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Grandes Culturas - Cultivar 192

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Cultivar Grandes Culturas • Ano XVI • Nº 192 • Maio 2015 • ISSN - 1516-358X

Cultivar

Destaques

Nossa capa

Como prevenir - 22

O papel do teste de sanidade e do tratamento de sementes contra doenças fúngicas que afetam soja e milho

Marcelo Madalosso

Índice Diretas

06

Manejo de plantas daninhas

08

Refúgio no plantio de soja Bt

12

Controle de Chloris distichophylla em soja

14

Fungicidas protetores contra resistência

16

Capa - Tratamento de sementes em soja

22

Corda-de-viola em cana

26

Mancha parda em arroz

30

Empresas - Dia de Campo UPL

34

Controle de fitonematoides em algodão 36

Proteção urgente - 16

A ação de fungicidas protetores como auxiliares no manejo de resistência de fungos

Informe - Suplementação nutricional

39

Coluna ANPII

40

Coluna Agronegócios

41

Mercado Agrícola

42

Sucessão criteriosa - 36

Como a cultura sucessora pode interferir na presença de nematoides em áreas de cultivo de algodoeiro

Expediente Fundadores: Milton Sousa Guerra e Newton Peter

REDAÇÃO

COMERCIAL

CIRCULAÇÃO

• Editor

• Coordenação

• Coordenação

Gilvan Dutra Quevedo

• Redação

Rocheli Wachholz Juliana Luz

Charles Ricardo Echer

• Vendas

Sedeli Feijó José Luis Alves

Rithieli Barcelos

Simone Lopes

• Assinaturas

Natália Rodrigues Clarissa Cardoso Aline Borges Furtado

• Design Gráfico e Diagramação

Cristiano Ceia

• Expedição

Edson Krause

• Revisão

Aline Partzsch de Almeida

GRÁFICA: Kunde Indústrias Gráficas Ltda.

Grupo Cultivar de Publicações Ltda. CNPJ : 02783227/0001-86 Insc. Est. 093/0309480 Rua Sete de Setembro, 160, sala 702 Pelotas – RS • 96015-300 Diretor Newton Peter www.grupocultivar.com cultivar@grupocultivar.com Assinatura anual (11 edições*): R$ 239,90 (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)

Números atrasados: R$ 22,00 Assinatura Internacional: US$ 150,00 Euros 130,00 Nossos Telefones: (53) • Geral 3028.2000 • Comercial: • Assinaturas: 3028.2065 3028.2070 3028.2066 • Redação: 3028.2067 3028.2060

Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@grupocultivar.com Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.


DIRETAS Híbridos

Os visitantes da Expoagro Afubra que estiveram no estande da Morgan Sementes e Biotecnologia, marca comercial da Dow AgroSciences, puderam conhecer dois lançamentos de híbridos de milho para lavouras de alto investimento. As parcelas demonstrativas do MG300 e do MG580 estavam em fase de maturação fisiológica, o que permitiu aos agricultores observarem características como sanidade foliar, empalhamento de espiga e o potencial produtivo dos materiais.

Fungicida

A Syngenta destacou durante a Expoagro Afubra o fungicida Elatus. No espaço da companhia o visitante também pôde conferir o portfólio de sementes e as soluções integradas para a cultura da soja. Nas áreas demonstrativas, a empresa mostrou aos produtores as principais variedades de sementes para a cultura da soja e seu portfólio de proteção de cultivos. Outro destaque foi a volta do Avicta Completo para o tratamento de sementes industriais de alta tecnologia.

Proteção

Soja e arroz

A Ihara apresentou na Expoagro Afubra seu portfólio de soluções para as culturas de soja e arroz irrigado. “Divulgamos nossa linha de produtos para o manejo de plantas, pragas e doenças. Os nossos destaques foram os inseticidas Gemstar e Incrível, com foco no pequeno produtor”, explicou o administrador técnico de Vendas da Ihara, Marcos Paulo Dalla Rosa. O Gemstar é um inseticida biológico com foco no controle de Helicoverpa e Heliothis na cultura da soja. Já o Incrível é indicado para o manejo de percevejos nas lavouras de soja e arroz irrigado. “Esta solução oferece ação de choque, maior período de proteção residual e excelente controle das principais espécies da praga”, afirmou o consultor de Desenvolvimento de Mercado, Rudimar Spannemberg.

Treinamento

A Ourofino Agrociência, além de mostrar sua linha completa de defensivos agrícolas, ofereceu aos visitantes da Expoagro Afubra um treinamento sobre identificação e controle de lagartas, incluindo a temida Helicoverpa armigera. A empresa também apresentou o portal "Operação Helicoverpa Aqui Não" (www.ohan.com.br), que reúne informações consolidadas, mapeamento dos locais em que a lagarta foi identificada e artigos técnicos, com o objetivo de alertar e informar os produtores.

06 Maio 2015 • www.revistacultivar.com.br

A UPL lançou na Expoagro Afubra o Unizeb Gold, primeiro fungicida protetor. O produto promete alavancar a produtividade de soja do Brasil. Por controlar doenças através de vários modos de ação, é considerado “Multi Site”, sendo também aliado no manejo de resistência.

Alexandre Becker Rodrigues

Evento

Organizado pela Ourofino Agrociência, o 2º AgroEncontro reuniu aproxidamente mil profissionais do setor canavieiro entre os dias 7 e 10 de abril. O evento ocorreu na Fazenda João Martins, em Guatapará, São Paulo. Este ano o encontro contou com a participação das cooperativas Coplacana, Coopercitrus e Coplana. Para 2016 são aguardadas novidades. “Para a próxima edição, além dos parceiros atuais, nossa meta é trazer novas empresas e tecnologias para o AgroEncontro”, adiantou o gerente de Marketing da Ourofino, Everton Molina Campos. O presidente da Ourofino Agrociência, Jurandir Paccini, explicou o foco da estratégia. “Os objetivos do nosso evento estão relacionados à divulgação de conhecimento para o homem do campo e à oportunidade de debater sobre como o uso de Jurandir Paccini novas tecnologias impacta no agronegócio.”

Congresso

Para discutir as perspectivas para a cultura da soja como aspectos tecnológicos e de mercado global, o VII Congresso Brasileiro de Soja e o VI Mercosoja 2015 serão realizados pela Embrapa de 22 a 25 de junho de 2015, em Florianópolis, Santa Catarina. “É a oportunidade para que a cadeia produtiva identifique problemas, proponha soluções e principalmente consiga ter uma visão de futuro, das perspectivas e dos problemas que teremos pela frente”, avalia o pesquisador da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno, presidente do Congresso Brasileiro de Soja e do Mercosoja.

Alexandre Nepomuceno


Opções

Foco

Os agricultores que visitaram o estande da Agroeste conferiram as opções de híbridos de milho, com destaque para o AS 1666 PRO3, ideal para o plantio no cedo. Superprecoce, segundo o fabricante, a semente oferece alta resposta aos manejos agronômicos, controle de plantas daninhas, pragas e doenças.

Danilo Saulle

No estande da DuPont Pioneer, na Expoagro Afubra, os produtores puderam conhecer a linha de produtos recomendados para o plantio na região Sul, incluindo híbridos de milho, estabilidade, qualidade de grãos e alto potencial produtivo, além de conferir a precocidade e o potencial produtivo das cultivares de soja da marca para o Sul. Segundo o representante Comercial da DuPont Pioneer na região, Danilo Saulle, a empresa destacou na feira híbridos como o P2530, P3161H e 30F53. “Em soja oferecemos produtos com precocidade e alta produtividade, através das cultivares 95R51 e 95Y72.”

Destaque

Presença

A BioGene esteve presente na Expoagro Afubra 2015, lançando o híbrido BG7318YH, um produto de ciclo superprecoce para produtores que querem milho com ciclo mais rápido. Além disso, outro grande destaque da marca foi o híbrido BG7046H posicionado para grão e silagem de alta tecnologia, além do BG7061H, um híbrido superprecoce para plantios do tarde e pós-tabaco. Quem visitou o espaço da empresa na feira pôde conferir também informações referentes ao bom manejo para cultura do milho, como qualidade de plantio, controle de pragas e doenças e fatores que influenciam na obtenção de uma silagem de qualidade.

O destaque da LG Sementes para a Expoagro Afubra foi o lançamento da semente de milho LG 6033 PRO2 com características como maior precocidade com teto produtivo, permitir a colheita mais cedo nos plantios de verão e safrinha, rápida perda de umidade, resposta a tecnologias com alta produtividade, uniformidade de espigas, desempenho superior no verão de alta tecnologia do Sul, transição e cerrado alto e safrinha do cedo no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Sementes

Participação

A FMC Agricultural Solutions participou da Expoagro Afubra com tecnologias voltadas para as culturas de tabaco, soja e arroz irrigado. O destaque da marca para soja foi o inseticida e nematicida Rugby, que é aplicado com o sistema PulverEasy; os inseticidas Hero, o biológico Dipel SC (para manejo de resistência de pragas, inclusive Helicoverpa armigera) e a linha Fertís FMC, com o Seed Fertís, para tratamento de sementes, e o Crop. A companhia ofereceu, ainda, tecnologias para arroz irrigado com os inseticidas Talisman e Mustan, o fungicida Emerald e o herbicida Gamit 360CS.

Os destaques da Nidera Sementes para a Expoagro Afubra foram em milho, o NS 56 PRO (com desenvolvimento de planta e precocidade) e o NS 90 PRO (com qualidade de raiz e colmo e ampla adaptação à safrinha). Já para soja a empresa mostrou o NS 5445 IPRO com superprecocidade, e o NS 6909 IPRO com ciclo médio, ambos com potencial para antecipar o plantio de safrinha de milho.

Fernando Jose Soder (direita)

Tecnologia

A Agroceres focou na Expoagro Afubra a cultivar de milho com ciclo superprecoce AG9025 PRO3, destacando-se no patamar de produtividade, e AG8780 PRO3, que é de ciclo superprecoce para grãos. De acordo com o Assistente Técnico de Sementes, Gustavo Keller, o grande diferencial do material reside na tecnologia PRO3.

Sistema

Everson Gallina, da Monsanto, destacou durante a Expoagro Afubra a importância de combater plantas daninhas resistentes e ainda prevenir novas. “É fundamental que se tenha consciência que não existem produtos ou manejos únicos que resolvem todas as situações, por isso foi difundindo o Sistema Roundup”, alertou.

Everson Gallina

www.revistacultivar.com.br • Maio 2015

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Plantas daninhas são um dos grandes problemas verificados em sistemas de produção de culturas como soja, milho e algodão. Para manejá-las é indispensável que agricultores e técnicos elaborem um plano de ação que considere as diferentes alternativas de controle e épocas de aplicação, com a integração de métodos como o combate químico e cultural

Fotos Donizete Fornarolli

PLANTAS DANINHAS

Solução integrada

A

presença de plantas daninhas causa interferência nos cultivos através da competição com fatores essenciais à produção, como luz, água, nutrientes, espaço e CO 2. Essa competição pode promover sérios prejuízos no rendimento das culturas, por essa razão, infestantes devem ser eficazmente manejados para permitir que a cultura expresse seu máximo potencial produtivo. No foco de produção e manejo, é necessário ampliar a compreensão sobre outras importantíssimas características das plantas daninhas, como facilidade de adaptação e disseminação em diferentes ambientes, grande tolerância aos diversos métodos de controle, alta produção de propágulos, sobrevivência aos estresses e intempéries, a desvalorização que promovem nas propriedades, além de possuírem alta capacidade de sobrevivência. Ao mesmo tempo, daninhas dificultam os mais variados tratos culturais, pois podem promover o efeito “guarda-chuva” ou reter caldas de inseticida ou de fungicidas quando presentes, desenvolvendo-se junto aos cultivos, além de reduzir a velocidade de colheita e exigir maior potência das automotri-

08 Maio 2015 • www.revistacultivar.com.br

zes, o que gera aumento do consumo de combustível, crescimento de impurezas, umidade dos grãos e redução da sua qualidade. Manejar/controlar plantas daninhas é importante para garantia da produtividade. Para manejar daninhas, podem ser utilizados métodos preventivos, biológicos, controle mecânico manual (arranquio ou enxada), controle mecânico tratorizado através de roçagens, arações, gradagens, controle cultural com uso de coberturas vegetais, aproveitando os efeitos dos compostos químicos liberados no ambiente, denominados de alelopáticos ou, ainda, os efeitos físicos dessas coberturas, onde há a supressão significativa de inúmeras espécies vegetais. Além dessas estratégias de manejos, a partir da metade do século passado teve início o uso de uma tecnologia moderna através do emprego de substâncias químicas sintéticas denominadas de herbicidas. No entanto, até o final dos anos 70 e início dos anos 80 eram ainda escassas as quantidades de ativos químicos com espectro de ação, modalidades de uso e seletivos que pudessem atender a todas as expectativas no segmento plantas daninhas, cultivos e manejos. Mesmo com


adoção de tecnologia moderna, os ativos existentes possuíam limitações em tipos de solo, em espectro de ação para as infestantes e seletividades aos cultivos, poucas opções quanto à modalidade de uso e ainda escassez de informações. No início da década de 70, com a descoberta do herbicida glifosato e de outros herbicidas, com amplo espectro de ação para controle de maior número de infestantes, utilizados nos mais diferentes cultivos e com alta seletividade, realmente o cenário tornou-se mais otimista, promovendo melhor harmonia nos sistemas de produção, sendo menos predatório. Mas os reclamos quanto aos custos ainda eram presentes. Um fato marcante após os anos 80 reside no aumento vertiginoso do sistema de cultivo sem revolvimento de solo, denominado de sistema de plantio direto. A partir de então se passou a contar como papel supressor das diferentes coberturas na supressão de inúmeras infestantes, redução ou eliminação total da erosão, melhoria nas características físicas e químicas do solo, melhor otimização das máquinas e por que não dizer uma agricultura mais

Desde 1980 diversas práticas de controle e sistemas de cultivos vêm sendo empregados

limpa e sustentável. Mas os custos altos dos herbicidas ainda estavam inseridos, impedindo a adoção dessa tecnologia pela maioria dos agricultores. A patente da molécula glifosato expirou, no início da década de 90, e possibilitou a extensão das áreas com plantio direto, favorecendo o uso intensivo de alguns herbicidas com um mesmo mecanismo de ação, o que levou à seleção de biótipos resistentes, a exemplo do picão-preto, amendoim-bravo e nabo. A partir de 1995, mundialmente iniciou-se a utilização de novas tecnologias, mas, desta vez, não mais com novos ativos e sim com culturas geneticamente modificadas, com resistência ao herbicida glifosato, em especial a soja, o milho e o algodão. Observou-se o uso indiscriminado, repetitivo deste herbicida em praticamente todas as modalidades de

aplicação antes e durante a implantação dos cultivos de soja, milho, algodão e ainda em cultivos perenes, tais como fruticultura, café e reflorestamentos, e assim os demais herbicidas com os diferentes mecanismos de ação deixaram de ser aplicados, pois a tecnologia mostrava ser eficaz, de fácil uso e baixo custo. Passaram-se poucos anos desde o lançamento oficial da soja RR no Brasil, até a seleção de biótipos resistentes ao glifosato. No Brasil, a primeira espécie registrada foi o azevém (2001), depois a buva (2004), o capim-amargoso (2008) e recentemente o capim-de-rhodes. Fatos marcantes são as expressões e comentários de técnicos e produtores ao relatar que de um ano para o outro houve a invasão de biótipos resistentes de buva e/ou amargoso, nas áreas em que no ano anterior havia apenas algu-

Possíveis sobras ou rebrotes e manejo realizado na pós-semeadura de soja

www.revistacultivar.com.br • Maio 2015

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Fotos Donizete Fornarolli

Manejo efetuado em pré-semeadura

Momentos do manejo em pré e pós-semeadura da soja

mas plantas, contrariando o observado quando da disseminação de picão-preto e amendoim-bravo. Este fato pode ser explicado pelas características biológicas das espécies, onde uma planta de picão-preto pode produzir em torno de seis mil sementes e o amendoim-bravo em torno de 300 a 500 sementes, e por não serem facilmente disseminadas pelo vento. Por outro lado, uma planta de buva pode produzir mais de 200 mil

sementes, enquanto o capim-amargoso gera em torno de duas mil sementes/ panícula, até 30 panículas/planta, podendo resultar de 20 a 60 mil sementes por planta, além de serem facilmente disseminadas pelo vento A presença de azevém, buva e capim-amargoso requer muita atenção, pois pode empurrar alguns agricultores de volta às práticas mecânicas para controle, através da aração e gradagem, utilizadas para reduzir os custos. Tudo isso dentro de uma percepção equivocada de que o gasto se resumiria apenas a combustível, sem incluir a amortização de máquinas, custos de horas de trabalho e baixo rendimento, eficácia do método (que nem sempre responde ao total do investimento direto e indireto) e ainda a não garantia da eficácia efetiva, além dos impactos negativos nas características químicas e física do solo, a erosão e as perdas de toneladas de solo fértil que resultam na inviabilização do ambiente sustentável. Resultados de pesquisa mostraram haver inúmeras alternativas de controle químico com aplicações de herbicidas para buva resistente, tais como chlorimuron, diclosulam, 2,4-D, associados com aplicações sequenciais, de paraquat ou glufosinato ou saflufenacil. Plantas com até 10cm de altura são mais facilmente controladas que as mais desenvolvidas. O controle da buva, assim como das demais espécies, deve começar logo após

Manejo na sucessão milho/soja/milho

10 Maio 2015 • www.revistacultivar.com.br

Cultivo de soja em fase de pré-colheita

a colheita do milho safrinha e continuar até a semeadura da soja. Quando o milho safrinha é conduzido no sistema santa-fé, na presença de brachiária consorciada, promove a redução da presença da buva. O mesmo ocorre em áreas cultivadas com os cereais de inverno. Para o manejo de capim-amargoso existem três cenários. O primeiro se refere à presença de plantas oriundas de sementes em estádios inferiores ou iguais a 30cm, em que o uso de herbicidas graminicidas de pós-emergência específicos são eficientes. O cenário mais complexo ocorre em plantas adultas em pleno florescimento. Para este caso, pode ser adotada a prática das roçagens e quando os rebrotes atingirem em torno de 30cm a 40cm, a aplicação dos herbicidas graminicidas específicos mostrou-se eficiente, embora nesses casos possam ocorrer alguns escapes. Para o terceiro cenário, o mais comum são as plantas adultas sem uso de roçadeiras, onde será necessária a


Testemunhas na etapa de pré-colheita milho/soja/milho no município de Maringá, no Paraná

aplicação de herbicidas graminicidas específicos, em torno de 30 a 60 dias antes da semeadura da soja, em modalidade denominada aplicação de manejo em pré-semeadura. Para esta situação somente o ativo cletodim encontra-se registrado. Deverão ser adequadas as doses, em geral associadas ao herbicida glifosato. Uma única aplicação não elimina as touceiras, e se ocorrer a semeadura em torno de 25 dias depois da aplicação, pode ser necessário, após a emergência da soja, ser aplicados herbicidas graminicidas pós-específicos, desde que registrados. Mas, se ocorrerem ainda novos rebrotes, o controle mecânico manual pode ser efetuado, preparando a área para a implantação da cultura do milho safrinha. No caso da presença de capim-amargoso, buva e de outras folhas largas, a inclusão do herbicida 2,4-D torna-se uma prática comum, associada ao glifosato e aos graminicidas. A aplicação sequencial com herbicidas à base de paraquat ou glufosinato promove maior rapidez na dessecação do capim-amargoso, facilitando o plantio. É possível, ainda, aplicações de glifosato associadas ao cletodim e ao saflufenacil na presença de buva com até 40cm e capim-amargoso. Resultados demonstram que aos 20 dias da primeira aplicação, a associação do glifosato e graminicida ACCase ao saflufenacil promoveu controle adequado da buva e atrasou de forma significativa o rebrote do capim-amargoso após a semeadura da soja. Quando realizada aplicação em pós da soja com graminicida pós-emergente específico, o controle foi bastante efetivo. Tem sido discutidos os possíveis efeitos antagônicos dos herbicidas 2,4-D em inibidores de ACCase, o que de fato ocorre, mas pesquisas têm

mostrado que a intensidade depende do produto, das condições climáticas, estádios, densidade e distribuição das touceiras do capim-amargoso. Os resultados preliminares mostraram que há diferentes respostas dos diversos ativos ACCase quando utilizados isolados para o capim-amargoso e ao mesmo tempo vários níveis de antagonismos, podendo nesta mesma planta daninha chegar a um decréscimo de controle de até 50%. O ativo Cletodim mostrou ser o menos afetado. Em alguns resultados não foi significativo quando aplicado isolado e quando associado. Quando houve antagonismo o índice verificado foi em geral em torno ou abaixo de 15%.

USO DE PRÉ-EMERGENTES

O uso dos herbicidas pré-emergentes está relacionado com a redução do banco

de semente e a prevenção à seleção de biótipos resistentes aos mais diferentes mecanismos de ação. Também busca evitar perdas pela matocompetição inicial e a possibilidade de reduzir uma aplicação de glifosato ou melhorar o controle de espécies tolerantes. Desta forma, de acordo com o histórico de cada área, poderá ser realizada a escolha dos mais diferentes ativos, cada qual com seu espectro de ação Plantas daninhas são um dos grandes problemas em sistemas de produção. Mas existem soluções, por isso é indispensável que os agricultores e os técnicos elaborem e utilizem um plano de ação de manejo das plantas daninhas, levando em conta as diferentes alternativas de controle e épocas de aplicação, e integrando o controle químico com outros métodos, especialmente o controle cultural. C Donizeti Aparecido Fornarolli, Unifil Dionisio Luis Pisa Gazziero, Embrapa-Soja Dana Katia Meschede, UEL Benedito Noedi Rodrigues, Iapar

Controle de daninhas na cultura do milho

Herbicidas graminicidas específicos são recomendados antes da semeadura da soja

www.revistacultivar.com.br • Maio 2015

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SOJA

Refúgio indispensável

Cultivar

A safra agrícola 2015/2016 está prestes a começar no Brasil e tende a ser marcada como a primeira com plantio expressivo de soja Bt para o manejo das principais lagartas dessa cultura. A liberação e a utilização desta tecnologia para cultivo no País na safra 2013/14 são a mais recente novidade no manejo de lagartas nessa cultura. Entretanto, o plantio foi limitado nas duas primeiras safras, principalmente em virtude da pouca oferta de sementes. Essa realidade deve mudar nesta safra que se inicia, o que, junto com os benefícios de um bom manejo das pragas-alvo, traz consigo um grande risco de seleção de insetos resistentes à tecnologia, caso a área de refúgio não seja adotada adequadamente. Portanto, a adoção do refúgio é essencial, não há outras alternativas ao sojicultor

A

primeira geração de soja Bt vem como uma medida de controle das principais lagartas que atacam a soja como a lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis), a lagarta falsa-medideira (Chrysodeixis includens), a lagarta-da-maçã do algodoeiro (Heliothis virescens) e a broca-das-axilas (Crocidosema aporema), e supressão da lagarta helicoverpa (Helicoverpa armigera). Ficam de fora as lagartas do complexo Spodoptera que não são controladas por essa tecnologia, além das demais pragas da cultura como os insetos sugadores (percevejos), por exemplo. É importante destacar que ao mesmo tempo em que o plantio da soja Bt controla as pragas-alvo 24 horas por dia/sete dias da semana, esta tecnologia traz consigo, igualmente, o problema da seleção de insetos resistentes ao Bt 24 horas por dia/sete dias da semana. Portanto, de maneira muito similar ao que ocorre com os inseticidas, a utilização de culturas transgênicas que expressam proteínas inseticidas (plantas Bt) traz grande risco de seleção de populações de insetos resistentes, a menos que as medidas de manejo de resistência sejam corretamente adotadas. Por

isso, com o aumento do plantio da soja Bt no Brasil, a adoção de estratégias para retardar a evolução da resistência a essa tecnologia é absolutamente essencial para a preservação de sua eficiência. O plantio da área de refúgio é parte fundamental das estratégias básicas de manejo de resistência de insetos-praga (MRI) em lavouras que utilizam a tecnologia Bt, além da expressão de alta dose da proteína Bt na cultivar transgênica, o que auxilia a retardar a evolução da resistência por reduzir a frequência inicial de indivíduos resistentes na população. Sendo assim, a adoção correta da área de refúgio torna-se ainda mais importante e é uma medida sem alternativas para os agricultores que cultivarem as plantas Bts. Tomando como exemplo a cultura do milho, com o objetivo de obter um bom aprendizado com as experiências vivenciadas na agricultura brasileira, ao se traçar um paralelo com essa cultura Bt (milho Bt), de plantio por mais tempo no país, observa-se que esta tem disponível no mercado brasileiro hoje eventos que expressam seis proteínas Bts diferentes, de forma piramidada (mais de uma) ou não. Entretanto, após apenas seis anos de cultivo do

12 Maio 2015 • www.revistacultivar.com.br

milho Bt já constam inúmeros casos de falha da tecnologia. Portanto, o sojicultor deve estar ainda mais atento para o manejo da resistência na soja Bt, onde há somente uma proteína inseticida, para que os mesmos erros cometidos com o milho Bt (principalmente a baixa adoção do refúgio) não voltem a ser cometidos. É importante destacar que a área de refúgio consiste na semeadura de um percentual da lavoura realizado adjacente à área cultivada com transgênicos (expressando Bt), mas com cultivares não Bt da mesma espécie, de igual porte e ciclo, de preferência as cultivares isogênicas. Quando não estiverem disponíveis deve-se, pelo menos, utilizar cultivares de igual porte, ciclo e hábito de crescimento, semeadas na mesma data. Como a tecnologia da soja Bt está associada à resistência ao herbicida glifosato, o refúgio precisa ser necessariamente cultivado com soja RR, para não haver o risco de queima dessas plantas com a aplicação do herbicida. O principal objetivo do cultivo da área de refúgio é a redução da pressão de seleção de insetos resistentes a essa tecnologia. Assim, é importante restar claro que, na área de refúgio,


Figura 1 - Ilustração da finalidade da área de refúgio

Figura 2 - Ilustração de possível distribuição da área de refúgio na cultura da soja

Fonte: www.planterefugio.com.br

é necessária apresença de lagartas que serão suscetíveis à toxina Bt, cujas mariposas possam cruzar com possíveis insetos resistentes provenientes da área da lavoura Bt e, assim, originar insetos heterozigotos (Figura 1), que são controlados pela planta Bt. Portanto, não pode haver uso abusivo de inseticidas na área de refúgio, aniquilando a população de insetos presente na área. A área de refúgio precisa produzir economicamente, mas de forma sustentável, garantindo também a geração de insetos suscetíveis à tecnologia. Consequentemente, é fundamental que o manejo da área de refúgio seja realizado de acordo com as normas e filosofia preconizadas pelo manejo integrado de pragas (MIP-Soja). Tecnologias do MIP continuarão sendo essenciais na área de refúgio, assim como na área Bt. Entre elas, a amostragem com o pano de batida e, também, a aplicação racional de inseticidas (aplicação de inseticidas apenas quando os níveis de ação das pragas forem atingidos) continuarão sendo essenciais para o sucesso da agricultura, na área de refúgio e também na área Bt. Plantas Bt vieram para somar ao MIP e não para substituí-lo! É importante ainda salientar que as áreas de refúgio têm um papel preventivo retardando o processo evolutivo de seleção de resistência. Portanto, seu uso é premente, não é possível pensar “nesta safra não posso, na próxima safra começo a usar refúgio”. Ainda existe certa polêmica referente ao tamanho de área que deve ser cultivada com refúgio. Para a soja, as empresas detentoras da tecnologia e o Grupo Técnico-Científico sobre Manejo de Resistência (GTMR) recomendam que, no mínimo, 20% da área com a tecnologia seja de refúgio (Figura 2). Por outro lado, existem defensores de que, com o objetivo de aumentar a durabilidade da tecnologia, essa porcentagem deveria ser 50%. Independentemente de qualquer polêmica, é certo de que a

adoção do refúgio é essencial e precisa ser feita de forma correta para que funcione. Para a correta adoção e manejo da área de refúgio, o entendimento de alguns conceitos é importante. Por exemplo, no campo da genética é primordial saber se os genes de resistência à toxina nas pragas-alvo são recessivos. Além disso, a toxina deve ser expressa na planta Bt em uma dose tão alta (superdose) que elimine as populações de indivíduos heterozigotos para o caráter de resistência. Esses preceitos são de fundamental importância para o manejo da resistência e, assim, garantir a durabilidade da tecnologia. Mesmo considerando válidos esses preceitos mencionados, a adoção errada do refúgio pode comprometer sua funcionalidade. Outro componente essencial para garantir o sucesso das áreas de refúgio é o seu planejamento e distribuição. A distribuição espacial da área de refúgio deve ser de tal maneira que permita o acasalamento dos indivíduos que saem das áreas de refúgio com os indivíduos potencialmente resistentes das áreas com a cultura Bt (Figura 2). Estudos realizados com algumas espécies de lepidópteros (lagarta–do-cartucho-do-milho no Brasil e lepidópteros pragas do milho nos Estados Unidos) indicam que a distância de voo da maior parte das mariposas é de aproximadamente 600m-800m. Considerando essa informação, estabeleceu-se que a maior distância entre uma planta Bt e uma não Bt da área de refúgio adjacente não deve ser superior a 800m. Atualmente, frente aos problemas enfrentados pela não adoção do refúgio do milho Bt e os consequentes relatos de não eficiência da tecnologia, as empresas produtoras de sementes estão estudando a estratégia de adotar a mistura de sementes (Bt e não Bt) no saco, o que é justamente chamado de “refúgio no saco”, e forçosamente obrigaria o produtor a plantar a área de refúgio. Essa modalidade de

refúgio representaria um risco maior, especialmente para os insetos que têm uma capacidade de deslocamento grande entre plantas durante sua fase larval (mobilidade larval). Assim, é importante salientar que essa estratégia, ainda não disponível no Brasil, mesmo que venha a ser adotada no futuro, poderá funcionar para a cultura do milho, onde as lagartas-alvo da tecnologia têm pouca mobilidade larval, mas não deverá ser utilizada na soja. Na soja, as lagartas se movimentam bastante de planta para planta e não há, portanto, a possibilidade de adotar o refúgio no saco. Consequentemente, se a área de refúgio adjacente (refúgio estruturado) (Figura 2) não for empregada pela maioria dos sojicultores, a tecnologia da soja Bt terá uma vida útil extremamente curta. Outra realidade que poderá comprometer a vida útil da soja Bt é o completo abandono do MIP-Soja, que se observa atualmente na maioria do território nacional. A aplicação calendarizada de inseticidas e a desconfiança em relação à segurança da adoção dos níveis de ação, entre outros motivos, têm incentivado um uso abusivo de inseticidas na cultura. Se esse manejo irracional, frequentemente adotado na sojicultora nacional, for também empregado em áreas de refúgio, estas perderão sua função no manejo de resistência, pois não haverá produção de insetos suscetíveis ao Bt. Além disso, as pragas não alvo da tecnologia devem continuar sendo monitoradas. Portanto, assim como a adoção do refúgio, a reativação do MIP-Soja é uma medida sem alternativas para o sojicultor, que caso não realizada, decretará, com certeza, a perda da tecnologia Bt e o aumento dos problemas com pragas na cultura. Adeney de Freitas Bueno, Embrapa Soja Simone M. Mendes, Embrapa Milho e Sorgo

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SOJA

Potencial competitivo

Fotos Universidade Federal do Pampa

Popularmente conhecida como falso-capim-pé-de-galinha, capim coqueirinho ou falso-capimde-rhodes, Chloris distichophylla é uma planta daninha agressiva, que compete com a soja e provoca prejuízos à produtividade. Sua interferência depende de diversas variáveis, mas de maneira geral, quando a emergência ocorre de forma antecipada, causa maiores reduções à matéria seca, à estatura e ao diâmetro de caule em estágios iniciais de crescimento da cultura

D

entre os fatores limitantes da produtividade agrícola, a competição de plantas daninhas com a cultura por recursos do meio, como luz, água, nutrientes e CO2, é uma das mais importantes, que acarreta em significativas reduções na produção e consequente perda econômica no setor agrícola. A competição ocorre quando um ou mais, dos recursos essenciais ao desenvolvimento e crescimento das plantas, se encontra em quantidade limitada para atender às necessidades de todos os indivíduos presentes no meio. A presença de plantas daninhas consiste em um problema economicamente importante para os sojicultores; e, a intensidade das perdas de produtividade de soja, devido a essa competição exercida, varia de acordo com as espécies de plantas ocorrentes na área. Em áreas de lavouras de soja do Noroeste do Rio Grande do Sul, alguns produtores têm dificuldades no manejo da espécie denominada Chloris distichophylla (Lag) (sinonímia: Eustachys distichophylla), comumente chamada de falso-capim-pé-de-galinha, capim coqueirinho ou falso-capim-de-rhodes. Embora amplamente distribuído em regiões tropicais e subtropicais, com várias espécies, inclusive nativas do Brasil, o gênero não apresentava relativa importância em áreas agricultáveis.

Todavia, há relatos de produtores de que esta espécie normalmente habita margens de estradas e por vezes migra para o centro das lavouras. Inicialmente era controlada com o uso de herbicida, porém, atualmente tem-se encontrado dificuldade no seu manejo.

EXPERIMENTO

Com intuito de avaliar as perdas causadas por esta planta daninha nas lavouras de soja foram realizados alguns trabalhos, na busca por avaliar a competição de soja em função de diferentes populações de falso-capim-de-rhodes e a sua interferência na cultura em diferentes épocas de semeadura.

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Os trabalhos foram desenvolvidos no município de Itaqui, Rio Grande do Sul, no período de dezembro de 2013 a junho de 2014, em uma área experimental da Universidade Federal do Pampa. Em campo foi utilizada a cultivar BMX Apolo RR, testada em competição com diferentes populações de falso-capim-de-rhodes (duas, oito plantas daninhas m-2 e 32 plantas daninhas m-2) e uma testemunha mantida sem a presença da planta daninha. Foram avaliados os componentes de produtividade da cultura e também a produção de matéria seca da planta daninha. Os resultados obtidos através do experimento são apresentados na Tabela 1. É possível

Vista das mudas de C. distichophylla (A) e área do experimento (B). Itaqui (RS), 2014


Figura 1 - Matéria seca da parte aérea de plantas de Chloris distichophylla por área. Tabela 1 - Componentes de produtividade da soja em função de diferentes populações Itaqui (RS), 2014 de Chloris distichophylla, Itaqui, RS, 2014 Tratamentos Legumes m-2 Número de grãos m-2 Peso de grãos m-2 (g) T1* 882** A 1685,0 A 201,03 A T2 955 A 1565,0 A 180,80 A T3 820 A 1436,7 A 175,96 A T4 595 A 970,0 B 107,73 B CV (%) 25,3 13,8 11,9

Produtividade (kg ha-1) 2022,1 A 1760,3 AB 1626,4 AB 1356,7 B 12,7

*T1 - Testemunha sem a presença da espécie daninha; T2 - duas plantas m-2; T3 - oito plantas m-2; T4 - 32 plantas m-2. **Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si a 5% de probabilidade pelo teste de DMS de Fischer.

População de C. distichophylla e soja disposta na unidade experimental (esquerda) e vasos com os respectivos tratamentos em casa de vegetação (direita). Itaqui (RS), 2014

observar que as maiores infestações de planta daninha (32 plantas m-2) reduziram o número de grãos por m-2 e o peso de grão por m-2. Além de diminuir a produtividade final da cultura. Para a produção de matéria seca da planta daninha em kg/ha o tratamento que apresentou maior valor foi na maior população de planta, conforme se observa na Figura 1. Com o objetivo de complementar os resultados encontrados a campo, foi realizado outro experimento em casa de vegetação para verificar o comportamento da cultura e da planta daninha em diferentes períodos de emergência. Foram testadas duas cultivares de soja BMX Apolo RR e BMX Potência RR em competição com a espécie C. distichophylla, onde a semeadura das cultivares de soja se deu dez dias antes, junto com C. distichophylla e dez dias após. Foram realizadas avaliações de estatura de planta e matéria seca da parte aérea das cultivares de soja e de C. distichophylla; e diâmetro de caule das cultivares de soja. As variáveis matéria seca, estatura e

A SOJA

A

soja, Glycine max (L.) Merrill, é uma cultura de verão, sendo a principal oleaginosa produzida no mundo. Sua participação é importante na economia de inúmeras propriedades rurais no Brasil, sendo este grão amplamente usado na alimentação humana e animal, principalmente na produção de óleo vegetal e componente de rações. Está entre as principais culturas agrícolas do país, com importante participação no Produto Interno Bruto (PIB).

diâmetro de caule, avaliadas em soja, apresentaram médias menores quando a espécie C. distichophylla foi semeada dez dias antes da soja. C. distichophylla semeada dez dias antes da soja acarretou em 35% de redução da matéria seca da soja, e em 51% de redução na estatura das plantas de soja. O efeito negativo em decorrência da emergência das plantas daninhas antes da cultura relaciona-se com o fato de que nessa condição, as plantas exercem prioridade na utilização dos recursos do ambiente e, em consequência, podem apresentar porte mais elevado e com maior potencial competitivo. A estatura para C. distichophylla semeado dez dias após a soja, teve redução de 36,5%. Já, para a variável matéria seca de C. distichophylla, não houve diferença em relação às diversas épocas de semeadura (dez dias antes ou dez dias depois da soja). O grau de interferência negativa exercido por plantas daninhas na cultura da soja depende da espécie presente e da população em que ocorre; porém, esses fatores podem ser influenciados pela época de Tabela 2 - Matéria seca e estatura média de plantas de Chloris distichophylla em diferentes épocas de semeadura, Itaqui, RS, 2014 Tratamentos T1* T2 T3 T5 T6 T7 CV (%)

Matéria Seca (g) 0,033**B 0,039B 0,095A 0,009B 0,006B 0,035B 35,0

Estatura (cm) 4,77B 4,44B 6,77A 2,45C 2,50C 4,85B 29,4

*T1 - Cultivar Apolo + C. distichophylla; T2 - Cultivar Potência + C. distichophylla; T3 - C. distichophylla; T5 - Potência 10 dias antes de C. distichophylla; T6 - Apolo 10 dias antes de C. distichophylla; T7 - C. distichophylla 10 dias antes da cultivar Apolo. **Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si a 5% de probabilidade pelo teste de DMS de Fischer

emergência das plantas daninhas em relação à cultura. Os dados podem ser observados nas tabelas a seguir. Populações elevadas da espécie Chloris distichophylla podem vir a reduzir o peso de grãos e, consequentemente, a produtividade final da cultura. A interferência de C. distichophylla na cultura da soja em diferentes épocas de semeadura depende de cada variável, porém, de maneira geral, quando a emergência da espécie daninha é antecipada, causa maiores reduções à matéria seca, estatura e diâmetro de caule da cultura da soja em estágios iniciais de crescimento. Salienta-se, assim, a importância no controle e manejo desta planta daninha na C cultura da soja. Aline Berti, Rodrigo Rübenich, Célio Ubiratan M. Taborda, Juliana Gomes Belarmino e Carlos Eduardo Schaedler, Universidade Federal do Pampa Tabela 3 - Matéria seca, estatura e diâmetro de caule das cultivares de soja BMX Apolo RR e BMX Potência RR. Itaqui, RS, 2014 Tratamentos T1* T2 T4 T5 T6 T7 CV (%)

Matéria seca (g) 3,1834**A 1,4220 BC 3,3912 A 2,3290 AB 1,9457 BC 1,1849 C 33,18

Estatura (cm) 16, 438 BC 16,313 BC 21,288 A 17,875 B 13,750 C 10,875 C 11,59

Diâmetro de caule (mm) 0,36 A 0,33 AB 0,35 A 0,34 A 0,33 AB 0,28 B 10,33

*T1 - Cultivar Apolo + C. distichophylla; T2 - Cultivar Potência + C. distichophylla; T3 - C. distichophylla; T5 - Potência 10 dias antes de C. distichophylla; T6 - Apolo 10 dias antes de C. distichophylla; T7 - C. distichophylla 10 dias antes da cultivar Apolo. **Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si a 5% de probabilidade pelo teste de DMS de Fischer

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SOJA

Proteção urgente

Simone Minuzzi

A dramática redução da sensibilidade de fungos à aplicação de fungicidas em soja tem preocupado cada vez mais produtores, pesquisadores e a indústria de defensivos, por ameaçar tecnologias importantes e diminuir as ferramentas disponíveis para manejar doenças como a ferrugem asiática. Neste cenário, a associação de fungicidas protetores às pulverizações pode auxiliar na preservação destas moléculas até que novos ativos surjam

F

ungicidas são agentes de origem sintética ou natural que protegem as plantas contra a invasão de patógenos e/ou são utilizados, para erradicar infecções já estabelecidas Substâncias com propriedades fungicidas já eram utilizadas pelas antigas civilizações, embora de forma bastante empírica. Os povos daquela época, através de suas experiências, descobriram a efetividade de certos produtos contra o que denominavam de pestes. Entretanto, o progresso no conhecimento dos fungicidas ocorreu após o século XVIII, graças aos avanços da química, durante os dois últimos séculos. Após a evolução da química e com o avanço das tecnologias disponíveis o quadro de sensibilidade nos fungos fitopatogênicos nos grandes cultivos de soja, milho, trigo, algodoeiro e feijoeiro tem mudado dificultando a racionalidade e a sustentabilidade do controle de doenças em cultivos para redução do progresso de doença e para que perdas na produtividade não ocorram. Na cultura da soja

esta perda da sensibilidade ocorreu após o uso de moléculas em grande escala desde 2002. Primeiramente os triazóis como o Flutriafol e tebuconazol que perderam ou não foram eficientes em campo desde 2004 para o primeiro e 2005, para o segundo. Ou seja, apresentavam nível de controle menor que 40%. Atualmente, as estrobilurinas (azoxistrobina, piraclostrobina e picoxistrobina), bem como a sua associação com os triazóis não atingem sequer 40 % de controle da ferrugem da soja, em algumas situações, conforme dados ou analise sumarizada do Consórcio anti-ferrugem na safra 2013-2014). (Figura 1). Com este quadro preocupante uma pergunta surge em primeira grandeza: o que está acontecendo no campo? Trabalhos com o monitoramento de isolados de Phakopsora pachyrhizi tem apresentado certa estabilidade da estrobilurinas até 2013 com a concentração efetiva para matar 50% da população de patógeno por volta de 0,05-0,5ppm. Mas, nesta safra esta sensibilidade foi reduzida para

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50-500ppm. Principalmente para azoxistrobina (50-250ppm) e piraclostrobina (250ppm). Enquanto picoxistrobina (4,5-45ppm). E para trifloxistrobina (525ppm). Para uma carboxamida como benzovindiflupir esta concentração efetiva ficou entre 0,5-1,0ppm. Embora não se tenha usado amostras de benzovindiflupir isoladas e sim de benzovindiflupir + azoxistrobina (Elatus). De forma geral os CI50 (concentração inibitória para inibir 50% da germinação), para os fungicidas protetores como o Oxicloreto de cobre e mancozeb ficou entre 50-100ppm. Uma pergunta deve ser reiterada? O que está acontecendo no campo? Desta indagação se deve retirar alguns aprendizados para o manejo correto de patossistemas, como os que ocorrem em soja, para o manejo das doenças como ferrugem (Phakopsora pachyrhizi), mancha alvo (Corynespora cassiicola), oídio (Erysiphe diffusa), antracnose (Colletotrichum dematium var. truncata) e DFCs (doenças de final de ciclo – Septoria glycines e Cercospora kikuchii). Analisando


Figura 1 - Perda da eficácia de fungicidas utilizados no controle da ferrugem da soja após dez safras de uso de triazóis, estrobilurinas e triazóis + estrobilurinas

Figura 2 - Sequência molecular do citcromo b com a presença das mutações e suas respectivas alterações posicionais, bem como as respectivas mudanças genéticas na sequência de aminoácidos. Na visão dos autores a mutação 129L ocorreu em Phakopsora pachyrhizi. Pode ter se dado outras mutações que também afetam a sensibilidade de outros fungos como Erysiphe diffusa e Corynespora cassiicola, pois seu controle em campo foi difícil nesta safra

Fonte: Consórcio Antiferrugem, 2014

ou fazendo um retrospecto é possível perceber redução no residual de fungicidas no campo e perda da sua eficácia, principalmente triazóis e estrobilurinas. Postura americana conservadora e do ponto de vista dos autores correta reside na aprovação pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), desde 2004, do uso de estrobilurinas e triazóis associados a protetores como o clorotalonil. Dificultando o aparecimento de mutações ou perda da sensibilidade dos fungicidas

triazóis ou estrobilurinas. Mesmo em um país, com inverno rigoroso e baixa sobrevivência do patógeno na entre safra, uma vez que existe apenas um cultivo de soja, diferente do Brasil (uso de uma segunda safra ou safrinha). Também é preciso estar atentos para o crescimento da agressividade do oídio no cerrado Brasileiro devido ao uso de germoplasma argentino com menor resistência horizontal (RH) e do agente da mancha alvo que apresentam nenhuma ou reduzida sensibilidade aos benzimida-

zóis. Se houve erros no passado é preciso aprender, com estes os erros e projetar um novo futuro, com o uso de fungicidas como as estrobilurinas, triazóis e carboxamidas nas diversas associações e combiná-los em campo com fungicidas protetores, para reduzir a pressão direcional na população do patógeno, principalmente da ferrugem da soja. Tudo isso enquanto as medidas de manejo complementares, como o vazio sanitário, impedimento da safrinha de soja não sejam totalmente implantadas e


Figura 4 - Desempenho de (A - azoxistrobina + benzovindiflupir (cálculo baseado na concentração do ingrediente ativo da carboxamida benzovindiflupir), B - trifloxistrobina + ciproconazol (cálculo baseado na concentração de trifloxistrobina) e C - ciproconazol nas concentrações crescentes de 0ppm a 100ppm – baixo para cima, para duas populações de Phakopsora pachyrhizi) de MG (Uberlândia – lado esquerdo) e MT (Rondonópolis - lado direito)

Figura 5 – (Desempenho de fungicidas protetores (A - oxicloreto de cobre, B mancozeb e C - amônia quartenária (cloretos de benzalcônio)), nas concentrações crescentes de 0ppm a 100ppm – baixo para cima, para duas populações de Phakopsora pachyrhizi) de Minas Gerais (Uberlândia – lado esquerdo) e Mato Grosso (Rondonópolis - lado direito)

Figura 6 - Germinação de urediniosporos de Phakopsora pachyrhizi em folhas unifoliolares de soja, cultivar Destak, para bioensaio em folha destacada (in vivo) visando avaliar o efeito de fungicidas na germinação. Germinação em câmaras de crescimento a 22 graus Celsius e 90% de UR (nebulosidade), após dois dias de incubação

Fotos Fernando Cezar Juliatti

Figura 3 - Desempenho das estrobilurinas (azoxistrobina, piraclostrobina e picoxistrobina nas concentrações crescentes de 0ppm a 100ppm – baixo para cima, para duas populações de Phakopsora pachyrhizi) de Minas Gerais (Uberlândia – lado esquerdo) e Mato Grosso (Rondonópolis - lado direito). A - azoxystrobina, B - piraclostrobina e C - picoxistrobina

se tornem plenamente eficazes. Ou ainda surjam genótipos com resistência estável. Sem duvida os fungicidas protetores vieram para ficar. Estudos realizados pela Bayer, na Alemanha, por meio da equipe do pesquisador Andreas Mehl mostram que a mutação na posição 129 (Figura 2) no fungo Phakopsora pachyrhizi reduziu ou limitou o acoplamento da enzima mutante com o fungicida trifloxistrobina, mas por outro lado reduziu a sua inativação que levou a uma menor sensibilidade do mutante 129L, devido a uma associação mais apurada e forte na estrutura molecular

tridimensional para azoxistrobina e piraclostrobina. A estrobilurina picoxistrobina ficou em uma posição intermediaria, o que coincide com os estudos “in vivo” do “baseline” (folhas destacadas em caixa gerbox – Figura 3) realizados na UFU, na safra 2014-2015, para duas populações de Minas Gerais e Mato Grosso. A molécula picoxistrobina apresentou um CI50 entre (5-50 ppm), para duas populações de ferrugem avaliadas em câmara de crescimento a 22 o Celsius (Mato Grosso – Rondonopolis – Grupo Girassol e Uberlândia – Minas Gerais). Sem dúvida a realização

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do baseline (monitoramento de resistência), com folhas destacadas melhoraram a confiabilidade dos resultados quando se analisa a germinação dos urediniosporos sobre folhas unifoliadas de soja e não em ágar-água (Figura 3, 4, 5 e 6). Outro fato que chama a atenção é que no controle do complexo de doenças, moléculas de grande importância no combate à ferrugem não apresentam controle ou proporcionam baixo desempenho em doenças como a mancha alvo (Corynespora cassiicola) e míldio pulverulento (oídio) (Erysiphe diffusa). As interações regionais


Fotos Fernando Cezar Juliatti

Juliatti, Bortolin e Nayara abordam sensibilidade de fungos a fungicidas

ou locais de cultivares e fungicidas devem ser destacadas. Notadamente o uso de cultivares de crescimento indeterminado. Em genótipos de ciclo precoce, em função do seu lançamento no mercado brasileiro anualmente, apresentam uma meia vida curta, em função da busca crescente de produtividade e do surgimento continuo de novos genótipos, com baixa resistência horizontal, o que dificulta o manejo químico com fungicidas. A tabela 1 apresenta uma relação entre espectro de controle e eficácia para o espectro do controle de doenças na cultura da soja. A posição pessoal do autor é de que em todas as pulverizações com triazóis + estrobilurinas, ou carboxamidas + estrobilurinas e futuramente triazóis + carboxamidas + estrobilurinas devem-se associar um protetor ou fungicida de contato, em todas as pulverizações no dossel de soja. Independentemente do ciclo da cultivar e do hábito de crescimento (determinado ou indeterminado). Notadamente devem ser utilizadas estratégias complementares de manejo da resistência, como o impedimento do cultivo de soja na safrinha para que o sucesso das medidas preconizadas e o manejo de fungicidas tenha sustentabilidade. Novas moléculas para os próximos dez

Perda do efeito residual e eficácia de fungicidas triazóis, estrobilurinas e suas associações no controle de ferrugem, oídio e mancha alvo da soja em dez experimentos e 150 fungicidas ou tratamentos (600 parcelas em campo)

anos no controle da ferrugem da soja não tem se revelado, o que preocupa muito os especialistas que trabalham com a cultura da soja. Avanços no controle químico das doenças da soja ocorreram como a combinação de um triazol + radical enxofre (Triazolintiona), o que reduz as chances de mutação para um único ativo, bem como as carboxamidas (SDHIs – complexo II do citocromo b)- atuação na rota da succino – desidrogenase, diferente das estrobilurinas (Quinona-oxidase – complexo III). Mas, a utilização de fungicidas protetores (cúpricos, ditiocarbamatos, nitrilas, etc.)

associados em todas as pulverizações a estes grupos químicos como modo de ação específico preservarão estas moléculas até que novos ativos surjam, o que ajudará em muito no manejo dos patógenos nos grandes cultivos. Também deve-se ressaltar o risco da resistência múltipla entre os grupos das estrobilurinas e carboxamidas. C Fernando Cezar Juliatti, Daniel Inserra Bortolin e Nayara Baute, Universidade Federal de Uberlândia

Tabela 1 - Disponibilidade de fungicidas com modo de ação, espectro de controle e eventual risco de resistência dos fitopatógenos na cultura da soja Grupo químico Estrobilurina Estrobilurina Estrobilurina Estrobilurina Carboxamida Carboxamida Carboxamida Benzimidazol Benzimidazol Triazol Triazol Triazol Triazol Triazolintiona (Triazol + Enxofre) Cúpricos Ditiocarbamatos Nitrilas Fenilpiridinilamina Cúprico + amônia quartenária

Ativo Azoxistrobina Piraclostrobina Picoxistrobina Trifloxistrobina Fluxapiroxade Benzovindiflupir Bixafen Carbendazin Tiofanato metilico Tebuconazole Ciproconazole Hexaconazole Difeconazole Protioconazol Oxicloreto de cobre Mancozeb, Propineb e Metiram Clorotalonil Fluazinam Sulfato de cobre + cloretos de benzalcônio

Doença em soja Ferrugem, mancha alvo, mela e oidio Ferrugem, mancha alvo, mela e oidio Ferrugem, mancha alvo, mela e oidio Ferrugem, mancha alvo, mela e oidio Ferrugem, mancha alvo, DFCs e oidio Ferrugem Ferrugem, mancha alvo, DFCs e oidio DFCs, mofo branco, antracnose e oidio DFCs, mofo branco, antracnose e oidio Ferrugem, oidio e DFCs Ferrugem, oidio e DFCs Ferrugem, oidio e DFCs Oídio, antracnose e DFCs Ferrugem, antracnose, DFCs e mancha alvo Oidio, DFCs e Ferrugem Ferrugem, mancha alvo e DFCs Ferrugem, oídio e DFCs DFCs, oídio e mancha alvo Ferrugem, mancha alvo e oidio

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Espectro de controle 30-40 % 30-40 % 40-50 % 50-60 % 70-80 % 95 % 40 % 50 % 50 % 40 % 40 % 40 % 70 % 80 % para FAS e 60 % para as demais 30-40 % 40-50 % 40-50 % 35-45 % 30-40 %

Risco de resistência Médio Médio Médio Médio Médio Médio Médio Alto Alto Médio Médio Médio Médio Baixo Baixo Baixo Baixo Baixo Baixo


CAPA

Tiro certo

Fotos Instituto Phytus

Com incidência cada vez mais precoce de problemas fitossanitários associados à transmissibilidade por semente contaminada, realizar o teste de sanidade, ferramenta eficaz e de baixo custo, é fundamental para adotar o tratamento adequado com fungicidas e reduzir a quantidade de inóculo inicial transmitido para plantas de soja e milho

A

safra agrícola 2015 iniciou com perspectivas bastante positivas, tanto em aumento de área plantada quanto em estimativa de produtividade das culturas de soja e milho. Tudo isso permite ao produtor um aumento de investimentos em máquinas, fertilizantes e sementes. Porém, é preciso considerar que junto com o aumento de áreas plantadas também crescem os problemas fitossanitários causados principalmente por insetos e doenças. Apesar do cenário bastante otimista para a safra de verão 2015, novamente um das principais dificuldades enfrentadas, especialmente na cultura da soja, tem sido os problemas de emergência e estabelecimento das plântulas. Esse tipo de problema pode ser explicado tanto pela qualidade fisiológica das sementes quanto e, principalmente, pela sua qualidade sanitária. A patologia das sementes vem, a cada ano, ganhando mais importância, tanto do ponto de vista dos produtores quanto de técnicos, sendo uma importante ferramenta de auxílio na tomada de decisão de qual fungicida utilizar para o tratamento de sementes. O que se tem observado nessa safra, principalmente na cultura da soja, é o fato de a maior parte das doenças vir junto com a semente, ou seja, são transmitidas por elas, fazendo com que essas sementes contaminadas sejam a fonte de inóculo inicial das principais doenças que causam danos na cultura, assim como no milho. Nesses casos, os danos causados no estande da lavoura são ainda maiores, acarretando, em muitos casos, o replantio de grandes áreas.

FERRAMENTA DE ESCOLHA

A semente, de maneira geral, constitui-se na forma mais eficiente de disseminação de patógenos necrotróficos a longas distâncias. Portanto, é de grande importância o conhecimento de quais espécies estão presentes no lote. Da mesma forma que os seres humanos, ao apresentarem sintomas de uma doença realizam uma série de exames para direcionar o tratamento, a análise sanitária das sementes que irão para o campo determinará quais patógenos e em que quantidades estão presentes no lote. Assim, será possível determinar qual fungicida em tratamento de sementes deve ser utilizado. Na cultura da soja, diversas doenças podem ser transmitidas pelas sementes, sendo que as de maior relevância para discussão são Fusarium spp, Cercospora

22 Maio 2015 • www.revistacultivar.com.br


Fotos Dirceu Gassen

Acérvulos de Colletotrichum truncatum e de Phomopsis spp. em sementes de soja

kikuchii, Colletotrichum truncatum, Sclerotinia sclerotiorum, Diaporthe/Phomopsis, Phytophthora sojae e Pythium spp, Rhizoctonia solani, Diplodia macrospora e D. maydis, Aspergillu ssp. e Penicillium sp. Fusarium spp. causa síndrome da morte súbita na soja, responsável por apodrecimento de sementes, tombamento de plântulas e morte da planta da metade para o fim do ciclo da cultura, acarretando maiores perdas quando se manifesta entre V5 e R1, em função do abortamento de flores e vagens. Esse gênero também causa danos na cultura do milho, acarretando doenças do colmo (Fusarium graminearum) e podridão da espiga (F. moniliforme). Cercospora kikuchii é uma doença conhecida por mancha púrpura ou crestamento foliar de cercospora, facilmente identificada pela coloração púrpura das sementes. As sementes infectadas irão originar lesões primárias nos cotilédones e hipocótilo, iniciando, dessa forma, o ciclo primário da doença. Alguns dados demonstram que a transmissibilidade do patógeno via semente é em torno de 30%. Colletotrichum truncatum causa a antracnose da soja, uma doença que, uma vez na semente, provoca a morte antes ou logo após a emergência. Além disso, ao ser transmitida para o cotilédone, se iniciará o ciclo primário da doença, em que as plantas que emergem apresentam cancros com frutificações do patógeno (setas) bem visíveis, a partir do qual se iniciará a infecção de hastes e folhas. A taxa de transmissibilidade dessa doença é de aproximadamente 10%. Esse mesmo gênero também provoca uma

importante doença no milho, o fungo Colletotrichum graminicola, agente causal da antracnose, causando manchas escuras, de aspecto brilhante e com formato alongado. As plantas infectadas apresentam murcha das folhas. É também uma doença transmitida pela semente. Sclerotinia sclerotiorum ou mofo branco é outra doença que merece atenção por parte do produtor por ser altamente destrutiva e com uma transmissibilidade via sementes de 40%-70%. É uma das doenças capazes de interferir desde a germinação até e, principalmente, o florescimento da soja. O tratamento de sementes no caso dessa doença é de fundamental importância, pois o patógeno é encontrado no tegumento, local onde se inicia o processo infeccioso. Uma vez introduzido na lavoura e tendo condições ambientais favoráveis o fungo aumenta a quantidade de escleródios para as safras seguintes. Diaporthe/Phomopsis é um complexo patogênico que tem apresentado crescente importância nas últimas safras, causando perdas de produtividade, estando associado a várias doenças: a seca da haste e da vagem, o cancro da haste e a podridão da semente. Apesar da principal forma de controle ser a utilização de cultivares resistentes, o tratamento de sementes com fungicidas do grupo dos benzimidazóis (tiofanato metílico, carbendazim e thiabendazol) reduz a transmissão da doença e é recomendado para o controle. Phytophthora sojae e Pythium spp. são conhecidos por causar as podridões radiculares e ocorrem mais frequentemente em solos úmidos. Pythium sp. costuma

Sintomas de Rhizoctonia sp. em plântula de soja

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Fotos Instituto Phytus

Figura 1 - Eficiência do tratamento de sementes sobre Aspergillus flavus em soja

Aspergillus sp. em semente de milho

ter alta incidência em condições de temperaturas mais baixas do solo. O tratamento de sementes é fundamental, especialmente no caso de Phytophthora sojae, que vem causando perdas consideráveis. Os danos em função de P. sojae são apodrecimento de sementes, morte de plântulas e planta adulta em qualquer fase de desenvolvimento. Fungicidas contendo metalaxil e mefenoxam apresentam eficácia de controle em tratamento de sementes sobre esse patógeno. Já no milho, Pythium aphanidermatum é o principal problema de raiz em milho cultivado sob pivô central. Se logo após a semeadura as condições forem de temperaturas amenas, juntamente com o solo saturado, essa doença poderá causar problemas na emergência, tombamento e subdesenvolvimento de plantas. Rhizoctonia solani é um fungo polífago que pode causar tombamento de plântula e podridão na haste e da raiz, tanto em soja quanto em milho. Entretanto, seus danos costumam ser mais severos na soja. Normalmente o patógeno é identificado por lesões castanho-avermelhadas nas raízes logo abaixo do nível do solo, ocorrendo estrangulamento do tecido afetado e morte das plantas. Diplodia macrospora e D. maydis

são responsáveis por podridões da base do colmo, além de podridão da espiga e, consequentemente, infectam as sementes, sendo também transmitidas por elas. Essa doença distingue-se por causar manchas foliares alongadas que se caracterizam pela fácil identificação do ponto de infecção do patógeno. Aspergillus sp. e Penicillium sp. causam danos nas duas culturas, sendo que, quando a semeadura ocorre em solos muito secos e em profundidades superiores às recomendadas, ambos são causa de apodrecimento de sementes, prejudicando o estande.

SELETIVIDADE DE FUNGICIDAS

Quando se pensa no ganho com a utilização do tratamento de sementes, é importante ter conhecimento da seletividade de cada ingrediente ativo frente aos patógenos transmitidos pelas sementes. Certamente o ideal seria se os tratamentos proporcionassem controle total sobre os fungos, entretanto, na prática isso não ocorre. A rigor, o tratamento de sementes exerce dois princípios de controle de doenças: a erradicação e a proteção. O primeiro incide sobre a presença já estabelecida do(s) patógeno(s) sobre a semente, efetuando o seu controle efetivo; o segundo estabelece a proteção

Figura 2 - Eficiência do tratamento de sementes sobre Pythium sp. em soja

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da semente sadia contra patógenos que estão presentes no solo e podem atuar de forma deletéria à sua viabiliadade. As particularidades com relação ao controle efetivo de cada produto estão diretamente relacionadas com a porcentagem de incidência nas sementes, com a capacidade de transmissão para plântulas, com a qualidade no momento do tratamento (cobertura homogênea), bem como com a sua formulação comercial. Principalmente no caso do milho, onde há lotes de sementes de diferentes tamanhos, essa cobertura, por vezes, é prejudicada, reduzindo o controle, visto que o objetivo do fungicida é erradicar os patógenos que estão na superfície das sementes. A seguir, são apresentados alguns dados de eficiência de quatro fungicidas comerciais utilizados para tratamento de sementes em soja. De acordo com a Figura 1, os melhores controles de Aspergillus flavus foram obtidos com a utilização de piraclostrobina + tiofanato metílico + fipronil na dose de 0,2L/100kg de sementes, com 88,9% de eficácia sobre o patógeno. O segundo melhor controle foi obtido com os fungicidas tiofanato metílico+ fluazinam (0,215L/100kg de sementes) e carboxina + thiram (0,25L/100kg de sementes), que obtiveram 72,2% de controle sobre

Figura 3 - Eficiência do tratamento de sementes sobre Sclerotinia sclerotiorum em soja


o patógeno. Já no caso de Pythium sp. em soja, a Figura 2 mostra que os fungicidas com melhor desempenho sobre o patógeno foram: piraclostrobina+ tiofanato metílico + fipronil, na dose de 0,2L/100kg de sementes, carboxina + thiram (0,30L/100kg de sementes) e fludioxonil + metalaxyl−m (0,10L/100kg de sementes). Como já citado anteriormente, apesar de alguns produtos apresentarem um amplo espectro de ação, controlando uma boa parte dos fungos transmitidos por sementes, a maioria apresenta especificidade para alguns grupos. Isso pode ser observado nos resultados apresentados, sendo que, no caso de Sclerotinia sclerotiorum todos os fungicidas testados apresentaram controle efetivo sobre o patógeno, com exceção da dose mais baixa de carboxina + thiram (Figura 3). Se for utilizado como exemplo lote de sementes de soja com uma incidência de 5% de Colletotrichum truncatum, considerando a taxa de transmissão média desse patógeno em torno de 10%, se teria um hectare de soja (300 mil plantas) aproximadamente 1.500 novos focos da doença, caso a semente não fosse tratada e considerando condições ambientais favoráveis. Se empregado nesse lote um tratamento de sementes com 80% de eficácia, se reduziria esse inóculo inicial para 300 plantas com potencial de inóculo da doença. No caso de uma doença policíclica como a antracnose, essa redução teria grande impacto na redução de danos. Na cultura do milho, atenção especial deve ser dada ao tombamento causado por Pythium spp. Inicialmente aparecem lesões aquosas, semelhantes àquelas causadas por bactérias. Com a evolução dos sintomas, a raiz principal da plântula apresenta coloração marrom-escura, paralisando seu crescimento e, na tentativa de compensar, várias raízes adventícias surgem. Como

Tabela 1 – Incidência de Pythium sp. em milho (Sprint TL) com diferentes tratamentos. Itaara, RS, 2013 4 DAS Tratamento Dose (L, Kg/100g sem) Testemunha inoculada Tiof. Met.+ Fluaz.A 0,18 Fludiox+ metalaxyl-m 0,10 Carb. +ThiramA 0,25 Carb. +ThiramA 0,30 C.V. 1

A 42.9 0.0 0.0 0.0 0.0

B 42.9 0.0 0.0 14.3 0.0

C 57.1 14.3 0.0 14.3 0.0

D 42.9 14.3 0.0 14.3 0.0

Médias 46.4 7.1 0.0 10.7 0.0

p<0,051 c a a a a

17/5/2013 Eficiência (%) 0.0 84.6 100.0 76.9 100.0 66,37

Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey (p < 0,05). Estádio de Aplicação: A - Tratamento de sementes.

Tabela 2 - Incidência de Pythium sp. em milho (Sprint TL) com diferentes tratamentos. Itaara, RS, 2013 7 DAS Tratamento Dose (L, Kg/100g sem) Testemunha inoculada Tiof. Met.+ Fluaz.A 0,18 Fludiox+ metalaxyl-m 0,10 Carb. +ThiramA 0,25 Carb. +ThiramA 0,30 C.V. 1

A 57.1 14.3 0.0 42.9 0.0

B 57.1 14.3 0.0 28.6 0.0

C 71.4 28.6 0.0 42.9 0.0

D 71.4 28.6 0.0 42.9 0.0

Médias 64.3 17.9 0.0 32.1 0.0

p<0,051 d ab a bc a

20/5/2013 Eficiência (%) 0.0 72.2 100.0 50.0 100.0 64,05

Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey (p < 0,05). Estádio de Aplicação: A - Tratamento de sementes.

Tabela 3 - Incidência de Pythium sp. em milho (Sprint TL) com diferentes tratamentos. Itaara, RS, 2013 12 DAS Tratamento Dose (L, Kg/100g sem) A Testemunha inoculada 100.0 Tiof. Met.+ Fluaz.A 0,18 57.1 Fludiox+ metalaxyl-m 0,10 14.3 Carb. +ThiramA 0,25 71.4 Carb. +ThiramA 0,30 0.0 C.V. 1

B 100.0 42.9 0.0 71.4 0.0

C 85.7 28.6 14.3 57.1 14.3

D 100.0 42.9 14.3 42.9 14.3

Médias 96.4 42.9 10.7 60.7 7.1

p<0,051 d bc ab cd ab

20/5/2013 Eficiência (%) 0.0 55.6 88.9 37.0 92.6 47,87

Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey (p < 0,05). Estádio de Aplicação: A - Tratamento de sementes.

esse patógeno ataca diversas culturas, o tratamento de sementes é a prática mais viável de controle. Em testes realizados com inoculação artificial de Pythium sp. para avaliar a seletividade de alguns fungicidas, constatou-se que aos 4 DAS todos os fungicidas apresentaram controle sobre Pythium sp (Tabela 1). Os fungicidas fludiox + metalaxyl−m (0,10L/100kg. de sem.) e carboxina + thiram (0,30L/100kg de sem.) proporcionaram residual de controle de Pythium sp. até os 12 DAS do milho

Caroline, Júlia, Graciele e Balardin detalham tratamento de sementes em soja e milho

(Tabelas 2 e 3). O início cada vez mais precoce de problemas fitossanitários, assim como o surgimento das manchas na área foliar da lavoura, causadas por patógenos necrotróficos, tem como um dos pontos fundamentais a transmissibilidade pela semente contaminada. Assim, o sucesso de todo o programa de aplicações a ser realizado na área foliar está condicionado a um tratamento de semente assertivo que reduzirá a quantidade de inóculo inicial a ser transmitida para a planta. Portanto, o teste de sanidade de sementes é uma ferramenta de baixo custo e fundamental para orientar o técnico sobre qual produto precisa ser adicionado à semente, reduzindo a transmissão para futura parte aérea C da planta. Caroline Almeida Gulart, Júlia Mantelli e Gracieli Rebelatto, Instituto Phytus Ricardo Balardin, Univ. Federal de Santa Maria

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CANA

Divulgação

Estratégias racionais O manejo correto das diferentes espécies de corda-de–viola em cana-de-açúcar exige medidas adequadas, com racionalidade e critério, para que se obtenham resultados positivos concretos, capazes de auxiliar o setor sucroenergético a superar os desafios para o aumento das produtividades médias

U

m dos principais desafios no sistema de produção de cana-de-açúcar é definir e adotar estratégias eficazes para o manejo de plantas daninhas na cultura, pois sua interferência pode causar reduções significativas em até 80% da produtividade, na qualidade da cana-de-açúcar, reduzir a longevidade do canavial (três a cinco cortes viáveis em média), além de aumentar os custos de produção em aproximadamente 30% para cana-soca e 15% a 20% para cana planta. Negrisoli et al (2010), Victoria Filho et al (2004), Toledo et al (2004), Azania et al (2002), dentre outros, apontam que existe elevada diversidade de espécies de plantas daninhas presentes em cana-de-açúcar em virtude da ampla presença dessa cultura em

diferentes regiões produtoras do Brasil, o que dificulta ainda mais a definição de um manejo assertivo para este problema. As diferentes espécies de cordas-de-viola, particularmente as pertencentes aos gêneros Ipomoea e Merremia (Família Convulvolacea), bem como outras plantas daninhas com caules e ramos volúveis, ou seja, trepadeiras, como melão-de-São-Caetano (Momordica charantia), bucha (Luffa aegyptica), mucuna-preta (Mucuna pruriens), soja-perene (Neonotonia wihgtti ou Glycine wihgtii) têm se destacado, em termos de frequência e densidade, como plantas daninhas em áreas de cana queimada e crua (Silva, 2006, Alves 2007 e Toledo et al 2008). As principais espécies de cordas-de-viola observadas nos canaviais são Ipomoea grandifolia ou I. triloba, I. hederifolia, I. qua-

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moclit, I. nil, I. purpúrea, Merremia cissoides e M. aegyptia (Figura 3). No entanto, plantas daninhas que apresentam sementes grandes e elevada quantidade de reservas, como amendoim-bravo ou leiteiro (Euphorbia heterophylla), várias espécies de corda-de-viola dos gêneros Ipomoea e Merremia, mamona (Ricinus communis), mucuna-preta (Mucuna pruriens) e bucha (Luffa aegyptica) passaram a apresentar altas infestações em áreas de cana crua (Velini e Negrisoli, 2000; Martins et al, 1999; Pitelli, 1995; Gravena et al, 2004; Azânia et al, 2002; Silva, 2006; Toledo et al, 2004, Toledo et al 2007 e Toledo e Negrisoli, 2011). O desenvolvimento das plantas ocorre mesmo na fase de maior crescimento dos canaviais, e as plantas adultas se entrelaçam aos colmos e às folhas, interfe-


Figura 1 - Principais Regiões produtoras de cana-de-açúcar no Brasil totalizando 9 milhões de hectares, com produtividades médias de 78 a 55t.ha-1 e os principais fatores para atingir o potencial de produção de 100t.ha-1

Tabela 1 - Períodos de controle das plantas daninhas em cana-de-açúcar em função da infestação e diferentes épocas do ano Cana-de-açúcar com infestações de gramíneas e folhas largas Cana-planta (de ano e ½) Cana-planta (de ano) Cana-soca (brotação na semi-seca e seca) Cana-soca (brotação na semi-úmida e úmida) Canaviais com alta infestação de cordas-de-violas Cana-planta (de ano e ½ ou de ano Cana-soca - brotação úmida, semi-seca, seca e semi-úmida)

rindo negativamente no desenvolvimento da planta, nas práticas culturais e na colheita. Por ocasião da colheita, seus frutos e suas sementes podem se encontrar ainda ligados à planta-mãe, favorecendo a disseminação pela colhedora para médias e longas distâncias. Apesar da importância das cordas-de-viola nos canaviais, poucos são os estudos sobre a redução de produtividade e a necessidade de definição dos períodos críticos de interferência e de controle das diferentes espécies de cordas-de-viola nas diversas épocas de plantio e de colheita da cana-de-açúcar (Figura 4) Por outro lado, alguns pesquisadores como Silva (2006) relatam em estudos realizados em cana-soca em área pertencente a Andrade Açúcar e Álcool que a cana-de-açúcar, ao conviver com a corda-de-viola (Ipomoea hederifolia) por longos períodos (> 150 dias), registrou redução de produtividade de 46% (Figura 5). Os resultados obtidos por Silva (2006) são muito importantes, pois sugerem que o manejo de corda-de-viola deve ser realizado com herbicidas pré-emergentes de longo efeito residual (Tabela 1). O uso de herbicidas seletivos à cana-de-açúcar, com amplo espectro e residual de controle, aliado à flexibilidade de aplicação no manejo de áreas pré-plantio, em cana-planta e cana-soca em diferentes épocas do ano, proporciona melhores resultados de controle das plantas daninhas em todas as fases do sistema produtivo, além da significativa redução dos níveis de infestação ao longo dos anos, o que consequentemente irá reduzir os custos com aplicações complementares e repasses de herbicidas, tendo como reflexo o aumento de produtividade (Figura 6). É importante considerar, dentre as estratégias de manejo, alternativas para a desinfestação das áreas já na erradicação dos canaviais anteriores e/ou na dessecação das plantas daninhas. Em alguns casos, recomenda-se a associação de herbicidas com ação residual ao glifosato para auxiliar na velocidade de

dessecação e no residual, reduzindo assim a deposição de sementes de plantas daninhas no solo. Posteriormente, indicam-se aplicações de

Dias de controle 90 a 150 90 a 120 90 a 100 70 a 90 > 120 a 150 >150 a 210

herbicidas em pré-plantio incorporado (PPI) e em pré-emergência (PRE) após o plantio do canavial, a fim de reduzir o banco de sementes no solo e facilitar assim o controle com o herbicidas pré-emergentes ou pós-emergentes iniciais utilizados depois do nivelamento do solo (quebra-lombo), eliminando assim completamente a interferência das plantas daninhas na cana-de-açúcar.

Figura 2 - Evolução do sistema produtivo de cana-de-açúcar com avanços nas áreas de colheita mecanizada e a seleção de diferentes espécies de corda-de-viola dificultando ainda mais a definição de estratégias de manejo de plantas daninhas com alta performance

Figura 3 - Principais espécies de corda-de-viola selecionadas em áreas de cana-de-açucar com diferentes respostas e tolerância a alguns herbicidas

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Tabela 2 - Herbicidas registrados para a aplicação em pré-emergência, pós-emergência inicial, pós-emergência média a tardia para o controle de plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar Mecanismo Ação (MoA) Inibidores de Fotossíntese (FSI) inibidores de Fotossíntes (FSII)

inibidores de pigmentos

inibidores de auxinas arseniacais inibidores de divisão celular

inibidores da Protox

inibidores ALS

inibidores de EPSPS inibidores de FSII + ALS inibidores de FSII + Pigmentos inibidores de FSI + FSII

ingrediente ativo (i.a.) paraquat diruon hexaxinone diuron + hexazinone ametrina amicarbazone metribuzin tebuthiuron clomazone isoxaflutole mesotrione 2,4-D 2,4-D + picloran MSMA s-metalachlor pendimentalin trifluralin acetolachlor carfentrazone-ethyl sulfentrazone flumioxazin oxyfluorfen halossulfuron diclosulan imazapic imapyr flazasulfuron metsulfuron etoxysulfuron glyphosate diuron + hexazinone + sulfumeturon ametrina + trifloxysulfuron-sodium ametrina + clomazone hexazinone + clomazone paraquat + diuron

Já no caso da cana-soca, deve-se selecionar herbicidas pré-emergentes, que tenham seletividade à cana-de-açúcar, nas doses e associações utilizadas, amplo espectro de ação e residual de controle (folhas largas, gramíneas e principalmente as diferentes espécies de cordas-de-viola), além da flexibilidade de aplicação quanto aos tipos de solos e às diferentes épocas (úmidas, semissecas, secas e semiúmidas) e boa performance em palha para aplicações em cana crua. Isso tudo pode resultar em excelentes níveis de controle das plantas daninhas e consequentemente maiores reflexos na produtividade e longevidade do canavial. Na Tabela 2, pode-se observar que para a cultura da cana-de-açúcar, vários são os herbicidas que estão registrados para o controle de plantas daninhas, sendo recomendados para aplicação em pré-plantio (PPI), pré-emergência (PRE), pós-emergência inicial (Epost), pós-emergência (POS), pós-emergência tardia (Latepost) e pós-emergência

Produtos Formulados (p.f.) Gramoxone e outros Karmex; Direx Broker; Hexaninone Nufarm Advance; Jump; Velpar K; Hexaron; Confidence; Dizone e outros Gesapax e outras Dinamic Sencor Combine, Butiron; Lava e outras Gamit; Gamit Star Provence Callisto DMA; 2,4-D Dontor MSMA, Daconate, Volcane Dual Gold Herbadox Trifluralina, Trifluralina Gold, Trifluralina Nortox Fist Aurora Boral Flumyzin Goal / Galligan Sempra Coact Plateau Contain; Arsenal Katana Ally; Tarzan Gladium Roundup e outros Front Krismat Sinerge Ranger; Discover Gramocil

em jato dirigido (POSd). No entanto, poucos herbicidas são utilizados para o manejo de diferentes espécies de cordas-de-violas, pois em muitos casos, o período residual de con-

Época Aplicação POS PRE; POS PRE; POS PRE; POS PRE; POS PRE; POS PRE; POS PRE PRE; POS PRE POS PRE; POS PRE; POS POS PRE PPI; PRE PPI; PRE PRE POS POS PRE; POS PRE POS PRE PRE PRE PRE; POS PRE; POS POS POS PRE PRE; POS PRE; POS PRE PRE; POS

Plantas Daninhas FL e FE FL e FE FL e FE FL e FE FL e FE FL e FE FL e FE FL e FE FE FE FL e FE FL FL FE FL e FE FL e FE FL e FE FL e FE FL FL e FE + tiririca FL e FE FL e FE tiririca FL e FE + tiririca FL e FE + tiririca FL e FE + grama-seda FL e FE FL tiririca FL e FE + tiririca FL e FE FL e FE FL e FE FL e FE FL e FE

trole não é suficiente para manter a cultura da cana-de-açúcar livre da presença dessas plantas daninhas até a colheita. Toledo et al (2007) e Toledo et al (2012)

Figura 4 - Áreas com alta pressão de infestação de cordas-de-viola em cana-de-açúcar, nas quais o controle foi insatisfatório, resultando em reduções significativas de produtividade

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Figura 5 - Interferência de corda-de-viola (I. hederifolia) e a determinação do período necessário de controle para uso de herbicidas pré-emergentes com longo residual de controle

Figura 6 - Estratégias inteligentes de manejo de diferentes espécies de cordas-de-viola em cana-de-açucar Toledo, Negrisoli, Correa, Victória Filho e Porto destacam estratégias

apresentam resultados de pesquisa conduzida em diferentes condições de aplicação e safras de cana-de-açúcar que demonstram que os herbicidas pré-emergentes como amicarbazone (1,50kg pf/ha a 2kg pf/ha1), sulfentrazone (1,6kg pf/ha a 1,8kg pf/ha) e diuron + hexazinone + sulfumeturon (1,7kg/pf.ha a 2,3kg/pf.ha) apresentaram resultados muito bons a excelentes no controle de várias espécies de corda-de-viola (Ipomoea granfifolia, Ipomoea nil, Ipomoea quamoclit, Merremia cissoides, Merremia aegypta e outras), melão-de-São-Caetano (Mormodica charantia), podendo, portanto, ser considerados como boas alternativas para manejo destas plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar. Em resumo, a definição de estratégias inteligentes de manejo de plantas daninhas, incluindo as diferentes espécies de cordas-de-viola com alta performance em cana-

NO BRASIL

O

Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, moendo de 600 a 640 milhões de toneladas por ano, com área de nove milhões de hectares. As regiões Sul e Sudeste representam 67% da área, sendo que São Paulo contribui com 52%, o Norte e o Nordeste com 20% e a Região de Cerrado com 13% da área total de cana-de-açúcar. No entanto, apesar de toda esta extensão, o Brasil ainda apresenta produtividades médias de 78t/ha a 55t/ha, consideradas baixas, visto o potencial produtivo acima de 100t/ha (Figura 1).

Quadro 1- Aspectos a serem considerados no manejo de plantas daninhas 1. Estudo e implementação dos conceitos de Matologia: a. Identificação das espécies de cordas-de-viola, pois apresentam resposta e tolerância diferentes a alguns herbicidas; b. Nível de infestação e distribuição das plantas daninhas na área, para definição do número de aplicações, das doses e tecnologia de aplicação dos herbicidas. c. Histórico dos herbicidas e doses utilizadas, buscando repetir casos de sucesso e reduzir erros dos anos anteriores. 2. Estudo do ambiente de produção: a. Variedades presentes em cada talhão do canavial, verificando a sensibilidade ou tolerância aos herbicidas. b. Cana-planta ou cana-soca, bem como época de plantio e/ou colheita. c. Solos: estrutura, textura e fertilidade. d. Condições climáticas, incluindo regime e distribuição de chuvas. 3. Seleção de herbicidas e doses: a. Características físico-químicas e mecanismos de ação. b. Seletividade, flexibilidade de uso, amplo espectro e residual de controle. c. Performance em palha, no caso de cana crua d. Custo x benefício 4. Planejamento: disponibilidade máquinas, mão de obra treinada, tecnologia de aplicação e custos.

-de-açúcar em diferentes épocas do ano, depende de vários aspectos (veja Quadro 1). A definição de estratégias inteligentes de manejo de plantas daninhas de alta performance poderá auxiliar o setor sucroenergético a superar os desafios para o aumento das produtividades médias, mesmo em anos de severas crises C financeiras.

Roberto Estêvão B. de Toledo, Cons. em Biologia e Manejo de PD Eduardo Negrisoli e Marcelo Rocha Correa, TechField Asses. e Consult. Agrícola Ricardo Victória Filho, Esalq/USP Ricardo Baldoino Ferreira Porto, FIB - Facul. Integrada de Bauru

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ARROZ

Produção manchada

Felipe Frigo Pinto/Instituto Phytus

A mancha parda (Bipolaris oryzae) é uma doença agressiva na cultura do arroz. No Brasil é responsável por redução de produtividade e de rendimento dos grãos, com prejuízos sérios ao beneficiamento. Pelo baixo custo de implantação, o tratamento de sementes é uma ferramenta importante para prevenir problemas causados por este fungo

A

mancha parda do arroz, causada pelo fungo Bipolaris oryzae, destaca-se pela importância e caráter endêmico nas lavouras brasileiras de arroz. O fungo está disseminado em todo mundo e seu potencial de dano varia entre regiões e anos em uma mesma região. Na Ásia, a mancha parda é tão ou mais importante que a temida brusone (Pyricularia oryzae), em termos de danos totais na produção do arroz naquele continente. Historicamente, a doença dizimou quase que por completo lavouras de arroz no episódio conhecido como “a catástrofe de Bengala”, região próxima à Índia, no ano de 1942. No Brasil, não apenas a produtividade do arroz é afetada, pela diminuição da área fotossintética da planta, mas também o rendimento em função de danos aos grãos, como manchas e gessamento, prejudicando o beneficiamento.

PREJUÍZO ÀS SEMENTES

Além dos danos diretos em produtividade e rendimento de engenho, B. oryzae pode sobreviver na semente por períodos superiores a seis meses e se transmitir para a plântula com a germinação da semente. Tal fato destaca o fungo como importante patógeno das sementes com potencial de danos no estabelecimento da

cultura. Além disso, em condições favoráveis à doença, uma transmissão semente-plântula com sucesso pode resultar na ocorrência precoce da epidemia da mancha parda na lavoura se as condições para a doença se mantiverem favoráveis. Mesmo com todos os riscos apontados que envolvem B. oryzae e a produção de sementes de arroz, poucos são os estudos de caráter epidemiológico que buscam elucidar a importância de B. oryzae na semente e impactos à cultura. Em uma pesquisa de três anos conduzida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Universidade Rural da Campanha (Urcamp) e Universidade Federal de Pelotas (UFPel), foi feito um monitoramento da sanidade de sementes no estado do Rio Grande do Sul e estudado o efeito do uso de sementes infectadas com B. oryzae na epidemia de mancha parda e cultura do arroz irrigado.

SANIDADE DA SEMENTE MONITORADA

Análises sanitárias de sementes de arroz produzidas no Rio Grande do Sul foram realizadas durante as safras de 2008/09, 2009/10 e 2010/11. A amostragem totalizou

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722 lotes provenientes de campos de produção de sementes certificados pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e distribuídos nas seis principais zonas produtoras do estado. No total, lotes de 11 diferentes cultivares foram coletados. Análise de prevalência (frequência de lotes infectados) e incidência (percentual do fungo em um lote) de espécies de Bipolaris nas sementes foram realizadas através do teste de substrato de papel filtro, identificando-se a presença de estruturas fúngicas em grãos (Figura 1). Observou-se que 74% dos lotes apresentaram-se infectados com duas espécies de Bipolaris. A espécie mais prevalente é B. oryzae (62,6%) seguida de B. cynodontis (10.2%), detectada nas três safras analisadas em todas as regiões e cultivares, com incidência média nas amostras positivas de 0,57%. Já B. oryzae foi encontrado em todos os anos e regiões produtoras com incidência média de 6,7%, mas com ampla variação (0,5% a 81,5%). Essas variações foram devido à safra amostrada, sendo 6,1%, 3,7% e 2,9% para os anos de 2008/09, 2009/10 e 2010/11, respectivamente. Houve variação na incidência média de B. oryzae também em relação à região de produção (Figura


Divulgação

Figura 1 - Teste com substrato de papel filtro (A) para a detecção do fungo pela observação dos conídios de Bipolaris oryzae (B) mostrado em detalhe para um dos grãos

2). A maior incidência média ocorreu na região da planície costeira interna com 15% na safra de 2008/09, variando de 0% a 81% nas 40 amostras analisadas. A Fronteira Oeste foi a que apresentou maior número de amostras (99 amostras), porém, com menor incidência média (0,6%), quando comparada com as demais. A variação entre safras e regiões é atribuída a condições ambientais e de manejo da cultura. Além da variação climática entre anos (principalmente precipitação durante o período de cultivo), as seis regiões orizícolas do Rio Grande do Sul apresentam características edafoclimáticas distintas que implicam em variações no risco para a ocorrência de doenças. Na região da Planície Costeira Interna e Externa, caracterizada por solos mais arenosos e umidade relativa do ar alta durante o período de cultivo do arroz, os riscos de doenças foliares são maiores e consequentemente a contaminação de grãos. Por outro lado, condições contrárias às observadas naquelas regiões são atribuídas à região da Fronteira Oeste, o que explica a menor incidência média geral de B. oryzae observada. O estudo também mostrou que a cultivar utilizada pode influenciar na incidência de B. oryzae em sementes produzidas. Para as duas cultivares mais amostradas no estudo (75% dos lotes coletados), Puitá Inta CL e Irga 424, os níveis de incidência foram de 1,6% e 9,5% (média das três safras), respectivamente.

RISCO ASSOCIADO AO USO DE SEMENTES INFECTADAS

Experimentos de campo foram conduzidos nas mesmas três safras, nos municípios gaúchos de Cachoeirinha e Bagé, em diferentes épocas de semeadura, totalizando 11 experimentos. Os tratamentos consistiram no uso de seis lotes de sementes inoculadas artificialmente com B. oryzae seguindo um

incremento exponencial (0%, 3%, 6%, 12%, 24% e 48%) de incidência do fungo nas sementes. As avalições envolveram a caracterização de fatores ligados à cultura do arroz e sobre a epidemia da mancha parda. Em relação à epidemia avaliou-se a incidência de mancha parda no estádio vegetativo (proporção de plantas com sintomas), severidade de mancha parda no estádio reprodutivo (proporção da área com lesões em relação à área total da folha bandeira) e incidência de grãos colhidos infectados com B. oryzae. Para a cultura, obersvou-se o estande inicial de plantas (em estádio de quatro folhas) e a produtividade final de grãos (Figura 3). Os resultados mostram que o uso de sementes infectadas com B. oryzae tem efeito sobre a epidemia em condições de clima mais favorável à doença. Dentre os 11 experimentos, constatou-se efeito significativo dos níveis de infecção em semente sobre a área abaixo da curva de progresso da incidência e severidade da doença (variável clássica para estudos epidemiológicos) em apenas dois ensaios, ambos conduzidos em Bagé durante a safra 2009/10. Os resultados são relacionados às condições ambientais ocorridas durante aquela safra, notadamente sob a influência do fenômeno El Niño. A precipitação mensal acumulada para os meses de novembro a março foi a maior dentre as três safras observadas, com precipitação acumulada para o mês de novembro cinco vezes maior que a esperada para o município de Bagé. Condições que, conjuntamente com a maior temperatura média para os meses de dezembro a fevereiro e a menor luminosidade no período em função da maior quantidade de chuvas, propiciaram a manifestação precoce e mais intensa da epidemia para aquela safra.

Figura 2 - Incidência média de Bipolaris oryzae (percentual de grãos infectados) e número de lotes (Nº) provenientes de campos de produção de sementes certificados pelo Irga em seis regiões produtoras de arroz irrigado no estado do Rio Grande do Sul realizada nas safras de 2008/09, 2009/10 e 2010/11

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Fotos Divulgação

Schwanck e Priscila participaram das pesquisas durante mestrado

Figura 3 - Semeadura de um experimento (A - 20/11/2009); visão geral de experimento (B - 8/1/2010); e sintomas de mancha parda observados (C - 8/1/2010); e avaliação de incidência de mancha parda (D - 7/1/2010)

Em relação às variáveis relacionadas à cultura do arroz, observou-se efeito da infestação de sementes com redução do estande de plantas em sete dos oito experimentos onde essa variável foi avaliada (Figura 4). As reduções de estande chegaram a 48% para um ensaio em Bagé, implicando na não germinação de nenhuma semente infectada para aquele caso. Contudo, mesmo com os efeitos observados na epidemia de mancha parda e estande inicial de plantas de arroz, não se observou efeito dos tratamentos na produtividade final de arroz em nenhum dos experimentos. É possível que a capacidade compensatória conferida pelo perfilhamento da planta de arroz tenha sido

PRODUTIVIDADE

A

produtividade de arroz irrigado no Sul do Brasil teve incrementos significativos nos últimos 15 anos, especialmente devido à ampla adoção de melhores práticas de manejo pelos produtores, como as preconizadas pelo Projeto 10 do Instituto Rio Grandense de Arroz (Irga). O incremento gira em torno de 70% entre os anos de 2002 e 2014, conforme dados do instituto. No entanto, alguns fatores bióticos ainda ameaçam os cultivos, especialmente o ataque de insetos-praga e de doenças, principalmente aquelas causadas por fungos.

suficiente para recuperar as perdas de estande pelo uso das sementes infectadas.

CONSIDERAÇÕES

As observações feitas nessa pesquisa ajudam a esclarecer o quadro geral em relação à sanidade das lavouras de produção certificada de sementes no estado do Rio Grande do Sul. Além disso, apontam para os riscos associados ao uso de sementes de arroz infectadas por B. oryzae. Os resultados de ambos os estudos constituem uma boa notícia para a cadeia produtiva do arroz irrigado. Primeiro, evidencia uma boa qualidade das sementes, com níveis de B. oryzae bem abaixo de relatos anteriores da década de 1990 e início da década de 2000. Tal fato pode estar associado

à maior qualidade do manejo adotado por produtores de sementes certificadas ou à produção de maior volume de sementes em regiões com mais baixo risco, como a região Fronteira Oeste do Estado. Segundo, mostra que o impacto do uso de sementes infectadas tende a ser minimizado pela capacidade da planta em compensar a redução da densidade de plantas. No entanto, salienta-se que o uso de sementes infectadas é desaconselhável sob qualquer hipótese, pois a semente pode carregar diversos outros patógenos que podem causar danos à lavoura. No presente estudo, utilizaram-se sementes de alta qualidade sanitária e que foram infectadas artificialmente com um único patógeno. Práticas de manejo de relativo baixo custo aos produtores como o tratamento de sementes resultam em maior segurança e menor risco de perdas aos produtores que já dispõem de sementes de C arroz com boa qualidade sanitária. André A. Schwanck, Univ. Federal do Rio Grande do Sul Emerson M. Del Ponte, Universidade Federal de Viçosa Priscila R. Meneses e Candida R. J. de Farias, Universidade Federal de Pelotas Gustavo R. D. Funck, Instituto Rio Grandense do Arroz

Figura 4 - Estande de plantas sob efeito do percentual de sementes infectadas com Bipolaris oryzae para oito experimentos conduzidos entre as safras 2008/09 e 2010/11 nos municípios de Bagé e Cachoeirinha (RS)

32 Maio 2015 • www.revistacultivar.com.br


EMPRESAS

Fotos UPL

Em campo Evento da UPL em parceria com a Universidade de Passo Fundo (UPF) reúne produtores, fornecedores, cooperativas e pesquisadores no Rio Grande do Sul

A

UPL, em parceria com a Universidade de Passo Fundo (UPF), reuniu aproximadamente 150 pessoas em Dia de Campo realizado em março para debater resultados de manejo e problemas de resistência registrados na safra 2014/2015, em relação à ferrugem asiática e a outras doenças. O evento contou com a participação de pesquisadores como Carlos Forcelini e Erlei Melo Reis, além de produtores, fornecedores e cooperativas. O evento foi realizado no município gaúcho de Passo Fundo, na região Noroeste do Rio Grande do Sul, distante aproximadamente 290 quilômetros de Porto Alegre. O gerente de produtos da UPL, Gilson Oliveira, ressaltou a importância do Dia de Campo como um canal de interação entre produtores e as novas tecnologias de proteção. “A ideia é nos aproximarmos cada vez mais do produtor e garantir seu sucesso no campo. Por isso, investimos em novas tecnologias que contribuam cada vez mais para uma plantação saudável.” A empresa aproveitou para mostrar resultados de produtos, como o fungicida protetor Unizeb Gold. Do grupo químico dos ditiocarbamatos, é composto pelo ingrediente ativo mancozeb, age por contato e possui ação pro-

tetora, com possibilidade de uso em associação com outros fungicidas em culturas como soja, milho e algodão. É considerado “multissite”, o que o torna aliado no manejo de resistência. De acordo com o fabricante, o produto possui amplo espectro de ação e eficácia comprovada no controle de diversos patógenos, além de reduzir o estresse da plantação e proporcionar efeito verde às plantas, com reflexos positivos na produtividade.

34 Maio 2015 • www.revistacultivar.com.br

De consistência granulada, o produto facilita o manuseio e diminui os riscos de intoxicação na aplicação. É recomendada a utilização de pulverizadores que contenham adaptador interno. Outra sugestão para um bom desempenho reside em utilizar óleo como adjuvante, pois ajuda na adesão do produto na folha, e quanto mais afetado o local de aplicação mais visível será o resultado. Ganha força entre a comunidade científica a recomendação do uso de produtos protetores alternados ou junto aos sistêmicos. E é esse conceito de manejo de espécies resistentes que vem orientando o trabalho da UPL. Anualmente a empresa realiza o Eagle Team, evento que, há três anos, reúne fitopatologistas do Brasil para debater alternativas de programas de manejo de resistência, sempre com o intuito de proteger as plantas cultivadas de perdas ocasionadas por doenças, pragas e plantas daninhas resistentes. C

Evento contou com parcelas demonstrativas para facilitar visualização de resultados pelos participantes


ALGODÃO

Sucessão criteriosa Guilherme Asmus

O controle de fitonematoides por meio de sucessão de culturas é uma técnica complexa, focada na seleção de plantas em que estes parasitas não se alimentem ou se reproduzam. Sua adoção exige critérios, para que não resulte em agravamento do problema ou esbarre na inviabilidade econômica da cultura sucessora

N

o Brasil, os principais fitonematoides do algodoeiro são o nematoide das galhas Meloidogyne incognita, o nematoide reniforme Rotylenchulus reniformis e o nematoide das lesões Pratylenchus brachyurus. Os três nematoides são parasitas obrigatórios de plantas, ou seja, alimentam-se exclusivamente de tecido vegetal vivo. Portanto, o controle desses organismos pode ser feito eliminando-se seu alimento, o que normalmente é conseguido de duas formas diferentes. A primeira, e mais simples, é pela retirada de todas as plantas de uma área infestada. É uma técnica de controle chamada de alqueive. A outra, que é mais complicada, e a razão veremos a seguir, é pela seleção das plantas que serão mantidas na área, antecedendo ou sucedendo a cultura do algodão. Devem ser,

preferencialmente, plantas das quais os nematoides não são capazes de obter alimento e, consequentemente, onde não se reproduzem (= plantas não hospedeiras ou imunes). Alternativamente, podem ser utilizadas plantas nas quais a reprodução é baixa (= plantas resistentes). A complicação dessa técnica, que é chamada de “controle de fitonematoides por meio de sucessão de cultura”, é que as três espécies importantes são polífagas, ou seja, alimentam-se de várias espécies de plantas. Então, a lista de plantas que podem ser utilizadas na sucessão é muito pequena. A seguir são discutidas as vantagens e desvantagens, do ponto de vista nematológico, das principais sucessões envolvendo o algodoeiro.

SUCESSÃO SOJA-ALGODÃO

Atualmente, no Brasil, é uma das suces-

36 Maio 2015 • www.revistacultivar.com.br

sões mais importantes. Os nematóides M. incognita, R. reniformis e P. brachyurus reproduzem-se abundantemente em soja, ou seja, a soja é boa hospedeira desses (= suscetível a esses) nematoides. Portanto, essa sucessão não deve ser considerada, em princípio, para o controle dos nematoides do algodoeiro. Porém, por meio de melhoramento genético, hoje existem cultivares de soja resistentes a M. incognita e R. reniformis, que podem ser utilizadas no controle dessas espécies de nematoides. Por exemplo, as cultivares BRS282, BRS-256RR, BRS-260 são resistentes a M. incognita; e as cultivares BRSMG-250 (Nobreza), TMG-115RR, TMG-121RR, TMG-113RR, BRS-Jiripoca são resistentes ao nematoide reniforme. Infelizmente, a reação das cultivares de soja, principalmente das mais modernas, nem sempre está disponível


Fotos Mário Inomoto

Planta de algodão sadia (esquerda) e planta infestada por Meloidogyne incognita

ao público.

MILHETO-ALGODÃO

É uma sucessão muito utilizada para formação de palhada, principalmente em regiões com inverno seco. O milheto é imune a R. reniformis e é suscetível a M. incognita e P. brachyurus. Portanto, o milheto é valioso no controle do nematoide reniforme, porém, representa risco em locais infestados com o nematoide das galhas e o das lesões. Existem algumas cultivares resistentes a P. brachyurus, que reduzem o risco de seu uso em locais infestados por esse nematoide.

MILHO-ALGODÃO

Normalmente é utilizada em áreas irrigadas. O milho é imune a R. reniformis, mas é suscetível a M. incógnita e P. brachyurus, ou seja, a reação do milho é semelhante à do milheto, exceto pelo fato de que não existem cultivares ou híbridos de milho resistentes ao nematoide das lesões.

AMENDOIM-ALGODÃO

O amendoim é uma das melhores culturas para controle de nematoides. Nos Estados Unidos, tem sido utilizado com sucesso no controle de M. incognita (é imune a essa espécie de nematoide das galhas), mas também pode ser recomendado em locais infestados pelo nematoide reniforme (é resistente a R. reniformis). Seu ponto fraco é a suscetibilidade a P. brachyurus, nematoide que causa lesões nas raízes, no ginóforo e na casca das vagens. No Brasil, é pouco frequente seu uso no controle dos nematoides do algodoeiro.

Carijó causado por Rotylenchulus reniformis

P. brachyurus. Numa sequência soja-mamona-algodão, a mamona reduz os riscos causados por M. incognita, porém, aumenta os riscos por R. reniformis e P. brachyurus. O girassol é suscetível às três espécies de nematoides, portanto, é uma opção viável somente em locais com baixas infestações desses organismos. Caso contrário, é uma cultura a ser evitada. O sorgo granífero é imune a R. reniformis e suscetível a M. incognita e P. brachyurus. As galhas causadas por M. incognita são muito pequenas e podem levar o agricultor à falsa impressão de que o sorgo é resistente ao nematoide.

SOJA-BRAQUIÁRIA-ALGODÃO E SOJA-PANICUM MAXIMUM-ALGODÃO

São sequências complexas, como as descritas no item anterior, porém, utilizando braquiárias (Brachiaria decumbens, B. ruziziensis e B. brizantha) e Panicum maximum (Massai, Tanzânia, Aruana etc) como culturas para formação de palhada. Além do efeito da soja, há a ação dessas coberturas, que são imunes aos nematoides das galhas e reniforme, mas suscetíveis ao nematoide das lesões.

SOJA-CROTALARIA SPECTABILIS-ALGODÃO

É a sequência com maior abrangência de espécies controladas, pois a literatura registra

Galhas causadas por Meloidogyne incognita em raízes de milho

que C. spectabilis é resistente a M. incognita, R. reniformis e P. brachyurus, embora haja controvérsias sobre a reação desse adubo verde ao nematoide reniforme.

IMPORTÂNCIA DA SUCESSÃO DE CULTURA

Tradicionalmente, no Brasil, o controle dos nematoides do algodoeiro tem sido feito por meio do uso de cultivares resistentes e/ou tolerantes. Porém, em tempos mais recentes, a resistência a nematoides não tem sido considerada um atributo prioritário em programas de melhoramento genético do algodoeiro. De fato, as cultivares atuais possuem resistência mais baixa do que as cultivares utilizadas há cinco anos. Assim, cresceu a importância relativa de outros métodos de controle, a saber, nematicidas químicos (no sulco de plantio ou em tratamento de sementes), nematicidas biológicos (no sulco ou em tratamento de sementes), adubação orgânica e sucessão de cultura. A sucessão de cultura, como método de controle de nematoides, apresenta duas vantagens principais: (1) as informações necessárias para sua implantação estão disponíveis na literatura; (2) os resultados são muito previsíveis. Porém, é muito pouco utilizado,

SOJA-MAMONA-ALGODÃO, SOJA-GIRASSOL-ALGODÃO E SOJA-SORGO-ALGODÃO

A mamona, o girassol e o sorgo podem ser utilizados como segunda safra após a soja. São sequências em que existe elevada complexidade, pois envolvem três diferentes culturas. Primeiramente, é preciso considerar o efeito da soja, que pode aumentar ou diminuir o risco causado pelos nematoides. A literatura registra que a mamona é imune a M. incognita e suscetível a R. reniformis e

Algodoeiro resistente a Rotylenchulus reniformis (esquerda) e algodoeiro suscetível

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Laize Rossini

Laize Rossini

Tabela 1 - Produção em 24 talhões de produção de algodão no município de Serra do Ramalho (BA). Em 22 talhões, a sucessão foi milho-algodão em 2003 e 2004; em 2 talhões, a sucessão foi milho-algodão em 2003 e amendoim-algodão em 2004 Talhão

Produção @/ha 2003 Milho-Algodão 2004 Milho-Algodão 5 329 224 6 284 245 8 292 246 9 210 181 10 182 217 11 253 206 13 240 265 14 225 168 15 276 250 16 172 176 17 305 185 18 259 200 19 253 260 20 357 270 21 350 280 22 319 281 23 289 257 24 301 317 25 257 232 27 245 231 28 308 250 29 363 323 Média 275,9 239,3 Diferença 2004-2003 -13,3% Milho-Algodão Amendoim-Algodão 7 206 216 12 191 249 Média 198,5 232,5 Diferença 2004-2003 +17,1%

Lesões causadas por Pratylenchus brachyurus em vagens de amendoim

Além disso, o talhão 7, que foi o 21º mais produtivo em 2003, passou para o 18º lugar em 2004. O resultado do talhão 12

foi ainda melhor, passou da posição 22 para 11 (Tabela 1). Embora, nesse exemplo, os resultados com amendoim tenham sido animadores, a experiência foi descontinuada, por decisão pautada no aspecto comercial e relacionada à maior flutuação de preços do amendoim, em comparação ao milho. De fato, no Brasil, diferentemente dos Estados Unidos, o amendoim é atualmente cultura de importância marginal. Assim, se confirma que o custo de oportunidade tem sido o principal entrave à adoção da sucessão no controle dos nematoides do C algodoeiro no Brasil. Mário Inomoto, Esalq/USP

Mário Inomoto

pelas seguintes razões: (1) elevado custo de oportunidade; (2) escassez de laboratórios de fitonematologia (que são necessários para a identificação específica dos nematoides); (3) efeitos colaterais associados à cultura de sucessão, pois essa pode ser imune ou resistente a um nematoide, mas suscetível a outro nematoide existente no local. A seguir, é apresentado um exemplo da aplicação da sucessão para o controle de nematoides em uma grande propriedade produtora de algodão. Nessa propriedade, em 2003, utilizou-se em toda sua extensão (1.978ha divididos em 24 talhões) a sucessão milho-algodão, que provocou, conforme era de se prever, a elevação populacional de M. incognita e P. brachyurus. Em 2004, como tentativa de controle, utilizou-se a sucessão amendoim-algodão nos talhões 7 e 12, que eram dois dos menos produtivos (21º e 22º, respectivamente). Do ponto de vista nematológico, a nova sucessão teve a vantagem de substituir uma planta suscetível a M. incognita (o milho) por uma imune (o amendoim). Mantinha-se o risco oferecido por P. brachyurus, pois o amendoim também é suscetível a essa espécie de nematoide das lesões. Como resultado, apesar das lesões nas cascas das vagens, a produção de amendoim foi elevada e proporcionou renda líquida maior que a do próprio milho. O fato mais importante é que a densidade de M. incognita foi reduzida, apesar do controle deficiente da tiguera, e a produção do algodão foi altamente beneficiada. Em 2004, a produção dos talhões 7 e 12 aumentou 17,1% em comparação a 2003, enquanto nos outros talhões, a produção caiu 13,3%.

Galhas causadas por Meloidogyne incognita em raízes de sorgo (Sorghum bicolor)

38 Maio 2015 • www.revistacultivar.com.br

Cultura de amendoim com tiguera de algodão


Uso da nutrição via folha, com nutrientes associados a aminoácidos, surge como ferramenta de manejo para suplementação nutricional e acréscimo de produtividade, principalmente em situações de estresses abióticos

Souza, 2014

INFORME EMPRESARIAL

Eficiência nutricional

D

urante os últimos anos, a agricultura experimentou grandes tecnologias, que se traduziram em aumentos significativos na produtividade das culturas. Estes índices produtivos estão, em grande parte, atrelados às inovações tecnológicas resultantes de inúmeras pesquisas e pela iniciativa dos produtores, tornando a agricultura nacional competitiva em nível mundial. A adoção de novas tecnologias, seja de produtos ou técnicas de manejo, constitui-se em ferramenta auxiliar para o aumento da produtividade e da eficiência agrícola (Battisti et al, 2012). O sistema plantio direto é uma das mais eficientes estratégias para melhorar a qualidade e o potencial produtivo do solo (Amado et al, 2005, 2007). Da mesma forma, o manejo e a fertilidade dos solos se constituem em fatores de suma importância para o sucesso da atividade agrícola. A principal aplicação do conhecimento de fertilidade do solo está relacionada à potencialização do rendimento das culturas, por meio da nutrição das plantas via recomendação e aplicação de fertilizantes e corretivos (Nicolodi, 2007). No entanto, a dinâmica dos nutrientes no solo é resultado da interação de vários fatores e, no sistema plantio direto, os mecanismos que governam são modificados em velocidade e/ou intensidade pela redução do revolvimento do solo e manutenção dos resíduos culturais em sua superfície (Gatiboni, 2003). O uso de fertilizantes nos sistemas agrícolas inovou a produção de alimentos no mundo moderno e proporcionou aumentos de produtividade inatingíveis. Atualmente diversos produtos fertilizantes são ofertados no

mercado, com diferentes nutrientes, formas químicas, granulometria e eficiência. A Kimberlit Agrociências estudou as principais técnicas de obtenção de aminoácidos, aliando tecnologia de ponta ao conhecimento fisiológico das principais culturas agrícolas, tendo como resultado a linha de fertilizantes foliares, que busca melhor atender a necessidade nutricional das plantas, aliando a isso os benefícios dos aminoácidos nos fatores fisiológicos. Os programas de nutrição adotados pela Kimberlit a distintas culturas constituem-se em: nutrientes de alta solubilidade, quelatizados, com compostos orgânicos, como aminoácidos que estimulam os processos fisiológicos das plantas e a sua produtividade. Quando utilizados no tratamento de

sementes, os benefícios alcançados com o uso de nutrientes associados a aminoácidos estão relacionados à melhora do enraizamento, que tem como resultado stands de plantas mais vigorosas e uniformes. Já com a aplicação via foliar, os benefícios se estendem ao melhor desenvolvimento vegetativo, pegamento de florada e enchimento de frutos e grãos, culminando no aumento da produtividade. Estes benefícios podem ser observados nos três programas nutricionais ofertados para a cultura da soja, onde foi verificado respectivamente incrementos de 8,8%, 11% e 17,3% de produtividade em comparação à testemunha (ausência de adubação foliar), Figura 1. Nesse sentido, com base na ecofisiologia da cultura e nas necessidades usuais da maioria dos solos onde é cultivada a soja, o uso da nutrição via folha com nutrientes associados a aminoácidos surge como uma ferramenta de manejo para suplementação nutricional e acréscimo de produtividade, principalmente em momentos de crise, como estresses abióticos. Além disso, o sinergismo entre a aplicação de nutrientes com aminoácidos agrega a esta prática os benefícios da melhor nutrição mineral das plantas, gerando maior rentabilidade aos sistemas de produção.

Figura 1 - Produtividade de soja (sacas por hectare) em função da aplicação dos programas nutricionais foliares Kimberlit Agrociências. CCGL (Cooperativa Central Gaúcha), Cruz Alta – RS, 2014

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Inoculação no sulco começa a entrar na agenda dos agricultores mais modernos e que buscam novas tecnologias que aumentem o rendimento de suas lavouras

D

urante mais de 50 anos a inoculação obedeceu a um mesmo procedimento: mistura do produto com as sementes no momento do plantio. A forma de fazer esta operação variava conforme o tamanho da propriedade: nas de pequeno porte usavam-se betoneiras, tambores com eixo excêntrico. Nas de maior porte o uso de máquinas específicas para este tratamento tornou-se uma prática comum e diversos tipos de equipamentos foram desenvolvidos para esta finalidade. Mas a agricultura evoluiu, as áreas plantadas aumentaram, a “janela” de plantio diminuiu em função de mudanças climáticas e da necessidade da segunda safra de milho e as sementes tratadas industrialmente entraram com grande força no mercado. Com estas sementes tratadas industrialmente o agricultor hesita em fazer mais um tratamento, no caso com o inoculante, em sua propriedade, tanto por receio de danificar o tratamento químico, como pela praticidade de levar a semente diretamente da saca, ou bag, para a plantadeira. Desta forma, o inoculante vem sendo deixado de lado em algumas propriedades, com redução da produtividade ou sendo usado diretamente na caixa da semeadeira, sem mistura com as sementes ou com uma mistura precária, que prejudica o pleno funcionamento da fixação biológica do nitrogênio. Na tentativa de solucionar este problema, isto é, permitir uma inoculação que propicie o máximo de aporte de nitrogênio e, ao mesmo tempo, possibilite rapidez de semeadura sem nova manipulação das sementes, está crescendo significativamente no Brasil o uso da inoculação no sulco de plantio. Modernos equipamentos foram desenvolvidos para esta finalidade e atualmente já se pode utilizar a semeadura no sulco tanto em pequenas áreas como em grandes

fazendas, sem prejudicar a rapidez da semeadura. Do ponto de vista da eficácia da fixação de nitrogênio, a inoculação no sulco tem se mostrado até mais produtiva que o uso sobre as sementes, pois os efeitos negativos dos fungicidas e outros produtos utilizados no tratamento de sementes são minimizados por este novo sistema de inoculação.

também, o grande incentivador da indústria de inoculantes no Brasil, tendo orientado a criação da primeira fábrica deste insumo no país em 1956 na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Jardim Freire foi pesquisador da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul e professor da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde ocupou cargo de diretor. Como membro da Comissão Nacional da Soja foi um dos responsáveis pelo uso da Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) no melhoramento desta leguminosa, tornando o Brasil país líder nesta tecnologia. Sempre preocupado com a qualidade dos inoculantes, foi o criador da Relare, entidade que fez a FBN crescer de forma organizada e eficiente no País. Em várias ocasiões propiciou a vinda de especialistas em produção de inoculantes para orientar as empresas brasileiras na produção de inoculantes de alta qualidade. Seu papel na formação de recursos humanos foi fundamental. Praticamente todas as empresas trabalham com profissionais formados, direta ou indiretamente, por Jardim Freire. Foi um dos grandes incentivadores da criação da Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Inoculantes (ANPII) e aqui deixamos nossa homenagem a este grande profissional, que prestou inestimáveis serviços à C agricultura brasileira.

Durante mais de 50 anos a inoculação obedeceu a um mesmo procedimento: mistura do produto com as sementes no momento do plantio

Desta forma, a inoculação no sulco começa a entrar na agenda dos agricultores mais modernos e que buscam novas tecnologias que aumentem o rendimento de suas lavouras.

A MORTE DE UM PIONEIRO

Faleceu em março o professor e pesquisador João Ruy Jardim Freire, grande responsável pelo sucesso da fixação biológica do nitrogênio no Brasil. Foi o primeiro pesquisador a iniciar a seleção de estirpes de Rhizobium no país, na década de 50 do século passado. Foi,

Cadinho Andrade, UFRGS

COLUNA ANPII

Máximo aporte

João Ruy Jardim Freire, grande responsável pelo sucesso da fixação biológica do nitrogênio no Brasil

Solon C. de Araujo, Consultor da ANPII

40 Maio 2015 • www.revistacultivar.com.br


COLUNA AGRONEGÓCIOS

Q

A comunicação nos insetos sociais

uanto mais estudamos os insetos sociais – abelhas, cupins, formigas – mais nos surpreendemos com sua espetacular organização, divisão de trabalho, foco na missão, eficiência, cooperação, solidariedade e outros atributos que, por vezes, carecem na espécie humana, que também se diz social. Entre os insetos sociais, impera o coletivo e, para que tudo funcione conforme o esperado, a comunicação é essencial. Existem diversas formas de comunicação nas comunidades de insetos sociais. A dança das abelhas, ritual pelo qual uma abelha transmite à colônia informações precisas para localizar uma fonte de alimento, foi descrita em 1927 por Karl von Frisch (1886-1982), etologista austríaco, no livro “Ausdem Leben der Bienen”. Ele recebeu o Prêmio Nobel em 1973, pelos estudos de comunicação entre insetos. Uma das formas de comunicação mais comuns utiliza substâncias químicas, que são específicas de uma espécie. São os feromônios voláteis ou outros mediadores químicos que, por sua alta especificidade, permitem a identificação de um inseto por membros de sua comunidade. Estudo realizado pela USP de Ribeirão Preto demonstrou que compostos químicos localizados na cutícula dos insetos atuam na sua comunicação. Trata-se de uma cera, que tem a função primária de evitar a desidratação do organismo. Também atua como filtro, uma barreira que protege o inseto de ameaças químicas ou biológicas. Nessa cera existem compostos químicos denominados hidrocarbonetos cuticulares (um tipo de feromônio de contato, não volátil), constituídos por alcanos, alcanos metilados ou alcenos. A especificidade dos compostos é de tal ordem que, a composição química da substância – incluindo a proporção dos isômeros – permite identificar se o indivíduo pertence à colônia, seu sexo, idade e sua função na colônia (rainhas ou operárias). A detecção é efetuada pelas antenas dos insetos, que possuem pequenos pelos, responsáveis por captar e identificar os sinais químicos dos hidrocarbonetos cuticulares. No contato com outro inseto da mesma espécie, conseguem identificar a composição cuticular dos hidrocarbonetos e de outros compostos químicos e

reconhecer se faz ou não parte da colônia. Parodiando a rotina da nossa sociedade de consumo, assemelha-se a um código de barras ou um QR-Code, que contém todas as informações necessárias para qualificar um determinado produto.

ALIMENTO

Os pesquisadores da USP analisaram os hidrocarbonetos cuticulares de formigas, vespas e abelhas, descobrindo que sua composição química varia conforme a espécie, o sexo e a função do inseto na colônia. Esses pesquisadores, aventaram a teoria de que a variabilidade química é parte do seu sistema de comunicação. Pode ocorrer alteração do perfil dos compostos cuticulares conforme o alimento consumido pelo indivíduo, dificultando o seu reconhecimento pelos membros da colônia. Operárias de saúvas (Atta sexdens) foram alimentadas com folhas e pétalas de rosa (Rosa sp.), foram comparadas com outras formigas da mesma colônia que receberam folhas de extremosa (Lagerstroemia sp.) como fonte alimentar. Os grupos foram isolados e, quando colocados em contato, as formigas alimentadas com extremosa rejeitaram e agrediram as companheiras alimentadas com folhas e pétalas de rosa, um comportamento associado com a mudança da composição química dos hidrocarbonetos cuticulares. A descoberta foi publicada na revistaInsects(http://www.mdpi. com/2075-4450/6/1/141).

DECODIFICANDO A COMUNICAÇÃO

Um estudo publicado na revista Apidologie (http://link.springer.com/article/ 10.1007%2Fs13592-013-0214-9#) foi realizado com manduri, uma abelha sem ferrão (Melipona marginata). Analisando espécimes provenientes de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Bahia, foi verificado que os machos idosos, as rainhas e as operárias têm diferentes perfis de hidrocarbonetos cuticulares, que podem ser percebidos pelos membros da sua comunidade. A estrutura química dos hidrocarbonetos cuticulares é muito similar, porém, cada colônia apresenta um perfil químico diferente, e sua composição varia com a função que o indivíduo ocupa na colônia. As operárias – sem função reprodutiva - apresentam

menor porcentagem de alcanos saturados, como hentriacontanos e tetratriacontanos, comparativamente a machos, rainhas e as abelhas da casta destinada à realeza. Na natureza nada acontece por acaso. Então, qual a utilidade prática de compostos químicos diferentes para cada colônia? Uma colônia possui recursos para sua sobrevivência, manutenção e propagação, como mel, própolis, pólen, ovos e larvas. A regra é que somente pode compartilhar esses recursos quem contribuiu para a formação da riqueza – “pilhadores” são barrados pelo sistema de segurança da colônia. Para comprovar essa tese, os cientistas da USP demonstraram a indução de comportamentos diferenciais das guardiãs de uma colônia de uruçu-mirim ou rajada (Melipona asilvai). Elas permitiram o ingresso de abelhas que não pertenciam à comunidade quando o perfil químico era muito semelhante ao dos membros da colônia. Os indivíduos com perfil mais distinto foram barrados na entrada da colônia. O estudo foi publicado no Journal of Chemical Ecology, (http://link. springer.com/article/10.1007/s10886-0120194-7#).

FORMIGAS

Resultados similares foram obtidos com formigas falsa-tocandira (Dinoponera quadríceps). Os cientistas posicionaram formigas forrageiras e enfermeiras na entrada de uma colônia diferente da sua para avaliar quanto tempo demoravam para serem reconhecidas como intrusas por formigas guardiãs. A demora foi maior para reconhecer as formigas enfermeiras do que as operárias como não pertencentes à colônia. As formigas guardiãs levaram mais tempo para reagir contra as enfermeiras do que contra as operárias forrageiras. Essas receberam significativamente mais mordidas e outros golpes violentos das guardiãs do que as enfermeiras. Os pesquisadores explicam esse comportamento pelo fato de que as formigas enfermeiras da mesma espécie, mesmo de colônias distintas, apresentaram perfil de compostos químicos cuticulares mais assemelhados que as operárias. O estudo foi publicado no Journal of Insect Behavior (http://link.springer.com/article/10.1007 %2Fs10905-012-9353-5), referendando a mediação química na comunicação entre C insetos sociais. Decio Luiz Gazzoni

O autor é engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja

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COLUNA MERCADO AGRÍCOLA

Como será o clima nos EUA? O setor agrícola brasileiro passa por um bom ano e tudo indica que carregará lucros nesta temporada. A comercialização se encontra bastante avançada, com os produtores aproveitando bons momentos para fazer fechamentos e garantir os lucros. Outros bons momentos devem ainda surgir para todos os grãos brasileiros. De agora em diante o Brasil tende a navegar em uma nova etapa de fatores que formarão as cotações internacionais e o foco agora é o clima nos EUA. A principal pergunta é se será perfeito como foi em 2014? Os norte-americanos estão há quatro anos com clima favorável e sem problemas com seca, inundações ou calor estremo, que causam perdas de produtividade. No ano passado o cenário foi de lavouras praticamente perfeitas, sem pragas, nada de doenças, temperaturas ideais e chuvas regulares. Agora o quadro de clima volta a ser o fator importante para a formação dos preços internacionais deste segundo semestre de 2015 e começo de 2016. Tudo indica que os EUA não terão problemas com pragas ou doenças, porque estão bem cobertos com biotecnologia. Mas neste ano houve queda nas vendas de fertilizantes aos produtores, retração na demanda das sementes de melhor potencial produtivo (mais caras e melhores) e desta forma há riscos neste quadro, principalmente se o clima trouxer algum momento com seca ou chuvas em excesso. Outro fator importante que pode ocorrer é o calor que normalmente o meio oeste americano apresenta entre metade de julho e de agosto, que pega as lavouras de Soja e milho em fase reprodutiva, limitando a produtividade. No ano passado as temperaturas estavam amenas, sendo que EUA e Canadá foram os únicos locais do planeta em que as temperaturas médias foram menores que a media histórica. Será que este cenário se repetirá neste ano? É início da temperatura da safra 2015/16 e tudo indica que o quadro climático não deverá ser igual ao visto no ano passado. É preciso acompanhar o mercado de perto, mas tudo indica que novamente o produtor brasileiro terá uma safra de lucros, porque a moeda norte-americana e os indicativos em dólar são favoráveis. Basta que se colha bem. MILHO

SOJA

Safrinha ainda necessitando chuvas em maio

Em negociação

O mercado do milho teve uma acomodação em abril, com a safra de verão indo para o final da colheita. Tivemos queda nos valores nos portos, dando argumentos para os compradores do mercado interno recuarem os indicativos que tiveram retração de R$ 1,00 a R$ 3,00 nas cotações CIF. Com apoio que vinha dos campos das lavouras da safrinha, que se mostravam entre boas e excelentes em todas as regiões e, assim, favoráveis aos consumidores internos. Temos que lembrar que o maior estado produtor do milho safrinha, que é o Mato Grosso, está com o ritmo da comercialização deste ano bastante acelerada, com algo ao redor de oito milhões de toneladas já negociadas, de uma colheita que deverá vir entre 15,5 e 16 milhões de toneladas. Frente a menos de quatro milhões de toneladas negociadas, antecipadas no ano passado, e grande parte do milho negociada encaminhando-se para a exportação, o mercado do segundo semestre poderá não ser tão ofertado como foi no ano passado, assim, esta fase de calmaria e até baixa nas cotações tende a ser passageira.

Os produtores têm negociado bons volumes da safra nova de 2016, com valores que giraram em torno de R$ 73,00 a R$ 76,00 pela saca, nos portos, trazendo boa liquidez no mercado FOB que já trabalha com lucros. O setor tem aproveitado para garantir parte dos insumos em cima destes níveis. Enquanto isso, a comercialização da safra atual já avança para a faixa de 75%, sendo que os volumes mais acelerados estão no Centro-Oeste (muito além dos 80%) e os mais lentos no Sul. No geral, a comercialização deste ano está mais adiantada que em anos anteriores e restará menos soja para ser negociada no segundo semestre. A demanda interna irá dar folego às cotações à frente. FEIJÃO

Ano do arroz com o feijão

O quadro econômico apertado registrado no Brasil neste ano tem feito aumentar a demanda do arroz com o feijão. Desta forma, a safra do feijão tem apresentado boa liquidez e os indicativos praticados se mantêm com valores lucrativos aos produtores.

Junto a isso, há crescimento das exportações, que neste ano estão sendo contratadas de forma antecipada, principalmente com produto do Mato Grosso. Áreas ao entorno de Brasília terão plantio principal em maio, buscando escapar da mosca branca. Os sinais são de um bom ano para os produtores de feijão, com demanda maior que a oferta e cotações rentáveis. ARROZ

Colheita fechada e fôlego para crescer

Os produtores do arroz do Rio Grande do Sul estão com a safra fechada neste começo de maio e agora devem reduzir as ofertas para pressionar as cotações. Os orizicultores gaúchos estão capitalizados e mostram ter fôlego. Assim, a tendência é de reação nos indicativos que tendem a crescer de maneira gradual, porque o dólar alto dificulta importações e é favorável à exportação. Junto a isso há indústrias que conseguiram comprar bons volumes de arroz na safra e agora também apostam em alta para compensar o carregamento do produto armazenado. Com a demanda prestes a crescer no varejo e bons fundamentos para o arroz em casca, se espera uma fase de ajustes positivos.

CURTAS E BOAS TRIGO - Os russos continuam indefinidos sobre o que vão colher neste ano. O ministro da Agricultura local apontou que o país (que tem o trigo como principal produto) poderá ter uma safra de grãos entre 68 milhões de toneladas e 100 milhões de toneladas, frente 104 milhões de toneladas colhidas no ano passado. Há certeza de que haverá queda na safra, mas dúvidas sobre a quantificação, fator positivo para o mercado do cereal no médio prazo. O Brasil seguirá como um dos maiores importadores de trigo do mundo. ALGODÃO - Os produtores estão otimistas no Brasil com a safra que deverá trazer alta produtividade e qualidade neste ano. O clima se mostra bastante favorável e as lavouras bem implantadas e em desenvolvimento. Bons lucros à vista. A Índia sinaliza para queda na safra deste ano, com indicativos de 30 milhões de fardos frente aos 30,5 milhões de fardos projetados anteriormente e, junto com a China, serão os maiores produtores mundiais de algodão desta temporada, com 30 milhões de fardos cada. CHINA - As compras de soja devem bater recordes nestes próximos meses, com indicativos de que os chineses comprarão na faixa de oito milhões de toneladas mensais ou acima deste patamar. Os níveis estimados devem alcançar acima de 77 milhões de toneladas do grão, importadas nesta nova temporada. Desta forma, o país seguirá com demanda aquecida. Os dados da economia têm mostrado cresci-

mento médio de 7% (dados anualizados). Outra boa notícia é que o governo chinês sinalizou em abril com liberação de recursos para estimular a economia interna. UCRÂNIA - Os ucranianos estão plantando a safra com sinalização de queda na área. Com isso, a produção do milho, produto que é concorrente do Brasil, pode ser menor e assim ter menos fôlego para atender ao mercado mundial. Mas é preciso lembrar que a China tem atuado forte no mercado local, ajudando o país com empréstimos e comprando grandes volumes de milho. Os dados divulgados de janeiro e fevereiro deste ano já apontavam que os chineses tinham importado mais de um milhão de toneladas de milho ucraniano, produto que ainda tem sido escoado pelo Mar Negro e que tem fretes baratos até a China. ARGENTINA - O país está com a colheita atrasada porque neste ano o plantio se deu mais tarde. Há boas condições das lavouras de soja e milho, com chuvas regulares, e em maio são as geadas que trazem temor aos produtores. As estimativas são de colher mais de 58 milhões de toneladas de soja e outras 23 milhões de toneladas de milho, além de mais de 1,7 milhão de toneladas de arroz e algo acima de 2,5 milhões de toneladas de girassol. O trigo caminha para algo na faixa de 14 milhões de toneladas, além de cevada, estimada em quatro milhões de toneladas neste novo ano. Os produtores esperam pela troca de presidentes para que o setor C possa voltar a crescer.

Vlamir Brandalizze brandalizze@uol.com.br

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Plano estratégico Bayer CropScience

Na batalha travada a cada safra pelos produtores de soja contra a ferrugem asiática e outras doenças que afetam a cultura, contar com tecnologia, previsibilidade, monitoramento e correto posicionamento das aplicações de fungicidas é fundamental para alcançar bons resultados no manejo integrado desses patógenos limitadores de produtividade

A

ferrugem asiática continua sendo a doença foliar mais importante na cultura da soja. Mas doenças como as de final de ciclo (DFC), mancha alvo, antracnose, oídio e mela passaram a ser responsáveis por perdas importantes e que

oscilam entre 5% e 15%. Nas últimas safras foi possível visualizar uma regionalização de algumas doenças. A mancha alvo ocorria em alguns locais do Mato Grosso e a antracnose, principalmente em regiões do norte do Mato Grosso, Vale do Araguaia e

algumas áreas de Goiás. O oídio sempre foi identificado como uma doença das regiões altas do Sul do Brasil. Na safra 2014/2015 foi observada uma incidência destas doenças, mesmo que em severidades variáveis, em praticamente todas as regiões do Brasil.


04 • Maio 2015 • Soja • www.revistacultivar.com.br epidemias. Como normalmente são patógenos com baixa taxa de progresso, a percepção de sua importância somente é definida nos estádios mais avançados e após o florescimento. No caso de oídio e ferrugem, como a reposição de inóculo ocorre durante todo o ciclo da planta e de forma crescente à medida que a safra avança, programas de controle químico têm Fotos Bayer CropScience

Figura 1 - Locais onde foram instalados os experimentos do projeto De Primeira, Sem Dúvida - FOX®

Este novo quadro de distribuição pode estar associado às condições climáticas específicas desta safra, à presença de inóculo e, sobretudo, a níveis de suscetibilidade varietal que permitiram o aparecimento das doenças em locais onde não eram comumente encontradas. Esta alteração pode ser atestada pela comparação da importância relativa ao período entre 2000 e 2010 (Tabela 1) e o cenário atual. Mesmo com o ganho genético para produtividade e o incremento nas estratégias de controle, as medias brasileiras têm oscilado ao redor de três toneladas por hectare. A importância da ferrugem da soja segue destacada nesta safra, sendo responsável por danos que podem ter atingido 30%, em algumas regiões ou situações de manejo, mas o complexo de manchas certamente teve sua importância aumentada, podendo ter sido responsável por um dano de até 15%.

MANEJO DAS DOENÇAS

O manejo das doenças na cul-

tura da soja pode ser estruturado em função do inóculo disponível para infecção ou as estratégias de controle com base na taxa de progresso. No primeiro caso podem ser consideradas aquelas doenças cujo inóculo origina-se do solo ou da semente, ou em relação à ferrugem e ao oídio, cujo inóculo migra de regiões distantes. Este grupo apresenta uma janela de infecção que começa na emergência e tende a se prolongar por todo o ciclo da soja. No caso das manchas, causadas por organismos saprofíticos, o inóculo se origina da semente ou dos resíduos de lavoura. Ambas as fontes são altamente eficazes na transferência de inóculo e permitem que a doença se instale ainda nos primeiros estádios do período vegetativo da soja. Produtos utilizados no tratamento de sementes podem resultar em controle efetivo, mas em virtude do complexo de patógenos que podem estar estabelecidos, um percentual significativo de inóculo pode satisfatoriamente dar início às


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sido utilizados. Recentemente, cultivares com mecanismos quantitativos de resistência têm sido observadas a campo associadas a progressões de ferrugem mais lentas e demandando programas de controle químico menos intenso. Entretanto, a área semeada destas cultivares ainda é limitada e o seu impacto em termos de eficácia de controle e rentabilidade da lavoura ainda não é sentido de forma

consistente. Atualmente, o combate à ferrugem asiática da soja se dá pelo controle químico com o uso de fungicidas (Del Ponte e Esker, 2008), sendo a aplicação baseada em estádios fenológicos da cultura. Quando as pulverizações baseadas em calendário ou intervalos fixos regulares são substituídas por aplicações baseadas em sistemas de previsão, menos aplicações

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são necessárias, o que gera ganhos para o produtor por poupar tempo e dinheiro, além de ganhos para o ambiente porque apenas o número certo de pulverizações é aplicado (Gillespie et al, 2008). Andrade e Andrade (2002) observaram que um atraso de 14 dias na aplicação do fungicida para controle de ferrugem asiática, após a detecção da doença, foi suficiente para aumentar


06 • Maio 2015 • Soja • www.revistacultivar.com.br Figura 2a - Site do projeto De Primeira, Sem Dúvida - FOX, onde ficam evidenciadas a recomendação de acordo com o aplicativo, a imagem produzida pelas câmeras instaladas em cada um dos locais e a ficha técnica indicando o manejo utilizado

significativamente a desfolha em relação às parcelas submetidas ao tratamento fungicida efetuado no aparecimento da doença.

FUNDAMENTOS E IMPORTÂNCIA RELATIVA DE CADA APLICAÇÃO

Dentre as doenças que atacam a soja, a ferrugem (Phakopsora pachyrhizi) é uma das que mais têm preocupado os produtores de soja. Seu principal dano é a desfolha precoce, impedindo a completa formação dos grãos, com consequente redução da produtividade. O nível de dano que a doença pode ocasionar depende do momento em que incide na cultura e das condições climáticas favoráveis à sua multiplicação (CI Soja, 2013). Segundo Godoy et al (2005), atualmente a utilização de fungicidas permite efetivo controle da ferrugem na soja, embora sob determinadas circunstâncias sua eficácia possa ser comprometida devido aos altos custos de produção. Este controle, na maioria das vezes, é feito de forma calendarizada, sem levar em conta os fatores de risco (Godoy et al, 2009). Essa prática pode resultar tanto em aplicações desnecessárias como em pulverizações atrasadas, diminuindo a eficiência do controle ou acarretando impactos

ambientais elevados. Segundo Levy (2005), o momento da primeira aplicação é um dos fatores mais importantes para o sucesso do controle desta doença. Caso as aplicações sejam realizadas quando a doença já tenha níveis elevados, isso pode resultar em perdas significativas de produtividade e rentabilidade. Tsukahara et al (2008) rela-

tam que com a determinação das condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da ferrugem da soja, considerando as cultivares utilizadas no Brasil e as épocas de semeadura, pode-se ter subsídios importantes para a tomada de decisão referente ao momento ideal para se fazer o controle químico. Para otimizar o uso de fungicidas e estabelecer programas de controle, pode-se fazer uso de modelos de previsão de risco de ocorrência da doença. Com base nas variáveis ambientais, os sistemas de previsão de doença têm como princípio correlacionar os dados climáticos com a interação patógeno-hospedeiro e assim descrever a possível chance de ocorrência da doença. Para a construção desses modelos é preciso conhecer qual o comportamento do patógeno sobre o hospedeiro em uma dada condição de uma localidade (Lima, 2009).

INOVAÇÕES NO CONTROLE DA FERRUGEM

Atualmente, três questões são fundamentais para a tomada

Figura 2b - Site do projeto De Primeira, Sem Dúvida - FOX®, onde ficam evidenciados os resultados obtidos nos locais colhidos e sua distribuição no Brasil

Figura 4 - População de Máxima Eficiência Técnica (MET), para o híbrido BG 7318YH, média de seis locais na região Sul do Brasil, 2013-14


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de decisão do produtor para o controle químico das doenças na cultura da soja: quando realizar a primeira aplicação, qual o intervalo entre as aplicações e qual o momento para encerrar as aplicações.

INTERVALO ENTRE APLICAÇÕES O intervalo entre aplicações deve levar em consideração as condições climáticas envolvendo a progressão das doenças, bem como o estádio de crescimento da cultura. Normalmente, na fase vegetativa, a possibilidade das doenças apresentarem taxas

MOMENTO PARA ENCERRAR AS APLICAÇÕES As aplicações devem se encerrar no momento em que a probabilidade de infecção não comprometer a produtividade da cultura. A partir do estádio R6, o dano devido à infecção pelas doenças torna-se inexpressível. De qualquer modo, a severidade das doenças durante os estádios R5 e R6 está vinculada diretamente com a estratégia de controle empregada durante todo o ciclo da cultura. Deve ficar claro que o controle eficaz de doenças está diretamen-

Tabela 1 - Dano das doenças da soja no período de 2000 a 2010 Doença Antracnose Mancha parda Mancha parda Mancha olho de rã Oídio Mancha por cercospora Ferrugem

Ton . 1000 220 340 40 40 0 720 4720

Dano (%) 0,24 0,38 0,04 0,04 0,05 0,80 5,24

Tabela 2 - Resultados obtidos nos locais de condução do projeto De Primeira, Sem Dúvida - FOX® Local Cafelândia Rio Verde Campo Novo do Parecis Itaara Planaltina Paulínia

Manejo Correto Atrasado 86,12 80,43 84,88 80,14 69,30 69,70 66,01 64,18 75,41 73,04 52,10 46,60

Diferença 7,08% 5,91% -0,57% 2,85% 3,24% 11,80%

te associado ao manejo do inóculo inicial e a todas as estratégias que possam ser utilizadas de forma a diminuir a taxa de progresso das doenças.

PREVISÃO DA FERRUGEM: ALGORITMO MATEMÁTICO

Uma forma de se ter um melhor aproveitamento do controle químico ocorre por meio do uso de sistemas de previsão de risco de ocorrência de uma certa doença. Sistemas de alerta são elementos-

Bayer CropScience

PRIMEIRA APLICAÇÃO A definição da primeira aplicação é fundamental para que o nível de inóculo se mantenha muito baixo e não apresente reflexos importantes na taxa de progresso. Entretanto, são tantas as variáveis que normalmente o produtor utiliza o estádio fenológico como a referência de controle. Reis et al, (2007), em estudo para avaliar o controle químico da ferrugem asiática da soja, concluiu que o controle químico, com base no estádio fenológico da cultura, não é um indicativo de controle eficiente, devido ao patógeno estabelecer-se em qualquer estádio da planta durante o ciclo vegetativo. A ocorrência de infecção nos estádios iniciais da soja sob condições climáticas favoráveis para o desenvolvimento do patógeno pode determinar a necessidade de controle antecipado ou não. Corroborando estes resultados, Godoy e Henning (2008), em estudos para avaliar a aplicação foliar de fungicidas na soja com diferentes épocas de semeadura, observaram incidência inicial de ferrugem em diferentes estádios fenológicos da cultura e, considerando esta variação, juntamente com a influência das condições climáticas, concluíram que não é justificável a adoção de um modelo único para manejo desta doença, baseado em calendários de aplicação.

elevadas de progresso é baixa. Contudo, à medida que os estádios de maturação avançam, os patógenos encontram condições favoráveis para uma progressão mais rápida e exigem que as aplicações de fungicidas sejam mais frequentes. Diversos fatores podem interferir no residual de um fungicida, destacando-se posição da folha, idade dos tecidos, quantidade de doença estabelecida, quantidade de gotas de calda depositadas nas folhas, condições gerais envolvendo a tecnologia da aplicação, características intrínsecas do fungicida.

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Folha de soja com a presença de sintomas da ferrugem asiática


08 • Maio 2015 • Soja • www.revistacultivar.com.br fundamentados na interação patógeno, hospedeiro e ambiente, mas poucos modelos se baseiam no monitoramento do aparecimento do inóculo por serem de difícil mensuração. A maioria dos sistemas se baseia nas condições climáticas necessárias para infecção e multiplicação do inóculo. As variáveis de umidade envolvidas são umidade relativa, a duração do período de molhamento foliar ou precipitação (Gillespie et al, 2008; Gleason et al, 2008). Del Ponte et al (2006), em estudo para avaliar a ocorrência e severidade de ferrugem em 21 locais, distribuídos por nove estados brasileiros nas safras 2002/03 e 2004/05, relata que nos locais onde a severidade de ferrugem foi maior que 70%, as chuvas durante o período de um mês, após a detecção da doença, variaram

Bayer CropScience

-chave no manejo integrado de doenças por reunir esforços para otimizar o uso de defensivos agrícolas. Em alguns casos, estes sistemas podem contribuir para o aumento da rentabilidade do produtor por meio também da otimização dos investimentos feitos em insumos (Gleason et al, 2008). O desenvolvimento de modelos matemáticos que indiquem o momento aproximado para o controle eficaz da ferrugem da soja pode racionalizar os programas de controle químico, além de aumentar sua eficácia. Segundo Godoy et al, (2009), a utilização de monitoramento da doença para tomada de decisão para o início das aplicações é importante para o correto manejo desta doença. Segundo Reis et al, (2004), os modelos de previsão estão

A mancha alvo tem apresentado alta incidência em áreas de cultivo do Mato Grosso

entre 250mm e 450mm distribuídos em 14 a 24 dias. Já onde a severidade foi menor que 30%, a precipitação variou entre 20mm e 125mm distribuídos em cinco dias a dez dias de chuva durante o período de um mês. Também nos locais de maior severidade foram observadas maiores temperaturas. As análises de correlação realizadas neste estudo indicaram que a precipitação foi mais fortemente correlacionada com a doença que as variáveis de temperatura. Del Ponte e Esker (2008), em estudo abordando fatores meteorológicos e epidemias de ferrugem asiática, relatam que no Brasil os sistemas de previsão de ocorrência de ferrugem asiática são limitados a alertas locais específicos, relacionando temperatura e molhamento foliar a um sistema nacional que monitora a primeira


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Projeto De Primeira, Sem Dúvida - Fox projeto De Primeira, Sem Dúvida, da • A partir da primeira aplicação, indicar os O Bayer CropScience, foi desenvolvido melhores momentos para as aplicações subna safra 2014/2015. Consistiu na estru- sequentes de fungicidas ligados ao Programa turação de áreas com a cultura da soja e naturalmente infectadas pelo patógeno. Foi realizada a captação de imagens para fins de acompanhamento da evolução da cultura, da doença, das aplicações do produto Fox e de recomendações. O monitoramento ocorreu em seis locais do Brasil (Figura 1) e foi transmitido ao vivo, 24 horas por dia, via Internet (www. semduvidadeprimeira.com.br). Foram envolvidos no projeto os pesquisadores Luis Carregal (Rio Verde, Goiás), Nedio Tormen (Planaltina, Distrito Federal), Ricardo Balardin (Itaara, Rio Grande do Sul), Silvania Furlan (Paulínia, São Paulo), Tiago Madalosso (Cafelândia, Paraná) e Valtemir Carlin (Campo Novo do Parecis, Mato Grosso). Estes profissionais foram responsáveis por recomendações, determinação dos momentos de aplicação e gerenciamento dos experimentos em cada um dos locais. Deste modo, foi possível obter pareceres locais com repercussão regional com benefícios diretos aos produtores cadastrados em um site (Figura 2a e 2b) e um aplicativo. Por meio do acompanhamento de imagens foi realizado o monitoramento das aplicações do fungicida Fox, da Bayer CropScience, para o controle de ferrugem-asiática da soja, mancha alvo, antracnose, DFC e oídio.

Bayer de Controle. Neste caso, foram implantadas uma parcela com o programa correto e uma parcela com um atraso de sete dias na implantação do programa; • Relatos semanais por parte dos pesquisadores envolvidos no projeto, justificando o manejo utilizado, bem como fornecendo um panorama detalhado sobre o progresso da ferrugem em cada um dos locais.

Uma das ferramentas do projeto é um algoritmo cuja finalidade reside em prever o nível de risco quando da tomada de decisão para a aplicação de Fox. Com o desenvolvimento deste algoritmo, a Bayer CropScience consegue fornecer ao produtor uma ferramenta para ajudar na tomada de decisão das aplicações. O algoritmo em desenvolvimento é baseado em precipitação acumulada, temperatura mínima, épocas de semeadura, estádio fenológico da cultura e local, sendo atribuídos níveis de importância para cada variável. Para as próximas safras de soja o projeto deve contar com quatro novos locais. Com esta iniciativa, a empresa pretende aumentar sua área de abrangência, permitindo que mais profissionais participem do projeto e que suas recomendações mais apropriadas alcancem um maior número de produtores. Objetivos do projeto A essência do projeto De Primeira, Sem Dúvi• Definir o melhor momento para aplicação da - Fox, que é orientar a aplicação de fungicidas, de fungicidas; será estendida nos estados do Sul, em Itaara e • Analisar os experimentos considerando Passo Fundo, por meio do acompanhamento variáveis reais medidas em tempo real; de áreas de trigo. ocorrência de ferrugem em alguns municípios, o Consórcio Antiferrugem, no qual instituições ou órgãos de pesquisa fornecem os dados. Em nível de campo existe um conjunto vasto e complexo de fatores que influenciam o início de uma epidemia de ferrugem. Usando algumas variáveis que captam a maior parte da variabilidade da severidade da doença, foi diminuída consideravelmente a probabilidade de erros, melhorando a informação quantitativa de risco com a simples entrada de

modelos empíricos (Del Ponte et al, 2006).

RESULTADOS

Trabalhos conduzidos em campo, parte do projeto De Primeira, Sem Dúvida - Fox, demonstraram que em locais onde a doença encontrou condições para sua evolução, na comparação entre os programas de controle aplicados no momento em que as condições locais indicavam como corretos e os programas de controle aplicados com sete dias de atraso, resulta-

ram em diferenças que variaram entre -0,57% e 11,80% (Tabela 2). Neste caso, a comparação ocorreu entre programas de controle iguais, nos quais apenas o atraso de sete dias acarretou a diferença no rendimento. Este dado, importante do ponto de vista do manejo do controle, também indica quão importante é a manutenção de intervalos corretos entre aplicações. Em outros projetos foi observado que, sob diversas condições de aplicação, comparação similar dos mesmos programas de controle utilizados


Bayer CropScience

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no projeto De Primeira, Sem Dúvida - Fox da Bayer CropScience, a variação entre os programas foi de mais de 15%. Um dos aspectos fundamentais no manejo das doenças foliares da cultura da soja consiste

no correto posicionamento da primeira aplicação, que deve ser preventivo e seguido de uma sequência de aplicações que, orientadas por critérios técnicos, sejam executadas de forma a possibilitar controle eficaz das doenças, mas

evitando a aplicação excessiva de fungicidas. C Ricardo Balardin, UFSM/CCR/DFS Everson Zin, Bayer CropScience

Encarte Técnico: Soja • Circula encartado na revista Cultivar Grandes Culturas • nº 192 • Maio 2015 • Capa - Bayer CropScience Reimpressões podem ser solicitadas através do telefone: (53) 3028.2075

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Leandro Vargas

04 • Maio 2015 • Trigo • www.revistacultivar.com.br

Prevenção à resistência O uso repetido de produtos com mesmo mecanismo de ação tem resultado em diversas espécies de plantas daninhas resistentes à aplicação de herbicidas na cultura do trigo. Por isso é preciso antecipar-se ao problema de modo a garantir a manutenção da eficácia dos defensivos disponíveis no mercado e não comprometer o controle químico

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o Brasil o trigo é cultivado em parte da região Nordeste, na região Centro-Oeste, na região Sudeste e na região Sul. Por essa diversidade de regiões e consequentemente de clima, as espécies daninhas que causam perdas econômicas na produtividade de grãos da cultura é variável. No Sul do Brasil, as poaceas azevém (Lolium multiflorum) e aveia (Avena strigosa e A. sativa) são as que causam os maiores prejuízos ao trigo. Quanto às dicotiledôneas, se destacam buva (Conyza bonariensis, C. sumatrensis, C. canadensis), nabo (Raphanus raphanistrum e R. sativus), ervilhaca (Vicia vilosa

e V. sativa) e cipó-de-veado-de-inverno (Polygonum convolvulus) e, com menor frequência, língua de vaca (Rumex spp.), flor roxa (Echium plantagineum), erva-salsa (Bowlesia incana), serralha (Sonchus oleraceus), alfinete da terra (Silene gallica), gorga (Spergula arvensis) e erva de passarinho (Stellaria media). Nas regiões mais quentes do Brasil e em anos em que o inverno na região Sul apresenta temperatura média elevada, ocorrem também espécies daninhas comuns no verão, como papuã (Brachiaria plantaginea), milhã (Digitaria spp.), capim amargoso (Digitaria insularis), capim pé-de-galinha

(Eleusine indica), picão preto (Bidens pilosa e B. subalternans), picão branco (Galinsoga parvilflora), guanxuma (Sida rhombifolia), corda de viola (Ipomoea triloba, I. indivisa, I. purpurea), leiteiro (Euphorbia heterophylla), carurus (Amaranthus spp.) e poaia branca (Richardia brasiliensis). Além das espécies daninhas referidas, são frequentes também plantas voluntárias originadas de sementes perdidas na colheita, como soja (Glycine max) e milho (Zea mays), as quais apresentam restrição quanto aos herbicidas utilizados no seu controle devido às características de resistência aos herbicidas (exemplo: culti-


vares de soja resistentes ao glifosato, tolerantes às sulfonilureias, híbridos de milho resistentes ao glifosato, ao glufosinato etc). Um tema que a cada safra tem maior abrangência em termos de área cultivada com trigo é a resistência de espécies daninhas aos herbicidas. No registro global de espécies daninhas resistentes aos herbicidas (http://www. weedscience.org), encontram-se biótipos de espécies daninhas com relevância para a cultura de trigo. Para a região Sul do Brasil destacam-se os casos de nabo (Raphanus sativus e R. raphanistrum), de azevém (Lolium multiflorum) e de buva (Conyza sumatrensis) resistentes aos herbicidas inibidores da ALS; de azevém e de buva (Conyza bonariensis e C. canadenses) aos inibidores da EPSPS (glifosato); e de aveia-brava (Avena fatua) aos inibidores da ACCase. Nas regiões mais quentes do Brasil e em anos em que o inverno na região Sul apresenta temperatura média elevada, podem ocorrer biótipos de leiteira (Euphorbia heterophylla), de picão preto (Bidens pilosa e B. subalternans) e de caruru (Amaranthus retroflexus) resistentes a inibidores da ALS, de milhã (Digitaria ciliaris) e de capim pé-de-galinha (Eleusine indica) resistentes a inibidores da ACCase. Entre as espécies daninhas perenes, se destaca o capim amargoso (Digitaria insularis) em especial na região mais quente do estado do Paraná e em parte do Centro-Oeste brasileiro, por apresentar biótipos resistentes aos inibidores da EPSPS. Além desses casos de resistência simples e cruzada, são relatados também episódios de resistência múltipla de azevém aos inibidores da EPSPS + ACCase e da buva (C. sumatrensis) aos inibidores da EPSPS + ALS. A solução por meio do controle químico para a resistência múltipla é mais difícil e onerosa ao agricultor. A seleção de biótipos resistentes ocorre pelo uso repetido de herbicidas pertencentes ao mesmo

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Dirceu Gassen

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No Sul do Brasil, o Azevém tem mostrado resistência aos herbicidas inibidores da EPSPS (Glifosato)

mecanismo de ação. Contudo, quando se identifica um biótipo resistente a um herbicida em uma lavoura, não significa que todas as plantas da espécie sejam resistentes e que a totalidade das plantas resistentes possua o mesmo grau de resistência. Como se trata de uma população composta por indivíduos resistentes (com diferentes graus de resistência) e suscetíveis, indica-se associar ao herbicida que possui o biótipo resistente outro herbicida que seja eficaz sobre essa espécie, porém, mecanismo de ação diferente. Por exemplo, no caso do azevém resistente a herbicida inibidor da EPSPS (glifosato), na dessecação que precede a semeadura do trigo, deve-se associar ao glifosato um herbicida inibidor da ACCase e no caso da buva, associar ao glifosato uma auxina sintética ou um inibidor da ALS ou ainda a um inibidor de PPO. Em complementação, para evitar plantas remanescentes e para minimizar a seleção de biótipos resistentes tanto de azevém como de buva, indica-se uma aplicação

posterior com herbicidas de baixa mobilidade (conhecidos como “de contato”) logo antes da semeadura do trigo (aplicação sequencial). As opções de controle ficam restritas quando ocorrem biótipos com resistência múltipla tanto no controle na dessecação como no controle com herbicidas seletivos em pré ou em pós-emergência. É importante considerar, na escolha dos herbicidas, que além de espécies daninhas típicas, ocorrem também plantas das culturas de soja ou milho oriundas de grãos perdidos na colheita, que possuem genes de resistência a inibidores da EPSPS e/ou da GS ou de tolerância a inibidores da ALS, que não serão controladas por produtos pertencentes a esses mecanismos de ação. É preciso antecipar-se ao problema da resistência de plantas daninhas aos herbicidas e agir preventivamente para manter a eficácia dos produtos disponíveis C no mercado. Mario Antonio Bianchi, CCGL Tecnologia, Cruz Alta (RS)


06 • Maio 2015 • Trigo • www.revistacultivar.com.br

Nova ferramenta

Mauro Rizzardi

Herbicida à base de piroxsulam chega ao Brasil para auxiliar os produtores no controle em pós-emergência inicial das principais plantas daninhas da cultura do trigo, como azevém (Lolium multiflorum), aveia-preta (Avena strigosa), aveia-branca (Avena sativa), nabo (Raphanus raphanistrum), cipó-de-veado (Polygonum convolvulus) e soja voluntária (Glycine max)

P

iroxsulam é um novo herbicida do grupo das sulfonamidas que oferece controle de gramíneas anuais e de plantas daninhas de folhas largas em pós-emergência com amplo espectro de controle, para a cultura do trigo. O piroxsulam controla as principais gramíneas anuais, incluindo Avena spp., Bromus spp., Lolium spp. e outras e folhas largas como Raphanus raphanistrum, Polygonum convolvulus, Bidens pilosa, Euphorbia heterophylla, Vicia sativa e Stellaria

media. O piroxsulam apresenta atividade herbicida em baixas doses de aplicação, que em pós-emergência para cereais variam de 15g.i.a./ ha – 18g.i.a./ha, dependendo da espécie infestante e da geografia. A principal utilização é em pós-emergência, no entanto, mostra também um efeito residual para novos fluxos de plantas daninhas no solo. Entre os destaques deste herbicida está o controle efetivo em pós-emergência, residual para

algumas das principais plantas infestantes em cereais, tecnologia com uso de baixas doses de produto para aplicação, seletividade para o trigo, flexibilidade de aplicação, rápida degradação no solo, permitindo a rotação de culturas e perfil ambiental e toxicológico favorável

FORMULAÇÕES

No Brasil, o piroxsulam será comercializado na formulação 45g i.a./L OD (dipersão em óleo), garantindo flexibilidade para


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aplicações sequenciais com outros ingredientes ativos. Várias formulações pré-misturadas, com outros ingredientes ativos herbicidas, também estão sendo desenvolvidas para ampliar o espectro de controle de plantas daninhas e/ou o controle residual.

REGISTROS

A Dow AgroSciences busca expandir os registros do piroxsulam para uso em todos os grandes países produtores de cereais. Os primeiros registros do piroxsulam foram em 2008, no entanto, em alguns países como o Brasil o registro e a autorização para comercialização foram obtidos em 2014.

CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS

Piroxsulam age no controle pós-emergente de amplo espectro contra plantas daninhas anuais de folhas largas e estreitas para culturas de cereais. As principais gramíneas controladas são Avena spp., Bromus spp. e Lolium spp. O piroxsulam também permite o controle de algumas das principais plantas daninhas de folhas largas em culturas de cereais, incluindo Raphanus raphanistrum, Polygonum convolvulus, Bidens pilosa, Euphorbia heterophylla, Vicia sativa e Stellaria media. As Tabelas 1 e 2 mostram uma lista de espécies de plantas daninhas, monocotiledôneas e dicotiledôneas, classificadas segundo sua sensibilidade ao herbicida

piroxsulam em suscetíveis, moderadamente suscetíveis e tolerantes. As informações que constam nestas tabelas são provenientes de estudos de experimentação agrícola realizados a campo em todos os países onde o produto piroxsulam possui registro para uso. Estas tabelas devem ser usadas apenas como guias e não são uma recomendação do controle destas espécies de plantas daninhas. No Brasil o piroxsulam está registrado no Ministério da Agricultura sob o número 4.414 para o controle, em pós-emergência inicial, das principais plantas daninhas da cultura do trigo. Tricea é a marca comercial do piroxsulam no Brasil, formulado em dispersão oleosa (OD), contendo 45g i.a. de piroxsulam por litro de produto. Média de controle das plantas daninhas registradas no Brasil, resultados provenientes de ensaios de experimentação agrícola, conduzidos internamnete pela Dow AgroSciences e externamente por pesquisadores credenciados junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Para os tratamentos herbicidas foram acrescentados à calda os seguintes adjuvantes: Tricea, óleo vegetal (0,5L.ha-1), Hussar, espalhante adesivo à base de lauril éter sulfato de sódio (0,3% v/v) e Topik, óleo mineral (0,5% v/v)

MODO DE AÇÃO

O piroxsulam pertence ao

Figura 1 - Controle de Azevém, média de 48 ensaios conduzidos nos estados do RS, PR e SP, entre os anos de 2008 a 2013

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grupo químico das sulfonamida-triazolopirimidinas, inibindo a síntese da enzima acetolactato sintase (ALS), essencial para a síntese dos aminoácidos de cadeia ramificada valina, leucina e isoleucina. A inibição da produção de aminoácidos afeta a divisão celular e a morte das plantas suscetíveis.

ABSORÇÃO/TRANSLOCAÇÃO

O piroxsulam é um herbicida sistêmico, se move na planta via xilema e floema, sendo absorvido via folhas, caules e raízes. As folhas e as raízes são os principais locais de absorção nas plantas. Após a absorção o piroxsulam é translocado para o tecido meristemático das plantas.

SINTOMATOLOGIA

Os sintomas incluem desnutrição e clorose, seguidas de necrose e morte das daninhas. Os danos a essas plantas causados por uma aplicação de piroxsulam são típicos dos herbicidas inibidores de ALS. O uso do piroxsulam resulta em sintomatologia nas plantas daninhas suscetíveis e na inibição quase imediata do crescimento. Provoca clorose das folhas e do meristema apical, com possível avermelhamento das nervuras nos primeiros dias, necrose do meristema apical em aproximadamente sete a 14 dias após a aplicação, morte da planta em geralmente duas a quatro sema-

Figura 2 - Controle de Aveia preta, Média de 32 ensaios conduzidos nos estados do RS, PR e SP, entre os anos de 2008 a 2013


08 • Maio 2015 • Trigo • www.revistacultivar.com.br Figura 3 - Controle de Aveia-branca, Média de 17 ensaios conduzidos nos estados do RS, PR e SP, entre os anos de 2008 a 2013

nas em condições normais de crescimento, e de seis a oito semanas em condições de crescimento adversas.

ATIVIDADE DO PIROXSULAM NAS PLANTAS DANINHAS

As plantas daninhas tratadas com piroxsulam deixarão de crescer quase que imediatamente, e a competição dessas plantas com a cultura de cereais deve ser mínima logo após a aplicação. A morte completa da planta pode ser lenta em comparação a outros produtos. A taxa de mortalidade das plantas está provavelmente ligada às reservas de aminoácidos ramificados disponíveis. Plantas pequenas sucumbirão muito mais rapidamente que espécies

Figura 4 - Controle de nabo, Média de 23 ensaios conduzidos nos estados do RS, PR e SP, entre os anos de 2008 a 2013

maiores, com reservas maiores. Condições ambientais adversas que retardam o metabolismo das plantas (frio, seca) reduzirão a velocidade das mortes. Resultados de testes no campo indicam que o controle máximo das plantas daninhas ocorre quando as gramíneas estão no estágio de crescimento de uma a cinco folhas e/ou um afilho.

TOLERÂNCIA DAS CULTURAS

Trigo apresenta excelente tolerância ao piroxsulam nas doses previstas no rótulo. Todas as formulações de piroxsulam comercializadas contêm a adição de um protetor, também conhecido como safener. O cloquintocet é formulado com o piroxsulam

Figura 5 - Controle de Soja voluntária, Média de 27 ensaios conduzidos nos estados do RS, PR e SP, entre os anos de 2008 a 2013

para garantir a total seletividade às culturas recomendadas nos diversos países onde o produto possui registro. Cevada e aveia não demonstram tolerância comercialmente aceitável a piroxsulam, mesmo quando formulado com protetores. No Brasil o produto Tricea está registrado somente para cultura do Trigo, sendo totalmente seletivo para esta cultura quando aplicado nas doses e nos estádios recomendados em bula. Os resultados de seletividade deste herbicida foram obtidos através de esnsaios de experimentação agrícola conduzidos internamente pelo corpo técnico da Dow AgroSciences ou externamente

Figura 6 - Controle de Cipó-de-veado, Média de 15 ensaios conduzidos nos estados do RS, PR e SP, entre os anos de 2008 a 2013


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por empresas de pesquisa credenciadas ao Mapa. Para a seletividade à cultura do trigo foi utilizada escala de notas proposta pela SBCPD (1995), que varia de 0% a 100%, onde 0% corresponde à ausência de sintomas de injúria e 100% à morte das plantas. O uso de adubação nitrogenada (ureia) e o momento da aplicação em relação ao tratamento herbicida não interferem na seletividade do piroxsulam à cultura do trigo, Tricea pode ser aplicado antes ou depois da adubação nitrogenada sem intervalo entra as aplicações. Para os tratamentos herbicidas foram acrescentados à calda os seguintes adjuvantes: Tricea, óleo vegetal (0,5L.ha-1) e Hussar, espalhante adesivo à base de lauril éter sulfato de sódio (0,3% v/v), além de Topik, óleo mineral (0,5% v/v). Rotação de culturas

O piroxsulam se degrada rapidamente e os resíduos no solo em geral não persistem tempo suficiente para danificar as culturas da safra seguinte. Como muitos compostos são degradados por microrganismos, requer temperatura e umidade adequadas para que sua degradação ocorra.

DESCRIÇÃO QUÍMICA

Toxicidade aguda

Com base em dados produzidos para ou em nome da Dow AgroSciences, a toxicidade aguda

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Tabela 1 - Classificação de plantas daninhas monocotiledôneas, segundo sua sensibilidade ao herbicida piroxsulam Suscetíveis Alopecurus aequalis Bromus japonicus Alopecurus japonicus Bromus rubens Alopecurus myosuroides Bromus secalinus Apera spica-venti Bromus sterilis Avena fatua Bromus tectorum Avena sativa Lolium multiflorum Avena strigosa Lolium perenne Bromus catharticus Phalaris paradoxa Bromus commutatis Pennisetum americanum Bromus diandrus Sclerochloa kengiana

Moderadamente Suscetíveis Agropyron repens Echinochloa crus-galli Hordeum spp. Lolium persicum Lolium rigidum Phalaris brachystachys Phalaris canariensis Phalaris minor Setaria viridis Vulpia myuros

Tolerantes Beckmannia syzigachne Poa annua Secale cereale

Tabela 2 - Classificação de plantas daninhas dicotiledôneas, segundo sua sensibilidade ao herbicida piroxsulam Suscetíveis Amaranthus retroflexus Lupinus spp. Ammi majus Malva spp. Anthemis arvensis Matricaria spp. Anthriscus caucalis Medicago spp. Arabidopsis thaliana Myosotis arvensis Brassica napus Polygonum persicaria Brassica nigra Raphanus raphanistrum Capsella bursa-pastoris Scandix pecten-veneris Chorispora tenella Senecio vulgaris Daucus carota Sinapis arvensis Descurainia spp. Sisymbrium spp. Galeopsis tetrahit Stellaria media Galium aparine Thiaspi arvense Geranium spp. Trifolium spp. Helianthus annuus Veronica hederaefolia Hibiscus trionum Veronica persica Lamium amplexicaule Vicia spp. Lithospermum arvense Viola arvensis

Moderadamente Suscetíveis Arctotheca calendula Centaurea cyanus Cerastium arvense Chenopodium album Chrysanthemum segetum Cirsium arvense Consolida orientalis

Tolerantes Convolvulus arvensis Fumaria officinalis Kochia scoparia* (SU res.) Lactuca serriola Papaver rhoeas Sonchus arvensis Sonchus oleraceus

Kochia scoparia Lamium purpureum Linum usitatissimum Polygonum aviculare Polygonum convovulus Salsola Kali Silybum marianum

Bula de Tricea registrada no Brasil Plantas Daninhas Azevém (Lolium multiflorum) Aveia-preta (Avena strigosa) Aveia-branca (Avena sativa) Nabo (Raphanus raphanistrum) Cipó-de-veado (Polygonum convolvulus) Soja voluntária (Glycine max)

Estádio das plantas 2 - 4 folhas

2 - 4 folhas

Dose * (ml ha-1) 340 – 400 400 400 340 340 – 400 340 – 400

Dose (g i.a. ha-1) 15-18 18 18 15 15-18 15-18

* Adicionar adjuvante (óleo vegetal) à calda no volume de 0,5 L.ha-1.

Figura 7 - Seletividade dos tratamentos herbicidas à cultura do trigo, Média de 103 ensaios conduzidos nos estados do RS, PR e SP, entre os anos de 2008 a 2013

do piroxsulam para mamíferos é considerada baixa para o ingrediente ativo técnico. Toxicidade crônica

Estudos da Dow AgroSciences mostraram que o piroxsulam (técnico) não é carcinogênico, teratogênico, mutagênico, neurotóxico nem representa risco reprodutivo.

DESTINO AMBIENTAL Solo

O principal método de degradação do piroxsulam é a de-


Figura 8 - Produtividade média da cultura do trigo em sacas por hectare, média de 52 ensaios conduzidos nos estados do RS, PR e SP, entre os anos de 2008 a 2010

Divulgação/Dow AgroSciences

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Azevém e cipó de veado (acima), soja voluntária e nabo (abaixo)

composição microbiana em solos aeróbicos. Esse herbicida é mais firmemente ligado à matéria orgânica que à argila; a solubilidade aumenta com o pH. Consequentemente, a degradação é mais rápida com maior pH e menor quantidade de matéria orgânica. A meia-vida estimada no solo é de 13 dias; não foram produzidos

metabólitos que pudessem gerar qualquer preocupação. Mobilidade: não foi observada degradação do ingrediente ativo nos extratos do solo. O coeficiente de mobilidade (Rf) foi 2,02; 0,15; 0,20 e 0,32 para os solos GMa, LVdf, RQ e PV, respectivamente. De acordo com os resultados, piroxsulam pode ser considerado imóvel no solo

GMa, e pouco móvel nos solos LVdf, RQ e PV. Bioacumulação: devido ao baixo coeficiente de partição (Kow) do ingrediente ativo, é muito baixa a probabilidade de bioacumulação. Água

Para o piroxsulam não existem limites determinados na água. As

Nome Comum Número CAS Nomes dos Códigos Testados Nome Químico (Iupac) Estrutura Química

Piroxsulam 422556-08-9 DE-742, XDE-742, XR-742, N-(5,7-dimethoxy[1,2,4]triazolo[1,5-a]pyrimidin-2-yl)-2-methoxy-4-(trifluoromethyl)pyridine-3-sulfonamide

Família Química Fórmula Empírica Massa Molecular Densidade Relativa (Gravidade Específica) Ponto de Fusão Ponto de Ebulição Flamabilidade Propriedades Explosivas Constante de Dissociação (Pka) Pressão do Vapor Coeficiente de partição octanol/Água (Log Kow a 20Oc) Estabilidade Hidrolítica (Dt50) Fotoestabilidade Aquosa (Dt50) Fotólise no solo (Dt50) Adsorção no solo (Kd) Constante de adsorção pelo solo (Koc) Solubilidade (G/L a 200C)

Triazolopirimidina sulfonamida C14 H13 F3 N6 O5 S 434,354 u 0,383g/cm3 a 22,6oC 193,7oC Não aplicável, produto sólido Não é altamente inflamável Não é explosivo 4,67 Menos de 1 x10-7 Pa a 20oC pH 5 = 0,9 Estável à hidrólise em pH 5, 7 e 9 a 25oC 3,2 dias 0,079 dias no escuro e 0,017 dias em amostra irradiada 0,06-1,853 L/kg (média 0,51 L/kg) Baseado nos valores de KOC, o piroxsulam pode ser classificado como muito móvel em solo PV, móvel em solo LVDf e RQ, e medianamente móvel em solo Gma Solvente Solubilidade Solvente Solubilidade Acetona 2,79 Água destilada 0,0361 Acetato de etila 2,17 pH 9 Tampão 13,7 1,2-Dichloroethane 3,94 Metanol 1.01 Octanol 0.0730


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Dirceu Gassen

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Dirceu Gassen

principais rotas de degradação são a fotólise e a decomposição microbiana. Ar

O potencial de transporte do piroxsulam por meio da volatilização de resíduos é extremamente baixo, graças à sua baixa pressão de vapor e pequena constante da Lei de Henry (<1.36 × 10-8 Pa m3/mol a 20°C e pH 7). Como acontece com qualquer herbicida, plantas não alvo suscetíveis podem ser danificadas pelo C herbicida pulverizado. Teste Oral Agudo (i.a. técnico) Dérmico Agudo (i.a. técnico) Inalação Aguda (i.a. técnico) Irritação Dérmica (i.a. técnico) Irritação dos Olhos (i.a. técnico) Sensibilização da Pele (i.a. técnico)

Espécie Rato Rato Rato Coelho Coelho Porquinho-da-índia

Parâmetros de Toxicidade LD50 >2000 mg/kg LD50 >2000 mg/kg LC50 >5.1 mg/L Não é um irritante dérmico Não irrita os olhos Sensibilizador

Rogerio Rubin, Gerente de Pesq. e Desenv. Marcus Fiorini, Gerente de Market. Herbicidas Luiz Zobiole, Gabriel Pereira e Bruno Cavenaghi, Pesquisa e Desenvolvimento

Encarte Técnico: Trigo • Circula encartado na revista Cultivar Grandes Culturas • nº 192 • Maio 2015 • Capa - Leandro Vargas Reimpressões podem ser solicitadas através do telefone: (53) 3028.2075

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