maior rendimento operacional de pulverizadores com eficiência na aplicação de produtos fitossanitários, economia e sustentabilidade. Entretanto, ressalta-se a importância do entendimento e uso dos princípios da Tecnologia de Aplicação de Produtos Fitossanitários e avançar nos quesitos básicos como manutenção, regulagem e calibração de pulverizadores. Portanto, para que haja e mantenham-se o progresso e a sustentabilidade da produção agrícola, é fundamental a transferência de informações por meio de treinamentos frequentes de recursos humanos. .M Dieimisson Paulo Almeida e Marcelo da Costa Ferreira, NEDTA/Unesp Paulo César TimossI, LPD/UFG Henrique Borges Neves Campos, LAPDA/Unesp

Autores falam do uso dos princípios da Tecnologia de Aplicação de Produtos Fitossanitários para garantir a eficiência da operação


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