Do editor Edição Número 1 - Ano I Janeiro / Fevereiro 2001
EMPRESA JORNALÍSTICA CERES CGCMF : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480 Rua Sete de Setembro 160 7º andar Pelotas RS 96015 300 E-mail: cultivar@cultivar.inf.br Site: www.cultivar.inf.br Assinatura anual (06 edições): R$ 29,00
DIRETOR Newton Peter - RPJ/RS 3513 EDITOR GERAL Schubert Peter - NUJ 26693 EDITOR TÉCNICO Dr. Arno Dallmeyer SUPERVISOR TÉCNICO Mauro Ferreira REDAÇÃO João Pedro Lobo da Costa Ana Cláudia Dias Gislaine Rabello (MT) DESIGN GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Fabiane Rittmann MARKETING Otávio Pereira CIRCULAÇÃO Edson Luiz Krause ASSINATURAS Simone Lopes ILUSTRAÇÃO Rafael Sica EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Index Produções Gráficas FOTOLITOS E IMPRESSÃO Kunde Indústrias Gráficas Ltda. COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Esalq Luiz Geraldo Mialhe Unesp Antonio Evaldo Klar Esalq Luis Antônio Balastreire Esalq Tomaz Caetano Ripoli Unisc Mauro Ferreira U. Madrid Luis Márquez UFSM Fernando Schlosser IAC Hamilton Humberto Ramos CNPDIA Edson Roberto Minatel CNPDIA Paulo Estevão Cruvinel NOSSOS TELEFONES:
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GERAL / ASSINATURAS: 272.2128
REDAÇÃO : 227.7939 / 272.2105 / 222.1716
MARKETING: 272.1753 / 272.2257 / 225.1499 / 225.3314
FAX: 272.1966
Esta é a terceira revista da família Cultivar. Segue os passos da Cultivar e da Cultivar Hortaliças e Frutas, ambas voltadas para a fitossanidade. A MÁQUINAS foi criada para divulgar a moderna tecnologia no setor de engenharia agrícola. Dedicará todo seu espaço à mecanização, irrigação, aviação, agricultura de precisão, pré-processamento e armazenamento, em especial. Tem foco centralizado, como suas antecessoras do grupo, o que a torna diferente das demais revistas de agricultura do país. Tratará com objetividade temas de interesse e utilidade para produtores tecnificados, engenheiros agrícolas e agrônomos e demais profissionais envolvidos no processo produtivo. Os artigos em MÁQUINAS não representam consenso. Não esperamos que todos concordem com eles. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do País em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o Leitor as julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.
Índice
Nossa Capa
Diretas e Cartas Tecnologia em tratores Ensaio de máquinas Agricultura de precisão Informe empresarial Padrões de segurança Monitoramento Máquinas do futuro Gigantes no Brasil Jeito certo de irrigar Ponto final
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Destaques
Foto Newton Peter - Barreiras BA
Tecnologia em tratores
Até que ponto é necessário adquirir máquinas de última geração? 06
Encarte especial Os métodos e a melhor maneira de pulverizar cada lavoura são abordados pelo pesquisador Hamilton Humberto Ramos, do Instituto Agronômico de Campinas
.................................................... As máquinas do futuro
Os próximos avanços tecnológicos na visão do professor Luis Márquez 22
.................................................... Irrigação na medida
Saber o momento ideal de irrigar é fundamental para uma boa produtividade 27
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Rodando por aí
Nova semeadora
Segurança
A Macro Jet juntou a segurança do operador à eficiência na aplicação para planejar sua nova linha de pulverizadores. Objetividade e menor desperdício fazem dos novos equipamentos uma atração para os agricultores. A grande novidade são as barras frontais, montadas em estrutura em aço tubular e uma cabine de luxo, com isolamento duplo em fibra de vidro, ar condicionado total. O tanque de 2300 litros é adaptado à cabine, compactando o equipamento, facilitando manobras e reduzindo o arrasto. Tem sinalização para trânsito em rodovias e tanque auxiliar de 100 litros para lavagem de frascos.
A Personale Drill, da Semeato, inova o conceito de semeadoras no mercado de máquinas agrícolas. Com ela o próprio cliente escolhe a montagem de componentes como: discos, sulcadores, compactadores e limitadores, caixa de adubo e semente dentre outros, em mais um de 100 versões disponíveis. A linha de semeadores Personale Drill está disponível em 13, 17 e 21 linhas para o plantio de grãos miúdos. No plantio de grãos graúdos permite os mais variados espaçamentos, de 34 até 90 cm. Personale Drill foi lançada na Agrishow 2000, que ocorreu em maio.
Vendas crescentes
As empresas brasileiras de máquinas agrícolas venderam em 2000 mais 25,7% do que em 1999. Foram 31.059 unidades contra 24.696 no ano anterior, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores, Anfavea. Como um dos fatores decisivos para o crescimento tem sido apontado o programa de financiamentos do BNDES.
Prêmio
Plantio direto
A Gihal facilita o plantio direto com a GA-2725P, para trigo, soja e milho. Entre algumas características da máquina destacamse: discos de corte articulado, rodado interno regulável e articulado, sulcadores finos e reguláveis, montagens para trigo e distribuição de semente a disco, permitindo um plantio grão a grão.
A SLC-John Deere conquistou o prêmio Desempenho, do Instituto Miguel Calmon de Estudos Sociais e Econômicos como a primeira colocada no setor da indústria de transformação. Foram analisadas no país 4.700 empresas e 300 holdings.
Novo trator
A Ianmar do Brasil, dona de grande fatia do mercado de tratores até de 55 cv de potência, lançou um novo trator para o pequeno produtor. O Modelo 1045, de 39 cv e diferencial de tração 4 x 4, tem motor silencioso e baixa emissão de
Ambulante
Um descascador de cereja de café acoplado a um caminhão: é essa a idéia simples que coloca a mais avançada tecnologia de beneficiamento. O equipamento produzido pela Pinhalense é capaz de descascar até 20 sacas de café por hora (1.200 kg) e, devido à sua mobilidade, pode ser compartilhado por diversos cafeicultores. De acordo com a empesa o equipamento ambulante é simples de ser operado e não requer mão-de-obra especializada.
Unindo forças
As empresas fabricantes de maquinário agrícola Stara (Não-MeToque) e Sfil (Ibirubá), RS, trabalham em ritmo de globalização. Desde 1º janeiro vigora uma aliança operacional entre elas. Os itens considerados positivos passam a ser uma oportunidade de negócio, englobando redução de custos ou menos investimentos, entre outras medidas, explica o diretor comercial da Stara Gilson Larry Trennepohl. Foi percebido, também, que com a aliança ocorrerá significativo reforço para atingir uma participação bem maior no mercado sul-americano. As empresas estão situadas a 40 quilômetros de distância uma da outra. Estrategicamente, é um ponto muito forte para viabilizar a aliança , afirma Larry. Hoje, a Stara tem planta comercial que vai até o México, e a Sfil era uma empresa que atingia RS, SC e PR. Com a aliança, ela passa a participar de todo o mercado abrangido pela aliada. Outro dado positivo é a união do Departamento de Compras, que permitirá barganha maior junto aos fornecedores, seja em termos de qualidade ou de preços e a diversidade de investimentos, por exemplo, será feita de forma que contemple as duas partes.
Semeadora poluentes, já adaptado às normas ambientais internacionais. Gasta menos 10% de combustível, em média, do que os modelos tradicionais. Com menor raio de giro, evita manobras desnecessárias e seu baixo peso reduz a compactação do solo.
A Imasa está produzindo a MSS2000, semeadora desenvolvida especialmente para a lavoura arrozeira, tanto para áreas planas quanto entaipadas. Uma das vantagens anunciadas pela empresa é a opção por discos dentados, permitindo a distribuição de arroz com maior precisão e uniformidade, além do uso para todas as sementes graúdas.
Correio
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Máquinas
• Gostaríamos de parabenizálos pela brilhante iniciativa em lançar a Cultivar MÁQUINAS, que acreditamos será seguramente um grande sucesso. Teremos grande prazer em contribuir de alguma forma enviando matérias relacionadas com o assunto.
• A nova revista Cultivar MÁQUINAS deverá, em muito, contribuir para o enriquecimento de nossa informação técnica.
Mauri Martins Teixeira UFV
Paulo Cesar Corrêa CENTREINAR
Adilio Flauzino de L. Filho UFV • Agradeço o envio de sua nova revista e lhe desejo muito sucesso.
• Fico muito honrado em saber que teremos mais um meio para publicação de nossos trabalhos técnicos. Gostaria de agradecer pela lembrança de meu nome. José Helvecio Martins UFV • Que bom, 2001 será um ano com nova revista! Muito sucesso na nova publicação.
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Daniela de Fiori Cargill • Cumprimentos pelo lança mento da Cultivar MÁQUINAS, uma revista que promete ser o grande diferencial no ramo agrícola, levando a informação tecnológica e econômica ao produtor rural. Marlise Kurz Semeato
• Gostaria de saber como faço para assinar a revista Cultivar MÁQUINAS via Internet. Paulo Buzolin buzolin@siteplanet.com.br • Desde já gostaria de assinar a Cultivar MÁQUINAS. Como faço? Mauricio Paiva ctaibb@lutarc.com.br
Janeiro / Fevereiro 2001
Tratores tecnologia
Tecnologia na Medida
Diante da parafernália de botões e displays que rodeiam a luxuosa poltrona instalada na envidraçada e confortável cabine dos tratores modernos, surge a inevitável pergunta: por que tanto luxo nessa máquina que só anda na lavoura?
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e dissermos que tudo isso não é os tentação de gente rica, mas importante fator de redução dos custos de produção agrícola, não serão muitos os que vão acreditar. É isso que faz a brutal diferença do luxo num carro de passeio e aquele de um trator agrícola. Para começarmos a entender essa
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Máquinas
lógica aparentemente distorcida é preciso conhecer um pouco da história do trator e de seu lugar na moderna agricultura. A evolução histórica dos tratores tem sido contada como uma homenagem ao gênio mecânico de inventores, engenheiros, fabricantes e ao espírito empreendedor de alguns homens
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de negócio que acreditaram na substituição da tração animal por tratores. Mas essa história, que se iniciou há cerca de 200 anos, continua a ser escrita com o mesmo entusiasmo através das inovações tecnológicas inseridas nos componentes de milhares de tratores que são vendidos anualmente no mundo todo. Janeiro / Fevereiro 2001
Os primeiros avanços tecnológicos ocorreram no patamar mecânico benefícios dos novos motores e transmissões, por outro passavam pelo duro e pesado trabalho de fazer funcionar os complicados e ineficientes dispositivos de acoplamento e levantamento de implementos montados e semi montados. A invenção de Ferguson não apenas facilitou enormemente essas tarefas, como introduziu um novo conceito de manejo do trator no campo: os controles automáticos de posição e tração. O controle de posição passou a permitir precisão do movimento vertical dos implementos e o de tração, o controle da patinagem das rodas, tudo isso com o simples movimentar de uma alavanca. Com o toque de dois dedos, o tratorista da década de 50 resolvia todos os cruciais problemas de manejo dos tratores produzidos anteriormente. A terceira etapa da evolução dos tratores surgiu entre as décadas de 70 e 80, com o patamar eletrônico. O avanço da eletrônica de cir-
A última década do século 20 marcou o início de um novo patamar evolutivo dos tratores, que denominamos patamar da georeferência. A possibilidade de se ter um equipamento (GPS) que fornece a exata posição geográfica em que nos encontramos num dado momento, em termos de latitude e longitude, abriu as portas de uma nova e revolucionária técnica de condução do processo produtivo denominada agricultura de precisão . Os tratores e máquinas autopropelidas não poderiam ficar alheios a essa realidade.
REDUÇÃO DE CUSTOS Na produção agrícola voltada para o mercado, produtividade e competitividade constituem a chave para o sucesso do agronegócio. Nesse contexto insere-se o que tem sido deno-
Fotos Mialhe
Ao se fazer uma retrospectiva sobre essa formidável evolução tecnológica que tem ocorrido com os tratores agrícolas, talvez tão significativa quanto a dos computadores, pode-se visualizar quatro patamares de avanços: mecânico, hidráulico, eletrônico e georreferência. Os primeiros avanços tecnológicos ocorreram no patamar mecânico, com o abandono de motores a vapor e fixação nos motores de combustão interna, principalmente do ciclo diesel. Nesta fase histórica, surgiram os tratores do tipo row crop para cultivo entre fileiras, exigindo projetos específicos de transmissões. Todavia, com a chegada dos herbicidas, este caminho foi abandonado e iniciou-se a corrida para projeto de tratores compactos e com engates normalizados para possibilitar o acoplamento de máquinas e implementos dos mais variados tipos e marcas ao mesmo trator. A palavra de ordem era versatilidade , ou seja,
um mesmo trator podendo ser utilizado em todas as operações agrícolas do processo produtivo. O segundo patamar evolutivo, que denominamos de patamar hidráulico, foi uma conseqüência natural dos anseios anteriores e tendo como marco inicial o sistema de levantamento hidráulico do engate de três pontos inventado por Ferguson. A genial idéia de Ferguson desencadeou uma revolução tecnológica tanto no território dos fabricantes de tratores como nos de máquinas e implementos tratorizados. Por outro lado, inicia-se neste patamar uma nova forma de visualizar a concepção do trator agrícola: - a perspectiva do usuário dessa máquina. Os usuários de tratores das décadas de 30 e 40, se por um lado desfrutavam dos Janeiro / Fevereiro 2001
Trator Deutz-Fahr com console de comando no assento e painel sob o volante escamoteável
cuitos integrados, microcontroladores, microprocessadores e sensores, como subproduto da corrida espacial, possibilitou o advento do que se convencionou denominar eletrônica embarcada nos tratores agrícolas. No início, parece ter havido uma certa desconfiança por parte dos usuários, uma vez que deveriam trocar o típico e rude movimento vigoroso de acionar umas poucas alavancas por um atento e delicado toque de diversos botões. Os fabricantes, procurando minimizar o impacto dessa nova solicitação no comportamento do operador, reestudam o visual dos painéis de comando, da simbologia dos comandos, do conforto do habitáculo e das medidas de segurança visando reduzir vibrações transmitidas pelo assento do tratorista e os riscos de capotamento do trator.
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minado conjunto tratorizado, representado pela agregação técnica e economicamente ajustada de três elementos: trator + máquina/implemento + operador. A constituição desses conjuntos, a seleção de espécimes, o dimensionamento da frota, o planejamento de uso, etc, formam o universo da Gerência de Mecanização Agrícola, um dos mais importantes departamentos de uma empresa agrícola bem organizada. O grande desafio desse departamento constitui, exatamente, em tirar o melhor proveito possível dos recursos tecnológicos disponíveis nos conjuntos tratorizados que integram a frota da empresa. Para quem pretende se instalar no patamar da georeferência, comprar trator com cabine climatizada, computador de borMáquinas
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A programação de trabalho é facilmente introduzida com o sistema Agrionics
O relatório do computador de bordo não informa para as causas dos tempos mortos
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do e GPS mas não dispondo de plantadoras & adubadoras de precisão ou não sabendo produzir mapas corretos de produtividade & aplicação, é mesmo jogar dinheiro fora !
PONTUALIDADE E ECONOMIA Para aquelas empresas com menor nível tecnológico, que se posicionam no patamar eletrônico, uma ferramenta valiosa para alavancar a implantação de técnicas de redução de custos operacionais é a instrumentação embarcada. Nesse aspecto, ocupa papel de destaque a combinação desse fator, vinculado diretamente ao trator, com procedimentos gerenciais que incluem a pontualidade ( timeliness ) como ponto chave na otimização da gestão da frota motomecanizada da empresa. A pontualidade em mecanização agrícola é definida como a capacidade de um sistema mecanizado efetuar as operações do processo produtivo (aplicação de herbicidas, semeadura, aplicação de inseticidas, colheita) na época em que a qualidade e a quantidade da produção obtida são otimizadas. Dependendo da lavoura, algumas operações são prioritárias e o levantamento das perdas em razão disso é extremamente importante na avaliação da adequação da frota à sua missão. Quando a frota não está bem dimensionada é comum as operações deixarem de ser executadas a tempo, ocorrendo perdas. Por outro lado, pode estar ocorrendo ineficiências no uso da maquinaria, resultando em tempos mortos significativamente ampliados e gerando os mesmos efeitos de uma frota mal dimensionada. Um dos primeiros trabalhos experimentais sobre pontualidade de sistemas tratorizados foi apresentado recentemente pela engenheira agrônoma Cristina M. Veiga, na forma de dissertação de Mestrado do Curso de Pós-Graduação em Máquinas Agrícolas, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz , da Universidade de São Paulo. O estudo focalizou a cultura da soja, principalmente por ser produzida em sistemas totalmente motomecanizados e se tratar de lavoura sensível a época de semeadura, e desenvolveu um software para simulação de
cenários com diferentes tipos de tratores e duração da época de semeadura. Para se ter uma idéia do potencial de ajuda que a utilização dessa técnica pode oferecer na redução de custos, basta observar os dados da tabela.
COMPUTADORES DE BORDO A pretensão de ganhos de eficiência no uso da maquinaria agrícola apenas se torna realidade quando se conhecem as verdadeiras causas dos tempos mortos na jornada. Assim, o relatório que se extrai de um computador de bordo de trator ou colheitadeira pode informar muita coisa, todavia não oferece resposta para as causas dos tempos mortos; tempos em que a máquina fica parada durante a jornada ou que fica deslocando, mas sem estar efetivamente executando a operação agrícola. A possibilidade de ser obtido esse importantíssimo tipo de controle exige a presença de um fiscal de campo, munido de um equipamento eletrônico coletor de dados. Esse sistema de coleta de dados vem sendo cada vez mais utilizado em frentes de trabalho motomecanizado de usina de açúcar. Todavia, representa um quebra-galho , com algumas vantagens aparentes, porém com inúmeras e perigosas desvantagens. A pior desvantagem é que se trata de informação coletada no campo e introduzida diretamente no CPD da empresa, sem qualquer possibilidade de auditoria. Assim, a gerência de Mecanização Agrícola é praticamente obrigada a acreditar na absoluta fidelidade de informações que são digitadas no campo por um fiscal trabalhando a céu aberto, sob sol e chuva, em turnos diurnos e noturnos, digitando informações de frentes de trabalho com até 10 ou 12 máquinas, em terrenos com topografia que na maioria das vezes é suficientemente ondulada para atrapalhar a visualização delas à distância. É claro que todo um procedimento altamente complexo de processamento de dados estará furado pela simples razão da fonte de informação, embora absolutamente suspeita, ser considerada de plena confiabilidade. É o paradoxo da embriaguês tecnológica! Felizmente existem empresas que estão se
Luis Mialhe explica a necessidade de tecnologia
preocupando com o problema e um exemplo é o protótipo de instrumentação embarcada desenvolvido pela microempresa Agrionics, de Piracicaba-SP, em parceria com dois grupos proprietários de usinas de açúcar e com financiamento do Programa Pipe, da Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Tratase de um sistema eletrônico de controle de dosagem de aplicação de herbicidas para cana-de-açúcar, cujo painel de controle permite a comunicação do tratorista com o sistema. O painel contém um display de cristal líquido com seis linhas e um teclado de membrana táctil com teclas numéricas e de comando. De acordo com uma programação feita anteriormente e introduzida no sistema através de um notebook , a cada parada da máquina o display solicita do tratorista a introdução de um código numérico indicativo do motivo da parada. O display também é utilizado para informar ao sistema quem é o tratorista, o turno de serviço (diurno, noturno), o local de trabalho (talhão, quadra, fazenda, etc), a dosagem de aplicação, a mudança de local de trabalho etc. Todas essas informações são armazenadas na memória do controlador e, depois de um período de tempo (1 dia, 1 semana, 15 dias etc.), esses dados são drenados para um notebook ou coletor de dados e transferidos para o CPD da empresa. O sistema pode ser aplicado a qualquer tipo de conjunto trator & pulverizador e seu custo, segundo informação obtida há cerca de 30 dias, poderá variar entre R$ 13 mil e R$ 22 mil, dependendo da quantidade de controles e informações exigidas (função da complexidade do sistema) e da localização da propriedade (função de despesas de transporte de componentes, viagem de técnico, estadia etc.), uma vez que esse equipamento é fabricado e instalado de forma totalmente personalizada, visan.M do garantir plena satisfação do cliente. Luis Geraldo Mialhe Esalq
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Máquinas
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Deriva
de produtos
Caso de problemas decorrentes da deriva do herbicida 2-4D mostra a necessidade de cuidados com a aplicação correta de agroquímicos
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Ameaça aérea
enúncia de aplicação indevida do herbicida 2-4D em uma propriedade em Bela Vista do Paraíso, norte do Paraná, mostra que o agricultor ainda tem desconhecimento dos problemas decorrentes da deriva de produtos fitossanitários. O chefe do setor de fiscalização de receituário agronômico da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Reinaldo Onofre Skalisz, explica que são em média 200 os autos de infração às normas de prescrição e uso de agroquímicos por agrônomos, comerciantes e agricultores. O 2-4D, utilizado no controle de plantas daninhas em áreas sob plantio direto, é volátil e, aplicado em dias de vento ou alta temperatura, pode se deslocar, num fenômeno conhe-
cido como deriva. Culturas sensíveis, como uvas, algodão, hortaliças ou amoras, podem ser seriamente afetadas pela deriva do herbicida , explica Skalisz. No caso de Bela Vista do Paraíso, estima-se que 90 mil dos 200 mil pés de café da propriedade foram danificados pela deriva de 2-4D aplicado numa área vizinha. O produto, segundo informações dos agrônomos da propriedade, atingiu o cafezal num momento delicado, em que as plantas se recuperavam da geada e estavam mais suscetíveis. Informações preliminares mostram que o herbicida foi utilizado numa área de milho. Em alguns municípios paranaenses, reclamações de produtores lesados pela deriva do herbicida motivaram vereadores, que criaram leis restringindo ou tentando proibir o uso do
produto. Isso ocorreu em mais de 20 municípios. Mas em pelo menos um - Assaí - a lei foi derrubada por um mandado de segurança impetrado pelo fabricante. A Justiça acatou o argumento de que o município não tem competência para legislar sobre o assunto , explica o promotor de Justiça de Assaí, Renato de Lima Castro. Segundo ele, na época o Ministério Público promoveu em São Sebastião da Amoreira - município onde plantações de uva eram freqüentemente atingidas pela deriva do herbicida - um debate sobre o assunto e concluiu que o produto não era nocivo em si, mas perigoso quando aplicado indevidamente. Informações sobre a correta aplicação de produtos fitossanitários podem ser encontradas no caderno técnico encartado nesta edição. . M
Ensaio
de produtos
Conhecimento de produto Falta de testes e ensaios de máquinas agrícolas dificulta a vida do produtor brasileiro, que conta com pouca segurança na hora de comprar seu maquinário
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agricultura que se diz moderna não pode prescindir de alguns condicionantes básicos: adoção de tecnologias (mecânicas e biológicas) adaptadas a uma realidade local e que não concorram para a agressão ao ambiente (meio ambiente é redundância!); eficientes e ágeis controles operacionais e de custos visando, primariamente, o aumento da rentabilidade econômica e não apenas a busca de maior produtividade física; procura incessante da agregação de valor na atividade e acompanhamento diário das inovações nos diversos campos da administração e da tecnologia agropecuárias. Assim, para se produzir uma agricultura competitiva, não basta se ter a melhor semente, o adequado fertilizante e a aplicação da adequada técnica agronômica. É fundamental possuir um sistema mecanizado racionalmente implantado, seja ele constituído de um simples conjunto trator-implemento ou de um conjunto complexo de fontes de potência, máquinas e implementos. Independen-
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Máquinas
te de seu grau de complexidade, sem este sistema mecanizado, que é o meio disponível para se promover a necessária interação entre solo, clima, espécies vegetais (ou animais), defensivos e mão-de-obra qualificada, na busca da atividade agronômica rentável, de pouco vale conhecer e aplicar qualquer outra tecnologia biológica. O sucesso de uma empresa agrícola exige, de início, o conhecimento profundo do que as máquinas podem realizar.
POUCO CONHECIMENTO Lamentavelmente, no Brasil, o agricultor pouco conhece sobre o potencial das máquinas, de acordo com suas características de projeto e tecnologias embutidas. Assim, o que o ocorre é um aproveitamento parcial e, por vezes, inadequado dessa potencialidade, por falta de referencial, o qual é obtido somente através de ensaios normalizados. Isso decorre em utilizações incorretas com conwww.cultivar.inf.br
seqüentes aumentos nos custos de produção. Num paralelo grosseiro é como se possuir um supercomputador e utilizá-lo apenas para editorar textos. O fato é que, onde a agricultura é forte e rentável, como no Japão, Europa e USA, o agricultor possui uma referência consagrada e necessária para suas tomadas de decisão no que se refere à mecanização, ou seja, os ensaios padronizados de máquinas agrícolas. Estes são o ponto de partida para tudo! Aquisição e utilização! Nestes países existem revistas técnicas específicas que apresentam resultados de ensaios, em linguagem coloquial e que são amplamente manuseadas pelos agricultores, dando-lhes a necessária orientação. No Brasil, lamentavelmente, falar em ensaio padronizado de máquinas é encarado pelo agricultor como mero exercício acadêmico, coisa de quem não tem o que fazer. Porque o ensaio padronizado é importante? Porque, apenas através dele é que se pode obter informações de desempenho, em função de suas especificações técnicas e da tecJaneiro / Fevereiro 2001
Tomaz Ripoli defende a realização de ensaios de máquinas
tadas e incompatíveis para a aplicação deste tipo de máquina. Em inúmeras e acaloradas discussões técnicas (seminários, simpósios) observa-se que, na maioria dos casos, agricultores e técnicos ficam discutindo, por exemplo, a importância econômica da colocação de uma semente a mais ou a menos, por metro linear de plantio e, raramente, se discute a necessidade de melhor conhecer o potencial do maquinário que vai promover a semeadura. Não se cria o hábito de se buscar resultados de desempenho confiáveis (via ensaios padronizados). Esquecem-se que a mecanização agrícola, dependendo da cultura, representa de 20 a 40% do custo total de produção. Em suma, ficam engolindo elefantes e engasgando com grãos de arroz . Isto .M tem que mudar! Tomaz Caetano C. Ripoli Esalq
Fotos Tomaz Ripoli
nologia intrínseca existente e que refletirá na qualidade do trabalho executado e nos custos operacionais. Através do ensaio, é que se pode aferir todo o potencial de um equipamento, isolando-se as variáveis extrínsecas (realizado sob condições controladas) à máquina. O ensaio fornece informações sobre a qualidade de um produto em termos de adaptabilidade às necessidades do usuário. A maioria dos agricultores sente-se satisfeita e supervaloriza dados médios gerais de desempenho de máquinas, obtidos sem nenhum ou por diversos e inadequados critérios (próprios, por vizinhos, por ouvir dizer ). Esquece, todavia, que a diversidade na área agrícola é quase incomensurável. Uma situação é possuir dados de controles operacionais (necessários), outra é entender, erroneamente, que estes refletem todo o potencial de um conjunto mecanizado. Exemplificando, tome-se os resultados de ensaios padronizados de colhedoras autopropelidas para cana-de-açúcar. As máquinas atuais apresentam resultados de Capacidade Efetiva, da ordem de 90 a 130 t/h. Na prática, as Capacidades Operacionais apresentam valores da ordem de 40-60 t/h, o que implica dizer que as Eficiências de Campo obtidas estão na ordem de 44 a 46%, o que é inaceitável. Ora, se não se tem resultados com base em ensaios padronizados, para servir de referência, como o usuário da colhedora pode saber se o que ele está obtendo é o limite máximo que a máquina pode oferecer ou o problema é de ordem gerencial? Neste exemplo, fica claro que a questão é de gerenciamento, não apenas do sistema de colheita, mas também de técnicas agronômicas ado-
Ensaio com colhedora para cana-de-açúcar visando quantificação de perdas
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Agricultura de precisão
Tecnologia para o Terceiro Milênio Embora já se conheça alguns conceitos de agricultura de precisão desde 1929 é com os novos equipamentos que a tecnologia deverá chegar ao produtor
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odo agricultor tem consciência de que sua fazenda não tem as mesmas características em cada ponto. Observando suas terras preparadas do alto de uma colina, pode identificar manchas de solos com cores diferentes; ou após o desenvolvimento da cultura, tonalidades diferentes de verde indicando claramente que existem diferenças no crescimento das plantas e na provável pro-
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dutividade das mesmas. Embora essas diferenças fossem conhecidas desde os tempos dos primeiros habitantes das Américas, quando colocavam peixes de diferentes tamanhos ao lado de cada pé de milho em função de seu vigor, por muito tempo não foi possível se levar em conta esta variabilidade no gerenciamento das operações e na condução das culturas, pela inexistência de equipawww.cultivar.inf.br
mentos adequados para isso. Alguns dos conceitos de Agricultura de Precisão não são novos. Foram introduzidos com as primeiras iniciativas para o gerenciamento localizado de culturas, em 1929. Naquela época já se sabia que os requisitos para aplicação de calcáreo variavam bastante para um mesmo talhão e que seria importante a execução de testes sistemáticos e detalhados no campo de Janeiro / Fevereiro 2001
Todo agricultor tem consciência de que sua fazenda não tem as mesmas características em cada ponto
Para Balastreire, a agricultura será mais precisa nos próximos anos
ambiente. Com o aparecimento de sistemas de informações geográficas e de rastreamento via satélite, o conceito de gerenciamento localizado de culturas pode ser estendido para o monitoramento de outras operações que não necessariamente aquelas de aplicações localizadas de insumos, como por exemplo a obtenção de mapas de atributos de solos e plantas, o monitoramento de operações de colheita, e de outras operações mecanizadas. Hoje se pode definir a Agricultura de Precisão como um conjunto de técnicas que permite o gerenciamento localizado de culturas.
TERCEIRA ONDA
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disponibilidade de microcomputadores, sensores e sistemas de rastreamento terrestres ou via satélites, tornaram-se disponíveis a custos acessíveis. Entre outros fatores, a crescente preocupação com fatores ambientais, provocou seu reaparecimento, uma vez que as aplicações de produtos químicos que satisfazem as necessidades de cada ponto localizado do talhão, tem menores chances de escapar e contaminar o www.cultivar.inf.br
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forma que o calcário pudesse ser aplicado de acordo com a sua necessidade em cada ponto. Esse conceito, embora tenha sido utilizado por algum tempo, quando só existiam equipamentos de tração animal, foi abandonado quando os equipamentos de tração mecânica apareceram no mercado norte-americano. Permanecendo no esquecimento por muitos anos, o conceito voltou à pauta no momento em que a
Os conceitos de Agricultura de Precisão têm despertado em nível mundial um interesse muito grande e são considerados por alguns autores como a terceira onda na agricultura, tendo sido a primeira a mecanização com tração animal, e a segunda com equipamentos motorizados. A possibilidade de se obter dados georreferenciados em estudos da variabilidade espacial de atributos de uma propriedade agrícola, utilizando-se um Sistema de Posicionamento Global Diferencial - DGPS, com o armazenamento dessas informações em um Sistema de Informações Geográficas - GIS, permitirá a obtenção de mapas de fertilidade de solos, da ocorrência de plantas invasoras, de pragas ou de doenças, de produtividade das culturas, e o estabelecimento de estratégias de aplicação de fertilizantes, corretivos e defensivos e a combinação dessas informações para se gerenciar de forma localizada toda uma propriedade. O mapeamento da produtividade da cultura é uma das fases da Agricultura de Precisão que hoje apresenta a maior facilidade de execução devido ao grande número de pesquisas já realizadas nos países mais desenvolvidos, e de opções de equipamentos existentes para essa finalidade, principalmente para as culturas de
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Mapa de produtividade para a cultura de laranja
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Algumas de nossas pesquisas realizadas sobre o assunto, relatadas também no site já acima mencionado, mostram ser plenamente viável o desenvolvimento de equipamentos de custos mais baixos que os importados, com um potencial de realizar exatamente as mesmas operações.
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Fazenda São José da Gruta Variedade Natal Munícipio de Limeira - SP Data 12/08/99
... cereais. Esses equipamentos por enquanto são
todos importados, mas acredita-se que existe a possibilidade dos mesmos serem produzidos no país, quando o mercado se ampliar. O primeiro mapa de produtividade foi obtido e publicado para uma cultura de milho no Brasil através de um projeto de pesquisa por nós realizado em julho de 1997. Os resultados obtidos para esse mapa de produtividade da cultura de milho podem ser consultados em nossa página na Internet, no endereço http:// www.ciagri.usp.br/~leia. Pesquisas realizadas por nós na Esalq têm
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LATITUDE
CAIXAS/PÉ 0.09 to 0.97 0.97 to 1.86 1.86 to 2.74 2.74 to 3.63 3.63 to 4.51 4.51 to 5.40
demonstrado que os conceitos de mapeamento da produtividade desenvolvidos para culturas anuais podem ser adaptados sem muitas dificuldades para culturas perenes como pomares, café, cana-de-açúcar etc. Os resultados obtidos para um mapeamento da produtividade de uma cultura de laranja, também podem ser encontrados no endereço acima, entre os quais o primeiro mapa de produtividade ilustrado na figura. Com o diagnóstico correto das causas de baixa produtividade em algumas regiões do talhão, se poderá tomar as providências para corrigi-la. A decisão sobre a melhor alternativa para gerenciamento localizado da cultura poderá ser grandemente auxiliada pela utilização de softwares específicos de Sistemas de Informações Geográficas - GIS, desenvolvidos para a Agricultura de Precisão, os quais fornecerão como produto final um mapa de aplicação localizada de insumos, o qual poderá ser lido através de equipamentos desenvolvidos para essa finalidade, e que poderão se regular automaticamente para aplicar apenas a quantidade requerida naquele local. Alguns desses equipamentos desenvolvidos no exterior têm inclusive a capacidade de gerar a mistura de fertilizantes exatamente no local da aplicação, para o que possui diversos depósitos de fertilizantes para fornecer os elementos necessários para a mistura.
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BENEFÍCIOS ECONÔMICOS Os principais benefícios econômicos que poderão advir da utilização da Agricultura de Precisão, serão decorrência da possibilidade de se fazer a Aplicação Localizada de Insumos, cujo objetivo final é colocar sementes, fertilizantes, corretivos, defensivos agrícolas e outros insumos de forma variável em cada campo, nas razões mais adequadas para a produtividade do solo em cada ponto do mesmo, e portanto, reduzir os custos por unidade de produto produzida. No caso específico dos fertilizantes a realocação do mesmo, de áreas de baixo potencial para aquelas de alto potencial, pode permitir a obtenção de uma produtividade maior com a mesma quantidade de fertilizante. Um outro benefício econômico da utilização dos conceitos da Agricultura de Precisão que pode ser previsto com a possibilidade do gerenciamento localizado dos talhões é a geração de um número muito grande de informações que, sem dúvida, irão agregar valor às propriedades que utilizam esses conceitos. Um benefício indireto de difícil quantificação é a redução da poluição ambiental passível de ser obtida pela redução da quantidade de insumos, na maioria das vezes tóxicos, utilizando as tecnologias disponíveis para a aplicação localizada desses insumos. Uma quantidade menor de insumo tem uma probabilidade menor de ser lixiviada e de contaminar o ambiente. Há necessidade de se enfatizar que a Agricultura de Precisão não deve ser encarada como uma vara de condão capaz de resolver todos os problemas de uma propriedade, mas sim como um conjunto de conceitos novos que devem ser utilizados principalmente por agricultores que já atingiram todo o desenvolvimento tecnológico agrícola já disponível, como a utilização de variedades adequadas, práticas de conservação dos solos, uso adequado de insumos, irrigação etc., para então atingir um novo patamar tecnológico utilizando esses novos conceitos com todo o seu potencial de retorno. Para se utilizar todos esses conceitos no futuro há que se envidar esforços para o desenvolvimento dos equipamentos necessários e procedimentos adaptados às nossas condições, quando então se poderá atingir todo o potencial vislumbrado para a Agricultura de Preci.M são no país. Luiz A. Balastreire Esalq/USP Janeiro / Fevereiro 2001
Informe empresarial
Diversos aspectos devem ser considerados para manter os cereais em boas condições; alguns tópicos são aqui apresentados
Sobre armazenamento O
processo de aeração é indispensável, mas não é um processo que sozinho garanta a qualidade dos grãos armazenados. Antes de chegarem à armazenagem, os grãos passam por outros processos que influem diretamente na sua qualidade. É essencial que os grãos passem por uma boa limpeza antes de serem armazenados. Isso é muito importante, pois o grão sujo impede o fluxo de ar na massa fazendo com que a aeração não seja tão eficiente quanto poderia. Além disso, o produto sujo pode ser foco de aquecimentos em determinados pontos da massa. Outro ponto importante é a secagem. Quanto mais secos estão os grãos, mais fácil é de controlar a sua qualidade pela aeração e menos horas de ventilação serão necessárias para fazer a manutenção da qualidade dos mesmos. O terceiro ponto, o carregamento do silo, engloba duas tarefas muito importantes: a aeração durante o carregamento e o uso correto de espalhadores de grãos. Um correto uso da aeração já se faz no início do processo quando se usa a aeração desde o carregamento. Isso é muito importante, pois como a quantidade de produto é menor, aumenta em muito a vazão de ar na massa. Com isso, consegue-se o resfriamento da massa em muito menos tempo do que se a aeração somente for iniciada após o carregamento total do silo. Mesmo que a limpeza (com redução das imJaneiro / Fevereiro 2001
purezas a 1%) tenha sido efetuada no produto antes do mesmo ser colocado no silo, se não for usado algum tipo de espalhador de cereais, estas impurezas ficarão em pontos localizados na massa. As impurezas finas e pó ficarão concentradas no centro do silo formando um cilindro compacto onde o ar de aeração dificilmente consegue passar. As impurezas leves como palha e casquinha ficarão concentradas nas laterais próximas à parede do silo. O produto nestes dois locais (em função de não terem aeração suficiente) ficarão com a qualidade prejudicada, sendo que o ambiente ficará ideal para a infestação de insetos e fungos. Isso acontece porque o cereal é vivo e respira e, como conseqüência deste processo, libera calor. Como não terá ar de aeração suficiente para remover este calor, o produto ficará cada vez mais quente gerando um ciclo: quanto mais quente mais respiração e, quanto mais respiração, maior será a liberação de calor. O ambiente ecológico em torno dos grãos ficará então ideal para o desenvolvimento de pragas que reduzirão a qualidade dos grãos. O objetivo da Aeração é sempre o de conservar a qualidade dos grãos armazenados através do resfriamento. Porém, pode-se desejar também fazer a secagem dos grãos com o uso da aeração. Dependendo da qualidade do ar de aeração este é um resultado possível. Porém deve-se ter bem claro que o resfriawww.cultivar.inf.br
mento é essencial e ocorre em um tempo muito menor que a secagem.
PROCESSO DE AERAÇÃO Sempre que fizermos passar ar pela massa armazenada, estaremos provocando trocas entre o ar e os grãos sob a forma de vapor d água. Estas trocas podem ser em duas vias, ou seja: grãos cedendo umidade ao ar onde caracterizamos a secagem ou ar cedendo umidade aos grãos caracterizando o reumedecimento. Estas trocas sob a forma de Vapor D água ocorrem até um certo limite onde ar e grãos não mais trocam vapor d água chamado de Equilíbrio Higroscópico, que é diferente para cada produto. Para determinarmos as condições ideais dos cereais em função de sua temperatura e umidade, foi estabelecido por Burges e Burrel o Diagrama de Conservação de Cereais. De acordo com o gráfico, as condições ideais para evitar o aparecimento de fungos, insetos e problemas com germinação é manter a umidade em torno de 13% b.u. e temperaturas abaixo de 18oC. Concluindo, vários são os fatores que culminam em uma boa armazenagem com igualmente boa qualidade dos grãos. É necessário cuidado especial em todas as fases do processo para que os .M objetivos sejam alcançados. Maria Irene B. Scalabrin, Comil Máquinas
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Segurança normas
União Européia é o modelo Nota do Editor O excepcional avanço técnico das máquinas agrícolas, nos últimos anos, nem sempre foi bem aproveitado para a segurança dos operadores. A tecnologia existe, porém muitas vezes só é aplicada em unidades destinadas ao mercado externo. Algo como os automóveis brasileiros, até há algum tempo, fabricados em duas versões: para exportação e mercado interno. O Brasil ainda não dispõe de legislação específica a respeito, adaptando-se os fabricantes aos seus próprios mercados. Mas a segurança começa a ser discutida e o Ministério do Trabalho está preocupado com o elevado número de acidentes, causados ou por falta de treinamento ou atenção do operador ou por carências no equipamento. A tendência é observar-se os níveis de segurança obtidos pela União Européia, onde as normas são rígidas. Porque, principalmente, quem opera as máquinas são os seus proprietários ou familiares. A seguir o professor Fernando Schlosser explica as normas européias.
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O PONTO DE PARTIDA Desde que, na União Européia, se estabelece o acordo conhecido como Novo Enfoque Janeiro / Fevereiro 2001
aparece um conjunto de diretivas de cumprimento obrigatório em toda a Comunidade, sobreposta à legislação dos países membros. Um exemplo claro é o que se conhece como Diretiva de segurança nas máquinas , (referências 89/392/CEE, 91/368/CEE, 93/44/ CEEe93/68/CEE) que afeta, de maneira direta, qualquer coisa que se possa entender como máquina e que a própria Diretiva define como: Conjunto de peças ou órgãos unidos entre si, dos quais um pelo menos haverá que ser móvel e, neste caso, de órgãos de acionamento, circuitos de comando e de potência, ou outros, associados de forma solidária para uma aplicação determinada, em particular para a transformação, tratamento, deslocamento e acondicionamento de um material , e que se aplica de maneira obrigatória em todos os países da União Européia. Isto significa que qualquer máquina agrícola, rural ou florestal, assim como das indústrias de transformação, está afetada, de maneira obrigatória, por uma normativa do tipo geral , mas que se aplica a cada caso particular, com clara responsabilidade para o fabricante ou comerciante. Os limites da obrigatoriedade relacionada com a segurança aparecem no artigo 2 da Diretiva, pelo qual somente poderão comercializarse e colocar-se em serviço as máquinas se não comprometem a segurança nem a saúde das pessoas, nem, no caso, dos animais domésticos nem dos bens, quando estejam instaladas e mantidas convenientemente e se utilizem de acordo
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com seu destino . Por outro lado, não existe uma homologação administrativa que se deva cumprir antes de colocar a máquina no mercado. Somente em determinadas máquinas consideradas como muito perigosas se necessita um exame de
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os últimos anos, a indústria mundial da maquinaria agrícola teve que enfrentar diferentes situações conflituosas. A mais importante sem dúvida: a contração da demanda pela perda da importância relativa da agricultura nos países mais desenvolvidos e ao se estabelecer limitações nas superfícies cultivadas para evitar a produção de excedentes agrícolas a preços superiores aos do mercado internacional. A outra, que afeta em especial aos departamentos de projetos e à própria fabricação da maquinaria agrícola, foi a vigência da normativa de Segurança nas Máquinas aplicável em todos os países da União Européia. Não só mais uma norma, das muitas que devem ser implantadas quando se tenta estabelecer um mercado comum entre países com regulamentações, em principio ligeiramente diferentes, ela constitui um fator chave em um mercado tão multinacional como é o da maquinaria agrícola. A seguir se tentará explicar os princípios fundamentais da normativa européia conhecida genericamente como de segurança nas máquinas na sua aplicação à maquinaria agrícola e seu efeito sobre o mercado mundial da maquinaria para a agricultura e de uma maneira especial às produzidas no Rio Grande do Sul.
Assento com posição ergonômica, que permite controle total da máquina pelo operador
Fernando Schlosser compara os padrões de segurança
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Em dezembro a Fundacentro, do Ministério do Trabalho e Emprego, promoveu em São Paulo um seminário para analisar a segurança nas máquinas agrícolas e florestais. Um evento qualificado, com a presença de pessoas ligadas aos mais diferentes segmentos da indústria, do poder público, dos organismos de pesquisa e difusão de tecnologia e interessados em geral. Neste evento foi possível debater as implicações do tipo de trabalho executado e os requerimentos de segurança, com os diferentes segmentos
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A segurança deve estar integrada no próprio projeto da máquina, de maneira que seja apta para sua função sem risco para as pessoas
No mercado mundial, cada vez mais aberto, a comercialização da maquinaria agrícola não pode ser uma exceção
tipo , mas, em geral, basta com que o fabricante, no momento da venda, entregue assinada uma declaração de conformidade com o que estabelece a Diretiva em relação com os requisitos essenciais de segurança e que marque a máquina com as letras CE, para que tenha livre comercialização em todo o mercado europeu. Isto pode parecer simples, já que somente haverá que marcar a máquina e emitir o correspondente certificado, sem que seja necessária uma homologação . No entanto, a própria Diretiva estabelece ações legais contra quem colocar a marca de maneira indevida, obrigando ao infrator a retirar o produto do mercado, e impedindo sua comercialização.
AS EXIGÊNCIAS DE SEGURANÇA Para que um fabricante possa assegurar que seu produto cumpre os requisitos essenciais de segurança e saúde, em princípio, deverá seguir o indicado no Anexo I da Diretiva, que ainda limita a responsabilidade do fabricante ao estado da técnica e assinala, desde o começo, que a segurança deve estar integrada no próprio projeto da máquina, de maneira que seja apta para sua função sem risco para as pessoas, inclusive em situações de trabalho anormais, estabelecendo como princípios de atuação: a eliminação ou redução dos riscos dentro do possível; a adoção de medidas de proteção; a necessidade de informar ao usuário dos riscos residuais. Tudo isto deve completar-se com instruções para o uso normal e anormal da máquina e com a entrega de todo o necessário para sua utilização sem riscos. O mesmo Anexo I da Diretiva analisa aspectos relacionados com: comandos, medidas de segurança contra perigos mecânicos, caracterização de dispositivos de proteção, medidas de segurança contra outros perigos (como energia elétrica, ruídos, vibrações, emissão de pó ou de gases, etc.), manutenção, e indicações e advertências informativas, além do conteúdo do manual de instruções para o operador. Há outros requisitos complementares que afetam a determinadas categorias de máquinas. Assim, em relação às máquinas agroalimentares , a Diretiva, no capítulo 2.1 do Anexo A, particulariza que este tipo de máquinas deve cumprir com os requisitos essenciais de segurança e saúde que afetam a qualquer outro tipo de máquina, além de ter um projeto que evite os riscos de infecção, enfermidade e contágio , para o que se estabelece um conjunto de normas de higiene que afetam os materiais em contato com os alimentos, o estado das superfícies e a facilidade de limpeza. Desde o ponto de vista teórico, seguindo os diferentes capítulos estabelecidos na
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Diretiva, poderia construir-se uma máquina segura , com o que o fabricante estaria em disposição de marcá-la e assinar a correspondente declaração de conformidade . A realidade, por desgraça, é bastante diferente. De um lado, resulta difícil aplicar os princípios estabelecidos pela Diretiva aos casos particulares de cada tipo de máquina; por outro, o fabricante deve elaborar um expediente técnico , que guardará nas suas instalações e que estará disponível frente a qualquer controle eventual das autoridades responsáveis, que pode ser necessário, primeiro, porque se produz um acidente, ou pelo rotineiro controle do mercado realizados pelos organismos responsáveis da segurança. O expediente técnico deve incluir: Desenhos técnicos do conjunto da
tório ou órgão competente. Um exemplar do manual de instruções que foi entregue ao comprador. Para máquinas que se fabricam em série , as disposições internas para manter a conformidade da produção no que se relaciona genericamente com a segurança . O fato de não apresentar a documentação em resposta a um requerimento devidamente motivado das autoridades competentes, poderá ser razão suficiente para duvidar da presunção de conformidade com a Diretiva. Mesmo assim, esta documentação deverá conservar-se até dez anos depois de que a máquina tenha sido deixada de ser fabricada, podendo estar elaboradas em qualquer das línguas oficiais da UE (o espanhol e o português são línguas oficiais na U.E.)
Fotos Schlosser
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Proteção cardânica é um dos pontos onde há divergência nas legislações
máquina e de seus circuitos de comando, acompanhados eventualmente de cálculos, resultados de ensaios, etc., que permitam comprovar que a máquina cumpre os requisitos essenciais de segurança e saúde. Lista de requisitos essenciais de segurança (incluídos no Anexo I da Diretiva), normas técnicas e outras especificações técnicas utilizadas no projeto da máquina. Descrição das soluções adotadas para prevenir os perigos apresentados pela máquina, com a possibilidade de incluir, de maneira opcional, qualquer informe técnico ou certificado obtido de um laborawww.cultivar.inf.br
VENDER MÁQUINAS NA EUROPA No mercado mundial, cada vez mais aberto, a comercialização da maquinaria agrícola não pode ser uma exceção. Já há fabricantes brasileiros que comercializam máquinas agrícolas na Europa e europeus que o fazem no Mercosul. Frente à nova situação, qualquer fabricante procedente do conjunto fora da Europa que pretenda comercializar máquinas na União Européia deve adaptar-se ao procedimento comum estabelecido pela Diretiva de segurança nas máquinas . Janeiro / Fevereiro 2001
De acordo com a normativa vigente deve cumprir os mesmos requisitos que se impõem aos fabricantes europeus nomeando, além disto, um representante legal na União Européia, que se conhece como procurador , que pode ser único para toda a UE, independentemente de que existam vários importadores do mesmo fabricante nos diferentes países da Comunidade. Este representante é o que elabora e conserva o expediente técnico , sendo responsável, para todos os efeitos, dos requisitos estabelecidos pela Diretiva, devendo encarregar-se que todas as máquinas marcadas com as letras CE (ainda que não tenham sido fabricadas na Europa) e de emitir a correspondente declaração de conformidade segundo o modelo recomendado, quando se considera que as máquinas estão de acordo com os níveis de segurança estabelecidos. O procedimento para realizar o expediente técnico é livre, mas, assim como os fabricantes europeus, resulta vantajoso para elaborá-lo utilizar a informação disponível nas Normas Técnicas Harmonizadas , publicadas pelo Comitê Europeu de Normalização (CE) como Normas Européias (EN), que são de aplicação ao tipo de equipamento que se fabrica.
AS NORMAS TÉCNICAS A aplicação direta dos princípios de segurança que inclui a Diretiva, resulta muito difícil, e nunca há certeza de que tenham sido interpretados corretamente para o caso particular do tipo de máquina considerada. Esta dificuldade se está tentando resolver mediante um conjunto de Normas Técnicas que recebem uma aceitação especial da Administração Comunitária, dando lugar ao que se conhece como Norma Européia (EN) Harmonizada . Para que uma Norma Técnica se aceite como tal se necessita: que seja elaborada pelo Comitê Europeu de Normalização (CEN); que esta elaboração tenha se realizado por mandato da Comunidade; que sua referência se publique no Diário Oficial das Comunidades Européias; que seja aceita ao menos por um Estado Membro. Quando uma máquina ou instalação se adapte ao que estabelece a norma harmonizada que é de sua aplicação, fica estabelecida uma presunção de conformidade com a Diretiva de segurança nas máquinas . Isto fez que algumas associações profissionais de fabricantes, como o CEMA (Agrupação Européia de Fabricantes de Maquinaria Agrícola), tomem uma posição ativa participando intensamente na elaboração deste Janeiro / Fevereiro 2001
tipo de Normas. Para a decisão sobre a conveniência de desenvolver uma determinada norma EN, em matéria de segurança, para um grupo de máquinas, se leva em conta os seguintes critérios: Que exista um nível de risco razoável e suficientemente significativo para as pessoas. Que ocorra a presença provável ou previsível de um conjunto de máquinas para as quais seja aconselhável utilizar estas Normas. Que exista a petição por uma parte ao menos de algum dos interessados (usuários, fabricantes, etc.). Que existam normas nacionais e internacionais e experiência tecnológica suficiente, que permita um desenvolvimento rápido do trabalho e a aceitação da norma. Todas as normas EN que se desenvolvem para a diretiva Máquinas atendem aos seguintes tipos: A.- Que recolhem princípios e conceitos fundamentais de segurança, terminologia, procedimentos de elaboração de normas, etc. B1.- Que recolhem os aspectos específicos de segurança de um conjunto importante de máquinas, como nível sonoro, distâncias de segurança, temperatura de superfícies, etc. B2.- Sobre dispositivos de segurança que podem ser utilizados como elementos de proteção (componentes pneumáticos e hidráulicos, barreiras fotoelétricas de segurança, etc.). C.- Especificações de segurança para um tipo de máquina ou conjunto de tipos, incluindo a lista de riscos que podem aparecer.
LIVRE COMÉRCIO DE MÁQUINAS A integração que se está produzindo nos países do Mercosul, manifesta a necessidade, a curto prazo, de implantar uma normativa de segurança no projeto de máquinas, similar à que já se aplica nos países da União Européia. As razões para isto são abundantes. Pequenas variações na legislação dos países integrados em uma comunidade extra nacional se utilizam como barreiras técnicas substitutivas das aduaneiras, para dificultar a livre circulação de mercadorias. Quando estas leis afetam a segurança no trabalho e incidem nos custos de produção, ou se unificam com rapidez ou se convertem em bloqueios para a integração. Já se está aplicando em países como Argentina uma normativa específica na qual se relaciona o valor da cota de seguro de acidentes no trabalho com o nível de segurança disponível na empresa. Além disto, as www.cultivar.inf.br
Acesso adequado ao posto do operador, que fica protegido durante o trabalho
máquinas com baixo nível de segurança são mais baratas , apesar dos custos para a sociedade, não contabilizados, quando ocorrem acidentes. Para tudo o que afeta a segurança das pessoas, no que se relaciona com os meios de produção (como os equipamentos mecânicos para a agricultura) pode-se seguir diferentes modelos: o norte-americano baseado na plena responsabilidade do fabricante, tendo os tribunais de justiça a última palavra frente aos processos, por danos, de qualquer usuário prejudicado, ou o europeu , no qual a responsabilidade do fabricante está limitada sempre que se submeta a uma normativa contida no que se definiu como normas técnicas harmonizadas . Para evitar conflitos, avançando com rapidez e custos razoáveis, a opção européia parece mais conveniente, já que se torna independente à segurança da habilidade dos advogados implicados nos processos judiciais. Mas cada país, ou conjunto de países, deve tomar sua própria opção. De qualquer maneira, a indústria da maquinaria agrícola do Mercosul deve preocupar-se em contar com normas técnicas apropriadas (preferencialmente na linha com as normas Internacionais ISO como o vem fazendo as Normas Européias EN) para realizar as auditorias de segurança de seus produtos, de maneira que possa competir no plano internacional, evitando, por outro lado, que máquinas que não são aceitas, por contar com níveis insuficientes de segurança, nos países de origem se convertam em competi.M dores de vantagem no mercado local. Luis Márquez, Universidad Politécnica de Madrid José Fernando Schlosser, Universidade de Santa Maria Máquinas
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Monitoramento de aplicação
Contando Gotas
Sistema de computador desenvolvido pela Embrapa permite analisar a qualidade da irrigação ou aplicação de produtos fitossanitários
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análise visual da deposição de gotas é uma importante técnica usada na otimização e no controle da aplicação de defensivos e fertilizantes agrícolas, além de ser aplicada nos ajustes de processos de irrigação e nos estudos de chuva natural. No caso dos defensivos agrícolas, a distribuição do tamanho ou do volume das gotas está diretamente associada à qualidade da aplicação. Para cada tipo de defensivo (herbicida, pesticida etc.) existe um volume de gota adequado. Se a gota for menor que esse tamanho, a probabilidade da ocorrência de perdas por deriva ou por evaporação é muito alta. Por outro lado, se a gota for muito grande, dada a tensão superficial do líquido aplicado, existirá problemas relacionados a escorrimentos e respingos. Na irrigação, o ajuste da vazão e do tamanho das gotas é importante na simulação da chuva natural da região de origem de um determinado tipo de cultura. Isso permite que os recursos hídricos sejam bem aproveitados, além de proporcionar economia da energia gasta para a irrigação e uma melhor produtividade daquela cultura. Os estudos de chuva natural estão relacionados ao controle de erosão e impacto folhear.
DEPOSIÇÃO DAS GOTAS Pode-se afirmar que o estudo da deposição de gotas tem dois grandes impactos: o econômico e o ecológico. Estima-se que sejam gastos em média 30% do que é aplicado em perdas por falta desse controle. Esse montante será convertido em onerosas despesas para o produtor, além de estar poluindo o ar, o solo e a água. Por outro lado, a falta de produto aplicado ou a aplicação errada é também prejudicial, podendo ocasionar o não controle das pragas ou tornar ineficiente o uso de fertilizantes. Uma outra importância da análise das gotas é na aferição de serviços de pulverização. Com dados da análise é possível determinar se o defensivo chegou no seu alvo (inseto, planta etc.). Pode-
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se identificar problemas relacionados com o ajuste do pulverizador ou do irrigador como, por exemplo, bico aspersor desajustado, bico inadequado, pressão imprópria, entre outros dos muitos parâmetros inerentes aos processos de irrigação e pulverização. Atualmente, a maioria das análises agronômicas que envolvem o estudo da distribuição de gotas é realizada com uso de métodos baseados no uso de coletores sensíveis à água e óleo onde a contagem e determinação da distribuição de gotas são realizadas pelo próprio agrônomo com o auxílio de lentes de aumento. Esse processo de contagem é lento, subjetivo, impreciso e conseqüentemente improdutivo. O método aqui apresentado automatiza a contagem das gotas usando-se avançados conceitos de Processamento e Análise de Imagens e técnicas de Reconhecimento de Padrões desenvolvidos pela Embrapa Instrumentação Agropecuária situada em São Carlos, SP. Essa tecnologia, denominada pela Embrapa de Sadgma (INPI 99001064) - Sistema para Análise da Distribuição de Gotas Naturais e Artificiais - está na forma de um programa de computador cujo nome comercial é e-Sprinkle. Essa tecnologia foi repassada para a empresa Ablevision Sistemas Computacionais Ltda. (www.ablevision.com) que produz e distribui o programa (software).
COMO FUNCIONA O programa efetua a contagem a partir de imagens de gotas colhidas em papéis sensíveis à água e pelo método da placa de Petri com óleo denso. Essas imagens são digitalizadas, ou seja, passadas para o computador por meio de scanners, câmeras de vídeo digitais ou analógicas. No caso de papéis hidrossensíveis, encontrados em lojas de produtos agronômicos, basta expô-los ao spray da pulverização conforme o objetivo da análise. As gotas serão imediatamente marcadas em azul no papel que é originalmente amarelo. Em seguida, coloca-se esse papel sobre www.cultivar.inf.br
Papéis sensíveis à água, marcando o tamanho das gotas em azul
o scanner e utiliza-se um programa fornecido com o sistema, denominado DropCap. Esse programa auxiliará a aquisição de imagens. O passo seguinte é utilizar o e-Sprinkle para analisar essas imagens. O programa de computador é muito simples de se usar e não exige grandes conhecimentos em computação para ser opeJaneiro / Fevereiro 2001
Edson R. Minatel
rado. Ele organiza os dados na forma de projetos (ou análises) onde o usuário pode entrar com dados como o nome do responsável pela análise, data e hora, entre outras informações relevantes. As imagens para análise são inseridas no programa em uma lista que será processada assim que o usuário determinar. Juntamente com as Janeiro / Fevereiro 2001
imagens o usuário pode fornecer informações como a posição georreferenciada (dados de GPS) e fazer anotações. O software está implementado com vários recursos importantes como a possibilidade de selecionar áreas de interesse para análise o que permite que borrões ocasionados por respingos ou impressões digitais acidentais sejam desconsiderados pela análise. Outro atributo muito importante é a correção do espalhamento das gotas no papel. Os fatores de espalhamento podem ser inseridos e editados pelo usuário. Isso permite que diversos tipos de coletores sejam utilizados. O algoritmo (método computacional) implementado no sistema e-Sprinkle consegue reconhecer e contar individualmente gotas parcialmente sobrepostas. Isso permite que o resultado da análise seja muito preciso. Após processadas as imagens, o sistema fornece como resultado vários cálculos como por exemplo o volume aplicado em litros por hectare, a densidade de gotas (número de gotas por centímetro quadrado), o diâmetro mediado volumétrico (DMV), o diâmetro mediano numérico (DMN), o maior e o menor diâmetro reconhecido (em micrometros) entre outros cálculos. Além desses cálculos básicos a empresa Ablevision juntamente com a Embrapa estará continuamente implementando e disponibilizando novos cálculos e relatórios que ficarão a disposição pela internet aos usuários registrados. Com esses dados, o agrônomo poderá tomar as decisões apropriadas objetivando uma aplicação de precisão. Os resultados gerados pelo sistema, assim como as técnicas agronômicas e computacionais envolvidas, têm a validação de importantes pesquisadores de institutos de pesquisa como o IAC, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) , a Unicamp além da Embrapa e de colaboradores prestadores de serviços de pulverização e irrigação. Publicações em revistas e congressos nacionais e internacionais foram realizadas. Dessa forma esse método é considerado como uma excelente ferramenta para agrônomos, pesquisadores e produtores visando a redução de custos, o aumento de produtividade e a redução de poluição. Para utilizar o software é necessário um microcomputador com o sistema operacional Windows 95 ou superior equipado com scanner de mesa ou câmera de vídeo. O programa é fornecido na forma de CD e pode ser adquirido nos distribuidores listados no site: www.ablevision.com ou pelo telefone (16) 2729868. O preço do sistema, segundo os usuários que já o utilizam, possui uma excelente relação custo/benefício e é rapidamente recuperado. . M Edson Roberto Minatel, Paulo Estevão Cruvinel,
Embrapa Instrumentação Agropecuária
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Tecnologia de ponta
As máquinas do futuro
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ara realizar uma previsão com relação às máquinas agrícolas nos próximos anos vou utilizar uma hipotética bola de cristal , que me permita vencer as dificuldades que isto significa. Para ter algumas possibilidades de acertar os prognósticos, há de se fixar um horizonte não demasiado distante. Em um mundo que avança a passos gigantes, tentar previsões maiores do que 10 ou 15 anos, é verdadeiramente arriscado. Os avanços técnicos, por sua vez, oferecem alternativas sugestivas: eletrônica embarcada, controle automático de processos; entretanto, a realidade econômica e social da agricultura não oferece demasiadas possibilidades para seguir com decisão este caminho, principalmente quando a agricultura dos países desenvolvidos parece que se submete a aumentar o recurso dos que se encontram em vias de desenvolvimento, uma vez que querem seguir mantendo um aceitável nível de emprego das pessoas que vivem nas zonas rurais.
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Se analisarmos a oferta de máquinas, no momento atual, encontramos empresas que vivem da fabricação de ferramentas para trabalho manual, ou de arrasto para animais de tração, e outras, que fabricam tecnologia de ponta para a mecanização mais avançada: laser, mecanização integrada de processos, automação e robótica, etc. Esta existência de níveis tecnológicos diferenciados para a mecanização da agricultura é uma conseqüência dos diferentes níveis de desenvolvimento nas distintas zonas agrícolas, não somente entre países e zonas geograficamente distantes, mas dentro de uma mesma região. As características do meio natural permitem produzir colheitas de boa qualidade tanto na agricultura de subsistência como na de maior nível de desenvolvimento. As diferenças se encontram somente no rendimento por unidade de superfície e na homogeneidade da produção. Se adicionar a isto os níveis de desenvolvimento que condicionem o custo da mão-de-obra, junto com o www.cultivar.inf.br
nível de qualidade de vida e grau de ocupação da população agrária que não encontram atividades alternativas, ficarão claras as dificuldades para que se produza um desenvolvimento homogêneo da mecanização agrícola. Mas deixamos por um momento a análise global das condições sócio-econômicas que orientam a demanda de tecnologia nas máquinas, que chegará ao mercado nos próximos anos, e analisamos de maneira independente, a possível evolução das colhedoras automotrizes, tratores e o novo tipo de agricultor.
COLHEITA DE GRÃOS E SEMENTES Parece que os sistemas de trilha e separação clássicos voltam a ser a melhor opção, depois de um certo abandono dos sistemas do tipo fluxo axial e suas diferentes variantes. Isto será conseqüência da otimização dos componentes, junto Janeiro / Fevereiro 2001
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O barateamento da eletrônica embarcada permitirá equipamentos que forneçam mais ajuda ao condutor com a incorporação de sistemas eletrônicos que permitem pré-selecionar os ajustes em cada tipo de colheita. As modificações que cabe esperar nos próximos anos, deverão ser dirigidas a uma melhoria da eletrônica incorporada, de modo que se realizem ajustes automáticos para minimizar as perdas na colheita e melhorar a qualidade do produto colhido. Com o uso de sensores de rendimento em tempo real, abre-se um amplo campo na melhoria do conhecimento sobre o comportamento do cultivo em diferentes zonas da parcela, que integrados com sistemas de posicionamento espacial (GPS e outros) permitirá a modelagem das operações de cultivo, e de maneira especial, tudo relacionado à distribuição de agroquímicos. Outro campo em que devem aparecer melhoras significativas é no dos dispositivos de corte, responsáveis em grande parte pelas perdas de grãos que se produzem nas colheitas. O emprego de plataformas recolhedoras é uma alternativa interessante, que permitirá trabalhar sobre colheitas úmidas, mas que, até o momento, só tem dado bons resultados em determinadas circunstâncias. Algo parecido pode-se dizer de outros tipos de plataformas, como especial a do milho, que necessariamente terão que evoluir para aumentar a sua eficiência. Outro aspecto que cabe salientar nestes equipamentos é a modulação de estruturas, particularmente, que começam a aparecer em algumas marcas. Uma unidade básica que inclui motor, transmissões, plataforma de operação, a que se incorpora diferentes alternativas: para recolhimento de grãos, para fardos, para a picagem de forragens etc. O objetivo: reduzir os custos de fabricação e manutenção ao trabalhar com economias de escala. Dentro dos elementos complementaJaneiro / Fevereiro 2001
res da colhedora podem aparecer dispositivos dirigidos a reduzir a infestação de ervas daninhas em anos sucessivos. Para isso se estuda a possibilidade de incorporar um sistema de emissão radiante fazendo com que a capacidade germinativa das sementes de ervas daninhas seja perdida, quando passam pelo sistema de limpeza da colhedora, antes de sua caída no solo. Assim o sistema torna-se uma excelente forma de reduzir produtos fitossanitários na produção agrícola com claras vantagens ao ambiente.
TRATORES E MÁQUINAS AUTOPROPELIDAS O trator, sem dúvida, seguirá sendo a base da mecanização agrícola, proporcionando a energia necessária para o acionamento das diferentes máquinas. Nos últimos anos foram dados passos importantes no que se refere à estrutura clássica do trator, melhorando a distribuição de massas, sem a necessidade de recorrer a lastros adicionais, melhorando a manobrabilidade e assegurando uma manutenção rápida e simples. No campo dos motores para tratores, logicamente se concretizarão as pautas marcadas pela indústria de motores: reduzir o consumo de combustível e assegurar um baixo índice de emissão nociva dos gases de escape. Serão oferecidos opcionais para o emprego, como combustível, de óleos vegetais crus, procedentes como subprodutos da própria agricultura da zona. A melhora e o barateamento da eletrônica embarcada permitirá equipamentos que forneçam ajuda significativa à condução, incluindo sistemas que recomendem desde a relação da marcha e o regime de trabalho mais apropriado, até ajudas ao controle de equipamentos e a direção. Neste sentido observa-se o interesse das grandes companhias agrícolas, em empresas especializadas no desenvolvimento de sistemas de posicionamento global (GPS) já utilizados na navegação, porém no momento a precisão é relativamente baixa (aproximadamente 100m) como apoio para controlar o trabalho agrícola sobre as parcelas. Com a instalação de estações terrestres complementares, a precisão no posicionamento aumenta consideravelmente, até níveis de 50cm. Um capítulo especial constituirá nos avanços em matéria de ergonomia e segurança dos tratores e máquinas agrícolas: estruturas resistentes ao tombamento, controle do nível de ruído e vibração, isolamento da plataforma de operação do pó e outros materiais nocivos presentes no ambiente de trabalho.
ca. De um computador conectado às redes de transmissão, poderá comprar e vender colheitas e meios de produção, conhecer a previsão meteorológica, realizar e controlar a irrigação, planejar as operações de cultivo, e inclusive diagnosticar as avarias produzidas em uma máquina conectada com o centro de reparos. Para que isto chegue a acontecer, é necessário que os sistemas eletrônicos e de informática adquiridos, por mais complexo que possa ser seu funcionamento interno, sejam simples e compatíveis com os níveis de informação do usuário. Também, os custos do sistema devem estar dentro das possibilidades econômicas da exploração a que se destina. Observa-se que os agricultores normais de zonas desenvolvidas gerenciam seu sistema produtivo apoiando-se na informática. Isso pode ampliar-se com bastante facilidade a outras zonas agrícolas de países desenvolvidos. As maiores dificuldades que aparecem não são uma conseqüência, como em princípio poderia se pensar, no custo da informática, e sim na falta de informação do agricultor para chegar ao sistema que tem para consultar e resolver seus problemas diários. Os sistemas de suporte de decisão podem oferecer ao agricultor as recomendações de trabalho para cada dia, semana e mês, de modo que consiga os melhores rendimentos econômicos, mas isto só será possível se existir uma informação prévia e confiável sobre as características do meio físico, dos cultivos e das circunstâncias sócio-econômicas que os rodeiam. Como conclusão, como em tudo relativo a mudanças que se realizam no equipamento mecânico para a produção agropecuária, os gostos do usuário-comprador têm a sua importância, mas cada vez estará mais condicionado à rentabilida.M de capaz de proporcionar. Luis Márquez, Universidad Politécnica de Madrid
UM NOVO AGRICULTOR À medida que a agricultura se transforma em empresa e deixa de ser forma de vida , o agricultor se converterá, de todo, em um gerente. Isso significa que entre suas máquinas estará um terminal de computador, sem que isto queira dizer que se converta em um especialista em informátiwww.cultivar.inf.br
Luis Márquez dá a sua opinião sobre as máquinas do futuro
Máquinas
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Gigantes no Brasil
Gigantes sobre a terra O
mercado nacional de máquinas agrícolas pode dispor de grandes equipamentos, a maioria fabricados no exterior, destinados a extensas propriedades rurais. Os fabricantes colocam à disposição diferentes modelos de tratores, colhedoras automotrizes, colhedoras para algodão e pulverizadores autopropelidos, projetados para suprir as necessidades dos grandes produtores. Nem todos, ao verem os gigantes , perguntam qual a finalidade deste tipo de máquina. Na realidade elas proporcionam elevadas capacidades de trabalho. No caso dos tratores agrícolas, têm a capacidade de tracionar e acionar implementos de grande porte, fazendo o trabalho em amplas áreas durante o dia. Um deles pode rea-
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lizar o trabalho que fariam quatro tratores simultaneamente, por exemplo, em uma tarefa de gradagem de nivelamento. No caso das colhedoras automotrizes para grãos e algodão, elas também realizam o trabalho em grandes áreas em um dia, ou ainda podem efetuar a colheita em um período de tempo menor, reduzindo as quantidades de perdas pré-colheita, ou seja, aquelas que ocorrem em função do clima e/ou da ação de roedores e aves. Quanto aos pulverizadores autopropelidos, de maneira semelhante às colhedoras, podem pulverizar grandes áreas em um só dia e realizar as tarefas em períodos de tempos menores, de extrema importância nos tratamentos culturais com agroquímicos. As empresas vendem os equipamentos aos www.cultivar.inf.br
produtores rurais, transferindo-lhes o planejamento e gerenciamento das máquinas. Além disso, a diminuição crescente da margem de lucro dos agricultores os obriga a buscar o aumento da eficiência das tarefas realizadas, o que podem alcançar através de adequada manutenção e pela confiabilidade dos grandes equipamentos. Há casos em que o agricultor seleciona estes equipamentos baseando-se apenas no impulso de comprar e nas promoções que apelam para a sua vaidade. Muitos produtores não sabem que aproximadamente 30% dos custos de produção, para culturas de milho, soja, feijão e arroz irrigado são representados pelo uso das máquinas agrícolas. E os operadores destes gigantes ? Segundo o professor Arno Dallmeyer (Santa MaJaneiro / Fevereiro 2001
AGCO
TRATORES AGRÍCOLAS
COLHEDORAS DE GRÃOS E ALGODÃO Antes da colheita, de acordo com Airton dos Santos Alonço (Santa Maria, RS), devem ser consideradas uma série de atividades, tais como a manutenção preventiva das máquinas, aquisi-
AGCO
Já chegaram os tratores gigantes , de diversas marcas e modelos, como os apresentados na tabela 1. Eles possuem motores com potência maior do que 150kW, superando, em termos de eficiência, as outras configurações. São projetados para fornecer altas forças de tração e desenvolver trabalhos com maiores velocidades de deslocamento. Os tratores com esteiras Quadtrack e Challenger são utilizados quando necessárias altas forças de tração, redução da compactação do solo e uma maior estabilidade lateral. Os problemas da baixa velocidade no trabalho e em deslocamento, assim como o custo e a dificuldade de manutenção, diminuíram com o uso das esteiras de borracha. O uso de tratores de pneus proporciona maior velocidade de deslocamento, maior desempenho operacional e mai-
or manobrabilidade. A maior compactação do solo pode ser citada como a desvantagem dos tratores de pneus. Com relação à potência dos motores dos tratores, deve-se observar que apenas uma parte desta potência é útil para os trabalhos agrícolas. Dados da pesquisa mostram que o contato da roda (ou esteira) com o solo pode proporcionar uma perda entre 20 e 50% da potência produzida no motor. Somam-se a esta as perdas no sistema de transmissão (embreagem, caixa de câmbio, transmissão final), as perdas pela altitude (motores aspirados perdem aproximadamente 1% da potência no motor a cada 100m) e as produzidas pela declividade do terreno. Por exemplo: um trator John Deere 8400, com potência no motor de 191kW (260CV), trabalhando ao nível do mar e o solo sem declividade, terá como potência útil para uma tarefa de aração, aproximadamente 104kW (142CV). Este trator, tracionando uma grade niveladora Tatu-Marchesan, modelo GNACR de 7,2 metros de largura de trabalho, pode trabalhar aproximadamente 5,0ha/hora. Um trator Case 9370 poderia usar uma grade niveladora Tatu-Marchesan, modelo GNACR, de 9,5 metros de largura de trabalho, produzindo 7,0 ha/hora, dependendo das condições da propriedade.
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propriedade, através do estudo das operações agrícolas, racionalizando a utilização das máquinas e implementos. O objetivo deste estudo é o de explorar todo o potencial dos equipamentos no menor espaço de tempo, para completar as operações que o manejo escolhido necessite. Adiante apresentamos as máquinas gigantes , que poderão ser encontradas no mercado nacional, indicando algumas de suas características, sem a pretensão de realizar comparativos técnicos. Outra informação apresentada é a estimativa da capacidade de trabalho destes equipamentos, que pode variar em função das diversas condições particulares que apresentam as propriedades rurais.
ria, RS), o nível de escolaridade máxima dos operadores de máquinas no Brasil é de 6 anos, sendo 3 anos a escolaridade média. Estes operadores estão prontos para receber estas máquinas cada vez mais avançadas tecnologicamente? Muitos pesquisadores, professores e técnicos da área estão com dificuldades em acompanhar esta evolução! Em tempo, onde estão as bibliografias sobre estes gigantes ? Com o aumento da competição, os gerentes e os produtores rurais devem avaliar suas estratégias competitivas e práticas de gerenciamento, aumentando o desempenho de suas propriedades. Quando o assunto é máquinas, o agricultor deve ter em mente que sempre deve realizar um cuidadoso planejamento da mecanização na sua Janeiro / Fevereiro 2001
As colhedoras do futuro terão melhores sistemas de eletrônica incorporada, para realizarem ajustes automáticos
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Cultivar
... ção de novas unidades e a contratação de serviços de terceiros. As capacidades e os tempos de trabalho dos equipamentos devem ser conhecidos, ajustando o tempo em que uma operação é realizada em relação à outra, obtendo uma sincronia perfeita do sistema. Basicamente planejar a colheita é sincronizar os tempos gastos com o enchimento do graneleiro (ou cesto, no caso do algodão) da colhedora, tempo de descarregamento do graneleiro (ou cesto), capacidades das máquinas de transporte e tempos de carregamento e descarregamento das máquinas de transporte.
Mauro Ferreira mostra características técnicas das grandes máquinas
Especificações técnicas dos tratores agrícolas New Holland 8970 Potência máxima no motor em kW (CV) 182 (244) 18 x 9 Sistema de transmissão (frente x ré) Velocidade máxima de deslocamento (km/h) 40 Capacidade do sistema hidráulico (kgf) 8.870 Tanque de combustível (Litros) 416
John Derre 8400
Case Massey Ferguson Quadtrack e 9370 MF 8160
191 (260) 16 x 4 38 5.307 511
265 (360) 12 x 3 27,9 7.711 946
153 (205) 32 x 32 40 5.443 330
Fendt Favorit 926
Caterpillar Challenger 95E
192 (257) 50 9.180 -
306 (410) 10 x 2 29 1.060
Fonte Catálogos técnicos dos fabricantes.
Especificações técnicas de colhedoras automotrizes Potência no motor em kW (CV) Plataforma para milho (Linhas) Plataforma rígida (m) Plataforma flexível (m) Área de limpeza (m2) Área de separação (m2) Capacidade do graneleiro (Litros) Descarga do graneleiro (Litros/s) Capacidade de combustível (Litros)
New Holland New Holand TC 59 TR 98
New Holland TX 68
John Deere 9650 CTS
John Deere 9750 STS
Massey Ferguson MF 38
162 (217) 5e6 5,8 5,8 e 7,1 4,95 7,8 6.700 63 400
220 (300) 8 6,1; 7,6 7,6; 9,1 6,50 5,23 9.500 72 600
202 (308) 6,1 4,11 1,4 8.500 70 565
242 (325) 8; 10; 12 6,1 e 9,1 4,55 1,2 10.570 78 500
206 (280) 8 e 10 7,1 e 9,1 5,30 7,4 7.900 84 600
201 (270) 5; 6; 8 e 12 6,1; 7,6; 9,1 4,9; 5,5; 6,1; 7,6 e 9,1 4,14 1,8 8.500 63,4 379
Fonte Catálogos técnicos dos fabricantes.
Especificações técnicas de colhedoras para algodão Potência no motor em kW (CV) Linhas de colheita Sistema de transmissão Velocidade máxima de deslocamento (km/h) Capacidade do cesto algodão (m3) Capacidade do tanque de combustível (Litros) Tanque da solução de limpeza (Litros) Sistema de lubrificação com graxa (Litros)
John Deere 9976
Case 2555 Cotton Express1
224 (300) 4; 5 ou 6 Hidrostática com 3 velocidades à frente e 1 à ré 27,5 33,6 (37,8 com extensão) 568 1.040 303
194 (260) 4 ou 5 Hidrostática com 3 velocidades à frente e 1 à ré27,0 32,5 567 1.458 227
Fonte Catálogos técnicos dos fabricantes. 1 Marca registrada Case Corporation.
Especificações técnicas de pulverizadores autopropelidos Potência no motor em kW (CV) Capacidade do tanque de combustível (Litros) Sistema de transmissão (frente x ré) Velocidade máxima de deslocamento (km/h) Capacidade do tanque de pulverização (Litros) Largura da barra de pulverização (m) Variação da altura da barra de pulverização (m)
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John Deere 4700
Case SPX 3185
Jacto Uniport 2000
Montana MA 3025 H
AGCO ESP 3640
138 (187) 322 3 marchas 46 2.839 27,00 0,56 a 2,07
136 (185) 269 3 marchas 42 2.880 27,43 0,81 a 1,83
96 (131) 150 5x1 40,6 2.000 21,00 0,50 a 1,80
99 (135) 210 2 marchas 38 3.000 25,00 0,50 a 2,10
82 (110) 94,5 5x1 33,5 1.136 18,30 0,53 a 2,34
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As gigantes para realizar a colheita de grãos estão apresentadas na tabela 2. Segundo a norma ASAE (Sociedade Norte Americana de Engenheiros Agrícolas), a eficiência na colheita fica entre 65 a 80%, as velocidades de deslocamento entre 3,0 e 6,5km/h e a vida útil estimada para as colhedoras em torno de 2000 horas. Como se pode observar a partir dos dados fornecidos pelos fabricantes, encontramos no mercado colhedoras entre 160 e 242kW de potência no motor. Outros dados importantes mostram algumas características técnicas, de diferentes fabricantes e modelos. Em condições normais no uso destas colhedoras, pode-se colher, tomando como exemplo a cultura da soja, com uma produtividade média de 2.500kg/ha, de 1,6ha/hora até 3,0ha/ hora, usando plataformas de 4,9 e 9,1metros, respectivamente. Para a colheita do algodão (tabela 3) são produzidos equipamentos pelos fabricantes John Deere e Case, com seus modelos apresentando potências no motor de 224 e 194kW respectivamente. De acordo com a ASAE, as eficiências na colheita ficam entre 60 e 75%, as velocidades de deslocamento entre 2,0 e 4,0km/h e a vida útil estimada em torno de 2.000 horas. A capacidade operacional destes equipamentos fica em torno de 1 a 2ha/hora, dependendo das condições da colheita e do planejamento realizado pelo produtor.
PULVERIZADORES AUTOPROPELIDOS Os pulverizadores autopropelidos existentes no mercado (tabela 4), de diversas marcas, variam a potência no motor, conforme o modelo, entre 82 e 138kW. O modelo ESP (Marca registrada, Energized Spray process) 3640, apresenta o processo energizado de pulverização, aumentando, segundo o fabricante, a cobertura de aplicação na parte superior e inferior da planta, além de reduzir a deriva. Estes gigantes , dependendo das condições de utilização, proporcionam uma capacidade de trabalho entre 12 e 18 ha/hora aproximadamente. Um pulverizador convencional, com barra de 12 m, fica em torno de 4 ha/hora. Além destes equipamentos projetados especificamente para a tarefa de pulverização, existem outras indústrias que adaptam o sistema de pulverização em tratores convencionais. Esta adaptação é chamada de kit de montagem para transformação de tratores em sistema de pulverização autopropelida, que pode transformar tratores Massey Ferguson, Ford e Valmet, utilizando pulverizadores dos fabricantes Jacto e Mon.M tana, em pulverizadores autopropelidos. Mauro Ferreira, Faculdade de Engenharia Agrícola Universidade de Santa Cruz Janeiro / Fevereiro 2001
Irrigação
Fotos Antonio Klar
na medida
Jeito certo
Para manter a planta com o volume de água necessário, disponível, deve-se ter um correto monitoramento
Q
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em regiões áridas e semi-áridas como o Nordeste do Brasil, porém sua complementação torna-se importante mesmo em regiões úmidas e semiúmidas, pois há períodos climáticos em que os déficits hídricos podem fazer decrescer significativamente a produtividade das plantas. Experimentos recentes mostram que a cultura do café, por exemplo, produz mais cedo e tem seus rendimentos aumentados em mais de cem por cento com a irrigação.
PROJETOS DE IRRIGAÇÃO Os fatores que afetam os projetos envolvem o solo, o clima, as plantas e os de ordem econômica. Os relacionados ao solo envolvem a capacidade de infiltração, a capacidade de campo, a curva caracwww.cultivar.inf.br
terística de água, a densidade e o teor salino. Já os relacionados ao campo exigem o conhecimento de um levantamento plani-altimétrico, tamanho da área, distância da fonte de água, existência da energia elétrica, estradas etc. O clima pode identificar os melhores locais para as culturas. A temperatura pode ser limitante, mas se deve também conhecer dados médios de precipitação e de evapotranspiração de referência (ETo). A cultura deve ser cuidadosamente escolhida para ver a capacidade de pagamento da irrigação, pois esta é uma técnica onerosa, mas que pode se pagar em pouco tempo se houver um planejamento bem conduzido, inclusive visando mais de uma cultura ao longo do ano. Para se saber quando irrigar, deve-se conhecer o teor ou o potencial mínimo de água do solo no momento de se proceder a irrigação. Este valor Máquinas
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ualquer planejamento e operação de um projeto de irrigação, para obter máxima eficiência, engloba quantidades de água adequadas e freqüências definidas por fatores de solo, de planta e de atmosfera, além dos econômicos envolvidos. Caso seja aplicada água em excesso haverá déficits de aeração no solo e perdas de insumos, como adubos e a própria água. Por outro lado, se houver falta d água, mormente em períodos críticos da cultura, como florescimento e frutificação, o crescimento e a produtividade serão afetados, pois a água, além de transportar e distribuir nutrientes nos vegetais, participa de inúmeros fenômenos fisiológicos, incluindo a abertura dos estômatos, que controlam a entrada do gás carbônico, indispensável para a fotossíntese, e a saída do vapor de água, a transpiração. A água, aplicada artificialmente, é necessária
As estimativas através da evaporação estão sendo bastante usadas
...
pode ser encontrado em tabelas. O método mais recomendado e mais simples para se medir o potencial ou tensão da água do solo é o tensiômetro. Esse aparelho é de construção simples, sendo constituído por um tubo PVC de ½ polegada e comprimento variável, conectado a uma cápsula de porcelana de um lado; de outro é fechado por uma rolha de borracha e uma tampa de PVC com rosca. No corpo do tensiômetro adapta-se um manômetro de mercúrio ou do tipo bourdon. Se for de mercúrio, deve-se usar tubo de náilon de diâmetro interno de 1,5 a 2 mm em que uma extremidade é emborcada num recipiente de cerca de 2 cm3 de mercúrio e a outra, evidentemente, é conectada ao corpo do tensiômetro. Todo o sistema deve ser montado com araldite 24 horas. Se construído pelo usuário, o preço torna-se relativamente irrisório. A instalação se faz com um trado de ½ pol, para que o tensiômetro penetre bem justo para ter boa conexão com o solo. O número de tensiômetros por ponto varia de acordo com a profundidade efetiva das raízes: para até 30 cm, 1 tensiômetro com a cápsula a 15-20 cm de profundidade; para 50 cm: dois tensiômetros, um a 15-20 cm e outro a 35-40 cm. Deve-se usar, no mínimo, duas baterias ou locais para se ter uma média razoável e também por medida de segurança O tensiômetro de mercúrio mede o potencial de água, ou seja, a energia com que a água é retida no solo e, conseqüentemente, a energia que a planta deve exercer para retirar a água. É fácil de construir e os seus resultados são bastante confiáveis. A tabela serve como referência média para se proceder a irrigação de algumas culturas.
do bastante usadas, pela simplicidade de operação e medição. Surgiram métodos como o de Piché, que usa um tubo de vidro de pequeno diâmetro alimentando com água folhas arredondadas de papel de filtro, que imitariam as folhas dos vegetais. Este processo não apresenta confiabilidade para a finalidade de irrigação. Os tanques de evaporação passaram a ser utilizados como base para se estimar a quantidade de água a ser aplicada em irrigação, sobressaindo-se o Tanque Classe A, cujas dimensões e instalação são provenientes do USA
e se disseminaram pelo mundo afora, tornando-se referência para extrapolação de resultados e de evaporação de água em lagos e lagoas. Mais tarde evidenciou sua utilidade como referência para a irrigação em plantas, após receber um coeficiente de correção para cada cultura e estádio de desenvolvimento. O Tanque Classe A é constituído com chapas de ferro galvanizado ou inoxidável com as dimensões de 121 cm de diâmetro e 25 cm de altura, sendo que o nível d água deve variar entre 5 a 7,5 cm da borda. É montado sobre um estrado de caibros de madeira, perfa-
QUANTO IRRIGAR Sabendo-se quando irrigar, deve-se saber o quanto de água colocar no solo e, para isso, há diferentes métodos: Diretos, com medições do teor de água do solo e os cálculos correspondentes, envolvendo o quanto de água se deve acrescentar ao solo na profundidade efetiva das raízes. É o método do Balanço Hídrico; Indiretos, envolvendo elementos climatológicos como a temperatura, a umidade do ar, a radiação e os ventos. Os mais completos incluem todos estes parâmetros em equações como a de Penman e suas derivadas, sobressaindo-se a de Penman-Monteith e a de Penman-FAO. Outras, baseadas apenas em uma ou duas variáveis climáticas, apresentam inconvenientes relacionados à consistência dos dados, ora superestimando, ora subestimando, fazendo com que os resultados sejam avaliados com cautela, como os modelos de Thornthwaite, Blaney-Criddle, Turc e outros. São os chamados modelos empíricos. Ainda dentro dos métodos climatológicos, as estimativas através da evaporação estão sen-
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Alface irrigada por gotejamento com medições via tensiômetros e Tanque Classe A
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Tangerina poncã irrigada por gotejamento, com medição por tensiômetros e Tanque Classe A
zendo uma altura de 10 cm. A grande vantagem dos tanques de evaporação é que eles integram todos os elementos de clima: a temperatura, a velocidade do vento, a umidade relativa e as radiações de ondas curtas e longas. Logo, não há a necessidade de serem medidas estas variáveis em modelos, às vezes difíceis de serem conseguidas e manuseadas. Como calcular a quantidade de água a ser adicionada ao solo? Primeiramente, medir diariamente a quantidade ou altura de água evaporada no tanque através de um parafuso micrométrico. No entanto, pode-se substituí-lo por meio de medições volumétricas de modo mais preciso e por um preço menor: um recipiente de 10 a 15 cm de diâmetro, sem fundo e sem tampa, é soldado na chapa vertical do tanque; a 5 cm da borda, estende-se uma linha de náilon, que servirá de referência; todos os dias, no mesmo horário, acrescenta-se água até a referência por meio de uma proveta, medindo-se o volume consumido pela evaporação. Exemplo: - a área do tanque (A) = p D2 / 4 = 3,1416 . 1,212 4 = 1,15 m2;
- supor que foi acrescentado um volume V = 3,5 litros em 24 horas; - a altura de água (a) correspondente a este volume é a = V / A . . a = 0,0035 m3 / 1,15 m2 = 0,003043 m = 3,43 mm Evidentemente, há necessidade de se utilizar coeficientes da planta que se irá cultivar, pois a perda de água por evapotranspiração pode ser significativamente maior ou menor que a evaporação indicada pelo tanque. Para tanto, existem tabelas, obviamente provenientes de outros locais com clima, solo, plantas e variedades deferentes. Caso não existam, devese encontrá-lo para a cultura que se queira usar, para o clima e solo do local. Como fazêlo? Pode-se usar o conjunto de tensiômetros e tanque de evaporação.
TENSIÔMETROS EM CONJUNÇÃO COM O TANQUE Os seguintes passos devem ser seguidos: De posse do valor mínimo de potencial de água do solo estipulado pelo tensiômetro, indicando o momento para se fazer a irrigação (Ex.: 40 cm de altura de Hg),
Referência média para se proceder a irrigação de algumas culturas, dados em cm de altura de mercúrio a partir do nível no recipiente: Alfafa Banana Citrus Cana de açúcar
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35 a 45 25 a 35 35 a 45 40 a 60
Cereais Olerícolas Pastagens Videira
30 a 40 25 a 35 35 a 50 40 a 60
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Verificar quantos mm de altura de água evaporaram do tanque (Ex.: 24,5 mm em 5 dias); Multiplicar este valor pelo coeficiente da cultura (Kc) estipulado. Caso não se tenha esse dado (ou por tabelas ou por experiências anteriores), deve-se procurar obtê-lo por tentativas. Ex.: Kc = 0,70. Logo, 24,5 mm x 0,70 = 17,15 mm, que seria o valor da lâmina líquida de irrigação (h) a ser colocado no solo; Considerar a eficiência de irrigação (Ef): Aspersão - 80 a 85 %; Superfície - 25 a 60 %; Localizada - 95%. Exemplo: para uma irrigação por aspersão com eficiência de 85%, a lâmina bruta (hb) = 100 h / Ef = 17,5 mm x 100 / 85 = 20,17 mm; Caso a quantidade de água seja insuficiente, o que se pode verificar por trado ou escavação, altera-se para mais ou para menos o coeficiente inicialmente elegido; Pode-se usar um tanque com outras dimensões, em lugar do Classe A, por que o coeficiente é escolhido por tentativas e os tanques são apenas referências. De posse da lâmina bruta e conhecendo-se a Intensidade de Irrigação (Ii) de um sistema de aspersão, pode-se calcular o Tempo de Irrigação (T) de uma gleba. Exemplo: supondo que um sistema de irrigação tem uma Ii = 10 mm/h e tenha-se hb = 20,17 mm: T = hb / Ii = 20,17 mm / 10 mm h-1= 2 h e 1 minuto. O mesmo raciocínio é aplicado para a irrigação por superfície, sendo que a intensidade de irrigação é avaliada pelas curvas ou equa.M ções de infiltração do solo. Antonio Evaldo Klar FCA/UNESP Máquinas
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Ponto Final
Agricultura de Precisão... precisa ou não precisa? A
passagem do uso de satélites da área militar para a civil ocasionou uma revolução no mundo dos topógrafos e na área da topografia clássica, dando à luz um novo ramo do conhecimento aplicado - a Geomática. Todavia, seu filhote endiabrado, batizado com o pomposo nome de Agricultura de Precisão, já está causando a maior celeuma no mundo dos engenheiros agrônomos, agrícolas e florestais. Apesar de pomposo, esse nome parece não estar muito de acordo com os resultados obtidos na prática, levantando mais dúvidas que certezas e exigindo de seus defensores árduos trabalhos de pesquisa e desenvolvimento de equipamentos. Com isso, tem muita gente perguntando se vai precisar migrar para a essa nova técnica e outros tantos, afoitos compradores de equipamentos com GPS, já começaram a esfriar os ânimos na precisão de uma Agricultura de Precisão! A estratégia dessa inovadora técnica agrícola parte de mapas de produtividade, traçados com base nos dados obtidos através da instrumentação embarcada em colhedoras, principalmente nas colheitadeiras combinadas de cereais. Depois, a partir da variabilidade espacial na produtividade, detectada através dessa cartografia, inicia-se todo um processo de revisão retrospectiva das práticas culturais que antecederam a colheita, tentando encontrar as causas determinantes da variabilidade ou, no mínimo, uma explicação plausível para o fenômeno. Trata-se, em última análise, de um instrumento para avaliar e estudar formas de alterar o formato da curva do sino ou, como dizem os estatísticos, mudar os momentos de 3ª e 4ª ordens ( skewness & kurtosis ) da curva de distribuição de freqüência da produtividade da lavoura. Outros lances de marketing de vendedores de GPS, tais como a barra de luz para guiar o tratorista nos percursos de campo, a amostragem de solo e a demarcação georrefe-
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Máquinas
renciada de terraços, canais de irrigação e estradas rurais, etc, etc, etc... é pura perfumaria frente ao gigantesco desafio de chegar-se a uma quantificação satisfatória da relação custo/benefício do investimento em Agricultura de Precisão. Se você está pensando em comprar colheitadeiras e tratores equipados com GPS, primeiro deve se preocupar em estruturar uma equipe competente de técnicos (engenheiros e técnicos agrícolas), contratá-los por prazo de 2-3 anos e estabelecer um cronograma operacional, com metas bem definidas a serem atingidas. Agricultura de Precisão e futebol têm algo em comum: não adiantam jogadas bonitas, o que conta é o saldo em gols! Mapas de produtividade têm valor não pela estética das linhas, mas pelo potencial inovador de indicar o que fazer para promover alterações na conformação da
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curva do sino , buscando o aumento na freqüência de áreas unitárias com produtividades mais elevadas. Como fazer isso? A resposta está muito mais na competência da equipe que você vai contratar do que da marca ou modelo da frota de equipamentos que pretende adquirir! Pense nisso e garanta o sucesso de seu empreendimento. Caso você seja um feliz usuário da Agricultura de Precisão, que não se defrontou com nenhum dos problemas apontados e que tem conseguido recuperar o capital investido, escrevanos contando seu êxito, sua experiência. Desejamos, sinceramente, divulgar o quanto a Agricultura de Precisão pode tornar-se uma ferramenta importante na alavancagem tecnológica da agricultura de mercado em nosso país. . M Luis Geraldo Mialhe Esalq Janeiro / Fevereiro 2001