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Maquinas 161 (alta)

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Cultivar Máquinas • Edição Nº 161 • Ano XIV - Abril 2016 • ISSN - 1676-0158

Índice 4 Rodando por aí 5 Benefícios do piloto automático 8 Versatilidade de semeadoras múltiplas 12 Desgaste de pontas de pulverização 16 Pressão atmosférica e deriva 20 Panorama de pulverizadores 24 Test Drive - Axial-Flow 5130 34 Perdas na colheita de soja 36 Ficha Técnica - Imperador 3.0 40 Adequação de máquinas agrícolas 42 Uso de tratores no cultivo de arroz 44 Manutenção de máquinas agrícolas

Destaques

Test Drive - Axial-Flow 5130

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Testamos a colhedora Axial-Flow 5130 da nova série 130 da Case IH, com nova motorização ainda mais potente

Sem pressão Saiba quais cuidados tomar para que as condições climáticas não interfiram na evaporação e deriva das gotas

Grupo Cultivar de Publicações Ltda. Direção Newton Peter

• Editor Gilvan Quevedo • Redação Rocheli Wachholz Karine Gobbi • Revisão Aline Partzsch de Almeida • Design Gráfico Cristiano Ceia

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Reduzindo perdas Comparativo de perdas na colheita de soja utilizando plataformas convencionais e drapers

Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 www.revistacultivar.com.br cultivar@revistacultivar.com.br (*10 edições mensais + 1 conjunta Dez/Jan) Números atrasados: R$ 22,00 CNPJ : 02783227/0001-86 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Insc. Est. 093/0309480 € 130,00

• Coordenador Comercial Charles Echer • Vendas Sedeli Feijó Rithiéli de Lima Barcelos • Coordenação Circulação Simone Lopes

Capa - Charles Echer

C

Cultivar

• Assinaturas Natália Rodrigues Clarissa Cardoso Aline Borges Furtado • Expedição Edson Krause • Impressão: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.

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NOSSOS TELEFONES: (53) • GERAL

• ASSINATURAS

• REDAÇÃO

• MARKETING

3028.2000

3028.2070

3028.2060

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Por falta de espaço, não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@revistacultivar.com.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.


RODANDO POR AÍ Blue Star

Legado

Colocar as concessionárias LS Tractor em um nível de excelência e competitividade no mercado brasileiro foi o motivo para a criação do Programa de Certificação Blue Star. Conforme explica a supervisora de Desenvolvimento de Concessionárias LS, Marilise Martinelli, o programa tem também como objetivo manter e evoluir a qualificação permanente da gestão das revendas, maximizar os resultados, trabalhar na melhoria da captação e retenção dos clientes para fortalecer a marca LS Tractor. “Sabemos que nossa rede está apta a responder a esta demanda, pois não nos faltam conhecimentos, meios e incentivos para cumprir com este desafio”, afirma.

Faleceu no último dia 11/4 o professor Luiz Vicente Bocorny Gentil. Engenheiro agrônomo formado pela UFRGS e técnico agrícola pela Escola Técnica de Agricultura de Viamão-RS, o professor era mestre em Máquinas Agrícolas pela USP, doutor em Ciências Florestais pela UnB e tinha pós-doutorado em Ciências Agrárias pela Unicamp. Foi professor adjunto da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da UnB por 23 anos e autor do livro “202 Perguntas e Respostas sobre Biocombustíveis”. Com uma trajetória marcada por motivada atenção ao trabalho, alunos e colegas, o professor Gentil foi fundador e diretor da Associação Brasileira de Mecanização Agrícola (Abrame), vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq-Sindimaq), conselheiro da Associação Comercial de São Paulo (ASC), professor na Unesp de Jaboticabal-SP e diretor da Santal Luiz Vicente Bocorny Gentil Equipamentos.

Produtividade A Case IH apresentou diferentes tecnologias para gestão e aumento de produtividade no Seminário de Mecanização e Produção de Cana-de-Açúcar. Roberto Biasotto, gerente de Marketing de Produto da marca, explicou que a empresa tem trabalhado constantemente para entregar produtos e soluções sob o conceito Efficient Power, que visa reduzir custos, aumentar a produtividade e a capacidade operacional das máquinas. “Estamos sempre em contato direto com nosso cliente para pensar em máquinas que o ajudem a conseguir atingir seus objetivos da melhor forma possível”, finaliza.

Tratour

Roberto Biasotto

Cana-de-açúcar

A Valtra participou do 3º Agroencontro, evento que apresenta novas tecnologias de produção de cana-de-açúcar, realizado em São Paulo. Entre os destaques está a colhedora de cana BE 1035e, o mais recente lançamento da marca para o setor. “A Valtra é atualmente a única marca brasileira com solução completa para o setor canavieiro, fabricando e comercializando equipamentos para todo o ciclo da cana”, diz Marco Antônio Gobesso, gerente de Marketing de equipamentos de cana-de-açúcar AGCO.

Celso Monteiro

Errata

Na edição 160, trocamos os nomes dos diretores da Case IH nas legendas das fotos na página 31. Christian Gonzalez é diretor de Marketing para a América Latina e Auri Orlando é diretor de Serviços para a América Latina.

Christian Gonzalez

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A segunda edição do Tratour continua percorrendo as cidades do Brasil. A iniciativa da John Deere visa levar conhecimento e informação sobre seus tratores, em uma carreta, em regiões onde a marca não possui concessionários. Começou no Paraná, passou por Santa Catarina e agora chega ao Rio Grande do Sul. O Tratour mostrará aos clientes os diferenciais dos tratores séries 5 e 6. “Desde que iniciamos a nova temporada do Tratour, visitamos cidades que trouxeram grupos entusiasmados com as condições de aquisição dos tratores John Deere e toda qualidade e eficiência operacional que eles oferecerem”, explica Celso Monteiro, gerente de Marketing Tático da John Deere.

Auri Orlando


PILOTO AUTOMÁTICO Massey Ferguson

Rumo certo

A utilização do piloto automático em tratores, além de facilitar o trabalho do operador, reduz consideravelmente erros de espaçamento e sobreposições no plantio e em aplicações diversas

A

mecanização agrícola visa utilizar adequadamente os equipamentos por meio da otimização e racionalização dos custos. Com o mesmo intuito, surge o conceito de Agricultura de Precisão, que pode ser aplicado em qualquer etapa de produção e tem como objetivo otimizar recursos, reduzir custos e elevar a produtividade, além de reduzir impactos ambientais. O solo é um dos recursos mais importantes para o desenvolvimento ideal das culturas, por isso deve ser manejado criteriosamente. Quando utilizado de maneira inadequada, com o tráfego intenso de máquinas agrícolas, por exemplo, pode provocar perturbações como a compactação do solo, dificultando o crescimento radicular, a infiltração de água, causando empoçamento e, consequentemente, a erosão. Para minimizar esse tipo de problema, pesquisadores recomendam

o controle de tráfego de maquinários agrícolas por meio do ajuste de bitola, assim como a utilização do piloto automático que monitora via satélite veículos em operação e tem como um dos principais benefícios a possibilidade de planejar estas operações de forma mais racional. O controle de tráfego é uma alternativa para minimizar os efeitos ocasionados no solo pela pressão exercida sobre eles de acordo com o peso dos maquinários, ocorrendo a separação nas zonas de tráfego das principais linhas de crescimento da planta, buscando a otimização do talhão, proporcionando maior capacidade operacional, produtividade e ganhos econômicos ao produtor, com a racionalização do combustível por intermédio das operações planejadas. Aliado ao controle de tráfego, a utilização do piloto automático para o direcionamento das máquinas

agrícolas é de grande importância em operações de campo, de tal forma que o deslocamento ocorra sempre paralelo a uma linha de referência, o que resulta na maior uniformização do espaçamento, com melhor aproveitamento do terreno e menor tráfego sobre as linhas de cultivo. Para o funcionamento do piloto automático é necessário que o trator possua uma antena receptora do sinal de posicionamento por satélite, captando sinais a uma distância de até 30km da estação fixa de correção de sinal, favorecendo a localização precisa do veículo. Com a utilização do piloto automático, é possível efetuar a integração das operações automatizadas sob uma mesma base de dados. Além disso, possibilita melhorar o rendimento e gerenciamento da propriedade, possibilitando determinar o melhor percurso a ser efetuado no campo mediante a quantidade de manobras Abril 2016 • www.revistacultivar.com.br

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Massey Ferguson

A adoção do piloto automático hidráulico pode proporcionar maior aproveitamento

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consumo de combustível, devido ao controle do tráfego, à sistematização do terreno e à maior acurácia nas operações.

TESTE DE CAMPO

Franciele Morlin Carneiro

e locais de abastecimento. O piloto automático usado no plantio de cana-de-açúcar pode oferecer acurácia de três centímetros entre as passadas, cerca de cinco vezes maior do que aquela obtida no direcionamento manual, possibilitando maior quantidade de linhas de plantio por área. Entretanto, isto ainda pode variar de acordo com as condições de cada propriedade. Outra vantagem do piloto automático é a redução de erros entre as passadas, diminuindo para o operador a função de direcionamento manual pelo direcionamento automático do maquinário em operação. Com isso, é possível aumentar turnos de operação pela possibilidade de se trabalhar também no período noturno. O alinhamento correto das linhas de semeadura proporcionado pelo piloto automático pode exercer influência no nível de luminosidade, intensidade de radiação solar e molhamento foliar, dentre outras variáveis, com consequente efeito no desempenho agronômico das plantas. Estudos mostram que o piloto automático diminui as sobreposições e falhas na aplicação de defensivos ou fertilizantes, proporciona redução nas perdas por esmagamento das linhas de plantio, propicia o aumento da velocidade operacional, menor

Para aprofundar o conhecimento sobre os benefícios do piloto automático na agricultura foi efetuado na safrinha de 2015 na Unesp, no Campus de Jaboticabal, a semeadura de amendoim em dois sistemas de preparo do solo, convencional (uma aração e duas gradagens) e preparo localizado (RipStrip). Neste segundo utilizou-se o trator da marca Massey Ferguson, modelo 7370, acoplado ao equipamento RipStrip. Nesta opera-

ção utilizou-se o piloto automático que possibilita erros menores que 2,5cm – RTK (Posicionamento Cinemático em Tempo Real), visando obter maior precisão e exatidão entre as passadas. Na semeadura de amendoim utilizou-se a semeadora da marca Tatu Marchesan com sistema pneumático de distribuição de sementes. O sistema de navegação de máquinas agrícolas foi realizado por meio do piloto automático hidráulico, sendo considerado o mais eficiente em relação aos demais sistemas. O sistema utilizado, denominado Auto Guide 3000, possui monitor touchscreen, com funções intuitivas que visam o controle de tráfego, pulverizações com corte automático em seções que originam um projeto em formato de Shape, conforme a área trabalhada, e também possibilita efetuar operações nos dois sentidos de deslocamento. O piloto automático permite trabalhar com linhas de referência sendo previamente desenhadas no monitor fixado na cabine do trator, por meio do trajeto feito na área; as linhas laterais são projetadas de acordo com a linha de referência e outras informações devem ser preenchidas no mesmo, como o

Semeadura mecanizada de amendoim utilizando o piloto automático hidráulico acoplado no trator (esquerda) e a antena com base RTK (direita)


Charles Echer

Elaboração das linhas paralelas (em azul) em relação à linha de referência A→B (em vermelho) feitas pelo operador

espaçamento da cultura entre as hastes do equipamento, distâncias entre linhas de semeadura, velocidade de trabalho, entre outros. Após o preenchimento dos dados no monitor, o operador realiza um trajeto por intermédio das bordas da área desejada, imediatamente esse percurso é registrado no computador de bordo do trator. Posteriormente, o trator desloca na área acompanhando o formato do talhão, onde é criada a linha de referência (A → B) e a partir dela são criadas as linhas laterais. Com a utilização desse sistema o operador tem a necessidade de criar apenas uma linha de referência (linha A → B) definindo o espaçamento entre as passadas, e o software do equipamento replica infinitas passadas à direita e à esquerda da linha de referência. O posicionamento do veículo é corrigido automaticamente por atuadores no volante ou diretamente no rodado, como também a realização de manobras manuais em locais arriscados (por exemplo,

Piloto automático gera economia de combustível e também dos insumos aplicados

em cabeceira ou barranco) desde que tenha um mapa da área definida no monitor para que o piloto automático efetue a manobra sem colocar o operador em risco. A adoção do piloto automático hidráulico pode proporcionar ao agricultor maior aproveitamento do terreno por meio da sistematização, maior precisão entre as passadas, facilitar o monitoramento do tráfego dos equipamentos agrícolas, reduzir a compactação do solo na lavoura, entre outros benefícios. A utilização do piloto automático mostra-se ser uma ferramenta que diminui o erro de paralelismo entre as passadas do conjunto trator-implemento, assim, proporcionando o espaçamento entre linhas mais próximo do desejado do que quando operado manualmente, além de evitar perda de área quando há erro do operador

para espaçamentos maiores do que o desejado, e competição entre as plantas quando há erro do operador para espaçamentos menores do que o desejado. Além disso, a qualidade da operação, quando realizada com o piloto automático, se mostra bem mais qualificada. Com a realização dos testes em campo, foi possível concluir que o uso do piloto automático mostra-se ser uma ferramenta importante para a correta implantação da cultura e apresentar menores perdas na colheita, além de operações com maiores precisão e qualidade. .M Franciele Morlin Carneiro, Antonio Tássio Santana Ormond, Cristiano Zerbato, Elizabeth Haruna Kazama, Lucas Augusto da Silva Girio, Aline Spaggiari Alcântara e Carlos Eduardo Angeli Furlani, FCAV/Unesp Daniel de Stefani, Massey Ferguson


SEMEADORAS Fotos Fabricio Santos

Múltiplas possibilidades O

Brasil é reconhecido mundialmente pela tecnologia do sistema plantio direto nos trópicos. Tal posição se deve em grande parte ao desenvolvimento da indústria de máquinas agrícolas em constante evolução, principalmente no segmento fabril de máquinas para semeadura de culturas anuais, as semeadoras-adubadoras de precisão e de fluxo contínuo. Ao longo dos anos foram tantos e significativos os avanços. Inúmeros mecanismos foram aperfeiçoados e/ou criados para melhoria do processo de semeadura sobre a palhada. Desde um sistema sofisticado para monitorar a distribuição de sementes com sensores, softwares e geração de mapas especializados da aplicação a um simples detalhe inovador como um rebaixo no alvéolo do disco do mecanismo horizontal para melhorar o escoamento das sementes, Abril 2016 • www.revistacultivar.com.br

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Fankhauser

Permitir a semeadura simultânea de sementes com tamanhos diferentes, como milho e braquiária, com ajustes simples e substituição rápida de componentes mecânicos é a principal vantagem das semeadoras múltiplas. Mas é preciso conhecer bem os modelos disponíveis e ver qual é o melhor para cada propriedade evitando espaçamentos falhos e duplos. A necessidade de alavancar sistemas de produção mais eficientes fez com que os olhares fossem lançados para todas as direções, as fábricas começaram a se

preocupar em disponibilizar tecnologias apropriadas para a pequena e a grande propriedade, com diferentes configurações topográficas, tipos de solo, manejo, cobertura/palhada e com capacidade de

As semeadoras múltiplas são também indicadas para produtores que adotam o sistema de integração lavoura/pecuária em plantio direto


implantação de várias culturas. Diante de tamanha demanda, os projetistas e engenheiros desenvolveram semeadoras altamente especializadas somente para a distribuição de sementes graúdas – sem distribuírem fertilizantes – para atender as grandes propriedades e também projetaram máquinas com diferentes sistemas dosadores para sementes extrapequenas, pequenas e grandes. O pequeno e o médio produtor que possuíam uma máquina para semear cada tipo de semente como soja, trigo e gramínea/pastagem passaram a contar com uma semeadora com múltiplas funções. A esta grande “sacada” mercadológica, vários nomes foram popularmente definidos: multissemeadora, semeadora múltipla e múltipla. Ao passo da inovação, várias empresas lançaram no mercado diversos modelos de semeadora múltipla para plantio direto, indicados para pequenas e médias propriedades rurais. Traduz-se em um equipamento que realiza semeadura direta de sementes “miúdas” (pastagens), pequenas (trigo) e grandes (milho) com poucos ajustes simples e substituição rápida de componentes mecânicos. Indicada para os produtores que cada vez mais adotam o sistema de integração lavoura/pecuária em plantio direto, é uma tecnologia incentivada pelo governo brasileiro como forma de atender a pauta internacional sobre as estratégias para minimizar os efeitos da emissão dos gases do efeito estufa, conforme Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura. Quanto ao equipamento, destaque para a facilidade de manuseio, a versa-

Ensaio realizado com semeadora múltipla sobre a palhada de braquiária estudou a eficiência de semeadoras múltiplas em diferentes condições de plantio

tilidade e a qualidade dos componentes.

PONTOS RELEVANTES DE SEMEADORAS MÚLTIPLAS

o cabeçalho com um sistema que permite a regulagem de altura em relação à barra de tração facilita o acoplamento à barra de tração sem esforço através de um eixo telescópico que também auxilia o nivelamento da máquina para o trabalho. A disposição do chassi com duplas barras dispostas paralelamente para acoplamento das linhas de semeadura permite grande variação de espaçamentos devido à facilidade em movimentar e substituir as linhas de acordo com a necessidade da cultura. Este tipo de chassi promove uma defasagem entre as linhas, evitando o embuchamento com

palhada e facilita a aproximação destas, pois as unidades não são estreitas como as das semeadoras próprias para fluxo contínuo. Devido à amplitude de espaçamentos disponíveis é possível realizar a semeadura com distância entre linhas variando de 0,2 a 1 metro. Mas, o fator de maior relevância é a possibilidade da realização de semeadura simultânea de sementes de tamanhos diferentes como, por exemplo, a realização do consórcio entre milho e braquiária para implantação do sistema integrado grão e boi. Nas semeadoras múltiplas, variações de configurações das linhas de semeadura quanto aos conjuntos de mecanismos de ataque ao solo são possíveis para aplicação em diferentes tipos de solos, tipos de cobertura e densidade


Fotos Fabricio Santos

de palhada. Destacam-se o tipo triplo disco, com disco de 17 polegadas, maior eficiência no corte de palha; o disco duplo defasado para deposição de fertilizantes e sementes com limpadores internos reguláveis; a regulagem de profundidade de deposição de sementes através da pressão das molas no manípulo ou alteração da posição do pino da mola; as rodas limitadoras, que uniformizam a profundidade de semeadura e copiam as irregularidades no terreno através das linhas pantográficas; as rodas compactadoras flutuantes, que trabalham em ângulo de forma em V que promovem pressão lateralmente do sulco contra a semente, deixando uma camada de solo solto sobre a semente para favorecer a emergência das plântulas. Além deste sistema, há também o tipo facão afastado, composto por haste sulcadora para fertilizante e disco duplo defasado, e o tipo facão guilhotina, com maior eficiência no corte, onde a cobertura do solo é mais densa e resistente, como é caso de áreas com gramíneas dos tipos braquiária e panicum. Os mecanismos dosadores de fertilizante e semente são regulados de forma independente, do tipo engrenagens de fácil ajuste/troca e com rapidez, além da possibilidade de ajustes finos através de um sistema de alavanca ou do tipo volante helicoidal, tanto para semeadura em Abril 2016 • www.revistacultivar.com.br

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fluxo contínuo como para distribuição de fertilizantes. A regulagem do mecanismo dosador do tipo rosca sem-fim pode ser feita através das roscas de diâmetros diferentes ou através de mudanças nas engrenagens. Existem também modelos disponíveis com três tipos de sistema dosador de sementes, sendo o disco horizontal alveolado para sementes grandes, o rotor acanalado para sementes pequenas e uma caixa extra do tipo com rotor acanalado para sementes miúdas, no caso para formação de pastagens. Resumo das características técnicas

de alguns modelos de semeadoras adubadora para plantio direto: A operação de semeadura realizada em plantio direto é considerada de qualidade quando o conjunto trator-semeadora executa corretamente o corte da palha, abertura do sulco de semeadura com o mínimo revolvimento do solo e com o retorno da palha sobre o sulco; a dosagem, condução e deposição corretas de fertilizantes e sementes no solo e, por fim, compactação da palha e do solo lateralmente sobre semente. Sendo estes aspectos relevantes para o sucesso da implantação da lavoura, as semeadoras-adubadoras múltiplas são máquinas que realizam satisfatoriamente todas essas funções. Desta forma, atendem as necessidades de pequenos e médios produtores, pois são caracterizadas por serem versáteis com mecanismos que promovem a distribuição com qualidade de sementes miúdas a grandes, portanto, de uso múltiplo para as diferentes culturas. Além disso, a maioria dos modelos pode ser adquirida pelos programas de financiamento de infraestrutura do Governo Federal, sendo adequada para propriedades que utilizam o sistema lavoura e pecuária, principalmente, pela diminuição dos investimentos com aqui.M sição de outros maquinários.

Fabrício Pedreira Santos, Hugo Souza Soares, Marcos Roberto da Silva, Gláucia Maria dos Santos Silva e Luan Almeida Silva, GPESOA/CCAAB/UFRB

Autores realizaram ensaios utilizando o plantio de diversas culturas, inclusive consorciadas para avaliar as diferentes utilizações das semeadoras múltiplas


Divulgação

PULVERIZADORES

Hora de trocar

O desgaste das pontas de pulverização, ocasionado pela superutilização das mesmas, acarreta numa aplicação completamente desuniforme, colocando em xeque o êxito da operação, por mais regulado que esteja o pulverizador

A

utilização de defensivos implica em seus posicionamentos ambientais e em quantidades e formas corretas. O conhecimento da tecnologia de aplicação de defensivos é fundamental não somente para redução dos custos com perdas e aumento da sua eficiência, mas também da contaminação dos manipuladores e do ambiente (Bauer & Pereira, 2005). Aspectos relacionados às pontas de pulverização são pertinentes quanto à interferência negativa na qualidade da pulverização, pois essas peças são responsáveis pelo tamanho e densidade Abril 2016 • www.revistacultivar.com.br

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das gotas que recaem sobre o alvo e pela uniformidade da calda de pulverização (Bauer & Raetano, 2004a). Quando houver necessidade de redução de doses e volume de pulverizações, a uniformidade na distribuição da lâmina da pulverização deve ser priorizada ou a dose poderá chegar ao alvo com insuficiência para causar o efeito biológico desejável (Bauer et al, 2006). A uniformidade na distribuição da lâmina de pulverização de defensivos é dada pelas condições de montagem e de operação do equipamento, como espaçamento entre bicos e seus estados

de conservação, altura da barra, ângulo de abertura dos jatos e pressão de trabalho (Perecin et al, 1994). Matthews (2000) afirma que cada ponta possui característica própria de distribuição volumétrica e que essa curva tem grande importância na determinação da altura do bico em relação ao alvo e no espaçamento entre bicos na barra, devendo haver sobreposição do jato de um bico com os adjacentes para conseguir distribuição uniforme do líquido pulverizado. Existem algumas formas de se quantificar a uniformidade de distribuição


Fotos Raphael Cessa

Autopropelido Pratriot equipado com pontas de pulverização modelo JA marca Jacto

da lâmina de pulverização. Geralmente coleta-se o líquido pulverizado em canaletas contidas em mesa de distribuição portátil para contabilização dos volumes ou alturas de colunas de água. Essa operação, além de reveladora sob o aspecto visual, contribui com valores aplicáveis ao método estatístico denominado coeficiente de variação (CV), o qual compila valores amostrados em cada canaleta da mesa de distribuição. Distribuições uniformes da lâmia de pulverização sob condições precisas têm coeficiente de variação menor que 7% (Teejet, 2006). Assim, quanto me-

nor o valor de coeficiente de variação, menos desuniforme é a distribuição. Na Itália, o registro, a aprovação, a comercialização e a certificação de máquinas novas têm como base o coeficiente de variação abaixo de 7% (Conama, 1997). No Brasil, porém, não há normas para comercialização, registro ou certificação de pulverizadores. Tendo em vista a importância deste detalhe para obter o êxito desejado na pulverização, foi realizado um trabalho com o objetivo de avaliar a lâmina de pulverização em diferentes taxas de pulverização e altura da barra do pulverizador. O trabalho foi desenvolvido em uma propriedade agrícola no município de Confresa (MT), utilizando um pulverizador autopropelido Patriot, da Case IH com 350cv de potência, equipado com pontas de pulverização modelo JA marca Jacto de cerâmica, cor azul, de

jato tipo cônico vazio, espaçadas em 0,50m. Foi constatada no registro de uso das referidas pontas a pulverização em 110 mil hectares. As pulverizações foram realizadas em três alturas (0,55m, 0,70m e 0,90m) em relação à superfície de uma mesa de distribuição portátil disposta horizontalmente sobre a superfície do solo. A pressão de trabalho da bomba do pulverizador foi de 4,3bar. As taxas de pulverização avaliadas foram 15L/ ha, 20L/ha e 30L/ha. Os coeficientes de variação foram determinados com base nos valores obtidos através da medição da quantidade de líquido contido nas canaletas da mesa de distribuição. Para cada altura e taxa de pulverização foram determinados os coeficientes de variação através da equação C.V. = (desvio-padrão/média) 100. Tais procedimentos e outros

Mesa de distribuição utilizada na verificação da lâmina de pulverização

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Altura de pulverização 0,55 0,70 0,90 Média

Taxa de aplicação (L/ha) 15 20 30 25,01 22,35 22,29 22,89 19,31 21,63 28,61 22,26 20,70 25,50 21,31 21,54

Média 23,22 21,28 23,86 22,78

similares já foram validados por Perecin et al (1998), Bauer & Raetano (2004a) e Freitas et al (2005). Considerando que os testes tenham sido realizados a campo, com velocidade média de vento de 11,2km/h, temperatura de 37,4ºC e umidade relativa de 36%, adotou-se como limite o valor de coeficiente de variação (CV) menor que 15%, para uma adequada distribuição da lâmina de pulverização, embora segundo Teejet (2006), sob condições controladas e ideais de pulverização, tal valor deva ser abaixo de 7%. Observando a Tabela 1 nota-se que nenhuma das condições de pulverização avaliadas proporcionou valores de coeficiente de variação abaixo dos 15%. Certamente, a deriva proporcionada por rajadas de vento registradas com velocidade acima de 10km/h, contribuiu para elevação dos valores de

Figura 1 - As bordas do bico desgastado (B) parecem mais arredondadas do que as bordas do bico novo (A). Os danos ao bico (C) foram causados por limpeza incorreta. Teejet (2006)

coeficiente de variação (Andef, 2013). Ainda, contribuirão para o elevado valor de CV o uso excessivo dos bicos (110 mil hectares pulverizados) e/ou das suas condições de manutenção que é parcial e não total. O desgaste de pontas pulverizantes por uso e/ou possíveis procedimentos inadequados de limpeza podem ser elucidados na Figura 1. A Figura 2 contém as imagens da distribuição das lâminas de pulverização obtidas no presente estudo e que podem ser comparadas com o esquema da Figura 3 ajudando a enfatizar o descrito no parágrafo anterior. Independentemente da altura de

pulverização, a taxa de 15L/ha promoveu maiores valores de coeficiente de variação, possivelmente, devido à menor quantidade de líquido pulverizado e não depositado sobre a mesa de distribuição “arrastado” na deriva. A melhor opção de pulverização deu-se nas taxas 20L/ha e 30L/ha adotando uma altura de aplicação em relação ao alvo de 0,70m, o que não significou distribuição adequada da lâmina de .M pulverização. Raphael Maia Aveiro Cessa, IFMT Manoel Xavier de Oliveira Junior, IFMG

Figura 3 - Esquema e padrões de distribuição da lâmina de pulverização. Teejet (2006)

Valtra

Tabela 1 - Coeficiente de variação (%) da lâmina de distribuição da pulverização para as alturas de pulverização de 0,55m (55), 0,70m (70) e 0,90m (90) nas taxas de pulverização 15, 20 e 30L ha-1. Confresa (MT), Brasil

Fotos Raphael Cessa

Figura 2 - Padrões de distribuição das lâminas de pulverização segundo as condições em que os testes foram proferidos (alturas de pulverização de 0,55m (55), 0,70m (70) e 0,905m (90) nas taxas de pulverização 15, 20 e 30L ha-1)

Independentemente da altura de pulverização, a taxa de 15L/ha promoveu maiores valores de coeficiente de variação

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PULVERIZADORES Case IH

Sem pressão

As condições de umidade e pressão do ar interferem diretamente na evaporação e deriva das gotas da pulverização de defensivos, característica climática que também exige atenção na hora de pulverizar

A

aplicação de defensivos é bastante afetada pelas condições psicrométricas, e os fatores umidade relativa do ar, temperatura, velocidade e direção do vento são os que mais afetam esta operação no campo. A umidade relativa é a relação entre a quantidade de vapor d’água existente em uma amostra de ar úmido e a quantidade máxima de vapor que o ar poderia reter, na mesma temperatura (Vieira, 2009). A existência de água na atmosfera e suas mudanças de fase desempenham papel fundamental em vários processos físicos naturais, como o transporte e a distribuição de calor na atmosfera, evaporação, evapotranspiração, entre outros. O vapor d’água na atmosfera é igualmente importante como condicionante da ocorrência e do controle fitossanitário, sendo também determinante da qualidade, armazenamento e conservação dos produtos agrícolas (Pereira et al, 2007). Os fatores meteorológicos umidade Abril 2016 • www.revistacultivar.com.br

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relativa do ar, temperatura e velocidade do vento são os que apresentam maior interferência na pulverização. Conjuntamente, aumentam o risco de deriva, evaporação e volatilização, reduzindo a vida média das gotas. Xu et al (2010) determinaram através de imagens sequenciais que o tempo para evaporação de gotas de 300µm foi de 2 segundos, e para gotas de 600µm foi 4 segundos. A evaporação foi calculada pelo intervalo de tempo e o número total de imagens sequenciais do início da deposição da gota até a evaporação. Os autores observaram que quando o diâmetro das gotas aumentou de 300µm para 600µm, o tempo de evaporação aumentou 279% sem o surfactante e 452% com o surfactante, enquanto a média total da área molhada foi de 166% sem o surfactante e 229% com o surfactante. A média da área molhada foi maior na parte superior da folha do que na parte inferior da folha, enquanto a média de tempo para evaporação foi ligeiramente

menor na parte superior da folha do que na parte inferior da folha. A compreensão do processo físico de evaporação de gotas de pulverização e o conhecimento dos padrões de interação da superfície das folhas com o alvo é essencial não só para melhorar a eficiência da aplicação de defensivos, mas também para minimizar a contaminação fora do alvo (Xu et al, 2010). O uso de adjuvantes é prática recomendável em muitas situações, pelo fato de promover alterações na calda de pulverização, possibilitando, por exemplo, minimizar os efeitos meteorológicos que podem comprometer a eficiência dos tratamentos fitossanitários Carbonari et al (2005). Contudo, grande parte dos problemas advindos do uso desses aditivos na calda origina-se do desconhecimento de sua ação e das implicações de seu emprego na eficiência de controle do alvo preconizado na aplicação, Antuniassi (2006), inclusive em relação ao espectro de gotas gerado.


Gráfico1 - Condições meteorológicas na região de Brasília, Distrito Federal

presentar o comportamento do déficit de pressão, temperatura e umidade relativa do ar em cinco municípios, com forte aptidão agrícola, em diferentes regiões do Brasil.

TESTE DA DERIVA

RESULTADOS OBTIDOS

Jacto

Um trabalho foi realizado para confrontar o efeito da temperatura e umidade relativa com o déficit de pressão de vapor d’água, numa pulverização e seus efeitos na evaporação, volatilização e deriva das gotas de pulverização. O estudo foi realizado no Laboratório de Máquinas e Mecanização (Lamm), vinculado ao Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Uberlândia campus Monte Carmelo, Minas Gerais. Os dados de temperatura e umidade relativa do ar foram obtidos a partir de uma série histórica de 30 anos das normais climatológicas, publicadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Historicamente, a recomendação para as condições meteorológicas ideais no momento da pulverização são temperatura entre 20°C e 30°C, umidade relativa maior que 55% e velocidade do vento abaixo de 10km/h. A partir da umidade relativa do ar e da pressão de saturação de vapor d’água, estimou-se a pressão de vapor d’água. Adotando-se os intervalos de temperatura e umidade relativa do ar utilizados como referência para as aplicações, o déficit de pressão considerado adequado para a pulverização de defensivos varia entre 1.052,0 e 1.910,0 Pascal, para condições de temperatura entre 20ºC e 30°C e umidade acima de 55%, respectivamente. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva para re-

Gráfico 2 - Condições meteorológicas na região de São Félix do Xingu, Pará

A aplicação de defensivos tem garantido a proteção de plantas com alta produção e qualidade, mas o aumento na utilização de defensivos tem trazido preocupações públicas sobre a exposição e a contaminação de trabalhadores, e também impactos negativos sobre os ecossistemas vulneráveis. A aplicação de defensivos é uma operação complicada, devido ao uso de vários tipos de equipamentos e métodos de pulverização, propriedades físicas dos produtos químicos, tipos de culturas, hábitos de crescimento e multiplicação das plantas daninhas, insetos

e patógenos, habilidade dos operadores, condições meteorológicas, segurança, ergonomia do operador e regulamentos ambientais e as consequências advindas da aplicação de defensivos. No Brasil Central, a região de Brasília tem grande aptidão agrícola na produção de soja, milho, feijão, trigo, entre outros. O momento ideal para a pulverização depende da velocidade do vento, da umidade relativa e da temperatura do ar. A análise das normais climatológicas indicou que o maior déficit de pressão obtido foi de 1.850,46Pa (Gráfico 1). Com estes resultados, a pulverização poderia ser realizada ao longo de todos os dias, com valores de evaporação aceitáveis, considerando resultados de trabalhos que demonstram boa eficácia biológica, em aplicações realizadas nestas condições. No estado do Pará o município de

Os fatores meteorológicos umidade relativa do ar, temperatura e velocidade do vento são os que apresentam maior interferência na pulverização

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São Félix do Xingu é um importante produtor de pimenta-do-reino e banana, duas culturas bastante atacadas por insetos, patógenos e que sofrem com a competição com plantas daninhas. Nesta região, o déficit máximo foi de 977,31Pa, a umidade relativa na região é bastante elevada favorecendo a presença de patógenos. Portanto, a pulverização pode ser conduzida durante o dia inteiro com valores relativamente baixos de evaporação. A tomada de decisão baseada apenas na temperatura resultaria em bastante insegurança do aplicador, pois a temperatura máxima apresentou valores sempre acima de 30°C (Gráfico 2). Entretanto, a média da umidade relativa do ar é elevada, logo o déficit de pressão indica baixa evaporação de gotas. Com a adição do adjuvante certo, as condições seriam ainda melhores. O município de Barreiras, no estado da Bahia, é produtor de milho, soja, feijão, café, algodão e cana-de-açúcar. A

Gráfico 4 - Condições meteorológicas na região de Uberaba, Minas Gerais

pulverização é intensamente praticada como uma das mais eficazes alternativas para o controle fitossanitário. Nas condições de São Félix, como a evaporação é relativamente baixa, após a seleção correta das pontas a deriva será reduzida, pois as gotas apresentarão uma redução pequena no tamanho até o alvo. Porém, ao se comparar com as condições de Barreiras, verifica-se que, devido à alta evaporação, a seleção das pontas deve considerar que a gota reduzirá bastante seu tamanho até o alvo e com isso ficará mais propensa à deriva, em condições de velocidade do vento menores, semelhante ao descrito por Yu et al (2009a) e Gil et al (2008). Os dados apontam que nos meses de julho, agosto, setembro e outubro o déficit de pressão é de 1.930,54Pa; 2.542,17Pa; 2.909,04Pa e 2.067,14Pa, respectivamente. Sendo um período de altas temperaturas e baixa umidade relativa (Gráfico 3). O agricultor deve buscar alterna-

Gráfico 5 - Condições meteorológicas na região de Passo Fundo, Rio Grande do Sul

tivas para aumentar o tempo de vida das gotas no alvo quando a evaporação for elevada e uma saída é a adição de adjuvantes. Estes são acrescentados à calda de pulverização com o objetivo de melhorar a eficiência das pulverizações foliares, reduzir o impacto dos fatores ambientais e permitir uma penetração cuticular mais eficiente, facilitar o molhamento em superfícies hidrorrepelentes e o contato da calda com a cutícula em superfície pilosa, que pode manter as gotas suspensas, corroborando com as afirmações de Carbonari et al (2005) e Antuniassi (2006). Em Minas Gerais, a região do Triângulo Mineiro é considerada o celeiro agrícola do estado. Ali são encontradas áreas de pastagens para pecuária, soja, milho, cana-de-açúcar, café, algodão, feijão, frutas em geral. O déficit de pressão mais crítico para a pulverização de defensivos ocorreu nos meses de julho a novembro e estava abaixo de 1.909,25Pa, considerada

A evaporação intensifica o efeito da exoderiva, aumentando o tempo de chegada ao alvo e a suscetibilidade ao deslocamento

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New Holland

Gráfico 3 - Condições meteorológicas na região de Barreiras, Bahia


Charles Echer

condição difícil de se pulverizar (Gráfico 4). Diferentemente de Barreiras, as condições meteorológicas são mais amenas e permitem aplicações durante todo o dia, quando as pontas são selecionadas corretamente. As condições para pulverização em Passo Fundo, na região Sul do Brasil, são mais críticas nos meses de novembro, dezembro e janeiro, com déficits de 1.109,21Pa; 1.232,85Pa e 1.115,40Pa (Gráfico 5). Na comparação com as outras regiões estudadas apresentou potencial médio de evaporação das gotas. Apesar de o déficit de pressão de vapor d’água ser função da temperatura e umidade relativa, é a umidade que mais tem elevado a taxa de evaporação da água. Conforme a região do país, a variação na temperatura é pequena, são os casos de Brasília, São Félix do Xingu, Barreiras e Uberaba, já em Passo Fundo a temperatura apresentou uma variação de 10°C entre os meses de inverno e verão, contribuindo com a elevação do déficit. O déficit de pressão de vapor acima

de 1.909,25Pa aumenta a evaporação das gotas e nestas situações o aplicador deve optar por trabalhar com gotas maiores. O fenômeno da evaporação na aplicação de defensivos seria bastante reduzido caso as aplicações fossem realizadas sob baixos déficits de pressão, ou utilizando pontas que produzissem gotas grandes. Porém, a deriva causada pelos ventos laterais aparece como um problema quando a taxa de evaporação é alta, mesmo ventos considerados adequados para a pulverização podem promover grandes derivas, nos casos em que as gotas grandes tenham alta evaporação e longo tempo de queda e permanência sobre o alvo, Yu et al (2009b) e Nuytten et al (2006) também chegaram a conclusões semelhantes. A deriva é um fenômeno que ocorre em função do escorrimento, devido ao excesso ou à coalescência das gotas, e da ação do vento. Em ambos os casos representa riscos de contaminação ambiental, fitotoxicidade de lavouras vizinhas e até mesmo sintomas de intoxicação aguda ou crônica em seres humanos.

CONCLUSÕES

O uso do déficit de pressão para definir o momento das aplicações pode reduzir as perdas por deriva. Porém, este conceito ainda não é de conhecimento amplo e seria difícil ser adotado no campo. Uma alternativa é a automação das máquinas, equipadas com sensores que atuariam alterando o espectro em função das condições psicrométricas. A evaporação intensifica o efeito da exoderiva, pois reduz o tamanho das gotas, aumentando o tempo de chegada ao alvo e a suscetibilidade ao deslocamento lateral. A evaporação é controlada pelo déficit de pressão; a aplicação baseada exclusivamente na temperatura e umidade relativa, separadamente, induz a pulverizações com elevada taxa de .M evaporação. Cleyton Batista de Alvarenga e Paula Cristina Natalino Rinaldi, Univ. Federal de Uberlândia Robson Shigueaki Sasaki, Instituto Federal de Minas Gerais


PULVERIZADORES Jacto

Catalogados Mais de 140 pulverizadores diferentes são comercializados no Brasil, formando uma gama considerável de modelos para os mais diversos tipos de cultivo

A

necessidade de elevação da produtividade nas culturas fez com que empresas e centros de pesquisa desenvolvessem novas cultivares, mais produtivas que as anteriores. Segundo Lustosa et al (1999), o melhoramento genético, dirigido para a produção e para a qualidade das plantas, pode modificar os mecanismos de resistência, tornando as plantas mais vulneráveis a ações de insetos/pragas. Então, tornou-se crescente a preocupação, por parte de diversas esferas da sociedade, em virtude de seu potencial de risco ao meio ambiente (Barcellos et al, 1998). A utilização de defensivos para combater as ações destes agentes é influenciada por diversos fatores, dentre os quais se destacam o clima, o hospedeiro, o alvo biológico, o ingrediente ativo e o veículo utilizado no produto (Alonço, 1998). Outro fator importante a ser Abril 2016 • www.revistacultivar.com.br

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considerado na utilização de defensivos é a textura do solo, pois os teores de areia, argila e silte presentes no mesmo poderão favorecer a lixiviação. Tal processo pode ocorrer com maior rapidez em solos arenosos com menores teores de argila e matéria orgânica, podendo influenciar na dosagem do produto que será utilizado. Além disso, também deve sempre avaliar os aspectos de cobertura e topografia, o que poderá intervir na escolha do tipo de equipamento. (Balastreire, 1987). Contudo, independentemente do modo de aplicação, é evidente o grande potencial para atingir o solo e as águas, podendo causar poluição, lixiviação, erosão e demais infortúnios ambientais. Além disso, o homem sempre será um receptor em grande potencial, independentemente do destino do agroquímico no meio ambiente. Em decorrência destas necessida-

des, existe hoje no Brasil uma gama diversa, e em constante desenvolvimento, de mecanismos pulverizadores capazes de proporcionar uma elevação na qualidade de aplicação, desde que seguindo as recomendações, de maneira que venham a minimizar os danos ao meio ambiente ao mesmo tempo em que maximizam o controle de doenças e pragas nas lavouras. Existem diversos modelos, tamanhos e tipos de pulverizadores no mercado, cada qual com suas peculiaridades, a fim de satisfazer as necessidades específicas dos cultivos e das propriedades rurais. Entre estes, os mais conhecidos e utilizados, que possuem autopropulsão ou utilizam potência gerada por um trator agrícola, são os autopropelidos, os de arrasto, os montados e os atomizadores. Estes últimos são empregados basicamente no combate a doenças e pragas de frutí-


DADOS OBTIDOS

Massey Ferguson

feras e cafezais, enquanto que os demais são utilizados em amplas diversidades de culturas. O modo de aplicação dos pulverizadores se dá a partir da barra de pulverização, que tem como parte componente as pontas, cuja aspersão ocorre através de forças internas como tensão superficial, viscosidade e coesão (Balastreire, 1987). Os principais fatores que diferenciam os tipos de pulverizadores são o tipo de acoplamento e a propulsão dos mesmos. Os autopropelidos não necessitam de tração tratorizada, pois possuem propulsão própria. Os de arrasto são tracionados através da barra de tração, enquanto que os montados são acoplados ao sistema de levante hidráulico. Para os dois casos, são ligados também na TDP (Tomada de Potência), através de um eixo cardã, para fornecimento de potência à bomba pulverizadora.

Porém, como no Brasil não existe a obrigatoriedade de realização de ensaios oficiais de máquinas agrícolas, a seleção com base em parâmetros técnicos certificados, o que comprovaria a veracidade destes, torna-se dificultada, pois em uma atividade econômica a disponibilidade de informações é essencial, já que isso deve possibilitar a comparação entre os modelos, sendo o catálogo técnico um dos principais meios de divulgação (Mialhe, 1996). Dessa forma, uma das maneiras de realizar a escolha do equipamento mais adequado é através de busca de informações sobre o produto disponibilizada na forma de catálogos, manuais, revistas e meios eletrônicos. Contudo, em determinados casos faz-se necessário um julgamento das relações entre características técnicas, pois são a partir destas que se podem obter informações específicas, como, por exemplo, do desempenho operacional da máquina. Dessa forma, por meio de informações obtidas através de busca em catálogos técnicos, manuais e folhetos disponibilizados pelos fabricantes, além de uma busca direta com estes quando necessário, confeccionou-se um banco de dados, com o objetivo de contribuir para a geração de informações pertinentes que possibilitem uma análise com maior profundidade dos dados, promovendo um auxílio no julgamento de diferentes pulverizadores. Foram avaliados 20 fabricantes,

que produzem 145 modelos de pulverizadores de barras (52 montados, 49 autopropelidos e 44 de arrasto). Foram analisadas as informações capacidade de depósito de calda (CD) (L); comprimento de barra (CB) (m), potência requerida (Pot) (kW) e massa (kg), obtendo suas respectivas relações: CD/CB (L m-1); Pot/CB (kW/m); Pot/ CD (kW/L) e Massa/CD (kg/L). Estas relações estão ilustradas nas Figuras 1, 2, 3 e 4, separadas pelo modelo de pulverizador de barras. Pode-se observar através da Figura 1 a relação existente entre a potência requerida e a capacidade de depósito de calda, ou seja, a quantidade de potência necessária para transportar um litro de calda. Desta forma, teoricamente, quanto menor for esta relação, mais eficientemente será o uso da energia requerida. Os pulverizadores de arrasto possuem a menor média de requerimento de potência por litro de calda, com aproximadamente 0,04kW/L, enquanto que os pulverizadores autopropelidos e montados apresentaram médias de 0,05kW/L e 0,10kW/L, respectivamente. Analisando a Figura 2, tem-se a quantidade de potência requerida para cada metro de barra do pulverizador, na qual, novamente, buscam-se modelos com uma menor demanda de energia por comprimento da barra. Os pulverizadores de arrasto apresentaram menor média, com aproximadamente 3,40kW/m, fazendo com que estes demandem de menor unidade de po-

A utilização de defensivos para combater insetos-praga é influenciada por diversos fatores, como o clima, o hospedeiro, o alvo biológico, o ingrediente ativo e até o veículo

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Figura 1 - Relação média da potência pela capacidade de depósito de calda

Figura 2 - Relação média da potência pelo comprimento de barra

Figura 3 - Relação média da capacidade de depósito pelo comprimento de barra

Figura 4 - Relação média da massa total pela capacidade de depósito de calda

.M

tência por metro de barra, ao passo que os pulverizadores autopropelidos e montados apresentaram médias aproximadas de 5,20kW/m e 4,60kW/m, respectivamente. A média da capacidade de depósito de calda pelo comprimento de barra, ilustrada na Figura 3, evidencia quantos litros de calda é possível armazenar para cada metro de barra nos pulverizadores. Neste caso, quanto maior for esta relação, teoricamente mais vantajoso poderá ser o modelo em avaliação, pois, haverá a possibilidade de trabalhar por mais tempo, visto ser necessário menor número de paradas para reabastecimento da calda de pulverização, fazendo com que a capacidade operacional seja maior. Os pulverizadores de arrasto apresentam a maior média, com aproximadamente 144L/m, enquanto que os pulverizadores autopropelidos Abril 2016 • www.revistacultivar.com.br

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e montados apresentam 106L/m e 54L/m, respectivamente. Com relação aos pulverizadores montados, estes não devem armazenar uma elevada quantidade de calda de pulverização, pois são acoplados aos tratores e o sobrepeso do mesmo pode gerar maior desgaste, possíveis acidentes, como capotamentos e dificuldade de controle, além de aumentar a probabilidade em causar compactação no solo, o que justifica o reduzido valor da relação. A relação entre a média da massa total dos pulverizadores pela capacidade de depósito é apresentada na Figura 4. Os pulverizadores montados são os que apresentam menor valor médio de quilograma por litro de calda, com aproximadamente 0,6kg/L, enquanto que os autopropelidos e de arrasto apresentam 3,0kg/L e 0,7kg/L, respectivamente.

VARIEDADE

Há uma grande diversidade de pulverizadores disponíveis no mercado agrícola brasileiro, proporcionando ao produtor agrícola as mais diversas opções para compra que venham a adequar-se às suas necessidades. Grande variedade de implementos e máquinas disponíveis ao agricultor lhe gera não somente maiores opções de compra, como também a necessidade de realizar uma análise mais criteriosa para cada tipo de pulverizador, observando as suas especificidades juntamente com as da propriedade em .M que serão utilizados. Pablo do Amaral Alonço, Airton dos Santos Alonço, Tiago Rodrigo Francetto, Dauto Pivetta Carpes e Rafael Sobroza Becker, Laserg/UFSM


CAPA

Axial-Flow 5130

A nova série 130 da Case IH está cheia de novidades que tornaram as axiais ainda mais eficientes, com nova motorização e diferenciais no sistema de trilha, separação e limpeza

A

proveitando a colheita de soja na região Sul do País, a equipe da Cultivar Máquinas se deslocou até Irati, no

Sistema hidráulico de tensionameto da correia de acionamento do alimentador

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Paraná, para testar, diretamente no campo, a colhedora Case modelo 5130, da nova série 130. Já tínhamos testado em fevereiro de 2012, para a Cultivar Máquinas, o modelo 2566 com fluxo axial. Este modelo, testado agora, inclui-se dentro de um portfólio de produtos agrupados em três séries. A mais tradicional formada pelos modelos 2566, 2688 e 2799 é agora substituída por esta série 130, com o acréscimo de um modelo maior, o 7130. Maior, a série 230 tem os modelos 7230, 8230 e 9230 e a série 130 tem quatro modelos, o 4130, o 5130, o 6130 e o 7130. Desta ampla oferta, pudemos testar agora o modelo 5130, classe VI. No posicionamento de mercado este modelo tem como principais

concorrentes a S550 da John Deere, a CR6080 da New Holland e a 9696 da Massey Ferguson. São modelos deste segmento usados na agricultura do Sul Brasil e em áreas menores do Centro-Oeste, principalmente. A Case IH nos surpreendeu pela segunda vez. Vimos que a equipe de desenvolvimento trabalhou nos últimos anos para a criação de um produto que já nos parecia muito bom pelo estágio de tecnologia e qualidade em relação à concorrência. Conseguimos ver melhoras na série 130, em relação a um patamar


Fotos Charles Echer

O canal alimentador foi reprojetado e está maior e mais reforçado, facilitando a transição do produto

de qualidade que já havia nos impressionado em 2012, na cidade de Sorriso, quando estávamos comemorando o nosso quadragésimo teste de campo. Vamos procurar, neste texto, colocar pontos onde a máquina se desenvolveu mais e destacar algumas novidades tecnológicas que possam auxiliar na produtividade e na diminuição de custos para o agricultor.

MOTOR

Embora sejam vários os pontos a mencionar, acreditamos que o motor

desta máquina é um dos que mais impactaram sobre o novo produto. As características de um motor, sua disponibilidade de torque e potência e o consumo de combustível influenciam no desempenho geral da máquina, pois o propulsor é o responsável pelo acionamento mecânico e hidráulico de uma série de componentes envolvidos em uma operação complexa, como a de colheita. Uma colhedora é um conjunto de diversos sistemas mecânicos, alguns interligados e dependentes entre si e que exigem do motor algumas virtudes. Nesta máquina o fabricante colocou um motor da marca FPT NEF de seis cilindros, com injeção eletrôni-

A 5130 possui dois sensores de perdas estrategicamente localizados

ca de combustível tipo Common Rail e turbocompressor, com 6,7 litros de volume total, que proporciona uma potência nominal de 272cv a uma rotação de 2.000rpm chegando a um máximo de 319cv. O torque máximo é superior a 1.200Nm entre 1.400rpm e 1.600rpm. Ao analisar a curva de potência verifica-se que há uma porção plana de potência entre 1.800rpm e 2.000rpm, o que garante uma reserva estável para um produtor que estabelece 2.100rpm de rotação de trabalho. Esta rotação é sensivelmente inferior ao que se utilizava nos motores de injeção mecânica, trazendo por isto economia de combustível e, por certo, maior durabilidade em

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Fotos Charles Echer

Seis caracóis sem fim são responsáveis por conduzir o produto trilhado até as peneiras de limpeza

horas de funcionamento do motor. Vale igualmente salientar o nível de controle de emissões, que em toda a série 130 é padrão Tier 3, já ajustado às exigências que vigorarão por exigência do Conama em 2017. Para isto, o projeto inclui a adoção de um sistema de recirculação EGR de gases do escapamento.

TRANSMISSÃO

Para a transmissão do motor às rodas, o modelo 5130 utiliza três

Visão do novo picador fixo e do sistema de peneiras fixas

marchas, com duas velocidades dentro de cada uma destas marchas. As velocidades interpostas entre cada marcha são de acionamento eletro-hidráulico à disposição do operador no console lateral. Como dissemos, é possível trabalhar nesta máquina com uma menor rotação de motor. É necessário que o usuário, acostumado a rotações mais altas, se habitue a esta nova recomendação para conseguir os resultados. A vanta-

gem de utilizar um motor dotado de reserva de potência é que todo o conjunto industrial se estabiliza e harmoniza. Diferentemente de modelos anteriores, neste novo as duas bombas hidráulicas utilizadas na transmissão ao motor e ao conjunto industrial estão ligadas à tomada de potência, diminuindo um acionamento por correia. Os pneus utilizados na parte dianteira são radiais duplos da medida 20.8R38. Na parte traseira estavam montados dois pneus 18.426. Há outras opções disponíveis ao cliente.

PLATAFORMA E ALIMENTAÇÃO

Detalhe da escada que dá acesso ao motor, sistema de arrefecimento e tanque graneleiro

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Uma das novidades que reconhecemos neste modelo é que na correia automática de alimentação o ajuste do tensionamento é feito por um pistão hidráulico em substituição ao sistema de molas, utilizado pelos modelos anteriores da marca e em outras máquinas concorrentes. Chama a atenção a grande dimensão, em largura, da garganta que termina em um cone de transição que auxilia a entrada da massa de produto colhido na parte inicial do rotor. Para evitar o embuchamento da máquina em condições


extremas, a máquina é dotada de um reversor eletro-hidráulico, que pode ser acionado por um pequeno interruptor da cabine. Para elevação da plataforma, outra novidade neste modelo é a colocação de um pistão maior, com 75mm de diâmetro, nos modelos que utilizam plataformas de 25 a 30 pés. A plataforma indicada para este modelo é Terraflex 3020, de 25 ou 30 pés. É uma plataforma com controle de flutuação lateral, automático, de altura e molinete com acionamento hidráulico. Todas as funções podem ser acionadas desde o posto de operação.

TRILHA E SEPARAÇÃO

A Case IH é pioneira no sistema de fluxo axial em todo mundo. No Brasil, a colocação deste sistema de trilha ocorreu na década de 90, inicialmente pela Case IH, e hoje a maioria das máquinas de diferentes marcas utiliza este sistema, que se mostrou muito útil para as condições de colheita das diferentes regiões do País. O sistema de trilha é axial, com um rotor longitudinal e gengivas lisas e dentadas, distribuídas no

Sistema de admissão de ar e refrigeração conta com tela fixa e um aspirador que evita a entrada de poeira nos radiadores

cilindro. Na entrada do rotor é colocado um cone de transição, que funciona como elemento de ligação entre o alimentador e o rotor, fazendo com que não aconteça uma retenção de material neste ponto, o que ocasionaria um início precoce de trilha e consumo extra de ener-

gia. O material quando passa pelo cone adquire o movimento circular. A Case IH utiliza o rotor denominado small tube, posicionado concentricamente em relação ao tubo exterior. Neste projeto, o volume de massa processada é maior, o que diminui o atrito com o metal

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Fotos Charles Echer

Acesso aos pontos de manutenção e ao sistema de trilha, separação e limpeza pode ser realizado com facilidade com o basculamento das laterais da 5130

e aumenta o atrito entre a massa formada pela palha e os grãos. É possível notar aumento na qualidade do processo de trilha, ocasionando menos quebra de grãos. Para a produção de grãos para semente isto é fundamental. Para isto, o fabricante fez uma redução do diâmetro do rotor de 65cm para 59cm e aumento da área de secção de 0,23m2 para 0,29m2. Perifericamente o rotor está rodeado de elementos chamados vanes, que têm a finalidade de de-

terminar a intensidade de rotações que o material dá quando está sendo processado. As gengivas que são os elementos de trilha podem ser de três tipos, lisas e dentadas e em casos de milho com alta produtividade podem ser substituídas por uma barra modular. Diferentemente do maior concorrente da marca, as gengivas são móveis, presas com parafusos. No côncavo podem ser montados arames (finos e grossos) e grades de barras quadradas e redondas, de acordo com o tipo de

material que está sendo colhido. As vanes também podem ser posicionadas em diferentes ângulos, alterando nas posições normal, avançada e atrasada. A posição avançada é interessante para a cultura da soja limpa e com pouca infestação de plantas invasoras. A posição atrasada é recomendada nas condições em que a soja está com invasoras e por isto se necessita modificar a velocidade de avanço da massa no rotor. Na avaliação de campo e pela experiência da equipe técnica da Case IH, em diversos testes de campo realizados com a máquina, a grande vantagem foi a melhoria do processo de trilha nas condições de soja úmida. Este benefício que parece pequeno é enorme quando se avalia a possibilidade de que, com este detalhe, se pode incrementar a janela de colheita em dias e em horas na jornada de trabalho, que pode ser estendida.

LIMPEZA

A plataforma indicada para este modelo é Terraflex 3020, com 25 ou 30 pés de largura

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O nosso destaque especial nos elementos encarregados da limpeza do material é o ventilador Cross-Flow. Este elemento, como está projetado, que tem formato de uma turbina é encarregado de gerar fluxo de ar. Pela posição das aletas da turbina


não há necessidade dos usuais defletores para direcionamento do ar. O fluxo é dirigido pela posição das pás. O ventilador aspira o ar na parte superior da sua carcaça e o direciona com o auxílio das aletas para a parte inferior das peneiras. A limpeza do produto se completa com um conjunto de peneiras, inferior e superior. O produto colhido, neste modelo, chega a cada porção da peneira superior por meio de caracóis, dispostos em toda a largura das peneiras. Estes sem-fins, que passaram de cinco para seis, foram colocados sobre uma nova mesa. Embora as peneiras possam ser oferecidas com dispositivo autonivelante, esta construção faz com que o produto seja depositado sobre todas as partes da peneira superior, diminuindo a concentração de produtos em determinados locais. A regulagem das peneiras pode ser feita por meio de alavancas posicionadas na lateral esquerda da máquina ou, como opcional, diretamente de dentro da cabine. O controle pode ser feito em milímetros de abertura. A área total de peneiras é de 5,13m2. Também está disponível neste modelo a regulagem de ajuste da contrafaca do picador. De dentro da cabine é possivel monitorar a rpm do picador. Já a sua velocidade e a posição da contrafaca são reguladas

externamente . A palha que sai da máquina passa por um picador de lâminas fixas, mas por opção o cliente pode optar por um novo picador de lâminas móveis, que fazem com que o picado seja menor, principalmente na cultura do trigo. Por fim, um distribuidor de palha é disponibilizado com três posições de aleta e duas velocidades para a regulagem de colocação da palha picada no solo.

ARMAZENAMENTO E DESCARGA DOS GRÃOS

O depósito de grãos foi totalmente renovado, chegando a um volume total de 9.200 litros e também foi

projetada uma nova cobertura do depósito, com uma sobressaia que evita a entrada de água e a saída de grãos. Durante o teste, a descarga dos grãos através do tubo de descarga foi realizada várias vezes. Vimos que ele é item novo em relação aos modelos anteriores, com comprimento total de 6,4 metros, formado por um comprimento de 5,5 metros, mais uma extensa ponteira. Além do comprimento, a equipe da Case IH informou que houve aumento de diâmetro e aumento da vazão dos grãos em aproximadamente 35% em relação aos modelos que foram substituídos. A vazão medida com

Com novo tubo mais longo e com diâmetro maior, o tempo de descarga do tanque diminuiu consideravelmente

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Fotos Charles Echer

Distribuidor de palha é opcional e está disponível com três posições de aleta e duas velocidades

artifício de filmagem foi de aproximadamente 110 litros por segundo, tendo sido informado em 114 litros por segundo pelo fabricante, comprovando esta habilidade da máquina.

MANUTENÇÃO

Um dos pontos que mais damos atenção quando testamos uma máquina complexa como é a colhedora de grãos é a quantidade de itens de manutenção e a facilidade em realizar cada uma das etapas deste processo. Neste sentido, vimos que neste novo projeto a máquina foi bastante simplificada, diminuindo itens de manutenção.

O acesso ao compartimento do motor, depósito de grãos e alguns componentes hidráulicos se faz por meio de uma escada retrátil, posicionada na parte traseira da máquina. Por aí se acessa uma plataforma onde pudemos ver com detalhe a área dos radiadores. Vimos que a tela de admissão do ar para o motor e refrigeração dos radiadores neste modelo é estacionária, com um sistema de limpeza a vácuo que utiliza um aspirador de material plástico, denominado nariz, que gira limpando a área da tela e despejando os resíduos pela parte de baixo da máquina. Com isto, o fabricante estima uma redu-

Apoio da Tratorcase

O

concessionário que nos apoiou neste teste foi a Tratorcase Máquinas Agrícolas S.A., filial Irati. Fomos recebidos pelo senhor André Lucas Les, da área comercial da loja. Ele nos contou que além da loja de Irati, a concessionária atende uma vasta região do centro do estado do Paraná, em outras lojas como Ponta Grossa, Arapoti, Guarapuava,

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Ivaiporã, Lapa e Mauá da Serra. A região atendida é importante na produção de grãos e outros produtos agrícolas. A empresa foi fundada em 2007 e se tornou um importante parceiro da Case nos últimos anos. Vimos uma loja, embora pequena, bem organizada e com boa estrutura de atendimento ao agricultor no campo.

ção da frequência da troca dos dois elementos do filtro do ar. Nos impressionou positivamente a quantidade de luzes internas para manutenção noturna e em ambientes internos. Isto é um ponto importante para o trabalho noturno ou mesmo à manutenção noturna, utilizada em muitos casos. Ainda neste ponto, ressaltamos que o esforço de diminuir itens de manutenção foi extremamente positivo, pois neste novo projeto foram 15 que tiveram intervalo de troca aumentado, sendo que, destes, 14 têm um impacto direto no custo operacional.

TECNOLOGIA AVANÇADA

Durante os testes reconhecemos vários pontos que denotam a alta tecnologia presente neste modelo. A marca utiliza dois sensores de


A cabine ampla possui coluna com informações do motor, painel touchscreen e console lateral com as principais funções da máquina

perdas, um primeiro para detectar perdas de grãos logo após o rotor e o outro posicionado após a retrilha. Estes dois sensores podem dar informação conjunta de perdas totais ou individualizadas, para auxiliar

ao operador no controle das mesmas. Vimos que em geral durante o trabalho as perdas no rotor eram próximas de zero. A máquina utilizada nos testes estava equipada com o sistema AFS,

que é o sistema de monitoramento e agricultura de precisão da Case IH. Por meio de sensores, a máquina faz o monitoramento da umidade com um sensor e a produtividade total com medida diretamente no

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Fotos Charles Echer

depósito. Também outras medidas e informações são apresentadas no monitor colocado na cabine, posicionado à direita do operador em um plano superior ao console de instrumentos. O sistema tem uma função bem interessante que auxilia o operador com pré-ajustes, para cada cultura.

TESTE

O nosso teste foi desenvolvido na cultura da soja, com duas cultivares adaptadas à região e com produtividade média ao redor de 70 sacos por hectare. A máquina trabalhou sempre a 2.100rpm no motor e combinamos marchas, escolhendo como ideal para as condições a 2ª marcha reduzida a 5,5km/h e a direta a 7,5km/h. Apenas com um simples toque no interruptor colocado no console lateral era possível fazer esta mudança de velocidade. Fizemos trajetos no sentido das curvas de nível em trechos de aproximadamente 800 metros. Durante o período, alternamos operadores e acompanhantes e quando perguntamos ao senhor Idenilson, operador da fazenda, sobre qual a sua avaliação, ele nos comentou que estava impressionado com o novo motor em resistir aos aumentos de velocidade e às sobrecargas. Disse que opera outras máquinas da marca e vê muita facilidade. Quanto a esta nova máquina salientou como positivo o motor e o conforto. Foram algumas horas de colheita, com várias descargas de grãos, onde pudemos ver e medir a velocidade de descarga que, a nosso ver, é muito boa. Agradecemos à equipe que nos auxiliou no teste, em especial ao pessoal da fazenda, o operador Idenilson Nascimento, que trabalha há 25 nos no local. Também ao pessoal do concessionário Case, Rodrigo Sertório, que é assistente de campo e mecânico, e ao André Lucas Les, vendedor externo da concessioná-

Local de realização do teste

O

local escolhido pelo concessionário Case IH para os testes foi a Fazenda São Luiz, que tem sede em São Mateus do Sul (PR). O barracão onde nos encontramos, com a equipe e a máquina, está localizado no município de Fernandes Pinheiro. Mas um detalhe interessante é que parte da fazenda ainda está localizada em outros dois municípios, São João do Triunfo e Rebouças. É muito curioso que uma propriedade esteja localizada em quatro cidades diferentes. De um total de aproximadamente 2.000 hectares, são 900ha de soja, com aproximadamente 40% deste total preservado com floresta nativa. O produtor nos pareceu muito orgulhoso por esta preservação da floresta que, segundo ele, conheceu desde o seu nascimento. Embora com esta extensa área de soja, o produtor, senhor Altevir Muchalak, de origem polonesa, se sente um “batateiro”, pois produz 250 hectares de batata. Além do senhor Altevir, o seu irmão Dionísio Muchalak é sócio e administra conjuntamente a fazenda. Os dois são naturais do local, tendo nascido próximo de onde está situado o barracão de máquinas. Além da batata e da soja, os irmãos

ria Tratorcase, de Irati. Finalmente, saudar e elogiar o empenho dos engenheiros Carlos Furlan, especialista de Marketing de Produto Colheitadeiras, e Adriano Ferrareze, especialista de Campo Case da fábrica em Sorocaba, que

Muchalak plantam milho, trigo e feijão e têm áreas arrendadas em Campo Mourão e Palma para o cultivo da batata, que inclusive chega ao mercado exterior, com a marca comercial Muchalak. Não bastasse esta diversidade, a fazenda ainda tem reflorestamento com pínus, que é vendido como madeira, e eucalipto, usado principalmente para queimar nas instalações. O senhor Altevir também nos contou que recentemente passou a criar cavalo da raça crioula, primeiro como hobby, mas que está levando bem a sério a atividade ultimamente. A sua frota é composta por máquinas de semeadura e tratores de outra marca, mas aos poucos ele deseja ir passando, primeiramente nos pequenos, para a série Farmall, da Case. Colhedoras ele se considera cliente fiel, já tem três máquinas da Case e pretende adquirir mais uma em breve. Quando lhe perguntamos sobre a crise atual, ele nos comentou que segue a forma de pensar do seu pai, que dizia: “Quem produz comida nunca vai passar por crise”. Por isto leva em frente esta atividade. É uma boa maneira de pensar e que deveria ser levada a sério por quem dirige um país de aptidão agrícola como o Brasil.

nos apoiaram desde o pontapé inicial para que este teste fosse realizado, na logística e durante o intenso dia de testes no interior do .M Paraná. José Fernando Schlosser, Nema – CCR - UFSM

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COLHEDORAS

Reduzindo perdas

New Holland

Avaliação de perdas de uma colhedora axial com plataformas convencional e draper na colheita da soja mostra que a tecnologia com esteira no lugar do tradicional caracol é mais eficiente

A

colheita é um processo que demanda cuidados e conhecimento sobre os mecanismos e as regulagens da colhedora, pois cada cultura demanda regulagem específica da máquina. A falta desses conhecimentos gera elevadas perdas anuais, em muitos casos passando despercebido pelos usuários. No Brasil, os primeiros estudos sobre as perdas na colheita datam da década de 1970, quando as perdas eram de até 3,2 sacas por hectare. Com o avanço da tecnologia possibilitando melhorias nas colhedoras, plataformas e treinamento, esse número reduziu bastante nos últimos anos, em algumas regiões os valores são menores que uma saca por hectare. As perdas na colheita são influenciadas tanto por fatores inerentes à cultura em especial, como por fatores relacionados à colhedora. A colheita mecanizada da soja acarreta perdas quantitativas de grãos e sementes que ficam na superfície do solo e também perdas qualitativas para a soja comercializada como grão ou semente. Abril 2016 • www.revistacultivar.com.br

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Durante a operação de colheita, perdas podem ocorrer na plataforma e nos mecanismos internos, sendo que cerca de 75% a 90% ocorrem na plataforma. Sendo assim, para minimizar os efeitos das perdas, plataformas que utilizam correias alimentadoras no lugar do tradicional caracol, conhecidas como draper, foram introduzidas nos últimos anos no mercado brasileiro. Este modelo propicia redução das perdas na plataforma, assim como alimentação mais uniforme do sistema de trilha, melhorando o desempenho da colhedora. A plataforma draper, de acordo com alguns resultados de pesquisa, se mostra mais eficiente reduzindo as perdas, apesar de ter o custo de aquisição mais elevado em comparação com a plataforma tradicional, devido à tecnologia ser recente no Brasil e muitas peças serem importadas. Mesmo com a redução das perdas nas últimas décadas, em várias regiões, há demanda por pesquisas sobre perdas em colhedoras axiais, utilizando diferentes tipos de plataformas. Com base nessas demandas foi realizado

um trabalho para avaliar as perdas na colheita de soja de uma colhedora axial com plataforma convencional e draper, com as regulagens determinadas pelo fabricante. As avaliações foram realizadas no município de Guarapuava (PR), a colhedora utilizada na avaliação de perdas na colheita de soja foi o modelo CR 9060, marca New Holland de 415cv de potência máxima com sistema de trilha axial e plataforma convencional com 35 pés. A soja utilizada na avaliação foi a variedade BMX Apollo RR com produtividade de 3.892kg/ha. Devido às perdas elevadas na plataforma convencional, foi avaliada uma segunda plataforma, sendo essa tipo draper, modelo Superflex de 35 pés. As avaliações foram realizadas de forma aleatória dentro da área, sendo compostas por quatro repetições. No momento da escolha da área para avaliação de perdas, eliminaram-se os pontos onde havia ondulações ou mesmo depressões no solo que levaria a dados anormais. A metodologia empregada na avalia-


ção de perda na colheita foi a proposta pela Embrapa (2011), sendo avaliadas perdas, na pré-colheita, plataforma, parte industrial da máquina e perdas totais. A área de cada avaliação foi de 2m2, sendo utilizado gabarito para a coleta. Foram coletados todos os grãos dentro da área delimitada (largura da plataforma de corte) e posteriormente pesados, convertidos para o teor de água correto e transformando os valores para kg/ha. No Gráfico 1 são apresentadas as perdas na colheita da soja analisadas por repetição e média. As perdas médias foram de 182,5kg/ha de soja, correspondendo a 3,04 sacas de soja ou 4,68% da produção. A perda está fora dos níveis aceitáveis que em média é de até um saco de soja por hectare, ou seja, 60kg/ha de soja. A repetição 3 apresentou a maior perda, chegando 3,24 sacas de soja por hectare (194,8kg). Os fatores que contribuíram para a perda de grãos foram: maturação desuniforme da cultura, principalmente nas culturas de hábito indeterminado, podendo impactar negativamente a qualidade e a quantidade dos grãos colhidos; falta de ajustes precisos principalmente para a plataforma e sistema de trilha, separação e limpeza da colhedora. Atualmente as empresas disponibilizam referências pouco precisas para as regulagens das colhedoras e, muitas vezes, como ocorrido nesta avaliação, se faz necessário um número maior de tentativas (eliminação) para se obter um nível tolerável de perdas e falta de mão de obra qualificada. A mão de obra

Etóre Francisco Reynaldo

Gabarito para determinação da área de coleta de grãos de soja, sendo: (a) perdas totais e (b) perdas de plataforma

talvez seja o fator de maior impacto, responsável pelos níveis de perdas das colhedoras automotrizes atualmente. O mercado brasileiro dispõe de máquinas equipadas com grande aparato eletrônico e tecnológico, possibilitando maior precisão e eficiência operacional do equipamento, porém, em quase todos os casos essa tecnologia não é utilizada em sua plenitude devido à falta de qualificação dos operadores. Como exemplo, pode-se citar a utilização dos monitores de colheita, que em muitas vezes são desligados simplesmente por reproduzir alarme sonoro, indicando algo anormal. Isso mostra que este operador, por exemplo, não tem o grau mínimo de instrução para ler o aviso e proceder aos ajustes necessários ao equipamento para seu correto funcionamento. No Gráfico 2 têm-se as perdas na colheita da soja por processo com plataforma draper. As perdas por senescência foram de 0,34kg/ha (pré-colheita). A senescência é a perda natural da cultura que ocorre, por exemplo, pela

Gráfico 1 - Perdas na colheita da soja com plataforma convencional, por repetição de amostragem e média

abertura espontânea das vagens. De acordo com os dados apresentados (Gráfico 2), as maiores perdas dentre dos processos avaliados foram geradas pela plataforma. As perdas de grãos originadas pela plataforma correspondem a 42,78kg/ ha (78,8%) e as perdas da colhedora, o chamado industrial (sistema de trilha, separação e limpeza) resultaram em 11,12kg/ha (20,5%). O total de perdas foi de 54,23kg/ha, estando dentro dos níveis aceitáveis de 60kg/ha de soja. As perdas totais da colhedora ficaram acima do recomendado para plataforma convencional. Após ajustes nas recomendações de regulagens feitos pelo fabricante na colhedora e a utilização da plataforma draper, as perdas totais reduziram em 70% e ficaram .M dentro do recomendado. Étore Francisco Reynaldo, Leandro Taubinger e Dionathan de Quadros, Fapa Thiago Martins Machado, UFMT

Gráfico 2 - Perdas na colheita da soja com plataforma draper dividida por processos

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FICHA TÉCNICA

Imperador 3.0

Com conceito novo no mercado brasileiro, o Imperador 3.0 da Stara pode realizar as operações de pulverizar e aplicar fertilizantes em diferentes operações

A

inovação do pulverizador autopropelido Imperador e a qualidade do distribuidor Hércules agora estão juntas em uma única máquina. O Imperador 3.0 é um autopropelido inédito, produzido pela Stara e reúne um pulverizador com barras centrais e um distribuidor, podendo realizar as duas operações com o mesmo equipamento em momentos distintos. O Imperador 3.0 é uma máquina que vem para atender aos anseios dos produtores rurais que buscavam por equipamentos autopropelidos com grande autonomia de trabalho, mas esbarravam nos altos valores a serem investidos com a aquisição de duas máquinas. O projeto desta máquina parte do conceito de viabilizar ao médio produtor ter em sua propriedade um autopropelido com tecnologia de ponta para pulverização e distribuição, aliado a um custo mais acessível, além de reduzir os custos operacionais. Com este conceito é possível realizar o parcelamento das aplicações de fertilizantes e defensivos, tudo isso com a manutenção do mesmo rastro, garantindo mais agilidade, rapidez e eficiência nas aplicações, melhorando a relação custo x benefício, pois permite realizar as duas atividades mais repetidas na lavoura.

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MOTOR E TRANSMISSÃO

O Imperador 3.0 permite a troca de marchas com a máquina andando, permitindo que a velocidade de aplicação seja constante durante o trabalho. Possui motor MWM de 205cv Turbo e sistema de transmissão hidrostática 4 x 4, com controle de tração, permitindo trabalhar em terrenos com inclinação de até 31,7%, a maior capacidade de rampa da categoria. A bomba hidráulica é LS (Load Sensing), com sistema inteligente que disponibiliza a vazão necessária para o implemento, acoplado ao motor, que proporciona mais eficiência e reduz o consumo de combustível.

PULVERIZAÇÃO

Para a pulverização, apresenta reservatório de calda de 2.400 litros, produzido em polietileno. Possui barras centrais, patenteada pela Stara, que prometem estabilidade durante a aplicação, mesmo em terrenos com desnível. A altura de aplicação varia de 60 centímetros a dois metros, com espaçamentos entre bicos de 50 centímetros. Durante a pulverização, a distribuição de peso é igual, sendo 50% na parte dianteira e 50% na parte traseira. Possui reservatório de água limpa com capacidade de 240 litros, o que facilita o trabalho do produtor ao abastecer o incorporador e realizar a tríplice lavagem. A bomba de au-


Fotos Stara

O Imperador 3.0 possibilita a troca de marchas com a máquina andando, permitindo que a velocidade de aplicação seja constante durante o trabalho, e seu modelo apresenta um reservatório de calda de 2.400 litros, produzido em polietileno

toabastecimento tem capacidade de 1.100 litros por minuto e é acoplada na máquina. Com ela, o abastecimento total do reservatório se dá em menos de três minutos. O Sistema de Pulverização Stara (SPS) conta com o retorno calibrado e 3º retorno, exclusivos das máquinas da empresa. Esse sistema possui a vantagem de não sobrecarregar os bicos de pulverização, pois no momento em que acontece o

desligamento das seções, o produto retorna para o reservatório de calda, não permanecendo nas mangueiras ou bicos, que continuam trabalhando, mantendo a mesma pressão, gerando mais precisão na aplicação, qualidade de informações sobre o trabalho e economia de produto. A fixação das barras é realizada em quatro pontos da máquina, isso confere ao pulverizador uma grande copiagem do solo,

mantendo a estabilidade e o alvo de pulverização.

DISTRIBUIÇÃO DE INSUMOS

Para distribuição, possui reservatório em inox com capacidade de até três toneladas, com alta resistência à oxidação provocada pelos produtos agrícolas utilizados, conferindo maior durabilidade ao reservatório. Possui comporta dupla, o que confere ao distribuidor grande precisão na aplicação, desenvolvida para economizar fertilizantes na realização de arremates, aplicações em bordaduras e também para aplicação em áreas já aplicadas, evitando a sobreposição, seguindo a recomendação de dosagem ideal e corrigindo as variabilidades existentes no solo. Além disso, o Imperador 3.0 possui esteira de borracha com dispositivo autocentralizador da fita transportadora para maior precisão na aplicação. Os role-

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Motor MWM de 205cv Turbo e sistema de transmissão hidrostática

tes têm distância de 22 centímetros entre eles, o que melhora consideravelmente a distribuição do peso à esteira, resultando na distribuição mais precisa e uniforme. O chassi da esteira é produzido em inox, o que proporciona maior vida útil ao equipamento. Os discos de aplicação possuem regulagem das palhetas e proporcionam uma faixa de aplicação de 27 metros, com grande uniformidade. A distribuição do peso do Imperador 3.0 durante a distribuição é de 44% na parte dianteira e 56% na parte traseira. Outra evolução do Imperador 3.0 é a utilização de pneus radiais 380/80 R38 que proporcionam menor índice de patinagem e compactação do solo. A suspensão é pneumática ativa com sistema de três pontos, que traz grande uniformidade na pulverização e a melhor copiagem do terreno durante a distribuição. Os motores de roda possuem redutores axiais que permi-

Reservatório para 2.400 litros de calda construído em polietileno

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Outra evolução do Imperador 3.0 é a utilização de pneus radiais 380/80 R38 que proporcionam menor índice de patinagem e compactação do solo

tem o deslocamento mais rápido do equipamento e o torque maior para trabalhar em terrenos acidentados. A cabine é ampla, confortável

e com isolamento acústico. O ar-condicionado é digital e com filtro de carvão ativado, para garantir a melhor qualidade do ar que circula


Fotos Stara

A cabine é ampla, confortável e com isolamento acústico. O ar-condicionado é digital e com filtro de carvão ativado, para garantir a melhor qualidade do ar que circula na cabine

na cabine. Permite a ampla visibilidade da cultura e das barras durante a aplicação. Possui banco com suspensão pneumática, CD player com

entrada USB e o acabamento interno da cabine possibilita a fácil limpeza e higienização. O Imperador 3.0 é equipado

também com pacote de tecnologia, composto por piloto automático, controlador Topper 5500 e Teleme.M tria Stara.

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TRATORES

Bem lastrado

Valtra

A adequação dos tratores às atividades que irão desenvolver é uma necessidade básica, pois um erro na lastragem, por exemplo, pode comprometer a operação a ser realizada

A

o adquirir um equipamento agrícola, seja um trator, uma máquina ou implemento, o produtor rural se depara com uma gama de regulagens possíveis nesses equipamentos, todas explicadas no manual do operador. O que muitos não sabem é para que, o porquê e a necessidade dessas alterações. Um exemplo clássico é o lastro do trator, pois muitos produtores se perguntam para que serve, quando deve-se adicionar ou retirar, se estão tendo benefícios ou prejuízos, se estão operando na velocidade correta e se a pressão interna de ar nos pneus está correta. Todas essas perguntas que assombram a cabeça do produtor têm resposta na adequação da máquina. A adequação consiste num conjunto de modificações a serem realizadas em um equipamento de forma a deixá-lo propício e receptivo em diferentes condições. Por exemplo, um operador vai realizar uma subsolagem, atividade considerada pesada, ele deve então colocar mais lastro no trator para diminuir o patinamento do rodado e, consequentemente, a perda de potência do trator. Abril 2016 • www.revistacultivar.com.br

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BENEFÍCIOS DA ADEQUAÇÃO

Atualmente, a busca pelo aumento da eficiência é evidenciada em todos os setores de produção e uma das formas de aumentar a eficiência no trabalho com máquinas agrícolas é adequando o trator ao implemento que está acoplado (Santos, 2010), além disso, a correta adequação também reflete em maior capacidade de trabalho e menor consumo de combustível (Mialhe, 1974), sendo este último um dos custos mais elevados nas operações agrícolas. A adequação de tratores agrícolas está diretamente relacionada com o peso do trator e, para que um implemento seja utilizado racionalmente, também é necessário conhecer as condições de solo que ele vai atender (Mantovani, 1999). Em teoria, para cada condição de solo haveria a necessidade de uma adequação diferente para o mesmo conjunto trator-implemento. Também deve ser considerada a grande variedade de máquinas agrícolas disponíveis no mercado, possibilitando que o agricultor escolha uma melhor combinação para atender

a sua demanda. Portanto, se o conjunto trator-implemento exceder a demanda necessária de potência, há um aumento no custo de produção, porque os equipamentos foram subutilizados. De modo contrário, se o conjunto trator-implemento não atender a demanda necessária de potência, as operações podem não ser realizadas, pois o trator não conseguirá tracionar o equipamento agrícola, o que irá causar prejuízos. Em termos práticos, em operações pesadas, um trator com pouco lastro pode apresentar altos índices de patinagem, aumentando o desgaste dos pneus e reduzindo eficiência da operação, já um trator com excesso de lastro pode causar compactação do solo (Barbosa, 2004). Os tratores agrícolas podem ser lastrados adicionando água nos pneus e/ou com peças metálicas colocadas nos rodados e na dianteira do trator. Em alguns tratores os lastros metálicos são usados na parte externa do rodado e, em outros os lastros metálicos são colocados na parte interna e externa do rodado. Entretanto, o operador não costuma remover ou adicionar lastros metálicos para atender as necessidades de peso, porque é uma tarefa que exige tempo e esforço físico. A lastragem insuficiente pode ocasionar problemas como a patinagem excessiva dos rodados, perda de potência e de tração, desgaste acentuado dos

A lastragem insuficiente pode ocasionar problemas como a patinagem


Fotos Jefferson Dutra

Tabela 1 - Distribuição de peso dos eixos dos tratores Modelo do trator 4x2 4x2 TDA e 4x4

Eixo do trator Dianteiro Traseiro Dianteiro Traseiro

Equipamento de arrasto 25% 75% 35% 65%

Semimontado 30% 70% 35% 65%

Montado 35% 65% 40% 60%

Fonte: Monteiro (2009).

O peso a ser distribuído nos eixos do trator vai depender da operação

pneus, alto consumo de combustível e baixa produtividade da operação. Já a lastragem excessiva por outro lado pode ocasionar problemas como aumento da carga sobre a transmissão, perda de potência e de tração, rompimento das garras dos pneus, compactação do solo, alto consumo de combustível e baixa produtividade. Monteiro e Arbex (2009) relatam que para uma adequação correta são utilizados alguns passos, o primeiro é a relação peso/potência e essa determinação é feita tomando como base a operação a ser realizada. O peso do trator deverá ser sua potência vezes 50, se for uma operação leve; 55, se for uma operação média, e 60 se for uma operação pesada. Tomando como base novamente a subsolagem, atividade pesada, com um trator de 120cv, então o peso do trator deve ser 7.200kg. Já o peso a ser distribuído nos eixos do trator vai depender da operação a ser realizada e do tipo de trator, tudo em função da relação peso/potência, assim as operações montadas em um trator 4x2 vão ter distribuições diferentes de uma operação com equipamento de arrasto no mesmo trator. Estes valores são apresentados na Tabela 1. Assim, se um trator 4x2 com 5.000kg vai realizar uma operação leve com um equipamento de arrasto, sua distribuição de peso vai ser 1.250kg no eixo dianteiro e 3.750kg no eixo traseiro. Outro aspecto importante a ser considerado na adequação de tratores agrícolas é o ajuste dos componentes da plataforma de operação. Entretanto,

pesquisas realizadas demonstram a necessidade de adequação dos tratores para o trabalhador rural brasileiro. A área de mecanização agrícola possui uma característica de inadequação ergonômica dos sistemas tratorizados, pois utilizam a tecnologia de outros países. A qualidade ergonômica do produto inclui a facilidade do manuseio, a adaptação antropométrica, o fornecimento claro de informações, as compatibilidades de movimentos e demais itens de conforto e segurança, o que justifica a sua aplicação no contexto do maquinário agrícola. A melhoria das condições de segurança e conforto ao operador do trator agrícola pode contribuir no incremento da produtividade (Vilagra, 2009). De um modo geral, um trator bem adequado para operação desejada, com distribuição correta do peso nos eixos, pressão interna do pneu adequada em função da carga no pneu e com patinamento recomendado para o tipo de superfície de contato, traz como benefícios economia de combustível, ganho de tempo na operação, menor desgaste

do pneu e principalmente a redução na degradação do solo. Os solos preparados com tratores com sobrepeso tendem a ser compactados mais rapidamente, assim, um menor número de passadas do trator é necessário para aumentar a densidade do solo. Não só o sobrepeso do trator influencia, mas o uso de velocidades inadequadas à operação também pode agravar a situação, isso ocorre devido ao excesso de peso por unidade de área durante um determinado período de tempo, pois tratores em velocidades mais baixas tendem a ficar mais tempo sobre um mesmo ponto, piorando ainda mais a situação. Com a agricultura moderna, a adequação deixou de ser opcional para se tornar imprescindível em um sistema que busca cada vez mais a excelência com um mínimo de perda de forma .M sustentável.

Jefferson Auteliano C. Dutra, Deivielison Ximenes S. Macedo, Leonardo de Almeida Monteiro, Viviane Castro dos Santos, Daniel Albiero e Enio Costa, UFC

A adequação de tratores agrícolas está diretamente relacionada com o peso do trator; também é necessário conhecer as condições de solo

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TRATORES

Quase novos New Holland

Amostragem realizada entre produtores de arroz irrigado no Rio Grande do Sul revela que a maioria dos tratores utilizados na cultura encontra-se em bom ou ótimo estado de conservação

O

Rio Grande do Sul se destaca como maior produtor nacional de arroz irrigado, sendo responsável por mais de 60% do total produzido no Brasil, com uma área superior a um milhão de hectares (ha) cultivados. A região da Fronteira Oeste destaca-se por ser a maior região produtora do estado, responsável por mais de 300 mil hectares (Sosbai, 2012). Nesta região o arroz irrigado é cultivado em superfície com desnível controlado, e quase que a totalidade das áreas utiliza o sistema de cultivo convencional, o qual exige um grande número de operações desde o preparo do solo até a colheita. Em função de intempéries climáticas e do cultivo em áreas arrendadas, onde a pecuária de corte ocupa os talhões até os meses próximos à semeadura, a janela de tempo para realizar as operações é reduzida. Neste contexto, a principal alternativa é elevar a capacidade operacional para que diversas operações possam ser realizadas siAbril 2016 • www.revistacultivar.com.br

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multaneamente. Assim, é necessário que as máquinas agrícolas estejam em boas condições operacionais quando solicitadas, para não gerar atrasos nos tempos de execução das operações. De acordo com Khodabakhshian (2013), somente através do monitoramento das condições do equipamento é possível estabelecer um plano de gerenciamento com vistas à otimização da frota. Neste contexto, objetivou-se realizar a caracterização dos tratores e índice de mecanização (IM) utilizados no cultivo do arroz irrigado na região da Fronteira Oeste do estado do Rio Grande do Sul. A pesquisa foi realizada em 11 propriedades agrícolas distribuídas na região da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, nos municípios de Alegrete, Quaraí e Uruguaiana, totalizando uma área produtiva de 4.144ha. A metodologia baseou-se na identificação e coleta de informações de 71 tratores agrícolas, obtendo dados quanto à marca, ao modelo, ao sistema de tração, à presença de cabine ou estrutura de proteção na ca-

potagem (EPC) e ao estado de conservação externo, sendo este avaliado como bom/ótimo, quando encontrava-se sem arranhões ou amassados, regular, quando apresentava arranhões ou perda do brilho natural e em estado ruim de conservação quando encontrava-se com arranhões, amassados ou ausência de peças originais. As áreas cultivadas nas propriedades foram conhecidas através de um questionário aplicado aos proprietários, e as informações referentes aos tratores foram adquiridas pelo meio de catálogos disponíveis eletronicamente consultando a marca e o modelo do trator. Para demonstração do índice de mecanização, realizou-se a separação em três faixas, (< 200ha; 200ha a 600ha; > 600ha), de forma que cada faixa contemplasse um número de propriedades adequado para realização das médias de área e potência. Os resultados foram analisados com auxílio do aplicativo Microsoft Office Excel e o tamanho de amostra, expresso em número mínimo de tratores, foi definido pelo método bootstrap adaptado (Dias et al, 2014), que considerou a estabilização das variáveis em função de aumentos significativos do tamanho amostral. Com relação às marcas, pôde-se observar a predominância de Massey Ferguson, New Holland, John Deere e Valtra, respectivamente (Figura 1). As demais marcas encontradas, com menor representatividade, foram CBT, Muller, Agrale, Engesa e Case IH, respectivamente, cuja soma dos percentuais representou 18% do total avaliado. Quanto ao sistema de tração (Figura 2), a utilização de tratores 4x2 TDA é predominante entre as demais categorias (70,4%). Isto está correlacionado às atividades da lavoura orizícola, que geralmente necessitam de grande capacidade em exercer tração, mas, por vezes, com implementos de dimensões reduzidas, devido às condições de relevo e operações que não podem ser realizadas com tratores de maior porte como no caso da construção de taipas. Os tratores 4x4 representaram 8,5% e foram encontrados em poucas proprie-


dades, sendo utilizados principalmente para a realização do preparo do solo. Já os tratores 4x2 somaram 21,1%, e têm limitações dentro das principais operações, sendo assim utilizados para atividades secundárias como transporte, acionamento de equipamentos estáticos via tomada de potência e outras atividades onde não se justifica a utilização de um trator com maior capacidade de exercer tração. Quanto à potência média dos tratores (kW trator-1) observou-se que esta cresceu ao longo das últimas décadas (Figura 3), à exceção dos tratores com faixa de 15 a 25 anos de uso. Nesta faixa, estão compreendidos modelos articulados com tração integral (4x4), os quais eram os tratores de maior potência fabricados na época. Dos tratores com mais de 25 anos até os tratores com até cinco anos, a potência média apresentou um aumento de 20%. O índice de mecanização apresentou média de 1,70kW/ha, sendo maior para as menores áreas e menor para as maiores propriedades (Figura 4). Para as propriedades menores de 200ha o IM foi de 2,09kW/ha. Propriedades entre 200 e 600 hectares resultaram em um IM de 1,57kW/ha e propriedades maiores que 600ha resultando em um IM de 1,46kW/ha. Schlosser et al (2004) verificaram resultados semelhantes no diagnóstico realizado nas lavouras orizícolas da região central do estado, relacionando o maior índice de mecanização nas pequenas propriedades com a maior capacidade de trabalho e permitindo realizar as tarefas em menor intervalo de tempo e com maior cuidado. O fato de as grandes propriedades possuírem menor índice de mecanização implica em um maior planejamento das atividades devido às grandes áreas a serem preparadas. Muitas vezes estas utilizam o período noturno e possuem um maior índice de tecnologia embarcada, possibilitando uma maior capacidade operacional. Quanto ao posto de operação, pode-se observar a predominância dos tratores com EPC (45%), sendo seguidos

Figura 1 - Principais marcas de tratores agrícolas encontradas

pelos cabinados (38%) e por último os sem EPC (17%). Schlosser et al (2002), relatam que 51,7% dos acidentes mais graves com tratores agrícolas são ocasionados pelo capotamento, neste caso, os tratores sem EPC apresentam risco iminente ao operador. A ca- Figura 2 - Sistema de tração encontrado nos tratores amostrados bine oferece maior conforto e segurança no momento das operações, possibilitando ao operador um menor desgaste físico. Observando a Figura 6, pode-se verificar que a maioria dos tratores se encontrava em Figura 3 - Potência média (kW/trator) ao longo dos anos bom estado de conservação externa (49,3%). Apesar de terem sido avaliados tratores de diversas épocas, alguns destes receberam reformas na funilaria, estando em estado regular (30,9%) e em estado ruim (19,7%). Concluindo, pode-se verificar que a potência média foi Figura 4 - Índice de mecanização nas propriedades amostradas de 90kW por trator, com uma tendência de crescimento nos tratores mais novos. O sistema de tração 4x2 TDA é o mais encontrado, devido às características das operações da cultura do arroz irrigado. Quatro marcas de tratores predominam nas propriedades e 50% Figura 5 - Tratores cabinados, com EPC e sem EPC na Fronteira Oeste do RS dos tratores encontram-se em bom estado de conservação externa, muito em função das condições extremas de operação a que são submetidos. Demais dados referentes a todos os sistemas dos tratores estão sendo tratados para fuFigura 6 - Conservação da pintura dos tratores tura apresentação, ampliando a caracterização dos tratores desta região de agricultura .M forte do Sul do País. Vilnei de Oliveira Dias, Bruno Pilecco Bisognin, Bruna Flores Batistella, Camila Dalcin e Tiago Gonçalves Lopes, Lamap/Unipampa Alegrete

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Charles Echer

TRATORES

Mais seguras

Apesar do aumento considerável do número de máquinas agrícolas no Brasil, os acidentes envolvendo este tipo de equipamento têm diminuído no País, o que pode ser uma consequência da conscientização dos empregadores, operadores e da intensificação da fiscalização

C

om o crescente aumento da demanda por alimentos, surge a necessidade de aumentar a produção e também de melhorar as tecnologias existentes para facilitar a vida do produtor e do agricultor rural, levando em consideração o bem-estar e a saúde do trabalhador. A agricultura mecanizada no Brasil evoluiu muito desde que as primeiras máquinas chegaram ao país. Em algumas décadas, o país passou da tração animal para a mecanizada, da subsistência para a economia de escala no campo e do feudo para a agroindústria. Com a vinda de máquinas agrícolas de outros países, faltou a assistência Abril 2016 • www.revistacultivar.com.br

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técnica para estes equipamentos. Para resolver essa questão, com a vinda da indústria automobilística para o Brasil, o país deu início à fabricação de máquinas pesadas e implantou-se a produção nacional de tratores. Ao longo do tempo e da história, a tecnologia tem passado por substanciais mudanças, as quais visam acompanhar as transformações evolutivas vivenciadas pelas sociedades. Com isso, o trator passou a ser um referencial no que diz respeito à produção agrícola, além de aumentar a produção e a produtividade, também diminuiu o esforço e o desgaste do trabalhador que eram atividades braçais; porém, por se tratar de uma máquina de

muita força, peso, tamanho e potência, deve-se conhecer muito bem os perigos que uma incorreta utilização dessa máquina pode causar. A vida do operador e a vida dos outros no seu entorno podem estar em risco se não forem seguidas todas as regras de segurança. A manipulação de defensivos e a utilização intensa de máquinas agrícolas ampliaram consideravelmente os riscos a que estão sujeitos os trabalhadores rurais. Estudos recentes realizados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), mostraram que as atividades agrícolas, estão entre as três atividades mais perigosas para os trabalhadores, sendo que para cada três acidentes


Saulo Alves dos Santos

Tomada de potência (TDP) com proteção da parte superior e das laterais

treinamento e de capacitação dos operadores e conscientização dos mesmos. A Norma Regulamentadora – NR 31 Item 31.12 alterada pela Portaria 2.546/2011, determina que as máquinas e os implementos devam ser utilizados segundo as especificações técnicas do fabricante e dentro dos limites operacionais e restrições por ele indicados, e operados por trabalhadores capacitados, qualificados ou habilitados para tais funções. As proteções, dispositivos e sistemas de segurança previstos nesta Norma devem integrar as máquinas desde a sua fabricação, não podendo ser considerados itens opcionais para quaisquer fins. É vedado o transporte de

Trator com Estrutura de Proteção na Capotagem. Neste caso, será obrigatório o uso do cinto de segurança

pessoas em máquinas autopropelidas e nos seus implementos, a não ser que possuam postos de trabalho projetados para este fim pelo fabricante ou por profissional habilitado. Os comandos de partida ou acionamento das máquinas estacionárias devem possuir dispositivos que impeçam seu funcionamento automático ao serem energizados. Nas paradas temporárias ou prolongadas das máquinas autopropelidas, o operador deve colocar os controles em posição neutra ou de estacionamento, acionar os freios e adotar todas as medidas necessárias para eliminar riscos. As máquinas cujo acionamento por pessoas não autorizadas possa oferecer risco à saúde ou integridade física de qualquer pessoa devem possuir sistema ou, no caso de máquinas autopropelidas, chave de ignição para o bloqueio de seus dispositivos de acionamento.

CUIDADOS BÁSICOS

O empregador rural deve manter os sistemas de segurança em perfeito estado de conservação e funcionamento, sendo a retirada ou a neutralização total ou parcial destes sistemas, que coloquem em risco a integridade física dos trabalhadores, considerada risco grave e iminente. Consideram-se dispositivos de segurança os componentes que, por si só ou interligados ou associados a proteções, reduzam os riscos de acidentes e de outros agravos à saúde. As transmissões de força e os componentes móveis a elas interligados, acessíveis

New Holland

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ocorridos no meio rural, um ocasionou a incapacidade permanente do trabalhador. O acidente de trabalho é definido sob dois aspectos: o primeiro, em termos de prevenção, denominado conceito prevencionista e, o segundo, em termos legais. Nos países europeus, aproximadamente 40% do total de acidentes ocorridos no setor agrário envolve máquinas agrícolas e, destes, metade é devido ao uso do trator agrícola. A utilização intensa de máquinas agrícolas ampliou consideravelmente os riscos a que estão sujeitos os trabalhadores rurais, e mais de 60% das mortes ocorridas em acidentes de trabalho no setor agrário são consequência da mecanização agrícola. Vários estudos reportam a incidência de acidentes na agricultura, 40% das mortes em crianças na zona rural são consequência de acidentes com máquinas agrícolas. Acidentes com tratores têm sido identificados como a principal causa de morte ou lesão incapacitante em trabalhadores rurais. Na zona rural dos EUA, os tratores são responsáveis por uma alta proporção de acidentes fatais ou não, inclusive o modo de ocorrência das lesões, isto é, um grande número de acidentes acontece quando o trabalhador sobe ou desce da máquina. No Brasil, as principais causas de acidentes com tratores agrícolas são falta de atenção durante a operação, de

A intensa utilização de máquinas aumentou os riscos a que estão sujeitos os trabalhadores

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Tabela 1 - Número de máquinas e equipamentos agrícolas fabricados e Tabela 2 - Quantidade de acidentes de trabalho ocorridos nas principais atividades agrícolas definidas pelas atividades econômicas (Cnae) no período de 2004 a 2012 comercializados nas diversas regiões brasileiras Sul Sudeste Nordeste Centro-Oeste 23951 24884 6249 11732 20228 25806 6615 10126 27446 24156 6653 7485 26690 16790 4400 5800 20970 19909 4069 7136 14792 13832 3470 4646 9905 9263 2324 3111 8960 8379 2102 2814 14579 13633 3420 4578

Norte 3323 2548 2785 1832 2391 1597 1069 967 1574

Total 65323 68525 55512 54475 65323 38337 25672 23222 37784

Fonte: (Adaptação de Anfavea)

Ano/Região 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2006 2005 2004

Sul 3983 4636 5374 5702 5851 4874 6145 7849 9176

Sudeste Nordeste Centro-Oeste 11015 3588 4380 11819 3993 4622 12806 3895 4459 13300 3956 4629 14089 4012 4759 15117 3893 4374 16332 3938 3786 18635 4468 4617 18210 5789 4108

Norte 2348 1833 2216 2253 1421 1178 1226 1522 1627

Total 25314 26903 28750 29840 30132 29436 31427 37091 38910

Fonte: Adaptação dos Anuários (AEAT) publicados pelo Ministério do Trabalho e Emprego e Previdência Social. Saulo Alves dos Santos

Ano/Região 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2006 2005 2004

Tabela 3 - Quantidade de acidentes de trabalho ocorridos em atividades que envolvem máquinas e equipamentos agrícolas segundo as atividades econômicas (Cnae) Ano/Região 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2006 2005 2004

Sul 395 444 518 592 658 816 2289 2656 3036

Sudeste Nordeste Centro-Oeste 982 152 356 1074 151 352 977 138 335 1347 190 432 1708 177 554 3134 315 876 5021 757 1157 4460 819 1240 4365 651 1022

Norte 81 67 61 67 79 51 283 326 122

Fonte: Anuários publicados pelo Ministério do Trabalho e Emprego e Previdência Social.

ou expostos, devem ser protegidos por meio de proteções fixas ou móveis com dispositivos de intertravamento, que impeçam o acesso por todos os lados. O eixo cardã deve possuir proteção adequada, em perfeito estado de conservação em toda a sua extensão, fixada na tomada de força da máquina desde a cruzeta até o acoplamento do implemento ou equipamento. As roçadoras devem possuir dispositivos de proteção contra o arremesso de materiais sólidos. As máquinas autopropelidas, como tratores, devem possuir Estrutura de Proteção na Capotagem - EPC e cinto de segurança, mas também têm exceções, que constam no Quadro I do Anexo IV da NR 31.12. As máquinas autopropelidas, que durante sua operação ofereçam riscos de queda de objetos sobre o posto de trabalho, devem possuir de Estrutura de Proteção contra Queda de Objetos - EPCO. Na tomada de potência (TDP) Abril 2016 • www.revistacultivar.com.br

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Total 1966 2088 2029 2628 3176 5192 9507 9501 9196

Flavio Jose e Saulo falam sobre os riscos e acidentes envolvendo as máquinas agrícolas

dos tratores agrícolas deve ser instalada uma proteção que cubra a parte superior e as laterais. As atividades de manutenção e ajuste devem ser feitas por trabalhadores qualificados ou capacitados, com as máquinas paradas e observância das recomendações constantes dos manuais ou instruções de operação e manutenção seguras. O empregador rural ou equiparado se responsabilizará pela capacitação dos trabalhadores visando ao manuseio e à operação segura de máquinas e implementos, de forma compatível com suas funções e atividades. Os manuais das máquinas e implementos devem ser mantidos no estabelecimento, em originais ou cópias, e deve o empregador dar conhecimento aos operadores do seu conteúdo e disponibilizá-lo aos trabalhadores sempre que necessário. Nas Tabelas 1, 2 e 3, estão apresentados os resultados referentes ao le-

vantamento do número de acidentes do trabalho com máquinas e equipamentos do setor agrícola.

CONCLUSÃO

Nos últimos anos, os acidentes com máquinas agrícolas têm diminuído consideravelmente, isso pode ter sido tanto devido à atuação de profissionais na conscientização dos trabalhadores, crescimento tecnológico das maquinas agrícolas, quanto pelo aumento das fiscalizações na área de Saúde e Segurança no Trabalho. Porém, ainda há necessidade de preocupações, tanto por parte dos profissionais atuantes na área, quanto pelos empregadores que, de alguma maneira, alguns ainda se opõem a utilizarem técnicas que previnem acidentes, e isso é um risco à saúde e à segurança .M do trabalhador. Saulo Alves dos Santos e Flavio Jose Vieira de Oliveira, Universidade do Estado da Bahia


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