Gerri Chanel
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Gerri Chanel
SALVANDO A
MONA LISA A extraordinária batalha para proteger o Louvre e seus tesouros da invasão nazista
tradução de marcelo
hauck
Copyright © 2014 Gerri Chanel Copyright da tradução © 2019 Editora Vestígio Título original: Saving Mona Lisa: The Battle to Protect the Louvre and its Treasures from the Nazis Todos os direitos reservados pela Editora Vestígio. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da Editora.
editor responsável
capa original
Arnaud Vin
Dan Mogford
editor assistente
adaptação de capa
Eduardo Soares
Diogo Droschi
assistente editorial
diagramação
Pedro Pinheiro
Guilherme Fagundes
preparação e revisão
Carol Christo Eduardo Soares
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil
Chanel, Gerri Salvando a Mona Lisa : a extraordinária batalha para salvar o Louvre e seus tesouros da invasão nazista / Gerri Chanel ; tradução Marcelo Hauck. -- São Paulo : Editora Vestígio, 2019. Título original: Saving Mona Lisa : The Battle to Protect the Louvre and its Treasures from the Nazis. ISBN: 978-85-54126-31-5 Bibliografia. 1. França - História - Ocupação alemã, 1940-1945 2. Guerra Mundial, 1939-1945 - Arte e a guerra 3. Museu do Louvre - História - Século 20 4. Propriedade cultural - Proteção - França - História - Século 20 I. Título. 19-25993
CDD-069.0944
Índices para catálogo sistemático: 1. Museu do Louvre : Proteção : França : História 069.0944 Maria Alice Ferreira - Bibliotecária - CRB-8/7964
A VESTÍGIO É UMA EDITORA DO GRUPO AUTÊNTICA São Paulo Av. Paulista, 2.073 . Conjunto Nacional Horsa I . 23º andar . Conj. 2310-2312 Cerqueira César . 01311-940 São Paulo . SP Tel.: (55 11) 3034 4468 www.grupoautentica.com.br
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museu do louvre
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primeiros depósitos de armazenamento durante a segunda guerra mundial
Principais locais de armazenamento durante a Segunda Guerra Mundial, e a divisão da França de junho de 1940 a novembro de 1942.
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itinerário da mona lisa
Setembro de 1938 De Paris para Chambord
Setembro 1938 De Chambord para Paris
Agosto 1939 De Paris para Chambord
Novembro 1939 De Chambord para Louvigny
Junho 1940 De Louvigny para Abadia de Loc-Dieu (Martiel) Outubro 1940 Da Loc-Dieu para Montauban Março 1943 De Montauban para o Castelo de Montal (Saint- Jean-Lespinasse)
Junho 1945 De Montal para Paris
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indivíduos e organizações em destaque
indivíduos
Papéis durante a Segunda Guerra Mundial
franceses Marcel Aubert – Curador do Departamento de Esculturas do Louvre. Germain Bazin – Curador assistente do Departamento de Pinturas do Louvre, subordinado a René Huyghe, chefe do depósito de arte no castelo de Sourches. Joseph Billiet – Diretor assistente do sistema Museus Nacionais (Musées Nationaux), subordinado a Jacques Jaujard, diretor. Jacqueline Bouchot-Saupique – Historiadora de arte e professora da École du Louvre, também foi assistente de Jacques Jaujard durante a guerra. Abel Bonnard – Designado Ministro da Educação Nacional em abril de 1942, em substituição a Jérôme Carcopino. A Administração de Belas-Artes francesa ficou sob sua responsabilidade. Jérôme Carcopino – Ministro da Educação Nacional de 1941 a 1942, foi substituído por Abel Bonnard. André Chamson – Até a guerra, curador assistente em Versalhes, além de escritor. Residiu com a esposa, Lucie Mazauric, arquivista do Louvre, nos depósitos para onde foram evacuados itens do museu. Christiane Desroches Noblecourt – Funcionária do Louvre especializada em egiptologia. 13
Carle Dreyfus – Curador do Departamento de Objetos de Arte do Louvre e primeiro diretor do depósito em Valençay. Hans Haug – Diretor do depósito em Cheverny a partir de 1940. Louis Hautecœur – Secretário-geral de Belas-Artes a partir de meados de 1940. O sistema nacional de museus francês – inclusive o Louvre – estava sob seu controle. Reportava-se ao Ministro da Educação Nacional. Foi substituído no primeiro semestre de 1944 por Georges Hilaire. Magdeleine Hours – Funcionária do Louvre especializada em restauração de pinturas. René Huyghe – Curador-chefe do Departamento de Pinturas do Louvre, subordinado a Jacques Jaujard. Chefe de vários depósitos para onde foram despachados itens do Louvre. Jacques Jaujard – Designado diretor interino dos Museus Nacionais em dezembro de 1939 e diretor em setembro de 1940. Responsável pelo Louvre. Reportava-se ao Secretário-Geral de Belas-Artes, Louis Hautecœur. Suzanne Kahn – Assistente de Jaujard quando a Guerra começou. Lucie Mazauric – Responsável pelos arquivos do Louvre. Residiu nos depósitos para onde foram enviados itens do Louvre durante a guerra; casada com André Chamson. Pierre Laval – O primeiro-ministro do governo de Vichy de junho a dezembro de 1940 e de abril de 1942 a agosto de 1944, subordinado ao Chefe de Estado Philippe Pétain. Philippe Pétain – Chefe de Estado do governo de Vichy. Pierre Schommer – Um dos administradores sêniores do sistema nacional de museus francês; chefe do depósito Chambord para onde foram despachados itens do Louvre. Charles Sterling – Curador no Departamento de Pinturas do Louvre; designado para os depósitos aos quais foram enviados itens do Louvre. Rose Valland – Voluntária da equipe do Museu Jeu de Paume. Gérald Van der Kemp – Funcionário do Louvre; chefe do depósito Valençay, para onde foram transferidos itens do Louvre, no segundo semestre de 1940. Henri Verne – Diretor dos Museus Nacionais de 1926 a 1939; foi substituído por Jacques Jaujard em 1940. 14
alemães Otto Abetz – Designado embaixador alemão na França em 1940. Aliado de Joachim von Ribbentrop. Hermann Bunjes – Historiador de arte designado em 1940 para a agência de proteção à arte Kunstschutz, subordinado a Franz von Wolff Metternich. Aliado de Hermann Göring. Karl Epting – Trabalhava para Otto Abetz como consultor cultural. Joseph Goebbels – Ministro da Propaganda do Reich de Hitler. Hermann Göring – Segundo oficial mais importante na cadeia de comando de Hitler e chefe da Luftwaffe, a força aérea alemã. Heinrich Himmler – Superintendente da Gestapo, da SS e do grupo de pesquisa cultural Ahnenerbe. Felix Kuetgens – Funcionário do alto escalão da Kunstschutz. Otto Kümmel – Diretor dos Museus Estatais de Berlim e chefe do projeto para identificação de obras de arte de “origem” alemã localizadas em outros países. Joachim von Ribbentrop – Ministro das Relações Exteriores de Hitler. Alfred Rosenberg – Filósofo oficial e teórico racial do partido nazista; em meados de 1940, também foi designado chefe da Einsatzstab Reichsleiter Rosenberg (ERR). Bernhard von Tieschowitz – O subchefe da Kunstschutz. Conde Franz von Wolff Metternich – Chefe da Kunstschutz, efetivado no primeiro semestre de 1940.
organizações francesas Forças Francesas Livres (FFL) – Grupo de Resistência liderado por Charles de Gaulle de sua base em Londres. Forças Francesas do Interior (FFI) – Formado a partir da unificação de vários grupos de Resistência em fevereiro de 1944. Milice – Força paramilitar secreta financiada pelo governo de Vichy. Museus Nacionais – Organização guarda-chuva de todos os museus estatais franceses, inclusive o Louvre e outros museus como Cluny, Jeu de Paume, indiv í duos e organi z a ç õ es em desta q ue
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Guimet, Museu de Arte Moderna e Versailles. Mais tarde no decorrer da Guerra, museus estaduais também passaram a ser administrados por ela. Jacques Jaujard foi diretor do Sistema durante a guerra. Os Museus Nacionais estavam sob os auspícios da Administração de Belas-Artes, a qual, por sua vez, era controlada pelo Ministério da Educação Nacional. Regime de Vichy – O governo pró-nazismo francês criado em meados de 1940 sob a liderança de Philippe Pétain. Foi batizado com o nome da cidade na região central da França na qual ficava a sede do regime.
alemãs Ahnenerbe – Grupo de pesquisa dedicado a provar a crença de Hitler na existência de uma raça Ariana superior da qual, de acordo com o ditador, os alemães modernos descendiam. Era chefiada por Heinrich Himmler. Einsatzstab Reichsleiter Rosenberg (ERR) – Força-Tarefa Reichsleiter Rosenberg. Organização do partido nazista dedicada a se apoderar de propriedades culturais; liderada por Alfred Rosenberg. Kunstschutz – Unidade das forças armadas alemãs (Wehrmacht) responsável pela proteção de monumentos, obras de arte e outros itens em territórios ocupados.
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prólogo
O
Louvre é o museu mais visitado do mundo. Quando a vasta maioria de seus quase 10 milhões de visitantes anuais vão prestar homenagem a Mona Lisa, Vênus de Milo, Vitória de Samotrácia e uma série de outras obras-primas de tirar o fôlego, eles acreditam que as coleções sempre estiveram calma e majestosamente em exposição. Mas nada poderia estar mais distante da verdade do que isso, pois o Louvre fica em uma cidade que já vivenciou muitas guerras. Às 5 da tarde do dia 25 de agosto de 1939, nove dias antes de a França declarar guerra à Alemanha, o Louvre fechou as portas para os visitantes. Momentos depois, um pequeno exército de funcionários do museu e voluntários começou a trabalhar dia e noite para desmontar, embalar e encaixotar algumas das peças de arte e antiguidades mais preciosas do mundo enquanto providenciavam a maior evacuação de museu da história. Três dias depois, às 6 horas da manhã, comboios de caminhões começaram a se afastar levando os tesouros do Louvre para vários castelos no Vale do Loire. Os itens foram marcados com um sistema de círculos: dois círculos vermelhos para aqueles com prioridade máxima de remoção, verdes para os mais significativos em meio ao restante e amarelos para as obras de prioridade inferior. Dos muitos milhares de tesouros, apenas um tinha três círculos vermelhos, a pintura sobre a qual um biógrafo de Leonardo da Vinci disse: “Se fosse decretado que todas 17
as pinturas na Europa, com exceção de uma, devessem ser destruídas, sabemos qual delas seria salva”. A Mona Lisa saiu no primeiro comboio, acomodada em um estojo de álamo com o interior acolchoado com veludo vermelho, feito sob medida, que em seguida foi cuidadosamente posto em um caixote. Durante os seus cinco anos de exílio, ela seria transportada seis vezes, todas envolvendo muita ansiedade. Nos depósitos do interior do país, ela geralmente dormia ao lado da cama de curadores que tinham a dolorosa ciência de sua enorme responsabilidade para com uma das mais famosas e valiosas obras de arte do mundo todo. Mais de 3.600 pinturas seriam resgatadas do Louvre, além de muitos milhares de desenhos, gravuras, esculturas, antiguidades e objetos de arte, assim como os arquivos do museu e boa parte de sua biblioteca. Os passos iniciais da operação se desdobrariam em grande parte como um balé bem ensaiado, graças a quase uma década de planejamento intensivo. Mas uma evacuação pode ser planejada, uma guerra, nem tanto. Os administradores do Louvre não tinham como saber quais planos os alemães teriam para a arte francesa durante a Segunda Guerra Mundial nem que também precisariam lutar contra os líderes do governo da França de Vichy. Durante seis anos, os diretores do Louvre e seus funcionários arriscariam o emprego e, em muitos casos, a vida, para proteger as obras de arte e o palácio do Louvre não apenas do apetite pessoal dos líderes alemães, mas também de bombardeios, incêndios, enchentes, roubos e da perversidade das represálias militares alemãs. Esta é a história deles.
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A Mona Lisa em seu estojo.
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