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Maquinas 165

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Cultivar Máquinas • Edição Nº 165 • Ano XIV - Agosto 2016 • ISSN - 1676-0158

Índice 4 Rodando por aí 6 Norma Regulamentadora 31 10 Lubrificantes 14 Pulverização aérea 18 Adubação em cana 22 Capa - Test Drive Agrale 7215 30 Ficha Técnica - Newland Full 34 Embuchamento de semeadoras 37 Distribuidor de fertilizantes 40 Compactação de semeadoras

Destaques

Test Drive - Agrale 7215

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Conheça o trator 7215, o maior modelo comercializado pela Agrale que alia força, simplicidade e praticidade

Lubrificante adequado Entenda como são classificados os lubrificantes e qual o mais indicado para cada tipo de situação

Grupo Cultivar de Publicações Ltda. Direção Newton Peter

• Editor Gilvan Quevedo • Redação Rocheli Wachholz Karine Gobbi • Revisão Aline Partzsch de Almeida • Design Gráfico Cristiano Ceia

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Especial - Semeadoras Saiba como evitar o embuchamento e conheça diferentes sistemas de distribuição de fertilizantes

Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 www.revistacultivar.com.br cultivar@revistacultivar.com.br (*10 edições mensais + 1 conjunta Dez/Jan) Números atrasados: R$ 22,00 CNPJ : 02783227/0001-86 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Insc. Est. 093/0309480 € 130,00

• Coordenador Comercial Charles Echer • Vendas Sedeli Feijó Rithiéli de Lima Barcelos • Coordenação Circulação Simone Lopes

Capa - Charles Echer

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Cultivar

• Assinaturas Natália Rodrigues Clarissa Cardoso Aline Borges Furtado • Expedição Edson Krause • Impressão: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.

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NOSSOS TELEFONES: (53) • GERAL

• ASSINATURAS

• REDAÇÃO

• MARKETING

3028.2000

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Por falta de espaço, não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@revistacultivar.com.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.


RODANDO POR AÍ Feacoop

Junior Rodrigues

JS Máquinas

A Valtra apostou na interação com o público durante a Feira de Agronegócios da Coopercitrus (Feacoop) 2016, realizada de 1º a 4 de agosto, em Bebedouro (SP). Além da exposição dos principais produtos para o setor canavieiro, o estande teve a presença da equipe da marca, do AGCO Finance e também do Consórcio Nacional Valtra. “A Feacoop é uma das feiras mais importantes para o produtor agrícola e, por isso, a Valtra levou aos visitantes suas melhores soluções disponíveis no mercado”, afirmou o coordenador comercial da AGCO da América do Sul, Junior Rodrigues.

Visita

Fabricio Müller

Vida no campo

A Massey Ferguson levou no início de agosto um grupo de mais de 500 produtores rurais gaúchos e catarinenses a conhecer o processo de montagem das máquinas, além de oferecer test drive das últimas tecnologias desenvolvidas pela marca na unidade de Canoas (RS). A atividade contou ainda com várias atrações de entretenimento para os clientes.

Em comemoração ao Dia do Agricultor (28 de julho), a John Deere, em parceria com a Embrapa e com o Ministério da Cultura, lançou o documentário “Vida no Campo”. O trabalho retrata histórias de transformação de cinco famílias, de diferentes regiões do Brasil, que tiram seu sustento por meio da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), sistema sustentável que permite ter lavoura, pecuária e plantio de floresta em uma mesma parcela de terra. “Vida no Campo” é o quarto documentário fomentado pela John Deere e está disponível no canal da marca no Youtube.

AGCO/Cimbria

Centro de treinamento

A AGCO, fabricante e distribuidora mundial de equipamentos agrícolas, anunciou a aquisição da Cimbria Holdings Ltd, por aproximadamente US$ 340 milhões. Empresa de produtos e soluções para processamento, manipulação e armazenamento de sementes e grãos, a Cimbria pertencia à Silverfleet Capital e tem sede em Thisted, na Dinamarca. A transação está sujeita a aprovação regulatória e deverá ser concluída até setembro. “A aquisição da Cimbria melhora significativamente nossa posição de mercado na indústria europeia de manipulação e armazenagem de grãos”, afirmou o diretor, presidente e CEO da AGCO, Martin Richenhagen.

Martin Richenhagen

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A inauguração da nova concessionária da JS Máquinas, no dia 11 de agosto, em São Luiz Gonzaga (RS), teve a presença da Valtra por meio do evento Portas Mais Abertas. O produtor rural teve a oportunidade de comprar com condições especiais, além de poder tirar todas as dúvidas sobre produtos, serviços, financiamento, consórcio e peças da marca. “A Valtra tem uma presença bastante ativa na região e, com a entrada da Concessionária JS, estaremos mais próximos do agricultor”, declarou o coordenador de Vendas da Valtra para o Rio Grande do Sul, Fabricio Müller.

Rafael Arcuri Neto

A Jacto inaugurou seu segundo Centro de Treinamento na cidade de Rio Verde (GO), onde serão oferecidos treinamentos técnicos para a manutenção e operação de pulverizadores da família Uniport. No espaço de cerca de 100m² serão disponibilizados simuladores dos circuitos elétricos, hidráulicos e de transmissão que fazem parte das máquinas. A sala começa suas atividades no começo do ano que vem, com a expectativa de atender 120 técnicos/ano. “Estamos em uma região muito forte na produção de grãos, em uma cidade estratégica que beneficiará muitos produtores e técnicos”, afirmou o coordenador de Treinamento da Jacto, Rafael Arcuri Neto.


Capacitação

Festa do Colono

Instrutores do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) de MT, MS, SP, GO e PR estiveram em Ribeirão Preto (SP) na última semana de julho, para uma capacitação do Programa Nacional de Agricultura de Precisão. O curso foi voltado para a nova colhedora de cana da John Deere. Para o instrutor do Senar PR, Alcione José Ristof, é vital acompanhar a evolução dos equipamentos e maquinários destinados ao campo para manter o produtor sempre atualizado. “Com o produtor e o operador de máquinas capacitados, o equipamento tem maior rendimento, já que o uso incorreto reduz a vida útil ou leva à quebra prematura”, avaliou.

Em comemoração ao Dia do Agricultor, celebrado em 28 de julho, o município de Garuva (SC), realizou nos dias 30 e 31 de julho, a Festa do Colono. O evento teve apoio da LS Tractor e contou com o tradicional desfile de maquinários onde a marca forneceu 12 tratores. “Creio que é uma ação da qual não podemos deixar de participar, porque fazemos parte desta comunidade”, assinalou o presidente da LS Mtron Brasil, dona da marca LS Tractor, James Yoo.

Pulverizadores

Premiados Três produtores da região Sul foram recebidos, no dia 27 de julho, na fábrica da Case IH, em Sorocaba (SP), como parte da campanha de incentivo à compra da linha de tratores Farmall. Carlos Eduardo Los, de Carambeí (PR), Samuel José Boakowicz, de Nova Bassano (RS), e Gerson Meinerz, de Estrela (RS), foram premiados com a viagem depois de serem escolhidos em concurso realizado pela marca. O grupo teve a oportunidade de visitar a linha de montagem das colheitadeiras da Case IH e o Centro de Distribuição de Peças da CNH Industrial.

New Holland em Campo

Cristiano Conti

A cidade de Rondonópolis, no Mato Grosso, foi o cenário para as demonstrações do programa New Holland Em Campo, uma ação da New Holland Agriculture e da New Holland Construction, junto com o Banco CNH Industrial. O município, que contou com a apresentação durante a 44ª Exposul no início de agosto, é o quarto a receber o programa este ano, previsto para ser realizado em mais sete cidades. “Essa proximidade garante ao visitante saber os diferenciais existentes nas máquinas da marca, pois as demonstrações comprovam o que o cliente New Holland já sabe”, afirmou o gerente de Marketing para o Brasil, Cristiano Conti.

A fábrica da CNH Industrial de Piracicaba (SP) completa, em 2016, dez anos de produção de pulverizadores agrícolas no Brasil. A planta fabrica modelos da Case IH e da New Holland Agriculture, que são desenvolvidos para as condições de trabalho nacionais e vendidos no Brasil e na América Latina. Os pulverizadores estão entre os principais produtos das marcas agrícolas da CNH Industrial. Eles são projetados para trabalhar em terrenos acidentados, situações em que se exige mais torque. Os últimos modelos lançados foram: o Pulverizador New Holland Agriculture SP2500 Premium e o Pulverizador Case IH Patriot 250 Extreme.

Gotejamento A Netafim, empresa de soluções de irrigação por gotejamento, participou da Feira de Agronegócios Coopercitrus, Sicoob e Credicitrus (Feacoop), entre os dias 1º e 4 de agosto, em Bebedouro (SP). A tecnologia em destaque no evento foi o Streamline Plus: um tubo gotejador com resistência no campo a pressão (20%) e a tensão (40%). Além disso, estiveram disponíveis também os kits de MBP (mudas pré-brotadas) para cana. “Desenvolvemos esse kit para garantir a uniformidade e desenvolvimentos das mudas utilizando-se do sistema mais eficiente de irrigação a um custo muito atrativo para o produtor que nos visitou na feira”, declarou o gerente de Contas da Netafim, Rafael Faggioni.

Rafael Faggioni

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MECANIZAÇÃO Fotos Charles Echer

Norma Regulamentatora 31 Um dos dispositivos legais a serem observados pelos trabalhadores e empregadores é a Norma Regulamentadora 31, que visa garantir a redução de riscos a que são expostos os trabalhadores no setor agrícola

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o Brasil existe uma vasta legislação que versa sobre a organização das relações de trabalho nos diversos setores da sociedade, inclusive no setor agrossilvopastoril, que vão desde a Constituição Federal, passando pela Consolidação das Leis do Trabalho, até leis, decretos e normas técnicas. Um dos dispositivos legais a serem observados pelos trabalhadores e empregadores são as Normas Regulamentadoras (NR) do Ministério do Trabalho e Emprego aprovadas pela Portaria Mtb Agosto 2016 • www.revistacultivar.com.br

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no 3.215, de 8 de junho de 1978, que tem por finalidade regulamentar as medidas de segurança, saúde e medicina do trabalho dispostas no Capítulo V da CLT. Atualmente, entre as 36 NR existentes, destaca-se a NR 31 – Segurança e saúde no trabalho na agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aquicultura, que é uma norma de conteúdo temático, diferindo-se de outras que apresentam conteúdo administrativo ou técnico. A mesma também se aplica às atividades de exploração

industrial desenvolvidas em estabelecimentos agrários. O presente artigo tem por finalidade analisar aspectos relevantes da NR 31 e relacioná-los com a sua aplicação no setor agrossilvopastoril, o que não exime trabalhadores e empregadores da aplicação de outras normativas. Como norma temática, a NR 31 abrange elementos encontrados e adaptados de outras Normas Regulamentadoras, incluindo responsabilidades de empregadores e trabalhadores. Como se pode notar (Box), existe


uma grande carga de responsabilidades ao empregador ou equiparado, mas todas de vital importância, já que a CLT, no artigo 2° define empregador como aquele que assume os riscos da atividade econômica, admitindo, contratando ou fazendo prestação pessoal de serviço. Em relação à redução de riscos nas atividades, existe uma grande dificuldade de entendimento por parte dos envolvidos. Como exposto anteriormente, a redução de riscos em um ambiente de trabalho segue uma hierarquia: da fonte para o operador. O uso do EPI (Equipamento de Proteção Individual) deve ser prescrito toda vez que as demais formas de eliminação de riscos tenham sido exauridas. O que se nota na prática é o contrário. Muitos empregadores acreditam que ao equipar os trabalhadores com os EPIs estão contribuindo para a eliminação dos riscos existentes no local de trabalho, quando na verdade apenas estão atenuando o efeito deste ao trabalhador.

CIPATR

Um aspecto interessante a se observar é a existência da CIPATR (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes no Trabalho Rural) prevista pela NR 31. Da mesma forma que a Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), prevista pela NR 05, tem por objetivo a prevenção de acidentes e doenças

Quadro 1 - Dimensionamento da CIPATR No de trabalhadores No de membros Representantes dos trabalhadores Representantes do empregador

20 a 35 1 1

36 a 70 2 2

71 a 100 3 3

101 a 500 4 4

.M

501 a 1000 5 5

Acima de 1000 6 6

Fonte: Norma Regulamentadora 31, 2005.

relacionados ao trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida do trabalhador. Todo empregador ou equiparado que mantiver 20 ou mais empregados contratados por prazo indeterminado fica obrigado a manter em funcionamento, por estabelecimento, uma CIPATR. O mandato da CIPATR tem vigência de dois anos, sendo permitida uma recondução, sendo que no primeiro ano o coordenador é o representante escolhido pelo empregador e no segundo ano, o eleito pelos trabalhadores (nesse ponto difere-se da Cipa, que tem mandato de um ano, e o presidente é somente o representante do empregador). No Quadro 1 é exposto o dimensionamento da CIPATR em função do número de trabalhadores empregados no estabelecimento. Os representantes, titulares e suplentes da CIPATR deverão receber treinamento em matéria de segurança e saúde do trabalho, fornecido pelo empregador (conforme a NR 05 – Cipa, o treinamento deverá ser conduzido por profissionais que tenham conhecimento

na área, necessitando de aprovação pela autoridade competente), com carga horária mínima de 20 horas. Já estabelecimentos com mais de 50 empregados devem compor um SESTR (Serviço Especializado em Segurança e Saúde no Trabalho Rural), composto por profissionais especializados, cuja função é o desenvolvimento de ações técnicas, integradas às práticas de gestão de segurança, saúde e meio ambiente. Os profissionais integrantes do SESTR são: engenheiro de segurança do trabalho, médico do trabalho, enfermeiro do trabalho, técnico de segurança do trabalho e auxiliar de enfermagem do trabalho. Outro importante capítulo da NR 31 é o que trata sobre a segurança no trabalho com agroquímicos, adjuvantes e produtos afins. A norma classifica os trabalhadores em dois grupos: com exposição direta e com exposição indireta. O empregador deve proporcionar aos trabalhadores com exposição direta capacitação adequada, com carga horária mínima de 20 horas sobre segurança na manipulação de agroquímicos. Trabalhadores rurais relatam que cursos de

Um dos pontos da normativa diz respeito às adequações de máquinas agrícolas dentro dos parâmetros de segurança necessários, com proteção de cardãs, TDPs e outras partes que geram riscos aos operadores

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capacitação, como os promovidos pelo Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) têm contribuído de forma satisfatória para a manipulação segura de defensivos. Ao tratar de ergonomia, fica a cargo de empregador ou equiparado a adoção de princípios ergonômicos que visem a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiográficas dos trabalhadores. Isso inclui pausas para descanso, principalmente para os trabalhadores que realizam atividades em pé, treinamento para transporte manual de cargas e adequação de máquinas, equipamentos, mobiliários e ferramentas para proporcionar boas condições de postura, visualização, movimentação e operação. Em relação à segurança na operação de máquinas e equipamentos agrícolas, a NR 31 apresenta um capítulo extenso, em muitos aspectos transcrito da NR 12 – Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos. Esse talvez seja um dos pontos mais polêmicos da normativa. A adequação de máquinas, principalmente em relação às proteções móveis e fixas e à instalação de dispositivos de segurança, tem gerado desconfortos aos produtores rurais: algumas máquinas existentes no mercado não apresentam

Fotos Charles Echer

A NR 31 também prevê uma série de itens básicos de ergonomia, mas atualmente a maioria das máquinas vai além dessas exigências

as adequações exigidas por lei, e uma possível adequação por parte dos produtores traria uma elevação substancial nos custos, tornando mais onerosa a produção agrossilvopastoril. Outros dispositivos legais, como o Decreto 1.255, de 29 de setembro de 1994, que regulamentou a Convenção OIT (Organização Internacional do Trabalho), trouxeram os primeiros parâmetros para proteção

Responsabilidades do empregador previstas na NR 31

E

ntende-se como de grande importância que sejam destacados neste artigo os itens a seguir descritos, onde afirma que cabe ao empregador ou equiparado a garantia de: • Condições de trabalho, higiene e conforto dos trabalhadores • Avaliação de riscos • Adoção de medidas de prevenção e proteção; promoção de melhorias nos ambientes e condições de trabalho • Cumprir e fazer cumprir as diversas disposições legais e regulamentares • Análise das causas de acidentes e doenças ocupacionais • Divulgação de direitos, deveres e obrigações dos trabalhadores • Adoção de procedimentos necessários

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em caso de acidentes e doenças do trabalho • Fornecer aos trabalhadores instruções compreensíveis em matéria de saúde e segurança, garantindo a participação dos trabalhadores nas discussões sobre o assunto • Informar aos trabalhadores sobre os riscos existentes no local de trabalho, bem como resultados dos exames médicos e das avaliações ambientais • Permitir a fiscalização dos preceitos legais e regulamentares sobre segurança do trabalho por parte dos trabalhadores • Adotar medidas de controle de riscos, prioritariamente no sentido da eliminação dos riscos, posteriormente na fonte, trajetória e, por último, medidas de proteção pessoal, entre outros

de máquinas e equipamentos e embasaram todas as normas posteriores sobre o assunto. Existem algumas peculiaridades referentes ao setor agrossilvopastoril, muitas vezes negligenciadas nas execuções das tarefas, por falta de fiscalização e/ou desconhecimento do que a norma regulamenta. Por exemplo, é vedado o transporte de pessoas em máquinas autopropelidas e nos seus implementos, e devem ser instalados dispositivos de proteção na tomada de potência (TDP) de tratores agrícolas que cubram a parte superior e lateral. Essas duas normativas são comumente burladas em atividades práticas. Na execução das tarefas prima-se pela praticidade e agilidade das operações, deixando a segurança para segundo plano.

CAPACITAÇÃO

Os operadores de máquinas e implementos agrícolas devem ser capacitados e habilitados para tais funções. A capacitação deve ocorrer antes que o trabalhador assuma a sua função, providenciada pelo empregador ou equiparado, sem ônus para o trabalhador, com carga horária mínima de 24 horas,


Responsabilidades do trabalhador previstas na NR 31

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o trabalhador cabe cumprir as determinações descritas na norma, colaborando para sua aplicação: • Adotar as medidas de proteção determinadas pelo empregador e submeter-se aos exames médicos previstos • Direito a ambientes seguros e saudáveis de trabalho

Até mesmo os acessos ao posto de comando devem obedecer recomendações

sendo 12 horas de atividades práticas. Em relação à habilitação exigida, o Código Brasileiro de Trânsito determina que condutores habilitados nas categorias B, C, D e E poderão conduzir tratores de roda e equipamentos automotores destinados a trabalhos agrícolas (a inclusão de condutores habilitados na categoria B se deu pela lei 13.097, de 19 de janeiro de 2015, anteriormente a condução desse tipo de veículo era permitida apenas aos habilitados nas categorias C, D e E). A NR 31 ainda apresenta aspectos relacionados a acessos e vias de circulação, transporte de trabalhadores, cargas e animais, fatores climáticos e topográficos, edificações rurais e áreas de vivência. Em relação ao transporte de trabalhadores, deve ser realizado em veículo próprio para tal finalidade, com autorização do órgão de trânsito competente, conduzido por motorista habilitado, qualificado e devidamente identificado. O compartimento para guarda de ferramentas e materiais deve ser separado dos passageiros em compartimento resistente e fixo. Em relação a áreas de vivência e condições sanitárias dos ambientes de trabalho, existem relatos de condenação judicial de grandes empresas e indenização por danos morais aos trabalhadores

caso as condições mínimas de higiene e conforto não forem observadas. Auditores do Ministério do Trabalho podem inclusive caracterizar como condição semelhante à escravidão situações em que ocorram violações da NR 31, principalmente nos ramos sucroalcooleiro e florestal, com empresas localizadas em áreas de difícil acesso, onde acreditam os empresários que a fiscalização tenha dificuldade de atuação. Os mesmos auditores afirmam que, no momento das autuações os empregadores rurais alegam desconhecer a obrigatoriedade das práticas exigidas por lei e que em função disso não estariam realizando as medidas cabíveis para garantir a conformidade. Porém, independentemente desse fato, as punições são cabíveis, pois de acordo com o artigo 3o da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Decreto-lei 4.657, de 4 de setembro de 1942) “Ninguém se escusa de cumprir a lei,

• Ser consultado sobre as medidas de prevenção adotadas; • Escolher sua representação em matéria de segurança e saúde no trabalho • Informar o empregador ou responsável sobre a existência de grave e iminente risco • Receber instruções e orientações referentes ao assunto, entre outras

alegando que não a conhece”. Ou seja, legalmente presume-se que todas as pessoas conhecem a legislação e não se pode alegar o contrário para justificar condutas ilegais. Portanto, é importante que produtores rurais, empregadores ou equiparados, façam o conhecimento e cumprimento de todos os dispositivos legais necessários para a realização das atividades, em especial a NR 31, com a finalidade de evitar possíveis problemas de ordem jurídica. Como mencionado anteriormente, a norma é grande, complexa, mas apresenta uma boa abrangência em relação às questões de segurança no trabalho agrossilvopastoril e representa um grande avanço na segurança em ope.M rações neste segmento. Rosito Zepenfeld Borges, Catize Brandelero, Airton dos Santos Alonço e Jaqueline Ottonelli, UFSM

Principais atribuições da CIPATR

E

ntre as atribuições da CIPATR estão: • Acompanhamento da implementação das medidas de prevenção necessárias • Identificação de situações de risco para a segurança e saúde dos trabalhadores, comunicando-as ao empregador para as devidas providências • Divulgação aos trabalhadores das informações relativas à segurança e saúde no trabalho • Interromper o funcionamento de máquina ou setor onde considere haver risco

grave e iminente • Colaborar no desenvolvimento e implantação das ações da gestão de segurança e saúde no ambiente de trabalho • Divulgar e zelar pela observância das NRs; propor atividades que visem despertar o interesse dos trabalhadores pelos assuntos de prevenção de acidentes de trabalho • Propor ao empregador a realização de cursos e treinamentos • Convocação dos trabalhadores para prestar informações por ocasião dos estudos dos acidentes de trabalho, entre outras

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LUBRIFICANTES

Lubrificação em dia Máquinas e implementos agrícolas necessitam de lubrificantes específicos conforme as condições de uso e recomendações do fabricante

A

crescente demanda mundial por alimentos, aliada à expansão das áreas de cultivo, depende diretamente dos processos mecanizados, exigindo sistemas mecânicos cada vez mais complexos, visando atender os atuais padrões de produção. Muitos destes sistemas compreendem mecanismos que, quando em funcionamento, trabalham sob atrito direto, devendo este ser reduzido por meio da lubrificação, prolongando, desta forma, a vida útil dos componentes e, por consequência, da máquina agrícola. Por se tratar de um dos principais itens que compõem a manutenção periódica, a lubrificação deve ser entendida e praticada para que sejam mantidas as características ótimas de funcionamento das máquinas e dos equipamentos agrícolas. Como já mencionado, as superfícies de inúmeros componentes das máquinas agrícolas estão em constante contato umas com as outras e com movimento relativo produzindo atrito, gerando calor e, como consequência principal, o desgaste. Em função disso, a lubrificação visa reduzir o atrito entre os componentes dos sistemas das máquinas e dos equipamentos agrícolas, fazendo com que elas atinjam a durabilidade máxima para a qual foram projetadas, evitando assim a perda de rendimento e interrupção de seu funcionamento. Além de diminuir o atrito, a lubrificação possui, em determinados Agosto 2016 • www.revistacultivar.com.br

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casos, a função de limpar e vedar alguns mecanismos, bem como arrefecer determinadas partes da máquina como, por exemplo, o óleo lubrificante presente nos motores de combustão interna. Simplificadamente, os componentes que exigem lubrificação são engrenagens, articulações, correntes, pistões, eixos, árvores, bombas, rolamentos, mancais de atrito e mancais de rolamento. Para a realização da lubrificação é utilizada uma substância denominada lubrificante, a qual é disposta entre os componentes em contato a fim de reduzir a fricção e o calor e proporcionar um funcionamento suave, mantendo a temperatura normal de trabalho e provocando o menor desgaste possível.

LUBRIFICANTES LÍQUIDOS

Os lubrificantes podem ser classificados em diferentes formas, em função da sua origem, viscosidade, estado físico, densidade, dentre outros fatores. Em função da origem, a maioria dos lubrificantes utilizados é oriunda de derivados do petróleo obtidos a partir de síntese química. Em menor uso temos os lubrificantes de origem orgânica, obtidos de óleos vegetais e gordura animal, como o óleo de mamona, sendo sua utilização restrita à melhoria da qualidade de alguns tipos de lubrificantes. Os lubrificantes de origem mineral são provenientes do petróleo, sendo classificados de acordo com a sua estrutura molecular, com ampla utilização em máquinas e equipamentos agrícolas. Já os lubrificantes de origem sintética

desenvolvidos em laboratório, empregando diversas substâncias químicas, têm como principal objetivo fornecer características superiores aos lubrificantes minerais, porém, apresentam custos maiores. Em relação ao estado físico, os lubrificantes comumente utilizados são classificados em líquidos (óleos lubrificantes em geral), pastosos e sólidos. Os óleos lubrificantes utilizados em motores e transmissões apresentam origem orgânica, mineral, sintética, compostos (mistura de óleos orgânicos e minerais, porém, devido à oleosidade, apresentam facilidade de forma de emulsão na presença de vapor) e os óleos aditivados, os quais apresentam aditivos (produtos químicos), cuja função é aumentar a qualidade do óleo lubrificante. Esses aditivos possuem diferentes funções, como antioxidantes, dispersantes, anticorrosivos, ampliadores de viscosidade, antiespumantes, entre outras. Os óleos lubrificantes utilizados, principalmente em motores de combustão interna e em transmissões com engrenagens, devem possuir determinada qualidade e características específicas. Para que as normas de fabricação desses óleos sejam atendidas, existem entidades certificadoras, como é o caso da Sociedade de Engenheiros Automotivos (SAE), do Instituto Americano do Petróleo (API), da Organização Internacional para Normalização (ISO), Associação dos Construtores Europeus de Automóveis (Acea), dentre outros.


Divulgação

CLASSIFICAÇÃO SAE

A classificação SAE é a mais utilizada atualmente, considerando faixas de viscosidade, sendo uma medida que indica a resistência de determinado líquido ao escoamento, apresentando uma classificação específica para óleos de motores e outra para transmissão. A sociedade americana classifica os óleos em dois tipos: óleos de verão e óleos de inverno. Conforme Márquez (2012), no caso de motores, os óleos de verão são classificados de acordo com uma categorização estabelecida em função da viscosidade cinemática medida a 100ºC, apresentando quatro categorias que vão do mais fluido (SAE 20) ao considerado mais viscoso (SAE 50), divididos em intervalos de dez em dez. Já para os óleos de inverno, conforme o mesmo autor, definem-se quatro categorias que vão desde o zero até o 25, divididos em intervalos de cinco em cinco, identificados pela letra W, de “winter”, o que se traduz como inverno na língua portuguesa. Nas condições de baixa temperatura, o óleo deve manter as características exigidas de viscosidade cinemática a 100ºC, podendo ser bombeado no caso do SAE 0W a -35ºC e a -10°C se for um óleo lubrificante SAE 25W. A classificação, segundo Márquez

Classificação SAE de viscosidade para óleos de motor Viscosidade (cP) a T °C Máxima Viscosidade (4) (cSt) a 100 ºC Viscosidade após cisalhamento (5) Grau de Máximo (cP) a 150 °C e 106 seg-1 min Viscosidade SAE Partida (2) Bombeamento (3) Mínimo 6200 a -35 60000 a -40 3,8 ----0W 6600 a - 30 60000 a -35 3,8 ----5W 7000 a -25 60000 a -30 4,1 ----10W 7000 a -20 60000 a -25 5,6 ----15W 9500 a -15 60000 a -20 5,6 ----20W 13.000 a - 10 60000 a -15 9,3 ----25W 5,6 < 9,3 2,60 20 9,3 < 12,5 2,9 30 12,5 < 16,3 2,96 40 12,5 < 16,3 3,77 40 16,3 < 21,9 3,7 50 21,9 < 26,1 3,7 60 Centipoise = centistokes x densidade do produto a 15,5/15,2°C; 1centistoke=1/100 stoke 1cP=1mPa.s 1 cSt=1mm2/s. Fonte: SAE J-300 Dez 99

Classificação SAE de viscosidade para óleos de transmissão Grau de viscosidade SAE 70W 75W 80W 85W 90W 140W 250W

Temperatura Máxima para viscosidade 150000cP (150Pa.s) -55 -40 -26 -12 -------

Viscosidade a 100 °C (sCt) Mínimo Máximo 4,1 --4,1 --7,0 --11,0 --13,5 < 24,0 24,0 < 41,0 41,0 ---

Centipoise = centistokes x densidade do produto a 15,5/15,2°C; 1centistoke=1/100 stoke 1cP=1mPa.s 1 cSt=1mm2 /s. Fonte: SAE J-300- C, 1998.

(2012), não resulta em indicação de que os óleos de verão somente possam ser utilizados nos períodos quentes

O óleo lubrificante deve ser sempre utilizado com a viscosidade correta e recomendado pelo fabricante da máquina ou implemento agrícola

do ano, e os de inverno apenas nos períodos frios. Apenas são maneiras de diferenciar a viscosidade dos óleos, sua adaptação ao clima em que irá ser utilizado e as baixas temperaturas que dificultariam a colocação do motor em funcionamento. Os óleos que apresentam apenas uma classe de viscosidade são conhecidos como monoviscosos e devem ser substituídos, caso ocorram modificações nas condições climáticas. Já os que possuem mais de um grau de viscosidade SAE são conhecidos como multiviscosos, e podem ser empregados durante todo o ano, porque sua viscosidade é satisfatória a alta ou a baixa temperatura. Neste sentido, um óleo SAE 15W-40 se comporta a alta temperatura como um SAE 40 e a baixa temperatura como um SAE 15W. Os lubrificantes utilizados nos sistemas de transmissões utilizam uma clasAgosto 2016 • www.revistacultivar.com.br

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Divulgação

sificação semelhante à dos óleos para motor, empregando-se quatro graus de óleos de inverno (SAE 70W a SAE 85W) e três de verão (SAE 90, 140 e 250), sem que tenham relação os graus estabelecidos com os definidos para os motores. Também, podem ser utilizados óleos multiviscosos nas transmissões, como é o caso de SAE 80W-90 e 85W-140.

CLASSIFICAÇÃO API

Já o sistema de classificação API especifica a “qualidade” dos óleos lubrificantes em função das condições em que estes devem ser utilizados. Para a classificação dos óleos utilizados em motores empregam-se duas letras, sendo que a primeira indica o tipo de motor (S para motores a gasolina e C para motores ciclo diesel) e a segunda o nível de qualidade, utilizando a ordem sequencial do alfabeto, sendo A a primeira letra. A especificação mais utilizada pelos fabricantes de motores ciclo diesel é o CF-4. Ainda, no sistema API existem outras classificações para motores mais modernos que utilizam combustíveis com baixos teores de

É sempre importante utilizar óleo da mesma marca, isso garante que não ocorra mistura de elementos químicos diferentes para uma mesma finalidade de aditivação

enxofre CG. Não se recomenda utilizar óleos de especificação anterior ao recomendado pelo fabricante da máquina agrícola, por exemplo, um API CF-4 ou inferior, quando o fabricante indica a utilização do API CG. Da mesma forma que os óleos para motores, quanto à qualidade, os óleos lubrificantes para transmissões se estabelecem em seis níveis, que são designados sequencialmente entre o API GL-1 e o API GL-6. As categorias GL-4 e GL-5 são as mais utilizadas nos

Recomendações para uso dos fertilizantes

- Não fazer a lubrificação com a máquina ou o equipamento em funcionamento. - Verificar o nível do óleo dos depósitos (cárter e sistema hidráulico) das máquinas diariamente, em terreno plano, com o motor desligado e com o equipamento “frio”. Completar o nível com óleo lubrificante apenas quando o nível estiver abaixo do nível mínimo, verificando e respeitando o tempo de utilização do óleo. Ainda, se a troca estiver próxima de ser efetuada, a adição de mais óleo lubrificante não irá prolongar o tempo de utilização dele. - O óleo lubrificante deve ser sempre utilizado com a viscosidade correta e recomendado pelo fabricante da máquina ou implemento agrícola. - Respeitar os períodos indicados pelo fabricante para a lubrificação dos componentes de máquinas e equipamentos agrícolas e a troca do óleo lubrificante. - Não misturar óleos lubrificantes de mar-

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cas diferentes, pois a utilização de elementos químicos diferentes para uma mesma finalidade de aditivação, por exemplo, pode ocasionar problemas de incompatibilidade entre as substâncias presentes nos óleos, provocando danos aos componentes a serem lubrificados. - Verificar se existem vazamentos de óleo e, na existência, corrigi-los, pois poderá ocorrer a possibilidade de penetração de contaminantes externos e perda desnecessária de lubrificante. - Antes da verificação do nível do óleo lubrificante, sua substituição, bem como da lubrificação com graxa, deve-se fazer a limpeza do pó ou de impurezas existentes sobre as superfícies (deixando-as limpas e secas) para impedir a entrada de contaminantes nos componentes internos das máquinas, evitando assim um desgaste prematuro. - Na realização da substituição do óleo (período de troca) deve-se sempre realizar a troca do filtro de óleo.

sistemas de transmissões de máquinas agrícolas. As especificações da classificação do óleo lubrificante que deve ser utilizado nas máquinas agrícolas são sempre fornecidas pelos fabricantes, e a especificação do tipo de óleo lubrificante está contida na embalagem de qualquer óleo utilizado.

LUBRIFICANTES PASTOSOS

Os lubrificantes pastosos, mais conhecidos como graxas, resultam da mistura entre um agente espessante (sabões metálicos ou argila) e lubrificantes líquidos (de origem mineral ou sintética). São utilizados para a lubrificação de pontos onde a aplicação de um óleo não seria eficiente devido à sua fluidez, aos fatores construtivos e de manutenção como, por exemplo, cruzetas, mancais, rolamentos etc. Este tipo de lubrificação é feito através de elementos conhecidos como pinos graxeiros ou “graxeiras”. A medida da qualidade de uma graxa é feita a partir de sua consistência, a qual é mensurada em laboratório por meio de normas de ensaios ASTM (Sociedade Americana para Teste de Materiais). A partir de um número significativo de medidas de penetração de um cone de peso conhecido, em uma graxa contida em um copo padrão, em condições de tempo e temperatura específicas, o NLGI (Instituto Nacional da Graxa) criou nove diferentes graus de consistência,


Motor Classificação CA CB CC CD CD-II CE CF-4 CG-4 CH-4 CI-4 CJ-4

Transmissão

Situações de uso Motores ciclo Diesel em condições suaves de trabalho. Motores ciclo Diesel de aspiração natural em trabalhos moderados. Motores ciclo Otto (gasolina) e ciclo Diesel em trabalhos moderados. Motores ciclo Diesel turboalimentados em trabalhos severos. Motores dois tempos.

Classificação GL-1 GL-2

Motores ciclo Diesel turboalimentados em condições muito severas, e motores pequenos turboalimentados. Motores de 4 tempos de alta rotação e injeção direta. Motores de 4 tempos consumindo óleo Diesel com teor de enxofre abaixo de 0,5%. Motores de 4 tempos de alta rotação, a partir do ano de 1998 atendendo padrões de emissões de poluentes. Motores fabricados em 2002 para atenderem padrões de emissões de poluentes de 2004. Motores de 4 tempos de alta rotação em rodovia e normas de emissão de poluentes TIER 4 para veículos de uso fora de estrada (off Road).

GL-6

GL-3 GL-4 GL-5

Situações de uso Lubrificantes para transmissões manuais. De base mineral e sem aditivos. Lubrificantes destinados a diferenciais com engrenagens sem-fim não atendidas pela GL-1. Lubrificantes destinados para transmissões manuais e diferenciais com engrenagens cônicas helicoidais sob condições de serviço moderadamente pesado. Lubrificantes destinados para transmissões manuais e alguns diferenciais operando em serviço leve ou moderado. De base mineral ou sintética com aditivos. Para diferenciais convencionais operando em serviços severos. De base mineral ou sintética com aditivos. Lubrificantes indicados para engrenagens projetadas com um pinhão de haste longa.

Fonte: Adaptado de Márquez (2012) e API (http://www.api.org/~/media/files/oil-and-natural-gas/engine%20oil/motor_oil_guide_2010_120210.pdf).

LUBRIFICANTES SÓLIDOS

Fotos Charles Echer

que servem como base para a classificação das graxas encontradas no mercado e que variam de 00 a 6. Quanto menor o número, mais “macia” é a graxa. De acordo com a exigência, as graxas mais recomendadas pelos fabricantes de máquinas e implementos agrícolas (dependendo de aspectos construtivos e materiais) enquadram-se na classe de consistência 00 a 3 e devem suportar temperaturas da ordem de 150ºC sem prejuízo da sua qualidade lubrificante. Em altas rotações e pequenas folgas dos mancais, e onde há necessidade de maior fluidez nos condutos, são aplicadas graxas lubrificantes mais fluidas, que competem às classes 00 até 1. Para folgas maiores dos mancais, necessita-se de uma vedação contra agentes externos (poeira, água e solo) que podem penetrar, devendo-se, neste caso, ser utilizadas graxas nas consistências 2 e 3. Em rolamentos, geralmente, são utilizadas graxas NLGI 1, 2 ou 3. No entanto, a graxa deve oferecer: resistência à água e à carga, proteção contra corrosão e oxidação, boa capacidade de vedação, boa aderência e validade por longo período.

Os lubrificantes sólidos, como o grafite e o bissulfeto de molibdênio, entram como aditivos na formulação dos lubrificantes líquidos e pastosos, oferecendo grande resistência à temperatura e pressões elevadas. Na agricultura o grafite é utilizado na lubrificação no

O lubrificante deve ter sempre a viscosidade recomendada pelo fabricante

depósito de sementes das semeadoras, com o propósito de melhorar o processo de distribuição e reduzir danos mecâni.M cos às sementes. Marcelo Silveira de Farias José Fernando Schlosser Nema/UFSM Alexandre Russini Unipampa – Campus Itaqui

As trocas devem ser realizadas nos prazos estipulados pelo fabricante

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PULVERIZAÇÃO

Defesa aérea Os dispositivos mais utilizados para a geração de gotas em aplicações aéreas são os atomizadores rotativos, aliados importantes no controle da ferrugem

D

entre as várias doenças que atacam a cultura da soja, a ferrugem asiática ainda é uma das principais preocupações dos produtores de soja no Brasil. Considerando-se o grau de desenvolvimento vegetativo das plantas no momento das aplicações, muitas vezes com total fechamento das entre linhas devido à grande área foliar, tornou-se consenso geral que as técnicas de aplicação precisariam oferecer gotas com boa capacidade de penetração e cobertura do dossel, mesmo para a aplicação de fungicidas com características de ação sistêmica. Tomando-se como base as pesquisas publicadas sobre o tema na última década, observa-se que a maioria das recomendações técnicas para o controle da ferrugem se baseia na preferência pelas aplicações preventivas a partir da floração (R1), optando-se por aplicações curativas quando a ferrugem aparece ainda nos estádios vegetativos. Seguindo este princípio, torna-se de suma importância entender e adaptar a tecnologia de aplicação para que se possa atingir o correto balanço entre a eficácia necessária e a segurança am-

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biental desejada, dentro dos conceitos fundamentais de boas práticas e sustentabilidade do tratamento fitossanitário.

TECNOLOGIA DE APLICAÇÃO

O tamanho de gotas e a taxa de aplicação são fatores básicos que devem ser considerados no primeiro passo para o planejamento de uma aplicação. Os demais fatores importantes, como as condições meteorológicas (climáticas), a recomendação do produto e as condições operacionais, devem ser considerados em conjunto para que todo o sistema esteja ajustado, visando o máximo desempenho com o mínimo de perdas, sempre com o menor impacto ambiental possível. Para os produtos de contato ou de menor ação sistêmica, o uso de gotas menores e/ou maior volume de calda é necessário, devido à maior dependência desta técnica com relação à cobertura dos alvos. No caso dos produtos de maior ação sistêmica, a dependência com relação à cobertura tende a ser um pouco menor. Como exemplo, se o alvo da aplicação inclui a parte interna ou inferior das plantas, como no caso típico

de uma aplicação de fungicidas para a ferrugem, é necessária uma boa penetração das gotas e, para tanto, devem ser usadas gotas de menor tamanho e se possível maior volume de calda. Entretanto, vale lembrar que gotas muito finas são mais sensíveis à evaporação e aos processos de deriva, o que pode reduzir a quantidade de produtos que se depositam nos alvos, reduzindo a eficácia dos tratamentos. Um dos maiores desafios no planejamento de uma aplicação é justamente a decisão do espectro de gotas: devemos usar gotas mais finas ou gotas mais grossas? Do ponto de vista prático, o ideal é encontrarmos um balanço entre o desempenho de cobertura e penetração da aplicação (usando gotas finas, quando possível), com um potencial adequado de redução do risco de perdas, o que nos levaria à preferência pela aplicação de gotas médias, quando necessário. Outro aspecto fundamental do planejamento de uma aplicação é que se faça a adequação da tecnologia de aplicação às condições meteorológicas presentes nos locais das aplicações. Devem ser evitadas aplicações com


umidade relativa inferior a 50% e temperatura ambiente maior que 30oC, assim como deve-se dar preferência a velocidades médias de vento entre 3km/h e 10km/h. Ausência de vento também pode ser prejudicial, em função da chance de ocorrer inversões térmicas ou ar aquecido ascendente, fenômenos que dificultam a deposição das gotas mais finas. Os limites meteorológicos devem ser considerados em todas as aplicações e, eventualmente, podem ser parcialmente flexibilizados de acordo com a tecnologia de aplicação que será utilizada, desde que esta ação seja plenamente cercada de bom senso. É importante que sejam observadas as limitações previstas nas bulas dos produtos e, em todo caso, recomenda-se que a decisão final de se proceder ou não a aplicação seja sempre do engenheiro agrônomo responsável.

GERAÇÃO DE GOTAS NAS APLICAÇÕES AÉREAS

Os dispositivos mais utilizados para a geração de gotas em aplicações aéreas para o controle da ferrugem são os atomizadores rotativos. Os atomizadores utilizam a energia centrífuga proveniente da alta rotação, que, por sua vez, é gerada pelo fluxo do ar em voo. Existem dois tipos mais utilizados no Brasil: os atomizadores de tela e os de discos. A vazão de líquido nos atomizadores é ajustada por um sistema de orifícios variáveis e pela pressão da calda no sis-

Fotos Agroefetiva

Exemplos de atomizadores: (esquerda) atomizador rotativo de tela, (direita) atomizador rotativo de disco

tema hidráulico de pulverização. Alguns atomizadores mais simples utilizam uma conexão hidráulica com restritores de vazão formados por anéis perfurados, enquanto outros utilizam um sistema de ajuste rotativo denominado Unidade de Restrição Variável (VRU). A intensidade de fragmentação das gotas depende da rotação do atomizador, a qual é definida tanto pelo ângulo de ataque das pás das hélices como pela própria velocidade de voo da aeronave. Como o exemplo das pontas hidráulicas, a combinação do tamanho de gotas e vazão deveria ser obtida através da consulta a tabelas ou aplicativos fornecidos pelos fabricantes. No entanto, para os atomizadores fabricados no Brasil isso nem sempre é fácil, pois há escassez de material técnico e nem sempre é possível conseguir informações precisas sobre o espectro de gotas gerado. No caso de atomizadores impor-

tados, como o Micronair, o fabricante disponibiliza um aplicativo on-line (http://www.micron.co.uk/droplets) que permite o cálculo preciso do espectro de gotas baseado em pesquisas realizadas em universidades de referência, como a Universidade de Queensland (Austrália). Em busca de informações mais precisas sobre o espectro de gotas real gerado pelos atomizadores nacionais, a AgroEfetiva realizou pesquisa nos laboratórios da Universidade de Nebraska-Lincoln (EUA), em parceria com a Unesp-Botucatu/SP (Brasil), visando coletar dados de espectro de gotas dos atomizadores nacionais usando os mesmos métodos de análise das gotas. Com base nesta pesquisa foi possível fazer uma análise comparativa entre os dados de espectro de gotas dos atomizadores nacionais com o Micronair AU5000, modelo que é frequentemente usado como referência no Brasil para a

Charles Echer

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Fotos Agroefetiva

Figura 1 - Imagem da tela do aplicativo do Micronair, que fornece dados do espectro de gotas baseado em pesquisa realizada na Universidade de Queensland (Austrália). Os valores de tamanho de gotas (em micrometros) foram obtidos em analisador por difração de laser Sympatec HELOS

Atomizador rotativo com mecanismo de ajuste do ângulo da pá da hélice

estimativa do espectro de gotas gerado por atomizadores de tela. Um exemplo desta análise pode ser observado na Tabela 1, a qual apresenta os dados do atomizador nacional Microspin em comparação aos dados gerados para o Micronair AU-5000. Com base nos valores observados na Tabela 1, torna-se importante avaliar o eventual impacto da tecnologia de aplicação no potencial de desempenho do controle da ferrugem, tomando-se como hipótese a aplicação dos mesmos fungicidas por via aérea, utilizando os dois atomizadores nas mesmas condições operacionais. De acordo com os dados gerados pela AgroEfetiva, o atomizador Microspin oferece DMV sistematicamente maior do que aquele gerado pelo Micronair AU-5000, quando ajustado nos mesmos ângulos de pá da hélice. Como exemplos, no ajuste de 75 graus o DMV do Microspin é 21% maior do que o do Micronair, enquanto que para os ângulos de 60 e 45 graus os valores são 49% e 51% maiores, respectivamente. É interessante notar, ainda, que para Agosto 2016 • www.revistacultivar.com.br

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os mesmos ajustes de ângulo de pá as rotações obtidas nos atomizadores são diferentes, sendo essa diferença variável. Como exemplos, a 45 graus o Microspin gira a 4.509rpm, enquanto o Micronair atinge 6.068rpm. Já para a rotação de 75 graus, os valores são bem mais próximos, com 1.780rpm para o Microspin e 1.784rpm para o Micronair. Entretanto, ressalta-se que, independentemente das rotações serem praticamente iguais no ângulo de 75 graus, o DMV gerado pelo Microspin é 21% maior do que aquele gerado pelo Micronair. O fato de o Microspin gerar gotas

maiores do que o Micronair, quando no mesmo ajuste, não define que um seja melhor que o outro, ou vice-versa. Apenas mostra que eles são diferentes. Por esta razão, a prática comum no campo, de se usar os dados do Micronair para referenciar o desempenho esperado de qualquer atomizador de tela nacional, deve ser evitada. É necessário que se busque as informações corretas de espectro de gotas de cada atomizador, de forma que seja possível equacionar a tecnologia de aplicação para cada .M condição de trabalho. Ulisses R. Antuniassi, FCA/Unesp Alisson A. B. Mota, Rodolfo G. Chechetto e Fernando K. Carvalho, AgroEfetiva

Tabela 1 - Dados de espectro de gotas dos atomizadores Microspin MS-336 e Micronair AU-5000 Atomizador Microspin MS-336 Micronair AU-5000

Ângulo das pás (graus) 45 60 75 45 60 75

DMV (µm) 109 198 257 72 134 212

Amplitude relativa 1,95 1,51 1,47 1,58 1,40 1,35

Rotação (rpm) 4509 2522 1780 6068 3290 1784

Obs.: Os valores de Diâmetro Mediano Volumétrico (DMV) do atomizador Microspin foram obtidos em túnel de vento com analisador de gotas Sympatec HELOS considerando fluxo de calda de 6,0 L min-1 e velocidade do vento de 180 km h-1. Os dados do Micronair foram simulados nas mesmas condições através do aplicativo online disponibilizado pelo fabricante. (Fontes: AgroEfetiva e Micronair)


IMPLEMENTOS Edison Baldan Junior

Adubadora precisa Novo conceito de adubadora em cana-de-açúcar deve possibilitar a composição do adubo em tempo real na hora da aplicação

O

maior produtor mundial de cana-de-açúcar é o Brasil e para continuar com essa posição é necessária a adoção de modernas tecnologias para a sustentabilidade da cultura e o aumento da produtividade. Com o aumento de novas áreas cultivadas de cana-de-açúcar, a adubação mecanizada tem proporcionado a otimização na distribuição dos fertilizantes em menor tempo operacional, redução da mão de obra, incremento da produtividade e maior desempenho operacional. De acordo com a análise do solo e produtividade esperada, a adubação em cana-de-açúcar é realizada tanto no plantio, quanto em cobertura. A adubação mecanizada tem apresentado algumas falhas na aplicação dos fertilizantes quando não se tem o conhecimento do tamanho dos grânulos, da segregação e da fluidez por meio da Agosto 2016 • www.revistacultivar.com.br

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caracterização dos fertilizantes. A distribuição desuniforme pode ser ocasionada pela deficiência do mecanismo dosador ou distribuidor, a regulagem inadequada, o desconhecimento das características físicas do fertilizante, a manutenção da máquina, entre outros. O ângulo de repouso, a granulometria e a densidade são alguns fatores que podem influenciar na distribuição dos fertilizantes. O ângulo de repouso influencia na fluidez do fertilizante na adubadora, pois quanto maior o ângulo de repouso (superior a 50°), menor é o escoamento do fertilizante. A granulometria caracteriza o tamanho e a forma dos grânulos. A uniformidade destes proporciona uma aplicação adequada, entretanto, se as partículas forem desuniformes, podem ocasionar segregação e distribuição inadequada dos fertilizantes. A densidade influencia na qualidade da aplicação, pois quanto mais denso

for o fertilizante, maiores as chances de acomodá-lo no fundo do reservatório, fazendo com que em uma formulação, seja distribuído primeiro o fertilizante que estiver em contato com o mecanismo dosador e depois o que se acomodou na superfície do reservatório. Outra falha observada na aplicação dos fertilizantes está relacionada com o reservatório da adubadora quando este não possui compartimento individual para a deposição de cada fertilizante. Neste caso, durante a aplicação pode ocorrer distribuição desuniforme, em virtude dos fertilizantes possuírem diferentes características físicas. Visando diminuir essas falhas, desenvolveu-se um novo conceito de adubadora que permite a aplicação do fertilizante com cada nutriente de forma individualizada. Com isso, é possível criar a formulação no momento da aplicação de acordo com a análise de solo e a exigência da cultura, sem que haja necessi-

Reservatório com divisórias para diferentes fertilizantes


Fotos Franciele Morlin Carneiro

O projeto prevê a incorporação de diferentes doses de fertilizantes no solo, com possibilidade de realizar aplicações a taxas variáveis

dade de retirar o fertilizante já contido no reservatório caso haja mudança de área. Esse tipo de adubadora pode favorecer a logística na aplicação, pois tanto em cana planta, quanto cana soca é possível utilizar a mesma máquina e os mesmos fertilizantes, alterando apenas a regulagem na distribuição. Além disso, a adubadora formuladora proporciona maior eficiência na aplicação de fertilizantes, por não haver a segregação dos nutrientes e possibilita ainda a aplicação com taxa variada por meio da agricultura de precisão. O protótipo da adubadora formuladora estudada, modelo Camb-AP, projetada para a linha canavieira, possui mecanismo dosador helicoidal e está em desenvolvimento pela empresa Baldan – Máquinas e Implementos Agrícolas.

TESTE DE CAMPO

Com esta adubadora foi realizado o monitoramento da qualidade operacional da distribuição dos fertilizantes individualmente. Para a coleta separada dos fertilizantes foi utilizado um coletor, construído e descrito por Carneiro (2015), que consiste de uma armação metálica com suporte para três copos medidores com capacidade de 1L; o espaçamento entre os copos de 0,33m; a largura do aro suporte dos copos coletores de 0,71m; o diâmetro de cada copo medidor de 0,28m e uma barra com 1m de comprimento. Com a adoção de novas tecnologias, como a presente adubadora, verificou-se a distribuição homogênea de fertilizantes e dosagens aplicadas adequadamente, o que pode acarretar em redução de custos de .M produção.

Franciele Morlin Carneiro, Lamma, FCAV/Unesp Edison Baldan Júnior, Baldan Patricia Candida de Menezes, Lucas Augusto da Silva Gírio, Rafael Scabello Bertonha e Carlos Eduardo Angeli Furlani, Lamma, FCAV/Unesp

.M

Características construtivas da Adubadora Camb-AP

1) Reservatório da adubadora → três reservatórios individuais com capacidade de 1000 kg por fertilizante; 2) Disco de corte → corta a palhada para evitar o “embuchamento”, acúmulo da palha entre os componentes da adubadora, com aproximadamente 22” de diâmetro e 750 mm distância entre discos; 3) Tubos → 12 tubos condutores de N-P-K, facilitando a aplicação destes sobre o solo, isto é, três tubos em cada uma das laterais da máquina e seis tubos no centro da mesma, proporcionando

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adubação de duas linhas de cana-de-açúcar; 4) Haste → permite a mobilização do solo, largura da ponteira 3” e distância entre hastes 1500 mm; 5) Discos recortados → incorporação de fertilizantes aplicados no solo, possuindo diâmetro de 18” e 11” de espaçamento entre os discos e 34” de distância entre os pares desses discos; 6) Barra de pulverização → acessório opcional, com 6 m de comprimento, localizada na parte traseira da adubadora.

Cada fertilizante é distribuído separadamente e em doses diferentes


CAPA

Agrale 7215

J

Maior modelo fabricado pela Agrale, o 7215 é um trator potente, que alia simplicidade de operação e facilidade nas manutenções

á estávamos sentindo falta em realizar um teste para a revista Cultivar Máquinas e, principalmente, trazer novidades aos leitores. Depois de alguma incerteza quanto ao local de teste, decidimos por conhecer este novo modelo da Agrale em terras da região Sul do estado do Rio Grande do Sul, a menos de 20 quilômetros da fronteira do Brasil com o Uruguai. Foi interessante ver o esforço deste fabricante em oferecer modelos maiores e adaptados a um grande número de

situações da agricultura brasileira. Tradicionalmente conhecida como fabricante de pequenos tratores, a Agrale, em uma das suas unidades em Caxias do Sul (RS), inicia a montagem de um modelo de mais de 200cv no motor. É o maior trator fabricado pela Agrale atualmente. Esta tentativa de abranger um novo público, que é o agricultor empresário de médio e grande porte, entrando de vez na oferta de produtos para a agricultura empre-

O Agrale 7215 possui motor MWM de 215cv de potência a uma rotação de 2.300rpm

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sarial, deve ser comemorada. Para seguir este caminho se nota, até pelo concessionário da marca que visitamos em Arroio Grande, que foi necessário fortalecer a rede e profissionalizar ainda mais a área de vendas e marketing da empresa gaúcha. Como dissemos, o modelo 7215


é uma proposta de seguir crescendo em potência de motor, mas mantendo as características da marca que são a economia, a robustez e a simplicidade de operação. O mercado potencial deste trator, nesta faixa de potência e características, é enorme e pode atender desde a média/grande propriedade das culturas do arroz irrigado no Rio Grande do Sul, até a cana-de-açúcar no Sudeste e a produção de grãos e fibras no Centro-Oeste brasileiro. Já há casos de frotistas e grandes agricultores que aderiram à marca, com importantes aquisições. Desde o seu lançamento este modelo abriu

Fotos Charles Echer

Sistema hidráulico com três válvulas VCR de seis vias e dois DVC de quatro vias, com vazão de 192L/min

mercado no Centro-Oeste e, em apenas um caso, um mesmo agricultor de Primavera do Leste (MT) adquiriu 22 tratores da Agrale para a sua frota. Embora este modelo esteja em plena comercialização e o trator que testamos era do cliente, ele foi apresentado para a rede de concessionários e ao mercado no segundo semestre de 2015. A grande novidade que constatamos, além da grande potência do motor, foi o fato de que este modelo já vem preparado para receber o sistema de agricultura de precisão, com potencialidades para piloto automático, principalmente. Uma prova desta mudança no po-

sicionamento de mercado da Agrale e de seus concessionários é que este modelo, segundo informações da equipe da fábrica que nos acompanhou, foi gerado a partir de demanda comercial surgida entre os revendedores da marca.

Versão standard sem levante hidráulico, que é um opcional neste modelo

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Fotos Charles Echer

Alavanca seletora muda a rotação de 540rpm para 1.000rpm na TDP

Para acompanhar as equipes do Núcleo de Ensaios de Máquinas Agrícolas e da Revista Cultivar Máquinas no teste e disponibilizar os meios e as informações necessárias para o conhecimento do produto, a Agrale designou uma forte equipe técnica, formada por Fábio Melotto, que é analista de Marketing Agrale e está no Departamento de Marketing há quatro anos, o técnico Cezar Sassi, que é demonstrador técnico e está há 33 anos na empresa, e também o senhor José Antônio Cabrera, que é assistente comercial, ligado ao Departamento Comercial Agrale há seis anos, e também representantes

da concessionária Agrimaq Máquinas Agrícolas, de Arroio Grande.

MOTORIZAÇÃO

O trator testado vem equipado com um motor marca MWM, modelo Maxx Force 6.0A, sobrealimentado por turbo compressor com intercooler. Possui seis cilindros verticais com volume interno deslocado de 6.000cm³. A injeção do combustível é de forma direta na câmara de combustão e realizada por uma bomba injetora em linha, marca Bosch. A potência máxima declarada pelo fabricante do motor é de 158,1kW

Na versão standard, o 7215 vem com pneus traseiros na medida 30.5L-32 R1 e dianteiros nas medidas 18.4-26 R1

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(215cv) a uma rotação de 2.300rpm e o torque máximo é de 730Nm a 1.500rpm do motor. O sistema de filtragem de ar é do tipo convencional, composto por dois elementos de papel posicionados sobre o motor, um primário de papel e outro secundário de feltro. Para arrefecimento da temperatura do motor foram disponibilizados três radiadores, posicionados na parte frontal: o da água, o condensador do condicionador de ar e o do óleo do sistema hidráulico, além do radiador do intercooler, posicionados de forma a aproveitar o deslocamento de ar proporcionado pela grade frontal do trator.

O modelo testado estava equipado com rodado duplo Marini e pneus para lavoura arrozeira


Para proporcionar autonomia no trabalho e atender o que se espera de um trator deste porte, o fabricante colocou dois tanques de combustível em material metálico, um de cada lado do posto de condução, com comunicação entre eles e com uma capacidade total de 460 litros. O abastecimento de combustível é feito pelo lado direito do trator, contrário à entrada do operador. O cárter possui capacidade para 13,5 litros de óleo lubrificante, da especificação 15W40. A Agrale utiliza óleo da marca Agralub, exclusiva da empresa e indica a sua utilização em todas as trocas. O motor está envolvido por proteções removíveis laterais das partes móveis e por um capô basculante de grande abertura. Este mecanismo é um item bastante importante na manutenção, pois permite realizar com facilidade a manutenção periódica e possíveis intervenções corretivas no motor. Nota-se o esforço da Agrale em dar um novo visual, moderno ao modelo, prevendo quatro faróis redondos no capô e luzes de trabalho no alto da cabine. Outro ponto importante a ser destacado é o posicionamento do cano de escapamento, que está colocado atrás de uma das colunas da cabine, não interferindo na visibilidade do ope-

Visão da cabine e do posto do operador, que possui os principais comandos hidráulicos no console lateral

rador. O sistema de arrefecimento de calor utiliza líquido de arrefecimento no radiador na quantidade de 25 litros. Com relação às normas de emissões de poluentes, o motor do trator testado está de acordo com a legislação vigente e, nos modelos fabricados a partir de 2017, atenderá as novas exigências do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (PROCONVE) MAR-1.

TRANSMISSÃO E SISTEMA HIDRÁULICO

O capô do motor bascula e as laterais podem ser removidas

A transmissão de potência do motor para os demais elementos é mecânica e totalmente sincronizada, com 12 velocidades à frente e quatro à ré, que disponibiliza uma ampla gama de velocidades entre 3,5km/h e 29km/h, distribuídas em três grupos de quatro marchas em cada um deles. Das marchas à frente existem oito marchas que proporcionam velocidades entre 4 e 13 km/h, a faixa característica da maior parte das operações agrícolas. Entre 5 e 10 km/h há cinco marchas que podem ser escolhidas pelo usuário. O

gráfico de escalonamento de marchas demonstra a boa distribuição a que nos referimos. Esta transmissão se adapta às mais variadas condições de trabalho, nas diferentes propriedades produtoras de grãos, fibras e cereais do País, em especial na execução de atividades de preparo de solo, operações de plantio e transporte. A tração dianteira de acionamento central e transmissão de potência ao eixo traseiro da marca Carraro, fornecedor parceiro da Agrale, tradicional no mercado brasileiro de tratores e bem conhecido pelos agricultores. O acionamento do bloqueio do diferencial é do tipo eletro-hidráulico. O sistema de transmissão do movimento parece ser robusto e adequado para essa faixa de potência, sendo que a redução final, do tipo epicíclica dupla, aparenta ser bem dimensionada para esta enorme potência. A Tomada de potência (TDP) é de acionamento elétrico-hidráulico e independente, sem vínculo com a embreagem do trator, o que facilita seu uso, bastando pressionar um interrupAgosto 2016 • www.revistacultivar.com.br

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Teste no extremo Sul do Brasil

P

ara a realização deste teste, nos deslocamos até a fronteira do estado do Rio Grande do Sul, a aproximadamente 20 quilômetros da divisa entre o Brasil e o Uruguai, no município de Jaguarão. Visitamos a Fazenda Maracanã, localizada no distrito de Coxilha Santana, de propriedade do senhor Ermínio Braga Lucena, que a conduz com o auxílio de seu neto, Vitor. A fazenda conta com 15 funcionários efetivos, liderados pelo engenheiro agrônomo Clóvis Feijó das Neves. A propriedade possui 4.800 hectares, divididos em três núcleos: Maracanã, São Francisco e Alvorada. Destes, 1.600 hectares se destinam à produção de arroz

tor colocado à frente das alavancas do comando hidráulico para que ocorra seu acionamento ou a interrupção do movimento. Este modelo possui duas rotações de trabalho: 540rpm e 1.000rpm. Para alterar a rotação, basta acionar uma alavanca seletora na parte traseira do trator que altera a combinação das engrenagens que acionam o eixo da TDP, de seis estrias para 540rpm e 21 estrias para 1.000rpm. Para expor as estrias adequadas é necessário inverter a posição da árvore de acionamento, com a simples retirada de um anel elástico. O conjunto de transmissão, diferencial, redução final e sistema hidráulico utiliza 210 litros de óleo multifuncional. O eixo dianteiro necessita nove Agosto 2016 • www.revistacultivar.com.br

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sob duas formas: a primeira com o cultivo em nível (sistematizado) a maior parte da área da propriedade (1.400ha) e o restante (200ha) através da construção de curvas de nível (taipas ou marachas). A área ocupada com a cultura da soja é de 3.200 hectares. As operações são totalmente mecanizadas, e no manejo das áreas de arroz, geralmente são realizadas várias operações, a fim de incorporar restos culturais. Na propriedade se realiza o preparo do solo com um passe de grade e o nivelamento da área com plaina niveladora multilâminas. A fazenda conta com 18 tratores, sendo seis de grande potência (acima de 150cv), onde o trator utilizado no teste é o de maior potência da propriedade.

litros, sendo seis litros no diferencial, mais 1,5 litro em cada redutor. O modelo que testamos não tinha sistema hidráulico de três pontos, portanto, o sistema hidráulico é formado pelo conjunto de controle remoto e por acionamentos de implementos. São três válvulas VCR de seis vias e duas DVC de quatro vias, com vazão de 192 litros por minuto, e um retorno para o motor hidráulico dos implementos. Para simplificar e promover economia, o óleo hidráulico é único, para o acionamento hidráulico e a transmissão de potência, inclusive o diferencial e a redução final. Para o controle do nível de óleo há um visor na carcaça da transmissão. O trator Agrale 7215 vem equipado

com eixo traseiro do tipo flange, com rodados simples ou duplos. Para o teste, este modelo estava equipado com rodado duplo traseiro, marca Marini, de engate rápido, na sua configuração arrozeira, a qual é opcional, de estrutura diagonal R2, na especificação 20.838 e rodado dianteiro R2 com medida 18.4-26, ambos marca GoodYear, Super Arrozeiro II. Já na configuração standard, os tratores são montados com pneus traseiros de medida 30.5L-32 R1 e dianteiros com medida 18.4-26 R1.

ACESSIBILIDADE

O acesso ao posto de operação deste trator se faz por meio de uma escada com quatro degraus antiderrapantes e batentes laterais e dois corrimões verticais posicionados de forma ergonômica, segundo pudemos constatar. No trator que testamos, o degrau mais próximo ao solo havia sido retirado em função das condições da operação de preparo do solo que estava sendo realizada na propriedade, o que dificultava o acesso pela escada, mas com a colocação deste, o acesso se tornaria bastante fácil. A cabine que equipa o modelo é fruto de uma relação comercial da Agrale

Detalhe do escapamento lateral com proteção


Fotos Charles Echer

com o fabricante de cabines Aral. Está montada no trator por meio de quatro coxins, absorventes de vibração e ruído. A porta de acesso à cabine fica localizada no lado esquerdo. A cabine possui apenas duas aberturas, sendo a janela traseira e a porta de acesso consideradas saídas de emergência. O espaço interno da cabine é enorme e a área envidraçada é grande, com poucas colunas (EPCC de quatro pontos). Para auxiliar a visão para trás o fabricante colocou três espelhos retrovisores.

POSTO DO OPERADOR

Os comandos manuais são bem distribuídos no posto de operação, sendo a maior parte com acionamento eletro-hidráulico. Possui ainda um assento auxiliar, duas tomadas de

Ré

Marchas à frente

Escalonamento de marchas 1a B 1a M 2a B 2a M 3a B 3a M 1a A 4a B 4a M 2a A 3a A 4a A 4a 3a 2a 1a

Standard 12x4 3,61 Motor a 2300rpm 4,21 Peneus standard) 5,4 6,29 7,28 8,48 9,49 10,99 12,80 14,18 19,13

8,55 6,34 4,24

12,9

Velocidades (km/h)

Características Agrale 7215

28,88

MOTOR Cilindrada Nº de cilindros / Aspiração Sistema de injeção Potência máxima Torque máximo Arrefecimento TRANSMISSÃO TOMADA DE POTÊNCIA - TDP Rotação Nominal SISTEMA HIDRÁULICO Controle remoto DIREÇÃO FREIOS

MWM Maxx Force 6.0A 6.000 cm3³ 06 Verticais em linha / Turbo e Intercooler Direta, Bosch em linha 215 cv (158,1 kW) a 2.300 rpm 74,4 kgf/m (730 N.m) a 1.500 rpm À água, mediante circulação forçada Sincronizada (12 à frente / 04 à ré) Eletro-hidráulica Independente 540 a 2.033rpm e 1.000 a 2.077rpm do motor Válvula de vazão contínua (4 vias) (6 vias) 192l/min a 2.000 rpm Hidrostática / Telescópica / Basculante Disco úmido / Acionamento Hidráulico

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Fotos Charles Echer

A cabine possui porta de acesso no lado esquerdo e janela basculante na parte traseira

12v para acionamento de outros equipamentos e ar-condicionado na versão standard. Ao todo, são seis saídas de ar no interior da cabine, todas posicionadas na parte superior. Os pedais possuem superfície antiderrapante, como se espera deste tipo de máquina. Além dos comandos de console, este modelo possui alguns controles e indicadores na coluna direita da cabine, como luzes, velocidade (três velocidades) e temperatura do ar (termostato). No teto da cabine o fabricante disponibilizou um local para instalação de equipamento de som, com dois alto-falantes. No painel frontal existem indicadores de temperatura da água do sistema de arrefecimento da temperatura do motor, nível do combustível no tanque, tacômetro, um horímetro digital e um instrumento de indicação da voltagem da bateria. Há também um instrumento de sinalização luminosa de alerta de restrição de passagem de ar pelo filtro. No que diz respeito à questão ergonômica, os comandos de acionamento frequente (alavancas de troca de marchas e de grupos, acelerador manual e controle remoto), além de estarem envolvidos por capas protetoras, estão ergonomicamente posicionados no lado direito do posto de operação, não necessitando de grandes esforços para seu acionamento. Agosto 2016 • www.revistacultivar.com.br

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O 7215 tem sistema de iluminação avançado com novo conjunto ótico de oito faróis dianteiros e quatro traseiros

O assento, de boa qualidade, está dotado de descansa-braços e de regulagens básicas, proporcionando fácil adaptação aos diferentes perfis de operadores brasileiros. Conta ainda com cinto de segurança retrátil de dois pontos. Em várias partes do trator encontramos avisos de segurança, todos escritos em português, e proteções de partes móveis, o que demonstra preocupação da empresa com os riscos de acidentes do trabalho.

AGRICULTURA DE PRECISÃO

Este trator nos surpreendeu positivamente, pois vem preparado de fábrica para receber itens de agricultura de precisão. O modelo em sua versão standard está predisposto para receber piloto automático e GPS. Os clientes que desejarem o sistema completo e funcionando desde a aquisição podem solicitar. Toda a calibração e as orientações de uso podem ser feitas pelo fabricante, através do concessionário. Embora o modelo que testamos não estivesse equipado com o sistema, pudemos ver as esperas e todo o cabeamento que passa discretamente por dentro de uma das colunas frontais da cabine.

OS TESTES

Nas avaliações de campo contamos com o apoio dos funcionários da

fazenda, em especial do engenheiro agrônomo Clóvis Feijó das Neves, gerente-geral da lavoura, além das equipes da Agrale e da concessionária Agrimaq Máquinas Agrícolas. O trator disponibilizado para o teste acabara de ser adquirido pela fazenda e era o de maior potência dentre os demais. Tinha apenas 585 horas de uso e estava sendo utilizado na operação de preparo periódico do solo, tracionando ora uma grade niveladora, ora uma plaina niveladora multilâminas. Após estas atividades, segundo informações do gerente, o trator será utilizado na operação de


semeadura de arroz irrigado, tracionando uma semeadora de fluxo contínuo de 28 linhas. Os testes foram realizados em condições similares às que normalmente ocorrem no campo, em um solo característico de várzea, com teor de umidade superior ao que seria recomendado para este tipo de operação. Simulamos uma operação agrícola que exige alta demanda de potência do trator. Assim, para atender este objetivo, utilizamos uma grade niveladora marca Piccin, modelo GNPCRE, com 52 discos de 24 polegadas de diâmetro cada, espaçados em 21cm e de acionamento hidráulico. Fazendo uso do acelerador manual, a rotação do motor foi fixada em 2.200rpm, 2.000rpm e 1.800rpm e a cada passada do conjunto mecanizado foram alternadas diferentes marchas de trabalho (M3, M4 e A1), a fim de verificar o escalonamento destas. Ao variar a velocidade de trabalho foi que pudemos então comprovar o quanto se estava exigindo do motor. Levamos em consideração que, mesmo fazendo uma operação que demanda bastante potência, estávamos apenas com lastro metálico na nas rodas traseiras, sem lastro hidráulico. Ficamos bastante impressionados,

Concessionária Agrimaq

A

concessionária Agrale que nos apoiou durante o teste foi a Agrimaq Máquinas Agrícolas Ltda., com sede no município de Arroio Grande (RS) e representação da marca nos municípios gaúchos de Jaguarão, Herval, Pedras Altas, Pedro Osório, Aceguá, Pinheiro Machado e Piratini. Assim, atende grande parte da metade Sul do estado, que tem sua base econômica voltada principalmente ao cultivo de arroz irrigado e à criação de gado de corte.

principalmente com a resposta do motor frente às sobrecargas impostas pelas condições adversas do solo, sendo que em nenhum momento perdeu rotação de forma abrupta, mantendo o torque, dentro da reserva prevista, mesmo com as dificuldades que impusemos no teste. Também verificamos a facilidade com que as trocas de marchas foram realizadas. De todas as condições testadas, a que teve o melhor comportamento foi a 3ª marcha do grupo médio a 2.000rpm. A equipe do teste, depois de muitas horas de operação, saiu bastante satisfeita, pois pôde comprovar que as principais características da marca: robustez e simplicidade de operação,

A empresa foi fundada há apenas dois anos, em 25 de setembro de 2014, por três sócios egressos de outras empresas de máquinas agrícolas da região, que buscaram formar uma parceria com a fabricante Agrale, representando, assim, a marca na região. Na concessionária fomos recebidos pelo gerente comercial, senhor Cleber Domingues, que nos comentou que apesar dos poucos anos da empresa, já foram comercializados cerca de 30 tratores da marca Agrale na região Sul do estado.

estão presentes no trator Agrale 7215. Saímos convencidos de estar frente a um trator resistente, com um motor excepcional em rendimento e, pelo que deduzimos da satisfação do cliente, extremamente útil e fácil de operar. Acreditamos que, com estes valores, o Agrale 7215 poderá conquistar muitos clientes no mercado brasileiro, principalmente entre produtores de várias regiões que exijam muitas horas de trabalho ao ano, com baixa manutenção e facilidade .M de operação. José Fernando Schlosser, Marcelo Silveira de Farias e Juan Paulo Barbieri, Nema - UFSM

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FICHA TÉCNICA

Newland Full

Semeadora 100% pneumática, destinada ao plantio direto de grãos graúdos em médias e grandes propriedades, a Newland Full apresenta alta tecnologia embarcada para proporcionar maior qualidade na implantação das culturas

A

Semeadora Newland Full, da Semeato, possui um pacote tecnológico que inclui caixa central de fertilizantes, caixa central de sementes, sistema Isobus e distribuição de sementes através de sistema pneumático. Com poucos pontos de lubrificação, menor manutenção e rapidez no abastecimento de adubo e semente, a semeadora promete alto rendimento operacional. Este projeto foi desenvolvido para proporcionar maior eficiencia na operação de semeadura, aliando maior qualidade de plantio e rendimento operacional no plantio direto de grãos graúdos. A semeadora Newland Full está disponível em modelos individuais de 13, 15 e 17 linhas, com espaçamento de 45cm, e 22, 26, 30 e 34 linhas utilizando duas máquinas acopladas.

CHASSI

A semeadora possui chassi robusto formado por tubos que são “amarrados” por quatro travessas móveis, resultando em maior resistência e durabilidade. Esta disposição do chassi, além de resultar em maior resistência, possibilita a montagem de vários espaçamentos entre linhas sem que haja interferência, já que qualquer componente do chassi pode ser deslocado.

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RODADOS E SISTEMA DE LEVANTE

Dois rodados internos, duplos, articulados, deslocáveis, dispostos entre as linhas de adubo e as linhas de semente compõem o sistema de deslocamento da semeadora. Os pneus são de baixa pressão, alta flutuação e diminuem a pressão de compactação sobre o solo. Além das funções de levante da máquina, transporte e plantio, o rodado também é utilizado como suporte para fixação das linhas. O sistema hidráulico de levante é composto por dois cilindros hidráulicos, dispostos sobre os rodados da máquina, que tem em seu interior vedações de última geração, garantindo grande vida útil. A fixação é realizada através de rótulas que proporcionam uma grande flexibilidade aos cilindros, transferindo aos mesmos apenas esforços axiais. Estão disponíveis calços do tipo “algema” para determinar maior ou menor capacidade de corte da máquina.

SISTEMA DE TRANSMISSÃO - ISOBUS

A transmissão dos mecanismos de distribuição de fertilizantes e de sementes é realizada através de motores hidráulicos. O sistema é composto por motores de alto torque e baixa rotação, proporcionando movimentos contínuos de rotação, melhorando, assim, a uniformidade da distribuição de sementes e fertilizantes. O sistema hidráulico da transmissão de adubo e de sementes apresenta consumo reduzido de óleo hidráulico, fazendo com que ocorra economia de combustível e redução de temperatura do óleo do sistema hidráulico do trator. A máquina está equipada com o sistema Isobus - Padrão Internacional de Comunicação Eletrônica entre diferentes máquinas de diferentes fabricantes. Este sistema controla a transmissão, possibilitando alterar as dosagens de sementes e fertilizantes com um simples toque na tela. O sistema Isobus permite que se utilize o mesmo console do trator para


Fotos Semeato

Rodados internos duplos com pneus de alta flutuação

controlar a plantadeira, não havendo necessidade de instalar outro equipamento no trator. Com este sistema, a máquina está preparada para fazer aplicações em taxa variável, tanto de adubo como de sementes. Para isso, é necessário que o console do trator também esteja preparado.

SISTEMA DE FERTILIZAÇÃO

Fankhauser

O reservatório central de fertilizantes é construído em polietileno rotomoldado, resistente à corrosão, com grande capacidade e aproveitamento total do produto. A utilização de um único reservatório agiliza consideravelmente a operação de abastecimento do produto, resultando em menor tempo de paradas. A capacidade do reservatório é de 2.665 litros, aproximadamente três mil quilos.

O chassi é formado por tubos que são “amarrados” por quatro travessas móveis, possibilitando a inserção e retirada de componentes

A distribuição de adubo é realizada através do Multi Dosador Semeato MDS. O fertilizante é depositado no reservatório central, que possui na sua base inferior um único rotor que é o responsável pela dosagem da quantidade desejada de adubo. A determinação da quantidade de fertilizante a ser distribuída é definida pela variação da rotação do rotor. Ao passar pelo rotor, o adubo cai em um duto por onde passa o fluxo de ar gerado por uma turbina. O produto é conduzido pelo duto até o manifold (chapéu), onde ocorre a divisão para cada uma das linhas da máquina. Após passar pelo manifold o adubo segue sendo conduzido pelo fluxo de ar até as linhas. Para atender as diferentes condições de plantio estão disponíveis as seguintes opções de sulcadores de adubo: facão guilho-

tina com disco de 20”; triplo disco com disco de corte de 20” + discos duplos defasados de 15” x 16”; facão afastado com disco de corte de 20” com haste sulcadora com 10mm de espessura; e disco incorporador, onde o adubo é depositado na superfície do solo, logo após o disco de corte. A utilização de um ou outro sulcador depende da condição de solo, do manejo da área, da palhada existente, entre outros fatores.

SISTEMA DE SEMEADURA

O reservatório central de sementes é confeccionado em polietileno rotomoldado, que contempla grande capacidade de sementes: dois mil litros, o que dá aproximadamente 1,5 mil quilos. Este arranjo propicia grande agilidade e rapidez nos momentos de abastecimento e em função da sua grande capacidade proporciona à plantadeira maior autonomia de plantio, por consequência, maior rendimento diário. Os reservatórios dispõem da tec-

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Fotos Semeato

Motores hidráulicos responsáveis pela distribuição de fertilizantes e de sementes (esquerda); detalhe da tela de monitoramento da plantadeira (centro) e cabo de conexão Isobus (direita)

nologia Atac - Câmara de transporte de sementes através de fluxo de ar que realiza a condução das mesmas para os distribuidores de sementes conforme a necessidade de cada linha de plantio. Este dispositivo é autolimpante, o que auxilia o operador nos momentos de troca de variedade de sementes e/ou limpeza dos reservatórios. A linha de semeadura Tower foi projetada para trabalhar nas mais variadas situações que as lavouras de plantio direto oferecem. Sendo pantográfica, mantém sempre o mesmo ângulo de ataque ao solo, mantendo assim a precisão na deposição da semente no sulco, em profundidade adequada. A amplitude vertical da linha permite a semeadura sobre terraços e depressões, mantendo sempre a semente em profundidade adequada. As linhas pantográficas possuem grande capacidade de articulação, que permite que as mesmas possam acompanhar as ondulações existentes no terreno, mantendo maior uniformidade

na colocação das sementes no solo. A fixação dos braços do pantógrafo é realizada através de mancais lubrificados, o que diminui o desgaste e aumenta a vida útil dos componentes. A linha da semente possui duas molas na horizontal com um sistema tipo catraca, fácil e prático para ajustar a pressão de trabalho. A regulagem é realizada através do uso de uma alavanca ou chave, posicionando o regulador em uma das três posições predeterminadas do sistema. O conjunto de semeadura é formado por dois discos de diâmetros diferentes: 15” x 15 ½”. O pequeno ângulo entre si faz com que os mesmos tenham um bom desempenho nos diferentes tipos de solo e com baixo revolvimento. O condutor de sementes foi desenvolvido para possibilitar o uso de sensores de semente. O condutor possui um alojamento para abrigar o sensor. Desta forma, o mesmo não interfere na passagem e distribuição de sementes, causando repiques em seu interior. Com

Reservatório central de fertilizantes é construído em polietileno rotomoldado, com capacidade para 3.000kg de produto

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o intuito de melhorar a distribuição de sementes o condutor contempla em seu exterior uma cinta antivibração apoiada no sulcador, para eliminar as vibrações que ocasionariam repiques internos de sementes, prejudicando, assim, a distribuição.

DISTRIBUIÇÃO DE SEMENTES

A distribuição de sementes é realizada através do sistema especializado em distribuir semente por semente, Vacuum System. O mecanismo é de fácil manutenção, pois possui somente uma parte móvel, um disco distribuidor de sementes, que trabalha sobre uma pista deslizante confeccionada com material especial, com alta resistência e durabilidade. Apresenta o dispositivo para eliminar grãos duplos com ajustes para cada tipo e tamanho de semente, com a finalidade de melhorar a qualidade da distribuição de sementes. As linhas de semente trazem em sua estrutura o sistema de transmissão Flex shaft, composto por cabo flexível com

Rotor dosador de fertilizante determina a vazão do produto


Distribuidor pneumático com sistema eliminador de duplos

engate rápido de fácil manuseio. Este sistema proporciona o movimento rotacional preciso, contínuo e uniforme, beneficiando a distribuição de sementes.

LIMITADORES DE PROFUNDIDADE

A determinação da profundidade de colocação das sementes é realizada através das rodas limitadoras, que trabalham de forma independente uma da outra, com sistema de balancim. O ajuste da profundidade é realizado de maneira simples, sem a necessidade da utilização de ferramentas. Apresenta, ainda, regulagens de ângulo de trabalho e posicionamento lateral das mesmas com relação aos discos defasados. Elas possuem um sistema exclusivo de posicionamento das rodas limitadoras, onde as mesmas podem trabalhar junto aos discos defasados ou ligeiramente atrás destes. Este recurso é standard e para a sua utilização não se faz necessário retirar ou adicionar peças.

O fundo do reservatório é basculante, que facilita a troca da variedade de sementes e/ou limpeza dos reservatórios

COMPACTADORES VPRESS

Duas rodas em “V”, com banda de borracha, que fazem pressão lateralmente ao sulco de semente, eliminando os bolsões de ar e fazendo com que a semente entre em íntimo contato com o solo. A regulagem de pressão de compactação é realizada através do posicionamento de uma alavanca, sem a necessidade de ferramentas. Também possui regulagem de ângulo de trabalho entre as rodas, realizada facilmente através de manípulo.

SISTEMA SEMESEAL®

Um sistema de vedação é aplicado nos discos defasados, nas rodas limitadoras de profundidade e nas rodas compactadoras, formado por um único

rolamento, com dupla carreira de esferas, totalmente blindado. A utilização deste sistema elimina a necessidade de lubrificação e de ajustes destes componentes, diminuindo consideravelmente o tempo destinado à manutenção da máquina.

PRATICIDADE DE ABASTECIMENTO

A utilização de caixa central de fertilizante e de semente resulta em um benefício que contribui significativamente para o aumento do rendimento operacional da operação de semeadura. Os reservatórios são facilmente abastecidos com a utilização de big bags ou carretas abastecedoras, diminuindo consideravelmente .M o tempo das paradas.

Posicionamento das rodas limitadoras: elas podem trabalhar junto aos discos defasados ou ligeiramente atrás deles

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SEMEADORAS

Sem embuchar Projeto simples pode ser a solução para eliminar o embuchamento de palha entre as linhas de plantio de uma semeadora de plantio direto

U

Fotos Daniel Augusto Decarli

m dos principais entraves para a melhoria da qualidade do sistema de plantio direto está no desenvolvimento e aperfeiçoamento dos componentes de ataque ao solo e de acabamento de semeadura das semeadoras de precisão. O processo de semear diretamente em solo não revolvido com a presença de uma camada de resíduos, sem dúvida foi o maior avanço da agricultura com relação aos aspectos econômicos e ambientais. Porém, algumas adversidades ainda dificultam a implantação do sistema e prejudicam a eficiência das semeadoras, entre as quais se destacam a compactação excessiva do solo e o embuchamento de palha entre as linhas da semeadora. Visando uma solução para o problema de embuchamento de palha na semeadora, foi desenvolvido projeto de um mecanismo com a finalidade de melhorar o corte da palha, mantendo-a sobre o sulco onde são depositados as sementes e os fertilizantes, o que irá agregar inúmeros benefícios para a germinação e o desenvolvimento das plântulas.

EMBUCHAMENTO

O embuchamento de palha na semeadora é um problema muito frequente que gera diversos transtornos ao produtor. Ele ocorre na maioria das vezes entre o chassi da máquina e o solo, como também no sentido horizontal entre as linhas da semeadora, devido ao corte irregular da camada de palha. Araújo et al (2001) salienAgosto 2016 • www.revistacultivar.com.br

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Figura 1 - Embuchamento de semeadora: (esquerda) embuchamento entre solo e chassi; (direita) embuchamento horizontal entre linhas

tam que é maior a possibilidade de ocorrer embuchamento quando o volume de palha na superfície for maior que seis toneladas por hectare (t/ha) e o espaçamento entre linhas é reduzido, menor ou igual a 50cm.

PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

Com o objetivo de evitar perda de tempo com paradas de máquina decorrentes do embuchamento de palha, foi desenvolvido um mecanismo para ser adaptado junto às linhas de plantio com a finalidade de melhorar o fluxo de palha sob a semeadora, impedindo que os restos se acumulem entre as linhas de plantio.

TESTES DE CAMPO Acoplamento do mecanismo

O mecanismo projetado será acoplado junto à estrutura existente da linha de plantio da semeadora (Figura 2), tendo por objetivo evitar o embuchamento de palha. Após ser realizado o acoplamento do mecanismo junto à semeadora, realizaram-se testes de campo para a análise do comportamento apresentado pelo mecanismo projetado, em condições de trabalho. Os testes foram realizados em lavoura com a presença de camada de palha e resíduos na superfície do solo provenientes da cultura de milho anteriormente implantada na safra de verão. Resultados mui-

to satisfatórios foram encontrados durante os testes. Proporcionar uma maior segurança aos operadores de máquina no processo de plantio é outro fator importante que o desenvolvimento deste projeto atendeu. A maioria das semeadoras produzidas no Brasil não possui um mecanismo com o objetivo específico de evitar o embuchamento de palha. Por isso, quando o plantio é realizado sobre solos argilosos, altas densidades de cobertura vegetal ou que esta não esteja completamente seca ou verde, a probabilidade de surgirem problemas com o acúmulo indesejado de palha sob a semeadora é bastante alta.


Figura 2 - Perspectiva do projeto e indicação de componentes

Figura 3 – (Esquerda) acoplamento do mecanismo; (direita) acoplamento do mecanismo junto à estrutura da linha de plantio

Fotos Daniel Augusto Decarli

Para evitar a parada constante das máquinas para efetuar o desembuchamento da semeadora, a solução encontrada pelos operadores é realizar o processo manualmente, fazendo o uso de estacas de madeira ou golpeando a palha com as próprias pernas, com as máquinas em movimento, o que torna a ação de alta periculosidade devido aos inúmeros elementos de transmissão de forças por engrenagens e correntes em rotação, além dos rompedores de solo que podem causar danos à integridade física do operador.

de verão (soja e milho), os quais todos foram exitosos. Resta a realização de testes do comportamento do mecanismo em variadas composições e camadas de palha obtidas, com a implantação das

culturas de inverno, que deverão ser realizados na próxima safra .M agrícola. Daniel Augusto Decarli e José Antônio Portella, UPF

CONCLUSÕES

Evitar o embuchamento de palha nas semeadoras durante o processo de plantio direto, na implantação de qualquer cultura, é de vital importância. Por isso, é fundamental a implementação de um mecanismo que ajude a evitar o embuchamento de palha nas semeadoras de plantio direto disponíveis no mercado. Com o protótipo construído e acoplado em uma linha da semeadora, foram realizados alguns testes de campo, como o de flutuação do mecanismo, desempenho em diferentes configurações de relevo com a presença de camadas de palha provenientes das culturas Agosto 2016 • www.revistacultivar.com.br

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Figura 4 – (Esquerda) linha de plantio com mecanismo acoplado; (direita) linha de plantio sem a presença do mecanismo


SEMEADORAS Stara

Dosador acessível

Projeto de Distribuidor de Fertilizantes do Tipo Rotor Dentado Vertical promete diminuir em até 40% o custo do produto em comparação aos dosadores utilizados atualmente

A

s semeadoras-adubadoras em linha se caracterizam por depositar no solo, de forma simultânea, sementes e fertilizantes. Para isso esses equipamentos possuem mecanismos dosadores, responsáveis pela dosagem dos produtos. Os fertilizantes respondem por cerca de 25% dos custos de uma lavoura. Desta forma, pode-se dizer que o funcionamento dos mecanismos dosadores pode afetar a rentabilidade do empreendimento agrícola, além de ser determinante para a qualidade do processo de semeadura e, por isso, seu desempenho deve ser avaliado, em diferentes condições de trabalho. Devido à grande preocupação

dos produtores em ter uma lavoura mais uniforme e obter uma maior produtividade, foi desenvolvido um mecanismo de dosagem de fertilizantes do tipo rotor dentado vertical que, segundo Portella (1999), apresentou desempenho muito acima dos demais dosadores comparados, com C.V. de 1,3% em seu melhor desempenho de dosagem. O mecanismo dosador de fertilizantes, apresentado na Figura 1, é encontrado na maioria dos modelos de semeadoras-adubadoras europeias e argentinas. O rotor dentado vertical, conforme apresentado na Figura 2, caracteriza-se por um cilindro com

dentes equidistantes na sua periferia. Os fertilizantes são distribuídos ao serem arrastados pelos dentes do rotor. Para obter melhor uniformidade, dependendo do produto a ser distribuído, os dentes podem ser dispostos em duas fileiras alternadas. A vazão de distribuição dá-se por variação de velocidade do eixo de acionamento dos dosadores, que é obtida através de caixas variadoras de velocidade. O rotor dentado foi projetado com dentes equidistantes uns dos outros, proporcionando uma vazão uniforme para os fertilizantes serem distribuídos, conforme mostra a Figura 3.

ENSAIOS E TESTES

Os testes do dosador foram realizados na empresa Stara Indústria de Implementos Agrícolas S/A, no Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento. Os tratamentos foram formados a partir do arranjo fatorial, com três repetições, dentro do delineamento inteiramente ao acaso. Este experimento foi repetido em três velocidades de acionamento, 30rpm, 60rpm e 90rpm, com três fertilizantes. A variável resposta observada foi a vazão mássica média do dosador, coletada em 30 segundos, Agosto 2016 • www.revistacultivar.com.br

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Tabela 1 - Resultados Dosador Vertical x Dosador Comercial

B

Figura 1 - Dosador de Fertilizante tipo Rotor Dentado Vertical Argentino (A); Italiano (B)

nas três velocidades, com os três nutrientes. Esta metodologia foi adaptada de Milan & Gadanha Junior (1996), que descrevem os procedimentos para ensaios de regularidade de vazão, utilizados na avaliação de distribuidores de fertilizantes a lanço, utilizada para determinação da dosagem em cada posição de regulagem do dosador deste tipo de equipamento. Para fins de análise dos resultados foi realizada a análise da variância dos dados e as médias foram separadas pelo teste de Tukey com P < 0,05. Para comparação do desempenho do novo dosador com o dosador atual com os diferentes tipos de fertilizante

e velocidades, foi utilizada a amplitude total. Como os dosadores possuem capacidades de vazão distintas, a amplitude total foi transformada em amplitude relativa, que representa a porcentagem da variação de dosagem em relação à vazão do dosador quando nivelado longitudinalmente.

BANCADA DE TESTES

A bancada de testes utilizada para realização deste trabalho foi construída pela equipe de Protótipo da empresa Stara, nas dependências do mesmo laboratório. É constituída basicamente por: estrutura de sustentação, estrutura de acionamento e suporte para o dosador. O material

Figura 2 - Vistas de um Dosador de Fertilizante Rotor Dentado Vertical

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RPM 30 Média(kg) 60 90 RPM 30 Média(kg) 60 90 RPM 30 Média(Kg) 60 90

Dosador Vertical Fertisystem Cloreto de Potássio 0,984 0,945 1,890 1,724 2,728 2,607 Uréia 0,625 0,623 1,181 1,119 1,718 1,760 Mistura (Uréia 2:1 Cloreto de potássio) 0,767 0,762 1,430 1,450 2,082 2,114

C.V. 4,13 9,63 4,64 0,32 5,54 2,44 0,66 1,40 1,54

utilizado para a sua construção foi aço carbono SAE 1020. A função da estrutura de sustentação é servir como apoio para todos os outros componentes da bancada, o suporte para o dosador que apoia o depósito de fertilizantes, e todo o sistema de transmissão. O acionamento do dosador é feito por um motor elétrico de 1cv (735W), com rotação nominal de 1.740rpm, acoplado a um redutor de engrenagens 10:1, e um inversor de frequência, o que permite que os dosadores sejam acionados com rotações próximas a 0rpm até 174rpm. Para os testes, foram utilizados os fertilizantes ureia, cuja composição

Bruno Freitas Dalmagro

A

A) estrutura de sustentação; B) motor elétrico; C) redutor de engrenagens; D) inversor de frequência; E) depósito de fertilizantes e F) suporte para o dosador


mercado, o dosador de fertilizantes tipo rotor dentado vertical conseguiu médias semelhantes de vazão. Após realizados testes estatísticos, chegou-se à conclusão que o Dosador Vertical é tão preciso quanto o dosador comercial. Sendo assim, o fator custo seria usado para futura tomada de decisão em relação à sua .M implementação comercial. Bruno Freitas Dalmagro e José Antonio Portella, UPF

Figura 3 - Rotor Dentado Vertical

declarada pelo fabricante é 45% de nitrogênio, e cloreto de potássio, com 60,5% de potássio, e uma mistura dos dois fertilizantes na proporção de 2:1 de ureia/cloreto de potássio. Estes fertilizantes foram escolhidos pela sua ampla utilização como fonte de nitrogênio e potássio pelos agricultores e sua mistura teve como objetivo observar a tendência de qualidade de distribuição de misturas de diferentes fontes de nutrientes com características físicas distintas.

RESULTADOS

Os resultados encontrados nos testes realizados estão apresentados na Tabela 1. Considerando que estatisticamente o dosador vertical é tão preciso quanto o dosador comercial, que é referência de mercado, poderá ser escolhido o dosador que tiver o custo mais acessível. Em uma análise comparativa de custos, o dosador vertical proposto neste trabalho teve um gasto cerca de 40% em relação ao dosador comercial, o que poderia justificar estudos futuros para desenvolvimento comercial.

Projeto do dosador de fertilizantes

O

projeto do dosador é composto por uma carcaça dividida em duas partes, (Figura 4.A.1 e 4A.2), unidas por parafusos (Figura 4H), e feitas de nylon com 20% a 30% de fibra. O Rotor Dentado Vertical (Figura 4B) é feito de material SAE 1045 obtido pelo processo de microfundição, a bucha guia (Figura 4C) é produzida também pelo processo de microfundição em material SAE 1030. O rotor dentado vertical é guiado por uma arruela dentada (Figura 4D), que tem a função de evitar o vazamento de fertilizante pela lateral do dosador. Esta arruela é acoplada a um anel de polipro-

pileno injetado (Figura 4E) montado na carcaça, tendo a função de protegê-la, recebendo ele o desgaste ocasionado pelo movimento da arruela dentada. A alavanca (Figura 4G), quando acionada, transmite movimento à barra de regulagem de vazão (Figura 4I), a qual movimenta axialmente o eixo de transmissão e, ocasionalmente, aumenta ou diminui a exposição do cilindro acanalado à massa de fertilizantes. O fundo (Figura 4F) feito em polipropileno injetado, tem a função de regular o tamanho do orifício de saída, conforme o fluxo de fertilizantes que está sendo dosado.

CONCLUSÕES

Foi desenvolvido um projeto de dosador de fertilizantes rotor dentado vertical, com três principais objetivos, simples regulagem, alta precisão e baixo custo, sendo que todos os objetivos foram alcançados. Nos testes em comparação ao líder de

Figura 4 - Vistas Explodida Dosador

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SEMEADORAS

Plantar descompactando

A semeadura direta utilizando guilhotina ou facão em maior profundidade se torna uma das soluções para se resolver emergencialmente a descompactação do solo, além de garantir maior absorção de água para a cultura implantada

O

setor agrícola nos últimos 20 anos sofreu muitas mudanças benéficas, que contribuíram não só para o aumento da produtividade, mas também para a praticidade do agricultor. Associou-se essa afirmação lembrando dos tempos em que o solo era cultivado no sistema de cultivo mínimo ou sistema convencional, como é conhecido, pois era necessário passar um bom tempo revolvendo o solo e preparando-o para implantar alguma cultura, sem contar o uso de alguns defensivos, como a trifluralina, que necessitava ser incorporada com a grade. Atualmente convive-se com o manejo Sistema de Plantio Direto (SPD), que proporciona vários benefícios ao solo, e, principalmente, ao meio ambiente, pela redução da erosão hídrica, embora atualmente existam problemas de erosão também em SPD, em face do uso inadequado deste manejo. O SPD em comparação com o sisAgosto 2016 • www.revistacultivar.com.br

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tema de preparo convencional (SPC) retém mais umidade, possibilitando à cultura uma maior resistência a estiagens e a períodos de seca; há redução da erosão do solo, diminuindo a perda de solo e fertilizantes, que contribuem para sustentabilidade ambiental do sistema, aumento da matéria orgânica, que desencadeia melhorias na estrutura física e CTC (capacidade de troca de cátions). Há pouco tempo, as semeadoras vinham dotadas de sistemas que visavam uma abertura maior de sulco, podendo usar este em diferentes profundidades com o objetivo de resolver um problema constatado em vários experimentos, a compactação do solo. Em muitas regiões onde se encontra a prática de silagem e da integração lavoura-pecuária, é mais agravante esse problema, isso em função do tráfego de máquinas e implementos agrícolas descontrolado e da presença de animais em excesso, principalmente

nos dias de chuva. Essa compactação ocorre também nas práticas rotineiras de manejo da cultura, por exemplo: uso de uma colhedora agrícola de alto porte, em umidade elevada sem controlar o seu tráfego. Em solos compactados há menor desenvolvimento do sistema radicular, isso resulta em menor volume de solo explorado pelas raízes e, consequentemente, menor absorção de água e nutrientes. Nos anos de estiagem o problema é mais observado devido à falta de água disponível para as plantas, gerando diminuição expressiva de produtividade. Tais problemas se estendem para a área de mecanização agrícola, pelo aumento da força de tração, visualizado pelo aumento da patinagem do trator, o aumento no consumo de combustível, a redução da profundidade de semeadura, o corte irregular da cobertura vegetal ocasionado pela redução do desempenho do mecanismo sulcador,


Cultivar

cia e Tecnologia – Campus Sertão vem estudando essas questões visando buscar técnicas que auxiliem na manutenção dos princípios do sistema de plantio direto. Analisando os dados obtidos em boa parte nas pesquisas com propriedades físicas do solo, percebe-se que o problema da compactação está entre 7cm e 15cm e, diante disso, o emprego do sulcador guilhotina ou facão afastado em maior profundidade pode melhorar o ambiente de desenvolvimento das raízes, resultando no aumento da produtividade. Pesquisas vêm sendo realizadas buscando quantificar e qualificar os efeitos de tal técnica.

Fotos David Peres da Rosa

DESCOMPACTAÇÃO

se estiver mal regulado. O solo pode ser correlacionado com um banco, porém, de tensões, que recebe a ação da pressão, seja via rodado ou pisoteio, vai armazenando até chegar um ponto que há restrições ao desenvolvimento das plantas. Há alguns anos a equipe do Laboratório de Relação Solo Máquina e Planta do Instituto Federal de Educação, Ciên-

Quando se fala em diferentes profundidades de trabalho do sulcador de fertilizante, as primeiras coisas que vêm em mente são o consumo de combustível, a potência exigida para tracionar a mesma e se irá repercutir na produtividade. Frente a isso, três tipos de manejo foram testados pela equipe de pesquisa. Um dos manejos é o sistema plantio direto com a haste sulcadora de fertilizante na semeadura atuando a 7cm, chamado de SPD7 e considerado como testemunha. O outro manejo atuou a uma profundidade de 11cm, SPD11, considerado como estratégia de melhoria física, e o terceiro foi um solo subsolado há 14 meses, chamado como cultivo mínimo (CM), sendo que tal operação foi realizada com implemento dotado de disco de

Conjunto trator e semeadora utilizado na realização do experimento

corte de palha, haste curva regulada para 25cm de profundidade e rolo destorroador. O teste foi realizado na área de experimento do IFRS Campus Sertão, em um solo classificado como Nitossolo Vermelho que possui mais de 60% de argila, sendo que esse estava com uma palhada de aveia-branca dessecada 30 dias antes da semeadura. A semeadora estava configurada para verão, com sete linhas espaçadas a 45cm, haste sulcadora de adubo do tipo guilhotina, a popular botinha. O trator para tracionar o implemento tinha 95cv de potência nominal, com tração dianteira assistida (TDA) ligada. A rotação do motor no teste foi mantida constante em 1.600rpm, sendo que a velocidade média resultou em 5,3km/h. A patinagem, o consumo de combustível e a produtividade da soja na Tabela 1, que demonstra que a patinagem no SPD11 foi bem superior ao SPD7 e próxima do CM, o que evidencia a ação da elevada resistência do solo nos mecanismos rompedores na profundidade acima da comum utilizada (7cm todos anos). Comparando o SPD11 com o CM, não houve muita diferença, sendo que ambos estão acima dos 12% considerados máximos para tratores 4RM (4x2TDA), popular traçado. A redução da patinagem é conseguida com adição de peso metálico, pois o trator do teste não possuía. O cultivo mínimo apresentou uma patinagem intermediária entre os três

A palhada de aveia branca foi dessecada 30 dias antes da semeadura

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uso da semeadura direta em maior profundidade. Além da maior produtividade no manejo SPD11, este influenciou diretamente no acúmulo de água em profundidade, isto é, conseguido com a quebra da camada compactada, conforme pode ser visualizado na Figura 1, que demonstra o comportamento do teor de água do solo após dois dias de chuva, medindo sempre a umidade por cinco dias consecutivos, pegando, assim, a secagem do solo. Um fato observado nesta pesquisa é a perda brusca de água pelo solo subsolado (CM), o que demonstra ação do implemento na estrutura; ele reduz a densidade e a resistência do solo, mas afeta a sua porosidade, o que resulta nesta condição. O SPD11, ao longo do todo o ciclo de desenvolvimento da soja, apresentou maior umidade, que deve ter sido um dos fatos que contribuíram com o aumento da produtividade. .M

Tabela 1 – Patinagem, o consumo de combustível e a produtividade da soja nos tratamentos em estudo Patinagem (%) Cons. de Combustível (L/h) Produtividade (kg/ha) Manejo 4,88 9,86 1570,70 Sistema Plantio direto com haste a 7 cm 20,62 11,02 1850,24 Sistema Plantio direto com haste a 11 cm 15,37 11,05 1445,11 Cultivo mínimo

manejos com 15,37% de patinagem, mas muito superior ao sistema plantio direto a 7cm, que apresentou patinagem de 4,88%, isso por apresentar um solo mais “leve”, com menor resistência, gerando um consumo um pouco superior à semeadura, a 11cm. Analisando como um todo, o sistema plantio direto com guilhotina a 11cm gera um consumo mais elevado e maior patinagem, mas se tratando de custo/ benefício, o consumo de diesel foi maior, mas a produtividade também aumentou. Considerando o preço da soja de R$ 60,00/saco, o SPD11 resultaria em R$ 279,54 a mais do que o SPD7, e R$

405,13 a mais do que o CM, isso é uma renda bem atrativa ao agricultor, haja vista que não chega a R$ 3,00/h a diferença no consumo diesel. Quando a compactação está presente na lavoura e se torna um problema no desenvolvimento das culturas implantadas, a semeadura direta com guilhotina ou facão em maior profundidade se torna uma das soluções para se resolver em primeiro momento a descompactação do solo. Com isso, se gera um maior custo inicial quando comparado à semeadura mais superficial, mas melhora as condições físicas deste solo gradativamente, através do

Figura 1 – Teor de água do Nitossolo Vermelho durante o desenvolvimento da soja submetida a diferentes estratégias de melhoria física do solo. ¹ SPD7 – sistema plantio direto com sulcador atuando a 0,07 m de profundidade; SPD11 – sistema plantio direto com sulcador atuando a 0,11 m de profundidade; e CM – cultivo mínimo

Fotos David Peres da Rosa

David Peres da Rosa, Daelcio Vieira Spadotto, Diego Fincatto e Felipe Pesini, IFRS Sertão Rodrigo Zeni, Fapeg

Haste do tipo guilhotina utilizada com profundidade de 7cm a 11cm

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