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Cultivar 72

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Cultivar Grandes Culturas • Ano VI • Nº 72 • Abril 2005 • ISSN - 1518-3157

Nossa capa

Destaques

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Foto Capa / Bayer

Teste negativo Saiba porque o fungo da brusone não consegue migrar de trigo para o arroz e vice-versa

18 Fechando o cerco Para controlar o bicudo é necessário cohecer, além do comportamento da praga, a fenologia da planta

Nossos cadernos

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Fotos de Capa

Pequeno destruidor

Rogério Enoue

Saiba como controlar o cupim, responsável por perdas de até 10 toneladas por hectare/ano

Marco A. Lucini

30 Ferrugem da soja Presente em 500 municípios em todas as regiões do Brasil, a ferrugem estourou os custos na safra deste ano

NOSSOS TELEFONES: (53) Grupo Cultivar AO de ASSINANTE: Publicações Ltda. • ATENDIMENTO CGCMF: 02783227/0001-86 3028.4013/3028.4015 Insc. Est.• ASSINATURAS: 093/0309480 Rua:3028.4010/3028.4011 Nilo Peçanha, 212 Pelotas – RS 96055 – 410 • GERAL

Direção 3028.4013 • REDAÇÃO: Newton Peter Schubert 3028.4002 K. Peter / 3028.4003 • MARKETING:

Índice

REDAÇÃO • Editor

Charles Ricardo Echer • Coordenador de Redação

Janice Ebel • Design Gráfico e Diagramação

Cristiano Ceia

Diretas

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www.cultivar.inf.br 3028.4001 cultivar@cultivar.inf.br

Brusone em trigo e arroz

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Assinatura anual (11 edições*): R$ 119,00 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)

Vantagens do espaçamento reduzido

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Números atrasados: R$ 15,00

Controle do ácaro-vermelho do café

14

Assinatura Internacional: US$ 80,00 70,00

Comportamento do bicudo

18

Nossos Telefones: (53)

Perspectivas para a cevada em 2005

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• Geral 3028.2000

Como controlar os cupins na cana

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CIRCULAÇÃO

• Assinaturas: 3028.2070

Avanços da ferrugem na safra 2005

30

Cibele Oliveira da Costa

Liberação da soja RR

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Negócios

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Molécula Iodosulfuron

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Jociane Bitencourt Rosiméri Lisbôa Alves Simone Lopes

Vantagens da armazenagem em silobag

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• Gerente de Assinaturas Externas

Congresso de Nematologia

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Informe Jurídico

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Coluna Aenda

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Agronegócios

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3028.4004 / 3028.4005 • FAX:

• Redação: 3028.2060 • Marketing: 3028.2065

Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@cultivar.inf.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.

Mercado Agrícola

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• Revisão

Silvia Pinto

COMERCIAL Pedro Batistin

Sedeli Feijó Silvia Primeira

• Gerente

• Assinaturas

Raquel Marcos • Expedição

Edson Krause Dianferson Alves • Impressão

Kunde Indústrias Gráficas Ltda.


Diretas

Mosaic Participando pela primeira vez da Expodireto, a Mosaic objetivou apresentar a empresa e os produtos desenvolvidos com foco no agronegócio brasileiro. O Stratum e o N-Fós, desenvolvidos especialmente para a região Sul do país, foram o foco para divulgação. Além disso, o intuito também de estreitar o relacionamento com seus já parceiros.

Juliano Busato

54 anos cultivando qualidade A Butiá, parte da história do pioneirismo no cultivo de trigo na região Sul, participou pela primeira vez da feira, juntamente com a OR melhoramento de sementes, divulgando o que há de novo na área de genética do trigo, soja, além das demais atividades realizadas na propriedade. O diretor, Beto Bertagnolli, e a gerente de marketing, Manoela Bertagnolli, acompanharam os traManoela e Beto Bertagnolli balhos da equipe.

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Entre os dias 28 de junho e 01 de julho, será realizado, no Sindicato Rural de Tangará da Serra, o 8º Encontro de Plantio Direto no Cerrado.O evento, que deverá receber mais de 2,5 mil produtores rurais, terá discussões técnicas com palestras e debates, práticas com dinâmica de máquinas e equipamentos, cursos e visitas a áreas experimentais.

Número 1

O MicroXisto Juliano Busato, Gerente de Marketing, apresentou na feira o MicroXisto, fertilizante natural produzido pela empresa, que permite uma perfeita mistura com outros agroquímicos utilizados na lavoura, garantindo a eficiência desejada de ambos.

Plantio direto

A Basf foi classificada como a empresa química mundial número um de acordo com a lista das Empresas Mundiais mais Admiradas, publicada pela revista norte-americana de negócios Fortune. Para compilar o ranking, a Fortune e sua parceira de pesquisa, Hay Group, entrevistaram mais de 10 mil diretores, executivos e gerentes em mais de 357 empresas em todo o mundo. “Nós acreditamos que esta pesquisa reafirma nosso forte desempenho e nossa estratégia de sucesso,” disse Jürgen Hambrecht, Presidente da Junta Diretiva da BASF AG.

Laboratórios Pfizer Pelo terceiro ano, a Divisão de Saúde Animal da Pfizer participa da Expodireto 2005. Entre os produtos apresentados estão o Cofermol-Plus, um fertilizante líquido composto por cobalto e molibdênio; o Plantin II Soja, e Plantin Citrus, que são fertilizantes foliares quelatizados na forma de pó solúvel, além do Agrimaicin – 500, um fungicida/ bactericida, produto tradicional da agriMarina Braga José de Oliveira e Laerte Mattana cultura.

Dow AgroSciences O presidente da Dow Agrosciences Brasil, David Blakemore, e o diretor de vendas Brasil, Welles Pascoal, também prestigiaram a Expodireto 2005, marcando presença no estande da empresa.

Julio Cézar Lima Welles Pascoal e David Blakemore

Agrosoft A Agrosoft Assessoria e Desenvolvimento de Sistemas Ltda. destaca softwares licenciados, sempre acompanhados de treinamentos e suporte contínuo, visando o melhor uso e performance da solução e, com isto, a satisfação do cliente. A Eng. Agrônoma Leila Beledeli salienta que está no mercado de tecnologia da informação desde 1995, trabalhando no desenvolvimento de soluções para o agroKarine Studart negócio.

Bunge Fertilizantes

Super N

A Bunge fertilizantes, que comemora 100 anos no Brasil e é responsável pelas marcas Serrana, Manah e Ouro Verde, esteve presente na Expodireto. Segundo Michel Santos, gerente de marketing, a Serrana, pioneira no desenvolvimento da agricultura de precisão, apresentou o resultado do projeto Aquarius. Já a Manah apresentou o fertilizante Fosmag, aplicável em diversos tipos de culturas, e a Ouro verde destacou as vantagens do fertilizante Ourofós. Michel Santos

Grupo Fertipar Empresa do Conjunto Agrotain International LLC lançou o SuperN Piratini, carro chefe da empresa na Expodireto 2005. Segundo os gerentes de produto e mercado, trata-se de um novo conceito em fertilizante nitrogenado. Sua principal característica é o retardamento da volatilizaçao do nitrogênio, o que permite maior tempo para que haja chuva suficiente para incorporar o SuperN no solo. Douglas M. Zonta e Luiz Lourenço Junior

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Agroceres

Araújo e Sgarbossa

Nutrindo vida Pela primeira vez participando da feira, a Solferti e sua equipe de técnicos demonstraram seu portifólio de produtos. Os principais insumos que a Sol comercializa são confiança, qualidade e precisão de informação, afirma a diretora Marcia Rech.

A Agroceres e suas unidades no ano em que comemora seus 60 anos esteve presente na Expodireto, dando destaque a arte de bem receber fazendo amizades que ultrapassam as fronteiras da Feira. O presidente do grupo Urbano Campos Ribeiral também prestigiou a Feira.

Monsanto A Monsanto, também presente na Expodireto, aproveitou para comemorar os 30 anos do Roundaup, produto já consagrado no mercado. Segundo Tales Pezzine, a empresa deu destaque para o Roudup Transbord.

Novagro

Rigran Presente na Expodireto, a Rigran apresentou a sua tradicional linha de produtos, enfatizando FusoClean 2000 e Fuso Clean Nova Fórmula. “São as mais modernas e econômicas tecnologias em limpadores de fuso de colhedoras de algodão”, explica o Diretor Nelson Nelson Azambuja (centro) Azambuja.

Ubyfol A Ubyfol, empresa 100% brasileira com sede em Uberaba(MG), industrializa e comercializa produtos para a agropeuaria, com destaque para nutrição vegetal com micronutrientes. Segundo sua equipe de técnicos, entusiasmo e gratidão constituem os principios e valores que norteiam sua filosofia empresarial.

Cleber Giordani, Julio César da Silva e Clenio Giordani

Luiz Meneghel Neto

Cristiane Betiato

Segundo Cristiane Betiato, a Novagro, que sempre participa da Expodireto, está otimista para atender um mercado cada vez mais competitivo e exigente. Na ocasião, a empresa fez o lançamento do HFF, estimulante de enraizamento para todas as culturas.

Agroeste Urbano Campos

Festa do arroz De 07 a 09 de abril, será realizada a 8ª Festa do Arroz e Feira de Agronegócios, contando com a realização conjunta da 10ª Edição - Seminário da Cultura do Arroz e Dia de Campo. O evento que acontece em Sinop(MT)conta com dinâmicas de máquinas, participação das principais empresas de defensivos agrícolas, instituições de pesquisa, palestras de pesquisadores, além do prato típico da feira.

A Agroeste lançou na Expodireto os híbridos de milho AS15 65, AS 15 70 e, para o Brasil Central, os híbridos AS15 67 e AS15 75. O Diretor comercial, Neimar Brusamarello, destacou que a empresa aposta na organização e competitividade, tendo sempre presente a satisfação do cliente.

Neimar Brusamarello

Ouro Fino A Ouro Fino AgroSciences apresentou na Expodireto sua linha de sementes forrageiras, enfatizando a qualidade, produção, beneficiamento, comercialização, tecnologia, pesquisa e desenvolvimento de novas variedades, além do apoio técnico ao cliente.

Apasem

Palestras

A Associação Paranaense dos Produtores de Sementes e Mudas elege seu novo presidente, o empresário rural londrinense Luiz Meneghel Neto. Entre as prioridades do seu governo está o combate à pirataria de sementes; o apoio à implementação de novas pesquisas e tecnologias para o setor; e a união entre as instituições do setor agropecuário na defesa dos interesses do produtor rural.

O Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) participou do Seminário “O Agronegócio e a Tecnologia no Campo”, através do entomologista Vinicius Carvalho. Carvalho tratou do histórico da aplicação segura da biotecnologia na agricultura e das vantagens da adoção dos cultivos geneticamente modificados em escala comercial, percebidas pelos agricultores de diversos países.

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Tales Pezzine

Vinicius Carvalho

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Trigo

Teste negativo Tanto a brusone do arroz quanto a do trigo geram grande apreensão por parte dos produtores quando atingem suas lavouras. No entanto o fungo não é capaz de gerar variabilidade suficiente para infectar as duas culturas

A

primeira referência à doença, hoje conhecida por brusone, data do ano de 1637, na China, em um livro que descreve práticas agronômicas na cultura do arroz. Nesse relato, é mencionada como “queima do arroz”, mas só em 1828 Astolfi referiu-se à doença, utilizando a expressão brusone. O patógeno causador desta doença é denominado Pyricularia grisea (Cook) Sacc., entretanto, alguns autores preferem usar a nomenclatura da fase teleomorfa do fungo, designada de Magnaporthe grisea (Herbert) Barr. Na cultura do trigo, o primeiro relato de ocorrência da brusone no Brasil foi feito em 1986, no estado do Paraná. Nos anos subseqüentes, a doença foi constatada em diversos estados brasileiros, tendo sido re-

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gistrada em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Goiás. Inicialmente, o aparecimento da brusone na cultura do trigo foi atribuído a algum tipo de desequilíbrio entre os agroecossistemas do arroz e do trigo. Supôs-se que o atraso do plantio da cultura do arroz e o cultivo antecipado da cultura do trigo, ocorrido no Paraná, em meados da última década de 80, associado com utilização quase que exclusiva de uma única cultivar de arroz em todo o estado, tivessem favorecido a adaptação do fungo P. grisea à cultura do trigo. Entretanto, cruzamentos entre isolados obtidos do trigo e do arroz demonstraram a inviabilidade de o processo de recombinação sexual gerar variabilidade suficiente para uma possível adaptação do

fungo à cultura do trigo. Nesses casos, não se observou a ocorrência de corpos de frutificação do patógeno (peritécios), cuja formação representaria o nível de fertilidade entre os isolados testados. Trabalhos realizados com inoculações cruzadas também demonstraram a inabilidade de isolados do fungo, obtidos do trigo, infectarem plantas de arroz, o que corrobora com a proposição de que a brusone do trigo não é proveniente do arroz. Além disso, a utilização de marcadores moleculares de DNA, baseados em seqüências repetidas do genoma do fungo, tais como, MGR586 e Pot2, têm indicado que isolados provenientes de plantas de arroz e de trigo são bastante distintos. Na cultura do arroz, a brusone se ca-

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Fotos Dirceu Gassen

racteriza por reduzir a produtividade e qualidade de grãos. A intensidade dos prejuízos provocados pela doença é proporcional ao ataque nas folhas e nas panículas. Se a severidade da doença for muito intensa nas folhas, principalmente se o ataque ocorrer durante a emissão das panículas, poderá haver perda total da lavoura. No entanto, em regiões com o clima mais ameno, como é o caso do Rio Grande do Sul, quando comparadas com estados da Região Centro-Oeste do Brasil, os danos são menos expressivos. Outra diferença importante que existe no processo produtivo do arroz, que tem implicações relevantes na ocorrência e na severidade da brusone, está relacionada ao sistema de condução da lavoura, ou seja, se é conduzida sob irrigação por inundação, ou se é de sequeiro. Cabe destacar que o cultivo de sequeiro possui potencial muito maior de ser acometido de algum tipo de dano causado pela brusone por duas razões: a primeira refere-se ao local onde esse tipo de cultivo é predominante, ou seja, regiões com temperaturas médias mais elevadas que, de maneira geral, favorecem o desenvolvimento da doença; a segunda está relacionada ao aumento da possibilidade de formação de orvalho em lavouras de arroz com a ausência da lâmina de água. Com a presença de orvalho, o fungo terá melhores condições de se desenvolver, uma vez que a ocorrência de água livre na superfície das folhas é essencial para germinação de esporos e penetração no tecido da planta.

CONTROLE NO ARROZ Para controlar a brusone no cultivo de arroz de sequeiro, as principais práticas culturais indicadas são: bom preparo do solo com aração profunda, o que reduz a possibilidade de estresse na planta por deficiência hídrica, uniformidade no plantio,

Severidade da doença nas folhas, principalmente durante a emissão da panícula, pode levar à perda total da lavoura

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utilização de sementes sadias, tratamento de sementes com fungicidas para proteção da fase vegetativa, uso restrito de adubação nitrogenada em cobertura, semeadura em época adequada, aplicação de fungicidas na parte aérea das plantas entre os estádios de final do emborrachamento e início da emissão das panículas. As indicações técnicas para controlar a brusone no cultivo irrigado, essencialmente, são muito similares às do cultivo de sequeiro, sendo que as principais diferenças referem-se ao manejo adequado das práticas de irrigação e drenagem das lavouras. Convém destacar, ainda, que atualmente a estratégia mais estudada para controlar a doença na cultura do arroz é baseada, principalmente, no desenvolvimento

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PERDAS

N

a cultura do arroz, especial mente o de sequeiro (terras altas), os prejuízos causados por essa doença são muito grandes, sendo que, em alguns casos, quando não são adotadas medidas adequadas de controle, as perdas podem ser totais. Na cultura do trigo, em alguns anos têm ocorrido surtos epidêmicos, como o da safra de 2004, que, por exemplo, provocou perdas superiores a 60% em algumas lavouras do Mato Grosso do Sul.

CONTROLE NO TRIGO O controle da brusone do trigo requer a integração de medidas, como o plantio de variedades com maior nível de resistência, a utilização de sementes sadias, o tra-

Ariano M. Prestes

de cultivares resistentes. No entanto, a “quebra” ou “perda” da resistência das cultivares, depois de 3 a 4 anos de seu cultivo intenso e contínuo, tem minimizado a eficiência dessa alternativa de controle. Os aspectos que envolvem a resistência à brusone do arroz também são bastante conhecidos, tendo sido descritos, até o momento, em torno de 30 genes de resistência, sendo cerca de 10 destes associados à resistência parcial e 20, à resistência completa. Destes últimos, dois deles já foram até clonados. A brusone na cultura do trigo, desde o primeiro relato de sua ocorrência no Brasil, vem se constituindo em um dos principais entraves à cultura em nosso País, causando danos expressivos, principalmente no Norte do Paraná e nos estados do Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais. O patógeno pode atacar toda a parte aérea do trigo, porém o sintoma mais característico é observado nas espigas. Quando a infecção ocorre na ráquis, a espiga apresenta branqueamento parcial ou total da parte imediatamente superior à lesão (ponto preto e brilhante no local de penetração do fungo), promovendo esterilidade ou chochamento dos

grãos. O principal dano da brusone ocorre justamente pelo impedimento do transporte de água e nutrientes até os grãos em formação, localizados acima da região atacada (ráquis). Dessa forma, pode haver abortamento de flores, ou quando há formação de grãos, estes ficam pequenos e deformados (chochos), apresentando baixo peso hectolítrico, o qual se constitui em um importante parâmetro para definição do valor de aquisição dos grãos pelos moinhos. A disponibilidade de informações sobre aspectos epidemiológicos da brusone na cultura do trigo é muito restrita. Neste sentido, a real capacidade que os hospedeiros alternativos representam como fontes de inóculo para o patógeno constitui-se em um tema que tem sido bastante investigado recentemente no Brasil. O que já se comprovou é que plantas das espécies Brachiaria plantaginea e Setaria geniculata, possivelmente, influenciem a ocorrência da brusone na cultura do trigo. Esta proposição pôde ser sugerida em função do sucesso da inoculação cruzada feita entre isolados de P. grisea, obtidos de trigo e das duas espécies de plantas daninhas mencionadas acima. Além disso, estudos sobre a sexualidade do fungo demonstraram que isolados obtidos de B. plantaginea e S. geniculata podem produzir estruturas reprodutivas (peritécios), quando submetidos aos cruzamentos com isolados do trigo. Esses resultados são importantes porque indicam a possibilidade de ocorrência de recombinação sexual natural entre P. grisea das duas plantas daninhas e de trigo e, em conseqüência, da origem à variabilidade genética do patógeno na cultura do trigo.

Brusone na espiga: sintoma característico quando ráquis da planta de trigo é infectada

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tamento de sementes, a escolha da melhor época de plantio (evitar a coincidência de condições favoráveis à doença por ocasião do espigamento do trigo), a rotação de culturas, a eliminação de hospedeiros alternativos do patógeno, o emprego adequado da adubação nitrogenada e a utilização de fungicidas na parte aérea das plantas. Já foi verificado que o fungo P. grisea apresenta alta eficiência para ser transmitido pelas sementes de trigo, além da possibilidade de permanecer viável nas mesmas por períodos de até 22 meses. Essas informações corroboram a indicação de

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EPIDEMIOLOGIA

Charles Echer

S

ua ocorrência é bastante depen dente das condições climáticas, sendo que as melhores condições para o seu desenvolvimento são em temperaturas de 21-26oC, umidade relativa acima de 90% e longos períodos de orvalho. O fungo pode ser transmitido pelas sementes, sobreviver em restos culturais e utilizar várias espécies de gramíneas como hospedeiros alternativos.

ença pode adotar. No entanto, atualmente existem algumas dificuldades relativas ao controle químico da brusone da parte aérea da cultura do trigo. São poucos os ingredientes ativos registrados no Brasil para o controle da doença, além de o desempenho dos fungicidas, ao longo dos anos, não ser consistente, e a máxima proteção alcançada gire em torno de 50%. Esse nível de eficiência mostra-se drasticamente menor, quando ocorrem condições climáticas muito favoráveis à doença, conforme o observado na safra de 2004 no C Brasil Central. João L. Nunes Maciel e Ariano Moraes Prestes, Embrapa Trigo

Divulgação

que o uso de sementes sadias e o tratamento de sementes com fungicidas devem ser vistos como medidas altamente relevantes para o controle integrado da brusone, apesar de a ação desses agentes químicos não perdurar por todo o ciclo da cultura. Infelizmente, o número de cultivares de trigo, indicadas para cultivo no Brasil e que apresentem o mínimo de resistência à brusone, é bastante limitado. Neste aspecto, destaca-se a cultivar BR 18-Terena, uma das cultivares de trigo mais difundidas em nosso País. Esta cultivar, além de moderadamente resistente à brusone, apresenta elevado potencial produtivo e farinha de excelente qualidade industrial. Desde 1976, a utilização de fungicidas constitui-se em uma indicação técnica oficial integrante das opções de controle das doenças da parte aérea da cultura de trigo. Essa estratégia, embora seja uma das que mais onera os custos de produção da cultura, tem se transformado em um componente de vantagem técnica e econômica para a produção de trigo no Brasil. Devido à alta suscetibilidade à brusone que a maioria das cultivares indicadas para cultivo em nosso país apresenta, associada à ampla faixa de hospedeiros que o patógeno causador da doença possui, dificultando o êxito da rotação de culturas no controle da doença, o uso de fungicidas torna-se uma das poucas alternativas que o produtor de trigo dos locais com histórico de ocorrência da do-

Maciel e Prestes explicam por que o fungo que causa a Brusone do trigo não é o mesmo do arroz

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Milho O maior aproveitamento da luz, devido ao melhor arranjo das plantas, é o principal objetivo da redução do espaçamento entre linhas na semeadura da cultura do milho Jean Carlos

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MAIOR INTERCEPTAÇÃO DE LUZ SOLAR O maior benefício alcançado com o espaçamento reduzido é o aumento da interceptação da luz solar no início do desenvolvimento da cultura, devido ao melhor arranjo espacial das plantas. Isso resulta em um maior índice de fotossíntese durante o período total de crescimento. A quantidade de fotossíntese realizada pela planta durante o período total de crescimento é diretamente proporcional à produtividade alcançada. Dentro de certos limites, quanto mais luz solar for interceptada pela cultura, maior será a sua produtividade. Além do aumento de interceptação da luz solar, essa interceptação é antecipada nos espaçamentos reduzidos, uma vez que não há sombreamento na linha, o que faz com que a cultura se desenvolva mais rapidamente. O desenvolvimento antecipado da cultura, além de aumentar a produtividade através do aumento da fotossíntese, também torna a cultura mais resistente a possíveis estresses ambientais e a ataques de pragas e doenças que possam acontecer no futuro. Abaixo, mostramos dois esquemas que

ilustram a distribuição de plantas nos espaçamentos convencional e reduzido para a mesma população. Observe a melhor distribuição de plantas no espaçamento reduzido.

MENOR COMPETIÇÃO ENTRE PLANTAS A maior uniformidade na linha de plantio, alcançada com a redução do espaçamento, diminui a competição entre plantas e aumenta a eficiência da utilização de nutrienPioneer

O

plantio de milho em espaçamento reduzido é uma prática que já vem sendo estudada e adotada em outros países há décadas. Apesar dos ótimos resultados alcançados, a adoção do plantio em espaçamento reduzido não era uma prática muito utilizada no Brasil. O maior empecilho foi a falta de equipamento adequado para a colheita, barreira que já foi superada pela indústria de maquinários. Após o desenvolvimento de colheitadeiras apropriadas, a adoção do espaçamento reduzido vem tomando novo impulso no país. A planta de milho pode ser vista como uma fábrica, em que o número de funcionários é constante, mas a matéria-prima e a demanda podem variar de acordo com as condições do ambiente. Quanto mais estoque essa fábrica produzir nos períodos de baixa demanda e alta disponibilidade de matéria prima, melhor será sua reação, quando a demanda for alta e a matéria prima escassa. Em condições de estresse, como foi o caso da safra passada, plantas que tiveram melhores condições de crescimento no início da safra suportaram melhor as condições de seca do final. A redução do espaçamento entre linhas possibilita o acúmulo de fotossimilados pela planta, principalmente nos estádios iniciais de crescimento, assim como o melhor aproveitamento e utilização dos recursos disponíveis (água, luz e nutrientes). A seguir, algumas vantagens da adoção dessa prática de manejo.

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MAIOR CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS

Outra vantagem é o aumento da habilidade competitiva do milho em relação às plantas daninhas. O aumento da quantidade de luz que é interceptada pela cultura do milho, juntamente com o aumento da taxa de crescimento, faz com que o milho saia na frente, sofrendo menos com a competição nos estádios iniciais da cultura. Além disso, o sombreamento das entrelinhas é mais rápido, o que pode reduzir a emergência tardia de algumas plantas daninhas. Os resultados são a diminuição de perdas por competição e a possível redução nos gastos com herbicidas.

MENOR PERDA DE ÁGUA POR EVAPORAÇÃO O maior e mais rápido sombreamento das entrelinhas também diminui a proporção da água perdida através da evaporação do solo. Existe uma proporção entre a perda de água por evaporação e por transpiração das plantas. No caso do plantio em espaçamento reduzido, a maior parte da água passa a ser perdida através da transpiração da planta, o que juntamente com a maior incidência de luz solar assegura taxas de fotossíntese mais altas e um maior aproveitamento da água absorvida.

ção, juntamente com a redução do espaçamento, é fator importante para o aumento da produtividade. Veja no Quadro 1, os resultados da média de produtividade de vários híbridos, avaliados durante os últimos cinco anos em vários locais em diferentes espaçamentos e populações (Fonte Pioneer Sementes). Antes de decidir sobre a população de plantas desejada, recomenda-se que o produtor busque informações a respeito dos híbridos existentes, uma vez que as recomendações de população variam para cada híbrido e dependem do nível de fertilidade do solo, nível de adubação praticado pelo produtor, nível tecnológico adotado, histórico de chuvas da área, disponibilidade de irrigação, altitude e época de plantio. É esse conjunto que determina a população de plantas. Já a necessidade de aumento de adubação em um sistema de produção em espaçamento

reduzido deve ser calculada com base na meta de produtividade a ser atingida, da mesma maneira como é feito no espaçamento convencional. Quando o produtor optar pelo aumento da população, juntamente com a redução do espaçamento, para que ocorra sinergismo entre essas duas práticas e um possível aumento na produtividade, é conveniente que se façam ajustes nos níveis de adubação. Tais ajustes devem ser feitos com critério, levando-se em conta os níveis de fertilidade do solo, a cultura utilizada na rotação, além de outros aspectos.

REQUISITOS BÁSICOS Existem algumas condições básicas para que o espaçamento reduzido realmente contribua com o aumento da produtividade. Fatores como a correção do solo, o controle eficaz de pragas e plantas daninhas e uma boa

Charles Echer

tes, água e radiação solar. Em anos em que a média de precipitações é menor, a diminuição da competição entre plantas e a maior disponibilidade de umidade do solo para cada planta são fatores que irão contribuir para o aumento da produtividade final.

ESPAÇO REDUZIDO E MAIS PLANTAS A redução do espaçamento não implica necessariamente em aumento da população. Contudo, resultados de pesquisa e de lavouras têm mostrado que o aumento da popula-

Maior acúmulo de fotoassimilados pela planta é a principal vantagem da redução de espaçamento entrelinhas

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Em épocas de baixa precipitação, a disponibilidade de umidade no solo tende a ser maior, contribuindo para o incremento da produtividade

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Quadro 1 - Resultados da média de produtividade milagres tão somente mexendo nesses dois itens. Observadas essas condições, e feita uma criteriosa análise de custos, levando-se em conta o tamanho da área, o custo de aquisição e modificação dos equipamentos, o período de amortização e a produtividade esperada, a adoção do plantio em espaçamento reduzido só tem vantagens a trazer ao produtor.

CONCLUSÃO

com o objetivo de assegurar que todos os detalhes sejam observados. Áreas vizinhas, ou ensaios de outros produtores, associações de produtores, ou órgãos de pesquisa também são importantes como fonte de informação e recomenda-se que estes sejam visitados pelo produtor. Vale a pena lembrar que o manejo da lavoura, os fatores de produção e as médias de produtividades alcançadas nos últimos anos devem ser bem analisados, para ver se a adoção da redução do espaçamento e o aumento da população de plantas são, no momento, os aspectos prioritários. Não podemos esperar

Brescia Ribeiro M. Terra, Pionner Sementes

Pioneer

qualidade de plantio são essenciais para que essa prática traga o resultado desejado. O produtor deve também ter em mente que haverá custos adicionais com a compra e/ou adaptação dos equipamentos de manejo e colheita. A aquisição de uma plataforma de colheita adequada e a utilização de pulverizadores e tratores com rodados estreitos que permitam a entrada na lavoura de espaçamento reduzido, sem causar danos às plantas, são premissas básicas para a implantação do sistema. Antes que se adote a prática da redução de espaçamento em área total, recomenda-se que seja feito um pequeno teste na propriedade,

Assim como no espaçamento convencional, ambientes com disponibilidade de água, temperatura noturna mais amena, maior insolação, solos com bom equilíbrio nutricional e controle adequado de pragas e plantas daninhas irão proporcionar melhor resposta à adoção do espaçamento reduzido. Da mesma forma, a utilização de híbridos com elevado potencial genético, adequadamente posicionados, e com populações mais altas, proporcionará maior produtividade com a redução de espaçamento. O custo benefício, em outras palavras, o retorno dessa mudança de prática/tecnologia, é talvez o resultado mais convincente dentro das pesquisas nessa área, o que nos leva a recomendar fortemente que os agricultores devam ao menos testar essa tecnologia e fazer comparações, durante todo o ciclo, sobre as vantagens acima citadas e, principalmente, na colheita, medir/comparar as produtividades e, então, decidir sobre a tecnologia que irá utiliC zar nos próximos anos.

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Café

Ácaro-vermelho Com surgimento geralmente em reboleiras, mas com rápida infestação total da lavoura, o controle do ácaro-vermelho do café deve ser realizado no início para evitar que plantas fiquem debilitadas

O

vados facilmente com o auxílio de uma lente de aumento.

DESCRIÇÃO E NOTAS BIONÔMICAS Os ovos são de formato arredondado, quando vistos por cima, de coloração vermelho-escura à rósea, brilhantes, com um filamento saindo da parte superior e quase invisíveis a olho nu. As fêmeas colocam os ovos próximo às nervuras, em geral, à nervura principal, na página superior da folha. Medem em média 0,13 mm de diâmetro por 0,10 mm de altura (Foto 1). O período médio de incubação é de 5,5 dias. A eclosão de larvas dá-se entre 6 e 10 dias, dependendo da temperatura, sendo mais rápida em temperaturas mais altas. As larvas recém-eclodidas apresentam coloração rósea, são piriformes, he-

xápodes (apresentam três pares de pernas) e se locomovem com dificuldade. A fase de larva tem uma duração média em torno de 1,6 dias. Nos estágios que sucedem o de larva, até atingir a fase adulta, o ácaro recebe a denominação de ninfa. No estágio de ninfa, o ácaro apresenta quatro pares de pernas (octópodes). Para passar de larva à protoninfa, o ácaro entra em estado de quiescência, chamado de protocrisálida, que tem a duração média de 0,8 dias. Como protoninfa, o ácaro vive cerca de 1,2 dias. Antes de transformarse em deutoninfa, passa por outro estádio quiescente, agora denominado de deutocrisálida, com a duração de 0,7 dias. O estágio de deutoninfa dura em média 1,2 dias, mesma duração de protoninfa, ao final do qual passa novamente por um

Cultivar

ácaro-vermelho já foi referido como a segunda praga em importância para o cafeeiro Conillon (Coffea canephora) (Pierre & Froenher) no estado do Espírito Santo. O Conillon tem-se mostrado mais sensível ao ácaro do que o arábica (C. arabica), à semelhança do que também ocorre com a broca-do-café (Hypothenemus hampei) (Ferrari, 1867) (Coleoptera: Scolytidae). Essa espécie é conhecida no Brasil como ácaro-vermelho do cafeeiro. Vive na face superior das folhas, que, quando atacadas, apresentam-se recobertas por uma delicada teia, tecida pelos próprios ácaros, onde aderem detritos e poeira, dando às folhas um aspecto de sujeira. Nessas circunstâncias, podem ser obser-

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Fotos Paulo R. Reis

HISTÓRICO

O

Oligonychus ilicis (McGregor, 1917) (Acari: Tetranychidae) foi descrito pela primeira vez na Carolina do Sul, EUA, atacando azevim ou azevinho americano (Ilex opaca, Ait.) em 1917, posteriormente, foi encontrado atacando plátano. É considerado praga de coníferas, azaléia, camélia e nogueira nos EUA; chá, arroz, loureiro e azevinho, no Japão; cafeeiro e erva-mate no Brasil, e em diversas outras culturas. Sua origem é provavelmente a região extremo leste dos EUA. No Brasil, a primeira referência ao O. Ilicis, atacando cafeeiro (Coffea arabica L.), foi no estado de São Paulo, em 1950, embora naquela época tenha sido referido como outra espécie, juntamente com o ácaro da mancha-anular (Brevipalpus phoenicis) (Geijskes, 1939) (Acari: Tenuipalpidae). das fêmeas não-acasaladas é constituída apenas de machos) e a partenogênese telítoca (descendência das fêmeas não-acasaladas é constituída de fêmeas). A proporção sexual é em média de 9,6 fêmeas para 1 macho, com uma razão sexual de 0,91, ou seja 91% dos ácaros são fêmeas. A predominância de fêmeas em cafeeiros é, portanto, acentuada. Estima-se que a população de O. iliestádio de quiescência chamado de teleiocrisálida, com a duração de 0,9 dias em média. Todos os estágios que ocorrem entre ovo e adulto apresentam durações semelhantes tanto para machos, como para fêmeas do ácaro. O ciclo de ovo a adulto, para fêmeas, é de 11,6 dias e, para machos, 11,8 dias em média praticamente não havendo diferença entre eles. O ácaro adulto apresenta quatro pares de pernas (octópodes), como as ninfas. Os sexos são distintos na fase adulta, e já se consegue diferenciá-los no final do estádio de teleiocrisálida, onde seu desenvolvimento se completa. Os machos são mais ativos do que as fêmeas, andam rapidamente pela folha, pouco se alimentando. Sua diferenciação com a fêmea é notada na forma e tamanho do corpo. O macho é menor do que a fêmea, com um idiossoma (corpo) menos volumoso, afilando acentuadamente para a parte posterior, dando-

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Folha bronzeada: sintoma típico do ataque do ácarovermelho

lhe um aspecto cuneiforme (forma de cunha). Além disso, aparentemente, apresenta pernas mais longas. A fêmea é de formato quase oval, idiossoma volumoso e coloração vermelha no terço anterior e pardo-escura nos dois terços posteriores, onde podem ocorrer duas manchas escuras, sendo porém muito semelhante ao macho. As fêmeas medem 0,37 mm de comprimento por 0,24 mm de largura e apresentam maior longevidade que os machos (Foto 2). As fêmeas acasaladas apresentam menor longevidade que as não-acasaladas, sendo que o inverso é verificado para os machos. Cada fêmea acasalada coloca em média 2,9 ovos /dia e não acasalada, 1,6. O principal tipo de reprodução de O. ilicis é a partenogênese, podendo ocorrer a partenogênese arrenótoca (descendência

Acima: ovos de Oligonychus ilicis, colocados próximos às nervuras da folha, quase invisíveis a olho nu. Abaixo: casal de ácaros

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cis aumenta cerca de 20 vezes no período médio de duração de uma geração, que é em torno de 20 dias. A população do ácaro cresce 1,2 vezes ao dia e dobra a cada 4,8 dias.

CONTROLE BIOLÓGICO Em condições normais de clima e manejo da cultura do cafeeiro, o ácaro-vermelho se encontra em equilíbrio devido à presença de agentes de controle biológico. Entre os principais inimigos naturais do ácaro, estão os coleópteros do gênero Sthetorus (minúsculas joaninhas de coloração escura), larvas de crisopídeos e, principalmente, os ácaros predadores

DANOS

P

ara se alimentar, em geral na página superior das folhas, os ácaros perfuram as células e absorvem parte do conteúdo celular. Em conseqüência, as folhas perdem o brilho natural, tornam-se bronzeadas, o que proporciona um péssimo aspecto às plantas (Fotos 3 e 4). O ataque ocorre geralmente em reboleiras, porém poderá atingir toda a lavoura, se, em condições muito favoráveis ao ácaro, não for feito o controle no início da infestação. Embora ainda não tenha sido quantificada, em conseqüência do ataque, ocorre redução da área de fotossíntese das folhas, resultando em prejuízo ao desenvolvimento das plantas e em redução da produção de café. Períodos de seca, com estiagem prolongada, são condições propícias ao desenvolvimento do ácaro, podendo causar desfolha das plantas, sendo que lavouras novas, em formação, terão seu desenvolvimento retardado.

pertencentes à família Phytoseiidae, abundantes em cafeeiros. As espécies de fitoseídeos mais encontradas em cafeeiro são: Euseius alatus (DeLeon), Amblyseius herbicolus (Chant), Amblyseius compositus (Denmark & Muma), Iphiseiodes zuluagai (Denmark & Muma), Euseius citrifolius (Denmark & Muma) e Euseius concordis (Chant), entre outros. A preservação e aumento dessas espécies de ácaros são importantes, para auxiliar a manutenção do controle biológico dos ácaros-praga do cafeeiro.

MANEJO DO ÁCARO-VERMELHO Devido à localização da maioria dos espécimens do ácaro-vermelho do cafeeiro na página superior das folhas, chuvas intensas e constantes podem exercer um controle físico, reduzindo sua população e propiciando às plantas condições de vegetação e recuperação, não sendo necessária a utilização de nenhuma outra medida de controle. O controle químico, se necessário, deve ser realizado através de pulverizações de acaricidas específicos ou inseti-


Paulo R. Reis

Produtos registrados para uso no controle do ácaro-vermelho do cafeeiro Nome Comercial Técnico Danimen Fenpropathrin Envidor Spirodiclofen Ethion Ethion Ethiongel Ethion Hostathion Triazophos Lebaycid Fenthion Mavrik Fluvalinate Meothrin Fenpropathrin Microsulfan Enxofre Microzol Enxofre Sulficamp Enxofre Sumirody Fenpropathrin Thiovit Jet Enxofre Thiovit Sandoz Enxofre

Dosagem/ ha

Formulação1

200 ml 300 ml 1.000 ml 500 ml 300 ml 1.250 ml 250 ml 200 ml 4.000 g 2.250 ml 4.000 g 200 ml 2.500 g 4.000 g

EC SC EC GL EC EC EC EC WP SC WP EC WG WP

Classe Toxic.2 I III I II I II I I IV IV IV I III IV

Grupo Químico Selet.3 NS S NS NS NS NS NS MS MS MS NS MS MS

Éster Piretróide Ketoenole Organofosforado Organofosforado Organofosforado Organofosforado Éster Piretróide Éster Piretróide Inorgânico Inorgânico Inorgânico Éster piretróide Inorgânico Inorgânico

1Formulação: EC - Concentrado Emulsionável; GL - Gel Emulsionável; SC - Suspensão Concentrada; WG - Grão Dispersível em Água; WP - Pó Molhável. 2Classificação Toxicológica: I - Extremamente tóxico; II - Altamente tóxico; III - Medianamente tóxico; IV - Pouco tóxico. 3Seletividade fisiológica à Phytoseiidae: S - Seletivo; MS - Moderadamente Seletivo; NS - Não Seletivo.

cidas-acaricidas, de preferência seletivos aos inimigos naturais, em especial aos ácaros Phytoseiidae, no sentido de conservar e mesmo propiciar aumento dos mesmos. O controle deve ser direcionado às plantas das reboleiras atacadas, com sintomas do ataque do ácaro (bronzeamento das folhas), abrangendo também uma faixa ao redor delas. As demais plantas livres de ataque não devem ser pulverizadas para melhor preservação dos inimigos naturais no cafezal e menor custo de controle. Alguns produtos

tranychidae, à qual pertence o ácaroC vermelho. Paulo Rebelles Reis, Epamig/EcoCentro Charles Echer

utilizados no controle do bicho-mineiro, Leucoptera coffeella (Guérin - Mèneville, 1842) (Lepidoptera: Lyonetiidae), que também ocorre em períodos de seca prolongada, podem exercer controle do ácaro e, neste caso, sua infestação pode passar despercebida. O uso em excesso de fungicidas cúpricos para o controle da ferrugem-docafeeiro, Hemileia vastatrix (Berk et Br.), e de alguns piretróides, utilizados no controle do bicho-mineiro, também tem causado acentuado aumento no número de ácaros-vermelho em plantas de cafeeiro, causando o que é conhecido como ressurgência, ou seja, aumento do número de ácaros pela melhoria nas condições fisiológicas da planta, provocadas pelo produto (trofobiose) ou pelo estímulo direto na reprodução do ácaro por dosagens subletais do produto (hormoligose). Suspeita-se que os neonicotinóides também possam causar ressurgência, entretanto, há necessidade de mais estudos. Os casos mais conhecidos de ressurgência são para espécies de ácaros pertencentes à família Te-

Períodos de seca prolongada são épocas favoráveis para o desenvolvimento do ácaro que prejudica o desenvolvimento das plantas, salienta Rebelles


Algodão

Charles Echer

Fechando o cerco Conhecer a fenologia da planta, assim como o comportamento do inseto, pode amenizar os danos causados pelo bicudo ao algodão, garantindo a produtividade

O

bicudo-do-algodoeiro (Antho nomus grandis), Boheman, 1843 (Coleoptera: Curculionidae), é uma das mais sérias pragas do algodoeiro, pelos danos que causa. Esse inseto é considerado praga-chave, atuando em quase todo o Continente Americano e, quando práticas culturais corretas não são adotadas, tais como época de plantio e destruição dos restos culturais, os prejuízos ocasionados por esse inseto podem ser intensos. No Brasil, foi encontrado pela primeira vez em

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1983, no município de Campinas, em algodoeiro próximo ao Aeroporto de Viracopos. O adulto do bicudo-do-algodoeiro mede de 5 a 9 mm de comprimento, tem coloração que varia do pardo-acinzentado ao negro, com pêlos dourados esparsos sobre os dois élitros, onde se observam estrias ou sulcos longitudinais. Como característica marcante da família, apresenta um bico ou rostro, em cuja extremidade apical encontramse as peças bucais e, mais ou menos no centro do bico, situam-se as antenas . Cada fêmea coloca em média cerca de 6 ovos por dia, num total de 200 ovos em toda sua vida. Depois de 2 a 4 dias, as larvas eclodem e comem todo o interior do botão, que cai em uma semana, tempo este que coincide mais ou menos com o período larval (6 a 12 dias). A larva se transforma em pupa dentro do botão, durando de 3 e 5 dias. Os danos decorrentes da alimentação de A. grandis são reconhecidos pela presença de orifícios de mais ou menos 1 mm de diâmetro, geralmente contendo em sua volta um anel amarelado formado por grãos de pólen. Já os danos de oviposição de adultos se caracterizam pela presença de uma espécie de cera na entrada do orifício feito pela

fêmea. O ataque de A. grandis geralmente ocorre nos botões florais e, na ausência destes e com alta densidade populacional de adultos, as maçãs também são atacadas em até 50%.

ASPECTOS FENOLÓGICOS Para melhor compreensão do ataque do bicudo-do-algodoeiro, é necessário o acompanhamento das características fenológicas das diferentes cultivares de algodoeiro atualmente comercializadas. A precocidade do algodoeiro é uma característica agronômica relacionada ao manejo do bicudo. A adoção de estratégias de manejo de pragas, como a destruição imediata dos restos culturais da safra anterior e a utilização de cultivares precoces, em sistemas em que se enfatizam as práticas culturais, podem aumentar a produção de al-

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Charles Echer

A produção de botões florais e de maçãs depende de diversos fatores culturais. No entanto, o plantio na época recomendada para as regiões faz com que as plantas produzam botões florais o mais cedo possível (até meados de janeiro, no Estado de São Paulo, e Março, no Centro-Oeste), ocorrendo assincronia fenológica (evasão hospedeira) em relação às altas infestações de bicudos provenientes da 2a e 3a gerações de adultos. Comparando-se três épocas de plantio, observou-se que o número de maçãs produzidas diminuiu de 12 por planta ( plantio em outubro) para 3 (novembro), e em plantios em dezembro não houve produção de maçãs em função da alta população de A. grandis, no mês de março, no Estado de São Paulo.

INFLUÊNCIA DOS BOTÕES FLORAIS

godão em áreas infestadas por essa praga. A rápida frutificação dos algodoeiros aumenta a probabilidade de se obter boa produção antes da praga atingir o nível de dano. Genótipos de algodoeiro de rápida frutificação teriam maior probabilidade de completar o ciclo, escapando dos elevados índices populacionais do bicudo, que normalmente ocorrem na fase final do ciclo das plantas. Normalmente o pico de produção de botões florais pelas plantas acontece aos 80 dias após a germinação das plantas (DAE), che-

Ataque do bicudo geralmente é ao botão floral, mas, na ausência destes e em altas infestações do inseto, maçãs também são atacadas

gando a 16,3 e 17,0 botões florais por planta nas cultivares Fibermax 986 e Coodetec 405, respectivamente. Com relação ao diâmetro dos botões florais, as variações são de 4,4 a 6,8 mm (Figura 1). A produção das primeiras maçãs é observada aos 58 DAE, aumentando, até os 98 dias, para valores médios de 10,8 maçãs por planta e diâmetros de até 32 mm.

Do total de botões ovipositados pelas fêmeas do bicudo-do-algodoeiro, 60% apresentam diâmetros entre 6 e 8 mm na cultivar Coodetec 405, enquanto que, na cultivar Fibermax 986, essa percentagem é maior, com 68% dos botões atacados. Tal preferência das fêmeas se deve ao fato de que as larvas necessitam de alimento suficiente para se desenvolverem, empuparem e emergirem os adultos, garantindo maior longevidade e sobrevivência na entressafra. A utilização de genótipos resistentes tem indicado bons resultados, como por exemplo o genótipo Sicot 3, que tem como característica a bráctea tipo frego, que apresenta menos de 5% de botões atacados, enquanto que, na cultivar IAC-20, esse percentual aumenta para 48,1%, evidenciando a diferença dos genótipos quanto à resistência frente à praga. Observa-se, também, uma correlação positiva entre o diâmetro dos botões ovipo-

Figura 1 - Aspectos fenológicos do florescimento e frutificação das cultivares Coodetec 405 e Fibermax 986: número e diâmetro ( mm) de botões florais e maçãs por planta de algodoeiro

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Figura 2 - Correlação entre o diâmetro (mm) dos botões florais atacados e a massa corporal (mg) dos adultos de A. grandis ao emergirem nas cultivares Coodetec 405 (?) e Fibermax 986 (?)

sitados pelas fêmeas do bicudo-do-algodoeiro e a massa corporal dos adultos emergidos desses botões florais, ou seja, um maior diâmetro de botão implica num adulto de maior massa corporal (Figura 2).

INFLUÊNCIA DAS MAÇÃS A idade das maçãs (diâmetro) influencia diretamente na taxa de alimentação e oviposição do bicudo-do-algodoeiro. A maior porcentagem de orifícios de alimentação tem

sido constatada nas maçãs mais novas (dois dias de idade) (44,8% e 38,96%), com redução significativa quando comparadas com as maçãs de oito (22,44% e 24,77%) e 12 dias (7,8% e 11,2%) nas cultivares IAC-20 e Reba P288, respectivamente (Figura 3). Em estudos realizados em Jaboticabal (SP), observaram-se diferenças significativas no número de orifícios em relação à cultivar e à idade (Tabela 1). O número médio de orifícios nas maçãs da cultivar Reba P288

foi estatisticamente inferior ao da cultivar IAC-20, revelando, assim, preferência do bicudo por esta última. Dessa forma, a suscetibilidade ao dano decresce com o aumento da idade da maçã, o que está diretamente relacionado ao aumento do tamanho e resistência dos tecidos do exocarpo da maçã à penetração do aparelho bucal do inseto. A preferência de alimentação de A. grandis pelas estruturas reprodutivas mais novas do algodoeiro evidencia que as maçãs a


Figura 3 - Percentagem de orifícios de alimentação causados pelo bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) em maçãs com 2, 8 e 12 dias em algodoeiro, cultivares Reba P288 e IAC-20

Fotos Antonio Carlos Busoli

Orifício feito pelo insetopara oviposição no interior do botão floral, onde são colocados cerca de 6 ovos ao dia Miranda destaca a importância de se desenvolver alternativas de controle específicas para a cultura do algodão

partir de 12 dias são menos danificadas, com infestação de apenas 15,83%, enquanto que em maçãs de apenas 2 dias de idade são atacadas cerca de 45% das maçãs. Na prática, as maçãs mais novas apresentam maior percentagem de ataque, e o número de orifícios observados nestas maças é o dobro em relação às maçãs de 12 dias. Os dados obtidos para as cultivares nacionais, frente ao bicudo-do-algodoeiro, são semelhantes aos dados obtidos por pesquisadores norte-americanos para as cultivares lá utilizadas.

BROTAÇÃO DE RESTOS CULTURAIS Nestes vinte e poucos anos de experiência de manejo do bicudo-do-algodoeiro e de convivência com ele em áreas altamente produtivas do Estado de São Paulo, Minas Gerais (Capinópolis) e Mato Grosso do Sul (Déc. 90 – Fazenda Itamarati Sul) etc, constatamos que as estratégias de uso de práticas culturais são mais importantes do que as táticas de controle usadas isoladamente para o controle desta praga. Em algumas novas fronteiras do cultivo do algodoeiro, como Mato Grosso e Goiás, muitos agricultores falam em Programas de Erradicação do Bicudo, sem, contudo, até o momento, fazerem a lição de casa, ou seja, adotarem a filosofia e os princípios do MIP. Por exemplo,todo agricultor faz a destruição dos restos culturais. O problema é: quando e como é feita? A destruição, na hora certa ou tardiamente, e a roçagem das plantas, rente ao solo ou alta, favorecem ou não a maior população da praga na fase inicial da cultura? Só com a roçagem rente ao solo será possível destruir todas as hastes das plantas, não permitindo novas brotações e produção de botões florais e de pequenas maçãs, que vão servir de alimento para adultos, de hospedeiro para via-

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bilização de ovos, larvas e pupas e, assim, continuar perpetuando a alta população do bicudo, mesmo em entressafra do algodoeiro.

CONSIDERAÇÕES FINAIS Conhecendo-se a fenologia do florescimento e frutificação das cultivares de algodoeiro, utilizadas no Brasil, assim como a biologia e o comportamento de alimentação e oviposição do bicudo-do-algodoeiro, é possível cultivá-lo com práticas culturais adequadas de safra e entressafra, viabilizar seu controle químico, onde os adultos migrantes sobreviventes da entressafra ovipositam nas bordas das áreas de algodoeiro, originando assim os primeiros danos em botões florais em reboleiras, e originando assim a primeira geração de adultos, dos 40 aos 60 DAE. Quando se trata de pequenas áreas (10 a 20 há), a segunda geração causa danos próximos de 10% de botões atacados, já necessitando o controle químico. No entanto, em áreas maiores (acima de 100 ha), somente a terceira geração do bicudodo-algodoeiro causará danos econômicos,

atingindo o nível de controle de 10% de botões atacados somente dos 80 aos 110 DAE. Nessa fase, a cultura já produziu quantidade suficiente de botões florais livres do ataque do bicudo-do-algodoeiro, originando 10 a 15 maçãs/planta. Daí em diante, o cotonicultor deve discutir a viabilidade econômica de se protegerem os poucos botões florais da parte apical dos ramos das plantas, com mais 4 ou 5 pulverizações até próximo a colheita. Para que isso aconteça, o cotonicultor deve empregar práticas culturais adequadas, como destruição rápida dos restos culturais do ano anterior, não atrasar a época de semeadura em relação à região, usar regulador de crescimento de plantas, utilizar armadilhas de feromônios e pragueiros, para detectar os adultos migrantes e as reboleiras de danos nas bordaduras, assim como pulverizar eficientemente os inseticidas para o controle dos adultos. Assim, pode-se afirmar que o manejo do bicudo-do-algodoeiro é possível e mais eficiente em grandes áreas do que em peC quenas áreas de cultivo. Antonio Carlos Busoli e Marcos Doniseti Michelotto, Unesp

Tabela 1 - Número de orifícios de alimentação de Anthonomus grandis em maçãs de algodão com 2, 8 e 12 dias, cultivares Reba P288 e IAC-20, oferecidas em laboratório, em três ensaios (1) Tratamento Reba P288 IAC-20 F p/ cultivar 2 dias 8 dias 12 dias F p/ idade da maçã F p/ interação CV (%)

Ensaio 1 1,72 b 2,26 a 6,35* 3,06a 2,34b 0,66c 55,57** 0,12ns 36,52

Ensaio 2 2,29a 2,38a 0,14ns 3,15a 2,75a 1,11b 30,39** 0,29ns 37,02

Ensaio 3 2,65a 2,76a 0,16ns 3,73a 2,47b 1,91b 15,82** 0,22ns 30,14

(1)Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Ns Não significativo. * e ** significativo a 5% e 1% de probabiliade, respectivamente

Busoli e Michelotto, mostrando a rebrota de restos culturais com roçagem alta, esconderijos do bicudo

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Cevada

A

produção nacional de cevada cresceu substancialmente na última década, abastecendo, atualmente, 75% da demanda da indústria de malte, comparado aos 25 % em meados dos anos 90. A indústria de malte, única fomentadora do cultivo de cevada no país, sem crescimento desde o início da atividade da Malteria do Vale em 1999, em Taubaté (SP), tem capacidade para processar cerca de 360 mil toneladas/ano de cevada seca, limpa e classificada. Considerando-se ainda o volume usado para semente mais as quebras associadas ao beneficiamento e fora de padrão, estima-se, em 420 mil toneladas de cevada bruta, a total demanda de cevada cervejeira do país. Assim, qualquer aumento na demanda para fim cervejeiro depende necessariamente do crescimento da capacidade da indústria de malte. Enquanto a demanda não aumenta, a superfície fomentada pela indústria em 2005 deverá ficar em torno da média dos últimos anos, ou seja, entre 130 e 140 mil ha, com expectativa de produção de 320 a 350 mil toneladas. Ao que tudo indica, a política de preços e as condições contratuais praticadas pelas indústrias em 2004 deverão ser mantidas para a safra 2005. O mercado de cevada cervejeira obedece aos padrões de qualidade estabelecidos pela Portaria 691/96 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Segundo a mesma, a cevada para malte deve preencher os seguintes padrões de qualidade: máximo de 13% de umidade; mínimo de 95% de germinação; máximo de 12% de proteínas; máximo de 3% de matérias estranhas e máximo de 5% de grãos avariados. Visando maximizar o aproveitamento da safra, as indústrias têm adquirido cevadas com germinação entre 90 e 95%

Para quem pretende cultivar cevada no padrão cervejeiro, o contato com uma empresa de fomento para plantio com contrato é fundamental

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Padrão de

Embora a área de produção deva manter os números do requisitos que elevam a qualidade da ceva por preço apenas ligeiramente inferior ao pago pelo padrão 95%. Para produzir dentro desse padrão e, com isso, obter o valor máximo estabelecido, o produtor de cevada deve levar em consideração os fatores que contribuem para o sucesso do empreendimento. Em termos gerais, para produzir cevada dentro do padrão cervejeiro, devem-se seguir as indicações técnicas elaboradas e publicadas bianualmente pela Comissão de Pesquisa de Cevada. Para ser produtor de cevada padrão cervejeiro, é imperativo que o interessado faça contato com uma empresa de fomento de cevada, de preferência a mais próxima à sua propriedade, visando o plantio sob contrato, que é a única maneira de garantir a comercialização da produção logo após a colheita. Além disso, o planejamento da lavoura deve ser realizado pelo produtor e pela assistência técnica da empresa de fomento que vai adquirir a produção, levando em consideração, entre outros, os seguintes fatores: • Plantio em regiões mais aptas à produção com qualidade cervejeira Clima favorável à produção de grãos com qualidade cervejeira é o principal fator determinante das atuais concentrações da produção no país. Qualidade cervejeira é obtida em regiões de alta luminosidade, baixa umidade relativa do ar e de temperaturas amenas (média diária inferior a 17°C) durante as fases de formação, enchimento e maturação dos grãos. Em geral essas fases da cultura ocorrem em setembro e outubro na maioria das regiões produtoras no Brasil. O Rio grande do Sul é o maior produtor, contribuindo em média com 70% da produção nacional. Nesse Estado, a produção está concentrada em duas regiões distintas. A região Norte responde por 95% e se estende desde Vacaria, na Encosta Superior do Nordeste, à Ibirubá, no Planalto Mé-

dio. Passo Fundo está no centro dessa região. A região Sul engloba parte da Depressão Central, da Serra do Sudeste e da Campanha. Em Santa Catarina, o cultivo ocorre no planalto de Canoinhas e no Vale do Rio do Peixe, com concentração em Campos Novos e Mafra. No Paraná, a produção se concentra em Guarapuava e Ponta Grossa no centro-sul do Estado. • Plantio em áreas próximas a postos de recebimento/beneficiamento do produto colhido Traz vantagens principalmente em anos de chuva na colheita e, portanto, necessidade de secagem dos grãos. • Dispor de equipamento adequado e em condições de funcionamento Dispor de colheitadeira em perfeito estado operacional é imperativo para se produzir cevada cervejeira nas condições de clima da região Sul do país • Escolher entre a(s) cultivar(es) disponível(eis), a(s) de melhor desempenho na região Atualmente estão disponíveis para plantio as cultivares BRS 195, BRS 225, Embrapa 127, Embrapa 128, MN 684, MN 698, MN 721, BRS Borema, MN 610, MN 716 e MN 743. Para fazer a escolha, o produtor deve consultar a pesquisa sobre o desempenho relativo de cultivares na região da lavoura. Sempre que possível, também deve utilizar mais de uma cultivar. • Plantio em solo profundo, bem drenado, descompactado, neutro e fértil Entre os cereais de inverno, a cevada é a mais sensível à acidez e à compactação. • Plantio em áreas com pelo menos um ano sem cevada A rotação com plantas não-gramíneas no inverno reduz o potencial de inóculo de patógenos que podem atacar todos os órgãos da

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Fotos Marco A. Lucini

16% de umidade devem ser secados em etapas, retirando-se cerca de 3% de umidade em cada secagem. O segredo na operação é evitar perda de germinação pelo efeito de calor excessivo. Em condições normais de clima, nas regiões de concentração de plantio, os padrões de cevada para malte são facilmente obtidos. Nessas circunstâncias, a cevada se torna uma opção bastante competitiva em relação aos demais cereais cultivados na mesma época, principalmente, na questão liquidez de mercado. A cevada dentro do padrão malte cervejeiro é adquirida imediatamente pela empresa contratante, o que libera o produtor de possíveis perdas associadas ao armazenamenC to à espera de comercialização.

qualidade s últimos anos, os produtores devem ficar atentos aos da e garantem bom preço para o produto fundidades entre 3 e 5 cm. • Aplicar fertilizantes de acordo com as necessidades da cultura e com o indicado pela análise recente do solo A quantidade e época de aplicação de Nitrogênio requerem maiores cuidados, uma vez que o excesso pode implicar em teores de proteínas acima do limite, prejudicando a qualidade para fins cervejeiros. • Controlar adequada e oportunamente as ervas daninhas, pragas e doenças • Regular colheitadeira de forma a evitar dano mecânico à semente Grãos avariados (descascados, quebrados, etc.) não servem para malte. • Colher sempre que possível os grãos secos (13% de umidade) • Evitar sempre que possível a secagem dos grãos Quando necessário, a secagem deve ser lenta com temperatura na massa de grãos não superior a 45°C. Lotes de grãos com mais de

Euclydes Minella, Embrapa Trigo Divulgação

planta, incluindo as sementes. • Plantio em mais de uma época dentro do período preferencial indicado para a região A diversificação da época de plantio visa estabelecer um mosaico na lavoura no espigamento, reduzindo, assim, os níveis de danos por geadas na floração. • Usar semente fiscalizada de boa qualidade sanitária Praticamente toda semente é controlada pelas empresas de fomento que, em geral, tomam a iniciativa de fornecer sementes já tratadas com fungicidas que protegem a semente e previnem doenças por patógenos associados. • Estabelecer população adequada de plantas, usando a densidade e profundidade de plantio preconizadas para a cultivar escolhida Para as cultivares disponíveis, recomenda-se estabelecer população ao redor de 250 plantas/m², depositando-se as sementes a pro-

Área de plantio não deve se alterar em relação ao ano passado devido à industria não ter alterado a demanda pelo produto, diz Minella


Cana-de-açucar Com danos que atingem em média 10 toneladas por hectare/ano, os cupins destroem o tecido parenquimatoso, prejudicando, principalmente a germinação e muitas vezes exigindo o replantio da cana

A

cana-de-açúcar, uma das principais culturas do Brasil, é atacada por doenças e pragas. Dentre as últimas, destacam-se os cupins pela gravidade dos danos e pela vasta distribuição geográfica. Esses insetos, pertencentes à Ordem Isoptera, são considerados sociais por viverem em colônias altamente organizadas e apresentarem castas reprodutoras (casal real) e não-reprodutoras, compreendendo as operárias e os soldados. Existem cerca de 2.500 espécies, as quais se alimentam basicamente de matéria orgânica morta, ou em estado de decomposição, podendo atacar também tecidos vegetais vivos.

Os cupins subterrâneos são os mais prejudiciais à cultura canavieira, por causarem os maiores prejuízos e estarem presentes em todos os países onde essa cultura é cultivada. O problema com os cupins tornou-se mais importante no Brasil após a proibição do uso de produtos clorados que os controla-

vam eficientemente. Dentre as espécies de cupins que ocorrem em cana-de-açúcar no Estado de São Paulo, as principais são, pela ordem, Heterotermes tenuis e Procornitermes triacifer, as quais estão mais associadas com os danos à cultura. No Nordeste, citam-se os cupins dos gêneros Amitermes, Cylindrotermes e Nasutitermes.

MONITORAMENTO

Em áreas novas de implantação da cultura, o uso de iscas atrativas podem auxiliar na identificação das espécies e percentagem destas na área

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O monitoramento de cupins em cana-de-açúcar depende de alguns pontos-chave, a saber: a) pessoal - refere-se ao conhecimento que o pragueiro deve ter para, no monitoramento, identificar corretamente as espécies encontradas; b) mecânico - refere-se aos meios utilizados para encontrar a praga; c) estatístico - relaciona-se à precisão da amostragem a ser realizada e d) econômico que envolve o custo dessa amostragem

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PREJUÍZOS Fotos José Francisco Garcia

e a vantagem ou não de realizá-la. Os objetivos da amostragem devem ser definidos, para determinar adequadamente o tamanho da unidade de amostra. Se o objetivo for para decidir pelo controle ou não da praga, muitas vezes será preciso prescindir do tamanho ideal e optar pelo tamanho economicamente viável, o que significa eleger o tamanho de menor custo, mas que

mantenha a confiabilidade das informações levantadas. Como não existe um sistema de monitoramento padrão a ser adotado, recomenda-se, para as áreas nas quais a cultura já está instalada, o arranquio de soqueiras, após o corte, antecedendo a destruição das mesmas para a renovação do canavial. Em áreas novas de implantação da cultura, pode-se recorrer ao uso de iscas atrativas, antes da instalação da lavoura, constituídas de toletes de cana ou de isca tipo “Termitrap®” (papelão corrugado sem inseticida), as quais são enterradas à pequena profundidade, onde permanecem por pelo menos 45 dias (toletes de cana), ou por cerca de 15 dias (Termitrap?), seguidas de avaliação, para identificar as espécies presentes e a porcentagem de infestação. A isca Termitrap®, embora eficiente no monitoramento para determinar a necessidade de controle, tem sido menos empregada, provavelmente por falta de divulgação, dificuldade de obtenção do papelão adequado e/ou por fatores econômicos. Para o reconhecimento das espécies, preferencialmente são utilizados os soldados, exceção às espécies sem a presença desta casta (p.ex. Anoplotermes spp.). Quanto ao número de amostras a ser tomada por unidade de área, em ambos os casos, há uma tendência em se adotarem duas amostras por hectare. Embora se reconheça sua baixa representatividade, ela é adotada basicamente pela limitação operacional e, especialmente, pelo elevado custo de se aumentar este número. Porém, reconhecidamente, essa quantidade é muito pequena e pode levar a erros grosseiros pela sua imprecisão. Cupins, por serem insetos sociais e viverem em colônias independentes, possuem áreas de forrageamento, onde os indivíduos da colônia a exploram em busca de alimento. Essas áreas são respeitadas pelas diferentes colônias, independente de pertencerem a uma mesma espécie. Assim,

O

s cupins penetram pelas extre midades dos toletes-sementes, danificando as gemas, pela destruição do tecido parenquimatoso; conseqüentemente, influem na germinação da cana, que apresenta um grande número de falhas, exigindo, em muitos casos, o replantio. No início do crescimento (brotações), o ataque ocorre no sistema radicular, o que debilita a nova planta. Na fase de desenvolvimento, podem atacar os colmos, causando seca e morte dos mesmos. Após o corte, as soqueiras permanecem vulneráveis, sendo, muitas vezes, a principal fonte de alimento e de umidade para a praga no período logo após o corte até o início de rebrota das soqueiras. Esses danos podem ser ainda mais sérios em canaviais colhidos com queima, que elimina grande parte da matéria orgânica e torna o ambiente mais seco, favorável ao ataque da praga. Em áreas infestadas, seus danos médios são de cerca de 10 toneladas por hectare por ano, sendo que, de modo geral, o ataque é maior em solos mais leves.

quando indivíduos estranhos invadem essas áreas, eles são atacados e mortos, ou repelidos. Essas áreas possuem desenhos irregulares e tamanhos variados, dependentes da grandeza da população da colônia. Para minimizar os possíveis erros de amostragem, comuns de ocorrerem ao se distribuírem iscas ou arrancarem touceiras em pontos aleatórios na área, deve-se adotar o sistema que concentra a distribuição de iscas a distâncias próximas, respeitando o comportamento do inseto. Agindo dessa forma, algumas amostras poderão cair fora da área de forrageamento da colônia, mas outras, com certeza, cairão dentro e serão infestadas pela praga. Assim, evi-


CONTROLE

Fotos José Francisco Garcia

O

Detalhe de Heterotermes tenuis, cupim subterrâneo

tam-se possíveis falhas de amostragem que podem levar a erros grosseiros, ao se recomendar o controle em áreas onde a infestação é baixa, ou recomendar o controle quando não há necessidade. Para atender a esse comportamento dos cupins subterrâneos, desenvolveuse o conceito de unidade amostral, desenvolvido para H. tenuis e que tem tido seu uso estendido a outras espécies de cupins, que consiste em se examinarem 20 touceiras em um hectare, espaçadas 20 metros entre linhas e 25 metros na linha, permite a agilidade que se espera nesse tipo de amostragem sem perda de confiabilidade. Essa unidade amostral representa uma área de até 10 ha, de-

método de controle de cupins subterrâneos em áreas de canade-açúcar no Brasil tem sido o preventivo, baseado no conceito de barreira química, empregado na implantação da lavoura. Devido ao alto custo dos produtos utilizados e à preocupação com o meio ambiente, o recomendado é que se faça o monitoramento das áreas e aplique-se o inseticida no sulco de plantio, apenas nos locais onde se tenha efetivamente atingido a porcentagem mínima recomendada. Para o controle químico tem sido empregado o Regent 800 WG (fipronil) 250 g p.c. / ha; Thiodan 350 CE (endosulfan) 6 - 8 L p.c. / ha ou Counter 50 G (terbufós) 20 kg p.c. / ha e, mais recentemente, tem-se preconizado o emprego de outros ingredientes ativos como o imidacloprid (Evidence 480 SC) e a bifenthrin (Talstar 100 CE). O emprego desses produtos tem sido realizado com auxílio de pulverizadores tratorizados, geralmente com o uso de bicos jato cônico cheio ou leque, em alto volume de calda, ao redor de 100 L / ha. Na realidade, o grande objetivo do controle químico nesses casos é proteger as touceiras da planta do ataque da praga pelo maior tempo possível, uma vez que, por serem elevados os custo de implantação de um canavial, quanto maior for a sua longevidade, maior será o seu retorno econômico. Assim, o agricultor deve dar preferência a produto que apresente longo efeito residual (3 a 4 anos), o que lhe representará proteção mais prolongada e menores gastos. Em soqueiras, também tem sido pre-

conizado o emprego de iscas Termitrap®, que tem como ingrediente ativo o imidacloprid + Beauveria bassiana, na proporção de 40 iscas por hectare por ano. Tratamento este que visa à eliminação de colônias. Os métodos químicos convencionais não estão adaptados para explorar o comportamento social desses insetos. Assim, novas estratégias de controle deveriam ser mais estudadas, como: barreiras e mortalidade retardada. Entre as barreiras, existem as químicas e as físicas. A mortalidade retardada utiliza a ingestão voluntária de agentes químicos tóxicos ou microbianos e sua posterior transmissão trofalática entre os indivíduos, sendo que a quantidade de tóxico transmitida é pequena, de maneira que toda a colônia seja contaminada sem que esta tenha condições de reagir. Uma nova geração de produtos químicos, como os reguladores de crescimento, vem sendo testada para o controle de cupins subterrâneos, apresentando bons resultados, pois causa uma variedade de efeitos maléficos aos cupins. Muitos desses produtos induzem o desenvolvimento de pré-soldados, causando anomalias morfológicas (intercastas), inibindo a alimentação e exercendo vários níveis de intensidade de toxicidade lenta. Porém, essa resposta aos reguladores de crescimento não é uniforme, sendo que algumas espécies são menos suscetíveis do que outras e apresentam melhores resultados em colônias com baixa proporção natural de soldados.

envolvem o controle cultural, através da eliminação de soqueiras após a colheita em áreas de ocorrência da praga, a di-

Em plantas que já se encontram debilitadas por doenças, déficit hídrico, por exemplo, os danos são mais severos

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Aplicação de produtos químicos visando a proteção das plantas pelo maior tempo possível das pragas

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Divulgação

vendo ser repetida sempre nesta proporção, em função do tamanho dos talhões de reforma ou de implantação da lavoura canavieira. Em relação ao nível de controle, com base em observações visuais e no ganho de produtividade obtidos em experimentos de controle químico, tem sido adotado o controle para infestações superiores a 20% das amostras para a maioria das espécies daninhas e, em locais onde é observada a presença de H. tenuis, essa porcentagem pode ser ainda menor.

MANEJO O ataque de cupins em cana-de-açúcar é mais severo em plantas estressadas por doenças, dano físico, déficit hídrico, aspecto nutricional, entre outros fatores. As táticas de controle visam impedir o acesso de cupins em áreas cultivadas. Uma vez já instalados, busca-se reduzir o número dos indivíduos, através de controle químico e da seleção de plantas menos suscetíveis ao ataque. As táticas de controle não-químico

Charles Echer

Autores mostram como minimizar, através de monitoramento e controle, os danos causados pelos cupins à cana-de-açúcar

minuição do “stress” de plantas, mantendo o equilíbrio nutricional, evitando o déficit hídrico, promovendo a rotação de culturas com plantas tóxicas ou repelentes e minimizando os danos físicos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS A despeito de muitas espécies de cupins serem benéficas por promoverem a mineralização da matéria orgânica, muitas vezes elas são tratadas como pragas pelo desconhecimento. Porém, diversas espécies são realmente pragas importantes para a cultura canavieira. Também nesses casos, há carência de informações básicas na literatura para melhor conhecê-las, visando estabelecer estratégias de controle. Isso se deve ao número de espécies e, especialmente, à diversidade de ambientes em que vivem, dificultando a obtenção de informações que possam ter seu uso generalizado. Assim, face a essas dificuldades, o controle cultural,

Os cupins penetram pelas extremidades ou colmos e destróem os tecidos da planta

com a eliminação de restos da cultura, no momento de reforma do canavial, e a posterior aplicação de inseticida, visando criar uma barreira química que dificulte o ataque de cupins, têm sido a estratégia de combate mais empregada na lavoura canavieira e a que tem dado o retorno econômico necessário para suC portá-la. José Francisco Garcia e Luciano Pacelli Medeiros Macedo, Esalq/USP Paulo Sérgio Machado Botelho CCA/UFSCar


Soja

Olh Nesta safra, além do fungo da ferrugem asiática, encontrado em mais de 500 municípios de todo país, o custo de produção e a estiagem são fatores que se somam às preocupações dos produtores municípios. Nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, a estiagem continua castigando as lavouras, com relatos de perda total em áreas das regiões mais afetadas e estimativa de mais de 60% de perda na safra no Rio Grande do Sul. Com isso, embora a ferrugem tenha sido detectada em alguns municípios, o fungo não encontrou condições climáticas para progredir e causar danos significativos. No Paraná, onde choveu acima da média no mês de janeiro, a estiagem que está ocorrendo em fevereiro também está causando quebra na produção, principalmente, no Oeste e Sudoeste, regiões responsáveis por cerca de 40% da produção agrícola do estado. O clima seco proporcionou redução no progresso da ferrugem e evitou uma explosão da doença nos cultivos tardios, já que ela foi cons-

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Fotos Rafael Soares

A

safra de verão da soja 2004/ 2005 está configurando-se como uma das mais preocupantes para o agricultor brasileiro. Não bastassem a ferrugem asiática, disseminada em praticamente todas as regiões produtoras, os altos custos dos insumos agrícolas e o baixo preço do grão, a estiagem também está assolando diversos estados e comprometendo a produtividade da lavoura. Com essa situação, muitos produtores poderão ter dificuldade de quitar suas dívidas e de se preparar para a próxima safra. Como consolo, fica a previsão de redução da área de soja a ser plantada nos Estados Unidos na próxima safra, redução essa, em parte, atribuída ao temor de ocorrência de ferrugem naquele país, e que já está ajudando a elevar o preço da oleaginosa no mercado. A quebra da safra no Brasil, devido à estiagem, também deverá causar elevação do preço. Em relação à ferrugem no Brasil, na página da Embrapa Soja na internet (www.cnpso.embrapa.br), o Sistema de Alerta, abastecido com informações do Consórcio Anti-Ferrugem, registrou, até o dia 10 de março, focos em 13 estados (MT, PR, RS, MA, GO, MS, MG, SP, SC, DF, TO, RO e BA), totalizando 503

tatada na maioria dos municípios paranaenses. Até o momento, apenas uma minoria de produtores que não fizeram a aplicação de fungicida no momento certo, pela falta de monitoramento, ou por não terem conseguido entrar com as máquinas na lavoura, devido ao excesso de chuva em janeiro, está contabilizando prejuízos. Em Minas Gerais, na região do Triângulo Mineiro, onde se concentra a maior parte dos cultivos de soja do estado, diversos focos de ferrugem foram constatados, mas, de maneira geral, controlados adequadamente. A pressão de inóculo na região não se mostrou elevada, e algumas aplicações de fungicida realizadas podem ter sido desnecessárias ou precipitadas, pois não foram realizadas com base em monitoramento da doença e sim, em calendário fixo, ajudando a elevar o já alto custo de pro-

O cultivo da soja irrigada na entressafra pode ter sido o motivo para maior gravidade da doença no MT

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o na ferrugem e no custo de produção dução da lavoura. Fato semelhante foi constatado no Estado de Goiás. Entretanto, como neste estado existia um histórico de alta pressão de inóculo da última safra, a maioria dos agricultores optou pelas aplicações logo no início da floração, com monitoramento apenas na fase vegetativa da soja. Com isso, a ferrugem foi bem controlada, mas as reclamações em relação ao alto custo de produção e à previsão de dificuldade para quitar as dívidas são gerais. O problema sanitário considerado mais preocupante pelos sojicultores do sudoeste de Goiás nesta safra foi o mofo branco ou podridão branca, doença causada pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, de difícil controle, que causa sérios prejuízos e teve condições climáticas muito favoráveis para sua ocorrência este ano (umidade alta e temperaturas amenas). Outro problema, verificado em algumas áreas, foi a ocorrência de severa fitotoxicidade de fungicidas. Um conjunto de fatores associados que compreenderam a utilização de determinados princípios ativos de fungicidas, misturas com inseticidas, ou adição de óleo não-recomendado pelo fabricante, cultivares mais sensíveis e pulverização em plantas sob alto estresse, devido à falta d’água, contribuíram para a ocorrência do problema. Na Bahia, a pressão de ferrugem está baixa, pois, mesmo com a melhora na

ocorrência de chuvas, o clima seco no início da safra não favoreceu o desenvolvimento da doença. Na Região Central, diversos focos de ferrugem também foram registrados. Parte do Mato Grosso do Sul foi afetado por uma estiagem no mês de fevereiro, incomum na região, que sempre se caracterizou por ter um regime de chuvas bem definido e regular nessa

época do ano. Mesmo assim, a ferrugem teve condições climáticas de se instalar no mês de janeiro, quando as chuvas foram em excesso, e evoluiu lentamente, causando novas infecções em função da formação de orvalho. O trabalho de monitoramento, implementado pela Fundação Chapadão e parceiros, baseado na coleta de amostras e análises em laboratório com lupas binoculares, pro-

O uso de subdoses ou uso repetido do mesmo fungicida comercial encurtam período residual e sugerem aparecimento futuro de resistência do fungo


Fockink

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das plantas na safra normal de verão iniciassem mais cedo e com grande intensidade. Outros fatores prejudiciais que não se restringem ao Mato Grosso, mas atingem todos os estados produtores, são o uso repetido do mesmo fungicida comercial e o uso de doses menores (“subdoses”) do que o recomendado na bula. Além de encurtarem o período residual do produto, essas práticas podem ajudar no aparecimento futuro de resistência do fungo aos fungicidas. Como todos os fungicidas comerciais eficientes para o controle de ferrugem pertencem apenas a dois grupos químicos, as estrobirulinas e os triazóis, sozinhos ou em mistura, a ocorrência de resistência para um produto comercial pode gerar a perda de eficiência em cadeia para os demais. No caso dos triazóis, a resistência do fungo seria quantitativa e seria necessário elevar as doses; para as estrobirulinas, a resistência seria qualitativa e o produto deixaria de funcionar. De maneira geral, a situação encontrada até o momento não se alterou muito em relação à do início da safra, ou seja, houve diversas ocorrências de ferrugem, mas foram, com algumas exceções, constatadas no início do desenvolvimento da

Rafael Moreira Soares, Embrapa Soja Divulgação

porcionou um uso mais racional dos fungicidas na região e contribuiu para que muitos agricultores conseguissem finalizar suas lavouras com menos de duas aplicações. O Mato Grosso, principal estado produtor de soja do país, neste ano também tornou-se o estado com maior pressão de inóculo de ferrugem, onde foram registradas as piores epidemias e, provavelmente, serão registrados os maiores prejuízos. Mesmo com uma pequena estiagem que incidiu na região sul do estado em fevereiro, a quantidade de inóculo no ar garantiu a presença da doença e a necessidade de controle químico. Estima-se que a grande maioria dos produtores teve sucesso no controle da doença, mas relatos de lavouras, com seis aplicações de fungicidas na região Centro-Oeste do estado, mostram a dificuldade que alguns agricultores tiveram em manejar a doença. Entre as diversas causas que podem ter colaborado para o agravamento dos problemas com a ferrugem na região, salienta-se o cultivo de soja irrigada na entressafra. Essa prática possibilita ao fungo multiplicar-se na soja durante o ano inteiro e com bastante eficiência, fazendo com que as infecções

doença, possibilitando o controle adequado. Não houve falta de fungicidas no mercado. Foram verificados problemas de perda do momento certo das aplicações subseqüentes à primeira, muitas vezes devido à falta de monitoramento, mas também por impossibilidade de entrar no campo na hora certa. Dessa forma, alguns trabalhos de manejo que começaram de forma correta não foram plenamente bem sucedidos ao chegarem ao seu final. O momento em que a doença poderia se agravar mais, ou seja, a fase de enchimento de grãos nos cultivos mais tardios, coincidiu com a ocorrência de estiagem em alguns estados, impedindo o desenvolvimento mais agressivo da ferrugem. Uma safra com clima favorável para o desenvolvimento da soja será favorável também para a ferrugem, mas a ferrugem pode ser controlada, enquanto que a seca é um inimigo imbatível. Com isso, os grandes vilões da safra de soja 2004/2005 devem ser mesmo a estiagem e o alto custo de produção da lavoura, quando comparado ao preço atual da saca de soja. Já a ferrugem continua sendo uma grande preocupação, que necessita de muita pesquisa, para desvendar aspectos desconhecidos do patógeno e desenvolver técnicas adicionais de controle, mas também não é mais nenhuma novidade que justifique que produtores e técnicos sejam pegos C desprevenidos nas próximas safras.

Não houve falta de fungicidas e sim verificados problemas de perda do momento certo das aplicações, salienta Rafael

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Soja

Charles Echer

Finalmente a liberação Produtores de soja poderão, a partir da safra 2005/ 2006, contar com as variedades de soja transgênica legalizadas, produzidas pela Embrapa

A

pós dez anos de pesquisa, muita discussão, dúvidas e dificuldades, a Embrapa finalmente apresenta aos agricultores as cultivares de soja tolerantes ao glifosato por ela desenvolvidas. São oito cultivares para a região sul do Brasil, as quais estiveram à mostra na Expodireto, em Não-Me-Toque, Rio Grande do Sul, de 7 a 11 de março. As cultivares BRS Charrua RR e BRS Pampa RR são indicadas para cultivo no Rio Grande do Sul e possuem ciclo tardio, ideal para serem cultivadas nas regiões mais quentes do estado, como as Missões e a Campanha. A ampla adaptação das cultivares BRS 243 RR, de ciclo precoce, e BRS 244 RR e BRS 246 RR, de ciclo médio,

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possibilitou estender a indicação de cultivo para quatro estados, desde o Rio Grande do Sul até São Paulo. Para os estados de Santa Catarina, do Paraná e de São Paulo, estão indicadas as cultivares BRS 242 RR, de ciclo precoce, BRS 245 RR, de ciclo médio, e BRS 247 RR, de ciclo tardio. Essas cultivares legais estarão no mercado a partir da safra agrícola de 2005/ 2006, ou seja, com cinco anos de atraso, comparativamente àquelas cultivares ilegais no faz-de-conta da fiscalização brasileira. Enquanto nós, da Embrapa e de todas as empresas que tinham parceria com a Monsanto e licença da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança para realizar pesquisa com esses transgênicos, não podíamos sequer multiplicar as sementes,

a ilegalidade da venda de grãos contrabandeados como sementes da Argentina era livremente praticada e, inacreditavelmente, continua sendo perpetrada para a safra de 2005/2006, tanto no Rio Grande do Sul quanto nos demais estados do Brasil, principalmente, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Na safra agrícola de 1998/1999, a Embrapa, através de liberação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, estabeleceu seus primeiros experimentos de campo, nos quais testaram-se 700 linhagens tolerantes a glifosato nas localidades de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, e de Ponta Grossa e de Londrina, no Paraná. A partir desses experimentos, e com mais dois anos de testes, teríamos acumulado dados, para registrar as novas cultivares e colocá-las à disposição do agricultor ainda na safra agrícola de 2001/2002, ou seja, cinco safras passadas. No entanto, e, infelizmente, estamos entrando no mercado com uma defasagem que, talvez, nunca venha a ser recuperada. Todo o Brasil perdeu com esse processo: o produtor legal de sementes, principalmente o do Rio Grande do Sul, que foi excluído do mercado, e o agricultor, que usou grãos sem saber o que estava plantando. O pior de tudo é a ilegalidade que passou a ser praticada e que, hoje, erradamente, acredita-se que ainda possa continuar. Foi incalculável a falcatrua nesses tempos em que foram comercializados grãos de variedades de soja inexistentes e a valores astronômicos, como, por exemplo, cultivares que iriam produzir vagens com oito grãos ou, então, cultivares resistentes à seca (o que parece que vai ser o “conto do bilhete premiado” para a safra agrícola de 2005/2006). Lamentavelmente, o Brasil mostrou-se incapaz de reconhecer uma tecnologia altamente vantajosa e, muito pior, permitiu que essa mesma tecnologia entrasse livremente no país, através de grãos ilegais transformados, mais tarde, em grãos legais. O que ocorreu inicialmente no Rio Grande do Sul hoje se repete em Santa Catarina, no Paraná, em São Paulo e em Mato Grosso do Sul, e tudo indica que nada será capaz de conter essa oferta de engodos à caça de incautos. Esperamos que este episódio tão lamentável e deprimente possa, em futuro próximo, ser banido das nossas mentes, baseado, agora sim, unicamente, no uso de cultivares registradas no Serviço Nacional de ProC teção de Cultivares. Paulo Fernando Bertagnolli, Embrapa Trigo

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Especial

Negócios

Destaque em marketing

A Basf recebeu durante a Expodireto Cotrijal 2005, o Prêmio Destaque em Ação de Marketing, conferido pelo Sicrede – Sistema de Crédito Cooperativo e Correio do Povo. Recebendo o prêmio das mãos do Senador Sérgio Zambiasi, a empresa foi representada pelo gerente regional da empresa em Passo Fundo(RS), Cléber Castro. Uma das líderes no setor de defensivos agrícolas do país, a BASF participou do evento montando um estande diferenciado no qual os produtores rurais puderam obter informações exclusivas com os técnicos da empresa sobre como combater pragas e doenças que atacam as lavouras de soja, milho e feijão. Os visitantes puderam assistir a vídeos, visitar os laboratórios montados especialmente para que se pudesse conhecer de perto as características da ferrugem asiática em parceria com a UPF (Universidade de Passo Fundo) além de passar pelas estações com plantações das principais culturas. “Essa premiação é muito importante para a BASF, pois comprova que nossa empresa está no caminho certo, atendendo de forma eficiente às necessidades dos seus clientes e do setor agrícola brasileiro“, ressalta Gustavo Portis, gerente de Marketing da BASF.

Prêmio Syngenta de música Com um total em prêmios de R$ 55 mil, a Syngenta lançou o 2º Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola, uma iniciativa da empresa com curadoria de Ivan Vilela e apoio do Ministério da Cultura. Com o objetivo de estimular e divulgar a produção de composições instrumentais, bem como facilitar o surgimento de novos intérpretes, este ano, a novidade é a não obrigatoriedade de as composições serem inéditas, assim como ocorreu na primeira edição do prêmio. Ou seja, podem ser inscritas músicas já gravadas, desde que sejam de autoria do próprio candidato. Cada participante poderá inscrever até no máximo duas composições. O Prêmio Syngenta 2005 terá seis eliminatórias regionais. Todas as eliminatórias do festival serão abertas ao público e terão entrada franca. Serão selecionadas 16 composições, que participam da grande final, no Teatro Alfa, em São Paulo. Os classificados para a final receberão passagem e hospedagem. “Decidimos patrocinar o 2º Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola porque os resultados da primeira edição superaram as nossas expectativas, tanto em relação à qualidade das músicas inscritas como por sua abrangência nacional, fato que renova o compromisso da Syngenta de estreitar seu relacionamento com o homem do campo”, declara Antonio Carlos Costa, diretor de Marketing da Syngenta. Mais informações no site da Direção Cultura (www.direcaocultura.com.br) ou (19) 3233-5418.

Bayer garante mais novidades para 2005 O presidente da Bayer para o Brasil e Mercosul, Marc Reichardt, visitou a Expodireto, em Não-Me-Toque (RS) durante o mês de março. Na oportunidade, ele recebeu clientes no estande da empresa e visitou o parque para conhecer as novidades apresentadas durante o evento.

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Para Reichardt, 2004 foi um ano bom para a empresa, que somente em produtos destinados ao combate da ferrugem da soja comercializou US$ 600 milhões, um crescimento de 112% em relação relação ao ano anterior. Fungicidas destinados a outras funções tiveram crescimento de US$ 26% para US$ 500 milhões. Durante o evento, a empresa destacou o Nativo, fungicida para o controle de doenças da soja e do trigo, como ferrugem, manchas, oídio e giberela. “O produto é a composto por Folicur + Estrubirulina, gerando muito mais proteção e produtividade, por ser um fungicida completo, ativo e eficaz, garante, Fernando Rupolo, gerente de marketing para a região de Passo Fundo (RS). Além do fungicida Nativo, a Bayer pretende lançar, mais três novos inseticidas ainda este ano, Evidence, Connect e Oberon.

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Molécula

Iodosulfuron

Fotos Mauro Rizzard

Indicado para o controle de plantas daninhas em pós-emergência, as propriedades da molécula de iodosulfuron paralisam o crescimento em poucas horas após a aplicação, apesar de as plantas mostrarem sintomas visíveis somente alguns dias depois

I

odosulfuron (4-iodo-2-[[[[(4-me thoxy-6-methyl-1,2,5-triazin-2-yl) amino] carbonyl] amino] sulfonyl] benzoic acid) é uma molécula disponível no mercado para controle seletivo de plantas daninhas nas culturas do trigo, arroz, canade-açúcar e cevada. As suas principais características podem ser visualizadas no Quadro 1. Iodosulfuron é um herbicida que pertence ao grupo das sulfoniluréias, cujo mecanismo de ação é a inibição não-competitiva da enzima acetolactato sintase (ALS) ou acetohydroxi sintase (AHAS) na rota de síntese dos aminoácidos ramificados valina, leucina e isoleucina (Figura 1). Essa inibição interrompe a síntese protéica que, por sua vez, interfere no balanço hormonal, na síntese de DNA e no crescimento celular. As plantas suscetíveis a iodosulfuron paralisam o seu crescimento poucas horas após a aplicação, embora, somente após aproximadamente duas semanas da aplicação, os sintomas sejam visíveis (Figura 2). Estimase que, em função da paralisação no cresci-

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mento em 24 horas após a aplicação, não haja mais interferência das plantas daninhas com a cultura. Iodosulfuron causa a perda da cor característica das folhas jovens, algumas vezes, com o aparecimento de pigmentos vermelhos ou roxos, principalmente, nas nervuras, na região abaxial da folha, seguido de necrose das nervuras e dos pecíolos. Em algumas plantas, ocorre encurtaQuadro 1 - Algumas propriedades físicas e químicas do iodosulfuron

mento dos entrenós, noutras ocasiões, as plantas podem apresentar espessamento na base do caule. Ocorre morte lenta das plantas sensíveis. Em determinadas condições, como na aplicação com as plantas daninhas em estádios iniciais de desenvolvimento, ou sob condições ambientes favoráveis ao crescimento das plantas, pode-se aumentar a velocidade da atividade herbicida de iodosulfuron. A ocorrência de baixas temperatuCulturas Arroz

Cana

Pressão de vapor 6,7 10-9 Pa pKa 3,22 Kow logP 1,07 Koc 10-90

Trigo

Plantas daninhas Dose do produto Nome comum Nome científico comercial ha-1 Picão-preto Bidens pilosa 70 Caruru Amaranthus retroflexus 70 Corda de viola Ipomoea grandifolia 100 Picão-preto Bidens pilosa 200 Caruru Amaranthus retroflexus 200 Corda de viola Ipomoea grandifolia 400 Picão-preto Bidens pilosa 70 Soja invasora Glycine max 70 Nabiça Raphanus raphanistrum 70 Azevém Lolium multiflorum 100 Aveia-preta Avena strigosa 130

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Figura 1 - Rota de síntese de aminoácidos e respectivo local de ação do herbicida iodosulfuron.

Rizzardi explica como atua o Iodosulfuron, molécula herbicida do grupo sulfoniluréias

início do perfilhamento da aveia. Na canade-açúcar, iodosulfuron poderá ser aplicado, quando a cultura apresentar-se com até 50 cm. As plantas daninhas controladas por iodosulfuron podem ser observadas no C Quadro 2. Mauro Antônio Rizzard, UPF ras, antes ou mesmo após aplicação, torna a ação herbicida mais lenta, mas não reduz a eficácia no controle das plantas daninhas sensíveis. A sua ação é sistêmica, sendo absorvido principalmente pela parte aérea das plantas, embora possa ser absorvido pelas raízes. A sua translocação ocorre tanto pelo floema, quanto pelo xilema, embora com maior movimentação pelo floema. A seletividade dos herbicidas do grupo das sulfoniluréias dá-se por metabolização pelas plantas tolerantes, originando metabólitos não-tóxicos, como glutationa, conjugação com glicose, dentre outros. Entretanto, no caso de iodosulfuron, a presença do antídoto (safener) mefenpyr, misturado com o herbicida, aumenta a seletividade nas culturas recomendadas, principalmente, nas gramíneas, como trigo e arroz. A degradação de iodosulfuron a componentes não-fitotóxicos em cereais é aumentada especificamente pelo efeito catalítico do antídoto utilizado. Iodosulfuron foi desenvolvido para ser aplicado em pós-emergência das plantas daninhas (Figura 3). Nas culturas para as quais tem registro, a época de aplicação do herbicida varia. No arroz, a aplicação pode ser realizada até o pleno afilhamento da cultura. No trigo, deve-se aplicar o herbicida em pós-emergência inicial e mediana das plantas daninhas. No caso de infestações de aveia, na cultura do trigo, o seu controle deve ser realizado até a fase de

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Figura 2 - Representação esquemática da velocidade de ação de iodosulfuron em plantas de azevém

Figura 2 - Representação esquemática da velocidade de ação de iodosulfuron em plantas de azevém

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Armazenagem

Fotos Cultivar

Saída inteligente Por causa da falta de capacidade estática de armazenagem, os silos de plástico ou silosbag ganham espaço no Brasil e aos poucos mudam a paisagem das lavouras no Mato Grosso

O

Mato Grosso, estado que, só em soja, planta hoje 5,8 milhões de hectares e, nos próximos 10 ou 15 anos, estará trabalhando com uma área de 21 milhões de hectares cultivados. Mas, se por um lado a produção aumenta a taxas de quase duas casas ao ano no Mato Grosso, por outro, a infraestrutura para escoamento e armazenagem nem de longe causa a mesma euforia nos produtores. Apesar do

Juarez de Mello

Brasil caminha a passos lar gos para se tornar a potência mundial de produção de grãos. E, sem perder tempo, nossos produtores impulsionam, numa velocidade impressionante, o país rumo ao título de celeiro mundial, já que a maior área agriculturável ainda inexplorada está no nosso território. De toda essa área, a maior fatia a ser desbravada está no

Em três anos, a venda de silosbag no Brasil cresceu aproximadamente dez vezes

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grande esforço dos setores públicos, da iniciativa privada e dos próprios agricultores da região, o escoamento da produção é sempre um dilema que tira o sono, exige algumas horas de cálculos, além de uma boa dose de sorte. Com uma malha viária ainda em construção, muito distante do ideal, e pouca estrutura para armazenagem estática, muitos produtores respiram aliviados, quando conseguem fazer a produção chegar ao seu destino final. Não raramente, o resultado de uma safra fica pelo caminho porque os caminhões não conseguem rodar pelas picadas do Cerrado na época de chuvas. A saída natural seria armazenar a produção na fazenda por alguns meses, à espera de melhores preços e mais opções de transporte, mas como os produtores canalizam suas finanças para abertura de novas áreas, os investimentos em estrutura para armazenagem estática ficam em segundo plano. Segundo o engenheiro agrônomo da Agência Rural, Seneri Paludo, a capacidade de armazenagem estática do estado é suficiente para armazenar apenas metade da produção de soja, sem contar as outras culturas. Das 17 milhões de toneladas que serão colhidas neste ano, somente 8,6 toneladas serão armazenadas em unidades estáticas.

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Neste contexto, chegou ao Brasil há três anos uma alternativa muito interessante e que está salvando a safra de muitos produtores da região. Responsáveis por armazenar 30% da produção argentina, os silos de plásticos ou silosbag, como são conhecidos, agora estão mudando o cenário das lavouras matogrossenses. Ao trafegar pelas estradas ou em vôos em altitudes menores é comum ver dezenas de bolsas brancas longas, distribuídas lado a lado nas fazendas, que podem até causar estranheza para quem não sabe do que se trata. Estes silos, com 60 metros de comprimento e 2,7 metros de altura, armazenam até 3 mil sacas de 60 quilos cada um, por períodos de até 18 meses, se forem respeitados alguns princípios como grau de umidade e vedação adequada do sistema. Por não ocorrer a entrada do ar externo, não há elevação da temperatura do grão armazenado, o que permite o armazenamento da mercadoria com um determinado grau de umidade. Isso origina um grande aliado nas pontas da colheita onde podem existir inconvenientes como disponibilidade dos caminhões, falta do espaço em plantas, em silos próprios ou de terceiros, perdas de tempo nas plantas de secagem pela pequena capacidade delas frente à habilidade de trabalho das colhedoras. Proprietária de 7,3 mil hectares em Ipiranga do Norte, a 460 km de Cuiabá (MT), Norma Rampelotto Gatto, há três anos utiliza a tecnologia de silosbag da empresa Ipesa, para armazenar parte da produção de soja e milho de safrinha colhidos na Fazenda Cabeceira. Em 2003, ela armazenou pela primeira vez sua produção de milho em 25 bolsas. No segundo ano, foram 60 bolsas para armazenar parte da safra de milho e soja e, para a safra 2005, 70 unidades foram adquiridas para alocar aproximadamente 12 mil toneladas de

soja. Norma confessa que no primeiro ano sentiu medo, pois não conhecia a tecnologia e adquiriu uma grande quantidade de bolsas. Como os armazéns convencionais estavam lotados com safra de soja, a solução foi apostar no sistema e armazenar 4,5 mil toneladas de milho safrinha em 25 bolsas. “A princípio fiquei meio apreensiva porque não sabia qual seria o resultado, mas logo vi que o produto mantinha as propriedades físicas originais do dia da colheita, mesmo alguns meses depois”. Ela garante que as empresas compradoras preferem carregar primeiro o grão armazenado nas bolsas, por causa da qualidade do produto, que não perde a umidade original e as propriedades físicas, além de estar livre de produtos químicos geralmente utilizados em silos convencionais para controlar pragas. Por ser uma tecnologia relativamente nova no Brasil, os produtores ainda não conhecem totalmente os resultados e muitos preferem primeiro observar o que acontece com a produção do vizinho para depois aderir ao sistema. No caso de Norma, por exemplo, ela garante que foi a primeira a utilizar o silobag na sua região e não faltou gente achando que os resultados seriam desastrosos. “Ninguém conhecia o sistema na região, e muitos ficaram com o pé atrás, pensando que eu era doida, mas hoje, depois de duas safras, grande parte dos produtores da região já está trabalhando com silos de plásticos”, garante. Segundo Juarez de Melo Filho, revendedor da Ipesa Silos para a região de Rondonópolis (MT), a simplicidade do sistema muitas vezes é a causa da desconfiança do produtor. “Pelo funcionamento simples, que tem como princípios apenas o isolamento térmico e a ausência de oxigênio no interior da bolsa, os produtores acabam achando que o sistema não vai funcionar”, explica. Na verdade, todo o segredo da conservação está no isolamento que

o polietileno proporicona. Isolado termicamente e sem a entrada de oxigênio, as pragas não sobrevivem, e a massa de grãos não respira, o que acaba garantindo a imunidade do produto. Os resultados foram tão bons que Norma aboliu de seus planos o projeto de dois silos convencionais que originalmente estavam programados para serem construídos este ano. Os pedidos já haviam sido feitos, mas, após calcular o custo de construção, o capital mobilizado, resolveu continuar armazenando em silosbag. “Colocamos na ponta do lápis, e cheguei a conclusão que é muito melhor investir o dinheiro dos silos em outros projetos e utilizar o sistema de armazenagem em bolsas, porque o custo da bolsa é o mesmo que se gasta para manter o produto dentro do silo convencional, fazer expurgo, aeração, sem contar o custo do frete, que acaba encarecendo também”, explica. Há duas safras, Darci Ciarini, revendedor da Case, Massey Ferguson e Agrale, que tem fazendas em Campos de Julio e Sapezal (MT), também utiliza o sistema de silobag, para armazenar a produção dos 7,2 mil hectares cultivados com soja e 2 mil hectares de milho

Norma Gatto armazenou, em 2003, 25 bolsas com milho. Para este ano, mais 70 bolsas estão em seus planos

Para Ciarini, as grandes vantagens do sistema são a simplicidade e o baixo custo de manutenção

Dario acredita que a maximização das máquinas agrícolas e a eliminação dos fretes já pagam o sistema

EVOLUÇÃO

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Evolução das vendas da Ipesa Silos no Brasil, de 2003 a 2005 2003 – 400 silosbag 2004 – 1500 silosbag 2005 – 4.000 silobag (projeção)

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Fotos Cultivar

Com o produto armazenado na fazenda, o produtor consegue aumentar os lucros com a venda em períodos de preços altos

safrinha. Na primeira safrinha de milho armazenada com silobag, foram utilizados 34 bolsas da Ipesa. Como a fazenda onde planta milho é nova, não existem silos para armazenagem estática porque os investimentos ainda se concentram na fertilidade do solo e abertura de área. Por causa disso, resolveu investir em silosbag e confessa que não se arrependeu. Para Ciarini, esse sistema apareceu num momento muito oportuno, por causa da grande deficiência de silos existente no Mato Grosso. Além da grande carência que o estado já enfrenta em função do volume colhido e do aumento constante de área, o milho, por exemplo, quase não é cultivado na safra normal porque exige o dobro de capacidade estática de armazenagem e, como o produtor muitas vezes acaba guardando a soja para comercializá-la em períodos com cotações melhores, não restam muitas alternativas. Para ele, o silobag foi a solução nas suas últimas safras de milho que, além de garantir uma armazenagem de qualidade com custo menor do que o esperado, possibilitou comercializar o produto com preços melhores, seis meses após a colheita. “Em dezembro, quando abrimos os silos, ficamos impressionados, porque ele mantinha os mesmos 16% de umidade de quando foi armazenado no mês de junho”, garante. Estas diferenças de custos ficam mais evidentes no caso do arroz. “Hoje, qualquer armazém cobra uma taxa de, no mínimo, 10% para receber, secar e expedir o arroz”, explica Dario José Micharki, que tem sociedade numa propriedade de 4,6 mil hectares, onde cultiva soja, arroz e milho safrinha nas localidades de Primavera do Leste, Água Boa e Canarana. O diferencial no caso do arroz é que ele deve ser colhido com, no máximo, 14% de umidade para garantir uma armazenagem perfeita nos silosbags. Outra vantagem que a armazenagem na fazenda proporciona é a possibilidade de o produtor dispor de grãos para vender nos meses que o mercado paga preços melhores. Como é normal em momentos de grande oferta de produto, o período de colheita sempre derruba os preços dos grãos, e os fretes se tornam mais caros, empurrados pela grande demanda por caminhões. Se o produtor conseguir armazenar parte da safra na fazenda, além de ganhar mais pelo produto que será vendi-

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do em períodos de alta, ele acaba economizando com frete, já que nesses períodos as traders se dispõem a comprar o produto diretamente na fazenda, eliminando o custo de frete por parte do produtor. Na última safra, Dario armazenou milho e sorgo em três silos Ipesa. O as duas culturas foram embutidas em julho do ano passado e extraídas em março deste ano, mantendo as mesmas propriedades físicas oito meses depois. Para ele, um dos grandes diferenciais do

sistema é a otimização do maquinário agrícola e a redução dos custos com frete. Com a possibilidade de armazenar dentro do próprio talhão, o produtor consegue eliminar o transporte até a sede da fazenda, diminuindo ainda mais os custos e maximizando o trabalho das colhedoras, que podem descarregar diretamente na máquina embutidora. “Sem sombra de dúvida, esse sistema de armazenagem é o mais barato hoje e está disponível para qualquer tipo de produtor, seja grande ou pequeno, pois cada um adquire a quantidade necessária para sua necessidade”, destaca. O custo de R$ 0,80 por saco de milho, ou de R$ 0,75 para soja, inclui o gasto com a terceirização do maquinário, para embutir e extrair os grãos. Se o produtor investir em uma quantidade superior a dez silos, é mais vantajoso adquirir as máquinas, pois o custo compensa. Há três anos, não havia no Brasil máquinas embutidoras e extratoras, que eram importadas da Argentina. Hoje, já existem diversos modelos disponíveis (vide box). CE

OPERAÇÃO DE EMBUTIMENTO E EXTRAÇÃO

H

á três anos, quando a tecnologia chegou ao Brasil, as máquinas utilizadas para embutimento e extração eram trazidas da Argentina. Com o crescimento da adesão ao sistema, diversas empresas já produzem este tipo de máquinas, como Boelter e Nogueira. Um exemplo da dimensão que o sistema está tomando é a empresa Mark Brasil, instalada na cidade de Cachoeirinha (RS), que fabricará exclusivamente as máquinas para operações com silosbag. Atualmente, a Mark já comercializa a máquina embutidora In Grain 100 e já tem projetos em fase final de construção da máquina extratora. A máquina embutidora que realiza o processo de enchimento do silo é composta por um mecanismo que recebe os grãos e, através de uma rosca sem fim, os conduz ao interior da bolsa. A potência requerida para acionar a máquina é de pelo menos 25 cv e tomada de potência de 540 rpm. A capacidade de produção da máquina, se regulada adequadamente, pode chegar a 250 toneladas por hora. O controle do fluxo de grãos é feito através do freio da máquina, peça chave de todo o processo de embutimento dos grãos, pois ao ser empurrado para dentro do silo, os grãos fazem pressão para que a máquina se desloque para fren-

te. É neste momento que o freio deve ser usado corretamente, de forma que o grão não cause pressão demasiada e estique o plástico. Para retirar os grãos do silo, utiliza-se outra máquina, diferente da usada na operação de embutimento. É uma máquina de funcionamento simplificado, que também utiliza o sistema de roscas sem fim. Diferente do processo de enchimento, o esvaziamento das bolsas não fica restrito ao uso de máquinas. Dependendo da necessidade e do tipo de produto armazenado, a retirada pode ser feita com outros tipos de material, como pás, por exemplo. O uso da máquina é indicado para realização de operações de silos inteiros ou vários silos ao mesmo tempo.

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Eventos

Fotos Charles Echer

Nematóides em pauta

D

urante cinco dias, nematologistas e estudantes de todo o Brasil estiveram reunidos no 25 o Congresso Brasileiro de Nematologia, que aconteceu na Esalq, Piracicaba (SP).O evento contou com 200 participantes que assistiram a 22 palestra e acompanharam os 96 trabalhos inscritos para o evento. Um dos destaques do congresso, segundo Mário Inomoto, presidente do evento, foram as palestras que apresentaram ao público os trabalhos e a contribuição de duas personalidades da nematologia agrícola do Brasil, os professores Luiz Gonzaga Nardello e Aílton Rocha Monteiro. Na palestra de abertura, o presidente da FMC no Brasil, Antonio Carlos Zen, falou sobre o futuro dos nematologistas, contextualizando a realidade do agronegócio e as oportunidades para os profisisonais da área, além de relembrar sua trajetória como nematologista, desde a graduação até a sua missão inicial dentro da FMC.

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Para o presidente do congresso, Mário Inomoto, o evento superou as expectativas

“Foi motivo de grande satisfação da comissão organizadora a participação no congresso de vários segmentos da atividade agrícola do Brasil, incluindo pesquisadores, docentes, proprietários rurais, profissionais liberais e estudantes. Maior satisfação ainda tivemos em verificar que tal participação resultou em amplas e profícuas discussões, que provavelmente servirão de orientação futura ao trabalho dos congressistas”, destacou Inomoto. O evento abordou os avanços do controle de nematóides fitoparasitos que se tornaram praga importante no Brasil recentemente, enfocando avaliação de perdas, controle químico e efeito do plantio direto sobre o desenvolvimento da praga e manejo. Outro destaque foram as discussões em torno do uso de nematóides no controle de diversas pragas existentes no Brasil. O 26 o Congresso Brasileiro de Nematologia, em 2006, será realizado em Campos dos Goytacazes (RJ), em data C ainda a ser definida.

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Coluna Jurídica 42

Newton Peter

OAB/RS 14.056

consultas@newtonpeter.com.br

“Restos” de horas extras

U

m dos problemas mais comuns enfrentados pe las empresas nos tribunais refere-se ao cumprimento do pagamento de horas extras. Sobram nos tribunais casos de funcionários descontentes com a forma de remuneração do trabalho extra e é preciso ficar atento para evitar surpresas. Há diversos casos de funcionários que buscam na justiça recebimento de horas extras mesmo que não constem no cartão-ponto. Aliás, é muito comum algumas empresas cometerem o erro de orientar funcionários a bater o ponto e permanecer trabalhando. Além de irregular, essa situação é facilmente provada com testemunhas. Um exemplo muito comum acontece em casos de funcionários com certo grau de liderança. Há algum tempo atrás um funcionário responsável pelo trabalho de 30 pessoas, que cumpriam jornadas em três turnos diferentes, tentou obter na justiça pagamento por horas extras que, alegava ele, não constavam no cartão. Como cabe à empresa provar o contrário, é necessário manter a documentação em dia. Mesmo tendo o preposto da empresa e as testemunhas informado ao juiz que o funcionário era encarregado dos três turnos existentes, a análise dos registros foi favorável, mas apenas neste caso. É preciso, sempre, certificar-se de que estão sendo tomadas todas as providências para garantir que a empresa possa provar que agiu dentro da lei. É necessário que provar que, sempre que o funcionário em questão necessitou prorrogar a jornada de trabalho, esse tempo foi anotado e pago. Por exemplo, se o horário

final da jornada é às 17h, um cartão-ponto com saídas marcadas mais tarde do que esse horário em dias e semanas alternados será muito útil em um tribunal. Mostra que, quando houve necessidade de estender a jornada, ela foi devidamente marcada. Mas isso não é tudo. Não basta anotar no cartãoponto. É preciso fazer o pagamento de cada minuto extra, sob pena de deixar margem para questionamento. O alerta é feito porque é bastante comum as empresas “arredondarem” horários e valores. E é aí que pode existir uma brecha para discussão que invariavelmente termina de forma desfavorável para as empresas. Numa eventual disputa judicial, o funcionário sairá ganhando na maioria dos casos. Por exemplo, tendo prestado, em determinado mês, 16 horas e 55 minutos extras, e recebido por 16 horas e 35 minutos, resta o pagamento dos 20 minutos não contabilizados. Um ponto importante é que essas horas extras que restaram por serem pagas, numa eventual sentença judicial, terão certamente adicionados cálculos de juros e correção monetária, além de reflexos em 13° salário, férias, repousos semanais e feriados. Além disso, esses 20 minutos não pagos num mês, acumulados com outros minutos e quem sabe algumas horas não pagas de outros meses podem representar bastante dinheiro. Sendo assim, quando houver necessidade de reter o funcionário por mais tempo dentro da empresa, deve-se manter atualizado o pagamento de horas trabalhadas além da jornada habitual. No acumulado de alguns anos, pode representar um valor considerável.

HORAS DE PRONTIDÃO Da mesma forma, as horas de prontidão, quando o funcionário

fica de folga, mas nas dependências da empresa (alojamento, por exemplo), também são sujeitas a problemas legais. Se, ao encerrar a jornada de trabalho, o funcionário permanece à disposição da empresa, podendo ser chamado a qualquer momento, isso significa que está trabalhando e deve ser remunerado. “Folga” pressupõe que o empregado pode se ausentar e aproveitar o tempo da maneira que quiser. Sempre que o funcionário for convocado a trabalhar deve receber a remuneração respectiva ou, pelo menos, ter a possibilidade de converter essas horas ou períodos trabalhados em folga compensatória. O contingenciamento da disponibilidade pessoal do empregado é que faz a diferença. A impossibilidade de se ausentar e a necessidade de ficar no alojamento ou na fazenda à espera de ordens agrava a questão. Vale lembrar que, num tribunal, uma decisão favorável ao empregado, em que a empresa teria que pagar as horas de prontidão, fatalmente será incluído no valor reflexos nos repousos semanais, férias e 13° C salário. Este artigo é uma compilação de texto publicado na edição de abril/ 05 da revista Cultivar Justiça

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Coluna Aenda

Defensivos Agrícolas

O parto da equivalência F

oram quatro anos de namoro da Aenda com os altos escalões dos ministérios da Agricultura, da Saúde e do Meio Ambiente, mostrando que o aumento da oferta dependia da implantação do registro por similaridade. Relações inférteis. Finalmente a Casa Civil se apaixonou pela causa dos defensivos genéricos, nas pessoas do Ministro Pedro Parente e do Chefe Executivo Silvano Gianni. Em março/2000, houve a concepção da Portaria Interministerial nº 17, que criou uma comissão, liderada pelo AssessorAdjunto Leonardo Colombini, com o propósito de elaborar uma nova legislação. Essa Portaria é, de fato, a mãe da similaridade. Após 22 meses de tumultuada gestação, nasceu a cria em 04 de janeiro de 2002. Deram-lhe o nome de milhar: 4074, o Decreto, cujo coração é a equivalência, nome mais moderno para a similaridade. Enfim, veio ao mundo o esperado filho – herói dos genéricos, que iria aumentar rapidamente o número de produtos ofertados e propiciar queda nos preços de muitos defensivos. O que ninguém esperava eram complicações pós-parto. A criança veio a padecer de maus-olhados e mazelas subseqüentes. Hoje, o herói já tem três anos e dois meses, coitado...não conseguiu registrar um único produto equivalente. Seus padrinhos forçados, os três ministérios acima citados, quais íncubos não permitem que o menino se desenvolva bem, a cada instante jogam uma pedra kriptonita nas proximidades da criança. Primeira pedrada: elaboraram em agosto de 2002 uma Instrução Normativa, grupo 49, mais para confundir do que para explicar. Essa IN deu 90 dias para todas as empresas entregarem laudos de 5 bateladas consecutivas, algo nunca antes exigido. As associações apelaram para a

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Justiça. Ganharam em 1ª instância: era preciso prazo mais largo para realização dos testes. A 2ª pedrada-kripta foi condicionar a equivalência à promulgação da Lei de Dados Proprietários. Para acelerar o processo, a Aenda trabalhou em conjunto com a Andef, e ambas apresentaram uma Instrução Normativa com texto mais técnico e ajustaram consensualmente os artigos críticos da Lei de Dados Proprietários. Em dezembro de 2002, a Lei 10.603 passou, mas os padrinhos seguraram a mudança da IN 49. Aí, em maio/2003 voltou à cena a balança justiceira trapalhona. Repentinamente, arrependeu-se da decisão de 2002, e o prato balançou para o outro lado. O tempo é esse mesmo, 90 dias, ora pois! Claro que, nesse ínterim, o prazo já havia esgotado. Porém, os padrinhos deram mais 15 dias em julho de 2004 (ou seja, mais de um ano depois da nova orientação jurídica) para apresentação dos tais laudos, internacionalmente conhecidos por Five-batch. Alguns haviam realmente entregues os laudos Fivebatch dos seus produtos técnicos, porém a maioria entregou apenas uma carta explicativa...estavam na fila dos laboratórios, aguardando os resultados. A 3ª kriptonita foi então jogada: o que é o produto referência, citado no Decreto 4074 e na IN 49? Depois desse tempão, os padrinhos, eles próprios co-autores da legislação, ainda não sabiam. É para rir ou chorar? Mas essa kriptonita era de um verde tão desbotado, parecia mais uma limonita ferrosa sem qualquer força inibidora, que re-

solveram atirar outra. A 4ª limosa pedra foi combinarem entre si no CTA, ao final de 2004, que, segundo a Lei 10.603, houvesse um período de 1 ano de exclusividade a ser cumprido para novos dados. Como haviam sido entregues em julho/ 2004, só seria possível avaliar os pedidos de equivalência a partir de julho/2005. Mas não era para o público saber, só deveria constar na Ata do CTA – Comitê Técnico de Agrotóxico, fechada a sete chaves. Descobrimos, por acaso, em jan/ 2005, em reunião da Câmara Setorial de Insumos, quando um dos membros do CTA deixou escapar essa nova desculpa, após fortes reclamações das entidades representativas dos agricultores e de industriais presentes, interessados na agilidade do processo de registro dos agrotóxicos. Só se esqueceram de informar que Fivebatch não é novo dado, pois em todos os processos de registro consta o laudo de uma batelada com a descrição do ingrediente ativo e das impurezas. Five-batch é apenas fazer esse teste 5 vezes, não há nada de novo. Ademais, a quem se deve solicitar o laudo Five-batch é ao candidato a equivalente, para comprovar repetitibilidade. Os produtos técnicos que estão em uso já provaram repetitibilidade em milhares de toneladas fabricadas. Afora isso, releiam, por favor, o 7º parágrafo. Só alguns entregaram em julho/2004 os laudos Five-batch, que deveriam ter sido entregues em dezembro/2002. Esses alguns, em vez de alguma punição, serão beneficiados com mais um ano de exclusividade. E os outros que não entregaram seus Fivebatch também serão perdoados e terão mais um ano de exclusividade a partir do momento que resolverem entregar os laudos. É anarquia ou não é? O pai, autoridade da Casa Civil, abandonou o rebento logo após o nascimento. C Alguém aí quer adotar?

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Agronegócios

Plantas tolerantes A

água será um dos recursos mais escassos do planeta, já no decorrer deste século – e isso não será mera vingança dos gaúchos contra o mundo! Lideranças de alta belicosidade terão outros motivos, além do petróleo, para promover invasões e guerras de conquista. Não será fantasia se, em um futuro não muito remoto, algum governante paranóico, dispondo de uma máquina de guerra apreciável, resolva declarar guerra ao Brasil por um motivo fútil qualquer, porém de olhos postos nos 25% de reserva de água doce mundial, estocados na Amazônia e adjacências. E que, de quebra, também detém a maior reserva da biodiversidade mundial ainda inexplorada e o maior potencial de produção de biomassa para geração de energia. Quem duvida, que olhe para o Iraque.

ÁGUA, RECURSO ESCASSO No alvorecer do século XXI, cerca de 450 milhões de pessoas não dispõem de água suficiente para suas necessidades. Em 2025, esse número será de 2,7 bilhões de pessoas - um quarto da população do mundo - , mantidos os atuais padrões de consumo e as tecnologias

de utilização da água. Entretanto, diversas iniciativas, para reduzir a fome endêmica que assola determinadas regiões do planeta, e o atendimento à demanda decorrente do crescimento vegetativo da população e de sua renda incrementarão a demanda de água para uso agrícola em 1520%. Essas iniciativas meritórias, destinadas a reduzir a pobreza e a indignidade de cidadãos do andar de baixo da sociedade mundial, têm como conseqüência o conflito com entidades ambientalistas. Essas pregam a redução de, no mínimo, 10% do consumo mundial de água nos próximos 25 anos, para reduzir o depauperamento irreversível das fontes de água doce. Na contramão, a maior oferta de alimento demanda um aumento estimado de 20% no consumo de água. É possível conciliar a postura ambiental e a demanda humanitária?

AGRICULTURA E SECA A irrigação é a forma mais tradicional e efetiva de garantir a disponibilidade de água para os cultivos. Entretanto, quando não há fonte de água disponível, uma das soluções é

o desenvolvimento de cultivares que tenham maior capacidade de extração de água do solo, ou que a utilizem com maior eficiência. A experiência dos agrônomos demonstra que cultivares selecionadas sob estresse hídrico são pouco produtivas, quando a oferta de água é adequada. Existem diversos mecanismos envolvidos com a adaptação das plantas ao estresse hídrico (Tabela 1), porém muitos deles não estão convenientemente entendidos e estudados. Os mecanismos mais importantes são a arquitetura do sistema radicular, a morfologia das folhas, os caracteres fisiológicos das plantas (como os ajustes osmóticos, o acúmulo de prolina e a taxa de acúmulo de matéria seca), ou o ciclo de desenvolvimento da planta. Tem sido observada uma alta correlação entre a tolerância ao calor e a adaptação a ambientes de estresse hídrico, sugerindo que ambos os mecanismos estão fortemente associados. O desenvolvimento de cultivares tolerantes à seca, através do melhoramento convencional, enfrenta limitações como a escassa variabilidade genética intra-específica, a demora na fixação dos caracteres e os

Tabela 1 - Exemplos de mecanismos utilizados pelos vegetais para convivência (compensação) com o estresse hídrico Cevada (Hordeum distichum L.) Milho (Zea mays) Milheto (Pennisetum glaucum) Arroz (Oryza sativa) Sorgo (Sorghum bicolor) Trigo (Triticum aestivum) Feijão (Phaseolus spp.) Grão de bico (Cicer arietinum L.) Cáupi (Vigna unguiculata L.) Amendoim (Arachis hypogaea) Lentilha (Lens culinaris) Tremoço (Lupinus sp.) Guandú (Cajanus cajan) Soja (Glycine max) Mandioca (Manihot esculenta) Banana (Musa spp.) Batata (Solanum tuberosum) Batata doce (Ipomea batatas)

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Precocidade, índice de colheita, baixa transpiração, acumulação de prolina, curto período de enchimento de grãos, perfilhamento Intervalo da antese, número de espigas, número de grãos por espiga, elevado índice de partição de biomassa destinado às espigas Índice de colheita* Elevado índice de colheita, altura de plantas intermediária, enrolamento de folhas, alto potencial hídrico das folhas, ajuste osmótico, comprimento e densidade de raízes, capacidade de penetração das raízes no solo, baixo índice de matéria seca Elevada capacidade de extração de água do solo, redução do número de nós do caule, baixo índice de área foliar, retardo na senescência Acúmulo de ácido abscíssico, elevado potencial hídrico das folhas, conteúdo de prolina, eficiência do processo transpiratório Redução na queda das flores e capacidade de sustentar a formação de vagens Enraizamento profundo e de rápido desenvolvimento, alta capacidade de extração de água, precocidade, ciclo reprodutivo curto, baixo índice de área foliar Retardamento na senescência, crescimento lento para conservar umidade nos tecidos Índice de colheita, reduzido índice de área foliar, controle do processo transpiratório e eficiência transpiratória Florescimento precoce, ajuste osmótico, eficiência transpiratória Maior número de sementes por vagem Ajuste osmótico, grande vigor inicial Desenvolvimento do sistema radicular, habilidade em degradar compostos de uréia, concentração de manganês nas folhas, eficiência transpiratória Índice de crescimetno, retenção foliar, ajuste da taxa fotossintética, densidade e comprimento de raízes, condutância estomatal Condutância estomatal, ajuste da taxa fotossintética, morfologia estomatal, ajuste do processo transpiratório Redução do consumo de água, condutância estomatal Desenvolvimento do sistema radicular, potencial hídrico das folhas

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à seca antagonismos entre características agronômicas. Também existe a dificuldade metodológica de garantir uniformidade de estresse hídrico ao conjunto de genótipos em teste, ou para estudos, envolvendo o sistema radicular, que sempre resultam em elevados coeficientes de variabilidade.

CULTIVARES TOLERANTES À SECA A análise genética de algumas culturas sugere que apenas poucos genes controlam cada um dos mecanismos independentes de tolerância à seca. Estudos mais profundos, envolvendo marcadores genéticos, revelam que parcela ponderável da variabilidade para resposta ao estresse hídrico pode ser devido a um ou poucos lócus de caracteres quantitativos (QTL). O cruzamento, com o auxílio de marcadores de DNA, é uma ferramenta poderosa, para obter cultivares tolerantes à seca com mais rapidez e eficiência que os métodos tradicionais. Os marcadores genéticos devem ser entendidos como ferramentas auxiliares para o melhoramento, sendo particularmente úteis, quando um caráter possui baixa herdabilidade, ou a seleção da descendência dos cruzamentos envolve grandes populações e métodos caros e trabalhosos. Muitas vezes, os genótipos são obtidos em ambiente diverso daquele em que os mesmos serão avaliados. Com essa técnica, os melhoristas poderão lidar, mais facilmente, com grandes descendências dos cruzamentos, selecionando com mais precisão os retrocruzamentos. Além do melhoramento genético, a técnica será muito útil nos estudos fisiológicos que envolvem a tolerância à seca, permitindo selecionar iso-linhas para estudos comparativos, envolvendo o controle genético da tolerância à seca e os processos bioquímicos e fisiológicos decorrentes.

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BIOTECNOLOGIA Os avanços na biotecnologia, além da possibilidade de introdução de caracteres inter-específicos de tolerância à seca, permitirão desenvolver um mapeamento genético de todos os fatores envolvidos na tolerância à seca, criando um portfólio para o desenho de cultivares adaptadas a condições específicas, permitindo que uma determinada cultura possa não apenas conviver com o estresse hídrico, como apresentar outras características desejáveis. A biotecnologia também pode ajudar a resolver o conflito entre os ambientalistas (que querem poupar água) e os programas que se propõem a diminuir a fome (consumindo mais água). Finalmente, é importante relembrar uma máxima dos filósofos da Roma antiga: “Afirmatio unus non est negatio alterius!” (A afirmação de uma coisa não é a negação de outra.). Ou seja, o desenvolvimento de tecnologias para convivência com escassez de água não deve obnubilar o fato maior de que a água será um dos recursos mais escassos do planeta. Como tal, a conservação, a proteção e o uso correto e regrado de recursos hídricos devem ser uma constante em toda e qualC quer atividade humana. Décio Luiz Gazzoni Engenheiro Agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja www.gazzoni.pop.com.br

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Mercado Agrícola

Brandalizze Consulting

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Seca prejudica e ajuda ao mesmo tempo Os produtores do Sul do país foram fortemente castigados pela estiagem que se alonga há praticamente três meses e causou grandes perdas à safra nacional. Ao mesmo tempo, as cotações cresceram fortemente e estão muito acima das expectativas iniciais e, desta forma, estão beneficiando e tornando lucrativa a safra do Centro-Oeste, Norte e Nordeste. O mercado Quadro da safra brasileira previsto e que vem sendo realizado brasileiro desta safra caminhava para passar por cotaagora na colheita (em milhões de t) ções baixas e comprometimento da renda de todos os produtores, mas, como houve uma forte estiagem no Produto Estimativa Realidade Variação Sul, Sudeste e partes do Centro Oeste, onde o clima Inicial em março seco ceifou boa parte da produtividade das lavouras e SOJA 65,0 52,5 -19,2% onde, das 136 milhões de t de grão previstas, pelo menos MILHO 42,5 37,0 -12,9% 20 milhões foram embora, e agora já não temos uma supersaARROZ 13,2 12,5 -5,3% fra nas mãos, as cotações dos principais produtos tiveram forte FEIJÃO 3,4 2,7 -20,6% alta nas últimas semanas e caminham para mostrar um bom ano para aqueles produtores que ALGODÃO* 1,42 1,39 -2,1% não foram prejudicados pelo clima. O quadro externo também teve uma reversão nas cotações, TRIGO 5,9 6,1 3,3% que cresceram e deixaram o mercado com um patamar de cotações médias históricas. As OUTROS 4,5 3,3 -26,6% principais perdas ocorridas vieram da soja, onde se perdeu cerca de 13 a 15 milhões de t, e TOTAL 135,9 115,5 -15,0% outras 3 a 5 milhões de t do milho, sem se deixar de apontar que o feijão também perdeu pelo menos 500 mil t sobre as expectativas iniciais e, desta forma, as cotações reverteram o quadro Fonte: BRANDALIZZE Consulting (*) Nota: Dados em mil t de pluma. e agora trabalham com patamares que podem ser considerados como aquecidos. MILHO Falta de produto em 2005 O milho teve o quadro complicado neste último mês, principalmente, para o abastecimento, onde tivemos crescimento das perdas na safra de verão e, junto a isso, a seca também está causando estragos nas lavouras da safrinha, que vem comprometida e já aponta que a safra fique entre 36 e 38 milhões de t contra um consumo de 42,5 milhões de t. Isso já está fazendo os consumidores se movimentarem junto à possível importação nos próximos meses, e se comenta que poderá haver a necessidade de trazer de 1 a 2 milhões de t que, no segundo semestre, chegará com valores entre R$ 28,00 e R$ 30,00 para o câmbio atual e, desta maneira, dará fôlego para novos ajustes nos indicativos internos, que tiveram crescimento de 25% no último mês. O milho, que era o patinho feio dos produtores para este ano, transformou-se em um grande negócio. SOJA Soja: um velho novo grande negócio Os produtores de soja neste ano saíram da água para o vinho, onde começou sinalizando para cotações baixas e que, em muitos casos, não cobririam os custos, teve forte avanço nas cotações entre fevereiro e março e, novamente, está se tornando atrativa e lucrativa. Com isso, já se comenta em crescimento da área plantada na safra 05/06. Os indicativos cresceram porque houve quebra da safra do Sul do país, que beneficiou as regiões mais distantes, onde a colheita está sendo normal e, até mesmo, há recorde de colheita, como é o caso do MT com mais de 17 milhões de t. O quadro geral de oferta e demanda mundial, que antes apontava para estoques acima das 60 milhões de t, agora, indica que deverão ficar ao redor das 50 milhões de t, um quadro regular de oferta e demanda. As cotações médias deste ano caminham para operar entre 10 e 15% acima do que estavam projetadas nos primeiros dias do ano. FEIJÃO Perde espaço no irrigado O quadro do feijão, a cada dia que passa, vai mostrando-se favorável aos produtores, porque primeiro tivemos grandes perdas causadas pelo clima no Sul e Nordeste do País, na se-

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gunda safra o quadro também é de aperto na oferta, e até mesmo a Conab derrubou a estimativa da safra para 2,8 milhões de t, com perdas de 500 mil t e, assim, dando sinais de que teremos uma oferta menor do que a demanda. Junto, agora estamos vendo os produtores que plantam o irrigado sendo assediados pelo setor de sementes para a reprodução da soja transgênica, e também de milho e, com isso, diminuindo o potencial produtivo para o feijão e sinalizando, para este, um bom quadro no segundo semestre. Os indicativos estão com expectativas de alta para abril porque teremos pouco produto chegando, e as ofertas escasseando rapidamente e, junto, estamos vendo os produtores mais otimistas com os negócios, e somente este fator normalmente favorece para termos cotações em alta.

ARROZ Produtor segurando oferta A colheita da safra está adiantada e, pelo que se observa, houve grandes perdas na produtividade, que até agora não foram confirmadas pela Conab, mas certamente deverão ser atualizadas mais à frente. Outro ponto importante é que grande parte das lavouras do arroz do RS foram colhidas e apresentaram baixa qualidade do arroz com muito quebrado e, assim, os poucos que estão conseguindo ter o produto de ponta, para fazer o branco polido, estão armazenando e fazendo EGF, para buscar cotações maiores, que atualmente giram ao redor dos R$ 25,00, mas o setor espera vender com facilidade acima dos R$ 30,00 em pouco tempo. É um ano em que haverá muita oferta de quebrados e arroz para o setor da Parboilização e favorecimento das cotações ao nobre branco polido.

CURTAS E BOAS SOJA - O USDA continuou atualizando a safra do Brasil para baixo, mas ainda está longe das indicações reais que estamos colhendo, mostrou em março as 59 milhões de t contra as 63 de fevereiro e caminha para apontar as 56 em abril, mas agora o consenso no mercado interno vai das 49 a 53 milhões de t, com a maior parte indicando que fecha abaixo das 52 milhões de t. Isso está causando um diferencial de 13 milhões de t sobre as estimativas iniciais. Isso fez com que em março as cotações em Chicago se aproximassem dos US$ 7,00 por bushel, melhor nível do ano, que provavelmente não se repetirá em abril porque estaremos no pico das negociações e crescimento das ofertas. MILHO - Os novos números da safra da Argentina estão entre 18 e 19,5 milhões de t, sendo que mais de 14 milhões vão para a exportação. As indústrias brasileiras estão de olho em uma fatia deste volume, mas o impasse continua em cima dos transgênicos, que poderão ser um entrave para as negociações. TRIGO - O mercado melhorou em março, sendo pressionado pelo bom desempenho das exportações da Argentina, que já negociou mais de 80% do produto programado para este ano e agora conta com cerca de 2 milhões de t, para fechar as expectativas de venda de 10,5 milhões de t e, assim, está fazendo as indústrias brasileiras correrem atrás do produto nacional, porque as cotações cresceram na Argentina, e trazer trigo do Canadá ou EUA se torna quase inviável devido ao alto custo com que chegaria aqui. Bons sinais para os produtores desta nova safra. ALGODÃO - Continuou andando em banho-maria, porque, mesmo com o Brasil tendo vitória na OMC, não houve resultado prático nos EUA. A safra mundial continua acima da demanda, e os estoques muito altos. Desta forma, há pouco fôlego para avanços reais no curto prazo. Junto a isso, estamos vendo a colheita começando a andar no Brasil e, mesmo com a seca, a safra caminha para vir cheia, com indicativos de 1,3 a 1,4 milhões de t. Ainda temos grandes estoques que somam mais de 260 mil t, que caminham para o fechamento do ano com quase meio milhão de t em estoque. Necessitamos apoio do governo e novamente teremos como saída a busca do mercado internacional. A saída dos produtores brasileiros segue em cima da boa qualidade e da alta produtividade, para diminuir os riscos econômicos.

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