Skip to main content

Cultivar 108

Page 1

Cultivar Grandes Culturas • Ano X • Nº 108 • Maio 2008 • ISSN - 1516-358X Destaques

Nossa Capa

Cad ais eexi xi gen tes ........24 Cadaa vez m mais xig entes tes.............. ....................24

Gisèle M ari tin Mari ariaa Fan Fantin

A n ecessi dad ar as estr atégi as ddee con tr ole di an te ddaa fr eqüên ci necessi ecessid adee ddee ampli ampliar estratégi atégias contr trole dian ante freqüên eqüênci ciaa e in ten si dad an os pr ovocad os por ddoenças oenças ffoli oli ar es n o milh o safrinha inten tensi sid adee ddee ddan anos provocad ovocados oliar ares no milho

Lu cr os sugad os ........................06 Flag elo br an co.........................14 Tri go anão...............................33 Lucr cros sugados os........................06 Flagelo bran anco.........................14 rig Os pr ejuízos ddos os pr od utor es prejuízos prod odutor utores os com a atu al br asileir brasileir asileiros atual política cambial

Já é tempo de plan ejar altern ativas con tr planejar alternativas contr traa o an co, cuja in ci dên ci esceu n mofo br cidên dênci ciaa cr cresceu naa últim últimaa bran anco, inci safr egiões com o o su doeste ggoi oi an o safraa em rregiões como sud oian ano

Índice

Os ddesafi esafi os par ter o esafios paraa con conter o am ar elo n nanism anismo amar arelo naa cultur o tri go culturaa ddo trig

Expediente Fun dad or es: Milton Sousa Guerr ewton PPeter eter Fund ador ores: Guerraa e N Newton

Dir etas Diretas Influên ci o câmbi on as eexportações xportações Influênci ciaa ddo câmbio nas Nutrição em algodão

04 06 08

Empr esas - Basf Empresas

13

Mofo br an co em soja bran anco

14

Manejo de doenças em soja

18

RED AÇÃO REDAÇÃO

CIRCULAÇÃO

• Editor

• Ger en te Geren ente

Gilvan Dutr o Dutraa Queved Quevedo Janice Ebel • Desi gn Gráfi co e Di agr am ação Design Gráfico Diagr agram amação

22

• A ssin atur as Assin ssinatur aturas

Simone Lopes

Cristiano Ceia • Revisão

Alin artzsch ddee Alm ei da Alinee PPartzsch Almei eid

COMERCIAL Ped edrro Batistin

Uso ddee silíci on silício naa soja

Cibele Oliveir Oliveiraa ddaa Costa

• Coor den ad or ddee Red ação Coord enad ador Redação

Sed eli Feijó Sedeli

• Expedição

Di anferson Alves Dianferson

GRÁFICA • Impr essão Impressão

Kun de In dústri as Gráfi cas Ltd a. und Indústri dústrias Gráficas Ltda.

Con tr ole ddee ddoenças oenças ffoli oli ar es em milh o Contr trole oliar ares milho

24

Grupo Cultivar ddee Publi cações Ltd a. Publicações Ltda. Rua: Nilo Peçanha, 212 Pelotas – RS 96055 – 410

Inibi dor ddee invasor as em gir assol Inibid invasoras girassol

28

Dir etor es Diretor etores Newton Peter e Schubert K. Peter

Nossos TTelef elef on es elefon ones es:: (53)

evistacultivar .com.br www .r www.r .revistacultivar evistacultivar.com.br cultivar@revistacultivar.com.br

• Ger al Geral 3028.2000

• Redação: 3028.2060

Assin atur ual (11 edições*): R$ 119,00 ssinatur aturaa an anu (*10 edições mensais + 1 edição conjunta em Dez/Jan)

• A ssin atur as: Assin ssinatur aturas: 3028.2070

• Com er ci al: Comer erci cial: 3028.2065 3028.2066 3028.2067

Con tr ole ddaa br oca gi gan te em can a-d e-açúcar Contr trole broca gigan gante cana-d a-de-açúcar

30

Nanismo em trigo

33

Coluna Andav

36

Colun gr on egóci os Colunaa A Agr gron onegóci egócios

37

Mer cad o A grícola ercad cado Agrícola

38

Núm er os atr asad os: R$ 15,00 Númer eros atrasad asados:

Assin atur tern aci on al: ssinatur aturaa In Intern ternaci acion onal: US$ 80,00 Euros 70,00

Por falta de espaço não publicamos as referências bibliográficas citadas pelos autores dos artigos que integram esta edição. Os interessados podem solicitá-las à redação pelo e-mail: cultivar@cultivar.inf.br Os artigos em Cultivar não representam nenhum consenso. Não esperamos que todos os leitores simpatizem ou concordem com o que encontrarem aqui. Muitos irão, fatalmente, discordar. Mas todos os colaboradores serão mantidos. Eles foram selecionados entre os melhores do país em cada área. Acreditamos que podemos fazer mais pelo entendimento dos assuntos quando expomos diferentes opiniões, para que o leitor julgue. Não aceitamos a responsabilidade por conceitos emitidos nos artigos. Aceitamos, apenas, a responsabilidade por ter dado aos autores a oportunidade de divulgar seus conhecimentos e expressar suas opiniões.


Diretas Syngenta

Bayer CropScience

A Syngenta foi premiada em várias categorias da XV Mostra de Comunicação em Marketing Rural e Agronegócio da Associação Brasileira de Marketing Rural & Agronegócio (ABMR&A), uma das mais tradicionais premiações do setor. Com a campanha “Soja Syngenta - Tecnologia de Ponta a Ponta”, a empresa conquistou o ouro na categoria “Merchandising e Ponto-de-Venda” e prata nas categorias “Campanha de Propaganda” e “Comercial de TV”. Já a campanha “Mal-acostumado” para o inseticida Engeo Pleno, granjeou ouro duplo nas categorias “Campanha de Propaganda” e “Fonograma”. A empresa ainda foi ouro na categoria “Comercial de TV” para o inseticida Curyom e recebeu prêmio de destaque como “Anunciante do Período”. “Acreditamos que esses prêmios sejam o resultado dos nossos esforços para o fortalecimento da imagem da Syngenta perante o agronegócio brasileiro”, afirma Renato Guimarães Renato Guimarães, diretor de Marketing da Syngenta.

Gerhard Bohne assume a diretoria de Operações da Bayer CropScience no Brasil, onde passa a liderar todos os negócios de Crop Protection da empresa no país, que é um dos três principais mercados no mundo para a multinacional. O executivo está no Grupo Bayer há 21 anos, e já ocupou cargos, anteriormente, nas áreas de Registro, Pesquisa, Desenvolvimento e Marketing. “O Brasil é muito estratégico para os negócios globais da Bayer CropScience e assumir a diretoria de Operações representa um grande desafio, o que me deixa bastante motivado. O país é o celeiro do agronegócio mundial e, por isso, temos muito trabalho a fazer”, destaca o executivo.

Gerhard Bohne

Monsanto

Reestruturação

Os visitantes do Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), tiveram a oportunidade de acompanhar o Espaço SP Direto, iniciativa da Agência Paulista de Tecnologia Agrícola (Apta) de Ribeirão Preto e do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) em parceria com a Monsanto. Entre os temas: o plantio direto de soja Roundup® Ready sobre cana crua, assim como de culturas comerciais e adubos verdes na reforma e implantação de canaviais. “Culturas como a soja Roundup® Ready, tolerante ao herbicida glifosato, milho, girassol, amendoim, crotalária juncea e mucuna verde em rotação com o canavial auxiliam no controle de pragas e doenças, na geração de renda alternativa aos produtores, na maior produtividade da cana em seqüência e na maior sustentabilidade do homem no campo”, explica o especialista do Departamento de Tecnologia e Desenvolvimento da Monsanto, Marcelo Montezuma.

Com o objetivo de melhorar o atendimento aos clientes e o posicionamento de suas cultivares, a MDM Sementes de Algodão, realizou alterações na equipe que atua em Mato Grosso. Anderson Pereira, gerente de Desenvolvimento de Produto foi transferido de Uberlândia para Rondonópolis. Será o responsável pela transferência de tecnologia, posicionamento de produtos, treinamentos técnicos e contato com consultores, instituições de pesquisa, influenciadores e com o Anderson Pereira time da Monsanto.

Profissional O diretor presidente da FMC América Latina, Antonio Carlos Zem, foi eleito o Profissional do Período 2007/08 na XV Mostra de Comunicação em Marketing Rural, promovida pela ABMR&A (Associação Brasileira de Marketing Rural & Agronegócio). A empresa ganhou, ainda, outros quatro prêmios ouro nas categorias: Eventos, Marketing Direto, Comunicação da Produção AgropecuáAntonio Carlos Zem ria e Promoção Comunitária.

Produquímica O Grupo Produquímica participou do Agrishow, em Ribeirão Preto (SP). Em meio ao entusiasmo que sinaliza a retomada da boa produção agrícola em 2008, a empresa apostou em um estande interativo, em que os visitantes puderam conversar com técnicos, além de tirar dúvidas sobre produtos e resultados práticos de experimentos realizados a campo. Para isso, foram preparados talhões cultivados com cana-deaçúcar e lavouras de grãos para demonstração dos efeitos da linha de micronutrientes CanaMicros® e do fertilizante Agloben®.

04

Ademar De Geroni Júnior

Basf A 12º edição do Seminário Internacional de Cana-de-açúcar, em abril, em Olinda (PE) contou com a participação da Basf, que levou ao evento toda sua linha de defensivos como o inseticida Regent 800 WG®, e os herbicidas Plateau® e Contain®. "Estamos investindo cada vez mais recursos no desenvolvimento de produtos inovadores para cana e que assegurem à Basf ser a principal e mais completa fornecedora de soluções para o setor, aliado aos anseios e necessidades do produtor", enfatiza Ademar De Geroni Júnior, gerente de Cana-de-açúcar da Unidade de Proteção de Cultivos.

Arysta e IAC A Arysta LifeScience e o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) divulgaram no Agrishow o ‘Aplique Bem’, programa itinerante que há um ano percorre o país com o Tech Móvel (veículo equipado e preparado para fazer a manutenção e a regulagem correta dos equipamentos de pulverização, sem qualquer custo ao produtor). No evento foi lançada a segunda unidade do programa.

Maio 2008 • www.revistacultivar.com.br

Desenvolvimento Fernando Cristino, coordenador de Desenvolvimento de Mercado, além das suas atribuições, será co-responsável, em linha com o time de desenvolvimento da Monsanto, pelo acompanhamento e suporte aos campos précomerciais, garantindo o perfeito posicionamento das cultivares MDM nas diferentes Fernando Cristino microrregiões do estado.

Técnico comercial Marcelo Pessanha, recém-contratado como representante técnico comercial, será o responsável pelo contato/ suporte aos distribuidores, agentes, agricultores e campos demonstrativos das cultivares comerciais (estágio VI) que é a "Vitrine Tecnológica" da MDM.

Marcelo Pessanha


Mercado

Ceifadora de lucros Políti ca cambi al, ad otad evi do ao tem or ddee n ova alta ddaa inflação n o olítica cambial, adotad otadaa ddevi evid temor nova no Br asil, rroubará oubará en tr eais ddo o pr od utor em 2008 Brasil, entr tree seis e 15 bilhões ddee rreais prod odutor

O

s produtores têm perdido grandes volumes de recursos em função da política cambial adotada pelo governo, que estimula a entrada de dólares para aplicações em títulos públicos ou para a agiotagem, aproveitando os juros reais nos maiores níveis mundiais. Com isso, o câmbio segue pressionado artificialmente para baixo, porque se fosse exclusivamente atrelado aos valores de exportações, estaria certamente entre R$ 1,80 e R$ 2,00. Para demonstrar isso, montamos um estudo com as reais perdas dos produtores brasileiros com esta política adotada pelo governo atual. O governo, com medo que a inflação cresça, tem lançado mão da tática de aumentar os juros, com a taxa da Selic próxima dos 12% ao ano. Certamente, irá passar deste valor, com o pagamento de juros reais na faixa dos 7,5% a 8% ao ano, muito acima dos 3% conseguidos nos títulos do tesouro dos EUA. Como os títulos brasileiros estão sendo garantidos pelo governo como um in-

06

vestimento seguro, ocorre a atração para o Brasil de volumes gigantescos de dólares que elevam artificialmente o real e desestimulam as empresas exportadoras. Tal política já causou grandes estragos no setor de móveis e madeiras, com a quebra de grande parte das indústrias exportadoras de calçados, e também trouxe dificuldades para a vida das indústrias dos demais setores, deixando vivo somente o segmento de commodities agrícolas e metais, que estão com as maiores cotações da história. O quadro atual, com o câmbio na faixa de R$ 1,66, faz com que tenhamos limitação no faturamento em reais, porque como podemos ver na Tabela 1, deveremos faturar mais de US$ 54 bilhões com os principais produtos agrícolas diretos, sendo recorde histórico em 2008. No ano passado o faturamento ficou ao redor dos US$ 40 bilhões. Se levarmos em consideração o câmbio atual de R$ 1,66, teremos uma internalização média de R$ 90,2 bilhões. Junto às exportações, colocamos também algumas projeções de importa-

Maio 2008 • www.revistacultivar.com.br

ções de insumos diretos, que somam cerca de US$ 9 bilhões, isso já apontando para os fortes ajustes nos preços internacionais dos fertilizantes, principal produto que vem de fora. Com cerca de R$ 14,9 bilhões gastos no exterior para podermos produzir. Com isso temos uma sobra de recursos que representa pouco mais de R$ 70 bilhões. Agora colocamos duas hipóteses para serem analisadas, sendo a primeira com câmbio de R$ 1,80 e a segunda com o câmbio nos R$ 2,00 por dólar. Assim, podemos comparar o quadro mostrando que produtos como a soja e seus derivados, que projeta faturar quase R$ 40 bilhões neste ano, perde entre R$ 3 bilhões e R$ 8 bilhões, ou seja, quase metade da queda estimada para todo o setor. Para os principais produtos agrícolas teremos perdas entre R$ 7,61 bilhões a R$ 18,48 bilhões no faturamento total e se olharmos para os resultados líquidos, ti-


grande problema, porque já está acima de R$ 1,3 trilhão e avança agressivamente, uma vez que, somente neste ano, teremos juros de R$ 150 bilhões. Com gastos menores, teríamos mais fôlego para crescer e diminuir o custo Brasil e, assim, investir em portos, estradas, educação e segurança, que são os fatores que fazem um país se desenvolver. Isso tudo sem riscos de vermos a inflação voltar a crescer, porque, normalmente o grande peso da inflação não vem da alta do trigo, do feijão ou do arroz, e sim das gorduras que o governo carrega e tem que manter, com grandes goles de vinhos finos e mordomias que os maiores empresários brasileiros não se dão ao luxo de usufruir. Para resolver o quadro brasileiro é simples e as medidas têm que vir do governo, através do controle dos gastos, que certamente irão refletir em juros reais menores e no fim da agiotagem internacional. É necessário um câmbio real, que estimule a produção interna e a exportação dos principais produtos que temos, porque somos campeões mundiais dentro da cerca e acabamos perdendo bilhões pelos caminhos que o governo nos faz percorrer.

Produtores de grãos estão entre os afetados pela atual política cambial

rando os valores que crescerão com as importações, teremos sobras reais de R$ 6,35 bilhões a R$ 15,42 bilhões, porque importamos pouco e, quando o câmbio cresce, os ganhos aumentam cerca de seis vezes acima do avanço dos gastos. Desta forma, a política atual de câmbio a que o governo segue atrelado vem fazendo com que novamente o setor agrícola seja a grande pilastra de suporte da estabilidade da economia brasileira. No lado do governo, de onde deveriam vir as medidas de controle de gastos, não se pensa em economizar. Isso

vai dos cartões corporativos que pagam desde uma tapioca até o botox, aos gastos com qualquer tipo de obra e investimento oficial que normalmente tem custos muito acima do que teria pela iniciativa privada, o que encarece o custo Brasil e limita o crescimento. Mesmo com avanço na arrecadação do governo, que neste ano pretende superar a marca dos R$ 520 bilhões, não haverá equilíbrio. Vlamir Brandalizze Com este quadro o país perde como um brandalizze@uol.com.br todo, porque, se o governo gastasse menos, Contatos para palestras e informativos diários de poderia pagar juros menores, e isso refleti- mercado. Fones: (41) 3779-8719 ou 9973-3459 ria em custo mais baixo da dívida interna, que é o nosso Tabela 1 - Quadro da Balança Comercial da Agropecuária projetada para 2008 em bilhões (*) US$ Bilhões R$ 1,66 R$ 1,80 B A 24,90 27,00 Soja 15,00 4,90 8,13 8,82 Farelo 5,04 Óleo 2,80 4,65 5,15 5,58 Milho 3,10 1,00 1,66 1,80 Algodão 4,50 Fumo 2,50 4,15 9,90 Frangos 5,50 9,13 1,66 1,80 Suínos 1,00 9,00 Boi 5,00 8,30 0,90 0,50 0,83 Arroz 8,72 9,45 Açúcar 5,25 3,60 Álcool 2,00 3,32 8,64 Café 4,80 7,97 1,00 1,66 1,80 Outros 90,22 97,83 Total 54,35 14,94 16,20 2 Importações 9,00 81,63 3 Saldo 45,35 75,28 1 Exportações

R$ 2,00 C 30,00 9,80 5,60 6,20 2,00 5,00 11,00 2,00 10,00 1,00 10,50 4,00 9,60 2,00 108,70 18,00 90,70

Perdas 1 B-A 2,10 0,69 0,39 0,43 0,14 0,35 0,77 0,14 0,70 0,07 0,74 0,28 0,67 0,14 7,61 1,26 6,35

Perdas 2 C-A 5,10 1,67 0,95 1,05 0,34 0,85 1,87 C 0,34 1,70 0,17 1,79 0,68 1,63 0,34 18,48 3,06 15,42

Notas: 1) projeções de exportações dos principais produtos exportados; 2) total de importações entre fertilizantes, defensivos e equipamentos projetados para 2008; 3) projeção de saldo da balança da agropecuária, todos para 2008. Perdas 1 sinaliza as diferenças entre o câmbio de R$ 1,80 para o nível atual e Perdas 2 aponta a diferença em reais do câmbio de R$ 2,00 frente ao câmbio atual de R$ 1,66. No quadro de Saldo temos os itens de faturamento até o item C, e na seqüência as perdas totais que representam níveis de R$ 6,35 a R$ 15,42 bilhões, já descontados os valores adicionais das importações. (*) Projeções em faturamento pelo setor em cima das projeções de preços e volumes a serem exportados. Fonte: Brandalizze Consulting

www.revistacultivar.com.br • Maio 2008

07


Algodão

Essência de produtividade PPar ter esm oo aum tar od utivi ee médi aa dde ee 3,5 elad as ara man anter ter, mesm esmo aumen entar tar, prod odutivi utivid ade média tonelad eladas araa m man an ter,, ou ou m m esm aumen en tar pr od utividdad ad médi dde 3,5 ton ton elad as por por man anter ter, mesm esmo aumen entar tar,,, aa pr prod odutivi utivid ade média tonelad eladas hhectar algodão elevadas fertilizantes tes. adubação ectare ectaree,, oo alg algodão odão rrequer requer equer ddoses doses oses elevad elevadas as dde dee fertilizan fertilizantes tes.. AA ad adubação ubação rrepr oo custo ee um a. epresen esenta, hoje oje, prod odução uma lavoura. epresen esenta, hoje oje 35% ddo ddo dee pr prod odução ução dde dde umaa lavour lavour definição ta, h hoje oje,,, 35% custo total total dde odução uma lavoura. a. AA ddefinição efinição ddee ddoses em serem aplicad cadas obedecer critérios técnicos cos, no doses oses aa ser ser em apli aplicad cadas as ddeve deve eve obed obedecer ecer aa critéri critérios os técni técnicos cos,, que que rrecaem recaem ecaem n noo doses serem en te ddas xportad conh tag en cada nutri utrien ente centag tagen ens absorvid xportadas conhecim ecimen ento percen as dde dee cad cadaa n nutri utri en te ento to ddas das as per percen cen tag enss absorvi absorvi as ee eexportad eexportad xportadas conhecim ecimen nutri utrien ente percen centag tagen ens absorvid aa corr eta terpr etação aa análise oo solo te pela ta ente te, na correta interpr terpretação principalm cipalmen planta análise ddo ddo solo eta in in terpr etação dda dda principalm cipalmen en te,, n n corr pela plan plan ta ee, ee,,, prin interpr terpretação te, na correta planta cipalmen ente

A

cultura do algodão, até o final da década de 1970, ocupava uma área de quatro milhões de hectares no Brasil, com produtividade de 0,4 t/ha de algodão em caroço. Os estados da região Nordeste respondiam por 79% dessa área e o cultivo na Bahia era pouco expressivo (Conab, 2008). Com o desenvolvimento de novas variedades e tecnologias que possibilitaram eliminar limitações da fertilidade do solo e implementar controle fitossanitário, foi observado, nos últimos

08

cinco anos, uma redução da área plantada para 1,1 milhão de hectares, com ampliação da produtividade para 3,5 t/ ha de algodão em caroço. Nessa nova fase, destacam-se os estados de Mato Grosso e Bahia, que representam 79% da área cultivada com algodão no Brasil. Essa cultura é uma das que mais utilizam tecnologia, o que implica em custeio médio da lavoura de R$ 3,4 mil por hectare (preços de janeiro de 2008). É um investimento muito alto e, para manter a margem necessária, precisa-se

Maio 2008 • www.revistacultivar.com.br

obter altas produtividades, o que está associado à aplicação de fertilizantes, que representa 35% do custeio. Ademais, o algodão requer doses mais elevadas de adubos, sendo que os nitrogenados e potássicos podem acarretar problemas ao meio ambiente se manejados de forma inadequada. A nutrição mineral do algodão é um dos moduladores de produção, e a definição de doses dos fertilizantes a serem aplicados nas lavouras deve obedecer a critérios técnicos. Neste trabalho, será dada ênfase às recomendações de adu-


bação da cultura do algodão na região do Cerrado.

NUTRIÇÃO MINERAL A exigência mineral do algodão é apresentada na Tabela 1, onde são mostrados valores acumulados na parte aérea para produção de 1 t/ha de algodão em caroço, bem como o que é exportado na parte colhida. Em média, são exportados 50%, 50%, 30% e 60% de N, P2O5, K 2O e S, respectivamente, do total acumulado desses nutrientes pela planta. Assim, para produção de 5 t/ha de algodão em caroço, são exportados, em média, 175, 65, 110 e 20kg/ha de N, P2O5, K 2O e S, respectivamente. Essas quantidades absorvidas e exportadas, aliadas à interpretação da análise do solo, nos servem de balizamento para definição dos níveis de adubação que serão utilizados na cultura.

ADUBAÇÃO NITROGENADA Nas Tabelas 2 e 3 são apresentadas as recomendações de nitrogênio (N) para semeadura e cobertura para a cultura do algodão, respectivamente. Na semeadura, recomenda-se a aplicação de 15kg a 25kg N/ha, enquanto a dosagem a ser aplicada na cobertura é função da expectativa de rendimento. Quando os fertilizantes nitrogenados são convenientemente aplicados, em solos bem drenados, praticamente não existem diferenças na eficiência agronômica entre fontes para qualquer sistema de cultivo. Depois de aplicado ao solo, o nitrogênio, se utilizado na forma amoniacal, é convertido à forma nítrica em cerca de três semanas. Dependendo das características de solo e de clima, podem ocorrer perdas pelo processo de lixiviação. Uma das práticas bastante utiliza-

das para minimizar esse problema é parcelar a adubação nitrogenada, sendo parte colocada no plantio (um quinto a um terço da dose total de N a aplicar) e o restante em cobertura, conforme recomendado na Tabela 3. As quantidades de nitrogênio recomendadas na Tabela 3 podem ser reduzidas em 40% quando o algodão for cultivado em área com baixo potencial de resposta a N, por exemplo, em áreas cultivadas com soja nos últimos três anos ou mais. As dosagens devem ser aumentadas em 20% quando o algodão for cultivado em áreas com alto potencial de resposta a N, como no Cerrado recémincorporado ao sistema de produção ou nos primeiros anos de plantio direto.

ADUBAÇÃO FOSFATADA O fósforo (P) é um dos nutrientes mais importantes para a produção de algodão nos solos de Cerrado, pois sua disponibilidade em condições naturais é muito baixa. Portanto, é imprescindível a prática da adubação fosfatada para se obter produções satisfatórias para cultura do algodão. Antes do estabelecimento da cultura do algodão, é aconselhável que os teores de fósforo no solo (camada de 0 cm a 20 cm), obtidos pelo método Mehlich 1 ou resina, sejam adequados (Tabela 4). Caso isso não ocorra, deve-se calcular por meio da fórmula abaixo a quantidade de fósforo a aplicar no solo para atingir esses valores. O fertilizante fosfatado para a correção do solo deve ser aplicado a lanço e incorporado. Dose de fósforo (kg/ha de P 2O5) = (Nível crítico de P no solo – Teor atual de P no solo) x CT em que o valor do nível crítico de

Tabela 1 - Dados médios de extração de nutrientes da planta inteira e exportado em caroço, para se produzir 1t/ha de algodão em caroço Nutriente N P2O5 K2O S

Planta inteira Algodão em caroço kg por tonelada produzida 70 35 26 13 75 22 6 4

Fonte: adaptado de Sousa & Lobato, 2004.

Tabela 2 – Adubação de semeadura com N, P2O5 e K2O para a cultura do algodão em função da expectativa de rendimento e interpretação da análise do solo, para fósforo extraído pelo método de Mehlich 1 ou resina e potássio extraído pelo método de Mehlich 1 N P extraível Expectativa de Adequado Alto rendimento kg/ha kg/ha de P2O5 t/ha 15 60 30 3 25 80 40 4 25 100 50 5 25 120 60 6

K extraível Adequado Alto kg/ha de K2O 80 40 100 50 120 60 140 70

Fonte: adaptado de Sousa & Lobato, 2004.

Tabela 3 - Doses de nitrogênio a aplicar em cobertura para a cultura do algodão em função de expectativa de rendimento Expectativa de rendimento t/ha 3 4 5 6

N (1) kg/ha 40 70 100 130

1 - Aplicar 30 dias após a emergência. Para doses de N superiores a 100kg/ha, parcelar em duas vezes (30 e 50 dias após a emergência), especialmente em solos arenosos. Fonte: Sousa & Lobato, 2004.

fósforo e o da capacidade tampão de fósforo (CT) são obtidos na Tabela 4 para o fósforo extraído por Mehlich 1 ou resina. Se o teor de fósforo do solo estiver adequado, adubações de 60 a 120 kg P2O5/ha, aplicadas no sulco de semeadura, serão suficientes para produtividades de 3 a 6t/ha de algodão em caroço (Tabela 2). Acima do valor adequado, ou seja, teor alto, a adubação pode ser reduzida em 50%. Quanto às fontes de fósforo, devese dar preferência às mais solúveis em água. É possível utilizar fontes de menor solubilidade em água, mas a sua eficiência agronômica deve ser semelhante, em curto prazo, à de fontes tradicionais, como o superfosfato triplo, superfosfato simples ou monoamônio fosfato (MAP).

ADUBAÇÃO POTÁSSICA Na adubação nitrogenada, para evitar problemas de lixiviação, a dose pode ser parcelada, aplicando-se parte no momento do plantio e o restante em cobertura

10

Maio 2008 • www.revistacultivar.com.br

Os solos de Cerrado, geralmente, são muito pobres em potássio (K) e seu su-


corretiva com micronutrientes quando os teores no solo forem inferiores a 0,3 mg/ dm3; 0,5 mg/dm3; 1,1 mg/dm3; e 2,0 mg/ dm3 para B (extraído com água quente), Cu, Zn e Mn (extraídos pelo método de Mehlich 1), respectivamente. As quantidades a aplicar são 2 kg/ha para B e Cu, 6 kg/ha para Zn e Mn. Mesmo quando não for necessária a adubação corretiva de boro, recomenda-se, para a cultura do algodão, aplicar doses de 1 a 2 kg/ha de B, sendo metade no sulco e metade em cobertura junto com adubação nitrogenada.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A manutenção de estoque de nível desejável de matéria orgânica no solo é fundamental para manter a sustentabilidade do setor agrícola

primento às plantas deve ser feito por meio da adubação potássica. O uso da adubação corretiva com potássio é indicado quando o teor desse nutriente no solo (camada de 0 a 20 cm), extraído pelo método de Mehlich 1, for inferior a 80 e 40mg/dm3, para solos com capacidade de troca de cátions (CTC) maior que 4cmolc/dm3 e menor 4cmolc/dm3, respectivamente (Tabela 5). A quantidade de potássio a ser aplicada no solo pode ser determinada com a fórmula:

(extraído com Ca(H 2PO4) 2 0,0lmol/l em água), deve-se aplicar enxofre conforme determinado pela fórmula:

Dose de K (kg/ha de K2O) = (teor de K desejado – teor de K atual) x 2,4

Os aumentos de rendimento de algodão mais freqüentes no Cerrado têm sido obtidos com adubação de boro (B). Outros micronutrientes - como cobre (Cu), zinco (Zn) e manganês (Mn) podem assumir importância quando seus teores no solo forem muito baixos. Assim, recomenda-se proceder a adubação

em que teores de K desejado e atual são expressos em mg/dm3. A partir da interpretação da análise do solo (Tabela 5), a adubação de manutenção para a cultura do algodão deve ser feita com base na expectativa de produção (Tabela 2). Nas doses de K2O superiores a 60 kg/ ha, recomenda-se aplicar a metade na semeadura e o restante em cobertura (30 dias após a germinação) ou o total a lanço em pré-semeadura, principalmente, em solos com CTC menor que 4cmolc/dm3, onde há possibilidade de perdas por lixiviação.

Dose de S (kg/ha de S) = 40 (teor médio de S no solo x 4) Ressalta-se que o uso de enxofre na adubação do algodão pode ser dispensado quando o teor médio (camadas de 0 a 20 cm e 20 a 40 cm) no solo for igual ou maior que 10mg/dm3 (Rein & Sousa, 2004).

ADUBAÇÃO COM MICRONUTRIENTES

12

Djalma Martinhão G. de Sousa, Embrapa Cerrados Tabela 4 – Nível crítico de fósforo extraído pelos métodos de Mehlich 1 e resina e valores da capacidade tampão de fósforo para estimar a dose de adubo fosfatado para correção do solo para cultura do algodão Teor de argila % ? 15 16 a 35 36 a 60 >60

Nível crítico de fósforo para a cultura do algodão Capacidade tampão de fósforo (CT)1

Mehlich 1

Resina mg/dm3

25 20 12 6

Mehlich 1

Resina

(kg P2O5/ha)/(mg/dm3 de P)

20 20 20 20

5 9 30 70

6 9 14 19

1 Dose de P2O5 solúvel para elevar o teor de P no solo em 1mg/dm3, com base em amostra da camada de 0 a 20 cm. Fonte: Sousa et al., 2006.

Tabela 5 - Interpretação da análise de solo do Cerrado, da camada de 0 a 20cm, para potássio extraído pelo extrator de Mehlich 1

ADUBAÇÃO COM ENXOFRE O enxofre (S), embora usado pelas plantas em quantidades menores que a de macronutrientes (N, P e K), é essencial para obtenção de boas produtividades. Quando o teor desse elemento no solo (teor médio das camadas 0 a 20 cm e 20 a 40 cm) for inferior a 10mg/dm3

O cultivo sucessivo com sistemas de preparo de solo inadequados, monocultivos e uso excessivo de agroquímicos pode levar ao insucesso a agricultura na região do Cerrado. Uma alternativa para resolver esse problema pode ser a adoção da rotação adequada de culturas, permitindo controlar doenças e pragas, e manter o estoque de matéria orgânica ativa no solo em nível desejável para a sustentabilidade dos sistemas agrícolas. Isso implica, no caso da cultura do algodão, no uso racional de fertilizantes e defensivos, evitando a contaC minação do ambiente.

Djalma de Sousa aborda o papel da nutrição no algodoeiro

Maio 2008 • www.revistacultivar.com.br

Interpretação Teor de potássio no solo mg/dm3 Solos com CTC a pH 7 menor que 4cmolc/dm 3 Baixo ? 15 Médio 16 a 30 Adequado 31 a 40 Alto ? 40 Solos com CTC a pH 7 igual ou maior que 4 cmolc/dm 3 Baixo ? 25 Médio 26 a 50 Adequado 51 a 80 Alto ? 80 Fonte: Sousa & Lobato, 2004.


Empresas

Resultados divulgados Basf lança rrelatóri elatóri o com ativi dad es ddaa empr esa n ca elatório ativid ades empresa naa Améri América globam ffatur atur am en to ddee 2,7 bilhões do Sul em 2007. Dad os en Dados englobam aturam amen ento de eur os n egião, além ddee inf orm ações sobr er os ddee euros naa rregião, inform ormações sobree núm númer eros colabor ad or es e ini ci ativas soci oambi en tais colaborad ador ores inici ciativas socioambi oambien entais

A

Basf acaba de lançar o Relatório de Atividades na Amé rica do Sul com dados relativos ao ano de 2007. Esta é a única publicação corporativa na região que reúne os resultados da empresa no mundo e os principais destaques de atuação pautada pelo trabalho dos aproximadamente cinco mil colaboradores da companhia. Em 2007, na América do Sul, a Basf alcançou um resultado de 2,7 bilhões de euros. De acordo com Rolf-Dieter Acker, presidente para a América do Sul, os resultados comprovam que a empresa deu continuidade ao desempenho de anos anteriores. “Superamos os desafios e com criatividade, ousadia e um forte espírito de equipe, aproveitamos as oportunidades para criar novas perspectivas de atuação nos diferentes setores de mercados em que atuamos ao lado de nossos clientes.” Acker destaca ainda que o desenvolvimento da economia da região influenciou esse desempenho favorável e que internamente as equipes estiveram atentas às oportunidades no mercado junto aos clientes.

parceria com a filial brasileira da Corn Products International Inc.

ESTRUTURA DA PUBLICAÇÃO Nesta edição, a Basf fala diretamente ao cliente, através do conceito de crescer com inovação e sustentabilidade. A apresentação do Relatório está estruturada sob a ótica do mercado, por setores que ajudam a compreender a performance econômica da empresa e sinergia entre as unidades de negócios. Os assuntos estão organizados em dois grandes blocos, ao lado dos Clientes e Socioambiental. Entre estes blocos a

VENDAS E COLABORADORES As vendas na América do Sul totalizaram aproximadamente 2,7 bilhões de euros em 2007. Esse resultado abrange os negócios realizados pelas empresas do Grupo na região, incluindo a Wintershall (situada na Argentina e voltada à produção de óleo cru e gás). Em 31 de dezembro de 2007 o número de colaboradores da Basf somava 4.898. O conteúdo completo do Relatório de Atividades para a América do Sul pode ser lido no site www.basf.com.br , em versão eletrônica, também disponível no idioma inglês. No site há uma pesquisa eletrônica para que o leitor possa registrar sua opinião sobre a publicação, suas inovações no conteúdo e na forma.

REPORT 2007

COMPROMISSO COM A SUSTENTABILIDADE A publicação foi impressa pela primeira vez com papel certificado Forest Stewardship Council - Conselho de Manejo Florestal (FSC), composto por madeira de reflorestamento certificada de acordo com rigorosos critérios sociais, ambientais e econômicos estabelecidos pela organização internacional FSC. A embalagem foi confeccionada com Ecobras™, plástico biodegradável, compostável e de fonte renovável da Basf em

Basf apresenta as iniciativas e destaques da atuação da Fundação Espaço ECO, o primeiro Centro de Excelência para Ecoeficiência Aplicada para a América Latina.

Rolf-Dieter Acker, presidente da Basf para a América do Sul

A Basf SE, na Alemanha, publica globalmente o “Report 2007”, que está disponível em www.basf.com. Pela primeira vez, o relatório demonstrou resultados financeiros e de sustentabilidade em uma única publicação. A organização independente The Global Reporting Initiative (GRI), responsável pelo desenvolvimento de diretrizes mundiais que asseguram a transparência no reporte de sustentabilidade, confirmou que o novo relatório atende aos mais altos padrões de informação, nível A+. C

www.revistacultivar.com.br • Maio 2008

13


Soja

Deu branco Cr esce a in ci dên ci ofo br an co em cultur as com o a soja, on de a pr od utivi dad Cresce inci cidên dênci ciaa ddee m mo bran anco culturas como ond prod odutivi utivid adee pod podee da em até 60% pelo ataque ddaa ddoença. oença. Com vasta gam osped eir os o fun go ser rred ed uzi eiros fung eduzi uzid gamaa ddee h hosped ospedeir xi ge m edi das in tegr ad as ddee con tr ole com o plan ti o ddee sem en tes Sclerotini otiniaa scler scleroti otiorum xig medi edid integr tegrad adas contr trole como planti tio semen entes Scler otini oti orum eexi en tos agrícolas otação ddee cultur as ti o ddee cultivar es ddee sadi as planti tio cultivares sadias as,, limpeza ddee implem implemen entos agrícolas,, rrotação culturas as,, plan porte baix o e com ffolhas olhas m ais er etas ai or espaçam en to en tr elinhas orm ação ampla ddee baixo mais eretas etas,, m mai aior espaçamen ento entr trelinhas elinhas,, fform ormação palha, m an ejo ddo o solo, con tr ole bi ológi co e pulverizações com fun gi ci das man anejo contr trole biológi ológico fungi gici cid

N

a cultura da soja, o mofo branco, doença causada pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, sempre foi de ocorrência esporádica em áreas de sequeiro. Até a safra 2003/04 não havia se verificado problemas com a doença, a qual ocorria em pequenas reboleiras, infectando poucas plantas por hectare. Desta forma, não havia perda significativa que justificasse a preocupação dos agricultores. Entretanto, práticas culturais como a rotação de culturas e a formação de palha, com a finalidade de redução de inóculo, sempre foram recomendadas, porém pouco utilizadas. Em função de uma série de fatores como o monocultivo, a sucessão de culturas com espécies suscetíveis (girassol, canola, feijão e algodão) e o plantio de sementes infectadas

14

fizeram com que a doença se tornasse um dos principais problemas no sudoeste goiano. Têm sido constatadas, tanto em áreas experimentais quanto dos próprios agricultores, perdas de até 60% na produtividade. Em regiões de altitudes elevadas, onde as temperaturas noturnas são amenas e ocorre ampla formação de orvalho, tem sido comum se observar áreas de 100 a 300 hectares com incidência da doença superior a 50%, ou seja, a cada 100 plantas avaliadas, 50 encontramse com sintomas e sinais do patógeno. Essa doença torna-se particularmente importante não somente pela ampla gama de hospedeiros (mais de 400 espécies vegetais citadas em literatura), mas principalmente pela formação de estruturas de resistência, denominadas escleródios. Tais escleródios podem

Maio 2008 • www.revistacultivar.com.br

permanecer viáveis a campo por um período superior a oito anos, o que limita a elaboração de programa efetivo de rotação de culturas. Em condições climáticas favoráveis (alta umidade e temperaturas noturnas amenas) os escleródios germinam formando apotécios (germinação carpogênica), onde são produzidos milhares de esporos denominados de ascósporos. Esses esporos são facilmente disseminados para as plantas da mesma lavoura. Tem se verificado em algumas áreas alta infestação do solo por escleródios do fungo, sendo comum encontrar até 80 escleródios/ m2. Desta forma, essas áreas estarão impróprias para a rotação ou sucessão de culturas com feijão, algodão, girassol e canola, antes que esse inóculo inicial seja reduzido. No caso específico do girassol, tem se ve-


rificado alta produção de escleródios pelo fungo, principalmente por infectar, inclusive, o capítulo da planta formando macroescleródios. Durante a colheita, os escleródios são triturados e distribuídos uniformemente na área, o que transforma as pequenas reboleiras em grandes áreas infestadas. Com a finalidade de se minimizar as perdas provocadas pela doença, várias medidas de controle deverão ser adotadas de forma coerente e racional, o que denominamos de manejo integrado. Doenças complexas necessitam de estratégias também complexas de manejo. Dentre as medidas de controle mais importantes destacam-se: plantio de sementes sadias, limpeza de implementos agrícolas, rotação de culturas com gramíneas, integração lavoura-pecuária, plantio de cultivares de porte baixo e com folhas mais eretas, plantio de cultivares que apresentem o período de floração concentrado, população de plantas adequada, maior espaçamento entre linhas, formação ampla de palha, manejo do solo, controle biológico com o fungo do gênero Trichoderma e controle químico. Plantio de sementes sadias – sementes sadias e tratadas com fungicidas representam a garantia de se evitar a introdução do patógeno na área, uma vez que esta representa uma das principais formas de disseminação. O fungo pode ser disseminado via semente na fase de micélio dormente. Desta forma, a análise sanitária da semente é de extrema importância para o agricultor. Sementes multiplicadas pelo próprio produtor representam risco ainda maior à sustentabilidade do negócio. Limpeza de implementos agrícolas – outra forma importante de disseminação do fungo é através de escleródios que podem ser levados por implementos agrícolas infestados. Para evitar o problema, o agricultor deverá realizar uma desinfestação dos equipamentos. Para isso recomenda-se utilizar água sob pressão. Rotação de culturas – representa a principal alternativa para o desenvolvimento da agricultura sustentável, melhorando as características químicas, físicas e biológicas do solo. A manutenção do sistema plantio direto só é possível com a rotação de culturas. Entretan-

to, no caso específico do mofo branco, essa rotação deve ser essencialmente com gramíneas, que não são hospedeiras do fungo. O agricultor deve dar preferência para aquelas gramíneas que formam maior quantidade de palha. O cultivo consorciado de milho e Brachiaria spp. tem se destacado em programas de rotação, uma vez que forma ampla palhada sobre o solo e ainda apresenta retorno econômico para o agricultor. Integração lavoura-pecuária – a integração lavoura-pecuária é outra importante opção para áreas altamente infestadas, isso se deve principalmente pelo uso de gramíneas (planta não hospedeira) e pela erradicação de muitas plantas daninhas tidas como hospedeira. Entretanto, plantas infestantes comuns nas lavouras de soja como o leiteiro, o picãopreto e o joá-de-capote devem ser erradicadas, uma vez que também são hospedeiras do mofo branco. O maior período sem plantas hospedeiras proporcionado pela integração lavoura-pecuária pode reduzir significativamente a fonte de inóculo. Escolha de cultivares – principalmente para as áreas infestadas, o agricultor ou técni-

co deve optar por cultivares de ciclo determinado, com período de floração concentrado e que apresentem arquitetura de folhas eretas e porte baixo. Porte e arquitetura de folhas – plantas de porte baixo com folhas menores e eretas são menos favoráveis à ocorrência da doença, ou seja, não proporcionam um microclima favorável à infecção e ao desenvolvimento do patógeno. Período de floração concentrada – como os esporos do fungo Sclerotinia sclerotiorum, ao germinarem, encontram dificuldades em penetrar diretamente nos tecidos das hastes dos hospedeiros, necessita da flor em senescência para melhor infectar as plantas. Assim sendo, quanto menor o período de floração, menor a probabilidade de infecção. Cultivares de ciclo indeterminado, que apresentam flores por maior período de tempo estão mais sujeitas à infecção. População e espaçamento adequado – aspectos fitotécnicos como população e espaçamento entrelinhas interferem diretamente no processo denominado doença. No Sudoeste goiano tem sido comum o plantio com espa-

No detalhe, sintomas secundários de mofo branco apresentados na folha da soja


A sucessão de culturas com espécies suscetíveis, como o girassol, tem agravado os problemas provocados por mofo branco

çamento entre linhas de 45cm. Com isso, nas fases iniciais de desenvolvimento da cultura já há ocorrência de microclima favorável à doença. Tem sido verificado em trabalhos a campo que o menor espaçamento e a maior população de plantas por hectare favorecem a incidência e a severidade do mofo branco, culminando em perdas significativas. Formação ampla de palha – a palha oriunda do plantio direto, diferentemente do que havia se pensando em um passado recente, tem contribuído sobremaneira no controle da doença. Além de aumentar a matéria orgânica do solo, permite a proliferação e manutenção de microorganismos antagonistas, a palha funciona como uma barreira física impedindo a liberação dos ascósporos (esporos) pelos apotécios. Quanto mais densa e uniforme for a palha sobre o solo, maior o impedimento físico imposto à disseminação do patógeno e, conseqüentemente, melhor controle da doença. Manejo do solo – entende-se por manejo do solo, sua conservação química, física e biológica. No caso do mofo branco, quanto maior a porcentagem de matéria orgânica, maior será a quantidade e a diversidade de microorganismos antagonistas, como o Trichoderma spp. Em relação à qualidade química, podemos inferir que solos bem adubados, conforme necessidade da cultura, maior será a capacidade da planta em resistir à infecção e/ou colonização pelo patógeno, ou seja, plantas bem nutridas são naturalmente mais resistentes. O potássio, por exemplo, está envolvido na maior lignificação do tecido vegetal e, conseqüentemente, menor possibilidade de aca-

16

mamento. Plantas acamadas significam maior pressão de doença, principalmente pelo microclima formado. Em relação à física, recomenda-se não revolver o solo. Quando se revolve o solo pela primeira vez, os escleródios produzidos pelo fungo são enterrados na camada abaixo de 20cm. Entretanto, quando essa prática é repetida, tais escleródios são novamente trazidos à superfície ficando o solo infestado nos perfis de 0-20cm, formando um banco de escleródios. Controle biológico – utiliza-se de um organismo vivo no controle de outro organismo vivo, que pode ocorrer a partir de diferentes processos (antibiose, competição, parasitismo, etc.). No caso específico do mofo branco, a ferramenta mais conhecida é o uso de fungos do gênero Trichoderma. Existem vários produtos comerciais no mercado, mas nem todos são confiáveis. Além disso, por se tratar de microorganismo vivo, é necessário que o mesmo se estabeleça e encontre condições para sobreviver e controlar o agente patogênico, o que

nem sempre ocorre no primeiro ano de sua utilização, necessitando assim de mais tempo para o seu estabelecimento e exercer seu papel no controle biológico. Outros fatores importantes estão relacionados com o modo e ao momento de aplicação do antagonista (via sementes, aplicação via sulco após o plantio ou em parte aérea, etc.), bem como da própria viabilidade do fungo na formulação do produto comercial. São relatados casos de sucesso, verificado em algumas regiões de Goiás, Minas Gerais e Bahia, como também casos de insucessos. Controle químico - não existem fungicidas registrados junto ao Mapa. para o controle do mofo branco na cultura da soja e, portanto, não podem ser recomendados. Entretanto, em trabalhos de pesquisa conduzidos pela Fesurv - Universidade de Rio Verde, tem se verificado que o controle químico pode ser uma alternativa importante no manejo da doença, desde que seja encarado como uma medida complementar de controle. A eficácia do controle químico depende do princípio ativo usado, do número de aplicações, do momento da aplicação e da tecnologia utilizada. De acordo com os resultados de pesquisa obtidos, melhor controle da doença tem sido verificado com os fungicidas a base de fluazinam, iprodiona e procimidona. Outros defensivos, como os benzimidazóis também apresentam eficácia no controle da doença, mas em níveis inferiores quando comparados aos citados anteriormente. Por outro lado, são produtos de custo baixo e amplo espectro de ação, auxiliando também no controle de mancha alvo, antracnose e doenças de final de ciclo. Esses fungicidas (benzimidazóis) se mostram mais eficazes quando aplicados preventivamente assim que surgem as primeiras flores e quando são reaplicados a C cada sete a dez dias, em três aplicações. Luís Henrique Carregal e Hercules Diniz Campos, Fesurv Juliana Resende Campos Silva Campos Carregal Pesq. e Tec. Agrícola

Hercules Diniz Campos, Luís Henrique Carregal e Juliana Resende Campos Silva

Maio 2008 • www.revistacultivar.com.br


Soja

Equilíbrio perfeito Novas técni cas o o uso ddaa n utrição min er al, ffor or am in tr od uzi das n om an ejo in tegr ad o técnicas cas,, com como nutrição miner eral, oram intr trod oduzi uzid no man anejo integr tegrad ado de ddoenças oenças n utri en tes são ffator ator es ambi en tais que pod em ser naa cultur culturaa ddaa soja. Os n nutri utrien entes atores ambien entais podem manipulad os com rrelativa elativa ffacili acili dad os com o complem en to n o con tr ole anipulados acilid adee e usad usados como complemen ento no contr trole ole,, um umaa vez que eexxer cem importan tes funções n om etabolism o veg etal, influen ci an do tan to n o ercem importantes no metabolism etabolismo vegetal, influenci cian and tanto no as plan tas aos patóg en os od ução, com on os m ecanism os ddee ddefesa efesa ddas cr escim en to, n plantas patógen enos ento, naa pr prod odução, como nos mecanism ecanismos crescim escimen

O

uso de medidas integradas de controle ou o Manejo Integrado de Doenças (MID) é essencial na obtenção de sucesso na redução dos danos provocados pelas doenças de plantas, desde que embasado em três alicerces definidos: uso de alternativas de baixo custo para o agricultor, de impacto ambiental reduzido e que apresente alta eficiência. A relação da possibilidade de uso de ações associadas de controle para cada grupo de doença de plantas determina que sejam adotadas em conjunto técnicas de controle genético, cultural, químico, físico e biológico, em diferentes graus de prioridade, de acordo com o processo patogênico em questão, de modo a atingir o patógeno, o hospedeiro e o ambiente de maneira adequada. Estas tecnologias devem, prioritariamente, estar voltadas para a obtenção de variedades cada vez mais produtivas, resistentes a pragas, doenças e matocompetição, além de

18

adaptadas e responsivas às condições edafoclimáticas das novas áreas de cultivo. Também são prioritárias as pesquisas para estabelecer o manejo integrado e sustentável de pragas, doenças e invasoras que surgem de forma cada vez mais agressiva. A ocorrência das doenças depende da interação de alguns fatores: o hospedeiro suscetível (no caso a variedade com suas variações genéticas), o patógeno (proveniente de diferentes fontes de inóculo: sementes infectadas, vento, planta hospedeira, restos de cultivo), o ambiente, caracterizado pelo clima (umidade do ar, temperatura, precipitação, horas de molhamento) e o solo (estrutura física, nutricional e biológica). Diante da tendência mundial em minimizar o uso de pesticidas na agricultura, com base em uma consciência ecológica e na preservação da saúde humana, o emprego da nutrição mineral como forma de incrementar

Maio 2008 • www.revistacultivar.com.br

os mecanismos de defesa das plantas às doenças é uma opção viável. Não é possível generalizar o efeito de um nutriente para todas as combinações patógeno-hospedeiro, já que os elementos funcionam como parte de um complexo sistema de reações interdependentes que influenciam no processo patogênico, e dependem das características físicas e químicas dos solos, clima, fontes e quantidades dos nutrientes usados. Os nutrientes exercem importantes funções no metabolismo vegetal, influenciando não somente o crescimento e a produção das plantas, mas também o aumento ou a redução dos mecanismos de defesa, pré e pós-formada, a determinados patógenos. Apesar do grande número de informações disponíveis sobre o controle de doenças de plantas com nutrição mineral, existem relativamente poucos trabalhos com aplicação desses resultados em sistemas integrados de con-


trole, principalmente nas regiões tropicais, onde essa alternativa possibilitaria reduzir o uso de defensivos aliado a um aumento da produtividade das culturas e da qualidade dos produtos. A medida mais importante no controle de doenças de plantas é o uso de variedades resistentes, onde resistência é a habilidade do hospedeiro em limitar a penetração, desenvolvimento e/ou, a reprodução do patógeno. Os mecanismos de defesa do vegetal podem ser constitutivos (definidos geneticamente) ou induzidos (provocados, estimulados na planta). Dentre os mecanismos de resistência das plantas, destacam-se: modificação na anatomia da planta (aumento da espessura das células da epiderme) e modificações nas propriedades fisiológicas e bioquímicas da planta (produção de substâncias inibitórias à infecção do patógeno). Ainda que a resistência seja geneticamente controlada, sua manifestação pode ser influenciada por fatores ambientais. A nutrição mineral é um fator ambiental que pode ser manipulado com relativa facilidade e utilizado como um complemento no controle de doenças, desde que conhecidos a função e o papel de cada nutriente nos mecanismos de defesa da planta. A nutrição mineral exerce uma influência menor nas plantas altamente resistentes e suscetíveis a doenças. Entretanto, em variedades com resistência quantitativa ou parcial o efeito da nutrição da planta é maior, reduzindo a

A nutrição mineral exerce influência menor em plantas altamente resistentes e suscetíveis a doenças

severidade de doenças a níveis aceitáveis. Via de regra, quando um nutriente é essencial a uma espécie de planta, deve ser fornecido em quantidades e em equilíbrio com outros nutrientes também essenciais, pois sua deficiência pode acarretar maior severidade de determinadas doenças. Porém, após a manifestação dos sintomas na planta, a aplicação do nutriente isoladamente, sem a associação com outras práticas de controle, dificilmente resultará em redução na severidade da doen-

ça, principalmente em se tratando de culturas de ciclo curto. Além disso, não se corrigem deficiências nutricionais nas plantas empregando-se macronutrientes em pulverização, pois são requeridos em grande quantidade, sendo, portanto, recomendados via solo. Quanto aos micronutrientes, recomenda-se aplicá-los via foliar, pois são requeridos em pequenas quantidades pela planta. Os elementos minerais estão envolvidos em todos os mecanismos de defesa como com-

www.revistacultivar.com.br • Maio 2008

19


A deficiência mineral pode favorecer o ataque de doenças, porque interfere nos mecanismos de defesa das plantas

ponentes integrais ou ativadores, inibidores e reguladores de metabolismo. Portanto, o conhecimento da fonte e da função dos elementos na planta torna-se necessário antes de se estudar seu papel na resistência. Treze elementos minerais são geralmente essenciais para o crescimento das plantas, como o nitrogênio (N), o fósforo (P), o potássio (K), o cálcio (Ca), o magnésio (Mg), o enxofre (S), o boro (B), o cloro (Cl), o cobre (Cu), o ferro (Fe), o manganês (Mn), o zinco (Zn) e o molibdênio (Mo). A deficiência ou excesso de um elemento influencia grandemente a atividade de outros e exerce efeito catastrófico com conseqüências que repercutem no metabolismo da planta. Também deve ser lembrado que a presença de um elemento no solo não implica necessariamente que esteja disponível para o crescimento da planta. Sua disponibilidade é função da quantidade do elemento no solo, sua forma e sua solubilidade, capacidade assimilativa da planta e o meio ambiente, tais como pH, umidade e temperatura. O equilíbrio dos nutrientes no solo pode ser tão importante quanto a presença de um outro elemento. De um modo geral, o nitrogênio, o fósforo, o potássio e o cálcio são os minerais mais limitantes. Já o cloro é o único elemento que não é limitante em condições naturais.

O EFEITO DA ADUBAÇÃO Desde a explosão da ferrugem asiática em lavouras de soja no Brasil (2001/2002), a atenção dos produtores e comunidade científica ligada à cultura tem estado voltada para o controle desta doença e de outras consideradas menos importantes ou pouco representativas. Conseqüências naturais deste fato são o uso crescente e indiscriminado de fungicidas, sem o necessário critério técnico; aumento do custo de produção nas lavouras, especialmente no cerrado; incrementos em produtividade em áreas onde o controle é feito com rigor e acom-

20

panhamento especializado. A rapidez dos processos patogênicos provocados por fungos da parte aérea da soja, especialmente pelos causadores da ferrugem, da antracnose e da mancha-alvo, e a extensão dos danos pela extensividade, repetitividade dos cultivos e suscetibilidade dos genótipos, não permitem à comunidade científica o cumprimento do protocolo para o estabelecimento de medidas de manejo integrado. Resta apresentar ao produtor, moléculas fungicidas eficientes e seguras na manutenção de baixos índices de severidade das doenças. As publicações registradas em anais de congressos dos últimos três anos mostram a tendência a uma certa saturação ou repetitividade do assunto controle químico e a evidente necessidade de um maior número de resultados sobre epidemiologia e outras formas de controle do patógeno.

Uma das técnicas de manejo do ambiente para o controle de doenças da soja que vem crescendo de forma agradavelmente sensível é o uso de adubação equilibrada e da suplementação da adubação básica com nutrientes que podem conferir certa resistência da planta aos mecanismos de penetração e colonização por patógenos da parte aérea. Neste campo destacam-se as pesquisas com potássio e silicatados (aplicados isoladamente ou em mistura com fungicidas), realizadas por Duarte et al. (2006), Oliveira et al. (2006), Madalosso et al. (2006), Debortoli et al. (2006) e Carpim et al. (2006). Extensa revisão sobre o tema foi apresentada por Pozza et al. (2004). Estes trabalhos, no entanto, ainda que pese seu mérito inquestionável na construção da sustentabilidade do manejo integrado de doenças e na qualidade técnica de sua condução, refletem condições específicas de cultivo da soja próprias das regiões Sul e Sudeste. Por isso, para que possam ser aplicados, necessitam de adaptação às condições de solo, de base genética das cultivares recomendadas e de potencial de inóculo dos patógenos encontrados no cerrado do Centro-Oeste e Nordeste do Brasil. Uma parceria entre a UFMT e a Univag vem conduzindo projeto de pesquisa, buscando oferecer aos produtores de soja no Mato Grosso alternativa na redução dos custos do controle químico, através da possibilidade do uso da adubação como medida técnica e economicamente viável na manutenção de baixos níveis de severidade de doenças limitantes como a ferrugem asiática, antracnose, mela e mancha-alvo. A expectativa final é de oferecer ao produtor de soja opção técnica e economicamente viável no controle das principais doenças da

CONTROLE DE DOENÇAS

A

s doenças fúngicas que ocorrem na parte aérea da soja são consideradas extremamente severas do ponto de vista fitopatológico. Resultam em redução da área foliar disponível para a fotossíntese, provocam desfolha precoce e infecção direta sobre vagens, reduzindo, assim, o peso e a qualidade final do grão. Aqui, são considerados patógenos que interferem na síntese de fotoassimilados e no seu acúmulo em estruturas de reserva, explosivos, oportunistas, necrotróficos, hemibiotróficos ou biotróficos, polífagos, com elevada capacidade de sobrevivência e disseminação. Estes patógenos requerem a defini-

Maio 2008 • www.revistacultivar.com.br

ção imediata de medidas de controle, em tempo menor que aquele disponível pela pesquisa para fornecer tais informações. Exigem monitoramento constante, possuem alta capacidade mutagênica e elevado risco em apresentar populações resistentes às medidas estabelecidas, especialmente ao controle químico. Atualmente, a forma de controle mais usada na redução dos danos provocados por doenças em soja, em especial pela ferrugem e antracnose, é o controle químico, seja através da pulverização ou no tratamento de sementes. O uso de cultivares resistentes também apresenta eficiência para doenças como mancha olho-derã, oídio e mancha-alvo.


parte aérea da cultura, permitir redução expressiva na aplicação de defensivos agrícolas e, conseqüentemente, nos custos com controle de doenças em lavouras de soja, contribuir com incrementos em produtividade na cultura da soja através da suplementação de nutrientes via aplicação foliar, apresentar à comunidade científica mais uma colaboração na construção do adequado manejo de doenças em soja e contribuir com a redução nos riscos de desenvolvimento de populações de patógenos resistentes a fungicidas.

SILÍCIO O silício é absorvido pelas plantas na forma de ácido monosilícico - H4SiO4 (Jones & Handrek, 1967). Seu transporte, na mesma forma assimilada, é feito através do xilema e a distribuição dependente da transpiração dos órgãos envolvidos. Nas folhas de arroz, forma-se uma camada dupla de sílica abaixo da cutícula nas células epidérmicas. Segundo autores como (Malavolta, 1980; Marschener, 1986; Takahashi, 1995) essa camada limita a perda d'água pelas folhas e dificulta a penetração e o desenvolvimento de hifas de fungos. Este mecanismo é amplamente conhecido em monocotiledôneas, com elevado potencial para ser aplicado em dicotiledôneas.

Plantas malnutridas ficam mais vulneráveis à ação dos patógenos

PRÁTICAS INDEVIDAS Desde a safra 2002/2003, com a explosão da ferrugem asiática e com o aumento da severidade da antracnose e da mela, as lavouras de soja no MT estão sendo pulverizadas com fungicidas dos grupos químicos dos triazóis e estrobilurinas de forma sistemática, a partir da fase reprodutiva da cultura. São feitas de três a quatro aplicações, em média, dependendo da região, época de cultivo e ciclo da cultivar. Em algumas situações foram registradas até seis aplicações de fungicidas em períodos inferiores a 60 dias. De pouca ou ne-

nhuma viabilidade técnica, o excessivo número de pulverizações eleva substancialmente os custos de produção e tem se mostrado inviável também do ponto de vista econômico. Na tentativa de encontrar formas de minimizar os custos do controle químico, produtores são levados a usar doses abaixo da recomendada pela pesquisa. Esta prática é extremamente condenável e pode levar a pelo menos duas situações importantes: a redução da eficiência dos fungicidas e a seleção de populações de fungos resistentes ao fungicida aplicado. Neste contexto, o segmento brasileiro do Comitê de Ação à Resistência a Fungicidas (Frac) é enfático na recomendação de uso da dose registrada tecnicamente. Se analisados em conjunto, os efeitos das subdosagens de fungicidas podem elevar ainda mais os custos de produção ou reduzir drasticamente a expectativa de colheita, além de inviabilizar produtos tecnicamente eficientes para determinado C processo patogênico. Andréia Q. Machado Cassetari, Univag Daniel Cassetari Neto e Edson Ricardo de A. Júnior, UFMT


Soja

Nutrição que protege O uso ddee sili catos n as lavour as ganha fforça orça ddevi evi do aos ben efíci os pr om ovi dos silicatos nas lavouras evid benefíci efícios prom omovi ovid os pelo pelo nutri en te cações ddee silíci o (Si) m elh or am a ar quitetur oli ar e permitem m ai or utrien ente te.. Apli Aplicações silício melh elhor oram arquitetur quiteturaa ffoli oliar mai aior pen etr ação ddee luz solar opor ci on cr en to ddaa tax otossin téti ca. Su penetr etração solar,, o que pr propor oporci cion onaa o in incr crem emen ento taxaa ffotossin otossintéti tética. Suaaa ação crem ação está rrelaci elaci on ad ulo ddo o mi cr on utri en te derm olha, gger er an elacion onad adaa ao acúm acúmulo micr cron onutri utrien ente na epid erme eran and umaa te n na epi ermee dda da ffolha, ando um gos patogêni cos e também con tr barr eir ca os espor os ddee fun esporos fung patogênicos contr traa a barreir eiraa físi física contr tra ca con contr tra a infecção ddos esta a, or pr od utivi dad agas com o lagartas e per cevejos ci din do, ddesta ação ddee pr utivid adee cidin dind orma, mai aior prod odutivi pragas como percevejos cevejos,, in inci a, em em m mai esta fform form

É

crescente a preocupação em reduzir os custos de produção já que o mercado se tornou extremamente competitivo e a margem de lucro ao produtor cada vez menor. Cuidados com a adubação e o controle químico de pragas e doenças são fundamentais para o sucesso do agricultor. Desde o surgimento dos primeiros casos da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi), o custo com defensivos agrícolas é o principal gargalo da lucratividade da soja. O uso de silício pode ser uma alternativa para a redução de custo com defensivos e proporcionar aumento da produtividade de grãos com menor impacto ambiental. É sabido que grande parte da produção do complexo soja advém de solos com baixas fertilidade natural e capacidade de retenção de água, notadamente os da região do Cerrado, o que limita a produtividade. O silício é classificado como micronutriente benéfico a muitas culturas. Mesmo não sendo essencial, do ponto de vista fisiológi-

22

co, para o crescimento e o desenvolvimento das plantas, sua absorção traz inúmeros benefícios. Isto mostra a “essencialidade agronômica” deste elemento para um aumento e/ou produção sustentável. O uso de silicatos na lavoura de soja tem a capacidade de promover resistência induzida das plantas à incidência de pragas e doenças no campo. Em gramíneas, essa ação protetora pode estar relacionada ao acúmulo do silício na epiderme da folha, gerando uma barreira física contra a infecção dos esporos de fungos patogênicos e também contra a ação de pragas mastigadoras, como lagartas e sugadoras, como diversos percevejos. Contudo, em plantas dicotiledôneas, como a soja, a hipótese mais aceita para o controle de pragas e doenças seria a formação de fenóis favorecida pela absorção de Si. Compostos fenólicos e silício acumulam-se nos sítios de infecção, cuja causa ainda não está esclarecida. Além de promover melhorias no metabolismo, a aplicação de Si em situações de es-

Maio 2008 • www.revistacultivar.com.br

tresses bióticos pode ativar genes envolvidos na produção de fenóis, fitoalexinas e enzimas relacionadas com os mecanismos de defesa da planta, no caso, resistência ou tolerância a pragas e doenças. Uma rápida deposição de compostos fenólicos ou lignina nos sítios de infecção é um mecanismo de defesa contra os patógenos, e a presença de Si solúvel facilita este mecanismo de resistência à doença. Estudos têm demonstrado a eficiência da aplicação de silício no solo sobre a severidade da ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi) como pode ser observado na Figura 1. Também estão sendo constatados efeitos sobre a incidência de cercospora (Cercospora sojina) e outras manchas foliares, além de algumas espécies de lagartas. Isso pode acarretar em menor uso de defensivos agrícolas, o que reduziria os custos de produção da cultura da soja. O Si pode estimular o crescimento e a produção vegetal através de várias ações indiretas, como a diminuição do auto-sombreamen-


Figura 1 - Efeito da aplicação de Si via foliar na severidade da ferrugem asiática em plantas de soja. (adaptado de Souza et al (2007), trabalho apresentado no IV Simpósio Brasileiro sobre Silício no Agricultura)

to, por deixar as folhas da soja mais eretas; redução na suscetibilidade ao acamamento e maior rigidez estrutural dos tecidos, o que resulta em maiores facilidades na colheita mecanizada; proteção contra estresses abióticos, como a redução da toxidez de alumínio (Al), manganês (Mn), ferro (Fe) e sódio (Na). Além disso, pode melhorar o aproveitamento dos fertilizantes fosfatados e potássicos pela cultura. A melhoria na arquitetura foliar da soja decorrente da aplicação de silício permite maior penetração de luz solar, maior absorção de CO2, o que proporciona o incremento da taxa fotossintética. Além disso, a diminuição da transpiração excessiva provoca melhor utilização da água disponível, gera resistência a veranicos e pode resultar em elevação na produtividade da cultura, como se verifica nas Figuras 2 e 3. As plantas, de um modo geral, podem ser classificadas em três categorias quanto ao acúmulo de silício: acumuladoras de silício, intermediárias e não-acumuladoras. A soja é classificada como uma planta intermediária, que apresenta uma quantidade considerável de Si, quando a concentração do elemento no meio é alta. A deficiência de Si em soja causa sintomas característicos, como a malformação de folhas novas e redução da fertilidade do grão de pólen. Estes sintomas acarretam invariavelmente a redução da fotossíntese total, pela diminuição da área fotossinteticamente ativa, além de uma queda no “pegamento” de flores pela diminuição da fertilidade. Isso gera menor número de vagens por planta e reduz a produtividade final. A forma mais usada pelos agricultores para o fornecimento de silício às lavouras é a aplicação de silicatos via solo e, mais recentemen-

Figura 2 - Efeito da aplicação de Si via solo na produtividade da cultura da soja, media de três anos agrícolas. (adaptado de Corrêa (2005), tese de doutorado)

te, estão surgindo produtos para aplicação via foliar, com o objetivo principal de controle de doenças, podendo resultar em aumento de produtividade de grãos. Os silicatos de cálcio (Ca) e magnésio (Mg), além de usados para o fornecimento de silício podem ser aplicados como corretivo de acidez do solo, tendo ação similar a dos calcários. Os silicatos são capazes de elevar o pH, neutralizando o alumínio e outros elementos tóxicos às plantas. Se o objetivo for apenas realizar adubação silicatada, a dose a ser aplicada nas culturas deve ser definida conjuntamente com técnicos qualificados, pois é necessário o conhecimento do teor de Si no solo e se a cultura é exigente ou não em Si. Por outro lado, se o agricultor necessita realizar calagem na área e tem por objetivo também fornecer Si à lavoura, a aplicação de silicato

em dose equivalente à de calcário proporciona a correção da acidez do solo e fornece Si às plantas em uma única operação. O produtor deve sempre adquirir produtos de firmas idôneas. No caso de dúvidas, realizar consulta técnica antes da aquisição. A Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp em Botucatu (SP) tem realizado estudos sobre os efeitos benéficos do silício em diversas culturas, entre elas a soja. Os resultados obtidos são animadores e evidenciam que a aplicação deste nutriente, em muitos casos, gera grandes benefícios e ganhos de produtividade C e qualidade da produção. Carlos Alexandre C. Crusciol, Gustavo Spadotti A. Castro e Rogério Peres Soratto, Unesp

Figura 3 - Efeito da aplicação de silicato de potássio (12,2% de Si e 15% de K2O) via foliar na produtividade da cultura da soja. (adaptado de Rodrigues et al (2007), palestra apresentada no IV Simpósio Brasileiro sobre Silício na Agricultura)

www.revistacultivar.com.br • Maio 2008

23


Milho

Manejo ampliado O aum en to ddaa fr eqüên ci ten si dad as ddoenças oenças ffoli oli ar es em milh o safrinha aumen ento freqüên eqüênci ciaa e a in inten tensi sid adee ddas oliar ares milho dos m ostr am que xi gi do ddo o pr od utor o rref ef orço ddas as estr atégi as ddee con tr ole têm eexi prod odutor eforço estratégi atégias contr trole ole.. Estu Estud mostr ostram xigi gid o uso ddee fun gi ci das é viável qu an do se tem o híbri do suscetível às ddoenças oenças ddee fungi gici cid quan and híbrid ocorrên ci egi on al, o clim avorável ao ddesenvolvim esenvolvim en to ddo o patóg en o e a lavour ocorrênci ciaa rregi egion onal, climaa ffavorável esenvolvimen ento patógen eno lavouraa em ser feitas até o estádi o ddee préod utivo. A cações pod com bom poten ci al pr odutivo. Ass apli aplicações podem estádio potenci cial prod atóri er al, um ca pulverização tem si do satisf en to ee,, em gger pen doam satisfatóri atóriaa única sid oamen ento eral, umaa úni pend

A

s doenças foliares têm causado prejuízos econômicos na cultura do milho no Brasil. Logo, é necessário conhecê-las para adotar práticas de manejo que evitem ou minimizem os danos à produtividade causados por problemas de sanidade. O objetivo deste artigo é apontar quais são os fatores que interferem na ocorrência das doenças e indicar quando e como a aplicação de fungicidas pode ser economicamente viável. Até o final do segundo milênio, o manejo das doenças foliares do milho estava focado no uso de cultivares resistentes, no tratamento de sementes com fungicidas e no emprego de práticas culturais, como preparo do solo e rotação de culturas, que reduzem a pressão de inóculo dos patógenos, agentes causais das doenças. Atualmente, os danos provocados pelas doenças têm sido observados com maior freqüência e intensidade. A comparação da produtividade entre grupos de cultivares de milho safrinha com diferentes níveis de resistência às doenças (Figura 1), demonstra que em alguns ambientes ocorrem prejuízos na produtividade dos híbridos suscetíveis. Destacam-se os seguintes fatores que

24

contribuíram para o seu agravamento: I) A priorização do potencial produtivo nos programas de melhoramento de milho, diminuindo a restrição ao lançamento de novas cultivares que não apresentam resistência múltipla às doenças foliares. Ou seja, aumentou a proporção de híbridos que devem ser indicados para regiões específicas,

onde não há a ocorrência de doenças, às quais o material é suscetível. No entanto, alguns desses híbridos apresentam excelente potencial produtivo e passaram a ser cultivados também nas regiões onde podem apresentar elevada severidade de determinadas doenças. II) A migração espacial e temporal da cultura do milho. A área de milho permane-

Manter a lavoura de milho longe dos prejuízos das doenças foliares exige estratégias diferenciadas daquelas que permaneceram como foco principal de manejo até o final do segundo milênio

Maio 2008 • www.revistacultivar.com.br


Tabela 1. Fungicidas com ingredientes ativos triazol + estrobilurina registrados para pulverização foliar do milho (1). Produto Ingrediente Grupo Concentração Formulação2 Classe Dose Indicação de Recomendação de comercial (p.c.) ativo (i.a.) químico (g/l ou kg) toxicológica3 (p.c./ha) controle aplicação 50 + 133 Opera Epoxiconazol + Triazol + SE II 0,75 l/ha Mancha foliar por Phaeosphaeria maydis Fungicida sistêmico + protetor com ação protetiva, curativa e Piraclostrobina Estrobilurina Ferrugem polissora por Puccinia polysora erradicante para aplicações terrestres e aéreas. Iniciar as pulverizações preventivamente aos primeiros sintomas. 125 + 125 Stratego 250 EC Propiconazol + Triazol + CE II 0,6 a Cercosporiose por Cercospora zeae-maydis Fungicida sistêmico + mesostêmico para aplicações terrestres e Trifloxistrobina Estrobilurina 0,8 l/ha Ferrugem comum por Puccinia sorghi aéreas. Iniciar as pulverizações próximas ao pendoamento ou Mancha foliar por Phaeosphaeria maydis aos primeiros sintomas. Priori Xtra Ciproconazol + Triazol + 80 + 200 SC III 0,3 l/ha Mancha foliar por Phaeosphaeria maydis Fungicida sistêmico para pulverizações terrestres e aéreas. ApliAzoxistrobina Estrobilurina Cercosporiose por Cercospora zeae-maydis car de forma preventiva aos 40 a 50 dias após o plantio. Reaplicar com intervalo de 15 dias. Nativo Tebuconazol + Triazol + 200 + 100 SC III 0,6 a Ferrugem polissora por Puccinia polysora Fungicida mesostêmico e sistêmico para aplicações terrestres e Trifloxistrobina Estrobilurina 0,75 l/ha Mancha foliar por Phaeosphaeria maydis aéreas. Pulverizar de maneira preventiva, próxima à fase de pendoamento ou aos primeiros sintomas. Reaplicar após 15 a 20 dias, se necessário. 1Fonte: Agrofit (http://extranet.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons – acesso em 18/04/08); 2Formulação: CE = concentrado emulsionável, SE = suspo-emulsão, SC = suspensão concentrada; 3Classe toxicológica: I = extremamente tóxico, II = altamente tóxico, III = medianamente tóxico, IV = pouco tóxico.

ceu praticamente inalterada no Brasil na última década, mas está mais concentrada em regiões específicas e aumentou a proporção da safrinha. O milho verão migrou principalmente para regiões de maior altitude, onde as temperaturas noturnas amenas favorecem o potencial produtivo e, ao mesmo tempo, são favoráveis às manchas foliares, com destaque para as manchas de Phaeosphaeria (Phaeosphaeria maydis) e de Cercospora (Cercospora zeae-maydis). O milho safrinha já ocupa 4,5 milhões de hectares e representa aproximadamente 40% da área total de milho na região Centro-Sul do país. É cultivado em áreas contínuas imensas, com grande diversidade de épocas de semeadura, favorecendo a dispersão do inóculo, das lavouras semeadas primeiro para as mais tardias. III) A consolidação do sistema plantio direto, mas sem rotação de culturas, tornando a palha do milho na superfície do solo uma importante fonte de inóculo de muitos patógenos para o cultivo subseqüente e agravando desta forma as manchas foliares e as podridões de colmo. Na maioria das regiões produtoras de milho safrinha, predomina o cultivo contínuo de soja no verão e milho safrinha no outono-inverno, há mais de uma década, sendo o milho a única cultura utilizada no verão para rotação com a soja, ou seja, em alguns anos ocorre também a semeadura do milho no verão antecedido ou seguido de milho safrinha. Recentemente ocorreu o lançamento de fungicidas mais eficientes para controle das doenças do milho e a redução dos seus preços. Essa nova alternativa de controle também influenciou a tomada de decisão dos agricultores no sentido de utilizar cultivares produtivas, embora pouco resistentes, em regiões consideradas restritivas a esses materiais devido a determinadas doenças. Fungicidas compostos por estrobilurinas, associados a triazóis,

apresentam grande eficiência no controle da maioria das doenças foliares da cultura do milho (Tabela 1). Como esses produtos são

empregados também para o controle da ferrugem asiática da soja, em mais de 20 milhões de hectares no Brasil, foi desencadeado um

Figura 1 - Produtividade média de classes de híbridos de milho, agrupados com auxílio do teste de Scott-Knott a 5%, em função dos valores médios da severidade de doenças foliares em plantas no estádio de grãos pastosos, em ensaios nas safrinhas 2004 a 2006 no Estado de São Paulo. Notas de 1 a 9, correspondendo a 0; 1; 2,5; 5; 10; 25; 50; 75 e mais de 75 % de área foliar afetada (Fonte: Fantin et al., 2006 e 2007)

www.revistacultivar.com.br • Maio 2008

25


Figura 2 - Fatores cuja interação é necessária para ocorrência de doenças em plantas

processo de aumento de oferta, incentivo à competição das empresas produtoras de agroquímicos pela participação no mercado e redução dos custos dos fungicidas. O risco de prejuízo devido às doenças é muito variável entre regiões, anos e lavouras. Para ocorrer uma doença, é necessário que estejam presentes, ao mesmo tempo, três condições: presença do patógeno que causa a doença, plantas suscetíveis ao patógeno e ambiente favorável ao desenvolvimento da doença. (Figura 2)

O AMBIENTE DE PRODUÇÃO DO SAFRINHA O milho safrinha é cultivado sob sequeiro e concentra-se em regiões onde o clima e o solo são propícios ao seu desenvolvimento (Figura 3). É semeado quando as chuvas ainda são freqüentes e as temperaturas relativamente elevadas, mas durante o seu desenvolvimento ocorre redução da disponibilidade de água e calor. Existem pelo menos três ambientes de produção de milho safrinha, de acordo com as condições de clima e cultivares utilizados: I) Estado do Paraná, exceto o norte: região com inverno úmido e temperaturas baixas, onde, para escapar das geadas, as semeaduras são realizadas até o mês de fevereiro, utilizando prioritariamente cultivares de ciclo

superprecoce. II) Goiás, Mato Grosso e parte do Mato Grosso do Sul (áreas com altitude superior a 600m) e São Paulo (norte e noroeste): regiões com elevada freqüência de estresse hídrico nos estádios finais de desenvolvimento e sem problema de baixas temperaturas, encerrando a semeadura até o final de fevereiro com cultivares precoces e superprecoces. III) Paraná (norte), São Paulo (sudoeste, região do Médio Paranapanema) e parte do Mato Grosso do Sul: regiões de transição climática de inverno úmido para seco, com risco moderado de deficiência hídrica (mais freqüente antes do florescimento) e geadas, as temperaturas são baixas a partir de maio e a semeadura é a mais tardia do Brasil (até março), utilizando principal-

DECISÃO PARA O USO DE FUNGICIDAS O uso de fungicidas tem se mostrado viável quando o híbrido for suscetível às doenças de ocorrência regional, o clima for favorável ao desenvolvimento do patógeno e a lavoura apresentar bom potencial produtivo. O primeiro passo é conhecer quais doenças são importantes regionalmente e a freqüência de anos em que ocorrem com severidade elevada. Em seguida, tomar ciência do nível de resistência dos híbridos utiliza-

Figura 3 - Principais municípios produtores de milho safrinha no Brasil, considerando áreas superiores a 10 mil hectares (Elaborado pelo IAC/Apta a partir de dados do IBGE e Conab)

Garantir que a lavoura permaneça sadia exige conhecimento dos fatores que favorecem as doenças

26

mente cultivares precoces porque apresentam melhor desempenho agronômico do que os superprecoces. Alguns poucos híbridos superprecoces ocupam grande proporção do mercado, mas são suscetíveis às principais doenças foliares que predominam nas regiões onde são cultivados. Isso contribui para aumentar a pressão do inóculo e, conseqüentemente, a severidade da doença mesmo nas cultivares que apresentam nível moderado de resistência. As condições ambientais afetam tanto diretamente o desenvolvimento do milho safrinha como indiretamente, favorecendo ou não a ocorrência de determinadas doenças. Muitas vezes, condições que favorecem a cultura, como a elevada umidade, também propiciam o desenvolvimento de doenças. Como o clima apresenta grande variabilidade entre anos, durante o desenvolvimento do milho safrinha, é difícil prever como será a severidade das doenças, mesmo daquelas mais importantes regionalmente.

Maio 2008 • www.revistacultivar.com.br


Figura 4 - Produtividade de híbridos de milho resistente e suscetível com aplicação de fungicidas em Florínea (SP) na safrinha 2005. (Fonte: Fantin et al, 2005)

DOENÇAS FOLIARES

D

entre as doenças foliares do milho, as principais são causadas por fungos. Destacam-se, ocorrendo de maneira mais generalizada, as manchas foliares de Phaeosphaeeria e de Cercospora e as ferrugens comuns (Puccinia sorghi) e polissora (Puccinia polysora). Evidenciam-se ainda, em regiões específicas, as manchas de turcicum (Exserohilum turcicum) e de maidis (Bipolaris maydis) esta especialmente no Mato Grosso.

dos na lavoura aos patógenos importantes na região. Em estudos realizados pelo Instituto Biológico e Instituto Agronômico, verificou-se, como era de se esperar, que os híbridos resistentes não têm respondido ao uso de fungicidas na safrinha (Figura 4). As empresas de sementes e as instituições públicas e privadas de pesquisa realizam anualmente avaliações e divulgações da resistência relativa dos híbridos a cada doença. No entanto, essas informações precisam ser complementadas pelo índice de tolerância dos híbridos aos patógenos. Alguns híbridos mesmo com pouca severidade da doença (poucas lesões) apresentam redução significativa da produtividade. Já outros híbridos podem tolerar severidades moderadas da doença sem reduzir a produtividade. Conforme já mencionado, é importante monitorar os sintomas na lavoura e conhecer as condições climáticas que favorecem cada doença. A previsão do tempo auxilia a estimar se a umidade e a temperatura serão favoráveis aos patógenos nos próximos dias, embora uma grande dificuldade ainda seja prever a evolução das doenças e sua conse-

qüência sobre a produtividade da cultura. Em caso de poucos sintomas, clima seco e temperaturas desfavoráveis ao patógeno, a doença ficará estável. Os fungicidas podem causar impactos ambientais e por isso devem ser utilizados de maneira racional. As conseqüências do seu uso indiscriminado na cultura do milho ainda são pouco conhecidas, entretanto, sabe-se que alguns produtos podem interferir em fungos não-alvo ou mesmo benéficos presentes nas culturas, além de induzir o surgimento de resistência de fungos fitopatogênicos. Outro problema que pode ocorrer diz respeito ao acúmulo do produto no meio ambiente.

QUANDO APLICAR OS FUNGICIDAS Resultados de pesquisa têm mostrado que os fungicidas podem ser aplicados desde a última entrada do trator com pulverizador convencional, geralmente para controle da lagarta-do-cartucho, até o estádio de pré-pendoamento. Em geral, uma única pulverização com fungicida tem se mostrado satisfatória para o controle de doenças no milho safrinha.

Quando houver disponibilidade de equipamento de pulverização autopropelido, que permite a entrada do trator na lavoura em qualquer estádio de desenvolvimento, ou mesmo avião, pode-se optar pelo monitoramento dos sintomas foliares e a tomada de decisão de aplicar o produto somente quando a severidade dos sintomas for crítica. Temse utilizado como indicador dessa severidade, com base na literatura internacional, aproximadamente 1% de área foliar com sintomas da doença, o que corresponde, no caso da cercosporiose, à presença de duas lesões necróticas em qualquer uma das cinco folhas: a da espiga, duas abaixo ou duas acima da espiga em 50% das plantas. A decisão de pulverizar pode ser tomada antes do pré-pendoamento, caso a doença já esteja presente nas plantas e as condições climáticas forem favoráveis para sua evolução. A aplicação na última entrada do trator na lavoura pode ser preventiva, ou seja, sem a presença dos sintomas da doença, se a cultivar for suscetível, o histórico regional indicar alta probabilidade de ocorrer epidemias de doenças e as condições climáticas forem favoráveis ao desenvolviC mento do patógeno. Gisèle Maria Fantin, Instituto Biológico Aildson Pereira Duarte, IAC/Apta

As vantagens e desvantagens dos principais métodos e/ou épocas de pulverização terrestre dos fungicidas no milho são as seguintes MÉTODOS ÉPOCAS VANTAGENS Aplicação preventiva, sem Cedo. É realizada na última entrada do trator na la- Custo apenas do fungicida (economiza-se uma operação) a presença de sintomas das voura e em conjunto com a aplicação de inseticida Maior eficiência no controle de doenças que ocorrem em plantas jovens, doenças como a ferrugem comum Maior eficiência e lucratividade em regiões de epidemias constantes Aplicação de acordo com É realizada até o pré-florescimento, quando 50% das Maior eficiência no controle das doenças que ocorrem a partir de estádios monitoramento das doenças plantas tiverem duas lesões necróticas em qualquer uma próximos ao florescimento das cinco folhas: a da espiga, duas abaixo ou duas aci- Apresenta ação benéfica no controle de doenças de colmo ma da espiga, e as condições climáticas forem favorá- Maior eficiência e lucratividade em regiões com menor pressão de patógenos (de veis ao desenvolvimento da doença endemia) e que adotam boas práticas de manejo, com a rotação de culturas

DESVANTAGENS Pode ser desnecessária, uma vez que não é possível assegurar que a doença ocorrerá com severidade elevada na lavoura Baixa eficiência no controle de doenças de colmo Aumenta o custo de uma operação específica para aplicar o fungicida Exige equipamento apropriado para entrar na lavoura com as plantas altas

www.revistacultivar.com.br • Maio 2008

27


Girassol

Inibidor de invasoras Estu dos ddem em on str am que o gir assol, qu an do subm eti do a espectr os ddee luz Estud emon onstr stram girassol, quan and submeti etid espectros fr udanças n cos e é capaz ddee inibir em específi cos específicos cos,, so sofr free m mu naa composição ddee aleloquími aleloquímicos até 70% o cr escim en to ddee infestan tes en to difer en ci ad o, a plan ta crescim escimen ento infestantes tes.. Com o comportam comportamen ento diferen enci ciad ado, planta deve m er ecer atenção par o futur oh erbi ci da n atur al mer erecer paraa pesquisa com como futuro herbi erbici cid natur atural

D

urante o metabolismo, as plantas produzem e liberam subs tâncias secundárias (os aleloquímicos), que podem interferir no crescimento e no desenvolvimento de outras plantas que se encontram próximas. Esse fenômeno é chamado de alelopatia, e pode ser benéfico para agricultura quando interfere negativamente no estabelecimento e no crescimento de plantas daninhas mas, por outro lado, pode causar problemas quando afeta culturas comerciais. O pesquisador Pedro Luís Alves, da Universidade Estadual Paulista, é um dos estudiosos do tema e vem avaliando, nos últimos anos, o efeito inibitório do girassol no crescimento de plantas daninhas. Os resultados de suas pesquisas foram apresentados durante o 5º Encontro de Ecologia

Química, evento promovido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa Soja, em Londrina, no Paraná. “Normalmente, as plantas sob estresse biótico, como a competição, por exemplo, produzem os aleloquímicos para se defender. Contudo, há a hipótese de que mesmo antes de sentir o efeito do estresse, as plantas já se preparam para se defender”, explica o professor Pedro. As plantas apresentam fitocromos, que são sensores de luz capazes de influenciar no metabolismo. “É como se a planta fosse ‘avisada’ fisicamente que algo diferente está acontecendo no ambiente, a partir do espectro luminoso (tipo de luz) a que ela está sendo exposta. Isso desencadeia reações diferentes no seu organismo”, complementa. No girassol, por exemplo, há estudos que indicam que quando há predomínio de luz amarela a planta sofre uma mudança na composição dos aleloquímicos, tornando-a mais agressiva. De forma semelhante, quando exposta a alterações na re-

lação vermelho/vermelho distante do espectro luminoso, a planta reage acelerando o metabolismo de forma a se resguardar para uma eventual competição com outra planta. Com essas informações em mãos, o pesquisador avaliou 42 cultivares de girassol e descobriu que uma planta normal apresenta um potencial de 40% de inibição do crescimento de outras plantas e que, submetidas à exposição da luz amarela ou diminuindo a relação vermelho/vermelho distante, essa inibição aumenta para 50% a 70%. As substâncias inibidoras de crescimento são produzidas nas folhas e abrem a possibilidade de um melhor aproveitamento da planta de girassol. “Além das sementes, as folhas também podem ser aproveitadas comercialmente. É um comportamento diferenciado que pode dar origem a herbicidas naturais, a novas fórmulas sintéticas, além de subsidiar as pesquisas com melhoramento genético da cultura”, conclui C o pesquisador. Cultivar

28

Maio 2008 • www.revistacultivar.com.br


Cana-de-açúcar

Gigantesca A ffalta alta ddee inf orm ações sobr an ejo e técni cas par inform ormações sobree m man anejo técnicas paraa o ole ddaa br oca gi gan te ain da con stitui-se em um ddos os con tr contr trole broca gigan gante aind constitui-se prin cipais pr oblem as enfr en tad os pelos pr od utor es ddee can aprincipais problem oblemas enfren entad tados prod odutor utores canade-açúcar n o Br asil, di an te ddos os sever os ddan an os causad os no Brasil, dian ante severos anos causados os.. A Ass as plan tas ebilitad as lagartas perfur am o colm o ddas perfuram colmo plantas tas,, que ddebilitad ebilitadas co egar à m orte o fun go en tom opatogêni pod em ch entom tomopatogêni opatogênico podem chegar morte orte.. O uso ddo fung eri do par tr ole Beauveriaa bassi bassian anaa é sug sugeri erid paraa o con contr trole ole,, já que Beauveri an ta poten ci al ddee rred ed uzir em 60% a população ddaa pr aga apr esen apresen esenta potenci cial eduzir praga

A

cana-de-açúcar é atacada por várias pragas, mas poucas causam prejuízos. Porém, dependendo da espécie e do nível populacional, são capazes de provocar importantes perdas, com reduções nas produtividades agrícola e industrial. Dentre esses insetos, a broca gigante da canade-açúcar se destaca pela gravidade dos danos e área de abrangência. Atualmente, o nome científico válido para a broca gigante da cana-de-açúcar é Telchin licus licus (Drury, 1773) (Lepidoptera: Castniidae), e Castnia licus - nome consagrado na literatura agrícola - é sinônimo júnior. Citações anteriores podem ser encontradas também sob as sinonímias: Castnia licus licus, Castnia licoides, Leucocastnia licus, Eupalomides licus, Papilio licus. No Brasil a incidência de T. licus licus, vez por outra, aumenta consideravelmente, preocupando os produtores envolvidos com o con-

trole dessa praga em canaviais das regiões Norte e Nordeste. Sua distribuição inclui os estados do Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Sergipe. Em 2006 a broca foi introduzida nos canaviais de São Paulo, precisamente na região de Iracemápolis. O desconforto gerado pelo fato se justifica, dentre outros fatores, pela falta de informações sobre o manejo adequado, com emprego de técnicas de controle economicamente viáveis. Em condições de campo, a broca gigante apresenta dois ciclos completos durante o ano. Isso é comprovado pela ocorrência de dois picos populacionais de adultos, um maior de abril-julho (inverno) e outro menor de outubro-dezembro (verão).

PREJUÍZOS As lagartas perfuram internamente o col-

Gráfico 1 - Flutuação populacional média de lagartas, crisálidas e adultos da broca gigante, Telchin licus licus. Agroserra (MA), Safras (2000/2001 a 2005/2006)

30

Maio 2008 • www.revistacultivar.com.br


DESCRIÇÃO E BIOLOGIA

E

Ovos: inicialmente de coloração rosada, passando, posteriormente, pelas cores verde-azeitona e alaranjada

mo, causando a morte de plantas ou considerável perda de peso, e facilitam a penetração de fungos da podridão vermelha, que invertem a sacarose e diminuem a produção de açúcar. Com a mínima perturbação, as brocas procuram abrigo descendo por túneis abertos anteriormente no rizoma ou entre as raízes, o que contribui para preservá-las. Com o objetivo de proteger-se, imediatamente após o corte da cana, a lagarta tem o hábito de vedar, com restos de alimento (fibras), a galeria interna onde vivia. A praga passa então a viver escondida na parte mais profunda, e fresca da touceira, alimentandose do rizoma, de restolhos e de raízes, debilitando e reduzindo seu poder germinativo. Na

mbora existam trabalhos que tratem da biologia de T. licus licus, pode-se afirmar que muitos deles são incompletos. Porém, há informações valiosas como: Adultos: possuem cerca de 35mm de comprimento e 90mm de envergadura alar, e são de coloração escura ou quase preta, com manchas brancas na região apical e uma faixa transversal branca nas asas anteriores. As fêmeas ovipositam aproximadamente 50 ovos durante a vida, que são depositados em grupos de três a quatro, soltos entre os colmos, próximos à base das touceiras. Ovos: inicialmente apresentam coloração rosada e, posteriormente, tornamse verde-azeitona e alaranjados. Possuem 4mm de comprimento com cinco arestas longitudinais e apresentam um período de cana pequena, recém-brotada, especialmente de soqueiras, as brocas, em busca de melhor alimento, saem da touceira e atacam os re-

incubação que varia de sete a 14 dias. Lagartas: ao eclodirem, penetram na base da touceira, abrindo galeria pelo interior do colmo. Quando atingem o último instar, impressionam pelo tamanho, com até 80mm de comprimento e 12mm de largura no protórax. São de coloração branca com algumas pintas pardas no pronoto; a largura é decrescente da parte torácica para a anal. O período larval é bastante variável, chegando a atingir até quatro meses, passando por cinco instares. Pupas: apresentam coloração castanhoescura e medem aproximadamente 40mm de comprimento. A transformação ocorre no interior de um casulo feito de fibras de cana, sendo que essa fase dura de 30 a 45 dias, quando emergem os adultos, que têm longevidade de dez a 15 dias. bentos, penetram por alguns centímetros nos tecidos, destroem seu poro vegetativo e causam a secagem e, às vezes, o apodrecimento


NÚMEROS

A

cana-de-açúcar ocupa 6,1 milhões de hectares no Brasil, conforme levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) feito na safra 2006/ 2007. São Paulo é o maior produtor, com mais da metade dessa área. Dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA) mostram que essa cultura cresceu 30% nos últimos cinco anos em São Paulo, de 2,5 milhões de hectares em 2001 para 3,4 milhões de hectares em 2006. Na região oeste paulista, para onde mais avançam os canaviais, a cultura representa cerca de 15% da área agricultável. Em 2010, quando 30 novas usinas devem começar a funcionar, a cana-deaçúcar ocupará 29% dessa mesma área. da gema apical. Devido à sua voracidade, as lagartas passam sucessiva e rapidamente a outros rebentos, causando-lhes a morte e o aparecimento do “coração morto”, isto é, a morte da gema apical. O “coração morto” apresenta, na sua base, galeria de cerca de 10mm de diâmetro que, ao ser cortada, aparece, em geral, limpa e vazia.

MONITORAMENTO E MANEJO O monitoramento é imprescindível para a tomada de decisão sobre a estratégia de controle de uma praga, sendo que avanços nessa área permitirão o combate mais técnico e eficiente da broca-gigante. A amostragem, para se decidir pelo momento adequado de entrar com o controle, baseia-se, atualmente, na presença da praga na área. O Nível de Dano Econômico (NDE) e o Nível de Controle (NC) ainda não são conhecidos. Atualmente, adota-se como regra a eliminação da praga quando presente na área, através de sistemas manuais de coleta de formas biológicas. Tal mé-

Aplicação do fungo entomopatogênico Beauveria bassiana, com equipamento adaptado à colheitadeira

A operação única de colheita e pulverização garante que 100% das touceiras serão atingidas pelo inseticida

todo, além de ser extremamente dependente de mão-de-obra, é trabalhoso, o que tem dificultado o seu uso em determinadas áreas do país.

solo é fundamental para eliminar ovos, lagartas e pupas, que fisicamente são destruídas. Tais formas biológicas também podem ser atacadas por predadores (pássaros insetívoros, por exemplo: carcarás - Polyborus plancus brasiliensis, formigas etc), que contribuem para reduzir a população da praga. O controle químico do inseto não tem se mostrado eficiente, devido à inexistência de moléculas apropriadas ou pelo desconhecimento de dosagens eficientes. Essa situação se deve, principalmente, à dificuldade do produto penetrar no interior de touceiras atacadas pela praga, local de abrigo das lagartas. Esse quadro poderá ser revertido caso se desenvolvam novas técnicas para aplicar os inseticidas. Na literatura existem trabalhos com o fungo entomopatogênico Beauveria bassiana, sugerindo sua potencialidade no controle dessa praga. Em 2006 e 2007 pesquisas realizadas com T. licus licus e o fungo entomopatogênico B. bassiana, mostraram ser possível o controle com sucesso, mediante aplicações realizadas no momento adequado. A pulverização desse fungo, realizada com equipamento adaptado à colheitadeira mecânica, na concentração equivalente a 1,0 x 1012 conídios viáveis por hectare, proporcionou 60% de redução na população da broca-gigante em relação à testemunha. Esse procedimento tem a vantagem de propiciar a cobertura total das áreas colhidas e a aplicação direcionada sobre as touceiras. Associada à camada de palha picada, eliminada pela máquina e distribuída a seguir, protege os conídios dos raios solares. Dessa forma, a lagarta, que tem o hábito de “tamponar” o orifício após o corte, entra em contato com o inseticida e se contamina, ocorrendo, posteriormente, sua morte num curto espaço de tempo. A inoculação de B. bassiana, numa única operação (colheita e pulverização) sem grandes custos adicionais, favorece a ação do fungo acrescido do fato de que 100% das touceiras serão trataC das com o inseticida biológico.

MÉTODOS DE CONTROLE Devido ao comportamento da lagarta de T. licus licus, que permanece no interior da touceira após o corte, existem algumas medidas que poderão ser adotadas para reduzir sua população e, conseqüentemente, os prejuízos. O transporte de cana-de-açúcar como muda, para o plantio, se constitui no modo mais fácil de disseminar a praga para novas áreas. A inspeção fitossanitária no material a ser transportado e os tratamentos, químicos e/ou térmicos, são ações essenciais para evitar a introdução da lagarta em novas regiões. Legislação que discipline o transporte de mudas também pode se transformar em importante medida para dificultar a disseminação dessa e de outras pragas da cana-de-açúcar. A catação manual de lagartas, pupas e a captura de adultos com rede entomológica, são medidas que possibilitam conviver com a praga em usinas localizadas no Norte/Nordeste do país com alto custo econômico. Porém, eventualmente, ocorrem infestações elevadas, em função de mão-de-obra insuficiente para coleta de formas biológicas. No momento da renovação de canaviais atacados por T. licus licus, o bom preparo do

José Francisco Garcia, Global Cana - Soluções Entomológicas

Paulo Sérgio Machado Botelho, UFSCar

32

Maio 2008 • www.revistacultivar.com.br


Trigo

Trigo anão

O

riginalmente denominada como nanismo amarelo da cevada, essa doença causada por vírus é comumente conhecida entre aqueles que atuam na produção dos variados cereais de inverno pela sigla NAC. Fator que limita a produção de grãos no mundo todo, a virose há muito está estabelecida nas condições brasileiras. É causada por mais de uma espécie de vírus que apresenta características em comum, agru-

padas em uma mesma família denominada Luteoviridae (o radical luteo vem do latim luteus e significa amarelo, em alusão aos sintomas provocados por estes vírus). Além do amarelecimento e enrijecimento do limbo foliar, existem outros sintomas visíveis como a redução da altura (nanismo) e da massa foliar das plantas. Vegetais com sintomas normalmente se encontram em reboleiras no campo. Outras características comuns a estes vírus são

Com o plan ti o ddaa n ova safr planti tio nova safraa sur ge a pr eocupação com o surg preocupação ataque ddee pulgões pulgões,, respon sáveis pela esponsáveis o tr an smissão ddo o vírus ddo ansmissão tran nanism o am ar elo. A ddoença, oença, arelo. anismo amar que normalmente é as n per cebi da em rreboleir eboleir eboleiras naa percebi cebid lavour a, tem com o prin cipais lavoura, como principais sin tom as o am ar elecim en to sintom tomas amar arelecim elecimen ento e enrijecimento do limbo foli ar e visível rred ed ução ddaa oliar edução altur assa ffoli oli ar ddas as alturaa e ddaa m massa oliar plan tas ma altern ativa plantas tas.. U Um alternativa par ter os vetor es ddo o paraa con conter vetores vírus é o con tr ole atr avés ddee contr trole através par asitói des parasitói asitóid (mi cr oim enópter os) (micr croim oimenópter enópteros) a restrição ao floema das hospedeiras e a transmissão por pulgões ou afídeos (Hemiptera, Aphididae). A transmissão por afídeos é uma característica tão importante que foi originalmente critério para o reconhecimento e a identificação das estirpes virais. Em função da especificidade de transmissão pela espécie de vetor definiram-se as estirpes: RPV - transmitida por Rhopalosiphum padi, RMV - por Rhopalosiphum maidis, MAV - por Sitobion avenae (antigo Macrosiphum avenae), SGV - por Schizaphis graminum e PAV - por R. padi, S. avenae e outros. Posteriormente, a identificação desses vírus passou a ser feita com base em testes sorológicos e, atualmente, a sua classificação é realizada pela organização genômica e similaridade das seqüências dos genes virais. Assim, os vírus do nanismo estão posicionados em dois gêneros: Luteovirus e Polerovirus. Os serotipos PAV, MAV e isolados que a eles se assemelham foram mantidos dentro da espécie BYDV (Barley yellow dwarf vírus - gênero Luteovirus), enquanto o serotipo RPV foi transferido para a espécie CYDV (Cereal yellow dwarf virus – gênero Polerovirus). Não apenas os cereais cultivados, mas várias espécies de gramíneas são suscetíveis à virose. O ciclo da doença depende da presença de plantas hospedeiras e de afídeos vetores. A aquisição do vírus ocorre quando o afídeo se alimenta da seiva de uma planta infectada. Uma vez ingeridas, as partículas virais circulam pelo aparelho digestivo, migram para hemocele e acumulam-se nas glândulas salivares do inseto. A partir deste estádio, quando o

www.revistacultivar.com.br • Maio 2008

33


afídeo se alimenta em uma planta sadia, ocorre a transmissão do vírus. O vírus não é transmitido por nenhum outro inseto, sementes, solo ou mecanicamente. Portanto, a capacidade de infectar várias espécies de gramíneas perenes e anuais, que atuam como reservatórios do vírus ao longo do ano, e a capacidade de transmissão pelas diversas espécies de afídeos, são dois fatores determinantes da epidemia e de sua importância econômica. Considerando o ciclo da doença, é possível inferir que para o entendimento da epidemia e para seu controle é necessário conhecer e monitorar o estado de três componentes: o vírus, o vetor e o hospedeiro. Epidemias de nanismo amarelo podem ocorrer quando, na presença de plantas hospedeiras suscetíveis, as condições ambientais favorecem a multiplicação e a disseminação de vetores transmissores de estirpes virais agressivas.

OS VETORES Como existe especificidade de transmissão, o predomínio de determinadas espécies de afídeos vetores pode ter relação direta com o predomínio das espécies/estirpes virais que ocorrem em uma determinada cultura. Além da amplitude de distribuição geográfica do afídeo, são fatores importantes a época em que ocorrem na cultura e a capacidade de se manterem em plantas reservatório de vírus, e dali passarem para a cultura alvo. Considerando que a infecção viral provoca danos maiores ao hospedeiro quanto mais cedo ocorrer a infecção, é evidente que os vetores que atingem a cultura no início do seu ciclo, assim como as estirpes transmitidas por esses vetores, apresentam impacto econômico mais importante. Nas condições brasileiras, as espécies de pulgões de maior importância presentes nos cereais de inverno são o pulgão da aveia (Rhopalosiphum padi), o pulgão verde dos cereais (Schizaphis graminum), o pulgão da espiga (Sitobion avenae) e o pul-

O VÍRUS

D

o ponto de vista epidemiológico duas características são determinantes para o predomínio e importância de uma dada estirpe viral: a) eficiência com que é transmitida pelas espécies vetoras e b) a capacidade de infectar os diferentes hospedeiros presentes em uma determinada região. Estas duas características podem ser estimadas em testes realizados sob condições controladas e requerem a contínua coleta de isolados virais e de afídeos vetores. Obviamente que uma estirpe será importante se for transmitida com eficiência por várias espécies de vetores ou pelo vetor predominante. A capacidade de infectar vários hospedeiros determina a ocorrência e multiplicação da estirpe em vários reservatórios, e a agressividade da doença causada nos hospedeiros, sobregão da folha (Metopolophium dirhodum). Todas estas espécies são conhecidas por sua capacidade de transmitir ao menos uma estirpe do vírus do nanismo. Os afídeos vetores mais comuns no início do ciclo dos cereais de inverno são R. padi e S. graminum. Essas espécies podem ser encontradas ao longo do ano e, no período de verão, são comuns em plantas voluntárias de trigo e aveia. No outono, podem ser comumente encontradas em plantios de aveia recém-estabelecidos. Assim, é possível que a rápida colonização da aveia no início do outono torne possível a multiplicação e a formação de populações virulíferas desses vetores, que migrariam para o trigo. No período entre o final do outono e início do inverno, a população de pulgões tende a diminuir em função das quedas de

Amarelecimento e limbo foliar enrijecido estão entre os sintomas visíveis mais comuns, causados pela doença

34

Maio 2008 • www.revistacultivar.com.br

tudo na cultura alvo, determinará seu impacto econômico. Assim como em outras importantes regiões produtoras de cereais de inverno do mundo, BYDV-PAV tem sido predominante nas condições brasileiras tanto em aveia como em trigo. Considerando que esta espécie é transmitida com eficiência por R. padi, tal predomínio pode estar relacionado à ocorrência do vetor desde o início das culturas de aveia e trigo e a sua permanência ao longo do ano nas plantas voluntárias de trigo e aveia. BYDV-PAV apresenta boa capacidade de multiplicação em aveia preta e é transmitida com eficiência por R. padi deste hospedeiro para o trigo. Outras espécies como BYDV-MAV, BYDV-SGV e CYDVRPV também ocorrem no Brasil, mas com menor freqüência. temperatura. A partir do final do inverno, além da presença de R. padi e de S. graminum, passa a se tornar mais comum a ocorrência de S. avenae. M. dirhodum, uma espécie que já foi considerada extremamente importante como praga e vetora do nanismo amarelo. O papel que as espécies vetoras desempenham na disseminação das espécies/estirpes virais para as condições brasileiras necessita ser continuamente determinado por monitoramento da população de afídeos e estudos de transmissão. O monitoramento é essencial, pois o predomínio das espécies vetoras varia ao longo dos anos.

OS HOSPEDEIROS Como diversas gramíneas são hospedeiras do vírus, podem atuar como reservatórios da população viral ao longo do ano. Pela extensão de cultivo, nas condições brasileiras, a aveia e o trigo são importantes hospedeiros. O plantio antecipado da aveia preta em relação ao trigo pode determinar uma expansão da população de vetores virulíferos aptos a transmitir o vírus para o trigo, sobretudo porque a aveia preta é uma boa multiplicadora do vírus. Ainda necessitam ser melhor caracterizados, quais os hospedeiros que têm servido de fonte de vírus para os pulgões que chegam à aveia. Outro fator importante a ser considerado na taxa de expansão e impacto econômico da epidemia é o nível de resistência do hospedeiro ao vírus, sobretudo daquele hospedeiro alvo que apresenta maior importância econômica (por exemplo o trigo).


Tabela 1 - Inseticidas mais utilizados para controle de pulgões em trigo e triticale entre os indicados pela Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale Nome técnico

Dose g i.a./ha

Clorpirifós etílico Dimetoato Metamidofós Tiametoxam + Lambdacialotrina

192 350 120 7,05 + 5,3

Imidacloprido2 Tiametoxam2

35-36 17,5

Intervalo de segurança1 Pulverização da parte aérea 21 28 21 42 Tratamento de sementes -

Modo de ação Contato, Ingestão, Fumigação, Profundidade Contato, Fumigação, Sistêmico Contato, Ingestão, Sistêmico Sistêmico Sistêmico Sistêmico

1 Período entre a última aplicação e a colheita. 2 Em tratamento de sementes, dose para 100 Kg de sementes.

CONTROLE O controle adequado depende de estratégias que atuem sobre os componentes da epidemia.

VETOR Nas condições brasileiras, o controle biológico vem contribuindo para a manutenção da população do vetor em níveis não alarmantes, reduzindo o dano direto causado pelos afídeos. Nesta categoria se destacam os parasitóides (microimenópteros). O percentual de parasitismo é alto e, na maioria dos casos, afídeos coletados no campo se mostram parasi-

HOSPEDEIRO A resistência genética, quando disponível, é uma forma eficiente e prática de controle de pragas e doenças, pois não envolve os custos e operações adicionais necessários à aplicação de defensivos. No caso específico do nanismo amarelo, podem ser utilizadas cultivares resistentes ao vírus e ao vetor. O uso de cultivares mais resistentes deve ser considerado principalmente para aqueles produtores cuja opção pelo controle químico for inviável.

VÍRUS tados. Obviamente a redução da população vetora tem impacto também na taxa de disseminação do nanismo amarelo. Mesmo com o atuante controle biológico, o monitoramento da população de afídeos é essencial para o controle da virose. Sobretudo para as regiões mais quentes e que apresentam o plantio de trigo antecipado, atenção especial deve ser dada à formação de populações de afídeos, seja em plantas voluntárias ou em plantios de aveia. O controle químico via tratamento de sementes ou por pulverização na parte aérea evita a expansão da epidemia (Tabela 1).

As espécies e as estirpes virais predominantes devem ser continuamente monitoradas. Isto porque a informação sobre as estirpes virais predominantes e sua variabilidade é importante para a eficiente seleção e o desenvolvimento de cultivares C mais resistentes. Douglas Lau, José Roberto Salvadori e Paulo Roberto V. da Silva Pereira, Embrapa Trigo Jurema Schons, UPF


Coluna Andav

Reconhecimento OA gr oAção, ddaa An dav eceber o certifi cad o Pr ata, n od ali dad Agr groAção, And av,, acaba ddee rreceber certificad cado Prata, naa m mod odali alid adee Pr ogr am as ddee In cen tivo, em pr emi ação ddaa XV M ostr Progr ogram amas Incen centivo, premi emiação Mostr ostraa ddaa ABMR&A

A

Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) conquistou importante prêmio na XV Mostra da Associação Brasileira de Marketing Rural & Agronegócio (ABMR&A), realizada no dia 22 de abril. Trata-se do principal evento de reconhecimento do marketing no agronegócio brasileiro. Nesse ano, foram 15 categorias que contemplaram diversas empresas e agências com os melhores trabalhos. Dentre os cinco finalistas na modalidade Programas de incentivo, participaram industrias multinacionais e suas agências de publicidade parceiras. A Andav foi premiada com o certificado Prata pelo programa de treinamento AgroAção, realizado via Internet por mais de 550 funcionários das revendas agropecuárias espalhadas por todo o país. A premiação deixou a certeza de que é possível im-

a revenda Daiba Comercial Agrícola, do município de Luís Eduardo Magalhães (BA). Por fim, o programa elegeu o profissional destaque na comercialização consciente de EPIs. O prêmio foi para Marcelo Barbosa, da revenda Moraes e Bagaiolo, de São Joaquim da Barra (SP). Os resultados relacionados à venda de EPI pelas revendas agropecuárias durante e após o treinamento foram bastante animadores. Estimativas apontam que as empresas e funcionários envolvidos diretamente com o treinamento comercializaram 30% a mais de vestimentas de proteção em 2007. Embora o foco do AgroAção seja oferecer ferramentas de conhecimento para a fidelização de clientes através da orientação sobre saúde e qualidade de vida no campo, os resultados de venda são reflexo direto do incentivo gerado pelo programa dentro das revendas.

com.br também tem informações complementares sobre a associação e os treinamentos.

O QUE É? O AgroAção é um programa de treinamento a distância, implantado em 2007, que tem como objetivo a capacitação de profissionais das revendas associadas à Andav, espalhadas por todo território nacional. Através de 12 aulas supervisionadas por pedagogos e profissionais especialistas em saúde e qualidade de vida no campo, o projeto fornece aos participantes o conhecimento técnico para diferenciar produtos e fidelizar clientes com respostas a quaisquer dúvidas sobre produtos, legislações, responsabilidade social e vendas. O tema escolhido foi Equipamento de Proteção Individual (EPI) e contou com o apoio das empresas Azeredo zbx, Protect EPI, Chemino-

“A Andav foi premiada com o certificado Prata pelo programa de treinamento AgroAção, realizado via Internet ” Internet” plantar ações relativamente simples, focadas no conhecimento e no relacionamento entre empresas do agronegócio e seus clientes, de forma eficiente e bem estruturada, principal atributo dos projetos da Andav. Somente nos últimos meses, aproximadamente 20 revendas adquiram o selo AgroAção de Qualificação Profissional oferecido aos proprietários como reconhecimento por ter treinado mais de 80% de seus funcionários. Ao final da edição 2007, tivemos três categorias de premiação dos participantes de todo o processo de treinamento. Na categoria Revenda que mais comercializou EPIs, a premiada foi a Adubos Real, do município de Pouso Alegre (MG). Na categoria Revenda com maior coeficiente de vendas de EPI por funcionário treinado, recebeu o prêmio

36

Portanto, a Andav tem a certeza de que, seja pela premiação concedida pela ABMR&A, pelos números da edição 2007 ou pela satisfação dos participantes, houve real envolvimento de toda a cadeia, muito importante na ligação entre a indústria agrícola e o produtor. E a motivação que tudo isto proporciona permite expandir e aprimorar o programa. As estratégias para a implantação da nova edição do AgroAção já estão em fase de finalização, e o programa tem previsão de início para breve. Novos temas de treinamento, incentivos, interação entre equipes das revendas e muitas surpresas serão amplamente divulgados para todos. Para os interessados em conhecer todas as etapas do AgroAção 2007, o site www.agroacao.com.br está à disposição e o portal da Andav www.andav.

Maio 2008 • www.revistacultivar.com.br

va e do Selo Qualidade de Equipamentos de Proteção Individual na Agricultura (Quepia), um programa desenvolvido pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Nesta primeira edição, o sucesso foi imediato e confirmou que a capacitação profissional é, hoje, um dos maiores desafios do canal de distribuição, bem como de todo o agronegócio brasileiro. Muitas revendas agropecuárias têm expressado a surpresa do envolvimento de seus funcionários no C AgroAção. Henrique Mazotini Presidente Executivo da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários - Andav


Coluna Agronegócios

Água: use com moderação!

E

xistem três necessidades realmente básicas para a sobrevivência da humanidade: alimento, energia e água. O restante é decorrência, sendo resolvido de uma ou outra forma. Porém, se faltar comida e faltar água, morreremos; e, no estágio atual da civilização, se faltar energia, também morremos - entre outros motivos, porque o acesso à água e à comida depende de energia para transporte, processamento e conservação. A agricultura – ou o agronegócio, por extensão – tem tudo a ver com alimentos. É do processo produtivo agrícola e da transformação agroindustrial que saem os alimentos que abastecem a população da espaçonave Terra. A agricultura também se apresenta para ajudar na transição de uma matriz energética poluidora e insustentável, para outra que vise à sustentabilidade do

ma muito desigual sobre o planeta. Em um país como o Brasil, por exemplo, que detém quase 20% da água doce do mundo, 20% do território localizado na região Nordeste é semi-árido, com déficit hídrico alto e pluviosidade irregular. O mesmo ocorre em outras regiões, como grande parte da África no eixo do Saara, no Oriente Médio, na Índia, na China, nos EUA e na Europa que, embora não esteja em região semi-árida, possui baixa precipitação pluviométrica. Quando digo que a falta de água poderia atingir 60% da humanidade, coloco o verbo no condicional, porque não acredito que populações acostumadas a ter sua necessidade de água atendida - e que passem a sofrer restrições - vão se conformar com o fato. Prefiro acreditar que virá uma onda migratória sem precedentes, uma diáspora dos países onde a água se tornar escassa, em

pode ser mensurado pela desproporção entre o crescimento da população da Terra no século passado (300%) e o aumento do consumo de água (700%). Ocorre que, dos 65% de água que cobrem a terra, apenas 1% é água doce, prontamente utilizável. Deste pequeno percentual, já estamos utilizando 50%, valor que, de acordo com a FAO, subiria para 80% até 2050.

AGRICULTURA Três aspectos principais merecem a nossa atenção. O primeiro deles é que precisamos conscientizar todos os atores do agronegócio sobre a necessidade de poupar água ao longo da cadeia produtiva, e reduzir ao mínimo a contaminação de cursos deste recurso. O segundo aspecto trata da utilização da água em sistemas de irrigação, que deve atentar para os princípios de consumo

“Uma das formas de torná-la escassa é poluindo os cursos, sejam eles rios, lagos ou lençóis subterrâneos ” subterrâneos” sistema em forma perene. Já a relação da agricultura com a água é de outra ordem. Água representa um dos três insumos básicos do processo agrícola. A agricultura é dependente de água, mas não pode “produzi-la”. Deste ângulo, duas atitudes são importantes: auxiliar na preservação deste recurso natural e buscar formas de convivência da agricultura com a escassez cada vez mais freqüente da água. É o espectro das mudanças climáticas globais jogando seu manto nefasto sobre a agricultura e a segurança alimentar (e energética!) do planeta.

O PARADOXO Mas como poderia faltar água, se 65% da superfície do planeta é composta deste recurso hídrico? Oceanos imensos, o mar interno, representado pela bacia amazônica, o Pantanal, entre outros, não seriam suficientes para abastecer o planeta? Ocorre que, no momento atual, mais de 30% da população da Terra não tem suas necessidades de água supridas. E, segundo previsões da FAO, em 2050 este número poderia chegar a mais de 60%. A primeira razão é que a água encontra-se distribuída de for-

direção a países onde ela exista em abundância ou em quantidade suficiente. Onde faltará? Especialmente na Ásia e nos países que dependem de degelo para seu abastecimento. As mudanças climáticas têm alterado o volume de neve e de gelo acumulado nas montanhas, reduzido o volume de água dos rios e prejudicado o abastecimento doméstico ou para usos agrícolas e industriais. Outro fato preocupante é o esgotamento das águas subterrâneas na China, fruto do mastodôntico crescimento econômico, que faz com que os lençóis baixem quase um metro ao ano!

MAU USO E USO EXCESSIVO Além da escassez, precisamos considerar o mau uso da água. Uma das formas de torná-la escassa é poluindo os cursos, sejam eles rios, lagos ou lençóis subterrâneos. A contaminação pode ser agrícola (erosão, agroquímicos, fertilizantes), industrial (dejetos) ou doméstica (esgotos orgânicos, lixo). Observa-se , ainda, a perda da cobertura vegetal, em especial a mata ciliar, o que perturba o ciclo da água e provoca assoreamento irreversível. Há, também, o desperdício que

mínimo e de devolução da água à natureza em condições de potabilidade; e, finalmente, levar em conta que a pluviosidade deve sofrer profundas alterações no decorrer dos próximos anos, por conta das mudanças climáticas globais. Assim, vamos precisar desenvolver e implementar sistemas de produção para convivência com veranicos e estiagens. O sistema inclui rotação de culturas, manejo do solo e outras técnicas. Porém, será de capital importância desenvolver novas cultivares e variedades tolerantes à seca, para garantir produtividade e estabilidade às culturas. Neste particular, sou cético que possamos atingir este objetivo sem o uso intensivo de ferramentas científicas modernas, como a biotecnologia e a nanotecnologia. Lanço este libelo para antecipar uma discussão, antes que sejamos engolfados pela necessidade de mudanças, sem estarmos C preparados para elas. Décio Luiz Gazzoni Engenheiro agrônomo, membro do Painel Científico Internacional de Energia Renovável do Conselho Internacional de Ciências

http://dlgazzoni.sites.uol.com.br

www.revistacultivar.com.br • Maio 2008

37


Coluna Mercado Agrícola

Vlamir Brandalizze brandalizze@uol.com.br

Governos incompetentes culpam agricultura pela crise agrícola mundial Nas últimas semanas, ouvimos discursos pelo mundo a fora, onde representantes de grandes países, diretores e chefes de órgãos como ONU e FAO, apontam o setor agrícola e os biocombustíveis como os culpados pela crise agrícola mundial. Tal cenário tem feito as cotações dos alimentos crescerem em ritmo acelerado. Neste último mês foi a vez do arroz, que em 45 dias teve alta de 100%. E, mesmo assim, segue escasso de ofertas. Os governos incompetentes taxaram as exportações, na tentativa de baixar as cotações internamente, mas o tiro tem saído pela culatra. Tal medida serviu apenas para dar mais fôlego a novos ajustes, além de desestimular o plantio da nova safra. Ninguém fala que os custos cresceram, os fertilizantes quase dobraram de preços, da demanda maior que a produção e do efeito da alta do petróleo. O produto chegou ao recorde histórico em abril, próximo dos US$ 120 por barril. Já apontávamos o quadro atual há vários anos. Indicávamos o consumo mundial em crescimento maior que a produção e os grandes subsídios dados aos produtores da Europa e EUA, como um dos responsáveis por inibir o crescimento do plantio nos países pobres. Com os custos maiores que o valor dos alimentos, se caminhava para uma grande crise alimentar, que chegou. Agora, estamos consumindo muito mais do que produzimos e o quadro será difícil de ser revertido em curto prazo. Desta forma seguiremos com as cotações em alta. E, finalmente, com os produtores com chances reais de alguma margem de lucratividade para poder reinvestir na produção e na tecnologia, aumentar a produtividade, tentar baixar os custos e colocar mais alimentos no mercado. MILHO Medo da limitação das exportações No final de abril os produtores do milho temiam que o governo, como cogitou o próprio ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, pudesse impedir as exportações. Os reflexos diretos de tal medida seriam a retenção do produto no país e a queda nas cotações. Desta forma haveria desestímulo ao novo plantio. O ministro, que até então mostrava um bom trabalho, não foi feliz em apontar o bloqueio ou taxação das exportações como solução para segurar a inflação interna. O grande fator gerador de inflação no Brasil é o próprio governo, que teria que enxugar seus gastos e diminuir os impostos, para que os consumidores pudessem pagar menos pelos alimentos. O mercado segue com embarques na exportação e teve um mês quase estabilizado, com leve pressão de alta que ocorre normalmente depois do final da colheita. Se o governo tentar controlar o setor, certamente irá inflacionar rapidamente as cotações, já que a saída para os produtores será parar as vendas para escassear as ofertas, forçando alta nos indicativos. O mercado do milho, nas próximas semanas, não tem grande fôlego para alterações importantes e somente uma atitude errada do governo poderá trazer mudanças nas cotações.

SOJA Clima americano comanda mercado em maio Em maio o mercado da soja será comandado pelo clima nos EUA. Isso porque o plantio estará em sua fase principal e, dessa forma, se houver alterações no quadro das chuvas ou seca, certamente ocorrerão flutuações para cima e para baixo com maior vigor. Mas, em princípio, serão poucas as alterações, pois as cotações da soja já estão em níveis altos e, agora, para novos ganhos, teríamos que ver pela frente problemas no plantio ou nas lavouras. Por enquanto, isso não está previsto para maio e, desta forma, seguiremos com poucas alterações nos indicativos e novamente veremos as cotações entre US$ 28,00 e US$ 32,00 por saca nos portos brasileiros. FEIJÃO Segunda safra se aproxima A segunda safra começa a chegar ao mercado na segunda quinzena de maio e, se não tivermos geadas sobre as lavouras do Sul, certamente veremos um mercado com poucas alterações, mas também com espaço reduzido na linha de baixo. Isto ocorre porque os custos cresceram e os produtores já estão acostumados a trabalhar

com níveis acima dos R$ 100,00 por saca, criando desta forma, uma barreira psicológica para as negociações. O plantio da terceira safra começará agora, mas o trigo deverá disputar parte dos pivôs com o feijão, deixando-o com boas expectativas para o longo prazo. Com níveis esperados entre R$ 110,00 e R$ 160,00 por saca para as próximas semanas. ARROZ Crise mundial fortalece mercado interno A crise mundial do arroz fez com que os preços avançassem mais de 100% em 45 dias e serviu para fortalecer as cotações no Brasil. Mesmo sem ser exportado em grandes volumes, o produto teve forte alta em plena safra, saltando dos R$ 20,00/21,00 para os R$ 30,00/ 33,00 por saca. Desta forma, atraiu os produtores para venda no final de abril, quando se esperava por mais EGFs e menos vendas. O arroz seguirá com o mercado firme, porque o governo poderá fazer alguma besteira como já foi apontado pelo ministro da Agricultura que sinaliza que poderá taxar as exportações. Isso servirá apenas para colocar mais lenha na fogueira dos preços e dar argumento para os produtores puxarem os indicativos para cima.

CURTAS E BOAS TRIGO - O mercado segue firme, com cotações que variam dos R$ 700,00 aos R$ 800,00 por tonelada. Agora, com a Argentina suspendendo as vendas ao Brasil, os moinhos brasileiros serão forçados a buscarem novos fornecedores nos EUA e Canadá, o que representa custos maiores e também mais fôlego para ajustes internos. O preço poderá subir ainda mais nos próximos meses. O plantio está começando e, se o governo não atrapalhar, deveremos ter crescimento da área. ALGODÃO - A crise mundial do setor agrícola também dá forças ao algodão, que caminha para novos ajustes nos próximos meses. Isso deverá ocorrer porque tudo indica que vários países produtores devem diminuir a área nestas próximas safras para plantar alimentos e, desta forma, abre fôlego para alta, como se pode ver nas cotações futuras da Bolsa de Nova Iorque que trabalha próximo dos US$ 0,90 por libra, ou seja, aproximadamente 10% acima do mercado deste ano. EUA - O clima atrapalhou o início do plantio, mas agora o quadro tende a se normalizar. A soja ganha área frente ao milho e isso deverá reduzir o volume de grãos ofertados no mercado mundial, dando mais fôlego para alta nas cotações dos alimentos baratos. ÁSIA - A boa notícia para o setor agrícola está ligada ao crescimento das economias emergentes. O dito grupo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) apresenta a economia em bom ritmo de crescimento, mesmo com a crise america-

38

Maio 2008 • www.revistacultivar.com.br

na e européia. O fator de suporte ao crescimento destes países está ligado ao petróleo, que está sendo mantido estabilizado pelos governantes, sem ajustes dos preços da energia local e, assim, as empresas continuam trabalhando com custos baixos. O subsídio que os governos tem dado à energia oferece suporte para que a crise americana passe ao lado e não afete o crescimento desses países. Os índices estimados de crescimento econômico são de 5% para o Brasil, 8,5% para Rússia, 10% para China e 9% para Índia, o que gerará grande necessidade de alimentos. ARGENTINA - A crise do setor agrícola ainda não está definida e maio tem tudo para ser o mês em que o quadro venha a se complicar. Isto porque o governo não quer abrir mão da taxação das exportações e também tem limitado a venda de produtos como o trigo, prejudicando os produtores e, desta forma, o setor produtivo caminha para nova greve a partir da segunda quinzena do mês. BRASIL - A colheita da primeira safra chega ao final e, temos recorde em cima do milho e da soja, que devem fechar algo entre 42 milhões de toneladas e 61 milhões de toneladas, respectivamente. Enquanto isso, ainda temos números baixos para o feijão, que teve grandes perdas e limitação. O arroz que apresenta recorde de colheita no Rio Grande do Sul, onde está fechando entre 7,2 milhões de toneladas a 7,5 milhões de toneladas.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Cultivar 108 by Grupo Cultivar - Issuu