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Cultivar Grandes Culturas • Ano XVIII • Nº 219 • Agosto 2017 • ISSN - 1516-358X
Cultivar
Destaques
Nossa capa
Sensibilidade pressionada - 34
Os resultados do monitoramento dos ensaios em rede realizados na safra 2016/17 e os desafios da rápida e constante evolução da sensibilidade da ferrugem-asiática à aplicação de fungicidas
Maurício Meyer
Índice
Pequena indesejável - 12 Como enfrentar a incidência crescente da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis)
Diretas
04
Pragas iniciais em trigo
06
Cigarrinha-do-milho
12
Deriva de herbicidas em arroz
16
Mancha de ramulária em algodão
20
Manejo de doenças em soja
24
Mancha de fitóftora em soja
29
Capa - Ferrugem-asiática
34
Bicho-mineiro em café
42
Bicudo em cana
50
Convenção de Licenciados Nidera
52
Eventos - 2º Seminário Phytus
54
Produtividade integrada Syngenta
56
Coluna Agronegócios
58
Coluna Mercado Agrícola
60
Coluna ANPII
62
Lucro à deriva - 16 Previna problemas ao realizar dessecação em áreas de arroz
Expediente Fundadores: Milton Sousa Guerra e Newton Peter
REDAÇÃO • Editor
Gilvan Dutra Quevedo
• Redação
Rocheli Wachholz Karine Gobbi
• Design Gráfico e Diagramação
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• Revisão
CIRCULAÇÃO
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COMERCIAL • Coordenação
Charles Ricardo Echer
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Sedeli Feijó
Rithieli Barcelos José Luis Alves
• Assinaturas
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• Expedição
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Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@grupocultivar.com Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.
DIRETAS Fungicida
O gerente de Marketing Fungicida da Syngenta, Rafael Pereira Oliveira, destacou durante o II Seminário Phytus os resultados alcançados na safra com o fungicida Elatus. Também abordou o programa Manejo Consciente, iniciativa da empresa junto com diversas instituições de pesquisa, cujo objetivo é orientar o agricultor para, além de assegurar alta eficiência, garantir a longevidade dos fungicidas e consequentemente o futuro da soja.
Pontos
A Bayer aproveitou o II Seminário Phytus para abordar o controle de doenças em soja. O fungicida Fox e a iniciativa De Primeira, Sem Dúvida estiveram entre os destaques. O gerente de Clientes da Bayer, Gilbert Berndt, focou ainda no Programa de Pontos da companhia. “Agradecemos aos clientes que efetuaram o resgate da participação no evento via Programa de Pontos. Continuem contando com a Bayer para alavancar ainda mais a produtividade da sua lavoura.”
Fertilizante
Multissítio
A UPL apresentou no II Seminário Phytus sua solução multissítio voltada para o controle e o manejo da resistência da ferrugem-asiática da soja. “A constante evolução da agricultura no Brasil e no mundo tem uma importante ligação com a inovação. Apenas três safras após o lançamento de Unizeb Gold no Brasil, esta solução se consolidou como pioneira e líder no mercado do verdadeiro manejo da resistência. Por isso, fóruns como este e a parceria entre a UPL e o Instituto Phytus são fundamentais para a inovação neste setor tão importante na economia brasileira”, avaliou o gerente de Inovação e Desenvolvimento da UPL do Brasil, Rafael Henrique Pereira.
Chega ao mercado um novo fertilizante foliar que busca aumentar a resistência das plantas, minimizando, por exemplo, os impactos climáticos. Batizado de Hulk, o produto desenvolvido pela Kimberlit Agrociências possui, em sua composição, nutrientes e substâncias orgânicas capazes de induzir os genes de resistência em plantas contra pragas, doenças, falta de água, excesso de luminosidade e nematoides. Segundo o fabricante, trata-se do único indutor de resistência do mercado com ação de translocação nas plantas, aplicado via foliar, que consegue agir até o sistema radicular. O produto pode ser posicionado em todas as fases fenológicas de algodão, café, citros, cana-de-açúcar, feijão, milho e soja. Mais informações em www. kimberlit.com.br.
Soluções
A equipe da Basf levou ao II Seminário Phytus soluções da marca para o manejo de doenças fúngicas em soja, como oídio e ferrugem-asiática. O principal destaque da empresa em produtos ficou por conta do fungicida Orkestra, que além de registro para controle de ferrugem e oídio, possui ação contra mancha-alvo, antracnose, crestamento-foliar, septoriose e mela.
Participação
A Microquímica esteve presente no II Seminário Phytus, em julho, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. O simpósio teve como tema Educação e Informação para Alavancar a Produtividade e contou com dez horas de palestras. “É um momento importante para difundir conhecimento e contribuir para o crescimento do setor. Eventos como este são importantes para o agronegócio como um todo, pois trata de assuntos essenciais como o uso correto de tecnologias para promover aumentos sustentáveis de produtividade”, opinou o diretor técnico da Microquímica, Roberto Berwanger Batista.
Roberto Berwanger Batista
04 Agosto 2017 • www.revistacultivar.com.br
Trigo
Fotos D.N. Gassen e D. Lau
Desde o início
Corós, lagartas, afídeos (ou pulgões) e percevejos integram a lista de pragas iniciais que afetam a cultura do trigo. A aplicação de inseticidas via tratamento de sementes e a pulverização das plantas estão entre as medidas de controle destes insetos, mas a tomada de decisão deve ser precedida sempre de monitoramento e correto acompanhamento das áreas. Preventivamente cuidados especiais devem ser tomados antes ou logo após a implantação da lavoura
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s pragas que atacam a cultura do trigo nas fases iniciais de desenvolvimento, compreendendo as primeiras quatro a seis semanas, aproximadamente no período que vai desde a semeadura até a elongação, podem ser agrupadas em corós, lagartas de superfície do solo, afídeos e percevejos. De hábito mastigador (corós e lagartas) ou sugador (afídeos e percevejos), de modo geral são insetos que preocupam pelo poder de reduzir a população de plantas e pelos danos que possam se manifestar mais tarde, devido à transmissão de doenças, às alterações fisiológicas e à redução da capacidade produtiva das plantas sobreviventes. Devido ao grande potencial para causar perdas na produção, as chamadas pragas iniciais requerem que cuidados especiais sejam tomados antes ou imediatamente após a implantação da lavoura com o objetivo de eleger e aplicar os meios mais adequados de controle. Os corós são larvas subterrâneas, de hábitos rizófagos, consideradas pragas residentes uma vez que têm pouca mobilidade e já estão presentes na área por ocasião do planejamento
da lavoura, antes da semeadura. São polífagos (alimentam-se de várias espécies vegetais, cultivadas ou não). Sua importância como praga vai além de uma cultura ou safra, dependendo da sincronia fenológica com os cultivos. As espécies de corós-praga mais comuns em trigo, no Rio Grande do Sul, são o coró-das-pastagens Dilobderus abderus (Sturm) e o coró-do-trigo Phyllophaga triticophaga Morón & Salvadori. Juntamente com estas espécies ocorre com bastante frequência e alta densidade uma espécie preferentemente saprófaga conhecida pelo nome de coró-pequeno (Cyclocephala favipennis). Este inseto, pelo fato de apresentar reduzido potencial de dano, não é considerado praga. O ciclo de vida dos corós é longo, passando pelas fases de ovo, larva (coró), pupa e adulto (besouro). Os danos são causados exclusivamente pelas larvas que passam por três tamanhos (estádios ou instares), principalmente as grandes (3º instar). O ciclo de D. abderus é anual, enquanto P. triticophaga apresenta uma geração a cada dois anos. O primeiro faz galerias permanentes no solo e está associado
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a lavouras sob plantio direto e a pastagens, uma vez que logo que sai do ovo, a larvinha consome restos vegetais para depois, gradativamente, crescer e se tornar rizófaga. O coró-do-trigo não constrói galerias no solo. Ocorre tanto em plantio direto como em convencional e vive muito próximo da superfície do solo, junto às raízes. Ambas as espécies de corós consomem sementes, raízes e até partes verdes da planta, que puxam para dentro do solo. As infestações e os danos ocorrem em reboleiras (manchas), o que dificulta o manejo. Podem ocorrer anualmente (coró-das-pastagens) ou em anos alternados (coró-do-trigo), sendo que o período mais crítico para a cultura vai de maio a setembro/outubro, ou seja, desde a semeadura até próximo à colheita. O monitoramento para constatação e delimitação de infestações deve ser realizado a partir da presença de plantas mortas e da abertura de trincheiras no solo, em vários momentos, em qualquer época do ano. Antes da semeadura do trigo, porém, amostragens de solo mais precisas devem ser feitas com o propósito de quantificar a densidade de corós
por unidade de área e identificar as espécies presentes. A mortalidade natural de corós, principalmente devido à ação de entomopatógenos (micro-organismos causadores de doenças), é muito expressiva, fazendo com que as infestações variem ao longo do ano.
LAGARTAS
Lagartas já podem estar presentes na área por ocasião da semeadura ou são provenientes da postura realizada pelas mariposas, logo após a emergência das plantas. É um problema mais comum em situações de inverno ameno, causado principalmente pela lagarta-militar ou lagarta-do-cartucho do milho – Spodoptera frugiperda (J. E. Smith). Durante o dia abrigam-se no solo (sob palha ou torrões) e à noite entram em atividade, atacando as plantas a partir do solo, destruindo-as completamente. A consequência é a redução na população de plantas, que ocorrem em reboleiras que vão se ampliando gradativamente. A lagarta-do-trigo (Pseudaletia sequax e P. adultera) ocorre mais no final do ciclo da cultura do trigo.
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AFÍDEOS OU PULGÕES
Afídeos ou pulgões são insetos sugadores que se reproduzem rapidamente, desenvolvendo colônias numerosas sobre as plantas. Podem se instalar, dependendo da espécie, em praticamente todos os órgãos da planta de trigo (raízes, colmo, folhas e espigas) e desde a emergência até a fase de grão duro. O trigo, assim como os demais cereais de inverno, é atacado por várias espécies de afídeos que ocorrem ao mesmo tempo ou em diferentes estádios de desenvolvimento da cultura. As espécies mais frequentes são o pulgão-do-colmo – Rhopalosiphum padi (Linnaeus), o pulgão-verde-dos-cereais –Schizaphis graminum (Rondani), o pulgão-da-espiga – Sitobion avenae (Fabricius) e o pulgão-da-folha – Metopolophium dirhodum (Walker). Quando em infestação elevada (colônias), devido à sucção da seiva, podem provocar perdas diretas no rendimento de grãos e sementes. Indiretamente, mesmo em baixos níveis populacionais, tem capacidade para ocasionar
Tamanho e pelos/espinhos do coró-das-pastagens (A), do coró-pequeno (B) e do coró-do-trigo (C)
danos expressivos, como vetores de vírus fitopatogênicos, especialmente os causadores da Virose do Nanismo Amarelo da Cevada (VNAC). Pela frequência que ocorre e pela eficiência como vetor, R. padi é atualmente a espécie mais importante na transmissão dos agentes causais da virose. A ocorrência de afídeos nas fases iniciais de desenvolvimentos das plantas tende a provocar danos significativos. Geralmente, nessas fases predomina a ocorrência de R. padi e de S. graminum e, em menor nível, também podem ocorrer outras espécies. Nestas situações, o ataque intenso de afídeos
tende a ocasionar a diminuição da população de plantas, bem como afetar negativamente o seu crescimento. A espécie S. graminum possui saliva tóxica e provoca amarelecimento típico das folhas, o que pode evoluir para necrose dos tecidos e morte das plântulas. As infestações de afídeos se originam de alados migrantes. A aveia preta, cultivada no outono, antes do trigo, para alimentação animal e produção de palhada para proteção do solo, tem importante significado com relação ao manejo do complexo vetor-virose (afídeo-VNAC), uma vez que serve de fonte de infestação do vetor
PERCEVEJOS
Fotos D.N. Gassen e D. Lau
Entre os percevejos que podem ser encontrados nas lavouras no início do desenvolvimento das plantas de trigo destacam-se os percevejos barriga-verde, Dichelops melacanthus (Dallas) e D. furcatus (Fabricius). A primeira espécie é mais comum no Paraná e em latitudes menores, enquanto a segunda é mais facilmente encontrada no Rio Grande do Sul. São pentatomídeos bastante semelhantes, ambos com espinhos pronunciados no tórax, duas projeções frontais pontiagudas na cabeça e região ventral do corpo de cor verde. Geralmente, em D. melacanthus os espinhos A
B
Critérios para a tomada decisão no controle das pragas inicias do trigo Praga Corós
Amostragem e nível de ação (NA) (médiade 10 amostras de 1m de linha/talhão) Abertura de trincheiras no solo (25cm x 20cm de profundidade), antes da semeadura. NA: 5 corós rizófagos/m2. Lagarta-militar Contagem no solo. NA: início da infestação. Afídeos Contagem nas plantas. NA: da emergência ao afilhamento: 10% das plantas infestadas; da elongação ao grão em massa: 10 afídeos/afilho ou espiga. Percevejos Contagem no solo e nas plantas. NA: 2 percevejos/m2.
são maiores e mais escuros. Consideradas secundárias como pragas de grãos em soja, estas espécies adaptaram-se para utilizar como abrigo a cobertura morta (palhada) no sistema de plantio direto e, sem abandonar a área após a colheita, passaram a agir como pragas de início de ciclo nas culturas de milho, especialmente na segunda safra (“safrinha”), e de trigo. Os danos dos percevejos decorrem da sucção propriamente dita e de toxinas salivares que provocam deformações e alterações no crescimento das plantas. Folhas com perfurações transversais, dobradas, enroladas e deformadas são sintomas típicos do ataque destes percevejos, que resultam em elevadas perdas no rendimento de grãos.
MONITORAMENTO
O manejo das pragas iniciais do trigo baseia-se em uma avaliação prévia da real necessidade que medidas de controle, incluindo a aplicação de inseticidas via tratamento de sementes ou em pulverização das plantas, sejam adotadas. Essa avaliação fundamenta-se no monitoramento das pragas, através de amostragens. O acompanhamento das áreas permite identificar as espécies de pragas presentes, quantificar a infestação e usar critérios (níveis populacionais de ação) para a C tomada de decisão. José Roberto Salvadori, PPGAgro da FAMV-UPF Fotos P.R.V.S. Pereira, V. R. Chocorosqui e D.N. Gassen
e de inóculo do patógeno. Alguns dos principais mecanismos de controle das populações de afídeos em cereais de inverno são seus inimigos naturais. O conjunto de parasitoides (vespinhas), predadores (joaninhas, crisopídeos etc) e fungos entomopatogênicos constitui importante freio no crescimento populacional dos afídeos. Anualmente, tem se observado nas lavouras de trigo elevados níveis de afídeos mortos (múmias) decorrentes da ação de parasitoides, o que representa um controle natural efetivo da praga.
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Colônias do pulgão-do-colmo (A), do pulgão-verde (B) e do pulgão-da-espiga (C) e reboleira de nanismo amarelo em trigo
08 Agosto 2017 • www.revistacultivar.com.br
Percevejos Dichelops furcatus (A) e D. melacanthus (B) e danos em trigo
Milho
Pequena indesejável Fotos Fernando Rezende Corrêa
A incidência da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) tem crescido nas lavouras brasileiras, principalmente no Cerrado durante a safrinha. Agressiva, a praga causa, além dos danos diretos, prejuízos por conta de ser vetora de doenças que afetam a cultura. A aplicação de inseticidas, associada a outras estratégias de manejo, tem apresentado bons resultados contra o inseto
C
om a possibilidade de cultivo do milho durante o ano inteiro no Brasil ocorreu a quebra de sazonalidade de plantio, resultando em aumento de pressão de pragas e doenças específicas desta cultura. Destaca-se a cigarrinha-do-milho
(Dalbulus maidis). Além dos danos diretos que causa às lavouras, este inseto pode ser vetor de doenças, podendo transmitir dois micro-organismos denominados molicutes, o Spiroplasma kunkelii, agente que causa a doença conhecida como enfezamento pálido
(CornStunt – Espiroplasma), e o fitoplasma, responsável pela ocorrência do enfezamento vermelho (Maize Busch Stunt Phytoplasma – MBSP) no milho. Além dos molicutes, D. maidis pode ainda transmitir um vírus para as plantas sadias, conhecido como Risca (Maize Rayado Fino Marafivirus – MRFV). Waquil (2004). Oliveira et al (2002) já observavam que este inseto poderia acarretar grandes prejuízos às lavouras. Nas safras recentes tem sido verificado que essas doenças têm gerado prejuízo aos produtores que cultivam o milho em segunda época ou safrinha, em regiões produtoras do país, especialmente no Cerrado. Nessas regiões os produtores têm discutido a eficiência do manejo químico da praga, razão da dispersão e do aumento da população muito rapidamente no início do verão. No manejo da safra há a busca também por associar o controle químico aos materiais mais plantados em cada região produtora. O comportamento dos híbridos ainda é uma questão de difícil equação para os produtores. Além dos híbridos, outra dificuldade se dá por fluxos frequentes da praga nas lavouras, o que dificulta o efeito residual e a eficiência dos inseticidas. Em algumas regiões foram realizadas aplicações de três em três dias na safra anterior, o que aumentou consideravelmente o custo de produção. Com o objetivo de avaliar a eficiência na
Figura 1 - Média de indivíduos adultos de D. maidis, um, três e cinco dias após a Figura 2 - Eficiência de controle dos tratamentos em porcentagem a um, três e cinco dias após a aplicação. MRE Agropesquisa, 2016 aplicação dos tratamentos avaliados. MRE Agropesquisa, 2016
12 Agosto 2017 • www.revistacultivar.com.br
Tabela 1 - Descrição dos tratamentos utilizados. MRE Agropesquisa, 2016
Adultos da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis). O adulto pode chegar até 4mm de comprimento
redução da população de D. maidis nas áreas cultivadas com milho em segunda safra, um experimento foi conduzido na safrinha de 2016, na estação experimental MRE Agropesquisa, localizada no município de Rio Verde, região sudoeste de Goiás. Utilizou-se delineamento experimental em bloco ao acaso com oito tratamentos (Tabela 1) e quatro repetições. A aplicação dos tratamentos ocorreu quando as plantas de milho se encontravam em estádio vegetativo. Utilizou-se pulverizador costal pressurizado com CO2, provido de barra de pulverização contendo seis pontas espaçadas com 0,50m, tipo leque Teejet-110.02, sob pressão de 2kgf cm-2, com volume de calda proporcional a 150L/ha. Após a aplicação foi realizada a contagem de indivíduos adultos de D. maidis por planta. Foram avaliadas 15 plantas aleatórias por repetição de cada tratamento. As avaliações ocorreram um, três e cinco dias após a apli-
Tratamento* Controle Metomil Imidacloprido Bifentrina Acefato Zeta-Cipermetrina + Bifentrina Lambdacyhalothrin Imidacloprido + Bifentrina
Concentração (g/L ou Kg) 216 700 100 970 200 + 180 250 250 + 50
Grupo químico Metilcarbamato de oxima Neonicotinóide Piretróide Organofosforado Piretróide Piretróide Neonicotinoide e Piretroide
Dose** ml ou g ha-1 0 1500 200 500 1000 200 100 300
* Tratamento composto por mais de um princípio ativo são misturas industriais. **Dose produto comercial.
cação (daa). Os dados quantificados foram submetidos à análise de variância e as médias de indivíduos adultos por época de avaliação estão expressas na Figura 1. Posteriormente
realizou-se o cálculo de eficiência do produto, comparando à eficiência dos tratamentos em relação ao tratamento controle, onde não houve aplicação de inseticida (Figura 2).
Momento de aplicação dos tratamentos em híbrido 30F53
Prejuízo final à cultura do milho causado pela cigarrinha-do-milho em área do sudoeste goiano
MILHO NO BRASIL
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milho (Zea mays) é uma das culturas mais cultivadas no território brasileiro. Isso pode ser explicado pelo fato de o Brasil possuir fatores edafoclimáticos que proporcionam o cultivo da cultura durante todo o ano, seja em primeira safra, segunda safra e até mesmo como terceira safra Observa-se na Figura 1 que todos os tratamentos com inseticida mostraram diminuição na população de indivíduos de D. maidis um dia após a aplicação, com destaque para o acefato na dose 1.000g/ha e a zeta-cipermetrina + bifentrina na dose de 200g/ha, que foram os tratamentos com maior redução de indivíduos por plantas avaliadas. Aos 5 daa verificou-se uma redução na população de cigarrinha-do-milho presente nos tratamentos, deixando a população de adulto abaixo de 0,5 indivíduo por planta nos tratamentos que utilizaram os inseticidas imidacloprido, bifentrina, acefato, zeta-cipermetrina + bifentrina e imidacloprido + bifentrina. A utilização de inseticidas do grupo químico neonicotinoide, como tiametoxam, imidacloprido e acetamiprido, tem apresentado bons resultados no controle dessa praga. A associação de grupos químicos diferentes em um mesmo produto permite um maior espectro de ação, possibilitando melhor manejo para importantes pragas na cultura do milho. Como exemplo é possível citar neonicotinoides com piretroides. A Figura 2 apresenta a eficiência de controle obtida pelos inseticidas testados. Observa-se que apenas o tratamento com os inseticidas acefato e zeta-cipermetrina + bifentrina atingiu mais de 70% de controle da população de D. maidis no primeiro dia após a aplicação. Os demais tratamentos obtiveram eficiência inferior a 60%. A eficiência de controle aos 5daa só foi superior aos 90% de controle para o trata-
(período de entressafra) em áreas irrigadas. Segundo o IBGE (2017) a estimativa de área cultivada com a cultura do milho aumentou, da safra de 2016 para a safra de 2017, aproximadamente 4,67% para o primeiro cultivo e 10,19% para o cultivo de segunda safra, “safrinha”. mento, onde foi aplicado o acefato. As parcelas tratadas com zeta-cipermetrina + bifentrina superaram 75% de controle do inseto adulto. Os tratamentos que utilizaram os inseticidas imidacloprido e bifentrina de formas isoladas e o tratamento composto pela mistura industrial de imidacloprido + bifentrina ultrapassaram 70% de controle da cigarrinha-do-milho aos 5daa. Aos 3daa todos os tratamentos, inclusive o tratamento controle, tiveram um aumento na população dos indivíduos por planta (Figura 1), resultando em diminuição na eficácia do controle (Figura 2). Como este aumento de população foi geral, pode-se atribuí-lo ao fato de os insetos jovens (ninfas) terem se tornado adultos ou até mesmo pela dispersão de indivíduos de locais adjacentes para o lugar do experimento. Tais insetos podem ser oriundos de lavouras contaminadas para
Redução de produtividade em áreas com incidência de Dalbulus maidis
14 Agosto 2017 • www.revistacultivar.com.br
Corrêa, Rodrigues e Peixoto abordam manejo da cigarrinha Dalbulus maidis
lavouras sadias, aumentando rapidamente a contaminação das regiões produtoras. Várias estratégias devem ser adotadas para diminuir os problemas causados por D. maidis. Entretanto, uma estratégia isolada não é suficiente. Uma opção para o controle químico do inseto-vetor pode ser o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos, bem como a utilização de materiais tolerantes. Inseticidas de diferentes grupos químicos podem ser opção para aplicações sequenciais para a diminuição da população do inseto adulto. A aplicação do acefato mostrou ser uma das opções para redução desses insetos, apresentando eficácia superior a 90% quando aplicado no estádio vegetativo da cultura do C milho. Fernando Rezende Corrêa, Inst. de Ensino Sup. de Rio Verde Estevão Rodrigues, MRE Agropesquisa Márcio Fernandes Peixoto, Inst. Federal Goiano – Rio Verde
Plantas com sintomas de enfezamento causado pela cigarrinha-do-milho
Arroz
Fotos Unipampa
Lucro à deriva
Produto importante no controle de daninhas e indispensável ao cultivo de arroz irrigado no Rio Grande do Sul, o glifosato tem sido utilizado para repetir a dessecação no estádio fenológico S3, popularmente conhecido como ponto de agulha. Tal prática, apesar de recomendada, demanda muito cuidado para que o produto seja utilizado no momento adequado e a aplicação não atinja plantas não alvo em talhões próximos ou áreas adjacentes
O
glifosato revolucionou os sistemas de cultivos, tornou possível o plantio direto e reduziu notavelmente os custos de produção. Há mais de 40 anos em uso comercial, é o herbicida mais utilizado no mundo. Esta molécula age inibindo a atividade da enzima 5-enolpyruvylshikimate-3-phosphate synthase (EPSPS), responsável pela biossíntese de aminoácidos aromáticos (triptofano, fenilalanina e tirosina), essenciais para as plantas, sendo considerada pouco tóxica aos animais. Trata-se de um herbicida sistêmico de ação total que, aplicado em pós-emergência das plantas daninhas, apresenta amplo espectro de controle. Após o desenvolvimento da tecnologia RR, o controle de plantas daninhas com herbicidas não seletivos tornou-se uma prática tão difundida que seu uso passou a ser quase obrigatório, principalmente na proteção das culturas de soja e milho. Porém, seu emprego não
se restringe apenas a cultivares com tecnologia RR. Na cultura do arroz irrigado, no Rio Grande do Sul, onde predomina o sistema de cultivo mínimo, o uso de glifosato é indispensável. Neste sistema, o preparo do solo ocorre de forma antecipada, evitando a mobilização durante a entressafra. Na pré-semeadura da cultura, se dá a dessecação da área com este herbicida. Além disso, uma prática muito usual nessas lavouras é repetir a dessecação durante o subperíodo compreendido entre a semeadura e a emergência, no estádio fenológico S3, conhecido pelo produtor como ponto de agulha. No ponto de agulha, as folhas da plântula de arroz encontram-se protegidas pelo coleóptilo, possibilitando o uso de herbicidas não seletivos. Diversas pesquisas comprovam que a aplicação nesse estádio reduz a população de plantas daninhas, evitando a competição com a cultura e, consequentemente, aumentando a produ-
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tividade do cereal. No entanto, este estádio é efêmero e influenciado pela temperatura do ar e do solo (ocorre entre cinco-dez dias nas épocas quentes e dez-15 dias nas mais frias), sendo imprescindível a aplicação no momento adequado. Na Fronteira Oeste do estado gaúcho, as lavouras orizícolas são de médio a grande porte. Consequentemente, a semeadura ocorre de forma escalonada. Assim, é comum em talhões próximos, na mesma propriedade ou em áreas adjacentes, plantas em estádios de desenvolvimento diferentes. Quando não são observados os cuidados necessários de aplicação, o glifosato pode atingir estas áreas levado por deriva. Assim, a dessecação no ponto de agulha, pode interferir no desenvolvimento e na produtividade das plantas que estão em estádios mais avançados.
DERIVA
A deriva é definida como o desloca-
Unipampa
Figura 1 - Matéria seca da parte aérea (MSPA g ha-1) da cultivar Puitá Inta CL, em resposta à aplicação simulada de deriva de glifosato nos estádios fenológicos V1, V3 e V5, avaliado aos 28 dias após a aplicação, em condições controladas. Itaqui, RS, 2016
Na simulação de 30% de deriva do produto foi verificado aumento de fitotoxicidade à cultura
mento de gotas aspergidas durante a aplicação, fazendo com que parte do produto atinja plantas não alvo. Assim, causa dois problemas: 1) compromete o controle das plantas daninhas almejadas, pois o produto não atinge o alvo na dose requerida (necessitando tratamento extra), elevando os custos; 2) pode causar prejuízo às espécies não alvo e ao ambiente. A deriva de glifosato ocorre quando não são observados os cuidados necessários de tecnologia de aplicação, principalmente a temperatura do ar e a velocidade do vento na pulverização. Estes critérios são indispensáveis para o uso do herbicida, especialmente em aplicações aéreas. Estima-se que em pulverizações com ventos de 7,2km/h a deriva do glifosato possa atingir até 160m do local-alvo. O efeito da deriva do glifosato varia
conforme a quantidade do ingrediente ativo que atinge as culturas. Em áreas orizícolas pode prejudicar o desenvolvimento das plântulas e, consequentemente, a produtividade do arroz irrigado. Com o objetivo de quantificar essas perdas, foram realizados dois experimentos no ano agrícola 2016/2017, em condições controladas e a campo (em área de produtor). O experimento em condições controladas (Experimento I) foi conduzido em casa de vegetação, pertencente à Universidade Federal do Pampa (Campus Itaqui), em delineamento experimental inteiramente casualizado, com quatro repetições. As unidades experimentais foram copos plásticos com capacidade de 0,3L, preenchidos com solo oriundo de área orizícola. A semeadura foi realizada no dia 3 de novembro de 2016, utilizando
Figura 2 - Fitotoxicidade da cultivar de arroz Puitá Inta CL (% em relação à testemunha), em resposta a diferentes doses de glifosato (simulando deriva), avaliada aos 35 dias após a aplicação. Experimento a campo. Itaqui, RS, 2016
a cultivar Puitá Inta CL. Os tratamentos foram aplicados com pulverizador pressurizado a CO2 comprimido, munido de pontas de jato plano, tipo leque, modelo XR 110.02, pressão de trabalho de 2,5bar e barra postada a 0,4m da superfície do alvo. O volume de calda utilizado foi de 100L/ha. Os tratamentos foram aplicados em três diferentes estádios de desenvolvimento da cultura: até V1, até V3 e até V5. Os tratamentos utilizados foram subdoses do herbicida glifosato (relativo à dose comumente utilizada de 2L p.c./ha): testemunha sem aplicação do herbicida; 0,02; 0,1; 0,2; 0,3; 0,4; 0,5; e 0,6L p.c./ ha, simulando deriva equivalente a 0%, 1%, 5%, 10%, 15%, 20%, 25% e 30% do produto. No experimento a campo (Experi-
Figura 3 - Produtividade da cultivar de arroz Puitá Inta CL, em resposta a diferentes doses de glifosato (simulando deriva). Experimento a campo. Itaqui, RS, 2017
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Figura 4 - Foto geral da área onde foi conduzida a pesquisa a campo. Itaqui, RS, 2016
mento II), o delineamento experimental foi de blocos aos acaso, com quatro repetições. Cada unidade com 6,12m². A aplicação ocorreu no dia 17 de novembro de 2016, quando as plantas de arroz estavam com até quatro folhas. Os tratamentos seguiram os mesmos procedimentos do experimento I. Foi realizada a avaliação da matéria seca da parte aérea (MSPA), aos 28 dias após a aplicação (DAT), coletando-se as plantas remanescentes, rentes ao solo e colocadas em estufa de ar forçado a 60°C por 72 horas (Experimento I). Avaliação de controle visual das plantas aos 14 e aos 35 DAT, observando-se o desenvolvimento de clorose, comparada com a testemunha, utilizando-se escala percentual, sendo atribuído 0% quando não houve sintoma do herbicida e 100% quando ocorreu a morte total das plantas; e produtividade da cultura em 2m² (ambos no Experimento II). Os dados foram submetidos à analise de variância, Anova (p≤0,05). Quando detectada diferença significativa, a análise utilizou modelos não lineares de ajuste de curva de dose-resposta. A avaliação dos dados revelou que houve diferença (p≤0,05) para a matéria seca da parte aérea (MSPA) entre estádios de aplicação, sintoma herbicida e produtividade da cultura do arroz irrigado, em resposta à simulação de deriva de glifosato. No experimento I (condições controladas), as maiores reduções de MSPA foram observadas nos estádios inicias, até V3 e até V1, respectivamente – Figura 1. No entanto, não foram observadas diferenças entre as doses utilizadas. O sintoma herbicida aumentou e a produtividade reduziu com o aumento das doses. Na deriva mais elevada, simulação de 30% (0,6L p.c./ha), a fitotoxicidade
da cultura atingiu aproximadamente 85% (Figura 2), comprometendo o desenvolvimento e, consequentemente, a produtividade da cultura. Nesta mesma dose, a produtividade do arroz irrigado foi reduzida em 80% (Figura 3), comparada à testemunha sem aplicação de herbicida. O que evidencia sensibilidade da cultura à deriva do produto. Evidencia-se que a deriva de glifosato, conforme a quantidade de produto, pode interferir no desenvolvimento e na produtividade da cultura do arroz irrigado. A deriva pode causar prejuízo mútuo, uma vez que o produtor pode comprometer sua própria safra e/ou causar prejuízo
em áreas adjacentes. O Decreto Federal n° 4.074/2002, que regulamenta a Lei de Agrotóxicos no Brasil (7.802/89), prevê que o usuário de agroquímicos e afins que causar danos ao ambiente ou prejudicar a lavoura de terceiro por aplicação inadequada (deriva) é passível de ser multado. Para evitar prejuízos, o produtor deve utilizar os herbicidas de acordo com a Receita Agronômica, prescrita por engenheiro agrônomo habilitado, observando as recomendações de uso aprovadas em rótulo e bula do produto. Ao profissional, cabe recomendar produtos específicos para a cultura, com o devido registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e com autorização de uso permitido no Rio Grande do Sul pelo órgão ambiental (Fepam). Para o glifosato, há diversos produtos comerciais no mercado. No entanto, recomenda-se aplicar com temperatura máxima de 28ºC, umidade relativa mínima de 55% e ventos com até 10km/h. Além disso, é preciso ajustar o equipamento de aplicação, vazão, pressão de trabalho, tipo de ponta, entre outros, evitando que o lucro C fique à deriva. Mariana Krüger Pacheco, Bianca Moraes Rodrigues, Diego Martins Chiapinotto, Felipe Schopf e Carlos Eduardo Schaedler, Unipampa
Figura 5 - Fitotoxicidade da cultura do arroz irrigado, aos 14 dias após o tratamento, em resposta a diferentes derivas de glifosato: a) testemunha; b) 10%; c) 15% e d) 30%. Itaqui, RS, 2016
18 Agosto 2017 • www.revistacultivar.com.br
Fotos Alfredo Riciere Dias
Algodão
Enfermidade agravada
Considerada pouco expressiva ao longo de vários anos, a mancha de ramulária, causada pelo fungo Ramularia areola, tem crescido em importância ao longo das últimas safras e atualmente já detém o status de principal doença do algodoeiro. O uso de fungicidas é uma importante ferramenta de controle sempre que associado a outras estratégias de manejo. É indispensável direcionar esforços para prevenir a seleção de isolados de fungos menos sensíveis ou resistentes
O
atual sistema de produção do algodoeiro na região central do Brasil é caracterizado pelo cultivo em extensas áreas, aliado a sucessão de cultura (soja e algodão). Este monocultivo pode levar ao agravamento de enfermidades antes consideradas pouco expressivas, ou determinada doença que seja comum às duas culturas, como mofo branco e mancha alvo. A mancha de ramulária, causada pelo fungo Ramularia areola, é um exemplo de doença que foi considerada pouco expressiva por vários anos e que atualmente é a principal doença do algodoeiro. A região nordeste de Mato Grosso do Sul é responsável por uma grande parcela de produção do estado. Utiliza um sistema de cultivo de rotação de culturas em que aproximadamente 80% da área é semeada no mês de dezembro. Esse é um dos motivos pelo qual o produtor tem conseguido conviver com algumas doenças como a mancha alvo,
ocasionando pequeno impacto econômico. As condições climáticas de baixa precipitação, ocorridas nos meses de abril e maio, favoreceram o menor apodrecimento de maçãs. No entanto, a chuva que ocorreu nestes meses desencadeou uma das mais fortes epidemias da mancha de ramulária (Ramularia areola) na região. Este fato foi constatado através do monitoramento realizado pela Fundação Chapadão em sua área experimental. A mancha de ramulária é considerada a principal doença que acomete a cultura do algodoeiro. A redução de produtividade ocasionada por essa enfermidade chega a 30%, na região dos Chapadões. Os sintomas da doença se iniciam com lesões nas folhas, localizadas na parte inferior da planta, com coloração branca-azulada na superfície inferior da folha. Nessa fase é difícil a detecção, devido à lesão possuir pouco brilho. Logo após é verificada esporulação do fungo com coloração branca ou amarelada e
20 Agosto 2017 • www.revistacultivar.com.br
de aspecto pulverulento, caracterizadas por causar necrose de formato angular (Figura 1). Quando ocorre alta severidade da doença, aliada a condições ambientais favoráveis, ocasiona grande desfolha precoce nas plantas de algodoeiro, impactando a produtividade. Desde a safra 2009, vários trabalhos têm sido desenvolvidos a campo pela Fundação Chapadão e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) na busca por alternativas para um controle integrado da mancha de ramulária em algodoeiro. O monitoramento e a quantificação da severidade da doença a cada ano são uma das estratégias que auxiliam na tomada de decisão de controle na região. Nas últimas oito safras tem sido observado que a incidencia da doença na área experimental vem ocorrendo no estádio de desenvolvimento do algodeiro “B2” e que as severidades, verificadas nas últimas avaliações (Estádio C6), apresentam variação entre 27%
Figura 2 - Severidade da mancha de ramulária no tratamento sem aplicações de fungicidas, dos ensaios realizados no algodoeiro em oito safras no município de Chapadão do Sul (MS)
Figura 1 - Sintomas da esporulação da mancha de ramulária
e 80% de severidade (Figura 2). Esta oscilação de área foliar lesionada pelo patógeno está relacionada às condições ambientais que cada ano proporciona, sendo possível afirmar através deste monitoramento que as condições verificadas nos meses de março e abril de cada ano determinam o potencial desta doença. Ainda é possível concluir que neste período os anos de 2013, 2016 e 2017 (de menor pluviometria) são os de maior importancia da mancha de ramulária na região dos Chapadões (Figura 2). Dentre as estratégias de combate a
doenças, o controle cultural tem sua importância no manejo do algodoeiro. Um exemplo clássico reside na rotação de culturas e na destruição dos restos culturais. Outro aspecto que está sendo estudado na região é a altura das plantas de algodoeiro, que também tem impactado sobre a severidade da mancha de ramulária. Lavouras com porte menor (1m a 1,20m) têm registrado aumento na severidade da doença. Este fato pode estar ligado à maior quantidade de luz que incide no interior do dossel da planta, favorecendoo aumento da temperatura e menor período
de molhamento no período diurno. Posteriormente, no período noturno, a umidade propiciada pelo orvalho condiciona um ambiente extremamente favorável à ocorrência da doença. É válido ressaltar que em uma busca rápida na literatura encontram-se diversos autores afirmando que o patógeno Ramularia areola é favorecido por poucas horas de molhamento. É necessário ter precaução na condução do porte das plantas, pois a falta de contenção do seu crescimento também pode favorecer o sombreamento foliar que predispõe a
A
B
C
Figura 3 - Cultivar A de algodoeiro resistente à mancha de ramulária com três anos de cultivo; Cultivar B de algodoeiro resistente à mancha de ramulária com dois anos de cultivo; Cultivar C de algodoeiro resistente à mancha de ramulária em pré-lançamento. Imagens da área experimental da Fundação Chapadão
formação de microclima favorável ao desenvolvimento de fungos, proporcionando um ambiente adequado ao surgimento de doenças no algodoeiro, como o apodrecimento de maçãs, a mancha alvo e o mofo branco. O uso de cultivares resistentes representa um pilar dentre as estratégias utilizadas para o controle de doenças (Figura 3). O uso desta tecnologia é o método de controle mais desejável, por ser de baixo custo, ter alta eficácia e por causar menor impacto ambiental. Porém, é extremamente importante a associação com outras medidas de controle como o manejo cultural e o controle químico, visto a possibilidade de variabilidade genética dos patógenos. Outro ponto questionável e ainda desafiador ao melhoramento genético é a durabilidade da tecnologia. Tem sido constatada a perda de resistência conforme a exposição das cultivares ao longo do tempo. Em média, tem se perdido a tecnologia a cada três anos na região dos Chapadões. As medidas de controle para a mancha de ramulária adotadas na região dos Chapadões, assim como nas principais áreas produtoras de algodão do Brasil, são baseadas principalmente na utilização de fungicidas. Isso ocorre devido à ação rápida que os fungicidas promovem para a supressão da doença, além de que, se utilizado no momento correto e com rotação de produtos, promove uma boa eficiência para o controle da doença. Algumas medidas devem ser adotadas no momento da utilização do controle químico, sendo imprescindível que o uso dos fungicidas seja iniciado assim que as primeiras lesões
forem identificadas nas folhas mais velhas. O monitoramento constante da lavoura é de extrema importância, uma vez que as primeiras lesões são de difícil identificação. No controle químico é indispensável conhecer o modo e o tipo de ação do fungicida na planta, para tomar a decisão sobre qual produto usar e também sua época de aplicação. Fundamental, ainda, que seu emprego seja feito de maneira alternada com diferentes princípios ativos, pois esta estratégia é eficaz para evitar o aumento da frequência de isolados resistentes. Na busca por soluções e melhor entender a estratégia de controle químico da mancha de ramulária na região, a Fundação Chapadão realiza diversos trabalhos a campo desde o ano de 2010. Dentre as diversas pesquisas nesta linha de controle merece destaque ensaio realizado a cada ano, em dois locais (Chapadão do Sul e Costa Rica, Mato Grosso do Sul), para a comparação da eficiência de fungicidas registrados, possibilitando um acompanhamento da eficácia destes produtos ao longo dos anos (Figura 4). Os resultados das ultimas três safras ascendeu uma “luz vermelha” sobre a eficácia destes fungicidas. Foi constatada uma redução de eficiência sobre a mancha de ramulária. Um exemplo reside no tratamento com tetraconazol usado de maneira isolada, que apresentava 91% de eficácia na safra 2013/2014 e reduziu para 23% de controle nesta safra (2016/2017). No entanto, quando o mesmo triazol foi utilizado em produto comercial associado a uma estrobilurina
(azoxistrobina + tetraconazol), nota-se menor perda de eficácia, demonstrando melhor estabilidade ao longo dos anos ao contrário de um triazol sozinho, conforme dados apresentados na Figura 4. Resultado semelhante está sendo constatado com outro triazol de formulação isolada, o difenoconazol, que também na safra 2013/2014 apresentava eficácia de 95% e recentemente obteve média de 61% sobre o controle da doença. Já quando utilizado fungicida registrado, em associação com outro grupo químico (azoxistrobina + difenocozol) novamente apresenta melhor estabilidade em sua eficácia (Figura 5). É válido ressaltar a importância de trabalhos regionais para avaliar individualmente os fungicidas, em aplicações sequenciais e assim determinar a eficiência de controle. Essas informações devem ser utilizadas na determinação de programas de controle, priorizando sempre a rotação de fungicidas com diferentes modos de ação. Um programa de fungicida na cultura do algodoeiro atualmente exige o uso de defensivo comercial que contenha dois modos de ação. Devido ao grande número de pulverizações em função do ciclo da cultura é recomendado utilizar programas com todos os grupos químicos disponíveis (triazóis, estrobilurinas, carboxamidas e multissítios), a fim de evitar a seleção de isolados de fungos menos sensíveis ou resistentes. C Alfredo Riciere Dias, Fundação Chapadão
Figura 4 - Eficácia de fungicidas sobre a mancha de ramulária (R. areola), no algo- Figura 5 - Eficácia de fungicidas sobre a mancha de ramulária (R. areola), no algodoeiro cultivado em Chapadão do Sul e Costa Rica (MS), desde a safra 2010/2011 doeiro cultivado em Chapadão do Sul e Costa Rica (MS), desde a safra 2010/2011
22 Agosto 2017 • www.revistacultivar.com.br
Soja
Fotos F.C. Juliatti, 2017
Mitos e realidades
Um panorama das doenças que limitam a produtividade na cultura da soja e as medidas de manejo racional que ajudam o produtor a conviver com essas enfermidades sem comprometer o lucro
A
soja (Glycine max L. Merril) é uma espécie originária da Ásia, cultivada há centenas de anos. Graças às suas características nutritivas e industriais e à sua adaptabilidade a diferentes latitudes, solos e condições climáticas, o cultivo da soja se expandiu por todo mundo, constituindo-se em uma das principais plantas cultivadas atualmente. A exploração econômica de seu potencial de rendimento médio de 4.000kg/ ha dificilmente é alcançada na média brasileira, considerando a diversidade das áreas de produção e as variações climáticas. A soja (Glycine max) é infectada por mais de 40 fitopatógenos fúngicos, bacterianos, viroses e nematoides. Entre os principais fitopatógenos estão duas espécies de Phakopsora que causam a ferrugem. A P. meibomiae (ferrugem “americana”), nativa no Continente Americano, ocorre desde Porto Rico (Caribe) ao Sul do Paraná (Ponta Grossa). Já P. pachyrhizi, (ferrugem “asiática”) está presente na maioria dos países produtores de soja. A ferrugem da soja foi constatada pela primeira vez no Brasil em 1979, no município de Lavras, Minas Gerais, sendo motivo de preocupação por uma década pelo alto potencial de danos nos países asiáticos (Deslandes, 1979). A não confirmação do seu potencial de danos, ao longo dos anos, reduziu a prioridade de pesquisa sobre a doença, chegando-se à total desativação. Hipotetiza-se nos dias atuais a
possibilidade de que as duas espécies estejam ocorrendo no campo e dificultando o manejo com os fungicidas, uma vez que este tipo de levantamento não tem sido realizado nas áreas de produção de soja do Brasil. Foram conduzidos estudos de época de plantio na incidência da doença, hospedeiros alternativos e reação de cultivares (Vale, Chaves, 1985, Vale, Chaves, Zambolim, 1985a e b e Vale, Yorinori, 1981). Na safra de 1990/91, a ferrugem atingiu níveis de epifitias em São Gotardo e Presidente Olegário, Minas Gerais, e no Distrito Federal. Recentemente tem-se demonstrado que já existiam no Brasil as duas espécies de Phakopsora, a partir de 1979, em campos de leguminosas nativas e cultivadas (Akamatsu et al, 2004). Esse estudo demonstrou que possivelmente o fungo evoluiu nas condições brasileiras, devido ao sistema agrícola empregado e, portanto, com base nesse estudo os dois fitopatógenos já estariam nas condições brasileiras anteriormente a 2002. Presume-se que pode ter ocorrido uma evolução do patógeno após a sua introdução por correntes aéreas, a partir de hospedeiros alternativos, uso de benzimidazóis para o controle das doenças de final de ciclo e plantio da soja safrinha e no inverno para a produção de sementes. Esses surtos esporádicos que ocorreram em 1979 e 1986 em Minas Gerais, principalmente em material suscetível, indicaram o potencial destrutivo da doença.
24 Agosto 2017 • www.revistacultivar.com.br
A situação na última safra, 2016-2017, brasileira não foi catastrófica, a não ser em áreas experimentais, onde o fungo tem sido recorrente e causado bastante danos na produção da soja em áreas experimentais e nos campos comerciais, nas últimas semeaduras ou em sojas mais tardias. A ocorrência das três mutações sucessivas e acumuladas no genoma do fungo reduziu a eficácia dos fungicidas triazóis, estrobilurinas (mutação F129L) e carboxamidas (subunidade I86). Assim, desde 2009 os fungicidas vêm perdendo a eficácia no campo, ou seja, pela redução do período residual. Dados da Rede Brasileira de fungicidas e do Consórcio antiferrugem apontam esta tendência (www.embrapa.br/soja/ferrugem/ consorcioantiferrugem). A solução para o Brasil foi usar fungicidas multissítios como mancozeb, clototalonil e oxicloreto de cobre, entre outros, para manejar as populações resistentes. Os programas de melhoramento genético avançaram e estão surgindo as primeiras variedades com resistência parcial ao patógeno para aumentar e melhorar o manejo com fungicidas e estender o seu período de controle.
MOFO BRANCO
O mofo branco ou podridão branca da haste da soja, apesar de sua maior ocorrência em altitudes acima de 800 metros, presença de solo úmido para ejeção dos apotécios e ascós-
Ferrugem da soja em semeadura tardia e sem proteção por fungicidas. Perda de 100% na produção dos grãos
poros, flores na planta de soja para infecção e fechamento do dossel da cultura, ainda é uma doença muito dependente do clima de cada safra. Mas a prática de salvamento de sementes tem aumentado sua incidência em campos de soja de sequeiro, possivelmente devido à disseminação a longa distância e até mesmo dentro da mesma propriedade agrícola. Sua detecção na fase inicial de infecção pode passar despercebida aos olhos do agricultor, por provocar sintomas secundários nas folhas (presença do carijó), muito confundido com outras causas etiológicas, como a podridão cinzenta do caule, cancro da haste, podridão de fitóftora, nematoides de galhas etc, que causam o mesmo sintoma secundário ou reflexo.
OUTRAS DOENÇAS E NEMATOIDES
Outras doenças, como oídio (Erysiphe diffusa), mancha alvo (Corynespora cassiicola), antracnose (Colletotrichum dematium var truncata) e seca da haste e da vagem (Phomopsis phaseoli), cancro da haste (Diaporthe phaseolorum f. sp. meridionalis e P. phaseoli f.sp. caulivora), podridão cinzenta do caule (Macrophomina phaseolina), mancha parda (Septoria glycines), crestamento foliar (Cercos-
Oídio da soja com epidemia iniciando no vegetativo em área acima de 800m de altitude. Perdas de 5% a 20%, dependendo da cultivar
pora kikuchii), míldio (Peronospora manchurica), nematoides de galhas (Meloidogyne spp.), nematoides do cisto (Heterodera glycines) assumem um papel importante no cenário em função das condições de clima de cada região e solo, assim como a preferência pelo genótipo ou cultivar junto ao sojicultor. O nematoide Pratylenchus braquiurus tem se mostrado presente nas diferentes regiões produtoras de soja e causado redução no rendimento de soja, notadamente em áreas de braquiárias, levando o produtor à necessidade do uso de culturas antagônicas, como alguns tipos de milheto, bem como a crotalária (ocraleuca e spectabilis). Em determinadas condições de solo tem se destacado a doença geográfica na base do caule, causada por Phomopsis longicola, principalmente em áreas de plantio ou semeadura direta. Em doenças como antracnose, seca da haste e da vagem, cancro e doença geográfica, o fator sementes é o mais importante na ocorrência e disseminação. No cerrado mineiro tem ocorrido alguma incidência de cancro da haste da soja, dependente do genótipo utilizado. A dificuldade, nesse caso, talvez seja o aceite nos programas de melhoramento de avanço de materiais genéticos com
Folhas de soja com sintomas da mancha alvo (Corynespora cassiicola)
incidência de até 20% na inoculação artificial sem descarte. O ideal seria o uso de genótipo imune após a inoculação artificial pelo método do palito de dente. Algumas doenças abióticas ou de causa indefinida ocorrem em campos de soja sem um diagnóstico final convincente ou definitivo, como a mancha aureolada, que apresenta comportamento diferenciado segundo o genótipo utilizado. Doenças emergentes como a soja louca 2 (Aphelenchoides bessey), que teve a sua etiologia confirmada recentemente, têm sua ocorrência na região Norte do Brasil (Pará) e Tocantins, mas ainda precisa de maiores estudos para comprovar definitivamente sua etiologia única ou se ocorre interação com outros agentes etiológicos e fitossanitários na cultura da soja. No estado do Pará, por exemplo, quando se revolve o solo e se incorporam restos vegetais, por aração e gradagem, reduz-se a incidência de soja louca 2, diferentemente de áreas de semeadura direta, onde a doença é mais prevalente. Esse fato corrobora para a indicação de que braquiárias são fator de multiplicação do fitopatógeno no solo junto às raízes e à parte aérea, uma vez que esse fitopatógeno em arroz ocorre na parte vegetativa
Mancha alvo (Corynespora cassiicola) na nervura central de folhas de soja. Confundida erroneamente com antracnose que nesse caso é um patógeno secundário
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Fotos F.C. Juliatti, 2017
Mancha aureolada. Aparentemente um problema abiótico e sem etiologia conhecida
Detalhe de parcelas sem fungicida com alta severidade de ferrugem da soja. Ao fundo parcela com fungicida carboxamidas + tebuconazole (3 pulverizações a partir de R1 e intervalo de 17 dias)
(ponta branca do arroz). Outra realidade é a mancha alvo da soja (Corynespora cassiicola), doença que ocorre em vários hospedeiros, inclusive espécies hortícolas, como cucurbitáceas, algodoeiro e no caso da soja a sua prevalência tem sido em função do genótipo e da cultivar ou genótipo usado. Assim, antes do uso de fungicidas em larga escala deveria se pensar na continuidade de uso de genótipos suscetíveis ao fitopatógeno nas regiões do Cerrado brasileiro, notadamente, o Norte do Mato Grosso, Pará e Tocantins, onde a doença é mais prevalente e comum. Esse fitopatógeno sobrevive no solo (apresenta a formação de clamidósporos ou microescleródios na hifa) e exige alta - média pluviosidade (acima de 1.200mm bem distribuídos), temperaturas superiores a 25o Celsius e molhamento foliar acima de dez horas (duração de orvalho). A maioria dos genótipos utilizados no Brasil apresenta suscetibilidade e em estudos cooperativos entre a UFU-Syngenta na avaliação de germoplasma constataram-se genótipos com resistência parcial ao fitopatógeno. Infelizmente o fungo
já desenvolveu resistência aos benzimidazóis (carbendazim e tiofanato metílico). A podridão cinzenta do caule é causada por Macrophomina phaseolina e, embora o patógeno ocorra na maturação até o final do ciclo da soja, sua infecção se dá na fase de plântula ou durante a emergência a partir de microescleródios do solo ou infeção do micélio na semente. Assim, quando se percebe a doença na fase final do ciclo, após um estresse hídrico ou seca, é porque ocorreu uma obstrução da passagem de água nos tecidos da planta durante toda a fase vegetativa. Doenças como o míldio da soja ainda não tiveram suas perdas informadas em campos de soja, e sua constatação nas fases iniciais da cultura durante o período vegetativo não tem ainda justificado o manejo químico. Mas genótipos suscetíveis, como monarca, no passado devem ser retirados de recomendação ou uso junto aos agricultores. Portanto, nas etapas iniciais de seleção em programas de melhoramento, precisam ser eliminados. O uso de fungicidas de forma emergencial pode ser preconizado ou recomendado quando
Vagem sadia em alta epidemia de crestamento de cercospora
26 Agosto 2017 • www.revistacultivar.com.br
são produtos para os quais o fungo apresenta sensibilidade, como manozebe, clorotalonil, cúpricos ou cobre fixos (oxicloreto, sulfato de cobre, óxido e hidróxido de cobre). Em relação às bacterioses como pústula, crestamento e curtobacterium, o seu real potencial destrutivo extensivo não foi demonstrado, e na maioria das vezes é dependente do genótipo usado. Mas cuidados especiais devem ser observados nas fases de pré-melhoramento à seleção de genótipos para cruzamentos e mesmo no melhoramento em si, quando se tem por objetivo selecionar genótipos superiores. Em relação ao crestamento bacteriano, tem ocorrido em soja usada para a alimentação humana, mas programas de manejo vêm sendo implementados junto a esse sistema de produção, inclusive com busca da resistência da planta. Para viroses, tanto o carlavírus da necrose da haste (transmitido por mosca branca) quanto outros potenciais, deve ser dada maior atenção para os novos variantes da mosca que podem transmitir novas viroses para a cultura, mesmo sabendo que é dependente do genótipo utilizado. Finalmente, preocupa a introdução de genótipos nas regiões mais ao Norte do Brasil, onde doenças como o crestamento de cercospora (chamada de Tizon pelos argentinos)
Lavoura de soja irrigada (“ponte verde”) para produção de soja na segunda safra com seis pulverizações para o controle da ferrugem
(C. kikuchii) têm causado perdas severas pela falta da proteção com fungicidas nas fases iniciais (estabelecimento) e no final do ciclo (perdas), levando ao aumento de grãos ardidos e chochos e, consequentemente, a perdas na produção. Também se vislumbra na movimentação de genótipos e sementes no Cone Sul pela introdução da mancha olho de rã (Cercopora sojina), grande problema na Argentina, e que pode quebrar a resistência estável no Brasil, há mais de 40 anos oriunda da cultivar Santa Rosa (raça CS 23). Para as doenças chamadas de complexo de final de ciclo, incluindo a mancha parda (Septoria glycines), ainda não se tem uma eficácia de fungicidas acima de 80%, à exceção de benzimidazóis, que devem ser posicionados de forma associada aos triazóis + estrobilurinas e/ou carboxamidas, tanto nas pulverizações no início do ciclo quanto no final da maturação e o enchimento de grãos para reduzir perdas, principalmente nas regiões mais quentes e chuvosas do País (Tocantins, Pará, Mato Grosso). No estado do Pará, principalmente o avanço da soja tem demonstrado que o principal problema pelas altas temperaturas e pluviosidade é a redução da produtividade pela falta de posicionamento de fungicidas na fase final de maturação. Com o objetivo de reduzir a transmissão via semente tanto de C. kikuchii (pode chegar a 80%) quanto S. glycines (1%
Sintomas de crestamento de cercóspora associado à antracnose
TÁTICAS OU MEDIDAS DE CONTROLE E MANEJO INTEGRADO DAS DOENÇAS NA SOJA (MID-SOJA) 1- Vazio sanitário para reduzir o inóculo inicial da ferrugem-asiática da soja (FAS) bem como impedir o cultivo da safrinha no Brasil e quiçá no Cone Sul; 2- Ação integrada entre Brasil, Uruguai, Paraguai e Bolívia para criar uma frente única para a segunda safra de soja e vazio sanitário respeitando a regionalidade de cada país e/ou região; 3- Não salvar sementes de soja em áreas com incidência de mofo branco e podridão cinzenta do caule e outras doenças que possam estar sendo potencialmente disseminadas a curta e longa distância; 4- Resgatar o uso das parcelas armadilhas ou sentinelas com antecipação da semeadura em um mês para monitorar o inóculo da ferrugem e outras doenças da soja e a partir daí, caso necessário fazer o controle preventivo, até no estádio vegetativo se preciso for; 5- Utilizar, se possível, genótipos com resistência aos principais patógenos da soja e com resistência parcial à ferrugem-asiática; 6- Realizar semeaduras no cedo e se possível com genótipos precoces; 7- Estabelecer nos programas de pulverização a associação com fungicidas multissítios (mancozeb, clototalonil, oxicloreto de cobre etc) com ação na germinação de esporos. Alguns fungicidas com ação protetora como o fluazinan não são multissítio, mas apresentam um amplo espectro de controle das doenças na soja como manchas, oídio, mofo branco e ferrugem; portanto, em áreas com ocorrência do patógeno do mofo branco apresentam uma vantagem econômica; 8- Evitar programas com o uso de fungicidas multissítios alternados, uma a 20%), deve-se dar maior atenção para o uso do tratamento de sementes industrial (TSI) e em nível de fazenda com fungicidas realmente eficazes e que protejam a plântula por pelo menos 30 dias. Nos Estados Unidos da América selecionam-se genótipos resistentes por inoculação em vagem destacada para ver o potencial de transmissão de C. kikuchii. Quando a vagem
28 Agosto 2017 • www.revistacultivar.com.br
vez que com esta tática não se reduz a pressão direcional já em curso no Brasil nos últimos nove anos, principalmente em relação às estrobilurinas, aos triazóis e às carboxamidas, com ação sistêmica e especificidade no sítio de ação dos fungos. Assim, preferir programas de tanquemix (associação de fungicidas, desde que se tenha compatibilidade); 9- Entender que fungicidas multissítios agem no máximo por dez dias a 12 dias, perdendo após esse período grande parte do efeito residual e potencial de controle; 10- Não utilizar intervalos entre as aplicações superiores aos 15 dias, mesmo em associação de multissítios + sistêmicos em todas as pulverizações; 11- O uso de indutores de resistência, como fosfitos, e outros deve ser adotado com sabedoria, uma vez que seu efeito é demorado e só ocorre após aplicações sequenciais em lavouras com elevado potencial de rendimento. Caso se faça a opção pelo seu uso associado no tanque, deve-se anotar se não ocorre nenhuma incompatibilidade por alteração do pH da calda ou incompatibilidade física; 12- Acompanhar os sistemas de alerta em sites como o do Consórcio, cooperativas, canais de distribuição, e outras formas de comunicação pela rede WEB; 13- Estabelecer programas de rotação de culturas que permitam a convivência e posterior erradicação de doenças de solo, como nematoides, mofo branco e outros; e junto ao manejo da palhada a associação de produtos biológicos como a base de Bacillus spp. e Trichoderma spp., com atenção ao seu prazo de durabilidade e de viabilidade. fica sadia e intacta, o genótipo é selecionado. Os norte-americanos estão desenvolvendo, também, programas de manejo com o uso de micronutrientes e fosfitos para melhorar o controle do crestamento de cercóspora e C da mancha parda. Fernando Cezar Juliatti, CNPq/UFU
Soja
Ana Claudia Constantino Nogueira
Avaliação de resistência A podridão radicular de fitóftora, causada por Phytophthora sojae, é uma doença que causa danos em qualquer fase de desenvolvimento das plantas de soja, com poder para levá-las à morte. Anos chuvosos e com longos períodos de encharcamento favorecem a enfermidade. O grau de tolerância genética da cultivar escolhida para o plantio tem papel importante na prevenção deste patógeno
A
soja é uma das culturas mais importantes do Brasil. Todavia, anualmente a perda de produtividade causada por doenças pode chegar a 20%. No país, já foram identificadas aproximadamente 40 enfermidades causadas por fungos, bactérias, nematoides e vírus, e este número tende a aumentar devido à expansão das áreas cultivadas de soja e também pela prática da monocultura (Henning, 2009). No início da safra 2016/2017 foram registrados, em áreas do interior da região centro-oeste do Paraná, relatos de produtores sobre mortes de plântulas de soja em reboleiras. Visualmente a campo muitos destes sintomas podem ser característicos de ataque de pragas, problemas físicos de solo e injúrias por doenças, porém, em coletas das plântulas que apre-
sentavam murchas e morte, observou-se, por meio de lâminas em microscópio eletrônico óptico, a ocorrência de uma diversidade de fungos colonizando essas plântulas. Entre estes patógenos, o que prevalecia era Phytophthora sojae, agente causal da doença conhecida popularmente como podridão radicular de fitóftora, que provoca danos em qualquer fase de desenvolvimento das plantas, podendo levar à morte, dependendo do grau de tolerância genética da cultivar. A podridão radicular de fitóftora ocorre em anos mais chuvosos com períodos prolongados de encharcamento. Em solos argilosos, o agravante reside na compactação, dificultando a drenagem das águas. De acordo com Godoy, et al (2016), a temperatura ótima para a proliferação
do patógeno é de 25ºC, sendo que pode atacar as sementes no solo causando podridão. Plantas jovens atacadas podem registrar amarelecimento e murcha das folhas, sendo possível encontrar plântulas mortas na linha de semeadura tanto isoladas quanto em pequenas reboleiras. Em plantas adultas os sintomas são clorose de folhas (secam e ficam presas à haste, voltadas para baixo), murcha de plantas e apodrecimento radicular. Por apresentar mutação genética, já foram identificadas algumas raças distintas de Phytophthora sojae, como a raça 1 (que apresenta reação compatível ao gene Rps7) e a raça 3 (reação compatível aos genes Rps1a e Rps7). Por se tratar de doença monocíclica, os oósporos (estruturas de reprodução) do patógeno podem sobreviver por muitos anos no solo sem
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Fotos Ana Claudia Constantino Nogueira
Figura 2 - Metodologia do palito de dente utilizada na repicagem de Phytophthora sojae
Figura 1 - Plantas com redução de desenvolvimento causada por P. sojae (à esquerda) e plantas sem sintomas (direita)
a presença do hospedeiro (Costamilan et al, 2007). Em virtude da frequente ocorrência deste patógeno, das condições climáticas na época de semeadura e do tipo de solo da região, a equipe do Centro de Pesquisa Agrícola (CPA), avaliou a resistência ou suscetibilidade de diferentes cultivares de soja a isolados de Phytopthora sojae. O experimento foi conduzido entre setembro de 2016 e março de 2017, em estufa com ambiente controlado, utilizando as 20 cultivares mais semeadas na região, com três repetições a um delineamento inteiramente casualizado. Para o isolamento do patógeno da região oeste do Paraná utilizaram-se plantas de soja da safra 2016/2017, com sintomas da doença (Figura 1), retirando pequenos cortes das partes infectadas da planta, colocando-os em placas de Petri com meio de cultura específico e esterilizadas. Para a realização do experimento, foi empregada a metodologia do palito de dente, adaptada de Keeling (1982), consistindo na repicagem do isolado de Phytophthora sojae cedido pela Embrapa Trigo, Passo Fundo, Rio Grande do Sul, da raça 4, e isolado proveniente de lavouras da região Oeste do Paraná, que está em processo de identificação. Os isolados foram mantidos em câmara B.O.D a 25°C por 15 dias, em placas de Petri, contendo meio de cultura cenoura-ágar e palitos de dente (cortados em um quarto do tama-
nho e com as pontas afinadas), conforme Figura 2, previamente autoclavados em 127°C por 20 minutos. As cultivares de soja utilizadas no teste foram semeadas em vasos plásticos com substrato à base de compostos orgânicos, permanecendo dez plantas por vaso. Permaneceram por 15 dias em estufa com irrigação controlada, e após
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esse período realizou-se a inoculação do patógeno nas plantas, introduzindo o palito de dente contendo micélio a aproximadamente um centímetro abaixo do nó cotiledonar, com cuidado para não atravessar o hipocótilo. As plantas inoculadas receberam irrigação controlada, por sete dias, a cada duas horas, por 20 minutos (Figura 3), e após esse período foi realizada a avaliação. A avaliação observou a incidência de plantas mortas, infectadas e sadias. Plantas sadias são as que apresentaram leve ou nenhuma necrose acima ou abaixo do ponto de inoculação. Plantas infectadas apresentaram necrose estendendo até cerca de um centímetro acima e abaixo do ponto de inoculação. E, plantas mortas
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Figura 3 - Plantas de soja em ambiente com irrigação controlada e inoculação de micélio P. sojae com palito de dente
Figura 4 - Cultivar BMX Lança Ipro resistente a P. sojae
Figura 5 - Syn 1257RR moderadamente resistente a doença
Figura 6 - M 6410 Ipro moderadamente suscetível ao patógeno
Figura 7 - TMG 7062 Ipro (Inox) suscetível a Phytophthora sojae
apresentaram extensa necrose acima e abaixo do ponto de inoculação, levando à morte da planta. Para a classificação das reações das cultivares foi levada em consideração a porcentagem de plantas mortas (PM) (número de plantas mortas), somada à quantidade de plantas infectadas dividida por 2, multiplicado por 100 dividido pelo total de plantas utilizadas (%PM=PM+(PI/2)*100/TP). Sendo assim, foram consideradas plantas resistentes (R) com 0% de PM; plantas moderadamente resistentes (MR) com 1% a 20% PM; plantas moderadamente suscetíveis (MS) com 21% a 50% PM; e plantas suscetíveis (S) com mais de 50% PM. Através deste experimento, utilizando dois isolados de P. sojae distintos, foi possível observar que há diferenças na reação das cultivares, confirmando que as raças de P. sojae influenciam diretamente na infecção da planta. Quando analisada a incidência de plantas resistentes, que não apresentam sinais de lesão (Figura 4), o isolado cedido pela Embrapa Trigo apresentou maior incidência (Tabela 1, Ps1) quando comparado ao isolado proveniente da região Oeste do Paraná, que apresentou menor quantidade de plantas resistentes (Tabela 1, Ps2), possibilitando concluir que o isolado da região Oeste apresenta maior severidade. Através da observação das plantas
que apresentaram moderada resistência e moderada suscetibilidade foi possível diferenciá-las pelo tamanho da lesão e o número de plantas infectadas por repetição. Nas plantas com moderada resistência observou-se menor quantidade de plantas infectadas, e as lesões próximas ao ponto de inoculação foram menores (Figura 5) quando comparadas às plantas com moderada suscetibilidade, que apresentaram maior quantidade de plantas infectadas por repetição e maior tamanho de lesão próximo ao ponto de inoculação (Figura 6). As plantas suscetíveis foram as que apresentaram lesões de tamanho maior próximas ao ponto de inserção, podendo em alguns casos chegar próximo ao ponto de inserção das primeiras folhas. Consequentemente, essas plantas apresentaram número maior de plantas infectadas e/ou mortas por repetição (Figura 7). A partir dos resultados deste trabalho foi possível identificar as reações das principais cultivares semeadas na região quanto a este patógeno. E também avançar na busca de diferentes recursos para o manejo, como descompactação dos solos, evitar semeaduras em épocas com excesso de chuvas, utilizar tratamento de sementes com metalaxil e principalmente escolher cultivares que apresentam tolerância para serem utilizadas em áreas que já apresentaram ou podem vir a mostrar problemas com Phytophthora sojae. C
Ana Claudia C. Nogueira, Adriana Lotério, Gilza C. W. Blanco Maldaner, Tiago Madalosso e Fernando Fávero, CPA – Copacol Tabela 1 - Reação de cultivares de soja ao isolado de Phytophthora sojae, raça 4, oferecido pela Embrapa Trigo, Passo Fundo - RS (Ps1), e ao isolado proveniente da região Oeste do Paraná (Ps2) Plantas mortas (%) Ps1 Ps2 5 48 AS 3575 IPRO 5 50 AS 3610 IPRO 0 0 BMX GARRA IPRO 0 0 BMX LANÇA IPRO 0 0 BMX PONTA IPRO 0 23 BMX POTÊNCIA RR 0 0 BS 2606 IPRO 25 55 DM 6563 IPRO 55 34 M 5947 IPRO 55 40 M 6210 IPRO 90 38 M 6410 IPRO 0 0 NA 5909 RR 0 33 NS 6906 IPRO 0 0 NS 6909 IPRO 60 19 SYN 1059 RR 75 37 SYN 1163 RR 0 3 SYN 1257 RR 35 12 SYN 1563 IPRO 15 76 TMG 7062 IPRO (INOX) 0 83 TMG 7262 RR Cultivar
Ps1 MR MR R R R R R MS S S S R R R S S R MS MR R
Reação Ps2 MS MS R R R MS R S MS MS MS R MS R MR MS MR MR S S
R – Resistente; MR – Moderadamente Resistente; MS – Moderadamente suscetível; S – suscetível.
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Soja
Maurício Meyer
Sensibilidade pressionada Como fera indomável, a ferrugem-asiática continua a assustar os produtores brasileiros. A rápida e constante evolução da sensibilidade da doença à aplicação de fungicidas tem sido um dos principais pontos monitorados através de ensaios em rede conduzidos desde 2003/04. Na safra 2016/17 foram avaliados 17 fungicidas e o cenário é de alerta contra a seleção de resistência do fungo às aplicações. Diante do número limitado de produtos com boa eficiência contra essa enfermidade e do fato de que aqueles que se encontram em fase de registro são novas combinações dos modos de ação já disponíveis no mercado ou associações com multissítios, resta intensificar as medidas de manejo para proteger as tecnologias existentes
A
ferrugem-asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é a principal doença que incide na cultura. Sua introdução em 2001 no Brasil trouxe mudanças no sistema produtivo da cultura. Uma das alterações reside na limitação da semeadura de soja no inverno por períodos de 60 dias a 90 dias (vazio sanitário). Essa medida tem como objetivo reduzir o inóculo do fungo na entressafra e atrasar as primeiras ocorrências da doença na safra. Quando associada com a semeadura no início da época recomendada, proporciona um es-
cape da doença. No entanto, semeaduras a partir de 15 de outubro, dificilmente escapam da incidência da doença, que tende a aparecer mais cedo, à medida que as semeaduras atrasam, podendo aparecer no período vegetativo nas semeaduras de dezembro e janeiro. Quando ocorre na cultura, a utilização de fungicidas é indispensável e o número de fungicidas eficientes no controle da doença vem reduzindo a cada ano. Desde 2003/04, ensaios em rede vêm sendo realizados por instituições públicas e privadas com o objetivo de comparar a
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eficiência de fungicidas para diferentes alvos biológicos. Para a ferrugem-asiática, ensaios em rede foram conduzidos em todas as safras, desde o início. Esses ensaios, inicialmente propostos para comparar a eficiência de fungicidas, têm permitido acompanhar a mudança de sensibilidade do fungo aos diferentes fungicidas. Essa mudança de sensibilidade é atribuída à seleção de isolados menos sensíveis, em consequência do uso intensivo de fungicidas. Os principais modos de ação utilizados no controle da ferrugem-asiática são
os fungicidas sítio-específicos inibidores da desmetilação (IDM, “triazóis”), os inibidores da quinona externa (IQe, “estrobilurinas”) e os inibidores da succinato desidrogenase (ISDH, “carboxamidas”). Desde 2014/15, fungicidas multissítios como mancozebe, clorotalonil, fluazinam e fungicidas à base de cobre têm sido avaliados na rede de ensaios em misturas prontas e associados a fungicidas sítio-específicos. Nos ensaios realizados com fungicidas sítio-específicos para o controle da ferrugem-asiática, na safra 2016/17, foram avaliados 17 fungicidas, sendo três deles incluídos para monitoramento da sensibilidade do fungo (T2 a T4), cinco ainda em fase de registro (T13 a T16 e T18) e os demais (T5 a T12 e T17) são misturas prontas de diferentes modos de ação (Tabela 1). Nesses ensaios são realizadas aplicações sequenciais dos produtos, que começam no pré-fechamento e são reaplicadas em intervalos de 18 e 14 dias. No entanto, isso não se constitui em uma recomendação de controle. Essas informações devem ser utilizadas na determinação de programas de controle, priorizando sempre a rotação de fungicidas com diferentes modos de ação e adequando os programas à época de semeadura. Aplicações sequenciais e de forma curativa devem ser evitadas para diminuir a pressão de seleção de resistência do fungo aos fungicidas. As áreas para condução dos ensaios são semeadas tardiamente para aumentar a probabilidade de ocorrência da doença, em função do aumento de inóculo do fungo que ocorre à medida que as semeaduras se sucedem. Na safra 2016/17 foram realizados 39 ensaios nas diferentes regiões produtoras. Na análise estatística dos dados foram eliminados os ensaios em que a primeira aplicação foi feita com sintomas de ferrugem (dois ensaios) e os ensaios com baixa severidade da doença (cinco ensaios). Durante a sumarização dos resultados foi observada redução de eficiência dos fungicidas padrões contendo ISDH em ensaios realizados no Rio Grande do Sul, no Paraná, no Mato Grosso do Sul e no sul do Mato Grosso (Figura 1). Dessa forma, a sumarização foi separada para ensaios com padrões semelhantes aos da safra 2015/16 (24 ensaios) e ensaios onde foi observada redução de eficiência do fungicida padrão registrado com ISDH (T11 - azoxistrobina + benzovindiflupir), comparado ao padrão sem ISDH (T8 - trifloxistrobina + protioconazol) (oito ensaios). Na análise com os 24 ensaios, as
maiores porcentagens de controle foram observadas para os tratamentos: S-2399 260 SC + tebuconazol (T18, 81%), picoxistrobina + benzovindiflupir (T17, 80%) e azoxistrobina + benzovindiflupir + difenoconazol (T16, 78%) seguido do tratamento azoxistrobina + benzovindiflupir (T11, 73%) (Figura 1). Os fungicidas S-2399 260 SC + tebuconazol e azoxistrobina + benzovindiflupir + difenoconazol foram avaliados pela primeira vez nessa safra e ainda estão em fase de registro. Nos ensaios onde houve redução de eficiência dos fungicidas com ISDH (oito ensaios), as maiores porcentagens de controle foram observadas para os tratamentos com bixafen + protioconazol + trifloxistrobina (T15, 82%), trifloxistrobina + protioconazol (T8, 81%), S-2399 260 SC + tebuconazole (T18, 79%), piraclostrobina + epoxiconazol + fluxapyroxad (T12, 71%) e picoxistrobina + tebuconazol + mancozebe (T13, 71%). A inversão no controle (Figura 1) ocorreu nos tratamentos com ISDH. A maior porcentagem de controle dos tratamentos na análise com os oito ensaios pode ser explicada pela menor pressão de doença, evidenciada pela menor redução média de produtividade da testemunha sem fungicida (25%), quando comparada à média da análise dos 24 ensaios (36%)
(Figura 3). Mesmo com menor pressão de doença, foi observada redução de eficiência para os tratamentos com fungicidas ISDH. As misturas triplas de IQe, IDM e ditiocarbamato (T13 e T14), ainda em fase de registro, apresentaram controle de 63% e 53%, na análise dos 24 ensaios, e 71% e 64% na análise dos oito ensaios, sendo nas duas situações o maior controle obtido com a mistura de picoxistrobina + tebuconazol + mancozebe (T13). Os tratamentos com tebuconazol (T2), ciproconazol (T3) e azoxistrobina (T4) apresentaram as menores porcentagens de controle nas duas situações (Figura 2), evidenciando a menor sensibilidade do fungo aos ingredientes ativos isolados dos grupos IDM e IQe. De forma semelhante à porcentagem de controle, as menores reduções de produtividade na análise dos 24 ensaios foram observadas para os tratamentos com S-2399 260 SC + tebuconazol (T18), picoxistrobina + benzovindiflupir (T17) e azoxistrobina + benzovindiflupir + difenoconazol (T16), seguidos dos tratamentos azoxistrobina + benzovindiflupir (T11) e bixafen + protioconazol + trifloxistrobina (T15) (Figura 3). Na análise com os oito ensaios, as menores reduções de produtividade foram observadas para os tratamentos
Figura 1 - Locais de condução dos ensaios em rede da ferrugem-asiática na safra 2016/17 e eficiência comparativa entre o tratamento 8 (protioconazol + trifloxistrobina) e o tratamento 11 (azoxistrobina + benzovindiflupir). ensaios onde os fungicidas apresentaram eficiência semelhante à da safra 2015/16 (24 ensaios); ensaios onde houve redução de eficiência de fungicidas com ISDH (8 ensaios). Os ensaios com severidade inferior a 25% não foram utilizados nas análises conjuntas. (Fonte: Circular Técnica 129, Embrapa Soja)
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Figura 2 - Porcentagem média de controle em relação à testemunha sem fungicida para os ensaios onde os fungicidas apresentaram eficiência semelhante à da safra 2015/16 (24 ensaios) e onde houve redução de eficiência de fungicidas com ISDH (8 ensaios). TBZ – tebuconazol, CPZ – ciproconazol, AZ – azoxistrobina, PIC – picoxistrobina, TFZ – trifloxistrobina, PTZ – protioconazol, PIR – piraclostrobina, FLUX – fluxapiroxade, BENZ – benzovindiflupir, EPZ – epoxiconazol, BIX – bixafen e DFZ – difenoconazol. (Fonte: Circular Técnica 129, Embrapa Soja)
cia é semelhante ao de monitoramento de resistência, onde foi identificada a presença da mutação na safra atual. Fungicidas contendo ISDH foram utilizados pela primeira vez na cultura da soja em 2014 e entraram em um contexto onde já havia menor sensibilidade/resistência do fungo P. pachyrhizi a IDM e IQe, sofrendo forte pressão de seleção. Além dos ensaios com os fungicidas sítio-específicos (IDM, IQe e ISDH), experimentos com fungicidas multissítios vêm sendo realizados pela rede de ensaios para controle da ferrugem-asiática, isolados e em combinações com fungicidas sítio-específicos. Nos ensaios com multissítios isolados são realizadas cinco aplicações, com início no pré-fechamento e repetição com intervalo médio de dez dias entre as aplicações, para conhecer a eficiência individual de cada fungicida. Os
fungicidas multissítios têm sido considerados como uma ferramenta importante em programas de manejo da ferrugem na soja, por aumentarem a eficiência de controle dos fungicidas que tiveram a eficiência reduzida em razão da resistência, podendo atrasar o aparecimento nos que ainda não apresentam. Ensaios com fungicidas multissítios em combinação com fungicidas sítio-específicos foram realizados em 2014/15, 2015/16 e 2016/17. De forma geral, o aumento de eficiência do fungicida sítio-específico em combinação com o multissítio é maior quanto menor a eficiência do sítio-específico isolado, mas nem sempre suficiente para um controle eficiente da doença. Para o fungicida avaliado em 2014/15, com 22% de controle, a eficiência média da associação aumentou para 44%, com aumento de cinco sacas de soja/ha Maurício Meyer
com bixafen + protioconazol + trifloxistrobina (T15), trifloxistrobina + protioconazol (T8), S-2399 260 SC + tebuconazol (T18), piraclostrobina + epoxiconazol + fluxapyroxad (T12), picoxistrobina + benzovindiflupir (T17), azoxistrobina + benzovindiflupir + difenoconazol (T16) e piraclostrobina + fluxapyroxad (T10) (Figura 3). A redução de eficiência observada para os tratamentos com ISDH nos ensaios em rede foi atribuída à presença da mutação I86F, na subunidade C do gene sdh do fungo P. pachyrhizi. O relato da mutação foi feito em março de 2017, em carta publicada pelo Comitê de Ação à Resistência de Fungicidas (Frac-BR). A mutação havia sido identificada em amostras do fungo coletadas em 2015/16 no Rio Grande do Sul e o mapa com os locais onde foram observados ensaios com redução de eficiên-
Figura 3 - Porcentagem de redução de produtividade média em relação ao tratamento com a maior produtividade, para os ensaios onde os fungicidas apresentaram eficiência semelhante à da safra 2015/16 (24 ensaios) e onde houve redução de eficiência de fungicidas com ISDH (7 ensaios). TBZ – tebuconazol, CPZ – ciproconazol, AZ – azoxistrobina, PIC – picoxistrobina, TFZ – trifloxistrobina, PTZ – protioconazol, PIR – piraclostrobina, FLUX – fluxapiroxade, BENZ – benzovindiflupir, EPZ – epoxiconazol, BIX – bixafen e DFZ – difenoconazol. (Fonte: Circular Técnica 129, Embrapa Soja)
Figura 4 - Ganho relativo médio em controle e em sacas de 60kg de soja/ha da associação de fungicidas sítio-específicos, com diferentes eficiências, com diferentes fungicidas multissítios avaliados nos ensaios em rede nas safras 2014/15, 2014/15 e 2016/17. (Fonte: Circulares Técnicas 113, 121 e 131, Embrapa Soja)
Causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi a ferrugem é a principal doença que incide em soja
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Tabela 1 - Ingrediente ativo (i.a.), dose e modo de ação dos fungicidas avaliados no controle da ferrugem-asiática da soja, safra 2016/17 Tratamento: Ingrediente ativo (i.a.) 1 Testemunha 2 Tebuconazol 3 Ciproconazol 4 azoxistrobina1 5 azoxistrobina+ciproconazol1 6 picoxistrobina+ciproconazol2 7 trifloxistrobina+ciproconazol3 8 trifloxistrobina+protioconazol3 9 picoxistrobina+tebuconazol4 10 piraclostrobina+fluxapyroxad5 11 azoxistrobina+benzovindiflupir1 12 piraclostrobina+epoxiconazol+fluxapyroxad5 13 picoxistrobina+tebuconazol+mancozebe6,9 14 azoxistrobina+tebuconazol+mancozebe7,10 15 bixafen+protioconazol+trifloxistrobina3,9 16 azoxistrobina+benzovindiflupir+difenoconazol1,9 17 picoxistrobina+benzovindiflupir 18 S-2399 260 SC+tebuconazol6,10
Dose (g i.a. ha-1) 100 30 50 60 + 24 60 + 24 75 + 32 60 + 70 60 +100 116,55 + 58,45 60 + 30 64,8+40+40 80+80+1200 94+112+1194 62,5 + 87,5 + 75 63+31,5+78,75 60 + 30 30 + 100
Modo de Ação IDM IDM IQe IQe+IDM IQe+IDM IQe+IDM IQe+IDM IQe+IDM IQe+ISDH IQe+ISDH IQe +IDM+ISDH IQe+IDM+mcz IQe+IDM+mcz ISDH+IDM+IQe IQe+ISDH+IDM IQe+ISDH ISDH+IDM
1Adicionado Nimbus 0,6L ha-1; 2Adicionado Nimbus 0,75L ha-1; 3Adicionado Aureo 0,25% v/v; 4Adicionado Nimbus 0,5L ha-1; 5Adicionado Assist 0,5L ha-1; 6Adicionado Nimbus 1L ha-1; 7Adicionado Agris 0,3L ha-1; 8Adicionado Nimbus 0,5% v/v; 9Registro experimental temporário (RET) III; 10RET II. (Fonte: Circular Técnica 129, Embrapa Soja). IDM - inibidores da desmetilação; IQe - inibidores da quinona externa; ISDH - inibidores da succinato desidrogenase e mcz – mancozebe.
(Figura 4). Na safra 2016/17, a associação de fungicidas multissítios ao fungicida trifloxistrobina + protioconazol aumentou o controle de 66% para 72%, na média, com acréscimo de 1,8 saca de soja/ha. A dose do fungicida multissítio é importante para obter os resultados observados nos ensaios em rede e há interação entre o fungicida sítio-específico e o fungicida multissítio, devendo evitar generalizações. Os fungicidas multissítios devem ter o registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para a sua utilização em programas de manejo da ferrugem-asiática na soja. Todas as estratégias de manejo devem ser utilizadas para evitar reduções de produtividade com a ferrugem, envolvendo a utilização de cultivares de ciclo precoce e semeaduras no início da época recomendada; a eliminação de plantas de soja voluntárias e a ausência de cultivo de soja na entressafra (vazio sanitário); o monitoramento da lavoura desde o início do desenvolvimento da cultura; a utilização de fungicidas preventivamente ou no aparecimento dos sintomas, e a utilização de cultivares com gene(s) de resistência. As cultivares com gene(s) de resistência apresentam lesões com menor quantidade de esporos e não dispensam a utilização de fungicidas. São ferramentas importantes de manejo e podem ajudar a reduzir a pressão de seleção sobre os fungicidas, mas, como apresentam um ou no máximo dois genes de resistência, o fungo pode vencer essa resistência, por seleção natural,
de forma semelhante ao que ocorre com os fungicidas. A semeadura no início da época recomendada é uma das principais estratégias para escapar da doença, uma vez que o fungo começa sua multiplicação após o período do vazio sanitário. A presença de isolados menos sensíveis aos fungicidas ISDH, com redução de eficiência desses fungicidas, foi observada nos ensaios em 2016/17, porém ainda restrita a algumas regiões e com variação dentro das regiões. A análise dos ensaios dos oito locais é um alerta de uma situação que pode se generalizar se medidas efetivas não forem tomadas para a próxima safra. Adotar estratégias antirresistência para atrasar esse processo é fundamental, uma vez que há um número limitado de fungicidas com boa eficiência de controle para ferrugem e os novos fungicidas, em fase de registro, são novas combinações dos modos de ação já disponíveis no mercado ou associações com fungicidas multissítios. A definição de janelas de semeadura em todos os estados é uma medida de fundamental importância para reduzir a pressão de seleção para resistência. Como o aumento na necessidade de utilização de fungicidas ocorre com o avanço na época de semeadura, a definição de datas-limites de semeadura poderia contribuir para a redução do número de aplicações ao longo da safra. Instruções normativas têm sido propostas limitando a data de semeadura para reduzir a pressão de seleção para resistência, porém, até o momento, somente foram implementadas nos estados de Goi-
ás, do Mato Grosso, do Paraná e do Tocantins. Como o fungo se espalha facilmente pelo vento, essa estratégia só será efetiva se adotada por todos os estados e também por países vizinhos. Enquanto se discute a necessidade de adoção em todos os estados, o fungo continua evoluindo rapidamente, podendo comprometer a produtividade da cultura da soja nos próximos anos. Os resultados apresentados só foram possíveis graças ao trabalho conjunto de diversas instituições de pesquisa e empresas, que integram a rede de ensaios. Instituições de pesquisa participantes na safra 2016/17: Agro Carregal; Agrodinâmica; Assist; Círculo Verde; Centro de Pesquisa Agrícola Copacol; CTPA/ Emater; CWR Pesquisa; Embrapa Soja; Estação Experimental Dalcin; Fitolab; Fapa; Fundação Chapadão; Fundação Mato Grosso; Fundação MS; Fundação Rio Verde; Instituto Biológico; Instituto Mato-Grossense do Algodão; Instituto Phytus; Tagro; UEL; UEPG; UFG Regional Jataí; UFU/Juliagro; UniRV e UPF. Os resultados completos dos ensaios em rede podem ser acessados no site da EmbraC pa Soja (www.embrapa.br/soja). Cláudia V. Godoy e Maurício C. Meyer, Embrapa Soja Carlos M. Utiamada e Luiz Nobuo Sato, Tagro Hercules D. Campos, UniRV Cláudia B. Pimenta, Emater (GO) David S. Jaccoud Filho, Univ. Estadual de Ponta Grossa Eder N. Moreira, Faculd. Centro Mato-grossense Fernando Favero e Tiago Madalosso, Centro de Pesq. Agrícola Copacol José Fernando J. Grigolli, Fundação MS para Pesq. e Difusão de Tecnologias Agropecuárias José Nunes Junior, Centro Tecnol. p/Pesq. Agropec. Luciana C. Carneiro, Universidade Federal de Goiás Marcelo R. Volf, Dalcin Serviços Agropecuários Mônica C. Martins, Círculo Verde Asses. Agron. e Pesq. Wilson S. Venâncio, CWR Pesquisa Agrícola Edson P. Borges, Fundação Chapadão
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Fotos Paulo Rebelles Reis
Café
Estratégia complementar No manejo do bicho-mineiro, praga de maior importância para o cafeeiro nas regiões de clima quente e seco, é importante aumentar o rol de ferramentas disponíveis para auxiliar na redução populacional deste inseto. Neste sentido, o uso de predadores naturais e a adoção de quebraventos, como os constituídos por leucena e guandu arbóreo, têm grande potencial para prevenir infestações e ajudar no controle
O
bicho-mineiro, Leucoptera coffeella (Guérin-Méneville, 1842) (Lepidoptera: Lyonetiidae) é considerado a praga de maior importância para o cafeeiro nas regiões de clima quente e seco, superando a broca-do-café Hypothenemus hampei (Ferrari, 1867) (Coleoptera: Curculionidae, Scolytinae). É uma praga exótica, que tem como região de origem a África tropical, introduzida no Brasil provavelmente em mudas de cafeeiros (Coffea spp.) atacadas e provenientes das Antilhas e Ilha de Bourbon, em 1851. É praga monófaga, que ataca somente cafeeiro. O surgimento da ferrugem-do-cafeeiro (Hemileia vastatrix) no Brasil, no início da década de 1970, pode ser considerado um marco para colocar o bicho-mineiro
no status de praga. Cafeeiros plantados em espaçamentos adequados para alta tecnologia, a pleno sol, com o objetivo de controle da doença, propiciam ambientes favoráveis para a multiplicação do inseto, que se desenvolve bem em condições de maior insolação e baixa umidade do ar. O inseto adulto é uma pequena mariposa com 6,5mm de envergadura, de coloração branco-prateada e asas anteriores e posteriores franjadas. Quando em repouso as asas anteriores cobrem as posteriores. Coloca os ovos na superfície superior das folhas e a lagartinha, ao eclodir, penetra diretamente para o interior da folha, sem entrar em contato com a parte externa. Nessa fase a lagarta vive dentro da lesão ou minas por ela mesma construída, e quando completamente
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desenvolvida mede aproximadamente 3,5mm de comprimento. A lesão causada pela lagarta apresenta o centro mais escuro, como resultado do acúmulo de excreções sob a epiderme foliar. A epiderme superior da folha, no local da lesão, destaca-se com facilidade. De modo geral, e principalmente nas épocas de grande infestação, o maior número de lesões é encontrado nas folhas do terço superior do cafeeiro devido à maior insolação, à temperatura e ao vento, o que retira a umidade das folhas e favorece a praga. Após o completo desenvolvimento, a lagarta abandona a folha pela superfície superior da mina e com o auxílio de um fio de seda desce até as folhas baixeiras para empupar em casulo construído também
Adulto do bicho-mineiro pousado sobre uma folha de cafeeiro
Ovos do bicho-mineiro postos sobre a superfície superior da folha
Lagartas de bicho-mineiro no interior da mina, tendo sido retirada a epiderme superior da folha na lesão
com fios de seda e no formato da letra X. O ciclo evolutivo de ovo a adulto dura entre 19 dias e 87 dias, sendo o mais curto em temperaturas mais elevadas, daí a severidade da praga em regiões mais quentes. A fase de lagarta, que é a que causa dano, dura de nove dias a 40 dias, passando por três fases (ecdises), e podem ocorrer de oito a 12 gerações ao ano.
que ocorreu a maior florada daquele ano. Posteriormente, entre 1987 e 1993, também foram constatados altos prejuízos, com redução na produção entre 34,3% e 41,5%.
as maiores populações da praga são os períodos secos do ano, com início em junho e pico em outubro, sendo menor antes e após esses meses, geralmente, nas principais regiões cafeeiras do Brasil. Há casos em que a população aumenta em março-abril em decorrência de veranico no mês de janeiro e/ou fevereiro, como frequentemente ocorre na cafeicultura do cerrado mineiro. A precipitação pluvial e a umidade relativa influenciam negativamente a população da praga, ao contrário, a temperatura exerce influência positiva.
DANO
As lesões ou minas, causadas pelas lagartas, reduzem a capacidade foliar de fotossíntese em função da redução da área foliar. Também, em ataque intenso ocorre a desfolha da planta, de cima para baixo devido à distribuição da praga, e em consequência há redução na produção de café. Lavouras intensamente desfolhadas podem levar até dois anos para se recuperarem. As pesquisas mostram que o nível de controle para L. coffeella encontra-se entre 26% e 36% de área foliar lesionada, após o que começa a ocorrer prejuízos na produção de café. No Sul de Minas foi constatada, em 1976, uma redução na produção de café da ordem de 52% devido a uma desfolha de 67% no mês de outubro, ocasião em
CONDIÇÕES PARA A OCORRÊNCIA DO BICHO-MINEIRO
A presença do bicho-mineiro está condicionada a diversos fatores: (1) climáticos - temperatura e chuva principalmente; (2) condições da lavoura - lavouras mais arejadas têm maior probabilidade de serem atacadas e (3) presença ou ausência de inimigos naturais - parasitoides, predadores e entomopatógenos (fungos e bactérias). Épocas do ano com temperaturas mais elevadas e maior déficit hídrico são condições propícias para o desenvolvimento da praga. Lavouras mais arejadas, com maior espaçamento entre plantas estão mais predispostas ao ataque do bicho-mineiro. Em geral, os cafeeiros em locais de maior altitude em uma mesma lavoura de café estão mais sujeitos ao ataque da praga, por esses locais propiciarem condições ideais para a sua ocorrência, como maior exposição aos ventos e consequentemente maior insolação e menor umidade do ar. As épocas em que são constatadas
Lesão ou mina produzida pela lagarta do bicho-mineiro
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MANEJO ECOLÓGICO DO BICHO-MINEIRO
A predação, ou seja, o controle natural das lagartas do bicho-mineiro, feita principalmente por vespas predadoras (Hymenoptera: Vespidae) apresenta aproximadamente 70% de eficiência. Cerca de 18% do controle natural é feito por micro-himenópteros parasitoides. A preservação de áreas de vegetação natural próximas aos cafezais pode desempenhar papel importante na estratégia de conservação e aumento das vespas predadoras e parasitoides. Áreas de vegetação natural, ou regenerada, adjacentes às culturas possibilitam que espécies sensíveis
Casulo do bicho-mineiro construído por fios de seda no formato de X
Fotos Paulo Rebelles Reis
Vespa predadora, Protonectarina sylverae, procurando por lagarta de bicho-mineiro na lesão
Rasgaduras produzidas por vespas para a retirada da lagarta do bicho-mineiro
às práticas culturais encontrem refúgio em seu interior. A definição de táticas de manejo dessas plantas próximas da cultura do cafeeiro poderá ser usada como uma das estratégias complementares na regulação populacional de artrópodes-praga, contribuindo para a redução gradual da dependência de produtos de proteção de plantas, promovendo o desenvolvimento sustentável do agroecossistema cafeeiro. A utilização de faixas de leguminosas (Fabaceae) arbóreas (aleias) como quebra-ventos pode reduzir o ataque de pragas em virtude de oferecer barreiras que dificultarão a entrada de insetos que são propagados pelo vento, modificar o microclima tornando-o desfavorável às pragas como o bicho-mineiro e aumentar a incidência de inimigos naturais por oferecer abrigo e alimentos alternativos.
espaçamento adensado na linha (3,4m x 0,5m). As fabáceas utilizadas como aleias, ou quebra-ventos, foram guandu arbóreo (Cajanus cajan), gliricídea (Gliricidia sepium), leucena (Leucaena leucocephala) e acácia (Acacia mangium), plantadas perpendicularmente ao sentido dos ventos predominantes. As avaliações da incidência de bicho-mineiro foram efetuadas mensalmente entre os meses de abril, início da infestação, e outubro, pico da praga na região, por meio da contagem de folhas minadas. A incidência da predação por vespas foi avaliada com a contagem de minas "predadas", pela observação das rasgaduras feitas pela vespa nas lesões. Também foram determinadas quais as espécies de vespas presentes, o que foi feito pela captura de espécimes com armadilhas adesivas de cor amarela (24cm x 9,5cm) distribuídas nas parcelas no mês de outubro de cada ano (pico da praga), colocadas dependuradas no centro de cada parcela e na mesma altura das plantas de cafeeiro.
A PESQUISA
O estudo da influência de aleias de leguminosas (Fabaceae) arbóreas, ou quebra-ventos, na incidência de bicho-mineiro em cafeeiro foi objeto de pesquisa. O trabalho foi realizado na Fazenda Experimental da Epamig, em São Sebastião do Paraíso/ Minas Gerais. Foi utilizada a linhagem de cafeeiro Topázio, de porte baixo, no
Vespas coletadas em armadilha adesiva de cor amarela dentro de cafezal
RESULTADOS DA PESQUISA
Estão apresentados e discutidos os resultados obtidos em 2009 após uma poda das aleias na altura dos cafeeiros no ano anterior (2008) e em 2010 com as leguminosas já no seu porte normal. Em 2009, após uma poda das aleias na altura dos cafeeiros no ano anterior, o nível de controle do bicho-mineiro (NC = 30% de folhas minadas) foi observado desde o mês de maio até final de setembro em todos os tratamentos, ocorrendo a redução de folhas minadas somente em outubro com o início das chuvas na região, quando ocorre o início de um novo enfolhamento nos cafeeiros. Não foi observada, portanto, diferença entre o efeito dos diversos tipos de quebra-ventos e o tratamento controle ou testemunha sem quebra-ventos (Figura 1). Em 2010, já com as leguminosas em porte normal, foi observado que os cafeeiros com influência de acácia e gliricídia apresentaram menor infestação da praga até o mês de julho, igualando-se à testemu-
Representação do ciclo evolutivo do bicho-mineiro das folhas do cafeeiro
Detalhe das vespas coletadas em armadilha adesiva de cor amarela dentro de cafezal
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Figura 1 - Evolução da infestação de bicho-mineiro, expressa em porcentagem de folhas minadas nos cafeeiros sob influência das diferentes espécies de leguminosas utilizadas como quebra-ventos em 2009, após uma poda em 2008. Obs.: NC = Nível de controle (30 % de folhas minadas)
nha, e aqueles sob a influência de guandu e leucena até o final do mês de setembro, período em que geralmente começam as chuvas, mostraram que não haveria necessidade da utilização de nenhuma outra medida de controle à praga além daquela naturalmente exercida pelos inimigos naturais e condições de microclima proporcionadas por essas duas leguminosas, leucena e guandu (Figura 2). As espécies de vespas predadoras (Hymenoptera: Vespidae) mais abundantes na área experimental foram Polybia scutellaris (44,7%), Brachygastra lecheguana (23,8%), Protonectarina sylverae (10,5%), Polybia ignobilis (7,9%), Polybia sericea (2,6%) e Polybia sp. (10,5%).
CUSTO-BENEFÍCIO
Os resultados permitem concluir que quebra-ventos, como aqueles constituídos por leucena e guandu arbóreo, são eficientes na prevenção da infestação
Figura 2 - Evolução da infestação de bicho-mineiro, expressa em porcentagem de folhas minadas nos cafeeiros sob influência das diferentes espécies de leguminosas utilizadas como quebra-ventos em 2010, com porte normal. Obs.: NC = Nível de controle (30 % de folhas minadas)
do bicho-mineiro, seja por dificultar a entrada dos insetos nos cafezais, constituindo uma barreira física, quer pela conservação de inimigos naturais próximos aos cafeeiros ou por proporcionarem condições de microclima desfavoráveis à praga no cafezal sob influência dos quebra-ventos. Além desses resultados, do ponto de vista da redução do ataque da praga, as plantas de múltiplo uso que servem de quebra-ventos podem ser utilizadas como lenha para secar o café em secadores mecânicos e de cobertura morta, neste último caso incorporando nutrientes aos cafeeiros, após a decisão de podá-los, tornando a cultura do café C mais autossustentável. Paulo Rebelles Reis, Epamig Sul de Minas/EcoCentro Pesquisador do CNPq Apoio Fapemig, CNPq e Consórcio Pesquisa Café - CBP&D/Café
Plantas de leucena após a poda ao lado dos cafeeiros em 2008
Reis aborda o manejo ecológico do bicho-mineiro
Plantas de leucena em seu porte normal ao lado dos cafeeiros em 2010
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Cana
Fotos Instituto Biológico
Bicudo-da-cana
Praga importante e de difícil controle, Sphenophorus levis é capaz de comprometer seriamente a produtividade e a longevidade dos canaviais. A adoção do manejo integrado e a busca por novas alternativas de combate são necessárias para enfrentar este grande desafio
S
phenophorus levis (Coleoptera: Curculionidae) é uma importante praga em cana-de-açúcar. As larvas desse inseto destroem o rizoma da planta, pois provocam prejuízos da ordem de 30 toneladas de cana por hectare, além de reduzir a longevidade do canavial. Esse inseto encontra-se espalhado por praticamente todas as áreas de cana-de-açúcar, principalmente em São Paulo, causando prejuízos de até 60% de perdas em toneladas de cana por hectare, provocando a morte de perfilho. Os danos são causados pelas larvas que se abrigam no interior do rizoma e danificam os tecidos. Com isso, podem ocorrer a morte da planta e falhas nas brotações das soqueiras, com perdas até 30 toneladas de cana/ha/ano. Os seguidos ataques nas áreas de soqueiras e a consequente redução do estande da cultura ocasionam perdas cumulativas nos cortes, obrigando a reformas precoces do canavial, que muitas vezes não passam do segundo corte (Gallo et al, 2002). Não é possível controlar o bicudo-da-cana com uma única estratégia. O manejo integrado, através de várias práticas de controle, permite que se consiga equilíbrio da população da praga e uma “convivência”, visto que não será mais possível eliminar esse inseto da lavoura. Portanto, a prevenção através de vistoria das mudas de cana antes do plantio, bem como o conhecimen-
to da procedência dessas mudas, de uma área não infestada, é fundamental para se evitar a propagação de S. levis. O monitoramento do inseto na fase adulta é o início do manejo, pois sem conhecimento da praga, bem como do seu índice populacional, não é possível aplicar as práticas de controle corretamente. Esse monitoramento é realizado com armadilhas confeccionadas com toletes de cana de 0,5 metro, cortados ao meio. As armadilhas de toletes são colocadas nas bases das touceiras e revestidas com palha da cana na razão de 100 toletes para cada hectare. Passados 20 dias, a avaliação da incidência de adulto é feita com base na quantidade de insetos mortos (Almeida, 2005). Os principais métodos de controle, assim que se tem conhecimento da praga na lavoura, são: destruição de soqueiras, controle biológico e controle químico com iscas tóxicas. A destruição mecânica das soqueiras no período de plantio, quando se dá a reforma do canavial, é o método mais utilizado no controle do bicudo-da-cana, pois tem por objetivo expor ao máximo as larvas aos seus predadores. Entretanto, essa prática apresenta resultado satisfatório somente no primeiro corte, pois muitas larvas conseguem sobreviver alimentando-se da matéria orgânica deixada no campo, após a destruição das soqueiras, não afetando
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também as formas adultas do inseto (Almeida, 2005). O uso de iscas tóxicas pode ser empregado na manutenção da área destruída livre de vegetação hospedeira por um período acima de três meses e no plantio com aplicação de fipronil 800WG (250g/ha). Entretanto, apesar de todas essas medidas, ainda ocorre incremento nas populações da praga, sendo frequentes os registros de novas áreas infestadas. Isso demonstra a dificuldade de controle desse inseto, ressaltando a importância da continuidade de pesquisas na busca por alternativas mais eficazes (Leite et al, 2006). As iscas tóxicas ainda são muito comuns no campo. Foram realizadas pesquisas para aperfeiçoar a atração de adultos de S. levis, (Giron-Pérez et al, 2009). Esses autores verificaram que os entrenós da cana-de-açúcar misturados com melaço a 10% e fermentados por 24 horas e 48 horas foram altamente atrativos a S. levis, superando outros substratos como casca de abacaxi + melaço ou água, e cana + água. O controle biológico também pode ser uma importante estratégia de controle, porém ainda são necessários ajustes para o emprego de micro-organismos entomopatogênicos, ou mesmo insetos entomófagos. O início do controle microbiano de S. levis ocorreu através da seleção de isolados de M. anisopliae (Esalq 259) e B. bassina
(Esalq 447), na Esalq/USP em 1990 (Badilla & Alves 1991). Foram realizadas pesquisas de seleção de isolados de nematoides entomopatogênicos, onde Steinernema braziliense IBCBn 06 foi o mais virulento. A aplicação de nematoides entomopatogênicos em campo também foi estudada, produzindo resultados satisfatórios no controle de S. levis, podendo ser aplicado de forma combinada com fungos. O Instituto Biológico, em parceria com o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), realizaram pesquisas com os nematoides Heterorhabditis indica e S. brazilense e fungos entomopatogênicos, M. anisopliae e B. bassiana. Em casa de vegetação, S. brazilense causou mortalidade acima de 70% de larvas dentro do rizoma da planta, na dosagem de 1x108 juvenis infectivos/ ha (Tavares et al, 2007). Em condições de campo, a aplicação de nematoides proporcionou mais de 60% de mortalidade de adultos e produziu ganhos de 17 toneladas/ha de cana-de-açúcar (Leite et al, 2012). Da mesma maneira, a associação do nematoide com o inseticida químico thiamethoxam 250WG também proporcionou ganhos em peso da cana de até 28ton/ ha, onde o nematoide foi aplicado com uma subdosagem de 500g thiamethoxam 250WG/ha (Leite et al 2012). O isolado IBCBn 06 de S. braziliense é produzido pela empresa BioControle Métodos de Controle de Pragas, de Indaiatuba, São Paulo, com o registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) com dosagem recomendada de 1kg/ha em 400 litros de água (aplicação
A correta identificação e o monitoramento na fase adulta são indispensáveis ao manejo
O controle biológico é uma importante estratégia de combate ao inseto
terrestre) (Brasil, 2015). Simi (2014) selecionou os isolados IBCB 383 de M. anisopliae e IBCB 170 de B. bassiana para S. levis, isolados do Instituto Biológico. Observou que na aplicação combinada o nematoide S. braziliense, em condições campo, o efeito com M. anisopliae foi antagônico e com B. bassiana sinergético na mortalidade de larvas de Galleria mellonella. Para uso do fungo, a estratégia utilizada é a aplicação de 500g de conídios/ ha em iscas feitas de caules de cana-de-açúcar, partidos longitudinalmente e impregnados com os conídios dos fungos, distribuindo 200 iscas por hectare. Os insetos adultos são atraídos pelas iscas, contaminam-se com o fungo aplicado e morrem na isca ou próximos, disseminando a doença na área, devido à elevada densidade de iscas. Essa estratégia é interessante para ser aplicada durante o período de outono – inverno, quando ocorre uma diminuição de adultos na lavoura. A aplicação de 1013 conídios/ha com arroz + fungo ou pulverizado, também pode ser
realizada durante o período da primavera – verão, principalmente nos meses de novembro a março, quando se tem maior trânsito de adultos na lavoura. Com a integração dessas técnicas de aplicação do fungo B. bassiana, já foi observado um parasitismo de adultos de 75% (J. E. M. Almeida, comunicação pessoal). O manejo integrado de pragas é a melhor maneira de controlar S. levis em cana-de-açúcar. Porém, são necessárias pesquisas com novos métodos de controle cultural, novas moléculas químicas e/ou alternativas de aplicação na lavoura, além do controle biológico com nematoides e micro-organismos entomopatogênicos. Se não houver uma aplicação conjunta dessas medidas, o bicudo-da-cana continuará a ser um grande desafio para a cultura, trazendo enormes prejuízos na produção de açúcar e etanol, por ser uma praga de C difícil controle. José Eduardo M. de Almeida e Luís Garrigós Leite, SAA-SP/Apta/Instituto Biológico Ciclo de S. levis
C
Destruição de soqueiras, controles biológico e químico com iscas tóxicas são métodos utilizados contra a praga
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Empresas
Fotos Divulgação Nidera
Raízes duradouras
Nidera Sementes realiza Convenção de Licenciados, em São Paulo. Evento apresentou projeto de crescimento contínuo da marca até 2020, além de reforçar a estratégia de firmar parcerias de longo prazo
A
Nidera Sementes realizou no final de junho, em São Paulo, a Convenção de Licenciados. A primeira edição do evento foi batizada de Raízes, novo programa da marca que foca em parcerias duradouras e em estreitar relacionamentos para gerar resultados. Ao longo de três dias, o encontro reuniu 66 das 69 insituições parceiras, com o objetivo de apresentar o novo propósito da empresa. Coube ao líder de Negócios Brasil e Paraguai, André Franco, e ao líder global de Sementes, André Dias, darem as boas-vindas aos participantes no primeiro dia
de evento. “Não pretendemos ser a maior empresa de sementes do mercado, mas para cumprir o nosso objetivo precisamos ser a melhor. Isso significa realizar todas as partes do processo com qualidade, começando pela pesquisa, até chegar ao campo”, explicou Franco. Discutir diretamente com os licenciados e parceiros questões e atitudes que sejam fundamentais para conjuntamente obter resultados foram os principais objetivos do encontro. O segundo dia foi marcado por diversos debates e palestras. Além do líder de Negócios Brasil e Paraguai, André Franco, o diretor comercial Sul e Para-
Franco e Dias abordaram projeto de crescimento da marca e fortalecimento de parcerias
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guai Rafael Carmona, o diretor global de Pesquisa e Desenvolvimento, Gustavo Monge, o gerente de Transferência de Produtos, Fábio Dotto, o diretor global de Produtos e Biotecnologia, Alexandre Develey, e Leonardo Sologuren, da Clarivi Consultoria, Assessoria e Inteligência de Mercado, abordaram temas como futuro, mercado e o atual posicionamento da marca Nidera Sementes. Também foi apresentado um projeto do novo modelo de negócio, cujo principal objetivo é o crescimento contínuo até 2020, além de reforçar o relacionamento com acionistas, colaboradores, parceiros e agricultores. A Nidera Sementes possui 512 colaboradores e 69 licenciados. O licenciamento é um dos pilares do programa Raízes e um motor de alta velocidade para o crescimento da Nidera no Brasil, segundo André Franco. “Reconhecemos que não seríamos o que somos hoje no Brasil se não fosse o modelo de licenciamento”, disse. No último dia da convenção foi apresentada proposta de negócios para o direcionamento do futuro da empresa em parceria com seus multiplicadores. “Um novo caminho se estabeleceu para seguirmos mais fortes, aproveitando ao máximo todos os benefícios desta parceria. O evento encerrou com a certeza de que foi só o começo. As virtudes reforçadas ali trarão resultados excepcionais pela frente. E serão replicadas para todos os canais com o mesmo propósito, de firmar parcerias feitas para durar”, opinou Nelio Reis, Marketing e Comunicação da NideC ra Sementes no Brasil e Paraguai.
Debates com perguntas dos participantes também tiveram espaço durante o evento
Fotos Cultivar
Evento
Informar e educar
2º Seminário Phytus foca em informação e educação para alavancar a produtividade. Evento também marcou a apresentação da nova interface Phytus Club e da AgriSchool, plataforma de qualificação lançada através de parceria entre o Instituto Phytus e o Grupo A de Educação
U
ma plateia atenta, formada por mais de 270 profissionais ligados ao agronegócio, participou em julho da segunda edição do Seminário Phytus, realizado em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O evento, focado em informação e educação para alavancar a produtividade, contou com palestrantes internacionais e também com a apresentação de dados dos experimentos realizados pelo Instituto em tratamento de sementes, nematoides, manejo de pragas, plantas daninhas, fitopatologia subtropical e tropical, bem como tecnologia de aplicação. O pesquisador José Carlos Verle, da Universidade de Porto Rico, EUA, abordou os riscos da agricultura intensiva em clima tropical. Assinalou o movimento mais rápido e a longas distâncias de pragas e doenças. “Atualmente em 95% do planeta se chega em poucas horas. Pragas que morriam no meio da viagem, hoje não morrem mais”, lembrou. Questionado sobre quais os principais problemas que vislumbra para o cenário da agricultura brasileira em um intervalo
de cinco a dez anos, Verle citou variáveis bioclimáticas, sazonalidade e mudanças de padrões que impactam doenças e pragas. O desafio residiria em construir modelos que
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possam auxiliar a prever esses aspectos. A crescente resistência de doenças e de pragas a defensivos foi outro fator lembrado. “É um problema de todos, de agricultores e
Pesquisadores do Instituto palestraram e responderam a perguntas dos participantes do evento
Diretora-geral, Clarice Balardin, enfatizou o esforço de trazer informações que ajudem o produtor a tomar melhores decisões no campo
da indústria. São necessárias estratégias que ajudem a estender a vida útil dos produtos”, disse. O conhecimento como alavanca da agricultura sustentável foi o tema da palestra do consultor ad hoc do Instituto Phytus e pesquisador da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Ricardo Balardin. Mudanças tecnológicas rápidas e importantes, rastreabilidade e sustentabilidade foram lembradas como grandes desafios. A redução de investimentos, a aguda crise política brasileira e o agravamento da defasagem técnica no Brasil também foram citados. “Passados 15 anos da ferrugem-asiática, ainda não temos uma plataforma de controle adaptada às peculiaridades de um país tropical. Há dificuldades de recomendar ao produtor. Hoje tudo está centrado em controle químico e temos problemas”, alertou Balardin. Os gargalos da dificuldade de qualificação profissional nas empresas e de retenção de talentos também foram enfocados. “O conhecimento precisa ser diariamente alimentado”, frisou. Podridão das raízes, situação e manejo foi o tema abordado pela pesquisadora
José Carlos Verle (direita), da Universidade de Porto Rico (EUA), foi um dos palestrantes
Mercedes Scandiani, da Universidade de Rosário, Argentina. Profissionais do Instituto Phytus se revezaram na apresentação de dados. Tratamento de sementes coube à pesquisadora Caroline Goulart, Nematologia a Paulo Santos, Herbologia a Rafael Pedroso e Entomologia a Juliano Farias. Fitopatologia subtropical teve resultados apresentados por Mônica Debortoli e Fitopatologia tropical por Nédio Tormen, enquanto Marcelo Madalosso focou em Tecnologia de aplicação.
LANÇAMENTOS
O 2º Seminário Phytus serviu ainda para a apresentação da nova interface Phytus Club, com a oferta de assinaturas premium, que possibilitam acesso a materiais exclusivos focados em soluções para o campo. “Nosso objetivo é trazer conhecimento, informação que contribua para o crescimento do agro. Para isso, contamos com mais de dez mil parcelas por ano, com investimentos e um esforço muito grande para produzir dados e entregar algo útil ao produtor”, explicou o consultor ad hoc do Instituto Phytus, Ricardo Balardin. O evento teve ainda o lançamento da
Pesquisadora Mercedes Scandiani, da Universidade de Rosário, Argentina, abordou podridão de raízes
plataforma de capacitação AgriSchool, fruto da união de forças entre o Instituto Phytus e o grupo A Educação. “Há uma lacuna entre academia e mercado. Queremos entrar neste vácuo e ajudar os profissionais”, explica o gerente da AgriSchool, Rodrigo Madeira. Com conteúdo 100% on-line, a plataforma busca oferecer soluções para momentos diferentes da carreira, que abrangem desde o estudante recém-formado, que quer conexão com o mercado, até o profissional que busca se qualificar, bem como produtores e executivos. São ofertados cursos, certificações, MBA e projetos especiais.
3ª EDIÇÃO
A diretora-geral do Instituto Phytus, Clarice Balardin, anunciou a data do próximo Seminário, que em 2018 chega à sua terceira edição. O evento está agendado para 5 de julho, mas ainda não foi definido o local de realização. “Estamos comprometidos a trazer informações gerais que possam subsidiá-los para que consigam tomar as melhores decisões no campo”, enfatizou Clarice. C
Gerente da AgriSchool, Rodrigo Madeira, detalhou plataforma lançada em parceria entre o Instituto Phytus e o Grupo A de Educação
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Empresas
Fotos Syngenta
Estímulo à produtividade
Syngenta premia produtores participantes do Programa de Produtividade Integrada (PIN) em evento realizado na Bahia
A
Syngenta premiou em julho participantes do Programa de Produtividade Integrada (PIN). Todos os anos os melhores resultados são reconhecidos em um evento, que em 2017 ocorreu na Ilha de Comandatuba, na Bahia. O encontro reuniu em torno de 200 agricultores, além de consultores e autoridades. Criado em 2015, o Programa de Produtividade Integrada (PIN), tem o propósito de ajudar os agricultores a alcançar novos patamares de rendimentos, a partir da aplicação dos protocolos das Soluções Integradas Syngenta nas culturas de soja, milho (incluindo silagem) trigo e café. Em comparação à média nacional, os vencedores do PIN registram aumentos de até 110% na produção em relação à média nacional. A terceira edição do PIN contou com a participação de 3.527 agricultores. Segmentadas por cultura, as Soluções Integradas Syngenta são montadas de acordo com as necessidades de cada agricultor, mas considerando também as particularidades das culturas, fatores como condições do solo e clima, além das pragas e doenças às quais as lavouras estão mais expostas, por exemplo. Com base nesses dados, equipes da Syngenta e de seus distribuidores indicam o tratamento adequado e realizam o acompanhamento necessário da preparação do solo até a colheita.
“Nós temos uma causa, ser referencia em produtividade e paixão por transformar vidas”, afirmou João Paulo Zampieri, diretor geral da Unidade de Negócios Sul da Syngenta. “É muito gratificante ver a transformação que ocorre na vida das pessoas e fazer parte desta mudança. O PIN nasceu para que pudéssemos mostrar ao mundo que é possível aumentar a produtividade através da tecnologia, produzindo mais, maximizando resultados, produzindo de maneira eficiente e sustentável. Nossa preocupação é com o pequeno, médio e
grande agricultor. Transmitir como produzir mais de forma consciente e inteligente, onde você poderá utilizar o mesmo solo por várias gerações. por exemplo. Não estamos preocupados em aumentar o numero de agricultores no PIN, mas em que haja multiplicação das informações geradas aqui”, acrescentou Zampieri. O secretário da Agricultura, Pecuária e Irrigação do Rio Grande do Sul, Ernani Polo, acompanha o evento desde a primeira edição e avaliou que o PIN estimula o produtor a buscar maior eficiência na proprie-
Zampieri destacou preocupação em multiplicar informações geradas pelo Programa
Serafim abordou desafio de melhorar a agricultura nos municípios e de todos os que estão à sua volta
56 Agosto 2017 • www.revistacultivar.com.br
dade, utilizando melhor os insumos. “Um dos aspectos importantes a considerar no aumento da produção de alimentos é a preservação do ambiente e neste aspecto a Syngenta é uma difusora das boas práticas agrícolas”, opinou. O deputado federal pelo Paraná, Sergio Souza, também acompanha o evento desde a primeira edição. “As informações transmitidas pela Syngenta são fundamentais para obter um aumento significativo de produtividade, otimizando o trabalho na propriedade”, disse. O deputado federal pelo Rio Grande do Sul, Heitor Schuh, que acompanhou o Pin pela primeira vez , ponderou que com o acesso a tecnologia está mais fácil fixar os jovens na propriedade e dar sequência ao trabalho dos pais agricultores. “Neste aspecto o papel desempenhado pela Syngenta tem sido muito relevante”, comentou. O diretor de Marketing da Unidade Sul da Syngenta, Robison Cezar Serafim, dirigiu-se aos participantes do evento como vencedores. “Nosso desafio é fazer mais e melhor, de modo que os agricultores que estão aqui se sintam impactados. Esperamos que as tecnologias que utilizaram sejam multiplicadas, melhorando a agricultura local, do município, enfim, melhorando a qualidade de vida de todos que estão a volta”. Pelo terceiro ano consecutivo, os resultados alcançados pelos participantes do PIN chamaram a atenção. A produtividade média dos três sojicultores mais bem colocados no programa, por exemplo, foi 89,5% maior que a média nacional, totalizando 108 sacas de soja por hectare. Para a cultura do milho verão, a média brasileira foi de 100,1 sacas por hectare, enquanto a registrada pelos primeiros colocados no PIN alcançou 212,2 sacas por hectare (aumento de mais de 109%). Os produtores de trigo vencedores do PIN também alcançaram produtividade de cerca de 120 sacas por hectare, enquanto
VENCEDORES DA 3ª EDIÇÃO DO PIN Sillus 1º lugar Ezequiel Letrari 94,92mil litros de leite por hectare 2º lugar Jonas Schneider 69,59mil litros de leite/ha 3º lugar Jovino Marquesan 67,31mil litros de leite/ha Granotop 1º lugar Luciano Retore 255 sacas por hectare 2º lugar Jhonatham Hartmann 254 sacas/ha 3º lugar Eldon Biolowons 250 sacas/ha PIN Milho 1ºlugar Claudiosmar Dias 263,22 sacas por hectare 2º lugar Vilmar Rubin 257,30 sacas/ha 3º lugar Fausto Perreto 244,84 sacas/ha PIN Soja 1º lugar Lucio Facco 101 sacas por hectare 2º lugar
Autoridades e políticos participaram do evento, na Ilha de Comandatuba, na Bahia
Altair José Polato 100 sacas/ha 3º lugar Diones do Carmo 96,4 sacas/ha Integrare Soja 1º lugar José de Alencar Krause de Pinho 112,1 sacas por hectare 2º lugar Roberto Fernando Bivilaqua 109,9 sacas/ha 3º lugar Empate entre Ewaldo Mendes e José Francisco Vomero 102,5 sacas/ha Trigold 1º lugar Luiz Henrique Scariot 137 sacas por hectare 2º lugar Sadi Lengler 125 sacas/ha 3º lugar Guenter Duch 122 sacas/ha Nucoffee 1º lugar Marcelo Barbosa Araújo 163 sacas por hectares 2º lugar Laércio Antonio Crippa 129 sacas/ha 3º lugar Sidney Vanço 126 sacas/ha a média do País é de 53 sacas por hectare. Os resultados na categoria de milho silagem também surpreendem. O incremento médio alcançado pelos três primeiros colocados no PIN foi de 77.273 litros de leite por hectare, quantidade 94,9% maior que os 35.234 litros por hectare da média nacional. E no primeiro ano da cultura do café no PIN, o resultado alcançado pelos produtores participantes do programa chegaram a 139 sacas por hectare entre os três primeiros colocados do PIN, que tiveram uma produção muito superior às 24 sacas C por hectare da média nacional.
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COLUNA AGRONEGÓCIOS
Engenharia genética natural
N
ós, meros mortais humanos, nos iludimos imaginando haver inventado a engenharia genética aplicada. Mas, as últimas descobertas da Ciência mostram que a Natureza já utiliza essa ferramenta há centenas de milhões de anos, indo além do mero acaso, com objetivos bem claros e específicos. Uma vez mais, apenas copiamos a Natureza. A Natureza nos provê inúmeros serviços ecossistêmicos, muitos dos quais são essenciais para a agricultura, como a polinização, a fixação biológica de nitrogênio e o controle biológico de pragas, que consiste na regulação das pragas por inimigos naturais. Os agentes de controle biológico podem ser predadores, que se alimentam das presas; parasitoides, que utilizam um hospedeiro para completar parte de seu ciclo biológico; ou doenças provocadas por vírus, bactérias ou fungos, que infectam as pragas, via de regra ocasionando sua morte.
ANTES DO HOMEM DAS CAVERNAS...
Há milênios, desde os primórdios da agricultura, que o controle biológico é utilizado para reduzir os danos de pragas na agricultura. Ao longo do tempo, muitas tecnologias e conhecimentos aprimoraram o processo. Mas, descobertas recentes não apenas ajudam a entender melhor a relação entre agentes de controle biológico e pragas agrícolas, como prometem descortinar um futuro promissor para sua utilização mais eficiente na agricultura. Em síntese, cientistas descobriram que vespinhas, da família dos braconídeos, “domesticaram” vírus que, injetados no corpo das presas, facilitam o parasitismo. Em contrapartida, as lagartas que recebem o vírus, mas sobrevivem ao parasitismo, incorporam o genoma do vírus e o utilizam em benefício próprio, para tornarem-se imunes aos vírus que as atacam. Sistema muito parecido ao que já se conhece há décadas em plantas infectadas com a bactéria Agrobacterium tumefaciens. Neste sistema, a bactéria insere no genoma de células vegetais sequências de DNA que codificam para a produção de substâncias de interesse para o desenvolvimento da bactéria nos tecidos vegetais. Estima-se existirem 17 mil espécies
de vespas da família Braconidae, todos parasitoides obrigatórios. As fêmeas das vespas colocam seus ovos nos corpos de lagartas vivas e, após a eclosão, as larvas se alimentam de tecidos internos do hospedeiro, de onde emergem para se transformar em pupa, ou já como adultos. Há alguns anos, os cientistas perceberam que as vespas também estavam injetando uma partícula nas lagartas, junto com seus ovos. Demorou mais de uma década para que os pesquisadores demonstrassem que as tais partículas eram vírus, com uma função muito peculiar: deprimir o sistema imunológico e modificar o metabolismo do organismo do hospedeiro, para aumentar a viabilidade do parasitismo. Cada espécie de vespa tem um vírus específico e, na ausência deles, as taxas de parasitismo nos hospedeiros seriam muito menores do que se observa no campo. São chamados de bracovírus, e produzidos apenas nos ovários das vespas. Uma vez injetados no corpo do hospedeiro, atuam no seu genoma para favorecer o parasitoide e encerram seu ciclo de vida. Os bracovírus não podem se reproduzir de forma independente porque não possuem genes para produzir as camadas de proteínas que lhes dão forma e estrutura. Inteligência suprema: os genes não desapareceram, estão presentes nos genomas das vespas, onde estima-se que tenham sido incorporados há 100 milhões de anos!
ENGENHARIA GENÉTICA
Assim, os vírus são essenciais para as vespas - mas o reverso também é verdade. Ao contrário da maioria dos outros tipos de vírus, esses bracovírus não podem fazer cópias de si mesmos. Supõe-se que um vírus infectou uma vespa, inseriu seus genes entre os de seu hospedeiro, o qual “capturou a oportunidade", utilizando-os em benefício próprio. E nós, humanos, imaginando que éramos a suprema inteligência e que nós havíamos criado as ferramentas da engenharia genética. Ledo engano, apenas nos últimos 30 anos copiamos o que a Natureza já faz com maestria há centenas de milhões de anos. Em 2014 foi descoberto que os genomas das vespas contêm dois grupos de genes virais. O primeiro é um conjunto
de replicação, que as vespas usam para transformar seus ovários em “indústrias” de criação de vírus. O segundo é um conjunto de virulência, responsável pela capacidade de os vírus alterarem o genoma da lagarta hospedeira, deprimindo seu sistema imunológico. As vespas, ao “engenheirar” os vírus, transferem a eles apenas os genes de virulência. É por isso que as partículas resultantes podem atacar as lagartas dos hospedeiros dos parasitoides, mas não podem se reproduzir ou se espalhar para novos hospedeiros.
NOVOS CAMINHOS
Já em 2015, outro estudo demonstrou que as lagartas hospedeiras não são apenas vítimas passivas do vírus. Elas também são “engenheiras genéticas”. Raramente o índice de parasitismo de uma população é de 100%, alguns hospedeiros sobrevivem, com a presença de bracovírus em seus organismos. Ou, então, as vespas parasitam o hospedeiro errado, de maneira que o vírus injetado não surta o efeito desejado. As lagartas então usam os bracovírus a seu favor, melhorando seu sistema imunológico para se tornarem resistentes a baculovírus, que são outros agentes de controle biológico, que atacam diversas lagartas. Assim como as vespas têm seus hospedeiros favoritos, o mesmo ocorre com os baculovírus. Logo, uma lagarta que sobreviveu ao parasitismo de uma vespa, pode tornar-se imune a um baculovírus, ao qual era suscetível. Dessas descobertas surge uma teoria: os cientistas especulam que as vespas (parasitoides) poderiam ter usado, originalmente, os bracovírus para impedir que os baculovírus matassem, prematuramente, as lagartas que eram hospedeiros comuns, o que decretaria a morte das larvas dos parasitoides. Temos, então, que a Natureza está povoada por trilhões de insetos transgênicos, modificados para serem tanto suscetíveis quanto resistentes a agentes de controle biológico. Sobre esta descoberta estão se debruçando diversos grupos de cientistas, de cujos laboratórios logo emergirão novos processos de controle biológico, mais eficientes e mais baratos, mimicando o processo C natural de engenharia genética.
Décio Luiz Gazzoni O autor é Engenheiro Agrônomo, pesquisador da Embrapa e membro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável.
58 Agosto 2017 • www.revistacultivar.com.br
COLUNA MERCADO AGRÍCOLA
Brasil bate recorde de exportação no agronegócio em 2017 A exportação brasileira de soja se deu de modo acelerado neste primeiro semestre de 2017. Acumulou de janeiro a junho um volume de 45,9 milhões de toneladas, frente a 42,8 milhões de toneladas do ano passado. E a oleaginosa começou julho com o pé no acelerador, com comercialização de mais de 400 mil toneladas diárias, o que dá fôlego para chegar ao final do ano com volume superior a 63 milhões de toneladas exportadas frente a 51,3 milhões de toneladas do ano passado e dos 53,4 milhões de toneladas de 2015. O Brasil caminha a passos largos para bater recorde de exportação da soja neste ano, que está com safra fechada de mais de 113,2 milhões de toneladas. Enquanto isso, começam a ganhar forças as exportações de milho, que devem crescer em ritmo forte a partir de agosto e têm potencial de mandar mais de 30 milhões de toneladas para o mercado mundial, o que, somado à soja, alcança quase 100 milhões de toneladas exportadas entre os dois principais grãos brasileiros. Isso trará muitas divisas para ajudar a balança comercial brasileira e dar algum alívio à economia cambaleante em meio à grande crise política. Outro fator positivo do último mês reside na volta do apoio do Governo à safra, com anúncio de mais de R$ 190 bilhões para apoiar o setor. Junto a isso, o Banco do Brasil também anunciou volume superior a R$ 100 bilhões em recursos para o setor nesta nova safra. Recursos que oferecem condições para que os produtores possam voltar a fazer uma grande safra e em 2018 continuar exportando em ritmo forte. A demanda mundial segue crescente, em ano em que os Estados Unidos devem diminuir a presença na exportação, principalmente em milho, com queda estimada de até dez milhões de toneladas. Espaço que deverá ser coberto com milho brasileiro, desafogando a safrinha deste ano, que deverá ingressar em 2018 com exportações. O agronegócio dá fôlego à economia brasileira com recordes sucessivos. O complexo soja do Brasil deverá exportar algo ao redor de 30 bilhões de dólares neste ano e será o maior produto do país, com todas as chances de crescer nos próximos anos em cima da demanda mundial que continuará alta. MILHO
Safrinha recorde chegando
O milho da safrinha registra colheita forte em todas as regiões e a produtividade vai se confirmando como a melhor até o momento. Se desenha recorde histórico para esta temporada e apelo para crescer na exportação. A tendência é de que se observe os volumes crescerem em ritmo acelerado a partir de agosto, com fortes exportações previstas para o começo de 2018. Também deve ocorrer crescimento na demanda interna, porque há aumento do consumo de ovos e frangos, cujo milho é matéria-prima da alimentação. Setor que tende a seguir forte na exportação após a crise da carne fraca e as delações. O Brasil detém mais de 30% do mercado mundial nesse segmento e desta forma não há quem possa atender à demanda. Isso tudo tende a trazer forte procura interna pelo milho e aos poucos irá enxugar as ofertas disponíveis. Como há poucos consumidores cobertos com compras de estoques, nos próximos meses deve ocorrer maior pressão de compra interna, porque já há bom volume vendido na exportação, com mais de 24 milhões de toneladas negociadas para serem embarcadas, e nos próximos meses haverá maiores volumes em negociações. Espera-se chegar à marca de 34 milhões de toneladas ou até superá-la. A fase de baixa do mercado tende a passar a partir de agosto, quando são aguardadas cotações mais atrativas. SOJA
Comercialização avançou forte em julho
O mercado da soja brasileira registrou muitos negócios em julho, quando as cotações de Chicago saíram da casa próxima de 9 dólares por bushel para 10,50 dólars por bushel. Com
esse cenário, grande parte do setor aproveitou para realizar posições e liquidar soja da safra antiga, que possuía 70% do volume negociado e com o aumento superou 80%. Também movimentou a safra nova, que tinha menos de 2% negociados e com a alta atingiu 10%, melhorando o ritmo dos fechamentos. Mesmo que após a onda altista americana em cima do clima tenha ocorrido forte liquidação e o mercado retornado a operar abaixo dos 10 dólares por bushel, deixou como saldo positivo muitos negócios, que entre safra nova e safra velha somaram mais de 15 milhões de toneladas negociadas em julho. Os produtores têm aproveitado os momentos de alta para realizar posições e com isso têm conseguido medias positivas. A tendência é de que continuem com esta estratégia, pois estão conseguindo obter sucesso nas negociações. FEIJÃO
Oferta de julho acalmou o mercado que volta em agosto
O mercado do feijão registrou momentos de alta entre os meses de maio e junho com a forte demanda de 2017, mas houve pressão e queda em julho em função de dois fatores importantes: a demanda, que normalmente é um pouco menor e a boa safra colhida no período. Com isso, os indicativos ficaram entre R$ 110,00 e R$ 160,00 a saca, frente a mais de R$ 200,00 a saca registrados em junho. Em agosto podem vir novos momentos positivos, porque a demanda segue aquecida e a oferta tende a diminuir novamente e abrirá nova janela de alta. ARROZ
Esperando alta de agora em diante
O arroz teve um primeiro semestre de calmaria, com Vlamir Brandalizze
brandalizze@uol.com.br • Twitter@brandalizzecons • brandalizzeconsulting.com.br
60 Agosto 2017 • www.revistacultivar.com.br
indicativos estabilizados desde a safra na faixa de R$ 40,00 a saca e até abaixo na média do Casca comercial gaúcho. Como a demanda das indústrias estava coberta, não houve reação. Outro fator que segurou a alta reside
nas dívidas dos produtores com vencimento em julho e agosto, gerando necessidade de venda. Passada a fase de pagamento dessas dívidas, há espaço para reação, inclusive nas gôndolas.
CURTAS E BOAS TRIGO - O mercado do trigo viu com otimismo a forte alta ocorrida em Chicago devido à quebra da safra americana, que enfrenta neste ano as piores condições das lavouras em mais de 30 anos. Assim, o apelo é de cotações mais atrativas para os produtores brasileiros nesta nova safra que está nos campos do Sul do país e que tende a pagar pelo menos 10% a 20% a mais do que receberam no ano passado. UCRÂNIA - Os produtores apontam que mesmo com clima irregular, a safra local segue em condições próximas da normalidade, porque na fase de florescimento, em julho, as temperaturas se mantinham amenas e havia boas condições para as lavouras, que devem chegar a 28 milhões de toneladas de milho cultivado em 3,5 milhões de hectares. Dessa forma, devem exportar 20,5 milhões de toneladas frente a 19 milhões de toneladas estimadas no mês passado. CHINA - As importações continuam batendo recorde e os rumores são de que a China irá comprar 95 milhões de toneladas de soja. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (sigla em inglês USDA) também ajustou os números para cima e já fala em 94 milhões de toneladas
da oleaginosa. A safra deste ano está com aproximadamente 800 mil hectares a mais de soja e tudo indica que os chineses irão colher 14 milhões de toneladas, frente a 12,9 milhões de toneladas do ano passado. ARGENTINA - A safra esteve atrasada e os produtores têm segurado as vendas, à espera de redução das Retenciones (taxa de exportações) que começam em janeiro. A exportação de derivados ganha força com o biodiesel, onde os argentinos são líderes mundiais e agora aponta para o etanol de milho. CONAB - A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizou muitos pregões de apoio aos produtores do Centro-Oeste, onde foram negociados 5,5 milhões de toneladas de milho em contratos de Prêmios. A medida deu fôlego aos negócios, que no começo de julho registravam mais de 40% da safrinha negociada e o Mato Grosso com mais de 60% comercializado. Assim, diminuiu um pouco a pressão de oferta do grão no mercado livre, que tinha pressionado as cotações para baixo e no final de julho já mostrava fôlego positivo, com pequenos avanços nas regiões produtoras e C espaço para crescer neste restante de ano.
COLUNA ANPII
Pesquisa pré-competitiva Ainda bastante tímida no Brasil, a cooperação entre empresas para desenvolvimento de novos produtos ou processos na área de inoculantes tem sido estimulada pela ANPII
A
tradição, brasileira é muito pouco voltada para ações coletivas. Quando muito se pensa em ações conjuntas, mas de forma isolada e não sistêmica. Principalmente no âmbito corporativo os concorrentes são vistos muitas vezes como “inimigos” e não apenas como concorrentes no mercado. Em alguns mercados a união de empresas para ações de P&D, geralmente junto com órgãos de pesquisa, traz benefícios coletivos, diminuindo custos e abreviando o tempo para a entrada de novos produtos no mercado. Diversos estudos, tanto teóricos como práticos, demonstram as vantagens da união de empresas, em atividade sinérgica entre seus departamentos de P&D, como Carlos Fadiga, 2011 “P&D pré-competitivo é essencial para o desenvolvimento tecnológico da indústria” e “Modelos institucionais de cooperação entre setor público e privado para P&D pré-competitivo devem ser mais simples e ágeis” disponíveis em (https://static-cms-si.s3.amazonaws.com/media/uploads/arquivos/20130314101643272270a. pdf). Longo e Oliveira (Parcerias Estratégicas - número 9 - outubro/2000 - http:// seer.cgee.org.br/index.php/parcerias_estrategicas/article/viewFile/123/117) citam que “a pesquisa cooperativa caracteriza-se pela definição de uma área temática a ser explorada ou de um projeto específico visando produzir uma inovação ou resolver um problema tecnológico, e que requeiram atividades rotuladas como sendo de pesquisa básica, pesquisa aplicada, desenvolvimento experimental ou engenharia, objetivando produzir novos conhecimentos, executado de forma coletiva, reunindo instituições de pesquisa e empresas que participam com recursos financeiros ou técnicos, custeando ou executando partes das tarefas, tendo acesso, em contrapartida, a todas as informações geradas”. Na área de inoculantes para le-
guminosas existem muitos casos de cooperação entre indústrias e pesquisa oficial, mas nenhum de ajuda mútua entre empresas para desenvolvimento de novos produtos ou processos. Hoje, praticamente todas as empresas produtoras de inoculantes possuem quadros técnicos excelentes, com profissionais formados nos melhores centros de pesquisa e que podem desenvolver pesquisas de alto padrão para incrementar cada vez mais os benefícios da Fixação Biológica do Nitrogênio para os agricultores. E se pensarmos em juntar todas estas competências em um ou mais projetos conjuntos, juntamente com entidades oficiais de pesquisa? Sem dúvida, o ganho em rapidez, redução de custos e melhor tempo de desenvolvimento seria altamente compensador. Pode-se alegar que isto tornaria o mercado “pasteurizado”, com produtos iguais. Esta argumentação não procede, porque a pesquisa seria na fase pré-competitiva,
Na área de inoculantes para leguminosas existem muitos casos de cooperação entre indústrias e pesquisa oficial, mas nenhum de ajuda mútua entre empresas para desenvolvimento de novos produtos ou processos
na pesquisa, gerando um produto base que, após esta etapa, seria trabalhado em cada empresa para dar características customizadas, como embalagem, concentrações etc. Além dos benefícios quantitativos, como diminuição dos custos e do tempo de desenvolvimento, haveria um grande benefício qualitativo, pois a sinergia entre profissionais de alto nível certamente geraria produtos inovadores que seriam mais dificilmente criados isoladamente. Esta equipe de pesquisadores, das empresas privadas e dos institutos e universidades, criaria uma massa crítica que poderia mudar significativamente o panorama do uso da microbiologia do solo nos próximos anos, gerando produtos de elevado efeito na produtividade e perfeitamente enquadrados nas novas tendências de uma agricultura com menos danos ao ambiente. Entretanto, para que uma pesquisa pré-competitiva se concretize é necessária uma governança do processo, congregando todos em torno dos objetivos comuns e acompanhando o projeto para que tenha continuidade e chegue a bons resultados. Neste ponto é que a existência de uma associação de classe desempenha um papel fundamental, exercendo de forma natural esta governança do projeto. A Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Inoculantes (ANPII) já começou, na gestão passada, uma ação neste sentido, com o objetivo de desenvolver produtos em conjunto. Esta filosofia foi prontamente abarcada pela nova gestão, e estão em sequência tratativas junto aos associados e órgãos de pesquisa para implementar projetos pré-competitivos na área de inoculantes, o que certamente trará grandes benefícios para a agricultura brasileira. Estas ações inovadoras mostram a pujança e a dinâmica da indústria de inoculantes e sua inserção no mundo moderno, com ações que fogem do “sempre se fez assim” para horizontes mais arrojados, sintonizando com as rápidas mudanças C do cenário tecnológico mundial.
Solon C. de Araujo, Consultor da ANPII
62 Agosto 2017 • www.revistacultivar.com.br
04 • Agosto 2017 • Soja • www.revistacultivar.com.br
Antes de emergir Mauro Rizzardi
Na batalha para controlar daninhas, herbicidas pré-emergentes tem papel importante. Alem de atuarem na redução do banco de sementes do solo, na diminuição da matocompetição e manutenção do potencial produtivo das culturas estes defensivos podem auxiliar no controle de plantas tolerantes ou resistentes ao glifosato
esde o início da agricultura é comum a presença de plantas oportunistas que interferem no desenvolvimento normal das culturas estabelecidas na área. Estas plantas são consideradas daninhas por, de algum modo, diminuírem a quantidades de recursos disponíveis no ambiente e, por consequência, reduzirem a produtividade das culturas. Os danos causados pela infestação de daninhas variam em função da espécie e população dessas plantas; da sensibilidade e capacidade competitiva da cultura e da quantidade de dano que a população de ervas poderá causar. Os efeitos negativos da sua presença em lavouras incluem a competição que exercem por recursos limitados, aumento do custo de produção, dificuldade de colheita, depreciação da qualidade do produto, hospedagem de pragas e doenças e diminuição do valor comercial das áreas
05
Mauro Rizzardi
D
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Area sem aplicação de Spider: daninhas competem com plantas cultivadas pelos recursos disponíveis no ambiente
cultivadas. As perdas na produtividade provocadas pela interferência de aninhas ocorrem tanto por competição pelos recursos do ambiente, como água, luz e nutrientes, quanto pela liberação de exudatos químicos dessas plantas Figura 1
em decomposição ou por aquelas que se desenvolvem junto com a cultura, como é o caso do azevém. Estima-se que as perdas na produção de grãos de diferentes culturas sejam superiores a 15%. No caso da soja existem informações de perdas próximas
06 • Agosto 2017 • Soja • www.revistacultivar.com.br Figura 2
O efeito da interferência das plantas daninhas no rendimento das culturas é variável e depende, entre outros fatores, da espécie presente e do período em que ocorre a interferência. De forma geral, as espécies monocotiledô-
Mauro Rizzardi
a 30% quando intensamente infestadas. Outros dados indicam que somente a presença de uma planta de Buva (Conyza spp) por metro quadrado já é suficiente para reduzir de 4% a 12% a produtividade da soja.
É necessário elimiar a interferência negativa que daninhas exercem sobre a cultura (área com Spider)
neas causam maiores prejuízos ao rendimento do milho que espécies dicotiledôneas.
QUANDO CONTROLAR?
O controle de plantas daninhas pode ser realizado com herbicidas pré ou pós-emergentes. No caso dos pré-emergentes, como o próprio nome sugere devem ser aplicados antes da emergência das plantas daninhas e cultura, em aplicações aplique:plante ou plante:aplique. Herbicidas desta categoria são caracterizados pelo controle do fluxo de emergência das plantas daninhas e pelo seu elevado residual de controle. Porém, é importante salientar que independentemente do controle ser realizado em pré ou pós-emergência é fundamental lembrar que a semeadura deve ser realizada no limpo, ou seja, sem a presença de plantas emergidas antes da cultura. A forma
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de eliminá-las se dá por meio de um eficiente controle de pré-semeadura, com herbicidas específicos, na operação comumente chamada de “dessecação” Os herbicidas pós-emergentes, também como próprio nome já sugere, são aplicados sobre plantas daninhas e culturas já emergidas. A época de início do controle em pós-emergência, em relação a cultura, influencia no seu crescimento e no rendimento de grãos. O período em que os efeitos das plantas daninhas efetivamente causam prejuízos à cultura e durante o qual a competição não pode existir é chamado de “período crítico de competição”. É variável, e ocorre, na maioria das situações, entre os estádios V2 (dois nós) e V7 (sete nós) da cultura da soja. As variações no período crítico de competição
são devidas ao genótipo, à época de semeadura, à oferta de água e nutrientes, à época de emergência, à população e à espécie de planta daninha.
IMPORTÂNCIA DO CONTROLE PRECOCE DE PLANTAS DANINHAS
O uso de herbicidas pré-emergentes teve uso amplo na soja, até meados dos anos 90. A partir de então aumentou o emprego de herbicidas pós-emergentes, que culminaram com o advento da soja tolerante ao glifosato, que levou o produtor ao controle somente com este herbicida, que sabidamente tem seu efeito somente sobre plantas já emergidas. Nas situações onde não são utilizados herbicidas pré-emergentes serão necessárias mais de uma aplicação de herbicidas pós-emergentes na Figura 3
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cultura (Figura 1). Atualmente, o retorno do uso de herbicidas pré-emergentes se faz premente pela necessidade de preservação do principal evento transgênico, tolerante ao glifosato, ou mesmo dos novos eventos como a soja tolerante a Liberty Link; a Enlist ou a X-tend. O uso dos herbicidas residuais de solo permitirá a redução de pelo menos uma aplicação dos herbicidas em pós-emergência, como o glifosato (Figura 2). Por consequência haverá redução da pressão de seleção sobre plantas daninhas e aumento da viabilidade desta tecnologia, ou mesmo de outras que surgirão ao longo dos anos. O uso de herbicidas residuais no solo possibilita o atraso no surgimento de plantas daninhas na área, pelo fato desses produtos impedirem, por determinado
08 • Agosto 2017 • Soja • www.revistacultivar.com.br Mauro Rizzardi
ram. A forma de evita-las reside em eliminar as plantas daninhas o mais cedo possível dentro do ciclo da cultura. Neste sentido, o uso de herbicidas pré-emergentes destaca-se como estratégia eficiente na eliminação da matocompetição inicial, pois possuem efeito residual que impede ou atrasa ao máximo possível a emergência das plantas daninhas na área. No momento em que a emergência é atrasada, a cultura encontra as melhores condições para o seu estabelecimento, livre da competição por água, nutrientes e luz. É claro que novos fluxos de emergência poderão ocorrer, mas o primeiro fluxo, que é o mais competitivo já estará controlado.
período, a emergência das plantas daninhas, como pode ser observado nas Figuras 3 a 5. A presença de diclosulam na dessecação pré-semeadura interferiu negativamente na infestação de leiteira (Figura 3), corda-de-viola (Figura 4) e picão-preto (Figura 5). Para essas espécies ocorreu menor número de plantas daninhas quando da aplicação desse herbicida, sendo que as reduções mais intensas ocorreram para corda-de-viola e picão-preto. Para leiteira, as reduções foram menos intensas, provavelmente em função da existência de populações tanto suscetíveis quanto resistentes aos herbicidas inibidores da enzima ALS. Ao se analisar os resultados obtidos para as infestações de leiteira, corda-de- viola e picão-preto, a presença de diclosulam na dessecação atrasou a emergência dessas espécies até 21 dias após a emergência da soja, o que possibilitaria realizar o controle em pós-emergência da soja em estádios mais avançados. Outro aspecto importante
quando se fala de controle de plantas daninhas é a necessidade de eliminar a interferência que causam na cultura, o que comumente é conhecido como matocompetição. A principal causa da matocompetição é a disputa por água, luz e nutrientes que ocorre entre plantas daninhas e cultura, que acontece nos estádios iniciais da cultura. Em relação ao fator luz, a competição se dá muito antes de ocorrer o sombreamento das plantas. Ou seja, a presença de plantas daninhas altera além da quantidade, a qualidade da luz incidente no solo e, assim afeta o desenvolvimento da cultura. Esta modificação na qualidade da luz é a responsável por muitas alterações morfológicas na arquitetura das plantas, como a diminuição das ramificações na soja. O menor número de ramificações traz como consequência a redução no número de nós por área, refletindo negativamente na produtividade da cultura. O objetivo do controle é impedir que estas sinalizações entre plantas daninhas e cultura ocor-
Mauro Rizzardi
Área com Spider: eliminar plantas daninhas o mais cedo possível é medida impositiva para garantir o bom desempenho da cultura
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Figura 4 - Número de plantas de leiteira presentes por ocasião das épocas de Figura 5 - Número de plantas de corda de viola presentes por ocasião das épocas controle das plantas daninhas na cultura da soja, com e sem a aplicação de de controle das plantas daninhas na cultura da soja, com e sem a aplicação de diclosulam na dessecação pré-semeadura da soja, com o herbicida glifosato diclosulam na dessecação pré-semeadura da soja, com o herbicida glifosato
IMPACTO NO RENDIMENTO DE GRÃOS
Na Figura 6 observa-se que
o rendimento de grãos da soja variou em função do período de convivência com a planta dani-
nha de forma diferente quando da presença ou ausência de diclosulam na dessecação e épocas
A qualidade e a sanidade das sementes adequadamente tratadas têm influência positiva sobre o arranque inicial e o estabelecimento das lavouras
10 • Agosto 2017 • Soja • www.revistacultivar.com.br Figura 6 - Número de plantas de picão-preto presentes por ocasião das épocas Figura 7 - Rendimento de grãos de soja em função de períodos de convivência de de controle das plantas daninhas na cultura da soja, com e sem a aplicação de plantas daninhas, com e sem a aplicação do herbicida diclosulam na dessecação diclosulam na dessecação pré-semeadura da soja, com o herbicida glifosato pré-semeadura da soja, com o herbicida glifosato
rendimento decresceu mais acentuadamente. Para o tratamento com glifosato, sem diclosulam, o rendimento começou a declinar já a partir da emergência da cultura. Em outro trabalho, comparou-se o impacto do uso de herbicida residual, aplicado na dessecação pré-semeadura da soja, sobre o período de convivência das plantas daninhas na cultura (Figura 7). Para a cultivar NA 5908, a perda de rendimento de soja foi de 5,7% nos tratamentos sem o herbicida pré-emergente em que se manteve plantas daninhas convivendo com a cultura até os 21 dias após a emergência (Figura
7). Porém, quando da presença do herbicida residual, esta perda foi reduzida para 2,2%. Saliente-se, ainda, que o uso de herbicida pré-emergente permitiu que estas perdas se mantivessem baixas até 42 dias. Ou seja, nestes casos a necessidade de aplicação do herbicida pós-emergente somente se daria após este período. Nos dois trabalhos foi possível obsevar que, a semeadura após o tratamento com a presença de diclosulam permitiu que a soja se estabelecesse antes em relação às plantas daninhas. Portanto, apresentou condições mais favoráveis para vencer a competição. Essa Jamil Constantin
Fernando Adegas
de controle em pós-emergência. Em todas as épocas de avaliação, a aplicação de diclosulam na pré-semeadura, em associação com glifosato, permitiu que os rendimentos fossem superiores em relação à ausência de diclosulam. No caso da testemunha sem controle em pós-emergência, o rendimento foi 24% superior com a presença de diclosulam em relação a ausência. No tratamento em que foi aplicado glifosato + diclosulam obteve-se estabilidade do rendimento da cultura até, aproximadamente, 21 dias depois da emergência, quando então o
Área severamente infestada pela presença de capim amargoso (esquerda) e de buva (direita)
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Figura 8 - Perdas de rendimento de grãos de soja em função de períodos de convivência de plantas daninhas, com e sem a aplicação do herbicida diclosulam aplicado na dessecação pré-semeadura
Para a cultivar P95R51, a perda de rendimento da soja naqueles tratamentos sem o herbicida pré-emergente já foi acentuada a partir dos 7 dias de convivência das plantas daninhas com a cultura (Figura 8). Os valores de perda no rendimento foram de 8,5% no tratamento em que as plantas daninhas conviveram com a cultura até os 14dias após a emergência. Já, quando da presença do herbicida residual as perdas permaneceram baixas até os 21 dias. Ao se analisar a Figura 8 observa-se que, na ausência do herbicida pré-emergente o controle em pós-emergência deveria ser realizado já aos 7 dias; já, quandoda presença do herbicida residual este controle poderia ser postergado para os 21 dias após a emergência da soja.
vantagem competitiva propiciada para a soja é importante, visto que as primeiras plântulas a emergir provavelmente irão apresentar maior desenvolvimento porque adquirem prioridade de acesso aos recursos do meio. Assim, a emergência no limpo da soja, cuja semeadura foi realizada após o tratamento com diclosulam colocou a cultura em posição competitiva vantajosa em relação à semeadura realizada sem a sua presença. Além do impacto na presença de plantas daninhas, na diminui-
ção na matocompetição e manutenção do potencial produtivo das culturas, o uso de herbicidas pré-emergentes auxiliarão no controle de plantas tolerantes ou resistentes ao glifosato, por atuarem na redução do banco de sementes destas espécies daninhas, além de permitirem a rotação de mecanismos de ação. Esta prática faz com que ocorra a quebra da associação herbicida:planta daninha e atrase o surgimento de biótipos resistentes, por permitir o uso de herbicidas com características e modos de ação
diferentes do herbicida glifosato. Assim, diante desses cenários de redução no ciclo da soja; aumento dos casos de resistência e necessidade de preservação da tecnologia de tolerância ao glifosato e dos novos eventos de transgenia é fundamental a criação de um ambiente diversificado de controle, o que inclui a inserção dos herbicidas pré-emergentes no programa de manejo de plantas daninhas na cultura da soja. C Mauro Antônio Rizzardi e Ana Paula Rockenbach, Universidade de Passo Fundo
Encarte Técnico • Circula encartado na revista Cultivar Grandes Culturas • nº 219 • Agosto 2017 • Capa - Mauro Antônio Rizzardi Reimpressões podem ser solicitadas através do telefone: (53) 3028.2075
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Luchetti
04 • Agosto 2017 • Soja • www.revistacultivar.com.br
Crescente desafio Em um cenário de seleção de patógenos mais agressivos e da resistência imposta por fungos a aplicação de fungicidas, o controle de doenças foliares em soja tem se tornado proporcionalmente complexo e exigente. Boas práticas de manejo, adotadas em conjunto, são o caminho para conviver com este problema que não comporta solução única e simples
D
iversas doenças foliares afetam anualmente a cultura da soja, comprometendo a produtividade e qualidade de grãos. A importância dessas doenças aumenta devido ao cultivo sucessivo da soja nos mesmos locais, à seleção de patógenos mais agressivos e à resistência imposta pelos fungos aos fungicidas. Os problemas relacionados à resistência de Phakopsora pachyrhizi (agente causal da ferrugem asiática), por exemplo, de natureza múltipla e tripla (triazóis,
estrobilurinas e carboxamidas), representam fato inédito e raro no mundo. Mais ainda quando compromete uma cultura de mais de 33 milhões de hectares, e que representa o maior Produto Interno Bruto (PIB) agrícola do Brasil. Nenhum outro lugar no mundo tem o problema da resistência com esta dimensão. Portanto, cabe a nós, protagonistas do problema, a busca de soluções para sua mitigação, uma vez que não pode ser evitada. A redução no controle das doenças associada com a resistência
aos fungicidas deve ser compensada com maior integração de práticas de manejo, assim como dos diversos agentes (produtores, técnicos, consumidores, indústria, governo, ..) envolvidos com a cultura. As doenças foliares da soja envolvem dois grupos. Um deles corresponde às manchas foliares, alvo (Corynespora cassiicola), parda (Septoria glycines), púrpura (Cercospora kikuchii) e olho-de-rã (Cercospora sojina), à antracnose (Colletotrichum truncatum), à necrose das hastes (Phomopsis sojae)
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tro a cinco semanas, sendo muito importantes às cultivares atuais, cujo terço inferior tem grande participação no rendimento total. Resultados obtidos na UPF, entre 2007 e 2017, mostram ganhos médios de 4 sacos/ha a 6 sacos/ ha com aplicação de fungicida a partir dos estádios V6-V7, os quais aumentam à medida que a semeadura é retardada. Este manejo cedo também é necessário às cultivares Inox (resistência parcial à ferrugem), devido a sua suscetibilidade às manchas foliares. Os fungicidas para esta primeira aplicação devem ser eficazes, em primeiro lugar, para o controle dos fungos necrotróficos. Mas, também devem prevenir a infecção da planta pelo oídio e a ferrugem. Por isso, devem ser completos, e envolver a combinação de dois ou mais ingredientes ativos. Caso contrário, reforços com outros fungicidas são necessários. O outro grupo de doenças foliares é composto pela ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) e o oídio (Erysiphe diffusa), cujos fungos são biotróficos, parasitas obrigatórios, 100% dependentes
e ao mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum). Todas envolvem fungos necrotróficos, parasitas na safra e saprófitas entre elas, que sobrevivem decompondo restos culturais, em sementes ou estruturas de resistência (S. sclerotiorum). Os necrotróficos são os primeiros patógenos que infectam a soja, por estarem presentes na área de cultivo. Seu manejo requer a rotação de culturas, porém é pouco realizada. O tratamento de sementes é fundamental para o bom estabelecimento da cultura, porém seu efeito dura duas ou três semanas. Após este período, a planta se torna exposta, e os sintomas aparecem já nas primeiras folhas. As manchas levam à desfolha das plantas e a sua morte prematura, com redução de até 80 kg/ha/dia no rendimento de grãos. Trabalhos realizados na Universidade de Passo Fundo (UPF), anteriores à presença da ferrugem no Brasil, indicavam danos de 6 sacos/ha a 10 sacos/ ha pelo complexo de manchas foliares e oídio. A denominação “doenças de final de ciclo” atribuída a algumas destas moléstias é imprópria, pois são as primeiras que infectam a planta. O controle químico das doenças iniciais depende muito da primeira aplicação, antes do fechamento das entrelinhas, para que o fungicida possa atingir todas as folhas. Estas, protegidas, prolongam sua duração em qua-
de planta viva para sobreviver na entressafra. O oídio tem importância em períodos de pouca chuva, e nas regiões mais amenas (altitudes ou latitudes maiores), uma vez que temperaturas acima de 29oC dificultam o crescimento do fungo (ectoparasita) na superfície das folhas. A safra de soja 2016/17 se caracterizou por temperaturas um pouco inferior às normais históricas em várias regiões, o que favoreceu a uma maior presença do oídio. Todas as doenças são influenciadas pelo ambiente em que transcorre a safra, mas a ferrugem é, também, muito afetada pelas condições que envolvem a sobrevivência da soja voluntária (guaxa/tiguera) e, consequentemente, Phakopsora. Especialmente no Rio Grande do Sul, em 2016, os meses de inverno apresentaram temperaturas abaixo das normais históricas, principalmente em junho. No mesmo mês, houve sete geadas fortes e consecutivas, que eliminaram a maior parte das plantas de soja voluntárias. A baixa presença local do patógeno resultou em início mais tardio das epidemias e menor severidade
Jairo Santos
O oídio possui importância em períodos de pouca chuva
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Cenário aponta para início mais cedo e intenso da ferrugem asiática nesta safra
Jorge Felipe
Marlon Marquezi
06 • Agosto 2017 • Soja • www.revistacultivar.com.br
O manejo da ferrugem nos próximos anos dependerá das ferramentas disponíveis
Mancha alvo causada pelo fungo alvo Corynespora cassiicola
entrelinhas, os intervalos de tempo para as próximas devem considerar o período de proteção conferido pelos fungicidas utilizados. Para a maioria dos compostos este intervalo é de até 15 dias para cultivares suscetíveis e de 20 dias para as resistentes. Experimentos na UPF, comparando intervalos de 14 dias e 20 dias, mostraram diferenças nulas para os materiais Inox e variações de 3,5 sacos/ha a 5,7 sacos/ha nos suscetíveis, a favor do intervalo menor. Os ciclos iniciais de uma epidemia ditam seu ritmo ao longo Jairo Santos
ao longo da safra 2016/17. Contrariamente, neste ano (2017), nenhuma geada forte já ocorreu, e as plantas de soja voluntárias são numerosas nas áreas não cultivadas no inverno. À medida que crescem e se tornam abrigadas por outras espécies, sua tolerância ao frio aumenta (até -5oC). O cenário que se apresenta para a safra 2017/18 aponta para maior disponibilidade local de Phakopsora e início mais cedo e intenso da ferrugem, como ocorreu nas safras 2014/15 e 2015/16, anos de epidemias severas. Deve-se ressaltar que as epidemias menos intensas observadas na safra 2016/17 foram uma exceção ao que vinha sendo observado nos últimos anos. A semeadura antecipada e/ou a utilização de cultivares precoces são alternativas para tentar a fuga dos picos de ferrugem que ocorrem a partir de janeiro ou fevereiro. Isso funciona muito bem quando não há presença local do patógeno. Caso contrário, as primeiras lavouras comerciais são o destino inicial da ferrugem presente na soja voluntária. Portanto, também requerem proteção efetiva desde o início. A partir do momento em que a primeira aplicação é realizada, antecedendo o fechamento das
do ciclo da cultura e a severidade final. E devem ser mais intensos na safra 2017/18, por isso o manejo necessita ser igualmente efetivo. Nas primeiras aplicações há menor quantidade de doença, a frequência dos mutantes resistentes é menor e a aplicação é de melhor execução. Contudo, os aumentos diários da epidemia são crescentes nos primeiros ciclos, por isso é fundamental direcionar os melhores fungicidas para os momentos iniciais da doença alvo. A ideia é ganhar o jogo no primeiro tempo da partida, e no segundo fazer a manutenção. O contrário não funcionaria, especialmente pela característica preventiva da maioria dos fungicidas. Neste início, devido à menor frequência de indivíduos resistentes, mesmo fungicidas parcialmente afetados pela resistência apresentam bom desempenho. A menor sensibilidade de Phakopsora já foi reportada aos triazóis (safra 2006/07), estrobilurinas (safra 2013/14) e carboxamidas (safra 2015/16). Estas modificações conferem vantagem sobre os suscetíveis quando expostos aos fungicidas, mas tem
Fungos necrotróficos são os primeiros patógenos que infectam a soja, por estarem presentes na área de cultivo
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Jairo Santos
Agmar Assis
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No grupo de manchas foliares em soja merece atenção a mancha alvo
um custo adaptativo que pode afetar sua sobrevivência na entressafra. Neste período, sua frequência cai mais acentuadamente que a das sensíveis ao fungicida. A ideia aqui em foco é comprometer sua sobrevivência, enfatizando o vazio sanitário e a eliminação das plantas voluntárias. Contrariamente, a safrinha, com aplicação de fungicidas específicos, trabalha a favor da resistência e contra a sustentabilidade da cultura da soja. A obtenção de compostos com mecanismos de ação diferentes dos atuais é cara e demorada. O manejo da ferrugem nos próximos anos dependerá das ferramentas atualmente disponíveis. Mesmo com o desenvolvimento de novos ingredientes ativos, a resistência continuará exercendo sua ameaça, e não pode ser evitada, apenas retardada. A ferramenta mais útil no manejo da resistência é a utilização conjunta de diferentes mecanismos de ação, pelo menos um deles multissítios como os ditiocarbamatos, os cúpricos, o clorotalonil e o fluazinam. Multissítios são utilizados para proteger da resistência os fungicidas ainda não afetados, para recuperar controle naqueles em parte comprometidos, e para substituir os mais afetados. Atual-
Oídio (Erysiphe diffusa) registrou maior presença na safra 2016/17
mente, os multissítios são usados em mistura ou alternância, como coadjuvantes dos específicos, com diferenças significativas em controle da ferrugem e rendimento de grãos. Se a resistência se agravar, é provável que se tornem base do controle químico, sendo complementados com específicos para completar o espectro de controle de outras doenças. Outra alternativa de reforço são as morfolinas, fungicidas inibidores da síntese do ergosterol, porém em enzimas diferentes da desmetilase, onde Phakopsora se alterou para ser menos sensível aos triazóis. Atualmente, o fempropemorfe é a morfolina mais conhecida, e contribui significativamente no controle da ferrugem e rendimento de grãos quando
utilizado uma ou duas vezes no programa de aplicações. As cultivares com resistência a ferrugem também são parte importante do manejo integrado de doenças, assim como a tecnologia de aplicação. Parte dos esforços para controlar a ferrugem e manejar a resistência tende a ser anulada por deficiências na aplicação dos fungicidas, especialmente redução de vazão, não utilização dos adjuvantes recomendados e pulverização sob ambiente inadequado. Cada vez mais, fica evidente que não há uma solução única e simples, e que bons resultados dependem de boas práticas de manejo adotadas C em conjunto. Carlos Alberto Forcelini, Universidade de Passo Fundo
08 • Agosto 2017 • Soja • www.revistacultivar.com.br
Douglas Jobim Vieira
Impactos do clima Deter informações sobre a interação existente entre as condições meteorológicas e a agricultura tem se tornado cada vez mais essencial. E na cultura da soja não é diferente. A agrometeorologia atualmente ocupa espaço importante como ferramenta de gestão para o aumento da eficiência agrícola, por auxiliar a minimizar riscos, melhorar os manejos e maximizar a produtividade
A
agrometeorologia é a ciência que estuda as interações entre as condições meteorológicas e a agricultura. Apesar de ser uma área de extrema importância em termos da produtividade agrícola, sempre ocupou uma posição de menor destaque dentro do contexto prático dos sistemas de produção. A possível razão para esse fato foi a falta de informações me-
teorológicas, tanto pela carência de estações espalhadas pelo país, especialmente nas regiões mais remotas onde se encontravam as áreas de fronteira agrícola, como pela dificuldade de se ter acesso aos dados das séries históricas existentes. Assim, a agrometeorologia ficou, durante muito tempo, destinada a ser uma disciplina básica, sem perspectivas de sua aplicação para a solução de
problemas práticos. Até então, os empreendimentos agrícolas eram estabelecidos por tentativa e erro, havendo diversos casos de insucesso no setor agrícola pelo mau dimensionamento dos impactos do clima nas culturas. As primeiras ações para uso da agrometeorologia como ciência aplicada se deram a partir da década de 1970 com a realização do
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Zoneamento Agrícola do Estado de São Paulo, em que o Zoneamento Agroclimático era parte fundamental. Nesse projeto foram utilizados dados normais de temperatura, chuva e balanço hídrico climatológico e técnicas básicas de interpolação para todo o estado de modo a elaborar mapas de aptidão para mais de 20 culturas anuais e perenes. Além de inovador para a época, esse tipo de zoneamento foi fundamental para a gestão de diversos empreendimentos agrícolas que se iniciavam e também para redefinir outros já estabelecidos. Logo em seguida outros estados também passaram a elaborar seus zoneamentos agroclimáticos, como o Paraná, Santa Catarina, entre outros. Apesar disso, por usar dados médios, esse tipo de ferramenta não permitia se definir o nível de risco que cada área estava sujeita, gerando incertezas, que ao longo do tempo foram se revelando e exigindo estudos mais detalhados. Com o avanço da agricultura para novas fronteiras, onde não havia experiências prévias, as técnicas agrometeorológicas passaram a ser fundamentais para se minimizar os riscos climáticos e, assim, maximizar as produtividades. Em função disso, a partir da década de 90, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) lançou o zoneamento agrícola de risco climático (Zarc), cujo objetivo era definir as regiões aptas aos diversos tipos de cultivo (mais de 40) e as melhores épocas de plantio/semeadura, tendo por base a probabilidade de atendimento das necessidades térmicas e hídricas dessas culturas. Após alguns anos de teste, o Zarc passou a ser uma ferramenta de gestão pública, definindo critérios para a contratação de seguro rural e de financiamento agrícola. Basicamente, o Zarc admitia como de baixo risco os locais que
apresentassem no máximo 20% de insucesso da produção. Atualmente, o Mapa revisou as regras do Zarc e passou a admitir riscos maiores, de 30% e 40%. Com o passar dos anos, com os históricos de frustações de safras e com o avanço tecnológico que proporcionou maior acesso aos equipamentos meteorológicos, os agricultores mais tecnificados passaram a investir em suas próprias estações meteorológicas ou em serviços que possibilitassem obter essas informações. No entanto, o simples acesso aos dados brutos não garantiram que pudessem ser empregados nas tomadas de decisão, já que para tanto, os dados necessitam ser transformados em informações, por meio de técnicas e métodos agrometeorológicos, e essas em ações, sendo esse o princípio básico dos sistemas de monitoramento agrometeorológico. Com base nesses sistemas, que empregam os dados e técnicas de modelagem, a agrometeorologia passou a ser encarada como uma ciência prática, fundamental para a melhoria da gestão do agronegócio, minimizando os riscos, melhorando o manejo das culturas e maximizando as produtividades. Com relação ao manejo, é recente o histórico do uso de técnicas agrometeorológicas para o aumento da eficiência agrícola. Dado o caráter interdisciplinar da agrometeorologia, esta interage com as mais diversas áreas das ciências agrárias, já que o clima e sua variabilidade definem: a aptidão agrícola da região; o genótipo mais adequado para cada local; a população de plantas a ser adotada; a melhor época de semeadura; o tipo de cultivo (sequeiro ou irrigado); a favorabilidade para a ocorrência de pragas, doenças e plantas daninhas e, consequentemente, a necessidade ou não de controle; as condições para o preparo e correção do solo; a
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época mais adequada para realização de operações de campo, como semeadura, adubação, colheita, etc; a necessidade hídrica das culturas e, portanto, a lâmina de água a ser reposta nos sistemas irrigados; a condição para as pulverizações de defensivos, seja via terrestre ou aérea, determinando a tecnologia de aplicação mais adequada para cada caso; e, finalmente, o nível de produtividade a ser obtido. Em função disso, as melhores condições para o manejo das culturas podem ser determinadas por meio do monitoramento agrometeorológico das áreas de produção, de modo a minimizar os problemas decorrentes da realização de operações em condições ou momentos inadequados. Um aspecto de extrema relevância nesse contexto são os sistemas de alerta fitossanitário, que permitem racionalizar o uso de defensivos, ajudando a evitar o uso excessivo de medidas de controle e minimizando a resistência dos patógenos aos produtos disponíveis no mercado. Uma forma de se avaliar a eficácia das ações de manejo das culturas agrícolas é por meio dos diferentes tipos de produtividade e dos conceitos de eficiência climática (EC) e eficiência agrícola (EA). Ao se considerar uma dada cultura agrícola, essa terá sua produtividade potencial (PP) influenciada, basicamente, pela interação entre o genótipo/ população de plantas e o ambiente, representado pela oferta de radiação solar, temperatura do ar e fotoperíodo (fatores determinantes). A PP é um valor teórico, considerando-se a ausência de restrição hídrica e condições ótimas de manejo, ou seja, sem déficits nutricionais e danos por pragas, doenças e plantas daninhas. Em um nível abaixo, vem a produtividade atingível (PA), que além dos fatores determinantes sofre influência do fator limitante, que neste caso
10 • Agosto 2017 • Soja • www.revistacultivar.com.br é o déficit hídrico, considerando-se ainda que o manejo da cultura é ótimo. Sob essa ótica, a PA é a máxima produtividade que pode ser atingida por uma cultura de sequeiro. Finalmente, temos a produtividade real (PR), que além de sofrer os efeitos dos fatores determinantes e limitante é impactada também pela ação dos fatores redutores, que estão associados aos danos causados por ações de manejo inadequadas, resultando na ocorrência de pragas, doenças e plantas daninha, déficits nutricionais, compactação do solo, fitotoxicidade, etc. Com base nessas informações (PP, PA e PR) é possível se dimensionar o efeito associado a cada um dos fatores na produtividade agrícola, definindo a EC (= PA/ PP *100) e EA (= PR/PA *100). Como a PP e a PA são valores teóricos, lança-se mão do uso de modelos agrometeorológicos de simulação de culturas, previamente calibrados e testados, para defini-las. Já a PR é aquela obtida a campo em condições de manejo agrícola que variam de acordo com o nível tecnológico de cada agricultor. Na Tabela 1 são apresentados os dados de PP, PA e PR da cultura da soja dos campeões de produtividade de cada região do país, em áreas auditadas pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), durante a safra 2016/17, para as lavouras de sequeiro, assim como os dados de produtividade real das mesmas localidades reportados pela Companhia Nacional de
Abastecimento (CONAB) e suas respectivas ECs e EAs. Observa-se na Tabela 1 que a PP da soja nas áreas dos campeões de produtividade por região variou de 151 sc/ ha a 166 sc /ha, enquanto que a PA variou de 140 sc/ ha a 151 sc/ha, definido ECs variando de 76% a 96%, o que indica que as condições hídricas ao longo da safra foram bastante satisfatórias. Como essa é uma limitação imposta pelo clima, desde que a lavoura seja bem conduzida, sem limitações de ordem física do solo, a PA define o máximo de produtividade que se poderia obter na região. Ao se analisar as PRs dos campeões do CESB observa-se que os valores superaram 96 sc/ha, demonstrando que a EA foi bastante satisfatória, sendo da ordem de 99% para o campeão geral, situado na região Sul, e de 69% para o campeão da região Nordeste. Valores muito superiores aos encontrados para a média do município de cada campeão, em que as PRs não passaram de 62 sc/ha e a EA esteve sempre abaixo de 41%. Esses resultados são um claro indicativo de que na média das regiões produtoras as condições de manejo agrícola são subótimas, levando a baixas EAs. Dentre as possíveis razões para as baixas eficiências agrícolas, as principais estão relacionadas ao perfil raso dos solos, decorrente da compactação, à escolha ina-
Tabela 1 - Produtividades potencial (PP), atingível (PA) e real (PR) da cultura da soja dos campeões de produtividade de sequeiro do CESB na safra 2016/17 e da CONAB por localidade, representando a região, e suas respectivas eficiências climática (EC) e agrícola (EA) Região S SE CO NE
PP (sc/ha) 166 194 151 176
PA (sc/ha) 151 148 145 140
PRCESB (sc/ha) 149 108 122 96
PRCONAB (sc/ ha) 62 57 55 51
EC
EACESB
EACONAB
91 76 96 80
99 73 84 69
41 39 38 36
Fonte dos dados/análise: CESB (2017); Battisti e Sentelhas (2017); CONAB (2017)
propriada da época de semeadura e ao controle fitossanitário. Em todos esses aspectos, os sistemas de monitoramento agrometeorológico podem contribuir para racionalizar as operações de campo, permitindo assim o aumento da EA. No caso do perfil de solo, o monitoramento do balanço hídrico determina a oferta hídrica e com isso possibilita definir o momento mais apropriado para as atividades de campo, minimizando os riscos de compactação. Com base nesse mesmo balanço hídrico, é possível se determinar o momento mais apropriado para a semeadura, tanto em termos históricos (época mais favorável) como para a tomada de decisão em dado ano. Uma vez que essas medidas de manejo sejam executadas de forma mais eficiente, há a possibilidade de que as PRs da soja se aproximem mais das PAs, elevando a EA. Considerando-se que EAs entre 70% a 80% são valores satisfatórios, os resultados apresentados na Tabela 1 mostram que há uma grande oportunidade de incremento das produtividades da soja em todas as regiões do Brasil, o que provavelmente se aplica também às outras culturas. O aumento da EA está efetivamente associado ao melhor entendimento das influências das condições meteorológicas nas ações de manejo, o que exigirá cada vez mais que o monitoramento agrometeorológico das propriedades agrícolas seja feito de forma eficiente. Nesse contexto, os serviços de agrometeorologia deverão se expandir, exigindo que a agrometeorologia faça parte das estratégias dos produtores, dos consultores, dos extensionistas e C das empresas do setor agro. Paulo Cesar Sentelhas, ESALQ/Usp
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AGROMETEOROLOGIA NA BASF
to das plataformas, consegui- Rede de estações agrometeorológicas do sistema Agrodetecta mos identificar as condições Um dos exemplos é a Plataforma para a infecção de ferrugem de Agrometeorologia da BASF que na maioria dos casos ocorria é suportada pela rede Agrodetecta ainda no estádio vegetativo, composta de mais de 250 estações dessa forma antecipamos a meteorológica localizadas nas princi- primeira aplicação de funpais regiões agrícolas, cobrindo 65% gicidas, realizando de forma da área cultivada de soja no Brasil. mais efetiva o posicionamento Este serviço de agricultura de precisão preventivo. Essa mudança é uma importante ferramenta que au- contribuiu também para o maxilia os agricultores no monitoramento nejo de outras doenças além climático para tomada de decisão, da ferrugem, como as DFC’s, permitindo o controle preventivo destacando-se a Antracnose das doenças, otimização do número e Septoriose. Assim, a maior de aplicações, redução das perdas e segurança, o controle do comaumento da produtividade para os plexo de doenças e a melhor assertivi- recebem alertas sobre a favorabilidade cultivos da soja, milho, feijão, trigo, dade do timing correto das aplicações de ocorrência de doenças e gerar e de fungicidas, trouxeram um novo armazenar dados climáticos históalgodão e cana-de-açúcar. “A principal melhoria e evolução patamar de controle e logicamente um ricos da região onde a fazenda está que ocorre no sistema de produção, novo patamar de produtividade, com localizada. é com relação à conscientização pela aumento de 20% em média, quando BLOG necessidade de realizar o manejo an- comparado ao manejo de aplicações, A plataforma da BASF ainda contecipado de fungicidas na cultura da sem o uso da ferramenta.” ta com o auxílio do Blog Agro BASF Gabriel Zeni - Gerente de Desensoja. Um exemplo marcante de seu com publicações diárias para auxiliar o uso, foi na safra 16/17 onde a primeira volvimento de Mercado BASF Ao utilizar esse serviço os agricul- agricultor no planejamento, na tomada aplicação de fungicidas era realizada próximo aos estádios reprodutivos tores conseguem informações mais de decisão e, principalmente, a criar (R1-R2), porém com o monitoramen- precisas sobre a previsão do tempo, sistemas agrícolas mais resilientes. Nele os agricultores encontram conteúdo Plataforma com publicações diárias para auxiliar o agricultor no planejamento e tomada de decisão técnico de fácil compreensão e aplicação no dia a dia. Através de uma parceria com professores doutores e estudantes da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” - ESALQ, temas relevantes são abordados para a produtividade agrícola nas áreas de Pragas, Doenças, Plantas Daninhas e Fitotecnia, sempre conectando as áreas com Agrometeorologia. Também é possível consultar a previsão do tempo e favorabilidade climática para ocorrência de doenças, disponibilizados pelo BASF Tempo que é suportado pela rede Agrodetecta. O Blog é apresentado em duas versões, portal web (www.blogagrobasf. com.br) e aplicativo disponível em todas as lojas de smartphones (Android, IOS e Windows Phone), trazendo sempre conteúdos exclusivos e atualizados. C Encarte Técnico • Circula encartado na revista Cultivar Grandes Culturas • nº 219 • Agosto 2017 • Capa - Cultivar Reimpressões podem ser solicitadas através do telefone: (53) 3028.2075
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