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Cultivar 78

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Cultivar Grandes Culturas • Ano VII • Nº 78 • Outubro 2005 • ISSN - 1518-3157

Nossa capa

Destaques

08

Foto Capa / Clara Beatriz Hoffmann Campo

Colchão verde Saiba quais os cuidados necessário na hora de controlar o capim-colchão no milho e evitar fitotoxicidade na cultura

12 Silenciosa e noturna Por causa do período expandido, quase sem entressafra, a lagarta rosada volta a ser problema nas lavouras algodoeiras

Nosso caderno

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Foto de Capa / Leandro Dallagnol

Pequeno notável Conheça as principais estratégias para minimizar os danos irreversíveis causados pelo Tamanduá-da-Soja

34 Supressão de efeito Pesquisa avalia a compatibilidade de herbicidas com fungo utilizado no controle biológico da cigarrinha-da-raiz

NOSSOS TELEFONES: (53) Grupo Cultivar AO de ASSINANTE: Publicações Ltda. • ATENDIMENTO CGCMF: 02783227/0001-86 3028.4013/3028.4015 Insc. Est.• ASSINATURAS: 093/0309480 Rua:3028.4010/3028.4011 Nilo Peçanha, 212 Pelotas – RS 96055 – 410 • GERAL

Direção 3028.4013 • REDAÇÃO: Newton Peter Schubert 3028.4002 K. Peter / 3028.4003 • MARKETING:

3028.4004 / 3028.4005

Índice Diretas

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Controle do capim-colchão em milho

08

Lagarta rosada volta a ser problema

12

Uso racional de herbicidas

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Nossos Telefones: (53)

Fungicidas e fungos entomopatogênicos

22

• Geral 3028.2000

Como controlar a ferrugem asiática

26

• Assinaturas: 3028.2070

Tamanduá-da-soja volta a atacar

32

• Redação: 3028.2060

Syngenta lança Artea para doenças da soja 36

• Marketing: 3028.2065

Negócios

38

Uso de herbicidas em cana-de-açúcar

40

Tabela herbicidas para cana-de-açúcar

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Coluna Agronegócios

44

Coluna Aenda

45

Mercado Agrícola

46

• FAX:

www.cultivar.inf.br 3028.4001 cultivar@cultivar.inf.br Assinatura anual (11 edições*): R$ 119,00 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan) Números atrasados: R$ 15,00 Assinatura Internacional: US$ 80,00 70,00

Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@cultivar.inf.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.

REDAÇÃO • Editor

Charles Ricardo Echer • Coordenador de Redação

Janice Ebel • Design Gráfico e Diagramação

Cristiano Ceia • Revisão

Silvia Pinto

COMERCIAL Pedro Batistin

Sedeli Feijó Silvia Primeira

CIRCULAÇÃO • Gerente

Cibele Oliveira da Costa • Assinaturas

Rosiméri Lisbôa Alves Simone Lopes • Gerente de Assinaturas Externas

Raquel Marcos • Expedição

Edson Krause Dianferson Alves • Impressão

Kunde Indústrias Gráficas Ltda.


Diretas

Ihara

Bunge

Dow AgroSciences

A equipe da Ihara, durante o V Congresso Brasileiro de Algodão, além de divulgar seu portifólio de produtos para a cultura do algodão, esteve comemorando os 40 anos da empresa à serviço da agricultura.

A Bunge possui linhas diferenciadas de fertilizantes para melhorar a qualidade e aumentar a produtividade da cana-de-açúcar. Sertãozinho e região, durante a Fenasucro/ Agrocana 2005, pode conhecer a linha de fertilizantes, desenvolvidas pela Manah, Serrana, Ouro Verde e Iap.

A Dow AgroSciences esteve presente na Agrocana 2005 (III Feira de Negócios e Tecnologia da Agricultura da Cana-deAçúcar) O público visitante pode contactar a equipe e conhecer o seu portfólio de produtos voltadao para cultura da canade-açúcar, com destaque para o Combine.

Mosaic A Mosaic participou da Agrocana - III Feira Negócios e Tecnologia da Agricultura da Cana-de-Açúcar. No estande, especialistas atendiam e tiravam dúvidas dos visitantes, além de divulgarem os atuais e novos produtos da empresa. Também participou juntamete com Copercana e Canaoeste na comercialização de fertilizantes.

Abrindo fronteiras A Solferti, empresa consolidada no mercado de fertilizantes foliares do Sul do Brasil, fechou contrato de distribuição com a Empresa Paraguaia Agro Link, realizando sua primeira exportação em setembro.

Novos Mercados A Ubyfol, empresa que atua no setor de fertilizantes químicos inorgânicos, com destaque para nutrição vegetal com micronutrientes, recebeu no estande da Agrocana a visita de empresários paraguaios, intensificando assim a parceria já existente .

Arysta LifeScience A equipe técnica da Arysta destacou-se no maior estande da Fenasucro, apresentando para os participantes o Herbicida Dinamic, que traz um novo padrão de desempenho para o controle de plantas daninhas na cultura de cana. Segundo o coordenador de marketing de cana-de-açúcar, Josias Pinheiro, o produto tem ação biológica muito ativa, atendendo plenamente às necessidades da cultura em uma única aplicação.

Syngenta

Presença Pela primeira vez, a Bayer CropScience participou da Fenasucro, em Sertãozinho (SP). A empresa apresentou seu portifólio de tecnologias inovadoras como alternativa eficaz para o controle de pragas e doenças. Entre os destaques, o inseticida Evidence, a mais nova solução da empresa para o controle da cigarrinha-dasraízes e de cupins.

Manejo das ervas A FMC lança Gamit/Permit para o controle das principais plantas daninhas da cultura do arroz irrigado. O tratamento de sementes com o novo protetor de sementes Permit proporciona maior seletividade e flexibilidade de doses do herbicida Gamit, controle préemergente que elimina a matocompetição das plantas daninhas com a cultura.

Anti-falsificação Na Agrocana 2005, a Basf deu continuidade à campanha que alerta os produtores rurais quanto aos riscos de produtos falsificados. Regent 800 WG, principal produto para a canade-açúcar, teve seu destaque no evento, devido ao lançamento da embalagem com dispositivos anti-falsificação (DAF).

CanaOeste Durante a Agrocana 2005, a Associação dos Plantadores de Cana do Oeste de São Paulo (CanaOeste) ofereceu aos seus associados a oportunidade de negociar insumos, fertilizantes, corretivos de solo e máquinas agrícolas com preços e linhas de créditos atrativos. “A realização simulOswaldo Alonso tânea da Agrocana e a Fenasucro foi uma experiência muito feliz, permitiu aos visitantes conhecerem tudo em tecnologia para produção de cana e fabricação de açúcar e álcool”, enfatizou Oswaldo Alonso, engenheiro agrônomo consultor agronômico da CanaOeste.

Basf O público participante do Congresso de Algodão em Salvador (BA) que visitou o estande da Basf, além de conhecer toda a sua linha de produtos para a cultura do algodão, pôde saborear o acarajé, prato típico da região, e ainda levar uma camiseta com sua caricatura estampada.

Grupo para a Agritechnica 2005 A Agritours Brasil está formando grupo para a Agritechnica, em Hannover, na Alemanha, que acontece de 06 a 12 de novembro. Informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 32141855 ou www.agritoursbrasil.com.br.

Syngenta na Agrocana A Syngenta apresentou na Agrocana 2005 - o Actara , Krismat , Gramoxone e Moddus, principais produtos voltados para a cultura da cana. Divulgou ainda serviços que integram o programa de relacionamento Syngenta, como, assistência técnica na aplicação de produtos Syngenta, consultoria especializada, palestras e reuniões para atualização técnico-científica.

Nova Direção

A Equipe da Syngenta apresentou no V Congresso Brasi- Walter Dissinger e Eduardo Leduc assumem novos cargos na divisão de produtos leiro de Algodão o que há de mais avançado em tecnologi- para a agricultura da Basf. Dissinger, que antes ocupava o cargo de diretor responas e serviços que favoreçam a rentabilidade do cotonicul- sável pela Unidade de Negócios Regionais de Químicos de Performance para a tor. Os produtores tiveram a oportunidade de conhecer América do Sul, agora assume a novos produtos Vice-Presidência da Divisão de Proe técnicas de dutos para Agricultura para a Améproteção de culrica Latina e Química Fina para a tivos desenvolviAmérica do Sul da Basf. Já Leduc, das pela Syngenantes diretor de Marketing para a ta para ajudar no América Latina, assume a diretoria controle de prada Divisão de Produtos para Agrigas e doenças cultura Brasil, sucedendo Maurício nas lavouras. Marques, que se desligará da Basf.

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Fotos Charles Echer

Milho

Controle total, total sem fitotoxicidade O uso de herbicidas pós-emergentes no controle de capim-colchão, planta daninha que está tomando espaço nas lavouras de milho, requer o conhecimento da melhor época e dose a ser utilizada no controle para evitar a fitoxicidade à cultura

O

milho representa uma das principais culturas da agricultura brasileira, não somente no aspecto quantitativo como também no que diz respeito à sua importância estratégica, por ser a base da alimentação animal e, conseqüentemente, humana. O plantio e a condução de uma lavoura de milho visam a obter alta produtividade e o almejado lucro com a venda do produto colhido.

INFLUÊNCIA DE DANINHAS

E

stima-se que a redução causada por plantas daninhas no rendimento de produção na cultura de milho, devido à interferência das plantas daninhas, pode alcançar até 70% da produtividade potencial, variando em função da espécie e do grau de infestação e agressividade das plantas daninhas, do tipo de solo, das condições climáticas reinantes no período, bem como do espaçamento, híbrido e do estádio fenológico da cultura em relação à convivência das plantas daninhas (Fancelli & Dourado-Neto, 2000). Portanto, o controle de plantas daninhas é uma necessidade de ordem econômica.

08

Para atingir esse objetivo, o controle de plantas daninhas é fundamental, além de outras muitas e oportunas decisões do agricultor (López-Ovejero et. al., 2003).

O CAPIM-COLCHÃO As plantas daninhas do gênero Digitaria spp. podem ser encontradas em todo o mundo, onde já foram catalogadas cerca de 300 espécies. No Brasil destacam-se 15 espécies que são popularmente conhecidas como capim-colchão, no entanto, predominam como infestantes da cultura as espécies D. horizontalis, D. ciliaris e D. sanguinalis (Kissmann & Groth, 1997). A alta capacidade competitiva faz do capim-colchão uma das plantas mais danosas à cultura do milho no Brasil.

OS HERBICIDAS PÓS-EMERGENTES

gência (aplicados após a emergência da cultura e das plantas daninhas). Para Christoffoleti & Mendonça (2001), os programas de manejo de plantas daninhas na cultura de milho que utilizam herbicidas pós-emergentes têm aumentado bastante nos últimos anos. No entanto, o aumento de áreas aplicadas com herbicidas pósemergentes tem alguns questionamentos importantes, sendo o primeiro relativo à seletividade e época de aplicação do herbicida em relação ao estádio fenológico da cultura, pois, se o momento de aplicação for inadequado, a produção da cultura pode ser reduzida pela injúria causada pelo herbicida na cultura; e o segundo, refere-se ao estádio de desenvolvimento da planta daninha, a qual deve receber o produto em estádio de maior suscetibilidade aos herbicidas. Quanto à seletividade nas plantas daninhas, Oliveira Jr. (2001) relata que a ida-

Até 1995 só existiam herbicidas recomendados em pré-plantio incorporado e de pré-emergência para o conTabela 1 - Tratamentos herbicidas utilizados no experimento trole de plantas daninhas na Tratamentos Herbicidas Concentração Dose aplicada cultura de milho, limitando de Nome comercial de g ia . L-1 g ou L de p.c ha-1 certa forma a adoção do plan- Nome comum tio direto pelo agricultor (Sil- 1. Testemunha 0,3 + 3,0 va & Melhorança, 1991). Para 2. Mesotrione + Atrazina Callisto + Gesaprim1 144 + 1500 Sanson + Gesaprim1 20 + 1500 0,5 + 3,0 a solução desse problema, sur- 3. Nicosulfuron + Atz3 4. Nicosulfuron Sanson 40 1,0 giu a necessidade do desenvol4 2 5. Foramsulfuron + Iodo Equip Plus 45 + 3 150 vimento de novos herbicidas recomendados em pós-emer- - adição do óleo vegetal Assist a 0,5%; - Adição do espalhante adesivo Hoefix a 1,0 L/ha. - Atrazina; - Iodosulfuron 1

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de das plantas afeta a absorção a translocação e atividade do herbicida nas plantas. Plantas jovens são mais suscetíveis a herbicidas do que as mais velhas, principalmente porque as plantas jovens possuem mais tecidos meristemáticos. Esses tecidos são o centro da atividade biológica das plantas. Conseqüentemente, espera-se que os herbicidas que afetam processos metabólicos sejam muito tóxicos para plantas que possuem uma grande quantidade de tecidos meristemáticos e tenham pouca ou nenhuma atividade em plantas mais velhas, nas quais passam a predominar tecidos diferenciados.

A PESQUISA FOCADA Nicolai (2005), em Piracicaba (SP), conduziu durante o ano agrícola de 2004/ 05 um trabalho com a cultura de milho, ligado à eficácia dos principais herbicidas pós-emergentes do mercado. Os herbicidas utilizados no experimento foram: mesotrione + atrazina; nicosulfuron + atrazina; nicosulfuron e o iodosulfuron + foramsulfuron. A lista completa dos tratamentos, com as respectivas doses e nomes comerciais, consta da Tabela 1. Foram avaliadas as plantas daninhas mais problemáticas para a cultura. Dessa

forma, foram selecionadas Brachiaria plantaginea, Digitaria horizontalis, Panicum maximum, Eleusine Indica, Ipomoea grandifolia e Bidens pilosa suscetível e resistente. Foram determinados três diferentes momentos para a aplicação dos tratamentos com herbicidas pós-emergentes, identificados por estádios pós-inicial (monocotiledôneas: uma a três folhas; dicotiledôneas: duas a quatro folhas), pós-médio (monocotiledôneas: um a três perfilhos; dicotiledôneas: seis a oito folhas) e pós-tardio (monocotiledôneas: quatro a sete perfilhos; dicotiledôneas: > oito folhas). A espécie de capim-colchão testada (Digitaria horizontalis) foi semeada em substrato e conduzida em vasos sob irrigação, dentro de casa-de-vegetação. A aplicação dos herbicidas foi feita em câmara de pulverização equipada com ponteira de aplicação do tipo leque, de jato plano, do modelo Teejet XL 8002 VS. A pressão constante de 2,5 bar foi mantida através do uso de ar comprimido, mantendo-se então uma calda de pulverização proporcional a 200 l/ha. Os resultados de controle de cada tratamento herbicida constam da Tabela 2, em todos os estádios de desenvolvimento da planta daninha testados.

Em épocas de estiagem a digitária leva vantagem sobre a cultura


CARACTERÍSTICAS DA DIGITARIA

C

transformam campos nativos em lavouras. - Digitaria horizontalis: Planta anual, alastrando-se por enraizamento a aprtir dos nós dos colmos em contato com o solo. Aprecia solos férteis, cultivados ou não, sendo pouco agressiva em solos pobres. - Digitaria sanguinalis: Os colmos são geralmente decumbentes na porção inferior, podendo haver enraizamentos a partir de nós em contato com o solo úmido. Efetuando-se o corte das plantas e sendo elas enterradas em seguida, como ocorre nas capinas, pode haver rebrotamento. Apreciam solos cultivados e com boa fertilidade. Quando campos nativos são lavrados e adubados pode-se esperar uma rápida infestação, se a espécie está presente.

A planta daninha Digitaria horizontalis, no estádio pós-inicial, foi totalmente controlada pelos tratamentos mesotione + atrazina e iodosulfuron + foramsulfuron. Os tratamentos de nicosulfuron diferiram estatisticamente dos acima citados e, apesar de a mistura com atrazina ter um controle satisfatório, observa-se um certo grau de dificuldade para o controle dessa planta daninha. O tratamento com mesotrione foi o melhor também para o estádio pósmédio. O iodosulfuron + foramsulfuron perdeu bastante eficácia nesse estádio e não se caracteriza como uma boa alternativa para o controle nesse momento. Os tratamentos com nicosulfuron perderam a diferença entre eles, contudo ainda diferem estatisticamente para o tratamento de iodosulfuron + foramsulfuron e, mais ainda, para o de mesotrione, sendo os piores

neste estádio. Quando a planta daninha foi controlada no estádio pós-tardio, nenhuns dos tratamentos foi eficaz. Entretanto os tratamentos de mesotrione e iodosulfuron + foramsulfuron ainda são os melhores, não diferindo estatisticamente para o peso de massa verde. Tais observações permitem concluir que o capim-colchão (Digitaria horizontalis) foi melhor controlado pelo tratamento mesotrione, em todos os estádios, com relação aos demais tratamentos, sendo insa-

Divulgação

onstituindo problema sério como infestantes, em muitas culturas de primavera e verão, são plantas altamente agressivas. Em períodos de sequía Digitaria spp. leva grande vantagem sobre culturas. Mensiona-se também uma ação alelopática negativa em relação a muitas plantas cultivadas Além disso, as digitárias podem ser atacadas por diversos agentes patogênicos e por isso fontes potenciais de inóculos. - Digitaria ciliaris: espécie prefere solos bem trabalhados e férteis, mas ocorre também em solos mais compactos e pobres. Aguenta melhor os períodos de calor e seca do que as plantas anuais cultivadas e, nessas condições, domina as lavouras. É geralmente a primeira infestante que começa a aparecer quando se

Nicolai mostra a eficiência de produtos no controle do capim-colchão

Marcelo Nicolai, Pedro J. Christoffoleti e Saul J. P. de Carvalho, Esalq/USP

Tabela 2 - Resultados de controle (%) e Peso verde (g) aos 28 DAA para Digitaria horizontalis DIGHO 1 Pós-inicial Tratamentos testemunha mesotrione + atrazina nicosulfuron + atrazina nicosulfuron iodosulfuron + Iodo4 DMS DIGHO Pós-médio Tratamentos testemunha mesotrione + atrazina nicosulfuron + atrazina nicosulfuron iodosulfuron + Iodo4 DMS DIGHO Pós-tardio Tratamentos testemunha mesotrione + atrazina nicosulfuron + atrazina nicosulfuron iodosulfuron + Iodo4 DMS 1

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tisfatório apenas para o pós-tardio. No estádio pós-inicial, o tratamento de nicosulfuron foi o único insatisfatório. No estádio pós-tardio nenhum dos tratamentos foi satisfatório. São variadas as ferramentas e as estratégias para o controle de plantas daninhas problemáticas como o capim-colchão, em meio a cultura de milho, contudo, observa-se que o estágio de desenvolvimento da planta daninha e a dose do herbicida a ser usado são os grandes fatores a serem considerados quando do momento da tomada de decisão para o uso do controle químico, lembrando que o insucesso no uso de algum tratamento herbicida pode estar ligado a outras diferentes variáveis do momento da aplicação. A oscilação entre o estágio de desenvolvimento da planta daninha e a dose do herbicida a ser utilizada no momento da aplicação são fatores que devem ser somados à observação do estádio fenológico da cultura de milho também. O objetivo da aplicação e o controle das plantas daninhas, contudo a minimização dos danos causados à cultura pela fitointoxicação com o herbicida é uma das chaves para a boa produção. Não é suficiente observar apenas as plantas daninhas, é importante obserC var a cultura também.

Controle (%) 07 DAA 0,0 97,3 73,8 75,0 78,8 3,61

d a c c b

07 DAA 0,0 88,8 62,5 62,5 71,3 5,72

d a c c b

07 DAA 0,0 57,5 42,5 42,5 42,5 7,41

c a b b b

14 DAA 0,0 100 88,8 86,3 92,5 4,77

21 DAA d 0,0 a 100 bc 84,5 c 81,3 b 92,5 4,66 Controle (%) 14 DAA 21 DAA 0,0 d 0,0 96,3 a 97,0 80,0 c 71,3 76,3 c 71,3 88,3 b 89,5 5,63 6,81 Controle (%) 14 DAA 21 DAA 0,0 d 0,0 78,3 a 78,8 61,3 c 55,0 61,3 c 52,5 72,5 b 72,5 5,66 5,24

d a bc c b

28 DAA 0,0 100 90,0 78,3 97,8 5,13

d a bc c b

d a c c b

28 DAA 0,0 96,3 67,5 67,5 87,5 4,6

d a c c b

d a c c b

28 DAA 0,0 78,3 43,8 42,5 67,5 3,89

d a c c b

Peso Verde2 28,4 a 0,0 c 1,5 bc 7,6 b 0,4 c 6,44 Peso Verde 30,2 a 0,5 c 12,4 b 16,0 b 1,9 c 5,36 Peso Verde 33,9 a 10,1 c 20,5 b 23,7 b 13,8 c 4,18

- Digitaria horizontalis, 2 - Peso de Matéria verde (g), 3 - Diferença Mínima Significativa, 4 - iodosulfuron, Letras iguais, na mesma coluna, não representam diferenças estatísticas significativas.

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Algodão

Fotos Walter Jorge dos Santos

Silenciosa e noturna A

té a década de 1980, a lagarta rosada, Pectinophora gossypiella, foi uma das principais pragas do algodoeiro no Brasil. Mas, com a entrada do bicudo, exigindo freqüentes aplicações de inseticidas para o seu controle, as populações de lagarta rosada foram reduzidas, o que coincidiu com a diminuição das áreas cultivadas nas regiões tradicionalmente produtoras de algodão. Por ter várias espécies vegetais como hospedeiras e ser grande a mobilidade das mariposas, a lagarta rosada apresenta ampla distribuição no território nacional. Mas, nestes últimos três anos, constatam-se a cada safra em todas as regiões, inclusive nos Cerrados para onde o algodoeiro migrou, crescentes infestações de lagarta rosada, trazendo preocupações aos produtores e técnicos envolvidos com a cultura. A perenização da planta de algodão, principalmente no Cerrado, devido ao período

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O período expandido de semeadura, quase sem entressafra, aliado às sobras de soqueiras e tigüeras, está favorecendo o ressurgimento de ataques intensivos da lagarta rosada nas lavouras algodoeiras

expandido de semeadura, quase sem entressafra, aliada às sobras de soqueiras e tigüeras, são fatores que estão favorecendo o crescimento das populações da lagarta rosada e de outras pragas. No Cerrado, a cotonicultura se caracteriza pelo prolongamento do ciclo da planta nas regiões mais altas e por usinas de beneficiamento instaladas nas propriedades,

Detalhe da mariposa capturada com a isca inseticida que é utilizada para indicar o nível populacional da praga

que produzem e armazenam sementes e resíduos nas proximidades das lavouras. Essas e outras condições estão facilitando o crescimento da praga regionalmente. A lagarta rosada está afetando o potencial produtivo de muitas lavouras do Cerrado. É uma praga silenciosa que se movimenta à noite, e somente através do conhecimento dos hábitos do inseto podem-se estabelecer estratégias para o efetivo controle da praga. A dispersão natural da praga se dá através do vôo das mariposas. Os ventos são os principais veículos de transporte dos adultos, que já foram encontrados a grandes alturas e distâncias. A fase de plena inflorescência libera compostos voláteis que atraem as mariposas de grandes distâncias para as lavouras. As lagartas recém-nascidas penetram rapidamente o interior dos botões florais, alimentandose das anteras e estigmas. Um botão floral pode sustentar apenas uma lagarta. As lagartas de-

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senvolvem-se quando atacam botões florais com mais de dez dias, os quais geralmente se transformam em flores. Essas flores atacadas apresentam o aspecto de rosetas, com suas pétalas unidas por fio de seda produzido pela lagarta. Quando são muito danificadas, as flores caem ao solo, e a lagarta empupa em seu interior. A freqüência acentuada e as flores rosetadas estarão sinalizando forte infestação da praga na fase de enchimento das maçãs. A população da praga cresce lentamente enquanto as lagartas estão se alimentando nos botões florais, mas, rapidamente, quando as maçãs estão disponíveis. As maçãs entre 14 e 21 dias de idade são as mais suscetíveis ao ataque da lagarta rosada. Penetrando nas maçãs, as lagartas cavam uma galeria, deixando um sinal de caminhamento, manchas oleosas e verrugas na parte interna do carpelo. Para completar seu desenvolvimento, a lagarta pode danificar quatro sementes, devorando todo o interior e deixando intacto o tegumento externo. As fibras adjacentes às sementes atacadas tomam uma coloração ferruginosa. As maçãs podem suportar várias lagartas, mas, de um modo geral, encontra-se uma lagarta por maçã, até que aproximadamente 80% delas estejam infestadas. Ao se alimentarem, as lagartas mancham

e destroem as fibras, além de afetarem o peso, o vigor e o teor de óleo das sementes. Quando as maçãs novas são atacadas, tornam-se secas depois da saída da lagarta. Se o ataque ocorrer em maçãs quase maduras, estas se abrem perfeitamente sob condições de baixa umidade no ambiente, mas as fibras permanecem manchadas. A ocorrência de chuvas freqüentes, em lavouras com maçãs atacadas pela lagarta

Visualização de planta que recebeu o tubete liberador de feromônio sexual, que desorienta os machos e impede o acasalamento

rosada, favorece o desenvolvimento de fungos que provocarão o apodrecimento destas maçãs, que não se abrem, resultando nos chamados carimãs. As lavouras provenientes de semeaduras antecipadas poderão receber fortes infestações


Fotos Walter Jorge dos Santos

de lagarta rosada, por se transformarem em “plantios iscas” para a praga. Mas quase sempre serão as semeaduras tardias, principalmente as irrigadas, que sofrerão os maiores ataques, por estarem expostas às grandes densidades de mariposas da espécie. De um modo geral, os danos ocasionados pela lagarta rosada começam a ser observados com maior freqüência na cultura a partir dos 90 dias de idade das plantas. Na colheita mecanizada, quantidade significativa de carimãs que contêm a lagarta rosada em diapausa permanece nas plantas e, posteriormente, durante a roçada da soqueira, cai sobre o solo. As operações mecânicas subseqüentes na área poderão facilitar ou reduzir a taxa de sobrevivência da lagarta para a safra seguinte. As sementes sem expurgo, deixadas no campo, ou recebidas para o plantio, poderão conter lagartas em diapausa, as quais representam um sério potencial de ataque para as lavouras recém-estabelecidas. Os resíduos do beneficiamento que permanecem depositados no pátio das máquinas, nas propriedades, constituem fator muito importante para a propagação da praga. O controle cultural, através de medidas como semeadura concentrada regionalmente, destruição das soqueiras e tigüeras em tempo hábil, catação nas bordaduras de flores rosetadas e expurgo das sementes é fundamental para o controle eficiente da praga. As mariposas fêmeas produzem e liberam

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feromônio sexual (gossyplure) para atração do macho. Esse feromônio é produzido industrialmente e está sendo utilizado para o monitoramento populacional do inseto e também como método de controle, através da interrupção do acasalamento. As armadilhas contendo feromônio sexual são os dispositivos mais importantes para monitorar as atividades dos adultos, possibilitando quantificar a ocorrência do inseto. Mas esse instrumento nem sempre poderá precisar os picos populacionais do inseto. As armadilhas deverão ser instaladas quando surgirem os primeiros bo-

Detalhe da armadilha utilizada para o monitoramento de Pectinophora gossypiella

tões florais, permanecendo na área durante toda a safra. Na instalação, as armadilhas deverão ser colocadas nas quatro laterais dos talhões, a uma distância máxima de 400 m entre elas. Nas armadilhas tipo delta, o dispersor será colocado sobre o assoalho contendo adesivo, e as contagens, realizadas a cada três dias. Altas capturas determinarão a necessidade de remoção e troca dos assoalhos. Os dispersores deverão ser trocados obedecendo às indicações dos fabricantes. Há uma correlação positiva entre o número de mariposas capturadas nas armadilhas e os níveis de flores e maçãs posteriormente infestadas pela lagarta rosada. A captura de mais de 15 mariposas durante o período de 48 horas será um indicativo complementar para a tomada de decisão de controle da praga. As flores deverão ser observadas entre cinco e 15 dias após o início do florescimento, e a constatação de 10% de flores rosetadas indica a necessidade de controle. As maçãs a serem vistoriadas deverão estar razoavelmente firmes quando apertadas, mas não muito duras. A observação em maçãs é o método mais seguro para verificar a extensão dos danos da praga nas lavouras. Durante as inspeções, devem-se procurar observar maçãs das partes mais altas das plantas, coletando-as e, posteriormente, abrindo-as para verificação do ataque. Sete por cento de maçãs atacadas determinarão a necessidade da aplicação de defensivos. As ma-

GERAÇÕES DA LAGARTA

S

ão conhecidos dois tipos de gerações da lagarta rosada – a de ciclo curto (verão) e a de ciclo longo (outono). A primeira apresenta desenvolvimento completo, produzindo sem interrupção todas as fases de vida do inseto, de ovo a adulto. A segunda se caracteriza pelo fato de a lagarta desenvolvida (5º instar) permanecer nesta fase de vida por um tempo variável nas maçãs, no interior das sementes conjugadas e envolvidas por um casulo de seda. Nesse estado fisiológico de vida latente, denominado diapausa, a lagarta poderá atravessar o período de entressafra e, posteriormente, passar às formas de crisálidas e adultos. O fotoperíodo, dias em que há menos de 13 horas de luz, é o fenômeno que regula a diapausa da lagarta rosada. As mariposas que emergem na ausência do algodoeiro são chamadas de suicidas, por não poderem efetuar reprodução. Mas um volume significativo delas sincroniza suas emergências com a presença de botões florais da safra seguinte.

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BIOLOGIA DO INSETO

O

s adultos são mariposas peque nas; o corpo tem cerca de 7 mm de comprimento. As asas anteriores, pardo-escuras, apresentam três manchas enegrecidas e franjas nas partes posteriores. Quando em repouso, as asas permanecem fechadas, recobrindo o corpo. As mariposas são de hábito noturno, e suas atividades começam ao escurecer, com maior movimentação nas primeiras duas horas da madrugada. O acasalamento ocorre à noite no topo das plantas. A luz limita as atividades das mariposas, que durante o dia quase não se movimentam, permanecendo pousadas à sombra das folhas do baixeiro e, na maioria das vezes, no solo sob as plantas. As mariposas podem viver até 15 dias, colocando entre 150 e 200 ovos. A longevidade e a fecundidade das fêmeas serão influenciadas pela umidade e pela oferta de açúcares existentes nas glândulas dos nectários, presentes nos órgãos de frutificação das plantas. Os ovos, de cor branca, são depositados entre as fendas das brácteas dos botões florais e, principal-

mente, na região do cálice das maçãs. Os orifícios externos de entrada nas maçãs são quase invisíveis e, em pouco tempo, desaparecem por cicatrização, mas internamente surgem calosidades em forma de verrugas. A eclosão ocorre após quatro a cinco dias, e as lagartas pequenas, de cor branca e cabeça pardo-amarelada, penetram rapidamente no interior dos botões florais e maçãs. Após 12 dias alimentando-se do interior dos frutos, as lagartas apresentam coloração rosada e medem aproximadamente 12 mm. As lagartas desenvolvidas fazem um orifício para a saída nas maçãs, caem ao solo e empupam. As pupas de cor marrom, com cerca de 7 mm de comprimento, permanecem no interior de casulos, abrigadas entre os detritos na superfície ou no interior do solo e, após oito dias, transformam-se em adultos. O ciclo de vida da lagarta rosada se completa em aproximadamente 30 dias, podendo ocorrer até cinco gerações por safra. A primeira geração e parte da segunda ocorrem no interior dos botões florais e das flores.

A ciência trouxe avanços extraordinários para o controle das pragas através do algodoeiro transgênico resistente às lagartas. Essa tecnologia está sendo disponibilizada aos agricultores brasileiros pela liberação do evento Bollgard, que apresenta uma toxina proveniente do Bacillus thurigiensis (BtK), a qual tem-se mostrado efetiva para o controle de curuquerê, lagartas das maçãs e lagarta rosada. As lagartas recém-nascidas dessas espécies, ao se alimentarem de plantas protegidas pela toxina do BtK, não sobrevivem, reduzindo ou até eliminando o uso de inseticidas para o controle das mesmas. Mas, como ainda não

foi licenciada nenhuma cultivar transgênica de algodão para plantio, os agricultores deverão aguardar algum tempo para se beneficiarem dessa tecnologia. O cotonicultor deverá considerar o algodão transgênico como mais uma ferramenta para o manejo das pragas do algodoeiro, e princípios básicos como monitoramento e controle cultural continuarão sendo fundamentais para o sucesso da atividade. C

A primeira geração da lagarta rosada e parte também da segunda, ocorrem no interior dos botões florais e flores

Walter Jorge alerta para o perigo do ressurgimento potencial da lagarta no algodão

Walter Jorge dos Santos, Iapar

Fotos Walter Jorge dos Santos

riposas se constituem no principal alvo para ação dos inseticidas, podendo ser detectadas através das armadilhas com feromônio sexual. Os períodos das revoadas das mariposas para acasalamento e postura são os mais indicados para a aplicação dos inseticidas, destacando-se, pela maior eficiência, os piretróides. As aplicações noturnas são as mais efetivas para o controle da praga. As mariposas imigrantes geralmente pousam nas faixas de bordaduras das lavouras visitadas. Essas faixas podem apresentar entre 30 e 40 m de largura, sendo que a direção dos ventos determinará as mais infestadas. Entre as mariposas recémchegadas, poderão existir quantidades expressivas de fêmeas grávidas. Como as mariposas são atraídas pelos açúcares dos nectários, podese preparar uma isca atrativa com uso de açúcar ou melaço mais inseticidas nas aplicações das bordaduras (0,5% de açúcar ou 2% de melaço + Cartap -1,0 kg). As armadilhas com feromônio, previamente instaladas, indicarão a intensidade populacional das mariposas invasoras, definindo os momentos mais apropriados para essas aplicações. A lagarta rosada pode também ser controlada através da aplicação em área total com feromônio sexual. Os dispositivos contendo o feromônio deverão ser distribuídos, de modo uniforme, em toda a lavoura, para que o meio ambiente fique todo permeado com os componentes atrativos do feromônio. A saturação desorienta os machos, impedindo o acasalamento; as fêmeas não são fecundadas, e a reprodução é interrompida. No Brasil, está disponível o produto conhecido como PB-Rope-L, constituído de tubetes liberadores de feromônio que, quando aplicados no início da emissão dos botões florais, permanecem ativos até o final da safra. Os maiores benefícios obtidos pelo controle por comportamento do inseto, como é o caso do PBRope-L, são conseguidos quando os feromônios são aplicados na maioria das lavouras circunvizinhas de uma mesma região, como está sendo demonstrado no Brasil.

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Soja

Controle racional Por competirem por água e nutrientes, é necessária uma avaliação precisa das plantas daninhas, a fim de determinar o momento certo de controle e evitar gastos excessivos com herbicidas

A

interferência exercida por plantas daninhas constitui-se em fator responsável por reduções no rendimento de grãos de soja. Os efeitos diretos das plantas daninhas devem-se, especialmente, à competição que exercem por recursos limitados do meio, enquanto os efeitos indiretos incluem, principalmente, dificuldades de colheita e contaminação dos grãos por sementes e outros materiais provenientes das plantas daninhas. Indiscutivelmente, os efeitos das plantas daninhas sobre a cultura da soja representam a maior causa de redução de produtividade. A disponibilidade de cultivares de soja resistentes ao herbicida glyphosate (RR) tornou mais fácil o controle de plantas daninhas. Além do custo mais baixo, essa nova opção de controle permite maior flexibilidade e facilidade na eliminação das plantas daninhas, pois o

estádio de desenvolvimento da mesma passa a ser menos importante do que o seu possível impacto no rendimento de grãos. Porém, essas vantagens devem ser utilizadas de maneira cuidadosa, para que não haja perdas de rendimento na cultura, em função de controles realizados muito tardiamente após a emergência da soja. No manejo de plantas daninhas em soja RR, o aspecto grau de interferência deve ser observado, levando-se em consideração tanto as diferenças de competitividade entre espécies de plantas daninhas quanto às diferenças de habilidade competitiva entre cultura e plantas daninhas. A habilidade competitiva e a hierarquia de competição são fortemente influenciadas pela época de emergência das plantas daninhas em relação às ervas (Figura 1). Quando a emergência das plantas daninhas antecede em quatro dias a da soja, observou-

se que os valores de rendimento relativo obtidos na mistura de leiteira e corda de viola desviaram-se da linha de rendimento esperado (Figura 1). A leiteira produziu quantidade de biomassa abaixo da esperada, enquanto a corda de viola produziu acima. Quando a emergência ocorreu simultaneamente à da soja, os desvios da linha esperada foram menores para leiteira e maiores para corda de viola, quando comparados com os da emergência das plantas daninhas antecipada à da soja. Além disso, a época de emergência das plantas daninhas, em relação à emergência da soja, influenciou a intensidade de redução de biomassa da cultura. Na emergência das plantas daninhas quatro dias antes da soja, as perdas de biomassa foram de 42,4%; enquanto na emergência junto com a soja, as perdas foram de 22,7%. As diferenças observadas na produção de biomassa relacionam-se ao fato Fotos Mauro Rizzardi

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de que espécies que emergem mais cedo ganham vantagem sobre as que emergem mais tarde e se tornam melhores competidoras por recursos do ambiente. Emergência rápida, associada à capacidade de dispersão, a rápido crescimento e à maturação precoce, são estratégias adotadas por plantas daninhas que lhes permitem explorar mais rapidamente os espaços existentes na comunidade. Os resultados relacionados aos efeitos da época relativa de emergência culturas-ervas permitem adotar estratégias que possibilitem à soja se estabelecer antes das ervas, o que trará grandes benefícios à cultura, diminuindo as perdas de rendimento causadas pelas competição. Uma das estratégias é alterar a época de semeadura em relação à dessecação da cobertura vegetal. Com o uso dessa estratégia, obtém-se redução nas perdas de rendimento naquelas situações em que se faz a semeadura o mais próximo possível da dessecação (Figura 2). Para picão-preto e guanxuma, as perdas de rendimento mais que duplicaram quando a semeadura foi atrasada dos três para os 11 dias após a dessecação da cobertura vegetal. Essas diferenças de perdas de rendimento deram-se não pela dessecação em si, mas, principalmente, pelo fato de a soja ter sido semeada livre da presença de plantas daninhas, permitindo, assim, que a cultura tivesse vantagem competitiva em relação às plantas daninhas. Diferenças na época relativa de emergência afetam grandemente as habilidades competitivas de duas espécies. As primeiras plântulas a emergirem provavelmente irão apresentar maior desenvolvimento, porque elas adquirem prioridade de acesso aos recursos do meio. Os efeitos das plantas daninhas sobre o rendimento da cultura usualmente decrescem com o decorrer do tempo entre a emergência da cultura e das ervas. As plantas daninhas que emergirem mais tarde do que as plantas

Figura 1 - Rendimento relativo de leiteira e corda de viola em função da variação da proporção de plantas entre as duas espécies e da época de emergência das plantas daninhas em relação à soja. As linhas tracejadas representam a hipótese de não interação

Em detalhe, à esquerda na foto, a leiteira, uma das principais invasoras da soja

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da cultura provavelmente terão menor impacto sobre o rendimento, pois grande parte da interferência ocorre após a determinação dos componentes do rendimento. Na Figura 3, observa-se que, na emergência da planta daninha quatro dias antes da soja, houve redução de 4,9 g/m2 de massa seca para cada acréscimo unitário de planta da erva, ocasionando redução percentual de 38% na massa seca com o incremento da densidade de zero para 64 plantas/m2. Para emergência simultânea da erva e da soja, a perda global foi de 23%. Já, na emergência da erva quatro dias após a soja, o aumento na densidade de plantas da erva não influenciou a produção de biomassa da soja. O sucesso do uso de herbicidas pós-emergentes, como o glyphosate, em soja RR, depende da habilidade do produtor em determinar o momento correto de controlar as ervas. Esse momento correto relaciona-se tanto

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Figura 2 - Perda de rendimento de grãos de soja causada pela presença de picão-preto ou guanxuma em função de épocas de semeadura da cultura após a dessecação da cobertura vegetal.

Figura 3 - Massa seca da parte aérea de plantas de soja em função da densidade de picão-preto e da época relativa de emergência

Janice Ebel

cultura muito iniciais, como na situação da semeadura dez dias antes da dessecação, tornam necessária uma nova aplicação do herbicida, pois uma só aplicação não será suficiente para proteger a cultura antes do completo fechamento das entrelinhas pelo dossel da soja. O controle muito precoce, anterior à completa emergência das ervas, e aquelas ervas que emergem tardiamente também podem ocasionar problemas.

Mauro Rizzardi

a aspectos relativos à eficácia do produto quanto ao efeito da planta daninha sobre a cultura. Sabe-se que, quanto mais desenvolvida a planta daninha, maior é a dificuldade de controle, necessitando, em muitas situações, o aumento na dose do herbicida para que se obtenha o controle das plantas daninhas. O momento de aplicação do herbicida pósemergente, ou mesmo de glyphosate, no caso de cultivar de soja resistente a esse herbicida, deve estar ajustado à época na qual o produtor realiza o manejo da cobertura vegetal. Resultados indicam que semeaduras realizadas um dia após a dessecação permitem que a soja se estabeleça antes ou simultaneamente em relação às plantas daninhas, como papuã; portanto, apresentando condições mais favoráveis para vencer a competição. Em semeaduras realizadas dez dias após a dessecação, isso não ocorre, pois a erva se antecipa à soja em emergência. Assim, a emergência precoce da soja, possibilitada através da estratégia de semeadura logo após a dessecação da cobertura vegetal, colocou a cultura em posição competitiva vantajosa, em relação à semeadura realizada nove dias mais tarde. Conhecer os prejuízos causados pelas ervas no rendimento da cultura constitui-se em fato da maior relevância, mas não é suficiente para determinar a necessidade ou não de se adotarem medidas de controle. Nesse sentido, é necessário, além de determinar o limite de dano competitivo, considerar as perdas de rendimento que excedem o custo de controle da erva. Para uma situação em que o custo de controle de plantas daninhas foi de 237 kg/ ha, constatou-se que as perdas propiciadas pela convivência da erva com a cultura superaram o custo de controle aproximadamente aos 20 (estádio V2) e cinco (estádio cotiledonar) dias após a emergência da soja para as semeaduras realizadas um e dez dias após a dessecação, respectivamente. Portanto, no primeiro caso, a oportunidade de aplicar medida de controle ao papuã apresenta intervalo bem mais amplo e menos crítico do que no segundo caso. Em condições de lavoura, aplicações de herbicidas em estádios de desenvolvimento da

Controle tardio de plantas daninhas em soja, com a dessecação da cobertura vegetal dez dias antes da semeadura da cultura

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Mauro Rizzardi explica a melhor forma de previnir perdas na lavoura com as plantas daninhas

Em diversas situações, a soja pode conviver com algumas espécies daninhas, decorrendo pequena redução no rendimento, graças à habilidade competitiva satisfatória que a cultivar apresenta. Dessa forma, a relação custo do controle x benefício torna-se nula, pois o custo do controle suplantaria o ganho obtido no rendimento final em qualquer situação. Isso pode ser caracterizado na semeadura realizada 1 DAD, quando a soja suportou conviver com a planta daninha durante determinado período, demonstrando pequena redução no rendimento; contudo, a relação custo x benefício do controle foi favorável somente quando o controle foi aplicado a partir de 20 DAE. Por outro lado, na semeadura de 10 DAD, a relação custo x benefício foi favorável desde quando ocorreu a emergência da cultura. É importante salientar que as relações custo x benefício do controle descritas não são fixas através do tempo, pois elas podem variar em função de aspectos relacionados à competição (porcentagem de perda de rendimento), ao controle das ervas (eficiência e custo do controle) e ao teto de rendimento da cultura C obtido na ausência de ervas. Mauro Rizzardi, UPF

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Soja

Aliados sob apuros

cebidas para a maior parte dos agricultores e técnicos, mas a supressão desses inimigos naturais pode ter conseqüências econômicas negativas, pela ressurgência da praga. Na cultura da soja, é conhecido que aplicações de certos piretróides ocasionam surtos de populações de ácaros, como Tetranychus urticae Koch, Mononychellus planki (McGregor) e Polyphagoptarsonemus latus Banks, sendo exemplos de “surto de pragas secundárias”. Experimentos de campo têm demonstrado que aplicações de fungicidas, na cultura da soja, podem estimular a incidência de maior número de lagartas nas áreas tratadas com benomil ou difenoconazole, por supressão de um dos inimigos mais importantes das lagar-

tas, o fungo Nomuraea rileyi (Johnson et al., 1976; SosaGómez et al., 2003). No sistema agrícola da soja, além dos fungos N. rileyi (Fig. 1), Metarhizium anisopliae e B. Bassiana, ocorrem outros menos conhecidos, mas não por isso menos importantes, como Zoophthora radicans (Fig. 2) e Pandora gammae (Fig. 3), que são agentes de controle natural de outras lagartas (Sosa-Gómez et al., 2002), portanto a aplicação de produtos não seletivos pode ocasionar os referidos problemas. A preservação dos fungos como agentes microbianos de ocorrência natural é essencial para evitar ressurgência ou surtos de pragas. Também, a compatibilidade elevada com agroquímicos pode auxiliar, melhorando seu potencial como agentes de controle, porque as substâncias sintéticas podem atuar como estressantes às pragas, facilitando a infecção destas por fungos. Os estudos sobre os efeitos das substâncias químicas em agentes de controle biológico podem ser realizados considerando-se os seguintes aspectos: 1) compatibilidade da substância para uso conjunto do químico com o

Figura 1: Nomuraea rileyi, fungo entomopatogênico ameaçado por produtos químicos utilizados nas lavouras

Figura 2: Zoophthora radicans: agente de controle natural de lagartas

Muitas substâncias químicas são usadas na agricultura com o intuito de controlar pragas, porém, avaliar a ação desses produtos é essencial para garantir a ocorrência natural de fungos entomopatogênicos como agentes de controle biológico

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Fotos Daniel Gomez

O

fenômeno de ressurgência ocorre quando, após a aplicação de um agroquímico, a população da praga alcança densidades populacionais superiores às observadas nas áreas que não receberam tratamento (Hardin et al. 1995). Outro conceito semelhante é erupção de praga, ou surto de praga secundária, que implica o aumento da população de uma praga de menor importância, tornando-a praga principal. Os mecanismos pelos quais ocorrem esses surtos podem ser devidos às seguintes causas: 1) eliminação de seus inimigos naturais; 2) remoção de espécies antagonistas; 3) estímulo direto à fecundidade da praga (hormoligose); e 4) estímulo indireto à fecundidade da praga (trofobiose). O primeiro caso, que consideramos neste resumo, é sobre o qual existe maior número de evidências documentadas. Casos de ressurgência têm sido determinados após a aplicação de inseticidas e acaricidas em diversas culturas, tais como citros (Luck, 1986), algodão (Trichilo & Wilson, 1993), quiabo (Kumar & Singh, 2002) e outras. Do mesmo modo, a aplicação de agrotóxicos pode ter efeitos perniciosos sobre fungos entomopatogênicos, interferindo no seu papel de agente de controle natural e ocasionando surtos da praga. Em muitos sistemas agrícolas, os fungos entomopatogênicos são importantes agentes de controle natural de diversas espécies de insetos e ácaros-praga (Tabela 1). Freqüentemente, essas doenças nas populações desses artrópodes passam desper-

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Figura 04

agente biológico; 2) preservação dos agentes de controle biológico que existem no ambiente onde o químico deverá ser aplicado; e, por último, um caso muito menos freqüente, 3) estimular a ação do agente de controle biológico que se encontra no ambiente, mas que, sem a aplicação do químico, não expressa ação. A compatibilidade de vários agroquímicos sobre fungos entomopatogênicos foi determinada com a finalidade de verificar quais apresentam maiores possibilidades de provocar interferência no controle natural por fungos entomopatogênicos. Os produtos foram misturados com os fungos nas concentrações que constam na Tabela 2. A germinação dos conídios foi avaliada após a exposição durante 4h a diluições dos produtos, e o crescimento micelial, após a exposição contínua às formulações, de colônias, que se desenvolveram em meio líquido. A médias foram comparadas em relação às testemunhas mediante o teste Dunnett (Jandel scientific, 1994). Os fungicidas que afetaram N. rileyi foram procloraz (Sportak), enxofre (Kumulus DF), tebuconazole (Folicur 200CE), epoxiconazole + pyraclostrobin (Opera), tetraconazole (Domark 100 CE), azoxystrobin (Priori), difenoconazole (Score), propiconazole (Tilt), benomil (Benlate), trifloxystrobin+ ciproconazole (Sphere), flutriafol (Impact) e ciproconazole + propiconazole (Artea). Os fungicidas mais seletivos foram Palisade, Derosal, Aliette, Real, Opus, Condor e Orius. O Previcur N se comportou como estimulante do crescimento fúngico (Figs. 4 a 11). A maioria dos fungicidas com ação eficaz contra fer-

Figura 3: Detalhe de Pandora gammae, menos conhecida, mas também atua no controle biológico Figura 05

rugem (Godoy e Canteri, 2004) inibiram a germinação de N. rileyi. Os herbicidas mais nocivos foram Roundup Transorb, Ryvolt e Pivot, e os mais seletivos foram Roundup Original, Glifos, Arsenal, Scepter e Trop (Figs. 12 e 13). Os inseticidas que apresentaram maior compatibilidade com o processo de germinação de M. anisopliae foram o fipronil, lambda cialotrina e imidacloprid (Fig. 14). Por outro lado, a germinação dos conídios expostos por 4 h a suspensões de endossulfam ou de triclorfom ou à mistura de imidacloprid com beta-ciflutrina foi afetada. Inseticidas à base neem também apresentaram inibição do crescimento de N. rileyi (Vera & Sosa-Gómez, 2003). A lambda cialotrina teve efeito na concentração mais elevada ensaiada, 3,3 µl em 5 ml. Os fungos B. bassiana e M. anisopliae, de maneira diferente da observada para N. rileyi, não sofreram inibição de crescimento quando seu inóculo permaneceu em contato permanente com diferentes formulações de glyphosate (Figs 15 e 16). A germinação (%) de conídios de Metarhizium anisopliae sobre meio BDA, após exposição durante 4h a suspensões com diferentes inseticidas (concentrações em 5 mL de suspensão: Dissulfan 12,5 µl, Provado 17,3 µl, Dipterex 40 µl, Provado Duo 4,0 µl, Regent 6,25 mg, Regent b 3,1 mg, Regent c 1,7 mg, Karate Zeon 50 CS 0,8 1,7 e 3,3 µl, res-

Figura 06

Figura 07

Figura 08

pectivamente), é mostrada na Figura 14. Colunas com asterisco diferem significativamente da testemunha pelo teste de Dunnett (P= 0,05%). As comparações deverão ser realizadas com a testemunha (coluna branca) locali-


Cultura Soja

Milho Algodão Trigo

Cevada Laranja Mandioca Seringueira

Hospedeiro Anticarsia gemmatalis Pseudoplusia includens A. gemmatalis, P. includens e Rachiplusia nu Lagria villosa Diabrotica speciosa, Cerotoma arcuata Tetranychus urticae Bemisia tabaci biotipo B Bemisia tabaci biotipo B Spodoptera frugiperda Alabama argillacea Trichoplusia ni Pseudaletia sequax Metopolophium dirhodum e Sitobion avenae Metopolophium dirhodum e Rophalosiphum padi Metopolophium dirhodum e Sitobion avenae Phyllocoptruta oleivora Mononychellus tanajoa Leptopharsa heveae

zada à direita de cada série de experimentos. O crescimento de Beauveria bassiana (CNPSO-Bb19), em meio de cultura BD com

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Patógeno Nomuraea rileyi N. rileyi, Zoophthora radicans Paecilomyces tenuipes Batkoa sp Beauveria bassiana Neozygites sp. Paecilomyces fumosoroseus Aschersonia cf. goldiana N. rileyi N. rileyi Entomophthora aulicae Entomophthorales Pandora neoaphidis Entomophthorales Hisutella thompsonii Neozygites sp Sporothrix insectorum

Referência Corrêa & Smith (1975) Sosa-Gómez et al (2002) Sosa-Gómez (2002) Sosa-Gómez et al (2002) Alves 1998 Sosa-Gómez et al (2002) Sosa-Gómez et al. (1997) Lourenção et al. (1999) Valicente & Barreto (1999) Villani et al. (1984) Sosa-Gómez et al (2002) Pimenta & Smith (1976) Sosa-Gómez et al (2002) Lazzari (1985) Correia et al. (1992) Delalibera et al. (1992) Celestino & Magalhães (1986)

diferentes formulações de glyphosate (5 e 10 µL de produto comercial em 5 mL de meio líquido), pode ser visualizado na Figura 15, onde os tratamentos não diferem significativamente da testemunha pelo teste de Dunnett (P= 0,05%). Assim como o crescimento de Metarhizium anisopliae (CNPSO-Ma468) também, em meio de cultura BD com diferentes formulações de glyphosate, figura 16, (50 e 100 µL de produto comercial em 5 mL de meio líquido), onde os tratamentos Figura 09 não diferem significativamente da testemunha pelo teste de Dunnett (P= 0,05%). Para preservar o fungo N. Rileyi, as aplicações devem ser realizadas com fungicidas que apresentam seletividade, tais como Previcur, Palisade, Derosal, Aliette, Real, Opus, Condor e Orius. Os inseticidas Match e Provado inibem o crescimento Figura 10 em contato permanente com o fungos, mas são seletivos em condições de exposição temporária. Klap, Dimilin e Actara são os menos nocivos, existindo a possibilidade do uso conjunto com N. rileyi, devido à sua compatibilidade. Os inseticidas Provado, Regent e Karate são compatíveis com M. aniFigura 11 sopliae, o que possibilita sua utilização conjunta, sendo Dissulfan, Dipterex e Provado Duo incompatíveis. O efeito inibitório dos agroquímicos depende das espécies de fungos. As diferentes formulações de glyphosate apresentam efeito diferencial sobre o crescimento de N. rileyi, mas não sobre B. bassiana e M. anisopliae. Embora os métodos in vitro não Figura 12 representem as condições de campo

Charles Echer

Tabela 1 - Fungos entomopatogênicos de maior prevalência (provocando epizootias naturais) encontrados em sistemas agrícolas no Brasil

Daniel Gomez explica como os fungicidas podem interferir preservação dos inimigos naturais

e as múltiplas interações que existem nos ambientes naturais, as informações geradas por esses métodos permitem inferir quais produtos podem interferir sobre as populações desses microorganismos. Existem muitos sistemas agrícolas em que os entomopatógenos chaves são desconhecidos e identificados inapropriadamente. Portanto, existem grande demanda e desconhecimento sobre o impacto dos agroquímicos (ingredientes ativos e suas formulações). A maior parte da informação gerada tem sido in vitro para os fungos M. anisopliae, B. bassiana e N. rileyi, havendo necessidade de ampliar os estudos nos ambienC tes apropriados de cada cultura. Daniel Ricardo Sosa Gomez, Embrapa Soja

N

o detalhe das Figuras 1a e 1b, po dem ser visualizadas lagartas da soja mortas pelo fungo Nomuraea rileyi e estruturas reprodutivas do fungo N. rileyi, foto em microscopia ótica. A lagarta falsa medideira morta pelo fungo Zoophthora sp. (Figura 2), permanece aderida ao substrato pelas falsas pernas. Detalhe dos conídios, forma infectiva do fungo. Nas Figuras 4, 5, 6, 7 e 8 são apresentadas, respectivamente, as germinações de conídios de Nomuraea rileyi (CNPSO-Nr149) em meio SMAY, após a exposição a suspensões com fungicidas (Sportak, Palisade, Aliette, Real, Derosal e Previcur na concentração de 10 µl, ou 10 mg em 5 ml da suspensão de conídios, exceto Folicur, com 15 µl, e Kumulus, 50 mg em 5 ml). Médias com asterisco diferem da testemunha (Dunnett, P= 0,05%). Germinação de conídios de Nomuraea rileyi

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Concentração de produto comercial (µL ou µg em 5 mL) 10 mg 7,5 µL 25 mg 6,25 µL 10 e 25 µL 10 µL 10; 15 e 37,5 µL 10 e 12,5 µL 50 e 125 mg 25 e 30 µL 12,5 mg 10 e 25 µL 20 µL 10 e 100 µL 10 µL 10 µLScore 7,5 µL e 10 µL /5 10 µL 10 µL 10 µL 1,5 mg 40 µL 12,5 µL 0,8; 1,7 e 3,3 µL 17,3 µL 3,7 e 4,1 µL 1,7; 3,1 e 6,25 mg 5 µL 5,0 e 10,0 µL 5,0 e 10,0 µL 5,0 e 10,0 µL 5,0 e 10,0 µL 10 mg 5,0 µL 5,0 µL

Figura 14 Figura 15

Nome Técnico Fosetil Ciproconazole+ Propiconazole Benomil Bromoconazole Carbendazim Tetraconazole Tebuconazole Flutriafol Enxofre Epoxiconazole + pyraclostrobin Fluquiconazole Epoxiconazole Tebuconazole Cloridrato de propamocarb Azosystrobin Triticonazole Difenoconazole Triflosystrobin + ciproconazole Procloraz Propiconazole Diflubenzuron triclorfom endosulfan lambda-cialotrina imidaclopride imidacloprid+beta-ciflutrina fipronil Imazapyr Glyphosate Glyphosate Glyphosate Glyphosate Imazaquin Imazethapyr Glyphosate

Figura 16

Nome comercial Alliete PM Artea Benlate 500 Condor 200SC Derosal 500 SC Domark 100CE Folicur 200 CE Impact 125 SC Kumulus DF Opera Palisade PM Opus Orius Previcur N Priori Real 200 SC Score Sphere Sportak 450 CE Tilt Dimilin Dipterex 500 Dissulfan CE Karate Provado Provado Duo Regente 800 WG Arsenal Glifos Roundup original Roundup Transorb Ryvolt 480 Scepter 70DG Pivot Trop

Figura 13

Tabela 2 - Agroquímicos utilizados ou com potencial de utilização na cultura da soja

OS RESULTADOS OBTIDOS NA PESQUISA (CNPSO-Nr188) em meio SMAY após a exposição a suspensões com fungicidas (Impact 25 µL, Orius 20 µL, Real 200SC 10 µL e Palisade 12,5 mg em 5 mL da suspensão de conídios). Médias com asterisco diferem da testemunha (Dunnett, P= 0,05%), germinação de conídios de Nomuraea rileyi (CNPSONr304) em meio suspensões com fungicidas (10 µL em 5 mL da suspensão de conídios e Kumulus 50 mg em 5 mL da suspensão de conídios). Médias com asterisco diferem da testemunha (Dunnett, P= 0,05%), germinação de conídios de isolados de Nomuraea rileyi (Nr250, Nr418 e Nr422) sobre meio SMAY após exposição a suspensões com diferentes fungicidas (Benlate 25 mg, Kumulus 125 mg, Derosal 25 µL, Score 7,5 µL em 5 mL da suspensão de conídios). Médias com asterisco diferem da testemunha (Dunnett, P= 0,05%), germinação de conídios de Nomura-

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ea rileyi (CNPSO-Nr304) em meio suspensões com agroquímicos (Roundup Transorb 50 µL, Sphere 7,5 µL, Opera 12,5 µL, Artea 7,5 µL, Roundup Original 50 µL, Condor 20SC 6,25 µL, Opus 10 µL, em 5 mL da suspensão de conídios. Médias com asterisco diferem da testemunha (Dunnett, P= 0,05%). Na sequência, as Figuras 9, 10, 11, 12 e 13, respectivamente, que mostram o crescimento de Nomuraea rileyi (CNPSO-Nr166) em meio de cultura SMY com agroquímicos (Folicur: 37 µl, Opera 30 µL, Roundup Transorb 10 µL, Dimilin 45 mg cada 5 mL de meio de cultura líquido). Médias com asterisco diferem da testemunha (Dunnett, P= 0,05%), crescimento de Nomuraea rileyi (CNPSONr144) em meio de cultura SMY com fungicidas (Opera 25 µL, Opus 25 µL e Sphere 15 µL cada 5mL de meio de cultura líquido). Médias com asterisco diferem da testemunha (Dun-

nett, P= 0,05%), crescimento de Nomuraea rileyi (CNPSO-Nr170) em meio de cultura SMY com fungicidas (Condor 18,7 µL, Impact 12,5 µL, Opera 25 µL, Artea 7,5 µL e Orius 20 µL cada 5mL de meio de cultura líquido). Médias com asterisco diferem da testemunha (Dunnett, P= 0,05%), crescimento de Nomuraea rileyi (CNPSO-Nr175) em meio de cultura SMY com formulações de herbicidas (Pivot, Roundup Transorb, Roundup Original, Arsenal e Trop com 5 µL de produto comercial e Scepter com 10 mg cada 5 mL de meio de cultura líquido). Médias com asterisco diferem da testemunha (Dunnett, P= 0,05%), crescimento de Nomuraea rileyi (CNPSONr175) em meio de cultura SMY com formulações de glyphosate (5 e 10 µL de produto comercial cada 5 mL de meio de cultura. Médias com asterisco diferem da testemunha (Dunnett, P= 0,05%).

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Soja

Ação fungistática Dirceu Gassen

Observando-se os plantios sucessivos de soja na maioria das regiões produtoras do país, constata-se a necessidade de conhecer melhor os modos de ação dos defensivos agrícolas, devido à facilidade que o fungo, principalmente da ferrugem asiática, encontra para sua perpetuação

A

tualmente, tem-se notado um aumento na prática do uso de fungicidas no controle de doenças de plantas. Grandes culturas como soja, algodoeiro e milho têm recebido no campo pulverizações dessas moléculas, visando a reduzir o progresso de manchas foliares. Na nossa visão, isso tem ocorrido devido ao crescimento da agricultura brasileira (área e produtividade), a qual foi baseada no modelo da revolução verde, idealizada pelo biologista e agrônomo Dr. Norman Borlaug. Presume-se que o uso de sementes melhoradas (convencional ou biotecnológica) e de irrigação para duas safras ao ano têm possibilitado o maior uso dessas moléculas para esse modelo agrícola. Nesse caso, houve um rompimento das relações patógeno-hospedeiro, incrementando, assim, o uso dos fungicidas ou de produtos com efei-

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tos fungistáticos e/ou anti-esporulantes. Sistemas como o plantio direto, em algumas regiões do Sudoeste goiano e do Cerrado mineiro e mato-grossense, têm recebido recentes impactos de doenças novas ou ressurgentes, que, devido às perdas apresentadas, têm justificado o uso dessas moléculas. Como exemplo, podemos citar as epidemias da cercosporiose do milho, ocorridas no Sudoeste goiano em 1999/2000; a mancha de ramulária do algodoeiro, em Goiás, Mato Grosso e Bahia; e a ferrugem asiática, que atingiu, na safra de 2003/04, mais de vinte milhões de hectares, com perdas estimadas em quase três bilhões de dólares. Numa visão futura e holística, questionase: o que poderá acontecer nas próximas safras com o uso de cultivares de soja, milho e algodoeiro transgênicos? A resposta correta é

difícil de ser apresentada, mas o aumento da mancha olho-de-rã em soja, em soja RR, nos Estados Unidos, Argentina e Brasil, já mostra a “ponta do iceberg que começa a emergir”. A “ponte verde”, representada por culturas consecutivas e em sucessão no Brasil, tem permitido a perpetuação e a manutenção constante do inóculo junto ao hospedeiro. Nesse contexto, não temos outra alternativa a não ser conhecer melhor o modo de ação dos fungicidas sobre plantas e fungos, visando ao seu uso de forma sustentável e econômica, para não desequilibrar ainda mais esse sistema agrícola muito instável, embora, pela ótica agronômica, a produtividade tenha aumentado nos últimos anos. Podem-se citar, como exemplo, as epidemias da ferrugem asiática da soja, que têm sido freqüentes nas áreas de pivô central de Primavera do Leste, no Mato Grosso, le-

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Tabela 1 - Processos vitais dos fungos fitopatogênicos interrompidos por diversos fungicidas vando, assim, ao uso indiscriminado de fungicidas em algumas propriedades e grupos empresariais. Registraram-se, na presente safra (2004/05), até cinco aplicações de triazóis ou de suas misturas com estrobilurinas, sem lograr sucesso na prática, devido à alta pressão de inóculo. É amplamente visível o gradiente de dispersão do fungo a partir dos pivôs centrais. Em função desse fato, tem-se observado a redução do número de aplicações de fungicidas. Assim, se não houver um bom manejo do inóculo nessas áreas, através do rompimento das relações patógeno-hospedeiro, o atual modelo agrícola será insustentável.

MODO DE AÇÃO DOS FUNGICIDAS Quanto ao modo de ação, os fungicidas podem ser divididos em protetores e erradicantes e sistêmicos, quando se avalia a sua ação no alvo (planta). Os modernos fungicidas triazóis e as estrobilurinas apresentam interfaces para estes dois mecanismos, havendo triazóis desde extremamente seletivos e de alta translocação na planta até os menos seletivos e de baixa translocação. A relação entre a rápida translocação e a ação do fungicida na planta depende da liposolubilidade e da hidrosolubilidade deste. Entre as estrobilurinas, têmse as mais sistêmicas, como a azoxystrobina, e

Grupo químico Fungicidas Mecanismo de ação Enxofre Sulfurados Cadeia respiratória (transporte de elétrons) Cúpricos Cobres fixos Inativação de enzimas essenciais-Grupo SH da metionina Ditiocarbamatos Maneb, Zineb, Mancozeb Inativação de enzimas essenciais Nitrogenados heterocíclicos Captan, Captafol Inativação de enzimas essenciais Nitrilas Clorotalonil Inativação de enzimas essenciais Guanidina Dodine Permeabilidade de membranas Compostos aromáticos PCNB Permeabilidade de membranas Benzimidazóis Benomil, Tiofanato Metílico Inibição da síntese de DNA Oxatinas Carboxin, Oxicarboxim Inibição do oxigênio na cadeia de transporte de elétrons Organofosforados Kitazim, Ediphenphos Inibição da síntese de quitina Triazóis Tridimefon, Triadimenol, Propiconazole, Triciclazol Bloqueio na biossíntese de Ergosterol Acilalaninas Metalaxyl, Furalaxyl Inibição da biossíntese de RNA Morfolinas Tridemorph, Dodemorph Cadeia de transporte de elétrons

as mesostêmicas (acumulam-se na cutina), que são de liberação lenta para a planta, como a trifloxystrobina. Quanto ao modo de ação sobre fungos, têm-se os fungicidas protetores [cúpricos, estanhados, carbamatos, nitrilas (clorotalonil)], que atuam de forma inespecífica nas membranas dos fungos, inibindo a ação protéica e enzimática. Em algumas situações, os depósitos em excesso destes fungicidas podem causar fitotoxidade em plantas, principalmente quando são usadas misturas de tanque e na presença de óleos. Os benzimidazóis são fungicidas que atuam na divisão celular de fungos, interrompendo o ciclo mitótico. Na realidade, impedem a

USO DE FUNGICIDAS

O

s fungicidas são compostos quí micos de amplo uso no controle de doenças de plantas, alguns com ação protetora, e outros curativos e sistêmicos. Dentro desta classificação incluemse os indutores de resistência, que não agem como fungicidas inibidores do crescimento micelial e da esporulação.Os referidos compostos apenas induzem os sistemas de defesa da planta, pela produção de fitoalexinas e compostos fenólicos, que são letais a diferentes patógenos de plantas. Os atuais sistemas agrícolas do Brasil, cuja forma de desenvolvimento é baseada na revolução verde (cultivares melhoradas, irrigação e uso de pesticidas), têm maximizado a produção nos diversos cinturões do Brasil. Recentemente, tem-se observado a necessidade do maior input de fungicidas, nas culturas de soja, algodoeiro, milho, cafeeiro e hortaliças. Severas epidemias têm ocorrido no Brasil, como a cercosporiose do milho, a ferrugem da soja e a mancha de ramulária do algodoeiro, que têm desestabilizado os atuais sistemas de produ-

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ção. Esquemas de monitoramento de fitopatógenos, bem como do seu gradiente de dispersão, estão sendo estudados. Programas como o Syntinela SOS Soja e o Consórcio Nacional Antiferrugem têm permitido a sustentabilidade do agronegócio da soja, responsável pela estabilidade econômica do País e pelo desenvolvimento de novas fronteiras. Entre os diferentes modos de ação dos fungicidas, nas plantas e nos fungos, discute-se a necessidade do conhecimento dos diferentes modos de ação bioquímicos, de sua seletividade, do uso de adjuvantes para os diferentes sistemas de produção e da análise econômica de viabilidade de uso. Os cuidados no preparo da calda e a tecnologia de aplicação são também fundamentais para o sucesso das ações de campo. Não podemos dar a chancela a sistemas suicidas, como o plantio de soja na região de Primavera do Leste (MT), onde os pivôs centrais perpetuam constantemente o inóculo, causando um número excessivo de aplicações de estrobilurinas, triazóis ou suas misturas.

Tabela 2 - Taxas de progresso da ferrugem asiática em função do controle preventivo ou curativo com fungicidas aos 40 dias após a inoculação da ferrugem Produto Nome Técnico 1 Azoxystrobin1 Difeconazole 2 Epoxiconazole + Pyraclostrobin 3 4 Flutriafol Tebuconazole 5 Tetraconazole 6 Azoxystrobin + Cyproconazole2 7 Carbendazim 8 Azoxystrobin3 9 Difeconazole4 10 Myclobutanil 11 Testemunha 12 1, 2 3, 4

V2 0,5 0,5 0,2 0,1 0,2 0,1 0,0 0,6 0,5 0,0 0,1 1,4

V4 0,3 0,2 0,0 0,1 0,0 0,0 0,0 0,6 0,4 0,1 0,0 1,4

V6 0,2 0,3 0,7 0,4 0,2 0,2 0,2 0,4 0,1 0,2 0,5 1,4

Adição de Nimbus a 0,5%. Adição de Silício solúvel foliar a 30% (200 mL 100 L-1 de água).

Tabela 3 - Custo de uma aplicação de fungicida em lavoura de milho utilizando-se o pulverizador autopropelido JD4700 – Rendimento operacional: 50 ha h-1. UFU, Uberlândia, 2002 Fungicida Mancozeb 800 Azoxystrobina Difeconazole Propiconazole

R$ ha-1 61,36 78,33 72,27 48,54

Custo Sc (60 kg ha-1)* 4,99 6,37 5,88 3,95

Produtividade kg ha-1 299,4 382,2 352,8 237,0

Tabela 4 - Perdas de produtividade da soja em função dos níveis de incidência e severidade da ferrugem asiática* Incidência 0% 57% 97% 100%

Severidade 0% 1-3% 12% 25%

Perdas de produtividade 0 sacas/ha 2,1 sacas/ha 10, 9 sacas/ha 25 sacas/ha

formação da placa metafásica durante a divisão celular. Os primeiros e os mais modernos triazóis atuam na formação do ergosterol, que é um importante lipídio fúngico para a formação da membrana das células. A ausência dessa camada leva ao colapso da célula fúngica (micélio) e à interrupção do crescimento micelial (corpo fúngico). As acilalaninas, que atuam em espécies do

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Figura 1 - Regressão linear entre AACPD e produtividade (kg ha-1) para os fatores híbridos, fungicidas e épocas. Montividiu (GO), 2001. Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2002 boa cobertura de gotas no interior das plantas; • Em solos com baixa disponibilidade hídrica, ou em plantas sob estresse hídrico, devese ter cautela com o uso de fungicidas triazóis, principalmente em mistura com nitraTabela 5 - Médias de AACPD (área abaixo da curva de progresso de doença) da severidade de ferrugem asiática, em diferentes linhagens e cultivares de soja, com diferentes níveis de resistência horizontal

Equação de Regressão: Produção = 7971,8 - 2,129 x AACPD Coeficiente de Correlação: r = -0,6934 Coeficiente de Determinação: R2 = 0,4808

reino cromista (míldios), são inibidores da síntese ou da formação de proteínas. Desse modo, agem tanto na fase de formação do esporângio quanto na liberação dos zoósporos. Como exemplo, tem-se o patossistema da requeima do tomateiro, no qual, apesar das características curativas do fungicida, as aplicações preventivas têm permitido maior sucesso nas culturas do tomate e da batata. Para a ferrugem asiática da soja, apesar do aspecto curativo dos triazóis, as aplicações preventivas também têm permitido maior sucesso no controle da doença. Presume-se que sobre doenças com elevada taxa de progresso, como as duas mencionadas, as aplicações preventivas ou subseqüentes aos primeiros sintomas são as mais adequadas. A prevenção ainda é a melhor forma de controle, pois aplica-se o conceito da proteção

de plantas. Dessa forma, a menor pressão de seleção na população do patógeno permite menor risco de aparecimento e multiplicação das formas resistentes em patógenos com alta mutabilidade vertical. A Tabela 1 apresenta alguns dos princípios e modos de ação dos fungicidas. A Tabela 2 apresenta a taxa de progresso da ferrugem asiática em relação ao uso preventivo (estádio fenológico - V2) e curativo de fungicidas (estádios fenológicos V4 e V6) Nas recomendações de campo, alguns cuidados devem ser tomados em relação aos fungicidas: • As aplicações preventivas sempre logram mais sucesso que as curativas; • Não se devem usar fungicidas em altas populações de fitopatógenos, pois o risco da seleção de mutantes resistentes é maior; • Em patossistemas que evoluem das folhas inferiores para as superiores, a proteção e a tecnologia de aplicação devem propiciar uma

Figura 2 - Impacto de diferentes fungicidas em diferentes híbridos na cultura do milho

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Cultivares IAC PL 1 Dedini Monarca Kaiabi M-soy 7900 Sol M-soy 9001 Vencedora Uirapuru IAC 22 Tucunaré Tabarana Xingu Linhagem 15 Mutum Caiapônia Guaporé Zamboni Carrera Liderança IAC 20 Mineiros Pétala Perdiz M-soy 8200 M-soy 8870 M-soy 8222 Sambaíba IAC 17 IAC 19 Tucano Elite Splendor DM 339 Coodetec 208 IAC 26 IAC 24 Pintado Luziânia IAC 18 Riqueza IAC 23 Nambu Arara Azul Conquista Emgopa 313 M-soy 8211 Linhagem 16 Fortuna (UFU 801) Média geral CV(%)

Médias 2.458 a 2.372 ab 2.280 abc 2.247 abc 2.234 abc 2.233 abc 2.227 abc 2.207 abc 2203 abc 2.182 abc 2.118 abc 2.107 abc 2.082 abc 2.078 abc 2.059 abc 2.053 abc 2.048 abc 2.047 abc 2.036 abc 2.035 abc 2.027 abc 2.011 abc 1.995 abc 1.969 abc 1.962 abc 1.960 abc 1.953 abc 1.944 abc 1.927 abc 1.926 abc 1.913 abc 1.900 abc 1.884 abc 1.876 abc 1.862 abc 1.831 abc 1.815 abc 1.804 abc 1.801 abc 1.795 abc 1.789 abc 1.789 abc 1.757 abc 1.755 abc 1.687 abc 1.680 abc 1.643 abc 1.350 abc 1.297 c 1.951 2,75

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Charles Echer

tos ou cloreto de potássio, pois o risco de fitotoxicidade nas plantas é maior; • Aplicações de fungicidas triazóis de elevada absorção pelas folhas, ou que são de rápida entrada e menor translocação, devem ser usadas com cautela nas horas mais quentes do dia e em misturas com formulações oleosas de inseticidas; • O uso global de fungicidas em grandes áreas deve ser bem dimensionado em relação à tecnologia e à disponibilidade de máquinas para o produtor, evitando, assim, o controle curativo; • Tem-se confirmado de forma sucessiva e eficaz o uso de formulações de silício para aplicações foliares, que têm apresentado interação sinérgica com os modernos fungicidas sistêmicos e maximizado, assim, a sua ação na planta em diversos patossistemas; • O uso de fungicida deve ser preconizado quando este promover retorno econômico. A Tabela 3 apresenta uma análise econômica do uso de fungicidas triazóis e estrobilurinas na cultura do milho e o seu impacto na produção. Pela tabela nota-se que a produtividade deve ser superior a 250 kg/ha para que uma aplicação de fungicida na cultura seja justificada.

O QUE SÃO FUNGICIDAS

O

Efeito de toxicidade de cobalto, quando aplicado além da dose máxima recomendada

Na Tabela 3, nota-se que a produtividade em diferentes híbridos de milho tem sido reduzida acima de 250 kg ha-1, justificando o uso de fungicidas entre os 45 e 60 dias da cultura, mesmo em híbridos mais resistentes, conforme observado na figura 2. A principal razão para esta premissa é a ocorrência de diferentes patossistemas nas diferentes áreas de produção no Brasil, em locais de alta pressão de inóculo. A Tabela 4 apresenta diferentes níveis de perdas de produtividade pela ferrugem da soja após

s fungicidas são compostos químicos empregados no controle de doenças de plantas causadas por fungos, bactérias ou algas. Alguns compostos químicos não matam os fungos, mas inibem o seu crescimento temporariamente. Tais compostos são chamados de fungistáticos. Alguns produtos químicos inibem a produção de esporos sem afetar o crescimento das hifas no interior dos tecidos e, nesse caso, são chamados anti-esporulantes. Bactericidas e antibióticos com ação fungicida estão, implicitamente, incluídos no conceito. a sua introdução no Brasil, com base em diferentes níveis de incidência e severidade em 40 ensaios de campo. Na Tabela 5 são apresentados diferentes genótipos de soja e seus níveis de resistência horizontal (parcial), que poderão definir o número de aplicações de fungicidas de forma mais econômica e racional C na cultura. Fernando César Juliatti, UFU


Capa

Pequeno devorador A rotação de culturas, associada a plantas-isca e ao controle químico, são estratégias para amenizar os danos irreversíveis causados às plantas tanto pelas larvas quanto pelos adultos do tamanduá-da-soja

O

Fotos Embrapa Soja

coleóptero Sternechus subsignatus, vulgarmente chamado de “tamanduá-da-soja”, “bicudo-da-soja” ou “cascudo-da-soja”, foi observado pela primeira vez em lavouras de soja, no ano de 1973. Porém, somente a partir do início da década de 80 passou a preocupar os agricultores, especialmente em algumas áreas tradicionais de cultivo de soja no RS, SC e PR. No final da década de 90, o inseto atingiu outras áreas de soja do Brasil, sendo hoje encontrado numa área expressiva de soja no Oeste da Bahia. Neste estado, na última safra, na região agrícola denominada Coaceral (município de Formosa do Rio Preto), próxima à fronteira com o Piauí, observou-se que, dos seus 57 mil ha de soja, 40 mil ha estavam infestados com o tamanduá-da-soja, e em 70% da área ocorreram perdas médias entre 20 e 40 sacas/ha. Os maiores ataques têm sido verificados nas regiões com temperaturas mais baixas, especialmente à noite, e, nestas, onde é feita a semeadura direta da soja. Como tanto o adulto quanto a larva

Detalhe da larva de tamanduá dentro da galha caulinar, constituída por tecidos ressecados

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danificam a planta, o potencial de danos é grande, principalmente quando a população é alta na fase inicial da cultura. Nessa situação, pode haver perda total da lavoura.

DANOS Para se alimentar, o adulto raspa o caule e desfia os tecidos. Quando atinge a gema apical, no início do crescimento da planta, o dano é irreversível, diminuindo a população de soja da área. As larvas alimentamse da medula da haste principal e provocam o surgimento da galha, a qual dificulta a circulação da seiva, fazendo com que a planta se torne frágil, podendo quebrar sob a ação do vento e da chuva.

MANEJO INTEGRADO O controle do tamanduá-da-soja é difícil, porque o inseto possui características que lhe permitem escapar, mesmo após a aplicação de produtos químicos, e sobreviver. As larvas em desenvolvimento ficam protegidas dentro do caule. Os adultos, durante o dia, ficam escondidos nas partes baixas das plantas de soja, entre as folhas ou na palhada da cultura anterior; as larvas ‘maduras’ hibernam no solo, onde também se localizam as pupas. Além disso, o prolongado período de emergência e a migração dos adultos de áreas vizinhas diminuem a eficácia do controle químico. A rotação de cultura é a técnica mais eficiente para o manejo adequado do tamanduá-

ASPECTOS BIOLÓGICOS E COMPORTAMENTAIS

O

s adultos são gorgulhos de aproximadamente 8 mm de comprimento, coloração preta e listras amarelas, formadas por pequenas escamas, na parte dorsal do tórax, próxima da cabeça (pronoto) e nas asas duras (élitros). Para realizar a postura, a fêmea faz um anelamento na haste principal, cortando toda a epiderme (casca). Eventualmente, são encontrados ovos nos ramos laterais e até nos pecíolos. Os ovos têm coloração amarela e são postos em orifícios protegidos pelas fibras do tecido cortado por ocasião do anelamento. Aproximadamente três dias após a postura, ocorre a eclosão das larvas, que têm o corpo cilíndrico, levemente curvado (curculioniformes), desprovido de patas e com coloração branco-amarelada; a cabeça tem cor castanho-escura. Na fase ativa, isto é, enquanto es-

tão se alimentando, as larvas ficam no interior da haste principal, na região do anelamento realizado pela fêmea para a postura. À medida que crescem, ocorre um engrossamento do caule, formando uma galha caulinar, estrutura constituída por tecidos ressecados, cujo diâmetro ultrapassa o da haste da planta. Durante a fase larval, o inseto passa por cinco instares. No quinto instar, o inseto vai ao solo, onde entra em hibernação em câmaras, localizadas a profundidades variáveis, mais comumente entre cinco e 10 cm, podendo, porém, serem encontradas em até 20 cm. Nessa fase, as larvas não se alimentam e permanecem na câmara até o início da próxima safra, quando, então, se transformam em pupas e, em seguida, nos adultos. A pupa é branco-amarelada do tipo livre e, quando vista dorsalmente, mostra os primórdios das asas.

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Dirceu Gassen

Tabela 1 - Comportamento de S. subsignatus em espécies vegetais para rotação de cultura ou cultura armadilha. (Fontes: Hoffmann-Campo et al. 1996, Embrapa-CNPSo. Documentos, 99, p.428-432; Lorini et al. 1997, Embrapa-CNPT. Documentos, 40, 38p.; Silva 1997, Ciência Rural 27:537-541) Espécie de planta Não Hospedeira Milho Sorgo Girassol Milheto Crotalária Sesbânia Caupi Fedegoso

Hospedeira Não-Preferencial Mucuna Leucena Feijão Adzuk

Preferencial Soja Feijão Lab-lab Guandu-anão

Tabela 2 - Inseticidas químicos e doses registrados para o controle de S. subsignatus

da-soja, mas sempre associada a outras estratégias, como as plantas-isca e o controle químico em bordadura de lavoura. Nos locais em que, na safra anterior, foram observados ataques severos do inseto, antes de planejar o cultivo da safra de verão seguinte, o grau de infestação deve ser avaliado, preferencialmente na entressafra, entre maio e setembro. Para cada 10 ha, devem ser retiradas quatro amostras de solo, centradas nas antigas fileiras de soja, com 1 m de comprimento, com largura e profundidade de uma

Galha, constituída por tecidos ressecados, onde as larvas se encontram no interior

pá de corte. Após a observação cuidadosa da amostra, será realizada a contagem do número de larvas hibernantes. Se, na média, forem encontradas de três a seis larvas hibernantes/ m2 (quatro amostragens), existe a possibilidade de, no mínimo, um ou dois indivíduos atingirem o estádio adulto, podendo causar uma quebra de sete a 14 sacas de soja por hectare, na safra seguinte. Nesse local, a soja

Produto Dose Ingrediente Ativo Comercial Produto Comercial deltametrina Decis 50 SC 150 ml/ha fipronil Standak 250 SC 200 mL/100 kg semente metamidofós Tamaron BR 480 mL/ha tiametoxam1 Cruiser 700 WS 100 mL/100 kg semente 1

Produto não recomendado pelas Comissões Regionais de Pesquisa de Soja

deve ser substituída por espécie não hospedeira (Tabela 1), na qual o inseto não se alimente, ou por espécie hospedeira não preferencial, na qual o inseto se alimente em menor intensidade. Em todas essas espécies, o inseto não se desenvolve e, conseqüentemen-


CICLO BIOLÓGICO

O

inseto tem uma geração por ano, a partir de outubro, quando os primeiros adultos surgem no campo. Esses, na região tradicional de cultivo, atingem o pico populacional no final do mês de dezembro, podendo serem observados, esporadicamente, até a maturação da soja. Os primeiros ovos são encontrados em novembro ou dezembro (dependendo da época de semeadura), e, alguns dias após, já se observam as larvas, que ocorrem durante todo o ciclo da soja, em idades variáveis. Em Mauá da Serra (PR), as larvas começam a hibernar no solo, a partir de fevereiro, mas no RS podem iniciar a hibernação ainda em janeiro, permanecendo nesta condição até o final de novembro; as primeiras pupas são encontradas a partir de outubro. te, interrompe o seu ciclo biológico. Para aumentar a eficiência de controle, a espécie não hospedeira ou hospedeira não preferencial deve ser circundada por hospedeira preferencial (planta-isca). Desse modo, ao atra-

Tabela 3 - Larvas hibernantes no solo (profundidade de 0,3m), encontradas após o milho e a soja do segundo período de cada experimento, danos de S. subsignatus e produtividade de plantas de soja do último período de cada experimento, nos sistemas de rotação de culturas com milho e soja (S-M-S) e monocultivo da soja (S-S-S). (Fonte: Silva 1996, Ciência Rural 26: 1-5) Tratamentos

S-M-S S-S-S S-M-S S-S-S S-M-S S-S-S

Larvas no % Plantas Produtividade de solo (m2)1 atacadas (m)2 grãos (kg/ha) 2 1987/88/89 (Experimento I) 0,0 b3 19,5 b 2399 a 16,0 a 33,0 a 1597 b 1988/89/90 (Experimento II) 0,0 b3 2,5 b 1589 a 23,0 a 31,8 a 752 b 1989/90/91(Experimento III) 0,0 b3 3,3 b 3010 a 14,0 a 30,8 a 1507 b

Amostras feitas no outono-inverno de 1989 (Exp. I), 1990 (Exp. II) e 1991 (Exp. III). Amostras feitas na soja 1989/90 (Exp. I), 1990/91 (Exp. II) e 1991/92 (Exp. III). Médias não seguidas da mesma letra, nas colunas, diferem significativamente entre si ao nível de 5% de probabilidade, pelo teste – t. 1 2 3

ir e controlar os insetos na bordadura da lavoura, antes de eles infestarem o restante da lavoura, o produtor pode utilizar na semeadura um inseticida químico em tratamento de sementes ou, então, pulverizar um inseticida apenas numa faixa (bordadura) de, aproximadamente, 25 m. O controle através de pulverização nas bordaduras deve ser feito nos meses de novembro e dezembro, quando a maior parte dos adultos sai do solo, e repetido

sempre que o inseto atingir os níveis de dano econômico, conforme a fase da cultura. O controle do inseto justifica-se quando, no exame de plantas de soja com duas folhas trifolioladas, for encontrado um adulto por metro de fileiras de soja, incluindo a face inferior das folhas e o caule. Com cinco folhas trifolioladas (próximo à floração), a cultura tolera até dois adultos por metro linear. As pulverizações noturnas, entre 22 e 2 h, são mais eficientes, pois a maioria dos adultos, nesse período, se encontra na parte superior das plantas, em acasalamento. As pulverizações não devem ser realizadas no período entre 8 e 18h, pois o inseto se encontra escondido, no solo sob a palhada ou no terço inferior da planta, protegido pelas folhas. A escolha dos inseticidas deve ser feita dentre os produtos registrados para o controle do inseto (Tabela 2), e o mesmo ingrediente ativo não deve ser utilizado em duas aplicações sucessivas, para prevenir o surgimento de resistência do inseto àquele produto químico. A utilização de planta-isca pode ser associada aos controles químico e mecânico, eliminando as larvas presentes nas plantas, com roçadeira, antes de elas entrarem em hibernação no solo. Isso deve ser feito cerca de 45


FATORES LIMITANTES AO INSETO Dentre os fatores limitantes ao inseto, destaca-se o efeito adverso do déficit hídrico, ou seja, a estiagem durante a safra de soja. Esse fator pode ser limitante quando coincide com a entrada das larvas no solo e da emergência dos adultos do solo. Em períodos de estiagem, também as larvas podem sofrer estresse nutricional ao se alimentarem de plantas que, com a seca, retardam o seu desenvolvimento, principalmente pela baixa assimilação de nutrientes, ocasionando queda na qualidade do alimento, dando origem a adultos de menor massa corporal resultante. Ainda, em geral, insetos com menor ganho de peso apresentam uma menor sobrevivência no inverno, pois nesse período comprometem grande parte de sua energia. Assim, as fêmeas podem apresentar menor fecundidade, e os adultos, menor capacidade migratória. Adicionalmente, por inadequação nutricional, parte da população pode não completar a fase larval, não conseguir abandonar a planta, não penetrar no solo e não construir a câmara larval e, conseqüentemente, morrer. Assim, áreas de lavoura que, na safra passada, sofreram com a estiagem poderão resultar em menor infestação do inseto para a próxima safra de soja, tornando a

Charles Echer

dias após a observação dos primeiros ovos nas plantas. Na região Norte do Paraná, não havendo atraso na semeadura, as plantas podem ser eliminadas até meados de janeiro. O preparo do solo, isoladamente, como medida de controle, não é recomendado. Porém, quando essa técnica for utilizada para o controle de doenças, e altas populações de larvas hibernantes ou pupas tenham sido registradas em sua lavoura, o agricultor deve considerar que a maioria das larvas (90%) hibernam entre cinco e 15 cm de profundidade. Portanto, implementos que revolva o solo superficialmente não serão úteis na redução de populações do tamanduá-da-soja. Resultados de pesquisas de manejo do tamanduá-da-soja mostram que o percentual de plantas mortas e danificadas é significativamente menor, e a produtividade, maior, ao final do período de rotação soja-milho-soja, quando comparado ao monocultivo soja-sojasoja (Tabela 3). Adicionalmente, existe a vantagem de reduzir, drasticamente, a população de larvas hibernantes nas áreas de milho. Portanto, essa técnica é altamente recomendada, para sistemas equilibrados de produção, e essencial, em áreas com ataques freqüentes do tamanduá-da-soja.

Efeito de toxicidade de cobalto, quando aplicado além da dose máxima recomendada

inspeção da lavoura, ainda antes do plantio, uma decisão inteligente, pois poderá levar o agricultor a economizar com inseticidas aplicados nas sementes nas áreas sem indivíduos no solo, ou com baixa população de larvas C ou pupas no solo. Mauro Tadeu Braga da Silva, Fundacep/Fecotrigo Clara Beatriz Hoffmann-Campo, Embrapa Soja Marco Antonio Tamai, FundaçãoBA


Soja Ferrugem e doenças de final de ciclo são os principais alvos do Artea

O

tância dessas doenças, e o resultado da adoção desta tecnologia mostra, cada vez mais, expressivos resultados de retorno pela sua utilização. Dentre as doenças mais importantes merecem destaque o Oídio da soja, causado pelo fungo Mycrosphaera diffusa; o complexo de Doenças de Final de Ciclo (DFC), fruto do ataque de Septoria glycines, e de Cercospora kikuchii; Mancha Alvo, causada por Corynespora cassiicola; e a Mela, resultado da infestação pelo fungo Rhizoctonia solani. Com a ocorrência da Ferrugem Asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi e identificada pela primeira vez no país em 2001, a adoção do uso de fungicidas para o controle desta e de outras doenças foi intensificada no Brasil. O motivo foram as significativas perdas de produtividade que a Ferrugem pode provocar. Esta doença causa níveis de dano variáveis, mas bastante preocupantes. Dependendo da época e severidade de ocorrência, das condições climáticas predominantes e da cultivar avaliada, se obtém maiores ou menores perdas, que podem chegar próximo a 70%. (Yorinori et al, 2002; Godoy e

Divulgação

avanço da produção de soja no Brasil levou esta cultura a um patamar de extrema importância para o desenvolvimento econômico e social do nosso país. Isso foi possível pela capacitado pela implementação de novas e modernas tecnologias desenvolvidas por instituições brasileiras de pesquisa oficiais e privadas. Também foram importantes as habilidades, coragem, competência e capacidade dos técnicos e produtores brasileiros, que alcançaram esse patamar no Brasil, além tornar a cultura uma referência mundial. Um dos fatores que muitas vezes limitam a obtenção de tetos máximos de produtividade de soja tem sido as doenças que atacam esta cultura, e que são responsáveis por perdas expressivas de produção caso não sejam manejadas adequadamente. Dentre os diferentes métodos de controle e manejo de doenças em soja, a utilização de fungicidas vem sendo empregada no Brasil de forma mais expressiva desde meados da década de 90. A utilização desses produtos tem crescido paralelamente ao aumento na impor-

Rápida absorção e translocação pelos tecidos da planta são determinantes para um eficiente controle da ferrugem asiática da soja

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Furlan 2004; Nunes Junior et al, 2004; Balardin, 2004; Juliatti, 2004; Yorinori, 2004; Correa, 2004). A utilização de fungicidas para o controle de doenças da soja, tem aumentado, visando principalmente o controle da ferrugem asiática, uma vez que, se não controlado, esse fungo pode ocasionar grandes danos na lavoura. Um dos grupos químicos mais usados para controle da ferrugem asiática é o grupo dos triazóis. As misturas de triazóis com estrubirulinas também são bastante utilizadas, pois proporcionam um maior espectro de ação para os fungos infectantes dessa cultura. Características como a rápida absorção e translocação pelos tecidos da planta de soja, embora não sejam as únicas, são determinantes para que um determinado fungicida Triazol tenha alta eficácia no controle do fungo da ferrugem colonizando o tecido verde da planta ou em vias de. Portanto, os triazóis com boa absorção pela planta e boa mobilidade no seu interior são os produtos que têm conferido melhor controle sobre este fungo, assim como um maior efeito residual sobre o mesmo. Em contrapartida, fungicidas triazóis com menor mobilidade no interior da planta, em geral têm demonstrado melhor potencial de atuar mais fortemente sobre as DFC, embora com ação também sobre ferrugem, porém de forma um pouco menos expressiva. Estas características de absorção e mobilidade são conferidas por características físico-químicas dos produtos e também por suas respectivas formulações. Um equilíbrio positivo dessas características em um único fungicida foi alcançado pela Syngenta Proteção de Cultivos com a mistura de duas de suas moléculas de triazóis em uma única formulação, que deu origem ao Artea. O objetivo da pesquisa de desenvolvimento foi buscar o balanço adequado das desejadas características físico-quimicas de cada triazol, somados pelas características particulares de

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cada molécula para atender as necessidades do sojicultor brasileiro. O produto Artea é uma mistura que contém 250g/L de propiconazol mais 80g/L de ciproconazol, totalizando 330g/L de ingrediente ativo. Artea é o primeiro fungicida registrado no Brasil para o controle de ferrugem asiática da soja que possui dois triazóis. O propiconazol (marca comercial: Tilt) é um consagrado especialista no controle de manchas foliares e oídios em diversas culturas, como por exemplo trigo. Já o ciproconazol, (marca comercial: Alto 100), é um dos mais ativos fungicidas para o controle das Ferrugens em diversas culturas, como por exemplo no café e no trigo. Com potencial para controlar as principais doenças em soja, o Artea possui registro para Ferrugem Asiática, com boa ação sobre a doença já estabelecida. Entretanto, para evitar perdas de produtividade, o Artea é recomendado para o controle preventivo da ferrugem, ou, no máximo, nos primeiros sintomas, como os demais produtos indicados para essa doença. O Artea tem como benefícios a confiabilidade de um controle robusto da Ferrugem Asiática da soja; confere a tranqüilidade de uma proteção mais prolongada da lavoura

Propiconazol Ciproconazol Artea Tebuconazol Flutriafol

Manchas Foliares ++++ ++ ++++ +++ ++

Razoável + +

Bom + + +

Ferrugens ++ ++++ ++++ ++++ ++++

Oídios ++++ ++++ ++++ ++ ++++

Janice Ebel

Atividade Relativa do Triazóis

Excelente + + + + Fonte: Syngenta, 2005

contra esta doença, e mais a conveniência dada pela combinação de dois fungicidas triazóis, onde um é especializado no controle de manchas foliares e o outro em ferrugem, e ambos em oídio. Proporciona, desta maneira, amplo espectro de controle de doenças. Outra característica importante desta formulação é o baixo índice de dano que causa à soja. Dados de pesquisa da própria Syngenta e de outros pesquisadores de instituições de pesquisa oficial e privada independentes comprovam a seletividade do produto. Artea é recomendado para o controle de ferrugem asiática através de equipamentos aéreos ou terrestres. Todavia, para melhor aproveitamento dos benefícios do produto, são necessários observar todos os parâmetros referentes as boas práticas de uma pulverização de fungicida. A qualidade da aplicação é um fator fundamental para obtenção de sucesso no resultado de uma pulverização. Isso é especialmente importante no caso da ferrugem

Milto Facco é gerente regional Sul de suporte técnico da Syngenta

asiática, cujos primeiros sintomas sempre aparecem nas folhas inferiores das plantas, local onde o fungicida deve ser aplicado em quantidade adequada. Para obtenção do máximo aproveitamento da aplicação de Artea, todo produtor deve consultar sempre um engenheiro agrônomo ou técnico para obter todas as informações necessárias e úteis para o bom proveito desta ferramenta. C Milto Facco, Syngenta


Especial

Negócios

Farm Progress Show

A Agritours Brasil levou mais de 50 pessoas, divididas em dois grupos, para a 52 edição do Farm Progress Show, realizado de 30 de agosto a 01 de setembro, em Decatur, Illinois, nos Estados Unidos. O evento é considerado a maior feira dinâmica de máquinas agrícolas do mundo. Neste ano, 507 expositores apresentaram seus produtos na parte estática numa área de 290 hectares, sendo que 90 deles foram destinados à demonstrações dinâmicas de máquinas. Seguindo a tradição, o evento foi realizado no cinturão do milho, o Corn Belt, alternando-se entre os estados de Iowa, Illinois e Indiana. Numa mudança estratégica, visando o conforto dos visitantes, com uma estrutura mais persistente, o FPS terá bases fixas por 20 anos, dividindo-se bienalmente entre Iowa e Illinois (sendo que Illinois e Indiana operam juntos). Um dos grupos de brasileiros, agenciados pela Agritours Brasil, era formado por produtores de milho da Dekalb e Agroceres, premiados pela empresa com a viagem, pelo desempenho obtido na produção de milho. O outro grupo era formado por produtores, empresários e engenheiros agrônomos. Além de participar do Farm Progress Show, os dois grupos visitaram fazendas modelos em diversos estados dos EUA. A Agritours Brasil já está formando um novo grupo, que participará da Feira Agri Technica, na Alemanha, no início de novembro.

Tecnologia para cana A Monsanto apresentou aos produtores de cana-deaçúcar de Sertãozinho (SP) e região seu herbicida Roundup Transorb®, agora com registro para culturas perenes. Os visitantes da XIII Feira Internacional da Indústria Sucroalcooleira (Fenasucro) puderam conhecer a ação diferencial da tecnologia Transorb ®, eficiente na eliminação da soqueira e no combate às plantas daninhas que competem com a cultura da cana. A exclusiva tecnologia Transorb ®, desenvolvida pela Monsanto, faz com que o herbicida apresente maior velocidade de ação, sendo mais rápido que outros dessecantes. Sua translocação em 60 minutos também reduz o risco de perda em condições adversas como chuva e stress, além de acumular mais produto na raiz da planta daninha.

Rodrigo Marcatto

Fundação comemora seis anos A Fundação Pró-Sementes de Apoio à Pesquisa, de Passo Fundo (RS), comemorou em agosto seis anos de existência. Durante o evento comemorativo a Fundação entregou o troféu destaque do agronegócio a pesquisadores responsáveis

Narciso Barison

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pela criação de novas cultivares de aveia preta, soja, trigo e triticale e, também pela produção de semente genética e básica dessas cultivares. Os pesquisadores assumem um papel importante e fundamental, sendo que eles são os grandes responsáveis pelo desenvolvimento de novas tecnologias, destaca Narciso Barison Presidente da Fundação. Outro momento importante para crescimento da instituição foi oficializado durante a cerimônia, onde a Cotrijal ingressou como Membro Participante da Fundação Pró-Sementes. Na oportunidade o presidente da instituição, Narciso Barison Neto, recebeu das mãos do presidente da Cotrijal, Nei César Mânica, a carta com o pedido de admissão da cooperativa. “Esse é um momento importante que não poderia deixar de se comemorar. A entrada da Cotrijal representa para nós muita expressividade e crescimento”, afirmou Bari-

son. Autoridades como o prefeito de Passo Fundo, Airton Dipp e o Chefe Geral da Embrapa Trigo, Aliomar Gabriel da Silva, destacaram durante a solenidade a representatividade dessa nova parceria para o sistema produtivo do país.

Nei César Mânica

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Cana-de-açúcar

Fotos Divulgação

Supressão de efeito Pesquisa avalia compatibilidade de herbicidas utilizados na cultura de canade-açúcar, com o fungo entomopatogênico Metarhizium anisopliae amplamente empregado no controle biológico da cigarrinha-da-raíz

H

á muito tempo a pesquisa agronômica demonstra, que o controle das plantas daninhas nos mais diversos agroecossistemas é primordial para o sucesso da produção das culturas. Todo o desenvolvimento tecnológico da cultura seja nos aspectos nutricionais, fitotécnicos ou no seu melhoramento, podem ser comprometidos se as plantas daninhas não forem controladas. Devido ao seu lento crescimento inicial, a cana é sensível à competição das plantas daninhas. Nesse sentido, numerosas investigações foram realizadas por pesquisadores estrangeiros e nacionais. No Brasil, trabalhos de Azzi & Fernandes (1968, 1970), Blanco et al. (1979, 1982), Graciano & Ramalho (1982), determinaram perdas de até 85% no peso dos colmos; além disso, definiram que o período crítico de competição para a cultura corresponde do 30º ao 60º dia e do 15º até 70º dia após a emergência da cana-de-açúcar, para os plantios de verão e primavera, respectivamente. O controle das plantas daninhas é realizado pela combinação de diversos métodos como

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preventivo, cultural, capinas e químico, neste, com o uso de herbicidas. Segundo Ferreira (2000), em 1996 as culturas que mais utilizaram herbicidas no Brasil foram: a soja com 47,3%, e a cana-de-açúcar 18,5%, dessas, possivelmente, a que apresenta maior probabilidade de problemas de permanência de moléculas herbicidas no solo por um tempo além do desejável (persistência), deverá ser a cana-de-açúcar por ser uma

Testes mostram diferentes produtos, utilizados por produtores, e sua seletividade quanto aos fungos entomopatogênicos

cultura extensiva e utilizar produtos de longo efeito residual. Esta cultura utiliza prioritariamente herbicidas residuais: das 37 moléculas registradas no Brasil, 34 são herbicidas residuais de aplicação em pré-plantio e/ou de pré-emergência da cultura, isto é, de aplicação diretamente sobre o solo sem vegetação (Rodrigues & Almeida, 1998). Diversas pesquisas mostraram que vários herbicidas utilizados na cultura de cana-deaçúcar, persistem no solo com bioatividade (Blanco & Oliveira, 1987, 1989; Blanco (1996, 2002);Blanco & Batista Filho, 2004, 2004a; Blanco et. al. 2002, ), podendo desta forma, afetar o fungo entomopatogênico Metarhizium anisopliae, agente de controle biológico utilizado para a cigarrinha-da-raiz da cana-de-açúcar (Mahanarva fimbriolata), geralmente aplicado logo após os herbicidas ou até 30 dias depois. A cigarrinha-da-raiz (Mahanarva fimbriolata) (Hemiptera: Cercopidae) é uma das principais pragas da cana-de-açúcar nos sistemas de plantio de cana colhida sem queima da palhada. Esse inseto causa danos à planta de-

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Charles Echer

vido à inoculação de toxinas provocando também redução no teor de sacarose, aumento do teor de glicose, impurezas e porcentagem de fibras. No Estado de São Paulo, o ciclo vital de M. fimbriolata inicia-se em setembro, normalmente, com o início do período chuvoso, coincidindo com o início do período crítico de competição para a cultura. A primeira geração de ninfas é pequena em decorrência da diapausa dos ovos, porém com capacidade suficiente de se desenvolverem até a fase adulta, quando então se inicia a postura da segunda geração de ninfas, geralmente entre dezembro e janeiro, quando a umidade e o fotoperíodo são maiores. O Instituto Biológico tem desenvolvido pesquisas de controle biológico de M. fimbriolata com o fungo M. anisopliae, parte de um projeto temático sobre a cana-de-açúcar, financiado pela FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. O controle biológico com o fungo Metarhizium anisopliae atinge atualmente uma área de aproximadamente 350.000 ha, com aplicações tratorizadas e aéreas, variando as concentrações de 2 a 10 kg/ha, de acordo com a flutuação da cigarrinha e a variedade. Desse modo, o conhecimento de todos os fatores, como a aplicação dos herbicidas, que podem influenciar no agente de controle biológico da cigarrinha-da-raiz é muito importante para a

manutenção da população dessa praga em nível de equilíbrio, sem afetar ainda mais o ambiente.

INTERAÇÕES MICRORGANISMOS A aplicação do M. anisopliae como agente de controle biológico da cigarrinha, é feito diretamente ao solo, desta forma, como os outros microrganismos edáficos entram em íntimo contato com o herbicida presente na solução do mesmo. Apesar de ser aplicado, este fungo já está presente no solo, por isso, as interações com os herbicidas, seguem os preceitos aos microrganismos edáficos. No passado, em função do pouco conhecimento nas diferentes áreas da ciência, mais especificamente na microbiologia do solo, atribuía-se aos microrganismos a totalidade da dissipação dos pesticidas aplicados ao solo. Estudos básicos permitiram um melhor entendimento das complexas reações que ali ocorrem. Com o passar do tempo este conceito foi sendo mudado, constatando-se que fatores físicos e químicos do solo, condições climáticas e práticas agrícolas interferem e modificam o comportamento dos herbicidas no solo. A aplicação de um herbicida no solo provoca um ajustamento da população microbiana. Este ajustamento é conhecido como “fase lag” e ocorre, possivelmente, durante uma a duas semanas após a aplicação, e onde a con-

A cana-de-açúcar é uma das culturas que mais utiliza herbicidas com percentual de 18,5%, além de serem produtos de longo período residual

centração do herbicida não é afetada significativamente. Então, em solos onde a prática de aplicação de M. anisopliae é comum, a população deste, já deve estar adaptada aos herbicidas (Alexander, 1965; Kaufman & Kearney, 1976). A duração da “fase lag” é influenciada, principalmente, pela natureza química do herbicida podendo, também, ser influenciada por outros fatores como concentração do pro-


Fotos Divulgação

duto e tipo de solo. Durante esta fase, há um pequeno ou quase nulo crescimento dos microrganismos, porém, no final da mesma os microrganismos começam a crescer em número, proliferando-se em abundância (progressão geométrica), sendo esta fase conhecida como logarítmica, onde há maior aproveitamento do herbicida pelos microrganismos, fazendo com que a concentração residual no solo decresça rapidamente (dissipação) (Kaufman & Kearney, 1976). Segundo os mesmos autores, dependendo da disponibilidade de substrato, da limitação do espaço físico, e/ou pelo acúmulo de substâncias tóxicas, os microrganismos param de se multiplicar numa razão geométrica, igualando as taxas de multiplicação e morte, atingindo uma fase estacionária ou de repouso. Quando ocorre uma reaplicação de um herbicida nesta fase haverá uma nova proliferação sem ocorrência de uma nova “fase lag”, ocorrendo uma degradação acelerada do herbicida. Para que ocorra uma rápida decomposição microbiana dos herbicidas, alguns fatores devem propiciar condições ótimas para um bom desenvolvimento da comunidade microbiana edáfica, tais como, umidade do solo entre 50 a 100% da capacidade de campo, boa aeração, temperatura entre 27 a 32 oC, índice pH de 6,5 a 8,0 e altos teores de matéria orgânica (Alexander, 1965, 1977). Segundo este autor a decomposição microbiana dos herbicidas, em geral, ocorre de forma mais significativa na camada de 30 cm da superfície do solo. Diversos microrganismos são envolvidos no processo de dissipação dos herbicidas no solo. A dissipação causada por bactérias ocorre principalmente com herbicidas que tem

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maior grau de solubilidade em água e que não estejam fortemente adsorvidos, enquanto que os fungos, como o M. anisopliae, metabolizam justamente os mais sorvidos e menos solúveis. Isto se deve ao hábito de crescimento micelial dos fungos, podendo envolver partículas, encapsulando-as, e entrando em contacto com o herbicida; nas bactérias a reprodução por fissão binária, permite que concorram por um substrato prontamente utilizável (Kaufman & Kearney 1976). Almeida et. al. (não publicado), avaliou o crescimento de M. anisopliae “in vitro” em meio de cultura com vários herbicidas utilizados na cana-de-açúcar, (principio ativo/marca comercial-dose): ametrina (Gesapax - 8L/ ha), diuron (Karmex 500SC - 6,4L/ha), diuron + hexazinone (Velpar K- 3Kg/ha), isoxaflutole (Provence - 350g/ha), terbutiuron (Combine - 2,4L/ha), sulfentrazone (Boral 500SC - 1,6Kg/ha), trifluralina (Nortox - 450g a 2,4 L/ha) e testemunha, verificaram que a maioria foi extremamente tóxica para o fungo. Já Wenzel et. al. (2004), em condições de campo, avaliando os mesmos herbicidas e nas mesmas doses, porém em diferentes épocas de aplicação do fungo, aos 0, 30 e 60 dias após os tratamento com os herbicidas., no monitoramento a população do M. anisopliae, verificou que em nenhum momento os herbicidas afetaram de forma significativa a população do fungo presente no solo. Algumas inferências podem ser feitas em relação à discrepância entre os resultados dos ensaios. Talvez a principal influência, tenha sido as diferentes condições na dinâmica de sorção dos herbicidas, em função ao meio onde se realizou o ensaio, Agar-Agar ou solo. A sorção é um processo físico-químico que abran-

ge os fenômenos de adsorção e absorção das moléculas dos herbicidas aos colóides do solo (argila e matéria orgânica), que na sua dinâmica rege a concentração dos mesmos na solução do solo. No meio Agar-Agar a sorção do herbicida foi mínima, isto em função da característica intrínseca do meio, além da alta concentração de água presente, o que favoreceu a permanência, das moléculas dos herbicidas, na solução, por outro lado, no solo as condições foram inversas, quer seja pelo alto teor de matéria 3%, assim como, em certos períodos, de condições com déficit hídrico no solo, o que favoreceu a sorção dos herbicidas avaliados, diminuindo assim, a sua concentração na solução do solo. Isto leva a crer que quando se aplicou M. anisopliae no meio AgarAgar, a concentração dos herbicidas foi alta o suficiente que afetou o seu desenvolvimento. Já na aplicação do fungo diretamente no solo, este já encontrou os herbicidas em doses bem menores, não o afetando. Cabe salientar também que, quando o herbicida foi colocado em um sistema fechado como a placa de petri, não foi permitido que outros processos dissipativos pudessem agir, como volatilização, lixiviação e fotodecomposição. Supõe-se que os herbicidas aplicados à cana-de-açúcar, não devem afetar a performance do Metarhizium anisopliae quando utilizado para o controle da cigarrinha. Atualmente, outros ensaios estão sendo conduzidos para um melhor entendimento desta inC teração. Flávio Martins Garcia Blanco e José Eduardo M. de Almeida, Instituto biológico Inajá Marchizeli Wenzel, Unesp

Metarhizium anisopliae é amplamente utilizado no controle de uma das principais pragas da cultura, a cigarrinha-da-raíz, diz Flávio

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Cana-de-açúcar

Charles Echer

Herbicidas para cana T

omando por base o caderno técnico sobre manejo de plantas daninhas na cultura de canade-açúcar, encartado na edição n° 71 do

mês de março, estamos divulgando a tabela atualizada com os principais produtos herbicidas recomendados para o controle dos diferentes grupos de plantas daninhas

em pré e pós-emergência. A tabela é fruto de pesquisa realizada pelo pesquisador Flávio Blanco, do InstiC tuto Biológico.

TABELA 1 - Principais herbicidas utilizados para o controle das plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar Princípio ativo 2,4 D

Nome comercial1 U46 D fluid

Dose i.a. /ha (kg) 0,40 a 0,72

Modo de aplicação1 PÓS2

Grupo controlado Latifoliadas

Acetochlor Alacloro Ametrina Ametrina + Clomazone

Fist Laço Gesapax Sinerge

PRÉ3 PRÉ PRÉ PRÉ

Gramíneas e latifoliadas anuais Gramíneas e latifoliadas anuais Gramíneas e latifoliadas anuais Gramíneas e latifoliadas anuais

Ametrina + Diuron

Ametron

PRÉ

Gramíneas e latifoliadas anuais

PRÉ PRÉ PRÉ PRÉ

Gramíneas e latifoliadas anuais Gramíneas e latifoliadas anuais Gramíneas e latifoliadas anuais Latifoliadas e gramíneas anuais

Diuron + MSMA

Fortex

Diuron + Tebutiuron

Bimate

Glyphosate

Roundup

2,70-3,24 2,40 a 3,36 2,00 a 4,00 0,90 a 1,80 (ametrina) 0,60 a 1,20 (clomazone) 0,62 a 1,24 (ametrina) 0,96-1,92 (diuron) 0,12 a 0,22 0,90 a 1,10 1,60 a 3,2 0,97 a 1,46 (diuron) 0,28 a 1,42 (hexazinone) 1,06 a 1,86 (diuron) 1,34 a 2,34 (hexazinone) 1,12 a 1,40 (diuron) 2,88 a 3,60 (MSMA) 1,50 a 2,0 (diuron) 0,60 a 0,80 (tebutiuron) 0,96 a 2,88

Metolachlor Metribuzim Oxyfluorfen Halosulfuron

Dual Gold Sencor 480 Goal Br Sempra

Imazapic Imazapyr Isoxaflutole Sulfentrazone Tebutiuron

Plateau Contain Provence Boral Combine 500

Azafenidina Clomazone Diuron Diuron + hexazinone

Ranger BR Gamit Karmex Velpar K Advance

Observações Fazer uma rigorosa limpeza do tanque de pulverização, de acordo com os procedimentos contidos na bula

Controle mais pronunciado nas latifoliadas Utilizar a formulação Advance na época das chuvas

PRÉ PÓS

Gramíneas e latifoliadas anuais

PRÉ

Gramíneas e latifoliadas anuais

PÓS

Gramíneas e latifoliadas anuais e perenes

1,44 a 1,92 0,72 a 1,92 0,48 a 1,20 0,12

PRÉ PRÉ PRÉ PÓS

Gramíneas e latifoliadas anuais Latifoliadas Gramíneas e latifoliadas anuais Cyperaceas

0,07 a0,14 0,12 a 0,50 0,750 0,60 a 0,70 0,80 a 1,20

PRÉ/PÓS PRÉ/PÓS PRÉ PRÉ PRÉ

Gramíneas,latifoliadas e cyperaceas Gramíneas, latifoliadas e cyperaceas Gramíneas e latifoliadas anuais Gramíneas anuais e perenes, cyperaceas e algumas latifoliadas Gramíneas e latifoliadas anuais e perenes

Utilizado para renovação de canaviais ou para aplicações dirigidas

A cyperacea tem que estar no estádio de pré floração, no momento da aplicação

Controle efetivo sobre tiririca (Cyperus rotundus)

1 Na existência de vários nomes, está indicado o mais conhecido, não caracterizando qualquer preferência. 2 Modo preferência de aplicação onde o controle é mais efetivo 3 Aplicado como pós-emergente. 4 Aplicado como pré-emergente

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Agronegócios 44

Agroenergia, o futuro que vem aí

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demanda de energia no mundo aumentará 1,7% ao ano, entre 2000 e 2030, quando alcançará 15,3 bilhões de toneladas equivalentes de petróleo por ano, de acordo com o Instituto Internacional de Economia. Sem alteração da matriz energética, os combustíveis fósseis atenderiam a 90% do aumento na demanda. Porém, o mundo está cada vez mais temeroso dos impactos negativos dos combustíveis fósseis sobre o clima. Verifica-se que os extremos climáticos (secas, cheias, furacões etc.) tornaram-se mais freqüentes e mais severos. Recentemente, o Dr. Eduardo Assad, da Embrapa, elaborou modelos matemáticos que projetam alterações profundas na temperatura do planeta e desastrosas conseqüências para o agronegócio. As alterações do clima acarretam modificações na incidência de pragas agrícolas, com sérios impactos econômicos, sociais e ambientais. O cenário fitossanitário atual seria significativamente alterado, expondo a vulnerabilidade da agropecuária a essas mudanças e a necessidade de desenvolver estratégias adaptativas de longo prazo. Os principais fatores que impulsionam o desenvolvimento tecnológico para aproveitamento da biomassa energética são: a) a crescente preocupação com as mudanças climáticas globais que, no ponto futuro, convergirá para políticas globais de redução da poluição; b) a importância da energia de biomassa na transição para uma nova matriz energética, substituindo o petróleo como combustível ou insumo para a indústria química; c) os países em desenvolvimento demandarão 5 TW de energia nova, nos próximos 40 anos, sendo inadmissível imaginar que essa energia possa ser proveniente de fontes fósseis, pelo seu alto impacto ambiental, pelo custo financeiro crescente e pelo esgotamento das reservas; d) além do aumento natural de preços, devido ao esgotamento das reservas e aos conflitos regionais, os custos ambientais serão paulatinamente incorporados ao preço dos combustíveis fósseis, através de tributos punitivos (taxa de poluição), tornan-

do-os progressivamente mais caros; e) o preço crescente, em função das disputas políticas e bélicas pelas últimas reservas disponíveis, tornará inseguros os fluxos de abastecimento e o cumprimento de contratos de fornecimento de petróleo; f) cresce, em progressão logarítmica, os investimentos público e privado no desenvolvimento de inovações que viabilizem fontes renováveis e sustentáveis de energia; g) aumenta o número de investidores internacionais interessados em contratos de largo prazo, para o fornecimento de biocombustíveis, como o álcool, o biodiesel e outros derivados de biomassa; h) a energia será um componente

“O mundo está cada vez mais temeroso dos impactos negativos dos combustíveis fósseis sobre o clima” importante do custo de produção agropecuário e da agroindústria, tornando atraente a geração de energia dentro da propriedade.

OS VALORES DA MUDANÇA Apesar de a mudança da matriz energética mundial ser indiscutível, no longo prazo, existem diversos condicionantes (tecnológicos, políticos, culturais, econômicos, sociais, comerciais e ambientais) que podem apressar ou retardar os câmbios. Considerando a bioenergia como um segmento importante do agronegócio do futuro, as seguintes considerações permitem melhor entendimento do mercado: a) o preço dos combustíveis fósseis é crucial para apressar a transição e para estender a duração das reservas, tornando a transição menos turbulenta. Com preços moderados de combustíveis fósseis, poucas fontes de energias renováveis são competitivas,

como é o caso do etanol; b) os custos de obtenção de energia são vinculados às condições locais, e as regiões de menores custos serão exploradas em primeiro lugar, gerando diferenciais competitivos regionais; c) acordos internacionais – como o Protocolo de Quioto – ou intrablocos – como a Diretiva para Obtenção de Eletricidade de Fontes Renováveis, do Parlamento Europeu – são poderosos indutores do uso de energias renováveis e criam reservas de mercado para a bioenergia; d) o apoio intenso, garantido e continuado aos programas de Pesquisa e Desenvolvimento constituirá a pedra angular para acelerar a taxa de utilização de energias renováveis. Inovações têm o condão de viabilizar técnica e economicamente as fontes renováveis de energia, permitindo a exploração comercial, o ganho de escala e a redução de custos; e) a co-geração de energia se constituirá em um diferencial importante para a viabilização econômica de fontes de bioenergia. A técnica já é utilizada na produção de etanol, porém pode ser estendida para outras fontes, incluindo a utilização energética de resíduos e dejetos. Finalmente, considere-se, sempre, que a expansão da agricultura energética não poderá ocorrer à custa da contração da oferta de alimentos, nem de impactos ambientais acima da razoabilidade, sob pena de forte reação contrária da sociedade, o que inviabilizaria o negócio bioenergia. Ao contrário, entende-se que haverá uma tríplice associação entre energia, alimento e indústria química. C

Décio Luiz Gazzoni Engenheiro Agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja www.gazzoni.pop.com.br

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Coluna Aenda

Defensivos Agrícolas

Tirando a prova dos noves “Mesma química = mesmos efeitos” é o conceito do registro dos pesticidas por equivalência, mas há uma pequena prova adicional

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a década de 50 do sé culo passado, à mar gem dos trilhos da estação de Otávio Bonfim, já bem dentro da capital cearense, D. Cleomar tocava um grupo escolar. Professora de português, aritmética, história, geografia, religião e tudo exigia a curiosíssima prova dos “noves fora” para o aluno comprovar que acertara a operação de somar, subtrair, multiplicar ou dividir. Era assim, na multiplicação: a) Conta: 194 x 21 = 4074 (já vi essa milhar em algum lugar!) b) Prova do noves fora: • Calculava-se o noves fora de cada fator (multiplicando e multiplicador): 1+9+4=14...noves fora(- 9) => 5 ; 2+1=3...noves fora => 3 (pois não há nove para jogar fora) • Multiplicava-se esses resultados e calculava-se o “noves fora”: 5 x 3 = 15, logo, 1 + 5 = 6...noves fora => 6 • Em seguida, calculava-se o noves fora do resultado da conta: 4+0+7+4=15, cujo noves fora é também 6 • Sendo os noves fora iguais (fatores e resultado), D. Cleomar dava como correta a conta, se fossem diferentes ela dava 5 contas para fazer em casa, de castigo!

No sistema de registro “por equivalência” dos defensivos agrícolas, utiliza-se também o conceito inerente a essa técnica. Em primeiro lugar é feita a conta, neste caso, a comparação entre o Produto Grau Técnico candidato a equivalente e o Produto Grau Técnico escolhido para referência. Comparam-se os ingredientes ativos e as impurezas contidas num e noutro. Na aritmética primária não cabem variações, mas na matemática química de síntese é forçoso aceitar uma certa variação para mais ou para menos dos teores considerados. A cada síntese do Produto Grau Técnico de referência (em tese, o produto que primeiro foi apresentado à sociedade, aprovado e registrado) verifica-se uma variabilidade de resultados tanto do ingrediente ativo quanto

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das impurezas, dentro de limites da razoabilidade suportada pela observação de um grande número de casos...e estipulados pela FAO. O mesmo ocorre com o Produto Grau Técnico candidato a equivalente. Para satisfação de todos, repete-se o teste em cinco amostras, para um manejo aceitável probabilisticamente da variabilidade. Em segundo lugar é realizada a prova do noves fora, que aqui são estudos toxicológicos agudos. Se estes são próximos, admitindo-se uma variação de fator 2 (o dobro, para mais ou para menos) (maior porque agora se trata de biologia e não mais de química), Dona Ciência considera os dois produtos significativamente semelhantes ou equivalentes. Com isso, evita-se a repetição de extensivos e caros estudos toxicológicos de médio e longo prazo, bem como estudos ecotoxicológicos. O método da equivalência já está exaustivamente testado nas últimas 3 décadas em grandes e civilizados mercados

“Em segundo lugar é realizada a prova do noves fora, que aqui são estudos toxicológicos agudos”

aprovado, resta identificar a natureza dos demais componentes da formulação, bem como a qualificação físico-química da formulação. Com isto apresentado, simplesmente, o técnico avaliador observa se os componentes adicionais (solventes, emulsificantes, anticristalizantes, etc.) são todos já usados em formulações correntes e, obviamente, já testados nos quesitos toxicológicos, ecotoxicológicos, residuais, agronômicos. Sendo a resposta positiva, entra em cena novamente a prova do noves fora. Estudos de toxicologia aguda são comparados com o Produto Formulado de referência e se confirmada a igualdade (variação também de fator 2), o candidato está aprovado como de mesmo risco. Este Produto Formulado é então registrado para os mesmos usos do Produto Formulado de referência. Todavia, se para esse mesmo produto a empresa quiser promover uma extensão de uso para cultura agrícola ainda não avaliada no país para o ingrediente ativo contido e, portanto, não constante das Monografias oficiais, este Produto Formulado contendo Produto Técnico equivalente terá de realizar todos os estudos toxicológicos, ambientais, residuais e agronômicos para que sejam devidamente avaliados os riscos no novo uso. Salve o Decreto 4074 que estampou o selo oficial da Equivalência. Bem-vinda esta ao mercado brasileiro! Mas alerta, fiquemos espertos para que a Equivalência não seja dosada por conta-gota e, sim pulverizada por um bico de jato cônico cheio e de grande ângulo para evitar entupimentos e C salvaguardar derivas.

de pesticidas, sem qualquer necessidade de ajustes. Garantido, pois! Por extensão, essa concepção é levada também à avaliação dos Produtos Formulados contendo Produtos Grau Técnicos equivalentes. Como o ingrediente ativo Tulio Teixeira de Oliveira, contido no Produto Técnico já foi Diretor Executivo da AENDA

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Mercado Agrícola

Brandalizze Consulting

brandalizze@uol.com.br

Produção mundial cai 80 milhões de t e favorecerá produtores em 2006 O quadro mundial de oferta e demanda da safra 2005/06 está se formando com uma forte queda na produção, que descerá das 2,03 milhões de t para as 1,95 milhões e, com isso, irá afetar fortemente o abastecimento em 2006. Dessa forma, haverá boas expectativas aos produtores que foram fortemente afetados pela grande safra deste ano. Também as cotações, que recuaram e devem estar mostrando uma reação positiva no próximo ano, já dão um sinal de luz no fundo do túnel para os produtores brasileiros, que estão plantando a safra neste mês e mostram dúvidas sobre o uso ou não de uma boa tecnologia. O USDA, em seu relatório de agosto, apontou que a produção mundial está em queda, e junto haverá queda nos estoques mundiais, com crescimento do consumo que, pela primeira vez na história, poderá passar a marca das 2 bilhões de t. O fator crescimento da economia mundial está mantendo o consumo em crescimento, e, com isso, a safra deste novo ano será aproximadamente 50 milhões de t inferior à projeção de consumo. Dessa maneira, confirmam-se boas expectativas aos produtores. O quadro atual, pintando uma safra de 1,95 bilhão de t, ainda está com dados bastante otimistas, porque neste índice está a safra de soja do Brasil, apontada em 60 milhões de t. Enquanto isso, por aqui se comenta de 51 a 58 milhões, e a maior parte dos indicativos apontam números de 55 milhões, ou seja, nesse caso, o quadro que poderá aparecer tem boas chances de ser melhor do que está inicialmente sendo pintado. Com boas expectativas para que os produtores possam realizar um plantio com boa tecnologia e ir à busca de ganhos em produtividade e lucratividade. MILHO Safra fechada, e mercado buscando alta O mercado do milho está mostrando o fechamento da safra na casa das 34 milhões de t, com o consumo entre 39 e 40 milhões de t. Dessa forma, dando espaço para pequenos ganhos nos indicativos a partir de outubro, porque os produtores poderão forçar números mais atrativos de agora em diante. Os indicativos poderão sofrer ajustes de R$ 1,00 a R$ 2,00 nas próximas semanas, até que esbarrem em cima dos valores que liquidam as importações da Argentina; mas há espaço para mais pressão, porque muitos dos consumidores apontam que irão trabalhar somente com milho brasileiro e, assim, abrem a possibilidade de espaço de alta. Os produtores estão com a faca e o queijo nas mãos de agora em diante. SOJA Prêmios positivos nos portos brasileiros A boa notícia da soja do Brasil aos produtores é que, depois de muito tempo, estamos trabalhando com prêmios positivos nos portos, valor esse que é pago ou tirado do produto nacional em cima da qualidade, procura e logística. Em tempos ruins, esses números chegaram a 220 pontos negativos frente à Chicago e agora estão na casa dos 80 positivos frente à Chicago, ou seja, está se pagando US$ 0,80 por bushel a mais do que trabalha Chicago, o que na saca representa US$ 1,76, assim amenizando a pressão que a colheita da safra dos EUA faz neste momento. O câmbio continuou sendo o calo dos produtores para vender a soja. Os produtores e comerciantes estão realizando grande volume de registros de exportação da safra nova, para garantir financiamentos e insumos através de recursos que che-

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gam do mercado internacional e diminuem a necessidade de recursos oficiais. FEIJÃO Bom momento aos produtores O mercado do feijão, que esteve em ritmo lento e mostrando grandes ofertas entre agosto e setembro, tem em outubro a oportunidade de repassar nova pressão de alta aos indicativos, e assim os produtores que têm feijão neste mês poderão ter bons ganhos com o produto. A oferta de feijão em outubro é restrita a posições localizadas de produto do Brasil Central, e praticamente nada mais aparecendo no Nordeste, que colheu entre agosto e setembro, e também sem produto do Sul e São Paulo. Com boas expectativas de cotações, que podem novamente ensaiar níveis de R$ 80,00 aos R$ 100,00 para este mês e começo de novembro.

ARROZ Continua na dependência do Governo Com grandes estoques de arroz em todas as regiões produtoras do Brasil, o mercado continua com pouco fôlego de crescimento e somente poderá colocar alguns ajustes em cima dos preços finais porque o diesel foi ajustado pela Petrobrás. Assim, aumentaram os custos dos fretes, mas sem grandes expectativas no mercado livre, porque sobram ofertas, e faltam interessados em formar estoques. O Governo, que tanto prometeu para o setor e usa nos discursos que o arroz está barato para os consumidores, tem a obrigação de comprar boa parte dos excedentes para criar liquidez aos produtores e, assim, dar um fôlego ao segmento que vem negociando entre os R$ 16,00/17,00, no casca do RS, e abaixo disso no MT, onde se busca trabalhar nos R$ 20,00 junto ao Governo.

CURTAS E BOAS SOJA - Colhendo nos EUA e mostrando que a safra não foi afetada pelo clima. Mostra indicativos de 77 milhões de t, contra as 85,5 colhidas no ano passado. ALGODÃO - O grande problema para os produtores brasileiros continua sendo o câmbio baixo, que dificulta as exportações. Junto, temos o mercado mundial com estoques na casa das 111,5 milhões de fardos, contra 120,2 milhões da safra passada. Os reflexos devem aparecer do próximo ano em diante, com recuperação das cotações. TRIGO - Os moinhos brasileiros continuaram importando em ritmo forte e já acumularam mais de 3,6 milhões de t até setembro. Assim, tem se abastecido com produto argentino, que está sendo liquidado abaixo dos R$ 420 por t junto aos moinhos com prazo. Como o câmbio continua fraco, dificulta a reação do produto brasileiro, que segue em ritmo lento, aumentando a oferta. IBGE - Divulgou a safra brasileira de grãos 04/05 fechando com 113,1 milhões de t, contra as 119,4 colhidas no ano passado. O numero é muito abaixo das 132 milhões de t que foram estimadas no começo do ano. ARGENTINA - A safra 05/06 já está em andamento, com as lavouras do milho já plantadas, e agora as áreas de soja do país começam a ser plantadas. Há indicativos de que o milho fique com 3 milhões de hectares contra 3,3 do ano passado. A soja crescerá neste espaço.

Cultivar Cultivar •• www.cultivar.inf.br www.cultivar.inf.br •• Fevereiro Outubro de 2005


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