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Maquinas 163 site

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Cultivar Máquinas • Edição Nº 163 • Ano XIV - Junho 2016 • ISSN - 1676-0158

Índice 4 Rodando por aí 5 Adequação de tratores 8 Regulagem de colhedoras 11 Construção de drones 14 Plantio mecanizado de cana 16 Capa - Inspeção de pulverizadores 20 Velocidade de semeadura 24 Semeadoras pneumáticas 27 Ficha Técnica - Fankhauser 30 Armazenamento de combustíveis

Destaques

Pouco avanço Inspeção periódica de pulverizadores conclui que pouca coisa melhorou nas máquinas quatro anos após a primeira vistoria

Plantio mecanizado O plantio mecanizado da cana necessita de muitos avanços para se tornar mais eficiente e barato

Grupo Cultivar de Publicações Ltda. Direção Newton Peter

• Editor Gilvan Quevedo • Redação Rocheli Wachholz Karine Gobbi • Revisão Aline Partzsch de Almeida • Design Gráfico Cristiano Ceia

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Combustível na fazenda Saiba quais os cuidados necessários para armazenar adequadamente combustíveis e lubrificantes na fazenda

Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 www.revistacultivar.com.br cultivar@revistacultivar.com.br (*10 edições mensais + 1 conjunta Dez/Jan) Números atrasados: R$ 22,00 CNPJ : 02783227/0001-86 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Insc. Est. 093/0309480 € 130,00

• Coordenador Comercial Charles Echer • Vendas Sedeli Feijó Rithiéli de Lima Barcelos • Coordenação Circulação Simone Lopes

Capa - Amazone

C

Cultivar

• Assinaturas Natália Rodrigues Clarissa Cardoso Aline Borges Furtado • Expedição Edson Krause • Impressão: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.

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NOSSOS TELEFONES: (53) • GERAL

• ASSINATURAS

• REDAÇÃO

• MARKETING

3028.2000

3028.2070

3028.2060

3028.2065

Por falta de espaço, não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@revistacultivar.com.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.


RODANDO POR AÍ Gigante na Bahia

Oderly Dias Junior

Matopiba

De 24 a 28 de maio, a Massey Ferguson marcou presença na Bahia Farm Show, maior feira agrícola do Nordeste brasileiro. “Quem visitou o estande da marca teve a oportunidade de conhecer as mais recentes tecnologias desenvolvidas para aprimorar o trabalho no campo”, afirmou o coordenador de Vendas da Massey Ferguson, Oderly Dias Junior. Um dos destaques da marca foi a colheitadeira axial classe 8 MF 9895, equipada com motor AGCO Power; a máquina chega a fornecer até 510cv de potência.

Fenarroz

Produtores do setor orizícola encontraram no estande da Valtra, durante a Fenarroz 2016, uma série de opções de máquinas agrícolas especiais para o trabalho em solos de alta umidade e baixa sustentação, características das lavouras de arroz. Um dos destaques da marca foi o trator BM 125, de média potência, que oferece um novo sistema hidráulico de 58 litros/minuto. “Esse modelo apresenta grande diferencial, devido ao alto vão livre e ao tanque de combustível estrutural, o que proporciona uma facilidade de limpeza do trator – condição fundamental para o uso em áreas de arroz”, destacou o coordenador comercial da Valtra na região, Fabrício Muller.

Durante a Bahia Farm Show 2016, a New Holland, junto com as concessionárias Jaraguá Bahia e Justi, expôs todo seu portfólio de produtos voltados ao produtor rural do Matopiba. “O evento foi uma oportunidade para estreitarmos o relacionamento com os clientes e de promovermos ainda mais a nossa marca”, afirmou o gerente comercial da New Holland, Claudio Calaça. Os principais destaques da marca foram a plantadeira PL5000 e a colheitadeira classe 8 CR8090.

Claudio Calaça

Agro Amazônia

A Agro Amazônia, concessionária John Deere com sede em Tangará da Serra (MT), inaugurou no dia 20 de maio mais uma filial do grupo, em Sapezal (MT), localizada a 480 quilômetros de Cuiabá. As novas instalações visam gerar mais conforto e agilidade no atendimento aos clientes. “Sapezal é uma região que possui uma das maiores produções de milho, soja e algodão. Ampliamos em 1.300m² de área construída para oferecer uma melhor estrutura de pós-venda”, explicou o diretor Comercial e de Marketing da Agro Amazônia, Marco Miranda.

Fabrício Muller

Cabinados

Nelson Watanabe

Durante a 19ª Expocafé, a Agritech, fabricante dos tratores e microtratores Yanmar Agritech, apostou em sua linha de cabinados de fábrica. O modelo de 85cv ganhou novos diferenciais e completa a linha que conta também com os modelos 1155-4, de 55cv, 1155-4 Super Estreito e o modelo 1175-4, de 75 cv. “Nossa linha de tratores cabinados foi desenvolvida para garantir maior segurança e conforto nas operações, conforme exigências das normas regulatórias vigentes”, explicou o gerente do Departamento de Vendas, Nelson Watanabe.

Comemoração

A Schroder Consultoria realizou em junho a décima etapa do Curso de Atualização em Fitossanidade e Tecnologia de Aplicação, em Santa Maria (RS). Entre os palestrantes, estavam o pesquisador americano Alan McCraken e o fitopatologista Ricardo Balardin. Na ocasião, a Schroder Consultoria comemorou também os dez anos de registro da marca e 20 anos de consultoria. “Esta edição marca o sucesso de um curso que todos os anos procura atualizar os produtores e operadores sobre as novas técnicas de controle fitossanitário”, explica o diretor Eugênio Schroder.

Rogator Um dos destaques da Valtra na Bahia Farm Show foi o pulverizador Rogator 1300 Challenger. “O Rogator 1300 Challenger é uma máquina de performance superior, desenvolvido para clientes que procuram alta produtividade com qualidade e precisão na distribuição de fertilizantes e corretivos. Com tecnologia de ponta, possui piloto automático hidráulico, telemetria, taxa variável e é um equipamento robusto, com chassi Flex Frame, configurado para trabalhar com alto rendimento nas grandes áreas agrícolas”, explica o coordenador de Marketing de Produto, Lucas Zanetti.

Lucas Zanetti Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br

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TRATORES

Pronto para o trabalho

Fotos Charles Echer

Avaliação mostra comportamento do conjunto trator e grade, no revolvimento de solo atuando com diferentes configurações de lastragem

O

uso de trator e implementos agrícolas pode contribuir no aumento da produção das culturas e melhorar o rendimento da mão de obra empregada no campo, possibilitando ao produtor rural obter melhor retorno financeiro em sua atividade. Por outro lado, quando esses equipamentos são utilizados de forma inadequada, podem causar sérios problemas econômicos e ambientais. Assim, os fatores básicos de adequação do trator ao implemento e as condições do solo a ser trabalhado devem ser considerados durante o planejamento e a execução das operações, minimizando perdas de eficiência operacional do conjunto mecanizado. Bem como a degradação dos indicadores de qualidade física do solo. A versatilidade do trator frente às operações que o mesmo pode desempenhar no campo exige ajuste e/ou adequação para cada operação, procurando

alcançar a maior eficiência em cada uma destas. Entre as principais adequações estão velocidade de trabalho, potência requerida pelo implemento, tipos, índice de patinagem, pressão de inflação nos pneus e adição de lastros à estrutura do trator.

Nas operações de revolvimento do solo é fundamental adequar o conjunto trator/implemento às condições do terreno a ser trabalhado. Sobretudo, as relacionadas às físicas do solo, como a umidade no momento do revolvimento, a declividade e a cobertura vegetal da

O parâmetro que deve ser considerado na adequação de tratores é a relação peso/potência

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Tabela 1 - Média das variáveis índice de patinagem, eficiência de operação, consumo horário de combustível, em quatro níveis de lastragem do trator operando em preparo do solo com grade de discos .M Tratamentos

Eficiência de operação

L1 L2 L3 L4

57,11 58,80 51,12 49,51

Índice de Patinagem (%)

Tabela 2 - Índices de patinagem recomendados para tratores em operações agrícolas

Fotos Charles Echer

Trator 4x2 4x2 – TDA e 4x4

Patinagem (%) 10 a 15 8 a 12

área. Considerando os aspectos listados anteriormente, foi realizado um trabalho de adequação de trator à atividade de revolvimento do solo na fazenda Barretense, localizada no município de Altamira, Sudoeste do estado do Pará, em uma área de 1,5 hectare formada por Latossolo Amarelo de Textura Franco-Argilo-Arenoso, de relevo suave, declividade média de 4%, que estava em pousio por cerca de cinco anos. No experimento foi avaliado o desempenho operacional do trator agrícola sob diferentes condições de lastragem. Foi realizando revolvimento do solo, seguido de análise dos tratamentos propostos em algumas propriedades físicas do solo. Foi utilizado um trator agrícola 4x2 TDA, com potência de 63kW @ 1.900rpm; equipado com pneus dianteiros 12.4-24 R1 e traseiros 18.4-30,

9,13 6,94 6,00 5,59

Consumo de combustível (L/h) 11,13 10,67 8,90 11,23

inflados com 24 e 26 PSI, respectivamente. O implemento de revolvimento utilizado foi uma grade intermediária de 1,5m de largura de trabalho, equipada com discos de 26” de diâmetro, operando a 0,30m de profundidade. Os tratamentos seguiram a seguinte configuração: L1 = trator sem lastro; L2 = 75% de lastro líquido e 100kg de lastros metálicos no eixo traseiro e 64kg de lastros metálicos no eixo dianteiro; L3 = 75% de lastro líquido e 200kg de lastros metálicos no eixo traseiro e 128kg de pesos metálicos no eixo dianteiro; L4 = 75% de lastro líquido e 300kg de pesos metálicos no eixo traseiro e 192kg de lastros metálicos no eixo dianteiro. Foram medidos o índice de patinagem, a eficiência de operação e o consumo de combustível e determinados os indicadores de qualidade física, a densidade, a macroporosidade e a microporosidade do solo.

DESEMPENHO NO CAMPO

Na Tabela 1 são apresentados os resultados de desempenho operacional do conjunto trator e grade, seguidos dos

resultados dos indicadores de qualidade física do solo, baseados nos arranjos de lastragens propostos. Baseando-se nos valores de referência da literatura, os resultados de eficiência operacional foram muito abaixo do índice mínimo de 70%. Esse comportamento pode ser explicado a partir das seguintes hipóteses: pequena largura de trabalho do implemento ou formato do talhão, ambas implicando em maior quantidade de manobras de cabeceira. Ou, ainda, pela falta de planejamento prévio da operação, que está diretamente relacionada com o nível de conhecimento técnico da equipe que irá coordenar e executá-la. Relativo aos resultados de índice de patinagem (I.P) (Tabela 1), exceto em L1, os demais tratamentos obtiveram resultados abaixo do intervalo entre 8 e 12%, considerado como adequado para configuração do trator utilizado neste ensaio. Conforme parâmetros da Tabela 2, o comportamento do I.P nos tratamentos L2 e L3, abaixo de 8%, está relacionado diretamente ao excesso de lastro. Condição que na rotina de operação de uma propriedade poderá causar o consumo excessivo de combustível, que neste ensaio (Tabela 1), está dentro da média para operação nas condições realizadas ou ainda o desgaste prematuro dos rodados, sobrecarga e avaria em alguns rolamentos e eixos do sistema de transmissão. Tanto a falta quanto o excesso de lastros são prejudiciais do ponto de vista mecânico, econômico e de conservação

Nas operações de revolvimento do solo é fundamental adequar o conjunto trator/implemento às condições do terreno a ser trabalhado, sobretudo, as relacionadas às físicas do solo

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Tabela 3 - Distribuição dos pesos para cada tipo de operação de acordo com o modelo do trator .M Modelo do trator 4x2 4x2 TDA

Eixo do trator Dianteiro Traseiro Dianteiro Traseiro

Arrasto 25% 75% 35% 65%

Equipamento Semi montado 30% 70% 35% 65%

Montado 35% 65% 40% 60%

Ronildo de Souza Santos

Conjunto trator 4x4 TDA e grade intermediária, utilizados no ensaio

Operação* Leve Média Pesada

Peso potência (kg. cv-1) 50 55 60

*Característica da operação

TDA: Tração dianteira auxiliar

do solo. Pois, uma mesma condição de lastragem não é universal para todas as operações. Portanto, é necessário adotar parâmetros técnicos e ajustar o trator às condições da operação proposta. Como forma de orientação, no momento da lastragem, deve ser considerada a distribuição dos lastros sobre a estrutura da máquina. Devem ser considerados o tipo de trator e a forma de atrelamento do implemento a este, obedecendo os parâmetros contidos na Tabela 3. Na Tabela 5 estão contidos os resultados da avaliação das configurações de lastragens propostas neste trabalho, incidindo sobre alguns indicadores de qualidade física do solo. Resultado este que, de acordo com a literatura, estão próximos ao limite máximo aceitável, que garante o desenvolvimento radicular da maioria das culturas de valor econômico. A densidade do solo é um indicador de qualidade física do solo, que indica qual a massa do solo, considerando os espaços porosos, contida em um determinado volume. Com valores máximos aceitáveis podem variar de 1,60g/cm3 a 1,80g/cm3, para argiloso e arenoso, respectivamente. Neste trabalho, com as configurações utilizadas em apenas um ciclo agrícola, os valores obtidos não representam fator

Tabela 4 - Pesos para cada tipo de operação de acordo com a potência máxima disponibilizada pelo motor do trator

impeditivo para o desenvolvimento radicular das culturas. Entretanto, em pesquisas sob condição semelhante, conduzidas em áreas produtoras de feijão no Nordeste paraense, sob Latossolo Amarelo, textura média, constatou-se que, após cinco anos, houve o aumento na densidade do solo e a formação de uma camada compactada abaixo dos 30cm de profundidade, influenciando diretamente no desenvolvimento do sistema radicular da cultura. Relativo à macroporosidade e à microporosidade (Tabela 5), os resultados foram semelhantes aos encontrados no solo não gradeado (testemunha), variando de 0,30m/m3 a 0,34m/m3 e 0,17m/m3 a 0,19m/m3, macroporosidade e microporosidade, respectivamente. Estes resultados estão bem acima da condição mínima de 0,10m/m3 para a macroporosidade, conforme descrito em inúmeras pesquisas que abordam assuntos inerentes à interação solo/ máquina. Por fim, para realizar as operações agrícolas mecanizadas de forma mais econômica possível, é recomendável que o produtor, em conjunto com os assistentes-técnicos da iniciativa pri-

U

Tabela 5 - Densidade do solo-DS, macroporosidade - MACRO, microporosidade - MICRO, no perfil de 0-30cm, em área sob revolvimento com o trator e grade intermediária, operando sob quatro condições de pastagens Trat. Testemunha L1 L2 L3 L4

D.S (g.cm-3) 1,48 1,48 1,53 1,53 1,54

Macro

Micro (m.m ) -3

0,33 0,34 0,30 0,32 0,31

0,18 0,19 0,18 0,17 0,17

vada ou pública, antes de realizar as operações, de forma conjunta, avalie e planeje as mesmas. Considerando, sobretudo, as questões inerentes ao controle de qualidade de operação, medição da patinagem, monitoramento e ajuste periódico da pressão de inflação dos pneus, de acordo com as recomendações dos fabricantes dos equipamentos, e faça a correta regula.M gem dos implementos. Ronilson de Souza Santos, FEA/UFPA-Altamira Jairo de Souza Neres, Semat-Altamira Jefferson Sandi e Kleber Pereira Lanças, FCA-Unesp/Botucatu-SP

Relação peso/potência

m parâmetro que deve ser considerado na adequação de tratores é a relação peso/potência, informação esta que indica quantos quilogramas de cada unidade de potência (cavalo-vapor ou quilowatt) serão responsáveis por deslocar na atividade tratórica. Essa informação deve ser obtida após a lastragem do trator, com valores que deverão variar entre 50kg/c.v e 60kg/c.v, conforme a Tabela 4, considerando as

características da operação a ser realizada. Operação leve: (baixa exigência de tração). Por exemplo: gradagem leve, pulverização, roçadas etc. Operação média: (exigência intermediária de tração). Como exemplos podem-se citar gradagem intermediária, semeadura, plantio etc. Operação pesada: (exigência pesada de tração). É aquela que exige mais do trator, como sublogem, escarificação, destoca etc.

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Charles Echer

COLHEDORAS

Plataforma ajustada

Perdas na colheita de algodão em diferentes ajustes do espaço entre as placas de pressão e velocidade de deslocamento mostram que qualquer alteração nas regulagens é suficiente para mudar a quantidade de perdas e a qualidade final do produto colhido

A

colheita, última etapa do processo de produção no campo, é o momento em que o produtor aguarda o retorno de seus investimentos e trabalho. Porém, em muitos casos, não se obtêm maiores rendimentos por falta de condições adequadas de máquina ou clima que levam as perdas de colheita. As perdas podem ser parcialmente evitadas ou, em grande parte, minimizadas, se Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br

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alguns cuidados em relação à colhedora forem tomados, tais como monitoramento rigoroso das velocidades de trabalho, ajustes, regulagens de placas, limpeza correta, conhecimento e manutenção da eletrônica embarcada, periodicidade de manutenção e reabastecimento de graxas, água e detergente do sistema de umidificação. No processo da colheita existem dois tipos de perda, as quantita-

tivas e as qualitativas. As perdas em quantidade são exemplificadas pelo algodão que se encontra no chão devido a diversos fatores, algodão que permanece na planta após passagem da colhedora e perda de peso dos capulhos abertos devido ao atraso na colheita. Um dos problemas do algodão é a presença de impurezas na fibra já colhida advinda do processo da colheita. Por isso, é de suma im-


Fotos Hiago Henrique Zanetoni

Gráfico 1 - Valores médios de impurezas (%) em função das velocidades de deslocamento (km h-1)

B

A

C

Figura 1 – Colhedora (A), unidade de colheita (B) e regulagem da folga da placa de pressão (C)

portância o controle do conteúdo de caule e de folhas no algodão para a produtividade no processo de fiação. Um estudo foi realizado na Universidade Federal do Mato Grosso com o objetivo de apresentar uma velocidade de trabalho combinada com uma regulagem mecânica na plataforma, mais precisamente nas placas de pressão, que reduzam as perdas quantitativas e qualitativas da fibra de algodão. A principal função da placa de pressão é a de pressionar as cápsulas vegetais e o algodão contra os fusos. A folga existente entre os fusos e a placa deve ser de 3mm a 6mm. Recomendações indicam que a folga ideal seja em torno de 4mm. Caso esse espaço seja menor do que o recomendado, os fusos podem tocar nas placas e provocar fagulhas e início de incêndio no algodão colhido; a regulagem incorreta também acarreta em perdas de

algodão na lavoura e facilita o embuchamento das unidades. A regulagem deve ser uniforme em toda a placa de pressão. O espaço entre a placa de pressão e os fusos deve ser regulado no campo conforme as características da cultura no momento da colheita, levando em consideração a umidade da pluma e semente, arquitetura e altura da planta, produtividade, variedade, horário de colheita entre outras.

TRABALHO EM CAMPO

O trabalho foi conduzido em uma propriedade no município de Primavera do Leste (MT). A colheita do algodão foi com espaçamento entre linhas de 0,90m, da variedade 944 GL – Bayer. A máquina utilizada foi uma colhedora do tipo picker da marca Montana, modelo cotton blue 2805. Foram avaliadas três velocidades de colheita (V1 = 3,67km/h; V2 = 4,96km/h e V3 =

Gráfico 2 - Médias de caule presente nas amostras do cesto da colhedora (%)

5,76km/h) e dois espaços entre as placas de pressão e os fusos (3mm e 6mm). Utilizando-se uma demarcação com área conhecida de 9m² (5m x 1,8m) foi coletado manualmente todo o algodão presente nas plantas e todo algodão na superfície do solo, para composição das amostras de produtividade e perdas. Após a passagem da colhedora na parcela, utilizando a mesma demarcação de 9m2, foram obtidas as perdas pós-colheita. Essas perdas estão relacionadas ao algodão que, após a passagem da máquina, fica retido no algodoeiro ou é derrubado no solo pela ação da máquina. Para determinação das perdas qualitativas, foram coletadas amostras do algodão com caroço retirado do interior do cesto da colhedora. As impurezas presentes nestas amostras foram separadas de forma manual em duas categorias (caule e cascas). O espaço

Gráfico 3 - Médias de caule presente nas amostras em função da velocidade de deslocamento (%)

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Gráfico 4 - Médias dos valores de perdas com e sem pressão na placa (%)

entre a placa de pressão e os fusos deve ser regulado para retirar o máximo de plumas, sem danificar mecanicamente a planta por causa de restos de caules, galhos entre outros contaminantes.

Fotos Hiago Henrique Zanetoni

RESULTADOS OBTIDOS

A porcentagem de impurezas para o espaço de 6mm, variou de 2,01% a 2,29% e para o espaço de 3mm variou de 2,93% a 3,28%. O espaço entre as placas e o fuso e o aumento da velocidade reduziram em aproximadamente 29,39%; 38,71% e 21,81%, respectivamente, a quantidade de impurezas na carga de algodão. É interessante observar que, independentemente da velocidade de operação o maior espaço entre a placa e o fuso resultou em maior quantidade de impurezas nas amostras.

Pré-colheita, para determinação de produtividade e perdas

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Gráfico 5 - Médias de perdas em função da velocidade de deslocamento (%)

A porcentagem de caule para a variação dos espaços entre as placas e o fuso variou de 0,51% a 0,65% para a menor e a maior distância, respectivamente. As placas com o espaço de 3mm aumentaram em até 21,5% a porcentagem de caules na fibra colhida. O Gráfico 3 apresenta os dados relacionados à velocidade de deslocamento para a variável presença de caule. Pode-se observar que independentemente da velocidade de deslocamento não ocorreram diferenças na quantidade de caule na carga de algodão. Os valores médios das perdas apresentados no Gráfico 4 demonstram que o aperto da placa de pressão reduz as perdas do algodão (7,76%) se comparado com a placa sem pressão (10,28%). Independentemente dos valores en-

Perdas na colheita após a passagem da colhedora

contrados relacionados às perdas, nota-se que estes valores estão acima do aceitável de 5%. Os resultados das perdas de algodão em função da variação das velocidades são apresentados no Gráfico 5. Observa-se que na menor velocidade (3,67km/h) ocorreram as maiores perdas com valor de 10,23% e na maior velocidade (5,76km/h) ocorreu a menor perda com valor de 8,12%, não diferindo da velocidade (4,96km/h). A maior perda na menor velocidade pode ser devido ao maior tempo que a planta fica nas unidades da colheita. O maior espaço entre as placas de pressão e os fusos ocorre redução na quantidade de caules no algodão. A redução de caules presentes na fibra aumenta a qualidade da mesma, pois no beneficiamento a fibra será menos agredida para remoção dos galhos presentes em menor quantidade. A maior velocidade de deslocamento resulta na maior eficiência da colhedora, pois é nesta velocidade que ocorrem as .M menores perdas. Hiago Henrique R. Zanetoni, Renildo Luiz Mion, Nayra Fernandes Aguero, Cíntia Michele Baraviera, Renato Bassini, Willian Lima Crisostomo, Carlos Alberto Viliotti, Myllena Teixeira e Luiza Cabral, UFMT


TECNOLOGIA Carlos Alexandre Roman

Faça o seu

A construção de um drone para utilização em pesquisas de campo reduz de forma considerável os custos, permitindo inúmeras possibilidades de adaptação e programação conforme a necessidade do usuário

A

utilização na agricultura de Veículos Aéreos Não Tripulados (Vants), popularmente chamados de drones, vem notoriamente chamando a atenção de agricultores, técnicos de campo e pesquisadores em função das inúmeras possibilidades de uso nas propriedades rurais. Através da coleta de imagens, podem-se realizar avaliações visuais simples, permitindo desta forma identificar falhas de plantio, problemas na adubação, manchas dentro de talhões, bem como erros na aplicação de produtos fitossanitários. Em um nível mais criterioso de análise, os drones também podem atuar na obtenção de imagens georreferenciadas de propriedades rurais, permitindo o manejo e dimensionamento das áreas de cultivo, áreas de preservação permanente, que anteriormente só poderiam ser feitas através do uso de imagens obtidas com auxílio de aviões e satélites com custo consideravelmente elevado. Através das imagens coletadas com

auxílio do drone e com o uso de técnicas de geoprocessamento, podem ser gerados mapas topográficos visando a criação de modelos de irrigação e drenagem, índice de área foliar, nível de infestação de pragas, bem como deficiências nutricionais. Em função da diversidade de situações existentes na agricultura, as imagens coletadas em um período de tempo relativamente curto permitem um processamento mais rápido, antecipando o diagnóstico, a tomada de decisão e as intervenções no manejo da cultura. Existem, no mercado, diferentes modelos de drones e dos mais variados preços, sendo que o fator diferencial será o tipo de uso e do monitoramento a ser realizado. Um dos entraves encontrados por parte dos usuários que pretendem realizar a coleta de dados a campo recai sobre o alto custo desses equipamentos em função das particularidades e do grau de exigência, tanto do equipamento, quanto ao nível de

precisão das imagens a serem coletadas. A precisão na coleta de imagens está diretamente relacionada com a qualidade apresentada pelo drone, principalmente pela estabilidade de voo e autonomia, bem como do sistema utilizado na captura de imagens. A construção de um drone a partir de componentes existentes no mercado consiste numa alternativa considerada de baixo custo, principalmente quando se almeja a realização de trabalhos de pesquisa, o que permite readequar e programar o equipamento conforme a necessidade. Para a realização de análises e diagnósticos mais complexos, a simples coleta de imagens das áreas de cultivo não nos permite fazer inferências mais precisas, sendo que, para isso, são necessárias imagens no espectro visível e infravermelho. Após a coleta de várias imagens é necessário a geração de um mosaico, obtendo-se uma imagem de toda área considerada objeto do esJunho 2016 • www.revistacultivar.com.br

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Fotos Carlos Alexandre Roman

Quadricópteros desenvolvidos no Laboratório de Sistemas Inteligentes e Modelagem

tudo, a qual pretende-se analisar em uma etapa posterior. Com a utilização de diferentes espectros e de cálculos simples, podem-se obter parâmetros mais confiáveis como o NDVI (Índice de Vegetação por Diferença Normalizado) e o NDWI (Índice de Água por Diferença Normalizada). O NDVI permite diferenciar com maior clareza o nível de clorofila das plantas, sendo que, por exemplo, áreas com ataque de insetos ou doenças serão facilmente destacadas nas imagens. Por outro lado, o NDWI é um recurso interessante para as áreas de cultivo do arroz irrigado, podendo-se analisar

falhas na irrigação através da ausência de lâmina de água nas lavouras. Muitos trabalhos já em nível avançado têm sido realizados buscando correlacionar o NDVI referente ao teor de clorofila, a doenças e deficiências nutricionais das plantas cultivadas, porém, ainda necessita-se de maiores estudos visando determinar a altitude ideal de voo, bem como a calibração e validação dos modelos. Nesse contexto, o Laboratório de Sistemas Inteligentes e Modelagem (LabSIM), pertencente à Universidade Federal do Pampa – Campus Itaqui (RS), vem realizando diversas pesquisas voltadas

à área agrícola referentes à aquisição de dados e desenvolvimento de tecnologias alternativas de baixo custo. A construção de um drone do tipo quadricóptero, alvo das pesquisas realizadas no laboratório, consiste basicamente de um hardware, um firmware e um software. O hardware é a estrutura física do conjunto, sendo composto por um microcontrolador capaz de seguir comandos, bem como receber a leitura dos sensores e enviar comandos aos motores de propulsão. Dentre os sensores utilizados, tem-se um sensor inercial composto de acelerômetro e giroscópio, ambos responsáveis pela estabilidade e o equilíbrio do conjunto, um sensor de pressão barométrica e um sonar, utilizados no controle da altitude. O GPS e magnetrômetro (bússola) são responsáveis pelo posicionamento e orientação do drone, sendo necessário também um módulo transmissor e receptor para o sistema de telemetria, que permite a comunicação com a estação de controle, e um rádio controle para operação manual. O microcontrolador utilizado é um Arduíno Mega 2560 equipado com uma placa contendo todos os sensores, sendo que o frame (estrutura do quadricóptero) foi construído com tubos e chapas de alumínio. O sistema de propulsão é composto por controladores eletrônicos de velocidade (ESCs), motores brushless e propelentes (hélices). A estrutura permite o acoplamento

Primeiro quadricóptero desenvolvido e utilizado nos testes tipo quadricóptero, alvo das pesquisas realizadas no laboratório, consiste basicamente de um hardware, um firmware e um software

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Custos dos principais componentes

O custo para fabricar um drone varia entre R$ 2 mil e R$ 10 mil

de uma câmera para coleta de imagens e um gimbal, mecanismo este que permite manter a câmera sempre em um ângulo vertical durante o voo. O firmware consiste de um conjunto de instruções programadas carregadas no microcontrolador, responsável por gerenciar todas as operações internas, como leitura dos sensores e controle da potência dos motores. Utiliza-se o firmware MegaPirateNG, este sendo de código aberto, compatível com todos os sensores do conjunto. O software é instalado na estação de controle (notebook ou tablet), na qual recebe as informações de voo, bem como a definição de parâmetros, calibração e plano de voo, caso o sistema seja autônomo. Com o sistema autônomo, é possível traçar o plano de voo utilizando mapas georreferenciados através de mapas do Google Maps. Ainda, as ações que serão realizadas como captura de imagem, mudanças de velocidade e altitude são configuradas conforme a necessidade do usuário. Quando o usuário optar somente por construir um drone para realizar análises visuais, a partir das imagens das áreas de cultivo, utilizando para isto uma câmera fotográfica compacta, o valor do equipamento com os componentes agregados fica aproximadamente R$ 2 mil. Porém, quando a pesquisa a ser realizada necessitar de imagens que permitam fazer análises detalhadas e com um nível de precisão mais apurado, torna-se necessário o

Descrição dos componentes Arduino Mega 2560 Shield montado Sensor MPU-6050 (Acelerômetro e giroscópio de 6 eixos) Sensor BMP180 (Sensor de pressão barométrica) Sensor HMC5883L (Magnetômetro) Sensor SR-04 (Sensor ultrassônico) Módulo Telemetria GPS Ublox NEO-6Q Antena GPS ESCs (Eletronic Speed Controller) Motores Brushless EMAX 2822 1200 kv Hélices 10x4,5 CC CCW Frame montado com canos e chapas de alumínio Bateria LiPo 2200 mA 25c Radio Turnigy 9X com transmissor e receptor Câmera fotográfica digital Servo motor

uso de câmeras especiais (espectro visível e infravermelho), cujos valores podem ultrapassar facilmente os R$ 10 mil.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir de componentes eletrônicos comuns existentes no mercado, torna possível construir um drone de acordo com a necessidade, sendo uma alternativa considerada viável para a realização de pesquisas em função de sua versatilidade e capacidade de adaptação a diferentes equipamentos

Quantidade 1 1 1 1 1 1 1 1 1 4 4 8 1 2 1 1 3

Preço Unitário (R$) 99,00 10,00 32,90 15,00 15,00 10,00 180,00 46,00 20,00 36,00 45,00 9,37 30,00 130,00 600,00 350,00 20,00

.M

Total (R$) 99,00 10,00 32,90 15,00 15,00 10,00 180,00 46,00 20,00 144,00 180,00 74,96 30,00 260,00 600,00 350,00 60,00

e sensores. Além dessas vantagens, menciona-se ainda o baixo custo dos componentes, fator este de extrema importância, principalmente em períodos de escassa disponibilidade de recursos, exigindo, desta forma, o desenvolvimento de novas tecnologias e .M sistemas alternativos. Carlos Alexandre Romani, Paulo Fernando Escobar Paim, Alexandre Russini, Rogério de Vargas Rodrigues e Cristiano Galafassi, LabSIM, Univ. Federal do Pampa

Exemplo de plano de voo do drone construído no laboratório para coleta de imagens

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PLANTADORAS

Desafios para plantar

Fotos Charles Echer

Plantio mecanizado ainda precisa superar muitos desafios para tornar-se eficiente. Os principais gargalos são a falta de mão de obra qualificada para operar as máquinas, um sistema dosador que não danifique as mudas e uma máquina específica para a colheita

A

implantação de novas tecnologias pode alterar o atual sistema produtivo da cana-de-açúcar e assim reverter as enormes perdas da cadeia sucroenergética. Para ampliar a rentabilidade de qualquer atividade é essencial o investimento em tecnologias que, somadas a uma gestão mais eficiente das operações, garantem redução de perdas na lavoura. No final da década de 1970, com a criação do programa Proálcool pelo Governo Federal, a cultura da cana-de-açúcar sofreu uma grande expansão, necessitando de mais agilidade tanto na colheita como no plantio. Foi nesta época que se iniciaram, no Brasil, as primeiras tentativas de plantio e colheita mecanizada. Além desta expansão, a utilização de novas variedades com maior resistência e produtividade tornou mais evidente a necessidade de maior agilidade na operação de plantio, forçando assim o desenvolvimento de novas tecnologias, principalmente no que se refere a maquinário específico para o plantio de cana-de-açúcar. Hoje, oplantio mecanizado já é viabilizado na maioria das áreas cultivadas e a tendência é de forte crescimento. Nesse processo, todas as operações, desde Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br

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a colheita de mudas até o plantio, são realizadas mecanicamente. A colhedora é adaptada para a colheita de mudas e o plantio é realizado por uma máquina que abre o sulco, aduba, aplica produtos fitossanitários, coloca as canas dentro do sulco já picadas, fecha o sulco e nivela o terreno. A grande vantagem do plantio mecanizado está na possibilidade de introdução de outras técnicas, como plantio direto e utilização de GPS. A plantadora munida de GPS registra a posição das linhas de plantio, para que a colhedora com piloto automático possa colher exatamente em cima de onde foi plantado.

TECNOLOGIA

Falta de mão de obra qualificada, máquinas mais sofisticadas e aumento no uso de mudas são os principais gargalos no plantio mecanizado. O processo de evolução das máquinas tanto de plantio como de colheita foi muito rápido. A introdução de equipamentos eletrônicos, como GPS (global position system), piloto automático telemetria (envia dados de desempenho da colhedora para a usina), medidor de fluxo de colheita para realização de mapas de produtividade, vem exigindo uma qualificação da mão de obra que não está acom-

panhando o avanço tecnológico, ou seja: o Brasil está precisando no momento de educação e de cursos de treinamento de mão de obra para atender à nova demanda. Existem máquinas extremamente sofisticadas sendo operadas por pessoas cuja qualificação não acompanhou o desenvolvimento tecnológico. Normalmente, os cursos e treinamentos oferecidos não dão informações suficientes para que o operador consiga tomar decisões. O nível de escolaridade dos trabalhadores da zona rural é baixo, o que dificulta a realização de treinamentos que abordem uma visão mais ampla, ou seja: o operador aprende apenas a operar a máquina, sem ter um senso crítico da qualidade do trabalho realizado. O operador precisa ter consciência de que ele faz parte de todo um processo produtivo e que a qualidade de seu trabalho influenciará nas outras operações como, por exemplo: um plantio mal realizado irá influenciar negativamente a operação de colheita, aumentando as perdas e o consumo de combustível.

COLHEITA DE MUDAS

A colheita mecânica de mudas é responsável por aproximadamente 80% dos danos mecânicos nas gemas. Mesmo sofrendo adaptações, a colhedora


convencional danifica demais as mudas, o que reforça a necessidade do desenvolvimento de uma colhedora específica para mudas. O Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico está realizando estudos para viabilizar a construção de uma colhedora para mudas, que também pode ser utilizada para colheita em pequenas propriedades, e vem buscando parcerias que apoiem a ideia. Estas novas máquinas de plantio, apesar de terem rendimento operacional superior quando comparadas à técnica manual, apresentaram sérios problemas. O principal é a quantidade de mudas necessárias. Como as máquinas de colheita de mudas e plantio danificam muito as gemas, a necessidade de material propagativo aumentou. Para se ter uma ideia, no plantio manual a recomendação é de dez toneladas de mudas por hectare, enquanto que no plantio mecanizado a recomendação é de 18 toneladas de mudas por hectare. Um viveiro de mudas produz aproximadamente 80 toneladas por hectare, portanto, no plantio manual a taxa de multiplicação é de 1:8, ou seja, um hectare de mudas produz oito hectares de canavial. No plantio mecânico a taxa de multiplicação é de 1:4,4, o que quase inviabiliza este processo. Apesar desta desvantagem, o setor vem investindo neste sistema para que a tecnologia avance e consequentemente reduza a necessidade de mudas, o que afeta diretamente o custo de plantio.

EVOLUÇÃO DO PLANTIO

Tradicionalmente o plantio da cana-de-açúcar, denominado de plantio manual, na verdade é semimecanizado, ou seja, a cana é colhida manualmente e amontoada, uma carregadora mecânica coloca os montes em um caminhão que as transporta até o local de plantio. O solo é preparado previamente com uma aração profunda e duas ou mais gradagens para destorroar e nivelar o terreno. Um trator abre o sulco e aduba, o caminhão entra na área de plantio e as mudas são descarregadas manualmente. Os caules depositados no fundo do sulco são picados por um trabalhador com o auxílio de um facão e em seguida são cobertos de terra pelo trator.

Roberto da Cunha Mello

Colheita mecânica é responsável por 80% dos danos na muda

Neste sistema as operações de carregamento, transporte, abertura e fechamento do sulco são realizadas mecanicamente. As desvantagens são o baixo rendimento operacional e a grande necessidade de mão de obra, mas, mesmo assim, ainda é muito usado nos dias atuais. Na medida em que os canaviais foram sendo reformados, novas exigências foram implantadas para melhorar o desempenho das máquinas de colheita, como espaçamento adequado, nivelamento e sistematização do terreno. Outra exigência que impulsionou significativamente a colheita mecanizada foi em relação às leis ambientais, que restringiram a utilização do fogo, para eliminação da palha, como prática pré-colheita. A máquina quase não apresenta quebra de rendimento em função de cana ser colhida sem queima. Em função do aumento da demanda da operação de plantio, tanto para reforma como expansão da área plantada, o setor se viu forçado a desenvolver um sistema que fosse totalmente mecanizado. Neste sistema a máquina de plantio abre o sulco, aduba, aplica produtos fitossanitários, deposita as mudas picadas

no fundo do sulco, fecha o sulco e nivela o terreno. Ainda não existe uma máquina que consiga dosar adequadamente a quantidade de mudas a serem lançadas no sulco, e com a quantidade de material propagativo maior do que o necessário para compensar as gemas danificadas, ocorrem brotação desuniforme e aumento da competição entre os brotos, o que também é mais um fator que prejudica todo o processo de plantio. Como no sistema de plantio mecanizado a taxa de multiplicação é muito baixa, o que dificulta muito a introdução de novas variedades, o Centro APTA de Cana desenvolveu um sistema denominado de MPB, no qual as gemas são germinadas dentro de uma estufa com ambiente (umidade e temperatura) controlado. Após a germinação, as novas plantas são transferidas para uma estufa onde permanecerão por aproximadamente 20 dias e depois serão colocadas em pleno sol e com a irrigação reduzida até estarem em condições de irem para o campo. A grande vantagem deste sistema é uma maior uniformidade do estande e maior taxa de multiplicação. No momento, o maior desafio para o plantio mecanizado é desenvolver uma colhedora específica para colheita de mudas. O Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico vem trabalhando esta ideia, inclusive buscando parceiros para viabilização deste projeto. Acreditamos que em um futuro próximo todas as etapas do plantio mecanizado estarão dentro de padrões aceitáveis de .M qualidade e rendimento. Roberto da Cunha Mello, CEA – IAC

No momento o maior desafio para o plantio mecanizado é desenvolver uma colhedora específica para a colheita de mudas

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Mesmos erros

Programa de Inspeção Técnica de Pulverizadores, iniciado em 2008, constata quatro anos depois da primeira inspeção que pouco ou nada melhorou no estado das máquinas avaliadas

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Amazone

CAPA

A

inda que a eficácia dos defensivos oferecidos atualmente seja grande, a deposição destes produtos pelos meios e formas de aplicação utilizadas é ineficiente, pois muitas vezes não se utiliza a melhor técnica ou o melhor equipamento de aplicação. O uso de pulverizadores agrícolas mal regulados, com pontas de pulverização inadequadas ou desgastadas, e o uso de doses excessivas de defensivos são alguns dos fatores que contribuem para a ineficiência das aplicações e impacto sobre o meio ambiente. Os pulverizadores agrícolas são equipamentos que devem estar sempre em boas condições de uso para que se evitem problemas de contaminação ambiental e intoxicação dos trabalhadores envolvidos na operação. Uma das saídas para evitar estes problemas consiste em se fazer uma adequada revisão, manutenção e calibração destes equipamentos durante o período da sua utilização. Para verificar o correto funcionamento e utilização dos pulverizadores nos processos de aplicação dos defensivos tem-se desenvolvido métodos de avaliação da qualidade destes equipamentos. Uma saída encontrada tem sido a inspeção periódica destas máquinas. Vários agentes envolvidos em pesquisa e extensão têm desenvolvido métodos de inspeção periódica, alguns com metodologia particular e outros tendendo a uma uniformização de procedimentos. A implantação da metodologia descrita no conjunto de procedimentos contidos na Norma ISO 16122 para inspeção de pulverizadores agrícolas é uma alternativa promissora no que diz respeito à redução das perdas de defensivos e consequente contaminação ambiental e intoxicação dos agentes envolvidos. O resultado da melhoria e adequação das condições das máquinas é o aumento da eficiência no controle do alvo biológico. Dependendo do país ou da região, as inspeções de pulverizadores agrícolas podem ser realizadas de forma obrigatória ou voluntária, porém, até


Fotos Alfran Tellechea Martini

Figura 1 - Etiquetas de classificação dos pulverizadores perante a aplicação da Norma ISO 16122.

então havia diferenças nas metodologias utilizadas para avaliação destes pulverizadores. Alguns países desenvolvidos como os que compõem a União Europeia adotaram a normativa EN 13790, que definia o procedimento a ser utilizado nas inspeções, determinando de forma independente o desempenho das partes dos pulverizadores, diagnosticando os itens e separando em categorias os defeitos de cada ponto avaliado. Sendo assim, após a publicação da Normativa Europeia de Uso Sustentável de Pesticidas criou-se a nova série de normas internacionais ISO 16122, tendo por objetivo uniformizar a metodologia utilizada para inspeção de pulverizadores em âmbito mundial. Com isso, os diferentes organismos responsáveis pelos Estados membros da União Europeia credenciaram órgãos para a certificação de equipamentos de pulverização, pois nestes países todos os pulverizadores agrícolas devem ser

submetidos a uma criteriosa avaliação. Nesse sentido, dependendo da desconformidade apresentada, o mesmo pode ser reprovado e não mais executar a atividade de pulverização caso apresente falta de segurança ao operador ou risco de contaminação aos seres humanos e ao meio ambiente. O uso excessivo de defensivos para proteção de plantas, não somente é antieconômico, como também provoca consequências adversas à saúde humana, ao meio ambiente e à agricultura. Para se realizar pulverizações precisas, os pulverizadores devem estar sempre em boas condições de uso, sendo que este fator está relacionado diretamente à sua manutenção. Com a precariedade encontrada nas máquinas agrícolas voltadas para pulverização de defensivos, há necessidade que sejam realizadas avaliações criteriosas nesses equipamentos. Neste sentido, visando contribuir

Posicionamento inadequado das mangueiras na barra de pulverização e obstrução do fluxo de calda no sistema hidráulico

com a minimização das perdas, diminuir os erros nas aplicações de defensivos e consequentemente reduzir a contaminação ambiental, na região de abrangência da Universidade Federal de Santa Maria, no ano de 2008, o laboratório de Agrotecnologia (Agrotec), ligado ao Núcleo de Ensaios de Máquinas Agrícolas (Nema), implementou o projeto de Inspeção Técnica de Pulverizadores Agrícolas no Rio Grande do Sul, sob coordenação do professor doutor José Fernando Schlosser. Em uma primeira fase a abrangência foi a região da Depressão Central do Rio Grande do Sul. O objetivo deste projeto foi levantar os dados referentes ao estado de uso e conservação dos pulverizadores, orientar agricultores sobre regulagem e calibração dos equipamentos, organizar a metodologia de inspeção e georreferenciar as propriedades para futuros trabalhos. Este trabalho foi conduzido pelo engenheiro agrônomo Marçal Elizandro de Carvalho Dornelles. A primeira etapa deste projeto desenvolveu-se em 16 municípios, totalizando na inspeção de 84 pulverizadores agrícolas em uso na região da Depressão Central. As culturas atendidas pelas máquinas inspecionadas corresponderam a aproximadamente 23,2 mil hectares de área semeada entre soja, arroz, milho e trigo. Dos 84 pulverizadores avaliados, somente 21,4% apresentaram tempo de

Determinação da vazão das pontas e pressão do sistema utilizando caudalímetro e manômetro digitais

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Fotos Alfran Tellechea Martini

Manômetros para determinação da pressão do sistema de pulverização (esquerda) e conjunto técnico de inspeção de pulverizadores agrícolas (direita)

utilização de até cinco anos, 25% entre cinco e dez anos de uso, 16,7% entre dez e 15 anos e 36,9% com utilização superior a 15 anos. A máquina mais antiga em operação apresentou 41 anos e a utilização média dos pulverizadores foi de 17,3 anos (Dornelles, 2008). Ao avaliar o manômetro dos pulverizadores, Dornelles (2008) observou que 20,5% dos pulverizadores não apresentavam este item, 30,1% das máquinas estavam com os manômetros inoperantes e 49,4% possuíam este item em operação, porém somente 19,05% destes, foram aprovados após as avaliações de leitura de pressão, diâmetro externo e nível de glicerina. Após a inspeção destes 84 pulverizadores, o projeto foi concluído com constatação de que a condição encontrada dos pulverizadores é crítica quanto ao estado de conservação, uma vez que somente quatro pulverizadores foram aprovados ao uso. Os demais avaliados apresentaram uma ou mais desconformidades que necessitaram correção, sendo ainda que 60,71% dos pulverizadores apresentaram desconformidades graves. Posteriormente, em 2012, realizou-se a segunda etapa do projeto retornando às empresas rurais avaliadas em 2008 e os pulverizadores passaram por outra fase de inspeção, para verificação do seu estado. Esta etapa foi coordenada pelo engenheiro agrônomo André Luis Casali, que além de avaliar Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br

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os pulverizadores abrangeu os tratores utilizados para acionar os pulverizadores, verificando o estado de utilização. Ainda que se esperassem melhorias significativas nos pulverizadores inspecionados, isto não se confirmou, com exceção daqueles equipamentos novos que substituíram os que foram descartados. Os resultados mostram que há necessidade de um acompanhamento mais aprofundado aos usuários destes equipamentos na região, que possibilite aos produtores convencerem-se da necessidade de realizar a atividade de pulverização de defensivos de forma correta, com equipamentos adequados e calibrados. Desta forma, poderá haver melhor controle do alvo biológico, menor desperdício de produtos fitossanitários, o que consequentemente irá reduzir o custo da atividade, bem como a contaminação do meio ambiente. Com o objetivo de dar continuidade às atividades de inspeção de pulverizadores agrícolas, a UFSM, através do

Laboratório de Agrotecnologia, está começando a terceira etapa do projeto iniciando a realização de inspeções periódicas com a utilização dos procedimentos previstos na norma ISO 16122. Com este fim, foram adquiridos equipamentos específicos para a aplicação da norma ISO, da empresa belga Innovation Technology Environment Quality (Iteq). A terceira fase do projeto de inspeção periódica foi denominada Projeto de Inspeção de Pulverizadores Agrícolas (Pipa) e teve início em novembro de 2015. São realizadas visitas em empresas rurais e, quando possível, os pulverizadores são reunidos em locais predeterminados, para avaliação em série. Esta fase do projeto tem por objetivo determinar o estado de uso e conservação dos pulverizadores utilizados no setor primário, avaliando pulverizadores de barra acoplados aos três pontos do trator agrícola, pulverizadores de arrasto e autopropelidos. A inspeção é realizada mediante autorização do usuário e na presença do operador, sendo que primeiramente é realizada a apresentação da equipe, do projeto e da metodologia a ser utilizada. Para a realização das inspeções, está sendo utilizado o conjunto técnico de inspeção de pulverizadores agrícolas, que foi construído para atender os requisitos da norma ISO 16122. Este equipamento dispõe de dispositivos eletrônicos para determinar a vazão das pontas de pulverização, sensores digitais para calibração, medidores de pressão do sistema e bancada para aferição de manômetros. O sistema utilizado permite o arma-

Utilização de pontas de pulverização de diferentes marcas e tempo de uso (esq.) e filtros dos bicos com presença de resíduos


Vazamentos nos filtros de seções da barra de pulverização

zenamento dos dados de pressão interna e vazão das pontas de pulverização. Posteriormente, por comunicação via wi-fi com o software Iteq Communication API Sample versão 1.0.2, realiza-se o backup em um computador, formando um banco de informações dos pulverizadores avaliados. As inspeções são realizadas por meio de avaliações qualitativas e quantitativas. Entre os levantamentos quantitativos são tomadas informações correspondentes ao volume de aplicação real do pulverizador, vazão e condição das pontas, sistema de pressão e vazão da bomba de pulverização, espaçamento entre bicos e aferição do manômetro. Como levantamentos qualitativos estão relacionados às informações sobre proteção da árvore cardânica, presença de vazamentos, resíduos de defensivos, depósito de calda e água limpa, filtros, mangueiras e registros. Desta forma, é levada em consideração a presença, o estado de conservação e uso das partes que compõem os pulverizadores. O enquadramento em classes de cada pulverizador decorre do seu nível de conformidade aos critérios da Norma ISO 16122 (2015), podendo cada equipamento ser enquadrado em três classes: conformidade total, conformidade parcial e desconforme. Quando classificado em conformidade parcial ou desconforme, é realizado um esclarecimento ao responsável pelo equipamento sobre quais medidas poderão ser tomadas para correção dos pontos negativos constatados. Esta determinação está relacionada ao

Depósito da pulverização em partes estruturais da barra

Instabilidade da barra de pulverização

risco que apresenta ao meio ambiente, ao operador ou influência sobre a eficiência operacional. Depois de inspecionados, os pulverizadores recebem uma identificação de conformidade com seu número de registro e data em que foi realizada a inspeção (Figura 1), possibilitando, assim, o controle em uma base de dados dos equipamentos já inspecionados. Nesta base de dados, consta a identificação do pulverizador, sua marca, data de realização da inspeção, conformidade com a norma ISO e coordenadas geográficas da propriedade. Ao proprietário do equipamento é entregue um relatório técnico, onde constam dados sobre a inspeção, desconformidades observadas e medidas a serem tomadas para sua correção. Após as atividades de coleta dos dados, estes são tabulados e analisados para que ao finalseja entregue ao representante o relatório da inspeção e a realização da etiquetagem dos pulverizadores conforme sua classificação. O relatório é entregue pelo responsável pela avaliação, e neste consta informações dos pulverizadores, suas conformidades e desconformidades perante a metodologia da Norma ISO 16122. Neste momento, realiza-se troca de informações buscando sanar dúvidas que os proprietários e aplicadores possam ter com relação às suas máquinas e se realiza o agradecimento formal pela disponibilidade de seu tempo e máquina. O desenvolvimento do projeto de inspeção de pulverizadores agrícolas está apresentando boa aceitabilidade pelos produtores rurais, o que comprova a viabilidade das atividades e denota interesse em informar-se sobre

a prática adequada. O conjunto técnico utilizado para inspeção de pulverizadores permite avaliações precisas do processo de pulverização, viabilizando desta forma a condução deste projeto. Esta terceira fase mostra que há necessidade de dar sequência às inspeções de pulverizadores agrícolas, uma vez que até o presente momento não houve conformidade total de nenhum pulverizador com os critérios adotados pela Norma ISO 16122, possibilitando observar ainda que as condições de uso e conservação dos pulverizadores .M avaliados são críticas. Alfran Tellechea Martini, José Fernando Schlosser, Marcelo Silveira de Farias, Luis Fernando de Oliveira e Daniela Herzog, Agrotec/Nema - UFSM

Ausência de proteção das partes móveis

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SEMEADORAS

Sem correr

A velocidade de semeadura é um dos principais fatores que interferem na qualidade do plantio tanto em semeadoras convencionais como nas pneumáticas

N

o processo de implantação das culturas, para que possa expressar todo seu potencial durante o desenvolvimento e no final do ciclo, com a produção de grãos, é necessário realizar adequadamente o processo de semeadura. Sendo importante ajustar a quantidade de plantas, além de espaçamentos corretos por unidade de área, que possibilita alcançar população de plantas correta distribuída uniformemente na área. Nas culturas de soja e milho, entre outras, a distribuição de sementes é um fator tão importante, sendo necessário mecanismo dosador para cada semente, que é responsável por individualizar as sementes contidas no reservatório, sem danificá-las e distribuí-las uniformemente. A melhor distribuição das sementes é aquela em que as plantas ficam a mesma distância uma da outra, propiciando menor competição entre as plantas, consequentemente resultando em maior rendimento por planta e alta produtividade de grãos. A precisão da semeadura depende diretamente da precisão na dosagem executada pelos mecanismos dosadores de semente, sendo considerada parte mais importante da semeadora para

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proporcionar uniformidade de distribuição. Segundo as normas estabelecidas para avaliar sistemas distribuidores de sementes, tem-se que espaçamentos aceitáveis são aqueles entre 0,5 e 1,5 vez o espaçamento médio desejado (Xdes.), duplos são os espaçamentos menores que 0,5 vez o Xdes. e falhos para espaçamentos maiores que 1,5 vez o Xdes.. Tourino et al (2009) constataram que os dosadores pneumáticos podem proporcionar melhor distribuição das sementes e, consequentemente, maior produtividade, principalmente para culturas que não apresentam capacidade de compensar a ausência de plantas, ao ocorrerem espaços falhos após distribuição de sementes pela semeadora. É importante ressaltar que a ocorrência de falhas pode prejudicar o manejo de plantas daninhas, deixando espaço que favorece entrada de radiação solar, a qual atinge o solo e com isto favorece o desenvolvimento de plantas daninhas. A semeadura da cultura de milho com sistema pneumático tem se destacado quanto à distribuição das sementes com maior uniformidade em relação a semeadoras de discos horizontais, sendo encontrados

menos espaçamentos falhos e aumento dos espaçamentos aceitáveis, mesmo variando velocidade de semeadura, fato relacionado com menor rotação dos discos distribuidores de sementes de milho, devido ao menor número de sementes por metro.

VELOCIDADE DE SEMEADURA

A reduzida janela de semeadura em algumas regiões exige aproveitar ao máximo as semeadoras, e com isto elevam a velocidade para aumentar o desempenho operacional, que pode ser fundamental para aproveitar o potencial das cultivares e a condição climática mais adequada para desenvolvimento das plantas. A elevação do desempenho operacional de semeadura proporcionado pela maior velocidade de semeadura pode comprometer a uniformidade das plantas. A velocidade na operação de semeadura tem influência direta sobre a cobertura das sementes, independentemente do tipo e da marca da semeadora. Tem-se observado que velocidades de 4km/h a 6km/h, apre-


Fotos Leandro Rampim

Semeadora equipada com controlador eletro-hidráulico de distribuição de sementes, que permite a semeadura a taxa variável

sentam vantagem quanto à distribuição das sementes, independentemente do mecanismo dosador. No entanto, a maioria das pesquisas aponta velocidades de 5km/h a 7km/h como ideais, possibilitando obter maior rendimento operacional. Com variação das condições da área de cultivo, tipo de semeadora e tipo de sulcador, o aumento da velocidade pode revolver faixa mais larga no sulco de semeadura, em consequência, a roda compactadora não pressiona suficientemente o solo sobre a semente, prejudicando o estabelecimento da cultura. A distribuição longitudinal de sementes é afetada pela velocidade de deslocamento devido ao aumento da velocidade tangencial do disco de distribuição, tanto no sistema mecânico quanto no sistema pneumático, que, por sua vez, pode influenciar negatividade à produtividade da cultura e elevar o de-

sempenho de semeadoras-adubadoras. A velocidade de semeadura é um fator determinante para quem precisa trabalhar no período considerado ideal para implantação das culturas comerciais. A influência da velocidade da semeadura na distribuição longitudinal de sementes da soja tem sido verificada em diversos ensaios realizados com semeadoras com sistema pneumático. O aumento da velocidade implica em aumento nos espaçamentos múltiplos e redução dos espaçamentos aceitáveis (Figura 1). É necessário salientar que isto também ocorre com semeadoras com discos horizontais, pois ocorre aumento da rotação dos discos com aumento da velocidade de deslocamento, independentemente do sistema dosador da semeadora. Alguns trabalhos mostram que a produtividade é afetada pela velocidade de semeadura, pois este fator prejudica

a distribuição das sementes na linha. O excesso de velocidade na semeadura pode contribuir tanto para aumentar o número de falhas e plantas duplas, que podem resultar em competição entre plantas da própria cultura, além de desenvolvimento irregular. O deslocamento em velocidade elevada também pode elevar desuniformidade de profundidade de deposição das sementes, que acarreta em problemas de germinação das sementes e emergência das plântulas. Em testes realizados com semeadoras pneumáticas, a distribuição longitudinal das plantas tem sido influenciada pelo aumento da velocidade de semeadura, repercutindo em menor quantidade de espaçamentos aceitáveis e maior a quantidade de espaçamentos duplos, mantendo inalterados os espaçamentos falhos, consequentemente, prejudicando a uniformidade das plantas na área.

John Deere

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Fotos Leandro Rampim

Figura 1 - Uniformidade de plantas em função da velocidade de semeadura com semeadoras pneumáticas. Testes realizados com semeadora John Deere Série 2100, Modelo 2117 com 15 linhas de semeadura e espaçamento de 45cm entre linhas e semeadora John Deere Série DB, Modelo DB74 com 48 linhas de semeadura e espaçamento de 45cm entre linhas

O uso de sistemas como o Precision Planting permite agilidade para regulagem da população de plantas por hectare

Em outros trabalhos realizados, verificou-se que o aumento da velocidade de semeadura (de 5,5km/h a 10km/h), mesmo com semeadoras pneumáticas, de fato eleva espaçamentos duplos e reduz espaçamentos aceitáveis de sementes de soja, sobretudo, sem interferir na produtividade desta cultura, provavelmente devido às características da espécie, que consegue compensar espaços entre plantas, aumentando a produção das plantas próximas a estes espaços.

UNIFORMIDADE DE DISTRIBUIÇÃO

Segundo Tourino et al (2002), é necessário ter baixo número de plantas por metro linear na cultura da soja conjuntamente com elevada uniformidade de distribuição das plantas, para que possa alcançar elevada produtividade. Desta maneira, qualquer forma de uso das máquinas durante a implantação da cultura, que promova redução na uniformidade, como elevação das falhas, aumento de sementes próximas e redução de espaçamentos adequados entre plantas, tem-se redução no potencial produtivo da cultura. Caso ocorra alteração na uniformidade de distribuição das plantas, com aumento da velocidade de semeadura, mesmo com sistema de distribuição pneumática, reduz-se a probabilidade Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br

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de alcançar máxima produtividade. Tem sido verificado que ocorre redução da uniformidade de plantas ao elevar a velocidade, contudo, tem ocorrido compensação pelas plantas próximas aos espaços falhos, ocorrendo manutenção da produtividade devido aos aspectos genéticos relacionados à soja, a qual compensa ausência de plantas. Já, na cultura de milho, a compensação não é tão elevada, tendo sido verificada redução da produtividade ao elevar demasiadamente a velocidade das semeadoras pneumáticas, pela ocorrência de falhas. Por um lado, há elevação do rendimento operacional, podendo realizar a implantação da cul-

Leandro Rampim fala dos benefícios das semeadoras pneumáticas

tura em momento mais adequado, mas, ao observar a distribuição das plantas, ocorre diminuição da uniformidade das mesmas. Em alguns casos, com o aumento da velocidade tangencial do disco dosador pode ocorrer ausência de sementes em algumas células que capturam as sementes. Para contornar esta situação, tem-se recomendado o uso de aditivos, como grafite, permitindo maior deslizamento das sementes, repercutindo em redução de células sem sementes, sem capturar sementes no momento da semeadura devido à velocidade de deslocamento. Basicamente, para que uma planta possa atingir o seu máximo potencial de produção, deve-se garantir a ela condições de clima e solo suficientes para evitar a competição entre plantas. Distribuição adequada de plantas na área colabora com a penetração de luz no dossel da soja, incrementando produção de fotoassimilados e rendimento de grãos. A redução de espaços aceitáveis ou adequados entre plantas não evidencia diferença na produtividade com a implantação da cultura da soja, visto que esta cultura tem possibilidade de compensar espaços por ausência de plantas. Contudo, a elevação de espaços duplos evidencia a possibilidade de ocorrer duas plantas muito próximas,


explorando o mesmo volume de solo para absorver água e nutrientes, assim como competir por espaço para receber radiação solar, além de elevar sombreamento, que pode afetar negativamente a produtividade, dependendo das condições climáticas de cada ano agrícola.

TECNOLOGIA

Atualmente, os produtores rurais têm diversas tecnologias disponíveis para favorecer a semeadura. Uma possibilidade é o uso de semeadoras pneumáticas unidas com tandem, tracionadas simultaneamente por trator orientado por GPS com piloto automático. O conjunto trator + semeadoras utilizado na avaliação tem 18 linhas espaçadas a 0,5m, nove linhas em cada semeadora. A semeadora é equipada com o controlador eletro-hidráulico de distribuição de sementes, que permite a semeadura a taxa variável, e distribuidor de sementes pneumático Precision Planting. O uso destes sistemas permite agilidade para regulagem da população de plantas por hectare, elevando o rendimento da máquina, minimizando tempo para ajustes como a própria regulagem do número de sementes por metro linear. A atuação com semeadoras com maior número de linha permite monitorar e ajustar a velocidade de semeadura, de acordo com as condições de campo para sua realização com eficiência, buscando atingir adequada distribuição de sementes, com espaçamentos adequados entre plantas, que possibilita às plantas explorar o solo para o desenvolvimento e alcançar elevada produtivida-

de. A presença de caixas de sementes centralizadas também permite elevar o rendimento de área semeada, o que permite manter o deslocamento das máquinas em velocidade que possibilita explorar adequadamente o sistema de distribuição de sementes, principalmente o sistema a vácuo, que tem maior eficiência ao dosar as sementes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A regulagem adequada da semeadora, associada a sementes de qualidade (elevada germinação e alto vigor), se complementa, assim, pode-se almejar elevado teto de produtividade. Portanto, para atingir qualidade de semeadura, alguns fatores devem ser levados em consideração juntamente com a velocidade de semeadura adequada, assim como escolha do disco de sementes, regulagem da pressão do vácuo, distância entre semente e adubo, contato solo/semente e profundidade de semeadura. O uso de grafite facilita o deslocamento das sementes do interior da caixa até a deposição no solo. A cobertura uniforme nas sementes com grafite facilita o movimento das mesmas dentro da caixa, principalmente durante movimento do disco dentro da caixa de sementes, ao coletar semente para cada célula (furo) durante o processo de dosagem e distribuição. Uma alternativa para evitar elevada velocidade de semeadura é ter semeadoras com maior número de linhas, assim, a exigência por maior potência do trator, mantém o deslocamento

das máquinas em velocidade mais adequada. Outra alternativa para contornar o aumento da velocidade angular dos discos dosadores das semeadoras pneumáticas pode ser a utilização de um disco com mais furos, assim, há maior número de células, havendo giro mais lento do disco para deposição das sementes, consequentemente reduz-se a interferência da velocidade de semeadura no processo de dosagem das sementes. Assim, mesmo com elevação da velocidade de semeadura, o disco gira com rotação reduzida, minimizando problemas de distribuição de sementes. De forma geral, evidencia-se que o aproveitamento do sistema pneumático de distribuição de sementes presente nas semeadoras se faz com atenção em diversas outras situações que envolvem o sistema de produção. Para cada situação e para cada momento pode haver velocidade mais indicada, sendo necessário estar atento aos diversos fatores envolvidos com o processo de semeadura, fazendo uso de técnicas em conjunto para permitir velocidade adequada à semeadura, sempre atento para manter a qualidade da distribuição de sementes, profundidade das sementes, abertura de sulco, que podem, dependendo das condições ambientais, prejudicar o desenvolvimento e a pro.M dutividade das culturas.

Leandro Rampim, Sidnei Osmar Jadoski, Guilherme Augusto Bertelli e Felipe Milla, Unicentro

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SEMEADORAS Semeato

No devido lugar

A grande vantagem das semeadoras pneumáticas é a possibilidade de distribuir de forma precisa as sementes na linha de plantio, característica que para ser eficaz demanda atenção do operador

A

busca por máquinas que desempenhem funções mais precisas está cada vez mais forte no setor agrícola. Com o avanço da tecnologia, as semeadoras foram se aperfeiçoando cada vez mais, sendo capazes de efetuar inúmeras funções, como, por exemplo, dosar e distribuir sementes e adubos em diferentes espaçamentos e profundidades. Tipo de solo, clima, índice de precipitação pluviométrica, quantidade de matéria orgânica contida no solo são alguns fatores que afetam a produção final da cultura. Além disso, supõe-se que a velocidade de deslocamento da máquina irá interferir na distribuição longitudinal, profundidade de deposição e na densidade das sementes liberadas no solo, influenciando diretamente no estande final da cultura escolhida. Para que se obtenha uma maior Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br

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eficiência na distribuição e deposição das sementes e sejam evitados erros durante o processo de semeadura, todos os componentes da máquina devem estar em perfeita sincronia e regulados de acordo com a necessidade da cultura. Com a crescente produção de grãos graúdos, como o milho, torna-se cada vez mais necessário o estudo das máquinas que estão diretamente ligadas à produção de tais grãos. As semeadoras de precisão são responsáveis pela semeadura de grão graúdos, nela as sementes são depositadas individualmente ou em grupos, na linha, em intervalos regulares. Nestas semeadoras, o mecanismo de dosagem pode selecionar uma ou várias sementes para serem depositadas ao solo. Estudos apontam que a uniformidade de distribuição longitudinal de sementes é uma das características

que mais contribuem para um estande adequado de plantas e isso interfere diretamente na produtividade final da cultura. Para avaliar a deposição de sementes de uma semeadora pneumática, foi realizado um experimento na área experimental do Departamento de Engenharia Agrícola do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Ceará, Campus do Pici. O trator utilizado para tracionar a semeadora de precisão pneumática foi um Valtra BM, modelo 120 4x2 TDA (tração dianteira auxiliar), com um motor de 88.26kW (120cv), trabalhando a duas velocidades teóricas: 5km/h e 8km/h. A máquina utilizada para conduzir o experimento foi uma semeadora pneumática da Jumil, modelo JM2090EX.00. A semeadora foi regulada para distribuir sete sementes de milho/metro linear a uma


Fotos Eduardo Cavalcante

Gráfico 1A - Gráfico de controle do espaçamento entre sementes na velocidade de 5km.h-1; 1B - Gráfico de controle do espaçamento entre sementes na velocidade de 8km.h-1

Experimento para avaliar a uniformidade de distribuição das pneumáticas

profundidade de deposição de 5cm. O experimento foi realizado numa distância de 40m de comprimento e foram realizadas cinco repetições para cada fator. Nas linhas selecionaram-se aleatoriamente espaços de um metro para a avaliação. Os dados foram analisados através do software estatístico Minitab – versão 16, em delineamento inteiramente casualizado. Para avaliação dos dados foi utilizada a estatística descritiva básica, onde foram avaliados os seguintes parâmetros: média, desvio padrão, coeficiente de variância, simetria e curtose. A normalidade dos dados foi atestada pelos coeficientes de simetria e curtose. Em seguida, utilizou-se a análise de variância para os dados que apresentam normalidade. Foi utilizado o controle estatístico do processo (CEP) para avaliar os dados normais e verificar a estabilidade do processo. Verifica-se na Tabela 1 que a semeadora pneumática trabalhando na velocidade de 5km/h obteve a média de 16,04cm e para a velocidade de 8km/h a média obtida foi de 17,45cm. Nota-se que esses valores médios para os espaçamentos estão acima do valor que a semeadora foi regulada, indicando que houve erro durante o processo de semeadura, como, por exemplo, a alta vibração da semente no tubo condutor. Além disso, a velocidade de 8km/h apresentou maior irregularidade no espaçamento, confirmando estudos existentes onde os autores afirmam que quanto maior a velocidade de deslocamento, mais falhas poderão ser en-

contradas na distribuição de sementes. A velocidade 5km/h apresentou coeficiente de variação de 34,53% e a velocidade 8km/h obteve um coeficiente de variação de 36,30%. Esses resultados não foram satisfatórios, pois a literatura afirma que o coeficiente máximo aceitável para semeadoras pneumáticas é de 30%. Esses altos valores dos coeficientes de variação obtidos no experimento podem ter sido influenciados pelas características do solo, forma e tamanho da cultura utilizada, as variáveis em análise, entre outros fatores. Segundo Montgomery (1991), os valores do coeficiente de simetria e curtose maiores devem estar dentro do intervalo de -2 e 2, desta forma considera-se que os dados apresentaram distribuição normal. É possível verificar que os valores do coeficiente de simetria de 0,89 para a velocidade 5km/h e 0,48

para a velocidade 8km/h estão dentro dos valores esperados, apresentando normalidade no processo. O mesmo ocorreu para os valores de curtose de 1,49 para a velocidade 5km/h e 0,13 para a velocidade 8km/h que em ambos os casos apresentou normalidade. Mediante ao exposto, ao apresentar normalidade nas velocidades estudadas, a análise de variância é considerada eficiente para todas as velocidades avaliadas. A Tabela 2 apresenta os dados da análise de variância dos espaçamentos da semeadora nas velocidades 5km/h e 8km/h. Na análise de variância, observa-se que houve diferença significativa entre as médias dos espaçamentos das sementes das velocidades da semeadora pneumática de 5km/h e 8km/h a 5% de significância. Com base na Tabela 3, nota-se que houve diferença estatística pelo teste

Trator e semeadora utilizados no experimento realizado no Departamento de Engenharia Agrícola do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Ceará

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Fotos Eduardo Cavalcante

Tabela 1 - Dados da estatística descritiva básica da distribuição longitudinal de sementes para operação nas velocidades de 5 e 8km.h-1 Variáveis Observações Média (cm) Coeficiente de Variação (%) Simetria Curtose

Velocidade 5km.h-1 500 16,04 34,53 0,89 1,49

Velocidade 8km.h-1 500 17,45 36,30 0,48 0,13

Fonte: Elaborado pelo autor (2016).

Tabela 2 - Análise de variância dos espaçamentos da velocidade 5km/h e 8km/h Fator Erro Total

DF 1 998 999

SS 495,1 35344,2 35839,3

MS 495,1 35,4

F 13,98

P 0,000*

O experimento foi realizado numa distância de 40m de comprimento e foram realizadas 5 repetições para cada fator

NS: não significativo (P>0,05); *: significativo (P<0,05); Fonte: Elaborado pelo autor (2015).

Tabela 3 - Teste de médias da distribuição longitudinal de sementes para semeadora pneumática operando nas velocidades de 5km/h e 8km/h Velocidade 5km.h-1 Velocidade 8km.h-1

Total de amostras 500 500

Médias 16,046 a 17,453b

*Médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente entre si pelo teste MDS em nível de 5% de significância. Fonte: Elaborado pelo autor (2016).

MDS a 5% de significância. Este resultado mostra que a velocidade de 8km/h apresentou valor mais próximo para o qual foi regulada, se sobressaindo em relação à velocidade de 5km/h. Montgomery (2004) recomenda o CEP para a avaliação de processos normais para verificar a viabilidade de atender tais especificações e exigências de qualidade, além de determinar os pontos problemáticos do processo. Barros (2008) afirma que se 95% dos pontos estiverem dentro dos limites indicados, considera-se que o processo foi estável, porém, se mais de 5% das amostras estiverem fora do limite especificado, considera-se que o processo foi instável, ou seja, com uma grande variabilidade. Ao analisar o Gráfico 1A, é possível observar que o processo apresenta-se estável, pois apenas dez amostras estão fora dos limites de controle específico, e o ao analisar o Gráfico 1B, verifica-se que somente seis amostras estão fora dos limites de controle específico, sendo também classificado como estável. Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br

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Pesquisadores da UFCE avaliaram a interferência da velocidade de plantio na distribuição das sementes

A semeadora pneumática na velocidade de 5km/h apresentou espaçamento médio entre sementes de 16,05cm e na velocidade de 8km/h apresentou um espaçamento médio entre sementes de 17,45cm, porém, a mesma foi regulada para obter o espaçamento de 14cm entre sementes. O motivo pelo qual algumas amostras não se encontraram dentro dos limites de controle específico pode ser dado por interferências do mecanismo de distribuição de sementes, pelo deslizamento da roda motriz da semeadora

ou por conta das sementes. Observa-se no gráfico de controle que, em ambos os casos, os dados obtidos não possuem uma variabilidade alta, mostrando uma uniformidade, ou seja, a distribuição de sementes de milho em ambas as velocidades .M demonstrou-se eficaz. Eduardo Santos Cavalcante Daniel Albiero Rafaela Paula Melo Aline Castro Praciano Deivielison Ximenes S. Macedo, Universidade Federal do Ceará

Avaliação mostrou que o aumento da velocidade também ampliou o espaçamento entre as sementes depositadas no solo


FICHA TÉCNICA

Semeadora 5056 TR

A Semeadora Adubadora Autotransportável Modelo 5056 TR da Fankhauser, projetada para plantio direto e convencional de trigo, chega com versões de 30 a 70 linhas

A

Fankhauser lançou, no início de 2016, a Semeadora Adubadora Autotransportável Modelo 5056 TR para plantio direto e convencional de culturas como o trigo. Este modelo foi desenvolvido para o trabalho em grandes áreas, pois é robusto, apresenta grande autonomia de plantio, facilidade no deslocamento pela propriedade, além de aliar desempenho, precisão e flexibilidade. A 5056 TR está disponível em versões a partir de 30 linhas, podendo chegar até 70 linhas em dois corpos.

SISTEMA DE CORTE

DISTRIBUIÇÃO

A distribuição da semente é realizada através de rotores helicoidais, garantindo a uniformidade de distribuição, sem danificar as sementes. A

Fankhauser

O sistema de corte deste modelo de semeadora é feito através de disco duplo 15x15 desencontrado, o que proporciona maior poder de corte em solos compactados, palhadas e há pouca remoção de solo, exercendo um excelente desempenho em solos úmidos.

Um corte deficiente resulta, por sua vez, em problemas na deposição de sementes e fertilizante no sulco. O sistema de discos desencontrados também evita o embuchamento, que tem sido uma das principais reclamações dos produtores, ocasionando paradas constantes da máquina e reduzindo o desempenho operacional. Além disto, no embuchamento ocorre enleiramento das palhadas, implicando em maiores perdas de germinação, maior infestação do terreno por plantas daninhas, problemas na deposição de fertilizante e sementes, além de falhas na cobertura das sementes.

dosagem de distribuição da semente pode ser regulada através da abertura dos rotores, e na transmissão, pelo sistema pinheirinho, podendo ajustar a dosagem ideal para sua cultura. Possui roda de transmissão para acionamento dos eixos dosadores de sementes e fertilizantes com dupla vareta de molas, para manter firme a pressão de contato ao solo. E condutores de semente telescópicos. A dosagem e a distribuição de fertilizantes são através do sistema Fertisystem, garantindo a uniformidade na distribuição em terrenos planos e com inclinações. A uniformidade e a precisão na hora do plantio são fundamentais para garantir a produtividade da lavoura. Esse processo se torna completo com uma adubação equilibrada. A relação custo x benefício é evidenciada através do aumento de rendimento, com a regularidade na distribuição de fertilizantes. Com o dosador de precisão Fertisystem é possível regular e uniformizar a quantidade de fertilizantes, desta forma, os excessos ou as faltas de adubação são evitados. O princípio de funcionamento proporciona a eliminação do efeito de pulsação e anula as grandes variações das dosagens em inclinações topográfi-

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Detalhe do disco de corte duplo 15x15 desencontrado

cas encontradas no sistema do plantio direto. O resultado é a uniformidade de distribuição na linha e a dosagem constante, tanto na subida quanto na descida. O sistema Fertisystem é versátil na utilização de adubos com diversas granulometrias (granulado, farelado, pó etc), permitindo a escolha do melhor fertilizante conforme necessidade. Esse sistema permite realizar manutenções e trocas do sem-fim, de forma manual, através de engates rápidos, sem o uso de ferramentas, evitando a perda de tempo no plantio.

SISTEMA DE CONTROLE DE PROFUNDIDADE

O controle de profundidade e compactação é realizado através de dupla banda de borracha. Nas linhas dianteiras, a banda de borracha é estreita, com espessura de 50mm. Nas linhas traseiras, a banda de borracha é larga, com espessura de

70mm (podendo opcionalmente ser estreita). Esse sistema limitador e compactador possui nas bandas estreitas uma distância de 165mm entre as mesmas, e já o sistema de limitador e compactador largo possui

uma distância de 210mm, o que proporciona um ângulo de 2º de inclinação e, consequentemente, melhor desempenho em solos úmidos e de palhada, garantindo um perfeito estande de plantio da lavoura.

Distribuidor de sementes com rotores helicoidais garante uniformidade de distribuição, sem danos (esq.). Dosagem e distribuição de fertilizantes através do sistema Fertisystem, garante uniformidade na distribuição em qualquer terreno

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Fotos Fankhauser

Sistema de controle de profundidade e compactação

OUTRAS CARACTERÍSTICAS

A Semeadora Adubadora Autotransportável 5056 TR é, como o próprio nome diz, autotransportável, o que facilita o trânsito em estradas, porteiras, pontes e o acesso a galpões. Número de linhas Capacidade Semente Capacidade Adubo Potência do Trator Pneus Largura total Largura de Trabalho Largura de transporte Peso aproximado vazia

Ela possui boa autonomia de trabalho e capacidade de carga, atendendo as necessidades de um ótimo plantio e um aproveitamento máximo da área a ser semeada, pois as linhas de plantio abrangem a largura total da máquina, podendo plantar em beiras de cercas

ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS

.M

e divisas. O espaçamento entre linhas é regulável. Possui linhas pantográficas com rolamentos, que copiam as ondulações do terreno, proporcionando um excelente desempenho nos mais diversos tipos de solo e palhada. A 5056 TR possui também conjunto troca rápida de engrenagens dosadoras de semente e adubo para variação de dosagens; cabeçalho de trabalho totalmente hidráulico, facilitando ao operador na hora do transporte. Como opcionais são disponibilizados caixa para pastagem, caixa de adubo em aço carbono ou inox e limitadora traseira larga ou estreita, e pode ser equipada com sistema de agricultura .M de precisão.

5056 TR 33L. 5056 TR 35L. 5056 TR 37L. 5056 TR 39L. 5056 TR 41L. 5056 TR 43L. 5056 TR 45L. 5056 TR 60L. 5056 TR 70L. 33 Linhas 39 Linhas 45 Linhas 35 Linhas 37 Linhas 41 Linhas 43 Linhas 60 Linhas 70 Linhas c/170mm c/170mm c/170mm c/170mm c/170mm c/170mm c/170mm c/170mm c/170mm 1555 Litros 1646 Litros 1740 Litros 1835 Litros 1929 Litros 2023 Litros 2117 Litros 2823 Litros 3293 Litros 1710 Litros 1812 Litros 1915 Litros 2019 Litros 2122 Litros 2226 Litros 2329 Litros 3106 Litros 3623 Litros 165 CV 195 CV 225 CV 175 CV 185 CV 205 CV 215 CV 300 CV 350 CV 400/60-15.5 400/60-15.5 400/60-15.5 400/60-15.5 400/60-15.5 400/60-15.5 400/60-15.5 400/60-15.5 400/60-15.5 (14Lonas) (14Lonas) (14Lonas) (14Lonas) (14Lonas) (14Lonas) (14Lonas) (14Lonas) (14Lonas) 6170mm 7190mm 8210mm 6510mm 6850mm 7530mm 7870mm 10910mm 12610mm 5440mm 6460mm 7480mm 5780mm 6120mm 6800mm 7140mm 10180mm 11880mm 4561mm 4561mm 4561mm 4561mm 4561mm 4561mm 4561mm 4561mm 4561mm 9100Kg

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COMBUSTÍVEIS Fotos Charles Echer

Combustível conservado O armazenamento de combustíveis na fazenda requer uma série de cuidados especiais para preservar a qualidade do produto e garantir a segurança das instalações e dos trabalhadores

V

ocê sabe com qual combustível abastecer os tanques de suas máquinas? Se você ficou com dúvidas, não fique preocupado, pois não está sozinho. Uma parcela significativa dos usuários não tem clareza sobre o assunto. Atualmente, no mercado brasileiro, existem diversos tipos de óleo diesel à venda nos postos de distribuição de combustíveis. O óleo diesel é o combustível utiliJunho 2016 • www.revistacultivar.com.br

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zado para alimentar motores de combustão interna, de ciclo diesel, sendo resultado da destilação do petróleo bruto e formado, basicamente, por hidrocarbonetos (carbono e hidrogênio). Também possui concentrações de enxofre, nitrogênio e oxigênio. A grande maioria das máquinas agrícolas é abastecida com óleo diesel. Com o desenvolvimento de novas tecnologias nos motores a diesel, é de

suma importância o proprietário fazer o abastecimento com o combustível recomendado pelo fabricante do motor, pois este, muitas vezes, requer combustível com maior número de cetano e menor quantidade de enxofre. Encontram-se disponíveis mais de 20 diferentes tipos de óleo diesel, de onde se destacam o óleo diesel comum (S-500, S-50e o S-10), o óleo diesel aditivado e o diesel de inverno, sendo que cada tipo possui subdivisões que variam o teor de enxofre e o número de cetano, podendo ter ou não aditivos adicionados, como detergentes, antiespumantes, anticorrosivos, corantes, desemulsificantes, entre outros.

ÓLEO COMUM

O óleo diesel comum é encontrado em todos os postos de combustíveis por se tratar de um produto utilizado em grande escala. É diferente dos demais tipos por não possuir aditivos, podendo variar de coloração conforme


a distribuidora que o fornece (amarelo, laranja, vermelho e incolor). Nos postos, o óleo diesel está disponível em duas versões, S-500 e S-10. A versão S-500 possui 500ppm de enxofre e o número de cetano (índice para medir a qualidade de combustão) de 42. Já a versão S-10 possui teor de enxofre de apenas 10ppm e número mínimo de cetano de 48, sendo assim, um combustível que gera menor quantidade de poluentes para a atmosfera em função de possuir menor quantidade de enxofre e queimar com maior qualidade. Os fabricantes de motores diesel recomendam utilizar óleo diesel S-10, pois este combustível apresenta maior desempenho quando comparado com S-500 e menor taxa de carbonização do motor. O diesel S-10 é o único que atende aos mais rígidos padrões de qualidade dos motores, com presença de sistemas eletrônicos de injeção de combustível (em alta pressão), com sistema de recirculação dos gases do escape (EGR) e sistemas de catalisador com injeção de Arla 32 (SCR), fabricados a partir de 2012.

ÓLEO ADITIVADO

Já o óleo diesel aditivado pode ser encontrado também nas versões S-500 e S-10, sendo que em sua composição possui aditivos, dos quais se destacam detergentes ou dispersantes, anticorrosivos, antiespumantes e desemulsificantes. (ver box) O óleo diesel de inverno foi desenvolvido para atender à região Sul do Brasil, pois esta apresenta, no inverno, temperaturas abaixo de zero. Este combustível impede o entupimento de filtros e garante a fluidez do diesel em temperaturas negativas, não sendo necessário adicionar anticongelantes. Desta forma, garante a alimentação do motor em temperatura ambiente de até -5°C.

ABASTECIMENTO E MANUSEIO

Assim como aqualidade do combustível é um fator de grande importância,

os cuidados com o abastecimento e manuseio destes líquidos no campo podem garantir um funcionamento adequado do sistema de injeção dos motores diesel e uma longevidade dos mesmos. Assim, convém tomar uma série de precauções no abastecimento e armazenamento do óleo combustível. O abastecimento de máquinas e veículos no campo é uma atividade que requer atenção e cuidados especiais em função da sua volatilização. Sempre se que manipular combustíveis, a atenção deve ser redobrada quanto ao risco de explosões e incêndios. Assim, recomenda-se seguir alguns procedimentos para que o correto manuseio destes combustíveis seja seguro, sem que os resíduos gerados ocasionem danos físicos à pessoa, ambientais e econômicos. Quanto ao abastecimento, este pode ser realizado nas seguintes situações: diretamente na bomba junto ao reservatório, do caminhão comboio e com galões. Quando o abastecimento ocorrer em local predeterminado, este deve ser plano, com piso impermeabilizado, longe de cursos d’água e possuir sistemas de contenção, caso ocorra algum

vazamento. Também deve dispor de canaletas que conduzirão os resíduos para uma caixa separadora de água e óleo. Os combustíveis recolhidos na caixa deverão ser destinados a uma empresa credenciada na Agência Nacional de Petróleo (ANP), que dará o correto tratamento aos mesmos. Já para abastecimentos junto à máquina no local de operação, se, porventura, o combustível vazar até o solo, a porção contaminada deverá ser coletada, armazenada em tambor, identificada e sinalizada, para posterior recolhimento pela empresa especializada no tratamento de material contaminado. Este procedimento é de fundamental importância, pois 1ml de combustível torna impróprio para consumo um volume de 50 litros de água. No abastecimento é recomendado o uso de pistola com desarme automático. Na falta desta, é obrigatória a presença de um abastecedor (frentista), para a prevenção de possíveis derramamentos. (ver box) Ainda, em caso de situações como a transferência (carga e descarga) de líquidos inflamáveis para caminhões tanque, pipa e carretinha é necessária

Para o proprietário possuir um reservatório necessita se adequar a algumas normas técnicas

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Figura 1 - Armazenamento em tanques sob cobertura. Fonte: Silveira, 2001

a utilização de aterramento em função da eletricidade estática.

NORMA REGULAMENTADORA 20

As Normas Regulamentadoras (NR) são dispositivos legais, aprovadas pela Portaria Mtb no 3.215, de 8 de junho de 1978, responsáveis pela regulamentação de matérias ligadas à segurança e saúde do trabalhador. Entre as 36 Normas Regulamentadoras existentes atualmente, destaca-se a NR 20 – Segurança e saúde no trabalho com inflamáveis e combustíveis. Esta NR estabelece requisitos mínimos para a gestão da segurança e saúde no trabalho contra os fatores de risco de acidentes provenientes das atividades de extração, produção, armazenamento, transferência, manuseio e manipulação de inflamáveis e líquidos combustíveis.

Figura 2 - Armazenamento em tambores apontando a orientação do uso de tacos de madeira para que os tambores fiquem inclinados. Fonte: Adaptado de Silveira, 2001

Os líquidos e combustíveis inflamáveis são manuseados diariamente nas atividades agrícolas, seja no abastecimento de máquinas ou na lubrificação e manutenção destas. Apresentam grande perigo de incêndio e explosões, se fazendo necessária normatização consistente referente ao assunto. Porém, ela não representa o único instrumento normativo sobre o tema, devendo ser complementada por resoluções técnicas (como as da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e do Corpo de Bombeiros) ou normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Na NR 20 encontram-se as definições de líquidos e gases inflamáveis e líquidos combustíveis, relacionadas basicamente com o estado físico e seu ponto de fulgor (menor temperatura na qual os vapores desprendidos de

Tipos de aditivos encontrados no óleo diesel aditivado

D

etergentes/dispersantes: reduzem a formação de depósitos no sistema de injeção de combustível, diminuem a aglomeração e precipitação de partículas insolúveis, aumentando, desta forma, o desempenho e a vida útil do motor. Anticorrosivos: evitam a corrosão dos componentes metálicos do sistema de alimentação e geram maior proteção do

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motor Antiespumantes: evitam a formação de espuma no tanque de combustível, desta forma, facilitam o abastecimento e ocupam melhor o volume do tanque. Desemulsificantes: evitam a mistura do combustível com a água, melhorando, assim, o sistema de drenagem de água (do tanque e dos filtros).

um líquido ou sólido, na presença de uma fonte de ignição, iniciam a combustão). Os líquidos e gases inflamáveis são mais perigosos do que os líquidos combustíveis, por serem mais voláteis (desprendem vapores com mais facilidade) e apresentam ponto de fulgor mais baixo (60°C). Na mesma norma, existe também uma classificação das instalações, baseada no tipo de atividade e na capacidade de armazenamento de inflamáveis e combustíveis (seja de forma permanente ou transitória). De maneira geral, em atividades agrícolas encontramos instalações Classe I, representadas por postos de abastecimento de veículos, com capacidade de armazenamento de duas a 60 toneladas de gases inflamáveis e de 10m³ a 5.000m³ de líquidos inflamáveis e/ou combustíveis. Essa classificação permite a exigência de critérios diferenciados em projeto de instalação, segurança operacional, manutenção e inspeções, análise de riscos, distâncias mínimas entre recipientes, bem como na capacitação dos trabalhadores. Os trabalhadores que laboram em instalações Classe I, mas não mantêm contato direto com o processo, devem realizar o curso de integração (com carga horária de quatro horas, e conhecimentos básicos sobre as características de combustíveis e inflamáveis, controle e procedimentos básicos em situações


de emergência). Aqueles que mantêm contato direto ao processo devem realizar o curso básico com carga horária de oito horas (conteúdo prático e teórico). Já os trabalhadores que realizam atividades de manutenção e inspeção, bem como os responsáveis por atendimentos a emergências, devem realizar o curso intermediário, com carga horária de 16 horas (conteúdo teórico e prático, englobando o estudo da NR 20 e análise de riscos).

Fotos Divulgação

COMO ARMAZENAR O COMBUSTÍVEL

Atualmente, para realizar o abastecimento das máquinas agroflorestais no campo, são disponibilizadas diferentes formas de armazenamento dos combustíveis. Estas podem ser em reservatórios subterrâneos ou sobre estruturas existentes (acima do nível do solo). Os reservatórios podem ser fabricados em: aço carbono (parede simples e dupla), fiberglass, que é uma combinação de fibras de vidro com resinas (parede simples); aço carbono x fiberglass (parede dupla jaquetados). Possuem capacidades nominais de dez, 15, 30 e 60 mil litros, podendo ser bicompartimentado ou não, segundo a norma 13.785 da ABNT. Para o proprietário possuir um reservatório, necessita se adequar a algumas normas técnicas, regulamentadas pelas Normas Brasileiras NBR – 13.312,13.781, 13.782e 17.505 da ABNT. Silveira (2001) sugere ter alguns cuidados acerca dos reservatórios.

Exemplo de combustível armazenado em tambores com problemas

Redução das emissões pelos motores de combustão interna

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o Brasil existe o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), criado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), através da Resolução nº 18, de 6 de junho de 1986, com os objetivos de: reduzir a emissão de poluentes dos veículos automotores; promover o desenvolvimento tecnológico nacional; promover a melhoria das características dos combustíveis; criar programas de inspeção dos veículos em uso; promover a conscientização popular quanto à poluição veicular e estabelecer condições de avaliação dos resultados alcançados (Anfavea, 2009). Este programa fixou prazos e limites máximos de emissão de poluentes e estabeleceu algumas exigências tecnológicas para os veículos automotores, nacionais e importados. De acordo com o Proconve, os procedimentos para medir os limites de emissões são diferentes para veículos pesados (acima de 2.800kg de PBT) e leves (até 2.800kg de PBT). Contudo, os limites dentro de cada categoria são os mesmos para qualquer tipo de combustível. Em 2011, a Resolução 413 do Conama,

Os reservatórios subterrâneos devem estar posicionados em desnível, para que a água fique depositada na parte mais baixa do tanque e ao realizar o abastecimento, apenas o combustível seja aspirado da extremidade mais elevada. Para impedir a evaporação, o mesmo deve possuir válvula reguladora de pressão. Tanques posicionados abaixo da superfície do solo tornam difícil a verificação de rachaduras, vazamentos, bem como a realização da limpeza.

Tambores colocados em local e posição adequados para armazenamento

em seu Artigo 3º, estabeleceu os limites máximos de emissão de poluentes para os motores do ciclo diesel, destinados às máquinas agrícolas e rodoviárias automotrizes novas, nacionais e importadas (MAR 1), definidas através dos códigos Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM. No Artigo 4º, a mesma resolução define um cronograma, até o ano de 2019, para que todas as categorias dos motores atendam a resolução. Os níveis de emissão para motores são os mesmos estabelecidos pela norma ISO 8178-1. As tecnologias necessárias para atender a resolução, e a Fase 7 do Proconve, são motores equipados com sistemas de injeção eletrônica de alta pressão Common Rail, podendo chegar a 1.800BAR; sistema de recirculação de gases do escapamento EGR (Exhaust Gas Recirculation) e o sistema catalisador para redução de material particulado no escapamento do motor, o SCR (Selective Catalytic Reduction) com injeção de ureia (Arla 32). Para que essa tecnologia funcione adequadamente é fundamental a .M utilização de combustível diesel com baixo teor de enxofre, ou seja, diesel S-10.

Reservatórios instalados sobre estruturas também devem ser posicionados em desnível. Deve ser mantido à sombra, com fio terra e pintado com tinta alumínio ou de cores claras. O tanque deve possuir um bujão de drenagem na parte mais baixa para que sejam retirados a água e os sedimentos acumulados. A mangueira de abastecimento deve estar localizada na extremidade mais alta. O armazenamento em tambores requer cuidado especial, já que estes são vulneráveis a danos ou furos, além de permitirem a entrada de partículas indesejadas em seu interior, ainda que estejam visivelmente bem fechados. Aconselha-se a colocação de tacos de madeira para que o tambor fique inclinado, evitando o acúmulo de água e a colocação sobre estrados ou ripas, para que não haja o contato com o solo, evitando a corrosão. Quanto ao armazenamento de Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br

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Este é uma unidade móvel (caminhão) composto por tanque de combustível, água, lubrificantes e graxas. Podem estar equipados com compressor de ar, bombas de graxas e lubrificantes. Transporta, também, ferramentas diversas e peças de reposição para manutenção a campo. Este conjunto torna possível um ganho operacional na mecanização, reduzindo perdas de tempos produtivos, aumentando assim a produtividade da máquina. Em resposta aos principais questionamentos realizados neste artigo, destaca-se: utilizar o combustível recomendado pelo fabricante para a sua máquina; não deixar o combustível envelhecer (não armazenar combustível por um período longo); cuidar a limpeza durante o abastecimento e manipulação do combustível para evitar as contaminações; na manutenção diária drenar a água e os resíduos do filtro de combustível; evitar derramamento de combustível sobre o solo (caso isso ocorra, recolher a porção de solo contaminada); atualizar-se junto às normas .M regulamentadoras.

Dicas de segurança na hora de abastecer tividade corriqueira no dia a dia das fazendas, o abastecimento de máquinas agrícolas deve obedecer alguns passos para garantir segurança e melhor funcionamento dos equipamentos. - Abastecer a máquina ou equipamento somente com o motor desligado e freado. - Abastecer a máquina ao final da jornada de trabalho, mantendo o tanque cheio durante a noite, evitando a condensação da umidade do ar. - Drenar o(s) filtro(s) de combustível diariamente retirando a água e sujeiras acumuladas. - Fazer a limpeza do bocal do tanque antes e após o abastecimento, evitando, assim, a

combustíveis, nem todas as propriedades rurais fazem o total uso deste no mesmo período produtivo, ficando uma quantidade significativa armazenada para o próximo ciclo. Porém, esta prática deve ser reavaliada pelos gestores rurais, pois o combustível possui um tempo de vida útil. Algumas propriedades químicas (volatilidade) podem ser alteradas com o passar do tempo, perdendo qualidade de combustão e eficiência, devido às condições de armazenamento. Isto faz com que diminua o rendimento e, consequentemente, aumente o consumo se comparado ao combustível novo. Caso o produtor não tenha um grande consumo de combustível, é recomendável o abastecimento em postos de combustíveis para evitar o envelhecimento do mesmo. Todos os combustíveis e os lubrificantes devem ser guardados em local apropriado, livre da ação prejudicial do sol, chuva e poeiras. Quando armazenado em local exposto ao sol sofre um maior aquecimento durante o dia e resfriamento durante a noite, o que favorece a condensação da umidade do ar. Por esta razão é recomendável na pintura dos reservatórios o uso de cores claras (branco, cinza-claro e bege). Segundo a BR Distribuidora, em seu Junho 2016 • www.revistacultivar.com.br

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entrada de resíduos. - Nunca encher totalmente o tanque, deixando um espaço para a expansão e inclinação sem derramamento. - Cuidar para que o tanque esteja adequadamente fechado. - Não fumar e não manipular equipamentos eletrônicos. - Isolar a área com cones e fitas para chamar a atenção de pessoas não habilitadas, para que não interfiram nos procedimentos realizados. - Manter um extintor apropriado do tipo ABC próximo ao local. - Conhecer e utilizar a NR 20, que trata da segurança e saúde no trabalho com inflamáveis e combustíveis.

manual técnico Diesel S-10 (2014), a presença de água no tanque provoca uma série de problemas, como o crescimento de microrganismos que se alimentam do óleo diesel. Esses fungos e bactérias não são visíveis a olho nu e desenvolvem-se entre a água e o combustível. Conforme se multiplicam, vai surgindo uma massa marrom ou preta, conhecida como “borra”. Esta se localiza na divisa entre o diesel e a água, ou fica depositada no fundo do tanque, causando entupimento de telas, filtros e corrosão na cadeia de distribuição. Também, prejudica o funcionamento do sistema de injeção de combustíveis nos motores. Os autores sugerem, ainda, a abertura do tanque a cada dois anos para a remoção de borras e sedimentos e que o mesmo fique sem utilização entre três e 15 dias, dependendo do tamanho. Depois de esvaziar o tanque é necessário manter seus bocais abertos e fazer uma ventilação ou retirada forçada dos vapores do combustível remanescentes dentro do tanque. Hoje, para as grandes propriedades, visando o planejamento da logística interna, com o objetivo de reduzir o trânsito de máquinas, pode-se optar pela utilização do caminhão comboio.

Jaqueline Ottonelli, Catize Brandelero, Valmir Werner, Marcelo Alberto Hilgert, Rosito Zepenfeld Borges e Eliana Andreia Vogt, Nema/CCR/UFSM Charles Echer

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Reservatórios devem ser instalados em desnível e com opção de drenagem


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