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Manejo planejado

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Destaques

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@RevistaCultivar

Índice

Manejo planejado

Que estratégias adotar a partir da colheita para prevenir a repetição de prejuízos com a buva na próxima safra

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Ameaça lenta

Como conter a murcha-de-fusarium, doença que

Diretas

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Brusone em trigo

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Murcha-de-fusarium em algodão

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Capa - Manejo planejado da buva

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Mudanças no manejo da mosca-branca

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Novos desafios do biótipo Q

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Antracnose em soja

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Controle da broca-do-café

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Manejo da broca-da-cana

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Coluna Agronegócios

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Coluna Mercado Agrícola

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Coluna ANPII

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se mostra mais severa quando há presença de altas populações de nematoides patogênicos

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Redução de perdas

Como a indução de resistência de plantas pode ajudar a prevenir os prejuízos com

Fundadores: Milton Sousa Guerra e Newton Peter

a antracnose em soja Cultivar Grandes Culturas • Ano XX • Nº 239 Abril 2019 • ISSN - 1516-358X Crédito de Capa: Giliardi Dalazen

Grupo Cultivar de Publicações Ltda. CNPJ : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480 Rua Sete de Setembro, 160, sala 702 Pelotas – RS • 96015-300 Diretor Newton Peter www.grupocultivar.com contato@grupocultivar.com Assinatura anual (11 edições*): R$ 269,90 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)

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Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: contato@grupocultivar.com Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.

REDAÇÃO • Editor Gilvan Dutra Quevedo

• Vendas Sedeli Feijó José Luis Alves Miriam Portugal

• Redação Rocheli Wachholz Karine Gobbi Taciane Fonseca

CIRCULAÇÃO • Coordenação Simone Lopes

• Design Gráfico e Diagramação Cristiano Ceia • Revisão Rogério Nascente COMERCIAL • Coordenação Charles Ricardo Echer

• Assinaturas Natália Rodrigues Clarissa Cardoso • Expedição Edson Krause

GRÁFICA: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.


Diretas Soluções para soja

A Basf destacou, na 20ª edição da Expodireto Cotrijal, soluções para manejo de doenças e plantas daninhas em soja, além das marcas de sementes Credenz e Soy Tech. Segundo o gerente de Desenvolvimento de Mercado da Basf, Sérgio Silva, a empresa possui linha completa de fungicidas para o controle de doenças durante todo o ciclo da soja, com destaque para o Versatilis, recomendado para uso em associação com o multissítio Status. “Também traz grande prejuízo ao agricultor a ocorrência de buva, e pra isso estamos com o lançamento do herbicida Atectra, e do Amplexus, este específico para campim-amargoso”, explicou Silva.

Sérgio Silva (direita)

Aniversário

Cooperação

Há um ano a marca Corteva era lançada no Brasil, durante a 19ª edição da Expodireto Cotrijal, nascida da fusão das divisões agrícolas das marcas Dow e Dupont. Neste ano, na edição comemorativa de 20 anos da feira, a marca trouxe uma série de tecnologias para o produtor gaúcho, assim como os lançamentos realizados durante o ano de 2018. “A Corteva rapidamente estruturou e harmonizou a nossa oferta e o nosso propósito, para podermos facilitar a vida do agricultor. Nesse ano, conseguimos dar uma cara para a Corteva e realizar lançamentos importantes”, opinou o diretor de Marketing da empresa, Douglas Ribeiro. Entre os destaques da marca no evento, esteve o herbicida Verdict Max, para combate de campim-amargoso, e a biotecnologia de milho Power Core Ultra.

Douglas Ribeiro

O CEO da UPL Brasil, Rogério Castro, esteve presente na Expodireto para apresentar a iniciativa Cooper Up. Trata-se de um programa que realiza a aproximação e o relacionamento da marca com as cooperativas do agronegócio brasileiro. Segundo Castro, Cooper Up segue alguns pilares, como a demonstração do portfólio da companhia aos participantes, para auxílio dos cooperados no manejo da lavoura. “Outro pilar é aproximar as cooperativas das oportunidades de mercado na Índia, por ser um grande consumidor de proteína vegetal e, assim, promover trocas e expandir relacionamentos de dois mercados com muito potencial”, explicou.

Pilares

Fábio Prata

A Bayer focou na Expodireto Cotrijal em três soluções principais, com a plataforma Climate Field View, a Intacta 2Xtend, plantada em área experimental pela primeira vez na feira, e o fungicida Fox Xpro, solução para manejo das doenças mais agressivas da soja. “As três tecnologias se encaixam dentro dos pilares da nova empresa, formados por inovação, sustentabilidade e transformação digital”, explicou o diretor de Marketing para Clientes da Bayer, Fábio Prata.

Aquisição

Rogério Castro

Em mais um ano de participação na Expodireto Cotrijal, a UPL comemorou a aquisição da Arysta, o que torna a empresa uma das cinco maiores companhias de soluções agrícolas do mundo. Com a presença na feira, a marca deu ênfase às tecnologias para proteção de cultivos, focadas em oferecer resposta aos principais desafios que assolam as lavouras gaúchas. Segundo o diretor da Unidade Sul da UPL, Urías Costa, a Expodireto é o principal evento do Rio Grande do Sul para expor novas tecnologias. “Aqui, trazemos novidades no nosso programa de fungicidas, como a Família Unizeb, que ganha o Triziman, produto que vem preencher uma lacuna no manejo de resistências”, avaliou Costa. O executivo destacou, também, o herbicida Sperto.

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Sementes

As cultivares de soja licenciadas da Nidera Sementes foram destaque da marca na Expodireto Cotrijal 2019. Para as regiões do Planalto do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Sul e do Sudoeste do Paraná foram expostas as cultivares RR 5909, NR 4823 e NS 5959. Já para região Sul de São Paulo, o destaque foi para a NS 6700. "O licenciamento da Nidera Sementes traz para o mercado um portfólio amplo e adaptado, baseado no tripé, para o produtor e para os nossos sementeiros, focado em segurança, estabilidade e produtividade", explicou o gerente de Licenciamento Sul da Nidera, Rogério Schneider.

Adelino Thomazini

Estratégia

A FMC Agricultural Solutions comemorou na Expodireto Cotrijal o fato de ter passado a atuar exclusivamente no ramo de soluções para agricultura. Além disso, a companhia vivencia uma mudança estratégica a curto, médio e longo prazo, voltando-se amplamente para a pesquisa e o desenvolvimento. Segundo o gerente de Portfólio da FMC, Adelino Thomazini, essa estratégia amplia a capacidade de trazer soluções para os cultivos em que atua. “Agora, com alguns movimentos de mercado e também pela nossa ampliação de portfólio, a gente passa a buscar uma posição de relevância no mercado de soja e de milho”, enfatizou Thomazini.

Desempenho

Plantas daninhas

A Nufarm expôs, durante a Expodireto Cotrijal suas tecnologias, como o herbicida Crucial, que recebeu plot para expressar velocidade de dessecação. O herbicida pré-emergente Zetha Maxx também esteve em destaque. “O controle correto de plantas daninhas evita mato competição na cultura de soja, o que proporciona tranquilidade ao produtor rural”, disse o responsável por Desenvolvimento de Produto e Mercado da Nufarm, Glauber Stürmer. Além do foco em plantas daninhas, a marca apresentou o fungicida Manfil, para controle de ferrugem asiática.

A participação e o desempenho da Syngenta no mercado da América Latina cresceram 20% em 2018, com destaque para o Brasil. A expectativa da companhia é de manter o mesmo ritmo em 2019. “Estamos muito felizes com nosso desempenho. Na Expodireto Cotrijal trouxemos todas as novas tecnologias que chegam para integrar e auxiliar no aumento de produtividade”, informou o diretor regional para a América Latina da Syngenta, Valdemar Fischer.

Tecnologia

Valdemar Fischer

O lançamento da tecnologia Power Core Ultra marcou a presença da Morgan na Expodireto Cotrijal 2019. Segundo a líder de Marketing da Morgan, Diogênes Panchoni, trata-se da última novidade em controle de lagartas Spodoptera em milho. “Apresentamos, também, dois lançamentos, com as cultivares MG 515 e MG 545, produtos precoces de alta performance produtiva. Também trouxemos as já consagradas MG 300 e MG 320, cultivares bastante plantadas nessa região, devido a seu ciclo e produtividade”, explicou.

Diogênes Panchoni

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Presença feminina

Pelo terceiro ano consecutivo, a Nidera recebeu um grupo de produtoras rurais de Carazinho, Rio Grande do Sul, para um café da manhã, que ocorreu paralelamente à programação da Expodireto Cotrijal. No evento, o diretor Comercial de Sementes Sul/Paraguai da Nidera, Leandro Sauthier, destacou a importância das mulheres que atuam em diferentes elos da cadeia do agronegócio. A produtora Luciane Rheinheimer avaliou que a participação do grupo em eventos- como a Expodireto e o encontro proporcionado pela Nidera- é muito importante para conhecer as novidades do setor e realizar um intercâmbio de ideias com profissionais do segmento.

André Savino

Futuro

Com foco na Agricultura do Futuro e em produtos e soluções em agricultura digital, a Syngenta marcou presença na Expodireto Cotrijal. Em produtos, a marca destacou o inseticida Proclaim e o fungicida Bravonil. “Trouxemos ao agricultor ferramentas que o auxiliarão a vencer desafios futuros”, opinou o diretor de Marketing Brasil da Syngenta, André Savino. O executivo destacou, também, o avanço do portfólio da empresa em soluções digitais, com a compra da empresa Strider e o aumento do portfólio de sementes, devido à aquisição da Nidera Sementes.

Interatividade

A Adama apresentou seu portfólio para as culturas de milho e soja durante a 20ª edição da Expodireto Cotrijal. O fungicida Cronnos T.O.V. e a ação Cronnos Field, que consiste em uma estrutura itinerante que percorre as principais áreas produtoras de soja no País, mereceram destaque no estande da marca. “Por meio da experiência promovida, a Cronnos Field oferece ao agricultor informações estratégicas para a prevenção, a identificação e o combate adequado às doenças da soja”, explicou o gerente de Produtos da Adama Brasil, Leandro Garcia.

Controle de lagartas

Com foco no produtor de grãos do Norte gaúcho a Forseed, marca global da Longping High-Tech, lançou os híbridos de milho FS 481 e FS 450 para o mercado de hiperprecocidade. “Os materiais da Forseed vêm se destacando por apresentar potencial produtivo, sanidade, tolerância a estresse hídrico e precocidade”, afirmou o líder de Marketing da Forseed, Aldenir Sgarbossa. Além disso, a marca destacou a nova biotecnologia Power Core Ultra, focada no manejo de lagartas na cultura do milho.

Aldenir Sgarbossa

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Regionalidade

A Brasmax, marca brasileira da GDM Genética do Brasil, especializada no licenciamento de cultivares de soja, apresentou seu portfólio na Expodireto Cotrijal. A marca desenvolve cultivares de alto rendimento e precocidade, e oferece produtos adequados para diferentes regiões. Os destaques foram as variedades Fibra e Compacta, para as regiões de menor altitude, como é o caso das Missões e o Sul do Rio Grande do Sul. Também, as variedades Raio e Zeus, para as regiões de maior altitude, como o Planalto Gaúcho e os Campos de Cima da Serra. De acordo com o supervisor Comercial, Cristiano Rosa, essas variedades atingiram a liderança na safra 2018/2019.

Cristiano Rosa


Vínculo

Presente em um dos principais polos agrícolas e distribuidores em todo o Brasil, a Satis participou da 20ª edição da Expodireto Cotrijal. A empresa também recebeu, em Vitor Graef, município vizinho a Não-Me-Toque (RS), produtores e visitantes para confraternizar e discutir sobre as tecnologias e os negócios da empresa. De acordo com o gerente Comercial, Álvaro Macedo, o encontro serviu para uma aproximação com o público, ao mesmo tempo em que a equipe pôde se atualizar sobre novos produtos e variedades de soja.

Fertilizantes

Fernando Calazans

Cultivares

A Don Mario mostrou, na Expodireto Cotrijal, três cultivares de soja que receberam destaque na última safra. A DM57I52, segundo a empresa, possui alto potencial produtivo, estabilidade e ciclo semiprecoce, e é indicada para a região do Planalto gaúcho, com perspectiva de expressão em outras regiões do estado para a safra 2019. A DM53I54, campeã brasileira em produtividade no concurso realizado pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb), tem se destacado na região do Paraná pela boa produtividade. Já a cultivar DM66I68 é ofertada como opção para a abertura de plantio, com bom potencial de adaptação em regiões mais quentes.

A Mosaic Fertilizantes participou em março da 20ª edição da Expodireto Cotrijal, no município de Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul. “A Mosaic Fertilizantes acredita que a Expodireto Cotrijal é uma grande oportunidade para o setor, já que apresenta soluções e alternativas para o campo por meio da inovação e novos negócios. Este ano, levamos nossos produtos premium para mostrar como a tecnologia pode resultar no aumento da produtividade e da qualidade dos produtos. A ideia é gerar conhecimento para toda a cadeia”, explicou o gerente Nacional da Mosaic Fertilizantes, Marcio Tortorelli.

Marcio Tortorelli

Diferencial

A TMG levou para a Expodireto Cotrijal quatro lançamentos de cultivares de soja e demonstrações de manejo da ferrugem da soja, com a Tecnologia Inox. Amplitude de adaptação, alto teto produtivo, resistência ao acamamento, rusticidade, alto PMS e ciclos que atendem às necessidades de todas as regiões produtivas do Rio Grande do Sul estão entre as características destacadas pela marca para as variedades apresentadas na feira. As cultivares expostas foram TMG 7061IPRO, TMG 7260IPRO e TMG 7058IPRO, com os diferenciais das tecnologias Intacta RR2 PRO e Inox; e a cultivar TMG 1759RR, indicada para refúgio.

Laços fortes

A Rigrantec aproveitou a Expodireto Cotrijal para se aproximar ainda mais de seus clientes, produtores e distribuidores. Durante a feira, foram atendidos no estande interessados em novas tecnologias, com destaque para a linha de tratamento de sementes e bioestimulantes. “Estes mercados crescem em ritmo exponencial e a Rigrantec possui soluções completas e acessíveis nos dois segmentos”, explicou o diretor da Rigrantec, Nelson Azambuja. No evento também foi apresentado o novo site da empresa, com o e-commerce para facilitar a comercialização em todo o Brasil.

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Trigo

Dependente P de umidade

Douglas Lau (Embrapa Trigo)

Doença responsável por sérios prejuízos à cultura do trigo, a brusone tem sua maior incidência associada à quantidade de chuva, visto que demanda pelo menos dez horas de molhamento foliar para produzir danos elevados à lavoura. Proteger a espiga da infecção do patógeno é o principal desafio

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yricularia oryzae é um fungo que causa a doença conhecida como brusone em mais de 50 espécies de plantas da Família Poaceae (a família das gramíneas), incluindo culturas agrícolas como arroz, trigo, cevada, milho e aveia. No Brasil, além do arroz, a cultura do trigo é severamente afetada por surtos epidêmicos da doença, especialmente nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, além de regiões do cerrado brasileiro onde se cultiva trigo. A brusone do trigo foi relatada pela primeira vez em Londrina, no Paraná, em 1985. Os relatos posteriores de ocorrência da doença em diversos


Fotos João L. Nunes Maciel

estados brasileiros, em um período relativamente breve de pouco mais de cinco anos, demonstram a rápida dispersão do patógeno desde seu foco original. As medidas adotadas para o controle da brusone no Brasil não têm atingido o alcance desejado. A oferta de cultivares resistentes à doença ainda é um desafio que continua sendo perseguido e o controle químico, representado especialmente pela aplicação de fungicidas na parte aérea, não tem reduzido a gravidade da situação em anos de epidemia, quando os danos podem atingir até 100%. Embora a ocorrência da brusone do trigo na Argentina seja relativamente comum, até o início de 2016 relatos de surtos epidêmicos da doença estiveram sempre restritos a três países: Brasil, Bolívia e Paraguai. No entanto, em março de 2016, uma epidemia severa da brusone do trigo foi relatada em Bangladesh, na Ásia. Esta situação gerou enorme preocupação e as autoridades daquele país chegaram a recomendar que os agricultores queimassem suas lavouras afetadas, na tentativa de erradicar a doença. Mais recentemente, em fevereiro de 2017, uma epidemia da doença foi registrada em lavouras de trigo da Índia, em uma região de fronteira com Bangladesh.

SINTOMAS E CONDIÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO

Os sintomas da brusone podem aparecer em folhas, colmos e espigas, mas o dano mais significativo ocorre nas espigas. Ainda que relativamente raros antes do início do espigamento, os sintomas nas folhas se caracterizam pela presença de lesões elípticas, de cor branca a marrom-clara, com bordas variando de cinza escuro a marrom avermelhado. A infecção das espigas causa esterilidade parcial ou total- elas podem se mostrar brancas desde o ponto de infecção do patógeno na ráquis. A infecção nas ráquis interrompe a translocação de fotossintatos para as partes superiores da espiga, o que determina que os grãos sejam pequenos,

As medidas adotadas para o controle da brusone no Brasil não têm atingido o alcance desejado

enrugados, deformados e com baixo PH. De acordo com a cultivar afetada e as condições climáticas, os sintomas da brusone do trigo variam em severidade, tanto nas folhas quanto nas espigas. Infecções em glumas podem causar o clareamento parcial ou total. Na lavoura, a condição mais favorável para o desenvolvimento da brusone ocorre quando se dá uma combinação das seguintes circunstâncias: plantas em estádio de espigamento, temperatura com variação de 24ºC a 28ºC, e períodos constantes de chuva com manutenção de umidade relativa alta por longo tempo. Já se verificou que a concentração de esporos (conídios) de P. oryzae no ar, no município de Passo Fundo, Rio Grande do Sul, é bastante alta ao longo de praticamente todo o ano. Baseado nos dados obtidos em Passo Fundo, mesmo que este município não esteja localizado em um local com histórico de ocorrência de epidemias de brusone, presume-se que a oferta de conídios de P. oryzae no ar não represente uma restrição para a doença se desenvolver no país.

ORIGEM DA BRUSONE DO TRIGO

Após o primeiro relato de sua ocorrência no mundo na condição de epidemia, fato que ocorreu justamente no Brasil (1985), várias hipóteses foram apresentadas com relação à origem da brusone do trigo. A hipótese mais discutida enfatizou a relação entre arroz e trigo, indicando que P. oryzae de trigo era proveniente de plantas de arroz. No entanto, avaliações genéticas, de patogenicidade e de virulência detectaram diferenças importantes entre P. oryzae do arroz e do trigo. Novas hipóteses surgiram com base nas teorias evolucionistas modernas. Neste contexto, as evidências mostraram que populações simpátricas (“vizinhas”) de P. oryzae adaptadas ao arroz raramente migraram para o trigo, sugerindo que a população que infecta o trigo é originária de uma população que infecta uma espécie de gramínea desconhecida, diferente de arroz.

ALTERNATIVAS DE SOBREVIVÊNCIA DE PYRICULARIA ORYZAE

Pyricularia oryzae é conhecido por sobreviver de uma safra para outra em sementes, em plantas vivas e em plantas mortas

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pelas condições climáticas. As dúvidas relativas ao tempo de viabilidade do fungo na palha também aumentam se forem considerados aspectos como tipo de solo e método de preparo do solo. A maioria das lavouras de trigo no Brasil é conduzida em Sistema de Plantio Direto, onde os resíduos vegetais permanecem na superfície do solo. Não se sabe, por exemplo, se a degradação mais lenta da palha de trigo no Sistema de Plantio Direto também significa um maior período de sobrevivência de P. oryzae.

RESISTÊNCIA GENÉTICA À BRUSONE DO TRIGO

Os sintomas da brusone podem aparecer em folhas, colmos e espigas

(palha) na condição de micélio saprófita. No entanto, o grau de importância que cada uma dessas alternativas de sobrevivência representa para o desenvolvimento da brusone do trigo no país ainda precisa ser melhor avaliado e dimensionado. A expectativa é de que existam muitos aspectos relativos à sobrevivência de P. oryzae que, ao serem mais estudados, gerem informações que possam ser aplicadas diretamente no manejo ou controle da brusone do trigo. O grande número de espécies de plantas em que P. oryzae pode sobreviver representa uma grande dificuldade em avançar no conhecimento sobre o papel que os hospedeiros alternativos desempenham nas epidemias de brusone do trigo. Há indicações consistentes de que plantas do gênero Urochloa (ex- Brachiaria) desempenham um papel importante na sobrevivência e geração da variabilidade do fungo. Considerando o potencial de disseminação do patógeno por meio das sementes de trigo, o uso de material genético livre do patógeno é uma importante medida para o manejo da brusone. A presença de P. oryzae em sementes, além de danificar a planta que irá surgir a partir desta semente infectada, pode introduzir o fungo em áreas onde não estava presente. A maior parte dos

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estudos sobre a presença de P. oryzae em sementes de trigo foi realizada no Brasil durante a década de 1990. Entre tais avaliações, a mais importante foi a que utilizou 2.238 amostras de grãos e sementes de trigo, obtidas durante seis anos (1987-1992) em 11 municípios de Mato Grosso do Sul. A presença de P. oryzae foi detectada em 16,5% das amostras e a incidência média do fungo nas sementes variou de 3%, em 1990, a 0,2%, em 1991 e 1992. Por outro lado, já foi verificado que P. oryzae pode sobreviver por um período relativamente longo em sementes de trigo. Em trabalho realizado com sementes das cultivares de trigo Anahuac e Tapejara, colhidas na safra de 1987 e com taxa de infecção de P. oryzae de 45%, determinou-se que P. oryzae sobreviveu por 19 meses e 22 meses, respectivamente, com uma taxa de viabilidade do fungo de 60% após oito meses de armazenamento. Em experimento conduzido no Brasil, foi determinado que o tempo de viabilidade do P. oryzae em palha de trigo não ultrapassou cinco meses. No entanto, é muito provável que esse período possa ser bastante influenciado

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No Brasil, desde o primeiro relato da doença, ações de pesquisa buscando gerar cultivares de trigo resistentes à brusone do trigo têm sido intensas, mas os resultados desejados ainda não foram alcançados. A grande maioria das cultivares ofertadas aos produtores de trigo do país é suscetível ou muito suscetível à doença. Apesar dessa condição, alguns pontos de avanço precisam ser enfatizados. As cultivares BRS 229 e BR 18-Terena apresentam relativa resistência à brusone em condições de campo, sendo que a BR 18-Terena é bastante utilizada em programas de melhoramento genético de trigo como fonte de resistência durável à doença. Nesse sentido, também tem sido observado que cultivares de trigo oferecidas comercialmente mais recentemente apresentam um nível significativo de resistência à doença, destacando-se BRS 404, ORS 1401, ORS 1403, TBIO Sonic, TBIO Mestre, TBIO Sintonia e CD 116.

CONTROLE QUÍMICO

A aplicação de fungicidas representa uma das principais medidas componentes do manejo integrado da brusone do trigo e pode ser utilizada de duas formas, no tratamento de sementes e na pulverização da parte aérea das plantas. O tratamento de sementes com fungicidas previne a infecção de P. oryzae nas plântulas. Nesse sentido, avaliações frequentes têm demonstrado que a sua adoção


Fotos João L. Nunes Maciel

pode controlar satisfatoriamente as infecções de plântulas causadas por P. oryzae. No Brasil, existem poucos fungicidas oficialmente registrados para tratamento de sementes de trigo para o controle da brusone. Os ingredientes ativos são os seguintes: iprodiona, fluazinam, difeconazol e carboxina + tiram. A lista destes produtos não sofreu grandes mudanças desde o surgimento da doença, em meados da década de 1980. Entre os fungicidas para o tratamento de sementes, a mistura comercial carboxin + tiram tem sido a opção com a melhor relação custo-benefício. Folhas e espigas de trigo podem ser protegidas contra a brusone por meio da pulverização com fungicidas, que pode ser realizada uma ou mais vezes. No entanto, especialmente em anos muito favoráveis à doença, os resultados podem ser decepcionantes. Os fatores que influenciam no dempenho desta forma de controle químico da brusone do trigo normalmente são insensibilidade de P. oryzae ao fungicida, utilização de dose do fungicida abaixo da recomendada, cobertura ineficiente do fungicida nas espigas (não se atinge o alvo), e momento equivocado da aplicação (muito cedo ou muito tarde). A importância da brusone nas folhas de trigo ainda não foi determinada. Mas, ao contrário do que ocorre em lavouras de arroz no Brasil, não é comum encontrar folhas com sintomas de brusone em lavouras de trigo. Diante destas circunstâncias, o que se preconiza é que o controle químico da brusone do trigo deve estar baseado na “missão” de se proteger a espiga da infecção do patógeno por meio da aplicação do fungicida de forma preventiva. Ocorre, porém, que o período em que uma espiga de trigo permanece exposta à ação da doença é bastante longo (no mínimo, 40 dias), além do fato dos fungicidas terem um período relativamente curto de ação residual (sete a dez dias). Então, como conciliar estes aspectos de tal forma que uma lavoura produza trigo em condições de viabilidade econômica? Aplicando fungicida somente quando as previsões do tempo determinarem que as condições serão favoráveis à doença. Que condições são essas? Chuva. Se não chove, as condições não são favoráveis para a brusone (existe a necessidade de, pelo menos, dez horas de molhamento foliar). Somente a umidade do orvalho não é suficiente para que a doença atinja um desenvolvimento importante, a ponto de produzir danos elevados na lavoura. Também é importante informar que vários experimentos de campo determinaram que fungicidas comerciais com mancozebe na sua formulação apresentaram maior eficiência para controlar a brusone do trigo. C

João L. Nunes Maciel, Embrapa Trigo Marcos Kovaleski, PPG-Agro/UPF Alieze Nascimento da Silva, PPGA/UFSM

O dano mais significativo da brusone ocorre nas espigas

Proteger a espiga da infecção do patógeno é o principal desafio na aplicação preventiva de fungicidas

Alieze, Kovaleski e Maciel lembram da dependência de umidade para maior ocorrência da brusone

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Algodão

Ameaça lenta A murcha-de-fusarium afeta o algodoeiro em qualquer estádio de desenvolvimento da cultura e se mostra mais severa quando há presença concomitante de altas populações de nematoides patogênicos. Seu manejo é realizado principalmente por meio do princípio da exclusão, que consiste em evitar a introdução do patógeno em áreas isentas

A

murcha-de-fusarium do algodoeiro, também conhecida como fusariose, foi relatada em algodoeiro no Brasil, pela primeira vez, na região Nordeste, em meados da década de 1930. Disseminada para as demais regiões produtoras, foi responsável por uma fase de decadência da cotonicultura paulista, sobretudo na segunda metade da década de 1950. Atualmente, mais de 95% do algodão cultivado no Brasil está localizado no bioma cerrado, em áreas relativamente novas com essa cultura. Entretanto, no estado do Mato Grosso, maior produtor nacional, estima-se que 3% das áreas afetadas com nematoides-das-galhas também estão infestadas com o agente causal da murcha-de-fusarium. A doença é causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum (Fov) que varia em patogenicidade, dependendo da cultivar em uso, tendo, portanto, diferentes raças. Das oito raças descritas desse patógeno no mundo, apenas a raça seis do patógeno foi relatada no Brasil. A murcha-de-fusarium afeta o algodoeiro em qualquer estádio de desenvolvimento da cultura. Em plântulas, ocorrem amarelecimento e murcha de folhas cotiledonares, escurecimento das nervuras, amarelecimento e necrose das primeiras folhas verdadeiras, e, em casos mais severos, morte da plântula. Em plantas adultas ocorrem amarelecimento em áreas irregulares da superfície foliar, murcha de folhas e ramos, necrose e, ocasionalmente, morte da planta. Algumas plantas afetadas podem sobreviver à doença, emitindo novas brotações e estruturas reprodutivas próximas ao solo, mas, em geral, os ramos originados a partir desses novos brotos não são produtivos. Durante o processo infeccioso, as plantas perdem todas as suas folhas

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Fotos Nelson Dias Suassuna

Murcha de folhas cotiledonares e escurecimento de nervuras de plântulas de algodoeiro inoculadas com Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum

e as novas brotações caem, permanecendo apenas o caule enegrecido. As plantas que não morrem, sofrem severa redução de crescimento. Seccionando longitudinalmente caules e raízes, observa-se o escurecimento dos feixes vasculares; o lume dos vasos é obstruído pela formação de tiloses, pela presença de esporos e micélios do fungo e por substâncias produzidas pelo metabolismo do fungo nos vasos, sendo a principal causa do sintoma de murcha na planta. Fov pode sobreviver no solo por muito tempo na forma de estruturas de resistência (clamidósporos), ou como saprófita em raízes de outras plantas. A dispersão do patógeno em curtas distâncias é favorecida pelo movimento de partículas de solo contaminado, principalmente por meio de máquinas agrícolas, pelo vento e pela água; em longas distâncias, a dispersão ocorre principalmente por meio de sementes contaminadas. Apesar do progresso lento ao longo dos anos, uma vez o fungo instalado em determinada área é muito difícil erradicá-lo, agravando-se o problema no decorrer das safras, à medida em que se amplia a distribuição do fungo na lavoura. A murcha-de-fusarium é mais severa quando ocorrem altas popula-

Amarelecimento da folha, escurecimento de nervuras e início de necrose em plantas de algodoeiro afetadas por murcha-de-fusarium

ções de nematoides patogênicos ao algodoeiro que causam debilitação da planta e provocam ferimentos no sistema radicular, facilitando a penetração de Fov. Além dos nematoides, outras condições, como solos com alto teor de areia, baixo pH, fertilidade desequilibrada, temperaturas entre 25°C e 32°C e alta umidade, favorecem a doença. Apesar de a maioria das raças de Fov

causar doença em algodoeiro dependente da presença de nematoides fitoparasitas, a raça 4 é extremamente agressiva e, na ausência de nematoides, causa sintomas severos, incluindo intensa murcha, podridão radicular e descoloração do tronco, inclusive no estágio de plântulas. A raça 4 foi descrita pela primeira vez na Índia e, provavelmente, se espalhou para outras regiões produtoras de algodão por meio de sementes infectadas. A raça 4

Comparativo entre testemunha e a aplicação de regulador de crescimento na dose de 100mL a cada 15 dias

Planta com sintomas de murcha-de-fusarium emitindo novas brotações laterais e flor

Plantas com sintomas severos de murcha-de-fusarium

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Fotos Nelson Dias Suassuna

A

B

Escurecimento dos feixes vasculares de plantas de algodoeiro causado por Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum (A) e planta resistente sadia (B)

de Fov foi detectada nos EUA, no estado da Califórnia, em 2001, e teve forte impacto negativo no Vale de São Joaquim, tradicional região produtora de algodão do tipo Pima (espécie G. barbadense, que possui fibra de qualidade superior - “Egípcio”), praticamente inviabilizando o cultivo dessa espécie de algodão em algumas áreas, já que G. barbadense é muito suscetível à raça 4 de Fov. Posteriormente, a raça 4 foi detectada nos estados do Texas e do Novo México. O manejo da murcha-de-fusarium é realizado principalmente por meio do princípio da exclusão, evitando-se a introdução do patógeno em áreas isentas. Nestes casos, a utilização de sementes livres do patógeno, assim como o tratamento de sementes com fungicidas, é fundamental. O uso de sementes sem origem comprovada é um sério risco, bem como o uso de sementes salvas oriundas de talhões que tenham incidência do patógeno. Outro alerta importante é para os visitantes de áreas de produção em outros países, como China, Austrália e EUA, locais de ocorrência de raças muito agressivas do fungo, pois além de sementes contaminadas, o patógeno pode ser carreado até mesmo em solo, aderido em calçados. Outras táticas importantes no manejo dessa doença são a rotação de culturas e o uso de cultivares

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resistentes. A rotação de culturas pode ajudar a reduzir temporariamente a pressão de inóculo, mas é ineficiente em erradicar o pató-

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geno da área. O uso de resistência genética é desejável, por isso, a concepção de melhoramento preventivo deverá ser posta em prática, se antecipando ao problema, pois o cerrado, sendo a última fronteira agrícola, as áreas de produção de algodoeiro não terão mais para onde migrar. Portanto, maior ênfase deverá ser dada aos programas de melhoramento genético, não só para a raça 6 presente no Brasil, mas para todas as raças mais agressivas e passíveis de entrada no país, como as raças 4, 7 e 8, preferencialmente com resistência simultânea C também a nematoides. Nelson Dias Suassuna, Embrapa Algodão

Sintomas avançados de murcha-de-fusarium em folhas de algodoeiro: amarelecimento da folha e necrose intensa


Giliardi Dalazen

Capa

Manejo planejado Uma das principais plantas daninhas em cultivos como soja e milho, a buva tem seu potencial nocivo agravado por episódios de resistência à aplicação de herbicidas. Realizada a colheita, chega o momento de produtores e consultores elaborarem estratégias para que o problema não se repita na próxima safra

A

o final da atual safra brasileira de soja, os produtores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, além de outros estados, se depararam com uma grande ocorrência de buva em suas lavouras. Essas infestações são um sinal de que restaram lacunas no manejo dessa planta daninha. Nessas áreas infestadas, no momento da colheita dos grãos, além da palha da soja, milhares de sementes de buva são dispersas nas lavouras, tornando-se um grande problema potencial para os próximos cultivos. Passada a colheita da safra 2018/19, agora é o momento para que produtores e consultores elaborem estratégias para que o problema não se repita na próxima safra.

O COMPLEXO BUVA E SUA IMPORTÂNCIA NAS LAVOURAS BRASILEIRAS

A buva pode ser considerada uma das principais plantas daninhas em importantes cultivos de primavera e verão, como a soja e o milho. Trata-se de uma planta daninha com grande capacidade reprodutiva por meio de sementes. Cada planta é capaz de produzir mais de 200 mil sementes, que são facilmente dispersadas pelo vento. Além da grande capacidade adaptativa a variados ambientes e grande capacidade de propagação e dispersão, várias espécies de buva apresentam populações resistentes ao herbicida mais comumente utilizado, o inibidor da EPSPS glifosato. No Brasil, três espécies de buva ocorrem mais frequentemente nas lavouras. São Conyza bonariensis, C. canadensis e C.

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Giliardi Dalazen

Área que ficou em pousio após a colheita do milho, com alta infestação de buva. Perceba que foi realizada semeadura de aveia sem a realização do controle da praga

uma área de aproximadamente 14 milhões de hectares no Brasil, o que corresponde a aproximadamente 40% da área total cultivada com soja. Em áreas com alta infestação de buva, a redução da produtividade de soja pode chegar a 80%. Em situações com densidade entre 16 plantas m-2 e 18 plantas m-2, a redução na produtividade pode chegar a 48% (Gazziero et al., 2010). Dependendo da cultivar de soja, a redução da produtividade causada por uma única planta de buva por m2 pode chegar a 26% (Agostinetto et al., 2017). Além da redução de produtividade, os custos de controle aumentam quando há

Figura 1 - Flutuação populacional de percevejos em plantas de buva, em área com cultivo de soja (novembro a março), e pastagem de inverno. Local: Boa Vista do Incra, Rio Grande do Sul, safra 2010/11. Fonte: Dalazen et al., 2016

QUAIS MEDIDAS PODERÃO SER ADOTADAS A PARTIR DE AGORA?

A partir da colheita dessas áreas infestadas, e com a garantia de que o banco de sementes do solo está abastecido com sementes de buva, um planejamento estratégico por parte de produtores e consultores é essencial para que o problema não se repita na próxima safra de soja, que será semeada a partir de setembro.

Adriano Fernandes

sumatrensis. Todas apresentam populações resistentes ao glifosato. C. bonariensis e C. sumatrensis possuem populações com resistência múltipla (EPSPS e ALS). Também ocorre, de forma localizada no Paraná, C. sumatrensis, com resistência a cinco mecanismos de ação: inibidores da EPSPS, PPO, FSII, FSI e auxinas sintéticas (Heap, 2019). Dessa forma, as sementes são muito mais que propágulos de buva. Trata-se da resistência sendo disseminada pelas lavouras, o que reduz as opções de herbicidas que podem ser utilizados no seu manejo. Levantamentos realizados pela Embrapa estimam que o complexo buva infesta

buva resistente nas lavouras, podendo chegar a um custo adicional de mais de R$ 50,00 por hectare (Adegas et al. 2017). Além da competição e do aumento do custo de controle, as plantas de buva podem servir como hospedeiras alternativas de importantes pragas da cultura da soja, incluindo os percevejos e as lagartas. Em levantamento realizado quinzenalmente durante 12 meses em Boa Vista do Incra, Rio Grande do Sul, na safra 2010/11, foi possível observar a ocorrência e a flutuação populacional dessas pragas em plantas de buva (Dalazen et al., 2016). A maior ocorrência de percevejos foi observada após a maturação da soja, a partir do mês de março, quando os grãos se tornam mais duros e impróprios para a alimentação dessas pragas, conforme demonstrado na figura

Área com palhada de aveia preta, livre da ocorrência de plantas daninhas. Local: Fazenda Faxinal, Palmeira, PR, setembro de 2017

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A buva é uma espécie fotoblástica positiva. Isso significa que é uma planta exigente em luz para que o processo de germinação ocorra. A presença de palhada na superfície do solo, produzida via plantas de cobertura, é a principal forma de prevenir e controlar buva nas lavouras. Em áreas com uma boa cobertura de palhada, a ocorrência de buva diminui consideravelmente. O uso de rolo-faca ou qualquer outro equipamento que deite a palhada, aumentando o sombreamento do solo, reduz a germinação de buva e de outras espécies de plantas daninhas, principalmente as fotoblásticas positivas. Além do efeito físico gerado pelo sombreamento, há o efeito químico, via a liberação de substâncias aleloquímicas, que inibem a germinação e o desenvolvimento inicial das plantas daninhas. De forma alguma, as áreas devem ficar em pousio, sem o cultivo de plantas de cobertura. Isso é um prato cheio para o crescimento e a reprodução de buva e outras plantas daninhas. Dependendo da região e do sistema de cultivo, há dois momentos para se produzir essa camada de palha. O primeiro, é o cultivo no período que seria de vazio outonal, entre a colheita de soja e a semeadura de cereais de inverno para a colheita de grãos, como o trigo e a aveia. Nesse período, que compreende os meses de fevereiro a maio, culturas como o milheto, capim-sudão, sorgo, nabo forrageiro, entre outras, podem ser utilizadas. Essas plantas são capazes de produzir elevados volumes de palha em curtos períodos de tempo. Alguns produtores têm antecipado a implantação dessas culturas, via a semeadura a lanço, antes mesmo da colheita da soja. Além de prevenir a germinação de plantas daninhas, a presença dessas culturas previne a erosão do solo durante esse período. O segundo momento é o cultivo de plantas de cobertura de inverno, antecedendo o próximo cultivo de verão. Nessas áreas, espécies como aveia preta, aveia branca e centeio são semeadas com o propósito de produzir palhada e manter o solo coberto. Essas poáceas também podem ser consorciadas com espécies de outras famílias, incluindo nabo forrageiro, ervilhaca, ervilha, tremoço, entre outras. É importante ressaltar que o estabelecimento das plantas de cobertura deve ser realizado em áreas livres de plantas daninhas, incluindo a buva. Para isso, em áreas infestadas, recomenda-se a realização de dessecações pós-colheita da soja, podendo ser utilizados herbicidas não seletivos.

MANEJO DE INVERNO

A germinação de buva, além de exigir luminosidade, ocorre em temperaturas entre 20ºC e 25°C. Essa condição ambiental é comum em alguns momentos do ano, principalmente no outono e na primavera. Dessa forma, a germinação de buva ocorre, principalmente, em dois momentos: nos meses de março a maio e nos meses de setembro a novembro. Sendo assim, o outono/inverno é momento adequado para o controle das plantas de buva emergidas no outono, quando ainda estão pequenas e sensíveis aos herbicidas. Plantas com mais de 8cm-10cm de

Giliardi Dalazen

CULTIVO DE PLANTAS DE COBERTURA COM GRANDE APORTE DE PALHA

Sintoma de espiga de trigo deformada e retida em resposta à aplicação de 2,4-D em pré-perfilhamento

estatura apresentam redução significativa em seu controle. Na Região Sul, é comum a integração de lavoura com a pecuária, seja pela bovinocultura de corte ou de leite. Nessas áreas, muitos produtores optam pelo cultivo de soja no verão e a produção de forragem no inverno, principalmente com azevém e aveia. É importante a realização do manejo de inverno de buva nessas áreas, com herbicidas seletivos, para que a produção de forragem não seja comprometida. Para essas espécies de pastagem, os herbicidas 2,4-D e metsulfuron metílico são recomendados, com aplicações durante o perfilhamento das forragens (Dalazen et al., 2015). Em áreas cultivadas com trigo, além dos herbicidas 2,4-D e metsulfuron metílico, o iodosulfuron metílico apresenta efeito sobre a buva. Contudo, é importante observar o estádio de aplicação (aplicar em plantas pequenas) e a ocorrência de biótipos de buva resistentes aos inibidores da ALS e auxinas sintéticas. Alguns cuidados devem ser observados quanto ao uso desses herbicidas. O herbicida metsulfuron metílico não é seletivo para a cultura da soja, exceto cultivares STS (soja tolerante às sulfonilureias). Portanto, o intervalo de 60 dias entre a aplicação e a semeadura da soja deve ser respeitado. No caso do 2,4-D, a sua seletividade no trigo depende de fatores como dose e estádio de aplicação. Aplicações em períodos anteriores ao perfilhamento comprometem a formação das espigas, causando deformações e retenções.

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Algumas medidas preventivas e de controle para buva

Fotos Giliardi Dalazen

1. Manejo pós-colheita da soja. 2. Produção de palha via cultivo de plantas de cobertura no outono e no inverno. 3. Manejo de inverno, em pastagens ou áreas para produção de grãos. 4. Dessecação com misturas e aplicações sequenciais, com herbicidas com diferentes mecanismos de ação. 5. Uso de herbicidas pré-emergentes. 6. Rotação de culturas. 7. Limpeza de maquinários e áreas adjacentes.

de antagonismos. Dessa forma, para que sejam possíveis a realização dessas operações de dessecação e a morte total das plantas, são necessários mais de 20 dias antecedendo a semeadura. Esse período é necessário para que seja possível ter certeza de que a lavoura será semeada em área livre de plantas de buva, uma vez que após a semeadura e a emergência da soja, as opções de controle químico são limitadas, principalmente se a buva estiver em estádio avançado de crescimento.

USO DE PRÉEMERGENTES NA SOJA

Planta de buva em meio à lavoura de soja estabelecida. Nessas condições, o controle químico é dificultado e medidas como o arranquio manual e a capina podem ser empregadas em situações de baixa infestação

DESSECAÇÃO PRÉSEMEADURA DA SOJA

Após o cultivo de inverno, seja para pastagem, produção de palha ou de grãos, a área deve ser preparada para o cultivo de verão. Caso tenham emergido novas plantas de buva após o manejo de inverno, herbicidas eficientes devem ser utilizados na operação de dessecação. Pelo fato de existir um complexo de plantas daninhas, além da buva, nas lavouras, dificilmente o glifosato deixa de ser usado nessa operação. Sendo assim, são realizadas misturas com esse herbicida, utilizando inibidores da ALS (exemplo: clorimuron etílico), PPO (exemplo: saflufenacil) e auxinas sintéticas (exemplo: 2,4-D). Em situações de plantas sensíveis e em estádio

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inicial de crescimento, normalmente uma aplicação com essas misturas é suficiente. No entanto, em situações extremas, a realização de aplicação sequencial, cerca de duas semanas após a primeira aplicação, é essencial para que o controle seja efetivo. Nessa aplicação seqüencial, podem ser utilizados herbicidas de contato, como os inibidores de FSI (exemplo: paraquate) e os inibidores de GS (exemplo: amônio glufosinato). Deve-se ressaltar que, em casos de ocorrência conjunta de buva e poáceas resistentes ao glifosato, como capim-pé-de-galinha e capim-amargoso, a mistura de 2,4-D com inibidores da ACCase deve ser evitada, devido à ocorrência

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Conhecendo o histórico da área e sabendo que o banco de sementes do solo foi abastecido com propágulos de buva, o uso de herbicidas pré-emergentes torna-se indispensável. Os pré-emergentes compreendem herbicidas com mecanismos de ação variados, o que ajuda a manejar a resistência da buva. A utilização desses produtos inibe a ocorrência de plantas daninhas durante o período crítico de prevenção da interferência (PCPI), que normalmente se dá até o fechamento das entre linhas. Após isso, o sombreamento dificulta a germinação e o desenvolvimento das plantas de buva. A aplicação dos pré-emergentes pode ser realizada juntamente com a dessecação, ou no momento da semeadura, incluindo aplicações logo após essa operação. Entre os mecanismos de ação recomendados para o manejo de buva em pré-emergência, destacam-se os inibidores da PPO (exemplo: sulfentrazone e flumioxazina) e os inibidores da ALS (exemplo: diclosulam), além de outras opções de mecanismos de ação e ingredientes ativos. Nos últimos anos, as empresas de agroquímicos têm lançado misturas formuladas de pré-emergentes, com o objetivo de melhorar a eficiência e ampliar o espectro de ação. São exemplos de misturas recomendadas para o controle de buva em pré-emergência os herbicidas sulfentrazone + diurom (PPO + FSII), imazethapyr + flumioxazina (ALS + PPO), imazapique + imazapir (ALS + ALS). É importante ressaltar que, para a utilização segura de pré-emergentes, a recomendação de


dose deve considerar as características do solo e as condições ambientais.

OUTRAS MEDIDAS

A adoção de um sistema de rotação de culturas permite o aporte de palha na superfície do solo, além de possibilitar a utilização de herbicidas com diferentes mecanismos de ação, que são seletivos apenas para determinadas culturas e que não podem ser usados na soja. Por exemplo, existem herbicidas eficientes para o controle de buva que são seletivos para a cultura do milho, mas não seletivos para a cultura da soja. Outras medidas incluem a limpeza de maquinários, principalmente colhedeiras, ao transitar entre áreas infestadas ou não. Quando possível, o ideal seria realizar a colheita das áreas infestadas por último, para evitar a introdução de sementes em áreas não infestadas. A limpeza de áreas adjacentes às lavouras, como beira de estradas e cercas, é uma forma importante de prevenir a produção e a dispersão de sementes de buva.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O manejo de buva exige planejamento e ação contínua durante o ano todo. O problema não deve ser visto ou lembrado apenas no momento da dessecação que antecede a semeadura da cultura principal. Além disso, por se tratar de uma espécie que produz grande quantidade de sementes, que são facilmente dispersáveis pelo vento, as ações devem

Cerca apresentando alta densidade de plantas de buva, servindo como fonte de propágulos para os próximos cultivos. Local: Taciba, SP, março de 2019

ser conjuntas, envolvendo produtores vizinhos, consultores e cooperativas. O manejo químico, de maneira isolada, não tem sido eficiente. Faz-se necessária a adoção do manejo integrado de plantas daninhas (MIPD). Nesse contexto, práticas preventivas, principalmente o uso de culturas de cobertura, que reduzam a germinação e a emergência de buva, são fundamentais para que essa espécie de planta daninha não seja um problema para os produtores. Em futuro próximo, novas cultivares resistentes a herbicidas estarão disponíveis no mercado para os produtores. Contudo, é equi-

vocado o pensamento de que essas tecnologias serão a solução de todos os problemas. Devem ser vistas como mais uma ferramenta no manejo de plantas daninhas resistentes, C incluindo a buva. Giliardi Dalazen, UEL Giovana Ghisleni Ribas e Caroline Huth, UFSM Vagner Nascimento, Ana Luiza Colonhezi Feijó e Luiz Abilio Ribeiro Alves, UEL

Dalazen alerta para a necessidade de prevenir problemas na próxima safra

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Mosca-branca

Desafio interdisciplinar Felipe Barreto da Silva

A atual dispersão da mosca-branca Mediterranean (MED) biótipo Q tende a impactar ainda mais o já desafiador manejo da praga no Brasil. Mapear corretamente a sua ocorrência e entender o comportamento do inseto são fatores fundamentais para que não se incorra no erro de atribuir diretamente falhas de controle em campo à presença desta espécie

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Fotos Vinicius H. Bello

Prateamento da aboboreira, distúrbio fisiológico causado pela espécie MEAM1

A

mosca-branca, Bemisia tabaci (Gennadius) é uma das pragas com maior destaque mundial pelo potencial destrutivo como inseto e vetora de vírus. Dentre estas características, a mosca-branca tem a capacidade de se alimentar em mais de 700 espécies de plantas, possui excelente habilidade de dispersão por material vegetal e pelo vento, consegue alterar os mecanismos de defesa das plantas e é capaz de transmitir ao redor de 300 espécies de vírus de plantas. Os adultos de B. tabaci medem aproximadamente entre 1mm e 2mm de comprimento, possuem corpo opaco e as asas cobertas com um pó de coloração esbranquiçada, que caracterizam o nome comum de mosca-branca. Seu ciclo de vida apresenta seis estágios: ovo, ninfa de primeiro, segundo, terceiro e quarto instares, e adulto. Apesar de ter tamanho extremamente pequeno, possui um potencial destrutivo enorme. As fêmeas apresentam uma alta taxa reprodutiva, com capacidade de oviposição de mais de 400 ovos por ciclo, preferencialmente na face abaxial da folha, podendo acarretar em altas infestações da praga. A mosca-branca é responsável por causar três tipos de danos. Os danos diretos ocorrem por meio da alimentação de ninfas e adultos, que succionam a seiva do floema, deixando a planta debilitada. Os danos indiretos são resultantes da excreção do honeydew (substância açucarada) na superfície das folhas e dos frutos, que favorece o crescimento do fungo Capnodium sp., causador da fumagina, sendo responsável por diminuição do potencial fotossintético das plantas, prejudicando seu desenvolvimento e reduzindo a qualidade de frutos e fibras produzidos. Por último, este inseto é um excelente vetor de vírus de plantas, muitos dos quais têm grande impacto em culturas como o feijão, soja, tomateiro, entre outros. A mosca-branca B. tabaci é considerada um complexo de

Presença de fumagina em plantas de pimentão

espécies crípticas, no qual existem ao menos 43 espécies descritas em todo o mundo. No Brasil, até o momento foram descritas quatro espécies: New World 1 e New World 2 (NW1, NW2, também conhecidas como biótipo A), Middle East-Asia Minor 1 (MEAM1, também identificada como biótipo B) e Mediterranean (MED) ou biótipo Q. Estas espécies englobam populações que são morfologicamente indistinguíveis, podendo apresentar características biológicas e ecológicas diferentes, além de poderem ser diferenciadas pela análise do DNA mitocondrial do inseto. Estas espécies podem diferir quanto aos hospedeiros preferencialmente colonizados, à suscetibilidade a inseticidas e à eficiência de transmissão dos vírus de plantas, assim como algumas espécies crípticas podem causar desordens fisiológicas nas plantas, como o prateamento da aboboreira que é típico da espécie MEAM1 (biótipo B). O primeiro relato de mosca-branca no Brasil foi em 1923, na Bahia, com posteriores relatos nos estados de São Paulo e Santa Catarina. No Brasil, até a década de 1990 só ocorriam as espécies de mosca-branca nativas das Américas, pertencentes ao grupo das New World (NW1 e NW2, biótipo A). Causavam poucos danos e há relatos de ocorrência de surtos esporádicos em soja. Entretanto, em 1992, o biótipo B (espécie MEAM1) foi relatado no município de Holambra/São Paulo, tendo entrado no Brasil provavelmente através do comércio internacional de plantas ornamentais. Posteriormente, o biótipo B (MEAM1) foi disseminado para todo o país, sendo a espécie de mosca-branca prevalente em diversas culturas e associada aos grandes prejuízos causados devido a altas populações e problemas decorrentes de transmissão de vírus. Em 2014, foi identificada a espécie Mediterranenan (MED, ou biótipo Q) no Rio Grande do Sul. Esta espécie é chamada de www.revistacultivar.com.br • Abril 2019

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Distribuição da espécie de mosca-branca MEAM1 (biótipo B) no Brasil (esquerda) e distribuição da espécie de mosca-branca MED (biótipo Q) no Brasil (direita). Fonte: GPMB

Mediterranean porque seu provável centro de origem é a região Mediterrânica na Europa, enquanto que o possível centro de origem do biótipo B (MEAM1) é localizado no Oriente Médio e na Ásia Menor. Ambas são consideradas as moscas-brancas mais invasivas em todo o mundo, causando grandes perdas em diversas culturas de importância agrícola. Diante da necessidade de mapeamento da dispersão das espécies de mosca-branca, como ferramenta para entendimento dos sistemas regionais de manejo, o Grupo de Pesquisa em Mosca-Branca (GPMB) da Unesp/ FCA - Botucatu, em parceria com a Corteva Agriscience, analisou até o momento mais de seis mil indivíduos de mosca-branca coletados em diversas localidades do território brasileiro, provenientes de diversas culturas de importância agroeconômica, como soja, algodão, feijão, batata, tomate, melão, pimentão, pepino, berinjela, jiló, plantas ornamentais e daninhas. Informações sobre a distribuição das espécies crípticas de B. tabaci no Brasil são atualizadas mensalmente e podem ser acessadas gratuitamente no site: www.fca.unesp.br > Pesquisas > GPMB > Mapas, sendo encontrado o link https://www.google.com/maps/d/edit?mid = 10rmhhh - cHIrFzje3iVtJXYZG5hjAklit&ll = 14.496775436229964%2C- 72.4283163&z=4. A mosca-branca B. tabaci MEAM1 (biótipo B) é atualmente a espécie predominante e responsável por perdas de até 100% em diversas culturas. Sua dispersão ocorre de Norte a Sul do país, como é possível observar no mapa. Também é a atual transmissora dos vírus em feijoeiro, soja e principalmente o tomateiro. A espécie MED no Brasil foi detectada até o momento nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goi-

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ás e Mato Grosso. Este inseto está muito relacionado a plantas ornamentais, tendo sido verificado em várias espécies, como begônias, hibiscos, hortênsias, pimentas ornamentais e bicos-de-papagaio, coletadas em produções comerciais ou em floriculturas. Nos estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, não há confirmação de populações estabelecidas localmente a campo, e as detecções foram realizadas a partir de insetos coletados em plantas ornamentais vendidas em estabelecimentos comerciais. Recentemente, porém, se detectou MED em culturas regionais, como pimentão e pepino, cultivadas em estufas nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. Estes dados serão melhor abordados na sequência. As moscas-brancas nativas do Grupo New World foram detectadas em diversas plantas daninhas e em mistura com

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MEAM1 em soja, mas sua importância atualmente é considerada muito restrita à transmissão de alguns vírus encontrados em plantas daninhas, como o leiteiro e sidas. Também é possível encontrar na página da Unesp-FCA - Botucatu os dados de distribuição da Trialeurodes vaporariorum (Westwood) (Hemiptera: Aleyrodidae), também conhecida como mosca-branca da estufa. Sua importância como vetora de vírus será comentada posteriormente. A identificação em campo, mesmo em nível de gênero, é um desafio, pois há muita variabilidade de tamanho, postura em pouso etc, parâmetros muito utilizados para diferenciar Trialeurodes de Bemisia. A forma mais segura é a coleta de insetos e identificação por especialistas. Por vezes, espécies diferentes podem ocorrer em um mesmo sistema/cultivo,

Adultos de MED (biótipo Q) em plantas de tomateiro


Fotos Vinicius H. Bello

Adultos, ninfas e ovos de mosca-branca (Bemisia tabaci) em plantas de couve

porém, colonizando hospedeiros distintos, por exemplo, uma espécie pode estar se reproduzindo em plantas daninhas, enquanto outra pode ser majoritária em plantas cultivadas. Também é frequente a ocorrência de colonização de MEAM1 e MED na mesma planta, complicando ainda mais, pois ambos insetos são morfologicamente indistinguíveis. Diante disso, torna-se necessário que a coleta seja realizada e identificada de acordo com o hospedeiro e o local de coleta. Também é pertinente dizer que a coleta de ninfas é muito importante, pois indica que aquela espécie está efetivamente colonizando o hospedeiro em questão. Diversas preocupações estão relacionadas à recente constatação de B. tabaci MED no Brasil e que poderão afetar diretamente o manejo de mosca-branca. No Brasil, a B. tabaci MED pode ter alguns impactos como observado para esta espécie em outros países, pois foi verificado que populações da espécie MED (biótipo Q) têm maior tolerância às doses dos inseticidas imidacloprid, tiametoxam, pyriproxifen, entre outros, quando comparado à espécie MEAM1 (biótipo B). Dados preliminares produzidos pelo Grupo de Pesquisa em Mosca-Branca, com populações de MED e MEAM1, reforçam a hipótese de que no Brasil há diferença de suscetibilidade para as moléculas testadas, sendo que esta diferença pode estar atrelada a diversos fatores bioecológicos, que ainda necessitam ser estudados (dados não publicados). É essencial a realização de outros estudos para ser estabelecido um programa de manejo de

Sintomas de mosaico dourado causado pelo Bean golden mosaci virus (BGMV)

B. tabaci MED, pois observa-se que o controle utilizado de mosca-branca pode estar favorecendo o estabelecimento desta espécie, uma vez que são regularmente empregadas doses determinadas para o controle da espécie B. tabaci MEAM1 (biótipo B), que podem não atuar efetivamente no controle da espécie MED. As populações de MED também podem apresentar bactérias associadas ao inse-

to, chamadas de endossimbiontes secundários. Dependendo da constituição destes endossimbiontes secundários, a população poderá apresentar diferenças quanto à tolerância aos inseticidas utilizados, tornando ainda mais complexo o manejo do inseto. Entretanto, o mapeamento de ocorrência é extremamente importante para que não se incorra no erro de atribuir di-

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No Brasil, os vírus transmitidos pela mosca-branca pertencem aos gêneros Begomovirus (Família Geminiviridae), Crinivirus e Carlavirus. Este inseto é bastante versátil, transmitindo estes vírus de formas muito distintas. Os Begomovirus são transmitidos de maneira persistente circulativa, em que o vírus após ser adquirido pela mosca-branca necessita circular pelo corpo do inseto (período em torno de 15h-18h) para, então, poder ser transmitido para novas plantas. Portanto, este intervalo que vai desde a aquisição até a transmissão do vírus é conhecido como período de latência, em que o inseto ainda não é capaz de transmitir o vírus. Os Crinivirus são transmitidos de maneira semipersistente, não havendo período de latência. Os Carlavirus são transmitidos de modo não persistente, sendo que o inseto adquire os vírus durante a alimentação em uma planta doente e já em seguida é capaz de transmiti-lo para plantas sadias. Em ambos os tipos de relação vírus-mosca branca, os inseticidas não conseguem matar os insetos antes que ocorra a transmissão dos vírus, portanto, o efeito na incidência de vírus na cultura acaba não sendo afetado e a presença de poucos insetos é suficiente para causar uma epidemia de vírus no campo. Os vírus transmitidos por mosca-branca mais importantes para a cultura do feijoeiro são o causador do “mosaico dourado do feijoeiro” (bean golden mosaic virus - BGMV) e o Carlavirus Cow pea mild mottle virus (CPMMV), que também infecta soja e causa a doença conhecida como “necrose da haste-da-soja”. O BGMV pode causar perdas totais de campos de feijoeiro. A Embrapa desenvolveu um feijão transgênico resistente ao BGMV, que, no entanto, é suscetível ao CPMMV. O BGMV e CPMMV frequentemente estão em infecção mista no campo e acredita-se que a presença do CPMMV pode ser subestimada pelo fato dos sintomas de amarelecimento ocasionados pelo BGMV serem muito mais agressivos e evidentes. Até o momento, pouco se conhece sobre os efeitos que o CPMMV pode causar à cultura

Fotos Vinicius H. Bello

retamente falhas de controle em campo à presença da espécie MED. Dada a dificuldade de manejo da praga, a maioria das falhas de controle se deve à falta de boas práticas agrícolas, como utilização de doses corretas, tecnologia de aplicação, momento de aplicação, entre outros. Reforça-se que a ocorrência de MED ainda é restrita e associada, na maioria das vezes, a plantas ornamentais, e que necessidades de identificação ou informações adicionais podem ser endereçadas ao grupo. Além disto, dados obtidos pelo GMDP em condições controladas indicam que a MED coloniza muito bem culturas como soja, feijão, algodão e pimentão. Em feijão e pimentão, a espécie MED é capaz de predominar sobre a MEAM1 (biótipo B) e fazer com que esta última desapareça em três gerações (dados testados na ausência de aplicação de inseticidas). Esta excelente habilidade competitiva de MED sobre a MEAM1 em culturas como o pimentão já pode ser verificada em cultivos protegidos desta cultura no estado de São Paulo. Um levantamento específico realizado neste estado demonstrou que as estufas de cultivo de pimentão estão altamente infestadas por MED. Muitos produtores estão abandonando o cultivo de pimentão, devido a essas dificuldades de controle, entretanto, alguns estão apostando em outra cultura, o pepino, que também vem se mostrando altamente suscetível à colonização por MED. Importante relatar que observações de campo indicam que o tomateiro não é um hospedeiro preferencial para a MED, enquanto se mostra excelente para a MEAM1. A campo observa-se adultos de MED sobre folhas de tomateiro, porém baixíssima oviposição por este inseto. Estes mesmos dados foram obtidos em trabalhos realizados em laboratório, que verificaram que a oviposição por MED em tomateiro é baixa e a taxa de eclosão de adultos é muito pequena, quando comparada à MEAM1. Além dos danos associados a infestações desta praga, é importante ressaltar o papel da mosca-branca como vetora de vírus.

Sintomas de necrose da haste-da-soja em variedades antigas de soja (BRS-132) causada pelo CPMMV

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Sintomas de clorose em variedades mais atuais causada pelo CPMMV


Renate Krause-Sakate

C

Sintomas de isoporização em frutos (A) e mosaico em folhas de tomate (B), ambos causados pelo ToSRV

Sintomas do Cowpea mild mottle virus (CPMMV) em feijão

do feijoeiro. Além do feijoeiro, o CPMMV vem se tornando um problema na cultura da soja. Um dos grandes desafios desta doença é a sua identificação no campo, pois os genótipos de soja mais modernos não desenvolvem a necrose típica da haste. Atualmente, os sintomas em diversas variedades de soja são mosaico, clareamento de nervuras, bolhosidade a nanismo - ou até mesmo ausência de sintomas. Estudos são necessários para avaliar o impacto do CPMMV nas diversas variedades de soja atualmente plantadas no Brasil. Em tomateiro, os principais vírus transmitidos por mosca-branca são os Begomovirus e os Crinivirus. Há ao menos 17 espécies de Begomovirus relatadas no Brasil infectando o tomateiro, das quais a Tomato severe rugose virus (ToSRV) é a predominante nas regiões Sul e Sudeste do País. Os sintomas observados em tomateiro são clorose, redução do crescimento e isoporização dos frutos. O Crinivirus Tomato chlorosis virus (ToCV), que causa o amarelão do tomateiro, é observado em tomateiro e pimentão, sendo transmitido tanto por B. tabaci como por Trialeurodes vaporariorum. Os sintomas observados são folhas amareladas do baixeiro, semelhantes à deficiência nutricional por magnésio. Atualmente, no Brasil o principal vetor dos vírus BGMV, CPMMV, ToSRV e ToCV é a B. tabaci MEAM1 (biótipo B).

Entretanto, dados obtidos pelo GPMB demonstram que a espécie MED (biótipo Q) é um vetor que pode ser até mais eficiente desses vírus, de modo que problemas associados a vírus podem se agravar caso esta espécie venha a predominar no Brasil. O grupo está estudando diversos aspectos da interação vírus-vetor-planta para entender melhor cada um dos patossistemas caso a caso. Diante da situação atual de dispersão e estabelecimento da mosca-branca MED (biótipo Q) em culturas de importância econômica para o agronegócio brasileiro, é necessário salientar que o manejo de mosca-branca é complexo. Sendo necessário observar desde o hábito do inseto em ovipositar e se desenvolver na face abaxial das folhas, o que dificulta atingir o alvo por meio de pulverizações de inseticidas, até o reflexo que isto pode causar na eficácia de controle químico. Outro fator a ser considerado, é o clima tropical brasileiro, que acelera o desenvolvimento do inseto nas principais regiões dos cultivos agrícolas, proporcionando um ciclo em poucos dias da praga (em geral 25 dias a 30 dias), possibilitando a ocorrência de várias gerações dentro de um mesmo ciclo da cultura e a presença de altas populações do inseto. Mas, devido à urgência na obtenção de resultados, o GPMB está dedicando esforços para apresentar, em breve, estratégias aos produtores, de como manejar a praga e, assim, manter a alta

produtividade nas culturas. Mas é inegável que uma das alternativas com maior potencial é a adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP). O MIP trata do uso em conjunto de diversas táticas de controle, para manter a população da praga abaixo do nível que cause prejuízo à produção da cultura, partindo sempre do monitoramento contínuo. Entre as táticas de controle, estuda-se o uso de inseticidas, priorizando o emprego de produtos fitossanitários seletivos a inimigos naturais da cultura, o controle biológico aplicado, a rotação de culturas e o uso de cultivares/híbridos que reduzem a multiplicação C da praga, entre outras táticas. Renate Krause-Sakate e Regiane Cristina O. de F. Bueno, Unesp/FCA Cristiane Muller, Corteva Agriscience Vinicius Henrique Bello, Felipe Barreto da Silva, Luis Fernando M. Watanabe, Bruno Rossito de Marchi, Thaís Carolina Silva Cirino, Daniel de Lima Alvarez, Eduardo Vicentin e Eduardo da Silva Gorayeb, Unesp/FCA Julio Massaharu Marubayashi e Valdir Atsushi Yuki, IAC Giovana Carolina Cruciol, Marcos Roberto Ribeiro e Marcelo Agenor Pavan, Unesp/FCA

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Fotos Germison Vital Tomquelski

Mosca-branca

Sugadora implacável Inseto sugador agressivo, a mosca-branca tem poder para provocar, além de danos diretos, prejuízos que decorrem da alimentação da seiva das plantas, por introduzir doenças viróticas, que provocam desenvolvimento desuniforme e queda na produtividade. As recentes identificações da presença do biótipo Q no Brasil aumentam a preocupação com as dificuldades de manejo integrado desta praga

A

cultura da soja é atacada por várias pragas que podem prejudicar sua produtividade. Destaca-se a mosca-branca Bemisia tabaci (biótipo B - raça B) que tem levado preocupação aos profissionais e produtores, devido aos danos e à dificuldade de controle. A intensa atividade agrícola favorece o aumento populacional de mosca-branca

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que ataca, além da soja, cultivos, como feijão e algodão, nos quais a praga é muito importante. Diversos fatores podem estar relacionados ao aumento do inseto, como falha de controle, polifagia, populações resistentes, não rotação de cultivos e, ainda, o desequilíbrio no sistema de produção. Atualmente, no Brasil existem três

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espécies crípticas: a Middle East-Asia Minor1 (MEAM1), o chamado biótipo “B” (raça); a Mediterranean (MED), também conhecido como biótipo “Q”; e a New World (NW), conhecido como biótipo “A”. No mundo existem mais de 35 biótipos (raças). As espécies crípticas são muito parecidas morfologicamente, sendo difíceis de identificar a campo, demandando o uso de análises moleculares para a sua distinção. A entrada do biótipo Q no Brasil é atualmente motivo de estudo, a fim de observar possíveis impactos nos cultivos. Nos plantios de ornamentais e algumas Hotaliças e Frutas (HFs), a presença já foi constatada. Pesquisadores relataram problemas em determinados estados, entretanto, em soja e algodoeiro ainda não foram encontrados, somente em estudos com ambiente controlado. Pode-se observar o crescimento desta população em casa de vegetação, levando a dificuldades de controle. Em soja, a espécie críptica MEAM1 (biótipo - raça B) teve seus primeiros surtos detectados em 1996, no Norte do Paraná e no Sul de São Paulo, provocando perdas entre 30% e 80% (Bueno et al., 2009). A mosca-branca é um inseto sugador que, durante a alimentação da seiva das


O inseto secreta parte da seiva rica em açúcares sobre as folhas, favorecendo o crescimento de fungos oportunistas, como Capnodium spp., que provoca fumagina

plantas, pode introduzir doenças viróticas, que provocam desenvolvimento desuniforme e queda na produtividade. Em relação a viroses, vale destacar a presença de Begomovirus- Geminiviridae, além do gênero Carlavirus Cowpeamildmottlevirus (CpMMV) que leva à necrose da haste e à posterior morte de plantas. Esta característica merece atenção, uma vez que a maioria dos cultivares de soja no Brasil é suscetível. Por se tratar de uma cultura com grande importância estratégica, a incidência pode levar a um grande prejuízo econômico. Além disso, o inseto secreta parte da seiva rica em açúcares sobre as folhas, favorecendo o crescimento de fungos oportunistas, no caso do gênero Capnodium spp. que recobre as folhas, gerando um aspecto escuro, conhecido como fumagina. Isto leva à redução na taxa fotossintética e, por conseqüência, à perda de produtividade. Este dano em soja facilmente reduz a produtividade em mais de cinco sacas por hectare. O biótipo B da mosca-branca possui grande quantidade de plantas hospedeiras, resistência a diversos inseticidas e ainda capacidade de induzir desordens fisiológicas a determinados vegetais. A praga apresenta ciclo biológico dividido em ovo, ninfa e adulto. No primeiro instar ninfal, o inseto se locomove duran-

te alguns minutos, até localizar o local mais adequado na folha para, então, se fixar. Posteriormente, as ninfas passam por três instares imóveis, sendo o último denominado de “pupa” ou “pseudopupa”, e, finalmente, os adultos (machos e fêmeas). Os adultos medem cerca de 1,0mm-2,0mm de comprimento, sendo a fêmea maior que o macho. Os insetos, nesse estágio, têm o dorso amarelo-pálido, possuindo dois pares de asas membranosas de cor branca. A fêmea possui a capacidade de postura que vai de 100 ovos a 300 ovos, durante todo seu ciclo de vida, que varia dependendo da alimentação e da temperatura. Os ovos

têm aproximadamente 0,2mm e são colocados na face inferior das folhas jovens. Nas primeiras horas após a postura, possuem formato alongado com um pedúnculo de cor branca amarelada, tornando-se marrom escura no final. A fase de ovo dura aproximadamente de três dias a cinco dias, quando ocorre o início da emergência das ninfas. Entretanto, esse tempo em geral pode variar, em função das condições climáticas e do hospedeiro. É uma praga que apresenta ciclo rápido, em torno de 17 dias a 25 dias na região dos Chapadões. O monitoramento é uma ferramenta de sucesso no Manejo Integrado de Pragas (MIP) e em insetos como a mosca-branca pode fazer a diferença. A vistoria das lavouras deve ser

O controle de mosca-branca na cultura da soja é realizado quase que exclusivamente pelo uso de inseticidas químicos

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Germison Vital Tomquelski

A mosca-branca é um inseto sugador, que durante a alimentação da seiva das plantas pode introduzir doenças viróticas

realizada constantemente, com necessidade de que o técnico seja bem treinado e conhecedor da biologia, a fim de identificar as várias fases da praga. A área cultivada com soja Bt (resistência a lagartas) na safra 2018/2019, atingiu aproximadamente 65% (IBGE 2018), alavancada pela comodidade de controle de determinadas pragas. Isso, aliado à falta de monitoramento das lavouras, tem levado a grandes falhas de controle para diversas pragas. O controle de mosca-branca na cultura da soja é realizado quase que exclusivamente pelo uso de inseticidas químicos. Esta ferramenta apresenta facilidades, como rapidez, eficiência e praticidade. No entanto, o alto número de ovos gerados por fêmeas e o ciclo rápido, com sobreposição de gerações, levam à dificuldade de manejo. Entender esta dinâmica populacional pode resultar em melhor controle da praga. Em outras palavras, saber de onde o inseto vem e para onde está indo. Não são muitas as ferramentas efetivas no controle desta praga, mas os neonicotinoides se destacam no controle de adultos e de parte das ninfas que se encontram em folhas que porventura possam ser atingidas pelos inseticidas pulverizados. Entre os neonicotinoides é possível citar Acetamiprid, Clothianidim, Imidacloprid, Thiacloprid e Thiametoxan, além de outros grupos químicos, como Tioureias (Diafentiuron), com destaque sobre adultos. Os reguladores de crescimento de insetos, ou mesmo de outros grupos, atuam sobre as formas jovens e têm a função de quebrar o “ciclo da praga”, levando a maior eficiência de manejo. Destacam-se cyantraniliprole,

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pyriproxyfen, espiromesifeno e buprofezin, que atuam sobre ovos e/ou ninfas. Novos inseticidas foram desenvolvidos em misturas prontas (neonicotinoides + juvenoides), a fim de facilitar o manejo. E novas moléculas estão ganhando registro no Brasil, ou na lista de espera, como dinotefuran, flupyradifurone e sulfoxaflor, com boa ação sobre ninfas. O índice de controle para esta praga ainda faz parte de estudos de diversas instituições no Brasil. No entanto, vale destacar que, em trabalhos na cultura da soja, a planta convivendo com uma média de dez ninfas por folha levou a prejuízos da ordem de 12 sacas por hectare (Yamada et al., 2017). Os grandes erros de manejo ocorrem pelo início atrasado, que mesmo com a utilização dos melhores inseticidas não conseguem alcançar diferenças em produtividade. De modo geral, no Brasil a praga tem grande frequência na soja semeada mais tarde, e após o fechamento da cultura (estádios R1-R3), com ninfas nas folhas do baixeiro das plantas. Isso leva a dificuldades de se atingir o alvo, sendo um fator que deve ser considerado na tomada de decisão. Há a ocorrência dos primeiros adultos, em função de migrações, que irão colonizar a cultura, e, após, a presença dos ovos e ninfas. O índice para o controle da praga atualmente preconizado pela Fundação Chapadão é de cinco ninfas por folíolo de soja. A coleta deve ser realizada em folhas do terço médio, e a

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avaliação efetuada com auxílio de lupas (de bolso ou mesmo em laboratório com estereoscópio). Este índice tem promovido a garantia de controle com diversas ferramentas e também as maiores produtividades na cultura. Atualmente, avança a utilização do controle biológico com o emprego de fungos à base de Beauveria bassiana, Isaria sp. e Metharhizium sp., com bons resultados de controle. Vale salientar que a utilização é diferente quanto aos químicos, principalmente no quesito entrada do controle, sendo necessária a adoção quando verificados índices menores de incidência. Este manejo tem sido validado em trabalhos da Fundação Chapadão em que se observou que a integração com o controle químico pode alcançar bons resultados, de forma mais sustentável. A principal estratégia de manejo da resistência de pragas a inseticidas é a alternância de produtos com mecanismos de ação distintos, associada ao uso racional destes defensivos, com objetivo de reduzir a pressão de seleção de indivíduos resistentes (Sosa-Gomez; Morales, 2010; Tecnologias, 2011). Neste contexto, é importante conhecer a eficiência relativa de controle dos diferentes produtos químicos e biológicos disponíveis no mercado e daqueles em fase de registro para o controle da mosca-branca. Quando há cultivos sucessivos na propriedade, as aplicações devem ser realizadas por vezes na primeira cultura implantada no campo, a fim de evitar que os últimos talhões venham a apresentar altas infestações, com a maior sobreposição de gerações. Nesta batalha, conhecimento da praga, boa amostragem e definições de estratégias integradas de controle são ferramentas que auxiliam o produtor no controle e, consequentemente, propiciam o aumento da produtividade e lucratividade na culC tura da soja.

Paulo Theodoro e Germison Vital Tomquelski, Fundação Chapadão


Soja Solange Maria Bonaldo

Redução de perdas A antracnose é uma das principais doenças que afetam a cultura da soja, principalmente na região do cerrado brasileiro, onde as condições climáticas, as características de solo e o monocultivo extensivo favorecem a sua ocorrência. Uma das estratégias para minimizar os prejuízos consiste na indução de resistência em plantas, tática cuja resposta tende a variar de acordo com a cultivar utilizada

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entre as principais doenças da cultura da soja, destaca-se a antracnose, sendo o Colletotrichum truncatum e o Colletotrichum cliviae os agentes causais

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com ocorrência relatada no Brasil. Ocorre de forma generalizada nas lavouras e é atualmente um dos principais problemas da soja na região do cerrado, devido às

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condições climáticas favoráveis (chuvas frequentes e temperaturas entre 25ºC e 35°C), solos com deficiência de potássio e grandes áreas de cultivo em monocultura. Os inóculos de Colletotrichum truncatum e de C. cliviae sobrevivem em restos de cultura e sementes, o que permite a estes fungos atacarem a cultura da soja durante todo o seu ciclo de cultivo. Os principais sintomas de antracnose são morte de plântulas e necrose nas nervuras das folhas, das hastes, dos pecíolos e das vagens; além de redução do número de vagens e de grãos por vagens. Pode levar à abertura precoce das vagens ou até mesmo a sua queda total, além de deterioração das sementes quando há atraso da colheita (especialmente em função de chuvas na colheita, condição comum na região Norte de Mato Grosso, por exemplo). As vagens infectadas nos estádios R3-R4 (início da formação da vagem; vagem completamente desenvolvida), adquirem coloração castanho-escuro a negra e ficam retorcidas; as partes infectadas geralmente apresentam várias pontuações negras, que são as frutificações do fungo (acérvulos),


Tabela 1 - Tratamentos aplicados na cultura da soja (Sinop - Mato Grosso) em área comercial para o controle de antracnose (Colletotrichum truncantum) Tratamentos

onde são produzidos os conídios. Estes conídios são dispersos principalmente por respingos de gotas de chuva que incidem nos acérvulos, fragmentando a massa de esporos; por isto, regiões com altos índices de precipitação, apresentam maior ocorrência da doença. Para o controle da antracnose na cultura da soja, recomenda-se uso de sementes sadias (sem a presença do patógeno), tratamento de sementes, rotação de culturas, maior espaçamento entre fileiras e estandes que permitam bom arejamento da lavoura e manejo adequado do solo, principalmente com relação à adubação potássica. O uso de sementes sadias tem sido negligenciado nos últimos anos. Pesquisas realizadas no Norte de Mato Grosso demonstram que há incidência média de Colletotrichum truncatum de 2,5% em sementes de soja sem tratamento e incidência de 0,38% em sementes tratadas, comercializadas na safra 2018/2019. Assim, é fundamental que o produtor realize o tratamento de sementes, utilizando produtos químicos e/ou biológicos. Com relação ao controle químico, o produtor deve analisar a eficiência do fungicida considerando ambas as espécies causadoras da doença (C. truncatum e C. cliviae), bem como a região em que se encontra a lavoura, pois há variação na eficiência dos fungicidas utilizados no tratamento químico de sementes. Em trabalho utilizando culturas de C. cliviae (isolados BR-1; CL-1; CL-3; CL-5; CL7; FN-1; NA-1; NM-1; NO-1; NU1; RO-1; SI-3; SO-5; SO-9); C. truncatum (isolados CN-2; IN-1; IT-2; LU-1; MA-2; MT-1; NU4; NX-1; PN-1; SO-6; TB-2; VE-5) e Colletotrichum spp. (isolados CL-6; NU-2; SC-1; BG-1; SI-7) totalizando 31 isolados, obtidos de plantas de soja sintomática de antracnose, coletados em diferentes regiões produtoras de soja do estado de Mato Grosso (Figura 1), observou-se variação da eficiência do tratamento químico de sementes. Para 14 isolados, o tratamento com fungicida aumentou a Área Abaixo da Curva de Progresso da Doença (AACPD) Antracnose. Entretanto, para 17 isolados o tratamento das sementes com fungicida reduziu a AACPD (Figura 2). Os

Fosfito Fosfato de Potássio (FFP) Nº de aplicações Estádio** Dose (kg/ha) 1RFF 1 R1 1,0 1RFS 1 R1 1,0 5RFF 2 R1 e 20 dias após 0,5 5RFS 2 R1 e 20 dias após 0,5 5VF 2 V6 e R1 0,5 5VS 2 V6 e R1 0,5 TpS (Azox+Teb.) TpF (Trif+Prot) T -

Trifloxistrobina + Protioconazol* Azoxistrobina + Tebuconazol* Época de aplicação 20 dias após aplicação de FFP 20 dias após aplicação de FFP 20 dias após 1ª aplicação de FFP 20 dias após 1ª aplicação de FFP 20 dias após 1ª aplicação de FFP 20 dias após1ª aplicação FFP 2 aplicações (V6 e R1) 2 aplicações (V6 e R1) -

*Doses recomendadas pelo fabricante; **V6: Estádio Vegetativo (sexto trifólio em desenvolvimento), R1: Estádio Reprodutivo (início da floração).

Tabela 2 - Produtividade (kg/ha) de soja e incremento de produção em relação ao tratamento testemunha, em função da aplicação foliar de diferentes tratamentos com e sem Fosfito Fosfato de Potássio, associado a fungicidas Tratamentos

Produtividade (kg/ha) Fosfito Fosfato de Potássio (FFP) a 1kg/ha + Trifloxistrobina+Protioconazol (TP) 3.229 FFP a 1kg/ha + fungicida Azoxistrobina+Tebuconazol (AT) 3.058 FFP a 0,5kg.ha-1 + fungicida TP (2 aplicações: 1ª em R1 e 2ª 20 dias após com fungicida) 2.800 FFP a 0,5kg/ha + 0,5L/ha de fungicida AT (2 aplicações: 1ª em R1 e 2ª 20 dias após com fungicida) 2.680 FFP a 0,5kg/ha (2 aplicações: V6 e R1 com fungicida TP) 2.803 FFP a 0,5kg/ha (2 aplicações: V6 e R1 com fungicida AT) 2.962 Fungicida AT (Azox+Teb) 2.810 Fungicida TP (Trif+Prot) 3.026 Testemunha 2.867

Incremento de produtividade (kg/ha) 362 191 95 159 -

Figura 1- Mapa do estado do Mato Grosso indicando os municípios de procedência dos isolados de Colletotrichum spp. utilizados no experimento de tratamento químico de sementes para o controle de antracnose

isolados de C. truncatum mais agressivos foram: MT-1; MA-2 e SO-6, enquanto somente um isolado de C. cliviae CL-5 apresentou alta agressividade.

Outra estratégia de controle que ganha espaço entre os produtores é a indução de resistência em plantas. A resistência induzida é ativada em plantas por uma série de indu-

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tores (como fosfitos, silício e acibenzolar - S-methyl) e impede ou atrasa a entrada e a subsequente atividade do patógeno em seus tecidos. Portanto, os indutores de resistência não atuam do mesmo modo que os fungicidas, pois apresentam baixa toxicidade ao organismo-alvo e ativam mecanismos de defesa latentes que estão presentes em todas as plantas e são determinados geneticamente. Para a indução de resistência, a aplicação de Fosfito Fosfato de Potássio, em diferentes doses e épocas de aplicação, associada a duas misturas comerciais de fungicidas (Trifloxistrobina + Protioconazol ou Azoxistrobina + Tebuconazol) (Tabela 1), apresentou efeito positivo no controle de antracnose (C. truncatum) e na produtividade (kg/ha) na cultura da soja no Norte de Mato Grosso. Pode-se destacar que o tratamento TpF (Trif+Prot) reduziu em 32,2% a doença, seguido dos tratamentos 5VF, 5RFF e 1RFF, com 30,8%, 27,3% e 25,8% de redução da AACPD, respectivamente (Figura 3). Portanto, duas aplicações de Fosfito Fosfato de Potássio (FFP) a 0,5kg/ha (em V6+R1 ou em R1+20 dias após 1ª aplicação) com uma aplicação de fungicida Trifloxistrobina+Protioconazol foram eficientes na redução da doença. O tratamento com uma aplicação de Fosfito Fosfato de Potássio (FFP) a 1,0 kg/ha (em R1) e uma de Trifloxistrobina + Protioconazol também reduziu significativamente a antracnose em soja, demonstrando ser mais uma opção para o manejo da doença no campo. Os tratamentos 1RFF (Fosfito Fosfato de Potássio dose 1kg/ha + fungicida Trifloxistrobina + Protioconazol) e 1RFS (Fosfito Fosfato de Potássio a 1kg/ha-1 + fungicida Azoxistrobina+Tebuconazole) proporcionaram as melhores produtividades, com 3.229kg/ha e 3.058kg/ha, respectivamente. Quando comparados com a testemunha, incrementaram a produtividade em aproximadamente seis sacas e três sacas por hectare, respectivamente (Tabela 2). A aplicação de Fosfito Fosfato de Potássio a 0,5kg/ha (em V6+R1 associado ao fungicida Azoxistrobina + Tebuconazole) resultou em incremento de produtividade de aproximadamente 1,5 saca por hectare, melhorando o desempenho do fungicida neste caso.

Figura 2 - Área Abaixo da Curva de Progresso da Doença (AACPD) Antracnose em plantas de soja, resultante da inoculação das sementes com isolados de Colletotrichum cliviae (isolados BR-1; CL-1; CL-3; CL-5; CL-7; FN-1; NA-1; NM-1; NO-1; NU1; RO-1; SI-3; SO-5; SO-9); Colletotrichum truncatum (isolados CN-2; IN-1; IT-2; LU-1; MA-2; MT-1; NU-4; NX-1; PN-1; SO-6; TB-2; VE-5) e Colletotrichum spp. (isolados CL-6; NU-2; SC-1; BG-1; SI-7), e submetidas à tratamento com fungicida

Figura 3 - Área Abaixo da Curva de Progresso de Antracnose (AACPA) e redução da doença (%) em plantas de soja (Monsoy 9144), submetida a diferentes tratamentos com e sem Fosfito Fosfato de Potássio associado a fungicidas aplicados via foliar. Onde: 1RFF = Fosfito Fosfato de Potássio (FFP) a 1 kg/ha + Trifloxistrobina + Protioconazol (TP); 1RFS = FFP a 1 kg/ha + fungicida Azoxistrobina + Tebuconazol (AT); 5RFF = FFP a 0,5 kg/ha + fungicida TP (duas aplicações: 1ª em R1 e 2ª 20 dias após com fungicida); 5RFS = FFP a 0,5 kg/ha + 0,5 L/ha de fungicida AT (duas aplicações: 1ª em R1 e 2ª 20 dias após com fungicida); 5VF = FFP a 0,5 kg/ha (duas aplicações: V6 e R1 com fungicida TP); 5VS = FFP a 0,5 kg/ha (duas aplicações: V6 e R1 com fungicida AT); TpS = Fungicida AT; TpF = Fungicida TP e T = Testemunha (sem controle). Médias seguidas de mesma letra não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Scott-Knott ao nível de 5% de probabilidade

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar da eficiência do Fosfito Fosfato de Potássio observada no presente estudo, é importante que os produtores observem a eficácia dos indutores de resistência, considerando as diferentes cultivares de soja disponíveis comercialmente (Convencional, RR e IPRO). Como a indução de resistência é resultante da ativação de mecanismos de defesa latentes das plantas, que são determinados geneticamente, a resposta de resistência e de controle da doença pode ser diferente conforme a cultivar utilizada, bem como influenciada pelo ambiente e a época de surgimento da doença no campo. Assim, recomenda-se sempre consultar um engenheiro agrônomo para definir a melhor estratégia de manejo de antracnose em soja, conforme espécie de Colletotrichum presente na área, qualidade sanitária de sementes e potencial de inóculo do patógeno presente na lavoura. C

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Solange Maria Bonaldo, Universidade Federal de Mato Grosso Gislaine de Souza Oliveira, Universidade Federal de Mato Grosso/Campus Sinop Lucas de Lamonica Freire Eckert, Universidade Federal de Mato Grosso/Campus Sinop

Soja e doenças

A

soja é um dos principais produtos da exploração agrícola e da economia nacional, entretanto, esta cultura é muito suscetível a doenças, especialmente as causadas por fungos. As doenças fúngicas lideram os prejuízos, tanto no rendimento quanto na qualidade de grãos e sementes de soja.


Café

Quando controlar A

broca-do-café é uma praga de grande importância. Encontrada em todas as regiões brasileiras, afeta a produção e a qualidade do café. Seu ataque direto no fruto diminui o tipo e o valor comercial do produto. Passa pelas fases de ovo, larva, pupa e adulto, apresenta ciclo de vida curto e grande capacidade de reprodução. Os danos são ocasionados quando a fêmea adulta perfura o fruto e oviposita em seu interior. Após a eclosão, as larvas se alimentam da semente, podendo ocasionar a queda dos frutos, a redução do peso dos grãos e a diminuição na qualidade da bebida. Além disso, pode ocorrer a entrada de micro-organismos no fruto, que produzem ocratoxinas e também impactam negativamente na qualidade da bebida. A broca possui uma bioecologia peculiar, em que a maior parte do ciclo de vida ocorre no interior do fruto. O seu ciclo de vida varia de 22 dias a 35 dias. Os ovos são brancos e medem (0,5mm a 0,8mm) e as larvas (0,72mm e 0,84mm). Não possuem pernas e apresentam coloração branca. As larvas se alimentam da semente, resultando na destruição parcial ou total dos frutos. Após quatro dias, o inseto se transforma em pupa no interior da semente. Esse período dura em média oito dias. O adulto é preto, de corpo cilíndrico e as fêmeas voam.

Flávio Lemes Fernandes

Praga agressiva, a broca-do-café exige grande esforço e atenção dos produtores no manejo. Um dos principais pontos a serem observados consiste em quantificar o índice de ataque, para determinar o melhor momento de começar o controle - de modo a evitar o uso de produtos de forma indiscriminada, sem conhecer a infestação

FATORES QUE AFETAM A POPULAÇÃO DA BROCA-DO-CAFÉ

Vários são os fatores que influenciam o desenvolvimento e a infestação dessa praga. É possível citar altas precipitações (>100mm) que reduzem a infestação, temperaturas elevadas que diminuem o ciclo de vida do inseto e aumentam o número de gerações, e poucas chuvas que ressecam os frutos e inibem a oviposição. Lavouras adensadas favorecem a população da broca, devido à baixa luminosidade e à alta umidade no microclima da planta. Somado a isso, frutos remanescentes nos cultivos de uma safra para outra elevam a taxa de sobrevivência desta praga.

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Flávio Lemes Fernandes

A broca possui uma bioecologia peculiar, em que a maior parte do ciclo de vida ocorre no interior do fruto

Outros fatores, como a presença de inimigos naturais, podem reduzir a população da broca-do-café, como os parasitoides vespa-de-uganda e vespa-costa-do-marfim, e os fungos parasitas (bovemax). Embora esses fatores possam afetar a broca, o monitoramento para efetuar o controle químico eficiente deve ser realizado.

MONITORAMENTO E CONTROLE

Há uma série de metodologias de monitoramento da broca, todas com o objetivo de quantificar o índice de ataque da praga, para, posteriormente, determinar o melhor momento de se iniciar o manejo químico, com aplicação de inseticidas, evitando o uso de produtos de forma indiscriminada, sem conhecer a infestação ocorrida. O monitoramento da broca pode ser realizado por meio da contagem de frutos ou utilizando armadilhas. O monitoramento contando frutos pode ser efetuado pela avaliação de 20 plantas/hectare, em “ziguezague”. Ao avaliar as plantas, deve-se coletar uma amostra de cem frutos/planta e realizar a contagem dos grãos brocados e não brocados. Outro método consiste em avaliar de 200 frutos a 500 frutos por talhão, em dez pontos diferentes; avaliar a roseta central do ramo e contar o número total de frutos e o número total de frutos perfurados na roseta; e fazer o cálculo da porcentagem de frutos

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perfurados. Já no monitoramento por armadilha, deve-se utilizar uma armadilha com cairomônio/hectare (etanol: metanol). Não se esquecer de dividir a área em talhões, e dividir a planta em três terços: superior, médio e inferior, observando-se os frutos. Preencher a planilha de controle de pragas e, então, realizar o cálculo de porcentagem de pragas presentes. O controle será necessário caso o percentual de frutos brocados exceda a 2%, para o método de contagem. Já para o método de amostragem por armadilha, será realizado caso seja verificada uma média de insetos adultos/armadilha superior a cem. Se nesta avaliação não atingir o índice do nível de controle, deve-se repeti-la após 15 dias. O monitoramento da broca deve ser iniciado na época de “trânsito” do inseto, de novembro a janeiro.

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Nessa época, as fêmeas adultas do inseto saem dos frutos remanescentes da safra anterior, perfuram frutos chumbões aquosos da nova safra, mas não colocam ovos, portanto não causam prejuízos. Este é o momento em que se deve fazer o controle da broca, pois matando a fêmea encerra-se o ciclo evolutivo do inseto, sem prejuízos, devido à ausência da larva que consome a semente. Portanto, registrar o momento da florada é de suma importância para se iniciar o monitoramento dos talhões e proceder as aplicações nos momentos corretos, sendo o fator-chave para o controle da praga no início do ataque. É muito importante monitorar os frutos secos nas plantas e verificar se ainda existem fases jovens dos insetos. A equipe do Laboratório de Manejo Integrado de Pragas da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Campus de Rio Paranaíba, tem atuado para verificar o melhor momento de realizar o controle. O que se tem até agora é que frutos secos, com muitas larvas até meados de janeiro, significam aumento populacional da praga - e isso é sério. Assim, o controle deve ser realizado em função do fluxo de adultos voando. Para tanto, pode-se utilizar armadilhas. Foi verificado alto fluxo de broca nas armadilhas na floração e em frutos chumbinho. Assim, pode-se optar por inseticidas

As larvas se alimentam da semente, resultando na destruição parcial ou total dos frutos


biológicos na florada, época de muitas chuvas que favorecem o fungo, e por produtos sintéticos após a florada (frutos chumbões). O uso de inseticidas é a principal estratégia utilizada. No entanto, não é preciso pulverizar toda a área, já que estudos de monitoramento têm demonstrado que apenas 30% dela atingem o nível de controle. Portanto, o correto é controlar a broca-do-café no talhão cuja infestação já atingiu entre 1% e 3% dos frutos, com fêmeas da broca adulta vivas no interior das galerias. Os melhores resultados são obtidos com as aplicações no início do ataque da praga, quando o inseto ainda se encontra caminhando na casca do fruto, ou na fase de picada de prova (morte na entrada da galeria pela ação de contato). Como a praga fica dentro da galeria, o inseticida mata por ação de contato e por ingestão. Geralmente uma única pulverização tem sido suficiente para o controle da broca. Lavouras velhas e fechadas requerem maiores cuidados, pois em tais condições são mais suscetíveis ao ataque da broca, por oferecerem ambiente favorável ao inseto, como sombreamento, maior umidade, número de frutos remanescentes do ano anterior etc. Os inseticidas mais utilizados para o controle da broca do café são dos grupos químicos organofosforados, diamidas antranílicas e avermectinas, e os ingredientes ativos clorpirifós, cyantraniliprole e abamectina. A época mais indicada para realizar o controle é a de revoada/deslocamento do inseto, aproximadamente 90 dias após a florada principal. Em estudo para verificar o efeito do inseticida cyantraniliprole 100 OD no controle da broca, considerando a porcentagem de frutos broqueados aos 90 dias após a segunda aplicação, observou-se interação negativa e significativa entre a dosagem do

produto e as porcentagens de frutos broqueados. Foi observado que o inseticida aplicado nas dosagens de 1,75L p.c./ha e 2,0L p.c./ha é eficiente no controle da broca-do-café, sendo estatisticamente igual ao padrão endosulfan 350 EC (produto retirado do mercado) em duas pulverizações com 30 dias de intervalo. Como alternativa ao uso de produtos químicos, ou em associação, bons resultados têm sido obtidos na captura massal de adultos com emprego de 30 armadilhas por hectare. Estudos apontam que uma armadilha pode capturar por semana entre 77 e 609 adultos. A armadilha de garrafa PET vermelha contendo compostos voláteis alcoólicos atrativos se mostrou bastante eficaz no controle massal da população da broca do café e reduziu a porcentagem de frutos broqueados em 57%. Porém, essa redução não é suficiente para manter as densidades da broca abaixo do nível de controle. Atualmente, a equipe do Laboratório de Manejo Integrado de Pragas da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Campus de Rio Paranaíba, se dispõe a ajudar o cafeicultor a selecionar inseticidas e a trabalhar o manejo da cultura. Além disso, estuda novas alternativas de monitoramento e controle desse C inseto praga.

Flávio Lemes Fernandes Brenda Karina Rodrigues da Silva Layane Ferreira Borges Guilherme Mateus Dias Barbosa Universidade Federal de Viçosa


Cana

Monitoramento preciso

Apesar de se tratar de praga bastante conhecida, o mínimo descuido com a broca-da-cana pode levar a altas infestações, que consequentemente resultarão em um controle mais difícil e caro

O

canavial não sofre o ataque de muitas pragas como ocorre com outras culturas, mas quem trabalha com cana-de-açúcar sabe bem como que essas poucas dão trabalho. Dentre as existentes, a broca-da-cana (Diatraea spp.) é considerada praga-chave, pois exige monitoramento e controle constantes. No Brasil, existem 15 espécies de Diatraea, mas apenas duas atacam a cana-de-açúcar. A D. saccharalis predomina na maior parte do Brasil e a D. impersonatella (=D. flavipennella) é mais importante no Nordeste, em especial em Alagoas. Entretanto, esta última parece estar ampliando suas fronteiras e exige que o agricultor saiba identificá-la. As lagartas de D. saccharalis são um pouco menores e têm a cabeça mais escura que a das lagartas de D. impersonatella. Os adultos de D. saccharalis são de coloração palha, enquanto os de D. impersonatella são esbranquiçados. A broca-da-cana é responsável por perdas consideráveis na cana-de-açúcar, pois para cada 1% de índice de intensidade de infestação perde-se 1,14% na produção, 0,42% em açúcar e 0,21% em etanol. Com o valor pago pela tonelada de cana atualmente, cada 1% de infestação corresponde a aproximadamente R$ 850,00 que se perde por hectare com esta praga. Isso justifica os gastos com o controle da broca-da-cana e leva as usinas a almejarem baixas infestações médias, inferiores a 1%. Para obter sucesso no controle, é preciso ser muito preciso no monitoramento da broca-da-cana. A estratégia atual de acompanhamento da população da

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Fotos Negri/Alexandre S. Pinto

praga é a que usa armadilhas de fêmeas virgens para a captura de machos. É empregada uma armadilha contendo uma gaiola interna com três pupas a quatro pupas de fêmeas a cada 50 hectares, priorizando a instalação nas periferias das áreas (grupo de talhões, setor). Quando 30% das armadilhas de um setor coletarem mais que seis machos em três dias ou dez machos em uma semana (nível de controle- NC), deve-se realizar o controle em área total. O “time” de aplicação (período de pulverização após identificação de ocorrência da praga) deve ser rigorosamente obedecido, para não se perder o controle. Cada tática tem seu “time” de aplicação, como indicado na Tabela destacada. Nos últimos anos, a broca-da-cana tem exigido mais atenção das equipes de campo e o controle tem sido mais frequente. São vários os fatores que têm aumentado as infestações da praga, como ampliação das áreas com aplicação de vinhaça e outros compostos orgânicos; aumento das áreas irrigadas; manejo precário de plantas daninhas nas beiras de carreadores e a impossibilidade deste manejo nas entradas de matas; aumento do uso de inseticidas (por exemplo, pirazois) que diminuem as populações de formigas predadoras, importantes controladoras da broca-da-cana; falta de manejo da praga em canavial que espera a colheita por mais de dois meses; existência de faixas de canavial sem controle próximas às matas, especialmente quando se aplica inseticidas com aviões; e erro em considerar longos períodos residuais de inseticidas químicos, quando na realidade são bem menores que o esperado. Existe um movimento crescente de associação de inseticidas químicos com produtos biológicos, priorizando o uso destes últimos, para o manejo da broca-da-cana. Esta estratégia é conhecida como manejo biológico e exige compatibilidade entre os produtos a serem utilizados. Nessa nova tendência, o controle da broca utilizando a microvespa Trichogramma galloi é priorizado. São realizadas sempre séries de três liberações, uma em cada semana, de 50 mil microvespas por hectare, independentemente do nível de infestação. A liberação pode ser realizada em qualquer horário do dia, evitando a exposição do recipiente

Lagartas de Diatraea saccharalis e D. impersonatella

Adultos de Diatraea saccharalis e D. impersonatella

Wenderson Araújo/Sistema CNA

Armadilha de fêmeas virgens (esquerda) instalada em canavial para a captura de machos (direita) e contagem

contendo o inseto ao sol ou a altas temperaturas. A liberação das microvespas pode ser realizada manualmente, onde os adultos confinados em cápsulas deverão ser colocados por entre as folhas das plantas a cada 20m. Entretanto, o mais comum é a liberação mecanizada via aviões ou drones. Neste caso, o Trichogramma é liberado na forma pupal, protegido ou não por cápsulas. Na atualidade, tem-se optado pela liberação das pupas desprotegidas e espalhadas pelo canavial, acoplando-se nos aviões ou drones aparelhos distribuidores deste material. Esta técnica garante resultados melhores que a liberação manual de adultos e igual àquela em cápsulas, com baixa predação em solo, sendo mais barata e tão eficaz quanto a maioria dos inseticidas. A liberação com drones é mais barata e precisa que a liberação com

aviões e em 2018 já foi responsável por 60% de toda aplicação do produto em canaviais. Após as três aplicações de Trichogramma, uma nova armadilha de monitoramento deverá ser instalada apenas 60 dias depois da primeira liberação, sendo este o período residual da microvespa. Quando comparado com outros produtos, os inseticidas clorantraniliprole, clorantraniliprole + lambda-cialotrina, flubendiamida e metoxifenozida + espinetoram mostram um residual de 35 dias a 45 dias, e os inseticidas fisiológicos, entre 15 dias e 25 dias (com exceção de deflubenzurom, que pode ultrapassar os 30 dias). A vespinha Cotesia flavipes tem sido utilizada para a manutenção da população da praga em níveis baixos e para o controle da broca-da-cana nas bordaduras de canaviais que esperam a colheita ou de cana bisada. A liberação desta vespinha pode ser realizada também em qualquer horário do dia, com os mesmos cuidados discutidos para o Tricho-

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Esquema de instalação de armadilhas em um setor (conjunto de talhões) (esquerda) e levantamento das armadilhas indicando controle em todo o setor (direita)

Fêmea de Trichogramma galloi parasitando ovos da broca-da-cana (à esquerda) e ovos da broca parasitados (enegrecidos) (à direita)

gramma, e normalmente é realizada de forma manual. Respeitando uma distância de 50m entre linhas, a cada 25m na linha é aberto um copinho contendo 15 massas ou 750 vespinhas, mas sempre liberando o conteúdo de um copinho nas entradas e saídas do canavial (bordaduras). A liberação de Cotesia também está sendo realizada via drone, com os adultos protegidos por cápsulas. Mas, em breve, será lançado um drone para a liberação de massas de Cotesia sem cápsulas de proteção e tratadas com misturas de repelentes para predadores, que deverá ser ainda mais rápido que os atuais. Quando o agricultor prefere a associação de inseticidas químicos com produtos biológicos, normalmente opta-se pela aplicação de inseticidas de longo residual no período chuvoso e a liberação de Trichogramma nos demais períodos. Tem-se, ainda, realizado aplicações de inseticidas fisiológicos, de curto período residual, no outono. Mas quando o manejo da broca-da-cana é realizado somente de forma química, nas áreas-problema (variedades suscetíveis, onde se aplica vinhaça, áreas irrigadas, muito recortadas por matas etc) serão necessárias pelo menos duas aplicações de inseticidas de longo período residual, com rotação de grupos químicos, e uma ou duas de um inseticida fisiológico. A recomendação de rotação fica entre clorantraniliprole e flubendiamida, pois apesar de serem diamidas têm atuações diferentes no inseto. Entretanto, quando metoxifenozida + espinetoram entrar no mercado, será uma boa opção para rotação também.

Apesar de alguns agricultores optarem pelo manejo exclusivamente químico da broca, pelo menos a vespinha Cotesia deverá ser incluída dentre as estratégias, ao menos nas bordaduras dos canaviais que esperam a colheita, em áreas com falha de aplicação do inseticida por serem muito recortadas por matas e entre o canavial e matas ou áreas de vizinhos. Neste caso, libera-se um copinho a cada 50m ao redor do talhão, podendo entrar até 2m dentro da área. Vale ressaltar que o Trichogramma também pode ser usado nos ambientes destacados. O manejo da broca-da-cana tem superado desafios difíceis na atualidade. Mas com esses desafios o agricultor tem aprendido a usar os produtos biológicos disponíveis no mercado e a associar com os inseticidas. Mais uma vez a cana-de-açúcar se torna um exemplo de manejo sustentável e econômico para as demais culC turas do Brasil e para o mundo. Alexandre de Sene Pinto, Centro Universitário Moura Lacerda Esalq/USP FGV

Período para tomada de decisão para diferentes táticas de controle da broca-da-cana, a partir de monitoramento de machos com armadilhas de fêmeas virgens Tática de controle Período para controle (dias) após atingir NC1 Inseticidas químicos Clorantraniliprole |clorantraniliprole + lambda-cialotrina | 0-15 flubendiamida|metoxifenozida + espinetoram Diflubenzurom 5-15 Triflumurom e demais “fisiológicos” 10-15 Produtos biológicos Trichogrammagalloi 5-10 Cotesiaflavipes 21 (primavera-verão)| 30 (outono-inverno) Beauveriabassiana|Bacillus thuringiensisvar. Kurstaki 10-15 1 NC = nível de controle (seis machos/armadilha/três dias ou dez machos/armadilha/semana)

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Pinto alerta para o risco de altas infestações da broca da cana


Coluna Agronegócios

N

Perigo, risco e sua percepção

inguém discorda que os agroquímicos são perigosos. Aliás, toda substância química é perigosa – incluindo os medicamentos –, dependendo da dose. Animais selvagens são perigosos. Automóveis, aviões ou trens são perigosos. O fogo e a água são perigosos. Armas de fogo são perigosas. O sal de cozinha é perigoso. Ou seja, quase tudo é perigoso. Entretanto, a população do mundo cresce continuamente, apesar de cercada de perigos. Alguma coisa não está batendo, certo? Perigo é diferente de risco.

PARÂMETROS TOXICOLÓGICOS

Os órgãos oficiais do governo são responsáveis por estabelecer o risco de uma substância, lastreado em informações científicas, que pode ser reavaliado com base em novas informações ou na alteração do método de análise ou de cálculo. As reavaliações sempre são mais severas e restritas que a situação anterior. O parâmetro toxicológico mais difundido é a Dose Letal 50 (DL50). Ela significa “a dose de uma substância química que levou a óbito 50% das cobaias em testes de laboratório”. Assim, a nicotina é considerada altamente tóxica (DL50 = 50mg/kg), bem como a cafeína (192mg/kg). Menos tóxicos são o paracetamol (3.000mg/kg) e a deltametrina (4.000mg/kg), um inseticida usado para controle de piolhos em seres humanos. Outro parâmetro é a Ingestão Diária Aceitável (IDA), conceituada como “a quantidade de uma substância química que pode ser ingerida diariamente por um indivíduo, durante toda a sua vida, sem risco apreciável à sua saúde, à luz dos conhecimentos disponíveis na época da avaliação”. Isto significa que não são esperados efeitos adversos, pela exposição continuada à IDA, mesmo que isso ocorra durante toda a vida de um indivíduo. Em rigorosos e repetidos testes de laboratório, doses crescentes da substância são administradas a cobaias. A maior dose que não ocasionou alterações metabólicas nos organismos em teste é dividida por 100. Assim, a IDA representa apenas 1% da dose que não causou qualquer problema de saúde em cobaias. Porém, é importante lembrar de que a dose que não causou qualquer problema normalmente equivale a 1%-10% da dose imediatamente superior, que provocou alteração em alguma das cobaias. Logo, a IDA representa 0,1%-0,01% da dose que poderia, eventualmente, ocasionar algum problema à saúde. Dito de outra maneira, para existir a probabilidade de eventuais danos à saúde, a dose deveria ser 100 vezes maior a 1.000 vezes maior que a IDA. A preocupação com os riscos não se esgotou, é necessário garantir que o cidadão nunca vá ser exposto a essa dose (IDA). Para tanto, existe o Limite Máximo de Resíduos (LMR). Trata-se do “valor máximo de resíduo de uma substância admitido legalmente em um alimento, considerando a aplicação adequada de uma substância química (seguindo todas as Boas Práticas Agronômicas), desde sua produção até o consumo”. Obrigatoriamente, o LMR leva em consideração a IDA. Dessa forma, todo alimento que contenha resíduos inferiores ao LMR não oferece qualquer risco à saúde humana, à luz dos conhecimentos atuais, mesmo se ingerido diariamente, durante toda a vida. O objetivo desses conceitos (DL50, IDA e LMR) é assegurar a proteção dos consumidores de alimentos em relação a qualquer risco toxicológico.

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E NA PRÁTICA?

Consideremos o controle de uma praga da batata. Suponha uma aplicação do inseticida deltametrina, efetuada em conformidade com a Lei, com DL50oral de 5.000 mg/kg de peso corpóreo, IDA de 0,01mg/kg de peso corpóreo e LMR de 0,01mg/kg de batata. Suponhamos também o pior caso possível: que toda batata sempre tenha o máximo de resíduo permitido. A ingestão diária de uma pessoa que pese 80kg, com garantia de não haver qualquer risco à sua saúde (IDA), será de 0,8mg/dia do inseticida (0,01mg/kg x 80kg). Como cada quilo de batata tem 0,01mg de resíduo, pode-se ingerir 80kg de batata por dia (0,8mg que podem ser ingeridos ÷ 0,01mg/ kg de batata) sem que haja qualquer problema de saúde devido à presença de resíduos. Em contrapartida, não é possível assegurar que não haja risco à saúde pela ingestão diária de 80 kg de batata, mesmo sem resíduos! Para que seja atingida a DL50, seria necessário consumir os mesmos 80kg de batata todos os dias, durante 1.369 anos, quando haveria, teoricamente, 50% de probabilidade de óbito ocasionado por intoxicação pelo inseticida. Agora, se o consumo fosse o factível, de apenas 200g de batata/dia, então seriam 583.019 anos! Não apenas é impossível consumir 80kg/dia de batata, como o inseticida começa a degradação logo após a ingestão. Destarte, o organismo nunca acumularia a quantidade suficiente para intoxicar o indivíduo, mesmo que vivesse os 583 mil anos, demonstrando a sobejo que o risco de intoxicação pelo resíduo desse agroquímico está absolutamente controlado.

PERCEPÇÃO DO RISCO

Ao contrário do risco – um cálculo científico e preciso –, a percepção do risco é totalmente subjetiva, de uma pessoa isolada, ou de um conjunto delas, baseada em avaliações parciais, sem fundamentação científica, normalmente fundada no desconhecimento e no alarmismo, comportamento descrito na psicologia de populações. Também existe a percepção diferencial do risco, baseada em desconhecimento, vieses e visões pessoais em função de diferentes papéis desempenhados na sociedade. Com respeito aos agroquímicos há duas percepções antípodas: a de alguns agricultores, que desprezam o risco e não tomam as medidas necessárias para se proteger. Isso os torna suscetíveis a acidentes na manipulação e na aplicação de defensivos. E o seu oposto, que é a percepção transmitida à população leiga, mormente urbana, de que o risco é elevadíssimo e que alimentos produzidos com o uso de agroquímicos estão sempre envenenados e que, inexoravelmente, causarão problemas de saúde a quem deles se alimenta. O mundo seria um lugar muito melhor para se viver se tanto agricultores quanto consumidores utilizassem conceitos científicos de risco para suas decisões, em vez de percepções de risco sem C qualquer respaldo da Ciência.

Decio Luiz Gazzoni O autor é Engenheiro Agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja


Coluna Mercado Agrícola

MILHO

Safra de verão na reta final da colheita e mercado firme

em março, mas isso não se confirmou, porque continuaram a ser embarcados grandes volumes do grão. Assim, os três primeiros meses de 2019 registraram mais de 15 milhões de toneladas embarcadas, um recorde para este começo de ano. A cotação do dólar em alta gerou fôlego para novos negócios, já movimentando bons volumes da safra nova para entrega entre fevereiro e março de 2020. Já há mais de seis milhões de toneladas negociadas e a maior parte das cotações girou em torno de R$ 85,00 a saca nos portos. Existe fôlego para negócios aquecidos, nos momentos que coincidirem com alta do dólar e bons resultados em Chicago. Os primeiros indicativos apontam que o Brasil deve avançar novamente na área plantada nesta nova safra da soja, que pode alcançar 37 milhões de hectares. Com este cultivo, o país arranca com potencial de colheita na faixa das 130 milhões de toneladas.

A safra de verão do milho está com a colheita praticamente fechada. Os números finais se encontram na faixa de 22 milhões de toneladas. Os indicativos se mantiveram firmes, com interesse forte na exportação e na demanda interna, mas entre final de março e começo de abril as atenções se voltavam para a chegada da nova safrinha, que tem recorde de área plantada e expectativa de aproximadamente 70 milhões de toneladas de produção. Este cenário leva os consumidores ao raciocínio de que irá sobrar milho e de que o País não possui armazéns para estocar todo este cereal. Desta forma, uma grande fatia precisará ser entregue às indústrias de ração ou terá como destino a exportação. Assim, o balizador das cotações será o valor que estiver liquidando na exportação. Para manter altas cotações, o milho dependerá de outros fatores, como a cotação do dólar, o que pode FEIJÃO ocorrer mesmo com pressão de baixa imposMostrou retração em março, ta pelos compradores. Nos portos a cotação mesmo assim segue forte girava entre R$ 39,00 e R$ 40,00 a saca neste na faixa dos R$ 300,00 ultimo mês, com oferta de níveis maiores paA cotação do feijão, que começou o ano ra o grão de setembro a novembro, quando com o pé no acelerador, agora mostra indicahá interesse maior de compra na exportação. tivos menores, na faixa de R$ 300,00 a saca. Com o grão na gôndola acima de R$ 15,00 SOJA por quilo, houve perda do potencial de consuExportações batem recorde nos mo, mas em março os níveis caíram para algo três primeiros meses do ano entre R$ 6,00 e R$ 12,00 o quilo. A segunda O mercado da soja no Brasil aguardava safra está nos campos e neste final de abril e que o País perdesse o ritmo nas exportações em maio haverá um volume maior de oferta,

o que tende a gerar nova onda de baixa nos indicativos. Mesmo assim, o mercado seguirá muito melhor que em 2018, mantendo o produtor com rentabilidade.

ARROZ

Teve colheita com estabilidade nas cotações e agora são observados ajustes positivos

Os produtores de arroz do Rio Grande do Sul, que normalmente observavam os preços recuar no período de colheita, neste ano se depararam com situação diversa. Com safra de 10,5 milhões de toneladas para um consumo de 12 milhões de toneladas, não há estoques de passagem e o grão importado está limitado a três países vizinhos (dois têm safra menor que no ano passado e querem cotações maiores). Desta forma, as cotações não recuaram na colheita e alguns locais do País tiveram inclusive forte alta, como observado nos estados do Norte. Agora, passada a colheita e o vencimento das dívidas dos produtores, a tendência é de uma onda de pressão de alta nos indicativos, com correção positiva nas cotações. Será um ano de alta C para o arroz brasileiro.

Vlamir Brandalizze Twitter @brandalizzecons www.brandalizzeconsulting.com.br

Curtas e boas TRIGO - Houve susto no mercado, com o acordo entre o Brasil e os EUA para liberação da importação de até 750 mil toneladas do cereal norte-americano sem taxa de importação. Com isso, os produtores temem por queda nos indicativos, fato que não deve se confirmar, porque normalmente o produto norte-americano é mais caro que o argentino. Se for para importar sem taxa, mais racional será priorizar o produto da América do Sul. Como a safra é menor que o consumo, não há espaço para cereal barato no mercado mundial. Desta forma, os importados de fora do Mercosul tendem a continuar chegando ao Brasil acima de R$ 1 mil por tonelada. Assim, o acordo serve apenas de aceno positivo do governo brasileiro para os norte-americanos. Para ganhar com o trigo, o produtor brasileiro terá de crescer em produtividade, porque qualidade já possui, embora sempre haja espaço para avançar. EUA - Os produtores norte-americanos se encaminham para o preparo do solo e o plantio da safra de 2019/20 e, para complicar a vida do setor (que já enfrenta dificuldades), houve inverno muito longo e

inundações até o início da primavera. Os produtores temem que novas inundações possam ocorrer no plantio efetivo, que se concentra em maio. Neste ano, a safra dos norte-americanos começa com alto risco. Devem plantar menos soja e um pouco mais de milho e trigo (este último já sofrendo com inundações). CHINA - A China continuou a embarcar grandes volumes de soja brasileira, mesmo negociando com os EUA um acordo para remover as taxas de importações de 25%, que implantou para os grãos norte-americanos. Nestes três primeiros meses do ano, levou embora quase dez milhões de toneladas de soja brasileira. ARGENTINA - A safra dos argentinos está em colheita e neste ano as condições foram melhores. Devem colher 53 milhões de toneladas de soja, frente às 37 milhões de toneladas do ano passado. O milho mostra potencial de 45 milhões de toneladas, contra 31 milhões de toneladas do ano anterior. Os produtores plantaram um pouco mais de feijão neste ano, apostando que o mercado brasileiro vai seguir firme e dar espaço para importações maiores em 2019.

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Coluna ANPII

Investimento em formação Esalq e ANPII lançam curso a distância sobre Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN)

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a coluna anterior a Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Inoculantes (ANPII) anunciou a realização de um curso a distância através do Sollo Agro, um programa de ensino a distância do Departamento de Solos da tradicional e consagrada Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/Usp), de Piracicaba, São Paulo. Agora, o curso já possui sua formatação definitiva. As aulas, dentro de uma sequência lógica, abrangendo todos os aspectos teóricos e práticos do uso de inoculantes no Brasil, serão ministradas por pesquisadores da própria Esalq, da Embrapa, da Universidade Federal do Paraná e da ANPII.

As aulas, dentro de uma sequência lógica, abrangendo todos os aspectos teóricos e práticos do uso de inoculantes no Brasil, serão ministradas por pesquisadores da própria Esalq, da Embrapa, da Universidade Federal do Paraná e da ANPII As aulas serão a distância, mas com a presença dos professores on-line no horário da aula, permitindo interação com os alunos, que poderão fazer perguntas ao vivo. Mas, caso algum aluno não possa estar no computador na hora da aula, o material ficará gravado e poderá ser visto mais tarde. Haverá também a exibição de vídeos com demonstrações práticas de inoculação, levando ao agricultor quais as melhores maneiras e as explicações técnicas para determinadas práticas. O curso se destina a todos que trabalham com cul-

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turas como soja, milho, feijão e outras para as quais está se estendendo o uso de inoculantes. A Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN) é mais que um fenômeno natural: atualmente é a conjugação de um processo bioquímico, microbiológico, natural, com modernas tecnologias industriais e agrícolas. A indústria de inoculantes se capacitou para entregar os produtos com a qualidade adequada às necessidades do agronegócio brasileiro, suprindo todo o nitrogênio necessário para elevadas produtividades. Os inoculantes assumiram um papel de fundamental importância na agricultura brasileira, sendo o produto responsável por grande economia, seja para o agricultor ou para o país, além de proporcionar maior produtividade e contribuir para a redução da emissão de gases de efeito estufa. O curso, em formato de workshop, vai capacitar agrônomos de empresas, revendas, administradores de fazendas, consultores e agricultores a aproveitar os benefícios que o uso correto de inoculantes pode proporcionar. As inscrições podem ser feitas no sitewww.solloagro. C com.br/ Solon Araujo, Consultor da ANPII


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